Heróis, Deuses e Astronautas: Análise Crítica da Hipótese de Von Däniken


Resumo

O episódio discute a hipótese popularizada por Erich von Däniken em seu livro “Eram os Deuses Astronautas?”, publicado em 1968. Os participantes analisam a alegação central de que civilizações extraterrestres avançadas visitaram a Terra no passado e influenciaram o desenvolvimento biológico e cultural humano.

São explorados os três tipos de influência propostos pela teoria: criação da biologia terrestre desde as bactérias, intervenção cognitiva nos primatas (como no filme 2001) ou influência cultural em civilizações humanas já estabelecidas. Os professores destacam como Däniken utiliza uma abordagem que varre diferentes mitologias mundiais em busca de padrões que possam ser interpretados como evidências de visitas alienígenas.

A discussão critica fortemente a metodologia de Däniken, apontando falácias como o falso dilema (ou os povos antigos eram incapazes ou receberam ajuda alienígena), o etnocentrismo implícito e a falta de evidências materiais concretas. São mencionados exemplos específicos como as pirâmides do Egito e a história bíblica de Sodoma e Gomorra, mostrando como explicações arqueológicas convencionais são mais plausíveis.

Os participantes também contextualizam o sucesso do livro no período pós-corrida espacial e no contexto da contracultura dos anos 1960, destacando como ele se aproveitou de ansiedades tecnológicas e do desejo por narrativas alternativas. Apesar de reconhecerem que a hipótese é tecnicamente falseável (e portanto científica em princípio), concluem que as evidências apresentadas são insuficientes e que a teoria é desnecessária diante das explicações históricas e arqueológicas existentes.


Indicações

autores

  • Joseph Campbell — Antropólogo e estudioso de mitologia comparada, mencionado como autor sério que estuda mitos de forma acadêmica, em contraste com a abordagem de Däniken.
  • Mircea Eliade — Historiador das religiões e estudioso de mitos, citado como exemplo de análise acadêmica séria da mitologia comparada.
  • Eric Fromm — Psicanalista que analisou mitos antigos, apresentado como contraponto acadêmico às interpretações de Däniken.
  • H.P. Lovecraft — Escritor de horror cósmico cujas obras podem ter influenciado a teoria dos antigos astronautas, com menção a seres que vieram do céu em tempos remotos.

conceitos

  • Sondas de von Neumann — Conceito de sondas espaciais autoreplicantes que poderiam explorar a galaxia, mencionado como possibilidade científica mais plausível para contato extraterrestre do que visitas diretas.
  • Terceira Lei de Clarke — Princípio de Arthur C. Clarke de que qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia, citado para questionar como reconheceríamos uma civilização verdadeiramente avançada.

filmes

  • 2001: Uma Odisseia no Espaço — Filme de ficção científica mencionado como exemplo de narrativa onde alienígenas influenciam o desenvolvimento cognitivo dos primatas, paralelo a uma das hipóteses discutidas.

livros

  • Eram os Deuses Astronautas? — Livro de Erich von Däniken que propõe a teoria dos antigos astronautas, discutido extensivamente no episódio como exemplo de pseudociência e pensamento falacioso.
  • Colapso — Livro mencionado que discute ecocídios e destruição ambiental por civilizações, como no caso da Ilha de Páscoa, mostrando como sociedades podem causar seu próprio declínio.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Introdução ao tema: hipótese dos deuses astronautas — Apresentação do tema central do programa: a discussão sobre a hipótese de que a Terra teria sido visitada por uma civilização avançada no passado, influenciando a evolução da vida e da cultura humana. São apresentadas três possibilidades de influência: criação da biologia terrestre, intervenção cognitiva nos primatas ou influência cultural em civilizações humanas.
  • 00:01:16Apresentação dos participantes e contexto do livro de Däniken — Apresentação dos professores participantes: Ney Lenk (UNESP), Jefferson Orenzom (URGS) e Jorge Kieffelt (URGS), além do host Marco de Arte. Início da discussão sobre o livro de Erich von Däniken publicado em 1968, seu contexto histórico na era da corrida espacial e sua tese central de que os deuses dos mitos primitivos seriam na verdade astronautas extraterrestres.
  • 00:04:33Critérios de cientificidade e problemas da hipótese — Discussão sobre o que torna uma hipótese científica, destacando a necessidade de ser testável e consistente com conhecimento anterior. Os participantes analisam como a hipótese de Däniken, embora testável em teoria, falha em consistência e apresenta falácias como o falso dilema. São mencionados problemas etnocêntricos na suposição de que povos antigos seriam incapazes de realizações arquitetônicas.
  • 00:09:48Falta de evidências materiais e problemas metodológicos — Análise crítica sobre a natureza das evidências apresentadas por Däniken, que são principalmente interpretações artísticas e simbólicas em vez de provas materiais concretas. Comparação com o fenômeno OVNI e a falta de artefatos físicos. Discussão sobre como antropólogos conseguem explicar os mesmos artefatos dentro de contextos culturais locais sem necessidade de intervenção extraterrestre.
  • 00:15:40Análise de casos específicos: pirâmides e numerologia — Exame detalhado das alegações sobre as pirâmides egípcias, incluindo o argumento numerológico falacioso envolvendo o número pi. Explicação das técnicas de construção conhecidas pela arqueologia, como uso de rampas, tração animal e humana, e lubrificação com betume. Crítica ao falso dilema apresentado por Däniken sobre a capacidade dos povos antigos.
  • 00:21:05Caso de Sodoma e Gomorra e anacronismos tecnológicos — Análise da interpretação de Däniken sobre a destruição de Sodoma e Gomorra como um ataque nuclear, com paralelos com Hiroshima e Nagasaki. Discussão sobre como o livro reflete tecnologia contemporânea (anos 1960) como regras de cálculo e bombas atômicas, demonstrando anacronismo. Crítica à falta de imaginação sobre como uma civilização verdadeiramente avançada se manifestaria.
  • 00:25:26Recomendações finais e conclusões sobre a hipótese — Recomendação irônica para que céticos iniciantes estudem o livro de Däniken para aprender a identificar falácias. Discussão sobre como a história real das civilizações antigas é mais interessante que as explicações mitológicas. Conclusão de que a hipótese é desnecessária diante das evidências arqueológicas existentes e ofensiva à capacidade humana, embora teoricamente possível caso surgissem evidências concretas.

Dados do Episódio

  • Podcast: Fronteiras da Ciência
  • Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
  • Categoria: Science
  • Publicado: 2010-08-30T10:45:05Z

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência, da rádio da Universidade, onde discutiremos

[00:00:10] os limites entre o que é ciência e o que é mito.

[00:00:13] No programa de hoje vamos discutir o que eu classificaria como uma hipótese científica,

[00:00:22] que a Terra teria sido visitada por uma civilização muito avançada no passado e que essa civilização

[00:00:29] avançada teria, de alguma forma, influenciado na evolução tanto da vida como da cultura

[00:00:33] na Terra.

[00:00:34] Na verdade, tem três possibilidades dessa influência, existem pessoas que afirmariam

[00:00:39] que esses seres teriam chegado na Terra e teriam montado a biologia da Terra desde a bactéria

[00:00:46] até o ser humano.

[00:00:47] Tem gente que diz que simplesmente, como no filme 2001, onde saia no espaço de ficção

[00:00:53] científica, a influência alienígena seria só na hora que ela fez uma mudança cognitiva

[00:00:59] nas primatas, ou também tem uma outra opção, que seria que esses seres teriam visitado

[00:01:04] os seres humanos já com um grau primitivo de civilização e teria influenciado simplesmente

[00:01:08] a cultura dos seres humanos da época.

[00:01:11] Então, para discutir esse tema, que eu vou chamar Hérbuns, Deuses e Astronautas, em

[00:01:16] homenagem ao livro do Eric von Däniken, estão com a gente aqui o professor Ney Lenk, do

[00:01:21] Departamento de Física e Biofísica da UNESP, do campus de Botucatuy, São Paulo, o professor

[00:01:28] Jefferson Orenzom, nosso conhecido, do Departamento de Física da URIX, e o professor Jorge Kieffelt,

[00:01:33] do Departamento de Biofísica da URIX, e eu, Marco de Arte, do Departamento de Física

[00:01:37] da URIX.

[00:01:38] Então, eram os deuses astronautas, Ney?

[00:01:39] Bom, então vou começar falando aqui do livro do Däniken, ele foi lançado em 66, então

[00:01:44] ele estava no…

[00:01:45] 68, não?

[00:01:46] Não, 68, tem razão.

[00:01:47] 68 ele foi lançado…

[00:01:48] Depois de rejeitado 20 e poucas vezes.

[00:01:51] Foi um livro que veio no auge da Corrida Espacial, e ele tem então uma tese bastante interessante

[00:01:56] de que os astronautas, na verdade, eram os deuses dos mitos primitivos, então para defender

[00:02:03] essa tese, o que ele faz?

[00:02:04] Ele varre diferentes mitos, procurando então comparativos, possíveis explicações, possíveis

[00:02:09] evidências de que esses acordos, desses desistiriam ter acontecido.

[00:02:13] Entre várias coisas, por exemplo, ele afirma que a maior parte dos mitos, os deuses sempre

[00:02:17] vieram do céu, uma evidência.

[00:02:19] Além disso, tem vários registros que se parece muitas vezes com roupas, por exemplo,

[00:02:23] ou com máscaras, ou com antenas, e eles perguntam como é que pode acontecer essa coincidência?

[00:02:28] Todas as culturas têm exatamente o mesmo tipo de visão, e ele explica isso, então,

[00:02:33] como a visita de astronautas que teriam vindo para cá.

[00:02:38] Mas é muito interessante porque, na verdade, como o livro hoje ele envelheceu um pouco,

[00:02:43] ele usa várias ideias da ciência da época, então ele compara a ciência de 1966 e considera

[00:02:49] aquela ciência como extremamente avançada, então quando a gente releia o livro agora,

[00:02:53] fazendo sucesso de novo, a gente deu o prazer de releia, a gente vê que o livro tem alguns

[00:02:56] arcaísmos interessantíssimos, eu estava mostrando agora para o Jefferson, um arcaísmo interessante,

[00:03:00] ele acha que os astronautas viriam para a Terra e estariam usando regras de cálculo.

[00:03:04] Então, existem evidências que os astronautas teriam nos visitado com regras de cálculo,

[00:03:11] enquanto a gente sabe que hoje a gente tem computador extremamente poderoso, que hoje

[00:03:16] na época não existiam, claro.

[00:03:17] Não eram portátiles.

[00:03:18] Não eram portátiles, então a gente sabe que, nós estamos muito longe ainda de conseguir

[00:03:24] atingir as velocidades que ele perconiza no livro, ele diz que as viagens seriam possíveis

[00:03:28] porque tem até uma interpretação correta da relatividade, que os tempos de viagem

[00:03:32] seriam muito mais curtos devido à contração do tempo, que é previsto pela relatividade

[00:03:37] restrita de Einstein.

[00:03:38] Inclusive parece que ele, eu não cheguei a procurar, mas ele apresenta uma suposta equação,

[00:03:44] que não é equação, é cheia de problemas absurdos.

[00:03:48] Não tem uma igualdade, não tem sinal de igual.

[00:03:52] Tem uma equação aqui, eu não sei se ela é verdadeira ou não, ele tem outra formação

[00:03:56] de Lorentz aqui que está certa, e ele tem outra equação que eu não conheço, que é

[00:04:00] a equação do professor Ackert, que eu não conheço, que talvez fosse especializada

[00:04:05] para a Fulgates.

[00:04:06] Qual é a formação do Daniken, qual é o background dele?

[00:04:09] Reza a lenda que ele era um garçom interessado em arqueologia e história, via bastante

[00:04:14] e que teve esse insight aí depois.

[00:04:16] E parece que ele também teve alguma questão de tentar…

[00:04:18] Esse garçom, nós fomos em algum momento da vida, porque o nosso emprego não é assim.

[00:04:21] Eu trabalhei em farmácia.

[00:04:22] Eu já vivo em submercados.

[00:04:24] Eu trabalhei em armazém.

[00:04:25] Mas eu acho que não é o caso do Daniken.

[00:04:27] Não é um argumento, portanto.

[00:04:28] Sim, não podemos usar.

[00:04:29] Mas o que a gente pode dizer da hipótese do Daniken é que é uma hipótese científica

[00:04:33] que ele tenta comprovar usando arqueologia e antropologia.

[00:04:36] É importante dizer, relembrando o que a gente recomendou nos programas, o que seria científico

[00:04:41] ou não científico.

[00:04:42] Existem duas características que são fundamentais para uma hipótese com as áreas científicas.

[00:04:46] A primeira e mais evidente é a de ser comprovável ou testável.

[00:04:49] Uma hipótese que é não testável não é científica por definição, porque ela não

[00:04:53] pode ser testada.

[00:04:54] E essa é uma hipótese testável.

[00:04:55] Encontrar uma evidência é possível em tese.

[00:04:57] A segunda coisa é, além de ser comprovável, ela tem que ser consistente com o conhecimento

[00:05:01] anterior.

[00:05:02] E se ele é muito contraditório, evidentemente, não quer dizer que seja impossível, apenas

[00:05:06] dificulta a demonstração.

[00:05:08] Então, no caso aqui, não há críticas contra a científicidade.

[00:05:11] Muito interessante que o Ney começou falando do paralelo com a corrida espacial, que ele

[00:05:16] veio nos anos 60, mas eu acho que uma segunda coisa que, para mim, foi mais decisiva para

[00:05:20] estimular esse movimento dos deuses astronautas e outros, que é a cultura hippie e nova era,

[00:05:25] que também cresceu muito nos anos 60.

[00:05:27] Foi uma crítica, especialmente no seio da classe média dos países envolvidos, ao sistema

[00:05:31] consumista, do capitalismo e tal, e queria se libertar disso, copiar modelos de vivência

[00:05:37] Mas o que isso teria a ver com viagens, com visitas?

[00:05:41] Um pouco, para com isso fazer um pouco, eu acho que no fundo, isso é uma hipótese que

[00:05:45] eu estou levantando, enfim, eu já li algumas coisas mesmo, mas em parte é uma coisa que

[00:05:49] eu penso, porque é uma interpretação alternativa da realidade, e isso é a filosofia da nova

[00:05:54] era.

[00:05:55] Tu vê coisas opostas ou diferentes diante do que tu está na tua frente, é uma crítica

[00:06:01] à tecnologia também, né?

[00:06:02] As hipóteses e as interpretações que o Daniken levanta, elas, desde o início, elas

[00:06:07] foram completamente rejeitadas pelo meio acadêmico, ele nunca foi levado a ser, então talvez

[00:06:12] nesse sentido do que o Jorge está dizendo, te conta.

[00:06:14] Isso é importante dizer, na verdade é assim, nós vamos dizer…

[00:06:17] Não concordaria que fosse uma crítica à tecnologia, porque de alguma forma ele está

[00:06:21] substituindo o mito por uma explicação tecnológica do mito.

[00:06:25] Deixa eu, deixa eu, eu não sou psicanalista, mas posso fazer a inversão da seguinte forma,

[00:06:29] é uma crítica à tecnologia no sentido que ele faz uma apologia ao bom selvagem, que

[00:06:33] é um mito no ocidental, né?

[00:06:34] No passado nós éramos os mais puros e bons, porque nós sabíamos fazer menos coisas,

[00:06:38] e na verdade, por isso, como nós éramos puros e bons, nós também éramos burros,

[00:06:42] e se tinha uma coisa sofisticada feita no passado remoto, tinha que ser com a ajuda de

[00:06:45] uma civilização extraterrestre, e essa é, digamos, a hipótese central para comentar

[00:06:51] sobre isso.

[00:06:52] Uma das coisas que as pessoas criticam muito, ele, porque um dos argumentos dele é o seguinte,

[00:06:57] Existe tal coisa fantástica na América do Sul, por exemplo, vai lá em Tiwanaku,

[00:07:01] tem coisas fantásticas, as pessoas da América do Sul não são espertas o suficiente para

[00:07:06] fazer isso.

[00:07:07] A única maneira de elas terem construído aquilo, elas terem recebido a ajuda de alguma

[00:07:10] pessoa mais inteligente.

[00:07:11] Essa falácia do falso dilema, né?

[00:07:14] E coincidentemente, nas culturas, acho que a Azteca principalmente, tem uma mitologia

[00:07:18] de que os deuses eram brancos, existe essa mitologia de fato, ela está marcada.

[00:07:23] Então isso já, de certa maneira, ainda colabora mais para esse etnocentrismo extremamente

[00:07:28] …

[00:07:29] Por sinal, isso ajudou a invasão espanhola, né?

[00:07:31] É, ajudou a invasão espanhola também, em outros momentos.

[00:07:34] Foi uma das coisas acidentais que teve, mas ao mesmo tempo, assim, eu também posso dizer

[00:07:38] que existe uma companhia racial nisso aí, porque tu tá dizendo assim, como os racistas

[00:07:44] acreditam que determinadas colorações de pele são incapazes de fazer coisas que outras

[00:07:47] podem, né?

[00:07:48] O meu é achar que os nossos antepassados comuns também eram incapazes, e se fizeram

[00:07:52] uma pirâmide, porque alguém veio ajudar com uma máquina, ou com um rego de cálculo.

[00:07:56] E se os deuses são brancos, é muito mais provável que eles tenham vindo da hora, porque

[00:08:01] a gente sabe que os alienígenas são cinzentos.

[00:08:04] Nesse caso, considerando esses problemas da Camada de Ozone, eu pergunto se eram os deuses

[00:08:07] astronautas, eu perguntaria, usavam os deuses os protetores de lá?

[00:08:10] É, provavelmente.

[00:08:11] É, e tem um outro fato interessante também, bom, que vai nessa linha que eu acho legal,

[00:08:15] que é a questão da agricultura, né, por exemplo, na América do Sul, que é uma coisa

[00:08:18] muito desenvolvida, né?

[00:08:19] A agricultura em Caica é extremamente desenvolvida.

[00:08:22] Mas foi muito importante pro próprio desenvolvimento europeu, né, isso às vezes é perdido, né?

[00:08:25] Que, aliás, fez perder a riqueza que tinha aqui, né, só os ingas cultivavam mais de

[00:08:29] duzentos tipos de graminhas, e se perdeu essa informação.

[00:08:31] Se perdeu essa informação.

[00:08:32] Eles tinham os diferentes altitudes, eles tinham…

[00:08:36] Tudo adaptado pra cada lugar, tipo de arquitetura quase artesanal, assim, né, adoque, né?

[00:08:42] Então, eu acho que isso também, de certa maneira, mostra um certo racismo em parte

[00:08:47] do Dênic, né, e as pessoas acabaram meio que apoiando, né?

[00:08:50] Porque tá dentro do referencial típico do europeu e do branco de classe média de

[00:08:53] que eles achavam.

[00:08:54] Isso é basicamente o que ele dizia, que os povos antigos, eles eram completamente incapazes

[00:08:59] de fazer obras arquitetônicas, mas, por outro lado, eles eram capazes de entender a mensagem

[00:09:04] que os supostos deuses astronautas estavam passando pra eles, o que não devia ser também

[00:09:07] nada simples, né?

[00:09:08] É, tem várias contradições aí, a outra delas, talvez interessante, que a gente vai

[00:09:12] discutir depois um pouco da casuística na parte seguinte, mas que é, assim, a gente

[00:09:16] já teve dois programas aqui onde se mencionou a história dos objetos voadores não identificados

[00:09:20] e quais são as duas, dois tipos de evidências que são trazidos normalmente pra eles.

[00:09:24] Ou são relatos, que são coisas objetivas, extremamente complicadas de valorar, ou são

[00:09:28] provas materiais, que em geral são ou fotografias, ou filmes, ou registros de radar, ou amostras

[00:09:33] materiais.

[00:09:34] Isso seriam três tipos de provas físicas.

[00:09:36] O interessante é que tu pode mostrar que os relatos não são confiáveis, que os filmes

[00:09:39] e fotos, hoje em dia, qualquer um pode fazer, e antigamente não era muito diferente.

[00:09:43] Radar é muito complicado porque tem muito falso positivo, restando as tais amostras,

[00:09:47] que nunca tem.

[00:09:48] Né?

[00:09:49] Nós comentávamos como não se consegue arranjar um pedaço de nave espacial extraterrestre

[00:09:53] ou com o desil falecido Eduardo, né?

[00:09:55] Ninguém nunca trouxe um celular arturiano pra ser dissecado aqui na mesa, uma equipe

[00:10:00] de dinheiro, de eletronos, enfim, quanta coisa que falta, né?

[00:10:03] É, mas no caso do Daniken, ele…

[00:10:04] Bom, mas aí eles trazem provas.

[00:10:06] Mas as provas são artísticas, são simbólicas, são projetos de arte, imagens feitas por

[00:10:11] humanos, representando aquilo, então ainda é indireto, não é um pedaço da nave.

[00:10:15] Claro.

[00:10:16] Depende da interpretação.

[00:10:17] Depende da interpretação de quem olha.

[00:10:18] Eles também têm objetos que, dentro da interpretação deles, eles são anacrônicos,

[00:10:23] aparentemente eles estão fora do seu tempo, mas os antropólogos, os criadores, etc.,

[00:10:28] conseguem encaixar na cultura local sem grandes dificuldades.

[00:10:31] O Daniken, ele explora, ele acha esses dados dele em toda a terra, em todas as civilizações,

[00:10:37] em todas as coisas ele foca mais no mundo.

[00:10:38] Isso é o que foi fascinante, o trabalho dele, ele pegou uma espécie de…

[00:10:41] Realmente, o trabalho dele é muito…

[00:10:42] É um pulpo rímico, quase, global.

[00:10:43] Muito interessante, ele vai da Bíblia, ele pega texto babilônico, ele pega texto egípcio,

[00:10:48] ele pega…

[00:10:49] É, esse é outro tipo de vivência que traça as lendas.

[00:10:52] Traça as lendas, os mitos, né?

[00:10:54] Ele se concentra muito na África, também tem várias coisas interessantes na África,

[00:10:57] então ele faz um estudo da mitologia na África.

[00:10:58] Acho que tem um ponto interessante que eu, olhando o livro de 68, nós, né, tínhamos

[00:11:03] aqui, vários de nós tínhamos aqui para visitar Bolívia lá, e a gente olha aqui nas

[00:11:06] fotos antiga como aquelas coisas eram um pouco importantes, na verdade.

[00:11:10] Tu vê pelo estilo de foto, parece que elas estão mal cuidadas, estão abandonadas.

[00:11:13] E o Daniken teve um mérito, ele teve algum de transformar esse lugar em lugar de visitação.

[00:11:17] Ele foi um popularizador da arqueologia, do arqueoturismo, né?

[00:11:21] Não, acho que um dos grandes méritos do Daniken é que ele chamou a atenção, ele

[00:11:25] teve um efeito parecido com o Star Trek, naquela época.

[00:11:27] Ele direcionou muita gente…

[00:11:29] O que é Star Trek, Jefferson?

[00:11:30] Ah, jornada.

[00:11:31] Ah, jornada nas estrelas.

[00:11:32] É esse…

[00:11:33] Eu entendo os jedais, esse…

[00:11:34] Não, não, não.

[00:11:35] Vai ser expulso aqui que tu não passou o teste de nervo.

[00:11:40] Exatamente, explica.

[00:11:41] Eu sou o Trek.

[00:11:42] É o despoço.

[00:11:43] Eu sou o Trek.

[00:11:44] Não, mas…

[00:11:45] Não, ele atraiu, acho que o interesse de muita gente nessa geração, para astronomia,

[00:11:51] para história, arqueologia.

[00:11:53] A leitura, para mim, do livro foi muito importante.

[00:11:56] Eu conheço gente que esse foi o único livro lido na vida.

[00:11:59] Na verdade, a arqueologia é uma coisa fascinante, e eu ia chamar a atenção para isso, ela

[00:12:04] é legal, mas assim, chamando a atenção, precisamente já dando, emprestando uma interpretação

[00:12:08] errônea e que complica muitas coisas.

[00:12:10] Eu acho que o serviço é mais negativo que positivo.

[00:12:13] Vamos falando sobre mitos, por exemplo, temos antropólogos, historiadores e pensadores

[00:12:17] poderosíssimos aí, com textos muito importantes, que é, por exemplo, o Joseph Campbell, que

[00:12:22] é um cara que explora o conceito do mito, vale a pena, tem até uns DVDs aí, umas entrevistas

[00:12:26] com ele que são imperdíveis, que encontram nos locadores.

[00:12:28] Um outro cara é o Mircea Eliade, que também analisa os mitos e busca coisas ancestrais

[00:12:32] neles e é muito interessante.

[00:12:34] Eric Fromm, por exemplo, que é um psicanalista, o Daninho Afraidiano fez uma análise dos

[00:12:37] mitos antigos e tal, então, não é que não existisse esse tipo de literatura, acontece

[00:12:41] que ele fez uma versão pop, e ele pegou juntando um mito pop do disco voador, e um pouco,

[00:12:46] como eu acho também, um pouco essa filosofia nova era, vamos pegar uma visão alternativa

[00:12:49] de tudo, vamos considerar que o mundo é mágico, e no passado era mais mágico ainda.

[00:12:53] Mas tu sabe a quem remonta a hipótese do Danic?

[00:12:56] Não sei, provavelmente é bem mais antigo.

[00:12:58] Eu li um antigo que rastreava um pouco qual teria sido a influência, e é o Lovercraft,

[00:13:02] HP Lovercraft.

[00:13:04] Os mitos que tu liu.

[00:13:05] Eu li na Wikipedia que provavelmente algumas das partes deste livro seriam, vamos dizer,

[00:13:11] do Lovercraft.

[00:13:12] Mas o Lovercraft é da virada do século, e o Zara Rice-Burgles também tinha histórias

[00:13:17] assim.

[00:13:18] Eu vou interromper vocês um pouquinho, pra dizer que esse é o programa Fronteiras da

[00:13:21] Ciência, a gente está discutindo se os deuses eram astronautas, eu queria que o ouvinte

[00:13:26] então olhasse a nossa página, que é o frontedasciencia.urgs.br, quando temos Front da Ciência, tudo

[00:13:33] junto.urgs.br, ufrgs.br.

[00:13:37] Então eu queria, nesse segundo bloco, vocês completassem o que vocês estavam conversando

[00:13:41] aí, mas também que a gente começasse então a investigar os pontinhos, fazer uma pequena

[00:13:45] dissecação no livro do Danic, olhando caso a caso.

[00:13:48] Não, deixa eu só encerrar o comentário que eu estava fazendo, que o Lovercraft, ele

[00:13:52] criou um conjunto de mitos, né, um série de histórias.

[00:13:57] Não só ele, esses monstros criados ali, eles acabaram premiando toda uma literatura

[00:14:02] gótica da época, né, os monstros acabaram tendo os mesmos nomes, e existem trechos

[00:14:08] onde o Lovercraft diz explicitamente que esses eram seres que viveram há muito tempo na

[00:14:14] terra e que eles teriam vindo do céu, então está ali explícito, né, e existem pessoas

[00:14:19] que fazem a conexão, fazem todo o caminho que levou até o…

[00:14:22] Ah, em si é nada novo, porque em primeira metade do século 19 também um concurso entre

[00:14:28] amigos, fez um concurso para escrever histórias, né, três amigos, o escritor mais famoso

[00:14:33] da época fez um conto que ninguém lembrou qual é, a esposa dele chamava Mary Shelley,

[00:14:36] escreveu Frankenstein, e o amiguinho dele se chamava Brancas Tockels, escreveu o Dráculi,

[00:14:40] que foi o cara que ficou mais famoso de todos, mas o escritor mais famoso na época mesmo,

[00:14:44] que mais vendia era o marido, o Percy, Beast e Shelley, né, e Drácula é a origem do

[00:14:50] que mais vende em livros hoje, porque o que tem em livro de vampiro é uma mitologia

[00:14:53] derivada, enfim.

[00:14:54] O que eu só queria comentar uma coisa rápida com vocês que estavam falando, eu meio que

[00:14:58] me percebi no fato, na verdade, acho que a origem, o sucesso do livro do Danick é o

[00:15:02] mesmo motivo do sucesso dos mitos de antigamente, na verdade o Danick ele trouxe para a idade

[00:15:07] moderna exatamente os mesmos mitos que existiam naquela época, que o homem tem uma origem

[00:15:11] extra humana.

[00:15:12] Vinho velho em garrafas novas.

[00:15:14] Entendi, na verdade ele retoma o mito, talvez o par de sucesso dele seja exatamente isso,

[00:15:18] ele retoma o mito antigo e se coloca numa nova roupagem mais credível para nós.

[00:15:22] Com todos os eu com o slack e cabelão da Paula.

[00:15:25] O homem ficou especial de novo, né?

[00:15:27] É legal.

[00:15:28] Inclusive tem variantes da hipótese que diz que todas as religiões, acho que até o próprio

[00:15:34] Danick que fala isso, teriam essa origem suposta, essa terrestre.

[00:15:38] Essa terrestre.

[00:15:39] Vou olhar os casinhos.

[00:15:40] É, a questão então seria assim, mas essas provas que ele apresenta, são verossímeis?

[00:15:45] Elas comprovam, elas são tão inexplicáveis que a melhor hipótese seria de fato elas

[00:15:50] representarem evidências de visitas antepassadas de civilizações?

[00:15:54] Ou seja, o que a gente costuma falar em ciência quando a gente está fazendo esse tipo de

[00:15:56] análise é a gente ter que comparar a hipótese contra a hipótese nula, que é chamada hipótese

[00:16:01] nula que significa que não era, não houve visita de astronautas, seres extraterrestres

[00:16:07] e civilizações avançadas, a Terra simplesmente evoluiu como evoluiu.

[00:16:11] O Danick sempre apresentava a coisa como um falso dilema, né?

[00:16:14] As pessoas acham que aqueles idiotas burros fizeram essa pirâmide, ou ela foi construída

[00:16:20] por um…

[00:16:21] Exactamente.

[00:16:22] Bom, não é nenhuma nem outra, né, principalmente aqueles povos que não eram nada burros,

[00:16:26] tinham tecnologia…

[00:16:27] E mão de obra escrava, mas isso é importante também.

[00:16:30] Mas vamos ver os casos…

[00:16:31] A gente começa com o mais pobre de todos, antes de entrar na Bíblia, é pirâmides,

[00:16:34] né?

[00:16:35] Pirâmides são construções que são comuns em diferentes culturas pelo mundo todo, isso

[00:16:38] é um fato, um trampológico, arqueológico, clássico, e ele explora que pirâmides muito

[00:16:42] grandes, feitos com pedras muito grandes, são uma dificuldade técnica muito grande.

[00:16:47] E aí basicamente a legação é, a pirâmide de Gizé no Egito jamais poderia ser feita

[00:16:51] por mãos humanas, porque as pedras pesam 40 trilhadas cada um.

[00:16:54] Ah, e tem a numerologia do tamanho da base…

[00:16:57] Isso, isso eu queria comentar, um dos argumentos que o Danick tem é o seguinte, se a gente

[00:17:01] pegar a área da base e dividir pelo dobro da…

[00:17:04] Onde fica a base?

[00:17:05] Porque conforme eu tocava na areia, muda a base.

[00:17:08] Não importa.

[00:17:09] Mas esse não é o furo…

[00:17:10] Então a área da base…

[00:17:11] Parece que ela estava enterrada no século passado.

[00:17:13] A base é a base da parte construída.

[00:17:15] Sim, para ser.

[00:17:16] Só provocando.

[00:17:17] Dividindo a área da base pelo dobro da altura, a gente tem pi, esse número que todo mundo

[00:17:23] estuda no colégio.

[00:17:24] Número mágico, claro.

[00:17:25] Mas tem um problema, porque se tu divide uma área por um comprimento…

[00:17:29] Tu não tem pi.

[00:17:30] Dá um comprimento, é uma quantidade que tem unidade.

[00:17:33] Então em que unidade a gente mede a área em metros, em polegadas, em quilômetros?

[00:17:37] Tu acha o número que tu quiser, dependendo da escolha?

[00:17:40] Isso aí só físico entende, eu não sei se o ouvinte vai conseguir entender.

[00:17:44] É um furo grotesco.

[00:17:45] Concentual, velho.

[00:17:46] Concentual muito.

[00:17:47] Para o ouvinte…

[00:17:48] Mas vamos ficar na questão…

[00:17:49] Uma explicação seria assim, se a gente tivesse medido em metros, essa área, metros quadrados

[00:17:53] e metro ao dobro da altura, daria um resultado, um número.

[00:17:56] Se a gente tivesse medido em polegadas, polegadas quadradas, daria um outro número.

[00:17:59] Escolha a sua unidade e…

[00:18:01] É, mas agora nós temos que explicar como é que os caras fizeram pirâmide sem usar

[00:18:05] disco voador e guindaste.

[00:18:06] Mas até esse não é o ponto, existe?

[00:18:08] Esse é o ponto, porque essa é a ligação.

[00:18:10] Existem obras que a gente não tem uma explicação razoável de como exatamente foi construído.

[00:18:16] Mas essa aqui nós temos, por isso que eu quero dizer.

[00:18:18] Temos e ele omite.

[00:18:19] Basicamente assim, o que é pirâmide de Egito?

[00:18:21] As pedras eram arrastadas por força de mão humana e animal, tração humana e animal,

[00:18:27] escravos em grande quantidade, rolando sob troncos e usando betume, que é uma coisa

[00:18:31] bastante comum também no Oriente Médio, para lubrificar, engraxar o caminho.

[00:18:34] Como é que se sabe que as pedras eram arrastadas?

[00:18:36] Porque tem o caminho onde elas eram arrastadas do Porto, do Nilo, até o local da pirâmide,

[00:18:40] ele é conhecido, ele está escavado e pode-se examinar.

[00:18:43] Segundo, para tu, à medida que tu botava o primeiro andar de pedras, tu tinha que subir

[00:18:47] para o segundo andar, então era feito uma rampa e essa rampa ia subindo e obviamente

[00:18:50] com o tempo, que essa rampa ficou anos e anos no lugar, ela deve ter deixado evidências

[00:18:54] e incontestas.

[00:18:55] De fato, as evidências de compressão do solo e tal dessa rampa estão lá e podem

[00:18:59] ser visitadas.

[00:19:00] Então, existem evidências arqueológicas de que ela foi construída dessa forma.

[00:19:04] Foi fantástico?

[00:19:05] Foi fantástico.

[00:19:06] É um custo humano espantoso, certamente, escravidão em massa terrível, povos inúmeros

[00:19:10] foram destroçados, alguns foram escravizados, 100% da população, para fazer esse tipo

[00:19:14] de coisa, mas o resultado é realmente fantástico.

[00:19:19] Mas não é…

[00:19:20] No ponto que eu queria fazer o seguinte mesmo, existam obras fantásticas da antiguidade,

[00:19:23] que não se conhece a explicação técnica e tecnológica de como elas foram feitas,

[00:19:27] não se conclui instantaneamente que se nós não sabemos hoje como elas foram feitas,

[00:19:32] se que elas foram feitas por racional.

[00:19:33] É o mesmo argumento do OVNI, não é?

[00:19:35] Porque é uma luz estranha que eu não sei o que é, que aquilo é uma nave da civilização

[00:19:38] blingo.

[00:19:39] Eu só queria comentar uma coisa, na verdade uma coisa, depois vamos põe de paletamundade

[00:19:42] o tópico e falar de outra coisa, eu acho interessante, uma coisa sobre o Egito antigo,

[00:19:47] que a gente perdeu um pouco a noção, é que aquela região onde os piranhas foram construídos

[00:19:50] era muito mais fértil que é hoje.

[00:19:52] A população maior, né?

[00:19:53] É, tinha uma população bem maior, conseguiu manter uma população maior e o uso exagerado,

[00:19:57] os recursos acabou transformando aquilo basicamente no deserto.

[00:20:01] Isso também é uma coisa muito misterosa, porque tu vai construir aquele corpo de pirâmides

[00:20:03] no meio do deserto?

[00:20:04] Bom, a verdade é que não é um deserto, se tornou um deserto até pela exploração

[00:20:07] humana.

[00:20:08] Tá examinado no livro Colapso, que mostra uns exemplos de ecossídio, que são destruições

[00:20:13] de ambientes completos por civilizações, como a da Ilha da Páscoa, por exemplo, devastou

[00:20:17] completamente as cidades.

[00:20:18] A Ilha da Páscoa tem uma nova teoria que diz que teria sido invasão de ratos.

[00:20:23] Mas eles chegaram depois, mas assim, não, não é que existem relatos artísticos deixados

[00:20:30] desse povo que morava lá, porque eles tinham uma floresta lá, meio que tinha portanto

[00:20:34] os córredos e podiam ter, digamos, alguns ecossistemas.

[00:20:36] O que eles fizeram foi derrubar até a última árvore.

[00:20:39] Inclusive, existem registros que foram encontrados, relatos foram dados pelos primeiros europeus

[00:20:44] chegando, de que essas cortaram as últimas árvores, eles foram até a última árvore

[00:20:48] e aí realmente não tinha mais como segurar a população e eles tiveram que imigrar.

[00:20:51] Vamos voltar agora, eu queria que o Ney começasse a apresentar as curiosidades do livro.

[00:20:56] O Egito é um bom caso, não é?

[00:20:58] É um bom caso.

[00:20:59] Daí cada um tem o seu predileto.

[00:21:00] Para mim o que sempre me marcou foi o de Gomorra, eu acho Gomorra fantástico, porque a história

[00:21:05] de Gomorra, o nome Gomorra é interessantíssimo, porque o que acontece, tem o visito dos anjos.

[00:21:10] O Dereck diz que foram os astronautas.

[00:21:11] Foram os astronautas, né, e os astronautas chegaram para visitar…

[00:21:15] Os astronautas moralistas.

[00:21:16] É Loth, né?

[00:21:17] É Loth que eles chegam.

[00:21:18] Loth, Loth.

[00:21:19] É Loth.

[00:21:20] É, eles chegam para visitar Loth e daí os sonomitas…

[00:21:24] Queriam coisa com eles.

[00:21:25] Que não tenham conhecido eles melhores, tenham conhecido um conhecimento mais próximo dos anjos.

[00:21:30] Tem uma passagem muito interessante na bíblia que inclusive o Loth diz na hora.

[00:21:33] Pega as minhas filhas.

[00:21:34] Por favor, pega as minhas filhas, não faça isso com as visitas, não é riscante.

[00:21:37] Não, não, temos os anjos.

[00:21:38] Daí os anjos chegam à conclusão que tem que acabar com tudo, e daí de acordo com o

[00:21:42] Daneck, ele já começa a discutir por que tinha essa premência toda, por que tinha

[00:21:46] que acabar aquela hora, já que era Deus, por que Deus tinha que sair correndo, né?

[00:21:50] Podia deixar o Loth ir embora devagar, mas tinha que sair correndo, então qual é a ideia?

[00:21:53] Só para entender as urgências do sexo.

[00:21:54] E o que é interessante nesse caso, da explicação do Daneck, o Daneck chega à conclusão que

[00:21:59] eles iam lançar uma bomba.

[00:22:00] Também não sei por que não podiam lançar a bomba mais tarde, bomba atômica.

[00:22:03] E inclusive ele capta bem essa ideia de que a mulher do Loth não pode olhar para trás,

[00:22:08] porque senão ela seria queimada pela radiação.

[00:22:10] Como se o cara de costa não fosse queimado igual.

[00:22:12] No caso ela viraria uma estátua de sal.

[00:22:14] E ela no caso olhou e virou uma estátua de sal, né?

[00:22:16] E aí ele diz que esse sal na verdade é uma vitrificação, ela foi vitrificada.

[00:22:20] Só porque ela está virada de costa.

[00:22:22] Só porque ela está virada de costa.

[00:22:23] E depois ele falou que é uma explosão térmica que vitrifique carne humana, todo o caso.

[00:22:27] É uma discussão toda.

[00:22:28] E isso acontece no momento que você olha para ela, né?

[00:22:31] Eu estou olhando, as suas costas estão em uma barreira, talvez ela estivesse usando um manto de titânio, não sei.

[00:22:37] E daí ele diz inclusive que essa questão de cegar, que é no livro, né?

[00:22:40] Ele diz que é exatamente igual ao que aconteceu em Hiroshima e Nagasaki.

[00:22:43] Ele está explorando o imaginário dos anos 50 e 60, que era isso aí.

[00:22:47] Era a garra fria, era a expectativa da garra atômica, o medo de ver uma luz no horizonte

[00:22:52] e segundo os apoios estão se tornando uma nuvenzinha.

[00:22:54] Aliás, é o medo que está voltando.

[00:22:56] Eu tinha esquecido da história da bomba, é muito interessante.

[00:22:58] E tem a ver com o que foi dito antes, né?

[00:23:02] Hoje em dia a gente olha e vê que ele está congelado na tecnologia da época.

[00:23:06] É, ele perde um pouco, né?

[00:23:08] Por que uma bomba de nêutrons?

[00:23:10] Por que não uma bomba bacteriológica que é mais sádica?

[00:23:12] Não, eu até digo, por que uma civilização tão avançada usaria uma bomba?

[00:23:17] Por que eles não fizeram um raio esquisito?

[00:23:21] É, porque naquele momento as bombas nucleares é o que estava tormentando.

[00:23:25] Não, era o ápice do…

[00:23:27] É, mas outros exemplos assim que poderia citar…

[00:23:31] Mas o Daniken, eu não consegui ver, mas eu sei que acabou de sair uma série de quatro ou cinco episódios

[00:23:37] sobre o assunto, montado pelo Daniken, saindo do Chico do Inglaterra.

[00:23:42] Aliás, eu vou aproveitar para falar antes.

[00:23:44] Então, eu acho que ele provavelmente deve ter atualizado, pelo menos a tecnologia que agora…

[00:23:48] O que eu sabe é que está sendo exibido, inclusive, no Brasil.

[00:23:53] Eu vi no Brasil recentemente que estão exibindo uma releitura, que é muito estranho,

[00:23:58] porque de certa maneira ele entrou no submundo do esquecimento, né?

[00:24:02] Passou um certo tempo e agora ele está retomando.

[00:24:04] Eu realmente não sei por que ele está retomando agora.

[00:24:06] Mas eu acho que ele é um assunto que sempre vai ter o seu valor para fazer esse sensacionalismo.

[00:24:10] Agora, deixa eu aproveitar para falar uma coisa aqui.

[00:24:12] Nós estamos com uma epidemia de maus canais de documentalismo.

[00:24:15] Eu quero aproveitar para dizer isso.

[00:24:17] Eu assino TV a cabo, eu assinei, na esperança de ter acesso a coisas de melhor qualidade.

[00:24:21] E comece com o Discovery, que é uma grande decepção hoje.

[00:24:24] Aquele canal da história, o History.

[00:24:26] O History é o campeão.

[00:24:27] Eu diria que, pelo menos contas, eu vou um dia percorrer pela programação toda,

[00:24:31] quase 80% da programação dele é pseudo científica.

[00:24:34] É fantasma, é encarnação, é espírito, é amor, é vida após a morte,

[00:24:39] é disco voador, é Deus astronauta, é um programa atrás do outro.

[00:24:42] E tratados como um documentário.

[00:24:44] Esse é um canal de história, os desavisados, como venhamos.

[00:24:47] Isso para mim chega lá porra.

[00:24:49] Parece um canal acadêmico.

[00:24:51] O próprio livro do Danic.

[00:24:52] O Discovery também está com essa linha.

[00:24:53] O Discovery era melhor antes.

[00:24:54] Ele decaiu muito, ele resolveu apostar nisso.

[00:24:56] De forma que nós somos pobres de canais hoje em dia.

[00:24:58] Esse é o programa Fronteiras da Ciência.

[00:25:00] A gente está discutindo se os deuses eram astronautas.

[00:25:03] O nosso site é o frontedasciência.urgs.br.

[00:25:07] Então eu queria pedir para vocês que fizessem os comentários finais.

[00:25:12] Pode ser o…

[00:25:13] Bom, eu li uma…

[00:25:15] Queria fazer um comentário de um gosto que eu li na internet.

[00:25:17] Que eu acho que foi importante para a minha formação.

[00:25:19] Acho que deve ser importante para a formação de outras pessoas também.

[00:25:23] Eu acho que para todo cético que está iniciando sua carreira cética,

[00:25:26] ele deveria começar apanhando os deuses astronautas.

[00:25:28] Não compre o livro, por favor.

[00:25:30] Pegando uma biblioteca.

[00:25:31] Vão na biblioteca, baixem em algum lugar na internet.

[00:25:34] Sei lá, façam alguma coisa.

[00:25:35] É divertido de ler.

[00:25:36] Leia um livro.

[00:25:37] É bom de ler, não é?

[00:25:38] Não, ele é muito divertido.

[00:25:39] E eu acho que tem que ir no livro, ir capítulo a capítulo

[00:25:42] e se destruir o livro.

[00:25:44] O livro tem que ser destruído e encontrar todas as falácias.

[00:25:47] Para entender o mecanismo.

[00:25:49] Não é só uma questão de falácias.

[00:25:51] O Dani que apresenta evidências,

[00:25:53] e a gente sabe hoje que algumas foram forjadas.

[00:25:55] Tem falsificações no livro.

[00:25:57] E ele nunca dá o contraditório no sentido de…

[00:25:59] Ele não dá explicação alternativa.

[00:26:02] Bem que isso aí é perigoso falar aqui, mas…

[00:26:04] E quando ele dá referências,

[00:26:05] quando ele dá referências, dá as referências que interessam também.

[00:26:08] E não faz o contraditório.

[00:26:10] Para muitos dos assuntos que ele discute no livro,

[00:26:14] já tinham explicações acadêmicas, consistentes,

[00:26:18] e que ele nunca cita.

[00:26:20] E outra coisa assim,

[00:26:21] se vocês deram o trabalho de ler a história verdadeira,

[00:26:24] vocês vão perceber que ela é muito mais interessante

[00:26:26] do que o mito que ele propõe.

[00:26:28] Muito mais rica.

[00:26:29] É muito mais interessante.

[00:26:30] Sim, como nós que fizemos.

[00:26:31] São seres humanos, é muito mais bonito.

[00:26:33] Muito mais interessante.

[00:26:34] Então realmente a questão alternativa é muito mais interessante.

[00:26:37] Na verdade, a hipótese dele é profundamente ofensiva

[00:26:39] para a raça humana, a espécie humana,

[00:26:41] no sentido de nos considerar um bando de estúpidos,

[00:26:43] porque isso aconteceu há alguns milhares de anos

[00:26:45] e a gente não mudou nada, digamos, biologicamente desde então.

[00:26:48] Nós mudamos tecnologicamente e culturalmente.

[00:26:50] Então, de fato, ela é depreciadora, degradante.

[00:26:53] O que eu queria dizer é que a gente não está excluindo

[00:26:57] a possibilidade de que a alienígena e as terras

[00:27:00] tenham visitado a Terra em algum momento do passado.

[00:27:03] O que a gente está dizendo é que, se isso aconteceu,

[00:27:06] a gente precisa de uma boa evidência.

[00:27:08] E o Danic ainda não apresenta nenhuma dessas…

[00:27:10] Apesar de apresentar muitas delas.

[00:27:12] É, as evidências dele são casuísticas.

[00:27:15] Então, com o que a gente conhece hoje de história, de arqueologia,

[00:27:21] as evidências apontam para que realmente os povos antigos

[00:27:24] tenham feito tudo o que a gente tem aqui.

[00:27:26] Ou seja, a hipótese do Danic, no momento,

[00:27:28] é uma hipótese completamente desnecessária.

[00:27:30] Evidentemente, as violações antigas não fizeram

[00:27:32] o semicondutor, o raio laser e tal, coisa que nós fizemos,

[00:27:35] e talvez ainda vamos fazer algumas outras coisas mais

[00:27:37] antes de nos estourarmos num pequeno cogumelo atômico.

[00:27:40] Você acharia um laser dentro de uma das pirâmides fechado?

[00:27:42] Isso é interessante.

[00:27:44] E isso aparece no filme do caçador Arca Perdida.

[00:27:47] Mas é uma hipótese científica, possibilidade.

[00:27:49] Como é que é?

[00:27:50] É um laser que está na arca da aliança, tem um laser lá…

[00:27:52] É bom, isso é ficção.

[00:27:54] Vai ter que desdobrar melhor.

[00:27:55] Vai ter que ser outro programa.

[00:27:56] Mas a scientificidade da hipótese é a seguinte,

[00:27:58] não é impossível que encontremos evidências de visitas anteriores

[00:28:03] e civilizações assim como não.

[00:28:04] É impossível que encontremos evidências e visitas agora,

[00:28:06] só que elas não apareceram ainda.

[00:28:08] E vai precisar um pouquinho mais de esforço que um monte

[00:28:10] de conversa mole em cima de coisas que a arqueologia já tem

[00:28:13] um bom trabalho acumulado de desenvolvimento de explicação

[00:28:16] e encontrar essas provas.

[00:28:17] Por exemplo, uma das…

[00:28:18] Em exobiologia, astrobiologia,

[00:28:20] uma das hipóteses mais aceitas como viáveis é que

[00:28:23] civilizações avançadas, como a Filosofia do Luz

[00:28:25] é uma limitante e importante,

[00:28:26] uma das possibilidades é que as civilizações não vão viajar

[00:28:29] em pessoa, mas mandariam sondas automáticas que

[00:28:32] viajam até um outro sistema planetário

[00:28:34] e lá se utilizam os materiais minerais disponíveis

[00:28:37] para fazer réplicas e dali partem para outros locais.

[00:28:40] São as chamadas sondas autoreplicantes de von Neumann.

[00:28:43] E talvez em algum lugar do sistema solar,

[00:28:45] talvez até na Terra,

[00:28:46] podemos encontrar uma delas e seria uma excelente evidência

[00:28:49] se encontrada.

[00:28:50] Agora, nós não encontramos.

[00:28:52] Nem cabe talvez sair procurando elas,

[00:28:54] porque procurar é comum um troço desse.

[00:28:56] Só um achado ao acaso.

[00:28:57] Eu acho.

[00:28:58] Poderia inclusive não identificar a sonda.

[00:29:00] É bem provável.

[00:29:01] Ela poderia ter uma escala também.

[00:29:03] Ela podia ser tão micro…

[00:29:05] Ela está na 15ª dimensão.

[00:29:07] No tamanho de um vírus.

[00:29:09] Tem uma coisa bacana que eu esqueci de dizer,

[00:29:11] que existe uma lei que é a terceira lei de Clarke.

[00:29:14] Arthur Clarke foi um dos maiores escritores de ficção científica

[00:29:17] do século passado.

[00:29:18] Quer dizer o seguinte,

[00:29:19] qualquer civilização que seja suficientemente avançada

[00:29:22] em termos de tecnologia,

[00:29:24] ela é indistinguível da mágica.

[00:29:26] Qualquer tecnologia é suficientemente avançada

[00:29:29] e indistinguível da magia.

[00:29:30] Para qualquer um.

[00:29:31] Se alguma civilização aparecer aqui

[00:29:33] e a gente reconhecer como uma civilização extraterrestre,

[00:29:36] ela não é suficientemente avançada,

[00:29:38] enquanto ela não aparecer mágica para nós.

[00:29:40] É verdade.

[00:29:41] A Lâmbia da Elétrica é uma magia para muitos povos do mundo.

[00:29:43] Pois é.

[00:29:44] Até hoje.

[00:29:45] E eu acabei não falando do raelismo.

[00:29:47] Nem vai dar tempo.

[00:29:48] Eu só vou mencionar…

[00:29:50] Acho que eu tenho dois minutos.

[00:29:52] Se eu ia dizer que o raelismo é uma…

[00:29:55] A gente pode até discutir no outro programa.

[00:29:57] É uma religião que a gente podia dizer

[00:29:59] que é relacionada com as ideias do Daniken

[00:30:02] de que a gente foi visitado por seres

[00:30:04] e a gente vai voltar a ser visitado por seres.

[00:30:07] É uma religião ateia.

[00:30:08] Acho que ele merece um programa inteiro.

[00:30:10] Tem pouco para falar.

[00:30:11] Tem possessão, tem encarnação.

[00:30:13] É uma religião ateia, na verdade.

[00:30:15] Ela é ateia porque não acredita em seres divinos,

[00:30:18] mas acredita em extraterrestres muito avançados

[00:30:22] que nos visitam e nos criaram.

[00:30:24] É uma ideia interessante.

[00:30:25] Tem uma série de desdobramentos muito interessantes.

[00:30:27] Inclusive, eles têm uma coisa chamada

[00:30:29] meditação sensual

[00:30:31] que faz com que seja muito atraente para solteiros.

[00:30:33] Pois é.

[00:30:34] Esse tipo de religião.

[00:30:35] Esse foi o programa…

[00:30:37] A ciência vai ter que envolver técnicas assim

[00:30:39] para atrair mais sentidos.

[00:30:40] Isso.

[00:30:41] Esse é o programa Fronteiras da Ciência.

[00:30:42] Hoje a gente discutiu sobre

[00:30:43] se os deuses eram astronautas

[00:30:45] de acordo com o livro do Eric von Daniken.

[00:30:47] Estivemos aqui o professor Neil Lenk

[00:30:50] do Departamento de Física e Biofísica

[00:30:53] da UNESP de Boto Cantu, São Paulo.

[00:30:55] O professor Jefferson Aranzon

[00:30:57] do Departamento de Física da URGES.

[00:30:59] O professor Jorge Kielfer

[00:31:00] do Departamento de Física da URGES.

[00:31:02] E eu, o professor Marco Jarre, da Física da URGES.

[00:31:09] O programa Fronteiras da Ciência

[00:31:11] é um projeto do Instituto de Física da URGES.

[00:31:14] A rádio da Universidade não é responsável

[00:31:17] por eventuais opiniões pessoais aqui expressas.

[00:31:20] Técnica de Gilson de César

[00:31:22] e Neu de Mar da Rocha.

[00:31:24] Direção técnica de Francisco Guazelli.