Frontdaciência - T08E27 - Atenção plena (mindfulness) e ansiedade


Resumo

O episódio explora o conceito de mindfulness (atenção plena) como uma técnica secularizada derivada de práticas meditativas budistas e zen, desenvolvida por Jon Kabat-Zinn. As convidadas definem mindfulness como a consciência que surge ao prestar atenção intencionalmente ao momento presente, de forma não julgadora. Discute-se como essa prática pode beneficiar pacientes com ansiedade, que frequentemente ruminam o passado ou antecipam catastróficamente o futuro, contaminando o momento presente.

A conversa aborda os mecanismos neurobiológicos da ansiedade, explicando como o cérebro ansioso possui um viés atencional que captura estímulos interpretados como ameaçadores. São mencionados sistemas cerebrais como a amígdala (sistema de ameaça/medo) e o córtex pré-frontal (sistema de regulação mais lento), e como a prática de mindfulness poderia melhorar a conectividade entre essas áreas, promovendo uma melhor regulação emocional.

É apresentado o protocolo Body Mind Training utilizado no estudo clínico das pesquisadoras, que inclui seções sobre pausa, intenção, atenção, observação de devaneios e compaixão. O estudo em andamento compara três grupos: mindfulness, um grupo de controle ativo (discussão sobre qualidade de vida) e tratamento farmacológico com fluoxetina, utilizando marcadores clínicos, biológicos e de neuroimagem para avaliar eficácia e mecanismos.

As pesquisadoras destacam a importância de cautela na aplicação de mindfulness, que não deve ser vista apenas como uma técnica de relaxamento ou esvaziamento mental. Alertam para a necessidade de profissionais qualificados (médicos ou psicólogos) conduzirem as práticas, especialmente devido a relatos de efeitos adversos em pessoas com vulnerabilidade a condições como transtorno bipolar ou TEPT não diagnosticados. Também discutem o viés de publicação na literatura científica e a importância de estudos bem controlados.

Por fim, são mencionados resultados preliminares do estudo que mostram melhora nos três grupos, ainda sem diferenças estatisticamente significativas devido ao tamanho amostral insuficiente. A conversa também toca em meta-análises que sugerem que mindfulness pode ser mais eficaz para sintomas de ‘distress’ (sofrimento) associados à ansiedade generalizada do que para respostas agudas de medo, para as quais terapias comportamentais tradicionais seriam mais indicadas.


Indicações

Books

  • Relaxation Response — Livro de Herbert Benson mencionado como um trabalho pioneiro que ajudou a dar um status mais respeitável à meditação, ao propor que práticas como o mindfulness podem gerar uma ‘resposta de relaxamento’ que reduz marcadores de estresse crônico no corpo.

Concepts

  • Body Mind Training — Protocolo de mindfulness utilizado no estudo das pesquisadoras, composto por sessões que abordam pausa, intenção, atenção, observação de devaneios e práticas de compaixão, expandido para incluir técnicas específicas para ansiedade.
  • Error Related Negativity (ERN) — Marcador neurofisiológico (uma onda no eletroencefalograma) associado à ruminação de erros, que está alterado em pacientes com ansiedade generalizada e é um dos parâmetros avaliados no estudo para verificar se o mindfulness reduz essa ruminação.

People

  • Jon Kabat-Zinn — Referenciado como o criador do conceito secularizado de mindfulness, desenvolvido na Universidade de Massachusetts, combinando elementos da meditação budista, zen e yoga.
  • Paul Gilbert — Psicólogo pesquisador mencionado por seu trabalho com terapia focada na compaixão, que descreve três sistemas que regulam as emoções: ameaça/medo, busca por recompensa e tranquilização/safeness.

Linha do Tempo

  • 00:00:57Definição de mindfulness e sua origem secularizada — Mariana define mindfulness como a consciência que surge ao prestar atenção intencionalmente no momento presente, de forma não julgadora. Menciona Jon Kabat-Zinn como o responsável por criar uma versão secularizada da meditação budista, incorporando elementos zen e de yoga. Explica como essa prática se diferencia de abordagens religiosas ou espirituais tradicionais.
  • 00:02:13Como a ansiedade afeta a percepção do presente — Discute-se como pacientes ansiosos frequentemente ruminam eventos passados ou antecipam o futuro de forma catastrófica, contaminando a experiência do momento presente. A prática de mindfulness é proposta como uma ferramenta para treinar a atenção e reduzir esse padrão, focando no ‘aqui e agora’ sem julgamento.
  • 00:03:32Viés atencional e neurobiologia da ansiedade — Explica-se que o cérebro ansioso possui um viés atencional que o faz capturar preferencialmente estímulos interpretados como ameaçadores, confirmando pensamentos automáticos negativos. Compara-se com uma pessoa sem medo de voar, que ignora os mesmos estímulos. Aborda-se a base neurobiológica, mencionando a amígdala hiperativa e a possível redução na conectividade com o córtex pré-frontal.
  • 00:07:44Resposta de relaxamento e sistemas de regulação emocional — Menciona-se o livro ‘Relaxation Response’ de Herbert Benson, que propõe a meditação como forma de reduzir marcadores de estresse crônico. Introduz-se a teoria de Paul Gilbert sobre três sistemas que regulam as emoções: o sistema de ameaça/medo (primitivo e rápido), o sistema de busca por recompensa e o sistema de tranquilização/safeness (mais lento e associado ao córtex pré-frontal). Mindfulness ativaria este último.
  • 00:10:41Definição de compaixão no contexto terapêutico — Define-se compaixão não apenas como empatia ou percepção do sofrimento alheio, mas como um impulso para agir e aliviar esse sofrimento. No protocolo de mindfulness, práticas de autocompaixão são especialmente importantes para pacientes com ansiedade generalizada, que tendem a apresentar autocrítica exacerbada.
  • 00:13:27Mecanismos de ação: por que práticas breves têm efeito duradouro — Explica-se que mindfulness funciona como um ‘treinamento atencional’, fortalecendo a capacidade de focar e redirecionar a atenção, o que é fundamental para a regulação emocional. A prática repetida cria um ‘reflexo defensivo’ contra a exacerbação emocional, similar a uma musculação para o cérebro, com benefícios que se estendem para além do momento da prática.
  • 00:14:51Detalhamento do protocolo Body Mind Training — Descreve-se o protocolo de 5 sessões (expandido para 8 no estudo): 1) Pausa e desaceleração; 2) Intenção (micro e macro); 3) Atenção e foco; 4) Observação de devaneios e padrões mentais; 5) Práticas de compaixão (dirigidas a pessoas neutras, queridas, não queridas e a si mesmo). As sessões adicionais focam em técnicas para ansiedade e autocompaixão.
  • 00:18:02Críticas, moda e cuidados necessários com o mindfulness — Discute-se a popularização do mindfulness em contextos corporativos e escolares, alertando que não é uma simples técnica de relaxamento ou esvaziamento mental. Enfatiza-se a necessidade de aplicação por profissionais de saúde mental qualificados, devido a relatos de efeitos adversos como desencadeamento de episódios psicóticos, depressão ou TEPT em indivíduos vulneráveis. A falta de regulamentação para ‘treinadores’ de mindfulness é apontada como um risco.
  • 00:21:22Metodologia do estudo: grupos de controle ativo e viés de publicação — Apresenta-se o desenho do estudo clínico, que inclui três braços para evitar o efeito placebo: mindfulness, um grupo de controle ativo (discussão sobre qualidade de vida) e tratamento farmacológico com fluoxetina. Critica-se o viés de publicação na literatura científica, que tende a publicar apenas resultados positivos, e a falta de estudos com controles adequados. O estudo visa avaliar mecanismos através de marcadores clínicos, biológicos e de neuroimagem.
  • 00:23:59Resultados preliminares e meta-análises sobre eficácia — Compartilham-se resultados preliminares dos primeiros 50 pacientes, mostrando melhora nos três grupos, mas ainda sem diferença estatística significativa devido ao poder amostral insuficiente. Menciona-se uma meta-análise em andamento que sugere que mindfulness pode ser mais eficaz para sintomas de ‘distress’ (sofrimento crônico) da ansiedade generalizada do que para respostas agudas de medo, para as quais terapias comportamentais tradicionais seriam superiores.

Dados do Episódio

  • Podcast: Fronteiras da Ciência
  • Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
  • Categoria: Science
  • Publicado: 2017-09-04T12:00:00Z

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência da Rádio da Universidade, onde discutiremos

[00:00:09] os limites entre o que é ciência e o que é mito.

[00:00:12] As convidadas do programa de hoje são a Mariana Diapel Costa, que é doutoranda aqui da PPG

[00:00:18] de Psiquiatria na URIX, e a Gisele Guzmanfro, que é psiquiata, professor do Departamento

[00:00:22] de Psiquiatria da URIX e chefe do Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital de Clínicas.

[00:00:28] O pessoal do programa vai ser a Carolina Brito e eu, o Marco de Arte da Física da URIX

[00:00:33] e o Jorge Kielfeld, da Biofísica da URIX.

[00:00:35] O assunto de hoje vai ser um assunto um pouquinho diferente, porque vai soar que a gente vai

[00:00:41] estar falando pseudociência, mas não é pseudociência.

[00:00:43] Até o final do programa espero que o ouvinte veja que é muito mais interessante que isso.

[00:00:48] Então o assunto de hoje vai ser mindfulness e a sua aplicação para a ansiedade.

[00:00:53] Então eu vou começar perguntando para a Mariana o que é mindfulness.

[00:00:57] Bom, tem vários conceitos para mindfulness, mas talvez o conceito mais conhecido é o

[00:01:02] conceito do Kabat-Zinn.

[00:01:04] O conceito mais formal seria a consciência que surge quando a gente presta atenção de

[00:01:10] uma forma diferente, com uma certa intenção, no momento presente e de uma forma não julgadora.

[00:01:16] Então esses três conceitos estão dentro da prática de mindfulness, que é o prestar

[00:01:20] atenção, o treinar o não julgamento e o treinar essa intenção com foco no momento presente.

[00:01:27] É uma ideia já, mas é bastante conhecido o pessoal que conhece o budismo e coisa assim,

[00:01:32] viver o momento, tentar não ter pensamentos sobre o futuro, sobre o passado.

[00:01:36] O Kabat-Zinn, você falou, o João Kabat-Zinn, que é pensador da Universidade de Massachusetts,

[00:01:40] que fez essa versão secularizada da meditação budista, com toques de Zen, meditação Zen

[00:01:47] japonesa e yoga, outras coisas misturadas, mas é uma versão secularizada.

[00:01:51] Isso, para mim é de um fundo religioso e espiritual.

[00:01:57] Claro que às vezes, dentro das práticas, você acaba falando de valores, de compaixão,

[00:02:01] julgamento, aceitação, se confunde um pouco com algo de espiritualidade, mas é uma versão secularizada.

[00:02:07] O que a gente acredita e o que se percebe no paciente ansioso é que ele fica, de alguma

[00:02:13] forma, culminando coisas que não foram feitas ou que poderiam ter sido feitas diferentes

[00:02:20] ou outro caminho que a gente poderia ter tomado e fica antecipando catastróficamente o futuro.

[00:02:27] Então, o foco nunca está no teu momento presente.

[00:02:30] O teu momento presente está contaminado pelo o que tu ruina do teu passado, que fez tu

[00:02:36] chegar até aqui, e o que tu antecipa catastróficamente do teu futuro.

[00:02:41] Então, em parte, quando a gente começou a estudar mindfulness para tratar a ansiedade,

[00:02:47] porque a ideia inicial do mindfulness era a redução de estresse, melhoria de qualidade de vida.

[00:02:52] Tem alguns estudos com depressão, tem alguns estudos com doenças crônicas, como dor crônica,

[00:02:59] que é uma forma de se perceber diferente.

[00:03:01] A gente imaginou que no momento em que, do ponto de vista teórico, se entende o mindfulness

[00:03:08] com uma atenção lê-la no momento presente, sem julgamento, de uma certa forma, isso poderia

[00:03:16] ser benéfico para pacientes com ansiedade que passam julgando e que passam, de uma certa

[00:03:22] forma, ruminando determinadas atitudes ou acontecimentos e antecipando catastróficamente

[00:03:30] o futuro.

[00:03:31] Por quê?

[00:03:32] Porque essas pessoas têm o que a gente chama um viés atencional diferente, onde as dicas,

[00:03:38] a gente, o nosso cérebro, ele não captura todos os estímulos.

[00:03:43] Não tem como a gente capturar todos os estímulos do ambiente.

[00:03:47] É um foco.

[00:03:48] Então, o que o cérebro ansioso faz?

[00:03:50] Ele é capturado por estímulos ameaçadores.

[00:03:54] E não são o que ele interpreta como exemplo.

[00:03:56] Pois é, isso é uma coisa que a gente comenta, como tem vários programas aqui, que o cérebro

[00:04:00] humano, ele é muito bom em enxergar padrões e que, na verdade, que não existem, na verdade,

[00:04:05] que a gente faz esse esforço.

[00:04:07] Tem esse barulhinho no avião, é que ele está caindo.

[00:04:10] Justamente do avião, no avião a gente percebe isso, quem tem medo de voar, captura os estímulos

[00:04:17] do ambiente como ameaçadores, o barulho, a temperatura do avião, se está muito quente,

[00:04:23] muito fria, isso significa que o computador não está funcionando, se a comissária

[00:04:29] está falando no telefone, pode ser que está sendo avisado que vem turbulento.

[00:04:34] Como é que você diferencia isso de uma paranoia?

[00:04:36] Quando você está desconfiado de que é algo contra você.

[00:04:39] Aqui não é uma paranoia, mas é um estímulo ameaçador.

[00:04:42] Aquilo reforça um pensamento automático que é ai, ai, ai, vai cair, a viagem vai ser ruim,

[00:04:49] vai ter turbulência, eu não vou aguentar, vai me dar um ataque de ansiedade, eu vou

[00:04:54] querer sair daqui, porque ela captura e ela confirma uma hipótese que é o pensamento

[00:04:59] automático, que é um pensamento ai, ai, ai, enquanto outra pessoa que não tem medo

[00:05:05] vai chegar no avião, vai abrir o computador, vai ler a tese, que ela está indo para a banca,

[00:05:10] que alguém a gente sempre faz no avião.

[00:05:12] Tem um viés confirmatório também, porque essas pessoas ansiosas estão sempre pensando

[00:05:16] em desgraça, e obviamente os desgraças acontecem, né?

[00:05:18] E cada vez que acontece, ai, eu sabia.

[00:05:20] É quase uma alegria.

[00:05:22] Isso não é uma alegria, mas uma confirmação que aquilo funciona, que realmente ficar prestando

[00:05:26] atenção de forma.

[00:05:28] Isso que o Mário está falando é bem interessante, porque é a necessidade de ter certeza.

[00:05:33] A gente tem que viver em certezas, e que a gente não tem certeza das coisas, mas o que

[00:05:38] a gente quer é ter certeza.

[00:05:40] Então, quando tem um desastre desses, que é uma infatilidade, o que as pessoas fazem?

[00:05:46] Ai, eu acordei de mim e tive um cutuque.

[00:05:48] Sim, em contra de novo, em certa verdade não existe.

[00:05:52] O que seria controlável se eu tivesse seguido o meu destino?

[00:05:56] Acordei com um pressentimento.

[00:05:57] Caso dos acidentes, muitas vezes as memórias são reconstruídas e estão à sua frente.

[00:06:02] Depois tu lembra, começa a inverter a ordem.

[00:06:04] Mas assim, eu queria puxar para o lado psicobiológico.

[00:06:07] Na verdade, a ansiedade é uma resposta biológica, emocional, positiva, importante, adaptativa,

[00:06:13] detecção de padrões, e comparação com memórias prévias de situações aversivas,

[00:06:19] ou de risco, ou de perigo, para antecipar as frações.

[00:06:22] Ou seja, o nosso encefal funcionou como uma máquina de predição.

[00:06:25] Então a predição é positiva, que permite cometer menos erros e sobreviver e se adaptar

[00:06:29] melhor.

[00:06:30] O caso da ansiedade seria um caso onde a predição se exacerba e ela começa a dominar a tua

[00:06:35] vida e aí tu realmente vive numa antecipação no futuro e não na realidade.

[00:06:39] É que tem duas coisas, eu acho, do ponto de vista neurobiológico que a gente tem que

[00:06:43] ver nessa circuitária da ameaça.

[00:06:45] Isso é uma coisa que ela é inconsciente, que é a amígdala hiperativa.

[00:06:50] Tu funciona sempre com a consciência do perigo, mas tu tá sempre alerta.

[00:06:55] É como se o teu cérebro funcionasse disparando ameaças.

[00:06:59] E a outra coisa é o prefrontal, que avaliaria a ameaça colocando, sim, isso é verdadeiro

[00:07:06] e isso não é verdadeiro.

[00:07:08] Na ansiedade generalizada do que é que eu trabalho, percebem que alguns estudos mostram

[00:07:13] uma hiperativação do córtex prefrontal e outros uma hipoativação.

[00:07:17] Mas o que eles são mais convergentes é que tem uma redução da ligação do córtex

[00:07:22] prefrontal com a amígdala.

[00:07:23] Então essa sensação da questão da preocupação ser incontrolável, se a gente pensar neurologicamente

[00:07:28] até faz sentido, porque alguns estudos mostram até que eles ativam o córtex prefrontal

[00:07:33] para tentar inibir a amígdala, mas eles não conseguem.

[00:07:36] A supranetividade não é tão forte.

[00:07:38] Tem uma pergunta que eu queria fazer, que é o seguinte, eu li aquele livro do Herbert

[00:07:44] Benson, na introdução do programa falei que meditação era meio amigo de pseudociências

[00:07:50] e coisas assim, esse foi um dos caras que começou a colocar a meditação num status

[00:07:55] mais respeitável.

[00:07:56] E ele tem um livro chamado Relaxation Response.

[00:07:59] E a ideia, não sei se é válido isso ainda, a ideia dele é que esses pensamentos de perigo

[00:08:05] eles geram no corpo uma resposta de ansiedade.

[00:08:08] Amento cortisol, não sei o quê, essas coisas assim.

[00:08:11] Um homem e uma mulher contemporâneos, eles passam o tempo todo com esses perigos, não

[00:08:15] vão pagar a conta no fim do mês, o assaltante vai me assaltar, então ele passaria o dia

[00:08:21] inteiro sempre com os níveis dos hormônios de estresse tudo altos por causa dessa resposta

[00:08:27] de estresse.

[00:08:28] E a ideia dele era que mindfulness, que é meditação, ela geraria uma coisa chamada

[00:08:34] Relaxation Response, que seria uma forma de baixar esses níveis, esses marcadores de

[00:08:40] estresse dentro do corpo.

[00:08:41] E até me lembro que a proposta que ele dizia, duas vezes por dia, fazer uma meditação

[00:08:46] de 15 minutos, tu já meio que acaba com um pouco desse estresse crônico.

[00:08:50] Eu acho que aí a gente anda dos processos de como que práticas como mindfulness poderiam

[00:08:56] me melhorar, aliviar a ansiedade.

[00:08:58] Enfim, eu acho que o que tu tá falando lembra muito o trabalho de um psicólogo, em inglês

[00:09:03] que é o Paul Gilbert, pesquisador que trabalha com terapia focada na compaixão.

[00:09:08] E ele fala que a gente tem três sistemas que regulam os nossos afetos, as nossas emoções.

[00:09:14] Tem o sistema esse que a gente tava falando, que é esse sistema de ameaça, que é o sistema

[00:09:19] de medo.

[00:09:20] Tem esse sistema de recompensa, que é essa busca por prazer.

[00:09:24] E tem esse sistema de tranquilização, que é o sistema que ele é ativado em técnicas

[00:09:30] tipo meditativas, ou técnicas focadas na compaixão.

[00:09:34] O que acontece?

[00:09:35] O que acontece é que esses sistemas, tanto de busca por recompensa, quanto esse sistema

[00:09:39] de ameaça, eles são sistemas muito mais primitivos no nosso cérebro.

[00:09:43] Então eles são involuntários em consciência, eles despagam, mesmo que a gente não queira.

[00:09:48] E são muito rápidos.

[00:09:50] Aí vem esse sistema, eu chamo de tranquilização, traduzi assim, mas é sistema de surfe.

[00:09:56] Que é esse sistema mais associado ao cótex pré-frontal.

[00:10:00] Que ele é um sistema evolutivamente mais recente.

[00:10:04] E ele é um sistema muito mais lento.

[00:10:07] Então provavelmente se uma cobra passa pela gente, aqui a gente já vai ter tacadia,

[00:10:12] tacineia, já vai ficar…

[00:10:13] Mãos molhadas.

[00:10:14] Trenamina, sudorético, antes de ter consciência que a cobra surgiu.

[00:10:18] Então essas reações afetivas, elas vão surgir.

[00:10:20] Só que é isso, hoje em dia a gente não tem mais leão, não tem cobra.

[00:10:23] É a conta que não pagou, é o colega que está descontriada.

[00:10:27] Então uma das ideias com essas técnicas, e isso vem mais dessa teoria das práticas focadas na compaixão.

[00:10:35] Tu usa compaixão como uma palavra técnica, né?

[00:10:38] Tu podia defini-la pra mim?

[00:10:39] Posso.

[00:10:40] O que é compaixão?

[00:10:41] É assim, por um vídeo ele achava que compaixão é…

[00:10:44] É, mas é um que prestar atenção no sofrimento.

[00:10:49] Não tem o sofrimento ou o sofrimento do outro, né?

[00:10:51] Conseguir te colocar no lugar do outro com uma empatia.

[00:10:54] Mas a compaixão tem uma questão de tu ir fazer algo pra aliviar aquele sofrimento.

[00:10:59] E não só percebendo.

[00:11:01] Usar isso como um motor pra todas as coisas.

[00:11:03] Me parece que é uma coisa muito subjetiva.

[00:11:05] Por exemplo, se tu vai fazer um paciente, propõe pra um paciente fazer isso.

[00:11:10] Como é que tu sabe, ou como é que os pesquisadores estão usando o Mindfulness?

[00:11:15] Como é que eles sabem que a coisa está sendo bem feita?

[00:11:18] Se a pessoa não está só parada ali pensando nas contas do dia,

[00:11:22] ou seja, fazendo exatamente o contrário que a gente gostaria que fizesse.

[00:11:26] Como é que se controla isso?

[00:11:28] Quando tu faz as práticas dos participantes,

[00:11:31] depois se pede pra eles contarem o que eles vivenciaram, enfim, né?

[00:11:35] E realmente é muito difícil de descrever e conceitualizar essas práticas,

[00:11:38] porque são práticas muito mais experienciais.

[00:11:40] Então tu começa a participar.

[00:11:42] Claro, a gente ouve o feedback deles e tende a ver assim, olha, acho que esse aqui está entendendo, né?

[00:11:47] A gente na área de neurociência está vendo a importância crescente da área cortical,

[00:11:51] especialmente do córtex prefrontal,

[00:11:53] porque a descrição de todo o sistema do eixo hipotalomipófise de adrenal,

[00:11:57] que faz o controle e a secreção desses hormônios, é super bem descrito e estabelecido.

[00:12:01] O papel de estruturas encefálicos abaixo do córtex,

[00:12:04] como a prova Mirla foi citada várias vezes,

[00:12:06] também se entende como um filtro disso.

[00:12:09] Mas quem surgiu filogênicamente depois e que controla tudo isso

[00:12:13] são as áreas corticais, neocorticais.

[00:12:15] E o córtex prefrontal, que está envolvido em atenção,

[00:12:18] está envolvido em memória de curto prazo de trabalho,

[00:12:21] ele parece ser um mediador importante de tentar controlar ele,

[00:12:25] mas pode-se pensar que filogênicamente ele não estabeleceu um controle muito eficiente.

[00:12:29] Às vezes ele pode realimentar e aumentar e acabar recrutando negativamente o sistema.

[00:12:34] Por isso que eu realmente acho que o pré-frontal é um foco importante,

[00:12:38] só que dá resultados, às vezes, contraditórios.

[00:12:41] E tem estudos com meditação e com mindfulness

[00:12:44] que já mostram essa melhora da conectividade do córtex prefrontal e a amígdala,

[00:12:48] inclusive um estudo com a cidade generalizada,

[00:12:51] que mostra a melhora da conectividade.

[00:12:54] Como é que eles avaliam a conectividade?

[00:12:57] Com ressonância funcional, através de alguma tarefa.

[00:13:01] Se faz um conector hoje, inclusive, se consegue estabelecer estatisticamente

[00:13:04] que estruturas ser recrutadas em que órgãos.

[00:13:07] Por exemplo, eu entendo que a gente tem aqui pra diminuir a ansiedade,

[00:13:10] não pensar no futuro, necessariamente, nem no passado.

[00:13:13] Mas a minha pergunta seria assim, por que uma técnica que tu não aplica ela…

[00:13:17] Se fosse pra fazer isso o tempo inteiro, eu entendo que eu poderia controlar a minha ansiedade.

[00:13:21] Mas por que uma técnica que eu aplico x minutos por dia

[00:13:24] é capaz de depois resolver o problema pro resto do tempo?

[00:13:27] Uma das ideias do mindfulness é um treinamento atencional, em primeiro lugar.

[00:13:32] Porque tu vai focar, vou prestar atenção na minha respiração.

[00:13:35] Automaticamente a tua mente vai devanear, tu vai prestar atenção nesse devaneio,

[00:13:39] ou se devaneei, volta a atenção.

[00:13:42] Em primeiro lugar, é uma técnica que tu tá treinando a tua atenção.

[00:13:46] E a atenção faz parte da regulação emocional.

[00:13:50] Então pode ser que eu tô aumentando essa capacidade no meu cérebro,

[00:13:55] como uma musculação no meu cérebro.

[00:13:57] Se entende que talvez, tu treinando a tua atenção, tu vai treinar essa desregulação emocional.

[00:14:06] Tu cria um reflexo defensivo contra a exacerbação emocional.

[00:14:09] Porque pra tu ter a regulação emocional, tu precisa ter atenção,

[00:14:12] tu precisa entender a tua atenção.

[00:14:14] Aí os outros componentes dessa questão, de tu treinar a intenção também,

[00:14:19] isso também é treinado, então se treina muito a intenção motora,

[00:14:23] o controle inibitório da motor.

[00:14:27] Porque o controle inibitório da motor também está associado ao controle inibitório emocional e cognitivo.

[00:14:33] Não se mexe, fique parado.

[00:14:35] Não se mexe, preste atenção no movimento.

[00:14:37] Por exemplo, o protocolo que a gente trabalha, que é o Body Mind Training,

[00:14:40] ele é um protocolo com muita motricidade.

[00:14:43] Mas é presta atenção no movimento, presta atenção de início ao movimento.

[00:14:47] Podia explicar um pouquinho esse protocolo rapidinho, que é muito complicado?

[00:14:51] Não, eles são cinco seções, e a gente colocou mais três seções focando em algumas questões de ansiedade.

[00:14:59] A primeira seção é a seção de pausa, que se fala por que é importante pausar no dia a dia, desacelerar.

[00:15:05] A segunda seção é a intenção, que a gente fala tanto da micro intenção que é essa intenção,

[00:15:12] tipo assim, bom, agora eu vou fazer uma prática focando a atenção na respiração,

[00:15:16] ou focando a atenção no movimento do meu dedo indicador.

[00:15:20] E dessa macro intenção que era essa intenção maior, por que eu estou aqui, por que eu estou fazendo essas práticas?

[00:15:25] A terceira seção vai ser a seção da atenção, a importância da gente focar a atenção.

[00:15:31] Aí depois a quarta é uma seção que durante a prática a gente observa, daí começa a observar o devaneio.

[00:15:37] Como é que é o meu devaneio? Será que é um devaneio mais julgador?

[00:15:41] Eu estou naqueles pensamentos do tipo, eu deveria fazer sim, eu deveria fazer essa, é um devaneio mais sonhador,

[00:15:46] então eu me imaginando numa praia, então a gente vai, nessa quarta seção a pessoa aprende um pouquinho mais sobre como é que é o funcionamento mental.

[00:15:54] E a quinta seção é a seção então de compaixão, onde daí se trabalham práticas de compaixão.

[00:15:59] Tu imaginar alguém neutro, ou depois alguém que tu goste, alguém que tu não goste, alguém a ti mesmo,

[00:16:05] e desejar coisas boas pra pessoa, observar o teu padrão mental e ser gentil com ele, deixar ele passar,

[00:16:11] e assim tá bom, é assim que eu funciono, e não se julgar por funcionar assim.

[00:16:16] E daí como o Body Mind Training ele tem cinco seções, e os estudos do MBSR, que é o do KBATSIM, do MBCD,

[00:16:25] MBSR é a técnica de redução de estresse baseada em médulas, que foi o primeiro protocolo montado assim.

[00:16:30] Então como os estudos são com oito semanas, e a gente achou as cinco semanas pouco também,

[00:16:36] como a gente está lidando com transtorno também de ansiedade, não está lidando com pessoas saudáveis,

[00:16:40] a gente colocou mais três seções onde os pacientes vão fazer técnicas juntos, diversas técnicas,

[00:16:46] mas em todas elas trabalhar pelo menos alguma técnica de auto-compaixão,

[00:16:50] porque os pacientes com ansiedade generalizada têm algo que a gente chama de auto-cristicismo exacerbado.

[00:16:55] Então a gente entende que a auto-compaixão pra eles seja um dos componentes desse treino muito importante.

[00:17:01] Essas seções pro paciente são de quanto tempo?

[00:17:05] São seções em grupo, são em grupo de dez a vinte pessoas, e de duas horas, duas horas e meia.

[00:17:13] Ah, são bastante grandes então. E eles são que tipo de paciente, como é que foi a seleção deles?

[00:17:17] Não, a gente chama assim, se você acha que você é muito preocupado, tem dificuldade de relaxar, tem sintomas no corpo.

[00:17:23] E quanto que aparece de pessoas que se acham e não são?

[00:17:27] A gente faz um screening por telefone, eu acho que isso já facilita, né?

[00:17:31] E a outra questão também tem alguns critérios de exclusão, assim, do paciente estar muito deprimido,

[00:17:36] ou às vezes acontece que a pessoa até tem ansiedade generalizada, mas tem pânico junto e o pânico está mais importante.

[00:17:42] Então, pra entrar no nosso estudo, a pessoa não pode estar muito deprimida, não pode ser bipolar, não pode ser psicótico,

[00:17:50] ou usar substâncias, e ainda a ansiedade generalizada tem que ser o diagnóstico primário, assim.

[00:17:55] A gente tocou um ponto muito importante, porque eu andei lendo o que seriam as críticas que tem ao negócio.

[00:18:02] Hoje virou moda o mindfulness, está sendo usado em um ambiente corporativo pra relaxar o empregado,

[00:18:08] pra ele aceitar o salário menor e produzir mais, está sendo usado na escola pra relaxar os estudantes.

[00:18:12] Se bem que quando eu era gurim na escola, tinha aquela hora do relaxamento, lembra?

[00:18:16] Que tu botava a cabeça e ficava pensando em coisas brancas.

[00:18:21] Mas era uma versão light disso aí.

[00:18:24] As professoras faziam só pra ele.

[00:18:27] Uma coisa que é importante falar é que o mindfulness não é uma técnica de relaxamento, as vezes as pessoas acham.

[00:18:33] Ele nem é uma técnica de relaxamento e nem uma técnica de esvaziamento mental.

[00:18:38] E nem relaxamento, porque muitas vezes a gente vê as pessoas fazendo as técnicas e depois até…

[00:18:44] Por isso que a gente faz em grupo, enfim, com um profissional.

[00:18:47] E até uma das críticas de, às vezes, profissionais que não são da saúde mental,

[00:18:50] terem a formação, porque às vezes as pessoas se sentem mal, às vezes.

[00:18:54] Desconfortável.

[00:18:55] Às vezes pode ser desconfortável.

[00:18:57] Por que eu queria dizer isso?

[00:18:59] Tendo virado moda e tendo se difundido bastante, não existe uma profissão de, digamos, treinador de coach,

[00:19:06] de mindfulness, tudo em inglês, não existe isso.

[00:19:09] Eu acho que no Brasil também não.

[00:19:12] Que não tem a formação adequada.

[00:19:14] Que eu diria que tem que ser médico, psiquiatra ou psicólogo mínimo.

[00:19:17] Pra poder detectar os casos em que isso pode não ser beneficioso.

[00:19:21] Por exemplo, porque na verdade assim, uma pessoa que já se excluiu casos de colocar ali,

[00:19:29] eu li que existem alguns casos de pessoas que foram fazer esse treinamento e tal,

[00:19:33] e dispararam até coisas extremas.

[00:19:36] De depressão psicoótica.

[00:19:38] Bipolar, a vulnerabilidade bipolar.

[00:19:41] E PTSD que o cara tinha controlado, voltou.

[00:19:45] Ou bipolar que não tinha diagnosticado, manifestou.

[00:19:49] Mas assim, o percentual parece ser baixo.

[00:19:51] Não tem um estudo aí que tá, faltam estudos.

[00:19:53] Isso é importante que estão fazendo.

[00:19:55] Porque um estudo científico bem feito, bem controlado, que eu não conheço muitos,

[00:19:59] não sei se tem algum estudo anterior.

[00:20:01] Isso é um cuidado que a gente está tendo.

[00:20:03] Um, que as coisas viram moda.

[00:20:06] E a gente não sabe o que funciona para quem.

[00:20:09] Então talvez a primeira coisa, o mindfulness quando surgiu,

[00:20:13] e quando iniciou esse falar sobre mindfulness, nem era pra pacientes doentes.

[00:20:19] Eram pra pessoas em geral que gostariam de ter uma melhor qualidade de vida.

[00:20:24] Tanto que esse é um dos desfechos avaliados.

[00:20:27] Sempre como é que tu te sente em relação a tua vida.

[00:20:30] Então acho que tem que ter um certo cuidado,

[00:20:33] como não se teve com a psicanálise no início,

[00:20:36] tudo servia pra ter uma boa resposta e virar moda.

[00:20:43] Então assim, a gente tem esse cuidado.

[00:20:45] Tenho o cuidado de que também a ciência tem que ser cuidadosa,

[00:20:51] porque tem um viés de publicação.

[00:20:53] O que se publica? O que é positivo.

[00:20:56] Então tem vários, possivelmente, estudos com mindfulness

[00:21:00] que os resultados não foram bons, mas que a gente não tem acesso à publicação,

[00:21:04] porque o viés de publicação é eu vou publicar o que deu certo.

[00:21:09] Inclusive eu li que a maioria dos trabalhos são feitos por pessoas que têm um viés mesmo.

[00:21:15] Ou seja, eles são treinadores, tem institutos que dedicam isso.

[00:21:18] Então é claro que vão querer.

[00:21:20] Então esse é um outro cuidado.

[00:21:22] O outro cuidado que no nosso estudo a gente está tentando ter é o controle ativo.

[00:21:27] Então assim, a gente tem que ter bons controles.

[00:21:30] Tu tem mindfulness versus, tu tem uma lista de espera para fazer mindfulness.

[00:21:35] Isso é o que a gente chama até de nocebo, porque ele é um placebo do mal.

[00:21:39] As pessoas querem continuar mal pra poder ter a oportunidade de fazer o que eles desejam,

[00:21:46] que era a intervenção.

[00:21:48] Então assim, no nosso estudo a gente está fazendo um controle ativo.

[00:21:51] Controle ativo seria um grupo que se encontra na mesma frequência que o grupo de mindfulness

[00:21:58] para falar de coisas de melhor qualidade de vida.

[00:22:02] Até a gente denominou esse grupo, o grupo de qualidade de vida.

[00:22:06] A gente fala sobre exercício, nutrição.

[00:22:09] Técnicas que melhoram a ansiedade mesmo também.

[00:22:11] Esse é um cuidado que a gente está tendo porque a gente quer ver quais mecanismos

[00:22:16] essa técnica de fato funcionaria e não por o que a gente chama elementos inespecíficos.

[00:22:22] Nós nos encontrarmos todos juntos no mesmo lugar, uma vez por semana.

[00:22:26] Tem um componente coletivo social.

[00:22:28] E uma coisa interessante que o Jorge lá, que é o terceiro braço do nosso estudo é a floxetina.

[00:22:36] Então nós queremos ver alívio de sintoma por diferentes mecanismos.

[00:22:41] E essa é uma forma interessante da gente trabalhar em psiquiatria agora.

[00:22:45] Que é utilizar um ensaio clínico randomizado, que seria o top do estudo, para avaliar mecanismos.

[00:22:54] Então nós temos três braços.

[00:22:56] Um farmacológico, um que é de conduta e o outro que vai avaliar mindfulness.

[00:23:02] Com diferentes marcadores, sejam eles clínicos, sejam marcadores biológicos,

[00:23:07] sejam exames de neuroimagem, que é a ressonância magnética funcional.

[00:23:12] E o que nós estamos trabalhando também, que é com Error Related Negativity,

[00:23:17] que é o RN, que é sobre como é que tu te comporta na indução de um erro.

[00:23:23] Para usar a condutividade dela.

[00:23:25] Condutividade, variabilidade cardíaca.

[00:23:27] Eletroencefala adaptado?

[00:23:29] Eletroencefala é CRN.

[00:23:31] CRN, tá.

[00:23:32] O que é isso?

[00:23:33] É uma… Tu coloca o paciente fazer uma tarefa no computador que vai induzir ele ao erro.

[00:23:39] E os pacientes com ansiedade generalizada, eles têm uma deflexão numa onda

[00:23:43] que se espera que seja uma reverberação do córtex cingulado anterior.

[00:23:47] A onda do cingulado anterior.

[00:23:49] E que está associado um pouco com essa coisa da ruminação do erro.

[00:23:54] Então a gente quer ver se com essas técnicas o paciente realmente rumina menos.

[00:23:57] Que legal.

[00:23:59] Eu queria te perguntar sobre os resultados, vocês estão no meio.

[00:24:02] A gente está no meio.

[00:24:03] A gente está no meio.

[00:24:04] Quer dizer, você não tem como dizer assim, é, funciona?

[00:24:06] Não, a gente fez uma análise preliminar do primeiro grupo.

[00:24:10] A gente já viu que os pacientes dos três grupos melhoraram.

[00:24:13] Agora não tem ainda, como a gente dividiu a amostra, como ela é grande.

[00:24:17] Os três grupos são aquele que seria só fazer uma atividade.

[00:24:21] Controle de qualidade divida.

[00:24:23] Controle de qualidade, mindfulness e paciente.

[00:24:25] E a medicação.

[00:24:26] E daí a gente dividiu a amostra em quatro momentos, porque é quase 200 pacientes, então é bastante.

[00:24:31] Então desses primeiros 50 aí que a gente já tratou, os três grupos melhoraram.

[00:24:37] E ainda a gente não teve diferença entre os grupos, mas acho que ainda falta poder.

[00:24:40] A gente precisa de 64 em cada grupo para ter poder.

[00:24:44] Mas vocês ainda não têm os resultados de vocês.

[00:24:47] Esse primeiro estudo que relaciona a ansiedade com mindfulness, ou tem outro estudo?

[00:24:52] Tem um outro estudo com ansiedade generalizada já.

[00:24:55] Mas que eles mostram melhora só numa escala, na escala de Beck e não de Hamilton.

[00:25:00] Um controle que nem o nosso, um controle adequado.

[00:25:03] Só tem um com ansiedade generalizada.

[00:25:05] E tem outros estudos com ansiedade mistos também, com ansiedade social, com TEPT.

[00:25:12] E todos eles apontam que mindfulness é…

[00:25:14] Daí a gente até fez uma meta-análise disso que a gente está tentando publicar.

[00:25:18] E que parece que o mindfulness, porque a ansiedade são sintomas internalizantes.

[00:25:23] E a gente divide eles em distress, que é essa questão do sofrimento, que está mais associada à ansiedade generalizada.

[00:25:29] E a questão do medo mesmo, do se assustar, do teste.

[00:25:32] As duas respostas defensivas que às vezes se confundem.

[00:25:34] E o que nos apareceu na meta-análise, mas que a gente não publicou ainda.

[00:25:38] É que o mindfulness, pra essa questão de medo mesmo, nessa questão mais aguda.

[00:25:44] A terapia contínua e comportamental tradicional é melhor.

[00:25:47] Mas pra essa questão do distress parece que tem papel.

[00:25:51] E com relação ao que o Jorge estava dizendo de alguns casos onde foi negativo.

[00:25:56] O uso de arrosco.

[00:25:58] Mas o que eu entendi, pro estudo de vocês, vocês descartaram pessoas com depressão e outros.

[00:26:04] Mas é que pode…

[00:26:05] Por questões metodológicas?

[00:26:07] Ou porque vocês têm medo de aplicar essas pessoas?

[00:26:10] Primeiro, a questão da depressão é que já tem estabelecido que pra depressão crônica o mindfulness tem um papel.

[00:26:18] Quem tem mais de três episódios para prevenir recaídas.

[00:26:21] Então a gente ficou…

[00:26:24] Bom, se eu incluio um paciente muito deprimido, depois ele melhorou, ele melhorou por causa da depressão.

[00:26:27] Por causa da ansiedade.

[00:26:29] Isso, pra depressão já tinha estabelecido.

[00:26:31] Mas então é uma questão metodológica.

[00:26:33] Não é porque um paciente depressivo poderia fazer mal.

[00:26:36] E as outras exclusões, por exemplo, um paciente bipolar.

[00:26:39] Como o paciente pode cair no grupo Fluxetina, quem é bipolar, quem é psicótico, tem que ter esse cuidado.

[00:26:45] A gente não falou de alguma coisa importante ainda.

[00:26:48] Eu li na internet alguns estudos.

[00:26:52] Na verdade eu vi vídeos que resumiam.

[00:26:55] Então eu gostaria de saber se são confiáveis os resultados.

[00:26:58] Que resumiam um pouco o efeito da mindfulness no cérebro.

[00:27:02] Então, por exemplo, eu vi que eles identificaram que as conexões realmente aumentam.

[00:27:09] Então eu gostaria de saber o que a gente sabe fisiologicamente que muda em função dessa técnica.

[00:27:16] Quando tu vai olhar para os estudos que têm efeito…

[00:27:19] Ah, quais são os efeitos no cérebro?

[00:27:22] É bem espalhado.

[00:27:23] Os efeitos até porque a técnica, vocês já viram que não é uma coisinha só.

[00:27:27] Tem de tudo.

[00:27:29] Então eu acho que o que está mais bem estabelecido é esse aumento da ativação do córtex prefrontal, do urso lateral.

[00:27:37] Esse aumento da conectividade com a amígdala e a redução da ativação da amígdala junto nessa conexão.

[00:27:45] Mas assim, os estudos são heterogêneos.

[00:27:48] Às vezes a população clínica, às vezes a população saudável, às vezes é estudo de ressonância funcional, às vezes é estrutural.

[00:27:56] Às vezes se tu está na máquina e a orientação é faça uma prática de mindfulness.

[00:28:00] Às vezes a orientação é faça tarefa, às vezes é faça nada.

[00:28:04] Então os estudos vão mostrar coisas diferentes.

[00:28:06] Você está fazendo uma régio, uma meta?

[00:28:08] Para a maioria, o trabalho de fato mostra resultados positivos?

[00:28:11] Que isso é preocupante, não é?

[00:28:13] Por isso que é legal o estudo aqui cuidadoso, controlado.

[00:28:15] Porque isso é um efeito para o pessoal que promove a técnica.

[00:28:17] A gente fez para a ansiedade, sim.

[00:28:19] Sim, porque parece inofensivo no primeiro momento.

[00:28:21] Mas é isso que eu digo.

[00:28:23] O pessoal toma cuidado e faça com a assessoria técnica.

[00:28:25] Se vai ter uma ação, tem que ter um efeito adverso também.

[00:28:30] Não pode esperar que alguns…

[00:28:32] Exatamente, se é completamente neutro, benigno.

[00:28:34] É que nem a fila de uma homeopatia.

[00:28:37] Isso é segura.

[00:28:39] Bom, eu vou ter que terminar o programa.

[00:28:41] Está muito bom, a gente já passou…

[00:28:43] Mas não falamos da neuro, mas dela.

[00:28:47] A gente sempre acaba frustrado.

[00:28:49] Faz parte, faz parte.

[00:28:51] Nós podemos fazer uma parte dois.

[00:28:53] Vocês agora tem que pensar, tem que ver o pensamento da frustração.

[00:28:55] Respira fundo.

[00:28:57] Isso é a frustração.

[00:28:59] Aí eu dou a compaixão, a gente fala assim, abraça a frustração, deixa ela passar.

[00:29:03] A gente é tipo um abacadinho no técnico.

[00:29:05] Ele tem que parar, respirar, focar, se abraçar.

[00:29:07] O que eu poderia ter dito melhor?

[00:29:09] Como que eu falo assim?

[00:29:11] O que a gente fez hoje?

[00:29:13] Por que eu disse aquela palavra que eu não queria dizer?

[00:29:16] Bom…

[00:29:18] Então hoje no programa…

[00:29:20] Ai, não podia ter dito.

[00:29:22] Não hoje, porque isso aqui vai em qualquer dia.

[00:29:24] Nesse programa, as convidadas foram a Mariana Diabreu Costa,

[00:29:29] que é doutoranda da psiquiatria aqui da URIX.

[00:29:32] A Gisele Guzmanfro, que é professor do departamento de psiquiatria da URIX.

[00:29:36] E é a chefe do Centro de Pesquisa Clínica do Hospital de Clínica.

[00:29:39] O pessoal do programa…

[00:29:40] Ah, eu teria que ter dito que o programa foi sobre mindfulness e ansiedade.

[00:29:45] E o pessoal do programa, a Carolina Brito e eu,

[00:29:48] Marpe de Arte da Física da URIX.

[00:29:50] E o Jorge Cufo da Biofísica da URIX.

[00:29:52] O programa Fronteiras da Ciência é um projeto do Instituto de Física da URIX.