Física Quântica
Resumo
O episódio inicia com uma definição básica da física quântica, apresentada pelo professor José Roberto Iglesias. Ele explica que o conceito fundamental é a dualidade onda-partícula, proposta por de Broglie nos anos 1920, que revolucionou a física e a cultura. A física quântica é uma ferramenta excepcional para a física moderna, sustentando avanços tecnológicos como computadores, lasers e ressonância magnética. No entanto, seus fundamentos são difíceis de compreender, uma dificuldade que até Feynman reconheceu.
A discussão então se volta para o abuso dos conceitos quânticos por místicos e charlatães, como os proponentes da ‘medicina quântica’, citando Deepak Chopra. Os participantes destacam que os místicos se apropriam da linguagem (como ‘materialização’ ou ‘energia’) sem entender a matemática complexa por trás da teoria. Eles enfatizam que as aplicações reais da física quântica na medicina, como radioterapia ou ressonância magnética, são quantitativas e baseadas em mecanismos bem compreendidos, ao contrário das alegações vagas do misticismo.
Os físicos exploram conceitos avançados como o emaranhamento quântico e o paradoxo do gato de Schrödinger, explicando como a superposição de estados funciona no nível microscópico. Eles discutem aplicações recentes na biologia, como a possível presença de coerência quântica na fotossíntese de organismos marinhos profundos, que otimizam a captação de luz. No entanto, deixam claro que efeitos quânticos em sistemas biológicos são limitados e não se manifestam macroscopicamente; um celular, embora baseado em física quântica, não é um objeto quântico em si.
O episódio também aborda a incompatibilidade entre a mecânica quântica e a relatividade geral, um problema em aberto na física. Os participantes criticam a falta de base empírica nas alegações dos místicos, comparando-as com a astrologia, e destacam a importância do consenso científico. Eles mencionam o livro ‘Imposturas Intelectuais’ de Sokal e Bricmont, que expõe o abuso de conceitos científicos em textos de autores como Lacan, e citam o documentário ‘Quem Somos Nós?’ como um exemplo de má representação que inclusive envolve físicos com PhD.
Por fim, o debate alerta para os perigos do pensamento mágico, especialmente quando usado para culpar pessoas por doenças incuráveis, e reafirma que a física quântica dos físicos é uma disciplina matemática rigorosa, distante das interpretações populares distorcidas. O consenso científico é apresentado como um antídoto contra alegações infundadas, independentemente de títulos acadêmicos individuais.
Indicações
Books
- Imposturas Intelectuais — Livro de Alan Sokal e Jean Bricmont recomendado durante o programa. Ele expõe o abuso de conceitos científicos, como os da física quântica, em textos de autores pós-modernos, mostrando como essas interpretações não condizem com os fundamentos científicos.
Movies
- Quem Somos Nós? — Documentário citado como um exemplo que mistura física quântica com misticismo. Os participantes alertam que os créditos dos entrevistados (incluindo PhDs em Física) aparecem apenas no final, dificultando a avaliação, e que o filme inclui até canalizações de espíritos, distorcendo a ciência.
People
- Deepak Chopra — Mencionado como uma das principais referências da ‘medicina quântica’. Os participantes criticam suas alegações, sugerindo que ele se apropria de conceitos quânticos sem base científica e que enriqueceu com isso, mas provavelmente busca médicos tradicionais quando fica doente.
Linha do Tempo
- 00:00:36 — Introdução e definição de Física Quântica — Jeffrey Sorenzon pergunta ao professor Iglesias o que é Física Quântica e qual a diferença entre a visão dos físicos e dos místicos. Iglesias explica que é difícil definir em pouco tempo, mas que o conceito fundamental é a dualidade onda-partícula, proposta por de Broglie nos anos 1920. Ele destaca que a teoria revolucionou a física e a cultura, sendo uma ferramenta excepcional para avanços tecnológicos, mas que seus fundamentos são profundamente desafiadores de entender.
- 00:06:47 — Abuso dos conceitos quânticos por místicos — Os participantes discutem como conceitos da mecânica quântica são abusados atualmente, especialmente por místicos e proponentes da ‘medicina quântica’, como Deepak Chopra. Eles apontam que a apropriação da linguagem (ex.: ‘materialização’, ‘energia’) ignora a complexidade matemática da teoria. A física quântica tem aplicações médicas reais e quantitativas, como em ressonância magnética e radioterapia, mas isso é distinto das alegações vagas do misticismo.
- 00:12:25 — Recomendação do livro ‘Imposturas Intelectuais’ — Um dos participantes recomenda o livro ‘Imposturas Intelectuais’, de Sokal e Bricmont, que expõe o abuso de conceitos científicos em textos de autores como Lacan. O livro é citado como um exemplo de como discursos que pretendem ter base científica muitas vezes distorcem os fundamentos. O programa já discutiu o tema anteriormente, inclusive com um episódio de 1º de abril intitulado ‘Hermenêutica da Mecânica Quântica’, baseado no artigo de Sokal.
- 00:14:24 — Emaranhamento quântico e aplicações na biologia — A discussão se volta para o emaranhamento quântico, explicado como uma consequência natural da superposição de estados em sistemas de múltiplas partículas. É mencionado o paradoxo do gato de Schrödinger para ilustrar a não-intuitividade do conceito em escala macroscópica. Em seguida, explora-se aplicações na biologia, como a possível coerência quântica na fotossíntese de organismos marinhos profundos, que otimiza a captação de luz, e hipóteses sobre canais iônicos em neurônios.
- 00:20:43 — Limites entre o quântico e o clássico — Os físicos enfatizam que a mecânica quântica funciona bem para sistemas isolados sob condições especiais, mas que o mundo macroscópico é essencialmente clássico, governado pelas leis de Newton. Efeitos quânticos são destruídos por interações com o meio, como temperatura e ruído. A discussão aborda a transição da escala quântica para a clássica e a incompatibilidade entre a mecânica quântica e a relatividade geral, um problema em aberto na física.
- 00:28:33 — Crítica ao misticismo e importância do consenso científico — Os participantes criticam a falta de base empírica nas alegações dos místicos, comparando-as com a astrologia. Eles questionam de onde vêm as conclusões dos místicos, já que não são derivadas das equações complexas da física quântica. É mencionado o documentário ‘Quem Somos Nós?’ como um exemplo de má representação que envolve físicos com PhD, mas que isso não valida as alegações. O consenso científico é destacado como essencial para distinguir ciência de pseudociência.
Dados do Episódio
- Podcast: Fronteiras da Ciência
- Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
- Categoria: Science
- Publicado: 2013-09-24T18:00:00Z
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/fronteiras-da-ci%C3%AAncia/fb4669d0-4a98-012e-1aa8-00163e1b201c/f%C3%ADsica-qu%C3%A2ntica/e6750c60-078d-0131-cc6c-723c91aeae46
- UUID Episódio: e6750c60-078d-0131-cc6c-723c91aeae46
Dados do Podcast
- Nome: Fronteiras da Ciência
- Site: http://frontdaciencia.ufrgs.br
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Transcrição
[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência, da rádio da Universidade, onde discutiremos
[00:00:09] os limites entre o que é ciência e o que é mito.
[00:00:14] Esse é o Fronteiras da Ciência, hoje nós temos um novo episódio sobre Física Aquética.
[00:00:19] E para falar desse assunto, os nossos convidados são o professor José Roberto Iglesias, do
[00:00:24] Departamento de Física da URSS, o professor Leonardo Brunet, também do Departamento de
[00:00:28] Física da URSS, a Nicole DeMarck, que é mestranda aqui do Instituto de Física, e
[00:00:33] eu, Jeffrey Sorenzon, também do Departamento de Física.
[00:00:36] Então eu queria começar perguntando para o Iglesias o que é Física Quântica e qual
[00:00:40] é a diferença fundamental, quais são as diferenças entre o que os físicos chamam
[00:00:45] de Física Quântica e o que os místicos chamam de Física Quântica.
[00:00:49] Seria muita pretensão tentar dizer o que é Física Quântica em meia hora ou até
[00:00:57] em uma hora, mas o conceito fundamental da Física Quântica para o físico é que
[00:01:03] a matéria está composta de partículas que têm um comportamento ondulatório, que se
[00:01:11] comportam também como ondas.
[00:01:13] Essa é a ideia básica do de Broglie lá pelos anos 20, e a partir daí se desenvolveu
[00:01:20] toda a teoria quântica que significou uma verdadeira revolução na física, mas também
[00:01:28] na cultura.
[00:01:29] Para os físicos, a Física Quântica é uma ferramenta excepcional.
[00:01:34] Todos os avanços da física moderna, ou praticamente todos, estão sustentados na Física Quântica.
[00:01:41] Por outro lado, a Física Quântica apresenta uma dificuldade fundamental que é compreender
[00:01:46] os fundamentos.
[00:01:47] O próprio Feynman dizia que quem acha que entendeu a Física Quântica é porque na
[00:01:52] realidade não compreendeu o que ele está lendo.
[00:01:57] Realmente, os fundamentos, essa dualidade entre onda e partícula, é muito difícil
[00:02:04] de entender, muito difícil de explicar para quem dá aula de Física Quântica, os alunos
[00:02:10] se enfrentam sempre com essa mesma dificuldade.
[00:02:13] Em geral, quando você está discutindo com uma pessoa que não conhece esses assuntos,
[00:02:18] parece que é só uma conversa.
[00:02:20] Quando a gente fala Física Quântica, eu falo de conceitos, eu falo de luz, então quando
[00:02:25] a gente está estudando Física Quântica de verdade, é assim, a gente vai ler, é filosofia,
[00:02:31] são conceitos abstratos, ou é uma coisa mais complicada?
[00:02:35] Uma vez um aluno me fez uma pergunta na aula, me perguntou, mas professor, tudo isso é
[00:02:41] E realmente são conceitos difíceis de serem entendidos?
[00:02:46] Se não fosse a Física Quântica, então os nossos computadores não funcionariam, nem
[00:02:52] o rayo laser, nem as imagens, a ressonância magnética, nem toda a tecnologia que nós
[00:03:00] estamos acostumados hoje.
[00:03:02] Eu tenho uma visão pouco pragmática da Física Quântica, ou seja, a gente montou a Física
[00:03:08] Quântica em função dos experimentos que não eram explicados lá no final do século
[00:03:13] 19 e início do século 20.
[00:03:15] A própria luz, que sempre se tratou como onda, também tem um comportamento que parece
[00:03:20] de partícula quando se trata, por exemplo, um dos fenômenos mais antigos, que é o efeito
[00:03:26] fotoeléctrico.
[00:03:27] Isso aí foi medido em 1865 pelo Hertz, logo depois que o eletromagnetismo tinha ficado
[00:03:35] muito bem estabelecido e se verificou que a gente tinha que usar a ideia de partículas
[00:03:41] para a luz para poder entender o que estava acontecendo.
[00:03:44] Inclusive no início da Física Quântica ela era considerada mais como um remendo para
[00:03:50] explicar, uma forma adoque de explicar os resultados do que uma estrutura bem encaixada,
[00:03:57] bem montada como já é hoje.
[00:03:59] A própria solução que o Planck dá para a radiação do corpo negro, que era uma das
[00:04:05] perguntas da época, ele inventa uma variável de ajuste, que hoje a gente conhece como constante
[00:04:10] de Planck, e que ele mesmo morreu sem acreditar que aquilo fosse algo real.
[00:04:15] De qualquer forma, o que se conhecia do ponto de vista matemático eram os conceitos de
[00:04:22] onda e conceito de partícula, e o que se conhecia do ponto de vista de Física eram
[00:04:28] os conceitos de elétron, de luz, e essas grandezas é que a gente de alguma forma explicar.
[00:04:36] Ou eu explico elétron usando a teoria newtoniana de partícula, ou eu explico elétron usando
[00:04:43] a teoria ondulatória, e se usou as ferramentas da época para construir alguma coisa.
[00:04:47] Por quê?
[00:04:48] Porque o experimento estava pedindo.
[00:04:50] Foi natural daí surgir o que o Roberto estava mencionando, a dualidade onda-partícula,
[00:04:55] e nessa mesma época que se gerou o conceito, o próprio Heiseberg já levantava a questão
[00:05:01] ah, isso vai dar problema com os místicos.
[00:05:04] Como que assim uma partícula pode ser onda?
[00:05:07] Para mim, não tem contradição nisso, porque esses conceitos de partícula e onda são conceitos
[00:05:12] matemáticos.
[00:05:13] A Física é o elétron, é a luz.
[00:05:16] Improvavelmente, na verdade, não deve ser nenhuma coisa nem outra, deve ser algo que
[00:05:21] a nossa capacidade de interpretação limitada não nos permite se desligar dos conceitos
[00:05:27] que a gente já tem.
[00:05:28] A gente usa onda, usa partícula.
[00:05:31] Na verdade, eu acho que o grande choque foi que eles tinham física newtoniana, que era
[00:05:35] bem determinística, e daí tu começou a se questionar, mas por que o elétron pulava
[00:05:43] com uma energia para outra, por que uma hora ele, por que ele agora é onda, por que agora
[00:05:49] ele é partícula?
[00:05:50] A gente estava muito acostumado a esse tipo de questionamento.
[00:05:54] E na época não se tinha uma resposta, e na verdade eu acho que quem conseguiu emendar
[00:05:57] isso foi o De Bruyne, né, que ele conseguiu dizer não, vamos colocar tudo como se fosse
[00:06:03] também comportamento ondulatório.
[00:06:05] Só que o comprimento de onda é tão pequeno desses objetos clássicos que a gente não
[00:06:09] consegue…
[00:06:10] distinguir do matemático.
[00:06:11] Inclusive, no início do desenvolvimento histórico, se usou essa analogia com onda,
[00:06:17] o desenvolvimento todo foi baseado na analogia com sistemas clássicos.
[00:06:21] Bom, se é uma onda, e eu sei que em ondas clássicas existem equações que descrevem
[00:06:26] esse movimento, por que eu não posso então inventar uma equação que descreva o comportamento
[00:06:31] do sistema quântico?
[00:06:32] Foi o que o Schrodinger fez.
[00:06:34] E aí depois teve todo o problema de se interpretar a solução dessa equação.
[00:06:40] Quanto a vocês, quais são os conceitos da mecânica quântica que são mais abusados
[00:06:47] atualmente?
[00:06:48] Tem até uma proposta de que se crie uma nova falácia, ou apelo à mecânica quântica.
[00:06:56] É verdade que a gente encontra referências à mecânica quântica em qualquer âmbito,
[00:07:04] mas em particular, como falou o Leonardo, os místicos e algumas pessoas que se autodenominam
[00:07:12] médicos quânticos, a medicina quântica, a principal referência é o Chopra, que
[00:07:19] tem até alguns livros sobre medicina quântica.
[00:07:22] Eu acho que o abuso vem de dois lados, primeiro por uma apropriação de linguagem.
[00:07:29] Por exemplo, quando em física se diz que não podemos determinar a trajetória da partícula
[00:07:35] e que a partícula se materializa num ponto no momento da medição, esse materializar-se
[00:07:42] num ponto não tem nada que ver com uma materialização de um espírito, sino que simplesmente a gente
[00:07:49] ignora tudo sobre a posição da partícula até o momento da medição.
[00:07:55] Agora tem outros conceitos, por exemplo, na mística é muito comum falar em energia,
[00:08:01] e um dos conceitos básicos da física quântica é que a cada frequência corresponde a uma
[00:08:07] energia.
[00:08:08] Para a frequência de?
[00:08:11] Cada frequência da luz, por exemplo, para cada cor da luz corresponde a uma energia
[00:08:15] diferente.
[00:08:16] Agora já saiu um pouco de moda, mas há uns tempos tinha terapia de cristais, então
[00:08:21] cada cristal tinha a sua energia que correspondia à cor.
[00:08:25] A gente acho que tem que enfatizar o fato de que a física quântica serve sim em medicina,
[00:08:33] mas serve por exemplo aparelhos de ressonância magnética, a gente aplica radiação para
[00:08:39] a cura de tumores, para a destruição de tumores, ou seja, esse conceito de que a
[00:08:45] radiação está associada com energia é usada nos raios X, na radioterapia, etc.
[00:08:53] Mas simplesmente não tem nada a ver com a cor, tanto porque o espectro visível das
[00:08:59] cores é apenas uma pequena fração do espectro eletromagnético.
[00:09:05] Em geral, quando a gente faz uma aplicação da mecânica quântica a alguma área, seja
[00:09:10] da física, ou seja, da medicina, a gente tem um mecanismo pelo qual se entende como
[00:09:18] vai funcionar.
[00:09:19] Se pode usar a teoria conhecida para calcular o resultado, calcular dose, calcular intensidades
[00:09:26] e se fazer uma previsão quantitativa.
[00:09:30] Então essa parte quantitativa que não existe no lado místico, esse é um pouco o espírito
[00:09:36] da pergunta que eu te fiz inicialmente, se quando a gente estuda física quântica,
[00:09:42] se em uma semana eu posso aprender o suficiente, ou eu tenho uma carga de tecnicalidades por
[00:09:48] trás que eu não consigo dominar num período boa.
[00:09:53] Qual é o esforço que um estudante de física tem que dedicar para aprender mecânica quântica?
[00:09:59] Tem que saber cálculo, equações diferenciais, tem que ter todo um fundamento em matemática.
[00:10:05] E o que eu acho interessante é que toda essa sofisticação matemática, ela passa
[00:10:11] batida pelo discurso místico.
[00:10:14] Então aparentemente essa apoderação que foi feita dos conceitos, ela divergiu para
[00:10:21] uma coisa que é completamente independente da mecânica quântica dos físicos.
[00:10:26] A nossa mecânica quântica, ela permite, como vocês disseram, uma série de aplicações
[00:10:31] práticas, uma série de aparelhos, a gente enxerga o avanço, a gente enxerga os resultados,
[00:10:36] que é típico da ciência, a gente tem evidências sólidas.
[00:10:41] Sim, até eu gostaria de acrescentar o que falou a Niccoli, por exemplo, na física quântica
[00:10:48] existem probabilidades, mas as probabilidades são, por exemplo, se um elétron está num
[00:10:53] determinado estado ou numa órbita para falar numa linguagem pré-quântica, a gente não
[00:11:00] sabe exatamente quando ele vai decair, aí entram as probabilidades, mas quando ele
[00:11:06] decai a energia do fóton de luz que ele emite está determinada exatamente, ou seja, não
[00:11:13] é que o fóton vai ser vermelho, violeta, amarelo, não, é uma frequência de luz bem
[00:11:21] determinada.
[00:11:22] Mais do que isso, as próprias probabilidades são bem determinadas, eu posso pensar positivamente
[00:11:28] o quanto que eu quiser, eu não vou afetar e alterar essas probabilidades.
[00:11:31] Agora eu gostaria de acrescentar que não é, porque às vezes a gente diz esses místicos
[00:11:37] que se apropiam de conceitos da quântica, às vezes não são místicos, às vezes infelizmente
[00:11:42] são profissionais de outras áreas que se apropriam de conceitos da quântica ou mais
[00:11:50] recentemente da ciência da complexidade, tendo ouvido um pouco sobre o assunto, ouvido
[00:11:58] algumas palavras chaves como não localidade, a função de onda está estendida espacialmente,
[00:12:07] teletransporte, caos, fenômenos emergentes, e a partir daí elaboram todo um discurso
[00:12:16] que na realidade não tem nenhum fundamento.
[00:12:19] Nesse sentido, quero aproveitar a Deixa para recomendar um livro que já é antigo, mas
[00:12:25] é o livro Imposturas intelectuais, de Brigham e Sokal, esse livro realmente ele reproduz
[00:12:33] inclusive textos de alguns autores famosos, para citar um, o Lacan, e mostrando como esses
[00:12:41] textos que querem ter uma base científica, na realidade simplesmente abusam de uma interpretação
[00:12:51] que não condiz com fundamentos.
[00:12:53] Uma coisa que nunca fica clara nesse discurso místico da quântica é que se eles estão
[00:12:59] alegando que a física quântica realmente fala todas aquelas coisas que eles dizem ou
[00:13:04] se eles estão fazendo simplesmente uma analogia.
[00:13:07] No caso de ser uma analogia, no próprio livro do Sokal eles discutem isso, analogia é
[00:13:11] feita para explicar um conceito complicado para uma pessoa utilizando algo que para
[00:13:16] aquela pessoa é natural.
[00:13:18] E não o contrário, eu não vou pegar alguém que trabalha que é enfermeiro, que é farmacêutico,
[00:13:24] e vou dizer, vou te explicar uma coisa, vamos considerar um sistema quântico, porque isso
[00:13:28] é uma coisa que é fora da realidade daquela pessoa, tem que fazer a analogia, se tu quiser
[00:13:33] explicar a mecânica quântica tem que procurar algo na especialidade da pessoa para que
[00:13:37] ela entenda.
[00:13:38] O livro do Sokal é recorrente nesse programa, a gente já fez programas específicos sobre
[00:13:43] ele e a gente fez programas falsos sobre ele, então o nosso programa de 1º de abril se
[00:13:48] chama Imeneutica da mecânica quântica que é o título do artigo escrito pelo Sokal.
[00:13:55] Esse é o Fronteiras da Ciência, hoje a gente está falando sobre esse tema recorrente
[00:14:00] atual e bastante explorado dentro e fora da física que é a física quântica.
[00:14:06] A gente pode parecer estar dizendo que a física quântica se aplica a sistemas de elétrons,
[00:14:13] sistemas físicos, mas recentemente também apareceram aplicações da quântica à biologia,
[00:14:19] então eu queria que o Leonardo explicasse um pouco quais são as novidades nesse Fronte.
[00:14:24] Eu acho que eu tenho que começar um pouquinho antes, que é com a discussão do emaranhamento,
[00:14:28] porque isso vai ser importante nessa discussão da biologia quântica.
[00:14:32] Então a ideia de emaranhamento surge naturalmente dentro da mecânica quântica como uma consequência
[00:14:39] da gente usar um modelo matemático de ondas, qualquer solução de ondas para um problema
[00:14:46] é uma superposição de possíveis soluções, isso na mecânica quântica se estende inclusive
[00:14:53] para várias partículas, se eu tiver duas ou três partículas, em princípio todos
[00:14:58] os estados possíveis que elas podem ter são possíveis soluções e uma hipótese básica
[00:15:03] da mecânica quântica é que todos esses estados estão superpostos.
[00:15:07] Ou seja, existe algo que conecta essas partículas?
[00:15:11] Daí que vem o exemplo clássico do Schroedinger, do gato, que diz que enquanto a gente tem
[00:15:18] um gato que pode morrer e enquanto a gente não for lá olhar, o estado desse gato é
[00:15:24] é uma mistura entre o estado vivo e morto, do ponto de vista macroscópico, que é como
[00:15:30] a gente está dando nesse exemplo, que é um gato inteiro, isso parece absurdo, mas do
[00:15:34] ponto de vista microscópico, isso é o que se usa para entender a realidade microscópica,
[00:15:40] isso é absolutamente não intuitivo.
[00:15:43] No caso do gato depois de dois dias sem interagir com o sistema, você vai saber se o gato está
[00:15:49] vivo ou morto.
[00:15:51] É um gato zonbe, ele está vivo e morto.
[00:15:56] Então esse problema da superposição de estados, é o que a gente chama de imoranhamento,
[00:16:02] ele foi um problema para todos os físicos lá em 1930, então muita gente pensou nesse
[00:16:08] assunto, o próprio Schroedinger, Heisenberg, Dirac, depois o Einstein, quando diz que Deus
[00:16:16] não joga dados, que não poderia ser uma coisa ao acaso, e se conseguiu realmente avançar
[00:16:22] na questão com a desigualdade de Bell, que é um matemático irlandês, que não tinha
[00:16:28] nada a ver com esse assunto, mas que ele diz que se os estados estão misturados, se
[00:16:33] as duas partículas mantenham alguma coesão entre elas mesmo, estando muito afastadas,
[00:16:38] elas têm que seguir um certo quadro de probabilidades na hora que a gente vai medir.
[00:16:43] A força do argumento do Bell é que ele nos permite uma maneira de testar se essas
[00:16:49] coisas são assim ou não, esse é o ponto.
[00:16:51] A gente consegue fazer mais, então depois disso, teve uma experiência dos americanos
[00:16:55] que esqueci o nome, e finalmente, os franceses foram depois, o Alain Aspect foi depois, foi
[00:17:02] em 82, e esse realmente eliminou todas as dúvidas.
[00:17:06] Atualmente a gente consegue provar que esses estados continuam emaranhados mesmo a distância
[00:17:12] da ordem de 100 km, que são as experiências mais recentes, então isso era uma alegação
[00:17:19] absolutamente extraordinária e que levou praticamente 50 anos para se conseguir fazer
[00:17:24] tanto os conceitos matemáticos quanto os experimentos para provar que isso é verdade.
[00:17:30] Agora, até quando que isso se mantém, até quando que esses estados misturados se mantêm?
[00:17:36] Na real, na prática, a gente sabe que se tiver interferência externa, ou seja, interação
[00:17:42] com o meio, a própria temperatura, destrói essa coerência.
[00:17:46] Isso só se mantém em níveis microscópicos e de pequena distância, a menos que o sistema
[00:17:51] esteja realmente muito isolado.
[00:17:54] Então aí que entra a parte de até que ponto, para um sistema biológico, por exemplo, que
[00:17:58] tem milhares de partículas, a gente pode observar alguma coerência quântica.
[00:18:02] Então só fazendo uma ressalva, de fato, superposição de estados em maniamento tem uma diferença
[00:18:07] sutil, mas acho que não é o caso de talhar aqui.
[00:18:11] Do ponto de vista mesoscópico, que seria a biologia quântica, recentemente foi observado
[00:18:17] que esse efeito de emaranhamento existe para a captação de luz na fotossíntese.
[00:18:23] Na verdade, existem organismos no fundo do mar, ou tem um habitat relativamente profundo,
[00:18:30] que eles não deixam escapar um fóton.
[00:18:32] E esse rendimento é em parte porque as moléculas que captam a luz, o momento que uma delas
[00:18:38] capta, na verdade a gente não pode dizer que é uma que captou, mas o estado excitado
[00:18:42] fica compartilhado por todas as outras moléculas e isso otimiza o rendimento na hora de coletar
[00:18:47] a luz e entregar para a formação de energia, que é a transformar ADP em ATP.
[00:18:53] Eu tenho um amigo assim, ele disse que ele acorda quando o primeiro fóton entra no quarto.
[00:18:58] O quarto dele está a temperatura zero, porque se não, sempre teria fóton assim.
[00:19:07] É verdade.
[00:19:09] Aí existe uma outra possibilidade, que é dos canais iônicos.
[00:19:15] O transporte de íons de dentro para fora, de fora para dentro das células, é feito
[00:19:21] através de canais na membrana, que são proteínas que estão atravessando a membrana e às vezes
[00:19:27] abrem esse hipótese para entrar ou sair íons.
[00:19:30] O funcionamento do neurônio, por exemplo, é essencialmente regulado por esses canais
[00:19:34] iônicos.
[00:19:35] Então, uma das hipóteses que se tem atualmente, mas isso realmente não está comprovado,
[00:19:40] é de que poderia haver coexistência de um íon, por exemplo, do lado de dentro e do
[00:19:45] lado de fora da membrana, porque ele tem um comportamento quântico, ou seja, ele tem
[00:19:50] uma onda associada e essa onda poderia existir dos dois lados.
[00:19:54] Mas a gente tem que dizer e repetir várias vezes que pelo fato de existirem efeitos quânticos
[00:20:00] em algum nível microscópico nas plantas, não quer dizer que esses efeitos se manifestem
[00:20:05] macroscopicamente.
[00:20:06] É como se eu pegar o meu celular, eu sei que microscópicamente o que rege o movimento
[00:20:11] dos elétrons e as estruturas desenvolvidas, as patitorias do estado sólido, é a mecânica
[00:20:19] quântica, mas não quer dizer que o meu celular seja um objeto quântico que tenha uma função
[00:20:23] de onda, que se eu não estiver olhando para ele, ele não tem uma posição bem definida,
[00:20:29] ou não sei com que velocidade ele está caindo.
[00:20:31] E eu acho que é a mesma coisa.
[00:20:32] E que quando você usa ele, ele liga para algum número, com uma certa probabilidade.
[00:20:37] Eu acho que o que eu devia deixar bem claro é que a mecânica quântica funciona bem
[00:20:43] para sistemas isolados sob condições especiais e que o nosso mundo é clássico e ele não
[00:20:49] é quântico, que a gente vê governado pelas três leis de Newton, que a maioria estudou
[00:20:53] no ensino médio, porque a gente tem contato com várias fontes externas de temperatura,
[00:20:59] enfim vários tipos de ruído que acabam destruindo esse padrão de interferência, esse padrão,
[00:21:05] esse comportamento ondulatório que é característico da mecânica quântica, ou seja, porque funciona
[00:21:11] no nosso celular, no caráter microscópico, não significa que o nosso celular está em
[00:21:16] vários lugares ao mesmo tempo, tanto que eu estou vendo aquilo em cima da mesa nesse
[00:21:19] momento.
[00:21:20] Existe algum nível intermediário onde eu passo nessa escala microscópica onde a mecânica
[00:21:28] quântica rege a fenomenologia lá, para a escala macroscópica na qual a gente vive
[00:21:34] onde esses efeitos não são observáveis.
[00:21:37] Então existe uma passagem da quântica para o clássico e essa passagem como ela é feita?
[00:21:43] Qual é a pressão?
[00:21:44] O que acontece?
[00:21:45] Porque se eu pego a teoria da relatividade e boto uma velocidade de um foguete para fazer
[00:21:50] os seus cálculos para mandar para a lua, na verdade eu só estou tendo mais trabalho
[00:21:54] porque o resultado vai ser indistinguível do que eu obtenho usando a mecânica newtoniana.
[00:21:59] Se eu pegar a mecânica quântica e tentar aplicar para um objeto macroscópico, o que
[00:22:05] que eu obtenho?
[00:22:06] Vou obter algo diferente, eu consigo calcular, por exemplo, a minha função de onda, eu
[00:22:11] tenho uma função de onda minha, uma frequência minha, que eu posso tentar fazer entrar em
[00:22:17] ressonância com a frequência de algum cristal ou isso não faz sentido?
[00:22:23] Então assim como as velocidades, as quais, já que tu falaste Nicole, o movimento, as
[00:22:29] velocidades que a gente está habituado são muito menores que a velocidade da luz e então
[00:22:34] não faz sentido a gente incorporar conceitos da teoria da relatividade com algumas exceções
[00:22:41] como quando a gente lida com satélite, sinal de gps, etc, etc, a quântica estabelece
[00:22:48] uma unidade básica que é a constante de Planck, que o Leonardo mencionou, essa constante
[00:22:53] de Planck multiplicada pela frequência da uma energia, quando as energias que nós consideramos
[00:22:59] são vários bilhões de vezes maiores que essa energia associada com o quanto básico
[00:23:08] de Planck, eu acho que a gente pode aplicar com uma certa tranquilidade a física clássica,
[00:23:14] se bem que às vezes há manifestações quânticas onde a gente não espera, como o caso da fotossíntese
[00:23:24] que o Leonardo mencionou, mas em geral efeitos quânticos para energias muito altas não
[00:23:30] são detectáveis, agora gostaria de mencionar, já que a gente falou de relatividade e quântica,
[00:23:36] que existe um problema em aberto que é a união da quântica e a gravitação, a gravitação é um fenômeno
[00:23:44] essencialmente macroscópico, a quântica microscópico e esse é um dos campos em aberto, a unificação dessas teorias.
[00:23:55] Para mim a coisa talvez mais divertida é que o que o Willis está dizendo é que a teoria da relatividade
[00:24:03] não é como a gente conhece hoje, a mecânica quântica como a gente conhece hoje, elas não podem ser as duas corretas,
[00:24:08] porque elas são incompatíveis entre si em algumas situações limites, então em algum momento uma delas
[00:24:15] vai ser substituída, ou talvez as duas sejam substituídas por uma nova teoria que englobe as duas,
[00:24:20] o que significa que criar técnicas de enfermagem, de medicina, de previsão, de como é que eu vou
[00:24:29] fazer os móveis da minha casa baseados na mecânica quântica, é uma coisa que corre o risco de hoje para amanhã
[00:24:34] ter que trocar tudo, é que a mecânica quântica que funcionava até ontem, ela dizia que esse móvel verde tem que ficar nesse canto,
[00:24:43] a nova teoria agora diz que tem que ficar no canto oposto.
[00:24:48] Não teve artistas que já trocaram duas ou três vezes o nome por causa da numerologia,
[00:24:54] então com a medicina quântica vai acontecer a mesma coisa, a terapia vai mudar em função da evolução da teoria.
[00:25:02] Mas eu acho que o que move todas as pessoas que não se aprofundaram no assunto, nesse mal uso dos termos da física,
[00:25:10] é porque de fato nós queríamos ter controle sobre as coisas, nós queríamos que talvez o jeito que a gente pensasse
[00:25:17] alterasse, sei lá, se eu pensasse de positivo amanhã podia estar ganhando dinheiro, só que se for pensar, esse tipo de pensamento é meio frustrante,
[00:25:25] porque quando as coisas começam a dar errado, você pensa assim, será que eu não pensei direito? Será que eu não pensei tão positivo quanto eu podia ter pensado?
[00:25:32] Esse é o lado trágico disso tudo, o ônus, a responsabilidade dos problemas é da pessoa, é bacana você ser responsável pelo seu sucesso, pela sua felicidade,
[00:25:43] é o protagonista da vida, mas é um problema muito sério agora quando tu responsabiliza a pessoa por ter uma doença incorável, mas a culpa é tua,
[00:25:52] não é porque tu pegou uma doença que realmente é complicada, tu vai morrer de câncer porque tu não pensou tanto do jeito que podia ter pensado.
[00:26:01] As pessoas têm tendência a procurar soluções mágicas e certamente que tem muitas pessoas que aproveitam isso, o Chopra é um cara cheio de dinheiro,
[00:26:12] não apenas pelos livros, mas porque ele tem uma clínica onde ele aplica as técnicas dele e ele enriqueceu, agora acredito que quando ele está doente ele vai a um médico de verdade.
[00:26:26] Como a má diteleza de Calcutá que não se tratava nos seus centros de tratamento.
[00:26:31] Eu acho que tem outro conceito que é do Jung, de sincronicidade, que confunde muito com a mecânica quântica, que teria um plano transversal ao nosso que geria todos os comportamentos,
[00:26:43] ou seja, eu estar aqui com vocês conversando e ter um dia encontrado o Leonardo antes de conversar aqui teria um motivo por trás, é quase uma teoria da conspiração,
[00:26:53] que tudo que acontece quando duas pessoas aleatórias se encontram na rua tem um porquê, que foi tudo a sincronicidade, eles confundem isso muito com a mecânica quântica,
[00:27:04] como se fosse o comportamento de partículas que tivessem emaranhadas e aquele estado delas era predestinado pela dinâmica delas.
[00:27:13] O que me incomoda nessas coisas todas, e é o mesmo argumento que eu uso com astrologia ou com qualquer outra dessas pseudociências, é de onde vem, qual é a base, qual eles colocam as alegações.
[00:27:26] Então, por exemplo, na astrologia as pessoas me dizem, bom, se tu tem essa condição de nascimento, então tu é desse jeito.
[00:27:35] Mas aonde foi feita essa conexão, de onde vem esse conhecimento, se de alguma maneira a gente apagasse todos os livros de astrologia e substituísse todos os astrólogos experientes por novatos,
[00:27:47] como eles reconstruiriam o que uma vez se chamou astrologia? Provavelmente construiriam outra coisa, aí o cara que é toro ao invés de ser de um jeito vai ser de um jeito completamente oposto porque não existe essa conexão.
[00:28:01] Da mesma maneira a tal física quântica, como ela é usada nesses círculos, de onde eles tiram essas conclusões, que a física quântica diz isso, ou diz aquilo, certamente não é dos mesmos livros que a gente usa.
[00:28:14] Se vocês pegarem um livro de mecânica quântica, vai ter um monte de equações, as conclusões que a gente tira sobre probabilidades, sobre frequências, são resultados de resolver equações complicadíssimas.
[00:28:27] E as conclusões dos místicos de onde elas vem. Eles provavelmente não conhecem essas equações.
[00:28:33] E muito menos os experimentos.
[00:28:36] Claro, eles não conhecem a literatura física.
[00:28:40] Mas se tu for ver o Quem Somos Nós, tem PhDs em Física falando lá.
[00:28:45] Mas é uma coisa um pouco mais complicada, porque no Quem Somos Nós tem pelo menos um físico que deu entrevista pro programa sem saber exatamente qual era o contexto e estava na época pelo menos com um processo contra os produtores que foi enrolado.
[00:29:01] As pessoas que falam no Quem Somos Nós, os créditos não aparecem no momento que elas estão falando, aparecem todos elicados no final do filme.
[00:29:11] Então na verdade fica difícil de saber quem falou o quê e o que aquela pessoa era, se ela tinha PhD.
[00:29:16] Existem espíritos falando através, sendo canalizados por uma das mulheres que é uma das produtoras do filme.
[00:29:24] Então é o Hampton, que é um espírito que viveu há 30 mil anos e não é Atlântida, é uma dessas cidades fictícias, com um inglês, com um pequeno sotaque, não sei da onde vem.
[00:29:37] Então ter um PhD em Física falando qualquer coisa não significa nada, um PhD em Física é só um título.
[00:29:44] É uma condição que a gente considera necessária pra poder tratar de assuntos de ponta, fazer pesquisa em Física, mas certamente não é suficiente.
[00:29:55] Encontrar PhDs em Física ou de qualquer outra área falando bobagem da sua própria área é muito comum.
[00:30:01] Daí vem a noção de consenso científico. Não basta um, não basta um 10, sem PhDs, você pode encontrar defendendo qualquer opinião.
[00:30:09] Que o aquecimento global não existe, que não é antropogênico, etc. Tu acha, tu vai achar.
[00:30:15] Mas qual é o consenso? Se vocês pegarem a população de físicos PhDs no mundo e perguntarem o que eles acham do misticismo quântico,
[00:30:24] vocês vão ter o mesmo consenso que a gente acha em relação ao que eles acham da validade da histologia e outras ciências.
[00:30:31] Ou seja, a física quântica, como é usada e abusada em círculos místicos, ela não tem nenhuma conexão com o que se conhece como física quântica dentro da física.
[00:30:42] Então esse é o consenso que existe nessa área. Não é uma conspiração, não é algo organizado que a gente se combina, vamos todos enganar.
[00:30:53] A gente não está defendendo grandes corporações que têm interesses que a quântica seja essa coisa complicada, que a gente está tentando evitar que as pessoas usem o seu poder interior.
[00:31:03] Até porque se fosse isso a gente estaria rico, que não é o caso.
[00:31:06] Então esse foi o Fronteiras da Ciência hoje falando nesse assunto interminável que é a física quântica, seus usos e abusos.
[00:31:14] Hoje estiveram aqui o José Roberto Iglesias, o Leonardo Brunet, a Nicole Demarck e o Jefferson Anzon, todos do Departamento de Física da UMS.
[00:31:22] O Programa Fronteiras da Ciência é um projeto do Instituto de Física da UMS, Técnica de Gilson de César e Direção Técnica de Francisco Guazelli.