Frontdaciência - T08E01 - Física e Filosofia
Resumo
Este episódio do Fronteiras da Ciência debate a relação entre física e filosofia, partindo da pergunta: a física precisa da filosofia? A convidada, a filósofa Gisele Secco, junto com físicos da UFRGS, explora as visões muitas vezes antagônicas entre as duas áreas. São citadas frases emblemáticas, como a de Richard Feynman que comparava a filosofia da ciência à ornitologia para os pássaros, ilustrando a desconfiança de muitos físicos.
A discussão avança para a definição do objeto da filosofia, caracterizada como uma investigação não empírica que compartilha aspectos com a matemática, a religião e as artes. Distingue-se a filosofia teórica (que analisa conceitos e pressupostos do conhecimento) da filosofia prática (que se ocupa das consequências éticas e políticas da ciência). Os participantes debatem se os físicos, ao lidarem com fundamentos conceituais – como nas interpretações da mecânica quântica ou na termodinâmica – estariam, mesmo que inadvertidamente, fazendo filosofia.
Um tópico central é o problema da demarcação científica, com a análise do critério de falseabilidade de Karl Popper e suas limitações, mencionando-se visões pós-popperianas como as de Thomas Kuhn e Paul Feyerabend. Aborda-se também a questão do empirismo e como a filosofia lida com conceitos que condicionam nossa compreensão da realidade, mesmo sem ser uma investigação empírica no mesmo sentido das ciências naturais.
No final, reflete-se sobre a utilidade da filosofia para a física. Argumenta-se que a filosofia pode oferecer esclarecimento conceitual sobre os pressupostos das teorias físicas e ponderar as implicações éticas do fazer científico. Conclui-se que, embora física e filosofia tenham objetivos e métodos distintos, o diálogo entre elas é frutífero, especialmente para questionar conceitos arraigados que podem estar impedindo avanços científicos.
Indicações
Conceitos
- Falsificacionismo — Teoria de Popper que define a ciência pela capacidade de suas hipóteses serem falseáveis. Discute-se suas limitações e status atual na filosofia da ciência.
- Problema da Demarcação — A questão de como distinguir ciência de não-ciência. O episódio aborda várias abordagens históricas e contemporâneas para este problema.
- Filosofia Teórica vs. Prática — Distinção explicada entre a filosofia que analisa conceitos do conhecimento (teórica) e a que estuda valores e consequências das ações (prática).
- Contexto da Descoberta vs. Justificação — Mencionado brevemente, referindo-se à distinção de Reichenbach entre o processo criativo da descoberta científica e a validação lógica e empírica das teorias.
Pessoas
- Richard Feynman — Citado por sua visão crítica sobre a filosofia da ciência, comparando sua utilidade para os cientistas à ornitologia para os pássaros.
- Albert Einstein — Mencionado como um dos poucos cientistas com uma visão favorável à filosofia, defendendo que os cientistas precisam dela.
- Karl Popper — Discute-se seu critério de falseabilidade para demarcar ciência, embora note-se que sua teoria é considerada ultrapassada na filosofia da ciência contemporânea.
- Imre Lakatos — Citado brevemente para explicar que a filosofia da ciência serve para entender problemas decorrentes de usos equivocados da ciência, não para resolver problemas científicos diretamente.
- Ludwig Wittgenstein — Mencionado por sua frase ‘daquilo de que não se pode falar, deve-se calar’, ilustrando os limites da linguagem na descrição da realidade.
- Susan Haack — Referida por sua crítica ao falsificacionismo de Popper, usando a analogia do jogo de palavras cruzadas para descrever a prática científica de forma mais adequada.
Linha do Tempo
- 00:00:00 — Introdução ao tema: A física precisa da filosofia? — Apresentação do programa e dos participantes. O tema central é anunciado: discutir se a física precisa da filosofia. São mencionadas as diferentes formações (licenciatura e bacharelado) e o debate histórico entre físicos e filósofos sobre o papel da filosofia.
- 00:00:53 — A visão de Feynman e o estereótipo do filósofo — Leitura de uma citação de Richard Feynman que expressa ceticismo sobre a utilidade da filosofia para os cientistas, comparando-a à ornitologia para os pássaros. Discute-se a criação de ‘espantalhos’ mútuos: físicos vendo filósofos como perdidos em definições infinitas, e filósofos vendo físicos como ingênuos que não refletem sobre seus fundamentos.
- 00:04:08 — O que é filosofia? Objeto e métodos — Gisele Secco explora a definição de filosofia, caracterizando-a como uma investigação não empírica. Ela traça semelhanças com a matemática (por ser a priori), com a religião (por abordar questões de sentido) e com as artes (pela criatividade conceitual). Destaca-se que a filosofia trabalha com problemas conceituais de segunda ordem, analisando os pressupostos de outras áreas.
- 00:08:35 — Filosofia teórica versus filosofia prática — Distinção entre filosofia teórica (análise de conceitos que condicionam o conhecimento, como verdade e justificação) e filosofia prática (foco em valores, ética e consequências das ações humanas, incluindo as da ciência). Debate-se como a filosofia pode se inserir no domínio da física em ambas as dimensões.
- 00:11:26 — Debate: os físicos fazem filosofia sem saber? — Os participantes discutem se os físicos, ao lidarem com conceitos fundamentais (como em mecânica quântica ou termodinâmica), estariam praticando filosofia. Argumenta-se que há uma diferença entre usar conceitos e refletir criticamente sobre eles de maneira sistemática, o que caracterizaria o trabalho filosófico propriamente dito.
- 00:14:25 — Empirismo na ciência e na filosofia — Questiona-se a afirmação de que a filosofia não é empírica. Discute-se como a moralidade, por exemplo, pode envolver projeções empíricas de consequências, mas a decisão final sobre o que é certo ou errado baseia-se em valores não empíricos. A conversa aborda a importância da análise do vocabulário, pois as palavras carregam concepções que influenciam a compreensão e a ação.
- 00:17:38 — O problema da demarcação e o falsificacionismo de Popper — Aborda-se o critério de falseabilidade de Karl Popper para demarcar ciência. Discute-se que essa visão é considerada ultrapassada na filosofia da ciência contemporânea, citando-se críticas como as de Susan Haack. Menciona-se que, apesar disso, a ideia de testabilidade permanece como um elemento importante para distinguir a ciência de outras formas de conhecimento.
- 00:22:35 — Ideias comuns entre físicos: filosofia como protociência — Comenta-se a visão comum entre alguns físicos de que a filosofia é uma protociência superada. Refuta-se essa ideia com base na história da filosofia e da ciência. Apresenta-se a perspectiva de que a filosofia tem valor intrínseco e que a pergunta ‘a física precisa da filosofia?’ depende do que se entende por ‘precisar’.
- 00:26:47 — A obsessão com autores na filosofia versus a física — Contrasta-se a tendência em filosofia de citar e analisar autores clássicos com a prática em física, onde as ideias são frequentemente apresentadas de forma despersonificada e mecanicista. Gisele Secco argumenta que a boa filosofia articula três dimensões: conceitos/problemas, métodos/instrumentos e a tradição textual/histórica.
- 00:29:50 — Conclusões: objetivos distintos e diálogo possível — Conclui-se que física e filosofia buscam resultados diferentes com métodos distintos. A questão da necessidade mútua é reformulada: a filosofia pode oferecer esclarecimento conceitual e reflexão ética, mas cabe ao físico decidir se isso é útil para sua prática. O diálogo é visto como benéfico, especialmente para identificar conceitos que possam estar obstruindo o avanço científico.
Dados do Episódio
- Podcast: Fronteiras da Ciência
- Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
- Categoria: Science
- Publicado: 2017-03-06T13:00:00Z
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/fronteiras-da-ci%C3%AAncia/fb4669d0-4a98-012e-1aa8-00163e1b201c/frontdaci%C3%AAncia-t08e01-f%C3%ADsica-e-filosofia/6da3bd30-e4e2-0134-ec12-4114446340cb
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Dados do Podcast
- Nome: Fronteiras da Ciência
- Site: http://frontdaciencia.ufrgs.br
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Transcrição
[00:00:00] Este é o Programa Fronteiras da Ciência da Rádio da Universidade, onde discutiremos
[00:00:08] os limites entre o que é ciência e o que é mito.
[00:00:11] O título do programa de hoje vai ser A Física Precisa da Filosofia, e a convidada é a Gisele
[00:00:16] Secco do Departamento de Filosofia da URIGS, que é o pessoal do programa, eu, Marco de
[00:00:21] Arte, o Jéfra Sorenson, a Carolina Brito do Departamento de Física da URIGS e o Jorge
[00:00:26] Kieffel da Biofísica.
[00:00:28] A gente tem o pessoal que faz licenciatura, tem o pessoal que faz bacharelado, e historicamente
[00:00:33] tem esse debate filosófico entre esses dois grupos, porque o pessoal da licenciatura
[00:00:38] tem mais exposição à filosofia e tem o pessoal mais de bacharelado, que é mais
[00:00:43] atento à física, ao modo de funcionar da física e não entende o papel da filosofia.
[00:00:48] Então tem esse debate, sempre teve, então essa é mais ou menos a ideia do programa
[00:00:52] de hoje.
[00:00:53] Para contextualizar um pouco, eu queria ler uma frase do Feynman, que mostra o tipo de
[00:00:57] atitude que a gente encontra em muitos físicos.
[00:01:00] Feynman diz o seguinte, isso está nas lectures, nós não podemos definir nada precisamente,
[00:01:05] se tentarmos, acabamos num estado de paralisia de pensamento que acontece com os filósofos,
[00:01:11] um dizendo para o outro, você não sabe do que você está falando, o segundo diz, o
[00:01:15] que você quer dizer com falando, o que você quer dizer com você, o que você quer dizer
[00:01:20] por sabe.
[00:01:21] Então esse é o tipo de posição que a gente costuma encontrar, basicamente o físico pensa
[00:01:25] no filósofo usando esse espantalho e o filósofo também pensa no físico usando o espantalho.
[00:01:31] O espantalho é essa imagem que não se enquadra com a realidade, é pegando o caso extremo.
[00:01:35] O bom do espantalho é que ele é fácil de bater.
[00:01:37] É fácil de atacar o espantalho.
[00:01:39] O filósofo também costuma ver o físico como aquele cara ingênuo que não pensa no
[00:01:43] que está fazendo, não pensa nos seus fundamentos, esse é o espantalho.
[00:01:46] Um outro exemplo mais objetivo também é a discussão da mecânica quântica, tem muito
[00:01:50] físico que diz que a mecânica quântica deve ser usada e não pensada.
[00:01:55] Baixa a cabeça e calcule.
[00:01:56] É, baixa a cabeça e calcule.
[00:01:57] E que a ideia é que funciona, eu tenho que fazer, pensar a respeito disso não é exatamente
[00:02:01] físico.
[00:02:02] Seria a questão dos fundamentos, das interpretações da mecânica quântica.
[00:02:05] Então ali também tem essa divisão entre pessoas que acham que tem um jeito de fazer
[00:02:09] as coisas, mais objetivo, mais visando resultados e tem um outro jeito que é uma perda de tempo
[00:02:15] que não vai chegar a lugar nenhum.
[00:02:16] Estou dando o ponto de vista do físico.
[00:02:18] Os filosofóbicos.
[00:02:19] Os filosofóbicos.
[00:02:20] Então posso dar o depoimento de um filosofílico.
[00:02:22] Einstein é o que coloca essa frase que os cientistas precisam de filosofia, ele é um
[00:02:26] dos poucos com essa visão assim.
[00:02:28] E a frase final, arrematando isso do Feynman, diz o seguinte, filosofia da ciência é tão
[00:02:32] útil para os cientistas como a ornitologia para os pássaros.
[00:02:35] É uma controvérsia esse Feynman realmente.
[00:02:37] É, ok, pode não ser.
[00:02:38] Ele é parecido com uma frase que um filósofo da ciência, Imre Lakatosch, usou para explicar
[00:02:44] que a utilidade dela não é para resolver os problemas da ciência, e sim para entender
[00:02:47] os problemas que surgem em função dos usos equivocados ocasionais dela.
[00:02:51] Especialmente a análise do discurso da ciência para mostrar os problemas no uso da terminologia.
[00:02:55] Muitas vezes o problema não está no problema em si e se na forma como ele é verbado colocado
[00:02:59] em palavras, já na minha área de neurociências, uma analogia colou de tal forma que ela é
[00:03:04] um obstáculo para certos questionamentos que é considerado o cérebro um computador.
[00:03:08] Embora ele tenha elementos computacionais, sim, ele não é um computador porque o computador
[00:03:12] está evocando basicamente máquinas de Von Neumann que são os processadores seriais
[00:03:16] atuais, mas ainda estão longe de ser um cérebro, né?
[00:03:19] Mas a frase do Úngaro que diz que a filosofia da ciência é tão útil para o cientista
[00:03:23] quanto a dinâmica de fluídos é útil para o peixe saber nadar.
[00:03:25] O que quer dizer que de fato a prática científica tem em búteo uma série de pressuposições
[00:03:29] que simplificam a tua vida, tu não precisa fazer esses questionamentos.
[00:03:32] Historicamente isso se explica um pouco pela influência do pensamento do Quine, filósofo
[00:03:37] analítico.
[00:03:38] A posição do Quine é de fato só cabe a filosofia fazer algum tipo de análise após
[00:03:42] a prática científica e não tentando interferir ou nada disso.
[00:03:45] No fim é um pouco a ideia do Hegel de que a filosofia é a coruja de Minerva que levanta
[00:03:48] voo depois no final do dia, né?
[00:03:50] Então vocês fazem o trabalho de vocês, a gente não quer se intrometer no trabalho
[00:03:53] de vocês, o que a gente pode fazer é simplesmente talvez algum esclarecimento conceitual dos
[00:03:58] pressupostos esses que para vocês são importantes sem pretensão de interferir ou de algum
[00:04:02] tipo de revisionismo e tudo mais, né?
[00:04:04] Posso voltar um pouquinho que a gente já começou atacando diversas frentes de filósofo
[00:04:08] e físico e tal.
[00:04:09] Eu queria saber um pouquinho sobre o que seria o objeto de estudo da filosofia.
[00:04:13] É uma das coisas que mais se discute.
[00:04:15] A gente faz as discussões filosóficas sobre os temas que nos interessam nas diversas áreas
[00:04:19] da filosofia, como as ciências, as artes, as religiões e todas as manifestações humanas
[00:04:24] importantes, relevantes.
[00:04:26] E a gente faz filosofia da filosofia, que é para decidir o que é fazer filosofia.
[00:04:30] Então a gente não tem uma resposta tão unificada.
[00:04:32] É claro que mesmo sem ter uma definição aceita pela comunidade a gente precisa de
[00:04:37] uma linha, certo?
[00:04:38] O que eu costumo fazer diante de todas as diferentes concepções do que seja filosofia
[00:04:42] é dizer assim para os meus alunos.
[00:04:43] Seja como for que você pessoalmente ache que a filosofia deva ser caracterizada, para
[00:04:48] as nossas finalidades de dar aula no ensino médio, eu acho que é importante sempre levar
[00:04:50] em conta que a filosofia é um tipo de investigação que não é empírica.
[00:04:53] E portanto ela se aproximaria, por exemplo, da matemática, que também não é empírica,
[00:04:56] certo?
[00:04:57] Porque a matemática estuda relações que você matemático não está fazendo experimento.
[00:05:00] Apesar de que tem hoje em dia esse negócio da matemática experimental, mas seja como
[00:05:03] for, ela se aproximaria da matemática por não ser empírica.
[00:05:06] Ela se aproximaria da religião porque ela tem a ver com um certo domínio da experiência
[00:05:11] humana que também não está direcionado para a prática, ela tem a ver com o sentido
[00:05:15] da vida.
[00:05:16] Filosofia, uma das coisas com que ela se preocupa são esses conceitos que de alguma maneira
[00:05:19] condicionam a nossa…
[00:05:20] Assim o esporquês, na verdade, né?
[00:05:21] Isso, isso.
[00:05:22] Porque a religião…
[00:05:23] Por que responde isso de outra maneira?
[00:05:24] Então compartilharia com a religião essa dimensão de preocupações com o sentido
[00:05:26] da vida.
[00:05:27] E ela se parece com as artes, por outro lado, porque ela tem uma dimensão criativa também
[00:05:31] os filósofos.
[00:05:32] Por que não é empírico o trabalho deles, é um trabalho conceitual?
[00:05:35] Também dá bastante espaço para criação de conceitos, então a filosofia é diferente
[00:05:39] da ciência.
[00:05:40] Ela é empírica, ela é um pouco parecida com a religião, embora ela seja diferente
[00:05:43] porque ela não quer dar resposta dogmática, ela quer analisar o presuposto, mas as questões
[00:05:47] no certo sentido são as mesmas, só que se responde de maneira diferente.
[00:05:49] Ela tem algo em comum com as artes por esse aspecto da criatividade, do uso do discurso
[00:05:53] e tudo mais.
[00:05:54] E ela tem algo em comum com a matemática que é o fato de ser, digamos, a priori.
[00:05:57] E aí, faz o que um filósofo?
[00:05:59] Filósofo faz análise de conceitos e trabalha com problemas conceituais que são problemas
[00:06:03] de segunda ordem, eles não são problemas que têm a ver com como é que as coisas funcionam,
[00:06:08] Que tipo de conceito você precisa para explicar como é que as coisas funcionam?
[00:06:11] Essa é um pouco a pergunta, no caso específico da filosofia da ciência ou da filosofia da
[00:06:15] física, o que faria o filósofo, qual seria a contribuição de um filósofo?
[00:06:19] Isso depende da posição de filosofia que você tem, a gente pode, diante da prática
[00:06:23] científica, dialogar com o cientista sobre a natureza dos seus pressupostos.
[00:06:28] Por outro lado, a gente também pode, se a nossa tendência é um pouco mais prática
[00:06:32] em filosofia e não fazer filosofia teórica, mais ou menos em filosofia prática, a gente
[00:06:35] poderia se perguntar pelas consequências éticas e políticas da prática científica.
[00:06:39] Então é ou antes ou depois.
[00:06:40] Eu não sou filósofo, mas entrei pela porta do positivismo lógico, segundo Viena, Carnato
[00:06:45] e vários outros, e ali eles fizeram uma clivagem importante na história da filosofia.
[00:06:49] A filosofia sempre tem filósofos mais voltados para a lógica, para análise racional do
[00:06:53] discurso e tudo mais, como Kant, como Hume, Peirce e esses caras, Mills, então, teve
[00:06:58] uns caras mais ligados com a realidade, com a lógica, com a estrutura e uns outros mais
[00:07:02] as questões mais, vamos dizer assim, viajantes, existenciais, Heidegger, Hegel, Kierkegaard,
[00:07:07] esses caras se compensando no sentido da vida, aquela coisa.
[00:07:10] Quando o positivismo lógico surge ali nos anos 20, fica bem claro que a filosofia tem
[00:07:13] um grande campo chamado metafísica, que seria a tentativa de fazer a filosofia daquilo que
[00:07:17] mal dá para se expressar em palavras e muito menos analisar e dessecar, então uma filosofia
[00:07:21] mais existencial e vaga, e um lado lógico objetivo muito parecido com a ciência.
[00:07:25] Tem um negócio que é filosofia teórica, tem um negócio que é filosofia prática.
[00:07:28] A filosofia prática tem a ver com os conceitos e os problemas que condicionam a nossa efetiva
[00:07:32] inserção no mundo, como é que os seres humanos agem, os valores e tal.
[00:07:36] As consequências da prática científica, política, econômica, isso se chama de filosofia
[00:07:40] prática.
[00:07:41] Isso se chama de filosofia prática, porque o campo de análise do trabalho filosófico
[00:07:43] nesse caso diz respeito a valores, justiça, bem, beleza, que tem a ver com a prática,
[00:07:48] as ações humanas.
[00:07:49] A ciência não nos dá muitos elementos ou ela não nos ajuda a decidir sobre problemas
[00:07:53] morais.
[00:07:55] E aí você tem então essa dimensão da filosofia, que é a prática, e dentro dela você pode
[00:07:59] discutir as consequências da prática científica, morais, éticas e tal, e você a filosofia
[00:08:04] teórica, cujo objeto de estudo são os conceitos que condicionam a nossa compreensão do mundo
[00:08:08] e nosso conhecimento do mundo.
[00:08:09] Então ela é teórica simplesmente porque os conceitos são daí de verdade conhecimento,
[00:08:13] tipos de conhecimento, injustificação e coisas, então simplesmente quando fala filosofia
[00:08:17] teórica e filosofia prática tem a ver com o domínio de conceitos relacionados com a
[00:08:20] dimensão de compreensão e do entendimento humano do mundo.
[00:08:22] E a filosofia com relação a ciências, especificamente com relação a física, eu acho que pode ter
[00:08:26] uma inserção nos dois campos, uma filosofia mais teórica que tenha a ver com os pressupostos
[00:08:31] conceituais, os primeiros conceituais, e uma filosofia mais prática pensando nas consequências
[00:08:34] de fato.
[00:08:35] Eu tenho um problema com esse conceito de filosofia teórica, porque a gente tem um
[00:08:39] problema de demarcação aqui, como todo problema de demarcação complicado.
[00:08:42] Por exemplo, vocês pegam aquela pessoa que diz, eu detesto física, eu detesto matemática,
[00:08:47] aí ela tá ouvindo música, então ela pode nunca ter estudado matemática, mas o ouvido
[00:08:52] dela tá fazendo, transformada de Fourier, tá pegando o som, separando frequência,
[00:08:56] dizendo eu tenho um violino, uma bateria, uma pessoa estérica, não sei o que, tá fazendo
[00:08:59] uma operação matemática.
[00:09:00] O cérebro dela faz aquilo, ela gostando ou não.
[00:09:03] Então a gente faz matemática, faz física, gostando ou não.
[00:09:07] O físico, eu tenho a impressão que ele faz filosofia, quer ele goste, quer não, quer
[00:09:13] ele ache importante ou não.
[00:09:14] Por exemplo, no início da mecânica quântica, quem discutia como interpretar, o que quer
[00:09:19] dizer, quais são os conceitos, vamos revirando de cabeça pra baixo, o que a gente entendia
[00:09:24] por realidade, era os físicos que estavam discutindo isso também.
[00:09:28] Mas aí eles estavam fazendo filosofia.
[00:09:30] Estavam fazendo filosofia, mas a pergunta é quando a gente tá estudando termodinâmica
[00:09:34] e discutindo o que é a certa do tempo, qual é a direção etc, você também tá fazendo
[00:09:38] filosofia, não?
[00:09:39] Não, porque quando você começa a estudar uma área, você começa com a estipulação
[00:09:43] dos conceitos.
[00:09:44] Você ensina assim, olha, força é isso?
[00:09:46] Sempre tem o primitivo.
[00:09:47] Então você, como ao modo do matemático, você começa definindo.
[00:09:51] Na verdade não, né?
[00:09:52] E tira o teu conjunto de pressupostos e começa definindo.
[00:09:54] Não, tu nem começa definindo, tu supõe que existem alguns termos que tu nem define.
[00:09:57] Ah, isso é uma questão, né?
[00:09:58] Tá, isso também.
[00:09:59] Sem alguma definição, também não dá pra ir à frente.
[00:10:00] Somos caindo o seu…
[00:10:01] Ok?
[00:10:02] Tenta passar uma intuição de alguns conceitos.
[00:10:03] Algumas coisas tu deve…
[00:10:04] Pra ensinar, sim, mas pra hora de organizar, olha aqui, ó, a termodinâmica, ela se organiza
[00:10:09] assim, parte dos conceitos e não, não, não, não.
[00:10:10] E vai ter alguns pressupostos, óbvios, tudo bem, mas vamos fazer simplificando pra meu
[00:10:14] ponto.
[00:10:16] Exato, já feito, já acabou, tá pronto.
[00:10:18] Tô falando do processo, certo?
[00:10:19] Teve a descoberta, fixou-se os resultados e agora eu vou apresentar os resultados.
[00:10:24] Como é que eu começo a apresentar os resultados?
[00:10:26] Dou as caracterizações, as definições, mas embora haja pressupostos.
[00:10:29] Como é que eu faço filosofia?
[00:10:31] Eu faço as descobertas, eu faço…
[00:10:33] E quando eu vou explicar, eu não começo definindo, eu começo pelo mesmo processo de discutir
[00:10:39] os pressupostos.
[00:10:40] Eu acho que a diferença fundamental aqui é a prática científica, e especificamente
[00:10:45] a matemática, precisa de alguma maneira, na hora de se apresentar, começar com a definição
[00:10:49] dos seus pressupostos.
[00:10:50] Enquanto que a filosofia faz desde o início sempre a discussão dos pressupostos do Domínio
[00:10:55] que ela tá fazendo.
[00:10:56] Eu não preciso partir de definições.
[00:10:57] Mas Gisele, acho que tem uma confusão de construção de teoria, com a apresentação
[00:11:01] da teoria.
[00:11:02] Sim, sim, mas o que eu tô dizendo é que no caso da filosofia, quando você apresenta,
[00:11:04] você já tem que estar filosofando quase da mesma maneira como você descobriu, enquanto
[00:11:07] que eu acho que na ciência…
[00:11:08] Mas quando o Gisele tava dizendo assim, eu faço filosofia enquanto eu faço…
[00:11:12] Eu discordo.
[00:11:13] Por que eu discordo de que, se eu tô lá ouvindo música, eu tô fazendo física?
[00:11:16] Não, você não tá fazendo física porque você não tá justamente olhando pros conceitos,
[00:11:20] pensando nas relações e tal.
[00:11:21] Você tá usando física.
[00:11:22] Sofrendo.
[00:11:23] Sofrendo física.
[00:11:24] O meu ponto principal de discordância com relação a essa ideia é que a criança passa
[00:11:26] pra filosofia.
[00:11:27] As crianças dizem assim, ah, de onde veio a pulga do meu gato?
[00:11:30] Ah, a pulga do seu gato veio do outro gatinho.
[00:11:32] E de onde veio a pulga do outro gatinho?
[00:11:34] Ah, veio da pulga do outro gatinho.
[00:11:35] Mas de onde que veio a primeira pulga?
[00:11:37] Putz, tá fazendo pergunta filosófica a lei, a criança tá fazendo filosofia.
[00:11:40] Não.
[00:11:41] A criança tá fazendo pergunta filosófica, mas nunca não significa que ela tá fazendo
[00:11:43] filosofia.
[00:11:44] Fazer filosofia tem a ver com selecionar certos conceitos, problematizar eles de uma certa
[00:11:48] forma, usar textos dos filósofos tradicionais pra ver como é que eles são, ter um certo
[00:11:52] método de pensamento que a criança não tem como fazer, então ela não tá fazendo
[00:11:55] filosofia.
[00:11:56] Acho que o exemplo do Jefferson até me permite fazer um outro comentário, que é a analogia
[00:12:00] entre o analógico e o digital.
[00:12:02] De fato, tá vendo um cálculo, entre aspas, só que assim, ó, o cérebro e os outros
[00:12:05] não fazem os cálculos usando essas ferramentas integrais, derivadas, transformadas, x, y,
[00:12:11] eles fazem os cálculos de uma outra forma, é quase como se fizessem sem saber e sem
[00:12:13] entender, como aquele peixe que nada sem conhecer.
[00:12:16] Essa ideia é muito importante do lá, que eu acho lá, é o problema da epistemologia
[00:12:20] versus o problema da ontologia.
[00:12:21] Epistemologia é uma teoria do conhecimento, da organização das ideias como elas são
[00:12:24] elaboradas.
[00:12:25] E ontologia é uma teoria da realidade, que a controvérsia se ela é possível ou não,
[00:12:28] só que ele certamente é um problema muito mais complexo de tratar que a epistemologia.
[00:12:31] A epistemologia acabou sendo um grande tema, a teoria do conhecimento, aplicada no caso
[00:12:35] do conhecimento científico, aí se desdobrem epistemologias particulares, né, tem a epistemologia
[00:12:39] da biologia, da física, essas são coisas diferentes, por exemplo, o que tu descreveu
[00:12:43] como exemplo, tem um problema de achar que o organismo, aquele que seria a realidade,
[00:12:48] tá fazendo aquilo que a tua teoria acerca dele tá fazendo, mas na verdade ele tá fazendo
[00:12:51] outra coisa.
[00:12:52] E aí eu lembro o Wittgenstein, que tem uma frase que é perfeita, eu sei, eu sei, mas
[00:12:56] eu tô pegando em cima porque ele é um ótimo exemplo, porque na verdade as pessoas tendem
[00:12:59] a achar que realmente quando tá jogando uma bola, tá fazendo aquelas equações, porque
[00:13:02] na verdade ao confundir as coisas, tá fazendo uma espécie de reducionismo, de achar que
[00:13:05] o mundo é o que tu pensa.
[00:13:06] E aí eu gosto de citar o Wittgenstein, porque ele diz assim, ó, o mundo é o que é, o mundo
[00:13:10] é o que acontece, e no final a gente pode falar de algumas dessas coisas, se tiver as
[00:13:13] ferramentas linguísticas, tô resumindo a ideia, mas a última frase diz que daquilo
[00:13:17] que não podemos falar, devemos nos calar.
[00:13:20] Então, mas demarcando que tem temas da realidade, que a gente sabe que acontece, mas não vai
[00:13:24] ter a linguagem pra descrever, a física vai se restringir àqueles em que a sua linguagem,
[00:13:28] suas ferramentas são variáveis, seus instrumentos permitem aprender e falar.
[00:13:32] E aí eu vou lembrar que tem um derivado da filosofia analítica, é um filósofo da ciência
[00:13:35] que vai ficar o Popper, mas tem outros desvobramentos depois, que colocou uma demarcação adicional
[00:13:39] muito importante.
[00:13:40] Ele vai definir que é ciência aquela que elabora hipóteses, que intrínsecamente na
[00:13:45] sua estrutura, elaboração e tal, elas são testáveis.
[00:13:48] Se ela puder ser testada e derrubada ou consolidada, ela é uma hipótese científica.
[00:13:52] Se tiver algum elemento metafísico ali não alcançável pelas ferramentas disponíveis
[00:13:56] da ciência, aquilo não é uma pergunta científica.
[00:13:58] É uma outra pergunta, pode ser filosófica, musical, folclórica, o que tu quiser, mas
[00:14:01] não é científica.
[00:14:02] Isso não destrói os outros tipos de conhecimentos, só relega eles a conhecimentos que têm um
[00:14:07] outro tipo de abordagem.
[00:14:09] A ciência que tem um sistema de método científico, que envolve duas componentes, um método científico
[00:14:13] em si e uma comunidade crítica e autocrítica, constantemente vigiando a elaboração e a
[00:14:19] evolução do conhecimento.
[00:14:20] Isso não tem nenhuma outra área do conhecimento.
[00:14:21] Eu tenho uma dúvida essencial com relação à diferença entre ciência e filosofia, que
[00:14:25] é a questão do empirismo.
[00:14:26] Você disse que a filosofia não é empírica.
[00:14:28] Daí eu estava conversando com o Lawrence Krauss, ele estava argumentando por uma grande
[00:14:31] pergunta da Filosofia Econ na relação ao moral.
[00:14:34] Como é que se eu não usar o empirismo para definir se as minhas ações vão no futuro
[00:14:39] provocar o bem ou o mal, como é que eu vou definir se a minha ação é moralmente correta
[00:14:44] ou errada?
[00:14:45] Para te decidir se a tua ação é moralmente correta ou não, tu vai colocar na tua conta
[00:14:49] as possíveis consequências da tua ação, tem que tomar uma decisão.
[00:14:53] Se eu fizer assim, tal coisa vai acontecer, se eu fizer assim, tal outra coisa vai acontecer.
[00:14:56] O que é melhor?
[00:14:57] Então o empirismo entra onde?
[00:14:59] Na projeção do resultado.
[00:15:00] Mas a decisão que eu vou tomar sobre qual rumo de ação eu vou tomar, ela não vem
[00:15:05] de algo empírico.
[00:15:06] A decisão entre as duas alternativas, ela depende da minha concepção do que é certo
[00:15:10] e o que é errado.
[00:15:11] E a minha concepção do que é certo e o que é errado foi aprendida, eu não refleti
[00:15:14] sobre ela, ou eu refleti sobre a que eu aprendi, mas eu mudei, e isso não é empírico.
[00:15:19] É, mas se tu aprendeu é empírico.
[00:15:20] Não, o conceito não é…
[00:15:22] Veja, meu pai me disse que fazer tal coisa certa, eu aprendi que fazer tal tipo de coisa
[00:15:26] certa, eu não já.
[00:15:27] Mas é complexo.
[00:15:28] A questão é assim, o que tu tá entendendo por empirismo, referência à realidade ou
[00:15:33] que temos?
[00:15:34] Fílaba.
[00:15:35] A questão é que o fato de você ter uma referência à realidade, que a antena da
[00:15:37] filosofia toque a realidade, pra falar com o Vitor, a questão é, disso não se segue
[00:15:40] que o tipo de investigação que o filósofo faz seja empírica no sentido de depender
[00:15:44] só ou mais da realidade do que dos conceitos, a ideia é…
[00:15:48] Isso me parece uma questão de vocabulário, mais do que não.
[00:15:52] Investigar o vocabulário é fazer filosofia, quando eu digo investigar o vocabulário é
[00:15:56] fazer filosofia assim dessa maneira, não é?
[00:15:58] Só o que eu tô dizendo é, é importante investigar o vocabulário porque não é
[00:16:02] só uma questão de palavras, é porque as palavras encarnam ideias, valores, práticas
[00:16:08] e como você investiga o vocabulário não é só assim, vai no dicionário e punta aqui,
[00:16:12] não precisa fazer filosofia, vai no dicionário e os sentidos das palavras estão lá, a questão
[00:16:16] é, esses sentidos determinam a compreensão que a gente tem, as ações…
[00:16:19] E aí entra a parte da arte, os escritores sabem brincar com essas nuances do significado
[00:16:23] das palavras e é o que torna a beleza de uma poesia, por exemplo.
[00:16:25] Por que não pode só ser, por exemplo, lidar com a ambiguidade dos termos e com a fagueza?
[00:16:29] Porque se não eu leio o meu artigo, vou fazer o review, olha que bonito, ele usou aqui
[00:16:33] o termo de um jeito, aqui do outro, só que ele não tá fazendo música, ele tá argumentando,
[00:16:37] a ideia é de que se as permissões são verdadeiras a conclusão tem que ser também, aí ele
[00:16:39] usou o termo num sentido aqui e no outro sentido aqui, como é que ele vai concluir alguma coisa
[00:16:42] razoável do uso ambíguo dos conceitos?
[00:16:45] Então assim, num certo sentido, depende muito disso que tu chamasse de análise do vocabulário,
[00:16:49] mas é importante porque o pressuposto é que o vocabulário encarna compreensões já
[00:16:53] teóricas e tudo mais.
[00:16:55] Eu queria fazer uma pergunta, o Jorge mencionou o critério do Pouper de que um princípio
[00:16:59] científico deve ser falciável, né?
[00:17:01] Mas isso é um conceito abstrato teórico, a pergunta é qual é o status disso hoje?
[00:17:06] Porque o mundo real é mais complicado, por exemplo, o Einstein quando fez a previsão
[00:17:11] do desvio da luz lá no eclipse de 19, ele tinha feito a previsão uns anos antes e por
[00:17:16] sorte não pôde ser testado naquele ano porque eclodiu a guerra, porque se tivesse sido testado
[00:17:21] tinha um fator de dois errado na conta, eles teriam falciado a teoria do Einstein, ele
[00:17:25] fez a previsão e estava errado.
[00:17:27] A teoria no momento do teste pode estar errada, tem uma série de coisas que podem dar errado,
[00:17:32] então a aplicabilidade do critério é complicada.
[00:17:35] Então assim, como é que é visto o problema da demarcação?
[00:17:38] O problema da demarcação, tal como ele é resolvido, encaminhado a resolução dele
[00:17:44] pelo Pouper através da teoria falsificacionista da ciência, essa teoria já está ultrapassada
[00:17:50] na filosofia da ciência, ela tem um valor histórico importante, mas praticamente ninguém
[00:17:54] que faça filosofia da ciência séria hoje leva a sério essa teoria inteira, entendeu?
[00:17:59] Ela tem coisas interessantes que ainda são aproveitáveis.
[00:18:01] Você tem outros approaches em filosofia da ciência pós-pouperianos, pelo menos o
[00:18:06] Kuhn e talvez o Feyerabend, não sei, que tratam do problema da demarcação de uma
[00:18:10] maneira menos, eu diria radical, uma das críticas é o falsificacionismo da professora Susan
[00:18:15] Hack, que tem uma espécie assim de guerra pessoal contra o Pouper, a imagem que ela
[00:18:18] usa para explicar o que o Pouper propõe assim, o que o Pouper está propondo com o falsificacionismo
[00:18:22] é que os cientistas começam a fazer o trabalho dele e vão como se eles estivessem construindo
[00:18:25] um prédio, aí o cientista vai lá e faz uma coisa, aí o outro vem lá e vê com a
[00:18:27] marreta e tenta destruir, aí se não destruir, tá bom, é boa ciência, e daí ela olha
[00:18:32] para a prática científica, não é assim que os cientistas fazem, a imagem mais adequada
[00:18:36] para explicar o que os cientistas fazem é assim, é um jogo de palavras cruzadas, um
[00:18:39] cientista vai lá e começa a preencher, quando ele termina ele deixa assim em aberto, porque
[00:18:43] o pressuposto é de claro, se ele fez boa ciência ele preencheu corretamente a grade,
[00:18:47] e aí assim os outros vão lá fazendo boa ciência, vão completando, crescendo e não
[00:18:52] tentando destruir o que os outros fazem, só nesse amplíssimo sentido é que se diria que
[00:18:56] fosse o cancionismo ultrapassado, e o que ela faz é basicamente dizer, olha, é o tipo
[00:19:02] de teoria científica que não olha para a prática científica, ele está achando que
[00:19:05] os cientistas fazem assim, os exemplos de prática científica que ele tem para fundar
[00:19:08] essa teoria não são adequados, então é uma espécie de cuidado que ela tem, eu acho
[00:19:11] que presta mais atenção ao que se faz para dar uma descrição mais adequada, enfim.
[00:19:15] Tudo isso é verdade, eu concordo, apesar disso, todas as variantes derivadas depois,
[00:19:20] mesmo considerando as ressalvas do Feyerabend, que radicalizam o discurso para mostrar como
[00:19:24] ele sempre tem um limite no fundo, todas elas embutem em uma demarcação para o que é ciência,
[00:19:29] se não for testável de alguma forma, não vai ser ciência, essa demarcação é muito
[00:19:34] importante, ela não é assim uma separação do resto do mundo, ela é uma demarcação,
[00:19:38] uma distinção, o Mario Bum nos diz assim, é importante distinguir, não necessariamente
[00:19:43] separar, ou distinguir duas coisas, elas podem estar embaralhadas e indissociáveis,
[00:19:46] porque se você levar ao pé da letra, por exemplo, o discurso do Feyerabend, que é uma interpretação
[00:19:50] boba, ele prova que a astrologia pode estar certa, e a astrologia não entrou no rolo
[00:19:54] da ciência.
[00:19:55] Mas é que eles têm que incluir, além de ser falciável, é não ter sido falciada.
[00:19:58] Está embutido.
[00:19:59] Ah, isso é um ponto super interessante, eu estou agora orientando um TCC de Filosofia
[00:20:03] da Ciência, e o menino está estudando a teoria do Arthur Pak, então teve influência do Círculo
[00:20:07] de Viena, mas depois acabou indo para os Estados Unidos e ele também tinha um pé na filosofia
[00:20:11] continental, e ele escreveu a tese de doutorado dele sobre o a priori na teoria física, é
[00:20:15] o título da tese de doutorado.
[00:20:16] E ele tenta explicar qual é o estatuto epistemológico, qual é a função dos pressupostos da física
[00:20:22] newtoniana na economia da teoria, ele vai dizer assim, os pressupostos eles não são
[00:20:27] empiricamente analisáveis, eles são pressupostos conceituais, fica um pouco o Jefferson diante,
[00:20:31] eu parto de certos pressupostos conceituais, certas relações que eu acho que valem, uma
[00:20:36] das coisas não só disso né, mas um dos pontos de partir da teoria são certos pressupostos
[00:20:39] sobre a natureza das coisas, que não são verificáveis em si mesmos, mas eu trabalho
[00:20:43] a partir deles, junto com os dados, com os experimentos e tal, vou fazendo, vou construindo
[00:20:47] meu saber, e se tudo der certo no final, então eu tenho um único pressuposto.
[00:20:51] Não, mas só um pouquinho, depois tem que voltar nele, por exemplo o Bosnian de Higgs,
[00:20:54] é um grande exemplo disso.
[00:20:55] Para rever o pressuposto.
[00:20:56] Então, mas se não tivesse sido encontrado o Bosnian de Higgs agora, eles teriam que
[00:21:00] voltar atrás e dizer bom, um modelo padrão.
[00:21:02] E mudar o pressuposto.
[00:21:03] Por isso, então, pelo menos eu vejo assim, a ciência não tem esses paradigmas, que te
[00:21:07] obrigado de pôr que tu não consegue fazer sem, mas no momento em que tu constrói a
[00:21:11] teoria, faz as predições e elas não são verificáveis, tem que voltar.
[00:21:16] Mas isso não muda o estatuto daquilo?
[00:21:18] Mais ou menos, a partir de agora o Bosnian de Higgs foi verificado.
[00:21:20] Ok, se ele não tivesse sido verificado, eu teria que rever o meu pressuposto.
[00:21:24] Isso, e talvez botar fora o modelo.
[00:21:25] Mas o fato de eu ter que rever o meu pressuposto por causa de certos resultados que são derivados
[00:21:30] dele, não faz com que ele mude de estatuto.
[00:21:32] Eu realmente acho que existe uma diferença muito importante em tu no final das contas
[00:21:36] querer mostrar que a tua hipótese é verdadeira e se ela nunca for mostrada, de certa maneira
[00:21:41] nunca vai poder ser dito, olha, realmente esse modelo aqui corresponde.
[00:21:44] Então, existe uma necessidade de mostrar aquilo ali?
[00:21:47] No caso da ciência?
[00:21:48] No caso da ciência, claro.
[00:21:49] Então, essa discussão que vocês estão tendo é uma exigente forma de eu exemplificar
[00:21:51] com uma frase do Mario Burci que diz assim, as verdades científicas são transitórias
[00:21:56] e parciais.
[00:21:57] Mas necessárias.
[00:21:58] Parciais porque elas nunca chegam a verdade infinita, definitiva, total.
[00:22:01] Porque só a religião que pretende fazer isso.
[00:22:03] É, exatamente.
[00:22:04] Se a pessoa não assume como religião e não quer ser dogmática, ela se assume como
[00:22:06] parcial sempre.
[00:22:07] Mas necessária.
[00:22:08] Aí vem uma coisa interessante.
[00:22:09] Necessária porque tu tem que ter alguma ideia pra trabalhar em cima dela e continuar
[00:22:13] provando se ela tá certa ou não.
[00:22:15] Tu não pode fazer ciência sobre uma não-ideia.
[00:22:17] Tipo, eu quero convencer o fulano a mudar de ideia, beleza, mas ele tem que ter uma
[00:22:20] ideia antes.
[00:22:21] A gente não vai mudar o quê?
[00:22:22] Né?
[00:22:23] Muitas pessoas quando querem argumentar, vou convencer ele, convencer do quê?
[00:22:25] O cara não tem ideias ainda.
[00:22:26] Aí tu vai lá, tu não vai convencer ele de nada, tu vai doutorinou ele no máximo.
[00:22:29] Vai passar a tua ideia.
[00:22:30] É.
[00:22:31] Se ele gostar, tu doutorinou ele.
[00:22:33] Eu tinha preparado as coisas que o físico médio pensa.
[00:22:35] Então, por exemplo, uma coisa que é comum muito é a filosofia é uma protociência.
[00:22:40] É muito comum dizer assim, a filosofia é uma coisa que foi evoluindo e chegou na
[00:22:43] física e agora a filosofia é completamente descartável.
[00:22:48] A minha resposta única é, pessoas que consideram isso precisam estudar mais história da filosofia
[00:22:52] e história da ciência pra ver que as coisas não são mais…
[00:22:54] O mesmo contexto lá da filosofia, onde há uma algeriza até, uma rejeição, uma hostilidade
[00:22:59] às vezes, em ciência.
[00:23:00] Mas tem maior terreno de filosofia que é.
[00:23:01] Essa é a resposta do Sean Carroll, que ele diz, se o físico acha que a filosofia não
[00:23:05] serve pra ele, é problema dele, a filosofia tem interesse em si próprio.
[00:23:08] A física também não precisa da biologia, da história, da psiquiatria, bom, alguns
[00:23:12] precisam.
[00:23:13] Mas…
[00:23:14] Essa é a primeira resposta.
[00:23:15] A segundo passo é dizer assim, quando a gente pergunta, a física precisa da filosofia?
[00:23:20] E vem assim, o que significa precisar?
[00:23:23] O que quer dizer?
[00:23:24] Porque se você…
[00:23:25] Mas é verdade, às vezes a gente não tem clareza sobre o que quer dizer, precisar?
[00:23:29] A gente não vai poder responder a perguntas.
[00:23:31] E daí entende que pra responder a gente já tem que fazer filosofia, ou o seu já precisa.
[00:23:35] Se você entrar naquele lado da prática, da pragmática, da ética, da moral e tal,
[00:23:40] certamente a discussão vai além do físico, do acadêmico, do científico mesmo, e vai
[00:23:44] trazer outros elementos.
[00:23:45] Por exemplo, as questões éticas do uso de tecnologias, precisa trazer uma outra disciplina
[00:23:50] pra sentar junto.
[00:23:51] E o segundo ponto, o problema da demarcação, que a gente já discutiu…
[00:23:54] Eu não tenho problema com demarcações, pra mim demarcações são umas verdades científicas,
[00:23:57] são transitórias, são tempos parciais, mas necessárias.
[00:24:00] E assim, uma distinção ali entre a questão de contextos que ela é obtida.
[00:24:05] Por exemplo, o Raichan Bach, lá no início do século XX, ele distinguiu dois contextos,
[00:24:09] assim, do fazer científico, que é o contexto descoberta e o contexto da justificação
[00:24:13] ou do embasamento.
[00:24:14] Na descoberta vale tudo.
[00:24:15] Tipo assim, como é que o Queculé imaginou que a molécula do benzeno tinha aquela estrutura,
[00:24:20] com os anéis trocando, as relações duplos passeando?
[00:24:22] Diz que ele tomou um trago, ficou olhando uma lareira lá…
[00:24:25] A história é muito bonita.
[00:24:26] Você sabe que isso é verdade, mas tá na biografia dele, né?
[00:24:28] Mas o fato é, ele tomou um porre pra resolver o problema, mas ele depois teve que sentar
[00:24:32] e fazer experimentos, planejar eles, provar eles, fazer estatísticas e tudo mais,
[00:24:35] e os referentes tinham que aceitar.
[00:24:36] Então, vem o 1% de inspiração onde vale tudo, inclusive coisas absolutamente não controláveis
[00:24:41] e ilógicas, emocionais, subjetivas, místicas, revelacionais, culturais, o que tu quiser, folclores…
[00:24:47] Tem uma frase parecida com essa pra escritores também, né?
[00:24:49] Que é, escreva bêbado e revise sóbrio.
[00:24:52] Então é parecido com isso.
[00:24:53] Então, assim, essa é uma situação importante, isso quer dizer o seguinte.
[00:24:55] Há problemas que a gente tá discutindo aqui que não são sequer de filosofia e de ciência.
[00:24:59] São problemas de sociologia da ciência.
[00:25:01] Aí vem essas questões normativas, de valores e tal, mas, por exemplo,
[00:25:04] tendo a questão do uso, a questão do que é ciência básica e que é ciência aplicada,
[00:25:08] isso já foge do fazer científico.
[00:25:10] Embora o método seja o mesmo, eles têm diferenças, têm status diferentes.
[00:25:13] Então, é um mundo complicado esse fórum, porque o mundo não tá nem aí porque a gente pensa.
[00:25:16] O Vitor Gansai matou isso.
[00:25:17] O mundo tá lá gozando a cara da gente.
[00:25:19] A gente tá aqui tentando, com as nossas limitadas ferramentas linguísticas,
[00:25:22] que a linguagem é a nossa grande característica de seres humanos,
[00:25:25] esses primatas, sem cabelos e cheios de palavras,
[00:25:28] que a gente acha que tá entendendo o mundo através de equações e coisas, a gente tá tentando.
[00:25:31] E o legal é que essa aproximação funciona, tendo que a gente tenha psicologias.
[00:25:34] Mas funcionar tem um certo ponto. Espero que sobreviva ela.
[00:25:37] Tem que lembrar também que quantas pessoas não foram atraídas pra física, pra ciência,
[00:25:41] por questões filosóficas.
[00:25:43] Não quer tempo, quer espaço.
[00:25:44] Em algum momento a gente esquece disso.
[00:25:46] As duas outras coisas que eu ia falar do físico médio é a discussão sobre, obviamente,
[00:25:50] é o físico que interessa se a filosofia pode ser útil ou não ao desenvolvimento da ciência.
[00:25:54] Por exemplo, no caso da mecânica quântica,
[00:25:56] tem gente que diz assim,
[00:25:57] ah, foi devido aos conhecimentos filosóficos do pessoal daquela época.
[00:26:01] E tem gente que diz, não é isso.
[00:26:02] Por exemplo, hoje em dia.
[00:26:03] Porque a gente sempre tem que fazer aquela pergunta.
[00:26:05] A gente tá na década de 10 de que ciência agora?
[00:26:08] Em um certo momento, no meio do século 20,
[00:26:10] tava pra acontecer a física quântica,
[00:26:12] e a gente podia pensar agora, nesse momento, o que será que tá pra acontecer?
[00:26:16] Quais são aqueles conceitos que a gente tá se apegando demais
[00:26:19] e que tão atrapalhando o desenvolvimento dessa ciência que tá pra acontecer?
[00:26:23] Essa é uma pergunta filosófica.
[00:26:24] Veja que a tua pergunta, quais são os conceitos que tão atrapalhando?
[00:26:27] Ela já pressupõe que tem conceito atrapalhando, ó.
[00:26:29] Pressupõe a necessidade da filosofia.
[00:26:31] A pergunta talvez mais neutra e razoável seria,
[00:26:34] há algum candidato a conceito que precisa ser esclarecido nas teorias físicas contemporâneas
[00:26:39] pra que a prática melhore ou não?
[00:26:41] Essa é a pergunta, me parece, mais fundamental. Entende?
[00:26:44] O último tópico que eu tenho aqui que é a obsessão com os autores.
[00:26:47] O esterópico, tipo, seria assim, você pergunta assim,
[00:26:49] ah, por que que tempo é relativo?
[00:26:51] Físico vai dizer, não, tu imagina um relógio andando e coisa assim,
[00:26:54] ele não fala de Einstein, raramente tu vai ver um físico falar de Einstein.
[00:26:57] Ele vai dizer, Einstein viu isso, mas ele não vai dizer,
[00:26:59] ah, tu tem que ler Einstein pra entender,
[00:27:01] ou tem que estar inserido dentro do contexto do Einstein pra tu entender isso.
[00:27:05] Não, ele vai tentar fazer um modelo mecanicista pra te botar dúvida atrás da orelha.
[00:27:09] Filósofo, às vezes, é diferente.
[00:27:10] Ele aporta ao autor, diz assim, não, não, eu tô dizendo de ignorante, né?
[00:27:14] Mas dentro da coerência do pensamento do fulano de tal,
[00:27:17] se tu ler tu vai observar que bla, bla, bla.
[00:27:19] Eu não faço assim.
[00:27:20] Eu acho que a filosofia tem três dimensões.
[00:27:21] Uma dimensão de conceitos e de problemas
[00:27:24] que participam da vida das pessoas mais comuns.
[00:27:26] A gente usa o conceito de amor, de fé, de conhecimento.
[00:27:29] A gente usa o conceito de justiça o tempo inteiro sem se perguntar sobre eles.
[00:27:32] Então, até, a filosofia tem uma dimensão que é a do seu campo
[00:27:35] de conceitos e de problemas conceituais que estão na nossa vida.
[00:27:38] Mas que nem todo mundo tenha a oportunidade, a chance, a vontade de pensar nele.
[00:27:41] Fazer filosofia é olhar pra esses conceitos espalhados por aí,
[00:27:44] dizer, não, mas eu quero, o que é o amor?
[00:27:46] Amor e amizade é a mesma coisa?
[00:27:47] Conheça melhor do que a diferença.
[00:27:48] A partir da pergunta agora, quais instrumentos eu tenho pra lidar com essa pergunta?
[00:27:52] Só sabendo que não é empírico.
[00:27:53] Vai ter que ser análise conceitual, vai ter que ser argumento, vai ter que ser tal.
[00:27:56] Até aí eu tô na dimensão instrumental metodológica da filosofia.
[00:27:59] Passo da dimensão conceitual e problemática pra dimensão instrumental e metodológica.
[00:28:03] Aí tem uma terceira dimensão do trabalho filosófico que é a tradição, os textos,
[00:28:07] a história da filosofia.
[00:28:08] São 2500 anos de registro textual dessa atividade,
[00:28:12] que estão registrados nos mais variados autores e estilos de texto.
[00:28:17] Porque você tem os aforismos dos gregos, os diálogos do Platão, os tratados do Aristóteles,
[00:28:22] as confissões do Agostinho, as cartas, os ensaios.
[00:28:26] Então você tem essas três dimensões e uma boa filosofia, ao meu ver,
[00:28:30] toca em todas elas e articula todas elas.
[00:28:32] O que tu tá dizendo é, pro físico médio, os filósofos só dão ênfase no texto, no autor.
[00:28:37] Eles não se preocupam tanto com a dimensão conceitual, problemática e instrumental.
[00:28:41] Inclusive eu entendo porque os filósofos em geral falam muito dos autores e tal.
[00:28:44] Mas a boa filosofia, ao meu ver, articula essas três dimensões.
[00:28:48] E aí como é que entra em contato com a física?
[00:28:50] Ora, se os conceitos e os problemas que o filósofo cabe analisar são da área da física,
[00:28:54] então a gente tá fazendo filosofia da física.
[00:28:56] Se isso vai ajudar ou não o físico, o físico decide,
[00:28:59] dependendo da consciência que ele tem do trabalho dele,
[00:29:01] de como ele acha que é importante o esclarecimento conceitual ou não e tudo mais.
[00:29:05] A frase do Jefferson no início, se diz, deve fazer em filosofia ou não.
[00:29:08] Comentaria da seguinte forma.
[00:29:09] Inadvertidamente é possível que tu passe por ela, mas tu não tá preparado em geral.
[00:29:13] É como querer que um astrônomo estude um exoplaneta com binóculo, entende?
[00:29:17] Tem um fenômeno real, tu tem um profissional real e preparado com um instrumento inadequado.
[00:29:22] Então se vai examinar as coisas com as ferramentas erradas, óbvio que não vai encontrar nada de útil.
[00:29:26] Não vai ver a variação, ou tu vai ver coisas erradas, vai ter artefatos, vai ter falsos sinais.
[00:29:30] A filosofia tem essa contribuição nesse nível.
[00:29:33] Eu acho que em algum momento a pergunta tem que aparecer assim.
[00:29:36] É o que cada um quer. O físico quer o quê? Que tipo de resultado ele busca?
[00:29:40] O filósofo quer o quê? Que tipo de resultado ele busca?
[00:29:42] E que métodos são usados para fazer isso?
[00:29:44] A resposta sobre se a física precisa orar na filosofia e vice-versa não pode ser dada sem pensar nisso.
[00:29:50] Eu acho que querem coisas diferentes.
[00:29:52] E por tanta pergunta se precisa ou não precisa é um pouco estranho na verdade.
[00:29:55] Mas pode falar um lance de vez em quando.
[00:29:57] Pode, pode.
[00:29:58] Então nesse programa a gente discutiu sobre se a física precisa de filosofia.
[00:30:03] A convidada foi a Gisele Secco aqui do Departamento de Filosofia da URGES.
[00:30:07] O pessoal do programa é a Carolina Brito, o Jefferson Anezon,
[00:30:10] eu o Marque de Arte do Departamento de Física e o Jorge Kuefel do Departamento de Geofísica da URGES.
[00:30:15] O programa Fronteiras da Ciência é um projeto do Instituto de Física da URGES.
[00:30:28] Obrigado por assistir!