Albert Einstein II, o mito
Resumo
O episódio do Fronteiras da Ciência continua a série de biografias discutindo os mitos que cercam a figura de Albert Einstein. Os participantes exploram três principais áreas de controvérsia: a suposta participação de sua primeira esposa Mileva Marić em seus trabalhos revolucionários de 1905, as acusações de plágio relacionadas à equação E=mc² e as especulações sobre características autistas em sua personalidade.
Sobre a questão de Mileva Marić, o professor Carlos Alberto dos Santos analisa as evidências históricas, incluindo as cartas trocadas entre o casal durante o período estudantil. Ele explica que, embora Einstein usasse expressões como “nosso trabalho” nas cartas, isso poderia ser interpretado como linguagem de um jovem apaixonado. Historicamente, não há registros de Mileva participando das discussões da Academia Olímpia, o grupo de estudos de Einstein, nem qualquer reivindicação posterior dela sobre coautoria. O dinheiro do Prêmio Nobel dado a ela foi resultado de um acordo de divórcio, não um reconhecimento de contribuição científica.
Quanto às acusações de plágio, o programa examina especificamente o caso de Olinto De Pretto, um cientista amador italiano que teria publicado uma equação semelhante a E=mc² em 1904. Embora existam coincidências interessantes (como conexões através do amigo Michele Besso), o trabalho de De Pretto partia de premissas diferentes - assumia a existência do éter, enquanto Einstein negava essa existência. O professor Carlos Alberto também comenta sobre seu livro de ficção “O Plágio de Einstein”, que explora essa possibilidade de forma literária, destacando a dificuldade de separar ficção de realidade em narrativas históricas.
Finalmente, os participantes discutem as especulações recentes sobre Einstein ter características do espectro autista, particularmente a síndrome de Asperger. Embora existam registros de que Einstein começou a falar tardiamente (apenas aos três anos) e tinha dificuldades com idiomas, não há consenso científico sobre esse diagnóstico retrospectivo. Estudos do cérebro de Einstein não revelaram anormalidades significativas, e essa tendência de diagnosticar figuras históricas é vista como parte de um movimento mais amplo que mistura medicina legista com construção de autoestima para grupos marginalizados.
Ao longo da discussão, os especialistas enfatizam a importância de entender o contexto histórico das práticas científicas da época - como a falta de citações nos trabalhos de Einstein ser comum no período - e criticam o que chamam de “historiografia pop”, que se baseia em coincidências superficiais sem considerar o significado físico profundo das contribuições científicas.
Indicações
Books
- O Plágio de Einstein — Livro de ficção escrito pelo professor Carlos Alberto dos Santos que explora a possibilidade de Einstein ter tido conhecimento prévio do trabalho de Olinto De Pretto sobre E=mc². O autor discute os desafios de misturar ficção e realidade em narrativas históricas.
People
- Mileva Marić — Primeira esposa de Einstein e colega de estudos na ETH. É discutida a hipótese de que ela teria contribuído para os trabalhos de 1905, com análise das cartas onde Einstein se referia a ‘nosso trabalho’ e a ausência de evidências históricas de sua participação ativa nas discussões científicas.
- Olinto De Pretto — Agrônomo e cientista amador italiano que em 1904 publicou um trabalho contendo algo semelhante à equação E=mc². Seu trabalho partia da existência do éter, diferentemente da abordagem de Einstein, e foi redescoberto nos anos 1980, gerando controvérsias sobre plágio.
- Simon Baron-Cohen — Pesquisador que propôs a hipótese de Einstein ter características do espectro autista, particularmente síndrome de Asperger. É primo do humorista Sacha Baron Cohen (Borat) e seu trabalho é mencionado no contexto das especulações sobre o diagnóstico retrospectivo de figuras históricas.
- Oliver Sacks — Autor de divulgação científica e neurologista conhecido por seus estudos de casos neurológicos. É mencionado como crítico da hipótese de que Einstein teria autismo, representando uma visão cética sobre esses diagnósticos retrospectivos.
Linha do Tempo
- 00:00:15 — Introdução ao tema dos mitos sobre Einstein — O programa apresenta a continuação da série de biografias, focando nos mitos que cercam Albert Einstein. Os participantes são apresentados: Carlos Alberto dos Santos, Jorge Kielfel e Jefferson Enzon. É mencionado que Einstein era frequentemente parado nas ruas e que se criaram muitos mitos em torno de sua figura pública.
- 00:01:11 — O mito da coautoria de Mileva Marić — É levantada a hipótese de que a primeira esposa de Einstein, Mileva Marić, teria ajudado ou sido coautora dos trabalhos revolucionários de 1905. O professor Carlos Alberto analisa as evidências históricas, mencionando as 52 cartas descobertas na década de 1980 onde Einstein se referia a “nosso trabalho”. Ele discute as interpretações conflitantes: alguns biógrafos veem isso como evidência de colaboração, enquanto Abraham Pais argumenta que eram declarações de um jovem apaixonado.
- 00:03:40 — A Academia Olímpia e a ausência de Mileva — É explicado que Einstein discutia ciência com três colegas na chamada Academia Olímpia: Michele Besso, Maurice Solovine e Conrad Habicht. Historicamente, não há registros de Mileva participar dessas discussões, mesmo quando ocorriam na casa do casal. Também é destacado que Mileva nunca reivindicou reconhecimento pela participação nos trabalhos de Einstein.
- 00:04:35 — O acordo do Prêmio Nobel e o divórcio — É esclarecido que Einstein não “deu” o dinheiro do Prêmio Nobel a Mileva, mas sim que isso foi parte de um acordo de divórcio em 1918. Ele prometeu o prêmio (que recebeu em 1921) para convencê-la a aceitar o divórcio, pois queria se casar com sua prima. O valor permitiu a Mileva comprar duas casas, mas não representa gratidão por contribuição científica.
- 00:06:10 — O livro “O Plágio de Einstein” e acusações de plágio — É mencionado o livro de ficção “O Plágio de Einstein” escrito pelo professor Carlos Alberto. O livro explora a possibilidade de Einstein ter tido conhecimento prévio do trabalho de Olinto De Pretto, que em 1904 publicou uma equação semelhante a E=mc². O autor discute os desafios de misturar ficção e realidade em obras históricas e como os leitores frequentemente perguntam o que é verdadeiro na narrativa.
- 00:08:41 — O caso de Olinto De Pretto e a equação E=mc² — É detalhada a história de Olinto De Pretto, um agrônomo italiano que em 1904 publicou um trabalho contendo algo semelhante a E=mc². O trabalho foi descoberto por um historiador matemático em Bolonha nos anos 1980. Embora existam conexões interessantes (o tio de De Pretto era colega do irmão de Michele Besso), o trabalho italiano partia da existência do éter, enquanto Einstein negava o éter. O artigo do Guardian em 1999 amplificou a controvérsia.
- 00:17:18 — Explicação do conceito de éter — É explicado para os ouvintes o que era o éter na física do século XIX: um meio material hipotético necessário para a propagação de ondas eletromagnéticas, considerado um “gel universal” que preenchia o espaço. O experimento de Michelson-Morley tentou detectar o éter sem sucesso. Há debate histórico sobre se Einstein conhecia esse experimento quando desenvolveu a relatividade restrita.
- 00:22:58 — A hipótese do autismo em Einstein — É discutida a hipótese recente de que Einstein teria características do espectro autista, particularmente síndrome de Asperger. Simon Baron-Cohen propôs essa ideia baseado em características como desenvolvimento linguístico tardio (Einstein só começou a falar aos três anos) e dificuldades com idiomas. No entanto, não há consenso científico, e Oliver Sacks é mencionado como crítico dessa abordagem. Estudos do cérebro de Einstein não revelaram anormalidades significativas.
- 00:25:40 — Características pessoais e dificuldades de Einstein — São mencionados aspectos da vida de Einstein que alimentam especulações sobre autismo: ele foi reprovado no exame de admissão da ETH em francês e biologia (apesar de excelente desempenho em física e matemática), tinha dificuldades com idiomas, era solitário e teve poucos colaboradores científicos. No entanto, os participantes destacam que diagnosticar figuras históricas é problemático e pode servir mais a agendas contemporâneas do que à compreensão histórica precisa.
Dados do Episódio
- Podcast: Fronteiras da Ciência
- Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
- Categoria: Science
- Publicado: 2011-10-24T20:00:05Z
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/fronteiras-da-ci%C3%AAncia/fb4669d0-4a98-012e-1aa8-00163e1b201c/albert-einstein-ii-o-mito/45ad1240-e0ba-012e-dc2b-525400c11844
- UUID Episódio: 45ad1240-e0ba-012e-dc2b-525400c11844
Dados do Podcast
- Nome: Fronteiras da Ciência
- Site: http://frontdaciencia.ufrgs.br
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Transcrição
[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência, da Rádio da Universidade, onde discutiremos
[00:00:10] os limites entre o que é ciência e o que é mito.
[00:00:15] Esse é o Fronteiras da Ciência, hoje, continuando a nossa série de biografias, a gente vai
[00:00:21] falar um pouco sobre os mitos relacionados ao Albert Einstein.
[00:00:24] Para falar sobre isso, temos aqui o professor Carlos Alberto dos Santos, foi professor do
[00:00:30] Instituto de Física da URGS e atualmente é professor na UNILA, em Foz do Iguaçu, o professor
[00:00:35] Jorge Kielfel, do Departamento de Biofísica da URGS e eu, Jefferson Enzon, da Física da URGS.
[00:00:41] Então, existe o Einstein como uma personalidade, uma pessoa pública conhecida em todo o mundo,
[00:00:48] então, obviamente, se criam mitos em torno de pessoas assim.
[00:00:52] O Einstein era parado na rua.
[00:00:54] As pessoas faziam perguntas e, lá pelas tantas, ele dizia, não, pois é, as pessoas me confundem
[00:01:00] com o professor Einstein, mas não sou eu, já é um pouco para evitar isso.
[00:01:05] Dentre os vários mitos, um deles é o de que esses trabalhos importantes que ele fez
[00:01:11] em 1905, que teria tido a ajuda ou até a coautoria da primeira esposa, a Mileva Maite.
[00:01:19] Então, eu queria perguntar para o Carlos Alberto se faz algum sentido essa…
[00:01:24] Porque isso é uma hipótese, acho que não está documentado em lugar nenhum.
[00:01:29] Então, no que se baseia a hipótese e como é que ela se sustenta?
[00:01:33] Os mitos em torno do Einstein, plágio, enfim, de participação de outros, de que ele copiou
[00:01:38] e não mencionou, é muito recorrente na literatura, na história e na imprensa sensacionalista.
[00:01:46] Essa hipótese de que a Mileva o ajudou a fazer o trabalho, né?
[00:01:51] Então, a Mileva foi colega do Einstein no curso…
[00:01:54] O curso de graduação na ETH.
[00:01:56] Ela era quatro anos mais velha do que ele, mas, por exemplo, não quer dizer que isso
[00:02:03] tenha alguma coisa a ver, mas o fato é de que ela não chegou a terminar o curso, não
[00:02:07] foi aprovada na conclusão do curso.
[00:02:09] Tem um…
[00:02:10] Por que é que, então, se atribui o fato de que ela teria escrito?
[00:02:14] Existem, nas 52 cartas que foram descobertas na década de 80, do Einstein para Mileva
[00:02:22] e poucas…
[00:02:23] Quarenta e poucos do Einstein para Mileva.
[00:02:24] E quatorze da Mileva para o Einstein, as que foram preservadas.
[00:02:29] E nessas cartas, a maioria das cartas, era na época que eles eram estudantes.
[00:02:34] A Mileva nem sempre estava em Zurique, ela passou um tempo em Heidelberg, enfim, ela
[00:02:38] estava de férias.
[00:02:39] Essas cartas, quando eles estavam afastados, ele escrevia e ele comentava as leituras que
[00:02:43] ele fazia.
[00:02:44] Naquela época, ele era o namorado da Mileva.
[00:02:47] Ele estava, em algumas das cartas, ele estava tentando conquistá-la ainda.
[00:02:50] E ele menciona no trabalho, em algumas cartas, ele sempre fala…
[00:02:54] Nosso trabalho, a gente precisa publicar, quando a gente fizer a nossa teoria.
[00:02:59] Então, essas declarações levaram vários biógrafos a intuir que a Mileva participava
[00:03:06] do trabalho.
[00:03:07] O Abraham Peiss, que é um dos principais biógrafos do Einstein, justifica o contrário.
[00:03:12] Diz que aquilo eram declarações de um jovem apaixonado na sua tentativa de conquistar a
[00:03:18] amada.
[00:03:19] Depois tem a contraparte também, porque ele deixou o dinheiro do Nobel para ela.
[00:03:24] Então, ele não era mais um jovem apaixonado.
[00:03:27] Não, mas aí…
[00:03:28] Eu volto a discutir essa questão.
[00:03:32] Então, o Einstein falava isso nas cartas, é verdade.
[00:03:35] Mas acontece que todas as discussões que ele tinha sobre ciência, que eram feitas com
[00:03:40] três colegas, que ele chamava de Academia Olímpia, que era um engenheiro civil, engenheiro
[00:03:47] mecânico, o Michele Besso, que era muito inteligente, de fato, discutiu com muita profundidade
[00:03:52] o trabalho do Einstein.
[00:03:53] O Maurício Solomão…
[00:03:54] Solovino, que era um filósofo, que circulava em vários cursos, não sabia o que fazia,
[00:03:59] e tinha um matemático que era o Konrad Haber.
[00:04:02] Então, com esse…
[00:04:03] E na época que ele era casado com a Mileva, a Mileva não participava dessas discussões.
[00:04:08] Isso está registrado historicamente.
[00:04:10] Então, todo o trabalho…
[00:04:10] Não era um membro da Academia Olímpia, não?
[00:04:13] Não era da Academia Olímpia.
[00:04:14] E ela estava na casa, porque eles faziam umas reuniões na casa de um e de outro.
[00:04:18] Depois, a Mileva jamais…
[00:04:21] Não há nenhum registro histórico que a Mileva tenha…
[00:04:24] solicitado, para si, o reconhecimento da participação nos trabalhos dele.
[00:04:28] Mas se bem que tem o problema dos filtros, dos relatos históricos, não é?
[00:04:31] Os filtros…
[00:04:32] Sim, sim, claro que tem, mas…
[00:04:35] Agora, a questão do porquê que ele deu o dinheiro do Prêmio Nobel para ela.
[00:04:41] Não é que ele deu o dinheiro do Prêmio Nobel.
[00:04:42] O casamento dele com a Mileva acabou em 1910.
[00:04:47] Eles tiveram uma fase muito atribulada, uma briga muito intensa entre os dois.
[00:04:53] E o Einstein…
[00:04:54] O Einstein começou a ter uma relação com uma prima dele que precisava divorciar se a Mileva não queria dar o divórcio.
[00:05:00] E então, em 1918, ele convenceu a Mileva, e foi a juízo, de que quando ganhasse o Nobel, para ela aceitar o divórcio,
[00:05:10] quando ganhasse o Nobel, ele daria o dinheiro para ela no Nobel.
[00:05:13] Em 1918, ele ganhou o Nobel em 1921.
[00:05:15] Ele sabia que ia ganhar o Nobel.
[00:05:16] É questão de tempo.
[00:05:17] É questão de tempo.
[00:05:18] Então, e ela aceitou.
[00:05:19] Como o Nobel você não pode ganhar depois de morto…
[00:05:21] É, então, e ela aceitou.
[00:05:24] Quer dizer, não foi uma gratidão dele por uma pretensa…
[00:05:27] Ele queria se livrar mesmo.
[00:05:28] Ele queria o divórcio, exatamente.
[00:05:31] Então, ele prometeu o dinheiro do…
[00:05:33] Não deu muita coisa. Naquela época não era como hoje, né?
[00:05:35] Deu para ela comprar duas casas.
[00:05:37] É, atualmente é um milhão e meio de dólares, é dado um pouco mais.
[00:05:41] Mas, relacionado a essa questão da coautoria, sempre aparece a questão do plágio,
[00:05:47] de que Einstein teria se baseado em outros trabalhos, o Einstein, ele era conhecido por não…
[00:05:53] Não fazer muitas citações nos seus trabalhos.
[00:05:56] Tem artigos onde não tem nenhuma.
[00:05:57] Aliás, é uma prática da época dos passagens.
[00:05:59] Isso é bom de dizer, né?
[00:06:00] Sim.
[00:06:01] E, inclusive, isso foi a base para um livro que o Carlos Alberto escreveu alguns anos atrás,
[00:06:06] se chama O Plágio de Einstein, que é um livro de ficção.
[00:06:09] Sim.
[00:06:10] Então, eu queria que tu comentasse as duas coisas, né?
[00:06:13] Falasse um pouco do livro, da história do livro, o que é verídico, o que é…
[00:06:18] Sem estragar a surpresa de quem vai ler.
[00:06:21] A gente, no Caderno de Estudos, a gente costuma…
[00:06:23] Ao botar informações, vai estar essa informação sobre o livro, né?
[00:06:27] Então, para aproveitar, na página frontodaciencia.org.br, a gente coloca todas essas informações,
[00:06:34] para você se aprofundar um pouco mais no assunto.
[00:06:36] Então, eu queria que o Carlos Alberto nos contasse um pouco, primeiro, sobre esse outro mito, né?
[00:06:41] De que Einstein teria…
[00:06:42] Não teria sido ele o autor da famosa fórmula que iguala a energia com Mc², né?
[00:06:49] Mas que ele teria se baseado em outras obras.
[00:06:51] E um pouco sobre o livro dele.
[00:06:53] Que é baseado nessa hipótese.
[00:06:56] As acusações de plágio do Einstein pipocam aí para todo lado.
[00:07:01] Muitas dessas observações é falta de conhecimento que as pessoas têm do procedimento, do processo da ciência.
[00:07:09] Na ciência, ninguém faz absolutamente sozinho nada, né?
[00:07:12] Agora, então tem pura ignorância de como é que é o procedimento para fazer acusação desse tipo.
[00:07:19] Às vezes há…
[00:07:21] Se usa o fato de que o Einstein…
[00:07:23] Nos seus primeiros trabalhos citava muito pouco, não citava as pessoas, não dava crédito aos trabalhos anteriores.
[00:07:29] Como disse o Jorge, como observou o Jorge, isso era uma prática da época.
[00:07:32] Mas, além disso, além disso, era um…
[00:07:35] Talvez fosse um problema do procedimento do Einstein, porque o Einstein não estava na academia,
[00:07:42] ele não tinha prática da academia, ele era um jovem.
[00:07:44] Quando Einstein começou a fazer esses trabalhos, ele tinha 21 anos.
[00:07:49] Ele fez ao longo de 5 anos, porque também não é assim.
[00:07:52] Em 1905 ele fez tudo.
[00:07:54] Ele não tinha um orientador, literalmente.
[00:07:55] Não, não tinha orientador.
[00:07:56] Então, ele…
[00:07:57] Portanto, ele não tinha os vícios, os costumes, nem os vícios da academia.
[00:08:00] Não tinha.
[00:08:01] O bom e o mau.
[00:08:02] É, mas…
[00:08:03] Então, ele…
[00:08:04] Se você olha, eu me dei o trabalho que eu já escrevi sobre a preparação do Einstein para o seu ano miraculoso, né?
[00:08:10] Então, me deu o trabalho de analisar o que ele fez de 1900 a 1990…
[00:08:16] De 1900 a 1905.
[00:08:18] Então, esse procedimento que ele não citava, tem que ter um pouco mais de cuidado, né?
[00:08:20] Então, esse procedimento que ele não citava, tem que ter um pouco mais de cuidado, né?
[00:08:21] Então, esse procedimento que ele não citava, tem que ter um pouco mais de cuidado, pra falar sobre isso.
[00:08:23] Então, esse procedimento que ele não citava, tem que ter um pouco mais de cuidado, pra falar sobre isso.
[00:08:24] Então, esse procedimento que ele não citava, tem que ter um pouco mais de cuidado, pra falar sobre isso.
[00:08:25] Então, esse procedimento que ele não citava, tem que ter um pouco mais de cuidado, pra falar sobre isso.
[00:08:26] Então, esse procedimento que ele não citava, tem que ter um pouco mais de cuidado, pra falar sobre isso.
[00:08:27] Então, esse procedimento que ele não citava, tem que ter um pouco mais de cuidado, pra falar sobre isso.
[00:08:28] Então, esse procedimento que ele não citava, tem que ter um pouco mais de cuidado, pra falar sobre isso.
[00:08:29] Então, esse procedimento que ele não citava, tem que ter um pouco mais de cuidado, pra falar sobre isso.
[00:08:30] Esse debate é antigo e agora recentemente até teve um retorno, depois a gente pode comentar sobre isso, mas eu queria falar num fato que deu origem ao livro.
[00:08:41] Em 1999, no final dos anos 80, um matemático de Bolonha e historiador da ciência descobriu um artigo que tinha sido publicado em 1904 no Instituto de Ciência do Vêneto.
[00:08:59] É um instituto, Instituto de Ciência da Academia de Ciências do Vêneto, é uma academia absolutamente desconhecida do mundo acadêmico, mas naquela academia tinha sido publicado, nos anais da academia, um trabalho de um agrônomo, um cientista amador, de preto, que teria escrito a equação E igual a MC2. Isso é fato.
[00:09:18] Isso é fato. Eu tenho esse trabalho, porque eu consegui… Bom, e daí esse historiador, esse matemático historiador…
[00:09:29] O historiador tentou publicar um artigo de história sobre esse fato e o artigo não foi aceito e ele escreveu um livro. Também tem um livro em italiano desse… do historiador.
[00:09:39] O que é que ele descobriu? Descobriu várias coisas, coincidências interessantes. Por exemplo, que o tio do preto, Olinto de Preto é o nome dele, tio do Olinto de Preto, era colega de trabalho do irmão do Michele Besso.
[00:09:54] O Michele Besso era o grande amigo do Einstein.
[00:09:57] As chances de comunicação.
[00:09:59] Portanto, o tio do Olinto de Preto teria contado ao irmão do Michele Besso que tinha um sobrinho fazendo ciência, no Verde.
[00:10:07] Esse teria contado ao Michele Besso que teria contado ao Einstein sobre a existência do trabalho e que o Einstein teria feito o seu trabalho em função disso.
[00:10:14] Poderia ser um estímulo heurístico?
[00:10:16] Poderia ser, mas acontece que tem várias… Bom, além do mais, o artigo do Einstein, onde ele escreve a equação E igual a MC2, é uma pergunta.
[00:10:26] E é uma pergunta. Seria…
[00:10:28] Uma afirmação.
[00:10:29] E é meia página, né?
[00:10:30] É, três páginas.
[00:10:31] É, aí seria três páginas.
[00:10:32] E aí, o Einstein teria feito o trabalho motivado por alguém e não citou o Olinto de Preto.
[00:10:36] Tem vários, digamos, erros com relação a isso.
[00:10:39] É que o trabalho do Olinto de Preto é feito tendo como hipótese a existência do hétero.
[00:10:44] O trabalho do Einstein é feito negando a existência do hétero.
[00:10:48] O trabalho do Einstein saiu do seu trabalho sobre a relatividade restrita.
[00:10:53] Embora hoje se saiba que a gente pode fazer a dedução sem precisar da relatividade restrita.
[00:10:58] Mas ele fez.
[00:10:59] Mas ele fez usando a relatividade restrita.
[00:11:01] Então, embora esse nexo, essas ligações sejam, digamos, verossimilares, não há conexão do ponto de vista heurístico para o trabalho do Einstein.
[00:11:13] O italiano, ele demonstra a equação?
[00:11:15] Não, ele não demonstra, ele propõe.
[00:11:17] Ele intui, né?
[00:11:18] Ele intui, ele propõe, faz cálculos e que, sabe?
[00:11:21] Então, ele faz de como é que uma partícula no hétero, qual é a energia cinética que ele tem.
[00:11:26] Qual é a energia cinética de uma partícula no hétero?
[00:11:28] Uma quantidade de cina, talvez.
[00:11:30] E aí, o Einstein.
[00:11:31] Então, o que ele faz é confundir, ele associa isso com a energia cinética.
[00:11:35] Exatamente.
[00:11:36] Mas o trabalho do Olinda e Preto está absolutamente errado, do ponto de vista, sabe?
[00:11:40] Tem vários equívocos.
[00:11:41] Então, essa história, e essa história do final dos anos 80, mas The Guardian, o livro saiu depois,
[00:11:49] e o jornal The Guardian fez uma grande matéria com o livro do italiano,
[00:11:54] dizendo que a equação do Einstein teria sido descoberta por um italiano.
[00:11:58] Percutiu.
[00:11:59] Bom, aí todos os canais…
[00:12:00] E ninguém vai lá ler o livro do italiano.
[00:12:01] Não, não.
[00:12:02] E todos os canais anti-Einstein amplificaram isso.
[00:12:06] Então, isso saiu na imprensa internacional.
[00:12:08] Isso foi quando?
[00:12:09] 1999, quando o The Guardian fez a notícia.
[00:12:13] E o livro do italiano?
[00:12:14] No final dos anos 80.
[00:12:15] Então, no começo dos anos 90.
[00:12:18] Como conseguir um caso contra alguém, por exemplo.
[00:12:20] Porque tinha um livro de uma língua que dificilmente está traduzida e já ajuda.
[00:12:24] É.
[00:12:25] E aí, então…
[00:12:28] É.
[00:12:28] Quando eu li, eu sempre leio muito a imprensa sobre o Einstein,
[00:12:32] me ocorreu, então, o livro, o motivo do livro é se o Einstein sabia ou não sabia,
[00:12:38] tinha ou não tinha conhecimento do trabalho do Olímpio de Preto.
[00:12:42] E ainda por cima tem que analisar se tinha alguma relevância o trabalho do Olímpio de Preto.
[00:12:46] Isso.
[00:12:46] Pelo que você está dizendo, não tinha.
[00:12:48] Não tinha.
[00:12:48] Mas, claro que eu não exploro isso no início do livro.
[00:12:51] A fata é se ele tinha ou não tinha.
[00:12:52] Como eu conheço quase todas as correspondências do Einstein,
[00:12:56] as cartas do Einstein para vários dos personagens,
[00:12:58] eu descobri que, em algumas cartas que não existiam,
[00:13:04] eu podia fazer, criar, inventar algumas cartas,
[00:13:07] de modo que levantasse a suspeita de que o Einstein sabia da existência do trabalho.
[00:13:11] Então, aí se desenrola todo…
[00:13:13] Isso é descoberto na ficção.
[00:13:15] É descoberto pelo staff, cuida do patrimônio do Einstein.
[00:13:19] Então, eles encomendam, eles contratam um dos membros do staff, um historiador,
[00:13:24] para ele ir a Berna, a Zurique, para tentar investigar.
[00:13:28] E vai procurar o Konrad Habich, que foi o grande colega dele,
[00:13:33] e teria uma carta do Konrad Habich, que teria dito para o Einstein,
[00:13:36] que tinha conhecimento de um trabalho, que o Michele Besso teria dito.
[00:13:40] Toda a história que o historiador, que o The Guardian fala,
[00:13:43] eu usei um pouco para dar verosimilhança.
[00:13:47] E, de princípio, também para explorar essa vertente, digamos, de uma pseudo-história.
[00:13:50] Isso.
[00:13:50] Mais ou menos, temos uma visão que a história pode também sofrer dessa influência facilmente.
[00:13:55] Porque ela é, digamos, a dar ciências a mais,
[00:13:58] digamos, flexível ou, pelo menos, contaminável pelos aspectos ideológicos e móveis.
[00:14:04] Mas aqui está bem claro que é um livro de ficção.
[00:14:08] É, mas é um exercício muito legal.
[00:14:10] Toda dificuldade aparece naqueles trabalhos onde também é uma mistura de ficção e realidade,
[00:14:16] mas onde não está nada claro.
[00:14:18] E que depois as pessoas assumem que é uma descrição da realidade,
[00:14:22] e depois aquilo acaba permeando a cultura e se estabelecendo.
[00:14:25] É, eu tive…
[00:14:28] Muitas dúvidas pessoais ao escrever esse livro por causa justamente de saber
[00:14:35] aonde que vou deixar para o leitor claro que a coisa é ficção e onde que é realidade.
[00:14:39] Por exemplo, o Luiz Fernando Zibel, que é nosso colega na física,
[00:14:43] na época que eu estava escrevendo o livro, eu discutia com ele,
[00:14:45] o Luiz Fernando Zibel achava que eu deveria ter no livro um post-script contando a realidade.
[00:14:50] Quando eu levantei essa hipótese para o editor do livro, ele disse absolutamente não.
[00:14:54] No livro de ficção, você não pode dar detalhes de coisa.
[00:14:57] Ou você diz, não, livro.
[00:14:58] Então, você não pode ter um post-script contando o que é que foi histórico e o que é real.
[00:15:03] Vai ter que ficar para outra edição.
[00:15:05] Tem que deixar…
[00:15:05] É, eu fiquei com muita vontade, mas o post-script eu faço nas minhas palestras quando eu dou sobre o livro.
[00:15:11] Eu acho que isso é uma informação relevante, acho que deveria realmente ter.
[00:15:15] Mas eu já vi livros…
[00:15:16] Eu também, sim, eu já vi também, mas o editor, ele não quis, achou que…
[00:15:20] E até pode deixar o cara meio confuso no primeiro momento.
[00:15:22] Então, deveria, poderia publicar no blog ou alguma outra…
[00:15:26] Ah, é, exatamente o que tu vês.
[00:15:28] Tu dê publicidade a essa interpretação em outros canais.
[00:15:31] Sim, sim, eu falo…
[00:15:32] Não, mas pelo fato de ter, boa parte do livro ter conteúdo histórico, verídico, né?
[00:15:39] Até para que possa ser usado como referência, é bom a pessoa saber o que ela pode…
[00:15:43] Por exemplo, eu li e agora eu não sei exatamente o que é inventado e o que não.
[00:15:47] Então, em princípio, tudo que está ali eu vou tomar cuidado, tem que averiguar antes.
[00:15:51] A editora me levou faz tempo.
[00:15:54] Esse livro é de 2003.
[00:15:56] Então, entre 2003 e 2005…
[00:15:58] A editora me levava muito em colégios, em vários lugares do estado, eu dei muitas palestras fora também.
[00:16:02] Então, eu dei palestra para crianças, para jovens, adolescentes de 12 anos, em alguns colégios, muito interessante,
[00:16:07] que tinham trabalhado com a professora, com o professor de literatura.
[00:16:12] Então, depois eles perguntavam, o primeiro que eles perguntavam era o seguinte,
[00:16:14] o que é que é verdade, o que é que é ficção, o que é que é fato, né?
[00:16:18] E sempre era muito interessante o debate com eles.
[00:16:21] Esse é o Fronteiras da Ciência, hoje a gente está falando sobre os mitos relacionados ao Albert Einstein.
[00:16:28] Vocês vão poder encontrar o material adicional sobre isso na nossa página, que é o frontedaciencia.urgs.br,
[00:16:35] junto com o MP3 desse e de outros programas passados.
[00:16:39] Continuando com o tema do plágio de Einstein, que é o título do livro do Carlos Alberto,
[00:16:44] que é baseado na possibilidade de que a equação I é igual a MC² não tenha sido descoberta, deduzida pelo Einstein.
[00:16:52] Então, eu queria que o Carlos Alberto retomasse nesse ponto.
[00:16:55] Essa equação aparece em vários…
[00:16:58] Em vários trabalhos anteriores a Einstein.
[00:17:00] Aparece de forma equivocada, aparece…
[00:17:04] Todas elas aparecem sem que seja uma contestação da existência do éter.
[00:17:09] Portanto, todas elas aparecem dentro de um cenário onde o éter é o paradigma do éter.
[00:17:14] É o paradigma, exatamente.
[00:17:15] O que é, para o nosso ouvinte, o que é o éter?
[00:17:18] É bom lembrar, porque os ouvintes não são muito velhos, assim, de lá.
[00:17:21] É, porque na época era uma questão relevante.
[00:17:24] O éter é…
[00:17:25] Qualquer transmissão de ondas requer…
[00:17:28] Na época existia…
[00:17:29] Um meio material.
[00:17:29] Requer um meio material para que ela se propague.
[00:17:31] Onda mecânica.
[00:17:32] Propagação de onda mecânica.
[00:17:33] Quando surgiu a ideia de onda eletromagnética, não existia um meio para isso,
[00:17:38] então foi criado um meio imaterial, em princípio um detectável…
[00:17:42] Aquele troço que preenche o espaço entre os átomos.
[00:17:44] Que serviria de meio de propagação da onda eletromagnética.
[00:17:47] Uma espécie de gel universal.
[00:17:49] Um gel que fosse imaterial, então isso era o éter.
[00:17:53] E o Einstein…
[00:17:54] E era uma hipótese científica.
[00:17:55] Foi derrubada no experimento do Michael Sommorley, que o Einstein…
[00:17:58] Parece que ele não acreditava.
[00:18:00] Não é que ele não acreditava.
[00:18:01] Isso é um mistério para a história.
[00:18:05] É mesmo?
[00:18:05] Eu achava que…
[00:18:06] Não, se ele conhecia.
[00:18:07] É um mistério para a história, se ele conhecia ou não conhecia.
[00:18:09] Parece que não.
[00:18:10] Então, é.
[00:18:11] Se ele conhecia ou não conhecia.
[00:18:13] E ele mesmo se contradiz.
[00:18:15] Às vezes diz que ele não sabe, se lembra.
[00:18:17] Outras vezes ele diz…
[00:18:19] Há momentos em que ele diz que talvez tenha visto e não tenha dado importância.
[00:18:23] Ele leu um trabalho.
[00:18:25] Ele leu um trabalho.
[00:18:28] De 1890, em que…
[00:18:32] Não sei se do Lennart…
[00:18:33] Em que existia uma menção às tentativas de medir a velocidade da luz e do efeito do éter.
[00:18:40] Nesse trabalho.
[00:18:42] Ele leu esse trabalho.
[00:18:43] O que não se sabe é qual a importância que ele deu àquele apêndice onde tinha discussão desses métodos aí.
[00:18:49] Que ele leu o trabalho.
[00:18:50] Ele leu porque isso está numa carta, única referência que ele faz.
[00:18:54] Numa correspondência que ele, para mim, leva.
[00:18:56] Que você pode imaginar.
[00:18:58] Imaginar que ele teria conhecimento da experiência do Max Humboldt.
[00:19:02] É que ele leu esse trabalho de 1890 e qualquer coisa.
[00:19:08] Nos anos 1890.
[00:19:09] Então, se ele leu o trabalho, você diz…
[00:19:11] Então, ele sabia da existência da experiência do Max Humboldt dali.
[00:19:14] Mas na correspondência para me levar, ele não menciona a experiência do Max Humboldt.
[00:19:19] E em trabalhos posteriores, ele…
[00:19:21] Por exemplo, ele fez…
[00:19:22] Ele escreveu em 1949, quando ele completou 70 anos.
[00:19:27] Ele escreveu um…
[00:19:28] Uma introdução, um livro muito importante que tem na Biblioteca de Estudos de Física, do Schilpe.
[00:19:33] Para comemorar os 70 anos do Einstein.
[00:19:35] E o Schilpe pediu para ele escrever uma introdução.
[00:19:38] Ele escreveu aquilo que são as únicas notas autobiográficas que ele escreveu.
[00:19:42] Está nesse livro.
[00:19:43] Depois foi publicado como um livro separado.
[00:19:45] Separado da pequenininha.
[00:19:46] É muito interessante.
[00:19:47] Pois bem.
[00:19:48] Ali…
[00:19:48] E ali ele cita toda a sua história.
[00:19:50] Ele diz que foi muito importante ter lido Kant para fazer o que fez.
[00:19:55] Ter lido Marx para fazer o que fez.
[00:19:57] Em nenhuma…
[00:19:58] E ele não cita ali, por exemplo, o Max Humboldt.
[00:20:00] Então, aquele livro é onde ele diz como foi que ele…
[00:20:03] As coisas importantes da vida dele.
[00:20:05] Então, essa equação é igual a MC2.
[00:20:07] Portanto, ela aparece em várias…
[00:20:08] Por exemplo, o Poincaré a usa.
[00:20:11] No trabalho do Olindo de Preto, que deu origem ao livro.
[00:20:15] No trabalho dele.
[00:20:16] A equação é igual a MC2, vem da energia cinética.
[00:20:18] Porque naquela época, a fórmula de energia cinética como um meio de MV2 ainda não era conhecida.
[00:20:24] Naquela época, se falava na Viva Vis.
[00:20:26] E que era MC2.
[00:20:28] Cinética ainda…
[00:20:29] Você veja que o problema da energia é um problema que…
[00:20:32] Isso é uma coisa que eu estou estudando agora.
[00:20:34] O problema de tratar os fenômenos naturais a partir da energia é no final do século XIX.
[00:20:41] Porque a ideia de tratar como campos e interações na distância do Newton prevaleceu durante todo esse período.
[00:20:47] Então, todos os tratamentos de energia…
[00:20:49] Não eram lógicos.
[00:20:50] Não, e não eram bem tratados.
[00:20:52] Isso, quer dizer, bem com termodinâmica.
[00:20:54] Isso só se consolidou.
[00:20:55] Conservação de energia é de 1870.
[00:20:58] De 40 e tantos.
[00:20:59] Então, naquela época, a energia cinética era MC2, MV2.
[00:21:03] O trabalho do Adão Preto vem disso.
[00:21:04] Então, vários desses autores que escreveram a equação é igual a MC2,
[00:21:08] vem com associação à energia cinética.
[00:21:10] Então, Poincaré escreveu, e agora se descobriu…
[00:21:13] Nada a ver com o significado.
[00:21:15] Não, não.
[00:21:15] Nada a ver com o significado.
[00:21:16] Então, agora, mesmo que você não entenda absolutamente nada de física,
[00:21:22] e faça uma avaliação do porquê a equação de Einstein prevaleceu,
[00:21:27] e lhe deu…
[00:21:28] A paternidade, e não a dos outros.
[00:21:31] Mesmo que você não saiba físico para analisar isso,
[00:21:32] há que se considerar que as pessoas que sabiam físico da época não reconheceram isso.
[00:21:38] Portanto, se você disser que isso é um plágio, uma coisa grosseira e tal,
[00:21:41] você vai dizer que todos os grandes cientistas da época eram absolutamente ignorantes.
[00:21:48] Ou seja, se fosse um fato reconhecido, teria sido rapidamente…
[00:21:52] Aliás, o…
[00:21:53] O que acontece atualmente, né?
[00:21:54] Quando alguém publica uma coisa e não…
[00:21:56] É verdade.
[00:21:56] Não se pede de fazer comentário.
[00:21:57] Exatamente.
[00:21:58] Mas isso existe uma…
[00:21:59] Eu chamo isso de vertente de historiografia pop,
[00:22:02] baseada, assim, em coincidências formais, de forma e de aspecto.
[00:22:05] Vamos pensar assim, o trabalho do Friedrich of Capra,
[00:22:07] que até faz uma divulgação razoável em física, pelo menos é o que dizem,
[00:22:11] mas o que ele traça dos livros mais populares dele?
[00:22:13] Paralelos visuais.
[00:22:14] Ah, essa equação do físico aqui é parecida com esse verso aqui,
[00:22:18] na língua indiana, não sei qual, agora lembro qual é,
[00:22:21] e por ser parecido, então ele deve estar falando da mesma coisa.
[00:22:23] Logo, a matéria e a quântica e o espírito…
[00:22:26] Bom, isso aí é uma analogia…
[00:22:28] Vale tudo.
[00:22:29] Ah, isso aqui é MV2, então MC2 é a mesma coisa.
[00:22:32] É ignorar completamente a ciência e fazer uma historiografia baseada na forma.
[00:22:36] Ah, é parecido, então é igual.
[00:22:37] Pouco como as piadas que circulam sobre a equação,
[00:22:40] que aparece Einstein escrevendo E igual MA2, risca,
[00:22:43] E igual MB2, risca, e aí finalmente E igual MC2.
[00:22:47] É, por aí, nesse nível de profundidade mesmo.
[00:22:49] A lista de mitos sobre Einstein é muito grande,
[00:22:53] a gente basicamente se deteve.
[00:22:54] Então, só para terminar, eu queria tocar mais de um mito recente,
[00:22:58] foi levantada a hipótese, alguns anos atrás,
[00:23:00] de que não só Einstein, mas como vários outros cientistas importantes,
[00:23:05] eles tivessem algumas características de serem autistas.
[00:23:10] Que, claro, coisas que já são difíceis de serem diagnosticadas
[00:23:14] na presença da criança, da pessoa, muito mais, assim, em muitos anos.
[00:23:19] Então, essas hipóteses, elas são baseadas em algumas características.
[00:23:23] No caso do Einstein, quem propõe isso é o Simon Baron Cohen,
[00:23:27] talvez bastante conhecido por ser primo do Sacha Baron Cohen, que é o Borat,
[00:23:30] que é um humorista famoso.
[00:23:33] Um humorista que nós apreciamos bastante.
[00:23:34] E ele levanta a hipótese, então, de que o Einstein,
[00:23:36] como ele tinha uma capacidade linguística bem desenvolvida
[00:23:39] e capacidades cognitivas bastante boas,
[00:23:42] que ele tivesse naquela parte do espectro autista,
[00:23:46] que é um pouco mais leve, associado à síndrome de Asperger,
[00:23:49] onde as pessoas têm uma capacidade de visualização matemática diferente
[00:23:54] das pessoas.
[00:23:57] Do mais comum na população,
[00:24:00] onde se associa números a formas e cores e gostos,
[00:24:06] a uma mistura de sentidos, assim.
[00:24:10] Essa também não é uma hipótese completamente aceita.
[00:24:13] Um crítico conhecido é o Oliver Sacks,
[00:24:16] que é bastante conhecido,
[00:24:18] um autor de divulgação científica também bastante famoso.
[00:24:22] Então, eu queria perguntar para você se tem algum indício,
[00:24:26] se…
[00:24:27] Se não é consenso essa hipótese, né?
[00:24:30] Não sei se vocês conhecem alguma coisa sobre o assunto.
[00:24:33] Eu sei que os estudos que foram feitos,
[00:24:36] com relação, por exemplo, ao cérebro do Einstein,
[00:24:38] estudos feitos por gente, digamos, sério,
[00:24:41] do ponto de vista da comunidade científica,
[00:24:44] eles nunca acharam nada de anormal, de diferente,
[00:24:48] entre o cérebro do Einstein e os outros cérebros.
[00:24:50] Pelo contrário, acharam algumas alterações
[00:24:53] que, inclusive, vão contra a interpretação que é dada.
[00:24:55] É.
[00:24:55] Tem uma coisa,
[00:24:56] que é que o cérebro é separado das conexões que tem lá,
[00:24:58] que todo mundo é separado, o dele é junto…
[00:25:00] Na verdade, assim, não se sabe o suficiente
[00:25:02] e não há um consenso sobre exatamente como encontrar
[00:25:04] no cérebro morto, no encéfalo morto,
[00:25:06] as provas de que explica…
[00:25:08] os mecanismos que explicariam isso.
[00:25:10] Aí é um abismo.
[00:25:11] Então, é cedo para fazer esse tipo de especulação.
[00:25:13] Começar.
[00:25:13] A única coisa que eu sei…
[00:25:15] Essa hipótese que você fala,
[00:25:17] eu confesso que eu não li nada sobre isso,
[00:25:20] não conheço isso.
[00:25:21] Agora, há um registro histórico,
[00:25:23] isso está em vários dos biógrafos, né,
[00:25:25] é que os pais do Einstein
[00:25:27] achavam que ele tinha um problema de…
[00:25:29] Um retardamento.
[00:25:30] Um retardamento.
[00:25:31] Porque isso é registrado,
[00:25:34] isso é relato da irmã do Einstein, né,
[00:25:36] a Maja Einstein,
[00:25:38] que até os três anos de idade,
[00:25:40] o Einstein não falava.
[00:25:41] E, um dia para o outro,
[00:25:43] ele danou-se a falar e começou a falar assim e tal.
[00:25:45] Então, isso é um único registro, assim, digamos,
[00:25:49] de comportamento não usual de uma criança,
[00:25:52] aí que a sua família achava que, de fato,
[00:25:54] ele tinha algum problema,
[00:25:55] sei lá, autista ou sei lá o que seja.
[00:25:57] De fato, ele tem uma área reduzida na área da fala,
[00:26:00] mas isso não prova grande coisa.
[00:26:02] Ele sempre teve problema,
[00:26:05] eu não sei se isso tem alguma coisa a ver com isso,
[00:26:09] mas isso é um fato,
[00:26:11] ele sempre teve problemas com idiomas, por exemplo.
[00:26:14] E comunicação também.
[00:26:16] Que é uma das características,
[00:26:18] a sociabilidade é uma das características.
[00:26:20] Exatamente.
[00:26:21] Você pode explorar,
[00:26:22] você pode fazer especulações,
[00:26:24] em torno disso, né?
[00:26:25] Ele sempre teve problema com idiomas.
[00:26:26] Por exemplo,
[00:26:27] ele foi reprovado na primeira tentativa que ele fez
[00:26:29] com 16 anos de entrar,
[00:26:31] com 16 anos de entrar na ETH,
[00:26:33] ele foi reprovado em francês e em biologia.
[00:26:37] Mas a prova de física e matemática dele foi tão impressionante
[00:26:40] que o diretor da ETH chamou,
[00:26:41] disse assim,
[00:26:42] porque ele foi,
[00:26:43] ele fez o exame porque ele não tinha o curso secundário.
[00:26:45] Então, aí o diretor chamou e disse o seguinte,
[00:26:47] vai para Aral,
[00:26:48] um cantão na Suíça,
[00:26:49] tem uma escola,
[00:26:50] sei lá,
[00:26:51] termina o terceiro ano,
[00:26:52] segundo grau,
[00:26:53] e o ano que vem,
[00:26:54] você vem aqui,
[00:26:55] você entra sem fazer exame,
[00:26:56] porque isso era um direito que os estudantes na Alemanha e na Suíça tinham.
[00:26:59] Se você tivesse o segundo grau completo,
[00:27:01] você podia entrar numa escola técnica sem fazer exame.
[00:27:04] Não na universidade,
[00:27:05] mas na escola técnica.
[00:27:06] E ele foi,
[00:27:07] passou um ano e voltou.
[00:27:08] Foi reprovado nisso,
[00:27:09] em biologia e em francês.
[00:27:12] Então, ele tinha essa dificuldade.
[00:27:13] Agora,
[00:27:14] se você pode explorar esse tipo de coisa,
[00:27:17] por exemplo,
[00:27:18] a sociabilidade e tal,
[00:27:19] o Einstein nunca teve auxiliares.
[00:27:23] Famoso,
[00:27:24] grande…
[00:27:25] Então,
[00:27:26] o Einstein,
[00:27:27] aparentemente,
[00:27:28] sempre foi um sujeito isolado.
[00:27:29] Solitário.
[00:27:30] Solitário.
[00:27:31] Embora fosse uma pessoa muito querida,
[00:27:32] porque ele tem aquele jeito,
[00:27:33] assim…
[00:27:34] Porque,
[00:27:35] se vamos pegar pessoas excêntricas,
[00:27:36] tem o Einstein,
[00:27:37] tem o Dirac,
[00:27:38] que estão…
[00:27:39] O Dirac,
[00:27:40] acho que ninguém duvida que ele fosse autista.
[00:27:42] Autista.
[00:27:43] Pois é.
[00:27:44] O Einstein teve alunos?
[00:27:45] Não,
[00:27:46] não teve.
[00:27:47] Teve pouquíssimos colaboradores.
[00:27:48] Nenhum colaborador,
[00:27:49] a não ser os que fizeram o EPR com ele.
[00:27:52] Sim.
[00:27:53] Agora,
[00:27:54] fora isso,
[00:27:55] ele não teve nenhum…
[00:27:56] Ele não teve nenhum colaborador
[00:27:58] que contribuísse para avançar o trabalho dele.
[00:28:01] Agora,
[00:28:02] deixa eu levantar uma hipótese aqui.
[00:28:03] Eu acho que não está encerrada a questão
[00:28:04] se há um diagnóstico de autismo.
[00:28:08] Isso é cedo,
[00:28:09] acho,
[00:28:10] pelo que eu sei.
[00:28:11] Mas também,
[00:28:12] isso é fruto de uma escola recente,
[00:28:14] nos últimos 20 anos,
[00:28:15] de tentar fazer uma espécie de medicina legista
[00:28:17] e pegar pessoas famosas
[00:28:18] e encontrar as causas
[00:28:19] dos seus comportamentos diferenciados.
[00:28:21] Então,
[00:28:22] a gente tem os reis
[00:28:23] que urinavam com couro roxo,
[00:28:25] porque tinham…
[00:28:26] No caso do Einstein,
[00:28:27] é complicado,
[00:28:28] porque…
[00:28:29] É um pouco mais sutil.
[00:28:30] O cérebro dele foi removido,
[00:28:31] aliás…
[00:28:32] Sete horas depois da morte dele.
[00:28:33] Escondido,
[00:28:34] porque a família,
[00:28:35] antes dele ter sido envelhecido…
[00:28:36] O médico tirou.
[00:28:37] E foram produzidos slides.
[00:28:39] Então,
[00:28:40] muitos dos resultados
[00:28:41] que se tem da análise do cérebro
[00:28:42] é baseada em slides.
[00:28:43] Isso…
[00:28:44] Slides e fotos,
[00:28:45] mas, assim,
[00:28:46] ao mesmo tempo…
[00:28:47] Ou fotos de slides.
[00:28:48] O material está preservado,
[00:28:49] mas ele também tem defeitos.
[00:28:50] Isso tudo é problemático,
[00:28:51] mas, assim,
[00:28:52] a moda de…
[00:28:53] Digamos,
[00:28:54] que é uma moda interessante
[00:28:55] de fazer o legismo,
[00:28:56] a partir de uma pessoa famosa,
[00:28:59] em pouco explica isso.
[00:29:00] Em outro lado,
[00:29:01] também,
[00:29:02] um movimento de tentar
[00:29:03] construir uma autoestima
[00:29:04] dos pacientes de autismo,
[00:29:05] que é vítima de um preconceito.
[00:29:07] E associar o autismo
[00:29:08] a figuras como o Einstein,
[00:29:09] é uma forma de conceito.
[00:29:10] Então,
[00:29:11] eu acho que é uma coisa assim que…
[00:29:12] É uma hipótese que eu faço,
[00:29:14] tentar colar uma imagem positiva
[00:29:16] em um super diagnóstico,
[00:29:18] uma exagera de diagnóstico.
[00:29:19] Mas,
[00:29:20] acho que é cedo
[00:29:21] que a gente pode fazer isso.
[00:29:22] Bom,
[00:29:23] então,
[00:29:24] a gente deixa esse ponto em aberto.
[00:29:25] Esse foi Fronteiras da Ciência.
[00:29:26] Hoje,
[00:29:27] falamos sobre Albert Einstein.
[00:29:28] Tivemos aqui,
[00:29:29] o Carlos Alberto dos Santos,
[00:29:30] professor na UNILA,
[00:29:31] em Foz do Iguaçu.
[00:29:32] O professor Jorge Kielfel,
[00:29:33] do Departamento de Biofísica da UFRGS.
[00:29:35] E eu,
[00:29:36] Jefferson Enzon,
[00:29:37] da Física da UFRGS.
[00:29:41] O programa Fronteiras da Ciência
[00:29:43] é um projeto do Instituto de Física da UFRGS,
[00:29:46] técnica de Gilson de Césaro
[00:29:48] e direção técnica de Francisco Guazzini.
[00:29:51] Acompanhe o processo com alguns
[00:29:53] dos nossos colaboradores.
[00:29:54] Realize somente
[00:29:55] a sua propriedade.
[00:29:56] Neste episódio.
[00:29:57] E a seguir.
[00:29:58] Muitas graças e um abraço.
[00:29:59] Seja bem vindo!
[00:30:00] A Geração das Silencias
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