Ficção Científica 3
Resumo
O episódio apresenta uma conversa com três escritores brasileiros de ficção científica e fantasia: Flávio Medeiros Junior, Gerson Lode Ribeiro e Roberto de Sousa Causo. Eles discutem suas trajetórias pessoais e como se interessaram pelo gênero, muitas vezes a partir de influências da infância e adolescência, como o projeto Apollo, Star Trek e a série Perry Rhodan.
Os autores explicam os diferentes subgêneros em que atuam, como a ficção científica hard (com rigor científico), space opera, steampunk (retrofuturismo vitoriano) e história alternativa. Eles destacam a importância da pesquisa, especialmente com o auxílio da internet, para criar cenários verossímeis, mesmo em locais nunca visitados, e para dialogar com conceitos científicos.
A discussão aborda a criação de universos ficcionais extensos, com regras próprias e consistentes, que podem abrigar múltiplas histórias e personagens. Eles citam influências literárias como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Clifford Simak, Orson Scott Card e Philip K. Dick.
Os convidados analisam o mercado editorial brasileiro de ficção científica, notando um momento positivo com o aumento de leitores e o investimento de editoras, tanto grandes quanto menores, em autores nacionais. Eles comentam que o gênero parece crescer a um ritmo constante, embora talvez não com o mesmo impacto explosivo de fantasia ou horror, que foram impulsionados por fenômenos como Tolkien e Stephen King.
Por fim, é destacada a relação inspiradora entre a ficção científica e a carreira científica real, com o exemplo de como as obras de Asimov influenciaram um dos participantes a seguir a neurociência. O episódio encerra reforçando o papel da ficção científica em inspirar futuras gerações de cientistas e leitores.
Indicações
Autores
- Clifford Simak — Apontado por Gerson como seu autor favorito, representante da ‘ficção científica soft’ que se preocupa com as ciências humanas e o elemento humano na narrativa.
- Orson Scott Card — Citado por Roberto Causo como um autor de space opera de grande qualidade, famoso por ‘O Jogo do Exterminador’.
- Philip K. Dick — Mencionado como autor seminal do subgênero ‘história alternativa’, com ‘O Homem do Castelo Alto’.
- Júlio Verne — Discutido como um exemplo de autor que, em sua época, era considerado ‘FC Hard’ por seu rigor descritivo, embora sua ciência tenha sido superada.
- H.G. Wells — Contraposto a Verne por usar conceitos mais especulativos (como a ‘cavorita’), que, com o avanço da ciência, podem parecer mais plausíveis hoje.
- Isaac Asimov — Citado como uma influência fundamental, cujas ideias, como o ‘cérebro positrônico’, inspiraram carreiras científicas reais.
Conceitos
- Steampunk — Subgênero de retrofuturismo explicado por Roberto Causo, que imagina tecnologia avançada (como computadores) na era vitoriana, movida a vapor. É destacado como uma tendência em alta no Brasil.
- História Alternativa — Subgênero explicado por Gerson, onde se altera um evento histórico passado para criar um desfecho diferente, como no livro ‘O Homem do Castelo Alto’.
- FC Hard (Ficção Científica Hard) — Subgênero discutido ao longo do episódio, caracterizado por um rigor maior com a ciência estabelecida, associado a autores como Arthur C. Clarke.
- Space Opera — Subgênero mencionado como quase o oposto da FC Hard, focado em aventuras épicas no espaço, e citado como muito popular.
Livros
- O Homem do Castelo Alto — Livro de Philip K. Dick citado como exemplo clássico do subgênero ‘história alternativa’, onde os países do Eixo venceram a Segunda Guerra Mundial.
- Quinta Ciência — Primeiro romance de Flávio Medeiros Junior, descrito como uma ficção científica policial passada no final do século XXI em Belo Horizonte.
- Guardião da Memória — Livro de Gerson Lode Ribeiro, inspirado em uma ideia de Clifford Simak, que se passa em um planeta onde naves ficam presas e formam micro-civilizações.
- Na Área Sombria — Primeiro romance da série ‘As Aventuras do Major Jonas’ de Gerson Lode Ribeiro, uma FC Hard que segue um oficial militar brasileiro no século XXV enfrentando naves robóticas.
- O Jogo do Exterminador — Livro de Orson Scott Card citado como uma space opera de grande qualidade, que seria adaptado para o cinema.
- A Boneca do Destino — Livro de Clifford Simak mencionado por Gerson, que apresenta a ideia de um zoológico planetário que inspirou seu próprio ‘Guardião da Memória’.
Series
- Perry Rhodan — Série alemã de ficção científica mencionada como a mais longeva da história (desde 1961) e como a porta de entrada para o gênero para muitos adolescentes, inclusive os convidados.
- Star Trek (Jornada das Estrelas) — Franquia citada como um exemplo clássico de universo ficcional extenso, com regras próprias (como a dobra espacial) que permeiam todas as suas histórias em diversas mídias.
Linha do Tempo
- 00:00:00 — Introdução ao programa e apresentação dos convidados — O programa Fronteiras da Ciência se apresenta, explicando que o episódio será focado em ficção ao invés de realidade, aproveitando o evento Odisseia de literatura fantástica em Porto Alegre. São apresentados os três escritores convidados: Flávio Medeiros Junior, Gerson Lode Ribeiro e Roberto de Sousa Causo. O mediador propõe uma rodada para que cada um fale sobre sua motivação para escrever no gênero.
- 00:01:00 — Flávio Medeiros fala sobre sua motivação e processo — Flávio Medeiros, que é médico, conta que sempre gostou de escrever desde criança. Sua paixão pela ficção científica surgiu com influências como o projeto Apollo, Star Trek e álbuns de figurinhas sobre o espaço. Ele junta o gosto pela ciência com a escrita. Explica que hoje, com a internet, é possível fazer pesquisas detalhadas em fontes confiáveis para criar cenários verossímeis, citando o exemplo de ter descrito Paris sem nunca ter visitado a cidade.
- 00:02:39 — Gerson Lode Ribeiro discute ficção hard e história alternativa — Gerson, engenheiro eletrônico e astrônomo amador, fala que sua formação o levou naturalmente à ficção científica ‘hard’, com rigor científico. Ele também é apaixonado por história, o que o levou a explorar o subgênero de história alternativa, onde se altera um evento do passado (como a Segunda Guerra Mundial) para criar um desfecho diferente. Ele cita ‘O Homem do Castelo Alto’ de Philip K. Dick como exemplo clássico e menciona que já explorou cenários alternativos na história do Brasil.
- 00:04:17 — Definição e discussão sobre Ficção Científica Hard (FC Hard) — Os participantes discutem o que é a FC Hard, associada a autores como Arthur C. Clarke, que busca dialogar profundamente com a ciência e a tecnologia. Eles notam que, para alguns, pode ser considerada ‘chata’, mas defendem seu valor. A conversa evolui para como a ciência na ficção se adapta com o tempo, usando o exemplo de Júlio Verne (considerado ‘hard’ em sua época, mas com ciência hoje superada) versus H.G. Wells (que usou conceitos mais especulativos como a ‘cavorita’).
- 00:08:25 — Roberto de Sousa Causo fala sobre seus trabalhos e gêneros — Roberto Causo descreve sua trajetória eclética, transitando por vários subgêneros. Seu primeiro romance, ‘Quinta Ciência’, é uma ficção científica policial passada em Belo Horizonte no século XXI. Ele também escreveu ‘Casas de Vampiro’ (ficção científica com terror), space opera e se interessa por steampunk, definindo-o como um retrofuturismo da era vitoriana com tecnologia a vapor. Ele comenta que o steampunk está em alta no Brasil, não apenas como gênero literário, mas também como cultura com cosplays e eventos.
- 00:10:21 — Influências literárias dos autores — Cada autor menciona seus heróis e influências. Gerson cita Clifford Simak como seu autor favorito, valorizando a ‘ficção científica soft’ que se preocupa com as ciências humanas. Flávio menciona Ray Bradbury. Roberto Causo cita Orson Scott Card (autor de ‘O Jogo do Exterminador’) e a longeva série alemã Perry Rhodan, que foi a porta de entrada para a ficção científica de muitos adolescentes. Eles concordam que a leitura como escritor é diferente, pois se aprende observando a técnica narrativa.
- 00:12:15 — Universos ficcionais e série em desenvolvimento — Gerson detalha seu livro ‘Guardião da Memória’, inspirado em uma ideia de Clifford Simak, que se passa em um planeta que funciona como um zoológico onde naves ficam presas e suas tripulações criam micro-civilizações. Ele também apresenta sua série de FC Hard ‘As Aventuras do Major Jonas’, cujo primeiro romance é ‘Na Área Sombria’. A série segue um oficial militar brasileiro no século XXV que enfrenta uma ameaça de naves robóticas (drones), levantando questões éticas sobre guerra automatizada.
- 00:14:41 — Discussão ética sobre drones e guerra automatizada — Partindo da série de Gerson, a conversa se aprofunda na questão ética dos drones e robôs militares autônomos. Eles debatem se deveria haver um banimento de robôs que possam tomar decisões letais, pois isso remove o elemento humano e sua bagagem ética do processo. Discutem como a eficiência militar pode tornar essa substituição um caminho sem volta, mas que a delegação de decisões de vida ou morte a algoritmos é profundamente problemática.
- 00:21:44 — Criação e regras de universos ficcionais — Os autores explicam o conceito de ‘universo ficcional’ extenso, como o de Star Trek, que possui regras internas consistentes (como a dobra espacial) e abriga múltiplas histórias em diversas mídias. Eles contrastam a criação de um universo próprio, onde o autor tem total controle, com a escrita em universos compartilhados (como em franquias), onde é necessário seguir um ‘bíblia’ ou conjunto de regras pré-estabelecidas para manter a coerência.
- 00:26:28 — Panorama do mercado de ficção científica no Brasil — Os convidados avaliam que o mercado brasileiro de ficção científica está em um momento muito bom, com aumento no número de leitores e editoras (grandes e pequenas) investindo em autores nacionais. Eles notam que a ficção científica tem um crescimento constante, mas talvez não tão explosivo quanto a fantasia (impulsionada por Tolkien) ou o horror (impulsionado por Stephen King e filmes de vampiros). O perfil do leitor típico ainda tende a ser associado a interesses em ciências exatas, mas isso está mudando.
- 00:30:02 — Ficção científica e biologia, e o papel inspirador do gênero — A discussão aborda o espaço para a biologia na ficção científica, como engenharia genética e exobiologia (o estudo da vida alienígena). É mencionada a existência de uma cadeira de exobiologia na UFRGS, a primeira da América Latina. O mediador finaliza destacando o papel inspirador da ficção científica, contando que sua própria carreira em neurociência foi influenciada pelos robôs e pelo ‘cérebro positrônico’ de Isaac Asimov, enfatizando como o gênero pode plantar a semente do interesse pela ciência.
Dados do Episódio
- Podcast: Fronteiras da Ciência
- Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
- Categoria: Science
- Publicado: 2013-12-16T23:00:00Z
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/fronteiras-da-ci%C3%AAncia/fb4669d0-4a98-012e-1aa8-00163e1b201c/fic%C3%A7%C3%A3o-cient%C3%ADfica-3/5f68dd50-48eb-0131-854a-723c91aeae46
- UUID Episódio: 5f68dd50-48eb-0131-854a-723c91aeae46
Dados do Podcast
- Nome: Fronteiras da Ciência
- Site: http://frontdaciencia.ufrgs.br
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Transcrição
[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência, da rádio da Universidade, onde discutiremos
[00:00:09] os limites entre o que é ciência e o que é mito.
[00:00:14] Esse é o programa Fronteiras da Ciência.
[00:00:15] O programa de hoje, diferente dos programas normais, vai ser mais sobre ficção do que
[00:00:20] sobre realidade.
[00:00:21] A gente discute muito a questão da ciência e a questão da pseudociência.
[00:00:25] Hoje a gente tem a oportunidade, porque está acontecendo aqui a Odisseia, a Odisseia de
[00:00:29] literatura fantástica em Porto Alegre, e eu tenho três escritores brasileiros de literatura
[00:00:34] fantástica, o Flávio Medeiros Junior, o Gerson Ribeiro, Lode Ribeiro, e o Roberto
[00:00:40] de Sousa Caúzio, que vocês escrevem literatura fantástica e científica.
[00:00:45] Então eu queria primeiro fazer uma rodada, começando com o Flávio, para dizer a motivação
[00:00:50] dele nesse tipo de gênero e o que ele caiu nessa.
[00:00:54] Eu sei que tu é médico.
[00:00:55] Como é que o médico resolveu escrever literatura fantástica e não literatura policial?
[00:01:00] Na verdade, eu escrevo desde sempre.
[00:01:04] A medicina foi depois da vida adulta.
[00:01:06] Mas desde criança eu sempre gostei de escrever e cresci.
[00:01:09] Eu me lembro do projeto Apolo.
[00:01:12] Tem os caras indo para a lua.
[00:01:14] A Mescal lançou um álbum de figurinhas no espaço.
[00:01:18] Aí veio o Star Trek, Jornada das Estrelas.
[00:01:21] Eu cresci vendo isso e caiu no gosto.
[00:01:24] Eu gostava de escrever desde criança, de uma vocação natural, desde a infância mesmo.
[00:01:30] Juntou as duas coisas.
[00:01:32] O gosto pelo aspecto científico e pela ficção científica associada a isso.
[00:01:37] Com uma perspectiva futura da própria ciência.
[00:01:40] Com o gosto de escrever.
[00:01:42] Tu faz mais o fantástico, mais o científico.
[00:01:44] Tu é daqueles caras que ligam para o amigo físico e perguntam
[00:01:47] Ah, pois é, dá para uma bolinha cair desse jeito?
[00:01:51] Dá para uma explosão explodir uma espaçonave inteira?
[00:01:55] Isso a gente discute sempre muito na mesa de boté.
[00:01:58] Mas o sinal de escrever mesmo, hoje em dia é muito fácil com a internet.
[00:02:02] Ah, você pode checar as coisas?
[00:02:04] Hoje em dia você procura no fonte de confiança.
[00:02:06] Eu já tenho escrevido uma cena, um livro, uma romância.
[00:02:10] Em Paris, na Pont Neuf, sem nunca ter ido a Paris.
[00:02:13] E aí, uma pessoa me escreveu aqui, assim, assim, assim.
[00:02:17] Me mandou uma foto.
[00:02:18] Depois, uma pessoa falou assim, olha, nunca vi uma cena em Paris tão bem descrita
[00:02:22] por uma pessoa que nunca esteve lá.
[00:02:24] Em que livro está isso?
[00:02:25] O Quinta e Centro.
[00:02:26] Está no Quinta e Centro.
[00:02:28] Então, hoje em dia com a internet, você faz uma viagem de 200 graus por qualquer lugar.
[00:02:33] Informação científica, sites de confiança.
[00:02:35] Tem que ser sites de confiança.
[00:02:37] E o Gérard, tu?
[00:02:39] Bom, eu tenho realmente certa formação científica.
[00:02:41] Ah, e eu estou em engenheiro eletrônico.
[00:02:43] Engenheiro eletrônico e astrônico.
[00:02:44] Estou astrônico.
[00:02:45] Então, ficção científica hard, mais puxada para ciência.
[00:02:49] Sempre me parecia uma coisa natural, porque até a minha paixão com a ciência,
[00:02:52] minha paixão com a ficção científica, quando eu era garoto,
[00:02:55] estava mais ou menos misturada na minha cabeça.
[00:02:57] Quando eu comecei a escrever, então, eu escrevia ficção fantástica
[00:02:59] e eu me orientei para ficção científica.
[00:03:01] Mas eu também sempre fui apaixonado com história.
[00:03:03] Eu amo história, então, sem deixar a ficção científica,
[00:03:07] eu enveredei para o outro ramo da literatura fantástica.
[00:03:10] Atualmente eu me lembro das duas, que é história alternativa.
[00:03:13] Que que é história alternativa?
[00:03:14] História alternativa é o seguinte, você pega qualquer evento da história passada,
[00:03:19] uma unidade, por exemplo, Segunda Guerra Mundial.
[00:03:21] Você propõe uma…
[00:03:22] Um outro fim.
[00:03:23] Exatamente.
[00:03:24] Ah, que nem o Philip Dick, que tem o…
[00:03:26] O Homem do Castelo Alto.
[00:03:27] Isso é história alternativa.
[00:03:28] Ah, sim.
[00:03:29] Você conhece o Homem do Castelo Alto e outras obras da Segunda Guerra Mundial alternativa.
[00:03:34] Isso é história alternativa.
[00:03:35] Ah, isso eu gosto, Sérgio.
[00:03:36] Quando eu fui, comecei a propor temas mais…
[00:03:39] Dentro da história do Brasil, por exemplo.
[00:03:41] O Paraguai vencia a guerra contra o perigoso, contra o perigoso do Brasil
[00:03:45] e se formava uma das novas portas mundiais.
[00:03:47] E foi igual.
[00:03:48] Então, eu tenho essas duas vertentes.
[00:03:50] Duas músicas, depois de começar a Segurânia,
[00:03:52] nós tivemos um mini clio na história.
[00:03:54] Ah, sim, sim. E tudo, né?
[00:03:57] O partido da trajetória que o Flávio expôs aqui, né?
[00:04:02] A gente se envolve com ficção científica a partir do interesse mesmo por um fã, né?
[00:04:08] A partir do envolvimento do leitor.
[00:04:11] Eu acho que errei um pouco de curto nesse refletazio.
[00:04:14] E eu tô chegando na FC Hard, né?
[00:04:17] O que que é a FC Hard?
[00:04:18] Essa que trata mais das ciências exatas, né?
[00:04:22] E que busca dialogar mesmo com a ciência e a tecnologia.
[00:04:26] A gente fala ficção científica nem sempre,
[00:04:29] mas ficção científica faz muito.
[00:04:32] Mas, assim, essa FC Hard seria aquela…
[00:04:35] A FC Clark.
[00:04:37] A FC Clark.
[00:04:38] Não, pois é. É, exatamente.
[00:04:40] Mas tem gente que até torce o nariz e diz
[00:04:42] ah, essa é a ficção chata.
[00:04:44] Tem gente que diz…
[00:04:45] Tem gente que chega entre o 2001 e um filme chato.
[00:04:47] Sim, é bom. Dentro da arquitetura fantástica é bom chutar tudo.
[00:04:50] Mas, então, nesse sentido,
[00:04:52] essa FC Hard seria essa também de ir para as fontes,
[00:04:56] de ver se a ciência tá funcionando na história
[00:04:58] ou pesando também.
[00:04:59] Ou dialogar, né?
[00:05:00] Porque grande parte dessa ciência é expectoativa mesmo, né?
[00:05:04] Sim.
[00:05:05] Eu tô imaginando que ela não poderia ser
[00:05:07] num futuro distante, com os seus engolimentos,
[00:05:10] outras teorias que não são necessariamente aquelas a ser.
[00:05:13] São próximas mesmo, mas não necessariamente comuns.
[00:05:17] Sim.
[00:05:18] Isso é muito relativo a essa coisa da ciência exata
[00:05:23] porque as teorias, às vezes, vão mudando com o passar dos tempos.
[00:05:27] Você vê, por exemplo, o Júlio Verne,
[00:05:29] que tinha uma rua de trânsito.
[00:05:32] Acho que ele foi, na época dele, um FC Hard.
[00:05:34] Hard como?
[00:05:35] Na época dele era Hard.
[00:05:36] Se você pegar a viagem à lua de um Verne,
[00:05:38] ele te dá o material que vai ser feito no canhão,
[00:05:40] o tamanho do canhão, de onde vai ser lançado,
[00:05:43] que dia com quantidade pólvora.
[00:05:45] A velocidade necessária.
[00:05:46] A velocidade necessária pra chegar à lua.
[00:05:48] Hoje, com conhecimento científico atual,
[00:05:50] você sabe que esse foguete nunca chegaria à lua.
[00:05:52] Sim, sim.
[00:05:53] Por outro lado, o H.G. Wells inventa lá uma…
[00:05:56] pra fazer o mesmo trajeto, a cavorita.
[00:05:59] O metal que não existe, mas que repelha a gravidade.
[00:06:03] E o Júlio Verne o criticou, na época, por isso.
[00:06:06] As caras inventando a ciência.
[00:06:08] Hoje em dia, com os supercondutores,
[00:06:10] você está muito mais próximo.
[00:06:11] Talvez.
[00:06:12] Talvez muito mais próximo do H.G. Wells do que do Verne.
[00:06:14] Então é a mesma ciência exata com a evolução real da ciência,
[00:06:18] elas vão se adaptando e vão se modificando.
[00:06:22] A gente tem até pessoas que às vezes…
[00:06:24] Eu sou físico, sou da entidade física da Oracle.
[00:06:27] E às vezes tem pessoas que vêm dar palestras sobre, por exemplo,
[00:06:32] a ciência dos filmes.
[00:06:34] Sim.
[00:06:35] Tá muito pano pra manga, né?
[00:06:36] Tu senta e vai olhando…
[00:06:38] Não precisa nem ir num filme que seria classificado como ficção científica.
[00:06:43] Tu pode até pegar um filme de aventura,
[00:06:45] um filme de ação e dizer assim,
[00:06:47] é possível isso que o cara está fazendo ali?
[00:06:50] É uma coisa interessante.
[00:06:52] Vocês já viram como é o livro,
[00:06:55] aquele Physics of Star Trek?
[00:06:57] Sim.
[00:06:58] Star Trek é o típico dos nerds,
[00:07:00] o pessoal que tem o tradutor universal,
[00:07:03] que é uma questão que se pergunta,
[00:07:05] é possível ter um tradutor universal?
[00:07:07] O Dom Glas Adams tem o peixinho.
[00:07:09] O peixinho de uma bela.
[00:07:10] O peixinho que vai no…
[00:07:12] Tem também o, não sei como era o nome,
[00:07:15] o corretor inercial,
[00:07:16] porque as naves do Star Trek elas aceleram
[00:07:19] e as pessoas que estão dentro não sentem a aceleração.
[00:07:22] É, a gente usa certos conceitos da ficção científica,
[00:07:25] científica se repeta,
[00:07:27] às vezes com nomes diferentes e às vezes com o mesmo nome,
[00:07:30] porque os autores não se importam de ceder por um preço,
[00:07:33] uns certos conceitos, por exemplo,
[00:07:35] a Ursula K. Legand criou o conceito do lançível,
[00:07:37] que seria a radiotransmissão,
[00:07:39] a diversidade de traduções, a diversidade…
[00:07:41] Usamos ondas de táquemos, né?
[00:07:44] Ondas de táque seriam para o passado, então.
[00:07:46] Não, é uma outra transmissão instantânea,
[00:07:50] mas há histórias que a informação chega no passado, realmente.
[00:07:54] Na verdade, o autor precisa que alguma coisa aconteça de uma certa maneira,
[00:07:58] então ele vai buscar um conceito científico
[00:08:00] que se encaixa ali sobre a cultura dele.
[00:08:02] Eu sei pouco sobre esse gênero, na verdade.
[00:08:05] Apesar de ser físico e ver em ficção científica,
[00:08:12] eu sou um cara que liga muita novela policial.
[00:08:14] Esse é o meu gênero.
[00:08:16] E eu queria que você dissesse mais ou menos as coisas,
[00:08:20] por exemplo, que tipo de trabalho que eu faço.
[00:08:22] Quem são os teus heróis?
[00:08:25] Eu transito muito entre vários gêneros.
[00:08:29] O Quinta Ciência, que é o meu primeiro romance,
[00:08:31] ele é de ficção científica policial.
[00:08:34] Então eu vou ter que ler.
[00:08:36] História policial passada no final do século XXI em Belo Horizonte.
[00:08:40] Mas já é Belo Horizonte.
[00:08:41] Mas é bom que a gente vai fazer turismo.
[00:08:43] A gente vai fazer turismo.
[00:08:45] O segundo, Casas de Vampiro, é uma história de ficção científica,
[00:08:49] mas voltado para o terror.
[00:08:51] É um outro gênero que eu acho fantástico.
[00:08:53] Tem vários textos publicados, autologias,
[00:08:55] Space Opera, que é quase o oposto às Hardware,
[00:09:00] que é a mais popular entre os leis,
[00:09:04] que é a High Laser, a Religion, o Disco Zuadores.
[00:09:09] Alguns textos nessa área.
[00:09:10] E o Steampunk, que é um gênero que eu estou gostando muito,
[00:09:14] é o Retrofuturismo.
[00:09:16] O Retrofuturismo.
[00:09:17] Você tem, como se estivesse no século XIX, na era vitoriana,
[00:09:20] computadores, a vapor,
[00:09:24] coisas avançadas para a época.
[00:09:28] Seria como um submarino, um nautilus, um velho.
[00:09:31] Mas isso é legal.
[00:09:32] Então o Steampunk hoje no Brasil, nos Estados Unidos,
[00:09:35] só tem muito tempo que esse gênero já teve seu espaço,
[00:09:39] e no Brasil isso hoje está bombando.
[00:09:41] Muita gente investindo nisso.
[00:09:44] É porque existe só Steampunk,
[00:09:46] ele não é só um gênero sob gênero literal.
[00:09:50] Também tem comunidades de pessoas que se vete com roupinhas,
[00:09:54] mas puxa uma bengala que é uma escudada beza.
[00:09:59] Os caras gostam de brincar disso,
[00:10:00] como tem gente que gosta de guardar,
[00:10:02] de oficial da guerra,
[00:10:03] de encenar batalha,
[00:10:05] gente gosta de encenar justas leidades médicas.
[00:10:08] Esse estado dos cosplays, essas coisas?
[00:10:10] Os cosplays é um tipo de cosplay,
[00:10:15] mas tem cosplay também, está a tua época.
[00:10:17] O tipo de literatura que faz, os teus heróis quem são,
[00:10:21] onde é que se passa.
[00:10:22] Por incrível que pareça, embora eu escreva ficção científica hard,
[00:10:26] o meu autor favorito de ficção científica,
[00:10:29] ele não é, não se notabiliza,
[00:10:31] um escritor de ficção científica hard.
[00:10:32] O cara que chama isso, por contraposição,
[00:10:35] chama de ficção científica soft,
[00:10:37] mas preocupado com as ciências humanas,
[00:10:39] com o elemento humano para a qualidade da narrativa,
[00:10:42] que é o Clifford Simba.
[00:10:44] Eu pensei que tu ia dizer o meu herói, que é o Ray Bradbury.
[00:10:47] Ray Bradbury vai ter um outro…
[00:10:48] Que ele também…
[00:10:49] Que ele é diferente da ficção científica soft.
[00:10:51] Soft, é.
[00:10:52] Eu gosto de algumas coisas do Ray Bradbury,
[00:10:54] mas ele nunca fez muito a minha cabeça,
[00:10:55] porque ele é soft de mágica.
[00:10:57] Simba que pelo menos, ele coloca os alienígenas,
[00:11:00] ele coloca os robôs, que é a minha opinião,
[00:11:02] são mais legais de robôs, mais imobiliários,
[00:11:04] né?
[00:11:05] E eles sempre colocam muito…
[00:11:06] Os robôs do Azumar são bons, né?
[00:11:08] Mas os Azumar são muito bons.
[00:11:09] Eu vou ter que olhar, então.
[00:11:10] Mas eles sempre colocam muito com o elemento humano.
[00:11:13] Ele é um cara de tenouros, de azuleiros.
[00:11:15] Ele coloca aquele negócio de que…
[00:11:18] Ele é de uma época, de uma vizinância,
[00:11:20] que você confia nos seus vizinhos.
[00:11:22] Então, chega o alienígena,
[00:11:24] e o alienígena é uma horda imobiliosa,
[00:11:26] ele tem som, ele é um monstro,
[00:11:28] quando fisicamente é um monstro,
[00:11:30] ele tem uma índole positiva.
[00:11:33] Então, eu procurei…
[00:11:36] Embora seja um cara raro, se não seja uma razão,
[00:11:38] eu procurei inspirar em alguns temas dele.
[00:11:41] Eu não sei se foi bem sucedido,
[00:11:43] porque o julgamento final é sempre do leitado.
[00:11:45] Sim, claro.
[00:11:46] Mas é, por exemplo,
[00:11:47] Simba que tem um livro dele que eu gosto muito,
[00:11:49] que é a boneca do destino,
[00:11:50] que ele propõe um zoológico planetário,
[00:11:53] né?
[00:11:54] Que é uma monte de naves passarem, saem de lá,
[00:11:56] e não conseguem sair,
[00:11:57] ficam presos lá,
[00:11:58] e os tripulantes tornam náufragos,
[00:12:00] e começam a criar civilizações,
[00:12:02] e são arremedos das civilizações estelares dos seus antepassados.
[00:12:06] Então, eu procurei criar um universo…
[00:12:08] Mas é, a história do Simba que ele não explicou direito.
[00:12:10] Eu vou tentar recriar isso de uma maneira melhor.
[00:12:12] Eu criei um universo funcional.
[00:12:14] E qual seria esse teu livro?
[00:12:15] É…
[00:12:17] O meu máximo que eu tenho nesse universo funcional
[00:12:19] é o Guardião da Memória.
[00:12:20] O Guardião da Memória.
[00:12:21] É que se passa, justamente, nesse planeta,
[00:12:23] que é um planeta em que as pessoas caem,
[00:12:25] as naves, os tripulantes caem, não conseguem voltar,
[00:12:28] e aí ficam presos ali, criam pequenas civilizações.
[00:12:31] Então, é um planeta,
[00:12:32] um planeta que tem milhares de civilizações,
[00:12:34] pedacinhos de civilizações.
[00:12:35] É, isso é interessante.
[00:12:36] Muito, muito legal.
[00:12:38] Atualmente, eu estou investindo mais numa série
[00:12:40] de Especiólogos da Militar,
[00:12:42] com C. Riesi, Fiction Científica Hard,
[00:12:45] chamada…
[00:12:46] A série se chama As Associações dos Matadores,
[00:12:48] estou lançando aqui o primeiro romance,
[00:12:50] o primeiro livro dessa série,
[00:12:51] embora haja várias histórias dentro dela
[00:12:54] publicadas em Andalusia.
[00:12:56] A gente encontra um outro livro aqui,
[00:12:58] lançado aqui, que tem umas conversas.
[00:13:00] O livro, o romance que eu estou lançando aqui,
[00:13:03] é Do Área Sombria,
[00:13:05] e cronologicamente, é a primeira aventura do herói,
[00:13:08] da União Soviética.
[00:13:10] É um oficial militar brasileiro,
[00:13:12] do futuro do século XXV,
[00:13:14] chamado Jonas Peregrino.
[00:13:16] Isso, eu já escrevi vários tipos e continuo escrevendo.
[00:13:19] A questão, agora fiquei curioso,
[00:13:21] depois que a gente sabe o nome do cara,
[00:13:23] o que Jonas, o que ele enfrenta,
[00:13:25] quais são os desafios dele,
[00:13:27] quais são as tensões ali?
[00:13:29] Ele é um militar que achava que a carreira dele
[00:13:32] estava estagnada, né?
[00:13:34] Jovem tenente, que está numa patrulha colonial, digamos,
[00:13:37] é segunda linha,
[00:13:39] dentro da Força Militar de Futura,
[00:13:41] mas aí ele é chamado pra Zona de Frente,
[00:13:43] entendeu?
[00:13:45] Existem muitos elementos da terra,
[00:13:48] uma certa região do espaço é atacada por naves robozes,
[00:13:52] que são naves automáticas,
[00:13:54] que são manipuladas,
[00:13:56] e quem o chama acha que ele pode ser decisivo,
[00:13:59] né, pra enfrentar essa ameaça alienígena.
[00:14:01] O interessante é que isso é bem atual,
[00:14:03] não sei se vocês estão seguindo a discussão
[00:14:05] ética sobre os drones e os probosos.
[00:14:08] Exatamente, é uma das questões que estão no fundo
[00:14:10] desse contexto da minha série, né?
[00:14:13] Como é que fica o militar, que ele é…
[00:14:15] Em um trecho do livro eu digo isso,
[00:14:18] que a função do militar é projetar
[00:14:20] a destruição ou morte sobre alguém, né?
[00:14:22] Quando não há esse alguém, como é que fica?
[00:14:24] A discussão ética que eles têm agora é se não
[00:14:27] devia haver um bagamento universal de qualquer
[00:14:30] tipo de robô militar que pudesse tomar algum
[00:14:33] tipo de decisão.
[00:14:35] Porque no momento que o robô passa a tomar decisão,
[00:14:38] tem questões éticas muito profundas que começam…
[00:14:41] Mas olha…
[00:14:42] Esse é um conceito que ainda não está na realidade,
[00:14:45] eles estão trabalhando nisso.
[00:14:47] O drone, né?
[00:14:48] O drone é completamente manual.
[00:14:49] Ele que toma a decisão sozinha, né?
[00:14:51] Ele que ainda vai matar…
[00:14:52] Parece que tem drones agora que têm algumas inteligências.
[00:14:56] Tem algumas inteligências embarcadas, ele consegue tomar…
[00:14:59] Mas ele sempre vai ter o manejador dele olhando, né?
[00:15:04] Essa vai mudar quando o manejador não vai olhar.
[00:15:07] Mas isso eu acho um caminho sem volta.
[00:15:09] A partir do momento que você, com uma potência militar,
[00:15:11] você tem tecnologia para impor ao seu adversário
[00:15:15] uma maneira muito mais eficiente de vencer a guerra,
[00:15:18] projetar essa distribuição,
[00:15:20] com o despenho mínimo de vidas do seu lado,
[00:15:23] nenhuma justificativa ética vai explicar
[00:15:28] para os teus cidadãos, para os teus contribuintes
[00:15:30] que você pode deixar os teus jovens da tua parte morrer na guerra.
[00:15:33] Ah não, claro.
[00:15:34] Isso é a substituição, mas a outra questão é se o…
[00:15:39] O que você está falando é a substituição do homem pelo robô.
[00:15:43] Mas também tem a questão do…
[00:15:44] Como é que o robô vai atuar?
[00:15:46] Se ele vai atuar baseado em um ser humano atrás,
[00:15:50] com toda a bagagem ética de um ser humano,
[00:15:53] ou se ele vai tomar as decisões baseadas em…
[00:15:55] Skynet.
[00:15:56] É, baseado assim, exatamente.
[00:15:58] Baseado em quanto combustível ele tem.
[00:16:01] É uma discussão que já é problemática hoje, né?
[00:16:04] As decisões que estão sendo tomadas, por exemplo,
[00:16:07] se você ligar para alguém que está numa lista,
[00:16:10] você já é um alvo.
[00:16:14] O controle é triangulado a partir da própria ligação,
[00:16:17] e alguém decide simplesmente lá na hora se…
[00:16:20] É, a decisão de apertar o botão,
[00:16:23] mas não pode ser no ser humano,
[00:16:24] mas essa decisão na verdade é o que ele falou.
[00:16:26] A decisão técnica,
[00:16:28] tem um programa processando que te aponta um alvo.
[00:16:31] Apertar um botão ou não é um de menos.
[00:16:33] A decisão já foi tomada por uma inteligente artificial
[00:16:36] que triangulou tudo, que calculou e falou,
[00:16:38] esse é o inimigo, é só você apertar o botão agora, tá?
[00:16:41] Você não disse que tem os heróis,
[00:16:43] mas são teus scriptores heróis.
[00:16:45] Eu sou fã mesmo do Orso Scott Card,
[00:16:47] que já escreveu Space Opera,
[00:16:49] de grande qualidade,
[00:16:50] um livro chamado O Jogo do Exterminador,
[00:16:52] que vai virar filme no final,
[00:16:53] você já pode ver.
[00:16:57] E eu li muito Space Opera quando eu era garoto, né?
[00:16:59] O Perry Roden, que é uma série alemã.
[00:17:01] Sim, sim, sim.
[00:17:03] Bastante famosa, é a mais longeva da história, né?
[00:17:06] 1961 ainda tá…
[00:17:08] Tem mais de 2000 números, né? Episódios.
[00:17:11] E são formatos assim pequenos ou…?
[00:17:13] É, ali é hoje bom.
[00:17:14] Hoje bom, hoje bom.
[00:17:16] Eu também comecei lendo Perry Roden também.
[00:17:18] Comecei…
[00:17:20] Em termos de leitura e de ficção científica,
[00:17:22] era a missão Stardust, né? Que é o primeiro.
[00:17:24] Minha mãe comprou pra mim,
[00:17:26] quando eu era adolescente,
[00:17:27] foi um dos primeiros livros de ficção científica que eu li.
[00:17:29] Todos vocês são assim?
[00:17:30] Vocês foram contaminados já…
[00:17:32] Em termos de idade.
[00:17:34] Em termos de idade.
[00:17:35] Em termos de idade.
[00:17:36] Depois não pôde mudar mais.
[00:17:38] É, Perry Roden, acho que, sei lá,
[00:17:40] 9 em cada 10 adolescentes que gostam,
[00:17:43] até hoje, de ficção científica,
[00:17:45] leram…
[00:17:47] Começaram a ler Perry Roden em alguma parte
[00:17:49] da sua adolescência.
[00:17:50] Alguns foram até o livro 10, alguns foram até o livro 100,
[00:17:53] alguns foram no livro até o 400…
[00:17:55] Até hoje, mil?
[00:17:56] Não, eu parei no 400 e pouco.
[00:17:59] É bom precisar que somos todos ecléticos como leitores, né?
[00:18:03] Estamos discutindo aspectos particulares daquilo que a gente escreve,
[00:18:07] então a gente aponta, influencia, né?
[00:18:09] Se, por exemplo, eu adoro literatura policial,
[00:18:14] leio também, leio tudo o que o Garcia Rosa publicou,
[00:18:16] tudo o que o Rubem Fonseca publicou,
[00:18:17] só que jamais me imaginaria escrevendo algo assim,
[00:18:21] assim como eu adoro estes, inclusive estes literários,
[00:18:24] eu gravo estes nos filmes e leio vários estes,
[00:18:27] mas eu jamais me imaginaria escrever nenhum oeste
[00:18:30] que não tivesse ficção científica.
[00:18:32] Alias, calbose alias, uma coisa assim.
[00:18:35] Para mim, o que é legal da novela policial é…
[00:18:40] é quase como uma repetição do trabalho dos cientistas, né?
[00:18:44] Você tem os dados e tu quer saber como é que os dados se somam,
[00:18:47] como é que eles têm uma teoria, né?
[00:18:49] Como é que os dados funcionam com a teoria.
[00:18:52] Por isso que eu gosto, é quase um exercício de repetir o que eu faço o dia inteiro.
[00:18:57] Sim, tem uma que eles não falem tudo o que eu quero,
[00:18:59] eu quero o segundo-precê, né?
[00:19:02] Eu acho que é importante isso, né?
[00:19:04] Para quem escreve, a gente automaticamente começa a ler com uma outra perspectiva.
[00:19:09] Você lê como leitor, que é um cara que vai curtir a leitura,
[00:19:13] e você começa a ler como escritor.
[00:19:15] Você começa a ler e falar, porra, esse cara escreve de uma forma,
[00:19:17] com duas camadas, você começa a aprender com o cara.
[00:19:20] Isso é uma coisa natural.
[00:19:21] Eu, por exemplo, os caras que eu quero o segundo-precê,
[00:19:24] Stephen King, que nem é ficção científica…
[00:19:26] Até? Posso fazer um comentário do meio?
[00:19:28] Ele escreve assim mesmo, mil livros por ano…
[00:19:31] Não, estou brincando, estou brincando.
[00:19:35] Até tinha gente que dizia, não, não,
[00:19:37] ele tem escritores ghostwriters para ele,
[00:19:39] que só ele dá a ideia principal e o pessoal compra.
[00:19:43] Ele escreve mesmo, ele é prolixo.
[00:19:45] Stephen King, como na época o Asimov, quando ele gravia,
[00:19:48] você vê que o maior prazer da vida do cara é escrever,
[00:19:51] não é nem publicar, não é nem vender, ganhar muito dinheiro,
[00:19:55] porque eles ganharam muito dinheiro,
[00:19:56] mas o cara é o maior prazer da vida, ele deixa ele escrever,
[00:19:58] deixa ele escrever.
[00:19:59] Estava falando que eu tinha um telemômetro.
[00:20:01] Eu, Stephen King, algumas coisas dele, acho geniais, como escritor,
[00:20:04] e o Philip Hoth também, que não é um escritor de ficção científica,
[00:20:09] mas tem o Complô Contra a América,
[00:20:12] que é uma história alternativa maravilhosa.
[00:20:15] O Hoth que ele julga que inventou o gênero de história alternativa,
[00:20:18] que ninguém nunca tinha pensado na história alternativa,
[00:20:20] que ninguém tinha tocado zero.
[00:20:21] Isso aí é história alternativa.
[00:20:23] O que é história alternativa?
[00:20:25] Pô, mas ninguém nunca tinha pensado em escrever a história alternativa.
[00:20:28] É aquele livro do Dick que você copiou.
[00:20:30] É, você nunca leu a obra do Castelo Alto.
[00:20:33] Não, isso é sobre ficção científica.
[00:20:35] O que vocês acham da Margaret Thatcher?
[00:20:37] Também escreve ficção científica.
[00:20:38] Ela tem obras de ficção científica,
[00:20:40] embora ela possa, de repente, não reconhecermos.
[00:20:42] Acho que tem, tem.
[00:20:43] Mas ela publicou agora esse ano passado,
[00:20:45] eu acho, uma antologia, uma coletânea de ensaios dela
[00:20:48] sobre ficção científica.
[00:20:50] Então, alguma conexão mais forte ela tem.
[00:20:52] Tem aquele da…
[00:20:54] História da Aia.
[00:20:55] História da Aia e a…
[00:20:57] Oryx e Prey.
[00:20:59] Essas não são escritórias.
[00:21:00] Não, tem, são dois.
[00:21:02] Oryx e Prey e O Ano da Enchei,
[00:21:05] The Year of the Flood.
[00:21:06] São dois livros relacionados
[00:21:08] e estão relacionados com a gerência genética.
[00:21:10] Então, no mesmo universo ficcional, os dois?
[00:21:12] Então, o mesmo universo, é alguma conexão mais forte.
[00:21:14] É, porque a gente está falando que ele tem o universo ficcional extenso,
[00:21:17] eu tenho o universo ficcional extenso,
[00:21:18] ele está criando o universo ficcional extenso.
[00:21:20] A ficção científica, a literatura fantástica,
[00:21:22] tem muitas dessas coisas,
[00:21:23] você cria os universos ficcionais bastante elaborados,
[00:21:27] depois o autor se apaixona pelo universo ficcional
[00:21:30] e, às vezes, o que é mais bacana ainda,
[00:21:32] os leitores também.
[00:21:33] E aí você vai explorando, escrevendo novos trabalhos.
[00:21:36] Ele falou, olha, eu estou lançando o meu livro aqui,
[00:21:38] que é o primeiro Romance Universal,
[00:21:40] mas eu já tenho três histórias publicadas em livros
[00:21:42] que se passam nesse mesmo universo ficcional.
[00:21:44] O universo ficcional, o que é o universo ficcional?
[00:21:48] São as regras daquele mundo?
[00:21:52] Sim, você imagina o seguinte,
[00:21:54] mas é bem clássico.
[00:21:56] Star Trek, Jornada das Estrelas.
[00:21:58] O universo ficcional é Jornada das Estrelas.
[00:22:00] Você pode ter várias histórias passando em várias épocas,
[00:22:03] mas todos eles são Jornada das Estrelas.
[00:22:05] Tem a série clássica, tem The National Edition,
[00:22:08] tem aquela primeira que se pronologicamente cai,
[00:22:11] você também não tem…
[00:22:13] Isso aí tudo é mídia,
[00:22:15] que os americanos chamam de cinemática,
[00:22:17] que a gente vai chamar de audiovisual.
[00:22:19] Mas também tem os romances de Star Trek,
[00:22:22] tem as histórias e quadrinhas de Star Trek,
[00:22:25] tem tudo, tudo, tudo, então.
[00:22:27] Tudo obedece a uma certa lógica,
[00:22:28] uma variação dentro daquele conjunto de regras.
[00:22:32] A folha de estrelas existe em todas elas,
[00:22:34] você tem os clímbos, os vulcanos.
[00:22:37] Então não existe no nosso universo,
[00:22:39] no nosso universo, no universo ficcional.
[00:22:41] Ah, sim, sim, mas…
[00:22:42] Tem regras próprias.
[00:22:43] Isso que eu queria deixar claro para o ouvinte, né?
[00:22:45] Tem regras próprias.
[00:22:46] Que não necessariamente são os mesmos personagens.
[00:22:48] Não, não são muito.
[00:22:49] Quando o seu próprio autor trabalha
[00:22:51] naquele universo ficcional,
[00:22:52] como é no caso do nosso trabalho,
[00:22:54] tudo legal.
[00:22:55] Você não precisa amarrar muito,
[00:22:56] porque você sabe o que está fazendo,
[00:22:57] você sabe onde você quer chegar.
[00:22:59] Agora, quando você é um universo ficcional
[00:23:01] compartilhado pelo Shafak,
[00:23:03] ele é muito roteirista, é muito autor,
[00:23:05] ele não insiste em escrever,
[00:23:06] normalmente você quase é escrever alguém
[00:23:08] e senta um dia com as regras de vida.
[00:23:10] Ou pelo menos alguns que não enxergam.
[00:23:12] Ah, dizem o que tem que ter
[00:23:14] ou o que não tem que ter.
[00:23:16] Não pode ter, por exemplo,
[00:23:18] o Star Trek tem viagem,
[00:23:20] a roçagem mais rápida de cada música,
[00:23:22] através de um sistema que nós chamamos
[00:23:24] de dobro espacial.
[00:23:25] Aí depende, não pode aparecer
[00:23:27] um tipo de viagem espacial
[00:23:29] como que aparece um Babel On Fire,
[00:23:31] o cara abre um portal,
[00:23:32] não, não é assim.
[00:23:34] Interessante.
[00:23:41] Mas tem que ter um amadurecimento
[00:23:43] desse universo para surgir os cânones.
[00:24:04] O universo ficcional,
[00:24:06] o cujo carro-chefe era um jogo de computador
[00:24:08] que foi um projeto até que ficou bom,
[00:24:10] mas que tinha também a sua vergonha literária,
[00:24:12] que tinha falado tantas histórias e quadrinhos,
[00:24:14] então com os homens autores trabalhando.
[00:24:16] Então eu fui chamado para criar o universo
[00:24:18] também, esse é o universo ficcional.
[00:24:20] Sentei com os donos da empresa,
[00:24:22] eles me disseram mais ou menos
[00:24:24] como é que eles criam o seu produto
[00:24:26] e eu escrevi uma espécie de vida.
[00:24:28] Eu chamo a especificação do universo ficcional,
[00:24:30] mas o apelido disso aí é vida,
[00:24:32] é montar os cânones,
[00:24:34] o que ele pode ter e o que ele não pode ter.
[00:24:36] Tem que ter viagem, o marra da luz,
[00:24:38] os personagens não podem morrer,
[00:24:40] porque os personagens não são de algum jogo,
[00:24:42] mas eles vão continuar,
[00:24:44] eles continuam jogando, vão embora.
[00:24:48] Então você começa a amarrar o mundo,
[00:24:52] a partir de uma especificação,
[00:24:54] pode ser fuma, ou pode ser de um cara
[00:24:56] que te conta o teu futuro.
[00:24:58] É difícil fazer isso?
[00:25:00] É desafiador.
[00:25:02] Mais ou menos como nós trabalhamos
[00:25:04] com o universo ficcional,
[00:25:06] nós já estamos acostumados a fazer isso.
[00:25:08] Tu tem que imaginar possibilidades.
[00:25:12] A viagem espacial
[00:25:14] dentro de um determinado sistema
[00:25:16] interplanetário de um sistema
[00:25:18] tem que ser rápida.
[00:25:20] Porque o jogador não vai querer ficar
[00:25:22] 5 minutos sentado dentro daquele sistema.
[00:25:24] Então você vai da terra para lá,
[00:25:26] tem que ser rápido.
[00:25:28] Não pode ser muito rápido,
[00:25:30] porque senão não é possível
[00:25:32] um simulador do computador.
[00:25:34] Nós temos que criar uns mil portais
[00:25:36] dentro desse sistema
[00:25:38] para proporcionar viagem interplanetária
[00:25:40] rápido, sem ser uma monotona,
[00:25:42] mas também não pode ser um portal
[00:25:44] estelar, que é uma coisa maior.
[00:25:46] Você vai criando,
[00:25:48] nós criamos mortalidade,
[00:25:50] mas tudo bem, nós temos o registro
[00:25:52] de personalidade,
[00:25:54] você fica registrado,
[00:25:56] o registro está aqui,
[00:25:58] só para não alienar
[00:26:00] o jogador.
[00:26:02] Você vai criando,
[00:26:04] porque a parte de satisfazimento das coisas
[00:26:06] você vai pôr.
[00:26:08] Você não vai buscar
[00:26:10] consciência científica, ideias,
[00:26:12] termologia, não vai fazer o que não acontece.
[00:26:14] Você acha que o gênero esse,
[00:26:16] duas coisas que eu queria fazer,
[00:26:18] a relação entre os jogos
[00:26:20] e a literatura
[00:26:22] ficcional,
[00:26:24] de ciência a ficção,
[00:26:26] e como é que está isso no Brasil?
[00:26:28] A gente está cada vez mais gente
[00:26:30] aderindo a esse tipo de gênero?
[00:26:32] O mercado
[00:26:34] de ficção científica no Brasil
[00:26:36] está enfrentando um momento
[00:26:38] muito bom.
[00:26:40] É difícil até ser
[00:26:42] otimista, porque está ficando tão bom
[00:26:44] que a gente fica preocupado de se decepcionar.
[00:26:46] Eu tenho a impressão superficial
[00:26:48] sem estudar muito
[00:26:50] o assunto, é que
[00:26:52] a leitura está aumentando bastante no Brasil.
[00:26:54] Essa é a impressão que eu tenho.
[00:26:56] De 2008, 2009 pra cá,
[00:26:58] final dessa primeira década,
[00:27:00] começaram a surgir várias editoras
[00:27:02] menores investindo,
[00:27:04] e grandes também, investindo em
[00:27:06] autores nacionais.
[00:27:08] E a ficção científica está seguindo
[00:27:10] essa linha ou num passo maior?
[00:27:12] Mais talvez
[00:27:14] dentro da literatura fantástica, fantasia.
[00:27:16] Eu diria que a ficção científica está pegando
[00:27:18] uma cara.
[00:27:20] Porque a ficção científica
[00:27:22] no Brasil, ela
[00:27:24] surgiu. A publicação de obras
[00:27:26] estrangeiras e nacionais
[00:27:28] surgiu há um tempo, mas surgiu na década de 70
[00:27:30] com a decorrência da Corrida Especial.
[00:27:32] Então no Brasil,
[00:27:34] se você pegar a radiografia da década de 70,
[00:27:36] década de 80, tinha mais livros de ficção
[00:27:38] científica de autores estrangeiros,
[00:27:40] que era a maioria, do que
[00:27:42] livros de fantasia de horror. Aí surgiu o Stephen King.
[00:27:44] Tira o Stephen King,
[00:27:46] ainda vai ter mais livros de ficção científica
[00:27:48] de horror e fantasia. Você bota o Stephen King, não.
[00:27:50] Mas o Stephen King é o ponto
[00:27:52] foda com o posto de Odin
[00:27:54] antes também, mas tá.
[00:27:56] Agora, os fenômenos vilicentes
[00:27:58] de filmes todos vampiros,
[00:28:00] primeiro com a Arras, e agora
[00:28:02] com o Crapusco, né?
[00:28:04] Puxou o horror para cima, uma puxada para cima.
[00:28:06] E o Tolkien,
[00:28:08] o Souza Neste, que foi redescobrido o Tolkien,
[00:28:10] deu uma puxada grande na fantasia.
[00:28:12] A ficção científica não tem nenhuma
[00:28:14] obra que impacta tão
[00:28:16] crescente, né, como
[00:28:18] essas, exemplo
[00:28:20] da fantasia e do horror.
[00:28:22] Então, a ficção científica tá tendo
[00:28:24] um burzinho, sim, mas a gente tá
[00:28:26] tendo uma calma, como o ânimo espacial
[00:28:28] que sobe nas costas de um 747.
[00:28:30] Vamos esperar com o jogo
[00:28:32] do Exterminador,
[00:28:34] o jogo do Exterminador
[00:28:36] da LVM.
[00:28:38] O card não tem só esse livro,
[00:28:40] é o primeiro
[00:28:42] de um universo ficcional escrito.
[00:28:44] Se lembrar, o Exterminador
[00:28:46] é o mesmo louco.
[00:28:48] Ah, talvez o pessoal com mais solência.
[00:28:50] Quem é o leitor
[00:28:52] tipicamente da ficção científica
[00:28:54] do Brasil?
[00:28:56] Há mais meninos, jovens,
[00:28:58] mas jovens e velhos, se bem que os velhos
[00:29:00] você com esse infecto normalmente
[00:29:02] você não vem recurar.
[00:29:04] Mas
[00:29:06] os garotos,
[00:29:08] as garotas, fantasia e horror,
[00:29:10] acho que tá mais ou menos a mesma coisa,
[00:29:12] as meninas devem gostar
[00:29:14] mais de vampiro,
[00:29:16] tem mais relacionamento.
[00:29:18] Na tua sala tinha,
[00:29:20] quando você se formou, se graduou,
[00:29:22] tinha que ter mais rapazes e pulamentos.
[00:29:24] Então, as pessoas ali é a mesma
[00:29:26] coisa, a mesma coisa,
[00:29:28] são esses caras que gostam de física,
[00:29:30] gostam de dinheiro, gostam de ciências exatas,
[00:29:32] normalmente é uma cultura da
[00:29:34] ficção científica.
[00:29:36] As coisas estão mudando, né?
[00:29:38] Nós temos grandes cultores
[00:29:40] que tem uma formação totalmente
[00:29:42] de ciências homográficas.
[00:29:44] Inclusive, outras ficções científicas
[00:29:46] rádicas tem uma formação,
[00:29:48] como o Greg Bear,
[00:29:50] mas eu acho que
[00:29:52] a maior parte das pessoas que só tendem a gostar
[00:29:54] é porque gostam também
[00:29:56] da física, da economia,
[00:29:58] da biologia, que também é uma
[00:30:00] ciência exata.
[00:30:02] E biologia tem muito espaço pra ficção científica, né?
[00:30:04] Tem gente que especializa a ficção científica
[00:30:06] abordando as questões genéticas,
[00:30:08] a produção de mutantes,
[00:30:10] espécies clássicas humanas.
[00:30:12] A própria questão alienígena
[00:30:14] começa a entrar dentro da biologia alienígena,
[00:30:16] dos ecossistemas alienígenas,
[00:30:18] da criação de uma atmosfera alienígena.
[00:30:20] Eu queria dizer pra vocês até uma coisa interessante,
[00:30:22] a gente tem uma, na Universidade
[00:30:24] Federal do Rio Grande do Sul, a gente tem uma
[00:30:26] cadeira de exobiologia.
[00:30:28] É a primeira da América Latina
[00:30:30] feita dentro da biologia.
[00:30:32] É uma cadeira alternativa,
[00:30:34] não é obrigatório no currículo,
[00:30:36] é exobiologia.
[00:30:38] É dado por um dos participantes desse programa,
[00:30:40] o Jorge Kufel.
[00:30:42] E é uma disciplina
[00:30:44] que é dada em muitas mãos,
[00:30:46] por astrônomos, por geólogos,
[00:30:48] por biólogos,
[00:30:50] justamente porque a exobiologia
[00:30:52] envolve todas as ciências.
[00:30:54] A gente tem que saber onde esse bicho vai morar,
[00:30:56] como ele vai respirar,
[00:30:58] que tipo de meio ambiente
[00:31:00] ele tem que ter, solar, etc.
[00:31:02] Que é interessante.
[00:31:04] Essa cadeira de exobiologia
[00:31:06] a gente criou aqui no Rio de Janeiro,
[00:31:08] na hora que expandimos.
[00:31:12] Bom, eu acho que é mais ou menos
[00:31:14] isso que eu queria. Eu queria agradecer vocês,
[00:31:16] Flávio Medeiros, Gerson Lodribeiro
[00:31:18] e Roberto Souza Caúcio,
[00:31:20] pela oportunidade de falar
[00:31:22] com vocês sobre essa…
[00:31:24] Eu acho que todo cientista,
[00:31:26] pessoa que acaba na ciência,
[00:31:28] ele foi inspirado por um escritor
[00:31:30] de ficção científica, no meu caso foi assim,
[00:31:32] eu li azimov,
[00:31:34] eu trabalho
[00:31:36] até em neurociência por causa do azimov
[00:31:38] do cérebro positrônico.
[00:31:40] Eu sou um físico
[00:31:42] que trabalha em neurociência por causa do
[00:31:44] cérebro positrônico do azimov.
[00:31:46] Até hoje eu vou tentando entender
[00:31:48] como é que funciona o cérebro positrônico.
[00:31:50] Tá claro.
[00:31:52] Você precisa voltar pra ficção científica.
[00:31:54] Eu acho que sim.
[00:31:56] Tem que ter coisa mais moderna pra ficção científica.
[00:31:58] Eu vou mandar uns e-mails
[00:32:00] pra vocês que vocês implementem
[00:32:02] com leitura pros próximos anos, tá bom?
[00:32:04] Muito obrigado, então.
[00:32:06] Obrigado a vocês.