AntiCast 336 – Karl Marx: Vida e Obra
Resumo
Este episódio especial do AntiCast, patrocinado pela editora Boitempo, celebra os 200 anos de Karl Marx com uma discussão aprofundada sobre sua vida e obra. Os participantes — Ivan Mizanzuki, Zamiliano, João Carvalho, Sabrina Fernandes e Marília Moscovitch — abordam desde aspectos biográficos e contextuais até o desenvolvimento de seus principais conceitos teóricos.
A conversa inicia com uma análise crítica das biografias de Marx, destacando como muitas delas falham em contextualizar adequadamente sua vida dentro das condições sociais, sanitárias e históricas do século XIX. Discute-se a mortalidade infantil na época, a relação de Marx com sua esposa Jenny e suas filhas, e desmontam-se mitos como a ideia de que ele negligenciava a família. A importância de Jenny na transcrição e tradução de seus trabalhos é ressaltada, assim como o papel das filhas na continuidade de seu legado político.
O episódio traça a trajetória intelectual de Marx, desde seu período como jovem hegeliano e sua amizade com Bruno Bauer — incluindo anedotas como a famosa história de ficarem bêbados e cavalgarem jumentos — até sua ruptura com o idealismo. A análise do caso do “roubo de madeira” na Renânia é apontada como um momento crucial que o levou a um engajamento mais materialista com a realidade social. A transição para o materialismo histórico, a crítica ao socialismo utópico e o desenvolvimento de conceitos-chave como alienação, fetichismo da mercadoria, mais-valia e luta de classes são explorados em detalhes.
Por fim, os participantes compartilham suas experiências pessoais com a leitura de Marx, oferecem recomendações de por onde começar (sugerindo obras como os Manuscritos Econômico-Filosóficos e o uso de guias como os de David Harvey para O Capital) e discutem a importância de ler Marx dentro de seu contexto, evitando anacronismos e dogmatismos. O projeto MEGA (Marx-Engels-Gesamtausgabe) e as novas biografias publicadas pela Boitempo, como a de Michael Heinrich, também são destacados.
Anotações
- 00:00:00 — Abertura e patrocínio da Boitempo com sorteios Ivan apresenta o episódio especial sobre Karl Marx, lista os participantes e anuncia o patrocínio da editora Boitempo. Detalha promoções: cupom de desconto de 30% (ANTI-MARXCAST) e sorteio de duas novas biografias (de Michael Heinrich e Marcelo Musto) via Twitter. Explica as regras do sorteio, que acontecerá em 24 de maio.
- 00:10:01 — Biografias de Marx e contexto histórico do século XIX Sabrina inicia a discussão sobre as biografias de Marx, criticando a falta de contextualização social e sanitária. Marília e João reforçam a necessidade de evitar anacronismos, explicando a alta mortalidade infantil da época, a ausência de vacinas e saneamento básico. Argumentam que a pobreza e as mortes na família de Marx eram comuns naquele contexto, não sendo negligência específica.
- 00:36:04 — Desconstruindo fake news e mitos sobre Marx Os participantes riem e criticam narrativas absurdas que circulam sobre Marx, como a de que seus filhos se suicidaram na frente dele por causa de Stalin. Discutem a má interpretação da frase ‘a religião é o ópio do povo’, explicando o significado histórico do ópio como analgésico. Zamiliano conta a anedota (de fonte duvidosa) de Marx e Bauer bêbados cavalgando jumentos após perturbar uma igreja.
- 00:59:48 — Trajetória intelectual: de jovem hegeliano a materialista
- 01:44:40 — Conceitos centrais: alienação, fetichismo, classe e mais-valia
- 01:59:01 — Como começar a ler Marx? Experiências e recomendações
Indicações
Books
- Karl Marx e o Nascimento da Sociedade Moderna (Biografia de Michael Heinrich) — Trilogia biográfica considerada uma das mais completas, com foco na biografia intelectual de Marx. O primeiro volume será lançado pela Boitempo em maio de 2018.
- O Velho Marx (Biografia de Marcelo Musto) — Biografia que foca nos últimos anos de vida de Marx (1871-1883), explorando seus interesses tardios por antropologia e sociedades não ocidentais. Será lançada pela Boitempo em maio de 2018.
- Manifesto do Partido Comunista — Recomendado como ponto de entrada para a leitura de Marx e Engels, por ser um texto mais acessível e programático.
- Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844 — Sugerido como leitura introdutória antes de ‘O Capital’, por apresentar conceitos como alienação em uma linguagem considerada mais acessível.
- O Capital (Volume 1) — Sua obra magna. Recomenda-se a leitura com um guia (como os de David Harvey, Ben Fine ou José Paulo Netto) devido à complexidade, especialmente do primeiro capítulo.
Canais
- TV Boitempo (YouTube) — Canal da editora Boitempo que transmite debates e cursos, como o ciclo ‘Diálogos com Marx’.
- Tese Onze (YouTube) — Canal da participante Sabrina Fernandes, onde ela publicou um vídeo sobre Marx no dia da gravação.
Editoras
- Boitempo Editorial — Editora patrocinadora do episódio, reconhecida mundialmente por suas publicações marxistas. Ofereceu cupom de desconto e sorteios de livros para os ouvintes.
Projetos
- MEGA (Marx-Engels-Gesamtausgabe) — Projeto de edição completa e crítica de todos os escritos de Marx e Engels. Iniciado na URSS, continua sendo publicado, com planos de disponibilizar parte do material online.
Linha do Tempo
- 00:00:00 — Introdução ao episódio e patrocínio da Boitempo — Ivan Mizanzuki apresenta o episódio especial sobre Karl Marx, comemora seus 200 anos e apresenta os participantes: Zamiliano, João Carvalho, Sabrina Fernandes e Marília Moscovitch. Anuncia o patrocínio da editora Boitempo, que está lançando novas biografias de Marx, e detalha promoções como cupons de desconto e sorteios de livros para os ouvintes.
- 00:07:39 — Início da discussão e apresentação dos participantes — A discussão principal começa com os participantes se apresentando de forma humorística como ‘comunistas’. Ivan contextualiza a gravação a pedido da Boitempo para falar sobre a vida e obra de Marx. Sabrina Fernandes é convidada a iniciar, mencionando seu vídeo no canal Tese Onze e a dificuldade de encontrar biografias de Marx sem viés.
- 00:10:01 — Discussão sobre biografias e contexto histórico de Marx — Sabrina fala sobre as diferentes biografias de Marx, destacando que muitas não contextualizam adequadamente as condições sociais e sanitárias do século XIX. Ela e Marília argumentam contra leituras anacrônicas que julgam a vida familiar de Marx (como a mortalidade de seus filhos) pelos padrões atuais, explicando a alta mortalidade infantil e a falta de vacinas na época.
- 00:20:47 — Humanização de Marx e suas contradições materiais — João Carvalho e Sabrina discutem as condições materiais de Marx, sua origem de classe média e a pobreza que enfrentou em Londres. Abordam seu ‘workaholismo’, a pressão para manter um padrão de vida intelectual e as dificuldades financeiras gerenciadas por Jenny. Destacam também seu compromisso com a educação das filhas, que se tornaram lideranças políticas.
- 00:36:04 — Desmontando mitos e fake news sobre Marx — Os participantes riem e criticam narrativas absurdas que circulam sobre Marx, como a de que seus filhos se suicidaram na frente dele culpando-o por Stalin. Discutem a apropriação errônea de frases como ‘a religião é o ópio do povo’, explicando seu contexto histórico. Zamiliano menciona a anedota de Marx e Bauer bêbados cavalgando jumentos, retirada de uma biografia antiga.
- 00:43:43 — Novas biografias da Boitempo e o projeto MEGA — Ivan e os participantes destacam as novas biografias patrocinadas pela Boitempo, em especial a trilogia de Michael Heinrich, descrita como uma ‘biografia intelectual’ mais completa. João explica em detalhes o projeto MEGA (Marx-Engels-Gesamtausgabe), a coleção completa dos escritos de Marx e Engels, sua história e a expectativa de disponibilização online de parte do material.
- 00:59:48 — Trajetória intelectual: do jovem hegeliano ao materialismo — A pedido de Ivan, Sabrina traça a evolução intelectual de Marx. Explica sua fase como jovem hegeliano no ‘Dr. Club’, sua tese sobre Demócrito e Epicuro, e como o caso do ‘roubo de madeira’ na Renânia foi um ponto de virada que o afastou do idealismo. Descreve sua mudança para Paris, o encontro com Engels e o início da construção do materialismo histórico.
- 01:17:34 — Marxismo vs. Socialismo Utópico e conceitos-chave — Ivan pergunta sobre a diferença entre o socialismo/comunismo antes e depois de Marx e Engels. Os participantes explicam que Marx e Engels criticaram o ‘socialismo utópico’ por ser muito moralista e não oferecer um programa prático baseado na análise materialista. Eles desenvolveram o ‘socialismo científico’, focando na luta de classes e nas contradições materiais do capitalismo como motor da história.
- 01:44:40 — Desenvolvimento dos conceitos de alienação, fetichismo e classe — A discussão avança para os conceitos centrais de Marx. Sabrina explica que a ‘alienação’ é trabalhada nos Manuscritos de Paris, enquanto no ‘Capital’ ele desenvolve o ‘fetichismo da mercadoria’. Marília destaca a elaboração do conceito de ‘classe social’ como uma de suas maiores contribuições, diferenciando-o das noções cotidianas baseadas em renda. João complementa falando da evolução de seu pensamento entre 1844 e 1847.
- 01:59:01 — Experiências pessoais com a leitura de Marx e recomendações — Ivan pergunta como cada participante começou a ler Marx. Marília começou pelo Manifesto Comunista na militância; Sabrina leu ‘O Capital’ em uma disciplina universitária guiada; João também começou pelo Manifesto e estudou Marx profundamente em cursos de história do pensamento econômico; Zamiliano começou na faculdade, lendo ‘O Capital’ e ‘A Riqueza das Nações’ simultaneamente. Todos recomendam começar por textos introdutórios ou com guias de estudo.
- 02:28:46 — Considerações finais e preparação para a parte 2 — Os participantes resumem rapidamente o período posterior de Marx (exílio em Londres, Primeira Internacional, Comuna de Paris). Ivan anuncia que a parte 2 do episódio, a ser lançada na semana seguinte, tratará das diferentes escolas e interpretações do marxismo. Encerram de forma descontraída, lembrando os hábitos ‘rockstar’ de Marx (fumo, bebida) e sua humanidade.
Dados do Episódio
- Podcast: AntiCast
- Autor: HD1
- Categoria: Society & Culture
- Publicado: 2018-05-09T22:34:46Z
- Duração: 02:35:41
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/anticast/59b7c240-797b-0130-0111-723c91aeae46/anticast-336-karl-marx-vida-e-obra/8f0c9cdc-81b1-472f-b9ec-b3f3053bf60b
- UUID Episódio: 8f0c9cdc-81b1-472f-b9ec-b3f3053bf60b
Dados do Podcast
- Nome: AntiCast
- Tipo: episodic
- Site: https://open.spotify.com/show/40IuG6Qs0lwYntanTQbpDJ?si=tH4elzqGSaWFAiXbTvsalg
- UUID: 59b7c240-797b-0130-0111-723c91aeae46
Transcrição
[00:00:00] E aí pessoal, aqui é Ivan Mizanzuki e esse é o Anticast número 336, Karl Marx, Vida
[00:00:19] e Obra.
[00:00:20] Então vamos falar aí do barbudo que está fazendo seus 200 aninhos de vida, e se estivesse
[00:00:27] vivo o Marx estaria com 200 anos.
[00:00:29] Então, participou deste programa eu, Zamiliano, João Carvalho, Sabrina Fernandes e Marília
[00:00:36] Moscovitch, daqui a pouco todo mundo se apresenta, é um bando de comunista e eu aqui só pra
[00:00:41] ficar fazendo cenário.
[00:00:43] E aqui já vão alguns recados que são importantes gente, então é o seguinte, no dia eu estava
[00:00:50] me recuperando de um resfriado, então eu estava quase afônico, estava voltando a ter voz,
[00:00:55] vocês vão notar que a minha voz estava bem complicada, desculpa qualquer coisa, e assim
[00:01:00] o programa ficou com duas horas e meia, alguma coisa assim de duração, obviamente não
[00:01:05] dava pra falar tudo e ainda assim o programa ficou grande, então desculpa aí quem queria
[00:01:10] que a gente falasse muito sobre um assunto em específico, sobre a vida ou obra do Marx,
[00:01:15] infelizmente não deu.
[00:01:16] E essa introdução aqui vai ser um pouco longa mesmo, mas é uma das introduções mais fodas
[00:01:21] que eu já fiz, porque é o seguinte, esse é um programa patrocinado pela Boitempo,
[00:01:26] a editora aí, uma das editoras mais gabaritadas do mundo em questão de publicações marxistas
[00:01:34] e por conta do patrocínio deles, eles estão oferecendo sorteios e descontos aqui pra quem
[00:01:39] ouve o Anticast, inclusive é bom avisar, este programa aqui está sendo patrocinado
[00:01:46] sobre Marx, sobre a vida e obra de Marx, semana que vem vai ter programa sobre Marx
[00:01:51] cismo, que é outra coisa, e ficou um programa tão bom quanto esse aqui.
[00:01:56] Então assim, a Boitempo patrocina dois programas Anticast e dando esses presentores, aquele
[00:02:02] negócio né, aniversário do Marx, mas o presente quem ganha é você.
[00:02:06] Então vamos lá, vamos dar alguns recadinhos antes sobre a Boitempo em si, primeiro é
[00:02:10] bom para quem não conhece a Boitempo, Boitempo como eu falei ela é reconhecida mundialmente
[00:02:16] uma das mais importantes de edições fantásticas sobre a obra de Marx e Engels, inclusive a
[00:02:24] edição deles sobre a ideologia alemã foi uma das mais elogiadas também, então muito
[00:02:29] foda assim ter uma editora dessa aí, Tupiniquim, em 2018 na Boitempo é o ano Marx, então
[00:02:36] eles prepararam cerca de 15 lançamentos de ou sobre o Marx ao longo do ano, além de
[00:02:41] estarem organizando os debates, cursos, atividades, culturais em diversas cidades, então quem
[00:02:47] quiser saber sobre isso, link está na postagem do blog da Boitempo sobre 2018, o ano Marx.
[00:02:53] Eles estão fazendo também ciclos de debates, diálogos com Marx, que são programação
[00:02:57] de encontros mensais que acontecem entre abril e dezembro, e lá eles vão discutir a relação
[00:03:03] entre o pensamento do Marx, o marxismo e temas contemporâneos, todos os encontros terão
[00:03:08] streaming e serão publicados no canal do YouTube deles, a TV Boitempo, link na postagem também.
[00:03:13] Este projeto é realizado em parceria com a editora Boitempo, Get Institute de São Paulo,
[00:03:19] a Fundação Friedrich Ebert Brasil, esses nomes são muito difíceis, tapera, taperá e a carta capital,
[00:03:25] obviamente, né? E novamente a programação completa e detalhes desses eventos são
[00:03:30] atualizados no link do blog da Boitempo, que está na postagem também. Neste mês de maio
[00:03:35] o encontro é sobre Marx e sexualidade, o link para o evento do Facebook está na postagem também.
[00:03:41] Ah, Ivan, tudo isso é muito legal, mas eu quero presentes, então toma presente, cupom de desconto,
[00:03:46] 30% de desconto em todo o site da Boitempo e será válido por três meses após a publicação
[00:03:52] deste programa, ou seja, vai até dia 10 de agosto de 2018. O cupom é, atenção para ele,
[00:03:59] anti-MarxCast, se é muito difícil anti-MarxCast para você é só olhar no post lá, está dizendo
[00:04:08] exatamente qual o cupom de desconto, mas você usa ele no site da Boitempo, na loja virtual deles,
[00:04:13] e você vai ter desconto de 30% em todo o site. Ah, Ivan, mas eu sou um fodido, eu não tenho dinheiro,
[00:04:20] eu queria presente de graça, então toma presente de graça também, sorteios de dois livros que a
[00:04:26] Boitempo está dando aqui para a gente, e é o seguinte, como falei, a Boitempo está fazendo
[00:04:31] essa programação anual toda dedicada ao Marx, e então eles estão lançando especialmente duas
[00:04:40] biografias que são muito aguardadas sobre o Marx, e são essas duas biografias que a gente vai
[00:04:46] sortear uma cópia de cada. A primeira biografia que a gente vai lançar é uma das mais esperadas
[00:04:52] no mundo, especialmente aqui para quem se interessa pela biografia do Marx, que é o primeiro volume da
[00:04:59] biografia do Michael Heinrich, algo assim, desculpa aí, falando em alemão, se chama Karl Marx e o
[00:05:08] nascimento da sociedade moderna, essa é para ser uma das biografias definitivas sobre Karl Marx,
[00:05:15] o primeiro volume, segundo e terceiro volume vão sair nos anos 2019 e 2020, porque elas são sendo
[00:05:20] lançadas em outras línguas também. A gente vai falar mais sobre essa biografia durante o programa,
[00:05:27] mas já aviso que ela está sendo bastante aguardada justamente porque é para ela ser a mais completa
[00:05:32] que já foi lançada. E além desta, o Velho Marx, uma biografia de seus últimos anos, 1871 a 1873,
[00:05:40] de Marcelo Musto. Essa é uma biografia que o autor, o Marcelo Musto, ele faz uma ponderação sobre os
[00:05:47] anos que Marx provavelmente seguiria no final de sua vida e esse livro vai ser lançado no dia 25 de
[00:05:52] maio. Então, olha só, o primeiro volume da biografia do Heinrich, aquela super aguardada, vai sair no dia
[00:05:58] 18 de maio e essa biografia, o Velho Marx, sobre os dois últimos anos da vida de Marx, vão sair no dia
[00:06:04] 25 de maio. A gente vai sortear uma cópia de cada uma dessas biografias aqui no Anticast. Para participar
[00:06:11] do sorteio, você faz o seguinte, você vai no Twitter, então vai ser pelo Twitter, se você não tem
[00:06:16] como, cria um agora. Você tem que seguir a minha conta pessoal, arroba-me, Zanzucki. Se você não sabe
[00:06:22] como escreve, clica lá no link na postagem, não tem problema. E você vai ter que compartilhar na tua
[00:06:28] timeline o link para este episódio com a hashtag anti-marxcast, o mesmo código do desconto que a
[00:06:37] gente. Eu vou fazer o sorteio dos dois livros no dia 24 de maio, então você, por favor, já faça agora
[00:06:47] o seu tweet aí, para participar da promoção, para você não perder tempo. Mas, de qualquer maneira, se quiser
[00:06:53] deixar para última hora, vai até o dia 23 de maio. No dia 24 eu vou fazer o sorteio e daí eu vou avisar
[00:06:59] pelo Twitter e vou entrar em contato com a pessoa por DM. Por isso que é importante, fique de olho no
[00:07:05] teu Twitter, fique de olho nas suas DMs, de repente você ganha aí um dos livros. Então, se você não
[00:07:11] conseguiu gravar nada sobre a regulamentação aqui para participar do sorteio, não tem problema, entra no
[00:07:16] link aqui do episódio e entra na postagem lá, lá tem toda a explicação também, né? E vários
[00:07:21] os links que a gente falou. Bom, é isso, queria agradecer imensamente ao Kim Dória lá da Boitempo,
[00:07:25] beijo, Kim, você é um querido e espero que o pessoal goste. Desculpa pela minha voz de novo,
[00:07:31] mas eu já tô melhorando no resfriado. Então, é isso, vamos lá, fiquem agora com o programa.
[00:07:39] Começando mais um Anticast, eu com uma voz horrorosa num programa tão importante. Então, é para
[00:07:45] justamente cair o sistema capitalista aqui. Então, estamos hoje com uma turma de comunistas safados,
[00:07:52] Zamiliano, que nem ia participar agora, está participando. Então, seria bem-vindo, Zamiliano.
[00:07:57] Fala aí, seu oi comunista.
[00:07:59] Olá, eu estou aqui no movimento de negação da negação.
[00:08:02] Tá, maravilha.
[00:08:03] Tem um daqui também com outro comunista.
[00:08:08] Outro comunista, João Carvalho, diga aí seu oi comunista.
[00:08:19] Eu entendi o craque de lá, acho que isso aí eu sei. Muito bom.
[00:08:24] Temos aqui Sabrina Fernandes, do Tese Onze. Diga, dá oi, seu oi comunista.
[00:08:31] Trabalhadores do mundo Nivus.
[00:08:33] Maravilha.
[00:08:35] E temos aqui a nossa comunista também, só comunista. Então, Marina Moscovitch, esse nome não é artístico. Dê seu oi comunista.
[00:08:45] Comunismo viando.
[00:08:47] Maravilha.
[00:08:49] Então, gente, hoje é aniversário do Marques. Vamos bater palmas.
[00:08:54] Palmas pro Marques.
[00:08:56] Estamos gravando.
[00:08:58] Hoje é aniversário do Tayada. Palma pro Tayada.
[00:09:02] Vamos parar aí.
[00:09:04] Ok. Enfim, a pedido aí do Kim Dória, da Boitempo, nos reunimos aqui pra falar sobre a vida e obra de Karl Marques.
[00:09:14] Esse safado, com o resta, vagabundo, né? Vamos falar, né Sabrina?
[00:09:19] Que exista.
[00:09:21] Então, Sabrina, vou começar contigo já, porque a Sabrina fez um baita vídeo hoje no canal dela, o Tese Onze.
[00:09:29] E já começa aí falando toda a verdade sobre Marques.
[00:09:35] Tudo que ele fez.
[00:09:37] Quando ela vai falar, ninguém vai falar mais nada.
[00:09:40] Ela vai fazer uma versão estendida de duas horas agora e depois a gente dá tchau.
[00:09:49] A gente, na verdade, faz as perguntas.
[00:09:51] Esse vai ser o programa mais simples pra mim, que eu só vou deixar vocês falando.
[00:09:55] Então, assim, eu dei o start. Vai, Sabrina, começa e o resto eu fico no mudo aqui. Então, manda ver.
[00:10:01] Bora lá, galera. Eu não vou me elogar muito.
[00:10:03] Não, mas a questão de Marques é muito interessante porque, cara, quando você vai olhar,
[00:10:07] tem muita biografia diferente de muita autora diferente e sempre tem um viés.
[00:10:12] Eu nunca achei uma biografia de Marques que não tivesse querendo ou pegar ele em alguma coisa ou em outra, né?
[00:10:20] Aí, pra fazer esse vídeo, eu tava fazendo várias comparações de biografias diferentes que eu tenho aqui em casa
[00:10:24] e algumas que eu tinha baixado da internet depois e tentando pegar o que tinha de comum entre elas.
[00:10:30] Mas, por exemplo, você vai ter biografia de Marques
[00:10:34] que vai ficar bem focada nessa parte dele da juventude, o relacionamento dele com o Bruno Bauer,
[00:10:40] como é que foi o doutorado deles.
[00:10:42] E tem outras que estão mais preocupadas com eles.
[00:10:46] Mas o interessante que você vê no geral é que todo mundo coloca Marques como um cara que era workaholic.
[00:10:53] Ele era viciado em trabalho, ele se prejudicava em relação a isso,
[00:10:59] ele prejudicava o relacionamento dele com a Jane em relação a isso.
[00:11:03] Não teve um certo nível de negligência com os filhos em relação a isso, mas não era essa negligência que todo mundo fica falando
[00:11:08] ah, comunista, pobre, vagabundo, morreu de fome, deixou os filhos morrer de fome.
[00:11:14] Não era esse o caso, era o caso assim, a atenção dele pros filhos sempre foi uma atenção muito focada no trabalho.
[00:11:19] Tanto que aí as três filhas dele que sobrevivem, né?
[00:11:23] Que a Jane, que também é o mesmo nome da mãe, né?
[00:11:28] Uma era a Jane Carolyn, ou a Jane Laura.
[00:11:32] Então assim, a primeira, né, essa Jane, que era a favorita dele, foi a filha favorita dele.
[00:11:39] Aí a Laura e a Eleanor, todas acabaram meio que continuando esse trabalho dele de militância política,
[00:11:45] ajudaram a publicar os trabalhos dos pais, ajudaram a traduzir principalmente muito dos trabalhos do Marques.
[00:11:52] E a própria Jane, como esposa, foi, fez a tradução mais importante de todos o trabalho dele, que era entender a letra dele,
[00:11:59] que era absurdamente, era horrorosa, era um monte de tracinho.
[00:12:04] Quando você pega ali os originais da tese de doutorado dele e você vai olhar, primeiro tem alemão, né?
[00:12:11] A Marília, Marília vai aprender alemão, vai poder nos ajudar com isso, mas primeiro tem alemão.
[00:12:17] Então já tá difícil, já que essas palavras gigantescas, né, quando eu fui falar hoje no vídeo,
[00:12:21] Gesam Taos Gabi, e eu falei, caraca, que tamanho de palavra, né?
[00:12:26] E tudo umas linhazinhas, gigante, assim, muito complicado, mas a Jane foi fundamental nisso.
[00:12:32] Então acho que pra gente falar hoje seria muito legal a gente focar em alguns desses mitos que a gente ouve, né, sobre o Marques.
[00:12:40] Mas o importante é mesmo colocar isso que, cara, o cara trabalhava demais.
[00:12:45] O cara se enfiou na biblioteca de Londres e não saía de lá, então imagina um cara que já era super doente, tinha mil doenças diferentes,
[00:12:53] muitos pulmonares, que foi que matou ele no final, enfiado numa biblioteca, noite, dia, noite, dia.
[00:13:00] Sim.
[00:13:01] Então acho que tem muito a ver com isso.
[00:13:03] Vamos falar dos podres primeiro, pro pessoal que é o negócio do Marques não ficar, se satisfazer,
[00:13:09] e daí a gente falar das partes boas depois, ou vocês querem fazer o contrário?
[00:13:12] Como é que…
[00:13:13] Eu queria fazer uma observação.
[00:13:14] Manda aí, Marília.
[00:13:15] Esse negócio que a galera fala, assim, dos filhos, né, que, ah, não cuidava dos filhos, não sei o quê, que nem a Sabrina estava mencionando, né.
[00:13:22] E a galera viaja também, né, porque, assim, o que que eram as condições sanitárias na época?
[00:13:27] Tipo, a expectativa de vida era super baixa, criança morreria normal, saca?
[00:13:31] Tipo, as pessoas de escola, assim, quando a gente vai falar de biografia, eu acho que qualquer…
[00:13:37] Ah, pensando assim, né, qualquer intelectual ou figura pública, etc., que se vá falar de uma biografia,
[00:13:43] primeiro que essa coisa que a Sabrina falou, acho que é importante a gente ver, que, assim, não é que só que as pessoas,
[00:13:49] no caso do Marques, elas pegam pedaços que interessam mais ou menos, mas em qualquer biografia, né, a gente fala que,
[00:13:54] na sociologia, a gente fala que toda biografia é uma ficção, que toda biografia, na verdade, é uma disputa posterior
[00:13:59] por construir uma imagem pública, uma narrativa e um contexto específico daquela figura, e que pode ser de várias maneiras, né.
[00:14:09] Então, isso sempre é uma disputa, né, a gente vê a biografia, por exemplo, da Sylvia Platt, que é uma escritora,
[00:14:16] e como tudo tá em disputa ali, quando tá sendo escrito, e como você tem várias versões, a versão do marido,
[00:14:23] só que daí o marido esconde o pedaço que ela falava não sei quê, então sempre rola isso, né.
[00:14:29] Então, é sempre importante, quando a gente fala de biografia, a gente entender também que a biografia não é a pessoa, né.
[00:14:34] Então, isso é importante, acho que é uma coisa que Sabrina lembrou no começo, é importante lembrar.
[00:14:39] E aí, dentro disso, tem uma outra coisa que acontece muito, que são biografias que são escritas de um jeito um pouco
[00:14:46] não totalmente informado ou não totalmente contextualizado com a época.
[00:14:51] Então, você pegar, por exemplo, um indivíduo e destacar ele um pouco de certas coisas da sua época e fazer uma leitura um pouco anacrônica de algumas coisas.
[00:14:59] E essa coisa de filho e família, em geral, é justamente esse tipo de abordagem, né.
[00:15:06] A pessoa pega, por exemplo, o Marx lá no século XIX, na Alemanha do século XIX, que nem era Alemanha ainda, né, exatamente,
[00:15:13] porque tem toda a questão do estado moderno depois, não sei o quê, mas não vou entrar em detalhes, mas assim,
[00:15:20] nem era exatamente o que é hoje, o que a gente entende hoje por Alemanha, mas aí tá lá o cara lá na Renânia,
[00:15:25] que é onde eu estava, aliás, na semana passada, Rafi, né.
[00:15:29] E aí, tipo, o cara pega isso e essa família toda e todo esse contexto social e fala assim,
[00:15:37] ah, ele não cuidava dos filhos ou ele tinha uma relação X ou Y com a mulher.
[00:15:42] Isso descontextualiza um pouco, porque o que significava filho naquela época, saca?
[00:15:47] Criança, infância, você tem toda uma… tudo isso são construções históricas bastante recentes da gente entender a família,
[00:15:54] a infância como a gente tem hoje, né, essa coisa da expectativa de vida.
[00:15:58] Era muito normal criança morrer, era muito normal você ter dez filhos e sobreviver em três ou quatro, sabe?
[00:16:04] Tipo, isso não era uma coisa assim, ah, a pessoa relapsa, matou os filhos, não sei o quê.
[00:16:09] Vídeo é o exemplo brasileiro, né, porque a gente tem aqui em algumas cidades ainda, né,
[00:16:15] alguns cemitérios na parte de trás da casa de algumas pessoas do interior, né, antigos, né.
[00:16:20] Enfim, as crianças morriam.
[00:16:24] É normal, sabe, acho que a questão da biografia também de tentar entender o que era esse contexto, né.
[00:16:30] Até a coisa da relação dele com a Gene, acho que a Sabrina falou um pouco no vídeo dela hoje do canal dela,
[00:16:36] mas eu não tive tempo de parar e ver com calma, mas que é isso também, assim, essas coisas,
[00:16:41] a gente analisa também muitas vezes anacrônicamente, né, do tipo, ah, o cara era um cusão com a mulher porque ele fazia tal coisa,
[00:16:48] mas na real, tipo, se você for ver, isso era assim, não é desculpável porque era comum na época, mas assim,
[00:16:54] para o que era a média da época, talvez fosse muito, ele já fosse muito aberto para algumas coisas, sabe?
[00:16:59] Então acho que tem um pouco dessas mediações que são necessárias fazer, sabe?
[00:17:03] Perfeito.
[00:17:04] É, mas o que eu achei complicado, assim, dessas, trouxendo as biografias com o Jair de Marça,
[00:17:08] é, Max, que é, na maioria, eles contextualizam muito a questão política da época, mas não contextualizam a questão social.
[00:17:15] Então, por exemplo, para eu parar e olhar essa questão da mortalidade dos filhos de Max,
[00:17:21] eu tive que ir lá e olhar, por exemplo, que vacinação para criança, para recém-nascido,
[00:17:27] de menos de três meses, para um monte de doença que tinha na época, né, só foi passar a ser mandatória em 1853.
[00:17:37] Então, assim, você pensa que os filhos de Max estavam morrendo nessa época.
[00:17:41] Claro.
[00:17:42] Não tinha vacina, gente, não tinha, o pessoal morria de pneumonias básicas na época.
[00:17:49] Então o pessoal fala, e quando você vai olhar, né, porque a maioria das biografias não cita exatamente do que morreram os filhos de Max.
[00:17:55] Sempre falam assim, quando Max estava muito pobre, morreram quatro filhos.
[00:17:59] Eu acho um absurdo, um próprio, assim, uma pessoa fazendo biografia não contextualizar o que estava acontecendo
[00:18:04] ou procurar saber o que é que realmente, do que é que essas crianças morreram.
[00:18:07] Porque se você olhar para a correspondência do Max, da Jenny e do Engels, você fica sabendo o que está acontecendo.
[00:18:14] E quase todos eram problemas respiratórios, que era muito comum.
[00:18:18] Você imagina, gente, a hoje de revolução industrial, poluição que maluquisse, assim, em Londres, a poluição na época.
[00:18:25] Como que não tinha criança morrendo, né? A mortalidade infantil era de 15% e, sim, para menores, né?
[00:18:33] Mas, assim, adolescentes também morriam muito. O próprio Max, quando nasceu na Alemanha, ele perdeu um monte de irmão também.
[00:18:40] Então a gente contextualizar essa questão social é muito importante.
[00:18:43] Mas, infelizmente, eu sinto que as biografias de Max até hoje falham muito em relação a isso.
[00:18:48] A mostrar o que estava acontecendo, mesmo essa que eu encontrei do Jonathan Sperber, que trata bastante com detalhes em relação a isso,
[00:18:57] não conta, por exemplo, que o saneamento básico era quase nulo na época.
[00:19:02] Então a questão de vocês ser pobres e seus filhos morrerem não é porque morreram necessariamente de fome,
[00:19:08] porque eles, a família do Max, eles chegavam a penhorar quase tudo que tinha, até roupa, para poder comprar comida quando estavam nessa situação.
[00:19:18] Então eles não estavam sendo negligentes dessa maneira com os filhos.
[00:19:21] Eles estavam vivendo em pobreza como boa parte da população naquela época. Então isso tem que ser considerado.
[00:19:28] Agora a questão que ocorre financeira depois é que há um problema de lidar com o orçamento daquela família,
[00:19:35] que é um troço horroroso, que o Engels mesmo reclamava, mandava dinheiro, mas reclamava.
[00:19:39] Que era que, a partir do momento que entrava um dinheiro, em vez de eles pensarem, vamos economizar, vamos pensar no futuro, não.
[00:19:47] Agora vamos viver uma vida mais de burguesa aqui, vamos mudar para uma casa melhor e vamos contratar um secretário.
[00:19:54] O Max contratou um secretário que era meio que, a Jenny reclamava muito dele, achava que ele era dinheiro mal gasto, que ele é super inútil.
[00:20:02] E no final ela acaba tomando o lugar desse secretário do Max para economizar e também porque aí o pessoal percebeu que ela fazia o trabalho dez mil vezes melhor.
[00:20:12] Então tinha todas essas questões de, por ser um intelectual, tinha aquela pressão de viver de uma certa forma.
[00:20:18] E o Max sentia isso. Eu acho interessante esse lado da humanização do cara.
[00:20:23] Ele era humano, ele estava criticando o capital, mas ele também sentia as pressões da sociedade,
[00:20:28] que para ser respeitado como um pensador, como uma liderança, ele tinha que viver em um certo padrão, numa certa vizinhança.
[00:20:35] Perfeito. Eu vou querer complementar algumas coisas sobre as biografias para fazer o Jabá da Boitempo daqui a pouco, mas antes disso, vai lá João, você queria fazer alguns comentários também?
[00:20:47] Basicamente o pessoal já falou tudo que eu ia falar, a gente tem que lembrar que primeiro o pai do Max, que era um homem rico,
[00:20:55] de classe média, classe média alta, ele era um advogado, um profissional liberal em Trier.
[00:21:01] Ele mesmo foi pai de nove filhos, do qual o Max era o terceiro e na idade adulta sobreviveram quatro.
[00:21:07] Então mesmo numa condição social mais alta, a mortandade infantil era algo comum, é óbvio que nós estamos falando de uma geração anterior.
[00:21:15] Quanto mais na situação de penúria que o Max passou, principalmente nessa primeira década e meia que ele viveu na Inglaterra.
[00:21:23] Para além disso, uma outra coisa que a gente não fala e que a Marília falou super bem, é a teleologia que muitas vezes a gente encontra em vários estudos, não só em biográficos,
[00:21:33] onde a pessoa espera que baseado nas pautas do seu tempo, que alguém de um tempo passado viva como você vive hoje.
[00:21:40] Então assim, a gente cobrar do Max que o filho dele não teve um quarto Montezori.
[00:21:49] Fica muito difícil, a gente tem que pensar que isso é uma época anterior, a penicilina.
[00:21:54] Então assim, doenças que hoje a gente toma, eles em casa matavam e mais do que isso a gente está falando de um lugar que é completamente insalubre, de condições de vida que não são tão fáceis.
[00:22:05] E o Marx, assim, também o seu workaholismo não ajudava em nada com isso, porque existe uma distância gigantesca entre o quanto ele trabalhava e o quanto ele recebia pelo quanto ele trabalhava.
[00:22:17] A gente já falou aí das condições materiais, então assim, ironicamente, foi definido por suas condições materiais.
[00:22:24] Então, sim, muito, mas assim, todo mundo já pontuou, mas eu só vou chover no molhado.
[00:22:32] A gente tem que pensar na inserção naquele contexto, num contexto no qual as nossas ideias odiurnas de infância não existiam.
[00:22:43] Então, assim, tanto que se você for pegar os batismos, mas até uma coisa social muito mais simples de pegar do que as questões fitosanitárias da época, as crianças não eram batizadas logo depois que elas nasciam, porque era estúpido batizar alguém que provavelmente morreria.
[00:23:02] Então, assim, é literalmente, os batismos eram feitos já com as crianças mais velhas.
[00:23:08] Elas tinham que vingar primeiras para ser batizadas depois.
[00:23:11] Inclusive, isso é origem do aniversário de um ano, né?
[00:23:14] Sim. Então, assim, você tem isso também.
[00:23:18] E a mortandade mesmo na adolescência ainda era comum, na pré adolescência, na adolescência.
[00:23:24] Então, assim, o contexto, o conceito de infância praticamente inexistente na época, né?
[00:23:30] A questão de saúde pública, por mais que a Inglaterra seja um lugar até bastante suigênero nas questões de saúde pública, nos cuidados com saúde pública,
[00:23:41] que vão começar principalmente no segundo quartel do século 19, depois que os filhos de Marx já morreram, né?
[00:23:48] Mesmo a Inglaterra estando muito à frente nisso nessa questão de saúde pública e o sistema de saúde pública da Inglaterra,
[00:23:54] ele vai evoluir principalmente no final do século 19, do começo do século 20.
[00:23:58] Então, assim, Marx não pegou isso.
[00:24:00] Marx pegou uma época da revolução industrial muito pesada,
[00:24:04] em que é óbvio que Londres não era uma Manchester numa questão de poluição,
[00:24:08] mas a poluição de Londres naquela época era algo completamente insalubre e intolerável pelos nossos padrões.
[00:24:15] Então, assim, Londres, mesmo não sendo muito poluída, seria uma cubatão para pior.
[00:24:22] O Engels menciona isso numa carta.
[00:24:24] O Engels fala como é que seus filhos que nasceram ali entre França e Bélgica estão mais saudáveis dos que estão nascendo em Londres, né?
[00:24:34] Ele faz essa revolução numa carta.
[00:24:36] Isso é uma coisa interessante, né?
[00:24:39] Porque, assim, afinal de contas, se vocês pegarem e verem, por exemplo, os miseráveis,
[00:24:43] e isso é uma produção rodiludiana, além de outras coisas,
[00:24:46] vocês vão ver situações e condições de vida absurdamente bizarras,
[00:24:51] que não estão tão distantes assim desse período em que a gente está falando.
[00:24:55] Mas o que eu acho interessante, né, das pessoas elas focarem nisso,
[00:25:01] particularmente eu nunca tive contato diretamente com alguém falando assim,
[00:25:05] tirando as coisas bizarras que aparecem na internet de fake news,
[00:25:08] tipo os filhos do Marx se mataram na frente dele.
[00:25:13] Eu acho isso maravilhoso.
[00:25:16] Se mataram na frente dele culpando o pai pelos gulags.
[00:25:24] Os filhos do Marx fizeram uma coisa esplêndida.
[00:25:27] Em protesto contra Stalin, olha só.
[00:25:31] Meu pai, você criou o Stalin. Quem é Stalin não interessa, você saberá.
[00:25:40] É quase como se fosse uma música da Adele, né?
[00:25:42] Você fica triste por ouvir a música de um relacionamento que vai acabar e nem começou.
[00:25:51] Tem essa capacidade, mas, tal qual o Marx.
[00:25:54] Mas além dessas coisas bizarras, tipo os filhos do Marx se mataram na frente dele,
[00:26:00] eu fico eu fico um pouco a parvalhado.
[00:26:03] Não sei se esse termo deveria ser mais utilizado.
[00:26:06] Eu fico um pouco apoplexo. Apoplexo.
[00:26:12] Em ver como é que as pessoas elas no momento em que a gente vive, né?
[00:26:16] A gente a gente vive um momento na nossa sociedade em que a individualidade está no ápice da bizarrice, né?
[00:26:23] Não que isso seja uma coisa 100% negativa, mas está forçando a barra.
[00:26:29] E aí as pessoas elas meio que estão pegando também esse nível de individualidade
[00:26:34] e deslocando isso para um período histórico longínquo, né?
[00:26:39] Que é isso. Então assim, vamos criticar o Marx.
[00:26:42] Não vamos criticar a obra dele como um todo, porque afinal de contas nós não lemos porcaria nenhuma.
[00:26:47] Não vamos criticar dele, né? A pessoalidade do Karl Marx, que é a coisa mais fácil.
[00:26:52] Seus filhos se mataram na frente dele, né?
[00:26:55] Ele e a Jenny tinha um relacionamento conturbado.
[00:26:59] Eu não sei de onde as pessoas tinham esses dados, né?
[00:27:02] Porque normalmente elas falam isso, mas ninguém sentou bibliografia.
[00:27:05] Ou pelo menos no mínimo as cartas, né?
[00:27:08] E aí fica nessa discussão bizarra, né?
[00:27:12] Como as meninas colocaram, como o próprio João colocou.
[00:27:16] E a gente acaba travando isso ao invés de discutir para além dessa questão, né?
[00:27:21] Ou mesmo discutir e relativizar o período, a época histórico, o momento histórico, como a gente está vivendo.
[00:27:27] E lembrando que mesmo quando as pessoas fazem isso, as pessoas estão forçando uma barra, né?
[00:27:33] Não apenas essa questão de deslocar no tempo, mas a questão de deslocar dos fatos, né?
[00:27:38] Porque assim, ela morre pouco menos de um ano antes dele.
[00:27:43] Pouco menos de um ano depois e literalmente a gente tem uma carta do Engels falando, né?
[00:27:48] O Mouro, que era o apelido dele, morreu no dia que ela morreu.
[00:27:51] Coincidência?
[00:27:53] Então assim, eles tiveram um relacionamento de uma vida inteira.
[00:27:56] Eles se conheceram enquanto ainda crianças no ginásio Wilhelm, não sei o quê, lá em Trier.
[00:28:03] Ele ficou noivo dela com 18 anos.
[00:28:06] E ficaram juntos uma vida inteira.
[00:28:09] Então assim, gente, eu que sou monogâmico, estou num relacionamento de 13 para 14 anos agora com minha esposa
[00:28:15] e que pretendo morrer antes para que ela possa morrer de desgosto.
[00:28:22] Jogou sempre ao truísta, né? Vou pensar no outro primeiro.
[00:28:26] Eu vou dizer, cara, relacionamentos não são fáceis, são complexos e complicados.
[00:28:31] Se a pessoa ficou junto uma vida inteira, e ainda mais, uma vida inteira do Marx, tá?
[00:28:36] Ficar junto uma vida inteira de qualquer um de nós é bem mais simples do que ficar junto uma vida inteira.
[00:28:40] Aí eu já vou te interromper, João, porque…
[00:28:44] Então, João, aí eu já vou te interromper, porque eu acho que você está fazendo exatamente o que você acabou de criticar.
[00:28:50] Você está pegando uma ideia do que é um relacionamento amoroso hoje, entendeu?
[00:28:55] Do que significa um casamento hoje no nosso contexto, em que o divórcio já é legalizado faz tempo.
[00:29:00] Em que a gente tem toda uma configuração do que é amor, do que é afeto, sabe?
[00:29:05] Do que é exclusividade sexual ou não. Do que uma mulher pode fazer, do que um homem pode fazer.
[00:29:11] E você está concluindo que o fato de eles terem ficado juntos a vida inteira tem essa connotação.
[00:29:19] Ah, porque o relacionamento não é fácil, não sei o quê, mas antes as pessoas ficavam juntas,
[00:29:22] porque a noção delas do que era estar casado não era outra coisa, assim, entendeu?
[00:29:28] Então, assim, também não dá pra chegar nessa conclusão, sabe?
[00:29:32] Não, eu entendo, eu concordo com o que você está dizendo, mas eu acho que,
[00:29:36] factualmente, o fato dela ter apoiado diretamente com ações uma vida toda tem, pelo menos, uma tolerância muito grande.
[00:29:47] Não, sim, mas é que isso poderia ser num nível de amizade também, no sentido de que, assim, muita gente nessa época,
[00:29:52] tem muitos registros de casais que eram casados formalmente.
[00:29:56] Na verdade, essa relação era muito mais perto do que a gente hoje consideraria uma amizade, mas por quê?
[00:30:00] Porque a pessoa não podia descasar, né? A questão da própria…
[00:30:04] A gente…
[00:30:06] Calma, Zameliano, deixa a Marília terminar, por favor.
[00:30:09] Vai lá, Marília.
[00:30:11] Todo mundo é grosso aqui, inclusive eu, desculpe.
[00:30:15] Até mais, até mais. Mas, recentemente mesmo, você pegar a biografia da Lúcia Lomé, que já é finalzinho do 19 e começo do 20,
[00:30:23] que ela morre lá em 40 e tanto, quer dizer,
[00:30:26] tipo, você pegar isso, você vê, assim, que ela…
[00:30:30] com a história lá do Nietzsche, por exemplo, ele pedia pra casar com ela, não, não sei o quê e tal,
[00:30:35] e depois ela casa, mas o contrato dela é assim, não, cara, eu preciso casar,
[00:30:39] porque, tipo, isso dá… a gente tem acesso a x coisas, porque se casa, tal,
[00:30:44] mas, assim, a gente vai ter uma amizade, eu vou continuar a minha vida, você vai continuar a sua, não sei o quê e tal, porque…
[00:30:49] Então, assim, o status de casamento, ele… a gente interpreta ele
[00:30:54] já de uma certa maneira posteriormente, que não necessariamente é o que estava acontecendo ali, sabe, então…
[00:31:00] Eu te entendo, mas eu acho que, tipo, assim, eu não estou querendo romantizar a relação,
[00:31:06] mas eu acho que visto o que eles passaram, as condições materiais do que eles passaram,
[00:31:12] a opção que ela tinha, entre aspas, de se manter junto, porém um pouco mais distante, dado as relações da família dela,
[00:31:20] quem eram os familiares dela? Os familiares dela eram pessoas que eram da, entre aspas, baixa, média, nobreza da Renane,
[00:31:27] mas eram casados com gente muito rica, por exemplo, eles eram casados com o Filipe, que era banqueiro.
[00:31:32] Claro, ele deve ter achado horrível no momento que ela ficou com o Marques, e quem disse que ela tinha o apoio dele, saca?
[00:31:37] Não, sim, mas aí está, o Filipe era o último que ainda dava o apoio ao Marques diretamente,
[00:31:43] ao pai do Marques, principalmente, não ao Marques, mas ao pai dele,
[00:31:46] depois, tipo, ainda tinha alguma relação dessa família com ele.
[00:31:49] Eu acho que, tipo, as demonstrações do cartulário mostram que essa, pelo menos esse respeito que existia entre os dois,
[00:31:58] era mais do que algo simplesmente forçado, porque você também vê nessa época muitas relações,
[00:32:04] onde você não tem nem sequer esse respeito, nem sequer esse companheirismo, você entende?
[00:32:08] Eu sei, mas eu não estou falando que não tinha.
[00:32:10] Gente, Marília, deixa só eu te interromper, dessa vez eu vou ser o babaca.
[00:32:15] Por mais que eu curta muito discutir relacionamento de grandes figuras,
[00:32:20] eu acho que a gente pode avançar um pouquinho nesse ponto, especialmente, Marília,
[00:32:25] porque, cara, eu tenho muita consideração por ti, mas você está naquele momento,
[00:32:30] tipo, com a pesquisa sobre novos relacionamentos hoje, está bombando no teu sangue nesse momento,
[00:32:36] então, assim, segura um pouquinho pós-doutoranda, que a gente vai precisar…
[00:32:41] Cara, eu só estou falando para a gente não tomar o cuidado de também não falar assim,
[00:32:46] tipo, os caras ficaram 20 anos juntos, então isso significa que, nossa,
[00:32:50] os caras eram foda para manter um relacionamento assim, a gente não sabe essa cor.
[00:32:53] Acho que é mais como assim.
[00:32:54] Pode significar outra coisa, era o que tinha para hoje, mas enfim.
[00:32:58] É o mesmo problema, porque aquela biografia dela sobre amor e capital,
[00:33:03] a Mary Gaber faz o mesmo que eu.
[00:33:05] Quando ela vai contar a perspectiva da Jane ali, ela sempre está contando perspectiva assim,
[00:33:09] nossa, essa mulher que foi super explorada e entendeu isso,
[00:33:13] eu sinto que tem vários momentos nas cartas que você também não encontra tanto disso, então assim,
[00:33:17] todo mundo busca uma ênfase bem específica ali, mas tem os fatos, são os fatos materiais.
[00:33:23] Toda vez que faltava dinheiro na família, a Jane ia atrás da família dela para ver se conseguia dinheiro,
[00:33:28] eles não queriam mais dar dinheiro, só que quando eles noivaram,
[00:33:32] com exceção de algumas pessoas na família da Jane que eram mais relacionadas a cargos públicos mesmo
[00:33:38] na Prússia, o próprio pai da Jane gostava muito do Marx.
[00:33:43] Então sempre foi uma situação complicada que no fundo, se a gente for parar para olhar,
[00:33:49] eu não estou querendo fazer essa coisa de pegar valores de hoje e jogar para trás,
[00:33:54] mas cara, todo relacionamento é complicado.
[00:33:56] Então eu acho que o problema que ocorre muito relacionado ao Marx
[00:34:00] é que as pessoas ficam querendo usar o relacionamento dele para julgar o trabalho dele.
[00:34:05] Perfeito.
[00:34:06] Que é uma coisa diferente, até o fato, por exemplo,
[00:34:11] a gente poderia admirar que ele criou três filhas para serem lideranças políticas.
[00:34:17] Eu acho isso fantástico, que é uma coisa que se não se imaginava na época.
[00:34:22] Vocês vão estudar muito, eles chegaram a se endividar para caramba para colocar essas meninas
[00:34:28] em escola particular, para elas poderem aprender várias línguas diferentes,
[00:34:32] então elas estavam estudando em escola privada por certa parte do tempo
[00:34:35] e na hora de pensar, então vamos tirá-las de lá para poder guardar dinheiro para tal coisa,
[00:34:42] o Marx era muito sério sobre isso.
[00:34:43] Não, elas precisam ter uma educação de excelência na época,
[00:34:46] que na época era isso realmente.
[00:34:48] Não tem como falar que educação pública era maravilhosa na Inglaterra na época, porque não era.
[00:34:53] Então era isso e ele tinha uma prioridade muito grande na educação das filhas
[00:34:57] e isso eu já acho muito fantástico.
[00:34:59] Então o complicado é quando as pessoas pegam um monte de merda que ele fez
[00:35:04] e esquecem desses lados positivos, são muito importantes.
[00:35:07] Então elas acabaram sendo grandes líderes na verdade,
[00:35:10] elas tomaram para si mesmo a causa depois da morte do pai
[00:35:14] e ela, o Noah, por exemplo, é responsável por várias das publicações que a gente vê hoje
[00:35:19] e foi através da edição dela.
[00:35:21] Então isso é muito importante, eu acho que isso tem que ser enfatizado.
[00:35:24] Inclusive os suicídios das filhas têm a ver com homens que elas conheceram depois
[00:35:29] e não com o pai em si.
[00:35:31] Então eu acho importante.
[00:35:35] Mas elas não se suicidaram na frente dele, culpando ele por Stalin.
[00:35:39] Então tá, só para…
[00:35:41] Eu acho que o suicídio da Elano foi um suicídio político.
[00:35:46] Não da Elano não, da Laura.
[00:35:48] Foi um suicídio político.
[00:35:50] Então tinha isso, era uma coisa que acontecia na época.
[00:35:53] Eu não posso falar que não acontece hoje, porque a gente sabe que ainda acontece de vez em quando.
[00:35:58] Mas é uma dessas questões para a gente considerar realmente.
[00:36:04] Por exemplo, esse suicídio da Laura foi…
[00:36:08] Eles tomaram o mesmo veneno.
[00:36:11] Ela tomou num dia e o marido tomou no outro.
[00:36:14] E deixaram uma carta sobre o comunismo irá vencer e tudo mais relacionado a isso.
[00:36:18] E aí depois disso teve uma maior polêmica relacionada a esses suicídios,
[00:36:23] porque muita gente fala, nossa, que coisa desnecessária.
[00:36:25] E outros falam, não, isso é o heroísmo que a gente precisa hoje.
[00:36:28] Fazer parte da discussão da época.
[00:36:30] Então hoje a gente pode falar, nossa, que coisa maluca.
[00:36:33] Mas na época era uma discussão que existia.
[00:36:35] Tinha outros casais e outras lideranças políticas se suicidando também.
[00:36:39] Vou fazer o quê sobre isso?
[00:36:42] Foi um fato, mas o problema é quando as pessoas pegam isso que aconteceu
[00:36:46] e tentam colocar como uma forma de julgamento sobre o tipo de pai que o Marx era
[00:36:50] e colocar o tipo de pai que ele era
[00:36:52] como se isso fosse uma reflexão na qualidade do trabalho dele.
[00:36:55] E essa é o nosso grande desafio quando a gente está tratando da figura do Marx
[00:37:00] e tentar desdificar, porque ao mesmo tempo aparece notícia aí no sei lá
[00:37:04] gospel não sei o que lá ponto com alguma coisa no Brasil.
[00:37:08] Que é porque o Marx era um grande satanista e não sei o que lá.
[00:37:12] E aí eles pegam e falam assim, ele começou cristão.
[00:37:14] Eu falei, que porcaria é essa que ele começou cristão?
[00:37:18] Então assim toda essa questão e aí depois
[00:37:24] que ele foi que ele se voltou contra Deus aí aquela mistura toda daquela frase
[00:37:29] sobre a religião é que se não entender o que significava ópio.
[00:37:35] Aliás, as pessoas assim as pessoas que estão ouvindo a gente essa frase
[00:37:40] ela está na crítica ou direito de Reagan se vocês quiserem ler.
[00:37:45] Enfim, é uma questão do ópio do povo porque as pessoas falam
[00:37:49] falam muito dessa frase e a gente nunca sabe onde é que está.
[00:37:53] Pois é, mas essa questão assim ópio hoje é uma coisa muito diferente
[00:37:57] do que era o ópio na época.
[00:37:58] Então o ópio na época era onde você ia para poder
[00:38:02] sentir melhor em relação às suas dores.
[00:38:04] Não tinha esse monte de remédio analgésico que a gente tem hoje.
[00:38:08] Então eu diria que só lembrando das guerras do ópio na China.
[00:38:13] Exatamente.
[00:38:14] Em contexto social entre 1839 e 1860 você tem as guerras do ópio
[00:38:20] em relação à proibição do ópio e tudo mais que envolveram os ingleses
[00:38:26] que são de disputas sobre a superania chinesa e sobre a questão do comércio britânico.
[00:38:35] E a questão era o vício que era forçado entre aspas sobre boa parte da população
[00:38:40] chinesa do ópio exatamente para poder fazer com que o imperialismo
[00:38:46] triunfasse sobre a China.
[00:38:48] Para mim hoje é falar assim a religião é o Tylenol do povo.
[00:38:53] É o remédio que todo mundo enfia na gente.
[00:38:55] Eu acho que é o Rivotril.
[00:38:58] O Rivotril está campeão.
[00:39:01] O problema é que o Tylenol é o que você acessa.
[00:39:03] O pessoal vai para os Estados Unidos e falta comprar um balde de Tylenol.
[00:39:08] Essa questão é o que eles enfiam e normalizam na nossa cabeça.
[00:39:13] A medicação para acordar, a medicação para dormir,
[00:39:16] para continuar vivendo a vida como ela sempre foi do jeito que ela é.
[00:39:21] Dentro de um espectro de normalidade como é dito.
[00:39:26] Para continuar a produção.
[00:39:28] Exato, para continuar a produção.
[00:39:30] E é isso.
[00:39:31] Marx não era assim…
[00:39:34] Eles pegam coisas simples do trabalho dele.
[00:39:36] Por exemplo, tiram essa frase do contexto.
[00:39:38] Tiram toda a crítica relacionada à religião que ele criou.
[00:39:42] Na época que ele era um jovem hegeliano ainda,
[00:39:45] na época que ele era idealista, estava com o Bruno Bauer.
[00:39:48] O Bruno Bauer foi um pioneiro em tentar analisar,
[00:39:53] trazer essa percepção de Cristo como ficção.
[00:39:57] Tem toda essa questão que era um debate filosófico muito longo.
[00:40:01] O pessoal não compreende o que é debate filosófico.
[00:40:04] Tiram um monte de clichê de fora disso.
[00:40:06] De repente, estou recebendo um monte de coisa no WhatsApp
[00:40:09] sobre, não sei o quê, parente falando.
[00:40:12] Tenho que tomar cuidado com esse tal de marxismo.
[00:40:15] Porque é um tipo de satanismo.
[00:40:18] Eu posso dar um exemplo muito bom sobre isso.
[00:40:21] Não sei se o Ivan quer falar alguma coisa agora.
[00:40:23] Por favor.
[00:40:24] Eu queria encerrar isso para poder falar da vida dele.
[00:40:27] Vou só falar isso.
[00:40:29] Esse negócio de família e os ipsop.
[00:40:34] Recentemente, eu recebi uma coisa maravilhosa,
[00:40:37] que é uma grande figura de uma determinada religião brasileira,
[00:40:41] cujo nome não vou citar,
[00:40:44] que basicamente cita aquela coisa maravilhosa.
[00:40:47] O Marx falou que a melhor forma de dominar o povo é através da moral.
[00:40:51] Eu estou muito querendo saber
[00:40:54] onde é que caralho ele escreveu isso num livro dele,
[00:40:57] que até agora eu não encontrei.
[00:41:00] Porque é isso, as pessoas vão trazendo coisas.
[00:41:03] Acho que ele confundiu Marx com Weber.
[00:41:09] Marx é meio parecido, às vezes.
[00:41:12] Mas eles acham que o sociólogo é tudo comunista, não é?
[00:41:16] Sociologia, comunismo.
[00:41:18] Só para pontuar essa questão do ateísmo,
[00:41:22] esse desenvolvimento do ateísmo na vida do Marx,
[00:41:25] que é muito ligado ao Baehl.
[00:41:27] Inclusive, uma das maravilhosas obras que a gente não viu durante a vida do Marx.
[00:41:32] E o Marx, nesse ponto, era quase que um da vinte,
[00:41:35] no sentido de começar um milhão de coisas e terminar muito poucas.
[00:41:39] Tanto que boa parte das suas obras são post mortem.
[00:41:44] Marx foi um grande escritor de resumos.
[00:41:48] Sim, várias coisas que ele começou e não terminou.
[00:41:51] Uma das coisas que ele começou e não terminou,
[00:41:54] que era um jornal que se chamaria Archive des Atheísmos,
[00:41:58] que era os arquivos ateístas que deveria ter sido escrito,
[00:42:02] que eles tiveram planos de escrever,
[00:42:04] que foi pouco depois que ele fez o PhD dele na universidade,
[00:42:07] que ele enviou a tese dele de PhD para a Universidade de Jena,
[00:42:10] que, enfim, era muito conservadora para a tese dele,
[00:42:13] que era com o Bruno Bauer, que ele ia escrever isso.
[00:42:16] E pouco tempo depois tem um biógrafo do Marx,
[00:42:20] que inclusive é uma biografia super antiga, da década de 30,
[00:42:23] que é do Boris Nikolaevski e do Otto Menschenhelfen,
[00:42:28] que eles contam uma anedota que, pouco tempo depois,
[00:42:33] o Bauer e o Marx, ainda em 1841,
[00:42:36] foram numa field trip, assim,
[00:42:39] foram numa viagem da turma de Bonn até Berlim,
[00:42:44] e lá eles escandalizaram as pessoas
[00:42:47] porque eles ficaram bêbados e riram dentro da igreja.
[00:42:52] E depois, não satisfeitos em ficar bêbado e dar gargalhadas na igreja,
[00:42:56] eles saíram galopando através da cidade, montados em asnos.
[00:43:01] Não sei de onde ele tirou isso.
[00:43:04] Famosos saíram correndo na truida.
[00:43:07] E não tem fonte, sacou, mas aparentemente,
[00:43:10] em algum momento, em 1841, Marx ficou muito louco com o Bauer,
[00:43:14] foi para a igreja, riu para caralho e saiu cavalgando jumentos.
[00:43:17] Eu só queria deixar isso.
[00:43:19] Acho que esse é um highlight da biografia do Marx,
[00:43:22] que deve ser ressaltado nessa…
[00:43:25] Ah não, daí para baixo foi uma espiral decadente.
[00:43:28] Eu acho que o áudio do Marx foi galopando o jumento, rindo.
[00:43:31] E gritando assim, da louca até me ama, né?
[00:43:37] Em alemão.
[00:43:39] Então, só para avisar sobre esses problemas de biografias,
[00:43:43] a Boitempo mandou avisar que eles estão lançando esse ano
[00:43:47] o primeiro volume do Karl Marx e o Nascimento da Cidade Moderna,
[00:43:51] do Michael Heinrich.
[00:43:54] A Boitempo tem um vídeo muito bom no canal da Boitempo.
[00:43:58] Que é para ser uma biografia meio definitiva,
[00:44:01] só vai sair o primeiro volume esse ano e as próximas em 2019 e 2020.
[00:44:05] Vai ser em três volumes.
[00:44:09] O Michael está envolvido nos debates sobre reformular
[00:44:14] ou não a teoria do valor do trabalho, Marxista.
[00:44:18] Eu tive a oportunidade de assistir um debate dele com David Harvey,
[00:44:21] é muito interessante.
[00:44:24] Pelo que o Kim, lá da Boitempo, falou,
[00:44:27] é um trabalho que está durando anos para fazer essa biografia nova.
[00:44:32] Daí, Zameliano, você que deu uma olhada, como é que funciona,
[00:44:35] por que está sendo dito que essa é definitiva
[00:44:38] e daí a gente pode passar para a questão de biografias
[00:44:42] para falar de fato da biografia dele.
[00:44:44] Sim, sim. Eu estava dando uma olhada, tem um vídeo muito bom, aliás,
[00:44:47] acho que o Vandev colocar o vídeo com o autor na…
[00:44:51] Agora vou.
[00:44:52] No link, né? Se quiser, eu até te mando daqui a pouco.
[00:44:56] Mas ele tenta o máximo possível ver e avaliar o Marx,
[00:45:01] tanto nas questões, não só das cartas,
[00:45:03] mas como na produção teórica dele também.
[00:45:05] Então, assim, ele faz uma contextualização
[00:45:07] que não é essa contextualização só de, tipo, a pessoalidade,
[00:45:12] mas também como teórica.
[00:45:13] Então, pelo o que ele relata ali, parece ser bem interessante.
[00:45:18] Eu não gosto muito do termo definitivo,
[00:45:20] porque eu acho definitivo muita coisa.
[00:45:22] Não, claro, claro.
[00:45:23] Acabei de perceber que falei o termo definitivo
[00:45:25] no meio de um monte de sociólogo historiador.
[00:45:27] Estou me sentindo mal agora, desculpa.
[00:45:31] Mas, assim, vai ser a melhor até o momento.
[00:45:33] É muito pesado.
[00:45:34] Vai ser mais completo até o momento.
[00:45:36] É muito pesado.
[00:45:37] Desculpa.
[00:45:38] Talvez seja mais completo, realmente.
[00:45:40] Eu fico imaginando como é que deve ser um trabalho estranho,
[00:45:42] intercúlio e complexo, né?
[00:45:44] Você fazer uma avaliação de um sujeito que produziu tanto
[00:45:48] e que tem uma vida tão complexa quanto o Karl Marx,
[00:45:50] principalmente quando eu penso, por exemplo,
[00:45:52] numa edição que a Boitempo tem,
[00:45:54] que é…
[00:45:55] Pô, eu não consigo falar o nome desse ser humano,
[00:45:58] mas é Tamás Krauss…
[00:46:00] Eu não sei exatamente se estou falando certo,
[00:46:02] que é Lenin, né?
[00:46:04] Reconstruindo Lenin, que é esse livro dele,
[00:46:07] que ele, cara, demorou 40 anos para escrever sobre o Lenin.
[00:46:15] Cara, imagina você escrever profundamente sobre o Marx.
[00:46:21] É um trabalho muito urcúlio, é um trabalho muito complexo.
[00:46:24] Não é uma coisa simples, né?
[00:46:26] Não é uma coisa que vem do nada e vai para o nada, né?
[00:46:31] Então eu acho que é um trabalho que vale muito a pena
[00:46:34] a gente dar uma parada, observar.
[00:46:37] Até mesmo o próprio autor falando sobre esse texto
[00:46:41] no site da Boitempo.
[00:46:43] E também, se as pessoas se interessarem,
[00:46:46] de acordo com o que ele vai falando ali,
[00:46:47] nesse vídeo, que é um vídeo muito bom, aliás,
[00:46:49] de comprar, de ler esse livro para conhecer um pouco mais,
[00:46:52] é biograficamente o próprio Marx.
[00:46:55] Outras tentativas de biografias bem pequenininhas
[00:46:58] a gente tem do próprio Lenin,
[00:46:59] que tenta fazer um esboço biográfico ali do Carlitos,
[00:47:03] o vulgo ovelho, falando um pouquinho dele.
[00:47:08] O próprio Leandro Konder também tem um vídeo e obra do Karl Marx,
[00:47:13] que é um texto bem pequeno, não é um texto muito grande,
[00:47:16] mas volume 1, volume 2, acho que é a primeira vez que eu estou vendo
[00:47:20] volume 1, volume 2, volume 3, quem sabe, talvez.
[00:47:24] Marx, Infinite Wars.
[00:47:30] É a primeira vez que eu estou vendo,
[00:47:31] eu estou extremamente curioso para ler essa biografia.
[00:47:35] Posso fazer um acréscimo?
[00:47:37] Eu faço outro depois.
[00:47:39] É que é o seguinte, tem duas coisas.
[00:47:42] Se não me engano, talvez a Sabrina saiba melhor que eu,
[00:47:44] ou vocês saibam melhor que eu.
[00:47:46] Se não me engano, o Heinrich é um cara que trabalha com a Mega,
[00:47:51] que é o arquivo Marx e Infinite Wars lá na Alemanha,
[00:47:54] que é o maior arquivo, é tipo, o bagulho é gigantesco.
[00:47:59] E aí eu acho que tem uma outra coisa também,
[00:48:01] para a gente pensar a comparação dessas biografias,
[00:48:03] também tem assim, cada biografia ela é feita…
[00:48:06] Da gente continuar, tem como você falar que a Mega,
[00:48:08] as vezes o pessoal não sabe, né?
[00:48:11] Eu não sei se vocês explicaram muito bem, mas até onde é isso aí?
[00:48:13] É o Marx, Engels, Desdemital, Gabi.
[00:48:16] Olha, que é tipo, é uma biblioteca gigantesca,
[00:48:22] é uma coleção de arquivos, é o arquivo Marx, Engels, assim,
[00:48:26] com os textos originais, cartas.
[00:48:29] Vai dar 114 volumes, eles estão esperando que dê tudo isso,
[00:48:33] só que o projeto vive empatando por falta de financiamento,
[00:48:37] aí ultimamente dizem que vai andar, né?
[00:48:40] Mas o projeto começou na União Soviética,
[00:48:42] a União Soviética morreu, então acabou o sinal semeta.
[00:48:44] Isso tudo eu não sabia, por exemplo, entendeu?
[00:48:47] Porque eu só sei bem por cima essa parte, mas enfim.
[00:48:49] O que eu ia falar é só que assim, essa comparação de biografias,
[00:48:53] quando a gente vê as biografias do Lenin,
[00:48:55] enfim, todas essas pequenas que saem e tal,
[00:48:59] a gente tem que pensar também qual o objetivo da publicação,
[00:49:01] porque tem muita biografia que é feita assim,
[00:49:03] tipo, a gente precisa circular,
[00:49:06] porque antes era tudo livre, não existia internet,
[00:49:08] não existia Wikipedia, era tudo livro,
[00:49:10] você precisava fazer alguma coisa, ficar conhecida,
[00:49:12] você tinha que publicar um livrinho,
[00:49:14] mesmo que fosse um livrinho curto para o público geral,
[00:49:16] saber mais ou menos quem é Marx,
[00:49:18] aí você vai lá, junta, faz aquilo ali,
[00:49:20] que é diferente de hoje, que a gente tem essas referências mais curtas,
[00:49:23] na internet, enciclopédias digitais e tudo mais,
[00:49:27] e aí a gente quando vai publicar um livro,
[00:49:28] você vai publicar realmente um negócio que, tipo assim,
[00:49:31] não cabe você colocar uma página, assim,
[00:49:34] você vai realmente fazer um compilado gigantesco,
[00:49:37] um estudo de anos e tal,
[00:49:39] então tem os objetivos objetivos,
[00:49:41] eu acho que talvez quando a gente fala assim
[00:49:43] que a biografia é definitiva,
[00:49:45] não é definitiva no sentido de que ela vai definir
[00:49:48] ou que ela vai ser a última ou a melhor para sempre,
[00:49:51] mas no sentido de que com todos os recursos que a gente tem hoje,
[00:49:54] que a gente não tinha antes,
[00:49:55] de pesquisa, de recuperação de documento,
[00:49:57] de tradução, de identificação de coisa, de tudo,
[00:50:02] a gente consegue fazer talvez a melhor possível
[00:50:05] que já foi feito até agora, sabe?
[00:50:09] A questão é que ele fala,
[00:50:11] eu vi uma entrevista dele um tempo atrás,
[00:50:13] eu não lembro onde não,
[00:50:14] mas ele falava que esse interesse em produzir essa biografia de Marx
[00:50:18] era de duas coisas,
[00:50:19] uma que ele achava que a maioria dos biógrafos
[00:50:22] falavam que escolhiam o que interessava a eles
[00:50:27] e falavam daquilo e ignoravam o que eles não gostavam,
[00:50:29] aí todas essas biografias de Marx ficavam trechos da vida do Marx,
[00:50:34] em vez de algo mais completo realmente,
[00:50:38] então acho que é parte desse processo,
[00:50:41] mas também porque ele achava que a biografia
[00:50:45] tinha que ser também uma biografia intelectual,
[00:50:47] não dava para separar uma coisa da outra,
[00:50:49] então eu tenho boas expectativas para essa publicação.
[00:50:55] Gente, então eu quero falar rapidamente de duas coisas,
[00:50:58] eu vou aumentar um pouco o que eu ia falar,
[00:50:59] porque a Marida começou a falar,
[00:51:00] eu vou falar um pouco da MEGA,
[00:51:02] para quem não conhece, posso falar brevemente da MEGA?
[00:51:05] Por favor, manda ver.
[00:51:07] Os programas de três horas mesmo, foda-se, eu estou feliz.
[00:51:10] É um prazer falar com vocês o mais possível.
[00:51:13] Isso porque amanhã tem mais.
[00:51:16] Exatamente, vai lá.
[00:51:20] Então, a MEGA, ela começa a ser publicada ainda
[00:51:25] na nossa querida União das Repúblicas Socialistas Soviéticas,
[00:51:29] ela no começo teria entre 30 e 40 volumes,
[00:51:34] ela já sai as primeiras publicações no final da década de 20,
[00:51:40] principalmente no começo de 30,
[00:51:42] os primeiros volumes saem entre 27 e 35,
[00:51:45] depois ele continua em 31,
[00:51:48] e depois ela vai ser descontinuada,
[00:51:52] e depois de um período ela volta em 72,
[00:51:56] depois ela só vai voltar com mais força mesmo no final dos anos 90.
[00:52:00] Ela é dividida em basicamente quatro grandes eixos,
[00:52:05] que o primeiro cobre os escritos filosóficos, econômicos e políticos,
[00:52:11] o segundo basicamente os três volumes do capital
[00:52:17] com os manuscritos que se relacionam a ele,
[00:52:20] que saíram no Grundisser em 857,
[00:52:26] e se não me engano essa é a única sessão que está de fato completa,
[00:52:31] a terceira é a sessão das correspondências,
[00:52:36] que é uma sessão gigantesca que eles estão calculando em 30 e 40 volumes só de correspondência,
[00:52:41] então tinha carta pra caralho,
[00:52:43] você imagina se hoje em dia todos os nossos zapzapz e-mails e messengers fossem publicados,
[00:52:49] Nossa, caralho inferno, nada ia fazer sentido.
[00:52:52] Não, não ia fazer nada sentido, primeiro que qualquer arqueólogo que visse o meu com os amelianes
[00:52:57] ia falar assim, meu Deus, que lindo relacionamento desse inquil e desse killgummit.
[00:53:04] E o último, não o último volume, a última sessão das quatro sessões
[00:53:11] são as notas, as marginárias que estão em volta, os excertos que ficaram de fora de tudo isso.
[00:53:18] Desde 1990 ela vem sendo publicada na Holanda,
[00:53:24] mas a partir de 2015 a Genzamer Wissenschaft Konferenz da Alemanha,
[00:53:33] desculpa, da Alemanha, decidiu que vai dar dinheiro pra que isso continue a ser publicado,
[00:53:39] só que agora parte disso vai ser publicado online e parte disso vai ser publicado em papel.
[00:53:47] Então eles estão dizendo que pra facilitar a questão do cartulário,
[00:53:51] o cartulário vai ser disponibilizado no futuro online.
[00:53:57] Então assim, teremos pra todos vocês estudantes do futuro a possibilidade de fazer lindas e maravilhosas
[00:54:02] teses de doutorado sobre o cartulário entre os dois, é só aprender alemão e esperar,
[00:54:06] porque isso vai estar online e vai ser disponibilizado aparentemente pelo português alemão.
[00:54:11] Ou as pessoas esperarem a bom tempo nessa fofíssima.
[00:54:17] Ou as pessoas esperam a bom tempo traduzir, vai ter mais de 50 anos de publicações.
[00:54:24] No meu mestrado eu precisei de traduzir cartulário do século 12 do documento
[00:54:28] a católica homenia em manuscritos em latim, então vocês estão reclamando à toa.
[00:54:32] Seis por que aqui? Seis por que aqui?
[00:54:37] Eu queria saber se nessa época você estava pagando conta.
[00:54:41] Fala aí Sabrina.
[00:54:44] A coisa que o João falou, é porque assim, eu tenho expectativa que o Mega seja realmente disponível,
[00:54:50] porque tem um problema com MSCW, que é o Mark Sengel’s Collected Works,
[00:54:54] que ele é da Lawrence, alguma coisa dessa que não consigo lembrar agora, de qual que é a editora.
[00:55:01] E aí, por exemplo, ela é dona do copyright.
[00:55:04] Ela mandou, por exemplo, o site que é o marxist.org, que é o bambambam,
[00:55:08] que a gente acha quase tudo do Marx lá, tirar um monte de coisa.
[00:55:13] Então assim, eles pegam direitos de cartas da Jane, do Marx e tudo mais.
[00:55:19] E aí tiram o acesso das direitos.
[00:55:21] É uma coisa que é absurda de fazer com uma obra de Marx.
[00:55:24] Isso é domínio público, não é possível.
[00:55:26] Pois é.
[00:55:27] Pois é, mas aí é o famoso comprei a camisa do Tiago Guevara.
[00:55:31] Mas eu não sei a história toda, só sei que eles conseguiram judicialmente
[00:55:36] tirar várias das publicações que estavam no marxist.org através disso.
[00:55:41] Isso faz um ano já.
[00:55:42] Aquela coisa, se ficar online um dia, todo mundo vai conseguir downloadar depois no Live Genesis.
[00:55:48] Então assim, a LibGen depois na Rússia vai colocar isso online com certeza.
[00:55:53] Mas tem uma dificuldade já.
[00:55:55] Por exemplo, lá no Marxist.org ficava tudo dividido, já tinha o link de cada coisa e tudo mais.
[00:56:01] Então alguém vai ter que piratear se não tiver.
[00:56:05] Nossa, minha voz está parecendo o Ivan agora.
[00:56:07] Isso aí.
[00:56:09] Vai tomar vitamina C aí, que eu estou passando por Skype.
[00:56:13] Você está me contagiando por Skype.
[00:56:16] Eu já passei alquim na mão já.
[00:56:19] Mas é isso.
[00:56:20] Espero que o Mega, pelo menos no alemão, o pessoal tenha vergonha na cara, já que está sendo financiado com muito dinheiro público.
[00:56:25] É aquela coisa.
[00:56:26] Em tese, a parte do cartulário vai ser disponibilizado online.
[00:56:30] Tem que ver, porque parte do cartulário é da Lawrence & Wichert.
[00:56:36] Online é um…
[00:56:38] Então é isso, Lawrence & Wichert.
[00:56:40] Pois é, o problema é isso, que é a dona do inglês.
[00:56:44] Tem que ver qual parte do cartulário vai ser e qual parte que eles vão querer ou não.
[00:56:48] Agora eu estou imaginando que se vai ter financiamento público, provavelmente vai ter pelo menos a compra para disponibilizar online parte desse cartulário.
[00:56:56] É, e que não seja assim…
[00:56:58] Mas olha, você…
[00:57:00] Se você, jovem mancebo que está ouvindo a gente nesse momento, que está pensando assim, caralho, eu não vou ter acesso às cartas, fodeu, o que eu faço da minha vida?
[00:57:10] Calma, você tem um monte de livro antes, etc.
[00:57:13] Então assim, as cartas estão lá.
[00:57:15] Um download, um duolingo, comece a fazer seu curso de alemão e se vá para Alemanha, grita na minha cara, entendeu?
[00:57:22] Aí é bem foda.
[00:57:24] Mas calma, para você entender mais que você não vai ter que fazer isso, calma.
[00:57:29] A segunda coisa que eu queria falar rapidíssimo, e eu já vou devolver a palavra para a Sabrina, é do Heinrich, do Michael Heinrich.
[00:57:39] Ele fez uma palestra em Belo Horizonte, na FAAS.
[00:57:44] Olha só.
[00:57:46] E ele falou do Mega, ele falou do projeto da biografia dele.
[00:57:54] E uma coisa que eu achei muito interessante que ele falou, que é uma coisa que a própria Sabrina já falou,
[00:58:01] que é exatamente essa ideia de fazer o que ele chamou de uma biografia intelectual compreensiva,
[00:58:10] que mais do que fazer simplesmente uma biografia intelectual, ele quer tratar com todos os aspectos da vida do mar
[00:58:19] e do desenvolvimento do seu trabalho inserido no contexto, que é uma coisa gigantesca e absurda.
[00:58:28] Porque ele se propõe a um trabalho realmente hercúleo.
[00:58:32] Mas, por exemplo, ele falou que ele quer entrar mais profundamente em movimentos que são muito negligenciados.
[00:58:39] Aí o que ele falou do quê?
[00:58:40] Ele falou da amizade, por exemplo, do Bruno Bauer com Marx, que os dois foram melhores amigos entre 1837 e 1841.
[00:58:47] Ele falou que ele quer trabalhar com os primeiros poemas de Marx.
[00:58:52] Ai, que medo.
[00:58:54] É verdade.
[00:58:55] O Marx escreveu vários poemas.
[00:58:57] Inclusive assim, o Hobsbawm quando escreve sobre o Marx, ele fala sobre os poemas do Marx.
[00:59:01] E o Marx escreveu uma obra de ficção também parece.
[00:59:05] Dizem que não é muito boa.
[00:59:15] Calma, calma, gente, calma.
[00:59:17] Ele falou que nesse primeiro volume ele quer falar sobre o papel dos primeiros poemas do Marx
[00:59:27] no desenvolvimento intelectual e que levaram ele a filosofia hegeliana dessa relação com o Bruno Bauer.
[00:59:32] O que eu espero sinceramente que tenha finalmente alguma justificativa plausível do rolê com os jumentos.
[00:59:38] Eu acho a carta mais importante desse primeiro volume.
[00:59:48] Eu estou louco para chegar em 1841.
[00:59:50] Na hora que eu falei assim, então Marx e Bruno Bauer foram para uma igreja no caminho entre Berlim e Boa.
[00:59:55] Eu falei agora, chegou minha hora de brilhar.
[00:59:57] Cinco cartas diferentes entre Marx e Bruno Bauer.
[01:00:02] Carai, Bruno, o que aconteceu ontem?
[01:00:04] Esse dia foi louco.
[01:00:06] Que rolê é esse?
[01:00:08] É curioso porque vai chegar na ideologia alemã e o Marx vai ficar ironizando com o Bruno Bauer o tempo inteiro.
[01:00:15] Que é aquela coisa.
[01:00:17] Amizade mesmo que duradoura só com Engels, porque com todo mundo ele arranjava um problema.
[01:00:22] Mas mesmo com Engels ele era extremamente crítico.
[01:00:25] Mas ele não era safado como ele foi com o Bruno Bauer.
[01:00:31] Na textual da ideologia alemã, você vai olhar a ideologia alemã e está lá.
[01:00:35] Ah, santo Bruno e tal.
[01:00:37] Tipo assim, todo aquele sess do Marx.
[01:00:39] Agora, para além disso, a gente tem que pensar que quando ele escreveu a ideologia alemã,
[01:00:44] ele já estava começando a ser perseguido e ele tinha medo do livro não ser publicado.
[01:00:47] Então a forma como ele escreve também, assim, tentando ajudar.
[01:00:51] Não, acho que não.
[01:00:53] Acho que ele estava querendo lacrar em cima do Bruno Bauer.
[01:00:57] O Marx estava sendo ácido ali mesmo.
[01:00:59] Marx sempre foi meio ácido.
[01:01:01] Não, ácido ele foi a vida inteira, gente.
[01:01:02] Mas, pelo amor de Deus, se você sofrecer as dores de fígado, as dores de vesícula biliar,
[01:01:08] o olho inflamado que esse homem sofreu.
[01:01:11] E ele estava sempre falando dessas coisas.
[01:01:15] Ele tinha um monte de coisas.
[01:01:16] Era Erna, era Furunco, era um monte de coisas.
[01:01:19] Não, não.
[01:01:21] Ele está quase assim um leproso medieval.
[01:01:25] Parece que no final da vida, principalmente nos últimos anos, ele desenvolve uns furúnculos.
[01:01:29] Inclusive, eu estava lendo um trabalho que é de um médico alemão falando que o diagnóstico dele foi errado.
[01:01:37] Ah, já vi isso.
[01:01:39] Você já viu isso?
[01:01:40] Já.
[01:01:41] Eu esqueci o nome da doença, mas era uma outra doença que combinava todos os fatores, inclusive os furúnculos horríveis.
[01:01:47] É.
[01:01:49] E que ele foi mal diagnosticado e que esses furúnculos eram assim,
[01:01:52] era na pubis perianais genitais na face e não deixava ele sentar à direita.
[01:01:58] Era uma coisa horrível.
[01:01:59] Gente, não era uma doença excepcionalmente transmissível, não?
[01:02:02] Não, não era, não era.
[01:02:03] Era uma doença.
[01:02:04] Hoje, gente.
[01:02:05] Hoje tem um diagnóstico fechado disso.
[01:02:07] Eu estou aqui…
[01:02:08] É aquele documentário do…
[01:02:10] Eu estou aqui…
[01:02:11] Eu acho que ia falar isso.
[01:02:13] Pode ser.
[01:02:14] Eu estou aqui olhando para o livro aqui, aí, furúnculo, genital, perianal.
[01:02:18] Não, velho, não.
[01:02:19] Me ajuda.
[01:02:23] Eu estou pensando no cara barbudo lá, assim, tipo…
[01:02:26] Ô, Gene, me ajuda aqui, tem um negócio na minha bunda.
[01:02:32] Ele era taurino, cara.
[01:02:36] Estamos juntos.
[01:02:37] Aliás, dia 14 do meu aniversário, é nóis.
[01:02:39] Isso aí prova o companheirito.
[01:02:41] O companheirito de verdade é lacetar furúnculo no mumbum.
[01:02:47] Mas eu vi o tweet genial esses dias, assim.
[01:02:49] Ah, agora que eu descobri que o Max era taurino, de pé ao vítimas da fome,
[01:02:54] fez todo o sentido para mim.
[01:02:58] Achei genial.
[01:02:59] Não sei quem fez, mas foi genial.
[01:03:00] Na minha posição de representatividade taurina aqui,
[01:03:03] eu quero dizer que esse negócio de comida é verdade.
[01:03:06] A gente come para casa.
[01:03:10] Vocês têm lugar de fala.
[01:03:12] Vocês têm lugar de fala.
[01:03:14] Tem lugar de fala.
[01:03:17] Eu queria falar, já que mais cedo o Ivan estava falando dessas biografias
[01:03:21] que a Boitempo está trazendo e tal,
[01:03:23] tem uma outra que eu gosto justamente porque é um pouquinho ácida,
[01:03:27] que na verdade é pela barricada, né?
[01:03:29] Aquele outro selo da Boitempo trabalhando com quadrinhos,
[01:03:32] e que é da Corinne Meyer e da Anne Simon.
[01:03:35] E cara, a primeira vez que eu peguei e falei, olha,
[01:03:38] não é uma biografia,
[01:03:39] porque geralmente eu gosto muito de coisas em quadrinhos
[01:03:41] que eu gosto de passar para os meus alunos, né?
[01:03:42] E eu pensei, vou comprar isso aqui,
[01:03:44] e eu vou pegar e vou passar para os meus alunos,
[01:03:47] e eu pensei, talvez não,
[01:03:49] porque eu tenho muitos alunos da engenharia, uns alunos meio reaça,
[01:03:53] e eles não vão entender muito bem a parte ácida da biografia.
[01:03:57] Mas é muito curiosa, porque ela tem partes assim que estão
[01:04:00] descrevendo como é que ele foi pensar sobre mais balia,
[01:04:03] descrevendo a parte de desenvolvimento intelectual mesmo do Max,
[01:04:07] e ele meio que viajando assim na maionese sobre vários temas,
[01:04:10] é muito legal.
[01:04:12] Mas também trata dessas coisas do dia a dia,
[01:04:14] então assim, tem uma parte que gosta assim do relacionamento dele
[01:04:17] com as filhas, que nada demais para as minhas princesinhas,
[01:04:22] é muito bonitinho o jeito que trata,
[01:04:24] e ao mesmo tempo trata, por exemplo, de momentos do Max,
[01:04:27] em que o Max estava trabalhando com uma coisa e,
[01:04:29] ah é, larguei isso para lá, esqueci disso,
[01:04:31] ah é, estou devendo tal material.
[01:04:33] Então eu achei muito…
[01:04:35] Como é que é?
[01:04:36] Acidente aquário, acidente aquário.
[01:04:38] Ah, tá.
[01:04:42] Aliás, vamos analisar uma pastral.
[01:04:44] Estamos tendo uma parte super materialista aqui nesse momento.
[01:04:46] Não, mas eu estou com uma pastral dele aberta aqui, gente.
[01:04:50] Materialismo astrólogo dialético, né?
[01:04:54] Gente, astrólogo era só um rolar, não era não?
[01:04:56] O Engel só conseguiu suportar ele porque ele era sagitariano.
[01:04:59] Exatamente, mas é porque o meio do céu do Max é insagitário.
[01:05:05] Eu não sei de astrologia para isso.
[01:05:08] Mas enfim, eu acho que é muito legal.
[01:05:10] Eu gosto de recomendar para quem já é Maxine,
[01:05:14] para quem já está nesse caminho da revolução da esquerda,
[01:05:18] já viu a luz e tudo mais, é uma boa, é uma biografia,
[01:05:22] é uma biografia muito legal.
[01:05:25] Ela traz vários dados de Max, vários fatos históricos mesmo,
[01:05:29] mas ela tem essa pegadinha meio brincalhona.
[01:05:32] E um pouco de fazer graça com a cara do Max também em alguns momentos.
[01:05:37] Eu acho que é importante isso.
[01:05:39] Então eu gosto, eu só não recomendo ela para aquela pessoa assim,
[01:05:43] olha gente, está ali um resgate, um resgate,
[01:05:47] um resgate, um resgate.
[01:05:49] Eu só não recomendo ela para aquela pessoa assim, olha gente, está ali um reaça
[01:05:54] que nunca lê nada e fica falando aí que Max não tomava banho.
[01:05:58] Então eu vou dar essa biografia aqui para ele ler, porque em quadrinhos ele vai ler.
[01:06:02] Ele provavelmente vai sair mais preconceituoso,
[01:06:04] porque ele não vai entender muito bem a questão do contexto.
[01:06:07] Mas para o resto da galera eu acho que é uma boa.
[01:06:10] Eu gosto desses investimentos.
[01:06:12] A Boitatá, que é outro céu da Boitempo, fez o capital para crianças.
[01:06:17] É lindo. É muito fofinho.
[01:06:20] A explicação de Masvalia é muito, muito fofinho.
[01:06:25] É legal, mas por exemplo eu ouvi falar que teve uma professora que passou o livro
[01:06:31] e acabou sendo meio que criminalizado na escola e tudo mais.
[01:06:35] Pessoal da escola, dos professores contra a escola sem partido que estavam contando esse relato.
[01:06:41] Então para você ver, até um livro muito fofinho que não tem nada de doutrinação,
[01:06:46] é simplesmente mostrando a obra do cara.
[01:06:49] O pessoal está vindo para cima, porque você não pode falar de política para crianças.
[01:06:53] Mas cara, é muito fofinho.
[01:06:55] Dê de presente para as criancinhas.
[01:06:58] Eu não tenho nem filho, mas eu fico só pensando.
[01:07:00] Eu preciso preservar isso para o futuro.
[01:07:02] Ótimo.
[01:07:03] Não pode ensinar política para as crianças, mas pode ensinar o pai nosso na escola.
[01:07:07] Isso aí tudo pode, tá certo.
[01:07:12] Bom gente, uma hora até agora a gente falou das doenças do Marx,
[01:07:16] das filhas que suicidaram na frente dele e dos livros que não foram publicados.
[01:07:21] Então a gente está super bem.
[01:07:23] Agora a gente pode entrar no tema, que é a biografia do Marx.
[01:07:29] Então assim, para facilitar um pouco, eu com essa minha voz linda para falar pouco,
[01:07:35] assim, dos grandes conceitos que o Marx produziu, que é bem conhecido,
[01:07:42] qual vai ser o primeiro e em que contexto que ele trabalha?
[01:07:46] Podemos começar assim?
[01:07:47] Ou o João quer explicar antes quem era o pai do Marx de novo,
[01:07:52] quem se influenciou os três filhos?
[01:07:54] Calma aí, eu tenho uma dúvida.
[01:07:56] Não, fica a vontade.
[01:07:57] Dos conceitos depois que ele afirmou o materialismo histórico,
[01:08:01] ou antes também, quando ele ainda era um jovem hegeliano?
[01:08:04] Vamos falar do jovem hegeliano.
[01:08:05] Aliás, boa.
[01:08:06] Vamos começar por aí sabendo porque é o seguinte.
[01:08:08] O jovem.
[01:08:09] Fala do jovem.
[01:08:10] Eu me preparei muito para esse programa de hoje.
[01:08:13] Vendo o filme Jovem Marx, eu consegui ver até um ponto,
[01:08:17] porque é meio resfriado, não deixou ver tudo até o fim.
[01:08:20] Mas eu achei muito interessante aquele contexto que parecia que ser hegeliano
[01:08:28] era uma parada muito louca.
[01:08:30] E os hegelianos brigavam entre si para ver qual que era o verdadeiro hegelianismo.
[01:08:35] Então, primeiro me surpreendo que de fato alguém tinha um tesão por ler Hegel
[01:08:41] em algum momento da história.
[01:08:43] Era um clubinho, eles chamavam de Dr. Club.
[01:08:48] Então me explique um pouquinho sobre isso,
[01:08:50] porque eu fiquei fascinado com esse mundo.
[01:08:52] Como é que funcionavam esses círculos?
[01:08:54] Então, o Marx, quando ele estava estudando ainda assim,
[01:08:58] que seria, eu acho, graduação na época,
[01:09:00] ele falava muito, escrevia muito, então ele chamava muita atenção.
[01:09:04] Então ele conseguiu chamar a atenção de pessoas,
[01:09:07] outros acadêmicos, pensadores da época,
[01:09:09] que tinham sim uma diferença de 10 a 20 anos de idade dele.
[01:09:12] Mas ele era esse menino e eles falavam,
[01:09:15] cara, esse menino tem muito potencial.
[01:09:17] E colocaram, o Marx entrou para o grupinho.
[01:09:20] Era um grupinho assim super avant-garde e tal.
[01:09:23] E era para criticar a religião, era para criticar o Estado.
[01:09:26] E muito disso vinha com a leitura de Hegel.
[01:09:29] Então ele entrou nesse grupinho muito cedo.
[01:09:32] O Bruno Bauer, que era um dos líderes dos jovens reguilianos,
[01:09:37] ele não era da idade do Marx, ele era mais velho que o Marx.
[01:09:41] E ele foi um mentor também, não foi só um amigo,
[01:09:44] ele foi um mentor, inclusive, depois com a até de doutorado Marx,
[01:09:48] que não vai ser sobre Hegel,
[01:09:51] que vai ser sobre Demócrito e Epicuro
[01:09:54] e a crítica da filosofia da natureza deles.
[01:09:57] Que é uma coisa que eu acho legal, que depois a gente vai conseguir sugar
[01:10:01] como que ele pegou naquela época, quando ele era idealista,
[01:10:04] e ele estava fazendo essa crítica,
[01:10:07] e como que materialista ele enxerga a natureza depois.
[01:10:10] Então tem todo um trajeto que o John Bellamy Foster
[01:10:13] é uma das poucas pessoas que trabalha com isso, trabalhando com Marx.
[01:10:17] Inclusive há toda uma tensão dentro do ecossocialismo em relação a isso.
[01:10:22] O pessoal que presta atenção no Marx dessa época,
[01:10:25] como ele enxergava a natureza, e os que falam
[01:10:27] não, esquece isso, não interessa se Marx já estava prestando atenção na natureza ou não.
[01:10:31] Mas tem uma treta até dentro do ecossocialismo relacionada a isso.
[01:10:34] Mas a questão é essa, ele era um jovem reguiliano,
[01:10:38] ele foi aceito dessa maneira, durante o doutorado dele,
[01:10:41] ele fazia parte do clubinho,
[01:10:43] e depois que ele terminou o doutorado também.
[01:10:45] O problema era que os jovens reguilianos estavam começando a ser perseguidos nessa época.
[01:10:49] Então o próprio Bruno Bauer, quando ele foi ser apontado
[01:10:52] para uma cátedra de professor mais permanente, assim por dizer,
[01:10:57] ele ia ser apontado, aí depois, não sei se essa palavra apontada, nomeado,
[01:11:01] aí depois ele não ia ser mais nomeado, porque trocaram o ministro da cultura na época.
[01:11:07] Então tinha toda essa questão de tensão religiosa,
[01:11:10] porque eles eram muito radicais na crítica à religião,
[01:11:14] eles estavam importunando gente muito poderosa.
[01:11:18] E é justamente nesse processo que aí o Marx vai entrar para a carreira realmente jornalista.
[01:11:24] Apesar que ele já escrevi um artigo ali, outro aqui,
[01:11:26] é onde ele se encontra com o processo do Reinich Saitung.
[01:11:30] Eu não tenho a pronúncia perfeita do João, mas eu estou tentando.
[01:11:33] E aí ele vai se encontrar com isso, mas ele ainda era um idealista nessa época.
[01:11:40] E ele vai ter esse primeiro encontro com uma análise não idealista,
[01:11:46] justamente com o caso do suposto roubo da madeira,
[01:11:49] que no começo do filme lá do jovem Marx, as pessoas estão colhendo as madeiras,
[01:11:55] estão sendo criminalizadas e tudo mais.
[01:11:57] E é fazendo essa análise que ele vai vendo a quantidade absurda
[01:12:01] de gente que está sendo presa por isso,
[01:12:03] que o Marx vai descrever isso depois que ele finalmente começou a colocar o pé no chão.
[01:12:09] Então essa transição é muito importante na vida dele.
[01:12:12] Esse caso que estava acontecendo ali na Renânia vai mudar o Marx
[01:12:17] de um Hegeliano muito idealista, parte desse grupinho.
[01:12:21] E a partir disso ele vai começar a ser um cara questionando a visão idealista de Hegel,
[01:12:28] mas mantendo certos aspectos da análise Hegeliana, que é principalmente a dialética,
[01:12:33] que é o que eu acho que é maravilhoso de Marx.
[01:12:35] É porque até na hora dele tratar de Hegel e rejeitar Hegel,
[01:12:40] ele está se reapropriando de Hegel, que é parte da dialética em si.
[01:12:44] Então eu acho isso muito bonito nessa trajetória intelectual dele.
[01:12:48] E aí a partir desse momento ali mesmo com o que ele estava presenciando na Renânia
[01:12:54] e quando ele vai para a França,
[01:12:56] que o Marx realmente vai começar a olhar muito bem que ele não era realmente idealista,
[01:13:02] ele vai ter todo essa, ele vai começar a confrontar o materialismo também
[01:13:06] a partir de 1843 a 1845, então nesse período de dois anos,
[01:13:12] do jornal para a expulsão dele, para o jornal sendo suprimido,
[01:13:17] para ele tendo que fugir para Paris e Paris tentando montar um jornal lá também,
[01:13:21] as coisas dando problema lá também,
[01:13:23] ele vai começar a se mergulhar mais em relação ao materialismo,
[01:13:27] mas já produzindo uma crítica do Feuerbach.
[01:13:30] Então o processo realmente dele se tornar o Marx que a gente conhece hoje
[01:13:35] é um processo de mais ou menos dois anos,
[01:13:38] porque antes disso a trajetória intelectual dele
[01:13:41] era muito focada nesses clubinhos políticos que ele circulava
[01:13:45] que ele mesmo pela idade nem deveria estar nos clubinhos,
[01:13:49] mas ele impressionava tantas as pessoas mais velhas dele
[01:13:52] que ele acabou virando um líder.
[01:13:55] Então ele tinha planejamentos, das coisas que a gente falou mais cedo,
[01:13:58] de publicar uma porrada de coisa com Bruno Bauer,
[01:14:01] várias coisas que eles estavam pensando,
[01:14:04] inclusive algumas críticas que eles escreveram,
[01:14:09] que o Marx escreveu para o Heinrich Dietz na época
[01:14:14] e o Heinrich Dietz não publicou,
[01:14:17] então ele já está tendo muita censura e tudo mais,
[01:14:20] e nesse processo ele virou de todo o Heinrich Zeitung
[01:14:23] e acabou mergulhando mais nessas coisas.
[01:14:25] Então essa questão mesmo vai acontecer nesse período,
[01:14:28] porque até antes o Marx era crítico do comunismo
[01:14:32] e isso que é muito interessante notar.
[01:14:34] Como assim?
[01:14:35] É, olha essa coisa.
[01:14:37] Estou chocado.
[01:14:39] Porque ele via que em Berlim o comunismo que era falado lá em Berlim
[01:14:45] era um comunismo superficial.
[01:14:47] Quando a gente for parar para olhar, toda a crítica dele vai ser isso,
[01:14:50] vai ter uma crítica aos…
[01:14:53] Quer só um pouquinho, Sabrina.
[01:14:54] Zamiliano, o microfone está dentro do teu nariz do jeito que parece.
[01:14:59] Ele está assoviando.
[01:15:02] Tá, bota o microfone no queixo, por favor.
[01:15:06] Sabrina, mil desculpas.
[01:15:09] Eu já estou terminando o monologo.
[01:15:13] Eu falei um milhão de vezes para o Zamiliano.
[01:15:16] Tira esse microfone do nariz, caralho.
[01:15:18] Então vai lá. Pronto, vai lá.
[01:15:20] Continua, Sabrina.
[01:15:21] Até agora está ótimo.
[01:15:22] Acho que está de boa.
[01:15:23] Mas o interessante é isso.
[01:15:25] Ele não era muito interessado em questões sociais.
[01:15:27] Ele não era no começo da década de 40 do 1840 e pouquinho.
[01:15:32] Ele foi ser por conta de uma questão material
[01:15:36] que mudou as condições do local onde ele morava.
[01:15:40] Porque até o momento ele achava o comunismo superficial.
[01:15:42] Você tem que pensar que quem estava falando dessas coisas na época
[01:15:45] são pessoas que ele ia criticar depois.
[01:15:48] Então ele vai entrar, por exemplo,
[01:15:50] quando ele vai entrar com todas aquelas polêmicas com o Proudhon,
[01:15:53] é justamente isso parte das críticas que Marx já tinha o comunismo.
[01:15:56] Ele só, a diferença é que naquela época
[01:15:59] ele criticava o comunismo como superficial,
[01:16:01] mas não para melhorar o comunismo.
[01:16:03] Isso vai acontecer depois por questões materiais mesmo
[01:16:06] que ele vai analisar na sociedade.
[01:16:08] Então o idealismo, esse período idealista hegeliano do Marx
[01:16:14] era o que estava segurando ele realmente de perceber
[01:16:19] o que estava acontecendo na realidade ao redor dele.
[01:16:22] A partir do momento que essa questão do roubo de madeira
[01:16:26] fica tão pungente ali na Renânia
[01:16:29] que está extrapolando estatisticamente a quantidade de pessoas presas por conta disso.
[01:16:33] E ele vai notar que há uma repressão muito violenta dessas pessoas
[01:16:39] que ele acorda.
[01:16:41] Então é muito bonito porque a gente consegue pensar que também muitos de nós fazemos isso.
[01:16:47] A gente às vezes até lê muitas coisas,
[01:16:49] mas vai ser uma experiência com uma greve ou com uma ocupação,
[01:16:54] uma coisa dessa que a gente vai acordar para a realidade social.
[01:16:57] É tipo o Ivan que deixou de seis então depois de 2013, né Ivan?
[01:17:02] Isso aí, tipo isso.
[01:17:04] Só que eu ainda não fui total.
[01:17:07] Não entropa o grupinho marquista, né?
[01:17:09] Infelizmente a gente está tentando trabalhar com isso, mas…
[01:17:13] Está infletando com quinesismo tem alguns anos.
[01:17:20] Mais ou menos, mais ou menos.
[01:17:24] Mas sim, mas sim, eu entendo perfeitamente.
[01:17:29] Enquanto você dava sua aula, Sabrina, muito excelente aula por sinal,
[01:17:34] o pessoal aqui do fundo ficava tendo conversinha paralela no Skype
[01:17:39] e daí a Sabrina fez uma piada.
[01:17:42] A Marília fez uma piada que todo mundo riu pra caralho
[01:17:45] e eu não entendi porra nenhuma.
[01:17:47] Que a Marília falou assim…
[01:17:49] Você não entendeu?
[01:17:50] O clubinho era…
[01:17:51] Eu falei que o Marques, quando ele entra na faculdade
[01:17:57] e ele junta com o clubinho dos reguelianos e tal,
[01:17:59] é mais ou menos que nem essa galera, é uma piada bem ácida.
[01:18:02] É mais ou menos que essa galera hoje que chega na faculdade
[01:18:05] e daí já cola assim, tipo,
[01:18:06] ah não, mas agora eu sou autosseriano,
[01:18:08] então eu não falo com você que eu é lucaxiano.
[01:18:10] Não, mas agora eu sou… Entendeu?
[01:18:14] É que como eu não li autosser nem lucax…
[01:18:16] A graça é que, na verdade, é uma crítica, né?
[01:18:20] Porque é o seguinte, o marxismo dentro do meio acadêmico hoje,
[01:18:25] muitas vezes ele opera também nessa lógica de clubinho.
[01:18:28] A galera, tipo, estuda num autor e vira quase uma bíblia,
[01:18:33] só estuda aquele autor, só fala aquilo,
[01:18:35] só pode ler isso, então assim,
[01:18:37] ah, então como eu sou marxista não vou ler Foucault,
[01:18:39] como eu sou marxista não posso ler Butler,
[01:18:41] tenho que ler a crítica marxista ao Foucault e não ler o Foucault,
[01:18:44] tenho que ler o…
[01:18:46] Não só dentro da faculdade, né? Na Rua Elmoreno.
[01:18:50] Pois é.
[01:18:52] Essa galera descobri-se que eu tenho um artigo publicado
[01:18:57] sobre Bruno Latour, né? As pessoas iam ficar enojadas.
[01:19:04] É assim, entendeu?
[01:19:05] Se as pessoas soubessem o que acontece no látios dos Amiliani,
[01:19:08] elas ficariam…
[01:19:11] Mas acho que a brincadeira era um pouco isso,
[01:19:14] porque os próprios marxistas hoje, muitas vezes, não sempre,
[01:19:18] mas existem alguns marxistas e tal,
[01:19:20] existe uma prática relativamente comum em vários lugares,
[01:19:23] que é da galera operar nessa forma de clubinho,
[01:19:26] um pouco dogmático também e tal, sabe?
[01:19:28] E não fazer a parte tão dialética, talvez, desse tipo de trabalho.
[01:19:37] E daí um insight só para contribuir com a discussão da biografia do Marx,
[01:19:43] um insight da sociologia do conhecimento, que é minha área,
[01:19:47] que é bem isso, as pessoas, as obras e autores,
[01:19:51] que, tipo assim, quando Marx entra na faculdade, não existia marxismo.
[01:19:56] Ele entra e existia lá o alienismo, existia os canteanos,
[01:19:59] existia outras escolas da filosofia e tal.
[01:20:03] E quando todo o trabalho que realmente faz uma síntese nova
[01:20:09] de um momento histórico específico e etc.
[01:20:13] Ele vai o quê? Ele vai partir de coisas que já estavam escritas antes
[01:20:17] e vai fazendo a crítica dessas coisas,
[01:20:19] e nesse processo que ele vai produzir um negócio novo.
[01:20:22] Então, assim, a pessoa que quer produzir uma síntese nova
[01:20:27] para o que a gente está vivendo, etc.,
[01:20:29] não dá para ela ficar grudada ali de maneira dogmática,
[01:20:32] querendo reproduzir só e ficar sendo um marxólogo, sacou?
[01:20:36] Ela precisa ser muito mais materialista dialética do que marxista,
[01:20:40] para dizer assim de um jeito simples, para fazer isso.
[01:20:43] Então é uma crítica da galera que faz isso, na verdade, essa piada.
[01:20:47] Não, beleza. Deu para entender.
[01:20:50] Mas é o que o Max chegou a falar no final da vida dele.
[01:20:53] Falava que ele tinha certeza que ele não era marxista.
[01:20:56] É isso.
[01:20:57] Então é esse sentido.
[01:20:58] E geralmente quando a gente está lidando com os sectarismos dentro do marxismo,
[01:21:03] é exatamente o que a Marília acabou de falar.
[01:21:05] Essa questão que o pessoal está confundindo o método,
[01:21:09] que é a maior dádiva que o Max nos deu, é o método do materialismo histórico.
[01:21:14] Então a gente tem que aplicá-lo.
[01:21:17] Não é tratar as palavras com palavras da salvação de marx.
[01:21:22] Porque realmente não faz sentido.
[01:21:24] Se é um materialismo histórico, você não pode usar algo que está preso
[01:21:27] no contexto histórico.
[01:21:28] Você tem que ver como aquilo criou certas condições
[01:21:32] e elas foram evoluindo a partir dali.
[01:21:34] É uma dificuldade que tem muito grande com o pessoal na internet
[01:21:39] que realmente cita marx como se estivesse citando na bíblia.
[01:21:43] Eu acho que eu tenho um exemplo…
[01:21:45] Eu até brinco com as pessoas, até falo assim.
[01:21:47] Falo assim meio que querendo dizer isso.
[01:21:49] Eu falo às vezes assim, tipo, não, eu não sou marxista.
[01:21:51] Todo mundo, como assim?
[01:21:52] Falo, não, eu sou marxista leninista, politicamente.
[01:21:56] Estou dentro de um partido que é marxista leninista e tal.
[01:21:59] Mas assim, o meu trabalho acadêmico, se você for olhar o meu trabalho acadêmico,
[01:22:03] ele não está dentro do que seria o marxismo dentro da academia.
[01:22:06] É outra coisa.
[01:22:08] A gente se assorja do conhecimento, vai para outros cantos.
[01:22:10] Eu sempre brinco e falo, não, mas eu não sou marxista.
[01:22:15] Eu acho que um exemplo muito bom disso que a Sabrina está falando,
[01:22:18] por exemplo, é quando a gente vai discutir.
[01:22:24] Desculpa, o João me fodeu aqui.
[01:22:32] Gente, o João acabou de incorporar o espírito de um web maois.
[01:22:41] Eu já me perdi todo aqui.
[01:22:44] O João faz o seguinte, Zomiliano, termina só, fala.
[01:22:48] Daí o João vai falar, porque ele está horas falando.
[01:22:51] De fora é minha, de fora é minha.
[01:22:54] E daí agora?
[01:22:55] De fora.
[01:22:56] Então beleza, depois é você, João.
[01:22:59] Fala aí, Zomiliano, termina.
[01:23:01] Cara, não, eu ia falar, eu ia falar.
[01:23:04] Cara, eu me perdi completamente.
[01:23:07] Não, eu ia falar que um exemplo muito bom, se eu me lembrar aqui,
[01:23:11] mas eu acho um exemplo muito bom disso que a Sabrina está falando
[01:23:14] em relação às pessoas lerem o Marx de uma forma dogmática.
[01:23:20] Eu até escrevi recentemente, twittei sobre isso,
[01:23:25] e santo quem tem a igreja.
[01:23:27] O João mesmo já vê aqui em Volta Irlanda fazer uma discussão
[01:23:30] sobre 100 anos da Revolução e falou isso também
[01:23:32] quando um rapaz falava do Trot que como se ele fosse um santo.
[01:23:37] Por exemplo, quando a gente pega o 18 para o Mario
[01:23:40] e a gente vê o Marx ali fazendo uma avaliação daquela sociedade
[01:23:44] que é a França naquele determinado momento,
[01:23:46] do que é o campesinato naquele determinado momento.
[01:23:48] E quando a gente pega o Marx discutindo com a Vera Zauslich na Rússia,
[01:23:55] ela é uma populista russa,
[01:23:57] dentro das suas possibilidades, das suas avaliações,
[01:24:01] do que é o campesinato na Rússia.
[01:24:03] O cara tem que aprender russo para falar com ela.
[01:24:06] O cara tem que aprender um pouco da história da Rússia
[01:24:09] para discutir com ela.
[01:24:10] Então não é assim, né, gente?
[01:24:12] A gente tem que prestar atenção na obra do nosso…
[01:24:15] eu vou chamar de profissional.
[01:24:17] Do profissional.
[01:24:21] Do professor.
[01:24:22] A obra do professor.
[01:24:24] O professor fica pesado,
[01:24:26] mas o daquele determinado do pensador,
[01:24:31] vê o momento em que ele está fazendo aquela avaliação,
[01:24:33] prestar atenção no que ele mesmo está falando.
[01:24:36] Quando as pessoas simplesmente viram na doida e falam
[01:24:40] não, porque o capitalismo é desse jeito.
[01:24:43] Ele funciona assim em todo o planeta, etc.
[01:24:45] E as pessoas esquecem que lá no comecinho do capital
[01:24:47] ele está falando assim, estou avaliando a sociedade inglesa.
[01:24:50] Um escreve falando, estou avaliando o universo.
[01:24:54] Tudo o que existe em todos os lugares com a minha manopla do infinito.
[01:24:59] Não é assim, né, o Max não está fazendo isso.
[01:25:02] Então a gente tem que tomar muito cuidado com isso mesmo,
[01:25:04] só reforçando essa questão, se eu conseguir lembrar de alguma coisa.
[01:25:08] É sério, porque quando eu fiz aqueles vídeos de veganismo lá para o canal,
[01:25:12] apareceram uma galera falando assim,
[01:25:14] mas onde que Max falou sobre o veganismo?
[01:25:16] Porra, é demais, né, velho?
[01:25:18] Puta que pariu.
[01:25:20] Então vamos lá.
[01:25:21] Ou seja, não posso, é revisionismo.
[01:25:23] Olha, isso aí é demais.
[01:25:25] O Max nunca falou sobre veganismo.
[01:25:26] Gente, a gente vai perder o João se ele não falar.
[01:25:28] Vamos lá, João.
[01:25:29] Fala aí para a gente.
[01:25:31] Não, não.
[01:25:32] Tipo assim, eu tinha várias coisas para falar que super fariam sentido
[01:25:35] só 20 minutos atrás e que agora vai ficar idiota.
[01:25:41] Então, volta no tempo, não tem problema.
[01:25:43] Mas pode voltar que depois o Ivan edita, sabe?
[01:25:46] Não, não, não, não.
[01:25:49] O ouvinte que passa a linha do tempo imaginária na cabeça dele, vai.
[01:25:53] Não, mas são vários micropontos só para esclarecer algumas coisas.
[01:25:58] A Sabrina falou maravilhosamente bem.
[01:26:01] Tanto pouco que falar quase nada.
[01:26:04] Mas uma coisa que eu acho que é interessante para quem está ouvindo em casa,
[01:26:06] que muita gente não sabe, é antigamente,
[01:26:09] por antigamente ler assim no século 19,
[01:26:11] para você ter uma tese de PhD reconhecida,
[01:26:15] você tinha que escrever sobre a antiguidade clássica dentro de filosofia.
[01:26:20] Então a tese do Marx, ela é sobre filosofia antiga, por isso.
[01:26:25] Já na época do Nietzsche, depois,
[01:26:28] você tinha que escrever uma sobre filosofia moderna e uma sobre filosofia antiga.
[01:26:36] Isso era uma questão da escolaridade alemã no século 19.
[01:26:43] Então, assim, é por isso que ele escreve.
[01:26:46] Já na tese que ele escreve,
[01:26:49] na diferença da filosofia e da natureza em Epicuro e Demócrito,
[01:26:55] ele já começa a mostrar esse caminho dele primeiro
[01:27:00] da relação entre a materialidade e o idealismo.
[01:27:06] Quando a gente pega a tese dele para ver,
[01:27:10] você vê que na tese ele fala como que a questão prática dentro da filosofia,
[01:27:17] filosofia era uma ciência muito ligada ao fazer a praxis,
[01:27:23] na antiguidade, durante boa parte,
[01:27:27] ela era preferível a se ficar numa filosofia puramente metafísica.
[01:27:34] Então ele está defendendo uma filosofia física, uma filosofia do fazer,
[01:27:38] a uma filosofia metafísica, uma filosofia idealista,
[01:27:41] que é exatamente o caminho dele do idealismo para o materialismo.
[01:27:45] O materialismo histórico é exatamente nessa ideia de se fazer algo,
[01:27:49] que ele fala que os filósofos pensaram muito com as cabeças
[01:27:52] e que a gente tem que começar, entre aspas, a pensar com os nossos pés,
[01:27:55] a caminhar na direção de mudar o mundo.
[01:27:58] Aquela tese 11, clássica, que Sabrina, inclusive, usa como…
[01:28:04] Tem ação para o chave.
[01:28:06] O canal, aproveitando para fazer o…
[01:28:08] O brinque é isso.
[01:28:10] Os filósofos falaram muito e muita coisa, agora cada nosso fazer.
[01:28:13] Ah, é isso?
[01:28:15] Então, sim, essa ideia da tese 11 que ele vai escrever depois,
[01:28:19] mas isso já vem lá atrás desse primeiro trabalho dele,
[01:28:23] da diferença da filosofia da natureza em demócrita e epicuro,
[01:28:27] e que isso também era um requisito para um PhD na época,
[01:28:31] que muita gente às vezes não sabe disso,
[01:28:33] que eu acho que isso é um ponto que é interessante para falar.
[01:28:37] Na questão do Rheinische Zeitung,
[01:28:42] a gente tem que ver que isso perpassava toda a nobreza conservadora da época,
[01:28:51] tanto que quando o jornal é pela primeira vez banido,
[01:28:57] porque depois você vai ter uma outra versão do jornal lá na frente,
[01:29:00] o Neuer Rheinische Zeitung,
[01:29:02] que é em outro momento completamente diferente,
[01:29:04] ele é banido a pedido do Tsar, do Nicolas I,
[01:29:10] exatamente por causa de um artigo que foi escrito criticando a monarquia russa,
[01:29:16] que eu acho que isso é uma coisa interessante para a gente ver também
[01:29:19] como que desde esse começo aquelas obras já perpassavam um ciclo maior.
[01:29:25] É óbvio que ali naquela época, nós estamos falando do Alemanha antes da unificação,
[01:29:29] Prússia, a Rússia, estavam ali num universo mental muito próximo,
[01:29:32] mas esses já eram escritores, já eram intelectuais,
[01:29:36] que trabalhavam num círculo internacional,
[01:29:39] que eles já tentavam internacionalizar isso.
[01:29:41] Mas ainda isso vai acontecer quando a mudança para Paris, em 1843,
[01:29:46] que ele vai lá a chamado do Arnold Ruga,
[01:29:50] para escrever o 2 Schifranzois e Schiarburga,
[01:29:54] que é os anais franco-alemães,
[01:29:58] que na verdade vai acabar tendo uma única edição impressa que vai vender maravilhosamente bem
[01:30:04] e que depois vai acabar sendo desmontado.
[01:30:08] Ali você já tem um movimento, que você já tem várias pessoas que estão de fato
[01:30:14] caminhando na direção da internacionalização desses movimentos
[01:30:17] e da ação prática na direção desses movimentos,
[01:30:20] e que mais ainda vai ter alguns momentos que são muito interessantes e importantes na vida dele,
[01:30:25] que é o primeiro contato dele com o Engels e o primeiro contato dele com o Bakunin,
[01:30:29] que ambos acontecem nessa época.
[01:30:32] Em 1844, inclusive no Schiarburga,
[01:30:37] um dos escritores também que publicavam lá era o Bakunin,
[01:30:44] e vai ser dessa ida em Paris, em agosto de 1844,
[01:30:49] no Café de la Région,
[01:30:51] que ele vai conhecer pela primeira vez e que vai passar 10 dias juntos e tal,
[01:30:57] e ele vai ter esse aprofundamento da relação dele com o Engels,
[01:31:00] que vai ser quando o Engels vai mostrar pra ele o que ele tinha recentemente publicado,
[01:31:04] a condição da classe trabalhadora na Inglaterra em 1844.
[01:31:08] E é nesse momento que aparentemente, de acordo com os biófilos,
[01:31:16] de acordo com parte do catular que a gente já tem hoje,
[01:31:18] que isso vai convencer a Marx que a classe trabalhadora é o agente da revolução.
[01:31:25] Então, assim, são esses momentos que eu acho que são bem interessantes
[01:31:31] e também vai ser nesse momento que desses contatos dele, principalmente na França,
[01:31:37] que ele vai finalmente abandonar aquelas últimas ideias de Bauer, principalmente,
[01:31:47] mas ele ainda vai ser influenciado nesse momento por Marx, Steamer e Feuerbach,
[01:31:54] que também vai ser abandonado pouco tempo depois
[01:31:59] e com a escrita de uma crítica que acaba se tornando muito famosa.
[01:32:03] Então, assim, tinha esses pequenos pontos que eu queria mencionar aqui,
[01:32:08] mas era só uma coisa bem por cima.
[01:32:12] E mesmo antes do Hainich e Sainto, que foi esse primeiro jornal,
[01:32:17] que era um jornal radical, mas era um jornal que era muitas vezes,
[01:32:22] ele era bancado pela burguesia rica do HEN
[01:32:28] e ele não falava mal só das ideias conservadoras de direitos,
[01:32:32] ele também, como a Sabrina falou, falava mal do socialismo utópico
[01:32:37] e do, entre aspas, social israel comunismo que existia naquela época,
[01:32:41] exatamente pela pouca profundidade de análise que aquelas pessoas falavam.
[01:32:48] Tinham, e isso vai chamar muito a atenção do Marx como escritor,
[01:32:53] tanto que o Arnold Huguet vai tentar juntar junto os expatriados de origem alemã e francesa
[01:33:02] para escrever isso junto com outros expatriados, como, por exemplo, o Bacunin.
[01:33:06] Depois que esse jornal também vai entrar, vai ter uma única edição, mas ele vai ser censurado
[01:33:19] e depois o Marx vai acabar escrevendo para um outro jornal, que é o Forvet,
[01:33:24] que é para frente, avance, que também é baseado em Paris
[01:33:29] e é nesse jornal que ele vai ter os primeiros contatos,
[01:33:33] porque esse jornal era conectado com a Liga dos Justos,
[01:33:36] que era uma sociedade muito baseada nas sociedades francesas e alemãs,
[01:33:45] mas mais francesa dessa ideia de viver no underground, isso é uma sociedade secreta
[01:33:51] e que depois a Liga dos Justos vai ser transformada na Liga Comunista.
[01:33:59] Então, assim, isso é um momento que é muito importante, que é esse contato todo,
[01:34:03] que vai ser essa maturidade que ele vai ter, em que ele sai do abraço ao Hegelianismo
[01:34:10] nesse primeiro momento da carreira dele, ao encontro com os jovens Hegelianos
[01:34:13] que já estão repensando o par do Hegelianismo, a sua caminhada em relação ao materialismo,
[01:34:19] se afastando do idealismo, percebendo uma diferença muito importante no conceito de Hegel
[01:34:27] para trabalho, para fazer mais, porque o conceito do Hegel não é exatamente de trabalho no sentido de labor,
[01:34:35] ele é um conceito de trabalho no sentido de fazer das pessoas,
[01:34:38] e ele joga esse conceito para o idealismo colocando o que torna o homem humano no ponto do metafísico, do ideal,
[01:34:48] e Marx vai caminhar isso e vai começar a construir o seu conceito de trabalho no sentido de labor,
[01:34:54] falando que é exatamente essa interação social do homem que vai tornar ele humano, mas num sentido material,
[01:35:00] e isso é muito importante para toda a obra que vem depois.
[01:35:06] E era isso, era só isso que eu queria.
[01:35:10] Tá ótimo, então vou fazer o seguinte, vou pegar esse teu gancho,
[01:35:14] porque eu como um cara, o que eu entendo do Marx é o básico do que eu vi do filme e da vida dele lá, o jovem Marx,
[01:35:24] que fala um pouquinho dessa fase aí que você falou, né, João?
[01:35:27] Termina aí, começa quando ele encontra o Engels e encontra os anarquistas na França,
[01:35:35] e daí assim, eu vou falar, o que eu sei é que por conta de eu dar aula para a história do design,
[01:35:44] eu sempre tenho que dar uma aula sobre William Morris, que é um dos ícones do socialismo utópico do século XIX,
[01:35:51] e daí nesse ponto eu queria jogar essa pergunta para vocês, que é uma pergunta bem de leigo, assim, para vocês poderem fazer a diferenciação.
[01:36:01] O Marx não é, Marx e Engels não são responsáveis por criar o conceito de socialismo e comunismo,
[01:36:09] mas eles dão uma repaginada, é isso que eles fazem, e como é que é essa questão de socialismo e comunismo antes e depois de Marx e Engels?
[01:36:18] Quem que quer começar aí? Sabrina, pode ser?
[01:36:24] Eu acho que a gente deveria falar, assim, o Marx tem uma noção do que seria o comunismo primitivo,
[01:36:31] mas não é disso que você está falando, você está falando do pessoal que estava idealizando antes dele, né?
[01:36:35] Isso.
[01:36:36] Sobre o comunismo como o communalismo, que era mais ou menos a versão do Robespierre, né?
[01:36:46] Eu estou partindo da ideia que assim…
[01:36:47] Eu também, mas estou voltando mais lá atrás.
[01:36:48] Eu estou pensando assim…
[01:36:49] Você está querendo falar de socialismo utópico francês?
[01:36:52] Eu estou pensando…
[01:36:55] Você é mais direto, você é mais direto.
[01:36:58] Calma, calma.
[01:36:59] Eu estou querendo saber assim.
[01:37:04] Quando a gente fala socialismo e comunismo hoje, até pelo meu autofalho aqui, a gente relaciona muito com o marxismo.
[01:37:16] Mas assim, os termos já existiam na época de Marx e Engels.
[01:37:20] Então eu gostaria de saber quando eles estão dialogando com esses termos e o que eles fazem para reinventar esses termos exatamente.
[01:37:28] É eles que fazem ou são seus leitores que fazem isso depois?
[01:37:32] Se eu não me engano, foram eles que passaram a chamar o socialismo da época como um socialismo utópico.
[01:37:37] Não sei, às vezes a Joana Marília pode me…
[01:37:40] Mas se eu não me engano, foram eles mesmo porque eles falavam que esse socialismo, que era falado pelo São Simon, pelo Fourier, o Robert Owen e tal,
[01:37:49] era um socialismo que apresentava uma visão muito distante do mundo justo e ético e tudo mais,
[01:37:56] mas não conseguia realmente pensar como produzir isso a partir de uma análise da realidade concreta social.
[01:38:05] Gente, tinha uma crítica que eu acho que…
[01:38:07] Desculpa, vai, Zames, desculpa.
[01:38:09] Eu acho que a gente pode sintetizar isso que Sabrina falou em dois momentos.
[01:38:14] Um momento é o filme e um momento a gente vai usar o Barroso falando com o Gilmar Mendes.
[01:38:20] O momento do filme do Marques, eu não lembro exatamente de quem, mas o Marques está brigando com um rapaz naquele momento
[01:38:26] porque basicamente vira e fala assim, olha só, beleza, você está aí, você vai lá, que é o jovem Marques, no caso, que o Ivan viu,
[01:38:33] então eu acho que para ele vai ser um pouco…
[01:38:35] Esse é o meu limite do conhecimento.
[01:38:37] Você chegou nessa parte.
[01:38:39] Você fica aí falando de amor e etc.
[01:38:42] Porque a vida, as pessoas choram, mas qual é o seu programa?
[01:38:45] E aí a gente entra no Barroso, qual é a sua ideia?
[01:38:50] Não tenho uma ideia.
[01:38:52] Me diz, como é que a gente faz?
[01:38:55] E agora, o doutor me explica porque é que às vezes…
[01:38:58] Então, assim, eu acho que fica mais nessa coisa.
[01:39:02] O Marques acaba discutindo mais, tipo, beleza, legal, que tem um socialismo tópico,
[01:39:07] a gente está discutindo que as pessoas têm que ser felizes, alegres, contentes, mas tá, e aí?
[01:39:12] E agora, o programa? O que a gente vai fazer com isso aqui?
[01:39:15] Como é que a gente bota esse negócio para frente?
[01:39:17] A impressão que eu tenho, Zameliano…
[01:39:19] Só deixa eu jogar minha impressão e vocês me corrigem.
[01:39:22] Eu tenho a impressão de que o socialismo utópico do século XIX, ele está muito ligado com uma ideologia romântica
[01:39:28] e o exercício do Marques vai ser justamente trazer para um materialismo mais de praxis.
[01:39:34] É mais ou menos por aí?
[01:39:36] Mas também era meio moral, era meio moralista, porque a versão que…
[01:39:41] Engels, depois eu vou tentar trazer um foco, assim, muito de socialismo científico e tudo mais
[01:39:48] e muita gente tem uma dificuldade, até uma crítica em relação a Engels ficar empurrando a palavra científica nas coisas do marxismo, né?
[01:39:56] Só que a visão era mais ou menos uma visão entre um socialismo moral e um socialismo baseado na reorganização da sociedade.
[01:40:05] Porque quando você vai olhar para a Marx, você vai olhar para a obra em geral, a maior parte da obra de Marx é uma crítica do capitalismo, né?
[01:40:14] Mas tem elementos ali que ele vai começar a desenvolver questões sobre o comunismo.
[01:40:17] Então, por exemplo, lá nos manuscritos, quando ele era jovem Marx ainda, em 1844, quando ele estava em Paris,
[01:40:25] ele vai falar dessas coisas e em nenhum momento ele está falando das pessoas serem boas e generosas e agirem em harmonia entre si.
[01:40:33] Então já vai ter uma grande diferença relacionada a isso e é por isso que eu já vou deixar a Maria falar, calma aí.
[01:40:40] E aí por isso que você vai ver uma distinção que, por exemplo, hoje em dia, quando muita gente quer falar assim,
[01:40:45] ah, o socialismo é lindo na teoria, mas não funciona na prática porque as pessoas são egoístas.
[01:40:50] O que é que isso tem a ver com qualquer coisa?
[01:40:53] Porque o comunismo, o socialismo, a partir do marxismo não tem nada a ver se a pessoa deixou de ser egoísta e virou generosa.
[01:40:59] É a partir das construções materiais de produção da sociedade.
[01:41:03] Aí se você é egoísta, você é egoísta, mas você vai ter toda uma sociedade organizada a partir do comum.
[01:41:11] E aí o seu egoísmo você não vai ter muito espaço para poder materializar e ter uma performance do seu egoísmo na sociedade.
[01:41:20] Então é uma visão muito diferente em relação a uma reforma moral que poderia fazer parte.
[01:41:27] É uma relação bem baseada em lutas de classes mesmo e que vai muito além, que trata de revolução,
[01:41:35] que é uma coisa que o socialismo utópico não tratava e tudo mais.
[01:41:38] Marília?
[01:41:40] Acrescentando essa questão, eu não diria que o Marx e o Engels deram uma repaginada.
[01:41:49] Acho que não é bem por aí, mas acho que é importante a gente entender que eles,
[01:41:53] e como todos esses outros personagens com quem eles estavam dialogando,
[01:41:56] então o Bacuninho, o Proudhon, pensando nos anarquistas que o João estava falando,
[01:42:02] todos esses personagens da época, isso era o contexto intelectual e político da época.
[01:42:08] Então eles estavam engajados numa militância política, que é um dos grandes pontos de ruptura da biografia do Marx,
[01:42:15] como a Sabrina mencionou lá atrás, não sei há muito tempo atrás,
[01:42:19] justamente essa questão de como as coisas que ele estava vivendo no real, no político, foram mudando ele também.
[01:42:27] E aí tem essa questão do engajamento político, que é assim, eles estavam fazendo um esforço intelectual,
[01:42:35] não pelo próprio esforço intelectual, mas era um esforço intelectual direcionado a tentar entender e resolver questões
[01:42:41] que estavam emergindo por causa das condições e necessidades concretas das relações sociais da época.
[01:42:47] Então a discussão de socialismo e comunismo era uma discussão que estava vindo
[01:42:53] e que estava sendo feita coletivamente nesse campo intelectual e nesse campo político.
[01:42:57] Então já tinha essa coisa desse socialismo moral, que depois vai chamar de socialismo utópico e tal,
[01:43:05] que vinha de antes, mas também tinha no campo do político mesmo as pessoas disputando
[01:43:10] e pensando como disputar diversas questões sociais que estão aparecendo ali.
[01:43:16] A própria coisa da Liga dos Justos, não sei o quê, tem um monte de questões que são do universo da militância deles mesmo,
[01:43:25] do Marx e do Engels, e mais especificamente do Marx, que é o aniversariante do dia.
[01:43:29] Mas aí a gente tem que pensar que assim, da mesma maneira que hoje, quando a gente está falando de uma candidatura do Boulos e da Sônia
[01:43:38] e a Sabrina está lá ligada às questões que estão sendo discutidas do ecossocialismo,
[01:43:43] e ela está produzindo intelectualmente, pensando o que é esse ecossocialismo,
[01:43:47] no mesmo jeito que eu estou no feminismo, e eu estou aqui produzindo intelectualmente para disputar esse feminismo,
[01:43:52] para disputar esse comunismo também, dentro do Partido Comunista, do que é para ser esse comunismo.
[01:43:57] E tudo isso que a gente está fazendo, eles estão fazendo a mesma coisa.
[01:44:02] Então eles deram parte de todo um contexto coletivo de criação política que estava acontecendo ali,
[01:44:11] e que tinha a ver com tentar responder as necessidades que se colocavam na época.
[01:44:15] Então o trabalho intelectual deles vem daí também.
[01:44:17] Então acho que esse é um ponto importante.
[01:44:20] Eles não foram criadores do socialismo, criadores do comunismo,
[01:44:25] mas eles foram pessoas que conseguiram produzir sínteses que realmente caminharam a prática política por muito tempo
[01:44:33] e que faziam muito sentido.
[01:44:36] Beleza. E aí, João, fala aí, por favor.
[01:44:40] Então eu vou tentar sumerizar isso da melhor forma possível.
[01:44:44] Eu acho que para a gente entender aquela pergunta que você fez lá atrás,
[01:44:49] a gente tem que coligar a biografia do Marx com a bibliografia do Marx entre 1844 e 1847, mais ou menos,
[01:44:59] que é um ponto de virada muito importante para a gente entender esse marxismo que a Fortiori seria definido em relação a ele.
[01:45:11] Por volta de 1844, o Marx vai escrever os manuscritos econômicos filosóficos,
[01:45:20] onde ele vai ter pela primeira vez esse conceito de trabalho alienado muito bem definido.
[01:45:27] Esse conceito é a primeira ruptura muito importante que a gente tem com o regelhanismo do jovem Marx.
[01:45:37] Mas ele é uma ruptura em pedaços, porque o próprio Marx, mais tarde na sua carreira, vai reconhecer que boa parte dos manuscritos econômicos filosóficos
[01:45:48] ainda são muito baseados na filosofia de Feuerbach.
[01:45:53] E aí vai ser exatamente quando ele escreve, um pouco mais de um ano depois, quando ele vai sair de país,
[01:46:01] quando ele se fecha, quando é fechado o Forwitz, que era o último jornal que ele estava escrevendo para ir para Bruxelles,
[01:46:09] ele escreve as teses sobre Feuerbach. Inclusive a gente tem a tese 11 que rolou todo esse momento de descoberta na vida do Ivan.
[01:46:19] Eu estava brincando, porra. Vocês são foda, viu?
[01:46:25] Entrou no personagem.
[01:46:27] Não, eu não sabia.
[01:46:29] O Ivan sabia que a gente conversou com isso no Monte Cascado.
[01:46:33] É verdade.
[01:46:35] Já sabia. E a defesa do Ivan está aprovada que a gente conversou sobre isso mais de um mês atrás.
[01:46:40] Está nos alça, outor.
[01:46:43] Voltando, vai ser nas teses que ele vai fazer a crítica do materialismo puro, por ser somente contemplativo,
[01:46:57] do idealismo que está reduzindo as coisas, somente a teoria e não partindo para praxis.
[01:47:04] E vai ser assim que ele vai começar a dar a construção do materialismo histórico,
[01:47:10] que é uma questão de uma construção na prática, como eu já tinha falado.
[01:47:16] Quando ele vai para Bélgica, isso já em 1845, ele vai entrar em contato com os líderes dos movimentos cartistas.
[01:47:26] E já em colaboração com o Egel, ele vai dar o primeiro tratamento mais profundo desse conceito de materialismo histórico,
[01:47:37] que vai ser na ideologia alemã.
[01:47:40] Que vai ser o livro em que ele vai romper de vez com toda aquela primeira parte da vida dele.
[01:47:47] Então vai ser o rompimento definitivo com Feuerbach, com Bauer, com Stimmer e tal.
[01:47:54] E vai ser nesse momento que ele vai talvez definir que parte destes outros socialistas ainda baseavam as suas ideias numa ideia idealista.
[01:48:07] Eles vão finalmente colocar o materialismo como a força motriz da história.
[01:48:15] E aí nesse sentido a gente vai ter onde o materialismo científico, que é a filosofia do materialismo científico,
[01:48:24] que é o que eles estão fazendo, vai ser uma questão de teoria e de tática para um movimento revolucionário do proletariado.
[01:48:34] E aí a gente tem uma outra questão que é muito importante para a gente saber o que depois vai ser definido como socialismo utópico
[01:48:41] e do que vai ser o que eles estão propagando aí, que é uma ideia também do coletivismo contra o individualismo.
[01:48:50] Uma crítica que é muito comum, feita por Marx, feita por Engels também, aos outros movimentos socialistas
[01:48:57] é que eles partiam do convencimento individual, que cada indivíduo deveria ser convencido individualmente a adotar aquilo.
[01:49:09] Enquanto o que o Marx está propondo é um convencimento coletivo do proletariado se enxergar enquanto o motor da história.
[01:49:19] Então eu acho que esse período 44, 47, ele é o período da ruptura final.
[01:49:28] Se a gente tem ainda lá em 44 um jovem Marx, em 47 a gente tem o homem, o adulto, o Marx mais maduro do que vai gerar depois,
[01:49:42] que no final da sua vida vai ser o Marxismo.
[01:49:44] Protesta da Sabrina, pode entrar.
[01:49:47] Não quero que isso leve as pessoas a acharem que existem dois Marx, então eu preciso fazer essa diferenciação aqui.
[01:49:55] Tem que ser muito importante, eu sei o que o João está falando, mas eu sei que tem gente que acredita na tese de dois Marx,
[01:50:03] que vai usar isso para isso.
[01:50:05] Então eu acho que é importante a gente falar sobre uma evolução realmente, uma evolução de desenvolvimento de conceitos,
[01:50:11] mas não é uma coisa que, ah, aquele Marx, o Marx maduro é o Marx que leu mais, que militou mais, que fez mais coisas.
[01:50:19] Então, por exemplo, eu, Sabrina hoje, olho para coisas que eu escrevi oito anos atrás e eu quero morrer, mas elas ainda têm alguma relevância.
[01:50:29] Na certa indignação.
[01:50:31] É o caminhar dele, a gente está falando do caminhar.
[01:50:34] Eu estou com a Sabrina nessa, viu?
[01:50:36] Então assim, eu sou uma relis mortal, então eu vejo alguma significativa, alguma coisinha que eu escrevi oito anos atrás,
[01:50:44] mas eu sei que não é o que eu posso escrever hoje, porque o meu potencial só vai aumentar assim, espero, né?
[01:50:50] Mas o Marx não era um relis mortal, na minha opinião, então muito do que ele escreveu nesse começo já é muito mais uma questão de embasamento
[01:51:00] do que uma superação de coisas que ele escrevendo.
[01:51:05] Então, mesmo nos momentos ali, nos manuscritos de Paris, em que realmente vai ter essa influência muito mais idealista,
[01:51:13] você vê até na própria forma dele escrever, muda muito, os objetos de análise vão mudando muito,
[01:51:19] ele não teria desenvolvido um conceito, uma teoria sobre exploração se ele não tivesse passado por tudo o que ele fez explicando ali na ação ali.
[01:51:29] Tanto que é por isso que o Lukács, aí a gente vai falar daquela coisa que é a Marília está falando de Lucantiano e o Altuzeriano,
[01:51:35] que o Lukács vai achar muito importante trabalhar, por exemplo, reificação,
[01:51:39] que é um conceito que você não teria sem o conceito de alienação de Marx de antes, né?
[01:51:43] Então tem que ser muito importante, nesse sentido, esses primeiros conceitos, a gente não pode abrir mão.
[01:51:52] Então eu só quero colocar isso aqui porque é muito importante a diferenciação para prevenir pessoas que são, assim,
[01:52:00] altuzerianos ao quadrado ou alguma coisa assim, ao cubo, ficarem pensando que,
[01:52:06] ah, então agora o João acabou de falar que existia um Marx de antes e um depois.
[01:52:09] Eu não acho que é isso que ele estava falando.
[01:52:11] Eu nem falei isso.
[01:52:12] Mas assim, quando fala do Marx jovem, aí fala o Marx maduro, os altuzerianos começam a pirar.
[01:52:19] Tem que segurar um pouquinho porque eu acho que o Thompson já deu uma surra muito grande no altuzero em relação a isso,
[01:52:31] que a gente não pode, na hora de pegar a obra de Marx, pensar Marx como se o próprio Marx não fosse histórico em si
[01:52:39] e começar a trazer esse aspecto muito mecânico que o lado do Marx era um lado melhor
[01:52:47] porque ele tinha superado categorias anteriores.
[01:52:50] E eu acho que isso não pode ser levado a sério porque, na verdade, tudo quando, no Marx,
[01:52:55] tudo quando se trata de uma superação é off-heaping, é um tipo de abolição no sentido dialético
[01:53:02] que mantém a essência daquilo alterado para um novo conceito.
[01:53:08] Então é muito importante a gente estar trabalhando com isso porque se eu acho que uma coisa que a gente…
[01:53:13] Sempre os Emiliano fazendo barulho.
[01:53:14] Sempre, sempre.
[01:53:16] Se tem alguma coisa importante para a gente levar assim, eu acho que para hoje é que não existem dois Marx.
[01:53:24] Então se alguém quiser tirar uma lição, pelo menos o que eu quero afirmar no Anticast de hoje é que não existem dois Marx.
[01:53:30] Existia um Marx assim como todos nós, só que Marx não era um Helis mortal.
[01:53:35] Então muito daquilo que ele já estava trabalhando no começo já era muito importante.
[01:53:39] O que a gente vai ver vai ser uma diferença em categorias de análise que ele vai trazer
[01:53:48] porque os objetos de análise dele vão mudando.
[01:53:51] O Marx que escreveu ali os manuscritos de Paris, ele não tinha nem visitado por muito tempo uma situação de industrialização forte.
[01:54:00] Ele vai para Manchester depois com Engels, aí ele vai compreender mais como é que essa questão da classe trabalhadora
[01:54:06] que o João mencionou como sujeito revolucionário.
[01:54:08] Então ele vai ter que mudar algumas categorias de análise porque está mudando os objetos de análise.
[01:54:13] Mas não significa que quando ele está falando de certas coisas sobre comunismo, sobre dinheiro,
[01:54:21] quando ele está falando de dinheiro ali nos manuscritos de Paris e depois ele vai falar de dinheiro de novo no Capital Volume 1
[01:54:28] relacionado ao fetismo da mercadoria, são conceitos inteiramente próximos.
[01:54:32] Enfim, eu quis deixar isso só caso alguém entendesse o João errado.
[01:54:36] Não, não. E eu vou, João, eu vou aceitar a indignação da Sabrina mesmo sabendo que não foi isso que eu quis dizer,
[01:54:44] mas ela está prevendo indignações futuras de outros indignatários.
[01:54:49] Então está assinada a indignação.
[01:54:53] Certo, profissional.
[01:54:57] Pronto. Daí, João, você queria terminar o raciocínio antes da pistolagem?
[01:55:03] Mas o raciocínio é esse, gente. Eu estou falando do acrisolamento de um pensamento em relação ao tempo.
[01:55:09] Se você pegar literalmente a tese dele falando sobre a antiguidade clássica,
[01:55:16] você já tem lá princípios que vão ser discutidos de idealismo materialista que vão ser acrisolados 20 anos depois.
[01:55:24] Então, assim, eu concordo com a Sabrina em tudo.
[01:55:27] Não achei nem que tivesse ficado a brecha para isso. Que pena que ficou.
[01:55:30] É, você vê que esses marxistas são perigosos, João.
[01:55:34] Não, é porque os autozerianos encontram brecha para isso. É isso que eu fico maluca.
[01:55:39] Mas eu acho um absurdo você partir desse preceito não é com o Marx, é com qualquer escritor em qualquer tempo, você entende?
[01:55:48] Porque se partir desse preceito é basicamente ser partido de um preceito que é mais do que metafísico,
[01:55:54] de que o sujeito teve um momento de apanata tismosa.
[01:55:59] Ele subiu ao céu, recebeu uma revelação e voltou.
[01:56:02] Sabe, quem tem isso é profeta.
[01:56:04] O Paramax, o For Marx, é um livro que para mim é assustador.
[01:56:08] Porque quando você lê, o cara não queria entrar numa coisa contra o autozer, mas isso sempre acontece.
[01:56:15] Isso aí pode entrar, é todo seu lado.
[01:56:21] Tem um momento que quando o Thompson está fazendo a crítica ao autozer,
[01:56:25] que eu fico apaixonada pelo Thompson porque ele chama o autozer de um Dalek.
[01:56:29] Então quem entende do Dr. Who sabe o que eu estou falando.
[01:56:33] Porque é essa coisa de ficar repetindo coisas mecanicamente.
[01:56:37] E o autozer tinha uma cara por transformar o marxismo em um tipo de ciência, um reconhecimento científico,
[01:56:43] científico que aí eu acho que quem está mais acostumado…
[01:56:46] Positivista, acho que nem só científico.
[01:56:49] É, científico no sentido positivista da coisa, que era que o Durkheim pensava que essa uxologia tinha que ser também.
[01:56:56] Então é uma coisa do pensamento da época e que para fazer isso, o que ele faz?
[01:57:00] Ele realmente vai de ator para o Marx.
[01:57:02] Ele realmente vai fazer isso para tentar trazer essa divisão.
[01:57:05] E aí o problema que ocorre com isso é porque até hoje isso tem um impacto no pensamento intelectual na academia.
[01:57:12] Isso gerou uma rixa que deveria ser inexistente entre os humanistas e os anti-humanistas.
[01:57:19] Não deveria existir isso porque o marxismo humanista não deveria nem existir porque é o marxismo.
[01:57:25] Ele leva várias coisas em consideração porque o comunismo é sobre emancipação humana.
[01:57:33] Não deveria estar fora de questão isso.
[01:57:36] Os altuzerianos vão começar a tensionar, que nem malucos.
[01:57:39] Isso ficou muito, muito vigente. Até mais ou menos uns 20 anos atrás ninguém nem questionava.
[01:57:45] Muita gente falou, não, é porque os dois Marx, o jovem e aí o velho.
[01:57:48] Por isso que você tem que focar no capital e aí por diante.
[01:57:51] Eu vou falar uma coisa, ler o capital sem ler os manuscritos dói mais.
[01:57:56] Então eu recomendo ler uns manuscritos para os ouvintes.
[01:58:01] Ler os manuscritos são muito mais fácil de acessar.
[01:58:04] A linguagem é bem mais simples.
[01:58:06] Leiam e depois você aventurar sobre o capital.
[01:58:08] Porque o capital volume 1 tem aquela coisa trágica que o primeiro capítulo é tipo o capítulo mais difícil.
[01:58:15] Então você precisa separar.
[01:58:18] Eu fiz essa intervenção não pelo João em si, mas porque eu sabia que isso ia gerar.
[01:58:25] Porque é um problema real de muita gente querendo ter do seu próprio Marx e empurrar ele para as pessoas.
[01:58:31] Em vez de só tratando exatamente com o que estava acontecendo.
[01:58:34] Os contextos da época.
[01:58:36] Isso que o João falou para mim acho que é essencial.
[01:58:39] Que é sempre colocar a biografia e a bibliografia dele juntos.
[01:58:43] Porque isso vai mostrar para onde que ele estava olhando no momento.
[01:58:46] Eu queria duas horas de programa e eu acho que a gente precisa falar de muitas coisas entre os conceitos do Marx.
[01:58:53] Então vamos lá.
[01:58:56] Se tem esse momento então da transição do jovem Marx para o velho.
[01:59:01] Para deixar bem bravo todo mundo.
[01:59:05] Desculpa Sabrina.
[01:59:09] Vai ter uma bujanha nele.
[01:59:11] Daí eu quero saber depois o que vai acontecer a partir dali.
[01:59:15] Quais são as próximas ideias que vão surgindo.
[01:59:18] Eu sei que vocês são malucos pelo Marx.
[01:59:21] Então vocês vão querer falar tudo que ele fez no Minutos Detalhos.
[01:59:24] Vamos tentar se focar nas coisas.
[01:59:26] Eu quero chegar nos top skates.
[01:59:29] Tipo mais valia.
[01:59:32] Em que momento que aparece alienação.
[01:59:35] Então como é que é essa trajetória intelectual nos grandes conceitos dele.
[01:59:39] Que daí acabam sendo os mais utilizados hoje na academia.
[01:59:42] Alienação vai ser muito focado na análise que ele está fazendo nos manuscritos.
[01:59:45] Você vai ver vários elementos inclusive quando ele está falando de dinheiro.
[01:59:48] Então ele já está tratando de dinheiro como mediador.
[01:59:51] E que o dinheiro age como algo que te aliena.
[01:59:54] Do trabalho.
[01:59:57] E várias outras coisas que ele vai mencionando ali.
[02:00:00] Quando ele vai chegar no capital ele já não vai fazer nada.
[02:00:03] Ele vai fazer o que?
[02:00:06] Ele vai fazer o que?
[02:00:10] Quando ele vai chegar no capital ele já não vai estar usando o conceito de alienação tão diretamente.
[02:00:15] Porque ele já vai criar outros conceitos mais elaborados.
[02:00:19] Tratando da questão da mercadoria.
[02:00:22] Porque é quando ele começa realmente a tratar da mercadoria.
[02:00:25] Fetichismo.
[02:00:28] Então ele não precisa falar de alienação.
[02:00:31] Quando ele está tratando da mercadoria porque ele tem o fetismo da mercadoria.
[02:00:34] Que funciona dessa forma.
[02:00:37] E como o dinheiro acaba sendo esse mediador.
[02:00:40] Entre esses valores de troca e tudo mais.
[02:00:43] Isso vai gerar essa questão.
[02:00:46] Inclusive o fetismo da mercadoria costuma ser um conceito marxista.
[02:00:49] Que é um dos mais propagados de forma errada por aí.
[02:00:52] Porque as pessoas ficam achando que o fetismo da mercadoria.
[02:00:55] É o fetiche daquele carro chique.
[02:00:58] Que eu quero ter.
[02:01:01] Você desejar aquela mercadoria.
[02:01:04] Não é como ostentatório essas coisas.
[02:01:07] E eu sei disso porque é assim que eu determino qual aluno.
[02:01:10] Que prestou atenção na aula de Marx.
[02:01:13] Porque na prova ele sempre erra.
[02:01:16] Sempre erra e começa a me falar sobre o fetismo da mercadoria.
[02:01:19] Quando você deseja aquele iphone.
[02:01:22] Porque a sociedade falou que você tem que ter aquele iphone.
[02:01:25] Então ele vai desenvolver isso.
[02:01:28] E é onde entra realmente o Marx.
[02:01:31] Na análise do capitalismo.
[02:01:34] Porque até todo aquele momento ele está formando a sua base.
[02:01:37] Ele está formando como o João Ben colocou.
[02:01:40] Eu também faço essa leitura de que é na ideologia alemã.
[02:01:43] Que ele fortalece o que é materialismo histórico.
[02:01:46] Então você vê aí.
[02:01:49] Até esse momento a ideologia alemã.
[02:01:52] O Manifesto Comunista não é um lugar onde ele desenvolveu conceitos.
[02:01:55] Em 1848 foi mais um conflito e tudo mais.
[02:01:58] Mas quando ele chega no capital.
[02:02:01] Ele já tem toda essa base dele de metodológica pronta.
[02:02:04] Então o que ele vai fazer?
[02:02:07] Ele vai aplicar.
[02:02:10] E quando ele vai aplicar ele vai trazer essas análises muito mais detalhadas.
[02:02:13] O que é o capitalismo para a gente.
[02:02:16] E de onde vai vir a teoria do valor do trabalho.
[02:02:19] Então ele chega no capítulo 1 e vai falar da mercadoria.
[02:02:22] Que é aquele inferno de capítulo.
[02:02:26] Ele vai contestar Aaron Smith.
[02:02:29] Relacionado a questão do valor de uso.
[02:02:32] Valores de troca serem na verdade diferentes e tudo mais.
[02:02:35] É um momento em que ele estava enfurnado.
[02:02:38] Na biblioteca de Londres estudando os economistas clássicos.
[02:02:41] Que seria o da economia política da época.
[02:02:44] Então ele está estudando Ricardo e tudo mais.
[02:02:47] E ele vai pegar essa teoria do valor do trabalho.
[02:02:50] E ele vai transformá-lo numa teoria do valor do trabalho.
[02:02:53] E aí é a partir disso que vai vir a questão de mais valia.
[02:02:56] E aí ele vai trazer todo um contexto histórico da Inglaterra para olhar para isso.
[02:03:03] Então quando ele está lá no capítulo falando da carga horária do dia de trabalho.
[02:03:08] Ele está ao mesmo tempo aplicando os conceitos dele de taxa de exploração e tudo mais.
[02:03:15] Relacionados aos números concretos que tinha do pessoal trabalhando na época.
[02:03:22] Então você vai ver o surgimento de novos conceitos.
[02:03:28] A partir desses novos objetos de estudo que ele está tratando.
[02:03:31] E o capital volume 1 vai ser muito bonito nesse sentido.
[02:03:34] Porque apesar dele começar muito difícil.
[02:03:37] Ele termina fácil.
[02:03:39] Então porque você vai começar muito difícil.
[02:03:41] Aí você vai rachar.
[02:03:43] Você vai achar que você não vai sobreviver.
[02:03:46] Mas aí você vai acumulando acumulando.
[02:03:48] E no final já está falando lá no capítulo 23.
[02:03:50] Já está falando de expropriação.
[02:03:52] Os expropriadores e expropriadores e tudo mais.
[02:03:54] E vai chegando mais nesse conceito do que ele vê com as contradições do capitalismo se envolvendo.
[02:04:01] Porque até então ele via contradições.
[02:04:04] Mas ele não tinha tratado disso como objeto de análise.
[02:04:07] Para olhar que essas contradições vão gerando essas outras situações e essas outras situações.
[02:04:13] E é por isso que antes do capital o Marx se empolgava muito mais com revoluções.
[02:04:19] Depois do capital ele teve…
[02:04:21] O pessoal que fala que o Marx estava errado.
[02:04:23] Porque ele achava que ia ter uma revolução.
[02:04:25] Logo depois disso que ele não teve.
[02:04:27] É porque eles não pararam de prestar atenção nessa coisa do objeto de análise dele.
[02:04:33] Quando ele estava ali antes do capital.
[02:04:35] Começando a escrever o capital.
[02:04:37] Qualquer burburinho que tinha.
[02:04:39] Era realmente o espectro do comunismo.
[02:04:41] Vai acontecer uma revolução agora.
[02:04:43] Tinha muito disso.
[02:04:45] Abaixo do capital você vê que não é isso.
[02:04:47] Porque ele está vendo que tem muitas condições que precisam ser preenchidas.
[02:04:51] E ele vai tratar de uma a uma.
[02:04:53] E por isso que o capital é uma obra-prima.
[02:04:56] Infelizmente não terminou.
[02:04:58] Infelizmente 2 e 3 vai ser o Engels catando um monte de anotação daquele manuscrito.
[02:05:05] Aquela caligrafia horrorosa do Marx.
[02:05:07] Para tentar digerir.
[02:05:09] E Grundrissa vai ser importante também.
[02:05:13] Grundrissa são todas as anotações que costuram tudo isso.
[02:05:17] É uma super obra.
[02:05:20] É coisa que você não consegue fazer um doutorado para compreender isso.
[02:05:25] Você precisa de 3 ou 4 para compreender tudo que está ali.
[02:05:28] Sim.
[02:05:29] Marília queria complementar.
[02:05:31] Manda ver.
[02:05:32] Quero complementar.
[02:05:33] Tem uma das maiores contribuições em termos de conceito.
[02:05:38] Eu não vou saber fazer uma linha do tempo.
[02:05:40] Pegar de cabeça.
[02:05:42] Qual o primeiro livro em que isso aparece de uma maneira melhor formulada.
[02:05:46] Mas eu acho que bem antes já do capital.
[02:05:50] Acho que a grande contribuição para a compreensão da sociedade capitalista.
[02:05:58] Em termos de elaboração de conceito na obra do Marx.
[02:06:01] É o conceito de classe.
[02:06:03] Por que isso acontece?
[02:06:05] Quando a gente trabalha em filosofia, em ciências sociais, humanidades em geral.
[02:06:09] A gente sempre está lidando com algumas coisas que são palavras ou noções que a gente usa no cotidiano.
[02:06:14] Que não necessariamente são conceitos.
[02:06:16] E depois em algum momento a gente pega aquilo e vai lapidar e vai elaborar teoricamente.
[02:06:20] Vai entender o que de fato é aquilo.
[02:06:22] E claro, sempre se falou em classe.
[02:06:25] A classe, a ideia de classe, a noção de classe não é uma noção que o Marx inventou.
[02:06:33] Não inventou essa palavra.
[02:06:35] Ele não inventou, né?
[02:06:37] Mas enquanto concentro, quando definir o que é então uma sociedade de classes.
[02:06:41] E pegar exemplo.
[02:06:43] E lapidar isso.
[02:06:44] E falar, então na nossa sociedade, que é uma sociedade de classes, funciona assim, assim, assim.
[02:06:48] Acho que essa é uma puta contribuição.
[02:06:50] E que a gente fica em geral meio marginalizada.
[02:06:55] Porque a gente mesmo, principalmente da segunda metade do século XX para cá.
[02:07:01] Não só com o processo da Guerra Fria.
[02:07:03] Mas também com todo um processo de reorganização e recomposição das ciências sociais humanidades.
[02:07:09] E de uma ideia de para que elas servem, etc.
[02:07:12] Vários processos aí que aconteceram.
[02:07:14] A gente tem uma confusão muito grande do que a classe.
[02:07:18] Então a gente tem uma mistura, um apagamento um pouco dessa noção de classe do Marx.
[02:07:24] No discurso do senso comum e tal.
[02:07:28] Então circula que o que a gente chama de classe no senso comum, no cotidiano.
[02:07:34] Na verdade são faixas de renda.
[02:07:36] A gente fala classe média.
[02:07:38] Coisas desse tipo.
[02:07:39] Classe A, classe B, classe C, classe D.
[02:07:41] Então tem todo um apagamento que usa a mesma palavra.
[02:07:44] Então causa uma certa confusão.
[02:07:46] Mas na verdade, elaborar esse conceito de classe, o que é uma classe social.
[02:07:51] Acho que é uma das maiores contribuições da história do pensamento humano.
[02:07:56] Para ter feito isso, sabe?
[02:07:58] De realmente lapidar e falar.
[02:08:00] Porque antes isso era usado.
[02:08:02] Uma ideia de classe era usada sistematicamente em vários autores, na filosofia e etc.
[02:08:07] Só que não se tinha…
[02:08:09] Era tudo muito dado pelo…
[02:08:11] Se usava, mas não se tentava explicar o que era isso.
[02:08:15] E o Marx vai fazer essa contribuição, acho que de maneira…
[02:08:19] Ao longo de toda a obra.
[02:08:21] Elaborando e lapidando essa contribuição.
[02:08:25] Que é absolutamente fundamental para a gente entender como a sociedade funciona.
[02:08:29] Eu acho que é foda.
[02:08:32] Para caralho.
[02:08:34] Ao mesmo tempo que a questão da classe social em Marx, etc.
[02:08:39] Que você falou que é lapidada ao longo de toda a obra do Marx.
[02:08:42] Existe um problema aí?
[02:08:43] Eu acho que isso fica mais para a nossa discussão futura.
[02:08:46] Você que está ouvindo vai ter um próximo podcast.
[02:08:51] É a parte dois ainda.
[02:08:53] É a parte dois ainda.
[02:08:55] Chora nenê.
[02:08:57] Que na verdade Marx e Engels não vão escrever um livro especificamente.
[02:09:01] E falar assim, olha isso aqui é a classe social.
[02:09:03] Essas aqui são as classes fundamentais.
[02:09:06] Aquele resto ali é uma galera esquisita.
[02:09:08] O seu amiguinho no lado aí deixa para lá que isso aí não existe.
[02:09:11] Tira esse oniton rico da sala.
[02:09:13] Enfim.
[02:09:15] Não tem essa separação.
[02:09:18] A obra dele.
[02:09:19] Marx, Engels, a classe social.
[02:09:21] Não tem essa obra.
[02:09:23] Ele vai em vários momentos discutindo sobre as questões das classes sociais.
[02:09:27] Isso gera depois algumas outras discussões.
[02:09:30] Que é aquilo que eu estava falando um pouco da Vera Zosslich.
[02:09:32] A discussão com ele, com a Vera.
[02:09:34] Obviamente eu vou falar isso mais posteriormente um pouquinho melhor.
[02:09:37] A Vera pergunta para ele.
[02:09:39] Porque as pessoas basicamente estão falando assim.
[02:09:41] Naquele livro tal você falou que é só proletário do que revolucionário.
[02:09:45] Na Rússia aqui os populistas a gente está brigando.
[02:09:47] E o proletariado está dormindo no ponto e os camponeses estão caindo na porrada.
[02:09:52] Como é que é esse negócio aí?
[02:09:53] O pessoal está falando que os camponeses não podem fazer nada.
[02:09:55] Quem que é revolucionário?
[02:09:57] O Marx tem que explicar algumas questões.
[02:09:59] Tipo, eu estou falando da Inglaterra.
[02:10:01] Calma aí.
[02:10:02] E sobre a questão da ideologia alemã.
[02:10:07] A gente tem que lembrar também que a ideologia alemã, o Marx e o Engels.
[02:10:11] Quando eles estão ali construindo esse texto.
[02:10:15] Eles acabam deixando ele quieto num canto.
[02:10:18] Por conta de que eles não conseguem ninguém para publicar o texto.
[02:10:22] E aí ele fica na famosa frase.
[02:10:25] No canto relegado às críticas roedor dos ratos.
[02:10:29] E ele só vai ser publicado em 1931.
[02:10:32] Então assim muitos autores e muitos marxistas.
[02:10:35] 32.
[02:10:36] 32, perdão.
[02:10:38] Ele acaba sendo publicado só em 32.
[02:10:40] Então assim muita gente não leu a ideologia alemã.
[02:10:44] Então assim muita gente importantíssima.
[02:10:47] Lenin nunca leu a ideologia alemã.
[02:10:49] Trotsky nunca leu a ideologia alemã.
[02:10:51] No primeiro momento.
[02:10:53] Não sei se até ele levou uma picaretada na cabeça em 40.
[02:10:56] Ele conseguiu uma cópia.
[02:10:57] Mas enfim, é um texto extremamente importante.
[02:11:01] Mas é um texto que não saiu junto com o Marx.
[02:11:04] Não foi aquela saída daquele texto.
[02:11:08] E ao mesmo tempo algumas obras do Marx.
[02:11:11] Eu brinco um pouco isso.
[02:11:13] Porque o Engels ele depois ele edita o Capital.
[02:11:16] Os dois outros volumes do Capital.
[02:11:18] Eu acho que o Marx mataria o Engels de porrada.
[02:11:20] Porque o Marx era extremamente preocupado com a forma da produção.
[02:11:25] Por isso que ele demorou tanto tempo para escrever.
[02:11:28] Marx era extremamente preocupado.
[02:11:31] Taurean.
[02:11:33] Mas era extremamente preocupado com a forma da escrita.
[02:11:37] Se estava tudo certinho.
[02:11:39] Se ele conseguiu explicar o que ele achou que ele conseguiria explicar etc.
[02:11:44] Então ele não conseguia publicar as coisas.
[02:11:46] Porque uma hora ele estava estudando a França.
[02:11:50] Na outra hora ele estava estudando a Rússia.
[02:11:52] De repente ele voltava.
[02:11:54] Então assim alguns textos que acabam saindo depois.
[02:11:57] Pois é o Marx.
[02:11:58] Isso para mim é uma especulação total do que eu estou fazendo aqui.
[02:12:03] Acho que o Marx ia ficar meio chateado.
[02:12:06] Pô Engels o que você está fazendo cara?
[02:12:09] O rascunho é meu viado.
[02:12:11] Não faz isso não.
[02:12:13] A gente também tem que ler as obras do Marx que vieram a posteriori.
[02:12:17] Depois do seu falecimento.
[02:12:18] As obras que nunca foram publicadas por ele em efetivo.
[02:12:21] Com relativo cuidado a gente entender que são textos que não foram finalizados.
[02:12:26] E aí a gente também tem que ao mesmo tempo tomar cuidado.
[02:12:29] Eu acabei de falar a ideologia alemã foi um texto que foi finalizado.
[02:12:32] Mas ninguém quis se publicar.
[02:12:34] Então não saiu.
[02:12:36] Agora o que não foi finalizado pelo Marx como texto.
[02:12:39] Tem que tomar cuidado com isso.
[02:12:40] É um pensamento que deve ser avaliado.
[02:12:42] Mas a gente não pode tomar como um pensamento fechado.
[02:12:45] Completo.
[02:12:47] Que ainda era o rascunho.
[02:12:48] Então tem que ter muito cuidado com esse tipo de avaliação de alguns textos.
[02:12:51] Do próprio Carlitos Marques.
[02:12:55] Enfim.
[02:12:56] Maravilha.
[02:12:57] Mas ao mesmo tempo eu tenho a vantagem que a maioria desses textos.
[02:13:00] Foi o Angles.
[02:13:02] Aperto.
[02:13:03] Alguns afilham.
[02:13:04] Então assim eu tenho mais medo quando a gente é de fora.
[02:13:08] Então assim acho que teria um certo…
[02:13:10] Seria muito mais de implicação a gente de fora.
[02:13:13] Muito mais difícil.
[02:13:14] É muito mais implicando.
[02:13:16] Porque o Marx era um perfeccionista da porra.
[02:13:18] Por isso que ele não conseguia terminar as coisas.
[02:13:20] Então assim.
[02:13:21] Seria alguém pegar realmente um rascunho seu e publicar.
[02:13:24] E você.
[02:13:25] Ai meu Deus o mundo não pode ver isso.
[02:13:27] Não está pronto para o mundo.
[02:13:28] E tudo mais.
[02:13:29] E não exatamente no sentido de que.
[02:13:31] Ah isso aqui não está bom ainda.
[02:13:33] Então assim eu acho que eu imagino.
[02:13:36] Que no processo o Angles por ter escrito tanto.
[02:13:40] Ter sido um parceiro teórico do Marx.
[02:13:42] Ele teve esse cuidado.
[02:13:44] Mas ao mesmo tempo.
[02:13:45] Pegando o que o José Emiliano estava falando.
[02:13:48] O Angles era um pouquinho meio que dessa linha do Marxismo científico.
[02:13:53] Então.
[02:13:54] Eu imagino que teve uma editorialização aí.
[02:13:58] De tirar algumas coisas.
[02:13:59] Qualquer outras coisas relacionadas a isso.
[02:14:02] Tanto que um dos problemas que a gente tem.
[02:14:03] Na hora de falar do método marxista.
[02:14:06] Materialismo histórico.
[02:14:07] Um monte de gente fica falando.
[02:14:12] Materialismo dialético.
[02:14:14] Esse tipo de coisa.
[02:14:15] Que é o Angles.
[02:14:16] Entendeu?
[02:14:17] Então assim.
[02:14:18] Tem vários termos que ele foi mudando com o tempo.
[02:14:22] Tanto nos próprios escritos dele.
[02:14:24] Quanto na forma de editar as coisas.
[02:14:26] Então tem que ter um pouquinho de cuidado.
[02:14:28] Para isso eu deixo uma dica para a galera.
[02:14:30] Que é quando estiver lendo em livros.
[02:14:32] Sempre nunca, nunca, nunca.
[02:14:34] Abra mão de ler.
[02:14:35] Prefácio da edição de não sei o que lá.
[02:14:38] Introdução.
[02:14:39] Não sei qual a outra introdução.
[02:14:41] Tem versão.
[02:14:42] Que eu acho que a minha versão do Capital.
[02:14:44] A versão da tradução do Ben Fawkes.
[02:14:49] Tem uma introdução do Mandel.
[02:14:51] E tem mais trocentas mil coisas.
[02:14:53] Então assim.
[02:14:54] É bom ler essas coisas.
[02:14:55] Para dar um pouco de contexto.
[02:14:56] O que aconteceu.
[02:14:58] Por que numa edição é assim.
[02:15:00] Outra edição é assado.
[02:15:01] Legal.
[02:15:02] Lembrando que o Capital é uma obra tão fantástica.
[02:15:04] Que na Rússia ele tem quatro volumes.
[02:15:08] Como?
[02:15:09] O Teorias da Maisvalia foi publicado.
[02:15:12] Como se fosse o quarto volume do Capital.
[02:15:14] Em 1963 na Rússia.
[02:15:16] Que loucura.
[02:15:18] Porque eles tem que ser especiais.
[02:15:20] Tem que ser especiais.
[02:15:22] Tipo assim eles desenvolveram.
[02:15:24] A partir dos anos que deseconômicos de 1861 a 1863.
[02:15:31] Eles finalizaram como se fosse um livro.
[02:15:33] O Teorias da Maisvalia.
[02:15:35] E publicaram como se fosse uma adenda.
[02:15:36] Um quarto volume do Capital.
[02:15:40] Caraca.
[02:15:41] Já sabia disso.
[02:15:42] Capital inédito.
[02:15:45] Quando é que sai no Brasil?
[02:15:49] Gente.
[02:15:50] Eu acho que para termina.
[02:15:51] Tipo assim.
[02:15:52] Ele tem tradução.
[02:15:53] Depois que ele saiu em Moscou.
[02:15:55] Ele tem várias traduções para o inglês.
[02:15:57] Eu acho inclusive que ele tem até no…
[02:15:59] No marxist.org tem ele.
[02:16:01] O Teorias of Surplus Value.
[02:16:05] Tem ele literalmente assim.
[02:16:07] Completo.
[02:16:08] Para quem quiser ver.
[02:16:10] Que são baseados nos deseconômicos de 1861 a 1863.
[02:16:13] Eu falei brincando.
[02:16:14] Mas ele tem traduzido para português esse texto ou não?
[02:16:18] Eu não conheço.
[02:16:19] Eu conheço ele traduzido para inglês.
[02:16:20] E eu conheço ele em russo.
[02:16:23] Desculpa aí.
[02:16:25] Você fala russo, João?
[02:16:27] Não tem.
[02:16:28] Vamos fazer de novo essa pergunta.
[02:16:31] Ô, João.
[02:16:32] Quantas línguas você fala mesmo?
[02:16:35] Eu adoro quando você fala.
[02:16:37] Não, velho.
[02:16:38] Vamos falar disso não.
[02:16:42] Quantas mortas que você fala mesmo?
[02:16:46] Vivas algumas.
[02:16:47] Mortas só três.
[02:16:50] Eu quero aproveitar que eu lancei essa coisa.
[02:16:52] Que a gente está falando da biografia do Carlitos, etc.
[02:16:57] E tudo mais.
[02:16:58] E obviamente que a gente não tem como falar da biografia dele.
[02:17:00] Sem falar das produções dele.
[02:17:01] Porque a gente está…
[02:17:02] Enfim.
[02:17:03] Está tudo uma coisa ligada com ele.
[02:17:05] Vocês que estão aí.
[02:17:07] Vocês que estão aqui gravando comigo, etc.
[02:17:10] Como é que vocês fazem assim?
[02:17:13] Quando vocês pegaram para ler a primeira vez o Marx.
[02:17:17] Vocês pegaram e falaram assim.
[02:17:18] Não, vou ler o que ele publicou.
[02:17:20] E depois eu vou ler.
[02:17:21] Ou não?
[02:17:23] De onde vocês começaram?
[02:17:25] É uma dúvida que eu tenho sinceras.
[02:17:29] Quem vai primeiro?
[02:17:30] Quando eu peguei o quê?
[02:17:31] Começa a Marília.
[02:17:32] Eu vou ser rápida aqui.
[02:17:33] Cara, eu nunca li uma biografia do Marx.
[02:17:38] Acho que essa da Boitempo agora.
[02:17:39] Que eu estou a fim de pegar.
[02:17:40] Ela vai ser a primeira.
[02:17:41] Não, mas eu acho que o semelhante quer dizer de obras do Marx.
[02:17:44] De obras?
[02:17:46] Como é que começou?
[02:17:47] Acho que foi o Manifesto do Partido Comunista.
[02:17:49] Pode falar.
[02:17:50] Então para mim foi o Manifesto do Partido Comunista.
[02:17:52] Porque como eu me lito desde que eu sou muito nova.
[02:17:56] Então eu tive contato com o Manifesto já muito novo.
[02:17:59] Quando eu era adolescente.
[02:18:01] Então foi por aí mesmo.
[02:18:03] E aí dentro do contexto político da militância.
[02:18:06] Também fui descobrindo outras coisas.
[02:18:07] Mas foi ler mesmo.
[02:18:09] A parte mais teórica.
[02:18:11] Enfim, etc.
[02:18:12] Foi já na graduação.
[02:18:14] Porque eu fiz graduação em ciências sociais na Unicamp.
[02:18:16] Então na Unicamp, na época que eu fiz a graduação.
[02:18:19] Tinha uma entrada muito forte de estudos marxistas lá.
[02:18:24] Eu não sei como está hoje.
[02:18:25] Mas era bastante forte.
[02:18:28] Então a gente via bastante marxista em várias disciplinas.
[02:18:31] Eu fiz porra seis meses só de autosserra, por exemplo.
[02:18:40] Quando eu falo mal da autosserra.
[02:18:42] Eu falo que eu sei do que eu estou falando.
[02:18:44] Se a culpa é seis meses.
[02:18:47] Eu tive uma aula com o Mota.
[02:18:49] Que tem um livro.
[02:18:50] Não sei se já viram esse livro.
[02:18:52] Mota aqui da UFRJ.
[02:18:53] Que ele tem um livro sobre autosserra.
[02:18:55] Cadê a gente?
[02:18:56] É que eu acho que é quem tem autosserra.
[02:19:01] Eu li o livro e basicamente fiquei cansado.
[02:19:03] Fiquei tipo, tá beleza.
[02:19:04] Mas você não falou nada do autosserra agora.
[02:19:09] Eu tenho que relevar.
[02:19:10] Eu tenho vários amigos que trabalham com autosserra.
[02:19:12] Para outras coisas.
[02:19:13] E eu acho bom.
[02:19:14] O meu problema é mais relacionado.
[02:19:16] A Sabrina falou.
[02:19:17] Eu tenho até amigos que são.
[02:19:19] Eu tenho até amigos que são autosserrianos.
[02:19:21] Tudo bem.
[02:19:22] Tudo bem.
[02:19:23] É só esse lado bizarro.
[02:19:25] Antihumanista.
[02:19:26] Que para mim não faz sentido nenhum.
[02:19:27] Então assim.
[02:19:28] Eu tenho amigos que são autosserianos.
[02:19:29] Eu trabalho com os manuscritos.
[02:19:30] De Paris de 1844.
[02:19:32] É o tipo de amigo autosseriano que eu respeito.
[02:19:37] A situação é mais ou menos assim.
[02:19:41] Eu tenho uma história assim.
[02:19:42] Um pouco privilegiada nesse sentido.
[02:19:44] Porque eu fui ler capital volume 1.
[02:19:46] Em sala de aula.
[02:19:47] Durante um semestre inteiro.
[02:19:49] Com o auxílio da professora.
[02:19:51] Tanto que no final ela deu um certificado para a gente.
[02:19:54] E eu sobrevivi.
[02:19:55] Capital volume 1 e tudo mais.
[02:19:57] Parabéns.
[02:19:58] Você é marxista.
[02:19:59] Exatamente.
[02:20:00] E assim.
[02:20:01] Cara.
[02:20:02] É um jeito muito, muito estranho de ler o capital.
[02:20:05] Porque depois disso eu fui ler em grupo de estudos.
[02:20:07] Da faculdade.
[02:20:10] Mas também já da militância.
[02:20:11] E é muito estranho.
[02:20:12] Porque do jeito que eu fiz na faculdade.
[02:20:14] Ela realmente passava um monte de exercícios.
[02:20:16] Para a gente calcular mais valia.
[02:20:20] E mostrar a direção do dinheiro e tudo mais.
[02:20:22] Caraca.
[02:20:23] Mas foi ótimo.
[02:20:25] Foi um jeito de realmente adentrar de uma vez.
[02:20:29] E compreender o que era.
[02:20:30] E eu li isso antes.
[02:20:32] Eu li o capital volume 1.
[02:20:33] Antes de eu ler o manifesto comunista inteiro.
[02:20:36] Porque eu cheguei a ler trechos no ensino médio.
[02:20:39] Porque tinha que ler e tudo mais.
[02:20:41] Quando apresentava o Marx como sociólogo.
[02:20:44] E depois nunca mais tinha encostado.
[02:20:47] Mas sabia do que que era.
[02:20:49] Não me enxergava como comunista.
[02:20:51] Acho que eu ainda estava na fase do Ivan.
[02:20:53] Da social democracia.
[02:20:55] E aí.
[02:20:56] Se não tiver bullying não é anti-cash Ivan.
[02:21:03] Aí depois disso acho que o capital mudou.
[02:21:05] Que a partir do capital eu consegui levar as coisas.
[02:21:07] Só que aquela coisa.
[02:21:09] Eu não conheço uma pessoa que tenha lido.
[02:21:11] O capital volume 1 sozinho.
[02:21:13] Sem nenhum guia.
[02:21:14] Sem nada.
[02:21:15] E tem realmente compreendido.
[02:21:17] Acho que é algo muito impossível.
[02:21:19] O próprio David Harvey fala que é muito difícil.
[02:21:22] E ele escreveu vários guias.
[02:21:24] Então assim eu recomendo para a galera que realmente quer começar.
[02:21:28] Que leia com um guia do lado.
[02:21:32] Pode ser o seu amigo David Harvey.
[02:21:34] Pode ser o seu amigo Ben Fine.
[02:21:36] Vários amigos aí.
[02:21:37] Pode ser o seu amigo Zé Paulo Neto.
[02:21:39] E tentar compreender.
[02:21:42] Não vou falar só um adendo aí.
[02:21:44] Complementando uma coisa que eu falei antes.
[02:21:46] Que assim.
[02:21:47] Tem esse fato também.
[02:21:48] Que quando eu cheguei na faculdade de ciências sociais.
[02:21:50] Como eu estudei a minha vida inteira em colégios alternativos.
[02:21:53] Em São Paulo.
[02:21:54] Quando eu estava no ensino médio.
[02:21:56] Eu aprendi o que era mais valia.
[02:21:58] Eu aprendi.
[02:21:59] Saca.
[02:22:00] Tipo.
[02:22:01] Qual a diferença de capital.
[02:22:02] Que é capital lucro.
[02:22:03] Dinheiro.
[02:22:04] Valor.
[02:22:05] Valor de troca.
[02:22:06] Valor de uso.
[02:22:07] Aprendi tudo isso.
[02:22:08] Na escola.
[02:22:09] E não em aula de sociologia.
[02:22:10] Como funciona o capitalista.
[02:22:13] Quando eu cheguei para ler também o manifesto.
[02:22:15] Depois para ler o capital na faculdade e tal.
[02:22:17] Já estava.
[02:22:18] Era muito mais fácil.
[02:22:19] Porque eu já tinha ouvido falar.
[02:22:20] Já tinha uma noção.
[02:22:21] Nossa Marília é muito mais privilegiada que eu nesse sentido.
[02:22:24] Caraca.
[02:22:25] A primeira vez que eu li.
[02:22:28] Eu li o manifesto.
[02:22:29] Li o manifesto no segundo grau.
[02:22:31] No começo da minha faculdade.
[02:22:32] Eu dei muita sorte.
[02:22:33] Que a gente tinha um ciclo básico.
[02:22:35] Que eu peguei dois professores.
[02:22:37] Que um era uma socióloga.
[02:22:39] Que ela tinha escrito um livro.
[02:22:41] Que é famosíssimo aqui.
[02:22:42] Na nossa GLEBA.
[02:22:43] Que é basicamente os três porquinhos.
[02:22:45] Ela fala de Marx.
[02:22:46] Durkheim.
[02:22:47] E Weber.
[02:22:48] Então assim.
[02:22:49] Nisso a gente teve uma introdução.
[02:22:51] A vários.
[02:22:52] Dos conceitos.
[02:22:53] E ela foi passando vários exercícios dos livros.
[02:22:55] Ao mesmo tempo.
[02:22:56] Concomitantemente em economia.
[02:22:57] Eu tive um professor.
[02:22:58] Que era um baita marxista.
[02:22:59] Um cara muito foda.
[02:23:01] Que ele optou por trabalhar.
[02:23:03] Como a gente era da história.
[02:23:04] Com história do pensamento.
[02:23:06] Depois eu fiz umas 5, 6 matérias com ele.
[02:23:09] Todas de história do pensamento econômico.
[02:23:11] Que foi onde eu fiz o da economia.
[02:23:13] Dentro de Marx.
[02:23:14] E economia marxista depois.
[02:23:15] Que me valeu por uma vida inteira.
[02:23:17] E depois no curso de história.
[02:23:19] A gente tem várias matérias.
[02:23:21] História do pensamento.
[02:23:22] Moderna.
[02:23:24] E tal.
[02:23:25] Que a gente foi estudando.
[02:23:26] E depois em contemporânea.
[02:23:27] Também fomos estudando.
[02:23:28] Os autores do marxismo.
[02:23:29] Porque o nosso curso.
[02:23:30] Tinha uma carga muito grande.
[02:23:31] Então assim.
[02:23:32] Aí depois vai também militância.
[02:23:34] Estudos por fora.
[02:23:35] E tal.
[02:23:36] Mas assim.
[02:23:37] Minha primeira introdução foi direto.
[02:23:38] No manifesto.
[02:23:39] E depois na faculdade eu fui.
[02:23:40] Aí em história do pensamento econômico.
[02:23:42] A gente basicamente.
[02:23:43] Depois com ele.
[02:23:44] Leu tudo.
[02:23:45] Entendeu?
[02:23:46] Um pouco de.
[02:23:47] Foi lendo aos poucos.
[02:23:48] As matérias eram basicamente.
[02:23:50] Tipo assim.
[02:23:51] Marx 1.
[02:23:52] Marx 2.
[02:23:53] Marx 3.
[02:23:54] Eu queria colocar que eu li.
[02:23:56] Eu li o Capital Aluminium também.
[02:23:58] Em economia.
[02:23:59] Não foi em sociologia.
[02:24:00] Então acho que foi.
[02:24:01] E foi ótimo para mim.
[02:24:03] Porque eu estava lendo só.
[02:24:04] Só os liberais.
[02:24:05] Só.
[02:24:06] Só.
[02:24:07] Os clássicos também.
[02:24:08] Na época.
[02:24:09] E tinha essa aula.
[02:24:10] Essa aula ali.
[02:24:11] Que era.
[02:24:12] Ela.
[02:24:13] Abria as portas.
[02:24:14] Para todo mundo.
[02:24:15] Diferente.
[02:24:16] Então.
[02:24:17] Muito privilegiada.
[02:24:18] Nesse sentido.
[02:24:19] De ter conseguido.
[02:24:20] Porque a partir disso.
[02:24:21] Eu já fui.
[02:24:22] Selecionando outras coisas.
[02:24:23] Na minha.
[02:24:24] No meu currículo.
[02:24:25] Na minha grade curricular.
[02:24:26] Para não deixar.
[02:24:27] Só aquilo ali.
[02:24:28] Ser o meu único contato.
[02:24:29] Com o marxismo.
[02:24:30] Na economia.
[02:24:31] Legal.
[02:24:32] O que eu estou falando.
[02:24:33] Que na história do pensamento econômico.
[02:24:35] Ele.
[02:24:36] Assim.
[02:24:37] O mesmo tanto de marx.
[02:24:38] Que a gente leu no introdutório.
[02:24:39] A gente leu de Stuart Mill.
[02:24:40] E David Ricardo.
[02:24:41] Entendeu.
[02:24:42] Foi uma coisa bem.
[02:24:43] Bem ampla.
[02:24:44] Assim.
[02:24:45] Para contextualizar.
[02:24:46] E depois.
[02:24:47] Nas optativas.
[02:24:48] Ele ia descendo nos detalhes.
[02:24:49] Então foi.
[02:24:50] Bastante do caralho.
[02:24:51] Fica aí a dívida de gratidão.
[02:24:52] Bacana.
[02:24:53] Legal.
[02:24:54] Zé Miliano faltou você falar da sua experiência.
[02:24:55] Então.
[02:24:56] Pois é.
[02:24:57] Rapaz.
[02:24:58] Eu.
[02:24:59] Comecei a ler marx.
[02:25:00] Na faculdade mesmo.
[02:25:01] Quando eu.
[02:25:02] E isso é engraçado.
[02:25:03] Porque eu tive.
[02:25:04] A economia política com o Rodrigo Castelo Branco.
[02:25:06] Sobre o nome dele.
[02:25:07] Castelo Branco.
[02:25:08] E foi muito legal.
[02:25:11] Quando ele foi se apresentar.
[02:25:12] Foi tudo bem.
[02:25:13] Eu sou o Rodrigo Castelo Branco.
[02:25:14] Ninguém entendeu a parte do Castelo Branco.
[02:25:16] General etc.
[02:25:17] Eu levantei a sobrancelha.
[02:25:18] Ele olhou e falou assim.
[02:25:19] Então.
[02:25:20] Olha só.
[02:25:21] Sou a velha negra da família.
[02:25:22] Calma aí.
[02:25:23] Tá tudo bem.
[02:25:24] Ninguém vai morrer.
[02:25:25] E aí a gente teve a disciplina.
[02:25:29] Em determinado momento.
[02:25:30] E eu fui ler algumas partes do próprio volume 1 do Capital.
[02:25:34] E foi engraçado porque eu fiquei tão afoito com esse negócio de ler o Capital e a Desmit
[02:25:39] etc.
[02:25:40] Que os dois meus livros que eu comprei quando entrei na faculdade foi o Capital volume 1
[02:25:44] e a riqueza nas ações da Desmit.
[02:25:47] Se eu vou ler um eu tenho que ler o outro cara aí também.
[02:25:52] É porque o Marques está discutindo o Smitty né.
[02:25:55] Precisa ler.
[02:25:56] Exato.
[02:25:57] Exatamente.
[02:25:58] E assim.
[02:25:59] É isso não é um texto complicado difícil.
[02:26:02] Eu acho que a gente citou o David Harvey aqui.
[02:26:06] Gosto muito David Harvey aquele fofo aliás tem vontade de abraçar todas as vezes que
[02:26:10] eu vejo.
[02:26:11] E o David Harvey é muito interessante porque ele tem um texto um livro que é da Boitembo
[02:26:18] também que é 17 Contradições e o Fim do Capitalismo que eu recomendo muito que as
[02:26:21] pessoas leiam.
[02:26:22] E que ele fala que a primeira contata dele com o Marquesista foi aos 35 anos de idade
[02:26:27] ele tinha terminado a faculdade ele estava entravado lá não conseguia fazer e avaliar
[02:26:31] as questões em relação à moradia e ele acaba tendo esse contato com o Marques e ele
[02:26:36] diz que ele aprendeu a entender a obra do Marques dando aula sobre.
[02:26:40] E fez um grupo de cinco anos e começa a dar aula sobre e acaba gerando os outros textos
[02:26:47] os outros livros também estão na Boitembo que são os livros do Para entender o Capital
[02:26:54] Se eu me lembro bem que são ótimos também enfim foi assim que eu acabei tendo esse
[02:26:59] contato acabei tendo contato porque com o texto que já tinha publicado em vida e depois
[02:27:05] que eu fui lendo os outros textos no entorno né legal eu nem vou falar da minha experiência
[02:27:12] que foi lendo no doutorado e foi ler pouco e falar não gostei mentira eu não fui muito
[02:27:19] longe que eu tava lendo outras coisas até amanhã com mais mais um anti-cast mais duas
[02:27:29] horas alguma coisa vai ter que mudar na cabeça desse menino ai ó gente amanhã mais duas
[02:27:36] horas que estão sendo muito bondosos é sim não mas ó pô eu já comecei eu eu terminei
[02:27:43] meu doutorado no bactim porra comecei um pós moderno terminei bactiniano já melhorei um
[02:27:47] pouquinho tá e usando e usando justamente o livro que ele usa bastante marques né que é a
[02:27:55] análise linguagem esqueci o nome agora mas enfim mas daí eu é o marques do bactim que daí é o
[02:28:04] outro marques isso tem que analisar amanhã né nossa outra quando a gente vai discutir marxismos
[02:28:10] por aí que são mais interessantes é para a gente brincar um pouco a gente alguma coisa sobre a
[02:28:18] biografia do marques e suas ideias que a gente não falou e que é absolutamente necessário que se a
[02:28:24] gente não falar você vai dormir mal essa noite joão principalmente joão depois do milhão tá
[02:28:32] assim porque tipo se a gente fosse falar estritamente da biografia que a gente pulou muito também para
[02:28:38] fora e questões complementares né então se a gente fosse voltar na biografia a gente meio que deu
[02:28:46] um salto entre mil oitocentos e quarenta e oito e quase que mil oitocentos e sessenta né mas eu
[02:28:53] não acho que vale a pena a gente entrar na nesses pôr menores pessoas a gente já tá com quase três
[02:29:01] cara de sim não beleza acho que foi bem coberto fala em uma frase então o que acontece em todo
[02:29:07] esse período pobreza miseridor pronto e várias análises de outros países que ele vai entrar muito
[02:29:16] nisso aí certo outros contextos aí é pobreza miseridor dos outros e uma pequena coisa chamada
[02:29:24] internacional mas a gente fala amanhã tá isso beleza é sobre até nesse período você falou
[02:29:35] de que ano que ano mesmo joão desculpe a gente a última coisa eu não sei se eu cheguei a falar
[02:29:43] por falar em pobreza se eu falei da pobreza da filosofia né oitocentos e quarenta e sete
[02:29:50] que aí mil oitocentos e quarenta e oito vai ser ele saindo de bruxelas indo pra colônia e começo
[02:29:57] de mil oitocentos e cinquenta ele já tá em em londres e fica em londres o resto da vida e tem
[02:30:01] né as questões pessoais dele o 18 brumar que vai escrever e escrever para o new york tribune né
[02:30:10] vai ter o manifesto aí depois vai ter a primeira internacional vai ter as brigas políticas dele com
[02:30:16] a dentro da da internacional e dentro de outras organizações que ele paga que ele que ele faz
[02:30:24] né vai ter a comando de parís que vai acontecer nesse interim também depois então assim acho que
[02:30:30] a gente acho que tá bom é amanhã amanhã a gente cobre o livro da boa tempo agora quem quiser é
[02:30:41] a maravilha e inclusive é assim pra terminar é até nessa questão de biografia então é uma outra
[02:30:52] obra que tá sendo pela boa tempo é que é bom falar também é vai sair aqui o velho marx uma
[02:30:58] biografia dos seus últimos anos do marcelo musto e que daí vai justamente apontar assim vai aquela
[02:31:05] aquela coisa de especulação do tipo baseado no que o marx deixou escrito nos seus últimos anos
[02:31:10] quais os caminhos quais seriam quais as pistas que deixou de assuntos que tava começando a se
[02:31:15] interessar e podia andar mais pra frente é aqui por exemplo eu já eu já dou um spoiler do livro
[02:31:22] antropologia naturais isso é exatamente é povos é como é que é quando são os first nations que
[02:31:34] era em povos originários povos originários exatamente né é o que o crescente era bem pior
[02:31:43] qual que era na época primitivos a primitivos tá é aí que fala que o mar interesse de marx
[02:31:51] pela antropologia por sociedades não ocidentais tanto orientais quanto povos originários é isso
[02:31:56] que foi povos primitivos depois povos ditos primitivos depois povos originários tá certo
[02:32:02] é mara é mais complicada essa história tá mas sem problema isso aí vai ser vai ser outra
[02:32:09] biografia que tá saindo também então vai sair bastante coisa da boa e tempo e que
[02:32:14] obviamente a nossa patrocinadora que hoje tão aí eu tô ganhando muitos livros parabéns um abraço
[02:32:22] exatamente valeu quem valeu quem o único quem que presta o único quem que presta calma calma
[02:32:32] calma não não sério que você vai falar na frente do homem que mais amadute no brasil único quem que
[02:32:40] o único quem brasileiro que presta melhor assim melhor melhor beleza o único que presta sem dúvida
[02:32:55] isso do mundo inteiro isso eu não vou eu não vou fazer cosplay esquisito por ele beleza gente
[02:33:04] antes de qualquer coisa eu queria falar assim pessoas olha só não se esqueça no marx foi uma
[02:33:09] pessoa extremamente humana né uma vez ele tomou um porre fodido na universidade de bom e ficou
[02:33:15] preso na prisão da universidade sim lembrando né que tipo assim o marx tinha excelentes hábitos
[02:33:27] do pessoal então ele comia super mal bebia muito e fumava muito um rockstar né vamos falar
[02:33:35] verdade não tem uma frase tem uma frase que ele provavelmente gastou todo o dinheiro dele que
[02:33:45] ele ganhou com o capital que também não foi muita coisa em vida né em cigarro então não vai
[02:33:52] inclusive tem uma carta no cartão dele do médico dele falando que ele culpa os problemas de pulmão
[02:33:59] o fato de ter pouco dinheiro e fumar os piores cigarros que o mercado poderia muito bom né
[02:34:06] maravilhoso lá no filme do jovem marx tem uma cena assim o cara diz ó tem esse charuto aqui
[02:34:13] tudo cinco sei lá seria vou colocar dinheiro aqui 10 reais 15 reais ele fala qual que é esse aqui
[02:34:21] aí se custa três mas porra esse aqui é foda ele fala me vende dois por cinco
[02:34:26] é o marx negociador marx marx das massas caras ai em vez de coach aí sei lá o marx marxão
[02:34:42] fumando samarino vindo direto do paraguai ministro de jumento de jumento samarino que
[02:34:52] passou a ponte da amizade de jumento tô tomando a sua batida com o glacial
[02:34:58] gente chega eu não posso rir tá foda então chega por hoje amanhã a gente continua e o ouvinte
[02:35:09] só ouve na semana que vem então a parte dois a gente vai falar sobre o pensamento marxista
[02:35:14] e toda essa merda aí que deu depois das escolas marxista que vai ser uma briga de foice faca muito
[02:35:20] e foi esse martelo né melhor ainda dizer então é isso gente vamos dar aquele tchau pro ouvinte
[02:35:25] beijo tchau tchau tchau tchau galera tchau ouvinte lá vem mais abraço no coração dos