Bactérias arsênicas


Resumo

O episódio discute o anúncio feito pela NASA em dezembro de 2010 sobre um experimento que alegava ter descoberto bactérias capazes de incorporar arsênico no lugar do fósforo em suas macromoléculas, como o DNA. Os participantes explicam que a bactéria em questão, uma extremófila do Lago Mono, foi submetida a um meio com baixíssimo teor de fósforo e alto teor de arsênico, e os pesquisadores liderados por Felisa Wolf-Simon afirmaram que o arsênico havia sido incorporado na estrutura molecular.

No entanto, os debatedores apontam as fragilidades metodológicas do estudo. Eles destacam que as técnicas utilizadas, como a espectrometria de massa, podem indicar a presença de arsênico associado ao DNA, mas não provam que ele substituiu covalentemente o fósforo na cadeia molecular. A discussão técnica aborda a similaridade química entre arsênico e fósforo (pertencentes ao mesmo grupo da tabela periódica) e como essa semelhança é justamente a causa da toxicidade do arsênico, que “engana” as vias metabólicas.

O debate se expande para o conceito da “biosfera oculta” ou “das sombras”, a ideia de que podem existir na Terra linhagens de vida descendentes de experimentos evolutivos independentes, que utilizam conjuntos diferentes de moléculas básicas (como aminoácidos ou nucleotídeos). A descoberta de tal biosfera seria revolucionária, pois provaria a existência de mais de um tipo de vida fundamental no universo, mesmo que ambos estivessem aqui na Terra.

Os participantes também analisam o contexto político e de divulgação por trás do anúncio sensacionalista. Eles especulam que a NASA, em um momento de disputa orçamentária, pode ter inflado a importância dos resultados para captar a atenção do público e dos legisladores, em uma estratégia similar à usada com o anúncio dos supostos fósseis em meteoritos marcianos em 1996. Eles concluem que, independentemente do resultado final desse experimento específico, a busca por extremófilos e por evidências de uma biosfera oculta é fundamental para a exobiologia e para entendermos a origem e a diversidade da vida.


Indicações

Conceitos

  • Biosfera Oculta (ou Biosfera das Sombras) — Conceito discutido no episódio que se refere à possibilidade de existirem na Terra microrganismos descendentes de linhagens evolutivas independentes, que utilizam uma bioquímica fundamentalmente diferente (ex.: outros aminoácidos, outros nucleotídeos) da vida conhecida.

Livros

  • A Vida Maravilhosa — Livro de Stephen Jay Gould mencionado, que discute como a vida produz uma explosão de formas variadas, que são então selecionadas, com muitas variantes podendo permanecer ocultas ou desaparecer.

Locais

  • Lago Mono — Lago na Califórnia mencionado como habitat das bactérias do estudo. É descrito como um ambiente extremo, com alta salinidade, pH alcalino (10) e alta concentração de arsênico, onde apenas micro-organismos extremófilos sobrevivem.

Linha do Tempo

  • 00:00:16Apresentação do tema: bactérias arsênicas e a busca por vida alternativa — O programa é introduzido com o tema das bactérias arsênicas, relacionando-o à possibilidade de encontrar um tipo alternativo de vida, talvez baseado em arsênico em vez de fósforo. Isso ampliaria os locais no universo onde se poderia buscar vida. Os participantes são apresentados: professores José Cláudio Moreira, Jorge Piltel e Marco Diarte.
  • 00:01:39Contexto do anúncio da NASA e expectativa da mídia — Jorge Piltel contextualiza o anúncio da NASA de dezembro de 2010, que gerou grande expectativa na mídia e no público sobre uma descoberta de “vida extraterrestre”. Ele rapidamente esclarece que não se tratava disso, mas sim de um experimento com uma bactéria terrestre notável. A pesquisadora Felisa Wolf-Simon publicou na Science um estudo sobre bactérias extremófilas do Lago Mono.
  • 00:04:34A hipótese da substituição do fósforo pelo arsênico — É explicada a hipótese central do experimento: como o arsênico é quimicamente similar ao fósforo (pertencem ao mesmo grupo da tabela periódica), a pesquisadora suspeitou que as bactérias, em um ambiente com muito arsênico e pouco fósforo, poderiam ser forçadas a substituir um pelo outro em suas moléculas. O arsênico é um veneno justamente porque “engana” as vias bioquímicas, tentando ocupar o lugar do fósforo.
  • 00:06:19Críticas às evidências e fragilidades metodológicas — Os debatedores apontam as críticas ao estudo. As técnicas usadas para detectar arsênico (como espectrometria de massa) mostram que ele está associado ao DNA, mas não provam que houve uma substituição covalente do fósforo na estrutura molecular. O arsênico poderia estar apenas “encostado” ou em cavidades da molécula de DNA, que é uma estrutura complexa que retém vários elementos. As evidências são consideradas fracas para um artigo da Science.
  • 00:11:00Problemas com os controles experimentais e a definição de ‘vida’ — Outra crítica levantada é a falta de controles experimentais adequados. Dizer que a bactéria “continua viva” em meio com arsênico é vago; é necessário verificar se ela está se dividindo ativamente, o que exigiria a replicação funcional do DNA. A discussão questiona se a substituição foi investigada em outras moléculas cruciais, como o ATP ou os lipídios de membrana, e não apenas no DNA.
  • 00:14:16Significado potencial da descoberta para a exobiologia — Se o experimento estivesse correto, seu significado para a exobiologia seria enorme. Provaria que a vida pode ser baseada em química alternativa, aumentando as chances de encontrá-la em outros planetas. Isso também iluminaria o estudo da origem da vida, sugerindo que no passado muitos “experimentos” moleculares diferentes podem ter sido testados, e não apenas a linha única que deu origem à vida como a conhecemos.
  • 00:19:04O conceito da ‘biosfera oculta’ ou ‘das sombras’ — A discussão avança para o conceito da “biosfera oculta”. A ideia é que podem existir na Terra microrganismos descendentes de linhagens evolutivas independentes, que usam conjuntos diferentes de aminoácidos ou nucleotídeos. Encontrar um único organismo assim provaria que há mais de um tipo fundamental de vida no universo, mesmo que ambos coexistam na Terra. Isso revolucionaria nossa compreensão.
  • 00:21:26A diversidade desconhecida dos extremófilos — Os participantes destacam o quanto ainda desconhecemos sobre os extremófilos. Eles citam exemplos como bactérias em fendas submarinas, dentro de rochas a quilômetros de profundidade (quimiolitoautotróficas) ou em lagos de alta altitude sob radiação UV extrema. A biomassa desses organismos ocultos pode ser maior do que a de toda a vida superficial conhecida, representando uma vasta fronteira de pesquisa.
  • 00:23:48Análise política: a NASA, o orçamento e a divulgação midiática — Os debatedores analisam o possível motivo por trás do anúncio espetaculoso. A NASA, como agência que depende de verbas públicas, disputa orçamento com outras prioridades, como o setor militar. Um anúncio de grande impacto midiático gera esperança no público e pode convencer parlamentares a investir mais em pesquisa básica e exploração espacial. Eles comparam com o caso dos meteoritos marcianos em 1996.
  • 00:28:38Reflexões sobre o processo científico e a comunicação com o público — A discussão final reflete sobre os riscos de “criar o menino que gritou lobo” na ciência. Exageros podem levar o público a desconfiar de futuros anúncios genuínos. Os participantes enfatizam a importância de comunicar não apenas os fatos, mas o processo científico: ele é debativo, polêmico, inclui falsos alarmes e avança através da crítica e da replicação. Essa transparência, no fim, é o que torna a ciência confiável.

Dados do Episódio

  • Podcast: Fronteiras da Ciência
  • Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
  • Categoria: Science
  • Publicado: 2011-04-11T14:00:05Z

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência, da rádio da Universidade, onde discutiremos

[00:00:09] os limites entre o que é ciência e o que é mito.

[00:00:16] O tema do programa de hoje são as bactérias arsênicas, que seriam ETs na Terra.

[00:00:22] Para discutir esse assunto hoje, aqui no programa estarão com a gente o professor

[00:00:27] José Cláudio Moreira, do Departamento de Bioquímica da URIX, professor Jorge Piltel,

[00:00:32] do Departamento de Biofísica da URIX e o Marco Diarte, do Departamento de Física.

[00:00:36] Então, o assunto do nosso programa de hoje é esse recente experimento de pesquisadores

[00:00:41] da NASA, onde eles alegam que conseguiram, talvez em um experimento, mostrar um tipo

[00:00:48] alternativo de vida, que poderia ser, por exemplo, um tipo de vida que seria possível

[00:00:53] em planetas para os quais a vida normal, a vida baseada no fósforo, seriam formas alternativas

[00:01:01] de vida que talvez pudessem ser achadas em planetas que, originalmente, não seriam candidatos

[00:01:06] para a vida normal que a gente conhece.

[00:01:09] Então, eu vou começar com o Jorge, então, para explicar esses experimentos e o que eles…

[00:01:13] Então, começar pelo fim, né?

[00:01:15] Começar explicando que não foi descoberto vida extraterrestre e não foi descoberto

[00:01:20] nada de realmente excepcional, no sentido de uma forma completamente desconhecida de vida

[00:01:24] terrestre também, embora é um experimento que traga a informação sobre um organismo

[00:01:29] bastante notável.

[00:01:30] Então, dito isso, voltamos ao começo.

[00:01:32] A história começa assim, em 2 de dezembro de 2010, final do ano passado, a NASA convoca

[00:01:39] uma conferência de imprensa para fazer um anúncio com grande expectativa, assim, insuflada

[00:01:44] pela mídia, pela rede de blogs, de divulgação científica, né?

[00:01:48] E a provocação de dizer assim, vamos divulgar achados de grande impacto sobre a evidência

[00:01:52] de vida extraterrestre.

[00:01:53] Obviamente, isso caiu no imaginário de diferentes pessoas com diferentes graus de preparo científico

[00:01:57] e já tinha gente falando em… desde gente achando que tinha descoberto vida em Marte

[00:02:01] ou em Titã, ou até que tinha achado um disco voador perdido, não sei onde, que a área

[00:02:05] 51 tinha sido aberta para visitação, enfim, todas as bobagens, diferentes graus de bobagens,

[00:02:09] né?

[00:02:10] E algumas coisas não estão bobagens.

[00:02:11] E a ciência da divulgação é um estudo, como tu falaste, então, e quando tu começa

[00:02:15] a contar a história em detalhes, ela começa a perder um pouco do seu encanto.

[00:02:18] Mas é bom fazer esse recontado, né?

[00:02:20] Um grupo de pesquisadores associados à NASA, liderados pela Felisa Wolf Simon, digamos,

[00:02:25] uma microbiologista, geóloga, não sei exatamente as pesquisas.

[00:02:28] Ela é microbiologista.

[00:02:29] Microbiologista, é.

[00:02:30] Ela publicou, então, nessa data, na revista Science, então, a conferência para anunciar

[00:02:35] a publicação do artigo, da descrição de um experimento que ela fez com essas bactérias

[00:02:40] que ela já vinha estudando há alguns anos.

[00:02:43] Ela é uma bactéria extremófila, ou seja, é um organismo que vive em ambientes extremos

[00:02:49] de condições de pH, temperatura, pressão e tal, não são adequados para a maior parte

[00:02:53] da vida que nós conhecemos, e certamente não para organismos como o nosso.

[00:02:56] Por exemplo, os mais na Terra, né?

[00:02:58] Eu estou falando de vida terrestre.

[00:02:59] Basicamente, essas bactérias em particular, elas vivem no Lago Mono, né?

[00:03:03] O Lago Mono é um lago que tem condições de salinidade muito elevada, um pH 10, muito

[00:03:08] alcalino, e ainda por cima tem muito aquecimento por fontes, tá?

[00:03:12] E fica na Califórnia, né?

[00:03:13] Assunta a fronteira com a Nevada, mais ou menos perto das águas.

[00:03:17] E esse lugar, então, é um lago estéreo.

[00:03:19] Não tem peixes, não tem algas, mas tem micro-organismos.

[00:03:22] Então, por causa dessas condições de pH e salinidade, a maioria dos organismos normais,

[00:03:26] comuns, mesóxidos, como se diz, não sobreviveria, mas lá elas existem e sobrevivem.

[00:03:31] Essas bactérias vencem a estudada há alguns anos por ela, e como lá tem uma concentração

[00:03:34] relativamente elevada de arsênico, que é, por outro lado, um metal tóxico para a

[00:03:39] vida ter rescondido, e para nós é um veneno, por exemplo, com histórias saborosíssimas

[00:03:43] do século XIX para trás, enfim, era o veneno, é o princípio dos venenos do século XIX.

[00:03:47] Mas também é um remédio usado, um dos poucos remédios, um dos poucos compostos que

[00:03:53] se usa com um tratamento eficiente para gliomas.

[00:03:56] O que é um glioma?

[00:03:58] É um tumor, sistema nervoso, de difícil tratamento, porque é muito complicado de

[00:04:05] vascularização, é muito difícil ter o acesso de medicamentos a esses tumores, porque eles

[00:04:10] ficam dentro da caixa crâniana, protegidos, e no entanto se usa triômetro de arsênico.

[00:04:15] Mas independente desse uso, que é realmente controlado e bem cuidadoso, uma mão de clínicos

[00:04:20] especializados, ele é colocado de forma diferenciada, e é um veneno.

[00:04:25] Como um veneno para ratos.

[00:04:26] É, exatamente, ele era usado inclusive para isso, entre outras coisas.

[00:04:30] Então, encurtando a história para não ficar muito longa, essas bactérias, então, a pesquisadora

[00:04:34] essa, o Simon suspeitou que, bom, já que tem bastante arsênico lá, e o arsênico é

[00:04:38] um metal muito parecido com o fósforo, que é um dos metais fundamentais nas moléculas

[00:04:42] dos seres vivos, quem sabe essas bactérias não estão fazendo um uso de substituição

[00:04:46] do arsênico, e ela postulou, um passo um pouco mais arrojado, que seria a substituição

[00:04:51] dentro da estrutura das moléculas, trocar o fósforo pelo arsênico.

[00:04:54] Veja que isso é possível, e aí vale recordar um pouco da química do segundo grau, do

[00:04:58] símbolo médio, que o arsênico e o fósforo pertencem ao mesmo grupo da tabela periódica,

[00:05:03] que é o grupo 15.

[00:05:04] Então, eles fazem ligações muito parecidas.

[00:05:06] Eles têm uma estrutura, então, eletroquímica, propriedades que têm a ver com a formação

[00:05:12] das ligações químicas, basicamente idênticas, mas têm massas diferentes.

[00:05:15] Tamanhos diferentes.

[00:05:16] Tamanhos diferentes.

[00:05:17] Então, colocar ela lá no lugar faria ligações iguais, mas com dimensões e uma cinética

[00:05:23] toda diferente, né?

[00:05:24] Aliás, é por isso mesmo que o arsênico é um veneno, porque ele entrando em contato com

[00:05:27] o organismo, ele engana as células, elas tentam cruzar no lugar do fósforo, e aí

[00:05:31] dá encrenca.

[00:05:32] As moléculas não ficam bem construídas, e isso é uma das causas da toxicidade.

[00:05:36] Bom, essencialmente, ela fez um conjunto de experimentos para tentar mostrar que essas

[00:05:39] bactérias vivendo nesse ambiente poderiam, eventualmente, ser submetidas a uma situação

[00:05:43] em que elas seriam obrigadas a trocar fósforo pelo arsênico, na falta de fósforo.

[00:05:47] Isso, e os experimentos se propõem a colocar as bactérias em meio de cultura cada vez

[00:05:51] com menos fósforo à disposição e só arsênico.

[00:05:54] Ela conseguiu fazer os organismo sobreviver a, supostamente, quase 100%, supostamente

[00:05:58] quase 100% de arsênico, e aí ela teria feito umas medidas para demonstrar que nesse organismo

[00:06:03] eles não só sobreviveram, como eles também incorporaram o arsênico e entrou no lugar

[00:06:07] do fósforo.

[00:06:08] A alegação feita por ela.

[00:06:09] Essa alegação, que está mais ou menos explorada no artigo da Science, que eles publicaram,

[00:06:14] é que é questionada por algumas pessoas que entendem o assunto.

[00:06:16] Na verdade, os experimentos são bastante inconclusivos.

[00:06:19] Então, o segundo balde de água fria, depois de dizer que não se descobriu a vida dessa

[00:06:22] terrestre ainda, é que essa experimento ainda está um pouco longe de ser tão sensacional

[00:06:27] como poderia ser.

[00:06:28] Eu acho interessante que a gente lembre que o fósforo, quando ele está na estrutura

[00:06:32] do DNA, ele está muito bem preso.

[00:06:35] Então, você mudar as concentrações fora, você consegue tirar o fósforo livre.

[00:06:40] Você está mexendo com coisas livres, mas não com aquele que está preso a moléculas.

[00:06:45] Vamos pensar assim, a ligação química.

[00:06:47] Há átomos que estão realmente ligados covalentemente.

[00:06:50] Se você fizer o desenho da molécula, o fósforo é um pedaço, um vértice desse desenho.

[00:06:54] Ele está ali do meio.

[00:06:55] Agora, a molécula se enroscando toda, sendo uma molécula complexa como o ADNE, como o

[00:06:59] DNA.

[00:07:00] Cheia de espaços internos, com pequenas dobras, grandes dobras, grandes túneis.

[00:07:04] Ela funciona como uma esponja que detém muitas coisas, inclusive metais.

[00:07:08] Metais pesados, metais normais, ferro.

[00:07:11] Aliás, isso está bem demonstrado.

[00:07:13] Esse experimento pode ser um falso positivo.

[00:07:15] Ou seja, o fato de ter arsênico junto ao ADNE não quer dizer que ele esteja naquele lugar

[00:07:19] onde ele substituiria mesmo.

[00:07:20] Como é que eles detectam que tem o arsênico junto ao ADNE?

[00:07:23] São geralmente experimentos com ressonância.

[00:07:26] Ressonância magnética?

[00:07:27] Ressonância magnética, geralmente EPRs.

[00:07:29] Aqui, no caso, foi um espetronomia de massa fina.

[00:07:33] Mas, de qualquer maneira, essa espetronomia de massa diz que eles estão no mesmo lugar.

[00:07:37] Não diz que eles estão dentro da mesma estrutura.

[00:07:39] Esportadamente associados.

[00:07:41] Esse foi o grande problema, por exemplo, quando se começou a fazer a cristalografia do DNA original.

[00:07:47] Exatamente.

[00:07:48] Nos experimentos do OAR, que era muito difícil fazer um cristal puro de DNA.

[00:07:52] Exatamente.

[00:07:53] É uma boa lembrança essa aí, porque esse é o problema central na época.

[00:07:55] Foi o grande problema da época porque nunca se conseguia tirar a água toda do cristal.

[00:08:02] Então, sempre a estrutura foi proposta na década de 1960.

[00:08:07] Foi confirmada quase que 20 anos depois.

[00:08:09] Você conseguir dizer exatamente o que está preso em ligação covalente, o que está em interação.

[00:08:14] Só encostado.

[00:08:15] Só encostado ou interagindo.

[00:08:17] A gente tem que lembrar, quem lembra um pouquinho da molécula de DNA, lembra que ela é uma dupla fita.

[00:08:22] Na parte interna, eu tenho a parte apolar.

[00:08:25] Na parte externa, tenho a parte polar, que faz interação.

[00:08:28] Só que quando essa dupla fita se dobra, ela cria cavidades de tamanho diferente.

[00:08:34] Porque o passo de dobra da hélice vai gerando pequenas cavidades e grandes cavidades.

[00:08:38] Aonde você tem 10 moléculas de água por passo.

[00:08:42] Assim, quer dizer, é um esponjo de outras coisas.

[00:08:45] Ali dentro tem metais fazendo interações com a água, com as bases nitrogenadas, com esqueletos fosfatos.

[00:08:52] Quer dizer, tem um mundo ali dentro.

[00:08:54] Tem um mundo.

[00:08:55] É uma estrutura extremamente complexa.

[00:08:56] Enfim, o tipo de experimentos que são feitos, que é muito elegante.

[00:08:59] Mas, no caso, eu, principalmente, acho que a Zé Cláudio vai me pensar que está um pouco exagerada a conclusão.

[00:09:05] Ou seja, não tem como dizer que ele está onde ela supõe estar.

[00:09:08] Só pode-se afirmar que tem arsênico ali embebido.

[00:09:11] Mas não que ele substituiu na estrutura do moléculo.

[00:09:14] No artigo, provavelmente, dito qual é a alegação deles.

[00:09:18] Eles alegam…

[00:09:19] É isso aí, que ele substituiu dentro do ADN.

[00:09:21] Eles acham que está substituído.

[00:09:22] Mas, no entanto, a metodologia permite que tu diga que o arsênico está naquele lugar.

[00:09:28] Mas não que ele substituiu o fósforo na estrutura.

[00:09:32] Quer dizer, para um artigo da Science, as evidências são fracas, essa é a tua opinião.

[00:09:36] Eu acho que precisaria de uma metodologia ou mais passos metodológicos para confirmar isso.

[00:09:42] Outros estudos…

[00:09:43] É o começo.

[00:09:44] Mas, veja só, é que também uma das coisas que a própria…

[00:09:46] Vou usar meu uso na tradução do artigo.

[00:09:48] Quer dizer assim, em biologia, alguns metais que pertencem à estrutura de moléculas,

[00:09:53] elas podem ser substituídos em geral como grupos prostéticos.

[00:09:57] E funcionais, claro.

[00:09:59] Por exemplo, o tungstênio pode substituir o molibdênio.

[00:10:03] O cádimo pode substituir o zinco.

[00:10:05] Aliás, o cádimo também é bem intoxicado em algumas situações.

[00:10:07] E o mais notável é o cobre de substituto do ferro.

[00:10:09] Que é isso que, às vezes, em algumas situações eles se intercambiam.

[00:10:12] Mas existem outras trocas, se potencialmente possíveis, que não estão provadas.

[00:10:16] Uma é o lítio com o sódio.

[00:10:18] Essa não está resolvida.

[00:10:19] E agora essa do arsênico com o fósforo, que nesse caso aqui é o centro da discussão.

[00:10:26] Então assim, o fato é que algumas sucessões estão provadas e não generalizam.

[00:10:31] Que aliás, em aminoácidos, já está comprovado.

[00:10:35] Então, o fato de que algumas estão comprovadas e realmente está lá dentro da estrutura da molécula,

[00:10:40] não permite generalizar a ideia e dizer, não, isso aqui também está.

[00:10:44] E nem que a molécula com essa transformação continue a funcionar.

[00:10:47] E aí entra o segundo problema.

[00:10:49] Muito provavelmente ela não vai ser funcional.

[00:10:51] Sim, sim, mas em princípio a alegação também seria que as bactérias

[00:10:54] continuariam vivas mesmo numa situação de extrema concentração de arsênico e nenhuma quase de fósforo.

[00:11:00] Isso também é parte do problema, porque ele não tem um controle de qualidade bom na preparação.

[00:11:06] Essa é outra crítica que alguns autores colocam.

[00:11:08] Eu acho que assim, você dizer que uma bactéria continua viva não significa você dizer que ela está dividindo.

[00:11:13] Muito menos feliz.

[00:11:15] Eu preciso do DNA para dividir.

[00:11:18] A reproduzir, porque eu preciso fazer uma cópia do DNA.

[00:11:23] Ela pode entrar numa estásia.

[00:11:26] Então, ela pode estar ali.

[00:11:28] Mas ela tem que gastar energia.

[00:11:30] Mas aí não teria nada que ver com o DNA.

[00:11:32] O DNA é memória.

[00:11:34] Ele guarda na memória da…

[00:11:36] Então, ele se refere a substituição só no DNA, não no ATP, por exemplo.

[00:11:40] Não.

[00:11:42] A ATP tem um outro lugar para substituir e ela não explorou isso.

[00:11:46] Se eu fosse fazer esse estudo,

[00:11:48] eu ia procurar primeiro o fósforo que tem nos lipides de membrana, que é muito mais fácil.

[00:11:52] Menos comprometedor.

[00:11:54] Eu entendi no começo.

[00:11:56] Talvez o problema…

[00:11:58] Talvez fosse instável, até inviável,

[00:12:02] porque o fósforo nos lipides de membrana tem um papel muito grande na estrutura dessa membrana.

[00:12:08] E aí o tamanho da molécula talvez…

[00:12:10] Não, não.

[00:12:12] Exatamente nos lipides o impacto do tamanho dele é menor,

[00:12:14] porque as moléculas não estão ligadas.

[00:12:16] Elas estão, por efeito hidrofóbico, reunidas.

[00:12:18] E dão uma trabalharia muito.

[00:12:20] Ficando meio técnico.

[00:12:22] Vou dar um interrompido aqui dizendo que esse é o programa Fronteiras da Ciência.

[00:12:26] O tema do programa de hoje são as bactérias arsênicas.

[00:12:30] A propósito, talvez, de um novo tipo de vida.

[00:12:34] E se o ouvinte quiser entender mais o assunto,

[00:12:38] vão estar postados no nosso site, que é o fronteidasciência.urgs.br.

[00:12:42] Isso é um plano de estudo.

[00:12:44] O fato é assim…

[00:12:46] Eu vou só dizer o que eu tinha entendido a primeira vez,

[00:12:48] porque eu não sou da área.

[00:12:50] A primeira vez que eu tinha entendido era que tinha se conseguido uma bactéria,

[00:12:56] um ser vivo, que não tinha fósforo,

[00:12:58] que todas as funções do fósforo teriam sido substituídas pelo arsênico.

[00:13:02] Essa é a ligação entusiasmada dela,

[00:13:04] que a imprensa pegou e entusiasmou mais ainda.

[00:13:06] Eu vi pela imprensa.

[00:13:08] Não, é isso que está no paper.

[00:13:10] No trabalho.

[00:13:12] Mais ou menos ela tira essa conclusão.

[00:13:14] Eu pensei que era tudo.

[00:13:16] É como a gente ouvi, há muitos anos atrás,

[00:13:18] aquele negócio de substituir o carbono por silício.

[00:13:22] Que teria a vida baseada no silício.

[00:13:24] Nossos dados mostram evidências para o arsenato em macromolecos,

[00:13:28] que normalmente contêm fosfato.

[00:13:30] Macromolecos.

[00:13:32] Macromolecos.

[00:13:34] Principalmente ácidos nucleicos e proteínas.

[00:13:36] É até mais amplo ainda do que a gente está falando.

[00:13:40] Mas tem uma série de inconsistencias, mas vocês não veem.

[00:13:42] É o primeiro trabalho em ciência.

[00:13:44] A ciência é feita assim.

[00:13:46] É uma construção, um processo serial,

[00:13:48] de montar um quebra-cabeças.

[00:13:50] E devagarinho vai se resolvendo ele.

[00:13:52] Se fosse verdade,

[00:13:54] vou dizer que esse artigo está super bem feito,

[00:13:56] que o experimento deu certo

[00:13:58] e que não tem mais fósforo,

[00:14:00] só tem arsênico e a bactéria está viva.

[00:14:02] Qual é o significado disso?

[00:14:04] A exobiologia, o significado é incrível.

[00:14:06] Pode fazer de vida baseada

[00:14:08] em duas alternativas normalmente incompatíveis,

[00:14:12] porque se não acontece,

[00:14:14] você tem mais possibilidades de vida surgir nos locais.

[00:14:16] Basicamente, você aumenta as chances de encontrar a vida,

[00:14:18] coisa que ainda não fizemos, não encontramos.

[00:14:20] E para as pessoas também estudam a origem da vida,

[00:14:22] porque isso é uma coisa muito importante.

[00:14:24] A maioria das pessoas tem uma visão

[00:14:26] de que a vida foi linear.

[00:14:28] Um dia surgiu o DNA

[00:14:30] e vem numa linha reta até hoje,

[00:14:32] passando pelos dinossauros

[00:14:34] e vem até hoje.

[00:14:36] Só que quem estuda ou lê um pouquinho sobre isso

[00:14:38] sabe que na verdade devem ter surgido

[00:14:40] muitas possibilidades,

[00:14:42] muitas moléculas de memória,

[00:14:44] muitas estruturas diferentes

[00:14:46] de moléculas funcionais

[00:14:48] para cada uma das funções que a gente tem.

[00:14:50] E a seleção foi

[00:14:52] se encarregando de

[00:14:54] contar aquilo que não trazia

[00:14:56] a melhor eficiência.

[00:14:58] Hoje nós temos uma grande quantidade

[00:15:00] de formas de vida

[00:15:02] que seguem os mesmos princípios,

[00:15:04] porque esse princípio foi selecionado

[00:15:06] muito tempo atrás,

[00:15:08] quando todos nós tínhamos um ancestral

[00:15:10] comum unicelular, que isso deu certo.

[00:15:12] No entanto, antes de chegar nesse

[00:15:14] ancestral, a vida,

[00:15:16] o planeta ou a vida, sei lá como a gente

[00:15:18] quer chamar, brincou com muitas possibilidades,

[00:15:20] porque elas foram surgindo

[00:15:22] por possibilidades químicas, por arranjos

[00:15:24] químicos. Tendo esses elementos

[00:15:26] presentes, tendo energia para combinar,

[00:15:28] foram sendo testados. Então,

[00:15:30] acho que uma das provas de que

[00:15:32] isso não é tão fácil, é que a gente

[00:15:34] demorou muito tempo para achar alguma coisa

[00:15:36] que pudesse ter arsênico no lugar

[00:15:38] que fosse fato. Mas aí a prova ainda precisa

[00:15:40] caminhar um pouco mais. Eu acho que tu trouxe

[00:15:42] um ponto legal para explorar, que é o

[00:15:44] seguinte, a gente está falando muito nas

[00:15:46] moléculas e na vida, e está alternando

[00:15:48] entre eles, isso às vezes para o ouvinte pode soar estranho,

[00:15:50] mas no fundo, no ponto de vista, digamos,

[00:15:52] da essência, a vida é um

[00:15:54] conjunto maquinário-bioquímico,

[00:15:56] de moléculas funcionando em concerto,

[00:15:58] imediatas basicamente por

[00:16:00] enzimas, são moléculas grandes, importantes,

[00:16:02] que fazem coisas notáveis. Que tem moléculas pequeninhas

[00:16:04] ajudando. Mas as grandes

[00:16:06] é que fazem o trabalho braçal, e outras

[00:16:08] moléculas maiores ainda, que são os ADNs,

[00:16:10] que o Zé Cláudio chama de DNA e eu chamo de ADN,

[00:16:12] para vocês já terem mais dificuldade a comprovar

[00:16:14] o programa com suas pronúncias. Então,

[00:16:16] uma das coisas importantes que tem

[00:16:18] é que quando tu fala a vida, tu vai tentar

[00:16:20] entender os elementos mais fundamentais, tu já baixa

[00:16:22] para o nível da bioquímica, não fica discutindo

[00:16:24] os aspectos morfolóreos e outros, que também são

[00:16:26] importantes, mas não nessa discussão.

[00:16:28] Porque quando a gente fala em vida, na verdade,

[00:16:30] a gente está falando no bloco básico de

[00:16:32] complexidade, que é uma célula.

[00:16:34] Na verdade, um indivíduo maior

[00:16:36] ou menor, são só repetições

[00:16:38] desse mesmo tijolo funcional.

[00:16:40] E aí nós chegamos num fato que é um dos fatos

[00:16:42] mais notáveis na vida da Terra. Até

[00:16:44] evidência em contrário, toda

[00:16:46] a vida na terrestre parece descendir de

[00:16:48] uma população de ancestrais comuns única.

[00:16:50] Todos os organismos que nós estudamos nesse nível

[00:16:52] molecular utilizam os mesmos

[00:16:54] vinte aminoácidos na construção

[00:16:56] das proteínas, os mesmos quatro,

[00:16:58] os cinco nucleotides na construção dos ácidos

[00:17:00] nucleates. Mas isso porque a vida

[00:17:02] na Terra está restrita a um intervalo

[00:17:04] de temperatura, intervalo de pressão…

[00:17:06] Não, não é isso. Acontece que existe muito mais aminoácidos

[00:17:08] que esses vinte, muito mais nucleotidos que esses

[00:17:10] quatro ou cinco. Só que quando

[00:17:12] as primeiras combinações aleatórias deram origem

[00:17:14] à vida, onde se saiu do inorgânico pro

[00:17:16] inorgânico, escolhas acabaram sendo feitas

[00:17:18] e se ficou preso delas.

[00:17:20] Não pode dizer que é uma otimização?

[00:17:22] Tu cria uma linha temporal de

[00:17:24] acúmulo e interdependência.

[00:17:26] Não tem como diversificar.

[00:17:28] Então pode reinventar a roda no momento que tu inventou a roda.

[00:17:30] Acho que é um problema de eficiência.

[00:17:32] Mas a eficiência é por os parâmetros terrestres.

[00:17:34] Para aqueles parâmetros. Na verdade você tinha

[00:17:36] uma série de situações e que elas

[00:17:38] limitaram. Ou seja, eu sou eficiente

[00:17:40] nesse momento. Não existe

[00:17:42] uma coisa que seja eficiente sempre.

[00:17:44] Como a condição básica da Terra não mudou

[00:17:46] depois que se estabeleceu isso

[00:17:48] flutuou,

[00:17:50] mas não muda, então aquele

[00:17:52] arranjo se tornou, conseguiu ganhar

[00:17:54] mais eficiência. Não é surpreendente

[00:17:56] que se a gente for pesquisar mais

[00:17:58] em ambientes mais extremos

[00:18:00] que vão representar melhor outros

[00:18:02] momentos da Terra, nós vamos achar

[00:18:04] essas outras

[00:18:06] formas de vida. E mesmo assim, essas

[00:18:08] outras formas de vida utilizam os mesmos aminoácidos,

[00:18:10] os proteínos e os mesmas nucleos. Portanto,

[00:18:12] isso é uma das coisas interessantes, os

[00:18:14] chamados cinco reinos da vida, que são os

[00:18:16] protozoários, monera, fungos,

[00:18:18] plantas e animais, que hoje não são mais

[00:18:20] organizados assim de forma preferencial,

[00:18:22] porque exatamente pelo que falamos

[00:18:24] da ênfase na base molecular

[00:18:26] e bioquímica, são organizados pelos

[00:18:28] aspectos que têm em comum no seu código

[00:18:30] genético. E eles são redivididos em três

[00:18:32] domínios, que são as bactérias,

[00:18:34] propriamente ditas, as

[00:18:36] aires, que é um subgrupo particular

[00:18:38] de bactérias, onde a maioria delas é extremófilo,

[00:18:40] e o resto,

[00:18:42] que são os eucarióticos, que é

[00:18:44] plantas, animais, fungos e até

[00:18:46] muito de organismo. Muito menor do que todo o

[00:18:48] resto. Os maiores são um detalhe

[00:18:50] e os outros são a grande

[00:18:52] biomassa da Terra, não são os

[00:18:54] organismos maiores. Não são diversidade,

[00:18:56] tem mais diversidade dos outros, como tem mais biomassa.

[00:18:58] A grande variação, variedade

[00:19:00] que existe em vida, está em

[00:19:02] outros reinos. Agora,

[00:19:04] deixa eu fazer um gancho importante desde que a gente perca o filé

[00:19:06] amiado. Veja, então nós temos

[00:19:08] esses três domínios, bactérias,

[00:19:10] arqueobactérias e eucarióticos.

[00:19:12] A questão é, todos esses

[00:19:14] podem encontrar os ancestrais comuns,

[00:19:16] inclusive imaginar elementos

[00:19:18] de ancestrais comuns aos três domínios.

[00:19:20] Isso dá para até se situar no

[00:19:22] tempo, então é sem termos, porque dá para ver quanto tempo é

[00:19:24] legal para chegar nessa diversidade. A questão

[00:19:26] é, será que não houve outros experimentos

[00:19:28] na história da vida que levaram para outros ramos

[00:19:30] e que eventualmente se perderam

[00:19:32] ou sumiram? Muito provavelmente aconteceu.

[00:19:34] Ou estão por aí. Aí entra

[00:19:36] a segunda possibilidade. E eles podem estar

[00:19:38] inclusive arremetidos no meio. Isso é o

[00:19:40] conceito que vem sendo chamado há dois, três anos

[00:19:42] de biosfera

[00:19:44] das sombras, ou biosfera oculta.

[00:19:46] Que nem a massa escondida.

[00:19:48] O Davis que define isso aí junto com

[00:19:50] os caras. Ou seja, no meio

[00:19:52] das bactérias, mas principalmente

[00:19:54] micro-organismo, porque micro-organismo é mais fácil

[00:19:56] de ver, as diferenças são todas

[00:19:58] muito mais parecidas, celularmente

[00:20:00] e molecularmente. Mas micro-organismo tem

[00:20:02] muito mais diversidade, como nós falamos.

[00:20:04] Se um micro-organismo, olhando uma bactéria assim só no

[00:20:06] microscópio, não pode dizer, sei lá,

[00:20:08] está usando os meios 20 aminoácidos, está usando só

[00:20:10] 19. E aí, se ele

[00:20:12] tiver uma substituição desses, isso pode

[00:20:14] significar que ele é um último descendente

[00:20:16] de um organismo, de uma linha de experimentos

[00:20:18] que não foi a principal, não foi a dominante.

[00:20:20] E que ficou aí convivendo

[00:20:22] e misturada. Mas ele é eficiente naquele

[00:20:24] ambiente onde ele vive.

[00:20:26] Agora isso muda tudo. Isso já

[00:20:28] faria com que a vida na Terra tivesse no mínimo

[00:20:30] dois grupos

[00:20:32] realmente convivendo.

[00:20:34] E isso mudaria o número, o exemplo

[00:20:36] de vida no universo passaria a ser dois.

[00:20:38] Rigorosamente falando, porque

[00:20:40] é no nível molecular que nós convencionamos

[00:20:42] bater o código, ou seja,

[00:20:44] nós teríamos a prova de que existe mais de uma

[00:20:46] forma de vida no universo, inclusive aqui na Terra.

[00:20:48] Então o conceito de

[00:20:50] biosfera oculta é muito importante.

[00:20:52] Se a gente conseguir demonstrar que tem aqui

[00:20:54] organismos misturados como os que na verdade

[00:20:56] são descendentes de outros experimentos

[00:20:58] que usam outras proteínas, ou examinou

[00:21:00] outros nucleotidos, não diferenças

[00:21:02] da estrutura, mas da composição,

[00:21:04] isso já seria revolucionário.

[00:21:06] Daí a importância desse experimento.

[00:21:08] Até antes do experimento, porque o experimento

[00:21:10] está propondo até uma outra coisa.

[00:21:12] Ele está dentro do contexto desse debate da Piscina das Sombras.

[00:21:14] Ela usa isso na discussão.

[00:21:16] Porque isso seria o primeiro exemplo de um organismo

[00:21:18] de uma linha possivelmente dessa…

[00:21:20] Mas na verdade nós temos que lembrar que na verdade nós

[00:21:22] conhecemos muito pouco desse

[00:21:24] organismo chamado extremófilos.

[00:21:26] Muito pouco.

[00:21:28] O conhecimento sobre esses ambientes também é muito pouco.

[00:21:30] Há uns 3, 4 anos atrás,

[00:21:32] as pessoas, geralmente, só se conheciam

[00:21:34] as fendas marinhas

[00:21:36] quentes. Não sei se vocês lembram disso.

[00:21:38] As fumarolas.

[00:21:40] Que saíam fumaças negras.

[00:21:42] São gás.

[00:21:44] Hoje se conhece as fendas submarinas brancas,

[00:21:46] onde a temperatura não é tão alta.

[00:21:48] E se descobriu um monte de symbiontes

[00:21:50] e…

[00:21:52] E se acha que ali provavelmente

[00:21:54] vão ser encontrados organismos que deram origem

[00:21:56] à vida na Terra.

[00:21:58] Isso aí, eu estou falando no fundo do mar, a milhares e meios

[00:22:00] de profundidade, já é uma dificuldade.

[00:22:02] Mas tem um organismo mais louco, ainda que vive

[00:22:04] dentro das rochas, a até 3 km

[00:22:06] de profundidade, sem usar a luz do sol

[00:22:08] para nenhum processo bioquímico, usando apenas

[00:22:10] o calor da terra, a geotermia.

[00:22:12] E a água, e eventualmente até

[00:22:14] um condicionante xerófilo, sem água.

[00:22:16] Esses são os quimio-lito autotróficos.

[00:22:18] Que você vai pensar assim, é bactéria que come pedra.

[00:22:20] E é exatamente isso.

[00:22:22] É possível,

[00:22:24] mas isso não está provado que

[00:22:26] ela é demonstrada, ela existe,

[00:22:28] existem várias espécies descritas já.

[00:22:30] Mas é possível que a biomassa dela seja inclusive

[00:22:32] somada muito maior que toda a biomassa

[00:22:34] já declarada

[00:22:36] existente de bactéria.

[00:22:38] O que realmente é um abalo císmico.

[00:22:40] Lágos na Sibéria,

[00:22:42] que tem condições completamente diferentes.

[00:22:44] E as alturas,

[00:22:46] e alturas, por exemplo, das coisas muito geladas

[00:22:48] e muito altas, tem extremófilos

[00:22:50] no outro tipo assim.

[00:22:52] Um homem contou que foi passear no Chile com um conjunto de biólogos

[00:22:54] e daram para ir lá num lago

[00:22:56] a 4.500 metros,

[00:22:58] escolher amostras de bactéria no lago estéreo.

[00:23:00] E lá expostam ultravioleta medonha,

[00:23:02] porque é obviamente a camada mais fina da atmosfera,

[00:23:04] proteção da ultravioleta na altitude

[00:23:06] nas regiões árabes é menor.

[00:23:08] Então os caras todos protegidos

[00:23:10] da ultravioleta estão recolhendo bactérias que estão expostas

[00:23:12] a condições de PH extremo,

[00:23:14] que é uma coisa que nenhum organismo normal

[00:23:16] aguentaria, é acidez,

[00:23:18] a radiação natural da ultravioleta.

[00:23:20] E as bactérias felizes,

[00:23:22] que são bactérias e extremófilos.

[00:23:24] Esse é o programa Fronteiras da Ciência, a gente está discutindo

[00:23:26] hoje as bactérias arsênicas

[00:23:28] e o nosso site

[00:23:30] é o fronte dasciencia.urgs.br

[00:23:32] Eu queria retomar agora

[00:23:34] dentro dessa discussão do artigo,

[00:23:36] se desse certo o artigo, a gente tem

[00:23:38] todo um mundo de coisas interessantes, mas

[00:23:40] se esse artigo

[00:23:42] não está muito certo,

[00:23:44] por que toda essa

[00:23:46] propaganda que foi feita?

[00:23:48] É um comentário talvez mais político, né?

[00:23:50] No caso dos Estados Unidos é uma grande

[00:23:52] potência da ciência no mundo

[00:23:54] e praticamente na axiobiologia

[00:23:56] porque ela é de grande potência

[00:23:58] astronautica, é o único país do mundo

[00:24:00] que está realmente com sondas enviadas por todo o solar,

[00:24:02] planetas, luas, cometas,

[00:24:04] aceroides, escambãos,

[00:24:06] eles realmente estão na dianteira

[00:24:08] disso, não há dúvida. A NASA é o grande

[00:24:10] agente mediador disso

[00:24:12] e a NASA tem que conseguir um orçamento

[00:24:14] público, que disputar com outras agências.

[00:24:16] A disputa nos Estados Unidos é com o orçamento militar,

[00:24:18] por razões bem conhecidas de todos.

[00:24:20] Inclusive, durante os anos Reagan

[00:24:22] e Bush,

[00:24:24] principalmente, Bush e filho,

[00:24:26] houve cortes medões,

[00:24:28] e vários projetos importantes foram cancelados.

[00:24:30] Então, para tentar retomar

[00:24:32] um pouco os bons tempos do fim dos anos

[00:24:34] e meados dos anos 90, até bom vir uma

[00:24:36] notícia quente dessa, porque

[00:24:38] essa notícia na imprensa, mesmo

[00:24:40] sabendo entre cientistas que não é,

[00:24:42] ou Santo Grau que resolveu o grande

[00:24:44] problema, isso dá uma esperança

[00:24:46] e mostra às pessoas, olha, vale a pena procurar,

[00:24:48] tem possibilidades aqui, vamos investir nisso.

[00:24:50] E justifica um pouco, inclusive convence

[00:24:52] parlamentares. A NASA fez a mesma coisa

[00:24:54] em 1996, quando anunciou

[00:24:56] o tal dos meteoritos marcianos,

[00:24:58] que teriam fósseis, nanofósseis de

[00:25:00] bactérias de Marte. Uma história tão

[00:25:02] louca, até mais do que essa, porque primeiro

[00:25:04] ninguém te ouviu falar.

[00:25:06] Eu me lembro que a gente divulgou isso na época,

[00:25:08] porque, na verdade, assim, primeiro

[00:25:10] meteorito marciano, pois é, existe, eles

[00:25:12] vêm de Marte, eles são jogados por impactos de coisas maiores,

[00:25:14] eles saldo para fora de Marte,

[00:25:16] e caem na Terra. Tem 44 meteoritos

[00:25:18] marcianos descritos na Terra.

[00:25:20] Segundo, fósseis?

[00:25:22] Esses fósseis até pode ser, é um pedaço

[00:25:24] de pedra com fósseis, seria fascinante,

[00:25:26] ainda mais se tu sabe que a fóssia do outro planeta

[00:25:28] seria demais. Só que…

[00:25:30] Por que ir até Marte fazer estudos

[00:25:32] dos fósseis lá, se o Marte vem de vez

[00:25:34] enquanto?

[00:25:36] Seria assim, os caras, encontrando nesse meteorito

[00:25:38] fósseis, imagina o que eles vão encontrar quando for lá.

[00:25:40] A justificativa foi perfeita e eles conseguiram um grande aumento.

[00:25:42] Todas as missões que tem a Marte nos últimos anos

[00:25:44] derivam desse incidente

[00:25:46] de divulgação de mídia, que eu acho que isso justifica.

[00:25:48] Pessoalmente eu acho que justifica sempre, porque

[00:25:50] conseguir dinheiro com a pesquisa básica

[00:25:52] é sempre o melhor do que…

[00:25:54] Porque tu desvia dinheiro de coisas militares.

[00:25:56] É uma bomba a menos, duas bombas a menos, isso sempre é bom.

[00:25:58] E ainda todo mundo aprende algo com isso.

[00:26:00] Então, sempre está justificado.

[00:26:02] Eu concordo com o Jorge,

[00:26:04] até eu sou um pouco mais radical na maneira

[00:26:06] de falar. Acho que foi um golpe de mídia.

[00:26:08] Na verdade, era um momento

[00:26:10] certo, porque era um momento

[00:26:12] de decisão, de orçamento.

[00:26:14] Na verdade, até já tinha sido votado.

[00:26:16] Era um reforço.

[00:26:18] Eu acho que isso serviu como um convencimento

[00:26:20] para políticos,

[00:26:22] serviu como um convencimento para público,

[00:26:24] para grande mídia. No momento em que

[00:26:26] um país está em crise econômica,

[00:26:28] é importante justificar

[00:26:30] porque eu estou colocando milhões

[00:26:32] numa pesquisa básica e não estou colocando

[00:26:34] milhões em saúde, não estou colocando

[00:26:36] milhões em educação, em construção.

[00:26:38] Ou seja, é

[00:26:40] uma justificativa pública

[00:26:42] e eu acho que isso pesou bastante.

[00:26:44] Eu acho

[00:26:46] que foi um momento certo

[00:26:48] de se lançar uma notícia.

[00:26:50] Eu acho que o experimento é

[00:26:52] válido, acho que a descoberta é interessante.

[00:26:54] Eu acho que

[00:26:56] foi construída

[00:26:58] toda uma maquiagem

[00:27:00] para que ela passasse

[00:27:02] para um nível maior

[00:27:04] do que ela deveria ter.

[00:27:06] Um conjunto limitado

[00:27:08] de dados foi pintado com cores mais

[00:27:10] intensas. O que eles estão fazendo tem futuro.

[00:27:12] Tem futuro, é muito interessante.

[00:27:14] Eu acho que a busca de indivíduos

[00:27:16] extremófilos é fundamental.

[00:27:18] É uma das três principais linhas

[00:27:20] para a sabedoria. Através disso, a gente vai conseguir

[00:27:22] entender provavelmente a origem da vida no planeta

[00:27:24] ou vai ajudar bastante

[00:27:26] nisso, ajudar a montar

[00:27:28] um conceito sobre

[00:27:30] experimentação e

[00:27:32] diversidade, que o Gold já dizia tanto.

[00:27:34] Acho muito bacana aquele livro dele,

[00:27:36] A Vida Maravilhosa, que diz que a vida

[00:27:38] sempre faz uma explosão de formas

[00:27:40] e aí dessa explosão de

[00:27:42] variantes,

[00:27:44] elas são selecionadas e elas vão para

[00:27:46] frente. Daqui a pouco eu tenho outra explosão

[00:27:48] que muitas vezes essas coisas

[00:27:50] somem ou só estão

[00:27:52] escondidas por aí.

[00:27:54] Porque elas podem não ser as mais eficientes

[00:27:56] em número, mas ainda

[00:27:58] continuar. É um número menor,

[00:28:00] mas ainda continua no ambiente. Eu só não procurei o bastante

[00:28:02] para encontrar.

[00:28:04] Aliás, falando em diversidade, foi o ano passado, foi o ano

[00:28:06] internacional da biodiversidade,

[00:28:08] a gente já percebeu muito mais biodiversidade

[00:28:10] que existe hoje. A maior parte das

[00:28:12] espécies que já viam nesse

[00:28:14] planeta não existe mais, porque elas

[00:28:16] realmente surgiram e desapareceram, porque

[00:28:18] todas as espécies aparecem. Mas, enfim,

[00:28:20] o importante desse debate

[00:28:22] é que, por um lado, a gente via o público

[00:28:24] e dizia assim, calma, não é

[00:28:26] ainda a grande notícia. Espero que isso

[00:28:28] não se transforme no problema daquele

[00:28:30] conto moral do menino

[00:28:32] que fingia que estava se afogando e quando

[00:28:34] salvava ele tirava um sarro das pessoas, até que um dia

[00:28:36] ele se afogou mesmo porque ninguém deu bola para ele.

[00:28:38] Espero que isso não crie uma insensibilidade

[00:28:40] e a próxima vez venha a notícia as pessoas

[00:28:42] ditam, mas agora deve ser de novo aquela onda da

[00:28:44] NASA? Não. Isso é um problema,

[00:28:46] é o preço que talvez seja pagado por

[00:28:48] ter necessidade de via público e fazer isso.

[00:28:50] E também porque nós, cientistas,

[00:28:52] estamos aprendendo a nos

[00:28:54] comunicar com a comunidade, com o

[00:28:56] povo em geral, com as pessoas menos preparadas

[00:28:58] cientificamente e ainda tem muito para andar nesse

[00:29:00] campo e, especialmente, porque

[00:29:02] isso eu acho que tem bem claro,

[00:29:04] é a moto do nosso programa aqui, dessa

[00:29:06] nossa atividade, que é que não

[00:29:08] adianta contar informações

[00:29:10] científicas e dizer, olha que legal a informação

[00:29:12] científica. Tu tem que formar a

[00:29:14] maneira de ver e de fazer dos cientistas,

[00:29:16] para entender que o processo de fazer ciência

[00:29:18] não é como o processo de fazer radinho

[00:29:20] numa fábrica ou construir carros numa

[00:29:22] linha de montagem ou montar

[00:29:24] um iceberg numa lanchonete. Ele é diferente,

[00:29:26] ele é debativo, ele é

[00:29:28] polêmico, tem recusos,

[00:29:30] avanços, se erra muito,

[00:29:32] há falsos alarmes,

[00:29:34] mas tudo isso é válido, porque

[00:29:36] é participativo, todo mundo participa.

[00:29:38] Isso invalida a informação. Invalida ela.

[00:29:40] Essa informação é muito mais confiável que qualquer outra

[00:29:42] depois. Por isso é que a gente não pode assumir

[00:29:44] como verdadeiro uma coisa por um único

[00:29:46] artigo. Claro, claro.

[00:29:48] Nem pela autoridade. Nem pela autoridade,

[00:29:50] por mais que eu reconheça a autoridade

[00:29:52] da agência que financiou

[00:29:54] essa pesquisa, é um único

[00:29:56] artigo, é um único pesquisador,

[00:29:58] é um único grupo falando sobre isso.

[00:30:00] Mas estamos caminhando pra frente e…

[00:30:02] É necessário que mais pessoas

[00:30:04] com mais…

[00:30:06] com diversidade de abordagens

[00:30:08] chegue a uma

[00:30:10] conclusão mais

[00:30:12] precisa e com

[00:30:14] uma maior confiabilidade. Acho que isso é

[00:30:16] o que está faltando nesse assunto.

[00:30:18] Não é que esse artigo esteja

[00:30:20] errado. Não, ele foi o primeiro.

[00:30:22] E aliás, é bem possível que a gente consiga encontrar

[00:30:24] evidência de uma biosfera oculta,

[00:30:26] mas tem muito trabalho pra fazer, porque a gente

[00:30:28] não examina todos os organismos que existem com o mesmo grau

[00:30:30] de precisão que a gente

[00:30:32] analisou meia dúzia, que são os mais estudados.

[00:30:34] É o que tu quer dizer, que essa linha

[00:30:36] é interessante deles, mas tem mais linhas.

[00:30:38] Tem muito mais pra fazer. Tem muito mais

[00:30:40] trabalho de detetive aí. Isso é só o começo.

[00:30:42] Na verdade, nosso conhecimento está baseado em poucas

[00:30:44] formas de vida, né? Sim, na verdade

[00:30:46] os organismos que a gente sabe, o código genético,

[00:30:48] que átomo está em cada lugar da molécula,

[00:30:50] não dá 20. Isso eu tenho

[00:30:52] certeza. Levedura,

[00:30:54] então, o que se estuda? Se existe pelo menos

[00:30:56] um milhão de espécies de bactérias…

[00:30:58] É a sacaromia cereliza.

[00:31:00] É uma delas. É uma.

[00:31:02] Tem o CEPAS.

[00:31:04] CEPAS diferentes que eu também não conheço.

[00:31:06] A gente conhece o C. elegans,

[00:31:08] que é um verbo.

[00:31:10] Ou seja, existe um milhão e setecentos mil espécies com

[00:31:12] nome. Isso se supõe que possa ter de

[00:31:14] vinte, trinta ou mais milhões de espécies.

[00:31:16] Imagina, se tiver dez por cento

[00:31:18] delas sejam ocultas, achando-se encontrar,

[00:31:20] você tem que examinar uma a uma até encontrar. É um trabalho braçal

[00:31:22] espantoso. Esse foi o programa

[00:31:24] Ponteiras da Ciência. A gente debateu aqui

[00:31:26] as bactérias acênicas.

[00:31:28] Participaram no programa, então, o professor

[00:31:30] José Cláudio Moreira, do Departamento de Biotecnia

[00:31:32] de Cadaúrgica, e o professor Jorge Kilfer,

[00:31:34] do Departamento de Biotecnia de Cadaúrgica, e o Marcos

[00:31:36] de Arte do Departamento de Biotecnia de Cadaúrgica.

[00:31:40] O Programa Fronteiras

[00:31:42] da Ciência é um projeto do

[00:31:44] Instituto de Física da URPS.

[00:31:46] Técnica de Gilson de César

[00:31:48] Direção Técnica

[00:31:50] de Francisco Blaselli.