AntiCast 168 – Gênero como Construção Social
Resumo
O episódio discute a noção de gênero como uma construção social, explorando as teorias da terceira onda do feminismo, em especial as ideias de Judith Butler sobre performance de gênero. Os participantes debatem como normas sociais, desde a infância, moldam expectativas sobre masculinidade e feminilidade, influenciando comportamentos, vestimentas e até a percepção do próprio corpo.
A conversa aborda a experiência transgênero como um desafio ao binarismo de gênero, destacando a importância da subjetividade e da autoidentificação. São citados exemplos como Laerte e a personagem de Orange Is the New Black para ilustrar a complexidade e a diversidade das identidades de gênero. A discussão também reflete sobre a dificuldade prática de desconstruir categorias tão arraigadas socialmente, como banheiros segregados e a divisão de brinquedos por gênero.
A relação entre gênero e vestimenta é explorada tanto no cotidiano quanto no cinema, com a convidada Isabel Wittmann comentando como o figurino pode reforçar ou subverter expectativas de gênero em narrativas fílmicas. Exemplos como Minha Vida em Cor de Rosa e XXY são mencionados como obras que lidam diretamente com questões de identidade.
Os participantes compartilham experiências pessoais sobre a criação de filhos, refletindo sobre o esforço consciente para não reproduzir estereótipos de gênero, mas também reconhecendo a força das normas sociais internalizadas. A conversa tangencia ainda a representação de gênero na publicidade e na mídia, criticando a hipergenerificação de produtos infantis.
Por fim, o episódio reconhece que, apesar dos avanços teóricos e de uma maior visibilidade de identidades não binárias, a desconstrução completa do gênero como categoria social é um processo longo e complexo, que envolve mudanças profundas em estruturas sociais e culturais.
Anotações
- 00:01:48 — Lançamento do Patreon e planos futuros Ivo e Beccari anunciam em detalhes o lançamento do Patreon do Anticast. Eles explicam o modelo de financiamento recorrente, as diferentes categorias de apoio (de 1 a 50 dólares) com recompensas variadas (como agradecimentos, livros autografados, desenhos originais do Beccari e até a criação de um personagem no próximo livro do Ivo). Também estabelecem metas financeiras mensais que, se atingidas, permitiriam melhorar equipamentos, contratar editores, trazer de volta programas como ‘Prefiro Bodrilhar’ e ‘Não Obstante’ com mais frequência, e até financiar o novo projeto ‘Projeto Humanos’. Um trecho piloto deste último, uma entrevista com o pai do Ivo, é reproduzido.
- 00:28:38 — Teoria de Judith Butler e exemplos de construção social A discussão se aprofunda nas ideias da filósofa Judith Butler, apresentadas por Isabel. Gênero é entendido como uma performance social repetitiva, não uma essência. Os participantes ilustram o conceito com exemplos: a associação cultural da ‘dor do parto’ como a pior possível para mulheres, naturalizando a cesárea; e a história de um homem cego que desenvolveu ecolocalização, mas foi desencorajado socialmente, mostrando como a ‘cegueira’ também é uma construção. Debate-se como expectativas desde a infância (meninos podem sair, meninas devem ficar em casa) moldam habilidades como a orientação espacial.
- 00:50:27 — Identidade transgênero e o desafio ao binarismo O foco se volta para a experiência transgênero. Isabel define pessoas trans como aquelas que assumem uma identidade de gênero diferente da designada ao nascimento. Juliana relata como o livro ‘O Longe da Árvore’ a fez entender a profundidade do sofrimento e a alta taxa de suicídio nesse grupo, compartilhando a história emocionante de uma mãe que fez um ‘funeral’ do filho para aceitar a filha trans. Discute-se a diferença entre identidade trans (uma vivência subjetiva) e a noção mais fluida e performática de gênero. A conversa também aborda os desafios práticos que pessoas trans colocam para estruturas sociais binárias, como o uso de banheiros públicos.
- 01:18:42 — Representação de gênero no cinema e liberdade artística Isabel comenta sua análise de gênero no cinema, focando mais no discurso geral do filme do que apenas no figurino. São citados filmes que tratam diretamente do tema, como ‘Minha Vida em Cor de Rosa’ e ‘XXY’. Surge um debate sobre a liberdade artística: até que ponto um filme pode apresentar personagens com visões machistas, homofóbicas ou transfóbicas sem que isso signifique compactuar com essas ideias? ‘Clube de Compras Dallas’ é usado como exemplo positivo, onde o personagem preconceituoso é abertamente criticado pela narrativa. Também se discute a polêmica em torno de ‘Garota Exemplar’ e a dificuldade de definir se sua representação feminina é positiva ou negativa.
Indicações
Books
- O Longe da Árvore — Livro citado por Juliana que contém um capítulo sobre transgênero, apresentando histórias de famílias e a profunda dificuldade e sofrimento envolvidos na identidade trans, ajudando a construir empatia sobre o tema.
- A Mão Esquerda da Escuridão — Livro de ficção científica de Ursula K. Le Guin mencionado por Isabel, que se passa em um planeta onde os habitantes não têm gênero, servindo como uma narrativa que descontrói a noção binária de gênero.
Films
- Minha Vida em Cor de Rosa — Filme citado por Isabel que lida com questões de gênero, especificamente com uma criança que não se identifica com o gênero designado ao nascimento.
- XXY — Filme argentino mencionado por Cris que aborda a história de uma pessoa intersexo, explorando a pressão para definir um gênero e a questão ‘será que precisa definir?‘.
- Transamérica — Filme com Felicity Huffman citado por Cris, que trata da jornada de uma mulher trans e seu relacionamento com um filho que ela não sabia que tinha.
- Clube de Compras Dallas — Filme citado como exemplo de obra que apresenta um personagem com visões preconceituosas (homofóbico, racista) sem que o filme compactue com esse discurso, narrando sua transformação.
- Garota Exemplar — Filme de David Fincher mencionado por ter gerado polêmica sobre se sua representação da protagonista feminina era positiva ou negativa, ilustrando a complexidade de analisar discursos de gênero no cinema.
Other
- Patreon do Anticast — Plataforma de financiamento recorrente anunciada por Ivo e Beccari. Eles explicam as categorias de contribuição (de ‘ninja silencioso’ a ‘Jared Leto’), recompensas e metas para melhorar a produção do podcast e criar novos conteúdos.
People
- Judith Butler — Filósofa citada como figura central da ‘terceira onda’ do pensamento sobre gênero. Sua teoria define gênero como uma performance social repetitiva, não como uma essência biológica.
- Laerte — Cartunista brasileira mencionada como exemplo público de pessoa transgênero (mulher trans), cuja trajetória e expressão de gênero desafiam normas sociais e provocam discussões.
- Conchita Wurst — Artista vencedora do Eurovision mencionada por Cris, que apresenta uma expressão de gênero andrógina (mulher com barba), provocando questionamentos sobre as expectativas sociais em relação à aparência feminina e masculina.
Podcasts
- Mamilos — Podcast das convidadas Juliana e Cris, publicado no B9, citado como um programa que ‘bota fogo no fone de ouvido’ e discute polêmicas da semana com profundidade, buscando ‘borrar a linha entre nós e eles’.
- Projeto Humanos — Novo projeto de podcast de Ivo, mencionado e com um trecho piloto reproduzido no episódio. Seria um podcast no estilo ‘storytelling’ com histórias do cotidiano, inspirado em formatos como RadioLab e Serial.
Linha do Tempo
- 00:00:00 — Introdução ao tema e participantes — Ivo apresenta o episódio, explicando que o tema é ‘gênero como construção social’ e que contará com a participação de Juliana Valauer e Cris Bartes (do podcast Mamilos) e Isabel Wittmann (pesquisadora de gênero e cinema). Ele contextualiza que o foco será na ‘terceira onda’ dos estudos de gênero e feminismo, com a promessa de abordar outras vertentes em programas futuros.
- 00:01:48 — Anúncio do Patreon e financiamento coletivo — Ivo e Beccari fazem um longo anúncio sobre o lançamento do Patreon do Anticast, explicando o funcionamento da plataforma de financiamento recorrente, as categorias de contribuição e as recompensas oferecidas. Eles detalham metas financeiras que permitiriam melhorar a produção, trazer de volta programas como ‘Prefiro Bodrilhar’ e até lançar novos projetos como o ‘Projeto Humanos’. Um trecho piloto deste último é reproduzido.
- 00:19:32 — Início da discussão principal sobre gênero — Após os anúncios, inicia-se a discussão principal com as convidadas. Ivo apresenta Cris, Juliana e Isabel, explicando o interesse pelo tema a partir da coluna de figurino de Isabel e do trabalho das meninas do Mamilos com questões de representação social. Isabel se apresenta, contando sua formação em arquitetura e mestrado em antropologia, com foco em gênero, moda e cinema.
- 00:28:38 — Judith Butler e a performance de gênero — A discussão se aprofunda na teoria de Judith Butler. Isabel explica que Butler vê gênero como uma performance cotidiana que pode ou não corresponder às expectativas sociais. Os participantes debatem como normas sociais são introjetadas desde a infância, usando exemplos como a associação de dor do parto ao feminino e a construção social da cegueira, para ilustrar como realidades são moldadas socialmente.
- 00:36:06 — Experiências pessoais e construção na infância — Juliana e Cris compartilham experiências pessoais com seus filhos, refletindo sobre como pequenos gestos (como prender o cabelo de um menino ou furar a orelha de uma bebê) revelam a força das normas de gênero. Eles discutem a dificuldade de escapar dessas construções, mesmo com consciência crítica, e como a sociedade pressiona para uma identificação imediata do gênero das crianças.
- 00:43:30 — Natureza versus criação e a indústria de brinquedos — O debate questiona o quanto das diferenças de gênero é biológico (hardware) ou construído socialmente. Concorda-se que há uma grande influência social, evidenciada pela hipergenerificação atual de brinquedos e roupas infantis, que reforça estereótipos desde cedo. É citado o exemplo de lojas que separam brinquedos em ‘seção de menino’ (carros, ação) e ‘de menina’ (bonecas, lar).
- 00:50:27 — A complexidade da identidade transgênero — A discussão se volta para a identidade transgênero. Isabel explica que se refere a pessoas que assumem uma identidade diferente da designada ao nascimento. Juliana comenta como o livro ‘O Longe da Árvore’ a fez entender a profundidade e o sofrimento envolvidos, muitas vezes levando a altos índices de suicídio. Discute-se a diferença entre identidade trans e a noção de performance fluida e consciente.
- 01:00:01 — Desconstrução do binarismo e desafios práticos — Os participantes debatem o ideal de desconstruir completamente o binarismo de gênero (‘homem’/‘mulher’), reconhecendo a enorme dificuldade prática, pois essas categorias organizam a sociedade (banheiros, documentos). Reflete-se sobre se no futuro essas distinções serão irrelevantes, mas admite-se que é uma mudança geracional profunda e que a geração atual pode ficar ‘datada’.
- 01:18:42 — Gênero e representação no cinema — Isabel comenta como analisa questões de gênero no cinema, muitas vezes através do discurso do filme e não apenas do figurino. São citados filmes como ‘Minha Vida em Cor de Rosa’ e ‘XXY’. Discute-se a liberdade artística de representar personagens com visões problemáticas (machistas, homofóbicos) sem que o filme necessariamente compactue com elas, usando ‘Clube de Compras Dallas’ como exemplo.
- 01:36:41 — Vestimenta, corpo e experimentação de gênero — A conversa retorna ao tema da roupa. Isabel menciona como as roupas femininas moldam e criam expectativas sobre o corpo. Ivo e Cris compartilham experiências pessoais de usar roupas ou maquiagem associadas ao outro gênero (um kilt, calça feminina, maquiagem), refletindo sobre o estranhamento social e a descoberta de novos aspectos da própria expressão. Conclui-se esperando que as próximas gerações tenham mais liberdade.
Dados do Episódio
- Podcast: AntiCast
- Autor: HD1
- Categoria: Society & Culture
- Publicado: 2015-02-04T19:00:04Z
- Duração: 02:20:24
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/anticast/59b7c240-797b-0130-0111-723c91aeae46/anticast-168-g%C3%AAnero-como-constru%C3%A7%C3%A3o-social/cf2cc080-da69-0134-ebdd-4114446340cb
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Dados do Podcast
- Nome: AntiCast
- Tipo: episodic
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Transcrição
[00:00:00] Sejam bem-vindos a mais um Anticast!
[00:00:24] Eu sou o Ivo Amizazuki e estou no companheiro maluquero de sempre, Marcos Beccari.
[00:00:27] Olá, boa tarde.
[00:00:28] Boa tarde, Sr.
[00:00:29] Beccari.
[00:00:30] Tudo bom?
[00:00:31] Tudo certo.
[00:00:32] Então, você não participou desse programa?
[00:00:34] Não é um assunto que te interessa?
[00:00:35] Eu estou na geladeira.
[00:00:36] Está na geladeira, por enquanto.
[00:00:38] Você vai participar da introdução e da leitura de comentários.
[00:00:41] Isso aí.
[00:00:42] Mas Anticast 168, gênero como construção social, foi um papo que tive com a Juliana
[00:00:49] Valauer e a Cris Bartes, do Mamilos, podcast aqui do Benove, e uma convidada também a
[00:00:56] Isabel Wittmann, que escreve lá no Cinema em Cena.
[00:01:00] Ela tem uma cronolá sobre vestuário e cinema, né, é bem interessante.
[00:01:06] E ela, bom, daqui a pouco ela vai contar a história dela, mas ela é pesquisadora de
[00:01:09] questões de gênero e a gente vai estar falando um pouco sobre como que o social molda as
[00:01:15] nossas noções de gênero, na questão de performance, vestimenta, noções trans, enfim.
[00:01:22] Pros entendidos do assunto, já aviso que o programa foi focado mais na chamada terceira
[00:01:26] onda de estudos de gênero, feminismo, então a gente sabe que tem críticas sobre isso,
[00:01:33] mas a gente faz no futuro uma questão, um outro programa daí abordando outras vertentes.
[00:01:39] Então, mas só fica o aviso aí para o pessoal saber.
[00:01:41] E se você não sabe o que eu acabei de falar, se aparecer o grego, ignora, ou procura na
[00:01:44] Wikipedia, tá sucio, né?
[00:01:48] Antes de começarmos os programas, temos que dar alguns recados, aqueles de sempre,
[00:01:53] mas dessa vez temos um recado que é, acho que é o recado mais importante que a gente
[00:01:57] já deu.
[00:01:58] E se você não quiser ouvir as introduções, você sabe que pode pular lá para o número
[00:02:02] que está na postagem, então, enfim, você pode ir direto para o programa, não esquenta
[00:02:08] com introduções longas, porque essa vai ser.
[00:02:10] Quem quer ser um milionário?
[00:02:12] Quem quer ser milionário, né?
[00:02:13] Nós queremos.
[00:02:14] Então, é o seguinte, no programa da semana passada eu falei sobre a possibilidade do
[00:02:22] pessoal de repente dar uma, sei lá, que a gente já falei isso várias vezes, nós temos
[00:02:27] uma base de 8 mil ouvintes quando está baixo, mínimo 8 mil ouvintes por semana, às vezes
[00:02:33] estoura para mais, e a gente está vendo que isso aí é meio regular, e a gente ficou
[00:02:39] pensando, putas, já pensou se cada um desse um real, né, para isso a gente conseguia fazer
[00:02:43] coisas muito melhores.
[00:02:44] E nessa brincadeira, muita gente vai falar comigo e diz assim, ah, e vamos passar o
[00:02:48] que eu pago, ou faz um Patreon, ou faz não sei o que, enfim, e daí o universo começou
[00:02:55] a me mandar um monte, começou a aparecer muito no meu Facebook, está vendo que esse é o
[00:02:59] algoritmo do Facebook, mas, enfim, começou a aparecer muito no meu Facebook.
[00:03:03] Anúncio do Patreon.
[00:03:04] Do Patreon, isso, tá, então, o que é o Patreon, tá, ou seja, a gente está fazendo um Patreon,
[00:03:10] basicamente é isso, e o que é isso, para você que não sabe o que é?
[00:03:13] O Patreon é o seguinte, é uma plataforma que ela, basicamente, você pode pagar mensalmente
[00:03:19] uma quantia qualquer que você quiser por um produtor de conteúdo que você gosta.
[00:03:23] Está sendo uma plataforma que muitos blogueiros e podcasters e youtubers estão fazendo, porque
[00:03:29] assim a gente consegue ir além da publicidade, não depende só de anunciante, que às vezes
[00:03:33] é difícil de conseguir.
[00:03:34] Isso aqui isso é mais lá fora, né, ou aqui também já.
[00:03:37] Já tem alguns blogs e youtubers e podcasters aqui, brasileiros, um exemplo de podcast
[00:03:43] brasileiro que está fazendo isso é o 99 Vidas, que é um grandinho aí.
[00:03:48] Então, só que assim, a gente quer investir nessa questão do Patreon, tá, você basicamente
[00:03:54] vai lá, você tem que ter uma conta de PayPal, é bem simples, e você pode dar a quantia
[00:03:59] que quiser, de um dólar, isso é importante, a moeda é em dólar, tá, mas você pode dar
[00:04:06] um dólar e assim, coloca isso todo mês, vai ser sempre debitar na tua conta no início
[00:04:12] do mês, no primeiro dia de cada mês, e a gente daí recebe esse dinheiro.
[00:04:17] Bom, a gente daí tem algumas categorias, tá, de você pode dar mais quantias e você
[00:04:23] pode ganhar algumas recompensas.
[00:04:25] Deixa eu só explicar, daí você me correu se eu tivesse errado.
[00:04:29] Claro.
[00:04:30] Me pareceu uma espécie de, como é que eles, crowdfunding?
[00:04:34] É, crowdfunding tipo Catarse.
[00:04:36] Tipo Catarse, só que não tem uma meta, assim no sentido de conseguir.
[00:04:42] Que é um projeto só, né?
[00:04:44] Não.
[00:04:45] Exatamente, é uma coisa contínua, então não tem um fim, né?
[00:04:47] Isso, e você pode cancelar qualquer momento também.
[00:04:50] Pode cancelar e é mensal, né, não é só uma vez.
[00:04:52] É, exato.
[00:04:53] Então assim, tem recompensas, que é isso que o Ivan estava começando a falar.
[00:04:59] Isso, a gente vai dar algumas recompensas, dependendo da categoria que você está nos
[00:05:04] patrocinando, tá, então, porque basicamente a gente está pedindo patrocínio de vocês
[00:05:09] diretamente.
[00:05:10] Então, como é que é?
[00:05:12] Eu vou falar algumas aqui, depois o pessoal pode ler com mais atenção.
[00:05:16] De novo, isso aqui são só algumas ideias, você pode dar valores além dessas categorias,
[00:05:20] tá?
[00:05:21] Você pode dar o valor que você quiser.
[00:05:22] Você pode, inclusive, não dar valor nenhum, só dizer eu apoio vocês, tá, mas eu gostaria
[00:05:26] que vocês não fizessem isso.
[00:05:27] Mas vamos lá, por exemplo, se você der um dólar por mês, você vai entrar na nossa
[00:05:34] categoria o ninja silencioso, tá?
[00:05:36] Que a descrição que eu coloquei aqui é, como um bom ninja você realiza seus feitos
[00:05:40] de forma rápida e feroz, mas ninguém o nota e é isso que você quer.
[00:05:44] Mas nós do Anticast notamos e agradecemos a sua existência, afinal você torna o mundo
[00:05:48] muito mais maneiro, né?
[00:05:51] E daí tem categorias de 5 dólares, que eu estou chamando de categoria Netflix, aquele
[00:05:55] cara que não quer se sentir culpado por fazer pirataria na internet, 10 dólares, que é
[00:06:00] a sua estrela brilha, categoria de 25 dólares, que é a categoria sambando na cara da sociedade
[00:06:08] e aqui você já começa a ganhar coisas físicas, né?
[00:06:11] Porque até então a gente pode um dia citar o teu nome, te agradecer, enfim, mas a partir
[00:06:16] de 25 dólares você vai ganhar, por exemplo, já um dos nossos livros, ou Até o Fim da
[00:06:22] Queda ou Existe Design.
[00:06:24] Para o pessoal, o que quiser, essa é uma categoria especial daí, que é de 50 dólares,
[00:06:29] não é para qualquer um, a gente sabe, mas que, por não ser para qualquer um, inclusive
[00:06:35] só tem 10 vagas para essa categoria, a gente sabe que não tem ouvinte milionário, mas
[00:06:42] também a gente está colocando só 10 vagas por um motivo de logística que eu já vou
[00:06:46] explicar.
[00:06:47] Essa categoria se chama categoria Jared Lito, e ela é assim, a descrição.
[00:06:54] Você está acima dos seres humanos comuns, não apenas você é capaz de ter uma banda
[00:06:58] de sucesso, fazer filmes fantásticos e ganhar Oscars, você ainda acha que a gente merece
[00:07:03] alguma coisa.
[00:07:04] E começando assim como agradecimento, nós, 1, enviaremos para você um desenho original
[00:07:09] do Bekary, e é importante dizer que não são as aquarelas, porque, de repente, o pessoal
[00:07:13] fala, uou, eu ganhei uma aquarela, não, calma, a aquarela é um pouco mais cara que isso,
[00:07:18] e não está sendo nem ofertada aqui.
[00:07:21] Mas assim, são desenhos igualmente fantásticos, feitos em carvão ou grafite, e daí tem alguns
[00:07:26] exemplos que eu coloquei ali, e a cada 6 meses que você completa como apoiador, o Bekary
[00:07:31] a gente envia um novo original.
[00:07:33] Então você vai ganhar desenhos do Bekary originais a um tempo, e quando ele ficar famoso
[00:07:36] você vai ficar rico.
[00:07:37] A gente também vai enviar nossos dois livros para você autografados, obviamente, o existe
[00:07:45] design até o fim da queda, a gente vai citar o seu nome no final de todos os programas
[00:07:49] como um apoiador, a gente vai te chamar para participar de um podcast, mas você tem que
[00:07:53] estar contribuindo já faz um tempinho, e se você aguentar muito tempo nessa categoria,
[00:08:00] tipo 6 meses, eu vou te transformar num personagem no meu próximo livro.
[00:08:04] Então posso te matar, eu posso te tornar o presidente de algum país muito rico, eu
[00:08:10] posso te tornar um milionário, inclusive, eu estou até deixando aqui, você pode dizer
[00:08:14] o que você quer ser.
[00:08:15] Não, eu não sou o George Martin para essas coisas, porque eu sei que o George Martin
[00:08:18] fez isso esses tempos, dizendo que você pagava tanto para uma instituição de câncer e daí
[00:08:23] ele te matava num livro dele, né?
[00:08:26] Eu só estou pedindo 50 dólares e eu vou te fazer alguma coisa no meu livro, certo?
[00:08:30] No meu próximo livro que eu espero que saia no final do ano e eu já comecei a escrever.
[00:08:35] Tem uma última categoria que eu montei aqui também que daí é para empresas que de repente
[00:08:39] querem anunciar no Anticast, então daí ela já é um pouco mais cara, ela é 400 dólares
[00:08:45] e uma vez por mês a gente pode citar a sua empresa, produto, serviço, qualquer coisa
[00:08:50] assim, e já paga direto ali, a gente já passa para isso, entra em contato com você
[00:08:54] e a gente sabe o que você precisa.
[00:08:56] O que isso significa no mundo universo do Anticast?
[00:09:01] A gente colocou, apesar de não precisar ter metas, elas são opcionais dentro do Patreon,
[00:09:06] a gente colocou promessas, isso.
[00:09:10] Então por exemplo, aqui, se a gente começar a arrecadar 2 mil dólares por mês, a gente
[00:09:15] vai comprar equipamento novo para melhorar a qualidade do áudio e a risca até a gente
[00:09:19] contratar algum editor que presta, tá?
[00:09:22] Vai ter edição.
[00:09:23] Daí vai ter edição, olha só, porque tanta gente reclama, mas se bem que tem uma galera
[00:09:28] que vai mandar email dizendo, não, não edita não, eu pago para você não editar, alguém
[00:09:32] até falou isso, então vamos ver, qualquer coisa a gente discute lá para frente.
[00:09:40] A partir de 3.500 dólares por mês, a gente vai montar um estúdio, a gente vai contratar
[00:09:45] um editor de vídeo e o Prefiro Bodriar volta definitivamente, puta que pariu, isso aí
[00:09:51] o Bekary vai se foder para caralho, mas vai ganhar para isso também, né?
[00:10:00] Próxima categoria, daqui a gente começa a sonhar bem alto já, a partir daqui, a próxima
[00:10:05] categoria é o mundo é nosso e é por 6.500 dólares por mês, se a gente conseguir isso
[00:10:12] a gente vai ter equipamento novo, editores, o Prefiro Bodriar volta e a gente ainda vai
[00:10:17] criar programas spin-off, tipo o Não Obstante vai virar semanal, o Caverna das Letras pode
[00:10:24] voltar, o 3 Páginas pode virar um programa novo também, que foi o programa o Antique
[00:10:29] 167, que muita gente gostou e a gente também vê a possibilidade de criar produtos novos,
[00:10:35] produtos próprios, como livros e camisetas e com um preço bem mais acessível do que
[00:10:39] a gente estava oferecendo outras vezes, agora, a última categoria que eu estou colocando
[00:10:44] aqui é a categoria chamada o universo é nosso e ele custa, a gente tem que chegar
[00:10:50] a 8.000 dólares por mês, é caro, demora, mas é porque o seguinte, porque além de
[00:10:56] tudo que eu acabei de falar, que seria da categoria anterior, com vários spin-offs,
[00:11:00] Prefiro Bodriar, produtos, enfim, e uma estrutura foda para o Anticast, a gente, eu vou poder
[00:11:07] daí ter segurança de lançar o projeto que eu estou lançando novo, que quem me segue
[00:11:12] no Facebook ou segue a página do Anticast já ficou sabendo que é o Projeto Humanos,
[00:11:17] é um podcast que vai ter cerca de 20 minutos de duração cada episódio, 15 a 20 minutos
[00:11:24] de duração, com histórias do cotidiano de pessoas, né, e a gente monta eles em formatos
[00:11:31] storytelling de acordo com formatos, por exemplo, de podcasts como o Radio Lab, This American
[00:11:37] Life, o Serial, ou seja, é trabalhoso para caralho, é trabalhoso para caralho, eu preciso
[00:11:42] de equipe, eu preciso de jornalistas, eu preciso viajar para entrevistar pessoas, eu preciso
[00:11:47] de tempo para editar, porque isso aqui eu não vou contratar editor, isso aqui eu preciso
[00:11:51] editar.
[00:11:52] Daí você começa a ter um emprego, né?
[00:11:53] É, daí é um emprego, daí vira emprego, o Projeto Humanos vira um emprego.
[00:11:56] Eu fiz esse piloto e eu vou passar agora um trechinho para vocês verem mais ou menos
[00:12:00] como é que é, é uma entrevista que eu fiz com o meu pai, perguntando de um caso da infância
[00:12:04] dele, então aí segue um trechinho de uns dois minutinhos aí para vocês saberem.
[00:12:07] E a gente fez uma turma muito, muito, muito legal mesmo, tem, tem, tem boas lembranças.
[00:12:12] E numa época em que não havia videogames ou internet, as brincadeiras na vila eram
[00:12:16] aquelas que você já pode imaginar, andar de bicicleta, bolinha de gude, empinar pipa,
[00:12:21] futebol e claro, brigas.
[00:12:25] Mas uma atividade que vocês tinham também era brigar, né?
[00:12:28] É verdade, é verdade, é verdade, como todos, como todo bom moleque da época, a gente brigava
[00:12:35] e eu sentia que não era uma briga maldosa que nem é hoje, não tem faca, não tinha
[00:12:41] nada, era briga de briga.
[00:12:43] Então você tinha lá, de repente se tu jogava tava jogando bola, dava um encontro mais forte
[00:12:50] e a turma, você sabe, né, a turma de moleque em vez de aparar, eles podiam brigar, ainda
[00:12:54] jogavam pau, pau, pau, quer dizer, queriam brigar mesmo, né?
[00:12:58] Eles queriam na realidade ver briga, ninguém fazia nada para separar, só separava depois
[00:13:04] que a coisa estava bem feia.
[00:13:05] E foi nesse cenário de inocência e juventude em que brigas faziam parte das brincadeiras
[00:13:09] de crianças que meu pai enfrentou um dos maiores desafios da sua vida até então.
[00:13:15] E seu nome era Carlinhos.
[00:13:18] A gente chamava ele Carlinhos Bom de Briga.
[00:13:24] Carlinhos Bom de Briga.
[00:13:25] É, esse era o apelido dele.
[00:13:28] Ele tem o nome dele, esse apelido dele era bem dado assim?
[00:13:34] Fazia Jusa o apelido?
[00:13:35] Fazia, fazia, porque ele era filho de madeireiro e ele era bem encorpado por padrão da época,
[00:13:40] todo mundo tinha aquele tipo físico normal, mas ele era mais entroncadinho, porque ele
[00:13:47] ajudava os pais na madeireira a carregar madeira, aquela coisa toda, e ele sempre foi mais forte
[00:13:53] do que os outros.
[00:13:54] E justamente por ele ser mais forte, cada vez que ele era intimado, ele brigava e sempre
[00:13:58] ganhava.
[00:13:59] Meu pai tinha 10 anos, o Carlinhos Bom de Briga, 12.
[00:14:03] Era mais velho, mas isso não importava.
[00:14:04] A diferença para essa facilidade é uma diferença significativa, mas não importa, a gente não
[00:14:11] pensava nesse tipo de coisa.
[00:14:13] Você queria brigar e pronto, porque a gente era uma geração que não se levava a desaforo
[00:14:19] para casa.
[00:14:20] Você brigava e tinha que ganhar, e se reclamasse para o pai, o pai ia lá e dizia assim, vai
[00:14:25] lá e brigue de novo, porque não tem…
[00:14:27] Ah, o quê?
[00:14:28] Não tem…
[00:14:29] E chorar para pai, para mãe, era uma cultura diferente.
[00:14:34] Se você quiser ouvir o Projeto Humanos inteiro, o link está na postagem, a gente espera que
[00:14:39] isso dê certo, dê algum retorno, eu não tenho esperança que a gente atinja essas
[00:14:44] metas tão cedo, caso a gente atinja, quanto antes melhor.
[00:14:48] Divulguem para as pessoas que ouvem um podcast faz tempo e de repente não estão sabendo
[00:14:52] disso, tudo que está acontecendo, a gente quer fazer um ano foda a partir de agora,
[00:14:57] com muito conteúdo legal, e a gente vai precisar de estrutura para isso.
[00:15:00] Só complementando antes, o pessoal vive me pedindo do Prefiro Bodrilhar e mesmo do Não
[00:15:08] Obstante para fazer com mais frequência, e de fato é uma coisa que, assim, eu já
[00:15:16] desisti dessas ideias faz tempo, não por má vontade, tal, enfim…
[00:15:22] Porque dá trabalho.
[00:15:23] Exatamente, dá muito trabalho, envolve mais pessoas nos dois casos, tanto no Não Obstante
[00:15:29] quanto no Prefiro Bodrilhar.
[00:15:30] Enfim, é uma coisa realmente meio utópica para mim, que, enfim, tem um emprego, sou
[00:15:39] pesquisador também, pesquisar não é um emprego no Brasil, infelizmente, mas enfim,
[00:15:45] tem ocupação na vida, e assim, no entanto, eu e o Ivan, e o Ankara também, do AntiCash,
[00:15:52] a gente é muito fácil de ser comprado.
[00:15:55] Então, assim, a partir do momento que a gente começa a ver dinheiro, a gente faz o que
[00:16:02] você quiser, entendeu?
[00:16:03] Exatamente.
[00:16:04] É uma putinha mesmo.
[00:16:05] E assim, é bom que você tenha puxado isso, porque o seguinte, eu quero que vocês tenham
[00:16:13] a dimensão da coisa, que assim, você pode, claro, se você puder contribuir 5 dólares
[00:16:20] seria ótimo, 10 dólares, qualquer valor acima disso, enfim, mas eu sei que isso não
[00:16:25] vai acontecer, mas a gente sonha que, por exemplo, 8.000 ou 20 que a gente tem, se
[00:16:30] cada um der 1 dólar por mês, já atinge a meta máxima que a gente quer, a gente já
[00:16:36] consegue fazer tudo que a gente quer, você dá para fazer, se você de repente pagar
[00:16:41] 2 dólares, se todo mundo pagar 2 dólares, já precisa só da metade, se pagar 5, menos
[00:16:46] ainda, e faça os cálculos, 5 dólares por mês, você vai gastar 12, 13 reais, e por
[00:16:54] programa, que a gente lança programa toda semana, sei lá, sai 2, 3 reais por programa,
[00:17:00] então tipo, é uma forma de vocês dizerem que estão apreciando nosso conteúdo, enfim,
[00:17:06] então a gente vai ficar muito feliz que tudo isso dê certo.
[00:17:09] De fato, no Brasil ainda não há esse costume, que eu vejo que há lá fora, que é de você
[00:17:15] pagar para alguma coisa que você consome, mas pagar no sentido voluntário, né?
[00:17:20] Isso.
[00:17:21] Então, assim, a gente está tentando ir por esse caminho, a gente não tem grandes esperanças,
[00:17:27] eu, menos ainda.
[00:17:28] É, a gente está fazendo o teste, a gente quer ser surpreendido, vamos ser surpreendidos,
[00:17:33] esperamos.
[00:17:34] Eu já diria que é só para não dizer que a gente não tentou.
[00:17:38] É, exato.
[00:17:39] Mas o link está na postagem, quem quiser entrar direto é patreon.com, quem já conhece
[00:17:45] o Patreon, patreon.com barra anti-cast design, não entrem lá barra anti-cast, porque foi
[00:17:52] um perfil que deu errado, eu estou tentando mandar meio loucamente para o Patreon, os caras
[00:17:56] não me respondem, então é anti-cast design, certo?
[00:18:00] E nos apoiem lá, por favor, e mesmo, se você não quiser nos apoiar, vai continuar do mesmo
[00:18:04] jeito que está sempre, até o dia que a gente enche o saco e laiga tudo isso, né?
[00:18:09] Olha aí, ameaças agora.
[00:18:10] Isso aí.
[00:18:11] Vá lá, Ankara, Ankara.
[00:18:12] Agora, é, você vai ter que assumir a cara do Ankara agora, né, meu cara?
[00:18:16] Então, vai falar aí o recado do Ankara.
[00:18:18] Ó, o Ankara me pediu para divulgar o workshop pensarefográfico dele com o Fabiano, que
[00:18:26] vai ser aqui em Curitiba, com novas datas, dia 7 de março, em Curitiba, na verdade,
[00:18:33] também em Belo Horizonte, em São Paulo, só que ainda sem data definida, mas pelo
[00:18:38] que eu entendi aqui, já está confirmado, então, em breve, ele divulga as datas de
[00:18:44] Belo Horizonte e São Paulo, mas em Curitiba já está confirmado 7 de março.
[00:18:49] Isso, a risca ele até já ter lançado as datas de São Paulo e Belo Horizonte, mas
[00:18:54] ele não está online, então, daí, sinto muito, né?
[00:18:58] Então, aí, para terminar também, para quem é de São Paulo, o meu workshop de História
[00:19:02] da Arte para Criativos, vamos ver grandes obras do passado, isso das técnicas desses
[00:19:06] grandes artistas e algumas contemporâneas também, meu workshop ainda está aberto também,
[00:19:11] vai rolar dia 1 de março e o link está na postagem para quem tiver interesse, vai ser
[00:19:17] um prazer tê-los lá também.
[00:19:19] Vamos agora para o programa, Bekary, eu encontro você de novo lá no intro de comentários,
[00:19:23] então, fiquem agora com o programa.
[00:19:32] Começando mais um Anticast, hoje estamos aqui só com pessoas novas no Anticast, então,
[00:19:47] as convidadas aí, a Cris Bartes, tudo bom Cris?
[00:19:50] Como é que está?
[00:19:51] Oi, tudo joia, prazer estar aqui.
[00:19:53] Prazer, Juliana…
[00:19:54] Eu já começo polemizando nos sobrenomes, gente.
[00:20:02] A Cris e a Cris são lá do Mamilos, esse podcast aí que está botando fogo na internet,
[00:20:18] polemizando para tudo que é lado, então, prazer tê-las aqui hoje, e a Isabel Wittmann
[00:20:25] aí também que escreve no cinema em cena, tudo bom Isabel?
[00:20:29] Oi, tudo bem.
[00:20:30] Ótimo.
[00:20:32] Obrigado por ter vindo vocês três aqui, e a ideia desse programa, cujo tema é meio
[00:20:39] estranho, mas a construção de identidades de gênero através da vestimenta em filmes,
[00:20:45] por exemplo, algo assim, eu tive vontade de fazer esse tema chamando a Isabel pra cá
[00:20:54] porque através de umas conversas que a gente teve pelo Facebook, a gente já conversa faz
[00:20:57] um tempinho, e ela dizendo que escrevia essa coluna no cinema em cena, e daí eu dei uma
[00:21:03] olhada nos textos dela, super legais, eu sei, analisando figurino de cinema, e ela dizendo
[00:21:07] que é formada em arquitetura, né Isabel?
[00:21:09] Sim.
[00:21:10] Então vamos fazer o seguinte, eu não quero queimar quem você é, então antes de eu falar
[00:21:14] qualquer bobagem, fala um pouquinho sobre você aí pra gente, por favor.
[00:21:18] Olha, é complicado, porque como você falou, minha formação é em arquitetura, eu fiz
[00:21:25] a graduação na UFSC, e agora eu tô fazendo mestrado em antropologia, então já foi uma
[00:21:33] mudança de área bastante grande, mudei pra UFAM também, foi uma mudança pro outro lado
[00:21:38] do país, e tematicamente eu saí da arquitetura e fui parar em gênero, moda e cinema, os
[00:21:49] três termos de forma separada, e também diversas intersecções que são possíveis
[00:21:55] entre os três.
[00:21:56] Aham, ou seja, de certa forma, aqui no Anticast, que teoricamente é um podcast de design,
[00:22:02] que não fala mais de design, a gente tem sempre muito ouvinte dizendo que a gente nunca
[00:22:07] fez programa de design de produto, e a gente pulou o produto e foi diário pra moda de
[00:22:11] certa forma, então olha que bacana a gente sendo transgressor em tudo, mas de qualquer
[00:22:17] forma também a sua formação não é design de moda também, você me falou inclusive
[00:22:23] que o teu interesse é um pouquinho diferente do design de moda, fala um pouquinho sobre
[00:22:28] isso.
[00:22:29] É, na verdade eu não tenho formação em design de moda, até posso fazer alguma coisa
[00:22:35] assim por hobby, mas o interesse é mais teórico mesmo, eu pegando essa parte de gênero, eu
[00:22:44] não tenho interesse realmente nessa parte de como nós usamos a roupa pra construir
[00:22:50] a nossa identidade de gênero e como isso foi mudando ao longo do tempo, mais ou menos
[00:22:54] nesse sentido.
[00:22:55] E até daí, quando a gente começou a conversar de fazer esse programa, eu já na hora, já
[00:23:01] tava conversando com a Ju de fazer algum crossover de Anticast e Mamilos aí, e eu sei que as
[00:23:07] meninas aí, paute meia, fazem umas pausas assim bem ligadas a questão de tema de mulher,
[00:23:14] de mulher, questão de representação social principalmente, então daí eu acho que dá
[00:23:19] pra fazer um caldo legal aí, então vamos ver o que dá.
[00:23:24] Antes da gente entrar no tema em si, que acho que daqui a pouco a gente vai ter que falar
[00:23:30] um pouquinho sobre o que você tá estudando em gênero, mas primeiro eu queria dizer que
[00:23:36] é muito legal achar alguém que realmente se importa com a categoria do Oscar de figurino,
[00:23:43] né, por exemplo, porque eu até pensava assim, cara, isso aí deve ser muita pouca gente
[00:23:50] que gosta assim.
[00:23:51] Mentira, eu nem gosto de moda, nem gosto de roupa e sempre é legal essa parte do Oscar.
[00:23:57] Eu adoro também.
[00:23:58] Eu sou muito mais ligada.
[00:23:59] É, porque nunca é uma coisa básica, sempre é uma coisa super interessante que acaba
[00:24:04] contando uma história.
[00:24:05] Eu entendo a questão narrativa, mas é aquele negócio, é bacana.
[00:24:11] Uma categoria bem menor aí.
[00:24:13] É, não, é que pra mim eu acredito que ela entra na categoria técnica, né, ou…
[00:24:17] É.
[00:24:18] Tô certo, Isabel?
[00:24:19] Bom, tu nunca brincou de princesa, então realmente o vestido não te importa.
[00:24:23] É, infelizmente.
[00:24:24] É, mas eu acho que a gente tem a roupa como um auxílio pra narrativa mesmo, pra ajudar
[00:24:31] a contextualizar e pra construir os personagens, então eu vejo quase como parte do roteiro,
[00:24:38] até um pouco menos do que técnica, porque se a gente troca realmente as roupas, né,
[00:24:44] você pega um filme de época e põe uma roupa inadequada, o roteiro perde força, o personagem
[00:24:50] perde força.
[00:24:51] É bem isso, assim, é uma categoria que é um pouco subestimada mesmo, mas ela tem esse
[00:24:59] papel de ajudar na narrativa, o figurino, ele pode ajudar na construção dos personagens
[00:25:07] se a gente pensar em termos de modelagem, de cores, de formas, tudo isso vai ajudar
[00:25:12] a compor a maneira como a gente percebe o personagem, e às vezes isso é muito subjetivo,
[00:25:18] a pessoa que tá assistindo o filme, ela às vezes nem percebe esses detalhes sutis que
[00:25:23] ajudam na construção.
[00:25:24] Eu vou até dar um exemplo, apesar de que, de novo, eu ficava olhando e dizendo quem
[00:25:29] se importa com isso, mas eu entendo a importância, mas eu lembro quando eu tava vendo, se não
[00:25:34] me engano, era o Elizabeth, o segundo Elizabeth, que era de ouro, e daí eu tava vendo os extras
[00:25:44] do DVD mesmo, e daí aparecia lá o figurinista falando, né, ele dizendo que antigamente,
[00:25:52] eu posso estar confundindo as cores aqui, mas qual a certeza que é isso, que ele dizia
[00:25:56] que uma rainha do século 16 na Inglaterra, século 16, 17, ela usaria, a cor da realeza
[00:26:03] seria alguma coisa mais perto do vermelho, mas ele quis vesti-la como azul, ela usa muito
[00:26:09] azul durante o filme pra mostrar, pela questão do azul do céu, essa rainha que quer alçar
[00:26:16] altos voos, né, e isso eu achei uma coisa muito interessante, assim, já me chamou mais
[00:26:21] atenção até porque o figurino do Elizabeth era de ouro realmente é fantástico, assim,
[00:26:26] né, toda a construção dele acho muito legal. Daí, Isabel, baseado assim, você poderia
[00:26:32] dar alguns outros exemplos de outros filmes que você já analisou, sobre o que o figurino
[00:26:37] foi fundamental pra narrativa?
[00:26:42] Vocês falaram ali a respeito de filmes de época, que quando o figurino foge um pouco
[00:26:47] do padrão que a gente espera, causa um estranhamento, né, então, às vezes, essas expectativas
[00:26:54] elas são um pouco inadequadas, digamos assim, porque o próprio figurinista, ele às vezes
[00:27:01] não trabalha exatamente com uma representação precisa da época em que o filme se passa,
[00:27:08] então, por exemplo, recentemente teve Anna Karenina, do Joe Wright, né, um filme que
[00:27:14] se passa no final do século 19, mas os vestidos que Akira Knightley usa no filme, eles parecem
[00:27:26] que tem um estilo que é mais do meio do século 19 ou da década de 50 do século 20, então
[00:27:34] esse tipo de quebra às vezes a gente nem percebe porque a gente pensa em século 19
[00:27:40] mas às vezes essa mudança faz com que a gente tenha uma percepção diferente e outro
[00:27:47] exemplo seria que eu escrevi recentemente foi o filme Amadeus e o filme ele tem um figurino
[00:27:58] até bastante fiel à época, né, mas ele foi feito nos anos 80, então tem toda aquela
[00:28:04] questão da influência do glam rock e tudo, então é fácil perceber isso nas perucas do próprio
[00:28:12] Mozart que são coloridas, tem aqueles cabelos com mullets, aquela coisa bem anos 80, é verdade,
[00:28:19] é verdade, nunca tinha pensado, tem bastante laquê nas perucas de Mozart, é muito bacana, meu, e assim, já até puxando um pouco
[00:28:29] o nosso tema mesmo que eu acho que é o mais legal, você tá trabalhando com questões de gênero no
[00:28:38] teu mestrado, eu sei que ainda tá bem no início, mas você já tá naquela fase de averiguar quais
[00:28:43] são as bibliografias que você vai utilizar, né, um dos grandes temas que a gente vai ter, por exemplo,
[00:28:48] na discussão de gênero contemporânea que daí acho que a gente tá entrando na chamada terceira onda
[00:28:54] da discussão de gênero que é da Judith Butler, né, a gente vai falar um pouco dessas questões de…
[00:29:01] Quem é Judith Butler? Então, ela é uma… Desculpa, é uma perguntinha, galera, não sei… Pergunta de ouvinte, o meu papel aqui é do Azaghal.
[00:29:10] Excelente. Então, Isabelle, quem é Judith Butler? Fala um pouquinho aí pra gente. A Judith Butler, ela é uma
[00:29:19] filósofa que, nos anos 80, ela começou a lançar um material a respeito de gênero e pensando em gênero
[00:29:27] como além dessa visão de construção social que nós já temos e no sentido de performance. Então,
[00:29:35] gênero seria uma performance que nós fazemos no nosso cotidiano que pode corresponder ou não
[00:29:44] às expectativas e regras que já estão na sociedade. Isso. Ju e Cris, assim, até pra dar uma noção legal sobre
[00:29:53] o que é essa construção social, lembra? Vocês fizeram uma milhas recentemente que vocês discutiram um pouco
[00:29:59] sobre a questão do cesárea e parto natural, né? Sim. E vocês colocaram um ponto lá que eu achei muito bacana,
[00:30:07] porque eu nunca tinha pensado sobre isso, de que a mulher no Brasil, especificamente desde pequena,
[00:30:14] tá ouvindo que, olha, dor de parto é uma das piores que você vai ter, sabe? Então, os médicos falando,
[00:30:22] ó, cesárea é bem mais rápido, o trabalho de parto demora, enfim… Não, é um padrão pra escala dor, né? Isso.
[00:30:30] Nossa, foi quase um parto. É padrão ouro da dor. A pior coisa que pode acontecer é um parto. Exato. Então, a gente pega,
[00:30:38] por exemplo, o que a gente vai chamar de é naturalizado nos corpos sociais, de que dor de parto é uma das
[00:30:45] piores possíveis e se for possível evitar isso o quanto antes, melhor. Então, essa postura acaba sendo
[00:30:53] naturalizada, mas, na verdade, ela é uma construção social que vem desde pequeno. E até expandindo isso,
[00:30:59] eu achei bem legal que eu tô… Eu tenho ouvido agora um podcast meio de ciência, não exatamente ciência, mas é
[00:31:06] tipo do pessoal do This American Life, o Radiolab, né? Sim. E que eles falam lá… Uma hora lá eles foram analisar cegos, né?
[00:31:14] E daí eles dizam assim, ó, você acha que cego é capaz de ver mesmo que não tenha os olhos? E daí a galera ficou assim,
[00:31:19] óbvio que não, né? Não é possível. E daí eles foram ver, assim, conversar com um cego nos Estados Unidos, que ele tem
[00:31:25] uma habilidade, que ele faz um estalo com a língua, assim, né? E com esse estalo da língua ele consegue reverberar
[00:31:31] o som a sua volta e ver todos os objetos que tem em volta dele. Sonar. É, tipo um sonar mesmo. Só que daí,
[00:31:39] e ele falando que quando ele era criança e começava a fazer esse som, ele teve a sorte da mãe dele
[00:31:44] fazer isso, porque daí foram estudar que outras crianças cegas começam a fazer esse barulho,
[00:31:49] mas dizem que é constrangedor socialmente. Então a mãe já fica, não faz esse barulho,
[00:31:54] não faz isso. Para piorar, todo cego de criança principalmente, ou até com um adulto está andando
[00:32:01] na rua, já vem alguém aqui, você pode, eu posso te ajudar? Você quer caminho? Então, e o cara tava dizendo,
[00:32:07] olha, eu consigo ver sem meus olhos, eu posso, eu só preciso que a sociedade pare de querer me ajudar o
[00:32:13] tempo inteiro. E é muito difícil ensinar para outros cegos isso, que você consegue trabalhar sozinho,
[00:32:20] e daí inclusive foram levar para um neurocientista, enfim, e daí a neurocientista falou, olha, muita
[00:32:26] gente pensa que a gente vê com os olhos, mas na verdade todo mundo esquece que é o cérebro que traduz
[00:32:31] as imagens, né? E daí foram analisar esse cara que fazia os estalos para ver qual que as áreas do
[00:32:38] cérebro dele que eram ativadas, e foram ver que era o mesmo campo da visão, assim, quando ele
[00:32:43] dava os seus estalos. E daí ele dizia, então, ele tá, a neurocientista falou, ele está vendo, ele
[00:32:49] tá vendo só que sem os olhos, então é possível ver sem os olhos. Caramba. Então daí ela, daí a conclusão do
[00:32:56] programa, que daí tem alguns cientistas já que estão trabalhando com isso, que é cegueira é
[00:33:01] construção social também. Então isso é muito uma maneira de como que você trata o cego, como
[00:33:08] isso, o Foucault já trabalhava com isso, a questão do louco, né, o louco é uma construção social, enfim,
[00:33:13] e daí você tem toda essa essa galera que vai se chamar terceira onda do feminismo, que é uma terceira
[00:33:19] geração já, que é mais contemporânea, que vai dizer que gênero na verdade é também discurso,
[00:33:25] é construção social, então o que que é um homem, o que que é uma mulher, o que que é um transgênero, né?
[00:33:30] Então a brincadeira vai mais ou menos por aí, daí o avestimento tem tudo a ver com isso também, né?
[00:33:37] E essa é a nossa representação de signo, né, para poder ajudar nesse discurso social. Isso, exato.
[00:33:44] E nessa questão desse exemplo do cego também, bem interessante, pensar porque a Judith Butler
[00:33:52] ela também coloca num sentido de normas da sociedade, né, dessas regras, então se desde pequeno,
[00:33:57] como no caso da criança cega, é falado para ela não fazer esse barulho com a língua para ter esse
[00:34:05] localização, a mesma coisa acontece com a gente em relação a gênero, né? Aquilo que é falado para
[00:34:11] a gente desde pequeno se materializa em relação ao aquilo que a gente espera como gênero e é essa
[00:34:19] repetição dessas regras que vão gerar o que é esperado de gênero pelo contexto da sociedade.
[00:34:26] Isso, então aquele papo, por exemplo, isso em jantar de família, final do ano, simplesmente
[00:34:32] acontece muito disso, né, que começa lá, assim, por exemplo, aquele papo, porque homem consegue andar
[00:34:38] melhor, consegue se localizar melhor com mapas, por exemplo, né, inteligência espacial, daí eu digo,
[00:34:45] daí vem aquele papo, por que o homem das cavernas ia para caçar? Eu digo, olha, eu acho, eu sempre
[00:34:55] digo assim, eu acho que, por exemplo, desde criança a menina está ouvindo que não pode sair na rua,
[00:35:03] você pode sofrer problema porque você é menina, então fica em casa, só sai acompanhada,
[00:35:08] enquanto que o menino, dez anos, se tiver um parquinho do lado, vai brincar com seus amigos,
[00:35:13] vai sair, já começa a ter uma liberdade maior assim, então, obviamente, ele vai ter uma relação
[00:35:18] com espaço diferente que é construída socialmente, né? Enquanto isso, espera que a menina seja
[00:35:23] princesinha que fica em casa, parada, então é óbvio que desde pequeno ela vai ter alguns problemas
[00:35:29] maiores, algumas dificuldades maiores, assim, de se locomover, por exemplo, porque já tem um pessoal na
[00:35:34] casa dela dizendo, olha, não sair de casa, né, é mais perigoso para você, então a gente está trabalhando
[00:35:38] dentro dessa lógica da Judy Butterfield, se eu tiver errado, me corrige, Isabel, mas que você tem
[00:35:46] toda uma série de expectativas dentro da sua casa e fora que vão construindo quem você é,
[00:35:51] então homem tem que ser pegador, homem tem que ser não sei quê, e isso que são os discursos de gênero,
[00:35:59] mas são coisas até mais simples, né, o meu filho tem dois anos e meio, ele não tem que se provar
[00:36:06] sexualmente para ninguém, né, ninguém insere isso dele, mas ele tá com o cabelo comprido, eu fui
[00:36:11] prender e meu pai ficou chocadíssimo, tirou o negócio do cabelo, porque homem não pode usar
[00:36:16] coque, sei lá, assim, fez mal para o meu pai, sabe, ele não é uma menina, para de fazer isso com ele,
[00:36:25] e assim, era só o coque, sabe, não sei lá, não era nenhum adolescente fazendo isso que poderia ser
[00:36:32] transgressor e tal, não, era uma criança prendendo o cabelo porque tava com calor, sabe, eu quase
[00:36:39] apresentei uma foto do Jared Leto para ele, mas não tinha internet na fazenda, gente,
[00:36:46] mas é só para falar que é simples às vezes, né, assim, a construção de gênero é muito forte dos
[00:36:53] gêneros e não podes, e assim, você não pode andar fora dessa linha um milímetro que, assim, você tá
[00:37:01] mexendo com uma coisa que parece toda construção de homem e mulher tá baseado num elástico de cabelo,
[00:37:08] entendeu, você desmonta tudo com elástico, é coisa assim. E às vezes isso tá tão, eu costumo falar
[00:37:16] a filha é um exercício diário de autocrítica, né, e de tentar questionar todos esses símbolos
[00:37:23] que foram impostos através da nossa educação. Recentemente eu comecei a ler um artigo e eu fiquei
[00:37:31] muito mexida, que era sobre por que a gente coloca brinco na menina enquanto ela ainda é neném,
[00:37:37] essa necessidade que a gente tem de colocar o brinco para se identificar logo que ela é menina,
[00:37:43] eu pensei isso quando eu falei. E eu lembro quando a minha filha chegou, ela tinha quase dois anos
[00:37:50] e como o cabelo, ela chegou praticamente sem cabelo, as pessoas tinham muita dificuldade de saber se era
[00:37:56] menina ou menina e eu senti que inclusive se incomodava ela, apesar dela não verbalizar,
[00:38:03] mas eu percebi que tinha um incômodo e eu fiquei desesperada assim e brinco foi a solução que eu
[00:38:09] encontrei para tentar diminuir aquele desconforto que ela tinha das pessoas chegarem e falarem que
[00:38:15] menino lindo, e assim aí você fica que merda né, precisa de um subterfúgio, precisa desse código
[00:38:25] para que as pessoas vejam e aí passou um tempo, ela estava, e aí eu não me orgulho disso tá,
[00:38:33] mas para vocês verem como isso faz parte da gente, eu tava levando ela para a escola,
[00:38:38] ela estava lá com um brinquinho dela e tinha um cara mais velho, uma criança,
[00:38:43] e daí o cara parou e falou com a criança que tava com ele, é seu amiguinho? Aí pergunta qual que é o
[00:38:53] nome dele? Aí ela riu e falou, tá Miros, eu falei, é o seu netinho? Pois eu me senti bastante vergonha,
[00:39:06] foi muito engraçado, mas é o que a gente faz para tentar impor um gênero, principalmente numa criança
[00:39:15] que ainda tá até assim muito sensibilizada, porque não tinha cabelo e tudo mais, e não gostava de ser
[00:39:21] confundida, mas essa necessidade brutal de colocar brinco em recém-nascido é um negócio altamente
[00:39:28] questionável. Então, mas eu não me questionei até qual é a Nina, mas eu me questiono, o Benjamin
[00:39:34] sempre confundem com menina, porque o cabelo dele tá comprido e ele tem traços bem delicados,
[00:39:41] né, criança pequena, enfim, sempre confundem com menina, e acho que foi a primeira ou segunda vez
[00:39:48] que isso me irritou do tipo, como que ele vai ser menina? Olha a roupa que ele tá vestindo, tipo,
[00:39:53] como que é a menina? Mas aí eu pensei, por que isso? Primeiro, número um, porque a pessoa teria
[00:39:59] a sensação de saber a diferença, e número dois, por que me incomodaria ele ser confundido com uma
[00:40:06] menina? O que isso tem de ruim, entendeu? Sei lá, alguém pode me confundir com uma, sei lá, torcedora
[00:40:11] do Santos. Isso não vai me ofender, porque isso me ofenderia, entende? Então, por que que é tão
[00:40:16] importante para a gente que de cara, sem qualquer pergunta, conhecimento melhor, intimidade, por que
[00:40:23] que tem que ser uma coisa que de cara as pessoas já observam? Por que? Eu não sei, eu acho que no caso
[00:40:28] um pouquinho mais crescida, pelo menos o que eu observava na minha filha, é que incomodava a ela.
[00:40:34] Ela ficava muito sentida e falava, não, eu sou menina. Sim, quer se afirmar na identidade, né? Que o gênero é uma
[00:40:41] das primeiras afirmações de quem eu sou. Eu tenho até um amigo, um colega meu lá na faculdade que eu dou
[00:40:47] aula, e ele tem um filho, o Gianluca, e ele fala assim, né, as pessoas perguntam, você tem filha,
[00:40:54] você é menina, né? Daí ele diz assim, ah, eu tenho um filho, por enquanto é menino, quando ele crescer,
[00:40:59] se ele quiser mudar. Eu falei isso outro dia, a Tata falou, mamãe, eu quero namorar a Maria Rosa, eu
[00:41:10] falei, tudo bem, ela e eu também quero uma bicicleta, eu falei, você tá muito consumista, a gente vai ter que conversar sobre isso.
[00:41:17] Exato. Então, essas questões que a gente já tava caindo na questão de performance social também, né,
[00:41:24] Isabel, de certa forma? Isso, inclusive esse exemplo do brinco também é um exemplo bem claro da influência da
[00:41:34] sociedade, né, porque na nossa cultura aqui no Brasil é super normal a menina quando é bebê e sai do
[00:41:41] hospital recém-nascida já sair com a orelha furada, né? E aconteceu até recentemente, não sei quanto tempo faz aí que a Gisele
[00:41:52] Binchen teve bebê e foi muito criticada na mídia americana porque a bebê dela tinha orelhas furadas,
[00:42:00] então para os americanos isso já é visto como uma agressão contra o bebê, e a gente vê como isso varia
[00:42:08] E se você for parar para pensar é, é uma agressão, não foi uma escolha dela, não tem nada a ver naquele momento
[00:42:15] ali para ela, mas a gente acaba fazendo isso mesmo pelo automático mesmo, e daí outro dia eu tenho um piscine no nariz
[00:42:23] e ela falou, eu queria muito ter um brinco no nariz também, eu quase virei e falei, cadê seu Deus agora?
[00:42:28] Ela furou a orelha dela, e aí, como explicaram a diferença? Exato, leva um tempinho daí para, vamos dizer, com uma coisa de cada vez, né?
[00:42:39] Mas isso também vai acabar, por exemplo, na questão da escolha do enxoval do bebê também, né, vai ser azul ou roxo
[00:42:47] Porque isso é um inferno, a pior parte é essa, porque assim, você não tem muita opção, você é super levada para aquilo
[00:42:57] a mídia voltada para a maternidade fala disso, exaltativamente, é muito chato, é muito cansativo, é difícil oferecer escolha para sua filha
[00:43:09] E para o seu filho também, eu tenho só uma menina, mas eu vejo os meus sobrinhos, ele só brinca de carrinho
[00:43:18] e ele tem quarto de menino, ele dorme dentro de um carrinho, sabe?
[00:43:23] Ah cara, nesse ponto eu queria perguntar aí para nossa especialista, porque ela vai saber nos explicar melhor
[00:43:30] O que eu vejo pela teoria e pela plática é de que não é isso ou aquilo, é isso e aquilo
[00:43:40] que me parece que hoje já se concorda, que existe sim uma parte que é genética, uma parte que é meio hardware, que é meio dada
[00:43:51] e uma parte que é construção social, a gente não sabe ainda diferenciar o que que é o quê
[00:43:56] e a gente está estudando para tentar entender isso, mas assim, que é brutal a diferença, eu acho que é
[00:44:02] a minha amostra é ridícula, são dois seres humanos, então eu não posso generalizar a partir da minha experiência
[00:44:10] porque vai ver, menino é muito diferente do Benjamin, é só o Benjamin que é assim, mas ele é ridiculamente interessado por carro
[00:44:17] ninguém nunca falou para ele que carro é legal, ninguém nunca deu carro para ele, ele pira em carro, ônibus, trator, essas coisas
[00:44:24] e a Nina de bebê, você já vê que caga para isso, entendeu, então assim, eu não sei, me parece que alguma diferença de hardware existe
[00:44:32] tem construção, tem, mas que tem diferença, tem eu acho
[00:44:37] Olha, eu acho que dá para dizer que a gente pode ter corpos biológicos diferentes, digamos assim, né, nós podemos ter configurações diferentes
[00:44:47] mas essa questão de gostos, tem uma parte que vai ser claro do indivíduo, né, o que ele vai se interessar por afinidade, digamos
[00:44:58] mas é muito, muito, grande parte é a influência social, porque às vezes a gente nem percebe, mas o meio ele bombardeia a gente
[00:45:08] com expectativas em relação a gênero o tempo inteiro, então não leva muito tempo para uma criança perceber o quê que é
[00:45:16] o que é de menino e o que é de menina, a gente percebe também que as infâncias elas estão cada vez mais generificadas para colocar num termo
[00:45:26] e algumas décadas atrás quando nós éramos crianças, por exemplo, brinquedos, roupas, esse tipo de coisa
[00:45:34] era em grande parte compartilhados por meninos e meninas, é claro que já existe, claro que vestidinho de menino e tal, mas assim
[00:45:44] até a questão de cores, uso de cores, e hoje em dia você entra numa loja de brinquedos e você percebe claramente que
[00:45:53] praticamente não existe mais brinquedo unissex, tem uma sessão toda de menino e uma sessão toda de menina
[00:45:59] você vai pegar um brinquedo para um aniversário de um ano de idade e o vendedor já pergunta, é menino ou menina?
[00:46:06] como se fizesse alguma diferença uma criança de um ano de idade se é menino ou menina em termos do que ela deveria brincar ou se divertir
[00:46:16] qualquer coisa assim, então a gente começa muito cedo
[00:46:20] Isabel, eu quero até mostrar, ilustrar isso que você falou que eu ainda não tenho filhos, mas eu tenho uma colega também de faculdade que ela tem filha
[00:46:30] uma única filha e eu lembro assim quando eu estava começando a ter contato com essas discussões de gênero e ela falou assim
[00:46:36] olha, antigamente eu não ligava muito para isso também, até quando eu tive minha filha e começamos a ir para a loja de brinquedos
[00:46:44] e exatamente esse ponto que você colocou, e daí passava na loja de brinquedos era assim, sessão dos meninos e sessão dos meninas
[00:46:51] e daí sessão de menino, carrinho, bonequinho, arma, não sei o quê, então todas as coisas super ativas assim e para fora de casa
[00:46:59] e daí sessão das meninas, boneca para cuidar, panelinha, sabe, então assim, vassourinha, então tudo coisa ligados ao lar
[00:47:10] e daí ela disse assim, tipo que merda né, você não consegue assim quebrar esse padrão, é muito difícil assim, por exemplo
[00:47:17] a menina por exemplo, está olhando brinquedos de menino, já pode chegar um menininho e dizer assim, você é menina, você não pode estar aqui
[00:47:24] por exemplo, já começa a ter uma série de expectativas assim que fode do controle do próprio pai as vezes né, ou da própria mãe
[00:47:30] enfim, e então acaba sendo realmente que os pais infelizmente não tem muito controle sobre o que está sendo visto na televisão, videogame
[00:47:40] mas existe essa questão da autonomia daí do indivíduo né, e é muito difícil assim que o indivíduo em algum momento
[00:47:48] principalmente tão jovem, já comece a trabalhar dizendo assim, eu quero isso para mim e principalmente se os pais não dão essa opção
[00:47:56] se o pai já diz assim, não, isso aqui é brinquedo de menina e isso é de menino, você pode ou não pode e já agrava ainda mais a situação mais para frente né
[00:48:05] a gente está passando, aqui em casa sempre teve a ideia de sempre ter diversidade e agora a gente tem um cachorrinho
[00:48:14] e é um cachorrinho macho, e aí a Tatá quer colocar vários lacinhos nele, várias coisinhas penduricalhos
[00:48:23] e eu fiquei pensando, meu, foda-se né, deixa, é um cachorro, ele não vai reclamar, deixa quieto, tá lá, cheio de bujingango, cachorro coitado
[00:48:36] então, mas eu não sei, eu acho que é exatamente essas coisas bobas, tipo um cachorro pode usar colarzinho, brinquinho e nananã ou não
[00:48:47] que fazem a gente se dar conta do quanto mesmo a gente que se acha muito cabeça aberta tem essas construções muito sedimentadas assim
[00:48:57] eu não achava que pra mim fazia tanta diferença, eu achava que eu criava o Benjamim bem assim sem essas imposições
[00:49:05] mas quando nasceu a Nina eu vi que eu já faço um monte de coisa diferente com ela e pra ela ficar só em roupa, em coisa
[00:49:13] assim sei lá, a gente tem uma tendência a dar uma fragilizada na mulher né, então de ser mais a menininha nananã e o menino mais vai, se vira, levanta, sabe
[00:49:30] mesmo que quando você percebe você corrige, mas o que é o instinto, o que é o natural é a construção social que é muito mais forte do que uma racionalização eu acho
[00:49:41] é, mas tem linhas feministas que são mais radicais e acreditam mais, por exemplo, na questão do, por exemplo, que vão dizer coisas assim do tipo
[00:49:50] não, homem não pode ser feminista, porque não é mulher, sabe, então é a mesma coisa que você lutar pelo movimento negro sem ser negro
[00:49:56] você pode até ser simpático aquele movimento, apoiar, mas você não tem noção do que aquele grupo fala né
[00:50:05] agora já nessa terceira onda que ela já trabalha com a questão da construção social a empatia já fica mais aberta até no sentido de, porque a gente vai criar um outro
[00:50:17] vai aparecer um outro personagem nessa história toda que é o transgênero né, que é o cara que acaba caindo mais do que você está estudando né Isabel
[00:50:27] do que é o transgênero atualmente né, então você pode falar um pouco desse fator complicador do transgênero?
[00:50:33] eu posso, então uma pessoa que tem identidade trans, a Judith Butler ela coloca assim que quando nós nascemos os pais, sei lá, o grupo social onde nós estamos
[00:50:50] vão designar qual é a nossa identidade de gênero, qual é o nosso sexo né, masculino, feminino, a gente já vai quando nascer ser identificado como menino ou menina
[00:51:00] antes do nascimento as vezes até né, e no caso das pessoas transgênero seriam aquelas que assumem identidades que são diferentes daquelas que foram dadas a elas quando do nascimento
[00:51:16] digamos assim, então aí de uma maneira mais simples a gente poderia dizer que teriam homens e mulheres trans no caso que foram identificados como sendo homens e mulheres e depois assumiram uma identidade oposta
[00:51:31] por exemplo nasceu mulher, foi falado que era mulher quando nasceu e depois assumiu uma identidade masculina, ou nós podemos ter outras formas de identificação que também vão fugir dessas identidades binárias
[00:51:45] que isso também é uma coisa bastante pós moderna que é negar esse binarismo de gênero, digamos essa restrição só entre masculino e feminino que a gente teria várias possibilidades de expressão de gênero que não se resumiriam a essas duas
[00:52:00] mais ou menos isso, e que daí colocam nó na cabeça total, porque por exemplo você pode estar falando tanto de pessoas que muita gente fala da questão do trans ou da pessoa que faz a operação pra mudar de gênero
[00:52:16] mas não necessariamente, você pode simplesmente estar falando de uma pessoa que mantém toda, por exemplo nasceu menino e daí ele tem a fisionomia masculina mas ele nunca passa por uma operação e se vê como uma mulher
[00:52:33] e tranquilo nessa época, tranquilo não pra mim, eu não consigo entender, eu estou fazendo esforço aqui mas está difícil
[00:52:43] o caso acho que mais famoso atualmente é o laerte, o alaerte agora
[00:52:48] mas ele se veste como uma mulher, ele usa os signos pra demonstrar que ele não se enxerga, pelo menos pelo que eu entendi ele não se enxerga, não se vê no sexo masculino
[00:53:03] pensando nesse sentido de performance mesmo, não viria o caso a questão da genitalia da pessoa, teria a ver com a subjetividade, a maneira como ela se expressa, a maneira como ela se sente
[00:53:23] e isso que definiria a identidade de gênero, então no caso o laerte, digamos que ele explorou algumas identidades, ele foi crossdresser por um tempo, se auto identificava como crossdresser
[00:53:37] e agora ele se identifica como mulher trans, então não vem ao caso nessa situação a parte biológica do corpo que o que a gente leva em conta é a subjetividade da pessoa
[00:53:53] a maneira como ela se expressa
[00:53:57] e agora Ju, como é que fica a tua cabeça?
[00:53:59] isso eu consigo entender, de verdade, a Cris leu o mesmo livro que eu que é O Longe da Árvore, que foi o livro, desculpa o ouvintes que acham que eu só li esse livro, eu só falo dele basicamente
[00:54:11] mentira, ela fala de um monte, eu sou muito mais restrita que ela, ela tem mais bagagem
[00:54:18] mas assim, eu não sabia nada de transgênero, ele tem um capítulo sobre transgênero, assim, me caiu esbuteado o bolso, não imaginava jamais o que estava envolvido
[00:54:30] vamos lá no português claro, porque eu tenho uma origem bem tradicionalista, digamos assim, pra mim era frescura
[00:54:41] é uma frescura, bando de louco, safadeza, sei lá, não pensava muito sobre o assunto, mas se alguém perguntar sobre isso, lembro nitidamente a reação que eu tive quando a Laerte entrou no banheiro feminino
[00:54:56] foi expulso, eu achei que estava certo isso mesmo, que safadeza, agora homem vai poder ficar entrando no banheiro feminino, achei de última
[00:55:04] aí eu vou ler um cara extremamente sensível, extremamente inteligente, que escreve mostrando a realidade, a vida como ela é, porque a empatia só é possível quando você escuta a história
[00:55:20] porque se você ler a manchete, você só vai jogar platitudes e reagir, não realmente entender, colocar no lugar do outro e tal
[00:55:28] aí quando você vai ouvir a história, o cara conta uma série de histórias, mas entre elas ele coloca pais que não são pais abertos e liberais e democratas
[00:55:38] não, é gente redneck do interior dos Estados Unidos, que não tem estudo nenhum, não tem cabeça pra entender transgênero e toda essa discussão que a gente está propondo
[00:55:48] simplesmente se vê numa situação de ver o filho de zero anos até sete anos numa identidade completamente partida entre o que ele se via e o que era biológico
[00:56:01] e até que chega um ponto que o pai, por mais que tente corrigir, o pai vai cortar o cabelo do jeito que o gênero deveria ser, vestir, fazer o quarto
[00:56:10] vai enfim, bombardear a criança com todas as armas que a sociedade tem pra impor o gênero pra ela, até que quando chega lá pelos sete anos
[00:56:18] por mais tacanho que o pai seja, o pai entende que ele está diante da situação de, ou eu vou aceitar o meu filho pelo que ele é, ou ele vai morrer
[00:56:27] e diante dessa escolha, o pai consegue fazer, olha, eu vou enfrentar quem tiver que enfrentar, eu vou mudar de cidade, eu vou entrar em guerra
[00:56:37] eu vou fazer o que for preciso, mas meu filho vai ser quem ele é, porque não tem o que fazer, e aí você entende que a treta é bem outra
[00:56:44] então assim, depois desse livro, depois de entender o que está envolvido, eu tenho uma simpatia e uma empatia muito maior
[00:56:53] mas ainda é um fenômeno difícil
[00:56:59] não, não me é difícil entender, por exemplo, a Laerte falando assim, olha, galera, eu me entendi, assim, eu já tenho idade, racionalidade
[00:57:09] pra não ser questionado, eu me entendi dessa maneira, se vocês tem problema, se resolvem em casa, eu tô bem resolvido
[00:57:15] pra mim, isso é fácil de entender, agora, o passo além, que eu acho que vocês estão falando, que é assim, é uma performance, então hoje eu posso ser mulher
[00:57:26] eu posso ser homem, cada dia eu vou escolher o que eu quero ser, e é a fronteira começar a se borrar, isso talvez eu precise nascer de novo pra entender
[00:57:37] a minha sorte eu não tenho essa capacidade, essa malemolência
[00:57:43] mas essa performance ela não é num sentido assim, raciocinado e feito de maneira proposital, sabe, é uma coisa que a gente faz no dia a dia
[00:57:52] sem parar pra pensar no que a gente tá pensando, no que a gente tá fazendo, todo mundo tá, digamos, performatizando essa nossa vivência de gênero
[00:58:02] cada um da sua maneira, e a gente não para pra pensar, ah, eu sou mais, devidamente entre aspas, mais feminina, mais masculina
[00:58:11] e da mesma forma, pra pessoas com identidades trans, isso também não é uma coisa que vai ser raciocinada no sentido hoje, eu vou ser homem
[00:58:21] ou amanhã eu vou ser mulher, não é nesse sentido, né, a performance é mais num sentido de uma vivência que é em sociedade, digamos assim
[00:58:31] que a gente age dessa forma
[00:58:34] tem nesse mesmo podcast
[00:58:36] não entendi ainda, desculpa, pera aí, o que você tá querendo dizer é que vou ser grosseira
[00:58:42] quando eu vou pro trabalho e eu sou assertiva e eu sou racional e eu sou talvez agressiva na minha maneira de colocar
[00:58:52] eu tô me, eu tô performando mais como um gênero masculino e quando eu vou pra casa e cozinho pro meu marido
[00:59:02] eu tô me alinhando mais com o papel que geralmente se espera do feminino, é isso?
[00:59:10] na verdade a gente espera que não tenha essas expectativas, que ser assertivo seja uma atitude masculina, né, a ideia é criar
[00:59:21] quebrar esse tipo de estereótipo, digamos, de gênero, mas no sentido de que todas as ações que nós temos durante a nossa vida
[00:59:31] a gente não fica raciocinando de que forma a gente vai se comportar dentro desse padrão, sabe?
[00:59:38] é uma performance, digamos, que ela não é raciocinada
[00:59:41] não sei se tá bem
[00:59:43] não, porque eu ainda não entendi em que sentido ele uma hora é feminino e outra hora é masculino
[00:59:48] é aí que tá, eu não entendi isso
[00:59:51] eu vou tentar, eu também não sou especialista no assunto, mas o que eu entendo é que assim
[00:59:58] esperar que seja homem ou mulher é uma expectativa social
[01:00:01] e você tem alguns indivíduos que vão, que eles não conseguem trabalhar nessa lógica masculino-feminino
[01:00:09] então, por exemplo, eles querem fazer certas coisas que são esperadas de mulheres ou horas esperadas de homens
[01:00:16] tipo o quê? se a gente tá questionando tudo que é homem ou mulher, o que que virou só de homem e só de mulher, né?
[01:00:23] não, exato, mas ainda assim você deu bons exemplos
[01:00:26] quando eu chego no trabalho e eu sou mais assertivo, eu sou mais racional, eu sou mais cabeça fria
[01:00:31] isso geralmente é esperado de homem, mas é esperado por um misto social
[01:00:36] e agora a gente pode falar até da questão de performance física como usar roupas
[01:00:41] é performance, mas nesse sentido não, que performance tem uma, ela carrega consigo alguma coisa calculada, né?
[01:00:48] eu vou fazer uma performance
[01:00:50] a gente tá pensando em alguma coisa mais assim que já é introjetada socialmente
[01:00:54] então, quando eu vou pra uma entrevista de emprego, eu uso uma roupa específica
[01:00:59] independente se é homem ou mulher
[01:01:01] se comporta de uma maneira específica
[01:01:03] isso, isso é uma performance que pode ser calculada ou pode ser simplesmente sim
[01:01:08] por exemplo, quando eu vou espirrar eu coloco a mão na frente da boca
[01:01:11] isso é uma performance também que não foi consciente, mas tá introjetada em mim já
[01:01:17] quando espirra eu coloco a mão na frente da boca
[01:01:19] agora, quando a gente tá falando assim de papéis sociais
[01:01:23] que inclusive é uma coisa que é um termo que já o pessoal da Terceira Onda tenta quebrar um pouco
[01:01:28] é dizer assim, não existe, a gente tem que quebrar essa noção de que certas atitudes são mais masculinas
[01:01:35] e outras são mais femininas
[01:01:37] então, e por que que a gente tem que fazer isso?
[01:01:40] porque você tem agora uma nova classe social que são os transgêneros que deixam tudo isso em cheque
[01:01:46] a velha agenda feminina, feminista de dizer
[01:01:50] eu quero agora ocupar papéis que homens faziam antigamente
[01:01:54] eles vão dizer assim, tá tudo bem, você tem uma mulher que quer igualdade de direitos
[01:01:58] mas você tem agora um terceiro componente aqui entrando
[01:02:02] que coloca a própria questão de homem e mulher em cheque
[01:02:05] então o ideal seria desconstrói toda a noção de gênero de uma vez
[01:02:09] não tem homem e mulher, não tem trans
[01:02:12] você tem seres humanos que querem fazer coisas x ou y e dane-se
[01:02:16] só que assim, no campo prático isso é difícil
[01:02:20] e é isso que eu estava querendo mostrar
[01:02:22] porque por exemplo, você vai cair numa coisa assim que o próprio exemplo do Laerte que vocês deram aí antes
[01:02:26] do tipo, quero ir no banheiro, pra qual que eu vou?
[01:02:29] você tem masculino e feminino
[01:02:31] tem que criar um terceiro banheiro agora
[01:02:34] ou quebra os dois banheiros, faz só unissex
[01:02:39] só que a gente tem uma sociedade que não está preparada pra isso ainda
[01:02:43] e como é que anda? Então fica complicado
[01:02:46] por isso que é um agravante assim
[01:02:49] não sei, acho que a Isabel de repente quer completar alguma coisa que eu falei
[01:02:53] não, é bem isso, explicou melhor que eu
[01:02:57] é que eu acho bem complicado pelo que a gente falou assim
[01:03:01] o quanto o gênero é uma construção forte
[01:03:07] e ao mesmo tempo frágil porque ela não pode ser questionada em mínimos detalhes
[01:03:13] uma estrutura tão gigante que tem normatizações pra uma série de coisas da tua vida
[01:03:19] e ao mesmo tempo tão frágil que se você quebra uma dessas regras parece que você está colocando em x todo o resto
[01:03:26] eu acho que a gente nem se dá conta do quanto isso é forte
[01:03:30] que a gente só vai ver isso no dia a dia
[01:03:35] quando começa a ser questionado
[01:03:38] então assim, acho que tem um longo caminho, mas um caminho gigantesco
[01:03:43] até a gente chegar para o ponto do gênero estar tão borrado
[01:03:47] a ponto de você falar só existem seres humanos, não existe isso de homem e mulher
[01:03:51] isso é uma das coisas mais básicas que a gente tem
[01:03:55] feminino e masculino, é difícil destruir isso
[01:03:59] voltando ainda no longe da árvore
[01:04:02] que eu acho que te passa toda essa dimensão do sofrimento
[01:04:05] que as pessoas que se identificam com gêneros diferentes daquele que nasceu
[01:04:11] é um dos maiores índices de suicídio que existe dentro desse grupo
[01:04:17] porque realmente é muito difícil pra família
[01:04:21] eu não esqueço de uma narrativa, de uma história
[01:04:25] de uma mãe que quando o filho passou pela transformação
[01:04:31] e deixou de ser filho e começou a se identificar como filha
[01:04:36] ela fez um funeral do filho
[01:04:40] e enterrou tudo que era do menino
[01:04:45] eles fizeram um funeral junto
[01:04:48] ele já vestido de mulher, ele já se identificando
[01:04:52] com todos os signos de mulher
[01:04:54] e ela ganhou uma filha
[01:04:56] então ela falando isso
[01:04:59] eu perdi um filho e é verdade
[01:05:01] ela passou pelo luto da perda
[01:05:03] e ela ganhou uma filha
[01:05:05] e ela está muito feliz com a filha que ela tem hoje
[01:05:07] apesar de por ter perdido um filho
[01:05:10] às vezes ela sente saudade dele
[01:05:13] então o tratamento do livro é justamente da relação entre pais e filhos
[01:05:18] quando eles são tão diferentes
[01:05:21] o creche que dá na cabeça dos pais
[01:05:24] eu, particularmente, acredito que em algum momento
[01:05:28] nossa sociedade precisou determinar claramente
[01:05:31] definir uma série de padrões
[01:05:34] pra manipular melhor as massas, dirigir melhor
[01:05:37] criar leis com mais clareza
[01:05:39] hoje, a percepção que eu tenho
[01:05:42] pra mim, todos nós somos bissexuais
[01:05:45] e a gente não sente, às vezes, atração por homem ou por mulher
[01:05:50] por conta da educação que a gente tem
[01:05:52] acho que quando a gente volta em Roma
[01:05:54] e vê que os homens mais desejados eram os guerreiros
[01:06:00] tanto por homens quanto por mulheres
[01:06:02] o que a gente percebe é que o ser humano sentia atração por aquilo que ele admirava
[01:06:07] independente de ser mulher ou homem
[01:06:10] e a partir de um momento que veio a igreja e falou
[01:06:13] olha, o homem só sente atração por mulher
[01:06:17] e mulher por homem
[01:06:18] você simplesmente ignora o outro sexo
[01:06:21] não passa pela sua cabeça a sentir atração
[01:06:24] se a gente derrubasse esse mito
[01:06:27] olha, você pode sentir atração porque você quiser
[01:06:31] e aí essa pessoa vai sentir atração por aquilo que ela deseja
[01:06:34] e não por aquilo que foi imposto
[01:06:36] e eu acredito que o gênero passa por essa discussão também
[01:06:40] a gente vê hoje na Argentina
[01:06:43] uma ficha de inscrição de qualquer lugar
[01:06:46] na parte de gênero e não sexo
[01:06:50] ele já tem 17 opções
[01:06:53] para as pessoas preencherem aquilo com que elas mais se identificam
[01:06:57] então está aqui do lado
[01:07:00] inclusive no Facebook
[01:07:03] acho que algumas universidades ainda aqui no Brasil
[01:07:06] também já abriram a opção de além de homem, mulher
[01:07:09] e uma terceira opção
[01:07:12] eu nem conheço 17
[01:07:15] 17?
[01:07:18] tem um personagem que surgiu
[01:07:21] no meu conhecimento
[01:07:24] no meados do ano passado
[01:07:27] que ganhou um reality show de música australiano
[01:07:31] que é a Conchita Rust
[01:07:34] porque eu adoro olhar para ela
[01:07:37] porque eu acho que ela faz com que eu questione tudo
[01:07:40] todas essas diferenças
[01:07:43] então assim, é uma mulher lindíssima
[01:07:46] com um corpo muito bonito
[01:07:49] a pele de pêssego, lindos cabelos negros
[01:07:52] e uma barba muito farta
[01:07:55] então você olha para aquilo
[01:07:58] e dá uma tela azul na cabeça
[01:08:01] como assim?
[01:08:04] ela se move como uma mulher
[01:08:07] ela é extremamente feminina
[01:08:10] e aquela barba, a barba muito cheia
[01:08:14] então assim
[01:08:17] eu acho que é legal e ela ganhou toda essa repercussão
[01:08:20] tem uma voz linda e tudo mais
[01:08:23] mas ela fala para você
[01:08:26] ei, o que está te incomodando?
[01:08:29] eu estou feliz comigo
[01:08:32] por que você está tão incomodado?
[01:08:35] o que eu acho assim, por exemplo
[01:08:38] no Longe da Árvore, a discussão que ele faz é assim
[01:08:41] pode acontecer tanto bug
[01:08:44] na hora de fazer um ser humano
[01:08:47] o check list é tão gigantesco
[01:08:50] a gente entende um monte de coisa
[01:08:53] que na hora da fornada saiu diferente
[01:08:56] não vou nem falar errado, mas diferente
[01:08:59] com a dificuldade de entender que
[01:09:02] a hora de fazer o sexo deu errado
[01:09:05] era o outro, errou
[01:09:08] ele só fala, puta, deu ruim
[01:09:11] não era esse, era aquele
[01:09:14] isso para mim é muito fácil de entender
[01:09:17] depois do explicado evidente
[01:09:20] agora vendo por esse lado
[01:09:23] o cara quer ser isso, vai aí, seja feliz
[01:09:26] agora o não ter gênero
[01:09:29] é uma discussão que eu acho que é muito mais difícil
[01:09:32] muito mais gigantesca
[01:09:35] eu falo, caramba, sabe aquele conflito de gerações
[01:09:38] que eu vi entre eu e meu pai?
[01:09:41] meu filho tem dois anos
[01:09:44] eu já fui uma passada
[01:09:47] a Ju e a Crisson trabalham com publicidade
[01:09:50] então você imagina aquele negócio
[01:09:53] de definição de público-alvo
[01:09:56] só tem reunião de dados
[01:09:59] na verdade, já tem um tempo
[01:10:02] já tem um tempo que eu não trabalho com definição
[01:10:05] de público-alvo por sexo
[01:10:08] e sim por interesse
[01:10:11] isso já mostra um pouco da diferença da nossa sociedade
[01:10:14] então hoje, por exemplo, eu quero
[01:10:17] eu quero falar com pessoas que se interessam
[01:10:20] por assuntos relacionados à celebridade
[01:10:23] estética, moda e bem-estar
[01:10:26] e foda-se se são homens ou mulheres
[01:10:30] eu vou, eu não compreendo, deixa quieto
[01:10:33] parabéns para os clientes, porque os meus não são assim não
[01:10:36] o Bricem vem por sexo, dona de casa
[01:10:39] assiste novela
[01:10:42] que é muito importante para ela
[01:10:45] agradar sua família
[01:10:48] para mim continua tudo e só
[01:10:51] como antes, entendeu?
[01:10:54] um pouquinho de questionamento
[01:10:57] você fala com criança, sendo tosca para caramba
[01:11:00] falando para menino e para menina
[01:11:03] marca que, assim, nem vou falar
[01:11:06] porque depois vou ter que trabalhar com elas
[01:11:09] já deu, vocês já entenderam
[01:11:12] a gente tem uma grande revista de circulação nacional
[01:11:15] que o tempo todo fala coisas que só mãe de menina sabe
[01:11:18] as coisas que só mãe de menino conhece
[01:11:21] a minha vontade é quebrar
[01:11:24] a vontade é quebrar
[01:11:27] que ódio que me dá isso
[01:11:30] mas sobre essa criação difícil
[01:11:33] dessa sociedade com a cabeça mais aberta
[01:11:36] eu não sei se vocês acompanharam
[01:11:39] mas em 2011 saiu a notícia de um casal
[01:11:42] que decidiu criar o bebê sem sexo
[01:11:45] definido, então eles não contaram para ninguém
[01:11:48] qual era o sexo do bebê
[01:11:51] eles chamavam a criança por um nome que poderia ser de menino
[01:11:54] ou de menina
[01:11:57] eles falavam que estavam criando o filho deles de forma neutra
[01:12:00] então o menino vestia roupa
[01:12:03] com um signo, com outro signo
[01:12:06] tudo que a criança consumia
[01:12:09] não tinha isso predeterminado
[01:12:12] não sei a quantos anos essa experiência
[01:12:15] foi de 2011
[01:12:18] que filho puta que me pariu
[01:12:24] porque aquele cara
[01:12:27] que prendeu a filha para estudar
[01:12:30] como assim você faz experiência com o seu filho
[01:12:33] vamos ver o que dá
[01:12:36] a criança chama storm
[01:12:39] tempestade
[01:12:42] mas provavelmente não tem expectativa
[01:12:45] não pode falar Isabel
[01:12:48] provavelmente fizeram isso em uma expectativa
[01:12:51] de não colocar em cima da criança
[01:12:54] todos esses desejos em relação ao gênero que nós geralmente temos
[01:12:57] inclusive eu tinha visto uma notícia
[01:13:00] em alguma escola na Escandinávia
[01:13:03] que já tinha também
[01:13:06] essa ideia de gênero neutro
[01:13:09] então as crianças como na língua deles existe
[01:13:12] o gênero feminino e o neutro que nós não temos
[01:13:15] elas se tratavam por termos neutros na gramática
[01:13:18] e aí as atividades cotidianas ao invés de serem divididas
[01:13:21] por exemplo a fila na hora de entrar na sala de aula
[01:13:24] meninos e meninas geralmente é feito
[01:13:27] então lá eles faziam assim cada dia
[01:13:30] era dividido de uma forma, hoje é
[01:13:33] quem prefere bolo, quem prefere bolacha
[01:13:36] quem prefere picolé, quem prefere sorvete
[01:13:39] eles faziam maneiras que não envolvessem gênero
[01:13:42] especificamente de separar as crianças para as atividades
[01:13:45] também é uma maneira interessante de lidar
[01:13:48] eu acho que se não me engano no catálogo
[01:13:51] do IKEA lá na Suécia também
[01:13:54] quando vai aparecer o catálogo de brinquedos
[01:13:57] aqueles malditos petralhas da Suécia
[01:14:00] eles
[01:14:03] por exemplo quando vai aparecer a foto
[01:14:06] do brinquedo aparece menino e menina brincando
[01:14:09] então não tem só os meninos e só as meninas
[01:14:12] tem os dois, então aparece o menininho
[01:14:15] ajudando nas tarefas de casa por exemplo também
[01:14:18] com brinquedos que são para o lar
[01:14:21] então é bacana isso Cíntia
[01:14:24] posso falar uma coisa sobre a educação que é anterior a isso
[01:14:27] o método Waldorf ele é contra
[01:14:30] posso falar uma puta besteira mas mais ou menos como eu entendo
[01:14:33] ele é contra signos pra criança
[01:14:36] porque você destrói a imaginação
[01:14:39] então assim não é que ele não gosta de eletrônicos
[01:14:42] não é que ele não tolera plástico
[01:14:45] é que ele não quer nem forma, ele quer que você dê um bloco de madeira
[01:14:48] e a criança imagina que aquilo é um carro, uma boneca
[01:14:51] X, a criança que tem que imaginar
[01:14:54] você não tem que dar uma boneca com forma de boneca, dá um quadrado
[01:14:57] e ela que se vire pra pensar o que que é
[01:15:00] toda essa construção já se faz naturalmente
[01:15:03] porque na sala de aula
[01:15:06] eles tem uma reprodução da casa
[01:15:09] de uma casa e aí a criança vai brincar livremente
[01:15:12] com o que ela se interessa mais e então eles enxergam
[01:15:15] que um menino brincando com boneca é super positivo
[01:15:18] porque provavelmente ele tem um primo menor
[01:15:21] ou uma irmã menor e ele tá através da brincadeira
[01:15:24] treinando para performar esses
[01:15:27] papéis que ele precisa com a família
[01:15:30] uma menina que tá brincando com um bloco de construir
[01:15:33] eles entendem que ela tá construindo o raciocínio
[01:15:36] lógico dela, então não é nem que passe
[01:15:39] por uma discussão de feminino e masculino
[01:15:42] é simplesmente que eles já dão um passo pra trás
[01:15:45] em termos de estimular
[01:15:48] habilidades
[01:15:51] acho que só o que eu gostaria de até ver nesse caso
[01:15:54] do casal que tá criando filhos sem gênero
[01:15:57] é no momento em que por exemplo o menino
[01:16:00] ou menina, enfim, chegue e diga
[01:16:03] putz pai, eu queria muito
[01:16:06] eu quero sair com os meus amigos
[01:16:09] eu quero agora começar a fazer atividades que são
[01:16:12] geralmente ligadas a menino e começa a identificar com o menino
[01:16:15] porque uma das coisas que eu acho que é interessante
[01:16:18] dentro dessa lógica da terceira onda
[01:16:21] é que tendo em vista que o meu gênero
[01:16:24] sou eu que escolho e construo
[01:16:27] em algum momento eu posso dizer não, olha
[01:16:30] eu sou o menino, tipo sabe
[01:16:33] heteronormativo
[01:16:36] e eu quero ser assim assim assado e é uma escolha minha
[01:16:39] e eu não sei daí, por exemplo, se o pai é
[01:16:42] cabeça aberta nesse ponto absurdo, não sei se ele acaba de repente virando
[01:16:45] 180 graus e virando assim não não não
[01:16:48] você não vai ter gênero e a gente vai te engolir
[01:16:51] vai te forçar isso lá embaixo, sabe? Então
[01:16:54] você já viu algum caso assim, Isabel, de algum estudo que você fez
[01:16:57] que de repente assim a pessoa
[01:17:00] quer fazer a sua escolha e por querer escolher
[01:17:03] acaba sendo constrangida?
[01:17:06] Não, nunca vi nada nesse sentido
[01:17:09] até porque é bem raro a gente pensar em
[01:17:12] pessoas que tenham já essa visão
[01:17:15] de tentar não impor gênero para as crianças
[01:17:18] esse tipo de coisa deve ser tudo muito recente, eu nunca vi nada
[01:17:21] nesse sentido não. Eu imagino até que o constrangimento
[01:17:24] vai vir mais para aqueles que querem sair da norma inclusive
[01:17:27] então é bem mais difícil
[01:17:30] E de qualquer forma, mesmo pensando em termos
[01:17:33] de construção, a gente não exclui
[01:17:36] a existência do masculino e do feminino, a gente só não
[01:17:39] limita esses dois, digamos assim
[01:17:42] E seria mais ou menos
[01:17:45] como na questão da…
[01:17:51] Deixa eu pensar, assim
[01:17:54] não seria uma escolha consciente
[01:17:57] mais ou menos que nem a questão da heterossexualidade
[01:18:00] da homossexualidade, bissexualidade, não chega
[01:18:03] um momento que a gente decide, né?
[01:18:06] Qual vai ser a nossa sexualidade?
[01:18:09] Mas aqui não houve um momento em que nós decidimos
[01:18:12] seremos homens, mulheres ou qualquer outra
[01:18:15] identidade de gênero
[01:18:18] Agora, daí Isabel
[01:18:21] acho que é assim que eu queria pelo menos
[01:18:24] que a última parte do programa lidasse um pouco com a questão de cinema
[01:18:27] Como é que você, quando está analisando
[01:18:30] a figurino, traz essas questões de gênero
[01:18:33] colocadas? Como é que a tua pesquisa
[01:18:36] está trabalhando mais ou menos com isso? O que você tem procurado
[01:18:39] em filmes que você tem visto?
[01:18:42] Olha, eu não necessariamente analiso a questão de gênero
[01:18:45] no cinema em relação a figurino
[01:18:48] Às vezes é muito mais em questão de discurso mesmo
[01:18:51] Figurino às vezes passa em situações
[01:18:54] específicas onde isso fica bem marcado
[01:18:57] E aí a gente pode citar até o cinema
[01:19:00] que lida com questões de gênero
[01:19:03] Eu escrevi esses tempos sobre aquele filme
[01:19:06] Minha Vida em Cor de Rosa
[01:19:09] Aí vai ter outros filmes como Tom Boy
[01:19:12] Tem vários filmes que lidam com questões de gênero
[01:19:15] Aí até pode ser vista a questão do figurino
[01:19:18] Mas eu gosto de olhar mesmo a questão do discurso
[01:19:21] do filme
[01:19:27] Às vezes pode gerar uma certa
[01:19:30] controvérsia porque às vezes o discurso do filme
[01:19:33] fica tão complexo que a gente não consegue se situar
[01:19:36] Então não sei se vocês viram Garota Exemplar
[01:19:39] O último filme do David Fincher
[01:19:42] E gerou toda uma polêmica
[01:19:45] Esse filme é uma representação positiva da mulher
[01:19:48] Ele é uma representação negativa
[01:19:51] Então às vezes fica difícil definir em cima
[01:19:54] dessas expectativas também
[01:19:57] Será que todo filme tem que ter sempre
[01:20:00] lutando com uma agenda específica?
[01:20:03] Porque eu me questiono
[01:20:06] que eu acho que principalmente nas artes
[01:20:09] a gente tem que ter uma certa liberdade
[01:20:12] Por exemplo, se eu quero fazer um personagem que seja machista pra caralho
[01:20:15] Eu tenho que ter essa liberdade
[01:20:18] Inclusive eu posso se questionar lá depois
[01:20:21] Isso, e na verdade existe uma diferença
[01:20:24] Entre também dispor um personagem que seja machista
[01:20:27] ou racista ou qualquer outra característica negativa
[01:20:30] E o filme concordar
[01:20:33] com o discurso do personagem
[01:20:36] Isso também dá pra perceber quando acontece
[01:20:39] Eu acho que tem um exemplo bom recente
[01:20:42] Que é o clube de compras Dallas
[01:20:45] Que o personagem não tem mais onde ser
[01:20:48] misogeno, homofóbico, tudo racista
[01:20:51] E a história é muito boa
[01:20:54] sobre como ele teve que aprender a conviver com tudo aquilo
[01:20:57] que ele não gostava e como ele se tornou vítima
[01:21:00] de preconceito
[01:21:03] E o filme não compactua com a visão dele
[01:21:06] Narra a visão dele é diferente
[01:21:09] Inclusive esse filme gerou um pouco de polêmica
[01:21:12] na época também
[01:21:15] Porque diz que o personagem na vida real não era transfóbico
[01:21:18] Inclusive ele era bissexual
[01:21:21] Então ele não era aquela pessoa
[01:21:24] preconceituosa que mostrava
[01:21:27] Quase repitante
[01:21:30] Mas deu mais história assim
[01:21:33] Então eu acho que também existe uma liberdade artística
[01:21:36] de você contar uma história que te interessa contar
[01:21:39] O cinema é uma narrativa
[01:21:42] A gente tem que pensar em termos da história mais interessante
[01:21:45] Então mesmo esses filmes que são inspirados em histórias reais
[01:21:48] Eles nunca vão ser fiéis àquilo que aconteceu com a pessoa
[01:21:51] Eles sempre vão adaptar o roteiro
[01:21:54] Tentando deixar o drama mais interessante para quem for assistir
[01:22:00] Como é que vocês sentiriam, por exemplo
[01:22:03] Por exemplo, um cara que eu gosto muito que é o Nelson Rodrigues
[01:22:06] Nelson Rodrigues é machista, as outras são muito machistas
[01:22:09] Mas aquele negócio
[01:22:12] Eu acho muito bom
[01:22:15] Inclusive pode ser uma discussão
[01:22:18] O tempo dele era esse, a gente pode levar isso em consideração
[01:22:21] Você pode gostar de pessoas
[01:22:24] Que tem um estilo de vida e ideias completamente diferentes
[01:22:27] Das suas, o Bukovski era um puto
[01:22:30] Eu adoro ele
[01:22:33] Ninguém mais pode ser puto, só ele
[01:22:36] Se você for puto que seja brilhante, fim
[01:22:39] Eu acho que o mundo tem que ser baseado pelas normas de Bukovski
[01:22:42] Que não, puta zona de sociedade
[01:22:45] Mas deixa o cara, ele é brilhante, ótimo
[01:22:48] O cara que eu adoro e sempre que eu posso falar dele
[01:22:51] Eu falo é o Polanyiuk
[01:22:54] Estou maluco por ele
[01:22:57] E eu acho fantástico como os livros dele são de um jeito
[01:23:00] E você vai ver ele falando, ele é um cara muito mais tranquilo
[01:23:03] Você pensa que ele é um louco
[01:23:07] Acho que é até do comentário dele
[01:23:10] E ele falando
[01:23:13] Se você notar, todos os meus livros são sobre pessoas
[01:23:16] Que são muito solitárias e querem companhia
[01:23:19] Só que elas são desajustadas
[01:23:22] Elas vão para o caos absurdo do mais louco possível
[01:23:25] E daí quebram todas as normas de sociedade
[01:23:28] Ficam transgressoras
[01:23:31] E criam vínculos com alguém que está tão fudido quanto eles
[01:23:34] Se eu concordo que a gente tem que criar um clube da luta
[01:23:37] Tem que se matar, eu não sei
[01:23:40] Mas eu acho bacana
[01:23:43] Aliás, você falou nele, o último livro dele é sobre
[01:23:46] Essa discussão de gênero
[01:23:49] Eu vi, exatamente
[01:23:52] Deu um belo nó na minha cabecinha retrógrada
[01:23:55] Inclusive ele disse que começou a escrever como uma paródia
[01:23:58] Dos 50 tons de cinza
[01:24:01] Você vai notar
[01:24:04] Depois que eu descobri isso, eu disse
[01:24:07] Aquelas cenas de sexo super explícitas que tem
[01:24:10] Aí eu falei, se eu falo nuque brincando em 50 tons de cinza
[01:24:13] Muito legal
[01:24:16] Em teoria, a gente devia sempre analisar a arte
[01:24:19] Independente do discurso, avaliar só os critérios estéticos
[01:24:22] Mas às vezes é um pouco difícil de separar
[01:24:25] Acho que depende muito da obra
[01:24:28] Do momento em que a pessoa que está assistindo ou lendo está
[01:24:31] Mas até
[01:24:34] Estava lembrando aqui de um exemplo, aquele filme
[01:24:37] O Nascimento de uma Nação, não sei se vocês já viram
[01:24:40] Que é um filme americano de 1916
[01:24:43] E ele fala
[01:24:46] De toda a sociedade do sul dos Estados Unidos
[01:24:49] E com um saudosismo da época da escravidão
[01:24:52] O filme apoia Ku Klux Klan
[01:24:55] Foi um filme que trouxe de volta
[01:24:58] A ativa Ku Klux Klan que já estava
[01:25:01] Sem atividade desde o século 19
[01:25:04] E por causa do filme na época, na década de 10
[01:25:07] Houve um reavivamento do grupo
[01:25:10] Olha que serviço
[01:25:13] Então, o discurso do filme é horroroso
[01:25:16] A gente assiste aquilo pensando, nossa, não tem contexto histórico
[01:25:19] Que salve, mas o filme é
[01:25:22] Impressionantemente bem feito para um filme de 1916
[01:25:25] A narrativa é incrível
[01:25:28] Tem efeitos práticos, tem grandes
[01:25:31] Cenas de batalha da guerra da secessão
[01:25:34] Com milhares de figurantes, o filme é lindo
[01:25:37] Aí tu fica dividido, aquela questão do
[01:25:40] Vai avaliar por critérios estéticos ou vai avaliar
[01:25:43] Em virtude do discurso
[01:25:46] É complicado, uma coisa nunca está afastada da outra
[01:25:49] Eu acho legal também, por exemplo, na própria questão de gênero
[01:25:52] Você vai ter em uma série de gêneros
[01:25:55] Literários, por exemplo, pessoas que
[01:25:58] Lutam por uma desconstrução dos gêneros
[01:26:01] Então, por exemplo, aqui de cabeça
[01:26:04] Estou puxando a mão esquerda da escuridão
[01:26:07] Que é um livro de ficção científica da Ursula Le Guin
[01:26:10] Que os caras vão para um planeta
[01:26:13] Em que os habitantes daquele planeta não têm gênero
[01:26:16] Então, a própria narrativa é muito louca
[01:26:19] Porque em uma hora é homem, em outra é mulher
[01:26:22] Em outra hora é uma outra coisa
[01:26:25] Ela vai desconstruindo numa ficção científica toda a noção de gênero
[01:26:28] Então é muito interessante porque ela está
[01:26:31] Levantando essa bandeira da questão da desconstrução
[01:26:34] É muito legal você ver isso na arte
[01:26:37] Sendo feito de maneira bem pensada
[01:26:40] E você tem outros filmes que vão
[01:26:43] Trabalhar com a questão da própria questão de gênero
[01:26:46] Por exemplo, eu acho que o
[01:26:49] The Dallas Bayer Club foi muito legal de ser citado
[01:26:52] Eu acho que o Jared Leto, que é o meu amor
[01:26:55] Está fantástico
[01:26:58] E os ouvintes ficam sempre me zoando
[01:27:01] Colocando fotos do Jared Leto
[01:27:04] Fotos muito sensuais dele
[01:27:07] E nos comentários eu sempre fico meio
[01:27:10] Meio transtornado
[01:27:13] Eu gosto muito de você
[01:27:16] Mas tem certos momentos que ele me deixa meio transtornado
[01:27:19] Ele é muito andrógeno em alguns momentos
[01:27:22] Eu acho ele demais
[01:27:25] Teve um filme que
[01:27:28] Pode falar, Cris
[01:27:31] Teve um filme que eu acho que passou muito batido
[01:27:34] E é um filme que eu adoro sobre o assunto
[01:27:38] Felicity Hoffman está fazendo o papel de transgênero
[01:27:41] De homem para mulher
[01:27:44] E acaba passando por todo aquele processo
[01:27:47] De verificação psiquiátrica que eles fazem
[01:27:50] Quando uma pessoa pode ter mudança de sexo
[01:27:53] Ela encontra um filho que ela não sabia que tinha
[01:27:56] O filme é muito bom
[01:27:59] Discutir isso com uma certa graça
[01:28:02] E uma delicadeza muito grande
[01:28:05] Ela questiona uma série de coisas quando encontra esse filho
[01:28:08] E a reação que o filho tem
[01:28:11] Quando vai procurar um pai e na verdade acha outra mãe
[01:28:14] Eu não vi Transamérica ainda
[01:28:17] Eu lembrei também do XXY
[01:28:20] Que eu filmei em argentino
[01:28:23] Claro com o Ricardo Darin
[01:28:26] O nosso seu tom melo
[01:28:29] Não xinga o Darin
[01:28:33] Mas na verdade não é um transgênero
[01:28:36] É uma afrodita na linguagem vulgar
[01:28:39] Mas os pais decidem mudar
[01:28:42] Para uma região que ninguém conhece
[01:28:45] Para que ela se pareça fisicamente
[01:28:48] Mais com uma menina
[01:28:51] Mas para que ela decidisse sozinha
[01:28:54] Qual gênero ela gostaria de seguir
[01:28:57] E eu acho que o filme trata isso de um jeito muito legal
[01:29:00] A própria sexualidade
[01:29:03] E te dá um ar de tipo
[01:29:06] Será que precisa definir?
[01:29:09] Então é um outro filme que eu acho que trata isso de um jeito muito legal
[01:29:12] Eu acho que a gente até pode
[01:29:15] Expandir toda essa questão da identidade de gênero
[01:29:18] Até para outras coisas que eu acho que é a grande
[01:29:21] É uma das coisas que eu tenho simpatia com a terceira onda
[01:29:24] Apesar de ter várias críticas
[01:29:27] Que a gente pode fazer em outro programa
[01:29:30] Mas é que por exemplo no próprio cinema mesmo
[01:29:33] Tem um conceito que a gente usa
[01:29:36] Que é o tropo, Isabel
[01:29:39] O tropo são aqueles tipo estereótipos
[01:29:42] Modelos já predefinidos sobre comportamento
[01:29:45] Aqueles clichês, personagens clichês
[01:29:48] E daí tem um clichê que eu acho ótimo
[01:29:51] Eu não vou lembrar o nome exato, mas é daquela menina
[01:29:54] Ela é toda maluquinha
[01:29:57] Ela não tem amigos, ela não tem família, ela não tem nada
[01:30:00] E a única função dela é virar a vida do cara de cabeça para baixo
[01:30:03] Manic Pixie Dream Girl
[01:30:06] Exatamente
[01:30:09] E daí você vê em questão de vestimenta
[01:30:12] Ela chega e ela já tem aquela roupa
[01:30:15] Que você sabe que ela já é de outro mundo
[01:30:18] Diferentinha
[01:30:21] Então 500 dias com ela
[01:30:24] Tudo acontece em Elisabeth Town
[01:30:27] Então eu acho muito engraçado
[01:30:30] Esse tropo eu acho divertidíssimo
[01:30:33] E de novo, como a performance visual dela já passa
[01:30:36] Porque a gente tá falando de uma arte audiovisual
[01:30:39] Como cinema, que daí já tem que passar o código visualmente
[01:30:42] Essa menina é maluquinha
[01:30:45] E ela vai transformar a vida do protagonista de cabeça para baixo
[01:30:48] Eu acho muito legal
[01:30:51] O melhor filme disso é Se Meu Apartamento Falaça
[01:30:54] Que é com a Marilyn Monroe
[01:30:57] E ela existe única e exclusivamente
[01:31:00] Para enlouquecer o cara
[01:31:03] É com a Shirley MacLaine
[01:31:06] Eu não sei
[01:31:09] Não lembro, tem que puxar
[01:31:12] É com a Shirley MacLaine e o Jack Lemmon
[01:31:15] É isso
[01:31:18] Digamos que ela era uma antecessor
[01:31:21] Dos Many Cute Pixies Dream Girls
[01:31:27] Eu confundi com o pecado mora ao lado
[01:31:30] Já sim é com a Marilyn Monroe
[01:31:33] E também é bem nesse sentido
[01:31:36] É tipo ser vizinho da Marilyn Monroe
[01:31:39] Você não tem muita culpa
[01:31:42] O filme é mais quente e melhor
[01:31:45] Que o Jack Lemmon e o Tony Curtis
[01:31:48] Que também é com a Marilyn Monroe
[01:31:51] Se vestem de mulher pra fugir dos gangsters
[01:31:54] Também é bem legal
[01:31:57] Você tem outros tropos que você acha que pode vincular, Isabel?
[01:32:00] Na questão da construção de gênero
[01:32:03] Você lembra?
[01:32:06] Acho que tem vários
[01:32:10] As virgens e as prostitutas
[01:32:13] E aqueles ideais das mães
[01:32:16] Na questão da prostituta
[01:32:19] Sempre vai se dividir entre a prostituta de bom coração
[01:32:22] Que caiu na vida
[01:32:25] Porque não teve chances
[01:32:28] Ou aquela prostituta inescrupulosa que quer subir na vida
[01:32:31] Os papéis femininos muitas vezes
[01:32:34] São bastante esquemáticos
[01:32:37] E a falta de mulheres roteiristas
[01:32:40] Na indústria do cinema
[01:32:43] Quem nunca quis ser Julia Roberts, não?
[01:32:46] Aquela prostituta tão amável
[01:32:49] Acho que é legal
[01:32:52] Do ser me engano do Marina Mulher
[01:32:55] Acho que eu vi recentemente
[01:32:58] Um ano atrás eu estava passando na TV
[01:33:01] Daí eu notei
[01:33:05] Ou se ela está fazendo a primeira noite de programa
[01:33:08] O velho esquema
[01:33:11] Eu acabei de entrar e já me apaixonei por você
[01:33:14] Ela não é prostituta de verdade
[01:33:17] Ela está na primeira noite
[01:33:20] Ela não está naquela vida
[01:33:23] Justamente para dizer
[01:33:26] Ela é prostituta, mas ela é legal
[01:33:29] Ela não está nessa vida
[01:33:32] Ela não é prostituta
[01:33:35] Ela é limpinha
[01:33:38] Porque mostrar a vivência de prostituição
[01:33:41] É uma coisa que desmerece a personagem
[01:33:44] Mas aí temos a nossa Bruna Sufixinho
[01:33:47] Cobrando cinco reais
[01:33:50] A própria bonequinha de luxo
[01:33:53] Em nenhum momento
[01:33:56] Eles falam explícitamente que ela é prostituta
[01:33:59] Ela era prostituta?
[01:34:02] Não conta isso da minha mãe
[01:34:05] Ela era Scott
[01:34:08] Ela era Scott
[01:34:11] Você está exagerando
[01:34:14] Está carregando a mão
[01:34:17] É o filme preferido da minha mãe
[01:34:20] Eu duvido que um dia tenha passado pela cabeça dela
[01:34:23] Sabe que eu vi esse filme ano passado
[01:34:26] Ele é absurdamente transgressor
[01:34:29] Por tudo
[01:34:32] Ela é uma mulher morando sozinha em Nova York
[01:34:35] Que faz o que quer, quando quer, do jeito que quer
[01:34:38] Que não presta satisfação para ninguém
[01:34:41] Que tem um casamento
[01:34:44] E resolve que isso não satisfaz ela, que ela quer mais da vida
[01:34:47] O cara vai atrás dela e ela fala
[01:34:50] Você é tão fofo, tão querido
[01:34:53] Eu quero luxo
[01:34:56] Eu quero pesão, você é fofo
[01:34:59] Não é isso que eu quero
[01:35:02] Quando que podia falar isso naquela época
[01:35:05] E hoje não pode
[01:35:08] Eu até falei sobre isso numa Milos Dessa Semana
[01:35:11] Como a gente tem a percepção de história como uma construção linear
[01:35:14] De que a gente vai substituindo umas ideias por outras
[01:35:17] E na verdade é completamente um movimento de ondas
[01:35:20] Porque você tem um monte de gente hoje
[01:35:23] Talvez maioria
[01:35:26] Que não consegue conviver com as regras
[01:35:29] Do bonequinho de luxo ainda
[01:35:32] Isso ainda choca hoje
[01:35:35] Eu acho que na época não chocou tanto porque ninguém entendeu
[01:35:38] Porque ele é muito transgressor
[01:35:41] É verdade
[01:35:44] Já para ir encerrando
[01:35:47] Eu quero lembrar uma coisa que eu tive em uma das aulas do doutorado
[01:35:50] Que a gente estava discutindo também sobre as questões de gênero
[01:35:53] E só para a gente ver como isso vai
[01:35:56] Também entrojetando cada vez mais
[01:35:59] E sendo naturalizado
[01:36:02] Como por exemplo, chega num ponto de que você vai numa loja de roupas
[01:36:05] E tem a sessão masculina e feminina
[01:36:08] E você tem as calças femininas por exemplo
[01:36:11] Que colocam curvas no corpo da mulher
[01:36:14] Porque até o professor falou assim
[01:36:17] Você tem certeza que aquelas curvas fazem parte do seu corpo?
[01:36:20] Será que você não está sendo moldada daquela forma?
[01:36:23] Porque claro, tem a questão genética, biológica
[01:36:26] Mas a gente já tem toda uma expectativa social
[01:36:29] Para que o seu corpo seja de uma maneira específica também
[01:36:32] E você tem peças de roupas que reforçam essas curvas
[01:36:35] E reforçam certas silhuetas
[01:36:38] E eu lembro que eu passei por essa experiência uma vez que
[01:36:41] Bom, uma história ridícula aqui
[01:36:43] Eu fui numa festa uma vez com minha esposa
[01:36:45] A gente ainda era namorado na época
[01:36:48] E daí eu fui dormir na casa dela, só que eu fui nessa festa de kilt
[01:36:51] Porque eu ganhei um kilt e eu queria usar
[01:36:54] E eu tive uma festa e eu disse vou usar o kilt
[01:36:57] E daí aconteceu o seguinte, que eu dormi lá e eu precisava voltar para casa no dia seguinte
[01:37:00] Só que eu estava sem calças
[01:37:03] E ia andar em Curitiba
[01:37:06] Essa cidade que é a Europa brasileira como você pediu
[01:37:10] Às 10 da manhã com o seu kilt
[01:37:13] É uma coisa que causa um estranhamento
[01:37:16] Que eu não estava querendo passar por essa experiência ainda
[01:37:19] E daí eu pedi para ela se tem uma calça que caiba em mim
[01:37:22] E teve uma
[01:37:25] E eu fiquei com a bunda mais linda do mundo
[01:37:28] E eu disse, cara, é esse o segredo?
[01:37:31] Eu ficava olhando assim, meu Deus, que maravilhoso
[01:37:34] Como uma pátaga, como eu estou gostoso
[01:37:37] Eu ficava me olhando no espelho e falei, é sério isso?
[01:37:40] É fantástico
[01:37:43] Você me fez lembrar uma coisa interessantíssima
[01:37:46] Não sei se vocês viram, essa semana saiu uma matéria
[01:37:49] De um cara de uma revista que eles deram para ele
[01:37:52] A oportunidade de fazer uma matéria sobre ele se maquiar
[01:37:55] E como que ele tinha entendido essa experiência
[01:37:58] Aí ele é um cara barbado
[01:38:01] Primeira coisa, ele tirou a barba
[01:38:04] Parece até que ele deu uma limpada na sobrancelha
[01:38:07] Não de pinçar muito, mas tipo, ele era muito cara de másculo
[01:38:10] E aí no primeiro dia foi só um pózinho
[01:38:13] No segundo dia, não sei o quê
[01:38:16] Aí ele falou que o dia que ele passou o rimo, ele falou
[01:38:19] Caralho, o que é isso?
[01:38:22] Meus olhos estão lindos
[01:38:25] Nossa, como meu olhar ficou legal
[01:38:28] Meu olho ficou até mais verde depois que eu passei isso
[01:38:31] E é claro, ele foi super maltratado
[01:38:34] As pessoas começaram a olhar para ele e falar que porra é essa
[01:38:37] E ele se sentiu péssimo
[01:38:40] Porque na verdade ele achou que ele estava bem daquele jeito
[01:38:43] E aí o último dia
[01:38:46] São sete dias
[01:38:49] E no último dia ele faz um make completão, make festa
[01:38:52] E ele falou que, ele olhou e falou, cara, eu estou muito bonito
[01:38:55] Ficou ótimo esse som
[01:38:58] O meu olho todo vermelho deixou minha boca tão viva
[01:39:01] Meus lágrimas são pequenos e de repente eles apareceram
[01:39:04] Eu sei que eu nunca mais vou poder usar isso, mas olha
[01:39:07] Eu estou com dó de lavar
[01:39:10] Cara, mas é engraçado, né?
[01:39:13] Porque você pensa assim, o universo que a mulher tem para explorar
[01:39:16] É infinitamente mais rico do que o que é permitido para os homens
[01:39:19] E aí você vê assim, para criança
[01:39:22] Que está experimentando, não tem esses limites claros
[01:39:25] Eu estava pintando as unhas hoje
[01:39:28] Do lado do Benjamin
[01:39:31] É um dois para ele pedir para pintar, porque ele gosta de cor, gente
[01:39:34] É uma coisa tão natural
[01:39:37] Que da mesma maneira que a menina quer também brincar
[01:39:40] Eles podem pintar no papel, podem pintar na parede
[01:39:43] Podem pintar em outros lugares, por que eu não vou pintar a unha dele?
[01:39:46] E eu fiquei pensando, sabe, não vou ser a louca
[01:39:49] De deixar meu filho de unha vermelha na escola
[01:39:53] Mas assim, bem na boa, qual é o problema, sabe?
[01:39:56] Qual é o problema?
[01:39:59] Na década de 90, o pessoal do New Metal pintava unha de preto
[01:40:02] Mas já era demais
[01:40:05] Vermelho a gente ainda não tem um movimento para pintar
[01:40:08] Gente, o boyhood estava aí
[01:40:11] O boyhood o menino pinta cada unha de uma cor
[01:40:14] Eu não tenho a menor pretensão de que gênero
[01:40:17] Vai ser a mesma coisa na geração do Benjamin
[01:40:20] Sim, já deixei claro para vocês
[01:40:23] Eu já entendi que tem um gap de geração
[01:40:26] Que eu não vou entender isso
[01:40:29] Mas eu acho que para a geração que está vindo aí
[01:40:32] Eles vão cagar e andar para essas coisas
[01:40:35] Eu espero, eu espero também
[01:40:38] A Juliana vive falando que a gente vai ficar datado
[01:40:41] Que não tem jeito
[01:40:44] Daí outro dia a gente estava fazendo a pauta do Mamius
[01:40:47] E ela falou, não, Cris, você não está entendendo
[01:40:50] Daqui a pouco os meninos vão estar falando de algumas coisas que a gente não conhece
[01:40:53] Eu falei, a sexualidade inclusive é datada
[01:40:56] Daqui uns anos a gente vai estar aqui
[01:40:59] Porque a gente estava falando de gay em alguma situação
[01:41:02] Como se incomoda algumas pessoas
[01:41:05] E eu estava falando com ela que no futuro as pessoas vão estar falando
[01:41:08] Fulano casou com o seu cavalo
[01:41:11] E aí a gente vai falar, nossa, que coisa estranha, né
[01:41:14] A gente tinha isso, as pessoas casavam com seus bichos de mansão
[01:41:17] Mas em Roma faziam
[01:41:20] Faziam uma série
[01:41:23] É sempre um pêndalo que vai e volta
[01:41:26] Eu também acho que a gente tem que tomar
[01:41:29] Não estou dizendo que eu tenho o caso, Cris, obviamente
[01:41:32] Mas é que a gente tem que ver um pouquinho assim
[01:41:35] Porque isso é um discurso que muita gente
[01:41:38] Daquela galera do impronunciável que vocês sempre citam
[01:41:42] Que ele, o pessoal diz justamente
[01:41:45] Vou permitir cartilha gay no colégio
[01:41:48] No colégio que meu filho estuda, daqui a pouco o pessoal está casando com um chimpanzé
[01:41:51] Com um bode
[01:41:54] Daí pode tudo, não é bem assim que funciona
[01:41:57] Eu acho que, eu sempre brinco
[01:42:00] Eu acho que tem um salto meio grande
[01:42:03] Entre tipo, ok, eu gosto de meninos ou meninas
[01:42:06] E eu vou casar com meu cavalo
[01:42:09] A gente tem que tomar um pouco de cuidado nesse sentido também
[01:42:12] Vamos dar um passo de cada vez e se lá pra frente o pessoal achar que está tudo bem casar com os animais
[01:42:15] Daí a gente discute isso lá pra frente
[01:42:18] A gente vai ter que ser os velhinhos que entendem isso
[01:42:21] O que acontece é que atualmente
[01:42:24] O que a gente podia só fazer é
[01:42:27] Se o corpo é seu você sabe a melhor forma de lidar com ele
[01:42:30] E isso não me incomoda, eu acho que isso já resolveria tudo
[01:42:33] O corpo é da pessoa
[01:42:36] Eu acho que a gente pode acreditar o outro ser humano
[01:42:39] Colocar uma roupa com tita, né
[01:42:42] Deixar a barba e ter uma fisionomia de mulher
[01:42:45] Claro, claro
[01:42:48] Bom, por mim acho que já colocamos uma roupa
[01:42:51] Não podemos deixar de falar do personagem do Orange
[01:42:54] Is the New Black
[01:42:57] Que é o personagem que ajudou a levantar esse tema
[01:43:00] A atriz que faz a personagem
[01:43:03] E que trouxe pra discussão a história do transgênero
[01:43:06] Com uma força e uma graça
[01:43:09] E uma leveza e uma beleza muito grande
[01:43:12] Então a gente tem que citar, certo?
[01:43:15] Sim, a verdade
[01:43:18] Estou buscando até o nome dela
[01:43:21] Eu não vi ainda o The Orange Is the New Black
[01:43:24] Infelizmente, então não sei nem a referência ainda
[01:43:27] Eu até não estou tão fã da série
[01:43:30] Mas essa personagem está realmente muito bem construída
[01:43:33] Tem uma cena em especial que ela ensina as mulheres
[01:43:36] A conhecerem o próprio corpo
[01:43:39] Olha só
[01:43:42] E é interessante citar essa série
[01:43:45] Porque não só por causa da Sofia, essa personagem trans
[01:43:48] Como também por toda a diversidade
[01:43:51] De histórias de elencos e de vozes de personagens mulheres
[01:43:54] Que a série tem e que é muito raro
[01:43:57] Legal
[01:44:00] Como eu estou falando de vários programas
[01:44:03] Eu preciso terminar meu casamento chamado doutorado antes
[01:44:06] E daí eu vou ver tudo isso
[01:44:09] Eu quero ver logo
[01:44:12] Isso eu acho que vale a pena
[01:44:15] Mas eu queria agradecer muito as três que vieram
[01:44:18] Eu não tenho mais assunto nenhum pra puxada aqui
[01:44:21] Acho que já tem um programa muito bom
[01:44:25] Com certeza vai ter outros programas que a gente pode puxar
[01:44:28] Então eu queria agradecer as mamilhetes
[01:44:31] Que vieram, a Ju e a Cris
[01:44:34] Um prazer tê-las aqui
[01:44:37] Eu estou acompanhando o Mamilos direto
[01:44:40] Se você é ouvinte do netcatch e ainda não conhece o Mamilos
[01:44:43] Que é publicado aqui no B9, manda ver, vale a pena
[01:44:46] Ela bota um fogo no seu fone de ouvido
[01:44:49] Muito obrigado e obrigado também Isabel
[01:44:52] Eu vou deixar a Ju e a Cris primeiro
[01:44:55] Pra fazer seus jabás pessoais, além do Mamilos
[01:44:58] E qualquer outra coisa que quiserem
[01:45:01] E daí eu passo a falar pra Isabel
[01:45:04] Fica a gostosa sensação
[01:45:07] De visitar a casa do coleguinha
[01:45:10] E fazer esse cross link dresser
[01:45:13] Muito obrigado pelo convite Isabel
[01:45:16] Muito obrigado por informações tão interessantes
[01:45:19] E foi uma delícia participar, estamos à disposição
[01:45:22] Obrigado, Ju?
[01:45:25] Muito obrigada Ivã
[01:45:28] Você é profissional, a gente estava só começando
[01:45:31] Eu fiquei de cara quando eu vi que vocês escutavam o Mamilos
[01:45:34] Não acreditei
[01:45:37] Fica gostosa a sensação de ter participado
[01:45:40] De um podcast sério e erudito
[01:45:43] De quem me dera
[01:45:46] De quem me dera
[01:45:49] Espero não ter decepcionado
[01:45:52] Mamilos é um podcast pra comentar
[01:45:55] As polêmicas da semana
[01:45:58] O nosso objetivo é tentar trazer um pouco mais
[01:46:01] De profundidade pras questões que são debatidas
[01:46:04] De forma bem rasa na internet
[01:46:07] Justamente pra borrar um pouco a linha
[01:46:10] Entre nós e eles, que a gente costuma colocar em qualquer
[01:46:13] Discussão que acaba virando um bate boca
[01:46:16] Nosso objetivo não é te convencer de um assunto
[01:46:19] De um lado ou de outro
[01:46:22] Mas borrar essa linha e começar a aproximar as pessoas
[01:46:25] Maravilha, estão fazendo um ótimo serviço
[01:46:28] E quando você me disse que não tinha experiência em podcasts
[01:46:31] Eu disse, tá fazendo um ótimo serviço então é enganar todo mundo
[01:46:34] Porque tá muito bom
[01:46:37] Não faz isso que um dia vão descobrir
[01:46:40] Parabéns de novo pelo trabalho, prazer ter elas aqui
[01:46:43] E Isabel, agora o seu jabá por favor
[01:46:46] Manda ver aí
[01:46:49] Eu só ia fazer um comentário antes de fechar
[01:46:52] Desculpa mudar a ordem das coisas
[01:46:55] Achei muito pertinente, muito legal que você falou
[01:46:58] Da questão das roupas femininas e de como moldam
[01:47:01] O corpo e a calça jeans
[01:47:04] E tudo né
[01:47:07] A questão do vestimento e de gênero
[01:47:10] A gente também fala que o corpo
[01:47:13] Em virtude da roupa que ele recebe
[01:47:16] Ele também é construído, então o corpo também é roupa
[01:47:19] E ele também é moda e a gente pode perceber isso
[01:47:22] Na forma em que os corpos mudam ao longo das épocas
[01:47:25] O que tá dentro de um padrão de beleza
[01:47:28] Na nossa sociedade
[01:47:31] Então até quem trabalha com isso
[01:47:34] Essa questão é a Miriam Goldenberg
[01:47:37] Que vocês já sugeriram em algum qual é a boa
[01:47:40] De algum episódio que eu não lembro qual é agora
[01:47:43] Mas qual é a boa é coisa lá do
[01:47:46] Braincast, sabe
[01:47:49] Aqueles petralhas
[01:47:52] Desestos vermelhos
[01:47:55] Aqui só tem gente de bem
[01:47:58] Não, mas é qual é a boa de vocês
[01:48:01] É quando a gente
[01:48:04] É que volte bem a gente plageia né
[01:48:07] Acho que foi o Beccari que sugeriu
[01:48:10] Acho que o Beccari talvez não, mas talvez
[01:48:13] Isso tem cara a ser dos amelianos talvez
[01:48:16] Agora eu não lembro quem foi que sugeriu, mas eu lembro que vocês falaram
[01:48:19] De um livro dela e ela trabalha muito com essa questão do corpo
[01:48:22] Como também sendo moldado
[01:48:25] Também tem uma moda
[01:48:29] Só pra fechar aqui a conversa
[01:48:32] Ah o meu jabá
[01:48:35] Então vocês podem me encontrar no meu blog
[01:48:38] Estante da Sala, eu escrevo lá sobre cinema
[01:48:41] Em geral, faço alguns comentários sobre figurino
[01:48:44] De vez em quando dou algum pitaco sobre algum livro que eu li
[01:48:47] Nada com muito compromisso
[01:48:50] E eu também tenho uma coluna de análise de figurinos
[01:48:53] Chamada Vestim do Filme no site Cinemenscena
[01:48:56] Eu adoro o Cinemenscena
[01:48:59] Queria aproveitar aqui pra falar que o trabalho que vocês fazem
[01:49:02] É realmente bem legal, eu curto há anos
[01:49:05] Desde que eu era criança pequena lá em BH
[01:49:08] Ai, obrigada
[01:49:11] Então beleza, então os links
[01:49:14] Ah, pode falar
[01:49:17] Não, eu ia só dizer muito obrigada por me permitir participar aqui do podcast
[01:49:20] Eu gosto muito do Anticast, eu ouvi todos desde o início
[01:49:23] Você é uma louca
[01:49:26] Pra que fazer isso consigo mesmo?
[01:49:29] Não, eu confesso, eu pulei alguns temas que eu achei que iam fugir muito do meu entendimento
[01:49:32] Mas eu ouvi desde o início e eu gosto muito do programa
[01:49:35] Eu fiquei muito feliz de ter sido chamada pra participar
[01:49:38] Ah, que é isso, foi um prazer aí
[01:49:41] Porque a gente volta de meia conversa pelo Facebook
[01:49:44] Você sempre passa questões super legais
[01:49:47] Então a gente ainda tem que fazer aquele programa de arquitetura
[01:49:50] Que o Bekar estragou
[01:49:53] E eu vou te chamar pra participar daí, tá bom?
[01:49:56] Tá bom
[01:49:59] Então ótimo gente, de novo meninas, muito obrigado aí
[01:50:02] Espero tê-las novamente aqui em breve e agora aos ouvintes
[01:50:05] Vocês fiquem agora com a leitura de comentários
[01:50:08] Leitura de comentários
[01:50:11] Mas antes da gente ler
[01:50:14] O Bekary quer dar mais um recado aí também, por favor
[01:50:17] Um anúncio
[01:50:20] Eu queria anunciar publicamente
[01:50:23] Que o nosso colega Daniel Portugal
[01:50:26] Coautor lá do nosso livro, Exist Design
[01:50:29] Ele se tornou doautor em comunicação
[01:50:32] É, ele se tornou doautor em comunicação
[01:50:35] Ele se tornou doautor em comunicação
[01:50:38] Eh, beleza
[01:50:41] Ela, o FRJ
[01:50:44] Caraca, parabéns Daniel
[01:50:47] Eu li a tese dele, tá fantástica
[01:50:50] Eu espero que seja rapidamente publicada aí
[01:50:53] Enfim, pra resolver
[01:50:56] E assim que for a gente vai fazer programa falando sobre ela
[01:50:59] Tudo vai ser, vai explodir a cabeça de muita gente aí
[01:51:02] Isso aí
[01:51:05] Vamos para a leitura dos comentários então
[01:51:08] O Bekary como um ótimo anti-caster não ouviu o programa
[01:51:14] A gente conseguiu a meta no Patreon
[01:51:17] Daí você ouve tudo
[01:51:20] Então vamos lá
[01:51:23] A gente tá com vários comentários
[01:51:26] Só lembrando então, anti-cast 167, três páginas
[01:51:29] A gente, lemos textos que os ouvintes mandaram
[01:51:32] Três textos, né, porque mandaram muito, a gente escolheu só três
[01:51:35] E discutimos questões de estética literária
[01:51:38] Algumas técnicas, bem básicas assim
[01:51:41] Na verdade, passando bem direto
[01:51:44] A gente leu o do Robson, do Júlio e da Camila
[01:51:47] E a Camila e o Júlio mandaram e-mails pra gente
[01:51:50] Então, a Camila pra quem não lembra foi a última
[01:51:53] O último conto que foi lido
[01:51:56] A gente deu uns toques pra ela, assim, sobre
[01:51:59] Alguns trechos do texto, né, que tinham algumas partes
[01:52:02] Excessárias, dava pra cortar, melhorar algumas coisas assim
[01:52:05] De que tava muito descritiva, enfim
[01:52:08] Então, vamos lá aqui, o email da Camila
[01:52:11] Ela diz aqui
[01:52:14] Fiquei lisonjeada com tanta aclamação do trecho
[01:52:17] Em que Mark escreve, entre aspas, na poeira do chão
[01:52:20] O Bekary que não ouviu é
[01:52:23] O Mark ele é analfabeto, né
[01:52:26] Mas ele escreve alguma coisa no chão assim como
[01:52:29] Que pra ele significa eu te amo, pra mulher que ele amava
[01:52:32] Então é uma imagem bem bonita, bem forte
[01:52:38] E daí o Fábio falou, vou usar isso aqui como exemplo nas minhas aulas
[01:52:41] Ficou bem legal, daí ela falou, que ela continua
[01:52:53] Segundo, queria me desculpar pela falta de informações pessoais
[01:52:56] O Anticat foi indicação de um amigo, eu nunca tinha ouvido antes
[01:52:59] E ele também não sabia que era pra mandar algo além do texto e do nome do autor
[01:53:02] Nem era pra mandar não, Camila, a gente não exigiu isso, sabe
[01:53:05] É só o Fábio que sentiu mais necessidade disso
[01:53:08] Porque a gente ficou curioso, saber quem você era
[01:53:11] Mas de qualquer forma, seja bem-vinda ao Anticat
[01:53:14] Nem se você está ouvindo agora, mas seja bem-vinda
[01:53:17] E assim, de novo, todas as críticas que a gente fez
[01:53:20] São só sugestões, de acordo com os nossos gostos
[01:53:23] Ela continua aqui
[01:53:51] O trecho que vocês leram não vai ficar como o início da história
[01:53:54] Mas foi meu ponto de partida para o desenvolvimento
[01:53:57] Por isso já esperava que o decorrer do livro ficasse melhor que os primeiros parágrafos
[01:54:00] Que foi o que a gente comentou mesmo quando a gente estava lendo
[01:54:03] Que chega uma hora que o texto começa a ficar muito melhor
[01:54:06] Do que no seu início
[01:54:09] Continuando, atualmente tenho em torno de apenas 15 páginas escritas
[01:54:12] Também não tenho o título da história definido ainda
[01:54:15] Mas acredito que não vou manter como Torre das Punições
[01:54:18] Meus autores favoritos, que espero ter aprendido algo com eles
[01:54:21] São Anne Rice, Stephen King, Khaled Hosseini
[01:54:24] Pessoalmente me emocionei mais com A Cidade do Sol
[01:54:27] Do que com o famoso Caçador de Pipas
[01:54:30] Ruben Fonseca, Rick Horden e Bernard Cornwell
[01:54:33] Leio menos Aramago do que gostaria, mas o conta dele desconhecida
[01:54:36] Continua sendo um dos meus livros favoritos
[01:54:39] Já há algum tempo tenho a vontade de acompanhar Game of Thrones também pelos livros
[01:54:42] Mas não quero ser muito influenciado ou comparado
[01:54:45] Mesmo sendo uma honra e tanto com George Martin
[01:54:47] E outra página do meu trabalho, caso tenham interesse em ler mais um pouco
[01:54:50] Já mandei para o Fábio também, Camila eu ainda não li
[01:54:53] Mas o Fábio que é aquele rato de literatura provavelmente já leu tudo
[01:54:56] E ela diz assim
[01:54:59] Daí ela dá um tapa na nossa cara, olha só
[01:55:02] E para finalizar, sei que todo escritor-leitor tem muito apreço pela gramática
[01:55:05] Eu não tenho tanto, sabe
[01:55:08] O Fábio, ele até falou no programa
[01:55:11] O escritor tem que saber escrever bem, eu já acho que isso aí
[01:55:14] O Fábio tem que saber é o revisor
[01:55:17] Tipo o Mutarello, a gramática dele é horrorosa
[01:55:20] Mas o Paulo Coelho, enfim
[01:55:23] Mas daí o pessoal arruma depois
[01:55:26] Portanto a história está andando
[01:55:29] Não querendo comparar Paulo Coelho com o Mutarello, que o Mutarello é bem melhor
[01:55:32] Mas ela termina aqui
[01:55:35] Então queria lembrar que um S entre duas vogais tem som de Z
[01:55:38] Por isso meu sobrenome não se pronuncia Masselle
[01:55:41] Masselle, mas sim Masselle
[01:55:44] E eu falei Masselle, olha ele que tapa na cara que ele veio ver
[01:55:47] Mas se for italiano, poderia ser Mattielli
[01:55:50] Mattielli
[01:55:53] Que demais
[01:55:56] O pior que não foi o único, eu não errei só o nome da Camila
[01:55:59] Eu errei o nome do Júlio também, que mandou e-mail aqui em seguida
[01:56:02] Mas ela termina aqui, mais uma vez obrigada e Camila
[01:56:05] Camila Masselle
[01:56:08] E daí o Júlio Belisario
[01:56:11] Belisário
[01:56:14] Que ele dá um PS aqui no email dele e ele fala
[01:56:17] A pronúncia correta do meu nome é Belisario
[01:56:20] E eu falei Belisário provavelmente Eu sou uma anta gente
[01:56:23] A gente fala Sloterdick
[01:56:26] Sloterdack, ah foda-se
[01:56:29] Mas o Júlio fala aqui
[01:56:38] Muito bom Beccari, eu recomendo que você
[01:56:41] Deu uma ouvida na parte dele lá, eu até separei o tempo
[01:56:44] Ficou muito muito bom mesmo
[01:56:47] Tem futuro esse guri
[01:56:50] Não que os outros não tenham, mas é que o Júlio realmente
[01:56:53] Apresentou o conto do jeito que eu gosto
[01:56:56] Daí eu sou suspeito a falar
[01:56:59] E ele fala, parabéns, obrigado pelas dicas
[01:57:02] Levareias para a vida, fiquei muito interessado no workshop
[01:57:06] Eu já inclusive lancei
[01:57:09] Um workshop literário para o pessoal que respondeu
[01:57:12] Via Hangout, para o pessoal de São Paulo
[01:57:15] Eu ainda estou vendo se o Fábio vai fazer ou não
[01:57:18] Porque daí eu prefiro que o Fábio faça porque ele já mora em São Paulo
[01:57:21] Então o Júlio fica aí no aguardo e todo mundo que mora em São Paulo aí respondeu questionário
[01:57:24] Também
[01:57:27] Ele fala que daí ele diz assim, quero esclarecer dois pontos sobre o conto que enviei
[01:57:30] 1, o personagem tem 39 anos, o chute do Fábio passou perto
[01:57:33] 2, o momento cacofônico
[01:57:36] É composto da intercalação de duas conversas com temáticas diferentes
[01:57:39] Em anexos tem umas conversas em estrutura convencional
[01:57:42] Eu já mandei para o Fábio também e eu não vou mandar para os ouvintes
[01:57:45] Mas deu para sacar, Júlio, foi muito boa a maneira como você escreveu o teu método
[01:57:48] Sobre os atores que gosto, olha aí
[01:57:51] David Foster Wallace
[01:57:54] Quando crescer quer ser igual a ele
[01:57:57] Lourenço Mutarelli, obrigado Ivan
[01:58:00] Valencia Xavier, li apenas o mês da gripe, obrigado Ivan
[01:58:03] De nada, de nada
[01:58:06] Nelson Rodrigues, sempre consulto quando quero saber algo sobre a vida
[01:58:09] Ótimo, só não seja machista igual a ele, mas ótimo
[01:58:12] José de Alencar, me fez chorar duas vezes
[01:58:15] Eu acho muito chato, mas quem sou eu? Eu vou morrer e não vou ser lembrado
[01:58:18] José de Alencar é clássico
[01:58:21] Machado de Assis, ironicamente aprendi a gostar no ensino médio
[01:58:24] Olha aí, exceção
[01:58:27] E Fernando Pessoa, vou poupar-lhes da adjetivação pesada
[01:58:30] Só me resta parabenizá-los novamente, abraço
[01:58:33] Júlio Belisario
[01:58:36] Gostava de Machado de Assis quando estava no ensino médio, Beccari?
[01:58:39] Eu gostava, já naquela época
[01:58:42] Você é um merda mesmo
[01:58:45] É que sei lá
[01:58:48] Eu era um aluno revoltado, resistente
[01:58:51] Fui expulso do ensino médio
[01:58:54] Essas partes ninguém sabe
[01:58:57] Você reprovou também?
[01:59:00] Eu nunca reprovei, eu fui expulso porque
[01:59:03] Fiz um discurso provocativo no colégio católico
[01:59:06] Jura
[01:59:09] E daí eu concluí meu ensino médio num colégio supletivo
[01:59:12] Não sei se isso existe
[01:59:15] Mas como o Machado de Assis era
[01:59:18] Provestimular e tal
[01:59:21] E como eu estava
[01:59:24] Eu por si mesmo
[01:59:27] Sem mais esperanças
[01:59:30] Aí eu fiz um vídeo e leio o Machado de Assis
[01:59:33] Sem ter mais o professor chato de cursinho
[01:59:36] Falando, isso é foda e tal
[01:59:39] Só porque todo mundo achava foda, eu achei massa
[01:59:42] Achava ruim, né?
[01:59:45] Enfim, o Machado de Assis
[01:59:48] Foi a ser descoberto
[01:59:51] Fernand Pessoa demorou mais pra eu gostar
[01:59:54] Desculpa, né?
[01:59:57] Fernand Pessoa eu já gostava mais
[02:00:00] Machado de Assis demorou pra eu pegar
[02:00:03] Mas eu concordo
[02:00:06] José de Anencar eu nunca gostei
[02:00:09] O resto das referências que ele deu
[02:00:12] Eu também assino embaixo, muito foda
[02:00:15] O David Foster Wallace é um cara
[02:00:18] Que mereceria um programa, na minha opinião
[02:00:21] A minha cópia do Graça Infinita
[02:00:24] Finalmente chegou
[02:00:27] Então veremos isso
[02:00:30] Isso, daí a gente chama acionara
[02:00:33] Eu sugiro de fazer esse
[02:00:36] Três páginas com acionara
[02:00:39] Enfim, já deu várias oficinas
[02:00:43] Então, naquele plano tópico
[02:00:46] Que a gente ganha o máximo
[02:00:49] Eu tenho essa ideia de fazer
[02:00:52] Três páginas, tipo eu e um autor sempre
[02:00:55] Não precisa necessariamente ser o Fábio, mas vem a acionara
[02:00:58] Vem o Sandrine, vem o Otto
[02:01:01] Escritores que eu conheço
[02:01:04] De repente chama alguém da poesia também
[02:01:07] É, chama o Daniel Galera, que já participou aqui também
[02:01:10] Imagina o Muttareller no seu texto
[02:01:13] Dê sua contribuição lá no Patreon pra gente
[02:01:16] Então, vamos ler alguns comentários
[02:01:19] Bom, comentário é aquela parte
[02:01:22] Primeiro, eu fiquei muito surpreso
[02:01:25] Com a quantidade de gente que gostou do programa
[02:01:28] Porque realmente tem muita gente querendo escrever
[02:01:31] Mas não sabe por onde começar às vezes
[02:01:34] E fica repetindo fórmulas que já são super usadas
[02:01:37] E daí a gente explica os três conceitos básicos
[02:01:40] E dá alguns exemplos, e o pessoal…
[02:01:43] Eu acho que é bacana porque eu passei por isso, sabe
[02:01:46] Quando eu descobri ler literatura desse jeito
[02:01:49] Olhando algumas técnicas, eu disse, caralho, sabe
[02:01:52] Muda tudo, é muito legal ver tantos ouvintes
[02:01:55] Passando por essa mesma experiência, então só tenho que agradecer todo mundo
[02:01:58] Que comentou e elogiou o programa
[02:02:01] Eu acho foda, muito obrigado mesmo
[02:02:04] Muita gente falando assim
[02:02:07] Tipo, porra, o melhor programa de literatura
[02:02:10] Que já foi feito…
[02:02:13] Peraí, vou ter que achar essa frase
[02:02:16] Essa foi bacana mesmo
[02:02:19] A do Leandro Kruzielski ali o comentário
[02:02:22] Ele falou, esse episódio de literatura em um podcast design
[02:02:25] Foi o melhor que todos os episódios que já escutei em podcast de literatura
[02:02:28] Olha aí ó
[02:02:31] Cadê o Lucenho Bibliotecário agora?
[02:02:34] Lucenho, eu gosto de você, tô brincando
[02:02:40] Inclusive eles fizeram um ótimo programa
[02:02:43] Eu sempre confundo eles
[02:02:46] Literário cast com o…
[02:02:49] Só um minutinho agora, agora eu tenho que lembrar
[02:02:52] Fala alguma coisa legal aí, Beccari
[02:02:55] Confunde com aquele cara que lê conto pornô no YouTube
[02:02:59] O Leitor Cabuloso, o Cabuloso Cast
[02:03:02] Eles fizeram um ótimo programa sobre
[02:03:05] Existe literatura fantástica no Brasil
[02:03:08] Que eu até dei uns espetáculos também
[02:03:11] Entrem lá no…
[02:03:14] Acabei de falar, o Cabuloso Cast
[02:03:17] O Leitor Cabuloso, que é o Cabuloso Cast
[02:03:20] Que é muito legal, eles discutem literatura de uma maneira muito bacana
[02:03:23] O pessoal é muito fera, ô louco meu
[02:03:26] Obrigado Leandro pelo seu comentário
[02:03:29] E acho muito legal ser todo mundo que…
[02:03:32] Vários outros comentários desse tipo
[02:03:35] Eu quero ler ali o comentário do
[02:03:38] Beccari Amigucho
[02:03:41] Que ele falou, o Métri do Trágico voltará
[02:03:44] Tem uma foto sua Beccari, naquela época rebelde ainda
[02:03:47] Eu voltarei, mais trágico
[02:03:50] Essa foto é foto
[02:03:56] Ai Beccari, você hein
[02:03:59] Quem já te viu né cara
[02:04:02] Eu era teu amigo nessa época cara
[02:04:05] Sinistro né, até o ninguém comenta ali
[02:04:08] Parece a Glória Pires, olha aí ó
[02:04:11] Obrigado
[02:04:16] Eu acho que foi nessa época que eu realmente estava
[02:04:19] No ensino médio lá, depressivo
[02:04:22] Que bosta aí
[02:04:25] Adolescência só serve pra uma coisa né
[02:04:28] Pra fazer merda
[02:04:31] Pra ser esquecida
[02:04:34] Acho que as pessoas tinham que nascer com 18 anos já
[02:04:37] E pronto
[02:04:40] Eu também acho, eu também
[02:04:43] Cada vez mais sou dessa né
[02:04:46] O pior é que eu não posso achar isso, porque eu faço doutorado em educação
[02:04:49] Eu deveria gostar de crianças
[02:04:52] Criança foda cara
[02:04:55] Então ó, eu quero ler um comentário aqui também do
[02:04:58] Fiodoro Ariano Antifumo
[02:05:01] Vai ser a primeira vez que comento algo relacionado com o tema
[02:05:04] Não sei se é relevante, mas ultimamente nem minha irrelevância vem sendo mencionada
[02:05:07] Você é irrelevante Fiodoro, mas a gente gosta de você
[02:05:10] Ainda mais com esse bigode nitiano que você colocou
[02:05:16] A descrição dele é ótima
[02:05:19] A descrição do perfil dele no disco é
[02:05:22] Fruto de simbolismo e preso no existencialismo
[02:05:25] Então vamos lá
[02:05:28] O programa me ajudou muito, realmente agradeço ao Ivan e ao Flávio
[02:05:31] Tomara que vocês façam um workshop mesmo orando o fim do mundo, com certeza irei
[02:05:34] Pensei em mandar um conto, mas nunca consigo escrever algo pequeno
[02:05:37] A história acaba crescendo e não tem o domínio que gostaria do português
[02:05:40] Talvez, até aqui tá tendo, melhor que eu inclusive
[02:05:43] Talvez tudo isso
[02:05:46] Talvez tudo isso esteja relacionado à minha idade
[02:05:49] Dado que tenho metade da idade do Ivan e mais uns 3 anos
[02:05:52] Então deixa eu fazer os cálculos aqui
[02:06:00] Comecei a me interessar por escrever com 16 anos
[02:06:03] Época de RPG e muita literatura de fantasia medieval
[02:06:06] Felizmente a fantasia brasileira vem crescendo
[02:06:09] Pessoalmente não tenho gostado muito do que li, acredito ter lido muito
[02:06:12] Sei que não li muito, perdoe a falta de termos
[02:06:15] Do mesmo gênero e acabo achando tudo repetitivo
[02:06:18] De um ano pra cá tenho me interessado por novos gêneros, o livro do Ivan por exemplo
[02:06:21] Foi algo totalmente diferente pra mim
[02:06:24] Eu divido o mesmo sentimento com você, Feodoro
[02:06:27] Mas assim com uma diferença, eu nunca curti muito fantasia medieval
[02:06:30] Então muita gente acha inclusive, fica braba quando eu digo que eu não gosto de Tolkien
[02:06:33] Por exemplo, que eu acho chato
[02:06:36] E daí quando eu vejo a fantasia brasileira medieval
[02:06:39] Que é um termo estranho
[02:06:42] Eu não curto também assim porque acho muita repetição também
[02:06:45] Mas enfim, tem espaço pra todo mundo
[02:06:54] Adorei quando o Fabio citou Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie
[02:06:57] E o Brandon Sanderson, porém
[02:07:00] Do alto do encaixe social arrogante, minha adolescência tardia
[02:07:03] Incomodou-me muito quando falaram sobre autores brasileiros
[02:07:06] Escrevendo fantasia medieval, sei que a opinião de vocês é demasadamente
[02:07:10] Na verdade vejo até bastante fundamento
[02:07:13] Gosto de escrever fantasia medieval e é lógico
[02:07:16] Que como qualquer pessoa que escreve gostaria em dias bem futuros de ser publicado
[02:07:19] Mas simplesmente escrever me agrada
[02:07:22] O fato de ter me incomodado a observação de vocês sobre o preconceito desse tipo de narrativa
[02:07:25] Com aparatos europeus, foi a verdade nessa observação
[02:07:28] Realmente existe um enorme pré-julgamento com esse tipo de história
[02:07:31] Escrita por brasileiros
[02:07:34] Eu sei que a crença em que somos capazes de fazer algo é muito forte na adolescência
[02:07:37] Mudamos com o passar dos anos das leituras
[02:07:40] Mas mesmo que isso pareça ingênuo e na verdade é
[02:07:43] Pretendo estudar para poder dominar esse gênero e quem sabe um dia escrever
[02:07:46] Agradeço mais uma vez as dicas que estão sendo muito úteis
[02:07:49] Feodoro, se você quer escrever, escreve
[02:07:52] E assim não liga para o que eu e o Fabio falamos não
[02:07:55] Nós somos leitores que não gostamos de fantasia medieval mas tem muita gente que gosta
[02:07:58] Inclusive feita por brasileiros
[02:08:01] Então tá com foda você ir manda ver
[02:08:04] O que eu só não gosto é porque eu acho estranho
[02:08:07] Porque sei lá, é difícil um brasileiro ver um castelo
[02:08:10] É preconceito
[02:08:13] Eu acho que a gente acaba se
[02:08:16] Baseando muito em estereótipos
[02:08:19] E cinema, referenciais
[02:08:22] Mas não duvido que possa sair coisa muito boa daí também
[02:08:25] É questão de gosto
[02:08:28] Não vou ser daqueles caras que dizem que vai ler Macunaíma
[02:08:32] Não vou falar essas coisas
[02:08:35] James Joyce não é brasileiro
[02:08:38] Mas vai ler o Catatau do Leminski
[02:08:41] Eu não vejo nenhum problema
[02:08:44] Eu também não gosto de literatura fantástica mas eu acho que
[02:08:47] Fantasia medieval no caso
[02:08:50] Literatura fantástica você gosta, você gosta de Borges
[02:08:53] Exatamente, medieval
[02:08:56] E acho que o fato do cara estar no Brasil não tem problema
[02:08:59] A idade média não pertence ao Europa
[02:09:08] Claro que é interessante fazer alguma coisa diferente
[02:09:11] Mas foda-se também
[02:09:14] As primeiras coisas que você vai escrever vão ser ruins
[02:09:17] Esse é o primeiro livro que eu estou lançando mas eu escrevi muita coisa
[02:09:20] Antes que não foi publicado e nunca venceu
[02:09:23] Então treino
[02:09:27] Vai que se dá sorte que já acerta na primeira
[02:09:30] Vamos lá
[02:09:33] Viu algum comentário bom aí?
[02:09:36] Tenho do Thiago aqui mas eu nem li
[02:09:39] Eu não sei se é bom
[02:09:42] Enfim, ouvinte aí
[02:09:45] Filósofo
[02:09:48] Falou muito bom o programa, chamou minha atenção o Fábio contar a história da escritora
[02:09:51] Não faço ideia que a história seja
[02:09:54] É uma escritora que disse pra ele assim
[02:09:57] Eu quero escrever uma história que nem o William Gibson dele falou
[02:10:00] Não tem como, William Gibson já fez isso
[02:10:03] Era em outro contexto e você vai estar só repetindo ele
[02:10:06] Não pela figura dela e a reação à crítica
[02:10:09] Mas sobre a questão da escrita hoje
[02:10:12] Talvez valeria a pena fazer um programa sobre literatura
[02:10:15] Discutindo a escrita literária hoje do ponto de vista de quem quer escrever
[02:10:18] Coisas como a escrita é criação ou cópia
[02:10:21] Modelos de narrativa entre outros
[02:10:24] Achei bem legal a maneira como abordaram a questão de forma
[02:10:27] E estrutura do texto
[02:10:30] Eu gosto de escrever poesia, até tentei começar a contar uma história
[02:10:33] Porém um dia eu termino
[02:10:36] Rio Grande do Sul
[02:10:39] Uma outra sugestão, como o Fábio traduziu o William Gibson
[02:10:42] Fazer um episódio com a temática
[02:10:45] Tradutore, traditore
[02:10:48] Falando sobre os problemas de tradução
[02:10:51] O seu processo, as dificuldades, talvez os jogos de linguagem
[02:10:54] Do Wittgenstein e tudo mais
[02:10:57] Tudo de bom a todos
[02:11:00] Eu super top fazer um programa sobre tradução
[02:11:03] Só que Wittgenstein é outro programa daí
[02:11:06] Eu não sei também
[02:11:09] Wittgenstein é lógica pra mim, não é filosofia
[02:11:12] Olha a polêmica
[02:11:15] Quando ele entra na filosofia
[02:11:18] A única coisa que ele entra é pra defender o solipsismo idealista
[02:11:21] Mas assim
[02:11:24] O lance sobre a criação
[02:11:27] Ou cópia
[02:11:30] Isso é um modelo também
[02:11:33] Tanto a literatura quanto a arte
[02:11:36] Ela é sempre cópia, sempre mimeses
[02:11:39] E é uma mimética criativa
[02:11:42] Eu acho que você cria algo diferente
[02:11:45] Querendo ou não
[02:11:48] Você sempre integra alguma coisa tua
[02:11:51] Eu não vejo muita diferença
[02:11:54] Eu posso ser extremamente babaco em falar isso
[02:11:57] Mas entre a escrita literária
[02:12:00] E a escrita filosófica
[02:12:03] E mesmo indo mais um pouco adiante
[02:12:06] A pintura e tudo mais
[02:12:09] É um processo de criação que se igualam
[02:12:12] Em termos de mimética
[02:12:15] É uma mimética
[02:12:18] A não ser claro que o escritor
[02:12:21] Daí sim, na minha opinião se torna arrogante
[02:12:24] Ele queira criar algo extremamente novo
[02:12:27] Adivindo de um espírito reguelhando
[02:12:30] De vou mudar o mundo
[02:12:33] E dar vozes ao que está no saber absoluto
[02:12:36] Começou
[02:12:39] Para mim já não é criação
[02:12:42] Para mim já é religião
[02:12:45] Mas pode ser também
[02:12:48] Se isso for um impulso do artista
[02:12:51] Pode tudo
[02:12:54] Eu concordo, o Da Vinci foi um desses caras
[02:12:57] Na literatura também
[02:13:00] A gente vai ter o James Joyce, o Saramago
[02:13:04] O Saramago queria criar uma nova forma
[02:13:07] No sentido formalista
[02:13:10] De narrativa
[02:13:13] Que ninguém fez antes
[02:13:16] Daí o experimentalismo
[02:13:19] O Leminski fez isso também
[02:13:22] O Guimarães Rosa, o James Joyce
[02:13:25] O Leminski eu não conheço tanto
[02:13:28] Eu não tenho esse livro
[02:13:31] Eu folhei na livraria
[02:13:34] Pega o catatal e folheia
[02:13:37] Eu sei, mas pelo que eu saiba
[02:13:40] Ele só fez o catatal de experimentalismo
[02:13:43] Tanto porque ele fez e disse
[02:13:46] É chato, não quero mais
[02:13:49] A questão é que o Guimarães Rosa
[02:13:52] Que se citou e o Saramago
[02:13:55] O Guimarães Rosa é nítido
[02:13:58] E vai saber se ele atingiu
[02:14:01] A questão é que para mim
[02:14:04] Isso não é literatura
[02:14:07] Não é nem criação
[02:14:10] Para mim é você tome no cu
[02:14:13] É por isso que é um participo desse programa
[02:14:16] Eu acho que deve ser feito esse programa
[02:14:19] Principalmente
[02:14:22] Deixando espelhista
[02:14:25] A opinião das pessoas
[02:14:28] Eu acho que precisa ser declarada a opinião
[02:14:31] Os gustos pessoais, os estilos que gostam
[02:14:34] A questão é que no meu caso eu exagero nisso
[02:14:37] Perfeita a definição sua
[02:14:40] Eu simplesmente não admito
[02:14:43] Que o Guimarães Rosa e o Saramago
[02:14:46] Sejam considerados alguma coisa na literatura
[02:14:49] Não admito
[02:14:53] Então já que entramos na zoeira
[02:14:56] Vamos ler um comentário de zoeira para fechar
[02:14:59] O CH3COH Against Skepticism
[02:15:02] Ele coloca entre aspas
[02:15:05] Que foi uma coisa que eu falei no programa
[02:15:08] A família inteira do Benov
[02:15:11] Daí ele fecha aspas
[02:15:14] E fala que se for do Mupoca
[02:15:17] Que eu não citei o Mupoca, que é do Yasuda
[02:15:20] E agora tem também o Spoilers
[02:15:23] Um podcast novo
[02:15:26] Um podcast novo do Benov
[02:15:29] Novo membro da família
[02:15:32] Mas o Putanos da Carlota responde ali
[02:15:35] O CH3 dizendo entre colchetes
[02:15:38] BG de violão descolado na abertura
[02:15:41] Fecha colchetes
[02:15:44] O que é Mupoca, Yasuda?
[02:15:47] Eu tenho sido pulevão Misanzuc
[02:15:50] E daí eu respondo
[02:15:53] Não tava nos top 5 do iTunes, não cito mesmo
[02:15:56] Daí eu la destilaria becares
[02:15:59] E ainda coloca
[02:16:02] E daí ta eu segurando dólares
[02:16:05] Um baseado na boca
[02:16:08] E um bonezão ali do Snoopy
[02:16:11] E aí me chamam de
[02:16:14] Merchant Shulk, o trágico quest. Estrelinha, Merchant Shulk, mentiroso, cala no vinhador.
[02:16:19] Estrelinha, mentiroso, cala no vinhador. Esse trágico quest tá demais, assim, cara.
[02:16:24] Parabéns. Então, parabéns aí, galera. Tá excelente, certo?
[02:16:29] Então, seguinte, chega por hoje. Semana que vem a gente volta, se possível, já ricos ou não.
[02:16:35] Mas entre lá no Patreon, nos dê dinheiro, apoie-nos para que a gente possa fazer mais programas
[02:16:41] de qualidade duvidosa para vocês, certo? Então, e mais uma vez também, se você quiser um incentivo
[02:16:50] para dizer assim, será que vale a pena investir em alguma coisa, ouve lá o piloto do Humanus,
[02:16:54] do Projeto Humanus, eu espero que você goste. E críticas são mais do que bem-vindo, porque ainda tá no piloto
[02:16:59] e eu tô justamente recebendo essas críticas para poder fazer programas melhores no futuro aí.
[02:17:04] É, escuta também o Não Obstante, veja o Prefiro Bodronhar, é uma coisa que nunca mais vai voltar
[02:17:10] a não ser essa grana aí. Exato, maravilha. Então, gente, muito obrigado, nos vemos semana que vem, tchau!
[02:17:40] Música
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