Literatura Fantástica e a Odisseia de Porto Alegre


Resumo

O episódio discute a literatura fantástica em suas diversas vertentes, com foco no evento Odisseia de Literatura Fantástica, que ocorre em Porto Alegre. Os convidados César Alcázar e Christopher Kastensmith explicam a origem do evento, que surgiu em 2011 a partir da editora Argonautas, dedicada exclusivamente aos gêneros fantásticos. Eles destacam o crescimento do evento, que dobrou de tamanho entre a primeira e a segunda edição, e sua importância na formação de novos leitores, especialmente através do dia infanto-juvenil, que recebe centenas de alunos da rede pública.

A conversa aborda as definições e fronteiras entre os gêneros literários fantásticos, como ficção científica, fantasia e terror. São discutidas as nuances que separam o horror (baseado em situações reais e terríveis) do terror (que envolve elementos sobrenaturais), e a relação ambígua entre realismo mágico e literatura fantástica. Os participantes também comentam o preconceito histórico sofrido pela ficção científica, muitas vezes vista como subliteratura, e como autores consagrados, como Ignácio de Loyola Brandão e Kurt Vonnegut, por vezes negam essa classificação para suas obras.

O cenário editorial brasileiro é analisado, com destaque para as lacunas na tradução de autores estrangeiros de fantasia e ficção científica entre as décadas de 1960 e 1990. Eles comentam o recente aumento de interesse impulsionado por fenômenos como Game of Thrones, que levou grandes editoras a abrirem selos dedicados ao gênero. A editora Argonautas é apresentada como um exemplo de editora independente que publica apenas autores nacionais, operando com tiragens pequenas e financiamento próprio.

São mencionadas antologias como uma porta de entrada para novos autores no mercado, sendo as sagas temáticas (como a de Weird Western) um formato popular. Por fim, são detalhadas as atrações da próxima Odisseia, que contará com mais de 100 autores nacionais, 20 editoras e mesas sobre temas como Lovecraft e adaptações de ficção científica, esperando um público de 1500 a 2000 pessoas.


Indicações

Autores

  • H.P. Lovecraft — Frequentemente mencionado, autor fundamental do terror cósmico. Haverá uma mesa sobre sua obra na Odisseia, com palestra de abertura de Tabajara Ruas.
  • Jorge Luis Borges — Discute-se se suas obras são ficção científica/fantasia ou realismo mágico, ilustrando o debate sobre classificação e preconceito literário.
  • George R.R. Martin — Autor de ‘As Crônicas de Gelo e Fogo’ (Game of Thrones), citado como o fenômeno que impulsionou o recente boom de interesse e traduções de fantasia no Brasil.
  • Michael Crichton — Mencionado como autor de ficção científica plausível, como ‘O Enigma de Andrômeda’, que ele apresentava com elementos de não-ficção para dar verossimilhança.

Editoras

  • Editora Argonautas — Primeira editora no sul do Brasil dedicada exclusivamente à literatura fantástica (fantasia, ficção científica e horror), fundada por César Alcázar e Dudão Falcão.
  • Editora Draco — Editora de São Paulo focada em literatura fantástica, citada como um exemplo contemporâneo no Brasil.
  • Editora Lir — Editora do Rio de Janeiro também especializada em literatura fantástica.

Eventos

  • Odisseia de Literatura Fantástica — Evento realizado em Porto Alegre dedicado à literatura fantástica, com palestras, bate-papos com autores e feira de livros. A terceira edição ocorrerá em abril de 2014.
  • Fantasticon — Evento sobre literatura fantástica que acontece em São Paulo há vários anos, mencionado como inspiração para a criação da Odisseia.

Filmes

  • O Exorcista — Citado como exemplo clássico de terror (envolvendo o sobrenatural).
  • O Massacre da Serra Elétrica — Apresentado como exemplo de horror (baseado em uma situação real e terrível).
  • Wild Wild West — Citado como um exemplo de steampunk no cinema, com tecnologia avançada baseada no vapor no cenário do Velho Oeste.

Livros

  • Não Verás País Nenhum (Ignácio de Loyola Brandão) — Citado como um dos melhores livros de ficção científica da história, embora o autor negue essa classificação, preferindo chamá-lo de ‘ficção política’.
  • Cama de Gato (Kurt Vonnegut) — Apresentado como um livro de alta ficção científica, que introduz um elemento científico (uma nova forma de água) que muda radicalmente o mundo.
  • O Centauro no Jardim (Moacyr Scliar) — Usado como exemplo para diferenciar realismo mágico da fantasia pura. No livro, o centauro é uma representação simbólica, não um ser fantástico literal.
  • Fundação (Isaac Asimov) — Mencionado em relação ao conceito de ‘psico-história’, modelos matemáticos para prever o futuro, comparado a um relatório da NASA sobre colapso civilizacional discutido no episódio.
  • O Iluminado (Stephen King) — Citado como um exemplo ambíguo que pode ser lido tanto como uma patologia mental quanto como uma narrativa sobrenatural, ilustrando os casos intermediários na demarcação de gêneros.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Introdução ao programa e ao tema da literatura fantástica — Apresentação do programa Fronteiras da Ciência e seus participantes. Anúncio do tema do episódio: literatura fantástica e a terceira Odisseia de Literatura Fantástica de Porto Alegre. Os convidados Christopher Kastensmith e César Alcázar são apresentados, juntamente com os demais participantes do estúdio.
  • 00:00:41Origem da Odisseia de Literatura Fantástica e da editora Argonautas — César Alcázar explica a origem da Odisseia. Tudo começou com a fundação da editora Argonautas em 2010, a primeira editora no sul do país dedicada exclusivamente a literatura fantástica (fantasia, ficção científica e horror). Após contatos em eventos de São Paulo, surgiu a demanda por um evento similar em Porto Alegre. Com a experiência de Christopher Kastensmith em convenções nos EUA, planejaram e realizaram a primeira edição em 2011 no Memorial do Rio Grande do Sul, local que sedia o evento até hoje.
  • 00:03:11Crescimento do evento e formação de novos leitores — É destacado o crescimento exponencial da Odisseia, que dobrou de tamanho da primeira para a segunda edição. Um dos focos principais é a formação de novos leitores, com um dia infanto-juvenil que recebe 500 alunos da rede pública. Os alunos recebem livros previamente, trabalham em sala de aula e têm a oportunidade de conhecer os autores no evento. Discute-se o papel da literatura fantástica como porta de entrada para a leitura, citando o exemplo do Harry Potter.
  • 00:04:48Definindo literatura fantástica e seus subgêneros — É levantada a questão de como definir uma obra como literatura fantástica. A definição apresentada é: histórias onde acontecem coisas não presentes no nosso dia a dia de forma comprovada pela ciência. A conversa se aprofunda na distinção entre ficção científica (especulação, história alternativa) e terror/horror. É explicada a diferença entre horror (baseado na realidade terrível, como campos de concentração) e terror (que envolve o sobrenatural e o desconhecido).
  • 00:08:29Preconceito contra a ficção científica e a questão do realismo mágico — Discute-se o preconceito histórico sofrido pela ficção científica, vista como subliteratura ou ‘literatura de polpa’. Aborda-se também a relação com o realismo mágico, visto por alguns como uma forma de afastar autores como Borges e García Márquez do estigma da ‘literatura de gênero’. É argumentado que no realismo mágico os elementos fantásticos servem ao simbolismo, enquanto na fantasia pura eles são tomados literalmente.
  • 00:11:46Autores que negam a classificação de ficção científica — São citados casos de autores renomados que negam que suas obras sejam ficção científica, como Ignácio de Loyola Brandão (com ‘Não Verás País Nenhum’) e Kurt Vonnegut (com ‘Cama de Gato’). Argumenta-se que, pela definição de extrapolar questões científicas ou apresentar elementos que mudam radicalmente o mundo, essas obras se enquadram no gênero. O exemplo de Vonnegut é usado para mostrar como a ficção científica pode ficar datada com o avanço da ciência real.
  • 00:14:18Origens históricas da literatura fantástica — A conversa retrocede às origens do gênero. São mencionadas as mitologias antigas, mas com a ressalva de que eram crenças da época. Como precursores mais modernos, citam-se Horace Walpole (Castelo de Otranto, século XVIII), Mary Shelley (Frankenstein, marco do terror e ficção científica), Edgar Allan Poe, Júlio Verne e H.G. Wells. É lembrado até um trabalho de Kepler (‘Somnium’), uma viagem à Lua. Debate-se se, no fundo, toda ficção é fantástica por ser uma recriação.
  • 00:19:28Lacunas nas traduções e o mercado editorial brasileiro — É apontada uma grande lacuna nas traduções de autores de fantasia para o português brasileiro entre as décadas de 1960 e 1990, pulando-se de Tolkien diretamente para George R.R. Martin. Autores importantes como Michael Moorcock, Fritz Leiber e Glen Cook não foram traduzidos ou tiveram poucas obras publicadas. O boom recente, impulsionado por ‘Game of Thrones’, está ajudando a resgatar alguns desses autores. Grandes editoras só recentemente abriram selos de fantasia.
  • 00:22:45O modelo de negócios da editora Argonautas — César Alcázar detalha o funcionamento da editora Argonautas. Eles publicam apenas autores nacionais, pois não têm poder de barganha para licenciar obras internacionais. A editora não analisa manuscritos abertos por falta de estrutura. As tiragens são pequenas (100 a 500 exemplares), financiadas com o próprio dinheiro dos sócios ou com a venda dos livros anteriores, sem lucro significativo. É um modelo de sobrevivência em um nicho marginalizado pelos grandes grupos.
  • 00:30:16O papel das antologias para novos autores — É explicada a importância das antologias (coletâneas de contos) para o mercado brasileiro de literatura fantástica. Como não há um mercado forte de revistas especializadas como nos EUA, as antologias são a principal porta de entrada para novos autores. Elas podem ser por convite ou por submissões abertas. Editores e leitores assíduos acompanham essas publicações, que são uma vitrine para descobrir novos talentos. A série ‘Sagas’ da Argonautas é um exemplo de antologia temática (como a de ‘Weird Western’).
  • 00:34:06Previsões para a próxima Odisseia de Literatura Fantástica — São anunciadas as atrações da terceira edição da Odisseia. O evento terá três dias de programação, incluindo mesas sobre Lovecraft e adaptações de ficção científica. Espera-se a participação de mais de 100 autores nacionais e 20 editoras, a maioria de fora do Rio Grande do Sul (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro). A previsão de público é de 1500 a 2000 pessoas. A abertura contará com uma palestra do escritor Tabajara Ruas sobre Lovecraft. O evento se destaca por ser focado puramente em literatura, diferentemente de convenções mais amplas como as Comic-Cons.

Dados do Episódio

  • Podcast: Fronteiras da Ciência
  • Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
  • Categoria: Science
  • Publicado: 2014-04-01T13:30:00Z

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência, da rádio da Universidade, onde discutiremos

[00:00:09] os limites entre o que é ciência e o que é mito.

[00:00:13] O programa de hoje, do Fronteiras da Ciência, vai ser sobre literatura fantástica.

[00:00:19] Dia 11 a 3 de abril, em Porto Alegre, vai se realizar a terceira odissédio de literatura

[00:00:24] fantástica.

[00:00:25] Os convidados de hoje são o Christopher Kasten-Smith e o César Alcazar.

[00:00:30] Estão também presentes aqui o Jorge Kielfeld, o Jefferson Enzon e eu, o Marque de Arte.

[00:00:35] César, vamos um pouquinho da história da odisseia, e o que vai ter de diferente esse

[00:00:40] ano?

[00:00:41] Bom, em 2010, eu e o Dudão Falcão, começamos a Orgonautas Editora, que foi a primeira

[00:00:48] editora aqui no grande sul de Porto Alegre, dedicada exclusivamente à literatura fantástica.

[00:00:54] Já que se trabalha com esses gêneros aqui há décadas, mas essa foi a primeira exclusiva.

[00:01:01] A gente não publica outra coisa, é só fantasia, ficção científica e horror.

[00:01:07] E já nesse primeiro ano, nós fizemos algumas viagens a São Paulo, em dois eventos.

[00:01:14] O Fantasticom, que é um evento já que tem alguns anos em São Paulo, sobre literatura

[00:01:18] fantástica.

[00:01:19] E o Gelaicom, que é um evento do universo Star Wars, que coincidentemente estavam começando

[00:01:27] a ter uma feira de livros lá.

[00:01:29] E nesse contato com o pessoal de São Paulo, eles começavam a cobrar.

[00:01:34] E aí, quando é que vai ter um evento em Porto Alegre?

[00:01:37] Nós queremos levar nossos trabalhos, nossas editoras, vender livros, apresentar para o

[00:01:41] pessoal.

[00:01:42] Porque não havia esse diálogo antes entre a cena do Rio Grande do Sul e a cena de Rio

[00:01:47] São Paulo, que é bem forte por causa do Fantasticom.

[00:01:51] Então logo depois a gente conheceu o Christopher, que tem uma experiência longa de convenções

[00:01:58] pelos Estados Unidos.

[00:02:00] E a gente começou a desenvolver essa ideia, que tomou forma em 2011, a primeira edição.

[00:02:05] Então foi rápido, na verdade.

[00:02:07] Não teve que sofrer muito.

[00:02:09] Não, foi algo bem rápido, a gente começou a planejar como ia fazer, buscamos um local

[00:02:14] que acabou sendo o memorial do Rio Grande do Sul.

[00:02:18] Vai ser esse ano no memorial de novo?

[00:02:19] Esse ano vai ser no memorial.

[00:02:20] E sempre foi lá?

[00:02:21] Sim.

[00:02:22] As duas primeiras edições e essa…

[00:02:24] O evento vem crescendo nos últimos dias?

[00:02:26] Sim, só da primeira para a segunda edição ele dobrou de tamanho.

[00:02:29] Tanto o número de leitores, de pessoas nas palestras, quanto o número de participantes,

[00:02:35] de palestrantes e de editores.

[00:02:37] A gente organiza um evento também que é o Skeptics in the Pub, e o nosso primeiro evento

[00:02:41] ele tinha seis participantes.

[00:02:42] Então o nosso, mais do que dobrou, o nosso cresce exponencialmente.

[00:02:46] Então vamos começar com um pouquinho…

[00:02:48] Mas é interessante porque eu acho que um evento como esse, como a Odisseia, ele nucleia

[00:02:55] grupos de interesse que depois vão voltar e vão participar.

[00:02:59] Então é um processo de retroação positivo.

[00:03:02] Ele cresce com o tempo e ele estimula o crescimento e se beneficia do crescimento.

[00:03:06] Sim, eu acho que um dos pontos principais do evento é a formação de novos leitores.

[00:03:11] Claro, sim.

[00:03:12] Então o primeiro dia do evento, esse ano vamos ter três dias do evento, e o primeiro

[00:03:16] dia, sexta-feira, é o dia infanto-juvenil.

[00:03:19] E vamos receber 500 alunos da rede pública do estado do Rio Grande do Sul durante esse

[00:03:25] dia.

[00:03:26] E ele já recebe uns livros uns meses antes do evento para trabalhar em sala de aula.

[00:03:31] Eles conhecem os autores no dia do evento, eles têm bate-papo com os autores, sessão

[00:03:36] de autógrafos, tudo.

[00:03:38] Também estamos fomentando os novos leitores.

[00:03:41] Eu acho que é mais contribuir para o futuro do evento, claro, a formação dos novos leitores.

[00:03:46] Acho que é legal, porque não é só formar novos leitores difícil de sentir, é formar

[00:03:49] novos leitores.

[00:03:50] A gente pega um cara muito novo começando lá, esse é um estímulo à parte, não aquela

[00:03:55] literatura chata que a produção de literatura obriga a ler.

[00:03:58] Esse foi o papel do Harry Potter, que também é um exemplo de literatura fantástica que

[00:04:03] conseguiu nuclear, introduzir a leitura.

[00:04:05] A porta de entrada para a literatura em geral.

[00:04:07] Eu percebi que o Harry Potter tem um fenômeno que tem que ser analisado, que eu observo

[00:04:10] em familiares e outros, que é os que leram todo o Harry Potter e depois começaram a

[00:04:13] reler ele e ficaram só no Harry Potter, mas enfim, que não conseguem se desapegar para

[00:04:18] diversificar.

[00:04:19] Mas está aí o desafio.

[00:04:20] É, essa é outra função do evento, apresentar os autores nacionais, porque temos nos últimas

[00:04:25] edições recebemos mais de 100 autores nacionais e temos 20 editores nacionais disponibilizando

[00:04:33] as obras.

[00:04:35] É uma chance para o público conhecer os autores nacionais também.

[00:04:38] Uma pergunta básica, principalmente para você que tem a editora, como é que tu decide

[00:04:43] ou como é que tu distingue uma obra que, diga, essa é uma obra de literatura fantástica?

[00:04:48] Porque a gente sabe que todo problema de demarcação é complicado, o que é ciência, o que não

[00:04:52] é ciência, então a fronteira eu imagino que seja nebulosa, mas deve ter uma distinção

[00:04:56] bem clara, assim, num lado, isso aqui claramente é literatura fantástica, isso aqui claramente

[00:05:01] é, sei lá, ficção científica, esse aqui é terror, esse aqui é literatura mágica.

[00:05:05] Então, assim, quais são os ingredientes, quais são os elementos que teriam?

[00:05:13] A definição de fantástico é toda a história em que acontecem coisas que não estão presentes

[00:05:19] no nosso dia a dia de forma comprovada e real pela ciência.

[00:05:23] Mas aí a distinção entre o que ainda não aconteceu com a tecnologia e o impossível.

[00:05:31] Nesse caso entra a especulação, porque também se chama literatura fantástica, principalmente

[00:05:38] a ficção científica de literatura especulativa, tanto que a gente tem uma ideia de ficção

[00:05:45] científica como histórias passadas no futuro, não, pode inclusive ser histórias que no

[00:05:49] passado seria, entrava no ramo da história alternativa, nesse caso, presente e paralelo,

[00:05:56] é especulação no caso da ficção científica, no caso do terror, aquele, bom, existe também

[00:06:03] a definição, a diferenciação de horror e terror, mas aí a gente vai entrar em potoroga,

[00:06:09] aquelas coisas não…

[00:06:10] Bom, eu quando era adolescente, no início do adolescência, eu contribuía regularmente

[00:06:13] na sessão de caso a revisa cripta.

[00:06:15] Agora eu fiquei curioso qual é a diferença de horror e terror, é o jeito que tu grita.

[00:06:19] É, horror é a realidade.

[00:06:20] Mais ou menos.

[00:06:21] Se tu grita é um, se não grita é outro.

[00:06:22] Mais ou menos.

[00:06:23] O exorcista e o massacre da serra elétrica, os dois são considerados terror, um é sobrenatural,

[00:06:30] o outro, o massacre da serra elétrica pode acontecer no nosso dia a dia, tanto que foi

[00:06:34] inspirado numa história real.

[00:06:36] Apocalipsinal é o horror.

[00:06:37] Mas não foi no senador do Acre aquele que convocadamente usava essa técnica?

[00:06:41] Isso é um pop care.

[00:06:43] Então a sensação de horror, que é essa da nossa realidade, a sensação, e tem o terror

[00:06:49] provocado pelo desconhecido, pelo próprio Lovecraft diz que a sensação mais forte

[00:06:55] do ser humano é o medo, e o medo é o medo do desconhecido.

[00:06:59] Então temos essas, tem o horror real e o terror imaginário.

[00:07:03] Ah, o terror tem que ter sobrenatural pra ser terror, é isso?

[00:07:06] Sim, se não…

[00:07:07] Se não ele é horror.

[00:07:08] É horror.

[00:07:09] Então, por exemplo, o iluminado, que é uma coisa ambígua.

[00:07:12] Aí a gente entra…

[00:07:13] Então a definição também é ambígua.

[00:07:14] Sim, tu pode ler ele como uma patologia mental ou como uma coisa sobrenatural.

[00:07:18] Nem tudo dá pra gente rotular.

[00:07:20] Aí volta o problema da demarcação que tem os casos intermediários.

[00:07:22] Eu ainda não entendi qual é o exemplo do horror, então, peraí.

[00:07:25] O horror seria apocalipsinal, coisa assim.

[00:07:27] O horror é histórias horríveis, então, sim, qualquer filme de drama, qualquer drama

[00:07:32] da vida real, o que mostra…

[00:07:34] Ser o killer matando gente.

[00:07:36] Sim, histórias da segunda guerra, os campos de concentração, sei lá, são filmes de

[00:07:39] horror.

[00:07:40] Escolha de Sofia, um filme de horror, embora não tenha nada, exatamente porque ele propõe

[00:07:46] uma situação que é horrível.

[00:07:48] Então o terror seria o nome pra essa área mais fantástica.

[00:07:50] Sim.

[00:07:51] O terror é fantástico, o horror é mais…

[00:07:53] Então o terror seria o subdomínio da literatura fantástica.

[00:07:56] É uma parte dela, assim como a fantasia, como o próprio realismo mágico, um termo

[00:08:02] mais acadêmico.

[00:08:03] Daí a gente vai entrar naquele outro problema.

[00:08:06] Jorge Luis Borges, ele escrevia ficção científica e fantasia ou escrevia realismo mágico?

[00:08:11] Tem muitas histórias do Borges que são fantasia explícita ou ficção científica nessa definição,

[00:08:18] mas se criou o termo realismo mágico pra ele, pro Garcia Marquez.

[00:08:24] Muitos dizem que é uma questão de preconceito, que inventaram essa definição pra afastar

[00:08:29] esse pessoal dessa literatura de gênero, que seria a ficção científica fantasia.

[00:08:35] Isso aí, a ficção científica desde que começou a estabelecer, em meados dos séculos

[00:08:42] Ela sofre de um constante maus tratos, digamos, dos teórios, da literatura, das classificações.

[00:08:48] É sempre considerado um subgênero, uma subliteratura, algo menor.

[00:08:53] Isso aí é interessante.

[00:08:54] E ainda não se superou essa…

[00:08:56] Não é exclusivo da ficção científica, acho que todas as ficções científicas,

[00:09:00] a literatura policial, acho que vários gêneros…

[00:09:02] O gênero policial que é uma classe, a parte que tem que sobrepõe com ficção, com um

[00:09:05] monte de outras coisas também, mas assim, o ficção científico me chama a atenção.

[00:09:09] É um efeito do que se chamava, na época, de ficção de polpa, né?

[00:09:13] Era o fato de tu ter uma literatura barata, acessível, econômica, feita em um material

[00:09:19] vagabundo, sim.

[00:09:20] E, por consequência, obras feitas em dois dias, três dias, e acho que daí vem um pouco

[00:09:25] esse estigma.

[00:09:26] A literatura fantástica também não tem uma associação pejorativa assim com ela?

[00:09:30] Existe algum preconceito que vocês tenham que superar, como a ficção científica?

[00:09:34] O preconceito existe, mas eu acho que ele muito vem daquela mentalidade pós-Flaubert

[00:09:41] plus Madame Bovary, de que a literatura tem que ser algo realista.

[00:09:46] É diferente da escola da época, a gente tem que tratar de um problema atual da sociedade.

[00:09:52] O problema é que ela resiste até hoje, é um problema da sociedade, e a gente pode

[00:09:55] fazer isso na fantasia também.

[00:09:57] Então vamos lá, hoje o lugar ali…

[00:09:59] A literatura científica, muitas vezes, é a melhor ferramenta para estudar, extrapolar

[00:10:04] o que está acontecendo agora e ver as consequências.

[00:10:07] Sim, e aí a gente entra na questão do simbolismo, o quanto essas obras são simbólicas, o quanto

[00:10:11] são metafóricas.

[00:10:12] Mas isso, para mim, essa é a separação de… porque eu não considero o realismo mágico

[00:10:17] literatura fantástica, na verdade, porque o realismo mágico trabalha com elementos

[00:10:21] fantásticos como o simbolismo, então assim, a literatura fantástica não.

[00:10:27] Um exemplo que eu uso para explicar é aquele centauro no jardim de Moacir Esclear, certo?

[00:10:33] Naquele livro, o centauro não é um centauro, é um judeu morando no Rio Grande do Sul da

[00:10:38] época, certo?

[00:10:39] Essa é uma representação.

[00:10:41] Coloca um centauro no livro de fantasia, é um centauro.

[00:10:44] É um bicho fantástico.

[00:10:46] Então essa é a diferença, o realismo mágico realmente está trabalhando com esses elementos

[00:10:51] apenas para o seu poder de simbolismo, e a fantasia não.

[00:10:56] Ele está dizendo, não, eu vou criar um mundo fantástico, eu vou inventar as regras desse

[00:11:00] mundo e tenho que acreditar nessa fantasia.

[00:11:03] Então você não considera o Borges o realismo mágico?

[00:11:06] Não, o Borges escreveu as duas coisas.

[00:11:08] Escreveu policial, escreveu…

[00:11:10] Agora ele conseguiu escapar da briga.

[00:11:12] E o realismo mágico é mais contemplativo, ele tem uma coisa de buscar a veia lírica

[00:11:17] dos acontecimentos, tipo o oceano de solidão, para mim, é o paradigma do realismo mágico.

[00:11:22] É uma alucinação progressiva, misturado com realidade e cronocrítica social.

[00:11:27] É grande literatura, é um livro fantástico, mas não é literatura fantástica no sentido

[00:11:32] duro, né?

[00:11:33] A não ser talvez na seda do sexo aquela, onde tem um terremoto, aí talvez já fique

[00:11:37] meio transitório, mas enfim, é tudo metafórico.

[00:11:40] Mas chega a ser engraçado, às vezes, porque eu até conheci o Ignacio de Loiro Brandão

[00:11:46] uma vez, que é um dos meus autores preferidos, assim, do Brasil, acho que ele é o meu autor

[00:11:51] preferido, acho que os livros dele são maravilhosos.

[00:11:53] Eu comentei para ele uma vez, sabe, que Não Virás País Nenhum, para mim, é um dos melhores

[00:11:59] livros de ficção científica já escrito da história, ele quase teve um ataque cardíaco,

[00:12:05] ele falou, não, não é ficção científica, a gente chama de romance, é ficção política,

[00:12:12] e tá tudo bem, mas o livro é claramente ficção científica, assim, é um estudo,

[00:12:18] é uma extrapolação para o futuro das questões do meio ambiente hoje, e ele leva ao extremo,

[00:12:23] ele olha no futuro todas essas consequências, então é claramente ficção científica,

[00:12:29] da mesma maneira que os livros do Vonnegut, assim, o Cat’s Cradle, como é que é em inglês?

[00:12:34] O Cama de Gato, o Cama de Gato, esse é um livro de alta ficção científica, certo?

[00:12:39] Mas ele negou até a morte a escrever a ficção científica, mas é claramente ficção científica,

[00:12:46] ele apresenta um elemento de ciência que muda radicalmente todo mundo.

[00:12:50] Não é que ele negava, o Vonnegut em particular, ele brincava com isso,

[00:12:54] ele nunca respondia diretamente às coisas, isso faz parte, as entrevistas e as falas dele

[00:12:58] são uma continuação dos livros dele, ele é o que ele escreve em particular, nesse livro é engraçado,

[00:13:03] porque você citou o Cama de Gato, que é um livro que ficou datado, porque quando ele foi escrito,

[00:13:07] a última fórmula estrutural de água que tinha era oito, tinha água de um a oito,

[00:13:12] e não tinha água nove, e a água nove é o personagem daquela história, é uma forma nova de moleque de água,

[00:13:17] e hoje já existe quinze, então tem o problema de atualizar o livro, só que ele tá morto,

[00:13:22] trocar pra água vinte, sei lá, água dezesseis, por uma forma cristalina ou outra.

[00:13:26] Esse é o Fronteiras da Ciência, hoje a gente tá discutindo literatura fantástica,

[00:13:29] e o nosso site é o frontedaseênciaurgs.br.

[00:13:32] Tu tinha comentado, eu ia falar antes, mas a história da literatura ficção científica

[00:13:36] como uma forma de discutir os temas da atualidade,

[00:13:38] Tô falando aqui exatamente entre amigos, discutindo esse relatório da NASA, supostamente financiado pela NASA,

[00:13:43] a NASA negou, mostrando o colapso da civilização,

[00:13:46] faz a gente lembrar imediatamente da psico-história do Záquia Zimogues, na Fundação.

[00:13:50] É muito parecido, ou seja, modelos matemáticos que prevêm o futuro de Estânio.

[00:13:55] Nesse caso específico é um modelo matemático muito simples.

[00:13:58] Todo modelo matemático, por definição, é muito simples?

[00:14:01] Como ele é muito simples, significa que o Dom’s Day vai ser daqui a duas semanas e não daqui a cinco.

[00:14:07] O erro dele é entre três semanas e dois milhões de anos, mais ou menos, é um pequeno detalhe, mas para isso…

[00:14:14] Mas vamos às origens agora, qual é a origem?

[00:14:18] A gente falou de alguns autores nacionais, sul-americanos aqui,

[00:14:21] mas do ponto de vista internacional, qual seria o grande precursor da literatura fantástica?

[00:14:27] Olha, se na verdade a gente pode ir até as mitologias gregas, suméria, que isso tudo…

[00:14:34] Se bem que eles acreditavam, né?

[00:14:36] A controvérsia se eles acreditavam ou não.

[00:14:40] É, começando com um pouco mais moderno, porque eu também estou pensando nisso, mas vamos ver…

[00:14:47] A gente vê gerações, e cada geração vai inspirando outras gerações, então podemos olhar Edgar Allan Poe, que é um grande escritor da…

[00:14:56] Um pouco antes tem o Horace Walpole, que é o precursor da literatura gótica, Castelo de Otranto, que eu acho que é fim do século XVIII.

[00:15:04] Mas isso aí é uma literatura fantástica, não é?

[00:15:06] Não é ficção científica, mas ficção científica é mais fácil de causar origem, porque primeiro tem que surgir a ciência.

[00:15:10] Aí, em seguida, no início do século XIX, tem o Frankenstein, que é considerado tanto marco da literatura de terror, quanto de ficção científica.

[00:15:19] E logo, já algumas décadas depois, começa o Poe.

[00:15:23] E depois temos, na linha de fantasia, temos Dan Sun, e na linha de ficção científica, temos Judy Verme, H.G. Wells…

[00:15:32] Mas aí nós já estamos falando de um livro massificado, segundo a metade da século XIX, não é?

[00:15:35] Quer dizer, livros escritos, o Kepler escreveu um livro de ficção científica, que é uma viagem à lua, Desomnium é o nome, é o sonho.

[00:15:43] Ele toma uma poção na mãe dele, vai para a lua, e a mãe dele foi condenada para a bruxaria, e depois por causa disso, tem uns problemas.

[00:15:49] É uma época ruim para escrever ficção, eu acho.

[00:15:51] Mas, assim, acho que tem precursores, até antes, qualquer coisa seria fantástica, mas…

[00:15:55] E a literatura, aí tem outro debate, mas a literatura, no fundo, como ela recria, mesmo um romance realista, um romance histórico,

[00:16:02] condicionando, como disse o Inácio A. Brandão, né, negando ser ficção científica, é ficção, porque aquilo foi recriado pelo cara,

[00:16:09] como ele recheou de fatos e detalhes que não existiam.

[00:16:12] Então, no fundo, no fundo, toda a ficção é fantástica, porque ela não é um relato filmado em DVD, com 3D.

[00:16:21] Agora eu estava pensando isso, agora, todos os romances são ficção, eles são ficção porque os fatos não são…

[00:16:27] Agora, o que é ficção científica? A ficção científica é quando a ciência discutida também é fictícia, né?

[00:16:32] Se eu faço uma ficção com a ciência atual…

[00:16:34] Não, acho que pode…

[00:16:35] Seria isso ficção científica?

[00:16:37] Por exemplo, um exemplo disso, os livros do Dan Brown, Ponto de Impacto, que é um livro de exobiologia, na verdade,

[00:16:45] mascarado numa aventura que é igual a todas as livrinhas, todas as livrinhas tem a mesma fórmula, é tudo numa noite, uma correria desgraçada,

[00:16:50] um cara resolve tudo, é o gostosão e tal, mas assim, apesar dessa fórmula, aquele lá, ele discute ciência, bastante coisa,

[00:16:56] e até é um pouco de ficção, então é um pouco fantástico colocar.

[00:16:59] No fim, eu não vou contar a história, não vou fazer spoiler, mas é difícil classificar no final, ele não é classificado como ficção científica, mas poderia.

[00:17:06] Eu acho que então, tu tem que identificar no livro qual é o elemento mais chamativo, então se a exploração é científica, bom, daí cai no cesto da ficção científica.

[00:17:16] Se tem algum elemento sobrenatural que é ressaltado, bom, aí pode ser literatura fantástica.

[00:17:21] O Michael Crichton que produziu todos aqueles livros que é basicamente ficção científica mais…

[00:17:25] O Enigma de Andrômeda é uma história totalmente plausível, até ele apresentou, ele gostava de apresentar aqueles hulks, como é que se chama esse português?

[00:17:35] Fraudes, falsas fraudes.

[00:17:37] Assim como tem o Devoradores de Mortos, ele apresentou o Enigma de Andrômeda com uma história verdadeira.

[00:17:44] O Devoradores de Mortos, tem realmente um manuscrito, alguns fragmentos pelo menos?

[00:17:48] Tem, tem. Como é que é o nome do árabe?

[00:17:51] Eu não lembro.

[00:17:52] Não lembro do árabe.

[00:17:53] Ele chegou até a Escandinávia, só que a parte do livro é aquela viagem mais além que não se sabe.

[00:18:02] Inclusive, faz uma hipótese do livro.

[00:18:04] Um dos grandes relatos das civilizações vikings ali é a DC, a autora árabe, isso realmente existe.

[00:18:11] Agora aquela parte que foi inspirada no Beowulf, na verdade, é ali que entra a especulação.

[00:18:17] Mas o Beowulf é uma saga mitológica nórdica, então são lendas orais.

[00:18:21] Não, na verdade é o primeiro documento escrito em inglês.

[00:18:24] Também.

[00:18:25] Na verdade o anglo-saxão se passa na Escandinávia, mas é diferente, porque no Beowulf é um único monstro.

[00:18:31] Sim.

[00:18:32] O comandante de mortos tem uma legião completa.

[00:18:34] Mas é que nem mitologia grega, tem 20 versões diferentes da mesma mitologia.

[00:18:38] Então tu pega o famoso dicionário, aquele que foi publicado no Brasil, da coleção mitologia, que é muito bom de ler.

[00:18:43] Aí tu pega cada deus, tem um verbete lá, e começa a ler, e cada deus tem várias histórias diferentes.

[00:18:49] Inclusive o parenteço dos diferentes, conforme quem contou.

[00:18:52] O próprio Beowulf até ele ser registrado pela primeira vez, acredita-se que a história já tivesse séculos vindo da tradição oral.

[00:19:01] Agora, como ela era lá no início, como ela chegou naquela forma que foi eternizada, ali no coro de ovelha,

[00:19:10] obviamente se inventou muito nesse intervalo.

[00:19:14] Sim, pode ter ficado a versão resumida para crianças.

[00:19:17] Censurada talvez.

[00:19:18] Eu podia voltar, antes de começar o programa, a gente estava discutindo,

[00:19:22] você estava falando da grande lacuna que existe na literatura fantástica no Brasil, nas traduções.

[00:19:28] A gente pulou do Tolkien para o Martin.

[00:19:31] Sim, tem um terreno de 20 e pico anos.

[00:19:34] Tem casos isolados, tem alguns livros do Gaiman, tem algumas coisas.

[00:19:39] Mas é isso que eu queria perguntar, de certa forma você está tentando cobrir esse terreno também.

[00:19:44] Tu como editor, como é que faz isso?

[00:19:46] Vocês estão brigando, vocês estão se matando os editores para pegar esses livros?

[00:19:51] Até não.

[00:19:53] Ali entre os anos 60, 70, 80 tem uma série de autores que mal chegaram aqui.

[00:19:59] Estou falando de fantasia agora, exclusivamente, não, ficção científica.

[00:20:03] Michael Moorcock, o criador do Eric, chegou aqui algumas traduções de Portugal

[00:20:08] e teve um livro do Eric, apenas A Espada Diabólica, que foi publicado aqui em 1975

[00:20:14] e numa versão meio resumida.

[00:20:17] E o Eric é um dos grandes personagens da fantasia, junto com Conor e tal.

[00:20:22] Depois teve os anos 70, Carl Edward Wagner.

[00:20:25] O Fritz Leiber, que é um cara que começou lá nos anos 30

[00:20:29] e tem a dupla muito famosa que é o Fafner e o Geimäuser.

[00:20:33] Ganharam vários prêmios importantes e isso nunca chegou aqui.

[00:20:36] Do Fritz Leiber chegaram livros de ficção científica, o Serebros Prateados.

[00:20:40] Sim, aliás o Moorcock também é escritora de ficção científica, né?

[00:20:43] Sim, também tem aquela trilogia marciana dos Senhores do Poço.

[00:20:48] Acho que está na Argonauta também.

[00:20:51] Eu vi a lista recentemente e estou com esses nomes na cabeça.

[00:20:54] Foi o que chegou aqui dessas traduções de Portugal.

[00:20:58] E nos anos 80 teve Charles Saunders, quem mais?

[00:21:03] Você pode falar melhor que eu inclusive.

[00:21:05] Stephen Donaldson, Laurence Wadden, Terry Brooks.

[00:21:09] Só escritores americanos.

[00:21:11] Robert Jordan também chegou.

[00:21:13] Não tem escritores europeus, não tem franceses e alemães escrevendo na sala,

[00:21:17] que são italianos.

[00:21:18] Aliás eu comprei uma antologia celebrando a ficção científica e a fantasia

[00:21:22] só com capas de livros.

[00:21:24] Fiquei surpreso com a quantidade de livros italianos que tem lá,

[00:21:26] que nunca chegaram aqui.

[00:21:28] Alguns talvez, né?

[00:21:30] Sim, até todos esses caras que eu mencionei,

[00:21:36] todos têm traduções italianas.

[00:21:38] Mesmos caras menos conhecidos como Carl Edward Wagner,

[00:21:41] eles tinham uma coleção Fantasienza,

[00:21:44] que lançava todo esse pessoal.

[00:21:47] Agora, com essa explosão, nem foi com o Harry Potter,

[00:21:51] porque o Harry Potter é outro tipo de fantasia, na minha opinião.

[00:21:55] Com a explosão do George R. R. Martin,

[00:21:57] começou a se recuperar esses caras.

[00:21:59] O Glenn Cook, que é outro cara que foi fortíssimo nesses anos 80.

[00:22:03] Só para quem não sabe, o Martin é autor do Game of Thrones.

[00:22:07] Sim, tem muitos livros para vender, bem grandes.

[00:22:09] Agora tem o Robert Jordan, Raymond Weiss.

[00:22:13] Nessa onda recente, traduziram o C. S. Lewis,

[00:22:17] as nagens, as crônicas e tal.

[00:22:19] São coisas antigas, que nunca tinham chegado aqui.

[00:22:21] Chegaram com os filmes.

[00:22:23] Chegaram com os filmes.

[00:22:25] E aí tem o papel do cinema, para puxar o cavo-chefe.

[00:22:27] Também é outro debate.

[00:22:29] Patrick Rothfuss, tem uma onda chegando agora.

[00:22:31] E agora começou a se resgatar esse pessoal mais antigo.

[00:22:35] Como é que é o processo de achar o livro, de ganhar o livro?

[00:22:38] Claro que deve ter um…

[00:22:40] Quem é grande é grande.

[00:22:42] Quem chega primeiro…

[00:22:43] No caso do Argonautas,

[00:22:45] nós só publicamos autores nacionais,

[00:22:47] porque a gente não tem poder nenhum, assim,

[00:22:49] de barganha com as editoras grandes,

[00:22:51] em relação ao mercado internacional.

[00:22:53] Aí, realmente, eu acho que foi uma editora,

[00:22:57] se não me engano, da Leia,

[00:22:59] que disse que agora o mercado brasileiro

[00:23:02] vai ser briga de cachorro grande,

[00:23:04] e quem não tiver poder vai comer o seu osso.

[00:23:06] O Argonautas come osso.

[00:23:08] Não em termos de atividade.

[00:23:10] Não em termos de atividade,

[00:23:12] porque os nossos autores são muito bons.

[00:23:14] Mas nesse mercado massificado de best sellers,

[00:23:16] a gente não chega nem perto.

[00:23:18] Vocês recebem muitos manuscritos?

[00:23:20] Como é que funciona? Vocês recusam muita coisa?

[00:23:22] Nós não analisamos manuscritos.

[00:23:24] Ah, vocês publicam.

[00:23:26] Porque a editora…

[00:23:28] Não tem infraestrutura ainda.

[00:23:30] Tem apenas dois integrantes.

[00:23:32] Sou eu e meu sócio.

[00:23:34] E se o volume, antes de a gente explicitar

[00:23:36] que não recebia submissões,

[00:23:39] era diariamente cinco, dez ofertas por dia.

[00:23:43] Se a gente for ler tudo isso,

[00:23:45] a gente só vai para o resto da vida ler manuscritos

[00:23:47] e não vai fazer mais nada.

[00:23:49] E o que é pior, ler um monte de coisa ruim.

[00:23:51] Mas como funciona a impressão?

[00:23:53] É o sistema on-demand?

[00:23:55] Não, é o sistema tradicional.

[00:23:57] Nós fazemos tiragens pequenas,

[00:23:59] de 100 a 500 exemplares.

[00:24:01] Mas os custos são da editora?

[00:24:03] Sim, são todos nossos.

[00:24:05] Não é o autor que investe?

[00:24:07] Existem editoras chamadas de editoras pagas.

[00:24:09] Não é o nosso caso.

[00:24:11] A gente financia com o nosso próprio dinheiro.

[00:24:13] O dinheiro da venda do livro anterior

[00:24:15] financia o próximo livro.

[00:24:17] Nós somos uma empresa que

[00:24:19] não tem assim lucro.

[00:24:21] A gente só, que nós temos nossos

[00:24:23] próprios trabalhos também.

[00:24:25] É como o nosso podcast.

[00:24:27] Deixa eu só corrigir,

[00:24:29] porque eu não expliquei antes.

[00:24:31] Mas a tua editora,

[00:24:33] que é a editora da editora,

[00:24:35] mas a tua editora chamam Argonautas.

[00:24:37] Eu estava falando antes da coleção Argonauta.

[00:24:39] Então não confundir.

[00:24:41] Não é uma coleção clássica,

[00:24:43] mas é só ficção científica.

[00:24:45] É uma homenagem.

[00:24:47] Tanto a coleção quanto aos próprios Argonautas,

[00:24:49] que são o primeiro time

[00:24:51] de super-heróis da humanidade.

[00:24:53] É verdade.

[00:24:55] Outra coisa que eu estou mencionando,

[00:24:57] falando dessa história dos monopólios,

[00:24:59] de fato está havendo monopolização

[00:25:01] em várias áreas da editoria.

[00:25:03] No mercado de traduções e de livros técnicos.

[00:25:05] Então, de fato, já são

[00:25:07] três ou quatro grandes editoras.

[00:25:09] No Brasil são duas ou três.

[00:25:11] Oszivir, Springer, praticamente comprando

[00:25:13] editoras menores, que vão centralizando,

[00:25:15] como buracos negros sugando tudo.

[00:25:17] Vai terminar tudo num único, que é complicado.

[00:25:19] Mas há nichos assim que,

[00:25:21] se não for dos best sellers,

[00:25:23] que também aqui no Brasil tem editoras

[00:25:25] que são best sellers desde que surgiram,

[00:25:27] ainda não pegam qualquer coisa.

[00:25:29] Então, muito das lacudas

[00:25:31] que tem é porque,

[00:25:33] para os critérios de venda massiva deles,

[00:25:35] vendendo ao mínimo três mil livros no país,

[00:25:37] muitos desses livros não vêm nenhum,

[00:25:39] porque são um mercado seletivo.

[00:25:41] Isso explica por que não se publicava tanto.

[00:25:43] Eu vou dizer, cinco anos atrás,

[00:25:45] essas editoras,

[00:25:47] explicitamente, não recebemos obras

[00:25:49] de fixação científica,

[00:25:51] de literatura fantástica.

[00:25:53] Hoje em dia, todas essas editoras

[00:25:55] têm acelos para publicar fantasia.

[00:25:57] Isso é recente mesmo,

[00:25:59] é assim,

[00:26:01] essas acelos abrimos nos últimos três anos.

[00:26:03] Então, dá para dizer que

[00:26:05] nós estamos vivendo era Harry Potter?

[00:26:07] Não, é um reconhecimento

[00:26:09] da literatura fantástica

[00:26:11] como um meio de venda de livros.

[00:26:13] Depois do sucesso,

[00:26:15] Harry Potter começou assim,

[00:26:17] mas, eu vou dizer, o boom começou depois

[00:26:19] de Game of Thrones mesmo.

[00:26:21] Game of Thrones foi um sucesso tão grande,

[00:26:23] e, claro, o livro adulto,

[00:26:25] porque até infantos juvenis

[00:26:27] e editores publicam qualquer coisa,

[00:26:29] eles aceitam outras aulas.

[00:26:31] Mas para o público adulto,

[00:26:33] foi por causa de Game of Thrones,

[00:26:35] Guerra dos Tronos agora,

[00:26:37] lançaram no Brasil, Leia que lançou,

[00:26:39] foi um sucesso.

[00:26:41] Eu queria comentar que

[00:26:43] há um boato, digamos assim,

[00:26:45] de que a Companhia das Letras rejeitou

[00:26:47] o Game of Thrones por ser fantasia,

[00:26:49] que eles não publicavam fantasia,

[00:26:51] e acabou sendo

[00:26:53] o maior fenômeno literário

[00:26:55] que já teve no Brasil, milhões de livros vendidos.

[00:26:57] E tem uma componente de horror também,

[00:26:59] que é o horror de que o Martin morra

[00:27:01] antes de terminar o século.

[00:27:03] Mas faz parte da história.

[00:27:05] E agora a Companhia das Letras está abrindo

[00:27:07] um século de fantasia.

[00:27:09] Pois é, isso é novo, porque a Companhia das Letras

[00:27:11] não publicava ficção, praticamente.

[00:27:13] Ela publicava coisas mais realistas.

[00:27:15] Serias.

[00:27:17] É, coisas diferentes.

[00:27:19] A Record foi uma das primeiras grandes

[00:27:21] editoras, às vezes abriram um século veras.

[00:27:23] Antigamente a Editora Imus tinha uma coleção brasileira

[00:27:25] que era paralela à da Argonauta portuguesa.

[00:27:29] A GRD, que é uma coleção também,

[00:27:31] muito boa, publicou os primeiros Clark.

[00:27:33] A GRD representa

[00:27:35] a tradição de editoras menores

[00:27:37] publicando ficção fantástica.

[00:27:41] Eles chamam a geração GRD,

[00:27:43] os escritores

[00:27:45] que leram essa coleção,

[00:27:47] que cresceram lendo essa coleção,

[00:27:49] que agora são os grandes escritores

[00:27:51] de ficção científica.

[00:27:53] Tem outros exemplos de editoras como a tua?

[00:27:55] Ou vocês são um caso isolado?

[00:27:57] Atualmente tem várias editoras aqui no Brasil

[00:27:59] nesse foco.

[00:28:01] A Editora Draco, de São Paulo,

[00:28:03] Editora Lir,

[00:28:05] do Rio de Janeiro.

[00:28:07] É isso que eu queria dizer. Apesar dessa monopurização

[00:28:09] em coisas que vendem muito,

[00:28:11] ainda existe a margem

[00:28:13] de sobrevivência nas áreas, digamos,

[00:28:15] marginalizadas.

[00:28:17] A ficção científica, todo esse tempo que ela foi usada,

[00:28:19] ficou meio abandonada, por isso que as lacunas aqui também.

[00:28:21] Mas dos lugares onde tem um grande

[00:28:23] costume da literatura,

[00:28:25] enfim, de baixo custo

[00:28:27] e, portanto, popular e tal,

[00:28:29] como é policial faroeste,

[00:28:31] que é outro gênero, que aqui, praticamente,

[00:28:33] no Brasil desapareceu, mas era famosa.

[00:28:35] Eu queria ir lendo isso.

[00:28:37] Faroeste? É, o livro de faroeste.

[00:28:39] E o Tex Wheeler, que é o italiano lá,

[00:28:41] maravilhoso.

[00:28:43] Mas isso tudo é muito forte nos Estados Unidos,

[00:28:45] é forte em alguns lugares da Europa,

[00:28:47] mas hoje não existe.

[00:28:49] Hoje é muito politicamente incorreto, faroeste.

[00:28:51] Não, não é necessário.

[00:28:53] Depende do que faz com os índios.

[00:28:55] O Tex não, o Tex é politicamente correto

[00:28:57] já nos anos 60.

[00:28:59] Se for ler um Elmore Leonard, por exemplo,

[00:29:01] esse é um dos grandes autores

[00:29:03] revolucionários do Western,

[00:29:05] ali, a partir do fim dos anos 50.

[00:29:07] Colocar os heróis dos livros dele

[00:29:09] são, geralmente, um mestiço

[00:29:11] índio-americano,

[00:29:13] mexicano.

[00:29:16] Ele quebrou um pouco,

[00:29:18] mais ou menos como o

[00:29:20] Western italiano fez nos anos 60,

[00:29:22] ele acabou com aquela linha

[00:29:24] de bem e mal, ele acabou com o

[00:29:26] maniqueísmo do Western.

[00:29:28] É uma revolução cinematográfica, é verdade.

[00:29:30] Então, o Elmore Leonard

[00:29:32] para mim é, só que ele é um pouco mais recente,

[00:29:34] não é o cara lá dos anos

[00:29:36] 20, 30, como Zane Gray aquele.

[00:29:38] Ou um outro escritor

[00:29:40] dessa linha também, é o Calmay.

[00:29:42] Histórias de índios e outros.

[00:29:44] Ele é do século 19.

[00:29:46] Foi traduzido todo no Brasil também, são primorosos.

[00:29:48] Formou uma geração também, só que é dos anos 50.

[00:29:50] O autor é do século 19.

[00:29:54] A coleção brasileira é dos anos 50.

[00:29:56] Eu tenho um amigo que, na casa dele,

[00:29:58] o pai dele fazia entalhes em madeira

[00:30:00] com serrotinho, era um artesanato

[00:30:02] dos anos 30 e 40,

[00:30:04] e ele entalhou as capas dos livros

[00:30:06] do Calmay e todas, e fez abajures.

[00:30:08] Então, os abajures da casa são todo capas

[00:30:10] de uma coisa meio maluca,

[00:30:12] o cara gostava mesmo.

[00:30:14] Fala um pouco dessas sagas, dessas conexões.

[00:30:16] Tem muitas antologias, vamos dar uma ideia,

[00:30:18] as antologias têm um papel também,

[00:30:20] a parte dos romances inteiros.

[00:30:22] Aqui no Brasil nós não temos o mercado

[00:30:24] das revistas,

[00:30:26] que nos Estados Unidos, por exemplo, é muito forte.

[00:30:28] Aqui floresceram

[00:30:30] as antologias, que é a forma

[00:30:32] dos autores

[00:30:34] começarem a entrarem no mercado.

[00:30:36] Eu acho que isso,

[00:30:38] os autores novos,

[00:30:40] a melhor chance de publicar é pelas antologias.

[00:30:42] Eles publicam contos,

[00:30:44] eles são short stories,

[00:30:46] são contos.

[00:30:48] Então, tem dois tipos de antologia,

[00:30:50] tem a antologia que é convidada,

[00:30:52] que nem o Argonautos faz, eles escolhem autores

[00:30:54] que já conhecem o convido,

[00:30:56] essa Argonautos aqui,

[00:30:58] ou essas antologias

[00:31:00] de submissões abertas.

[00:31:02] E essa é a maneira realmente

[00:31:04] para o novo escritor que quer começar.

[00:31:06] Isso é bom para os ouvintes também,

[00:31:08] a ideia de entrar nessa área,

[00:31:10] começar a publicar a ficção científica,

[00:31:12] a fantasia no Brasil,

[00:31:14] é a melhor maneira, é submeter contos

[00:31:16] para essas antologias,

[00:31:18] porque os leitores e editores

[00:31:20] leiam essas antologias.

[00:31:22] As antologias não tem uma grande distribuição,

[00:31:24] mas elas têm uma distribuição

[00:31:26] entre os principais leitores

[00:31:28] e editores.

[00:31:30] Então, é uma maneira que

[00:31:32] os editores descobrem os novos autores

[00:31:34] e depois podem convidar para escrever uma,

[00:31:36] participar de outras coletâneas, antologias.

[00:31:38] Qual é, tipicamente,

[00:31:40] uma dessas…

[00:31:42] Elas têm um nome?

[00:31:44] Elas são antologias,

[00:31:46] essa saga é uma antologia,

[00:31:48] o Causa editava uma coleção,

[00:31:50] uma antologia.

[00:31:52] Cada uma delas tem um nome diferente,

[00:31:54] não é assim que nem Argonautas.

[00:31:56] No caso dos sagas, é uma coleção

[00:31:58] que já vai para o quinto volume,

[00:32:00] agora em abril, em setembro,

[00:32:02] que é a da Argonautas,

[00:32:04] cada volume tem um tema,

[00:32:06] essa aqui é o Western,

[00:32:08] aliás é uma variação do Western,

[00:32:10] que é o Weird Western, que é o Western

[00:32:12] com ele menos fantásticos.

[00:32:14] Essa é sobre convite?

[00:32:16] Sim, essa é com convite.

[00:32:18] E são quantas histórias?

[00:32:20] Quatro a cinco.

[00:32:22] Nesse caso são histórias um pouco mais longas,

[00:32:24] que se chamam de noveletas,

[00:32:26] entre o conto e a novela,

[00:32:28] é um meio termo,

[00:32:30] cerca de 40 páginas.

[00:32:32] Essa é uma série bem popular

[00:32:34] das revistas Pope dos anos 20 e 30,

[00:32:36] ou formato mais vendido,

[00:32:38] mais popular de gente como Lovecraft,

[00:32:40] ou Robert Howard,

[00:32:42] o criador do Conan.

[00:32:44] Então essa série de sagas

[00:32:46] foi um resgate desse espírito

[00:32:48] do Pope.

[00:32:50] Gostaria da ideia da temática,

[00:32:52] só que se você faz um Western agora,

[00:32:54] estranho ou West,

[00:32:56] vai vir tudo steampunk.

[00:32:58] Não, nesse livro aqui

[00:33:00] o que é a moda de agora.

[00:33:02] Tem várias antologias.

[00:33:04] O punk é a coisa que mais se diversifica.

[00:33:06] Tem elementos metálicos

[00:33:08] e vapor nas histórias.

[00:33:10] Por exemplo, o Wild Wild West,

[00:33:12] que é o James West.

[00:33:16] O filme é assim um punk clássico,

[00:33:18] tipo o cara fazendo máquinas

[00:33:20] no século XIX do Oeste,

[00:33:22] que só podiam fazer agora.

[00:33:24] É uma tecnologia mais avançada para a época

[00:33:26] a partir da tecnologia vapor.

[00:33:28] É uma época vitoriana

[00:33:30] com tecnologia mais forte,

[00:33:32] baseada no vapor.

[00:33:34] Eu considero isso fantasia,

[00:33:36] porque é completamente impossível.

[00:33:38] É o arrepio da ciência.

[00:33:40] O mais fantasia é a história alternativa

[00:33:42] dependendo da perspectiva.

[00:33:44] Mas esse é um tema para um outro episódio.

[00:33:46] Mas é que nem aquele filme novo

[00:33:48] Três Mascuteiros,

[00:33:50] aquele é steampunk.

[00:33:52] Tem essa tecnologia, o Zetlin

[00:33:54] voando no ar, essas coisas.

[00:33:56] Ah, eu não vi esse.

[00:33:58] É um especial, é verdade.

[00:34:00] Umas palinhas sobre quais são

[00:34:02] as coisas legais que vão acontecer

[00:34:04] na Odisseia.

[00:34:06] O que é que são?

[00:34:08] Temos bastante programação esse ano,

[00:34:10] como sempre.

[00:34:12] Temos grandes mesas, vamos ter mesas

[00:34:14] sobre Lovecraft, vamos ter mesas de

[00:34:16] adaptações de ficção científica

[00:34:18] com Max Malman, que é um grande escritor.

[00:34:20] Já disse isso, mas quantos autores

[00:34:22] vem mais ou menos?

[00:34:24] Escritores e editores,

[00:34:26] com certeza vamos bater 100.

[00:34:28] Incrível.

[00:34:30] Estamos esperando um público de 1500

[00:34:32] a 2000 pessoas.

[00:34:34] 100 autores é legal, né?

[00:34:36] Um evento de três dias.

[00:34:38] É que autores vem de todo o país

[00:34:40] para esse evento, porque realmente é o maior

[00:34:42] evento focado em literatura

[00:34:44] fantástica, porque temos eventos

[00:34:46] maiores, tipo Anime Extreme,

[00:34:48] essas que têm essa ligação

[00:34:50] com outros mídias, mas o nosso evento

[00:34:52] é puramente de literatura.

[00:34:54] Pois é, não é como um Comic Con, que é uma festa

[00:34:56] fantasia, praticamente.

[00:34:58] É, exatamente.

[00:35:00] Não, não é só isso.

[00:35:02] É um evento que reúne também autores

[00:35:04] e editores.

[00:35:06] É um universo nerd.

[00:35:08] Tem bonequinhos de brinquedos, tudo.

[00:35:12] Recebemos autores do país inteiro,

[00:35:14] vamos ter 20 editoras esse ano,

[00:35:16] eu acho que só duas dessas

[00:35:18] editoras são de Porto Alegre.

[00:35:21] Tudo o resto é de fora, principalmente São Paulo,

[00:35:23] algumas editoras de Minas Gerais,

[00:35:25] Curitiba, Rio de Janeiro.

[00:35:27] Muitas editoras,

[00:35:29] muito vendem livros.

[00:35:31] A abertura vai ser palestra de Tabajara Ruas.

[00:35:33] Pois é, Tabajara Ruas falando

[00:35:35] sobre Lovecraft.

[00:35:37] Então esse foi o Programa Fronteiras da Ciência,

[00:35:39] hoje a gente discutiu literatura fantástica

[00:35:41] com os convidados o César Alcázar

[00:35:43] e o Christopher Kastensmith.

[00:35:45] E o pessoal daqui

[00:35:47] foi o Jorge Kielfeld,

[00:35:49] o José Toranzon e eu, Marco Diat.

[00:35:51] O Programa Fronteiras da Ciência

[00:35:53] é um projeto do Instituto de Física da Urguis,

[00:35:55] técnica de Gilson de César

[00:35:57] e direção técnica

[00:35:59] de Francisco Guazelli.