Ciência e Pseudociência


Resumo

O episódio discute as diferenças fundamentais entre ciência e pseudociência, com foco no método científico, na importância da evidência empírica e na falsificabilidade das teorias. Os participantes destacam que a ciência é caracterizada pela disposição de mudar de ideia diante de novas evidências, enquanto as pseudociências tendem a ser dogmáticas e imutáveis.

São apresentados diversos exemplos de pseudociências, como homeopatia, astrologia, florais e as alegações sobre as propriedades “mágicas” da água feitas por Masaru Emoto. Os debatedores criticam a falta de evidências robustas e a contradição com o conhecimento científico estabelecido nesses campos. A conversa também aborda o uso do discurso científico para legitimar práticas sem base factual, muitas vezes com fins comerciais.

Um ponto central é o conceito de falsificabilidade, proposto por Karl Popper, como critério para distinguir ciência de pseudociência. Enquanto teorias científicas podem ser refutadas por evidências contrárias, as pseudociências adaptam-se para explicar qualquer resultado, tornando-se irrefutáveis. A discussão também explora a diferença entre evidência científica (resultados replicáveis e controlados) e evidência anedótica (relatos pessoais).

Os participantes enfatizam que a ciência não é um corpo de certezas, mas um processo contínuo de investigação e revisão. Eles alertam os ouvintes para desconfiarem de alegações extraordinárias, especialmente quando associadas a produtos comerciais, e incentivam uma postura crítica e inquisitiva. O episódio conclui com a ideia de que a ciência prospera na dúvida e na disputa de ideias, ao contrário das pseudociências, que muitas vezes se apresentam como verdades absolutas.


Indicações

filmes

  • Quem Somos Nós? — Mencionado como um exemplo que dissemina ideias pseudocientíficas, especificamente sobre as supostas propriedades mágicas da água influenciadas por pensamentos e palavras.

pessoas

  • Karl Popper — Filósofo austríaco citado por seu critério da falsificabilidade, que distingue ciência de pseudociência: uma teoria científica deve poder ser testada e potencialmente refutada por evidências.
  • Masaru Emoto — Citado como exemplo de pseudocientista que alega que a água forma cristais diferentes dependendo das palavras escritas nas etiquetas das garrafas. É criticado por vender ‘água energizada’ e garrafas vazias com propriedades mágicas.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Introdução ao tema Ciência e Pseudociência — O programa é apresentado, com os participantes Renato Flores, Carlos Miralha, Jefferson Orenzon e Marco de Arte. Eles introduzem o tema central: a distinção entre ciência genuína e práticas que se travestem de ciência (pseudociências) para ganhar credibilidade ou vender produtos.
  • 00:01:45O método científico e a mente aberta — Renato Flores define a ciência pelo seu método e pela disposição dos cientistas em mudar de ideia diante de novas evidências. Ele contrasta isso com a rigidez das pseudociências, usando como exemplo a homeopatia, que não evoluiu em 200 anos. A ciência é apresentada como um processo dinâmico, não um livro sagrado.
  • 00:04:06A legitimidade institucional e o financiamento público — Carlos Miralha levanta a questão política e institucional: por que universidades públicas não oferecem cursos de astrologia? Ele problematiza o papel do Estado em financiar apenas fontes consolidadas de conhecimento, destacando a necessidade de definir claramente o que é ciência para tomar essas decisões.
  • 00:06:11Exemplos de pseudociências e charlatanismo — Renato Flores critica veementemente práticas como os florais de Bach, classificando-as como vigarice e banditismo que exploram a credulidade das pessoas. Ele argumenta que se aproveitam do discurso científico para vender produtos ineficazes, como também ocorre com a ‘água energizada’ de Masaru Emoto.
  • 00:08:21O caso da água e o filme ‘Quem Somos Nós?’ — Marco de Arte relata uma experiência em sala de aula ao discutir o filme ‘Quem Somos Nós?’ e as alegações pseudocientíficas sobre a água ‘consciente’ de Masaru Emoto. Os participantes desmontam o experimento, apontando contradições internas e a falta de rigor científico, mostrando como ideias falsas podem ser disseminadas por meios populares.
  • 00:13:32A importância da evidência e do placebo — A discussão se aprofunda no conceito de evidência científica. É explicado que em ciência, evidência significa resultados testáveis, replicáveis e obtidos de forma isenta (como em ensaios duplo-cegos). Contrasta-se isso com a evidência anedótica usada por pseudociências, como a homeopatia, onde a melhora natural é confundida com efeito do tratamento, ignorando o poderoso efeito placebo.
  • 00:15:41O critério da falsificabilidade de Karl Popper — Carlos Miralha introduz o critério de falsificabilidade de Karl Popper para distinguir ciência de pseudociência. Ele explica que uma teoria científica deve fazer previsões que possam ser testadas e potencialmente refutadas. Pseudociências, como a astrologia ou a psicanálise (em sua visão), se adaptam para explicar qualquer resultado, tornando-se irrefutáveis e, portanto, não científicas.
  • 00:21:06Espiritismo e o desafio da evidência objetiva — Os debatedores analisam o espiritismo sob a ótica científica. Concordam que, enquanto crença religiosa, é uma questão de fé. No entanto, quando alega fornecer evidências científicas (como psicografia), falha. Jefferson propõe um ‘desafio espírita’: produzir, via psicografia, um artigo científico original com resultados novos e verificáveis, algo que exigiria conhecimento objetivo e não subjetivo.
  • 00:24:41Conclusão: ciência como lugar da dúvida e do progresso — Os participantes fazem um fechamento, enfatizando que demarcar os limites é necessário, porém complexo. Eles ressaltam que a ciência é o lugar do progresso e da incerteza, não da verdade absoluta. Alertam os ouvintes para desconfiarem de alegações milagrosas, especialmente as usadas para vender produtos, e encorajam uma postura crítica, lembrando que o papel do cientista é justamente desconfiar e testar.

Dados do Episódio

  • Podcast: Fronteiras da Ciência
  • Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
  • Categoria: Science
  • Publicado: 2010-06-20T10:40:05Z

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência, da rádio da Universidade, onde discutiremos

[00:00:22] os limites entre o que é ciência e o que é mito.

[00:00:26] O tema de hoje é Ciência e Pseudociência.

[00:00:42] Aqui na mesa eu tenho o professor Renato Flores, do Departamento de Genética da URX, o Carlos

[00:00:49] Miralia, do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Pelotas, o Jefferson Orenzon, do

[00:00:55] Instituto de Física, Departamento de Física, e eu, Marco de Arte da Física da URX.

[00:01:00] Fazer ciência passou a ser um lance de marketing, e as pessoas, em geral, dizem, para tentar

[00:01:06] dar uma qualificação boa para o que eles estão fazendo, dizem, ah, o que eu estou

[00:01:09] fazendo é ciência.

[00:01:10] Isso acontece tanto em ciência como em indústria, hoje em dia se vende uma série de produtos

[00:01:15] onde se diz que são científicos para que se venda mais.

[00:01:18] E aí vem essa questão de o que é fazer ciência, se essas coisas são realmente científicas

[00:01:23] ou não.

[00:01:24] E esse é o nosso tema, porque existe aquilo que se chama ciência, que está bem definido,

[00:01:29] e existe uma série de coisas parecidas com ciência, que a gente vai chamar aqui de pseudociência,

[00:01:34] e que parecem, mas não são ciência.

[00:01:36] Então eu queria começar instigando a mesa, então, a falar sobre esse assunto, vou convidar

[00:01:40] o Renato para nos dizer alguma coisa sobre isso.

[00:01:45] Bom, eu acho que a gente pode separar claramente uma coisa ciência das outras, é o método

[00:01:52] que a gente usa, e especialmente é a ideia clara que a gente tem na ciência, todos nós

[00:01:59] cientistas de que um dia eu vou mudar de ideia, e que eu não sou casado com nenhuma dessas

[00:02:05] ideias e que eu troco de ideia da mesma maneira que eu troco de roupa, desde que alguém me

[00:02:10] mostre as evidências claras.

[00:02:12] Então, não é um livro sacro que me guia, não é uma crença em algum poder mágico,

[00:02:19] mas é o que os meus colegas estão descobrindo e quanto que esse conhecimento novo vai me

[00:02:26] obrigar a mudar de ideia.

[00:02:28] Só para contar uma historinha rápida assim, quando eu virei professor, a prova que eu

[00:02:34] tive para virar professor era dar uma aula sobre evolução humana, isso há mais ou

[00:02:38] menos uns vinte anos atrás, a aula que eu dei há vinte anos atrás, em que eu tirei

[00:02:45] dez para virar professor da URBS, hoje eu tiraria zero, porque os dados sobre evolução

[00:02:51] dos fósseis humanos e das espécies que antecederam o homo sapiens mudou tanto que aquela minha

[00:02:57] aula era um absurdo de errada.

[00:03:00] E agora eu dou uma aula completamente diferente e não tenho vergonha nenhuma, na época eu

[00:03:05] estava usando o conhecimento certo, aí o conhecimento mudou e eu mudei de roupa junto

[00:03:10] com o conhecimento.

[00:03:11] O interessante é que por trás e por tido no que você está dizendo tem o conceito

[00:03:14] de mente aberta, eu acho que o cientista faz parte do método de ser receptivo às novas

[00:03:21] evidências, o que não acontece, essa é uma das distinções possíveis com pseudociências.

[00:03:25] As pseudociências, em geral, elas continuam as mesmas desde o momento que elas foram inventadas,

[00:03:30] por exemplo, a homeopatia surgiu há 200 anos, ela não evoluiu, se vocês compararem com

[00:03:36] qualquer área da medicina, o que aconteceu em 200 anos, mostra a receptividade que o

[00:03:41] cientista tem a novas ideias.

[00:03:42] Assim, eu gostaria de retomar o mote que foi lançado por um dos nossos colegas no início

[00:03:52] aqui da abertura do programa, eu, para na verdade colocar assim uma preocupação minha

[00:03:59] que me trouxe aqui, na verdade acho que tem elementos políticos, institucionais que estão

[00:04:06] envolvidos nesse debate, porque é uma pergunta natural, acho que todos poderiam fazer se

[00:04:12] perguntar por que que nas universidades públicas não tem um curso de astrologia, já que as

[00:04:19] pessoas dizem que essa é uma ciência que em forma relata alguma espécie de conhecimento.

[00:04:26] Existem universidades que até tem cursos parecidos com astrologia, eu não vou citar eles.

[00:04:31] Sim, mas universidades públicas não, universidades públicas não, porque a pergunta natural

[00:04:37] é essa, afinal de contas será que o estado deveria financiar algo que não está consolidado

[00:04:46] assim como uma fonte efetiva de conhecimento, só que claro que isso nos traz agora a obrigação

[00:04:53] de estabelecer e especificar o que nós entendemos por conhecimento mesmo, embora o professor

[00:05:00] Renato já tenha já tenha adiantado o essencial do que vai tipificar, qualificar o que se entende

[00:05:07] por ciência, especialmente a ideia de ciência que acho que vem a partir do Renascimento,

[00:05:13] mas eu acho que talvez a gente tenha que demarcar melhor o nosso tipo de preocupação, que

[00:05:18] acho no fundo é uma espécie de preocupação política, e não passar uma imagem ideológica

[00:05:25] equivocada que nós somos contra essas pessoas que fazem as tais pseudosciências, que nós

[00:05:32] proibimos que eles façam.

[00:05:34] Sim, claro, é exatamente, talvez a gente em algum momento dessa mesa a gente vai ter

[00:05:38] que pegar e enumerar quais são os pontos principais que definiriam a ciência, o Renato

[00:05:47] já poste, que seria o fato de a gente estar sempre pronto a mudar, sempre pronto a testar

[00:05:52] os limites daquilo que a gente considera que é uma teoria, né?

[00:05:55] Eu diria que é essencial mesmo isso, isso é essencial, a gente aceita o erro, aceitamos o erro.

[00:06:03] Isso é uma delas, é uma delas.

[00:06:05] Tá, mas eu gostaria de deixar bem claro que eu, professor Renato Zamoraflores, cujos dados

[00:06:11] técnicos podem ser achados no site da orgus na sessão de funcionários, acho que algumas

[00:06:17] coisas são vigarices sem vergonha, então eu acho, por exemplo, que florais é uma forma

[00:06:23] de enganar e de explorar as pessoas e se aproveitar da crendice deles, eu acho que

[00:06:30] florais é uma questão de banditismo, aqueles que não se sentirem adequados, vou repetir,

[00:06:36] professor Renato Zamoraflores, me processa.

[00:06:41] É uma questão de definir o que significa a prática ilegal da medicina, é simplesmente,

[00:06:47] a prática porque não é médico ou praticar coisas que não são.

[00:06:51] Eu diria que o buraco é um pouco mais embaixo, desde quando uma solução de planta fervida,

[00:06:57] de flor fervida vai ter aqueles poderes mágicos, aquilo é sem vergonha esse, aquilo é enganar

[00:07:04] o povo porque não estão dando de graça, as pessoas pagam pelo raio dos florais, acabei

[00:07:09] de ver um livro na livraria, florais para cães, mas se as pessoas não tem vergonha

[00:07:14] na cara.

[00:07:15] Eu acho que esse é um ponto interessante, porque existem áreas seguidas por um número

[00:07:24] bastante grande de pessoas, por uma certa quantidade de conhecimento para qual não

[00:07:30] existe evidência nenhuma, existe uma total incompatibilidade com tudo que se conhece

[00:07:35] nas outras áreas da ciência, ou seja, o exemplo dos florais ou da própria homeopatia,

[00:07:43] não existe nenhum mecanismo científico que explicaria tais coisas, mas isso não

[00:07:50] é um problema em si, a gente poderia ter um fenômeno por qual não existe nenhuma

[00:07:53] explicação.

[00:07:54] O que você disse é uma coisa interessante, essas pseudociências, elas propõem fenômenos

[00:08:00] que não só não tem evidências experimentais, onde você possa testar de uma maneira isenta,

[00:08:06] como também contradiz todas aquelas outras coisas que a gente aprendeu que sim tem modos

[00:08:11] da gente testar de forma isenta e reproduzir.

[00:08:15] Eu até estava em aula falando com a minha turma de física e eu mencionei o filme Quem

[00:08:21] Somos Nós e as propriedades mágicas da água que aparece lá, que elas contradizem tudo

[00:08:27] que a gente conhece sobre o comportamento de líquidos com átomos e moléculas.

[00:08:32] Elas se auto-protradizem também.

[00:08:34] Não, exatamente, mas ali alguns dos meus alunos, que são alunos de primeiro ano, eles

[00:08:40] olharam para mim e se espantaram, mas, professor, isso não é verdade?

[00:08:45] Será que em filmes, no cinema, mentira?

[00:08:49] Como pode?

[00:08:52] Vocês chegaram a pensar como estranho é o que está sendo dito?

[00:08:55] Só para exemplificar para quem está ouvindo o que se trata, essa experiência que o Marco

[00:09:02] relatou foi feita no Japão pelo Emoto e ele congelou amostras de água com etiquetas.

[00:09:09] As etiquetas podiam ter palavras boas ou más, por exemplo, amor ou ódio.

[00:09:15] Não importa, segundo eles, a água sabe, então se escrever em Klingon, a água sabe.

[00:09:24] Mas eu já me perguntei assim, o que acontece se eu escrever amor e pensar ódio?

[00:09:29] Bom, não sei, mas a água sabe.

[00:09:33] Então em função do que foi colocado na etiqueta, ao congelar, os cristais formados

[00:09:38] vão ser mais ou menos simétricos.

[00:09:40] Bom, que cristais?

[00:09:42] Quando se congela uma amostra de água, se formam zilhões de cristais.

[00:09:46] Se vocês pegam uma garrafa onde está escrito amor e saem procurando, vocês vão encontrar

[00:09:51] cristais simétricos.

[00:09:52] Só que o cristal se forma quando tem uma impureza na água, então já tem uma certa

[00:09:57] contradição.

[00:09:58] Porque a água não é tão pura.

[00:09:59] O cristal é simétrico quando a água é impura.

[00:10:01] Uma vez, falando sobre esse assunto, quando a gente fez um debate sobre esse filme, eu

[00:10:07] usei isso como exemplo.

[00:10:08] Então toda vez que os meus alunos escrevem as equações na mão antes de uma prova, é

[00:10:14] o equivalente da etiqueta na água.

[00:10:16] Na verdade, eles não estão tentando burlar o sistema, eles estão tentando ensinar seus

[00:10:21] líquidos interiores do conteúdo.

[00:10:23] É só a ideia, tu podia vender isso.

[00:10:27] Por sinal, como é o nome da pessoa, do teórico da água?

[00:10:33] Eu creio que é Emoto.

[00:10:34] Sim, eu vi que no site dele ele vende as águas purificadas e amorosas e coisas assim.

[00:10:43] Que é o equivalente dessas muteco que vendem florais por aqui espalhados pela cidade.

[00:10:49] Mas o que eu mais gostei dele é que ele não só vende a água, que é algo como 10 dólares

[00:10:53] a garrafa, ele trata a água, eles energizam a água, faz alguma coisa desse tipo, mas

[00:11:03] você não só vende isso, como ele vende uma coisa mais interessante, ele vende uma

[00:11:06] garrafa vazia que tem a propriedade de fazer a água ficar energizada para o bem.

[00:11:14] E essa garrafa ele vende por 100 dólares, uma garrafa de vidro.

[00:11:16] Você pode comprar lá e aí você vai ter para o resto da sua vida, água especialmente

[00:11:22] tratada.

[00:11:23] E o que que nosso ouvinte aprende com isso?

[00:11:25] Veja, essas coisas que se travestem de ciência, porque o discurso da ciência é bom quando

[00:11:31] o cientista diz que provavelmente vai fazer uma coisa, é bem possível que ele faça

[00:11:37] e que poucas coisas progredem como a ciência, isto serve de um ótimo rótulo para induzir

[00:11:46] você a comprar e consumir coisas que não têm qualquer eficiência.

[00:11:52] Então o que essas pessoas, quer o japonês com a água miraculosa e seus cristais, quer

[00:12:00] o uso de florais, quer outras coisas, terapia de regressão a vida passada, vou ficar na

[00:12:05] área médica onde eu entendo mais, terapia por imposição de mãos, serve para isso,

[00:12:11] para usar o discurso da ciência e fazer você crente, otário, gastar o seu dinheiro.

[00:12:17] Então não seja otário.

[00:12:19] Esse é o programa Fronteiras da Ciência, da rádio da Universidade e hoje a gente

[00:12:23] está discutindo ciência e pseudociência.

[00:12:27] Uma outra coisa que eu queria saber, então vamos tentar de novo estabelecer as similaridades

[00:12:33] e as diferenças.

[00:12:35] No caso que o Renato estava dizendo há pouco, o discurso da pseudociência se aproxima

[00:12:42] cada vez mais da da ciência, os termos estão ficando cada vez mais parecidos.

[00:12:47] Então para o ouvinte ou para a pessoa leiga, não existe diferença entre uma pessoa falando

[00:12:53] que vai fazer uma colisão no super acelerador e conseguir as partículas da vida, ou de

[00:12:59] Deus, que os físicos estão brincando, isso é uma brincadeira, que é a partícula de

[00:13:05] Deus simplesmente porque é a partícula mais importante de uma teoria muito importante

[00:13:10] da matéria.

[00:13:11] Então eles estão procurando, qual é a diferença entre esse discurso e o discurso de uma pessoa

[00:13:15] que diz, aí eu boto magnetos no conchão e eu vou curar o teu problema de coluna, porque

[00:13:21] aí descreve todo o magnetismo, o jeito que ele interage, qual é a diferença?

[00:13:25] A diferença essencial é a evidência, o que se considera em ambos os casos como evidência,

[00:13:32] em ciência evidência significa que um determinado resultado vai ser testado independentemente

[00:13:38] por pessoas em lugares diferentes, que esses resultados vão ser obtidos com o experimento

[00:13:44] mais isento possível, de preferência duplo cego, duplo cego não significa por exemplo

[00:13:49] Qual é a diferença, por exemplo, a homeopatia, só para citar uma coisa que está no limite

[00:13:52] da discussão, a homeopatia, a homeopatia existe há alguns anos e tem gente que diz

[00:13:57] eu curei o meu gato, eu curei o meu tio doente, o exemplo típico é, eu estava com o resfriado

[00:14:04] e tomei remédio homeopático, em uma semana eu estava bom, claro todo mundo fica bom de

[00:14:08] um resfriado em uma semana.

[00:14:10] Então a questão é evidência, como é que a gente distingue um resultado genuíno que

[00:14:15] é um efeito daquele remédio, embora a homeopatia tem toda uma discussão porque a homeopatia

[00:14:21] é água, não existe nenhuma molécula lá dentro do composto original, como é que

[00:14:28] a gente distingue então o efeito da poção homeopática que eu gosto de chamar, do efeito

[00:14:34] placebo, então isso pode ser feito com um duplo cego, nem a pessoa que está administrando

[00:14:40] o remédio, nem a pessoa que está recebendo devem ter ideia de que se aquilo ali é um

[00:14:44] placebo ou é um remédio, você tem que fazer um grupo de controle o maior possível, dois

[00:14:49] grupos, um que recebe o remédio, um que recebe o placebo e ao longo do tempo se vê se existe

[00:14:55] algum resultado significativo.

[00:14:58] Chefe, o efeito placebo o que significa?

[00:15:02] Significa que se você acredita que o remédio vai melhorar você já melhora um tanto, então

[00:15:06] para saber se o remédio de fato melhora ele tem que melhorar mais do que a crença do

[00:15:11] indivíduo, porque simplesmente acreditar que o remédio vai funcionar já cura a boa

[00:15:16] parte.

[00:15:17] O relato tem razão, eu tenho esse relato, eu sempre me curo na sala do médico, quando

[00:15:23] eu estou na sala de espera todos os sintomas desaparecem, eu me sinto humilhado porque

[00:15:27] eu vou chegar na frente do médico e não vou dizer o que eu falo.

[00:15:29] Isso se chama medo de injeção.

[00:15:30] É, também.

[00:15:31] O que tu acha Carlos?

[00:15:34] O que eu sugerir assim é para a gente usar como um bom critério que diferencia as ciências

[00:15:41] da pseudociência, um critério levantado por Karl Popper, um filósofo austríaco, que

[00:15:47] vai dizer o seguinte, de fato a evidência é algo que se leva em conta para se distinguir

[00:15:53] as ciências da pseudociência, mas um aspecto surpreendente é que tudo serve de evidência

[00:16:00] para as pseudociências.

[00:16:02] Um ponto, assim, uma característica marcante nas pseudociências que torna elas sedutoras

[00:16:09] é que elas explicam tudo, tudo pode ser explicado, nunca podem ser refutadas e é algo que na

[00:16:15] visão de Popper…

[00:16:16] Pode explicar pouco, Carlos, o que é refutação?

[00:16:19] Por exemplo, digamos que eu faço o meu mapa astral e no meu mapa astral, eu nasci em 15

[00:16:26] de junho pela configuração dos planetas, vai dizer, o mapa astral que o astrólogo

[00:16:31] faz para mim mostra que eu sou uma pessoa mesquinha, que eu tenho um comportamento mesquinho

[00:16:39] e aí eu rebato dizendo assim, não só eu acho que não, mas todas as pessoas que convivem

[00:16:45] comigo dizem que não, que eu sou um cara bastante generoso e tal, e aí o astrólogo

[00:16:49] diz, ah, mas é claro, eu tinha me esquecido que faltava eu adicionar essa outra configuração

[00:16:53] aqui, porque a lua, se contrapondo agora a Saturno, explica que isso, com um efeito

[00:16:58] assim que vai amenizar, tem uma tensão mesquinha, mas o que se revela é uma outra coisa, ou

[00:17:05] seja, dá para ajustar qualquer coisa, no fundo, nunca a natureza vai poder rebater

[00:17:10] a tua teoria, assim, sempre pode adaptar ela de forma tal, assim, que qualquer evidência

[00:17:16] vai servir para ti, e a ciência é diferente disso, uma evidência na ciência pode refutar

[00:17:23] a tua teoria, por exemplo, refutar no sentido de dizer que ela não vale mais, é falsa,

[00:17:27] ela é falsa, tradução pop, gente, assim, dá pra provar que o cara tá errado, se dá

[00:17:33] pra provar que o cara tá errado é ciência, se tudo que acontecer o sujeito explica, tipo

[00:17:39] o marxismo, aí não é ciência, alguns pensam a psicanálise também, também não, qualquer

[00:17:45] dessas coisas, por exemplo, alguma, vou contar uma fofoca íntima assim, tava num jantar

[00:17:51] comendo um churrasco com os psicanalistas, e disse assim, oh, pessoal, agora que a gente…

[00:17:56] É, não, comer churrasco com psicanalista é um… porque tem que te cuidar, né?

[00:18:00] Tá, não.

[00:18:01] Até quando tu segura a faca?

[00:18:03] Na brincadeira aqui.

[00:18:04] E eu disse assim, oh, pessoal, agora que nós ficamos amigos aqui, vamos fazer um experimento

[00:18:09] para ver se o complexo diético existe, a gente vai ter circunstância familiar A e o resultado

[00:18:15] B.

[00:18:16] Então, se der uma coisa levar a outra, nós vamos ter circunstâncias familiares e resultados

[00:18:22] diferentes.

[00:18:23] Aí a resposta do meu amigo psicanalista aí, que me deixou muito decepcionado, ah, mas

[00:18:28] tu não levou em conta que tem o édipo direto e o édipo invertido?

[00:18:33] Assim, a situação familiar A podia levar ao desfecho B ou C, e a situação familiar

[00:18:40] A linha podia levar aos mesmos desfechos, então, do jeito que acontecesse, eu conseguia

[00:18:46] dar uma explicação a posteriori, quer dizer, uma explicação depois, eu não era capaz

[00:18:51] de fazer previsão nenhuma.

[00:18:52] É isso que o Karl Popper introduziu no discurso da Filosofia da Ciência, que ciência de

[00:18:58] boa qualidade tem que ter um experimento que você possa mostrar que o cara tem errado.

[00:19:01] Paul.

[00:19:02] Sim, porque…

[00:19:03] Paul.

[00:19:04] Tem uma outra coisa que é o conceito que se usa de evidência.

[00:19:12] Isso é importante, essa é a minha entrada nessa questão.

[00:19:15] Em ciência, evidência é aquele resultado que foi obtido por um sistema criterioso duplo

[00:19:21] cego, etc.

[00:19:22] Por exemplo, não é eu pegar o meu mapa astral e procurar ali alguma coisa que eu me

[00:19:27] identifique.

[00:19:28] As pessoas são parecidas, vai ter sempre algo com que eu me identifique.

[00:19:32] Então, isso, por uma pseudociência, é chamado de evidência também, a experiência

[00:19:37] pessoal.

[00:19:38] Pois é, tem o que a gente chama relato.

[00:19:41] Relato ou a experiência pessoal.

[00:19:42] Relato, a experiência pessoal, a experiência subjetiva, aquela que não é compartilhada,

[00:19:47] ela serve muito de base para o cara provar, entre aspas, que o que ele está pensando

[00:19:51] está certo.

[00:19:52] Eu quero apresentar o axioma de flores, que tem esse nome em minha homenagem.

[00:19:56] Não é florais.

[00:19:57] Não, de flores.

[00:19:58] É o seguinte assim, causo é bom para a porta de galpão tomando chimarrão, causo

[00:20:03] não é ciência, causo é causo.

[00:20:05] Sim.

[00:20:06] Mas eu queria perguntar, a gente explorou essa parte mais técnica, mas eu queria saber

[00:20:16] assim para o ouvinte, para o ouvinte leigo, como ele detecta, quais são os sinais, porque

[00:20:21] a refutabilidade, essas questões mais do experimento, ele é distante de quem simplesmente

[00:20:28] consome o termo ciência.

[00:20:30] Então como o leigo, se é possível, como ele vai chegar e dizer assim, tá, isso aqui

[00:20:36] cheira estranho, ou isso aqui está completamente, eu trago de novo o que eu tinha falado, por

[00:20:41] exemplo, na física de partículas, os físicos são muito criativos e engraçados e irreverentes

[00:20:48] na hora que eles começam a dar nomes às suas teorias, e os nomes parecem, por exemplo,

[00:20:52] existem partículas que têm cheiros e sabores, então Carlos, o que tu acha do…

[00:20:58] Quais são os passos?

[00:20:59] Eu queria fazer a pergunta para vocês, por exemplo, vocês diriam que espiritismo é

[00:21:06] pseudociência.

[00:21:07] Quando se mete a provar que alma existe e que há reencarnação, sim, enquanto crença

[00:21:14] religiosa todo mundo entende, mas assim, nessa questão de querer justificar que o

[00:21:22] fato de alguém incorporar espírito é uma evidência científica, lá no meu ambulatório

[00:21:27] eu tenho medos de esquizofrênico que escuta, fala com Deus, Napoleão e até com a sua camisa.

[00:21:32] A questão do espiritismo até é uma questão de se o fenômeno existe, né, é anterior

[00:21:38] ainda à explicação, porque existem, podem existir vários momentos onde uma teoria entra,

[00:21:44] né, no caso do espiritismo a primeira pergunta será, existe o efeito esse, existe essa coisa

[00:21:55] e depois que, quando a gente decide que realmente existe, a gente teria que fazer uma teoria

[00:22:00] sobre isso.

[00:22:01] Mas, independente da teoria, eu acho que o espiritismo poderia ser aceito se existisse

[00:22:05] alguma evidência.

[00:22:06] Então, eu tenho o que eu chamo de o desafio espírita.

[00:22:08] Alguns tribunais nesses anos aceitam.

[00:22:10] No Brasil, em Porto Alegre já foram aceitados.

[00:22:12] Via mão, foi aceito uma carta psicografada.

[00:22:15] Eu tenho um desafio espírita, que é o seguinte, né, então existem milhares de livros de

[00:22:21] que foram psicografados, de quadros que foram pintados, mas eu nunca vi um artigo científico

[00:22:26] psicografado.

[00:22:27] Aparentemente, as pessoas continuam produzindo depois que morrem.

[00:22:31] A mesma coisa acontece com os cientistas, né, existiram vários cientistas espiritas,

[00:22:35] não espiritas.

[00:22:36] Então, eu queria ver um artigo psicografado com resultados originais, correto, com equações,

[00:22:42] mais ou menos, por exemplo, Einstein, né, alguém poderia psicografar e se Einstein conseguiu

[00:22:47] resolver os problemas que afligiam ele no final da vida.

[00:22:51] Ele teve tempo.

[00:22:52] Então, eu tô…

[00:22:53] Mas aí tá a questão da refutabilidade, talvez o Einstein tenha se arrependido depois

[00:22:56] que passou pro lado de Einstein.

[00:22:57] Bom, mas ele pode ter feito outras coisas.

[00:22:58] Ele não disse mais nada.

[00:22:59] Ele não vai ao final.

[00:23:00] Einstein, volte.

[00:23:01] Diga alguma coisa pra nós.

[00:23:02] Não precisa ser Einstein.

[00:23:03] Pode ser anônimo.

[00:23:04] Se o cara quer dizer, ó, eu fiz isso aqui, mas eu não quero me identificar, mas me produza

[00:23:10] um artigo original com resultados novos, algo que a gente não saiba.

[00:23:14] Por que o Jefferson está dizendo isso?

[00:23:15] Por que ele fala em artigo?

[00:23:16] Por que ele fala em equação?

[00:23:17] Porque artigo e equação é uma coisa que não tem subjetividade.

[00:23:22] Ou foi bem feito, e aí a gente pode testar, a gente pode dar pra outras pessoas lerem,

[00:23:28] ele pode ser bem feito e a gente chega à conclusão, ah, isso aqui foi feito e é

[00:23:31] não trivial.

[00:23:32] A maioria dos relatos que a gente observa que não são, que são desse tipo, do tipo

[00:23:38] de incorporações, são relatos subjetivos, que podem ser ou podem não ser, a gente

[00:23:42] não tem como julgar, né?

[00:23:44] É um pouco do porquê que o Jefferson fala tanto dos artigos e das equações, né?

[00:23:50] Simplesmente porque é uma coisa que a gente, que a gente, entre nós, pode ter esse consenso

[00:23:55] que a coisa está certa, né?

[00:23:57] E foi feito por uma pessoa, por exemplo, uma pessoa que incorporou, imagina uma pessoa

[00:24:00] que incorporou que não tem treinamento em matemática, e aí ela produz um resultado

[00:24:04] que é matematicamente difícil de ser produzido e correto.

[00:24:07] Novo.

[00:24:08] Novo, novo, difícil de ser produzido e correto.

[00:24:11] Então, essa pessoa, né, ela está mostrando uma coisa que, vamos dizer, apesar de às

[00:24:16] vezes ser difícil de reproduzir…

[00:24:17] Isso eu gostaria.

[00:24:18] Não, eu pensaria e sentaria e dizia assim, aqui tem um fenômeno que eu adoraria estudar,

[00:24:24] né?

[00:24:25] Então, esse é o programa Fronteiras da Ciência, da rádio da Universidade, e hoje a gente

[00:24:29] está dissecando as diferenças, tentando dissecar as diferenças entre pseudociência e ciência.

[00:24:34] A gente está chegando ao fim do programa, queria que vocês tentassem dar um fechamento

[00:24:39] para o que a gente está discutindo aqui.

[00:24:40] Jefferson?

[00:24:41] Tá, o que eu gostaria de dizer, para fazer um pouco o Fernando Pessoa, que é o seguinte,

[00:24:46] demarcar o limite entre ciência e pseudociência é preciso, no sentido de é necessário e

[00:24:53] deve ser feito o mais precisamente possível.

[00:24:57] É difícil, é óbvio que é difícil estabelecer um critério geral que seja válido para todas

[00:25:02] as pseudo-proto para ciências, mas em casos específicos eu acho que é possível fazer.

[00:25:09] Eu só insisto nessa ideia, talvez com nossas brincadeiras o ouvinte fique pensando que nós

[00:25:16] somos os donos da verdade e que a ciência é o lugar da certeza, mas é justamente o

[00:25:24] contrário, acho que a gente quer defender aqui, que a ciência é o lugar do progresso

[00:25:32] do conhecimento, ou seja, já admitimos diante em mão que nós não temos certeza na ciência

[00:25:39] e essa é uma característica que eu acho que vai diferenciar de forma marcante do que

[00:25:45] se faz em pseudo-ciência, porque até onde eu vejo, eu posso estar equivocado com relação

[00:25:49] a isso, mas os que vendem a pseudo-ciência já trazem certeza, então eu insisto nesse

[00:25:58] ponto, nós não somos donos da verdade e inclusive estamos abertos, se alguém de uma

[00:26:05] pseudo-ciência famosa quiser nos convencer a partir de evidências nós aceitaremos.

[00:26:10] Estamos rezando por fenômenos novos, a gente às vezes é acusado de que a ciência acha

[00:26:17] que sabe tudo, obviamente a ciência não sabe tudo, se a ciência soubesse tudo eu não

[00:26:21] tinha emprego hoje, o Renato não tinha emprego, vocês todos não teriam emprego, não seria

[00:26:25] ciência se soubesse tudo, porque o caráter da ciência é investigativo para a natureza.

[00:26:31] Desconfie, não acredite sem estudar bem o assunto, só para dar um exemplo final,

[00:26:37] essa quantidade de cosméticos para prevenir você, especialmente a nossa ouvinte do envelhecimento,

[00:26:46] por exemplo, quem é uma coisa mais idiota do que shampoo de DNA vegetal e a quantidade

[00:26:50] tinha quatro marcas no mercado de shampoo de DNA vegetal, você acha que o DNA da planta

[00:26:55] pode entrar na sua cabeça e fazer o seu cabelo ficar melhor? Olha só, nós estamos cercados

[00:27:00] de gente querendo pegar o nosso dinheiro e inventando as histórias mais absurdas, então

[00:27:06] desconfie, vai estudar antes, não acredite nessas pessoas porque elas estão loucas para

[00:27:11] botar a mão no nosso bolso. Basicamente é a mesma coisa quando você recebe

[00:27:14] um e-mail da Nigéria dizendo que um príncipe morreu e o irmão dele quer depositar um

[00:27:19] milhão de dólares na sua conta, basta que você envie alguns dados por e-mail, você

[00:27:24] não desconfia, basta fazer a mesma coisa do caso dos nigerianos na vida toda, seja

[00:27:30] na política, seja no supermercado. Desconfia inclusive da ciência, mas ela não se importa.

[00:27:38] O papel do cientista é desconfiar. É desconfiar, todo mundo, todo cientista está

[00:27:42] louco para derrubar a teoria do companheiro e para ficar ele famoso no lugar do companheiro.

[00:27:46] Se tiveram com a gente hoje aqui o Renato Flores, o professor do Departamento de Genética

[00:27:51] da URGES, Carlos Miralha, do Departamento de Filosofia da UFPL, e o Jéfren Sorenzol

[00:27:57] do Departamento de Física da URGES e eu, o Marco de Arte da Física da URGES. Obrigado.

[00:28:08] O Programa Fronteiras da Ciência é um projeto do Instituto de Física da URGES. A rádio

[00:28:15] da Universidade não é responsável por eventuais opiniões pessoais aqui expressas.