AntiCast 196 – Batman: um fascistinha supervalorizado?
Resumo
O episódio discute a figura do Batman a partir de uma perspectiva crítica, questionando se o personagem pode ser considerado um “fascistinha supervalorizado”. Os participantes analisam as contradições inerentes ao mito: um bilionário que, em vez de usar sua fortuna para resolver problemas sociais estruturais como pobreza e educação, opta por um vigilantismo violento que mantém o status quo e, muitas vezes, piora a criminalidade em Gotham.
A conversa percorre diferentes interpretações do personagem ao longo da história, desde o Batman “cidadão de bem” dos anos 60 até o vigilante sombrio e psicótico das obras de Frank Miller (como “O Cavaleiro das Trevas”) e Grant Morrison. É destacado como essa evolução para um herói mais “realista” e brutal acabou por associar o personagem a ideais fascistas, especialmente em narrativas onde ele impõe sua própria lei, despreza instituições e age como uma força reacionária.
Os debatedores exploram a incoerência econômica e lógica do Batman: sua riqueza absurda, a origem obscura da Wayne Enterprises, o fato de sua luta contra o crime gerar mais vilões e a implausibilidade de sua identidade secreta. A discussão também se estende para como o personagem seria recebido no Brasil, com suas complexidades burocráticas e sociais, contrastando com o contexto norte-americano onde a narrativa é construída.
Por fim, o episódio conecta a análise do personagem a questões mais amplas sobre poder, justiça e ideologia. Os participantes refletem sobre como as histórias de super-heróis, especialmente as do Batman, podem naturalizar visões de mundo problemáticas, glorificando a violência extrajudicial e a figura do homem rico que “resolve” os problemas da sociedade por conta própria, enquanto perpetua sistemas de exploração.
Indicações
Filmes
- Trilogia do Batman (Christopher Nolan) — Analisada criticamente, especialmente por cenas onde o Batman quebra leis internacionais e por mostrar a Wayne Enterprises como uma empresa que praticamente construiu Gotham, levantando questões sobre conflito de interesses e poder corporativo.
- Batman (série dos anos 60) — Citada como uma versão ultra-conservadora e “politicamente correta” do personagem, preocupada com moral, bons costumes e etiqueta, em contraste gritante com as versões sombrias posteriores.
Pessoas
- Frank Miller — Discutido como o autor que, com obras como ‘O Cavaleiro das Trevas’ e ‘Ano Um’, redefiniu o Batman para um tom sombrio, violento e associado a ideais fascistas, refletindo uma guinada conservadora em sua própria visão de mundo.
- Alan Moore — Apresentado como um roteirista com uma visão crítica e comunista, que em ‘A Piada Mortal’ e ‘Watchmen’ desconstruiu os super-heróis e questionou suas motivações e impactos na sociedade.
- Grant Morrison — Mencionado como o autor responsável por elevar o Batman ao status de “gênio infalível” na Liga da Justiça, um conceito que exigiu que todos os outros personagens ao seu redor ficassem menos inteligentes para que ele se destacasse.
- Pauline Kael — Citada como a crítica de cinema que, nos anos 70, popularizou o termo “fascista” para descrever personagens vigilantes como Dirty Harry, influenciando posteriormente a leitura do Batman.
Quadrinhos
- Batman: O Cavaleiro das Trevas (Frank Miller) — Citado como a obra que consolidou a imagem do Batman como vigilante fascista e revoltado, que impõe sua lei em uma Gotham decadente. A história é analisada em seus aspectos ideológicos problemáticos, mas também em seu fascínio narrativo.
- Batman: A Piada Mortal (Alan Moore) — Apontada como uma das melhores histórias do Batman, onde o personagem é mostrado de forma mais altruísta, tentando entender e salvar o Coringa, em contraste com a violência de outras narrativas. É vista como uma crítica à própria natureza do herói.
- Batman: Ano Um (Frank Miller) — Mencionada como uma das histórias que redefine a origem do Batman para um tom mais sombrio e realista, influenciado pelo cinema dos anos 70/80, contribuindo para a imagem do vigilante urbano e violento.
- Asilo Arkham (Grant Morrison) — Citada como uma história favorita que explora a loucura do Batman e sua conexão com seus vilões, com o Coringa sugerindo que o herói pertence ao asilo tanto quanto eles.
- Watchmen (Alan Moore) — Mencionado como a obra que melhor explora como seria o mundo real com a existência de super-heróis, abordando questões de regulamentação, política e as consequências de se fazer justiça com as próprias mãos.
- Superman: Red Son (Mark Millar) — Citada como uma história interessante onde o Batman atua como um terrorista contra um Superman que governa a União Soviética, invertendo os papéis políticos tradicionais dos personagens.
Linha do Tempo
- 00:11:14 — Introdução ao debate sobre o Batman — Os participantes se apresentam e iniciam a discussão sobre o Batman, já levantando a questão central: o personagem é um “fascistinha”? Ivan expõe seu incômodo recente ao perceber a logo da Wayne Enterprises em uma cela especial no jogo Batman: Arkham Knight, destacando a contradição do milionário que lucra com o combate ao crime.
- 00:16:32 — A contradição social e econômica do Batman — Liber e Zamiliano discutem a contradição fundamental do Batman: um homem com recursos infinitos que escolhe a violência vigilante em vez de investir em soluções sociais. Eles questionam por que Bruce Wayne não usa sua fortuna para melhorar a educação, a saúde e reduzir a desigualdade em Gotham, o que teria um impacto muito maior na criminalidade.
- 00:25:27 — Origens da pecha de “fascista” e a influência do cinema — Hel traça a origem do termo “fascista” aplicado a vigilantes como o Batman até a crítica Pauline Kael, que atacou filmes como “Dirty Harry” nos anos 70. Ele explica como a reinvenção sombria do personagem por Denny O’Neil e Frank Miller, influenciada pelo cinema da época, absorveu essa imagem, transformando o Batman no justiceiro violento e fora da lei que conhecemos hoje.
- 00:41:02 — A ausência de uma crítica econômica radical nos quadrinhos — Os debatedores questionam por que nunca houve uma história que criticasse radicalmente o Batman pelo viés econômico, mostrando Bruce Wayne como um explorador que causa os problemas que combate. Eles citam Alan Moore como um autor que se aproximou dessa crítica, mas notam a resistência da cultura americana em abordar o personagem por uma perspectiva anticapitalista.
- 00:56:44 — Como o Batman funcionaria no Brasil? — A discussão especula como um Batman brasileiro, um “Thor Batista”, operaria. Os participantes concluem que ele fracassaria rapidamente, seja pela violência das facções, pela corrupção policial que exigiria propina, ou pela exposição midiática que revelaria sua identidade. A burocracia e a complexidade social do Brasil tornariam o vigilantismo ineficaz e ridículo.
- 01:08:31 — A ética questionável do Batman com os Robins — O grupo critica veementemente a prática do Batman de adotar crianças e colocá-las em perigo como Robins. Eles destacam o absurdo ético e a irresponsabilidade de usar crianças como “iscas” ou chamarizes durante o combate ao crime, caracterizando isso como uma forma extrema de exploração e trabalho infantil.
- 01:11:06 — Análise do Batman sob a lente do fascismo — Zamiliano oferece uma análise mais aprofundada, conectando o comportamento do Batman (especialmente na versão de Frank Miller) às características do fascismo: descrença nas instituições, criação de uma nova ordem, uso da violência para impor visões de mundo e um nacionalismo voltado para Gotham. Ele argumenta que o personagem é mais um conservador que mantém o status quo do que um revolucionário.
- 01:19:24 — O fascínio contraditório por “O Cavaleiro das Trevas” — Liber reflete sobre seu amor contraditório pela obra “O Cavaleiro das Trevas” de Frank Miller. Apesar de reconhecer todos os problemas ideológicos da história – a glorificação do vigilantismo, o discurso reacionário –, ele admite que a narrativa ainda o cativa, especialmente pela figura do Batman se opondo ao Superman como ferramenta do Estado, uma imagem de rebeldia anárquica.
- 01:32:47 — Expectativas para “Batman vs. Superman” e o estado da DC — A conversa se volta para o então próximo filme “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça”. Os participantes especulam sobre o enredo, que parece inverter a dinâmica de “O Cavaleiro das Trevas”, com o governo pedindo ajuda ao Batman para conter o Superman. Eles criticam a abordagem “sombria” e forçada da DC nos cinemas e a falta de compreensão dos personagens por parte do diretor Zack Snyder.
Dados do Episódio
- Podcast: AntiCast
- Autor: HD1
- Categoria: Society & Culture
- Publicado: 2015-08-20T02:47:46Z
- Duração: 01:52:21
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/anticast/59b7c240-797b-0130-0111-723c91aeae46/anticast-196-batman-um-fascistinha-supervalorizado/9aecec00-2915-0133-b327-0d11918ab357
- UUID Episódio: 9aecec00-2915-0133-b327-0d11918ab357
Dados do Podcast
- Nome: AntiCast
- Tipo: episodic
- Site: https://open.spotify.com/show/40IuG6Qs0lwYntanTQbpDJ?si=tH4elzqGSaWFAiXbTvsalg
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Transcrição
[00:00:00] Este podcast é apresentado por
[00:00:06] b9.com.br
[00:00:10] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:00:30] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:01:00] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:01:30] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:02:00] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
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[00:03:00] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:03:30] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:04:00] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
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[00:05:00] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
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[00:06:30] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:07:00] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
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[00:07:31] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
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[00:07:36] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:07:37] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:07:38] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:07:39] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:07:40] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:07:41] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:07:42] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:07:43] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:07:44] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:07:45] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:07:46] Anticast, a visão do designer sobre o mundo
[00:07:47] o pintor, o escultor
[00:07:49] o escultor, então tem umas paradas
[00:07:51] legais assim dele, mas quem sabe um dia
[00:07:53] pro módulo 3 aí
[00:07:54] mas pro módulo 2 aí vai ter Goia
[00:07:57] vai ter muita arte moderna
[00:07:59] vai ter Malevich, vai ter Kandinsky
[00:08:01] vai ter bastante coisa divertida
[00:08:03] vai focar bastante na questão da arte
[00:08:05] conceitual, que eu acho que isso é
[00:08:07] interessante também pra trabalhar
[00:08:09] com a questão da criatividade
[00:08:10] então é isso, tem um pacote
[00:08:13] promocional ali pra galera que
[00:08:15] nunca fez curso comigo e não é patrão
[00:08:17] então tem algumas poucas vagas que tá com
[00:08:19] 50% de desconto, então corra
[00:08:21] é bem limitado
[00:08:23] aquilo, vai acabar meio rápido, muita gente já
[00:08:25] se inscreveu no curso
[00:08:26] e se você é ou patrão do Anticast
[00:08:29] ou você
[00:08:30] já fez algum curso comigo, você tem um outro
[00:08:33] desconto ainda melhor
[00:08:34] daí você tem que olhar sua caixa de e-mail
[00:08:37] porque eu já mandei e-mail pra você, mas se você
[00:08:39] não quis, se você não viu esse
[00:08:41] e-mail, me manda e-mail pra contato
[00:08:42] arrobaanticast.com.br que eu te passo o código
[00:08:45] promocional pra isso
[00:08:46] Ah, e a gente não pode esquecer da comemoração
[00:08:49] do Anticast 200
[00:08:50] então, pra quem não tá
[00:08:53] sabendo, o Anticast 200 tá chegando
[00:08:55] e a gente vai fazer um hangout
[00:08:56] eu, o Ankara e o Becari
[00:08:59] vamos nós três nos reunir
[00:09:00] uma noite
[00:09:01] e esse hangout vai tá aberto só aos
[00:09:05] patrões do Anticast
[00:09:06] atenção, então só os patrões do Anticast que vão receber o link
[00:09:09] não é qualquer um
[00:09:10] que pode entrar nessa festinha, é festinha particular
[00:09:13] e tá certo?
[00:09:15] tem mais de 400 pessoas
[00:09:16] isso é particular
[00:09:17] e lá vocês vão poder
[00:09:21] fazer perguntas, o programa vai ser tipo
[00:09:23] qualquer pergunta que você quiser fazer
[00:09:24] a gente vai responder, obviamente não vai dar
[00:09:27] pra responder tudo e obviamente a gente vai ser tendencioso
[00:09:29] mas eu prometo que eu vou me esforçar
[00:09:31] pra pegar as perguntas mais sacanas
[00:09:33] tá certo?
[00:09:34] as piores, que elevam o pior ser humano
[00:09:37] então, acho que é isso
[00:09:38] então, se você quiser participar
[00:09:41] do Anticast 200, vire patrão
[00:09:43] aí que será bem-vindo
[00:09:45] um dólar, vai, vai
[00:09:47] um dólar já tá bom
[00:09:48] eu sempre falo, né, se todo mundo desse um dólar
[00:09:51] nós estávamos muito bem
[00:09:53] nossa senhora
[00:09:55] já imaginou todo mundo dando um dólar
[00:09:57] Jesus amado
[00:09:58] por exemplo, todos os ouvintes do último Anticast
[00:10:01] nossa senhora
[00:10:03] nem vai
[00:10:04] falando nisso, tem que gravar essa leitura de comentários
[00:10:07] espero que já esteja
[00:10:09] online aí, quando vocês
[00:10:11] estiverem a ver esse programa
[00:10:12] porque senão
[00:10:14] essa máquina do tempo é muito difícil
[00:10:15] o tempo me deixa confuso
[00:10:16] tá certo, então é isso
[00:10:17] bom, cara, nos falamos depois
[00:10:20] espero que na leitura de comentários, se você estiver lá
[00:10:22] isso, estarei, espero
[00:10:24] e aos ouvintes aí, muito obrigado
[00:10:26] e fiquem agora com o programa
[00:10:45] e até a próxima
[00:11:14] oi, Hel
[00:11:15] opa, e aí, beleza?
[00:11:17] beleza, seja bem-vindo de novo
[00:11:19] a Pocilga
[00:11:20] o lado do MDM, né, que você veio
[00:11:24] só pra avisar
[00:11:26] quem não sabe quem é o Hel, né
[00:11:28] então, o Liber
[00:11:30] outro especialista de quadrinhos, tudo bom, Liber?
[00:11:33] saudações, nobre, tudo bem?
[00:11:35] isso aí, sabe que Liber falaram
[00:11:36] que o seu sotaque curitibano é bem forte
[00:11:39] né, então
[00:11:39] eu sei
[00:11:42] como eu sempre, não que o meu
[00:11:44] seja menos, né, mas só pra avisar
[00:11:47] então, é
[00:11:49] seja bem-vindo aí com o seu sotaque lindo
[00:11:50] que não é sotaque
[00:11:52] vamos falar a verdade, né, a gente não tem sotaque
[00:11:54] nós que falamos certo
[00:11:56] e o seu Zamiliano
[00:11:58] baderinista, o comunista aqui, que tá pra
[00:12:00] também, debater conosco, tudo bom, Zamiliano?
[00:12:03] oi, tudo bem, criança?
[00:12:04] então, só com o time aqui
[00:12:06] o time bom, né
[00:12:08] nada tendencioso
[00:12:10] nada, nada
[00:12:13] a gente podia ter chamado a mulher
[00:12:14] do movimento Brasil Livre
[00:12:16] ah, esse seria bom
[00:12:17] então, o Batman
[00:12:20] esse fascistinha
[00:12:22] que a gente vai discutir hoje
[00:12:24] porque eu vou começar já falando que
[00:12:26] eu não sou
[00:12:28] grande leitor de quadrinhos
[00:12:30] que nem vossas senhorias
[00:12:32] Liber e Hel
[00:12:33] mas eu li os clássicos do Batman
[00:12:36] então li lá
[00:12:37] a Piada Mortal
[00:12:39] caralho, o Cavaleiro das Trevas
[00:12:42] Ano 1, todas essas merdas
[00:12:44] eu li tudo
[00:12:45] então, os clássicos eu li
[00:12:46] apesar que eu não vou mais usar essa palavra clássico
[00:12:49] porque o Hel fica falando que a Marvel não tem clássico
[00:12:51] e isso me deixa muito bravo
[00:12:52] mas não tem
[00:12:56] a mão do bloco
[00:12:58] chega a tremer aqui
[00:13:00] ó, ó, ó, Marvel
[00:13:02] Marvel, pronto, pronto
[00:13:05] ah, mas se for baixar o nível assim
[00:13:06] aí a lista da DC fica muito maior, né
[00:13:09] cara
[00:13:09] tem que ver o critério
[00:13:12] a Marvel é um bacana, hein
[00:13:14] a pintada do Alex Ross
[00:13:16] aquela coisa fotográfica
[00:13:19] mudando aqui de pauta
[00:13:20] caralho, em dois minutos a pauta já mudou
[00:13:23] cara
[00:13:23] não, mas a gente já sabe que não foi fácil
[00:13:25] pra mim, ó, Demolidor Ano 1
[00:13:28] pode até, eu até considero um clássico
[00:13:30] da Marvel
[00:13:31] aliás, a queda de Murdoch
[00:13:34] aí eu considero um clássico
[00:13:36] porra, Electra Assassina você não acha, então?
[00:13:39] hummm
[00:13:39] ah, porra
[00:13:41] se eu considerar Electra Assassina
[00:13:44] considerar, por exemplo, Asilo Arkham
[00:13:46] da DC, um clássico também
[00:13:47] mas é um clássico, como assim você não acha um clássico
[00:13:51] Asilo Arkham?
[00:13:52] então, é isso que eu tô falando
[00:13:53] tem que saber seus critérios disso
[00:13:55] pra gente poder analisar o clássico
[00:13:57] porra, maravilhoso, mas enfim, foda-se, né
[00:14:00] então, Asilo Arkham que tem o Batman, inclusive já fizemos
[00:14:02] um podcast inteiro sobre ele
[00:14:04] inclusive a gente falou, o Lieber lá falou
[00:14:06] que o
[00:14:08] o McKean, né, que desenhou
[00:14:10] ele não gostava de desenhar o Batman, né, ele odeia desenhar
[00:14:12] super-herói, e daí por isso que o Batman tá sempre na
[00:14:14] sombra, né, então
[00:14:15] cara, eu adoro essa história, cara, o McKean só aceitou fazer o Asilo Arkham
[00:14:18] porque precisava de dinheiro pra comprar
[00:14:20] uma casa nova, cara
[00:14:21] é a sina de todo mundo, né
[00:14:24] cara, diz que os caras pagavam bem
[00:14:26] porque, porra, cara, na época o cara era
[00:14:28] porra, era uma cópia do Bill Sienkiewicz
[00:14:30] mas, porra, chamava atenção, né
[00:14:32] aham, sim, mas enfim
[00:14:34] eu quero falar da minha, porque
[00:14:36] assim, muita gente começou, foram os ouvintes
[00:14:38] que deram essa ideia de fazer esse programa
[00:14:39] e assim, eu tava, apesar de não ser
[00:14:42] leitor de quadrinho nem nada, muito
[00:14:44] eu já tava jogando
[00:14:46] o último Asilo
[00:14:48] Asilo Arkham, não, né, o Batman Arkham Knight
[00:14:51] né, que saiu pra Xbox
[00:14:52] eu tava jogando lá
[00:14:54] e, cara, teve uma cena que me incomodou
[00:14:56] bastante, assim, nesse sentido, que foi assim
[00:14:58] logo no comecinho, você prende a
[00:15:00] Era Venenosa, né, bota no
[00:15:02] Batmóvel, assim e tal, daí você leva
[00:15:04] ela pra delegacia, e daí ela vai
[00:15:06] presa, só que ela não vai numa cela normal
[00:15:08] ela vai numa parada de contenção, assim
[00:15:10] que é dela
[00:15:11] ela tem diploma superior, né
[00:15:13] é, alguma coisa
[00:15:14] lá ainda existe isso, talvez
[00:15:17] mas o lance é que tem a cela especial pra Era Venenosa
[00:15:20] e daí tá lá, bem grande
[00:15:22] do lado, a logo Wayne Enterprises
[00:15:24] daí eu falei, ah não, velho, não
[00:15:26] tá muito zoado isso
[00:15:28] tipo, o cara já é um milionário
[00:15:30] que não apenas fica batendo em bandido
[00:15:31] como um justiceiro
[00:15:33] numa polícia corrupta pra caralho
[00:15:35] que é a polícia de gota
[00:15:37] já cria tecnologia
[00:15:38] e demanda, cara, tipo
[00:15:41] ele fica mais rico ainda, velho
[00:15:43] isso
[00:15:44] e daí eu disse, cara, é muito escroto, velho
[00:15:47] então, daí eu comecei a rever meus conceitos
[00:15:49] não, mas peraí, as vezes foi uma doação
[00:15:51] que ele fez pra mim
[00:15:52] ah, claro, claro, porque ele é bonzinho
[00:15:54] o Batman é o Steve Jobs da porra dali
[00:15:56] ah, ele não quer ganhar dinheiro, tá certo
[00:15:58] ele já deixa tudo fechadinho
[00:15:59] é, não, mas o Batman é um grande filantropo, né, de gota
[00:16:02] super
[00:16:03] então, mas vem esse lance
[00:16:08] porque
[00:16:09] eu queria saber se vocês algum dia já se incomodaram
[00:16:12] com o lance do Batman ser esse vigilante
[00:16:14] que ele não é o único, obviamente
[00:16:16] mas parece que tem alguma coisa no Batman
[00:16:18] que incomoda mais, assim
[00:16:20] o fato dele ser um cara que é milionário
[00:16:22] e vai bater em
[00:16:23] e vai bater em vilão
[00:16:25] o fato dele ser milionário, quando é que foi essa
[00:16:28] esse incômodo, assim, que talvez tenha
[00:16:30] gerado pra vocês? Liber, fala aí você
[00:16:32] você que é esse
[00:16:34] comunistinha de merda aí, vai lá
[00:16:35] obrigado
[00:16:36] olha, eu acho, o que eu entendo do Batman
[00:16:40] cara, é que o conceito dele original
[00:16:42] dele lá dos anos 30 que ele foi
[00:16:44] criado, já não tem mais
[00:16:46] não é que não tenha mais espaço, mas
[00:16:48] acho que a nossa sociedade tá se transformando
[00:16:49] a nossa percepção tá se transformando
[00:16:51] a gente tá ficando mais sensível a certas coisas
[00:16:53] então, tipo assim, esse conceito do Batman
[00:16:56] assim, dele, primeiro que o Batman
[00:16:57] se a gente for olhar a história dele, cara
[00:16:59] ele se vestia de arco-íris nos anos 50
[00:17:02] né, ele nos anos 60
[00:17:04] dançou a Tuzi lá
[00:17:06] fez aquele seriado
[00:17:08] sensacional, né, que nos legou ainda a Feira da Fruta
[00:17:10] então, tipo, primeiro a gente precisa
[00:17:12] especificar de qual Batman nós estamos
[00:17:14] falando, cara, o Batman
[00:17:15] é uma entidade poligonal
[00:17:18] assim, cara, ele não é
[00:17:19] uma carinha só, mas esse Batman que a gente
[00:17:22] conhece, assim, esse Batman Grant Morrison
[00:17:24] o Cavaleiro das Trevas, assim, mas
[00:17:25] mas esse zudão, cara, acho que
[00:17:28] ele foi se tornando perceptível
[00:17:30] porque, tipo, não encaixa
[00:17:32] hoje um cara que
[00:17:33] tem um contraste na história
[00:17:36] dele que é muito foda, porque o Batman
[00:17:38] ao mesmo tempo que a gente vai falar dessas questões
[00:17:40] dele ser fascista e o caramba
[00:17:41] ele tem uma outra história
[00:17:44] que eu acho que é a parte que agrada no mito
[00:17:46] dele, que é o lance da superação, né
[00:17:47] porque, pô, querendo ou não, ele tava impotente
[00:17:50] ele viu, ele perdeu
[00:17:52] os pais, é uma tragédia, mesmo que a gente tire
[00:17:54] o fator do criminoso
[00:17:55] mesmo que fosse um acidente, alguma coisa, se ele tivesse
[00:17:57] os pais serem esmagados na frente dele
[00:18:00] sabe, alguma morte horrível
[00:18:02] assim, ele superou
[00:18:03] o trauma, né, e ele decide ajudar
[00:18:06] as outras pessoas, então, tipo, ele tem uma parte
[00:18:07] positiva. Eu não sei também
[00:18:09] também acho que ele não superou
[00:18:11] eu acho que ele, o mais trauma
[00:18:14] só que esse que eu
[00:18:16] foda, assim. Ele ficou tão doido que ele saiu esmagando a cara dos outros
[00:18:18] na pedra, cara. Sim, mas
[00:18:20] essa que é a parte que é divertida
[00:18:21] da coisa que eu acho. Ele funcionava
[00:18:23] desse jeito, se a gente considerar ele como aquele
[00:18:26] personagem super-herói
[00:18:28] lembra daquela história do Mazukele
[00:18:30] que ele fez no Batman 1
[00:18:31] falando sobre o Batman, que ele dizia que super-heróis
[00:18:34] de vigilantes
[00:18:35] eles são mais reais quando eles são feitos só
[00:18:38] em tinta no papel, sem o lance da realidade
[00:18:40] o Batman, eu acho que ele funciona
[00:18:42] muito bem se você tratar ele como
[00:18:44] super-herói, tipo, o Batman da série
[00:18:46] animada dos anos 90, tipo
[00:18:47] eu acho que quando você tenta trazer ele pra realidade
[00:18:50] muito assim, cara
[00:18:51] ele não funciona, e ele faz uma alusão
[00:18:54] ao mundo de fantasia, que acho que tá cada vez mais
[00:18:56] menos fazendo sentido pra gente hoje
[00:18:58] então, tipo, eu acho que na verdade
[00:18:59] ele é um conceito que
[00:19:01] esses conflitos que a gente tá tendo, o fato de a gente
[00:19:04] tá falando aqui essas coisas, da gente
[00:19:05] tá se percebendo que o cara é um
[00:19:07] totalmente é um errado
[00:19:10] assim, na história, né
[00:19:11] ele é errado, ele é errado, o conceito todo é
[00:19:14] errado, se fosse pra fazer essa história
[00:19:15] de superação que eu falei, o Bruce Wayne tinha que ter
[00:19:17] crescido, transformado
[00:19:19] a empresa dele, sei lá
[00:19:21] numa super-ong, numa super-agência
[00:19:23] ter investido em educação, ter melhorado
[00:19:26] a condição de vida do pessoal, diminuído a
[00:19:27] desigualdade, quer dizer
[00:19:29] se o cara fosse todo aquele gênio que ele é
[00:19:32] e ele quisesse reduzir a criminalidade, provavelmente
[00:19:33] ele ia fazer isso, né
[00:19:34] não colocar uma roupa preta e se jogar
[00:19:38] na frente de bandido pra levar dinheiro
[00:19:39] é, e isso também, pessoalmente
[00:19:41] me incomoda muito, tipo, esse
[00:19:44] recursos infinitos que o Batman tem
[00:19:46] assim, né, tipo, essa riqueza
[00:19:48] assim, irreal, né, de que ele
[00:19:50] porra, ele constrói, né
[00:19:51] uns aparatos lá, pra ele
[00:19:54] usar no combate ao crime, que você
[00:19:55] imagina que custa em milhões
[00:19:58] né, cara, e justamente isso que o
[00:20:00] livro tá falando, dele não investir esse dinheiro
[00:20:02] num programa que tecnicamente
[00:20:06] poderia ter muito mais resultado
[00:20:08] em combater a criminalidade
[00:20:10] na cidade dele, do que ele sair
[00:20:12] aí espancando, sei lá, 15, 20
[00:20:14] pessoas por noite, né, cara
[00:20:15] e na real, real, queria ainda
[00:20:17] complementar ainda, isso que você tava falando
[00:20:19] a galera fica falando que o Batman é o mais realista
[00:20:22] de todos, cara, ele é o mais furado
[00:20:23] de todos, tipo, como que ele ia
[00:20:26] montar, reunir todos aqueles equipamentos
[00:20:28] que a gente vê lá no filme do Nolan e ninguém ia
[00:20:30] se ligar, como que ele colocou um elevador
[00:20:32] debaixo de um lago
[00:20:33] dentro de uma caverna, só quem
[00:20:36] se ligou, cara
[00:20:37] ele matou todos, será os operários?
[00:20:41] era que nem
[00:20:42] no outro filme lá, do Grande Truque
[00:20:44] eram operários cegos que faziam as coisas
[00:20:46] na verdade, na verdade tem sempre aquele precipício
[00:20:50] dentro da caverna, né, então ali embaixo
[00:20:52] estão todos os corpos, os operários
[00:20:54] ele foi chegando e empurrando um a um
[00:20:56] sabe qual é, faz pá, olha aí
[00:20:57] não, e outra, né, tipo, porra, cara
[00:20:59] quando você vê aqueles programas policiais
[00:21:02] americanos, né, quando tem uma
[00:21:04] o, caralho, o helicóptero
[00:21:06] né, com o holofote, cara
[00:21:08] quando o helicóptero pegou
[00:21:09] pega um, no holofote assim
[00:21:12] um carro em perseguição
[00:21:14] cara, não tem como fugir
[00:21:15] daqueles, tipo, pegou, se fudeu
[00:21:17] assim, eles vão te acompanhar até o inferno ali
[00:21:19] e o Batmóvel
[00:21:21] sempre consegue fugir, né, cara
[00:21:23] eu acho
[00:21:25] impressionante, cara
[00:21:27] nem com Batmóvel
[00:21:29] nem sem Batmóvel, o Batmóvel ele é facilmente
[00:21:31] rastreável, e essa história de você ficar
[00:21:33] correndo de telhado em telhado e chegar antes
[00:21:36] que o cara que tá de carro lá embaixo, cara
[00:21:38] cara, não tem
[00:21:40] não funciona, cara, o Batman é
[00:21:41] pendurando em cordinha, né
[00:21:44] e daí a galera vem, não, porque na realidade
[00:21:46] cara, ele tem que ir pro mundo
[00:21:48] da fantasia, cara, ele só funciona
[00:21:50] lá, cara
[00:21:51] se ele é o mais real de todos
[00:21:54] né, porque que a gente não começa a fazer aí
[00:21:56] que os policiais tenham treinamento avançado
[00:21:58] de parkour
[00:22:00] você aposenta os carros
[00:22:03] olha só a economia
[00:22:04] que a polícia tem, você aposenta os carros
[00:22:06] e põe eles todos pra correr pelos telhados
[00:22:08] pendurando um monte de cabo de aço
[00:22:10] rapá, cabo de aço Baratex aí
[00:22:12] 60 mil em Renault
[00:22:14] porra
[00:22:16] caralho, essa merda não funciona
[00:22:17] Rob, você é um garoto, não perca, pode ficar falando palavrões
[00:22:20] você é um menino ainda
[00:22:22] deixa o saco, porra
[00:22:24] mas a gente tá falando dos poderes
[00:22:26] do Batman, eu tenho que fazer aqui a grande
[00:22:28] a grande referência ao MDM
[00:22:30] que foi o podcast que me
[00:22:32] ensinou o maior poder de todos do Batman
[00:22:34] que veio da palavra, da boca do réu
[00:22:36] ainda por cima mesmo
[00:22:37] que é o melhor poder que ele tem
[00:22:40] é de tornar todo mundo em volta dele burro
[00:22:42] esse poder é foda
[00:22:44] e isso aliás é culpa, muito culpa
[00:22:46] do Grant Morrison, um autor aí
[00:22:48] conceituado, que quando ele começou a escrever
[00:22:50] a Liga da Justiça, ele que
[00:22:52] que trouxe
[00:22:54] essa figura do Batman
[00:22:55] o mais foda de todos, o infalível
[00:22:58] o maior detetive de todos os tempos
[00:23:00] é, porque ele tava ali no meio
[00:23:02] com gente como o Superman
[00:23:04] a Mulher Maravilha, o Ajax
[00:23:06] que são, cara, os caras que tem
[00:23:08] poderes absurdos assim, né cara
[00:23:10] e aí você precisa
[00:23:12] o Batman precisava compensar alguma coisa
[00:23:14] aí ele faz isso, né, tipo assim
[00:23:15] o Batman vira o cérebro, né, da Liga
[00:23:18] e aí nisso, todos os outros personagens
[00:23:20] por exemplo, o Superman, que é muito inteligente
[00:23:22] nas histórias que ele participa sozinho
[00:23:24] quando ele aparece na Liga do Morrison
[00:23:26] ele é um cara, assim, tipo, só músculos, entende?
[00:23:28] não pensa, não sabe
[00:23:29] não sabe resolver as coisas, e o Batman que acaba sendo
[00:23:32] foda
[00:23:33] se a gente pegar, por exemplo, o Batman
[00:23:36] e jogasse ele dentro de uma autarquia
[00:23:38] estadual, federal, municipal
[00:23:40] brasileira, provavelmente
[00:23:42] ele seria um gênio, porque assim, pô
[00:23:43] às vezes eu sou considerado um assistente social
[00:23:46] extremamente foda
[00:23:47] porque eu sei fazer gráfico no Excel
[00:23:50] e eu fico olhando pras pessoas
[00:23:51] eu fico olhando, eu sério, eu fico olhando
[00:23:54] pras pessoas e fico assim, gente, como assim?
[00:23:57] esses dias eu virei pra eles
[00:23:58] e cara, tinha um, onde é que eu tô trabalhando
[00:24:00] tem um caderno de ponto, eu acho a coisa mais
[00:24:02] imbecil do universo, tá lá o cadernão
[00:24:04] grandão, né, e todo mundo assiste no caderno de ponto
[00:24:06] tipo, você pode pôr a qualquer
[00:24:08] hora que você quiser, né
[00:24:09] o pior é isso, o pior é que se alguém perder o caderno de ponto
[00:24:12] ele perde o caderno de ponto, todo mundo
[00:24:13] aí eu virei pra galera e falei
[00:24:16] pô, o que vocês não fazem aqui no Excel
[00:24:17] uma tabelinha aqui
[00:24:19] aí eu fiz rapidinho pra galera, o cara negro
[00:24:22] ficou olhando pra mim e ficou tipo
[00:24:24] meu Deus, você é o Batman
[00:24:25] e qual é, galera?
[00:24:28] qual é o Microsoft Word 2000?
[00:24:31] agora, só uma coisa
[00:24:32] que eu queria falar a respeito do
[00:24:33] Bajo e dessa pecha
[00:24:35] de fascista, né, que ele ganhou
[00:24:37] a gente tem que pensar que
[00:24:38] a gênese do personagem, ele é um vingador
[00:24:42] ele é um cara que combate o crime por
[00:24:43] vingança, né, como muitos outros, como o justiceiro
[00:24:46] a diferença é que ele não mata
[00:24:48] né, digamos, o trauma dele
[00:24:50] com relação a arma, né, que matou os pais dele
[00:24:52] fez ele, né, tipo, nunca usar
[00:24:54] uma arma, nunca tirar uma vida
[00:24:55] como tiraram a dos pais dele
[00:24:57] mata, mas não salva
[00:24:58] é, não, é
[00:25:01] e essa
[00:25:03] esse lance, né
[00:25:05] tem uma, tem pessoas que
[00:25:07] criticam muito, né, o filme do Christopher Nolan
[00:25:09] por causa disso, né, por ele ter
[00:25:12] dado o Hans Algon morrer
[00:25:14] no primeiro filme, né, dentro do trem, né, falando
[00:25:15] não, isso não é uma atitude que tá dentro
[00:25:17] digamos do
[00:25:19] do cânone, é, do cânone
[00:25:21] dos princípios do personagem, né, então tem muita gente
[00:25:24] que critica esse tipo de coisa
[00:25:25] mas, aí voltando, né
[00:25:27] esse lance
[00:25:29] de classificar esse tipo de comportamento
[00:25:32] do Batman como fascista
[00:25:34] veio daquela
[00:25:35] como é que é o nome dela? Aquela crítica de cinema americana
[00:25:38] Pauline Kyle, é isso?
[00:25:39] Pauline Kyle, acho que é
[00:25:41] acho que é, não sei
[00:25:42] ela é uma das críticas mais famosas
[00:25:45] e quando, eu acho que foi
[00:25:46] mais ou menos meados ali, final dos anos 70
[00:25:49] ela começou a bater muito duro nesse tipo de filme
[00:25:51] tipo Dirty Harry
[00:25:52] Desejo de Matar, né, e ela
[00:25:55] classificou, ela disse exatamente isso
[00:25:56] ela falou que o Dirty Harry, o Paul Kersey
[00:25:59] eram personagens fascistas, né
[00:26:01] pelo fato de, tipo, de tomar
[00:26:03] a lei pelas próprias mãos
[00:26:04] de matar só, pô, você só
[00:26:07] viu os caras matando aqueles, né
[00:26:08] o batedor de carteira, o Punguistro
[00:26:11] você não via esses caras indo atrás
[00:26:13] de um senador corrupto, né
[00:26:14] e formaram
[00:26:17] centenas e centenas de acadêmicos
[00:26:19] na polícia militar, né
[00:26:21] pois é, exatamente, né
[00:26:23] mas cara, eu acho que a grande questão do
[00:26:25] Batman também é que assim, ele tem essa
[00:26:27] coisa…
[00:26:28] era só isso que eu queria falar aqui, aí a partir ali dos anos 70
[00:26:31] no final dos anos 70 e início dos anos 80
[00:26:33] foi quando o Batman, né, com o
[00:26:35] Denis O’Neill, por exemplo, esse Batman
[00:26:37] que todo mundo conhece, do Frank Miller, que é o
[00:26:39] fodão, que é esse Batman
[00:26:41] psicótico, que bate nas pessoas
[00:26:42] já tinha nas histórias do Denis O’Neill, né
[00:26:45] o Denis O’Neill que começou, tipo, com aquilo
[00:26:47] de deixar de lado aquela
[00:26:48] aquela galhofagem, aquele
[00:26:51] estilo camp, né, dos anos
[00:26:53] 50, 60
[00:26:54] e trazer o Batman de volta pra ser
[00:26:57] o vigilante noturno, o cara, né
[00:26:59] do lado
[00:27:01] do Batman
[00:27:01] o Batman sinistro, né, o Batman fodão
[00:27:05] e aí foi aí que ele começou a
[00:27:07] que ele voltou a… inclusive ele não
[00:27:09] tinha… perdeu o
[00:27:11] Robin, né, nesse período, o Robin
[00:27:12] deixou de ser Robin, né, justamente pra isso
[00:27:15] pro personagem ficar mais sério e esse tipo de coisa
[00:27:17] e aí eu acho que foi daí também
[00:27:19] que, digamos, aquela
[00:27:20] aquela
[00:27:21] aquela imagem, né, de
[00:27:24] vigilante fascista que os personagens
[00:27:27] do cinema tinham, acabou
[00:27:29] respingando, né, no Batman
[00:27:30] justamente por esse modo de agir, né
[00:27:33] e também pela influência do cinema, você vê as histórias
[00:27:35] do Frank Miller, né, pô, você vê toda a influência
[00:27:37] da linguagem cinematográfica, né
[00:27:39] dos anos 70, 80
[00:27:41] nas histórias dele, né
[00:27:42] é, esse eu acho que inclusive
[00:27:44] o que a gente fala da boa fase do Frank Miller
[00:27:47] né, que… da década de 80
[00:27:49] início de 90, que era
[00:27:51] o lance do… como era
[00:27:52] cinematográfico os quadrinhos dele, né
[00:27:54] e aquela coisa da violência urbana
[00:27:56] da cidade suja, né
[00:27:58] o lado feio, né, da cidade
[00:28:01] né, essas coisas
[00:28:01] agora, o que eu acho legal, assim, nesse sentido
[00:28:05] que quando a gente gravou lá, Liber
[00:28:06] no início do Anticast ainda, aquele
[00:28:08] fatídico Anticast, sobre o
[00:28:11] Asilo Arkham, né
[00:28:12] a gente chegou a comentar, assim
[00:28:15] que… eu lembro que a gente tava conversando
[00:28:17] e você falou isso também, que
[00:28:18] das grandes histórias do Batman no final da década
[00:28:21] de 80, que é aquilo que a gente falou
[00:28:23] né, Cavaleiro das Trevas, o Ano 1
[00:28:25] e daí eu coloco
[00:28:27] aqui três em comparação, que é o
[00:28:29] Cavaleiro das Trevas, o
[00:28:31] Asilo Arkham e a Piada Mortal
[00:28:32] que são as minhas três
[00:28:35] histórias prediletas, assim, né, eu gosto
[00:28:37] muito do Asilo Arkham por motivos
[00:28:38] pessoais, assim, eu acho foda pra caralho
[00:28:41] mas e
[00:28:43] que daí eu lembro que você falou, assim, que são
[00:28:45] três Batmans bem diferentes entre si, né
[00:28:47] isso que é interessante, e que
[00:28:49] o Cavaleiro das Trevas era bem
[00:28:51] o que estão fascistando, tipo
[00:28:52] Gotham tá pior do que jamais esteve
[00:28:54] e agora eu vou voltar a fazer justiça com as minhas
[00:28:57] mãos, assim, né, e
[00:28:58] daí eu lembro que quando você falou aquilo, eu disse
[00:29:01] cara, eu nunca pensei num Batman desse jeito, assim
[00:29:03] né, como fascista, porque
[00:29:05] a lógica que a maioria das pessoas pensam
[00:29:07] que eu acho que é o conceito original do personagem, é justamente
[00:29:09] isso, é um cara
[00:29:11] com recursos, com muita grana
[00:29:13] e que ele quer fazer o bem
[00:29:15] o problema é que
[00:29:16] daí a gente esquece que a gente tá num estado
[00:29:19] que tem leis, e que
[00:29:21] se você vai fazer justiça com a própria mão, assim
[00:29:23] porra, você não prende marginal no
[00:29:25] poste, né, velho, tipo, e o Batman
[00:29:27] faz justiça o tempo inteiro, cara
[00:29:28] não só isso, ele invade outros países
[00:29:30] pra pegar o bandido lá dentro e trazer pra cá
[00:29:33] né, exato
[00:29:34] pra cá não, levar pra Gotham, né, lá
[00:29:36] desculpa aí, pra cá, mas tipo
[00:29:38] é o que ele faz no segundo filme, né, ele invade
[00:29:41] invade a soberania do outro país
[00:29:42] faz uma operação ilegal
[00:29:45] dentro do outro país, quebra um monte
[00:29:47] de leis pra pegar o contador
[00:29:49] lá dos bandidinhos lá
[00:29:50] tipo, ele arrebenta
[00:29:53] acho que leis que tinham um escopo
[00:29:55] até maior
[00:29:56] ele destrói leis internacionais
[00:29:59] pra uma gente principal, assim
[00:30:01] mas, Libra, eu acho que
[00:30:02] até entendi bem, porque o Rambo, o Braddock
[00:30:05] o 007, eles vivem fazendo isso também
[00:30:07] não, mas não
[00:30:08] mas olha só
[00:30:09] e ainda
[00:30:11] com a legitimação ainda do estado
[00:30:13] o Braddock
[00:30:15] o 007, assim
[00:30:18] eles tem motivação nacional
[00:30:19] querendo ou não, são agentes nacionais
[00:30:21] 007 é do M5
[00:30:25] M6
[00:30:26] etc e tudo mais
[00:30:27] o Batman é de uma cidade
[00:30:30] é tipo se o cara
[00:30:34] é policial, sabe, guarda municipal
[00:30:36] a parada é a seguinte
[00:30:38] tu vai lá na Europa
[00:30:39] pra buscar o maluco, o Pablo Escobar, né
[00:30:42] cara, é foda, né
[00:30:45] é foda
[00:30:46] aliás, eu queria só tocar uma coisa também
[00:30:48] nessa questão das visões fascistas
[00:30:50] eu tava conversando, tô com um amigo meu aqui
[00:30:52] o Paulo, né
[00:30:53] e daí a gente trocou uma ideia hoje sobre o Frank Miller, né
[00:30:56] e na época que ele tava fazendo o Demolidor
[00:30:58] na primeira fase do Demolidor
[00:31:00] antes da queda de Murdock, antes de ele fazer
[00:31:02] o Cavaleiro
[00:31:03] ele teve um episódio que ele foi assaltado
[00:31:06] ele foi assaltado, parece que era irmão armada
[00:31:08] em Nova York e tal
[00:31:09] ele disse que depois desse assalto
[00:31:11] que ele começou a dar essa guinada, assim
[00:31:13] e começou a colocar umas coisas mais, assim, mais urbana
[00:31:16] mais marginália
[00:31:17] mais, assim, meio que mexeu com a cabeça do cara
[00:31:20] eu achei interessante essa questão
[00:31:22] porque o Batman mesmo
[00:31:24] o Cavaleiro das Trevas
[00:31:25] ele tem uma pecha, assim, de cidadão revoltado
[00:31:29] que vê que as instituições
[00:31:30] não estão fazendo nada, então eu vou resolver as coisas
[00:31:33] revoltados online, isso aí
[00:31:34] revoltados online, o Cavaleiro das Trevas
[00:31:36] é muito revoltados online
[00:31:37] é muito, cara, a gente já ficou puto, cara
[00:31:39] cara, ó, eu adoro aquela história
[00:31:42] só quero deixar claro isso
[00:31:43] todo mundo aqui adora
[00:31:44] ele é muito revoltados online, cara
[00:31:48] assim, tipo, total
[00:31:49] e você tava falando daí
[00:31:51] o autor, ele projeta alguma coisa
[00:31:54] no personagem quando ele escreve, né
[00:31:55] eu gosto do Alan Moore, quando ele fez a piada mortal
[00:31:58] pra mim, é a minha favorita do Batman
[00:32:00] de todas, assim, porque ele pega
[00:32:02] esse Batman novo que tá aparecendo
[00:32:04] do Daniel Neal, mais fodão
[00:32:06] mais, assim, mais sério, mais sisudo
[00:32:08] e ele meio que faz aquela…
[00:32:09] amarrar aquela ponta com o que ele era, né
[00:32:11] aquela era dourada, prateada
[00:32:13] sei lá, dos cachorrinhos
[00:32:16] vestido de Batman, do cavalo
[00:32:17] Batman, porque tem uma hora
[00:32:19] na piada mortal que eles seguram
[00:32:21] o porta-retrato que tem o Batmirim
[00:32:23] tem o Bate-Cachorro
[00:32:25] tá tudo lindo ali e ele olha pra aquele retrato, assim
[00:32:27] e eu acho divertido que as cores
[00:32:29] originais da piada mortal, né, do John Higgins
[00:32:32] elas são todas roxas
[00:32:33] todo aquele berrante, assim, tudo fazendo alusão
[00:32:36] àquele mundo
[00:32:37] das seis cores, né, que os caras falavam
[00:32:39] das cores básicas
[00:32:41] dos gibis dos anos 50
[00:32:43] então, tipo, e aquele Batman eu acho legal
[00:32:45] porque eu discordo totalmente daquela teoria
[00:32:47] louca do Grant Morrison, que ele matou
[00:32:49] o Coringa no final, cara, porque aquele
[00:32:51] Batman lá, cara, ele é o contrário
[00:32:53] do Cabral das Trevas, por exemplo
[00:32:55] ele quer, ele começa procurando
[00:32:57] diálogo com o cara
[00:32:58] ele vai lá no Zilorkan pra conversar
[00:33:01] ele, tipo, acontece toda
[00:33:03] aquela provocação, o cara
[00:33:05] aleja a Bárbara, faz toda aquela
[00:33:07] violência e, tipo, no final ele fala, pô
[00:33:09] agora você pode me arrebentar e me jogar pra galera, né
[00:33:12] só aplaudir, ele fala, não
[00:33:14] desde o começo eu só tô querendo ajudar
[00:33:16] você, eu tava junto, talvez eu estivesse junto
[00:33:18] com você, e o cara, ele faz um discurso
[00:33:20] que eu nunca vi um outro Batman
[00:33:22] ou outro herói fazer em nenhum momento
[00:33:24] naquele momento ele fala, não, eu quero
[00:33:26] ajudar, pô, você não precisa ficar assim
[00:33:28] e daí aquele é um
[00:33:30] Batman que esse Batman não considera
[00:33:32] fascista, cara, ele é um
[00:33:34] vem cá, dá um abraço, ele é um altruísta
[00:33:36] não, mas é que tá dentro dessa
[00:33:38] história específica do Batman, né, que ele é um
[00:33:39] porque ele pega e ele faz um abraço com toda aquela
[00:33:42] parte, pô, bate menino, bate
[00:33:44] cachorro, cara, eles tão na história, cara
[00:33:46] é fantasia, né
[00:33:47] eu acho que tem um pouco de
[00:33:49] do que a gente vê também no Asilo Arkham
[00:33:52] aí, esse lance
[00:33:54] do Batman, digamos assim
[00:33:55] ver o Coringa como
[00:33:58] um igual, tem muito a ver com aquele
[00:34:00] relacionamento que ele tem no Asilo Arkham
[00:34:02] quando o Coringa fala pra ele, falou, cara, você
[00:34:04] devia tá aqui com a gente, né, você é um cara que se veste
[00:34:06] de morcego, você não é normal, né, cara
[00:34:08] você é tão louco quanto nós, né
[00:34:10] eu acho que na Piada Mortal, eu faço
[00:34:12] essa leitura também, do Batman se
[00:34:14] conscientizar que ele é um pouco louco também
[00:34:16] entende? E ele entender
[00:34:18] a condição do Coringa justamente por causa disso
[00:34:20] não é simplesmente que
[00:34:22] ah, eu vou ajudar esse pobre coitado
[00:34:24] eu sou dos direitos humanos, vou ajudar
[00:34:26] esse louco
[00:34:26] nós acabamos de descobrir o problema do Batman que ele não é de humanas
[00:34:30] é, tipo
[00:34:32] eu vou ajudar esse louco assassino
[00:34:34] vem cá, me dá um abraço
[00:34:36] e esse que é o foda
[00:34:38] ele quer recuperar o Coringa, né
[00:34:39] só que o foda ali na Piada Mortal
[00:34:42] até é o absurdo, né, porque tipo
[00:34:44] o Alan Moore, ele cria uma situação revoltante de um jeito
[00:34:46] que se você for daqueles
[00:34:48] fãs assim, mais, digamos assim, revoltados online
[00:34:50] na hora que o Batman no final fala, não
[00:34:51] você vai voltar então pro hospício, cara
[00:34:54] tipo
[00:34:54] o que o pessoal quer, que ele quebra
[00:34:58] o pescoço do cara, que ele arrebenta o cara
[00:35:00] mata o cara, né, e ele não faz isso
[00:35:02] ele vai lá, tipo, não
[00:35:03] vamos manter a razão, né
[00:35:05] se a gente pensar pela perspectiva que o
[00:35:08] nosso querido amigo Ivan trouxe
[00:35:10] né, do
[00:35:10] da Bat-Apple
[00:35:13] ali atrás, faz um
[00:35:16] puta sentido, vou colocar o caralho de volta
[00:35:18] deixar minha demanda reprimida de trabalho
[00:35:20] lá no cantinho, depois ele sai de novo
[00:35:22] eu vou gastar milhões
[00:35:23] em equipar
[00:35:25] ele provavelmente
[00:35:28] ganhei a licitação do município
[00:35:31] pra ficar equipando
[00:35:34] esse caralho desse lugar, entendeu
[00:35:35] faz parte de um plano, então, do Batman
[00:35:38] um plano econômico safado
[00:35:40] cara, mas, e daí, eu queria até
[00:35:42] perguntar isso, assim, se nos quadrinhos
[00:35:44] rola esse lance da Wayne
[00:35:46] fazer tecnologia pra pegar bandido
[00:35:48] auxiliando a polícia, se ele vende esse tipo de coisa
[00:35:50] assim, vocês lembram de alguma coisa
[00:35:52] desse tipo? Não, é isso que eu falo, no quadrinho
[00:35:54] ele sempre mostra, apesar de nunca
[00:35:55] deixarem claro o que que a
[00:35:58] Wayne Tech faz pra ganhar tanto
[00:36:00] dinheiro, mas é isso que eu tô falando, no quadrinho
[00:36:02] ele é muito, ele é um cara muito
[00:36:03] filantropo, assim, ele é um cara que
[00:36:05] que doa, né, que tem
[00:36:08] instituições de caridade, não sei o que
[00:36:10] então tem muito disso, da parte
[00:36:12] colaborativa, assim, né, da Wayne Tech
[00:36:14] ceder equipamentos
[00:36:16] esse tipo de coisa, assim, pra polícia
[00:36:18] ele, ele, ele
[00:36:19] nossa senhora, eu tô pensando na versão Ike Batista
[00:36:21] aqui, porque
[00:36:22] aliás, eu sempre falei isso
[00:36:26] é o ápice do paradoxo, assim
[00:36:28] louco, assim, ele é o máximo
[00:36:29] da, da
[00:36:30] das dimensões que o capital tem
[00:36:34] assim, da tentativa do capital de se
[00:36:36] socializar, que é uma coisa maluca, né
[00:36:38] do capital social, que o pessoal fala, às vezes o pessoal
[00:36:40] discute muito sobre, principalmente
[00:36:42] sobre responsabilidade
[00:36:44] social, né, porque o capital tem que ter
[00:36:46] responsabilidade social, etc
[00:36:48] que é uma coisa
[00:36:50] que fica entre nós muito doido, né
[00:36:52] que a responsabilidade social do capital seria
[00:36:54] dar bons trabalhos e boas condições
[00:36:56] de vida pros seus
[00:36:58] trabalhadores, mas, bom, ele não vai fazer isso
[00:37:00] e ao mesmo tempo ele é o cara que vai lá
[00:37:04] e cai na porrada com os malucos
[00:37:06] sabe, e gera
[00:37:08] uma demanda, porque assim, ele
[00:37:09] depois que ele surgiu
[00:37:11] piorou ainda mais a quantidade de doido
[00:37:14] que existia na cidade
[00:37:16] é, ele virou um chamariz, né
[00:37:17] exato, né, pros maníacos de todos os lugares
[00:37:20] o paradigma da polícia
[00:37:22] militar brasileira, né, assim, a polícia militar
[00:37:24] é desorganizada e organizada ao mesmo tempo, aí os caras tem
[00:37:26] fuzil, aí o traficante começa a se organizar e depois vai ter
[00:37:28] que ter fuzil também, daqui a pouco vai ter ponto 30, outro tem ponto
[00:37:30] 50, e vai indo no infinito
[00:37:32] sabe, até
[00:37:33] você ter que ter o exército invadindo com
[00:37:36] blindado, favela, sabe
[00:37:37] é
[00:37:38] esse é um ponto
[00:37:39] essa é uma coisa que eles exploram
[00:37:42] em alguns quadrinhos também, né, que o
[00:37:44] Ossói tem tanto louco em Gotham City
[00:37:46] por causa do Batman, se o Batman não existisse
[00:37:48] não teria tanto super vilão
[00:37:50] assim, né, já foi explorado isso algumas
[00:37:52] vezes. Já, já, já inclusive falaram
[00:37:54] acho que se eu não me engano tem uma HQ que
[00:37:55] quando o Gordon não é mais
[00:37:58] o comissário
[00:38:00] aí assume um outro comissário, o outro comissário
[00:38:02] fala isso pro Batman, né, fala que
[00:38:04] se ele não existisse
[00:38:06] naquela cidade, ele tem certeza que
[00:38:08] Gotham seria muito melhor, assim, né
[00:38:09] mas eu tenho certeza. Obviamente ele teria muito menos
[00:38:12] dinheiro
[00:38:12] mas assim, eu tenho duas questões
[00:38:16] na verdade eu tenho três questões, que eu não sei se
[00:38:17] vocês conseguem, conseguiriam levantar
[00:38:19] pra mim, né, que eu fiquei pensando aqui, eu não
[00:38:21] tenho tempo de pesquisar, mas é
[00:38:23] quanto por cento
[00:38:24] de Gotham é referenciado
[00:38:28] ao capital da Wayne Enterprise, assim
[00:38:30] qual o nível de empregabilidade
[00:38:32] obviamente a gente não vai ter
[00:38:33] provavelmente não vai ter essa resposta. Não
[00:38:35] mas vamos basear no filme
[00:38:37] do Nolan, no filme do Nolan, por exemplo
[00:38:39] a Wayne é a que construiu a cidade
[00:38:41] praticamente, né. Exato. Sistema de transporte
[00:38:43] público, né. Não, tem aquele
[00:38:45] monotrilho lá que é
[00:38:48] público, mas ele
[00:38:50] passa dentro do prédio
[00:38:52] do Wayne, né, cara. É muito filho
[00:38:53] da puta, cara.
[00:38:55] Parece com o contato de projeto de Porto Maravilha
[00:38:57] que tem aqui no Rio de Janeiro, assim, é bem interessante
[00:38:59] o bondinho ali da
[00:39:01] que passa por cima
[00:39:02] da rocinha, né
[00:39:05] mas
[00:39:06] é
[00:39:06] é
[00:39:06] é
[00:39:06] , porque, assim
[00:39:09] cara, tá, olha só, você, né
[00:39:11] enquanto detentor de uma parte
[00:39:13] considerável da
[00:39:14] do trabalho na
[00:39:17] em Gotham, assim, quanto que deve ser o salário
[00:39:19] médio do trabalhador da Wayne Enterprise?
[00:39:23] É, uma
[00:39:23] coisa que eles mostram muito no quadrinho
[00:39:25] é que os Wayne, tipo, são
[00:39:27] um dos pilares de fundação
[00:39:29] de Gotham, né. Então
[00:39:30] a fortuna dos Wayne vem muito disso, de
[00:39:33] imóveis, né, da cidade toda
[00:39:35] e não sei o que, né.
[00:39:36] O cara ainda faz especulação
[00:39:38] imobiliária, a galera ainda tem que, porra, se fuder
[00:39:41] porque aumenta o preço por culpa dele.
[00:39:44] Caralho, praga de ser humano.
[00:39:46] É, não, isso que eu falo.
[00:39:47] Quando a gente analisa por esse lado, é algo muito
[00:39:49] contraditório, né, cara.
[00:39:51] Um cara que, digamos, se mostra tão
[00:39:53] preocupado, assim, com a cidade, né,
[00:39:55] de acabar com o crime e, por outro
[00:39:57] lado, ele é um
[00:39:58] capitalista feroz, assim, que tá ali, né,
[00:40:01] cara, no dia a dia da cidade,
[00:40:02] explorando pessoas, né,
[00:40:04] patrocinando esse tipo de coisa.
[00:40:06] Você tá falando de especulação imobiliária,
[00:40:09] sei lá, a Wayne Tech deve
[00:40:10] cara, uma empresa
[00:40:12] pra ser, pra ganhar tanto dinheiro,
[00:40:14] com certeza ele deve vender armamento,
[00:40:17] cara.
[00:40:19] Ele tem umas três fábricas
[00:40:20] na Indonésia, né.
[00:40:23] Cara, ou isso
[00:40:25] ele fatura em cima de farmacêuticos,
[00:40:27] né, o que eu não sei se não é pior, né.
[00:40:29] Faz uma doença,
[00:40:30] espalha e daí faz a cura, daí ele
[00:40:32] regula a cura.
[00:40:33] Ele pega, ele capturou o
[00:40:35] coringa, ele pega o gato,
[00:40:36] o riso do coringa, altera os princípios dele
[00:40:39] e vende como ansiolítico, né.
[00:40:41] Ah, você usa isso aqui, você vai ficar rindo.
[00:40:43] Sim.
[00:40:45] Vai ter uma oportunidade no mercado,
[00:40:47] olha aí.
[00:40:48] É,
[00:40:48] aquela ideia, o espírito americano, se a gente não
[00:40:53] fizer, alguém vai fazer primeiro.
[00:40:56] Mas, assim, nunca
[00:40:57] teve nenhum roteirista meio
[00:40:59] comunistinha de faculdade que pegou
[00:41:01] o Batman, assim?
[00:41:02] O Alan Moore.
[00:41:04] O Alan Moore é comunista.
[00:41:06] O Alan Moore é comunistinha de faculdade.
[00:41:08] É, não, mas eu tava pensando aqui
[00:41:11] que daí… Mostrar pelo
[00:41:12] viés econômico, assim, o Batman.
[00:41:14] É, que tipo, o Wayne sofrendo
[00:41:16] críticas, por exemplo, de
[00:41:18] acadêmicos, ou qualquer coisa assim,
[00:41:21] ou jornalistas dizendo
[00:41:22] ó, o problema de Gotham
[00:41:24] é você, por causa da exploração
[00:41:26] de trabalhadores, qualquer coisa desse jeito.
[00:41:28] Foi porque isso não vai acontecer, cara.
[00:41:30] Não, não, não, Oliver, porque lá nos Estados Unidos
[00:41:32] ninguém pensa assim.
[00:41:34] Essa é a primeira coisa, né.
[00:41:36] Essa é a primeira razão, eu acho, né.
[00:41:39] Se fala comunismo nos Estados Unidos,
[00:41:41] os caras até olham… Se você falar décimo terceiro, eles estão olhando
[00:41:42] errado, né.
[00:41:44] Se falar trinta dias de férias, já fica maluco, já, cara.
[00:41:48] Aviso prévio,
[00:41:49] não. Aviso prévio, não, não pode.
[00:41:51] Tem que ser uma surpresa, né.
[00:41:52] A vida é uma surpresa, cara.
[00:41:55] Agora, sei lá, cara, esse
[00:41:57] lance… Não, mas sabe qual que daí…
[00:41:59] Porque nesse sentido, só que com o melhor Batman,
[00:42:00] assim, pensando agora, de cabeça,
[00:42:03] eu gosto muito daí
[00:42:04] nesse sentido do Batman, do Red Son,
[00:42:06] né, do…
[00:42:08] do Mark Miller, porque ele é
[00:42:10] um terrorista, né.
[00:42:12] Ele é literalmente um terrorista, que daí
[00:42:14] cabe nisso. Eu não sei, hoje em dia,
[00:42:17] pelo pensamento em voga, as pessoas
[00:42:18] vão dizer que terrorista é o Superman,
[00:42:20] que tava lá com o símbolo do comunismo no peito.
[00:42:22] Ah, é, né.
[00:42:24] É verdade.
[00:42:28] Mas e terrorista
[00:42:29] no sentido que existe uma ordem de Estado
[00:42:30] estabelecida e que daí vai tal.
[00:42:32] Então, eu acho que nesse sentido, o Batman
[00:42:34] encaixaria melhor, assim, né.
[00:42:36] Do tipo… Mais uma coisa que eu tô falando.
[00:42:38] Mas isso é engraçado,
[00:42:39] isso é engraçado, porque o Batman,
[00:42:42] nessa situação de terrorista, ele ali é
[00:42:43] antissistêmico, né.
[00:42:46] No Batman original,
[00:42:48] ele não é antissistêmico. Ele não tá, tipo,
[00:42:49] foda-se o capitalismo, entendeu?
[00:42:51] Ah, sim, sim.
[00:42:52] Eu acho que a gente
[00:42:55] podia também analisar a figura do Batman
[00:42:57] do seriado dos anos 60, né.
[00:42:59] Eu gostaria, não, em algum momento,
[00:43:01] analisar, jogar a lente
[00:43:04] em cima, porque esse Batman,
[00:43:06] que a gente tá falando aqui agora, a gente tá levantando
[00:43:07] essas probabilizações todas, mas, cara,
[00:43:10] a gente tá achutando o cachorro morto, né, porque
[00:43:11] a gente não tá sentindo nada, né.
[00:43:13] A gente tá testando, a gente só tá levantando.
[00:43:16] E naquele dos anos 60, dá pra gente enxergar
[00:43:18] essas coisas também, cara? Porque ele era,
[00:43:20] pô, ele se candidatou a prefeito, né, cara?
[00:43:22] Você tá falando sério isso?
[00:43:24] Eu não sabia, não.
[00:43:25] Como é que foi essa da prefeitura?
[00:43:27] Perdi muita coisa do Batman dos anos 60, cara.
[00:43:29] Como é que foi essa, cara?
[00:43:31] Além da Feira da Fruta, o Batman dos anos 60,
[00:43:34] ele se candidatou a prefeito porque o pinguim,
[00:43:36] ele tinha se candidatado. Sim, sim, sim.
[00:43:37] E daí o pinguim ganhou a eleição
[00:43:40] porque o Batman não queria
[00:43:42] poluir a cidade com propaganda política.
[00:43:44] E daí eu me lembro de uma cena que era bem
[00:43:46] legal que o pinguim beijou um bebê, né,
[00:43:48] na rua, assim, daí a mamãe chegou
[00:43:49] perto do Batman com o bebê e ela, ah, beija o meu bebê.
[00:43:52] E daí ele, não, senhora, eu posso passar germes para ele.
[00:43:54] E daí ela, ele não quer beijar
[00:43:56] o meu bebê, monstro!
[00:43:58] Meanwhile, at Batman
[00:43:59] Campaign Headquarters.
[00:44:01] Don’t you think we should make them a little bigger, Batman?
[00:44:04] I think these are
[00:44:05] quite large enough.
[00:44:06] Robin. After all, the voters
[00:44:08] are interested in issues, not
[00:44:09] in window dressing. Caralho, mano.
[00:44:13] Cara, o pessoal, cara,
[00:44:16] o Batman é do controle
[00:44:18] de infecção hospitalar, né, cara.
[00:44:19] Velho, você não tem noção, cara,
[00:44:22] que ele seria dos anos 60. Bom, sei lá, o
[00:44:23] cara era um, o cara
[00:44:25] era um playboy, milionário,
[00:44:27] sabe lá quantas decepções ele pode
[00:44:29] passar para a criança, né, cara.
[00:44:33] Ele estava certo, né.
[00:44:36] O cara deve ter, no mínimo, umas três doenças
[00:44:37] cambogiana que nunca chegaram aos anos 60.
[00:44:40] Ele é o Batman que paga
[00:44:41] paquímetro, né, ele estaciona o carro,
[00:44:43] ele paga ali, né, ele fala, o bom cidadão,
[00:44:45] ele trata todo mundo por cidadão
[00:44:47] e cidadã. Bom dia, cidadão,
[00:44:49] bom dia, cidadã. Sai a luz do dia, né.
[00:44:52] Aham. Cara,
[00:44:53] ele fala, não podemos dar mau exemplo, Robin.
[00:44:55] Tem uma hora que eles estão no topo de uma
[00:44:57] torre lá, eles cortam uma grade e eles vão jogar,
[00:44:59] né. Ele vai jogar, o Robin
[00:45:01] vai jogar a grade lá, daí o Batman, não, não,
[00:45:03] Robin, pode machucar alguém. Ele tira um bate,
[00:45:05] um gancho, um ventosa
[00:45:08] e cola na parede. E deixa a grade
[00:45:10] penduradinha. Ele deixa pendurada a grade pra não…
[00:45:12] Cara, e tipo…
[00:45:13] Ele era, o Batman, ele era,
[00:45:15] olha só, nesse seriado, o Batman, pelo que você está me falando,
[00:45:18] ele era técnico de segurança
[00:45:20] do trabalho.
[00:45:22] É. Ele era político
[00:45:24] bom moço,
[00:45:25] ele era enfermeiro do controle de
[00:45:28] de doenças
[00:45:29] infecciosas do hospital, né.
[00:45:32] Porque aí o pessoal hoje fica reclamando
[00:45:33] desse negócio politicamente correto, sabe.
[00:45:35] Que politicamente correto é você pegar esse Batman,
[00:45:37] você vai vomitar, velho.
[00:45:40] E dançava muito bem,
[00:45:41] grande dançarino.
[00:45:43] Cara, eles iam entrar num bar, o Robin não podia
[00:45:45] entrar porque ele era de menor, ele ficava esperando no carro.
[00:45:48] Fenomenal.
[00:45:49] Isso numa década aqui no Brasil
[00:45:51] que você mandava o seu filho tomar uma talagada de corote,
[00:45:54] né.
[00:45:55] Corotinho aqui.
[00:45:57] E lá também, cara, ano 60 era a época da
[00:45:59] liberação sexual, né, cara. Já estava todo mundo
[00:46:01] em outra vibe, né,
[00:46:03] cara. O Batman era ultra conservador,
[00:46:05] ali, né, todo o Catias, né.
[00:46:07] Tanto que tinha esse contraponto, né.
[00:46:09] A Mulher Gato mesmo, cara, ela era super
[00:46:11] lasciva, assim, naquele seriado, né.
[00:46:13] Ela vivia tentando seduzir o Batman,
[00:46:15] tal, né.
[00:46:17] Mas ele não, ele homem, não. Exatamente.
[00:46:19] Ele não… Não, e tinha até
[00:46:21] alguns episódios que ele, tipo, ele fechava os olhos
[00:46:23] do Robin, né, pra ele não ver
[00:46:25] as coisas que ela tava fazendo, assim, né.
[00:46:27] Eu acho que tem um episódio que ele tapa o ouvido,
[00:46:29] eu acho, do Robin, quando ela tá, quando ela tá,
[00:46:31] tipo, né, se insinuando
[00:46:33] pra ele, assim, cara. É…
[00:46:35] É muito engraçado, cara, esse seriado.
[00:46:37] Agora… Ele sim era, era
[00:46:39] o cara preocupado com a
[00:46:41] a tradição aí da
[00:46:43] família cristã. A moral e bons
[00:46:45] costumes. Agora… Nessa época
[00:46:47] ele devia, o pessoal devia estar desesperado, falando assim
[00:46:49] meu Deus, os Estados Unidos tá virando uma zorra do
[00:46:51] caralho, vamos usar o Batman pra tentar conter
[00:46:53] um pouco a putaria. Pra melhorar aqui a situação,
[00:46:55] cara. Falharam miseravelmente.
[00:46:57] Agora, o lance que
[00:46:59] sempre me incomodou,
[00:47:01] tanto do Batman dos anos 60, quanto
[00:47:03] todos, cara, é o lance de, tipo, ele é
[00:47:05] um vigilante que faz a justiça
[00:47:07] com as próprias mãos, e ele é
[00:47:09] conchavo da polícia, cara. Tipo, a polícia tem um
[00:47:11] bate-sinal, assim. É como…
[00:47:13] A lógica que tem é como se
[00:47:15] tivesse uma polícia privada, que é o
[00:47:17] Batman, e que, tipo,
[00:47:19] a polícia, é o Estado dizendo
[00:47:21] fodeu, não vamos conseguir,
[00:47:23] chama o homem aí.
[00:47:25] Tipo, a OCP e o Robocop, né? É, cara.
[00:47:27] E assim,
[00:47:29] porra, nunca ninguém perguntou assim, tipo,
[00:47:31] velho,
[00:47:32] não consegui imaginar, tipo, o
[00:47:35] Obama dizendo assim, não, não, tá tranquilo aí
[00:47:37] na cidade chamar o vigilante aí, liga o bate-sinal
[00:47:39] e tal. Mas, Ivan, isso é
[00:47:41] debatido várias vezes, assim, na
[00:47:43] HQ. Ah, me conta então.
[00:47:45] Tipo, o bate-sinal,
[00:47:47] esse tipo de coisa, só é
[00:47:49] aceito porque o comissário Gordon
[00:47:51] impõe isso, né? Ele é o comissário
[00:47:53] e, tipo, ele… Mas já tiveram
[00:47:55] outras histórias, tipo, quando
[00:47:56] o comissário Gordon, sei lá, tava afastado,
[00:47:59] alguma coisa assim, que entra um outro cara e aí
[00:48:01] ele declara o Batman como
[00:48:02] criminoso também, né?
[00:48:05] E que não colabora com ele, esse tipo de coisa.
[00:48:07] Eu fico pensando isso na
[00:48:09] burocracia nacional brasileira, como é que ia ser,
[00:48:11] sabe? Porque eu sou
[00:48:13] servidor e eu tô pensando assim,
[00:48:15] porra, eu que mando nessa porra, eu sou diretor executivo
[00:48:17] dessa autarquia aqui, bota essa porra ali no telhado
[00:48:19] ali. Mas, senhor, olha só, existem legislações
[00:48:21] específicas
[00:48:22] que não permitem isso.
[00:48:25] A estrutura não foi feita para isso.
[00:48:28] Ai, ai, pô.
[00:48:29] Por que aquela coisa pesada?
[00:48:30] O Cré batendo lá e falando assim, olha só, você modificou o prédio
[00:48:33] aqui, isso vai ter que tomar uma multa.
[00:48:35] Você tá falando isso da
[00:48:36] burocracia e tal? Tem aquele
[00:48:38] Gotham City Department Policy lá,
[00:48:41] aquela história que é só com o pessoal da delegacia?
[00:48:43] Sim, sim. E eles contam daí
[00:48:45] que eles têm que contratar uma estagiária que não tem
[00:48:47] vínculo efetivo com a prefeitura,
[00:48:49] porque é a estagiária que liga e desliga
[00:48:50] o sinal, porque é totalmente ilegal.
[00:48:53] Então ninguém da polícia pode ligar.
[00:48:54] E no processo de precarização do trabalho das pessoas.
[00:48:56] É uma brecha no sistema, cara. Eles têm
[00:48:59] lá a brecha da lei deles, e deixa ilegal
[00:49:01] eles mencionarem isso. Eles têm estagiária
[00:49:03] que só está lá pra ligar e desligar o
[00:49:05] sinal, cara.
[00:49:06] E provavelmente quem paga o salário dela
[00:49:09] é a empresa Zwayne.
[00:49:12] A menina está em estagiária
[00:49:13] de engenharia elétrica, sabe?
[00:49:15] O que você aprendeu no seu estágio? Aperta um botão
[00:49:17] e alguma coisa acontece.
[00:49:19] É, faz relatório no final.
[00:49:20] A menina se formou, nunca conseguiu trabalho.
[00:49:23] A gente já está na vida dela.
[00:49:24] Agora, nesse lance também que nos Estados Unidos
[00:49:27] cada estado tem sua legislação,
[00:49:29] lá tem essa parada.
[00:49:32] A gente sabe
[00:49:33] em que estado, que Gotham,
[00:49:35] tá?
[00:49:36] Porra, eu nunca…
[00:49:38] Cara, mano, sério, é…
[00:49:40] Eu acho bem Nova York aquilo ali.
[00:49:42] É muito estranho, porque Gotham é mostrada
[00:49:45] assim como uma cidade de litoral, né?
[00:49:47] Então, eu vou pensar…
[00:49:48] Mas já vi em
[00:49:50] algumas histórias que mostram, por exemplo,
[00:49:53] que Gotham faz fronteira com
[00:49:54] Metrópolis, e Metrópolis é uma cidade
[00:49:56] tipo…
[00:49:58] Tipo Washington, na América.
[00:49:59] É, pois é. Tecnicamente, elas parecem que são muito distantes.
[00:50:03] É, a impressão que dá é que
[00:50:04] Nova York é
[00:50:06] Metrópolis, né? Se eu fosse o mundo real,
[00:50:08] e Gotham City seria uma Boston, assim.
[00:50:11] Tipo, cidade grande, mas litorânea
[00:50:13] também. Se não me engano, Boston é litorânea.
[00:50:15] Mas que daí
[00:50:16] vem esse lance, porque…
[00:50:18] Isso que eu acho doido, né?
[00:50:20] Qual que é o estado, quais são as leis daquele estado
[00:50:22] que permitem isso acontecer?
[00:50:24] Ao ponto de um comissário ter esse poder todo.
[00:50:27] Tem muito essa cara de xerifão, né?
[00:50:28] Que manda em tudo, assim.
[00:50:29] Só uma coisa, não esqueça que esse é um mundo
[00:50:32] em que tem um homem de capa vermelha
[00:50:34] que voa por aí.
[00:50:36] Eu gostaria que você considerasse
[00:50:38] isso, porque a gente tá jogando sempre
[00:50:40] nos nossos parâmetros. A gente tá falando do mundo
[00:50:42] em que de vez em quando vem um alienígena,
[00:50:44] reduz uma cidade com um raio encolhedor e leva
[00:50:46] lá dentro de uma garrafa pro espaço.
[00:50:48] E os caras vão atrás e trazem de volta.
[00:50:51] Eu acho que nesse sentido,
[00:50:54] o Watchmen do Alan Moore mostra
[00:50:56] muito bem, e tenta fazer esse paralelo
[00:50:58] de como seria o mundo real
[00:50:59] se essas figuras aparecessem de verdade,
[00:51:02] começassem a combater o crime.
[00:51:04] É coisa que mostra mesmo lá,
[00:51:06] de leis, de você tentar regulamentar,
[00:51:09] de obrigar eles a revelar
[00:51:10] suas identidades pro governo.
[00:51:12] Alguns trabalhando pro governo mesmo,
[00:51:14] outros sendo declarados ilegais,
[00:51:16] sendo presos.
[00:51:18] Inclusive era pra ser uma história da DC,
[00:51:20] o Watchmen, era pra ser com os heróis.
[00:51:22] Era pra ser com os heróis da
[00:51:24] Cartoon Comics. Quando eles
[00:51:26] terminou a
[00:51:28] crise nas infinitas terras, eles começaram
[00:51:30] a recontar vários heróis.
[00:51:33] Tipo, você teve
[00:51:34] o Bartolomeu 1, o Geordi Pérez
[00:51:36] reformando o Mundo é Maravilha, o John Byrne fazendo
[00:51:38] a nova origem do Superman.
[00:51:40] E aí o Alan Moore foi contratado pra fazer
[00:51:42] justamente, reintroduzir
[00:51:44] os personagens da Cartoon Comics, que era
[00:51:46] o Capitão Ato, o Besouro Azul,
[00:51:49] o Pacificador,
[00:51:50] o Questão. E aí ele
[00:51:52] chegou e entregou o roteiro
[00:51:54] daquela história de Watchmen. O cara leu e falou
[00:51:56] cara, é muito bom, mas
[00:51:58] eu não posso fazer isso, eu não posso botar
[00:52:00] o Pacificador como um estuprador,
[00:52:03] fazer o Questão virar um…
[00:52:04] um maluco. Um assassino de um…
[00:52:06] É, tipo, não posso fazer isso, né, cara?
[00:52:08] Então, aí a saída foi essa.
[00:52:10] Cria aí uns outros personagens similares,
[00:52:12] né, e a gente lança como uma série independente.
[00:52:15] E foi assim que saiu, né?
[00:52:16] É, mas eu acho que daria pra encaixar
[00:52:18] perfeitamente também com os próprios
[00:52:20] personagens da Liga, né, no caso.
[00:52:22] Porque se tem, por exemplo,
[00:52:24] sei lá, vai,
[00:52:26] o Dr. Manhattan obviamente seria
[00:52:28] o Super-Homem, né?
[00:52:31] Inclusive…
[00:52:31] É, o Rorschach pode ser
[00:52:33] o Batman, né? O Batman, isso.
[00:52:35] É, mas o foda do
[00:52:37] Watchmen é que justamente o único cara
[00:52:39] que tem poder, o fato dele ser só um, né,
[00:52:41] o Dr. Manhattan,
[00:52:43] é que dá pra ter toda outra lógica
[00:52:45] pro tema, né? Sim, sim, verdade.
[00:52:47] Não tem um outro ser senciente
[00:52:49] com capacidades extraordinárias que
[00:52:51] possa, né, tomar decisões por si próprio.
[00:52:54] Se bem que o próprio Manhattan, não sei se ele
[00:52:55] toma decisões por si mesmo, né?
[00:52:57] É um negócio muito estranho ele, é um autista,
[00:52:59] né, quase, assim, sei lá.
[00:53:00] Eu encaro ele como, tipo assim, um cara que,
[00:53:03] sabe, tá se fudendo, entende? Pro mundo, né?
[00:53:06] Sim, sim. Pois é, velho.
[00:53:07] Porque eu acho loucura com ele, esse lance
[00:53:09] dele, saber o que vai acontecer com ele a cada
[00:53:11] segundo da existência dele, cara.
[00:53:13] Pra frente e pra trás. Isso eu acho…
[00:53:15] É chato demais essa vida, gente. Pois é, velho.
[00:53:17] Não, eu acho engraçado que até no meio da história
[00:53:19] alguém fala pra ele, né? Eu acho que ele mesmo fala.
[00:53:21] Ele fala, ah, a diferença pra mim entre você
[00:53:23] e essa cadeira é que vocês são
[00:53:25] diferentes configurações de…
[00:53:27] de átomos, né?
[00:53:30] Mas, tipo, pra ele, uma pessoa
[00:53:31] e uma cadeira, são só
[00:53:33] um amontoado de átomos,
[00:53:35] entende? Então, pra ele, não faz diferença
[00:53:37] nenhuma, na verdade, né, cara?
[00:53:39] Sim. Eu acho que até o final é muito
[00:53:41] emblemático, quando o Osimandias pergunta pra ele,
[00:53:43] ah, e aí, no final, eu fiz a coisa certa.
[00:53:45] Ele fala, final? Mas que final? Quem disse que é o final,
[00:53:48] né? Não é o final, na verdade.
[00:53:50] Aí ele fala que ele tá…
[00:53:51] Aí ele começa a falar de dialética.
[00:53:53] É, não, e ele fala uma coisa que eu acho
[00:53:55] muito interessante. Ele fala que ele gostou tanto, né,
[00:53:57] de conviver com humanos, que talvez ele vá
[00:53:59] criar alguns.
[00:54:01] Porra, ele é Deus, entende, cara?
[00:54:03] Sim, sim, sim.
[00:54:05] Esses humanos são daorinha mesmo, né?
[00:54:07] Eu vou fazer The Sims ali naquele planeta.
[00:54:10] Robin, você me mandou tomar no cu.
[00:54:12] Eu não acredito no que eu ouvi.
[00:54:13] Não acredito no que eu ouvi, não pode ser verdade
[00:54:15] isso que eu escutei agora. Você é um menino ainda,
[00:54:17] Robin, eu te criei. Tá bom, tá bom, é verdade, sim.
[00:54:19] Eu acho só. Mas vamos brincar
[00:54:21] um pouquinho, então. Vamos esquecer que
[00:54:23] existe um alienígena que anda de capa
[00:54:25] ver… capa vermelha por aí.
[00:54:27] Vamos pensar no Batman do Nolan,
[00:54:29] especificamente? Não, não, não, vamos pensar melhor ainda,
[00:54:31] ó. Vamos, porque assim,
[00:54:33] Gotham, tipo, a gente não sabe quais são as leis de
[00:54:35] Gotham, foda-se. Vamos pensar
[00:54:37] no nosso mundinho, no Batman ali
[00:54:39] do Rio de Janeiro, né, que temos aqui.
[00:54:41] O Batman do lixo? Mas qual?
[00:54:43] O Batman da milícia? É, não, não, mas…
[00:54:45] Porque tem dois Batmans, tem três
[00:54:47] Batmans. Tem o Batman da milícia, o Batman
[00:54:49] que faz vergonha nos protestos
[00:54:51] e o Batman do lixo.
[00:54:54] Não sei se vocês conhecem esses três.
[00:54:56] Não, mas…
[00:54:57] Foda-se, vamos pensar
[00:54:59] que um desses Batmans é um milionário,
[00:55:01] tá? Vamos pensar assim. Eu prefiro o Batman
[00:55:03] da panela na frente da TV, cara. Esse é ótimo.
[00:55:06] Esse é o Batman
[00:55:08] que faz vergonha. É, exato.
[00:55:10] Mas vamos pensar que assim,
[00:55:12] vamos pensar que um Ike Batista
[00:55:13] mais jovem… Qual que é o nome do filho?
[00:55:15] O Thor Batista, né? O Thor.
[00:55:17] Pô, agora não tem mais, mas
[00:55:19] um dia teve grana pra caralho, daí você assim,
[00:55:21] porra, cara, o que eu vou fazer? Vou ser
[00:55:23] um super-herói agora, tá? Então, vou
[00:55:25] investir em parada pra caralho aqui.
[00:55:28] E no Brasil? No Brasil,
[00:55:29] no Brasil, esse é o lance, tá? Vou treinar,
[00:55:31] virar um atleta olímpico, né? Isso, Rio de Janeiro,
[00:55:33] tá? Vou me vestir de morcego
[00:55:35] pra inspirar o horror no coração
[00:55:37] dos criminosos. Isso, não, não, não, olha só,
[00:55:39] olha que doido, olha que doido.
[00:55:41] O Thor Batista, quando era criança,
[00:55:43] foi pro cinema com o Ike e com a
[00:55:45] mãe dele. E daí,
[00:55:47] foram assistir Zorro,
[00:55:49] e daí, ou Jurassic Park,
[00:55:51] vai. Não, Zorro, não, não,
[00:55:52] assisti Sete Gatinhos.
[00:55:55] Boa, boa, boa, Sete Gatinhos, melhor
[00:55:57] ainda. Mas daí foi,
[00:55:59] mas o Zorro do Tony Bandeiras gostei também.
[00:56:01] Tentei, encaixa aí.
[00:56:03] E daí foi ver o Zorro do Tony Bandeiras.
[00:56:06] Tava saindo ali,
[00:56:07] Rio de Janeiro é perigoso e tal,
[00:56:09] os caras são milionários e foda-se, né?
[00:56:11] Tipo, não tem segurança, não tem nada,
[00:56:13] porque acreditam que o Rio de Janeiro só tem gente boa.
[00:56:16] Daí, só assaltado, morre.
[00:56:18] Thor Batista diz assim,
[00:56:20] quer saber? Foda-se
[00:56:21] esse meu nome aqui, que é da Marvel,
[00:56:23] eu vou virar…
[00:56:24] Eu vou virar o Batman.
[00:56:27] Vou virar o Batman. E daí ele vai lá,
[00:56:30] passa a vida inteira, treinamento ninja,
[00:56:31] o caralho, assim e tal.
[00:56:33] E daí, de repente, aparece
[00:56:36] no noticiário que tem um cara andando de preto
[00:56:38] por aí, prendendo bandido
[00:56:40] e não sei o que, talará.
[00:56:42] Lei do Brasil. Vamos lá. Como é que vai funcionar essa merda?
[00:56:44] Como é que vocês acham que aconteceria?
[00:56:46] Começa a aparecer notícias…
[00:56:47] Primeira vez que ele subisse o morro atrás de um traficante,
[00:56:50] ele morria.
[00:56:52] Bordo, burréu,
[00:56:53] nada mais a que sentar.
[00:56:57] E eu ia encontrar ele
[00:56:58] só enrolado nos pneus lá, queimado.
[00:57:02] Esse é o…
[00:57:03] O primeiro passo, cara. Ele não passa da porta.
[00:57:06] Ele cai. Não tem…
[00:57:08] Não, mas…
[00:57:09] Vamos acreditar que ele tem
[00:57:11] treinamento ninja foda, porra.
[00:57:13] Vamos brincar. Vamos pensar, por exemplo,
[00:57:15] nesses caras, tipo, malucos da
[00:57:17] Segunda Guerra Mundial, que sobreviveram e mataram
[00:57:19] gente pra caralho e tudo mais. Eu acho que
[00:57:21] ele ia ser, tipo, um sniper.
[00:57:24] Aham.
[00:57:26] Mas ele não mata.
[00:57:28] Ele não mata.
[00:57:29] Não mata.
[00:57:30] Digamos, então, que… Primeira coisa,
[00:57:33] ele ia ter que se adequar à realidade brasileira.
[00:57:35] Ele ia ter que usar boa parte da fortuna dele
[00:57:37] pagando propina. Pra ser, tipo,
[00:57:39] ah, deu merda, me prenderam,
[00:57:41] eu vou ter que molhar a mão do cara pra poder sair,
[00:57:43] né, tal.
[00:57:43] Ele ia conseguir muita coisa fazendo isso.
[00:57:45] Um exército particular.
[00:57:47] No fim das contas, ele ia ter que… Essa moral que o Batman tem,
[00:57:50] aí, de ser um cara
[00:57:52] correto nesse sentido, né,
[00:57:54] de não apoiar corruptos, de coisa…
[00:57:56] Morreu, né? Se ele fosse ter essa atitude
[00:57:58] aqui no Brasil, ele tava fudido. Ele não ia conseguir
[00:58:00] fazer merda nenhuma, né, cara?
[00:58:03] E aí, outra coisa, ele vai ser igual ao Batman,
[00:58:05] que, tipo assim, só combate os tentáculosinhos
[00:58:08] do crime organizado, ou ele ia tentar
[00:58:09] chegar na cabeça? Porque se ele ia tentar…
[00:58:11] Chegar na cabeça, chegar na cabeça.
[00:58:13] Ele é ambicioso. Ele ia ter que ir pra Brasília, né?
[00:58:14] Ia ter que ir pra Brasília, né?
[00:58:17] Bater em gente diferente.
[00:58:18] O Batman sentando a parrada em maluco
[00:58:19] na Asa Oeste, né, de Brasília.
[00:58:23] Imagina lá, a TV Senado
[00:58:25] transmitindo o discurso de um
[00:58:27] politizão lá, de repente quebra a janela,
[00:58:29] o Batman entra lá, espanca o cara,
[00:58:30] algema ele e leva ele embora, né?
[00:58:33] Falando, ó, você tá preso, né?
[00:58:36] Não ia dar certo.
[00:58:37] O cara já ia puxar a cara e ia, opa,
[00:58:38] imunidade parlamentar, otário. Aqui você não pode
[00:58:41] fazer isso, né? Tá, opa, pô.
[00:58:44] Mas, sim,
[00:58:45] vamos dizer assim, que, por exemplo,
[00:58:47] aqui no Brasil nós temos vários
[00:58:49] casos de, por exemplo, polícia privada,
[00:58:51] a segurança privada, que mata.
[00:58:53] Que mata, que dá porrada,
[00:58:55] que dá caralho, assim.
[00:58:57] E, teoricamente, não acontece nada,
[00:58:59] ou, enfim.
[00:59:01] Será que o cara não poderia entrar justamente como
[00:59:02] Batman Corporated mesmo,
[00:59:05] que nem tem nos quadrinhos depois?
[00:59:07] Tipo, a corporação de uma, tipo,
[00:59:08] uma empresa privada, assim, que é só
[00:59:11] o Batman, por exemplo, que daí
[00:59:12] faz serviço pro governo?
[00:59:14] Isso já existe, é a milícia, né, cara?
[00:59:16] É, o Batman miliciano
[00:59:19] do Rio, né? Mas eu acho que ele ia conseguir
[00:59:21] fazer coisa assim, cara, se você pensar em técnica
[00:59:23] de furtividade, de sequestro,
[00:59:25] porque ele ia ser o Batman sequestrador, ele ia sequestrar
[00:59:27] todo mundo na
[00:59:29] favela, levar embora,
[00:59:32] aí deixar na porta,
[00:59:32] e, obviamente, o cara seria solto
[00:59:34] porque ele pagou propina pra caralho pro
[00:59:36] policial, né?
[00:59:38] O Batman… Não, ia ser uma
[00:59:40] guerra de propina, tipo, o trafica
[00:59:43] pagando pra ser liberado, e o Batman
[00:59:44] pagando mais pra manter ele preso, entende?
[00:59:47] E essa é a briga.
[00:59:50] Eu acho que
[00:59:50] o Fiji não ia vender porra nenhuma.
[00:59:53] Ah, mas o meu ponto é…
[00:59:55] Acho que ia ser um fracasso, entendeu?
[00:59:56] Quanto tempo que não demorar pra descobrir que
[00:59:58] o Batman é o Thor Batista? Esse é o meu ponto
[01:00:01] também, sabe? Porque… Bom,
[01:00:02] eu tenho uma outra…
[01:00:03] Agora há pouco a gente tava discutindo como a polícia técnica
[01:00:07] do Brasil é um cocô, né?
[01:00:08] Ah, a gente tava em off.
[01:00:09] Mas vocês estão desconsiderando uma coisa
[01:00:13] muito poderosa aqui, que é os paparazzi
[01:00:15] e o site de fofoca, cara.
[01:00:18] Obviamente que
[01:00:18] a primeira foto que aparecesse
[01:00:21] do Batman, alguma cocota que é
[01:00:23] apaixonada pelo Thor Batista
[01:00:24] ia falar, ai, gente, é o Thor Batista,
[01:00:27] olha ali, é o que? Achei igual, não sei o que.
[01:00:29] Porra, na hora, né? E eu descobri
[01:00:31] quem que ele é. Sim, é verdade.
[01:00:32] É verdade. Eu queria fazer
[01:00:34] uma coisa só, cara. Primeiro, quem disse
[01:00:37] que esse Batman ia ter espaço na mídia?
[01:00:40] Hum…
[01:00:40] Lógico. Lógico que ia, cara.
[01:00:43] Eu acho que é que nem o nosso
[01:00:44] Oil Man aqui, cara. Não, não, não.
[01:00:47] Liber, é o milionário,
[01:00:49] cara. Ele ia ter um dono, ele ia ser
[01:00:51] o dono do jornal, cara.
[01:00:52] Não, mas outra que eu tô…
[01:00:54] Não, vamos pensar que ele foi lá e pegou
[01:00:56] o cara que matou o Tim Lopes. Boa.
[01:00:59] Porra, ele ia começar com a moral
[01:01:01] do caralho da Globo. Caralho, esse maluco pegou
[01:01:02] o cara que matou o Tim Lopes.
[01:01:04] E do jeito que tem programas
[01:01:07] aqui, esses programas que exploram
[01:01:09] o mundo cão, que fazem esse tipo de coisa
[01:01:11] assim, pô, cara, certeza
[01:01:12] que o Batman ia ser chamariz de
[01:01:14] audiência, né, cara? Ia ter programas aí.
[01:01:17] O programa do Datena mesmo ia ficar
[01:01:19] falando Batman o dia todo, cara.
[01:01:21] Te deu uma ideia, cara. Um programa de TV podia pegar
[01:01:23] e inventar um herói, assim, tipo um Batman
[01:01:25] e ficar acompanhando ele, assim.
[01:01:26] E financiar esse cara.
[01:01:28] E fazer ele andar e quando ele morria
[01:01:30] substituir por outro.
[01:01:32] Caralho. Continuado eterno, cara.
[01:01:35] Ia ser um bom super-herói brasileiro,
[01:01:37] cara. Caralho,
[01:01:39] mano. Mas não é óbvio, ninguém pensou nisso ainda?
[01:01:41] Não, não.
[01:01:45] O Gugu fez só que ao contrário,
[01:01:47] né? Ele botou um cara vestido
[01:01:49] de Comando Vermelho, lá entrevistou
[01:01:51] o cara. Então foi PCC.
[01:01:52] PCC, isso, é verdade.
[01:01:54] Lá em São Paulo é PCC.
[01:01:57] Foi um momento emblemático, né?
[01:01:59] É. Na história nacional.
[01:02:01] Esse ele no lixão, sempre.
[01:02:02] Né?
[01:02:03] Robin, desculpa. Nós somos a dupla dinâmica.
[01:02:05] Temos que se soltar em prol da justiça.
[01:02:08] Não se fuder, seu filho da puta.
[01:02:10] Outra vez? Não acredito que você está me xingando
[01:02:12] outra vez, Robin. Vou te fuder a gaga
[01:02:14] agora, hein? Sai daqui, filho da puta.
[01:02:16] Qual que foi o lance que rolou recentemente
[01:02:18] acho que uns dois, três anos,
[01:02:20] o lance do Batman Corporated?
[01:02:23] Qual que era o conceito
[01:02:24] disso, a Corporação Batman?
[01:02:26] O que era isso, real?
[01:02:28] Corporação Batman foi justamente isso.
[01:02:29] Foi o Bruce Wayne,
[01:02:31] ele assumiu que
[01:02:33] não que ele era o Batman, mas ele
[01:02:35] disse, pra opinião pública, que ele
[01:02:37] era o grande financiador do Batman,
[01:02:39] na verdade. Justamente pra afastar
[01:02:42] que as pessoas estavam começando a ficar desconfiadas
[01:02:44] e tal. Então ele assumiu publicamente
[01:02:46] que ele financiava o Batman, né?
[01:02:48] Pra lutar contra o crime
[01:02:49] e que ele tava expandindo esse negócio
[01:02:52] com o Batman Incorporated, que era
[01:02:53] financiando… Nossa, ele colocou uma mira gigante
[01:02:56] em cima de todos os funcionários
[01:02:57] da Wendel e a Price, né?
[01:02:59] Que aí ele botou…
[01:03:01] Tava financiando vários vigilantes, né?
[01:03:04] Tipo, com essa temática do Batman
[01:03:06] em diversos países e também
[01:03:08] criou aquela… Uma legião de robôs,
[01:03:10] né? Que ficavam patrulhando a cidade,
[01:03:12] né? Esse tipo de coisa, sim.
[01:03:14] Cara, mas é…
[01:03:16] Isso é muito errado, velho.
[01:03:18] Ele ganhou licitação de novo, né?
[01:03:21] Não, era o esquema de privado
[01:03:24] mesmo, de… Vigilância privada.
[01:03:27] E isso continua valendo
[01:03:28] ou eles já revogaram essa ideia, cara?
[01:03:30] Cara, é Grant Morrison, né?
[01:03:32] Esse título. Esse título já acabou, né?
[01:03:35] Então, depois aí
[01:03:37] dos Novos 52, ele tava valendo
[01:03:39] até pouco tempo atrás, mas agora
[01:03:41] teve uma nova reformulação aí
[01:03:43] no universo DC, né? Tanto que
[01:03:45] o Batman atualmente nem é o Bruce Wayne, né?
[01:03:48] É o Comissário Gordon
[01:03:49] e ele usa uma armadura tecnológica, né?
[01:03:52] É, a armadura
[01:03:53] do Sansão, né? É, e o Comissário
[01:03:56] Gordon, inclusive, tá mais jovem agora, né?
[01:03:58] Depois dessa… Pera aí, o Comissário Gordon,
[01:04:00] não… Cara, é por isso que eu não leio mais quadrinho, cara.
[01:04:01] O Comissário Gordon deu o C, que tem
[01:04:04] no… É por aí, é.
[01:04:06] Ele tá mais jovem. Deve estar…
[01:04:07] Ele tem uma cara, assim, de estar com uns
[01:04:09] 40 e poucos anos. Cara, é por isso que
[01:04:12] eu não leio mais quadrinho, cara.
[01:04:14] Quadrinho de herói, não…
[01:04:15] Comissário Gordon como Batman…
[01:04:18] Não, não. Não dá.
[01:04:20] Realmente… E o
[01:04:22] Robin, cara?
[01:04:24] Tipo… Qual deles?
[01:04:25] Então, todos são menores ou
[01:04:28] teve algum que foi maior de idade?
[01:04:30] Todos eles, quando foram adotados pra ser Robin,
[01:04:32] eram menores de idade.
[01:04:33] A puta que pariu, mano. O cara, além de explorar a galera,
[01:04:36] ainda tem trabalho infantil, mas é muito…
[01:04:38] É muito errado, cara.
[01:04:40] Não, e o fato de você adotar o cara,
[01:04:42] né, e botar ele, tipo, na linha de…
[01:04:44] De frente, né?
[01:04:45] Você tá cumprindo totalmente o seu papel de proteção, né?
[01:04:49] Não, e engraçado assim,
[01:04:50] né? Tipo, pelo jeito tem um milionário
[01:04:52] que controla a cidade inteira, que é o
[01:04:54] Bruce Wayne. Ele sempre adota uma criança
[01:04:57] e, coincidentemente,
[01:04:58] o Batman sempre muda daí de…
[01:05:00] De companhia. Ah, vá se fuder,
[01:05:02] velho.
[01:05:04] Sério, mas… O pessoal reclama do
[01:05:06] óculos do Clark Kent, cara.
[01:05:08] Cara, onde é que…
[01:05:09] Eu discordo dessa afirmação
[01:05:12] sua, Ivan. Por exemplo,
[01:05:14] você imagina, por exemplo, que
[01:05:16] aparece um vigilante no Brasil. Você
[01:05:18] imaginaria que esse cara, sei lá, fosse o
[01:05:20] Chiquinho Scarpa, por exemplo, que tá vestido
[01:05:22] de vigilante batendo…
[01:05:24] Você nunca ia imaginar isso. Que o maior…
[01:05:27] O Playboy, Vida Boa,
[01:05:29] lá do… Que a…
[01:05:30] Vive aparecendo na mídia, em festas
[01:05:32] e não sei o quê, badalando no Raios Society.
[01:05:34] É, cara. Você nunca vai
[01:05:36] imaginar que esse cara é o…
[01:05:38] O vigilante. Cara, sabe por que eu imagino…
[01:05:40] Eu acho que o Batman com o
[01:05:42] Bruce Wayne tem o disfarce perfeito, assim.
[01:05:44] Não, mas sabe por que eu… Sabe o que
[01:05:46] que me levaria a desconfiar?
[01:05:48] Simplesmente pelo fato que o cara tem um
[01:05:50] Batmóvel, tem um monte de tecnologia
[01:05:52] que, porra, tem que ter dinheiro pra ter
[01:05:54] essa merda, assim. Quem que é o único milionário da cidade?
[01:05:56] É o Bruce Wayne, porra.
[01:05:58] Mas aqui no Brasil você podia pensar, pô,
[01:06:00] pode ser o… Pode ser o… O Silvio Santos.
[01:06:03] Ó, adivinha, ó. Você sabe que tem
[01:06:04] uma meia dúzia de pessoas que deduziram a identidade
[01:06:06] do Batman nos quadrinhos assim, né, Ivan?
[01:06:08] Do jeito que você falou. O Bane, se não me engano,
[01:06:10] foi um, cara. Ele tem
[01:06:12] muito equipamento. Deve ter dinheiro.
[01:06:14] É o Bruce Wayne. Matei.
[01:06:16] É, todo mundo é burro em Gotham City mesmo,
[01:06:18] cara. O Bruce Wayne deve controlar
[01:06:20] o reservatório de água e daí deve colocar
[01:06:22] alguma droga, que deixa todo mundo imbecil, assim.
[01:06:24] Não é possível, velho.
[01:06:26] Mas tudo bem. Muito bom. Mas eu fico pensando,
[01:06:28] cara, qual juiz ou qual
[01:06:30] assistente social que vai lá e, tipo, faz
[01:06:32] um parecer técnico, falando, não,
[01:06:34] eu tô te dando aqui a quarta criança pra adoção,
[01:06:36] você já matou duas.
[01:06:38] E tem umas outras duas muito traumatizadas aqui, tá de boa.
[01:06:43] É, porque aquela história, né,
[01:06:45] a próxima pode ser Beethoven, né,
[01:06:46] a próxima que…
[01:06:47] Os Batmans
[01:06:50] que teve, primeiro foi… Os Robins
[01:06:52] que teve, primeiro foi o…
[01:06:54] Dick Grayson.
[01:06:55] É, Dick Grayson.
[01:06:56] Esse cresceu, virou…
[01:07:00] Virou adulto e adotou uma nova
[01:07:02] identidade.
[01:07:03] Nossa, o primeiro Dick Grayson que eu vi na minha vida
[01:07:05] foi daqueles filmes do Joel Schumacher, cara.
[01:07:09] Que pena de você, cara.
[01:07:12] Depois que ele, né,
[01:07:13] ele deixou
[01:07:14] de ser o Robin,
[01:07:17] o Batman adotou
[01:07:18] o Jason Todd, né,
[01:07:20] que foi morto pelo Coringa, né.
[01:07:23] E virou o Coringa agora no cinema, né.
[01:07:25] É, tem uma
[01:07:27] teoria aí, né.
[01:07:28] Até o réu tá começando a acreditar aí
[01:07:32] pelo poste dele hoje.
[01:07:33] É.
[01:07:35] E daí depois veio o Tim Drake.
[01:07:37] É, o Tim Drake foi um dos caras, igual você,
[01:07:40] que deduziu quem era o Batman.
[01:07:42] Puta que pariu, velho.
[01:07:43] Ele viu o Batman em ação quando ele era uma criança de colo,
[01:07:46] lá quando os pais do Dick Grayson
[01:07:48] morreram. E aí ele
[01:07:50] reconheceu os padrões, primeiro
[01:07:52] pelo Robin ele chegou ao Batman, né.
[01:07:54] Tipo, pelos padrões
[01:07:55] de acrobacias
[01:07:57] que o Dick Grayson…
[01:07:58] que o Dick Grayson fazia no circo, ele depois reconheceu
[01:08:01] esses movimentos no Robin
[01:08:03] e aí associou. Ah, mas se Dick Grayson
[01:08:05] foi adotado pelo Bruce Wayne, então o Batman é
[01:08:07] o Bruce Wayne. Pronto, né.
[01:08:08] Matei a charada. Resolveu.
[01:08:11] Deve ter sido o dia que o Batman
[01:08:12] se sentiu um imbecil, né.
[01:08:15] Assim, caralho, eu sou um imbecil.
[01:08:16] Olha a merda que eu fui fazer. Se essa criança
[01:08:18] está descobrindo… Um garoto, né, de 12 anos descobriu
[01:08:21] quem que eu sou, né, cara.
[01:08:23] Ele tinha 12 anos, cara?
[01:08:24] Tim Drake tinha 12 anos mesmo?
[01:08:26] Não, acho que tinha menos.
[01:08:28] Essa questão
[01:08:31] de dados é meio complicada, porque
[01:08:33] depois dos 9 e 52, eles disseram
[01:08:35] que todos os Robins
[01:08:36] aconteceram em apenas 5 anos na vida
[01:08:39] do Batman. Jesus!
[01:08:40] Ele matou todo mundo, assim. Em 5 anos
[01:08:43] ele teve 3…
[01:08:44] Vida louca!
[01:08:46] Vida louca do Arthur.
[01:08:49] Real, você que conhece melhor,
[01:08:51] nunca rolou, assim, uma história do
[01:08:53] Batman olhando, assim, tipo, ele tá na noite,
[01:08:55] ele tem um piá colorido do lado dele, assim,
[01:08:57] olhar assim, velho, tem
[01:08:58] uma criança aqui, que é um
[01:09:00] alvo ambulante, assim, né, tipo…
[01:09:02] Ele nunca teve um peso da consciência
[01:09:05] ou ele realmente achava que, tipo, não,
[01:09:06] se atirarem vão atirar nele porque ele é um alvo
[01:09:08] mais fácil? Ele era pau no cu nesse nível?
[01:09:11] Não, já teve histórias
[01:09:12] que ele falou isso, assim,
[01:09:14] justamente que o Robin era, tipo, o chamariz,
[01:09:17] entende? Por ser o
[01:09:19] cara que se veste todo colorido,
[01:09:21] que é o mais saltitante, serelepe,
[01:09:23] né, era o cara que chamava
[01:09:24] a atenção, né, durante a
[01:09:26] ação deles lá, né, e ele
[01:09:28] podia agir
[01:09:30] mais na surdina, né, e
[01:09:32] salvar o mundo. E foda-se
[01:09:35] que é uma criança, né, o importante é que eu tô
[01:09:36] de boa aqui, assim. O importante é o chamariz,
[01:09:39] né, assim, é o típico burguês mesmo, né,
[01:09:40] cara, é o burguês. É muito filho da puta, velho.
[01:09:43] Inclusive nos quadrinhos mostram
[01:09:45] mostram muito isso, né,
[01:09:46] a cisma entre ele e o Dick Grayson,
[01:09:48] o Dick Grayson cortou relações com ele
[01:09:50] no quadrinho por conta disso, porque o Jason Todd
[01:09:53] morreu, e aí
[01:09:54] depois ele adotou o Tim Drake, né,
[01:09:56] e aí o Dick
[01:09:58] ficou puto, falou, cara, cê tá louco, né, acabou de morrer
[01:10:00] um filho da puta aí, cê já tá adotando
[01:10:02] outro e vai botar ele como Robin de novo,
[01:10:04] cê é maluco, cê não tem responsabilidade,
[01:10:07] né, e tal. O pessoal ia ler o Manifesto Partido
[01:10:08] Comunista, né,
[01:10:10] a tomar no cu, assim.
[01:10:12] Pô, ele nunca pensou assim, vou adotar uma criança
[01:10:14] só pra, sei lá, botar ela na escola,
[01:10:17] assim, dar uma educação, vou cuidar
[01:10:18] dela, não. Não, não, tem a Fundação
[01:10:20] N, tem a Fundação N.
[01:10:22] Fala com a Fundação N.
[01:10:24] A Fundação N, na verdade,
[01:10:26] é um centro de ensinamento para Robins,
[01:10:28] mas não morrem, sabe? Mas eles mostram
[01:10:30] isso, por exemplo, com o Dick Grayson mesmo,
[01:10:32] quando o Dick Grayson foi pra faculdade, né,
[01:10:34] ele deixou de ser Robin durante um
[01:10:36] período, assim, né, e aí foi quando ele começou
[01:10:38] a agir com os
[01:10:40] novos titãs, né, ele formou lá com
[01:10:42] os amigos universitários
[01:10:44] dele, formaram os
[01:10:46] novos titãs e o Batman ficou lá,
[01:10:48] sozinho, triste. Os caras, os caras, em vez de se
[01:10:50] juntar, formam o centro acadêmico, olha o que os caras
[01:10:52] fazem, né.
[01:10:54] Vamos fazer passeata pela legalização da
[01:10:56] maconha, não, não, não, não,
[01:10:58] vamos brigar com o maconheiro, tá certo.
[01:11:00] Vamos atochar a cacete no
[01:11:02] rabo de todo mundo.
[01:11:06] Agora, isso que ele tava
[01:11:08] falando sobre o lance do
[01:11:09] propriamente do fascista, né,
[01:11:12] eu acho que é o George Orwell, né,
[01:11:14] que falou, né, que ele tem uma frase
[01:11:16] que ele fala que nunca, o termo fascista
[01:11:18] nunca foi usado erroneamente
[01:11:20] tantas vezes, né,
[01:11:22] na história, né. Se a gente pensar
[01:11:24] assim, no conceito
[01:11:25] do fascismo,
[01:11:28] lá nos primórdios
[01:11:29] do Corradine, lá, né, na
[01:11:31] gênese do termo e
[01:11:34] da ideologia
[01:11:35] fascista, né, eu acho que o que mais
[01:11:38] se assemelha ao personagem
[01:11:40] ao fascismo é justamente esse
[01:11:42] Batman do Frank Miller, que é
[01:11:43] o do Cavaleiro das Trevas, né, que eu acho que foi
[01:11:45] o que, digamos assim, criou
[01:11:48] essa
[01:11:50] associação ao Batman
[01:11:51] fascista, né, eu acho que foram justamente
[01:11:53] por causa das histórias do Frank Miller,
[01:11:56] né, e é justamente isso, né,
[01:11:58] quer dizer, nas
[01:11:59] ideias, né, quando surgiu,
[01:12:01] né, o fascismo como corrente
[01:12:03] de pensamento e tal, a ideia deles era justamente
[01:12:06] isso, era você contrapor, né,
[01:12:08] eles
[01:12:09] diziam que a classe política
[01:12:11] toda, né, que estava no poder era
[01:12:13] corrupta, né,
[01:12:16] eles eram contra praticamente
[01:12:18] tudo, né, eram contra o socialismo, eram contra
[01:12:19] o liberalismo, achavam que a…
[01:12:21] É, achavam que a democracia liberal
[01:12:24] da época não funcionava
[01:12:26] mais, né, não era mais compatível,
[01:12:28] com o mundo deles, né, e não sei
[01:12:30] o quê, e pregava essa coisa, né,
[01:12:32] de Estado forte, e, tipo, era
[01:12:33] um lance de criar uma nova ordem, né, mesmo,
[01:12:36] uma nova lei, né, e eu acho que nesse
[01:12:38] sentido, essa coisa
[01:12:39] da coerção, né, essa coisa
[01:12:41] do autoritarismo, de resolver
[01:12:44] a coisa sem blá-blá-blá,
[01:12:46] né, de…
[01:12:47] Você tem também aquela coisa
[01:12:49] que veio do movimento
[01:12:51] sindical no início, né, e que depois
[01:12:53] foi incorporado pelo fascismo,
[01:12:55] essa coisa de
[01:12:57] ser um movimento teoricamente
[01:13:00] revolucionário, né,
[01:13:01] quando surgiu era justamente pra isso, pra revolucionar,
[01:13:04] né, e de
[01:13:05] pregar isso também, né, de uso
[01:13:07] da força, de lutar, de lutar
[01:13:09] em armas, né, de
[01:13:11] usar a violência, né, pra fazer valer
[01:13:13] o seu ponto de vista. Eu acho que nesse sentido
[01:13:16] a gente pode chamar
[01:13:18] obviamente o Batman de
[01:13:19] fascista, né, pelo fato de criar
[01:13:21] seu próprio sistema de leis, né, de leis
[01:13:23] morais, né, de seguir isso
[01:13:25] à risca, de usar a força, né,
[01:13:28] pra fazer valer esse tipo de coisa,
[01:13:30] mas é… Bater em outras coisas,
[01:13:32] por exemplo, que a gente não vê no Batman, né,
[01:13:34] por exemplo, é…
[01:13:36] Eu acho que o
[01:13:37] conceito de fazer isso se decompõe
[01:13:40] aí, quando a gente pensa que, por exemplo,
[01:13:42] todo o lance de… Aquela coisa
[01:13:44] de darvinismo social,
[01:13:46] né, essa coisa de…
[01:13:48] de luta pelo… De poder,
[01:13:50] né, de que você pode…
[01:13:52] Você pode porque pode, simplesmente, né,
[01:13:54] cara. Que vem do…
[01:13:55] É, também do Nietzsche, né, vontade de poder,
[01:13:58] se não me engano. É isso, né, o conceito, né, do…
[01:13:59] Sim. Nietzsche.
[01:14:02] Então, isso…
[01:14:03] Cara, eu acho que eu tô viajando um pouco demais
[01:14:05] aqui, mas… Não, não, não, mas tá ótimo.
[01:14:07] Continua, continua. Esse aqui é um podcast que foi feito pra isso.
[01:14:10] É, exatamente. Mas se a gente pensar
[01:14:12] os heróis,
[01:14:14] o Batman tá nessa… Apesar de ter
[01:14:16] esse modus operandi,
[01:14:18] ele tá sempre lutando contra
[01:14:19] um poder maligno, né.
[01:14:22] Ele não detém o poder. Quando ele
[01:14:23] destitui esse cara do poder,
[01:14:25] ele não detém pra ele o poder, né. Ele devolve,
[01:14:27] né, pras instituições…
[01:14:30] Ele mantém o status quo, na verdade,
[01:14:32] né, cara. Ele é conservador, né.
[01:14:33] É, nesse sentido, sim. Mas no caso
[01:14:36] do Cavaleiro das Trevas, talvez não,
[01:14:37] porque ele cria uma nova ordem, né.
[01:14:39] Ele, no fim da história, ele
[01:14:41] pega todos aqueles jovens delinquentes que
[01:14:43] estavam lutando…
[01:14:45] Que eram de gangue, da gangue lá do
[01:14:47] líder mutante, e traz esses caras
[01:14:49] pra ele. E eles viram os filhos do Batman, né.
[01:14:51] E ele, tipo assim, vai dar treinamento
[01:14:54] pra aqueles moleques todos.
[01:14:55] E eles, tipo assim, vão patrulhar a cidade e saírem
[01:14:57] por aí, né, cara. Espancando
[01:14:59] pessoas, né. Foi assim que o
[01:15:01] Comando Vermelho nasceu, né, amigo.
[01:15:03] O Batman não estudou história brasileira, né.
[01:15:06] É, mas eu acho que…
[01:15:07] Definitivamente não.
[01:15:08] O lance do quadrinho é que tem aquela coisa da pureza
[01:15:11] do ideal, né. Quer dizer, do ideal
[01:15:12] do Batman, né.
[01:15:15] É o certo, né. E você
[01:15:17] não questiona isso, né. Você sabe que ele é um
[01:15:19] herói e que ele está fazendo
[01:15:21] isso pelo bem comum, né.
[01:15:22] Que é diferente, por exemplo, do
[01:15:24] mundo real, né. Que você sabe que esse tipo de coisa
[01:15:26] pode não ser muito, né.
[01:15:29] Quer dizer, nem sempre o
[01:15:30] cara tá fazendo isso…
[01:15:32] É porque a gente tá vendo, naquele momento ali,
[01:15:34] quando a gente tá vendo a história do Batman, etc.
[01:15:36] A gente tá vendo a história privada da coisa, né.
[01:15:38] A gente tá vendo qualitativamente quais
[01:15:40] eram as ideias dele, etc.
[01:15:42] Quando a gente vê as ações do Comando Vermelho,
[01:15:45] a gente não tá vendo como o troço
[01:15:46] nasceu direitinho,
[01:15:49] etc. É a visão de fora, é
[01:15:50] olha esses filha da puta aí fazendo merda pra caralho.
[01:15:53] É, eu acho que…
[01:15:54] E é isso que é o foda do…
[01:15:56] Não, não tô defendendo o Comando Vermelho aqui não, só que…
[01:15:58] Não, não, não, sim, sim.
[01:16:00] Tá louco. Você é comunista,
[01:16:03] mas nem tanto, né.
[01:16:04] Não é tão vermelho assim, né, cara.
[01:16:06] Tá, mas o…
[01:16:08] Que eu acho que é isso que incomoda
[01:16:10] mais, assim, principalmente no Cavaleiro das Trevas,
[01:16:12] justamente o lance do fazer justiça com as próprias
[01:16:14] mãos, assim, né. Porque a gente
[01:16:16] se identifica com a história, pelo menos quando
[01:16:18] não pensa muito nessas coisas, do tipo
[01:16:20] ok, tá acontecendo criminalidade e alguém
[01:16:22] tem que fazer alguma coisa, a polícia não consegue fazer isso,
[01:16:24] bom, no cu deles, né, vamos resolver
[01:16:26] isso na porrada, então.
[01:16:28] Até no Cavaleiro das Trevas, né, que tem
[01:16:30] que ele mostra muito isso, né, a mídia, né,
[01:16:32] como a mídia vê o Batman, né,
[01:16:34] você tem, assim, tipo, a Lana
[01:16:36] Lange, por exemplo, que
[01:16:38] é uma apresentadora de TV
[01:16:40] no Cavaleiro das Trevas, ela
[01:16:42] mostra ela em programas defendendo
[01:16:44] justamente esse tipo de atuação do Batman, né, falando
[01:16:46] que ele é a última esperança das pessoas, que o mundo
[01:16:48] tem um prazo. É, exatamente.
[01:16:51] Que tristeza.
[01:16:54] Cara, eu, sério, eu tô muito
[01:16:56] ruim agora na cabeça. Como a gente tá vendo
[01:16:59] a história ali, né, pelo lado do Batman
[01:17:01] e por a gente conhecer
[01:17:02] o Batman como um super-herói,
[01:17:05] a gente é levado
[01:17:07] a ficar do lado do Batman
[01:17:08] e do lado da Raquel Sherazade, né,
[01:17:10] da HQ, né, o que é estranho,
[01:17:13] né, é verdade.
[01:17:15] É a condução da
[01:17:16] narrativa, né, aquela coisa, a história é contada
[01:17:19] pelo herói, literalmente,
[01:17:21] né, o Frank Miller coloca todos os valores
[01:17:23] dele no Batman ali,
[01:17:24] né, ele tá mostrando do jeito que ele acha que ele
[01:17:26] devia ser o mundo, né. Mas nessa época
[01:17:28] o Frank Miller já é, já era direitão,
[01:17:31] conservador. Cara, ele tava começando, mas
[01:17:32] tem, é aí que tá, talvez ele não
[01:17:34] tivesse assumido isso
[01:17:36] tão abertamente quanto ele assumiu
[01:17:38] hoje. Mas se você for olhar, é como a gente
[01:17:40] vê, né, você vê as atitudes do Batman, o que ele
[01:17:42] vai defendendo. Os personagens
[01:17:44] coerentes, tipo a Lana Lang e o discurso dela
[01:17:46] de apoio ao Batman, ele é
[01:17:48] muito sóbrio. Eu não me lembro de um personagem
[01:17:51] no filme, porque tem pessoas que
[01:17:52] atacam o Batman, mas elas não têm uma figura
[01:17:54] representativa, assim, dentro
[01:17:56] da história. Tem a Lana Lang, né. Tem a
[01:17:58] capitã, né, a Ellie Wendel lá, que
[01:18:00] substitui o Gordon, que o Gordon se aposenta,
[01:18:02] entra a capitã, e ela tem essa cruzada
[01:18:04] contra o Batman, ela declara o Batman
[01:18:06] como um justiceiro, né, mas no final
[01:18:08] ela se rende, né,
[01:18:10] e fala, não, realmente… Porque o lance
[01:18:12] dela é que ela também tá fazendo as coisas
[01:18:14] certas, e o Frank Miller deixa isso claro, ela tá
[01:18:16] perseguindo o Batman não porque ela é má, mas porque
[01:18:18] ela está errada, e no final o Batman
[01:18:20] mostra pra ela que ela estava errada,
[01:18:22] que ele estava certo. Então, tipo,
[01:18:24] na real, a história toda, a parte da premissa
[01:18:26] que o Batman tá certo, né.
[01:18:28] E o que eu queria falar com vocês é o seguinte,
[01:18:31] porque quando eu li essa história,
[01:18:33] pô, eu li, eu tinha uns 15 anos,
[01:18:35] cara, eu pirei, assim, na batatinha,
[01:18:37] legal, né. E daí,
[01:18:39] o que eu acho curioso é, porque
[01:18:40] depois que a gente, pô, não tinha entrado no
[01:18:42] segundo, tava no começo do segundo grau,
[01:18:44] nem, né, aí, tipo,
[01:18:47] não tinha preparo,
[01:18:48] não tinha
[01:18:50] know-how, não tinha conhecimento,
[01:18:52] daí eu pirei na história, né, fiquei
[01:18:54] fascinado. E hoje eu olho pra trás,
[01:18:57] engraçado é isso, eu ainda
[01:18:58] tenho o mesmo fascínio que eu tinha
[01:19:00] quando eu era guri pela história, mas eu
[01:19:02] consigo enxergar todos os
[01:19:04] malditos problemas, cara, todos, assim.
[01:19:06] É um troço muito contraditório,
[01:19:08] cara, é uma sensação, porque é uma história que eu amo,
[01:19:11] e ela é cheia de
[01:19:12] problema, cara. Então, é assim que a gente vai ficando
[01:19:14] velho, brother. E aí a molecada fala,
[01:19:16] pô, olha esse filme aqui, é foda, e você fala assim,
[01:19:18] pô, moleque, cala a boca, pelo amor de Deus. Mas sabe o que
[01:19:20] eu acho que o que me seduziu
[01:19:22] muito no
[01:19:24] Olho das Trevas? É essa coisa dele
[01:19:26] contrapor o governo americano,
[01:19:28] de você ver o símbolo do imperialismo
[01:19:30] no super-homem, e ele
[01:19:32] tipo, aquilo ali…
[01:19:34] O símbolo do imperialismo institucionalizado, né?
[01:19:37] Sim, sim, não, o Superman
[01:19:38] é simplesmente uma arma de guerra,
[01:19:40] o Reagan manda ele fazer
[01:19:42] as coisas que ele quer, né, cara, tipo,
[01:19:44] ele virou um instrumento mesmo, né,
[01:19:47] que trabalha
[01:19:48] pro Estado, né, e o Batman
[01:19:50] contrapõe isso, né, cara, eu acho que isso
[01:19:52] que é o que seduzia a gente,
[01:19:54] assim, né, porque eu acho que até hoje
[01:19:56] ameniza um pouco esse caráter
[01:19:58] nazifascista do Batman aí,
[01:20:01] eu acho que tem um pouco isso, é quase
[01:20:02] anárquico isso, né, do Batman
[01:20:04] contrapor o…
[01:20:06] Porque você tá falando isso, não era só o governo, né,
[01:20:08] porque, tipo, ele se opõe contra o governo, ele se opõe
[01:20:10] um monte de coisas, e ele começa a história,
[01:20:12] que é a parte divertida, se opondo contra ele mesmo, né,
[01:20:15] porque ele tava há 10 anos, tipo,
[01:20:16] desista, não vale a pena,
[01:20:18] e daquela noite lá, que ele
[01:20:20] tem a apoteose dele, que ele sai pra
[01:20:22] rua pela primeira vez, depois de 10 anos parado,
[01:20:24] assim, tipo, na verdade, o que ele vence primeiro,
[01:20:26] a primeira coisa que ele se rebela,
[01:20:28] é contra a própria apatia, né, então, tipo,
[01:20:31] acho que ele fisga, ele, acho que
[01:20:32] me fisgou lá na época, como leitor,
[01:20:34] por causa disso, assim, cara, era um lance, assim, do tipo,
[01:20:37] ah, não vale a pena, não sei o que, e de repente
[01:20:38] o cara explode lá, assim, tipo, ah, foda-se,
[01:20:41] vamos fazer isso.
[01:20:42] E eu acho engraçado que, como a gente vê,
[01:20:45] no, tipo,
[01:20:46] saiu primeiro como uma
[01:20:48] minissérie, depois eles juntaram
[01:20:50] os quatro num graphic novel, mas
[01:20:52] quando saiu em formato de minissérie, tipo,
[01:20:54] no primeiro, você vê ele muito
[01:20:56] preocupado, ele tentando,
[01:20:58] isso que a gente tava falando, recuperar o Harvey Dent,
[01:21:00] né, ele não quer punir
[01:21:02] o Harvey Dent, ele quer simplesmente
[01:21:04] ajudar o Harvey Dent a recuperar
[01:21:06] a sanidade e tal, né, e
[01:21:08] no final, eles têm uma conversa
[01:21:10] muito legal, né, que o Harvey Dent
[01:21:12] fala, né,
[01:21:14] abertamente, como ele se sente, né,
[01:21:16] tal, e eu acho engraçado que quando ele olha,
[01:21:18] ele fala, é, mas no momento eu só
[01:21:20] consigo ver o que ele é, tipo, o que ele se
[01:21:22] tornou pra mim, e ele vê o Harvey Dent como
[01:21:24] um monstro, assim, né, apesar de ele tá
[01:21:26] com a cara toda, né, bonitinha, né, tal.
[01:21:29] Só que daí, a partir do
[01:21:30] segundo, por exemplo, né, que ele lida com a
[01:21:33] com a gangue mutante,
[01:21:34] a gente já vê um Batman mais inconsequente,
[01:21:37] né, quer dizer, ele
[01:21:38] ele sabe que tem poucas chances
[01:21:40] e vai lá e luta contra o
[01:21:42] o líder mutante e toma um cacete,
[01:21:44] né, depois ele volta, se
[01:21:46] planeja, né, mas, tipo assim, ele tá
[01:21:48] lidando contra uma gangue.
[01:21:50] Quando prepara, ele ganha.
[01:21:52] Ex-gangue de delinquentes
[01:21:54] que tão assolando a cidade, entende?
[01:21:56] Não é um problema como era, por exemplo, do Harvey Dent,
[01:21:59] que tava ameaçando explodir uma bomba
[01:22:00] nuclear na cidade, entende?
[01:22:02] Tipo assim, ele começa a agir em esferas
[01:22:04] muito, tipo, uma coisa assim que a gente
[01:22:06] acha que é tão insípido, assim, né,
[01:22:08] sei lá, ele acabou com uma gangue na cidade, e daí, né,
[01:22:10] e o resto, né? Aí no terceiro
[01:22:12] ele volta, né, e aí tem
[01:22:14] aquela catarse dele contra o Coringa,
[01:22:17] né, que é aquilo que a gente tava falando,
[01:22:18] né, que eu acho que contrapõe exatamente
[01:22:20] a piada mortal, né,
[01:22:22] que na piada mortal ele tá sendo todo altruísta,
[01:22:24] né, se mostrando ali prestativo de querer
[01:22:26] tentar recuperar o Coringa, e no
[01:22:28] Caralho das Trevas, não, ele chega e fala, né,
[01:22:30] não, eu vou fazer algo que eu já deveria ter feito
[01:22:32] há muito tempo, né, que é justamente
[01:22:34] ter matado esse maluco, né, cara,
[01:22:36] e é o que ele faz, né, cara, e todo mundo,
[01:22:38] ah, caralho, que foda, né,
[01:22:40] tipo, porra, é…
[01:22:42] Não, o foda ainda é que ele não tem coragem de matar, né,
[01:22:44] aí fica mais massa véia ainda,
[01:22:46] porque o Coringa fala pra ele,
[01:22:48] ninguém nunca vai saber que você não teve
[01:22:50] coragem, né.
[01:22:52] Mas não quebra tudo, né.
[01:22:55] Cara, é massa, véio, não, é massa
[01:22:57] pra caralho, cara. Sim, sim, sim.
[01:22:59] Porra, mas a gente tá falando de muita história
[01:23:01] boa, então vamos falar uma história
[01:23:03] merda, que é o longo dia das
[01:23:05] bruxas, né, do… Eu acredito em
[01:23:07] Gotham City, né. Do Jeff Leib.
[01:23:09] Cara, eu detesto essa.
[01:23:11] É, eu sei, eu sei, Leib.
[01:23:13] Cara, eu acho o problema do Jeff Leib que é
[01:23:15] sempre a mesma coisa, as histórias dele, assim,
[01:23:17] tipo, aparece um
[01:23:19] vilão novo, e aí o Batman vai
[01:23:21] espancando todos os vilões,
[01:23:22] antigos, cada um vai dando uma pista pra ele,
[01:23:25] e quando ele acha que ele chegou no vilão
[01:23:26] verdadeiro, não é aquele, é um outro que não tem nada
[01:23:29] a ver com a história, né.
[01:23:30] Sim, e
[01:23:33] daí, lá no longo dia das bruxas,
[01:23:35] até essa frase do, eu acredito em
[01:23:37] Gotham City, cara, depois que a gente passou
[01:23:39] por essa… Eu até falei no Twitter hoje,
[01:23:41] assim, que se eu ver mais uma bandeira
[01:23:43] do Brasil, eu acho que eu vomito, cara, que sério,
[01:23:45] depois das manifestações de ontem,
[01:23:47] eu não aguento mais, cara, tipo,
[01:23:48] e esse negócio muito patriota,
[01:23:50] sabe, do tipo, a minha cidade,
[01:23:52] porque eu amo o meu país,
[01:23:54] eu amo Gotham City.
[01:23:56] Exatamente, eu acho que nesse sentido,
[01:23:58] a gente pode dizer que no
[01:24:00] microcosmo ali do Batman, né,
[01:24:02] ele é um nacionalista, né, cara, porque ele se
[01:24:04] preocupa muito mais com Gotham, né,
[01:24:06] o Gotham é o país dele,
[01:24:09] né, ele faz tudo pela cidade,
[01:24:10] eu acho que se a gente,
[01:24:12] digamos, decupar o conceito,
[01:24:14] né, de nacionalsocialismo,
[01:24:16] aí, ele é um
[01:24:18] nacionalsocialista de Gotham, no caso,
[01:24:20] né, cara. Nossa, mãe do céu,
[01:24:22] é foda, cara, é foda.
[01:24:25] E agora, quando o lance
[01:24:27] do Super-Homem, no
[01:24:28] Caveiro das Trevas, que vocês citaram também,
[01:24:30] que daí eu acho que realmente é o grande momento
[01:24:32] que a gente fica,
[01:24:34] que fala, porra, que foda, né,
[01:24:36] realmente porque o Super-Homem virou esse
[01:24:38] fantoche do Estado,
[01:24:40] tinha aquele texto do Humberto Eco,
[01:24:42] né, do Apocalipse Integrados, que ele fala
[01:24:44] da diferença Super-Homem
[01:24:46] mitiano com o Super-Homem dos quadrinhos,
[01:24:49] e daí tem um texto, tem um momento
[01:24:50] muito legal do texto que ele fala alguma coisa assim, do tipo,
[01:24:52] o Super-Homem no Tiano é justamente essa coisa que
[01:24:54] sai dos limites humanos,
[01:24:56] né, por isso que é um Super-Homem,
[01:24:59] que tá acima das convenções morais,
[01:25:01] enquanto que o Super-Homem
[01:25:03] dos quadrinhos, ele nunca vai conseguir fazer isso,
[01:25:05] ele sempre vai ser o bom moço
[01:25:06] que segue as leis,
[01:25:08] que é o fantoche, né,
[01:25:10] o conceito dele já é, tipo,
[01:25:12] os valores americanos por si só.
[01:25:15] E nesse sentido da briga do
[01:25:16] Batman com o Super-Homem é muito engraçado
[01:25:18] porque você vê um fascista
[01:25:20] de um lado e outro, um cara
[01:25:22] Super-American Way of Life,
[01:25:25] e um contra… Cara,
[01:25:26] o Super-Homem, ele consegue ser mais nacionalista
[01:25:29] que os Estados Unidos do que o Capitão América,
[01:25:31] cara, assim, é doido.
[01:25:33] E daí, e isso que
[01:25:34] chama a atenção do Batman é essa questão justamente
[01:25:36] de ser meio, em certos momentos
[01:25:39] ele consegue explorar esse lance dele ser
[01:25:40] mais esse cara terrorista,
[01:25:42] esse cara rebelde,
[01:25:44] anárquico, que vai contra o sistema
[01:25:46] que é tudo que o Super-Homem representa, né.
[01:25:49] Apesar que eu acho que
[01:25:50] esse lance do Superman,
[01:25:52] no Cabo das Trevas, eu acho que tem uma segunda
[01:25:54] leitura aí, que é o lance do Superman,
[01:25:56] digamos, ter consciência
[01:25:58] e, digamos, fazer um jogo que é conveniente
[01:26:01] a ele também. Digamos,
[01:26:02] ele percebeu que o mundo
[01:26:05] sem a figura dos super-heróis
[01:26:06] deu uma acalmada, né, você não tem mais a figura
[01:26:09] dos vilões
[01:26:10] megalomaníacos querendo destruir
[01:26:13] o planeta, né, e ele tá ali
[01:26:15] resolvendo as pequenas e
[01:26:17] grandes crises, todas,
[01:26:18] né, na surdina, ele vai lá
[01:26:20] pra cidade, pra ilha lá de Cordova,
[01:26:22] pra tomar o tese e luta contra os
[01:26:24] russos, né, esse tipo de coisa, mas tudo,
[01:26:26] né, e aí eu acho que o problema
[01:26:28] é que quando o Batman vem
[01:26:30] a público, né, é aquela coisa que eles falam,
[01:26:32] do exemplo, né, o Hagan até fala
[01:26:34] isso, que apesar de não falarem que é o Hagan,
[01:26:36] mas é a cara do Hagan, né, ele fala
[01:26:38] isso, né, ele fala pro Superman
[01:26:40] falar, não, eu não quero que você mate
[01:26:42] ele, nada assim, eu só quero que você dê uma
[01:26:44] amansada nele, igual
[01:26:45] o cavalo, vai lá, conversa com
[01:26:48] ele, né, mostra que não é bem assim, né, o mundo
[01:26:50] tava tão bem, né, sem vocês aparecendo,
[01:26:52] sem eles aparecerem de volta, e é aquela coisa
[01:26:54] do exemplo, né, cara, do Batman acabar sendo
[01:26:56] um mau exemplo pro Estado,
[01:26:58] né, quer dizer, um cara que reapareceu
[01:27:00] e tá tentando criar uma nova ordem,
[01:27:02] né, cara, dentro do, dentro das leis
[01:27:04] estabelecidas, né, cara, ele tá,
[01:27:06] ele tá, acaba virando um
[01:27:08] problema, né, nesse sentido,
[01:27:10] né, e aí o Superman
[01:27:12] vai lá justamente pra tentar, né,
[01:27:14] convencer o cara de que, ó, velho,
[01:27:16] o que você tá fazendo não é muito legal não, né.
[01:27:18] É, mas, assim, nunca teve
[01:27:20] uma, esse é o meu ponto,
[01:27:22] por exemplo, tem aquela história do Capitão América
[01:27:24] que acho que, eu não li,
[01:27:26] tá, tô, acho que eu ouvi no MRG
[01:27:28] passado, assim, alguma coisa assim, dos caras falando
[01:27:30] lá que, por exemplo, depois do 11 de setembro
[01:27:32] o Capitão América vai lá e dá uma
[01:27:34] porrada num árabe,
[01:27:36] num muçulmano, e daí fala, não,
[01:27:38] esse aqui, quem bateu nele fui eu,
[01:27:40] Steve Rogers, não foi o
[01:27:42] Capitão América, ele tem esse lápis de
[01:27:44] consciência, assim, de que ele fez
[01:27:46] isso, né, e ele assume a culpa do ato.
[01:27:49] Eu não consigo
[01:27:50] ver o Super-Homem, daí eu pergunto, o Super-Homem
[01:27:52] já fez alguma coisa do tipo,
[01:27:54] eu,
[01:27:55] eu estou fazendo
[01:27:57] essa merda, eu sou contra as políticas do
[01:27:59] meu país, porque o Batman
[01:28:01] já tem mais esse perfil, né, de
[01:28:03] ser contra a lei.
[01:28:04] Teve um episódio recente, aí, uns anos atrás
[01:28:07] que o Super-Homem, ele negou a cidadania
[01:28:09] americana, os gibis americanos, né,
[01:28:11] e se tornou cidadão do mundo porque ele
[01:28:13] disse que ele era um cidadão do mundo e não fazia sentido
[01:28:15] ele atender só a um país.
[01:28:17] Aí choveu carta na relação
[01:28:19] e os caras voltaram atrás e disseram isso.
[01:28:21] Caraca.
[01:28:22] Sério? Entendeu?
[01:28:24] Então, tipo, mas teve essa ideia aí, Ivan?
[01:28:26] Teve? Ah, que interessante.
[01:28:28] É, e o que eu falo, eu lembro quando eu era
[01:28:30] um estudante de história, né,
[01:28:32] cara, num curso, assim, de
[01:28:34] marconheiro pra caralho.
[01:28:36] De curso marxista, e aí eu comprava
[01:28:38] histórias em quadrinho, né, e às vezes eu aparecia
[01:28:40] com o gibi lá do Capitão América. Nossa,
[01:28:42] cara, faltava só me crucificar, né.
[01:28:44] Ah, esse símbolo
[01:28:46] do imperialismo americano!
[01:28:49] E aí eu
[01:28:50] questionava, eu falei, cara, é que vocês
[01:28:52] nunca leram, né, mas o Capitão América
[01:28:54] ele contrapõe muito mais,
[01:28:56] né, cara, o governo
[01:28:58] institucional do que
[01:28:59] fica a favor dele, né. Ele é muito pelos
[01:29:02] valores, né, os valores que ele fala das cores,
[01:29:04] da liberdade, da igualdade,
[01:29:06] né, esse tipo de coisa, mas
[01:29:07] o lance dos quadrinhos,
[01:29:10] toda vez que o governo tentou
[01:29:12] enquadrar o Capitão América,
[01:29:14] trazer ele pro lado dele, ele sempre
[01:29:16] se opôs, né, tanto que ele deixou de ser Capitão
[01:29:18] América várias vezes por conta disso, né,
[01:29:20] quando o governo falou, não, peraí, cara, você foi
[01:29:22] criado pelo governo, você tem que trabalhar pra nós.
[01:29:24] Ele falou, não, então tudo bem, então toma aqui o escudo,
[01:29:26] a roupa e você faz aí
[01:29:28] o que você quiser, né, cara. E tanto que já aconteceu,
[01:29:30] tipo, do governo botar outros caras,
[01:29:32] né, pra ser o Capitão América,
[01:29:34] enquanto o Steve Rogers ia lá, né,
[01:29:35] badalar lá em outras
[01:29:37] paragens, vestindo outras roupas, né, tal.
[01:29:40] Mas até nos filmes da Marvel, o Capitão
[01:29:42] tá com uma outra postura, assim, né.
[01:29:44] Sim, sim, exatamente. O cara, ele não…
[01:29:46] Pô, ele questiona aquele
[01:29:48] plano da Sheldon no Capitão 2, lá,
[01:29:50] de, tipo, vamos atacar antes, né,
[01:29:52] até nos Vingadores ele fala isso de novo, né, que você
[01:29:53] atacar por prevenção é…
[01:29:56] é erro. E o cara falar
[01:29:58] isso diante das políticas americanas, eu acho
[01:30:00] curioso, assim, né.
[01:30:01] Embora eu saiba que pra efeito prático não tem peso nenhum,
[01:30:04] né, mas enfim. Foi tipo quando o Serra
[01:30:06] falou, né, que tinha que monitorar as crianças
[01:30:08] com potencial
[01:30:10] de delinquência desde pequena, né.
[01:30:15] Aí a gente
[01:30:16] não consegue monitorar nem ligação de tráfico.
[01:30:20] Foi, velho.
[01:30:22] O pior que agora é que eu tava me ligando,
[01:30:24] né, você fica falando se tivesse um Batman no Brasil
[01:30:26] e a gente tem, né. Tem o…
[01:30:27] da panela lá, cara. É, tem.
[01:30:30] Tem por ele, né, o que ele faz. Mas, enfim,
[01:30:31] desculpe, só me correu agora. Não, não, mas é
[01:30:33] verdade. É o Batman brasileiro
[01:30:35] que, obviamente, não vai ser rico, porque
[01:30:37] rico brasileiro tá interessado em
[01:30:39] ser mais rico. É, rico brasileiro não tá
[01:30:41] no Brasil, né. É, exatamente. Tem isso
[01:30:43] também, tá em Miami, tá
[01:30:45] na Suíça, não sei.
[01:30:48] E daí, que coisa, né,
[01:30:50] cara. Então…
[01:30:52] Nos Estados Unidos essa merda ia funcionar também,
[01:30:54] cara, porra. Ia ser o Donald
[01:30:56] Trump, né, cara. O Donald Trump que quer
[01:30:57] fazer um muro entre os Estados Unidos e
[01:30:59] México, né. Exato, uma ideia genial.
[01:31:02] Genial. E falou que, é, que os
[01:31:03] mexicanos são todos estupradores, né,
[01:31:06] traficantes.
[01:31:08] Esse mesmo. O, cara, o…
[01:31:10] Aí, ó, isso aí…
[01:31:11] Quando ele jogou esse negócio na Cracolândia, lá,
[01:31:14] o Donald Trump, um tempo passado atrás,
[01:31:15] mas eu passei mal, não quis nem comentar.
[01:31:17] Cara, é, não, é o que eu tô falando. E eu ouvi todo
[01:31:19] o discurso. O nazifascismo tem muito
[01:31:21] disso.
[01:31:22] Isso, né, cara, de pregar isso, de superioridade
[01:31:23] racial, né, esse tipo de coisa, né.
[01:31:26] De que se, se, digamos,
[01:31:27] se a minha raça é superior
[01:31:29] intelectual e fisicamente a sua, ela tem mais
[01:31:31] é que dominar a sua mesmo, né.
[01:31:33] E isso não pode ser questionado porque é,
[01:31:35] digamos, uma lei natural, né. Uma lei
[01:31:37] social natural.
[01:31:39] O Donald Trump tá, tá, tá
[01:31:42] praticamente com…
[01:31:43] Estipulando isso, né, cara, agora, né.
[01:31:46] Ele esqueceu que foi a
[01:31:47] comunidade hispânica e comunidade
[01:31:49] negra que elegeu o Obama, né,
[01:31:52] que era um pessoal que
[01:31:54] vivia à margem da sociedade que nem
[01:31:55] votava, né, que hoje é uma
[01:31:57] população super
[01:31:59] representativa nos Estados Unidos, né. Tanto que
[01:32:01] quando apareceu um candidato como o Obama, os caras
[01:32:03] falaram, quer saber? Eu vou votar. Eu vi
[01:32:05] entrevistas de pessoas que falaram, olha, cara, eu
[01:32:07] moro aqui há, sei lá, né,
[01:32:10] 30, 40 anos e nunca votei,
[01:32:12] né, mas essa eleição eu vou votar,
[01:32:14] né, porque apareceu um candidato que,
[01:32:16] né, que me representa
[01:32:18] aí, né. Sim, sim. Agora,
[01:32:19] ou seja, se o Donald Trump
[01:32:21] perder, é bem provável que ele vai
[01:32:23] botar uma roupa preta por aí e vai fazer justiça
[01:32:25] com a própria esmola e tal, né. A gente pode
[01:32:26] contar com isso. Ele vai virar…
[01:32:29] Ele vai pagar alguém pra fazer isso. Vai virar o
[01:32:31] head neck. Vai sair
[01:32:33] matando pessoas, espancando
[01:32:35] pessoas por aí. Eu sou um palhaço, eu sou um
[01:32:37] coringa, um palhaço, o Joker, um palhaço.
[01:32:40] Você quer um charuto,
[01:32:41] meu filho? É a Wanda. A gente já tem
[01:32:43] alguma ideia de qual vai ser o plot do
[01:32:45] filme, Batman vs. Super-Homem, pra ver
[01:32:47] como é que vai ser esse Batman que vai
[01:32:49] aparecer? Sim, sim, sim, eles vão brigar.
[01:32:51] Ah, jura?
[01:32:53] A princípio, pelo que aí
[01:32:55] se apurou, é o seguinte, né, é aquela história,
[01:32:57] eu não sei se você viu o trailer, né, Ivan? Vi, vi, vi.
[01:33:00] Você viu que o Bruce Wayne tava em Metrópolis
[01:33:01] e viu. Aliás, eu posso fazer um comentário sobre o trailer?
[01:33:03] Por favor. Sim.
[01:33:05] Eu achei tão…
[01:33:06] Tá bom, meu filho.
[01:33:09] Você é comunista, você não vai gostar de nada.
[01:33:11] Não, não, cara, eu achei que ia ser uma parada tipo
[01:33:13] ah, maneiro, mas foi tipo…
[01:33:15] Ah, tá.
[01:33:17] O lance é aquilo, tudo aquilo que
[01:33:19] as pessoas criticaram, né, no filme do
[01:33:21] Zack Snyder, que falaram, porra,
[01:33:23] um Superman que
[01:33:25] não tá nem aí, né, cara, ele luta com o cara no meio da cidade,
[01:33:27] derruba prédio, não sei o quê, né,
[01:33:29] não tá nem aí pras pessoas, né,
[01:33:31] é um Super-Homem que não é, né, cara.
[01:33:34] O réu não consegue ficar sem falar
[01:33:35] do Zack Snyder, até
[01:33:37] no podcast. Até no podcast, cara.
[01:33:40] Cara, ele é o Super-Homem
[01:33:42] que comete genocídio da própria espécie, né?
[01:33:44] É, tipo, vai contra, né,
[01:33:45] o grande do personagem, tipo, isso aí
[01:33:47] é o que eu falei, o problema disso
[01:33:49] é o diretor do filme não entender,
[01:33:51] não entender… Nada, de nada.
[01:33:53] Não entender conceitualmente o personagem, né,
[01:33:56] e leva o filme pro lado completamente errado.
[01:33:58] Só que é isso que eu tô falando, o Zack Snyder
[01:33:59] é tão velhaco, cara,
[01:34:01] tão filho da puta, que ele viu
[01:34:03] essa cagada que ele fez,
[01:34:06] a crítica toda que fizeram
[01:34:08] com relação a isso, aí o que ele faz
[01:34:09] nesse segundo filme, ele quer dizer que
[01:34:12] é, que aquilo tudo estava planejado,
[01:34:14] e que a treta
[01:34:15] do Batman com o Superman é justamente
[01:34:17] por isso, porque ele destruiu a cidade
[01:34:19] toda, e aí as pessoas ficaram preocupadas,
[01:34:21] mas, porra, olha só, o cara tem poder pra destruir
[01:34:23] uma cidade, assim, né, em meia hora
[01:34:25] de luta com outro filho da puta,
[01:34:27] temos que fazer alguma coisa. Então o plot
[01:34:29] diz que vai ser mais ou menos esse, né, cara, o Superman…
[01:34:31] Vamos por um milionário
[01:34:33] pra lutar com ele, que com certeza vai resolver tudo.
[01:34:36] O Superman, né,
[01:34:38] sendo apresentado como
[01:34:39] uma ameaça potencial, e o Batman,
[01:34:41] que já não agia mais como Batman,
[01:34:44] ficando com a pulga atrás da orelha
[01:34:45] e resolvendo voltar ativa justamente
[01:34:47] pra, né…
[01:34:49] Pra dar um sacode.
[01:34:51] Eu gostaria de dizer que o modelito que ele usa no deserto
[01:34:53] é muito bacana, o Batman, assim, cara.
[01:34:55] O oclinho por cima da máscara,
[01:34:57] gostei do cachecol também, bem legal.
[01:35:00] Bem legal. Cachecol show.
[01:35:02] Show de bola.
[01:35:03] O Batman com o cachecol é o que há, cara.
[01:35:05] Cachecol no deserto, né, isso é importante.
[01:35:08] É a única parte que entraria a boca
[01:35:09] ali, né, velho. É, pra proteger.
[01:35:11] Tem que resolver esse problema.
[01:35:14] Não, mas… Porque não usaram uma mascarazinha, né?
[01:35:16] Sim, mas porque…
[01:35:18] Mas qual será que vai ser…
[01:35:19] A treta é só essa, tipo,
[01:35:21] destruiu aqui tudo, então eu vou te encher de porrada.
[01:35:23] É, não, a princípio diz que tem
[01:35:25] uma subtrama aí que envolve
[01:35:27] o Lex Luthor. Talvez o Lex Luthor
[01:35:29] tipo, faça
[01:35:31] meio a cabeça do Batman pra ele ir
[01:35:33] atrás do Superman. Cara, esse filme tá com tanta subtrama
[01:35:35] que pra mim parece que ele vai ter três horas.
[01:35:37] É, e nesse meio tempo
[01:35:39] falam que tem um terceiro vilão, que seria
[01:35:41] o vilão que eles se juntam pra derrotar no final
[01:35:43] do filme, que é o Lex Luthor fazendo
[01:35:45] experiência genética com o corpo do
[01:35:47] General Zod, né, e criando uma criatura
[01:35:49] ali que deve ser o Apocalipse.
[01:35:51] Com um Superman bizarro aí no filme, né?
[01:35:54] E seria a grande ameaça
[01:35:55] que daí juntaria o Superman,
[01:35:58] o Batman e a Mulher Maravilha
[01:36:00] pra derrotar.
[01:36:01] Mas isso ainda é muito vago.
[01:36:03] Ah, por sinal, Hel,
[01:36:04] agora eu vou fazer uma reclamação, bem lembrado
[01:36:07] aí, cara, que bom que você tá aqui hoje.
[01:36:09] Porque é o seguinte, eu lembro que…
[01:36:11] Leitura de comentário. Não, não, sério,
[01:36:13] porque foi ano passado
[01:36:16] quando começou, assim, vocês
[01:36:17] no MDM lá falando, para, porque o Aquaman…
[01:36:19] Vai ter o Aquaman no filme também, né?
[01:36:21] É, porque o Aquaman…
[01:36:23] Porque é uma merda, caralho.
[01:36:25] Daí eu mandei um tweet pra você numa dessas
[01:36:27] reclamações tuas, e eu falei assim,
[01:36:29] você viu a declaração que o
[01:36:32] Zack Snyder deu numa
[01:36:33] rádio nos Estados Unidos sobre o Aquaman?
[01:36:35] E silêncio. E eu pensei,
[01:36:37] que filho da puta é o Hel, cara?
[01:36:39] Por que eu tô dando ouro aqui
[01:36:41] pra ele? Vai virar pauta de
[01:36:43] MDM. Eu já tava pensando assim, porra, vão
[01:36:45] acreditar a mim, um programa todo, vai ser
[01:36:47] foda, isso é do caralho.
[01:36:48] Então, porque olha só,
[01:36:51] não sei se vocês… Olha só,
[01:36:51] ele tava pensando só na glória dele
[01:36:53] mesmo, né? É, não, é óbvio.
[01:36:55] Eu sou o Batman, cara, aqui.
[01:36:58] Então, olha só, é…
[01:36:59] Eu tava pensando na licitação pro MDM.
[01:37:02] Vocês não ouviram essa
[01:37:03] da ligação que o Zack Snyder fez
[01:37:05] numa rádio americana?
[01:37:07] A história foi a seguinte, os caras estavam
[01:37:09] numa rádio americana e estavam fazendo mesmo assim,
[01:37:11] porra, vai ter o Aquaman, personagem
[01:37:13] merda, que bosta, xingando.
[01:37:16] E o Zack Snyder tava ouvindo.
[01:37:17] E daí ele ligou pra rádio.
[01:37:20] Meu Deus.
[01:37:20] Ele ligou na rádio e disse assim, ó,
[01:37:22] aqui é o Zack Snyder, o diretor do filme.
[01:37:26] Caralho, o quê?
[01:37:27] Eu quero ver você falar isso na minha cara.
[01:37:29] Não, eu tô ouvindo o que vocês estão
[01:37:30] falando e eu só quero falar
[01:37:32] algumas coisinhas aqui pra deixar vocês
[01:37:34] meio curiosos, que é o seguinte,
[01:37:36] eu não sei se vocês sabem,
[01:37:39] mas o Aquaman tem aquele
[01:37:40] tridente, e aquele tridente
[01:37:42] é uma das poucas armas que podem
[01:37:44] machucar o super-homem.
[01:37:46] Então, com isso, aí tem
[01:37:48] alguma coisinha, talvez, que pode,
[01:37:50] pode ativar a imaginação de vocês.
[01:37:53] Eu já pensei, hum,
[01:37:54] aí, então,
[01:37:56] o que deu a entender, naquela ligação
[01:37:58] do Zack Snyder, que eu não vejo ninguém
[01:38:00] citando, mas eu juro que eu ouvi,
[01:38:02] eu não estava sonhando, eu não estava bêbado
[01:38:04] nem nada assim, e que ele
[01:38:06] falou isso, então, deu a entender
[01:38:08] que o vilão, o grande vilão do filme,
[01:38:10] que uniria todo mundo, seria o Aquaman,
[01:38:12] pelo menos em algum momento. O que significa
[01:38:14] que se tiver um apocalipse, esse filme vai ser
[01:38:16] um salseiro do caralho, velho.
[01:38:18] E faz sentido, porque…
[01:38:20] no filme da…
[01:38:22] do Esquadrão Suicida, dizem que
[01:38:24] o tridente do Aquaman
[01:38:26] está, tipo assim,
[01:38:28] na sala da Amanda Waller, como se fosse
[01:38:30] um troféu, né, e que
[01:38:32] o Aquaman, tecnicamente, estaria preso
[01:38:34] lá na…
[01:38:35] na prisão lá de Belly Rav.
[01:38:38] Talvez possa ser isso, né, cara, que…
[01:38:40] Que massa, velho!
[01:38:42] O Aquaman…
[01:38:43] O Aquaman foi capturado
[01:38:46] aí, né, talvez, depois da luta contra o
[01:38:48] super-homem. Que massa, velho!
[01:38:50] Mas, cara, mas daí eu…
[01:38:52] aí eu lembro que quem é o Aquaman
[01:38:54] é o Jason Momoa, e aí…
[01:38:56] É…
[01:38:57] Não, mas se for um lance meio caldrogo
[01:39:00] que ele não fala, até que vai, né, cara?
[01:39:02] Ivan, eu quero te falar uma também.
[01:39:04] Estamos nessa fofoquinha lá do filme.
[01:39:06] Você lembra que você gostou do lance
[01:39:08] do Superman, do…
[01:39:10] do americano, o Batman lá, e derrubar
[01:39:12] ele no Cavaleiro das Trevas? Sim, sim.
[01:39:14] Então, os caras estavam falando que o que vai acontecer
[01:39:16] é que o Superman é a força
[01:39:18] anárquica, fora, sem contato com o governo,
[01:39:20] descontrolada, e quem procura
[01:39:22] o Batman pra pedir ajuda é o governo americano.
[01:39:25] Rapaz!
[01:39:25] Eles invertem a situação.
[01:39:27] Eles invertem a situação. Então é o Batman que vai
[01:39:30] ir atrás do Superman com o aval do
[01:39:32] tio Sam. Jesus!
[01:39:34] Pra que isso, velho? Pra quê?
[01:39:35] Pra você ficar feliz, Ivan. Eles fizeram isso
[01:39:38] pensando em você. E o momento que vai
[01:39:40] aparecer criptonita, porque tem que ter criptonita
[01:39:42] nessa merda, né? Lógico!
[01:39:43] No trailer já aparece. Aparece uma
[01:39:46] uma lepa de uma pedra de
[01:39:48] gigante.
[01:39:48] É, mas e como é…
[01:39:50] Cara, sério, quatro horas de filme
[01:39:52] eu não dou conta disso tudo, velho.
[01:39:54] Vai ser uma merda foda, assim.
[01:39:56] Vai, vai.
[01:39:58] O pessoal tá reclamando do filme do Quarteto?
[01:40:00] Sabem nada, Inocente.
[01:40:02] Não sabem nada. Cara, esse filme do Quarteto é muito
[01:40:04] bom, né? Um ano depois, quatro anos
[01:40:06] depois, cinco anos depois. Tipo assim, né?
[01:40:08] Em 15 minutos, o filme pula
[01:40:10] uns cinco anos, assim, né?
[01:40:13] Bom, gente, falamos
[01:40:14] pra caralho o resultado final.
[01:40:16] O Batman é um fascista que
[01:40:18] causa uma guerra pra enriquecer mais.
[01:40:20] Eu acho que… E explora trabalhadores.
[01:40:22] Explora trabalhadores, crianças.
[01:40:24] Já deu, então, né?
[01:40:26] Que maravilha, então.
[01:40:27] Como queríamos comprovar, né? O Batman…
[01:40:30] Mas uma coisa que eu vou defender.
[01:40:32] O Batman, pelo menos, ele não tem ideia de superioridade
[01:40:34] racial. Ele desce o sarrafo
[01:40:36] em todas as etnias.
[01:40:37] Ele bate na
[01:40:39] cria de chinesa, bate
[01:40:42] na massa nigeriana, nos russos.
[01:40:44] Gente, você tá falando isso,
[01:40:46] eu tava lembrando de uma história do Batman, cara.
[01:40:48] Fui reler esses tempos aí pra gravar o programa.
[01:40:50] Que é o Filho do Demônio, lá, ó.
[01:40:52] Do Ransalvo, lá. Cara,
[01:40:54] eu tinha esquecido como aquela história canastrona,
[01:40:56] velho. O Batman
[01:40:58] tá muito escroto, cara. Ele dá
[01:41:00] carteirada em todo mundo. Ele dá carteirada no Gordon,
[01:41:02] dá carteirada que aparece no caminho.
[01:41:04] Tem uma hora que o pessoal tá tratando lá
[01:41:06] os feridos. Ele chega, esse homem não tem
[01:41:08] prioridade no tratamento. E tira,
[01:41:10] assim, porque é um dos bandidos, né?
[01:41:12] Ele tira pra levar lá, pra ver a
[01:41:14] talha que tava com ponta, assim, cara.
[01:41:16] Tipo, ele faz isso umas duas vezes na história, cara.
[01:41:18] Mas escroto, escroto, escroto.
[01:41:20] Tem uma hora que o comissário fala pra ele
[01:41:22] nossa, mas você já sabia disso, Batman?
[01:41:24] Daí ele vira e fala pro comissário, o que
[01:41:26] eu não sei, eu procuro, comissário.
[01:41:28] Tem uma opção, velho.
[01:41:30] E aí, o caralho, velho.
[01:41:32] Mas muito escroto, velho. Jogou na cara dele, né?
[01:41:34] Aí, não, e daí ele tá lá,
[01:41:36] tá lá pra fazer as missões, assim, tal. Daí a talha
[01:41:38] é engravida. Daí, tipo,
[01:41:40] então, Batman, vamos lá fazer a missão. Não, não vou mais,
[01:41:42] porque agora eu vou ser pai de família, eu tenho que cuidar
[01:41:44] da minha família, eu tenho que cuidar do meu bebê. Não,
[01:41:46] não sei o quê. E daí ele começa a falar
[01:41:48] sempre assim, não, eu não vou fazer isso, porque eu tenho que cuidar
[01:41:50] do meu bebê. O meu bebê tá lá
[01:41:52] e não sei o quê. Aí tem uma hora que o Razagul só olha
[01:41:54] pra talha, a talha tem um desmaio
[01:41:56] assim, daí acorda, ai, querido, eu perdi o bebê.
[01:41:58] Não. Aí o Batman
[01:42:00] vai atrás do Razagul,
[01:42:02] vamos lá, vou fazer o que você quer, que eu preciso
[01:42:04] quebrar alguém. E é bem isso, cara, ele vai atrás
[01:42:06] do cara, porque ele precisa quebrar. O cara
[01:42:08] é muito ruim. E o mais legal é que
[01:42:10] ele tá jogando xadrez com o Razagul,
[01:42:12] né? Ele, tipo, ele vira treinador
[01:42:14] lá do cara, assim, tal. Beleza.
[01:42:17] Cara, ele não tira a roupa de Batman,
[01:42:18] nem um minuto. Meu Deus. Ele tá
[01:42:20] jantando com os caras na mesa, ele tá vestido
[01:42:22] de Batman com o capuz.
[01:42:25] Foi no deserto, imagina
[01:42:26] o fedor, né, cara?
[01:42:28] Não, e o velho, ele vai pra lá
[01:42:30] de avião, você não vê ele andando com uma malinha,
[01:42:32] então, tipo, ele continua com a mesma roupa de Batman,
[01:42:34] não é só a roupa de Batman.
[01:42:36] E daí eles desenham cenários, assim, soldados,
[01:42:38] e, tipo, tem uma pega meio 007
[01:42:40] e, de repente, parece que tem um cosplay
[01:42:42] do Batman lá no meio, assim, sabe, correndo.
[01:42:44] Então, tipo, é uma história maravilhosa,
[01:42:46] cara, eu tinha esquecido como ela era boa.
[01:42:48] Caralho, mano. Não, não,
[01:42:50] então tá bom, né? Já deu
[01:42:52] o debate, mas, assim, eu espero só que o filme
[01:42:54] seja bom e…
[01:42:56] No nível massa véio, assim, já tá massa,
[01:42:59] assim, tipo, uma boa porradoria.
[01:43:00] Uma boa porradoria. Cara,
[01:43:02] beba três tequilas antes, três shotinhos
[01:43:04] de tequila e… Não, cara, é que sabe
[01:43:06] o que vai ficar muito puto? Sabe o que eu vou
[01:43:08] ficar muito puto e o que
[01:43:10] eu não duvido que aconteça?
[01:43:12] É, tipo, assim, todo aquele climão, né,
[01:43:14] é, você sangra, vai sangrar,
[01:43:17] porra, vai ter porrada,
[01:43:18] né? E daí, de repente, chega
[01:43:20] daí o Superman diz assim,
[01:43:22] velho, tá ligado que eu te mato em dois segundos
[01:43:24] se eu quiser. Eu já quebrei o pescoço aqui,
[01:43:26] você viu? Então,
[01:43:28] vamos fazer o seguinte, vamos ficar de boa,
[01:43:30] aparece o Aquaman e, tipo, não tem briga
[01:43:32] nenhuma. Se rolar isso, cara, eu vou ficar muito bravo.
[01:43:34] Deu? Daí, daí eu vou…
[01:43:36] Daí, desculpa, réu, não tem como
[01:43:38] defender da IDC, não, não,
[01:43:40] não rola, velho, então… Não, mas é
[01:43:42] o que eu falo, cara, eu acho que o grande problema
[01:43:44] dos filmes da DC é
[01:43:46] é essa imagem, a autoimpreensão,
[01:43:48] imposta deles de que, ah, não,
[01:43:50] nossos filmes são mais sérios, nossos filmes
[01:43:52] são mais sombrios, né? Nossos filmes
[01:43:54] não são iguais os da Marvel, que é, tipo,
[01:43:56] ah, é todo mundo alegre, né? Tipo um episódio
[01:43:58] de Friends, né? É, definitivamente
[01:44:00] não são.
[01:44:02] Nossos filmes não são iguais os da Marvel, nós sofremos isso.
[01:44:04] É, mas eu não acho isso legal, sabe?
[01:44:06] Essa coisa de ficar forçando
[01:44:08] esse tipo de…
[01:44:10] Sei lá, uma tentativa de querer
[01:44:12] parecer superior, né?
[01:44:14] Aí você lembra que é o Zack Snyder que tá dirigindo,
[01:44:16] né, cara? Não, cara, não…
[01:44:18] Não tem competência pra fazer um filme desse, né,
[01:44:20] cara? Ele devia ter chamado, sei lá, o Scorsese,
[01:44:22] né? Alguém assim, se eles
[01:44:24] quisessem um filme, né, mais sério,
[01:44:26] né? É, mas você lembra qual que era
[01:44:28] a proposta do
[01:44:30] Aronofsky pro Batman,
[01:44:32] cara? Que o…
[01:44:34] Tipo… O Alfred
[01:44:36] ia ser o Al. É.
[01:44:38] Era um negão, né? Era um mecânico.
[01:44:40] É. Cara, imagina
[01:44:42] o Aronofsky que, porra, é um puto
[01:44:44] diretor, assim, cara. Fizesse aquilo
[01:44:46] ia ser muita derrota, assim,
[01:44:48] velho. Então… Então, querendo
[01:44:50] ou não, dos males o menor,
[01:44:52] assim, sabe? Não botando o Coringa
[01:44:54] como o cara que matou os
[01:44:56] pais do Bruce Wayne, acho que já tá bom, assim, também, né?
[01:44:59] Não dá pra exigir muito, assim.
[01:45:00] Eu acho que o filme do Deadpool vai ser mais
[01:45:02] legal, hein? Não, não…
[01:45:03] Vai ser interessante.
[01:45:05] Não, o filme do Deadpool acho que vai fazer sucesso, assim.
[01:45:08] Mas a gente tem que por isso, cara. Pode ser
[01:45:09] diversão pura e simples, sem compromisso.
[01:45:12] Cara, sabe por que não vai? Porque é a Fox, cara.
[01:45:14] A Fox não rola, velho.
[01:45:16] Mas eu acho que eles acertaram ali.
[01:45:18] Eu acho que o filme vai ser censura 18 anos, né?
[01:45:20] Então eles vão perder. Eles vão perder
[01:45:22] uma boa faixa aí de público
[01:45:24] aí nessa parada.
[01:45:26] Não, mas eu boto fé que não, cara, porque
[01:45:28] a Fox é especialista em cagar no pau, assim,
[01:45:30] cara, tipo… É, eu quero ver como é que eles vão
[01:45:32] estragar, porque eu tô vendo até agora, pelo menos
[01:45:34] não que o Deadpool seja grande coisa, cara.
[01:45:36] Liber, você lembra quando eu fui na tua
[01:45:38] casa? Liber, eu fui na tua
[01:45:40] casa dois meses atrás, e daí a gente
[01:45:42] conversando sobre Vingadores 2 e
[01:45:44] pô, que foda lá. Daí você falou,
[01:45:46] cara, aquele filme fantástico, parece que vai ser
[01:45:48] foda, né, velho? Deu, é.
[01:45:50] Parece ser foda. Parecia,
[01:45:52] parecia. Adivinha qual que é o estúdio?
[01:45:54] É Fox.
[01:45:56] Então não dá, velho. Mas o X-Men
[01:45:58] ficou legal, cara. Ah, X-Men, mas
[01:46:00] é… É, ficaram legais, cara.
[01:46:02] Ficou legal, né? É, apesar
[01:46:04] que o quarteto não foi só culpa da Fox,
[01:46:06] né, cara? O Josh Trank aí também teve uma
[01:46:08] parcela de culpa. Jesus, eu não sei como é que aquele cara
[01:46:10] fez aquilo, cara. É, tipo, porque
[01:46:12] ele era tão bom, cara. Os outros filmes dele,
[01:46:14] tudo bem, é só um que eu vi, né?
[01:46:16] O Poder Sem Limites, né? É, o Poder Sem Limites.
[01:46:18] Mas aquilo lá, o cara sabia o que fazia.
[01:46:20] Cara, vocês assistiram aquele documentário?
[01:46:22] Aquele documentário, olha só. Cara, o que eu achei engraçado,
[01:46:24] vocês viram, né, aí que saiu
[01:46:26] que disse que o Miles Teller quase
[01:46:28] saiu no palco. Cara, você…
[01:46:30] Não tem o filme lá do
[01:46:32] Karate Kid da Bateria lá, que o cara é o…
[01:46:34] Tem, tem, tem. Karate Kid da Bateria?
[01:46:36] Como é que é o nome do filme? Esqueci.
[01:46:38] Whiplash. Whiplash.
[01:46:41] Whiplash. Whiplash, isso.
[01:46:43] Cara, parece
[01:46:44] que o Josh Trank, ele agia
[01:46:46] igualzinho
[01:46:48] o JJ Jameson agia naquele filme.
[01:46:50] Só que na vida real, entende?
[01:46:53] Caralho.
[01:46:54] Os caras falaram que ele interrompia
[01:46:56] cenas, tipo,
[01:46:58] corta, você piscou
[01:47:00] duas vezes, eu não
[01:47:02] quero que você risque.
[01:47:04] Agora, vamos gravar de novo.
[01:47:06] Ele interrompia dizendo que o cara, não, você tá com
[01:47:08] a respiração errada, não tá saindo
[01:47:10] a frase do jeito que eu quero. Cara, disse que ele
[01:47:12] tava desse jeito, ficava puto,
[01:47:14] disse que xingava todo mundo e não sei o que.
[01:47:16] E tanto que falaram que o Miles Teller,
[01:47:18] o ator aí, que fez o
[01:47:20] Whiplash, que é o doutor
[01:47:21] do Reed Richard, né?
[01:47:24] Diz que eles quase saíram na porrada durante a filmagem.
[01:47:26] Tiveram que separar os dois, cara,
[01:47:28] durante as filmagens, por conta disso.
[01:47:30] O cara ser chato demais.
[01:47:32] Mas vocês viram aquele, eu já falei
[01:47:34] no comentário antes, mas é o seriado,
[01:47:36] o Entourage, que daí
[01:47:38] mostrava o mundo, assim, de Hollywood e tal,
[01:47:40] como é que era, mais ou menos.
[01:47:42] Produzido pelo Mark Wahlberg, olha aí, ó.
[01:47:44] Olha só.
[01:47:46] Provavelmente
[01:47:47] porque ofereceram a
[01:47:48] introdução pro Matt Damon e ele não aceitou.
[01:47:52] Tem vários problemas
[01:47:54] no seriado, mas é legal
[01:47:56] pra mostrar justamente como é que é esse lance
[01:47:58] do tipo diretor contra estúdio
[01:48:00] e tal. E, cara, eu tenho certeza
[01:48:02] que aquela declaração que o Josh Trank
[01:48:04] deu, assim, que ficou meio como desculpinha,
[01:48:06] eu tenho certeza, cara, que rolou
[01:48:08] aquilo. Mas você ficou
[01:48:10] sabendo que quando ele falou, ah, o meu
[01:48:12] filme teria sido muito melhor e teria
[01:48:14] ótimas críticas,
[01:48:16] dizem que o Miles Teller respondeu
[01:48:18] pra ele, assim, eu acho que não.
[01:48:20] E aí deu mó merda
[01:48:22] e eles excluíram todos os tweets e tal,
[01:48:24] cara. Caralho, mano, não fiquei
[01:48:26] sabendo dessa. Foi, foi.
[01:48:28] Ele respondeu…
[01:48:30] Quem respondeu foi o Miles?
[01:48:31] É o ator, o ator que faz o Reed Isher.
[01:48:34] Que tesão, velho.
[01:48:37] Ai, ai,
[01:48:38] cara, a gente reclama, a gente
[01:48:40] tira a sarra da revista contigo e não sei o que,
[01:48:42] mas nós tamo nós aqui, né?
[01:48:43] Vocês estão demais, cara.
[01:48:45] É nóis. Parabéns.
[01:48:47] Então,
[01:48:48] chega, chega. Já tá bom,
[01:48:49] muito bom. E ainda tava gravando?
[01:48:51] Tava, né? Porra.
[01:48:55] Vai um bônus.
[01:48:57] Foi um bônus.
[01:48:58] Foi um podcast.
[01:49:01] Fofocas em Hollywood.
[01:49:03] Então, é isso aí. Batman fascista,
[01:49:05] chora aí pra caralho
[01:49:07] e um beijo pra vocês. Tchau.
[01:49:09] Tchau, foi um prazer inenarrável.
[01:49:11] Tchau, gente.
[01:49:18] Este programa é um oferecimento
[01:49:33] dos patrões do Anticast.
[01:49:36] Aqueles…
[01:49:37] Vamos achar um outro adjetivo.
[01:49:39] Aqueles seres
[01:49:41] excepcionais.
[01:49:43] Que merda. Mas aqueles seres
[01:49:45] excepcionais que nos dão dinheiro todo mês
[01:49:47] para que possamos continuar
[01:49:49] fazendo essa baderda,
[01:49:51] essa bagunça gostosa aqui
[01:49:53] na internet. O que comem
[01:49:55] os patrões do Anticast?
[01:49:57] Onde vivem? Onde moram?
[01:49:59] Não perca no Globo Repórter
[01:50:01] dessa semana. Fazendo jabá aqui
[01:50:03] da Globo, como se ela precisasse.
[01:50:05] Enfim, como prometido,
[01:50:07] nós sempre agradecemos
[01:50:08] todos que contribuem, desde os um dólar
[01:50:11] até… Enfim, todo mundo,
[01:50:13] vocês são lindos demais, a gente ama vocês.
[01:50:16] Mas a gente só…
[01:50:17] Só cita o nome
[01:50:18] daquelas criaturas que estão
[01:50:21] pagando as
[01:50:23] categorias VIP, que são
[01:50:25] as de 25 dólares e as de
[01:50:27] 50 dólares. Então, a galera
[01:50:29] dos 25 dólares sambando
[01:50:31] na cara da sociedade, vocês
[01:50:33] são, e eu os agradeço,
[01:50:35] Gabriel Cano, Guilherme
[01:50:37] Sena, Thiago Luiz Silva,
[01:50:40] Diego Ferreira
[01:50:41] e Xi Sagara.
[01:50:43] Vocês são lindos!
[01:50:45] Lindos demais. Muito obrigado.
[01:50:46] E,
[01:50:47] na categoria de 50 dólares,
[01:50:48] Jared Lito. Vocês são seres
[01:50:51] humanos melhores do que todos
[01:50:53] nós jamais seremos.
[01:50:55] Vocês são Igor Alcântara
[01:50:57] e, sim,
[01:50:59] eu ainda acho seu nome estranho.
[01:51:00] Alcântara, Rodrigo Cruz,
[01:51:03] Alexander Guirios, Marcelo
[01:51:05] Pinheiro, Fernando Homem
[01:51:07] Sussi, Hiromi Honda,
[01:51:09] Felipe Santos
[01:51:10] e Felipe Sottoni.
[01:51:13] Um beijo em seus corações
[01:51:15] e nos vemos
[01:51:16] novamente, ou nos ouvimos,
[01:51:19] ou vocês me ouvem. Vocês entenderam
[01:51:21] a mensagem. Tudo isso na semana
[01:51:23] que vem. Beijo, tchau!
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[01:52:16] E aí