Alan Turing


Resumo

Este episódio do Fronteiras da Ciência é dedicado a Alan Turing no ano de seu centenário. Os professores Luiz Lame, Dante Baroni, Marcelo Walter e o apresentador Marco Diarte discutem a importância de Turing como figura fundamental na ciência da computação, frequentemente comparado a Isaac Newton em sua área de atuação.

O programa explora as múltiplas contribuições de Turing, começando por seu trabalho no problema da decisão de Hilbert, onde demonstrou que existem problemas não computáveis, estabelecendo os fundamentos teóricos da computação. Sua máquina de Turing se tornou o modelo teórico que influenciou a construção dos primeiros computadores. Os participantes também discutem o famoso teste de Turing, proposto em 1950, que estabeleceu bases para o desenvolvimento da inteligência artificial e levantou questões sobre consciência e ética nas máquinas.

Uma parte significativa do episódio é dedicada ao papel crucial de Turing na Segunda Guerra Mundial, trabalhando em Bletchley Park para decifrar os códigos da máquina Enigma alemã. Os professores explicam como seu conhecimento em computação foi fundamental para projetar máquinas como a Bombe e o Colossus, contribuindo decisivamente para a vitória aliada. Também é mencionado seu trabalho menos conhecido em biologia, especificamente na morfogênese, onde desenvolveu modelos de reação-difusão para explicar padrões naturais como as listras das zebras.

O episódio também anuncia uma série de eventos comemorativos organizados pela UFRGS, incluindo uma exposição intitulada “Alan Turing, legados para a computação e para a humanidade”, um ciclo de palestras com convidados internacionais como Sue Black e Barry Cooper, e competições educativas sobre criptografia e produção de vídeos. Os participantes destacam como o trabalho de Turing continua influente em diversas áreas do conhecimento, desde a computação teórica até a biologia e a criptografia.


Indicações

Eventos

  • Exposição ‘Alan Turing, legados para a computação e para a humanidade’ — Exposição organizada pela UFRGS no Museu da Universidade, de 10 de setembro de 2012 a 11 de janeiro de 2013, cobrindo diversos aspectos da vida e contribuições de Turing, incluindo seu papel na guerra.
  • Concurso Codebreaker — Competição de quebra de códigos online, coordenada pelo professor Raul Weber, destinada a alunos universitários, inspirada no trabalho de Turing em criptografia.
  • Competição nacional de vídeos — Concurso para alunos do ensino médio, associado à exposição de Turing, com capacitação em tecnologias de animação computacional para produção de vídeos sobre ciência e tecnologia no Brasil.

Livros

  • Artigos de Turing na revista Mind — Mencionado como o artigo de 1950 onde Turing propôs o teste de Turing, fundamental para o campo da inteligência artificial.

Lugares

  • Bletchley Park — Local próximo a Londres que foi o centro de inteligência britânico durante a Segunda Guerra Mundial, onde Turing e cerca de 12 mil pessoas trabalharam para decifrar o código Enigma. Hoje abriga um museu com máquinas como a Bombe e o Colossus.
  • Princeton — Universidade onde Turing fez seu doutorado e conviveu com outros grandes intelectuais da época, como Kurt Gödel, durante a década de 1930.

Pessoas

  • Sue Black — Professora do University College de Londres que liderou uma campanha para restaurar Bletchley Park, local onde Turing trabalhou na guerra. Ela é uma das palestrantes convidadas para o ciclo de eventos na UFRGS.
  • Barry Cooper — Matemático que está liderando as atividades globais do ano de Turing. Será outro palestrante convidado no ciclo de eventos da UFRGS em dezembro.
  • Kurt Gödel — Lógico matemático refugiado em Princeton, parceiro de caminhadas de Einstein, que foi fundamental na disseminação e defesa do trabalho de Turing sobre computabilidade.
  • David Hilbert — Matemático influente que propôs o ‘problema da decisão’, que motivou parte do trabalho teórico fundamental de Turing sobre o que é computável.
  • Raul Weber — Professor e grande autoridade em criptografia no estado e no país, que coordenará o concurso Codebreaker (quebra de código) nas atividades do ano de Turing na UFRGS.

Linha do Tempo

  • 00:00:15Introdução ao tema Alan Turing e participantes — Apresentação do programa Fronteiras da Ciência com o tema Alan Turing. Marco Diarte apresenta os participantes: professores Luiz Lame, Marcelo Walter, Dante Baroni e ele mesmo. É mencionado que 2012 é o ano internacional de Alan Turing, marcando o centenário de seu nascimento, e que Turing é considerado o Isaac Newton da Ciência da Computação.
  • 00:01:05Importância de Turing e eventos comemorativos na UFRGS — Luiz Lame explica que Turing é considerado o pai da ciência da computação por suas contribuições científicas. Dante Baroni anuncia as atividades comemorativas na UFRGS: uma exposição no Museu da Universidade de setembro de 2012 a janeiro de 2013, uma competição nacional de vídeos para alunos do ensino médio, capacitação em animação computacional e um concurso Codebreaker de quebra de códigos coordenado pelo professor Raul Weber.
  • 00:03:54Ciclo de palestras e convidados internacionais — Marcelo Walter detalha o ciclo de palestras planejado para popularizar a contribuição de Turing. São anunciados dois convidados internacionais: a professora Sue Black, do University College de Londres, que liderou a campanha para restaurar Bletchley Park, e Barry Cooper, matemático que coordena as atividades globais do ano de Turing. As palestras visam o público geral, não apenas especialistas.
  • 00:05:14Quem foi Alan Turing e suas contribuições fundamentais — Luiz Lame traça um perfil biográfico de Turing: inglês, graduado em matemática em Cambridge em 1935. Ele aborda seu trabalho no problema da decisão de Hilbert, demonstrando que existem problemas não computáveis (teorema da parada). Também menciona seu artigo de 1950 na revista Mind, que propôs o teste de Turing e influenciou a inteligência artificial, e seu trabalho em biologia sobre morfogênese. Destaca que o prêmio mais importante em computação leva seu nome: o Turing Award.
  • 00:09:27Teste de Turing e inteligência artificial — Dante Baroni discute a contribuição de Turing para a inteligência artificial, focando no teste de Turing proposto em 1950. Explica que Turing previa que por volta do ano 2000 as máquinas seriam capazes de enganar um humano em conversação. Debate-se a diferença entre inteligência artificial forte e fraca, e as implicações éticas de máquinas conscientes. É feita uma piada sobre como, atualmente, em sistemas de atendimento, os humanos é que parecem máquinas.
  • 00:13:28Contribuição de Turing para a biologia e morfogênese — Marcelo Walter explica como Turing, no final da carreira, aplicou conceitos computacionais à biologia, especificamente à morfogênese (formação de padrões). Descreve o modelo de reação-difusão, onde interações químicas criam padrões como listras de zebra ou manchas de leopardos. Ele nota que este é o artigo mais citado de Turing, com aplicações em computação gráfica para simular pelagens de animais e até apodrecimento de frutas.
  • 00:18:10Papel de Turing na Segunda Guerra Mundial e criptografia — Luiz Lame detalha o papel crucial e secreto de Turing na Segunda Guerra Mundial, trabalhando em Bletchley Park para decifrar os códigos da máquina Enigma alemã. Explica que ele projetou máquinas como a Bombe e contribuiu para o Colossus, um dos primeiros computadores. Destaca que esse trabalho de inteligência foi decisivo para a vitória aliada e que muitos de seus documentos permaneceram classificados por anos.
  • 00:21:01Funcionamento da máquina Enigma e o trabalho em Bletchley Park — Os participantes explicam o funcionamento básico da máquina Enigma, com seus rotores que codificavam mensagens. Discutem como a equipe em Bletchley Park, incluindo Turing, explorou padrões nas mensagens e falhas humanas para quebrar os códigos. É mencionado que cerca de 12 mil pessoas trabalhavam no local, a maioria mulheres, e que hoje é um museu que preserva máquinas como a Bombe e o Colossus.
  • 00:26:11Recrutamento de Turing e contexto histórico — É discutido como Turing, um jovem doutor por Princeton com notoriedade em lógica e computabilidade, foi recrutado pelos serviços de inteligência britânicos (GC&CS) para o esforço de guerra. Os participantes refletem sobre a importância de buscar talentos na academia em momentos de crise. É mencionada sua convivência com outros grandes intelectuais refugiados em Princeton, como Kurt Gödel.
  • 00:29:13Detalhes da exposição na UFRGS e encerramento — Dante Baroni fornece mais detalhes sobre a exposição na UFRGS, mencionando a expectativa de adquirir uma máquina Enigma autêntica para a mostra, que será a única no Hemisfério Sul. Anuncia também exposições itinerantes pelo estado e país em 2013. O programa é encerrado com os créditos dos participantes e a informação de que a exposição já aparece em destaque nas buscas por ‘Alan Turing’ no Google.

Dados do Episódio

  • Podcast: Fronteiras da Ciência
  • Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
  • Categoria: Science
  • Publicado: 2012-07-18T04:00:05Z

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência, da Rádio da Universidade, onde discutiremos

[00:00:08] os limites entre o que é ciência e o que é mito.

[00:00:15] Este é o programa Fronteiras da Ciência, o tema do programa de hoje é o Alan Turing.

[00:00:22] Os participantes do programa são o professor Luiz Lame, do Departamento de Informática

[00:00:26] Teórica da URIX, os professores Marcelo Walter e Dante Baroni, do Departamento de Informática

[00:00:31] Aplicada da URIX e eu, Marco Diarte, do Departamento de Física da URIX.

[00:00:35] Este é o ano internacional do Alan Turing, os participantes vão esclarecer mais o que

[00:00:41] isso significa, não sei se é verdade, depois vocês me corrigem ou não, mas o Alan Turing

[00:00:45] é o Isaac Newton da Ciência da Computação, então ele é uma figura, vamos dizer, muito

[00:00:49] importante para a área.

[00:00:51] Este ano se completaria 100 anos do nascimento dele e por isso a homenagem.

[00:00:55] Então eu queria começar.

[00:00:56] Perguntando o Lame aí, Luiz Lame, falando um pouquinho sobre a importância do…

[00:01:00] Então, como o Marco colocou, este ano marca o centenário de nascimento do Alan Turing,

[00:01:05] que é cientista considerado pai da ciência da computação pelas contribuições científicas

[00:01:11] que ele fez à área, tanto de computação quanto de inteligência artificial.

[00:01:16] Estas comemorações estão ocorrendo no mundo inteiro, coordenadas a partir da Inglaterra,

[00:01:21] onde o Turing nasceu e estudou.

[00:01:24] Então, antes de eu entrar um pouco na parte mais da contribuição científica, digamos

[00:01:28] assim, do Turing, eu acho que o professor Dante e o professor Marcelo poderiam dar uma

[00:01:32] breve introdução sobre as atividades que nós teremos aqui na URGS, divulgando a importância

[00:01:38] do trabalho do Turing para toda a comunidade.

[00:01:40] Sabendo, então, do papel que a nossa universidade tem na área de computação no Brasil, nós

[00:01:45] não poderíamos ficar ausentes das comemorações, desse marco das comemorações do centenário

[00:01:50] de nascimento de Alan Turing.

[00:01:51] De tal forma que, de 10 de setembro…

[00:01:54] De 2012 até 11 de janeiro de 2013, no Museu da Universidade, nós estaremos fazendo uma

[00:01:59] exposição intitulada Alan Turing, legados para a computação e para a humanidade, em

[00:02:03] que vários aspectos, não só da contribuição dele para a ciência como um todo, para a

[00:02:08] ciência da computação, como também o papel muito importante que ele teve na Segunda Guerra

[00:02:14] Mundial.

[00:02:14] Foi um herói de guerra, né?

[00:02:16] Foi um herói da Segunda Guerra Mundial.

[00:02:18] Não pela força bruta, mas pela cabeça.

[00:02:19] Exatamente, pela inteligência, né?

[00:02:21] Isso vai ser, então, bastante destacado.

[00:02:24] E, de uma certa maneira, para chamar mais atenção para a área de computação, para

[00:02:28] as engenharias, para a área de exatas, física, matemática e outras, nós também estaremos

[00:02:32] relacionando a essa exposição uma competição nacional de vídeos para alunos do ensino médio

[00:02:38] e que nós teremos também capacitação em tecnologias de animação para o computador

[00:02:42] e, a partir dessas tecnologias e conhecimentos, os alunos vão poder produzir vídeos sobre

[00:02:47] a questão da ciência e tecnologia no Brasil e teremos também um concurso Codebreaker,

[00:02:53] que é quebra de código.

[00:02:54] Que também será coordenado pelo professor Raul Weber, que é uma grande autoridade em

[00:02:59] criptografia no Estado e no país, que também nós estaremos, então, estimulando que alunos

[00:03:04] universitários possam também, digamos assim, desenvolver os seus dons na área de criptografia.

[00:03:09] Quer dizer, vocês propõem alguma informação que está criptografada e isso tem que ser

[00:03:14] descoberto por alguém.

[00:03:16] Exatamente.

[00:03:16] Tudo pela internet, tudo vai ser… vários desafios vão sendo colocados, de tal forma

[00:03:22] que possa haver um avanço também.

[00:03:24] Na história de criptografia e muito em cima de como o Turing pensava a criptografia na

[00:03:28] época dele.

[00:03:29] Então, tem todo um lado da história da ciência também.

[00:03:31] Quer dizer, a pessoa vai entrar nesse site e não vai só ver o desafio, mas também ele

[00:03:38] vai ter acesso a instrumentos que o ajudam a…

[00:03:41] Exatamente.

[00:03:42] Essa que é a ideia que também acha…

[00:03:44] É educativo.

[00:03:44] É um desafio, mas é educativo.

[00:03:46] Parte das atividades do ano de Turing, então, a gente pensou também para complementar essas

[00:03:50] atividades que o Dante já mencionou, um ciclo de palestras.

[00:03:53] Exatamente.

[00:03:53] Exatamente.

[00:03:53] Exatamente.

[00:03:53] Exatamente.

[00:03:53] Exatamente.

[00:03:53] Exatamente.

[00:03:54] Exatamente.

[00:03:54] Exatamente.

[00:03:54] Exatamente.

[00:03:54] Exatamente.

[00:03:54] Exatamente.

[00:03:54] Exatamente.

[00:03:54] Vamos tentar cobrir, vamos dar uma visão geral para o público, de audiência geral,

[00:03:58] o público não precisa ser, digamos assim, especializado em informática, para justamente

[00:04:02] a gente poder popularizar mais a contribuição de Turing como cientista.

[00:04:06] Temos dois convidados internacionais que a gente está muito contente, a gente conseguiu,

[00:04:10] fez o contato desde o ano passado e estão vindo aí.

[00:04:12] Uma é a professora Sue Black, que ela está no Imperial College em Londres e ela vai falar,

[00:04:20] ela fez uma campanha na Inglaterra para conseguir recuperar o local.

[00:04:24] Onde o Turing trabalhou.

[00:04:25] Então, o Turing, nessa parte de codificação da máquina Enigma, ele trabalhou num centro

[00:04:30] lá que estava abandonado e ela fez uma campanha de restauração desse centro.

[00:04:33] Ela vai falar.

[00:04:33] De restaurar, então?

[00:04:34] De restaurar.

[00:04:35] Ela conseguiu o apoio do Google, inclusive.

[00:04:37] Ah, sim, me enganei, ela não está, ela está no University College de Londres, no Imperial

[00:04:41] College.

[00:04:41] Desculpe.

[00:04:42] Inclusive, ela foi eleita lá pelo jornal inglês, a personalidade mais influente no

[00:04:49] Twitter, na área de ciência e tecnologia.

[00:04:51] Ela vem aí em setembro.

[00:04:52] Em setembro.

[00:04:53] Em setembro.

[00:04:53] Em setembro, a gente tem indo o Barry Cooper, que está liderando no mundo todas as atividades

[00:04:58] relacionadas ao ano de Turing, que é um matemático, mas também com trabalho na área de lógica.

[00:05:03] Então, ele vai estar vindo aí em dezembro para falar do impacto das coisas que você

[00:05:08] precisar saber sobre Turing.

[00:05:09] Então, eu já estou um suspenso danado para quem ouve o programa.

[00:05:13] Quem é o Alan Turing?

[00:05:14] O Turing é um, ele fez a sua graduação em matemática na Universidade de Cambridge,

[00:05:19] concluindo em 1935.

[00:05:21] Ele é inglês.

[00:05:23] Nasceu na cidade de…

[00:05:23] De Londres.

[00:05:24] Ele estudou um problema muito importante na sua época, na década de 30, que era o problema

[00:05:30] da decisão proposto por Hilbert.

[00:05:33] O que é esse problema da decisão?

[00:05:35] Hilbert era um matemático muito influente, influenciou toda a matemática do século XX,

[00:05:40] tem resultados que tiveram impacto em toda a ciência, inclusive na física.

[00:05:44] E o Hilbert, uma das questões que ele perguntou é se era possível definir um procedimento

[00:05:48] genérico, que para qualquer afirmação matemática, qualquer afirmação, acerção matemática,

[00:05:53] que se colocasse, que se formulasse em um sistema, se era possível desenvolver uma

[00:05:58] forma genérica, mecânica de resolver, verificar se essa acerção é verdadeira ou falsa.

[00:06:02] A ideia de que todo o teorema podia ser provado automaticamente…

[00:06:05] Exato, através, digamos assim, de um cérebro eletrônico ou de um cérebro mecânico.

[00:06:09] Se existe uma forma automática de, ao invés de nós, seres humanos, termos que dedicar

[00:06:14] o nosso raciocínio, o nosso cérebro, a nossa cognição para resolver problemas, o Hilbert

[00:06:18] perguntou, grosseiramente, né, eu estou tentando traduzir aqui para o ouvinte leigo, ele perguntou

[00:06:23] se era possível desenhar uma forma mecânica de verificar se as fórmulas matemáticas

[00:06:28] são verdadeiras ou falsas.

[00:06:29] Quer dizer, numa época não tinha computador, né?

[00:06:31] Não existia ainda computadores, né, na década de 30.

[00:06:33] Vários dos principais lógicos matemáticos do mundo investigaram esse problema, inclusive

[00:06:39] o Gödel, né, que não vem ao caso hoje, mas o Gödel foi escolhido como o matemático

[00:06:44] do século XX, era um lógico matemático, pela revista Time, até, né, e o Turing também,

[00:06:49] entre outros, entraram no estudo desse problema.

[00:06:52] E o que que o Turing mostrou?

[00:06:53] O Turing mostrou que a resposta era negativa, que nem computadores com memória ilimitada

[00:07:00] e com tempo ilimitado e recursos ilimitados conseguiriam resolver ou verificar se todas

[00:07:07] as afirmações matemáticas são ou não verdadeiras.

[00:07:11] Em suma, o Turing mostrou que existem problemas que não são computáveis, e isso essa geração

[00:07:17] de hoje em dia, né, que usa computadores mais do que a gente, eles usam computadores

[00:07:21] desde que nascem, celulares.

[00:07:23] Pequenos, e equipamentos eletrônicos já nas escolas, né, vocês que todos convivem

[00:07:27] com crianças aqui, dão aula na universidade, vocês sabem que os estudantes hoje em dia

[00:07:31] têm um domínio de computação muito superior ao da nossa.

[00:07:34] São chamados nativos digitais, né?

[00:07:36] Nativos digitais, como diria o professor Dante.

[00:07:38] Existem problemas que não podem, o Turing mostrou que não são resolvíveis através

[00:07:43] de computadores, que a gente não consegue fazer um programa de computador para resolver

[00:07:47] esses problemas.

[00:07:48] Esse foi uma das contribuições do Turing.

[00:07:50] Esse é o teorema da parada, do Hall-Thüring.

[00:07:53] Também tem a ver com a questão da parada, que é uma questão técnica, né, que a gente,

[00:07:57] eu acho que a gente não deveria entrar hoje, porque vamos ficar mais em cima das contribuições

[00:08:00] genéricas do Turing, que ele fez muitas e muito influentes.

[00:08:03] Uma outra contribuição muito importante que o Turing fez foi a questão da sua contribuição

[00:08:07] à inteligência de máquina e à inteligência artificial.

[00:08:10] Já em 1950, ele escreveu um artigo muito influente, e que influenciou o desenvolvimento

[00:08:16] da inteligência artificial, do estudo da possibilidade de se construir máquinas inteligentes.

[00:08:21] Isso foi publicado na revista Mind, em 1950.

[00:08:23] Foi um artigo onde ele propõe o famoso teste de Turing, né, que o professor Dante pode

[00:08:28] comentar um pouco também sobre o teste de Turing depois.

[00:08:31] E uma terceira área que ele influenciou também foi na biologia.

[00:08:35] Ele tem um artigo muito citado em biologia, na área de morfogênese, que foi fundamental.

[00:08:40] Ele foi um lógico-matemático muito influente, pai da ciência da computação, porque o

[00:08:46] modelo teórico de computador que ele desenvolveu influenciou a construção dos primeiros computadores.

[00:08:53] Tá?

[00:08:53] E o tamanho foi o seu impacto, que o prêmio mais importante que existe em computação,

[00:08:57] que como se fosse o prêmio Nobel na área de computação, é chamado de Turing Award,

[00:09:01] Prêmio Turing.

[00:09:02] É muito raro numa ciência, numa ciência jovem, e a partir de 1966, a principal sociedade

[00:09:09] científica mundial estabeleceu que o principal prêmio de computação é chamado de Alan

[00:09:14] Turing Award.

[00:09:15] Esse é o programa Fronteiras da Ciência, e a gente está discutindo então o Alan Turing

[00:09:19] hoje, no nosso site, orontedaciencia.urgs.br.

[00:09:22] Vou pedir para o…

[00:09:23] Para o Dante aqui falar um pouco da contribuição em inteligência artificial.

[00:09:27] Perfeito.

[00:09:28] A gente já comentou nesse programa, em algum programa anterior, sobre mente, a gente falou

[00:09:34] um pouco sobre o teste de Turing, mas a tua contribuição.

[00:09:40] Isso é muito interessante, ao se preocupar em ver como as máquinas poderiam resolver

[00:09:46] problemas ou não, então justamente como o Lame colocou, nem todos os problemas são

[00:09:50] solucionáveis para o computador.

[00:09:52] Mas na verdade…

[00:09:53] Dentro daqueles problemas que seriam solucionáveis para o computador, a ideia dele era já desenvolver

[00:09:59] de uma certa maneira intrínseca, mecanismos de inteligência artificial, ou seja, que

[00:10:04] máquinas pudessem se tornar inteligentes.

[00:10:06] Então, essa sempre foi, de uma certa maneira, um fio condutor da atuação dele como cientista,

[00:10:12] como pesquisador.

[00:10:14] E justamente em 1950, sendo um dos marcos da própria área de inteligência artificial,

[00:10:20] nós podemos também dizer que há duas grandes linhas.

[00:10:23] Como que realmente as máquinas podem resolver problemas de uma forma tão inteligente quanto

[00:10:28] os seres humanos, por exemplo, o que a gente chama de inteligência artificial forte, ou

[00:10:32] uma linha que diz que as ferramentas computacionais podem se inspirar na inteligência de seres

[00:10:38] humanos, de animais, enfim, mas que podem produzir ferramentas importantes, mas nem

[00:10:43] que por isso seriam ferramentas efetivamente inteligentes.

[00:10:47] Mas a gente pode dizer que o Alan Turing, ele seria uma pessoa que, se ele pudesse escolher,

[00:10:52] estaria do lado da inteligência artificial forte.

[00:10:53] Então, a gente pode dizer que o Alan Turing, ele estaria do lado da inteligência artificial forte.

[00:10:53] Com certeza, essa era a visão dele, tanto é que isso, eu vou falar logo a seguir da questão

[00:10:59] do teste de Turing, ele previu de uma certa maneira que no ano 2000, isso foi com 50 anos

[00:11:05] de antecedência, que as máquinas já seriam, de uma certa maneira, tão inteligentes quanto

[00:11:10] os seres humanos.

[00:11:11] Ele errou a previsão.

[00:11:12] Ele errou a previsão, mas que as máquinas seriam muito inteligentes, seriam mais, tão

[00:11:19] ou mais inteligentes que os seres humanos, que seriam capazes de enganar um ser humano

[00:11:22] ao dialogar com ela.

[00:11:23] Então, através, se tivesse, por exemplo, uma pessoa interagindo com uma máquina numa

[00:11:28] outra sala, sem poder se ver, só pelo teclado, por exemplo, essa máquina poderia passar

[00:11:34] por ser uma pessoa, quando na verdade não é.

[00:11:36] De certa forma, o problema foi resolvido, porque quando tu liga agora para um sistema

[00:11:40] de atendimento esse, tu vê que os seres humanos estão falando como máquinas.

[00:11:44] Foi resolvido ao contrário.

[00:11:46] Foi resolvido ao contrário.

[00:11:47] Eles têm que provar que são seres humanos.

[00:11:49] Exatamente.

[00:11:50] Eles sabem que são seres humanos, e eles falam contigo como máquinas.

[00:11:53] A previsão estava correta.

[00:11:55] Estava correta, exato.

[00:11:57] Mas, continuando, deixa eu interromper, para fazer uma piada.

[00:11:59] Então, realmente, é um ponto muito importante, também, da inteligência artificial, até

[00:12:05] que ponto programas de computador vão poder se passar por humanos.

[00:12:09] Então, isso também tem muito a ver com a questão dos mitos da robótica, de nós

[00:12:14] interagirmos com máquinas inteligentes, seres inteligentes.

[00:12:17] Mas, a partir de um certo ponto, também, há programas que já se desenvolveram bastante

[00:12:21] bem, mas não se…

[00:12:23] A ponto de, realmente, Alan Turing ter acertado essa previsão para o ano 2000.

[00:12:27] Posso dizer, também, que, de certa forma, pelo menos, as minhas leituras que eu faço,

[00:12:32] porque eu li esse artigo, apesar de não entender muito, mas a ideia é que me parecia que ele

[00:12:37] meio que propunha que, no momento que a máquina enganasse um ser humano, a gente teria que

[00:12:43] considerar que ela é tão consciente como o ser humano.

[00:12:47] Então, ela passaria a ter esse status de ser tão consciente quanto o ser humano.

[00:12:52] E aí, Marco, realmente…

[00:12:53] É uma questão fundamental, a questão da consciência, porque, no momento que nós

[00:12:57] formos pensar numa inteligência artificial forte, que, eventualmente, possa desenvolver

[00:13:02] uma consciência intrínseca, aí tem que vir muito na questão da discussão ética.

[00:13:06] Da ética.

[00:13:07] Exatamente.

[00:13:08] Que, também, nós vamos abordar nessa exposição Alan Turing, legados para a computação e

[00:13:12] para a humanidade.

[00:13:13] Agora, eu vou ir para o Marcelo.

[00:13:15] Como é que um cara que trabalha com computador, o Alan Turing, que faz teoremas sobre se coisas

[00:13:21] são computáveis, se não são computáveis.

[00:13:23] Quer dizer, desenvolve computador, que quebra códigos.

[00:13:25] Como é que ele acaba trabalhando com biologia?

[00:13:28] Qual é a ligação?

[00:13:29] Pois é.

[00:13:30] Isso já no final da carreira dele.

[00:13:33] Então, dois anos antes, um pouco antes dele morrer, ele começou a se interessar por aplicações.

[00:13:38] Então, agora, ele tinha essa máquina maravilhosa.

[00:13:40] E o que eu vou começar a fazer com ela?

[00:13:42] Quer dizer, já fazia coisas e elas foram usadas na decodificação, mas ele também

[00:13:47] começou a se interessar…

[00:13:47] Quer dizer, são proto-computadores.

[00:13:49] Essa máquina que tu fala são computadores?

[00:13:51] São computadores.

[00:13:51] São computadores.

[00:13:51] Eles já tinham construído os primeiros computadores.

[00:13:53] Começaram a construir os primeiros cérebros eletrônicos, aquelas coisas gigantescas,

[00:13:57] enormes, que já conseguiam resolver problemas, principalmente, matemáticos.

[00:14:01] Então, ele se volta para um problema da biologia, que é o problema de formação de padrões,

[00:14:05] como é que as formas surgem, tanto formas estruturais quanto formas visuais.

[00:14:10] E eu tive contato com isso de uma maneira, no meu doutorado, eu comecei a investigar

[00:14:13] em computação gráfica pelagens de mamíferos.

[00:14:16] Tipo, por que a zebra é como a zebra?

[00:14:18] Por que a girafa é daquele jeito, o tigre, etc.

[00:14:21] E aí, eu fui estudar.

[00:14:22] E tinha surgido, um ano antes, eu comecei isso em 91, um paper em computação gráfica

[00:14:27] que usava uma teoria chamada reação de fusão.

[00:14:30] Para a minha surpresa, eu fui lá ler a reação de fusão e mencionava o Turing.

[00:14:33] Aí, eu penso assim, mas vem cá, esse cara não pode ser o mesmo Turing.

[00:14:35] Esse cara fez uma contribuição lá fantástica, lá atrás, e agora o cara…

[00:14:38] E aí, era o mesmo Turing, para a minha surpresa.

[00:14:40] E eu brinco com o pessoal de IA, que o paper dele mais citado não é o do Turing Machine,

[00:14:46] é o do Google Scholar, 5.809 referências do Chemical Basis of Morphogenes.

[00:14:52] É uma ideia fantástica, por que ela quebra a lógica que a gente tem de difusão, de homogeneizar.

[00:14:59] Então, ele propõe um sistema de reação e difusão, que isso, no equilíbrio, propõe

[00:15:07] dois elementos químicos rapidamente interagindo, e isso vai evoluindo no tempo, eu modelo isso

[00:15:11] com um conjunto de equações, e quando a coisa estabilizar, eu mapeio a concentração

[00:15:15] desses elementos para cores, por exemplo, e aí eu consigo modelar bolotas, consigo

[00:15:19] modelar listas, consigo modelar diversos padrões.

[00:15:21] Sim.

[00:15:22] É que a ideia propõe que tu tem um processo físico, que é a reação e a difusão, para

[00:15:29] o leigo, a reação é quando você tem duas substâncias químicas que interagem, elas

[00:15:35] sofrem por contato, elas sofrem uma transformação que pode eliminar uma delas ou pode criar

[00:15:40] uma nova substância, isso é a parte de reação do modelo esse.

[00:15:44] A parte de difusão é que essas substâncias, elas se movem, por exemplo, no meio líquido

[00:15:50] elas podem se mover.

[00:15:52] Assim, quando uma gota, uma gota de tinta, você pinga uma gota de tinta num copo, com

[00:15:57] o tempo essa gota de tinta se espalha pelo copo, isso a gente chama de difusão.

[00:16:01] A mistura dessas duas coisas é que o Marcelo está se referindo, e um modelo que tem reação

[00:16:07] e difusão junto, que ele mencionou sobre homogeneidade, significa que se você pinga

[00:16:11] uma gota de tinta vermelha no copo e espera um pouquinho, ao final de alguns segundos,

[00:16:17] alguns minutos, você vai observar que o copo todo está mais ou menos da mesma cor, que

[00:16:21] é um vermelho fraco.

[00:16:22] A questão é que quando você bota a reação junto, o resultado pode não ser homogêneo.

[00:16:28] É, e não previsível, quer dizer, e ele modelou isso naquela época para um sistema

[00:16:32] unidimensional, onde ele conseguiu de uma situação então aleatória inicial, emergir

[00:16:36] um padrão.

[00:16:37] E um padrão de picos e vales, digamos, numa função que poderia corresponder a, em dois,

[00:16:42] a bidimensional a umas manchas.

[00:16:45] Isso está sendo usado até hoje para explicar pelagem de mamíferos, padrões visuais em

[00:16:50] peixes.

[00:16:51] E tem diversas áreas que usam essa ideia de reação difusão, claro, especializando

[00:16:57] o modelo para determinada área.

[00:16:59] Eu vi um recentemente em computação gráfica o problema de apodrecimento de frutas, como

[00:17:01] é que eu faço?

[00:17:02] Então os caras usaram reação difusão para modelar isso.

[00:17:05] Então, a infinidade é uma contribuição dele muito fantástica.

[00:17:09] Então a gente vai ter também, vai procurar falar nesse ciclo de palestras, também vamos

[00:17:14] falar um pouco dessa parte do Turing biólogo que fez essa contribuição, a biologia.

[00:17:18] Sim, sim.

[00:17:19] Uma outra coisa que eu gostaria de falar que é a grande importância da matemática, que

[00:17:20] é a matemática.

[00:17:21] O comentário que eu queria fazer sobre a parte da formação de padrões

[00:17:27] é que, por exemplo, os padrões de uma zebra,

[00:17:30] a opção, se não existisse um mecanismo físico que gerasse esses padrões,

[00:17:34] a outra opção seria que teria que ser gerado no DNA.

[00:17:38] Então, no fundo, é um processo de computação,

[00:17:40] mas é um processo de computação que usa a lei física no meio

[00:17:43] para gerar o teu objetivo final.

[00:17:44] Ou seja, o DNA dá os parâmetros para a reação e difusão,

[00:17:48] e a reação e difusão é que gera as listras ou as manchas no animal.

[00:17:52] Eu trabalhei com hidras, esses enterrados pequeninhos,

[00:17:56] e a gente corta eles e eles se regeneram de novo.

[00:17:59] E os modelos que explicam onde é que aparecem as pernas da hidra,

[00:18:02] onde é que aparece o pé, são todos modelos de reação.

[00:18:05] Só para acrescentar, tem uma outra contribuição fundamental do Turing,

[00:18:10] que foi em criptologia.

[00:18:13] Inclusive, ele teve um papel decisivo durante a Segunda Guerra Mundial,

[00:18:17] e muitos dos seus…

[00:18:18] artigos, durante muitos anos, foram classificados.

[00:18:23] Ou seja, eles não foram abertos ao público,

[00:18:25] porque eles eram propriedade dos serviços de defesa ingleses,

[00:18:29] principalmente na área de criptologia e criptografia.

[00:18:32] Então, o Turing foi uma pessoa altamente influente durante a Segunda Guerra Mundial.

[00:18:36] Pensa-se muito que a Segunda Guerra, ou as guerras,

[00:18:39] são vencidas por soldados se sacrificando em prol dos seus exércitos,

[00:18:44] dos seus líderes, mas muito das guerras são vencidas com inteligência.

[00:18:48] E, na Segunda Guerra Mundial, houve um esforço aliado,

[00:18:52] no caso particular do Turing, um esforço em inglês,

[00:18:55] em se montar equipes que trabalhavam em criptografia

[00:18:59] para decodificar as mensagens que eram trocadas pelas forças alemãs.

[00:19:04] Sim, porque naquela época não tinha internet.

[00:19:06] Então, a mensagem tinha que chegar na frente de batalha,

[00:19:10] e dizer para o cara para onde ele tem que ir,

[00:19:11] o que ele está esperando, quando é que vai chegar o reforço.

[00:19:13] Perfeito, mensagens telegráficas ou transmitidas por outros mecanismos.

[00:19:18] Por rádio, mecanismos mais simples do que existem hoje em dia.

[00:19:21] E essas máquinas que geravam os códigos alemães eram extremamente complicadas,

[00:19:27] complexas de entender e se decodificar.

[00:19:28] Essa máquina é Enigma, né?

[00:19:30] A máquina Enigma, né?

[00:19:31] Enigma é um nome bonito, parece DC Comics.

[00:19:35] É, um nome enigmático, né?

[00:19:37] Não, parece que o Batman…

[00:19:38] Existia um esforço muito grande, então, dos ingleses,

[00:19:41] num lugar próximo a Londres chamado Bletchley Park,

[00:19:45] onde uma série de cientistas e matemáticos,

[00:19:48] lógicos, e pessoas que tinham um bom raciocínio lógico,

[00:19:51] trabalhavam para tentar decodificar esses códigos.

[00:19:55] E o Turing teve um papel fundamental.

[00:19:56] Ele projetou, inclusive, máquinas, futuros computadores,

[00:20:00] que tinham a função de auxiliar na quebra desses códigos.

[00:20:03] Então, ele teve um trabalho em criptografia, em criptologia,

[00:20:07] muito fundamental para que os ingleses tivessem um papel decisivo durante a guerra.

[00:20:12] Mas eles tinham êxito, eles conseguiam…

[00:20:13] Eles tinham êxito.

[00:20:14] Sim, eles conseguiam quebrar.

[00:20:15] A partir de 1942, eles tiveram…

[00:20:18] Eles tiveram muito êxito e várias das mensagens que eram enviadas pelos líderes das forças alemãs

[00:20:24] eram quebradas e decodificadas.

[00:20:26] Isso teve papel decisivo na vitória do lado aliado.

[00:20:30] E o Turing teve um papel fundamental.

[00:20:32] Inclusive, ele viajava entre a Inglaterra e Estados Unidos,

[00:20:35] também oferecendo seus serviços para o lado, digamos assim, americano da guerra.

[00:20:41] Mas ele trabalhava principalmente em Bletchley Park,

[00:20:44] onde tem uma exposição, hoje em dia, sobre o trabalho dele,

[00:20:47] que é muito bela, é um lugar próximo a Londres

[00:20:49] e é aconselhável para quem tem os recursos de poder viajar à Inglaterra,

[00:20:53] visitar esse lugar e conhecer o trabalho do Turing durante a guerra.

[00:20:57] Tu consegue explicar mais ou menos como é que é Enigma?

[00:21:01] Primeiro, eles têm que saber alguma…

[00:21:03] Eles tinham inteligência?

[00:21:05] Sim.

[00:21:05] Eles sabiam a forma da máquina, eles sabiam o que a máquina podia fazer.

[00:21:10] Tem que partir daí.

[00:21:11] Em algum momento, eles conseguiram, inclusive, capturar uma máquina.

[00:21:13] É, facilitou muito quando capturaram.

[00:21:16] Sim.

[00:21:16] E pôde facilitar.

[00:21:17] Mas, basicamente, ela era uma série de rotores,

[00:21:19] então era uma máquina de escrever comum.

[00:21:21] Cada vez que apertava a tecla, a pessoa que estava digitando

[00:21:24] escrevia a mensagem na linguagem normal.

[00:21:26] E essa série de rotores produzia uma série de combinações

[00:21:29] que o A combinava com o C ou com outra letra.

[00:21:32] Apertava o A e saía…

[00:21:33] Saía C.

[00:21:34] Só que a dificuldade é que, cada dia, esses rotores eram trocados

[00:21:37] de acordo com um livro de código que todo mundo tinha igual.

[00:21:40] Mas a chave para decodificar estava nessas falhas humanas, digamos,

[00:21:44] de começar com uma data ou começar com alguma saudação, né?

[00:21:48] Que permitia, então, tudo e foi a chave para ele conseguir…

[00:21:50] De certa forma, vamos dizer, a ideia da codificação era uma ideia inteligente,

[00:21:54] mas as pessoas não se davam conta que, como as mensagens tinham padrões…

[00:21:58] Claro, facilitou para decodificar.

[00:21:59] Facilitou um pouco, mas, quer dizer, facilitar, entre aspas, né?

[00:22:03] Porque era um trabalho que lidava com um número de combinações absurdo de símbolos.

[00:22:08] Existia, virtualmente, dezenas, centenas de pessoas

[00:22:11] tentando quebrar esses códigos na Inglaterra.

[00:22:14] E nos Estados Unidos também, né?

[00:22:17] Até existe uma coincidência histórica aqui que o local principal nos Estados Unidos

[00:22:22] era a cidade de Dayton, em Ohio, que é a mesma cidade dos irmãos Wright,

[00:22:26] que, para nós, brasileiros, foram aqueles que não inventaram o avião.

[00:22:30] É verdade.

[00:22:32] Então, o Turing teve um papel decisivo nisso porque o seu conhecimento

[00:22:37] de como construir dispositivos computacionais, dispositivos para executar computações,

[00:22:43] era fundamental.

[00:22:44] Ele tinha uma experiência em como construir algoritmos, que são programas de computadores

[00:22:50] que executam determinadas tarefas.

[00:22:52] E, nesse caso, seriam programas de computadores, nas primeiras máquinas que eles utilizaram

[00:22:57] durante a guerra, para decodificar os códigos e descobrir quais seriam as decisões…

[00:23:02] O conteúdo das mensagens, né?

[00:23:03] Exato.

[00:23:04] … enviadas pelos alemães, para que os aliados pudessem tomar decisões estratégicas.

[00:23:10] E essas decisões foram fundamentais.

[00:23:12] Existem vários livros e vários artigos.

[00:23:14] Existem vários livros e vários artigos que colocam, hoje em dia, que a guerra foi

[00:23:17] ganha, principalmente, pela inteligência, muito menos pela força dos soldados.

[00:23:22] O que, justamente, é muito importante, como o Lama estava mencionando, qual o papel de

[00:23:27] Bletchley Park.

[00:23:28] Bletchley Park, justamente, era o centro da inteligência britânica na época da Segunda

[00:23:31] Guerra Mundial.

[00:23:32] Doze mil pessoas trabalhavam lá.

[00:23:34] Onde é que é isso?

[00:23:35] É perto de Londres.

[00:23:36] Acho que uns 30 quilômetros.

[00:23:37] É perto de Londres.

[00:23:38] Fica a 40 minutos de Londres de trem, perto da cidade de Milton Keynes.

[00:23:41] É um lugar que vale a pena visitar.

[00:23:43] E como durante a guerra…

[00:23:44] Obviamente, a grande maioria dos homens estava no fronte de batalha, a grande maior parte

[00:23:49] dessas pessoas eram mulheres.

[00:23:51] Um grande esforço na computação, de certa maneira, para decodificar, era feito por mulheres.

[00:23:56] E é muito interessante, também, que uma das nossas palestrantes, a primeira, a professora

[00:24:00] Sue Black, da University College London, vai, justamente, falar do papel que ela mesmo teve

[00:24:06] através das redes sociais, do Twitter, para salvar aquele espaço, que é um espaço muito

[00:24:10] bonito, mas que estava completamente degradado.

[00:24:14] Porque, digamos assim, ia ser abandonado, não ia ser restaurado.

[00:24:17] É interessante, porque isso é uma coisa rara, vamos dizer, na Europa, as pessoas, em geral…

[00:24:22] Inclusive, vale a pena visitar o local, que existem bombes.

[00:24:26] Os bombes foram as primeiras máquinas que o Turing projetou para decodificar…

[00:24:29] Bombe, é um nome estranho.

[00:24:30] Bombe, né?

[00:24:31] Chamar de bombe.

[00:24:32] Que ele projetou e trabalhou para decodificar os códigos do Enigma.

[00:24:35] Elas estão em funcionamento e, durante, nessa exposição, eles mostram como funcionava

[00:24:40] e elas estão operacionais.

[00:24:42] Existe, também, uma reconstrução do código.

[00:24:43] Existe, também, uma reconstrução do código.

[00:24:44] O Colossus, né?

[00:24:45] Que o Turing teve uma contribuição importante na construção do Colossus, embora…

[00:24:49] O Colossus foi o primeiro computador feito na Inglaterra, computador de propósito geral.

[00:24:55] Existem disputas para dizer quem fez o primeiro ou não o computador, então, digamos, ele

[00:25:00] pode ter sido o primeiro ou um dos primeiros computadores que foi construído na Inglaterra

[00:25:05] pelo Tim Flowers e ele também está em exposição lá em Bletchley Park, no Museu Nacional de

[00:25:11] História de Computadores da Inglaterra.

[00:25:13] E vale a pena assistir como funcionavam esses primeiros computadores, que tinham esse propósito

[00:25:19] de tentar ajudar os aliados a vencer a guerra, né?

[00:25:22] Esse era o grande propósito dessas primeiras máquinas.

[00:25:24] E o Turing, então, nós, no momento, no primeiro momento, esquecemos de falar dessa contribuição,

[00:25:29] mas nos últimos 15 minutos só temos falado da contribuição dele à guerra, né?

[00:25:33] E, na verdade, durante a guerra foram feitos, então, esses primeiros dispositivos computacionais,

[00:25:38] esses primeiros computadores e isso só foi possível porque lá na década de 30 ele fez

[00:25:42] aqueles primeiros estudos teóricos, lógicos, matemáticos, de como seria um computador

[00:25:48] de propósito geral, naqueles primeiros artigos dele.

[00:25:51] E ele colocou essas ideias em prática na elaboração, na construção de tecnologias

[00:25:56] na década de 40, visando ganhar a guerra e também após a década de 40 ele se envolveu

[00:26:01] nos primeiros projetos dos primeiros computadores fabricados na Inglaterra e fabricados no mundo.

[00:26:06] Como é que será que, vocês sabem dos detalhes de como é que ele acabou trabalhando pro

[00:26:11] governo?

[00:26:12] É uma coisa assim, ele era reconhecido como sendo uma pessoa que poderia ajudar o exército

[00:26:17] nessa questão de guerra, porque ele era uma pessoa diferente, né?

[00:26:20] É, mas ele também foi reconhecido, né?

[00:26:23] Ele foi para os Estados Unidos, fez o doutorado em Princeton e lá essas contribuições teóricas

[00:26:28] dele chamaram a atenção de volta na Inglaterra e esse gênero matemático, então, foi identificado

[00:26:34] como poderia contribuir grandemente para essa parte de…

[00:26:38] É, porque eu até vou fazer a minha crítica, vou fazer uma certa crítica e aqui talvez

[00:26:42] nosso país, né, porque sempre quando a gente tem um grande problema, o último lugar

[00:26:45] que se busca olhar é dentro das universidades para resolver o problema, esse é um caso

[00:26:51] onde uma época de extrema crise, como uma guerra, que vai lá e busca uma pessoa…

[00:26:56] Todos os talentos, né?

[00:26:57] Uma pessoa da academia.

[00:26:59] O Marcelo lembrou essa questão de Princeton, né?

[00:27:01] Na década de 30, vários refugiados europeus, principalmente judeus, foram para Princeton

[00:27:07] e ele conviveu muito com essas pessoas, conviveu muito com o Gödel, que foi um lógico, uma

[00:27:12] matemática influente, que o Gödel era um matemático que era o parceiro de caminhadas

[00:27:17] do Einstein, né?

[00:27:18] Era a pessoa mais respeitada em Princeton pelo Einstein, era o Gödel, né?

[00:27:22] Então o Gödel foi um lógico fundamental no século 20 e o Gödel também foi muito

[00:27:28] importante na disseminação do trabalho do Turing.

[00:27:31] A análise do Turing de computabilidade, ela teve também muito sucesso porque o Gödel

[00:27:37] foi uma das pessoas que defendeu que a formalização e a solução que ele deu para o problema

[00:27:42] da decisão de Hilbert era a solução definitiva, porque era uma solução onde ele colocava

[00:27:47] de forma sistemática que problemas poderiam ou não ser classificados como decidíveis

[00:27:53] e, por consequência, computáveis.

[00:27:55] Como é que ele foi parar na guerra?

[00:27:57] Tendo em vista os seus estudos sobre o que poderia ser mecanicamente computável, já

[00:28:02] existia essa noção de se desenvolver procedimentos mecânicos e semi-mecânicos de criptografia

[00:28:09] e é natural que os serviços de…

[00:28:12] Como tu colocaste, né?

[00:28:13] As forças armadas inglesas procurassem especialistas, pesquisadores que trabalhassem com isso e,

[00:28:19] como ele já tinha uma certa notoriedade em Cambridge no final da década de 30, ele foi

[00:28:23] procurado e naturalmente foi convidado para trabalhar no GCSS antigamente, né?

[00:28:30] Não queria utilizar a sigla em inglês, mas é mais ou menos a escola de códigos e cifras

[00:28:35] do governo inglês, né?

[00:28:36] GCSS na época.

[00:28:37] É bonitinho isso, mas ele era jovem, relativamente jovem.

[00:28:40] Ele era muito jovem.

[00:28:41] Ele era jovem, né?

[00:28:42] De 1912, né?

[00:28:43] De 27 anos por aí.

[00:28:44] Exatamente.

[00:28:45] 1912.

[00:28:46] Então ele terminou o doutorado em 1938, com 26 anos, né?

[00:28:51] Com 26 anos ele terminou o doutorado.

[00:28:53] Isso em 1938.

[00:28:54] E os esforços de guerra em torno de 1940, com 28, 30 anos, ele já estava fortemente

[00:28:59] envolvido nessa questão da criptografia, da construção dos primeiros dispositivos

[00:29:03] automáticos, dos primeiros computadores para trabalhar em criptografia e criptoanálise,

[00:29:09] né?

[00:29:10] Na análise de códigos.

[00:29:11] Exatamente.

[00:29:12] E o que eu queria mencionar é o seguinte.

[00:29:13] O Lâmio falou do interesse, sem dúvida alguma, é um grande interesse se conhecer lá, por

[00:29:17] exemplo, em Bletchley Park, a bomba ou a Colossus, mas é claro que certamente não

[00:29:21] é tão acessível para muitas pessoas.

[00:29:23] Mas por isso mesmo…

[00:29:24] Por que não é acessível?

[00:29:25] Não, porque tem que ir até a Inglaterra.

[00:29:26] A gente tem muito ouvinte no resto do Brasil, né?

[00:29:29] Mas essas exposições, como as que estão acontecendo na URIG, estão acontecendo em

[00:29:32] várias outras…

[00:29:33] Isso justamente, eu queria pegar mais um gancho para a nossa exposição.

[00:29:36] Nós pretendemos também, nós vamos tentar adquirir uma máquina enigma que vai vir aqui

[00:29:40] para a exposição.

[00:29:41] Acho que vai dar uma grande visibilidade.

[00:29:43] Mas uma cópia, né?

[00:29:44] Não, uma autêntica.

[00:29:45] Uma autêntica.

[00:29:46] Autêntica, de 60 anos, usada na época da guerra.

[00:29:48] Valeria a pena ter em Porto Alegre, mesmo porque a nossa exposição é a única no

[00:29:51] Hemisfério Sul.

[00:29:52] Teremos também, e aí ao longo de 2013, exposições itinerantes pelo Estado e pelo país.

[00:29:57] Claro que o acervo vai ser um pouco menor, mas também serão exposições muito interessantes.

[00:30:01] Então na página do programa a gente vai botar então todos esses links.

[00:30:04] É só colocar Alan Turing no Google que o primeiro item, depois das imagens dele, já

[00:30:08] é a nossa exposição.

[00:30:09] Esse foi o programa Fronteiras da Ciência.

[00:30:10] Esse foi o programa Fronteiras da Ciência.

[00:30:11] A gente discutiu hoje o Alan Turing, as exposições, os eventos que estão acontecendo no ano,

[00:30:17] né?

[00:30:18] Alan Turing.

[00:30:19] Se vieram aqui com a gente estão o professor Luiz Lame, do Departamento de Informática

[00:30:23] Teórica da UFRGS, também diretor do Instituto de Informática da UFRGS, os professores Dante

[00:30:28] Baroni, Marcelo Walter, do Instituto de Informática da UFRGS, Departamento de Informática Aplicada,

[00:30:33] nesse caso, e eu, Marco de Arte, do Departamento de Física da UFRGS.

[00:30:39] O programa Fronteiras da Ciência é um projeto do Instituto de Física da UFRGS, técnica

[00:30:46] de Gilson de Césaro e direção técnica de Francisco Guazelli.

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