O Prêmio Ig Nobel


Resumo

O episódio celebra o centésimo programa do Fronteiras da Ciência discutindo o Prêmio Ig Nobel. Os apresentadores exploram as origens do prêmio, criado em 1991 pela revista Annals of Improbable Research (originalmente Journal of Irreproducible Results) como uma versão humorística e irônica do Prêmio Nobel. A filosofia do prêmio é premiar pesquisas que “primeiro fazem as pessoas rirem e depois pensarem”, transitando entre zombar de pesquisas absurdas e destacar o lado humorístico de investigações científicas sérias.

Os participantes descrevem a cerimônia anual realizada no Sanders Theatre da Universidade de Harvard, seguida por palestras no MIT, caracterizada por seu tom descontraído onde vencedores do Nobel verdadeiro servem como atendentes e há tradições como lançamento de aviõezinhos de papel. São detalhados os prêmios de 2012, incluindo exemplos como o estudo psicológico sobre como inclinar para a esquerda faz a Torre Eiffel parecer menor, a pesquisa de neurociência que detectou “atividade cerebral” em um salmão morto durante ressonância magnética, e o trabalho de física que calculou as forças que moldam um rabo de cavalo.

A discussão se expande para prêmios de anos anteriores, ilustrando a diversidade de temas premiados. Exemplos incluem a pesquisa que descobriu que o mosquito da malária é atraído pelo cheiro do queijo Limburger (similar ao cheiro de pés), o estudo matemático que estimou a área superficial de elefantes indianos, e o prêmio coletivo para vários profetas do fim do mundo por ensinar cuidado com cálculos e hipóteses. Também é mencionado o prêmio brasileiro de 2008, concedido a pesquisadores da USP por estudar como tatus perturbam sítios arqueológicos.

Os apresentadores refletem sobre o significado do prêmio, argumentando que ele ajuda a desmistificar a sisudez da ciência, serve como uma tática eficaz de comunicação e divulgação científica, e promove uma reflexão crítica sobre a prática científica, incluindo problemas como o mau uso da estatística. Eles também discutem o que torna uma pesquisa “elegível” para o Ig Nobel, notando a prevalência de estudos envolvendo animais, comportamentos inusitados ou aplicações absurdas de métodos científicos sérios.

O episódio conclui enfatizando que o Ig Nobel é uma celebração do lado lúdico e criativo da investigação científica, e que muitos cientistas sérios participam e aceitam o prêmio com bom humor, reconhecendo seu valor em atrair interesse público e provocar pensamento crítico sobre a natureza da ciência e da pesquisa.


Indicações

eventos

  • Cerimônia do Prêmio Ig Nobel — Realizada anualmente no Sanders Theatre da Universidade de Harvard, seguida por palestras no MIT. Caracterizada por ser divertida e descontraída, com participação de laureados do Nobel.

publicacoes

  • Annals of Improbable Research — A revista que organiza o Prêmio Ig Nobel, originalmente chamada de ‘Journal of Irreproducible Results’. Focada em pesquisas improváveis e humorísticas.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Introdução ao programa e tema do Prêmio Ig Nobel — Apresentação do episódio centésimo do Fronteiras da Ciência. Os hosts introduzem o tema, contrastando a busca por fama e reconhecimento na ciência com o prêmio Nobel. Eles anunciam que vão discutir o Prêmio Ig Nobel, descrito como o mais divertido, e apresentam os participantes: Jorge Kielfeld, Jefferson Arenzón e Marco Hidarte.
  • 00:02:01Origens do Prêmio Ig Nobel e comparação com o Nobel — Jorge explica as origens do Prêmio Ig Nobel, criado em 1991 pelo Annals of Improbable Research. Ele contrasta com o Prêmio Nobel tradicional, mencionando suas seis categorias originais e a adição posterior do prêmio de Economia. A filosofia do Ig Nobel é definida: premiar realizações que primeiro fazem as pessoas rirem e depois pensarem. É mencionada a evolução do prêmio, de casos inicialmente apócrifos para pesquisas documentadas em literatura científica.
  • 00:06:29Descrição da cerimônia do Ig Nobel e primeiros exemplos de 2012 — Os hosts descrevem a cerimônia anual no Sanders Theatre de Harvard, com sua atmosfera maluca incluindo lançamento de aviõezinhos de papel e vencedores do Nobel atuando como atendentes. Eles começam a listar os vencedores de 2012, começando com o prêmio de Psicologia para um estudo holandês-peruano sobre como inclinar para a esquerda faz a Torre Eiffel parecer menor. Também é mencionado o prêmio da Paz para uma empresa que transforma munição velha em diamantes.
  • 00:09:22Prêmios de Neurociência e Química de 2012 — Discussão sobre o prêmio de Neurociência concedido a pesquisadores que demonstraram atividade cerebral estatisticamente significativa em um salmão morto durante exames de ressonância magnética, destacando problemas com o mau uso de estatística. Em seguida, é apresentado o prêmio de Química para um pesquisador sueco que resolveu o mistério de por que o cabelo de algumas pessoas em Anderslöv, Suécia, estava ficando verde.
  • 00:12:25Prêmios de Física e Dinâmica de Fluídos de 2012 — Apresentação do prêmio de Física para Joseph Keller por calcular as forças que moldam e movimentam um rabo de cavalo, com potencial aplicação em computação gráfica. Em seguida, o prêmio de Dinâmica de Fluídos por estudar a dinâmica de uma pessoa carregando um copo de café, o que leva a uma breve digressão sobre o famoso estudo do Ig Nobel sobre por que o pão com manteiga cai com a manteiga para baixo.
  • 00:15:38Prêmios de Anatomia e Medicina, e a questão da vergonha — Menção ao prêmio de Anatomia por um estudo mostrando que chimpanzés conseguem identificar indivíduos olhando fotos de seus traseiros. Depois, o prêmio de Medicina por um alerta sobre técnicas para minimizar o risco de explosão do abdômen do paciente durante colonoscopias com eletrocautério. Os hosts comentam como os cientistas geralmente aceitam o prêmio sem vergonha, e a participação de laureados do Nobel na cerimônia.
  • 00:18:01Reflexão sobre o propósito e o que causa um Ig Nobel — Os apresentadores mudam o foco para explorar o que causa um Ig Nobel e o que torna uma pesquisa elegível. Eles argumentam que o prêmio ajuda a desmistificar a sisudez da ciência e é uma tática eficaz de comunicação e divulgação científica. A discussão levanta a questão de como fazer ciência séria que também seja engraçada ou provoque riso e reflexão.
  • 00:22:04Exemplos clássicos de prêmios Ig Nobel de anos anteriores — Os hosts compartilham uma série de exemplos memoráveis de prêmios Ig Nobel de anos anteriores. Isso inclui o estudo sobre a atração do mosquito da malária pelo queijo Limburger (similar a pés), a estimativa da área superficial de elefantes indianos, o prêmio coletivo para profetas do fim do mundo, e pesquisas envolvendo animais em situações inusitadas, como viagra para hamsters com jet lag ou patos exibindo necrofilia homossexual transespecífica.
  • 00:25:23Prêmios para pseudociência e exemplos não-científicos — Discussão sobre prêmios Ig Nobel concedidos a trabalhos de pseudociência ou figuras controversas. Inclui duas premiações para o pesquisador da homeopatia Jacques Benveniste (por ‘memória da água’ e transmissão telefnica), um prêmio de Nutrição para uma mulher que alegava se alimentar de luz, e prêmios de Literatura para autores como L. Ron Hubbard (Dianética) e Erich von Däniken (Eram os Deuses Astronautas?). Também é mencionado o prêmio de Tecnologia para quem patenteou a roda.
  • 00:29:51Conclusão e a relação da ciência com o humor — Os hosts concluem refletindo sobre como o Ig Nobel se tornou mais ‘científico’ ao longo dos anos, focando mais em pesquisas publicadas. Eles mencionam brevemente outros prêmios da Paz, como o do alarme de carro com lança-chamas. O episódio se encerra com a ideia de que cientistas são os primeiros a fazer piada de si mesmos e que o humor é uma parte válida e importante da cultura científica, servindo tanto para crítica quanto para divulgação.

Dados do Episódio

  • Podcast: Fronteiras da Ciência
  • Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
  • Categoria: Science
  • Publicado: 2012-10-15T15:00:00Z

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência, da rádio da Universidade, onde discutiremos

[00:00:09] os limites entre o que é ciência e o que é mito.

[00:00:13] Já fizemos muitos programas sobre o homem da ciência, fizemos várias biografias, nessas

[00:00:19] discussões a gente mostra que faz uma pessoa se motivar a fazer ciência, ou até se motivar

[00:00:24] a defender uma teoria frente a outras teorias científicas.

[00:00:27] Essa motivação pode ser de várias origens, o cientista pode ser tanto uma pessoa obcecada

[00:00:32] por entender o mundo, como ele pode também perseguir outras coisas mais pessoais, como

[00:00:37] por exemplo, a mais comum delas entre os cientistas é a busca da fama, muitos cientistas querem

[00:00:42] ter o nome deles em alguma teoria, algum fenômeno, alguma placa, algum prêmio, e não é muito

[00:00:48] incomum na ciência existirem prêmios para performance em ciência, a gente conhece vários

[00:00:53] deles, muitos deles são muito famosos, e hoje a gente vai discutir nesse nosso centésimo

[00:00:58] programa, não a rainha dos prêmios, que é o Nobel, mas certamente o mais divertido

[00:01:02] de todos, o mais divertido de todos, que é o prêmio Ig Nobel, consigo já pressentir

[00:01:07] que alguns dos ouvintes vão ter um sorrisinho irônico, achando que as caras vão fazer

[00:01:12] um programa mais divertido agora, o que eu espero é que no final do programa esse sorrisinho

[00:01:17] tenha desaparecido, e muitos dos ouvintes estejam já com um rosto de profunda concentração,

[00:01:24] vasculhando suas próprias ideias, tentando ver se eles também não fazem coisas que

[00:01:29] talvez sejam possíveis de serem apontadas como Ig Nobel, até porque como uma filosofia

[00:01:34] do nosso tempo, o importante é ser famoso, não importa como, exatamente, a gente vai

[00:01:38] discutir então nesse nosso centésimo programa, a gente vai discutir o prêmio Ig Nobel, estão

[00:01:43] aqui os três mosqueteiros de sempre, sem convidados, é o Jorge Kielfeld, do Departamento

[00:01:48] de Biofísica, remotamente, o Jefferson Arenzón, do Departamento de Física, e eu, o Marco

[00:01:54] Hidarte.

[00:01:55] Então, agora eu passo a palavra ao Jorge, que nos explique as origens e quanto tempo

[00:01:59] existe o tal do prêmio Ig Nobel.

[00:02:01] Pois então, todo mundo conhece o prêmio Nobel, o prêmio Nobel é uma instituição mais respeitada,

[00:02:07] mais prestigiada e mais ambicionada também, seria o prêmio na área de ciência mais

[00:02:13] prestigiada de todos.

[00:02:14] O prêmio Nobel é dado principalmente em seis áreas, que é Medicina e Fisiologia, Física,

[00:02:19] Química, Prêmio de Literatura e o da Paz, isso foi criado em 1901, a partir de 1901,

[00:02:25] e em 1968 foi acrescentado um sexto prêmio, que as pessoas não sabem e acham que é Nobel,

[00:02:30] mas não é, que é o prêmio de Economia, que é feito pela mesma fundação, é dado

[00:02:34] na mesma cerimônia, mas na verdade não é um prêmio Nobel.

[00:02:36] É, não é um prêmio Nobel.

[00:02:37] A medalha é diferente, inclusive.

[00:02:38] As pessoas falam como Nobel.

[00:02:39] Mas ele é o Nobel, é, ele praticamente é.

[00:02:42] E dali eles decidiram que chega de ter Nobel, não vai ter outras áreas, inclusive áreas

[00:02:45] importantes ficaram de fora, Matemática, reclamou muito, né, por que que não tem

[00:02:49] o prêmio?

[00:02:50] Tem uma explicação.

[00:02:51] Mas eles têm áreas, tem o prêmio Abel.

[00:02:52] Não, mas eu acho que essa explicação é um mito, Marco.

[00:02:54] A explicação pode ser um mito, mas existe uma explicação sobre uma possível, vamos

[00:02:58] dizer, disputa entre o Alfred Nobel e um matemático, e a disputa era sobre a mulher dele.

[00:03:05] Bom, eu acho que quem ganhou essa discussão foi o Alfred Nobel, porque ele é inventor

[00:03:09] da dinamite e de vários outros explosivos, né, então vamos ter isso aí dos prevalecidos.

[00:03:14] Mas em matemática tem um prêmio tão…

[00:03:16] Prêmio Abel.

[00:03:17] Não, tem a medalha Fields.

[00:03:18] Prêmios de ciência tem muitos, né, esses são os mais famosos, eu até tentei fazer

[00:03:21] uma lista aqui para ver, e é incrível, são dezenas, mas o Nobel desponta como o grande

[00:03:26] prêmio que é o que todo mundo emissiona.

[00:03:27] Então…

[00:03:28] Eu já decidi, por exemplo, que eu não sou um candidato a Nobel, mas eu posso vir a

[00:03:33] ser um candidato a Ig Nobel, o Ig Nobel.

[00:03:35] E isso é o mais interessante porque todo mundo pode, a gente vai ver depois se todo

[00:03:39] mundo pode ganhar um Ig Nobel.

[00:03:41] Inclusive já tem brasileiros que ganharam o Ig Nobel, enquanto que na parte do Nobel

[00:03:44] nós somos devendo.

[00:03:45] Mas enfim, então em 1991, a então revista, o Jornal dos Resultados Imprevisíveis lançou

[00:03:51] esse prêmio, fazia uma espécie de ironia, né, uma versão divertida do Prêmio Nobel,

[00:03:56] e deu esse nome, Ig Nobel, né, combinando as palavras Ig Nobel com Nobel.

[00:04:00] A revista, eu não sei se mudou de nome, mas ela se chama Revista dos Resultados Improváveis.

[00:04:05] Não sei se na época se chamava Imprevisíveis, mas…

[00:04:07] Então, essa é uma história interessante, ela se chamava o Jornal dos Resultados Reproduzíveis,

[00:04:10] o editor, que era o Marc Abram, que é o que criou o prêmio, teve uma disputa lá por

[00:04:14] causa da editora que editava o jornal, e ele saiu e fundou o Anais da Pesquisa Improvável,

[00:04:19] que é essa revista coordena o prêmio.

[00:04:21] A Pesquisa Improvável não se refere aos resultados dela, mas aos assuntos improváveis

[00:04:26] de serem pesquisados.

[00:04:27] Exatamente.

[00:04:28] Não, então eu fui criada, a ideia dela é assim, ó, resultados, inicialmente, que

[00:04:32] não poderiam ou não deveriam ser reproduzidos, esse era o moto original do prêmio.

[00:04:37] Eles foram amadurecendo rapidamente, nos primeiros anos, e ia chegar a definição

[00:04:41] de que o objetivo é dar prêmios a experimentos documentados na literatura científica ou

[00:04:47] em algum outro contexto, que primeiro façam as pessoas rirem e depois pensarem.

[00:04:51] É uma definição suficientemente ampla para surpreender.

[00:04:53] Até no início eles tinham alguns casos apócrifos ali, que não eram bem confirmados, teve poucos,

[00:04:58] mas agora praticamente todos os casos são documentados, a maioria de pêperas científicas

[00:05:03] publicadas em revistas indexadas normais.

[00:05:05] Eu acho que o prêmio, na verdade, ele transita entre os dois extremos do espectro, por um

[00:05:12] lado ele zomba um pouco de pesquisas que são realmente absurdas e que ainda não deveriam

[00:05:18] ser reproduzidas, mas porque são engraçadas, e por outro lado, no extremo do espectro,

[00:05:25] ele chama a atenção para o lado humorístico de pesquisas que são muito sérias e muito

[00:05:29] importantes.

[00:05:30] É verdade.

[00:05:31] E transita bem entre esses contrastes.

[00:05:34] E ele faz isso sem se prender às seis modalidades do Nobel tradicional, ele também tem o prêmio

[00:05:39] de Biologia, o prêmio de Nutrição, que é muito divertido, de Psicologia, de Saúde

[00:05:43] Pública e várias outras áreas, a matemática está resolvida o problema.

[00:05:48] Aparentemente os temas acontecem, quando acontece alguma pesquisa em alguma área que é muito

[00:05:53] estranha eles já introduzem o tema, então existem anos que não tem um tema, existem

[00:05:59] outros anos que…

[00:06:00] Até eu fiz um censo aqui para ver, o prêmio é dado 22 anos e esse ano, a cerimônia é

[00:06:04] sempre em setembro, antes do Nobel portanto, né, o único que foi entregue todos os 22

[00:06:09] anos foi o da Paz e o de Medicina, a Biologia e Física foi dado 20 vezes, Literatura 21

[00:06:15] vezes, Economia 18, Química 20, aí o resto menos, só para dar uma ideia.

[00:06:20] É interessante para tirar um pouco do suspense de quem não conhece o Iguinobel ainda.

[00:06:24] Estão com medo, eles não sabem o que vem aí.

[00:06:26] Quem sabe a gente descreve quais são os desse ano.

[00:06:29] São 10 prêmios todo ano, esse ano inclusive a cerimônia pode ser assistida no YouTube,

[00:06:33] é muito interessante, divertida, mas é um vídeo de 3 horas, vocês começam a assisti-la

[00:06:37] entre a primeira e a segunda hora, porque o que tem antes é só enrolação.

[00:06:40] É, isso é só lembrar que a cerimônia é a ser feita no Auditorium Harvard, que já

[00:06:45] fui e é muito bonito.

[00:06:46] É bonito, é um anfidato de madeira antigo, muito bonito.

[00:06:48] Isso é muito bonito e depois as palestras relativas aos trabalhos são dadas no MIT.

[00:06:53] No MIT, exatamente, é uma cerimônia de conferência.

[00:06:55] Aqui em Cambridge, que é a cidade pequena do lado da cidade mais conhecida que é Boston.

[00:06:59] Se você vai assistir a cerimônia, ela é completamente maluca, tem crianças que mandam

[00:07:02] o cara calar depois que ele passa do primeiro minuto, que é o tempo que ele tem para agradecer.

[00:07:06] E tem um detalhe que as pessoas que varrem o chão, que servem água, cafezinho, são

[00:07:12] nobeis de verdade.

[00:07:13] Sim, os que entregam os prêmios são nobeis de verdade.

[00:07:15] Esse ano, por exemplo, tinha 9 nobeis.

[00:07:17] Não só isso, mas os que fazem, digamos, o serviço de limpeza, de entregar o serviço

[00:07:23] de café.

[00:07:24] O porquê que ele tem que varrer é porque durante a cerimônia tem vários momentos

[00:07:28] em que vai um alvo móvel para o centro do palco e todas as pessoas jogam aviãozinhos

[00:07:31] de papel dele.

[00:07:32] Então o palco fica imundo e alguém tem que varrer.

[00:07:34] O cara que varria essa cerimônia durante quase 20 anos, não lembro o nome dele agora,

[00:07:38] em 2005 ele faltou a cerimônia porque ele foi ganhar o Nobel dele, é um físico importante

[00:07:42] do MIT.

[00:07:43] Então vamos para os nobeis deste ano.

[00:07:46] Vamos lá.

[00:07:47] O prêmio IG Nobel de Psicologia deste ano para Anitta Erland, Rolf Zwang, da Holanda

[00:07:52] e Tubro Guaralupe do Peru.

[00:07:54] Pelo seu estudo, inclinando para a esquerda percebes que a torre Eiffel parece menor.

[00:07:59] Esse é um paper publicado no Psychological Science em dezembro de 2011.

[00:08:03] Eu vou tentar reproduzir esse final de semana.

[00:08:06] O nosso colega que está aqui falando direto de Paris vai poder testar.

[00:08:09] É para a esquerda, Jefferson.

[00:08:10] Tu sabe qual é a esquerda.

[00:08:11] Bom, o prêmio Nobel da Paz deste ano não é tão fascinante como de outros anos.

[00:08:16] Depois nós vamos comentar alguns engraçadíssimos da empresa, na União Soviética, que resolveu

[00:08:19] transformar uma munição velha, russa, em diamantes.

[00:08:22] Inclusive, na hora do prêmio, ele distribuiu esses diamantes lá para todo mundo.

[00:08:24] Esse é interessante.

[00:08:25] Claro que existem vários jeitos de fazer isso.

[00:08:28] Por exemplo, um jeito muito comum que se fazia isso, e era uma prática comum, era tu vender

[00:08:33] esses cacarecos para algum país do terceiro mundo e, com o dinheiro, comprar diamantes.

[00:08:37] Mas eles propõem uma coisa mais inovadora, parece.

[00:08:40] Exatamente.

[00:08:41] Fazer os diamantes direto.

[00:08:42] Bom, existem prêmios mais específicos.

[00:08:43] Esse aqui seria de física, mas é um prêmio de acústica.

[00:08:45] E é muito interessante no vídeo, é muito interessante de assistir a demonstração.

[00:08:48] São os japoneses que inventaram o speech jammer, um aparelho que utiliza uma perturbação

[00:08:53] de fala para produzir uma, tu escuta, então ele grava, o som está sendo falado, e reproduz

[00:08:59] ele uma fração de segundo depois, produzindo uma interferência.

[00:09:03] Então o cara não consegue falar corretamente, fica completamente destruído o discurso.

[00:09:07] É, eu acho que todo mundo que já falou com telefone com o Echo sabe que é muito difícil

[00:09:11] falar o Echo.

[00:09:12] Nesse caso é pior.

[00:09:13] A demonstração foi feita por um dos nobéis que leu um poema bem conhecido, de Shakespeare,

[00:09:17] e ficou incompreensível, os versos, os ervos trocavam, é engraçadíssimo.

[00:09:20] Bem legal.

[00:09:21] Funciona mesmo.

[00:09:22] Prêmio de Neurosciências, para mim é o ponto alto que eu trabalho com essa área, para

[00:09:25] Craig Bennett, a Biga e Hubert, Michael Miller, George Woldford dos Estados Unidos, que eles

[00:09:31] fizeram um estudo demonstrando que na investigação do cérebro, do encefos, usando ressonância

[00:09:36] magnética, ou seja, imagineamento para ressonância, usando portanto instrumentos complexos.

[00:09:41] Mas uma estatística muito simples, é possível demonstrar atividade cerebral em qualquer

[00:09:46] situação, mesmo num salmão morto, porque eles fizeram um experimento e eles conseguiram

[00:09:49] colocar o salmão dentro do aparelho de ressonância e ficavam mostrando pro salmão morto imagens

[00:09:55] com valências emocionais, pessoas sofrendo, pessoas felizes, pessoas tristes, crianças

[00:09:59] velhos, e aí o salmão morto ia tendo reações afetivas, isso que é um salmão, e morto,

[00:10:04] e isso fazia modificações na imagem por ressonância e a partir da análise estatística significativos

[00:10:10] os efeitos.

[00:10:11] É, isso é um fenômeno espetacular, na verdade.

[00:10:14] Isso faz a gente pensar que tem muita coisa ruim sendo produzida ainda tecnicamente.

[00:10:18] Esse trabalho é muito interessante porque ele mostra o uso da estatística ruim, como

[00:10:23] é que a gente pode tirar conclusões erradas a partir de dados corretos usando estatística

[00:10:28] ruim, que por exemplo, no nosso dia a dia que a gente discute de pseudociência, é uma

[00:10:32] coisa muito interessante, porque a pseudociência usa muito o que eles mostraram com esse trabalho,

[00:10:37] que a ciência muitas vezes…

[00:10:38] A ciência comete erros.

[00:10:39] Também se escorrega no problema da má estatística e também é possível…

[00:10:44] Parece uma coisa completamente insórdica.

[00:10:45] Eu acho que fosse um experimento de vida fora da carcaça.

[00:10:48] Essa é uma outra interpretação para os fãs, mas eu acho que eles não estão longe.

[00:10:52] Mas isso é bem importante mesmo, porque essa é uma área que tem muita competição também,

[00:10:56] e a competição faz as pessoas às vezes se entusiasmar e produzirem resultados.

[00:11:00] Não, não, a área…

[00:11:01] É mais do que isso, porque esses problemas do mau uso da estatística, eles não são

[00:11:05] exclusivos da neociência de todas as áreas que usam estatística.

[00:11:09] Que usam estatística e olham muitos dados, muito, a dimensionalidade do espaço que eles

[00:11:14] estão usando, ou seja…

[00:11:15] Muitas explicações alternativas com o mesmo fenômeno.

[00:11:18] Exatamente.

[00:11:19] Exatamente.

[00:11:20] Bom, vamos então ao prêmio de química desse ano, Johan Pettersen, da Suécia, por resolver

[00:11:24] um enigma, um misério que tem em certas casas da cidade de Andesloh, na Suécia, onde as

[00:11:30] pessoas…

[00:11:31] O cabelo fica verde.

[00:11:32] É, ele é um prêmio de química, é que, aparentemente, nessa cidade algumas pessoas

[00:11:38] começaram a ter o cabelo verde, e ele foi lá e investigou e provavelmente resolveu o

[00:11:42] problema.

[00:11:43] Isso.

[00:11:44] Eu vou só interromper a nossa lista para dizer que esse é o programa Fronteiras da Ciência,

[00:11:46] a gente está discutindo o prêmio Wignobel, o IG Nobel.

[00:11:51] IG Nobel, né?

[00:11:52] É.

[00:11:53] E o nosso site é o frontedasciencia.urgs.br.

[00:11:56] Então, o próximo prêmio é o de literatura, que é um documento interessante que o governo

[00:12:00] americano produziu, um escritório produziu um documento sobre como editar relatórios,

[00:12:05] sobre relatórios, sobre relatórios, recomendando a preparação de relatórios, sobre relatórios,

[00:12:09] sobre relatórios, sobre relatórios.

[00:12:11] Não é esse o nome do documento, então é um pouco menos estranho, mas é um documento

[00:12:14] de maio desse ano e pode ser baixado.

[00:12:17] Aliás, no site do IG Nobel, você pode linkar, achar esses artigos todos para ler e confirmar.

[00:12:22] Prêmio Nobel de Física desse ano é muito interessante, porque é para Joseph Keller.

[00:12:25] O prêmio foi por ter calculado o balanço exato às forças mecânicas que dão forma

[00:12:30] e movimenta o cabelo num rabo de cavalo de cabelo feminino.

[00:12:34] Que, aliás, pode ser bem interessante para a computação gráfica, porque um dos problemas

[00:12:37] de computação gráfica é fazer rabo de cavalo, cabelos, folhas em árvores.

[00:12:42] Não há problema trivial, né?

[00:12:44] Mais ou menos, porque o resultado deles é por um rabo de cavalo que não está preso

[00:12:48] a cabeça, né?

[00:12:49] Ah, é sem cabeça.

[00:12:50] E ele se vê, senão vai ser modificado a forma…

[00:12:52] É, mas está publicado no Journal of Applied Mathematics e no Física Review Letters.

[00:12:57] Certamente…

[00:12:58] Não, o trabalho é importante, porque ele pode ser aplicado a outros tipos de fibras,

[00:13:03] mas o rabo de cavalo que eles usaram, ele estava, digamos, como se fosse invita.

[00:13:08] Foi então o modelo.

[00:13:09] Bom, a ciência sempre é feita por modelos.

[00:13:11] Como é que você sabe tanto sobre isso?

[00:13:12] Ele está por dentro, né, Jefferson?

[00:13:13] É, porque eu duvo…

[00:13:14] Eu acho que ele está concorrendo, não quero dizer nada.

[00:13:16] Não, eu acho que ele não tem rabo de cavalo, porque a última vez, lá em Paris, talvez

[00:13:20] ele tem agora, eu não sei.

[00:13:21] Duvido.

[00:13:23] Dinâmica de fluídos aqui.

[00:13:25] Bom, o próximo prêmio é em Dinâmica de Fluídos, você vê, tem vários prêmios

[00:13:28] de física esse ano.

[00:13:29] Ele basicamente estudou dinâmica de fluídos balançantes, o que acontece com uma pessoa

[00:13:33] quando caminha carregando um copo de café.

[00:13:35] Uma experiência que todos aqui tem, provavelmente, os dedos e o chão de onde passaram, mas…

[00:13:40] É, agora isso até lembra…

[00:13:41] Isso foi estudado fisicamente, né?

[00:13:42] Física Review Z.

[00:13:43] Esse negócio de alimentos, isso me lembra que a primeira vez que eu ouvi falar nesse

[00:13:46] prêmio foi quando ele foi indicado para o artigo do pão com a manteiga.

[00:13:51] Por que um pão com manteiga sempre cai com a manteiga para baixo?

[00:13:54] Com a manteiga para baixo.

[00:13:55] Mas isso é fácil, né?

[00:13:56] O peso é maior para aquele lado, é que nem um dado macetado, ele tem um peso.

[00:14:00] É, exatamente, mas eles fizeram o estudo disso, porque isso era uma das leis de Murphy.

[00:14:04] Que, aliás…

[00:14:05] O pão sempre cai com a manteiga virada para baixo, e aí eles foram lá…

[00:14:08] Na verdade, a explicação não é essa.

[00:14:10] A explicação é que as mesas têm uma altura que, em média, é sempre a mesma, e o movimento

[00:14:16] que se faz para jogar o pão, para o pão cair da mesa, é o movimento que lança o pão

[00:14:22] com velocidade completamente horizontal.

[00:14:25] Então, as condições iniciais, em geral, são sempre as mesmas do movimento.

[00:14:29] É da altura típica que a mesa tem, e com esse tipo de lançamento dá tempo de fazer

[00:14:34] uma meia volta, uma volta e meia, não me lembro, e aí o pão cai.

[00:14:38] Porque a explicação do peso não funciona, porque não é muito óbvio que a manteiga

[00:14:42] seja mais pesada.

[00:14:43] A explicação oficial é essa.

[00:14:48] É que o movimento é repetitivo, em geral, ele é sempre o mesmo e depende dessas condições

[00:14:53] iniciais.

[00:14:54] Esse trabalho é furado, porque eu sempre derrubo o pão quando eu estou caminhando e

[00:14:57] comendo.

[00:14:58] Mas vamos avançar que tem prêmios mais divertidos que os desse ano.

[00:15:02] Esse ano ainda teve o de anatomia, que é muito interessante, mostrando que chimpanzés

[00:15:06] conseguem identificar individualmente outros chimpanzés olhando apenas a foto da bunda

[00:15:10] deles.

[00:15:11] É um reconhecimento não facial interessante.

[00:15:14] Eu não entendo a surpresa, porque a mãe do Stallone, ela leu o futuro das pessoas olhando

[00:15:19] a bunda delas.

[00:15:20] Ah, isso é bem lembrado.

[00:15:21] Que se identificava.

[00:15:22] Como se chama essa disciplina?

[00:15:24] É muito mais simples.

[00:15:26] Eu não me lembro.

[00:15:27] Eu tinha considerado o prêmio para a mãe do Stallone.

[00:15:29] Bundomancia, é uma coisa assim.

[00:15:31] Tem outro nome.

[00:15:32] É o nome mais pomposo, claro.

[00:15:34] O prêmio de obra de medicina é interessante, e eu fui confirmar hoje com colegas médicos,

[00:15:38] e é verdade.

[00:15:39] Esses dois médicos, o Ben Sussan e o Michael Antonetti, franceses, eles fazem um alerta

[00:15:44] para doutores que fazem colonoscopia, técnicas que minimizam a probabilidade dos pacientes

[00:15:49] explodirem.

[00:15:50] Ou seja, do abdômen do paciente explodir com gás.

[00:15:53] Tem algumas técnicas que de fato se injetam a ar para ajudar a fazer o contraste.

[00:15:57] Bom, o explodir não é soltar um pum, como alguns estão pensando.

[00:16:00] É realmente produzir uma lesão para o lado errado, por exemplo, dentro do abdômen.

[00:16:04] Então, está aqui o artigo.

[00:16:05] Explosão de gás colônico durante colonoscopia terapêutica com o eletrocautério.

[00:16:11] O eletrocautério que disparou a queima do gás e a inflamou e explodiu.

[00:16:15] Bom, o cara explodiu.

[00:16:16] Não parece uma coisa muito bonita.

[00:16:17] Ou seja, houve casos.

[00:16:18] Houve casos.

[00:16:19] Houve casos.

[00:16:20] O interessante, todos esses casos aqui, sempre vai, um dos premiados vai receber.

[00:16:24] As pessoas não tem vergonha de receber isso.

[00:16:26] Isso é uma coisa interessante.

[00:16:27] Inclusive, eles dizem que eles primeiro consultam as pessoas, se elas receberiam o prêmio.

[00:16:32] É, porque lá nos Estados Unidos tem os processos.

[00:16:34] Muita gente pode entender isso como sendo uma explosão do trabalho.

[00:16:38] Essa coisa de aceitar ou não, de ter vergonha ou não, é interessante.

[00:16:41] Porque tu vai pensar, por que o cara vai se meter ao ridículo?

[00:16:44] Cientista não é tão cizudo e tal.

[00:16:45] E se tu olha o vídeo lá, tu fica chocado com os prêmios Nobel super sérios e cizudos,

[00:16:49] vestindo roupas ridículas, fazendo coisas ridículas e dizendo coisas ridículas.

[00:16:53] No prêmio desse ano tem uma pequena conferência de um cosmólogo, um astrofísico, resumindo

[00:16:57] a história do universo.

[00:16:58] Fazendo especiais com um balão de hélio.

[00:17:00] É muito engraçado.

[00:17:01] Vale a pena ver.

[00:17:02] Uma obra-prima.

[00:17:03] Além do que, tem uma sequência de mini-conferências, 24x7, dentro da cerimônia.

[00:17:08] 24x7 é o seguinte.

[00:17:09] Tu tem que explicar todo o conceito, toda a teoria daquele assunto em 24 segundos.

[00:17:13] E depois tu tem que resumir aquilo pra qualquer pessoa entender com uma frase de 7 palavras.

[00:17:18] É genial.

[00:17:19] Parece impossível.

[00:17:20] É bom, é bom.

[00:17:21] Eles falaram dos mais diferentes assuntos lá e funcionou.

[00:17:23] É bom, é bom.

[00:17:24] Existem conferências importantes, onde a pessoa tem 3 minutos pra apresentar o trabalho.

[00:17:29] A Rutgers Meeting.

[00:17:30] A Rutgers é uma.

[00:17:31] Tem 3 minutos pra usar um quadro negro com giz.

[00:17:35] Não pode usar nem projetor, nada.

[00:17:37] Sem figura, sem nada.

[00:17:39] Mas no site do prêmio eles explicam que eles dão uma chance pros premiados do Ignobel.

[00:17:43] Eles ganham uma sala e ganham até um projetor.

[00:17:46] Pois é.

[00:17:47] Até um projetor.

[00:17:48] Agora eu queria mudar, vamos mudar a direção.

[00:17:50] A gente avançou bastante com o Ignobel desse ano.

[00:17:53] Eu queria mudar a direção pra gente tentar explorar.

[00:17:56] O que pra mim interessa é uma coisa, vamos dizer, de interesse próprio.

[00:17:59] O que causa o Ignobel?

[00:18:01] O que faz a gente ganhar?

[00:18:02] O que eu tenho que pesquisar amanhã, nos próximos meses, pra ser um candidato?

[00:18:07] O que vocês acham?

[00:18:08] Eu acho o seguinte.

[00:18:09] O comentário que o Jorge fez antes sobre a sisudez da ciência é um grande mito.

[00:18:15] A ciência não é uma coisa áspera, sisuda.

[00:18:19] Na verdade, se a gente assiste, se a gente participa de conferências, de congressos importantes,

[00:18:25] as grandes conferências têm N piadas misturadas ali no meio.

[00:18:30] A piada, deixar engraçada uma apresentação, é uma grande tática de comunicação.

[00:18:35] Então, ela é bem-vinda no meio.

[00:18:38] Então, trazer esse lado humorístico pra apresentação, pra divulgação da ciência,

[00:18:44] é uma excelente tática pra tornar a coisa interessante.

[00:18:48] Não só pras pessoas que estão dentro do meio, mas para aquelas pessoas de fora que

[00:18:52] possam vir a se interessar por ciência.

[00:18:54] Então, acho que é uma grande maneira de atrair o interesse.

[00:18:57] Assim como filmes de ficção científica, a gente já discutiu isso em outros programas,

[00:19:00] podem atrair gente.

[00:19:02] Esse evento também tem esse papel.

[00:19:04] Agora, olha só, tem prêmio dos mais diversos, assim, que mostra situações e histórias.

[00:19:09] Por exemplo, tem um prêmio que foi feito lá, que ele tentou atrair inseto usando um queijo

[00:19:13] muito fedorento e comparando com a atração do cheiro de pé, de pé suado, comparado com o queijo.

[00:19:19] É um prêmio de biologia, se não me engano.

[00:19:22] Como o mosquito da malária é atraído pelo cheiro de um queijo Limburger.

[00:19:28] Isso, eu até não conheço esse aí, fiquei interessado.

[00:19:31] E, na verdade, eles desenvolveram uma técnica pra caçar o mosquito da malária,

[00:19:34] baseado nele.

[00:19:36] Ninguém tinha tido ideia antes.

[00:19:38] Esse estudo, na verdade, eles se preocupavam também com a distribuição…

[00:19:43] Onde o bicho pica, né?

[00:19:44] Onde o bicho pica.

[00:19:45] E viram, aparentemente, que ele tinha maior incidência de picadas nos pés,

[00:19:50] e viram.

[00:19:51] Talvez tenha uma relação entre o cheiro do queijo Limburger e o cheiro do pé de quem foi mordido.

[00:19:55] Isso é o que eu chamo de descobrir uma utilidade pro chulé.

[00:19:58] Esse é um exemplo perfeito da motivação do prêmio, né?

[00:20:01] Que primeiro a gente dá uma risada e depois a gente pensa um pouco e tem uma aplicação importante.

[00:20:06] Eu vou dizer uma aqui, só na minha cabeça aqui, que eu só dei risada e que eu não consigo imaginar

[00:20:11] qual é a possível razão, que é, por exemplo, a medida da área da superfície dos elefantes indianos.

[00:20:18] Isso é um prêmio ignobel de matemática.

[00:20:21] Estimar quantos metros quadrados de elefante.

[00:20:26] É interessante, porque pra fisiologia…

[00:20:28] Se tu quiser forrar a tua casa com pele de elefante, que sabe quantos metros.

[00:20:31] Não, isso é fonamental pra fazer o cálculo do metabolismo do animal, porque a superfície está diretamente relacionada com o pernambulo de calor.

[00:20:38] É uma coisa fisiológica.

[00:20:40] Mas olha só, os prêmios não são só pra trabalhos científicos, por causa de revistas científicas.

[00:20:43] Algumas coisas mais estranhas também acontecem.

[00:20:45] Por exemplo, tem um estudo aqui do Departamento de Trânsito do Canadá, da Universidade de Toronto, do ano passado.

[00:20:50] É um prêmio de segurança pública.

[00:20:52] É um estudo feito para estudar estudos de segurança com motoristas dirigindo automóveis numa autopista importante e movimentada,

[00:21:00] quando tem um visor que repetivamente flaps na frente da face, cegando aleatoriamente.

[00:21:06] O artigo se chama Exigências Atencionais Enquanto Se Está Dirigindo o Automóvel.

[00:21:11] Eu não queria ser voluntário nesse experimento.

[00:21:13] A gente está dirigindo e vem um troço e tapa a tua cara.

[00:21:16] E tem o Prêmio de Matemática do ano passado, que é muito bom, porque é um assunto que está em voga, porque esse ano o mundo vai acabar em dezembro.

[00:21:22] A gente já discutiu.

[00:21:24] Eu preciso ler esse prêmio aqui.

[00:21:26] O Prêmio de Matemática de 2011.

[00:21:28] Dorothy Martin dos Estados Unidos, que previu o fim do mundo em 1954.

[00:21:32] Pat Robertson dos Estados Unidos, que previu o fim do mundo em 1982.

[00:21:35] Elizabeth Claire Prophet dos Estados Unidos, que previu o fim do mundo em 1990.

[00:21:38] Lee Ran Kim da Coreia, que previu o fim do mundo em 1992.

[00:21:41] Credonia Muringue de Uganda, que previu o fim do mundo em 1999.

[00:21:44] Harold Camping, que nós já falamos dos Estados Unidos, que previu o fim do mundo em setembro…

[00:21:48] 6 de setembro de 1994 e mais tarde, previu o 21 de outubro de 2011.

[00:21:52] Nós até comemoramos esse fim do mundo que não aconteceu.

[00:21:55] Eles ganharam o prêmio por ensinar o mundo a ser cuidadoso na hora de fazer hipóteses e assunções matemáticas e cálculos.

[00:22:02] Vejam só.

[00:22:04] Olha, eu fiz uma pequena estatística aqui sobre o que tem que aparecer no trabalho científico.

[00:22:13] Não é uma estatística profunda, até…

[00:22:15] Tu colocou o ânice de palavras, né?

[00:22:16] Isso, eu prefiro. Certamente o que eu vi, o campeão é ter animais.

[00:22:20] Obviamente animais também é o campeão. Os animais são muito usados em ciências, então não é de surpreender.

[00:22:26] Animais, de preferência, fazendo alguma coisa nojenta.

[00:22:29] Isso, exatamente.

[00:22:30] Deixa eu explicar também porquê. Tu tem o prêmio de medicina, tu tem o prêmio de biologia, de nutrição e de psicologia,

[00:22:37] e coisas de saúde também e química que tem a ver com biologia.

[00:22:40] Tem muitos os prêmios que estão usando.

[00:22:41] Mas é assim, é a tria de animal, secreção e odor.

[00:22:44] O animal pode ser até o humano, mas por exemplo, animais.

[00:22:46] Eu tenho esse que o Jorge falou desse ano, que os chimpanzés identificam os seus compadres olhando a parte de trás.

[00:22:53] Por exemplo, a importância, o armadilho, o tatu, a importância dos tatus…

[00:22:58] Acabaram de destruir um monte.

[00:22:59] É, na destruição de sítios arqueológicos, que é importante.

[00:23:03] Esse é o ignóbil brasileiro.

[00:23:04] Esse é o ignóbil brasileiro, porque o tatu revira o terreno e muda a posição das coisas.

[00:23:12] E por causa de um paleontólogo, de um arqueólogo, isso é desastroso, porque a datação é feita pela profundidade, principalmente.

[00:23:18] Não sei se ele pode mudar a ordem dos eventos também.

[00:23:20] Totalmente.

[00:23:21] Tem esse outro, por exemplo, essa outra pessoa que catalogou, esse é de arte até, que catalogou os diversos pênis dos animais.

[00:23:28] E parece que ele…

[00:23:30] Ele também produziu um pôster comercialmente disponível que tem foto de 100 pênis animais aparecendo numa tela.

[00:23:36] Confesso que não vi, também não estou muito interessado em ver.

[00:23:40] Por exemplo, tem o caso do uso de viagra para ajudar hamsters a recuperarem jet lag.

[00:23:47] Esse é o prêmio do Diego Golombek, meu colega do cantino.

[00:23:50] Aparentemente não, porque aparentemente se hamsters tomam viagra, eles se recuperam de…

[00:23:55] Do jet lag.

[00:23:56] Jet lag, ou seja…

[00:23:57] Devem sentir no meu sistema melatonina induzindo sono na rápida.

[00:24:00] Aliás, deixa eu dizer o nome do premiado brasileiro, já que tu citou aqui, que é de 2008,

[00:24:04] é o Astofo Melo Araújo e o José Carlos Marcellino da USP.

[00:24:07] Mudaram o curso da história, esse paper publicado na Geo Arqueology.

[00:24:11] Deixa eu continuar então, por exemplo, se estudou o uso de prosaque em ostras para ver se elas ficavam mais felizes,

[00:24:17] o gosto de algumas rãs em diferentes situações de estresse.

[00:24:22] Os morcegos foram filmados durante o ato de felação.

[00:24:27] Aumentar a duração da cópula.

[00:24:29] Esse é o prêmio de uns 23 anos atrás.

[00:24:31] Tem o filme para ver.

[00:24:32] É verdade.

[00:24:33] Teve também o primeiro relato de pato tentando relações…

[00:24:39] Necrophilia homossexual.

[00:24:40] Homossexuais na cidade com uma ave de outra espécie morta.

[00:24:46] Necrophilia transespecífica.

[00:24:48] Isso, era necrophilia homossexual.

[00:24:52] Tem outro com animais que é interessante, que foi feito com ratos,

[00:24:57] que mostrava que os ratos, às vezes, não conseguiam diferenciar uma pessoa falando japonês ao contrário

[00:25:03] de uma pessoa falando holandesa ao contrário.

[00:25:06] É incrível como ele não consegue fazer isso.

[00:25:08] Eu acho que nenhum giroto consegue fazer isso.

[00:25:09] O que eu achei impressionante é que ali dizia, às vezes…

[00:25:13] Mas antes que alguém fique pensando que isso é uma função de pegar só esses casos mais exóticos,

[00:25:17] eles já premiaram coisas bem mais populares.

[00:25:20] Por exemplo, tem dois ignobéis para homeopatia.

[00:25:23] O Jago Beveniste, que é o cara que supostamente mostrou a memória da água, já ganhou ele duas vezes.

[00:25:28] Ele ganhou em 91, então foi o ignóbulo de química.

[00:25:32] O primeiro prêmio da história.

[00:25:34] E o segundo que ele ganhou em 98, também foi com homeopatia,

[00:25:38] que ele mostrou que a água não só podia…

[00:25:41] Memorizar coisas.

[00:25:43] Isso, memorizar o que tivesse sido extremamente diluído dentro dela,

[00:25:47] mas que essa informação também podia ser transmitida pelo telefone.

[00:25:50] E pela internet.

[00:25:51] E pela internet.

[00:25:53] Transatlantic Transfer of Digitalized Antigens Signed by Telefone Link.

[00:25:57] Tem que ter muita cara de pau para o publicão transverso.

[00:26:00] Tem outros prêmios além desses.

[00:26:02] Ele abriu uma empresa também para vender.

[00:26:04] Ela é a mulher que diz que alega se alimentar com luz e que diz que não é necessário comer comida nem beber.

[00:26:09] Ganhou um prêmio Nobel de Nutrição, evidentemente.

[00:26:11] Até o cara da teoria lá, daquela religião ufológica.

[00:26:15] Scientology?

[00:26:16] Da Scientologia, ele ganhou o prêmio de literatura.

[00:26:19] Ah, é?

[00:26:20] Literatura fantástica.

[00:26:21] Então, na verdade, se começa a olhar os prêmios esses mais especificamente de perto pela modalidade,

[00:26:26] a coisa fica muito mais divertida.

[00:26:28] A literatura para mim é o mais engraçado que foi dado para a polícia irlandesa,

[00:26:33] porque eles deram mais de 50 multas por maior inflator que se chamava Pravo Jasd,

[00:26:40] que é um nome holandês que significa carteira de motorista.

[00:26:47] Está aqui o Ron Hubert, que ganhou pelo livro Dianética o prêmio de literatura ignobial de 1994.

[00:26:53] Mas ele era um escritor de ficção científica, não é?

[00:26:56] Não, ele era, mas o Eric Von Daniken também ganhou esse prêmio em 91, com As Caroagens dos Deuses.

[00:27:01] O editor da revista Social Text, que protagonizou o episódio do Alain Sokal,

[00:27:06] do pós-modernismo, ganhou o prêmio de 96, evidentemente.

[00:27:10] Para mim, o mais imerecido de todos.

[00:27:12] O mais legal é o de 99, de literatura, que eu até imprimi lá em casa

[00:27:15] e dei de presente para um amigo que é apreciador de chats.

[00:27:17] O biru de standards britânico publicou um manual com especificações

[00:27:22] para preparar o chat perfeitamente, corretamente, que tem 11 páginas.

[00:27:26] É impressionante, tem a especificação com miligramas e pH e volumes exatos.

[00:27:32] É uma coisa totalmente louca. E vai mais, não é?

[00:27:35] Eu acho que em relação a patentes, em 2001 teve o ignobio de tecnologia,

[00:27:40] que foi dado para um australiano e para o serviço de patentes australianos.

[00:27:44] O cara é porque ele patenteou a roda e o serviço de patentes porque ele concedeu a patente.

[00:27:50] Os dois merecem, né?

[00:27:51] Eu vou só falar um que eu gostei muito também, é um de astrofísica de 2001,

[00:27:55] do Dr. Jack and Rick Sela Van Inn e Jack Van Inn.

[00:28:00] É, mas é uma igreja.

[00:28:02] É, uma igreja que eles mostraram que os buracos negros cumprem todos os requisitos para o inferno.

[00:28:10] Eles são o inferno. Eles saíam do inferno.

[00:28:12] Saíam a entrada do inferno.

[00:28:13] O próprio.

[00:28:14] E agora eu já estou com cinco ou seis na minha cabeça, mas não vou poder contar.

[00:28:17] A gente vai resistir aqui, mas eu acho que passa um pouco a ideia.

[00:28:21] O fato desses cientistas sérios e nobeis irem lá e alguns inclusive transitaram entre os dois prêmios,

[00:28:27] teve um lorde ou um barão em inglês que fez um pedido oficial para a fundação para dar prêmios para ingleses.

[00:28:33] Não, não foi um barão, foi o Robert May, que foi um grande biólogo.

[00:28:38] Mas ele disse que estava ridicularizando a ciência inglesa.

[00:28:40] E aí os cientistas ingleses escreveram um manifesto dizendo para se catar, esquecer o cara e quererem ganhar sim.

[00:28:47] Mas os cientistas são os primeiros a fazer piada da categoria.

[00:28:51] Exatamente.

[00:28:52] O ignóbil é uma das formas que a gente tem de fazer piadas, mas não é a única.

[00:28:57] Por exemplo, se costuma, na época do 1º de abril, saem vários artigos falsos.

[00:29:03] Não chegam a ser publicados, mas eles estão distribuídos na forma de paper, completamente humorísticos.

[00:29:09] E existem artigos que são publicados.

[00:29:12] Por exemplo, existe um artigo famoso no Journal of Statistical Physics de dois americanos que eles tinham um terceiro colaborador, um italiano.

[00:29:20] E por alguma razão eles tinham, na verdade, existia esse terceiro colaborador,

[00:29:26] mas em algum momento do projeto o cara desapareceu, fez alguma coisa e eles ficaram muito bravos com ele.

[00:29:31] Então eles publicaram o artigo, assinaram e ao invés do nome real do italiano, eles colocaram, e isso está no artigo,

[00:29:40] Depois as pessoas procuram tradução porque nós não vamos traduzir, porque senão vão ser cortados.

[00:29:46] Não chega a ser um palavrão.

[00:29:48] É, mas é uma coisa meio anatômica.

[00:29:51] Não sei, mas só anatômica.

[00:29:53] Não, é escatológico, não chega a ser anatômica.

[00:29:56] E nem falamos dos prêmios da Paz, que o mais divertido é a forma como eles redigem o prêmio,

[00:30:01] sendo que um dos mais divertidos é um japonês que inventou um sistema de alarme de automóvel que aciona um lancha-chamas quando o cara tenta roubar o carro.

[00:30:08] É esse que é o prêmio Nobel da Paz.

[00:30:10] E tem vários prêmios da Paz para várias bombardeias nucleares e testes foram feitos onde não devia.

[00:30:14] O que eu acho interessante dos prêmios mais científicos, eu não sei se vocês concordam comigo,

[00:30:19] mas a minha impressão é que desde o começo, desde 1991 para cá, as escolhas foram cada vez mais científicas.

[00:30:25] Antes tinham até umas gozações que eram relatos e coisas assim.

[00:30:28] Até teve três casos no primeiro ano que foram retratados porque não eram verdadeiros, eram erros.

[00:30:33] E eu acho que essa é uma coisa interessante do prêmio porque é um desafio.

[00:30:37] De novo, pensando na possibilidade de ganhá-lo, é o desafio de fazer ciência séria e ao mesmo tempo engraçado.

[00:30:42] Existem os prêmios que ainda se prestam a não serem científicos, serem completamente humorísticos, como o da Paz, literatura.

[00:30:49] Mas os de ciência mesmo, física, química, esses em geral têm sido em relação a trabalhos publicados em revistas com revisor, revistas sérias.

[00:31:00] Enfim, eu não sei mais como citar a casa dos mais favoritos ou talvez o prêmio de 1999 de manejo de saúde, de healthcare,

[00:31:07] de sistema de saúde pública, que é uma técnica patenteada nos Estados Unidos para ajudar as mulheres a darem a luz,

[00:31:13] utilizando ela presa numa mesa circular rotando em alta velocidade.

[00:31:17] Ou seja, o bebê é centrifugado.

[00:31:20] O bebê, ao invés de chorar quando nasce, ele vomita.

[00:31:22] Se ele sobreviver, quer dizer.

[00:31:24] Então esse foi o programa Fronteiras da Ciência, a gente discutiu o prêmio ING Nobel.

[00:31:29] Então no programa de hoje estiveram o George Kuhlfeld, o Jefferson Aranzon lá de Paris e o Marco Diarte.

[00:31:37] O programa Fronteiras da Ciência é um projeto do Instituto de Física da URGES,

[00:31:42] Técnica de Gilson de César e Direção Técnica de Francisco Guazelli.