AntiCast 242 – A Mesopotâmia e seus Mitos
Resumo
Neste episódio do Anticast, Ivão Isazuki e Tupá Guerra recebem o especialista João Carvalho para um aguardado “Mesopocast” sobre a Mesopotâmia. O programa começa com uma discussão sobre a definição do termo Mesopotâmia (“entre rios”), sua localização geográfica e a cronologia das civilizações que habitaram a região, desde os sumérios até os babilônios.
João Carvalho explica a complexidade linguística da região, destacando a invenção da escrita pelos sumérios e sua adaptação pelos acádios. Ele descreve o cuneiforme, o sistema de escrita em argila, e discute a importância dos escribas (machu) como detentores do conhecimento, que combinavam funções de sacerdotes, médicos, exorcistas e diplomatas.
A conversa aborda os principais mitos mesopotâmicos, como o Épico de Gilgamesh, o Enuma Elish e o Atrahasis, explorando suas conexões com narrativas bíblicas como o dilúvio e a Torre de Babel. João critica as interpretações populares que atribuem as conquistas mesopotâmicas a alienígenas, enfatizando o avanço tecnológico e a sofisticação social dessas civilizações.
Por fim, João compartilha detalhes de seu projeto de doutorado, que envolve a edição e tradução do poema Atrahasis, e reflete sobre a importância de estudar línguas antigas para compreender nuances culturais. O episódio termina com uma leitura em acádio do Enuma Elish, destacando a beleza e complexidade dessa herança cultural.
Indicações
Books
- Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotamia: An Illustrated Dictionary — Recomendado por João como um dicionário ilustrado acessível e divertido, com entradas de A a Z sobre deuses, demônios e símbolos mesopotâmicos. Editado pelo British Museum Press.
- Myths from Mesopotamia: Creation, The Flood, Gilgamesh and Others — Livro da Oxford World Classics, traduzido por Stephanie Dalley, que contém textos completos de mitos fundamentais como o Atrahasis, Gilgamesh, Enuma Elish e a Descida de Ishtar. Apontado como uma excelente introdução.
Cursos
- Cursos online de Ivão Isazuki — Ivão anuncia uma série de cursos online que ministrará, incluindo ‘Introdução à História do Ocultismo Ocidental Moderno’ (baseado em sua dissertação de mestrado), ‘Storytelling’ (técnica usada no Projeto Humanos) e ‘História da Arte para Criativos’. Serão realizados via Zoom.us.
Podcasts
- Jogabilidade (episódio sobre Barakamon) — Ivão menciona sua participação em um episódio do podcast Jogabilidade dedicado ao anime Barakamon, que trata de caligrafia japonesa.
Linha do Tempo
- 00:07:29 — Introdução ao Mesopocast e apresentação dos participantes — Ivão Isazuki apresenta o tão aguardado “Mesopocast” com o especialista João Carvalho e Tupá Guerra. João brinca sobre sua especialidade em literatura e religião mesopotâmica, mas não em história econômica. Os participantes compartilham suas habilidades linguísticas, com João falando cerca de seis línguas vivas e três ou quatro mortas, e Tupá também com conhecimento em várias línguas antigas e modernas.
- 00:11:52 — Definição de Mesopotâmia e cronologia das civilizações — João Carvalho explica que o termo “Mesopotâmia” é grego e significa “entre rios” (Tigre e Eufrates). Ele descreve o surgimento das primeiras civilizações na região, com comunidades proto-urbanas entre 6000 e 3000 a.C. Discute a rivalidade entre egiptólogos e assiriólogos sobre qual civilização surgiu primeiro, destacando que os sumérios desenvolveram a escrita primeiro, mas os egípcios unificaram um império primeiro. A civilização mesopotâmica se baseou no domínio da engenharia hidráulica e na produção agrícola excedente que permitiu especializações sociais.
- 00:30:02 — Linha do tempo simplificada: Sumérios, Acádios, Assírios e Babilônios — João oferece uma linha do tempo simplificada das principais civilizações mesopotâmicas. Os sumérios estiveram no auge por volta de 2800-2400 a.C., seguidos pelos acádios, que assimilaram sua cultura. Explica que a língua acádia (semítica) adaptou a escrita cuneiforme suméria, criando um sistema complexo com sumerogramas, ideogramas e elementos silábicos. Descreve a expansão geográfica da influência mesopotâmica, do Afeganistão ao Golfo Pérsico e da Turquia à Arábia, com cidades como Ur, Uruk, Nínive e Assur mantendo-se importantes por milênios.
- 00:42:42 — A representação da Mesopotâmia na cultura pop e dificuldades de estudo — Os participantes discutem como a Mesopotâmia é frequentemente retratada na cultura pop (como em “Contato de Quarto Grau” e “Prometheus”) associada a teorias de alienígenas antigos. João explica que isso se deve, em parte, ao fato de a assiriologia ser um campo mais recente que a egiptologia, com traduções principais surgindo no século XIX/XX. A decifração do cuneiforme dependeu de textos bilíngues, como tratados diplomáticos. O interesse inicial pela assiriologia veio de sua conexão com estudos bíblicos, particularmente narrativas do dilúvio.
- 00:50:48 — Descoberta arqueológica e a Biblioteca de Assurbanipal — João narra a descoberta acidental de sítios arqueológicos mesopotâmicos (chamados “tel”) por diplomatas franceses e britânicos no século XIX. Ele destaca a descoberta da Biblioteca de Assurbanipal, comparada à Biblioteca do Vaticano, onde o rei assírio ordenou a cópia de todos os livros de templos e bibliotecas do reino. Essa biblioteca preservou obras fundamentais como o Épico de Gilgamesh, o Enuma Elish e o Atrahasis. A história da arqueologia da região é marcada por rivalidades e pilhagens entre franceses e britânicos.
- 01:01:00 — Materialidade da escrita: tabuinhas de argila e a função do escriba — João descreve o suporte físico da escrita mesopotâmica: tabuinhas de argila cozida, inscritas com uma cunha (cuneiforme). Textos longos, como o Gilgamesh, podiam ocupar 14 tabuinhas. Ele explica que a elite letrada (os “machu”) combinava funções de escriba, sacerdote, médico e exorcista. A sociedade era majoritariamente oral, e os textos funcionavam mais como partituras para performances do que como leitura silenciosa. A educação dos escribas moldava a elite governante, enfatizando a transmissão do conhecimento existente sobre a criação original.
- 01:19:00 — Religião mesopotâmica e recomendações de leitura — João recomenda dois livros introdutórios: “Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotamia” (Black & Green) e “Myths from Mesopotamia” (Stephanie Dalley). Explica que a religião mesopotâmica era “humana, demasiado humana”, com deuses antropomórficos que influenciaram a mitologia grega. Lista deuses principais como Enki/Ea, Anu, Enlil, Ishtar/Inanna e Marduk. Destaca que não havia uma separação rígida entre religião, sabedoria e conhecimento prático; rituais e encantamentos eram parte da medicina. Critica a ideia de que práticas mágicas indicavam primitivismo, apontando avanços como engenharia hidráulica e sistemas de esgoto.
- 01:37:20 — A entidade Pazuzu e a transformação em “demônio” — Em resposta a uma pergunta de Ivão, João discute a entidade Pazuzu, representada com face canina, asas e um pênis em forma de cabeça de cobra. Explica que Pazuzu era um guardião do mundo inferior, associado à deusa Lamashtu, e usado como protetor contra ventos pestilentos. Sua imagem grotesca visava transmitir “melamu” (uma aura de poder sagrado). Para os monoteístas judaicos, essa entidade, com sua aparência assustadora e função ambivalente, foi reinterpretada como um “demônio”, um exemplo do choque cultural e religioso entre as civilizações.
- 01:48:10 — A Torre de Babel como crítica ao ziggurat — Os participantes discutem a Torre de Babel como uma possível crítica monoteísta aos ziggurats mesopotâmicos. João explica que o ziggurat era o templo escalonado onde se acreditava que o deus da cidade residia. A porta no topo era o limiar entre o divino e o humano. Para os hebreus, que desconheciam o significado simbólico original, a construção parecia uma tentativa arrogante de alcançar o céu. A narrativa bíblica também reflete um choque cultural e linguístico, embora a região tivesse menos diversidade linguística do que se imagina.
- 01:55:10 — O mito do dilúvio: Atrahasis, Utnapishtim e Noé — João detalha seu projeto de doutorado sobre o poema Atrahasis (“o super sábio”), que narra a criação humana e o dilúvio. O herói do dilúvio mesopotâmico é Ziusudra (sumério) ou Utnapishtim (acádio), não Gilgamesh. No épico de Gilgamesh, o herói busca Utnapishtim para aprender sobre a imortalidade. João explica que o termo acádio “abubu” significa mais que “dilúvio”; refere-se a uma violência celeste cósmica. O mito reflete a relação íntima dos mesopotâmios com as inundações anuais dos rios. Ele planeja editar, traduzir e comparar as versões do mito com a narrativa bíblica de Noé.
- 02:11:30 — Considerações finais e leitura em acádio — Os participantes refletem sobre a importância de estudar civilizações antigas e línguas originais para capturar nuances perdidas em traduções. João brinca sobre o pequeno número de especialistas em acádio no Brasil. A pedido de Ivão, ele recita em acádio as primeiras linhas do Enuma Elish: “Quando no alto os céus não tinham sido nomeados…“. O programa termina com agradecimentos e a promessa de um possível segundo episódio para responder perguntas dos ouvintes.
Dados do Episódio
- Podcast: AntiCast
- Autor: HD1
- Categoria: Society & Culture
- Publicado: 2016-07-07T03:44:52Z
- Duração: 02:17:14
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/anticast/59b7c240-797b-0130-0111-723c91aeae46/anticast-242-a-mesopot%C3%A2mia-e-seus-mitos/022df560-2625-0134-2f17-737688e4d168
- UUID Episódio: 022df560-2625-0134-2f17-737688e4d168
Dados do Podcast
- Nome: AntiCast
- Tipo: episodic
- Site: https://open.spotify.com/show/40IuG6Qs0lwYntanTQbpDJ?si=tH4elzqGSaWFAiXbTvsalg
- UUID: 59b7c240-797b-0130-0111-723c91aeae46
Transcrição
[00:00:00] Esse podcast é apresentado por p9.com.br
[00:00:10] Anticast, a visão do designer sobre o mundo.
[00:00:24] Sejam bem-vindos a mais um Anticast.
[00:00:36] Eu sou o Ivão Isazuki e este é o programa de número 242, a Mesopotâmia e seus mitos.
[00:00:44] Sim, finalmente estamos fazendo o Mesopocast tão pedido por alguns ouvintes e principalmente por mim, com o João e a Tupá.
[00:00:54] O João Carvalho lá do Decreptus e a Tupá Guerra lá do Mundo Freak.
[00:01:00] Se você não sabe, o João é um baita especialista em Mesopotâmia e ele já falou isso várias vezes em alguns programas aqui.
[00:01:08] E a gente sempre brincava aqui a fazer o Mesopocast e tal, então tá aí agora.
[00:01:12] Finalmente o Mesopocast vocês vão se impressionar com a quantidade de coisas que o João sabe.
[00:01:18] A cada dia ele nos surpreendendo mais.
[00:01:20] Então antes de começar o programa vamos dar alguns recadinhos.
[00:01:24] Para começar o João estava com probleminha de sinal de internet nesse dia.
[00:01:30] Então de vez em quando a voz dele dava uns clac-clac, mas o Felipe conseguiu resolver a maior parte.
[00:01:38] Vocês nem devem notar, mas em um momento ou outro vai dar para notar sim.
[00:01:42] Então desculpa aí quem se importa com qualidade de áudio impecável.
[00:01:46] Além disso, eu também participei de um jogabilidade, mais um jogabilidade que eu participei, dessa vez o Jack.
[00:01:54] Que é o programa dedicado que eles fazem lá a animes.
[00:01:58] Isso é exatamente isso, estão vendo animes agora para poder brincar com o pessoal do jogabilidade.
[00:02:04] E a gente falou sobre um anime chamado Barakamon, que é sobre caligrafia japonesa.
[00:02:10] Então é muito legal, quer dizer, se é sobre caligrafia japonesa, tem caligrafia japonesa no meio.
[00:02:16] Mas é muito legal, quem já conhece o anime pode ir lá ouvir, quem não conhece assista, ouça lá, ou não.
[00:02:24] Isso talvez não mude a sua vida, mas enfim, é muito divertido.
[00:02:28] Bom, a partir daqui aquele recadinho de sempre quem quiser avançar só olha ali no post para ver que momento começa a pauta principal.
[00:02:36] Mas lembrando então que nós sairemos do B9 a cada semana que passa, está cada vez mais próximo.
[00:02:42] Então nos acompanhe nas redes sociais, nos sigam nas redes sociais, especialmente no Facebook.
[00:02:48] Então facebook.com barra, quase certeza que é a Anticast, deixa eu ver aqui.
[00:02:54] Exatamente, Anticast.
[00:02:56] E também nos sigam no Twitter que é arroba Anticast.
[00:03:00] Tem nossos Twitter pessoais também, que você encontra aí na postagem.
[00:03:04] Assine o feed, se você assinar o feed fica bem mais fácil, você não deixa de acompanhar nossos programas e quando sair o site novo você não vai ficar perdido.
[00:03:16] Lembrando também que temos o nosso Patreon, seja patrão nosso, patrão do Anticast, e a partir de um dólar por mês você contribui para que nós possamos produzir cada vez mais podcast para vocês.
[00:03:33] A família está cada vez maior.
[00:03:35] O concurso de Seja Próximo Podcast do Anticast, eu ainda deixei lá aberto o negócio, mas confesso que já tem bastante gente lá.
[00:03:44] Então eu já vou me basear naqueles, mas de repente alguém quiser tentar de última hora.
[00:03:48] Mas vai entrar um podcast novo na família.
[00:03:51] No momento temos o Visualmente, que é o podcast de design do Ankara.
[00:03:56] O Não Obstante, que é de filosofia do Beccari.
[00:03:59] O Projeto Humanos, que vai voltar agora em agosto, porque agora entrei em férias, então finalmente vou poder produzir os restos dos episódios.
[00:04:06] O Apple é pedra, que é essa rede também de podcasts, quase assim, que são feitos pelos patrões do Anticast, que se reúnem lá na Cracóvia, que é o nosso grupo secreto no Facebook, que é o lugar mais legal da internet.
[00:04:18] E se você só tem acesso quando virar patrão, seja pelo Patreon ou pelo PagSeguro, que é a plataforma nacional, você pode escolher ali na postagem.
[00:04:28] Então, vir no nosso patrão, nos ajude, ajude a pagar as contas do Felipe Aires, que é o nosso editor, que recebe dinheiro justamente do Patreon.
[00:04:36] E eu vou fazer umas promessinhas novas ali, tem que rever aquelas metas lá, que tem muita coisa desotalizada.
[00:04:44] Vamos ver, vou ver se consigo fazer alguma coisa interessante pra chamar mais gente.
[00:04:49] Além disso, saiu o novo livro do Beccari, Articulações Simbólicas, uma nova filosofia do design, que é o livro baseado na sua tese de doutorado de filosofia do design, foi feito em educação, o doutorado dele lá na USP.
[00:05:04] Então, o tema do livro é filosofia do design, o link está na postagem, saiu pela 2AB recentemente, está sendo muito bem falado por aí.
[00:05:12] Eu ainda não li, porque ainda não encontrei Beccari, mas eu garanto que está bom, porque a tese dele foi foda.
[00:05:18] E também o Beccari está dando os seus cursos de aquarela em Curitiba.
[00:05:22] E aquele workshop em Brasília, que eu anunciei algumas semanas, já venho anunciando algumas semanas, esgotou.
[00:05:28] Então, parabéns aí, todo mundo do AdCast, vocês conseguiram lotar o workshop do Beccari em Brasília, muito bom.
[00:05:34] E a partir, bom, mas quem quiser fazer ainda, e é de Curitiba, ali na Academia Pigmento, o Beccari está sempre dando aula.
[00:05:43] Além disso, também tem os meus cursos online que vão acontecer.
[00:05:46] O primeiro vai acontecer agora, já neste final de semana, já neste domingo, vai ser sobre Introdução à História do Occultismo Occidental Moderno,
[00:05:53] que é sobre a minha tese, a minha dissertação de mestrado, basicamente, que foi sobre história do ocultismo.
[00:06:00] Depois teremos o curso de storytelling, que é a técnica que eu uso no projeto humanos, e também o curso de História da Arte para Criativos.
[00:06:09] Daqui a duas semanas os links estão todos na postagem, ali com informações sobre conteúdo programático, data, tudo certinho.
[00:06:16] E um aviso para todo mundo, eu vou fazer o curso usando uma plataforma chamada Zoom.us.
[00:06:23] Então, é uma plataforma super confiável, ela é de graça, eu tenho que pagar para poder fazer a transmissão, mas vocês fazem de graça.
[00:06:31] E ela é bem fácil, eu sempre mando um email uns dois dias antes do curso, um, dois dias antes do curso,
[00:06:37] para todo mundo ficar tranquilo, dúvidas sobre, você não precisa ter um grande computador, um computador normal já dá,
[00:06:44] só precisa ter uma internet boa no dia, internet boa no dia é, não precisa ter, pedir para o pessoal em casa não usar nenhum serviço de streaming,
[00:06:52] tipo, sei lá, Netflix, YouTube, qualquer coisa assim, só para deixar a internet mais leve,
[00:06:59] usa um fone de ouvido e é só ficar ali curtindo o curso, ele não é disponibilizado em nenhum lugar,
[00:07:07] depois que ele é feito o vídeo fica só na sua memória, não vai para a internet depois, não vai ficar armazenado.
[00:07:15] Então quem quiser fazer os cursos tem que fazer pessoalmente porque eu gosto da troca de experiência na hora.
[00:07:21] Bom, é isso, já falei demais, bom, fique agora com o meu programa.
[00:07:29] Começando mais um Anticast hoje, finalmente vamos comestrear o Mesopocast aqui, que é tão desejado e aclamado, enfim, planejado aqui.
[00:07:51] Então estamos aqui com o nosso especialista de hoje, o seu João Carvalho. Tudo bom, João, querido?
[00:07:56] Cara, tudo, já quero chegar destruindo os sonhos daqueles que ouvem o nosso querido podcast,
[00:08:02] para falar que tipo, minha grande especialidade em Mesopotâmia é literatura e religião, então assim,
[00:08:09] história e principalmente história econômica realmente não é minha área.
[00:08:13] Tranquilo, a gente vai falar o que você souber, cara, você hoje é estrela aqui.
[00:08:18] Eu queria dizer, Ivan, que todo homem e toda mulher é uma estrela e nasceu para brilhar.
[00:08:23] Exato, perfeito, perfeito. Já começamos com o Crowley aqui, que gostava muito dos mitos sumérios principalmente.
[00:08:30] E também estamos aqui com a querida Tupá também, tudo bom, Tupá?
[00:08:35] Olá a todos, tudo bem? Estou aqui hoje para fazer perguntas e aprender mais sobre o Mesopotâmia.
[00:08:40] E que bom que a gente não vai falar de economia do Mesopotâmia, porque daí eu ia ficar completamente perdida.
[00:08:46] Eu também, eu também. Então, mas, João, acho que para começar, porque faz tanto tempo que você nos fascina,
[00:08:53] aqui em off a gente descobriu que você também fala russo, então…
[00:09:03] Que pariu.
[00:09:05] Quantas línguas você fala, João? Acho que já podemos começar.
[00:09:09] Ah cara, algumas. Agora eu estou atímico.
[00:09:14] Outro dia, eu ia falar uma coisa babaca. Fala aí quantas línguas você fala.
[00:09:21] Fala aí, João, quantas línguas você fala?
[00:09:23] Tipo assim, vivas umas seis, mortas umas três ou quatro.
[00:09:31] Tá de parabéns, cara. A Tupá fala quantas?
[00:09:37] Falar ou ler? Ler mais apropriado, no meu caso. Ler o mais que eu falo.
[00:09:42] Mortas umas quatro, vivas umas quatro, cinco também, por aí.
[00:09:52] Tá de sacanagem, cara. Sei isso.
[00:09:56] Nós somos de humana hardcore, velho. Nós somos de história e letras.
[00:10:02] Nossa, os do ofício. Não tem muita opção de não falar um monte de coisa.
[00:10:05] Cara, deixa eu te explicar uma coisa.
[00:10:07] Quando você tem 18 anos de idade, você fala assim, ok, eu vou trabalhar com um sumério.
[00:10:11] Aí você não consegue, você fala, não, tudo bem, eu vou trabalhar com medieval.
[00:10:14] Só que você gosta da parte de religião e você gosta de história comparativa.
[00:10:17] Você é forçado, contra a sua vontade, a aprender pelo menos grego antigo e latim.
[00:10:23] E aí você descobre que a primeira tradução do texto que você gosta foi em nórdico antigo.
[00:10:27] Aí você tem que aprender norueguês para aprender nórdico.
[00:10:30] Cara, essa parte das línguas, duas coisas.
[00:10:33] A primeira é que quando eu fiz história,
[00:10:35] um dos motivos de escolher história e não relações internacionais
[00:10:38] foi porque eu falei, ah, eu não tenho muita habilidade em aprender outras línguas.
[00:10:41] Eu sou péssima com outras línguas. Eu vou estudar história, né?
[00:10:47] Eu pago a minha língua direto. Tudo que eu falo acontece oposto.
[00:10:53] E fora isso, você começa a estudar um monte de língua,
[00:10:57] começa a estudar um monte de língua porque você precisa.
[00:11:00] De repente você para para pensar as línguas que você sabe,
[00:11:03] ou que você pelo menos entende alguma coisa.
[00:11:05] E daí você fica muito feliz quando você tem algum tipo,
[00:11:09] ah, eu pego um texto e falo, ah, que bom, esse texto está em inglês, é fácil, que bom, que sorte.
[00:11:14] Ou então está só em hebraico, sem ser o hebraico, sei lá,
[00:11:19] está no hebraico de uma variação que eu consigo ler ou está só, enfim.
[00:11:24] Porra, eu fico feliz que eu sei, vai, eu manjo de inglês,
[00:11:29] consigo ler em francês e dizer, não sei falar francês.
[00:11:36] E a língua do Pê. Língua do Pê eu já fui muito versado nela.
[00:11:40] Hoje eu já estou perdido. Mas tudo bem.
[00:11:43] Então vamos lá. Então eu recolho a minha insignificância aqui
[00:11:48] e vou começar perguntando para o João.
[00:11:52] Vou começar vendo o básico, né?
[00:11:55] A gente geralmente fala da Mesopotâmia como um conjunto de vários povos
[00:12:03] e civilizações que viveram numa região ali que hoje a gente conhece como Oriente Médio.
[00:12:06] E geralmente a gente fala que os Sumérios foram a primeira grande civilização
[00:12:13] porque inventaram a escrita.
[00:12:17] O que está desuado nessa explicação bem em colégio que a gente aprende, João?
[00:12:22] Porque com certeza eu sei que não é bem assim.
[00:12:25] Então manda aí para mim.
[00:12:27] É aquela coisa. Na verdade é mais assim do que a gente imagina.
[00:12:31] O problema é que existem tantas pequenas subdivisões dentro disso
[00:12:35] que a gente meio que oblitera elas em detrimento da simplicidade.
[00:12:44] Então a primeira coisa que eu acho que é interessante a gente pensar
[00:12:49] quando a gente pensa em Mesopotâmia é o que diabo significa Mesopotâmia.
[00:12:55] A gente fala Mesopotâmia, Mesopotâmia, Mesopotâmia.
[00:12:58] Ninguém nunca para para pensar o que a palavra significa.
[00:13:01] Mesopotâmia não é a palavra.
[00:13:05] Os Mesopotâmicos, os Mesopotamios que nunca foram os Mesopotâmios
[00:13:11] e nunca se identificaram como os Mesopotâmios.
[00:13:14] Ninguém nunca chamou a Mesopotâmia de Mesopotâmia até a Grécia.
[00:13:18] A primeira vez que você tem o termo Mesopotâmia é na Grécia inclusive porque o termo é grego.
[00:13:23] Ele vem de Meso e Potamos Potamu que é rio.
[00:13:28] Então Mesopotâmia é entre rios.
[00:13:32] Quais são esses rios o Tigre e o Eufrates que são os dois grandes rios da região.
[00:13:38] E basicamente a civilização nasce em Tigre e o Eufrates
[00:13:45] e nasce com o domínio dos instrumentos fundamentais de engenharia hidráulica.
[00:13:50] Então o que a gente tem antes da gente ter de fato uma civilização.
[00:13:57] A gente tem proto comunidades que são tipo o momento de transição ali na era do bronze.
[00:14:07] Vamos colocar ali três.
[00:14:10] Vamos colocar ali de três mil antes de Cristo mais ou menos até seis mil antes de Cristo.
[00:14:21] Vamos colocar essa época como a proto civilização ali.
[00:14:27] Nessa época você vai ter algumas proto comunidades que são concomitantes
[00:14:32] tanto na região da Mesopotâmia quanto na região do Vale do Nilo até a Segunda Catarata no Egito.
[00:14:39] Então existe toda uma discussão entre egiptologistas e assiriólogos
[00:14:46] de qual teria sido a civilização que veio primeiro.
[00:14:49] Que é uma discussão muito mais de ego e de futilidade do que prática
[00:14:53] porque elas são bastante concomitantes pelo que os requisitos arqueológicos nos permitem saber.
[00:15:02] Ao que tudo indica na Mesopotâmia a escrita começa primeiro
[00:15:11] e as comunidades as cidades e estados se organizam melhor primeiro.
[00:15:19] Em compensação no Egito você vai ter a união dos dois reinos do norte do sul formando de fato o Egito
[00:15:27] antes do que você tem por exemplo o que a gente chama de Império Sumério
[00:15:33] depois de três mil antes de Cristo.
[00:15:35] Então é porque sempre tem essa curiosidade qual que veio primeiro
[00:15:39] e na verdade rola ali pequenas distensões onde na verdade todos são grandes vencedores
[00:15:47] é igual o logo do Sport TV mas se todo mundo é campeão ninguém é campeão de verdade.
[00:15:52] Então a verdade é que no quesito quem escreveu primeiro na língua mais esquisita
[00:16:00] nós assiriologistas ganhamos.
[00:16:03] No quesito quem reuniu primeiro um império digno de nota provavelmente os egípcios ganham.
[00:16:09] Agora se for pensar Uruk, Nagache essas primeiras grandes cidades
[00:16:16] elas já estavam ali pelo menos como proto comunidades
[00:16:21] pelo menos existia um núcleo citadino cercado por um núcleo seminoma de pastoril.
[00:16:32] Desde essa época.
[00:16:34] Então assim desde entre seis mil e cinco mil anos de Cristo
[00:16:40] quando você vai ter a invenção do Arado
[00:16:42] você vai ter as primeiras aldeias o começo do cultivo do cereal
[00:16:46] lá para o final de cinco mil e quatro mil e quinhentos
[00:16:50] você já começa até alguns trabalhos em cerâmica
[00:16:53] para além do Arado você já começa a ter os primeiros desvios dos cursos do rio
[00:16:59] a compreensão da concepção cíclica de tempo que leva a essa ideia da circularidade
[00:17:05] das estações e da repetição constante da concepção temporal
[00:17:13] que vai fazer com que de fato você saiba que todo ano mais ou menos as mesmas coisas vão acontecer.
[00:17:18] Então se eu pegar essa parte do rio e conseguir fazer um pequeno canal aqui para dentro
[00:17:25] eu de fato vou conseguir produzir sementes numa proporção maior do que um para um
[00:17:31] o que vai permitir que se nem todo mundo está batendo em chá da alguém possa virar um filósofo
[00:17:38] e é óbvio que eu estou sendo muito teleológico e anacrônico
[00:17:42] porque o termo filosofia mais uma vez é o termo grego
[00:17:44] não existe filosofia vai permitir com que existam especializações dentro da sociedade
[00:17:51] enquanto isso é um conceito marxista muito simples mas ele é muito válido que é uma verdade inexorável
[00:17:59] porque a marxista é verdade inexorável
[00:18:02] esse conceito enquanto todo ser humano tem que trabalhar incessantemente
[00:18:12] para comer o fruto do seu labor não existe nenhuma outra especialização nessa sociedade
[00:18:20] enquanto eu não consigo produzir comida o bastante para que uma pessoa consiga produzir comida para mais do que uma pessoa
[00:18:29] eu não vou ter um ceramista eu não vou ter um ferreiro eu não vou ter alguém que vai trabalhar adobe argila
[00:18:36] eu não vou ter um literato eu não vou ter um cara que é só especializado em uma função religiosa
[00:18:43] eu preciso que a produção de alimentos da minha sociedade chegue num ponto tal em que nem todo mundo tenha que depender do seu trabalho
[00:18:52] e isso vai acontecendo na medida em que o ser humano
[00:18:57] mais uma vez eu vou usar um termo grego porque infelizmente a Grécia nos domínios roubam os termos maravilhosos que a gente teria em Acádio
[00:19:06] mas o ser humano é um ser de técnica
[00:19:09] então assim a técnica permite com que de fato aconteça história
[00:19:14] porque que acontece nessa região do tigre e do Eufrates
[00:19:19] porque essa é uma região onde os rios têm enchentes constantes e mensuráveis
[00:19:27] acontecem anualmente assim como acontece no Nilo que tornam a agricultura bastante factível
[00:19:34] e é muito mais fácil ser agriculturar um solo mais de fato rico em nutrientes e fácil de ser controlado e que tenha uma
[00:19:45] uma repetição constante de ciclos do que ser por exemplo conseguir tirar uma iléia local para fazer daquilo um novo solo
[00:19:54] isso precisa de uma técnica mais apurada então é literalmente o fato de entre o tigre e o Eufrates as cheias serem constantes
[00:20:04] e as baixas serem constantes e você tem uma vazão desse rio nesse solo que torna o solo muito rico e muito fértil
[00:20:10] apesar de ser uma área que muito ironicamente onde não está nessa cercania é basicamente montanha ou semidesertos
[00:20:20] semidesertos é semiarido você tem uma região que te permite isso então essa civilização em si ela começa ali no Oriente Próximo
[00:20:32] muitos falam que a civilização começa ali de fato por causa disso e os sumérios são o primeiro povo que deixa de ser um povo
[00:20:43] que se torna um povo completamente não completamente cidadino mas vivendo numa simbiose entre a sua cidade e a sua região pastoril
[00:20:53] tanto que a cidade ela normalmente a cidade vamos pensar na cidade sumeriana primeiro mas a cidade acádia a cidade babilônica
[00:21:03] até a cidade a síria ela não é tão diferente assim basicamente você tem vamos dividir a cidade em três vamos pensar que a cidade
[00:21:13] ela é morada quando a gente já chega num passo além dessa civilização vamos colocar ali na baixa idade do bronze vamos colocar de 3000 em diante
[00:21:23] vamos colocar principalmente de 2500 em diante que você vai ter sargão já tem cidades maiores já tem cidades maiores
[00:21:33] você já tem o sargão por exemplo que ele unifica a mesopotâmica conhecida na época como um todo é a primeira unificação pós suméria
[00:21:45] só que as unificações de sumer elas são pré diluvianas então parte delas saber ali o que é história e o que é mito às vezes é muito difícil
[00:21:57] a sargão não você tem uma documentação vasta que já é uma documentação completamente histórica apesar de a gente não precisa esperar né
[00:22:07] documentações sargônicas instrumentos sargônicos que eles vão ser como se fosse por exemplo um do governo norte-americano da ONU né
[00:22:18] então assim é óbvio que o mito tá ali muito presente a questão religiosa tá ali muito presente né o que a gente chama de inglês de wisdom literature
[00:22:28] literatura sapiential que é um meio termo entre religião e filosofia ela permeia essa escrita mas ainda assim você tem já com o sargão e na
[00:22:41] Cádia como um todo uma documentação muito vasta na Suméria você tem documentação também mas as listas de reis sumérios
[00:22:50] elas são permeadas por reis que a gente sabe que existiram e reis que a gente acredita que são reis mitológicos pré diluvianos
[00:23:00] lembrando que o dilúvio depois eu quero falar só sobre dilúvio que o meu doutorado inteiro é sobre literatura de dilúvio
[00:23:11] literatura do abubu eu prefiro usar o termo acadiano do dilúvio ou aubu pra quem é polista e prefere o sumério né
[00:23:23] claro como poderíamos debater sem usar o termo?
[00:23:26] é óbvio imagine né
[00:23:28] que tipo de pessoas seriam se não usassem o termo de sumério
[00:23:32] os sumerianos que estão ouvindo estão ficando malucos assim como assim né me respeite porra né
[00:23:38] tá certo
[00:23:40] mas assim desde essa época você já vai ter de fato uma civilização como a gente imagina uma civilização
[00:23:48] eu tô pensando assim a pessoa média que não tem um conhecimento mais profundo das civilizações
[00:23:59] tipo quase todo mundo
[00:24:00] da antiguidade e é esmagadora a maioria ela vai quando ela pensa numa civilização quando ela pensa sei lá por exemplo assim
[00:24:07] na síria quando ela pensa em akkad quando ela pensa em sumer o que ela vai ter próximo são as visões que o cinema dá daquilo
[00:24:15] então assim ela vai pensar tipo assim é tipo aquele continente chato aonde o enredo de game of thrones vai pra morrer
[00:24:23] é tipo aquilo sabe?
[00:24:24] não não não vou pensar em alienígenas do passado pelo amor de deus porra
[00:24:29] a pessoa vai pensar no zigguraf
[00:24:32] vocês assistiram escorpião rei?
[00:24:34] aquele filme fantástico
[00:24:36] acadiano fala claramente
[00:24:38] acadiano todo mundo chama
[00:24:40] pra mim quando o dia que eu descobri que antes de escorpião rei mas por algum motivo eu achava que acadiano era uma civilização mítica
[00:24:47] mítica assim eu achava que não existia
[00:24:49] o dia que eu descobri tipo eu tô na faculdade de história e tal e lá e assim eu falei acadiano
[00:24:54] eu falei ah meu deus
[00:24:57] aquela coisa inclusive boa parte das suas línguas que você estuda hoje
[00:25:02] são da mesma família
[00:25:07] depois a gente tem que entrar na
[00:25:10] nós vamos entrar com calma na parada linguística porque é muito interessante
[00:25:14] é interessante é ótimo né?
[00:25:15] você imagina as pessoas durrindo e falando tanto que é interessante
[00:25:19] é igual quando eu começo contar as coisas pra as pessoas
[00:25:22] gente aconteceu uma coisa fantástica
[00:25:24] olha essa arvore genealógica de línguas aqui
[00:25:28] coisa incrível
[00:25:30] o resto das pessoas que moram comigo me olham assim
[00:25:32] meio doida
[00:25:34] teve um momento
[00:25:36] eu tava numa conferência dos manuscritos do mar morto
[00:25:38] e alguém anunciou
[00:25:40] uma pessoa anunciou a descoberta de 10 manuscritos novos
[00:25:42] que tinham ficado perdidos na biblioteca
[00:25:44] e eu na hora fiquei tipo
[00:25:46] 10 manuscritos mortos que coisa mais fantástica
[00:25:49] aí mandei whatsapp assim pro grupo
[00:25:51] galera 10 manuscritos mortos
[00:25:53] 10 manuscritos novos do mar morto e tal
[00:25:55] aí rolou um silêncio
[00:25:58] aí eles começaram a falar de outra coisa
[00:26:03] e eu falei vocês não estão entendendo
[00:26:05] eu vou repetir pra vocês entenderem um pouco melhor
[00:26:08] puxaram 10 manuscritos novos
[00:26:10] eu te entendo por causa de dois momentos que eu vivi isso
[00:26:14] que foi uns dois três anos atrás
[00:26:17] quando finalmente eles revelaram a tradição de uma nova tabuinha
[00:26:22] que eles acharam de uma das versões
[00:26:25] do mito de Gilgamesh
[00:26:29] foi um dia maravilhoso pra mim
[00:26:33] eu e meu orientador
[00:26:35] a gente pegou a versão em acádio transliterada
[00:26:39] e falou nós vamos traduzir a gente
[00:26:41] pra ver o que a gente acha de discrepância
[00:26:43] e foi um dia muito feliz
[00:26:48] esse dia foi louco
[00:26:52] isso é um dia maravilhoso
[00:26:55] porque é a parte em que Gilgamesh está entrando na floresta de cedros
[00:26:59] e é extremamente revelador de enquido
[00:27:03] nossa é uma coisa linda
[00:27:05] eu entendo
[00:27:09] eu totalmente entendo
[00:27:11] e eu fiquei super emocionado
[00:27:14] talvez tenha chorado um pouco
[00:27:22] um outro dia que rolou isso
[00:27:24] foi quando eu fazia mestrado ainda
[00:27:27] eu fiz mestrado em história medieval
[00:27:30] e minha mãe foi me visitar
[00:27:33] e ela falou como estão as coisas
[00:27:35] e tinham acabado de publicar em latim
[00:27:39] no documento da católica Úmia
[00:27:41] as atas inteiras dos cínodos de Whitby no século oitavo
[00:27:47] eu estava louco
[00:27:52] e minha mãe perguntou
[00:27:54] e eu passei uma hora e meia comentando as atas dos cínodos de Whitby
[00:27:59] e no final eu olhei pra minha mãe
[00:28:03] e ela estava morrendo de rir
[00:28:06] e eu falei
[00:28:08] você nem sabe o que é os cínodos de Whitby
[00:28:11] mas você está muito feliz
[00:28:13] é isso que importa
[00:28:17] mãe é mãe né
[00:28:19] a minha mãe que por sinal ouve podcasts
[00:28:22] os podcasts que eu participo a minha mãe ouve todos
[00:28:25] beijo pra mãe do Tupá
[00:28:27] onde ela me perguntou
[00:28:31] eu entendi que você faz pesquisa
[00:28:34] mas como mais ou menos é fazer pesquisa?
[00:28:37] como que você faz uma pesquisa?
[00:28:41] minha mãe fez odontologia
[00:28:43] o meu mundo acadêmico de história
[00:28:45] é um mundo um pouco diferente da odontologia
[00:28:48] que minha mãe está acostumada
[00:28:50] imagina
[00:28:52] eu lembro minha mãe fazendo especialização
[00:28:55] Tupá dá uma olhada nessa resposta
[00:28:57] tinha uma pergunta de meio parágrafo
[00:28:59] e ela me respondeu com um parágrafo
[00:29:01] mãe, cadê o resto da sua resposta?
[00:29:03] ela me perguntou, eu estou sendo objetiva em responder
[00:29:05] você tem que explicar como você chegou nessa resposta
[00:29:08] você tem que dar um contexto pra essa resposta
[00:29:10] ela não
[00:29:12] o nervo é sempre no mesmo lugar
[00:29:14] você tem que dar respostas objetivas
[00:29:18] esse pessoal de humanas
[00:29:20] querendo complicar até a vida do dentista
[00:29:22] para com isso
[00:29:24] a gente é terrível
[00:29:26] mas eu entendo
[00:29:28] no primeiro ano que eu estava aqui
[00:29:30] eu dei a sorte de estar tendo uma exposição
[00:29:32] dos manuscritos do maior morto
[00:29:34] na Holanda
[00:29:36] então eu tive a oportunidade de ver alguns dos manuscritos
[00:29:38] ao viver a cores
[00:29:40] e eu quase chorei
[00:29:42] eu chorei um pouquinho
[00:29:44] mas enfim
[00:29:46] e o João
[00:29:48] também quase chorou
[00:29:50] a gente se emociona
[00:29:52] com esse tipo de coisa
[00:29:54] então eu vou
[00:29:56] voltar pra parte
[00:29:58] mundando
[00:30:00] aqui do ignorante
[00:30:02] porque eu acho que seria
[00:30:04] legal falar
[00:30:06] uma coisa que eu
[00:30:08] sei que linha do tempo
[00:30:10] é uma merda
[00:30:12] o João já falou justamente
[00:30:14] que tem proto civilizações antes
[00:30:16] mas assim
[00:30:18] quando a gente vai falar por exemplo
[00:30:20] eu vou ficar aqui no meu caso
[00:30:22] que é a história da arte
[00:30:24] o consenso que existe
[00:30:26] eu cito aqui a história da arte do Gombrich
[00:30:28] que é o clássico na área
[00:30:30] é sempre começar lá
[00:30:32] então começa lá
[00:30:34] a história
[00:30:36] inventou a escrita e começou
[00:30:38] a história
[00:30:40] e começa falando
[00:30:42] dos sumérios
[00:30:44] como a primeira civilização
[00:30:46] depois que vem a Cádios
[00:30:48] Vinícius
[00:30:50] vamos colocar assim
[00:30:52] bem simples e
[00:30:54] complicando o mínimo possível
[00:30:56] eu vou falar não de todos os povos que cohabitavam
[00:30:58] mas vamos falar dos povos
[00:31:00] que eram os que tinham o maior poder
[00:31:02] fosse poderio
[00:31:04] simbólico
[00:31:06] ou poderio
[00:31:08] militar
[00:31:10] então assim a gente começa com os sumérios
[00:31:12] os sumérios vamos colocar
[00:31:14] assim
[00:31:16] o auge mesmo vamos colocar aí de
[00:31:18] 2.800
[00:31:20] até mais ou menos
[00:31:22] 2.400
[00:31:24] são os sumérios
[00:31:26] a partir de 2.400, 2.300
[00:31:28] a Cádia já toma
[00:31:30] e a Cádia faz
[00:31:32] com os sumérios um processo muito
[00:31:34] análogo ao que
[00:31:36] os árabes fizeram
[00:31:38] com
[00:31:40] durante os califadosomíadas e abássidas
[00:31:42] com
[00:31:44] os povos persas
[00:31:46] então assim
[00:31:48] a Cádia se torna um povo culturalmente
[00:31:50] pujante a partir
[00:31:52] do momento em que Sumer
[00:31:54] perde a sua preponderância militar
[00:31:56] a língua vem dos sumérios
[00:31:58] a mitologia vem dos sumérios
[00:32:00] boa parte das tecnologias vem dos sumérios
[00:32:02] os acadianos
[00:32:04] o grande trabalho
[00:32:06] acadiano além de ter reescrito
[00:32:08] boa parte disso, vários mitos são acadianos
[00:32:10] os mitos mais
[00:32:12] importantes que chegam a nós por exemplo
[00:32:14] Gilgamesh
[00:32:16] a diferença do Gilgamesh
[00:32:18] acadiano pro
[00:32:20] Bilgamesh sumério
[00:32:22] ela é gigantesca
[00:32:24] pra mim Gilgamesh era
[00:32:26] ele é sumério você vê que
[00:32:28] loucura
[00:32:30] ele é sumério só que na sumério é a primeira coisa
[00:32:32] você não tem
[00:32:34] em sumério
[00:32:36] você não tem aspiração
[00:32:38] eu tenho 3 tipos de aspiração
[00:32:40] o Jo o programa é teu
[00:32:42] o programa é teu
[00:32:44] ele chama
[00:32:46] em sumério o nome dele é
[00:32:48] Bilgamesh
[00:32:50] Gilgamesh é bem mais legal
[00:32:52] Gilgamesh
[00:32:54] é no
[00:32:56] acadio
[00:32:58] acadio é uma língua semitica
[00:33:00] a língua semitica ela tem muita
[00:33:02] aspiração
[00:33:06] o sumério não
[00:33:08] o sumério inclusive ele não é
[00:33:10] o sumério é como basco ele veio do nada
[00:33:12] e chegou ao lugar
[00:33:14] é uma língua
[00:33:16] separadinha ele não é
[00:33:18] ele não é do tron
[00:33:20] ele não é do endoropeu ele não é do
[00:33:22] altaico ele não é do
[00:33:24] afrasiático ele é separado
[00:33:26] o sumério ele é
[00:33:28] uma língua completamente separada
[00:33:30] e o acadio ele é uma língua
[00:33:32] semitica que é do ramo afrasiático
[00:33:34] dentro do afrasiático você tem o semitico
[00:33:36] dentro do semitico você tem o semitico ocidental
[00:33:38] e o semitico oriental o semitico
[00:33:40] oriental hoje em dia está extinto
[00:33:42] no sentido de são línguas mortas
[00:33:44] onde você tem o acadio rita
[00:33:46] no semitico ocidental hoje em dia
[00:33:48] você tem o hebraico você teve o aramaico
[00:33:50] são as línguas que
[00:33:52] privalecem até hoje
[00:33:54] o sumério ele está ali totalmente separado
[00:33:56] no sumério
[00:33:58] o Gilgamesh se chamava
[00:34:00] Bilgames
[00:34:02] o herói Bilgames
[00:34:04] Sumer
[00:34:06] ele é um herói citadino
[00:34:08] primeiro a relação dele com Enquido é totalmente
[00:34:10] diferente os poemas são diferentes
[00:34:12] você tem um ciclo sumério de
[00:34:14] Bilgames com seis poemas
[00:34:16] que hoje são conhecidos
[00:34:18] nem todos em sua interesa
[00:34:20] na verdade a grande maioria
[00:34:22] eles são fragmentares
[00:34:24] como são 90% de toda
[00:34:26] a literatura
[00:34:28] da Mesopotamia é fragmentar
[00:34:34] então ele falou e daí falta
[00:34:36] bem o que ele falou aí pula 42
[00:34:38] linhas
[00:34:40] e aí começa a primeira palavra
[00:34:42] depois é faca de cortar carros
[00:34:44] isso é um problema muito terrível
[00:34:46] eu vou chegar nessa parte ainda
[00:34:48] mas assim
[00:34:50] você tem uma
[00:34:52] então assim você tinha ali a suméria
[00:34:54] aí você vai pra Akkad
[00:34:56] Akkad era uma nação que
[00:34:58] nos seus primórdios a
[00:35:00] arqueologia nos leva a crer que era uma nação
[00:35:02] mais guerreira que depois se tornou uma nação
[00:35:04] muito culta inclusive
[00:35:06] foi o Akkadian
[00:35:08] a língua foi língua franca
[00:35:10] a região toda
[00:35:12] e da região toda
[00:35:14] leia-se até o norte da África
[00:35:16] leia-se até o Egito tanto que
[00:35:18] os escribas egípcios
[00:35:20] durante boa parte dos dois
[00:35:22] primeiros reinados eram treinados em Akkad
[00:35:24] eles escreveu em Cuneiforme
[00:35:26] e a correspondência diplomática
[00:35:28] era em Cuneiforme
[00:35:30] Akkad
[00:35:32] então o Akkad
[00:35:34] foi uma língua muito importante
[00:35:36] o Akkad foi extremamente importante porque ele fez
[00:35:38] a transição do sumério
[00:35:40] que é uma língua escrita e o sumério
[00:35:42] ele é basicamente uma língua
[00:35:44] pictográfica e ideográfica
[00:35:46] e o Akkad já é uma língua
[00:35:48] ideográfica
[00:35:50] pictográfica e ideográfica
[00:35:52] você tem os sumerogramas
[00:35:54] e ele também é silábico
[00:35:56] então você tem dentro do Akkad
[00:35:58] tanto vários fenômenos de
[00:36:00] homofonia onde o mesmo símbolo
[00:36:04] pode ser representado de diversas formas diferentes
[00:36:06] como você tem de polissemia onde a mesma coisa
[00:36:08] significa muitas coisas diferentes dependendo do contexto
[00:36:10] então o mesmo símbolo ele pode ser
[00:36:12] 5 ou 6
[00:36:14] sílabas diferentes em Akkad
[00:36:16] ele pode ser um sumerograma que pode
[00:36:18] significar um nome próprio, pode significar um lugar
[00:36:20] pode significar uma frase
[00:36:22] pode significar um conceito
[00:36:24] pode significar um contexto
[00:36:26] pode ser uma frase, pode ser uma ideia
[00:36:28] pode ser um referente
[00:36:30] então ele pode ser um qualificativo
[00:36:32] um determinante de uma outra
[00:36:34] coisa na frase
[00:36:36] é uma língua bastante complexa
[00:36:38] você tem
[00:36:40] vamos colocar aí
[00:36:42] se a gente pegar o que hoje em dia
[00:36:44] a gente chama de Babylonian
[00:36:46] de babilônico como um todo a língua
[00:36:48] porque assim
[00:36:50] vamos terminar essa parte
[00:36:52] é muita língua
[00:36:54] é muito complexo
[00:36:56] então eu tenho que tentar ser mais didático
[00:36:58] vamos pensar o seguinte
[00:37:00] vamos pensar pela língua
[00:37:02] o sumer inventa
[00:37:04] o sumer inventa escrito
[00:37:06] essa escrita vai passar para o acádio
[00:37:08] ela passa a ser uma escrita semítica
[00:37:10] essa escrita semítica do cuneiforme
[00:37:12] ele vai ser
[00:37:14] ou um syllabário
[00:37:16] mais ideogramas e pictogramas
[00:37:18] desde os acádios lá em cima
[00:37:20] até
[00:37:22] na babilônia lá embaixo
[00:37:24] até
[00:37:26] na bucodonosor, até reino dos medos
[00:37:28] babilônia brigando
[00:37:30] com
[00:37:32] os gregos
[00:37:34] até lá embaixo vai ser um mesmo alfabeto
[00:37:36] que vai mudando
[00:37:38] então esse alfabeto que no começo
[00:37:40] era muito mais complexo
[00:37:42] ele vai se simplificando sendo que por exemplo
[00:37:44] no primeiro milênio
[00:37:46] antes de Cristo
[00:37:48] com a influência dos fenícios
[00:37:50] ele passa inclusive a deixar de ser
[00:37:52] syllábico e passar a ser fonético
[00:37:54] então você sai lá
[00:37:56] do ideograma
[00:37:58] no sumério
[00:38:00] não é sequer syllábico
[00:38:02] então eles são só ideogramas e pictogramas
[00:38:04] e você vai até lá embaixo
[00:38:06] no
[00:38:08] que eu chamo de neo-babilônico
[00:38:10] a ciriologista chamou de neo-babilônico
[00:38:12] que já é inclusive
[00:38:14] fonético
[00:38:16] aí nessa ordem você vai ter
[00:38:18] então Sumer, Acade
[00:38:20] Círia
[00:38:22] depois da Círia você vai ter
[00:38:24] a babilônia
[00:38:26] e a babilônia vai ter
[00:38:28] então
[00:38:30] os acadeanos vão manter o poder
[00:38:32] militar sobre a região
[00:38:34] basicamente
[00:38:36] vamos colocar ali
[00:38:38] 1800
[00:38:40] porque ali
[00:38:42] em 1800
[00:38:44] ali atrás em 2000
[00:38:46] você já tem as primeiras civilizações à Círia
[00:38:48] você começa com a invasão dos ititas
[00:38:50] depois você já vai ter
[00:38:52] o império paleobabilônico
[00:38:54] que já não é propriamente
[00:38:56] acadeo
[00:38:58] mas ele tem uma herança cultural tão forte
[00:39:00] que ele ainda não se considera
[00:39:02] ou propriamente
[00:39:04] acílio
[00:39:06] aí você vai ter essa transição, você vai ter os acílios
[00:39:08] depois você vai ter os babilônios
[00:39:10] mais ou menos claro
[00:39:12] é óbvio que ao longo disso
[00:39:14] é uma região grande
[00:39:16] então se a gente for pensar fisicamente
[00:39:20] na região da Mesopotâmia
[00:39:22] a Mesopotâmia ao norte
[00:39:24] ela chega hoje
[00:39:26] onde hoje é até o Afeganistão
[00:39:28] você tinha ali regiões que são
[00:39:30] de domínio Mesopotamian, você tem dentro do
[00:39:32] Afeganistão ainda
[00:39:34] monumentos de 700, 800 antes de Cristo
[00:39:36] que estão escrito em Cuneifó
[00:39:38] você desce
[00:39:40] isso pra baixo
[00:39:42] até o Golfo
[00:39:44] a sua esquerda você vai até a Turquia
[00:39:46] e a sua direita
[00:39:48] você basicamente
[00:39:50] termina a Arábia inteira
[00:39:52] então você vai
[00:39:54] você passa ali pelos sultanatos
[00:39:56] Oman e tudo mais
[00:39:58] então assim, é uma região
[00:40:00] que é uma região considerável
[00:40:02] o núcleozinho daquilo ali
[00:40:04] que é o
[00:40:06] que nos interessa mais, que é entre o tigre
[00:40:08] e o frate, ele é pequeno, ele está ali
[00:40:10] mais ou menos da Síria até o Iraque
[00:40:12] vamos colocar mais ou menos assim
[00:40:14] ali você resolve, Síria, Iraque
[00:40:16] e Irã, você basicamente está resolvendo
[00:40:18] o núcleo principal dessa
[00:40:20] novela, mas você tem vários núcleos
[00:40:22] separados
[00:40:24] que vão
[00:40:26] da Turquia
[00:40:28] ao Afeganistão
[00:40:30] ao Oman
[00:40:32] a Arábia Saudita
[00:40:34] então assim, é uma região
[00:40:36] bastante grande
[00:40:38] onde você tem nesse ali, você tem vários
[00:40:40] povos e várias cidades importantes, então assim
[00:40:42] e você tem que pensar que por mais que
[00:40:44] suba um povo ao poder e desça outro povo
[00:40:46] a cidade se mantém
[00:40:48] então assim, Ur, Urupuk
[00:40:50] Nipur, Susa
[00:40:52] Ninivé, Assur
[00:40:54] Alepo, Ugarite
[00:40:56] Elama, você tem algumas cidades ali
[00:40:58] que vão se manter
[00:41:00] meio que por esses quase
[00:41:02] três mil anos
[00:41:04] então assim, os princípios
[00:41:06] da Sumévia até o
[00:41:08] Sul escrevendo, meio que as cidades
[00:41:10] não mudam, mudam quem são os reis que estão comandando
[00:41:14] eu acho que é interessante
[00:41:16] colocar um pouco de perspectiva para as pessoas
[00:41:18] porque acho que a gente esquece muito fácil
[00:41:20] como quase
[00:41:22] três mil anos e a gente fica nessa
[00:41:24] de a gente está no ano
[00:41:26] dois mil, então a gente tem uma ideia de
[00:41:28] que a história do mundo é muito limitada
[00:41:30] que tudo é muito recente
[00:41:32] eu acho legal colocar em perspectiva como
[00:41:34] que você tem civilizações
[00:41:36] que
[00:41:38] existiram por períodos muito maiores
[00:41:40] não simplesmente dois mil anos
[00:41:42] isso é importante
[00:41:44] Ivan, deu para dar uma
[00:41:46] queda básica?
[00:41:48] eu estou sempre impressionado
[00:41:50] quando você fala tudo isso
[00:41:52] então eu quero
[00:41:54] você falou
[00:41:56] até um pouquinho antes
[00:41:58] sobre a questão
[00:42:00] de como o que chega para a gente
[00:42:02] para a maior parte das pessoas
[00:42:04] através da cultura pop
[00:42:06] sobre esses povos
[00:42:08] uma coisa que eu falo muito para os meus alunos
[00:42:10] quando a gente está entrando em
[00:42:12] antiguidade remota
[00:42:14] então
[00:42:16] justamente falo bastante de Sumer e tudo isso
[00:42:18] eu dedico
[00:42:20] uma boa meia hora
[00:42:22] do final dessa aula apenas
[00:42:24] para fazer uma
[00:42:26] severa crítica à questão
[00:42:28] de alienígenas e tudo isso
[00:42:30] porque
[00:42:32] e era um dos
[00:42:34] pontos que eu queria trazer aqui que é que
[00:42:36] queria saber se você também
[00:42:38] tem essa impressão de que
[00:42:40] quando
[00:42:42] falando de cinema de Hollywood
[00:42:44] quando Sumeria é citado
[00:42:46] no caso de
[00:42:48] Akkad, os fenícios acho que nem tanto
[00:42:50] mas Sumeria em especifico
[00:42:52] citou Sumeria, está falando
[00:42:54] em Hollywood vai usar sempre como a questão
[00:42:56] da maluquice
[00:42:58] eram os deuses astronautas
[00:43:00] então
[00:43:02] eu cito aqui dois filmes que eu sempre dou exemplo
[00:43:04] mas é
[00:43:06] só sei que dois exemplos que é
[00:43:08] lá o Contato de Quarto Grau
[00:43:10] e o
[00:43:12] caralho, eu queria lá do Ridley Scott
[00:43:14] que eu prometeu isso
[00:43:16] o que, assim
[00:43:18] por que que é tão
[00:43:20] difícil
[00:43:22] de questão de história
[00:43:24] a gente conseguir
[00:43:26] trabalhar com os Sumérios
[00:43:28] o que que sobrou de documento assim
[00:43:30] que torna tão difícil
[00:43:32] um grande público ter acesso, que por mais
[00:43:34] tem a gente falando de alienígenas, sei lá
[00:43:36] de Egito
[00:43:38] você ainda tem tentativas
[00:43:40] de tentar trabalhar com o Egito
[00:43:42] dizendo não, gente
[00:43:44] não tem nada a ver com isso, por que que Sumeria
[00:43:46] é tão complicado sendo que eram civilizações que
[00:43:48] ficam ali disputando de quem que começou
[00:43:50] primeiro e na verdade são tão próximas
[00:43:52] a verdade é assim, primeiro
[00:43:54] o Egito ele
[00:43:56] teve uma
[00:43:58] facilidade nesse
[00:44:00] ponto que
[00:44:02] Sumeria e a
[00:44:04] seriologia como um todo não teve
[00:44:06] que foi quando as coisas
[00:44:08] foram traduzidas
[00:44:10] então se a gente for pensar
[00:44:12] a Pedra de Rosetta ela é traduzida
[00:44:14] ainda durante o período Napoleônico
[00:44:18] então você tem
[00:44:20] uma língua que
[00:44:22] já está decifrada
[00:44:24] há 200
[00:44:26] anos
[00:44:28] a seriologia é um
[00:44:30] campo bem mais recente
[00:44:32] então assim
[00:44:34] as primeiras
[00:44:36] traduções
[00:44:38] mesmo assim
[00:44:42] a gente pode falar que primeiro
[00:44:44] o interesse arqueológico
[00:44:46] pela
[00:44:48] região como um todo
[00:44:50] ele aconteceu depois
[00:44:52] do boom
[00:44:54] do Egito
[00:44:56] então assim, você teve o boom da
[00:44:58] Egitologia anterior
[00:45:00] você tem a tradução da
[00:45:02] língua, a
[00:45:04] redescifração da língua
[00:45:06] anterior
[00:45:08] ao que foi
[00:45:10] o Sumério e depois
[00:45:12] o Acádio, o Babilônico como um todo
[00:45:16] e isso facilita muito
[00:45:18] porque você ter 100 anos
[00:45:20] a mais de, vamos colocar entre aspas
[00:45:22] escolástica de academia em cima
[00:45:24] facilita até a própria divulgação
[00:45:26] segundo
[00:45:28] apesar de
[00:45:30] ter sido
[00:45:32] decifrado a hoje em dia
[00:45:34] vamos colocar 100
[00:45:38] os esforços são da virada do século
[00:45:40] mas na verdade
[00:45:42] vamos colocar entre 105 e 120
[00:45:44] anos, de fato
[00:45:46] ainda se aprende muito
[00:45:48] sobre a língua e os esforços
[00:45:50] gigantescos pra
[00:45:52] tornar essa língua uma língua
[00:45:54] acessível e aprendível
[00:45:56] eles são principalmente
[00:45:58] da década de 70
[00:46:00] pra cá
[00:46:02] então assim, hoje em dia
[00:46:04] o maior dicionário
[00:46:06] do mundo
[00:46:08] de Assírio em geral
[00:46:10] normalmente
[00:46:12] quem é da área
[00:46:14] usa dois termos
[00:46:16] normalmente a gente usa
[00:46:18] Acádio ou Babilônico
[00:46:20] a gente usa três termos, a gente usa Assírio, Acádio e
[00:46:22] Babilônico
[00:46:24] na verdade são três
[00:46:26] línguas diferentes
[00:46:28] que são quase que
[00:46:30] uma a continuidade da outra
[00:46:32] então assim, quando a gente
[00:46:34] usa o termo Babilônico pra definir a língua
[00:46:36] como um todo, a língua do Unicode
[00:46:38] a língua que é escrita em cuneiforme
[00:46:40] de origem
[00:46:42] semítica, desde 1800
[00:46:44] 1900, 2000
[00:46:46] antes de Cristo, até
[00:46:48] 700, 800 depois de Cristo, a gente
[00:46:50] pode separar
[00:46:52] o Old Babilônian
[00:46:54] o Babilônio Antigo
[00:46:56] seria o Acádio
[00:46:58] o Middle Babilônio seria o Assírio
[00:47:00] e o Neo Babilônio seria o
[00:47:02] Babilônico
[00:47:04] se a gente usar o termo Babilônico
[00:47:06] pra isso
[00:47:08] não usa Sumério então
[00:47:10] Sumério é outra língua
[00:47:12] Sim, sim, sim, mas é
[00:47:14] Sumério é outra língua, eu tô falando
[00:47:16] do Acádio, do Babilônico
[00:47:18] o Sumério
[00:47:20] os estudos de Sumério
[00:47:22] os estudos de Acádio
[00:47:24] eles se interceptam
[00:47:26] para os estudantes
[00:47:28] de Acádio, eles não se interceptam
[00:47:30] pros estudantes de Sumério, porque
[00:47:32] pros estudantes de
[00:47:34] Sumer, Sumer acaba
[00:47:36] quando o Acádio começa
[00:47:38] então a língua Acádia
[00:47:40] pro estudante de Sumer é
[00:47:42] só um substrato que veio depois
[00:47:44] entendeu?
[00:47:46] pra nós
[00:47:48] as seriologistas
[00:47:50] é muito importante a gente saber
[00:47:52] Sumério também, por quê? Porque o Acádio
[00:47:54] usa o alfabeto Sumério
[00:47:56] e o Acádio usa aquilo
[00:47:58] que nós estudantes da língua chamamos
[00:48:00] de Sumerogramas
[00:48:02] que são pedaços
[00:48:04] que são simplesmente
[00:48:06] em Sumério
[00:48:08] dentro do texto, que são estrangeiros
[00:48:10] é a mesma coisa se no meio do texto eu
[00:48:12] falasse assim
[00:48:14] esse é um briefing
[00:48:16] que eu estou fazendo
[00:48:20] então assim, no meio do texto Acádio
[00:48:22] você tem vários momentos em que você solta
[00:48:24] uma palavra ou duas, ou um símbolo
[00:48:26] ou o nome de um deus, ou o nome de um
[00:48:28] lugar sagrado
[00:48:30] ou um conceito
[00:48:32] ou um contexto físico praquele conceito
[00:48:34] que foi soltado antes
[00:48:36] ou um determinativo de uma
[00:48:38] pessoa, ou de um tipo de
[00:48:40] planta
[00:48:42] que está em Sumério, e está em Sumério
[00:48:44] tem um significado todo especial
[00:48:46] então pro estudante do Assírio
[00:48:48] do Babilônico, é muito importante saber
[00:48:50] Sumério
[00:48:52] não tem importância nenhuma
[00:48:54] da língua que veio depois
[00:48:56] mas quando a gente vai trabalhar com esta
[00:48:58] língua, semítica
[00:49:00] falada durante dois mil anos
[00:49:02] que é escrita num alfabeto
[00:49:04] criado por uma outra
[00:49:06] linguista, de um outro ramo linguístico
[00:49:08] incomunicável com o seu
[00:49:10] a gente tem essas divisões
[00:49:12] e aí nessas divisões a gente tem o Assírio, o Babilônio
[00:49:14] e o Acádio, também podem ser chamados todos
[00:49:16] de Antigo Babilônio, Babilônio Médico
[00:49:18] e Neo Babilônico
[00:49:20] o que eu trabalho
[00:49:22] eu trabalho com Old Babilônio
[00:49:24] eu trabalho com a parte
[00:49:26] que, assim, é a parte mais
[00:49:28] complexa, porque quando uma língua
[00:49:30] a tendência da língua contempo é se
[00:49:32] simplificar, toda língua
[00:49:34] é assim, então assim, se você voltar
[00:49:36] no inglês médio, você vai ver que
[00:49:38] ainda tinha casos no inglês
[00:49:40] o inglês ainda era
[00:49:42] uma língua causal
[00:49:44] você pega o que era
[00:49:46] o antigo eslavo eclesiástico
[00:49:48] e você compara ele com o
[00:49:50] russo moderno, o russo simplificou muito
[00:49:52] sabe, então assim, a tendência da
[00:49:54] língua é simplificar, a parte da língua que
[00:49:56] eu trabalho é literalmente
[00:49:58] a parte mais complexa, mas também
[00:50:00] eu acho que é a parte mais fascinante
[00:50:02] da língua, porque ela é
[00:50:04] a língua de transição
[00:50:06] por excelência, porque ela é
[00:50:08] a tentativa de povo
[00:50:10] de adaptar um
[00:50:12] sistema, um alfabeto
[00:50:14] brutalmente complexo
[00:50:16] e criado
[00:50:18] por uma língua completamente diferente
[00:50:20] a sua língua
[00:50:22] e a sua rendição daquela cultura
[00:50:24] e eu acho isso
[00:50:26] assim, fascinante
[00:50:28] depois no finalzinho eu quero até fazer uma
[00:50:30] propaganda contado do que que é o meu
[00:50:32] projeto de doutoramento, porque
[00:50:34] se a pessoa aguentou
[00:50:36] uma hora de mesa podcast
[00:50:38] ela aguenta, né?
[00:50:40] eu vou
[00:50:42] estender pra uma pergunta daqui
[00:50:44] a pouquinho sobre o que que a gente tem
[00:50:46] então de documentos
[00:50:48] e mitos
[00:50:50] isso, desculpa, deixa eu só voltar
[00:50:54] eu viro que eu vou fazer isso em cinco minutos
[00:50:56] o boom de
[00:50:58] pesquisa documental sobre a Suméria
[00:51:00] ele acontece meio que por acaso
[00:51:02] tá? As regiões
[00:51:04] onde arqueologicamente
[00:51:06] os archados da
[00:51:08] de Sumer, de Akkad
[00:51:10] e de Assyria
[00:51:12] como um todo, são mais
[00:51:14] proeminentes
[00:51:16] são em regiões
[00:51:18] que são chamadas pelos locais de
[00:51:20] Tel
[00:51:22] o Tel ele é uma
[00:51:24] coluninha que parece
[00:51:26] um morrinho natural com o tempo
[00:51:28] mas que ele não é natural
[00:51:30] ele é literalmente o tempo
[00:51:32] que foi
[00:51:34] as camadas foram sedimentando
[00:51:36] e embaixo, onde tem um
[00:51:38] Tel, era um lugar que tinha
[00:51:40] uma
[00:51:42] ou uma cidade
[00:51:44] ou um templo, ou uma biblioteca
[00:51:46] tinha alguma construção gigantesca
[00:51:48] tá?
[00:51:50] e os Tel foram descobertos
[00:51:52] meio que sem
[00:51:54] querer ir por acaso
[00:51:56] por expedições britânicas e francesas
[00:51:58] que brigavam pelas novidades da época
[00:52:00] com o
[00:52:02] boom da egyptologia
[00:52:04] na Europa, isso passa a ser uma
[00:52:06] coisa colecionável e isso passa a ser
[00:52:08] um objeto de interesse
[00:52:10] tanto acadêmico quanto
[00:52:12] do luxo da alta
[00:52:14] sociedade. As coisas
[00:52:16] meio que vão acabando no Egito e
[00:52:18] as pessoas começam, as missões
[00:52:20] estrangeiras, principalmente os diplomatas
[00:52:22] tanto da França quanto da Grã-Bretanha
[00:52:24] descobrem que existem essas outras
[00:52:26] civilizações antigas e começam a procurar
[00:52:28] são nessas procuras
[00:52:30] que um diplomata
[00:52:32] francês que também é, depois
[00:52:34] entra pra história como arqueólogo, mas ele era um
[00:52:36] diplomata francês, ele acaba
[00:52:38] conversando com os locais e esse cara
[00:52:40] tinha uma vantagem que os ingleses não tinham, que ele falava
[00:52:42] turco
[00:52:44] pequena vantagem
[00:52:46] essa pequena vantagem
[00:52:48] e ele conversando com os caras, o cara fala assim, tem esses
[00:52:50] Tel, que são assim e assim, mas o que é o Tel?
[00:52:52] é coisa dos antigos que ficou coberto
[00:52:54] foi desculpa o que?
[00:52:56] Como que é, repete?
[00:52:58] Então quer dizer que isso não é um morro
[00:53:00] natural? Não, não, isso é alguma civilização antiga
[00:53:02] que está embaixo, o que?
[00:53:04] Então tem vários desses palhados
[00:53:06] tem sim, aí ele vai no governo e fala assim
[00:53:08] ou, posso escavar essas merdas aí
[00:53:10] eu pago e tal, só pra eu ver o que
[00:53:12] que tem embaixo, posso furar esses morros?
[00:53:14] O cara, você quer permissão
[00:53:16] pra furar morro no mato?
[00:53:18] É?
[00:53:20] E aí?
[00:53:22] Tem coisa antiga lá embaixo
[00:53:24] você quer as porcaria antiga
[00:53:26] que estão no morro do mato? Beleza
[00:53:28] Beleza, leve isso aí
[00:53:30] e aí meio que o cara
[00:53:32] descobre a biblioteca de Asurbanipau
[00:53:36] Que é?
[00:53:38] A biblioteca de Asurbanipau é basicamente
[00:53:40] a versão
[00:53:42] pra
[00:53:44] pra nós, as ciriologistas, do que seria
[00:53:46] a biblioteca do Vaticano
[00:53:48] no século 12
[00:53:50] Beleza
[00:53:54] É foda pra caralho
[00:53:56] É foda pra caralho
[00:53:58] Basicamente, qual que foi
[00:54:00] a ideia desse
[00:54:02] lindo menino? A ideia dele
[00:54:04] foi o seguinte, quando ele unificou
[00:54:06] todo o poder
[00:54:08] na região, ele falou assim
[00:54:10] tragam todos os livros
[00:54:12] de todos os templos e todas
[00:54:14] as bibliotecas particulares
[00:54:16] e públicas
[00:54:18] de todas as cidades
[00:54:20] e copiem todos eles porque
[00:54:22] eu quero ter todo o conhecimento
[00:54:24] já produzido no mundo
[00:54:26] Que maravilha, hein?
[00:54:28] Thor
[00:54:30] Nerd
[00:54:32] O rei nerd
[00:54:34] fez o favor de
[00:54:36] salvar
[00:54:38] para sempre
[00:54:40] tudo isso
[00:54:42] Então assim
[00:54:44] dessa, você tem várias séries
[00:54:46] dentro dessa biblioteca, então por exemplo
[00:54:48] foi aí que se recuperou
[00:54:50] o mito
[00:54:52] de Gilgamesh, do Simlai Qunini
[00:54:54] foi daí que se recuperou
[00:54:56] a versão antiga, o
[00:54:58] Chanakbaimuru
[00:55:00] foi daí que se recuperou
[00:55:02] Enuma Elish, foi daí que
[00:55:04] se recuperou o que hoje a gente chama de
[00:55:06] Atrahasis e que eu proponho
[00:55:08] o que seja chamado na sua recensão
[00:55:10] antigo-babilânica de
[00:55:12] Enuma Ilu ao Ilu, então assim
[00:55:14] vários clássicos foram
[00:55:16] recuperados aí, para além disso
[00:55:18] além é óbvio da literatura
[00:55:20] você tem toda uma série de documentação
[00:55:22] que são registros, gestas
[00:55:24] dos atos
[00:55:26] do rei, das guerras
[00:55:28] você tem
[00:55:30] questão contábil, questão de
[00:55:32] transmissão de
[00:55:34] propriedade
[00:55:36] você tem os códigos escritos
[00:55:38] de lei, então você tem leis de
[00:55:40] Chinuna, código de Amurabi
[00:55:42] tudo isso foi recuperado a partir
[00:55:44] de escavações arqueológicas, principalmente
[00:55:46] nesses teus que foram
[00:55:48] meio que descobertos dessa
[00:55:50] forma randômica e que
[00:55:52] uma vez que a França
[00:55:54] descobriu uns, a Inglaterra entrou na
[00:55:56] briga e houve toda uma briga gigantesca
[00:55:58] entre França e Inglaterra pelo
[00:56:00] controle disso, sendo que muitas vezes os
[00:56:02] franceses achavam alguma coisa, os ingleses iam lá e
[00:56:04] matavam os franceses, os locais à noite
[00:56:06] roubavam tudo e vice-versa ao contrário
[00:56:08] a história da
[00:56:10] arqueologia nos séculos
[00:56:12] dezoito e dezenove
[00:56:14] principalmente, mas assim, final de
[00:56:16] dezoito e dezenove é uma história
[00:56:18] de violência e morte
[00:56:20] a Indiana Jones
[00:56:22] de verdade
[00:56:24] por exemplo, boa parte das coisas
[00:56:26] que estão no museu britânico de Londres, inclusive
[00:56:28] boa parte
[00:56:30] das tabuinhas originais do meu
[00:56:32] livro, do Atrahasis
[00:56:34] elas estão
[00:56:36] da Atrahasis, elas estão aí
[00:56:38] roubadas
[00:56:40] de um teu que foi
[00:56:42] francês e que
[00:56:44] meio que a galera meio que resolveu
[00:56:46] morrer à noite
[00:56:48] e tudo sumiu, olha que
[00:56:50] coisa, sabe
[00:56:52] e tem muita coisa que está no
[00:56:54] Louvre que veio de teus que eram
[00:56:56] teus
[00:56:58] legalmente pertencente
[00:57:00] ao império e à coroa britânica
[00:57:02] e que a galera também
[00:57:04] sumiu
[00:57:06] agora eu estava achando
[00:57:08] que tudo isso era depois da Primeira Guerra Mundial
[00:57:10] então foi século dezenove mesmo que
[00:57:12] foi isso foi levado e isso ficou
[00:57:14] nos museus e durante muito tempo isso não
[00:57:16] foi traduzido, isso era mais
[00:57:18] uma curiosidade do que qualquer coisa
[00:57:20] e depois que isso
[00:57:22] chegou lá é que isso começa a ser traduzido
[00:57:24] porque a partir do momento que você tem mais
[00:57:26] textos e que você tenha textos
[00:57:28] bilingues é que você permite a tradução
[00:57:30] então como que as traduções foram feitas? As traduções foram feitas a partir
[00:57:32] principalmente de tratados
[00:57:34] diplomáticos que eram bilingues
[00:57:36] ou trilingues onde você já
[00:57:38] tinha uma ou duas dessas
[00:57:40] línguas decifradas
[00:57:42] a partir do momento que você decifra isso
[00:57:44] você começa a decifrar para trás
[00:57:46] dentro do próprio corpos
[00:57:48] por meio da comparação do que
[00:57:50] está significando naquele contexto, de contexto
[00:57:52] diferente onde você espera a mesma palavra
[00:57:56] e de outras traduções bilingues
[00:57:58] então por exemplo assim
[00:58:00] e é muito engraçado porque
[00:58:02] o cuneiforme
[00:58:04] a gente pensa assim, tem o cuneiforme
[00:58:06] semita, que são essas línguas todas que eu estou falando
[00:58:08] tem o cuneiforme sumério
[00:58:10] que é o original que não é
[00:58:12] totalmente separado e você tem
[00:58:14] uma língua indo-europeia escrita em cuneiforme
[00:58:16] você tem o itita, o itita é uma
[00:58:18] língua indo-europeia
[00:58:20] e ele é escrito em cuneiforme
[00:58:22] e essas traduções
[00:58:24] comparadas aí mais
[00:58:26] complexas, então elas ocorrem no século 20 daí
[00:58:30] na virada
[00:58:32] do começo do século 20
[00:58:34] então assim, 1800 e tanto, 1900 e pouco
[00:58:36] você tem as primeiras grandes publicações
[00:58:38] você já vai ter
[00:58:40] esse processo
[00:58:42] de se decifrar
[00:58:44] a língua acontecendo já
[00:58:46] no último
[00:58:48] quartel
[00:58:50] do 19
[00:58:52] mas as primeiras grandes publicações
[00:58:54] elas são da virada
[00:58:58] João daí
[00:59:00] juntando com o que você fala
[00:59:02] com a questão das traduções
[00:59:04] que é da virada do século 19 pro 20
[00:59:06] um pouco antes você tinha dito
[00:59:08] que diferente do Egito
[00:59:10] você já tinha 200 anos de tradução
[00:59:12] da questão do Egito, ainda na questão napoleônica
[00:59:14] e tudo isso
[00:59:16] não exatamente 200 anos de tradução
[00:59:18] mas assim, você tem 100 anos anteriores
[00:59:20] a de fato existir
[00:59:24] o que despertou o interesse
[00:59:26] para a ciriologia
[00:59:28] foi o fato de
[00:59:30] uma das primeiras traduções
[00:59:32] ter sido de um pedaço
[00:59:34] do Atrahasis
[00:59:36] que fala do dilúvio
[00:59:38] então o que despertou o interesse
[00:59:40] para a ciriologia foi literalmente
[00:59:42] a sua ponte com o estudo bíblico
[00:59:44] e isso acontece
[00:59:46] na virada do século 19
[00:59:48] para o século 20
[00:59:50] e vai uns bons 30, 40 anos
[00:59:52] até que a ciriologia
[00:59:54] consiga caminhar
[00:59:56] nas suas próprias pernas
[01:00:00] e deixar de ser
[01:00:02] um ramo de estudos
[01:00:04] bíblicos para passar a ser
[01:00:06] de fato
[01:00:10] um ramo de estudos per se
[01:00:12] porque no começo
[01:00:14] toda a função da
[01:00:16] ciriologia era entender
[01:00:18] como que aquilo que veio antes
[01:00:20] da bíblia fazia a bíblia
[01:00:22] ou estar certa ou estar errada
[01:00:26] e é muito forte isso ainda
[01:00:28] na própria teologia
[01:00:30] você ouve ainda muita gente
[01:00:32] acho que tem começado a mudar mais
[01:00:34] mas ainda tem muito comum você ouvir
[01:00:36] isso daqui é assim porque é de origem
[01:00:38] a síria
[01:00:40] isso daqui é assado porque é de origem a síria
[01:00:42] ou não, isso daqui é assim porque é origem babilônica
[01:00:44] hoje em dia já é bem mais comum as pessoas
[01:00:46] questionarem e falarem não, espera aí
[01:00:48] explica melhor porque como assim
[01:00:50] a gente ainda
[01:00:52] depende muito, ainda tem toda essa relação
[01:00:58] acho que a grande dúvida que está
[01:01:00] por trás do meu incômodo
[01:01:02] principalmente com teorias de alienígenas
[01:01:04] do passado é porque me dá essa
[01:01:06] impressão que Suméria
[01:01:08] e qualquer povo assírio
[01:01:10] vai ser um puta buraco negro
[01:01:12] que você pode falar qualquer coisa que ninguém
[01:01:14] entende, ninguém se importa
[01:01:16] na verdade não, a gente
[01:01:18] tem, cara, a primeira coisa
[01:01:20] que a gente tem é que agradecer
[01:01:22] ao fato de que lá não chove
[01:01:26] todos agradecem a falta de chuva
[01:01:28] e ama em Brasília que lá chove pouco
[01:01:30] então assim, não, é muito sério
[01:01:32] isso, porque que a gente tem
[01:01:34] um material
[01:01:36] físico em que
[01:01:38] esses fragmentos ficam pra
[01:01:40] gente, é barro
[01:01:42] cozido, não tem como ser
[01:01:44] mais direto do que isso
[01:01:46] porque que a língua chama cuneiforme
[01:01:48] por causa do cuneus, da cunha
[01:01:50] o que que a cunha é? A cunha
[01:01:52] é um pedacinho de
[01:01:54] normalmente
[01:01:56] um metal, mas podia ser
[01:01:58] uma madeira que é usado
[01:02:00] pra fazer uma impressão
[01:02:02] no adobe
[01:02:04] que é depois
[01:02:06] cozido, o barro
[01:02:08] é cozido e quando aquele
[01:02:10] bolinho sai do forno
[01:02:12] aquilo, onde
[01:02:14] está aquela marquinha vai subir de um lado
[01:02:16] e do outro lado vai chapar, porque você escreve
[01:02:18] dos dois lados e o lado que cozinha pra baixo
[01:02:20] fica chapado, o lado que cozinha pra cima sobe
[01:02:26] então assim, o meio material
[01:02:28] ele é muito importante pra extensão
[01:02:30] de uma literatura pra forma
[01:02:32] como a literatura
[01:02:34] durante muito tempo a gente se desassocia
[01:02:36] do meio material por causa da facilidade
[01:02:38] de meio material que a gente tem
[01:02:40] agora a gente tem que pensar
[01:02:42] que essas tabuinhas
[01:02:44] são tabuinhas de argila gente
[01:02:46] argila é barro cozido
[01:02:48] certo
[01:02:50] um texto grande
[01:02:52] como por exemplo
[01:02:54] o mito de Gilgamesh
[01:02:56] em sua versão
[01:02:58] não vou colocar a versão final
[01:03:00] mas a sua versão mais tradicional
[01:03:02] que é a versão atribuída ao
[01:03:04] escriba Simlek
[01:03:06] o Nini
[01:03:08] ele é um texto de
[01:03:10] 14 tabuinhas
[01:03:12] as tabuinhas
[01:03:14] não são tão pequenas assim
[01:03:16] pra quem já viu
[01:03:18] num museu e tal, você sabe que não é
[01:03:20] exatamente a menor coisa do mundo
[01:03:22] elas não são fáceis de carregar
[01:03:24] e elas são feitas
[01:03:26] no anverso
[01:03:28] e no seu obverso
[01:03:30] ou seja, na frente e atrás
[01:03:32] então
[01:03:34] normalmente são três colunas
[01:03:36] então você tem que pensar
[01:03:38] vamos colocar aí mais ou menos as 70, 80 linhas
[01:03:40] você tem ali
[01:03:42] uma quantidade enorme de texto
[01:03:44] pra gastar 14 tabuinhas é um
[01:03:46] puta textão
[01:03:48] agora você tem que pensar que o
[01:03:50] meio material
[01:03:52] ele te permite uma coisa mas não te permite outra
[01:03:54] ele te permite um Gilgamesh que é
[01:03:56] o auge civilizatório
[01:03:58] de um povo
[01:04:00] mas você jamais vai ter um Homero
[01:04:02] em
[01:04:04] Arcádio
[01:04:06] porque o meio material
[01:04:08] que o Homero tinha
[01:04:10] não exatamente o Homero mas as pessoas que
[01:04:12] transmitiram o Homero depois, porque se a gente for pensar
[01:04:14] no século oitavo
[01:04:16] antes de que eles nagresse os meios materiais
[01:04:18] que eles tinham a mão eram horríveis
[01:04:20] mas no século sexto
[01:04:22] eles melhoraram bastante
[01:04:24] permite a
[01:04:26] urdidura de um texto bem mais
[01:04:28] significativo
[01:04:30] quando eu to trabalhando em papiro
[01:04:32] é muito mais fácil eu escrever em
[01:04:34] papiro do que eu escrever em
[01:04:36] argila
[01:04:38] então assim as pessoas tem que lembrar
[01:04:40] também do meio material
[01:04:42] em que as coisas são produzidas
[01:04:44] porque muitas vezes essas coisas
[01:04:46] ficavam em templos, você tem que pensar que
[01:04:48] a quantidade
[01:04:50] a percentagem dessa população que era
[01:04:52] letrada é mínima
[01:04:54] então assim
[01:04:56] o que cabe ler e escrever é o
[01:04:58] apanagem da
[01:05:00] fina flor das elites
[01:05:02] é uma elite
[01:05:04] é uma elite muito especializada
[01:05:06] uma elite muito respeitada também
[01:05:08] não é uma coisa, você não se torna
[01:05:10] escriba porque sim
[01:05:12] por acidente
[01:05:14] normalmente os escribas vêm de famílias
[01:05:16] de escribas, eles são ligados a
[01:05:18] um templo
[01:05:20] o templo nome daquela cidade, eles são
[01:05:22] treinados pra isso
[01:05:24] é porque assim
[01:05:26] a gente traduz
[01:05:28] por escriba
[01:05:30] a gente as vezes traduz
[01:05:32] por sacerdote
[01:05:34] a gente traduz por médico
[01:05:36] a gente pode traduzir por exorcista
[01:05:38] a gente pode traduzir por letrado
[01:05:40] mas a palavra
[01:05:42] que eles usavam significava isso
[01:05:44] tudo ao mesmo tempo
[01:05:46] então normalmente eles usavam a
[01:05:48] palavra machu
[01:05:50] que na verdade é
[01:05:52] machu
[01:05:54] você tem dois sh
[01:05:56] na sequência
[01:05:58] machu
[01:06:00] o machu
[01:06:02] pode ser traduzido por letrado
[01:06:04] pode ser traduzido por sacerdote
[01:06:06] pode ser traduzido por médico
[01:06:08] pode ser traduzido por exorcista
[01:06:10] pode ser traduzido por matemático
[01:06:12] pode ser traduzido por diplomata
[01:06:14] ele é o escriba
[01:06:16] é o letrado
[01:06:18] o letrado é o possuidor da cultura
[01:06:20] ele é literalmente possuidor da cultura
[01:06:22] ele produz
[01:06:24] aquela cultura
[01:06:26] e normalmente ele possui o fruto
[01:06:28] da sua produção
[01:06:30] ou se não ele produz aquela cultura
[01:06:32] pro rei
[01:06:34] pro sumo comandante local
[01:06:36] ou aquilo vai morar
[01:06:38] no templo
[01:06:40] certo
[01:06:42] eu tava lendo esses dias
[01:06:44] eu to escrevendo sobre
[01:06:46] materialidade da magia
[01:06:48] do mar morto
[01:06:50] eu tava lendo esses dias
[01:06:52] um livro bem interessante falando sobre
[01:06:54] origens da escrita, da literatura
[01:06:56] eu lembrei agora por causa dessa questão
[01:06:58] do escriba
[01:07:00] basicamente o autor fala que
[01:07:02] o sistema
[01:07:04] educacional
[01:07:06] assírio ele vai
[01:07:08] influenciar muito
[01:07:10] obviamente o judaísmo
[01:07:12] e a forma como os escribas
[01:07:14] no mundo antigo como um todo
[01:07:16] não só o sistema
[01:07:18] se a gente for pensar
[01:07:20] eu quero deixar bem claro
[01:07:22] que o meu doutorado
[01:07:24] é pra
[01:07:26] uma das coisas que eu quero deixar
[01:07:28] provado pra nenhuma sombra de dúvida
[01:07:30] no meu doutorado
[01:07:32] é que Ziusudra
[01:07:34] ultranapistinho ruku
[01:07:36] o super sábio da trahazes é noé
[01:07:38] olha só
[01:07:40] olha ai
[01:07:42] a influência
[01:07:44] eu falei do sistema educacional
[01:07:46] mas você tem influência em tudo
[01:07:48] mas eu achei interessante
[01:07:50] porque ele fala muito como a ideia de
[01:07:52] aprender
[01:07:54] e aprender a escrever porque pra gente aprender
[01:07:56] a escrever a gente tem essa ideia
[01:07:58] de uma sociedade
[01:08:00] letrada e que tudo é escrito pra gente aprender
[01:08:02] a escrever é importante é fundamental
[01:08:04] mas ele não tem um peso como
[01:08:06] teria e como o processo
[01:08:08] de aprendizado é o que cria
[01:08:10] a pessoa que
[01:08:12] ele é o próprio
[01:08:14] o que torna ele humano
[01:08:16] e cria a mentalidade dessa
[01:08:18] elite que vai
[01:08:20] que vai governar enfim
[01:08:22] a elite é moldada pelo processo de aprendizagem
[01:08:24] e o processo de
[01:08:26] copiar e de escrever
[01:08:28] é o processo que
[01:08:30] que faz você ser o que você é
[01:08:32] e faz você entender também como que a sociedade
[01:08:34] deveria funcionar então você por exemplo não vai
[01:08:36] não espera-se de um
[01:08:38] escriba que ele vá
[01:08:40] ser totalmente criativo e sair
[01:08:42] escrevendo histórias novas espera-se que ele conheça
[01:08:44] a fundo o que
[01:08:46] já existe não é
[01:08:48] exatamente quando você pega por
[01:08:50] exemplo é pra dar um exemplo
[01:08:52] assim o mito de Gilgamesh que eu
[01:08:54] acho que se a gente for separar
[01:08:56] os três textos mais
[01:08:58] famosos digamos assim
[01:09:00] da literatura
[01:09:02] Sumeru Akkadian
[01:09:04] como um todo a gente falaria
[01:09:06] provavelmente em
[01:09:08] Gilgamesh como
[01:09:10] de fato eu acho que é o texto
[01:09:12] mais lido de
[01:09:14] todos que vieram dessa região
[01:09:16] da Mesopotâmia o texto Mesopotâmico mais famoso
[01:09:18] talvez em segundo lugar
[01:09:20] o Enumelish
[01:09:22] que é um poema de criação e
[01:09:24] por último o Atrahasis
[01:09:26] o
[01:09:28] Atrahasis ele é
[01:09:30] basicamente um mito
[01:09:32] criacional e ele fala do dilúvio
[01:09:34] eles são os três grandes
[01:09:36] textos
[01:09:38] Mesopotâmicos
[01:09:40] que
[01:09:42] sumelizam
[01:09:44] muito bem essa cultura como um todo
[01:09:46] a gente pega por exemplo
[01:09:48] Gilgamesh
[01:09:50] ele tem duas versões
[01:09:52] ele tem a
[01:09:54] duas versões é mó de falar ele tem várias
[01:09:56] subversões ele tem
[01:09:58] duas grandes versões
[01:10:00] que a versão estándar Akkadiana
[01:10:02] que ela é mais ou menos por volta do
[01:10:04] do século 12 que ela se forma
[01:10:06] esse estándar dela
[01:10:08] e você tem a versão Antigobabilônica
[01:10:10] que é em Eudabilônia
[01:10:12] que é por volta do
[01:10:14] século 18
[01:10:16] o nome que a gente
[01:10:18] dá para os poemas não é um
[01:10:20] nome que os
[01:10:22] Akkadianos ou Sumérios
[01:10:24] ou os Assyrios ou os Babilônicos davam
[01:10:26] para os seus poemas como é que isso
[01:10:28] funcionava para eles é só
[01:10:30] uma curiosidade
[01:10:32] você tem colofões no final
[01:10:34] de basicamente todos os textos
[01:10:36] deles
[01:10:38] e nesse
[01:10:40] colofão ele vem
[01:10:42] escrito basicamente
[01:10:44] o que que é por exemplo
[01:10:46] assim vou dar um exemplo de um colofão muito
[01:10:48] famoso que é o colofão
[01:10:50] da versão estándar de Babilônica
[01:10:52] do
[01:10:54] do Gilgamesh
[01:10:56] que é Iskargalgamesha
[01:10:58] Pissinlek
[01:11:00] Masmashu
[01:11:02] que é Sere
[01:11:04] Gilgamesh
[01:11:06] da boca de
[01:11:08] Pissinlekulini
[01:11:10] Masmashu letrado
[01:11:12] e aí normalmente depois vem
[01:11:14] 212 e o número
[01:11:16] de linhas que foram escritas 432
[01:11:18] tá agora
[01:11:20] Nossa que lindo que eles colocam
[01:11:22] desculpa mas que lindo que eles colocam o número
[01:11:24] de linhas
[01:11:26] É to achando lindo também
[01:11:28] a gente está nas bibliotecas gente
[01:11:30] muito legal
[01:11:32] é maravilhoso pensar isso mas isso era
[01:11:34] literalmente para facilitar o trabalho
[01:11:36] do biblioteco
[01:11:38] eu só lembrei
[01:11:40] porque eu tenho um amigo assim
[01:11:42] do pessoal que trabalha aqui
[01:11:44] um dos meus amigos trabalha muito com a questão
[01:11:46] de reconstrução de
[01:11:48] manuscritos
[01:11:50] no caso dos manuscritos do mar morto e daí você tem que
[01:11:52] tentar meio que adivinhar quantas linhas
[01:11:54] que possivelmente aquilo teria
[01:11:56] ninguém ninguém escreveu quantas linhas
[01:11:58] teria então você vai
[01:12:00] no caso dos manuscritos a maior parte dele
[01:12:02] você tem coisa em papiro mas a maior parte foi escrita
[01:12:04] em pergaminho
[01:12:06] em couro e como animais
[01:12:08] tem um tamanho relativamente limitado
[01:12:10] então você tem ideia de
[01:12:12] quanto mais ou menos no máximo
[01:12:14] pode ter aquele aquele
[01:12:16] manuscrito daí você vai enfim
[01:12:18] tem análise de padrões
[01:12:20] de você vai medindo quando
[01:12:22] quanto que os danos foram feitos
[01:12:24] a cada quantos centímetros porque você imagina
[01:12:26] eu entendo perfeitamente porque eu
[01:12:28] trabalho com as tábuas então
[01:12:30] e daí você fica tipo
[01:12:32] seria lindo ter
[01:12:34] facilitaria muito a vida da gente ter os números
[01:12:36] de páginas por isso que eu achei lindo
[01:12:38] isso normalmente tem as versões
[01:12:40] isso tem nas versões mais novas
[01:12:42] então por exemplo assim na versão estándar de Babilônia
[01:12:44] que é a versão da biblioteca de Asu Bonipal
[01:12:46] aí você já tem você tem silo real
[01:12:48] você tem bonitinho você tem qualquer
[01:12:50] lugar dele na biblioteca
[01:12:52] nas versões mais antigas muitas vezes
[01:12:54] você não tem e aí o nome
[01:12:56] aí que está essa versão estándar de Babilônia
[01:12:58] ele já coloca Iscar Gilgameshá
[01:13:00] já coloca série Gilgamesh
[01:13:02] porque Gilgamesh já é o nome popular
[01:13:04] da obra só que
[01:13:06] na verdade quando você vem lá embaixo
[01:13:08] ainda mais para a organização
[01:13:10] não está como o Gilgamesh
[01:13:12] o nome do de
[01:13:14] qualquer livro era
[01:13:16] o nome da primeira frase daquele livro
[01:13:18] então essa
[01:13:20] versão de Gilgamesh na verdade
[01:13:22] ela
[01:13:24] chamava Chanac Baimuru
[01:13:26] ele o abismo viu
[01:13:28] a versão antiga
[01:13:30] de Gilgamesh em Babilônia com o antigo
[01:13:32] ela chamava Chuturelixarri
[01:13:34] que era proeminente entre os reis
[01:13:36] porque começava Chuturelixarri
[01:13:38] Gilgameshá proeminente entre os reis
[01:13:40] você tinha Gilgamesh aí
[01:13:42] e no ele
[01:13:44] o abismo viu você tem uma mudança
[01:13:46] você tem uns 29 linhas antes
[01:13:48] da versão então assim o que era
[01:13:50] o Chuturelixarri que era a primeira
[01:13:52] frase da versão antiga
[01:13:54] ele vai ser a primeira frase da 29
[01:13:56] linha na versão
[01:13:58] entre aspas moderna
[01:14:00] então
[01:14:02] então na versão de Gilgamesh por exemplo
[01:14:04] Gilgamesh nada mais é do que um enorme
[01:14:06] compilado de todas as histórias daquele
[01:14:08] povo então na versão
[01:14:10] estándar de Gilgamesh
[01:14:12] Babilônia do
[01:14:14] século 12 você tem
[01:14:16] pelo menos quatro
[01:14:18] dos seis poemas sumérios
[01:14:20] do ciclo de Bilgamesh
[01:14:22] sendo contados no meio do
[01:14:24] texto
[01:14:26] você tem
[01:14:28] o Atrahasis
[01:14:30] sendo contado um pedaço no livro
[01:14:32] 9
[01:14:34] Utanapistin Ruku
[01:14:36] que é o sábio Nagba
[01:14:38] é abismo
[01:14:40] ou tudo que vem da mesma
[01:14:42] raiz de Apzu
[01:14:44] Utanapistin
[01:14:46] que vem da mesma raiz de
[01:14:48] Apzunapzu Utanapzu
[01:14:50] aquele que foi para de trás do abismo
[01:14:52] aquele que foi para além do abismo ou seja
[01:14:54] aquele que transcendeu a vida
[01:14:56] Ruku é o muito distante ele transcende
[01:14:58] a vida ele sai do mundo para viver fora do mundo
[01:15:00] esse é o super sábio
[01:15:02] o que esse super sábio fez ele sobreviveu ao dilúvio
[01:15:04] se você pega
[01:15:06] Utanaistin Ruku que é o nome dele
[01:15:08] em Utanapistin Utanaistin
[01:15:10] normalmente vem isso aqui de Utanapistin
[01:15:12] isso varia muito pouco da região pra região
[01:15:14] o diminutivo de Utanapistin
[01:15:16] é Naish
[01:15:18] em Aramaica e Noé
[01:15:20] aham
[01:15:22] olha só
[01:15:24] você vê de onde que vem
[01:15:26] então por exemplo assim
[01:15:28] nesse poema que
[01:15:30] eu não gosto de usar o termo épico
[01:15:32] porque épico é um termo grego
[01:15:34] mas assim nesse mito
[01:15:36] eu entendo o problema desculpa
[01:15:38] eu totalmente entendo o problema com
[01:15:40] termos gregos porque eu não gosto de usar
[01:15:42] demônios porque é um termo grego e eu não quero ficar
[01:15:44] exatamente porque daimon não é exatamente
[01:15:46] aquilo que você quer usar então assim
[01:15:48] é mais do que isso né
[01:15:50] aham
[01:15:52] então assim o
[01:15:54] você tem por exemplo nesse
[01:15:56] esse mito do
[01:15:58] do Gilgamesh basicamente
[01:16:00] todos os mitos de uma cultura
[01:16:02] de uma forma ou de outra passando ali
[01:16:04] o que isso mostra isso mostra a circularidade
[01:16:06] desse conhecimento que é o que a Tupa
[01:16:08] está falando
[01:16:10] então assim como que esses escribas
[01:16:12] para além desses escribas tinha os contadores de história
[01:16:14] esses contadores de história eles viajavam nas
[01:16:16] rotas comerciais eles viajavam
[01:16:18] nas rotas de navegação
[01:16:20] e essas mesmas histórias iam
[01:16:22] permeando aquele povo e o que
[01:16:24] mantém essa cultura vive a sua oralidade
[01:16:26] muitas vezes se a gente for
[01:16:28] ver o texto ele está sempre atrasado
[01:16:30] em relação a oralidade como que a gente
[01:16:32] consegue ver os resquícios de
[01:16:34] oralidade nessas culturas muitas vezes
[01:16:36] através da arte
[01:16:38] arte figurativa então por exemplo assim
[01:16:40] você tem as vezes em
[01:16:42] arte desenhos da cena
[01:16:44] da luta
[01:16:46] entre Huaua Rumbaba
[01:16:48] em Kidu e Gilgamesh
[01:16:50] que são
[01:16:52] 300 anos mais modernos
[01:16:54] do que a escrita que você tem dessa luta que vai mudando
[01:16:56] porque na Suméria essa luta acontece
[01:16:58] de uma forma em Akkad
[01:17:00] no antigo Babilônia que acontece de outra
[01:17:02] e na versão estándar ela acontece de uma terceira forma
[01:17:04] só que a arte que representa essa luta
[01:17:06] ela já representa
[01:17:08] o que vai ser representado na versão
[01:17:10] estándar de 300 anos depois
[01:17:12] 300 anos antes isso mostra
[01:17:14] a circularidade e a oralidade desses textos
[01:17:16] eu acho que é uma coisa
[01:17:18] que a gente tem que sempre lembrar
[01:17:20] eu imagino que as pessoas sabem disso
[01:17:22] mas é bom lembrar sempre quando a gente fala
[01:17:24] desses textos
[01:17:26] a sociedade é uma sociedade que está baseada
[01:17:28] muito mais no mundo oral não é uma sociedade
[01:17:30] que usa textos como a gente
[01:17:32] é porque a gente fica tão acostumado que a gente
[01:17:34] não para pra pensar
[01:17:36] eu estava tentando
[01:17:38] pensar sobre essa ideia de
[01:17:40] não viver com o texto
[01:17:42] e é muito difícil imaginar como
[01:17:44] que é você não ter o texto
[01:17:46] como a base
[01:17:48] de tudo, do seu pensamento, do seu conhecimento
[01:17:50] de tudo
[01:17:52] o texto ele é, eu li uma metáfora
[01:17:54] que eu achei fantástica, eu estava até comentando
[01:17:56] com o Ivan agora
[01:17:58] antes de a gente gravar aqui
[01:18:00] a ideia de que o texto
[01:18:02] é semelhante ao que um músico
[01:18:04] vai usar uma partitura
[01:18:06] durante uma performance
[01:18:08] pra ler aquele texto propriamente
[01:18:10] você tem que conhecer o texto
[01:18:12] você não lê aquele texto sem nunca ter lido ele
[01:18:14] como a gente faz
[01:18:16] hoje em dia com o livro
[01:18:18] pra ler aquele texto você tem que conhecê-lo
[01:18:20] e ele
[01:18:22] enfim, faz parte de um processo de
[01:18:24] oral e escrito que é diferente do que a gente
[01:18:26] está acostumado hoje, então assim como
[01:18:28] que durante uma performance ele tem o texto
[01:18:30] ele tem a partitura
[01:18:32] mas ele conhece aquela partitura pra ele poder
[01:18:34] ler ela de forma fluente
[01:18:40] mas, sobre
[01:18:42] o João citou aí
[01:18:44] que temos três textos grandes
[01:18:46] que são os mais famosos
[01:18:50] eu falei um pouco
[01:18:52] do
[01:18:54] Guilgames, os outros dois são
[01:18:56] o Enuma Elix
[01:18:58] e o Atra Hazes
[01:19:00] mas eu queria saber
[01:19:02] que daí eu acho que é um tema
[01:19:04] que com certeza o João
[01:19:06] gosta muito
[01:19:08] que em outras vezes a gente já brincou também
[01:19:10] sobre a questão, um dia a gente terminou o Anticast
[01:19:12] e falou de Pazuzu
[01:19:16] e que daí até perguntei
[01:19:18] se ele seria, porque a gente fala
[01:19:20] hoje de Pazuzu como um demônio
[01:19:22] que é um termo grego
[01:19:24] Pazuzu também foi incorporado na dremonologia cristã
[01:19:26] e tudo isso
[01:19:28] mas eu queria saber quais são os registros que nós temos
[01:19:30] sobre a questão
[01:19:32] religiosa
[01:19:34] na Mesopotâmia
[01:19:36] quais são as entidades principais
[01:19:38] e se é mais ou menos que nem no Egito
[01:19:40] em que por conta de
[01:19:42] você não ter
[01:19:44] um conceito da religião revelada
[01:19:46] ainda, do texto
[01:19:48] que todo mundo vai ler
[01:19:50] se os mitos variam muito
[01:19:52] entre si
[01:19:54] então quais são os personagens principais
[01:19:56] e qual a variação dos mitos entre si
[01:19:58] principalmente nessa questão de
[01:20:00] se existe antagonismo de força
[01:20:02] com certeza não existe
[01:20:04] o bem contra o mal e tal
[01:20:06] eu vou não apenas falar
[01:20:08] como eu vou fazer uma
[01:20:10] recomendação
[01:20:12] de um livro
[01:20:14] pequeno, maravilhoso, ilustrado
[01:20:16] puta, daí é fantástico
[01:20:18] tem figurinha é bom
[01:20:20] tem o nome de cada um
[01:20:22] com a sua figurinha do lado
[01:20:24] o que ele faz, de onde ele veio
[01:20:26] o que ele significa
[01:20:28] esse livro é fantástico
[01:20:30] ele é bem bacana pra quem
[01:20:32] tem um interesse
[01:20:34] e ele vai em ordem alfabética
[01:20:36] ele é um dicionáriozinho
[01:20:38] pode ir no seu demônio favorito
[01:20:40] ver a fotinha dele
[01:20:42] e ver o que ele faz
[01:20:44] eu quero recomendar
[01:20:46] ele chama literalmente
[01:20:48] gods, demons
[01:20:50] and symbols of ancient mesopotamia
[01:20:52] an illustrated
[01:20:54] dictionary
[01:20:56] não fica mais ilustrado do que isso
[01:20:58] ele é de dois autores maravilhosos
[01:21:00] que é o Jeremy Black
[01:21:02] e o Andrew Green
[01:21:04] e as ilustrações são
[01:21:06] muito, muito
[01:21:08] muito, muito bem feitas
[01:21:10] ele é do The British Museum
[01:21:12] Press
[01:21:14] não é
[01:21:16] é um livro difícil
[01:21:18] de se comprar online
[01:21:20] ele foi reprintado várias vezes
[01:21:22] eu tenho o da primeira edição
[01:21:24] porque eu sou chato
[01:21:26] e eu gosto de ter as primeiras edições
[01:21:28] ele foi reprintado
[01:21:30] acho que pela ultima vez
[01:21:32] em 2004, 2005
[01:21:34] e assim, numa ABBooks.com da vida
[01:21:36] numa Amazon
[01:21:38] você acha esse livro ridiculamente
[01:21:40] barato
[01:21:42] então assim
[01:21:44] eu queria falar isso
[01:21:46] primeira coisa, pra quem se
[01:21:48] interessar e se eu tivesse que
[01:21:50] recomendar um livro pra você começar com isso
[01:21:52] eu recomendo esse dicionário
[01:21:54] porque ele é um dicionário
[01:21:56] que você lê ele como um dicionário
[01:21:58] indo de A até Z
[01:22:00] e você não para de se divertir em momento nenhum
[01:22:02] e outra coisa, ele tem 190 páginas
[01:22:04] sinceramente
[01:22:06] se o seu intestino for lerto em uma semana
[01:22:08] no banheiro você lê esse livro
[01:22:10] olha que maravilha
[01:22:12] tudo que você sempre quis
[01:22:14] tudo que você sempre quis
[01:22:16] então assim, a primeira parte
[01:22:18] que eu queria fazer era fazer essa recomendação
[01:22:20] porque ele é muito didático, ele é muito bom
[01:22:22] e apesar dele
[01:22:24] ser didático e bom
[01:22:26] ler-se superficial
[01:22:28] ele te indica
[01:22:30] bibliografia
[01:22:32] se você quer
[01:22:34] se aprofundar em algum tema
[01:22:36] específico
[01:22:38] uma boa obra de referência então
[01:22:40] ele é uma obra de referência fenomenal
[01:22:42] é um livro realmente muito bom
[01:22:44] então assim, eu recomendo ele
[01:22:46] de coração
[01:22:48] cola com o tio que sepasta de ano
[01:22:52] ele é realmente muito bom
[01:22:56] voltando a questão da religião
[01:22:58] a religião
[01:23:00] na Mesopotâmia, ela é
[01:23:02] humana, demasiado humana
[01:23:04] os deuses da Mesopotâmia
[01:23:06] eles não teriam como ficar
[01:23:08] mais humanos
[01:23:10] do que isso
[01:23:12] é óbvio que os gregos
[01:23:14] chutam o balde na humanização
[01:23:16] dos deuses, mas assim
[01:23:18] eles não estão inventando
[01:23:20] eles estão roubando, digamos assim
[01:23:22] eles estão copiando
[01:23:24] e muita gente inclusive fala isso
[01:23:26] é um tema de muitos estudos hoje em dia
[01:23:28] que é inclusive da influência
[01:23:30] dos mitos, da mitologia
[01:23:32] da Suméria
[01:23:34] e da Mesopotâmia como toda
[01:23:36] a Suméria, a Círia e a Babilônia
[01:23:38] que entra nos gregos
[01:23:40] principalmente via Pandora
[01:23:42] porque Pandora ele é muito influenciado
[01:23:44] por mitos
[01:23:46] nossos da Siriologia
[01:23:50] se a gente tivesse que falar
[01:23:52] dos principais
[01:23:54] eu teria que dos deuses falar de
[01:23:56] Ea, ou Enki, Anlu
[01:23:58] e Enliu
[01:24:00] e também de
[01:24:02] Ishtar e Nana
[01:24:04] Adad, de Deus do céu
[01:24:06] Ninsum
[01:24:08] Chamash
[01:24:10] Chiamat, Mardu, Azuz
[01:24:12] Dumuzi
[01:24:14] Amuz
[01:24:16] Ninliu
[01:24:18] An, Anu
[01:24:20] algum desses nomes
[01:24:22] assim como acontece com
[01:24:24] os romanos e os gregos
[01:24:26] você tem também o que acontece com
[01:24:28] Sumer e Akad
[01:24:30] então por exemplo assim
[01:24:32] quando eu falo Ishtar
[01:24:34] eu to falando de Akad
[01:24:36] na Suméria eu to falando de Nana
[01:24:38] são a mesma pessoa
[01:24:40] quando eu falo de Enki
[01:24:42] eu to falando de Akad
[01:24:44] quando eu falo de Ea
[01:24:46] eu to falando de Suméria, são as mesmas pessoas
[01:24:48] certo
[01:24:50] e uma coisa que é sempre muito importante
[01:24:52] nunca confunda, Chamash com Chiamat
[01:24:54] são pessoas diferentes
[01:24:56] essa é muito importante
[01:24:58] mas assim, esses seriam
[01:25:00] os seus principais
[01:25:02] com muita, muita, muita, muita
[01:25:04] aspa deus
[01:25:06] porque é um panteão grande
[01:25:08] e complexo
[01:25:10] e ai
[01:25:12] eu vou me permitir, vocês vão me dar
[01:25:14] dois segundos aqui
[01:25:16] só pra eu achar que eu quero fazer
[01:25:18] essa referência certa
[01:25:20] porque é outro livro
[01:25:22] maravilhoso
[01:25:24] outro livro minúsculo
[01:25:26] baratinho e fácil de comprar
[01:25:28] minúsculo
[01:25:30] eu gosto assim só
[01:25:32] eu concordo, tipo um livro de
[01:25:34] cento e poucos páginas é um livro minúsculo
[01:25:36] deixa claro que eu imagino que isso não seja
[01:25:38] a realidade de todo mundo, quando você fala um livro
[01:25:40] minúsculo eu não imagino que as pessoas pensem
[01:25:42] em livros de duzentas páginas
[01:25:44] é um pouco menos minúsculo
[01:25:46] mas pra mim é minúsculo, eu tenho só
[01:25:48] 370
[01:25:50] como alguém pode não achar o livro de 370
[01:25:52] 370 já é um livro bom
[01:25:54] ai porra
[01:25:56] é uma autora que eu sou
[01:25:58] apaixonado por ela que é
[01:26:00] Stephanie Daly
[01:26:02] é da Oxford World Classics
[01:26:04] da Oxford University Press
[01:26:06] que é o Myths from Mesopotamia
[01:26:08] Creation, The Flood,
[01:26:10] Gilgamesh and Others
[01:26:12] os mitos da mesopotamia
[01:26:14] criação
[01:26:16] o dilúvio é uma palavra que
[01:26:18] não traduz de forma nenhum
[01:26:20] a bubu
[01:26:22] e eu vou explicar isso depois
[01:26:24] Gilgamesh e Outros
[01:26:26] esse livro basicamente
[01:26:28] tem todos
[01:26:30] os clássicos
[01:26:32] então você tem o
[01:26:34] Atrahasis completo
[01:26:36] você tem o Gilgamesh completo
[01:26:38] você tem
[01:26:40] Adapa completa, Etana completa, Anzu
[01:26:42] completo, Nergal e Ereshkigal
[01:26:44] a descida de Inanna
[01:26:46] o submundo, a descida de Ishtar
[01:26:48] completo
[01:26:50] o épico da criação
[01:26:52] conhecido popularmente pelas crianças de hoje em dia
[01:26:54] comendo uma Ereshk complete
[01:26:56] conhecido pelas crianças
[01:26:58] de hoje em dia
[01:27:00] que crianças são essas
[01:27:02] toda criança obviamente
[01:27:04] conhece isso
[01:27:06] o Erik com certeza
[01:27:08] se eu chego na escolinha
[01:27:10] e eu puxo
[01:27:12] Numelech
[01:27:14] Nabu
[01:27:16] quem que já não vira e fala
[01:27:18] Chaplizamamu
[01:27:20] Malaxaracá
[01:27:22] Desculpa
[01:27:24] Desculpa, que tipo de pessoa
[01:27:26] quem nunca
[01:27:28] falando sério
[01:27:30] eu ainda devo ter citado errado
[01:27:32] que eu estou tentando citar de cabeça aqui
[01:27:34] qualquer coisa, se tiver um colega
[01:27:36] se eu tiver fala de errado
[01:27:38] desculpa
[01:27:40] Relaxa cara, João você pode estar inventando tudo isso
[01:27:42] ninguém vai corrigir cara
[01:27:44] tranquilo
[01:27:46] mas sério
[01:27:48] se alguém tem interesse
[01:27:50] nos mitos da Mesopotâmia
[01:27:52] esse é um livro de literalmente
[01:27:54] 10 dólares no AB Books
[01:27:56] usado
[01:27:58] esse livro ele é completamente
[01:28:00] completíssimo
[01:28:02] ele tem várias edições revisadas dele
[01:28:04] ele vai sendo revisado de tempos em tempos
[01:28:06] porque ele entra no Classics da Oxfam
[01:28:08] eles revisam e tal
[01:28:10] muito bacana, muito completo
[01:28:12] nossa, é um sonho esse livro
[01:28:16] eu tenho livros que eu sou apaixonada
[01:28:18] eu entendo, sou apaixão
[01:28:20] e em português não tem nada, João?
[01:28:22] não, sob literatura não
[01:28:24] eu tenho muita coisa
[01:28:26] em francês, alemão
[01:28:28] e inglês pra recomendar
[01:28:30] eu tô recomendando inglês porque eu acho que é mais
[01:28:32] acessível
[01:28:34] não, não, é só
[01:28:36] por curiosidade mesmo, porque
[01:28:38] até no programa de Egito que a gente fez
[01:28:40] o professor Mauricio Schneider que participou
[01:28:42] que é egiptólogo
[01:28:44] ele disse que tinha coisa em português
[01:28:46] mas cai no problema de novo na questão da popularidade
[01:28:48] de Egito as pessoas tem interesse
[01:28:50] e Suméria, Mesopotâmia
[01:28:52] já são coisas mais especiais
[01:28:54] sendo muito sincero, tem coisa em português?
[01:28:56] tem, boa parte dos livros
[01:28:58] do Kramer sobre Suméria
[01:29:00] foram traduzidos, tem muitos livros de
[01:29:02] histórias sobre os Ititas
[01:29:04] sobre a região que foram traduzidos
[01:29:06] a edição em 70 de Portugal
[01:29:08] tem várias coisas
[01:29:10] de história
[01:29:12] da região
[01:29:14] em compensação de literatura
[01:29:16] da região é bem mais pobre
[01:29:20] então assim, você tem traduções
[01:29:22] pro português de Portugal
[01:29:24] e para o espanhol
[01:29:26] do Gilgamesh
[01:29:28] que são muito boas
[01:29:30] você tem uma tradução pro português brasileiro
[01:29:32] que o meu orientador fez, que tá no prelo
[01:29:34] que vai sair, que é maravilhosa
[01:29:36] que ele tá fazendo um trabalho
[01:29:38] de revisão crítica
[01:29:40] de todos os assuntos
[01:29:42] legal
[01:29:44] um trabalho monstruoso
[01:29:46] sabe, agora a parte literária
[01:29:48] ela é bem mais
[01:29:50] necessitária do que a parte história
[01:29:52] então você tem o Rede por exemplo
[01:29:54] que é um puta especialista em economia
[01:29:56] da região
[01:29:58] então ele tem publicações
[01:30:00] e mais publicações em português
[01:30:02] sobre economia acádia
[01:30:04] que são muito interessantes
[01:30:06] mas assim, são outra área
[01:30:08] então assim, sobre história
[01:30:10] principalmente história econômica e social
[01:30:12] você tem muita coisa
[01:30:14] sobre literatura você tem bem menos
[01:30:16] e o que você vai ter vai ser em Portugal
[01:30:18] e provavelmente da edição em 70
[01:30:20] ou da Fundação Calouste Gubequia
[01:30:22] beleza
[01:30:24] então vamos lá
[01:30:26] essas são as fontes principais
[01:30:28] esses dois livros que você citou
[01:30:30] que são fontes
[01:30:32] são fontes introdutórias que eu tô citando
[01:30:34] pra quem tem o interesse de se aprofundar
[01:30:36] nos mitos, porque você só consegue compreender
[01:30:38] esse etos
[01:30:40] mental e comportamental
[01:30:42] esse mundo mental dessas pessoas
[01:30:44] se você tiver a compreensão dos mitos
[01:30:46] que você tem que entender, assim como a Topá já disse
[01:30:48] que isso é uma cultura de oralidade
[01:30:50] onde as pessoas
[01:30:52] são basicamente
[01:30:54] expostas a esse mito
[01:30:56] desde a sua mais tênue infância
[01:30:58] essa é uma cultura
[01:31:00] onde não existe
[01:31:02] linha entre
[01:31:04] sabedoria, conhecimento e
[01:31:06] religião
[01:31:08] então assim
[01:31:10] a receita pra cura
[01:31:12] de dor de dente é
[01:31:14] passar um emplasto e recitar
[01:31:16] uma encantação
[01:31:18] então você tem tipo
[01:31:20] a medicina faz parte
[01:31:22] você tem incantations junto com
[01:31:24] a medicina
[01:31:26] e antes que as pessoas já pensem
[01:31:28] isso porque eles eram
[01:31:30] porque eles não tinham
[01:31:32] um pensamento muito lógico
[01:31:34] porque eles não tinham acesso a tecnologia
[01:31:36] não é nada disso
[01:31:38] essas pessoas inventaram a engenharia hidráulica
[01:31:40] essas pessoas construíam
[01:31:42] zigurafs que eram basicamente pirâmides
[01:31:44] gigantescas, essas pessoas
[01:31:46] chegaram a ter cidades com mais
[01:31:48] de uma centena
[01:31:50] de milhares
[01:31:52] de pessoas
[01:31:54] dois milênios
[01:31:56] antes de Cristo
[01:31:58] onde tinha água
[01:32:00] encanada nessas cidades
[01:32:04] tinha um sistema de esgoto nessa bosta
[01:32:06] e uma das coisas que eu acho que me incomoda
[01:32:08] um pouco quando se coloca muito essa ideia
[01:32:10] de ah, então eram astronautas
[01:32:12] cálculos matemáticos avançadíssimos
[01:32:14] sim, alienígenas
[01:32:16] Tupá, eram os alienígenas
[01:32:18] isso, eram alienígenas
[01:32:20] essa ideia de que eram alienígenas
[01:32:22] é um pouco da nossa soberba de achar que
[01:32:24] civilizações de outros períodos
[01:32:26] não podem ser tão boas quanto a gente
[01:32:28] que vem dessa nossa
[01:32:30] constante ideia de que a gente
[01:32:32] quer evolução, que existe uma evolução
[01:32:34] no mundo e que a gente está sempre crescendo
[01:32:36] e a gente é sempre melhor do que o passado
[01:32:40] e não necessariamente em tudo
[01:32:42] então a gente tem que parar de
[01:32:44] subdimensionar as culturas de outros momentos
[01:32:46] de cultura e normalmente quando a gente fala
[01:32:48] especialmente da parte de medicina
[01:32:50] de encantação, de magia
[01:32:52] enfim
[01:32:54] a gente tende a achar que isso
[01:32:56] quem faz isso é supersticioso
[01:32:58] e inclusive
[01:33:00] a primeira receita pra dor de
[01:33:02] dente do mundo
[01:33:04] a Cádia
[01:33:08] só pra mostrar o tanto que
[01:33:10] não apenas a civilização era pior que a gente
[01:33:12] como ela era muito melhor do que a nossa
[01:33:16] eu vou citar um trecho
[01:33:18] da epopeia de Gilgamesh
[01:33:20] vou citar livremente, eu não vou literalmente
[01:33:22] falar como está escrito lá
[01:33:24] o Enkidu
[01:33:26] quando ele vai ser civilizado, o Enkidu
[01:33:28] ele é criado nas steppes pelos deuses
[01:33:30] quando ele vai ser civilizado
[01:33:32] eles mandam pra
[01:33:34] encontrar com ele Charinto
[01:33:36] Shamhat
[01:33:38] Shamhat
[01:33:40] era uma espécie de
[01:33:42] era um dos tipos de
[01:33:44] prostitutas rituais ligadas
[01:33:46] ao templo e a prostituição não era
[01:33:48] vista com os olhos que a nossa sociedade
[01:33:50] vê a prostituição aqui, vamos deixar isso bem claro
[01:33:52] a Shamhat
[01:33:54] era uma prostituta sacerdotisa
[01:33:56] ela tinha uma função
[01:33:58] ritual muito importante nessa sociedade
[01:34:00] e Charinto Shamhat
[01:34:02] Charinto é um outro tipo de
[01:34:04] prostituta ritual também ligado a um outro
[01:34:06] tipo de serviço religioso
[01:34:08] então quando eu dou o nome da prostituta
[01:34:10] que vai entre aspas
[01:34:12] civilizar Enkidu de Charinto
[01:34:14] Shamhat
[01:34:16] é como se fosse a grande
[01:34:18] sacerdotisa, a grande prostituta
[01:34:20] essa mulher
[01:34:22] ela vai até steppe
[01:34:24] e ela seduz Enkidu
[01:34:26] e ela civiliza Enkidu
[01:34:28] dando um delicioso e maravilhoso
[01:34:30] chá de pepeca
[01:34:32] durante 7 dias e 7 noites ininterruptas
[01:34:34] ao final do qual eles fazem
[01:34:36] um grande banquete onde eles tomam
[01:34:38] cerveja e comem pães assados
[01:34:40] durante 7 dias e 7 noites ininterruptas
[01:34:42] depois de comer os pães
[01:34:44] e dormir
[01:34:46] de forma correta
[01:34:48] de forma ritualizada
[01:34:50] Enkidu é considerado
[01:34:52] socializado
[01:34:54] ele deixa de ser uma besta
[01:34:56] dos campos que andava junto
[01:34:58] aos animais pra passar a ser um
[01:35:00] homem, um ser humano
[01:35:02] um ao ilu
[01:35:04] então assim
[01:35:06] o processo civilizatório dessa
[01:35:08] sociedade envolve
[01:35:10] sexo, bebida e pãozinho
[01:35:20] e vou te falar outra coisa
[01:35:22] a relação entre Enkidu
[01:35:24] e Gilgamesh ela é uma relação
[01:35:26] de amizade mas ela também é uma relação
[01:35:28] de claro erotismo
[01:35:30] e ninguém ta nem ai pra isso
[01:35:32] é uma sociedade onde o pessoal tem a cabeça
[01:35:34] aberta e quer ser feliz
[01:35:36] sociedade maravilhosa
[01:35:38] tem muito o que aprender com a Akádia
[01:35:40] se a gente não fosse
[01:35:42] nós somos ruins e
[01:35:44] preconceituosos esse pessoal
[01:35:46] era um pessoal gente boa pra caralho
[01:35:50] inclusive quando os
[01:35:52] Akádios conseguiram dobrar
[01:35:54] a sua produção
[01:35:56] de frutos
[01:35:58] de comida sabe qual foi a primeira
[01:36:00] coisa que eles fizeram?
[01:36:02] passaram a trabalhar metade do tempo
[01:36:04] ah não
[01:36:06] é uma sociedade inteligente
[01:36:08] é uma sociedade ridiculamente
[01:36:10] evoluída
[01:36:12] quando eles dobraram a sua produção eles passam a comemorar
[01:36:14] dois anos novos dentro do mesmo ano
[01:36:16] que são dois Akitos
[01:36:18] genial
[01:36:20] que excelente cara
[01:36:22] mais do que forretos
[01:36:24] quando eles comemoravam um Akito durante um tempo
[01:36:26] assim só num pedaço do ano e depois eles passam a comemorar
[01:36:28] dois Akitos que é concomitante
[01:36:30] a tecnologias
[01:36:32] que eles foram criando que melhoraram
[01:36:34] a produção dos grãos
[01:36:36] a sociedade
[01:36:38] fenomenal
[01:36:40] fenomenal
[01:36:42] voltando ai para as entidades
[01:36:44] naquele programa
[01:36:46] em especifico eu perguntei assim
[01:36:48] qual seria o melhor termo pra
[01:36:50] pazuzu?
[01:36:52] pra quem não lembra quem assistiu o
[01:36:54] exorcista é o demônio
[01:36:56] que possuiu
[01:36:58] a jovem menina
[01:37:00] e que
[01:37:02] e é curioso justamente
[01:37:04] que é uma entidade que ta ligada
[01:37:06] a cultura mesopotâmica
[01:37:08] e que dai em algum momento
[01:37:10] vai entrar na demonologia cristã
[01:37:12] e dai eu te pergunto isso
[01:37:14] quem é pazuzu
[01:37:16] na sua
[01:37:18] originalidade?
[01:37:20] cara pazuzu
[01:37:22] o termo demônio
[01:37:24] ele é um termo horroroso
[01:37:26] obrigado
[01:37:28] obrigado
[01:37:30] o termo demônio
[01:37:32] ele faz o
[01:37:34] o bumbum cair da bunda
[01:37:36] cair da bunda
[01:37:38] graças ao termo
[01:37:40] demônio cara
[01:37:42] o termo demônio ele não ajuda em nada
[01:37:44] cara
[01:37:46] o que acontece é o seguinte
[01:37:48] a primeira coisa
[01:37:50] que a gente tem que pensar
[01:37:52] cara como é difícil explicar isso
[01:37:54] vamos por partes
[01:37:56] pazuzu
[01:37:58] era uma entidade
[01:38:00] assírio-babilônica
[01:38:02] do primeiro milenio
[01:38:04] antes de cristo
[01:38:06] ele normalmente é representado
[01:38:08] com uma face canina
[01:38:10] com olhos
[01:38:12] abnormalmente
[01:38:14] gigantescos
[01:38:16] e um corpo
[01:38:18] ele tem um
[01:38:20] pênis que é basicamente
[01:38:22] uma cabeça de uma cobra
[01:38:24] ele costuma ter asas
[01:38:28] ele é bem
[01:38:30] esquisito
[01:38:32] qual que era a
[01:38:34] função de pazuzu?
[01:38:36] pazuzu ele era
[01:38:40] um guardião
[01:38:44] ele era
[01:38:46] um guardião do mundo inferior
[01:38:50] e ele era
[01:38:54] ruim
[01:38:56] como é que eu vou colocar isso? ele era mal
[01:38:58] ele era normalmente
[01:39:02] associado com o lamastu
[01:39:04] que era a deusa líder
[01:39:06] chefe digamos assim
[01:39:08] do mundo inferior em algumas
[01:39:10] metologias locais
[01:39:14] e qual que era a função de pazuzu?
[01:39:16] pazuzu tinha uma função de guarda no mundo inferior
[01:39:18] pazuzu era
[01:39:20] usado muitas vezes a sua imagem
[01:39:22] como um protetor
[01:39:24] contra ventos
[01:39:26] pestilentos
[01:39:28] principalmente o vento que vinha do oeste que
[01:39:30] trazia muita doença que era um vento que batia normalmente
[01:39:32] no inverno
[01:39:34] então as pessoas consideravam aquele vento um vento pestilento
[01:39:36] porque era uma época
[01:39:38] que elas eram normalmente
[01:39:40] acometidas por problemas respiratórios
[01:39:42] faz sentido
[01:39:44] resfriado
[01:39:46] então assim
[01:39:48] ele está ligado
[01:39:50] assim
[01:39:52] ele está ligado com sargon
[01:39:54] ele está ligado com
[01:39:56] lugalbanda
[01:39:58] que é um rei mítico
[01:40:00] prediluviano que seria
[01:40:02] dependendo da versão pai ou avô
[01:40:04] de gilgamesh
[01:40:06] e normalmente
[01:40:08] o pazuzu
[01:40:10] você tem a ideia de que ele seria
[01:40:12] um deus benevolente
[01:40:14] pessoal para aquelas pessoas que
[01:40:16] o seguiriam
[01:40:18] mas
[01:40:20] que seria
[01:40:22] exatamente o contrário
[01:40:24] para os inimigos daquelas pessoas
[01:40:26] então
[01:40:28] se pazuzu era o responsável
[01:40:30] por prevenir
[01:40:32] o vento pestilento por aqueles
[01:40:34] que o seguiam ele jogava
[01:40:36] o vento pestilento
[01:40:38] naquele que
[01:40:40] ele estava contra
[01:40:42] entende?
[01:40:44] então assim com isso
[01:40:46] acaba que
[01:40:48] muitas vezes
[01:40:50] para os
[01:40:52] caudeus monoteístas
[01:40:56] e vamos lembrar que
[01:40:58] depois da revolta falida
[01:41:00] de Amenophis IV
[01:41:02] no Egito, conhecido popularmente
[01:41:04] pelas crianças de hoje em dia
[01:41:06] como Alakhenaton, a imagem perfeita
[01:41:08] e esplandecida de áton
[01:41:10] o círculo solar
[01:41:12] para os egiptologistas pela pronúncia
[01:41:18] o monoteísmo caudeu
[01:41:20] é o primeiro monoteísmo de facto
[01:41:22] onde as pessoas de fato creem
[01:41:24] que existe só um deus
[01:41:26] e não onde um faraó
[01:41:28] precisa de que só exista um deus só
[01:41:30] para diminuir o poder dos sacerdotes
[01:41:32] de Amon
[01:41:36] então assim
[01:41:38] quando você pensa no clash civilizacional
[01:41:40] e lembrando mais uma vez
[01:41:42] que os povos caudeus
[01:41:44] na antiguidade
[01:41:46] foram basicamente conquistados
[01:41:48] por todo e qualquer povo que tentou
[01:41:50] os judeus
[01:41:52] os povos caudeus na antiguidade
[01:41:54] eles são o equivalente ao exército francês
[01:41:56] da modernidade
[01:41:58] eles conseguiram a proeza de perder basicamente
[01:42:00] toda e qualquer batalha que eles entraram
[01:42:06] eu estava falando dos povos caudeus
[01:42:08] o que eu estava falando é que eles na antiguidade
[01:42:10] conseguiram ser o análogo
[01:42:12] da modernidade do exército francês
[01:42:14] eles perderam toda e qualquer batalha
[01:42:16] na qual eles se envolveram
[01:42:18] eles foram dominados
[01:42:20] por todo e qualquer povo
[01:42:22] que sequer tentou
[01:42:24] está fazendo nada
[01:42:26] vou ali dominar os caudeus
[01:42:28] é basicamente isso
[01:42:30] e literalmente todos conseguiram
[01:42:32] dos cananeus todo mundo
[01:42:34] qualquer um que tentou conseguiu
[01:42:36] para o caudeu monoteísta
[01:42:38] alguém que era adepto de Pazuzu
[01:42:40] é alguém que usa
[01:42:42] talismã
[01:42:44] de um cachorro
[01:42:46] com pau de cobra
[01:42:48] com asa
[01:42:50] vejamos
[01:42:52] não é exatamente a coisa mais amigável
[01:42:54] não é a coisa mais amigável
[01:42:56] cujo poder
[01:42:58] é cuspir e trazer
[01:43:00] contra os seus
[01:43:02] inimigos ventos pestilentos
[01:43:04] que te causam a morte
[01:43:06] porque você não consegue respirar
[01:43:12] agora defina com uma palavra
[01:43:14] o que seria esse ser
[01:43:16] demônio
[01:43:18] é por isso que você tem
[01:43:20] e ai eu quero entrar
[01:43:22] numa única coisa que é muito importante
[01:43:24] para a gente entender
[01:43:26] que é o seguinte
[01:43:28] num povo
[01:43:30] que não escreve
[01:43:32] não lê
[01:43:34] a religião
[01:43:36] ela é comunicada de forma muito
[01:43:38] veemente pela escultura
[01:43:40] pela arte
[01:43:42] pela pintura
[01:43:44] pelos amuletos
[01:43:46] em acádio
[01:43:48] nós temos uma palavra
[01:43:50] chamada melamu
[01:43:52] que a gente nem traduz
[01:43:54] ela porque a gente não gosta de traduzir
[01:43:56] mas é basicamente o melamu
[01:43:58] é essa transcendência
[01:44:00] metafísica
[01:44:02] do railiga
[01:44:04] do sagrado
[01:44:06] então a ideia
[01:44:08] é que
[01:44:10] quanto mais assustadora
[01:44:12] quanto mais análoga a carranca
[01:44:14] vamos pensar assim
[01:44:16] fosse a imagem daquela entidade
[01:44:18] mais forte seria
[01:44:20] a função melamítica
[01:44:22] dela
[01:44:24] de transmitir
[01:44:26] essa imanência
[01:44:28] essa
[01:44:30] transcendência
[01:44:32] metafísica sagrada
[01:44:34] então as imagens
[01:44:36] são as mais grotescas
[01:44:38] possíveis
[01:44:40] entendeu?
[01:44:42] quando isso entra
[01:44:44] num povo
[01:44:46] monoteista
[01:44:48] cheio de intérditos
[01:44:50] e cheio de tabus rituais
[01:44:52] quanto mais
[01:44:54] os que falam sobre representação do deus
[01:44:56] você consegue
[01:44:58] imaginar o poderio
[01:45:00] de susto
[01:45:02] de paura
[01:45:04] de terror
[01:45:06] de medo
[01:45:08] que isso causa
[01:45:10] então assim só pra gente entender nesse contexto
[01:45:12] como
[01:45:14] que uma entidade menor
[01:45:16] ligada à lamastu
[01:45:18] com uma função
[01:45:20] votiva
[01:45:22] com uma função
[01:45:24] acaba
[01:45:26] por se transformar
[01:45:28] dentro do monoteismo
[01:45:30] caudeu
[01:45:32] não como um deus pessoal
[01:45:34] benevolente
[01:45:36] né?
[01:45:38] uma lama
[01:45:40] lamastu vem disso
[01:45:42] mas sim
[01:45:44] entre várias aspas
[01:45:46] demônio
[01:45:48] o mito da torre de babel
[01:45:50] vai vir por aí também
[01:45:52] nessa questão do choque dos caudeus
[01:45:54] ou dos hebreus
[01:45:58] tem vários mitos
[01:46:00] que vem da
[01:46:02] o que a gente tem que entender também é o seguinte
[01:46:06] os caudeus quando eles vão escrever
[01:46:08] os livros do
[01:46:10] antigo testamento esses livros vão estar sendo
[01:46:12] escritos num momento
[01:46:14] concomitante a queda dessa
[01:46:16] civilização
[01:46:18] a esmagadora maioria
[01:46:20] desses livros vai ser escrita
[01:46:22] no
[01:46:24] venhamos e convenhamos hoje em dia pela
[01:46:26] pelo que
[01:46:28] nos diz a crítica
[01:46:30] textual deles
[01:46:32] 90% de todas as partes foram escritos
[01:46:34] nesse último milênio
[01:46:36] tá?
[01:46:38] e já é num período aonde esta cultura
[01:46:40] não está mais no seu auge
[01:46:44] mas sim no finalzinho
[01:46:46] do auge babel onde já começa uma
[01:46:48] decadência já começa uma mudança
[01:46:50] porque vem influência de outras
[01:46:52] culturas e já existe um contato
[01:46:54] maior com o
[01:46:56] entre muitas aspas o ocidente
[01:46:58] via grécia principalmente que a gente
[01:47:00] tem que pensar que a grécia não é só aquela ilhazinha
[01:47:02] ali embaixo a grécia tem uma parte nómina
[01:47:04] ásia
[01:47:06] tem outras culturas ali que estão
[01:47:08] crescendo bastante
[01:47:10] então assim você tem os fenícios viajando
[01:47:12] os egípcios estão mudando muito
[01:47:14] você tem os etrus ali no mar que eles chegam
[01:47:16] até uma parte
[01:47:18] a grécia a eladi
[01:47:20] como um todo ela está se estendendo
[01:47:22] cada vez mais pra dentro da
[01:47:24] da
[01:47:26] ásia então assim
[01:47:28] você já está num ambiente aonde
[01:47:30] você não tem o predomínio da
[01:47:32] aquela cultura e mesmo
[01:47:34] aquela cultura ainda estando muito
[01:47:36] pujante você pensar o que é
[01:47:38] o que foi a babilônia durante
[01:47:40] o período da urdidura de boa parte
[01:47:42] do antigo testamento ou o que foi
[01:47:44] o próprio reino persa o reino
[01:47:46] Meda durante boa parte
[01:47:48] dessa
[01:47:50] urdidura desses livros do Cozelet
[01:47:52] e tudo mais é uma coisa muito impressionante
[01:47:54] ainda assim
[01:47:56] é o período
[01:47:58] do final
[01:48:00] esse império
[01:48:02] ele já não ele está saindo do seu
[01:48:04] apogeu e depois ele vai
[01:48:06] descer rumo a
[01:48:08] uma decadência.
[01:48:10] Então assim eu
[01:48:12] acho que esse é um primeiro fator
[01:48:14] o que significa isso significa que
[01:48:16] as histórias que são
[01:48:18] contadas do que
[01:48:20] na época se considerava o
[01:48:22] verdadeiro apogeu elas são histórias de
[01:48:24] um milênio milênio e meio atrás
[01:48:26] em uma cultura
[01:48:28] majoritariamente
[01:48:30] verbal
[01:48:32] e onde
[01:48:34] o acesso
[01:48:36] aos livros é muito
[01:48:38] pequeno e muitas vezes
[01:48:40] o acesso à língua onde esses livros
[01:48:42] estavam escritos já tinha diminuído
[01:48:44] consideravelmente.
[01:48:46] Até que
[01:48:48] ponto não se tinha
[01:48:50] perdido boa parte
[01:48:52] do antigo
[01:48:54] Babilônio dos escribas
[01:48:56] ou do sumério
[01:48:58] que ainda jazia
[01:49:00] guardado num templo aqui num
[01:49:02] templo acolá pelos
[01:49:04] escribas Babilônico é muito
[01:49:06] questionável.
[01:49:08] Então você tem muito mais uma presença
[01:49:10] dessa oralidade que vai falar então por exemplo
[01:49:12] assim porque quando você chega de fato a pensar
[01:49:14] assim a Torre de Babilônio
[01:49:16] e não sei quantas línguas na verdade
[01:49:18] você não tem nem tantas línguas assim naquela região
[01:49:20] é óbvio
[01:49:22] você tem vários
[01:49:24] dialetos
[01:49:26] e aí você vai ter Elamita
[01:49:28] o Haniano Itita
[01:49:30] assim estou falando de línguas diferentes a Cádio
[01:49:32] Elamita o Haniano Itita
[01:49:34] a quantidade de
[01:49:36] línguas que existe ali ela é
[01:49:38] infinitamente
[01:49:40] inferior à quantidade
[01:49:42] de línguas que existem por exemplo nos povos
[01:49:44] indígenas brasileiros só para dar um exemplo
[01:49:48] seja no ramo do pigurani
[01:49:50] seja no macro g
[01:49:54] não se compara
[01:49:58] e outra coisa apesar
[01:50:00] de ter todas essas línguas
[01:50:02] são línguas que usaram todas a mesma escrita
[01:50:04] isso só ajuda
[01:50:06] no experimento na patronização de uma forma
[01:50:08] que a gente não tem noção
[01:50:10] sim
[01:50:12] sim
[01:50:14] mas eu fiz a pergunta da questão da
[01:50:16] Torre de Babel
[01:50:18] porque eu já vi
[01:50:20] algum
[01:50:22] o livro que fala da Sumer
[01:50:24] da Mesopotâmia da coleção
[01:50:26] grandes imperias e civilizações dizendo que
[01:50:28] eu estou sustando de cabeça que agora
[01:50:30] que eu não estou com o livro agora mas que dizia
[01:50:32] que a Torre de Babel seria um
[01:50:34] ziggurati e que o mito
[01:50:36] da Torre de Babel que consta no
[01:50:38] antigo testamento seria uma crítica
[01:50:40] de povos monoteístas
[01:50:42] contra o politeísmo
[01:50:44] que eles condenavam lá daquela região
[01:50:46] é mais ou menos por aí
[01:50:48] sim a estrutura dela
[01:50:50] você vê qualquer cara eu acho que
[01:50:52] eu posso ter errado mas pra
[01:50:54] mim
[01:50:56] a representação
[01:50:58] mais famosa da Torre de
[01:51:00] Babel pra mim é do Bruegel
[01:51:02] é que
[01:51:04] se vocês
[01:51:06] botarem no Google
[01:51:08] Torre de Babel você vai ver uma
[01:51:10] torre de base circular gigantesca
[01:51:12] sendo construída essa é do
[01:51:14] Bruegel provavelmente
[01:51:16] sim
[01:51:18] e cada vez ela vai ficando menor
[01:51:20] é literalmente
[01:51:22] o formato de um ziggurati
[01:51:24] então mas é
[01:51:26] ainda assim
[01:51:28] se você olha a representação do Bruegel
[01:51:30] você vai notar por exemplo que ela utiliza
[01:51:32] arcos plenos que ela tem
[01:51:34] uma base circular ou seja ela tem
[01:51:36] uma influência medieval grande
[01:51:38] apesar de
[01:51:40] ser um tema medieval grande
[01:51:42] normalmente as representações que você
[01:51:44] tem você tem essa ideia de que ela era
[01:51:46] cada vez menor
[01:51:48] a cada
[01:51:50] andar novo ela ia
[01:51:52] ficando cada vez menor como se fosse
[01:51:54] uma tentativa de chegar ao céu
[01:51:56] vamos lembrar do ziggurati que é o prédio
[01:51:58] religioso por excelência
[01:52:00] mesopotâmica
[01:52:02] qual que é a ideia do ziggurati ele é cada vez
[01:52:04] menor são andares
[01:52:06] que vão cada vez diminuir
[01:52:08] ficando menor até que o último andar
[01:52:10] é literalmente onde são feitos
[01:52:12] rituais os sacrifícios e tudo mais
[01:52:14] nesse último andar normalmente tem
[01:52:16] uma porta de madeira
[01:52:18] o deus ele mora fisicamente
[01:52:20] o deus da cidade
[01:52:22] ele mora no ziggurati
[01:52:24] e a porta
[01:52:26] que é uma porta de madeira incrustada
[01:52:28] com diversas encantações
[01:52:30] rituais ela é
[01:52:32] a comunicação do mundo
[01:52:34] do deus com esse mundo nosso
[01:52:36] então o deus entra e sai do
[01:52:38] ziggurati da cidade por aquela porta
[01:52:40] que está dentro do ziggurati
[01:52:44] literalmente a ideia
[01:52:46] da crítica de as pessoas
[01:52:48] ousavam se comunicar com deus
[01:52:50] é uma leitura mal feita
[01:52:52] de quem desconhece o que é a religião
[01:52:54] e só viu o ziggurati ali
[01:52:56] agora a gente tem que pensar que uma coisa é como o ziggurati
[01:52:58] era usado
[01:53:00] no século 18, no século 20, no século 25
[01:53:02] antes de cristo e como que o ziggurati
[01:53:04] chega lá pro século
[01:53:06] 7, 8
[01:53:08] onde essa religião já mudou muito
[01:53:10] onde entre
[01:53:12] Anu do Muze
[01:53:14] e Marduk já mudou
[01:53:16] até quem é o
[01:53:18] o deus mais forte, o dono
[01:53:20] das aspas do céu
[01:53:22] gerações e gerações
[01:53:24] de deuses já foram mortos
[01:53:26] e substituídos
[01:53:28] então assim, muitas vezes já se
[01:53:30] perdeu o sentido originário
[01:53:32] simbólico do que estava ali
[01:53:34] e subjá só o
[01:53:36] liame mais superficial
[01:53:38] que esses filhas da puta construíram
[01:53:40] uma casa em cima da outra na hora que não conseguiu
[01:53:42] chegar na lua colocaram uma placa escrito
[01:53:44] é difícil
[01:53:46] excelente piada
[01:53:48] que eu contava quando era criança
[01:53:50] muito bom
[01:53:52] então assim
[01:53:54] é literalmente isso
[01:53:56] então quando assim
[01:53:58] quando eu estou falando do
[01:54:00] etemenaki, quando eu estou falando do emenkar
[01:54:02] ou de qualquer outro templo
[01:54:04] que são as casas desses deuses
[01:54:06] desses ziggurats
[01:54:08] pra uma pessoa
[01:54:10] de uma religião monoteista que desconhece
[01:54:12] aquela religião
[01:54:14] seu funcionamento
[01:54:16] o que é o
[01:54:18] matriz simbólico
[01:54:20] que está ali de fato
[01:54:22] representando
[01:54:24] essa
[01:54:26] sem querer usar um termo grego
[01:54:28] mas usando o termo grego, essa junção do céu
[01:54:30] e até esse apanatatismos
[01:54:32] ela vai ver
[01:54:34] naquilo simplesmente uma soberba
[01:54:36] de tentar construir algo gigantesco
[01:54:38] então sim, eu consigo compreender
[01:54:40] essa crítica
[01:54:42] eu acho fascinante a crítica
[01:54:44] linguística
[01:54:46] o deus criou isso
[01:54:48] as pessoas falaram em tantas línguas diferentes
[01:54:50] são línguas de mais socorro
[01:54:52] cara, todas as línguas são do teu primo
[01:54:54] um entende o outro
[01:54:56] o que você está falando
[01:54:58] excelente
[01:55:00] bom João, eu acho que
[01:55:02] a gente pode falar
[01:55:04] do tema que você tanto queria falar
[01:55:06] que é a questão do dilúvio
[01:55:08] né
[01:55:10] e daí eu vou
[01:55:12] fazer a pergunta da abertura óbvia
[01:55:14] e você fala o que você quiser aí
[01:55:16] que é, Gilgamesh
[01:55:18] por acaso é Noé
[01:55:20] de fato?
[01:55:22] não, o Gilgamesh não é
[01:55:24] o super sábio é Noé, o Tanapishin
[01:55:26] Huku é Noé, Zilsudra é Noé
[01:55:28] a história do dilúvio
[01:55:30] ela começa na Suméria
[01:55:32] o mito
[01:55:34] sumeriano, sumério
[01:55:36] do dilúvio, ele fala de um
[01:55:38] herói chamado Zilsudra
[01:55:40] que sobrevive ao dilúvio
[01:55:42] isso em Akádio, o nome dele passa
[01:55:44] para o Tanapishin, que eu já falei
[01:55:46] um pouco, o Tanapishin
[01:55:48] vírgula Ruku
[01:55:50] Ruku é um epíteto
[01:55:52] dele é um vocativo
[01:55:54] que é o distante
[01:55:56] porque esse herói
[01:55:58] uma vez que ele consegue
[01:56:00] sobreviver ao dilúvio
[01:56:02] a ele é garantida
[01:56:04] a comunidade
[01:56:06] dos deuses, ou seja, ele vai viver
[01:56:08] na mente
[01:56:10] e aí ele se afasta desse nosso
[01:56:12] mundo físico
[01:56:14] para viver para além
[01:56:16] ele vive depois
[01:56:18] do limiar, digamos assim, ele é o muito
[01:56:20] distante
[01:56:26] só para avisar, atupar
[01:56:28] vai ter que sair daqui a pouquinho
[01:56:30] ela falou
[01:56:32] eu devo ir porque já são quase 4 da manhã daqui a pouco
[01:56:34] daqui pariu, desculpa aí
[01:56:36] vou te falar primeiro desculpa, segundo obrigado
[01:56:38] e eu juro que eu estou terminando
[01:56:40] eu vou falar dez minutinhos aqui agora
[01:56:42] do meu projeto
[01:56:44] e vou terminar, sério, juro
[01:56:46] eu estou curiosa
[01:56:48] sobre o projeto e desculpa
[01:56:50] eu não queria ficar colocando pressão
[01:56:52] só porque eu realmente estou com muito sono
[01:56:54] muito justo
[01:56:56] a minha ideia é o seguinte
[01:57:00] vamos ver por onde que
[01:57:02] eu vou falar rapidamente do Atrahasis
[01:57:04] é esse poema do Super Sábio
[01:57:06] Atrahasis é
[01:57:08] é literalmente
[01:57:10] absurdamente sábio
[01:57:14] que é o apelido do texto
[01:57:16] também não falam que Gilgamesh é o apelido
[01:57:18] do Chanak Bhaimuru
[01:57:20] que é um texto
[01:57:22] que basicamente
[01:57:24] fala
[01:57:26] é um mito da criação
[01:57:28] e ele fala do dilúvio
[01:57:30] que essa é uma das três
[01:57:32] histórias sobreviventes de dilúvios
[01:57:34] da Babilônia
[01:57:36] o nome dele também
[01:57:38] aparece na lista de reis
[01:57:40] sumérios como sendo um dos reis
[01:57:42] de Shrupaka que é uma cidade bem
[01:57:44] grande da Suméria antes
[01:57:46] do dilúvio
[01:57:50] resumindo qual que é o meu
[01:57:52] meu trabalho, meu trabalho
[01:57:54] é editorar e traduzir
[01:57:56] e comentar
[01:57:58] esse texto
[01:58:00] como que eu vou editorá-lo
[01:58:02] esse texto ele tem
[01:58:04] várias recensões
[01:58:06] desde a sua recensão original
[01:58:08] em antigo Babilônico
[01:58:12] que é datado, vamos colocar
[01:58:14] aí mais ou menos
[01:58:16] do século 17
[01:58:18] antes de Cristo
[01:58:20] e ele vai indo
[01:58:22] até sendo
[01:58:24] retroduzido e retroduzido e mudado
[01:58:26] até mais ou menos o século
[01:58:28] 19 antes de Cristo
[01:58:30] as versões que a gente tem hoje em dia
[01:58:32] elas são basicamente
[01:58:34] uma grande
[01:58:36] sopa de letrinhas aonde
[01:58:38] eu pego vinte e poucas
[01:58:40] partes
[01:58:42] que sobraram ao longo desses
[01:58:44] quase mil anos pra tentar
[01:58:46] transformar elas num texto coeso
[01:58:48] eu acho
[01:58:50] que isso é
[01:58:52] interessante do ponto de vista acadêmico pra se ter o
[01:58:54] texto maior e tal, mas eu vejo
[01:58:56] nisso um erro que é não
[01:58:58] tentar separar
[01:59:00] o original antigo Babilônico mesmo
[01:59:02] que a gente perca e em vez de
[01:59:04] ter 70, 80% do livro como um todo
[01:59:06] tem só 50, 60
[01:59:08] dá mais ou menos 60%
[01:59:10] são seis tabas em cuneiforme
[01:59:12] eu vou pegar essas seis tabas
[01:59:14] em cuneiforme, eu tenho elas
[01:59:16] eu tenho fotos, né?
[01:59:18] Tenho elas, nossa, tá bom
[01:59:20] eu tenho várias fotos
[01:59:22] dela
[01:59:24] tem qualidade bem boa que dá pra trabalhar
[01:59:26] eu vou transliterar
[01:59:28] eu vou transcrever e transliterar
[01:59:30] então eu vou basicamente
[01:59:32] tirar da pedra e fazer o desenho
[01:59:34] e eu vou traduzir
[01:59:36] do desenhinho pra acádio
[01:59:38] transliterado e vou traduzir
[01:59:40] de acádio transliterado
[01:59:42] para português
[01:59:44] editorando e fazendo pela primeira
[01:59:46] vez desde
[01:59:48] mil seiscentos e cinquenta
[01:59:50] antes de Cristo o texto original
[01:59:52] ninguém
[01:59:54] nunca fez
[01:59:56] o original, todo mundo sempre
[01:59:58] prefere
[02:00:00] ter mais texto e
[02:00:02] menos originalidade, eu prefiro ter mais
[02:00:04] originalidade mesmo tendo um pouco menos de texto
[02:00:06] então eu vou
[02:00:08] editorar essas seis tabas
[02:00:10] pra fazer o texto
[02:00:12] o cuneiforme e o
[02:00:14] transliterado acádio
[02:00:16] vou traduzir o transliterado acádio
[02:00:18] pro português e
[02:00:20] vou rever as traduções que foram feitas
[02:00:22] porque as traduções que foram feitas
[02:00:24] as grandes traduções, as últimas são da
[02:00:26] década de setenta
[02:00:28] de sessenta pra setenta, no final de sessenta e cinco
[02:00:30] sessenta e sete, setenta e um
[02:00:32] e de lá pra cá a gente aprendeu muito
[02:00:34] sobre a língua, o CAD
[02:00:36] o Chicago Assyrian Dictionary
[02:00:38] ele é de setenta e três e terminou de ser publicado
[02:00:40] agora em dois mil e oito
[02:00:42] então assim, eu acho que tem muita coisa pra
[02:00:44] ser revista nessas traduções
[02:00:46] e uma vez que eu fizer
[02:00:48] a tradução, eu vou fazer
[02:00:50] basicamente
[02:00:52] dois estudos
[02:00:54] que eu quero fazer um estudo sobre a figura do herói
[02:00:56] do dilúvio comparando
[02:00:58] Zilçudra no texto sumério
[02:01:00] com Ultranapistim Hukú
[02:01:02] no texto acádio e Noé
[02:01:04] no texto bíblico
[02:01:06] pra mostrar as pontes
[02:01:08] mas o que que você acha
[02:01:10] que tem de relação assim de Noé
[02:01:12] porque, vai
[02:01:14] eu aqui como leigo no assunto
[02:01:16] pra mim, Gilgamesh
[02:01:18] era o Proto Noé
[02:01:20] que tinha feito, que o mito era parecido
[02:01:22] Gilgamesh é outro livro e não tem nada a ver com isso
[02:01:24] nós estamos falando de duas pessoas diferentes, Gilgamesh é um livro
[02:01:26] ele tem o mito dele, esse livro
[02:01:28] Atrahasis é sobre o Super Sábio
[02:01:30] o Super Sábio é
[02:01:32] Ultranapistim Hukú em acádio
[02:01:34] Zilçudra em sumério
[02:01:36] você que acha o Gilgamesh
[02:01:38] mas é que eu to pensando em dilúvio, dilúvio pra mim
[02:01:40] é Gilgamesh, não tem nada a ver
[02:01:42] no livro nove de Gilgamesh
[02:01:44] acontece um dilúvio
[02:01:46] e Gilgamesh
[02:01:48] no livro nove de dilúvio
[02:01:50] de Gilgamesh
[02:01:52] o Gilgamesh
[02:01:54] se encontra com o Super Sábio que é o cara que
[02:01:56] sobreviveu o dilúvio
[02:02:00] ele não constrói a arca então
[02:02:02] não, o Gilgamesh se encontra
[02:02:04] com o Super Sábio porque
[02:02:06] eu vou dar um spoiler de um livro de 1200
[02:02:08] anos, de 3.200 anos atrás
[02:02:10] é absurdo
[02:02:12] que absurdo
[02:02:14] então eu quero deixar o spoiler alert
[02:02:16] o Gilgamesh se encontra com
[02:02:18] o Super Sábio
[02:02:20] porque Enkidu morre
[02:02:22] o Gilgamesh percebe que ele é mortal
[02:02:24] o Gilgamesh tem medo de morrer
[02:02:26] e ele busca a imortalidade
[02:02:28] e o único homem que se tornou imortal foi o Super Sábio
[02:02:30] foi o Ultranapistim Hukú
[02:02:32] então o Gilgamesh busca o
[02:02:34] Ultranapistim Hukú pra se tornar imortal
[02:02:38] isso é o que acontece no livro de Gilgamesh
[02:02:40] Sartra Hazes conta a história
[02:02:44] na verdade ele conta a história
[02:02:46] da criação do mundo
[02:02:48] dos deuses
[02:02:50] e como que os deuses criam os humanos pra
[02:02:52] trabalharem pra eles e como que os humanos fazem
[02:02:54] um rio de merda eles resolvem mandar um dilúvio
[02:02:56] pra lavar os humanos da face da terra
[02:02:58] só que tem um deus, o Ia
[02:03:00] que gosta dos humanos
[02:03:02] e ele é proibido na Assembleia dos Deuses de contar
[02:03:04] pros humanos que vai ter um dilúvio
[02:03:06] então como que ele faz? Ele chega na casa do
[02:03:08] Super Sábio
[02:03:10] e aí o Super Sábio fala, pô Ia que bom você por aqui
[02:03:12] tomaram um café?
[02:03:14] ele, não, não, não, não tenho nada pra falar com você não
[02:03:16] eu vim aqui conversar com a tua parede
[02:03:18] parede vai ter um dilúvio
[02:03:20] parede pelo amor
[02:03:22] de deus constrói uma arca
[02:03:24] parede me ouve
[02:03:28] ai depois fala que o brasileiro
[02:03:30] que inventou o jeitinho né cara
[02:03:32] olha aí
[02:03:34] é um dos livros mais gostosos de ler
[02:03:36] do mundo, o livro é maravilhoso
[02:03:38] é divertidíssimo, você ri sem parar
[02:03:40] é maravilhoso
[02:03:42] recomendo a leitura
[02:03:44] no livro que eu falei da Deli
[02:03:46] dos mitos do Mesopotâmia
[02:03:48] tem ele inteiro
[02:03:50] traduzidinho, em inglês bonitinho, fácil de ler
[02:03:52] palatável
[02:03:54] o livro é fantástico
[02:03:56] o livro
[02:03:58] na verdade o nome dele é
[02:04:00] Inuma ilu awilu
[02:04:02] enquanto os deuses como homem viviam
[02:04:04] isso significava o que?
[02:04:06] enquanto os deuses trabalhavam
[02:04:08] os deuses só de fato
[02:04:10] conseguem ter paz quando eles param de trabalhar
[02:04:12] então quando eles pararem de trabalhar eles criam os homens
[02:04:14] pra trabalhar pra eles
[02:04:16] eu acho isso só genial gente
[02:04:18] porque o objetivo da vida
[02:04:20] é o laser e o ócio
[02:04:22] então deus não pode trabalhar
[02:04:24] deus tem que ter laser e ócio
[02:04:26] é só genial
[02:04:28] como não gostar?
[02:04:30] só que qual que é o problema?
[02:04:32] porque os deuses trabalhando fazem muito barulho
[02:04:34] e não deixam os deuses dormirem a noite
[02:04:36] eles ficam putos e mandam doenças
[02:04:42] maravilhoso
[02:04:44] fantástico
[02:04:46] esse é o meu livro
[02:04:48] e aí eu vou editorar esse livro
[02:04:50] traduzir e fazer alguns estudos literários
[02:04:52] acerca deles
[02:04:54] o primeiro é sobre a figura do herói do dilúvio
[02:04:56] comparando o Ziusudra que é o herói do dilúvio sumério
[02:04:58] com o Utanapiste que é o herói do dilúvio
[02:05:00] como é que é o herói do dilúvio bíblico
[02:05:02] tem várias coisas em comum
[02:05:04] a forma como eles constroem
[02:05:06] onde que a barca bate
[02:05:08] o tempo que demora
[02:05:10] como que eles fazem pra ver se o dilúvio parou
[02:05:12] tem várias coisas
[02:05:14] certo
[02:05:16] mas tem lugar comum
[02:05:18] desculpa João
[02:05:20] mas é que eu estou encaquestado
[02:05:22] com isso
[02:05:24] da onde que veio então essa história
[02:05:26] de que o Gilgamesh
[02:05:28] sei lá como é que fala
[02:05:30] que teria feito a arca
[02:05:32] de onde que vem essa história
[02:05:34] eu não sei cara porque eu não conheço essa história
[02:05:36] eu comeu e li os livros certos
[02:05:38] eu não conheço essa história
[02:05:40] na internet e a internet é verdadeira
[02:05:42] lá fala que é Gilgamesh que teria feito
[02:05:44] a arca
[02:05:46] mas eu confio mais em você
[02:05:48] como todo mundo sabe a internet
[02:05:50] citar na internet é verdade
[02:05:52] dos textos originais
[02:05:54] tá certo
[02:05:56] desculpa tudo o que eu disse é uma mentira gente
[02:05:58] é o Gilgamesh eu vou rasgar meu doutorado aqui
[02:06:00] quem precisa de doutorado?
[02:06:02] você devia ter olhado no google antes
[02:06:04] é porra
[02:06:06] sacanagem aí João
[02:06:08] perdão aí
[02:06:10] ok
[02:06:12] só que esse negócio de dilúvio
[02:06:14] acho que até o próprio Levi Stroh fala que
[02:06:16] dilúvio é uma coisa comum inclusive por exemplo
[02:06:18] nos mitos indígenas brasileiros
[02:06:20] sim só que
[02:06:22] a forma como
[02:06:24] o povo mesopotâmico vê o dilúvio é completamente diferente
[02:06:26] o dilúvio é
[02:06:28] para os mesopotâmios o que
[02:06:30] o gelo
[02:06:32] é para os inuit
[02:06:34] a relação que
[02:06:36] o povo da mesopotâmia tem
[02:06:38] com o que a gente traduz por dilúvio
[02:06:40] é muito
[02:06:42] análoga a relação que os inuit
[02:06:44] tem com o que a gente traduz por gelo
[02:06:46] a gente traduz por gelo
[02:06:48] uma coisa que os inuit tem 17 palavras
[02:06:50] diferentes pra falar
[02:06:52] o que a gente traduz
[02:06:54] por dilúvio tem
[02:06:56] várias palavras diferentes em acádio
[02:06:58] pra se refalar
[02:07:00] sobre inundação
[02:07:02] e a palavra que a gente traduz por dilúvio que é
[02:07:04] abubu
[02:07:06] ela é muito mais
[02:07:08] do que o dilúvio inclusive
[02:07:10] o dilúvio
[02:07:12] ele
[02:07:14] o abubu
[02:07:16] ele é um fenômeno de
[02:07:18] violência celeste
[02:07:20] não é só o fenômeno da inundação
[02:07:22] o dilúvio pro
[02:07:24] povo mesopotâmio ele termina
[02:07:26] muito antes da água voltar
[02:07:28] a planície pode estar alagada
[02:07:30] a sociedade pode estar embaixo da água
[02:07:32] o dilúvio já acabou desde que o céu
[02:07:34] não esteja tremendo e os deuses não estejam
[02:07:36] mais com raiva
[02:07:38] passou
[02:07:40] passou a raiva
[02:07:42] não precisa se preocupar
[02:07:44] a profundidade
[02:07:46] a profusão
[02:07:48] o significado
[02:07:50] do melamu que existe
[02:07:52] dentro de abubu
[02:07:54] ela é completamente inenarrável
[02:07:56] e incompreensível
[02:07:58] pro nosso povo e a gente tem que pensar
[02:08:00] que esse é um povo que é
[02:08:02] cuja a vida diária a vida anual
[02:08:04] a vida cíclica deles
[02:08:06] é ditada pelos ritmos
[02:08:08] de inundação das suas
[02:08:10] planícies
[02:08:12] aqueles rios são planícies aluviais
[02:08:14] que estão se inundando e desinundando
[02:08:16] todos os anos
[02:08:18] e ali que eles vivem
[02:08:20] então inundação pra eles não é uma coisa
[02:08:22] não é uma surpresa isso acontece só todos os anos
[02:08:24] da minha vida desde que eu nasci
[02:08:26] não só não é uma surpresa como é uma coisa
[02:08:28] necessária né é o que traz a vida
[02:08:30] é necessário é uma constante é o que
[02:08:32] garante a vida
[02:08:34] então assim o abubu ele é muito mais do que isso
[02:08:36] ele envolve um
[02:08:38] ódio celeste ele envolve
[02:08:40] erros humanos ele envolve
[02:08:42] problemas
[02:08:44] rituais que são ligados
[02:08:46] ao mesmo tempo
[02:08:48] a medicina
[02:08:50] ao exorcismo a astronomia
[02:08:52] a matemática a engenharia
[02:08:54] religião
[02:08:56] ele é a um só
[02:08:58] tempo um evento pessoal e cósmico
[02:09:02] o dilúvio
[02:09:04] ele é praticamente uma nova
[02:09:06] cosmogonia
[02:09:08] ele é escatologia
[02:09:10] cosmogônica ele é um momento
[02:09:12] em que ao mesmo tempo você tem escatologia
[02:09:14] final do mundo e o renascimento daquele mesmo mundo
[02:09:16] pela sua morte
[02:09:18] certo
[02:09:20] que do caralho
[02:09:22] mas
[02:09:24] tupa você
[02:09:26] faz algum comentário aí porque eu to sem palavras
[02:09:28] já pela
[02:09:30] eu já falei assim o joão não é desse
[02:09:32] mundo cara porra então
[02:09:34] você que tá mais no meio
[02:09:36] eu sou um alienígena do passado
[02:09:38] e a história tá certa
[02:09:40] um comentário
[02:09:42] um comentário sobre isso
[02:09:44] a gente sei lá primeira coisa
[02:09:46] importante de novo
[02:09:48] como é importante a gente estudar a história
[02:09:50] como é importante estudar a linguística
[02:09:52] e como tem muito mais coisa fantástica
[02:09:54] em outras civilizações
[02:09:56] passadas que a gente não faz nem ideia e que a gente
[02:09:58] ainda nem começou a explorar
[02:10:00] eu já ouvi mais de uma vez que
[02:10:02] ah é um absurdo você estudar a história
[02:10:04] porque já descobrimos tudo
[02:10:06] tudo que tinha pra se saber da história
[02:10:08] mesmo
[02:10:10] eu não sei
[02:10:12] eu vou trair
[02:10:14] coisas incríveis que as pessoas me falam desse tipo
[02:10:16] mas
[02:10:18] eu acho que só pra
[02:10:20] ver como que isso
[02:10:22] ajuda também a entender o outro né como que
[02:10:24] quando você estuda uma sociedade
[02:10:26] dessas quando você pensa no
[02:10:28] só esse conceito do abubu do dilúvio
[02:10:30] que não é bem o conceito de dilúvio
[02:10:32] complexidade que isso
[02:10:34] envolve eu acho isso muito fascinante
[02:10:36] acho lindo
[02:10:38] e que
[02:10:40] demais também a questão
[02:10:42] juro que eu admiro
[02:10:44] ambos os dois que estão aqui
[02:10:46] que é
[02:10:48] vocês
[02:10:50] querendo pegar
[02:10:52] estudar civilizações antigas e
[02:10:54] aprendendo a língua desses povos
[02:10:56] porque cara é
[02:10:58] que maravilhoso assim eu
[02:11:00] fui fazer mestrado sobre
[02:11:02] Crowley que era tudo em inglês tranquilo
[02:11:04] o doutorado foi só sobre Brasil
[02:11:06] e daí só fala português aí
[02:11:08] eu fico realmente admirado
[02:11:10] então parabéns pra vocês dois
[02:11:12] vocês me vocês me fazem
[02:11:14] me sentir mal assim sabe porque
[02:11:16] mas no bom sentido
[02:11:18] então parabéns aí
[02:11:20] ao Tupá e ao
[02:11:22] João porque puta que
[02:11:24] pariu cara que coisa fantástica
[02:11:26] então é
[02:11:28] João eu vou te pedir
[02:11:30] pra falar alguma coisa em
[02:11:32] acádio porque você é uma das três
[02:11:34] pessoas que fala acádio no Brasil, correto?
[02:11:36] conta aquela história
[02:11:38] conta a história
[02:11:40] lá de novo
[02:11:42] ó
[02:11:44] tem umas cinco vai tem umas
[02:11:46] quatro cinco
[02:11:48] não é assim
[02:11:50] o que acontece é o seguinte é porque
[02:11:52] a gente tava na maravilhosa
[02:11:54] back na sociedade brasileira de estudos clássicos
[02:11:56] na reunião anual em ouro
[02:11:58] preto e
[02:12:00] falávamos sobre
[02:12:02] o mesmo teto eu
[02:12:04] uma amiga nossa
[02:12:06] professora do Rio Grande do Sul
[02:12:08] o
[02:12:10] Marcelo tava lá também que é
[02:12:12] professor da USP
[02:12:14] um outro colega meu que também estuda
[02:12:16] acádio meu orientador a gente tava lá
[02:12:18] os cinco eu falei assim porra se esse
[02:12:20] teto cai agora acabou
[02:12:22] o estudo de língua acádia no Brasil
[02:12:24] sabe
[02:12:26] por isso
[02:12:28] por favor nunca
[02:12:30] viajem juntos lembrem-se
[02:12:32] dessa mesma
[02:12:34] hora eu virei e falei assim cara vamos
[02:12:36] fumar um cigarro lá fora porque pelo menos dois tem
[02:12:38] que sobrar ou a gente morre lá fora e o povo sobra
[02:12:40] aqui dentro
[02:12:42] mas nós cinco juntos a gente
[02:12:44] não pode andar mais
[02:12:46] tem que evitar
[02:12:48] é sério
[02:12:50] então vou te pedir pra falar alguma coisa
[02:12:52] em acádio pra se despedir da galera
[02:12:54] peço desculpa pelo
[02:12:56] vacilo da história que deve
[02:12:58] ser muito engraçado pra quem
[02:13:00] né
[02:13:04] e talvez
[02:13:06] menos cara eu vou
[02:13:08] vou falar uma parte
[02:13:10] que eu quero ver vou até abrir aqui
[02:13:12] me dá dois segundos eu quero só abrir
[02:13:14] o meu meu atrás-rases aqui
[02:13:16] um adendo sobre a questão
[02:13:18] de linguas mortas
[02:13:20] crianças se vocês forem estudar qualquer
[02:13:22] que seja a fonte de vocês
[02:13:24] estudem na língua original por favor
[02:13:26] não importa
[02:13:28] não dá pra você
[02:13:30] estudar alguma coisa só com a tradução
[02:13:32] você precisa da língua original eu não tô falando isso pra
[02:13:34] ser babaca nem nada é porque você
[02:13:36] perde muita nuance numa tradução
[02:13:38] por melhor que a tradução seja
[02:13:40] ela tem toda a individualidade
[02:13:42] de quem traduziu então
[02:13:44] tem que estudar na fonte original
[02:13:46] tem que estudar a língua original
[02:13:48] isso aí faz a gente se sentir mal
[02:13:50] isso é muito verdade
[02:13:52] mas quem
[02:13:54] estuda fontes em português
[02:13:56] continua tendo que estudar na língua original
[02:13:58] eu não acho que as pessoas que não se falam
[02:14:00] em línguas antigas são
[02:14:02] piores
[02:14:04] já entendi aí
[02:14:06] a alfinetada aí agora
[02:14:08] não tá tranquilo
[02:14:10] tô me escrevendo amanhã num curso aí
[02:14:12] sei lá latim
[02:14:14] vai começar pelo fácil
[02:14:16] você pretende ler fontes em latim
[02:14:18] ou você vai continuar?
[02:14:20] não sei
[02:14:22] o meu atarrásis tá no quarto
[02:14:24] do erik então eu vou ler um pedaço
[02:14:26] do enuma eles
[02:14:28] ótimo
[02:14:30] o erik tá valendo o atarrásis
[02:14:34] eu não duvido
[02:14:36] depois do trotsk de pelúcia
[02:14:38] olha
[02:14:42] diga
[02:14:44] amexu
[02:14:46] genish
[02:14:48] rikusum
[02:14:50] paralakis
[02:14:52] usuru
[02:14:54] salaxishu
[02:14:56] enuma dingirdingir
[02:14:58] laxupu manama
[02:15:00] suas águas se fundiam
[02:15:02] em uma só
[02:15:04] nenhum dos campos estava formado ainda
[02:15:06] nem as charnecas
[02:15:08] eram vistas
[02:15:10] quando ainda
[02:15:12] os deuses sequer
[02:15:14] tinham chamado a existência
[02:15:16] abrir um portal aqui
[02:15:18] sai uns três demônios assim já
[02:15:22] coisa tão fofinha
[02:15:24] tão fofinha
[02:15:26] puta que coisa bonita então
[02:15:28] joão muito obrigado novamente
[02:15:30] vou fazer um convite
[02:15:32] aos ouvintes aí
[02:15:34] que façam perguntas aí
[02:15:36] pra a gente poder fazer
[02:15:38] o mesmo podcast número 2
[02:15:40] pra tirar só as dúvidas
[02:15:42] dos ouvintes porque com certeza
[02:15:44] ficou muita coisa de fora o joão com certeza
[02:15:46] tem muita mais coisa pra falar então
[02:15:48] muito obrigado novamente joão muito obrigado
[02:15:50] de novo tupá por ter
[02:15:52] nos aguentado por tantas horas aí daqui a pouco
[02:15:54] tá amanhecendo aí em berminha
[02:15:56] obrigado por me convidar
[02:15:58] não enjoem de mim
[02:16:00] jamais vai parecer mais
[02:16:02] vai estar mais na ticete do que no mundo
[02:16:04] freak daqui a pouco
[02:16:06] obrigadíssimo pela
[02:16:08] paciência com o tema
[02:16:10] que eu sei que é meio árido então assim
[02:16:12] obrigado demais mesmo fiquei
[02:16:14] super honrado obrigado evan obrigado
[02:16:16] tupá vocês são demais
[02:16:18] foi fascinante
[02:16:20] eu só fico babando aqui
[02:16:22] assim e
[02:16:24] cara que coisa eu fico sem
[02:16:26] palavra então fica quieto o programa inteiro
[02:16:28] assim porque
[02:16:30] então vamos lá então joão
[02:16:32] despeça-se
[02:16:34] encerre o programa
[02:16:36] dando tchau em acádio
[02:16:38] adiabacu
[02:16:40] e é isso
[02:16:42] até uma boa semana
[02:16:44] tchau
[02:17:08] tchau
[02:17:10] tchau
[02:17:12] tchau
[02:17:14] tchau