T06E03 Leonard (Spock) Nimoy


Resumo

Este episódio do Fronteiras da Ciência é uma homenagem a Leonard Nimoy, o ator que imortalizou o personagem Spock na série Star Trek. Os participantes, fãs da série, discutem como Nimoy, já com experiência em teatro e televisão, moldou o personagem com contribuições como a saudação vulcana e a pinça neural, tornando-se um ícone para gerações de jovens interessados em ciência e lógica.

A conversa explora o contexto de Star Trek nos anos 1960, destacando como a série abordou temas progressistas para a época, como diversidade étnica e de gênero, paz mundial e justiça social, usando a ficção científica como alegoria. O papel de Spock como um alienígena lógico que observa e critica a humanidade é contrastado com outros personagens, como o capitão Kirk, e comparado com o Android Data da série Star Trek: The Next Generation.

Além da carreira como Spock, são mencionadas outras facetas de Nimoy: sua atuação em filmes e séries como Missão Impossível e Fringe, sua direção em filmes como Star Trek IV: A Volta para Casa e Três Homens e um Bebê, seu trabalho como fotógrafo com séries que desafiam padrões de beleza, e suas autobiografias ‘I Am Not Spock’ e ‘I Am Spock’. Também são citadas participações curiosas em clipes musicais, como o de Bruno Mars.

O episódio reflete sobre o legado duradouro de Nimoy e de Spock, incluindo fenômenos culturais como o gesto vulcano se tornar um meme universal e a prática de ‘spockizar’ notas de dólar canadense. A discussão enfatiza como Star Trek e seu personagem mais lógico influenciaram não apenas o entretenimento, mas também a visão de ciência e sociedade para muitos espectadores.


Indicações

Filmes

  • Star Trek IV: The Voyage Home — Filme dirigido por Nimoy, citado como o mais bem-sucedido da série original, com forte temática ambiental sobre a proteção das baleias.
  • Três Homens e um Bebê — Filme dirigido por Nimoy, mencionado como uma comédia divertida que também aborda a paternidade e os cuidados masculinos.

Livros

  • I Am Not Spock — Primeira autobiografia de Leonard Nimoy, publicada em 1975, onde ele discute sua relação complexa com o personagem que o tornou famoso.
  • I Am Spock — Segunda autobiografia, de 1995, onde Nimoy parece ter aceitado e abraçado o legado do personagem Spock em sua vida e carreira.

Música

  • The Lazy Song (clipe) — Clipe da música de Bruno Mars em que Leonard Nimoy aparece, interpretando de forma humorada um homem preguiçoso, desconstruindo a imagem séria de Spock.

Séries

  • Fringe — Série de ficção científica onde Leonard Nimoy teve um papel recorrente como o sócio do personagem principal, William Bell.
  • Missão Impossível — Série clássica na qual Nimoy atuou por pelo menos duas temporadas, mostrando sua versatilidade além de Spock.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Introdução ao episódio e homenagem a Leonard Nimoy — Os apresentadores anunciam que o programa será uma homenagem a Leonard Nimoy, o ator que interpretou Spock, que faleceu recentemente. Eles introduzem os participantes, todos fãs, e começam a discutir a relação entre o ator e o personagem que o tornou eterno.
  • 00:01:00A carreira de Nimoy antes de Star Trek e a criação de Spock — Discutem que Nimoy já era um ator experiente antes de Star Trek, com papéis em seriados e filmes B. Ele contribuiu ativamente para a construção do personagem Spock, criando a saudação vulcana e a pinça neural. O personagem se tornou um dos primeiros ‘super-heróis nerds’ da televisão.
  • 00:04:00O design do personagem e as preocupações de Nimoy — Abordam as dificuldades iniciais com o design de Spock, especialmente as orelhas pontudas, que Nimoy temia que ridicularizassem o personagem. Também falam sobre como a série usou a ficção científica para abordar temas tabus como diversidade racial e de gênero, com Spock simbolizando essa diversidade na tripulação da Enterprise.
  • 00:08:00O impacto cultural de Star Trek e seu contexto histórico — Conversam sobre o sucesso tardio de Star Trek, que teve apenas três temporadas mas se tornou um fenômeno cult. A série coincidiu com a corrida espacial e a chegada à Lua. Destacam como a série apresentava um futuro utópico de paz e justiça social, o que gerou até acusações de ser propaganda comunista.
  • 00:15:00A origem judaica da saudação vulcana — Explicam a origem da saudação vulcana e da frase ‘vida longa e próspera’. Nimoy se inspirou em uma bênção sacerdotal judaica (Cohen) que viu na infância, onde os sacerdotes faziam um gesto com as mãos formando a letra Shin. O gesto se tornou um símbolo universal.
  • 00:18:00Spock como crítico da humanidade e evolução para Data — Debatem o papel de Spock como um observador lógico e crítico da humanidade, representando uma evolução superior. Contrastam com o Android Data de Star Trek: The Next Generation, que aspira ser humano. Refletem sobre como essa mudança reflete diferentes visões da condição humana.
  • 00:22:00A versatilidade de Nimoy além de Spock — Mencionam outros trabalhos de Nimoy como ator, incluindo filmes como ‘A Mulher Chamada Golda’ e séries como ‘Fringe’. Também falam de sua carreira como diretor (ex.: ‘Star Trek IV’) e fotógrafo, onde abordou temas como o corpo feminino e o judaísmo.
  • 00:26:00Participações em clipes musicais e autobiografias — Comentam sobre participações curiosas de Nimoy em clipes musicais, como o de Bruno Mars (‘The Lazy Song’), onde ele descontrói a imagem séria de Spock. Também discutem suas duas autobiografias, ‘I Am Not Spock’ (1975) e ‘I Am Spock’ (1995), e como elas refletem sua relação com o personagem.
  • 00:29:00Legado e fenômenos recentes como ‘spockizar’ notas — Falam sobre o legado duradouro, incluindo o meme de ‘spockizar’ a nota de 5 dólares canadenses, adicionando orelhas e sobrancelhas de Spock à imagem do ex-primeiro-ministro. Encerram reforçando a importância de Nimoy e de Spock para a cultura e para a formação de muitos cientistas.

Dados do Episódio

  • Podcast: Fronteiras da Ciência
  • Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
  • Categoria: Science
  • Publicado: 2015-03-16T16:00:00Z

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência, da rádio da Universidade, onde discutiremos

[00:00:09] os limites entre o que é ciência e o que é mito.

[00:00:14] Hoje no programa Fronteiras da Ciência, a gente vai fazer uma homenagem ao Leonardo

[00:00:18] Nimoy, nosso querido Spock, que faleceu.

[00:00:21] Então é um programa que a gente vai fazer como fãs.

[00:00:23] Então a gente também tem um fã convidado, que é a Mara Ben Fato, que é do Departamento

[00:00:27] de Biofísica, assim que nem o Jorge Gil, que foi outro que está aqui também, e os

[00:00:31] outros participantes de referência são a Renzo e eu, Marco, de Arte do Instituto de

[00:00:35] Física.

[00:00:36] Jorge, tu começa falando do Spock ou do Nimoy?

[00:00:38] É uma boa pergunta.

[00:00:39] Estava aqui conversando com a Mara, né Mara?

[00:00:41] Sim.

[00:00:42] A gente fala do Spock e do Nimoy.

[00:00:43] E esse é um desses personagens que uma atuação em particular, das muitas que ele teve, dominou

[00:00:48] sobre a pessoa dele, como sendo o eterno Spock.

[00:00:50] E curiosamente ele tem, na sua vida pessoal, várias características semelhantes ao do

[00:00:54] personagem Spock.

[00:00:56] Mas depois nós vamos falar as curiosidades que não são tão conhecidas sobre ele, mas

[00:01:00] de fato ele estreando nesse seriado, que estreou em 1966, depois de um piloto mal sucedido

[00:01:06] em 1965, no qual ele já tinha participado.

[00:01:08] Único, né?

[00:01:09] E aliás, o personagem Spock e Nimoy no piloto era diferente do que veio a ser na série

[00:01:14] com Kierke e outros, que foi de 1966 a 1969, foram só três temáticas.

[00:01:19] Mesmo no projeto original do Roninberry, era um pouquinho diferente, era Marciano.

[00:01:24] E uma das características interessantes é que ele já era um cara com experiência

[00:01:28] de atuação em inúmeros filmes de televisão.

[00:01:31] Ele tinha 35 anos, final de carreira, se for pensar assim, o cara tem que estourar com uns

[00:01:36] vinte e poucos.

[00:01:37] Pois é.

[00:01:38] E ele trabalhava desde os vinte.

[00:01:39] Era só filmes, né?

[00:01:40] Seriados também, né?

[00:01:41] Ele tinha atuação em teatro.

[00:01:42] Tudo que é seriado dos anos 50 e 60, de Far West, vários, inclusive ele trabalhou com

[00:01:47] o Kierke num dos seriados, trabalhou com The Far Scally, o Dr.

[00:01:51] Bones num outro também, assim, puntualmente ele teve com todo mundo.

[00:01:55] Então na verdade ele criou várias coisas no seu personagem, a atitude estava no roteiro,

[00:01:59] mas por exemplo, a saudação vulcã, como é bem conhecido, a própria pinça neural,

[00:02:05] o biliscão vulcano se quiser chamar, e várias coisas que foram ideias dele, que ele foi

[00:02:09] elaborando.

[00:02:10] Então exatamente ele emprestou essa característica para acontecer um personagem que ficou imortal.

[00:02:15] E ficou imortal porque ele foi talvez o primeiro super-herói nerd da história da televisão,

[00:02:20] que era um veículo de massa, e foi, portanto, muito influente em muitos jovens que vieram

[00:02:25] futuramente a ser cientistas e outros, e de certo modo eu posso falar de mim, ele também

[00:02:29] é uma das influências na minha formação, seja um símbolo de alguém que pela lógica,

[00:02:33] pelo raciocínio, pela ciência, sempre consegue resolver tudo, ele sempre consegue resolver

[00:02:36] tudo.

[00:02:37] Ramos é o personagem com maior índice de acertos em situações exatamente, e é muito

[00:02:42] interessante porque ele fica em contraponto com aquele que é a estrela do Jornal das Estrelas,

[00:02:46] que teoricamente, pelo padrão, a estrela é o cara gostosão, lutador, aventureiro, sorridente,

[00:02:53] simpático, que era o capitão Kirk, o William Shatner.

[00:02:55] Inclusive ele foi muito criticado, por exemplo, tinha um certo conflito porque ele eclipsava

[00:03:00] o próprio Shatner, que também é muito bom no seu papel, no estilo da época e tudo,

[00:03:04] mas ele acaba sobressaindo para a certa parte, no entanto eles nunca brigaram entre si, eram

[00:03:08] amigos.

[00:03:09] Sim, eu notava que nem sempre o Spock vencia na discussão de como resolver o problema,

[00:03:14] de vez em quando os arrombos do Kirk eram a solução.

[00:03:17] Sim, nem sempre a solução lógica era a melhor solução, a emoção, a ser humano.

[00:03:22] Às vezes o Kirk resolvia a coisa sendo intempestivo, intuitivo, impulsivo é a palavra que eu estava

[00:03:29] procurando.

[00:03:30] Eu acho que o seriado logo passou de ter um protagonista a ter dois protagonistas de

[00:03:35] mesmo peso, mas essa coisa que tu tinha comentado no início dessas contribuições do Spock,

[00:03:41] foi um pouco como o seriado foi criado.

[00:03:43] O criador, o Roddenberry, deu linhas gerais de como deveria ser o personagem e ele disse

[00:03:48] vocês agora trabalhem no seu personagem.

[00:03:51] As características de extraterrestre foi uma coisa que preocupou muito ele, porque

[00:03:54] ele também não queria ficar estigmatizado ou com uma cara de palhaço, com o nariz achatado.

[00:03:59] Não queria ficar ridículo como era comum nos anos 50.

[00:04:02] E mesmo a questão das orelhas foi muito difícil.

[00:04:05] Primeiro porque eles não tinham orelhas decentes, eles por questões orçamentárias contrataram

[00:04:09] uma lojinha na esquina que fazia feitas especiais baratas e diziam, vocês só nos entreguem

[00:04:16] as orelhas e nenhuma orelha ficava decente, mas ele não queria usar, porque ele tinha

[00:04:20] medo de que aquilo ali ridicularizasse um pouco e contrastasse com a capacidade dele

[00:04:25] de atuar.

[00:04:26] Se as pessoas se focassem naquilo, a o cara de orelha pontuda e não vissem a interpretação.

[00:04:31] Tanto que ele chegava na coda, tu faz alguns episódios e se tu estiver descontente eu

[00:04:35] escrevo um episódio pra ti onde tu perde as orelhas.

[00:04:38] Mas o que tu achava, Mara, porque na verdade você teve até críticas de alguns, aos poucos,

[00:04:45] que diziam que aquilo era uma reminiscência demoníaca, porque uma orelha pontuda é coisa

[00:04:49] de demônio.

[00:04:50] Que criticava como esse personagem que representaria o lado negro da força quando ele exatamente

[00:04:55] não era.

[00:04:56] Esse era um lado do Star Trek que eu acho que é muito importante que era tentar quebrar

[00:05:00] esses preconceitos, eu acho que nesse ponto foi fundamental também.

[00:05:04] Tanto que essa questão da orelha e do lado demoníaco tem alguns episódios que eles

[00:05:07] até se referem mesmo, uma coisa dele ser visto como um demônio quando chegava num

[00:05:11] local, num planeta.

[00:05:13] O Dr.

[00:05:14] McCoy tinha que esconder as orelhas.

[00:05:15] O Dr.

[00:05:16] McCoy chamava ele de velho demônio.

[00:05:17] Isso, exatamente.

[00:05:18] Interessante porque ali na ponte da nave, da Enterprise, eles botaram todas as culturas

[00:05:24] importantes da época, estavam os russos, lá o tchekov, estavam os japoneses que era

[00:05:28] uma força importante também.

[00:05:31] Uma negra.

[00:05:32] Foi a saída do Rodmerly pra poder discutir esses assuntos que naquela época era um tabu.

[00:05:39] Todos os seriados e filmes, era família tradicional, americana, branca, e ele já tinha escrito

[00:05:45] alguns seriados onde ele não podia botar nenhum desses conteúdos, ele simplesmente

[00:05:49] cortava.

[00:05:50] Ele disse, bom, quem sabe se eu esconder numa peça de ficção científica como o Swift

[00:05:55] fez com o Gulliver, o pessoal não se dá conta e eu posso discutir papel da mulher,

[00:06:00] papel de direitos igualitários, e ele fez isso, o papel do Spock ali era pra constantemente

[00:06:06] lembrar que aquilo ali não era uma família americana do meio oeste, mas que tinha diversidade,

[00:06:12] que tinha mulheres negras e alienígenas.

[00:06:14] O seriado paradigmático desse aí era a família Walton, os Waltons, que é completamente tudo

[00:06:19] dentro do esperado.

[00:06:21] Mas tinha mais uma coisa, era também a Pogel da Guerra Fria e os valores e ideias de convívio

[00:06:25] multi-étnico e multi-cultural, ou seja, tu tem na ponte lá uma oficial de comunicações

[00:06:29] que é negra, e assim, negra emancipada, ela não tinha nenhum comportamento estereotipado

[00:06:35] do negro submisso, ou do negro que ainda estava vivendo a luta dos direitos civis dos Estados

[00:06:40] Unidos, que ainda não estava completado o processo.

[00:06:41] E teve o famoso beijo, né?

[00:06:43] Primeiro beijo multi-étnico foi do Kierke com a Urrura, na TV americana, e foi difícil.

[00:06:49] E era pra ser com o Spock, né?

[00:06:51] Mas aí já era a primeira versão.

[00:06:52] Aí já era demais.

[00:06:53] Isso foi dirigido na novíssima série atual do Universo Paralelo.

[00:06:56] Mas o muito engraçado é que, embora na parte ficcional ali, isso era permitido, né, ter

[00:07:03] uma mulher em posição de destaque, ela ganhava menos do que os personagens masculinos.

[00:07:08] Na vida real.

[00:07:09] Na vida real.

[00:07:10] E isso foi uma coisa que foi o Nimoy, que lutou pra que ela recebesse a mesma coisa

[00:07:14] que os outros homens.

[00:07:15] Exatamente.

[00:07:16] Era muito engajado essas questões de minorias e tal, porque minorias é um termo esquisito

[00:07:20] sempre, mas enfim.

[00:07:21] Além disso, tem o sacrilégio de botar um russo convivendo pacificamente com um monte

[00:07:25] de americanos.

[00:07:26] Americanos, exato.

[00:07:27] Naquela época.

[00:07:28] Na época, imagina.

[00:07:29] Mostrando que no futuro não haveria mais o conflito que estava reinando naquele período.

[00:07:32] E se tu olhar, tem várias outras características sérias, a gente não está se dedicando a

[00:07:35] elas, mas é bom você me falar, tem vários elementos bastante provocativos.

[00:07:39] Ou seja, é um futuro de paz, pelo menos dentro da terra.

[00:07:42] Não, tem os Klingons.

[00:07:43] Sim, mas paz dentro da terra.

[00:07:44] Na terra, todos estão em paz.

[00:07:45] Na federação, todos estão em paz.

[00:07:48] Tu tem uma justiça social notável, além da paz.

[00:07:51] Inclusive, ele tem a referência que não existe dinheiro.

[00:07:53] Exato.

[00:07:54] Existem uma série de coisas sugestivas de como assim, estão vendo um comunismo no futuro

[00:07:58] e ainda junto com os russos, enfim, muita crítica política, dizendo assim, não, que

[00:08:01] Star Trek é uma apologia ao comunismo, mostrando a vitória dos soviéticos, só que com personagens

[00:08:05] americanos na ponte.

[00:08:06] Também isso não funcionou, porque a história era superior a tudo isso.

[00:08:08] Mas o mais…

[00:08:09] Só que ela venceu os preconceitos, eu diria assim, ela teve sucesso porque ela trouxe

[00:08:12] todos os elementos na hora certa, no lugar certo, num veículo de massa.

[00:08:16] Se fosse assim, no cinema, dez anos antes, ou se fosse nos anos 70, não teria, talvez

[00:08:20] o mesmo impacto.

[00:08:21] Só que uma correção é que os Klingons eram inimigos no início.

[00:08:24] No início eles eram os grandes inimigos, sempre tinha uma força, que era o grande

[00:08:29] inimigo, que no fundo podia até equacionar com os russos, na realidade daquela época.

[00:08:34] Os Klingons eram os russos naquela época.

[00:08:36] O que eu ia comentar é que a surpresa que eu tive quando eu vi que só teve três temporadas,

[00:08:41] pra mim eu seria capaz de apostar que teria pelo menos sete.

[00:08:46] Esse é um efeito que até hoje acontece, de algo que enquanto se acontece não faz

[00:08:52] o sucesso merecido, e vira cult alguns anos depois, quando os atores já envelheceram

[00:08:58] e não podem nem retomar a filmagem.

[00:09:00] Se bem que eles fizeram isso até a última gotinha, né?

[00:09:03] O caso é o Firefly, que teve uma temporada, foi um seriado muito bom, é um Firefly espacial,

[00:09:11] muito bom.

[00:09:12] Até hoje é lembrado no Big Bang Theory, eles reclamam até hoje que foi recelado.

[00:09:17] Eu já assisti duas vezes e não vejo a hora que continue.

[00:09:18] Não dá pra continuar, porque o pessoal agora…

[00:09:21] Envelheceu.

[00:09:22] De quando é o Firefly?

[00:09:23] Uns dez anos.

[00:09:24] Mas tem mais, assim, o tava tudo pronto pra gravar, quarta temporada, mas ele foi abatido

[00:09:28] no fim pelas questões de lucro e tal, mas eles fizeram uma quarta temporada.

[00:09:31] A quarta temporada é um desenho animado, isso é o único seriado que continuou em

[00:09:35] desenho animado, porque era a única forma de fazer.

[00:09:38] E o interessante foi que eu uso os mesmos roteiros planejados, as histórias são todas

[00:09:41] boas, elaboradas, os desenhos são pobres, são ruins, visualmente, mas é o que deu

[00:09:45] pra fazer.

[00:09:46] Mas as modas são dos mesmos, e os dubladores são os mesmos personagens que voluntariamente

[00:09:50] gravaram pra não perder a continuidade, eles fizeram um esforço de continuar, que

[00:09:55] é comovente e, de certo modo, explica o esforço de continuar depois disso.

[00:09:58] Uma coisa interessante da comunidade de fãs de Trekkers, tem pessoas que se dedicam a

[00:10:02] filmar continuação da série.

[00:10:04] Se faz hoje continuações?

[00:10:05] Ótimas.

[00:10:06] E muito boas, com atores amadores.

[00:10:09] Uma coisa pra mim que me marcou contando um pouquinho da minha história, na televisão

[00:10:12] na época, nos anos 70, que foi quando começou a passar aqui no Brasil, os episódios TV

[00:10:17] aberta, os episódios todos fora de ordem, não tinha sequência, dava um pouquinho num

[00:10:22] canal, outro pouquinho no outro canal depois, mas pra mim foi um impacto muito grande porque

[00:10:28] não havia nenhum seriado de ficção científica na época, na TV aberta pelo menos.

[00:10:32] Mas não tinham perdido no espaço?

[00:10:34] Bom, tinha, mas aí era uma coisa muito brincalhona, uma coisa brincalhona.

[00:10:38] Mas não era uma coisa mais, digamos assim, mais séria, levasse nessa questão da ciência

[00:10:44] de uma forma aparentemente mais séria.

[00:10:46] E pra mim aquilo foi maravilhoso, não tinha documentários também, não tinham, né?

[00:10:50] E pra mim aquilo foi assim um néctar, no meio daquela aridez toda da televisão.

[00:10:56] E até conto pra vocês aqui, me apaixonei pelo Spock.

[00:11:00] Eu era apaixonadérrima pelo Spock.

[00:11:03] Eu sonhava me casar com o Spock.

[00:11:06] Pra mim ele disse, o que que é isso?

[00:11:08] Cara, eu não tenho nada a ver, né?

[00:11:10] O que te derrubava era a sobrancelinha dele.

[00:11:15] Aquela sobrancelha pra mim marcou muito porque eu sempre levantei uma sobrancelha também.

[00:11:20] E aquela coisa da lógica, da ciência.

[00:11:23] Todos nós aqui deve ter acontecido a mesma coisa, porque eu também, eu não vi na época,

[00:11:27] eu vi depois, eu era muito pequeno.

[00:11:29] Eu vi na minha adolescência, quando começa a dizer que tipo de pessoa tu é, e eu tinha

[00:11:34] essa noção não.

[00:11:35] Não, esse é um jeito de resolver coisas, na minha opinião.

[00:11:38] Exato, é isso.

[00:11:39] Pela lógica.

[00:11:40] Mas eu tinha uma pequena antipatia com o Kirk.

[00:11:43] Sempre, os episódios onde o Kirk era a estrela, eu gostava menos dos episódios onde o Kirk.

[00:11:48] Eu sempre achei ele um pouco asqueroso.

[00:11:49] Também.

[00:11:50] Também.

[00:11:51] Ele é mesmo, meio assim…

[00:11:52] Canastrão.

[00:11:53] Canastrão.

[00:11:54] Canastrão.

[00:11:55] E ele fazia bem esse papel.

[00:11:56] O engraçado é que ele é um ator muito bom e inteligente.

[00:11:57] Ele faz papel de canastrão, mas foi uma coisa curiosa, você falou, o Pedido no Espaço,

[00:12:00] ele foi lançado exatamente na mesma época, na mesma época, durante o mesmo número de

[00:12:05] temporadas, e ele foi criado pela rede concorrente para competir com o Certify, que estava tendo

[00:12:09] um índice surpreendente para o assunto, e você era, opa, é um nicho novo, vamos fazer

[00:12:13] o nosso programa.

[00:12:14] E a gente vai fazer uma comédia.

[00:12:15] É um espírito completamente diferente.

[00:12:16] Diferente.

[00:12:17] Não, pois é, que aí o roteirista tinha uma comédia, então ele queria fazer uma coisa

[00:12:20] intermediária.

[00:12:21] O que foi interessante, porque também é um seriado curioso.

[00:12:23] O Pedido no Espaço é o Autos com o Robô.

[00:12:26] Exato.

[00:12:27] O Pedido no Espaço é tudo muito careta.

[00:12:29] Tem no máximo um tio sem ligação e uma sobrinha lá, que é os que vão protagonizar,

[00:12:34] digamos, o lado erótico da história, e o resto é tudo sacanadamente puritano e tal.

[00:12:38] E até o menino se chama Bill Moomia.

[00:12:41] Bill Moomia.

[00:12:42] E uma coisa que eu vi, na época eu percebi, o meu pai, meu pai era uma pessoa extremamente

[00:12:47] simples, e ele ficava sentado vendo comigo, e depois, com a minha surpresa, eu percebi

[00:12:51] que depois que eu saí de casa e tal, às vezes quando eu chegava na casa dos meus pais,

[00:12:56] o meu pai estava sentado lá assistindo.

[00:12:57] Também se apaixonou pelo Spar Trek, apesar de não ser um cientista ou ter uma visão

[00:13:02] científica, nada disso.

[00:13:03] Ele também gostava demais do Star Trek e tal.

[00:13:05] Tem um elemento importante que o último ano da série, que é 1969, culminou com a chegada

[00:13:10] do Homem na Lua.

[00:13:11] Os três anos da série, os anos preparativos, que a gente já estava sabendo que ia chegar.

[00:13:16] Então as coisas acontecendo ao mesmo tempo, as pessoas imaginando como é que vai ser

[00:13:19] depois.

[00:13:20] Depois disso.

[00:13:21] Sim.

[00:13:22] É até surpreendente que tenha sido interrompido.

[00:13:23] Isso, eu ia dizer, foi trocado por um outro exigente, algum outro exigente.

[00:13:27] Não.

[00:13:28] O que tinha na época era o Seriado, e eu vi a todos, não me lembro, Seriado do tipo

[00:13:31] além da imaginação, Criaturas da Noite, coisas mais assim de terror e mistério e

[00:13:37] também ficção científica, tipo além da imaginação, histórias de ficção curtas,

[00:13:41] individuais.

[00:13:42] Ele até participou.

[00:13:43] Tipo X-Files.

[00:13:44] Desde a década de 50 tinha vários filmes de ficção científica que são muito bons,

[00:13:49] porque são muito ruins.

[00:13:50] O próprio Spock, o próprio Nimoy, trabalhou no que se chamava Zumbis da Estratossfera.

[00:13:57] Ele era um marciano narrado, é um dos três marcianos que chegam na Terra.

[00:14:00] E na verdade isso foi em 1952.

[00:14:03] E ele achava que ele se esforçou para que ele seria o papel que projetaria para o estrelato.

[00:14:07] Só que a série fracassou.

[00:14:08] Mas ele tinha participado de um outro seriado, Kid Monkey Baron, que foi um dos primeiros

[00:14:12] lá.

[00:14:13] E depois ele foi para vários filmes legais em 1954, o Dan, eles, ele era um sargento

[00:14:18] de exército.

[00:14:19] Em 1958 ele fez Os Comedores de Cérebro, em 1958, ele era um cientista, e aí ele fez

[00:14:25] vários outros papéis, inclusive dois filmes baseados em peças do Jean Genet, que eram

[00:14:29] de aboteiros bastante elaborados.

[00:14:31] Então ele fez vários filmes de ficção científica ao longo do tempo, e alguns deles, inclusive

[00:14:35] papéis étnicos, como eles chamam nos Estados Unidos, o personagem é um mexicano, é um

[00:14:39] russo ou um judeu, como ele de fato era.

[00:14:42] E ele participou do Agente 86 também, com o Shatner num capítulo do Agente da Anko,

[00:14:46] que era outro seriado que eu assistia.

[00:14:47] Uma vez eu contei dizendo assim, sabia que o Spock era judeu, mas no seriado ou na vida

[00:14:53] real?

[00:14:55] Das criações que ele contribuiu, um deles é o gesto, o saudação vulcana, e a frase

[00:15:00] que vem junto, a vida longa e proximidade.

[00:15:02] A frase é bíblica, e o gesto foi uma experiência que ele teve quando ele era criança.

[00:15:07] Os judeus eles são divididos em grupos, e o grupo que são os mais respeitados, que são

[00:15:12] os antigos sacerdotes do templo de Jerusalém, são os Coen, e ele é coen, eu sou coen também.

[00:15:19] Tem até algumas histórias engraçadas, porque os Coen, por terem esse status, eles têm

[00:15:23] várias restrições, uma das restrições é não poder pisar em cemitério.

[00:15:26] Até teve um episódio recente de um judeu que estava preocupado que ele ia viajar de

[00:15:30] avião, e a preocupação era que o avião, ele sendo coen, que o avião passasse por

[00:15:34] cima de cemitérios, e ele consultou o Rabino, e o Rabino deu a solução para ele, então

[00:15:38] circulou pelo mundo essa foto do cara viajando de avião dentro de um saco plástico, porque

[00:15:42] o saco plástico protegeria ele.

[00:15:44] Mas o que o Nimoy viu quando ele era pequeno, é uma bênção que eles davam, então eles

[00:15:49] estavam com o talit, que é esse lenço que se usa, cobrindo a cabeça, e o gesto com os

[00:15:55] dois dedos do meio separados, na verdade é com as duas mãos juntas, as duas mãos fazendo

[00:16:01] juntando, que isso é a letra shim em hebraico, que é a primeira letra de Shalom, e isso

[00:16:06] é uma bênção.

[00:16:07] E também é a primeira letra de um dos vários nomes de Deus.

[00:16:09] E o pai dele disse, não, olha, que é uma bênção muito poderosa, pode te fazer mal,

[00:16:13] pode até matar, tão poderosa que é a bênção.

[00:16:15] E ele obviamente espiou, ele mesmo disse, não, sobrevivi, e ele viu esses sacerdotes

[00:16:21] que o que eles faziam é uma coisa muito barulhenta, uma coisa, eles ficavam gritando, todos eles

[00:16:27] sem sincronia, e aquilo impressionou muito ele, ele viu aquela cena, estão todos eles

[00:16:31] com as mãos saindo para baixo do talit, e com as mãos emendadas, e aquilo ficou.

[00:16:36] Quando ele estava montando o personagem, no primeiro episódio onde ele encontrava outros

[00:16:40] vulcanos, que até o momento ele era único da espécie, ele pensou, bom, a gente precisa

[00:16:45] de uma saudação que nos distingue, uma espécie racional, e aí ele lembrou dessa

[00:16:51] experiência, e aquilo ali, e ele disse que foi impressionante que as pessoas passavam

[00:16:55] por ele na rua, nas semanas seguintes, e faziam o gesto, que teve uma recepção.

[00:17:00] E foi um meme, foi um dos primeiros memes televisivos, talvez.

[00:17:03] E faz 50 anos.

[00:17:04] É verdade, é verdade.

[00:17:05] Faz 50 anos e até hoje.

[00:17:06] Aliás, a tua descrição de como ele se impressionou com o negócio lá, para quem não está

[00:17:10] acostumado, é realmente ele.

[00:17:11] Ele fez uma visita para o planeta vulcano, não é?

[00:17:14] Sim.

[00:17:15] Estação muito estranha.

[00:17:16] E é interessante que da mesma maneira que existe o gesto universal de paz, que é a

[00:17:19] mão levantada, esse símbolo ficou um sinal universal de vida longa e próspera.

[00:17:23] E aliás, vida longa e próspera, que é o final de uma estação, nós damos referências

[00:17:27] no Fronteiras da Ciência, números 6, capítulo 6, versículos 24 a 26, lá tem a bênção

[00:17:33] que é dita com a imposição das mãos, e termina em vida longa e prósperidade.

[00:17:37] Eu queria conversar agora sobre essa posição do Spock, a gente ouviu falar que o Spock

[00:17:43] era um personagem que ele estava ali, que ele estava olhando o ser humano e ele basicamente

[00:17:47] ele era um…

[00:17:48] Guardião.

[00:17:49] Ele era um crítico.

[00:17:50] Não, mas ele era um crítico do ser humano.

[00:17:51] Ele estava ali, imerso, ele especial, melhor, essa é a impressão que dá para nós.

[00:17:57] Que dá para nós.

[00:17:58] Que permitia opiniões e julgamentos sobre nós.

[00:17:59] Que ele era melhor.

[00:18:00] E ele olhava o ser humano e dizia isso, está acontecendo errado.

[00:18:03] Ele era de uma civilização mais avançada, que inclusive nos tutelou na história.

[00:18:07] Sim, eles estavam esperando que a gente atingisse a capacidade do voo interestelar, e aí eles

[00:18:13] se apresentaram.

[00:18:14] Isso eu não filme depois.

[00:18:17] Tem a ver com o que a gente já tinha comentado antes, o Spock, nós que, Deus do Jovem,

[00:18:21] tivemos uma inclinação científica, a gente, aquilo representava, como é a evolução?

[00:18:27] Como é bacana ser lógico, a evolução é aquilo.

[00:18:30] Como é bom bacana confiar na tecnologia.

[00:18:32] E o ser humano representado pelos outros, pelo Kirk muitas vezes, era o que a gente

[00:18:37] não gostava do humano.

[00:18:38] Mas eu queria comentar com vocês que é interessante, isso é 60, a década de 60, guerra fria,

[00:18:43] uma certa desesperança sobre o mundo.

[00:18:46] As pessoas estão pessimistas.

[00:18:48] O que a série dizia?

[00:18:51] A série dizia que o ser humano não está legal.

[00:18:53] E a gente tem esse cara especial, que é o que a gente gostaria de ser.

[00:18:58] Mas aí tu vê na série que eu mais gosto, que é a nova geração, que muda, que aquela

[00:19:02] pessoa que fica assistindo o ser humano é o Data.

[00:19:05] É pra ser o Spock da nova série.

[00:19:07] Mas é um Spock diferente.

[00:19:08] É um Android.

[00:19:09] Ele é um Android que almeja o ser humano.

[00:19:11] Ele é completamente diferente.

[00:19:13] Enquanto o outro é um não humano que almeja e iluminiza os humanos.

[00:19:16] É, o outro é um não humano que diz que o ser humano é menos.

[00:19:18] Nós pelo menos pensávamos, a gente queria que o Kirk fosse mais que nem o Spock.

[00:19:22] E enquanto que na nova geração, o Data quer ser que nem o Picar ou que nem o Raika.

[00:19:27] O Data não quer ser que nem o Data.

[00:19:29] É verdade.

[00:19:32] Ter emoção em si.

[00:19:33] A nova geração tem um ou dois episódios que é inteiramente sobre o Data tentando ser

[00:19:38] humano.

[00:19:39] Tentando entender o que era ser humano, porque pra ele era uma evolução em relação à

[00:19:42] posição que ele está.

[00:19:44] Uma coisa importante ali na construção da história, como diz que o próprio Roddenberry

[00:19:48] deixava eles elaborarem as histórias com muito amigo do Schatner.

[00:19:51] E aí diz que a forma de nocautear a vulcana, que é a pinça neural aquela de tocar no

[00:19:57] pescoço e o cara cai, foi assim.

[00:19:59] O que estava no roteiro era uma coronhada do Phaser, uma coisa mais sem graça e trivial

[00:20:04] do universo.

[00:20:05] E diz, não, isso é ridículo, tem que ser algo mais sofisticado de acordo com o meu

[00:20:08] personagem.

[00:20:09] E aí ele teve uma ideia de fazer esse negócio de um toque que transmitisse uma energia e

[00:20:13] combinou com o Schatner, que já estava muito entrosado assim.

[00:20:16] E aí diz que o Schatner fez uma encenação tão boa na hora que ele tocou que os caras

[00:20:19] compraram na hora e daí ficou.

[00:20:21] Foi a encenação do Schatner, segundo o Spock e de Moynihan, que convenceu os caras.

[00:20:26] Eu tenho uma cena do Spock que é a que eu mais me lembro, para mim foi marcante, foi

[00:20:30] a cena que ele faz um mind fusion.

[00:20:33] Mind melt.

[00:20:34] Mind melt com aquele ser de rocha.

[00:20:37] Primeira temporada.

[00:20:38] Isso, que ele toca o ser de rocha e consegue perceber que está com dor.

[00:20:41] Aliás, se tu consegue não ser liado a fazer uma pessoa botar a mão numa pedra e parecer

[00:20:45] que está encenando uma cena Shakespeareana é porque o troço é bom.

[00:20:49] Eu não lembro desse episódio, mas a pedra parecia ter mais emoções que ele.

[00:20:53] Ela estava sofrendo.

[00:20:54] Estava com dor.

[00:20:55] Tu lembra a história?

[00:20:56] A história é que tem esses mineiros que estão sendo atacados.

[00:21:01] Mas não sabe por quê.

[00:21:02] Não sabe por quê.

[00:21:03] E é isso.

[00:21:04] Então justamente tem esses seres de silício, seres de pedra, de rochas que estão sendo

[00:21:08] dizimados sem as pessoas se darem conta.

[00:21:10] Eu nem me lembrava disso.

[00:21:11] Aí foi o Spock com o mind melting ali que consegue descobrir o que está acontecendo.

[00:21:15] E aí consegue pacificar.

[00:21:17] Para mim esse episódio é muito interessante porque foi a primeira vez que eu ouvi falar

[00:21:20] também sobre essa hipótese de que poderiam haver esses a base de silício, não a base

[00:21:25] de carbono como temos nós no planeta Terra.

[00:21:28] E depois eu vinha descobrir que isso cientificamente até havia um certo sentido.

[00:21:33] Eles usavam muito ciência para construir as histórias.

[00:21:37] Tem que lembrar que a ficção científica escrita teve um boom na década de 40, 50.

[00:21:41] Então quando chegou o Star Trek já estava baseado em toda uma literatura bem espalhada.

[00:21:46] Os anos 60 foram o que a gente apogeu da literatura de ser escrita.

[00:21:50] Só uma coisa que eu esqueci de dizer antes.

[00:21:52] Os três anos do Star Trek eles numa ponta tiveram o Homem da Lua e na outra ponta eles

[00:21:56] quase tiveram 2001.

[00:21:58] Então eles estavam embebidos assim num fascínio sobre ciência, espaço.

[00:22:04] Mas eu gosto de falar um pouco também da versatilidade de Spock.

[00:22:07] Ele era um bom ator e trabalhou em alguns filmes.

[00:22:10] Inclusive ganhou um M, foi indicado por um M naquele filme.

[00:22:13] Um deles é que ele era o marido da Golda Meir que é o último papel da Ingrid Bergman,

[00:22:17] nada menos.

[00:22:18] Mas ele ganhou ou foi indicado?

[00:22:20] Eu acho que foi indicado.

[00:22:22] Recebeu o M por cima, ele era o marido da Golda Meir.

[00:22:25] Golda Meir para quem não sabe foi Primeiro Ministro de Israel.

[00:22:28] Primeiro Ministro de Israel.

[00:22:29] Tem a invasão dos invasores de corpos que é um clássico.

[00:22:31] Ele participou em seriados logo depois do Jornal das Estrelas.

[00:22:35] Ele fez Missão Impossível, pelo menos duas temporadas.

[00:22:37] E bem mais recentemente ele foi um dos personagens relativamente recorrentes da série Fringe,

[00:22:42] que era o sócio do personagem principal.

[00:22:46] É um zumbi da Stratosfera para mim.

[00:22:48] Eu não assisti isso ainda e eu realmente estou querendo assistir um zumbi da Stratosfera.

[00:22:53] Mas a gente tem que considerar que ele não foi um ator muito bem sucedido.

[00:22:58] Não pode dizer assim que ele foi um grande ator.

[00:23:00] Ele foi contaminado pelo B.

[00:23:01] Ele fez tanto filme B que foi contaminado por grandes atores.

[00:23:03] Eu acho que o personagem dele estrapola um pouco.

[00:23:06] Ele é considerado um bom ator.

[00:23:07] Ele tinha uma escola de teatro.

[00:23:09] Aliás, antes de entrar na série ele já era instrutor de encenação.

[00:23:13] Mas ficou marcado.

[00:23:15] Como todo ator fica marcado por uma personagem e acaba se perdendo, infelizmente.

[00:23:21] O Sean Connery, por exemplo.

[00:23:22] Eu comparo o Sean Connery.

[00:23:23] O Sean Connery, a carreira dele é muito melhor que a do Nimoy.

[00:23:26] A diferença é que o Sean Connery é muito mais jovem quando ele fez 007.

[00:23:31] Eu não quero criticar o Nimoy.

[00:23:33] Mas eu acho que tem a ver com a época.

[00:23:35] Esses outros foram mais recentes.

[00:23:37] Esses que a gente está falando que foram marcados por uma personagem.

[00:23:39] Mas não ficaram tão marcados assim.

[00:23:41] Eu acho que teve a ver um pouco com a época.

[00:23:43] O primeiro recurso que ele dominava bem era a voz.

[00:23:46] E a voz era muito importante no Spock.

[00:23:48] Inclusive ele dublou muitos desenhos de histórias.

[00:23:52] Ele é o Sentinella Prime dos Transformers.

[00:23:56] A última atuação, a voz dele, está aí no filme.

[00:23:58] Ele fez uma despedida no Jardim das Estrelas na Escuridão.

[00:24:02] Rumo à escuridão.

[00:24:04] Não sei como é o nome em português.

[00:24:05] Onde ele aparece e se levantou da cadeira de roda para fazer aquela cena.

[00:24:08] Porque mal consegue ficar de pena.

[00:24:10] Ele estava muito doente.

[00:24:11] Aliás, uma ironia é que ele morreu de depoque.

[00:24:13] O Spock morreu de depoque.

[00:24:15] Doença pulmonar obstrutiva crônica.

[00:24:17] Que é um dos resultados de fumar vários anos.

[00:24:19] Já que você está falando na voz.

[00:24:21] Inclusive ele gravou alguns discos cantando como se fosse o Spock.

[00:24:25] Músicas baseadas em Fixo Sentinella.

[00:24:29] Aliás, nessa linha ele gravou junto com outros colegas.

[00:24:31] Audio-livros.

[00:24:32] A Rava Livros.

[00:24:33] Vários Vagajuelos.

[00:24:34] Júlio Verde.

[00:24:35] A voz dele é muito agradável de ouvir.

[00:24:38] Eu sou um fã recente de audiobooks agora.

[00:24:42] Tem cada coisa boa.

[00:24:44] Eu ouço dirigindo.

[00:24:46] Eu ouço antes de dormir.

[00:24:47] Eu ouço antes de dormir.

[00:24:48] Porque às vezes você te cansa lendo.

[00:24:50] Você pode ouvir no escuro.

[00:24:51] Aliás, foi aquela experiência que ele dirigiu.

[00:24:53] Dos seis filmes da jornada.

[00:24:55] As Estrelas dos Longas.

[00:24:57] Os seis primeiros foram com a equipe antiga.

[00:24:59] Ele atuou em todos e dirigiu dois.

[00:25:01] E um deles é aquele das baleias.

[00:25:03] Esse foi o mais bem sucedido.

[00:25:04] O mais bem sucedido.

[00:25:05] Um baita marco ambiental.

[00:25:07] Acho que foi o primeiro filme que trouxe essa temática.

[00:25:09] Isso já era anos 80.

[00:25:10] E ele gravou um disco que eu tenho.

[00:25:11] Que é muito legal.

[00:25:12] Que é só poemas e trechos sobre baleias.

[00:25:14] É muito bonito.

[00:25:15] Então ele realmente fez uma militância ambiental.

[00:25:17] Do jeito deles.

[00:25:18] Dando a voz e tal.

[00:25:19] Mas curiosamente a personal dele foi marcada.

[00:25:21] E eu descobri uma recente média.

[00:25:23] Ele participou de alguns clipes muito, muito ruins.

[00:25:25] Músicais dos anos 80.

[00:25:27] Tá foda isso.

[00:25:28] Tem uma banda de quatro meninos.

[00:25:30] Que cantavam umas músicas muito ruins.

[00:25:32] E essas meninas.

[00:25:33] Então é uma história que é assim.

[00:25:34] O clipe.

[00:25:35] De 1982.

[00:25:36] Ele dirigindo um táxi.

[00:25:38] Com uniforme e tudo isso aqui.

[00:25:40] E as quatro atrás cantando uma música muito chata.

[00:25:42] E ele olhando brabo pra elas.

[00:25:44] Quando dirigia.

[00:25:45] Dizendo que letra idiota.

[00:25:47] E aí elas vão cantando.

[00:25:49] Com uma cara de presente.

[00:25:50] E de graça que ele tá criticando elas.

[00:25:52] Aí ele pega e desliga o rádio.

[00:25:54] E a música para.

[00:25:55] Aí ela se levanta.

[00:25:56] Enquanto tá andando.

[00:25:57] E ela liga o rádio novo.

[00:25:58] Volta pra cantar.

[00:25:59] Ele olha e faz aquela gesta sobrancelha.

[00:26:00] Aí ele para num túnel 10 do carro.

[00:26:02] E alguns fãs dizem.

[00:26:03] Essa cena ele provavelmente pelejou descer lá.

[00:26:05] E matar elas naquele túnel.

[00:26:07] Mas acabou não matando.

[00:26:08] Porque o clipe é muito engraçado.

[00:26:09] É muito interessante.

[00:26:10] E ele gravou um outro com o Bruno Mars.

[00:26:12] A esse sim.

[00:26:13] Eu acho que é o testamento final dele.

[00:26:15] Eu gostei bastante.

[00:26:16] Porque é uma música idiota do Bruno Mars.

[00:26:18] Eu acho.

[00:26:19] Que se chama The Lazy Song.

[00:26:20] É uma canção preguiçosa.

[00:26:21] É um cara indignado com a vida.

[00:26:22] Não tá gostando de fazer nada.

[00:26:23] Não tá gostando de cozinhar.

[00:26:24] Não tá gostando de trabalhar.

[00:26:25] E fica em casa.

[00:26:26] Perdendo tempo.

[00:26:27] Comendo bobagem.

[00:26:28] E ingerindo algumas substâncias ilegais.

[00:26:30] E aí é ele encenando.

[00:26:32] Ele encenando o que o cara tá cantando.

[00:26:34] E muito bom.

[00:26:35] Esse eu recomendo.

[00:26:36] Porque na verdade ali.

[00:26:37] Naquele clipe de 3 minutos.

[00:26:38] Ele desconsoi todo o mito do Spock.

[00:26:40] Seja que ele não é um velho rabugento.

[00:26:42] Desinteressado.

[00:26:43] Desorganizado.

[00:26:44] Maconheiro.

[00:26:45] Completamente oposto.

[00:26:46] Alguém de vocês aqui.

[00:26:47] Leu alguns dos livros dele.

[00:26:48] O I Am Not Spock.

[00:26:49] Tem duas autobiografias.

[00:26:50] É.

[00:26:51] Tem I Am Not Spock.

[00:26:52] E Then I Am Spock.

[00:26:53] Não li.

[00:26:54] Porque ele mudou de ideia.

[00:26:55] Primeiro ele não é.

[00:26:56] Eu vou dizer.

[00:26:57] Eu tenho minha interpretação também.

[00:26:58] Pode ser meio maldosa.

[00:26:59] Mas minha interpretação é que quando ele…

[00:27:00] Sem ter lido.

[00:27:01] Sem ter lido.

[00:27:02] Ele escreveu 20 anos entre os livros.

[00:27:03] Análise aprofundada do título.

[00:27:04] Tem um livro recente.

[00:27:05] Ele escreveu 20 anos entre os livros.

[00:27:07] Tem um livro recente que se chama Como Discutir Livros Sem Ter-los Lido.

[00:27:13] Mas ele escreveu Não Sou Spock em 75.

[00:27:16] Isso.

[00:27:17] Sou Spock em 95.

[00:27:18] Isso, exatamente.

[00:27:19] É muito distinto.

[00:27:20] E a minha interpretação aprofundada do título é que naquele momento em 75 ele ainda tinha

[00:27:26] chance de ter uma carreira independente do nome Spock.

[00:27:28] E ele estava querendo se distanciar para ter a sua carreira.

[00:27:33] E aí em 95 ele se deu conta que não podia.

[00:27:36] Não só não podia como não queria.

[00:27:38] É.

[00:27:39] Não só podia.

[00:27:40] Demorou 20 anos para se dar conta que não dava.

[00:27:42] Que não dava.

[00:27:43] Os Spock.

[00:27:44] A gente fica pensando.

[00:27:45] O Anam Nimoy também era fotógrafo e bastante conceituado.

[00:27:48] Tem exposições.

[00:27:49] Fotógrafo, diretor.

[00:27:50] Ele dirigiu, além do episódio do Star Trek, ele dirigiu Três Homens e Um Bebê.

[00:27:55] Que é um bom filme.

[00:27:56] Que é um bom filme.

[00:27:57] Muito divertido.

[00:27:58] E foi uma época interessante para mostrar que os homens são capazes de criar uma criança

[00:28:01] também.

[00:28:02] Ele sempre se preocupava com isso.

[00:28:03] Mesmo nas fotografias que ele faz ele tenta lidar com preconceitos.

[00:28:06] Ele fez uma série de fotos sobre o judaísmo ortodoxo com mulheres ortodoxas, muito bonitas

[00:28:11] e seminuas.

[00:28:12] Uma coisa assim.

[00:28:13] E um outro com um grupo de atrizes californianas que são meio gordinhas.

[00:28:17] Com nus e coisas desse tipo.

[00:28:18] Que ficou bem bonito também.

[00:28:20] E o objetivo era mostrar que a mulher típica americana não correspondia ao padrão vendido.

[00:28:26] Não.

[00:28:27] E aquelas ali também eram normais e felizes com o direito de aparecer.

[00:28:30] Mas tem esse episódio recente, já que a gente está chegando ao final do programa, para

[00:28:33] falar da história.

[00:28:34] Tem alguns memes que estão sucedendo.

[00:28:36] O sucesso de Spock está acontecendo, um incidente no Canadá, né?

[00:28:39] O governo canadense está pedindo para as pessoas pararem de Spockizar as notas de 5 dólares

[00:28:45] canadenses.

[00:28:46] Porque tem uma pessoa, eu não sei quem é, que tem aquele ar carrancudo parecido com

[00:28:50] um vulcano não emotivo.

[00:28:52] E as pessoas estão pintando o cabelinho.

[00:28:55] Corte ela Spock, símbolos do Star Trek.

[00:28:59] O nome dele é o sétimo primeiro-ministro do Canadá, Sir Wilfred Launer.

[00:29:04] Provavelmente um vulcano, não sabia que era.

[00:29:06] Vulcano esfarçado.

[00:29:08] Pessoal pintando o cabelinho com aquela suíça indefectível de Spock.

[00:29:12] É uma suíça brava.

[00:29:13] E uma sobrancelha elevada e apontuda.

[00:29:16] Esse cara provavelmente é um vulcano esperando a gente chegar na dobra.

[00:29:21] Eu acho que eles deviam passar e colocar o Spock de verdade na nota.

[00:29:26] A gente resolveu o problema.

[00:29:27] Resolviu o problema.

[00:29:28] Ninguém mais pintas.

[00:29:29] Pronto, está resolvido.

[00:29:30] Bom, o dia já é uma ficção.

[00:29:31] Não sei por que não botar ficção científica.

[00:29:33] Então esse foi o programa Fronteiras da Ciência.

[00:29:35] Hoje a gente fez uma homenagem ao Leonardo Nimoy.

[00:29:39] Por mais que a gente fale não vai dar para homenagear tanto.

[00:29:41] Claro.

[00:29:42] Tem muito o que falar.

[00:29:43] É muito marcante.

[00:29:44] Eu acredito que seja o que a maioria dos nossos vídeos pensa.

[00:29:46] E os convidados foram Amara Ben Fato, do Departamento de Biofísica da URIs.

[00:29:50] O Jorge Külfeld, do Departamento de Biofísica da URIs também.

[00:29:54] E eu, o Marco de Arte, o Jefferson Lorenzón, da Física da URIs.

[00:29:58] O programa Fronteiras da Ciência é um projeto do Instituto de Física da URIs.

[00:30:03] Direção técnica de Francisco Guazelli.