Tributo a Douglas Adams


Resumo

Este episódio do Fronteiras da Ciência, gravado ao vivo na 8ª Taverna Cética de Porto Alegre, é um tributo ao escritor, roteirista e cético Douglas Adams. Os debatedores Jefferson Aranzon, Jorge Kielfeld e Marco Hidarte exploram a vida, a obra e o legado do autor, com foco especial na sua criação mais famosa, a série O Guia do Mochileiro das Galáxias.

A discussão começa contextualizando a homenagem no Dia Mundial da Toalha (25 de maio), instituído por fãs após a morte de Adams em 2001. Eles detalham a trajetória de Adams: seu início como roteirista do Monty Python e para a BBC, onde a série radiofônica “As Muitas Destruições da Terra” evoluiu para o Guia. São abordados os cinco livros da “trilogia” (O Guia do Mochileiro das Galáxias, O Restaurante do Fim do Universo, A Vida, o Universo e Tudo Mais, Adeus e Obrigado por Todos os Peixes e Basicamente Inofensivo), sua natureza caótica e cheia de ideias, e o sexto livro escrito postumamente por Eoin Colfer.

Os participantes mergulham nos elementos icônicos da mitologia criada por Adams: o significado do número 42 como a “resposta para a vida, o universo e tudo mais”; a importância da toalha como o objeto mais útil para um mochileiro interestelar e símbolo de confiabilidade; e criaturas memoráveis como os Vogons (a raça burocrática que escreve a terceira pior poesia do universo) e Marvin, o robô deprimido. A conexão de Adams com outras comunidades também é explorada, incluindo seu trabalho como roteirista do Doctor Who, sua amizade com membros do Pink Floyd e seu ativismo ambiental, documentado no livro de não-ficção “Última Chance para Ver”.

O episódio também cobre outras obras de Adams, como os livros do detetive holístico Dirk Gently e o jogo de computador “Burocracia”. É destacado seu papel como futurólogo, com o documentário “Hyperland” prevendo conceitos de hipertexto antes da World Wide Web e sua tentativa de criar uma enciclopédia online colaborativa anos antes da Wikipédia. A visão cética e ateísta de Adams, seu humor ácido e existencialista, e como suas expressões (como “42” e “não entre em pânico”) se incorporaram à cultura popular encerram a discussão, reforçando seu status como um criador de folclore moderno.


Indicações

Conceitos-Eventos

  • Dia da Toalha (Towel Day) — Comemoração anual no dia 25 de maio, instituída por fãs após a morte de Douglas Adams em 2001, em homenagem à importância da toalha em sua obra. Pessoas carregam toalhas neste dia.

Filmes-Series

  • Doctor Who — Série de televisão britânica de ficção científica com a qual Douglas Adams trabalhou como editor de roteiros e escritor. Ele escreveu episódios como ‘Planeta Pirata’ e ‘A Cidade da Morte’.
  • Dirk Gently (série da BBC) — Adaptação para TV dos livros de Dirk Gently, produzida pela BBC, composta por alguns episódios/filmes que tentam capturar o surrealismo do personagem.
  • Hyperland — Documentário futurista escrito e apresentado por Douglas Adams em 1990, que explorava o conceito de hipertexto e uma visão de uma rede baseada em computadores, meses antes da proposta da World Wide Web.

Jogos

  • Burocracia (Bureaucracy) — Jogo de computador criado por Douglas Adams, inspirado livremente no Monopoly, mas com o tema de enfrentar a burocracia. Descrito como ‘o jogo mais profundo que existe’.

Livros

  • O Guia do Mochileiro das Galáxias (série) — A série de cinco livros (mais um sexto póstumo) que é o trabalho mais famoso de Douglas Adams. Uma comédia de ficção científica que segue Arthur Dent após a destruição da Terra, explorando o universo com humor absurdo e filosófico.
  • As Aventuras de Dirk Gently — Série de livros sobre um detetive holístico que usa métodos pouco convencionais, como a ‘busca da interconexão de tudo’ e a ‘navegação zen’, para resolver seus casos.
  • Última Chance para Ver (Last Chance to See) — Livro de não-ficção onde Douglas Adams viaja com um biólogo para documentar animais em risco de extinção. Mesmo sendo não-ficção, mantém o estilo humorístico característico do autor.
  • Starship Titanic — Um livro baseado no jogo de computador de mesmo nome criado por Adams. É uma sátira sobre a maior e ‘indestrutível’ nave da galáxia, escrita por Terry Jones (do Monty Python).
  • The Meaning of Liff — Livro escrito com John Lloyd, apresentando definições humorísticas e absurdas para palavras que são, na verdade, nomes de lugares. Comparado ao ‘Dicionário do Diabo’ de Ambrose Bierce, mas com palavras inventadas.

Pessoas

  • Monty Python — Grupo de comediantes britânicos com os quais Douglas Adams trabalhou como roteirista. Seu humor ácido e surreal é comparado e conectado ao estilo de Adams.
  • Richard Dawkins — Biólogo evolucionista e ativista ateísta. Douglas Adams era grande amigo dele e chegou a apresentá-lo à sua futura esposa, Lalla Ward (ex-atriz de Doctor Who).
  • Stephen Fry — Personalidade britânica, amigo de Douglas Adams. Disputava com Adams quem teria comprado o primeiro Apple Macintosh na Inglaterra.
  • David Gilmour — Guitarrista do Pink Floyd e amigo de Douglas Adams. Adams tocou guitarra em um concerto da banda e batizou o álbum ‘The Division Bell’.
  • Eoin Colfer — Escritor que escreveu o sexto livro da série O Guia do Mochileiro das Galáxias, ‘E Ooutra Coisa…’, após a morte de Adams, baseando-se em anotações e intenções do autor original.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Introdução ao programa e tributo a Douglas Adams — O programa Fronteiras da Ciência é apresentado, gravado ao vivo na Taverna Cética de Porto Alegre. É anunciado que o episódio será um tributo ao escritor, roteirista e cético Douglas Adams. Os debatedores Jefferson Aranzon, Jorge Kielfeld e Marco Hidarte são apresentados. A homenagem é contextualizada no Dia Mundial da Toalha (25 de maio), data instituída por fãs após a morte do autor.
  • 00:01:19A vida e as múltiplas facetas de Douglas Adams — Jorge Kielfeld introduz Douglas Adams, destacando que ele ultrapassou o status de autor para se tornar um folclore. São mencionadas suas diversas profissões e interesses: escritor, roteirista, satirista, programador, tecnófilo, ex-guarda-costas no Catar e fã incondicional do Apple Macintosh. Sua data de nascimento (11 de março de 1952) e morte precoce aos 49 anos são citadas, assim como seu trabalho inicial com o Monty Python e na BBC, onde criou a série radiofônica que originou O Guia do Mochileiro das Galáxias.
  • 00:05:01Adams como futurólogo e suas outras criações — É discutido o lado de Adams como futurólogo. Ele produziu o documentário “Hyperland” sobre hipertexto, meses antes de Tim Berners-Lee propor a WWW. Em 1999, criou um projeto de banco de dados online colaborativo sobre o Guia do Mochileiro, antecedendo a Wikipédia. Suas outras obras são mencionadas, incluindo os livros do detetive Dirk Gently, o jogo de computador “Burocracia” e sua conexão com comunidades como fãs de Doctor Who, Pink Floyd (tocou com David Gilmour) e conservacionistas.
  • 00:10:52A origem e estrutura da série O Guia do Mochileiro das Galáxias — Explica-se que a série começou como programa de rádio em 1978/79, sendo depois transformada em livros. São listados os cinco volumes da “trilogia”: 1) O Guia do Mochileiro das Galáxias, 2) O Restaurante do Fim do Universo, 3) A Vida, o Universo e Tudo Mais, 4) Adeus e Obrigado por Todos os Peixes, 5) Basicamente Inofensivo. É mencionado o sexto livro, escrito por Eoin Colfer após a morte de Adams, que retoma a história tentando seguir a intenção original do autor de dar um final mais positivo.
  • 00:15:13Encenação e explicação do enredo central por “Arthur Dent” — Jorge Kielfeld, incorporando o personagem Arthur Dent, explica o enredo central da série. A Terra foi destruída pelos Vogons para a construção de um desvio hiperespacial. Arthur escapa com seu amigo Ford Prefect (um alienígena) e é resgatado pela nave Coração de Ouro, movida a “improbabilidade infinita”. Ele revela que a Terra era, na verdade, um supercomputador construído para calcular a “pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais”, cuja resposta é 42. A busca pela pergunta correspondente move a trama.
  • 00:20:31Os Vogons e a pior poesia do universo — Os participantes descrevem os Vogons, uma raça extremamente burocrática e formal, cuja poesia é a terceira pior do universo. É lido um trecho do livro que descreve um recital poético Vogon catastrófico. Um poema Vogon gerado por computador em homenagem a Jefferson é lido, ilustrando o humor absurdo e horrível da poesia Vogon. Faz-se uma conexão irônica com escritores populares contemporâneos.
  • 00:25:44Conexões com Doctor Who e o ceticismo — É explorada a conexão de Douglas Adams com a série Doctor Who. Ele foi editor de roteiros e escreveu episódios como “Planeta Pirata” e “A Cidade da Morte”. Uma conexão pessoal é destacada: Adams apresentou a atriz Lalla Ward (que interpretou uma Time Lady e foi esposa de Tom Baker) ao biólogo Richard Dawkins, com quem ela se casou. Isso ilustra o entrelaçamento do mundo de Adams com a comunidade cética e científica.
  • 00:29:02A importância da toalha e a origem do Guia — A importância da toalha na obra é explicada em detalhes, com a leitura da passagem do livro que lista seus múltiplos usos para um mochileiro interestelar. A toalha é um sinal de responsabilidade e organização. A origem do nome “Guia do Mochileiro das Galáxias” é contada: Adams, bêbado em um campo na Áustria, olhando para as estrelas com um “Guia do Mochileiro da Europa” na mochila, pensou que deveria haver um guia para a galáxia. É mostrado um exemplar do “guia eletrônico” e explicado seu conceito ficcional.
  • 00:36:22O significado do 42 e a hierarquia da inteligência na Terra — Discute-se o significado cultural do número 42, que se tornou parte do folclore (ex.: o telescópio Allen tem 42 antenas). Adams escolheu o número por ser comum e não pretensioso. É explicada a hierarquia de inteligência na Terra segundo a obra: os humanos são a terceira espécie mais inteligente, atrás dos golfinhos (segundos) e dos ratos de laboratório (primeiros), que na verdade são seres pandimensionais que conduzem experimentos com humanos. A humanidade é revelada como descendente de Golgafrinchianos, uma parcela burocrática e inútil exilada de seu planeta.
  • 00:40:02Outras obras: Dirk Gently, jogos e ativismo ambiental — São apresentadas outras obras de Adams: a série do detetive holístico Dirk Gently, que usa métodos como a “navegação zen”; o jogo/livro “Starship Titanic”; e o livro de não-ficção “Última Chance para Ver”, sobre animais em extinção, que reflete seu ativismo ambiental. Também são mencionados livros obscuros como “The Meaning of Liff” (com definições absurdas) e seu ateísmo militante, expresso em sua visão de que não é necessário acreditar em fadas para apreciar um jardim.
  • 00:47:39Encerramento e sessão de perguntas — O programa é formalmente encerrado com os créditos dos participantes. Uma sessão de perguntas e comentários do público ao vivo se segue. Surgem questões sobre a morte de Adams por infarto, se ele teria lido a biografia de Steve Jobs, e comentários sobre a dificuldade de adaptar sua obra para o cinema, ilustrada com a cena da baleia e do vaso de petúnias criados pela improbabilidade infinita. A recomendação final é para que se leia os livros, considerados superiores às adaptações.

Dados do Episódio

  • Podcast: Fronteiras da Ciência
  • Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
  • Categoria: Science
  • Publicado: 2013-06-04T12:00:00Z

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência, da rádio da Universidade, onde discutiremos

[00:00:09] os limites entre o que é ciência e o que é mito.

[00:00:13] Fronteiras da Ciência de hoje foi gravado ao vivo na 8ª Taverna Cética de Porto Alegre,

[00:00:19] que é a versão porto-alegrense do Skeptics in the Pub, que é um encontro informal, social,

[00:00:25] que visa congregar pessoas com a mesma visão de mundo e que começou em Londres já faz uns 20 anos.

[00:00:33] O programa de hoje é um tributo a um escritor, roteirista e cético, que é o Douglas Adams.

[00:00:40] A ideia hoje do Fronteiras da Ciência e da Taverna Cética é a gente discutir esse pensador,

[00:00:46] esse escritor, esse filósofo da mitologia nerdística, que é o Douglas Adams.

[00:00:52] Os debatedores, as pessoas que vão falar sobre esse assunto, sobre o Douglas Adams e a sua contribuição

[00:00:59] ao mundo científico e ao que eu não disse a mitologia nerdística, é o Jefferson Aranzon,

[00:01:04] à sua direita, o Jorge Kielfeld e o Marco Hidarte.

[00:01:07] Eu vou começar pedindo para o Jorge aqui, que é uma pessoa mais centrada no nosso grupo

[00:01:14] e mais paramentada para falar sobre o assunto que nos introduz o Douglas Adams.

[00:01:19] A gente queria fazer uma homenagem no dia certo.

[00:01:23] O dia certo para homenagear Douglas Adams é o dia 25 de maio, que desde o ano da morte dele, em 2001,

[00:01:29] não foi o dia da morte dele, mas foi duas semanas depois que os fãs e amigos dele se reuniram

[00:01:33] e fizeram uma homenagem a ele e instituíram o Dia Mundial da Toalha.

[00:01:38] O Dia da Toalha então é uma homenagem a ele por uma brincadeira, que obviamente vai aparecer,

[00:01:42] quem conhece a obra sabe do que eu estou referindo, quem não conhece deve estar se mordendo de curiosidade

[00:01:48] e o objetivo do programa, o objetivo da noite, então, é provocá-los, provocá-los até vocês não aguentarem mais.

[00:01:55] Como é que pode, o que esse louco está fazendo ali, a toalha, o que negócio é esse?

[00:01:59] Para entenderem que isso, na verdade, é parte de uma mitologia e eu não estou inventando nada.

[00:02:04] Essas são as palavras do Klutz e do, eu esqueci o nome do outro autor, da Encyclopédia de Ficção Científica,

[00:02:10] que é o tratado mais completo de ficção científica, que considera que já dá para falar,

[00:02:15] e isso ele escreveu há dez anos atrás, já passou tempo, já dá para falar que o guia do mochileiro das galáxias,

[00:02:22] ou o guia do carona das galáxias, que é o mais conhecido dos trabalhos dele, mas tem vários outros,

[00:02:27] ultrapassou o limite de ser uma coisa de muito interesse e muita procura,

[00:02:31] não só por ter vendido 15 milhões de livros, que não é pouca coisa, mas já se transformou em um folclore,

[00:02:36] há um folclore, e não há um folclore meramente inglês.

[00:02:39] Bom, Douglas Adams é um escritor, roteirista, satirista, debochado, programador, programador de computador,

[00:02:49] fã, tecnófilo, fã de tecnologias, diz ele, e há uma controvérsia se ele é o primeiro ou o segundo,

[00:02:56] fã incondicional do McIntosh, é, ele é fã do McIntosh, e diz que ele comprou o primeiro Apple Mac da Inglaterra,

[00:03:03] lá em 1981, ou 2. O segundo ou o primeiro, porque eles disputam até hoje, é o Stephen Fry, conhecem?

[00:03:10] Muito amigo dele, grande personalidade também, vou tentar fazer um programa sobre ele um dia.

[00:03:13] Ele é um fã, um tecnófilo, ele também ex-guarda-costas, ex-depenador e cuidador de galinhas,

[00:03:19] e uma série de outros trabalhos que ele foi obrigado a fazer na sua vida de escritor,

[00:03:23] como ele mesmo dizia, muitas das vezes é uma parte do tempo mal sucedida, sendo mal pago, poucos recursos,

[00:03:29] ele é um cara muito alto, ele tinha quase 2 metros de altura, então as pessoas acham que as pessoas altas são fortes e valentes,

[00:03:35] então ele foi contratado como guarda-costas numa família muito rica no Catar, ele foi pra lá, ficou alguns meses,

[00:03:40] ele lembra desse episódio, desse período no Catar, diz um pouco sobre a personalidade dele,

[00:03:44] uma noite ele ficou lá cuidando, frente dos aposentos, onde estava a família real, o filho adolescente do patrão dele,

[00:03:51] e aí chegavam as prostitutas, faziam as fãs, e depois saíam às 4 da manhã,

[00:03:55] e uma delas, ao sair às 4 da manhã do quarto, olhando pra ele que estava ali sentado, lendo,

[00:03:59] ele era um guarda-costas, dizia assim, eu que eu invejo na tua profissão, que tu pode ler enquanto trabalha.

[00:04:06] Então, é exatamente isso, ele lia muito, escrevia muito, escrevia muito bem,

[00:04:10] ele nasceu em 1952, em Cambridge, no dia 11 de março, o nome dele era Douglas Noel Adams,

[00:04:19] ele nasceu em 1952, e trabalhou como, primeiramente como roteirista, ele queria ser escritor, de humor,

[00:04:26] e trabalhou com roteiros, vamos comentar mais detalhes, como roteirista do Monte Python,

[00:04:30] durante um tempo, trabalhou depois fazendo roteiros pro rádio, pra BBC,

[00:04:34] onde ele fez o primeiro roteiro dessa história que se chamava As Muitas Destruições da Terra,

[00:04:39] que acabou se transformando no Guia do Mochéiro das Galáxias, esse programa foi um grande sucesso,

[00:04:43] tanto que ele faz parte do Hall da Fama, do rádio na Inglaterra, ele ganhou prêmios e tal,

[00:04:47] só que ele morreu muito novo, ele morreu com 49 anos, exatamente a minha idade,

[00:04:50] me deixa um pouco assustado, por isso que a gente queria fazer essa gravação logo,

[00:04:53] porque daqui a pouco não sei também, não tem de fazer nada hoje, não, não, não,

[00:04:57] eu gostei de, depois eu vou mencionar também, ele também era, de certa ou maior forma,

[00:05:01] sendo um fã de tecnologia, programador e tal, ele fez vários jogos de computador bem famosos,

[00:05:06] meu favorito é, eu não tenho, mas já é meu favorito, se chama Burocracia, Burocracy,

[00:05:11] inspirado livremente em Monopoly, o monopólio, só que é sobre burocracia,

[00:05:16] deve ser o jogo mais profundo que existe, e ele também era um futurólogo, na real,

[00:05:21] né, por duas razões, fez duas coisas, ele, no mesmo ano em que Tim Berners-Lee propôs

[00:05:26] o projeto da WWW, que é a internet que hoje nós conhecemos, alguns meses antes,

[00:05:31] alguns meses antes, no ano de 1990, faz 23 anos, alguns meses antes ele lançou um documentário,

[00:05:36] uma TV que se chama Hyperland, que pode ser visto na internet, que é uma espécie de visão futurista

[00:05:41] de como seria uma rede baseada em computadores, e a ideia do hipertesto é o tema central,

[00:05:46] então ele não se sabe até que ponto ele também influenciou o Berners-Lee e todos os caras daquela

[00:05:50] geração para isso, esse é o primeiro passo, o segundo ele fez em 99, quando ele já estava há

[00:05:55] anos envolvido com a mitologia do Mochileiro das Galáxias, já tinha escrito também outros

[00:05:58] livros, como as aventuras de Dirk Gently, e até a gente começado o trabalho ambientalista dele,

[00:06:03] que nós vamos falar depois, e ele resolve criar um banco de dados na internet, para as pessoas

[00:06:09] irem construindo toda a informação acerca da série, dos cinco livros do Mochileiro das Galáxias,

[00:06:15] mas para ser um banco de dados construído por todos, para ser um repositório de informação

[00:06:19] para a humanidade, e o projeto dele no fundo era iniciar o guia do Mochileiro das Galáxias de verdade,

[00:06:25] então ele começou em 99, dois anos antes do lançamento do Wikipedia, mais ou menos com o

[00:06:30] mesmo algoritmo, então ele foi um futurista, o Wikipedia foi lançado no ano da morte,

[00:06:33] ele foi lançado no ano da morte dele, então várias outras coisas que vão aparecer depois,

[00:06:38] a gente pode reforçar né, aspectos da visão religiosa, só queria fazer um comentário em

[00:06:42] um nome dele, que o Jorge comentou que as iniciais são DNA, e ele nasceu praticamente um ano antes

[00:06:50] que o Watson e o Crick decifraram a estrutura helicoideal do DNA, e o Douglas Adams brincava

[00:06:56] em Cambridge, na mesma cidade que ele nasceu, e ele brincava que ele já era DNA antes deles,

[00:07:03] disputava a primazia, o Douglas Adams ele é interessante, tentar entender um pouco desse

[00:07:10] processo infinitamente complexo e confuso dele, ele é interessante porque ele representa uma série

[00:07:20] de comunidades que não se superpõe completamente, então ele é a grupa fãs de ficção científica,

[00:07:28] fãs do Dr. Who, fãs do Pink Floyd, ele era músico, tocava guitarra, ele era um guitarrista canhoto,

[00:07:37] ele tocou um concerto do Pink Floyd quando ele fez 42 anos, que vai ser um mundo recorrente no

[00:07:43] programa, então ele era amigo do David Gilmore, que é até hoje o guitarrista do Pink Floyd,

[00:07:50] ele foi convidado a tocar guitarra num dos concertos, e ele batizou um dos discos do Pink Floyd,

[00:07:56] que é o Division Bell, foi ele que escolheu o nome do disco, então ele faz parte de uma série de

[00:08:03] comunidades, comunidades conservacionistas, o único livro não de ficção do Douglas Adams é um livro

[00:08:10] sobre conservação, que ele fez uma viagem junto com um biólogo para visitar animais em extinção,

[00:08:18] embora não seja um livro de ficção, tem o estilo do Douglas Adams, é um livro extremamente engraçado,

[00:08:22] porque o Douglas Adams ele tinha essa característica, a obra dele não é uma obra onde a gente tem uma

[00:08:30] coerência, como a gente fala em física, uma coerência de longo alcance, a gente não lê os

[00:08:36] livros do Douglas Adams, porque é uma grande obra, o roteiro da história, o roteiro dele não é o roteiro

[00:08:44] quase caótico e aleatório, mas o roteiro local é o interessante, é uma sucessão, uma sucessão de

[00:08:50] ideias, são extremamente criativas, é uma metralhadora de ideias, ele tinha essa capacidade musical,

[00:08:57] que ele conseguia memorizar sequências musicais muito longas, e ele conseguia manter isso na literatura

[00:09:05] também, então ele conseguia preparar uma frase e depois ele conseguia torcer essas frases, frases longas,

[00:09:12] ideias longas, ele conseguia convolucionar essas ideias e no fim fazer uma virada inesperada, então

[00:09:20] é o interessante na obra dele, são essas viradas que a gente não espera, que são situações cotidianas,

[00:09:27] situações até banais, mas as viradas humorísticas que são a grande genialidade. Tem uma parte do livro

[00:09:34] que eu me lembro que ele começa a descrever a história de uma menina no primeiro livro,

[00:09:39] pulando de tal, aconteceu isso aqui, mas não estamos falando sobre ela, e aí o Monte Python faz um

[00:09:46] muito interessante também, longuíssimo, onde ele começa essa história de pulando de tal, mas aí

[00:09:51] ele conheceu o Ciclano e agora vamos seguir o Ciclano e vai, vai, vai, nunca pare em ninguém.

[00:09:56] Aliás, ele foi roteirista por causa disso, ele ficou muito amigo do Monte Python, do pessoal,

[00:10:00] do Monte Python, ele era amigo do Graham Chapman, inclusive fizeram projetos separados, o Monte

[00:10:05] Python não deram muito certo. Quem conhece o humor do Monte Python acho que entende um pouco

[00:10:10] do humor do… Ou seja, o humor inglês, extremamente ácido, amargo, corrosivo… E sem sentido.

[00:10:16] Não, não sem sentido, é um sentido de não ser. Eu ia dizer um negócio super profundo agora,

[00:10:21] ele me cortou o barato. Existencial, ou seja, ele puxa as questões existenciais e danifica elas.

[00:10:26] Não, tanto que o meu herói do livro é o Marvin. Marvin, pra quem não sabe, é um robô deprimido.

[00:10:32] É um robô deprimido. Portanto, a única criatura na galáxia não pode ser tratada com antidepressivos,

[00:10:38] é um robô. Mas tudo que ele fala é verdadeiro, se vocês forem ver o livro e também a versão do

[00:10:46] filme, tudo faz sentido. Bom, o livro é interessante, na verdade começou como programa de rádio.

[00:10:52] Ah, sim, por isso que a gente está fazendo a homenagem. O programa de rádio, exatamente em 78,

[00:10:55] em 79 ele fez duas séries de programas, depois ele transformou em livro. São o primeiro e o segundo

[00:11:00] livro da série, que são o Guia do Mochilheiro das Galáxias e O Restaurante do Fim do Universo.

[00:11:05] Depois ele parou um tempinho e retomou essas gravações, não as gravações, retomou como livros.

[00:11:10] Aí ele começou a escrever, não, pra roteiro, escreveu o terceiro, que já começa a mudar a tônica,

[00:11:16] vida, o universo e todo o resto, minha tradução, porque a original aqui está brava, e o quarto volume,

[00:11:22] que é Adeus e Obrigado por Todo o Peixe. E isso é importante porque quando ele lançou o quarto volume,

[00:11:26] ele dizia que era a única trilogia de quatro volumes da história. Mas não contente com isso,

[00:11:30] ele acabou lançando o quinto e último volume, que é basicamente inofensivo, Mostly Harmless,

[00:11:35] mas traduzido também. Não tem em português. E esse é o quinto livro, então é a única trilogia

[00:11:40] com cinco livros. E esse título, na verdade, é porque o Ford Prefect, que é o alienígena do

[00:11:47] Mochilheiro das Galáxias, ele na verdade ele é um correspondente do Guia do Mochilheiro. Então o

[00:11:52] verbete relacionado à terra que ele tinha feito, então ele estava vivendo na terra há anos, no

[00:11:59] Mochilheiro das Galáxias então constava no verbete simplesmente inofensivo, tudo que constava.

[00:12:04] E aí o Arthur Dent, que era amigo dele, reclamou e ele, um pouco constrangido, disse que não,

[00:12:11] que ele já tinha atualizado o verbete para a última edição e aí passou de inofensivo para

[00:12:18] praticamente inofensivo, que virou o título do quinto. Na verdade esse é o último livro escrito

[00:12:26] pelo Douglas Adams, existe um sexto livro, porque o Douglas Adams na verdade ele tinha deixado o

[00:12:32] livro que a sequência da obra ela terminasse num tom positivo. O spoiler é que o Arthur Dent,

[00:12:39] que é o protagonista de todos esses livros, no quinto ele morre, mas o Douglas Adams morreu logo

[00:12:48] em seguida e ele tinha deixado alguns comentários vendo que ele pretendia escrever um sexto volume

[00:12:54] onde terminaria um pouco melhor a história. Então quando fizeram a segunda versão radiofônica do

[00:13:01] Arthur Dent para serem fiéis a obra, então eles foram até a morte do Arthur Dent, mas para tentar

[00:13:08] um pouco recompor esse ideal do Douglas Adams eles seguiram adiante a história e na verdade o

[00:13:14] Arthur Dent não morre porque o peixe babel, não sei como a gente chama, o babelfish, ele no seu

[00:13:22] instinto de autopreservação ele acaba salvando o Arthur Dent. E esse sexto livro que retoma a

[00:13:29] história, ele ressuscita o Arthur Dent no espírito imaginado. É, a mulher dele autorizou ele a fazer,

[00:13:35] as mulheres fazem isso depois. E foi bem recebido esse livro. Mas o escritor, o nome é impossível também,

[00:13:40] que nem os personagens do Douglas Adams, Eoin Colfer, ele escreveu uma saga de seis livros aí que eu também

[00:13:46] não conheço. Em geral no programa de rádio a gente não tem que se preocupar muito com o jeito que a

[00:13:50] gente se veste, isso é uma vantagem para nós. Normalmente a gente grava de pé em geral. Mas como a gente está

[00:13:55] vivo aqui, em geral a gente não está tão bem vestido, mas com a inscrição do Jorge eu queria saber

[00:14:01] por que está vestido desse jeito. Eu? Ah, bom, você já fez a pergunta, né? Você já leu o Mochileiro das Galáxias?

[00:14:09] Deixa eu descrever para os ouvintes futuros. Tá, mas enfim, deixa eu explicar.

[00:14:14] Tem que lembrar que esse é um programa de rádio, né? Então tem que descrever.

[00:14:17] No rádio isso não ia aparecer. Não, mas eu tenho medo de causar repulsa.

[00:14:22] Tá, não dá para sintetizar numa frase. Ele está de roupão.

[00:14:25] Só roupão. Não, não, mas tem coisas além do roupão que impede. E pantufas.

[00:14:30] E pantufas. Bom, deixa eu explicar então. Quem leu o Mochileiro das Galáxias entende a homenagem

[00:14:34] que está sendo feita. Não precisa explicar nada. Entende porque só ele está assim, eu não estou,

[00:14:38] nem o Jorge. Os outros não tiveram coragem. A gente está vestido normalmente pelos mesmos motivos

[00:14:43] que ele está vestido. Quem não leu o livro deve ficar muito curioso ou curiosa com isso, eu espero,

[00:14:50] ao saber que eu estou envergando aqui o traje espacial mais importante da literatura e ficção

[00:14:56] científica desde 1968, Stanley Kubrick filmou 2001. Puxa vida. Nada menos. Um traje com profundas

[00:15:03] implicações estéticas, filosóficas e teológicas. Puxa vida 2. Quem não leu e está confuso tem uma

[00:15:13] terceira resposta. Não, mas isso é tu ou o que está no livro? Não, agora eu vou dar a terceira resposta.

[00:15:17] Eu não consigo me localizar dentro do livro. Eu expliquei quem leu e quem não leu. Agora deixa

[00:15:21] a terceira resposta. Olá, meu nome é Arthur Dent. Eu sou inglês, escapei da Terra logo antes do

[00:15:29] final do planeta, destruído por uma esquadra Vogon que veio construir um desvio hiper espacial no qual

[00:15:35] nós não sabíamos. Isso aconteceu em 1978. Vocês não sabiam? Depois eu explico porque que vocês

[00:15:40] não sabem disso. Mas aconteceu, a Terra foi destruída. Vocês estão entendendo eu falar

[00:15:44] isso perfeito de Cambridge por uma razão muito simples. Eu fiz um upgrade do meu peixe babel.

[00:15:48] Peixe babel é uma criatura pequenininha que tu coloca dentro do ouvido e ele traduz qualquer língua

[00:15:53] do universo e transmite telepaticamente para o cérebro e eu consigo entender qualquer língua.

[00:15:57] Só que a minha versão é a versão 2.0. É um upgrade e ela tem um alcance muito aberto. Vocês estão no campo

[00:16:03] de tradução do meu peixe babel versão 2.0. Espero que esteja apreciando. Está todo mundo entendendo

[00:16:07] o que eu estou falando? É tão verdade isso que o melhor tradutor que tu acha na internet chama

[00:16:14] Babel Fisher. Exato. Deixa eu explicar também que a Terra foi destruída e com ela foi um grande

[00:16:19] problema e eu estou fazendo spoilers aqui ou melhor em português traga prazeres, como alguém

[00:16:24] sugeriu, ao contar a história que a Terra foi destruída, mas ela era um grande computador que

[00:16:29] foi construído para resolver um problema muito sério que surgiu cerca de 10 milhões de anos atrás.

[00:16:34] Há 20 milhões de anos atrás, num planeta muito distante, mas nessa mesma galáxia, ao contrário

[00:16:38] do guerra nas estrelas, foi feito o maior computador de toda a galáxia e a pergunta mais

[00:16:44] importante de todas foi apresentada para ele. Qual a razão da vida, do universo e de tudo o mais?

[00:16:49] O computador processou a pergunta e disse, vou precisar pensar um pouco, tá bom. Quanto tempo?

[00:16:55] 7 milhões e meio de anos ele pediu. Tá bom, então gerações e gerações daquela civilização que

[00:17:02] cuidava do computador, aguardou, foram treinados. O computador fez o cálculo e 7,5 milhões de anos

[00:17:08] depois foi marcado a cerimônia e ele ia dizer a resposta para a pergunta. Qual o sentido da vida,

[00:17:12] do universo e de todo o resto? Reuniu todo mundo e as criaturas que são seres pan-dimensionais,

[00:17:18] que vivem em 13 dimensões, a gente apresentaram, fizeram a pergunta. Pode contar? Pode contar.

[00:17:23] Então nos diga, qual é o sentido? Fizemos isso de forma ritual, porque era a pergunta mais

[00:17:28] importante da história do universo, da galáxia. A resposta para a pergunta é 42.

[00:17:33] Talvez vocês não fiquem muito felizes com essa pergunta. E não é nem primo. 42. Não é nem número primo.

[00:17:39] Aí eles ficaram muito preocupados. Fica mais misterioso ainda. Muito misterioso.

[00:17:44] Leiam a obra para descobrir qual é o significado de 42, porque na verdade essa civilização ficou

[00:17:51] muito desesperada a partir desse momento, porque eles sabiam a resposta para a pergunta mais

[00:17:55] importante de todos os tempos, da filosofia, do pensamento, de tudo, da teologia, a explicação

[00:18:00] de tudo, de tudo e qualquer coisa para trás ou frente no tempo. Mas eles deram conta que faltava

[00:18:04] uma coisa. Eles não sabiam qual era a pergunta. Então, eles teram a resposta mas não sabiam

[00:18:08] só entendendo a pergunta, cuja resposta é 42, nós realmente vamos entender o significado da vida,

[00:18:14] do universo e de tudo. Para isso foi construído um novo computador, que levou 10 milhões de anos

[00:18:19] para fazer as contas. Lamentavelmente, cinco minutos antes de terminar e imprimir o resultado,

[00:18:24] ele foi destruído por um pequeno acidente burocrático. Eu não vou contar mais nada,

[00:18:29] porque senão é spoiler demais. Mas esse basicamente é o roteiro do Mochileiro das Galáxias,

[00:18:34] que é a busca pelo presidente da Galáxia, os Afod Biblibrox, da pergunta. Porque o que ele quer,

[00:18:44] o que ele imagina é que se descobrindo a pergunta, ele vai instantaneamente ganhar fama e fortuna.

[00:18:50] Basicamente é a motivação que a gente tem para fazer esse programa. Antes de desincorporar a fortuna

[00:18:55] e para as mulheres. Antes de voltar, Sr. Jorge Kiufei, e desincorporar o Arthur dentro, deixa eu contar

[00:18:59] que, na verdade, eu escapei minutos antes do fim da Terra, com a ajuda do meu amigo que eu não sabia

[00:19:03] que era extraterrestre, que é o Fort Perfect. Fort Perfect, isso não faz sentido aqui, só na Inglaterra,

[00:19:10] mas enfim. E ele pegou carona numa das naves que foi usada para destruir o planeta Terra,

[00:19:14] uma nave Vogon. Nós vamos falar sobre os Vogons daqui a pouco, como homenagem à literatura Vogon,

[00:19:17] que é talvez o principal ponto da noite, o ponto alto, porque elas vão precisar chamar ambulâncias

[00:19:22] aqui. Não, mas por um negócio do Vogon, esse eu já vi antes, talvez vocês comprarem um pouquinho

[00:19:28] de cerveja. Não, vão bebendo, pessoal, aí ó, o pessoal tem bastante estoque. Mas enfim, esses Vogons

[00:19:34] são muito mal-humorados, eles nos expulsaram, eu e o Ford, da nave, jogando no vácuo do espaço. E bom,

[00:19:40] qual é a probabilidade de tu sendo ajetado no espaço do vácuo do espaço, tu ser capturado

[00:19:45] por uma nave onde tem pessoas conhecidas dentro? Qual é a probabilidade disso, no espaço? Muito

[00:19:50] baixa. De fato, nós somos recuperados por uma nave chamada Coração de Ouro. O nome é tão doce, né?

[00:19:55] Coração de Ouro, que é movido por um motor de improvabilidade infinita. Então, vocês vão entender

[00:20:01] como funciona o universo Douglas Adams, naves movidas a improvabilidade infinita. Mas essa é a nave

[00:20:07] mais poderosa da galáxia até o primeiro volume, porque no segundo volume aparece uma mais poderosa

[00:20:12] e eficiente ainda, que é parecida com esse lugar aqui, que é o Bistromatic, o sistema Bistro. Mas esse

[00:20:18] eu não vou explicar, vocês vão ter que ler pra saber. Ok, eu sou o Jorge de novo, desculpa, eu disse uma bobagem?

[00:20:22] Não. Eu acho que a gente já que tocou nos vogons, a gente podia falar um pouco. Os vogons são uma raça,

[00:20:31] uma espécie, que eles eram tão feios, que em um certo momento a própria seleção natural se recusou

[00:20:40] a continuar melhorando a espécie. Aliás, eles tiveram que apelar pra cirurgia plástica. No próprio filme tem

[00:20:48] uma explicação evolutiva darwiniana pra mentalidade. Os vogons é o povo mais burocrático e formal que

[00:20:55] existe. Eles não fazem nada, nem salvar a própria mãe do incêndio sem um pedido em três vias carimbado

[00:21:00] e registrado com antecedência de duas semanas. Eles são muito burocráticos e a razão disso, ser em mente,

[00:21:05] tão toscas, é que naquele planeta existem criaturas que na detecção de qualquer pensamento, numa

[00:21:10] criatura num raio de um metro… Pensamento original. Pensamento original. Você quer começar a pensar,

[00:21:14] você percebe um tapa na cara. Então, por um processo pavloviano e darwiniano simultaneamente,

[00:21:19] eles foram selecionados a ficarem todos burocráticos. E por isso também eles ficaram com o nariz na testa,

[00:21:24] porque daí… Exato, o nariz foi trocado do lugar pra aguentar porque é uma porrada. No filme tá bem

[00:21:29] mostrado isso. A poesia vogon é, como todos sabem, a terceira pior do universo. Em segundo lugar, vem a

[00:21:35] poesia dos Asgots de Crete. Durante um recital do seu poeta-chefe, Gruntas, o bombástico, ele leu sua

[00:21:42] testa ao pedacinho de ranha verde que encontrei no meu sovaco numa manhã estival. Quatro pessoas

[00:21:48] na platéia morreram de hemorragia interna. E o presidente do conselho do Centro Galáxico de

[00:21:53] Marmelada Artística só conseguiu sobreviver roendo sua própria perna até gastá-la completamente.

[00:21:58] Conça que Gruntas ficou decepcionado com a reação da platéia. E já ia começar a ler sua epopeia em

[00:22:04] 12 tomos, intitulada Meus Gargarejos de Banheira Favoritos, quando seu próprio intestino grosso,

[00:22:09] uma ativa desesperada de salvar a vida e a civilização, pulou para cima, passando pelo

[00:22:13] pescoço de Gruntas, estrangulou-lhe o cérebro. A pior poesia de todas desapareceu juntamente com

[00:22:20] a sua criadora, uma terrestre chamada Paula Nance Milston Jennings, de Greenbridge, Essex,

[00:22:25] Inglaterra, com a destruição do planeta. Esse nome ele é inspirado num amigo de infância do

[00:22:31] Douglas Adams, que é Paul Johnston, que também era poeta e na primeira versão radiofônica ele usou

[00:22:38] o nome do amigo, que ficou muito chateado, então na versão escrita ele mudou, ele fez uma variação

[00:22:43] do nome. É bom ler um poema do cara para entender porque ele era o pior poeta do universo. Eu trouxe um

[00:22:49] poema aqui, que eu fiz uma tradução rápida. É muito bom, as pessoas sensíveis tem que se retirar da sala,

[00:22:54] as crianças da sala. Será que é pior que aquele poema? Tenção, respirem fundo. Porque esse aqui é um poema

[00:23:00] supostamente inventado para ser horrível, é um poema de verdade. O cisnes mortos

[00:23:07] estão na piscina estagnada, eles estão ali, eles apodreceram, eles giram ocasionalmente,

[00:23:15] pedaços de carne caem de vez em quando e afundam na lama da piscina, eles também fedem bastante.

[00:23:23] Ok, espero que todos sejam bem. A gente pensou em fazer um concurso de poesia vogon aqui. Existe na

[00:23:29] página da BBC, existe um gerador de poemas vogons, então vocês colocam alguns dados, nomes, etc.

[00:23:35] Eu gerei um em homenagem ao Jefferson, se vocês querem ouvir. Esse é um típico poema vogon, feito pelo

[00:23:42] Vogon Poem Generator da BBC, que é uma rede educativa inglesa, como vocês sabem. Não, é sério, é deles.

[00:23:49] Veja, não é aquele, Carla, é outro. A minha mulher me censurou, mas tudo bem. Veja, veja o corajoso céu

[00:23:58] maravilhoso, nossas grandes profundidades amarelo-limão. Diga-me, Jefferson, você se importa por que o gato

[00:24:06] lhe ignora? Por que ele expressa de forma tão espantosa o seu sentimento de horror? Por que você está tão

[00:24:15] preocupado com essa asquerosa, esse asqueroso crescimento facial que parece uma gelatina? Mas

[00:24:22] você sugando esse pote cheira um burocrata. Tudo sob esse grande e corajoso céu pergunta,

[00:24:29] por que se importar se apenas os seprestes têm charme?

[00:24:34] É bonitinho. Não precisa beijar, não precisa beijar.

[00:24:44] Bem, então, eu fico emocionado aqui. Eu se preço naquela parte, eu se preço no final, puxo a vila.

[00:24:51] Essa é a versão educada. Eu tinha uma anterior, mas a patrona aprovou, então eu me identifiquei muito.

[00:24:58] Talvez, no próximo vídeo, nós façamos um concurso em poesia Vogon, que realmente é interessante.

[00:25:02] Tem tanto escritor Vogon por aí. Por exemplo, o cara que mais vende livros no Brasil, e talvez no mundo,

[00:25:08] é um Vogon, que trabalhava como assessor estético e cultural para o Raul Seixas,

[00:25:16] que eu, pessoalmente, nunca fui muito fã. Mas, conhecendo a sua obra posterior, eu entendo o que aconteceu.

[00:25:22] Sim, mas depois que ele passou a escrever, sobe, eu acho que piorou, né?

[00:25:25] Aí piorou. Nós pensamos fazer um concurso poesia Vogon e ler trechos desse escritor,

[00:25:30] que não vamos pronunciar, para não ser processados pela rádio, mas todo mundo sabe do que eu estou falando.

[00:25:35] Não, realmente, as pessoas têm derrames mesmo, mas aí não são hemorragias internas cerebrais,

[00:25:40] e nós não temos ambulâncias suficientes aí na frente. Obrigado.

[00:25:43] Próximo.

[00:25:44] Eu queria fazer outra conexão interessante, que é o Douglas Adams e o Doctor Who,

[00:25:50] que tem bastante pessoas aqui que se interessam pela série.

[00:25:54] O Douglas Adams, ele propôs o roteiro inicial do mochileiro para a produção do Doctor Who,

[00:26:01] e depois ele foi contratado como editor de roteiros para a 17ª temporada.

[00:26:08] Ele escreveu o roteiro de três séries, não lembro se foram três arcos completos ou três pedaços de arco,

[00:26:17] que é o Planeta Pirata, a Cidade da Morte e o Chada, que por alguns problemas burocráticos,

[00:26:25] disputas de copyright, ele chegou a ser filmado, mas não chegou a ser produzido.

[00:26:30] Talvez, tem que fazer um pequeno parêntese aqui. Quem é que sabe o que é Doctor Who?

[00:26:34] E quem sabe o que é arco?

[00:26:36] Então, Doctor Who é uma série inglesa que começou há 50 anos atrás, é talvez a mais antiga série de todos.

[00:26:44] Obviamente, nenhum ator poderia manter a série tanto tempo, então eles usam um subterfúgio,

[00:26:49] que é o Doctor, quando ele morre, ele se regenera, e eles aproveitam e trocam o ator.

[00:26:56] Ele está com 900 anos agora e está na 11ª Regeneração atualmente.

[00:27:00] Então, a série continua até hoje, e até hoje ainda existe a influência da obra do Douglas Adams,

[00:27:07] porque se faz referência ao Mochileiro das Galáxias, até teve um episódio recente,

[00:27:13] que acho que foi Os Anéis de Akaten, algo assim, onde eles vão ao mercado e tem vários seres alienígenas,

[00:27:21] e um dos seres, acho que é Vupulu, algo assim, que é uma referência a ser uma espécie alienígena do Mochileiro das Galáxias,

[00:27:30] que é um tom de azul super inteligente.

[00:27:33] Então, existem essas referências cruzadas, tanto no Mochileiro, quanto no Doctor Who, até hoje,

[00:27:39] mas uma coisa interessante, porque o Douglas Adams conseguiu, na vida real, fazer um grande amarramento

[00:27:46] do Mochileiro, o Doctor Who e a comunidade cética.

[00:27:50] Então, teve uma das companheiras do Doctor Who, que, deixa eu pegar o nome dela aqui, que é a Lala Waugh,

[00:27:58] que ela era uma time lady, o doutor…

[00:28:02] Um acompanhante do Doctor Who?

[00:28:04] Não, ela foi uma acompanhante, mas da mesma maneira como o doutor era um time lord, um senhor do tempo,

[00:28:11] ela era uma time lady, e ela foi companheira do quarto do doutor, que era o Tom Baker,

[00:28:19] ela foi esposa do Tom Baker na vida real, e o Douglas Adams, como ele era muito amigo do Richard Dawkins,

[00:28:27] depois que ela se separou do Tom Baker, ele apresentou os dois, então ela é a atual esposa do Richard Dawkins.

[00:28:35] Richard Dawkins, para quem não conhece, biólogo, evolucionista, escreveu vários livros e até um militante.

[00:28:40] E como na internet a gente começa a ir atrás de link, atrás de link, e ela também é bisneta

[00:28:46] da primeira pessoa que morreu em um acidente automobilístico.

[00:28:49] E isso foi uma demonstração típica de um livro do Douglas Adams.

[00:28:55] Vê como ele influencia as pessoas, né?

[00:28:59] Outra coisa importante também é entender por que eu estou segurando uma toalha aqui.

[00:29:02] Sim, a parte da toalha.

[00:29:03] E essa toalha é uma coisa muito importante mesmo, essa toalha, por que se chama dia da toalha?

[00:29:08] Não, é só para secar o solo.

[00:29:09] O guia, no seu caso eu já uso para isso também, mas essa é uma das utilidades.

[00:29:14] Um guia do Mochileiro das Galáxias, que dá o nome ao livro, o primeiro livro e a toda a série,

[00:29:18] depois eu vou falar o que ele é, faz algumas afirmações a respeito de toalhas.

[00:29:22] Segundo ele, a toalha é um dos objetos mais úteis para um carona ou mochileiro interestelar,

[00:29:28] em parte devido ao seu valor prático.

[00:29:30] A toalha pode servir de agasalho quando se atravessa as frias luas de beta de Jaglu-1.

[00:29:34] Pode-se deitar sobre ela nas reluzentes praias de mármore de Santra Ginos 5,

[00:29:39] respirando os inebriantes vapores marítimos.

[00:29:42] Pode-se dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham com luz vermelha sobre o mundo desértico de Cacrafum.

[00:29:48] Pode-se usá-la como vela para descer numa mini jangada as águas lentas e pesadas do rio Moth.

[00:29:53] Pode-se humedecê-la e utilizá-la para luta,

[00:29:55] e também pode-se enrolar em torno da cabeça para proteger de emanações tóxicas,

[00:30:00] ou evitar o olhar da besta voraz de Traal, um animal que tem uma burrice inconcebível,

[00:30:05] que acha que se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você.

[00:30:09] Ele é estúpido como uma anta, porém muito, muito voraz.

[00:30:13] Antas não são tão vorazes.

[00:30:14] Pode-se também agitar uma toalha em situações de emergência para chamar auxílio,

[00:30:18] e naturalmente pode-se usá-la para enxugar o corpo se ela ainda estiver razoavelmente limpa.

[00:30:22] Se ela ainda não estiver razoavelmente limpa, existe uma alternativa,

[00:30:24] caso você seja um náufrago num planeta desabitado,

[00:30:28] você pode utilizar a tua toalha suja para crescer fungos e produzir proteínas para te alimentar,

[00:30:33] lambendo-a regularmente.

[00:30:35] Mas está escrito ou inventado?

[00:30:36] Eu estou lendo o Guia do Mochilheiro das Galáxias.

[00:30:38] Aliás, tem que explicar também o porquê que esse livro se chamou o Guia do Mochilheiro das Galáxias.

[00:30:43] A história é que ele teve um site tomando um porre em Innsbruck, na Áustria,

[00:30:48] lá nos anos 70, onde ele se atirou num campo…

[00:30:50] Aliás, é frio para burro lá, não sei o que…

[00:30:52] Ele foi numa fase que ele não estava conseguindo obter sucesso com o que ele escrevia,

[00:30:57] porque o humor dele ainda não era muito bem entendido.

[00:31:00] Então ele fez uma série de coisas e saiu em viagem pelo mundo.

[00:31:03] Ele tinha tomado um porre, se atirou no meio de um trigal lá, sei lá,

[00:31:07] e ficou olhando para o céu estrelado,

[00:31:09] e ele tinha na mochila dele o Guia do Mochilheiro da Europa,

[00:31:13] que é um guia bem conhecido, que tem, na forma de uma enciclopédia,

[00:31:16] todas as informações sobre os lugares que pode ir, vários aí devem conhecer esse livro.

[00:31:19] Ele pensou, eu queria ir lá para cima, parece mais divertido,

[00:31:21] deveria ter um guia do Mochilheiro da Galáxia,

[00:31:24] e ele guardou esse nome para futuras referências.

[00:31:26] Mas tem que explicar o que é o Guia do Mochilheiro das Galáxias,

[00:31:29] eu tenho um exemplar aqui,

[00:31:30] é um exemplar, a última versão editada no Planeta da Terra,

[00:31:34] é um livro eletrônico, evidentemente,

[00:31:36] que pode ser consultado,

[00:31:38] e tem escrito em gentis letras na capa,

[00:31:40] brilhante, aqui está apagado porque o meu é velho,

[00:31:42] não entro em pânico.

[00:31:43] Para os ouvintes, ele está mostrando o que parece ser um…

[00:31:46] Um exemplar dele, eu já explico até o que é esse exemplar,

[00:31:49] eu tenho que explicar o que é o Guia.

[00:31:50] Um gadget eletrônico escrito Don Peney.

[00:31:52] É, o Guia é o seguinte, é um livro extraordinário,

[00:31:55] não é um livro terrestre,

[00:31:57] mas já foi publicado na Terra apenas o aparelho.

[00:32:00] Nós não temos ainda, infelizmente,

[00:32:02] a conexão que permite ter acesso aos dados, bancos de dados,

[00:32:05] que estão em Ursa Menor Beta,

[00:32:07] que é onde está o Urbo…

[00:32:08] Nem as baterias, né?

[00:32:09] Nem as baterias que aguentam esse tipo de sinal tão potente,

[00:32:12] porque lá estão os bancos de dados do Guia inteiro,

[00:32:14] que é a informação da galáxia inteira.

[00:32:16] Isso vai ser possível quando nós atingirmos a comunicação 7G,

[00:32:19] então aguardem, ainda falta um pouco.

[00:32:21] De fato, tem um problema, a empresa mundial,

[00:32:23] a corporação mundial que comprou os direitos do Mochilheiro,

[00:32:26] não tem a conexão, mas já tem o aparelho,

[00:32:28] que é isso que eu mostrei para vocês,

[00:32:30] e eles tiveram a indecência, como eles fazem, as corporações são terríveis,

[00:32:33] eles tiraram três das quatro palavras do nome deles,

[00:32:36] mas não se assustem, é o mesmo aparelho,

[00:32:37] e quando nós tirarmos 7G, vamos poder…

[00:32:39] Não obstante, é um livro extraordinário, na verdade,

[00:32:42] foi provavelmente o livro mais extraordinário

[00:32:43] de quando foram publicadas pelas grandes editoras de Ursa Menor Beta,

[00:32:46] editoras das quais nenhum terraque ouviu falar até agora.

[00:32:49] O livro não é apenas uma obra extraordinária,

[00:32:50] como também um tremendo best-seller lá fora,

[00:32:53] mais popular que a enciclopédia celestial do Lar,

[00:32:56] mais vendido que 53 coisas para se fazer,

[00:32:59] em gravidade zero,

[00:33:01] mais polêmico que a colossal trilogia filosófica de Oulun Colúfid,

[00:33:06] onde Deus errou,

[00:33:07] mais alguns grandes erros de Deus,

[00:33:10] e quem esse tal de Deus, afinal?

[00:33:12] Em muitas das civilizações mais tranquilas da orla oriental da galáxia,

[00:33:17] o Mochilheiro das Galáxias já substituiu a grande enciclopédia galáctica

[00:33:21] como repositório padrão de todo conhecimento e sabedoria,

[00:33:23] pois ainda que contenha muitas omissões e textos apócrivos,

[00:33:27] ou pelo menos terrivelmente incorretos,

[00:33:29] ela é superior à obra mais antiga e mais prosaica

[00:33:31] em, no mínimo, dois aspectos importantes.

[00:33:34] Caso não saibam, a enciclopédia galáctica

[00:33:36] foi mencionada em um outro livro de um outro autor de textos científicos.

[00:33:39] Foi criada, na verdade, pelo Pelózimoz.

[00:33:41] Foi criada pelo Isaac Azimov.

[00:33:42] As duas razões de porquê o Mochilheiros é mais popular que a enciclopédia.

[00:33:47] Em primeiro lugar, ele é geralmente mais barato.

[00:33:49] Em segundo lugar, traz estampado na capa,

[00:33:51] em letras garrafais e amigáveis, a frase não entra em pânico.

[00:33:56] Faltou explicar, fazer a conexão do guia do Mochileiro das Galáxias e a toalha.

[00:34:02] Então, a toalha, na verdade, é um sinal de responsabilidade.

[00:34:09] Então, se um viajante é capaz de saber onde está a sua toalha,

[00:34:15] ele deve ser um cara organizado, confiável,

[00:34:18] então qualquer pessoa daria carona para ele.

[00:34:20] O cara pode estar perdido numa barra funda da galáxia,

[00:34:25] mas ele sabe onde está a sua toalha.

[00:34:27] Esse caroneiro dá para confiar, ele não é um serial killer.

[00:34:29] Então, a maneira de pegar carona em discos voadores é ter sempre à mão a sua toalha.

[00:34:36] A roupa, o resto da roupa, é contingencial,

[00:34:40] porque o Arthur Denton foi acordado,

[00:34:42] ele estava se vestindo quando tentaram demolir a casa dele.

[00:34:46] Então, ele saiu vestido desse jeito.

[00:34:47] Não é que precise de roupão e pantufas para viajar, o que precisa mesmo é a toalha.

[00:34:52] Exato, a toalha é fundamental, o resto é uma roupa de astronauta básica na série.

[00:34:56] Inclusive, na semana passada, em comemoração do Dia da Toalha, na Noruega,

[00:35:01] teve uma companhia de ônibus que distribuiu toalhas grátis com microchip,

[00:35:05] e com esse microchip as pessoas podiam subir e andar de graça nos ônibus.

[00:35:09] Então, podiam pegar carona nos ônibus no Dia da Toalha.

[00:35:12] Só com essas toalhas.

[00:35:14] Aliás, a mitologia, como eu falei que o ciclopédia mencionou do John Cluth e do Peter Nichols,

[00:35:19] lembrei o nome do cara, dizia que ele já é folclore, vejo que o 42 virou parte do folclore.

[00:35:24] Só para vocês terem uma ideia, o maior telescópio voltado ao estudo de civilizações extraterrestres agora,

[00:35:29] que é o ALLEN, que foi inaugurado há pouco tempo atrás, tem 42 antenas, em homenagem ao Douglas Adams, por exemplo.

[00:35:38] Que mais?

[00:35:39] Tem uma série de influências.

[00:35:41] O Peixe Babel, aquele tradutor que eu mencionei, que vocês permitiram entender, o cara que incorporou em mim,

[00:35:45] deu o nome ao primeiro tradutor eletrônico online, que foi promenso pelo site Alta Vista, lá em 1990.

[00:35:51] Mas agora é importante também.

[00:35:53] Ele foi comprado pelo Yahoo, depois pela Microsoft, e a Microsoft tirou o nome Babel, infelizmente.

[00:35:57] Mas mais do que isso, essas expressões, todas elas foram incorporadas à língua inglesa.

[00:36:02] As pessoas já não têm mais nem a noção da origem,

[00:36:06] mas o uso agora, 42, adeus e obrigada por todos os peixes, a vida, o universo e tudo,

[00:36:11] são expressões corriqueiras na língua inglesa.

[00:36:14] Mas não se limita ao inglês, o sucesso do Douglas Adams é mundial.

[00:36:19] Quanto ao 42, alguém está preocupado com esse número, que eu acho que vocês deveriam estar,

[00:36:22] afinal ele é a resposta para tudo, e quem não quer saber essa pergunta,

[00:36:25] pelo menos todos aqui tem uma inclinação filosófica,

[00:36:27] perguntaram para ele como escritor, mas por que 42?

[00:36:30] Por que não pegou o número primo, pi, uma coisa mais legal, mais nerd?

[00:36:34] Ele disse, não, eu escolhi um número do tipo de número que eu poderia apresentar

[00:36:38] sem ter muita vergonha para os meus pais.

[00:36:40] Ele é uma pessoa razoável, foi estudante de Cambridge, é uma pessoa que tem…

[00:36:47] Sempre muita formalidade.

[00:36:48] Uma das afirmações muito interessantes do livro é sobre a inteligência dos animais,

[00:36:54] ele afirma que o ser humano, quando ele está descrevendo a Terra,

[00:36:58] ele afirma que o ser humano é o terceiro mais inteligente que vive naquele planeta,

[00:37:02] o segundo sendo os golfinhos, e o primeiro, depois a gente descobre,

[00:37:09] são os ratos de laboratório que passaram, na grande parte da sua vida,

[00:37:12] fazendo experimentos com pessoas.

[00:37:16] Ironicamente, eu trabalho com ratos.

[00:37:18] Isso, pois é.

[00:37:20] Mas na verdade eu estou protegendo eles.

[00:37:22] Mas ele não fez ainda o que os ratos pediam.

[00:37:24] Não, mas ele acha isso.

[00:37:27] Na verdade…

[00:37:28] Não, quer dizer, ele é um daqueles espécimes que você acaba tirando da…

[00:37:31] É.

[00:37:31] Quer dizer, não, esse aqui eu vou descartar.

[00:37:33] Mas eles não morrem, esses ratos, porque eles são pandimensionais,

[00:37:36] na verdade eles continuam existindo.

[00:37:38] Mas na verdade o ser humano na Terra, é bom saber isso,

[00:37:41] porque para entender o lado existencial que ele diz que era sem sentido,

[00:37:45] na verdade tem muito sentido.

[00:37:46] É um humor corrosivo e existencialista,

[00:37:48] de sentido assim, qual é o sentido da vida e de tudo,

[00:37:50] ele está o tempo todo analisando isso.

[00:37:52] Nos dois primeiros filmes, dos primeiros livros,

[00:37:54] ele foi muito, seu humor, quase pastelão.

[00:37:57] Ácido, mas, assim, jovial.

[00:38:00] Depois ele foi ficando progressivamente mais amargo.

[00:38:03] Vido o universo do mais, já é um anúncio.

[00:38:07] Adeus e obrigados por todo o peixe,

[00:38:09] que é a emigração dos golfinhos para fora da Terra.

[00:38:11] É que os golfinhos já sabiam que até ia ser destruído.

[00:38:14] É importante explicar que os golfinhos

[00:38:16] é a segunda espécie mais inteligente do planeta.

[00:38:17] É, o que eu tinha falado um pouco.

[00:38:18] A espécie humana se achava a espécie mais inteligente,

[00:38:24] porque eles tinham feito grandes obras, grandes conquistas,

[00:38:27] e olhavam os golfinhos e o que que os golfinhos faziam?

[00:38:30] Eles ficavam brincando e fazendo sexo todo o tempo.

[00:38:33] Já os golfinhos achavam que eles eram a espécie mais inteligente

[00:38:36] exatamente pelos mesmos motivos.

[00:38:39] Olhando de perto e se tu pegar novelas,

[00:38:41] apenas é exatamente o que tu vai ver.

[00:38:42] Bom, nós somos a terceira espécie mais inteligente do planeta.

[00:38:45] A primeira são esses ratos plandimensionais.

[00:38:48] Não são ratos, né?

[00:38:49] E, aliás, nós nem sequer somos desse planeta.

[00:38:51] Mas, para entender isso, vocês vão ter que ler o livro.

[00:38:53] Na verdade, a humanidade foi toda dizimada.

[00:38:55] Nós, na verdade, somos todos descendentes de Golgafrungianos,

[00:38:59] que é um planeta que teve uma decisão sábio, no determinado momento.

[00:39:03] Eles se irritaram com a parte da população burra,

[00:39:05] chata, burocrática e mentalmente debatível.

[00:39:09] E botaram esse um terço da civilização deles

[00:39:12] dentro de uma gigantesca nave e disseram, fora daqui!

[00:39:15] E eles naufragaram na Terra.

[00:39:18] Mais ou menos na época dos Neandertais,

[00:39:21] a cerca de 200 mil anos atrás.

[00:39:23] E, na verdade, eles levaram extinção aos Neandertais e substituíram.

[00:39:26] E nós todos somos descendentes deles.

[00:39:27] O que explica muitas características da humanidade.

[00:39:29] Então, a humanidade não é terrestre.

[00:39:32] E tu ia até falar quem eram esses…

[00:39:34] Os Golgafrungianos.

[00:39:36] Não, não, mas os tipos de pessoas selecionados.

[00:39:38] Lá tinha burocratas, cabeleireiros, desculpe se eu tenho algum,

[00:39:42] mas, enfim, limpadores de telefones.

[00:39:46] Aliás, eu não sei que profissão é essa,

[00:39:48] mas dizem que os dois terços restantes da civilização,

[00:39:50] que eram os que pensavam e os que faziam coisas,

[00:39:53] é assim que se definiam,

[00:39:54] que ficaram no planeta felizes e aliviados,

[00:39:56] morreram numa epidemia de germes causados por telefones sujos.

[00:39:59] Tanto suas ironias.

[00:40:02] Bom, é interessante saber que ele não ficou só no monchilheiro,

[00:40:05] nem no Doctor Who, nem no Monty Python,

[00:40:08] que tem esse estilo surrealista que a gente tenta mimular,

[00:40:10] mas é difícil,

[00:40:11] ele escreveu também outros livros bem amargos

[00:40:13] da fase mais escura e sombria dele,

[00:40:15] que é as aventuras de um detetive que chama Dirk Gently,

[00:40:19] cujo nome já é um oxímero,

[00:40:21] o que é um oxímero, uma combinação de coisas contraditórias?

[00:40:23] Dirk é uma daga e também o verbo perfurar,

[00:40:26] apunhalar, gently.

[00:40:28] Então, apunhalar gentilmente.

[00:40:31] E esse personagem, cujo nome é croata,

[00:40:35] Chávi Tchéli, que significa mestre do todo,

[00:40:39] ele é um detetive holístico,

[00:40:40] ele utiliza uma técnica para descobrir os casos deles que é única,

[00:40:43] que se chama a busca da interconexão de tudo,

[00:40:48] buscando resolver a totalidade do crime

[00:40:50] e compreender todo o criminoso,

[00:40:53] usando métodos pouco convencionais,

[00:40:55] que o que torna difícil é ele receber o pagamento dos seus contratantes,

[00:40:59] ele diz que nunca recebeu de nenhum,

[00:41:01] porque, por exemplo, descobrir, às vezes, um crime,

[00:41:03] exige passar três semanas numa praia nas Bahamas,

[00:41:05] e eles acham que isso é outra coisa,

[00:41:06] mas na verdade ele precisa,

[00:41:07] porque ele está em busca da interconectividade entre todas as coisas.

[00:41:10] Dirk Gently também utiliza, quando se perde,

[00:41:12] uma método que eu, pessoalmente, uso bastante,

[00:41:15] que é a navegação zen.

[00:41:16] Quando você está perdido,

[00:41:17] você procura algum carro ou bicicleta ou moto que esteja se deslocando,

[00:41:22] procura aquela que pareça mais determinada no seu movimento e siga ela.

[00:41:28] Normalmente, você não vai chegar onde você queria chegar,

[00:41:30] mas provavelmente, diz ele, você vai chegar onde você deveria chegar.

[00:41:35] Então, é um método muito funcional,

[00:41:37] e nós usamos muitas vezes, e funciona, nossos perdidos.

[00:41:40] Dirk Gently vale a pena ler, que eu saiba não está traduzido,

[00:41:43] mas já tem uma série da BBC em três capítulos ou quatro,

[00:41:47] em filmes muito bons, do ano retrasado, que vale a pena ver,

[00:41:49] tentativa de filmar esse personagem completamente surrealista.

[00:41:53] Ele também fez vários videogames, um deles virou um livro,

[00:41:56] que foi escrito não por ele, porque ele não tinha tempo a escrever,

[00:41:59] que é Nave Estelar Titanic.

[00:42:03] É a história da maior nave que já foi construída na história da galáxia,

[00:42:07] considerada indestrutível por tudo e tudo que qualquer coisa pudesse acontecer,

[00:42:12] nem supernovas poderiam destruí-la, já entenderam a mensagem.

[00:42:17] É divertidíssimo, não está traduzido também,

[00:42:20] mas foi escrito pelo Terry Jones, um dos Monty, Monty Pythons,

[00:42:23] que trabalhou junto com ele no roteiro do game, do jogo.

[00:42:26] Divertidíssimo também, e basicamente, a nave é, obviamente, a funda,

[00:42:30] mas não por um iceberg, mas o iceberg é a burocracia gigante

[00:42:34] da empresa galáctica, da empreiteira que estava fazendo ela.

[00:42:37] Mistério, não é?

[00:42:39] Quem?

[00:42:42] Terry Jones dirige Brasil Filme, entre outros.

[00:42:45] É o mesmo tema de temática, aqui estão os livros do Dirk Gently,

[00:42:49] chamam Agências Detetives Holísticas, Dirk Gently,

[00:42:52] e A Longa e Escura Tarde de Chá da Alma.

[00:42:57] Ou melhor, desculpe, A Longa e Escura, O Lungo e Escuro Chá da Tarde da Alma,

[00:43:03] desculpe, que é o livro mais complexo que ele alega ter escrito.

[00:43:06] No terceiro livro, ele não decidiu se ia ser continuação do Dirk Gently

[00:43:10] ou do motileiro das galáxias.

[00:43:12] Por isso o Salmão dá dúvida.

[00:43:14] Daqui os 11 capítulos que ele deixou antes de morrer,

[00:43:16] ninguém sabe como termina.

[00:43:18] Na verdade, ficou estranho mesmo.

[00:43:20] E tem também o Última Chance para Ver, o Last Chance to See,

[00:43:23] que é o livro de no ficção, onde ele vai viajando

[00:43:27] e estudando esses animais em risco de extinção.

[00:43:31] Esse episódio é importante, porque o Adams foi um amante da ciência,

[00:43:36] um defensor da ciência.

[00:43:38] E foi numa dessas viagens que ele realmente se interessou pelo assunto,

[00:43:43] numa conversa com esse co-autor.

[00:43:45] O co-autor disse que não notou nada demais na conversa.

[00:43:48] Carl Wardyne é o nome dele.

[00:43:50] Mas foi numa discussão onde ele estava explicando a importância

[00:43:54] da conservação das florestas topicais.

[00:43:56] Ele foi promotor da iniciativa do Salve dos Gorilas,

[00:44:00] e salve os rinocerontes.

[00:44:02] E ele fez uma marcha, essa marcha era feita na Inglaterra,

[00:44:05] e foi feita pela primeira vez lá no Kenya mesmo.

[00:44:07] É uma fundração, na verdade.

[00:44:09] Eles eram uma marcha, pessoalmente,

[00:44:11] subiram o monte que lhe manjaram, fantasiados de rinoceronte.

[00:44:13] Ele estava, né?

[00:44:15] Ele caminhou fantasiado,

[00:44:17] mas só na parte plana, que não é louco.

[00:44:19] O cara que fazia a encenação, que era um bonequeiro,

[00:44:21] que subiu a montanha mesmo,

[00:44:23] e eles sobreviveram.

[00:44:25] Tem um documentário…

[00:44:27] Se eles não sobrevivessem, seria interessante,

[00:44:29] porque os rinocerontes realmente estavam em risco.

[00:44:31] Tem uma série de TV também,

[00:44:33] com a Última Chance para Ver.

[00:44:35] Esse livro está traduzido.

[00:44:37] Eu, principalmente, não li.

[00:44:39] Eu li, é muito bom.

[00:44:41] Essa coisa que tem as palestras…

[00:44:45] Até hoje tem as palestras dessa…

[00:44:47] Sim, são conferências.

[00:44:49] São conferências anuais.

[00:44:51] São conferências anuais.

[00:44:53] Eles angariam fundos para essas…

[00:44:57] Eu esqueci o nome da…

[00:44:59] Essa fundação.

[00:45:01] Falando em coisas obscuras,

[00:45:03] ele também fez outros dois livros completamente intradutíveis,

[00:45:05] que provavelmente nunca vão ser trazidos aqui,

[00:45:07] porque não tem como.

[00:45:09] Que é o Significado da Vida,

[00:45:11] mas em inglês, The Meaning of Life,

[00:45:13] que é outra coisa,

[00:45:15] mas esse é a segunda parte.

[00:45:19] São dois volumes, a mais profunda,

[00:45:21] o significado da vida.

[00:45:23] Basicamente, são definições loucas.

[00:45:25] Palavras que ele pega,

[00:45:27] ele pega definições loucas,

[00:45:29] por exemplo, sutiãs,

[00:45:31] croatas,

[00:45:33] que falam javanês,

[00:45:35] coisa desse tipo, e usa nomes de cidades.

[00:45:37] Ou seja, é um troço, é um humor muito louco

[00:45:39] que não tem como traduzir.

[00:45:41] O mais parecido com isso é o Dicionário do Diabo,

[00:45:43] do Ambrosius Beers,

[00:45:45] mas aquele lá usa palavras que existem

[00:45:47] e dá um significado muito humano.

[00:45:49] Aqui as definições são muito humanas

[00:45:51] e muito existenciais, muito boas,

[00:45:53] mas as palavras são completamente sem sentido.

[00:45:55] Então, eu acho que esse livro, infelizmente,

[00:45:57] nunca vai ser traduzido.

[00:45:59] Tem mais uma pequena obra dele

[00:46:01] que escreveu na época da escola,

[00:46:03] então na época que o Dr. Who estava fazendo muito sucesso,

[00:46:05] que se chamou Dr. Which,

[00:46:07] então o Dr. Qual.

[00:46:09] Mas a mensagem final

[00:46:11] é adiante de tantas ilações

[00:46:13] profundas, filosóficas,

[00:46:15] com consequências teológicas,

[00:46:17] que a gente não falou sobre o ateísmo militante dele,

[00:46:19] que se definia como ateu radical,

[00:46:21] porque ele não tinha saco de explicar para as pessoas

[00:46:23] o que significava agnóstico.

[00:46:25] Ateu radical não enche.

[00:46:29] E a definição dele aparece

[00:46:31] no Ford Prefects comentando,

[00:46:33] no primeiro livro,

[00:46:35] dizendo assim,

[00:46:37] não é possível apreciar a beleza de um jardim

[00:46:39] sem ter que imaginar fadinhas controlando tudo?

[00:46:41] Mais ou menos assim a ideia.

[00:46:43] Arthur Clarke,

[00:46:45] um dos maiores escritores de ficção científica,

[00:46:47] dizia que a frase que está

[00:46:49] encastada, dourada,

[00:46:51] aqui do Minho já está apagada, na frente do guia dos mochileiros,

[00:46:53] não entra em pânico,

[00:46:55] é possivelmente a mais importante recomendação

[00:46:57] que a humanidade pode ter

[00:46:59] a partir de agora, diante dos desafios

[00:47:01] que estamos enfrentando.

[00:47:03] Esse foi o programa Fronteiras da Ciência,

[00:47:05] hoje a gente discutiu o Dom Glass Adams.

[00:47:13] Essa é a parte que eu sempre erro.

[00:47:15] Arthur Dent.

[00:47:17] Participaram do programa, então.

[00:47:19] Eu, Marco de Arte, o Jefferson Aranzon,

[00:47:21] o Arthur Dent

[00:47:23] e o Jorge Kuhfeld.

[00:47:25] Duas cabeças do mesmo corpo.

[00:47:27] Obrigado.

[00:47:39] Pessoal, só um pouquinho.

[00:47:41] A gente tem depois um…

[00:47:43] Como é que se chama isso?

[00:47:45] O bônus?

[00:47:47] O bônus é o seguinte, agora o Jorge vai começar

[00:47:49] a doar os livros dele

[00:47:51] por perguntas.

[00:47:53] Isso é uma novidade.

[00:47:55] Não, mas eu posso cantar

[00:47:57] So long and thanks for all the fish.

[00:48:01] Se alguém tiver algum comentário

[00:48:03] ou pergunta, o Carlos está ansioso

[00:48:05] para perguntar.

[00:48:13] Quem sabe…

[00:48:15] Não quer pegar o microfone de verdade

[00:48:17] e falar? Para poder gravar no programa.

[00:48:21] Esse aqui…

[00:48:25] Posso dar o meu.

[00:48:33] Bom, a primeira colocação é que

[00:48:35] eu sou obrigado a avisar

[00:48:37] a todos aqui que eu sei qual é

[00:48:39] o significado da resposta 42.

[00:48:41] Só que eu acho que a humanidade

[00:48:43] não está preparada para isso ainda.

[00:48:45] Precisa de mais uns mil anos, mais ou menos.

[00:48:49] Eu tenho uma curiosidade

[00:48:51] séria mesmo. Não sei se vocês viram

[00:48:53] a vida pessoal

[00:48:55] do Douglas Adams.

[00:48:57] Ele morreu com 49 anos.

[00:48:59] De coração, infarte.

[00:49:01] Não foi de overdose?

[00:49:03] Não, foi infarte.

[00:49:05] Esse cara não usava drogas?

[00:49:07] Não sei, mas ele estava

[00:49:09] morando em Santa Bárbara há alguns anos

[00:49:11] com a mulher e a filha

[00:49:13] e ele estava descansando

[00:49:15] depois de fazer a comida,

[00:49:17] teve um infarte.

[00:49:19] Morreu com uma toalha. Ele estava preparado,

[00:49:21] mas não para isso.

[00:49:23] Ele estava repousando

[00:49:25] depois da ginástica, então provavelmente com a toalha

[00:49:27] quando teve infarte.

[00:49:29] As toalhas infelizmente não contêm as suas utilidades

[00:49:31] equipamentos para salvamento e emergência.

[00:49:33] E ele estava sem o peixe.

[00:49:35] Bom, a quem diga é que ele não morreu.

[00:49:37] Mas isso eu não vou contar.

[00:49:39] Ele pode ter sido recuperado e está numa nave qualquer.

[00:49:41] A quem diga, mas isso a gente não comenta.

[00:49:43] Mais comentários?

[00:49:47] Comentários, perguntas, elogios, doações.

[00:49:49] Insultos também.

[00:49:51] A gente aceita tudo.

[00:49:53] Se vocês não disserem nada, nós vamos ler

[00:49:55] um problema.

[00:49:57] A Cacá sempre pergunta.

[00:49:59] Eu fiquei muito curiosa no começo.

[00:50:01] Marco comentou que ele era um fã do

[00:50:03] Martin Tosh.

[00:50:05] Vocês acham que ele teria lido a biografia

[00:50:07] do Steve Jobs se ele estivesse vivo ainda?

[00:50:11] Que pergunta!

[00:50:15] Eu só pra ti, Marco. Tu que é o

[00:50:17] high-tech aí.

[00:50:23] Eu acho que ele consideraria bastante a possibilidade

[00:50:25] e depois talvez tomasse a decisão.

[00:50:29] Eu acho que ele não teria lido a biografia.

[00:50:31] Aliás, eu não entendo porque alguém

[00:50:33] leria a biografia do Steve Jobs.

[00:50:35] É como alguém que gosta

[00:50:37] de geladeiras.

[00:50:39] Bom, eu vou comprar

[00:50:41] a biografia do diretor

[00:50:43] da Brastemp.

[00:50:45] Não faz sentido.

[00:50:51] Calma aí.

[00:50:53] Nós corremos o risco aqui de estar demonstrando

[00:50:55] a existência da

[00:50:57] encarnação de espíritos.

[00:50:59] Não, não.

[00:51:01] Eu participei da beach,

[00:51:03] que é essa

[00:51:05] feira que houve

[00:51:07] na

[00:51:09] Fiergs.

[00:51:11] E eu trouxe

[00:51:13] o Newton

[00:51:15] Messenger Pad.

[00:51:19] Que é?

[00:51:21] Que é uma coisa

[00:51:23] muito parecida com o iPod

[00:51:25] que foi feito

[00:51:27] pela Macintosh antes do

[00:51:29] Steve Jobs voltar para ela.

[00:51:31] E aquilo ali é uma marca,

[00:51:33] uma noção do que é o Steve Jobs.

[00:51:35] Então, eu estou defendendo ele.

[00:51:37] Mas eu não li

[00:51:39] e não leria.

[00:51:41] Não li e não leria.

[00:51:43] Mas o

[00:51:45] Newton Messenger Pad

[00:51:47] é uma demonstração da diferença

[00:51:49] entre a Apple com

[00:51:51] e sem o Steve Jobs.

[00:51:53] É que assim, o Marko é um usuário Macintosh,

[00:51:55] eu sou um usuário Linux,

[00:51:57] o Jorge é um defensor Linux,

[00:51:59] mas usuário Windows.

[00:52:01] Eu estou fazendo uma lenta

[00:52:03] e longa transição de 12 anos.

[00:52:05] Pense, os whisks

[00:52:07] também com 12 anos são os melhores.

[00:52:09] Essa é a minha meta.

[00:52:15] E a minha resposta era um sarcasma.

[00:52:17] A minha resposta foi séria.

[00:52:21] Eu não li o livro, não sei o que estou fazendo aqui.

[00:52:25] Ai, ai.

[00:52:27] Mais alguém com coragem?

[00:52:31] Vamos.

[00:52:33] Quem é que não gosta do Douglas Adams?

[00:52:35] Além do Marko.

[00:52:39] Não, eu gosto.

[00:52:41] Não ria.

[00:52:43] Eu só não sou fanático.

[00:52:47] Não, não é um de nós.

[00:52:49] Ah, a poesia volta.

[00:52:51] Não, a poesia foi aquela original.

[00:52:53] Eu já lembro as duas, já foi muito.

[00:52:57] Eu tiro o roupão, mas eu não vou dar ele

[00:52:59] porque não é meu, senão…

[00:53:01] não uso.

[00:53:09] Mas as pantufas também não são minhas.

[00:53:13] Mas enfim, eu estou preparado.

[00:53:15] Agora não, porque eu dei minha toalha, mas

[00:53:17] tenho que recortar uma daqui.

[00:53:19] Bom, espero que as pessoas tenham achado

[00:53:21] muito curioso.

[00:53:23] Que grande reunião de loucura.

[00:53:25] Mas não fique pensando que é só um monte de maluquice

[00:53:27] aleatória junto. Na verdade tem

[00:53:29] toda uma costura.

[00:53:31] E como não custa dizer,

[00:53:33] só lendo para entender.

[00:53:35] Todo mundo fala, ah que legal aquele filme.

[00:53:37] Como será o livro?

[00:53:39] Geralmente o livro é muito superior ao filme.

[00:53:41] Mas eu acho que é uma

[00:53:43] maluquice aleatória.

[00:53:45] Acho que ele foi escrevendo à medida que

[00:53:47] ele foi pensando as coisas, à medida que foi

[00:53:49] escrevendo. Eu só fico

[00:53:51] imaginando o que ele poderia ter

[00:53:53] escrito.

[00:53:55] É, ele morreu muito novo.

[00:53:57] Eu vi o filme

[00:53:59] ontem, só para me lembrar como é que era.

[00:54:01] E o filme ele é engraçado,

[00:54:03] mas eu acho que quem…

[00:54:05] a gente acha mais graça do filme

[00:54:07] lendo o livro antes e entendendo

[00:54:09] onde vêm as citações

[00:54:11] do filme do que pelo filme mesmo.

[00:54:13] É impossível entender o filme sem entender o livro.

[00:54:15] E o filme é sem graça.

[00:54:17] Eu acho que isso não poderia nunca ter sido filmado.

[00:54:19] Ele mesmo começou a fazer

[00:54:21] esse filme em 1980.

[00:54:23] Mas aí em 1981 virou

[00:54:25] série da TV só com uma partezinha.

[00:54:27] É tecnicamente infilmável

[00:54:29] o que é contado. Não tem como filmar.

[00:54:31] O Douglas Adams se esforçou muito tempo

[00:54:33] para que esse filme fosse feito.

[00:54:35] Esse é um dos méritos

[00:54:37] do filme. Ele conseguiu

[00:54:39] colocar ali alguns elementos visuais

[00:54:41] que estão bem representados.

[00:54:43] Mas, por exemplo, tem tudo para filmar.

[00:54:45] Vou dar um exemplo.

[00:54:47] Quando a nave de improvabilidade infinita

[00:54:49] chega em Magraté

[00:54:51] para ver as grandes revelações

[00:54:53] que Arthur Denton vai ter,

[00:54:55] ela na verdade se materializa na atmosfera.

[00:54:57] Porque ela se materializa,

[00:54:59] não se transporta. É improvabilidade.

[00:55:01] Eu já expliquei. Vocês entenderam.

[00:55:03] E aí basicamente ela se transformou em duas coisas.

[00:55:05] Uma baleia

[00:55:07] e um vaso de petúnia.

[00:55:09] Não, foram os mísseis que foram lançados.

[00:55:11] É verdade. Os mísseis foram lançados

[00:55:13] dois mísseis contra eles, mas devido ao

[00:55:15] gerador ainda estar ligado, eles se transformaram

[00:55:17] respectivamente numa baleia e num vaso de

[00:55:19] petúnias em queda livre.

[00:55:21] A baleia em queda livre começou a pensar

[00:55:23] hum, interessante esse planeta,

[00:55:25] esse mundo que eu estou aqui. Eu não conhecia.

[00:55:27] Que bacana. Tem um vento.

[00:55:29] Tem um ruído constante.

[00:55:31] E ela vai tomando consciência à medida

[00:55:33] que cai. E quando ela fala

[00:55:35] que interessante. Tem algo se aproximando lá.

[00:55:37] Parece bem legal. Será que eu posso ser amigo

[00:55:39] com ela?

[00:55:45] Uma metáfora sobre a vida humana.

[00:55:47] Dizem

[00:55:49] que o vaso de petúnia pensou o seguinte.

[00:55:51] Oh não, de novo.

[00:55:55] Então, ou seja,

[00:55:57] como é que filma isso?

[00:55:59] Filmar tem essa parte.

[00:56:01] Não convenci. Nem do que é feito pela Disney.

[00:56:03] Eu tenho um problema com a Disney.

[00:56:05] Não, mas está filmado, está bem filmado.

[00:56:07] Mas não, tem que ler o livro. Então assim,

[00:56:09] quem viu o filme e não entendeu, é isso mesmo.

[00:56:11] Não é tão…

[00:56:13] Mas tenta ler o livro. De preferência leia o livro

[00:56:15] bem ali, de todas as partes.

[00:56:17] A tradução não é ideal, mas

[00:56:19] dá pra enfrentar. Então é isso.

[00:56:21] This is the end.

[00:56:23] Obrigado pessoal.

[00:56:25] Uma hora vocês são muito valentes.

[00:56:27] Tá bom então.

[00:56:31] O programa Fronteiras da Ciência

[00:56:33] é um projeto do Instituto de Física

[00:56:35] Lourdes, técnica de Gilson de César

[00:56:37] e direção técnica

[00:56:39] de Francisco Guazelli.