Frontdaciência - T08E30 - Skeptics in the Pub/Despaciência
Resumo
Este episódio especial marca o 10º Skeptics in the Pub e celebra os 300 episódios do podcast Fronteiras da Ciência. Os participantes, pesquisadores da UFRGS, refletem sobre a trajetória de oito anos do programa e o cenário da divulgação científica no Brasil.
A conversa aborda a importância e os desafios da divulgação científica em um contexto de avanço de movimentos anticiência, como terraplanismo, antivacina e negacionismo climático. Discute-se a propagação de fake news e a dificuldade de combater pseudociências quando as pessoas já são refratárias a evidências, destacando a necessidade de um investimento maciço em educação desde a infância.
Os participantes compartilham visões pessimistas sobre a situação política brasileira, usando-a como exemplo de um ‘experimento’ onde promessas de combate à corrupção e melhorias econômicas não se concretizaram, gerando uma apatia geral. Criticam-se os cortes orçamentários na ciência e a desvalorização social da atividade científica.
O episódio termina com um apelo à resistência, inspirado na mobilização de cientistas argentinos contra cortes similares. Jorge Killfield apresenta uma paródia da música ‘Despacito’ adaptada para a situação brasileira, chamada ‘Despaciência’, que critica o desmonte do Ministério da Ciência e a falta de investimento na pesquisa.
Indicações
Books
- Fahrenheit 451 — Citado por Marco como uma metáfora extrema, sugerindo que talvez os defensores da ciência precisem ‘esconder livros’ ou decorá-los para preservar o conhecimento em tempos de obscurantismo, mantendo a capacidade de ‘saber como fazer as bombas’ (o conhecimento técnico).
Events
- Skeptics in the Pub — O próprio evento onde o episódio foi gravado, uma ‘taverna cética’ organizada há anos pelos participantes, mencionado como parte de um ecossistema maior de divulgação científica que inclui Pint of Science, Happy Science Hour e Ciência sem Porteiras.
- Pint of Science — Festival de divulgação científica mencionado como um dos muitos eventos que surgiram recentemente no cenário brasileiro, mostrando a proliferação de atividades de popularização da ciência.
- Happy Science Hour — Outro evento de divulgação científica citado como exemplo do crescimento do cenário de popularização da ciência no Brasil nos últimos anos.
- Ciência sem Porteiras — Mais um evento de divulgação científica listado entre as atividades que surgiram, ilustrando a expansão do movimento no país.
Movies
- An Inconvenient Sequel: Truth to Power — Mencionado por Marco como o novo filme de Al Gore, que discute como grandes corporações se apropriam da verdade científica, usando o aquecimento global como exemplo principal de quando a verdade é inconveniente para o poder.
People
- Al Gore — Ex-vice-presidente dos EUA, referido como um herói na luta para que as pessoas entendam questões ambientais. Seu trabalho e seu novo filme são citados no contexto da batalha pela verdade científica contra interesses corporativos.
- David Ovid (provavelmente David O. ’…’ ou referência a um economista) — Citado por Carolina como tendo dito que, no início do século, os ‘gênios da mecânica quântica’ faziam ciência básica, e que no século XXI as aplicações vindas da mecânica quântica representavam um terço do PIB americano, ilustrando o valor da ciência fundamental.
Podcasts
- Greg News — Recomendado por Carolina como um programa que fez um apanhado sobre a atuação do político Crivella no Rio de Janeiro, no contexto da discussão sobre a influência evangélica na política brasileira.
Linha do Tempo
- 00:00:00 — Abertura e celebração dos 300 episódios do podcast — Os apresentadores dão as boas-vindas ao 10º Skeptics in the Pub, um evento de confraternização para celebrar os 300 episódios do Fronteiras da Ciência. Eles se apresentam como pesquisadores da UFRGS e refletem sobre como o cenário da divulgação científica mudou nos últimos oito anos, com o surgimento de muitos outros podcasts e eventos. O programa começou quando a divulgação científica era mal vista e isolada, mas agora há uma proliferação de atividades.
- 00:02:41 — A necessidade e os desafios da divulgação científica — Jefferson (ou o primeiro falante) questiona por que divulgar ciência e pensamento crítico. Ele argumenta que a necessidade é evidente diante da ascensão de movimentos anticiência, como antivacina, terra plana e negacionismo climático. Essas ideias oportunistas se propagam facilmente, em parte devido a plataformas como o Facebook. O problema de base, no entanto, é educacional: é preciso manter o ceticismo natural das crianças e investir maciçamente em educação e cultura, embora haja uma barreira política para isso.
- 00:08:13 — A evolução do combate às pseudociências e o cenário sombrio atual — Marco contrasta a inocência inicial do podcast, que combatia pseudociências ‘gregárias’ como homeopatia e reiki, com o cenário mais sombrio de 2017. Ele discute como ‘fake news’ e grandes corporações podem se apropriar da verdade científica, citando o filme de Al Gore. Usa a Amazon como exemplo de como é fácil errar ao avaliar tendências. Ele então aplica essa lógica ao ‘experimento Brasil 2017’, onde um governo prometeu mudanças, não cumpriu, mas a população não reclama, mostrando um paralelo com a destruição da verdade científica.
- 00:16:18 — Bastidores do podcast e a desvalorização social da ciência — Carolina comenta os bastidores do podcast, brincando sobre as interrupções durante as gravações. Ela reflete sobre a falta de valorização social da ciência, compartilhando uma anedota pessoal de quando, em uma reunião na França, foi a única a precisar justificar sua profissão (doutorado em física). Ela destaca que apenas 2% dos brasileiros entre 25 e 34 anos se formam em ciência e tecnologia, um número muito inferior ao de países como a Coreia do Sul, e defende a importância de transmitir a paixão pela ciência básica e aplicada.
- 00:21:25 — Apelo à resistência e a inspiração argentina com ‘Despaciência’ — Jorge faz um apelo pela resistência em defesa da ciência brasileira, frágil e ameaçada por cortes orçamentários, desaparecimento do ministério e parcelamento de bolsas. Ele contrasta a mobilização dos cientistas argentinos, que invadiram secretarias para salvar seu ministério e criaram a paródia ‘Despaciência’, com a passividade no Brasil. Inspirado por eles, ele apresenta sua própria versão adaptada da música, criticando poeticamente o desmonte da ciência, a falta de argumentos do governo e a promoção da ignorância.
Dados do Episódio
- Podcast: Fronteiras da Ciência
- Autor: Fronteiras da Ciência/IF-UFRGS
- Categoria: Science
- Publicado: 2017-09-25T13:00:00Z
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/fronteiras-da-ci%C3%AAncia/fb4669d0-4a98-012e-1aa8-00163e1b201c/frontdaci%C3%AAncia-t08e30-skeptics-in-the-pubdespaci%C3%AAncia/76820e3f-894e-497d-b82d-daafc4683355
- UUID Episódio: 76820e3f-894e-497d-b82d-daafc4683355
Dados do Podcast
- Nome: Fronteiras da Ciência
- Site: http://frontdaciencia.ufrgs.br
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Transcrição
[00:00:00] Este é o programa Fronteiras da Ciência da Rádio da Universidade, onde discutiremos
[00:00:08] os limites entre o que é ciência e o que é mito.
[00:00:12] Bem-vindos ao nosso simpósio.
[00:00:14] Simpósio em grego quer dizer bebê junto.
[00:00:17] O pessoal adotou esse nome para encontros científicos, mas na verdade o que a gente
[00:00:21] veio fazer hoje aqui é bebê juntos.
[00:00:23] Então a ideia hoje é de confraternização, é comemorar esses 300 episódios do nosso
[00:00:28] podcast.
[00:00:29] Esse é o décimo Skeptics in the Pub, a taverna cética que a gente organiza já há alguns
[00:00:33] anos.
[00:00:34] Hoje nós estamos, então eu, o Jéfa Saranzon, a Carolina Brito, o Marco de Arte, nós três
[00:00:39] somos do Departamento de Física da URGS e o Jorge Killfield da Biofísica da URGS.
[00:00:44] Faz oito anos que a gente faz esse podcast e é bom estar aqui com todos os nossos cinco
[00:00:50] ouvintes e é muito bacana ver como mudou o cenário da divulgação científica, não
[00:00:56] só aqui em Porto Alegre, mas no Brasil todo.
[00:00:59] Na época que a gente fazia a graduação, a divulgação científica não era bem vista,
[00:01:04] eram pessoas isoladas que faziam, dava para contar nos dedos os eventos que tinham e agora
[00:01:09] tem um monte de atividades.
[00:01:12] Só esse ano, além do Skeptics in the Pub, teve também o Pint of Science, o Happy Science
[00:01:18] Hour, teve o Ciência sem Porteiras e agora vai ter o Workshop.
[00:01:22] Isso só mencionando os que eu lembro que foram aqui em Porto Alegre.
[00:01:26] Em nível nacional tem um monte de outros eventos e um monte de outros podcasts.
[00:01:31] Na época que a gente começou, basicamente era o nosso.
[00:01:35] O nosso não é muito original, não é nem original no nome, já existia um Fronteiras
[00:01:39] da Ciência, existe ainda, só que é um programa que está do outro lado da fronteira.
[00:01:44] Nós estamos de um lado, eles estão do outro.
[00:01:46] De vez em quando a gente recebe umas mensagens erradas, pessoas dizendo, eu escrevi um livro
[00:01:50] aqui sobre uma banda exaltada e queria participar do programa.
[00:01:54] Esse foi o termo usado, então eu disse, olha, eu acho que esse não é o podcast adequado
[00:01:58] e encaminhei eles para o outro lado.
[00:02:00] Ao mesmo tempo, é bacana ver que talvez a gente possa ter tido alguma influência nesse
[00:02:06] movimento.
[00:02:07] No mínimo existe uma correlação aqui, embora talvez não seja causação, talvez seja um
[00:02:13] pouco de arrogância pensar que a gente tenha influenciado, embora a gente tenha influenciado
[00:02:18] alguns desses podcasts porque nos foi dito, vocês foram a nossa inspiração, a gente
[00:02:24] resolveu fazer uma coisa completamente diferente e fazer tudo que vocês fizeram errado, a
[00:02:28] gente resolveu corrigir.
[00:02:30] Então, nesses oito anos foram mais de 300 episódios, a gente completou os 300 a poucas
[00:02:34] semanas, da ordem de 5 milhões de downloads.
[00:02:38] Mas a pergunta que eu sempre me faço é, por quê?
[00:02:41] Por que a gente deve divulgar ciência, divulgar os seus resultados, divulgar seus métodos,
[00:02:47] divulgar pensamento crítico, né?
[00:02:49] Essa é uma pergunta para qual certamente tem muitas respostas, pode ter várias respostas
[00:02:55] complementares, mas o que eu acho que é evidente, um pouco a necessidade da divulgação científica
[00:03:03] é que a gente está vendo os efeitos da ausência de pensamento científico.
[00:03:09] Então, o que certamente a gente detecta hoje é que a divulgação que vem sendo feita
[00:03:15] não é suficiente, a gente não está alcançando todo mundo porque existe uma profusão de
[00:03:21] movimentos anti-ciência, anti-científicos em muitas frentes, existe movimento anti-evolução,
[00:03:28] movimento anti-mudanças climáticas, anti-vacinas, teorias conspiratórias se propagando, terra
[00:03:36] plana.
[00:03:37] Antes quando a gente queria dizer alguma coisa para a pessoa, não, mas isso é tão evidente
[00:03:41] quanto a terra é redonda, não podemos mais dizer isso porque para muita gente não é
[00:03:44] mais evidente, o evidente é o contrário, evidente é o que eu vejo, eu não vejo a
[00:03:49] terra redonda, eu vejo a terra reta, plana, né?
[00:03:52] Então, esses movimentos todos parece existir uma coordenação, existe aparentemente um
[00:03:58] meta-movimento anti-ciências, né?
[00:04:02] Então, assim, por que o nosso sistema imunossético não funciona adequadamente e permite que
[00:04:09] todas essas ideias oportunistas, ideias fáceis, porque todas essas são explicações fáceis,
[00:04:16] fáceis de serem entendidas, fáceis de serem absorvidas e repetidas e propagadas, né?
[00:04:23] Então, por que elas invadem o sistema?
[00:04:24] Por que existe agora essa onda de fatos alternativos, pós-verdade, notícias falsas, né?
[00:04:31] Os fake news, por que que se propagam tão facilmente?
[00:04:34] Será que a explicação é porque os meios que existem hoje são muito mais eficientes
[00:04:40] em propagação?
[00:04:41] Será que o Facebook é o grande vilão?
[00:04:45] Certamente tem o seu papel como facilitador de propagação, de informações e de dar
[00:04:50] voz a todo idiota que dá uma pesquisada no Google e na sua arrogância diz não, o meu
[00:04:58] esforço de 20 minutos procurando informações aqui certamente é melhor do que o consenso
[00:05:04] científico, eu não estou nem fazendo a comparação com um cientista, estou fazendo a comparação
[00:05:09] com o consenso científico, eu me dei conta de algo óbvio que toda uma comunidade científica
[00:05:14] não pensou antes de mim, então existe uma arrogância por trás eu acho dessa posição,
[00:05:20] mas o que eu acho que está por trás é um problema de base, é um problema de educação
[00:05:26] e o que a gente faz, não sei se é eficiente ir atrás de cada pseudociência e dizer isso
[00:05:32] aqui está errado, esfregar na cara daquela pseudociência, os fatos, eu não sei se é
[00:05:37] eficiente isso, porque talvez funcione com uma fração das pessoas mas para a maior
[00:05:42] parte não vai funcionar porque essas pessoas já são refratárias às evidências, quanto
[00:05:48] mais inteligente a pessoa mais fácil para ela é de racionalizar aquela crença e achar
[00:05:55] uma explicação, então talvez a gente esteja falando já para as pessoas que concordem
[00:06:00] com a gente e talvez alguns que estivessem em cima do muro acabem caindo para o nosso
[00:06:05] lado, então me parece que para a maior parte das pessoas pode ser tarde demais, então
[00:06:11] a educação tem que começar antes, o que a gente precisa hoje é de uma arma de educação
[00:06:16] em massa e o que a gente precisa não é nem ensinar as crianças, a gente precisa é manter
[00:06:23] as crianças do jeito que elas são, as crianças são céticas e críticas e perguntadoras
[00:06:29] e incovenientes e por natureza a gente tem que manter elas assim, então o que eu estou
[00:06:35] dizendo é uma obviedade assim como a terra plana, então já que não é mais óbvio nada
[00:06:40] hoje em dia, então a gente tem que repetir as obviedades porque as pessoas já não sabem
[00:06:44] mais a distinção entre elas, então o que precisa ser feito é o investimento maciço
[00:06:50] em educação, é melhorar as condições de ensino, melhorar as condições de pesquisa
[00:06:55] e investir em cultura generalizadamente, só que para a gente conseguir fazer esse
[00:07:02] investimento que é o que nos dá retorno, da mesma maneira que a ciência nos dá retornos
[00:07:07] indiretos que a gente não prevê, o investimento em educação nos dá retornos indiretos também,
[00:07:13] a gente obviamente vai ter uma melhora na segurança pública investindo em educação,
[00:07:18] isso é tão óbvio, mas não parece ser óbvio para essa classe de pessoas que são as que
[00:07:24] decidem para onde vão os investimentos, então existe essa barreira porque a gente
[00:07:31] depende muito dos políticos para que isso seja feito, não sei vocês mas me parece
[00:07:38] eu pelo menos me sinto assim, o desânimo é generalizado porque a gente fala, fala,
[00:07:44] grita, grita, grita e tudo continua do jeito que é, então só para terminar eu quero
[00:07:51] resumir tudo que eu falei numa poesia do Rui Proença que se chama Tiranias e é bem
[00:07:58] pequena que diz o seguinte, antigamente diziam cuidado as paredes têm ouvidos, então falávamos
[00:08:05] baixo nos policiávamos, hoje as coisas mudaram os ouvidos têm paredes e de nada adianta
[00:08:12] gritar.
[00:08:13] Bom, vou começar um pouco dizendo que meu pensamento vai ser mais dark que eu vou deixar
[00:08:22] vocês um pouquinho mais deprimidos, mas eu tenho uma solução melhor que a dele, quando
[00:08:27] a gente começou o programa a gente era inocente, a gente era verdinho, a gente estava preparado
[00:08:32] por uma guerra pequena, uma guerra meio de pequena cidade que era assim, tem essa pseudo
[00:08:39] ela é chata, vamos atrás dela, vamos falar de ciência, mas vamos de vez em quando pisar
[00:08:44] em cima de uma pseudociência, justamente por causa do sistema imunológico, porque
[00:08:48] a gente entende, e vocês observam isso no mundo das pseudociências, que elas são gregarias,
[00:08:53] elas andam juntinhas, porque basicamente quando tu preda um corpo, tu destrói o sistema imunológico
[00:08:58] dele, todas as pseudociências oportunistas se apostam do pobre coitado, então tu nunca
[00:09:05] vê uma pessoa dizendo que usa homeopatia sem usar florais, sem fazer reikis, vem tudo
[00:09:10] junto, pega uma coisa e pega todas juntas, então essa foi a nossa primeira, o nosso
[00:09:14] primeiro embate, isso há oito anos atrás, o mundo era bonito, e a gente estava pisando
[00:09:19] nesses pequenos insetos, e diziam, tá, o que a gente está fazendo é fazer esse papel
[00:09:23] de educador, a pretensão de fazer esse papel, um pouquinho porque a gente é meio chatinho
[00:09:28] de querer ficar criticando as coisas que são mal feitas, mas também por essa ideia de
[00:09:32] que tem um efeito, tem um resultado bom no final se a gente aprende a ter critério,
[00:09:38] o mundo de 2017 é muito mais sombrio do que esse mundo das pequenas pseudociências,
[00:09:44] eu acho que o Jefferson falou do fake news, o fake news a gente está achando que isso
[00:09:48] é só política, não é política, o ex-presidente americano Al Gore, ex-vice-presidente, é
[00:09:54] um desses heróis na luta para que as pessoas entendam o que está acontecendo na terra
[00:09:58] e o tipo de efeito que a gente está fazendo, com esse desperdício de energia absurdo
[00:10:03] que a gente faz, ele está lançando um novo filme chamado The Inconvenient Sequel, Truth
[00:10:10] to Power, que seria português a sequela inconveniente, a verdade para o poder, então a ideia dele
[00:10:17] é mais dizer assim, o que está acontecendo no mundo é que existem grandes corporações,
[00:10:24] claro isso aí parece coisa de filme, parece que eu vim do filme de Michael Crichton aqui,
[00:10:27] das grandes corporações, não, mas esse é o carinho, o Al Gore falando, ele diz assim,
[00:10:32] existem grandes corporações que cada vez mais estão se apropriando da verdade e da
[00:10:39] verdade científica inclusive, e um exemplo, teste disso o aquecimento global, ele não
[00:10:45] é exatamente o resultado final de uma ação das corporações malvadas, ele é só um começo,
[00:10:53] aí eu vou contar para vocês um pouco da história que não tem nada a ver com esse
[00:10:56] programa, não tem nada a ver com essa noite, que é a da Amazon e como eu errei durante
[00:11:00] dez, quinze anos, vocês que todos conhecem a Amazon, quando a Amazon começou a vender
[00:11:04] livro eu disse assim, que bobagem, vender livro por correio, se a compra de um livro
[00:11:10] é um processo de namoro, que tu faz olhando o livro, folhando o livro, cheirando o livro,
[00:11:17] nunca vai dar certo, e por sinal a Amazon por muitos anos foi deficitária, nunca deu
[00:11:22] certo mesmo, aí em um certo momento a Amazon começou a vender liquidificador, bom, aí
[00:11:27] perderam o rumo da vida agora, primeiro vende livro que não tem nada a ver, agora vende
[00:11:31] ventilador, vende o que que eles querem, vão quebrar daqui a duas semanas, bom, resumo
[00:11:36] da história vocês sabem né, a Amazon vai construir a Skynet, eu não estou brincando,
[00:11:40] ela está contratando todos os cientistas, todo o pessoal que trabalha com processamento
[00:11:45] de linguagem natural, todo o pessoal que está fazendo deep learning, eles estão contratando
[00:11:50] everybody, e eles vão fazer a Skynet, esse erro, vocês veem, é um erro, a gente está
[00:11:55] pensando, o que que é mais óbvio do que tentar avaliar o que está acontecendo no mercado
[00:11:59] quando se vende livro, computador e etc e tal, e é um erro absurdo, na verdade a coisa
[00:12:04] da Amazon não era vender nada, era criar essa estrutura de vendas, não tinha nada a ver
[00:12:10] com livro, não tinha nada a ver com ventilador, não tinha nada a ver com liquidificador,
[00:12:14] tinha a ver com essa ideia nova de como usar a internet, que agora a gente vê como óbvia
[00:12:20] para mim a questão da corporação e do fake news é uma coisa muito parecida, e o exemplo
[00:12:25] que a gente tem no Brasil de hoje, eu vou falar um pouquinho de política, mas uma política
[00:12:30] meio leve para vocês, na minha opinião houve um experimento no Brasil, houve um experimento
[00:12:35] para provar, que nem eu faço de vez em quando, para provar que uma ideia funciona, é um
[00:12:41] experimento ilustrativo para dizer que aquilo ali é possível de ser feito, o Brasil aconteceu
[00:12:46] assim, vocês não sabem do que aconteceu no Brasil, vocês podem discordar sobre alguns
[00:12:50] aspectos do Brasil, mas de um aspecto vocês todos vão concordar, o Brasil houve a deposição
[00:12:55] de um presidente em situação confusa, não vou dizer se estava certo ou errado, confusa,
[00:13:01] houve a deposição de um presidente em situação confusa, se prometeu acabar com corrupção
[00:13:07] e melhorar a economia, nada disso aconteceu, logo em seguida aconteceu uma série de mudanças
[00:13:14] de reformas para o bem do povo, só que elas só atingiram o povo e não outros aspectos
[00:13:21] da sociedade brasileira que a gente percebe, quase todo mundo percebe como é o que tem
[00:13:26] o problema, mas esses não foram tocados, aí no final a gente descobre que o governo
[00:13:31] reformador, que o novo governo é completamente corrupto e desinteressado pelo bem do povo,
[00:13:38] que é mais ou menos o que a gente concorda eu acho, eu não estou dizendo se está certo
[00:13:42] ou errado o que está sendo feito, a gente concorda que eles não tem nada a ver mesmo,
[00:13:45] e no entanto ninguém reclama mais, então esse é um experimento, eu consigo imaginar
[00:13:50] o pessoal sentado numa sala e pensando, vamos fazer o experimento Brasil 2017, e o meu experimento
[00:13:58] vai ser a seguinte, eu vou fazer isso, isso, isso, depois eu vou causar esses problemas
[00:14:03] e eu vou ver se eu consigo estabilizar uma situação onde eu saio ganhando, algumas pessoas
[00:14:08] aqui podem dizer não, a economia antigamente estava ruim, algumas pessoas podem dizer não,
[00:14:13] a previdência está quebrada, sim ou não, algumas pessoas podem dizer não, o trabalho
[00:14:17] no Brasil é muito caro, etc. e tal, todo mundo pode ser que tenha dúvidas sobre cada
[00:14:22] um desses itens, mas eu acho que ninguém tem dúvida que a maioria da população devia
[00:14:26] estar reclamando agora, e no entanto não está, então houve um processo aí, talvez
[00:14:32] seja até patenteado, houve um processo, um teste, um experimento de laboratório que
[00:14:37] mostrou que é possível eu pegar uma situação, eu transformar completamente e eu gerar uma
[00:14:44] pasmaceira no final, onde as pessoas todas aceitaram aquilo, e para mim isso é muito
[00:14:49] parecido com fake news, tem tudo a ver com fake news e tem tudo a ver com a destruição
[00:14:54] da verdade da ciência, quando a ciência for inconveniente, esse é o tema principal
[00:15:00] desse novo filme do Al Gore, que é exatamente quando a verdade é inconveniente, o poder
[00:15:06] constrói a verdade do jeito que ele precisa, e não do jeito que ela é, e a ciência
[00:15:12] obviamente é a primeira coisa que, vamos dizer, a ciência em princípio, a ciência
[00:15:16] erra bastante, mas a ciência acerta mais do que erra, então a ciência vai ser talvez
[00:15:21] a primeira coisa que vai acontecer, então quando a gente começou o programa, o problema
[00:15:26] pelo menos para a nossa visão era um problema menor do que o problema que parece estar acontecendo
[00:15:30] agora, por isso que eu disse que a minha fala é muito mais pesada, porque depois que
[00:15:36] eu vi o experimento do Brasil 2017 ser feito, eu fiquei pensando assim, esses caras vão
[00:15:41] vender bem, que nem a Amazônia, a questão é para quem eles vão vender isso e quem
[00:15:45] vai comprar isso, e o que vai acontecer depois, eu vejo como o Jephros que a única saída
[00:15:50] é a ciência, talvez a gente tenha que, que nem no Fahrenheit 451, talvez a gente tenha
[00:15:56] que esconder livro, talvez a gente tenha que decorar livro, mas pelo menos no final a
[00:15:59] gente ainda vai ser aqueles que vão saber como fazer as bombas, então, eu acho que
[00:16:04] por educação e por resistência a gente tem que sair disso.
[00:16:07] Bom, eu tenho uma vantagem em falar depois do Marco, né, vai ser fácil ser menos depressiva,
[00:16:18] porque depois ele sai daí, bom, tudo que eles falaram de interessante foi o que eu
[00:16:23] programei, eu ia falar um pouquinho sobre a situação brasileira caótica em termos
[00:16:27] de ciência, mas eu não vou falar sobre isso mais, isso já está bem comentado, eu acho,
[00:16:33] então vou falar um pouquinho sobre os bastidores e fronteiras da ciência, porque esse momento
[00:16:38] aqui tem uma diferença muito importante com relação aos nossos programas, que é o fato
[00:16:44] de que só uma pessoa tem o microfone, imagine como quando a gente chega a preparar um programa
[00:16:49] e cada um tem a mesma lista de coisas a perguntar, ou coisas diferentes, e aí um começa a falar
[00:16:54] e o outro começa a cortar e o outro começa a cortar e o outro começa a cortar, eu farei
[00:16:58] uma estatística porque eu acho que eu sou a mais prejudicada, né, porque eu acho que
[00:17:03] eles fazem man interrupting comigo, mas eu não tenho provas estatísticas ainda, então
[00:17:08] vou fazer depois essa coisa, então assim, eu entrei no fronteiras faz dois anos, né,
[00:17:13] pouco menos que isso, então antes disso eu era só fã do projeto, e assim, eu vejo que
[00:17:19] o projeto quando começou tinha essa ideia de tentar desmantelar um pouquinho essa, bom,
[00:17:24] tinha toda aquela questão da política que estava sendo comida pelos evangélicos, né,
[00:17:30] e nesse sentido a gente falhou, vocês falharam, porque a política continua sendo comida
[00:17:34] cada vez mais pelos evangélicos, vocês deveriam talvez olhar o Greg News da semana passada,
[00:17:39] onde ele faz um apanhado sobre o que é o Crivella no Rio de Janeiro, negócio incrível,
[00:17:45] e então assim, acho que a gente falhou nesse sentido, mas, bom, acho que tem algumas consequências
[00:17:52] interessantes do projeto, eu, por exemplo, tenho muito prazer em fazê-lo, tenho prazer
[00:17:57] em brigar com meus colegas, em ficar discutindo com eles, em ficar, enfim, conviver com eles,
[00:18:02] e acho que apesar dos passos serem pequenos, acho que a gente tem que continuar fazendo,
[00:18:07] porque afinal de contas alguém tem que fazer divulgação científica em busca do sexto
[00:18:12] ouvinte.
[00:18:13] Eu quero só finalizar dizendo que eu penso que um dos problemas principais com relação
[00:18:17] a ciência, além de tudo que a gente já falou aqui, é a falta de valorização social.
[00:18:22] Talvez agora, com o The Big Bang Theory, as pessoas se estrupendam menos com a pessoa
[00:18:28] que é física, né, mas antes, na minha época de estudante ainda, eu era frequentemente
[00:18:34] perguntada quando ele dizia que eu fazia física, se não era educação física, era uma coisa
[00:18:38] comum.
[00:18:39] Tu tá sempre tendo que justificar para a sociedade que tu é só um estudante.
[00:18:44] Ah, eu faço doutorado em física.
[00:18:45] Ah, tão estudante ainda.
[00:18:47] Eu percebi isso claramente uma vez que eu tava na França, então teoricamente um país
[00:18:51] que valoriza mais a ciência, e eu fui num chá de panelas de uma amiga minha, então
[00:18:57] quase ninguém se conhecia, e eu lancei o debate na mesa perguntando, bom, o que que vocês
[00:19:02] fazem, né, meninas?
[00:19:03] Qual é a carreira de que vocês fazem como profissão?
[00:19:05] Aí tinha uma que era médica, outra que era dentista, outra que não, enfim, cada um
[00:19:10] faz uma coisa na vida, ou não, mas cada uma ia contando, perfeito, cada um comentava
[00:19:15] o seu assunto, e tinha uma que fazia mestrado em luxo, eu fazia mestrado em luxo, eu falei,
[00:19:20] ah, que curioso, mestrado em luxo, o que vocês estudam?
[00:19:23] Ah, indústria do luxo, carros de luxo, hotéis de luxo, ah, tá, perfeito.
[00:19:28] Chegou na minha vez, eu falei, ah, eu faço doutorado em física, ah, pra que que serve
[00:19:34] isso?
[00:19:35] Eu falei, gente, não, mas é realmente uma inversão de valores bastante impressionante,
[00:19:41] né, ninguém da mesa precisou justificar o que que, por que que fazia a medicina, por
[00:19:46] que que fazia direito, por que que fazia qualquer coisa, mas eu precisava justificar
[00:19:50] por que que eu fazia ciência, né, então eu vejo que não é só um problema político
[00:19:54] essa questão, né, não é só porque o Temer tá lá fundindo o Ministério, cortando
[00:19:59] nosso, nossos 40%, cortando bolsa, enfim, não é só isso, né, eu acho que isso também
[00:20:06] é consequência do fato de que a sociedade não nos valoriza, tá, o Brasil hoje tem,
[00:20:12] de mil pessoas brasileiras entre 25 e 34 anos, nós temos 2% de pessoas formadas em ciência
[00:20:19] e tecnologia, incluindo todas as engenharias, química, física, então a gente é um percentual
[00:20:24] muito pequeno, se eu comparo esse número com a Coreia do Sul, nós temos 10 vezes menos
[00:20:30] e isso, isso significa que a gente não valoriza, então essa questão de tentar passar a paixão
[00:20:37] pela ciência, né, não só a divulgação, mas assim, dizer que, puxa, é legal, tem
[00:20:41] um monte de coisa interessante, a gente também faz uns negócios curiosos, né, e aplicáveis,
[00:20:47] às vezes não aplicáveis, eu achei curiosíssimo o David Ovid, que é o presidente da BC, disse
[00:20:53] que no começo do século, lá aqueles genes da mecânica quântica estavam fazendo mecânica
[00:20:59] quântica pela mecânica quântica e nos anos 2000, a mecânica quântica, as aplicações
[00:21:05] vindas dela representavam um terço do PIB americano, enfim, a gente tem que valorizar
[00:21:10] o que a gente faz, apesar de ser ciência básica às vezes, é um negócio super importante,
[00:21:14] super interessante, enfim, a gente, você tem que contar para a população como uma
[00:21:19] coisa interessante, porque, afinal de contas, é um papel importante, né, então, bom,
[00:21:23] vou deixar o Jorge falar agora.
[00:21:25] Bom, pedi para ficar no fim, porque eu sou o que mais fala, então, preparem-se, eu não
[00:21:36] pretendo falar muito, fazer uma coisa diferente, na verdade, queria seguir um pouco na tônica
[00:21:41] que os colegas colocaram antes, e eu acho que a coisa mais premente nesse momento,
[00:21:46] é fazer um apelo, uma conclamação, uma declaração, não só de amor, mas também de resistência,
[00:21:54] em defesa dessa situação, ou seja, em defesa do que já se construiu nesse país em poucos
[00:21:59] anos, que é uma criatura delicada, frágil, que tem que ser construída com muito carinho,
[00:22:05] regado, atendido, tal, que é a ciência, que é a comunidade científica, né, se tu ler
[00:22:10] vários autores, tu vê que os países que desenvolveram ciência e ciências de primeira,
[00:22:15] alguns deles perderam ciência muito rapidamente em alguns episódios, como, por exemplo, a
[00:22:18] Itália, entre 1922 e 1945, que foi o período do fascismo, e a própria Alemanha nazista
[00:22:24] foi um baque bastante severo, Japão, em parte a União Soviética, e em alguns momentos
[00:22:30] os próprios Estados Unidos em alguns temas, então a ciência é um bicho sensível, delicado,
[00:22:34] que pode morrer muito fácil, né, e a gente está assistindo agora, no meio, vivendo como
[00:22:38] parte dela, o assassinato das raízes, da possibilidade de pelo menos continuar crescendo,
[00:22:45] talvez até um convite a encolher, eventualmente até a desaparecer, com todas as mudanças
[00:22:49] que foram mencionadas, o nosso ministério desapareceu, é uma das grandes conquistas,
[00:22:53] tinha quase 30 anos, não completou o aniversário, o CNPQ está sem dinheiro, bolsas provavelmente
[00:22:59] não serão pagas ou serão parceladas a partir dos próximos dois meses, calma, pessoal,
[00:23:03] não fujam, é só fazer uma poupança, né, é normal, já passamos por isso antes, mas
[00:23:08] também vão parcelar salários, parece, os aniversários não têm que pagar a luz a
[00:23:11] partir do mês que vem, então está tudo tranquilo, como disse o nosso interventor
[00:23:15] oficial, o tal do Temer, né, que está tudo tranquilo, a economia vai de vento em popa
[00:23:19] e só não tem dinheiro para pagar nada, mas está tudo tranquilo, então o Mark e o Jefferson
[00:23:24] falaram que a gente não está, eu também acacado, a gente não está resistindo, eu
[00:23:29] tento espelhar um pouco o exemplo dos colegas argentinos, que é uma comunidade científica
[00:23:32] bastante aguerrida, menor, proporcionalmente a população é menor, mas com uma história
[00:23:37] até mais sólida que a nossa, até porque os argentinos têm, querendo ou não, dá
[00:23:41] para computar até quatro nobéis para eles, dois certos, a gente não tem nenhum ainda,
[00:23:46] a gente podia ter alguns, temos vários nomes que arranharam isso, o nobel é um marcador
[00:23:50] discutível, mas é um marcador de sucesso científico, sim, e eles estão resistindo
[00:23:55] à destruição do ministério deles, estão tentando destruir o ministério deles, nós
[00:24:00] não resistimos, o Ministério da Cultura foi desmanchado, o pessoal das artes, dos
[00:24:05] atores, os teatrólogos, invadiram todas as secretarias estaduais e federais do Ministério
[00:24:12] da Cultura e garantiram que ele não ia ser demolido, ele pode estar sem dinheiro agora,
[00:24:16] como de fato está, mas ele existe ainda nominalmente, nós não fizemos isso, então eu acho que
[00:24:21] a partir daí isso explica muitas das coisas, lá eles estão resistindo ainda antes da
[00:24:25] demolição, eles estão sofrendo os mesmos cortes que nós, isso não é um projeto só
[00:24:28] para o Brasil, o corte de 40% é uma diretriz internacional, é o corte de 40% na Argentina,
[00:24:33] no Uruguai, no Chile, no Brasil, na França, na Alemanha, eles estão tentando fazer também,
[00:24:37] mas obviamente é mais difícil mexer com isso, e eles fizeram uma campanha bem legal no fim
[00:24:41] de junho, onde eles pegaram um meme do momento, não é muito original, mas é a música que
[00:24:46] todo mundo está fazendo a sua versão, que é o Despacito, então eles fizeram uma versão,
[00:24:52] na verdade essa música que é, é uma coisa assim, tu fica com pensamentos desencontrados,
[00:24:59] mas quando tu vê no estúdio diretores de faculdades, pesquisadores do Conicet, de lá,
[00:25:04] que é o CNPq deles, no estúdio cantando uma paródia do Despacito, que eles chamaram
[00:25:10] de despaciência.
[00:25:30] E isso foi lançado, eu pensei, o pessoal está na luta, está guerreando, isso é uma
[00:25:35] coisa que a gente não está fazendo aqui, as razões que eu não vou entrar em detalhe
[00:25:38] é uma longa história.
[00:26:00] Na época, eu tenho muitos amigos e colaboradores na Argentina, no dia que foi feito o lançamento
[00:26:05] eu até agilizei uma tradução pro português da letra deles, que acabou não indo como
[00:26:11] parte das legendas lá, porque não deu tempo, sei lá, perdeu-se, mas aí fiquei com aquilo
[00:26:15] guardado, então eu resolvi, já que eu falo muito, eu não vou falar hoje, eu vou cantar
[00:26:18] a minha opinião, vai ser um mico gigantesco. Mas como só tem cinco ouvintes, então, mas
[00:26:26] eu acho que eu posso impintir a minha opinião e empurrar a opinião da gente, da mesma forma
[00:26:31] que os colegas argentinos, mas adaptada pra situação brasileira. Fiz uma versão ali,
[00:26:35] não sei se vai dar certo isso aí, mas vamos ver.
[00:26:56] Foi preciso o Ministério desmantelar e as comunicações tudo misturar, mas nós todos
[00:27:03] juntos podemos detê-los. Já estão gozando até de quem os apoiou e o neoliberalismo
[00:27:11] se descontrolou, mas nós todos juntos vamos para a luz.
[00:27:25] A gente vai para a luz, a gente vai para a luz, a gente vai para a luz.
[00:27:55] Passinho a passinho, suave suavezinho, querem enganar nos pouquinho a pouquinho, não tem
[00:28:02] argumentos e nenhum critério e ainda nos deixaram sem o nosso Ministério.
[00:28:06] Passinho a passinho, suave suavezinho, tem de deixar nossos cérebros dormidos e não
[00:28:12] se encontra que são só negócios, parece que a mentira é o seu sacerdócio.
[00:28:17] Sem ciência, para que tu queres teus conhecimentos, abandona a tese e os experimentos, é muito
[00:28:25] melhor sermos um julgamento sem pesquisa. Ninguém ta ligando, to tão produrado, os
[00:28:32] anos de estudo são anos passados, volta pra casa e vai lavar os pratos.
[00:28:38] Querem poder governar um povo de ignorantes, que não se faça perguntas e que sejam só
[00:28:45] eleidores, que quer mesmo estudar, que vá pra outro lugar, que é que não precisamos
[00:28:53] de um povo reeducado, ignorância. Se a ciência é um direito que ninguém conhece,
[00:29:00] mas a consciência disso agora cresce, e eu repito, ciência soberana urgente!
[00:29:06] Passinho a passinho, suave suavezinho, querem enganar nos pouquinho a pouquinho, não tem
[00:29:12] nem respeito ao povo brasileiro, até o CNPQ ficou sem seu dinheiro.
[00:29:16] Passinho a passinho, suave suavezinho, pretende deixar nossos cérebros dormidos,
[00:29:22] quem não se dê conta que são só negócios e que o entreguismo é o seu sacerdócio!
[00:29:31] Estréia mundial!
[00:29:34] O Programa Fronteiras da Ciência é um projeto do Instituto de Física da URGAS.