Pistolando #020 - ‘O Sexo Feminino’: Feminismo no século XIX OPodcastÉDelas2019
Resumo
Este episódio do Pistolando Podcast apresenta uma conversa com a pesquisadora Lílian sobre sua tese de doutorado sobre Francisca Senhorinha da Motta Diniz, uma pioneira do feminismo no Brasil do século XIX. Francisca foi a fundadora, redatora e proprietária do semanário ‘O Sexo Feminino’, publicado entre 1873 e 1889, totalizando 16 anos de circulação.
A discussão detalha a trajetória extraordinária de Francisca, que, em uma sociedade escravocrata e patriarcal, teve a coragem de assinar seus textos com o próprio nome e incentivar outras mulheres a fazerem o mesmo. Ela enfrentou pressão social, precisou se mudar de Campanha da Princesa (MG) para o Rio de Janeiro e travou debates públicos, inclusive com um gramático que questionou sua capacidade de escrita. Além do jornal, ela criou uma escola técnica voltada para meninas pobres, oferecendo-lhes educação e uma profissão para evitar a prostituição ou subempregos.
A análise dos editoriais do semanário ao longo dos anos revela uma jornada de amadurecimento político. Inicialmente, seu discurso era mais moderado, dirigido a mulheres de classe abastada e utilizando argumentos religiosos. Com o tempo, suas posições se radicalizaram: ela passou a defender o direito ao voto feminino (sufragismo), a independência econômica da mulher (como o direito de ser dona do próprio negócio) e a educação mista e de qualidade para todas as mulheres, vista por ela como o caminho para a emancipação da nação.
O episódio também aborda as dificuldades da pesquisa histórica sobre mulheres, marcada pelo apagamento de documentos e pela replicação de informações não verificadas. A conversa se estende para o contexto das lutas feministas atuais, traçando paralelos com os desafios que persistem, como o mansplaining e a desqualificação de argumentos femininos. Por fim, são recomendadas outras figuras históricas feministas para estudo, como Nísia Floresta, Maria Josefa Barreto Pereira Pinto (do jornal ‘O Belona’) e as sufragistas internacionais Susan B. Anthony e Margaret Sanger.
Indicações
Filmes_Documentarios
- Kevin Hart’s Guide to Black History — Documentário curto da Netflix recomendado por Letícia, no qual Kevin Hart apresenta de forma engraçada e acessível figuras importantes da história negra para sua filha, destacando conquistas e personagens muitas vezes apagados.
Livros
- Memórias Póstumas de Brás Cubas — Recomendado por Lílian, que destaca a estrutura narrativa inovadora do livro de Machado de Assis, onde o narrador conta sua história após a morte, sem uma linearidade temporal tradicional.
- Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens — Livro de Nísia Floresta, mencionado como a primeira obra no Brasil a tratar do direito das mulheres à instrução e ao trabalho, sendo uma tradução livre de um texto de Mary Wollstonecraft.
Pessoas
- Nísia Floresta — Feminista pernambucana pioneira, autora de ‘Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens’ e de vários artigos, muitas vezes anônimos, que começou sua atuação antes de Francisca Senhorinha.
- Maria Josefa Barreto Pereira Pinto — Professora, jornalista e poetisa que escrevia no jornal ‘O Belona Irada Contra os Sectários de Momo’, com um tom satírico e jocoso, fugindo dos estereótipos dos jornais femininos da época.
- Susan B. Anthony — Sufragista americana, escritora do jornal ‘The Revolution’, descrita como uma mulher ‘foda pra caralho’ e uma definição de ‘mulherão da porra’.
- Margaret Sanger — Ativista americana anarquista e revolucionária que defendia o direito da mulher ao voto, à escolha da própria vida e ao trabalho, sendo perseguida e tendo que deixar seu país por suas ideias.
Podcasts
- Papo Cético (Mitografias) — Podcast no qual a participante Letícia também colabora, mencionado durante os agradecimentos finais.
- É Pau, É Pedra — Podcast produzido por Márcio Moraes, mencionado porque Letícia e Thiago narraram trechos de um episódio sobre Rosa Luxemburgo.
- Quarto Escuro do Pensador Louco — Podcast elogiado por Thiago e Lílian pela edição criativa e efeitos sonoros abundantes. Lílian também participou de uma antologia de terror produzida por ele.
Sites_Recursos
- Folkways Records (Smithsonian) — Gravadora e acervo do Instituto Smithsonian recomendado por Thiago, que preserva uma vasta coleção de músicas folclóricas, tradicionais e históricas raras de diversas culturas ao redor do mundo.
- Biblioteca Nacional Digital — Mencionado por Lílian como o local onde todas as edições do semanário ‘O Sexo Feminino’ de Francisca Senhorinha estão disponíveis online para leitura.
Linha do Tempo
- 00:04:30 — Apresentação de Francisca Senhorinha e seu legado — A convidada Lílian apresenta Francisca Senhorinha da Motta Diniz, destacando que ela manteve o semanário ‘O Sexo Feminino’ por 16 anos, contratando mulheres, e criou uma escola feminina e uma das primeiras escolas técnicas do país, voltada para meninas pobres. O objetivo era dar educação e inserção no mercado de trabalho para evitar destinos como a prostituição. Francisca é descrita como uma mulher muito à frente de seu tempo.
- 00:06:15 — A coragem de assinar com o próprio nome — Lílian explica que o que primeiro a fisgou na história de Francisca foi o fato de ela ter sido a primeira mulher no Brasil a assinar um texto com o próprio nome e a estimular que outras fizessem o mesmo. Até então, as mulheres escreviam sob pseudônimos ou anonimamente. Essa atitude de se assumir publicamente foi revolucionária para a época.
- 00:08:23 — Contexto histórico e apoio do marido — É discutido o contexto do Brasil do século XIX, um país jovem e ainda escravocrata, que torna as ações de Francisca ainda mais progressistas. Surpreendentemente, ela teve o apoio do marido, que era professor e dono de uma tipografia onde o semanário era impresso. Esse suporte familiar e material foi crucial para que seu projeto se concretizasse.
- 00:11:01 — A ‘treta’ com um gramático — É contada uma famosa discussão pública travada por Francisca no semanário. Um professor e gramático de um colégio importante de São Paulo começou a criticá-la, dizendo que ela não sabia escrever. Ela publicou as críticas dele e suas respostas no jornal, criando uma espécie de ‘briga de WhatsApp’ do século XIX, onde também publicava comentários de leitores que a defendiam.
- 00:19:22 — A evolução do discurso feminista ao longo de 16 anos — A análise dos editoriais mostra uma jornada de amadurecimento. No início, Francisca se dirigia aos homens, pedia permissão para a mulher trabalhar e usava muito a religião como argumento. Com o tempo, sua luta se tornou pelo direito da mulher ser dona do próprio negócio, pelo direito à herança e pelo voto feminino. Ela passou a criticar a objetificação da mulher, usando o termo ‘traste’.
- 00:29:22 — Mudança para o republicanismo e abolicionismo — Após a Proclamação da República em 1889, Francisca renomeou uma edição do semanário para ‘O 15 de Novembro do Sexo Feminino’, simbolizando uma proclamação da república para as mulheres. Ela, que era monarquista e tinha o apoio de Dom Pedro II e da Princesa Isabel, tornou-se republicana. A conversa também destaca que ela sempre foi abolicionista.
- 00:41:55 — Inovação no currículo escolar e defesa da educação mista — É destacado como Francisca inovou ao incluir ciências naturais no currículo da escola dela, equiparando-o ao dos meninos, algo incomum na época onde a educação feminina se limitava a tarefas domésticas e línguas. Ela também defendia a escola mista, uma ideia extremamente avançada para o período, mostrando-se verdadeiramente à frente de seu tempo.
- 00:54:54 — A educação como guerra e a culpa do homem no atraso nacional — É lido e discutido um trecho poderoso dos escritos finais de Francisca. Ela afirma que ‘educar é guerra’ e que uma nação só se emancipa quando as mulheres têm acesso aos estudos e a uma carreira. Ela argumenta que a culpa do atraso e da desgraça do Brasil é dos homens, que impediram as mulheres de estudar e ensinar, privando a nação de seu potencial transformador.
- 01:06:02 — Recomendações de outras mulheres pioneiras para estudo — Lílian recomenda outras grandes mulheres para pesquisa: Nísia Floresta (autora de ‘Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens’), Maria Josefa Barreto Pereira Pinto (do jornal satírico ‘O Belona’), Joana Paula Manso de Noronha (do ‘Jornal das Senhoras’), e as sufragistas internacionais Susan B. Anthony e Margaret Sanger. Ela também comenta sobre a proliferação de jornais com nomes ‘femininos’ que, na verdade, eram escritos por homens.
- 01:15:54 — Dicas culturais dos participantes — Os participantes oferecem suas dicas finais. Lílian recomenda a releitura de ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, de Machado de Assis, pela sua estrutura narrativa inovadora. Letícia indica o documentário ‘Kevin Hart’s Guide to Black History’, na Netflix, que celebra figuras negras históricas. Thiago sugere explorar o site e o acervo da gravadora Folkways Records, do Instituto Smithsonian, que preserva músicas folclóricas e históricas raras de todo o mundo.
Dados do Episódio
- Podcast: Pistolando Podcast
- Autor: Leticia Dáquer e Thiago Corrêa
- Categoria: News Politics News News Commentary
- Publicado: 2019-03-17T08:02:00Z
- Duração: 02:23:58
Referências
- URL PocketCasts: https://podcast-api.pocketcasts.com/podcast/full/b6a05580-5917-0136-fa7c-0fe84b59566d/318f0128-5b59-4b33-8585-8954007911d3
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Dados do Podcast
- Nome: Pistolando Podcast
- Tipo: episodic
- Site: http://www.pistolando.com
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Transcrição
[00:00:00] A CIDADE NO BRASIL
[00:00:30] A CIDADE NO BRASIL
[00:01:00] A CIDADE NO BRASIL
[00:01:30] A CIDADE NO BRASIL
[00:02:00] A CIDADE NO BRASIL
[00:02:30] A CIDADE NO BRASIL
[00:03:00] A CIDADE NO BRASIL
[00:03:30] A CIDADE NO BRASIL
[00:04:00] A CIDADE NO BRASIL
[00:04:30] O que diferencia ela das outras é que ela manteve um semanário por 16 anos,
[00:04:35] contratando mulheres, criou uma escola feminina
[00:04:38] e criou o que parece ser uma das primeiras escolas técnicas,
[00:04:44] de ensino técnico do país.
[00:04:46] E essa escola dela voltou para mulheres pobres.
[00:04:50] Ela fez esse serviço de pegar meninas que estavam desassistidas
[00:04:54] e dar uma escola para essas meninas e dar uma educação
[00:04:58] e inserir elas no mercado de trabalho para que elas não tivessem o destino
[00:05:01] que muitas outras tinham, que seria a prostituição ou subempregos.
[00:05:05] Basicamente é isso.
[00:05:06] Ou seja, era uma mulher super interessante e muito à frente do seu tempo,
[00:05:12] para a frentex, na linguagem dos velhos.
[00:05:15] Não, ela quebrou paradigmas e paradigmas.
[00:05:18] Ela enfrentou tudo o que as outras enfrentaram.
[00:05:21] Pois é, menina, a história dela é muito legal.
[00:05:23] Então, vocês já perceberam que o nosso assunto é o semanário,
[00:05:26] o sexo feminino.
[00:05:27] E a dona Francisca, que era a dona da porra toda desse semanário.
[00:05:33] Por que a gente escolheu esse tema?
[00:05:35] Porque, como vocês já ouviram, esse preview da história da dona Francisca
[00:05:38] é uma coisa super diferente para a época.
[00:05:40] Ela era uma mulher muito à frente do seu tempo.
[00:05:43] E todo esse lance do semanário e da escola é tudo muito interessante.
[00:05:46] De tudo isso que você deu essa pincelada agora, inicialmente, Lílian,
[00:05:50] qual foi a parte que te fisgou, assim, para você?
[00:05:52] Você falou, vou escrever sobre essa mulher.
[00:05:55] Vou fazer uma tese sobre ela, porque ela é foda.
[00:05:57] Então, na verdade, tudo foi me fisgando.
[00:05:59] Eu sou apaixonada por ela.
[00:06:00] Ela me ajudou muito a me entender como mulher.
[00:06:04] Porque parece que uma tese de doutorado é um casamento, né?
[00:06:08] Você passa por várias fases, inclusive das DRs.
[00:06:11] Mas uma das coisas que me puxaram, a primeira coisa que me puxou foi,
[00:06:15] que me deixou interessada foi, ela foi a primeira mulher no Brasil
[00:06:18] que assinou um texto com o próprio nome.
[00:06:21] Ela colocou o próprio nome.
[00:06:22] E ela também foi a primeira que estimulou que as mulheres fizessem o mesmo.
[00:06:25] Isso é muito foda, né?
[00:06:26] Porque até então as mulheres ou escreviam,
[00:06:27] sob pseudônimos ou com um anonimato, né?
[00:06:30] Muitas escreviam, mas eram anônimas.
[00:06:33] Elas se apresentavam de forma anônima.
[00:06:34] Isso foi uma coisa que eu fiquei bem interessada também quando eu li.
[00:06:39] Foi uma coisa que chamou muito a minha atenção.
[00:06:41] Mas vamos começar do começo?
[00:06:43] Claro.
[00:06:44] Começa um pouquinho falando sobre quem era essa mulher
[00:06:47] e o contexto histórico da época, o que estava acontecendo,
[00:06:50] para a gente entender como que ela quebrou essas regras todas, digamos assim,
[00:06:55] esses costumes.
[00:06:57] Essa coragem toda, e para ter uma ideia mais detalhada do que ela fez.
[00:07:02] A Francisca, então, ela surgiu, né?
[00:07:05] A gente tem notícia da Francisca a partir de 1873,
[00:07:08] quando ela escreve o seu primeiro semanário, Sexo Feminino.
[00:07:16] Ela era casada, mãe, ela era professora.
[00:07:20] Ela dava aula no curso para meninas que seriam professoras, futuras professoras.
[00:07:25] Ela também foi jornalista.
[00:07:27] Foi escritora e foi redatora.
[00:07:29] Além de ser uma das primeiras feministas, como eu já disse.
[00:07:32] Ela teve o seu marido, um dos grandes apoiadores,
[00:07:35] ao contrário do que nós imaginamos.
[00:07:38] Ele tinha um homem também à frente do seu tempo.
[00:07:40] E ele estimulou que ela fizesse esse trabalho.
[00:07:43] E, inclusive, ela imprimia os jornais dela na prensa dele.
[00:07:47] Eles dois eram professores.
[00:07:49] Ela trabalhava muito com a necessidade que a mulher tinha para estudar,
[00:07:54] para ter uma boa profissão, para que ela não ficasse dentro…
[00:07:57] de casa, independente de um homem.
[00:07:59] Mesmo que no começo do semanário dela, que você percebe,
[00:08:03] que a cela dela ainda está muito fechada.
[00:08:04] Você vai perceber que ela vai abrindo seus horizontes
[00:08:07] conforme o tempo vai passando, a gente vai percebendo pelas suas publicações.
[00:08:11] Mas, então, já é difícil, como eu disse, ser uma feminista.
[00:08:17] Uma pessoa à frente do seu tempo, numa sociedade brasileira do século XIX,
[00:08:21] no grande centro, ela foi fazer isso
[00:08:23] na cidade de Campanha da Princesa, no interior de Minas Gerais.
[00:08:26] É.
[00:08:27] E aqui vale lembrar que, quando a gente fala da segunda metade do século XIX ali,
[00:08:32] a gente está falando de um país que tem menos de 50 anos
[00:08:35] e que a escravidão ainda estava acontecendo, assim.
[00:08:39] Então, colocando isso ainda dentro do contexto da época,
[00:08:43] é absurdamente progressista o que ela fez.
[00:08:46] Ela começa escrevendo, na verdade, antes do sexo feminino,
[00:08:49] ela começa escrevendo para um semanário de moda chamado A Estação.
[00:08:52] O que podia acontecer, o que tinha muito, mas sempre você tinha.
[00:08:55] As mulheres…
[00:08:57] Escreviam, só que elas não apresentavam, elas não apareciam,
[00:09:01] elas não assinavam, ou elas assinavam com nomes de homens ou com iniciais.
[00:09:05] Você não tinha uma mulher que assinava.
[00:09:06] O que diferencia a Francisca das outras é que ela tem orgulho de colocar o próprio nome,
[00:09:11] de falar, eu sou mulher, meu nome é Francisca, senhorinha da nota de lixo,
[00:09:15] eu estou assinando esse documento que eu escrevi
[00:09:17] e eu estou bancando isso que eu estou falando, entendeu?
[00:09:19] E ela pagou muito caro por isso,
[00:09:22] tanto que ela tem que acabar saindo da cidade dela por pressão social,
[00:09:25] ela sai de Campanha da Princesa.
[00:09:27] E vai para o Rio de Janeiro com a família toda em 1975.
[00:09:31] Ela não conseguiu ficar dois anos depois que ela abriu o jornal dela na mesma cidade.
[00:09:35] Muito complicado.
[00:09:36] Isso era, inclusive, uma coisa que eu ia te perguntar.
[00:09:39] O jornal dela não era um manifesto político, mas era.
[00:09:45] Ela tinha posições muito fortes nos editoriais dela,
[00:09:49] mas no resto do semanário ela falava sobre, entre aspas, amenidades
[00:09:56] que outros jornais, outros semanários feitos para senhoras também falariam, né?
[00:10:02] Sim, ela escrevia jornaizinho, ela escrevia…
[00:10:06] Uma das filhas dela escreveu uma novela dentro do semanário,
[00:10:11] vários contos, piadas, charadas, receitas, dicas de beleza.
[00:10:15] Isso tinha demais.
[00:10:17] Inclusive as charadas são difíceis, trechos que você colocou na tese.
[00:10:21] Eu não descobri nenhuma.
[00:10:23] Não, e tinha coisa de matemática, né?
[00:10:26] Coisas de matemática, coisas de língua portuguesa difíceis, né?
[00:10:32] Problemas matemáticos que eu tinha visto.
[00:10:34] Tem, não. E ela traz umas coisas incríveis ali.
[00:10:38] Tem uma parte de um semanário, tem um editorial que eu tive que cortar da tese
[00:10:42] porque ele não se encaixava, infelizmente isso acontece, né?
[00:10:45] Ele não se encaixava em nenhuma das estruturas que a gente decidiu,
[00:10:49] que eu decidi como orientadora para fazer o trabalho.
[00:10:51] Mas eu queria muito colocar, não consegui.
[00:10:53] E ele vai virar um artigo separado, com certeza, que é uma briga.
[00:10:56] Que ela vai ter porque um professor de um colégio em São Paulo
[00:11:01] começa a bater boca com ela porque diz que ela não sabe escrever.
[00:11:05] Caramba!
[00:11:06] Ele é um gramático.
[00:11:07] E ela vai bater boca em termos gramaticais.
[00:11:09] É uma briga intelectual que ela tem no semanário.
[00:11:13] Ela põe o que ele escreveu e depois põe a resposta dela no semanário.
[00:11:17] Ah, meu Deus!
[00:11:19] É tipo discussão no WhatsApp para todo mundo ver.
[00:11:22] É uma treta, é uma treta do Zé Cruz.
[00:11:24] É, briga de WhatsApp, briga de Face.
[00:11:26] Que coisa maravilhosa.
[00:11:28] Choque de comentários.
[00:11:30] Não, é.
[00:11:31] E depois ela põe o comentário das pessoas embaixo, defendendo, sabe?
[00:11:34] Para poder dizer assim, não, a gente concorda com você.
[00:11:37] Eu achei incrível aquilo ali.
[00:11:39] Só que eu não consegui colocar na tese.
[00:11:41] Mas ela, com certeza, vai virar um artigo separado porque é hilário.
[00:11:44] A briga dela, para ver quem lacra mais.
[00:11:46] Que coisa fantástica.
[00:11:48] Olha, e você vê que mulher, que forte, que força da natureza
[00:11:54] para encarar uma coisa dessas, né?
[00:11:56] Se você considerar o contexto todo da época, puta que pariu, cara.
[00:12:00] É, e professor, catedrático de uma escola importante,
[00:12:03] de um colégio importante, gramático, reconhecido, etc.
[00:12:06] Ela não quis saber, não. Ela brigou com ele, brigou feio.
[00:12:09] Danadíssima, adorei.
[00:12:26] Pois é, isso é uma coisa que me intriga bastante, assim.
[00:12:30] Pelas coisas que eu andei pesquisando, depois que a gente resolveu fazer esse episódio e tal.
[00:12:35] Que eu realmente conhecia zero sobre a Francisca Senhorim até então.
[00:12:41] E não se sabe ainda, não foi descoberto nenhum documento que diga sobre o nascimento dela.
[00:12:49] Porque assim, ela é uma mulher de posições muito fortes, ela parece ser uma pessoa extremamente enérgica.
[00:12:55] E ela já tinha filhas em idade de, inclusive, contribuir com o semanário também.
[00:13:02] Mas a gente sabe que se tinha cedo, naquela época e tal.
[00:13:06] Então, quantos anos ela tinha, assim?
[00:13:08] Ninguém tem uma estimativa de quando ela começou isso, quantos anos ela tinha?
[00:13:12] Não, a gente não pode dizer isso com certeza.
[00:13:13] Infelizmente, eu tentei fazer uma pesquisa na cidade de Campanha da Princesa, em Minas.
[00:13:21] Que a cidade existe, a gente foi lá, tem os registros.
[00:13:25] Mas eu não consegui encontrar.
[00:13:26] Ainda, porque eu não desisti.
[00:13:28] Eu tenho alguns dados, mas eu descobri que esses dados são inverídicos, inclusive em tese.
[00:13:32] Uma das coisas que me fez perder mais tempo no meu trabalho,
[00:13:35] eu demorei mais tempo para confirmar as informações que eu tinha do que necessariamente para escrever a tese.
[00:13:42] Porque eu percebi, na primeira, eu usei uma tese de base, não vou citar por questões de ética.
[00:13:49] Mas eu peguei uma tese, uma pessoa conta a vida dela e fala os dados, etc.
[00:13:53] E depois eu percebo que esses dados, ele é replicado em outra tese.
[00:13:56] Em outras teses, em outros artigos.
[00:13:57] Mas que esse dado não é confirmável, não tem uma fonte certa, entendeu?
[00:14:02] A fonte que ele diz que existe, eu achei essa fonte na biblioteca do Senado.
[00:14:06] Fui lá na biblioteca do Senado, porque sim, comecei essa pesquisa muito tempo antes de começar.
[00:14:10] Eu entrei no meu doutorado em 2014, com a pesquisa quase que pronta já.
[00:14:15] O que eu queria fazer, eu só estava esperando meu filho crescer um pouco.
[00:14:17] Coisa de mãe também, né?
[00:14:19] Para poder voltar.
[00:14:20] E quando eu descobri essa…
[00:14:23] Eu fui lá na biblioteca do Senado, porque nós não tínhamos…
[00:14:25] Esse acesso que nós temos hoje em dia na internet.
[00:14:27] Inclusive, depois eu posso deixar o link, quem quiser ler o semanário dela,
[00:14:30] está todo ele online na Biblioteca Nacional.
[00:14:34] É muito maravilhoso.
[00:14:35] Esse também, esse texto que eu vou falar para vocês também,
[00:14:38] ele é uma chaproca gigante de quatro edições,
[00:14:40] de cada uma de quase ou menos 2.500 páginas.
[00:14:43] E eu, sim, eu tive que procurar lá, na mão,
[00:14:46] até encontrar onde ela estava citando, para descobrir que o que ele estava citando não era verdade.
[00:14:50] Isso foi uma coisa incrível.
[00:14:52] Uma maravilhosa.
[00:14:53] Caramba, fake news everywhere.
[00:14:55] É, fake news total.
[00:14:57] Quem ia procurar lá, né?
[00:14:58] É, eu queria, assim, saber de onde que veio essa coragem toda
[00:15:03] e essa inspiração toda dela, né?
[00:15:04] Porque quando você pensa numa pessoa, assim, muito à frente do seu tempo,
[00:15:08] especialmente no caso de ser mulher, né?
[00:15:11] Você pode pensar, pô, sei lá, de repente passou um tempo fora, né?
[00:15:15] E já tinha um movimento sufragista sei lá onde.
[00:15:17] Ela teve contato com esses movimentos em outros lugares
[00:15:20] e trouxe isso para o país dela e tal.
[00:15:23] No caso dela, houve alguma coisa assim?
[00:15:24] Ou era uma coisa dela mesmo?
[00:15:26] Então, a gente não tem esses dados.
[00:15:27] Eu não posso afirmar, eu posso perceber pelos escritos dela que ela teve contato com isso.
[00:15:33] Mas eu não posso afirmar, porque eu não tenho dados empíricos.
[00:15:36] Por dados empíricos, eu posso afirmar que ela teve alguma influência.
[00:15:40] Mas eu não tenho dados técnicos e factíveis para afirmar
[00:15:44] que ela teve esse contato direto com alguma pessoa em específico.
[00:15:48] O que nós percebemos a partir dos seminários
[00:15:51] é que ela traz muita leitura de fora.
[00:15:53] Muitas vezes, o semanário é uma tradução de alguma coisa que é…
[00:15:57] Uma tradução de um artigo de alguém de fora, etc.
[00:16:00] Então, ela tem acesso, a gente sabe que ela tem acesso a esses textos,
[00:16:03] mas a gente não sabe até que ponto ela conhece essas pessoas,
[00:16:05] até que ponto ela interagiu com esse movimento.
[00:16:08] Porque ela não dá essa abertura para a gente, entendeu?
[00:16:10] E ela não tem documento nenhum além do que ela escreveu.
[00:16:13] Porque é uma coisa que é interessante.
[00:16:14] A gente vai pegar, por exemplo, a Anísia Floresta,
[00:16:17] outras grandes feministas dessa época,
[00:16:22] e a história delas parece que foi apagada.
[00:16:23] Você não tem dados.
[00:16:25] Parece que os homens que mantiveram a história
[00:16:29] fizeram questão de não deixar rastro da existência dessas mulheres,
[00:16:33] a não ser o que elas escreveram.
[00:16:34] É muito ruim.
[00:16:36] Que coisa, né?
[00:16:37] Bom, esse apagamento histórico, a gente já está super acostumado.
[00:16:41] A gente sabe que isso acontece mesmo.
[00:16:42] Inclusive, nos dias de hoje, em casos bem recentes,
[00:16:46] não é novidade nenhuma esse tipo de apagamento.
[00:16:50] Mas eu fiquei bem curiosa, lendo a sua dissertação,
[00:16:53] de entender de onde estava vindo isso.
[00:16:55] Porque você tem uma dificuldade de comunicação, obviamente,
[00:16:59] por causa das restrições tecnológicas da época,
[00:17:02] e em lugar nenhum se menciona nenhuma viagem dela, nenhum contato,
[00:17:06] troca de cartas, assinatura de periódicos estrangeiros, nada disso.
[00:17:10] Então, eu fiquei bem curiosa.
[00:17:12] Se isso for uma coisa nata dela, intrínseca dela,
[00:17:15] uma coisa que ela teve, é mais fantástico ainda.
[00:17:19] Ela ter um insight desse em um período em que isso não acontecia,
[00:17:21] não era norma.
[00:17:23] É muito interessante também o fato de ela ser casada com esse cara,
[00:17:26] que também era um cara para a Frentex.
[00:17:28] E o fato dele ter essa tipografia e imprimir as coisas para ela
[00:17:32] também dá uma facilidade.
[00:17:35] Talvez, se ela não tivesse um marido tão aberto, tão moderno,
[00:17:40] e que não tivesse esse tipo de acesso a uma tipografia,
[00:17:43] pode ser que nada disso tivesse acontecido,
[00:17:45] que ela nunca tivesse conseguido escrever ou publicar o semanário dela.
[00:17:49] É muito…
[00:17:50] Sim, é uma série de coisas.
[00:17:52] E se, e se, e se, e se, e se, e provavelmente não teria rolado, né?
[00:17:56] É uma série de coisas que foram acontecendo,
[00:17:59] que foram permitindo que tudo se desse, né?
[00:18:02] Isso realmente…
[00:18:03] Tem razão, sem isso, você não vai ter…
[00:18:08] Provavelmente não teria rolado, né?
[00:18:09] É, não teria rolado.
[00:18:10] Tem que ter algum tipo de estrutura, tem que ter algum tipo de base.
[00:18:13] Mas mesmo quando ela ficou sem essa base, quando ela perdeu essa base,
[00:18:20] ela não deixou.
[00:18:22] Como eu vou dizer, a peteca caiu, né?
[00:18:24] Ela continuou com o projeto dela, ela voltou, ela caiu várias vezes,
[00:18:27] voltou várias vezes, ela não deixou parado, enfim.
[00:18:31] Ela brigou muito para que esse projeto ficasse.
[00:18:34] E você percebe uma coisa interessante a partir dos semanários?
[00:18:37] Porque ela começa com uma fala se dirigindo, por exemplo, ao homem.
[00:18:40] Então, o primeiro semanário dela é um manifesto muito belíssimo,
[00:18:43] inclusive vai estar no nosso capítulo,
[00:18:45] porque a gente também vai fazer um episódio de mulheres, né?
[00:18:48] E a gente vai fazer a leitura desse primeiro semanário,
[00:18:52] desse primeiro semanário, desse primeiro editorial.
[00:18:54] E ela dirige-se ao homem, ela fala para o homem.
[00:18:57] E ela diz assim que para que ele deixasse a mulher trabalhar,
[00:19:01] para que ela tivesse essa estrutura, essa base, esse acolhimento,
[00:19:04] para que ela tivesse um futuro, não ficasse desassistida
[00:19:07] caso eles viessem a falecer, etc.
[00:19:09] Então, a fala dela é muito ainda de uma mulher que está aprendendo a entender
[00:19:14] como é que é ser uma mulher independente
[00:19:16] numa época em que tudo era muito dependente.
[00:19:18] E você vai perceber 16 anos depois que a briga dela já é outra.
[00:19:22] No começo, ela falava muito de igreja, religião, família.
[00:19:28] Não que ela apaga isso, ela não apaga, ela não deixa,
[00:19:30] ela não renega a sua fé, nem nada, ela continua católica, tudo.
[00:19:33] Mas você começa a perceber que a briga dela já é pelo direito da mulher
[00:19:37] ser dona do próprio negócio, não precisar…
[00:19:39] Não é porque ela casou que ela tem que dar o negócio para o marido,
[00:19:41] o comércio que ela tem, os bens, ela tem direito de herança.
[00:19:45] Ela vira uma sufragista, começa a lutar pelo direito ao voto da mulher.
[00:19:48] Entendeu? Dizer que a mulher não…
[00:19:50] E ela compara muito…
[00:19:52] Nas minhas análises, ela usa muito o termo traste.
[00:19:55] A mulher é muito objeto, né?
[00:19:57] Ela é tratada como objeto, isso fica muito claro.
[00:19:59] E ela vai percebendo isso ao longo desses 16 anos.
[00:20:03] E nesse processo, ela vai amadurecendo.
[00:20:04] Então, se você vai lendo só os editoriais,
[00:20:07] você vai percebendo que é amadurecimento e uma descoberta.
[00:20:09] Então, na verdade, é uma jornada.
[00:20:22] Jornal
[00:20:47] Jornal
[00:20:51] Isso é muito interessante, né?
[00:20:54] Porque muda mesmo, né?
[00:20:55] As lutas dela iniciais são quase que tímidas, né?
[00:21:01] Depois essa coisa vai ficando mais forte, mais incisiva.
[00:21:04] E você falou dessa coisa da religião.
[00:21:06] E mais para o final, ela começa a usar a religião como justificativa, né?
[00:21:11] Como argumento para que a mulher possa ter direitos, né?
[00:21:14] Sim. Ela vira o discurso.
[00:21:17] Inclusive, eu fiz uma abordagem retórica.
[00:21:19] É, eu fiz uma abordagem retórica sobre o trabalho, né?
[00:21:22] Retórica. Eu usei muita metáfora cognitiva, para quem for da área aí.
[00:21:26] Enfim, que é a linha americana.
[00:21:27] O que eu fiz necessariamente foi o seguinte.
[00:21:30] A perceber e demonstrar nas análises do editorial
[00:21:33] foi justamente que ela utiliza a fala do homem
[00:21:37] para dizer que o próprio homem está errado.
[00:21:39] Então, assim, se Deus diz que é assim,
[00:21:42] se você dizer que não é, então você não é cristão.
[00:21:45] Numa sociedade extremamente católica, né?
[00:21:46] Ela dá um checkmate retórico em todo mundo.
[00:21:49] E isso acaba dando…
[00:21:50] Danada ela, hein?
[00:21:51] É, danada.
[00:21:52] E a briga dela inicia…
[00:21:53] Ela diz o seguinte, que a mulher, ela…
[00:21:55] Por exemplo, para ela, a mulher…
[00:21:57] Só a mulher poderia ser professora,
[00:21:58] porque só ela teria capacidade de entender e ensinar os outros.
[00:22:01] Porque isso era uma coisa deirante das mulheres, das mães.
[00:22:04] Depois ela vai mudando essa visão.
[00:22:05] Mas no começo ela era bem assim.
[00:22:06] Ela usa muito esse argumento.
[00:22:08] Sim, inclusive, ainda de certa forma,
[00:22:11] era colocar a mulher na caixinha de que
[00:22:13] a mulher tem que continuar cuidando das crianças.
[00:22:16] Se ela vai sair…
[00:22:18] Né?
[00:22:19] Assim, se eu não posso lutar contra isso, tudo bem.
[00:22:21] Mas ela vai trabalhar em cuidado de criança.
[00:22:25] Era assim…
[00:22:26] Era…
[00:22:27] Para a época, claro,
[00:22:29] a gente sempre tem que contextualizar dentro da sua época.
[00:22:31] Era uma visão progressista,
[00:22:33] mas era uma visão progressista ainda muito amarrada
[00:22:35] a determinadas tradições, né?
[00:22:37] Sim, e ela vai perdendo isso no caminho.
[00:22:39] Mas ela defende isso muito nos primeiros…
[00:22:41] Na primeira e no comecinho da segunda fase,
[00:22:43] ela fala muito disso.
[00:22:44] Sim.
[00:22:45] Inclusive, a frase que está no seu capítulo 4,
[00:22:48] que é sobre…
[00:22:49] Semanário mesmo, que é…
[00:22:50] O sexo feminino aparece, há de lutar e lutar até morrer.
[00:22:54] Morrerá, talvez, mas sua morte será gloriosa
[00:22:57] e a posteridade julgará o perseguidor e o perseguido.
[00:23:00] Nossa, ela escrevia muito bem.
[00:23:03] Essa foi no primeiro, né?
[00:23:04] Esse é o editorial de entrada dela.
[00:23:06] É o primeiro.
[00:23:07] É, incrível.
[00:23:08] Você falou ali da treta que ela teve,
[00:23:11] que ela escrevia mal e tal,
[00:23:12] que já era, em si próprio,
[00:23:15] uma conduta machista da parte dele.
[00:23:18] Você conseguiu…
[00:23:18] Você conseguiu captar alguma coisa
[00:23:20] em outros jornais contemporâneos,
[00:23:24] talvez até da própria cidade e tal,
[00:23:26] que fossem movimentos de resposta ao semanário dela?
[00:23:32] Teve alguém, assim, que escreveu algum editorial
[00:23:35] em algum outro jornal da época ali,
[00:23:39] dizendo que era um trajante o que ela estava fazendo?
[00:23:41] Sei lá.
[00:23:42] Você achou, assim, esse tipo de…
[00:23:43] Era exatamente o que eu ia perguntar, né?
[00:23:45] Todas as vezes que alguém fez isso,
[00:23:47] a gente não precisava nem ir atrás,
[00:23:48] porque ela mesma escrevia para bater nele, entendeu?
[00:23:51] Ai, que maravilha.
[00:23:52] Então, toda vez que alguém tentou fazer isso,
[00:23:54] ela foi lá e bateu na pessoa.
[00:23:56] Falou, não.
[00:23:57] Mas rolou uma reação.
[00:23:58] Teve reação, né?
[00:23:59] As pessoas…
[00:24:00] Todas as vezes.
[00:24:01] E foram reações muito enérgicas.
[00:24:02] Olha.
[00:24:03] Inclusive, uma coisa que teve…
[00:24:04] Teve.
[00:24:05] Ela é a percussora da treta de Facebook, entendeu?
[00:24:08] Gente, que mulher fantástica.
[00:24:10] Não podia ver.
[00:24:11] Incrível.
[00:24:12] Uma coisa que eu acho bem interessante,
[00:24:14] que ela começa falando, no começo,
[00:24:16] você percebe que a fala dela são para mulheres ricas.
[00:24:19] Ela fala para mulheres que têm condições.
[00:24:21] Ela não fala para as mulheres negras, escravas.
[00:24:23] Ela não fala para as mulheres pobres.
[00:24:24] Ela fala só para mulheres…
[00:24:26] Até porque essas mulheres pobres não sabiam ler, provavelmente, né?
[00:24:29] Eram pouquíssimas as mulheres alfabetizadas na época.
[00:24:31] Sim, sim.
[00:24:32] Sim.
[00:24:33] E não só essa questão de não serem alfabetizadas,
[00:24:35] mas também ela não tinha essa percepção de direitos, né?
[00:24:38] O direito era só para a mulher rica.
[00:24:39] No começo, essa cabeça dela estava muito ali.
[00:24:42] Então, eu falei, é uma jornada.
[00:24:43] Ela vai abrindo.
[00:24:44] Não, era uma luta de classes ainda.
[00:24:45] Aí, um dia…
[00:24:48] Isso.
[00:24:48] É, até…
[00:24:49] Aí, um dia, ela lê o Angela Davis.
[00:24:51] Não, mentira.
[00:24:51] Mas, né?
[00:24:52] Se encaixa.
[00:24:54] Então, ela foi…
[00:24:55] E aí, ela começa a perceber,
[00:24:57] ela começa a falar, por exemplo,
[00:24:58] do negócio da mulher ter cuidado com o dote,
[00:25:01] do pai ter cuidado com quem vai entregar a filha,
[00:25:03] porque ele pode levar o dote embora,
[00:25:05] que é da mulher, etc.
[00:25:06] E mulher pobre não tem dote.
[00:25:08] Mulheres escravas, muito menos.
[00:25:10] Então, isso era voltado para mulheres de classe mais abastada, né?
[00:25:15] Que tivesse um pouquinho mais de condição.
[00:25:17] Aquela mulher que tinha só que ler,
[00:25:18] escrever e fazer conta
[00:25:19] para poder ter algum dote melhor
[00:25:21] e arrumar um bom casamento.
[00:25:22] E depois, você começa a perceber
[00:25:24] que ela vai mudando o discurso.
[00:25:26] Porque ela vai percebendo,
[00:25:28] e nos editoriais fica claro,
[00:25:29] ela vai percebendo
[00:25:31] que você só vai conseguir causar uma mudança
[00:25:33] por meio da educação.
[00:25:34] Que a mulher tem que…
[00:25:35] Você só vai mudar a sociedade por meio da educação.
[00:25:38] Que é uma coisa que a gente bate até hoje, né?
[00:25:39] Ela já estava batendo naquela época.
[00:25:41] E essa educação…
[00:25:42] E aí, ela bate especificamente na tecla da educação…
[00:25:45] Isso.
[00:25:45] E a educação tem que ser na cor.
[00:25:46] Da mulher, começando pela educação da mulher, né?
[00:25:48] Isso.
[00:25:48] Principalmente da mulher.
[00:25:49] Ela luta por essa educação.
[00:25:51] Porque aí, os meninos ainda tinham algum direito.
[00:25:53] A mulher era só se tivesse alguém
[00:25:55] que fosse na casa, né?
[00:25:57] Fazer uma educação ali.
[00:25:58] Ou uma outra escola de ensino para normalista,
[00:26:00] para ser professora primária.
[00:26:03] E, aliás, foi a primeira profissão
[00:26:05] que Dom Pedro, ele,
[00:26:06] instituiu para a mulher, né?
[00:26:08] A primeira profissão da mulher foi…
[00:26:09] O estatuto que a gente tem
[00:26:10] é a mulher professora.
[00:26:13] E, ainda assim,
[00:26:14] ela tem várias especificidades a mais
[00:26:16] que ela tem que cumprir, por exemplo,
[00:26:17] como direito a trabalho…
[00:26:18] O direito e autorização do marido ou do pai.
[00:26:21] Entendeu?
[00:26:21] Ela tem que ser solteira.
[00:26:22] Se ela tiver filhos,
[00:26:23] ela não pode dar aula para o ensino fundamental 2.
[00:26:25] Sabe essas coisas?
[00:26:26] Ela pode ir para um lugar,
[00:26:28] para ir para esse caminho,
[00:26:28] para aquele caminho.
[00:26:29] Eles meio que decidem.
[00:26:31] Mas, ainda assim, gera alguma abertura.
[00:26:33] Essas escolas são instituídas.
[00:26:34] Ela, inclusive, lecionava
[00:26:35] numa dessas escolas.
[00:26:37] E ela vai percebendo, nesse caminho,
[00:26:38] o que é importante
[00:26:39] que essa mulher tenha acesso.
[00:26:40] Porque como é que…
[00:26:41] Exatamente.
[00:26:42] Como é que ela vai saber do que ela está falando
[00:26:43] se essa mulher não sabe ler?
[00:26:45] Como é que essa mulher vai poder criar bem um filho
[00:26:47] e poder dar uma educação?
[00:26:48] Uma educação, um pensamento mais aberto
[00:26:50] para uma criança que não sabe…
[00:26:53] Se essa mãe não tem noção
[00:26:54] do que está acontecendo ali fora.
[00:26:55] Então, ela começa a mudar.
[00:26:57] Ela vai mudando o discurso dela
[00:26:59] e ela começa a perceber, por exemplo,
[00:27:01] que não é só criar uma escola como ela criou
[00:27:03] para que essas meninas sejam educadas.
[00:27:05] E as meninas pobres?
[00:27:06] O que fazer com elas?
[00:27:07] Aí, ela cria uma escola para essas meninas.
[00:27:10] E, ao criar essa escola para essas meninas,
[00:27:11] ela chama pessoas para cuidar.
[00:27:13] Essa coisa da escola
[00:27:15] é muito, muito interessante.
[00:27:17] Porque, desde o início,
[00:27:18] a ideia era ser uma coisa realmente inclusiva.
[00:27:22] Então, ela martelava muito a questão
[00:27:24] de fazer vaquinha, inclusive,
[00:27:27] entre os pais dos alunos
[00:27:28] para poder pagar os estudos de crianças mais pobres
[00:27:31] que não tinham acesso e coisa e tal.
[00:27:35] É muito interessante esse negócio.
[00:27:36] É uma coisa que eu acho que deve ter sido
[00:27:38] muito revolucionária para a época.
[00:27:40] Ela tinha uma vida mais abastada
[00:27:41] para os padrões da época.
[00:27:43] Ela não tinha uma vida…
[00:27:43] Ela não era rica, mas tinha uma vida confortável.
[00:27:45] Só que ela começa a virar todo o dinheiro que ela tem
[00:27:48] para essa escola e para o jornal dela.
[00:27:50] Tanto que todas as contratadas dela,
[00:27:52] tanto na escola quanto no jornal, são mulheres.
[00:27:54] As filhas dela trabalham com ela
[00:27:55] e ela traz mulheres para esses locais.
[00:27:57] Como ela precisava pegar essas crianças,
[00:27:59] essas meninas da rua
[00:28:00] e entregar uma profissão para elas,
[00:28:02] liberar rápido para poder ter mais espaço,
[00:28:04] ao contrário da outra escola,
[00:28:05] que era a escola para as meninas se formarem,
[00:28:08] serem professoras, essas coisas,
[00:28:10] ou terem aquela educação
[00:28:12] para seguir estudos em outro país.
[00:28:14] Coisa que já estava começando a ficar em voga na época.
[00:28:17] E ela tinha um certo nome.
[00:28:19] Por quê?
[00:28:19] Porque Dom Pedro era um dos mecenas dela
[00:28:22] e a Princesa Isabel também.
[00:28:24] Então ela teve duas…
[00:28:26] Ela acabou no meio do caminho com essa luta dela.
[00:28:29] Ela acabou tendo dois nomes de peso
[00:28:31] na corte que ajudaram.
[00:28:32] Mas depois ela também vira…
[00:28:34] Tanto que ela era muito monarquista,
[00:28:35] depois ela vira republicana no caminho também.
[00:28:40] Minha força não é bruta
[00:28:44] Eu adoro isso
[00:28:47] Não sou freira
[00:28:50] Nem sou puta
[00:28:52] Nem toda feiticeira é cor puta
[00:29:00] Nem toda brasileira é puta
[00:29:03] Meu peito não é de silicone
[00:29:06] Sou mais macho que muito homem
[00:29:10] 15 de novembro de 1889
[00:29:15] Proclamada República
[00:29:17] No mesmo novembro de 1889
[00:29:19] Primeira edição que sai pós-república
[00:29:22] já sai com o nome de
[00:29:23] O 15 de novembro do sexo feminino
[00:29:26] Aí eu até gostaria de saber
[00:29:28] Levando em consideração os escritos que ela deixou
[00:29:31] É possível determinar quando que ela fez
[00:29:33] esse ponto de virada para republicana?
[00:29:36] Então, a gente tem algum problema
[00:29:38] que a gente não tem todos os editoriais dela
[00:29:40] porque eles se perderam.
[00:29:42] A gente tem muitas lacunas nesse caminho.
[00:29:44] Mas dá para perceber que da segunda para a terceira fase
[00:29:47] quando ela entra no final
[00:29:49] quando ela fica doente
[00:29:50] e se recolhe do Rio de Janeiro
[00:29:51] a gente não tem notícia
[00:29:52] ela fica sem publicar por alguns anos
[00:29:55] depois a gente sabe que descobre que
[00:29:56] ela teve algumas publicações
[00:29:58] mas elas se perderam
[00:29:59] porque elas não foram entregues
[00:30:01] de acordo com uma lei
[00:30:03] se não me engano de Dom João
[00:30:05] toda publicação no Brasil
[00:30:07] tinha que levar três
[00:30:08] se não me engano, salvo engano
[00:30:10] bem salvo engano
[00:30:11] três edições para ficarem guardadas
[00:30:14] na Biblioteca Nacional
[00:30:15] e essas edições que nós temos acesso hoje
[00:30:17] então, algumas dessas não foram entregues
[00:30:21] então, a gente não tem algumas edições dela
[00:30:23] inclusive, a última edição que a gente tem
[00:30:25] não é a última edição que realmente aconteceu
[00:30:27] ela se perdeu por falta de…
[00:30:29] não vou nem dizer
[00:30:30] tem coisas, tem documentos
[00:30:32] documento histórico desse importantíssimo
[00:30:33] colado com fita durex escura
[00:30:36] sabe?
[00:30:37] você vai tirar a cópia
[00:30:38] você vai até lá uma fita gigante no meio do texto
[00:30:41] porque a pessoa pegou e passou na fita
[00:30:42] para resolver o problema de restauração
[00:30:44] então, a gente infelizmente perdeu alguns editoriais
[00:30:47] aliás, o que a gente sabe
[00:30:49] o que dá para perceber
[00:30:50] é que depois que ela volta dessa doença
[00:30:52] ela ficou longe
[00:30:53] e volta para essa terceira fase
[00:30:55] um pouco antes da proclamação
[00:30:56] ela já está com essa mentalidade republicana
[00:31:01] ela já está
[00:31:02] ela sempre foi abolicionista
[00:31:05] e ela tem essa memória
[00:31:07] essa fase republicana
[00:31:09] uma coisa que você percebe
[00:31:10] é que a fala dela está muito pautada
[00:31:12] por exemplo, nas feministas americanas
[00:31:14] e ela cita muito os Estados Unidos
[00:31:16] como um exemplo
[00:31:17] de libertação da mulher
[00:31:20] de república, etc
[00:31:21] então, talvez esse caminho
[00:31:23] e essa visão que ela vê que acontece lá
[00:31:25] talvez a tenha influenciado
[00:31:27] para que ela tivesse apoiado a república
[00:31:30] e quando ela fala que esse será
[00:31:32] o 15 de novembro do sexo feminino
[00:31:33] é justamente
[00:31:34] como se fosse a proclamação da república
[00:31:37] da independência
[00:31:38] da república da mulher, sabe?
[00:31:41] como se fosse uma proclamação para a mulher
[00:31:42] por isso que ela muda o nome
[00:31:43] a primeira edição de todas
[00:31:45] foi lançada
[00:31:46] no 7 de setembro
[00:31:48] é, ela gosta dessas datas, né?
[00:31:50] ela já tinha esse negócio
[00:31:51] de pegar as datas patrióticas
[00:31:52] e ela é extremamente patriótica
[00:31:54] independente de
[00:31:55] mudando uma coisa ou outra
[00:31:57] ela está sempre ali
[00:31:58] defendendo
[00:31:59] o que ela acredita
[00:32:01] que é a identidade brasileira, né?
[00:32:03] no caso da mulher brasileira
[00:32:04] ela pouco cita homens, né?
[00:32:06] ela realmente é muito direcionada
[00:32:08] para mulheres
[00:32:09] o tempo inteiro
[00:32:10] isso é sensacional, né?
[00:32:13] na hora que ela
[00:32:13] tudo bem, ela fala
[00:32:14] voltando um pouco
[00:32:16] no que você tinha dito
[00:32:16] o que você tinha falado
[00:32:17] é amarrando com o que você está dizendo agora, né?
[00:32:19] dela se dirigir às mulheres
[00:32:21] e coisa e tal
[00:32:22] mas ela tem essa coisa
[00:32:23] de assumir que a mulher é o sexo frágil
[00:32:26] e isso e aquilo
[00:32:28] ela vai mudando um pouco
[00:32:28] o vocabulário ao longo dos anos, né?
[00:32:30] mas, na verdade, ela nunca
[00:32:32] nunca descarta totalmente
[00:32:35] essa hipótese, né?
[00:32:38] digamos que a mulher é o sexo frágil
[00:32:39] você acha que ela realmente
[00:32:40] acreditava nisso
[00:32:41] ou que ela falava
[00:32:42] porque era o que todo mundo esperava
[00:32:44] que ela falasse
[00:32:45] ou que ela ia falar
[00:32:46] ou que ela ia falar
[00:32:46] ou que ela ia falar
[00:32:46] ou que ela ia falar
[00:32:46] ou que ela ia falar
[00:32:46] ou que ela ia falar
[00:32:46] ou que ela ia falar
[00:32:46] ou que ela ia falar
[00:32:46] ou que ela entendia
[00:32:47] que o mundo não estava pronto
[00:32:48] para ouvir que não é isso
[00:32:49] o que você acha?
[00:32:51] Acredito que é o processo, né?
[00:32:52] No começo, ela estava
[00:32:52] muito mais dependente
[00:32:53] dessa visão
[00:32:54] depois ela vai mudando
[00:32:55] bastante
[00:32:56] essa visão que ela tem
[00:32:57] a respeito dessas questões
[00:32:58] só que uma coisa
[00:32:59] que é interessante
[00:33:00] você perceber
[00:33:01] é que a gente tem que entender
[00:33:02] a historiografia linguística, né?
[00:33:05] Ela aborda muito isso
[00:33:06] nós temos que entender
[00:33:07] os fatos
[00:33:09] dentro do período
[00:33:10] em que eles se inserem
[00:33:11] não com a nossa visão
[00:33:12] do século XXI
[00:33:13] então, quando você tem que olhar
[00:33:14] para essa mulher
[00:33:15] nesta época
[00:33:16] então, quando você tem que olhar
[00:33:16] os estudos dessa época
[00:33:17] diziam isso
[00:33:18] ela é uma mulher de ciência
[00:33:20] então, ela se pautava
[00:33:22] muito em pesquisa
[00:33:23] as pesquisas diziam isso
[00:33:24] a sociedade dizia isso
[00:33:26] então, ela tenta sair
[00:33:27] um pouco dessa questão
[00:33:28] mas ela não tem meios
[00:33:30] e ela não tem elementos
[00:33:32] que sejam
[00:33:32] ela não tem elementos
[00:33:34] para poder dizer claramente
[00:33:36] que, por exemplo
[00:33:37] não há dados concretos
[00:33:40] científicos
[00:33:40] para dizer que a mulher
[00:33:41] era um sexo frágil
[00:33:42] até então dizia que era
[00:33:43] então, ela segue nisso
[00:33:44] mas ela meio que vai refutar
[00:33:46] e vai mostrando
[00:33:47] que tem qualidades nesse caminho
[00:33:49] e por isso ela tem que ser tratada
[00:33:50] como objeto
[00:33:51] ou como uma coisa inferior
[00:33:52] isso ela nunca admitiu
[00:33:54] mas eu não acredito
[00:33:55] que ela necessariamente
[00:33:56] tenha falado diferente
[00:33:58] só para seguir um protocolo
[00:33:59] eu creio que
[00:34:00] pelo que você vê
[00:34:01] para os escritos dela
[00:34:02] essa fala
[00:34:03] ela realmente
[00:34:04] é o que ela acredita
[00:34:06] existe particular
[00:34:07] ela vai mudando
[00:34:09] e vai modalizando isso
[00:34:10] até ela chegar ao ponto
[00:34:12] de que, assim
[00:34:12] mulheres são diferentes de homens
[00:34:14] e nós temos que ser respeitadas
[00:34:15] dentro das nossas diferenças
[00:34:17] entendeu?
[00:34:18] que é basicamente
[00:34:19] o que muita gente luta até hoje
[00:34:20] nós somos diferentes
[00:34:21] em características diferentes
[00:34:22] não que sejam melhores ou piores
[00:34:24] mas são diferentes
[00:34:25] e temos que ser respeitadas
[00:34:27] nessas características
[00:34:28] por exemplo
[00:34:29] você não pode ter um filho
[00:34:29] e sair no dia seguinte
[00:34:30] trabalhando, né?
[00:34:32] não dá
[00:34:32] Lilian, você tem algum
[00:34:35] algum tipo de registro historiográfico
[00:34:38] que dê a entender
[00:34:39] que ela teve algum contato
[00:34:42] com os outros grandes nomes
[00:34:45] do feminismo contemporâneo dela?
[00:34:48] da Nália Franco
[00:34:49] da Nízia Floresta e tal?
[00:34:51] ela tem citação
[00:34:52] o que a gente tem muito
[00:34:53] é nesse
[00:34:54] o que você tem muito
[00:34:55] nos próprios editoriais dela
[00:34:57] citando essas pessoas
[00:34:58] mas a gente não tem
[00:34:59] a gente não tem comprovação fática
[00:35:01] você tem a fala de uma
[00:35:02] entrando na fala da outra
[00:35:03] e você percebe
[00:35:04] que parece que tinha
[00:35:05] uma troca de cartas
[00:35:07] alguma coisa assim
[00:35:08] mas esses documentos
[00:35:08] nunca foram encontrados
[00:35:09] se é que existem
[00:35:10] se teve algum tipo de
[00:35:13] além do jornal dela
[00:35:14] que foi um jornal que, né?
[00:35:15] por ser dela
[00:35:16] de mulheres, etc
[00:35:17] não escondiam esses dados
[00:35:19] nos outros todos
[00:35:20] como a Letícia disse
[00:35:22] nós temos um apagamento
[00:35:23] então você não tem dados
[00:35:25] pra isso
[00:35:26] porque parece que
[00:35:27] não é só dela
[00:35:28] da Nízia Floresta
[00:35:29] da Nália
[00:35:30] de todas as outras mulheres
[00:35:31] da Chiquinha Gonzaga
[00:35:32] que também tá na música
[00:35:33] todas essas mulheres
[00:35:34] quando você vai procurar
[00:35:35] a história da vida delas
[00:35:36] se não for o caso
[00:35:37] delas mesmas
[00:35:38] terem escrito sobre a vida delas
[00:35:39] você não vai encontrar nada sobre
[00:35:41] porque elas deliberadamente
[00:35:42] foram esquecidas
[00:35:43] elas não têm
[00:35:44] você não tem como comprovar
[00:35:45] se tiver alguma coisa
[00:35:45] se alguém tinha alguma coisa
[00:35:46] pra dizer, não disse
[00:35:47] porque eles não
[00:35:49] é aquela questão
[00:35:50] você não fala sobre o assunto
[00:35:51] você não dá ibope
[00:35:52] é muito complicado
[00:35:53] infelizmente é muito complicado
[00:35:55] é demais
[00:35:56] bom, a gente
[00:35:56] a gente não sabe muito bem
[00:35:58] em quem que ela se inspirou
[00:35:59] mas você sabe
[00:36:00] se alguém se inspirou nela?
[00:36:02] outras
[00:36:02] outras publicações desse tipo
[00:36:04] apareceram ao longo
[00:36:05] de todos esses anos
[00:36:05] em que ela publicou o semanário?
[00:36:07] não
[00:36:08] a gente não tem também
[00:36:09] as pessoas também não falam sobre
[00:36:11] elas também não dão crédito
[00:36:12] é uma briga
[00:36:13] sabe?
[00:36:14] não
[00:36:14] eu não vim de ninguém
[00:36:15] de lugar nenhum
[00:36:16] não disse nada pra ninguém
[00:36:17] a gente não tem como provar
[00:36:19] essas falas
[00:36:20] pesquisei muito
[00:36:21] pra procurar muito
[00:36:21] se alguém encontrar
[00:36:22] por favor me manda
[00:36:23] porque pode ser que eu não tenha
[00:36:24] fugido nessa pesquisa
[00:36:26] mas eu realmente não consegui encontrar
[00:36:27] o que a gente tem são indícios
[00:36:30] mas indícios não são pesquisa, né?
[00:36:32] a gente precisa dos dados
[00:36:33] pra dizer
[00:36:34] eu posso dizer
[00:36:35] por indícios
[00:36:36] que há sim
[00:36:37] muita influência
[00:36:38] da Anísia Flores
[00:36:39] da Anália na vida dela
[00:36:40] há sim
[00:36:41] por exemplo
[00:36:42] acho que a Gonzaga aparece
[00:36:43] em alguns textos
[00:36:44] que ela utiliza
[00:36:45] então ela dá
[00:36:45] a gente
[00:36:45] essa voz
[00:36:46] pras mulheres sim
[00:36:47] há sim
[00:36:47] muitas coisas
[00:36:48] que acontecem
[00:36:49] naquele ponto
[00:36:49] né?
[00:36:50] inclusive
[00:36:51] você tem indícios
[00:36:53] mas você não tem provas
[00:36:54] você pode dizer
[00:36:56] que eu percebi
[00:36:57] que isso acontece
[00:36:57] mas eu não posso dizer
[00:36:58] com certeza
[00:36:58] que isso acontece
[00:36:59] eu acredito
[00:37:00] que aconteceu
[00:37:01] mas não posso provar
[00:37:02] é
[00:37:03] você sabe
[00:37:05] você imagina
[00:37:05] que é possível
[00:37:06] mas você acaba
[00:37:07] não tendo isso
[00:37:07] e você vai ter um período
[00:37:09] o Brasil
[00:37:09] ele dá uma caminhada
[00:37:10] depois ele dá uma retrocedida
[00:37:12] e depois ele caminha de novo
[00:37:13] quando você entra
[00:37:14] já no século XX
[00:37:15] você vai ter
[00:37:16] por exemplo
[00:37:17] jornais
[00:37:18] inclusive
[00:37:19] eu tenho um grupo
[00:37:20] de pesquisa
[00:37:20] na universidade
[00:37:22] tenho um grupo
[00:37:22] de estudo aqui
[00:37:23] na Universidade Estadual de Goiás
[00:37:24] eu tenho artigos
[00:37:25] que meus alunos
[00:37:26] eu oriento
[00:37:27] meus alunos produzem
[00:37:28] tanto na pós-graduação
[00:37:29] quanto na graduação
[00:37:30] e inclusive
[00:37:32] publicados
[00:37:32] tem um jornal
[00:37:34] de São Paulo
[00:37:35] por exemplo
[00:37:36] que a menina escreve
[00:37:37] por anos
[00:37:38] foi uma mulher
[00:37:39] que escreveu
[00:37:40] e as mulheres
[00:37:40] escreviam pra ela
[00:37:41] e pediam dicas
[00:37:43] e ela era extremamente
[00:37:44] machista
[00:37:44] nas suas falas
[00:37:45] e depois se descobre
[00:37:46] que essa mulher
[00:37:47] era um homem
[00:37:47] olha só
[00:37:50] é tipo Scooby-Doo
[00:37:54] tirando a máscara
[00:37:55] é
[00:37:56] não é só isso
[00:37:57] esse não foi o primeiro
[00:37:58] teve um outro
[00:37:59] mas aí já é mais
[00:38:00] década de 50
[00:38:01] década de 20
[00:38:02] mais ou menos
[00:38:03] você vai ter um outro jornal
[00:38:04] outra revista
[00:38:05] voltada pra moças
[00:38:07] que você tem
[00:38:07] o nome de uma mulher
[00:38:08] mas todo mundo
[00:38:09] que trabalha no jornal
[00:38:10] são homens
[00:38:11] então tudo que você vê
[00:38:12] é indicação
[00:38:13] de como você se porta
[00:38:14] você tem um nome
[00:38:15] como você obedece
[00:38:16] seu marido
[00:38:16] são os homens
[00:38:17] que estão contando pra elas
[00:38:18] só que as vozes
[00:38:19] e as falas
[00:38:20] são todas de mulher
[00:38:21] tal
[00:38:22] não é maravilhoso?
[00:38:23] que coisa hein
[00:38:24] que coisa
[00:38:25] incrível isso
[00:38:26] eu vou até abrir aqui
[00:38:27] de cabeça
[00:38:28] não lembro de todos
[00:38:28] mas eu tenho aqui
[00:38:29] o nome dos trabalhos
[00:38:30] essa coluna
[00:38:31] da mulher que fala
[00:38:32] chama de mulher pra mulher
[00:38:34] inclusive minha aluna
[00:38:35] quando apresentou
[00:38:36] uma senhora
[00:38:37] aqui eu tava no Conelli
[00:38:38] que é o Congresso Nacional
[00:38:39] de Estudos da Linguagem
[00:38:40] inclusive tá pra acontecer
[00:38:41] já de novo
[00:38:42] é incrível
[00:38:43] essa minha aluna
[00:38:44] fez a apresentação
[00:38:45] Ana Paula
[00:38:46] e uma senhorinha
[00:38:48] estava assistindo
[00:38:49] essa apresentação
[00:38:51] e ela era a leitora
[00:38:52] dessa revista
[00:38:53] e ela ficou chocada
[00:38:55] de saber que era um homem
[00:38:56] gente
[00:38:57] que coisa maravilhosa
[00:38:59] ela ficou chocada
[00:39:00] de saber que era um homem
[00:39:01] era uma senhorinha
[00:39:02] a revista Cláudia
[00:39:04] que tinha
[00:39:06] uma
[00:39:07] aqui ó
[00:39:08] revista Cláudia
[00:39:09] que era
[00:39:09] de mulher pra mulher
[00:39:11] e ela fazia uma análise
[00:39:13] né
[00:39:13] e essa revista
[00:39:14] quem fala
[00:39:15] na verdade
[00:39:15] era um homem
[00:39:16] mas ele sempre
[00:39:17] meu Deus
[00:39:19] terrível né
[00:39:20] isso acontecia muito
[00:39:21] então a gente também
[00:39:22] tem esse problema
[00:39:23] você não sabe
[00:39:23] a gente consegue
[00:39:24] descobrir isso
[00:39:26] hoje em dia
[00:39:26] com outras percepções
[00:39:27] mas você não tem
[00:39:29] por exemplo
[00:39:29] muitos dados
[00:39:32] de algumas outras
[00:39:33] pra dizer 100%
[00:39:34] de certeza
[00:39:34] que eram homens
[00:39:35] que escreviam
[00:39:35] no lugar de mulheres
[00:39:36] mas as revistas
[00:39:38] geralmente eram
[00:39:39] tutoradas por homens
[00:39:40] né
[00:39:41] porque tem muita também
[00:39:41] que escrevia
[00:39:42] com pseudônimo masculino
[00:39:43] por isso que a gente
[00:39:44] tem 100%
[00:39:44] e a gente tem
[00:39:45] de certeza
[00:39:45] na fala da Francisca
[00:39:46] porque ela era mulher
[00:39:47] escrevia e assinava
[00:39:48] não só assinava
[00:39:50] o texto dela
[00:39:50] como colocava o nome
[00:39:51] logo de cara né
[00:39:53] presidente
[00:39:53] diretora
[00:39:55] redatora
[00:39:56] ela pedia
[00:39:57] que as outras
[00:39:57] fizessem a mesma coisa
[00:39:59] ainda tinha
[00:40:00] o trecho lá né
[00:40:01] de que todas as cartas
[00:40:02] serão endereçaria
[00:40:03] tipo
[00:40:04] pode mandar
[00:40:05] que vai cair
[00:40:06] vai ter resposta
[00:40:06] enfim
[00:40:06] é
[00:40:07] é não
[00:40:08] e tipo
[00:40:08] só faltava colocar lá né
[00:40:10] o sexo feminino
[00:40:11] né
[00:40:11] senhorinha
[00:40:12] dona Francisca
[00:40:13] dona da porra toda
[00:40:14] é
[00:40:15] porque ela botava
[00:40:16] bem
[00:40:16] bem explícito mesmo
[00:40:18] redactora
[00:40:19] e proprietária
[00:40:20] e sei lá o que
[00:40:20] tipo
[00:40:20] é meu
[00:40:21] é meu
[00:40:24] sou eu que escrevo
[00:40:25] eu que resolvo
[00:40:26] os babados
[00:40:27] e acho
[00:40:28] achei fantástico isso
[00:40:29] imagina a ousadia
[00:40:31] né
[00:40:32] que não foi
[00:40:32] que não foi
[00:40:33] enxergada
[00:40:34] nesse ato na época
[00:40:35] pra mim ela é
[00:40:36] definição de mulherão
[00:40:37] da porra né
[00:40:38] mulher
[00:40:39] do fim
[00:40:41] do mundo
[00:40:42] eu sou
[00:40:44] eu vou
[00:40:44] vou até o fim
[00:40:48] cantar
[00:40:52] cantar
[00:40:54] eu quero cantar
[00:40:56] até o fim
[00:40:58] me deixem cantar
[00:41:00] até o fim
[00:41:02] até o fim
[00:41:04] eu vou cantar
[00:41:06] eu vou cantar
[00:41:08] até o fim
[00:41:10] eu sou mulher do fim do mundo
[00:41:12] eu vou eu vou
[00:41:14] eu vou cantar
[00:41:15] me deixem cantar
[00:41:16] me deixem cantar
[00:41:17] até o fim
[00:41:18] me deixem cantar
[00:41:19] me deixem cantar
[00:41:20] me deixem cantar
[00:41:21] me deixem cantar
[00:41:22] até o fim
[00:41:23] me deixem cantar
[00:41:24] me deixem cantar
[00:41:25] me deixem cantar
[00:41:26] me deixem cantar
[00:41:27] me deixem cantar
[00:41:28] me deixem cantar
[00:41:29] me deixem cantar
[00:41:30] me deixem cantar
[00:41:31] me deixem cantar
[00:41:32] me deixem cantar
[00:41:33] me deixem cantar
[00:41:34] me deixem cantar
[00:41:35] me deixem cantar
[00:41:36] me deixem cantar
[00:41:37] me deixem cantar
[00:41:38] me deixem cantar
[00:41:39] me deixem cantar
[00:41:40] me deixem cantar
[00:41:41] me deixem cantar
[00:41:42] me deixem cantar
[00:41:43] Me deixem cantar até o fim
[00:41:46] Me deixem cantar
[00:41:49] Me deixem cantar até o fim
[00:41:53] Eu gostei muito dessa coisa das escolas,
[00:41:55] dela insistir nas ciências naturais,
[00:41:58] porque você imagina que o que as mulheres aprendiam
[00:42:03] era o mínimo para administrar um lar.
[00:42:06] Então, tarefas domésticas e línguas e francês,
[00:42:10] porque todo mundo estudava francês,
[00:42:11] e música para ser uma pessoa refinada.
[00:42:13] Matemática, aquele mínimo para fazer uma receita,
[00:42:18] uma coisa desse tipo.
[00:42:19] E ela introduz no currículo da escola dela
[00:42:22] todas as ciências naturais, uma lista enorme.
[00:42:25] Sim, ela quer que a mulher tenha o mesmo currículo
[00:42:29] que os meninos tinham.
[00:42:30] Então, as meninas tinham que ter o mesmo currículo.
[00:42:32] Para ela não tinha que ser diferente.
[00:42:33] Inclusive, ela fala de escola mista.
[00:42:36] Uma época que isso é inacreditavelmente impensável.
[00:42:39] Ela fala da escola mista e defende a escola mista.
[00:42:41] Sim, a gente não está…
[00:42:43] Muito longe de uma época.
[00:42:45] A gente está, sei lá, 70 anos de uma época
[00:42:49] em que mesmo nas salas mistas você tinha a separação
[00:42:52] de meninas para um lado, meninas para o outro.
[00:42:55] Algumas tarefas, algumas coisas eram segregadas e tal.
[00:42:58] Então, ela estava extremamente à frente do seu tempo.
[00:43:02] Eu estava procurando aqui uma coisa sobre o censo
[00:43:05] e eu vi que a tiragem do primeiro número dela
[00:43:08] foi de 800 impressões.
[00:43:12] Era muita coisa, né?
[00:43:13] É uma coisa do caralho, assim.
[00:43:15] É enorme.
[00:43:17] Principalmente levando em consideração
[00:43:18] que ela era de uma cidadezinha do interior de Minas.
[00:43:20] Mas você viu que ela vendia para o Brasil inteiro.
[00:43:24] Ela vendia para todo o país
[00:43:25] e a população inteira do país em 1872
[00:43:29] considerada alfabetizada
[00:43:31] era de 1.012.000 homens livres
[00:43:37] e 550.000 mulheres livres.
[00:43:41] Então, era um alcance absurdo.
[00:43:43] Se ela vendesse todos os números dela para mulheres
[00:43:46] ela estava chegando em um alcance inimaginável para a época.
[00:43:53] Ela era o Whindersson Nunes daquela época, basicamente.
[00:43:58] Ela ficou muito conhecida.
[00:44:00] Só para voltar, eu tinha comentado da outra bolsa
[00:44:03] que começou, na verdade, só para retificar.
[00:44:05] Ela começou escrevendo e depois foi em São Paulo.
[00:44:09] Ela começou escrevendo e faleceu.
[00:44:10] O irmão dela seguiu com a produção.
[00:44:13] Mas não contou para ninguém que não era mais uma mulher.
[00:44:16] Que era a Virgilina de Souza Salles.
[00:44:18] E a revista chama Revista Feminina.
[00:44:20] Que foi de 1914 a 1936.
[00:44:22] Ela ficou só seis meses e morreu.
[00:44:24] Depois disso, ele seguiu até 1936
[00:44:26] escrevendo como se fosse uma mulher.
[00:44:28] Caramba!
[00:44:28] E aí você tinha coisas do tipo…
[00:44:30] Você tinha coisas do tipo…
[00:44:31] Se seu marido chegar em casa
[00:44:33] e você perceber que ele está diferente
[00:44:35] com uma roupa abarrotada,
[00:44:38] com batom, alguma coisa…
[00:44:39] Calma, respira com a pessoa.
[00:44:42] Caralho!
[00:44:42] E ele sustentou…
[00:44:43] Durante tanto tempo essa mentira?
[00:44:45] É!
[00:44:46] Tinha bastante coisa.
[00:44:47] Nossa, tem muita coisa.
[00:44:48] Não tem só ela.
[00:44:50] Mas outras publicações vêm na frente
[00:44:52] e tem essas tentativas.
[00:44:53] Mas, por exemplo, a gente está no século XX.
[00:44:55] Falando de século XX.
[00:44:57] E você vai pegar e você vai encontrar
[00:44:59] essa mesma fala machista
[00:45:01] nessas publicações voltadas para mulheres.
[00:45:04] Ela é exclusiva, ela é incrível,
[00:45:07] ela é diferente por causa disso.
[00:45:08] Porque ela tinha tudo o que a gente comentou aqui.
[00:45:11] Ela tem tudo.
[00:45:12] Ela tinha revistas.
[00:45:13] Ela tinha contos.
[00:45:15] Ela tinha poesia, música.
[00:45:17] Ela tinha piadas, charadas,
[00:45:19] coisas do dia a dia, fofoca.
[00:45:23] Tudo tinha no semanário dela.
[00:45:24] Mas ela também tinha os editoriais.
[00:45:26] Ela tinha conhecimento.
[00:45:27] Ela trazia essas coisas.
[00:45:28] Mas ela trazia e eram mulheres que escreviam.
[00:45:31] 100% mulheres.
[00:45:32] Você não vai encontrar…
[00:45:34] As filhas dela escreviam
[00:45:35] estimuladas por ela também, né?
[00:45:37] Você não vai encontrar nenhum tipo de fala
[00:45:39] como essa, por exemplo, entendeu?
[00:45:40] Que é a culpa de uma estupra da mulher.
[00:45:43] Por exemplo,
[00:45:43] ela briga porque uma moça…
[00:45:45] Tem um editorial também
[00:45:46] que, infelizmente, teve que ser retirado.
[00:45:48] Porque também não se encaixou
[00:45:49] nos padrões de análise,
[00:45:50] mas ele também está guardado no meu coração.
[00:45:52] Eu vou utilizá-lo.
[00:45:53] Ela faz um editorial falando a respeito
[00:45:57] de uma menina que se matou
[00:45:58] porque foi obrigada a casar com um cara
[00:46:00] que ela não queria.
[00:46:01] Caramba!
[00:46:02] E ela faz o editorial
[00:46:03] para falar da morte dessa menina
[00:46:05] e como isso é um absurdo
[00:46:07] e que tinha que ser reprimido.
[00:46:09] Os pais tinham que ser responsabilizados
[00:46:11] por essa violência.
[00:46:12] Porque nenhuma mulher,
[00:46:13] uma mulher deveria ser obrigada
[00:46:14] a ficar o resto da vida
[00:46:16] com uma pessoa que ela não aceitou ficar.
[00:46:18] Nem seria obrigada a casar
[00:46:19] se ela não quisesse casar, entendeu?
[00:46:22] Ela tinha que ser respeitada
[00:46:23] a decisão dela.
[00:46:24] Ela que tem que escolher.
[00:46:25] Que coisa super progressista, caramba!
[00:46:28] Nossa, tem gente hoje
[00:46:30] que ainda não entendeu isso.
[00:46:32] Não é?
[00:46:33] Entendeu por que às vezes eu brigo tanto
[00:46:34] quando eu vejo algumas mulheres
[00:46:36] se apropriando da fala
[00:46:39] do feminismo,
[00:46:41] do que é um movimento feminista,
[00:46:41] para fazer coisas que, às vezes,
[00:46:43] deturpam o que é um movimento em si
[00:46:45] e acabam depondo contra a gente.
[00:46:48] Porque muita gente pagou
[00:46:49] com a própria vida, com sangue,
[00:46:51] com casa.
[00:46:52] A Zé Floresta teve a casa dela incendiada.
[00:46:55] A Francisca teve que fugir duas vezes
[00:46:57] por causa disso.
[00:46:59] Sofreu atentado.
[00:47:01] Algumas morreram.
[00:47:02] Para a gente chegar onde a gente chegou hoje,
[00:47:04] para as pessoas hoje tratarem isso como se fosse nada.
[00:47:07] O que não é verdade.
[00:47:08] É uma coisa muito séria.
[00:47:09] Para chamar de mimimi depois.
[00:47:12] É.
[00:47:12] O feminismo é uma coisa muito…
[00:47:13] É uma coisa muito séria.
[00:47:14] Não é para você objetificar.
[00:47:16] A gente luta tanto contra a objetificação das mulheres
[00:47:18] e tem mulheres que, para dizer que são feministas,
[00:47:21] se objetificam.
[00:47:22] Eu não consigo entender isso.
[00:47:23] É meio esquizofrênico.
[00:47:25] Lilian, tem um…
[00:47:27] Em alguma parte ali você fala, inclusive,
[00:47:29] de o que a Dona Francisca tinha escrito,
[00:47:31] que é o Ajudia Raquel.
[00:47:33] Duas coisas sobre ele.
[00:47:36] Ele está disponível ainda?
[00:47:39] Existem pessoas que sobreviveram dele e tal?
[00:47:41] Infelizmente, não.
[00:47:43] Nenhuma.
[00:47:45] Já procurei de tudo quanto é jeito.
[00:47:47] Em determinado trecho da teia, você coloca ali
[00:47:49] que era um romance de costumes.
[00:47:51] O que exatamente é um romance de costumes?
[00:47:53] De anos, de dia a dia mesmo.
[00:47:55] Era uma…
[00:47:56] A grosso modo, mulheres vão me entender.
[00:47:59] Sabe uma Júlia, uma Sabrina da vida, do século XIX?
[00:48:02] Ah, sim.
[00:48:03] Um romance de costume, que você tinha um rapaz,
[00:48:05] você apaixonou por uma moça,
[00:48:07] e eles sofrem muito até no final dar tudo certo.
[00:48:10] Ah, certo.
[00:48:11] Mas não…
[00:48:11] Não sobreviveu nenhuma cópia do tempo?
[00:48:14] Não que eu tenha encontrado.
[00:48:15] Agora, se alguém…
[00:48:16] Mais uma vez, né?
[00:48:17] Vou aproveitar que muitas pessoas vão ouvir.
[00:48:18] Se alguém encontrar, por favor, me fala,
[00:48:20] que eu vou ficar muito feliz em ler.
[00:48:22] Porque eu fui muito atrás desse Ajudia Raquel.
[00:48:24] Inclusive, eu sei desse…
[00:48:25] Da Ajudia Raquel e dessa outra…
[00:48:28] Desse jornal, dessa revista que ela chegou a fazer.
[00:48:31] Por quê?
[00:48:31] Porque aparece nesse…
[00:48:34] Meio que uma enciclopédia do Senado,
[00:48:37] que está lá na Biblioteca do Senado,
[00:48:40] que fala…
[00:48:41] A respeito disso.
[00:48:42] Deixa eu ver se…
[00:48:43] Deixa eu encontrar aqui na bibliografia, direitinho,
[00:48:46] esse nome desse rapaz.
[00:48:47] Ele, inclusive,
[00:48:50] que é muito difícil de…
[00:48:51] Foi muito difícil de encontrar,
[00:48:52] porque eu tive que ler um montão.
[00:48:54] Dicionário Bibliográfico Brasileiro do Blake.
[00:48:57] Foi feito em 1893.
[00:48:59] Tem aqui o dado, a Biblioteca do Senado.
[00:49:01] O Blake, ele fez uma…
[00:49:04] Apresentação de pessoas importantes
[00:49:07] daquela época,
[00:49:09] seja homens ou mulheres.
[00:49:10] Entendeu?
[00:49:11] E alguns pagaram para colocar o nome lá.
[00:49:13] E não sabemos se ela pagou,
[00:49:15] porque não está escrito,
[00:49:16] mas alguns a gente descobre depois
[00:49:17] que alguns não…
[00:49:18] E não cita que pagaram,
[00:49:19] porque também pagaram para não dizer que pagou.
[00:49:21] Entendeu?
[00:49:22] Aham.
[00:49:23] É como se fossem classificados da época
[00:49:24] fazendo propaganda da própria pessoa.
[00:49:27] E aí algumas pessoas foram colocadas,
[00:49:29] outras pessoas pediram para ser colocadas.
[00:49:31] Então tem pessoas completamente whatever ali no meio.
[00:49:33] Por isso que é bem grande.
[00:49:34] É tipo quem paga o Amaury Jr. para ir na sua…
[00:49:36] Isso!
[00:49:37] Mas às vezes o Amaury Jr. não precisa pagar para ele.
[00:49:39] Ele vai sozinho.
[00:49:40] Não é?
[00:49:41] Às vezes é assim.
[00:49:42] Então a gente não sabe.
[00:49:45] E tem umas pessoas que pagam para não dizer que pagou.
[00:49:47] Então eu não sei se ela pagou para colocar o nome dela lá,
[00:49:49] mas ela tem um trecho da bibliografia de produção dela,
[00:49:56] da vida dela,
[00:49:57] está nesse dicionário bibliográfico brasileiro.
[00:50:00] Nessa tipografia nacional.
[00:50:02] Então a gente tem a Judia Raquel
[00:50:03] e a gente tem esse que diz que é um romance de costumes,
[00:50:08] porque está escrito lá.
[00:50:09] Eles falam, diz que…
[00:50:11] Ela diz, segundo a autora, é um romance de costumes.
[00:50:14] Quer dizer, ele não leu também.
[00:50:15] É só dizendo que segundo a autora…
[00:50:16] Até a própria fonte primária também não leu.
[00:50:18] É, a própria fonte primária não leu.
[00:50:21] O mundo bola tão pequena
[00:50:23] Que dá pena mais um filho
[00:50:25] Eu esperar
[00:50:27] E o jeito que eu conduzo a vida
[00:50:32] Não é dita como forma
[00:50:35] Vou voar
[00:50:37] Mesmo sabendo que é a vida
[00:50:40] Que é abuso
[00:50:41] Antes de ir agir de uso
[00:50:45] Mesmo sabendo que é abuso
[00:50:50] Antes de ir agir de uso
[00:50:54] Pois sou uma moça sem recado
[00:50:59] Diz a capa autoridade
[00:51:01] Tem medo ou mal
[00:51:04] Sou o que resta da cidade
[00:51:08] Respirando liberdade
[00:51:10] Eu sou o que resta da cidade
[00:51:10] Por igual
[00:51:12] Esse Judi e a Raquel existiu
[00:51:16] porque a gente tem outras citações que falam dela,
[00:51:19] mas a gente não teve acesso ao texto.
[00:51:21] Procurei demais,
[00:51:22] mas não consegui encontrar.
[00:51:24] Tanto que, infelizmente, não pude entrar nele.
[00:51:26] É muito complicado trabalhar com documento histórico,
[00:51:29] principalmente no Brasil,
[00:51:30] porque há um descaso muito grande
[00:51:31] com os nossos documentos.
[00:51:34] Muitas das coisas da Francisca, por exemplo,
[00:51:36] se perderam no…
[00:51:38] É até dificuldade.
[00:51:40] Fico muito sensível.
[00:51:43] Se perderam no incêndio
[00:51:44] do Museu Nacional.
[00:51:47] Ele queimou no sábado
[00:51:49] e eu defendi minha tese na terça-feira
[00:51:52] e foi difícil não chorar.
[00:51:53] Até hoje não estou de chorar,
[00:51:54] porque muita coisa dela não se perdeu
[00:51:56] porque eu tenho guardado
[00:51:58] e eu pude mandar de volta.
[00:52:00] Tenho gravado essas coisas,
[00:52:02] mas muita coisa se perdeu.
[00:52:03] Imagina quanta gente,
[00:52:05] quanto texto,
[00:52:06] quanta língua indígena morta
[00:52:07] que não vai mais ser recuperada.
[00:52:08] Foi perdido ali dentro,
[00:52:10] tipo, descaso, entendeu?
[00:52:12] Quem, pelo amor de Deus,
[00:52:13] fizeram um gambiarra e colocaram um frigobar
[00:52:15] no quarto do Dom João, entendeu?
[00:52:18] Isso aí é culpa total do pessoal
[00:52:20] que estava cuidando da universidade.
[00:52:21] Era culpa dos cuidadores,
[00:52:23] que era a Universidade Federal,
[00:52:24] que tinha por obrigação cuidar daquilo,
[00:52:26] recebia dinheiro para cuidar daquilo
[00:52:28] e não cuidou daquilo.
[00:52:29] E os pesquisadores, colegas meus,
[00:52:31] perderam todo o seu trabalho
[00:52:32] porque você não tinha um com eles,
[00:52:34] porque não tinha como continuar.
[00:52:35] Foi queimado.
[00:52:36] Fica aí a minha tristeza.
[00:52:38] É.
[00:52:39] E para você,
[00:52:40] que está ouvindo,
[00:52:40] que também está indignado,
[00:52:41] volta lá e escuta o nosso episódio
[00:52:43] sobre o Museu Nacional.
[00:52:44] Eu ouvi.
[00:52:45] A gente gravou
[00:52:46] e já adiantamos que terá outro esse ano.
[00:52:49] Nós falamos com a Nathalie,
[00:52:51] que, inclusive,
[00:52:53] era ela linguista em línguas indígenas
[00:52:56] que estava pesquisando sobre os ticuna, né?
[00:53:00] Ela perdeu, né?
[00:53:00] Era um puta do trabalho.
[00:53:03] Foi um episódio pesado da gente fazer também.
[00:53:06] Para mim foi muito difícil.
[00:53:07] Eu chorei muito.
[00:53:09] Na hora que eu fui falar,
[00:53:10] eu não conseguia falar.
[00:53:11] Ainda bem que gravaram
[00:53:12] e eu estava aos prantos.
[00:53:13] Porque, para a gente,
[00:53:15] eles mataram por descaso a nossa história.
[00:53:18] E quando a gente perde a nossa história,
[00:53:19] a gente, por exemplo,
[00:53:20] não tem como responder isso.
[00:53:21] Talvez estivesse lá.
[00:53:22] Como é que a gente já sabe hoje?
[00:53:24] Não sabe.
[00:53:25] É muito difícil.
[00:53:26] E a parte linguista era só papel, né?
[00:53:28] A gente perdeu tudo.
[00:53:31] Então, definitivamente,
[00:53:32] voltem lá no episódio.
[00:53:33] Vão lá ver a postagem
[00:53:34] do episódio do Museu Nacional.
[00:53:35] Tem uma thread maravilhosa no Twitter,
[00:53:38] não me lembro mais de quem,
[00:53:39] explicando porque,
[00:53:40] que não tem tudo escaneado,
[00:53:42] digitalizado.
[00:53:43] Quais são as dificuldades envolvidas nisso.
[00:53:45] Vão lá para vocês não ficarem
[00:53:46] não tinha digitalizado?
[00:53:48] Por que no Brasil ninguém faz nada?
[00:53:50] E aí vocês vão entender
[00:53:51] todas as dificuldades técnicas
[00:53:53] e vão entender por que
[00:53:54] que não tinha tudo digitalizado.
[00:53:56] Mas, enfim,
[00:53:57] eu gosto muito da parte final,
[00:54:00] mais para o fim da dissertação,
[00:54:03] quando ela fala
[00:54:05] educar é guerra.
[00:54:08] Educar é mostrar o caminho.
[00:54:10] Ela faz uma série de considerações
[00:54:13] sobre a educação, né?
[00:54:15] Ela já estava naquela
[00:54:16] de defender a educação para as mulheres.
[00:54:18] Eu acho engraçado porque ela,
[00:54:20] ao longo de todos os anos da publicação,
[00:54:22] ela bate muito nessa tecla da educação
[00:54:24] da mulher, especificamente,
[00:54:26] como sendo aquilo que tem capacidade
[00:54:28] de mudar o mundo.
[00:54:30] E, no final das contas,
[00:54:31] basicamente, a conclusão é que
[00:54:32] isso está tudo uma merda.
[00:54:33] A culpa é dos homens
[00:54:34] que não deixaram as mulheres estudarem.
[00:54:36] Não deixaram as mulheres ensinarem também.
[00:54:38] Isso.
[00:54:39] E quando as coisas funcionam direito,
[00:54:41] o mérito é das mulheres
[00:54:42] que estão fazendo a coisa certa
[00:54:44] e estão ensinando.
[00:54:45] E isso é muito atual, né?
[00:54:48] Muito, muito, muito atual mesmo.
[00:54:50] Mas eu gosto, particularmente,
[00:54:52] desse trechinho que ela fala, né?
[00:54:54] Voltando ao que vocês tinham comentado,
[00:54:55] que ela é nacionalista,
[00:54:56] muito claramente e tal, né?
[00:54:57] Então, ela aplica isso também
[00:54:59] ao Brasil, em particular, né?
[00:55:00] Quando ela fala o que é emancipar uma nação.
[00:55:03] Uma nação só é emancipada
[00:55:05] se as mulheres tiverem acesso aos estudos
[00:55:07] e a uma carreira profissional fixa.
[00:55:09] Fora do lar, se o desejarem.
[00:55:11] Uma mulher educada leva o homem
[00:55:13] ao apogeu da glória.
[00:55:14] Eu adoro isso.
[00:55:15] E a mal educada ao abismo, com Y,
[00:55:18] dos crimes e de desgraça.
[00:55:21] Então, a culpa é da mulher?
[00:55:23] Não.
[00:55:24] A culpa da desgraça da nação é o homem.
[00:55:26] Que não permite que a mulher ensine.
[00:55:28] É.
[00:55:29] Porque não permitir a emancipação da mulher
[00:55:31] por meio da educação formal
[00:55:33] traz crime e desgraça a todo o povo.
[00:55:36] Eu amei isso muito.
[00:55:37] Ela, basicamente,
[00:55:38] está jogando toda a culpa
[00:55:40] da fracassa da sociedade brasileira
[00:55:42] no homem.
[00:55:43] E está errada?
[00:55:44] Não.
[00:55:45] Eu acho que está certíssimo.
[00:55:46] Se ela tivesse deixado a nossa mão,
[00:55:47] eu já tinha resolvido isso há muito tempo.
[00:55:48] Não é não?
[00:55:50] Ela falou tudo.
[00:55:51] Eu achei tão poderosa essa fala dela.
[00:55:55] Porque é muito atual.
[00:55:56] Muito mesmo.
[00:55:57] Tem todo um paralelo
[00:55:59] com todos os movimentos feministas
[00:56:01] que a gente vê até hoje, né?
[00:56:03] Acho que as ondas de feminismo todas…
[00:56:04] Eu não sou estudiosa.
[00:56:05] Não entendo nada disso.
[00:56:06] Mas de todas as coisas que eu já li,
[00:56:07] em algum momento,
[00:56:08] chega-se a essa conclusão, né?
[00:56:09] Que nada vai mudar em nenhum momento.
[00:56:12] E não estou falando especificamente
[00:56:14] de interseccionalidade,
[00:56:15] embora a gente saiba
[00:56:16] que tem que ser interseccional, né?
[00:56:18] Tem que ser um feminismo aliado
[00:56:20] à luta contra o racismo
[00:56:22] e contra o capitalismo.
[00:56:23] A gente sabe que é uma coisa só, né?
[00:56:25] Tudo tem que andar de mãos dadas.
[00:56:26] Mas essa ênfase no fato do papel da mulher
[00:56:30] para melhorar a vida de todo mundo,
[00:56:32] não só da mulher,
[00:56:34] mas de todo mundo,
[00:56:35] é uma coisa muito atual.
[00:56:36] Sim.
[00:56:37] Ela…
[00:56:38] Se você não…
[00:56:39] É…
[00:56:40] A cabeça…
[00:56:41] O discurso dela inteiro,
[00:56:42] basicamente, é o seguinte.
[00:56:43] A mulher tem que estudar
[00:56:44] para que seja dependente.
[00:56:45] E se ela não estudar,
[00:56:46] ela não é capaz de ensinar os outros.
[00:56:47] E se ela não ensinar os outros,
[00:56:48] seus filhos não serão educados.
[00:56:49] Se não serem educados,
[00:56:50] a família toda falha,
[00:56:51] a sociedade falha,
[00:56:52] o Brasil falha.
[00:56:53] E a culpa é do homem
[00:56:54] que não permitiu que isso acontecesse.
[00:56:55] Basicamente,
[00:56:56] sempre vai voltar nessa parte.
[00:56:57] O que é, basicamente,
[00:56:58] o que eu acredito hoje em dia também, viu?
[00:56:59] Desculpa, homens.
[00:57:00] E esse trecho de pergunta,
[00:57:01] eu acho que é muito importante,
[00:57:02] porque eu acho que
[00:57:03] termos bem belicistas, assim,
[00:57:04] para colocar uma leitora mãe
[00:57:05] na posição de um general
[00:57:06] que manda a sua tropa à guerra.
[00:57:07] Então, coloque o seu filho
[00:57:08] na guerra que é a educação.
[00:57:09] E isso não poderia ser mais atual, né?
[00:57:10] Você vê como mulheres
[00:57:11] ainda precisam lutar arduamente
[00:57:12] por vagas em determinados espaços.
[00:57:13] Como é muito difícil você ver
[00:57:14] mulheres na TI,
[00:57:15] na educação,
[00:57:16] na educação,
[00:57:17] na educação,
[00:57:18] na educação,
[00:57:19] na educação,
[00:57:20] na educação,
[00:57:21] na educação,
[00:57:22] na educação,
[00:57:23] na educação,
[00:57:24] na educação,
[00:57:25] na educação,
[00:57:26] na educação,
[00:57:27] na educação,
[00:57:28] na educação,
[00:57:29] na educação,
[00:57:30] como é muito difícil você ver
[00:57:32] mulheres na TI,
[00:57:33] como é muito difícil você ver
[00:57:35] mulheres na engenharia mecânica,
[00:57:38] lugares que foram segregados,
[00:57:41] que foram colocados
[00:57:43] como se fossem
[00:57:44] isso daqui é coisa de homem.
[00:57:46] Não poderia ser mais atual.
[00:57:48] Não vai muito longe.
[00:57:49] Eu sou professora
[00:57:51] no curso de Direito
[00:57:52] e no curso de Letras,
[00:57:53] que são cursos que têm muitas mulheres,
[00:57:56] principalmente no curso de Letras,
[00:57:57] são muitas professoras.
[00:57:59] É…
[00:58:00] É uma conversa,
[00:58:01] um debate aqui
[00:58:02] num grupo de professores
[00:58:03] da universidade.
[00:58:04] Eu fiz um…
[00:58:05] Eu discordei,
[00:58:06] porque não sou…
[00:58:07] Eu sou anarquista, né?
[00:58:08] Então eu tenho uma visão
[00:58:09] um pouco diferente das coisas.
[00:58:10] E fiz uma observação
[00:58:11] e um professor fez questão
[00:58:12] de refalar algo que eu disse
[00:58:13] pra fazer
[00:58:14] a mansplaining pra mim,
[00:58:15] me explicando
[00:58:16] o que que era anarquismo.
[00:58:17] Ah, você sabe o que é anarquismo?
[00:58:18] E começou a me explicar
[00:58:19] a bacuninha.
[00:58:20] Sabe?
[00:58:21] E eu fiquei assim…
[00:58:22] Eu não respondi mais
[00:58:23] porque, sabe,
[00:58:24] dá aquela preguiça de…
[00:58:25] Ai…
[00:58:26] Eu não respondi mais
[00:58:27] porque, sabe,
[00:58:28] dá aquela preguiça
[00:58:29] ai…
[00:58:30] De dizer pra pessoa,
[00:58:31] assim,
[00:58:32] uma pessoa que é pós-doutora,
[00:58:34] sabe,
[00:58:35] que se diz
[00:58:36] ou cara desconstruído,
[00:58:37] ou cara pra frentex,
[00:58:38] entendeu?
[00:58:39] Que é…
[00:58:40] Que trabalha sororidade,
[00:58:41] todas essas questões.
[00:58:42] Mandando um mansplaining
[00:58:43] na minha cara.
[00:58:44] Por quê?
[00:58:45] Porque eu não concordei com ele.
[00:58:46] Porque, assim,
[00:58:47] eu tenho isso também,
[00:58:48] viu, gente?
[00:58:49] É…
[00:58:50] Que é bem…
[00:58:51] Acho que a Letícia
[00:58:52] vai entender.
[00:58:53] É…
[00:58:54] Muita gente…
[00:58:55] Muito cara é feminista
[00:58:56] até que a mulher discorde dele.
[00:58:57] Oh!
[00:58:58] Sim.
[00:58:59] É…
[00:59:00] Hum…
[00:59:01] Aí quem é você na fila do pão,
[00:59:02] né, querida Ana?
[00:59:03] E aí a gente precisa, né,
[00:59:05] colocar os caras na caixinha de volta.
[00:59:07] A gente não é perfeita,
[00:59:08] mas também
[00:59:09] não somos imbecis.
[00:59:10] Eu tenho condição de ler,
[00:59:11] tenho condição de entender as coisas
[00:59:12] e tenho condição de pensar
[00:59:13] pela minha própria cabeça.
[00:59:15] Então, assim,
[00:59:16] se você quer achar diferente,
[00:59:17] beleza, segue aí.
[00:59:18] Mas não precisa vir me contar.
[00:59:20] O que me deixou chateada,
[00:59:22] hashtag chateada,
[00:59:23] foi ele vir
[00:59:24] me dar aula
[00:59:25] de…
[00:59:26] Do que é ser,
[00:59:27] é…
[00:59:28] Por exemplo,
[00:59:29] anarquista.
[00:59:30] Porque quando eu disse que era anarquista
[00:59:31] e ele veio me dar uma aula
[00:59:32] sobre os principais nomes do anarquismo,
[00:59:34] o que que ele tava dizendo pra mim?
[00:59:35] Você não sabe o que é que é anarquista.
[00:59:37] Tá falando o quê?
[00:59:38] Besteira.
[00:59:39] Ai…
[00:59:40] Isso é muito…
[00:59:41] Acontece demais, gente.
[00:59:44] Você dá risada, né?
[00:59:45] Pra você essas coisas acontecem.
[00:59:46] Na universidade,
[00:59:47] nossa!
[00:59:48] Não pode ter um homem no meio
[00:59:50] que ele adora fazer isso.
[00:59:51] Ele se acha…
[00:59:52] E é meio que criação,
[00:59:53] não sei.
[00:59:54] O que que é, rapaz?
[00:59:56] Me respondam aí
[00:59:57] se vocês souberem dizer o que que é isso
[00:59:58] porque eu nem fico entendendo isso.
[01:00:00] Patriarcado sendo patriarcado.
[01:00:02] Ou do total.
[01:00:03] E você tem a…
[01:00:04] E você tem…
[01:00:05] É…
[01:00:06] Isso na fala dela
[01:00:07] o tempo inteiro.
[01:00:08] Ela…
[01:00:09] Quando o rapaz lá,
[01:00:10] o senhor…
[01:00:11] Sou professor de…
[01:00:12] É que agora não vou me lembrar
[01:00:13] porque são 16 anos, né?
[01:00:14] Nome que você tem que encontrar,
[01:00:16] tudo…
[01:00:17] E eu tirei
[01:00:18] da tese final.
[01:00:19] Mas…
[01:00:20] Quando você vê
[01:00:21] esse texto
[01:00:23] com essa característica
[01:00:25] e o cara falando assim,
[01:00:26] ó, você não sabe escrever
[01:00:27] porque
[01:00:28] ela…
[01:00:29] Ela discorda do rap…
[01:00:30] Do cara.
[01:00:31] E o cara vai
[01:00:32] e faz exatamente aquilo
[01:00:33] que todos os homens
[01:00:34] fazem até hoje.
[01:00:35] Que é justamente…
[01:00:36] É…
[01:00:38] Bater na tecla
[01:00:39] de que a mulher…
[01:00:40] Encontrar alguma outra coisinha
[01:00:41] pra falar da mulher.
[01:00:42] Então, por exemplo,
[01:00:43] ah, você não sabe
[01:00:44] disso?
[01:00:45] Então eu vou procurar
[01:00:46] alguma coisa pra discutir.
[01:00:47] Não consegui?
[01:00:48] Então eu vou pegar esse aqui
[01:00:49] que eu acho que é erro gramatical seu.
[01:00:50] E ela foi lá
[01:00:51] e provou que tava errado.
[01:00:52] Entendeu?
[01:00:53] E o cara era produtor de manual
[01:00:54] de gramática da época.
[01:00:56] Fora que ainda que fosse, né?
[01:00:57] Pra um debate saudável,
[01:01:00] ainda assim ia ser uma sacanagem
[01:01:02] porque é um…
[01:01:03] Um…
[01:01:04] Um negocinho gramatical ali,
[01:01:06] mas…
[01:01:07] E o conteúdo?
[01:01:08] Você tem mais discurso, né?
[01:01:09] Você perdeu o argumento.
[01:01:10] O que você…
[01:01:11] O que sobra pra quem
[01:01:12] não tem argumento?
[01:01:13] Ah, você não sabe escrever.
[01:01:14] Ah, você é feio, bobo
[01:01:15] e tem cara de…
[01:01:16] Tem cara de sabão.
[01:01:17] É.
[01:01:18] Exatamente.
[01:01:19] Eu tava nesse exato minuto
[01:01:20] agora discutindo com…
[01:01:21] Eu tenho esse problema, né?
[01:01:23] Que eu tenho um ex-amigo,
[01:01:25] um amigo, na verdade,
[01:01:26] de música,
[01:01:27] há muitos anos
[01:01:28] que é o meu bolsominion de estimação.
[01:01:29] Foi o único que eu deixei
[01:01:30] na timeline.
[01:01:31] E aí eu marco ele toda hora.
[01:01:33] Todos os absurdos
[01:01:34] que o governo Bozo faz,
[01:01:35] eu marco ele e falo,
[01:01:36] poxa, será que você tá gostando?
[01:01:37] Vocês estão achando legal
[01:01:38] ele ter colocado
[01:01:39] 200.977 agrotóxicos novos, né?
[01:01:43] Na nossa dieta?
[01:01:44] Vocês estão gostando
[01:01:45] da escolha desse ministro
[01:01:46] que mentiu no currículo também?
[01:01:48] Eu sempre marco ele, né?
[01:01:49] E aí rolam atos, discussões
[01:01:51] e tem um bando de idiota
[01:01:53] que fica nessa.
[01:01:54] Nossa, tu é feia, hein?
[01:01:55] Deve ser fake.
[01:01:56] Agora veio uma menina
[01:01:58] responde com um meme
[01:01:59] do Monstros S.A.
[01:02:01] Entendeu?
[01:02:02] E eu tinha acabado de falar,
[01:02:03] cara, vocês são muito fáceis
[01:02:04] de derrotar, cara,
[01:02:05] porque vocês não têm argumento
[01:02:06] nenhum, nunca.
[01:02:07] Aí ela manda um meme.
[01:02:08] Entendeu?
[01:02:09] Aí eu jogo um link
[01:02:10] e eles respondem.
[01:02:12] Cá, chata.
[01:02:13] Cá, cá, cá, cá, cá, cá.
[01:02:15] É difícil argumentar
[01:02:16] com uma pessoa
[01:02:17] que põe o meme da Gretchen,
[01:02:18] entendeu?
[01:02:19] Não dá.
[01:02:20] Você põe um puta refutamento lá
[01:02:21] e aí a pessoa vai
[01:02:22] e mete o meme da Gretchen
[01:02:23] abrindo a perna.
[01:02:24] Exatamente.
[01:02:25] Foda-se.
[01:02:26] É difícil, né?
[01:02:27] E é isso.
[01:02:28] A pessoa acaba o argumento
[01:02:29] e ela fica nesse tipo aí.
[01:02:30] Aí você pega uma coisa dessas.
[01:02:31] Ah, eu sou feia.
[01:02:32] Você é gorda.
[01:02:33] Você não sei o quê.
[01:02:34] Você errou um acento.
[01:02:35] Eu sou feia.
[01:02:36] Você é gorda.
[01:02:37] Você é velha.
[01:02:38] Eu sou a primeira a reparar
[01:02:39] no acento errado,
[01:02:40] na vírgula errada.
[01:02:41] Eu fico muito nervosa.
[01:02:42] Preciso admitir.
[01:02:43] Mas isso não invalida
[01:02:44] o conteúdo
[01:02:45] do que a pessoa está falando.
[01:02:46] Mas a gente escuta isso
[01:02:47] o tempo todo, né?
[01:02:48] E é sempre
[01:02:49] para cima de mulher, né?
[01:02:50] Sempre.
[01:02:51] Esses pseudo-argumentos
[01:02:52] estúpidos
[01:02:53] são sempre
[01:02:54] para cima da gente,
[01:02:55] né?
[01:02:56] Não vou mais discutir
[01:02:57] com você
[01:02:58] porque você, obviamente,
[01:02:59] é a mau comida.
[01:03:00] E, tipo…
[01:03:01] Não sei se foi o seu argumento,
[01:03:02] mas não estou falando isso.
[01:03:03] É, né?
[01:03:04] Que caralhos tem isso
[01:03:05] a ver com o que a gente
[01:03:06] está falando?
[01:03:07] E isso rola
[01:03:08] o tempo todo, né?
[01:03:09] Então, agora,
[01:03:10] ter assistido
[01:03:11] a esse tipo
[01:03:12] de debate, né?
[01:03:14] Nesse estilo Facebook mesmo,
[01:03:16] saindo em ritmo
[01:03:18] de novela,
[01:03:19] de jornal.
[01:03:20] Como é que chamava aquilo?
[01:03:21] De fotonovela?
[01:03:22] Não era fotonovela?
[01:03:23] Gente, estou falando sério.
[01:03:24] Marau!
[01:03:25] Marau!
[01:03:26] Mas, né?
[01:03:27] Como tinha, né?
[01:03:28] Que saía um capítulo agora
[01:03:29] e o outro daqui…
[01:03:30] Folhetim.
[01:03:31] É, um folhetim, isso.
[01:03:32] Estilo folhetim.
[01:03:33] Que saía um capítulo agora.
[01:03:34] Fantástico.
[01:03:35] Já pensou?
[01:03:36] Você imagina as pessoas
[01:03:37] roendo as unhas de nervoso?
[01:03:38] O que será que ele respondeu?
[01:03:39] Ela colocava.
[01:03:40] Se ele não colocasse,
[01:03:41] ela colocava o que ele disse
[01:03:42] e depois o que ela disse.
[01:03:43] Que coisa.
[01:03:44] Eu acho que estou amando
[01:03:45] essa mulher cada vez mais.
[01:03:46] Olha, é incrível.
[01:03:47] Eu acho o máximo.
[01:03:48] E é complicado esse negócio.
[01:03:49] Por exemplo,
[01:03:50] uma pessoa…
[01:03:51] Eu costumo dizer assim.
[01:03:52] As pessoas de esquerda
[01:03:53] me odeiam
[01:03:54] porque eu não sou de esquerda.
[01:03:55] As pessoas de direita
[01:03:56] me odeiam
[01:03:57] porque eu não sou de direita.
[01:03:58] Então, eu sou legal
[01:03:59] porque eu consigo alcançar
[01:04:00] o amor de todo mundo, né?
[01:04:01] Quem é anarquista…
[01:04:02] Assim,
[01:04:03] quem é de direita
[01:04:04] estava puto com o governo anterior.
[01:04:05] Quem é de esquerda
[01:04:06] está puto com o governo atual.
[01:04:07] E eu estou puta sempre.
[01:04:08] Essa é a diferença.
[01:04:09] Eu nem acredito em governos.
[01:04:10] Aliás, ela também, viu?
[01:04:11] A Francisca dava altas indicações
[01:04:12] de que era anarquista
[01:04:13] no final.
[01:04:14] Ó, bela e moral.
[01:04:15] Aí o governo só encontra, né?
[01:04:16] Aí o governo só encontra.
[01:04:17] É linda, bela e plena.
[01:04:18] É…
[01:04:19] É…
[01:04:20] É…
[01:04:21] É…
[01:04:22] É…
[01:04:23] É…
[01:04:24] É…
[01:04:25] É…
[01:04:26] É…
[01:04:27] Ela chegou…
[01:04:28] Quando ela chegou no final
[01:04:29] ela estava maravilhosa já
[01:04:30] defendendo que…
[01:04:31] Que essas coisas eram convenções.
[01:04:32] Tem que votar.
[01:04:33] Tem que…
[01:04:34] É.
[01:04:35] Ela queria…
[01:04:36] Ela queria o direito ao voto,
[01:04:37] mas ela queria também o direito da…
[01:04:38] Ela queria o direito da participação.
[01:04:39] Mas não que ela acreditasse nisso.
[01:04:40] É diferente.
[01:04:41] Você ter o direito de opinar
[01:04:42] por uma coisa
[01:04:43] que você não tem direito nenhum
[01:04:44] e você ter também o direito
[01:04:45] de não ter que concordar
[01:04:46] com uma coisa
[01:04:47] que puseram na sua vida, né?
[01:04:48] Isso é como diz o Niel,
[01:04:49] o Morpheus,
[01:04:50] no Matrix, né?
[01:04:51] Tem gente
[01:04:52] que está tão dependente do sistema
[01:04:53] que vai
[01:04:54] lutar com a própria vida.
[01:04:55] vida para defender, não é?
[01:04:56] Lilian, só para a gente ir encaminhando para
[01:05:26] o final aqui, você começou
[01:05:28] essa fala toda, dizendo
[01:05:30] que você estava procurando
[01:05:32] uma mulher, uma grande
[01:05:34] mulher do século XIX
[01:05:36] para fazer a sua tese e tal.
[01:05:38] E nesse caminho, eu imagino que você tenha
[01:05:40] esbarrado com várias outras
[01:05:42] que, ok, vamos,
[01:05:44] fica para a próxima, na volta
[01:05:46] a gente compra.
[01:05:48] Mas, então,
[01:05:50] como recomendação sua,
[01:05:52] fora da nossa parte cultural, assim,
[01:05:54] eu gostaria que você deixasse
[01:05:56] o nome de algumas grandes mulheres
[01:05:58] pelas quais
[01:05:59] a nossa audiência
[01:06:02] poderia pesquisar um pouco sobre
[01:06:04] e conhecer grandes histórias.
[01:06:08] Bem,
[01:06:08] nós temos grandes mulheres
[01:06:10] que, eu não sei se eu posso dizer só
[01:06:12] brasileiras, porque são grandes mulheres
[01:06:14] que fizeram muita coisa, né?
[01:06:16] Nos Estados Unidos,
[01:06:19] a gente tem um,
[01:06:20] está em inglês, não tem tradução, mas quem sabe lê em inglês
[01:06:22] aí, tem a Susan B. Anthony,
[01:06:24] que escreveu The Revolution,
[01:06:26] a mulher era, desculpa a expressão,
[01:06:28] foda pra caralho, e a gente está aqui falando
[01:06:30] da definição de mulherão da porra.
[01:06:32] Sim, demais.
[01:06:34] Então, a gente tem o
[01:06:35] The Human Rebel, também, que é o outro,
[01:06:38] da Margaret Sanger,
[01:06:39] que foi tão anarquista,
[01:06:42] foi tão revolucionário, que ela foi obrigada
[01:06:44] a deixar o país, por defender
[01:06:45] coisas como a mulher tem que ter direito
[01:06:47] a voto, a mulher tem que ter direito a escolher a própria
[01:06:50] vida, e ela tem direito a trabalhar onde
[01:06:52] ela quiser, sem precisar pedir
[01:06:53] autorização pra ninguém. Então, coisas como essa,
[01:06:55] que são muito terríveis, fizeram ela ter que sair
[01:06:57] do próprio país.
[01:07:00] A gente tem a Nisa Floresta,
[01:07:02] é, foi horrível,
[01:07:04] é uma subversiva.
[01:07:05] Nossa, ela quer privilégios.
[01:07:07] Margaret Sanger, tem que
[01:07:09] falar também, no Brasil, a gente tem a Nisa, né?
[01:07:11] A Nisa Floresta é um ícone, porque ela vem um pouco
[01:07:13] antes de todo mundo, ela começa
[01:07:14] em 1931, ela é
[01:07:17] pernambucana, né? Escreve o
[01:07:19] Espelho das Mulheres,
[01:07:21] e ela sempre escreveu vários artigos,
[01:07:23] muitos deles anônimos, depois ela se apresenta,
[01:07:25] mas ela escreve uma coisa, em
[01:07:27] 1932, que é um livro, que é um
[01:07:29] ícone que eu aconselho muito,
[01:07:31] que é o Direito das Mulheres e a Justiça dos
[01:07:33] Homens, que é o primeiro livro
[01:07:35] no Brasil que tratou do direito das mulheres
[01:07:37] à instrução e ao trabalho.
[01:07:40] Que foi uma tradução,
[01:07:42] não foi ela que escreveu, mas era uma tradução
[01:07:43] livre, de um livro da inglesa
[01:07:45] Mary Honstonecraft,
[01:07:48] que é Vindications
[01:07:49] of the Rights of Women.
[01:07:52] Essa, você consegue,
[01:07:53] eu não consegui encontrar esse livro em português,
[01:07:55] mas eu consegui encontrar o livro em
[01:07:57] inglês, né? Você consegue,
[01:08:00] se eu não me engano, tem na Amazon
[01:08:01] esse livro. Você consegue
[01:08:03] esse livro em inglês. Em português eu não encontrei,
[01:08:05] eu só tive o acesso ao que ela disse,
[01:08:07] pesquisando a Alice,
[01:08:09] mas eu não consegui esse livro em português. Se você encontrar
[01:08:11] também, me conta, porque às vezes
[01:08:13] meu Google tá diferente,
[01:08:15] a gente não racha, a gente procura na biblioteca,
[01:08:18] mas enfim.
[01:08:20] Nós temos também a…
[01:08:21] Tem uma mulher que eu gosto
[01:08:23] bastante, de 1883,
[01:08:25] que escreve
[01:08:26] o Belona,
[01:08:30] que é a Maria Josefa Barreto de Pereira
[01:08:31] Printo, que também é uma professora, jornalista,
[01:08:34] poetisa, escritora,
[01:08:35] que não era…
[01:08:38] Ela falava no jornal dela, assim, que o jornal dela
[01:08:39] não trazia nem bordados, nem culinária, nem
[01:08:41] boas maneiras. Um bom nome
[01:08:43] pro jornal. Ela é incrível também.
[01:08:45] Por que que eu não fiquei com ela? Nossa, ela
[01:08:47] me deixou muito balançada. Por que que eu não fiquei
[01:08:49] muito com ela? Desculpa, como é o nome do jornal?
[01:08:52] Era O Belona.
[01:08:54] Caramba! Belona,
[01:08:55] é O Belona Irada Contra os Sectários
[01:08:57] de Momo, o nome completo do jornal.
[01:09:00] Que coisa!
[01:09:02] Adorei. Não, eu até pensei que eu tinha
[01:09:04] entendido errado. É O Belona.
[01:09:06] Adorei. Belona Irada
[01:09:08] Contra os Sectários de Momo.
[01:09:10] Maria Josefa Barreto Pereira
[01:09:12] Pinto. Exatamente.
[01:09:14] Gostei. Eu não fiquei com ela
[01:09:16] porque entre as duas
[01:09:17] foi a Francisca
[01:09:19] que bateu na tecla. Vou assinar os meus
[01:09:21] jornais e vou fazer as mulheres
[01:09:23] que escreverem aqui assinar,
[01:09:25] e eu vou cuidar de meninas e vou
[01:09:27] criar uma escola e vou só contratar
[01:09:29] mulheres. Então, assim, na hora de pesar
[01:09:31] as duas, eu tive que escolher uma das duas,
[01:09:34] eu caí pro lado da
[01:09:35] Francisca, mas essa
[01:09:37] ela realmente me deixou muito balançada
[01:09:39] e é, provavelmente, o meu
[01:09:41] pós-doutorado. Ela com certeza
[01:09:43] vai seguir, vai ser a minha próxima pesquisa,
[01:09:45] ela tá guardada no meu coração. Em
[01:09:47] 852 também tem a Joana Paula
[01:09:49] Manso de Noronha, que também, você percebe
[01:09:51] que todas são professoras, né?
[01:09:52] É professora, jornalista, dramaturga,
[01:09:55] romancista, que lançou um que já é
[01:09:57] mais conhecido que é o Jornal das Senhoras.
[01:09:59] Mas aí ela já não era um jornal
[01:10:01] muito feminista, ele já era um jornal que falava
[01:10:03] mais sobre moda, literatura,
[01:10:05] então ele já era um jornal mais
[01:10:07] capricho, sabe?
[01:10:11] Como enlouquecer seu homem na cama.
[01:10:13] É, tipo Caras, era uma revista
[01:10:15] meio que uma mistura de Caras com
[01:10:16] Nova, hoje em dia, né?
[01:10:19] Não sei, eu tô meio por fora das revistas,
[01:10:21] mas deve ser isso aí. Então,
[01:10:23] era um jornalzinho bonitinho,
[01:10:25] ela tinha algumas coisas, mas nada que
[01:10:27] fosse muito chocante. É, inclusive, mais
[01:10:29] conhecido e tem mais fatos sobre
[01:10:31] ela, porque ela era uma mulher que escrevia,
[01:10:34] tudo bonitinho, mas ela não
[01:10:35] chocava ninguém, né? Ela não batia de frente.
[01:10:38] Estava aquilo ali, entregava
[01:10:40] o que o pessoal queria ouvir, as mulheres ficavam felizes,
[01:10:41] os homens não achavam problema, então
[01:10:43] não tinha também muito por que falar.
[01:10:46] Mas são…
[01:10:48] Você falando desse jeito,
[01:10:50] assim, até eu tô com vontade
[01:10:51] de escrever sobre elas.
[01:10:53] Elas são incríveis. E, assim,
[01:10:55] tem uma série de…
[01:10:57] Tem uma série de pesquisas,
[01:10:59] de livros, de revistas, que nem necessariamente
[01:11:01] foram escritas por mulheres,
[01:11:03] mas que tratam do assunto feminista.
[01:11:05] Feminino, desculpa, não feminista,
[01:11:07] mas feminino. A Camélia,
[01:11:09] Violeta, o Lírio, olha esses nomes.
[01:11:11] Crisálida, Borboleta, o Beija-Flor, a Esmeralda,
[01:11:14] o Jornal
[01:11:15] das Dambas, né?
[01:11:17] O Eco das Damas,
[01:11:19] a Voz Feminina, Família, então
[01:11:21] você percebe que é tudo meio que dentro
[01:11:23] de um ambiente, num campo semântico,
[01:11:25] dentro da imagem do que é ser feminino, né?
[01:11:27] Violeta, Flores,
[01:11:29] Família, Educação,
[01:11:32] a Voz Feminina, Família,
[01:11:33] o Eco das Damas, todas essas palavras,
[01:11:35] a Primavera, são todas
[01:11:37] palavras que estão dentro de um contexto feminino.
[01:11:40] Por isso que eu gostei do Belona,
[01:11:41] porque o Belona foge completamente
[01:11:44] de todos esses
[01:11:45] estereótipos. E o Sexo Feminino também,
[01:11:47] porque o nome dá duplo sentido, né?
[01:11:49] Sim, demais.
[01:11:52] Até a própria palavra sexo,
[01:11:53] né, tem uma força,
[01:11:55] até pela outra conotação
[01:11:57] sexual, de cópula mesmo.
[01:11:59] Sim, e você percebe, como ela tem
[01:12:01] uma abordagem sempre muito científica das coisas,
[01:12:03] ela toma o Sexo Feminino como uma parte biológica
[01:12:05] mesmo. Ela tá trazendo
[01:12:07] esse lado pra mostrar que é uma
[01:12:09] coisa mais técnica, etc.
[01:12:11] Só que, por exemplo, curiosidade, eu tive que mudar
[01:12:13] o nome do título da minha
[01:12:15] tese de doutorado, porque
[01:12:17] o pessoal não achou que ficou
[01:12:19] muito sugestivo ao Sexo Feminino.
[01:12:23] Aí eu tive que escrever
[01:12:24] ou Semanal,
[01:12:25] e o Sexo Feminino, pra delimitar o que era,
[01:12:27] pra não dar duplo sentido
[01:12:29] pra quem estiver pesquisando.
[01:12:31] Eu confesso que na hora de montar
[01:12:33] o nome do episódio também, eu tinha colocado
[01:12:35] o Sexo Feminino, eu falei, não, ninguém vai entender,
[01:12:38] todo mundo vai entender errado.
[01:12:39] Vou botar Semanal e o Sexo Feminino, porque
[01:12:41] senão não vai dar certo. Todo mundo vai pensar
[01:12:43] no outro sexo,
[01:12:44] e vai dar margem
[01:12:47] a uma série de confusões
[01:12:49] aí, e acabei deixando o nome do episódio,
[01:12:51] ficou o Semanal e o Sexo Feminino, que nem sei
[01:12:53] se vai ser esse o nome final, mas…
[01:12:55] acho importante identificar.
[01:12:57] E essa coisa do título realmente foi uma coisa que me chamou
[01:12:59] atenção também. Falei, nossa,
[01:13:01] colocar isso aí
[01:13:02] como nome da publicação
[01:13:05] também
[01:13:07] não sei se…
[01:13:10] até que ponto
[01:13:11] foi chocante pra época,
[01:13:13] mas também achei uma
[01:13:15] escolha corajosa, sinceramente.
[01:13:17] Isso tudo, enquanto a outra, você tem
[01:13:19] uma escolha de título, muito do…
[01:13:22] voltado
[01:13:23] pra chacota, pro riso,
[01:13:25] né, como já dizia o…
[01:13:27] você percebe no escrito
[01:13:29] da nossa outra colega,
[01:13:31] o outro livro que era
[01:13:33] da Maria Josefa, que tá mais assim
[01:13:35] meio que Lima Barreto, sabe?
[01:13:37] Troça, simplesmente troça pra que tudo caia pelo ridículo.
[01:13:40] O Belona irá dar contra o
[01:13:41] sectário de Momo, então você tem esse lado
[01:13:43] mais jocoso. Ela não,
[01:13:45] a Francisca já tem uma coisa mais séria,
[01:13:47] ela vai pro enfrentamento mesmo,
[01:13:49] ela leva muito a sério isso.
[01:13:51] É uma coisa que lhe é muito cara.
[01:13:53] Bom, gosto e gosto dessa postura.
[01:13:55] Seu Thiago, o senhor tem mais alguma coisa
[01:13:57] a perguntar?
[01:13:58] Eu acho que eu tô contemplado.
[01:14:01] Eu também estou plena. Lílian, tem alguma
[01:14:03] coisa a mais que você queira falar?
[01:14:05] Que você acha que ficou de fora, que a gente não perguntou?
[01:14:07] Eu acho que tá ok.
[01:14:09] Se vocês tiverem, se as pessoas
[01:14:11] que ouvirem tiveram uma pergunta,
[01:14:13] vai ficar meus contatos aqui, eu vou ter um
[01:14:15] imenso prazer, porque quem pesquisa
[01:14:17] sabe, né, que adora falar sobre o que pesquisa.
[01:14:19] Então se alguém quiser perguntar, estamos aí
[01:14:21] pra responder.
[01:14:22] Ai, lembrei de uma.
[01:14:23] Falei. Manda.
[01:14:25] Lílian, você tem notícia
[01:14:28] de alguma
[01:14:30] produção literária
[01:14:32] das filhas
[01:14:33] dela pós
[01:14:36] o semanário ou não?
[01:14:38] Não. Infelizmente, todas as
[01:14:40] informações que a gente tem sobre elas estão presas
[01:14:42] ao semanário. O apagamento
[01:14:44] foi muito eficaz, viu?
[01:14:46] Ela incomodou demais, né?
[01:14:48] Ah, tá. Eu imaginei que talvez
[01:14:50] tivesse virado um legado de família
[01:14:52] e elas tivessem contribuído em alguma
[01:14:54] forma pra frente.
[01:14:55] Eu acho que sim. O que a gente não tem
[01:14:56] é esse
[01:14:59] registro. Mas provavelmente sim.
[01:15:03] As pessoas
[01:15:05] são, infelizmente,
[01:15:07] a história é muito
[01:15:08] eficaz em provocar apagamento.
[01:15:10] Infelizmente. É como se ela surgisse
[01:15:14] no primeiro
[01:15:15] dia do
[01:15:16] primeiro semanário e
[01:15:18] acabasse no último dia do semanário.
[01:15:20] Entendeu? Não tivesse vida
[01:15:22] nem antes nem depois disso. O que a gente
[01:15:24] descobre, por exemplo, é quando ela morre
[01:15:26] alguma coisa assim. Mas você não tem mais nada
[01:15:28] do que isso. Que coisa.
[01:15:30] Bom, já, né, um dos ensinamentos
[01:15:32] de Buda, a gente já sabe que é
[01:15:34] mulher só se fode, né?
[01:15:36] Então, nada de novo
[01:15:38] no front. Mas
[01:15:40] tudo bem, né? A gente fazemos
[01:15:42] o que podemos. Bom,
[01:15:45] vamos passar pras dicas, então, pra
[01:15:46] balada do pistoleiro? Tá todo mundo satisfeito?
[01:15:49] Então, vamos lá
[01:15:50] pra balada do pistoleiro. Lilian, o que você manda de dica aí?
[01:15:54] Então, pensei, pensei, pensei,
[01:16:07] pensei, pensei e falei, vou de um clássico.
[01:16:09] Já que estamos nos clássicos, vou ficar no clássico.
[01:16:12] Tem muita gente que
[01:16:13] vira pra mim e fala, ah, eu não gosto desse livro.
[01:16:15] E eu falo, gente, não tem como esse livro ser ruim.
[01:16:17] Eu vou falar qual que é o livro.
[01:16:19] Porque, na verdade, as pessoas não entendem
[01:16:21] a estrutura dele, provavelmente. Mas, gente,
[01:16:23] um livro,
[01:16:24] que tem uma dedicatória, que é
[01:16:26] O Verme, que primeiro ruiu as frias carnes do meu
[01:16:29] cadáver, dedico como saudosa
[01:16:30] lembrança essas memórias póstumas, não tem como
[01:16:32] ser ruim. E eu tô falando
[01:16:35] memórias póstumas de Brás Cubas.
[01:16:36] Eu pensei em várias coisas. Eu pensei em
[01:16:38] dicas de viagem, de autores, de músicos,
[01:16:40] mas eu sou apaixonada por
[01:16:42] esse livro. Primeiro, porque ele
[01:16:44] é difícil de compreender, porque as pessoas não entendem
[01:16:46] a sua estrutura. Então, se você for ler
[01:16:48] O Pequeno Padawan, você leia
[01:16:50] como se você faz as memórias. Primeiro,
[01:16:52] ele não é um cara que escreveu e morreu.
[01:16:54] O legal é que ele morreu e depois ele escreveu.
[01:16:57] Estava entediado. Cem anos
[01:16:58] depois da sua morte, foi escrever. Eu acho o máximo.
[01:17:01] Essa quebra de paradigma
[01:17:02] desse narrador,
[01:17:04] criado pelo Machado de Assis.
[01:17:07] E também porque
[01:17:08] a história não tem uma linha temporal.
[01:17:10] Porque não lembramos do nosso
[01:17:12] passado? Não é assim, eu tô lembrando de uma
[01:17:14] coisa, uma coisa puxa a outra?
[01:17:17] É assim que a história é escrita.
[01:17:18] Então, as pessoas leem esse livro e falam
[01:17:20] meu Deus, eu não entendo esse livro. É fácil
[01:17:22] entender esse livro. É só você ler e pensar
[01:17:24] uma pessoa que tá lembrando do seu passado.
[01:17:26] E ele não lembra de forma linear. Você lembra
[01:17:28] uma coisa, puxa a outra, vai pra trás,
[01:17:30] é pra frente, né? Volta cinco anos
[01:17:32] pro passado, vai seis anos pro futuro.
[01:17:35] Mas é um
[01:17:36] livro maravilhoso
[01:17:38] que fala sobre
[01:17:40] a crueza da realidade humana, né?
[01:17:42] A miséria humana. Eu acho maravilhoso.
[01:17:44] As frases que saem dali, como Marcela
[01:17:46] Amome,
[01:17:48] quer dizer, Marcela Amome,
[01:17:50] enquanto tinha dinheiro. Quando acabou o dinheiro,
[01:17:52] acabou o amor, essas coisas.
[01:17:54] Não deixei a ninguém
[01:17:56] o legado da nossa miséria,
[01:17:58] não teve filhos. Eu acho que é um livro
[01:18:00] incrível. Então, fica a minha…
[01:18:02] Se você não leu, leia. Se você já
[01:18:04] leu, releia. Ele é muito bom.
[01:18:06] Uma dica clássica hoje, hein?
[01:18:08] Acho que tinha tempo que a gente não tinha uma dica
[01:18:10] clássica.
[01:18:12] A minha…
[01:18:14] Eu não tô lembrada de nada assim, não. Tão clássico
[01:18:16] assim. Gostei. Eu não leio
[01:18:18] há trocentos anos esse livro. Agora
[01:18:20] deu vontade de releer.
[01:18:22] Eu confesso que tentei
[01:18:24] uma vez.
[01:18:24] Mas larguei e nunca tentei de novo.
[01:18:26] Dá uma chance pra ele. Ele é legal.
[01:18:29] Eu acho que agora
[01:18:30] eu já tenho maturidade.
[01:18:32] É, porque essa coisa de ler na escola
[01:18:34] é complicado, né? É, mandar
[01:18:36] ler na escola quando a pessoa não tem maturidade
[01:18:38] é terrível, né? É triste. Bem triste.
[01:18:40] Mas, né? Vocês que não são mais tão jovens
[01:18:42] assim, estão ouvindo, vamos lá. Vamos ler.
[01:18:44] A minha dica, hoje eu tenho
[01:18:46] uma só, que não tem pissurucas a ver com o episódio
[01:18:48] pra variar. E é
[01:18:50] um… É um filme.
[01:18:52] Não sei nem como dizer. É um documentário
[01:18:54] curto, sei lá, que se chama
[01:18:56] Kevin Hart’s Guide to Black History.
[01:18:58] E tá na Netflix.
[01:19:00] E praticamente é o Kevin Hart, que é um ator
[01:19:02] negro e tal, explicando, contando
[01:19:04] a história dos negros pra filha dele.
[01:19:07] Né? A menina super perguntadeira
[01:19:09] e ele vai perguntando um monte de coisa.
[01:19:11] Ela vai perguntando
[01:19:12] e ele vai falando de
[01:19:14] pessoas, de personagens famosos
[01:19:16] da história dos negros
[01:19:18] nos Estados Unidos, porque ele é americano, principalmente, né?
[01:19:21] Mas tem uma série
[01:19:23] de personagens super interessantes.
[01:19:24] E ele pega gente que fez coisas
[01:19:26] notáveis, gente que
[01:19:28] liderou revoltas, gente que
[01:19:30] descobriu alguma coisa, gente que
[01:19:32] iniciou um movimento significativo.
[01:19:35] Então são só grandes personagens
[01:19:37] assim, dos quais eles podem
[01:19:38] se orgulhar. E é muito, muito
[01:19:40] legal. Eu fiquei bem feliz que a minha filha
[01:19:42] reconheceu
[01:19:44] alguns personagens, né? Que já tinham visto
[01:19:46] na escola. Ou ela tinha lido
[01:19:48] sobre, naquele livro
[01:19:50] Histórias de Ninar pra Garotas Rebeldes.
[01:19:53] Ela tinha…
[01:19:54] Por exemplo, ela reconheceu a Sojourner Truth,
[01:19:56] que é uma personagem
[01:19:58] super interessante. E outras
[01:20:00] pessoas que apareceram ali, ela reconheceu.
[01:20:02] Fiquei bem feliz. Falei, tô fazendo o meu trabalho
[01:20:04] direitinho, né? Mas é bem legal.
[01:20:06] Ele não é muito comprido. É engraçado. Tem uma série
[01:20:08] de animações, assim. Ele é bem agradável
[01:20:10] de assistir, do ponto de vista estético.
[01:20:12] Tem um monte de piada engraçadinha e tal, né?
[01:20:14] Se você conseguir ver em inglês, você dá mais imagens.
[01:20:16] Mas é uma coisa bem legal.
[01:20:18] E eu fiquei triste que não acabou, porque eu jurava
[01:20:20] que era uma série. E é só
[01:20:22] uma coisa que não
[01:20:24] chega a ser um filme.
[01:20:26] Também não chega a ser um documentário, porque ele é mais curto
[01:20:28] do que a gente tá acostumado a pensar em documentário.
[01:20:31] Mas é bem bacana. Vale muito
[01:20:32] a pena ver. E acho que tudo quanto é criança,
[01:20:34] principalmente branca, tinha que assistir
[01:20:36] pra gente ver que
[01:20:38] essas pessoas existiram. Elas foram apagadas,
[01:20:40] como as mulheres são apagadas
[01:20:42] rotineiramente na história. Mas
[01:20:43] houve, lembrem-se não, houveram,
[01:20:46] muitas pessoas
[01:20:48] negras que fizeram coisas absolutamente
[01:20:50] notáveis e que deveriam
[01:20:52] ser reconhecidas, deveriam ter mais…
[01:20:54] deveriam ser mais estudadas, mais
[01:20:56] faladas, mais reverenciadas. Então
[01:20:58] isso é uma coisa bem bacana
[01:21:00] de assistir. Eu gostei muito. Inclusive quero ver
[01:21:02] de novo, porque algumas partes. Estava na
[01:21:04] cozinha lavando louça e perdi.
[01:21:06] Seu Tiago. Oi.
[01:21:08] Fala. Então,
[01:21:10] eu vou falar sobre uma
[01:21:11] coberta que eu fiz hoje mesmo.
[01:21:14] Eu tava dando aquele
[01:21:15] grandíssimo perdido na internet
[01:21:18] e sabe como
[01:21:20] caralhos isso aconteceu?
[01:21:22] Eu não faço a mínima ideia, mas
[01:21:24] acabei no site do
[01:21:26] Instituto Smithsonian.
[01:21:28] Aquele da
[01:21:29] Universidade em Washington.
[01:21:32] Tem o museu, o caralho, a quatro.
[01:21:34] E o Smithsonian, ele
[01:21:36] decidiu, ele definiu
[01:21:38] que 2019 é o
[01:21:40] ano da música para o
[01:21:42] Smithsonian. E eu descobri
[01:21:44] ali, no meio das minhas buscas,
[01:21:47] que eles têm
[01:21:48] uma gravadora chamada
[01:21:50] Folkways Records.
[01:21:52] A história da gravadora é
[01:21:54] interessante. Na real, é…
[01:21:56] A gravadora era de um cara
[01:21:58] que tinha um acervo absurdo,
[01:22:00] assim, de, ah,
[01:22:02] músicas dos indígenas
[01:22:04] americanos, músicas
[01:22:06] folclóricas de
[01:22:08] indianos
[01:22:09] trazidas por imigrantes
[01:22:12] adaptadas ao
[01:22:14] modelo americano,
[01:22:16] sei lá, assim, umas coisas extremamente
[01:22:18] malucas.
[01:22:19] O senhorzinho lá tava ficando velho, não dava
[01:22:22] mais conta, tava quebrando
[01:22:24] e ele ofereceu pro
[01:22:26] Smithsonian a oportunidade de
[01:22:28] adquirir a gravadora dele.
[01:22:31] E o Smithsonian não tinha
[01:22:32] recurso pra
[01:22:34] adquirir a gravadora, mas
[01:22:37] eu também não sei exatamente
[01:22:38] como isso aconteceu, mas o Bob
[01:22:40] Dillon soube desse rolê
[01:22:42] e o Bob Dillon
[01:22:44] convocou uma
[01:22:46] galera, os seus brother ali,
[01:22:48] pra fazer uma gravação
[01:22:50] beneficente e todo
[01:22:52] o dinheiro desse disco
[01:22:54] foi revertido para adquirir
[01:22:56] essa gravadora,
[01:22:58] que foi incorporada ao Smithsonian
[01:23:00] e hoje é a Folkways Records.
[01:23:02] Eles têm coisas
[01:23:03] muito, muito raras,
[01:23:07] assim, eles têm umas coisas muito
[01:23:08] interessantes, eles têm esse negócio de
[01:23:10] cultivar a história da música,
[01:23:12] o folclore musical
[01:23:14] e isso de
[01:23:16] todo mundo, assim, né, de músicas
[01:23:19] tribais do
[01:23:20] Congo, há músicas
[01:23:22] é,
[01:23:24] chinesas medieval, uma loucura
[01:23:26] do cacete. Eu vou deixar aqui como
[01:23:28] dica, o site
[01:23:31] da Folkways Records,
[01:23:33] onde você vai ter acesso a um
[01:23:34] porrilhão de coisa que você sequer sabia
[01:23:36] que existia e também um outro
[01:23:38] link específico pra uma
[01:23:40] gravação relativamente rara
[01:23:43] assim, que eles tinham no acervo,
[01:23:45] que foi colocada em um disco
[01:23:47] vendido por eles,
[01:23:48] de uma rádio americana, da WNEW,
[01:23:52] pra música
[01:23:52] Which Side Are You On?
[01:23:54] que é do Len Chandler
[01:23:56] e eles fizeram uma adaptação de letra
[01:23:58] pra marcha dos direitos
[01:24:00] civis de Selma, aquela
[01:24:02] clássica de 60 e
[01:24:04] 64, eu acho
[01:24:07] que foi de Selma
[01:24:08] a Montgomery, no Alabama
[01:24:10] sobre os direitos civis dos negros
[01:24:12] e tal, então é aquela música
[01:24:14] do Len Chandler com uns
[01:24:16] outros cantores negros que foram
[01:24:18] chamados de The Freedom Voices
[01:24:20] que fizeram uma letra adaptada
[01:24:22] dessa música para
[01:24:24] o movimento de
[01:24:25] antissegregação racial dos Estados Unidos.
[01:24:28] Então, é uma obra do caralho, eu vou
[01:24:30] colocar essa música no final desse episódio
[01:24:32] com certeza, pra você ter uma
[01:24:34] ideia do que eu tô falando e
[01:24:36] assim, saiba que
[01:24:38] tem várias outras coisas
[01:24:40] muito legais nesse nível
[01:24:42] do site do Smithsonian.
[01:24:45] Boa, você tinha outra dica
[01:24:46] ou estou enganada? Não, eram as duas,
[01:24:48] é o site da WNEW Records
[01:24:50] e a gravação, o link específico
[01:24:52] pra essa gravação da rádio.
[01:24:54] Show, então
[01:24:56] ficam aí essas dicaças
[01:24:57] cheias de clássicos hoje, hein?
[01:25:01] Não, porra, do caralho.
[01:25:02] Bom, muito bom, muito bom.
[01:25:04] Bom, isso aí então,
[01:25:06] obrigadíssima a Lilian por
[01:25:07] participar,
[01:25:10] dispor desse tempo com o cachorro latindo
[01:25:12] no fundo e criança pequena
[01:25:13] e todos os outros babados acontecendo
[01:25:16] então, muito, muito
[01:25:18] obrigada por participar, aprendemos
[01:25:20] pra caramba, essa mulher é maravilhosa,
[01:25:22] leiam a dissertação dela,
[01:25:24] deixei o link lá na postagem,
[01:25:26] tá muito legal de ler, tem ali
[01:25:28] até legal, é interessante até de ver
[01:25:30] a grafia das palavras, como era muito
[01:25:32] diferente, bem mais diferente
[01:25:34] do que o Simples Farmácia com PH,
[01:25:36] né, tinha coisas loucas, que nem o
[01:25:38] abismo com Y, que eu mencionei antes
[01:25:40] quando eu li aquele trechinho, então
[01:25:41] é… É o próprio Deus com O, né?
[01:25:44] Deus. É, Deus.
[01:25:47] É uma…
[01:25:48] É muito interessante, é uma janela pro passado
[01:25:50] assim mesmo, assim, bem legal. Então tem as
[01:25:52] páginas do semanário pra vocês lerem
[01:25:54] e admirarem o estilo
[01:25:56] de escrita da Francisca,
[01:25:58] dona Francisca, vocês vão gostar.
[01:26:00] E a dissertação tá bem, muito bem escrita,
[01:26:02] tá bem gostosinha de ler.
[01:26:04] A gente tá dando sorte com a dissertação,
[01:26:06] né, Tiago, que é da Carolina também, sobre
[01:26:08] população de rua, também tava
[01:26:10] um deleite. Sim, e foi
[01:26:12] muito bem recebida, né?
[01:26:14] Sucesso de crítica ao público. Foi.
[01:26:16] Foi, foi muito, muito boa.
[01:26:18] A gente tá só
[01:26:20] nas dissertação, top, Rogerinho.
[01:26:23] Então, estamos felizes,
[01:26:24] tô bem feliz com esse
[01:26:26] episódio de hoje, que foi um tema bacana,
[01:26:29] nada batido, tem
[01:26:30] certeza que ninguém nunca, nunca gravou sobre isso
[01:26:32] antes. Nunca antes
[01:26:34] na história desse país, então
[01:26:35] tô feliz, é um bom episódio
[01:26:38] pra esse mês de março.
[01:26:40] Perfeito, muito,
[01:26:42] muito obrigado mesmo.
[01:26:44] Ah, sim, jabai, por favor. Pra mais informações,
[01:26:46] deixa o seu jabai.
[01:26:48] Claro, eu, bem, eu agradeço,
[01:26:50] né, porque eu tomei
[01:26:52] uma cacetada na banca, por causa de,
[01:26:54] justamente por causa disso,
[01:26:56] porque escrevi com uma linguagem dita
[01:26:58] por ele simples demais,
[01:27:00] expliquei coisa demais,
[01:27:02] e eu disse claramente, falei,
[01:27:05] não vou dizer caguei,
[01:27:06] porque eu não posso falar isso pra banca, né, mas eu,
[01:27:08] minha resposta foi mais ou menos essa.
[01:27:11] Pra banca tem que falar defequei.
[01:27:12] Eu escrevi, porque eu não conheço.
[01:27:14] Sim, sim, sim.
[01:27:16] Defequei e deambulei, é o que eu uso normalmente,
[01:27:18] que é mais acadêmico.
[01:27:20] Eu basicamente,
[01:27:21] eu basicamente disse pra eles,
[01:27:24] bem, eu fiz desse jeito, eu fiz
[01:27:26] as explicações, que vocês sabem,
[01:27:28] mas eu escrevi pra vocês, escrevi pra quem,
[01:27:30] né, pra um público mais
[01:27:32] aberto, maior, e eu queria que
[01:27:34] lesse, porque eu tô cansada daquelas
[01:27:36] teses de doutorado que você escreve
[01:27:38] e que ninguém lê, porque ninguém entende o que tá escrito ali.
[01:27:40] Entendeu? Parece que o Napoleão
[01:27:42] Mendes de Almeida ressuscitou
[01:27:43] das cinzas, entendeu, e pulou dentro daquele trabalho.
[01:27:46] Eu não queria isso pra mim.
[01:27:48] Eu tentei escolher, lógico, tem as palavras
[01:27:50] que são mais técnicas, mas eu tentei escrever
[01:27:51] também com a linguagem mais simples possível,
[01:27:53] pra não ficar difícil demais,
[01:27:55] técnico demais, e
[01:27:57] desagradei um pouco a banca, desagradei um pouco a banca,
[01:27:59] mas se vocês gostaram e gostaram, eu fico
[01:28:01] muito feliz, porque era vocês que eram o meu objetivo.
[01:28:04] Ótimo. Fala aí, quem quiser
[01:28:05] te achar, te acha onde?
[01:28:07] Isso, meus contatos, aqui, olha aqui,
[01:28:09] meus contatos, bem, vocês vão me encontrar no
[01:28:11] omegastation.com.br,
[01:28:13] que é o do OmegaCast, vocês vão me encontrar
[01:28:15] também no Twitter, como
[01:28:17] arrobaLiKamon, com K,
[01:28:19] e vocês vão me encontrar no Twitter,
[01:28:21] ah, já falei,
[01:28:23] Twitter, né, vocês vão me encontrar no Instagram,
[01:28:25] é só muito internet, no Instagram,
[01:28:27] como LiKamon, né,
[01:28:29] só que com C, underline C,
[01:28:31] porque alguém já tinha colocado K,
[01:28:33] então trocamos, né, então é LiKa
[01:28:35] underline Moon, também, se quem
[01:28:37] quiser me seguir no Instagram,
[01:28:39] quiser mandar mensagem, alguma coisa,
[01:28:42] vou deixar meu contato pra vocês
[01:28:43] encaminharem aí, meu e-mail,
[01:28:45] se vocês quiserem mandar, é só encaminhar
[01:28:47] pro e-mail que eu vou deixar, e se quiser
[01:28:49] fazer alguma pergunta, só diz onde você vem,
[01:28:51] porque quando a gente tem muito aluno, né,
[01:28:53] passa na rua e fala oi, eu respondo.
[01:28:56] 22 anos dando aula,
[01:28:58] um aluno vira, uma pessoa vira na rua e fala
[01:28:59] oi, eu falo oi, não sei quem é,
[01:29:01] então, você, por favor, manda mensagem, diz,
[01:29:03] olha, eu ouvi o episódio, pra saber com o que eu tô falando,
[01:29:05] você tá capaz de eu responder você, achando que você é um aluno.
[01:29:08] Beleza. É capaz de cobrar data.
[01:29:10] Nossa, vai cair na prova, professora?
[01:29:12] Então. É, mas, olha, tem data
[01:29:13] pra responder, hein. A matéria cai na prova.
[01:29:16] Bom, então, estamos aí,
[01:29:17] os contatos,
[01:29:18] seu Tiago, dá
[01:29:20] seus contatos aí, rapidinho,
[01:29:22] pra gente juntar tudo.
[01:29:23] Eu só tenho o Twitter, tiago__czz,
[01:29:26] antes de passar a bola, eu só quero
[01:29:28] deixar aqui um salve,
[01:29:30] um abraço, um agradecimento
[01:29:32] ao Pensador Louco,
[01:29:35] que eu só cheguei
[01:29:36] na Lika por conta do
[01:29:38] grupo do Telegram do Pensador Louco.
[01:29:41] Então,
[01:29:42] temos
[01:29:44] aqui um matchmaker,
[01:29:46] o Pensador foi…
[01:29:48] De sucesso. O Pensador foi
[01:29:50] quem… foi o responsável
[01:29:52] por esse encontro aqui acontecer e esse episódio
[01:29:55] ser possível.
[01:29:56] Ó, aí, Pensador, nem te conheço, mas já te considero
[01:29:58] pacas.
[01:30:00] Então, bom, vocês já sabem, eu tô no Twitter
[01:30:02] como arroba pacamanca, sim,
[01:30:04] paca, pequeno mamífero manca porque ela manca,
[01:30:07] tudo junto. O blog também é esse,
[01:30:09] www.pacamanca.com
[01:30:12] Eu tenho escrito
[01:30:13] um pouquinho sobre coisas,
[01:30:15] diferentes coisas sobre
[01:30:17] cabelo e sobre resenhas de livros,
[01:30:19] tô tentando manter ele um pouquinho mais ativo.
[01:30:21] Estou também no
[01:30:22] podcast do Papo Cético, do site
[01:30:24] Mitografias.
[01:30:27] Queria deixar
[01:30:28] mais uma coisa rápida, mais uma
[01:30:30] participação, dessa vez, Tiaguito também
[01:30:32] participou. Eu e seu Tiago
[01:30:34] narramos trechos do
[01:30:36] episódio do É Pau, É Pedra, produzido
[01:30:38] maravilhosamente bem, como sempre, pelo
[01:30:40] Márcio Moraes, sobre a Rosa Luxemburgo.
[01:30:43] Então, esse aí entra
[01:30:44] nos… naquelas participações,
[01:30:47] né, o Tiago fica me sacaneando
[01:30:49] que eu sou… tô sempre participando aí
[01:30:50] do podcast dos outros, e dessa vez,
[01:30:52] ele também participou. Então, escutem lá,
[01:30:54] eu vou colocar o link, depois, lá na
[01:30:56] pauta, pra vocês ouvirem, ouçam, que ficou muito,
[01:30:59] muito, muito legal.
[01:31:00] E aí, dessa vez, como eu tava lá, e você não…
[01:31:03] eu não podia pegar no seu pé
[01:31:04] pro seu arroz de festa,
[01:31:06] aí você resolveu pegar no meu pé por outra
[01:31:08] coisa, né? Você ficou falando que eu faço
[01:31:10] diferentes fonemas de R
[01:31:12] durante o texto,
[01:31:14] e se alguém ouvir e notar isso,
[01:31:17] entre em contato, porque
[01:31:18] eu não consigo.
[01:31:19] Pra eu sentir minha não sozinha, entendeu?
[01:31:22] Às vezes é porta, às vezes é porta.
[01:31:25] Enfim, é meio confuso.
[01:31:25] Pelo menos não é porta.
[01:31:30] Sei lá.
[01:31:31] É lá, fé.
[01:31:32] Acho que acabou.
[01:31:34] Né?
[01:31:38] Eu acho que…
[01:31:39] Só deixa eu terminar o serviço. Não.
[01:31:41] É sacanagem eu mandar um salve
[01:31:43] pro Pensador Louco e não passar o serviço
[01:31:45] completo, né?
[01:31:47] Então, fala aí.
[01:31:48] Quem quiser, pode ouvir o próprio Pensador Louco,
[01:31:51] uma das vozes,
[01:31:52] uma das vozes mais marcantes da podosfera.
[01:31:55] No podcast dele,
[01:31:57] no quarto escuro do Pensador Louco,
[01:31:58] ele produz feito um desgraçado.
[01:32:01] Eu não sei como é que ele consegue
[01:32:02] produzir tanto.
[01:32:04] Se o pessoal acha, assim, que
[01:32:06] às vezes eu uso efeito sonoro
[01:32:08] demais, ou às vezes eu invento
[01:32:10] coisa em edição, você não tem
[01:32:12] ideia do que é a edição
[01:32:14] dos episódios dele.
[01:32:16] Uma chuva de efeitos sonoros
[01:32:18] chega a ser…
[01:32:20] Chega a dar vertigem de tanta coisa,
[01:32:22] que tem… Eu jamais conseguiria
[01:32:24] trabalhar daquela forma. Eu tenho uma
[01:32:26] inveja absurda dele.
[01:32:28] E, assim, deixa o
[01:32:30] serviço também pro quarto escuro
[01:32:32] do Pensador Louco.
[01:32:33] Já que vocês estão falando do Pensador, eu posso falar uma coisa?
[01:32:36] Rapidinho? Claro.
[01:32:38] Então, eu participei do Podosfera
[01:32:40] Assombrada, que foi uma antologia de contos
[01:32:42] de terror, que foi
[01:32:44] produzida agora, é das leituras 40.
[01:32:46] Foi publicado agora, dia 15 de fevereiro.
[01:32:48] Então, fica essa dica também pro pessoal ouvir.
[01:32:50] Ficou bom. E, assim, eu fiquei muito
[01:32:52] orgulhosa, porque, sabe quando você faz tanto
[01:32:54] tempo que você tá na caverna do doutorado,
[01:32:56] que você acha que você nunca mais vai escrever nada, que não seja técnico?
[01:32:59] E ele me deu, assim,
[01:33:01] esse desafio
[01:33:02] de escrever um conto. Eu escrevi o Conto Inevitável.
[01:33:05] E eu achei que eu não
[01:33:06] conseguisse mais escrever, entendeu? E ele é um cara
[01:33:08] muito… Você sabe que ele é um cara muito maravilhoso,
[01:33:10] muito aberto. Me deu muito tempo
[01:33:12] pra escrever. Me deu um dia.
[01:33:15] Eu tô assim, ó…
[01:33:16] Um dia pra fazer.
[01:33:17] E saiu, entendeu?
[01:33:19] Se vocês quiserem ouvir, ouve lá, comenta lá,
[01:33:22] se vocês ouviram aqui também, porque
[01:33:24] ficou muito legal e muita gente participou.
[01:33:26] E ele é muito aberto a isso.
[01:33:28] Os programas… Realmente, ele faz umas edições
[01:33:30] que eu vou te falar. Não sei como ele dá conta, não.
[01:33:32] É incrível. É invejável.
[01:33:34] Acabamos, então, esse blocão.
[01:33:36] Acabamos. Agora, sim.
[01:33:38] Agora podemos liberar a Lilian pra ir lá
[01:33:40] brigar com os cachorros. Beleza.
[01:33:43] Não, não por isso.
[01:33:44] Imagina.
[01:33:45] Olha, aqui tem pato,
[01:33:47] tem cachorro, tem burro lá
[01:33:49] no fundo da rua. Tem de tudo.
[01:33:50] Estamos acostumados com…
[01:33:52] pequena fazendinha.
[01:33:54] Burro, não. Tem galo. Não exagera.
[01:33:57] Não era pato, não?
[01:33:58] Eu tenho três cachorros, cinco gatos,
[01:34:01] uma tartaruga e um filho marido.
[01:34:04] E eu devo dizer que as tartarugas,
[01:34:06] o gato e o cachorro dão menos trabalho que o filho marido.
[01:34:09] Não tenho a menor dúvida disso.
[01:34:11] Menor.
[01:34:12] Mas, então, vai lá. Aproveita,
[01:34:15] deixa e manda ver.
[01:34:16] Vai lá tomar conta da…
[01:34:17] Muito obrigada, gente.
[01:34:19] Do seu pequeno zoológico familiar.
[01:34:22] Obrigadíssima.
[01:34:23] Valeu. Muito obrigada a vocês, viu?
[01:34:25] Fiquei muito feliz de alguém ter lido meu trabalho.
[01:34:27] Quem se inscreve sempre acha que ninguém vai ler.
[01:34:31] Pode confiar no Thiago para procurar
[01:34:33] assuntos obscuros e ler a tese e transformar em episódio.
[01:34:36] É, volta e meia eu estou lendo tese por aí e pensando.
[01:34:38] Mas, muito obrigado, Liliana.
[01:34:41] Muito obrigado também a quem ouviu até aqui.
[01:34:44] E até o próximo episódio.
[01:34:46] Valeu. Tchau, tchau.
[01:34:52] Seu Thiago.
[01:35:09] Eu sou o Thiago.
[01:35:10] Bom, acabamos o nosso blocão principal.
[01:35:14] Não vai perguntar se eu gostei do episódio?
[01:35:17] Não, não vou perguntar.
[01:35:18] Eu ia fazer um comentário que a gente pode até parar de chamar de bloco principal, porque…
[01:35:21] O resto fica do tamanho do bloco principal, assim.
[01:35:25] A gente tá meio…
[01:35:27] Tá ruim de se controlar, né? Pra gravar.
[01:35:29] É, tipo, sei lá.
[01:35:31] Lá é o prato principal, aqui são os acompanhamentos.
[01:35:34] As guarnições.
[01:35:35] É, só que tem acompanhamento pra caralho, entendeu?
[01:35:38] É uma cabeçada de um canavial de guarnições.
[01:35:41] Aqui é o quilão da massa. Aqui é o prato feito completasso.
[01:35:45] É, a bandejão.
[01:35:47] Escuta uma coisa.
[01:35:49] Tem recado hoje, não tem? Um monte de recado?
[01:35:51] Não sei pra porra, não sei que tamanho vai ficar essa parte.
[01:35:55] Pois é, menino. Olha, eu vou fazer o seguinte.
[01:35:58] Vamos começar dando oi pro pessoal do CastBox?
[01:36:01] Caralho, a gente descobriu que existe o CastBox, assim.
[01:36:05] A gente completa…
[01:36:07] É, cara, a gente tava dando mole esse tempo todo.
[01:36:10] Aí chegamos lá e, ó, meu caralho, esta porra existe.
[01:36:13] Não só existe como as pessoas usam e não só usam como tinha comentários pra nós lá.
[01:36:20] É, como é que você foi parar lá mesmo, hein, que eu já esqueci?
[01:36:22] Ah, longa história. Já vai ficar longo isso aqui, não começa.
[01:36:26] Não, então tá. Sem história.
[01:36:28] Mas, enfim.
[01:36:30] Estamos cadastrados agora, então, no CastBox.
[01:36:32] Que eu não entendi muito bem o que que é, o que que isso implica.
[01:36:35] Porque eu sei que a parada é meio que uma comunidade, assim, é um negócio meio doido.
[01:36:40] E o Thiago descobriu um monte de comentário, inclusive antiguinhos, assim, né?
[01:36:44] De episódios mais antigos.
[01:36:46] E…
[01:36:48] Todos comentários muito legais, muito bacanas.
[01:36:50] Então, vão beijos…
[01:36:52] Beijos para Natália Campos, Bruna Alves, Fernando Pereira, Carolina S.
[01:36:56] Parabéns pelo seu nome, que é maravilhoso.
[01:36:58] E André Moura.
[01:37:00] Todo mundo que deixou comentário lá pelo CastBox.
[01:37:02] Se você está no CastBox ou se você não está no CastBox, deixe comentários em outros lugares também, né?
[01:37:08] Letícia, você tem aí o que cada um falou ou não?
[01:37:11] Não tem, porque eu…
[01:37:13] Teve uma… Eu lembro que uma das garotas, ela chegou e mandou…
[01:37:17] Mandou um negócio tipo…
[01:37:19] Ai, que música é essa aos vinte e poucos minutos do episódio?
[01:37:24] O problema é que o CastBox…
[01:37:26] Alô, CastBox, agora que a gente descobriu, a gente também pode reclamar de você.
[01:37:30] O CastBox não mostra para qual episódio ela fez esse comentário.
[01:37:34] Então, eu não sei qual é o episódio.
[01:37:36] Mas se você ainda estiver ouvindo isso…
[01:37:38] Que roubada!
[01:37:40] Você saiba que você pode ir no nosso site, no pistolando.com.
[01:37:44] E agora a gente já engloba os jabás todos no rolê, né?
[01:37:46] E você pode ir no pistolando.com.
[01:37:48] E no post do episódio, tem todas as músicas que foram usadas na ordem que apareceram no episódio.
[01:37:55] Então, fica a dica aí, se alguém mais quiser saber alguma música que tocou aqui.
[01:38:00] Ah, eu queria saber, não peguei o nome, não foi citado e tal.
[01:38:04] Está tudo no nosso post lá em pistolando.com.
[01:38:08] É, não só a música, né? Muita gente vem me perguntar.
[01:38:11] Já aconteceu mais de uma vez.
[01:38:12] Pô, qual foi o livro que fulano indicou?
[01:38:14] Gente, não lembro.
[01:38:15] Está tudo na pauta lá.
[01:38:16] Está tudo na postagem.
[01:38:17] Dá um trabalho do cão para formatar aquela postagem toda.
[01:38:20] Então, prestiginho.
[01:38:21] O site é tão lindo, tão maravilhoso.
[01:38:22] Vão lá dar uma olhada de vez em quando.
[01:38:24] A gente está também no Twitter como arrobapistolandopod.
[01:38:27] Mesma coisa no Insta, arrobapistolandopod.
[01:38:30] Estou ainda começando a aprender a mexer no Instagram, que não é a minha rede social preferida.
[01:38:34] Então, tenham paciência comigo.
[01:38:38] Pode mandar um e-mail, se você quiser.
[01:38:40] Contato arrobapistolando.com.
[01:38:43] E chega de contato, né?
[01:38:44] Porque também, se tiver mais, a gente não consegue administrar.
[01:38:46] Já tem canal demais para conversar com a gente.
[01:38:49] Tem outra coisa.
[01:38:51] Tem outra coisa.
[01:38:52] Falando em site.
[01:38:54] Nessa semana, no site, na calada da noite, sem ninguém avisar nada, você colocou um texto com uma novidade.
[01:39:01] Pois é.
[01:39:02] A novidade, para quem não foi lá ler o texto, e se não foi, está dando mole.
[01:39:07] Por isso que eu falo para vocês irem visitar lá, porque de vez em quando rolam uns testículos.
[01:39:11] E esse último texto foi um texto explicando.
[01:39:13] Foi um texto explicando a parceria que a gente está fazendo com a Companhia das Letras.
[01:39:18] Que, se vocês moram em outro planeta, é uma editora, uma das principais editoras do país enorme.
[01:39:23] Faz coisas maravilhosas.
[01:39:24] E a gente conseguiu um acordo com eles.
[01:39:27] Eles fizeram um acordo com produtores de conteúdo esse ano.
[01:39:29] Bacana.
[01:39:30] E a gente está recebendo livro todo mês.
[01:39:33] Que a gente, de alguma maneira, tem que comentar.
[01:39:36] Ou fazer uma resenha.
[01:39:37] Ou usar, no nosso caso, o que a gente vai fazer.
[01:39:39] Ou usar como gancho para falar de algum outro assunto.
[01:39:42] A gente escolheu o primeiro livro já.
[01:39:47] Escolhemos sozinhos.
[01:39:48] Eu e o Thiago.
[01:39:49] Até porque era uma surpresa.
[01:39:51] Até porque era uma surpresa.
[01:39:52] Sim, senhores.
[01:39:53] E vocês vão ficar babando muito nos convidados.
[01:39:56] Espero que seja plural e não singular.
[01:39:58] Embora o convidado que já aceitou seja top de linha.
[01:40:03] Mas a gente quer outros convidados super interessantes.
[01:40:07] E vocês vão entender quando o episódio sair.
[01:40:09] O próximo livro a gente já recebeu.
[01:40:11] O próximo livro a gente já recebeu o catálogo.
[01:40:13] E a gente resolveu jogar essa escolha de Sofia.
[01:40:17] Dividir um pouco essa sofrência de ter que escolher entre os títulos.
[01:40:22] Jogamos isso na Pistolândia.
[01:40:23] Que é o grupo dos nossos catárticos.
[01:40:25] Dos nossos apoiadores no Telegram.
[01:40:27] E eles fizeram a votação.
[01:40:28] E já escolheram o próximo livro.
[01:40:30] Aí você fica.
[01:40:31] Ah, mas eu também queria ajudar a escolher o próximo livro.
[01:40:34] Então, amiguinhas.
[01:40:36] Deem uma ajudinha para a gente.
[01:40:38] A gente está lá no Catarse.
[01:40:40] Catarse.me barra Pistolando.
[01:40:44] Deem uma ajudinha para a gente.
[01:40:46] Se vocês puderem.
[01:40:47] Dá para começar a contribuir com cinco reais.
[01:40:49] Cinco mijadinhas.
[01:40:51] E faz uma diferença enorme para a gente.
[01:40:55] Para pagar servidor.
[01:40:56] Para pagar domínio.
[01:40:57] Para comprar equipamento.
[01:40:59] A gente comprou um gravador.
[01:41:00] Que vai ficar com um áudio bacanésimo.
[01:41:03] Ainda não usamos.
[01:41:04] Porque o manual de instruções é do tamanho de um catálogo telefônico.
[01:41:07] Se você é jovem.
[01:41:08] E não sabe o que é um catálogo telefônico.
[01:41:09] Pergunte para os seus avós.
[01:41:12] E falando em Catarse.
[01:41:16] Lembrando que quem não consegue ajudar com cinco mijadinhas.
[01:41:20] Ou mais.
[01:41:21] Pode simplesmente divulgar nas redes.
[01:41:23] Já ajuda para caramba isso.
[01:41:24] Dá uns retweets maneiros.
[01:41:26] Botar para os amiguinhos ouvirem.
[01:41:28] Mandar link.
[01:41:29] E por aí vai.
[01:41:30] É uma outra maneira de ajudar.
[01:41:32] Mas a gente está precisando de ajuda.
[01:41:34] Particularmente neste momento.
[01:41:36] Por que, seu Thiago?
[01:41:37] O que aconteceu?
[01:41:38] Antes de entrar nisso.
[01:41:39] Fala.
[01:41:40] Eu vou fazer ainda um comentário.
[01:41:41] Sobre o rolê da Companhia das Letras.
[01:41:42] Lá vai.
[01:41:43] Fala.
[01:41:44] Você conta todo bonitinho.
[01:41:45] Você é a voz institucional.
[01:41:46] Ah, tá bom.
[01:41:47] E eu estou aqui para trazer a verdade.
[01:41:48] Porque expor aos oprimidos a verdade sobre a situação.
[01:41:49] É abrir-lhes o caminho da revolução.
[01:41:50] Já diria meu amigo Leon Trotsky.
[01:41:51] Que eu sei que nos ouve.
[01:41:52] Ah, sim.
[01:41:53] Tá.
[01:41:54] Fala.
[01:41:55] Onde quer que ele esteja.
[01:41:56] Ele nos ouve.
[01:41:57] Aham.
[01:41:58] O negócio é o seguinte.
[01:41:59] Primeiro.
[01:42:00] Se você não sabe o que é um catálogo telefônico.
[01:42:01] Se você não sabe o que é um catálogo telefônico.
[01:42:02] Você fez aí todo um misancene.
[01:42:08] Hum.
[01:42:10] De que as pessoas vão gostar não sei o que.
[01:42:16] Do convidado.
[01:42:17] Do livro.
[01:42:18] Não sei o que.
[01:42:19] Quem é nosso catálico.
[01:42:20] Já sabe qual é o assunto.
[01:42:21] Já escolheu o livro.
[01:42:23] Já sabe quem é o convidado.
[01:42:24] Teve um dia.
[01:42:25] Que você deu mole.
[01:42:26] E estava cuidando da tua filha.
[01:42:27] Eu não sei o que estava fazendo.
[01:42:28] Eu sai mandando.
[01:42:29] Um bonitão de convidados.
[01:42:30] Eu sai feio de graça.
[01:42:31] Você foi o fantasma.
[01:42:32] um idiota, aquele grupo
[01:42:34] tava pegando fogo, o grupo tá bem
[01:42:36] animado, tá bem gostoso de participar
[01:42:38] sobre a
[01:42:40] Companhia das Letras, você falou
[01:42:42] aí, ah, de acordo, acordo é o
[01:42:44] cacete, nós somos parceiros
[01:42:47] os parceiros recebem livros
[01:42:49] que são lançamentos da companhia
[01:42:51] pra 2019, nós
[01:42:52] lemos, nós tomamos
[01:42:54] no cu pra dar
[01:42:56] um jeito disso virar um episódio
[01:42:58] e porra, catárticos, vou
[01:43:00] te contar, eles escolheram um dos livros mais
[01:43:02] difíceis de encaixar o episódio
[01:43:04] a gente vai se foder futuramente
[01:43:06] mas
[01:43:07] basicamente nós não ganhamos um
[01:43:10] centavo da Companhia das Letras e é por isso
[01:43:12] que vocês precisam continuar nos ajudando
[01:43:14] com o Catarse, ah sim, nós ganhamos um livro
[01:43:16] só, um, nós ganhamos um livro
[01:43:18] lembre-se que nós somos dois e ganhamos um livro
[01:43:20] nem na mesma cidade a gente mora pra ficar trocando
[01:43:22] figurinha, passando o livro um pro outro quando acaba de ler
[01:43:24] exatamente, nós ganhamos um
[01:43:26] livro e esse livro inclusive
[01:43:28] posteriormente
[01:43:30] será sorteado entre os
[01:43:32] nossos patrões
[01:43:33] ó, só tem vantagem
[01:43:36] é, tem mais isso aí
[01:43:38] e, ah, mas o que a gente
[01:43:40] ganha com isso? A gente ganha
[01:43:41] a possibilidade de utilizar o nome
[01:43:44] da Companhia das Letras que tem, sei lá
[01:43:46] 30 anos de mercado, é uma das
[01:43:48] maiores editoras do país
[01:43:50] e é conhecida por
[01:43:52] Deus e o Mundo e o nome
[01:43:54] dela nos abre portas
[01:43:56] pra que dois pé rapados
[01:43:58] de fora dos grandes centros
[01:44:00] do Eixo Rio São Paulo
[01:44:02] consigam pessoas extremamente
[01:44:04] gabaritadas, não que as outras
[01:44:06] pessoas que já tenham passado por aqui sejam
[01:44:08] menos gabaritadas, mas
[01:44:10] pessoas que tem uma agenda um pouco mais difícil
[01:44:12] com quem a gente não tem tanto contato
[01:44:14] que não são
[01:44:16] tão acessíveis assim
[01:44:17] e a gente agora tem a possibilidade
[01:44:20] de se apoiar no ombro
[01:44:22] de gigantes como a Companhia das Letras
[01:44:24] e chegar
[01:44:26] nessas pessoas com
[01:44:28] um discurso um pouco
[01:44:30] diferente, quem sabe
[01:44:32] um pouco mais fácil de convencê-las a participar
[01:44:35] do nosso humilde podcast
[01:44:37] é mais ou menos
[01:44:41] isso aí, só que a gente não tem gabarito
[01:44:43] pra dar carteirada, então a gente empresta a carteira
[01:44:45] de alguém pra pegar
[01:44:47] e gabaritar, e falando em emprestar
[01:44:49] a carteira
[01:44:49] agora eu te devolvo
[01:44:53] a palavra
[01:44:53] tá ficando bom, enfim
[01:45:00] falando de carteira
[01:45:01] como eu estava falando antes
[01:45:02] de ser rudimente interrompida e corrigida
[01:45:04] a gente tá com um probleminha
[01:45:07] né, eu tava falando que a gente agora
[01:45:08] mais do que nunca, como diria o Faustão, estamos precisando
[01:45:11] de mais apoiadores
[01:45:12] por causa do que aconteceu
[01:45:15] o domingo passado, hoje é dia 13
[01:45:16] que é quarta-feira
[01:45:18] no sábado
[01:45:21] seu Tiago estava aqui em Curitiba
[01:45:23] pra fazer um encontrão com
[01:45:25] os nossos catárticos e nossos ouvintes não catárticos
[01:45:27] também aqui de Curitiba
[01:45:28] foi muito legal, passamos
[01:45:31] um total de 9 horas conversando
[01:45:33] ininterruptamente no barzinho
[01:45:35] enfim, foi muito
[01:45:37] legal, conhecemos
[01:45:39] já conhecia a Ali
[01:45:41] pessoalmente, conhecemos o Elvis que a gente não
[01:45:43] conhecia, e o pessoal conheceu
[01:45:45] o resto do pessoal da Craco que nos apoia
[01:45:47] que nos ouve há bastante tempo
[01:45:49] então realmente foi muito legal
[01:45:51] e no domingo
[01:45:53] aconteceu uma coisa, foi muito bom né
[01:45:55] aconteceu uma coisa menos legal
[01:45:56] nós fomos assaltados
[01:45:58] eu e seu Tiago fomos assaltados
[01:46:00] a mais, e o Tiago foi assaltado a mais
[01:46:01] com a mão armada em pleno centro de Curitiba
[01:46:03] na hora do almoço, meio dia
[01:46:05] em ponto, levaram o celular
[01:46:07] e a carteira do seu Tiago, levaram
[01:46:09] o meu celular e
[01:46:10] a minha correntinha de ouro
[01:46:12] então
[01:46:13] agora mais do que nunca
[01:46:16] estamos precisando de uma ajudinha
[01:46:18] até porque a gente vai estar no
[01:46:20] iPod em Belo Horizonte
[01:46:22] em abril, a gente vai
[01:46:25] estar lá na plateia
[01:46:26] e querendo conhecer as pessoas tudo
[01:46:29] isso significa comprar passagem
[01:46:30] e pagar o hotel
[01:46:33] e o cacete a quatro
[01:46:33] então já foi uma grana nisso
[01:46:35] o gravador que felizmente resistiu
[01:46:38] e não foi roubado por uma sagacidade ninja
[01:46:40] do seu Tiago
[01:46:41] custou uma grana também, a gente comprou
[01:46:44] com o dinheiro dos catárticos
[01:46:45] só que chega uma hora que a gente precisa
[01:46:48] de um pouco mais de apoio
[01:46:49] até porque esse assalto obviamente não estava no programa
[01:46:52] então quem puder ajudar
[01:46:55] por favor
[01:46:56] ajude e venha fazer parte do grupinho
[01:46:58] da Pistolândia que está animado
[01:47:00] e está bem…
[01:47:00] bem legal
[01:47:01] divertindo com as conversas
[01:47:03] inclusive a gente tem que retribuir aqui
[01:47:05] um grandíssimo salve para o Pedro
[01:47:08] que inclusive citou
[01:47:10] essa nossa ocorrência do assalto
[01:47:12] no último episódio do meu debate
[01:47:14] que por sinal
[01:47:16] eu fui o primeiro a ouvir
[01:47:17] porque eu editei
[01:47:19] e porra Pedro
[01:47:22] muito obrigado por tudo
[01:47:23] e tamo junto
[01:47:25] Pedro com aquela voz de veludo narrando o assalto
[01:47:28] fica até emocionante
[01:47:29] então beijo Pedro
[01:47:30] bom, acabaram os recados
[01:47:33] ou tem mais coisas pra falar?
[01:47:35] eu acho que a gente tinha que falar as notícias né?
[01:47:38] é
[01:47:38] a gente nem fez o bom, o mau e o feio ainda caralho
[01:47:41] não, não fez um porra nenhuma
[01:47:41] mas enfim, então vamos pro bom, o mau e o feio?
[01:47:43] vamos
[01:47:44] um, dois, três e já
[01:47:45] bom, ótimo
[01:47:46] começa você com a tua boa notícia
[01:47:48] eu começo?
[01:47:50] começa
[01:47:50] a minha boa notícia
[01:47:52] é curioso
[01:47:53] depois eu fui dar uma olhada na pauta
[01:47:55] e eu vi que a sua também tem essa pegadinha ambiental
[01:47:58] e tal, é bem interessante
[01:47:59] e a minha boa notícia
[01:48:01] veio de uma
[01:48:03] de um site britânico
[01:48:05] chamado Evening Standard
[01:48:07] ou no sotaque britânico
[01:48:10] do Alcísio
[01:48:11] Evening Standard
[01:48:12] basicamente qual é a pegada do rolê?
[01:48:18] as pessoas
[01:48:19] os tais millennials
[01:48:20] estão fazendo com que uma profissão
[01:48:24] quase que esquecida
[01:48:26] volte às ruas de Londres
[01:48:27] o bom e velho leiteiro
[01:48:29] olha
[01:48:30] é bem curioso assim
[01:48:32] as pessoas têm essa ideia
[01:48:35] do uso consciente de plástico
[01:48:38] porque plástico é foda
[01:48:41] e não degrada nunca
[01:48:43] essa porra
[01:48:44] e a gente tá enfiando plástico
[01:48:46] em tudo que é lugar
[01:48:47] e as pessoas
[01:48:49] com um pouco mais de consciência ambiental
[01:48:52] têm optado pelo leiteiro
[01:48:55] como uma opção
[01:48:57] de ter o seu leitinho fresquinho
[01:48:59] em casa
[01:49:00] e não gerar tanto lixo
[01:49:03] todo dia o cara vai lá
[01:49:05] pega as garrafinhas que você deixou
[01:49:06] do lado de fora da porta
[01:49:07] deixa a garrafinha cheia
[01:49:08] tudo lindo, tudo legal
[01:49:09] o serviço tem aumentado
[01:49:12] para um caralho este ano
[01:49:14] inclusive teve
[01:49:15] teve empresas
[01:49:17] teve uma empresa pequena
[01:49:19] que falava que recebia
[01:49:20] 30 agendamentos por mês
[01:49:22] e agora recebe 30 por semana
[01:49:24] nossa
[01:49:25] teve gente já falando que
[01:49:28] já tem mais de 2.500
[01:49:31] novos consumidores
[01:49:33] novos clientes
[01:49:34] só no último mês
[01:49:36] caramba
[01:49:37] então é um negócio que vem crescendo muito
[01:49:39] essa notícia tranquilamente
[01:49:42] poderia estar no feio
[01:49:44] por uma coisa que nós falamos
[01:49:45] no nosso episódio
[01:49:46] com a Nakaru e a Sabrina Fernandes
[01:49:49] que ao mesmo tempo
[01:49:51] que é muito interessante
[01:49:52] você tomar esse tipo de iniciativa
[01:49:56] que reduz o lixo
[01:49:58] tem toda a questão do transporte
[01:50:01] porque as garrafas de vidro
[01:50:04] são mais volumosas
[01:50:05] e são mais pesadas
[01:50:07] pois é
[01:50:08] foi aquele babado que eu comentei
[01:50:11] daquela minha amiga
[01:50:12] daquela grande empresa que fez os cálculos
[01:50:15] e a parada de vidro nem sempre é a melhor opção
[01:50:17] porque você gasta mais combustível
[01:50:19] para levar vidro de um lugar para o outro
[01:50:22] porque é mais pesado do que plástico
[01:50:23] então acaba não compensando
[01:50:25] em termos de pegada de carbono
[01:50:26] exatamente
[01:50:28] exatamente
[01:50:28] exatamente
[01:50:28] eu não sei como eles estão lidando com isso lá
[01:50:30] parece que é assim
[01:50:32] uma explosão do mercado
[01:50:34] que é muito repentina e muito recente
[01:50:36] não deu tempo de estudar isso ainda
[01:50:38] com propriedade
[01:50:40] mas eu deixei
[01:50:42] ainda assim eu optei por deixar
[01:50:44] essa notícia no bom
[01:50:45] porque mostra que
[01:50:48] essa nova geração
[01:50:50] vem com uma consciência ambiental
[01:50:52] que pode ou não estar um pouco
[01:50:54] atravessada ainda
[01:50:55] precisa ser melhor refinada
[01:50:58] mas que já vem
[01:51:00] com uma consciência ambiental interessante
[01:51:03] talvez não esteja sendo
[01:51:05] executada da melhor forma
[01:51:07] talvez
[01:51:08] eu ainda acho isso
[01:51:10] bastante questionável
[01:51:11] mas é bom que nós tenhamos a ideia
[01:51:14] de que isso aos poucos está acontecendo
[01:51:17] boa notícia
[01:51:18] boa notícia, legal
[01:51:20] gostei, vira coisa de desenho animado
[01:51:22] do cara do leiteiro lá entregando
[01:51:24] as garrafinhas de vidro
[01:51:26] é bem coisa de desenho animado né
[01:51:27] sim
[01:51:28] tem o desenho clássico do pateta né
[01:51:30] exatamente
[01:51:30] você lembra desse do pateta
[01:51:32] que ele passa um dia em casa
[01:51:34] no lugar da mulher né
[01:51:36] e aí chega o leiteiro
[01:51:38] toca a campainha, ele abre a porta
[01:51:40] ele entrega a garrafa e dá um beijo na boca dele
[01:51:42] depois chega o padrão e entrega o pão
[01:51:44] dá um beijo na boca dele
[01:51:45] caralho, isso estava tudo tão errado
[01:51:48] e a gente não via nada de errado na época
[01:51:50] nossa que inocente gente, que anos
[01:51:52] que décadas
[01:51:53] mas enfim, é uma boa notícia
[01:51:56] como você já adiantou a minha também
[01:51:58] a minha notícia boa também tem uma pegada
[01:52:00] ambiental, ecológica
[01:52:02] é uma notícia da BBC de semana passada
[01:52:04] do dia 7 de março
[01:52:05] e a chamada é essa aqui
[01:52:07] como tijolos de urina e fugos remodelados
[01:52:10] podem ajudar no combate à poluição
[01:52:12] por plástico
[01:52:13] bom, se vocês lembram nosso episódio de plástico, lixo e reciclagem
[01:52:16] e quem não ouviu está dando muito mole
[01:52:18] por favor volte lá e ouça
[01:52:20] porque Sabrina deu um show
[01:52:22] Nakaru deu um mega, mega, mega show
[01:52:25] também
[01:52:25] inclusive beijo Nakaru
[01:52:27] e
[01:52:28] tenho muito orgulho de ter descoberto ela
[01:52:30] digamos assim, porque ela nunca tinha gravado nada
[01:52:32] e acabou que o episódio ficou excelente
[01:52:34] e vocês ouviram então
[01:52:36] a Nakaru falando de alternativas
[01:52:38] ao plástico, de coisas feitas com
[01:52:40] mandioca, com milho, com sei lá o que
[01:52:42] um monte de material alternativo
[01:52:43] e aí ele começa, é engraçado que
[01:52:45] o artigo começa exatamente falando dos canudos
[01:52:48] é a primeira coisa que ele fala do canudo
[01:52:50] que a gente lembra que é o vilão da parada
[01:52:52] o canudo, sacola, garrafa pet
[01:52:54] esses plásticos são os tipos
[01:52:56] mais vilanizados
[01:52:58] atualmente, mas a gente depende
[01:53:00] do polietileno, que é um tipo de plástico
[01:53:02] ele está em absolutamente tudo
[01:53:05] o que tem à nossa volta
[01:53:06] tem plástico em algum lugar
[01:53:08] e está foda
[01:53:10] tem que arrumar uma alternativa mesmo
[01:53:12] porque não tem muito o que fazer
[01:53:14] como a Sabrina tinha falado, o ideal realmente
[01:53:16] é você consumir menos
[01:53:17] reciclar é bacana, mas o ideal é que tenha
[01:53:20] menos coisa para reciclar
[01:53:21] então tem uma
[01:53:24] mudança de foco
[01:53:26] dos cientistas, engenheiros
[01:53:28] designers e tal, para criar alternativas sustentáveis
[01:53:30] que criam ecossistemas circulares
[01:53:33] com menos desperdício
[01:53:34] para você evitar esses desperdícios
[01:53:36] que sempre rolam quando tem uma reciclagem
[01:53:38] sempre alguma coisa descartada
[01:53:40] sempre cria algum tipo de problema
[01:53:42] e se você usar, por exemplo
[01:53:44] sei lá
[01:53:45] em vez de você vender
[01:53:48] uma muda de planta num pote de plástico
[01:53:51] que vai durar 5 minutos e você vai jogar fora
[01:53:53] em vez desse pote de plástico
[01:53:54] você faz um pote que é um tipo
[01:53:56] um chachim, e você não tem que descartar
[01:53:58] você enfia na terra e pronto
[01:54:00] porque mesmo se esse vaso for reciclável
[01:54:03] o ideal é que ele não existisse at all
[01:54:04] porque reciclar, como a gente viu
[01:54:06] no episódio, cria uma série de outros problemas
[01:54:08] então tem muitas alternativas
[01:54:11] aparecendo sustentáveis
[01:54:12] polímeros, feitos de amido
[01:54:14] tipo milho, tipo batata
[01:54:16] como a Ana Carol mencionou
[01:54:18] no caso que você citou
[01:54:20] dos vasos, tem vasos
[01:54:22] de fibra de coco
[01:54:23] sim, que é uma alternativa muito legal também
[01:54:26] então tem muitas coisas assim
[01:54:28] aí ele dá alguns exemplos
[01:54:30] ele dá um exemplo de lã de pedra
[01:54:31] que é uma coisa que surge da rocha magmática
[01:54:33] depois que a lava esfria
[01:54:35] e usa também um produto que é descartado
[01:54:38] na produção do aço, então você já está reutilizando
[01:54:40] um descarte da indústria
[01:54:41] e você faz essas fibras esquisitas
[01:54:44] e tal, é um material
[01:54:46] que tem uma série de propriedades melhores
[01:54:47] do que os que estão sendo usados atualmente
[01:54:49] eu já traduzi algumas vezes esse negócio
[01:54:52] de lã de pedra, teve uma época que aparecia
[01:54:53] muita coisa para traduzir de material de construção
[01:54:55] e toda hora aparecia esse negócio e eu fui ver o que era
[01:54:58] e achei bem bacana
[01:55:00] tem umas coisas feitas com fungos
[01:55:02] que é uma parada
[01:55:04] interessantíssima
[01:55:05] é você moldar fungo em outros materiais
[01:55:08] orgânicos como borracha ou cortiça
[01:55:10] sabe, é uma coisa
[01:55:12] muito maluca
[01:55:13] usar uma parte do
[01:55:15] é um negócio muito doido
[01:55:17] é usar uma parte do
[01:55:19] fungo como agente aglutinante
[01:55:22] para produzir painéis de madeira
[01:55:23] para embalagens retardantes de chamas
[01:55:26] é um negócio muito
[01:55:27] doido
[01:55:28] e o mais legal é que é muito fácil
[01:55:31] você cultivar fungos
[01:55:34] eles crescem em praticamente qualquer resíduo
[01:55:36] agrícola, desde serragem
[01:55:38] até casca de pistache
[01:55:39] são os exemplos que eles dão, mas aí você tem de novo
[01:55:42] um reaproveitamento de descarte
[01:55:44] pode ser moldado
[01:55:46] em qualquer formato, ele cria polímeros
[01:55:48] mais aderentes do que qualquer cola
[01:55:50] então tem umas coisas muito interessantes
[01:55:52] e ele dá mais um exemplo
[01:55:53] de tijolos de urina, que na verdade não é
[01:55:56] tijolo de xixi, é uma coisa que tem
[01:55:57] ureia, que é um dos componentes
[01:55:58] minha filha tá rindo
[01:55:59] tem ureia, que é um dos componentes
[01:56:03] da urina, não à toa tem o mesmo
[01:56:04] a mesma raiz
[01:56:07] a parada, a palavra
[01:56:08] e são tijolos feitos com restos
[01:56:11] de produção de cerveja, por exemplo
[01:56:13] um monte de coisa doida
[01:56:14] essa coisa do tijolo com ureia
[01:56:16] foi obviamente descoberta praticamente por acaso
[01:56:19] são as melhores histórias da humanidade
[01:56:21] você tem uma
[01:56:23] basicamente ele acrescentou os micro-organismos
[01:56:25] umas bactérias, uma mistura de areia
[01:56:27] ureia e cloreto de cálcio
[01:56:29] e essas bactérias colaram
[01:56:31] as moléculas de areia, virou tipo um cimentão
[01:56:33] então é uma coisa
[01:56:35] muito interessante
[01:56:37] tem alguns ajustes a serem feitos
[01:56:38] mas a ideia é bem legal
[01:56:40] enfim, tem um monte de materiais alternativos
[01:56:43] sendo pesquisados
[01:56:44] isso é uma coisa bem legal
[01:56:46] são coisas que podem eliminar
[01:56:49] o plástico de uma série de
[01:56:51] tipos de indústria
[01:56:53] já pensou se você não precisa
[01:56:55] mais fazer um copo de plástico
[01:56:56] porque descobriu seu material
[01:56:58] baratíssimo de mandioca
[01:57:00] que é biodegradável
[01:57:01] e somem os copos de plástico do mundo
[01:57:04] olha que coisa maravilhosa
[01:57:05] então eu achei uma boa notícia
[01:57:07] porque são coisas realmente muito legais
[01:57:09] linhas de pesquisa muito bacanas
[01:57:10] e é uma boa notícia
[01:57:13] nada mal
[01:57:15] nada mal
[01:57:16] é bom, é bem legal o artigo
[01:57:19] sua notícia ruim
[01:57:21] vai lá pro mal
[01:57:22] mas por que você está pedindo pra eu ir antes?
[01:57:26] eu fico lendo a porra da pauta
[01:57:28] e você vem antes que eu na porra da pauta
[01:57:29] ah, sei lá, não sei
[01:57:30] hoje eu estou assim
[01:57:31] quer que eu fale primeiro?
[01:57:33] ah, eu falo
[01:57:34] já que tu quer que eu fale, eu falo
[01:57:35] foi você que comandou esse episódio
[01:57:37] então, a minha notícia ruim
[01:57:41] vem do The Nation
[01:57:42] a gente está meio babaca, né?
[01:57:44] hoje, eu estava vendo aqui
[01:57:45] todas as notícias
[01:57:49] são de fora
[01:57:50] ah não, o seu feio não é de fora
[01:57:52] nem o meu bom, o meu bom é da BBC Brasil
[01:57:54] ah, é porque eu só li BBC
[01:57:56] é
[01:57:57] ok, sempre tem alguma coisa
[01:58:01] da BBC incrível
[01:58:02] bem, de qualquer forma
[01:58:04] a minha notícia do The Nation
[01:58:07] e olha
[01:58:08] um naipe da criança
[01:58:10] na real ele é um editorial do The Nation
[01:58:13] que saiu
[01:58:15] no dia 21 de novembro, ele já não é
[01:58:16] a coisa mais recente do mundo
[01:58:18] mas eu imagino
[01:58:20] que os números não estejam muito diferentes
[01:58:23] disso
[01:58:23] as guerras que os Estados Unidos
[01:58:26] entraram do 11 de setembro
[01:58:29] pra frente
[01:58:30] já custaram
[01:58:31] 5.9 trilhões
[01:58:35] de dólares
[01:58:36] como assim trilhões, gente?
[01:58:38] eu nem entendo esse número
[01:58:39] exato, assim, tipo
[01:58:41] eu imagino que se você tem 5.9 trilhões de dólares
[01:58:44] na sua conta bancária
[01:58:46] e você vai tirar um extrato no caixa eletrônico
[01:58:48] e pede pra ele imprimir o papelzinho
[01:58:51] com o extrato, ele deve perguntar
[01:58:52] se você quer que imprima ele em retrato
[01:58:54] ou paisagem
[01:58:55] risos
[01:58:56] porque, tipo, não cabe
[01:58:59] cara, eu não consigo
[01:59:00] nem imaginar, mas tudo bem
[01:59:02] assim, eu não precisava
[01:59:06] nem ler essa notícia
[01:59:07] pra ficar puto, mas eu me dei
[01:59:09] o trabalho de ler essa notícia
[01:59:11] pra ficar mais puto
[01:59:12] são 21 milhões de pessoas
[01:59:15] que foram deslocadas
[01:59:18] desalojadas
[01:59:20] realocadas por conta
[01:59:21] das guerras
[01:59:22] são só entre civis
[01:59:26] 200 mil pessoas que foram deslocadas
[01:59:26] 240 mil mortes
[01:59:28] e a gente tá falando de
[01:59:30] 11 de setembro de 2001
[01:59:33] em diante
[01:59:33] isso tudo foi financiado pelos Estados Unidos
[01:59:36] isso tudo foi financiado
[01:59:38] pela porra do imperialismo
[01:59:40] às vezes, assim, a gente
[01:59:42] eu até já brinquei
[01:59:44] com você uma vez sobre isso
[01:59:46] que, apesar de eu ser um
[01:59:48] comunista, às vezes isso
[01:59:50] quase não transparece
[01:59:52] nos nossos episódios
[01:59:54] porque eu não sou um comunista teórico
[01:59:56] eu não tenho aquele estofo
[01:59:57] pra pegar um negócio
[01:59:59] e sair falando de quais são
[02:00:02] as questões teóricas
[02:00:05] em volta do
[02:00:06] capitalismo e do imperialismo
[02:00:08] que nos levaram a uma merda tão grande
[02:00:10] tem coisas que são óbvias
[02:00:12] tipo o Brumadinho
[02:00:12] mas tem coisas que às vezes
[02:00:15] eu sei que eu não tenho esse estofo
[02:00:18] esse daqui você não precisa ter um menor estofo
[02:00:20] pra saber
[02:00:21] não, não, não precisa
[02:00:22] você com o meio cérebro você entende
[02:00:25] Afeganistão
[02:00:26] Síria, Líbia, Iraque
[02:00:28] assim, ó, não faltam
[02:00:31] exemplos
[02:00:33] de como o imperialismo
[02:00:34] foi cruel com a periferia do mundo
[02:00:37] atrás da porra
[02:00:39] do recurso
[02:00:40] e de conquistar mercados
[02:00:42] e de conquistar cada vez mais
[02:00:44] o monopólio das suas próprias empresas
[02:00:46] e girar a máquina da guerra
[02:00:48] é revoltante
[02:00:50] que nós, em 2019
[02:00:53] ainda tenhamos
[02:00:54] gente que
[02:00:56] milita por guerras
[02:00:57] que quer ver
[02:00:59] povos jogados
[02:01:01] contra outros povos
[02:01:03] trabalhadores arrancados das suas famílias
[02:01:06] pra vestir uma farda
[02:01:07] e atravessar o planeta
[02:01:09] pra combater pessoas que elas
[02:01:11] sequer sabem quem são
[02:01:13] é um absurdo pensar nisso
[02:01:16] é um absurdo
[02:01:17] pro povo americano, devia ser motivo
[02:01:19] de vergonha que um americano
[02:01:22] pague seus impostos
[02:01:23] e viva sem um sistema
[02:01:26] único de saúde público
[02:01:28] enquanto 5.9 trilhões
[02:01:31] de dólares são jogados em
[02:01:32] guerras ao redor do globo
[02:01:34] eu não consigo
[02:01:36] eu não consigo compreender
[02:01:38] qual é a lógica de quem diz
[02:01:40] ai, o socialismo
[02:01:42] deu errado, como você pode
[02:01:44] olhar uma porra de uma
[02:01:46] notícia como essa e pensar que o capitalismo
[02:01:48] deu certo
[02:01:49] a coisa mais feia disso tudo
[02:01:52] é que quando você
[02:01:54] se você for ler qualquer comentário
[02:01:56] qualquer notícia americana
[02:01:57] desse tipo
[02:01:59] e alguém usar uma argumentação
[02:02:02] tipo essa que você está usando
[02:02:03] principalmente essa coisa do sistema de saúde
[02:02:05] as pessoas, mesmo aquelas pessoas
[02:02:07] que não tem dinheiro, ou seja
[02:02:09] não conseguem usufruir de nenhum sistema de saúde
[02:02:11] não tem seguro de saúde algum
[02:02:13] elas continuam achando que não tem que ter
[02:02:15] que não tem que dar, que é desperdício
[02:02:17] você dá saúde grátis, digamos assim
[02:02:19] ou por uma taxa
[02:02:21] uma coisa simbólica, como é na Itália
[02:02:23] por exemplo, você tem um teto
[02:02:25] vai de acordo com a sua taxa de saúde
[02:02:26] a sua faixa etária
[02:02:26] você nunca vai pagar mais de, sei lá
[02:02:28] 300 euros
[02:02:31] não importa o tipo de exame ou procedimento que você vai fazer
[02:02:33] você tem quem não pague nada
[02:02:36] que isso vai de acordo com a faixa
[02:02:37] de rendimento da família
[02:02:38] tem quem paga na faixa máxima
[02:02:41] mas você nunca ultrapassa um certo teto
[02:02:43] o que já é uma grande coisa
[02:02:45] o que eu saiba
[02:02:47] praticamente mais ninguém tem
[02:02:49] no mundo, são pouquíssimos os lugares
[02:02:51] que tem um esquema que nem o do SUS
[02:02:53] que é totalmente gratuito para todo mundo
[02:02:56] é uma coisa difícil de administrar
[02:02:57] e de bancar, mas eles teriam como
[02:02:59] só que as pessoas acham
[02:03:01] que não deveria ter, acham que é errado
[02:03:03] acham que nem todo mundo merece
[02:03:06] que você tem que trabalhar e pagar
[02:03:07] para ter as coisas e que dar coisas de graça
[02:03:09] é ruim
[02:03:10] e tem muita gente aqui que aplaudiu
[02:03:13] saída de médico e está louca para ver
[02:03:15] o Brasil invadir Venezuela
[02:03:17] só nesse último
[02:03:18] só nesse século XXI
[02:03:21] são 300 mil
[02:03:23] veteranos de guerra americanos
[02:03:26] a gente não está nem falando do lado vítima
[02:03:28] a gente está falando do lado opressor
[02:03:29] 300 mil veteranos de guerra americanos
[02:03:32] sofrendo com traumas
[02:03:34] de cérebro
[02:03:36] de cílios cerebrais
[02:03:38] só para citar um exemplo
[02:03:40] isso está destrinchado
[02:03:43] de forma mais
[02:03:44] específica
[02:03:46] na matéria
[02:03:49] na notícia
[02:03:50] mas assim, a gente não precisa ir longe
[02:03:52] para encontrar esse tipo de vício
[02:03:53] e a gente tem o
[02:03:55] dever ético, o dever moral
[02:03:58] o dever do bom senso
[02:03:59] de combater esse tipo de coisa
[02:04:01] eu acho que você tinha que colocar a abertura do
[02:04:03] vira casacas
[02:04:04] com o discurso lá
[02:04:08] que eu estava repetindo hoje, estava ouvindo hoje de manhã
[02:04:09] cedo antes de sair para a escola
[02:04:11] aí estava andando na rua e recitando para a Carol
[02:04:13] o que é isso? foi eu explicar quem era o discurso
[02:04:15] acho que de repente bota aí
[02:04:18] para ilustrar
[02:04:19] mas você está coberto de razão
[02:04:21] é um artigo que dá muita
[02:04:23] raiva
[02:04:24] outra notícia
[02:04:25] que dá muita raiva
[02:04:27] é a notícia ruim que eu escolhi
[02:04:29] é uma notícia muito escrota
[02:04:31] a Fabi, que é minha marida
[02:04:33] me mandou, não foi a única
[02:04:35] a me marcar nessa notícia hoje
[02:04:37] mas eu não
[02:04:38] escolhi outra
[02:04:40] a que ela me comentou, que ela me marcou
[02:04:43] no Twitter agora há pouco e outras pessoas me marcaram também
[02:04:46] é uma notícia da Folha
[02:04:47] que reporta uma notícia que aconteceu na Itália
[02:04:49] onde a justiça disse que tem uma determinada
[02:04:51] mulher que é masculina demais
[02:04:53] para ter sido estuprada e isso é usado como discurso
[02:04:55] para não acreditar no que ela falou
[02:04:58] mas como isso é meio que
[02:05:01] modus operandi no Brasil
[02:05:03] nós temos um exemplo do grandíssimo saco de merda
[02:05:07] que infelizmente nos desgoverna
[02:05:09] que teve uma fala dessa com a Maria do Rosário
[02:05:12] eu escolhi uma outra notícia
[02:05:14] principalmente escrota, mas tem uma pegada diferente
[02:05:16] é uma notícia do jornal La Repubblica
[02:05:19] então é uma notícia italiana também
[02:05:21] de dias atrás, do dia 9 de março
[02:05:23] a manchete é essa
[02:05:25] a direita reúne anti-aportistas e anti-gays
[02:05:29] em Verona um encontro da família soberanista
[02:05:33] o que acontece?
[02:05:35] a creme de la creme da merda
[02:05:37] da direita italiana
[02:05:39] vai se reunir nessa cidade
[02:05:41] de Verona
[02:05:43] que fica numa parte da Itália que é
[02:05:45] muito tradicionalmente xenófoba
[02:05:47] e tradicionalmente de direita
[02:05:49] tradicionalmente escrota, digamos assim
[02:05:51] fora que era uma merda de carro
[02:05:53] é… tá
[02:05:55] tá, então
[02:05:57] cara, inacreditável
[02:05:59] tá bom
[02:06:01] na cidade de Verona
[02:06:03] que é a cidade de Romeu e Julieta
[02:06:05] vai rolar
[02:06:07] essa reunião
[02:06:09] que é tipo
[02:06:11] a internacional conservadora
[02:06:13] que simplesmente
[02:06:15] tem gente muito grande
[02:06:17] porque tem muita gente
[02:06:19] com esse tipo de pensamento
[02:06:21] retrógrado
[02:06:23] escroto, antigo
[02:06:25] cristão de merda
[02:06:27] de extrema direita no governo atual
[02:06:29] então você tem ministro, você tem
[02:06:31] senador
[02:06:33] cara, um monte de gente absolutamente horrível
[02:06:35] desprezível, ignóbil
[02:06:37] asquerosa
[02:06:39] fazendo esse encontro
[02:06:41] que praticamente quer
[02:06:43] invocar o retorno à família natural
[02:06:45] eles querem
[02:06:47] sente, sente o drama
[02:06:49] querem abolir a lei 194
[02:06:51] que permite a interrupção da gravidez
[02:06:53] porque o aborto é legal na Itália
[02:06:55] eles querem impedir
[02:06:57] os casamentos homoafetivos
[02:06:59] eles querem abolir
[02:07:01] todo tipo de welfare
[02:07:03] então de seguro de saúde, de pensão
[02:07:05] e de herança
[02:07:07] pra casais
[02:07:09] homoafetivos
[02:07:11] eu tenho uma sugestão pra eles
[02:07:13] tem um lugar que tudo isso aí já acontece
[02:07:15] Arábia Saudita
[02:07:17] pois é, não é mesmo?
[02:07:19] mas aí não pode porque não é cristão
[02:07:21] se a gente fizesse igual o pessoal faz aqui
[02:07:23] de gritar pra gente ir pra Cuba
[02:07:25] vai pra Israel, vai pra puta que te pariu
[02:07:27] né?
[02:07:29] eu tenho uma solução melhor
[02:07:31] a minha solução é fechar todo mundo ali dentro
[02:07:33] e tacar o napalm
[02:07:35] que eu acho que resolve uma boa parte dos problemas
[02:07:37] porque assim, você tem simplesmente
[02:07:39] as piores pessoas da Itália
[02:07:41] simplesmente as piores pessoas da Itália
[02:07:43] e você tem gente de fora
[02:07:45] participando dessa merda também
[02:07:47] você tem, por exemplo
[02:07:49] uma ativista nigeriana anti-gay
[02:07:51] você tem uma parlamentar, uma mulher
[02:07:53] parlamentar do Uganda
[02:07:55] que pede a pena de morte
[02:07:57] para o crime de homossexualidade agravada
[02:07:59] que tal?
[02:08:01] é, é isso mesmo que você ouviu
[02:08:03] uma tal de Lucy Akello
[02:08:05] eu nunca tinha ouvido falar
[02:08:07] que defende a pena de morte
[02:08:09] para o crime de homossexualidade
[02:08:11] agravada
[02:08:13] gente
[02:08:15] isso não é considerado
[02:08:17] crime de ódio?
[02:08:19] alguma coisa faz sentido no mundo
[02:08:21] atualmente que vocês estejam observando?
[02:08:23] ai caralho
[02:08:25] caralho
[02:08:27] pois é, pois é
[02:08:29] e ai você tem
[02:08:31] obviamente tem oposição
[02:08:33] você tem vários organismos que estão se mobilizando contra
[02:08:35] esse tipo de política
[02:08:37] retrógrada e regressiva
[02:08:39] que quer tirar direitos
[02:08:41] e você tem uma socióloga
[02:08:43] da Universidade de Innsbruck
[02:08:45] que está estudando esse tipo de coisa
[02:08:47] ela segue desde o primeiro congresso mundial desse tipo
[02:08:49] ela acompanha o que está acontecendo
[02:08:51] e ela tem uma fala muito interessante
[02:08:53] olha só, a defesa da família tradicional
[02:08:55] não é o objetivo substancial
[02:08:57] o ponto, você vê que essa mania de traduzir
[02:08:59] as coisas literalmente do inglês não é só brasileira
[02:09:01] o ponto
[02:09:03] isso não existe em português, não faz sentido
[02:09:05] mas tudo bem, o objetivo dos encontros
[02:09:07] é usar a tradição cristã
[02:09:09] para criar consenso ao redor da soberania
[02:09:11] nacional e a conceitos
[02:09:13] de direita derivados do fascismo
[02:09:15] contra a comunidade internacional
[02:09:17] que depois da segunda guerra
[02:09:19] a partir da segunda guerra compartilha
[02:09:21] e defende laicamente
[02:09:23] os direitos humanos promovidos pelas democracias
[02:09:25] mas que porra
[02:09:27] é, todo esse pessoal é aquele
[02:09:29] que fala que a ONU é comunista
[02:09:31] são os
[02:09:33] eurocéticos, é o pessoal que não quer se juntar
[02:09:35] com ninguém, querem que a Itália seja
[02:09:37] dos italianos, aquelas coisas que a gente já viu
[02:09:39] em outros lugares e está dando
[02:09:41] certão
[02:09:43] gostou da notícia?
[02:09:45] porra
[02:09:47] eu pensei que a minha já era
[02:09:49] revoltante o suficiente
[02:09:51] foi desnecessário
[02:09:53] pois é, então
[02:09:55] escolhi bem
[02:09:57] o cara me deu um ódio fudido
[02:09:59] quando eu li essa notícia, puta merda
[02:10:01] mas enfim
[02:10:03] vamos para a notícia feia
[02:10:05] que são divertidinhas, quer dizer, a sua mais a minha menos
[02:10:07] fala aí
[02:10:09] então fala a sua primeiro
[02:10:11] que daí eu termino num tom mais pra cima
[02:10:13] é, talvez seja melhor
[02:10:15] a minha notícia é uma notícia da GQ Brasil
[02:10:17] não me lembro como é que essa notícia veio
[02:10:19] parar na minha timeline
[02:10:21] e a manchete é
[02:10:23] que uma pessoa morre em cirurgia de aumento
[02:10:25] peniano
[02:10:27] então
[02:10:29] a parada é a seguinte
[02:10:31] esse cara, que tem um nome que eu não sei
[02:10:33] pronunciar, era proprietário
[02:10:35] de uma empresa de diamantes situada
[02:10:37] na Antuérpia
[02:10:39] cara, eu não sei
[02:10:41] eu não sei apontar Antuérpia no mapa
[02:10:43] eu sei que está perto da Belge da Holanda
[02:10:45] é um cocôzinho ali pititinho
[02:10:47] é, não vou falar esse nome que eu não sei
[02:10:49] foi ele
[02:10:51] quem vendeu um dos diamantes mais caros
[02:10:53] da história, conhecido como Blue Moon
[02:10:55] que vocês já devem ter ouvido falar, porque volta e me aparece
[02:10:57] na reportagem uma porra dessa
[02:10:59] aí aconteceu, ele tinha 65 anos
[02:11:01] foi fazer essa
[02:11:03] faloplastia, que é uma cirurgia de aumento
[02:11:05] peniano, em uma clínica particular de Paris
[02:11:07] imagino que deve ter sido a super
[02:11:09] hiper mega clínica, cheia de desconfortos
[02:11:11] e o cara
[02:11:13] simplesmente teve um piripaque
[02:11:15] mesmo, um ataque cardíaco
[02:11:17] no momento em que
[02:11:19] uma substância foi injetada
[02:11:21] em seu pênis
[02:11:23] cara, que maravilhoso essa notícia
[02:11:25] maravilhoso, então olha só
[02:11:27] ele tinha 65 anos
[02:11:29] é o clássico velho babão escroto
[02:11:31] que se preocupava muito com as aparências
[02:11:33] e ele tinha uma cobertura
[02:11:35] em Mônaco avaliada em 150
[02:11:37] milhões de mijadinhas
[02:11:39] e ele gostava de festas
[02:11:41] rodeadas de celebridades e modelos
[02:11:43] é clássico homem criança
[02:11:45] então
[02:11:47] é uma pessoa que claramente nunca cresceu
[02:11:49] né
[02:11:51] ele começou a carreira dele na África
[02:11:53] aos vinte e poucos anos, era considerado um
[02:11:55] expert na avaliação de diamantes
[02:11:57] ele que vendeu esse Blue Moon e tal
[02:11:59] não sei o que
[02:12:01] e veja só que interessante
[02:12:03] ele e seu sócio estavam tendo problemas
[02:12:05] com a justiça belga em um processo de
[02:12:07] evasão de divisas
[02:12:09] poxa seu Thiago, você conhece algum rico
[02:12:11] que só nega? Eu fiquei surpresa
[02:12:13] de saber que tem rico que só nega
[02:12:15] eu não consigo responder porque eu não conheço
[02:12:17] ricos, eu não me misturo com essa gente
[02:12:19] eu não ando com essa gente, desculpa
[02:12:21] eu não ando com essa gente, desculpa
[02:12:23] você vê pela foto que ele era todo
[02:12:25] bronzeadão e tal, não sei o que
[02:12:27] todo nos conformes
[02:12:29] ai minha filha veio aqui ver quem é o bronzeadão
[02:12:31] a foto está em preto e branco amor
[02:12:33] mas eu sei que ele é bronzeadão
[02:12:35] porque eu conheço o tipo
[02:12:37] e basicamente
[02:12:39] é uma cirurgia idiota
[02:12:41] principalmente para um cara de 65
[02:12:43] anos, o que você vai fazer com
[02:12:45] esta piroca por tantos anos
[02:12:47] você acha que ela vai funcionar ainda depois
[02:12:49] de 65 anos que você precisa aumentar
[02:12:51] o seu pênis?
[02:12:53] sabe, pelo amor de Deus, que prioridades
[02:12:55] erradas, que coisa idiota
[02:12:57] e o cara
[02:12:59] teve um piripaque e na real
[02:13:01] não conhecia, mas
[02:13:03] algo me diz que já vai tarde
[02:13:05] você não precisa
[02:13:07] nem conhecer, você só precisa conhecer como
[02:13:09] funciona a empresa, a indústria
[02:13:11] do diamante que destruiu
[02:13:13] a África do Sul
[02:13:15] quem não viu o filme com o DiCaprio
[02:13:17] veja porque o filme é ótimo, por favor
[02:13:19] então já sabemos
[02:13:21] já dá para saber de onde vem o naipe da pessoa
[02:13:23] é, dá para entender o
[02:13:25] tipinho, enfim
[02:13:27] já foi tarde e mereceu essa morte
[02:13:29] absolutamente ridícula
[02:13:31] que é o que pessoas ridículas merecem
[02:13:33] e sim, podem ficar
[02:13:35] achando que eu sou uma péssima pessoa
[02:13:37] defequei e deambulei
[02:13:39] não tenho pena de gente escrota
[02:13:41] cadê a sua notícia feia?
[02:13:43] a minha notícia
[02:13:45] feia é maravilhosa
[02:13:47] a minha notícia feia saiu ontem, dia 2
[02:13:49] 12 do 3 no The Guardian
[02:13:51] basicamente ela é
[02:13:53] uma conclamação a luta de classe
[02:13:55] a gente vive falando do negócio
[02:13:57] de que, por exemplo
[02:13:59] você elege um Bolsonaro e você coloca
[02:14:01] a raposa para cuidar do galinheiro
[02:14:03] e o que aconteceu?
[02:14:05] lá na
[02:14:07] lá na Bretanha, que é na parte
[02:14:09] noroeste
[02:14:11] ou nordeste? noroeste
[02:14:13] se não me engano, noroeste da França
[02:14:15] tem uma
[02:14:17] fazenda escola, uma escola
[02:14:19] de película, basicamente
[02:14:21] que ela tem um espaço de
[02:14:23] 2 hectares em que eles cuidam
[02:14:25] de 6 mil galinhas
[02:14:27] para ovos orgânicos
[02:14:29] e tal
[02:14:31] e tudo lá é basicamente automatizado
[02:14:33] então as portas do galinheiro
[02:14:35] abrem sozinhas quando
[02:14:37] o dia nasce
[02:14:39] e tem uns fotossensores
[02:14:41] e quando chega a noite as portas
[02:14:43] do galinheiro fecham sozinhas
[02:14:45] o problema é que quando estava
[02:14:47] anoitecendo entrou uma raposa no galinheiro
[02:14:49] e ela
[02:14:51] ficou presa para o lado de dentro
[02:14:53] do galinheiro
[02:14:55] com 6 mil galinhas
[02:14:57] que ao notar a ameaça
[02:14:59] agiram como
[02:15:01] um comportamento de
[02:15:03] manada e mataram
[02:15:05] ela a bicadas
[02:15:07] ela foi encontrada
[02:15:09] no dia seguinte
[02:15:11] toda estrupiada do pescoço
[02:15:13] para baixo, tudo, tudo
[02:15:15] ela não tinha um pedaço inteiro
[02:15:17] olha, gente trabalho de
[02:15:19] grupo, gostei
[02:15:21] a luta de classes defendeu o galinheiro
[02:15:23] você só precisa
[02:15:25] saber disso, você precisa
[02:15:27] saber que por mais que você seja
[02:15:29] um explorado e por mais que você esteja
[02:15:31] na base da cadeia alimentar
[02:15:33] do capitalismo, se todos
[02:15:35] nós estivermos juntos, nós podemos
[02:15:37] destruir essa raposa
[02:15:39] seu Thiago está cheio das mensagens subliminares
[02:15:41] só na
[02:15:43] doutrinação
[02:15:45] é sensacional isso aqui
[02:15:47] eu adorei a notícia
[02:15:49] bem interessante, gostei
[02:15:51] enfim amiguinhos, vocês pegaram
[02:15:53] o mote, pegaram a
[02:15:55] como é que se chama, a moral da fábula
[02:15:57] então agora
[02:15:59] acabou, tenho mulheres
[02:16:01] podcasters para falar
[02:16:03] então manda aí, porque eu pensei
[02:16:05] que nunca mais ia acabar isso aqui
[02:16:07] tá longo hoje, mas enfim, hoje
[02:16:09] hoje
[02:16:11] eu comentei no começo do
[02:16:13] episódio, que esse episódio em particular
[02:16:15] vai sair também sob a hashtag
[02:16:17] o podcast é delas 2019
[02:16:19] vocês já entenderam qual é a iniciativa, mas
[02:16:21] como sempre, como todos os nossos episódios
[02:16:23] visto que eu sou mulher
[02:16:25] sai como
[02:16:27] sob a hashtag mulheres podcasters
[02:16:29] que é uma ação de iniciativa do ponto G
[02:16:31] que se vocês nunca ouviram, ou vão
[02:16:33] elas mudaram um pouco o formato
[02:16:35] e está mais legal ainda agora
[02:16:37] é uma ação desenvolvida para divulgar o trabalho
[02:16:39] de mulheres na mídia, podcast
[02:16:41] para mostrar para todo mundo que sempre
[02:16:43] existiram mulheres na comunidade de podcast
[02:16:45] Brasil, tem um monte
[02:16:47] parem de convidar mulheres só em março
[02:16:49] não sejam cuzões
[02:16:51] e não escutem podcast de mulheres só em março
[02:16:53] não sejam cuzões, tem um monte de mulher
[02:16:55] fazendo coisa ótima, por isso
[02:16:57] nós apoiamos essa iniciativa
[02:16:59] para você apoiar também, se você
[02:17:01] se não, você é
[02:17:03] você é mais otimista, quando você compartilhar
[02:17:05] esse programa, compartilha com a hashtag
[02:17:07] mulheres podcasters, porque aí quem estiver
[02:17:09] procurando especificamente mulheres podcasters
[02:17:11] vai nos achar, e assim você
[02:17:13] ajuda a promover a igualdade de gênero
[02:17:15] dentro da podosfera
[02:17:17] mais alguma coisa?
[02:17:19] sei lá, três horas atrás
[02:17:21] nós já falamos sobre
[02:17:23] o podcast é delas
[02:17:25] então eu acho que a gente pode fechar por aqui
[02:17:27] então beleza, show
[02:17:29] beleza, nem nada aí do seu lado também?
[02:17:31] não, não que eu me lembre
[02:17:33] eu quero mandar um último salve
[02:17:35] vai
[02:17:37] eu quero mandar um salve para um
[02:17:39] cara que eu sempre
[02:17:41] admirei o trabalho dele na podosfera
[02:17:43] e nessa última quinzena
[02:17:45] ele apareceu nas
[02:17:47] DMs do meu twitter e mano
[02:17:49] o que está acontecendo?
[02:17:51] então um grande abraço para o Fabio Uehara
[02:17:53] ah sim
[02:17:55] ele é o host, ele
[02:17:57] basicamente comanda as picapes
[02:17:59] no
[02:18:01] no podcast da companhia das letras
[02:18:03] e
[02:18:05] isso não é porque nós estamos de parceria
[02:18:07] com a companhia das letras, eu sempre ouvia
[02:18:09] eu já indiquei o podcast
[02:18:11] deles na podcast friday
[02:18:13] várias vezes, se vocês seguem a gente no twitter
[02:18:15] vocês já devem ter visto, porque
[02:18:17] eu já indiquei uma porção de episódios
[02:18:19] e se não seguem a gente no twitter
[02:18:21] mais uma vez estão dando mole
[02:18:23] no último episódio
[02:18:25] que nós fizemos com o pessoal do
[02:18:27] TRE do Rio Grande do Sul, eu lembro
[02:18:29] de ter falado da iniciativa deles
[02:18:31] do companhia Indica, então era um
[02:18:33] era um flerte que já vinha de tempo
[02:18:35] sim senhor
[02:18:37] além disso ele também faz o Publish News
[02:18:39] que eu não sei porque
[02:18:41] ainda não voltou, eu sou uma viúva do Publish News
[02:18:43] calma, calma
[02:18:45] mas eu só quero
[02:18:47] deixar aqui o meu abraço
[02:18:49] e o meu respeito pelo trabalho que ele faz
[02:18:51] lá e muito obrigado
[02:18:53] ao Fábio por
[02:18:55] ser a nossa audiência
[02:18:57] isso aí, a gente fica tão feliz quando as pessoas vêm falar com a gente
[02:18:59] falem com a gente, por favor
[02:19:01] falem coisas boas, coisas ruins também
[02:19:03] deu problema no episódio não sei o que
[02:19:05] não gostei, achei o
[02:19:07] convidado esquisito, não gostei
[02:19:09] não concordei com aquela fala
[02:19:11] e achei essa dica meio merda, venham falar com a gente
[02:19:13] e venham falar coisas legais também que a gente fica bem
[02:19:15] feliz
[02:19:17] não se acanhem, falem com a Letícia
[02:19:19] eu tô meio incomunicável
[02:19:21] eu tô sem celular, tá tudo meio merda
[02:19:23] eu tô sem celular, eu tô sem carteira
[02:19:25] eu não tenho cartões de crédito
[02:19:27] pra comprar outro celular
[02:19:29] a minha vida está paralisada
[02:19:31] tadinha, então ajuda a gente por favor
[02:19:33] tá feia a coisa aqui
[02:19:35] beleza, chega, chega
[02:19:37] falou pessoal, até a próxima
[02:19:39] até a próxima, beijos
[02:19:45] tchau
[02:20:15] um dos garotos na marcha
[02:20:17] onde ele pegou aquele verso
[02:20:19] ele disse, não sei, ouvi de algum lugar
[02:20:21] não sei de onde veio
[02:20:23] venham todos vocês, homens negros
[02:20:25] com todo o seu excesso de gordura
[02:20:27] alguns dias na prisão do município
[02:20:31] nós vamos nos livrar disso
[02:20:33] mas não me diga agora
[02:20:35] que lado vocês estão em
[02:20:37] que lado vocês estão em
[02:20:39] eu quero saber agora
[02:20:41] que lado vocês estão em
[02:20:43] que lado vocês estão em
[02:20:45] que lado vocês estão em
[02:20:47] venham todos vocês
[02:20:49] lutadores de liberdade
[02:20:51] uma história que eu vou contar
[02:20:55] morando na prisão
[02:20:57] em uma caixa de prisão
[02:20:59] vocês melhor me digam agora
[02:21:01] que lado vocês estão em
[02:21:03] que lado vocês estão em
[02:21:05] eu quero ouvir vocês agora
[02:21:07] vocês melhor me digam agora
[02:21:09] que lado vocês estão em
[02:21:11] venham todos vocês
[02:21:13] homens negros
[02:21:15] presa o alvo do seu coração
[02:21:19] esqueça seus medos
[02:21:21] e coloquem um rosto
[02:21:23] para a vida de birthday
[02:21:25] e aí, me digam
[02:21:27] que lado vocês estão em
[02:21:29] que lado vocês estão em
[02:21:31] eu quero saber agora
[02:21:33] que lado vocês estão em
[02:21:35] que lado vocês estão em
[02:21:37] que lado vocês estão em
[02:21:41] me digam Wars
[02:21:43] A CIDADE NO BRASIL
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