Papai Noel existe?
Resumo
O episódio do Fronteiras da Ciência aborda de forma científica e humorística a questão da existência do Papai Noel. Os participantes discutem a origem histórica do mito, que remonta a São Nicolau no século IV e incorpora elementos de mitologias germânicas, como Odin, evoluindo para a figura atual popularizada por cartoons e pela publicidade da Coca-Cola.
O cerne da discussão é uma análise física das proezas atribuídas ao Papai Noel. São levantados cálculos sobre a logística da entrega de presentes: considerando o número de crianças no mundo, o tempo disponível (pouco mais de 24 horas) e a distribuição geográfica das casas, estima-se que ele teria apenas milésimos de segundo por residência. Isso implicaria velocidades superiores a mil vezes a velocidade do som, acelerações da ordem de milhões de Gs (que esmagariam um ser humano) e um trenó carregando centenas de milhares de toneladas de presentes.
Os debatedores exploram possíveis soluções tecnológicas ou mágicas para esses problemas, como amortecedores de inércia (inspirados em ‘Jornada nas Estrelas’), acesso a dimensões extras (como na teoria das cordas), ou a hipótese de que Papai Noel seria um alienígena ou viajante do tempo com tecnologia tão avançada que seria indistinguível de magia. Também são discutidas evidências empíricas (ou a falta delas), como a escassez de avistamentos confiáveis e a distribuição desigual de presentes, que parece favorecer crianças de classe média.
O programa também aborda aspectos sociais e psicológicos do mito. Discute-se como os adultos perpetuam a fantasia, o momento em que as crianças descobrem a verdade e são ‘recrutadas’ para o lado dos que mantêm o segredo, e as críticas de alguns grupos religiosos que veem na figura um símbolo pagão que interfere na celebração religiosa do Natal. Por fim, é feita uma brincadeira com a proposta de substituir o Natal por uma ‘Festa de Newton’, celebrando o nascimento do cientista.
Indicações
Conceitos
- Problema do Caixeiro-Viajante — Problema famoso de otimização em ciência da computação e matemática, mencionado como análogo ao desafio logístico do Papai Noel de visitar milhões de casas no menor tempo e percurso possível.
- Leis de Clarke — Mencionada a terceira lei de Arthur C. Clarke: ‘Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia’. Usada como argumento para a hipótese de que o Papai Noel possuiria tecnologia extremamente avançada.
Pessoas
- São Nicolau — Santo católico do século IV, na região da atual Turquia, considerado a origem histórica da figura do Papai Noel. Era representado com barba completa e, em algumas iconografias, com roupas de bispo.
- Thomas Nast — Cartoonista americano do final do século XIX (década de 1890) creditado por criar uma representação do Papai Noel com as cores vermelhas que se tornou icônica, posteriormente popularizada pela Coca-Cola.
- Isaac Newton — Cientista inglês cujo nascimento, segundo o calendário juliano, ocorreu em 25 de dezembro. É brincadeira proposta no episódio substituir a celebração do Natal por uma ‘Festa de Newton’ em sua homenagem.
- Richard Dawkins — Biólogo e divulgador científico ateu mencionado por ter usado argumentos para ‘demonstrar’ a uma criança que o Papai Noel não existe, atitude considerada ‘malvada’ dependendo da idade da criança.
Séries
- Jornada nas Estrelas (Star Trek) — Série de ficção científica mencionada como exemplo onde naves aceleram instantaneamente para velocidades próximas da luz usando ‘amortecedores de inércia’, uma tecnologia hipotética que poderia explicar como o Papai Noel suportaria acelerações extremas.
Linha do Tempo
- 00:02:15 — Origem histórica e mitológica do Papai Noel — A discussão começa com a origem do Papai Noel, remontando a São Nicolau (século IV, atual Turquia) e sua evolução para Sinterklaas e Santa Claus. São mencionadas influências mitológicas, como Odin (com sua barba branca e carruagem voadora puxada por oito cavalos, possível origem do trenó). A representação visual moderna, com roupas vermelhas, é atribuída a um cartoonista do final do século XIX e posteriormente popularizada pela Coca-Cola na década de 1930.
- 00:04:31 — Análise física da logística de entrega de presentes — Os participantes iniciam uma análise física das tarefas do Papai Noel. Estimam o número de crianças no mundo, o tempo disponível (24h+) e a distribuição das casas. Concluem que ele teria apenas milésimos de segundo por casa, o que é fisiológica e fisicamente impossível. O problema de otimização de rota (similar ao do caixeiro-viajante) também é mencionado como uma complexidade adicional.
- 00:07:23 — Problemas de velocidade, aceleração e atrito — São apresentados cálculos mostrando que a velocidade necessária seria superior a mil vezes a velocidade do som, gerando estrondos sônicos que não são observados no Natal. A aceleração necessária para atingir essa velocidade seria da ordem de milhões de Gs, o que esmagaria qualquer ser vivo (‘estado de Papel Noel’). O atrito a essa velocidade geraria calor intenso, incinerando o trenó e as renas, a menos que houvesse tecnologia especial de proteção térmica.
- 00:15:41 — Massa, volume e a hipótese de dimensões extras — É estimado que o trenó teria que carregar centenas de milhares de toneladas de presentes (equivalente a sete vezes o peso do Titanic), exigindo um número impraticável de renas. São levantadas soluções fantásticas, como o uso de ‘bolsinhas’ com espaço extra-dimensional (como em Harry Potter) ou a exploração de dimensões extras previstas pela teoria das cordas para contornar os problemas de volume e distância.
- 00:19:25 — Conclusões e hipóteses sobre a natureza de Papai Noel — Diante das impossibilidades físicas, conclui-se que, se Papai Noel existe e realiza suas proezas sem violar as leis da física, ele deve possuir uma tecnologia extremamente avançada. A hipótese mais plausível, dentro do contexto humorístico, é que ele seja um alienígena ou um viajante do tempo. Discute-se brevemente seu possível objetivo: melhorar a humanidade para que esta entre numa ‘federação galáctica’.
- 00:20:43 — Aspectos sociais e psicológicos da fantasia — Os participantes discutem a dinâmica social por trás do mito: os adultos conspiram para manter a fantasia, e quando as crianças descobrem a verdade, são ‘recrutadas’ para perpetuar a história para as mais novas. Isso é visto como um rito de passagem que marca a entrada no mundo adulto. Também se menciona que pesquisas mostram que as crianças, ao descobrirem, geralmente não ficam bravas, mas os pais podem ficar tristes.
- 00:24:21 — Questões ideológicas, comerciais e origem do Natal — A discussão avança para questões sociais: as condições de trabalho dos elfos (seriam escravos?), a origem dos presentes (são fabricados ou comprados?), e a localização da fábrica (Lapônia). Também se aborda a crítica de alguns grupos religiosos à figura do Papai Noel por secularizar e comercializar o Natal, desviando o foco do nascimento de Cristo. É mencionada a tradição argentina de dar presentes no Dia de Reis (6 de janeiro).
- 00:28:25 — A Festa de Newton e considerações finais — Faz-se uma brincadeira propondo substituir o Natal pela ‘Festa de Newton’, celebrando o nascimento de Isaac Newton em 25 de dezembro (no calendário juliano). Sugere-se trocar a árvore de Natal por uma macieira e as bolas por maçãs comestíveis. Os participantes finalizam reiterando o tom humorístico do programa e desejando um bom Natal aos ouvintes, apresentando-se nominalmente: Jorge Kieffel (Biofísica URGES), Jefferson Rorausson e Marco de Arte (Física URGES).
Dados do Episódio
- Podcast: Fronteiras da Ciência
- Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
- Categoria: Science
- Publicado: 2010-12-20T10:00:05Z
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/fronteiras-da-ci%C3%AAncia/fb4669d0-4a98-012e-1aa8-00163e1b201c/papai-noel-existe/fc40fe90-4a98-012e-1aa8-00163e1b201c
- UUID Episódio: fc40fe90-4a98-012e-1aa8-00163e1b201c
Dados do Podcast
- Nome: Fronteiras da Ciência
- Site: http://frontdaciencia.ufrgs.br
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Transcrição
[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência, da rádio da Universidade, onde discutiremos
[00:00:11] os limites entre o que é ciência e o que é mito.
[00:00:14] No Fronteiras da Ciência, a gente em geral aborda temas bastante polêmicos e a gente
[00:00:21] tenta trazer a luz da ciência para decidir, por exemplo, se certas teorias ou certas ideias
[00:00:27] sobre como funciona o mundo são realmente embasadas pela ciência ou não.
[00:00:31] E muitas vezes isso nos coloca numa situação bastante delicada e a gente pode estar suscetível
[00:00:36] a uma série de percalços, até processos.
[00:00:38] Então hoje vai ser um desses programas onde a gente vai tocar um assunto bastante delicado.
[00:00:43] As pessoas mais sensíveis.
[00:00:45] Pois é, a gente pode até pedir que tiver crianças na sala, ou no carro, que tenham
[00:00:51] que sair.
[00:00:52] No carro é difícil.
[00:00:53] É, pode fazer o que quiser.
[00:00:54] Estão avisando, né?
[00:00:55] Pois é.
[00:00:56] Ao longo do ano, uma fração considerável da população ocidental repensa o seu comportamento
[00:01:02] em função de uma possível punição futura.
[00:01:04] É uma questão moral importante e a punição viria de um bom velhinho.
[00:01:08] Ele é um bom velhinho, mas ele pode punir.
[00:01:11] Então essa vai ser a questão abordada do programa de hoje.
[00:01:14] Eu tive uma certa dificuldade de convencer pessoas para falarem aqui, devido a possíveis
[00:01:19] represálias até em casa.
[00:01:22] Mas eu consegui que o professor Jorge Kieffel, da biofísica da URGES, venha aqui debater.
[00:01:27] Eu prefiro ficar anônimo.
[00:01:28] E tem um professor que eu vou chamar assim do V de JA, do Instituto de Física.
[00:01:35] Eu anônimo professor.
[00:01:37] E eu marco de arte.
[00:01:38] Então o programa de hoje, o tema vai ser o Papai Noel Existe.
[00:01:43] Então a gente discute muito pseudociência e uma das características principais da pseudociência
[00:01:48] está sendo pregado, a teoria pseudocientífica, se ela é coerente com as teorias da física
[00:01:53] conhecida.
[00:01:54] Então eu vou começar abordando a questão da existência do Papai Noel, considerando
[00:01:57] as possibilidades, o que se atribui a ele, que é a entrega de presentes, e a gente discutir
[00:02:03] um pouco como ele faria isso, Jeffers.
[00:02:05] Acabou a minha hora.
[00:02:07] O Papai Noel, o mito, na verdade a origem é uma mistura de história e mito, remonta
[00:02:15] a um santo da Igreja Católica, o São Nicolau, que vivia no século IV, na região que hoje
[00:02:22] é a Turquia, as representações dele são com uma barba completa e em alguns lugares
[00:02:27] ele aparece com roupas de bispo mesmo.
[00:02:31] E esse bispo, o São Nicolau, que na Holanda ele é conhecido como Sinterklaas, que daí
[00:02:38] vem a origem do Santa Claus em inglês, ele é conhecido por fazer boas ações, etc.
[00:02:44] Eles têm uma mistura porque existe uma mescla desses fatos históricos com elementos mitológicos,
[00:02:51] então tem elementos, por exemplo, dos povos germânicos do norte da Europa, então misturam
[00:02:56] conceitos de Odin, que também era representado com uma barba branca.
[00:03:01] Odin se envolvia em caçadas pelo céu e ele andava numa carruagem puxada por oito cavalos
[00:03:07] percorrendo o céu, então essa provavelmente é a origem do trenó, as crianças deixavam
[00:03:11] botas com cenouras e comida para um dos cavalos do Odin e ele, em troca, deixava doces nessas botas.
[00:03:17] Depois esses elementos todos se misturaram e deram origem ao conceito que a gente tem hoje de Papai Noel.
[00:03:23] Tem um cartoon do final dos 1800, onde Papai Noel já é representado de uma maneira mais
[00:03:28] próxima do que a gente é, já com as cores vermelhas, mas na época ele era representado
[00:03:34] com a cor verde.
[00:03:35] Na década de 30, a Coca-Cola fez uma publicidade e usou esse cartoon do final dos 1800 e a
[00:03:41] propaganda fez muito sucesso, então dali passou a gente ter esse ícone.
[00:03:46] Papai Noel é vermelho por causa da Coca-Cola.
[00:03:50] Digamos que a difusão foi por causa da Coca-Cola, mas o conceito da cor vermelha foi desse cartoonista
[00:03:56] americano Thomas Nast, dos 1890, um pouquinho antes que ele fez esse cartoon.
[00:04:02] Mas o problema todo é um problema de ciência.
[00:04:05] Eu queria saber um pouco da física do Papai Noel.
[00:04:08] Papai Noel, certamente, para conseguir fazer o que se diz que ele faz, ele tem que ou violar
[00:04:13] algumas leis físicas, ou ele tem que ter a disposição de uma tecnologia tão avançada
[00:04:19] pela pluma das leis de Clark, que a gente não conseguiria distinguir de mágica.
[00:04:24] Então, por exemplo, se a gente estimar o número de crianças que existem no mundo,
[00:04:31] a gente, em princípio, poderia considerar só crianças de religiões que, mais ou menos,
[00:04:37] o mito de Papai Noel faz parte da sociedade cristãs.
[00:04:40] Mas Papai Noel, em princípio, deveria ser um ser bondoso, então ele não deve excluir
[00:04:44] as crianças judias, budistas, indus, muçulmanas.
[00:04:47] Não vou esquecer que ele é bondoso, mas ele pode punir, na verdade, a punição principal
[00:04:52] é não premiar os que se comportarem mal, então ele tem um papel de carasso.
[00:04:56] Inclusive, a origem do saco é porque ele era para recolher as crianças malvadas.
[00:04:59] Mas essa é a lenda do homem do saco que nós vamos abordar no outro programa.
[00:05:03] Bom, mas então, independente de se a gente considerar todas as crianças ou só as ocidentais, etc.,
[00:05:09] e fizer uma estimativa, por exemplo, de que tenha umas três crianças por casa,
[00:05:15] que essas casas estejam igualmente distribuídas ao redor da Terra,
[00:05:19] e o tempo que Papai Noel tem à disposição para entregar, que são 24, um pouco mais de 24 horas,
[00:05:24] que tem a mudança de data, ele teria que levar uma fração da ordem de um milésimo
[00:05:28] de segundo por casa, envolvido já contabilizando já o tempo para se deslocar.
[00:05:35] Então milésimo de segundo…
[00:05:36] E entrar pela chaminé…
[00:05:37] Estacionar o trenó sem fazer barulho, entrar pela chaminé…
[00:05:41] Mesmo se esteja acesa e mesmo que tenha.
[00:05:44] E tenha fogo, tudo, não importa.
[00:05:45] Eu, como neurocientista, digo, o milésimo de segundo é o tempo de um spike, de um potencial de ação,
[00:05:51] não dá nem para mexer músculo.
[00:05:52] Pois é, e ele tem que avaliar se o presente que ele está trazendo já não está embaixo da árvore,
[00:05:58] porque os pais também podem dar presentes, então ele tem que ter algum sensor avançado,
[00:06:02] ele deve ter um saco gigantesco com presentes, ele tem que selecionar o presente que aquela criança pediu,
[00:06:08] comer, porque às vezes tem ofertas, bolachinhas, ele sempre come, toma leite, etc.
[00:06:14] Por isso até que explica que ele é até meio parrudinho, porque ele tem sobreteso.
[00:06:18] A obesidade é uma das consequências desse trabalho.
[00:06:21] Ele comer de todas as casas.
[00:06:22] Sem falar de necessidades fisiológicas, que em 20, 30 horas todo mundo…
[00:06:26] É, mas em milissegundos ele não vai ter essa necessidade.
[00:06:29] Mas institucionar o tempo que ele fica entregando presentes…
[00:06:32] Eu acho que considerar tudo que ele come e essas necessidades devem ter um volume considerável.
[00:06:36] Então, uma dificuldade é esse pouco tempo que ele tem à disposição,
[00:06:40] se a gente estimar a distância total percorrida da ordem de 50 a 100 milhões de quilômetros.
[00:06:45] Isso que a gente não está considerando o problema como o problema de otimização.
[00:06:50] Na verdade, existe um problema famoso, o de cachorro-diajante, que é dado um certo número de cidades,
[00:06:55] qual é a maneira ótima de percorrer essa cidade, para minimizar o tempo ou a distância, etc.
[00:07:02] Isso já é um problema que, para resolver, cresce exponencialmente com o tempo.
[00:07:06] É muito complicado.
[00:07:08] O Papai Noel vai tentar simplesmente preencher o espaço.
[00:07:10] O Papai Noel vai… Então provavelmente a solução que ele está não é…
[00:07:13] É a solução do pintor. Como é que tu pinta uma parede?
[00:07:15] Ele vai pintando.
[00:07:16] Bom, então, esquecendo esses detalhes, essas sutilezas,
[00:07:20] se a gente fizer uma estimativa da velocidade com que o Papai Noel tem que percorrer,
[00:07:23] para, no tempo disponível, entregar os presentes, isso dá uma velocidade que é mais de mil vezes a velocidade do som,
[00:07:29] o que é muito alto.
[00:07:31] Inclusive jatos, quando rompem a barriera do som, a gente tem aquela explosão que não se ouve no Natal.
[00:07:38] Então isso é uma evidência contrária.
[00:07:40] No Natal seria bem mais barulhento, Viba.
[00:07:43] Normalmente…
[00:07:44] Sim, porque cada vez que ele estacionasse, ele teria que romper de novo.
[00:07:47] Teria que romper a barriera do som.
[00:07:48] Então seria surdecedor no Natal.
[00:07:50] Mas esses barulhos que a gente ouve no Natal não são isso?
[00:07:53] Podem ser, inclusive, aquilo que a gente interpreta como estrelas cadentes pode ser o Papai Noel passando.
[00:07:59] Mas aí ele vai estar inflamado.
[00:08:00] Mas um outro aspecto interessante é que essa velocidade, embora é muito alta,
[00:08:03] ela ainda é um milésimo da velocidade da luz,
[00:08:07] o que significa que efeitos relativísticos não devem ser importantes no problema do Papai Noel.
[00:08:13] É um problema clássico.
[00:08:14] É, mas isso me deixa surpreendente, eu já achava que tinha problemas relativísticos
[00:08:18] e isso seria vantagem para ele.
[00:08:20] Sim, porque o tempo passaria mais devagar.
[00:08:22] Aí ele teria tempo para fazer tudo que sobrava.
[00:08:24] Bom, na verdade esse aqui é um tempo, é uma velocidade mínima,
[00:08:26] não quer dizer que ele não vá mais rápido do que isso.
[00:08:28] Talvez a solução seja essa.
[00:08:29] Não vamos esquecer que ele faz tudo durante a noite e nós não temos 24 horas de noite.
[00:08:33] Mas tem um outro problema envolvendo velocidade que é quando a gente avalia a variação dessa velocidade.
[00:08:38] É porque ele tem que sair da casa, ele está repouso, parado,
[00:08:41] e ele tem que atingir essa velocidade máxima.
[00:08:44] Significa que ele está acelerando.
[00:08:45] Essa aceleração, se a gente fizer uma estimativa grosseira,
[00:08:48] vai dar milhões de vezes aceleração da gravidade.
[00:08:52] Quer dizer que ele pode sofrer o que a gente chama de um crunch.
[00:08:54] Ele pode ser esmigalhado.
[00:08:56] Ele passaria do estado de Papai Noel para o estado de Molho Noel.
[00:09:00] Não, pensei no estado de Papel Noel.
[00:09:02] Ou Papel, ou Papel Noel.
[00:09:03] É, tem um cálculo de umas 50 milhões de G, isso aí é uma loucura.
[00:09:06] Ele pode virar um Papel Noel.
[00:09:07] É, pensando que um piloto de jato, quando ele está em uma aceleração de 10 vezes da gravidade,
[00:09:13] Ele desmaia.
[00:09:14] Ele desmaia porque o coração já não consegue bombear sangue por sério.
[00:09:17] 20 Gs já é má.
[00:09:19] Então o Papai Noel deve ter algum dispositivo tecnológico.
[00:09:22] Talvez um exoesqueleto.
[00:09:23] Talvez ele não tenha sangue.
[00:09:24] Ah não, nem um exoesqueleto adianta.
[00:09:26] Ah, uma das saídas é aquela que é utilizada na conhecida série científica Jornada das Estrelas.
[00:09:31] Série científica?
[00:09:32] É, já falei.
[00:09:34] Bom, nós estamos falando do Papai Noel, então a Jornada das Estrelas é um documentário.
[00:09:39] Mas eles têm um problema técnico lá, porque a nave acelera para a velocidade próxima,
[00:09:42] ou igual à da luz, instantaneamente.
[00:09:44] E aí tem o problema das acelerações, que seria infinita.
[00:09:46] Então a solução técnica que eles têm, técnico entre aspas, agora voltando para a realidade,
[00:09:50] é os amortecedores de inércia.
[00:09:53] Seria um dispositivo que compensaria essa aceleração.
[00:09:56] De fato, porque quem está na nave nem sequer sente um sacolejo na hora que acelera.
[00:09:59] Porque na verdade a gente nunca vê o quê que sendo amassado contra a nave.
[00:10:02] Ninguém é jogado contra a parede.
[00:10:04] É, e o picar na nova série fica tomando o chazinho enquanto…
[00:10:07] E o chazinho nem sequer inclina na chicanez da nave.
[00:10:09] Exatamente.
[00:10:10] Bom, esse é o programa Fronteiras da Ciência.
[00:10:12] Hoje a gente está discutindo a existência ou não do Papai Noel.
[00:10:15] Se vocês querem mais materiais ou listas de presentes,
[00:10:19] vocês acham ela no nosso site, o www.frontedasciencia.urgs.br.
[00:10:24] Então a gente está continuando essa nossa análise profunda sobre a física envolvida no Papai Noel.
[00:10:29] Eu queria puxar um outro assunto, já que nós falamos em evidência aqui,
[00:10:33] trazer mais alguns detalhes importantes sobre aspectos da massa e tal.
[00:10:37] Para discutir as evidências das provas da existência do Bom Velhinho.
[00:10:41] Porque, na verdade, é um problema semelhante ao dos ovnis,
[00:10:44] como isso nós já abordamos em outros programas.
[00:10:46] Primeiro que relatos do avistamento de Papai Noel não são muito comuns.
[00:10:50] Não, mas eu vi agora no shopping.
[00:10:52] Não, o problema não é nem a frequência dos relatos.
[00:10:54] O problema é que esses relatos rendem pessoas pouco confiáveis devido a sua pequena idade.
[00:10:59] Relatos de crianças de 2, 3 anos são os mais, digamos, suscetíveis à fantasia.
[00:11:05] Ao mesmo tempo são os que parecem ter mais certeza que têm visto.
[00:11:08] Os relatos são sim certos.
[00:11:10] O confiável é um pau meio duro nesse caso.
[00:11:12] O ouvinte deve lembrar que essas são as que não deviam estar na sala agora,
[00:11:16] quando a gente está fazendo o programa.
[00:11:17] É, viu? É tudo brincadeira, tá, pessoal?
[00:11:19] Bom, a outra coisa é que, da mesma forma como com os ovnis,
[00:11:22] antigamente existia, antigamente, posso dizer,
[00:11:25] se apresentava como provas de avistamento de objetos voadores não identificados,
[00:11:29] um conjunto de fotos borradas, confusas, né?
[00:11:32] Que ficava se discutindo durante horas que aquilo lá era um ovni.
[00:11:35] E hoje em dia nós temos um excesso de câmeras instaladas no planeta.
[00:11:40] Câmeras de trânsito, câmeras de segurança em caixas automáticos, lojas e tudo mais.
[00:11:44] Todo mundo tem câmera no seu celular, ou seja,
[00:11:46] nunca se filmou e se fotografou tanto, né?
[00:11:49] E, no entanto, o número de avistamentos e registros de filmes diminuiu.
[00:11:52] Desapareceu.
[00:11:53] Será? Porque, como o Marco disse,
[00:11:55] o número de fotos e filmes com Papai Noel nessa época é…
[00:11:58] É, pois é.
[00:11:59] Eu já vou chegar nesse detalhe.
[00:12:01] Não, mas isso acho que a gente deve fazer um…
[00:12:03] É, mas acho que a gente deve fazer um alerta.
[00:12:05] Existem muitos Papai Noel falsos.
[00:12:08] O que não quer dizer é que não possam existir alguns verdadeiros.
[00:12:11] É, na verdade é que os Papai Noel falsos,
[00:12:13] ligados a uma concepção econômica,
[00:12:15] digamos, voltada ao lucro,
[00:12:17] eles distorcem um pouco o valor do verdadeiro Papai Noel,
[00:12:19] que seja um ou vários, não sabemos.
[00:12:21] Mas o fato é o seguinte,
[00:12:23] não há provas empíricas do avistamento dele.
[00:12:25] A solução desse problema físico,
[00:12:27] porque a gente vê que o deslocamento,
[00:12:29] o número de casas envolvidas,
[00:12:31] faz com que ele tenha saído das condições normais de temperatura e pressão, né?
[00:12:35] Bom, isso a gente entra na questão tecnológica que o Jefferson falava.
[00:12:37] Mas e se forem clones?
[00:12:39] Vários clones?
[00:12:41] Essa possibilidade não pode ser descartada,
[00:12:43] mas aí teria que ter avistamentos múltiplos.
[00:12:45] Existem várias maneiras de controlar os problemas, né?
[00:12:47] Existem teoriais, por exemplo, da física,
[00:12:49] que consideram, por exemplo, as cordas,
[00:12:51] que a gente discutiu já no programa do LHC aqui.
[00:12:53] Tem mais do que as três dimensões usuais.
[00:12:55] Papai Noel poderia, por exemplo,
[00:12:57] explorar essas outras dimensões,
[00:12:59] diminuir essas distâncias.
[00:13:01] Ele podia aparecer instantaneamente nas salas.
[00:13:03] Mas existe um outro lado das evidências empíricas,
[00:13:05] que não foi falado, que é o seguinte,
[00:13:07] embora o avistamento do Papai Noel não seja o forte,
[00:13:09] tem as evidências da sua passagem,
[00:13:11] ou seja, as evidências físicas da visita,
[00:13:13] que é o presente.
[00:13:15] E, de fato, isso pode até ser uma solução
[00:13:17] para o problema do número de casas visitar,
[00:13:19] que é muito grande, implica uma velocidade muito grande,
[00:13:21] que aparentemente as evidências sugerem que
[00:13:23] Papai Noel costuma visitar apenas casas
[00:13:25] de crianças brancas de classe média.
[00:13:27] Quase.
[00:13:29] Eu estou vendo uma coisa bem ideológica.
[00:13:31] É, mas é um fato, é um fato empírico.
[00:13:33] A quantidade maior de pessoas que não ganham presentes
[00:13:35] no Natal prova que
[00:13:37] ele não visita todo mundo.
[00:13:39] Tem outro argumento interessante ainda
[00:13:41] ficando na cinemática
[00:13:43] do Papai Noel.
[00:13:45] O peso é um problema, mas o que eu acho mais
[00:13:47] interessante é a questão da velocidade.
[00:13:49] A velocidade que o trenor
[00:13:51] anda, ele gera um atrito
[00:13:53] com um ar muito grande.
[00:13:55] E atrito gera calor.
[00:13:57] Isso aí é exatamente o mesmo efeito,
[00:13:59] mas muito maior, que a gente vê quando
[00:14:01] uma espaçonave reentra
[00:14:03] na atmosfera, o metrôrito
[00:14:05] gera uma quantidade de calor muito grande.
[00:14:07] Que incendeia os gases à volta.
[00:14:09] É, então a gente teria esse trenor
[00:14:11] puxado pelos renas.
[00:14:13] E os gases à volta. A gente teria esse trenor
[00:14:15] puxado por renas, e o calor
[00:14:17] simplesmente seria tão alto que numa
[00:14:19] fração de segundo ele desmancharia
[00:14:21] as renas da frente, depois
[00:14:23] as próximas, então seria um popopopó
[00:14:25] e acabou o trenor.
[00:14:27] É, a não ser que o trenor
[00:14:29] seja feito de asbestos, e o Papai Noel
[00:14:31] use uma bomba especial.
[00:14:33] É desse mesmo que pode agir ele quando ele desce
[00:14:35] na chaminéa?
[00:14:37] O Space Shuttle, por exemplo, tem um
[00:14:39] sistema de revestimento que faz ele lidar
[00:14:41] com essas temperaturas.
[00:14:43] Aqui no Rio Grande do Sul, eu acho que ele desceria
[00:14:45] pelas churrasqueiras.
[00:14:47] De novo, quantas casas tem chaminéas
[00:14:49] com churrasqueiras?
[00:14:51] Churrasqueiras não.
[00:14:53] Não, mas churrasqueiras.
[00:14:55] Eu estou falando de churrasqueira de verdade,
[00:14:57] porque o que mais tem em Porto Alex são
[00:14:59] apartamentos com churrasqueira.
[00:15:01] Churrasco de Natal é um negócio…
[00:15:03] Inclusive, em Ciência Florense, eles usam Papai Noel
[00:15:05] para denominar esse tipo de
[00:15:07] possíveis entradas em casa, quando os bandidos
[00:15:09] ficam presos na chaminéa,
[00:15:11] e eles acabam morrendo, porque aqui eles acabam
[00:15:13] intoxicados, engasgados, com a
[00:15:15] fuligem que fica caindo,
[00:15:17] e eles amassam essa região aqui
[00:15:19] do pulmão, não conseguem respirar direito,
[00:15:21] acabam morrendo. Então eles usam o nome de
[00:15:23] Papai Noel, eu não me lembro se era síndrome de Papai Noel.
[00:15:25] Mas voltando ao
[00:15:27] questão da física, uma coisa importante
[00:15:29] é assim, vamos supor que cada uma dessas
[00:15:31] N crianças que tem
[00:15:33] no planeta vai ganhar um presente básico, digamos assim,
[00:15:35] um presente kit de lego básico
[00:15:37] de um quilo, para ficar padronizado,
[00:15:39] ficar fácil fazer as contas, então
[00:15:41] uma estimativa assim, o
[00:15:43] terenado do Papai Noel, supondo que é um só
[00:15:45] que tem que carregar, um cálculo por cima, uns 300,
[00:15:47] 320 mil toneladas,
[00:15:49] sem contar tanta clausa ao
[00:15:51] Papai Noel, que já parece que é bem pesadinho também,
[00:15:53] mas talvez não chegue a uma tonelada. Ou seja,
[00:15:55] a gente considera quanto uma rena consegue
[00:15:57] puxar em terra, mas ela
[00:15:59] puxar voando é diferente. Então bota
[00:16:01] 10 vezes mais. Não sabemos, mas em terra ela
[00:16:03] puxa em torno de 150,
[00:16:05] 200 quilos, sem problema, talvez
[00:16:07] 500 quilos, no máximo, mas então
[00:16:09] mesmo que seja voador e possa
[00:16:11] puxar 10 vezes mais, enfim, nós
[00:16:13] necessitaríamos uma quantidade grande de renas, essencialmente.
[00:16:15] Se fosse pelo que elas
[00:16:17] conseguem puxar por terra, precisaria de algumas
[00:16:19] centenas de milhares de renas, isso seria
[00:16:21] um terenado meio comprido. E pesado, né?
[00:16:23] E pesado, porque tem que considerar que elas
[00:16:25] passam a ser parte do peso da própria
[00:16:27] sistema. Mas tudo bem, são renas mágicas.
[00:16:29] Pelo cálculo aqui de um autor, a quantidade
[00:16:31] de renas e de presentes soldados
[00:16:33] somados, tudo dá mais ou menos
[00:16:35] 7 vezes o peso do Titanic, né?
[00:16:37] Se os inossalos podiam voar, por que não pode ter
[00:16:39] renas voadores? É verdade, eles voavam.
[00:16:41] Eles ainda voam, porque as árvores são nos inossalos.
[00:16:43] Vocês pensaram na massa, mas pensem no volume disso aí
[00:16:45] também, porque o Titanic
[00:16:47] era 7 vezes o volume do Titanic,
[00:16:49] mas o Titanic era feito de ferro.
[00:16:51] Então ele era muito mais compacto. Então o volume
[00:16:53] e problema dessa coisa é… Mas ele tinha muito espaço vazio.
[00:16:55] Ah, mas isso é um problema
[00:16:57] se tu considera que esse sistema
[00:16:59] de trenó gigante com um monte de presentes e renas
[00:17:01] ele é tridimensional, se ele ocupa
[00:17:03] três dimensões. Mas se tu puder acessar mais
[00:17:05] dimensões, aí tu pode brincar com isso, né?
[00:17:07] Eu vi o último Harry Potter
[00:17:09] e a Hermione, ela tinha uma dessas
[00:17:11] bolsinhas que tu vai
[00:17:13] socando, botar o que tu quiser.
[00:17:15] Mas se tu tiver mais dimensões,
[00:17:17] tu pode brincar com isso. Eu vi agora
[00:17:19] recentemente uma propaganda
[00:17:21] de um relógio aí que permite tu usar
[00:17:23] truques quânticos pra equilibrar.
[00:17:25] Não é um relógio, é uma pulseira, mas é outro programa.
[00:17:27] Eu sei que é outro programa, mas acontece que assim,
[00:17:29] consideramos que na mecânica
[00:17:31] quântica se falem até 11 dimensões,
[00:17:33] então tem formas de empacotar esse Papai Noel aqui.
[00:17:35] Eu não amei nada na mecânica quântica, mas eu
[00:17:37] vou abusar da
[00:17:39] falácia da física, do apelo à física
[00:17:41] quântica pra dizer, o Papai Noel deve usar
[00:17:43] a física quântica pra resolver esse problema.
[00:17:45] Não, isso não acontece.
[00:17:47] Eu acabo dizendo o que eu queria dizer.
[00:17:49] Agora esse aquecimento aí do atrito,
[00:17:51] com esse montrego todo, não só ia queimar o Papai Noel,
[00:17:53] as reunas e os presentes, mas ele
[00:17:55] seria uma coisa que aconteceria,
[00:17:57] bom, se ele fosse substituído imediatamente pro novo
[00:17:59] Papai Noel, a quantidade do Papai Noel ia
[00:18:01] esqueimando por segundo pra atender tudo isso
[00:18:03] e liberar uma quantidade enorme de calor.
[00:18:05] E há autores que suspeitam que isso pode ser uma das responsáveis
[00:18:07] pelo aquecimento global.
[00:18:09] Isso estaria resolvido o problema.
[00:18:11] Então é provar que é ele.
[00:18:13] Papais noéis incandescentes
[00:18:15] estão aumentando a temperatura da
[00:18:17] superfície da atmosfera.
[00:18:19] A gente sugere que alguém procure evidências
[00:18:21] pra que haja um pico de aquecimento
[00:18:23] nesse período.
[00:18:25] Eu não tenho nenhuma dúvida, o Natal já é
[00:18:27] uma época muito quente aqui em Porto Alegre.
[00:18:29] Isso prova que é o aquecimento global.
[00:18:31] Esse é o programa Fronteiras da Ciência.
[00:18:33] Essa foi a pior frase que eu disse na minha vida.
[00:18:35] Esse é o programa Fronteiras da Ciência,
[00:18:37] a gente está discutindo a existência
[00:18:39] do Papai Noel.
[00:18:41] A ciência do Papai Noel.
[00:18:43] E testando a paciência do ouvinte.
[00:18:45] Mais informações
[00:18:47] no nosso site
[00:18:49] frontedaciencia.urgs.br
[00:18:51] Como eu disse, informações sobre o que a gente
[00:18:53] está discutindo e talvez listas de presentes.
[00:18:55] Eu gostaria de voltar um pouco pra parte
[00:18:57] mais séria.
[00:18:59] Vocês estão se perdendo, eu queria saber qual é a conclusão
[00:19:01] afinal. Deve ter alguma conclusão
[00:19:03] sobre o Papai Noel.
[00:19:05] Bom, antes da gente entrar na parte mais séria…
[00:19:07] Mas eu não vou contar porque eu não sei se tiraram…
[00:19:09] Eu não sei quando eu
[00:19:11] cheguei à conclusão. Mas a minha conclusão lógica
[00:19:13] do que a gente
[00:19:15] discutiu nesse programa é dado que
[00:19:17] o Papai Noel conseguir fazer tudo o que
[00:19:19] ele faz. Ele sem violar
[00:19:21] as leis da física, ele deve ter, como eu disse antes,
[00:19:23] uma alta tecnologia à disposição.
[00:19:25] Então a única conclusão lógica
[00:19:27] é se Papai Noel realmente existe
[00:19:29] pra que a gente não consiga distinguir essa
[00:19:31] alta tecnologia que ele usa da magia.
[00:19:33] Então ele é ou um viajante
[00:19:35] do futuro ou um alienígena.
[00:19:37] Estou mais inclinado pra hipótese alienígena.
[00:19:39] É um ET.
[00:19:41] Nós entramos na questão das provas dos alienígenas.
[00:19:43] A gente já discutiu isso, mas eu acho
[00:19:45] que é uma possibilidade científica
[00:19:47] importante. E a gente não pode provar
[00:19:49] que o Papai Noel não existe. Pode olhar apesar das
[00:19:51] evidências. Mas eu acho que é uma hipótese
[00:19:53] muito mais aceitável. Que ele possa
[00:19:55] ter… Então a conclusão é um problema
[00:19:57] em aberto com muitas questões
[00:19:59] pra serem respondidas.
[00:20:01] Mas se ele for um ET…
[00:20:03] Se ele for um ET, o que ele está querendo?
[00:20:05] Essa é a pergunta aqui.
[00:20:07] Eu acho que ele está querendo encher
[00:20:09] ele presente às pessoas.
[00:20:11] Não, ele está obviamente querendo
[00:20:13] melhorar a humanidade
[00:20:15] pra que a gente possa entrar na federação galáxica.
[00:20:17] Pra mim é meio óbvio isso.
[00:20:19] Essa é uma boa
[00:20:21] considerando-se, enfim,
[00:20:23] uma boa possibilidade.
[00:20:25] Eu acho que ele está querendo
[00:20:27] melhorar a humanidade pra que a gente possa
[00:20:29] entrar na federação galáxica.
[00:20:31] Essa é uma boa considerando-se, enfim…
[00:20:33] Mas vamos tentar discutir
[00:20:35] um pouco a parte. Por exemplo,
[00:20:37] a gente tem que enganar algumas
[00:20:39] pessoas pra manter a história
[00:20:41] do Papai Noel. O que vocês fazem
[00:20:43] com os filhos de vocês?
[00:20:45] É um complô
[00:20:47] onde os adultos conspiram
[00:20:49] instantaneamente.
[00:20:51] E os três aqui já fizeram isso
[00:20:53] com os seus filhos, na verdade.
[00:20:55] Não, eu nunca disse…
[00:20:57] Eu nunca enfatizei a veracidade,
[00:20:59] mas eu nunca neguei a existência.
[00:21:03] Eu tenho que confessar que eu
[00:21:05] abertamente menti
[00:21:07] e enganei.
[00:21:09] Eu não quero dizer nada, mas tu vai queimar no inferno.
[00:21:11] E enganei.
[00:21:13] Mas tem psicólogos que dizem que esse tipo de mentira
[00:21:15] é uma espécie de mentira branca,
[00:21:17] ela não é nociva, porque ela não é uma mentira
[00:21:19] que tu como pai e somente tu
[00:21:21] está fazendo com o teu filho.
[00:21:23] Mas essa é uma mentira cultural.
[00:21:25] Ela é dispersa pela sociedade,
[00:21:27] como se tu tivesse diluindo a culpa.
[00:21:29] De alguma forma, a criança se dá conta
[00:21:31] que não foi ela só enganada, mas a coleguinha,
[00:21:33] o coleguinho, todos eles foram enganados.
[00:21:35] E provavelmente ela se dá conta que talvez o pai dela
[00:21:37] e a mãe dela foram…
[00:21:39] E o recrutamento é interessante, porque no momento que a criança…
[00:21:41] Existem muitas culpas culturais
[00:21:43] interessantes, por exemplo.
[00:21:45] No momento que a criança
[00:21:47] se dá conta que o Papai Noel
[00:21:49] não existe, ela é instantaneamente
[00:21:51] recrutada para o outro lado
[00:21:53] e passa a fazer a fantasia para as
[00:21:55] crianças menores.
[00:21:57] Ela tem aquele sentimento de que agora ela cresceu,
[00:21:59] que agora ela é mais velha, mais madura.
[00:22:01] Então ela entrou no time dos adultos.
[00:22:03] O produtivo psicológico é ter marcadores
[00:22:05] que te permitam perceber que cresceu e amadureceu.
[00:22:07] É importante. Essa é a forma do sucesso
[00:22:09] daquele desenho animado Pokémon,
[00:22:11] onde as crianças têm uns bichinhos
[00:22:13] de estimação que evoluem.
[00:22:15] E aí a evolução vai mostrando que eles vão evoluindo
[00:22:17] junto, porque eles têm que ter mais habilidades
[00:22:19] para poder fazer o animal evoluir.
[00:22:21] É uma das coisas interessantes, porque se pegar
[00:22:23] os desenhos mais tradicionais, é tudo estático.
[00:22:25] Todos os Disney e outros
[00:22:27] são coisas estáticas, são sempre mesmo.
[00:22:29] É uma visão conservadora do mundo.
[00:22:31] Mas isso talvez seja um comentário.
[00:22:33] Porque na escala de tempo
[00:22:35] onde ocorrem os desenhos,
[00:22:37] tu não espera observar nada
[00:22:39] evoluindo. Nos Pokémons eles evoluem.
[00:22:41] Na escala de tempo onde ocorrem
[00:22:43] as histórias do Disney, é natural que não ocorra
[00:22:45] nenhuma evolução.
[00:22:47] Eu vou voltar para o sério.
[00:22:49] Eu tenho o paradoxo que lá ninguém é pai de ninguém,
[00:22:51] todo mundo é tio.
[00:22:53] É uma forma estranha de reprodução.
[00:22:55] Mas vamos voltar para o Papai Noel aqui, porque
[00:22:57] a gente está fazendo uma brincadeira e longe de nós
[00:22:59] entrar num pensamento
[00:23:01] estúpido,
[00:23:03] politicamente correto, de dizer que
[00:23:05] a ideia do Natal e da brincadeira
[00:23:07] é ruim
[00:23:09] ou nocivo às crianças.
[00:23:11] Ah não, eu pensei que eu tinha sido convidado para isso.
[00:23:13] Inclusive existem
[00:23:15] pesquisas
[00:23:17] que mostram que as crianças mesmo,
[00:23:19] depois que elas sabem que foram
[00:23:21] enganadas durante alguns anos,
[00:23:23] elas não se sentem bravas e
[00:23:25] preocupadas com isso, porque acho que elas entendem
[00:23:27] o espírito da coisa. Mas os pais sim.
[00:23:29] E também existem evidências
[00:23:31] de quem fica realmente triste quando
[00:23:33] os seus filhos descobrem a verdade,
[00:23:35] são os pais.
[00:23:37] Bom, tem uns desobramentos que esse problema,
[00:23:39] assim como tem o problema do castelo viajante,
[00:23:41] que é um problema de otimização,
[00:23:43] nós discutimos o aspecto
[00:23:45] do problema de otimização do Papai Noel,
[00:23:47] conhecido com o coelhinho da Páscoa,
[00:23:49] que nós podemos fazer.
[00:23:51] Eu acho que não vale a pena, porque o único
[00:23:53] diferencial é que o coelhinho da Páscoa tem um problema
[00:23:55] adicional, que é como ele mantém o chocolate
[00:23:57] sem derreter nessas altas temperaturas,
[00:23:59] que tem que lidar. Para mim é o grande paradoxo
[00:24:01] do coelhinho da Páscoa.
[00:24:03] A Páscoa é a minha estação, todo mundo.
[00:24:05] Você gosta do ovo também, coelho e ovo.
[00:24:07] Mas carregar aquela quantidade de ovo, aquela massa,
[00:24:09] sem derreter, é um desafio técnico, então
[00:24:11] provavelmente o coelhinho da Páscoa também
[00:24:13] seja um extraterrestre ou um coelhinho
[00:24:15] de outra espécie.
[00:24:17] O coelhinho do futuro é ótimo.
[00:24:19] Mas tem as questões ideológicas
[00:24:21] e sociais. Por exemplo, como é que são
[00:24:23] fabricados esses presentes? Eles são feitos
[00:24:25] lá no Polo Norte. Se ele é no Polo Norte,
[00:24:27] quais são as populações que vivem nessas latitudes ali?
[00:24:29] Os elfos, esses
[00:24:31] que trabalham, são voluntários?
[00:24:33] Ou eles têm salário?
[00:24:35] Pois é, eles trabalham escravo.
[00:24:37] Tudo leva a querer que a relação ali
[00:24:39] é mais feudal do que qualquer outra
[00:24:41] coisa. E esses presentes, eles são de marca?
[00:24:43] Se eles são de marca, não são os elfos que fazem,
[00:24:45] eles só compram.
[00:24:47] Teve licitação pra fazer.
[00:24:49] E se eles são de marca e são de marca
[00:24:51] feitos nas árvores originais,
[00:24:53] ou vem da China? Então tem todo
[00:24:55] uma série de problemas importantes.
[00:24:57] E onde é que fica
[00:24:59] essa fábrica? Qual é a localização?
[00:25:01] Os últimos relatos mais confiáveis
[00:25:03] falam na Lapônia, que é um dos países
[00:25:05] que fica mais altos,
[00:25:07] lá no norte da
[00:25:09] Europa.
[00:25:11] A única coisa importante que eles inventaram
[00:25:13] foi a
[00:25:15] sauna. Mas a sauna foi reinventada em
[00:25:17] muitas culturas. Eles gostam
[00:25:19] de tomar banho,
[00:25:21] entrar num lugar quentinho, humido, mas enfim.
[00:25:23] Muitos problemas, inclusive.
[00:25:25] Não tenho o meu conceito dos Lapões,
[00:25:27] mas o Papai Noel tem que ter
[00:25:29] uma origem,
[00:25:31] uma cultura. Os Lapões de escola tem
[00:25:33] o último comentário.
[00:25:35] É uma direção Lapônica
[00:25:37] importante em Porto Alegre.
[00:25:39] A gente tem que respeitar igual.
[00:25:41] A origem histórica do Papai Noel
[00:25:43] o Papai Noel é grego.
[00:25:45] O São Nicolau era grego.
[00:25:47] São Nicolau era negro.
[00:25:49] Grego, não negro.
[00:25:51] Grego, eu disse.
[00:25:53] Foi o que eu disse, vocês viram mal.
[00:25:55] Mas o Alias,
[00:25:57] o Santa Claus, é um
[00:25:59] diminutivo de Nicolaus.
[00:26:03] Santa. E em Portugal
[00:26:05] se chama Pai Noel.
[00:26:07] É Papai Natal.
[00:26:09] Mas aqui em
[00:26:11] francês Noel é Natal.
[00:26:13] No Brasil se diz Papai Noel.
[00:26:15] Troca linguística europeu.
[00:26:17] É verdade que o Richard Dawkins
[00:26:19] usou argumento
[00:26:21] para demonstrar
[00:26:23] uma pobre criança.
[00:26:25] Que malvado que ele é.
[00:26:27] Dependendo da idade da
[00:26:29] criança, você não precisa muito
[00:26:31] argumento para ela começar a se dar conta.
[00:26:33] Se ela for muito jovem, ele está sendo malvado.
[00:26:35] Os ateus não tem coração.
[00:26:37] Porque eu acho que
[00:26:39] ao mesmo tempo que os pais às vezes
[00:26:41] se esforçam para reforçar a fantasia do
[00:26:43] Papai Noel, eles sempre deixam brecha.
[00:26:45] A barba não está muito bem colada.
[00:26:47] Sempre é uma história
[00:26:49] meio…
[00:26:51] Ou os brincos que tiraram.
[00:26:53] De um Papai Noel que apareceu com os
[00:26:55] brincos, esqueceu de tirar.
[00:26:57] Então tem essas coisas assim que…
[00:26:59] Então eu acho que a intenção é fazer
[00:27:01] a fantasia, mas a intenção é ir revelando
[00:27:03] um pouquinho à medida que a criança cresce.
[00:27:05] Mas existem grupos religiosos
[00:27:07] que criticam o uso da imagem
[00:27:09] do Papai Noel no Natal.
[00:27:11] Porque misturam um pouco a celebração
[00:27:13] do nascimento de Cristo,
[00:27:15] que é o que essas religiões
[00:27:17] comemoram, com esse símbolo pagão.
[00:27:19] Então
[00:27:21] existem algumas religiões que defendem que não…
[00:27:23] Tem a questão
[00:27:25] do pagão contra o religioso.
[00:27:27] Agora, mais modernamente,
[00:27:29] a questão do comercial
[00:27:31] contra o espiritual.
[00:27:33] Mas durante uns dois séculos a igreja
[00:27:35] não recomendava celebrar
[00:27:37] o Natal. E aliás, por exemplo,
[00:27:39] como eu sou de parte argentina,
[00:27:41] a minha mãe é argentina, lá na Argentina não se dá
[00:27:43] presente no Natal. O Natal é só uma refeição.
[00:27:45] É uma ceia. A presente
[00:27:47] vem no dia 6 de Janeiro, que é dia de Reis.
[00:27:49] Que faz mais sentido, porque os Reis
[00:27:51] trouxeram presentes e tal.
[00:27:53] E aqui não tem esse hábito, se perdeu.
[00:27:55] Era um hábito português também,
[00:27:57] do terno de Reis, mas não presentes.
[00:27:59] Aí era outra coisa.
[00:28:01] Na verdade, a celebração, a parte
[00:28:03] da festividade que envolve o Pai Noel
[00:28:05] é uma coisa mais secular.
[00:28:07] Ela é mais laica. Então o Natal
[00:28:09] tem esse lado
[00:28:11] interessante, que ele não é mais uma festividade
[00:28:13] religiosa. Ele já passou a ser
[00:28:15] uma atividade social.
[00:28:17] Pelo menos com uma festa menor.
[00:28:19] Um outro aspecto é a data. A data
[00:28:21] de 25 de Janeiro, de dezembro.
[00:28:23] É uma data importante.
[00:28:25] Na verdade, nasceu uma pessoa muito importante
[00:28:27] no mundo. Essa data,
[00:28:29] que como os ouvidos devem estar pensando quem é,
[00:28:31] todos sabem, é Isaac Newton.
[00:28:33] Que nasceu segundo o calendário da
[00:28:35] época, em 25 de dezembro.
[00:28:37] Tanto que, aliás, alguns grupos, sétimos e outros,
[00:28:39] costumam promover, no lugar do Natal,
[00:28:41] a festa do Newtown.
[00:28:43] Em homenagem a Newton. E sustitui o Pinheiro
[00:28:45] por uma macieira e as bolinhas por maçãs,
[00:28:47] que podem, además, serem comestíveis,
[00:28:49] são recicláveis, portanto, ecologicamente
[00:28:51] corretas. Mas isso é bom
[00:28:53] deixar claro que é uma brincadeira. Isso é uma brincadeira.
[00:28:55] É uma proposta séria. Ninguém está querendo acabar
[00:28:57] com o Natal, pelo contrário.
[00:28:59] Então, a gente está terminando o programa
[00:29:01] aqui. Deixar claro
[00:29:03] isso. Então, a ideia do
[00:29:05] Newtown é muito boa, mas a gente…
[00:29:07] E depois nós queremos o nosso presente, né Papai Noel?
[00:29:09] Isso, é exatamente. Vamos deixar bem claro.
[00:29:11] Tudo foi brincadeira. Não leva mal.
[00:29:13] A gente quer o presente igual, tá?
[00:29:15] Então, esse foi o programa Fronteiras da Ciência.
[00:29:17] A gente discutiu a física,
[00:29:19] a ciência e a existência do
[00:29:21] Papai Noel. Se tiveram com a gente aqui,
[00:29:23] agora, não mais incógnitos. Não conseguimos
[00:29:25] manter anonimados. O professor Jorge
[00:29:27] Kieffel do Departamento
[00:29:29] de Biofísica da URGES,
[00:29:31] o Jefferson Rorausson, Departamento de Física
[00:29:33] da URGES e o Marco de Arte, Departamento de
[00:29:35] Física da URGES. Bom Natal!
[00:29:41] O programa Fronteiras da Ciência
[00:29:43] é um projeto do Instituto de
[00:29:45] Física da URGES.
[00:29:47] A rádio da Universidade não é
[00:29:49] responsável por eventuais opiniões
[00:29:51] pessoais aqui expressas.
[00:29:53] Técnica de Gilson de César
[00:29:55] Direção Técnica de Francisco
[00:29:57] Guazelli