AntiCast 279 – Hamilton e a Formação dos EUA


Resumo

Este episódio do AntiCast mergulha na figura histórica de Alexander Hamilton, um dos pais fundadores dos Estados Unidos, motivado pelo enorme sucesso do musical da Broadway “Hamilton”. Os participantes discutem a trajetória de Hamilton, desde sua origem humilde como imigrante nas Índias Ocidentais até seu papel central na Revolução Americana, na criação do sistema financeiro americano e nos intensos debates políticos sobre federalismo.

A conversa explora as liberdades criativas do musical de Lin-Manuel Miranda, que reconta a história através do hip-hop e com um elenco diverso, contrastando com a realidade histórica. São abordadas as incongruências entre a representação no musical e o personagem histórico, descrito como arrogante e extremamente ambicioso, além de seu papel nos “Federalist Papers” e seu embate ideológico com Thomas Jefferson sobre a centralização do poder.

Os participantes analisam o contexto mais amplo da Revolução Americana, destacando o papel crucial da França no fornecimento de armas, navios e tropas, muitas vezes omitido na narrativa popular. A discussão também cobre a formação do sistema bipartidário, os compromissos políticos da época (como o Compromisso dos Três Quintos) e a evolução das eleições nos EUA.

O episódio se aprofunda no relacionamento de Hamilton com Aaron Burr, culminando no duelo fatal, e no papel de sua esposa, Eliza Schuyler, na preservação de seu legado. Por fim, reflete sobre o impacto cultural do musical “Hamilton” como uma releitura da história americana para o presente, destacando temas de imigração e diversidade.


Indicações

Documentários E Séries

  • The Civil War (Ken Burns) — Série documental elogiada por seu uso extensivo de fontes primárias (cartas, fotos) para contar a história da Guerra Civil Americana. Foi citada como fundamental para entender as consequências dos debates do período de Hamilton.

Livros

  • Biografia de Alexander Hamilton por Ron Chernow — O livro que inspirou Lin-Manuel Miranda a criar o musical. É a biografia definitiva que detalha a vida do primeiro secretário do Tesouro americano.
  • Penguin History of the USA — Recomendado por Felipe Figueiredo como uma boa história geral dos Estados Unidos em inglês.
  • História dos Estados Unidos (Editora Contexto) — Recomendado por Felipe como uma alternativa em português, com autoria que inclui Leandro Karnal, cuja área de pesquisa é história dos EUA.

Podcasts

  • 20 Minutos (Júlia Matos) — Podcast da convidada Júlia Matos que explica conceitos e eventos da política norte-americana contemporânea em episódios curtos.
  • Xadrez Verbal (Felipe Figueiredo) — Podcast de política internacional apresentado pelo convidado Felipe Figueiredo, citado como principal fonte de informação do host Ivan sobre o assunto.
  • Fora da Caixa #25 (Jogabilidade) — Episódio do podcast Jogabilidade, apresentado por André Campos, que analisa o Ato 1 do musical Hamilton. Um episódio de 4 horas sobre o Ato 2 é mencionado como “em produção”.

Textos E Artigos

  • Texto no Medium por Gabriela Aventura (Aventurieta) — Texto de introdução ao musical Hamilton escrito por uma fã, mencionado como uma boa porta de entrada para quem não conhece o espetáculo.

Álbuns

  • Hamilton Mixtape — Álbum de remixes e novas músicas inspiradas em Hamilton, com participações de vários artistas. Foi lançado após o sucesso do musical e aborda temas como imigração e diversidade.

Linha do Tempo

  • 00:06:36Introdução ao tema e apresentação dos participantes — Ivan Mizanzuki apresenta o episódio sobre Alexander Hamilton e a formação dos EUA, motivado pelo musical da Broadway. São apresentados os convidados: Júlia Matos (especialista em história dos EUA), Felipe Figueiredo (do Xadrez Verbal) e André Campos (do Jogabilidade, fã do musical). O foco será mais na figura histórica do que no espetáculo, com paralelos sendo traçados.
  • 00:14:45A origem e o conceito do musical Hamilton — André Campos conta a história de como Lin-Manuel Miranda concebeu o musical após ler uma biografia de Hamilton durante as férias. Ele explica a apresentação na Casa Branca em 2009, onde Miranda apresentou a ideia de um álbum de rap sobre o primeiro secretário do Tesouro. A escolha de um elenco não-branco é destacada como uma decisão para recontar a história do passado com o povo do presente.
  • 00:24:50Alexander Hamilton: a figura histórica versus o personagem — Júlia Matos contrasta o Hamilton “simpático” do musical com o personagem histórico, descrito como extremamente arrogante, impaciente e obcecado por deixar um legado e fama, inspirado em heróis gregos e romanos. Ela detalha sua origem bastarda e pobre em São Croix, e como um poema sobre um furacão financiou seus estudos em Nova York, iniciando sua ascensão.
  • 00:29:48O debate federalista e a importância de Hamilton — Felipe Figueiredo contextualiza a importância de Hamilton nos “Federalist Papers” e no grande debate que definiu o primeiro século dos EUA: federalistas (poder central forte) versus antifederalistas/confederacionistas (estados independentes). Ele explica que as 13 colônias eram entidades distintas e que a consolidação nacional veio depois, com a Guerra de Independência sendo, em grande parte, um conflito entre França e Reino Unido.
  • 00:35:07Compromissos políticos e a transferência da capital — A discussão se volta para o Compromisso de 1790, que resultou na transferência da capital para Washington. Felipe explica que o Sul aceitou uma autoridade fiscal central (para pagar dívidas de guerra) em troca de a capital ser localizada em um estado sulista (Maryland). Esse é um dos vários acordos que tentaram equilibrar o poder entre Norte e Sul, adiando o conflito que levaria à Guerra Civil.
  • 00:52:54A estrutura do musical e as batalhas de rap políticas — André Campos explica que o segundo ato do musical foca na política pós-independência. Ele destaca como o musical transforma debates complexos, como a criação do Banco Nacional e a mudança da capital, em emocionantes batalhas de rap, inspiradas na tradição do hip-hop. A música “The Room Where It Happens” é citada como exemplo brilhante de dramatização de uma negociação burocrática.
  • 00:56:30O papel decisivo da França na Revolução — Felipe Figueiredo e Júlia Matos corrigem a narrativa comum de que colonos armados conquistaram a independência sozinhos. Eles apresentam dados: 85% da pólvora e 75% das armas vieram da França. A marinha francesa foi crucial para enfrentar os britânicos. O musical aborda isso na música “Guns and Ships”, mas a escala da participação francesa é maior do que a peça sugere.
  • 01:14:19O legado, a traição e o papel de Eliza Hamilton — Discute-se o tema central do musical: o legado. É destacado o protagonismo de Eliza Schuyler, esposa de Hamilton, em preservar sua história e documentos após sua morte. O caso extraconjugal de Hamilton com Maria Reynolds é mencionado como o evento que manchou sua reputação pessoal e praticamente encerrou suas ambições presidenciais, conforme retratado no musical.
  • 01:22:30Aaron Burr, o duelo e a 12ª Emenda — A conversa se volta para Aaron Burr, o rival que matou Hamilton em um duelo. Júlia Matos explica que, diferentemente do musical, Burr não era sem ideologia, mas sim alguém que via o serviço público como meio de ganho pessoal. A eleição de 1800, onde Hamilton apoiou Jefferson contra Burr, é detalhada, levando à 12ª Emenda, que mudou a forma de escolher presidente e vice.
  • 01:37:45A cultura dos duelos e a morte de Hamilton — André Campos e Felipe Figueiredo discutem a prática dos duelos na época. Eles eram um protocolo burocrático para resolver desavenças, onde muitas vezes os participantes atiravam para o alto. O duelo Hamilton-Burr é analisado, incluindo a licença poética do musical sobre Hamilton mirar para o céu. A morte de Hamilton levou a uma maior repressão à prática.
  • 02:14:46Impacto cultural e conclusão — Os participantes refletem sobre o impacto do musical “Hamilton” em renovar o interesse pela história, especialmente entre os jovens, e sua relevância política no contexto moderno de debates sobre imigração e diversidade. São feitas recomendações finais e cada participante faz seu jabá, encerrando o episódio.

Dados do Episódio

  • Podcast: AntiCast
  • Autor: HD1
  • Categoria: Society & Culture
  • Publicado: 2017-03-15T22:03:46Z
  • Duração: 02:29:20

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] E aí pessoal, aqui é o Ivan Mizanzuki e esse é o Anticast número 279 Hamilton e a

[00:00:16] formação dos Estados Unidos, finalmente, depois de tanto tempo a gente queria, fiquem

[00:00:23] tanto tempo falando sobre o musical Hamilton, que fala de um dos founding fathers, um dos

[00:00:28] pais fundadores dos Estados Unidos, o musical que fez bastante sucesso aí, muita gente

[00:00:34] ouviu, se você não ouviu, não tem problema, a gente vai citar muita coisa no musical,

[00:00:40] mas a gente sempre contextualiza, eu não coloquei as músicas porque isso dá muito

[00:00:44] trabalho na edição, mas quem quiser, tá facinho aí de encontrar nos próprios Spotify,

[00:00:49] tem ele inteiro, então, fique à vontade aí pra ouvir e também eu dou algumas outras

[00:00:56] recomendações também pra vocês poderem entender melhor sobre esse musical, de qualquer

[00:01:00] maneira o programa é sobre história, a gente tá falando aqui sobre a formação dos Estados

[00:01:03] Unidos focado na figura do Alexander Hamilton, motivado pelo musical que fez tanto sucesso

[00:01:09] na Broadway, faz até agora né, e que é muito bacana, então pra conversar comigo sobre isso,

[00:01:16] participaram do programa Júlia Matos, que já fazia tempo que não participava do Anticast,

[00:01:21] mas que manja muito de história dos Estados Unidos, o Felipe Figueiredo lá do xadrez verbal,

[00:01:28] que não é grande coisa né, mas é o Felipe, então, fazer o quê? Tava ali de bobeira,

[00:01:34] chamei ele, então, mas você fez sacanagem, e o André Campos, o da jogabilidade que é

[00:01:39] fã zoca aí do Hamilton também, a gente vai comentar tudo isso, vamos dar aqueles

[00:01:47] recadinhos, se você não quiser ouvir, pode pular pro início do programa, o minuto exato

[00:01:52] está na postagem, muita gente pode estar se perguntando, nossa, mas na semana que sai

[00:01:58] o negócio do Janot, você não vai falar da Lava Jato, Política Nacional, tal gente,

[00:02:03] a gente quer quando tiver nomes né, a gente quer ali quando tiver um monte de tarjapreta

[00:02:08] quando tá ocupando o nome do AS, a gente quer isso, então vamos demorar um pouquinho

[00:02:13] ainda pra falar de Política Nacional, mas provavelmente pelo andar de carruagem, logo

[00:02:19] logo aí a gente tá falando de novo. Enquanto isso não acontece, seja patrão do Anticast,

[00:02:25] ajude-nos a fazer nossos programas aqui, lembrando que temos vários programas na casa, temos

[00:02:31] aqui o Anticast que você tá ouvindo, o projeto humanos que vai voltar em agosto, todo dia

[00:02:35] aqui eu tô produzindo alguma coisa pra ele, tá dando um trabalhão, mas muito legal,

[00:02:40] agradeço aí todo mundo que tá ajudando também, o grupo lá do grupo secreto do Facebook

[00:02:44] aí na gente discutindo autos e tudo tá bem legal, os autos do processo, lembrando que

[00:02:50] o projeto humanos na próxima temporada vai ser sobre um caso criminal, a morte de uma

[00:02:53] criança num suposto ritual de magia negra, então um caso bem tenso, vamos ver aí se

[00:02:59] conseguimos deixar o True Detective no chinelo, pelo menos a história é horrorosa nesse

[00:03:04] nível ou até pior. Mas enfim, temos o Anticast, projeto humanos, o visualmente, que fala

[00:03:12] sobre design e comunicação e outras coisas mais legais, o feito por elas, que é de cinema

[00:03:17] voltado a mulheres, aliás, cinema produzido por mulheres, voltado a mulheres é um termo

[00:03:23] horrível, então o cinema produzido por mulheres e o podcast feito por elas é excelente,

[00:03:30] o não obstante do Bekary voltará em breve, três páginas a gente, eu ainda tenho que falar com o Fábio pra ver isso,

[00:03:37] como é que vai rolar, de qualquer forma, vamos ver como é que tá o andar com a ruagem e eu salvo o melhor juízo,

[00:03:43] claro, agora o Thiago tá lá em Portugal, tá fazendo o seu doutorado sanduíche, mas tá lançando o programa

[00:03:49] a cada duas semanas e um programa melhor que o outro, então, que é de direito, é sobre direito,

[00:03:55] então, ouça o nosso podcast, se pra nos ajudar ou contribua mensalmente com o contigo que você puder,

[00:04:01] a partir de um dólar por mês pelo Patreon ou cinco reais pelo PagSeguro, pra saber mais sobre isso,

[00:04:07] basta entrar em Anticast.com.br e ver um botão enorme lá em cima dizendo Seja Patrão, clica lá,

[00:04:14] tem todas as informações, toda ajuda que você puder nos dar, será muito bem-vinda e eu agradeço você de coração,

[00:04:21] além disso, você também tem acesso, daí é o nosso grupo fechado no Facebook, que é a Cracovia do Anticast,

[00:04:26] as instruções pra entrar nele estão neste post, além disso, também estamos oferecendo cursos,

[00:04:35] sim, nós oferecemos cursos aqui no Anticast, então, eu tô com dois cursos abertos, dois cursos online,

[00:04:40] o curso de storytelling, que é um curso muito pedido, então, vai acontecer no dia 8 de abril,

[00:04:46] o curso vai ser online, você pode fazer no conforto do celular, das 10 da manhã às 18 horas,

[00:04:53] a gente vai ficar conversando o dia inteiro sobre técnicas de storytelling, que é bem um assunto que eu adoro,

[00:04:58] e que eu uso bastante no Projeto Humanos, e também um outro curso que também foi bastante pedido,

[00:05:03] que é o História da Arte para Criativos, que vai acontecer no dia 22 de abril, também online,

[00:05:10] esse é um curso pra quem curte saber como que os grandes mestres do passado faziam suas obras,

[00:05:16] que inovações que eles trouxeram, vamos falar de Da Vinci, Michelangelo, Bernini, vai ser muito legal,

[00:05:23] Bosch, então, quem quiser, os links estão em www.anticast.com.br barra cursos,

[00:05:35] daí lá tem esses dois cursos, e tem também dois cursos que o Ankara lançou,

[00:05:39] que é Caligrafia Espenceriana com Christopher Hammer Schmidt, não é o Ankara que vai dar, mas ele está anunciando,

[00:05:46] então, em Curitiba, esse curso sobre Caligrafia Espenceriana, e também o seu curso de visualização de informações para pesquisas,

[00:05:55] então, os dois cursos serão em Curitiba, quem quiser mais informações sobre isso,

[00:06:00] seja de visualização de informações, ou seja de Caligrafia Espenceriana, basta entrar em www.anticast.com.br barra cursos,

[00:06:08] bom, dito isso, eu acho que já é o suficiente, vamos pelo andar de carruagem, vamos ouvir um pouquinho agora sobre Alexander Hamilton,

[00:06:18] e ficar, se você é fã do musical que nem nós somos, vamos ver você aí pirando e imaginando as cenas na sua cabeça,

[00:06:27] então é isso, fiquem agora com o programa.

[00:06:30] .

[00:06:36] Começando mais um Anticast, hoje vamos falar aqui sobre o Hamilton, o comandante lá da Atena, não, na verdade não,

[00:06:49] vamos falar do Hamilton, mas eu adoro fazer esse trocadilho que não tem graça nenhuma, desculpa aí a todos que estão ouvindo,

[00:06:57] para isso temos aqui um time muito bom, e o Filipe Figueiredo do Atras Verbal também, então diz oi Filipe, já que eu falei seu nome primeiro.

[00:07:06] Eu só queria dizer que você já fez essa piadinha off, em 15 minutos é repetitiva, aborrecida, arrastada, gostaria de te mandar merda também,

[00:07:22] e gostaria de dizer que é muito bom poder falar de uma grande figura, o que é muito difícil ser um grande campeão num esporte tão elitista como a Fórmula 1, ainda mais sendo um negro.

[00:07:34] Cara que vai ter confusão pra caralho de Hamilton aqui.

[00:07:41] Beleu, então temos aqui também a Júlia Matos de volta, tudo bom Júlia, que é especialista em história americana aí também, então tudo bom querida.

[00:07:55] Oi, tudo bom, assim, eu me especializo depois da revolução, mas a gente tenta.

[00:08:01] Ah, mas é tudo a mesma coisa ali né.

[00:08:06] Inclusive daqui a pouco a Júlia vai falar sobre o podcast novo dela, que o Filipe me obrigou a dizer que eu ainda não o ouvi, porque eu sou um grosseirão, mas aí a Júlia já fala sobre isso também.

[00:08:20] E temos aqui também o nosso outro convidado que é o querido André Campos lá do Jogabilidade, tudo bom André, como é que tá querido?

[00:08:28] Sou eu, tudo bom, obrigado pelo convite.

[00:08:30] Isso, o André que foi a pessoa que praticamente me fez sem, não diretamente não falou, Ivan ouça Hamilton, mas foi o cara que de tanto falar eu acabei ouvindo e acabei viciando.

[00:08:44] É, desculpa.

[00:08:48] Tá vendo.

[00:08:49] E assim, já antes de começar também, avisar que se você nunca ouviu falar de Hamilton, do musical e da figura, aqui a gente vai falar mais da figura histórica e daí o André tá aqui justamente pra me ajudar a puxar algumas coisas do musical, né, que o André é mais viciado que eu nesse sentido, então daí vai conseguir trazer umas coisas.

[00:09:11] E lá no Jogabilidade vocês fizeram o Fora da Caixa, né, que é um dos podcasts que vocês têm, o Fora da Caixa 25, que é o Ato 1 do Hamilton, um dia saiu o Ato 2 também, né, que é um programa só de 4 horas, foi só 4 horas de programa.

[00:09:25] Pois é, é esse que é o problema, porque o primeiro a gente foi naquela pegada de tipo, por não saber que era impossível foi lá e fez, sabe, e agora que a gente sabe o quanto trabalhoso é o Ato 2 está demorando um pouco, mas deve sair, um dia, dizem.

[00:09:40] Um dia, dizem por aí que sai.

[00:09:42] Também vou deixar linkado no post um texto da Gabriela Aventura, que no Twitter é a Arroba Aventurieta, que também é uma fã zoca de Hamilton e ela fez um texto muito legal no Medium sobre o Hamilton, que é uma boa introdução sobre o musical, mas de novo, a gente vai falar aqui mais, a gente vai fazer alguns paralelos e tentar focar mais na história.

[00:10:05] E para isso, obviamente, temos aqui a Júlia, né, que, quando eu falei para ela já meses atrás, Júlia, vamos fazer um dia um podcast sobre Hamilton, e daí ela foi lá, estudou o musical, viu uns documentários também, deu uma relidinha em algumas coisas.

[00:10:18] A Júlia que tem o mestrado dela em História dos Estados Unidos, só que como ela acabou de falar depois da Revolução, e a Júlia falou que está com um podcast também, então fala aí um pouquinho sobre o podcast, Júlia.

[00:10:30] Então, o nome é 20 minutos, porque eu sou uma pessoa muito criativa, o primeiro episódio teve 20 minutos, e eu resolvi chamar ele de 20 minutos.

[00:10:39] A ideia é explicar um pouco do que está acontecendo na política norte-americana, porque a quantidade de informações que a gente tem todos os dias é muito grande,

[00:10:51] e começa uma série de conceitos e coisas que muita gente não entende, ou tenta fazer paralelos com a política brasileira e não funciona.

[00:11:01] Por enquanto, eu estou jogando ele… ai, esqueci o nome do site, aquele site não é tão gratuito que você joga as coisas lá.

[00:11:10] Eu estou jogando no SoundCloud até ver onde ele vai, e depois eu ponho um link, o primeiro é sobre imigração e o segundo é sobre o Conselheiro de Segurança Nacional.

[00:11:22] Legal.

[00:11:23] Júlia, posso fazer uma pergunta?

[00:11:25] Pode.

[00:11:27] Eu acompanho notícias de política norte-americana basicamente através dos monólogos dos talk shows, do Colbert, do Seth Meyers, esse pessoal, o quão desinformado eu estou?

[00:11:47] Na verdade sim, o grande problema é que eles pegam as grandes coisas, as grandes gafes, então às vezes alguns pormenores, por exemplo o New Yorker, ele lançou essa semana passada,

[00:12:02] um editorial muito bom explicando as relações dos Estados Unidos com a Rússia sobre uma terceira Guerra Fria, o que explica bastante o porquê que o Trump e o Putin estão sempre no noticiário.

[00:12:16] Então às vezes pega essas outras notícias e ajuda a explicar o porquê, onde que o Trevor Noah, o Colbert estão, de onde eles estão tirando essas coisas, porque eles pegam o que está no ciclo de notícias.

[00:12:30] Então os links dos podcasts da Júlia estão aqui na postagem já também e obviamente fica a dica para sempre ouvir o xadrez verbal também, que é onde eu me informo sobre o Político Internacional.

[00:12:42] Olha aí Felipe, eu estou te dando, você é minha fonte de informação, você pode mentir para mim que eu acredito, viu, que merda.

[00:12:50] É por isso que você é burro, então você é mal informado.

[00:12:54] Então, se você mentir para mim eu também acredito, porque eu escuto o xadrez verbal enquanto eu estou cozinhando.

[00:13:00] Então, mas no seu caso eu ainda boto uma fé que você tem um juízo de procurar outras fontes também, o Ivan não, Ivan é toscão.

[00:13:10] Só preguiçoso.

[00:13:12] Uma pergunta para a Júlia, porque todo o podcast do xadrez verbal, quando ele começou, a ideia era ser por volta de 45 minutos.

[00:13:20] E hoje o programa tem em torno de duas horas. Eu queria saber da Júlia qual vai ser o título quando os programas dela também tiverem quatro horas, eventualmente.

[00:13:30] É 20 minutos plus.

[00:13:33] Mas como eu faço sozinha, só eu e a minha belíssima voz, eu acho que não passa muito de 20 minutos, porque fica muito chato você ouvindo a minha voz sem fundo durante muito tempo.

[00:13:45] Inclusive…

[00:13:46] Nada como as vinhetas não dêem jeito.

[00:13:48] E fica aqui o pedido que o Matias fale mais no xadrez verbal, porque eu não aguento os monólogos do Felipe também.

[00:13:54] Aqui tem uma crítica já também.

[00:13:57] Você tem uma voz muito chata, Felipe, não sei como as pessoas te ouvem.

[00:14:02] Eu também não sei, mas…

[00:14:04] Tá certo.

[00:14:06] Como já disse o André, não sabendo que era impossível, fui lá e fiz.

[00:14:11] Perfeito.

[00:14:12] Então vamos lá, gente.

[00:14:14] Eu acho que um ponto de partida aqui seria legal falar.

[00:14:18] Por que falar do Hamilton?

[00:14:20] Porque até pouco tempo atrás ele era o cara que estava na nota de 10 dólares, se não me engano só.

[00:14:26] Esse era o conhecimento que eu tinha sobre ele.

[00:14:30] E daí apareceu o musical e muita gente começou a falar sobre ele.

[00:14:34] E eu queria que o André falasse um pouquinho da história do musical.

[00:14:38] Porque tem a história do Lima Anoel Miranda e na Casa Branca.

[00:14:43] Então conta um pouquinho da história.

[00:14:45] Exato.

[00:14:46] Esse sujeito, Lima Anoel Miranda, é um cara filho de imigrantes, filho de porto riquenhos.

[00:14:53] Porto riquenhos? Porto riquenho.

[00:14:55] Que mora em Nova York.

[00:14:57] E a vida dele inteira gostou bastante de musicais e teatros.

[00:15:03] E era isso que ele queria fazer para a vida dele.

[00:15:06] E ele começou na Broadway.

[00:15:08] Ele conseguiu a primeira peça dele na Broadway, que foi o In The Heights.

[00:15:12] Que estreou em 2009, se não me engano.

[00:15:15] E foi uma peça de grande sucesso dentro do nicho da Broadway.

[00:15:19] Dentro do nicho de musicais, ela fez bastante barulho.

[00:15:22] Inclusive ganhou alguns tones.

[00:15:25] O que deu para ele bastante renome e reconhecimento.

[00:15:28] E nisso ele foi convidado para a noite de poesia e música da Casa Branca.

[00:15:37] Algo que o Obama estava fazendo e convidando artistas fora do padrão.

[00:15:46] Um cara que estava conhecido por fazer rap e trazer o hip hop.

[00:15:53] Ele convidou esse cara para se apresentar lá.

[00:15:56] Posso interromper o André rapidinho?

[00:15:58] Claro.

[00:15:59] Só queria dizer que o Obama nesse sentido, por mais que muita gente valorize isso que ele fez na Casa Branca.

[00:16:07] É bom lembrar que George W. Bush levou Alexandre Pires para tocar na Casa Branca.

[00:16:14] Só queria lembrar essa informação.

[00:16:17] Continue.

[00:16:18] Isso é insuperável.

[00:16:20] O Alexandre Pires chorou vendo o Bush.

[00:16:24] Eu acho que se essa visita do Lee Manuel na Casa Branca foi a razão de Hamilton.

[00:16:30] Então acho que de alguma forma a razão de Hamilton é o Alexandre Pires.

[00:16:33] Então temos que agradecer a ele.

[00:16:37] Ele foi lá e de última hora ele pediu para apresentar uma nova música.

[00:16:41] Ele queria apresentar alguma coisa do Winder Heights.

[00:16:43] Que é esse musical sobre a vida de um grupo de vizinhos no bairro de Washington Heights.

[00:16:52] E ele falou que estava trabalhando nesse álbum.

[00:16:56] Não ia ser um musical ainda.

[00:16:58] Sobre a vida do Alexandre Hamilton, que é o secretário do Tesouro.

[00:17:08] Primeiro secretário de Tesouro.

[00:17:10] E é engraçado no vídeo que ele fala justamente assim.

[00:17:13] Eu estou fazendo um álbum sobre a história do primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos.

[00:17:23] Exato.

[00:17:24] E era em rap.

[00:17:26] E contar a história dele em forma de hip hop.

[00:17:29] Esse foi o meu primeiro contato na verdade com a ideia de Hamilton.

[00:17:33] Que foi saber que tem um cara contando a história do Alexandre Hamilton em forma de hip hop.

[00:17:39] E eu pensei que era uma comédia.

[00:17:41] Como que alguém vai levar isso a sério.

[00:17:44] E pode ser muito engraçado e muito interessante.

[00:17:47] Mas comédia.

[00:17:48] E quando você vê esse vídeo que foi um vídeo que viralizou em 2009.

[00:17:53] Que é ele e o Alex Lacamore que é no piano.

[00:17:57] Que foi o cara que fez os arranjos.

[00:17:59] E toda a parte instrumental de partituras e tudo mais do musical mais para frente.

[00:18:05] E ele cantando uma versão bem cru ainda.

[00:18:10] Que ele ainda ia modificar bastante para o musical.

[00:18:14] Da primeira música que é a música que também leva o nome do personagem Alexandre Hamilton.

[00:18:19] Que conta boa parte da história.

[00:18:22] Interessante que essa primeira música dá um resumão da vida dele.

[00:18:26] Para mostrar esse é o cara que nós vamos falar aqui no musical.

[00:18:29] E é muito interessante você ver.

[00:18:32] Tudo que acontece nesse vídeo é muito interessante.

[00:18:36] Porque a plateia também no começo ela não sabe muito bem como reagir.

[00:18:40] Eles começam a rir. Eles começam a o que está acontecendo.

[00:18:44] E ele chama o pessoal para instalar os dedos na batida da música.

[00:18:49] E o pessoal vai participando.

[00:18:50] E a câmera mostra um pouco o Obama e a Michelle ali curtindo e tudo mais.

[00:18:55] Então é interessante ver as pessoas descobrindo o potencial que isso tem.

[00:19:01] E esse vídeo serviu muito para isso.

[00:19:03] Para mostrar o que o musical sobre a vida de Alexandre Hamilton poderia ser.

[00:19:08] E por isso que ele começou a ser desenvolvido.

[00:19:10] E ele faz o argumento ainda dizendo que é a história de um gangster.

[00:19:14] A história do Hamilton é a mesma estrutura de história de um gangster.

[00:19:18] Um cara que vem pobre, vai subindo, duela.

[00:19:23] Sim, porque nas férias do Winter Heights ele comprou a biografia do Ron Chernow, do Hamilton.

[00:19:31] E quando ele estava lendo, quando ele começou a ler sobre a história do Hamilton.

[00:19:35] Que é um imigrante que vai para os Estados Unidos sem nada.

[00:19:39] E através da habilidade de escrita dele, ele transcende a realidade dele.

[00:19:46] E vence na vida basicamente.

[00:19:49] Ele falou que isso é a história de um rapper.

[00:19:51] Isso é a história do cara que sai da periferia.

[00:19:54] E através das rimas, através da música dele, ele consegue chegar lá.

[00:19:58] E ele desde o começo começou a ler que esse personagem aqui é o Eminem.

[00:20:06] Esse cara aqui é o Jay-Z.

[00:20:07] Esse cara aqui é o Busta Rhyme.

[00:20:10] E ele começou a imaginar essa galera toda na cabeça dele.

[00:20:13] E essa seria a ideia inicial.

[00:20:15] Ele ia fazer um álbum e ele ia convidar vários artistas para cantar as partes diferentes.

[00:20:22] E quando ele estava fazendo essa primeira música, essa seria a ideia.

[00:20:26] Depois isso foi expandido para um musical da Broadway mesmo.

[00:20:29] Além disso, uma outra coisa que vai chamar a atenção quando o Hamilton vira musical e vira peça na Broadway.

[00:20:39] O musical está em 2014 ou 2015?

[00:20:44] 2015 na Broadway.

[00:20:47] Primeiro, todos os personagens são latinos ou negros.

[00:20:53] Sim, são não-brancos.

[00:20:56] A mulher do Hamilton mesmo, a atriz é uma filha de imigrantes chineses.

[00:21:05] Você tem muitos latinos, negros.

[00:21:08] E eu não me lembro se tem mais alguma etnia.

[00:21:10] Mas eu lembro que no texto da Aventurieta mesmo, na época que ela escreveu,

[00:21:14] dizia que quando estavam pensando para fazer a adaptação do Hamilton na Europa,

[00:21:18] estavam pensando inclusive que o George Washington podia ser uma mulher.

[00:21:22] Eu não sei como é que ficou isso.

[00:21:24] Porque acho que já estreou na Europa Hamilton.

[00:21:26] Eu não sei se eles mantiveram essa ideia.

[00:21:28] Acho que ainda não.

[00:21:29] Acho que já estreou em Chicago e, se não me engano, em Los Angeles.

[00:21:33] E tem uma outra equipe que vai fazer um tour pelos Estados Unidos.

[00:21:37] Mas, se não me engano, ainda não saiu dos Estados Unidos.

[00:21:39] Mas ainda não teve essa troca inclusive de gêneros.

[00:21:42] Ainda não, de gênero ainda não.

[00:21:44] Mas enfim, daí vem justamente porque um dos textos que eu li sobre o Hamilton

[00:21:51] justamente era de mostrar que a história do musical Hamilton

[00:21:56] você não pode ler como uma história dos Founding Fathers, dos pais fundadores.

[00:22:01] Você tem que ler uma história sobre uma releitura que fala sobre imigração.

[00:22:06] E por isso que daí tem todas essas trocas de papéis, o que é tão interessante.

[00:22:10] E que para mim é difícil, porque daí agora, na minha cabeça,

[00:22:14] o Hamilton é o Limanol Miranda.

[00:22:16] Nossa, total.

[00:22:18] Falou George Washington, eu penso no Chris Jackson.

[00:22:21] Sim, cara.

[00:22:22] Um cara gigante.

[00:22:23] Que é muito massa.

[00:22:25] Então, mas enfim, é interessante pensar nesse poder justamente que a arte teve

[00:22:31] de certa forma de reinventar, repensar a história, reler a história.

[00:22:36] Era muito um pouco da intenção dele.

[00:22:38] Eles falam, tem a frasezinha pronta que eles repetem em todas as entrevistas,

[00:22:41] que é tipo, Hamilton é uma história dos Estados Unidos do passado

[00:22:47] contado pelas pessoas dos Estados Unidos do presente.

[00:22:50] É bem isso.

[00:22:51] E é muito daquela intenção de você fazer as pessoas pararem de pensar nessas pessoas,

[00:22:57] nos pais fundadores, nas pessoas envolvidas na revolução,

[00:23:00] como aquelas pinturas do Trumbull,

[00:23:04] que são aquelas pinturas super clássicas e cizudas,

[00:23:09] e deles com aquelas perucas lindas, sentadas com roupas magníficas.

[00:23:14] E fazer, ver eles como pessoas mesmo.

[00:23:19] Só que eles ainda fazem vista grossa para muita coisa,

[00:23:24] para muita merda que esses caras fizeram e tudo mais.

[00:23:26] Mas eles têm um trabalho de tentar humanizar essas pessoas também.

[00:23:29] Sim.

[00:23:31] Apesar que tem alguns toquezinhos.

[00:23:33] Por exemplo, quando no musical eles ganham a batalha e conseguem a liberdade.

[00:23:40] E falam assim, isso significa liberdade?

[00:23:42] E alguém fala, não ainda.

[00:23:44] Como uma referência à escravidão que está acontecendo.

[00:23:48] O Thomas Jefferson é um dos personagens, ele é um negro,

[00:23:51] Thomas Jefferson tinha escravos, então tem a questão da escravidão passando para ele.

[00:23:57] Teria uma terceira batalha de rap onde seria discutido o tema da escravidão,

[00:24:02] mas ela teve que ser cortada também.

[00:24:03] Outras músicas que falavam mais a fundo sobre isso.

[00:24:06] É estranho, porque no fundo o tema da escravidão mesmo só é pincelado,

[00:24:11] como você disse, em alguns pontos de algumas falas de personagens

[00:24:14] que dão a entender que a gente sabe que ainda não está certo,

[00:24:17] tem muita coisa errada ainda para resolver.

[00:24:19] Mas nenhuma música que fala especificamente disso eu achei estranho.

[00:24:22] Acho que fez um pouco de falta.

[00:24:24] Então, apesar de acabar de dizer que isso não é exatamente uma história

[00:24:32] que é para ler como a história dos Estados Unidos,

[00:24:35] a gente vai destruir agora muita coisa do musical

[00:24:38] para ver como foi a história mesmo.

[00:24:42] Porque começa o seguinte, ainda bem que temos a Júlia e o Felipe aqui para fazer isso,

[00:24:48] eu vou começar para a Júlia.

[00:24:50] Júlia, você que viu o musical, viu alguma coisa do Hamilton também,

[00:24:56] sobre o personagem histórico, de cabeça,

[00:24:59] você já lembra de algumas incongruências do musical?

[00:25:02] Qual é a sua opinião depois que você viu isso?

[00:25:06] O Hamilton do pessoa, o Hamilton,

[00:25:09] ele era muito mais ignóbil, por dizer assim,

[00:25:16] do que… ele parece um cara legal no musical.

[00:25:20] E, na verdade, ele era extremamente arrogante,

[00:25:23] ele não tinha paciência para julgar.

[00:25:26] Era assim, eu estou certo, você está errado, ponto.

[00:25:28] Não fala isso, não fala isso.

[00:25:30] É muito triste ouvir isso.

[00:25:33] Porque assim, uma das coisas que ele…

[00:25:37] o Hamilton, ele é a definição do self-made man, sabe?

[00:25:41] Ele chegou, ele fez, ele estudou,

[00:25:44] e como você tem logo no início, mostra aquela quantidade de catástrofes

[00:25:50] que acontece na vida dele, ele percebe que o único bem que ele tem é a inteligência.

[00:25:54] Então, ele estuda a inteligência de uma forma muito…

[00:25:58] ele estuda de uma forma muito grande.

[00:26:01] E ele, principalmente, ele se baseia nos heróis gregos e romanos.

[00:26:06] Então, ele sempre tem a meta da fama, mas não a fama que a gente conhece hoje.

[00:26:11] Ele sempre busca um grande feito.

[00:26:14] Ele quer ser lembrado, ele quer estar no meio das coisas.

[00:26:20] Então, o Hamilton do pessoa,

[00:26:23] ele não é tão bacana quanto o Hamilton personagem.

[00:26:30] E, assim, principalmente na conversa dele, nos debates dele com o Thomas Jefferson,

[00:26:37] chega a ser arrogante a forma que ele defende a industrialização,

[00:26:44] como as coisas acontecem.

[00:26:47] As tragédias que a Júlia está se referindo, isso é logo no início, né?

[00:26:52] A primeira música, Alexander Hamilton, do Musical, já fala que os pais dele morreram,

[00:26:58] que a mãe adoeceu também.

[00:27:01] Ele foi viver com um primo.

[00:27:04] André, me lembra?

[00:27:06] Ele foi viver com um primo, o primo se mata.

[00:27:08] O primo se matou.

[00:27:10] Tem um detalhe que ele é bastardo, né?

[00:27:13] Então, ele não pode assumir o nome do pai,

[00:27:16] ele não pode frequentar alguns tipos de escola,

[00:27:19] ele não tem direito a algumas formações que…

[00:27:25] Não tem direito a herança, desculpa.

[00:27:27] Ele não tem direito a herança, ele não tem direito a ir a escolas católicas.

[00:27:30] Então, ele é um páreo na sociedade.

[00:27:33] E isso já coloca ele como um cidadão de segunda classe.

[00:27:38] E ele era da onde que ele era?

[00:27:41] São Croix, né?

[00:27:43] Não sei como é em português.

[00:27:45] Mas é Neves, né?

[00:27:47] Que é uma ilhazinha lá.

[00:27:49] E o pai é descendente de Escocês.

[00:27:52] Sim.

[00:27:53] E isso, além de todas essas desgraças pessoais,

[00:27:57] o que acabou levando ele pra Nova York

[00:28:00] foi que aconteceu um furacão,

[00:28:03] um desastre natural terrível na cidade dele,

[00:28:07] que devastou a cidade.

[00:28:09] E um lugar que já era meio…

[00:28:13] Como já sofria muito de pobreza, ficou ainda mais.

[00:28:17] E ele escreveu um poema sobre isso

[00:28:22] com 17 anos, se não me engano.

[00:28:24] Talvez até um pouco mais novo.

[00:28:26] E foi tão bonito, foi publicado e tudo mais.

[00:28:30] E as pessoas ficaram tão emocionadas com aquele poema

[00:28:33] que eles fizeram uma vaquinha pra pagar os estudos dele.

[00:28:38] Pelo menos essa é a história que dizem no musical.

[00:28:41] Não sei o quão real é isso.

[00:28:44] Felipe, algum comentário também sobre o Hamilton geral?

[00:28:48] Você não ouviu o musical,

[00:28:50] mas complementando alguma coisa da Júlia, de repente?

[00:28:57] Claro, não assisti nem ouvi o musical.

[00:29:01] Eu perguntei antes se isso seria um impedimento.

[00:29:03] Você disse que não.

[00:29:04] Mas de qualquer jeito deixo isso claro

[00:29:06] pra quem estiver nos ouvindo.

[00:29:08] Segundo a Júlia, comentou que o Hamilton

[00:29:10] não poderia frequentar uma escola católica.

[00:29:12] Eu estudei em colégio católico,

[00:29:14] então ele não perdeu muita coisa.

[00:29:16] Pode ser tranquilo.

[00:29:20] Terceiro, eu gostaria de lembrar todos os nossos ouvintes

[00:29:23] da epopeia de Gilgamesh.

[00:29:26] Com pedido de um participante que não pôde vir.

[00:29:30] Está aqui com nosso espírito.

[00:29:32] Ele fez dois pedidos, o outro vou tentar atender mais tarde.

[00:29:34] Agora falando um pouco mais sério,

[00:29:36] complementando um pouco o que a Júlia falou,

[00:29:39] eu não conheço muito do Alexander Hamilton

[00:29:44] pessoa física, digamos assim,

[00:29:46] sua biografia, sua jornada de vida.

[00:29:48] Porém, eu conheço um pouco, principalmente, das suas ideias.

[00:29:52] E eu acho que o interessante do Alexander Hamilton,

[00:29:56] só pra antecipar, pra mencionar pros nossos ouvintes,

[00:30:02] ele é um dos principais autores do que é um dos maiores tratados políticos

[00:30:06] da era moderna, da era contemporânea,

[00:30:09] que são os Federalist Papers, os papéis federalistas.

[00:30:12] E ele tem um papel essencial no grande debate

[00:30:17] que vai definir o primeiro século da história dos Estados Unidos,

[00:30:22] que é a discussão entre os federalistas

[00:30:25] e o que se convencionou de chamar num momento inicial de anti-federalistas,

[00:30:31] e que depois viram os confederacionistas,

[00:30:34] que era a ideia de se os Estados Unidos deveria ter um poder centralizado,

[00:30:41] um poder federal,

[00:30:43] ou se deveria ser bastante descentralizado

[00:30:46] com a ideia de ser uma coleção de estados independentes.

[00:30:50] E isso é muito importante a gente lembrar

[00:30:53] que quando os Estados Unidos se tornam independentes,

[00:30:55] as 13 colônias, elas serviam como três entidades diferentes.

[00:31:02] A consolidação, a formação de unidade nacional de um país só,

[00:31:07] ela vem depois.

[00:31:09] E lembrando outra coisa,

[00:31:11] que a guerra de dependência dos Estados Unidos,

[00:31:15] ao contrário da imagem que o Mel Gibson tenta nos vender,

[00:31:19] não foi uma luta de colonos guerreiros ideólogos contra ingleses malvadões.

[00:31:27] Primeiro, metade dos colonos eram lealistas,

[00:31:31] lutaram do lado da coroa, ou então emigraram para o Canadá.

[00:31:35] E segundo, o volume da guerra era gigantesco,

[00:31:40] o volume de produção necessário.

[00:31:42] A guerra de dependência dos Estados Unidos, na verdade,

[00:31:44] foi uma guerra entre França e Reino Unido,

[00:31:46] com participações, com papéis coadjuvantes de Espanha,

[00:31:51] dos colonos a favor da independência e dos colonos

[00:31:55] a favor da manutenção dos laços com o Reino Unido.

[00:31:58] Após a independência, o Hamilton tem um papel muito forte nessa discussão

[00:32:02] de ser um país federal, ou seja, vários estados,

[00:32:06] mas com uma autoridade central,

[00:32:08] ou um país confederado, uma série de estados independentes soberanos

[00:32:14] que eram unidos ali apenas para aspectos proveitosos

[00:32:18] de relações internacionais, como comércio, esse tipo de coisa.

[00:32:21] Então ele tem um papel essencial nisso,

[00:32:24] e acho que isso é o que eu tenho mais familiaridade,

[00:32:28] e isso talvez seja o mais importante de ser considerado.

[00:32:32] E é muito curioso porque quando a gente vai para o período do Hamilton

[00:32:36] em que ele escreve os Federalist Papers,

[00:32:39] tinham medo de que o federalismo se tornasse uma monarquia.

[00:32:48] Júlia, fica à vontade.

[00:32:50] Se quiser falar, Júlia.

[00:32:52] O que eu queria complementar sobre o que o Felipe está falando

[00:32:56] é essa questão dele se verem como 13 quase que países separados.

[00:33:01] O papel do Hamilton como imigrante é bastante importante

[00:33:05] porque ele não tem essa sensação de eu pertenço à Virgínia,

[00:33:08] eu pertenço a Nova York, eu pertenço a Vermont.

[00:33:14] Não, ele abraça os Estados Unidos.

[00:33:17] Então na hora de discutir, de fazer essas discussões,

[00:33:21] ele não coloca cada esmiuçada de cada estado um em cima do outro.

[00:33:26] Ele diz assim, vamos pensar como um grupo.

[00:33:29] Então essa questão do Hamilton ser um imigrante

[00:33:32] dentro da formação do país, do que vai ser os Estados Unidos,

[00:33:39] acaba sendo uma grande vantagem para eles.

[00:33:42] Isso é estranho para eles, para o Thomas Jefferson,

[00:33:46] especialmente que eu oposto muito o Hamilton nisso,

[00:33:49] de tipo, ok, a gente acabou de se libertar

[00:33:52] e você está querendo centralizar o poder de novo,

[00:33:55] em vez de distribuí-lo ao povo e as liberdades individuais e tudo mais.

[00:34:02] Então é estranho.

[00:34:04] Mas isso tudo que o Felipe e a Júlia disseram,

[00:34:06] pelo menos por enquanto, está bem de acordo.

[00:34:09] O musical está fazendo direitinho porque tem tudo isso.

[00:34:11] Tem o Marquês de Lafayette como um dos personagens principais

[00:34:14] mostrando a influência da França e a importância da França na luta.

[00:34:19] E essa é uma das coisas que eu acho mais foda de Hamilton.

[00:34:23] Tem uma música sobre ele escrever os Federalist Papers

[00:34:27] e uma música sobre a conversa

[00:34:31] que resultou na mudança da capital de Nova York para Washington.

[00:34:37] E essas duas músicas são incríveis, elas são super emocionantes.

[00:34:42] E o fato de que ele consegue fazer uma reunião chata, burocrática, de política

[00:34:46] como uma coisa fantástica e emocionante.

[00:34:50] E essa especificamente, que é The Room Where It Happens,

[00:34:54] é um dos números, especialmente quando você tem o visual,

[00:34:58] a parte visual da coreografia e tudo mais,

[00:35:01] é um dos momentos mais impressionantes do musical inteiro.

[00:35:04] O fato de que ele conseguiu transformar isso é demais.

[00:35:07] E continua sendo dos jantários mais importantes da política norte-americana.

[00:35:11] E essa coisa da transferência da capital, não sei como é no musical,

[00:35:17] o André pontua depois, mas é interessante porque a transferência da capital

[00:35:23] vem pelo chamado Compromise de 1790.

[00:35:27] E entre a fundação dos Estados Unidos, quase de julho de 1776,

[00:35:32] para ficar na data simbólica,

[00:35:34] até o estouro da guerra civil americana em 1861,

[00:35:39] nós temos uma série desses compromises, desses acordos,

[00:35:45] que era uma tentativa de você manter um equilíbrio de poder

[00:35:48] entre, primeiro, os federalistas e os não federalistas,

[00:35:52] e segundo, entre o norte e o sul.

[00:35:55] Que aí é bom lembrar, caso nosso 20 não tenha familiaridade,

[00:35:59] o norte e o sul tinham basicamente dois modelos sociais muito diferentes.

[00:36:03] E aí o poder político e o poder econômico,

[00:36:06] no sentido comercial e industrial, pendia ao norte.

[00:36:09] E o sul era basicamente uma sociedade baseada no modelo de plantation,

[00:36:15] muito parecido com a história brasileira.

[00:36:18] Então você vai ter a grande propriedade, monoprodutora para exportação,

[00:36:22] no caso algodão e tabaco, com mão de obra de negros escravizados

[00:36:27] e com a formação de uma aristocracia local, de uma oligarquia local,

[00:36:31] melhor dizendo, os coronéis locais.

[00:36:34] E no compromisso de 1790, qual foi o compromisso de 1790?

[00:36:40] Os do sul, os não federalistas, aceitam uma centralização fiscal,

[00:36:47] já que o governo dos Estados Unidos ainda não tinha autoridade fiscal.

[00:36:51] Então, note o nosso 20, os Estados Unidos demorou 14 anos

[00:36:55] para estabelecer uma autoridade fiscal central.

[00:36:59] Então eles aceitam uma autoridade fiscal central,

[00:37:01] porque o país estava endividado por causa da guerra,

[00:37:04] em troca a capital dos Estados Unidos seria no sul.

[00:37:08] Por quê? Porque o distrito de Columbia de Fico Washington

[00:37:12] era parte do estado de Maryland, que era considerado um estado sulista,

[00:37:17] um estado agrário escravista.

[00:37:20] Hoje a gente pensa Washington como um local cosmopolita,

[00:37:24] no norte, na guerra de dependência fica no norte,

[00:37:28] no lado unionista, digamos assim.

[00:37:30] Mas para o período 1790, a capital ir para Washington

[00:37:34] significava a capital ir para o sul dos Estados Unidos,

[00:37:38] para zona agrária e escravista.

[00:37:40] Então essa questão da transferência da capital é bom lembrar,

[00:37:44] porque o Hamilton, os federalistas, queriam uma autoridade fiscal,

[00:37:47] só que nesses diversos compromises,

[00:37:51] que vão ser apenas empurrar com a barriga um choque inevitável interno,

[00:37:56] porque você tinha basicamente dois países dentro de um só,

[00:37:59] então a transferência da capital vem por meio de uma barganha política.

[00:38:04] Não sei como é retratado no musical, mas eu não sei se na vida real eles fizeram um rap,

[00:38:10] isso eu vou deixar claro, não tem evidências, nem para sim, nem para não.

[00:38:16] É bom lembrar.

[00:38:18] Só uma pergunta, é nesse período que eles fazem o compromiso dos três quintos também?

[00:38:24] O compromiso dos três quintos, ele vem na negociação da constituição,

[00:38:29] que é aprovada em 1787, três anos antes.

[00:38:33] O que é os três quintos, por favor?

[00:38:37] O que é o compromisso dos três quintos?

[00:38:39] Os Estados Unidos estabelece um legislativo federal

[00:38:43] com representação da população proporcional

[00:38:48] na Câmara dos Deputados, como se fosse,

[00:38:51] e a representação por Estado na Câmara Alta no Senado.

[00:38:56] Para o nosso ouvinte que achar esse modelo bastante familiar

[00:38:59] é porque o Brasil copiou isso depois.

[00:39:01] Só que os Estados do Sul dos Estados Unidos

[00:39:06] sentiam-se ameaçados de serem sub-representados.

[00:39:10] Por quê? Porque a maior parte da população desses Estados

[00:39:14] era de negros escravizados, não era de eleitores,

[00:39:18] não era de pessoas aptas, não era de cidadãos,

[00:39:21] botando em termos claros.

[00:39:23] Então o que foi o compromisso dos três quintos?

[00:39:26] Foi que três quintos da população escravizada,

[00:39:31] 60%, seria contabilizada para propósitos de representação

[00:39:36] na casa dos representantes.

[00:39:38] Então vamos supor, se o Estado da Carolina do Sul

[00:39:42] tinha uma população de dez cidadãos e dez negros escravizados,

[00:39:48] então para propósitos de casos representantes

[00:39:51] ela ia contar como se tivesse 16 pessoas.

[00:39:54] E aí, se em Nova York você tinha também 16,

[00:39:57] só que todos cidadãos,

[00:39:59] então eles teriam a mesma representação.

[00:40:02] Isso faz com que crescentemente,

[00:40:05] da fundação do país até o estouro da guerra civil,

[00:40:09] o Sul tenha um poder político muito maior

[00:40:15] do que ele realmente cabia,

[00:40:17] em termos de população e em termos principalmente de peso econômico.

[00:40:21] A questão da escravidão na guerra civil,

[00:40:24] ela é a questão de fundo especialmente ideológica.

[00:40:29] Porém, as questões políticas, esse desequilíbrio político,

[00:40:34] essa disputa entre esses dois modelos,

[00:40:37] que geram a guerra civil.

[00:40:39] Então assim, o fato do Hamilton ficar discutindo,

[00:40:42] lá no século XVIII ainda,

[00:40:44] se os Estados Unidos vão ser federalistas ou não,

[00:40:47] a última consequência vai ser a guerra civil.

[00:40:52] E aí tem um documentário que eu sei que a Júlia também aprecia muito,

[00:40:57] uma série documental chamada The Civil War,

[00:41:00] do Ken Burns, que é talvez o maior documentarista que tem.

[00:41:04] É uma série documental sensacional,

[00:41:06] especialmente porque ela usa muita fonte primária.

[00:41:08] É muita carta, muito documento da época,

[00:41:11] muita foto de época.

[00:41:13] É fantástico. Quem não assistiu, por favor, assista.

[00:41:16] Então, e tem no Netflix?

[00:41:19] Só que são 10?

[00:41:21] Não tem no Netflix brasileiro.

[00:41:23] Tava no americano, não veio para o brasileiro,

[00:41:26] mas dá para você viajar para os Estados Unidos

[00:41:31] e pegar ele emprestado, já com a venda.

[00:41:34] Não, tem no YouTube e tem no Paritibay.

[00:41:37] Eu uso termos mais diretos mesmo.

[00:41:39] É isso.

[00:41:41] O T-Cast não incentiva esse tipo de prática.

[00:41:45] Só quero…

[00:41:46] E o que acontece?

[00:41:48] Na série documental são 10 programas,

[00:41:50] cada um de mais de uma hora.

[00:41:52] Já fiquem avisados.

[00:41:53] Mas tem um historiador, um escritor,

[00:41:55] que participa na verdade, o Shelby Foote,

[00:41:57] e ele faz uma constatação muito interessante,

[00:42:00] que é, antes da guerra civil,

[00:42:03] costumava se escrever nos documentos

[00:42:06] The United States Are,

[00:42:08] ou seja, os Estados Unidos são, no plural.

[00:42:11] E é só depois da guerra civil

[00:42:14] que vai se convencionar a escrever

[00:42:16] The United States Is,

[00:42:18] ou seja, singular, como uma coisa só.

[00:42:20] E a origem de toda essa zona está aqui.

[00:42:23] Então a importância do Alexander Hamilton

[00:42:26] é muito grande, não apenas como um gangsta rapper

[00:42:30] durante o Congresso Continental.

[00:42:32] Tem muito dele também a divisão

[00:42:35] em dois partidos que a gente tem até hoje, né?

[00:42:39] Sim, esse é um debate.

[00:42:41] Então, porque o que acaba acontecendo…

[00:42:44] A Júlia pode falar melhor, acho.

[00:42:46] Não, não, pode falar, Felipe.

[00:42:48] É só porque, sim e não, você tem esses dois partidos,

[00:42:51] você tem uma série de debates

[00:42:54] de como é que essa vai funcionar o voto,

[00:42:58] porque foi feita pela elite.

[00:43:02] E uma hora ele diz assim,

[00:43:03] espera, a gente vai fazer uma democracia

[00:43:05] para todo mundo votar?

[00:43:07] Não vai ser uma boa ideia.

[00:43:09] E até porque, por conta desses panfletos,

[00:43:12] que era muito comum você jogar suas ideias via panfletos,

[00:43:17] a população começou a se importar muito

[00:43:19] com questões políticas.

[00:43:21] Então essa questão dos partidos

[00:43:24] vai aparecer, mas depois eles vão se transformando

[00:43:28] ao longo do tempo.

[00:43:32] E outra coisa que é importante lembrar,

[00:43:34] porque durante a ditadura militar,

[00:43:38] o bipartidarismo foi instituído por lei aqui no Brasil.

[00:43:42] A ideia era copiar o modelo americano

[00:43:44] ao máximo possível.

[00:43:46] E aí foi instituído o bipartidarismo por lei

[00:43:48] entre a ANMDB.

[00:43:50] Nos Estados Unidos, o bipartidarismo não é por lei.

[00:43:54] Você pode ter quantos partidos você quiser.

[00:43:57] Agora, o que aconteceu nesse período aqui

[00:43:59] que estamos falando?

[00:44:01] As posições políticas,

[00:44:03] elas se polarizaram de tal forma

[00:44:07] que você não tinha como fugir do Partido Federalista

[00:44:11] e do Partido Antifederalista,

[00:44:13] que era o Partido Democrático Republicano.

[00:44:15] Era o nome.

[00:44:16] E que depois vira o Partido Democrata atual.

[00:44:19] Porém, lembrando que você tem cinco sistemas partidários

[00:44:23] na história dos Estados Unidos,

[00:44:24] que é quando as posições políticas dos partidos flutuam.

[00:44:27] Então a atual composição política norte-americana

[00:44:32] vem de 1964.

[00:44:33] Ela é uma consequência do Civil Rights Act de 64, do Kennedy,

[00:44:38] que institui o voto negro aberto sem restrições em todo o país.

[00:44:44] Isso faz com que o sul dos Estados Unidos,

[00:44:46] que antes era predominantemente democrata,

[00:44:49] vire um partido republicano,

[00:44:51] porque considera que o Partido Democrata do Kennedy

[00:44:53] traiu o próprio sul.

[00:44:55] Tanto que quando Lyndon Johnson assina a lei,

[00:44:58] o Civil Rights Act,

[00:44:59] depois do assassinato do Kennedy,

[00:45:01] ele fala que perdemos o sul por uma geração.

[00:45:04] Porque agora o sul,

[00:45:05] especialmente a população branca, rica,

[00:45:08] instruída do sul,

[00:45:09] fica puta da vida com o Partido Democrata,

[00:45:11] que se considera traída,

[00:45:12] e passa a ser ligado ao Partido Republicano.

[00:45:15] Então assim, a polarização que o André menciona,

[00:45:18] ela vem daí,

[00:45:19] porque você, basicamente,

[00:45:20] vai ter um partido sucedendo ao outro.

[00:45:22] Aí você tem o Partido Whig,

[00:45:23] aí a ala radical do Partido Whig vai virar o Partido Republicano.

[00:45:27] Lembrando que o Partido Whig,

[00:45:29] na tradição britânica americana,

[00:45:31] é o Partido Liberal.

[00:45:32] Então o Partido Republicano foi do Partido Liberal.

[00:45:34] Partido Liberal no sentido político,

[00:45:36] ou seja, caras que hoje seriam chamados de

[00:45:38] de petralhas e comunistas e mortadelas na rua.

[00:45:41] Então assim, mas essa polarização,

[00:45:45] ela era tão forte que a discussão do país era,

[00:45:48] a gente vai ter um governo central e um governo descentralizado.

[00:45:51] Então você não tinha como fugir desses dois eixos.

[00:45:53] E aí acabou ocorrendo uma polarização,

[00:45:56] mas é uma polarização que não é

[00:46:00] enforçada, ela não é,

[00:46:03] como é que eu posso dizer, ela não é,

[00:46:07] enfim, ela não é, sei lá,

[00:46:09] não estou conseguindo pensar que a palavra,

[00:46:11] mas você pode…

[00:46:12] Ela acontece naturalmente,

[00:46:13] ela acontece organicamente,

[00:46:15] é uma polarização orgânica.

[00:46:17] Mas hoje você tem o Partido Verde nos Estados Unidos,

[00:46:21] você já teve o Partido Comunista nos Estados Unidos,

[00:46:23] já teve o Partido Nazista nos Estados Unidos.

[00:46:25] Então você pode ter o partido que você quiser,

[00:46:27] essa polarização não corre por lei.

[00:46:29] No Brasil tentaram fazer isso por lei e obviamente não deu certo.

[00:46:33] Tanto que a primeira coisa

[00:46:35] que acontece com o fim da ditadura,

[00:46:38] com o início do pluripartidarismo é,

[00:46:40] todo mundo vai fundar o seu partido

[00:46:43] e hoje a gente tem aí 40 partidos mais ou menos

[00:46:46] com algum nível de representatividade.

[00:46:48] Então assim,

[00:46:50] então no Brasil foi feito de forma não orgânica,

[00:46:54] tentou se obrigar a isso,

[00:46:56] tentou se impor,

[00:46:57] isso era a palavra que eu estava tentando lembrar,

[00:46:59] imposição, mas,

[00:47:01] mostrando aí que eu sou mais burro do que aparente,

[00:47:04] mas nos Estados Unidos foi uma coisa orgânica.

[00:47:07] Inclusive, quando a gente vê aqui,

[00:47:10] eu estou recorrendo a fonte super confiável da Wikipédia,

[00:47:14] mas acho que para esses dados está tudo bem.

[00:47:16] O George Washington fica 8 anos no poder,

[00:47:20] no musical tem um momento que ele sai,

[00:47:23] que daí o John Adams, que era o seu vice,

[00:47:26] vira presidente.

[00:47:28] Top 3 músicas.

[00:47:29] Top 3 músicas, exatamente.

[00:47:31] Com o vice, com o Thomas Jefferson,

[00:47:34] se eu bem me lembro, André,

[00:47:36] isso não tem no musical,

[00:47:38] não fala que o Thomas Jefferson era o vice do John Adams.

[00:47:41] Eu acho que eles deixam subentendido,

[00:47:44] mas realmente não falam muito sobre isso.

[00:47:47] Tem um detalhe no musical

[00:47:49] que eu gostaria que tivesse sido abordado,

[00:47:51] é o Hamilton sugerindo que fosse a presidência vitalícia

[00:47:57] e os cargos de senadores também vitalícios,

[00:48:01] que é uma questão que ele parece ser tão fantástico

[00:48:05] que esquecem que ele tinha esse pensamento também.

[00:48:08] Caraca!

[00:48:09] No momento da música do George Washington,

[00:48:13] que é One Last Time,

[00:48:15] que é quando ele chama o Hamilton e avisa para ele

[00:48:18] que eu vou parar de deixar de ser o presidente,

[00:48:24] para dar o exemplo para a troca de poder pacífica ocorrer.

[00:48:32] E o Hamilton, no musical, ele é muito contra isso,

[00:48:37] mostra a ele e fica no que você está fazendo,

[00:48:40] você que tem que ser o presidente,

[00:48:42] ninguém mais, ninguém vai ser um presidente melhor que você.

[00:48:46] A ideia dele é tentar mais uma reeleição,

[00:48:49] não de ele assumir vitaliçamento para sempre,

[00:48:53] como eu consegui falar a palavra,

[00:48:55] de ele ser um cargo que vai durar para sempre.

[00:48:58] A ideia que passa é de que ele teria que tentar mais uma eleição.

[00:49:02] Entendi.

[00:49:03] Pode ser, talvez.

[00:49:05] Sobre esse papo, tenho duas…

[00:49:07] A primeira é a seguinte,

[00:49:09] metendo o bedelho onde eu não conheço, não fui chamado,

[00:49:12] mas vocês falaram no início que o cara,

[00:49:14] quando ele foi apresentar a ideia do musical,

[00:49:16] ele falou,

[00:49:17] isso aqui é um rap sobre o primeiro secretário de tesouro dos Estados Unidos,

[00:49:21] foi isso?

[00:49:22] Sim.

[00:49:23] E ele não menciona, é subentendido só que ele foi vice-presidente.

[00:49:27] Falar com o musical sobre o Hamilton,

[00:49:29] o musical sobre o primeiro secretário…

[00:49:31] Não, calma.

[00:49:32] O Thomas Jefferson, como vice-presidente,

[00:49:36] no musical não cita que ele era o vice do John Adams.

[00:49:40] Ah, tá, tá.

[00:49:41] O Hamilton nunca se fala como vice-presidente.

[00:49:45] Não, ele não foi, mas o Hamilton, por exemplo,

[00:49:49] foi militar importante na Guerra de Independência.

[00:49:52] Ah, sim, isso é mencionado.

[00:49:54] Isso é mostrado.

[00:49:55] Isso é mostrado inclusive dele discutindo muito com Washington,

[00:49:59] dizendo, cara, eu quero lutar, porra, me deixa lutar, caralho.

[00:50:02] E daí o Washington diz, não…

[00:50:04] Ele é contratado como secretário, né?

[00:50:07] Ele quer muito lutar,

[00:50:09] ele quer muito pôr o nome dele na história.

[00:50:12] Acho que esse aqui é o tema central, se fosse dizer,

[00:50:16] um tema central é do musical,

[00:50:20] o viés que o musical aborda, utiliza para abordar essa história,

[00:50:25] é esse do legado,

[00:50:27] do que você vai deixar no mundo quando você morrer.

[00:50:30] Então, mas a minha crítica é ser assim,

[00:50:33] você falar que uma obra sobre o Hamilton,

[00:50:35] é uma obra sobre o primeiro secretário dos Estados Unidos,

[00:50:38] é que nem você fazer uma obra sobre o Getúlio Vargas e falar,

[00:50:41] isso aqui é uma obra sobre um caudilho gaúcho.

[00:50:45] Não é ter um pouquinho mais.

[00:50:47] Mas essa questão do George Washington sair depois de dois mandatos,

[00:50:52] o André falou, ele faz isso para dar o exemplo,

[00:50:55] ele cria-se um precedente de costume,

[00:50:59] de que os presidentes dos Estados Unidos só tenham dois mandatos,

[00:51:03] eles saem depois do segundo.

[00:51:05] E aí, na década de 1930, na verdade, já na virada para a década de 1940,

[00:51:11] o Frank Delano Roosevelt, ele vira e fala,

[00:51:13] tá, mas onde é que isso está escrito, que não pode o terceiro?

[00:51:16] E aí todo mundo olha e fala, bem, não está escrito em nenhum lugar, é só costume.

[00:51:20] Ele fala, então dane-se, vou concorrer ao terceiro.

[00:51:23] Ele concorre ao terceiro, leva, concorre ao quarto, leva, morre no cargo,

[00:51:29] assume o Truman e aí logo depois faz uma emenda da Constituição.

[00:51:33] E aí cria uma lei para ele.

[00:51:35] Exatamente.

[00:51:36] Aí faz uma emenda da Constituição para que só tenha dois mandatos.

[00:51:40] Mas o George Washington, ele tenta dar o exemplo,

[00:51:43] mas ninguém põe na letra escrita.

[00:51:45] Aí tem uma hora que o Roosevelt vira e fala, então dane-se, vou aqui continuar.

[00:51:49] Porque ele tinha muito medo de que se os republicanos fossem eleitos,

[00:51:53] tirassem os compromissos americanos da Segunda Guerra Mundial.

[00:51:57] Então ele concorreu para manter as garantias dos Estados Unidos

[00:52:03] feitas principalmente ao governo Church.

[00:52:05] Mas enfim, isso é outra história.

[00:52:07] Mas muito interessante.

[00:52:09] Fala aí, André.

[00:52:10] Eu queria voltar um pouquinho para o que eu estava falando antes

[00:52:13] sobre a discussão da troca da capital e tudo mais

[00:52:19] e falar um pouco sobre a estrutura do musical que ele é dividido em dois atos.

[00:52:23] O primeiro ato é sobre a guerra.

[00:52:27] A chegada do Hamilton em Nova York, ele conhecendo os amigos e o seu grande rival,

[00:52:35] que é o Aaron Burr e tudo mais.

[00:52:38] E toda a participação dele na guerra, começando como secretário do George Washington

[00:52:44] e crescendo até ter o seu próprio batalhão e lutando na Batalha de Yorktown e tudo mais.

[00:52:51] O segundo ato é bem diferente.

[00:52:54] Ele é muito mais da parte política.

[00:52:56] É o que a gente faz agora que a gente conseguiu nossa independência.

[00:53:02] É muito interessante como que ele aborda isso,

[00:53:04] porque você pensa nessas discussões de dois pontos de vista opostos,

[00:53:10] no caso o Thomas Jefferson e o Hamilton.

[00:53:15] E o jeito que o musical põe isso é como batalhas de rap.

[00:53:18] Aquela tradição do rap e hip hop.

[00:53:22] Quem viu o filme 8 Mile, eu terminei.

[00:53:24] Talvez seja a versão que chegou mais ao mainstream dessa cultura.

[00:53:31] De você insultar o cara e vocês brigarem ali,

[00:53:37] mas aquilo só fica nas palavras, na inteligência e tudo mais.

[00:53:42] E é muito inteligente.

[00:53:45] É muito inteligente ele usar essa abordagem para lidar com esse tipo de discussão.

[00:53:57] E o Viesque ele usa para discutir o jantar, o famoso jantar,

[00:54:04] do compromisso lá de 1700 e alguma coisa, não lembro exatamente.

[00:54:09] É pelo ponto de vista do Aaron Burr, porque o próprio Lee Manuel fala

[00:54:15] como é que eu vou transformar uma discussão política num jantar em algo interessante.

[00:54:20] E o jeito que ele faz na música The Room Where It Happens

[00:54:24] é colocar esse jantar do ponto de vista de alguém que não podia participar.

[00:54:29] E ele só viu as pessoas entrando e tendo algum tipo de reunião lá dentro.

[00:54:34] E quando elas saíram, a capital mudou de Nova York para Washington

[00:54:40] e o plano financeiro do Hamilton foi aprovado.

[00:54:42] O que aconteceu lá? Eu quero participar disso.

[00:54:45] E aí eles colocam isso como o estopim para o Aaron Burr se interessar pela política

[00:54:49] e querer concorrer a cargos políticos.

[00:54:51] Então é muito inteligente.

[00:54:53] Eu acho que o jeito que ele consegue deixar isso tudo narrativamente interessante,

[00:54:58] dramaticamente interessante é muito legal.

[00:55:01] Sim. E eu também retomando um pouquinho de uma coisa que passou lá atrás,

[00:55:06] que quando eu ouvi o Hamilton a primeira vez, eu lembrei na hora do Felipe falando

[00:55:11] o que ele acabou de dizer aqui, acabou não, faz uns minutos já,

[00:55:14] mas que ele falou que a guerra de dependência dos Estados Unidos

[00:55:18] na verdade é uma guerra mais focada entre Reino Unido e França.

[00:55:21] Porque apesar de ter o Lafayette, que eu já digo de cara é o meu personagem predileto

[00:55:27] e ele só aparece no ato 1, isso é muito triste,

[00:55:31] ele é mencionado no ato 2 depois,

[00:55:34] falam assim, os Estados Unidos vai ajudar ou não no que está acontecendo na França,

[00:55:38] que já está acontecendo a revolução?

[00:55:40] Ele fala, não, o compromisso era com o rei e o rei está morto,

[00:55:43] então não tem mais como.

[00:55:44] Daí o Jefferson vira para o Hamilton e fala, você esqueceu do Lafayette

[00:55:50] enquanto ele te ajudou?

[00:55:52] E isso é uma coisa que quando eu ouvi o Hamilton a primeira vez,

[00:55:55] lembrando do Felipe, eu falei, cara, cadê os franceses aqui?

[00:55:59] Só tem o Lafayette.

[00:56:00] Então de fato o Hamilton acaba, o musical acaba reforçando esse mito dos colonos

[00:56:07] contra a colônia, contra o colonizador.

[00:56:10] E eu já queria perguntar, não sei se o Felipe vai ter dados disso,

[00:56:16] mas você tem ideia de qual era a proporção, até de percentagem,

[00:56:22] pode chutar mesmo, de os exércitos, como é que era?

[00:56:26] O pior é que eu tenho um vídeo no meu canal do YouTube

[00:56:30] quando eu ainda fazia vídeos que é justamente sobre isso,

[00:56:33] porque o que eu discutia nesse vídeo?

[00:56:35] Enquanto isso vou acessar aqui porque eu vejo as fontes no Saiba Mais

[00:56:39] e vejo, eu tenho esses dados sim.

[00:56:42] Então assim, só fazendo alguns complementos,

[00:56:46] o Lafayette ele vai ter um papel essencial também na revolução francesa,

[00:56:51] isso é bom lembrar.

[00:56:53] E as tropas francesas que lutam na guerra de dependência também,

[00:56:58] porque quando a gente estuda lá no colégio, no cursinho,

[00:57:01] que a gente vê, ah, os ideais iluministas influenciaram a revolução francesa.

[00:57:08] Mas assim, os ideais iluministas, eles eram acessíveis às pessoas que sabiam ler.

[00:57:13] Os ideais iluministas só chegaram no povão via as tropas

[00:57:18] que combateram nos Estados Unidos em nome dos tais ideais iluministas

[00:57:23] e tiveram contato com ele na prática, digamos assim.

[00:57:27] Então, e é bom lembrar que a revolução americana

[00:57:30] ela vem antes da revolução francesa, né?

[00:57:32] A gente aprende quase na ordem contrária no colégio.

[00:57:35] Na verdade, Felipe, tudo começou na guerra de sete anos.

[00:57:39] Exatamente, muito bem lembrado,

[00:57:41] a guerra de sete anos que vai quebrar a França

[00:57:43] e vai deixar a França com sede de vingança,

[00:57:46] e quebra a Inglaterra que sobe as taxas e aí começa a deixar os colonos.

[00:57:51] Então, para entender isso tudo, só a guerra de sete anos,

[00:57:54] pronto, aí vira tudo domino.

[00:57:56] Mas aí, voltando aqui, e só para constar o que o André falou

[00:58:03] da guerra, das batalhas de rap,

[00:58:09] o emicida, ele tem esse nome porque ele é um homicida de emicis.

[00:58:16] Ele destrói os outros emicis nas batalhas.

[00:58:21] Então, é por isso.

[00:58:24] Olha só.

[00:58:26] E aí o que acontece?

[00:58:27] Muita gente hoje, inclusive no Brasil de hoje,

[00:58:31] e a gente não vai entrar nesse assunto porque ele é mais complexo,

[00:58:34] mais polêmico do que parece.

[00:58:38] Mas, enfim, muita gente usa, por exemplo,

[00:58:41] porque esse discurso é muito comum nos Estados Unidos,

[00:58:44] que os colonos armados destruíram,

[00:58:48] conseguirem a independência, destituíram um governo autoritário.

[00:58:54] Então, por isso, o porte de armas deve ser discutido.

[00:58:58] A questão da segunda emenda, que é o milícias armadas

[00:59:02] podem lutar contra, têm o direito de portar armas contra governos tiranos.

[00:59:09] Só que no caso dos Estados Unidos,

[00:59:12] 85% da pólvora veio da França,

[00:59:18] 75% das armas, isso estou aproximando, veio da França.

[00:59:22] Quando a gente fala em números, o número de tropas dos Estados Unidos,

[00:59:28] de americanos lutando pela independência,

[00:59:31] era de mais ou menos 40 mil.

[00:59:34] Quando a gente pensa nos franceses no continente americano,

[00:59:37] a gente está falando em 36 mil,

[00:59:39] só que quando a gente soma franceses e espanhóis no Caribe,

[00:59:44] em Gibraltar, porque não consigo lembrar,

[00:59:46] Gibraltar mudou de mão com a H de Dependência dos Estados Unidos,

[00:59:50] Senegal mudou de mão com a H de Dependência dos Estados Unidos,

[00:59:53] e ilhas caribenhas mudaram de mão com a H dos Estados Unidos.

[00:59:57] A gente chega a 100 mil,

[01:00:00] e principalmente os Estados Unidos não tinha,

[01:00:04] a marinha americana basicamente não existia,

[01:00:07] a marinha de combate,

[01:00:09] ou você tinha navios comerciais que foram adaptados

[01:00:12] para serem navios como se fossem guerrilheiros do mar,

[01:00:16] depois você tem as primeiras fragatas,

[01:00:18] a USS Constitution que existe até hoje, os caralho,

[01:00:21] mas assim, a marinha francesa era a única marinha do mundo

[01:00:25] para bater de frente com a marinha britânica,

[01:00:27] então a gente está falando de mais de 100 navios franceses,

[01:00:30] navios de grande porte eu estou falando,

[01:00:33] aí quando a gente olha as tropas britânicas,

[01:00:37] eu falei, olha só, em 40 mil americanos lutando em terra pela independência,

[01:00:44] quando a gente pensa em tropas britânicas,

[01:00:46] estamos falando de cerca de 40 mil mais 19 mil lealistas

[01:00:51] e mais 30 mil alemães, por quê?

[01:00:54] Porque Hannover e o estado de Hesse faziam parte dos domínios britânicos,

[01:00:59] então a gente está falando de um número de tropas muito maior

[01:01:03] e tinha índios aliados dos dois lados,

[01:01:06] muita gente normalmente só pensa nos indígenas aliados aos Estados Unidos,

[01:01:10] mas tinha indígenas ligados aos dois lados,

[01:01:12] porque assim como a Julia lembrou,

[01:01:13] na guerra dos sete anos a gente também teve indígenas dos dois lados,

[01:01:16] então a guerra de dependência dos Estados Unidos

[01:01:19] foi uma guerra de proporções mundiais, globais, enormes

[01:01:22] e que não foi um bando de colônia ideólogo

[01:01:25] com a arminha de casa de caça que foi ganhar a guerra,

[01:01:28] não, foi arma uniforme e pólvora chegando em quantidades industriais da França,

[01:01:33] navios, as dezenas de grande porte para carregar isso,

[01:01:37] para furar um bloqueio da marinha britânica,

[01:01:39] então assim, a guerra foi muito mais entre França e Reino Unido

[01:01:43] do que papel do colono,

[01:01:44] os colonos tiveram papel, claro,

[01:01:46] isso não é para tirar o exército continental,

[01:01:49] as guerrilhas, os rangers, que originaram os rangers e tudo mais,

[01:01:54] tem um papel muito importante,

[01:01:56] tem, só que quando a gente olha para os números brutos,

[01:02:00] os franceses tiveram papel decisivo,

[01:02:02] antes de chegar dos franceses os colonos estavam tomando um cacete.

[01:02:04] É, era esse detalhe que eu ia comentar,

[01:02:07] que os franceses ainda tiveram que ensinar os norte-americanos

[01:02:11] como lutar contra exércitos,

[01:02:13] porque assim, era o porte de arma legal,

[01:02:15] porque você tinha que lutar contra índios,

[01:02:18] ou caçar o índio,

[01:02:21] mas é basicamente para essas pequenas lutas que você tinha,

[01:02:25] guerras contra os indígenas,

[01:02:26] então você não estava trabalhando com exércitos regulares,

[01:02:29] que marcham, essas coisas,

[01:02:31] foram os franceses que foram ensinar os norte-americanos como guerrear,

[01:02:35] e esse fato, isso me irrita também bastante,

[01:02:39] você ignorar uma questão tão importante da guerra de secessão norte-americana,

[01:02:45] ou da guerra de secessão, desculpa,

[01:02:46] da guerra de dependência norte-americana,

[01:02:49] por questões, sei lá, ideológicas.

[01:02:52] Sim.

[01:02:53] É que assim…

[01:02:54] E, André, só antes de você falar,

[01:02:56] só comentar que essa história da França levar navios e armas

[01:03:00] é a melhor música do musical, Guns N’ Chips.

[01:03:03] É justamente o que eu ia falar, né?

[01:03:05] É que eu concordo que o musical, de modo geral,

[01:03:08] ele tenta passar a história como uma história dos americanos,

[01:03:14] e do imigrante também e tudo mais,

[01:03:17] mas eles só lembram da França em pontos específicos,

[01:03:21] mas eu acho que eles fazem um bom trabalho de mostrar, olha,

[01:03:26] tem essa música que o Ivan falou, que é Guns N’ Chips,

[01:03:30] armas e navios,

[01:03:32] que ela começa justamente com o Aaron Burr fazendo uma pergunta,

[01:03:37] ele pergunta como é que esse exército de maltrapilhos voluntários,

[01:03:42] precisando de um banho,

[01:03:44] como é que esse pessoal consegue derrotar uma superpotência global?

[01:03:49] Como é que eles emergem vitoriosos do Lama South?

[01:03:52] Lafayette.

[01:03:53] Exatamente.

[01:03:54] E aí eles falam, olha, a nossa arma secreta é esse francês

[01:03:58] que vem trazer as armas e os navios pra gente, né?

[01:04:02] E então, assim, eles dedicarem uma música inteira a isso,

[01:04:05] eu acho que é o suficiente, sabe?

[01:04:08] É claro que eles poderiam ter feito mais,

[01:04:10] mas eu acho que ele é o Lino Manuel falando,

[01:04:13] oh, foi por causa desses caras que a gente ganhou a guerra.

[01:04:16] Então eu acho que ele não deixa isso passar em branco.

[01:04:20] E como o Ivan disse, é a melhor música do musical,

[01:04:23] ou uma das melhores, é questionável,

[01:04:25] mas é sem dúvida a mais impressionante tecnicamente,

[01:04:28] é a música mais rápida da história da Broadway,

[01:04:30] ela tem uma média de 6.3 palavras por segundo,

[01:04:34] sendo que num certo momento tem 19 palavras durante 3 segundos,

[01:04:39] que é absurdo, eu não sabia que isso era possível.

[01:04:41] Mas o David Higgs que faz o Lafayette e o Thomas Jefferson,

[01:04:45] ele é, nossa, ele é muito, muito habilidoso com isso.

[01:04:51] E como vocês citaram no Fora da Caixa,

[01:04:53] ele ainda fazendo tudo isso com sotaque francês, né?

[01:04:56] Com sotaque francês.

[01:04:58] E eu acho genial, né?

[01:05:00] Outra maneira que ele usa pra contar a história

[01:05:04] e a evolução desses personagens,

[01:05:07] quando o Lafayette é apresentado na My Shot,

[01:05:09] que é a segunda música do musical,

[01:05:12] quando ele vai fazer o rap dele,

[01:05:14] ele tá com sotaque francês super carregado,

[01:05:17] ele não consegue falar inglês direito,

[01:05:19] inclusive é genial que ele vai,

[01:05:23] uma das rimas que ele faz no verso dele

[01:05:27] é justamente porque ele não consegue se lembrar

[01:05:29] como a palavra é em português,

[01:05:31] e ele fica tentando encontrar a palavra,

[01:05:33] é porque ele não consegue encontrar a palavra em português,

[01:05:37] em inglês,

[01:05:39] e ele fica repetindo até encontrar a rima, né?

[01:05:42] E de repente quando você vê ele na Guns N’ Chips,

[01:05:46] que já é no final do primeiro ato,

[01:05:48] e já tá rolando a guerra,

[01:05:50] ele é simplesmente o cara com as habilidades de rap

[01:05:52] mais impressionantes do musical inteiro, né?

[01:05:54] Então mostra o crescimento do personagem.

[01:05:56] Sim.

[01:05:58] Tem daí um personagem

[01:06:00] que eu sempre tive curiosidade,

[01:06:02] só que eu não sei até que ponto que ele é conhecido

[01:06:05] da sua importância na Revolução Americana,

[01:06:09] que é no momento musical que eles falam

[01:06:13] que eles têm um espião Hercules Mulligan, né?

[01:06:17] Você, Felipe e Júlia,

[01:06:21] começar com a Júlia,

[01:06:22] esse personagem é conhecido,

[01:06:25] Mulligan, qual que era o seu papel?

[01:06:27] Comentar alguma coisa sobre ele?

[01:06:32] Vou deixar essa para o Felipe, porque eu nem tinha…

[01:06:35] Eu não conheço o cara.

[01:06:36] Não conhece também.

[01:06:37] Então eu posso…

[01:06:39] Manda aí.

[01:06:40] Esse personagem não é importante historicamente nem nada,

[01:06:45] ele é citado na biografia.

[01:06:48] Então vai ser o Deiva.

[01:06:49] Tá, desculpa, mas ele é importante na peça nesse momento.

[01:06:53] Você conhece o cara que era amigo do primo do mordomo,

[01:06:57] do Hamilton?

[01:06:58] Toma no cu, deixa eu falar aqui.

[01:07:00] Ele era só um brother mesmo.

[01:07:02] Eu estava lendo o Zin antes de gravar

[01:07:07] e o Zin sentou milhões de pessoas

[01:07:09] e esse nome não apareceu, cara.

[01:07:13] Esse personagem só foi escolhido para ser um dos protagonistas

[01:07:16] porque o Lima Noel achou o nome dele incrível,

[01:07:19] Hercules Mulligan.

[01:07:20] Ele achou, cara, esse cara tem que estar no musical

[01:07:23] porque o nome dele é maravilhoso.

[01:07:25] Foi só por isso.

[01:07:26] Fantástico, então.

[01:07:28] Então Hercules Mulligan de fato…

[01:07:31] Interessante.

[01:07:33] O cara vai se lembrar por ter um nome maneiro.

[01:07:37] O pior ia ser se eu e a Júlia ficasse com receio

[01:07:42] e falasse, não, conheço, claro.

[01:07:44] Aqui eu não tenho agora muitas informações,

[01:07:47] mas claro que conheço o personagem importantíssimo.

[01:07:49] Queria se fingir que conhece.

[01:07:51] Chupa, foi um teste de credibilidade isso.

[01:07:54] Exato.

[01:07:55] Mas é interessante porque ele é retratado ali como um espião.

[01:07:59] Vocês sabem falar alguma coisa sobre como é que era esse…

[01:08:03] Como é que era a espionagem que funcionava na Revolução Americana?

[01:08:07] É porque você tem um lado de monarquistas mesmo,

[01:08:11] que são pessoas que são contrárias à Revolução.

[01:08:13] Então você vai ter quinta coluna

[01:08:16] acontecendo dentro dos Estados Unidos.

[01:08:19] Então não é uma coisa tão comum,

[01:08:23] mas acho que o Felipe vai poder complementar melhor do que eu.

[01:08:27] Isso que a Júlia mencionou é talvez o principal,

[01:08:32] porque lembrando, como eu não vi o musical,

[01:08:36] as críticas que, por exemplo, eu fiz a questão da presença francesa

[01:08:39] não é nem muito em relação a musical,

[01:08:41] é mais em relação àquela coisa bem hollywoodiana,

[01:08:44] bem o patriota do Mel Gibson, essas bostas.

[01:08:51] A população que morava nas 13 colônias

[01:08:55] não era homogênea em relação a basicamente nenhum assunto,

[01:09:00] como nenhuma população quase é em algum momento da história.

[01:09:03] Só que a questão da independência foi bem divisiva.

[01:09:06] Não era uma… Ah, tinha uma minoria que era contra.

[01:09:09] Não, era quase 50-50, cara.

[01:09:12] Tanto que depois da guerra nós tivemos uma imigração muito grande para o Canadá

[01:09:17] de pessoas que ou foram expulsas de suas comunidades,

[01:09:21] mas principalmente pessoas que, olha, não concordo com essa coisa,

[01:09:24] não quero viver aqui nesse lugar, então vou para o Canadá.

[01:09:28] Então essa questão da espionagem você tinha principalmente por conta disso.

[01:09:34] Então o cara tem ali um estabelecimento, alguma coisa assim,

[01:09:40] ele sabe que tá vindo um navio, ele vê alguma coisa, houve alguma coisa

[01:09:47] e passa para o lado que lhe for conveniente

[01:09:50] ou então omite para quando lhe for conveniente.

[01:09:53] E além dessa questão da espionagem ser muito comum,

[01:09:58] a gente além de espiões, nós tivemos vira-casacas na guerra.

[01:10:03] O termo virar a casaca, em inglês é turncoat,

[01:10:08] vem justamente da guerra de independência.

[01:10:11] E o caso maior talvez tenha sido o do Benedict Arnold,

[01:10:16] não sei se ele aparece no musical,

[01:10:18] ele é uma figura relativamente conhecida, que não aparece.

[01:10:23] Não, não, não.

[01:10:25] Então ele era um general com treinamento britânico,

[01:10:30] ele fica do lado dos colonos, pró independência,

[01:10:37] ele continua, ele luta na guerra pelo lado dos independentes,

[01:10:46] o que inclui uma das principais batalhas da guerra, que é a do Forte Ticonderoga,

[01:10:50] e Ticonderoga é um nome super celebrado na tradição militar dos Estados Unidos,

[01:10:56] sempre tem algum navio com o nome Ticonderoga, alguma merda desse tipo.

[01:10:59] Só que posteriormente ele, por considerar que passaram ele para trás

[01:11:05] no Congresso Continental e que ele não tinha conseguido as promoções que ele queria,

[01:11:10] não tinha conseguido uma preeminência política que ele desejava e tudo mais,

[01:11:15] ele era a favor até de uma solução negociada com a Inglaterra,

[01:11:21] ele não queria uma aliança com a França, uma guerra global e tudo mais,

[01:11:25] ele começa a negociar com os britânicos e muda de lado em 1780.

[01:11:30] Então assim, além da questão da espionagem, nós também temos a questão dos viracasacas,

[01:11:36] dos traidores durante a guerra e o Benedict Arnold até hoje ele é sinônimo de traidor,

[01:11:45] de viracasaca, de cuzão, de Judas.

[01:11:48] Tem até um episódio de Big Bang Theory que faz essa referência lá,

[01:11:53] eles estão lá discutindo quem é o maior traidor da história,

[01:11:57] Leonard, Judas ou Benedict Arnold, alguma coisa assim.

[01:12:01] O próprio Benjamin Franklin compara ele a Judas e em termos pesados,

[01:12:07] Judas vendeu apenas um homem ou o Benedict Arnold vendeu uma nação, alguma coisa assim.

[01:12:14] Tudo bem que esse homem era Jesus, mas tudo bem.

[01:12:18] Teoricamente era um homem, não sei, podia ser rapper, não sei, não tem fontes nesse sentido,

[01:12:25] Jesus o musical, o próximo musical.

[01:12:27] Já tem, Jesus Cristo Superstar.

[01:12:29] É verdade, é verdade.

[01:12:31] Então, ele não é um rapper, ele não é um hippie.

[01:12:33] Sim.

[01:12:34] Mas tem lá Edie of the Carries e tudo mais.

[01:12:37] Mas então assim, além da espionagem, ela não era uma coisa apenas James Bondiana,

[01:12:43] você tinha muito essa de você é pró-independência e está numa região controlada pelos britânicos.

[01:12:50] E aí você vai fofocar, você vai, como se fosse uma fofoca, digamos assim,

[01:12:54] você leva para o outro lado e vice-versa.

[01:12:56] O que também vai acontecer na guerra de secessão, na guerra civil americana.

[01:13:00] O cara era pró-confederados, mas vivia em Nova York?

[01:13:03] Ah, pô, chegou navio, chegou tropa, tem tropa saindo, vou mandar a informação para alguém.

[01:13:09] Não porque ele era um espião com treinamento formal de James Bond, alguma coisa assim.

[01:13:14] Não, ele era uma pessoa comum que estava agindo em nome do que ele defendia

[01:13:18] dentro ali da comunidade dele.

[01:13:21] Então essa divisão dentro dos Estados Unidos, ela era muito forte.

[01:13:24] É muito importante lembrar disso.

[01:13:26] É um informante, né?

[01:13:29] Não chega a ser informante.

[01:13:31] Às vezes são pequenas traições.

[01:13:34] Você poder alimentar uma tropa que você tem, uma tropa dos britânicos,

[01:13:41] os Red Coats que estão passando e você no lugar de alimentar tropas norte-americanas,

[01:13:47] você vai ajudar eles.

[01:13:49] Então são outros pequenos atos que seriam considerados traições,

[01:13:53] mas que são feitos por gente comum.

[01:13:56] Então não são esses grandes plots, mas são pequenas coisinhas que vão ajudando na guerra.

[01:14:03] E guerras que duram bastante tempo, chega uma hora que um par de meia é uma coisa fantástica.

[01:14:11] Sim.

[01:14:13] Bom, eu queria passar para outro tópico que também o André falou,

[01:14:19] que é o centro da discussão toda do musical Hamilton,

[01:14:24] que é a questão de fazer um grande efeito para ser lembrado,

[01:14:29] colocar seu nome na história e tudo isso.

[01:14:31] Uma das coisas que é mais elogiáveis e elogiadas do musical Hamilton

[01:14:37] é mostrar a importância da esposa do Hamilton nisso, a Elizabeth Schuyler,

[01:14:44] que escreve Schuyler e eu sempre me bato nisso,

[01:14:48] mas que ela mostra o protagonismo dela de juntar tudo que o Hamilton fez,

[01:14:55] juntar justamente para ter o material para saber quem foi Hamilton.

[01:15:01] Então ela vira uma personagem extremamente importante, principalmente para o final,

[01:15:06] no segundo ato.

[01:15:08] E nesse ponto eu queria saber se essa família Schuyler era uma família importante também,

[01:15:20] que na peça, André, os Schuyler são senadores, se não me engano, o Philip Schuyler é seu pai.

[01:15:29] O Philip Schuyler, que é o pai das três irmãs, que na peça são três irmãs,

[01:15:36] mas a gente sabe que na vida real eram vários irmãos e irmãs.

[01:15:40] Existe alguma importância também assim dessa família Schuyler?

[01:15:45] Se não tem, pode falar. Nunca ouvi falar. O Philip e a Júlia sabem alguma coisa dessa família Schuyler?

[01:15:53] Não muito.

[01:15:55] Eles são só uma família preeminente durante aquele período.

[01:15:59] Quando você vai procurar, é isso. Eles tinham bastante dinheiro.

[01:16:05] E o Philip Schuyler, que é o patriarca, chegou a lutar em alguma das batalhas também nos Estados Unidos,

[01:16:15] alguma coisa contra índios, mas talvez eu esteja chutando.

[01:16:19] Tá, beleza. Outra coisa que aparece também no musical é que apesar do Hamilton se casar com a Elizabeth,

[01:16:31] o primeiro amor, o primeiro flerte teria sido com a Angélica.

[01:16:37] Coisa que o André também já deve ter visto que não era bem assim.

[01:16:41] Em vários momentos do musical aparece a Angélica falando assim,

[01:16:44] ah, meu verdadeiro amor é o Hamilton, e na verdade eles eram ótimos amigos, isso que parece.

[01:16:53] Isso é mais uma interpretação das cartas. O Lin-Manuel e até o próprio Ron Chernow analisando as cartas,

[01:17:03] eles, dá para você supor muita coisa, porque eles eram ótimos amigos e correspondiam a partir do momento que a Angélica se casou

[01:17:13] e se mudou, se não me engano, para a Inglaterra mesmo.

[01:17:16] Eles trocavam muitas cartas e tem toda uma conspiração aí, que eu acredito que seja mais conspiração mesmo,

[01:17:25] nada comprovado, que eles flertavam através da pontuação na carta deles.

[01:17:30] Caralho.

[01:17:31] Então, tem toda a piada, tem toda a brincadeira com a vírgula extra que o Hamilton coloca na frase

[01:17:41] que a Angélica sabe que ele não errou, porque ele é um exímio escritor e tudo mais,

[01:17:46] e ela fica encucada de por que você colocou essa vírgula a mais aqui, sabe?

[01:17:50] E ela escreve para ele perguntando sobre isso, porque é na frase que ele escreve,

[01:17:56] My dearest Angélica, que seria uma frase sem vírgula, não é?

[01:18:00] Tipo, minha querida Angélica, mas ele põe uma vírgula entre dearest e Angélica, então fica minha querida Angélica.

[01:18:08] Tipo, Angélica é a minha querida, entendeu?

[01:18:10] Eles conseguem ver uma diferença muito grande entre a intenção das duas frases e seria uma indicação de que o Hamilton estaria dando em cima dela

[01:18:20] e tem toda uma conspiração de um afé oculto em cartas.

[01:18:27] É engraçado porque quando eu ouvi esse trecho do musical que ela se pergunta,

[01:18:34] por que você colocou essa pontuação aqui, My dearest Angélica, com uma vírgula depois de dearest?

[01:18:43] Eu já estava pensando mais na expressão de tipo, meu Deus, porque my dearest pode ser também isso,

[01:18:48] tipo, meu Deus, o céu, ou My dearest Angélica, talvez, talvez.

[01:18:56] E daí até falaria que o Hamilton está com problemas emocionais, está nervoso, está ansioso, alguma coisa assim.

[01:19:03] Esse que é o problema de escrito, não tem tão muito para interpretar da forma que você quiser.

[01:19:08] Exato. Bom, mas eu quero avançar, fala aí, André.

[01:19:14] Eu só queria voltar um pouco para as irmãs de Skyler para dizer que o musical não tem muitos personagens femininos,

[01:19:22] mas ele tenta dar, especialmente a Angélica e a Eliza, uma aparência de mulheres engajadas na política

[01:19:33] e interessadas pelo mundo e pelo que está acontecendo e tentando participar da forma que era possível.

[01:19:41] E o próprio musical coloca a Angélica como talvez o personagem mais inteligente do musical inteiro

[01:19:49] e, sem dúvida, com um dos raps mais difíceis do musical. E a música dela é fantástica.

[01:19:59] O brinde dela ao casamento da irmã dela é, nossa, já é…

[01:20:07] E é aquele momento que a gente diz assim, a foda-se se isso não é verdade, é bonito para caralho.

[01:20:10] Falei sozinho.

[01:20:12] Não, cortou um pouquinho, Júlia, mas fala aí, você falou de um brinde para ela. Pode falar, Júlia.

[01:20:20] Não, era só comentar que para mim uma das músicas mais legais é o brinde que ela faz durante o casamento da Eliza com o Hamilton,

[01:20:31] ela vai contando as coisas ao contrário, sobre o ponto de vista delas, o que aconteceu.

[01:20:36] E eu acho essa música, nossa, fantástica.

[01:20:40] Muito legal. A minha segunda favorita talvez do musical inteiro é muito, muito, muito boa.

[01:20:46] E por conta disso eu acho que a construção da Eliza funciona como o Ivan disse,

[01:20:57] ela começa, o musical começa como a Angélica sendo a mulher interessante.

[01:21:02] E aí tem toda essa coisa de que o Hamilton, na verdade, ele gostaria de ter ficado com a Angélica, mas ele ficou com a Eliza.

[01:21:08] E no final do musical você percebe que a Eliza também tinha uma importância muito grande ali.

[01:21:16] E o personagem dela acaba crescendo bastante e ficando muito importante para a história como essa historiadora mesmo,

[01:21:26] a pessoa que vai contar a história do Hamilton.

[01:21:28] É uma pergunta que é repetida desde o começo, quem vive, quem morre e quem vai contar a sua história.

[01:21:33] E a Eliza é quem vai contar a história do Hamilton.

[01:21:36] Perfeito. Eu queria avançar para o grande vilão da história do musical Hamilton,

[01:21:46] já transformando isso em pergunta, porque se eu vejo o geralzão da história de Dependência dos Estados Unidos,

[01:21:56] a impressão que se tem é que o grande debate está acontecendo se focar no Hamilton, Hamilton e Thomas Jefferson.

[01:22:04] Mas o musical se foca no Aaron Burr.

[01:22:08] E eu queria saber quem que é Aaron Burr para a história, se ele tem uma importância de fato.

[01:22:14] E também queria que você, Júlia, começasse comentando sobre essa loucura que era de…

[01:22:22] Parece que o segundo mais votado virava vice-presidente.

[01:22:26] Não sei se você sabe exatamente disso. Então quem é Aaron Burr?

[01:22:30] Esse de fato era assim a eleição, o segundo colocado entrava como o vice-presidente daí.

[01:22:36] Sim, o segundo colocado ficava como o vice-presidente, o que era uma coisa meio esquisita,

[01:22:43] mas ficava aquela torta de climão. E o Aaron Burr, ele já conhecia o Hamilton, ele já tinha se batido,

[01:22:52] mas ele não tem essa visão neutra que é passada no musical.

[01:22:58] Na verdade, o Burr é uma pessoa que quer entrar para o serviço público e curtir.

[01:23:05] Então tem um momento que eu não sei aonde que eu li isso agora, em qual livro.

[01:23:12] O Hamilton comenta que o Burr pergunta para ele por que ele não tira proveito, já que ele é secretário de tesouro.

[01:23:22] Então a grande questão, quando ele apoia o Jefferson, não é uma questão de que o Burr não toma uma decisão,

[01:23:30] é uma questão de que o Jefferson pelo menos tem amor à política.

[01:23:35] Eles podem não concordar, mas ele está fazendo aquilo ali por uma paixão.

[01:23:39] E o Burr não. O Burr não está fazendo aquilo ali por trabalho e eu vou ganhar dinheiro e vou ganhar influência por conta disso.

[01:23:47] É que só para quem não ouviu o musical ou ouviu faz tempo, lembrar que é o seguinte,

[01:23:55] eleição de 1800 para escolher o próximo presidente, está concorrendo o Jefferson e o Burr.

[01:24:03] O Burr está na frente, só que o Hamilton passa a apoiar o Jefferson dizendo isso que a Júlia acabou de dizer,

[01:24:10] que é no musical falar assim, eu, Alexander Hamilton, vou apoiar o Thomas Jefferson porque apesar de eu discordar todas as ideias dele,

[01:24:19] pelo menos ele tem convicções e o Aaron Burr não, que ele é retratado durante o musical todo como uma pessoa sem ideologia nenhuma.

[01:24:27] E a Júlia está dizendo que na verdade não. É isso e não é, né, Júlia, pelo que você falou.

[01:24:33] Na verdade sim, ele não tem uma grande paixão. A questão dele é usar o serviço público para um bem próprio, sabe?

[01:24:43] Ele não quer uma grande mudança, ele não está lutando por um grande ideal.

[01:24:47] Ele seria basicamente um senador brasileiro, vamos votar sim.

[01:24:52] Ah, excelente, boa. Só que daí como o Burr fica em segundo lugar, ele vira o vice-presidente Thomas Jefferson

[01:25:00] e tem até o momento que o Thomas Jefferson fala, você encontra com o Burr e o Burr fala pra ele,

[01:25:05] ah, estou esperando, I’m looking forward, estou esperando pra gente trabalhar junto.

[01:25:11] Deu Jefferson fala, olha o tipo desse cara, velho, está achando que trabalhou junto?

[01:25:15] Eu sei que você perdeu, porra. Ele fala, não, mas eu vou virar teu vice-presidente agora.

[01:25:19] Deu Thomas Jefferson fala, não, o bom é que agora eu sou o presidente e posso mudar isso.

[01:25:24] É o Thomas Jefferson que muda essa parada, então mesmo? Você sabe, Júlia?

[01:25:30] Você é ele que muda?

[01:25:31] Posso verificar isso no estúdio.

[01:25:33] Tá, beleza. Felipe, sobre isso também, você sabe dizer quem é o Aaron Burr?

[01:25:38] Complementar mais alguma coisa também?

[01:25:40] Então, cara, assim, agora falando sério, sem piada, a única coisa que eu sei sobre o Aaron Burr é,

[01:25:47] ele é o cara que matou o Hamilton num duelo porque eles eram rivais políticos e a gota d’água teria sido

[01:25:54] uma coluna, um texto do Hamilton que foi publicado nos jornais e, enfim, basicamente

[01:26:02] manchando a reputação do cara e aí eles lutaram num duelo e isso levou à proibição dos duelos,

[01:26:09] porque isso era discutido, mas ainda não tinha sido implementado, enfim, aquelas coisas.

[01:26:14] E aí isso basicamente encerrou a carreira política do Burr.

[01:26:19] É o que eu sei sobre ele. Desculpa, não vou fingir que sei mais que isso.

[01:26:23] Agora, se você quiser que eu fale sobre duelos, a gente pode falar sobre o Bismarck.

[01:26:29] O Bismarck era um cara que tinha várias cicatrizes de duelo e se orgulhava disso.

[01:26:33] A diferença é que o Bismarck não era burro e ele não lutava duelo até a morte.

[01:26:37] Ele lutava duelo com espada e até tirar o primeiro sangue, chamado.

[01:26:42] E o Bismarck se orgulhava disso e era um meio legal de resolver desavenças na Prússia.

[01:26:48] Que loucura. Fala aí, André, o que você queria comentar?

[01:26:51] É, não, o duelo do jeito que é mostrado no Hamilton, do jeito que a gente vê em filmes de faroeste,

[01:26:58] esse tipo de coisa, é uma coisa muito idiota, cara.

[01:27:02] Porque eles, especialmente naquele documentário Hamilton American, esqueci o nome,

[01:27:11] o documentário que teve sobre o musical em si, eles explicam essa coisa do duelo

[01:27:19] que a ideia era você participar para você mostrar que você estava falando sério.

[01:27:29] Entendeu? Você tinha que comparecer para o cara falar.

[01:27:32] Oh, ele compareceu. Ele é um homem de palavra.

[01:27:35] Mas aí na hora todas as pessoas apontavam a pessoa para cima e ninguém atirava e todos saíam felizes ali.

[01:27:41] Eles tinham resolvido a desavença que eles tivessem.

[01:27:44] Então era só uma maneira burocrática de duas pessoas que não queriam pedir desculpas,

[01:27:48] não terem que pedir desculpas e ter o confronto delas resolvido de uma forma burocrática, basicamente.

[01:27:57] Então é uma das coisas mais idiotas que eu já ouvi na minha vida.

[01:28:02] E ainda assim, durante o musical a gente vê três duelos e nos três as pessoas tomam tiro.

[01:28:09] Então não era um meio muito seguro também de resolver esse tipo de coisa.

[01:28:12] Fala aí Felipe, a gente perguntou justamente se isso era comum,

[01:28:18] como comum que eram duelos, que parece uma loucura muito grande.

[01:28:23] Não, cara, eles eram relativamente comum, sim. Não é sacanagem isso.

[01:28:31] No século 19 eles começam a diminuir justamente por conta disso que o André falou,

[01:28:37] porque as armas ficam cada vez mais letais.

[01:28:40] Antes era mais difícil você acertar a pessoa, era mais difícil você conseguir matar a pessoa.

[01:28:44] Quando era com espada, normalmente era até algum dos dois sangrar, que às vezes podia resultar em morte, às vezes não.

[01:28:51] Mas duelo era assim uma coisa relativamente comum, tanto que a presença na cultura pop, digamos assim, não é atoa, não é ficção.

[01:29:00] O que eu vou comentar na verdade é que para os nossos ouvintes que assistem Trato Feito,

[01:29:04] eles sabem que a caixa que vem as duas pistolas para duelo, se você tiver as duas pistolas, vale muito mais do que se você só tem uma.

[01:29:12] Porque você tem que ter o conjunto, tendo o conjunto, te ofereço 10 dólares por isso.

[01:29:17] Certo.

[01:29:18] E eles têm uma música até que é o Tenduo Commandments, que é justamente para mostrar o quão institucionalizado quase era o duelo.

[01:29:28] Tinha todos os passos e todas as regras.

[01:29:31] Você tinha que trazer um médico, mas aí na hora do duelo o médico se virava para ele poder estar livre de qualquer testemunha do que aconteceu.

[01:29:43] E aí as duas pessoas davam quantos passos fossem e se viravam e tinha todo um sistema para que ele acontecesse, um protocolo exatamente.

[01:29:55] Caraca.

[01:29:56] Eu gosto de lembrar que a gente tem, por exemplo, duelo na Primeira Guerra Mundial.

[01:30:00] Nós temos duelos aéreos quando pilotos, às vezes por vingança de um camarada batido

[01:30:08] ou por questões midiáticas, desafiava um piloto do outro para ir para um duelo.

[01:30:12] Então assim, cada um no seu avião e vamos ver quem sobra.

[01:30:15] Isso é verdade também.

[01:30:17] Não é mero romantismo.

[01:30:19] Claro que isso durante o passar do tempo acabou sendo bastante romantizado, mas a origem é real, ela é concreta.

[01:30:29] Sim.

[01:30:30] Ivan, é 1804, 12ª Emenda que muda isso exatamente com o Thomas Jefferson.

[01:30:38] Ah, então é ele mesmo.

[01:30:41] Mas você não conseguiu ver aí se foi por causa do Burr que ele fez isso, né?

[01:30:46] Foi, na verdade foi.

[01:30:48] Foi mesmo?

[01:30:50] O Burr virou sim o vice-presidente dele, mas para não correr esse tipo de coisa de novo, ele ganhou e o Burr virou vice-presidente,

[01:31:04] mas para não correr mais esse tipo de presidente e vice-presidente você alterou a Constituição.

[01:31:11] Certo.

[01:31:12] Aí no segundo mandato do Thomas Jefferson, o vice já é o George Clinton.

[01:31:17] O Wikipedia sempre ajudando.

[01:31:20] Fala aí, André.

[01:31:22] Voltando ao que o Gil estava falando da carreira política do Burr, acho que o motivo do Lin ter escolhido o Burr para colocar ele como esse personagem tão central da trama,

[01:31:34] apesar dele não ter tido uma participação tão importante na história como o Thomas Jefferson obviamente teve,

[01:31:41] além do fato de que ele foi o cara que matou o Hamilton, é porque ele viu muitos paralelos na carreira política e militar dos dois,

[01:31:52] que eles se conheceram jovens, não se conheceram, mas eles se cruzaram jovens ali, cruzaram seus caminhos jovens,

[01:32:02] e os dois foram revolucionários juntos, eles foram advogados juntos e eles tiveram carreiras políticas.

[01:32:07] Então ele viu esses dois caras que estavam subindo na vida de forma semelhante em paralelo e ele tomou a liberdade criativa de colocar os dois se encontrando e conversando e sendo amigos.

[01:32:18] E aí essas desavenças sendo criadas entre eles aos pouquinhos com Hamilton sempre aparecendo para frustrar o plano do Burr e o Burr ficando cada vez mais com raiva desse cara.

[01:32:31] E de fato foi o duelo foi por conta de uma carta, uma série de cartas, porque o Hamilton, cara, ele escrevia.

[01:32:40] Hoje em dia ele faria uns textão muito bonitos no Facebook.

[01:32:46] É engraçado que eles mostram isso que tipo o Burr, ele está lá escrevendo uma nota, uma carta para o Hamilton,

[01:32:54] ele vai lá escreve a nota, assina, entrega o papel e uma criada vai lá e pega a nota e leva, simbolizando que a carta foi mandada.

[01:33:04] E o Hamilton, ele vai escrevendo, isso é um dos detalhes que é muito legal, infelizmente quem não pode ver o musical ainda assistir, a parte visual não pega,

[01:33:14] é que ele vai escrevendo e ele vai entregando dezenas de páginas para criada a resposta dele.

[01:33:21] Então o Burr escreveu uma página e ele recebe uma carta de 10, 30 páginas de resposta.

[01:33:30] Mostrar nesse lado que o Hamilton era um cara que ele gostava muito de discutir, ele era muito arrogante,

[01:33:35] incapaz de ver seus próprios erros, incapaz de ver que ele estava sendo muito escroto e foi por conta disso que ele morreu no fim das contas.

[01:33:43] No musical tem um momento que o Hamilton está escrevendo a carta para o Burr e fala, vai aqui uma lista de todas as vezes que tivéssemos passado.

[01:33:52] O Burr fala assim, você me desonrou, você me desrespeitou e eu queria que você se desculpasse.

[01:33:59] Aí o Hamilton responde, olha Burr, você está sendo muito vago, eu não sei do que você está falando,

[01:34:04] eu vou listar aqui uma lista de todas as vezes que a gente se desentendeu e você escolhe um, porque aí a gente pode conversar.

[01:34:11] Cara, que cara insuportável.

[01:34:13] Nossa, imagina.

[01:34:14] Mas também quando ele entra nessa espiral com o Burr, ele tinha perdido o filho, então ele já não estava muito ok.

[01:34:24] Até o próprio partido dele já estava considerando o Hamilton quase com um tiro no pé, porque ele era muito imprevisível.

[01:34:36] Até a morte do filho, um dos momentos mais impactantes do musical também.

[01:34:44] Uma coisa só que o musical não deixa claro também que eles tinham um milhão de filhos, não que isso diminua a dor de perder um filho,

[01:34:51] mas é que dá a impressão pelo musical que só tem eles, só tem o Philip, que é o filho que morre.

[01:34:59] Outro paralelo que o musical traça é justamente com o nascimento do filho do Hamilton e do Burr ao mesmo tempo.

[01:35:06] Do Hamilton nasce o Philip, que eles consideram como o único filho, e o do Burr nasce a Theodosia,

[01:35:12] que eles também consideram como a única filha, que eles não citam, mas também morre bem jovem.

[01:35:18] O momento da morte do Hamilton, do duelo mesmo com o Burr, é foda pra caralho que o Burr tem uma hora que ele para a música

[01:35:30] e fala assim, vocês não vão ler isso nos livros de história, mas o Hamilton estava usando óculos,

[01:35:35] por que ele usaria óculos se não pra me matar e pra acertar a mira?

[01:35:41] E você vê que o Hamilton na hora do musical, na hora que vai dar os tiros, ele dá o tiro pra cima e o Burr atira nele.

[01:35:50] É que o musical, desde a primeira música, você vê que ele vai ser de certa forma narrado pelo Burr de uma forma meio etérea,

[01:35:59] como se já tudo tivesse acontecido e ele estivesse olhando pro passado e narrando,

[01:36:04] e é uma dinâmica parecida com a do próprio Jesus Cristo Superstar, que narra a história, é o grande nemesis de Jesus ou Judas.

[01:36:12] E é bem isso, é o Burr, nessa música final leva a entender que a intenção dele era, olha, eu vou contar a história desse cara pra vocês me redimirem,

[01:36:26] pra vocês entenderem que eu atirei nele, mas foi um erro, foi por engano, eu não queria realmente ter matado esse cara,

[01:36:34] foi uma série de mal entendidos e naquele momento ele começa a citar essas coisas.

[01:36:42] O Hamilton estava usando óculos e eu vi ele mexendo no gatilho e por que ele ia fazer isso se ele não fosse me matar?

[01:36:48] Eu tenho certeza que ele ia tirar e por isso que eu atirei nele, mas no fim das contas ele estava mirando a pistola pra cima.

[01:36:55] O que eu não sei se é verificável, o Felipe ou a Júlia sabem se tem como verificar isso?

[01:37:06] Tem fonte primária que diz alguma coisa disso? Vocês sabem?

[01:37:09] Se ele atirou pra matar ou não?

[01:37:11] É, eu acho que isso daí é licença poética.

[01:37:15] Você tem os padrinhos que ficam lá assistindo, então eles devem dar um relato a respeito.

[01:37:24] Mas aí uma coisa que eu nunca procurei saber é fonte de duelos.

[01:37:29] É, tão específico demais também.

[01:37:33] O qual é o seu passatempo? Estudar a história de duelos do século XVIII?

[01:37:39] Não, o meu passatempo é estudar a história de tragédias, então uma coisa de cada vez.

[01:37:45] Perfeito.

[01:37:47] Pra quem quiser, tem o livro que inspirou o filme do Ridley Scott, Os Duelistas, que se passa na época napoleônica.

[01:37:59] É um filme bastante interessante estrelado pelo Harvey Keitel.

[01:38:02] Fica aí a dica sobre o assunto em geral, não sobre esse específico, porque esse específico eu não sei porra nenhum.

[01:38:08] Tá, beleza.

[01:38:09] Uma coisa daí que o musical também dá a entender é que não fosse o momento que o Hamilton trai a esposa,

[01:38:18] e depois o caso venha público, tem o momento da traição, também tá um momento super tenso do musical,

[01:38:24] quando eles se separam também e depois voltam.

[01:38:27] Mas dá a entender que o Hamilton estava ascendendo tanto politicamente que ele estava quase sendo visto como um potencial candidato à presidência.

[01:38:36] O que é curioso daí, porque assim, de novo, o que eu conhecia do Hamilton era a nota de 10 dólares,

[01:38:43] ele não tá no Mount Rushmore, se eu bem me lembro.

[01:38:47] Então assim, eu queria saber se de fato existia esse papinho que talvez o Hamilton poderia ser um candidato pra ser presidente,

[01:38:58] até que isso venha abaixo. Existe alguma análise assim em relação da reputação do Hamilton, Júlia, você sabe?

[01:39:06] O Hamilton ganha bastante fama ou notoriedade por salvar os Estados Unidos.

[01:39:15] Ele que chega a brilhante conclusão que se a gente não honrar nossas dívidas, ninguém vem prestar dinheiro pra gente.

[01:39:24] Isso foi logo depois da batalha de Saratoga. Saratoga, Felipe?

[01:39:28] Isso foi logo depois da batalha de Saratoga.

[01:39:32] Ele percebe assim, se a gente não começar a honrar, ninguém vai emprestar dinheiro, ninguém vai levar esse país a sério.

[01:39:39] Isso foi muito contestado por alguns lados, mas por outros foi visto como uma ideia muito boa.

[01:39:47] Então ele tinha assim um cacife político com pessoas que tinham influência de votar.

[01:39:55] Eu não posso dizer que nossa, provavelmente, mas ele poderia sim, e ele é um ótimo orador,

[01:40:02] se ele fosse sair por aí fazendo comício, ele convenceria muita gente, tem isso também.

[01:40:12] Então não dá pra dizer sim, mas eu acho que ele teria um potencial bastante interessante.

[01:40:17] Felipe, sabe algo também? Fala aí, André, antes.

[01:40:22] Não, se o Felipe puder complementar, melhor.

[01:40:25] O que eu ia dizer só é que ele era uma figura politicamente muito forte.

[01:40:32] Ele tem um papel essencial na construção do tesouro americano, do sistema financeiro dos Estados Unidos, como a Júlia falou.

[01:40:45] Porém, ele, justamente por isso, ele era uma figura extremamente controversa, digamos assim,

[01:40:56] porque ele era talvez um dos mais ferrenhos federalistas.

[01:40:59] Não à toa que ele escreveu os Federalist Papers.

[01:41:02] Então, por exemplo, ele foi, foi ordem dele os primeiros impostos dos Estados Unidos independentes,

[01:41:10] sendo que uma das origens da guerra de independência é justamente a questão dos impostos,

[01:41:15] o no taxation without representation, e aí ele vai colocar tarifas em produtos importados.

[01:41:23] E aí é bom lembrar que o mercado dos Estados Unidos durante muito tempo é bastante protecionista, tanto sobre o frete.

[01:41:32] Se você vai transportar uma carga de um navio, de um porto para outro porto,

[01:41:36] e os dois são dentro dos Estados Unidos, até hoje tem que ser um navio de madeira americana, por exemplo.

[01:41:41] E isso começa já nessa época.

[01:41:43] E principalmente ele colocou um imposto sobre o whisky.

[01:41:49] Que gerou inclusive, que inclusive gera a rebelião do whisky na Pensilvânia.

[01:41:58] Por que o whisky foi taxado?

[01:42:01] Primeiro, porque o whisky era usado como moeda no oeste, o whisky na primeira expansão pro oeste,

[01:42:11] ou seja, ali entre as antigas 13 colônias até mais ou menos o Rio Mississippi.

[01:42:17] E depois com a compra da Louisiana, tudo mais, mas enfim.

[01:42:21] A gente está falando da primeira expansão pro oeste, não dada dos filmes do John Wayne.

[01:42:25] Mas assim, o whisky era usado como moeda, como uma forma de moeda.

[01:42:30] Você tinha uma discussão muito grande nos Estados Unidos sobre vícios pessoais, principalmente de bebidas alcoólicas.

[01:42:37] Lembrando que a gente tem uma grande influência puritana na fundação dos Estados Unidos.

[01:42:43] E o puritano quer dizer influência calvinista dentro da igreja anglicana pra purificar das últimas influências do catolicismo.

[01:42:52] Então o termo puritano hoje a gente tem a interpretação de ser uma pessoa carola e tudo mais, mas a origem é de purificar a igreja anglicana.

[01:43:00] Mas assim, então você já tinha um debate popular, ou seja, tinha gente que apoiava impostos sobre bebidas alcoólicas,

[01:43:09] sobre coisas consideradas imorais.

[01:43:11] Terceiro, o whisky muitas vezes era produzido de forma clandestina, já na região da Pensilvânia,

[01:43:19] que era como se fosse a fronteira oeste, e pra ser levado pelo oeste.

[01:43:23] Então ao você colocar um imposto, você também obrigava a fiscalização das produções.

[01:43:28] E ele fez isso em parte pra pagar pela guerra, em parte porque ele defendia que o governo dos Estados Unidos tinha essa autoridade.

[01:43:37] Mas assim, pra muita gente na Pensilvânia, qual era o pensamento?

[01:43:42] Pô, a gente se livrou dos impostos de Londres pra agora ter impostos vindos de Washington?

[01:43:46] Então vamos se rebelar.

[01:43:48] E a gente teve uma rebelião que teve que ser reprimida militarmente, e teve alguns mortos, umas pessoas presas, mas enfim.

[01:43:56] Então assim, a gente tem essa questão dele ter sido um ferrenho proponente de impostos nacionais pra pagar uma dívida da guerra

[01:44:06] e pra tentar modernizar os Estados Unidos, e isso deixava ele, era uma figura vista como extremamente radical,

[01:44:17] uma pessoa que você não tem muita, não era uma figura amada, digamos assim, como era George Washington.

[01:44:27] E finalmente tem a história, não sei se está no musical, de que na virada do século, ele quase dá um golpe nos Estados Unidos.

[01:44:37] Porque os Estados Unidos estavam numa situação de tensão com a França, e ele queria fazer, queria estabelecer um exército permanente.

[01:44:49] Lembrando que os Estados Unidos não tinham um exército permanente em tempos de paz,

[01:44:53] era visto inclusive como uma forma justamente de muito poder na mão do governo.

[01:44:57] Ele queria estabelecer um novo exército, ele fica pronto pra uma guerra contra a França, porque ele já estava pensando em invadir o território da Louisiana,

[01:45:05] que depois vai ser comprado.

[01:45:07] Então ele quase deu ali uma, não vou dizer que foi uma tentativa de golpe, mas ele tentou centralizar bastante autoridade na figura não apenas do governo, mas dele mesmo.

[01:45:18] Então eu acho, na minha modesta singela e inútil opinião, que ele não seria um forte candidato à presidência, ele teria uma rejeição muito grande,

[01:45:29] sairia áudios dele falando coisas absurdas, imagens dele com dólares na cueca, enfim.

[01:45:40] E aí os Estados Unidos adotariam o comunismo total como deseja nosso querido João.

[01:45:46] Ele ainda era um fã de Father, isso ainda contava bastante coisa.

[01:45:52] É bizarro, porque ele é uma das figuras mais importantes desse começo.

[01:46:02] No documentário sobre o musical, eles vão lá nas bolsas de valores de Wall Street, eles até mencionam que o Al Hamilton é o padrinho de Wall Street,

[01:46:11] justamente porque ele criou esse sistema financeiro, porque a democracia americana foi usada de template para muitas outras nações que surgiram.

[01:46:24] O sistema financeiro também foi assim, ele foi adotado, esse sistema do Hamilton foi copiado, tentaram copiar, como é que foi isso?

[01:46:32] E lembrar que o Hamilton no musical aparece que ele é o cara que, justamente a discussão com o Thomas Jefferson, é de criar o Banco Nacional, o Banco Federal.

[01:46:40] É um banco central que é criado, é criado com um mandato de 10 anos, aí depois de 10 anos renova o mandato,

[01:46:51] aí o Andrew Jackson não renova o mandato, os Estados Unidos passa um período sem banco central,

[01:46:57] e depois é criado um banco central praticamente permanente que vem até hoje, e hoje os Estados Unidos tem uma estrutura de banco central.

[01:47:05] E você tem a criação da moeda também durante o período do Hamilton, que é onde você vai chamar a moedinha de Dalla.

[01:47:15] E por que esse nome Dalla? Boa pergunta.

[01:47:21] Boa pergunta, não sei. O Felipe sabe?

[01:47:26] Não, eu não consegui pensar numa piada.

[01:47:28] Tá, ok. Mas fala aí.

[01:47:31] Ele acaba perdendo essa chance de sequer concorrer, justamente por causa daquilo que o Ivan comentou, do caso que ele teve,

[01:47:40] acho que foi o que manchou a reputação dele pessoal, porque no musical é bem legal que eles mostram que ele tem esse caso com uma mulher chamada Mariah Reynolds,

[01:47:50] e ele tem esse caso por muito tempo enquanto ele paga um suborno, não suborno, como é, blackmail,

[01:47:58] dinheiro, né, para o cara ficar calado sobre o que está acontecendo, para o marido dela ficar calado sobre o que está acontecendo,

[01:48:04] enquanto ele trai a esposa dele com essa Mariah Reynolds.

[01:48:08] E aí acontece isso do Thomas Jefferson, o Madison e o pessoal, a patota dele lá, começam a ficar preocupados com as chances do Hamilton,

[01:48:22] justamente por isso que a Julia e o Felipe falaram dele ser um ótimo orador e ter capacidade política,

[01:48:28] e eles vão tentar descobrir podres dele e eles descobrem que ele estava recebendo um dinheiro que eles não sabiam de onde estava vindo,

[01:48:38] e esse cara está fazendo coisa errada, e quando eles descobrem isso, meio que naquela tentativa de se eu me zoar primeiro a zoeira não pega,

[01:48:48] ele vai lá e revela tudo, ele escreve uma carta e publica contando tudo sobre o caso que ele estava tendo com essa mulher,

[01:48:57] e aí ele meio que livra a pele dele que estivessem pensando que ele estava especulando, que ele estava fazendo algo ilegal,

[01:49:05] mas aí surge a reputação dele pessoal, que ele estava cometendo odotério e isso meio que apaga ele da cena política.

[01:49:14] Só para constar, segundo o oráculo Google, dólar é uma corruptela, é uma pronúncia de taler,

[01:49:25] que era o nome das moedas de prata usadas na Europa Central nos séculos 15 e 16, e aí de taler foi para dólar.

[01:49:38] Que fantástico. Segundo o Google, não eu. Se estiver errado, para mim.

[01:49:42] Briga com o Google. É mais ou menos isso.

[01:49:46] Quando a gente está falando também, de novo, vem da mítica americana de democracia, como é que era a votação nessa época?

[01:49:55] Como é que era o Thomas Jefferson vai concorrer contra o Aaron Burr? De fato era o povo que vota,

[01:50:05] daí o Felipe Jeta falou até da questão dos escravos, principalmente no sul, aliás, no sul.

[01:50:12] Agora, como é que era a votação e os comícios? A galera ia lá e, olha, eu estou aqui porque a gente está acostumado com uma eleição,

[01:50:20] pelo menos eleições modernas, a partir do rádio, com meios de comunicação de grande massa.

[01:50:26] A impressão que eu tenho é que não é todo mundo que vota, não é tipo assim, vai votar no Burr ou no Jefferson?

[01:50:32] A pessoa pergunta quem? A pessoa se preocupava com isso? A gente consegue imaginar como é que era a movimentação política pela população nesse período?

[01:50:42] Júlia, pode falar?

[01:50:44] Havia sim uma tentativa dos presidenciáveis de chegar a algumas cidades, mas se eu não me engano, eu ia conferir isso agora,

[01:50:57] mas eu acredito que só proprietários de terra podiam votar nesse primeiro período.

[01:51:04] Só proprietários de terra podiam votar nesse período, ou quem tinha uma renda, alguma coisa assim, bem parecida com o que aconteceu no Brasil.

[01:51:14] E por isso que as eleições nos Estados Unidos é na segunda-terça-feira do mês não sei das quantas,

[01:51:21] quero o tempo das pessoas saírem das suas cidades para chegar na cidade grande e aí votar.

[01:51:28] E outra coisa que é importante lembrar que é o seguinte, a legislação eleitoral nos Estados Unidos não é federal,

[01:51:37] então cada estado tinha sua legislação, cada estado tem a sua legislação.

[01:51:43] Você tem as emendas federais que começam basicamente no século 20, em 1920 nós temos a emenda constitucional

[01:51:53] que diz que não se pode proibir o voto baseado em sexo, em 64 que não se pode proibir baseado em questões de registro no estado,

[01:52:05] em 71 que nós teremos as primeiras limitações que é quando estabelece a idade mínima.

[01:52:11] Mas quem define como e quem vota são os estados, então no começo cada estado tinha sua regra,

[01:52:18] então por exemplo Nova York foi o primeiro estado em que qualquer homem podia votar,

[01:52:26] mesmo se fosse um negro que foi um escravo liberto, então qualquer homem podia votar,

[01:52:33] mas se a gente for colocar uma regra geral como a Júlia colocou, estamos falando de homens brancos com propriedade própria.

[01:52:41] Pobres, mulheres e negros em sua maioria estão excluídos.

[01:52:45] Pessoas em estado de escravidão não podiam votar, mulheres podiam votar em alguns estados…

[01:52:51] O que foram ou que tiveram ou que passaram por escravidão,

[01:52:57] então aquele pessoal que venha sobre o modelo de ligar uma pessoa pra trabalhar durante um tempo eles também não podiam votar.

[01:53:07] Então eu por exemplo não lembrava disso e foi na década no meio do século 19 que você ainda tinha uma questão de propriedade.

[01:53:18] Eu não vou me lembrar direito agora mas era o seguinte se você não precisava mais ter propriedade pra poder voltar,

[01:53:25] mas se você não era pagador de imposto se você tinha algum débito fiscal você não podia votar.

[01:53:31] Mais ou menos isso, se você tivesse alguma dívida você não podia votar, alguma coisa assim.

[01:53:34] Mas repito isso dependia de estado pra estado e também é difícil dar uma receita universal,

[01:53:40] mas a regra geral eram de homens brancos com propriedade.

[01:53:46] E eles tinham, mas os presidenciáveis eles iam fazer seus comícios, viajavam por todo o Estados Unidos?

[01:53:53] A ideia do comício na verdade assim as campanhas presidenciais muitas vezes eram feitas com pronunciamentos

[01:54:03] mas principalmente nos grandes centros urbanos e o que a gente chama de comício aquele corpo a corpo seria nas cidades menores

[01:54:10] e principalmente no norte dos Estados Unidos.

[01:54:13] Comício a gente tinha na Filadelfia, Nova York, Chicago, por aí vai.

[01:54:19] A ideia de que a gente tem hoje de comício ela surge nos Estados Unidos com a expansão pro oeste

[01:54:26] que aí nós teremos as comunidades rurais e aí nós teremos os tours dos presidenciáveis.

[01:54:32] O que era? O presidenciável entrava no trem Nova York e ia de trem até sei lá até a Califórnia

[01:54:38] e no meio do caminho parava em todas as cidades e aí se pronunciava, beijava, bebe, todas aquelas porra que a gente conhece.

[01:54:46] Mas o comício a popularização de lança das eleições ela vem com a expansão pro oeste pós guerra com o México já

[01:54:54] estamos falando de década de 1850 e isso só vai na força mesmo depois da Guerra Civil.

[01:55:00] Quando a gente está falando da época do Hamilton estamos falando apenas de basicamente discursos

[01:55:06] para um público bem restrito e bem seleto e um pouco de corpo a corpo nas comunidades rurais só.

[01:55:13] Nessa época do Hamilton quem tinha muita força era os jornais.

[01:55:20] Então era muito comum você matar um candidato.

[01:55:23] Meu Deus.

[01:55:25] Fazer planfetos e dizer tal candidato morreu porque demorava muito tempo para você desmentir.

[01:55:31] Então esse tipo de campanha e de difamação era bastante comum.

[01:55:37] Eu acho que é o Andrew Jackson que vai usar a mídia, a imprensa de uma forma fantástica.

[01:55:45] Mas era a forma que você conseguia levar as suas ideias mais longe.

[01:55:53] Uma outra coisa de curiosidade que eu tenho no musical citam o John Adams quando George Washington sai do poder.

[01:56:02] O John Adams até aparece o rei da Inglaterra falando assim nossa o John Adams ele vai ser presidente.

[01:56:11] Aquele cara baixinho que eu conheci uma vez.

[01:56:15] Boa sorte.

[01:56:17] O John Adams é esse bobalhão também assim?

[01:56:20] Tipo completamente inexpressivo na história ou isso é uma caricatura do musical?

[01:56:26] Felipe o que você acha?

[01:56:29] Então em relação a John Adams nós temos duas questões que são importantes em levar em consideração que a primeira.

[01:56:41] Ele foi o vice-presidente dos dois mandatos do George Washington.

[01:56:49] Então assim ele tinha uma uma sombra muito grande eclipsando ele.

[01:56:57] E aí eu vou passar para três coisas na verdade.

[01:57:01] Segundo ele era um ferrenho rival do Hamilton porque ele era dos antifederalistas.

[01:57:09] Digamos assim o John Adams ele não era um dos federalistas.

[01:57:13] O Wikipedia está errado então está falando que ele era federalista.

[01:57:18] Olha aqui.

[01:57:21] Não não mas deixa eu ver então.

[01:57:25] Enfim eu confundi o partido certo está certo mas assim voltando vamos voltar então edita isso.

[01:57:32] Mas assim meu ponto é ele ele era do Partido Federalista mas ele não era um federalista radical como Thomas Jefferson.

[01:57:38] Como é caralho como Alexander Hyde como Hamilton.

[01:57:42] Ele era um cara muito mais comedido.

[01:57:47] Ele era um federalista no ponto especialmente da defesa tanto que ele é considerado o pai da marinha americana.

[01:57:54] E finalmente uma terceira questão que coloca a questão do Adam que é o seguinte.

[01:58:00] O filho dele o John Quincy Adams foi presidente.

[01:58:05] Para quem assistiu o filme Amistad é o personagem do Anthony Hopkins no filme.

[01:58:11] E o John Quincy Adams é um cara pouco considerado na história americana e acabou digamos assim sujando um pouco a reputação do pai.

[01:58:21] Mas no geral o John Adams foi sim uma figura bastante relevante.

[01:58:26] Ele pode ser caricaturado no musical por ser um opositor do Hamilton.

[01:58:31] E porque na época ele não é ele suceder o George Washington caralho ele era o vice-presidente do George Washington.

[01:58:38] Ele não é o George Washington.

[01:58:40] É que nem quando o que o São Paulo está passando agora você substitui um ídolo do clube.

[01:58:46] Depois não dá certo.

[01:58:49] Então eu adoro metáforas futebolísticas assim como o presidente Lula.

[01:58:52] Mas assim ele vem com um legado muito complicado.

[01:58:56] Ele é um opositor do Hamilton e o filho dele faz cagada.

[01:59:00] Então isso pode contribuir para a caricatura dele mas ele foi sim uma figura muito importante.

[01:59:05] Sim.

[01:59:06] Júlia queria complementar alguma coisa?

[01:59:08] Não não foi perfeito o que o Felipe falou.

[01:59:12] A grande questão dele tanto que a eleição do Quincy Adams é bastante controversa.

[01:59:19] E isso já acaba sujando o nome do pai dele.

[01:59:23] Então é isso.

[01:59:26] Tem até um momento para você ter uma ideia de como que ele é caracterizado.

[01:59:33] Feito uma caricatura no musical.

[01:59:36] Tem uma hora assim que a Elizabeth, a esposa do Hamilton, está falando assim.

[01:59:40] Vamos viajar né.

[01:59:43] O John Adams viaja sempre.

[01:59:46] E daí o Hamilton fala olha o John Adams não tem nenhum emprego de verdade.

[01:59:51] Porque ele é vice-presidente.

[01:59:53] Porque a função do vice não sei se ainda é que é de hoje dos Estados Unidos.

[01:59:59] Hoje o vice-presidente ele é chefe de uma das câmaras.

[02:00:03] Desde o começo o vice-presidente é o chefe do Senado.

[02:00:07] Para impedir que o Senado seja disputado entre norte e sul.

[02:00:14] Mas enfim Júlia vai complementar.

[02:00:16] Fala aí Júlia.

[02:00:17] Também em casos de empate o último voto é dele.

[02:00:21] Como por exemplo foi na confirmação da Davos.

[02:00:27] Da secretária de educação.

[02:00:29] Então quem teve a confirmação foi o vice-presidente.

[02:00:33] Mike Pence.

[02:00:35] Atualmente não é.

[02:00:37] Aqui é outros períodos.

[02:00:39] A gente está falando em tempos mais inocentes de certa forma.

[02:00:42] Só para mostrar que você tem esse papel ainda do vice-presidente.

[02:00:48] Legal.

[02:00:50] Eu já estou feliz aqui na minha análise histórica de Hamilton do musical.

[02:00:57] Você que é o cara que já estudou Hamilton o musical de trás para frente.

[02:01:03] Tem alguma dúvida que você sempre quis ter aí?

[02:01:05] Quer ajudar?

[02:01:06] Quer a banca aí para responder?

[02:01:08] Eu queria saber dessa coisa do…

[02:01:12] Acabou que eu comentei sobre mas meio que se perdeu.

[02:01:18] Do sistema financeiro.

[02:01:22] O quão diferente é o nosso sistema financeiro do que foi criado pelo Hamilton por exemplo?

[02:01:28] Ou não é diferente?

[02:01:30] Se o modelo do Hamilton é o modelo que vai ser exportado para o mundo inteiro.

[02:01:36] Quando você fala modelo financeiro você fala o que?

[02:01:40] Bolsa de valores ou o Banco Central?

[02:01:42] Os dois.

[02:01:44] Tudo que ele criou ali.

[02:01:45] O que foi exportado?

[02:01:46] O que acontece?

[02:01:47] O Banco Central brasileiro é de certa forma inspirado pelo conceito de Banco Central.

[02:01:57] Que no Brasil era desempenhado anteriormente pela superintendência da moeda do crédito.

[02:02:02] Que era a SUMOC.

[02:02:03] Então por isso que quem estuda história da economia do Brasil tem que ficar estudando a resolução das quantas da SUMOC.

[02:02:09] Que era como se fosse a ordem do Banco Central.

[02:02:12] Mas enfim o Banco Central brasileiro ele é baseado na ideia de Banco Central inspirado digamos assim no modelo dos Estados Unidos.

[02:02:24] Porém o Banco do Brasil que durante muito tempo foi o Banco Central brasileiro foi inspirado no Banco Central da Inglaterra.

[02:02:33] Que foi fundado logo depois da Revolução Gloriosa.

[02:02:36] Que por sua vez inspirou o Banco Central dos Estados Unidos.

[02:02:40] Então a gente tem um triângulo amoroso digamos assim.

[02:02:44] E o Banco Central britânico ele é um banco privado.

[02:02:49] É bom lembrar isso.

[02:02:50] Ele é um banco que quando ele é fundado ele é fundado por nobres e burgueses que tinham o capital.

[02:02:58] O Estado estava parcialmente endividado.

[02:03:00] Então foi um jeito inclusive desses dessas pessoas emprestarem dinheiro ao Estado.

[02:03:06] E em troca recebe alguns privilégios como a cobrança de juros e o controle cambial.

[02:03:11] Agora e aí esse modelo vai inspirar o Banco Central dos Estados Unidos que vai inspirar o Banco do Brasil.

[02:03:18] Só que o nosso otário Banco Central ele já é inspirado por um modelo pelo Banco Central dos Estados Unidos.

[02:03:24] O Banco Central dos Estados Unidos contemporâneo porque estamos falando de épocas diferentes.

[02:03:28] Agora em relação à Bolsa de Valores eu vou dar aquela resposta que os nossos ouvintes odeiam que é não sei.

[02:03:35] Tá. Mas já foi uma excelente resposta aí.

[02:03:39] Com certeza.

[02:03:40] E eu tenho mais uma também sobre o rei né.

[02:03:44] O rei Jorge é terceiro.

[02:03:47] Por um instante eu achei que você não ia comentar do meu personagem favorito porque eu adoro o fato.

[02:03:56] Ele canta meio desafinado olhando para o público e é assim.

[02:04:00] Ele é um babaca.

[02:04:01] É muito bom.

[02:04:04] Vamos começar aqui no único branco da peça inteira.

[02:04:08] Mas ele interage com o público.

[02:04:10] Então ele faz altas caras e bocas.

[02:04:12] Vocês vão voltar para mim.

[02:04:13] Vocês não sabem o que quer dizer.

[02:04:15] Não é muito engraçado.

[02:04:17] Na terceira e última música que é essa que o Ivão falou que ele fala.

[02:04:22] John Adams você é o presidente.

[02:04:23] Boa sorte.

[02:04:24] Então ele quando termina a música é sempre que ele tem três músicas ao longo do musical.

[02:04:31] A perspectiva da Inglaterra sobre o que está acontecendo e em todas elas ele termina a música e vai embora.

[02:04:37] Quando essa do John Adams que ele dá boa sorte tudo mais quero ver o que vai acontecer.

[02:04:43] Ele literalmente puxa uma cadeira e fica sentado na pontinha do palco assistindo e batendo palmas para as coisas que acontecem.

[02:04:50] Meio que quero ver o circo pegar fogo aqui sabe.

[02:04:54] E a sua pergunta.

[02:04:58] A pergunta é sobre o que a Inglaterra estava fazendo a respeito disso.

[02:05:07] Quando a revolução aconteceu eles falaram ok perdemos mesmo fica de boa aí.

[02:05:11] Ou eles estavam tentando recuperar o status que era ou o que.

[02:05:16] Então assim o que acontece.

[02:05:17] Primeiro é bom lembrar que o George III ele até a rainha Vitória.

[02:05:23] Ele é o camarada que governa o Reino Unido por mais tempo.

[02:05:26] Na verdade o Reino Unido é fundado com ele.

[02:05:29] Ele era o rei da Grã-Bretanha da Irlanda e aí nós temos a fusão no Reino Unido.

[02:05:33] Justamente na virada do século 18 século 19 ele governa por 60 anos.

[02:05:39] Então é muito difícil assim você fazer uma análise do reino de uma pessoa que dura 60 anos uma análise monolítica digamos assim.

[02:05:48] Então a gente vai ter a guerra dos sete anos que a Julia mencionou anteriormente a gente vai ter a guerra com os Estados Unidos e a gente vai ter as guerras napoleônicas por exemplo.

[02:05:55] Agora em relação aos Estados Unidos é bom lembrar que acontece o George III.

[02:06:00] Ele vai ser caricar caricaturado nos Estados Unidos como um tirano como uma figura opressora como a tirania que a gente quer se livrar.

[02:06:09] Só que a gente tem que lembrar que desde 1689 o rei estava formalmente submetido ao Parlamento e antes disso em diversos outros aspectos.

[02:06:20] O problema para os Estados Unidos ele vinha muito mais do Parlamento porque eu digo isso.

[02:06:26] E aí eu tenho certeza que a Julia vai complementar talvez até com uma visão uma perspectiva diferente.

[02:06:32] Porque o que acontece o estopim da guerra da Guerra de Independência dos Estados Unidos é porque as colônias passam a digamos assim ter que pagar pela guerra dos sete anos.

[02:06:44] Então olha a gente mandou tropas para o continente americano aí para lutar no Canadá.

[02:06:47] Essas tropas vão ficar guarda esses aí vocês têm que construir os fortes vocês têm que bancar a alimentação dessas tropas.

[02:06:53] Vocês têm que agora cobrir nossa dívida então com imposto é o famoso imposto do chá é a festa do chá de Boston e tudo mais.

[02:07:02] E aí qual é a primeira reação dos colonos americanos.

[02:07:05] Nós já tínhamos os pró independência mas por exemplo o Benjamin Franklin vai à Casa dos Comuns como representante das colônias.

[02:07:14] E ele fala Olha vocês querem colocar impostos sobre as colônias.

[02:07:18] Perfeito não tem problema só que em compensação a gente quer ter voz.

[02:07:23] A gente quer eleger representantes para o Parlamento como qualquer outro pedaço do britânico.

[02:07:29] Se o ali a cornoalha tem paga impostos eles têm seus representantes a gente quer o mesmo tratamento porque até o momento da guerra dos sete anos o que se caracteriza

[02:07:40] o que se chama na historiografia do tratamento que as três colônias recebiam da metrópole era chamada negligência salutar.

[02:07:49] Então olha vocês são nossas colônias vocês não fazem negócios com outros países a gente deixa vocês cuidarem da vida de vocês era mais ou menos isso.

[02:07:57] Com a guerra dos sete anos a situação tem que ser modificada digamos assim para benefício britânico.

[02:08:05] E aí o Parlamento rejeita essa proposta essa ideia o primeiro ministro rejeita essa ideia.

[02:08:12] E a ideia dos colonos terem representação o que vai levar uma escalada de hostilidades.

[02:08:18] Então o George III de certo modo ele teve uma sua reputação bastante manchada pelo fato de ser o principal antagonista do que hoje é do que hoje é o principal potência cultural do planeta.

[02:08:36] Então aí obviamente o George ele vai declarar os que declaram independência como traidores.

[02:08:44] Ele vai autorizar os planos militares e tudo mais ele vai inclusive colocar o Cornwallis com bastante autoridade no continente americano.

[02:08:54] Então assim ele terá um papel muito forte depois e ele que vai autorizar as negociações de paz em Paris.

[02:09:02] Porém ele o próprio George que vai começar as negociações de paz e o próprio George ele reconhece o novo país logo em 1785.

[02:09:12] O reconhecimento dos Estados Unidos vem basicamente três ou quatro anos depois da reedição do Cornwallis é um tempo é um prazo extremamente curto.

[02:09:24] Só vai ser mais curto por exemplo a questão do Brasil porque era tudo uma questão de família.

[02:09:29] Mas quando a gente olha por exemplo a dependência do Peru a Espanha só vai reconhecer a dependência do Peru quando a rainha morre.

[02:09:36] Segundo a metade do século 19 mais de 60 anos depois 50 até porque a rainha era criança na época.

[02:09:43] Então quando a gente fala do George III ele acabou sofrendo uma mancha na sua reputação muito grande por conta da cultura dos Estados Unidos e de você ter que criar um vilão na guerra.

[02:09:55] Claro mas em relação a guerra dos Estados Unidos ele foi ali um dos um dos menos culpados.

[02:10:01] Digamos assim tanto que ele favoreceu as negociações logo no início e inicialmente o problema foi a questão do Parlamento não autorizar a autorizar a representação das colônias dentro da Casa dos Comuns.

[02:10:23] Só um detalhe em relação à representação do rei Jorge no musical tem também o detalhe dele ter ficado louco.

[02:10:32] Então eu acho que isso já passa como o rei já muito exagerado porque no final da vida dele ele era um rei extremamente excêntrico.

[02:10:44] Então eu acho que já foi uma forma de você passar essa ideia de que ele não era um rei muito sério e não era o que ele brigava.

[02:10:54] Por isso que ele tem esses olhares esse tipo de coisa mas o que ele falou da perfeito.

[02:10:59] Então mas o ele é declarado biruta e o filho dele assume uma regência já durante as guerras napoleônicas é tempo depois.

[02:11:09] E outra coisa se você governa a caceta da Grã-Bretanha por 40 anos você também fica biruta.

[02:11:15] Mas o que eu quis dizer Felipe.

[02:11:17] Não não não entendi não não entendi não estou dizendo que você criticou ele ser biruta estou estou só justificando a birutice do nosso amigo Jorge.

[02:11:26] Você fica 40 anos governando aquela aquela parada no meio do caminho tem 7 anos e depois você fica meio louco.

[02:11:32] Fazer o que fala aí Júlia não quer comentar nada.

[02:11:39] Era isso era só fazer um complemento que ele vai ficar louco.

[02:11:43] Então eu acho que eles aproveitaram isso para construir o personagem como se ele já estivesse um pouco até pelas músicas que ele canta.

[02:11:53] Tipo eu vou eu vou matar vocês para provar o meu amor.

[02:11:58] Ele tem umas risadas meio psicopatas.

[02:12:01] Então eu acho que eles aproveitaram já que ele ficou conhecido como o rei louco e vamos jogar aqui essa essa mistura logo no início.

[02:12:10] E é muito legal o tipo de música que eles escolhem para o rei e o tipo de música eles escolhem de modo geral porque o rei sendo britânico

[02:12:19] e sendo o ponto de vista mais conservador em comparação com os revolucionários que são pintados como quase super heróis ao longo do musical.

[02:12:34] Ele ele canta como um pop rock é uma coisa meio Beatles British Invasion literalmente nesse caso e as músicas ele lembrou muito um Beatles

[02:12:49] mais da depois daquela primeira fase deles ali da fase loucura.

[02:12:55] Eu acho que eles afina no final na hora que ele começa.

[02:13:02] E é engraçado como que isso contrapõe com o rap porque no Hamilton o rap ele é colocado como a linguagem da revolução

[02:13:10] a linguagem de quem quer a mudança o que é muito o papel do rap na nossa sociedade também que é uma música de protesto

[02:13:18] é uma música de movimentos sociais e tudo mais e colocar fazer esse paralelo entre os revolucionários que querem mudança

[02:13:26] e essas pessoas cantam em rap é porque o musical ele não é todo rap a pessoa fala que é muito um musical rap

[02:13:34] mas ele tem muito de R&B de até um pouco de jazz e música de musical mesmo da Broadway e tal tudo misturado.

[02:13:45] E é interessante você vê como que cada membro da revolução também canta um tipo diferente de rap de acordo com a personalidade

[02:13:54] então o Hamilton que é esse cara super afim de se provar e de mostrar o quão inteligente ele é ele lembra muito um Eminem

[02:14:03] que com as rimas super complexas virtuosas para mostrar olha como eu sou foda me aceitem eu sou muito foda.

[02:14:10] E o George Washington por outro lado ele já está provado o rap dele é super certinho não tem nada muito arriscado

[02:14:24] ele é muito poderoso no que ele está fazendo ali e esse tipo de coisa o jeito que cada personalidade de cada um é demonstrado

[02:14:34] pela forma que ele se expressa musicalmente também acho muito legal.

[02:14:38] Beleza então gente eu acho que já podemos encerrar o programa eu só queria você nunca ninguém ouviu

[02:14:46] você chegou até aqui no programa e não ouviu ainda o musical Hamilton por favor ouça e é interesse do Spotify está ali liberadão

[02:14:55] tem também o show por aí você encontra né?

[02:14:59] Eu fui para Nova York.

[02:15:01] Eu também eu fui lá para Nova York.

[02:15:03] Paguei muita dinheiro na ingressa porque está caríssimo.

[02:15:07] Exato todos fizemos isso fomos juntos inclusive foi uma noite louca.

[02:15:12] Estranho não termos tirado nenhuma foto né?

[02:15:16] Mas sabe como é que é né?

[02:15:18] A foto hoje em dia é uma coisa que é tão supérfula o importante são as memórias né?

[02:15:23] E daí mas e é interessante só porque é legal ver assim que eu quero falar do documentário carinho não é documentário

[02:15:33] mas fica vindo isso na cabeça mas o musical Hamilton ele extrai em 2015 2016 aí tem a eleição do Trump

[02:15:41] teve um episódio muito louco né do acho que início 2017 final de 2016 que acho que o Mike Pence né?

[02:15:48] Que já estava eleito como vice-presidente ele vai assistir o Hamilton e daí todo o elenco para e diz assim

[02:15:57] vice-presidente nós estamos aqui com uma platéia de nós somos diversos somos nós somos os Estados Unidos

[02:16:03] nós esperamos que você mantenha esses valores a diversidade aqui e tal o que mostra também assim a importância do Hamilton

[02:16:12] não ser totalmente fiel a história apesar que muitas coisas ele bate certinho mas ele faz essa reeleitura com um propósito muito interessante

[02:16:22] depois ainda temos eu lembro muito de um caso de um outro cara que é muito fã do Hamilton que é o Igor Rodrigues

[02:16:31] lá do podcast DroneSaltitante um abraço Igor e o Igor ele falou assim me marcou isso né?

[02:16:39] Acho que no dia seguinte da eleição do Trump o Igor fez um tweet um negócio assim do tipo

[02:16:45] cara ouvir Hamilton agora vai ser muito estranho porque depois do Trump ser eleito assim o Hamilton ele ganha uma força

[02:16:55] assim para quem é a favor da diversidade da imigração muito mais forte então parece que eles já estão cantando essa

[02:17:02] essa bola faz tempo né então legal ver isso fala aí

[02:17:06] entre o lançamento do Hamilton e um pouco antes da eleição na verdade foi bem durante aquele processo todo

[02:17:16] quando ele estava como presidente eleito ainda né lançou um álbum que é o Hamilton Mixtape que é um álbum de remixes

[02:17:29] entre aspas onde ele meio que realizou um pouco do sonho que ele tinha de trazer grandes artistas para

[02:17:37] cantar as músicas né então eu tinha imaginado nesse dueto da da Eliza com o Hamilton que fosse o

[02:17:44] de Arul e a Ashanti como na música clássica lá e aí ele conseguiu trazer eles para cantar essa música e tudo mais

[02:17:50] mas além disso acho que o mais legal foi que ele convidou outros vários artistas para cantar novas músicas

[02:17:57] sobre os temas de Hamilton e aí tiveram várias músicas falando de imigração do do dessa dessa nova

[02:18:06] realidade que os Estados Unidos estava prestes a entrar e sobre diversidade o perigo que elas estaria sofrendo

[02:18:14] né então mais do que o além do musical né ainda tem esse novo álbum que também se encaixa e é muito bom

[02:18:24] eu acho que além do além de tudo assim de ser um espetáculo fantástico ele sempre advogam que eles estão mostrando

[02:18:31] a nova cara dos Estados Unidos umas pessoas que não querem aceitar que os Estados Unidos estão mudando

[02:18:37] né que agora sim são latinos são são pessoas misturadas que estão nos Estados Unidos e outra coisa que eu achei muito

[02:18:46] interessante e aí eu não sei em que documentário vi que o Hamilton está fazendo com que as crianças

[02:18:52] que estão na história dos Estados Unidos que elas se interessam pelo que está acontecendo eles querem saber

[02:18:59] tipo que essa pessoa quem que é o que esperando gangster talvez eles né se decepcionam mas criam

[02:19:06] interesse por uma coisa que muitas vezes é negligenciada que a própria história né sim com certeza e eu e

[02:19:16] obviamente fazer aquele comentário básico também homenageando o João né o Felipe já fez que o João

[02:19:22] que se gravava queria gravar não conseguiu mas ele tinha pedido as coisas fazer a citação Gilgamesh

[02:19:28] e sobre comunismo né que o Felipe fez preencher os dois quesitos então agradeço aí Felipe pela pelo

[02:19:36] esforço em agradar o João é mas podemos reforçar aqui com uma coisa também dizendo que isso é tudo

[02:19:43] né que daí eu que estão quer que a esquerda quer destruir os Estados Unidos né então muito bom

[02:19:51] só o trâmpio apoia essa fala né certo tá beleza é gente então muito obrigado foi muito ilustrativo

[02:20:05] André aga espero o ato dois lá no fora da caixa também por favor eu também porque com certeza

[02:20:14] daí vocês eu já te elogiei antes e elogio de novo pelo trabalho que fizeram porque foi muito bacana

[02:20:21] vocês discutiram várias questões técnicas do musical né então eu não me lembro dos convidados

[02:20:27] mas porra todo mundo trazendo coisa fantástica sobre questões técnicas assim que acho muito legal

[02:20:32] e eu também contei se a contextualização histórica aqui de certa forma acaba sendo um

[02:20:37] complemento para o fora da caixa 25 e com certeza de uma de um de temas que a gente jamais conseguiria

[02:20:44] abordar dessa forma então foi muito bom participar também legal a Júlia caiu de novo justamente no

[02:20:51] finalzinho aqui vou tentar colocar ela enquanto isso eu vou agradecer também o Felipe que adora

[02:20:57] o coração né então obrigado Felipe por ter vindo você sabe que eu odeio o fato de você torcer

[02:21:04] para o time que roubou a Copa do Brasil do meu time mas e foi roubado aquele jogo mas tudo bem

[02:21:11] ainda assim eu gosto de você tá certo então pode fazer seu jabá aí também Felipe eu já elogiei

[02:21:18] mais lá no jogabilidade então não precisa falar manda um beijo pro Cosme ele pediu muito pra quem

[02:21:25] você não é Cosme o Cosme da mião é tipo isso mas quem é Cosme é um fã seu então só manda um beijo

[02:21:37] para de ser chato não não é porque eu sempre tenho que ver se tem uma possibilidade de pegadinha

[02:21:45] você não vai falar para eu mandar um beijo para a fã Paula Tejano entendeu não não é ele realmente

[02:21:51] meu Deus o céu ele realmente gosta muito do xadrez verbal e ele adora e ele pediu pra vou mandar um

[02:21:58] beijo você mandasse um beijo para ele então um beijo pro Cosme um beijo pro nosso ouvinte também

[02:22:05] Tomas Turbano e queria agradecer todos os ouvintes queria dizer pro Ivan que as críticas do único

[02:22:14] jornal com saldo negativo de gols não me atingem para quem quiser um pouco mais sobre Estados Unidos

[02:22:23] não vou fazer jabá do curso sobre a história dos Estados Unidos como início porque já seria demais mas

[02:22:29] tem duas sugestões de leitura a primeira é o Penguin History of the USA da editora Penguin em inglês

[02:22:39] é um livro entre aspas de bolso caso claro seu bolso seja de um palitó tamanho 68 mas é um livro de bolso

[02:22:47] para quem não lê inglês ou não quer ele ficar intimidado não sei tem uma alternativa em português que é interessante

[02:22:54] que é o história dos Estados Unidos da editora Contesto que é escrito por três autores um deles inclusive

[02:22:59] é o Leandro Karnal que hoje é uma figura pop praticamente mas lembrando que o Leandro Karnal apesar dele hoje

[02:23:07] ele é tipo youtuber né ele fala de todos os assuntos possíveis a pesquisa a área dele é história dos Estados Unidos

[02:23:15] e é muito importante lembrar para as pessoas uma coisa né que isso da história dos Estados Unidos é importante

[02:23:21] não por vira latismo alguma merda assim mas porque porque o Brasil seja intencionalmente ou seja sem intenção

[02:23:32] muito discurso dos Estados Unidos o discurso de camadas da população dos Estados Unidos mas muitas vezes

[02:23:38] em condições diferentes então é importante você saber desconstruir esse argumento do ponto de vista da

[02:23:45] história dos Estados Unidos para mostrar em como eles são diferentes mesmo na origem não só aqui então por exemplo

[02:23:50] o discurso de alguns de algumas alas religiosas brasileiras hoje que é muito preocupado com questões

[02:23:59] e doutrinação nas escolas tudo mais é um discurso importado dos batistas do sul dos Estados Unidos

[02:24:05] pós década de 60 70 então é importante da história dos Estados Unidos por isso também e finalmente

[02:24:12] quem quiser um semanário de prêmio internacional tem um xadrez herbal podcast muito legal dá para

[02:24:16] arrumar qualquer coisa com verbal muito bom muito bom inclusive um abraço por Matias que faz os melhores

[02:24:21] vídeos mas nunca o impeça de fazer isso por favor não é o André eu não deixei você fazer jabá né

[02:24:29] eu sou um grosso desculpa mas é que eu elogiei tanto mas fala aí também jabá fica à vontade

[02:24:34] eu venho lá do jogabilidade que é um lugar onde a gente fala de videogames e outras coisas tipo

[02:24:42] cultura pop e animes e coisas inúteis para a vida da pessoa mas a gente é né tem vários podcast lá

[02:24:50] acho que a gente tem seis podcast cara que é muito podcast podia ter menos podcast e você pode

[02:24:58] lá assinar se você gosta só de jogos ou se você gosta se você não gosta de jogos a gente tem dois

[02:25:03] vídeos separados é para os dois temas do dos podcasts e a gente também tem um canal do youtube

[02:25:08] que é youtube.com barra jogabilidade e lá você consegue link para todas as coisas e para visitar

[02:25:14] tudo e conhecer tudo que a gente faz e tudo mais todo joguinho que eu vou comprar eu passo

[02:25:19] jogabilidade antes para ver o que vocês falam então agradeço bastante joguinho

[02:25:24] eu não quis ver a crítica do horizon porque eu tô esperando o mas effect se eu fosse comprar eu

[02:25:33] ia ficar muito deprimida mas eu tô louco por esse jogo também já fizeram review do for honor

[02:25:41] também que esse é outro não cara o for honor acabou que a gente não recebeu e como tem muito

[02:25:47] jogo muito muito jogo como a gente não estava muito interessado em jogar e acabou que não

[02:25:52] comprou também então então jogou então beleza só só para saber que eu passei assim não vi nada

[02:25:59] de repente me passado bem branco mas bom saber e aí julia faz aí o seu jabá também do seu podcast

[02:26:06] agora de novo tá eu vou começar a fazer um jabá que eu nas nessa semana né que tem vários

[02:26:14] iniciativos o podcast delas eu vou apresentar o vara cache junto com duas amigas minhas porque

[02:26:21] as meninas então eu vou tomar conta de lá e eu tô apresentando eu tô fazendo pequenas pequenas

[02:26:29] explicações sobre a história dos Estados Unidos se chama 20 minutos por falta de nome mais criativo

[02:26:36] nós estamos aceitando é só um aviso quem tá editando sou eu que eu não sei editar quem tá fazendo

[02:26:43] a pauta sou eu eu tô trabalhando com falta então assim tá um pouco engatinhando ainda então

[02:26:51] sugestões sejam são bem-vindas na edição bota o áudio bruto lá mesmo pessoal que se vire aí eu

[02:26:59] tô muito nessa filosofia assim então inclusive aquela parte que o Felipe pediu para editar eu

[02:27:04] tô aqui um a gente perdeu o áudio bonitinho do nosso podcast que a gente gravou quinta e aí a gente

[02:27:12] teve que usar o áudio da live que tem música de fundo e como ele tem música de fundo não deu pra

[02:27:17] editar a gente soltou esse áudio um cara falou ficou melhor assim podiam fazer assim aí assim né cara

[02:27:27] as horas que passa editando é isso que eu falo cara para que editar porra manda um áudio bruto

[02:27:33] mesmo bate-papo só mesmo fora vai continuar a gente não tem bate-papo sou eu sozinha então

[02:27:39] acho que sem edição já vai ficar muito chato é então é só um pequenas explicações sobre o que tá

[02:27:45] acontecendo nos Estados Unidos ou é como funciona o sistema americano esse tipo de coisa então é isso

[02:27:54] então eu vou deixar o link para vocês é provavelmente vai continuar no bar e esqueci o nome

[02:28:02] de cláudia só onde cláudia vai continuar no saldo quando eles me expulsarem de lá e depois eu vejo

[02:28:08] beleza então os links para tudo isso que foi comentado está na postagem até o do xadrez verbal

[02:28:14] essa coisa insuportável que eu ouço toda semana eu eu Felipe já te falei que eu ouço tomando banho

[02:28:20] veja só que você já falou isso várias vezes eu gosto de lembrar você sempre eu quero que quando

[02:28:26] estiver gravando você pense o Ivan tá me ouvindo agora é tomando banho então a mãozinha da fanfic chega a tremer agora

[02:28:34] se for pro se for usando febo tudo bem não pior que agora estou usando dove é mais mais cheiroso e mais barato

[02:28:45] a mãozinha da fanfic chega a tremer você você traiu o movimento tá desculpa mas é que o febo

[02:28:56] acaba muito rápido cara porra tinha que fazer uma coisa que durasse mais lá mas enfim gente é isso

[02:29:02] muito obrigado e até semana que vem vamos dar tchau gente tchau tchau tchau

[02:29:15] E aí