T06E02 Bitcoin Parte 1
Resumo
Este episódio do Fronteiras da Ciência apresenta uma introdução ao Bitcoin, a criptomoeda que surgiu em 2008. Com a participação de Daniel Niero, fundador da Bitcoin Brasil, o programa explora os fundamentos tecnológicos e econômicos dessa inovação.
A discussão começa explicando que o Bitcoin é, antes de tudo, um protocolo de transferência de informação descentralizado, e não uma moeda física. Ele opera através de uma rede peer-to-peer (P2P) onde cada participante mantém uma cópia do livro-razão público, o blockchain. Isso elimina a necessidade de uma entidade centralizadora, como um banco, para validar transações, substituindo-a pela confiança distribuída na rede e na criptografia.
O episódio detalha o processo de mineração, onde computadores dedicados resolvem problemas matemáticos complexos para confirmar transações e adicionar novos blocos ao blockchain. Como recompensa, os mineradores recebem novos bitcoins, um mecanismo com emissão controlada e decrescente: a cada quatro anos, a recompensa por bloco minerado cai pela metade, com um limite máximo de 21 milhões de unidades a serem criadas até aproximadamente o ano de 2140.
São abordadas também questões de segurança, como o uso de funções hash criptográficas para tornar o blockchain praticamente imutável, e os desafios futuros, incluindo a possibilidade de ataques com computação quântica. Os participantes debatem as características do Bitcoin como meio de troca, reserva de valor e unidade de conta, além de críticas relacionadas à sua natureza deflacionária e escalabilidade.
Por fim, o programa especula sobre o futuro da tecnologia, considerando sua potencial integração com a internet das coisas e a evolução da aceitação pela sociedade, comparando-a com a adoção histórica de outras inovações financeiras, como o cartão de crédito.
Indicações
Conceitos
- Blockchain — O livro-razão público e descentralizado que registra todas as transações de Bitcoin. É descrito como uma cadeia de blocos encadeados por hashes criptográficos, mantido por consenso na rede.
- Mineração (Mining) — O processo de usar poder computacional para confirmar transações e adicionar novos blocos ao blockchain. Os mineradores são recompensados com novos bitcoins gerados pelo protocolo.
- Satoshi — A menor unidade do Bitcoin, equivalente a 0.00000001 BTC. Nomeada em homenagem ao criador, permite transações muito fracionadas.
Documentos
- White Paper do Bitcoin — O documento fundador publicado por Satoshi Nakamoto em 2008, intitulado ‘Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System’. Nele é proposta a codificação e o algoritmo que formam a base do protocolo Bitcoin.
Pessoas
- Satoshi Nakamoto — O pseudônimo do autor (ou autores) do white paper original do Bitcoin em 2008, que propôs o protocolo. Mencionado como uma figura anônima com inglês perfeito, cuja identidade real é desconhecida.
Linha do Tempo
- 00:00:00 — Introdução ao Bitcoin e ao convidado Daniel Niero — O programa é apresentado, definindo seu propósito de explorar os limites entre ciência e mito. O tema do dia é o Bitcoin, uma criptomoeda que surgiu em 2008. Os hosts apresentam o convidado Daniel Niero, fundador da Bitcoin Brasil e especialista em segurança da informação, que irá explicar o que é o Bitcoin, como funciona e sua relação com a criptografia.
- 00:02:01 — Bitcoin como protocolo e não como moeda física — Daniel Niero explica que o Bitcoin é, fundamentalmente, uma tecnologia e um protocolo de transferência de informação, não uma moeda física. Ele foi proposto em um white paper em 2008 por Satoshi Nakamoto e implementado em 2009. O protocolo permite transferir informação (valor) de uma origem a um destino de forma segura e sem um órgão centralizador, usando criptografia e regras matemáticas.
- 00:05:24 — Funcionamento da carteira, blockchain e rede P2P — É explicado que os usuários utilizam um software chamado carteira, que mantém uma cópia de todo o livro-razão (blockchain) com o histórico de transações. A rede é peer-to-peer (P2P), onde cada nó é cliente e servidor. Quando uma transação é feita, ela é propagada pela rede e validada por consenso entre os participantes, que verificam se o remetente tem os fundos e se a transação é legítima.
- 00:11:07 — Explicação da mineração e das recompensas em Bitcoin — Daniel detalha o processo de mineração. Mineradores são nós da rede que usam poder computacional para confirmar transações e adicionar novos blocos ao blockchain. Como recompensa, recebem novos bitcoins gerados pelo protocolo. Inicialmente, eram 50 BTC por bloco, valor que reduz pela metade a cada quatro anos (estando em 25 BTC na época da gravação). Esse mecanismo controla a emissão e cria escassez.
- 00:19:00 — Limite máximo de 21 milhões de bitcoins e a unidade Satoshi — É destacado que haverá um limite máximo de 21 milhões de bitcoins, previsão que deve se estender até por volta de 2140. Para permitir transações fracionárias, cada bitcoin é divisível em até 8 casas decimais, sendo a menor unidade chamada de ‘satoshi’. Isso contrasta com moedas físicas como ouro, que são difíceis de fragmentar.
- 00:21:02 — Segurança, hashes criptográficos e imutabilidade do blockchain — A conversa explora como a segurança é garantida. Cada transação gera um hash criptográfico único, que é encadeado ao hash da transação anterior, formando o blockchain. Alterar uma transação passada exigiria recalcular todos os hashes subsequentes e convencer a maioria da rede, uma tarefa computacionalmente inviável devido à natureza das funções hash, tornando o registro praticamente imutável.
- 00:23:53 — Riscos futuros como a computação quântica — Os participantes discutem se a computação quântica futura poderia quebrar a criptografia do Bitcoin. Argumenta-se que esse é um risco gradativo e que afetaria outros sistemas além do Bitcoin (como bancos tradicionais). Além disso, a rede poderia ser adaptada para resistir a tais ataques, pois qualquer mudança significativa no protocolo requer o consenso da comunidade.
- 00:25:20 — Característica deflacionária e redução programada de recompensas — É reforçado que a redução pela metade da recompensa por bloco a cada quatro anos torna o Bitcoin uma moeda deflacionária por design. Isso significa que a oferta de novos bitcoins diminui com o tempo, contrastando com moedas fiduciárias sujeitas à inflação. A redução afeta apenas a criação de novas unidades, não o valor dos bitcoins já existentes e em circulação.
- 00:27:56 — Críticas, aceitação e futuro do Bitcoin — O debate aborda as principais críticas ao Bitcoin: sua natureza deflacionária e desafios de escalabilidade. Discute-se também seu status como moeda, meio de troca e reserva de valor. Por fim, especula-se sobre o futuro, onde a tecnologia poderia integrar-se à internet das coisas, permitindo pagamentos automáticos entre dispositivos, e como sua adoção pode crescer assim como ocorreu com cartões de crédito.
Dados do Episódio
- Podcast: Fronteiras da Ciência
- Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
- Categoria: Science
- Publicado: 2015-03-11T18:00:00Z
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/fronteiras-da-ci%C3%AAncia/fb4669d0-4a98-012e-1aa8-00163e1b201c/t06e02-bitcoin-parte-1/4cfc0d50-aa05-0132-3104-0b39892d38e0
- UUID Episódio: 4cfc0d50-aa05-0132-3104-0b39892d38e0
Dados do Podcast
- Nome: Fronteiras da Ciência
- Site: http://frontdaciencia.ufrgs.br
- UUID: fb4669d0-4a98-012e-1aa8-00163e1b201c
Transcrição
[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência, da rádio da Universidade, onde discutiremos
[00:00:09] os limites entre o que é ciência e o que é mito.
[00:00:13] Hoje no programa Fronteiras da Ciência a gente vai discutir a bitcoin, que é essa
[00:00:18] moeda eletrônica, a criptomoeda, les cryptocurrency, que apareceu em 2008 e foi implementado em
[00:00:26] 2009 e está, de alguma forma, causando uma certa revolução no mundo.
[00:00:30] Primeiro para a gente saber o que é, como funciona e depois das implicações dela a
[00:00:35] gente trouxe aqui no programa o Daniel Niero, que é fundador e vice-presidente da fundação
[00:00:40] Bitcoin Brasil.
[00:00:41] Bitcoin está se auto-organizando no mundo e uma das formas de fazer isso através de
[00:00:46] fundações, e o Brasil tem a sua, e o Daniel também, ele é cientista da computação
[00:00:50] e é especialista em segurança de informação, que vocês vão ver que está muito relacionado
[00:00:54] com bitcoin.
[00:00:55] O pessoal que vai participar do programa então é o Jorge Kielfeld, da biofísica
[00:00:58] da URI, o Jefferson Aranzon e eu Marco de Arte da Física da URI.
[00:01:03] Eu queria primeiro que o Daniel nos contasse um pouco como é que é o bitcoin, como é
[00:01:08] que ele funciona e por que criptografia está relacionada com bitcoin, essas coisas.
[00:01:12] Primeiramente eu queria agradecer a oportunidade que vocês estão dando para a gente poder
[00:01:16] falar mais sobre essa tecnologia que hoje em dia está mudando completamente a cultura
[00:01:20] do mercado, envolvendo pessoas de várias áreas de conhecimento, de leigos a especialistas,
[00:01:26] porque ela envolve vários aspectos que envolvem política, socioeconomia, a parte de tecnologia,
[00:01:32] criptografia, matemática, então assim, nunca se vê hoje, pelo menos até agora, uma tecnologia
[00:01:37] que envolvesse tantos conceitos que tem a ver com toda a parte de humanas, inclusive
[00:01:43] biologia, enfim, tudo misturado, psicologia social, enfim, e que hoje tem a ver com a
[00:01:48] parte de você criar uma moeda universal, que ela é livre de governos e regulamentações,
[00:01:54] mas obviamente aí entra toda a discussão que a gente tem em cima disso.
[00:01:56] O bitcoin basicamente, a gente fosse falar dele como uma tecnologia, que ele é uma tecnologia,
[00:02:01] as pessoas falam sobre bitcoin como moeda, moeda, moeda, dinheiro, e não é bem assim.
[00:02:05] O bitcoin é um protocolo, é um protocolo de transferência de informação.
[00:02:09] Ou seja, não existe uma moeda física.
[00:02:11] Não existe uma moeda física, o bitcoin não pode ser impresso, ele pode ser representado
[00:02:15] fisicamente, mas aquilo não tem um valor dentro da própria rede.
[00:02:18] O que é a tecnologia do bitcoin?
[00:02:19] Em 2008 para 2009 foi liberado um documento na internet, um white paper, onde ele explicava
[00:02:26] e propunha uma codificação, um algoritmo, onde esse código era capaz de transferir
[00:02:31] uma informação de uma origem a um destino, de uma maneira segura, utilizando criptografia,
[00:02:37] regras matemáticas, e principalmente sem um órgão centralizador.
[00:02:41] Eu transferi uma informação, por exemplo, pagar significa eu pegar uma informação
[00:02:46] minha, que é quanto dinheiro eu tenho, selecionar uma porção desse dinheiro e passar para
[00:02:51] ti.
[00:02:52] E aí em um certo momento alguém vai dizer agora o Daniel tem 10 reais a mais e o Marco
[00:02:58] tem 10 reais a menos, mas hoje em dia se faz isso usando ou notas físicas ou um banco
[00:03:03] que vai fazer isso e dizer não, o Daniel agora tem 10 reais a mais na sua conta corrente
[00:03:08] e o Marco tem 10 reais a menos.
[00:03:11] Exatamente, você precisa de uma entidade centralizadora para poder contabilizar o que
[00:03:14] entra e o que sai.
[00:03:15] E para dar a garantia.
[00:03:16] E para dar a garantia, ou seja, você precisa confiar nessa entidade centralizadora hoje,
[00:03:20] porque hoje em dia é fruto de muitas discussões econômicas sobre corrupção, sobre fraude.
[00:03:25] Então o bitcoin serve para isso, ele serve para dizer que alguma coisa passou de uma pessoa
[00:03:30] a outra e a codificação, a criptografia é um jeito de impedir que alguém entre nesse
[00:03:36] assunto e modifique essa contabilidade.
[00:03:38] Exatamente.
[00:03:39] Deixa eu botar um passo atrás, na verdade qualquer moeda precisa desse mesmo mecanismo,
[00:03:45] não quer dizer que é social, que é o da confiança e a instituição faz isso com um
[00:03:49] banco tradicional, com o Ledger, que é o livro de razão, ele é o registro da origem
[00:03:54] de cada um dos fundos, de forma que quando você vai transigir eles, eles existem, porque
[00:03:59] se tiver um, você pode também, como os bancos acabam emitindo moeda na prática, eles podem
[00:04:05] fazer moeda sem lastro, sem uma base material, que é o que já deu nas crises inclusive,
[00:04:10] na crise de 29, que é quando o rei nave com o padrão ouro que depois dançou, mas assim,
[00:04:15] o que seria então, o bitcoin entrou no protocolo do Sakamoto, do proposto lá, é um livro
[00:04:21] de razão que não é centralizado numa instituição, ele é P2P, é uma coisa difusa na rede da
[00:04:28] nuvem, controlado pelo coletivo, pela comunidade bitcoin.
[00:04:32] Exatamente, todo o PIR na rede, ou seja, todo o usuário na rede, ele ao mesmo tempo que
[00:04:36] ele é um cliente, ele também é um servidor, ou seja, quando eu disparo hoje uma informação
[00:04:40] pra você, hoje essa informação dentro do protocolo é chamada de bitcoin, é vista como
[00:04:44] uma entidade financeira, uma entidade monetária, então quando eu transfiro essa informação
[00:04:48] pra você, existe todo um processo de propagação dessa transação na rede, aonde todo mundo
[00:04:54] vai confirmar se eu sou eu, o destino é o destino, se eu tenho esse dinheiro, se você
[00:04:59] realmente faz parte da rede, se você tem, ou seja, chaves criptografias que são compatíveis
[00:05:04] com o ambiente, e uma vez que isso é feito, o dinheiro é transferido pra você, ou seja,
[00:05:08] todo mundo, é uma rede baseada para concentros, e todo mundo descobre que se fica sabendo
[00:05:12] que eu não sou mais o cara que tem que possuir aquele dinheiro, e agora quem tem é você.
[00:05:16] Esse todo mundo, esse todo mundo, o que significa todo mundo? Significa que tem pessoas que
[00:05:19] estão fazendo esses cálculos, significa que isso está em background dentro de um computador
[00:05:23] de todo mundo.
[00:05:24] Exato, mas não acontece automáticamente.
[00:05:25] Hoje o bitcoin, como ele é visto como usuário final, ele é só um aplicativo, um software
[00:05:32] que ele roda dentro do computador, Windows, Linux, tudo, é um aplicativo que você vai
[00:05:37] lá e instala normalmente, ele é uma carteira, por trás disso ele abre uma porta no seu
[00:05:43] computador, e ele fica ali com uma cópia do livro razão.
[00:05:46] Ah, tá, então cada pessoa que tem uma carteira, carteira é o nome que se dá para esse software
[00:05:51] que diz quanto dinheiro uma pessoa tem, é isso que eu entendi.
[00:05:53] Exatamente.
[00:05:54] A carteira é o que tu tem, tudo é o, como é que é, o blockchain, a cadeira de blocos,
[00:05:58] né?
[00:05:59] Eu quero dizer assim, se eu tenho uma carteira no meu computador, a função principal da
[00:06:04] carteira é dizer quanto dinheiro eu tenho, quanto bitcoin, mas ao mesmo tempo ela também
[00:06:08] está fazendo o cálculo do bitcoin de todo mundo.
[00:06:12] Mas essa informação de quanto eu tenho, ela só está na minha carteira ou ela também
[00:06:16] está repetida?
[00:06:17] Esse é o conceito que o bitcoin traz, que revoluciona a forma como isso é feito.
[00:06:22] Antigamente quando a gente tinha no banco, e eu quero transferir dinheiro para você
[00:06:26] por exemplo, a gente tinha lá no banco, vamos colocar uma coisa bem manual, a gente
[00:06:29] avisava o seu banco, a gente quer, eu quero transferir 10 reais para o Marco, o Marco
[00:06:32] falava assim, beleza, ele puxava o livro lá, puxava as folhas, puxava o nome, riscava
[00:06:36] 10, menos 10 para mim, e depois procurava se eu não colocava mais 10 para você.
[00:06:40] O problema é que quem detinha o poder sobre esse livro, detinha o poder sobre todas as
[00:06:43] alterações e tudo mais.
[00:06:44] Com a tecnologia, com o bitcoin, cada pessoa tem uma cópia desse livro, como todas as
[00:06:49] transações que aconteceram no mundo até agora.
[00:06:51] E pode conferir.
[00:06:52] E ele é pública, eu consigo acessar e saber quanto você transferiu para qualquer outra
[00:06:56] pessoa durante todo o seu histórico financeiro.
[00:06:58] O todo significa que é uma massa de dados que está crescendo sem limite, como é que
[00:07:04] vai ser?
[00:07:05] Ela não tem limite de acordo com as transações, ou seja, hoje, ontem, que nem ontem, eu peguei,
[00:07:09] liguei o software lá e ele começou a sincronizar, ele sincronizou aproximadamente 6 anos de
[00:07:12] transação, deu mais de 50 gigas de espaço, de dados.
[00:07:16] Você não é o… isso de dado, texto.
[00:07:18] Estava 20 anos no passado, então foi rápido.
[00:07:20] É muito rápido.
[00:07:21] Ou seja, você não é obrigado a rodar isso ali, porque você pode, hoje em dia, existem
[00:07:24] serviços que você roda só na nuvem.
[00:07:27] Você não é obrigado a ter 50 gigas de espaço na sua máquina lá, colocando, baixando dados
[00:07:31] para você conseguir…
[00:07:32] Quando você transferir para um servidor na nuvem que você não está dando para ele
[00:07:35] o mesmo papel do banco antigo.
[00:07:37] Não, porque a nuvem, ela só guarda os dados, ela não gerencia os dados.
[00:07:42] Cada autor tem o poder de modificar todo o livro.
[00:07:44] Não, a pergunta é assim, no momento que você não está mais mantendo essa informação
[00:07:49] individualmente contigo, você está usando um servidor em algum lugar para manter esses
[00:07:55] 50 gigas, 6 anos de dados.
[00:07:56] A verdade é que todo mundo tem uma própria de 50 gigas, mesmo que eu não tenha, ele
[00:07:59] tem.
[00:08:00] Então, ou seja, é um protocolo que ele te permite transferir uma informação para
[00:08:03] uma outra pessoa e confiar nela, porque você confia em todos os outros.
[00:08:06] É interessante…
[00:08:07] Não, porque essa nuvem que é um computador…
[00:08:09] Se não é uma também.
[00:08:10] Não, a nuvem que é um computador, se de alguma forma tu mexe no led, tu mexe no livro,
[00:08:15] todo mundo vai descobrir, aqueles dados vão ser eliminados.
[00:08:19] Tem um nível de redundância, né?
[00:08:21] Isso, é que não pode ver o que muda de confiança, você não precisa mais confiar no computador
[00:08:26] da Google que está guardando esses dados, porque se os dados forem adulterados na Google,
[00:08:32] todo mundo vai ficar sabendo.
[00:08:33] Eu também não preciso delegar para algum poder fazer isso com um banco.
[00:08:37] Uma outra coisa é que, atualmente a gente tem um nível de utilização do bitcoin que
[00:08:41] ainda é pequeno.
[00:08:42] Se usa normalmente, se usa dinheiro, reais e dólares.
[00:08:45] No momento em que a utilização se transformar em larga escala, qual é a previsão de você?
[00:08:51] Essa informação, essa quantidade de informação que vai ser gerada, ela ainda vai ser computável,
[00:08:57] né?
[00:08:58] Ou ela vai escalar, ela vai crescer de uma maneira tão rápida, a quantidade de informação
[00:09:03] vai ser tão grande.
[00:09:04] A quantidade de informação que ela gera, ela é previsível, ela nunca vai crescer
[00:09:09] a ponto de inviabilizar as operações, até porque qualquer outra pessoa hoje no mundo
[00:09:14] que coloque uma máquina online, como um cliente bitcoin ali funcionando, ele se permite que
[00:09:20] os dados sejam…
[00:09:21] Tipo, eu quero trabalhar como um termo a rede, eu quero poder confirmar transações, eu
[00:09:25] quero poder ser uma cópia do livro também.
[00:09:26] A cada novo usuário…
[00:09:27] A cada novo usuário eu tenho mais espaço.
[00:09:30] Mas antes de chegar nesse ponto, que ainda não está bem explicado, onde é que vem a
[00:09:35] riqueza desse sistema, que tem dois mecanismos.
[00:09:39] Tem alguns…
[00:09:40] Isso vem até depois para analisar, como dizem alguns autores, que propõem que é um retorno
[00:09:44] ao peso ouro, padrão ouro, só que criar um ouro digital.
[00:09:47] Então a ideia é que esse ouro digital agora, ao contrário do que tinha antes, ele é todo
[00:09:51] baseado na confiança mútuo de uma rede de pagas dentro da internet, que é uma coisa
[00:09:55] absolutamente transparente para os integrantes da rede.
[00:09:58] E nesse sentido, por diviso histórico, o bitcoin surgiu com uma reação à crise de 2008, bem
[00:10:04] exatamente.
[00:10:05] Uma crise de perda de confiança, por exemplo, dos longos, das empréstimos e tal, das casas
[00:10:09] da casa própria, dos Estados Unidos, que é uma crise que elas trocam no mundo todo.
[00:10:12] O Sakamoto, o autor é esse, o anônimo, provavelmente, né?
[00:10:16] Nakamoto.
[00:10:17] Na tosse, Nakamoto.
[00:10:18] Isso.
[00:10:19] O Sakamoto é outro…
[00:10:20] Que diz que não pode ser o japonês porque o inglês do hater é perfeito, então, inclusive
[00:10:24] já localizou até a região que ele vive no mundo, baseado nos horários de funcionamento
[00:10:28] do servidor dele.
[00:10:29] Olha só, os caras foram ao Estados mesmo.
[00:10:31] O ouro também tem, como diz assim, os economistas, tem duas formas de você obter riqueza, digamos,
[00:10:36] ou você pode comprar, trocando por galinhas, ou por trabalho, ou por dólares, ou reais,
[00:10:42] ou você pode escavar ele, coisa que não é muito fácil, escavar a gente aí do nada,
[00:10:46] produzir ele então e colocar ele.
[00:10:49] Então, por analogia nesse sistema, assim, eu entendi, do artigo do Nakamoto, que é
[00:10:54] analogia dessa, ou seja, no sistema bitcoin, você também pode fazer trocas, comprar e
[00:10:58] vender, como um usuário, e tu pode fazer o mining, que é a mineração em cima desse
[00:11:04] bloco.
[00:11:05] Bloco chain.
[00:11:06] Estamos explicando o que é esse mining.
[00:11:07] E ali se cria riqueza, ou seja, esse é o trabalho emprestado pelos usuários.
[00:11:12] Tem uma coisa que é importante resultar, que quando o Nakamoto escreveu o paper dele,
[00:11:18] ele conseguiu cobrir em um único código a preocupação de todas as moedas fiduciárias
[00:11:22] que a gente tem.
[00:11:23] Tem a ver com a parte de escassez, inflação e tudo mais.
[00:11:25] O bitcoin, e isso pra vocês perguntarem, calma aí que eu consigo bitcoin.
[00:11:27] Uma, o bitcoin é uma coisa sempre importante de destaque, o bitcoin não foi criado pra
[00:11:30] ser vendido, que as pessoas vendem bitcoin.
[00:11:32] Mas a gente também pode impedir o câmbio, o câmbio existe com qualquer moeda, faz.
[00:11:37] Mas ele não foi criado pra ser vendido, ele não é um produto, ele foi criado pra utilizar
[00:11:41] como compra e venda.
[00:11:43] Então, o que eu quero dizer, você acabou de voltar dos Estados Unidos agora, você
[00:11:45] trouxe uma bicicleta, você pode vender essa bicicleta por 10 reais, ou eu posso te vender
[00:11:50] ela por 0.005 bitcoins.
[00:11:52] Ou seja, eu tenho bitcoins, você sabe que eu tenho bitcoins, e você sabe que você
[00:11:55] aceita isso também.
[00:11:56] Então, eu posso escolher a forma como eu vou te pagar.
[00:11:59] Então, você pode hoje, pegar qualquer, vender qualquer bem na sua casa antigo, entendeu?
[00:12:02] Ou tanto que se você vir encontrar no mercado livre hoje, tem gente que tá ouvindo o celular
[00:12:05] usado por 700 reais ou xbitcoins.
[00:12:08] E as quantas que tem a conversão agora hoje?
[00:12:10] Hoje tem em torno de 250 dólares.
[00:12:12] O bitcoin.
[00:12:13] Exatamente.
[00:12:14] As pessoas trabalham na verdade…
[00:12:15] Hoje tá 237 dólares.
[00:12:16] Tá 237.
[00:12:17] Mas a conversão é inevitável, porque tu não ganha bitcoins.
[00:12:22] Vou fazer uma pergunta.
[00:12:23] Eu acho que o bitcoin é usado para fazer as transações, mas a questão é que tem que
[00:12:28] irrigar o mercado de bitcoins primeiro para que as pessoas consigam fazer as transações.
[00:12:33] Como é que se faz isso?
[00:12:34] Vamos lá.
[00:12:35] Quando eu faço uma transferência de bitcoin para você, existem todos os piers da rede.
[00:12:38] Esses piers, ou seja, esses nóis da rede, esses pares, alguns são mineradores que estão
[00:12:44] ali.
[00:12:45] Tipo assim, eu tô aqui disponível para confirmar as transações.
[00:12:46] E aí tu tem um salário para isso em bitcoins?
[00:12:50] Como se fosse um processo onde se gerasse incentivos.
[00:12:53] Se você se apresenta à rede como um cara que é minerador, você autoriza transações,
[00:12:57] não autorizar, mas você confirma transações de que origem, destino, que o cara tem esse
[00:13:01] dinheiro, que o cara não tem, isso chama-se um prestado de mineração.
[00:13:04] Isso envolve a ação direta da pessoa ou ela simplesmente tem um programa rodando?
[00:13:08] Ela tem um programa rodando lá, ela se apresenta à rede, um broadcast na rede lá, olha, eu
[00:13:13] sou o minerador, ele passa agora a receber pacotes e informações e passa a confirmar
[00:13:17] operações que estão entrando no blockchain.
[00:13:19] Ou seja, tem um computador ligado fazendo as transações.
[00:13:21] Tem um computador ligado parado.
[00:13:22] Ele está fazendo um investimento, ele tem que gastar tempo de máquina, energia.
[00:13:26] Você vai pegar o meu computador aqui que está sempre ligado e…
[00:13:29] Tu vai testar processamento para isso.
[00:13:31] Antigamente era possível se minerar com um processador normal, você pegava um Pentium
[00:13:35] 4 lá, você conseguia minerar em bitcoin, porque a rede era muito pequena.
[00:13:39] Existe uma coisa chamada de recompensa.
[00:13:42] A cada 10 minutos, 50 bitcoins eram gerados na rede.
[00:13:46] E a cada 4 anos, essa quantidade ela reduz pela metade, isso é a recompensa.
[00:13:51] Que é um fator para garantir a escassez.
[00:13:54] Ah, sim, sim, para não ficar uma inflação.
[00:13:56] E ficar uma moeda deflacionária.
[00:13:58] Mas como reduz, como?
[00:14:00] O drogo é que a própria rede identifica quantos blocos já foram, porque a cada 10 minutos
[00:14:06] uma quantidade de milhões de transações são condensadas em um único bloco.
[00:14:09] E esse bloco tem que ser minerado por várias máquinas, que são cálculos matemáticos
[00:14:13] baseados em geração de hash e criptografia.
[00:14:16] Para ver se está tudo certo.
[00:14:17] Para saber se está tudo certo.
[00:14:18] E se confere se é de cada um com cada um.
[00:14:20] Uma das máquinas vai conseguir encontrar o código perfeito que fecha o código, como
[00:14:24] se fosse uma prova dos 9.
[00:14:25] Ou essa pessoa, esse minerador vai ganhar um prêmio do bloco, que hoje é atualmente
[00:14:29] 25 bitcoins.
[00:14:30] A próxima virada vai ser em 2016, e aí isso vai reduzindo.
[00:14:37] Uma coisa interessante aqui, só 21 milhões de bitcoins vão ser gerados em toda a história
[00:14:42] do protocolo.
[00:14:44] E isso vai terminar em 2140.
[00:14:46] Sim, teoricamente.
[00:14:47] Parece que está crescendo mais rápido do que é estimativo.
[00:14:50] Essa é uma outra ponta.
[00:14:51] Quem fala em 2025 já chega aos 21 milhões, porque está em 10 ou 12 hoje.
[00:14:56] Sim, só que o que acontece?
[00:14:57] Cada unidade de bitcoin, diferente da unidade fiduciária normal, que a gente tem duas casas
[00:15:01] desse mais, são centavos, isso é uma restrição baseada em propriedade física de ouro e prata.
[00:15:06] Que não dá para fragmentar.
[00:15:07] Que não dá para fragmentar.
[00:15:08] Mais de 100 pedacinhos.
[00:15:09] Então eu consigo transferir 0,123456780 depois, 8 casas desse mais.
[00:15:17] E a última unidade é chamada de satoshi.
[00:15:19] Satoshi é o menor possível.
[00:15:22] Pico centavo.
[00:15:23] Ou seja, eu consigo reduzindo isso, isso só vai terminar em 2140.
[00:15:27] Você fala assim, tá beleza então.
[00:15:28] Então quer dizer que quanto mais poder computacional eu invisto na rede hoje, significa que eu
[00:15:33] vou conseguir minerar bitcoins e confirmar transações mais rápido do que as outras
[00:15:36] pessoas.
[00:15:37] Eu vou ficar com esses bitcoins deles.
[00:15:38] Tá sentido?
[00:15:39] É como se você tivesse uma grande rocha onde você minerasse ouro e agora você tem 100
[00:15:43] caras fazendo, gerando x quilos de ouro por cada 10 minutos.
[00:15:48] Mas Daniel, o cara que tem chance de conseguir mais dessas recompensas é aquele cara que
[00:15:54] tem mais poder computacional.
[00:15:55] Então é rich get richer.
[00:15:56] Tem duas coisas.
[00:15:57] Exatamente.
[00:15:58] Tem um outro fator, que é quem começou primeiro no sistema também.
[00:16:02] Quem começou primeiro assim, ele pode, não é por ordem, obviamente quem começou primeiro
[00:16:06] Ele tem uma vantagem sobre os outros, porque ele começou de muito menos poder computacional
[00:16:10] para ganhar os primeiros.
[00:16:11] Mas hoje, quando tem um bloco pronto, entendo que é uma corrida onde todo mundo começa
[00:16:19] no mesmo ponto.
[00:16:20] Não começa como começou primeiro.
[00:16:23] Só que o nível de dificuldade computacional agora é maior para resolver aquele problema.
[00:16:27] Mas por exemplo, se agora nesse momento nós quatro aqui quisermos minerar um bloco, eu
[00:16:32] tenho muito mais poder computacional, a minha chance de ganhar é muito maior.
[00:16:36] O que acontece com a rede?
[00:16:37] O que você comentou, Daniel, se vocês agora resolverem minerar e você tem 50% do poder
[00:16:42] de mineração, poder computacional, porque hoje em dia as pessoas estão me dando com
[00:16:45] placa de vídeo.
[00:16:46] Pois é.
[00:16:47] Não faz mais sentido.
[00:16:48] Mas pensando, por exemplo, se a Google bota os computadores dele para fazer isso, a Google
[00:16:53] vai arregalar todos os bitcoins que existem.
[00:16:56] Pode, mas eles não vão conseguir chegar e conseguir os bitcoins antes de todo mundo.
[00:17:01] Por quê?
[00:17:03] A rede foi programada para, a cada 10 minutos, gerar x bitcoins.
[00:17:07] Hoje, atualmente, é 25.
[00:17:09] Imagina que, agora, o poder computacional agora eu duplique.
[00:17:13] O que vai acontecer?
[00:17:15] Os blocos vão ser minerados em menos tempo.
[00:17:18] Agora, em vez de minerar um bloco em 10 minutos, estou minerando em 5.
[00:17:21] A própria rede, baseada na quantidade de peso, identifica que existe um poder computacional
[00:17:26] na rede e ele começa a dificultar o cálculo matemático para garantir que, mesmo com o
[00:17:31] poder computacional duplicado, só x bitcoins vão ser gerados a cada tempo.
[00:17:34] Não, isso eu entendo mesmo.
[00:17:35] Mas isso não impede que a Google pegue todos os bitcoins daqui para diante, por exemplo?
[00:17:40] Não, não impede.
[00:17:41] Não impede.
[00:17:42] Todos, pelo menos, uma boa parte.
[00:17:43] Por exemplo, não é à toa que a Microsoft e a própria Dell já aderiram, né?
[00:17:47] Estão utilizando como moeda interna.
[00:17:49] Eles aceitam bitcoins.
[00:17:50] Provavelmente eles estão investindo em mineração.
[00:17:52] Mas o que ele falou é sobre um investimento que você tem…
[00:17:54] Imagina pegar o Google que tem bilhões e bilhões de dólares e investir isso em mineração.
[00:18:00] Sim, ele vai conseguir criar vários.
[00:18:02] Ele não vai conseguir gerar mais bitcoins que os outros.
[00:18:04] Só que em compensação hoje, a quantidade de bitcoins que a gente tem circulando no
[00:18:07] mercado, ela não é a quantidade de bitcoins que já foram gerados.
[00:18:13] Hoje você tem em torno de 13 milhões de bitcoins em circulação, em minerado já.
[00:18:19] Só uma pequena parte disso está à venda e disponível no mercado.
[00:18:22] Então, ou seja, mesmo que o Google hoje coloque todas as máquinas possíveis que ele
[00:18:28] possa para minerar, uma, ele vai ter que conseguir manter isso até 2140.
[00:18:33] Então, ou seja, é difícil de se manter esse tipo de contato.
[00:18:36] É só porque é difícil de se manter.
[00:18:38] Se fosse uma estratégia da empresa, ele simplesmente pegaria todos os bitcoins até 2140.
[00:18:44] A gente tem uma outra limitação que é o custo energético de fazer isso.
[00:18:47] Mas antes eu devia voltar à pergunta que eu fiz antes, que acho que agora cabe mesmo.
[00:18:51] Esse 21 milhões vem de onde?
[00:18:53] Ele é arbitrado, é um chute?
[00:18:54] Ele é arbitrado.
[00:18:56] Podia ser 12, podia ser 50.
[00:18:59] Por que 21?
[00:19:00] Eu estou muito curioso.
[00:19:01] Ele foi arbitrado.
[00:19:02] Ele foi arbitrado baseado no tempo.
[00:19:05] A questão da criptografia, ela está ali porque, já que essa moeda virtual, ou seja,
[00:19:11] ela está dentro de um computador, a gente sabe que coisas que estão dentro do computador
[00:19:14] podem ser copiadas mil vezes se a gente quiser.
[00:19:18] O que acontece com as músicas na internet, você pega a música e faz 20 cópias, dá
[00:19:23] para todos os seus amigos, daqui a pouco tem 80 mil cópias dessa música.
[00:19:27] A questão é, como se impede que uma pessoa gere todo o dinheiro que ela precisa em bitcoin?
[00:19:32] Uma das coisas é essa que a gente está falando que, na verdade, todo mundo tem que ficar
[00:19:37] nos pares, eles têm que ficar controlando e vendo que o dinheiro que saiu de um entrou
[00:19:42] no outro.
[00:19:43] Ou seja, que o dinheiro não saiu do nada.
[00:19:44] E o próprio software faz isso.
[00:19:46] Mas como eu provo para a rede que eu não obieço esse dinheiro que eu estou…
[00:19:51] Como é que se…?
[00:19:53] Isso se relaciona com outra questão que é uma das críticas, mas funciona com qualquer
[00:19:57] moeda, que tem também uma parte do que os usuários de bitcoin são convidados em transações
[00:20:03] ilícitas, vendas de drogas.
[00:20:06] A minha pergunta era como é que se sabe que o dinheiro é meu, por exemplo?
[00:20:13] O que eu tenho que os outros não têm que fazem que aquele dinheiro seja meu?
[00:20:17] Uma coisa, a gente tem que seguir uma regra.
[00:20:19] O bitcoin é um conceito de software, ou seja, todo mundo tem direito a acessar o código
[00:20:23] e verificar se o código.
[00:20:24] Ele é uma rede baseada em consensos.
[00:20:26] Hoje em dia você implementa…
[00:20:29] Eu consigo hoje baixar o código, gerar a minha versão do aplicativo e começar a utilizar,
[00:20:35] sim, só que a sua versão vai ser incompatível com as dos outros usuários.
[00:20:39] Vai chegar uma hora que você não vai conseguir simplesmente burlar todo o sistema.
[00:20:42] Você vai ter que convencer toda a rede a utilizar a sua versão, o que é praticamente impossível
[00:20:47] porque as pessoas vão querer ver…
[00:20:48] A sua versão seria dizer a sua versão com o dinheiro que tu te atribui.
[00:20:52] Eu tenho 100 bitcoins, eu vou tentar convencer todo mundo que entra.
[00:20:55] Exatamente.
[00:20:56] Até porque o que é o blockchain, que é a cadeia de blocos?
[00:20:59] Uma coisa que é importante falar sobre as transações é que quando eu encaminho uma
[00:21:02] transação pra você, eu encaminho um dinheiro pra você, eu vou dizer pra outro pessoal
[00:21:06] que eu quero encaminhar um dinheiro pro Marco.
[00:21:07] Todo mundo vai verificar se eu, o Dariél, tenho esse dinheiro, porque todo mundo tem
[00:21:11] uma cópia da minha carteira, ou seja, do meu endereço lá.
[00:21:14] E todo mundo sabe quanto eu tenho 10 bitcoins lá, por exemplo.
[00:21:17] Primeiro, o Uniero, ele tem os 10 bitcoins?
[00:21:19] Tem, todo mundo confirmou que tem.
[00:21:21] Então vamos encaminhar ele.
[00:21:22] O Uniero que está transferindo esse dinheiro, ele tem direito a transferir esse dinheiro
[00:21:25] porque os bitcoins têm um dono.
[00:21:26] Sim, pois é.
[00:21:27] Essa é a grande mudança dele, ou seja, se eu transferir pra você é porque uma,
[00:21:31] ou eu fui roubado, ou eu quis transferir esse dinheiro, mas ele foi autorizado, ponto.
[00:21:36] Então as pessoas vão verificar esse tipo de coisa.
[00:21:38] Quando essa transação ocorre, ela gera um número, como se fosse um número de registro,
[00:21:42] um hash de transação, aonde ela detém o horário, a origem, o destino, quantos bitcoins
[00:21:48] foram transferidos, mas não leva nenhum dado do pessoal confidencial, de quem está
[00:21:54] transacionando a moeda.
[00:21:55] Mas isso gera um número de registro.
[00:21:57] Esse número de registro vai ser encadeado pra gerar o próximo número de registro
[00:22:03] da próxima transação.
[00:22:04] Ou seja, toda transação nova depende de um código gerado da transação anterior.
[00:22:08] Então é como se você estivesse encadeando blocos e hashes.
[00:22:12] E concatenando entre eles, porque esse só pode ser gerado do anterior.
[00:22:16] Significa que se você agora tenta burlar uma operação, dizendo que agora eu quero
[00:22:21] gastar 12 vezes o dinheiro que eu não tinha, você vai precisar criar exatamente uma…
[00:22:26] A história.
[00:22:27] A história de todas as transações pra garantir que o número seja exatamente o mesmo.
[00:22:31] E ela tem que bater com todo o resto.
[00:22:33] E ela tem que bater com toda a cadeia anterior.
[00:22:35] Isso é muito difícil de fazer, porque essas operações de criptografia são quase irreversíveis.
[00:22:42] Exatamente.
[00:22:43] A gente consegue fazer operação numa direção muito difícil de fazer.
[00:22:46] Na verdade, quando é hash é impossível de fazer.
[00:22:48] A gente consegue fazer colisão de hash.
[00:22:50] Ou seja, pegar uma string que consegue gerar o mesmo hash de outra string.
[00:22:55] Ou seja, eu criei uma sequência alfanumérica que o código fingerprint dela, no final,
[00:23:00] gera o mesmo código de outra.
[00:23:02] E até você encontrar isso, vai demorar um tempo do universo.
[00:23:04] Exatamente.
[00:23:05] Falando em herdez, esse é apoteócito.
[00:23:07] E você não consegue burlar.
[00:23:08] Falando em herdez, esse é apoteócito, checksum.
[00:23:12] Exatamente.
[00:23:13] Checksum é um termo que é aquela confirmação, quando esse arquivo está íntegro, tu faz
[00:23:18] uma contagem de bits.
[00:23:20] E tem que bater.
[00:23:21] Esse número está anotado.
[00:23:22] Ah, sim, claro.
[00:23:23] Você não bate porque está faltando logo.
[00:23:25] A geração de hash é uma fórmula matemática que é aplicada em cima de um valor binário.
[00:23:32] Primeiro eu pego o seu nome e transformo ele em zeros e uns.
[00:23:34] Em cima dessa sequência de zeros e uns eu aplico uma fórmula matemática que vai gerar
[00:23:37] o valor final.
[00:23:38] Se eu modificar uma única letra, de minúscula para maiúscula no seu nome, por exemplo,
[00:23:42] muda completamente o hash final.
[00:23:44] Então é muito difícil voltar.
[00:23:46] Exatamente.
[00:23:47] Por isso é quase reversível.
[00:23:48] O que pode acontecer com o bitcoin quando o pessoal desenvolver um pouco mais com a computação
[00:23:53] plant?
[00:23:54] Ele pode ser boa pergunta, é uma pergunta que hoje em dia é foco de muita discussão,
[00:23:59] inclusive no Reddit, no Bitcoin Talk.
[00:24:01] Mas assim, ele pode ser customizado, ele pode ser alterado.
[00:24:05] Na verdade, eu entendo o que você diz, mas ele pode…
[00:24:08] Ninguém vai criar uma computação quântica e amanhã ele vai estar quebrado.
[00:24:11] Ponto de a gente utilizar a computação quântica como poder computacional para poder acabar
[00:24:15] com o bitcoin.
[00:24:16] Mas ele pode ser remodelado.
[00:24:17] Ele pode ser adaptado à computação quântica, lembrando que a rede vai ser baseada em consenso.
[00:24:22] Mesmo que você tenha uma computação quântica, se você não aplica ele para a computação
[00:24:26] quântica ali, a rede não vai funcionar.
[00:24:28] Você precisa de que todo mundo concorde.
[00:24:30] Não, mas é que toda a questão da criptografia e de quebrar códigos vai ser incantável.
[00:24:37] Não, mas eu acho que eu concordo com o Daniel.
[00:24:39] A questão é, primeiro, porque essas coisas são gradativas.
[00:24:42] É possível que o primeiro ou o segundo computador quântico não esteja na mão de um hacker.
[00:24:48] Mas depois também, isso é uma coisa que vale para ter o dinheiro no banco, inclusive.
[00:24:52] Não só o bitcoin, né?
[00:24:54] O cara vai entrar na tua conta e tirar todo o teu dinheiro também, igual.
[00:24:58] Sim, é pertinente a pergunta.
[00:25:01] Ela já foi vista como um risco, já foi levantada.
[00:25:05] Como é que vai ser conforme à computação quântica?
[00:25:07] Pode ser um risco, pode, mas como eu falei, é um processo gradativo.
[00:25:10] Não vai ser um risco a ponto de, em belo dia, a computação quântica agora está na mão de alguém,
[00:25:14] o cara quebrou tudo e agora o cara está gerando a rede.
[00:25:17] O que eu queria entender um pouco melhor é essa divisão por dois.
[00:25:20] Em favor que a cada N anos…
[00:25:23] A cada quatro anos.
[00:25:25] É uma decrementação embutida…
[00:25:27] Para diminuir o número de…
[00:25:29] Mas isso significa que o número de bitcoins que a pessoa tem,
[00:25:32] ela está perdendo bitcoins ou é só o número que ela quer reduzir?
[00:25:35] A capacidade de ganhar bitcoins é que está diminuindo, é isso?
[00:25:38] É, a capacidade é uma moda deflacionária, ou seja,
[00:25:41] ela ao invés de aumentar, ela vai reduzindo a quantidade…
[00:25:45] Mas o que reduz é a quantidade de novos bitcoins que são produzidos,
[00:25:50] mas não os que já existem.
[00:25:52] Não, os que existem continuam lá.
[00:25:55] Inclusive, eles podem ser perdidos para sempre,
[00:25:57] porque você não consegue remover o bitcoin da rede.
[00:26:01] Então se tu perde a tua senha, tu perdeu todo o teu dinheiro.
[00:26:04] Porque você tem que ter uma senha para conseguir fazer as ocarações.
[00:26:07] Então isso é uma lua íntima.
[00:26:09] Não, mas isso, o que está diminuindo com o tempo
[00:26:12] é a recompensa que você tem para fazer a mineração.
[00:26:15] É como se a casa da moeda imprimisse menos dinheiro.
[00:26:18] Isso.
[00:26:19] Então você gera mais bitcoins.
[00:26:21] E por que quatro anos é a lei de Moore a cada ano?
[00:26:24] A lei de Moore é porque a cada 18 meses a computação dobra.
[00:26:27] Mas a cada quatro anos é porque ele colocou que era a cada 210 mil blocos.
[00:26:31] Que a cada bloco era a mineração a cada 10 minutos.
[00:26:36] Até curioso, porque o tempo de um currency, uma moeda,
[00:26:40] ela tem, pela definição dos economistas, que eu não sei muito,
[00:26:43] mas alguma coisa eu ouvi ali, que serve outras coisas.
[00:26:46] Para armazenar um valor, ela serve como meio de troca
[00:26:49] e serve como unidade para fazer contabilidade.
[00:26:53] E durabilidade também.
[00:26:55] Sim.
[00:26:56] Mas o consenso, digamos até, dos órgãos que já credenciavam,
[00:27:00] aceitaram bitcoins como órgãos econômicos americanos e europeus,
[00:27:03] que já diziam que não é ilegal.
[00:27:05] Nesses lugares, em alguns países como o China,
[00:27:07] nesse momento está em crise essa aceitação moeda.
[00:27:09] Não inclusive.
[00:27:11] Mas assim, ele caracteriza bem, mas principalmente como meio de troca.
[00:27:15] Tanto que não há um consenso que ele é uma moeda.
[00:27:18] A revista Forte chama de digital collectible, colecionável e digital.
[00:27:24] Mas ele tem três características que a outra revista econômica diz,
[00:27:29] agora é o janeiro, esse é um artigo, de tudo que acaso eu tinha lido,
[00:27:32] que é assim, ele tem três características de moeda.
[00:27:34] Ele é difícil de conseguir, ele tem um suplemento limitado
[00:27:37] e ele é fácil de verificar.
[00:27:39] E nesse sentido ele é mais confiável até na medida que os algoritmos
[00:27:43] são bastante eficientes e interessantes,
[00:27:45] e mais progressivamente, mais pesados.
[00:27:47] O outro lado da moeda é que ele é baseado na rede, na internet,
[00:27:51] na computação, onde a rigor, entre outros,
[00:27:55] presenta segurança.
[00:27:56] A rigor não existe em um sistema seguro,
[00:27:58] em informática, em princípio.
[00:28:00] Talvez no outro modelo.
[00:28:02] Ou seja, você não precisa quebrar o negócio em algum momento.
[00:28:04] O que coloca uma preocupação que não é nova,
[00:28:07] porque sempre que tem dinheiro, tem fraude com o dinheiro.
[00:28:09] Então não é por isso que não vai se fazer.
[00:28:11] Aparentemente as críticas ao bitcoin estão em outras duas coisas,
[00:28:14] que é a deflação e a questão do escalamento.
[00:28:18] A grande dificuldade hoje de a gente conseguir a adoção do bitcoin
[00:28:21] em larga escala, uma é a conscientização das pessoas, obviamente,
[00:28:24] porque ele tem todas as propriedades de uma moeda padrão,
[00:28:28] de uma moeda fiduciária.
[00:28:29] A diferença é que ele se baseia em propriedades matemáticas,
[00:28:32] ao invés de propriedades físicas como ouro e prata, por exemplo.
[00:28:34] Então a limitação dele é basicamente todo o controle do efeito digital.
[00:28:37] Ou seja, como as pessoas passarem a ver o bitcoin
[00:28:40] como uma unidade confiável,
[00:28:42] e que ele pode ser utilizado para trocar bem de serviço,
[00:28:45] a aceitação dele vai ser em alta escala.
[00:28:47] Porque no futuro, com o advento da internet das coisas,
[00:28:50] você vai poder um dia no futuro fazer com que o teu carro
[00:28:52] pague o próprio estacionamento com o bitcoin.
[00:28:54] Você pode impositar dinheiro na sua própria geladeira.
[00:28:56] Então você vai poder armazenar dinheiro no teu óculos
[00:28:59] e fazer com que você pague um mochino do teu armo,
[00:29:02] movendo a sua vista.
[00:29:04] Eu sei, então seja.
[00:29:05] Quando isso, obviamente, com o advento da tecnologia
[00:29:08] e a alta aceitação das pessoas,
[00:29:10] a gente vai conseguir não substituir,
[00:29:12] mas talvez o objetivo de criar uma moeda.
[00:29:15] É, eu acho que talvez a reação das pessoas,
[00:29:18] essa primeira reação, a nova tecnologia,
[00:29:20] é muito parecida com a reação que tiveram com os cartões de crédito
[00:29:23] em um certo momento.
[00:29:24] A pessoa dizia não.
[00:29:25] Exato, não.
[00:29:26] Prefiro o dinheiro, não sei o que eu vou fazer com o meu dinheiro,
[00:29:28] o cartão, coisa assim.
[00:29:29] Não, mas tem outras alternativas,
[00:29:32] outros modos de pagamento alternativo,
[00:29:34] como a gente, por exemplo, usa PayPal,
[00:29:36] coisa assim, e já é normal.
[00:29:38] Mas é um intermediário.
[00:29:39] Tem o Google, não.
[00:29:40] O Apple Pay agora vai ter o Apple Pay,
[00:29:42] que já está começando a usar.
[00:29:43] Então, esse foi o nosso primeiro programa sobre Bitcoin
[00:29:47] e o convidado, então, é o Daniel Mier,
[00:29:50] que é fundador e vice-presidente da Fundação Bitcoin Brasil,
[00:29:53] e o pessoal daqui do programa, o Jorge Kilfield,
[00:29:55] da Biofísica da URIX, o Jefferson Arianzon,
[00:29:58] e eu, o Marco de Arte da Física da URIX.
[00:30:02] O programa Fronteiras da Ciência
[00:30:04] é um projeto do Instituto de Física da URIX.
[00:30:07] Direção Técnica de Francisco Guazelli.