AntiCast 209 – Afrofuturismo


Resumo

O episódio é uma discussão aprofundada sobre afrofuturismo, conduzida pelo escritor Fábio Cabral, o rapper Augusto Oliveira e a ilustradora Maria Freitas. Eles definem o afrofuturismo não apenas como um subgênero da ficção científica, mas como um movimento cultural amplo que imagina um futuro onde pessoas negras estão inseridas com protagonismo, baseado em suas perspectivas ancestrais, espiritualidade e estética. A conversa aborda a falta de representatividade na cultura pop, os estereótipos negativos associados a personagens negros e a importância de criar narrativas que apresentem pessoas negras em papéis normais e diversos, longe dos arquétipos limitantes.

Os participantes compartilham suas experiências pessoais com racismo e como isso influencia seu trabalho artístico. Fábio Cabral discute seus livros, como “Ritos de Passagem” e o futuro “O Caçador Cibernético da Rua 13”, que apresentam universos onde todos os personagens são negros, incorporando espiritualidade africana e tecnologia. Maria Freitas fala sobre seu projeto “O Mago Rosa”, onde redesenha personagens originalmente brancos como negros para promover representatividade. Augusto Oliveira conecta o afrofuturismo à música, desde o jazz e o blues até o rap e o funk contemporâneo, destacando como a cultura negra constantemente se reinventa.

A discussão também cobre temas como apropriação cultural, o apagamento da história e das diversidades étnicas africanas, e o papel da ficção como ferramenta para reflexão e enfrentamento de problemas reais. Eles criticam a visão da ficção como mero entretenimento, defendendo que ela pode e deve inspirar e dar força para lidar com questões do mundo real. O episódio é repleto de indicações de artistas, escritores e músicos afrofuturistas nacionais e internacionais, valorizando a produção de conteúdo negro.

Por fim, os participantes refletem sobre o potencial do afrofuturismo para contribuir com uma sociedade menos preconceituosa, argumentando que a representatividade na arte pode moldar mentalidades e oferecer novos imaginários. Eles encerram fazendo seus “jabás”, divulgando seus projetos e incentivando o apoio à produção cultural nacional, especialmente àquela feita por pessoas negras.


Indicações

Artistas

  • Maria Freitas (O Mago Rosa) — Ilustradora que cria versões negras de personagens originalmente brancos em sua página no Facebook, por uma questão de representatividade.
  • Anne Gonzaga — Ilustradora que retrata principalmente a mulher negra, abordando temas como racismo, sexualidade e relações com muita sensibilidade.
  • Minizu — Designer citado como ‘o designer do futuro’ e uma das pessoas que incorpora o afrofuturismo tanto nas artes quanto no lifestyle.

Coletaneas

  • Universo Desconstruído — Coletânea de ficção científica feminista brasileira, com download gratuito. Fábio Cabral é autor convidado do segundo volume.

Livros

  • Ritos de Passagem — Livro de Fábio Cabral, descrito como uma ficção afrofantástica onde personagens descobrem poderes ancestrais. É o primeiro de uma série de cinco livros.
  • As Lendas de Dandara — Livro de Jarid Arnes, citado como um marco para a fantasia nacional brasileira, com ilustrações sensíveis de Lini Vale. A introdução é destacada por ser muito tocante.
  • O Caçador Cibernético da Rua 13 — Futuro livro de Fábio Cabral, uma história afrofuturista sobre um jovem negro com dreads, implantes cibernéticos e poderes de teletransporte, que trabalha como caçador de monstros em um mundo dominado por matriarcas.

Musicos

  • Ellen Oléria — Cantora brasileira explicitamente afrofuturista, citada como uma das expressões do movimento no país.
  • Rincon Sapiência — Rapper citado como principal referência musical de Augusto Oliveira dentro do afrofuturismo brasileiro.
  • Janelle Monáe — Artista norte-americana apresentada como uma das maiores expressões atuais de afrofuturismo, unindo música, design, moda e conceitos de ficção científica em sua produção.
  • Erykah Badu — Cantora norte-americana citada como uma influência fundamental e precursora do estilo que Janelle Monáe representa.

Podcasts

  • Lado Negro da Força — Podcast com participação de Fábio Cabral e Augusto Oliveira, descrito como uma revista digital voltada para a cultura pop com protagonismo negro.
  • Mutação em Debate — Podcast sobre X-Men apresentado por Fábio Cabral, descrito como livre de preconceitos em relação aos quadrinhos originais.

Linha do Tempo

  • 00:01:00Introdução e apresentação dos participantes — A apresentadora introduz o tema do episódio, o Afrofuturismo, e apresenta os convidados: Fábio Cabral (escritor), Augusto Oliveira (rapper) e Maria Freitas (ilustradora do projeto O Mago Rosa). Ela comenta a importância do programa e a riqueza da conversa que se seguiu. Os convidados são brevemente apresentados com seus trabalhos e conexões com a cultura nerd e pop.
  • 00:17:01Definindo o que é Afrofuturismo — Os participantes começam a definir o afrofuturismo. Fábio Cabral descreve como o futuro a partir da ótica negra, incorporando espiritualidade ancestral, estética (cabelos crespos, black power) e traumas como a diáspora. Augusto complementa, vendo o afrofuturismo como um estilo de vida e uma forma de recriar comunidade no mundo urbano contemporâneo, indo além de ser apenas um gênero literário ou musical.
  • 00:21:16Estereótipos e falta de representatividade na ficção — A conversa aborda os estereótipos negativos e a falta de representatividade tridimensional para personagens negros na ficção. Fábio relata sua experiência como ator, sendo escalado apenas para papéis de bandido. Eles discutem como personagens negros são frequentemente limitados a arquétipos como o bandido, o alívio cômico, o atleta ou o indivíduo hiperssexualizado, sem complexidade moral ou intelectual.
  • 00:30:23A Diáspora Negra e a incapacidade de reflexão — Os participantes discutem a diáspora negra, o sequestro e a escravidão de milhões de africanos, e como esse trauma histórico é frequentemente ignorado ou relativizado. Eles criticam a incapacidade de muitas pessoas de fazer a conexão entre narrativas ficcionais de invasão alienígena ou escravidão e a realidade histórica, atribuindo isso ao privilégio de ver a ficção apenas como entretenimento.
  • 00:33:50O apagamento da história e da diversidade africana — Fábio Cabral fala sobre o apagamento da história e da enorme diversidade étnica, linguística e cultural do continente africano. Ele critica a homogeneização termos como “orixás” para se referir a todas as divindades africanas, apagando as particularidades de cada povo. A discussão também aborda a perda da ancestralidade e da árvore genealógica para pessoas negras na diáspora.
  • 00:48:18Afrofuturismo na música e apropriação cultural — Augusto Oliveira discute o afrofuturismo na música, traçando uma linha desde o jazz e o blues até o rap, funk e kuduro. Ele fala sobre como estilos negros são constantemente apropriados e como artistas brancos frequentemente recebem mais destaque. A conversa se aprofunda na questão da apropriação cultural, diferenciando-a da simples troca cultural e destacando o duplo padrão e a falta de crédito dado às origens negras.
  • 01:02:33O trabalho de Maria Freitas e a ressignificação de personagens — Maria Freitas detalha seu trabalho na página O Mago Rosa, onde ilustra versões negras de personagens originalmente brancos. Ela explica que essa prática nasce da necessidade de representatividade e do desejo de se ver em papéis de protagonismo, longe dos estereótipos. Ela também compartilha sua jornada pessoal de criação, onde passou a criar personagens negros originais após se conectar com o movimento negro.
  • 01:17:00A arte como expressão e a reação à visibilidade — Os participantes discutem como a simples existência e produção artística de pessoas negras é muitas vezes interpretada como um manifesto político ou um ataque. Eles argumentam que a arte é uma expressão do ponto de vista do artista, e que a visibilidade de minorias incomoda porque desafia expectativas. Fábio comenta que em seus livros, todos os personagens são negros, e isso por si só já é visto por alguns como uma declaração.
  • 01:24:00Indicações de artistas e produtores afrofuturistas — Os participantes fazem uma série de indicações de artistas afrofuturistas nacionais e internacionais. Na literatura, citam Jarid Arnes (“As Lendas de Dandara”) e Fábio Cabral. Na música, mencionam Ellen Oléria, Rincon Sapiência, Arafat, Tássia Reis, Janelle Monáe, Erykah Badu, Kendrick Lamar, e diversos artistas internacionais. Também indicam ilustradores como Lini Vale e Anne Gonzaga, e o designer Minizu.
  • 01:42:08O papel do Afrofuturismo e considerações finais — A discussão retorna ao papel do afrofuturismo. Augusto vê como um estilo de vida e uma força para trazer visibilidade e representatividade. Fábio enfatiza a importância de trabalhar a ficção para criar novos imaginários e inspirar, especialmente crianças negras. Eles concordam que o movimento é empoderador e pode contribuir para uma sociedade mais reflexiva. Os participantes então fazem seus ‘jabás’, divulgando seus projetos e redes sociais antes do encerramento.

Dados do Episódio

  • Podcast: AntiCast
  • Autor: HD1
  • Categoria: Society & Culture
  • Publicado: 2015-11-19T04:11:07Z
  • Duração: 01:51:58

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Este podcast é apresentado por

[00:00:06] b9.com.br

[00:00:10] Anticast, a visão do designer sobre o mundo.

[00:00:30] Anticast, a visão do designer sobre o mundo.

[00:01:00] Eu acho aí o programa do Afrofuturismo ficou mó da hora.

[00:01:03] Ficou mó da hora.

[00:01:05] Sérião, sérião.

[00:01:07] Ficou.

[00:01:08] Anticast 209, Afrofuturismo.

[00:01:12] Quem participou aqui?

[00:01:14] Fábio Cabral, o Augusto Oliveira, que é um rapper muito bom, inclusive.

[00:01:19] E a Maria Freitas, que ilustra lá na página do Facebook, chamada O Mago Rosa.

[00:01:24] Faz um trabalho muito legal pegando personagens

[00:01:26] que normalmente seriam brancos na cultura pop, né?

[00:01:30] E coloca eles como negros.

[00:01:31] E olha, é um trabalho muito bonito e muito sensível.

[00:01:35] O Afrofuturismo, eu não sei se o Fábio concorda,

[00:01:39] mas eu tenho a impressão de que, assim, ele é trabalhado no Brasil

[00:01:42] e as pessoas não sabem que é Afrofuturismo.

[00:01:44] É como se elas não conhecessem o termo, né?

[00:01:47] É porque esse termo, assim, o Afrofuturismo enquanto termo,

[00:01:52] no meu ponto de vista, é recente ainda, né?

[00:01:56] No Brasil ainda não é muito dito.

[00:01:58] Mas tem Afrofuturismo.

[00:01:59] Afrofuturismo sendo feito aí em tudo quanto é quanto, né?

[00:02:02] Sim.

[00:02:03] Não só na literatura, como na música, na pintura, né?

[00:02:08] No design.

[00:02:08] No design, no hip hop principalmente, né?

[00:02:12] Exato.

[00:02:12] É muito interessante.

[00:02:14] Olha, o programa ficou lindo.

[00:02:16] Eu aprendi muito, muito mesmo.

[00:02:19] Foi assim, essas três pessoas abrilhantaram esse programa

[00:02:22] de uma maneira que eu não sei explicar.

[00:02:24] Só posso ficar muito grata por eles terem vindo fazer esse programa comigo.

[00:02:28] O áudio do Augusto, ele deu uns pequenos problemas durante a gravação.

[00:02:33] Eu espero que tenham conseguido salvar uma parte da fala dele,

[00:02:37] porque foi de extrema importância.

[00:02:39] Tem indicação de artista afrofuturista pra você curtir, pra você ir atrás.

[00:02:43] Olha, é muito bom mesmo.

[00:02:46] Eu que agradeço o Fábio estar aqui apresentando, fazendo essa abertura comigo

[00:02:50] e por ter vindo no programa.

[00:02:52] Porque, olha, cara, eu aprendi muito com você.

[00:02:55] Sério mesmo.

[00:02:55] Puxando a sardinha mesmo.

[00:02:56] Sardinha não, puxando um tubarão logo na vida.

[00:02:58] Ficou louco, mano.

[00:03:00] Poxa, na real, quem tem que aprender muito sobre ficção científica aí,

[00:03:04] as pessoas têm que aprender muito com você.

[00:03:07] Isso que eu queria dizer, entendeu?

[00:03:08] Porque seu blog é maravilhoso.

[00:03:10] Não, sérião, sérião, assim.

[00:03:12] Eu vendo ali e tal, que eu não me manifesto muito,

[00:03:15] mas eu leio muito, muito dos seus posts e tal.

[00:03:18] Eu vejo as paradas ali e falo, nossa, é verdade.

[00:03:20] Nossa, ah, sei lá, seres baseados em silício.

[00:03:23] Ah, catástrofe da Terra e tal.

[00:03:25] Não, mas é sério, porque ajuda a criar, entendeu?

[00:03:26] Poxa, obrigada, cara.

[00:03:28] Minha mente maluca me ajuda a criar, entendeu?

[00:03:31] Ah, eu sou muito grato aí.

[00:03:32] Não, sério mesmo, assim.

[00:03:33] Eu achei que eu agradeço.

[00:03:34] Eu sou muito grato por ter sido chamado aí, entendeu?

[00:03:36] E quem que possa gravar outros aí, sei lá,

[00:03:38] vamos tomar índio e tamo junto aí.

[00:03:40] É nóis, mano.

[00:03:41] É nóis.

[00:03:42] E olha, o Fábio, ele tá, já vou dizer logo de uma vez,

[00:03:47] o segundo volume da coletânea Universo Desconstruído,

[00:03:50] ficção científica feminista, vai vir,

[00:03:53] acredito que até dezembro.

[00:03:55] Aí, presente de Natal, hein, gente.

[00:03:56] Presente de Natal gratuito.

[00:03:57] Então, acredito que a coletânea já esteja no ar.

[00:04:00] Fábio Cabral é o nosso afrofuturista na coletânea.

[00:04:02] É sensacional.

[00:04:03] Quero mandar também um grande beijo no coração

[00:04:06] de toda a população da Cracóvia,

[00:04:07] que é o grupo do Anticast no Facebook.

[00:04:10] É um grupo fechado.

[00:04:11] Por quê?

[00:04:11] Porque eles são patrões do Anticast.

[00:04:14] Então, Patreon do Anticast, com apenas um dólar por mês,

[00:04:17] você já contribui pra manter o programa no ar,

[00:04:19] pra manter compra de equipamento,

[00:04:20] pra manter qualidade, certo?

[00:04:23] E se você se torna um patrão,

[00:04:24] você tem direito a ir para a Cracóvia,

[00:04:27] a nossa nação,

[00:04:28] um beijo pra vocês.

[00:04:30] Eu vivo em São Paulo,

[00:04:31] mas a Cracóvia vive no meu coração, gente.

[00:04:34] É sério.

[00:04:35] Se eu não cito a Cracóvia,

[00:04:37] eles ficam muito tristes.

[00:04:38] O Ivan não presta atenção neles.

[00:04:40] O Ivan é um ditador muito mal.

[00:04:42] Aí, como eu tô de suplente de ditador…

[00:04:45] Sempre mando…

[00:04:48] Sempre mando…

[00:04:49] Um grande abraço aí pra Cracóvia.

[00:04:52] Ah, e outra coisa.

[00:04:53] Ouçam os outros podcasts da família.

[00:04:56] Inclusive o É Pau É Pedra.

[00:04:57] Lançou aí um episódio muito bacana

[00:04:59] sobre timidez.

[00:05:01] Dei uma ouvida, tenho visualmente.

[00:05:03] Olha, muita produção bacana pra ouvir.

[00:05:06] Apoiar a produção de conteúdo.

[00:05:07] Ah, e falando em apoiar a produção de conteúdo,

[00:05:10] o Momento 1 Saga, meu blog querido,

[00:05:12] tem um padrim.

[00:05:13] O padrim é um sistema parecido com o do Patreon,

[00:05:15] só que ele é em real.

[00:05:16] Então você pode pagar a partir de um real por mês,

[00:05:19] você também contribui.

[00:05:21] Pode ser pro boleto, pode ser pro cartão de crédito.

[00:05:23] Você contribui pra manter o meu blog no ar,

[00:05:25] pra manter a produção dos e-books gratuitos,

[00:05:28] sou eu que diagramo, sou eu que faço tudo,

[00:05:30] capa, boto ali pra download gratuito.

[00:05:33] Então, contribua.

[00:05:34] Vamos valorizar a produção do conteúdo,

[00:05:36] especialmente a galera nacional.

[00:05:37] Tem muita gente fazendo bom trabalho por aí.

[00:05:40] Fábio Cabral, por exemplo.

[00:05:42] E aí?

[00:05:43] Mas eu tô…

[00:05:45] engatinhando ainda aí, né?

[00:05:47] Eu tenho o livro aí que vocês vão ouvir aí,

[00:05:50] o Ritos de Passagem, né?

[00:05:51] Uma ficção afrofantástica.

[00:05:53] Eu tô pra lançar já o segundo aí em breve.

[00:05:57] Eu acredito que…

[00:05:57] No ano que vem.

[00:05:59] E eu quero estrear aí o mais rápido possível aí

[00:06:02] o primeiro volume dessa série,

[00:06:04] de uma série que eu criei,

[00:06:05] que eu chamei extremamente de Afrofuturismo, né?

[00:06:07] Que é a história de…

[00:06:12] Vamos chamar de super-heróis, né?

[00:06:13] Super-heróis no mundo afrofuturista, né?

[00:06:16] Pessoas com poderes psíquicos e tudo mais

[00:06:18] no mundo governado por espíritos das máquinas,

[00:06:22] ancestrais nas máquinas.

[00:06:23] É mó da hora.

[00:06:24] Vocês vão curtir isso.

[00:06:24] Olha, da hora aí, já interessou.

[00:06:26] Qual é o livro que você tava com ele

[00:06:29] no encontro radioativo?

[00:06:31] Foi o Ritos de Passagem mesmo.

[00:06:32] Ritos de Passagem.

[00:06:33] É, por enquanto é o meu único publicado.

[00:06:37] Tô pra lançar, tô com esses dois prontos aí.

[00:06:40] O segundo dessa série do Ritos de Passagem

[00:06:42] e o primeiro do Afrofuturismo,

[00:06:44] que eu batizei de O Caçador Cibernético da Rua 13.

[00:06:48] Uau, hein?

[00:06:49] E o próximo…

[00:06:52] Ah, eu já tô fazendo o próximo já,

[00:06:53] pra não ficar parado.

[00:06:54] Já tô fazendo já o terceiro lá da série do Ritos de Passagem.

[00:06:56] E o próximo dessa série…

[00:06:59] Da série do Afrofuturismo, já.

[00:07:01] O próximo, no próximo do Afrofuturismo,

[00:07:03] a protagonista é uma moça.

[00:07:05] É uma…

[00:07:06] Ah, não vou falar muito não, só pra não…

[00:07:08] Ah, é, que tem muita coisa aí.

[00:07:10] E o próximo, porque o protagonista do próximo

[00:07:13] do Ritos de Passagem é uma moça também.

[00:07:15] Mas eu não vou falar…

[00:07:16] Bom, você lê, lê um…

[00:07:17] Se vocês puderem adquirir o Ritos de Passagem,

[00:07:20] vocês me procurem nas internets aí,

[00:07:23] no Facebook, no Twitter e tal.

[00:07:24] A gente bate uma conversa aí, troca um papo, entendeu?

[00:07:26] E é Fábio Cabral com K, tá, gente?

[00:07:29] Que é mais fácil pra achar, tá bom?

[00:07:31] Mais uma vez, valorizando produção nacional,

[00:07:35] ficção científica, fantasia, terror.

[00:07:39] Olha, muita gente produzindo.

[00:07:41] Vale a pena a gente correr atrás,

[00:07:43] ler o que eles escrevem, comprar os seus livros,

[00:07:45] ler os seus e-books, certo?

[00:07:47] Fábio, mais alguma coisa?

[00:07:48] Ah, então, a gente fala um monte aí no programa.

[00:07:50] É melhor vocês ouvirem aí.

[00:07:51] Na verdade, eu fiquei assim, até me segurando e tal,

[00:07:54] porque eu já falo muito, entendeu?

[00:07:55] Eu já ia falar…

[00:07:56] Eu ia soltar spoiler, por isso eu me seguro.

[00:07:58] Ah, mas a moça…

[00:07:58] Entendeu?

[00:07:59] Eu já contei a história toda, porque eu sou meio louco.

[00:08:01] Então…

[00:08:01] Pra não soltar o spoiler do programa.

[00:08:03] É, então, pra não soltar o spoiler do programa,

[00:08:05] eu me segurei aí, ouçam aí, que vocês vão…

[00:08:07] Nossa, sabrado, vocês vão me curtir.

[00:08:09] É da hora, valeu mesmo.

[00:08:11] É nóis.

[00:08:11] Produção, podemos ir?

[00:08:13] Tranquilo?

[00:08:14] Correio Elegante do Anticast tá parado de novo.

[00:08:16] Então, beleza.

[00:08:17] Fiquem aí com o programa.

[00:08:26] Começando mais um Anticast.

[00:08:39] E hoje eu tenho uma bancada afrofuturista muito, mas muito foda.

[00:08:44] Vocês não têm noção do quanto a gente se divertiu só no esquenta da gravação.

[00:08:49] Vocês não ouviram isso.

[00:08:51] Foi muito maneiro.

[00:08:52] Quem tá aqui comigo nessa bancada hoje?

[00:08:54] Fábio Cabral, escritor.

[00:08:57] Fã de cultura nerd.

[00:08:59] É nóis.

[00:09:00] E aí, galera, beleza?

[00:09:01] Eu sou o Fábio Cabral aí.

[00:09:02] Eu tenho um livro publicado chamado Ritos de Passagem.

[00:09:04] Uma ficção afrofantástica muito da hora.

[00:09:07] Os personagens gritam pra caralho.

[00:09:09] Só se fodem, entendeu?

[00:09:11] Mas aí eles descobrem lá que tem um poder ancestral dentro de si.

[00:09:13] Vocês vão ler lá, que é mó da hora essa porra.

[00:09:16] E aí, bom, liberaram o palavrão.

[00:09:17] Tô falando palavrão aí, foi mal aí.

[00:09:19] Tá liberado.

[00:09:20] Não, tá liberado.

[00:09:21] Bom, pra resumir, eu sou nerdão, né?

[00:09:24] Sei lá, no sentido de que…

[00:09:25] Ah, D&D, ganho.

[00:09:26] Curps, né?

[00:09:27] Mago Ascensão e tal.

[00:09:28] Os mangás todos.

[00:09:29] Anime tudo.

[00:09:30] As ficção fantástica tudo.

[00:09:32] Científica, etc e tal.

[00:09:33] Os caralho quatro.

[00:09:34] O que mais?

[00:09:36] Ah, tá.

[00:09:36] Eu participo do podcast do lado negro da força.

[00:09:38] Com igual os irmãos aí, né?

[00:09:40] O Augusto e Maria aí.

[00:09:41] Mas o pessoal lá e tal.

[00:09:43] Gosto pra caralho de X-Men.

[00:09:44] Por isso que eu tô no podcast também.

[00:09:46] Mutação em Debate.

[00:09:47] Esse que eu tô há mais tempo e tal.

[00:09:49] E é isso aí.

[00:09:50] Eu tô com o livro Afrofuturista aí, que ainda não tá publicado.

[00:09:53] Mas eu vou falar mais dele aí ao longo do podcast.

[00:09:55] E é nóis aí.

[00:09:56] Agradeço o convite aí.

[00:09:57] Falou, valeu.

[00:09:58] É nóis.

[00:09:58] E também autor convidado do Universo Desconstruído, hein?

[00:10:02] É nóis.

[00:10:03] É nóis, é nóis.

[00:10:04] É nóis.

[00:10:05] O Augusto Oliveira, rapper também.

[00:10:07] Podcaster do lado negro da força.

[00:10:09] Gosto, muito obrigada.

[00:10:11] Eu que agradeço aí.

[00:10:13] Você sempre acompanha, né?

[00:10:14] Podcasts.

[00:10:15] É muito bom participar.

[00:10:16] É o lado negro é mais do que um podcast.

[00:10:19] Considero ele uma revista digital, né?

[00:10:21] Voltada pra cultura pop em geral de gente negra, assim.

[00:10:25] Sim.

[00:10:25] Sim.

[00:10:26] Sim.

[00:10:26] Acredito que a falta de representatividade que a gente tem nesse universo aí

[00:10:31] vai sendo suprida aos poucos com essas atitudes.

[00:10:34] Tipo, vamos apresentar aí personagens negros,

[00:10:37] vamos apresentar universos fantásticos com gente negra,

[00:10:41] protagonismo preto aí, pra gente poder chegar, mano.

[00:10:44] Eu sou tão nerd, mas tão nerd, que o meu primeiro disco chama The Loren.

[00:10:49] Que da hora.

[00:10:52] Espero que abrilhante aí esse podcast.

[00:10:55] É lógico.

[00:10:55] Como sempre.

[00:10:56] É nozes.

[00:10:57] E Maria Freitas, que ela ilustra na página O Mago Rosa no Facebook.

[00:11:02] Maria, bem-vinda, querida.

[00:11:03] Muito obrigada por estar aqui com a gente.

[00:11:05] Oi.

[00:11:06] Estudante e ilustra.

[00:11:08] Olha, que beleza.

[00:11:10] Como é que é a sua página mesmo, O Mago Rosa?

[00:11:12] O que você faz lá, Maria?

[00:11:13] Lá eu faço as versões negras de personagens originalmente brancos.

[00:11:18] Por uma questão de representatividade mesmo.

[00:11:20] Porque a grande maioria deles são brancos mesmo.

[00:11:23] Ou caracterizados.

[00:11:25] Assim, pela TV e pelas séries aí.

[00:11:30] Ou descritos assim nos livros, novelas, essas coisas.

[00:11:34] E por uma questão de representatividade, eu queria ver personagens negros nesses papéis.

[00:11:39] Aí eu passei a desenhar personagens assim, só que negros.

[00:11:43] Que legal, mano.

[00:11:44] E outra, né? Representatividade importa, gente.

[00:11:48] Importa.

[00:11:48] A gente tem que parar com essa história de que é mimimi.

[00:11:50] Não é mimimi porra nenhuma.

[00:11:52] Representatividade importa e incomoda.

[00:11:55] Né?

[00:11:56] Ah, nossa, como incomoda?

[00:11:58] Porque minoria imponderada incomoda pra caramba.

[00:12:01] É, então, porque na real, assim, só ver representatividade como mimimi é só quem nunca precisou, né?

[00:12:09] Só quem sempre se viu representado.

[00:12:11] Quem já tem tudo, né?

[00:12:13] É, quem já tem tudo.

[00:12:14] É, quem tem…

[00:12:16] Não, assim, tem um ego tão frágil que, sei lá, qualquer açãozinha é diferente, entendeu?

[00:12:20] Que na verdade, sim, é pouca coisa.

[00:12:21] Sei lá, botar o John Boyega lá como protagonista, né?

[00:12:24] É pouco, assim.

[00:12:25] Não, é importante, mas é pouco porque, na verdade, todo mundo é branco ali, entendeu?

[00:12:29] É só um cara preto lá, mas só botar um, o pessoal já se incomoda.

[00:12:32] Imagina se fosse todos, né?

[00:12:34] Já teve aquele chororô todo no Twitter, né?

[00:12:36] Já teve chororô.

[00:12:37] Ninguém sabe o que o filme vai fazer no filme.

[00:12:40] Tá todo mundo, tipo…

[00:12:41] O cara pode aparecer por duas cenas e ninguém sabe o que que é.

[00:12:45] Já tá todo mundo…

[00:12:46] Meu Deus.

[00:12:47] Star Wars, nossa, genocídio da população branca, né?

[00:12:51] Não é isso. Calma, gente.

[00:12:52] Não, e também…

[00:12:53] Uma vez eu fiz um…

[00:12:54] Um desenho de Sherlock negro.

[00:12:57] Nossa, o que tinha de fã purista caindo em cima de mim?

[00:12:59] Nossa.

[00:13:00] Eu também fiz a versão Hannibal.

[00:13:02] O Will, o Hannibal e a Abigail Hobbs.

[00:13:05] Gente do céu, todo mundo caiu em cima de mim

[00:13:08] só porque eles eram negros e a Abigail tinha trança.

[00:13:11] Nossa senhora.

[00:13:13] Engraçado, né?

[00:13:14] Porque quando eles começam a falar de racismo…

[00:13:17] Não, gente, mas espera aí.

[00:13:19] Não existe racismo, a gente é tudo ser humano.

[00:13:22] Bota um personagem como negro.

[00:13:23] É, claro.

[00:13:24] O ser humano desaparece, né?

[00:13:25] Não, é foda.

[00:13:26] Eu tava vendo um vídeo na internet agora há pouco.

[00:13:30] É tipo um comercial de refrigerante, mas o refrigerante chama Diet Racism.

[00:13:36] E aí, em vez de aquelas afirmações exatamente racistas,

[00:13:41] aquelas ofensas que é o racismo direto, né?

[00:13:44] Que as pessoas falam que não existe, que acabou esse racismo mais direto,

[00:13:49] agora tem o Diet Racism, né?

[00:13:51] Cada pessoa fala, tipo…

[00:13:53] A pessoa dá um gole nesse refrigerante e fala,

[00:13:55] mas esse personagem, ele não é negro, ele é moreninho, assim.

[00:14:00] Meu Deus.

[00:14:01] Mas, ó, lógico que ele é ladrão.

[00:14:02] Olha o cabelo dele e dá um gole no refrigerante.

[00:14:05] E aí, nessa época aqui, tá todo mundo bebendo Diet Racism.

[00:14:09] E aí, é isso.

[00:14:11] E assim, a pessoa não admite, mas eu não sou racista, mas pronto, aí você já…

[00:14:18] Eu não sou racista, eu tenho até amigos negros.

[00:14:20] Nossa, essa… Meu Deus do céu.

[00:14:22] Eu já namorei com negros que…

[00:14:25] Nossa, cada expressão é escrota, não?

[00:14:27] É, tipo, a gente já deu um tchauzinho pra um deles na rua nessa frase.

[00:14:30] Eles querem biscoitinho por isso, né? É incrível.

[00:14:34] Antes da gente entrar no assunto afrofuturismo,

[00:14:38] Fábio, por favor, você já foi dublador no Cavaleiros do Zodíaco, repete aquela frase.

[00:14:44] Você tem que repetir agora, antes da gente começar logo.

[00:14:49] Quem que você era mesmo?

[00:14:50] Ah, tá.

[00:14:51] É…

[00:14:52] Então, vou explicar isso aí.

[00:14:54] Na redublagem da…

[00:14:55] Porque quando eu assisti o Cavaleiros do Zodíaco, eu era criança também, né?

[00:14:58] Quando saiu da primeira vez e tal, em 90 e poucos, né?

[00:15:00] Mas aí, eu tava começando a trabalhar com dublagem em 2003.

[00:15:04] Aí, eu cheguei lá no estúdio lá, vi aquela surpresa que a gente descobre só na hora, né?

[00:15:08] Eu falei, caralho, Santos e Ceia.

[00:15:09] Eu falei, caralho, caralho, caralho, caralho, caralho.

[00:15:11] Mas tinha que ser profissional, eu fingi que não, comigo e tal, isso aqui é beleza e tal.

[00:15:15] Aí, quem me dirigiu foi o cara que dubla o Goku, que eu sou péssimo com nomes, não é desfeito.

[00:15:19] Foi mal, o maluco dubla o Goku e o Bob Esponja, esqueci o nome do cara, brother.

[00:15:23] O cara é mó da hora, ih, esqueci, enfim, foi mal aí.

[00:15:26] É… Não, mas o cara é da hora.

[00:15:27] Aí, então, aí eu fiz uma ponta, né?

[00:15:30] Quando, no episódio que o Ikki volta pra Ilha da Rainha da Morte.

[00:15:34] E aí, ele é recepcionado por três Cavaleiros Negros.

[00:15:38] E aí, segundo lá no papelzinho, era o Cavaleiro Negro 1.

[00:15:42] Que é o cara do meio lá, quando vocês assistirem lá o episódio, né?

[00:15:45] Porque o cara tem umas falas, algumas delas são as seguintes, é…

[00:15:48] Então, você se esqueceu que a Ilha da Rainha da Morte é a última parada antes do inferno?

[00:15:53] É, nós mesmos… Sensacional, gente.

[00:15:57] Nós mesmos vamos fazer isso.

[00:16:01] Não, e tinha um golpe lá, que eles falavam lá…

[00:16:03] Ah, você… Vamos fazer a picadinha de você!

[00:16:06] Ah, Garra das Travas!

[00:16:13] Nossa, gente.

[00:16:14] Não, assim, me fizeram falar essa fala num evento, brother.

[00:16:17] Porque eu tava…

[00:16:18] Meus primeiros passos em São Paulo.

[00:16:20] Aí, eu ia naqueles eventos, sei lá e tal, tentar pegar meu lugar ao sol.

[00:16:23] Aí, eu falei… Ah, eu dublei não sei o quê.

[00:16:25] Aí, sei lá, o Baroli lá, o Sérgio Baroli lá.

[00:16:27] O cara que dublou Saga de Gêmeos, me jogou no meio do palco.

[00:16:30] Aí, eu tive que falar essa fala lá pro pessoal que tava assistindo o show dos dubladores lá.

[00:16:34] Eu tinha acabado de começar, aí eu falei lá…

[00:16:35] Garra das Travas!

[00:16:37] Aí, o pessoal dando um palma.

[00:16:38] Ê, caralho, vixi!

[00:16:39] Olha só que puta, né, brother?

[00:16:41] Ah, sensacional. Muito bom.

[00:16:43] Pra começar com… Já com o pé direito, né?

[00:16:46] Já pra gente já chegar lacrando nesse…

[00:16:48] Nesse podcast aqui.

[00:16:49] Já começar com a Garra das Trevas.

[00:16:53] Começar arranhando as inimigas com a Garra das Trevas.

[00:16:55] Nossa, muito poder agora.

[00:16:59] Gente, o afrofuturismo…

[00:17:01] Há um tempo atrás, a gente tava comentando fora…

[00:17:04] Que eu me deparei com esse termo…

[00:17:06] Porque eu tava pesquisando subgêneros de ficção científica.

[00:17:09] E aí, quando eu me deparei com ele, que eu fui atrás do termo…

[00:17:13] Eu percebi que não é só um subgênero.

[00:17:17] Ele é muito, muito maior.

[00:17:18] Então, pra gente começar…

[00:17:20] Como que a gente define o que é afrofuturismo pra vocês?

[00:17:24] Como que é essa definição?

[00:17:25] Vou falar aqui, na verdade, assim…

[00:17:27] O que tá me vindo na cabeça agora, né?

[00:17:29] O afrofuturismo é o afrofuturismo em que…

[00:17:31] É o futuro em que a pessoa negra está, está inserida, né?

[00:17:36] Porque não é o que a gente vê na ficção científica em geral.

[00:17:39] Não é o mesmo.

[00:17:40] Uma coisa que eu falo, por exemplo…

[00:17:42] Quando uma pessoa falsa fala, ah, filme de negro e tal, não sei o quê…

[00:17:45] É sempre filme de tragédia.

[00:17:47] É sempre filme de coisa ruim, filme de escravidão.

[00:17:50] É isso que ganha ótica, 12 anos de escravidão, não sei o quê, Selma e tal.

[00:17:54] É importante, ok. Mas é só isso, é só isso.

[00:17:56] Sabe, não põe uma pessoa negra num filme comum de ficção científica.

[00:18:00] Sei lá, num filme do futuro.

[00:18:02] Sei lá, quando põe, põe um só.

[00:18:04] Tipo, tem a lista de Schindler, mas você consegue ver o Seifert na televisão.

[00:18:09] Ao mesmo tempo, você tem dois contrapontos.

[00:18:11] Mas aí, pra outras pessoas, você já não tem.

[00:18:13] Hum, verdade.

[00:18:15] É, então. Então, assim, pra mim, o afrofuturismo…

[00:18:17] É o futuro baseado no nosso ponto de vista, na nossa ótica, né?

[00:18:23] No nosso ponto de vista ancestral, né?

[00:18:26] Não é só botar a pessoa preta ali e acabou, né?

[00:18:30] Não adianta uma roupa europeia com uma roupagem europeia.

[00:18:34] É a mistura de tudo isso, entendeu?

[00:18:35] É o hip hop, que é a nossa música, entendeu?

[00:18:39] É a nossa espiritualidade, entendeu?

[00:18:40] É, sei lá, um espírito mecânico, sei lá, industrial, entendeu?

[00:18:47] É a mistura de um Itam, de um Orixá, com música eletrônica, entendeu?

[00:18:53] É a nossa expressão estética, entendeu?

[00:18:57] Nossos cabelos, nossos cabelos crexos, entendeu?

[00:18:59] Black power, trança, dread, entendeu?

[00:19:02] É assim, pra mim, como eu tô tentando fazer nos livros meus, entendeu?

[00:19:06] São os espíritos ancestrais acima de tudo, dominando as máquinas, entendeu?

[00:19:11] Um negócio meio assim, pirâmides espelhadas.

[00:19:14] Ih, que boa maneira, hein?

[00:19:15] É, então.

[00:19:16] São linhagens ancestrais, sei lá, de empresários, entendeu?

[00:19:20] Como eu botei lá, o conselho de CEO anciãs, entendeu?

[00:19:25] As 13 matriarcas africanas que controlam o grupo de negócios e tal, entendeu?

[00:19:33] Então, é a nossa espiritualidade tradicional, né?

[00:19:36] Trazida pro mundo de hoje, vista como no futuro, entendeu?

[00:19:40] E também é a expressão dos nossos traumas, né?

[00:19:45] Que nos impuseram.

[00:19:46] É, no ponto de vista, por exemplo, né?

[00:19:49] Você tá lá, o pessoal, no continente e tal.

[00:19:51] E o que aconteceu, né?

[00:19:52] No nosso ponto de vista?

[00:19:54] Vieram alienígenas pálidos, né?

[00:19:57] Em barcos.

[00:19:58] E nos raptaram, nos levaram à força pro mundo estranho, né?

[00:20:01] Pra esse mundo frio, esquisito, no qual a gente é obrigado a viver até hoje.

[00:20:05] No qual a gente sofre as consequências até hoje, né?

[00:20:10] Aí eu até dei uma palestra sobre mitos africanos e tal.

[00:20:12] E aí teve um comentário de uma moça branca que falou.

[00:20:15] Ah, é porque eu achei…

[00:20:16] Eu achava que esse pessoal não podia…

[00:20:18] Eu não gosto quando eles falam que odeiam brancos e tal.

[00:20:20] Parece que eles odeiam brancos.

[00:20:21] Como é que o pessoal que sofre preconceito reproduz preconceito?

[00:20:24] Aí ela veio numa palestra lá e falou.

[00:20:26] Nossa, eu não sabia essa coisa da raiva acumulada, né?

[00:20:28] Eu não tenho noção e tal.

[00:20:29] Porque o pessoal não faz ideia, sabe?

[00:20:31] As coisas que a gente sofre todo dia e tal.

[00:20:33] Não é só xingar, pra não dar o dedo do joelho.

[00:20:36] É chamar de macaco é o ápice, entendeu?

[00:20:37] Isso aí é só a pontinha do iceberg.

[00:20:40] É todo um sistema violento contra a gente, entendeu?

[00:20:42] Exatamente.

[00:20:43] É preto, entendeu?

[00:20:43] Já me bateram duas vezes, se tem uma ideia.

[00:20:46] Oi, o quê?

[00:20:47] Eu me batei duas vezes, se tem uma ideia, por causa de racismo.

[00:20:49] Quando eu tinha cinco anos e quando eu tinha onze.

[00:20:52] Bateram?

[00:20:53] E olha que esse negócio de macaco é só a pontinha, cara.

[00:20:56] Só a pontinha.

[00:20:57] É, só a pontinha.

[00:20:58] Fora que a gente é de solitação, né?

[00:21:00] Nossa, meu Deus.

[00:21:00] Eu com 12 anos, então, já tinha um monte de tiozão atrás de mim porque eu era preta.

[00:21:04] Nossa, nojento.

[00:21:06] E, assim, essa questão dos estereótipos negativos, né?

[00:21:10] O Fábio tinha comentado antes que ele era ator e sempre era escalado pra fazer bandido.

[00:21:16] Isso.

[00:21:16] Que é escrotíssimo isso.

[00:21:19] É, por isso que eu desisti da carreira de ator, assim.

[00:21:21] Porque durante seis anos eu era escalado ou pra fazer bandido ou pra fazer cara que era confundido com bandido.

[00:21:28] Ou pra fazer o estereótipo, o contrário estereótipo do jovem negro super orgulhoso.

[00:21:33] Que tinha que falar, nossa, eu tenho orgulho.

[00:21:35] Brother, eu falo o que eu quiser, brother.

[00:21:37] Não é essa bagulho aí.

[00:21:38] Não é esse negócio de falar, nossa, como eu sou foda e tal.

[00:21:41] Não é por aí, entendeu?

[00:21:42] Mas, de resto, era só bandido, bandido, bandido, bandido, bandido, bandido, enfim, entendeu?

[00:21:46] E a gente se acha também, era só a pessoa maior e a bandida.

[00:21:49] É, sim.

[00:21:50] É o lance da história única, né?

[00:21:51] Que, tipo, a gente trocou essa ideia direto no nosso podcast, né?

[00:21:55] Que é, tipo, o personagem negro, ele sempre tem um arco que nunca é tridimensional.

[00:22:02] E o personagem, ele fica numa zona cinza interessante, né?

[00:22:05] Pro personagem.

[00:22:06] Ou ele é sempre aquele personagem duro, né?

[00:22:10] Que estou honrando minhas raízes e tudo mais.

[00:22:14] Ou ele é sempre…

[00:22:15] Sempre aquele personagem malandro, que tem algum, é…

[00:22:20] Tipo, alguma malandragem, uma street smart.

[00:22:23] Ou ele é o personagem…

[00:22:25] Ou ele é o mal, o bigodão dos anos 20.

[00:22:27] O mauzão, o bigodão e o capa.

[00:22:29] Ele é o vilão sempre.

[00:22:30] O mauzão na cinza.

[00:22:31] Aquela pessoa ruim mesmo.

[00:22:33] Tem um personagem que tem motivações interessantes, por exemplo, pra cometer um crime.

[00:22:38] Tipo, ah, preciso…

[00:22:40] A minha bolsa de estudos, baseada no esporte.

[00:22:43] É sempre isso, né?

[00:22:44] Sempre baseado…

[00:22:45] Baseado na física.

[00:22:46] Nunca é voltado pra qualidade intelectual do personagem, assim.

[00:22:51] Você sempre vê ele…

[00:22:52] Se ele é inteligente, ele é um alívio cômico.

[00:22:54] E se ele não é inteligente, ele é um brutamontes que vai arrebentar tudo que tiver no caminho dele.

[00:23:00] Ou, às vezes, é o alívio cômico, né?

[00:23:01] É, ou às vezes ele é um dos dois.

[00:23:04] É, é o malandro, né?

[00:23:06] Por exemplo, o Mr. Brown, né?

[00:23:07] Ou também é o corpo perfeito, é o pau grande, né?

[00:23:10] Nossa.

[00:23:10] Ah, nossa.

[00:23:12] O personagem, eu acredito que o Afrofuturo…

[00:23:15] Ele não vem como uma forma de também combater esses estereótipos, né?

[00:23:18] Porque a gente tá…

[00:23:19] Lógico que isso não existe, gente.

[00:23:22] Não acreditem que isso existe.

[00:23:23] A gente existe num universo que, em algum momento, ele é pós-racial, assim.

[00:23:29] Porque no Afrofuturismo não tá todo mundo bem resolvido com o que é e o que representa.

[00:23:36] E aí, tipo, tira muitos dos nossos principais traumas, né?

[00:23:41] Que é esse da diáspora.

[00:23:43] É também da nossa…

[00:23:45] Da baixa autoestima, devido a vários estímulos visuais que sempre estão mostrando a gente

[00:23:51] ou num lugar do feio, ou num lugar do sujo.

[00:23:55] Mas é sempre o exótico, né?

[00:23:57] É um lugar que não deixa de ser exótico e ele pode ser só o negro, tipo…

[00:24:02] Ah, a gente…

[00:24:02] Uma pessoa normal, né?

[00:24:04] Sim, é.

[00:24:05] Aqui a gente vive…

[00:24:06] Tem uma frase na série animada do Super Choque que é muito foda, assim.

[00:24:11] Que é, tipo, ele vai pra África.

[00:24:13] Tem um arco narrativo indígena.

[00:24:15] Ele vai pra África.

[00:24:15] São uns três episódios.

[00:24:17] Ele vai, tipo…

[00:24:18] Mano, Rich, eu tô sentindo um bagulho que você sente todo dia.

[00:24:21] Ele vai falando pro amigo dele.

[00:24:22] Ele, o que que é, mano?

[00:24:23] Tipo, onde eu moro, em Dakota, eu me sinto um garoto negro.

[00:24:27] Tenho que ficar prestando atenção em tudo.

[00:24:29] Aí, aqui na África, eu sou só um garoto, tá ligado?

[00:24:31] E o lance legal do Super Choque é que, diferente de muitos personagens da DC Comics e tudo mais, né?

[00:24:39] Que tem o lance de não serem humanos, assim.

[00:24:42] Que é por isso que eu prefiro até a Marvel.

[00:24:45] Eles serem deuses e tal.

[00:24:46] Os problemas do Super Choque não são relacionados aos poderes deles.

[00:24:50] São relacionados a ele ser um jovem afro-americano que mora na quebrada e ter que lidar com isso.

[00:24:58] E aí, o fator super-herói é só um sazão, assim.

[00:25:02] Eu sempre falo isso.

[00:25:03] Tanto se falar de Walking Dead ou How to Get Away with Murder.

[00:25:07] Falar, mano, Walking Dead, o zumbi, não é a estrela do show.

[00:25:11] A estrela do show é o relacionamento das relações humanas.

[00:25:14] É o povo.

[00:25:15] Ah, tá.

[00:25:16] É o circo pegando fogo e tem um monte de zumbi em volta.

[00:25:19] O How to Get Away with Murder é, tipo, mano…

[00:25:21] Os casos jurídicos que estão lá é só o disfarce.

[00:25:25] O tribunal é só o disfarce, é só o detalhe.

[00:25:28] O que move mesmo as engrenagens da série são as relações humanas.

[00:25:33] E é isso que as pessoas do afrofuturismo que eu vejo muito se concentram mais, assim.

[00:25:39] Lógico que…

[00:25:40] Acho que toda ficção científica, assim, ou toda ficção fantástica…

[00:25:45] Acho que o universo fantástico, ele faz um papel de coadjuvante.

[00:25:49] A gente só dá o título de ficção pra poder falar o que a gente não…

[00:25:53] Não seria tão bem assim.

[00:25:55] Se você pegar e falar, não, tem racismo pra caralho aqui.

[00:25:58] E aí as pessoas…

[00:26:00] Se você pega e pinta o cara de amarelo, ou de verde, ou de roxo…

[00:26:04] E fala, ó, tem racismo pra caralho nesse universo fantástico que tem naves espaciais.

[00:26:08] E fala, puta, tem racismo pra caralho aqui.

[00:26:10] O maluco roxo tá sofrendo da diáspora da escravidão.

[00:26:13] Aí fica tudo refletindo.

[00:26:15] Eu acho engraçado isso.

[00:26:17] Que tem gente que lê ficção científica, ou vê um enredo de ficção científica

[00:26:21] em que tem uma invasão alienígena.

[00:26:23] Vê um povo sendo sequestrado e brutalmente maltratado, escravizado.

[00:26:27] E não consegue fazer a relação com a realidade.

[00:26:30] Nenhum, né?

[00:26:31] É engraçado isso.

[00:26:32] Os caras assistem, por exemplo, Star Wars e tão lá.

[00:26:35] Bolsa o mito.

[00:26:36] Nossa, é lotado de gente assim.

[00:26:39] Todo mundo fica indignado.

[00:26:40] Como assim?

[00:26:41] A Shimi é uma escrava?

[00:26:42] Por que não deixaram ela aí junto com a Anakin?

[00:26:44] Aí…

[00:26:44] Aí…

[00:26:45] Aí você pega e vê…

[00:26:47] Acha a cena de Osasco e fala, tipo, ah, mano…

[00:26:50] Pô, se tava todo mundo roubando mesmo.

[00:26:52] Tipo, 10 minutos a menos na rua, tá ligado?

[00:26:54] Engraçado que as pessoas têm mais consideração pela ficção, às vezes, né?

[00:26:59] E quando chega na realidade, elas esquecem tudo que viram ali.

[00:27:02] Não conseguem assimilar nada.

[00:27:04] E aí chega na realidade, é bolsa o mito.

[00:27:07] Não, porque não tem racismo.

[00:27:08] Mas, não sou racista, mas…

[00:27:11] Porque assim, tem uma concepção.

[00:27:13] Assim, eu estudando…

[00:27:15] Estou estudando tradições africanas, né?

[00:27:17] Eu sempre gostei de ficção, né?

[00:27:19] A tradição africana me ensina que a ficção é um complemento da realidade, entendeu?

[00:27:25] A ficção, a mitologia, não tem por pretensão substituir a realidade, entendeu?

[00:27:30] Não tem por pretensão…

[00:27:31] Por exemplo, os mitos de criação não tem por pretensão negar o que a ciência determinou como certo.

[00:27:38] E sim complementar, né?

[00:27:40] Porque a ficção existe não como fato, e sim como metáfora.

[00:27:44] Existe como metáfora.

[00:27:44] Existe no mundo das ideias.

[00:27:45] É real, sim, mas no mundo das ideias, no mundo da imaginação.

[00:27:48] Ele dá à imaginação o seu devido valor, entendeu?

[00:27:51] Então, assim, a ficção de…

[00:27:54] A tradição africana me ensina que a ficção serve para nos inspirar, para nos dar força,

[00:27:59] para nós enfrentarmos, entendeu?

[00:28:01] Os problemas do dia a dia, os problemas do mundo real, o pé no chão, entendeu?

[00:28:04] Serve como uma reflexão para lidar com essas questões.

[00:28:07] Então, usar de alegoria para você dizer o que você quer é totalmente válido, entendeu?

[00:28:12] Eu sempre utilizei isso.

[00:28:13] Eu escrevo sempre…

[00:28:14] Ficção, sempre em mundos aparentemente que não existem, mas totalmente reconhecíveis, né?

[00:28:20] Assim, se não o mundo e sim as motivações das pessoas, entendeu?

[00:28:24] Mas eu vejo que no meio nerd em geral, desde que eu comecei lá, sei lá, lá quando eu joguei D&D

[00:28:29] pela primeira vez em 1992, eu vejo que o pessoal usa somente como válvula de escape, entendeu?

[00:28:35] Assim, ah, eu tô aqui no meu jogo e tal, não sei o quê, o resto do mundo dane-se.

[00:28:38] Aí quando chega o resto do mundo, você fez aquela jornada absolutamente fantástica,

[00:28:42] absolutamente inspiradora, entendeu?

[00:28:43] Mas aí você regressou.

[00:28:44] Você regressou para o mundo real e você não soube utilizar as dádivas que você recebeu

[00:28:48] dos deuses, dos espíritos, entendeu?

[00:28:50] No mundo da imaginação.

[00:28:51] Você volta…

[00:28:53] É, você não usa nada e você continua sendo uma pessoa aberta.

[00:28:57] Talvez esse bagulho até que a gente…

[00:28:58] É, você não cresce com isso.

[00:28:59] Ele tava falando que você fez uma viagem fantástica e na realidade isso não muda nada.

[00:29:05] É porque pessoas não aprendem, assim, com outras realidades, não pegam isso delas

[00:29:11] para aplicar na vida real.

[00:29:12] Aí acaba não crescendo, continua no mesmo lugar e tem tanta coisa legal para tirar de

[00:29:17] outros lugares e eu não entendo.

[00:29:19] Eu acredito que até é um retrocesso, né?

[00:29:21] Porque aí que…

[00:29:23] Acho que é daí que vem também o estereótipo de infantilizar tanto a cultura fantástica,

[00:29:28] os universos fantásticos aí e da ficção científica, né?

[00:29:34] Porque a pessoa, ela consegue, ela não consegue extrair maturidade de nenhuma coisa, não

[00:29:40] consegue extrair conhecimento de nada.

[00:29:41] Era, tipo, uma simples fábula e como que ela vai, tipo, extrair conhecimento de um texto

[00:29:49] acadêmico?

[00:29:50] A pessoa não consegue tirar a fábula do João e Maria e entender que não é para você

[00:29:54] se perder na Florença e acreditar nos estranhos.

[00:29:56] É como que você vai ver o irmão pedindo ajuda na sua frente e vai, tipo, sei lá,

[00:30:03] a pessoa tem uma mentalidade totalmente divergente, assim.

[00:30:06] É, será que por ver, por sempre enxergar isso como só uma forma de entretenimento,

[00:30:11] e nunca uma forma, às vezes, de protesto ou de crítica?

[00:30:15] Será que é por isso que essas pessoas não conseguem enxergar, por exemplo, um enredo

[00:30:20] afrofuturista que fale sobre a diáspora negra?

[00:30:23] A diáspora negra foi o processo todo, me corrijam, por favor, mas foi o processo de

[00:30:27] sequestro dessas populações negras para levar para outros continentes, é isso?

[00:30:33] Sim, é isso.

[00:30:34] É um sequestro muito violento, foi uma grande tragédia, sabe?

[00:30:39] Sim, com certeza.

[00:30:39] Eu não gosto muito de usar números, mas esses números…

[00:30:41] Sim, com certeza.

[00:30:41] Sim, com certeza.

[00:30:41] Sim, com certeza.

[00:30:41] A gente acaba absorvendo, né?

[00:30:43] Cerca de 30 a 60 milhões de pessoas africanas sequestradas, entendeu?

[00:30:50] Sendo que um terço, é, um terço desses 60 milhões já morreu já na captura, entendeu?

[00:30:56] Antes de entrar no barco.

[00:30:58] Já morria na travessia, né?

[00:31:00] É, então, e durante a travessia o outro terço morreu.

[00:31:03] É, esse barco nojento, essa coisa que me dá, enfim, já veio a raiva já, entendeu?

[00:31:07] Essa tumba, essa coisa flutuante, entendeu?

[00:31:09] E aí, como é que o pessoal, assim…

[00:31:11] Não passou nem 100 anos dessa merda, o pessoal que, ah, tá tudo bem, tá tudo bem, o caralho!

[00:31:15] Tá tudo bem, cacete!

[00:31:17] Tá tudo bem, cacete, entendeu?

[00:31:19] Essa cicatriz, a gente vai carregar na alma pra sempre, entendeu?

[00:31:23] E é engraçado as pessoas não fazerem a devida reflexão quando leem um enredo desse.

[00:31:28] Então, isso é o quê?

[00:31:29] É o privilégio de sempre entender isso como entretenimento?

[00:31:33] Porque o negro sempre vai ter uma visão diferente.

[00:31:37] Sim.

[00:31:37] É a incapacidade de enxergar isso além do entretenimento?

[00:31:41] É porque, assim, vou falar a minha experiência como, sei lá, como nerd e tal, nerdzinho e tal, lá, desde molequinho e tal.

[00:31:48] O pessoal vê como, assim, como uma outra coisa, entendeu?

[00:31:51] Eles não fazem, eles não relacionam com o mundo real, entendeu?

[00:31:54] Pra eles é, eles bitolam naquilo, mas eles não se preocupam em enxergar os significados por detrás, entendeu?

[00:32:01] As motivações por detrás.

[00:32:03] Por exemplo, eu como homem negro, como pessoa negra, eu sempre vi ali, ué, mas por que que não tem, por que que não fala de…

[00:32:08] Ah, você tá baseando em mitologia europeia isso aqui?

[00:32:10] Várias mitologias europeias, entendeu?

[00:32:12] É, celta e tal, nórdico e tal.

[00:32:14] Por que que não tem mitologias africanas aqui que nem eu conheço porque nunca se fala, entendeu?

[00:32:18] É, exato.

[00:32:20] Mas existem algumas leis que, tipo, obrigam…

[00:32:23] Tipo, não deveria obrigar as pessoas a aprenderem sobre o lugar onde elas vieram e…

[00:32:29] Mas tem uma lei que obriga e não é aplicado esse texto.

[00:32:32] Não é aplicado.

[00:32:34] Não é aplicado porque a pessoa não sabe, a pessoa não sabe.

[00:32:36] A pessoa não sabe o nome dos povos africanos, a gente só fala…

[00:32:38] Geralmente a gente só fala África.

[00:32:40] Africano, africano, africano, mas o nome o pessoal não sabe, entendeu?

[00:32:43] Povos africanos, tribos africanas, pessoas africanas.

[00:32:46] Tem gente que acha até que é um país, né?

[00:32:48] São só africanos, são só gente preta no continente africano, não tem nome.

[00:32:52] Vocês conhecem a Jaridia Reis, eu imagino, né?

[00:32:56] Ah, sim, sim, conheço, conheço, conheço.

[00:32:57] E ela lançou o livro dela recentemente, né, As Lendas de Dandara, e no começo ela fala uma frase assim que é absolutamente tocante,

[00:33:07] porque ela diz assim…

[00:33:08] Os meus amigos italianos, portugueses, alemães…

[00:33:11] Enfim, eles têm uma noção de onde vieram as famílias, de qual região da Europa, qual é a história dessas famílias.

[00:33:19] Os negros não têm isso.

[00:33:21] Não, foi tudo apagado.

[00:33:23] Foi absolutamente apagado.

[00:33:25] É assim, não dá pra uma pessoa…

[00:33:28] Eu não consigo entender como uma pessoa vê isso e relativiza, ou então joga lá embaixo, achando que isso não é nada.

[00:33:34] Ah, a escravidão acabou, acabou porra nenhuma.

[00:33:39] Sabe?

[00:33:39] Sabe tudo o vitimismo.

[00:33:40] A gente não sabe nem a própria história, como é que é vitimismo isso, é muito grave.

[00:33:44] Exatamente, é muito grave.

[00:33:46] É, porque quando você não tem a história, né, você deixa aberto pra criatividade.

[00:33:50] Você não é nada.

[00:33:51] De quem tá aí, né?

[00:33:53] É mais um passo pro apagamento, né?

[00:33:54] O negro não tem nome, aí o racismo põe nome, o que quiser em você.

[00:33:58] Sim.

[00:33:59] Então, a gente descendido de quem?

[00:34:01] A gente é um bundo, a gente é um bundo, a gente é Fon, a gente é Nianga, a gente é Xangana, o que que a gente é?

[00:34:08] Então, um milhão de povos, sabe?

[00:34:10] Só pra citar alguns nomes, sabe?

[00:34:12] Tem cerca de sair um mapa fictício de como seria o mapa africano, o verdadeiro mapa, de acordo com, dividido em grupos étnicos, entendeu?

[00:34:20] Sei lá, saem pelo menos uns mil países ali, umas mil nações ali.

[00:34:23] Porque tem cerca de mil a três mil línguas, não é dialeto.

[00:34:28] O pessoal adora falar dialeto, mas o pessoal não vê como diminui.

[00:34:30] Dialeto, entendeu?

[00:34:31] Dialeto diminui, dialeto não é idioma, na verdade são idiomas mesmo, completos.

[00:34:36] O pessoal fala assim, ah, banto e tal.

[00:34:38] Se você falar banto, é igual você falar latinoamericano.

[00:34:40] É um grupo muito diverso, quando você fala banto, você tá falando desde o Zulu da África do Sul, entendeu?

[00:34:46] Até o Ovimbum, do lado norte do Congo, do lado norte do Congo e de Angola, entendeu?

[00:34:52] Quando você fala, ah, esqueci o nome, é que eu já não uso mais o nome lá, esqueci, enfim.

[00:35:00] Não, é, o povo lá do meio do continente, que aí o pessoal usa como sinônimo de Yorubá, entendeu?

[00:35:07] Mas só na Nigéria tem Yorubá, tem Igbo, entendeu?

[00:35:09] Tem vários outros.

[00:35:10] Tem, tem bastante.

[00:35:11] Muitos, muitos, muitos.

[00:35:13] Entendeu?

[00:35:13] Questão de Orixá, a pessoa fala que acha que a Orixá é a África inteira.

[00:35:16] Brother, a África ali, é, Orixá é o nome que dá pra divindades da etnia Yorubá, entendeu?

[00:35:25] Por exemplo, os Umbundos, os Lundas, chamam de Inquisse, entendeu?

[00:35:30] Só pra ter uma noção, o pessoal jeje chama de Vudum, entendeu?

[00:35:34] E tem vários outros nomes.

[00:35:37] Nome de Deus.

[00:35:38] Deus tem um milhão de nomes.

[00:35:40] Tem Votan também.

[00:35:42] Oi?

[00:35:43] Tem Votan também, pra se referir a Deus.

[00:35:46] É, então, tem um milhão de nomes, sabe?

[00:35:48] Nizambi, Tchanzenigombi, Suco, Umbi, entendeu?

[00:35:52] Tem um milhão, posso ficar aqui até amanhã falando os nomes, entendeu?

[00:35:57] Ah, e tem mais uma coisa.

[00:35:58] A maioria dessas etnias que eu estudei, que eu venho estudando e tal, Deus é sempre uma mulher.

[00:36:04] Uma mulher preta, lógico.

[00:36:05] Então, por isso que essa é a minha concepção de Deus.

[00:36:07] Deus pra mim é uma mulher preta.

[00:36:08] Uma mulher preta e gorda.

[00:36:10] E é que deu…

[00:36:11] Isso, pra mim é.

[00:36:12] É, entendeu?

[00:36:13] Nossa, fantástico, fantástico.

[00:36:14] Que é a mãe preta que deu origem a todas as coisas, entendeu?

[00:36:18] É, e a gente já vê isso como um apagamento.

[00:36:21] Se tu pegar, por exemplo, um único termo, tipo, orixás, e já homogenizar todo o continente com uma palavra só.

[00:36:31] Isso já é um apagamento.

[00:36:32] Já, total.

[00:36:34] Já é um apagamento.

[00:36:34] Sim, é uma possibilidade incrível, né?

[00:36:37] É a mesma coisa de eu pegar e falar, tipo, ah, todo mundo da Europa…

[00:36:40] Ah, os europeus e tudo mais.

[00:36:42] Tipo, ah, você é da onde?

[00:36:43] Você é da…

[00:36:44] Sei lá, eu sou do…

[00:36:47] Sou da Ucrânia.

[00:36:48] Ah, você é europeu.

[00:36:49] Não, é tudo europeu, é.

[00:36:50] Tudo igual, né?

[00:36:52] Se o seu olho não é azul, não é azul, o cabelo não é loiro, não é loiro, tá bom, tá aí, é Europa.

[00:36:57] Nossa, vai ter gente desmaiando se fizesse com elas.

[00:37:00] Nossa, vai ter gente caindo de pau.

[00:37:02] Nossa.

[00:37:03] Eu sou um italiano.

[00:37:05] Ah, pele branca, olho azul, cabelo amarelo, ah, europeu.

[00:37:09] Eu moro em Copenhague, entrei gerações da minha família, vieram pra Santa Catarina e fizeram tal coisa.

[00:37:15] A gente não tem esse nível de detalhamento na nossa história.

[00:37:18] Mano, minha árvore genealógica mesmo vai até a Bahia, tipo, mal e mal até a Bahia, tipo, oral, assim.

[00:37:25] Não tem documento nenhum que prova que minha avó é da Bahia.

[00:37:30] Não tem documento que prova que a minha avó é da Bahia.

[00:37:33] Tipo, mano, não dá nem…

[00:37:34] E daí pra trás você perde, né?

[00:37:36] É uma riqueza.

[00:37:38] É uma riqueza.

[00:37:38] É uma riqueza.

[00:37:38] É uma riqueza.

[00:37:38] É uma riqueza.

[00:37:38] É uma riqueza.

[00:37:38] É uma riqueza.

[00:37:38] É uma riqueza.

[00:37:38] É uma riqueza.

[00:37:38] É uma riqueza.

[00:37:38] E tem gente que consegue desenhar a família do tempo que o pessoal ia no banheiro fora

[00:37:42] de casa, que o negro usava a cintura.

[00:37:45] Pra começar pelo nome, gente.

[00:37:47] Olha os nossos nomes.

[00:37:48] A gente tem o nome português, a gente tem o nome europeu, entendeu?

[00:37:50] Maria.

[00:37:51] Maria.

[00:37:52] Exato.

[00:37:52] Fábio, Augusto, entendeu?

[00:37:53] Os Sousa e Silvas, né?

[00:37:55] Sobrenome.

[00:37:56] Olha o meu sobrenome, gente.

[00:37:57] Cabral.

[00:37:59] Cabral.

[00:37:59] Olha a porra do meu sobrenome.

[00:38:01] Freitas.

[00:38:02] Freitas.

[00:38:03] Aí quando eu botei cá, sem perceber, olha só como é que é a coisa subjetiva.

[00:38:08] Como é que é a coisa ancestral.

[00:38:09] Quando eu botei cá no sobrenome, sem saber, como eu usei como nickname durante muitos anos,

[00:38:13] eu já entrei na internet lá, sei lá, na sala da RPG do UOL, 97, sei lá, 96 e tal.

[00:38:19] Aí eu encontrei com um cara da Guiné-Bissau, que me vendeu uma bata bonita e tal.

[00:38:25] Ele falou que Cabral com K, na verdade, eu africanizei o nome.

[00:38:31] Dá pra eu remeter meu nome às etnias lá da Guiné-Bissau, que infelizmente eu esqueci

[00:38:36] o nome da etnia.

[00:38:38] Agora que eu devia ter anotado, eu esqueci.

[00:38:40] Mas só o fato de colocar o K já mudou totalmente, né?

[00:38:43] Já mudou, já mudou totalmente.

[00:38:44] A gente tem muita memória corporal, né?

[00:38:46] Tipo, se é memória ancestral, a gente tem muito dessa memória e a gente vê isso muito

[00:38:50] do nada, assim.

[00:38:52] Você tá vendo, ah, aqui no Brasil a gente tem o funk, lá nos Estados Unidos eles têm

[00:38:58] o rap, ali na Angola eles têm o kuduro.

[00:39:02] Aí você começa a perceber que são ritmos muito semelhantes na forma como você dança,

[00:39:08] viu?

[00:39:08] Você tem o twerk, aqui as meninas vão e dançam o tocadão, por exemplo.

[00:39:13] Tem outros tipos de dança.

[00:39:15] E aí você começa a perceber que é tudo muito parecido, que a gente age de formas

[00:39:19] muito parecidas.

[00:39:20] Você pode ver, tipo, às vezes, vou e mostro um Vine por um amigo meu que não tem o inglês

[00:39:27] tão legal, mas aí ele vê, tipo, a reação do maluco, aí ele, tipo, putz, mano, é muito

[00:39:31] nóis, tá ligado?

[00:39:32] E isso é muito foda que eu ia ter contato com pessoas que vêm de outro…

[00:39:38] de outros países muito recentemente, assim.

[00:39:41] Eu fui receber um cara que ele veio da Viana Britânica, eu não sabia nem que o país existia.

[00:39:46] E eu fui trocar ideia com ele e, mano, passou duas horas, né, já tava, tipo, brotherzão,

[00:39:50] já tava, tipo, não, vamos dançar aqui, dançando tudo igual, tá ligado?

[00:39:53] E, tipo, é um tipo de coisa que provavelmente a gente não vai ver em outro tipo de povo,

[00:40:00] assim, a gente vê muito da gente porque a gente não tem muito onde escrever, a gente

[00:40:05] acabou de ter…

[00:40:07] Acaba tendo que lembrar.

[00:40:08] Acabou de lembrar na genética, assim, e aí quando você…

[00:40:11] É, pessoas que moram, por exemplo, o Bob mora nos Estados Unidos e o primo do Bob mora

[00:40:19] na Inglaterra, os dois não tem nada em comum, assim, tipo, diretamente nada em comum, assim,

[00:40:24] não consegue se relacionar em nada.

[00:40:27] E aí, se você for ver o Augusto, mora aqui, e o Troy mora lá na Viana Britânica, é

[00:40:32] tipo, mano, passa dois minutos, a gente tá aqui no mesmo ponto, assim, batendo…

[00:40:37] E isso é muito, isso é muito maluco, assim, e acho que isso que leva pro afrofuturismo

[00:40:43] também, a gente chegar nesse ponto que a gente tá tanto no mesmo andamento, a gente tá

[00:40:49] tanto vivendo a mesma marcação há tanto tempo que a gente vai conseguir pegar e se

[00:40:54] formar como nação, se formar como o coletivo global, assim, como a União Europeia lá

[00:41:02] que dá as merda deles lá, mas a gente ter a tão sonhada, tipo, União Pan-Africanista,

[00:41:07] assim, a gente conseguir viver isso.

[00:41:09] E nessa forma, né, de ver o mundo, a gente tem várias figuras através do tempo que

[00:41:16] tiveram esse mesmo pensamento e como eu falei, tipo, pra mim, afrofuturismo é mais um estilo

[00:41:21] de vida do que uma maneira de criar universos, assim, mas uma forma, assim, se você tem

[00:41:29] o steampunk, aí você tem o afrofuturismo, só que na verdade você pode colocar o steampunk

[00:41:35] dentro do afrofuturismo e pode colocar outra coisa bem melhor.

[00:41:37] Acho que esse também é uma coisa muito peculiar, assim, da cultura negra, que ela consegue

[00:41:45] se apropriar de muitas coisas, assim, porque a maioria das coisas veio dela mesma, então

[00:41:51] ela consegue ir de volta àquilo e dar uma identidade nova praquilo.

[00:41:55] E, tipo, dentro dessas imagens, né, que afrofuturismo é de pessoas afrofuturistas, você tem pessoas

[00:42:01] afrofuturistas, pode falar errado, você tem o Mohamed Ali, você tem a Anina Simone, você

[00:42:07] tem a Anina Simone, você tem a Anina Simone, você tem a Anina Simone, você tem a Anina Simone,

[00:42:07] você tem o Malcolm X, o Martin Luther King, você tem, tipo, o próprio Kanye West,

[00:42:12] o Jay-Z, empresários, rodam pra caralho, dominam a indústria musical, e pessoas que

[00:42:18] tem que ser reconhecidas, tem, tipo, diversos tipos de pessoas, o Fábio Cabral aí, ó.

[00:42:23] Opa!

[00:42:24] O Fábio Cabral.

[00:42:26] Então, vocês estavam falando que você conheceu um homem da Guiana Britânica?

[00:42:34] Certo, Guiana Britânica.

[00:42:35] Então, e você começou a conversar?

[00:42:37] Com ele, só duas horas, já estavam dançando.

[00:42:40] Então, esse ano eu fui, eu fui na paradaria da minha cidade, e tem, e tinha uma moça,

[00:42:45] ela tava de turbante, eu fui lá e elogiei, ela elogiou meu cabelo, a gente conversou

[00:42:49] uma hora inteira, e depois que a gente terminou, a gente levantou o pulso pra cima, a mão

[00:42:54] fechada, e começamos a dançar, a gente começou a dançar, creio, essas coisas, a gente não

[00:42:59] se conhecia, ela era, tinha idade pra ser minha mãe, e eu me sentia em casa, só por

[00:43:03] ela estar ali.

[00:43:04] Olha, que bacana, mano.

[00:43:05] Boa!

[00:43:06] Boa!

[00:43:06] Boa!

[00:43:06] Boa!

[00:43:06] Boa!

[00:43:06] Boa!

[00:43:06] Boa!

[00:43:06] Boa!

[00:43:06] Boa!

[00:43:07] Boa!

[00:43:07] Olha como eu conheci a Maria, entendeu?

[00:43:08] Eu tenho idade pra ser pai da Maria, sei lá, se eu tivesse tido uma filha aos 17 anos.

[00:43:12] É, daí é o tio Cabral.

[00:43:13] O tio Cabral.

[00:43:15] É, então, porque assim, porque, não, assim, porque o Twitter dá aquele negócio de sugestão

[00:43:18] de pessoas e tal, apareceu lá, uma pessoa lá, com o nick lá, Melco e Speed, eu falei,

[00:43:23] caralho, Melco, como assim?

[00:43:24] Não, é, eu era o Melco de calcinha.

[00:43:27] Melco de calcinha, é, Melco de calcinha, isso mesmo.

[00:43:30] Assim, como assim, brother?

[00:43:31] Melco era, isso parece que eles se marilham, cara, caralho, como assim?

[00:43:34] Mano, mas agora tá preto e black, que louco!

[00:43:37] Caralho, vou, sei lá, trocar ideia e tal, opa, e aí, beleza e tal, não sei o quê,

[00:43:40] entendeu?

[00:43:40] Sei lá, porque eu tava caçando gente, tava caçando moça pra poder ingressar o lado negro

[00:43:45] da força, né?

[00:43:45] Caramba, você tava caçando moça mesmo?

[00:43:47] Sim, tava caçando moça, porque, não, cara, não, não.

[00:43:50] Não, eu não tô na besteira, eu juro.

[00:43:52] Ah, tá, não, ai que susto, pelo amor de Deus, longe de mim, respeito, nossa.

[00:43:57] Não, gente.

[00:43:57] Tá aí.

[00:43:59] Não, eu caçando pra, pra, pra ingressar no…

[00:44:01] Procurando gente pro programa.

[00:44:02] Eu entendi, gente, vocês levaram pro lado ruim da coisa?

[00:44:05] Não, eu não levei, não.

[00:44:07] Foi o Gus que riu ali.

[00:44:09] Ah, gente.

[00:44:11] O cabral, o caçador, além de escritor.

[00:44:14] Caçador, olha isso, gente.

[00:44:16] Isso é coisa do meu provável orixá, que, na verdade, eu não vou falar muito disso

[00:44:19] aqui, porque é uma coisa meio definida ainda, uma coisa meio, enfim, que eu também não

[00:44:22] gosto de, não falo muito, assim, abertamente, mais ou menos, mas eu tenho essa coisa ligada

[00:44:26] à comunicação, a falar com gente e tal, enfim, a procurar gente, a me comunicar, fazer

[00:44:33] conexão entre as pessoas, né?

[00:44:35] A gente tá aí em vários lugares ao mesmo tempo, usando o computador, no caso, né?

[00:44:39] Eu acredito muito nisso, a coisa da…

[00:44:41] Assim, porque assim, aí vamos entrar no mérito do afrofuturismo, né?

[00:44:45] Eu acho assim, pra mim o afrofuturismo é a recriação da comunidade tradicional africana,

[00:44:51] né?

[00:44:51] No mundo moderno, né?

[00:44:52] Ou até pensando já no futuro, no mundo contemporâneo, entendeu?

[00:44:56] Porque a gente tá aqui, no meio da cidade, a gente é urbano, entendeu?

[00:44:58] Eu gosto muito de cidade, eu gosto de morar em cidade, entendeu?

[00:45:01] E eu tenho minha casa de candomblé, minha casa de candomblé é no meio da cidade, entendeu?

[00:45:03] Tudo bem.

[00:45:04] A gente faz as nossas questões também.

[00:45:05] Eu venho quando tem na mata, enfim, quando precisa e tal, mas a gente tá essencialmente

[00:45:09] na cidade, a gente é urbano, né?

[00:45:12] Então a gente consegue recriar a nossa comunidade, né?

[00:45:16] A gente consegue se ligar aos nossos irmãos, né?

[00:45:20] Mesmo se adaptando à dinâmica da cidade.

[00:45:23] Então quando eu vejo uma obra, faço uma obra afrofuturista, assim, não há um único

[00:45:29] modo de fazer afrofuturismo.

[00:45:30] Cada um faz do que vem do coração.

[00:45:32] Tem gente que vai fazer uma obra afrofuturista.

[00:45:35] É, discutindo absolutamente tudo o que a gente tá falando aqui, questões de racismo

[00:45:38] e tudo mais, confrontando diretamente com as questões do mundo real, com pessoas brancas

[00:45:42] e tudo mais.

[00:45:43] É, eu já prefiro fazer isso que o Augusto falou, no mundo mais bem resolvido, entendeu?

[00:45:48] Eu ponho a diversidade lá de forma tranquila, como se fosse natural, entendeu?

[00:45:51] Eu ponho lá casais gays, casais lésbicos e tal, como se fossem coisas normais, como

[00:45:56] sempre deveria ser.

[00:45:57] Sempre deveria ser tratado de forma normal.

[00:45:58] Nunca deveria ter estranheza, entendeu?

[00:46:01] Pessoas trans e tal, como se fossem coisas normais, entendeu?

[00:46:04] E…

[00:46:05] Então, é isso que a gente tá fazendo nessa linha.

[00:46:06] Aqui no meu livro, enfim, é que eu não falo muito, né, mas é que lá tem pessoas negras

[00:46:12] de todos os tipos, né, porque a diversidade africana natural é enorme, entendeu?

[00:46:17] O DNA mais antigo da Terra são dos Khoizans, que tem um traço bem negróide, né, por

[00:46:23] exemplo, como os meus, por exemplo, o nariz, os lábios, o cabelo bem crespo, mas tem

[00:46:27] a pele mais clara do que a minha, né, e esse que é o DNA mais antigo da humanidade, né?

[00:46:31] Então, na África…

[00:46:32] E esses são africanos puros.

[00:46:33] Então, na África, tem desde…

[00:46:34] Desde africanos com pele mais clara à pele mais escura, entendeu?

[00:46:38] Os traços diversos, então, nesse universo afroturístico que eu venho criando, eu ponho

[00:46:43] toda essa diversidade, mas aí teve a coisa do rapto pelos alienígenas, mas aí que aconteceu,

[00:46:48] por que que o mundo, no meu mundo, evoluiu pra esse mundo dominado por espíritos nas

[00:46:52] máquinas e tal, porque em algum momento o pessoal se revoltou e matou todos os alienígenas

[00:46:59] pálidos.

[00:47:00] Essa risadinha maligna do Cabral é ótima, né?

[00:47:01] É muito legal.

[00:47:02] É muito legal.

[00:47:03] É muito legal.

[00:47:04] O Cabral é muito legal.

[00:47:05] Então, assim, eu tenho uma concepção louca, mas é só coisa da minha cabeça.

[00:47:09] Não tô dizendo que seja real, talvez seja real, enfim, mas não, é, é real no meu

[00:47:12] mundo de imaginação, enfim, porque eu levo imaginação a sério.

[00:47:13] Mas existe uma crítica por conta disso?

[00:47:16] Ou não?

[00:47:17] O de…

[00:47:18] Ah, até agora ninguém criticou.

[00:47:19] Na verdade, é a primeira vez que eu tô falando isso abertamente, assim, gravado e

[00:47:21] tal.

[00:47:22] Não, não, você criou esse enredo numa forma de crítica, ou não?

[00:47:26] Ah, então.

[00:47:27] Ah, cada um entende como quiser.

[00:47:28] Eu só abotei…

[00:47:30] É, cabral causando, já.

[00:47:31] Cabral causando.

[00:47:32] See?

[00:47:33] Cabral causando

[00:47:34] Cabral é isso aí

[00:47:37] O que eu andei lendo de afrofuturismo

[00:47:40] A própria Itacha Womack

[00:47:42] Que escreveu um dos livros mais influentes

[00:47:44] Sobre afrofuturismo

[00:47:45] Ela comenta, muita gente acha que ela criou o termo

[00:47:48] Mas o termo ele é relativamente recente

[00:47:50] Ele é dos anos 90, foi criado por Mark Derrick

[00:47:53] Muito pouquinho

[00:47:54] Sim, é pouco, mas ela reitera uma coisa

[00:47:56] Ela fala, o movimento afrofuturista

[00:47:58] Ele já existia

[00:47:59] Mesmo que não tivesse esse nome

[00:48:01] Com negros fazendo críticas

[00:48:04] Através da sua música, através da literatura

[00:48:07] Através da própria atuação

[00:48:08] Em cena, nos palcos

[00:48:10] E aí eu pergunto pro Augusto

[00:48:12] Já que ele é rapper

[00:48:14] Como que a gente pode colocar o afrofuturismo

[00:48:16] Na questão musical

[00:48:18] A gente já pode considerar, por exemplo, o rap

[00:48:20] Ou o funk como expressões afrofuturistas?

[00:48:23] Acho que a gente pode considerar

[00:48:25] O jazz uma expressão afrofuturista

[00:48:26] Por que não?

[00:48:27] Uma das primeiras, né?

[00:48:29] Tanto o blues quanto o jazz

[00:48:30] Deu início

[00:48:31] A indústria fonográfica

[00:48:33] Foi um dos que mais sofreu

[00:48:35] Uma das músicas mais apropriadas

[00:48:38] Mas eu acredito

[00:48:41] Que sim

[00:48:41] No universo recente

[00:48:45] No que a gente tá vivendo de mais recente

[00:48:46] Tem sim, tem o rap, tem o kuduro

[00:48:49] Tem o funk

[00:48:50] E acho que daí

[00:48:54] Pra vir novos estilos

[00:48:56] Não acredito que

[00:48:58] Por exemplo, as pessoas vão falar

[00:48:59] Nossa, dubstep é o som do futuro

[00:49:01] Porque o dub tá aí há muito tempo

[00:49:03] E o dubstep é uma variação

[00:49:05] Com elementos mais sintéticos

[00:49:07] Do dub

[00:49:09] Mas eu acredito que tanto musicalmente

[00:49:11] Como na estética

[00:49:13] Se você for pegar agora

[00:49:15] Como os pretos estão se vestindo

[00:49:18] Tipo

[00:49:19] Você vê uma pessoa andando na rua

[00:49:21] Suave, você vê uma pessoa preta andando

[00:49:23] Tipo, mano, é outro planeta, é o cabelo colorido

[00:49:25] É uma parada que

[00:49:26] E é o cabelo natural colorido

[00:49:29] Lógico que

[00:49:30] Não é o cabelo natural colorido

[00:49:31] É o cabelo natural colorido

[00:49:31] Mas você tem o seu cabelo

[00:49:33] No seu formato natural ali

[00:49:34] Com cores diferentes

[00:49:36] Você vê pessoas criando novas formas

[00:49:39] De trabalhar essa musicalidade

[00:49:41] Você vê novas maneiras de escrever

[00:49:44] Liricamente

[00:49:44] Você vê novas fórmulas

[00:49:45] De produzir música mesmo

[00:49:48] Se você for pegar

[00:49:50] Uma música

[00:49:52] Sei lá, se você pegar o Roberto Carlos

[00:49:55] Ele escreve o verso dele

[00:49:57] Geralmente vai, tem ali

[00:49:58] Suas 16 linhas

[00:50:01] E aí vai pro refrão

[00:50:02] Que tem mais 8 linhas

[00:50:03] E aí depois volta pra primeira parte de novo

[00:50:06] E no rap você já não tem isso

[00:50:08] No rap às vezes o cara pega, começa com 8 linhas

[00:50:11] Tem um sub-refrão

[00:50:12] Aí você fala de como isso é criado

[00:50:14] E no futuro já é diferente

[00:50:15] Aí você vê que

[00:50:17] Hoje em dia até o Marlon 5

[00:50:20] Quer uma participação no disco deles

[00:50:22] E tipo

[00:50:23] Isso vai mudando a indústria fonográfica

[00:50:25] Você pode ver que todos os top 10 da Billboard

[00:50:27] Se não tiver um preto lá

[00:50:29] Tem alguma coisa que aconteceu

[00:50:31] Tem alguma coisa errada

[00:50:33] E se o artista não é

[00:50:36] Não é negro

[00:50:37] Ele soa negro pra caralho

[00:50:39] Que é a discussão que a gente tá tendo agora

[00:50:40] Com a Délia

[00:50:42] Os pensamentos dela

[00:50:44] Eu acho engraçado que muita gente critica

[00:50:47] O funk

[00:50:48] Da mesma forma como o jazz e o blues

[00:50:51] Lá atrás

[00:50:52] Sim, marginalizado pra caramba

[00:50:54] Exatamente, foram criticados

[00:50:56] Foram ditos que eram músicas impuras

[00:50:59] Que eram demoníacas

[00:51:00] Que não era cultura

[00:51:02] Exato

[00:51:03] Que era lixo musical

[00:51:05] A curiosidade do jazz é que

[00:51:08] Os artistas não sabiam ler partitura

[00:51:10] Porque eles não tiveram uma educação musical

[00:51:12] Devido a falta de investimento

[00:51:14] Para a comunidade negra

[00:51:17] Se você for ver

[00:51:19] Um dos trompetistas mais talentosos

[00:51:22] Do Miles Davis

[00:51:24] Ganhou uma corneta

[00:51:25] Pra poder vender carvão na rua

[00:51:27] E conseguiu

[00:51:29] Dali

[00:51:30] Começar a aprender a tocar

[00:51:32] Devido a generosidade de uma família

[00:51:34] Que acolheu ele

[00:51:35] Só que os caras tocavam pra comer

[00:51:37] Quando as pessoas viram

[00:51:39] Que aquele era um ritmo

[00:51:40] Que as pessoas não conseguiam parar de escutar

[00:51:43] Você não conseguia pegar e falar

[00:51:44] Agora criamos o Nova Pó

[00:51:47] Neopoca

[00:51:48] Diretamente da Europa

[00:51:51] Não, era o jazz

[00:51:52] E quem não tocasse jazz não ia tocar

[00:51:54] Os caras estavam tocando pra comer

[00:51:56] E do nada os caras estavam lá

[00:51:58] E revolucionaram a música

[00:52:00] Só que aí o que aconteceu?

[00:52:01] Ah, a gente tem um negócio aqui

[00:52:03] Que chama swing

[00:52:05] Que é tipo jazz

[00:52:06] Só que a gente ouviu os caras

[00:52:07] Escreveram a partitura do que os caras estavam tocando

[00:52:10] E o regente aqui é branquinho

[00:52:12] O músico também

[00:52:13] E você pode tocar no seu baile

[00:52:15] E aí quase 100 anos

[00:52:17] Mais 100 anos depois

[00:52:19] Se você for pegar pra olhar a lista

[00:52:21] De álbuns do iTunes

[00:52:23] De artistas de jazz

[00:52:25] Você não vai ver quase nenhum preto lá

[00:52:27] Tá ligado?

[00:52:28] Você vai ver que a maioria dos artistas do jazz é preto lá

[00:52:28] E a maioria dos artistas do jazz é preto lá

[00:52:28] E a maioria dos artistas é tudo branco

[00:52:29] E é tipo

[00:52:30] É o que tá acontecendo agora com a nossa música

[00:52:32] Com o rap mesmo

[00:52:33] São poucos artistas negros

[00:52:37] Tem um destaque dentro da mídia

[00:52:40] Tirando os racionais

[00:52:42] Que é tipo intocável

[00:52:43] Porque você tem que ser intocável

[00:52:46] Pra poder fazer o que você faz

[00:52:48] Ou você é invisível

[00:52:51] E aí você tem

[00:52:52] A ascensão de mais artistas não negros

[00:52:55] Fazendo música preta

[00:52:56] Que é uma coisa preocupante

[00:52:57] A gente vai ter que pegar

[00:52:58] E inventar a roda

[00:53:00] Pela primeira vez

[00:53:02] A Maria comentou do Eminem

[00:53:03] Era o que eu ia comentar também

[00:53:05] O Eminem é outro, né?

[00:53:06] O McLemore

[00:53:07] Tem vários

[00:53:08] A lista cresce bastante

[00:53:09] E aí

[00:53:10] A roda pela milionésima vez

[00:53:13] Pra ter destaque numa cena

[00:53:15] Só que eu acho que

[00:53:16] Com a ascensão das redes sociais

[00:53:18] Tudo mais

[00:53:19] A gente fica bem mais visível

[00:53:20] A autoria do que a gente faz

[00:53:22] Assim

[00:53:22] Das coisas

[00:53:24] E também pra onde

[00:53:25] Que as coisas estão rumando

[00:53:26] Eu gosto de usar muito o exemplo

[00:53:27] Do Kanye West

[00:53:28] Porque ele é uma pessoa

[00:53:29] Muito criativa

[00:53:30] Por mais que ele seja

[00:53:32] Meio babacão

[00:53:32] Acho que

[00:53:33] Na maioria das vezes

[00:53:34] Ele é bem mal interpretado

[00:53:35] Se a gente for

[00:53:36] Para a hora de sair

[00:53:37] A futurismo

[00:53:37] Não é só

[00:53:38] O cara criar tendência

[00:53:39] Não é só

[00:53:40] Pegar e falar

[00:53:41] Agora vamos todo mundo

[00:53:42] Fazer tranças rosas

[00:53:43] Vamos todo mundo usar

[00:53:43] Boxe grey de laranja

[00:53:45] É

[00:53:46] Você ver uma criação

[00:53:48] Do estilo de vida mesmo

[00:53:50] A reinvenção do lifestyle

[00:53:52] Numa época

[00:53:53] Que ninguém usava Jordan

[00:53:54] Vem o Kanye West

[00:53:55] E começa a usar Jordan

[00:53:56] De novo

[00:53:57] Foi uma coisa

[00:53:58] Muito popular

[00:53:58] Nos anos 80 e 90

[00:54:00] Por causa do Michael Jordan

[00:54:01] Mas no começo dos anos 2000

[00:54:03] Tinha caído

[00:54:03] Porque o Michael Jordan

[00:54:04] Tinha parado de jogar

[00:54:05] E aí o cara

[00:54:06] Traz isso de novo

[00:54:07] Inventa a indústria

[00:54:08] Dos sneakers

[00:54:09] Que são os tênis

[00:54:10] Casuais

[00:54:11] Que o pessoal gosta

[00:54:12] De diversas vezes

[00:54:14] Tanto na questão

[00:54:15] De design

[00:54:15] Quanto de acessibilidade

[00:54:17] E aí

[00:54:18] Eu acho que isso

[00:54:18] É a futurista pra caramba

[00:54:20] Porque tá todo mundo

[00:54:21] Pegando

[00:54:21] Mano

[00:54:22] Hoje

[00:54:22] O guitarrista

[00:54:24] Da banda de rock

[00:54:25] Tá usando o Jordan

[00:54:26] Tipo é a sneakerhead

[00:54:27] Você viu o Travis Baker

[00:54:28] Que tá usando o Jordan

[00:54:28] Que não tem

[00:54:28] Nada a ver com o rap

[00:54:30] Que tá fazendo

[00:54:30] As pessoas

[00:54:30] Que ele gosta

[00:54:32] É engraçado

[00:54:33] Como as pessoas

[00:54:34] Em geral

[00:54:35] As pessoas brancas

[00:54:37] Até os músicos brancos

[00:54:38] Se apossam

[00:54:39] De aspectos

[00:54:40] Da cultura negra

[00:54:41] Mas não gostam

[00:54:42] De negros

[00:54:43] Sim

[00:54:44] Porque não derrubam

[00:54:44] Não derrubam

[00:54:45] O próprio racismo

[00:54:46] Né

[00:54:47] É

[00:54:48] Porque senão

[00:54:49] A internet vai parar

[00:54:50] Vai cair na minha cabeça

[00:54:51] Tem uma frase assim

[00:54:52] Como o mundo seria bom

[00:54:54] Se gostassem

[00:54:54] De pessoas negras

[00:54:55] Como ama

[00:54:56] Uma cultura negra

[00:54:57] É então

[00:54:57] Isso aí

[00:54:58] Seria bem diferente

[00:54:59] De parada

[00:54:59] É isso aí

[00:55:00] Que a gente reclama

[00:55:01] De apropriação cultural

[00:55:02] Que o pessoal fala

[00:55:03] Só leva ao extremo

[00:55:05] Ah

[00:55:05] Que isso não é

[00:55:05] Que não pode usar

[00:55:06] A gente não pode usar turbante

[00:55:09] A gente não pode fazer música

[00:55:10] Tradicionalmente preta

[00:55:11] Perdi várias amizades

[00:55:12] Falando sobre isso

[00:55:13] Graças a Deus

[00:55:14] É então

[00:55:15] Um mal a menos

[00:55:17] Né Maria

[00:55:17] É

[00:55:18] Nossa

[00:55:18] Que bom

[00:55:19] É que o lance é assim

[00:55:19] Vou até explicar aqui

[00:55:20] Entendeu

[00:55:21] Pro pessoal que tá ouvindo aí

[00:55:22] Pra só parar

[00:55:22] Com uma palhaçada aí

[00:55:24] Que o lance é o seguinte

[00:55:24] Assim

[00:55:25] Não é que não pode fazer

[00:55:26] Assim

[00:55:26] Eu não sou fiscal de nada

[00:55:28] Não faz o que quiser

[00:55:29] Entendeu

[00:55:29] Não tem nada a ver com isso

[00:55:30] O lance é

[00:55:31] O lance é o contexto

[00:55:32] Entendeu

[00:55:32] O contexto

[00:55:33] Né

[00:55:34] O contexto racista

[00:55:35] Que a gente vê

[00:55:35] Que se chama racista

[00:55:36] Né

[00:55:36] Que favorece

[00:55:38] Pessoa branca

[00:55:39] Quando faz

[00:55:39] Entendeu

[00:55:40] A gente já tá fazendo

[00:55:41] Desde sempre

[00:55:42] Mas não recebe

[00:55:42] O devido crédito

[00:55:43] Entendeu

[00:55:43] Mas quando chega

[00:55:44] Uma pessoa branca

[00:55:45] Lá e faz

[00:55:45] E pronto

[00:55:45] Entendeu

[00:55:46] É o lance lá

[00:55:47] Da Iggy

[00:55:48] Azalea

[00:55:49] E Azilea Banks

[00:55:50] Entendeu

[00:55:50] Nossa

[00:55:51] É então

[00:55:52] Sabe

[00:55:53] Que aí ela faz

[00:55:54] Faz uma música

[00:55:55] Que geralmente

[00:55:56] As moças pretas

[00:55:56] Já faziam

[00:55:57] Entendeu

[00:55:57] E aí ela recebe

[00:55:58] Todo holofote

[00:55:59] Tá tudo lá

[00:56:01] Entendeu

[00:56:01] O Eminem

[00:56:02] Começou com essa porra

[00:56:03] Com o Eminem

[00:56:03] Entendeu

[00:56:03] Um monte de mano preto

[00:56:05] Fazendo a parada e tal

[00:56:06] O Eminem fez

[00:56:06] Nossa

[00:56:07] Uau

[00:56:07] Que lindo

[00:56:08] Maravilhoso

[00:56:08] Turbante

[00:56:10] Moça preta

[00:56:10] Usando turbante

[00:56:11] Ai não sei o que

[00:56:12] Macumbeira

[00:56:13] Ai que demônio

[00:56:14] Diabo

[00:56:14] Aí a moça

[00:56:15] Louro de olho azul

[00:56:16] Usando turbante

[00:56:16] Nossa

[00:56:17] Ai que legal

[00:56:17] Que original

[00:56:18] Vanguardista

[00:56:19] Que bonito

[00:56:20] Entendeu

[00:56:21] Candomblé

[00:56:22] Gente preta

[00:56:23] Lá pop fazendo

[00:56:23] Ai que demônio

[00:56:24] Sai daqui

[00:56:25] Aí classe média branca

[00:56:26] Lá de pinheiros

[00:56:26] Lá fazendo

[00:56:27] Ai

[00:56:27] Ai que lindo

[00:56:28] Nossa que é tão legal

[00:56:29] Tão espiritual

[00:56:30] A coisa

[00:56:30] A tradicionalidade

[00:56:33] E tal

[00:56:33] Entendeu

[00:56:33] Essa fita aí

[00:56:34] Brother

[00:56:35] Entendeu

[00:56:35] É isso que a gente reclama

[00:56:36] Pra caralho

[00:56:36] Olha

[00:56:36] Aconteceu um caso

[00:56:38] Na escola em que eu dava aula

[00:56:39] Eu era professora

[00:56:39] Da ensino médio

[00:56:40] E um professor

[00:56:42] Ele quis fazer

[00:56:42] Uma palestra

[00:56:43] De sincretismo religioso

[00:56:45] E de falar

[00:56:46] De todas as vertentes

[00:56:47] Religiosas

[00:56:49] Não só

[00:56:49] Cristã e católica

[00:56:51] Mas abordar tudo

[00:56:52] Inclusive

[00:56:53] Umbanda

[00:56:54] Candomblé

[00:56:54] Espiritismo

[00:56:55] Trazer

[00:56:56] Tirar essas religiões

[00:56:57] Tirar todas essas crenças

[00:56:59] Do gueto

[00:56:59] A diretora da escola

[00:57:01] Não autorizou

[00:57:02] Porque era contra

[00:57:03] A religião dela

[00:57:04] Isso aí

[00:57:04] Isso aí nem novidade

[00:57:05] Isso aí

[00:57:06] Na minha escola

[00:57:07] É proibido

[00:57:08] Eu usar turbante

[00:57:09] Assim

[00:57:09] Eles não

[00:57:11] Ninguém entende

[00:57:12] Que tem um contexto

[00:57:14] Tem uma história

[00:57:14] Atrás disso

[00:57:15] Mas eles acham

[00:57:16] Que eu vou usar turbante

[00:57:17] Justamente pra ouvir música

[00:57:18] No meio da aula

[00:57:19] É pra isso

[00:57:20] Que serve uma turbante

[00:57:21] É ridículo

[00:57:22] Pra esconder

[00:57:22] Uma história de ouvido

[00:57:23] Ridículo

[00:57:24] Não tem nenhum contexto

[00:57:25] Pra eles

[00:57:26] Assim

[00:57:26] Nenhum respeito

[00:57:27] Por mim

[00:57:28] Pelos professores

[00:57:29] E pela minha cultura

[00:57:30] Exato

[00:57:31] Exato

[00:57:32] Não tem respeito

[00:57:33] Alguns professores

[00:57:35] Na escola

[00:57:35] Eu incluso

[00:57:36] A gente reclamou

[00:57:37] Falou

[00:57:37] Olha

[00:57:37] É necessário isso

[00:57:39] Isso é lei

[00:57:40] A gente tem que trazer

[00:57:41] Essas coisas

[00:57:42] Pra sala de aula

[00:57:43] Não porque eu sou cristã

[00:57:44] Eu não lido com essas coisas

[00:57:46] Olha

[00:57:46] Assim

[00:57:47] Sabe aquela hora

[00:57:49] Que você larga de mão

[00:57:50] E fala

[00:57:50] Você tá lutando

[00:57:51] Uma coisa sozinha

[00:57:53] Porque os alunos

[00:57:54] Precisam

[00:57:54] Mas chega na direção

[00:57:56] A direção

[00:57:56] Não quer

[00:57:57] Eu tive uma aluna

[00:57:59] Eu acho que o Fábio

[00:58:01] O Fábio leu

[00:58:01] Esse relato

[00:58:02] Que eu falei

[00:58:03] Uma aluna negra

[00:58:05] Que jogava

[00:58:06] World of Warcraft

[00:58:07] Ah sim

[00:58:09] Lembra desse caso né

[00:58:10] Sim

[00:58:11] Ela nerd

[00:58:12] Usava aquelas camisetas

[00:58:13] Do jogo

[00:58:14] Conhecia tudo

[00:58:16] Do jogo

[00:58:16] Ai que legal

[00:58:16] Tudo

[00:58:17] Mas assim

[00:58:18] Que mina foda

[00:58:19] Extremamente inteligente

[00:58:21] Eu só dei aula

[00:58:22] Pra ela um ano

[00:58:23] Porque eu adorava ela

[00:58:24] Mas por ela ser negra

[00:58:26] Ela não podia ser nerd

[00:58:27] Então tinha colega

[00:58:29] Que falava pra ela

[00:58:29] Voltar pra quadra

[00:58:30] Da escola de samba

[00:58:31] Eu, eu

[00:58:32] Porque ela não podia ser nerd

[00:58:34] Eu, todos os anos

[00:58:34] Pois é

[00:58:35] Ela não pode

[00:58:36] Por quê?

[00:58:38] Ah professora

[00:58:38] Mas né

[00:58:39] Olha

[00:58:39] Eles evitavam falar

[00:58:41] Porque sabiam que eu tô mais porro

[00:58:43] Mas é óbvio

[00:58:44] Era óbvio

[00:58:45] O que que tava acontecendo

[00:58:46] E ela falava

[00:58:47] Vai tomando socorro

[00:58:48] Ela mandava mesmo

[00:58:49] Fala minha aí

[00:58:49] Eu vou gostar

[00:58:50] Do que eu quiser

[00:58:51] Foda-se

[00:58:52] Quem são vocês

[00:58:53] Pra me medir

[00:58:54] O que eu faço

[00:58:54] Joga o bem

[00:58:55] Quer vir jogar comigo

[00:58:56] Ela enfrentava

[00:58:58] Quer vir jogar comigo

[00:58:59] Diga Fama

[00:58:59] Eu quero falar de um banco

[00:59:00] Que é o seguinte

[00:59:01] É uma pretensão

[00:59:02] Que o pessoal

[00:59:03] É que assim

[00:59:03] Quando a gente fala

[00:59:04] De apropriação cultural

[00:59:05] Aí vem o pessoal e fala

[00:59:06] Ah então tira esse jeans

[00:59:07] Que você tá usando

[00:59:08] Para de usar essa máquina

[00:59:10] Esse computador e tal

[00:59:11] Não sei o quê

[00:59:11] É a pretensão

[00:59:13] De falar que

[00:59:14] De achar que a tecnologia

[00:59:15] É uma exclusividade europeia

[00:59:17] Que todos

[00:59:18] Os outros continentes

[00:59:19] Viam nas trevas

[00:59:20] E aí chegou

[00:59:21] A Europa salvadora

[00:59:23] Que dominou

[00:59:24] Multilúcido

[00:59:25] Pra todo mundo

[00:59:26] E aí

[00:59:26] Também levou

[00:59:27] A tecnologia

[00:59:28] Linda e maravilhosa

[00:59:29] Só que as coisas

[00:59:30] Não são bem assim não

[00:59:31] Entendeu?

[00:59:31] Não

[00:59:31] Mas nem

[00:59:32] Mas nem de longe

[00:59:33] Entendeu?

[00:59:34] Porque na verdade

[00:59:34] A Europa chegou lá

[00:59:35] E pegou um pouquinho

[00:59:36] De cada continente

[00:59:37] Várias coisas

[00:59:37] Entendeu?

[00:59:38] Por exemplo

[00:59:38] Vários africanos tradicionais

[00:59:39] Dominavam

[00:59:40] A metalurgia

[00:59:42] Que é uma beleza

[00:59:43] Entendeu?

[00:59:43] Inclusive isso tá presente

[00:59:45] Em vários mitos

[00:59:46] Entendeu?

[00:59:46] Tem um mito

[00:59:46] Por exemplo

[00:59:47] Até botei isso

[00:59:48] No rito de passagem

[00:59:49] O mito do Gambalisita

[00:59:50] Que nasceu

[00:59:51] Que é o primeiro homem

[00:59:52] Na cultura umbi

[00:59:53] Que nasceu

[00:59:54] Da serpente

[00:59:56] De aço

[00:59:56] A serpente de aço

[00:59:57] Que construiu

[00:59:58] Ela se própria

[00:59:59] Peça por peça

[01:00:00] E aí criou

[01:00:01] O Gambalisita

[01:00:01] Que nasceu

[01:00:03] De um ovo

[01:00:05] Quebrou a própria casca

[01:00:06] E ele é o primeiro

[01:00:07] O grande artífice

[01:00:08] Ele criou as pessoas

[01:00:08] Com os minerais do mundo

[01:00:10] Os materiais do mundo

[01:00:12] E ensinou as pessoas

[01:00:13] A criar

[01:00:14] A fazer objetos de metal

[01:00:16] Entendeu?

[01:00:16] A fazer

[01:00:17] A usar a tecnologia

[01:00:18] A gente tem o Ogum

[01:00:20] Que é o grande orixá

[01:00:20] Da tecnologia

[01:00:21] E vários outros exemplos

[01:00:23] Que eu posso ficar aqui

[01:00:23] Falando um tempão

[01:00:24] Estou dizendo que

[01:00:25] Nossa

[01:00:25] A África é linda

[01:00:26] A África é linda

[01:00:26] É maravilhosa

[01:00:26] Super

[01:00:27] Não é isso

[01:00:27] É só reconhecer

[01:00:29] Os feitos

[01:00:30] É só reconhecer

[01:00:31] A começar pelo Egito

[01:00:33] Pelo amor de Deus

[01:00:34] O pessoal fala como

[01:00:35] É grega

[01:00:36] A rede recorta

[01:00:37] Isso a favor

[01:00:38] De embranquecer todo mundo

[01:00:39] Eu fico muito puta com isso

[01:00:41] Nossa

[01:00:42] Fiquei muito puta

[01:00:43] Putaça

[01:00:44] Porque eles embranqueceram

[01:00:47] E é assim

[01:00:48] Se a gente pega esse filme

[01:00:49] Êxodo

[01:00:49] Toda a realeza egípcia

[01:00:52] Branquinha

[01:00:53] Jogaram até um pó bronzer

[01:00:55] No Ramessesa

[01:00:56] Para o cara ficar

[01:00:57] Sim

[01:00:57] Mais bronzeado

[01:00:58] Quando você pega

[01:00:59] Os empregados

[01:01:00] Os escravos

[01:01:01] Os soldados

[01:01:02] Tudo negro

[01:01:03] E assim

[01:01:04] E o Ridley Scott ainda falou

[01:01:06] Ah mas se eu não fizesse isso

[01:01:07] Eu não conseguiria financiamento

[01:01:08] Filho

[01:01:08] Então não faz o filme

[01:01:09] É

[01:01:10] Não

[01:01:11] Porra

[01:01:12] Para nós é uma lógica simples

[01:01:14] Não faça

[01:01:15] Já que vai dar merda

[01:01:16] E deu

[01:01:16] Gente o que tem

[01:01:17] O que tem de atores

[01:01:18] E atrizes pretas

[01:01:19] Procurando um papel

[01:01:20] Desse jeito assim

[01:01:21] Não é questão

[01:01:22] De representatividade

[01:01:23] Ou até

[01:01:23] Para conseguir

[01:01:24] Um tipo de

[01:01:26] Fama

[01:01:27] Essas coisas

[01:01:27] Para

[01:01:28] Um negro fazer

[01:01:29] Papel de farol

[01:01:30] Quantos que tem

[01:01:31] Exato

[01:01:32] Eu acho que tem o que

[01:01:33] O clipe do Michael Jackson

[01:01:34] Só

[01:01:35] Sim é

[01:01:36] Você vai ficar

[01:01:37] Com o Ed Murphy

[01:01:39] No clipe do Michael

[01:01:41] Que é um clipe

[01:01:42] Muito legal também

[01:01:43] Inclusive

[01:01:44] É

[01:01:44] E foi uma representação

[01:01:45] Ótima né

[01:01:46] A gente volta

[01:01:48] A questão de representatividade

[01:01:49] Porque é assim

[01:01:50] Especialmente as mulheres

[01:01:53] São

[01:01:53] Costumam ser

[01:01:54] Hiper sexualizadas

[01:01:55] Nos universos

[01:01:56] E a mulher negra

[01:01:58] É ainda mais sexualizada

[01:02:00] Porque no real

[01:02:01] Ela também sofre com isso

[01:02:03] Elas são tidas como

[01:02:05] Entre aspas

[01:02:06] Mais quentes

[01:02:07] Elas sofrem

[01:02:09] Com toda uma sexualização

[01:02:10] Por exemplo

[01:02:10] No carnaval

[01:02:11] E quando a gente busca

[01:02:14] Essa representatividade

[01:02:15] Dentro dos enredos

[01:02:16] Até mesmo de ficção científica

[01:02:17] De fantasia

[01:02:18] É difícil você achar uma

[01:02:20] Que represente bem

[01:02:23] Uma mulher negra

[01:02:25] E a gente não consegue

[01:02:26] E assim

[01:02:27] E depois que uma obra é publicada

[01:02:29] Ela não pertence mais ao autor

[01:02:30] E é aí que eu queria saber

[01:02:32] Do trabalho da Maria

[01:02:33] Porque você pega personagens

[01:02:35] E coloca eles como negros

[01:02:37] E a gente volta a essa questão

[01:02:39] O autor não tem mais controle

[01:02:41] Em cima da obra

[01:02:42] Depois que ela é publicada

[01:02:43] Não

[01:02:44] Você pode ressignificar

[01:02:46] Os personagens

[01:02:46] Da maneira que você quiser

[01:02:48] Né

[01:02:49] Eu vi algumas representações

[01:02:50] Da Hermione

[01:02:51] Como negra

[01:02:52] E eu assim

[01:02:52] Falei

[01:02:53] Gente

[01:02:53] Que coisa mais linda

[01:02:55] Por que não

[01:02:55] E tinha gente dando pulo

[01:02:57] De dois metros de altura

[01:02:58] Achando um absurdo

[01:02:59] A primeira vez que eu vi

[01:03:01] A Hermione negra

[01:03:02] Eu não comecei a chorar

[01:03:03] Mas eu senti um monte de lágrimas

[01:03:04] Assim

[01:03:05] No olho

[01:03:05] Porque era muito bonito

[01:03:07] Primeira vez que eu vi aquilo

[01:03:09] Eu fiquei muito emocionada

[01:03:10] Demais

[01:03:11] E eu nem gosto de Harry Potter

[01:03:12] Mas só de você ver

[01:03:15] Né

[01:03:15] Um personagem que

[01:03:17] Todo mundo adota como branco

[01:03:18] Que foi representada como branco

[01:03:20] Né

[01:03:21] Você só de ver um personagem assim

[01:03:23] Já é uma outra esfera

[01:03:25] Você só de ver um personagem assim

[01:03:25] Já é uma outra esfera

[01:03:25] Você pega vários personagens

[01:03:29] Como que você trabalha com isso?

[01:03:31] Geralmente eu vejo

[01:03:33] Um filme

[01:03:34] Uma série

[01:03:35] Um livro

[01:03:35] Que eu gosto

[01:03:36] E como a maioria deles

[01:03:38] Né

[01:03:38] Infelizmente

[01:03:39] É

[01:03:39] São representados por pessoas brancas

[01:03:41] Descritos como brancos

[01:03:43] E dominam

[01:03:44] O todo o enredo

[01:03:46] Não tem nenhum personagem

[01:03:47] Negro por exemplo

[01:03:49] Eu gostaria de ver eles

[01:03:50] Como se fossem

[01:03:51] Como

[01:03:51] Se fossem

[01:03:52] Como eu

[01:03:53] Você

[01:03:54] O Fábio

[01:03:55] Eu queria ver

[01:03:55] Ver gente como eu

[01:03:56] Naquele papel

[01:03:57] Não assim

[01:03:58] Por uma questão

[01:03:59] Ah inveja

[01:04:00] Ah inveja

[01:04:00] Mimimi

[01:04:01] Não porque

[01:04:01] A gente vai ver isso quando?

[01:04:04] Quando que um personagem negro

[01:04:04] Vai ser um protagonista

[01:04:06] Sem

[01:04:07] Sem que seja cômico

[01:04:09] É

[01:04:10] Bandidão

[01:04:11] Essas coisas

[01:04:11] Porque a gente é retratado

[01:04:13] Como uma pessoa má

[01:04:14] Bandida

[01:04:15] Ou muito engraçado

[01:04:16] Ou hipersexualizado

[01:04:17] Não

[01:04:18] Eu quero ver alguém normal

[01:04:19] Alguém como eu

[01:04:20] Nesse papel

[01:04:22] Porque uma pessoa negra

[01:04:23] É uma pessoa normal

[01:04:24] É uma pessoa normal

[01:04:25] Aí eu queria ver ele

[01:04:26] Nesse tipo de papel

[01:04:27] Às vezes

[01:04:28] Como

[01:04:29] Como deuses

[01:04:31] Imperadores

[01:04:33] Reis

[01:04:33] Essas coisas

[01:04:34] Porque a gente precisa disso

[01:04:36] A gente precisa se afirmar

[01:04:37] Como pessoas

[01:04:38] Como indivíduos

[01:04:39] A gente precisa

[01:04:40] Desse tipo de coisa

[01:04:41] E isso é uma expressão

[01:04:42] Afrofuturista

[01:04:43] De você pegar

[01:04:44] Personagens

[01:04:47] Ou

[01:04:47] Digamos

[01:04:49] Universos

[01:04:49] Que normalmente

[01:04:50] Seriam

[01:04:51] Eurocentrados

[01:04:52] E você trazer

[01:04:54] Para um significado

[01:04:55] Para as populações negras

[01:04:57] Isso é um afrofuturismo

[01:04:58] Também, não é?

[01:04:59] É

[01:04:59] É sim

[01:05:00] Porque

[01:05:00] Nem sempre

[01:05:02] Mesmo uma pessoa

[01:05:03] Que mora na África

[01:05:03] Pode ter assim

[01:05:04] TV

[01:05:05] Rádio

[01:05:06] Dirigido

[01:05:07] Criado por pessoas negras

[01:05:08] Mas

[01:05:08] E outras produções

[01:05:10] Assim

[01:05:10] De massa

[01:05:11] Que alcançam

[01:05:12] Países

[01:05:13] Diferentes

[01:05:13] Continentes

[01:05:14] Vão ver só

[01:05:14] Gente branca

[01:05:15] Ou seja

[01:05:16] Quando

[01:05:16] A produção é grande

[01:05:19] Para alcançar

[01:05:19] Mas é só gente

[01:05:20] Só feito por gente branca

[01:05:22] Só por isso

[01:05:23] Só vai ter alcance

[01:05:24] Se for branco

[01:05:25] E não é assim

[01:05:26] Pois é

[01:05:26] E assim

[01:05:27] Eu estou criando

[01:05:29] Uma história também

[01:05:30] Já criei personagens

[01:05:31] Tem várias

[01:05:32] Instruções deles

[01:05:33] E são

[01:05:34] Todos pretos

[01:05:34] No começo

[01:05:35] Não era

[01:05:36] Porque eu não conhecia

[01:05:37] O movimento negro

[01:05:39] Eu não tinha

[01:05:40] Ideia nenhuma

[01:05:40] Eu não tinha

[01:05:41] Eu não era assim

[01:05:42] De certa forma

[01:05:43] Empoderada

[01:05:43] E depois que eu

[01:05:45] Tive contato

[01:05:46] Vi pessoas que nem eu

[01:05:47] Eu

[01:05:48] Eu conheci

[01:05:49] Minha cultura

[01:05:49] Um pouquinho mais

[01:05:50] Eu comecei

[01:05:51] A transformá-las em negras

[01:05:52] Porque

[01:05:53] Gente

[01:05:54] É tão bonito

[01:05:55] É tão bonito

[01:05:55] Eu não posso ignorar isso

[01:05:56] Eu não posso

[01:05:57] Exato

[01:05:58] Exato

[01:05:59] E olha como é essa cultura

[01:06:01] Porque você como negra

[01:06:02] Não tinha criado

[01:06:03] Personagens negros, né?

[01:06:05] Não

[01:06:05] Eu não tinha

[01:06:06] Eram todos personagens

[01:06:07] Assim

[01:06:08] Europeus

[01:06:09] Brancos mesmo

[01:06:10] Com

[01:06:11] Situados na Itália

[01:06:13] Na Espanha

[01:06:13] E não tinha nada

[01:06:14] A ver comigo

[01:06:15] Tanto que meu protagonista

[01:06:16] Era um homem branco

[01:06:18] Eu fiquei uns dois anos

[01:06:19] Atuada na história

[01:06:19] Porque eu não sabia

[01:06:20] O que escrever

[01:06:20] Ele

[01:06:21] Não tinha

[01:06:23] Falar sobre ele

[01:06:24] Não tinha

[01:06:25] Agora o protagonista

[01:06:27] É uma mulher

[01:06:27] Negra

[01:06:28] Que vive

[01:06:30] Numa tribo

[01:06:30] É inclusive lésbica

[01:06:32] A mãe dela é lésbica

[01:06:34] Ou seja

[01:06:34] É uma variedade muito grande

[01:06:36] De pessoas

[01:06:37] De corpos

[01:06:38] De cores

[01:06:39] De pele

[01:06:39] De sexualidade

[01:06:41] Tem muita coisa

[01:06:42] E eu coloco um pouquinho

[01:06:44] De mim em cada um deles

[01:06:45] Sim

[01:06:46] E um pouquinho

[01:06:46] Das pessoas que eu conheço também

[01:06:48] E o quanto isso é importante, né gente?

[01:06:51] Porque

[01:06:51] Assim

[01:06:52] Uma coisa que eu

[01:06:53] Critico muito

[01:06:54] Até no

[01:06:55] No meu blog

[01:06:55] Eu falo

[01:06:56] Do quanto os personagens

[01:06:58] Às vezes parecem

[01:06:59] Os mesmos

[01:07:00] Você pega um livro

[01:07:01] Os mesmos

[01:07:02] É

[01:07:03] Você pega um livro

[01:07:04] De um determinado autor

[01:07:05] Você lê todos

[01:07:06] São todos iguais

[01:07:08] É assim

[01:07:09] Enche o saco

[01:07:12] Né

[01:07:12] E ele não consegue escrever

[01:07:13] Uma

[01:07:14] Boidinha

[01:07:15] Acaba te afastando

[01:07:16] Da

[01:07:16] Da história, né?

[01:07:18] Esse tipo

[01:07:19] De

[01:07:19] Sempre você ver

[01:07:20] Ah, o personagem

[01:07:21] Tal

[01:07:22] O arquétipo

[01:07:23] De personagem

[01:07:24] Assim

[01:07:25] Você criar

[01:07:25] E mesmo que o personagem

[01:07:27] Tá lá

[01:07:28] Ele tá sempre invisibilizado

[01:07:29] Pelo

[01:07:30] Pra ele cair sempre

[01:07:32] No mesmo estereótipo

[01:07:33] Pelo arco dele

[01:07:34] Sempre vir

[01:07:35] Ele sempre tá dentro

[01:07:37] Ele tá sempre na mesma curva

[01:07:38] O personagem não vai fazer

[01:07:40] Nada

[01:07:40] Nada inesperado

[01:07:41] Não

[01:07:41] Ele não vai ter

[01:07:42] Nenhum dilema moral

[01:07:43] No caso, né?

[01:07:44] Porque ele tá sempre

[01:07:45] Ele é sempre

[01:07:45] O ladrão, né?

[01:07:47] Ele é sempre

[01:07:47] Ou ele rouba pra viver

[01:07:49] Ou ele

[01:07:49] Ou ele é

[01:07:50] Numa família quebrada

[01:07:52] Ou ele é um personagem

[01:07:54] Que ele é um personagem

[01:07:55] Que é mal

[01:07:55] Por natureza

[01:07:56] E aí

[01:07:57] Pra isso, né?

[01:07:59] Tipo

[01:07:59] A questão, né?

[01:08:00] Da representatividade

[01:08:02] É importante pra

[01:08:02] Pra porra

[01:08:04] Tipo assim

[01:08:04] Não que a Disney

[01:08:05] Esteja precisando

[01:08:05] Do dinheiro

[01:08:07] De uma amiga minha

[01:08:08] Por exemplo

[01:08:08] Que no caso

[01:08:09] Ela é tipo

[01:08:11] Ah, eu não gosto muito

[01:08:12] De Star Wars

[01:08:12] Eu tipo

[01:08:13] Não, dá uma chance

[01:08:14] Star Wars é legal

[01:08:14] Porque eu sou muito fã

[01:08:15] E tal

[01:08:16] E aí eu falei

[01:08:17] Não, beleza

[01:08:18] Você não quer ver?

[01:08:19] Vê o trailer

[01:08:19] Aí do nada

[01:08:20] Aparece o Joe Boyega

[01:08:21] Assim suado

[01:08:22] Respirando pra caramba

[01:08:23] Ela

[01:08:23] Não quero ver esse filme

[01:08:24] Porque

[01:08:25] Já apareceu um cara negão

[01:08:26] Já vi que ele vai ser

[01:08:27] Pancada dentro do filme

[01:08:29] Já vi que

[01:08:30] Ele tá

[01:08:30] Tem um conflito

[01:08:31] Você consegue

[01:08:32] Ganhar isso no trailer

[01:08:33] Que tipo

[01:08:34] Ah, eu acreditava nisso

[01:08:35] Agora eu não sei mais

[01:08:36] Por que eu tô vivendo

[01:08:37] E tudo mais

[01:08:38] É um tipo de dúvida

[01:08:39] Que não vem pro nosso personagem

[01:08:41] É sempre

[01:08:41] É sempre aquilo

[01:08:42] Ah

[01:08:42] Eu acreditava nisso

[01:08:44] Aí apareceu o protagonista

[01:08:45] E eu vou acreditar

[01:08:46] No que ele tá acreditando agora

[01:08:47] Ou então

[01:08:49] Tipo

[01:08:49] Ah, eu sou

[01:08:50] O cara de 2 metros e 15

[01:08:51] Que antes de você chegar

[01:08:52] No vilão do filme

[01:08:53] Você tem que atravessar

[01:08:54] Passar

[01:08:54] Passar por mim

[01:08:55] E me espancar

[01:08:56] Ou eu sou

[01:08:57] O cara sofrido

[01:08:58] Que

[01:08:58] Precisa encontrar a mulher

[01:09:00] Dentro daquele

[01:09:01] Universo todo ali

[01:09:03] E isso traz, né

[01:09:04] Porque a gente gosta

[01:09:05] De aparecer

[01:09:06] É bom você se

[01:09:07] Se ver

[01:09:08] E se reconhecer, né

[01:09:09] Na tela

[01:09:10] Na revista

[01:09:11] No filme

[01:09:12] No quadrinho

[01:09:13] Até na tirinha

[01:09:15] Aonde for

[01:09:16] No comercial de margarina

[01:09:18] Se você não se ver

[01:09:19] Você não consegue

[01:09:20] Comprar aquele produto

[01:09:21] Você não consegue

[01:09:22] Acreditar naquele universo

[01:09:23] Se você não se ver

[01:09:24] Em uma série

[01:09:25] Vai pro chapéu, né?

[01:09:27] Você não vai ter

[01:09:28] Não tem como nem suspender

[01:09:30] A descrença

[01:09:30] Você tem que dinamitar

[01:09:31] A descrença

[01:09:32] Algumas vezes, né?

[01:09:33] E nem sempre isso é possível

[01:09:35] Né?

[01:09:36] Nem sempre

[01:09:36] Uma coisa que é interessante

[01:09:38] Que o afrofuturismo

[01:09:40] Ele, assim

[01:09:40] Ele é muito associado

[01:09:42] A questão de literatura e cinema

[01:09:44] Mas ele é um movimento

[01:09:45] É música

[01:09:47] É design

[01:09:48] É livro

[01:09:48] É filme

[01:09:49] É série

[01:09:50] É estética

[01:09:52] É roupa

[01:09:53] É um esforço

[01:09:54] É estilo de vida

[01:09:55] E é engraçado

[01:09:56] Que a própria Itacha

[01:09:58] No livro dela

[01:09:58] Ela comenta

[01:09:59] Essas expressões

[01:10:00] Já vinham sendo feitas antes

[01:10:02] Alguém só criou um termo

[01:10:04] Meio que um termo

[01:10:05] Guarda-chuva

[01:10:06] Pra encaixar

[01:10:07] Pra dar uma identidade

[01:10:08] A esse movimento

[01:10:10] E aí, assim

[01:10:11] Eu vejo muita crítica

[01:10:12] De gente falando das minorias

[01:10:15] Porque eles acham

[01:10:16] Que existe uma conspiração

[01:10:17] Esquerdopata

[01:10:18] Gaysista

[01:10:19] Feminaze

[01:10:19] De unicórnio satânico

[01:10:21] Tem isso

[01:10:21] Né?

[01:10:23] Tem gente que acha

[01:10:24] Imagina

[01:10:24] Essa reunião, né?

[01:10:25] E, assim

[01:10:26] Pra eles

[01:10:27] Qualquer coisa

[01:10:28] Que um grupo

[01:10:29] Uma minoria em direitos

[01:10:31] Faça

[01:10:31] Se uma mulher escreve

[01:10:33] Um livro

[01:10:34] Se um negro escreve

[01:10:35] Um livro

[01:10:36] Se um gay escreve

[01:10:37] Um livro

[01:10:38] Faz uma música

[01:10:38] Eles acham que aquilo

[01:10:40] É obrigatoriamente

[01:10:41] Um manifesto político

[01:10:42] É um protesto

[01:10:44] É uma revolta

[01:10:45] Eles já entendem

[01:10:47] Desta forma

[01:10:47] Quer dizer

[01:10:48] Eles já estão na defensiva, né?

[01:10:50] Já

[01:10:50] Assim

[01:10:50] Não me ataque

[01:10:51] Eu não vou fazer nada, não

[01:10:52] Fica aí na sua

[01:10:53] Eu sou bonzinho

[01:10:53] Eu sou bonzinho

[01:10:54] Volta e fala

[01:10:54] Mari, faz favor

[01:10:55] Então, assim

[01:10:56] Nem sempre

[01:10:57] A gente tá querendo

[01:10:59] Dizer alguma coisa

[01:11:00] A gente só teve uma ideia

[01:11:01] Sentou

[01:11:02] E escreveu

[01:11:03] Né?

[01:11:04] E o afrofuturismo

[01:11:05] Mostra isso

[01:11:06] De você ver

[01:11:08] Essas pessoas fazendo

[01:11:09] Produzindo conteúdo

[01:11:10] E às vezes

[01:11:10] Recebe uma crítica de

[01:11:11] Ai, porque tem um conteúdo

[01:11:13] Um manifesto político

[01:11:14] Às vezes

[01:11:15] Não tem

[01:11:16] Não

[01:11:16] É só

[01:11:17] É só a livre expressão

[01:11:18] Daquela pessoa

[01:11:19] Ela sentou

[01:11:21] Fez a música

[01:11:22] Desenhou

[01:11:22] Escreveu

[01:11:23] Não sei

[01:11:24] E mostrou pro público

[01:11:26] Ela não

[01:11:26] Não fez uma manifestação

[01:11:27] Política

[01:11:28] Rebelde

[01:11:29] Feminaz

[01:11:29] E gaysista

[01:11:30] Não

[01:11:30] Ela só sentou lá

[01:11:31] E fez tudo bonitinho

[01:11:33] Exato

[01:11:33] Eu concordo com vocês

[01:11:34] Em alguns pontos

[01:11:35] E discordo em outros pontos

[01:11:36] Nessa questão de tipo

[01:11:37] Nem todo

[01:11:38] Dentro da

[01:11:39] O lançamento

[01:11:41] Artístico

[01:11:42] Nem toda

[01:11:42] A produção

[01:11:43] Tipo

[01:11:44] Televisível

[01:11:44] Qualquer coisa

[01:11:45] Ela tem algum posicionamento

[01:11:47] Político

[01:11:47] Muito pelo contrário, né?

[01:11:48] A pessoa que tá fazendo aquilo

[01:11:49] Ela acredita em alguma coisa, né?

[01:11:51] Aquilo que ela acredita

[01:11:52] Vai transparecer

[01:11:53] Seja no

[01:11:54] No texto

[01:11:54] No desenho

[01:11:55] No jeito que ela bate figurinha

[01:11:58] E

[01:11:58] E tipo

[01:12:00] O que eu acredito que é

[01:12:01] Não é combativo

[01:12:02] Nem sempre é combativo

[01:12:04] Mas o que a pessoa acredita

[01:12:05] Tá lá

[01:12:06] Tipo assim

[01:12:07] Não tô

[01:12:08] Panfletando aqui

[01:12:09] Gente

[01:12:10] Morte

[01:12:10] A pessoas

[01:12:12] Que fazem coisas

[01:12:13] Que eu não gosto

[01:12:14] Assim

[01:12:14] Tipo

[01:12:15] Não é uma coisa de causa

[01:12:16] Assim

[01:12:16] Não tá

[01:12:17] Correndo com a bandeira na mão

[01:12:19] Mas tá ali

[01:12:20] O que a pessoa acredita

[01:12:21] Tá ali

[01:12:21] Tá ligado?

[01:12:22] Tipo

[01:12:22] Do mesmo jeito

[01:12:24] Que o pessoal

[01:12:25] Tem a novela

[01:12:26] Do Canal 7

[01:12:27] Aqui em São Paulo

[01:12:28] Que passa

[01:12:28] Que acredita que

[01:12:30] Quem não acredita

[01:12:31] Que Deus era

[01:12:32] O Darth Vader

[01:12:33] Lá do

[01:12:34] Primeiro Testamento

[01:12:35] E depois virou

[01:12:35] O Ursinho Carinhoso

[01:12:36] No segundo

[01:12:37] É

[01:12:38] É aquilo

[01:12:39] Tá ligado?

[01:12:40] Essas pessoas que não acreditam naquilo

[01:12:41] Tem que ir pro inferno

[01:12:42] Não é uma parada panfletária

[01:12:44] É uma parada que tá ali

[01:12:45] É

[01:12:46] Assim

[01:12:46] Eu entendi

[01:12:47] É que

[01:12:47] Cada pessoa

[01:12:49] Sempre vai escrever aquilo

[01:12:50] No que ela acredita

[01:12:51] Ou naquilo que ela

[01:12:52] Confia

[01:12:53] Naquilo que ela está vendo

[01:12:54] Mas eu percebo

[01:12:56] Que muita gente

[01:12:57] Acha que aquilo

[01:12:58] Já é um manifesto

[01:12:59] Já é uma retaliação

[01:13:00] Um ataque

[01:13:02] Um ataque

[01:13:03] Calma gente

[01:13:05] Vamos apreciar as obras

[01:13:06] E entender as críticas

[01:13:07] Sem achar

[01:13:08] Que isso tá sendo

[01:13:09] Tipo

[01:13:10] A conspiração

[01:13:11] Né

[01:13:12] Que foi o que aconteceu

[01:13:13] No Prêmio Hugo

[01:13:14] É assim

[01:13:16] Os caras acharam

[01:13:17] Que existe uma conspiração

[01:13:18] E tem gente que compra

[01:13:19] Essa ideia

[01:13:20] Sabe

[01:13:20] É

[01:13:21] Assim

[01:13:22] É uma visão

[01:13:23] Muito restrita

[01:13:24] Das coisas

[01:13:25] De achar que

[01:13:25] Ah bom

[01:13:26] Os grupos minoritários

[01:13:28] Agora estão tendo voz

[01:13:29] Então isso só pode ser

[01:13:30] Uma conspiração

[01:13:31] Pra eles o mundo

[01:13:32] Não mudou

[01:13:33] Né

[01:13:33] As mentalidades

[01:13:34] Não mudaram

[01:13:35] Graças às redes sociais

[01:13:37] E à internet

[01:13:38] Hoje

[01:13:38] A gente pode expor

[01:13:40] O nosso trabalho

[01:13:40] As minorias

[01:13:41] Hoje tem um espaço

[01:13:42] Que antes elas não tinham

[01:13:44] E aí você vai ter a impressão

[01:13:45] Que realmente

[01:13:46] Nunca existiu nada

[01:13:47] Né

[01:13:47] Que nunca foi produzido

[01:13:48] Nada antes

[01:13:49] Então agora eles acham

[01:13:50] Que tudo

[01:13:51] Sempre vai ser

[01:13:52] Uma retaliação

[01:13:53] Sempre vai ser um ataque

[01:13:55] Sim

[01:13:56] Não pode ser nada

[01:13:56] Pode ser mainstream

[01:13:57] Tem que ser sempre

[01:13:58] Super nicho

[01:13:59] Ai não

[01:13:59] Gente

[01:14:00] Negros nessa caixinha

[01:14:02] Homossexuais nessa caixinha

[01:14:03] Gente trans

[01:14:04] Então na caixinha

[01:14:05] Dentro da outra caixinha

[01:14:06] Porque

[01:14:07] Assim

[01:14:08] Nem sempre

[01:14:09] Nem sempre assim

[01:14:10] Pode ser um ataque

[01:14:11] Essas coisas

[01:14:12] Mas o medo

[01:14:12] De uma minoria

[01:14:14] Alcançar

[01:14:14] Uma certa visibilidade

[01:14:16] Já causa medo

[01:14:17] Pra eles

[01:14:17] Assim

[01:14:17] Não pode ver

[01:14:18] Alguém na rua

[01:14:19] Que nossa

[01:14:20] Isso daí é uma ameaça

[01:14:22] Ele tá

[01:14:22] Me atacando gente

[01:14:23] Tira ele daqui

[01:14:24] E sabe

[01:14:25] Eles tão aí

[01:14:26] Nós estamos aqui

[01:14:27] Em todo lugar

[01:14:28] Todo lugar tem a gente

[01:14:29] Só que você

[01:14:30] Não para pra pensar

[01:14:31] E ver

[01:14:32] Sim

[01:14:33] Não é um ataque

[01:14:33] A gente tá aí só

[01:14:34] Eu vou dar opinião

[01:14:35] Sobre

[01:14:36] Meio termo

[01:14:36] Sobre essa questão

[01:14:37] Que é assim

[01:14:37] Que é o seguinte

[01:14:38] Por exemplo

[01:14:38] É

[01:14:39] Quando eu faço

[01:14:40] Eu não gosto de arte

[01:14:41] Panfletária

[01:14:42] De forma geral

[01:14:43] Né

[01:14:43] Eu gosto de

[01:14:44] Panfletária

[01:14:46] Panfletária

[01:14:47] É assim

[01:14:48] Na arte nitidamente

[01:14:49] Panfletária

[01:14:49] Eu gosto mesmo de arte

[01:14:51] Arte

[01:14:51] Arte

[01:14:51] Que é o que o pessoal fala

[01:14:52] Ah eu gosto de arte

[01:14:53] Arte

[01:14:53] Arte

[01:14:54] Beleza

[01:14:54] Só que

[01:14:56] Só que

[01:14:56] Tudo que você faz

[01:14:58] É baseado

[01:14:59] No que você acredita

[01:15:00] Baseado

[01:15:00] No

[01:15:01] No

[01:15:01] No

[01:15:02] No seu ponto de vista

[01:15:03] Entendeu

[01:15:03] Então quando

[01:15:04] Quando sei lá

[01:15:04] Por exemplo

[01:15:05] Monteiro Lobato

[01:15:06] Que é a polêmica do momento

[01:15:07] Quando ele botou lá

[01:15:08] A boneca lá falando

[01:15:09] Sua negra beiçuda

[01:15:10] Entendeu

[01:15:11] Ele sabia muito bem

[01:15:12] O que ele tava falando

[01:15:12] Inclusive quando ele fala

[01:15:13] Que a boneca

[01:15:14] Sabia

[01:15:14] É então

[01:15:15] Inclusive quando ele fala

[01:15:15] Que a boneca

[01:15:16] É a expressão dele

[01:15:17] Entendeu

[01:15:17] E aí ninguém entende

[01:15:18] Por que quando eu li Monteiro Lobato

[01:15:19] Eu passei mal

[01:15:20] Quase vomitei

[01:15:21] Ninguém entende

[01:15:22] Por que eu dei essa merda

[01:15:23] Sabe

[01:15:23] Dessa bosta

[01:15:24] No

[01:15:24] No quarto ano

[01:15:26] Eu me recusei a ler Monteiro Lobato

[01:15:28] Eu não aguentava aquilo não

[01:15:29] Não

[01:15:30] E tava

[01:15:30] E eu ainda estudo ele

[01:15:32] Eu não suporto

[01:15:33] Nossa

[01:15:34] Eu me recuso a ler texto dele

[01:15:35] No meio da aula

[01:15:36] Não vou ler esse negócio

[01:15:37] Não vou

[01:15:37] E as pessoas relativizam né

[01:15:39] Ai mas naquela época

[01:15:41] Era assim

[01:15:41] Querido

[01:15:42] Ainda era assim

[01:15:43] Ainda é assim

[01:15:44] Ainda é assim

[01:15:45] Entendeu

[01:15:45] Então assim

[01:15:46] Realmente

[01:15:46] Aí a gente tem que fazer a mesma coisa

[01:15:48] Por exemplo

[01:15:48] Eu não falo muito

[01:15:49] Das minhas motivações

[01:15:50] Quando você perguntou

[01:15:51] E tal

[01:15:51] Se uma crítica

[01:15:52] Ou não

[01:15:52] Eu não falo

[01:15:53] Que é a obra

[01:15:54] Tá aí

[01:15:54] É a arte

[01:15:55] Entendeu

[01:15:56] Tá aí

[01:15:57] Você pensa o que quiser

[01:15:57] Faz o que você quiser

[01:15:59] Por exemplo

[01:15:59] Assim como a Maria já revelou

[01:16:01] Eu falo também

[01:16:02] Tranquilo também

[01:16:02] Todo livro meu

[01:16:05] Todo livro meu de ficção

[01:16:06] Todo mundo é preto

[01:16:07] Todo mundo é preto

[01:16:07] As pessoas são héteras

[01:16:10] Todo mundo é preto

[01:16:11] Todo mundo é preto

[01:16:11] As pessoas são gays

[01:16:13] São lésbicas

[01:16:14] São trans

[01:16:15] E tal

[01:16:15] Só que todo mundo preto

[01:16:17] Todo mundo preto

[01:16:17] E acabou

[01:16:18] Ah mas o que você quis dizer

[01:16:19] É o mundo

[01:16:20] É o mundo fictício

[01:16:21] É o mundo fictício

[01:16:22] É o mundo fictício lá

[01:16:23] Terra média e tal

[01:16:24] Ah mas tem uns raradrim lá

[01:16:26] Tem um pessoal lá do sul

[01:16:27] Lá pequeno

[01:16:27] Ah então

[01:16:28] Eu fiz todo mundo preto

[01:16:29] E não me arrependo

[01:16:30] Ah então

[01:16:30] Tem todo mundo preto

[01:16:31] Tem uns alienígenas pálidos lá

[01:16:33] Tem a ilha lá

[01:16:34] Do pessoal pálido lá

[01:16:35] Todo mundo preto

[01:16:36] Tranquilo

[01:16:36] É uma obra de arte

[01:16:37] Eu não quero dizer nada com isso

[01:16:38] É só uma representação

[01:16:39] É o meu ponto de vista

[01:16:41] Entendeu

[01:16:42] É a forma que eu tô fazendo

[01:16:43] Se alguém pegar um livro meu pra ler

[01:16:44] É tá lá

[01:16:45] Entendeu

[01:16:45] Tá lá a história

[01:16:46] Início, meio, fim

[01:16:47] Bonitinho

[01:16:47] Entendeu

[01:16:48] Eu não tô com discurso nenhum

[01:16:49] Não tô dando manifesto nenhum

[01:16:51] Coisa de um personagem

[01:16:53] Mas só o fato de você ter feito isso

[01:16:55] Já tem gente que vai entender

[01:16:57] Como um manifesto

[01:16:58] Sim

[01:16:58] Só o fato de você existir

[01:17:00] De escrever e falar sobre negros

[01:17:04] Colocar negros como personagens

[01:17:05] Ah não, peraí

[01:17:06] Mas ele tá querendo passar alguma mensagem

[01:17:08] Ué filho

[01:17:09] Bom, essa carapuça serviu né

[01:17:10] É então

[01:17:11] É assim

[01:17:12] A visibilidade incomoda

[01:17:15] A visibilidade ensina

[01:17:16] O fato de você existir

[01:17:17] Você não tá dentro daquele

[01:17:19] Do que eles esperam de você né

[01:17:21] Tipo

[01:17:21] Ah não, ele vai escrever

[01:17:23] Que será que ele vai escrever?

[01:17:24] Não

[01:17:24] Porque eu, Fábio Cabral

[01:17:26] Sofrido da periferia

[01:17:28] É

[01:17:29] Passo por

[01:17:30] Tenho que aguardar

[01:17:32] Oito horas por dia

[01:17:33] Pra fazer qualquer coisa que eu tenha que fazer

[01:17:36] E aí vem uma pessoa

[01:17:38] Branca

[01:17:39] Fada madrinha

[01:17:40] Que me ajuda e me salva

[01:17:41] E não é essa história

[01:17:42] A história é a história que você quer contar

[01:17:45] E você vai interpretar

[01:17:46] Porque a arte é interpretativa

[01:17:47] A arte é interpretativa

[01:17:49] Tá ali se você quiser

[01:17:51] Fazer que nem

[01:17:52] A internet não é o lugar que

[01:17:53] As pessoas vão pra ver gente

[01:17:55] Vê nudes

[01:17:56] E reimaginação de princesas dizem

[01:17:59] Reimagina o Cabral também

[01:18:00] Tá ali

[01:18:01] Reimagina ali

[01:18:02] O que você quer ver?

[01:18:03] Se você quer ver

[01:18:04] A pessoa com duas cabeças

[01:18:06] Você vai ver a pessoa com duas cabeças

[01:18:07] Se você quiser ler

[01:18:07] A pessoa com uma cabeça só

[01:18:09] Você vai ver com uma cabeça só

[01:18:11] Se você quiser ler

[01:18:12] E quiser que o Cabral fale

[01:18:14] Do jeito que ele escreveu

[01:18:15] Ah, ele escreveu

[01:18:15] Porque ele tava sentindo no momento

[01:18:16] Eu escrevo o que eu tô sentindo no momento

[01:18:18] Se ali vai te contemplar

[01:18:20] Não vai te contemplar

[01:18:21] É problema seu

[01:18:22] Não é problema nosso

[01:18:22] Quando a gente não vê os pretos

[01:18:23] Não, o problema

[01:18:24] Tá ligado?

[01:18:25] O problema é das pessoas

[01:18:26] Quando elas não se veem

[01:18:27] Quando elas acham que

[01:18:29] Nossa

[01:18:29] Estou correndo perigo mortal

[01:18:31] Porque

[01:18:32] Não estou me vendo

[01:18:35] Europeu aqui

[01:18:36] Sentado no meu trono

[01:18:38] Cheio de espadas

[01:18:39] E com um dragão respirando

[01:18:41] Embaixo

[01:18:42] E aí é isso

[01:18:44] Não, então

[01:18:44] Sobre

[01:18:45] Personagens

[01:18:47] Criações

[01:18:48] Criações artísticas

[01:18:50] Principalmente

[01:18:50] Que são

[01:18:51] A primeira personagem

[01:18:52] Que eu criei

[01:18:52] Que era originalmente negra

[01:18:53] Não passou por uma transição

[01:18:55] Assim, digamos transição, né?

[01:18:56] Transição de branco pra preto

[01:18:58] Foi uma mulher negra

[01:18:59] Gorda

[01:19:01] E que inclusive

[01:19:02] Fez parte da criação do mundo

[01:19:03] Aí vem gente caindo em cima de mim

[01:19:05] Ah, então quer dizer que

[01:19:07] Pra você

[01:19:08] Deus é negra

[01:19:09] É gorda

[01:19:10] É uma mulher

[01:19:10] Inclusive lésbica

[01:19:11] Nossa, que blasfêmia

[01:19:13] Você está ofendendo a Deus

[01:19:15] Deus tá vendo

[01:19:15] Mas gente, eu não tô falando

[01:19:17] Nada

[01:19:17] Isso é uma criação minha

[01:19:20] E eu não tô falando

[01:19:20] Deus é legítimo

[01:19:21] Eu amo Deus

[01:19:22] Deus é bom

[01:19:23] Mas gente, tá

[01:19:24] Ela fez parte da criação do mundo

[01:19:26] Ela tem uma irmã?

[01:19:26] Tem

[01:19:27] Tá bom, gente

[01:19:28] Tá, é só isso aí

[01:19:29] Não precisa falar que

[01:19:30] Nossa, Deus vai me mandar pro inferno

[01:19:32] Não dá pra apreciar o enredo, né?

[01:19:35] Não, gente

[01:19:35] Foda como a pessoa pensa

[01:19:36] Não, Deus é meu parça

[01:19:37] Joga futebol de quarta comigo

[01:19:39] Véi, ombra

[01:19:40] Quinho, barbudo

[01:19:40] Opa

[01:19:41] Ligou ele sim

[01:19:42] E o que eu acho interessante

[01:19:44] É que assim

[01:19:44] O afrofuturismo

[01:19:45] Ele mostra

[01:19:46] Que você não tem uma história única

[01:19:48] Não

[01:19:49] Né?

[01:19:50] Você tem uma história única

[01:19:50] Você tem maneiras

[01:19:51] De contar histórias

[01:19:53] E você tem histórias

[01:19:55] Contadas de maneiras diferentes

[01:19:57] Mas eu percebo que

[01:20:00] Pelo menos no Brasil

[01:20:01] Uma coisa que

[01:20:02] Assim

[01:20:03] O afrofuturismo

[01:20:05] Parece que não é

[01:20:06] Mainstream

[01:20:08] Ele não atingiu ainda

[01:20:10] As pessoas da forma

[01:20:11] Como ele vem atingindo

[01:20:12] Lá fora

[01:20:13] Ou então

[01:20:14] Aqui parece que as pessoas

[01:20:15] Estão curtindo

[01:20:17] Afrofuturismo

[01:20:18] Sem saber o que é

[01:20:19] E o que é

[01:20:20] É

[01:20:20] Tipo

[01:20:22] Na própria música

[01:20:24] Por exemplo

[01:20:24] A gente tem alguns manifestos

[01:20:27] Na música

[01:20:28] E ela não percebe

[01:20:29] Na música

[01:20:30] A gente tem a Ellen O’Leary

[01:20:31] Que está crescendo forte

[01:20:33] Ela fala

[01:20:35] Explicitamente

[01:20:36] Como afrofuturista

[01:20:38] No nome das composições dela

[01:20:40] Tem a atriz

[01:20:41] Thalma de Freitas

[01:20:42] Que fala também

[01:20:44] Dessa questão

[01:20:45] Na literatura

[01:20:47] Brasileira

[01:20:47] Eu ainda não conheço

[01:20:49] Deve ter sim

[01:20:49] Na verdade

[01:20:50] Tem sim

[01:20:50] Tem sim

[01:20:51] Só que a gente não conhece

[01:20:52] Eu fiquei sabendo de um mano aí

[01:20:53] Acho que de São Paulo e tal

[01:20:54] Que faz um mundo

[01:20:56] Futurista louco e tal

[01:20:58] Meio hip hop e tal

[01:20:59] Gosto de bagulho louco

[01:21:00] Parecido com o que eu faço

[01:21:01] Mas diferente

[01:21:02] Mas eu não sei o nome do mano

[01:21:04] Ainda só me contaram

[01:21:05] Me falaram por alto

[01:21:06] Porque a gente não tem palco

[01:21:08] A gente não tem

[01:21:08] Quem tem é a pessoa branca

[01:21:10] Lá que aparece

[01:21:10] Por exemplo

[01:21:11] Lá na palestra

[01:21:13] Me fizeram falar

[01:21:14] Sobre o livro

[01:21:15] Deus de Dois Mundos

[01:21:17] Toda hora alguém

[01:21:17] Mandou falar desse livro

[01:21:19] E aí assim

[01:21:20] Enfim

[01:21:21] Eu respeito o escritor

[01:21:23] E tal

[01:21:23] Que faz e tal

[01:21:24] Mas aí falaram

[01:21:25] Que o cara pegou

[01:21:25] Um monte de ditão de orixá

[01:21:27] Misturou lá

[01:21:28] Entendeu?

[01:21:28] E persexualizou o chum e tal

[01:21:30] Não fez uma parada bacana

[01:21:32] Entendeu?

[01:21:32] Pois é

[01:21:32] É isso

[01:21:33] É sério doer

[01:21:34] É cacete

[01:21:35] Sem o menor respeito

[01:21:36] O Will é

[01:21:37] Então assim

[01:21:39] Não é querendo me gabar não

[01:21:40] Mas assim

[01:21:40] Toda história que eu faço

[01:21:42] Eu faço um negócio original

[01:21:43] Entendeu?

[01:21:44] Faço um negócio da minha cabeça

[01:21:45] Baseado nessas inspirações todas

[01:21:47] Entendeu?

[01:21:48] Mas eu não pego

[01:21:48] Uma história que já existe

[01:21:50] E mudo lá

[01:21:51] Umas palavras e tal

[01:21:52] Não

[01:21:52] Eu crio uma história toda nova

[01:21:53] A partir de várias histórias

[01:21:55] Entendeu?

[01:21:55] Eu acho que o bagulho é esse

[01:21:57] A gente criar

[01:21:57] Coisas novas

[01:21:59] Entendeu?

[01:21:59] A partir dessas muitas

[01:22:00] Inspirações que a gente tem

[01:22:01] Eu acho que na escrita

[01:22:03] Quem que eu conheço?

[01:22:04] O Fábio

[01:22:05] Cabral

[01:22:06] Óbvio

[01:22:07] Deixa eu ver

[01:22:08] A Jaride

[01:22:09] Acho que a Lenda de Dandara

[01:22:11] Foi assim

[01:22:12] É um dos marcos

[01:22:14] Para a fantasia nacional

[01:22:15] Porque faltava uma obra

[01:22:16] Como essa

[01:22:17] Preciso ler

[01:22:18] Olha

[01:22:19] É

[01:22:19] É

[01:22:20] É

[01:22:20] É emocionante

[01:22:21] O livro em si

[01:22:22] E a própria introdução

[01:22:24] Que a Jaride faz

[01:22:25] Porque

[01:22:25] Ficou

[01:22:26] Assim

[01:22:27] Muito tocante

[01:22:28] E tem a Águida

[01:22:30] A Águida

[01:22:31] Ela também escreve

[01:22:32] É a Águida Santos

[01:22:33] Ela

[01:22:33] É uma pena

[01:22:34] Que assim

[01:22:35] Eu queria muito

[01:22:36] Ela no Universo Desconstruído

[01:22:37] Que

[01:22:38] Para quem não

[01:22:39] Para quem está ouvindo

[01:22:40] E não sabe

[01:22:40] O Universo Desconstruído

[01:22:41] É uma coletânea

[01:22:42] De ficção científica

[01:22:43] Feminista

[01:22:43] Brasileira

[01:22:44] Eita

[01:22:45] Preciso saber isso

[01:22:47] Download gratuito

[01:22:48] Gratuito

[01:22:49] O Pazifício

[01:22:50] Passo até o link

[01:22:51] Se você quiser

[01:22:51] E eu estou organizando

[01:22:53] A nova coletânea

[01:22:54] Tanto que o Cabral

[01:22:55] Está junto

[01:22:55] Ahá

[01:22:56] Brother

[01:22:56] Você gostou da história lá?

[01:22:57] Eu nem perguntei e tal

[01:22:58] Você curtiu aquela chorola

[01:22:59] Que eu inventei lá?

[01:22:59] Não só gostei

[01:23:00] Como já está diagramado

[01:23:01] Caralho

[01:23:02] Aí é nóis

[01:23:03] Já está pronto

[01:23:04] Só falta agora

[01:23:05] Receber os últimos contos

[01:23:07] E eu já diagramo

[01:23:08] Para lançar

[01:23:09] Aí é caralho

[01:23:10] Preciso comprar o livro do Cabral

[01:23:12] É preciso

[01:23:13] Eu também preciso

[01:23:14] Nossa

[01:23:14] Ixi brother

[01:23:15] Aí é o segundo

[01:23:15] Eu quero ler e desenhar

[01:23:16] Eu quero ler e desenhar

[01:23:18] Eu quero pregar na parede

[01:23:19] As folhas

[01:23:20] Oh louco

[01:23:20] Dormir com ele

[01:23:21] Dormir do lado dele

[01:23:22] Ele leva para a escola

[01:23:24] Ó

[01:23:24] Eu quero fazer prova

[01:23:25] Desse livro aqui, tá?

[01:23:31] A gente estava falando

[01:23:32] De escritores afrofuturistas

[01:23:34] Ah, sim

[01:23:35] Então eu falei

[01:23:36] De você

[01:23:37] A Jaride

[01:23:38] Que eu acho

[01:23:40] Que o livro dela

[01:23:41] É um marco

[01:23:42] Eu acho que assim

[01:23:43] A molecada devia ler

[01:23:44] Aquele livro

[01:23:45] Porque ele

[01:23:45] Está lindo

[01:23:47] Além da história

[01:23:48] Ele também tem

[01:23:48] Bem ilustrado

[01:23:49] A Lini Vale

[01:23:50] Com a sua

[01:23:50] Que ilustrou

[01:23:50] De uma maneira assim

[01:23:51] Muito sensível

[01:23:52] A Dandara

[01:23:54] E tem a Agda Santos

[01:23:55] Que também escreve

[01:23:56] Afrofuturismo

[01:23:58] Hum

[01:23:58] Eu gosto de saber

[01:23:59] Na música

[01:24:00] Você tinha comentado

[01:24:01] Da Ellen O’Leary

[01:24:02] Isso

[01:24:03] Tem mais, gente

[01:24:04] A música

[01:24:06] Eita

[01:24:07] É o que mais

[01:24:08] Eu amo, hein

[01:24:09] Ah, tipo

[01:24:09] De música

[01:24:10] Que eu gosto

[01:24:11] Que eu gosto

[01:24:12] E eu conheço

[01:24:12] Só no Brasil

[01:24:14] A gente tem o

[01:24:14] Rincon Sapiencia

[01:24:15] Que é tipo

[01:24:16] Minha principal referência

[01:24:17] Musical, assim

[01:24:18] A gente tem o

[01:24:19] A láfia

[01:24:19] Que está

[01:24:20] Com o disco novo

[01:24:20] Super sucesso

[01:24:21] Não estou me pagando

[01:24:22] Para divulgar o disco

[01:24:23] Mas eu estou divulgando

[01:24:24] Porque é sucesso

[01:24:24] E tem uma

[01:24:26] Tipo

[01:24:27] Antes de eu continuar

[01:24:28] Com a minha lista

[01:24:29] Tem uma das maiores frases

[01:24:30] Melhores frases

[01:24:31] De 2015

[01:24:31] Que é

[01:24:32] Não posso acreditar

[01:24:33] Num Deus que fecha

[01:24:34] Com a segregação

[01:24:35] Para mim

[01:24:36] Tipo

[01:24:36] Parou ali

[01:24:37] O mundo de girar

[01:24:38] E

[01:24:38] Virou tudo

[01:24:40] Da Aquiris

[01:24:40] É um visto aí

[01:24:41] Sensacional, hein

[01:24:42] E, tipo

[01:24:43] Tem o Rincon

[01:24:44] Tem a láfia

[01:24:45] Tem a Tassia Reis

[01:24:45] Nossa, a Tassia Reis

[01:24:47] Muito querida também

[01:24:48] Tem o Rico Dalla San

[01:24:49] Que é um disco

[01:24:50] Que é, tipo

[01:24:50] Na contramão

[01:24:51] De várias paradas

[01:24:52] Tipo

[01:24:53] Gosto muito dele

[01:24:54] Além de ser um músico

[01:24:56] É

[01:24:57] Muito talentoso

[01:24:58] Ele é uma pessoa

[01:24:59] Muito querida

[01:24:59] E

[01:25:00] Muito generosa também

[01:25:02] Tipo

[01:25:03] Putz

[01:25:03] A lista só cresce, assim

[01:25:05] Tem o James Banto

[01:25:07] Tem

[01:25:08] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:09] Tem o

[01:25:10] Tem o

[01:25:10] Tem o

[01:25:10] Tem o

[01:25:10] Tem o

[01:25:10] Tem o

[01:25:10] Tem o

[01:25:10] Tem o

[01:25:10] Tem o

[01:25:10] Tem o

[01:25:10] Tem o

[01:25:10] Tem o

[01:25:10] Tem o

[01:25:10] Tem o

[01:25:11] Tem o

[01:25:11] Tem o

[01:25:11] Tem o

[01:25:11] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:12] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] Tem o

[01:25:13] conhecido, é muito tradicional

[01:25:15] também, chama Potencial 3, os caras

[01:25:17] tão no corre desde

[01:25:18] 1980 e não lembro

[01:25:21] assim, não era nascido

[01:25:22] e eles sempre tão na linha de frente

[01:25:25] assim, né, tipo, dessa

[01:25:27] desse

[01:25:29] desse ramo musical, assim, do afrofuturismo

[01:25:31] tem uma música dele que é

[01:25:33] muito, muito, mas muito interessante

[01:25:35] que é o Macaco Caído, assim, que

[01:25:37] ele vai fazendo vários contrapontos

[01:25:39] tipo, ele vai de panger até

[01:25:41] o fim do mundo

[01:25:43] até manchas solares destruírem a terra

[01:25:45] assim, é muito

[01:25:47] louco, assim, a maneira como ele coloca as palavras

[01:25:49] e a criação disso, assim

[01:25:51] é excepcional

[01:25:53] tem o Rafaela Fim também, dentro do

[01:25:55] rap, ah, vai

[01:25:57] assim, só vai

[01:25:58] e tem você, brother, não esquece de falar você

[01:26:01] tem você, que você é muito bonito pra caralho, brother

[01:26:03] teu visual, tua gileta

[01:26:04] maluco, pra começar teu visual

[01:26:07] brother, teu visual, quando você passou

[01:26:09] se vestir de branco, maluco, tu é muito

[01:26:11] da hora, mano, assim, no estilo e tal

[01:26:13] sério mesmo, assim, sabe, com a jupa branca e tal

[01:26:15] e a música, brother

[01:26:17] não, sério, aí, vou fazer uma propaganda aí

[01:26:18] compra o livro, compra, compra o livro, compra o

[01:26:21] o CD

[01:26:23] do Augusto, caralho

[01:26:25] o DeLorean, é foda pra caralho, não é porque é meio humano

[01:26:27] não, mas é foda mesmo, sério mesmo, entendeu

[01:26:29] vai ver o show desse cara, brother

[01:26:30] cheio de energia do caralho, tô falando com toda

[01:26:32] sinceridade, não, poxa, não saco não, entendeu

[01:26:34] brother, eu não gosto de balada, entendeu

[01:26:36] eu gosto de ficar em casa, eu sou velho, eu gosto de ficar em casa

[01:26:38] entendeu, a última vez que eu variei a noite

[01:26:41] eu fui no show do brother aí, entendeu

[01:26:43] eu nunca vou, a última vez que eu variei a noite, entendeu

[01:26:45] se o brother me chamar pra ir pra show, se eu puder, eu vou

[01:26:47] mano, porque o show do cara é foda, eu falo sério

[01:26:49] e pra fazer a propaganda aí

[01:26:51] é…

[01:26:53] perdão, que eu tô meio coisa, a Maria aí

[01:26:55] o Jesus da Maria, tudo foda pra caralho, sério

[01:26:57] sério mesmo, entendeu

[01:26:57] mano, eu quero puxar essa coisa real, mano, vai ver

[01:27:01] o desenho da mina, mano, sério

[01:27:02] o Deus lá, que ela botou lá

[01:27:05] Deus lá, a mana preta lá

[01:27:06] foda pra caralho, entendeu, mano

[01:27:09] entendeu, a moça com a filha lá

[01:27:11] e tal, com os efeitos de

[01:27:12] de

[01:27:12] de

[01:27:12] de

[01:27:13] de

[01:27:13] de

[01:27:13] de

[01:27:13] de

[01:27:13] universo no fundo, entendeu

[01:27:14] as estrelas lá no fundo, entendeu

[01:27:16] mó bonito, mó sensível essa porra, entendeu

[01:27:18] aí a pessoa fica falando, ah, não sei o que

[01:27:20] é sério, brother, isso aí é uma coisa, é foda pra caralho, brother

[01:27:23] entendeu

[01:27:23] eu quero ela fazendo capa minha, cara

[01:27:26] que é a maior moda da hora, o traço dela, entendeu

[01:27:28] eu gosto pra caralho, entendeu, da hora mesmo aí, entendeu

[01:27:30] tem que exaltar os mano aí, que é foda mesmo, mas é real

[01:27:32] entendeu, os cara novo aí, fazendo coisa

[01:27:34] bagunça um pouco foda e tal

[01:27:35] isso mostra a produção como ela é rica

[01:27:38] mas ela tá fora das esferas

[01:27:40] né, porque

[01:27:42] praticamente

[01:27:43] não se fala desse tipo de produção

[01:27:45] ficou uma coisa assim, de gueto, gueto, gueto

[01:27:47] bicho, para com isso

[01:27:49] vamos apreciar a arte

[01:27:50] vamos ouvir o que as pessoas querem dizer

[01:27:52] é porque nossa vida não se concentra só lá, a gente tem

[01:27:54] outras facetas

[01:27:57] outras coisas

[01:27:58] que nós fazemos parte, sabe

[01:28:00] sim, exato

[01:28:02] e também eu quero falar sobre

[01:28:04] dois ilustradores negros que

[01:28:06] eu conheço, eu não falei sobre eles, se isso só

[01:28:08] é de forma de divulgação

[01:28:11] mas tem um neguinho desenhista

[01:28:13] o cara é foda pra cacete

[01:28:15] ele, assim, não tem

[01:28:17] um foco muito

[01:28:19] no negro, no indivíduo

[01:28:21] dentro da sociedade, não um objetivo político

[01:28:23] mas ele faz umas artes fantásticas

[01:28:25] com o objetivo de

[01:28:27] assim, chocar

[01:28:29] ser engraçado, às vezes, cara, é muito

[01:28:31] foda, foda pra cacete

[01:28:33] aí tem a Anne Gonzaga

[01:28:35] que ela faz

[01:28:36] que ela desenha

[01:28:38] principalmente a mulher negra

[01:28:41] com relação a

[01:28:43] assim, racismo

[01:28:45] como ser uma mulher negra

[01:28:48] no Brasil

[01:28:48] a mulher negra e lésbica

[01:28:51] suas relações

[01:28:52] e sabe, ela trata aquilo com tanta sensibilidade

[01:28:56] é uma, é muito sensível

[01:28:57] uma mulher negra se descobrindo

[01:28:59] sexualmente, porque

[01:29:01] a gente não

[01:29:03] ouve falar sobre isso

[01:29:05] a gente não, não conversam com a gente sobre isso

[01:29:07] aí chega alguém ilustrando

[01:29:09] esse tipo de coisa

[01:29:11] de forma sensível e acessível

[01:29:14] é um milagre

[01:29:16] quase, é porque é muito bonito

[01:29:18] tão sensível, tão puro

[01:29:20] que a gente não enxerga como se fosse

[01:29:22] ai, isso é

[01:29:24] isso é impuro, é obsceno

[01:29:26] não é obsceno, gente, é arte

[01:29:28] não importa se elas estão peladas ali, transando

[01:29:30] não sei, é puro

[01:29:32] não tem objetivo de ser sujo

[01:29:34] só tá mostrando que aquilo existe

[01:29:36] que nós somos pessoas, que nós temos amor

[01:29:38] e é muito lindo

[01:29:41] Anne Gonzaga

[01:29:41] Anne Gonzaga, ela é foda

[01:29:44] mais indicações

[01:29:45] nossa, se eu não indicar, meu DJ

[01:29:48] Minizu

[01:29:49] é o designer do futuro

[01:29:51] um dos pretão que fecha

[01:29:54] com esse lance

[01:29:55] de afrofuturismo

[01:29:57] tanto

[01:29:59] nas artes dele, quanto

[01:30:01] no lifestyle

[01:30:03] tanto que

[01:30:06] ele é meu DJ, a gente

[01:30:07] trabalha junto

[01:30:08] de tanto estar na mesma situação

[01:30:11] nesse sentido

[01:30:13] e é muito legal

[01:30:15] você poder se conectar

[01:30:17] com pessoas assim, que nem eu

[01:30:19] por acaso, do destino

[01:30:21] namoradas, encontrar com o Cabral

[01:30:23] e ai a gente se encontra com a Maria

[01:30:25] e nisso, a ausência

[01:30:26] de ter toda essa representatividade

[01:30:29] que a gente criou lá do negro

[01:30:30] e isso acaba expandindo pra várias outras

[01:30:33] pessoas, é muito louco

[01:30:34] e é muito importante isso

[01:30:36] a gente ter e expandir esse ciclo

[01:30:39] porque senão a gente fica na periferia

[01:30:41] mas pera ai, vamos criar o nosso círculo

[01:30:43] e esse círculo vai invadir o outro círculo

[01:30:45] que é a gente na periferia

[01:30:46] então a gente não tá mais na periferia

[01:30:48] acho que a gente se relaciona mais

[01:30:50] não pode ignorar a periferia, mas também não só ficar nele

[01:30:53] não dá pra viver só disso

[01:30:55] exato

[01:30:56] uma das maiores expressões hoje

[01:30:59] de afrofuturismo é a Janelle

[01:31:00] é, Janelle Monnet

[01:31:02] porque ela é toda uma produção

[01:31:05] absolutamente fantástica

[01:31:07] uma música que

[01:31:09] que som que ela faz

[01:31:11] e não é só a música

[01:31:13] é todo um design

[01:31:15] é toda uma maquiagem

[01:31:16] é toda uma roupa

[01:31:17] é toda uma expressão artística

[01:31:20] eu acho que esse é um dos melhores exemplos

[01:31:23] eu acho

[01:31:24] de afrofuturismo

[01:31:26] porque ela junta tudo

[01:31:28] ela compõe, então ela escreve

[01:31:31] ela faz a música

[01:31:33] ela se veste daquela maneira

[01:31:34] ela tem todo um design

[01:31:36] ela tem concepções

[01:31:38] muito futuristas e até de ficção científica

[01:31:41] nos próprios encartes dos álbuns dela

[01:31:45] nos clipes

[01:31:46] nos próprios clipes

[01:31:48] nossa, é incrível gente

[01:31:50] é muito interessante

[01:31:51] tem a Carol Picard também nesse contexto

[01:31:53] não pode esquecer da Carol

[01:31:54] mas eu acho que é muito importante citar

[01:31:56] que a Janelle Monnet é tipo um produto

[01:31:58] direto do 1008000

[01:32:01] e da Erika Badu

[01:32:02] você consegue ver muito os dois

[01:32:05] tipo assim, os dois tiveram um filho

[01:32:07] mas se os dois se juntassem e tivessem um filho

[01:32:09] ia ser a Janelle Monnet

[01:32:10] é muito interessante

[01:32:11] é muito produto dos dois

[01:32:14] você consegue ver muito dessa inventividade

[01:32:17] um pouco mais maluca

[01:32:18] da parte do André

[01:32:19] e você consegue ver também a seriedade

[01:32:22] que ela traz para alguns temas

[01:32:24] dentro da música dela

[01:32:25] que vem da Erika Badu também

[01:32:27] e você consegue ver que ela é uma fusão

[01:32:30] muito original dos dois

[01:32:31] que não é tipo pegar

[01:32:32] vamos pegar metade da Beyoncé, metade da Rihanna

[01:32:35] e vamos misturar e vai virar a Beyoncé e a Rihanna

[01:32:38] não, é tipo

[01:32:39] vamos pegar uma parte do André Tritão

[01:32:41] vamos pegar uma parte da Erika Badu

[01:32:43] adicionar elemento X

[01:32:45] e vai sair a Janelle Monnet

[01:32:46] e junto dela

[01:32:48] os Estados Unidos é a casa

[01:32:50] de vários

[01:32:52] tem o Kendrick Lamar, tem o Childish Gambino

[01:32:54] tem o Chance the Rapper

[01:32:56] e falando dos Estados Unidos

[01:32:59] também é uma das grandes

[01:33:00] escritoras que não é muito conhecida lá

[01:33:03] é minha amiga também

[01:33:04] a Latasha Gibson, ela escreve para a televisão

[01:33:07] mas ela também escreve

[01:33:09] ela também faz

[01:33:11] literatura afrofuturista

[01:33:13] é muito foda que

[01:33:14] o primeiro conto que eu li de afrofuturismo

[01:33:16] foi dela, que é uma

[01:33:18] história de uma mulher negra que ela vive no futuro

[01:33:21] e ela

[01:33:23] tem uma máquina do tempo

[01:33:24] e ela viaja para conhecer os ancestrais dela

[01:33:26] só que a mãe dela

[01:33:29] o caso ancestral materno dela

[01:33:31] era uma escrava

[01:33:33] e o ancestral paterno

[01:33:35] é um senhor de

[01:33:37] é um senhor de escravos

[01:33:38] ele estuprou a ancestral dela

[01:33:41] para que ela pudesse existir

[01:33:42] ela precisa proteger ele

[01:33:43] e é uma história bem pesada

[01:33:46] o Niles Barclay é afrofuturista também?

[01:33:50] sim, sim, é uma banda

[01:33:51] o CeeLo Green também é um dos caras

[01:33:53] que está nisso

[01:33:54] o Pharrell Williams, não pode deixar de citar

[01:33:56] é o cara do momento

[01:33:59] junto de vários outros caras

[01:34:02] mas ele é um dos caras que começou

[01:34:05] esse movimento

[01:34:06] em 1999 e 2000

[01:34:09] uma pegada mais jovem

[01:34:11] dá para ver que tem a mão dele

[01:34:13] em várias outras coisas

[01:34:14] eu queria fazer umas indicações de gringas

[01:34:16] de músicas

[01:34:18] eles estão falando da Janelle Monáe

[01:34:19] me veio várias artistas que eu ouço hoje

[01:34:21] para você ver Janelle Monáe e Erykah Badu juntas

[01:34:25] pega o clipe Queen

[01:34:27] da Janelle Monáe

[01:34:28] que é espetacular esse clipe, só assistam

[01:34:31] agora eu vou falar de outras

[01:34:32] artistas não muito conhecidas

[01:34:34] por exemplo, a Asha

[01:34:36] se escreve Asa

[01:34:38] A-S-A

[01:34:40] a Asha é a primeira música que se escreve Asa

[01:34:41] a Asha é a primeira música que se escreve Asa

[01:34:41] ela é maravilhosa

[01:34:44] ela tem uns clipes maravilhosos

[01:34:47] se não me engano ela é inglesa

[01:34:49] mas de origem nigeriana

[01:34:51] tem a Yeoka

[01:34:53] que ela mora nos Estados Unidos

[01:34:55] mas ela é afro-americana

[01:34:57] mas ela também é de origem nigeriana

[01:34:58] ela tem uns clipes espetaculares

[01:35:01] ela é muito bonita

[01:35:02] a Beldina

[01:35:04] ela é na Suécia

[01:35:06] mas que voz

[01:35:09] maravilhosa

[01:35:10] tem Beldina

[01:35:11] Beldina, gente do céu

[01:35:12] você tem que ouvir

[01:35:13] Beldina, assim mesmo

[01:35:18] olha, ela tem uns clipes no

[01:35:20] no Youtube

[01:35:21] gente, que voz incrível

[01:35:24] é uma voz assim

[01:35:25] não dá pra explicar, vocês tem que ouvir

[01:35:27] sério mesmo

[01:35:28] tem uma

[01:35:32] tem uma que mora na França

[01:35:34] mas ela é maleza

[01:35:36] nossa, ela é espetacular

[01:35:37] é Inamodja

[01:35:38] eu vou soletar

[01:35:40] é Inamodja

[01:35:41] I-N-N-A-M-O-D-J-A

[01:35:45] Inamodja

[01:35:46] bota, porque ela é espetacular

[01:35:48] tem uma música dela que chama

[01:35:49] Let’s Go To Bamako

[01:35:51] ela fala de vários países

[01:35:54] pega países do Mali e tudo mais

[01:35:57] mas ela tem uns clipes

[01:35:58] tem uns outros clipes que são espetaculares

[01:36:00] que mais?

[01:36:01] aquela lá que você botou como trilha sonora

[01:36:03] que é a Sinfuidana

[01:36:05] essa também tem outra

[01:36:06] S-I-M-P-H-I-W

[01:36:09] E-D-A-N-A

[01:36:13] ela também é maravilhosa

[01:36:15] é uma cantora sul-africana

[01:36:18] canta jazz

[01:36:19] ela é da mesma etnia do Mandela

[01:36:21] esrosa

[01:36:23] nossa senhora

[01:36:25] as músicas dela são todas em língua esrosa

[01:36:28] infelizmente a gente não tem conhecimento

[01:36:29] não entendo

[01:36:30] mas é maravilhosa

[01:36:33] tem uma música dela que se chama

[01:36:34] um clipe muito bom

[01:36:36] Bantu Biko Street

[01:36:37] aquele clipe é muito bonito

[01:36:39] aquele clipe lá que eu te passei lá

[01:36:40] do Mayne

[01:36:41] M-A-Y-N-E

[01:36:44] aquele clipe lá surreal, bizarro

[01:36:47] um negócio meio onírico

[01:36:48] é muito bonito

[01:36:49] eu posso indicar um milhão

[01:36:51] mas fiquem com essas por enquanto

[01:36:52] pra gente meio que se encaminhar

[01:36:56] já pro encerramento

[01:36:57] já que o afrofuturismo

[01:36:59] ele é tão abrangente

[01:37:01] enquanto movimento

[01:37:02] e absolutamente empoderador

[01:37:05] empoderador

[01:37:06] vocês acreditam que ele pode contribuir

[01:37:09] pra uma sociedade que

[01:37:11] possa diminuir um pouco

[01:37:13] todo esse preconceito

[01:37:14] todo esse racismo

[01:37:15] será que a gente introduzir essas questões

[01:37:18] por meio da arte

[01:37:19] já ajuda a diminuir

[01:37:21] toda essa bagagem que a gente carrega

[01:37:24] a nossa sociedade é construída

[01:37:26] em cima dos preconceitos

[01:37:28] será que movimentos como o afrofuturismo

[01:37:30] eles podem com o tempo

[01:37:32] começar a fazer com que as pessoas

[01:37:34] reflitam e mudem de ideia

[01:37:36] vocês acham que é possível?

[01:37:38] eu quero que sim

[01:37:39] é o que a gente espera

[01:37:41] é que as pessoas não gostam de confronto direto

[01:37:44] mas por outro lado

[01:37:47] todo mundo vive de imaginário

[01:37:48] mesmo quem diz que não gosta de ficção

[01:37:50] todo mundo se alimenta de ficção

[01:37:52] todo mundo assiste novela, vê jornal

[01:37:54] enfim, a realidade é só o que acontece

[01:37:57] aqui e agora

[01:37:58] quando você já escreve uma nota sobre uma coisa

[01:38:01] já é ficção

[01:38:02] e as pessoas que mais falam

[01:38:04] que mais detestam ficção

[01:38:06] elas fazem ficção da vida real

[01:38:07] quando falam que, nossa, ir lá fazer

[01:38:09] aquela carga tributária

[01:38:10] ir lá no advogado

[01:38:13] vai ser uma saga

[01:38:14] elas usam já palavras

[01:38:16] sacrossantes de ficção

[01:38:20] e nem percebem

[01:38:23] e a ficção molda as pessoas

[01:38:25] molda a mente

[01:38:25] quando você põe lá que os deuses gregos e norte

[01:38:28] são maravilhosos, lindos e tal

[01:38:30] e você fala lá que a África é só tribo

[01:38:33] é nada

[01:38:34] as pessoas já veem isso na cabeça

[01:38:35] já pensam que, tadinho do negro

[01:38:37] até quando é bem intencionado

[01:38:38] ah, mas o negro…

[01:38:39] como ajudar e tal, não sei o que

[01:38:41] mas não reconhece o negro como um igual

[01:38:43] você vê como um, ai, coitadinho

[01:38:46] não pode ter racismo

[01:38:48] mas não enxerga na pessoa negra

[01:38:49] como uma pessoa igual

[01:38:51] como uma pessoa capaz de fazer

[01:38:53] efeitos iguais ou até acima

[01:38:56] não enxerga como ser humano

[01:38:57] então trabalhar a ficção

[01:39:00] é importante sim

[01:39:01] essa é minha briga

[01:39:02] fazer ficção de inspiração africana

[01:39:06] ficção africana sentada sim

[01:39:07] porque a gente não tem

[01:39:09] a gente não tem representação

[01:39:09] representatividade

[01:39:10] a molecada lá, quando viu lá

[01:39:11] o Sam Wilson como Capitão América

[01:39:13] o antigo Falcão

[01:39:15] foi ao êxtase, aquela molecada

[01:39:18] eu lembro quando eu era criança e tal

[01:39:20] que a molecada falava

[01:39:21] ah, mas o super-herói é branco

[01:39:21] o super-herói é igual a mim

[01:39:23] não tem super-herói igual a você

[01:39:24] isso significa que eu sou poderoso

[01:39:26] você não, você é um merda

[01:39:27] você é preto, feio, um merda

[01:39:29] eu lembro disso, eu ouvia isso direto

[01:39:31] quando eu era criança

[01:39:32] mulher maravilha, ela é branca

[01:39:35] como assim você vai querer fazer ela negra?

[01:39:37] não tem nexo

[01:39:38] ela é branca, ela é branca

[01:39:39] ela é linda, você não

[01:39:40] sabe, não tem a ver

[01:39:43] é isso aí

[01:39:44] você falou da super-herói

[01:39:47] por exemplo, eu tenho uma reclamação que eu sempre faço

[01:39:48] eu vou reclamar essa porra sempre porque eu não acho certo

[01:39:50] vai ter o filme da Capitã Marvel

[01:39:52] o filme do Capitão do Pantera Negra

[01:39:56] só em 2018

[01:39:57] Capitã Marvel só em 2019

[01:39:59] já tem essa merda

[01:40:00] e aí quando põe a Capitã Marvel, não põe a original

[01:40:03] porque a original é a Mônica Rambeau

[01:40:04] que é a mulher preta com Black Power

[01:40:07] põe lá a Carol Danvers

[01:40:09] que é a loira, entendeu?

[01:40:10] já tiram isso

[01:40:12] não tem nem mulher preta na porra do universo Marvel cinematográfico

[01:40:15] demorou pra botar a cara preta

[01:40:17] é, não tem ninguém

[01:40:18] não tem ninguém

[01:40:18] então, a primeira mulher preta que vai ter

[01:40:22] tiraram

[01:40:24] é, tiraram

[01:40:25] tiraram o nome da Mônica Rambeau

[01:40:28] e ela virou Capitã Marvel

[01:40:30] aí chegou a Carol Danvers e ela

[01:40:32] perdeu o Capitã Marvel também

[01:40:34] tá ligado?

[01:40:34] ah não, você

[01:40:36] perdeu o título de Capitã Marvel

[01:40:38] pra pessoa branca, entendeu?

[01:40:39] a Mônica Rambeau ainda tá aí

[01:40:40] ela tá aí, ela tá na equipe lá do Ultimates e tal, entendeu?

[01:40:43] mas ela não tem mais o título de Capitã Marvel, entendeu?

[01:40:46] e a primeira super heroína preta

[01:40:47] que vai aparecer no universo cinematográfico

[01:40:49] vai ser a Misty Knight lá no

[01:40:51] como coadjuvante, né?

[01:40:53] lá no, no, no, no

[01:40:54] no seriado do Luke Cage, entendeu?

[01:40:56] o seriado da Netflix, entendeu?

[01:40:57] porque até agora não tem

[01:40:58] porque o pessoal quando fala de diversidade

[01:41:00] põe, ah, põe todo mundo branco, né?

[01:41:02] jogador todo mundo homem branco, homem branco

[01:41:03] aí põe, ah, só preta, o quê?

[01:41:05] homem, né?

[01:41:06] e põe, põe a mulher

[01:41:06] é, exato

[01:41:08] a mulher preta, a mulher preta aparece em lugar

[01:41:09] assim, se não tem

[01:41:10] nenhum

[01:41:11] se não tem gente preta, tem um gay branco

[01:41:14] sim

[01:41:15] é, isso

[01:41:15] é, é diversidade também

[01:41:17] diversidade

[01:41:19] 50 mil, 50 mil brancos

[01:41:21] todos héteros

[01:41:22] aí, um

[01:41:22] branco

[01:41:23] gay

[01:41:24] e, e vocês já repararam

[01:41:25] vocês já repararam em quantos enredos

[01:41:28] é, eles fazem

[01:41:29] é, todo, vamos supor

[01:41:31] é, uma ficção científica

[01:41:32] coloca uma tripulação inteira branca

[01:41:34] aí eles encontram um povo alienígena

[01:41:36] exótico

[01:41:37] negros

[01:41:38] isso

[01:41:38] é

[01:41:39] ou asiático

[01:41:40] sempre é representado

[01:41:42] eu tava assistindo The Fire

[01:41:43] assim, eu tipo

[01:41:44] parei na hora que chegou

[01:41:46] os caras da

[01:41:47] tipo, tudo bem que é uma

[01:41:49] é visto como a raça mais foda lá dos caras

[01:41:52] mas é a raça que é canibal

[01:41:54] que é

[01:41:55] a raça que invadia as outras

[01:41:57] pra matar as pessoas

[01:41:59] e veio os personagens

[01:42:00] era o roxinho, mas era o roxinho negro

[01:42:02] vocês não entendem

[01:42:05] era o roxinho, mas era o roxinho negro

[01:42:07] eu acho que é

[01:42:08] eu acredito que

[01:42:08] o afrofuturismo

[01:42:10] ele cumpre, né

[01:42:11] falar que o afrofuturismo começou

[01:42:14] a partir do momento em que as pessoas

[01:42:16] pegaram e falaram, olha, tem aquele negócio ali

[01:42:18] que chama afrofuturismo, acho que ele existe

[01:42:19] há muito tempo já, tipo

[01:42:21] pra mim, uma das principais referências de afrofuturismo

[01:42:24] é tipo a Nina Simone, Mohamed Ali

[01:42:26] tem vários discursos deles

[01:42:28] exaltando, né, o povo

[01:42:30] preto e tal, e eles vivendo fora

[01:42:32] do tempo deles, assim, né, tipo

[01:42:33] a gente mesmo vive, todo mundo

[01:42:36] todo negro vive fora

[01:42:37] do tempo que ele deveria viver, né, que é um tempo onde

[01:42:39] todo mundo é, tem liberdade

[01:42:41] pra viver e pra ser reconhecido como

[01:42:43] ser humano, assim, visibilidade, eu acredito

[01:42:45] que vai trazer visibilidade

[01:42:47] representatividade

[01:42:49] e a tão

[01:42:51] sonhado existir

[01:42:54] no mesmo nível, assim

[01:42:55] só que não é

[01:42:57] o papel do afrofuturismo, assim

[01:42:59] é um estilo de vida, então as pessoas

[01:43:01] só vivem o afrofuturismo, assim

[01:43:03] acho que a gente não pode

[01:43:05] sempre que a gente vê uma parada que é

[01:43:07] tipo, vai, é, por exemplo

[01:43:09] lá vem a dança afro, tipo, a gente não pode

[01:43:11] sempre ficar pensando que tem aquele

[01:43:13] significado que é a árvore da vida

[01:43:15] que vai trazer igualdade e estabilidade

[01:43:18] pro mundo, tá ligado?

[01:43:19] pra todas as etnias

[01:43:20] é, acho que, tipo, ele tem que ser reconhecido

[01:43:24] sim, lógico, é uma força

[01:43:25] ser reconhecida, sim, mas eu acho que

[01:43:27] também é deixar os meninos brincar, como

[01:43:29] diz o Jorge Ben, assim

[01:43:31] acho que é um pouco dos dois

[01:43:32] gente, algo mais? Querem fazer os seus devidos jabás?

[01:43:37] opa

[01:43:37] eu vou começar essa parada aí

[01:43:41] então, ó, como vocês sabem, como eu falei

[01:43:43] eu tenho um livro, Ritos de Passagem, né, uma ficção

[01:43:45] afrofantástica, né, o primeiro

[01:43:47] de uma série, uma série de cerca de

[01:43:49] cinco livros, né, a continuação já tá pronta

[01:43:51] aí, eu já tô negociando pra lançar

[01:43:53] esse Ritos de Passagem, que é o único que eu tenho

[01:43:55] publicado no momento, eu tô

[01:43:57] eu tô revendendo, né, eu tô

[01:43:59] pra quem mora em São Paulo, capital

[01:44:01] é só me contactar, que eu entrego

[01:44:03] em casa ou no local de trabalho

[01:44:05] né, a gente combina aí, que eu entrego pessoalmente

[01:44:07] né, pra quem mora fora do

[01:44:09] fora de São Paulo, eu mando pelo

[01:44:11] correio, chega rapidinho, mando via mala direto

[01:44:13] demora menos de uma semana e tal

[01:44:14] eu tenho um blog

[01:44:16] fabcabral.wordpress.com

[01:44:19] no qual eu tô usando

[01:44:21] a proposta de

[01:44:22] escrever um texto a partir de

[01:44:25] palavras ou expressão

[01:44:27] ou frase que vocês me mandam, né, pode mandar lá

[01:44:29] tem um link lá pra vocês clicarem no

[01:44:31] no tópico lá onde eu

[01:44:33] botei lá, tem o

[01:44:35] podcast Mutação em Debate

[01:44:37] um podcast sobre X-Men, né

[01:44:39] livre de, assim

[01:44:41] seguro no que diz respeito a preconceitos e tudo mais

[01:44:43] não é igual a vários desses quadrinhos

[01:44:45] que a gente vê barbaridade, né, pode ver

[01:44:47] sem medo, né, tenho aí o

[01:44:49] com os manos aí, o lado negro da força, né

[01:44:51] pra ouvir, se ouvirem histórias aí dos

[01:44:53] heróis com rosto africano, né

[01:44:54] e aí

[01:44:57] é mais ou menos isso, a coisa vocês podem me adicionar

[01:44:59] aí no Facebook e tal, podem me adicionar no

[01:45:01] Twitter, é só procurar Fabio Cabral, Cabral com K

[01:45:03] né, suave, pode mandar inbox

[01:45:05] e tal, que eu respondo de boa e tal

[01:45:07] e é isso aí, assim, ah sim, sobre

[01:45:09] afroturismo eu tenho um livro que ainda não publiquei

[01:45:11] né, que se chama

[01:45:12] O Caçador Cibernético da Rua 13

[01:45:15] né, que eu conto sobre um jovem

[01:45:17] um jovem preto de dreads com implantes

[01:45:19] cibernéticos e poderes de teleportes

[01:45:21] que ele trabalhava como

[01:45:23] um assassino pro governo

[01:45:25] né, e ele busca uma resposta

[01:45:27] pra espiar seus crimes como

[01:45:29] os crimes que cometeu

[01:45:31] como assassino e tal, ele trabalha como

[01:45:33] caçador de monstros, né, no mundo

[01:45:35] afroturista dominado pelas

[01:45:37] o conselho das 13

[01:45:38] que são as matriarcas

[01:45:41] pretas mais poderosas da

[01:45:42] cidade, né, as pessoas que tem poderes psíquicos

[01:45:45] e tudo mais, e as máquinas

[01:45:46] dominadas por fantasmas e por espíritos

[01:45:49] e é isso aí, eu vou buscar um editor

[01:45:51] aí pra publicar, né

[01:45:52] então fica aí, fica a dica aí, né

[01:45:54] e é nóis, ah, tá, pra terminar

[01:45:56] tem uma palestra aí que eu fiz aí no encontro

[01:45:58] irradiativo, né, que é ótimo, aí foi

[01:46:00] da hora esse encontro que teve aí no último fim de semana

[01:46:02] aí, botem aí na internet aí

[01:46:04] no YouTube, Herói com

[01:46:07] Rochaficano, Fábio Cabral

[01:46:08] aí vocês vão achar

[01:46:10] ah, que maneiro, tá no YouTube

[01:46:11] uma amiga minha gravou do celular, aí ficou lá no YouTube

[01:46:14] vou procurar, vou procurar

[01:46:15] não, da hora, porque

[01:46:17] mesmo que ficou da hora, pode

[01:46:20] ouvir como se fosse podcast, não precisa ver o

[01:46:23] vídeo todo, porque é só eu andando

[01:46:24] pra cá, de terno branco

[01:46:26] brilhando na luz, uhul

[01:46:28] o áudio aqui, nossa

[01:46:30] brilhando

[01:46:31] Maria, querida, você quer fazer o seu jabá?

[01:46:37] tem a Fábio

[01:46:38] o Mago Rosa, do Facebook, só colocar

[01:46:40] o nome mesmo lá, e se você quiser

[01:46:42] me adicionar como amiga no Facebook, é Maria Freitas

[01:46:44] esse, inclusive, é o meu nome completo

[01:46:46] é o meu nome lá, pode me

[01:46:48] adicionar como amiga, me seguir

[01:46:50] e eu também tenho o Twitter, eu fico mudando

[01:46:52] de nickname o tempo inteiro, então

[01:46:54] agora eu sou a Elwin Sapatona

[01:46:56] tá bom? Acho que foi por isso que eu não achei

[01:46:58] antes, né, porque ela muda o tempo todo

[01:47:00] é, agora eu sou a Elwin

[01:47:02] com

[01:47:03] W-Y-I-N

[01:47:07] Elwin Sapatona, mas meu nome

[01:47:08] agora, o outro nome, assim

[01:47:10] tem o nickname com arroba e o nomezinho

[01:47:12] que a gente escolhe, que a gente pode escrever

[01:47:14] agora é

[01:47:16] Arwen Lésbica

[01:47:17] é isso aí

[01:47:19] cara, eu fico esculachando todo mundo

[01:47:22] é por isso que eu não achei antes

[01:47:23] cara, eu fico esculachando, eu já fui

[01:47:26] Melcor de Calcinha

[01:47:27] eu já fui Sauron o Gay

[01:47:30] eu já fui Sauron a Bicha

[01:47:32] eu já fui

[01:47:34] deixa eu ver

[01:47:35] Morgot the Bitch

[01:47:37] cara, eu esculacho todo mundo

[01:47:40] todo mundo, eu adoro

[01:47:42] eu te passo o link depois

[01:47:44] me passa, porque eu não vou achar nunca

[01:47:46] né

[01:47:46] todo dia, tá morfando

[01:47:49] ela morfa

[01:47:52] calma, tá por dentro lá

[01:47:53] nossa senhora, eu fico zoando

[01:47:56] até, mas é isso aí, é isso aí

[01:47:58] beleza, Augusto

[01:47:59] ou seja, meu Facebook, a página do Facebook

[01:48:02] meu Twitter é lotado de bicha

[01:48:04] tá, liga não

[01:48:05] é bem bichachérrimo, bem

[01:48:07] nossa, maravilhoso, fabuloso

[01:48:09] perfeito, perfeito

[01:48:12] Augusto, por favor, seu jabá

[01:48:14] ah, minhas redes sociais são bem simples

[01:48:16] de achar, não é, tipo

[01:48:17] tão criativo quanto a da Maria

[01:48:19] até porque eu não conseguiria chegar nesse nível

[01:48:22] de iluminação

[01:48:24] pra esses nomes

[01:48:25] no Twitter, no Instagram

[01:48:28] Snapchat, é Augusto

[01:48:29] é só procurar

[01:48:32] a gente troca uma ideia super de boa

[01:48:34] é

[01:48:35] no Facebook tem a fanpage, né

[01:48:37] do Lado Negro da Força, é só procurar lá

[01:48:39] é facebook.com

[01:48:40] barra Lado Preto da Força, porque

[01:48:42] Lado Negro já estava tomado

[01:48:44] é, e

[01:48:46] musicalmente é só procurar Augusto Oliveira

[01:48:48] Delora, é o meu trabalho recente

[01:48:50] ainda tô girando com esse trampo

[01:48:53] ainda mais, é, tendo passado

[01:48:55] aí o dia do De Volta para o Futuro

[01:48:57] a gente lançou um vídeo super especial

[01:48:58] do

[01:48:59] da música que dá nome ao trampo, que chama

[01:49:02] Delora, assim, é super legal, faço várias referências

[01:49:05] aí, infelizmente a gente não

[01:49:07] conseguiu ter o orçamento pra fazer

[01:49:08] o Delora voar

[01:49:09] mas tá lá, tá super legal, assim

[01:49:12] se vocês gostam de música, é só chegar

[01:49:14] trocar uma ideia, se vocês gostam de qualquer outra coisa

[01:49:16] de Star Wars, qualquer coisa, somos aí

[01:49:19] acessíveis, vivendo

[01:49:21] e indico o Lado Negro da Força

[01:49:22] nosso podcast, super legal

[01:49:24] toda quinta-feira, às vezes

[01:49:26] às vezes

[01:49:27] ah, fazer podcast vocês sabem

[01:49:31] às vezes tem um podcast

[01:49:33] lá, minhas indicações de podcast

[01:49:35] assim, é, pra vocês ouvirem

[01:49:37] tipo, se vocês quiserem dar risada

[01:49:39] tem o primeiro, que é o Maluco no Pedaço

[01:49:41] tem o do

[01:49:43] Vizinhança do Barulho, que é o número 5

[01:49:45] mas se vocês quiserem, tipo, pegar

[01:49:47] o bagulho a sério, assim, eu recomendo

[01:49:49] o número 2, que é o do Empire

[01:49:50] e o número 5, que é o do How to Get Away

[01:49:53] with Murder, que a gente fala da Viola Davis

[01:49:55] é, série maravilhosa

[01:49:57] que coisa

[01:49:58] Viola Diva, ela deveria mudar o nome, né

[01:50:01] de Viola Davis pra Viola Diva, assim, só acho

[01:50:03] Viola Davis é

[01:50:05] eu queria que ela fosse

[01:50:07] irmã da minha mãe, eu queria ter uma tia

[01:50:09] que desse aí, nossa senhora

[01:50:10] gente, Viola é… ah, não tem nem explicação

[01:50:13] pra essa mulher, meu Deus, ela é toda de bem

[01:50:15] eu queria ser, eu queria ser

[01:50:16] eu já realizei meu sonho de viver

[01:50:19] na mesma época que ela, tô suave

[01:50:21] e o último podcast que saiu, que eu acho

[01:50:23] que é um dos mais representativos, assim

[01:50:25] é, recebemos várias mensagens de pessoas

[01:50:27] que se sentiram super contempladas

[01:50:28] é o número 7, fala do

[01:50:30] Opaio, filme nacional, Lázaro Ramos

[01:50:33] Gira Paz, grande elenco

[01:50:36] Wagner Moura também

[01:50:37] sem sotaque, é

[01:50:39] sei lá, e a gente fala

[01:50:41] de aborto nele, a gente fala da questão racial

[01:50:43] a gente fala da violência policial

[01:50:45] e é super legal

[01:50:47] de uma maneira super leve, divertida

[01:50:49] e voltada pra você, que gosta

[01:50:51] da gente. Perfeito

[01:50:53] todos os links estarão aqui

[01:50:55] embaixo, não se preocupem

[01:50:57] a gente vai poder achar, não sei

[01:50:59] se a gente vai conseguir achar, Maria, até a publicação

[01:51:01] do production

[01:51:03] programa, né? Porque já que ela muda no

[01:51:05] Twitter o tempo todo… Não, tá bom, tá bom.

[01:51:07] Eu vou ficar 15 dias com o Elwin

[01:51:09] sapatona, tá feliz? Aí, assim,

[01:51:11] dá tempo da gente seguir,

[01:51:13] né? Aí qualquer coisa ela muda de novo.

[01:51:15] 15 dias, tá, gente? Senão

[01:51:17] ela vai mudar daqui a pouquinho. Olha aí, tá contando, hein,

[01:51:19] gente? 15 dias. Daqui a pouquinho vai ser

[01:51:21] de um nome mais esculachado que esse.

[01:51:23] Então, gente, assim,

[01:51:25] agradeço demais a presença

[01:51:27] de vocês, aprendi muito.

[01:51:29] Adorei as indicações, os links

[01:51:31] estarão todos aqui embaixo.

[01:51:32] Muito obrigada e, ó,

[01:51:35] digam tchau, gente. Tchau,

[01:51:37] gente! Tchau, da hora!