Pistolando #021 - Direito à cidade


Resumo

O episódio explora o conceito de “direito à cidade”, cunhado por Henri Lefebvre e popularizado por David Harvey, discutindo como ele se manifesta na realidade brasileira. Os participantes abordam a ideia de que a cidade deve ser um espaço coletivo de transformação, onde todos possam usufruir e participar ativamente da construção do ambiente urbano.

A conversa destaca como a cidade muitas vezes é hostil a certos grupos, especialmente mulheres, pessoas de baixa renda e ciclistas. A arquiteta Alissa Volpini fala sobre como o planejamento urbano modernista, com fachadas cegas e espaços apenas de passagem, cria ambientes inseguros e exclui corpos diversos. Ela defende a necessidade de um urbanismo pensado por mulheres para criar cidades mais inclusivas.

A mobilidade urbana é outro tema central, com Werther trazendo exemplos como a Holanda, onde políticas públicas transformaram a cultura da bicicleta. Discute-se como o transporte público deficiente e a prioridade ao automóvel privam as pessoas do direito à cidade, especialmente quem mora nas periferias e gasta horas em deslocamentos.

Os participantes também abordam a ocupação dos espaços públicos, criticando iniciativas como os “parklets” em São Paulo que muitas vezes servem mais ao comércio do que à comunidade, e eventos como “festas de ocupação” que não dialogam com quem já habita esses espaços. A conversa enfatiza a necessidade de políticas públicas que priorizem o coletivo sobre o individual.

Por fim, discutem como pequenas intervenções – como a mulher que disponibilizou wi-fi na calçada para atrair pessoas e aumentar a segurança, ou a revitalização de espaços através de jogos como Pokémon Go – podem ressignificar o uso da cidade e criar ambientes mais seguros e democráticos.


Indicações

DocumentáRios

  • Memória em Branco — Documentário curto sobre Ghost Bikes – bicicletas pintadas de branco colocadas em locais onde ciclistas morreram, como forma de homenagem e protesto. Indicado por Werther.

Ferramentas

  • Unroll Me — Serviço online que ajuda a limpar a caixa de e-mail, identificando inscrições em newsletters e permitindo cancelá-las ou consolidá-las em um único e-mail diário. Indicado por Tiago.

Livros

  • O Quarto de Despejo — Livro de Carolina Maria de Jesus, mencionado por Alissa como uma leitura essencial sobre a vida na periferia e a luta pelo direito à cidade.
  • O Lugar de Fala — Livro de Djamila Ribeiro, indicado por Alissa como uma obra importante para entender as perspectivas marginalizadas na sociedade.

MúSica

  • Lost in a Mew e Night Like This — Músicas da cantora LP (Laura Pellizzari), indicadas por Letícia. Ela destaca a voz única e os arranjos bonitos da artista.

Podcasts

  • Beco da Bike #23 — Episódio do podcast Beco da Bike sobre “Cidades Amigas das Bikes”, discutindo o índice de Copenhagen e a experiência de ciclistas em diferentes cidades. Indicado por Werther.
  • SciCast #301 — Episódio do SciCast sobre a história das cidades, explorando como elas surgem, crescem e se desenvolvem. Indicado por Werther.

VíDeos

  • Precious Adams no Prix de Lausanne (2014) — Vídeo da bailarina negra Precious Adams em uma apresentação no prêmio Lausanne. Letícia recomenda pela graça e técnica impressionantes, destacando o port de bras (movimento dos braços e mãos).

Linha do Tempo

  • 00:05:00Introdução ao conceito de direito à cidade — Os participantes apresentam o tema do episódio e leem a definição de Henri Lefebvre e David Harvey sobre o direito à cidade como um direito coletivo de transformar a si mesmo ao transformar o espaço urbano. Discute-se como o conceito vai além do acesso individual aos recursos da cidade.
  • 00:13:00Tragédia dos comuns e o pensamento coletivo — A conversa aborda a “tragédia dos comuns” – quando ações individuais prejudicam o coletivo – aplicada ao ambiente urbano. Exemplos incluem o entulho em terrenos vazios e a perfuração indiscriminada de poços artesianos, que comprometem recursos compartilhados.
  • 00:23:00Desigualdade urbana e tempo de deslocamento — Discute-se como a segregação espacial nas grandes cidades brasileiras força pessoas das periferias a passarem horas no transporte público, roubando seu tempo e impedindo o usufruto da cidade. A “miséria urbana” de Lefebvre é mencionada, destacando que o direito à cidade tornou-se um privilégio.
  • 00:30:00Biofilia e a necessidade de contato com a natureza — Tiago introduz o conceito de biofilia – a necessidade humana inata de contato com a natureza – e como espaços verdes na cidade são essenciais para a saúde mental. Letícia compartilha experiências de como praças e parques são usados como espaços de descanso e renovação após longos dias de trabalho.
  • 00:36:00O direito à cidade como privilégio versus necessidade básica — Tiago levanta um contraponto crucial: enquanto se discute praças e ciclovias, muitas pessoas ainda lutam pelo direito básico à moradia. Questiona-se como aplicar o conceito de Lefebvre, criado na França dos anos 1960, em um contexto brasileiro de desigualdade extrema, onde necessidades mais fundamentais não são atendidas.
  • 00:46:00Exemplo da Holanda: políticas públicas para ciclistas — Werther conta como a Holanda se tornou um país de ciclistas. A mudança não foi espontânea: veio após uma crise de mortes no trânsito e do petróleo, com políticas públicas que priorizaram a bicicleta (multas, infraestrutura, educação) e criaram uma cultura de respeito. O resultado é um trânsito mais humano e seguro, especialmente para mulheres.
  • 00:58:00Crítica às ciclovias mal planejadas no Brasil — Os participantes criticam a implementação superficial de ciclovias no Brasil, que muitas vezes não se conectam, não têm sombra ou segurança. Werther e Alissa dão exemplos de Brasília e Joinville, onde ciclovias isoladas não resolvem o problema e os ciclistas ainda são hostilizados no trânsito.
  • 01:08:00Transporte público e a necessidade de planejamento integrado — Alissa explica que o urbanismo é multidisciplinar e que melhorar o transporte público exige mais do que infraestrutura: envolve engenharia de tráfego, sociologia e políticas públicas. Discute-se o caso de Curitiba, outrora modelo, que hoje sofre ataques e perde eficiência, e a importância de priorizar o coletivo sobre o automóvel individual.
  • 01:20:00Ocupações problemáticas e a apropriação do espaço — Alissa relata uma experiência negativa em São Paulo, onde uma “ocupação” do centro com festas de coletivos ignorou as pessoas que já habitavam o local à noite, perturbando seu sono e segurança. Tiago critica os “Stantich” no Sul, eventos caros que alugam espaços públicos para festas de elite, sem benefício social.
  • 01:35:00A cidade hostil às mulheres e o urbanismo feminista — Alissa detalha como as cidades modernistas, com fachadas cegas e espaços apenas de passagem, são hostis às mulheres. Ela explica que a segurança não é só iluminação, mas criar “olhares” sobre a rua, fachadas ativas e espaços de permanência. Mulheres no urbanismo são essenciais para projetar cidades onde todos se sintam seguros.
  • 01:50:00Parklets: solução urbana ou greenwashing? — Discute-se os “parklets” de São Paulo – extensões da calçada em vagas de carro. Werther critica que a maioria é privada e serve a estabelecimentos comerciais (como filas de espera para bares), caracterizando um “greenwashing” que usa discurso de ocupação para benefício privado, em vez de criar espaços públicos genuínos.

Dados do Episódio

  • Podcast: Pistolando Podcast
  • Autor: Leticia Dáquer e Thiago Corrêa
  • Categoria: News Politics News News Commentary
  • Publicado: 2019-04-10T22:54:00Z
  • Duração: 02:11:41

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Sejam bem-vindos, pistoleiros e pistoleiras, eu estou passando aqui rapidinho, antes de começar esse episódio, para um pequeno disclaimer.

[00:00:09] Primeiro, mil desculpas com relação ao nosso atraso, a culpa é total e completamente minha, porque eu estou de férias do trabalho,

[00:00:19] viajando para fazer alguns projetos futuros, que em breve vocês terão mais detalhes, e rolou mil desorganizações com relação a viagens e tal,

[00:00:32] então estamos atrasados, para justificar esse atraso, nós temos um episódio enorme, mas como o episódio em si já é enorme,

[00:00:42] e nós tivemos problemas de calendário entre eu e Letícia para fazermos o quadro final do Bom, o Mal e o Feio,

[00:00:49] dessa vez vocês vão ficar sem o Bom, o Mal e o Feio, mas o episódio está tão grande, que eu aposto que vocês vão passar batido,

[00:01:00] nem vão sentir falta, eu vou ter que avisar lá no final do episódio novo, que não vai ter quadro, mas fiquem à vontade,

[00:01:06] fiquem com o episódio, e qualquer coisa, um pequeno lembrete, se você está ouvindo isso na data da publicação,

[00:01:14] ou na semana da publicação, neste final de semana, o segundo final de semana de abril,

[00:01:19] de 2019, nós estaremos, tanto eu quanto a Letícia, no UiPod, em Belo Horizonte, ele vai ser realizado na UFMG,

[00:01:30] próximo da Praça da Liberdade, se vocês estiverem em Belo Horizonte, ou adjacências, venha conhecer a turma toda lá,

[00:01:39] vai ter muito podcaster lá, vai ter uma galera muito boa, e eu aposto que a gente faz algum barulho lá, e toma uma cerveja juntos.

[00:01:48] No marco…

[00:01:49] Mas, se vocês quiserem falar conosco, no pistolando.com, no nosso site, você tem acesso a todos os links da pauta,

[00:01:57] essa pauta está bem recheada, e você pode interagir conosco, mas, na real, é com a Letícia,

[00:02:04] tanto no Instagram, com o pistolando pod, e no Twitter também, como pistolando pod.

[00:02:11] Fique à vontade agora, e eu espero que vocês curtam esse episódio.

[00:02:19] Tchau, tchau.

[00:02:49] Sejam muito bem-vindos, pistoleiros e pistoleiras, eu sou o Tiago Corrêa.

[00:03:10] E eu sou a Letícia Dacke.

[00:03:12] E esse é o Pistolando número 21, é isso mesmo?

[00:03:17] É 21.

[00:03:18] Eu tô louco.

[00:03:19] Não, eu tive que confirmar, não, não, eu tive que confirmar, mas é isso mesmo.

[00:03:22] Ah, então beleza, então eu não tô louco.

[00:03:24] E pro número 21, nós temos aqui, eu vou tentar ser direto e reto,

[00:03:30] todo mundo fica falando que o nosso podcast já é cumprido, então eu vou tentar ser direto e reto.

[00:03:35] Eu vou deixar que os nossos convidados de hoje se apresentem, depois a gente toca no tema.

[00:03:40] Seja muito bem-vinda, dona Alissa Volpini.

[00:03:44] Olá, gente, tudo bom?

[00:03:46] Olá, eu sou integrante do coletivo Arquetas Inventárias,

[00:03:49] visíveis, né, eu tô representando o coletivo,

[00:03:51] que é um coletivo feminista que busca a igualdade de gênero no âmbito da cultura, urbanismo e áreas afins.

[00:03:58] E é isso, hoje eu tô com vocês aqui.

[00:04:01] Ah, perfeito, vocês já devem estar imaginando, vocês não precisam imaginar nada, tá no título do episódio.

[00:04:06] Mas o nosso episódio precisava ter uma arquiteta junto.

[00:04:10] Mas não temos só ela, também temos aqui um cara que já dá pra considerar como da velha guarda da podosfera, né?

[00:04:17] Então, eu…

[00:04:19] Caramba, obrigado, hein?

[00:04:20] Chamou de velho, na…

[00:04:22] Não, eu estou chamando de um clássico.

[00:04:25] Não, para com isso, eu comecei ontem, cara.

[00:04:27] É vintage.

[00:04:28] Tudo bem, gente?

[00:04:29] Seja bem-vindo, Werther, por favor.

[00:04:31] Pô, beleza, cara, tudo bem com vocês? Letícia, Thiago, Alissa, boa noite.

[00:04:35] Boa noite.

[00:04:36] Muito obrigado, muito obrigado por me convidarem aí pra gravar esse episódio.

[00:04:40] Adoro o programa de vocês e falar sobre o direito à cidade, ocupar a cidade, mobilidade.

[00:04:47] E, assim…

[00:04:47] Vamos ocupar o que é nosso, o que é nosso por direito.

[00:04:50] Com certeza.

[00:04:51] Então, obrigado aí pelo convite.

[00:04:53] Porra, né?

[00:04:55] Pra nós é um motivo de orgulho, motivo de satisfação aqui ter uma…

[00:05:00] Não só uma audiência qualificada como a sua, mas também agora uma participação qualificada como a sua aqui,

[00:05:07] que pode representar muito bem a sua categoria pra falar de direito à cidade.

[00:05:11] Vamos embora, vamos tentar.

[00:05:13] Bem, a gente já falou sobre o que é o episódio, né?

[00:05:15] O direito à cidade.

[00:05:16] É…

[00:05:17] Muita gente tem falado sobre, muita gente tem reivindicado praticamente a…

[00:05:22] Não a autoria, mas a propriedade pra falar sobre o direito à cidade,

[00:05:29] que já é um conceito que tem os seus 50 anos completados recentemente, em 2018,

[00:05:36] mas pouca gente sabe exatamente o que é o direito à cidade, como uma forma ampla e conceitual.

[00:05:43] Quem é que se arrisca a conceituar?

[00:05:47] E o que é ele pra nós aí?

[00:05:49] Eita…

[00:05:49] Eu não me arrisco não.

[00:05:51] Eu só quero usar a cidade, eu não quero definir ela não.

[00:05:54] Na lata assim, não dá nem…

[00:05:56] Ah, cara, é que quando a gente se enrola é porque a gente se enrola.

[00:06:00] Agora eu tô tentando ser direto, vocês não tão me ajudando.

[00:06:04] Olha, eu…

[00:06:05] Quando eu falei, eu falei, comentei com um amigo meu hoje, muito querido, que a gente ia gravar sobre o direito à cidade,

[00:06:11] e ele falou, o quê?

[00:06:12] Eu falei, exatamente, você vai ter que ouvir pra saber o que é.

[00:06:15] Então, os senhores façam, por favor.

[00:06:17] De explicar.

[00:06:18] Eu coloquei na descrição breve aqui do episódio, o conceito do Lefebvre, que foi quem criou esse termo, né?

[00:06:27] Esse conceito que ele criou em 68, escrevendo o que isso significa.

[00:06:32] Mas é aquela linguagem meio antiquada, né?

[00:06:35] Que dá uma ideia, mas que dá tema pra gente destrinchar bastante, assim.

[00:06:40] Posso ler?

[00:06:42] Pode, pode.

[00:06:43] Então, vou lá.

[00:06:44] Manda ver.

[00:06:45] O direito à cidade é muito mais…

[00:06:47] Mais que a liberdade individual para acessar os recursos urbanos.

[00:06:50] É o direito de mudar a si mesmos por mudar a cidade.

[00:06:54] É, sobretudo, um direito coletivo, ao invés de individual.

[00:06:57] Pois esta transformação, inevitavelmente, depende do exercício de um poder coletivo

[00:07:02] para dar nova forma ao processo de urbanização.

[00:07:05] O direito a fazer e refazer nossas cidades e nós mesmos é, como eu quero argumentar,

[00:07:10] um dos mais preciosos e, ainda assim, mais negligenciados de nossos direitos humanos.

[00:07:17] Isso também é o David Harvey, né?

[00:07:19] É, eu puxei da Wikipedia e era um falando em cima da fala do outro, né?

[00:07:24] Do outro, é, porque eles caminham bastante juntos.

[00:07:26] Então, Alissa, já que você começou a falar, você deu mal.

[00:07:28] Não, eu só dei um.

[00:07:31] Só que sabe aquele, aquela pitadinha, né?

[00:07:34] Eu dei uma pitadinha.

[00:07:35] Porque o Harvey, ele fala muito direito a cidade, né?

[00:07:38] Só que, já que eu comecei a falar, né, dei o meu pitaco,

[00:07:42] eu tô tendo a oportunidade, nesse momento da minha vida,

[00:07:45] de fazer uma matéria que chama…

[00:07:47] A Ateliê 5 é como se fosse o último projeto do curso de arquitetura

[00:07:50] com uma teórica muito maravilhosa que chama Paola Berestein,

[00:07:56] que ela fala muito sobre o uso do corpo na cidade, né?

[00:07:59] Sobre, ela faz um estudo bem sobre a corporeidade no espaço urbano.

[00:08:04] Que é muito isso, de como que a gente usa a cidade,

[00:08:06] como a gente ocupa a cidade, como nossos corpos, né,

[00:08:09] estão nesse lugar e como, e qual é o diferencial disso?

[00:08:13] Porque cada corpo ocupa de um jeito a cidade.

[00:08:14] E existem os segmentos.

[00:08:17] Existem cortes, existem as diversas formas, né?

[00:08:20] Um corpo de mulher ocupa diferente de um corpo de homem,

[00:08:23] que vai ocupar diferente de um corpo negro.

[00:08:25] E tem sido muito incrível.

[00:08:26] Hoje eu acabei de chegar nessa deriva urbana,

[00:08:29] que é basicamente a matéria sobre isso,

[00:08:30] sobre caminhar na cidade, sobre viver a cidade,

[00:08:33] que o… muito sobre o… como que chama?

[00:08:36] Gente, eu esqueci o nome.

[00:08:37] Que é aquele do Flaner?

[00:08:39] Ou da teoria da deriva?

[00:08:41] Exato.

[00:08:42] Exatamente, essa teoria.

[00:08:44] Que é o Flaner, é o caminhar na deriva pela cidade.

[00:08:47] Que eu acho que é um dos maiores instrumentos

[00:08:48] para você vivenciar o direito da cidade.

[00:08:51] Não, é porque você fez uma fala bastante interessante,

[00:08:53] que o corpo do homem é diferente do corpo da mulher.

[00:08:56] Você falou de pessoas, mas a cidade…

[00:09:00] Bom, enfim, isso está bem intrínseco à questão do coletivo, né?

[00:09:05] Sobre o indivíduo, mas todos os indivíduos juntos, né?

[00:09:11] Montando e refazendo o teu ambiente.

[00:09:13] No caso aqui, o ambiente urbano.

[00:09:16] E, assim…

[00:09:17] A cidade não são só as pessoas, né?

[00:09:19] Mas são…

[00:09:20] Do que ela se constrói também, né?

[00:09:22] Como que a gente percebe isso.

[00:09:25] Isso é bastante interessante e tal.

[00:09:28] Teve uma outra coisa legal nessa definição,

[00:09:31] que a Letícia leu aí no começo, né?

[00:09:33] Que fala que o direito de fazer e refazer as nossas cidades.

[00:09:37] Porque a cidade está aí como um ecossistema dinâmico.

[00:09:41] Pelo menos era para ser, né?

[00:09:42] Que se inventa e reinventa à medida que a gente percebe,

[00:09:46] identifica as situações que precisam ser mudadas,

[00:09:49] precisam ser melhoradas, né?

[00:09:51] Progredindo na medida do possível, né?

[00:09:54] Sempre de uma maneira dinâmica e pensando no futuro,

[00:09:58] pensando no amanhã.

[00:10:01] Sim.

[00:10:01] O que é o famoso cidade para todos, né?

[00:10:05] O que é?

[00:10:05] Sim, sim.

[00:10:06] Uma coisa que me chama bastante a atenção,

[00:10:09] na fala de vocês dois e também nas falas,

[00:10:13] tanto do próprio Lefebvre,

[00:10:15] como do David Harvey,

[00:10:20] é uma questão de você colocar ela como um direito já é estranho.

[00:10:26] Porque quando nós temos essa ideia intrínseca já

[00:10:30] de que o direito é um direito individual,

[00:10:33] é o direito à vida, então é a minha vida.

[00:10:35] O direito à propriedade, da minha propriedade,

[00:10:38] do que é de minha posse.

[00:10:40] O direito à educação, da minha educação.

[00:10:44] Sim.

[00:10:45] E o Lefebvre, de certa forma,

[00:10:49] ele subverte isso para um direito coletivo.

[00:10:52] E quando você fala de um direito coletivo da cidade,

[00:10:57] e a cidade é esse ser intangível,

[00:11:01] em que às vezes é difícil definir o que é uma cidade,

[00:11:04] o que não é,

[00:11:05] provavelmente nós vamos falar disso ainda mais hoje,

[00:11:09] mas você começa a subverter essa ideia do direito,

[00:11:14] como ele é,

[00:11:15] como ele é concebido para fora e não para dentro.

[00:11:19] No começo da tua fala, você disse do direito individual,

[00:11:22] eu penso em mim e tal,

[00:11:24] e me lembrou de um conceito muito interessante lá na ecologia

[00:11:28] que a gente estuda, que é a tragédia dos comuns.

[00:11:31] A gente aplica muito em ecologia,

[00:11:33] ecologia de ecossistemas, ecologia de comunidades,

[00:11:35] também na parte de sociologia e filosofia,

[00:11:38] também esse conceito é abordado.

[00:11:41] Mas basicamente é aquilo,

[00:11:42] se a gente pensa só no nosso umbigo,

[00:11:43] e a gente acha, a gente faz aquilo,

[00:11:45] a gente acha que é certo,

[00:11:48] e as nossas, como é que eu vou dizer,

[00:11:52] se a gente pensa só das nossas necessidades momentâneas,

[00:11:55] e a gente achar, vou fazer aqui só um pouquinho,

[00:11:58] não vai atrapalhar nada, não vou atrapalhar o meu vizinho,

[00:12:02] mas se a gente pensa só no nosso,

[00:12:04] e se cada um pensar só no seu,

[00:12:06] você vai resolver momentaneamente o teu problema,

[00:12:10] mas aí coletivamente,

[00:12:11] a gente pode estar caminhando para um grande buraco,

[00:12:14] achar que,

[00:12:15] eu vou fazer aqui, vou prejudicar,

[00:12:17] mas vou prejudicar só um pouquinho.

[00:12:19] Isso aí acaba refletindo no que a gente chama de tragédia dos comuns,

[00:12:24] que infelizmente vem acontecendo cada vez mais.

[00:12:27] É porque no começo da tua fala,

[00:12:28] você falou aí do indivíduo dentro da cidade,

[00:12:31] e a cidade não são os indivíduos,

[00:12:33] a gente não pode pensar somente nas pessoas,

[00:12:35] tem que pensar no coletivo.

[00:12:37] Isso fica bastante discrepante quando a gente pensa em pequena escala,

[00:12:40] quando aquele cara,

[00:12:41] eu só tenho um sofá aqui,

[00:12:44] e eu vou colocar naquele terreno que ninguém está usando,

[00:12:47] e quando todo mundo começa a ter essa mesma ideia,

[00:12:51] você tem um terreno entulhado,

[00:12:54] que está criando animais peçonhentos,

[00:12:57] que vai para a casa de todo mundo depois.

[00:12:59] É, e isso se aplica em muitas coisas, né?

[00:13:01] Eu tenho um condomínio aqui,

[00:13:02] eu quero economizar água,

[00:13:03] então eu vou forar um poço artesiano aqui.

[00:13:06] E aí eu vou resolver o problema do meu condomínio,

[00:13:08] porque a conta de água vai diminuir.

[00:13:10] Mas aí você pega na rua toda,

[00:13:11] todo mundo com um poço artesiano,

[00:13:12] você compromete ali,

[00:13:14] aquele suprimento de água local, né?

[00:13:16] E também é um exemplo de tragédia dos comuns

[00:13:18] aplicado aí no ambiente urbano.

[00:13:21] Então assim, a gente pode aplicar esse conceito

[00:13:22] para várias situações,

[00:13:24] e infelizmente isso acontece, né?

[00:13:26] Porque o ser humano é egoísta, né?

[00:13:28] A gente não consegue pensar muito além do nosso umbigo.

[00:13:44] Mas, gente, assim,

[00:14:06] a gente está falando disso,

[00:14:07] a pessoa tem que pensar também nos outros,

[00:14:09] mas pensando principalmente em uma cidade maior,

[00:14:12] é possível fazer,

[00:14:13] algum tipo de intervenção,

[00:14:15] que a gente sabe que são inevitáveis,

[00:14:17] como ele próprio, né, falou,

[00:14:19] a transformação,

[00:14:21] porque as necessidades mudam,

[00:14:23] o número de pessoas muda,

[00:14:25] a vida inteira muda, novos materiais são descobertos,

[00:14:27] novas técnicas, então as coisas estão

[00:14:29] em constante transformação.

[00:14:31] É possível fazer algum tipo de intervenção

[00:14:33] que não incomode ninguém?

[00:14:35] Pô, Letícia, isso aqui não incomode ninguém,

[00:14:37] assim, pessoalmente falando,

[00:14:39] não acredito, não.

[00:14:41] Mas, a gente tem que pensar, né,

[00:14:43] sei lá, eu acho que impactando,

[00:14:45] tentando favorecer,

[00:14:47] não favorecer, né, mas melhorar

[00:14:49] o máximo possível, sim, mas,

[00:14:51] porque todo mundo se beneficia,

[00:14:53] eu acho muito complicado, porque,

[00:14:55] só xismo mesmo, tá? Porque é impossível agradar a todos.

[00:14:57] É, não tem como agradar gregos e

[00:14:59] troianos, né, é acreditado.

[00:15:01] É, mas eu não digo nem de beneficiar

[00:15:03] muita gente,

[00:15:05] eu digo de não incomodar ninguém mesmo,

[00:15:07] é isso que eu estou falando.

[00:15:09] Uma cidade para todos?

[00:15:11] É, você tem que fazer uma intervenção,

[00:15:13] pontual, que é para melhorar a vida

[00:15:15] de muita gente, mas vai cagar a vida de

[00:15:17] algumas pessoas. É possível fazer

[00:15:19] algum tipo de intervenção que não cague na vida

[00:15:21] de ninguém? Olha,

[00:15:23] assim, eu tenho acompanhado o trabalho

[00:15:25] de umas meninas muito

[00:15:27] incríveis lá no Brasil, que é uma coletiva

[00:15:29] UMOB, elas também surgiram dentro da

[00:15:31] UNB, e elas

[00:15:33] criam várias iniciativas

[00:15:35] de urbanismo colaborativo.

[00:15:37] E são isso, são intervenções na cidade

[00:15:39] que busca criar

[00:15:41] espaços

[00:15:43] inclusivos,

[00:15:45] pensando o urbanismo inclusivo, pensando

[00:15:47] o urbanismo bom para todos,

[00:15:49] que todos sejam beneficiados,

[00:15:51] e olha, elas têm tido resultados bem legais.

[00:15:53] Elas fazem intervenções no setor

[00:15:55] comercial sul, por exemplo,

[00:15:57] para criar lugares de permanência,

[00:15:59] para melhorar a questão dos fluxos

[00:16:01] dos carros, se apropriando

[00:16:03] de alguns estacionamentos, porque é isso,

[00:16:05] a gente acaba que em Brasília, pelo menos,

[00:16:07] a gente vive uma realidade muito em que

[00:16:09] a cidade é voltada para o carro.

[00:16:11] Então o pedestre sempre fica em segundo

[00:16:13] plano, o pedestre,

[00:16:15] o ciclista, e elas fazem intervenções

[00:16:17] nesse cunho,

[00:16:19] de trazer uma cidade mais inclusiva para todos,

[00:16:21] para que todos sejam beneficiados,

[00:16:23] porque é isso, eu acho que existem possibilidades

[00:16:25] sim, intervenções sim,

[00:16:27] de tornar uma cidade que abraça todos.

[00:16:29] Claro que a pessoa que

[00:16:31] gosta de andar de carro, e gosta

[00:16:33] de só se locomover de carro, e quer ter

[00:16:35] o estacionamento dela, ela vai ser prejudicada.

[00:16:37] Mas é isso, é uma conscientização coletiva

[00:16:39] de repensar a cidade, que ela não

[00:16:41] é feita para o carro.

[00:16:43] Então, aí

[00:16:45] vem várias questões, vem políticas públicas,

[00:16:47] vem conscientização, campanhas,

[00:16:49] mas eu acho que existem sim

[00:16:51] várias formas de tornar

[00:16:53] uma cidade boa para todos.

[00:16:55] É, eu acho, esse é um

[00:16:57] conceito difícil de você fazer as pessoas

[00:16:59] entenderem, porque

[00:17:01] mesmo que ela tenha um benefício

[00:17:03] indireto

[00:17:05] visível, tipo

[00:17:07] o trânsito melhorou para todo mundo,

[00:17:09] porque abriu, sei lá,

[00:17:11] a pessoa está usando mais bicicleta,

[00:17:13] os ônibus melhoraram, a pessoa está usando mais

[00:17:15] transporte público, então o trânsito melhorou

[00:17:17] para ela também. Mas se isso

[00:17:19] comporta que ela

[00:17:21] tenha menos vaga para estacionar, porque

[00:17:23] precisavam abrir uma canaleta para o ônibus,

[00:17:25] ela vai ficar puta, talvez ela não enxergue

[00:17:27] aquilo como um benefício, né?

[00:17:29] Eu já tive conversas muito bizarras

[00:17:31] com, sempre que os amigos

[00:17:33] médicos, gente, me desculpem, mas olha, é difícil

[00:17:35] defender vocês.

[00:17:37] É coisa desse tipo, sabe?

[00:17:39] A pessoa não está disposta a ceder

[00:17:41] absolutamente nada,

[00:17:43] mesmo a gente esfregando na cara,

[00:17:45] cara, isso vai ser bom para você,

[00:17:47] esse benefício vai respingar em você,

[00:17:49] mesmo que de uma maneira indireta,

[00:17:51] e indireta eu digo, o cara

[00:17:53] que vai fazer, consertar um negócio

[00:17:55] na tua casa, ele vai chegar no horário que ele marcou contigo,

[00:17:57] porque ele não vai ficar preso no trânsito,

[00:17:59] sabe? É uma coisa

[00:18:01] positiva que de alguma forma vai

[00:18:03] chegar em você, mas a pessoa não

[00:18:05] quer ceder, ela quer

[00:18:07] dirigir, ela quer estacionar

[00:18:09] na porta do lugar onde ela vai,

[00:18:11] não quer andar cinco passos

[00:18:13] entre a porta do carro e a porta do prédio,

[00:18:15] então eu acho que

[00:18:17] eu vejo assim, do meu

[00:18:19] conceito de

[00:18:21] usufruir da cidade

[00:18:23] que eu tenho hoje em dia, que mudou muito ao longo dos anos,

[00:18:25] o que eu vejo nas pessoas ainda

[00:18:27] é, principalmente no Brasil, que tem uma cultura

[00:18:29] muito carrocrata,

[00:18:31] e muito individualista, é que

[00:18:33] realmente, mesmo que seja uma coisa

[00:18:35] legal para todo mundo, que até chegue em mim,

[00:18:37] eu prefiro não ceder,

[00:18:39] mesmo que tudo ao meu redor

[00:18:41] esteja num mar de merda, mas se eu

[00:18:43] tiver no meu carrão o ar-condicionado estacionado

[00:18:45] na porta do meu prédio, para mim

[00:18:47] isso é melhor, e eu

[00:18:49] não consigo entender isso mais,

[00:18:51] sabe? Eu sempre gostei

[00:18:53] de dirigir, mas nunca fui

[00:18:55] 1000% dependente

[00:18:57] de carro, eu sempre andei de ônibus também,

[00:18:59] e nunca valorizei

[00:19:01] carro como um símbolo de status,

[00:19:03] essas coisas que o brasileiro gosta de fazer,

[00:19:05] e continuo, e vou entendendo

[00:19:07] cada vez menos assim, que as pessoas

[00:19:09] até hoje têm essa preocupação

[00:19:11] enorme na vida delas, e não estão

[00:19:13] dispostas a ceder um centelésimo,

[00:19:15] eu realmente

[00:19:17] não consigo entender. Haja campanha

[00:19:19] de conscientização, eu acho que deve ter muita

[00:19:21] resistência, assim. É, para abrir

[00:19:23] ciclovia, o comerciante vai reclamar

[00:19:25] que tirou vaga de estacionamento da frente

[00:19:27] do comércio dele, então

[00:19:29] que vai diminuir, não importa que não vai ter

[00:19:31] carro, então a vitrine dele vai ficar mais

[00:19:33] exposta para via, mas reclama porque

[00:19:35] vai tirar carro,

[00:19:37] e tem um outro paradoxo muito louco,

[00:19:39] porque uma bicicleta

[00:19:41] ou um pedestre na calçada,

[00:19:43] um ciclista na ciclovia, é menos um carro,

[00:19:45] na rua, então vai

[00:19:47] de pouquinho em pouquinho

[00:19:49] vai melhorar o fluxo,

[00:19:51] pelo menos a gente espera que melhore o fluxo,

[00:19:53] porque você vai ter menos carro,

[00:19:55] só que o cara vê

[00:19:57] o ciclista e quer passar por cima,

[00:19:59] quer ter raiva, porque o ciclista está passando

[00:20:01] na frente dele, sabe, então é uma coisa que

[00:20:03] eu não entendo a mentalidade

[00:20:05] desse tipo de gente,

[00:20:07] porque para mim é matemática,

[00:20:09] se tem um cara andando de bicicleta ali

[00:20:11] ou se tem um ônibus andando aqui do lado

[00:20:13] cheio, é menos

[00:20:15] carro na rua, então a pessoa deveria

[00:20:17] aplaudir esse tipo de iniciativa,

[00:20:19] mas como você falou, não quer abrir mão de

[00:20:21] andar meia quadra ou uma quadra

[00:20:23] para parar o carrão dele,

[00:20:25] foda isso.

[00:20:29] Não, eu ouvi também,

[00:20:31] mas eu estava dizendo que

[00:20:33] eu acho que assim,

[00:20:35] no caso específico, como você deu no exemplo

[00:20:37] de um comerciante, eu acho que é mais

[00:20:39] comum ele ter um trânsito de pessoas

[00:20:41] de pedestres na frente da loja dele,

[00:20:43] que são pessoas que vão ter tempo de parar,

[00:20:45] de notar que ali tem uma loja,

[00:20:47] de ver que ali tem uma vitrine,

[00:20:49] você está passando, pô legal,

[00:20:51] vou entrar para ver qual é, uma coisa que

[00:20:53] com o carro você não tem.

[00:20:55] Pois é, ainda mais hoje,

[00:20:57] o comércio está indo para shopping,

[00:20:59] comércio de rua em alguns locais, pelo menos

[00:21:01] a minha cidade aqui, uma cidade pequena,

[00:21:03] 400 mil habitantes comparado com os grandes centros,

[00:21:05] comércio de rua não tem muito mais,

[00:21:07] então assim, o comerciante

[00:21:09] tem que valorizar quem passa pela calçada,

[00:21:11] então,

[00:21:13] porque eles estão perdendo o comércio para o shopping,

[00:21:15] nos shoppings a galera anda,

[00:21:17] anda o tempo todo, o tempo todo,

[00:21:19] tem que trazer essa galera para andar na rua,

[00:21:21] e para andar na rua, vamos botar a bicicleta

[00:21:23] na ciclovia na frente,

[00:21:25] vamos colocar a calçada,

[00:21:27] porque o carro passa, a velocidade do carro

[00:21:29] é passa, nem repara na vitrine,

[00:21:31] a pessoa que anda mais calma,

[00:21:33] pedalando ou andando,

[00:21:35] ou de patinete que for, ele fica mais tempo

[00:21:37] usando a via, e aí pode

[00:21:39] reparar mais, sei lá,

[00:21:41] não sei se estou sonhando muito,

[00:21:43] mas é isso que eu acho.

[00:21:45] Sim, eu até

[00:21:47] concordo, mas ainda nesse quesito

[00:21:49] nós temos um agravante, que é

[00:21:51] um único recurso

[00:21:53] finito, talvez

[00:21:55] que a gente tem que levar em consideração

[00:21:57] muito aqui, que é o tempo,

[00:21:59] as pessoas tem tempo limitado,

[00:22:01] todo mundo tem tempo limitado, então

[00:22:03] muito desse não poder

[00:22:05] parar numa calçada para

[00:22:07] avaliar corretamente uma vitrine,

[00:22:09] tem a ver com os nossos tempos

[00:22:11] de deslocamento, tem gente

[00:22:13] que pega 3 horas,

[00:22:15] 4 horas de transporte

[00:22:17] público para fazer o deslocamento

[00:22:19] casa-trabalho, o que por

[00:22:21] si só, o próprio

[00:22:23] Lefebvre já colocava

[00:22:25] como uma miséria urbana,

[00:22:27] que não é a miséria do pessoal

[00:22:29] que tem

[00:22:31] uma precariedade de moradia,

[00:22:33] ou que não tem

[00:22:35] um emprego, uma renda,

[00:22:37] mas é a miséria de que basicamente

[00:22:39] ele dispende o tempo dele

[00:22:41] em trajetos, então ele não

[00:22:43] consegue usufruir devidamente

[00:22:45] da cidade para poder

[00:22:47] fazer uma caminhada por esses

[00:22:49] locais comerciais, para poder

[00:22:51] visitar um

[00:22:53] espaço cultural, para poder

[00:22:55] usufruir de uma praça

[00:22:57] pública, alguma coisa nesse

[00:22:59] sentido, então eu até vou

[00:23:01] aproveitar e levantar essa bola para

[00:23:03] saber da Alissa

[00:23:05] como que é na academia

[00:23:07] para quem

[00:23:09] faz planejamento

[00:23:11] urbano, planejamento

[00:23:13] arquitetônico

[00:23:15] de uma determinada área

[00:23:17] pensar esse tipo de

[00:23:19] coisa, como é a abordagem disso?

[00:23:21] Então, enquanto você estava falando

[00:23:23] eu estava pensando muito que a

[00:23:25] segregação e a desigualdade, elas

[00:23:27] são meio que marcas muito

[00:23:29] presentes nos traçados urbanos das grandes

[00:23:31] cidades brasileiras que a gente vive

[00:23:33] tipo, todas as cidades

[00:23:35] elas são meio que

[00:23:37] fundamentadas em uma grande

[00:23:39] segregação de pessoas que moram

[00:23:41] que aí surgem até a questão das favelas

[00:23:43] para você criar centros urbanos

[00:23:45] magníficos, grandes, para uma elite

[00:23:47] surgem assim as grandes cidades

[00:23:49] então isso tudo se dá

[00:23:51] uma, por exemplo

[00:23:53] você estava falando que pessoas passam horas e horas

[00:23:55] no transporte público

[00:23:57] para acessar determinados lugares da cidade

[00:23:59] essas pessoas provavelmente elas moram

[00:24:01] no entorno, elas moram

[00:24:03] nas periferias, então

[00:24:05] e aí

[00:24:07] entra a grande questão

[00:24:09] da desigualdade é para quem?

[00:24:11] é para quem vai lá do entorno e vem trabalhar

[00:24:13] no plano, plano que eu digo

[00:24:15] é um vício de linguagem de Brasília

[00:24:17] mas é ali naquele centro

[00:24:19] então

[00:24:21] a gente trata isso dentro do urbanismo

[00:24:23] analisando mesmo a questão da periferia

[00:24:25] porque por muito

[00:24:27] tempo Brasília, eu vou te dar um exemplo de Brasília

[00:24:29] que é o lugar que eu mais vivi na minha vida

[00:24:31] que os grandes

[00:24:33] acampamentos que foram

[00:24:35] que foram utilizados

[00:24:37] para construir Brasília

[00:24:39] viraram cidades

[00:24:41] e elas eram cidades anteriores até que é Taguatinga

[00:24:43] Ceilândia

[00:24:45] e elas viraram cidades auto-suficientes

[00:24:47] que por muito tempo elas eram vistas como cidades de dormitório

[00:24:49] as pessoas passavam

[00:24:51] horas e horas para chegar no plano piloto

[00:24:53] para trabalharem lá e voltarem para suas cidades

[00:24:55] certo?

[00:24:57] só que hoje elas criaram uma autonomia

[00:24:59] então

[00:25:01] eu não sei porque eu acho que estava com tanta coisa na cabeça enquanto você

[00:25:03] falava

[00:25:05] é que eu penso muito essa questão

[00:25:07] da desigualdade que ela é marcada

[00:25:09] e outra coisa

[00:25:11] trazendo um pequeno recorte de gênero

[00:25:13] para isso, as cidades elas são

[00:25:15] na sua supremacia

[00:25:17] feita por homens, de homens para homens

[00:25:19] então as cidades

[00:25:21] elas não são

[00:25:23] elas não recebem o corpo da mulher

[00:25:25] por mais que a mulher use muito mais

[00:25:27] o espaço urbano que o homem até

[00:25:29] porque as vezes o trajeto do homem na cidade

[00:25:31] é sei lá, da casa para o trabalho, o trabalho para a casa

[00:25:33] que é um trajeto consideravelmente linear

[00:25:35] e a mulher geralmente

[00:25:37] ela pega, vai para casa, leva com ela

[00:25:39] a criança na escola ou na creche

[00:25:41] passa no mercado, vai na farmácia

[00:25:43] vai para o trabalho e volta

[00:25:45] então ela tem um

[00:25:47] percurso muito mais fragmentado

[00:25:49] em que raiza muito mais cidade

[00:25:51] do que o próprio homem

[00:25:53] e

[00:25:55] as vezes tem estudos que falam que a mulher

[00:25:57] usa muito mais o transporte público do que o homem

[00:25:59] existem várias análises em cima disso

[00:26:01] essa coisa de

[00:26:03] que você estava falando

[00:26:05] do recorte de classe

[00:26:07] das pessoas que demoram para chegar nos lugares

[00:26:09] eu pessoalmente

[00:26:11] do alto

[00:26:13] do meu privilégio

[00:26:15] que eu moro do lado da escola da minha filha

[00:26:17] dois quarteirões, eu vou a pé todos os dias

[00:26:19] e para mim isso é um privilégio enorme

[00:26:21] e eu não consigo

[00:26:23] mais imaginar uma vida

[00:26:25] em que você tem que pegar um transporte

[00:26:27] para um lugar muito longe

[00:26:29] eu já tive para a faculdade de pegar um ônibus e ficar no ônibus

[00:26:31] mas uma coisa light comparada

[00:26:33] com a vida do carioca que mora na

[00:26:35] baixada, que mora nos bairros mais afastados

[00:26:37] que precisa pegar trem, ônibus

[00:26:39] metrô lotado

[00:26:41] sem ar condicionado

[00:26:43] porque as empresas de transporte no Rio são todos

[00:26:45] filhos da puta que não renovam a frota

[00:26:47] um bando de gente

[00:26:49] que comprou a política local

[00:26:51] estou olhando aqui os links

[00:26:53] que a gente colocou na pauta

[00:26:55] tem pessoas que passam cinco horas no ônibus ou no metrô

[00:26:57] para ir e voltar do trabalho

[00:26:59] a média do paulistano é quase três horas por dia

[00:27:01] no trânsito

[00:27:03] isso é uma coisa muito louca

[00:27:05] e isso é totalmente o oposto

[00:27:07] de você ter direito à cidade

[00:27:09] não se encaixa

[00:27:11] porque realmente como você falou

[00:27:13] a pessoa não tem tempo de mais nada

[00:27:15] o seu dia acaba, o seu dia fica todo no transporte

[00:27:17] você não está usufruindo da cidade

[00:27:19] no entorno de onde você mora

[00:27:21] não tem nada

[00:27:23] e você tem que se deslocar lá para puta que pariu

[00:27:25] para fazer qualquer coisa que seja

[00:27:27] de trabalhar, estudar

[00:27:29] aí é uma amostra, aí é um parque

[00:27:31] porque no teu bairro não tem porra nenhuma

[00:27:33] você na verdade não tem direito à sua cidade

[00:27:35] você vai ter que se deslocar

[00:27:37] porque é uma zona que acaba com a sua qualidade de vida

[00:27:39] e é impressionante como

[00:27:41] pelo menos no Rio nada é feito a respeito disso

[00:27:43] tudo no Rio é focalizado

[00:27:45] na zona sul, que é de onde eu vim

[00:27:47] como eu falei, eu sou muito privilegiada

[00:27:49] é muito difícil você encontrar áreas verdes

[00:27:51] parques bonitos, decentes

[00:27:53] bem cuidados, nos bairros um pouco mais afastados

[00:27:55] praças onde você pode

[00:27:57] sentar no banco embaixo de uma árvore

[00:27:59] e pensar no nada

[00:28:01] para limpar a sua cabeça depois de um dia

[00:28:03] complicado no trabalho

[00:28:05] ou uma estação de metrô bonita

[00:28:07] que você sai e fica, pô que maneiro

[00:28:09] não tem nada, tem pouquíssimas opções de lazer

[00:28:11] e além de não ter nada

[00:28:13] que te forçam a se mover

[00:28:15] na direção do centro, você tem esse deslocamento

[00:28:17] que é muito longo, muito desconfortável

[00:28:19] com um meio de transporte péssimo

[00:28:21] nada confiável

[00:28:23] um trânsito louco

[00:28:25] então a gente acha que a gente é livre

[00:28:27] mas a gente não é, porque se você passa

[00:28:29] cinco horas por dia no transporte público

[00:28:31] meu amigo, você não é livre pra fazer nada

[00:28:33] você é privilegiado

[00:28:35] eu fico me pensando que o direito

[00:28:37] da cidade, viver a cidade

[00:28:39] pensar a cidade é um grande privilégio

[00:28:41] ele quer chegar pra poder descansar

[00:28:43] pra se foder no outro dia

[00:28:45] totalmente

[00:28:47] porque você pode ter um tempo de ócio

[00:28:49] e sentar numa praça

[00:28:51] e estar à deriva

[00:28:53] caminhar, sentir, olhar

[00:28:55] isso é muito um privilégio

[00:28:57] porque na maioria dos casos

[00:28:59] a galera que trabalha, da classe trabalhadora

[00:29:01] tá ralando pra caramba, passando horas e horas

[00:29:03] no ônibus, sei lá, às vezes

[00:29:05] estuda, trabalha

[00:29:07] vai pensar a cidade, gente

[00:29:09] ele vive dia a dia, sacou?

[00:29:11] a cidade engole ele, na verdade

[00:29:13] então, ele quer chegar em casa

[00:29:15] ele quer dormir, ele quer, sei lá, ligar a TV

[00:29:17] no canal que passe algo muito

[00:29:19] simples, em que ele absorva

[00:29:21] da forma mais tranquila e relaxe

[00:29:23] vai comer um miojão e olha lá, né

[00:29:25] então o direito da cidade, ele não deveria

[00:29:27] ser algo de privilégio

[00:29:29] que é, hoje em dia é um privilégio

[00:29:31] poder viver a cidade

[00:29:33] porque os grandes centros urbanos

[00:29:35] eles não dão condições mínimas

[00:29:37] pra maioria das pessoas

[00:29:39] habitarem ali, né

[00:30:05] é isso aí

[00:30:11] vocês duas comentaram aí

[00:30:13] eu lembrei demais aqui

[00:30:15] eu sei que a gente já começou a falar, mas do título dessa

[00:30:17] revista POI que vocês colocaram na pauta

[00:30:19] que o direito da cidade e a qualidade de vida urbana

[00:30:21] virou uma mercadoria

[00:30:23] todo mundo tem direito, ok, mas tem que ter dinheiro pra pagar

[00:30:25] por esse direito, assim

[00:30:27] é bem amplo aí, mas eu acho que

[00:30:29] ilustra bem legal o que vocês duas falaram aí

[00:30:31] e a Letícia agora a pouco comentou

[00:30:33] também da zona sul e da questão

[00:30:35] de ocupar o espaço

[00:30:37] de praça, na qualidade

[00:30:39] ter um ambiente legal pra você

[00:30:41] poder gastar o tempo

[00:30:43] e que a gente sabe que hoje não dá, né

[00:30:45] por conta, enfim, da correria de tudo

[00:30:47] eu tenho uma coisa muito, desculpa

[00:30:49] eu vou estar puxando um pouco pra biologia

[00:30:51] porque é minha área de formação, né

[00:30:53] manda ver, manda ver

[00:30:55] conceito muito interessante que é a biofilia

[00:30:57] que é uma necessidade inapta

[00:30:59] da espécie humana de contato com a natureza

[00:31:01] contato com o ambiente natural

[00:31:03] então a gente sente essa necessidade

[00:31:05] de um contato direto

[00:31:07] mesmo em pequena escala

[00:31:09] de ter uma, olhar uma vista

[00:31:11] bonita, ter contato com a natureza

[00:31:13] nem que seja a gente ficar

[00:31:15] observando uma plantinha

[00:31:17] na sala ou um vasinho de suculenta

[00:31:19] do lado da tela do computador

[00:31:21] na baia do escritório, então assim

[00:31:23] pensando nisso, né

[00:31:25] cidades que tem espaços verdes

[00:31:27] espaços em que você pode sentar

[00:31:29] gastar um pouco do seu curto tempo

[00:31:31] observando, admirando

[00:31:33] isso faz muito bem pra mente

[00:31:35] das pessoas pra

[00:31:37] desestressar e tal

[00:31:39] a gente sabe que o tempo, como

[00:31:41] a gente já começou a comentar

[00:31:43] tá cada vez menor

[00:31:45] mas

[00:31:47] esse tipo de atividade

[00:31:49] suprir a nossa biofilia

[00:31:51] seria bastante interessante pra ajudar

[00:31:53] a manter um pouco da nossa

[00:31:55] saúde mental, e se as cidades

[00:31:57] puderem suprir isso de alguma maneira

[00:31:59] seria bastante interessante

[00:32:01] pra todo mundo

[00:32:03] é bem primitivo isso, né

[00:32:05] é um instinto bem primitivo

[00:32:07] é muito engraçado, eu me lembro

[00:32:09] a primeira vez que eu reparei nisso

[00:32:11] eu sou um animal estritamente urbano

[00:32:13] não gosto de natureza, não gosto de ficar

[00:32:15] me enfiando em mato, eu gosto de

[00:32:17] ondas eletromagnéticas

[00:32:19] meu ambiente é estar rodeada

[00:32:21] eu gosto de estar

[00:32:23] rodeada de eletrodomésticos, mas eu

[00:32:25] preciso saber que tá lá

[00:32:27] eu tenho que saber que tá lá

[00:32:29] que tem um pouco de natureza

[00:32:31] que tem um parque, que tem uma área verde

[00:32:33] que tem um laguinho com os patinhos

[00:32:35] tipo, não é a minha ideia de coisa relaxante

[00:32:37] sentar lá pra ficar vendo os cisnes

[00:32:39] no lago do campus da minha faculdade

[00:32:41] mas é muito prazeroso eu chegar lá

[00:32:43] e ver que aquilo tá lá

[00:32:45] e a primeira vez que eu reparei isso

[00:32:47] foi um período em que eu morei com a minha avó no Rio

[00:32:49] porque ela morava num outro bairro

[00:32:51] diferente do meu, uma outra parte da cidade

[00:32:53] na zona norte, na Tijuca, que era

[00:32:55] pertíssimo do hospital escola onde eu estudei

[00:32:57] eu atravessava a praça, andava dois quarteirões

[00:32:59] tava no hospital, e de noite eu levava

[00:33:01] meu cachorro na praça pra brincar

[00:33:03] e a galera em volta

[00:33:05] trazia os cachorros, e era coisa de ficar

[00:33:07] até uma hora da manhã o pessoal conversando

[00:33:09] e os cachorros brincando na praça

[00:33:11] e tinha muita gente, a praça tinha uma estação de metrô

[00:33:13] muita gente que saia do metrô

[00:33:15] sentava a bunda no banco

[00:33:17] da praça, isso tarde

[00:33:19] então a gente tava chegando tarde do trabalho

[00:33:21] e as pessoas ficavam ali aqueles 10 minutos

[00:33:23] vendo os cachorros

[00:33:25] brincarem e as árvores da praça

[00:33:27] depois a pessoa levantava e ia embora

[00:33:29] isso direto, todo dia acontecia isso

[00:33:31] às vezes nem conversa com quem tá do lado

[00:33:33] que é um outro problema que a gente tem na cidade

[00:33:35] o cara tava ali pra desanuviar mesmo

[00:33:37] um dia de merda, vindo um metrô

[00:33:39] entupido, um calor do cão

[00:33:41] porra, no Rio da meia noite

[00:33:43] tá 32 graus ainda, sabe

[00:33:45] o cara chega na praça, um monte de árvore

[00:33:47] um monte de cachorro fazendo mó zona

[00:33:49] pra senta ali

[00:33:51] aqueles 10 minutos

[00:33:53] são restauradores assim

[00:33:55] e a gente não tem tanto essa cultura de parque

[00:33:57] de jardim no Brasil

[00:33:59] até porque a cidade realmente não tem muita área verde

[00:34:01] o que é ridículo, considerando

[00:34:03] o nosso país tropical

[00:34:05] mas em outros lugares assim

[00:34:07] eu me lembro que tinha uma vibe muito assim em Barcelona

[00:34:09] primeira vez que eu fui

[00:34:11] que tinha muita gente também, que você via que a pessoa tava voltando do trabalho

[00:34:13] o cara tá de terra, a mulher de salto

[00:34:15] a pessoa senta no banco do parque

[00:34:17] e fica só olhando

[00:34:19] sem fazer nada

[00:34:21] sem ler um livro, sem mexer no celular

[00:34:23] a pessoa tá simplesmente sentada

[00:34:25] plena, a pessoa tá lá

[00:34:27] sentada, curtindo o ambiente

[00:34:29] é um parque bonito, mais árvores maneiras

[00:34:31] tem flores

[00:34:33] tem muitas pessoas passando

[00:34:35] que é sempre uma coisa muito interessante de ver

[00:34:37] e eu comecei a reparar isso nos lugares

[00:34:39] onde eu vou, as cidades onde eu visito

[00:34:41] que tem uma cultura maior disso

[00:34:43] com relação ao Brasil

[00:34:45] isso faz falta talvez

[00:34:47] então deixa eu fazer uma

[00:34:49] provocação

[00:34:51] eu vou oferecer um contraponto pro tema

[00:34:53] que nós mesmos propusemos

[00:34:55] é que assim

[00:34:57] vamos pensar inclusive

[00:34:59] dentro do contexto

[00:35:01] a gente fez isso em 68

[00:35:03] basicamente o livro

[00:35:05] Direito à Cidade

[00:35:07] ele não é uma receita de bolo

[00:35:09] de o que você vai fazer

[00:35:11] pra que as pessoas tenham direito à cidade

[00:35:13] pra sociedade usufruir da cidade

[00:35:15] mas ele é basicamente

[00:35:17] um manifesto

[00:35:19] ele é até escrito de uma forma difícil de ler

[00:35:21] ele é complicado

[00:35:23] no outro ponto

[00:35:25] e tem que considerar que ele é francês

[00:35:27] vivendo em 68

[00:35:29] uma efervescência cultural

[00:35:31] ele é indivíduo, imperialista

[00:35:33] ele é marxista

[00:35:35] tenhamos tudo isso em mente

[00:35:37] agora vamos pro outro lado do Atlântico

[00:35:39] vamos voltar pro nosso Brasilzinho de meu Deus aqui

[00:35:41] nós estamos falando

[00:35:43] nesse momento

[00:35:45] de praças que as pessoas

[00:35:47] usufruam

[00:35:49] de calçadas por onde as pessoas

[00:35:51] transitem

[00:35:53] por um trânsito

[00:35:55] que seja mais acolhedor

[00:35:57] em que as pessoas não precisem

[00:35:59] usar os seus carros como uma blindagem

[00:36:01] do resto da sociedade

[00:36:03] flores e parques

[00:36:05] e árvores e tudo isso é muito cor de rosa

[00:36:07] ao mesmo tempo

[00:36:09] em que a gente está falando

[00:36:11] disso tudo

[00:36:13] nós temos pessoas que ainda lutam pelo direito

[00:36:15] à moradia

[00:36:17] eu não gostaria de usar uma hierarquia

[00:36:19] mas a moradia é muito mais

[00:36:21] básica do que isso

[00:36:23] soa um pouco como

[00:36:25] white people problem

[00:36:27] ai meu Deus

[00:36:29] eu não gostaria de ter

[00:36:31] trancado no meu apartamento

[00:36:33] no oitavo andar

[00:36:35] mas eu adoraria ter uma pracinha

[00:36:37] pra sentar e ver cachorros

[00:36:39] não é uma crítica

[00:36:41] é um contraponto

[00:36:43] como é que a gente pode

[00:36:45] se utilizar do direito à cidade

[00:36:47] como foi proposto originalmente

[00:36:49] pra subverter

[00:36:51] uma situação de sociedade

[00:36:53] em que nós sequer alcançamos

[00:36:55] a França de 68

[00:36:57] entende?

[00:36:59] vocês acharam que ia ser tudo fácil aqui

[00:37:01] ocupando não?

[00:37:03] ocupando

[00:37:05] no sentido literal

[00:37:07] no sentido figurativo

[00:37:09] sendo visto

[00:37:11] se fazer presente

[00:37:13] incomodando

[00:37:15] não sei se estou sendo muito ingênuo

[00:37:17] mas assim

[00:37:19] mostrar que o problema existe

[00:37:21] se sentir incomodado com isso

[00:37:23] e incomodar os outros

[00:37:25] não começa por aí?

[00:37:27] não sei, estou divagando aqui

[00:37:29] com muita vontade

[00:37:31] é só isso

[00:37:33] eu também estou no alto do meu pedestal

[00:37:35] essa coisa toda

[00:37:37] mas você falou uma questão super básica

[00:37:39] que é moradia

[00:37:41] tem gente que mora longe de onde trabalha

[00:37:43] não tem nenhum tipo de assistência

[00:37:45] não tem nenhum tipo de

[00:37:47] presença do estado onde ela mora

[00:37:49] tem que viajar

[00:37:51] tem que procurar tudo fora

[00:37:53] tem gente que não tem casa pra morar

[00:37:55] é ocupar

[00:37:57] no sentido figurado

[00:37:59] se fazer visto

[00:38:01] se sentir incomodado

[00:38:03] com essa situação e incomodar os outros

[00:38:05] fazer a água molhar

[00:38:07] a bunda dos outros

[00:38:09] pra reconhecer esse problema

[00:38:11] agora na prática como é que isso vai

[00:38:13] como é que isso vai ser

[00:38:15] revertido em ações na prática

[00:38:17] aí meu amigo existem

[00:38:19] formas e formas

[00:38:21] incomodado eu acho que já está todo mundo incomodado

[00:38:23] tem muita gente incomodada de fato

[00:38:25] ocupar os espaços

[00:38:27] eu acho que é isso

[00:38:29] ocupar os espaços de fazer presente

[00:38:31] quantos espaços estão aí pra ser ocupados

[00:38:33] mas eu acho que

[00:38:35] a gente tem muito que batalhar

[00:38:37] por questões políticas públicas

[00:38:39] e repensar

[00:38:41] tem uma frase que a minha professora de urbanismo

[00:38:43] me disse que eu achei muito

[00:38:45] eu sempre

[00:38:47] martelo ela na minha cabeça

[00:38:49] que a gente estava fazendo uma requalificação

[00:38:51] de um espaço urbano

[00:38:53] numa zona

[00:38:55] numa RA de Brasília

[00:38:57] e aí ela parou e falou assim gente

[00:38:59] isso que vocês estão propondo

[00:39:01] é pra além da vida de vocês

[00:39:03] aí a gente ficou meio assim

[00:39:05] como assim ela falou o urbanismo tem que ser pra além da nossa vida

[00:39:07] porque a gente não pode fazer um urbanismo

[00:39:09] imediático ele tem que ser pra além

[00:39:11] sabe porque as coisas tem que perpetuar

[00:39:13] e eu acho que

[00:39:15] quando você falou de Paris

[00:39:17] acho que é isso é um urbanismo

[00:39:19] uma grande reforma urbana

[00:39:21] e eu acho

[00:39:23] que os nossos centros estão

[00:39:25] vendo isso a gente tem alguns

[00:39:27] lugares que

[00:39:29] tem uma mobilidade muito melhor

[00:39:31] por exemplo Curitiba

[00:39:33] Curitiba passou por uma grande reforma

[00:39:35] e hoje ela tem um transporte de qualidade

[00:39:37] que é uma coisa que várias cidades do Brasil

[00:39:39] não tem que é o acesso

[00:39:41] a mobilidade urbana

[00:39:43] que acho que já é um grande fator

[00:39:45] que envolve a questão do direito

[00:39:47] na cidade

[00:39:49] mas eu acho que é isso

[00:39:51] é pensar medidas pra além da nossa existência

[00:39:53] pra além de uma coisa imediática

[00:39:55] né que acho que também envolve

[00:39:57] de cultura de costumes

[00:39:59] de não sei

[00:40:01] vou dar um exemplo bem pequeno

[00:40:03] mas por exemplo Brasília é referência

[00:40:05] de como a faixa de pedestres funciona

[00:40:07] e eu lembro que na época em que as faixas de pedestres

[00:40:09] foram implementadas

[00:40:11] houve uma grande campanha

[00:40:13] campanha mesmo política

[00:40:15] campanha tipo do governo de conscientizar as pessoas

[00:40:17] de como hoje em dia

[00:40:19] tá meio né desvirtuou um pouco

[00:40:21] mas por muitos anos

[00:40:23] a faixa de pedestres era uma referência em Brasília

[00:40:25] mas é isso campanhas

[00:40:27] educação

[00:40:29] educação é a base de tudo né

[00:40:31] e o direito da cidade acho que envolve isso também

[00:40:33] tipo olha quanto espaço vazio

[00:40:35] porque não ocupar esses espaços

[00:40:37] e como ocupar esses espaços

[00:40:39] porque também não é só ocupação

[00:40:41] e aí não existe nenhuma manutenção

[00:40:43] e acontece o que aconteceu em São Paulo no passado

[00:40:45] por exemplo

[00:40:47] que a gente perdeu um prédio gigantesco no centro de São Paulo

[00:40:49] com um milhão de habitantes

[00:40:51] porque isso

[00:40:53] fazem vista grossa as ocupações

[00:40:55] não existe manutenção

[00:40:57] são vidas invisíveis

[00:40:59] são corpos completamente abjetos

[00:41:01] à cidade

[00:41:03] as pessoas não querem ver esses corpos na cidade

[00:41:05] então como incluir eles

[00:41:07] como fazer essa

[00:41:09] essa reconexão a esse espaço

[00:41:11] porque elas estavam ali em algum momento

[00:41:13] e elas foram retiradas desse espaço

[00:41:15] então acho que é uma discussão muito

[00:41:17] de classe mesmo

[00:41:19] eu li alguma coisa recentemente

[00:41:21] não vou achar o link agora

[00:41:23] se eu encontrar depois eu boto na postagem

[00:41:25] que você estava falando de políticas públicas e tal

[00:41:27] a gente sabe que tem que ter política pública

[00:41:29] essas coisas não se resolvem sozinhas

[00:41:31] ou puramente pela vontade das pessoas

[00:41:33] tem que ser uma coisa

[00:41:35] que vem do alto

[00:41:37] e eu quero falar mais disso depois

[00:41:39] mas uma coisa que eu lembrei agora desse artigo que eu li

[00:41:41] que era

[00:41:43] basicamente ele falava

[00:41:45] de como seria ideal as pessoas morarem

[00:41:47] próximo de onde trabalham

[00:41:49] ou estudam

[00:41:51] e se isso é possível

[00:41:53] ou não é possível

[00:41:55] porque como que você redistribui

[00:41:57] a gente tem uma conformação das cidades

[00:41:59] que prevê um centro

[00:42:01] e as coisas, o centro, as coisas

[00:42:03] meio que giram em torno daquilo

[00:42:05] então você tem muita gente indo para aquele lugar

[00:42:07] mas se você conseguir formar

[00:42:09] vários centros de maneira que você

[00:42:11] distribua

[00:42:13] e ninguém fique muito longe

[00:42:15] do lugar onde trabalha ou onde estuda

[00:42:17] isso seria uma

[00:42:19] uma mudança radical

[00:42:21] na qualidade de vida das pessoas

[00:42:23] e eu vejo isso aqui

[00:42:25] para mim, tudo bem, eu trabalho de casa

[00:42:27] eu não conto, mas se eu penso

[00:42:29] em todos os anos, em todas as horas

[00:42:31] de engarrafamento

[00:42:33] que a gente já pegou na vida no Rio

[00:42:35] porque eu estudava em Botafogo

[00:42:37] que para quem não conhece o Rio é um bairro meio de passagem

[00:42:39] ele conecta a zona sul

[00:42:41] que é a parte mais rica da cidade

[00:42:43] ao centro, você tem meio que passar por Botafogo

[00:42:45] tem uma concentração absurda

[00:42:47] de escolas particulares em Botafogo

[00:42:49] então em certos horários

[00:42:51] de entrada e saída de escola

[00:42:53] o bairro inteiro trava

[00:42:55] então a gente saia de casa muito cedo

[00:42:57] para conseguir chegar na hora

[00:42:59] embora a distância no mapa seja razoavelmente curta

[00:43:01] você tem uma concentração ali

[00:43:03] então se o ideal

[00:43:05] seria que a gente pudesse morar

[00:43:07] mais perto da escola, mais perto do trabalho

[00:43:09] que você tivesse boas escolas

[00:43:11] e tivesse comércio e serviços

[00:43:13] e tivesse oportunidades de trabalho

[00:43:15] próximo de onde você mora

[00:43:17] ou ao contrário, que você conseguisse

[00:43:19] morar perto dos lugares onde você

[00:43:21] estuda e trabalha, mas a gente vê uma coisa

[00:43:23] que é o inverso

[00:43:25] você tem áreas industriais que são horríveis

[00:43:27] de morar

[00:43:29] um bairro inteiro, um parque industrial

[00:43:31] ninguém quer morar perto daquilo

[00:43:33] então a cidade é construída de uma maneira estranha

[00:43:35] mas

[00:43:37] que não é apropriada a população

[00:43:39] que a gente tem hoje nos grandes centros

[00:43:41] eu queria muito achar esse artigo

[00:43:43] porque ele dava inclusive o que não funcionava

[00:43:45] nesse esquema

[00:43:47] eu não sei se já leram alguma coisa a respeito

[00:43:49] o próprio Domenico De Masi fala um pouco sobre isso

[00:43:51] sobre

[00:43:53] ainda puxando lá para o ócio criativo

[00:43:55] do tempo livre

[00:43:57] que a pessoa teria

[00:43:59] se trabalhasse perto de casa

[00:44:27] e o que ele tinha que transformar

[00:44:29] uma ilha em pipoca

[00:44:31] Atenção, porque nesta cidade

[00:44:33] corre-se a toda velocidade

[00:44:35] e atenção

[00:44:37] que o negócio está preto

[00:44:39] restaurante Zanzando Galeto

[00:44:41] mas não, mas não

[00:44:43] o sonho é meu

[00:44:45] eu sonho que

[00:44:49] deve ter

[00:44:51] alamedas verdes

[00:44:53] a cidade

[00:44:55] dos meus amigos

[00:44:57] E quem dera os moradores

[00:45:02] E o prefeito e os varredores

[00:45:07] Fossem somente criança

[00:45:14] Mas rapidinho, voltando aqui àquela coisa

[00:45:18] que a gente estava falando da política pública,

[00:45:19] e aí eu vou pegar uma coisa,

[00:45:22] um artigo que está aqui linkado na postagem,

[00:45:24] que é uma coisa do Nexo,

[00:45:26] um artigo do Nexo de 27 de fevereiro de 2017,

[00:45:32] mas eu já li várias coisas sobre isso,

[00:45:34] já vi várias coisas sobre isso,

[00:45:36] e o artigo se chama

[00:45:37] Como a Holanda se tornou um país de ciclistas.

[00:45:41] É muito bom esse artigo.

[00:45:43] É muito bom, né?

[00:45:44] E a gente tem essa ideia que, pô, não,

[00:45:46] as pessoas têm que se acostumar primeiro e tal, não sei o quê,

[00:45:49] mas não é assim, o ser humano é uma criatura de hábitos.

[00:45:52] Se alguém não te der um…

[00:45:54] Um choque, né?

[00:45:55] É, aquela sacudida.

[00:45:56] Boa, né?

[00:45:58] A coisa não anda, né?

[00:46:00] Como foi a parada do cinto de segurança.

[00:46:03] Não adianta você esperar o pessoal se conscientizar e botar o cinto,

[00:46:05] que não vai rolar.

[00:46:07] Então, tem horas que você tem que dar uma canetada.

[00:46:09] Não é ideal, o ideal seria que não fosse tão necessário,

[00:46:13] mas a gente sabe que é.

[00:46:15] E esse artigo fala exatamente disso,

[00:46:17] que primeiro veio a política pública, né?

[00:46:19] Você tem que facilitar o uso de bicicleta,

[00:46:22] criar ciclovia e você multar quem entra de carro no centro da cidade,

[00:46:26] como acontece em várias cidades europeias.

[00:46:28] E aí a coisa começa a andar e esse hábito começa a se criar, né?

[00:46:33] E como bicicleteiro, eu queria ouvir o Werther falando dessas coisas.

[00:46:37] Não, esse caso foi muito interessante,

[00:46:39] porque o freio de arrumação da Holanda teve dois marcos bem distintos, assim, né?

[00:46:43] A partir da década de 50 e 60,

[00:46:45] teve o boom aí, explosão de industrialização e tal,

[00:46:48] então era uma cidade, era uma região carrocrata também.

[00:46:52] Muito carro, muito carro, muito carro.

[00:46:54] Finalzinho da década de 60,

[00:46:56] teve um evento, um período com muito atropelamento de crianças.

[00:47:00] Então teve um marco lá de 350, 400 e poucas crianças morreram num único ano

[00:47:06] vítimas de acidentes de trânsito.

[00:47:09] Caraca!

[00:47:09] Né? Porra, criança morrendo à toa, assim.

[00:47:13] E nessa meiota aí começou também aquela crise do petróleo da década de 70.

[00:47:17] Então eles viram, porra, tá morrendo muita criança por causa do trânsito.

[00:47:20] O petróleo já não tá tão barato assim, né?

[00:47:22] Então a gente tem que diminuir o carro, né?

[00:47:26] A gente tem que diminuir o trânsito, a gente tem que diminuir o trânsito, a gente tem que diminuir o trânsito.

[00:47:28] E já é um local muito plano, né?

[00:47:30] Não tem morro, praticamente não tem morro.

[00:47:32] Então dá pra se pedalar até médias e longas distâncias sem subir morro,

[00:47:38] então você não sua, dá pra chegar bem no trabalho.

[00:47:41] Então essa questão social, a questão geográfica,

[00:47:45] tudo foi casando, mais políticas públicas, né?

[00:47:47] De incentivo à utilização de bicicleta.

[00:47:52] A pessoa, quando vai tirar carta de motorista, é muito caro.

[00:47:55] Então, assim, ele tem que ter um carro.

[00:47:56] Ele tem que pensar mais de uma vez pra saber se ele vai, assim,

[00:47:59] vai incomodar mais no bolso dele, né?

[00:48:01] E é um exame muito difícil pra você tirar a carteira.

[00:48:04] Então tudo isso, né?

[00:48:05] Várias situações diferentes vão convergindo e direcionando a pessoa,

[00:48:10] o cidadão lá, pra ele utilizar a bicicleta.

[00:48:13] E depois de um tempo, obviamente, né?

[00:48:15] Depois dessa pressão do Estado, dessas situações todas,

[00:48:19] hoje a bicicleta é lugar comum lá na região.

[00:48:22] E é lindo, é maravilhoso, porque tem carro,

[00:48:25] tem muito mais bicicleta do que carro,

[00:48:27] mas os carros respeitam as bicicletas.

[00:48:30] Você agrega um ciclista lá, se um carro atropela um ciclista,

[00:48:35] o cara vai preso, é crime, vai pra cadeia, vai tudo.

[00:48:38] O motorista, ele é responsável se ele atropelar um ciclista, né?

[00:48:42] Ele vai responder criminalmente, mas ele vai pagar pelo conserto da bicicleta.

[00:48:46] Se o ciclista que causou o acidente, o prejuízo é meio a meio, né?

[00:48:51] Meio pra cada um.

[00:48:52] Então a bicicleta, ela tá dentro dessa cultura.

[00:48:55] E no final, todo mundo se dá muito bem.

[00:48:56] A qualidade de vida melhora como um todo,

[00:48:58] porque a pessoa, ela não pega engarrafamento pra ir pro trabalho,

[00:49:01] aproveita mais o tempo em família.

[00:49:03] A família está junto dentro da bicicleta.

[00:49:06] Dentro não, não, perdão.

[00:49:07] Pedalando, né?

[00:49:07] A gente vê pai, mãe, às vezes vai…

[00:49:09] Tem aquelas cenas lindas da mãe ou pai que vai levar a criança na escola

[00:49:13] e tem um pequenininho na frente, um na garupinha e o mais velho andando atrás.

[00:49:16] É coisa de chorar, é uma coisa maravilhosa.

[00:49:20] Então assim, lá foi uma experiência que deu certo.

[00:49:23] E hoje não se pensa, né?

[00:49:25] Não consegue dissociar a cultura da bicicleta

[00:49:28] e a elevada qualidade de vida desse local, que a gente vê por aí.

[00:49:31] Foi um caso bastante interessante.

[00:49:33] Eu ia perguntar se vocês leram um artigo…

[00:49:37] Artigo? Blog? Já não me lembro mais.

[00:49:40] Alguém tava comentando sobre a obrigatoriedade de capacete pra ciclista

[00:49:44] e o pessoal começou, ah, mas na Holanda ninguém usa, não sei o quê, frene, frene.

[00:49:49] E aí a pessoa fez um textão, eu juro que não me lembro onde foi que eu li,

[00:49:53] explicando, amigo,

[00:49:54] aqui não precisa, eu não vou ser atropelada.

[00:49:57] Os carros têm um respeito pelo ciclista, que eu me sinto totalmente segura,

[00:50:02] eu sei que ninguém vai me jogar no meio fio, eu não vou bater com a cabeça no chão.

[00:50:05] Não vai ter ônibus querendo me matar.

[00:50:08] Ah, ninguém mata ciclista lá, porra.

[00:50:10] É, exatamente, o ônibus não vai querer te assassinar no meio da rua,

[00:50:13] não vai querer te jogar com a fuça no meio fio.

[00:50:16] Então não tem essa necessidade, as pessoas simplesmente não usam.

[00:50:19] E eu não tinha reparado nisso, honestamente, quando eu fui pra lá

[00:50:23] e quando eu li eu fiquei,

[00:50:24] oh, faz muito sentido isso, realmente faz muito sentido.

[00:50:28] Tem duas coisas muito interessantes, né,

[00:50:30] quando você vê que um local, o trânsito é civilizado.

[00:50:33] Pessoas andando sem capacete, justamente por isso,

[00:50:36] e muitas mulheres ciclistas.

[00:50:39] Existe um, eu acho que vocês até colocaram aqui na pauta

[00:50:43] a questão de cidades amigas da bicicleta, né,

[00:50:45] daquele índice, o Copenhagen, não sei o que lá, não sei o que lá.

[00:50:50] E esse estudo é muito interessante porque ele lista as cidades mais amigas

[00:50:53] das bicicletas e tal.

[00:50:55] E não é um item, né, mas é uma coisa que fica bem clara

[00:50:58] em todas essas cidades em que é seguro trabalhar isso.

[00:51:02] Tem quase inexistente o capacete e muitas mulheres pedalando.

[00:51:07] E aí existe aquela correlação, né, aquela sugestão de que

[00:51:10] quanto mais mulheres andando de bicicleta,

[00:51:14] mais humano é o tráfego de veículos daquele local.

[00:51:18] Muito interessante.

[00:51:19] O que você ia perguntar, Tiago?

[00:51:21] Eu acho que já acaba englobado,

[00:51:23] dentro do índice, mas a gente tem essa ideia, né,

[00:51:28] que quando falou em bicicleta, falou em exemplo de andar de bicicleta,

[00:51:33] acaba sempre falando de Amsterdã.

[00:51:37] Mas quais são, assim, algumas cidades fora do eixo

[00:51:41] ou, se possível, até aqui da própria América do Sul,

[00:51:45] em que nós temos um exemplo a ser seguido

[00:51:49] com relação ao uso da bicicleta, ao respeito ao ciclista,

[00:51:53] você tem alguma ideia sobre isso, Werther?

[00:51:56] Vamos lá.

[00:51:57] Espera aí, deixa eu só achar aqui.

[00:51:59] Na América, o que acontece?

[00:52:01] Esse índice, se eu não me engano, ele tem menos do que 15 anos

[00:52:04] e ele é revisto a cada dois anos.

[00:52:05] A grande maioria das cidades são europeias.

[00:52:08] Aqui na América do Sul, o Rio de Janeiro entrou

[00:52:11] em uma ou duas vezes, se eu não me engano,

[00:52:13] na década passada ainda, em 2009, 2007.

[00:52:17] Eu estou tentando achar aqui a relação das cidades.

[00:52:21] É, geralmente é bem europeu, né?

[00:52:23] Isso é, tipo, acompanhado também, tem toda uma referência,

[00:52:28] tipo, de reestruturação urbana, de retirar o carro do centro.

[00:52:32] Isso, aqui, ó.

[00:52:33] Então, eu estou pegando aqui, ó, 2011.

[00:52:35] A gente tem na América do Sul aqui, Rio de Janeiro, Guadalajara

[00:52:39] e só, praticamente, né?

[00:52:42] Aí, 2013, na América do Sul, Rio de Janeiro entrou de novo e acabou.

[00:52:47] Aí, 2015, saiu Rio de Janeiro, tem a Buenos Aires, entrou,

[00:52:52] e, que eu lembre, acabou também.

[00:52:55] 2017, eu não lembro, 2019, eles estão para refazer.

[00:52:59] Mas, basicamente, para uma cidade entrar nesse índice,

[00:53:03] são vários parâmetros, né?

[00:53:05] Que é a cultura da bicicleta, facilidades para a bicicleta,

[00:53:09] que é a questão de rampa, sinalização, local de estacionamento,

[00:53:14] programas de bicicletas compartilhadas, né?

[00:53:17] Que hoje, de poucos anos para cá, começou a ser difundido em várias capitais.

[00:53:22] Então, é uma questão de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de,

[00:53:22] de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de, de.

[00:53:22] Então, de gênero, né? Balanço de gêneros, né?

[00:53:25] Masculinos e femininos.

[00:53:27] Aham.

[00:53:27] E aí, entra essa questão, né?

[00:53:29] Que quanto mais mulheres pedalando, mais receptivas,

[00:53:33] mais calmo seria o trânsito, né?

[00:53:36] Desses locais.

[00:53:36] Então, tem uma série de critérios bastante interessantes aqui.

[00:53:40] Chega até a ter o acalmamento de tráfego, né?

[00:53:43] Que os arquitetos aí trabalham muito com isso aí, né?

[00:53:46] Como é que faz para reduzir a velocidade das cidades.

[00:53:49] Só um instantinho, eu estou com o meu chaveirinho aqui do lado, o guia aqui.

[00:53:51] Fala, Gui.

[00:53:52] Boa noite, filho.

[00:53:54] Beijo.

[00:53:55] Você, Cristinha, aqui.

[00:53:56] Boa noite aí, pessoal, tá?

[00:53:59] Valeu, Gui.

[00:54:00] Ele veio aqui.

[00:54:01] Nada mais.

[00:54:01] Boa noite, tá?

[00:54:02] Tchau, vai dormir.

[00:54:04] Desculpa.

[00:54:05] Nossa Senhora.

[00:54:07] E tem uma coisa muito interessante também,

[00:54:09] que é a questão de logística e bicicletas cargueiras.

[00:54:13] Então, para esse índice, ele leva em consideração

[00:54:15] a utilização desse tipo de modal, de carga mesmo, né?

[00:54:19] Porque, em vez de você ter um caminhão,

[00:54:22] você distribui…

[00:54:22] O caminhão é pequeno, né?

[00:54:23] Você distribui várias bicicletas menores,

[00:54:25] isso dá mais fluidez no tráfego, né?

[00:54:28] É bastante interessante.

[00:54:30] Mas, voltando à pergunta, Tiago,

[00:54:31] que você comentou, América do Sul.

[00:54:32] Praticamente, é Rio de Janeiro,

[00:54:34] que apareceu duas vezes, Guadalajara e Buenos Aires.

[00:54:36] Agora, em 2019, eu não sei como é que está.

[00:54:40] Mas, para a cidade entrar,

[00:54:41] ela tem que se enquadrar e cada item desse,

[00:54:43] eles recebem notas e tal,

[00:54:45] o que faz com que a cidade entre ou saia

[00:54:48] desse índice.

[00:54:50] Mas, a grande maioria é europeia.

[00:54:52] É, mas, basicamente, o que entra no índice

[00:54:54] são as cidades maiores,

[00:54:57] as principais cidades dos países,

[00:54:59] as verificadas, auditadas por eles e tal.

[00:55:01] Você tem alguma ideia de alguma cidade, assim,

[00:55:05] mais lá do B, do Brasil,

[00:55:07] que seja uma referência em uso de modais diferentes?

[00:55:12] Não necessariamente só a bicicleta,

[00:55:14] mas imagino que ela seja um dos principais.

[00:55:18] Cara, que pergunta.

[00:55:18] Que pergunta é difícil, viu?

[00:55:20] É, porque…

[00:55:21] Não, eu vou até te dar esse tempo para pensar

[00:55:24] e, enquanto isso, eu vou explicar a minha situação.

[00:55:26] Eu estou gravando de Joinville

[00:55:28] e Joinville, durante muito tempo,

[00:55:30] e ainda continua espalhando essa ideia

[00:55:34] de que ela é a cidade das bicicletas.

[00:55:37] E essa é a maior cascata do planeta.

[00:55:39] Isso é…

[00:55:40] Nossa, cara, é revoltante você ouvir esta merda,

[00:55:44] porque não dá, não dá.

[00:55:46] As pessoas não usam bicicleta,

[00:55:48] não sei para trás,

[00:55:48] não sei para trás,

[00:55:49] não sei para trás,

[00:55:49] não sei para trás,

[00:55:49] não sei para trás,

[00:55:49] não sei para trás,

[00:55:49] não sei para trás,

[00:55:49] não sei para trás,

[00:55:49] não sei para trás,

[00:55:49] não sei para trás,

[00:55:49] extremamente curto,

[00:55:50] a não ser nos bairros, na periferia,

[00:55:52] e também aí por uma outra questão,

[00:55:55] não é pela questão do acolhimento da cidade a esse modal,

[00:55:59] mas sim de uma questão…

[00:56:01] É um meio de transporte barato,

[00:56:03] é um meio de transporte bom para você fazer pequenos trajetos,

[00:56:06] para ir na padaria,

[00:56:06] para os calfinhos na creche e tal.

[00:56:08] Na década de 70, aqui,

[00:56:10] era uma loucura,

[00:56:11] foi a grande explosão populacional da cidade

[00:56:13] e nós tínhamos grandes empresas aqui

[00:56:17] que, ainda,

[00:56:18] temos, mas não é mais assim,

[00:56:20] nas grandes empresas,

[00:56:22] quando fechava o turno,

[00:56:24] parecia um passeio ciclístico.

[00:56:26] Era uma loucura, era muita bicicleta na rua

[00:56:28] e as ruas

[00:56:30] não tinham o trânsito que tem hoje,

[00:56:32] então era acolhedor.

[00:56:34] A cidade, por mais que tenha

[00:56:36] esse título há, sei lá, 30, 40 anos,

[00:56:39] ela deu as costas

[00:56:40] para as bicicletas.

[00:56:42] Você tem um projeto muito,

[00:56:44] muito tímido de ciclofaixas,

[00:56:46] não ciclovias, a gente depois até pode

[00:56:48] falar um pouco sobre a diferença delas.

[00:56:50] A gente ainda tem que falar

[00:56:52] do nosso amiguinho

[00:56:54] Parklet lá, mas ela

[00:56:56] se desenvolveu de uma forma

[00:56:58] que priorizou

[00:57:00] o carro. Nós tivemos

[00:57:02] durante o

[00:57:04] período boom econômico

[00:57:07] dos anos Lula e Dilma

[00:57:08] uma facilitação,

[00:57:10] inclusive, a gente tinha

[00:57:12] ano após ano, renovação

[00:57:14] do subsídio

[00:57:16] de IPI com relação ao governo

[00:57:18] federal para a compra

[00:57:19] de novos carros, para aquecer

[00:57:22] a economia automobilística, que

[00:57:23] colocou uma grande piroca no cu do Brasil

[00:57:26] inteiro, porque

[00:57:27] o dinheiro que eles economizaram de não

[00:57:30] pagar esse IPI foi revertido para

[00:57:32] simplesmente porra nenhuma,

[00:57:34] a não ser um grandissíssimo iate

[00:57:35] para algum filho da puta da Europa.

[00:57:38] Eu estou começando a escalar,

[00:57:40] eu tenho que acalmar.

[00:57:41] Calma!

[00:57:44] Mas, assim,

[00:57:45] a cidade, simplesmente,

[00:57:48] esqueceu desse título, esqueceu da porra toda

[00:57:50] e passou

[00:57:51] só há muito pouco tempo

[00:57:53] e de uma forma ainda muito tímida

[00:57:55] a olhar de novo com

[00:57:57] alguma atenção, não vou dizer nem carinho,

[00:57:59] com alguma atenção para

[00:58:01] esse modal. Imagino que tenha

[00:58:03] cidades médio, forte,

[00:58:05] que tenham algumas ideias

[00:58:07] interessantes que pudessem

[00:58:09] servir de modelo

[00:58:10] para essas cidades. Se você,

[00:58:13] como tem contato com grupos de ciclistas

[00:58:16] e tal, tivesse alguma ideia nesse sentido.

[00:58:18] Cara, olha só,

[00:58:19] o pessoal acha que

[00:58:21] cidade amiga da bicicleta é colocar

[00:58:23] ciclovia ou ciclofaixa.

[00:58:25] E não é isso, né? Se você coloca uma ciclofaixa

[00:58:28] que liga nada

[00:58:29] a lugar nenhum, porra,

[00:58:31] grandes merdas você está fazendo, você está resolvendo o problema ali

[00:58:33] do bairro e olhe lá.

[00:58:36] Obrigado!

[00:58:39] Mas, normalmente, a pessoa, ela mora

[00:58:41] num bairro e vai trabalhar no outro, então tem que ter

[00:58:43] essa conectividade.

[00:58:45] A ciclovia tem que atravessar o bairro,

[00:58:47] a ciclovia,

[00:58:48] a ciclofaixa, ela tem que ligar um bairro até um terminal

[00:58:50] de ônibus, né? Ou até a estação

[00:58:52] do metrô. Então, assim, só

[00:58:53] colocar. Antigamente, a gente se contentava

[00:58:56] com pouco, achava que ciclovia,

[00:58:58] ciclofaixa era muito, mas, cara,

[00:58:59] caguei pra isso. Só isso não vai resolver o problema.

[00:59:02] Né? Até porque,

[00:59:04] porra, a gente tem carro

[00:59:06] que não respeita a ciclovia, né?

[00:59:07] A gente tem… Eu vi um vídeo,

[00:59:09] apareceu lá no Beco, lá no grupo que a gente tem,

[00:59:12] o pessoal lá em Fortaleza,

[00:59:13] me deu pavor. Um ciclista

[00:59:16] na Jaquinha, né? Que é aquela bicicletinha,

[00:59:18] basicona lá, que o cara usa

[00:59:19] pra poder ir pro trabalho, pra casa, pra padaria,

[00:59:21] na ciclovia, de repente, vê, assim, quatro, cinco carros,

[00:59:24] um em cima

[00:59:25] da ciclovia e dois de cada

[00:59:28] lado invadindo a calçada porque a

[00:59:29] pista principal tava congestionada.

[00:59:32] Então, assim, só a ciclovia e ciclofaixa

[00:59:34] não adianta. E dizer…

[00:59:35] Desculpa, prefeito, você dizer que você…

[00:59:38] A sua cidade é amiga da Bahia. Por que tem isso?

[00:59:40] Já era. Você vai fazer uma ciclofaixa

[00:59:41] que, porra, vai pegar um morro

[00:59:43] e que vai ser muito difícil de

[00:59:45] subir, o ciclista não vai

[00:59:47] passar.

[00:59:48] Ah, ele vai preferir

[00:59:49] pegar uma via expressa que contorne

[00:59:52] isso aí. Ou, né,

[00:59:54] aqui no Brasil, porra, a gente,

[00:59:55] na maioria dos estados, faz muito calor. Se você

[00:59:57] colocar uma ciclofaixa e não colocar uma sombra

[01:00:00] nela, o ciclista não vai usar. Ele vai

[01:00:01] passar por dentro do bairro, vai passar por uma outra rota

[01:00:03] porque a gente já tá fazendo esforço

[01:00:05] mecânico, né? Transporte ativo.

[01:00:08] Então, se não der mais

[01:00:09] condições, além de pintar o asfalto,

[01:00:11] seja ele segregado ou não, né? Essa é a diferença,

[01:00:14] inclusive, de ciclofaixa e ciclovia,

[01:00:16] que você comentou, né?

[01:00:18] A ciclovia, ela é segregada

[01:00:20] da pista de rolamento. Então, tem um canteiro,

[01:00:23] às vezes ela é mais elevada,

[01:00:24] ela fica naquela, é um pedaço

[01:00:26] da calçada que fica segregada. A ciclofaixa, não.

[01:00:28] A ciclofaixa, ela é na

[01:00:30] via principal, geralmente ela é só pintada,

[01:00:32] assim, demarcado o local.

[01:00:34] Mas, assim, só colocar isso

[01:00:36] não vai resolver. E aí,

[01:00:38] voltando à tua pergunta, né? Tem alguma cidade

[01:00:40] que é mais amiga e tal?

[01:00:42] Cara,

[01:00:43] desconheço. Desconheço. Porque o pessoal acha

[01:00:46] que só pintar o asfalto já tá

[01:00:47] fazendo alguma coisa. Só que, nos dias de hoje,

[01:00:49] não tá fazendo nada. Aí, em São Paulo,

[01:00:51] por exemplo, né? Foi um avanço.

[01:00:55] Hoje em dia, né?

[01:00:56] Tá tendo congestionamento de ciclista

[01:00:58] nas vias aí. Isso é muito

[01:01:00] engraçado.

[01:01:01] Porque o pessoal

[01:01:03] odeia, né? Porque

[01:01:05] porra, eu pego a bicicleta pra poder chegar rápido

[01:01:08] em casa e, de repente, eu tô em um engarrafamento

[01:01:10] de bicicleta.

[01:01:12] Isso é ruim, mas é bom.

[01:01:14] Né? Porque é sinal

[01:01:16] que tá tendo muito uso. Então,

[01:01:17] olha, vamos ter que voltar o que

[01:01:19] tinha antes e ampliar ainda mais a malha.

[01:01:22] Né? Então,

[01:01:24] voltando à tua pergunta,

[01:01:25] só pintar asfalto não

[01:01:27] quer dizer que a cidade é amiga, não. Prefeito, desculpa

[01:01:30] aí, mas

[01:01:30] melhora a condição aí pro ciclista.

[01:01:34] E lembrando, né? Mais um ciclista, ainda menos

[01:01:35] um carro. E aí, você…

[01:01:38] Exato.

[01:01:39] Vai ajudar todo mundo.

[01:01:42] Era isso. Eu ia falar

[01:01:43] basicamente isso, que colocar a ciclovia…

[01:01:45] Isso aconteceu em Brasília. Implementaram

[01:01:47] milhões de ciclovias, que uma que não

[01:01:49] liga a outra, elas não se interligam

[01:01:51] e, do nada,

[01:01:53] existe uma interrupção.

[01:01:56] Ah, que ótimo. Ela para e você fica

[01:01:57] pra onde tá a continuação dela. E você tem que

[01:01:59] sentir onde tá a conexão dela,

[01:02:02] porque

[01:02:02] não é lógico, não é intuitivo.

[01:02:06] Claro, facilitou

[01:02:07] porque tem uma ciclovia, só que eles fizeram assim,

[01:02:09] eles implementaram a ciclovia, mas tiraram as calçadas.

[01:02:12] É, pois é. E aí?

[01:02:13] Vai pintar uma faixa da calçada, né?

[01:02:15] Você vai foder com o pedestre, coitado.

[01:02:16] Não, eles fizeram…

[01:02:17] Eles fizeram pior, eles realmente tiraram as calçadas e colocaram a ciclovia.

[01:02:20] Jesus. Como assim?

[01:02:21] E aí você fica, ué, aham,

[01:02:23] isso aconteceu no plano piloto pelo menos inteiro.

[01:02:26] Mas, gente, isso não…

[01:02:28] Não.

[01:02:29] É terrível. Então, assim, não é… Claro que

[01:02:31] ajuda, as pessoas usam

[01:02:33] ciclovia, mas não é isso.

[01:02:35] Não é uma cidade sensível

[01:02:36] à bicicleta, porque se você

[01:02:39] em algum momento você tem que sair da ciclovia

[01:02:41] e ir pra asfalto,

[01:02:43] você vai ser hostilizado. Tanto que mataram

[01:02:45] vários ciclistas em Brasília.

[01:02:47] Que isso. Mataram vários ciclistas,

[01:02:50] mas é isso. As pessoas simplesmente atropelam

[01:02:51] os ciclistas. Eu mesma já fui atropelada

[01:02:54] na faixa de pedestre.

[01:02:55] Então, é isso.

[01:02:58] Eu achei a questão de conciliação.

[01:03:00] E retomo aquele ponto

[01:03:01] que a Letícia falou anteriormente.

[01:03:03] Da punição. Eu odeio usar esse termo, punição.

[01:03:06] Mas é… Tem horas que tem que ter,

[01:03:08] não tem jeito, né? Colocar medidas,

[01:03:10] né? Colocar medidas

[01:03:11] que gerem…

[01:03:14] É isso, né? Quando toca no bolso das pessoas,

[01:03:16] as pessoas ficam, né?

[01:03:17] Elas se mobilizam.

[01:03:20] Multa, não sei…

[01:03:21] É isso. Infelizmente, a gente trabalha

[01:03:23] com essa forma de didática.

[01:03:26] E as pessoas vão acabar

[01:03:28] acho que talvez se respeitando os ciclistas,

[01:03:29] entendendo um metro e meio,

[01:03:32] né? Mas…

[01:03:34] Ciclovia não é uma coisa que torna

[01:03:35] a cidade sensível ao ciclista. É isso.

[01:03:38] Pode facilitar? Pode, mas…

[01:03:40] Vim nós dois

[01:03:42] sentados numa esquina

[01:03:43] e logo depois

[01:03:46] a gente se combina

[01:03:47] de sair a sós

[01:03:50] andar de bicicleta

[01:03:52] e eu desato os nós

[01:03:54] que acorrenteiam as rodas

[01:03:56] vamos em

[01:03:58] uma sorveteria

[01:04:00] ou pode também

[01:04:01] ser uma padaria

[01:04:03] que receba bem

[01:04:05] não estamos com pressa

[01:04:07] pois o maior bem

[01:04:09] que é o que nos interessa

[01:04:11] é que o passeio seja

[01:04:13] como os momentos

[01:04:17] mais difíceis.

[01:04:19] É, porque eu queria só complementar uma coisa

[01:04:21] porque, e que fique claro, né?

[01:04:23] A gente não é obrigado a andar na ciclovia.

[01:04:26] A bicicleta é um veículo,

[01:04:27] a gente segue, teoricamente, né?

[01:04:29] A gente segue o Código de Trânsito Brasileiro, então

[01:04:31] sendo um veículo, a gente também tem o direito

[01:04:33] de ocupar a pista. Só que

[01:04:35] a gente também tem que andar com velocidade compatível.

[01:04:38] Então, você não vai andar

[01:04:39] devagar demais numa pista de enrolamento,

[01:04:42] mas também você não vai correr muito numa ciclovia.

[01:04:44] Então, você vai andar ali

[01:04:46] naquela situação, se tiver ciclovia,

[01:04:47] se você tiver numa velocidade menor, vai na ciclovia.

[01:04:49] Agora, se você for andar mais rápido,

[01:04:51] o entregador, quem tá fazendo treino, alguma coisa assim,

[01:04:53] vai andar na pista mesmo.

[01:04:55] E o carro tem que respeitar, meu amigo. Chora,

[01:04:57] porque a gente também tem direito de estar no asfalto.

[01:04:59] Então, não adianta passar gritando,

[01:05:01] chutando, tirando

[01:05:03] fim na educativa, porque você tá errado. A bicicleta

[01:05:05] tem direito de estar no trânsito.

[01:05:07] E se você ficar…

[01:05:08] Exato, é exatamente o ponto de ocupar

[01:05:11] o espaço.

[01:05:12] Fim na educativa, eu adorei esse termo.

[01:05:15] Não!

[01:05:16] Você não vai falar não da fim na educativa?

[01:05:17] Fim na educativa?

[01:05:19] É aquela porra daquele filho da puta que quer…

[01:05:22] Não, não, isso é gravíssimo.

[01:05:24] Isso acontece muito.

[01:05:25] É um metro e meio, né?

[01:05:27] Não é, porque o motorista, ele acha que vai corrigir

[01:05:30] a gente passando bem perto, jogando

[01:05:31] o carro pra cima, na maioria das vezes.

[01:05:33] É o que eles querem, na verdade.

[01:05:35] Exatamente, eu tô te educando a você

[01:05:37] não ficar aqui.

[01:05:39] Amedrontar, né?

[01:05:40] A gente fala que é tentativa de homicídio mesmo, porque

[01:05:43] você pega um ônibus,

[01:05:45] a gente tá andando, sei lá, na pista, você pega um ônibus,

[01:05:47] andando a 60 km por hora, ele passa

[01:05:49] a 30 centímetros da tua

[01:05:51] cabeça, né?

[01:05:53] O vácuo vai…

[01:05:54] O vácuo gerado por esse veículo, a massa de ar

[01:05:57] que ele desloca, vai derrubar.

[01:05:59] Então a gente cai pra debaixo da roda dele

[01:06:01] ou bate a cabeça no canteiro.

[01:06:03] E mesmo um capacete não vai adiantar porra nenhuma.

[01:06:05] Então, assim, a fim na educativa

[01:06:07] já tá evoluindo pra tentativa de homicídio

[01:06:09] mesmo. Caraca! Mas é um termo bem comum.

[01:06:12] Gente, cara, que absurdo.

[01:06:13] Gente, vocês chegaram a ver, eu não vou saber

[01:06:15] em que estado isso aconteceu e nem com que

[01:06:17] companhia fez isso. Mas uma

[01:06:19] companhia de ônibus…

[01:06:20] Foi aqui no Espírito Santo, em Cariacica.

[01:06:23] Ah, foi que eles colocaram

[01:06:25] os…

[01:06:27] várias bicicletas fixas, né?

[01:06:29] Na beira da estrada.

[01:06:32] E aí colocavam os ônibus

[01:06:34] pra passar, fazer esse

[01:06:35] fino, né? E aí pra eles

[01:06:37] sentirem na pele, de fato, o que

[01:06:39] que os ciclistas sentem. Eu achei isso fantástico.

[01:06:41] Foi. Teve até um que foi embora, né?

[01:06:43] Um motorista, ó, eu vou sair daqui que eu não aguento

[01:06:45] isso não. Não dou conta, não dou conta.

[01:06:47] Ah, o negócio dele é

[01:06:49] tirar fino. Se ele não puder tirar fino, ele não quer trabalhar isso?

[01:06:51] Não, porque ele sentiu na pele o que a gente sente no

[01:06:53] trânsito. Porque um colega vinha com

[01:06:55] o ônibus chutado e passava a 30 centímetros

[01:06:57] dele. Ele tava na beiradinha

[01:06:59] ali, pedalando a bicicleta estacionada.

[01:07:01] Pra ele poder sentir. Porque, infelizmente, né?

[01:07:03] As pessoas precisam sentir na pele o que acontece

[01:07:05] pra se sensibilizar. É a famosa

[01:07:07] empatia. Exatamente.

[01:07:09] E, infelizmente, no trânsito não tem.

[01:07:11] Falando em

[01:07:13] empatia, né? E você ter que sentir

[01:07:15] na sua pele, o fato dos

[01:07:17] nossos políticos jamais usarem transporte

[01:07:19] público, faz com que nosso transporte

[01:07:21] público seja um cu. E também que não se

[01:07:23] tratem em hospitais públicos, né?

[01:07:26] Só, né? Vamos só

[01:07:27] aproveitar ali.

[01:07:29] Né? Porque quero ver se ficar

[01:07:31] internado no SUS lá.

[01:07:33] Pra cima, né? Aquela cantocada, né?

[01:07:35] Mas eu queria

[01:07:36] voltar rapidinho a essa coisa do transporte

[01:07:39] público, porque a gente não falou muito disso.

[01:07:41] Isso é uma parada bem

[01:07:43] crucial, né? A gente tocou

[01:07:45] marginalmente, falando do transporte de

[01:07:47] Curitiba e tal, não sei o quê. A bicicleta

[01:07:49] é um meio alternativo, né? Embora

[01:07:51] desse perfeitamente ser o

[01:07:53] principal, assim, se as pessoas tivessem

[01:07:55] distâncias menores a percorrer. Mas

[01:07:57] o que que torna

[01:07:59] um transporte alternativo bom?

[01:08:02] Eu queria perguntar

[01:08:03] pra Lisa, assim, vocês veem isso na faculdade

[01:08:05] ou isso é uma coisa pra engenheiro?

[01:08:07] Como é que vocês estudam

[01:08:09] isso e o que que é considerado

[01:08:11] uma boa

[01:08:13] malha de transporte público? Por que

[01:08:15] a gente não consegue fazer isso no Brasil?

[01:08:17] Direito de maneira nenhuma?

[01:08:19] Cara, olha, a gente na faculdade,

[01:08:21] assim, acho que

[01:08:23] cada faculdade de arquitetura tem uma própria

[01:08:25] uma malha curricular,

[01:08:28] então cada faculdade

[01:08:29] funciona de uma forma.

[01:08:31] Na UNB, a gente

[01:08:33] tem essa discussão da questão da mobilidade

[01:08:35] urbana, dentro das matérias de urbanismo,

[01:08:37] principalmente, né?

[01:08:38] Mas eu acho que vai mais uma

[01:08:40] pra questão de uma crítica pessoal

[01:08:43] e pensar

[01:08:45] o que é essa mobilidade urbana,

[01:08:47] o que é que precisa, né, pra uma

[01:08:48] mobilidade urbana funcionar. E querendo ou não,

[01:08:51] a gente tem os nossos setores

[01:08:53] de mobilidade urbana, né,

[01:08:56] ônibus, metrô,

[01:08:57] esterizados.

[01:08:58] O que isso acaba prejudicando muito e beneficiando

[01:09:00] em alguns pontos, né? Porque

[01:09:02] se fosse só público, seria que

[01:09:05] funcionaria melhor? Isso é uma questão que eu já

[01:09:07] coloco até pra vocês. Será que se

[01:09:08] o nosso transporte público fosse

[01:09:10] administrado pelo governo,

[01:09:12] ele funcionaria melhor ou ele funcionaria pior?

[01:09:15] Porque tem essa questão da esterização,

[01:09:17] né, que acabou que os serviços, eles ficam

[01:09:19] sucateados em determinados

[01:09:21] fatores.

[01:09:23] Mas eu acho que tem toda uma questão de infraestrutura

[01:09:25] urbana. Só que é isso, né? Você vai tirar

[01:09:27] uma via pra colocar um corredor

[01:09:29] de ônibus. A sociedade vai

[01:09:31] gostar, no geral? As pessoas que têm carro?

[01:09:33] Já que a gente tem uma cultura completamente

[01:09:35] do automóvel. Eu já vi

[01:09:37] em Brasília, tiraram uma pista

[01:09:39] e colocaram

[01:09:40] ônibus. Existem várias polêmicas.

[01:09:43] A princípio, as pessoas não gostaram, não,

[01:09:45] porque, né, você vai dar prioridade pro transporte

[01:09:46] público. E aí,

[01:09:49] quem vai ter essa melhoria?

[01:09:51] Não vão ser as pessoas que estão de carro,

[01:09:52] não vão ser as pessoas que têm o seu próprio automóvel,

[01:09:55] que têm uma certa renda um pouco

[01:09:56] maior. Então, a gente tem essa discussão da questão

[01:09:59] porque são vários fatores que mexem

[01:10:00] numa mobilidade urbana, né? Além de uma

[01:10:03] infraestrutura, existe a questão

[01:10:05] dos próprios serviços que são

[01:10:06] prestados, que é isso, existe

[01:10:08] questão de financiamento. Então,

[01:10:10] existe essa discussão

[01:10:12] e ela é gigantesca, né?

[01:10:14] Porque, principalmente, além de uma infraestrutura

[01:10:16] urbana que possibilite isso,

[01:10:19] você abrir uma via pra diminuir

[01:10:21] um engarrafamento,

[01:10:23] ela é realmente a melhor

[01:10:24] medida a se tomar? Não é melhor

[01:10:26] você tirar uma via de carro e colocar uma

[01:10:28] de transporte público, fazer um corredor de ônibus

[01:10:30] pra que funcione melhor

[01:10:32] assim? E aí também que tem a

[01:10:34] questão das frotas, das rotas,

[01:10:37] como servir melhor

[01:10:38] cada setor da cidade, como que eles vão

[01:10:40] se interligar.

[01:10:42] Existe uma engenharia de transporte, né, também,

[01:10:45] que acho que talvez pensaria um pouco melhor.

[01:10:46] Eu acho que da arquitetura e do urbanismo, a gente

[01:10:48] pensa mais a questão de infraestrutura

[01:10:50] urbana pra

[01:10:52] permitir que esse transporte urbano

[01:10:54] funcione da melhor forma possível.

[01:10:57] E a engenharia de tráfego vai

[01:10:58] fazer com que ele funcione, né?

[01:11:00] Exato. Então, são várias…

[01:11:02] Vai dar demandas e vai direcionar

[01:11:04] a frota e tal.

[01:11:07] Exato, são somas. E, claro, o que a gente

[01:11:08] pensa é o urbanismo, né? E, assim, eu não gosto

[01:11:10] de colocar o urbanismo como uma coisa só de

[01:11:12] arquiteto, porque eu acho que o urbanismo

[01:11:14] não é um setor só de arquiteto,

[01:11:16] de arquitetos. Eu acho que o urbanismo

[01:11:18] envolve milhões

[01:11:20] de outras especificidades.

[01:11:23] O pessoal da geografia, talvez,

[01:11:25] pense mais no urbanismo do que

[01:11:26] arquiteto, entendeu? O pessoal da

[01:11:28] sociologia, da antropologia, até

[01:11:30] o pessoal da engenharia de transporte.

[01:11:33] Porque é isso, a cidade é uma

[01:11:34] coisa gigantesca, né? Pensar

[01:11:36] os fluxos, pensar todas…

[01:11:38] Como servir determinados

[01:11:40] setores, como fazer

[01:11:42] essa mobilidade funcionar

[01:11:44] pra todos e pra tudo,

[01:11:46] né?

[01:12:16] Um dos insights muito interessantes dela

[01:12:18] naquele episódio, sobre

[01:12:20] como o espaço

[01:12:22] público que, à noite,

[01:12:24] quando as pessoas vão pras suas casas,

[01:12:27] é ocupado por aquelas pessoas.

[01:12:29] Sim, isso é

[01:12:30] incrível. Sim, e você

[01:12:32] transforma, né? A cidade se transforma,

[01:12:34] porque ela tem usos diferentes

[01:12:36] dependendo da hora do dia e dependendo

[01:12:38] da população que tá ali, né? Então,

[01:12:40] principalmente no Brasil, onde as pessoas normalmente

[01:12:42] não moram muito no centro,

[01:12:44] nas cidades maiores, durante o dia,

[01:12:46] o centro é

[01:12:48] super movimentado,

[01:12:50] né? E nos dias

[01:12:52] e nos horários em que não tem gente trabalhando,

[01:12:55] a parada fica um deserto. Inclusive,

[01:12:56] nós fomos assaltados assim, né, seu Tiago?

[01:12:58] Nossa! Porque a gente

[01:13:00] tava no centro, que normalmente

[01:13:02] é aquela encruzilhada ali,

[01:13:04] aquela praça super movimentada,

[01:13:06] a gente tava no domingo, na hora do almoço,

[01:13:08] e não tinha um cão na rua,

[01:13:10] e a gente se fudeu. Eu moro

[01:13:12] num bairro classe média e tal,

[01:13:14] e muitos prédios na rua,

[01:13:16] mas tem uma

[01:13:17] marquise que todo dia de manhã cedo

[01:13:20] tem um carrinho de

[01:13:21] coletor de papel, né, reciclador,

[01:13:24] tem um barraquinho

[01:13:26] muito, muito

[01:13:27] primário, assim, uma cobertura,

[01:13:30] com uma caixa, a gente não vê

[01:13:31] quem está lá dentro, mas sabe que tem uma pessoa lá.

[01:13:34] Eu levo meu filho, passo lá, no mesmo horário

[01:13:36] sempre, o carrinho tá parado e tal,

[01:13:38] e de noite ele não tá.

[01:13:41] E é isso, né?

[01:13:42] A gente, pô,

[01:13:44] o cara trabalhou a noite inteira carregando,

[01:13:46] e reciclando,

[01:13:48] e abrindo lixo aqui do bairro e tal,

[01:13:50] e durante o dia ele tá lá

[01:13:51] descansando, repousando, e vai ficar

[01:13:53] dormindo até meio-dia,

[01:13:56] e aí, enfim, foi só uma

[01:13:58] situação que acabou me vindo

[01:14:00] aqui na mente, justamente

[01:14:02] por isso, né, porque as pessoas utilizam a cidade

[01:14:04] de acordo com as suas necessidades,

[01:14:06] em horários diferentes e tal,

[01:14:08] então, enquanto a cidade tá acordando

[01:14:10] aqui, ele tá lá

[01:14:11] dormindo, terminou o expediente dele,

[01:14:14] na barraquinha dele, debaixo da

[01:14:16] marquise lá, e tal.

[01:14:18] Quem olha, acha que é um vagabundo que tá dormindo

[01:14:20] quando todo mundo acordar trabalhando, né?

[01:14:22] Mas esquece de pensar que ele

[01:14:24] trabalhou a noite toda, coitado.

[01:14:26] Exatamente. O que eu ia fazer de link

[01:14:28] é que eu tive a oportunidade de, acho que foi

[01:14:30] em 2000, eu não vou lembrar

[01:14:32] o ano ao certo, foi em 2016,

[01:14:34] eu acho que foi em 2016,

[01:14:36] ou 2015, que eu

[01:14:38] vivi um evento

[01:14:39] de São Paulo, que era a ocupação do centro.

[01:14:43] Eles chamaram uns 13

[01:14:44] coletivos de festa,

[01:14:46] eu não sei se foram 13 ao certo,

[01:14:49] mas é isso, eles fizeram uma grande

[01:14:50] festa no centro de São Paulo, e tinha

[01:14:52] um mapeamento, em que você podia

[01:14:54] se baixar o aplicativo,

[01:14:56] e aí você acompanhava qual que tava

[01:14:58] em cada lugar ali do centro,

[01:15:01] e aí eu lembro

[01:15:02] que eu tava ali naquela

[01:15:03] ocupação, e eu tava com

[01:15:06] uns amigos também, e a gente ficou

[01:15:08] super refletindo

[01:15:09] o que que aquilo era,

[01:15:12] porque assim, tanto que eu e minha namorada na época

[01:15:14] a gente se incomodou muito, porque

[01:15:16] aquele centro ele já é ocupado,

[01:15:18] né, e festa pra mim

[01:15:20] eu posso até

[01:15:22] criar certas

[01:15:23] inimizades com isso que eu vou falar, mas

[01:15:26] festa pra mim não é ocupação, festa

[01:15:27] pra mim é, sei lá, é um evento,

[01:15:30] é uma ação, mas

[01:15:32] ocupação pra mim é outra coisa, ocupação é muito mais uma coisa

[01:15:34] política, eu acho que você chegar

[01:15:36] num lugar onde as pessoas já habitam ali

[01:15:38] à noite, e que talvez seja o único

[01:15:40] lugar que ela vai dormir em paz,

[01:15:42] e aí você faz uma festa, em que

[01:15:44] sei lá, vai trazer um ambiente de

[01:15:46] música alta, de drogas,

[01:15:48] bebida, em que

[01:15:50] vai atrapalhar o sono das pessoas

[01:15:51] que habitam ali, que a única oportunidade delas

[01:15:53] dormirem em paz é naquele lugar,

[01:15:55] e aí as pessoas acabam mijando onde as pessoas

[01:15:57] dormem, que foi cenas que eu presenciei,

[01:16:00] e eu saí transtornada de lá, eu falei

[01:16:01] cara, isso pra mim é terrível, porque

[01:16:03] uma coisa é você propor

[01:16:05] uma ocupação desses coletivos

[01:16:07] de apresentar ações

[01:16:09] pra essas pessoas que moram ali,

[01:16:11] fazer atividades com que elas interagem,

[01:16:13] sei lá, fazer um workshop,

[01:16:15] um

[01:16:16] orto urbano, mas não, uma festa

[01:16:18] à noite pra trazer galera que é, sei lá, de classe média

[01:16:20] pra ocupar o centro à noite?

[01:16:21] Virar baladinha, né? Em vez de fazer uma coisa que…

[01:16:24] É, uma baladona, eram

[01:16:25] 13 coletivos, era uma coisa megalomaníaca,

[01:16:28] e aí é aquilo

[01:16:29] que vocês falaram, tipo,

[01:16:32] existem pessoas que ocupam esse espaço,

[01:16:34] esse lugar não é vazio,

[01:16:36] ele é ocupado, pessoas dormem

[01:16:38] ali, talvez a única possibilidade dela dormir

[01:16:39] é ali, porque ali

[01:16:41] é vazio, né, depois que o comércio

[01:16:43] fecha, então ali ela vê um lugar de

[01:16:46] abrigo, e aí você traz uma

[01:16:47] bagunça, festa e

[01:16:49] pessoas fazendo xixi na rua e bebida

[01:16:51] e aquilo, e eu lembro que eu vi

[01:16:54] essa cena de várias pessoas enfileiradinhas

[01:16:56] assim, com as cobertas

[01:16:57] e galera, velho, fazendo xixi do lado delas

[01:16:59] e tipo, jogando latinha, e eu

[01:17:01] fiquei, gente, isso não é uma ocupação,

[01:17:04] não chama isso de ocupação, sabe?

[01:17:06] Isso é uma festa, é uma festa no centro,

[01:17:08] não uma ocupação no centro.

[01:17:09] Sim, é, aqui no

[01:17:11] aqui no Sul, maravilha, né?

[01:17:14] No Sul é meu país,

[01:17:16] merda.

[01:17:18] Aqui nós temos um

[01:17:19] desculpa, gente, eu

[01:17:22] começo a, eu vou de boa

[01:17:24] e eu vou escalando, assim, eu começo todo

[01:17:25] episódio de boa e eu sempre pioro.

[01:17:28] Mas aqui

[01:17:29] no Sul, maravilha,

[01:17:31] nós temos um acontecimento

[01:17:34] muito curioso, que são os

[01:17:35] Stantich. O

[01:17:37] Stantich é uma porra de uma palavra

[01:17:39] alemã, que basicamente seria

[01:17:41] como encontro dos amigos.

[01:17:44] É, pra quem acha

[01:17:46] que é alemão, mas que não é

[01:17:47] porra nenhuma não ser um latino

[01:17:49] safado ou lambibota,

[01:17:52] que resolve

[01:17:54] que nós vamos recuperar

[01:17:56] um passado

[01:17:57] de antepassados que nós nunca tivemos

[01:17:59] e reviver uma tradição

[01:18:01] que nunca existiu aqui do Stantich

[01:18:03] e aí eles pegam

[01:18:05] e colocam gazebos,

[01:18:08] quiosques

[01:18:09] montáveis e tal,

[01:18:11] em ruas do centro da cidade

[01:18:14] num domingo à noite,

[01:18:16] num domingo à tarde, pra passar

[01:18:17] a tarde inteira bebendo

[01:18:20] e fazendo bagunça

[01:18:21] e os lugares são basicamente

[01:18:23] alugados

[01:18:24] pra você colocar um gazebo

[01:18:28] num Stantich desse

[01:18:29] sai, sei lá, uns mil e duzentos reais

[01:18:32] Sim, sim

[01:18:34] não tô zoeira não

[01:18:35] tem isso aqui em Genville, tem em Blumenau

[01:18:38] onde eu já morei também

[01:18:39] tem em outras cidades

[01:18:42] de colonização alemã

[01:18:43] certamente alguém

[01:18:45] do Rio Grande do Sul que nos ouve vai dizer

[01:18:47] que tem na sua cidade também

[01:18:48] e as pessoas pagam, sei lá,

[01:18:51] mil e duzentos, mil e quatrocentos reais pra colocar um gazebo

[01:18:53] e aí embaixo desse gazebo

[01:18:55] eles fazem o seu churrasquinho

[01:18:57] alugam

[01:18:59] um barril de chope

[01:19:01] e ficam lá enchendo a cara durante a tarde

[01:19:03] toda e bebendo até

[01:19:05] todo mundo ficar bem louco e começar

[01:19:07] a brigar e sempre acabam em briga porque

[01:19:09] roer, roer Brasil BR

[01:19:11] mas

[01:19:12] isso é

[01:19:15] por muita gente é visto como

[01:19:17] uma ocupação do lugar

[01:19:18] porque no domingo à noite nos centros

[01:19:21] como todo mundo mora na periferia

[01:19:23] essas pessoas vão pra lá

[01:19:25] pra interagir

[01:19:27] e beber e fazer festa

[01:19:29] com os seus amigos

[01:19:30] quando na verdade é um bando de playboy do caralho

[01:19:33] que consegue gastar mais de um salário

[01:19:35] mínimo pra alugar um gazebo

[01:19:37] na rua

[01:19:37] e é isso que é, é alugar um gazebo na rua

[01:19:41] não tem cunho social nenhum

[01:19:43] não vai, não vai

[01:19:44] acrescentar nada pra quem precisa

[01:19:47] não, isso não tá fazendo bem algum

[01:19:49] a menor parcela

[01:19:51] da sociedade, não tá fazendo bem algum

[01:19:53] nem pra eles esse bando de filho da puta

[01:19:55] mas eu

[01:19:56] eu tô mandando pra vocês

[01:19:59] no nosso chat

[01:20:01] aqui um link de uma dessas

[01:20:03] porcarias pra vocês terem uma ideia

[01:20:05] do que eu tô falando

[01:20:14] eu tenho uma ocupação legal pra falar

[01:20:36] oi

[01:20:36] opa, estamos precisando

[01:20:39] no dia da gravação, nós estamos gravando hoje

[01:20:41] pode falar a data, não pode?

[01:20:43] manda ver

[01:20:44] hoje é dia 14

[01:20:46] no dia 16 agora, no sábado

[01:20:48] vai ter o pedalada pelada

[01:20:50] não sei se vocês já ouviram falar

[01:20:52] lá em São Paulo

[01:20:53] em que os ciclistas vão pelados

[01:20:57] pedalar, sai lá da Avenida Paulista

[01:20:59] enfim

[01:21:01] são centenas de ciclistas

[01:21:03] que vão, os mais desinibidos

[01:21:05] vão só com tênis e meia

[01:21:07] tem aqueles mais tímidos

[01:21:09] colocam tapa sexo, outros vai sem camisa

[01:21:11] e tal, mas é uma

[01:21:13] ocupação temporária

[01:21:14] é um grande evento e tal

[01:21:16] mas a ideia do pelado

[01:21:19] é pra justamente mostrar

[01:21:20] a fragilidade do ciclista

[01:21:22] ele tá nu, ele tá completamente exposto

[01:21:24] sim, ele é o seu próprio para-choque

[01:21:26] ele é o próprio para-choque

[01:21:28] exatamente, então é uma ocupação

[01:21:30] física e uma ocupação

[01:21:32] literal, porque

[01:21:33] impedem o trânsito e tal

[01:21:36] mas é uma forma

[01:21:38] bem provocativa

[01:21:40] de se mostrar

[01:21:41] como pessoa

[01:21:43] como usuário

[01:21:45] e como frágil

[01:21:46] como um elo bastante frágil

[01:21:48] se a gente pensar, trânsito

[01:21:50] de veículos e pedestres e ciclistas

[01:21:53] e é pelado justamente por isso

[01:21:54] pra mostrar a fragilidade

[01:21:55] então me veio agora a mente isso aí

[01:21:58] que vai acontecer agora, mas quando você ouviu já aconteceu

[01:22:00] então procure aí no Google

[01:22:01] pedalada pelada 2019 que vocês vão ver

[01:22:04] bastante coisa legal, e tem um monte de manifestação

[01:22:06] também junto

[01:22:07] vários coletivos vão

[01:22:09] se fazem presentes e tal, é bastante interessante

[01:22:13] eu não moro em São Paulo, então não dá pra eu ir

[01:22:15] mas muito legal

[01:22:16] sim, sim, é massa

[01:22:17] desculpa, mas aí eu acabei interrompendo

[01:22:19] Thiago, você tem alguma coisa pra perguntar agora?

[01:22:23] eu tava

[01:22:24] buscando as coisas distantes pra mandar pra vocês

[01:22:27] aí, mas

[01:22:28] eu

[01:22:29] algumas coisas que me passaram pela cabeça

[01:22:32] e eu preciso falar antes que me fujam

[01:22:35] de novo, nós já citamos aqui

[01:22:37] duas ou três vezes

[01:22:38] o transporte público de Curitiba

[01:22:40] ele durante muito tempo foi o

[01:22:42] uma referência no Brasil

[01:22:44] de um modal

[01:22:46] com uma mobilidade incrível

[01:22:48] que desafogou o trânsito

[01:22:50] que deu agilidade, que era eficiente

[01:22:53] que era acessível, que era barato

[01:22:55] nos últimos anos

[01:22:57] o transporte público

[01:22:59] de Curitiba vem

[01:23:00] sofrendo grandes ataques

[01:23:03] ele vem

[01:23:05] decaindo na sua

[01:23:07] na sua

[01:23:08] efetividade, ele não é mais tão eficiente

[01:23:11] quanto já foi um dia

[01:23:12] ele não é mais tão eficiente quanto já foi um dia

[01:23:12] ele não é mais tão acessível

[01:23:14] em preço quanto já foi um dia

[01:23:16] ele já não faz

[01:23:18] aquele bem danado que já fez

[01:23:21] nos anos 90

[01:23:22] muita gente tem se aproveitado

[01:23:24] desse fato

[01:23:26] pra atacá-lo

[01:23:28] como uma forma de

[01:23:30] quem sabe reverter alguns

[01:23:32] avanços que custaram caro

[01:23:34] com relação a corredores exclusivos

[01:23:37] de ônibus, com relação

[01:23:38] a alguns

[01:23:40] fatores de mobilidade

[01:23:42] que foram exclusivas pra

[01:23:43] transformar esse modal em efetivo

[01:23:46] e a gente sabe que se

[01:23:48] uma rua que tinha

[01:23:50] duas faixas exclusivas pra ônibus

[01:23:52] perder essas duas faixas

[01:23:54] para carros

[01:23:55] é um círculo vicioso que

[01:23:58] o transporte que

[01:23:59] parecia ineficiente

[01:24:01] torna-se mais ineficiente por tê-lo

[01:24:04] perdido, então eu

[01:24:06] só gostaria aqui de mandar um grandíssimo

[01:24:08] vai tomar no cu pra todo mundo

[01:24:10] que defende

[01:24:12] os ataques

[01:24:14] ao transporte público de Curitiba

[01:24:16] hoje, o transporte público

[01:24:18] de Curitiba eu não vou

[01:24:20] negar que tem piorado

[01:24:22] durante algum tempo

[01:24:23] mas que a cidade

[01:24:26] estaria muito pior se ele não

[01:24:28] estivesse lá durante todo esse tempo

[01:24:30] a decadência

[01:24:32] da qualidade e da eficiência dele

[01:24:34] não tem a ver

[01:24:35] com os motivos apontados

[01:24:38] tem gente falando

[01:24:39] usando o Bogotá como um

[01:24:42] espantalho porque Bogotá

[01:24:44] tinha um trânsito caótico

[01:24:46] desgraçado e

[01:24:48] se baseou em muita coisa

[01:24:50] do transporte coletivo de Curitiba

[01:24:52] veio pra Curitiba, inclusive

[01:24:53] a prefeitura de Bogotá pra fazer um estudo

[01:24:56] e implementar esse modal lá também

[01:24:58] e hoje

[01:25:00] no mundo

[01:25:01] o transporte mais caótico

[01:25:04] do mundo é o de Bogotá

[01:25:06] as pessoas de Bogotá passam

[01:25:07] em média 11

[01:25:09] dias no trânsito

[01:25:11] 260

[01:25:12] 72 horas

[01:25:13] e todo mundo tem usado isso

[01:25:15] como, ó, isso que dá a copiar Curitiba

[01:25:18] não vamos esperar Curitiba ficar assim

[01:25:20] vamos tomar uma atitude

[01:25:21] e a atitude é foder o transporte público

[01:25:24] então, assim

[01:25:26] eles estão usando isso como

[01:25:27] um grande espantalho

[01:25:29] quem procurar

[01:25:31] com alguma atenção e com alguma

[01:25:33] boa vontade vai descobrir

[01:25:36] que metade

[01:25:37] das coisas que foram

[01:25:40] recomendadas

[01:25:41] à prefeitura de Bogotá

[01:25:42] não foram feitas nos últimos 20 anos

[01:25:45] inclusive eixos viários

[01:25:47] que seriam essenciais

[01:25:49] para o transporte público

[01:25:50] eles já tiveram inclusive consultoria

[01:25:53] de uma agência de cooperação

[01:25:56] japonesa

[01:25:58] pra transpor algumas

[01:25:59] coisas da eficiência

[01:26:01] de transporte público do Japão

[01:26:03] para Bogotá

[01:26:04] e nenhuma delas foi efetivada

[01:26:07] o crescimento

[01:26:09] populacional é grande

[01:26:11] e a gente tem que pensar que o crescimento populacional é grande

[01:26:11] o crescimento

[01:26:13] vertical da cidade

[01:26:15] é maior ainda

[01:26:17] os prédios estão

[01:26:18] crescendo como loucos

[01:26:21] sem uma regulamentação

[01:26:24] que limite

[01:26:24] corretamente o plano diretor

[01:26:27] então, se alguém utilizar o caso

[01:26:29] de Bogotá pra atacar

[01:26:31] cidades como Curitiba

[01:26:33] e tudo que ela fez pelo transporte público

[01:26:35] não dá nem atenção

[01:26:37] porque a pessoa

[01:26:38] ou ela é muito desinformada

[01:26:40] e muito desinformada

[01:26:41] mesmo, porque com 3 cliques

[01:26:44] você pode chegar em algum lugar

[01:26:45] que te elucide sobre isso

[01:26:46] ou ela é uma canalha

[01:26:48] não tem meio termo

[01:26:52] eu só precisava tirar isso

[01:26:54] do meu coração

[01:26:54] vocês podem trocar agora

[01:26:56] você comentou de prédio subindo

[01:27:00] eu só lembrei o caso

[01:27:01] de Balneário Camboriú

[01:27:02] que é aí do lado

[01:27:03] 3 horas da tarde

[01:27:07] não tem mais sol na praia

[01:27:08] caralho bicho

[01:27:09] essa situação

[01:27:10] é

[01:27:11] trágica demais

[01:27:12] isso é muito louco

[01:27:15] e aí entra de novo a parada

[01:27:17] da política pública

[01:27:18] com punição

[01:27:20] como a Alissa tinha falado

[01:27:21] apesar do nome ser desagradável

[01:27:23] mas a gente sabe que tem que rolar

[01:27:25] meu irmão, não pode construir acima de tantos metros

[01:27:27] e acabou, porque senão não tem sol na praia

[01:27:30] é uma parada muito louca

[01:27:31] e a gente vê essas coisas acontecendo

[01:27:34] e fica por isso mesmo

[01:27:36] o prédio tá lá, enorme

[01:27:37] todo bonitão, vendido

[01:27:39] caríssimo

[01:27:41] um prédio de 3 milhões, 4 milhões

[01:27:43] são prédios de mais de 20 andares

[01:27:45] em Balneário Camboriú

[01:27:46] e é uma exceção de praia

[01:27:48] é uma praia minúscula

[01:27:49] desculpa acabar interrompendo

[01:27:51] mas vai explicar pro pessoal

[01:27:53] deve ter uns 4 quilômetros, 5

[01:27:55] de comprimento

[01:27:57] a faixa de areia pequenininha

[01:27:58] especulação imobiliária no talo

[01:28:00] pressão de político

[01:28:02] pra mudar PDU, PDM

[01:28:05] PDM

[01:28:06] essas tretas todas de imobiliária com político

[01:28:09] e vista grossa

[01:28:10] e de repente

[01:28:11] tem um paredão que

[01:28:12] duas horas da tarde

[01:28:13] não tem mais sombra na praia

[01:28:15] você tinha falado em quantos andares, Werther?

[01:28:20] eu falei mais de 20

[01:28:21] porque se eu tenho certeza

[01:28:22] mas parece que tem uns de 40, não é isso?

[01:28:25] tem um monstro aí

[01:28:26] então, tem um que está em construção

[01:28:30] que terá 81 pavimentos

[01:28:33] ai, que doideira

[01:28:34] e imagina a densidade de população

[01:28:36] 80 e tantos andares aí

[01:28:38] no quarteirão da praia

[01:28:40] como que essa densidade

[01:28:41] responde a isso

[01:28:42] que tipo, tudo bem

[01:28:43] que a maior parte da população

[01:28:44] não mora lá

[01:28:45] as pessoas vão pro verão

[01:28:47] mas junta todo mundo

[01:28:48] porque as férias das crianças

[01:28:49] são todas no mesmo período

[01:28:51] então, todo mundo vai na mesma época

[01:28:52] como que a cidade consegue responder

[01:28:54] a essa demanda

[01:28:55] inchada no meio do nada

[01:28:57] o cara paga 3 milhões no apartamento

[01:28:59] e no verão não tem água pra ele

[01:29:01] olha que coisa linda

[01:29:02] legal, né?

[01:29:03] de que adianta isso?

[01:29:04] espertão

[01:29:04] bonitão, comprou a vista bonita

[01:29:06] e imagina a densidade populacional

[01:29:08] desse local, né?

[01:29:09] porque, né?

[01:29:11] porra, 80 andares

[01:29:13] com as famílias morando

[01:29:14] numa área restrita

[01:29:15] gente, que loucura

[01:29:17] e aí é um caso muito interessante

[01:29:18] porque não tem a luz solar

[01:29:21] né?

[01:29:21] luz física, luz solar

[01:29:23] a faixa de areia a partir de

[01:29:25] sei lá, 2 horas, 3 horas da tarde

[01:29:27] e é uma reação em cadeia

[01:29:29] porque isso impacta na vida das pessoas

[01:29:31] porque o trânsito fica muito louco

[01:29:32] existe falta d’água

[01:29:33] e assim, eu acho que ninguém pensou nisso também

[01:29:36] aí eu vou voltar pra biologia de novo, né?

[01:29:38] tem uns bichos aí que vivem

[01:29:40] briosoários aí

[01:29:41] que a gente chama de vertebrados marinhos

[01:29:42] que eles adoram a área

[01:29:43] com pouca movimentação de água

[01:29:46] e com sombra

[01:29:47] e que balneário camboriô

[01:29:48] é uma enseada, né?

[01:29:49] abrigada, então

[01:29:49] não tem praticamente muita corrente marinha lá

[01:29:51] água parada

[01:29:53] pouco hidrodinamismo

[01:29:54] e aí ocorre

[01:29:55] boom, bloom

[01:29:56] explosão de reprodução desses bichos

[01:29:58] esses bichos morrem

[01:30:00] apodrecem

[01:30:01] a praia fica com odor

[01:30:02] eu gosto, né?

[01:30:03] aquele cheiro de marizia

[01:30:04] por causa da minha formação

[01:30:05] mas pra quem não gosta

[01:30:06] é aquele cheiro de

[01:30:07] peixe podre

[01:30:08] na faixa de areia todo dia

[01:30:10] e os caras

[01:30:11] terem que tirar, assim

[01:30:12] 10, 20 caminhões

[01:30:13] de briosoário

[01:30:14] por semana

[01:30:15] recolhendo areia da praia

[01:30:16] puta, que pariu

[01:30:17] então impacta

[01:30:18] a ecologia humana

[01:30:20] a ecologia

[01:30:21] ecológica

[01:30:23] o meio ambiente

[01:30:24] impacta tudo

[01:30:24] por conta de especulação imobiliária, cara

[01:30:26] é ridículo

[01:30:27] cara, que loucura

[01:30:29] ridículo, ridículo

[01:30:30] que merda, né?

[01:30:31] é muito efeito

[01:30:32] um cascata, né?

[01:30:33] é, exatamente

[01:30:34] aí a solução

[01:30:34] é muito fora de controle

[01:30:36] uma solução que

[01:30:36] as imobiliárias deram

[01:30:38] ou sugeriram

[01:30:40] é fazer um engordamento

[01:30:41] de praia

[01:30:41] é você

[01:30:42] estender a faixa de areia

[01:30:44] né?

[01:30:45] foda-se

[01:30:45] o ecossistema

[01:30:47] que já existe lá

[01:30:48] porque se tem muita sombra

[01:30:50] né?

[01:30:50] a sombra atual

[01:30:51] já cobre areia

[01:30:51] então vamos estender

[01:30:52] um pouco mais, né?

[01:30:53] vamos colocar algumas centenas

[01:30:54] de metros de areia aí

[01:30:55] é

[01:30:56] alterando completamente

[01:30:58] o ecossistema

[01:30:59] de hidrodinamismo local

[01:31:00] pra

[01:31:01] pra tentar fazer

[01:31:02] um greenwash aí

[01:31:03] pra dizer que tem

[01:31:04] é

[01:31:05] menos sombra

[01:31:06] na areia da praia

[01:31:07] aumentando a praia

[01:31:08] é ridículo

[01:31:10] depois que a merda

[01:31:11] foi feita

[01:31:11] sensacional

[01:31:11] já era

[01:31:12] é, o problema é que

[01:31:14] são coisas irreversíveis

[01:31:15] né, cara?

[01:31:16] o pessoal faz umas paradas

[01:31:17] que você não volta a dar, né?

[01:31:18] depois

[01:31:18] depois que a água

[01:31:20] literalmente

[01:31:21] bater na bunda

[01:31:22] do cara do terceiro andar

[01:31:23] por causa de uma ressaca

[01:31:25] aí eles vão entender

[01:31:27] o que será que aconteceu

[01:31:28] você acha que entende?

[01:31:30] eu sempre acho que não entende

[01:31:31] vai botar

[01:31:32] vai botar a culpa em alguém

[01:31:34] né?

[01:31:35] então a culpa não vai ser dele

[01:31:41] eu queria perguntar pra Alissa

[01:32:03] agora mudando radicalmente de assunto

[01:32:04] né, passando de pau pra pinto

[01:32:06] como dizia uma amiga minha

[01:32:07] eu queria voltar com a Alissa

[01:32:10] com essa coisa

[01:32:10] da

[01:32:11] de como a mulher

[01:32:12] vivencia a cidade

[01:32:14] de maneira

[01:32:14] diferente

[01:32:15] você

[01:32:16] no seu coletivo

[01:32:18] de arquitetas

[01:32:18] mulheres e tal

[01:32:19] não sei o que

[01:32:20] vocês trabalham em cima disso

[01:32:21] de qual maneira?

[01:32:23] então

[01:32:24] a gente

[01:32:24] acaba que

[01:32:26] o nosso TED

[01:32:27] inclusive

[01:32:28] é uma grande análise

[01:32:29] como que a cidade

[01:32:30] modernista

[01:32:31] ela é extremamente hostil

[01:32:32] à mulher

[01:32:33] e a gente usou o exemplo

[01:32:34] muito de Brasília

[01:32:35] porque era um TEDx

[01:32:36] em Brasília, né?

[01:32:37] então

[01:32:37] a gente trouxe

[01:32:39] bastante isso

[01:32:40] inclusive se quiser

[01:32:41] deixar o link

[01:32:41] que eu posso

[01:32:42] que eu posso enviar o link

[01:32:44] também na conversa aqui

[01:32:45] manda, manda

[01:32:46] então

[01:32:46] e assim

[01:32:48] acho que

[01:32:48] o coletivo ele surgiu

[01:32:50] a gente pensando

[01:32:51] como a mulher

[01:32:52] era invisibilizada

[01:32:53] dentro da arquitetura, né?

[01:32:54] sendo que quando a gente

[01:32:55] olhava pro redor

[01:32:56] só tinha mulheres

[01:32:57] no curso

[01:32:57] e a gente falava

[01:32:58] por que essas mulheres

[01:32:59] a gente não estuda as mulheres

[01:33:00] já que somos, né?

[01:33:02] maioria no curso

[01:33:03] e aí a gente começou a estudar

[01:33:05] mulheres que

[01:33:05] que eram urbanistas

[01:33:07] que eram paisagistas

[01:33:08] que eram grandes arquitetas

[01:33:09] que eram

[01:33:09] grandes arquitetas

[01:33:11] em causas

[01:33:11] em projetos sociais

[01:33:13] a partir disso

[01:33:13] a gente começou a desmembrar

[01:33:14] tipo

[01:33:15] pra além de só encontrar

[01:33:16] essas mulheres

[01:33:17] a gente começou a tentar

[01:33:18] entender

[01:33:19] por que elas eram invisibilizadas

[01:33:20] e é isso

[01:33:21] isso acontece

[01:33:22] em todos os setores

[01:33:23] não é uma coisa

[01:33:24] da arquitetura

[01:33:25] as mulheres não recebem mérito

[01:33:26] pelo que elas fazem

[01:33:27] e aí cada integrante

[01:33:29] meio que foi conduzindo

[01:33:31] também a pesquisa

[01:33:31] conforme

[01:33:32] foi vivendo, né?

[01:33:34] uma das integrantes

[01:33:34] ela

[01:33:35] ela fez a

[01:33:37] ela participou

[01:33:38] da residência

[01:33:38] da FAUSP

[01:33:39] Gestão Urbana

[01:33:41] que era uma reformulação

[01:33:43] do Plano Diretor de São Paulo

[01:33:44] e o trabalho dela

[01:33:46] foi um recorte de gênero

[01:33:47] era um recorte

[01:33:49] sobre a vivência da mulher

[01:33:51] dentro desse contexto

[01:33:52] em que ela estava estudando, né?

[01:33:54] e é isso

[01:33:54] as nossas pesquisas

[01:33:55] elas vão muito

[01:33:56] pro que cada uma pesquisa, né?

[01:33:59] eu tenho muito uma pesquisa

[01:34:00] sobre intervenção urbana

[01:34:01] então eu acabo

[01:34:02] me usando como um objeto de estudo

[01:34:04] como que é

[01:34:05] eu como uma mulher

[01:34:06] intervindo no espaço

[01:34:08] e como que é essa minha vivência

[01:34:09] e repensar também

[01:34:11] existe uma máxima

[01:34:12] que diz que

[01:34:13] se uma mulher se sente segura

[01:34:15] no espaço

[01:34:15] todo mundo se sente seguro também

[01:34:17] e a gente cai

[01:34:18] no que o Berta tinha falado

[01:34:20] do trânsito

[01:34:20] ser amigável também, né?

[01:34:22] ser menos

[01:34:22] exato

[01:34:23] selvagem, né?

[01:34:24] na verdade é um sintoma

[01:34:26] um sinal, né?

[01:34:27] mais sintoma do que

[01:34:28] mais sinal do que sintoma

[01:34:29] é o fato de

[01:34:30] é um indicador, né?

[01:34:31] tipo, não é a causa

[01:34:32] é um indicador

[01:34:33] e aí, sei lá

[01:34:35] e se é uma mulher negra

[01:34:36] que se sente segura no espaço

[01:34:38] e aí é mais ainda, entende?

[01:34:40] porque são os recortes

[01:34:41] e é isso

[01:34:43] é o que a gente fala

[01:34:44] como mulheres que trabalham

[01:34:47] nesses setores

[01:34:48] que a gente precisa estar

[01:34:49] nesses lugares

[01:34:50] para que existam mulheres

[01:34:52] fazendo cidade

[01:34:53] para todos

[01:34:54] porque a partir do momento

[01:34:55] que mulheres pensam

[01:34:56] num espaço

[01:34:57] em que elas se sentam seguras

[01:34:59] todo mundo vai se sentir seguro também

[01:35:01] então vão ser cidades

[01:35:02] muito mais inclusivas

[01:35:03] cidades muito mais acessíveis

[01:35:06] Alisa, define aí

[01:35:07] para quem está ouvindo

[01:35:08] porque para a gente

[01:35:09] que é a mulher é óbvio

[01:35:09] mas define para todos

[01:35:11] todo mundo que está ouvindo

[01:35:11] o que é uma cidade

[01:35:13] onde a mulher se sente segura

[01:35:14] o que precisa mudar

[01:35:15] com relação ao que a gente tem

[01:35:17] dá um exemplo aí

[01:35:18] de uma parte da cidade

[01:35:20] uma cidade que é segura

[01:35:21] para a mulher

[01:35:21] e outra que não é

[01:35:22] que tipo de estrutura

[01:35:24] desenha aí um pouquinho

[01:35:25] para a gente

[01:35:25] cara, eu acho que existem

[01:35:27] as pessoas acham que segurança

[01:35:30] é só iluminação, né?

[01:35:31] mas não é

[01:35:32] não é só iluminação

[01:35:33] uma das nossas integrantes

[01:35:37] ela fez um

[01:35:38] era um manual

[01:35:40] que ela fez

[01:35:41] de urbanismo tátil

[01:35:42] urbanismo tátil

[01:35:43] é um urbanismo

[01:35:44] que a própria comunidade faz

[01:35:46] que não é um urbanismo

[01:35:48] para além da nossa existência

[01:35:50] mas é um urbanismo

[01:35:51] que pensa em estratégias

[01:35:53] mediáticas, né?

[01:35:55] para que os espaços sejam

[01:35:56] permeáveis

[01:35:58] e seguros para as mulheres

[01:35:59] e era com recorte de gênero também

[01:36:01] e ela fez uma análise

[01:36:03] num espaço que é muito simples

[01:36:05] em Brasília

[01:36:05] só que é isso

[01:36:06] pessoas que conhecem o nome Brasília

[01:36:09] esse mesmo lugar

[01:36:11] o exemplo depende disso um pouco

[01:36:12] para transitar entre os eixos de Brasília

[01:36:15] é muito complicado

[01:36:16] porque é um espaço simples

[01:36:18] para você transitar dos eixos ímpares

[01:36:20] para os pares

[01:36:21] uma das possibilidades

[01:36:23] de fazer essa travessia para o pedestre

[01:36:25] é uma passagem subterrânea

[01:36:26] que não é um convite

[01:36:28] é uma passagem que você não vê

[01:36:29] quem está saindo dessa passagem

[01:36:31] e você não vê quem está chegando nessa passagem

[01:36:33] tanto na entrada quanto na saída

[01:36:35] e esse caminho

[01:36:36] dos eixos ímpares para os pares

[01:36:38] é um caminho pequeno

[01:36:39] é um caminho de 2 km

[01:36:41] só que você não faz ele a pé

[01:36:43] porque ele não é viável

[01:36:45] ele não é confortável

[01:36:47] ele não é um caminho interativo

[01:36:49] é um caminho basicamente

[01:36:51] só em residencial

[01:36:53] você não tem um caminho

[01:36:55] é o que eu falo

[01:36:57] em Brasília você não encontra pessoas na rua

[01:36:59] não existe o acaso urbano

[01:37:01] de você encontrar pessoas

[01:37:03] e ela fez essa análise

[01:37:05] com o urbanismo tátil

[01:37:07] então ela propôs ao longo desse caminho inteiro

[01:37:09] pequenas praças

[01:37:11] pequenas quadras de vôlei

[01:37:13] pequenos parquinhos

[01:37:15] e ela dava um manual

[01:37:17] de como construir essas coisas

[01:37:19] como construir uma mesa de ping pong

[01:37:21] como construir bancos a partir de pneus

[01:37:23] era basicamente esse manual

[01:37:25] e isso são possibilidades

[01:37:27] são lugares em que você ocupa o espaço

[01:37:29] quando você ocupa o espaço

[01:37:31] você traz olhos

[01:37:33] olhares para esse espaço

[01:37:35] então as pessoas veem o que acontece

[01:37:37] o próprio exemplo de Brasília

[01:37:39] como sendo um lugar hostil para a mulher

[01:37:41] Brasília é uma cidade modernista

[01:37:43] e ela é um grande

[01:37:45] exemplo de uma cidade modernista

[01:37:47] e a cidade modernista

[01:37:49] ela tem os seus prédios

[01:37:51] com empenas cegas

[01:37:53] o que são empenas cegas?

[01:37:55] são fachadas completamente cegas dos prédios

[01:37:57] não tem janela nesses lugares

[01:37:59] então você perde essas duas

[01:38:01] possibilidades de ver

[01:38:03] o que acontece na rua

[01:38:05] nas laterais dos prédios

[01:38:07] então se você coloca vários prédios

[01:38:09] com essas empenas cegas

[01:38:11] você não olha a rua

[01:38:13] então quem passa ali está completamente invisível

[01:38:15] certo?

[01:38:17] então isso se torna um lugar perigoso para a mulher

[01:38:19] perigoso para a criança

[01:38:21] perigoso para as pessoas vulneráveis

[01:38:23] para as minorias

[01:38:25] então isso se torna um lugar hostil

[01:38:27] certo?

[01:38:29] um lugar que não existem olhares sobre isso

[01:38:31] é a questão do panóptico

[01:38:33] quando você olha

[01:38:35] você traz uma segurança para aquele lugar

[01:38:37] então é tornar os espaços visíveis

[01:38:39] é tornar as fachadas ativas

[01:38:41] sabe?

[01:38:43] ruas e ruas que você

[01:38:45] sei lá, ruas e ruas de portaria

[01:38:47] em que as portarias não olham

[01:38:49] para a rua

[01:38:51] você torna esse lugar perigoso

[01:38:53] ninguém vai olhar se vai acontecer um assalto ali

[01:38:55] porque se acontece um assalto, o vizinho grita

[01:38:57] e aí pronto, ladrão, ladrão pega

[01:38:59] e ali já existe um sentimento de comunidade

[01:39:01] porque você olha a rua

[01:39:03] aquela rua é sua

[01:39:05] então quando você não olha ela

[01:39:07] é a teoria dela

[01:39:09] para que as cidades sejam seguras

[01:39:11] é ocupar os espaços

[01:39:13] é fazer com que os espaços sejam vistos

[01:39:15] é fazer com que as pessoas permeiem

[01:39:17] esses lugares e não sejam só lugares de

[01:39:19] passagem, sejam lugares de permanência

[01:39:21] a permanência traz uma segurança

[01:39:23] para o espaço

[01:39:25] dentro do campus da UNB

[01:39:27] existia um projeto

[01:39:29] que era fazer com que os espaços

[01:39:31] de apenas circulação fossem ocupados

[01:39:33] porque na UNB tem muito

[01:39:35] na Universidade de Brasília

[01:39:37] tem muito

[01:39:39] é um grande campão

[01:39:41] o campus da Universidade

[01:39:43] então as pessoas só transitam por um lugar

[01:39:45] e à noite esses lugares se tornam extremamente perigosos

[01:39:47] mas se existe uma iluminação

[01:39:49] e se existem pessoas que ficam ali

[01:39:51] aquele lugar se torna seguro

[01:39:53] então começaram a fazer um mobiliário

[01:39:55] efêmero, mobiliários com pallets

[01:39:57] para que as pessoas pudessem sentar ali

[01:39:59] e ficar

[01:40:01] então você passa por várias pequenas pracinhas

[01:40:03] até você chegar na sua aula

[01:40:05] então aquele caminho se torna mais agradável

[01:40:07] então são

[01:40:09] possibilidades e rearranjos

[01:40:11] para fazer

[01:40:13] com que espaços só de passagem

[01:40:15] se tornem lugares de permanência

[01:40:17] isso é uma possibilidade

[01:40:19] fácil de fazer com que

[01:40:21] certos lugares sejam mais seguros

[01:40:23] para mulheres

[01:40:25] a gente vê o que a gente está esperando do outro lado

[01:40:27] se você me coloca

[01:40:29] dentro de um corredor escuro

[01:40:31] e que eu não vejo quem está saindo e quem está entrando

[01:40:33] esse lugar não é um convite para mim

[01:40:35] não é um corpo de mulher

[01:40:37] tanto que eu como ciclista

[01:40:39] eu só passo dentro dessas passagens subterrâneas

[01:40:41] de dia, quando tem movimento

[01:40:43] de noite eu passo pelas tesourinhas

[01:40:45] que é tipo um pequeno viaduto

[01:40:47] então eu prefiro ser atropelada

[01:40:49] do que ser abordada a noite por uma pessoa

[01:40:51] um homem

[01:40:53] um cara que passa ali a noite

[01:40:55] ele vai ter medo de ser assaltado

[01:40:57] o meu medo é outro

[01:40:59] o meu medo é um medo muito maior

[01:41:01] então as vezes eu prefiro ser atropelada

[01:41:03] por um carro

[01:41:05] tentar enfrentar essa passagem subterrânea

[01:41:07] porque ninguém vê

[01:41:09] o que acontece na passagem subterrânea

[01:41:11] é um lugar super perigoso, super escuro

[01:41:13] então isso acontece em várias cidades

[01:41:15] cidades em que

[01:41:17] não é um convite para a mulher caminhar na cidade

[01:41:19] porque é escuro

[01:41:21] porque ninguém vê o que está acontecendo ali

[01:41:23] as fachadas

[01:41:25] dos prédios são cegas

[01:41:27] então

[01:41:29] é um comércio completamente fechado

[01:41:31] é isso, é trazer um uso misto

[01:41:33] mas um uso misto diverso

[01:41:35] porque não é só colocar

[01:41:37] comércio em toda parte de baixo

[01:41:39] das partes residenciais

[01:41:41] que isso vai trazer uma segurança

[01:41:43] não, isso vai trazer uma monotonia para a cidade

[01:41:45] você tem que trazer um dinamismo para a cidade

[01:41:47] trazer um comércio que

[01:41:49] ele funcione, não 24 horas

[01:41:51] mas em vários horários do dia

[01:41:53] para que não seja um centro

[01:41:55] completamente desocupado

[01:41:57] que nem o que vocês foram assaltados

[01:41:59] que chega uma hora que não tem mais ninguém

[01:42:01] é um dinamismo

[01:42:03] que você consegue frequentar até a hora tal

[01:42:05] quando toca o sino, que o pessoal bate o ponto

[01:42:07] você não pode mais sair

[01:42:09] o uso misto que eu digo, comércio barra

[01:42:11] que seja dinâmico

[01:42:13] que exista um comércio

[01:42:15] que funciona até tal hora

[01:42:17] até um pouco mais tarde

[01:42:19] e que isso traga um pouco de movimento

[01:42:21] um pouco de olhar sobre a rua

[01:42:23] é isso, são cidades inclusivas

[01:42:25] você falou de passar de bike

[01:42:27] nesse corredor aí

[01:42:29] e eu só pensava no

[01:42:31] enquanto para nós é só um risco ser assaltado

[01:42:33] para você é praticamente

[01:42:35] o corredor do iluminado lá

[01:42:37] do molequinho com a bike

[01:42:39] com aquelas duas gêmeas do mal na frente

[01:42:41] exatamente, é uma coisa que é o meu corpo

[01:42:43] é a minha integridade física

[01:42:45] eu não sei o que vai me esperar ali

[01:42:47] no melhor dos casos

[01:42:49] eu vou ser só assaltada

[01:42:51] e várias amigas já foram assaltadas

[01:42:53] existem

[01:42:55] várias e várias

[01:42:57] ocorrências ali

[01:42:59] e a gente sabe que só 10%

[01:43:01] dos acontecimentos são

[01:43:03] relatados, são denunciados

[01:43:05] e os números são altos

[01:43:07] teve uma amiga minha

[01:43:09] que o trabalho de final de curso dela

[01:43:11] foi pegar essa grande avenida

[01:43:13] que divide o plano piloto

[01:43:15] que é o Eixão

[01:43:17] e ela fez uma grande sugestão de colocar sinais

[01:43:19] nela inteira

[01:43:21] é uma via de 80 km por hora

[01:43:23] e o trabalho dela

[01:43:25] foi isso, o trabalho final dela

[01:43:27] foi uma sugestão de colocar sinal no Eixão inteiro

[01:43:29] e reduzir para 60 km por hora

[01:43:31] e essa redução

[01:43:33] não ia fazer uma grande diferença para quem usa carro

[01:43:35] não ia atrasar o percurso

[01:43:37] é mínimo

[01:43:39] o atraso que daria

[01:43:41] mas a qualidade de vida para as pessoas que ali

[01:43:43] circulam seria infinita

[01:43:45] porque a quantidade de atropelamento é imensa

[01:43:47] e as pessoas acabam optando de passar por cima

[01:43:49] e elas são atropeladas

[01:43:51] você ser atropelado por um carro a 80 km por hora

[01:43:53] é isso, é morte né gente

[01:43:55] não é um atropelamento tranquilo

[01:43:57] é isso, eu acho que a prioridade

[01:43:59] não tem que ser o carro, você tem que colocar

[01:44:01] uma via de 80 km por hora

[01:44:03] no meio de uma cidade, não

[01:44:05] isso é ridículo

[01:44:07] põe sinal, 60 km por hora

[01:44:09] 40 km

[01:44:11] é isso a prioridade do carro, beleza, vai ter carro

[01:44:13] mas vai ter carro andando devagar

[01:44:15] vai ter faixa, vai ter sinal

[01:44:17] vai ter passagem iluminada

[01:44:19] vai ter lugares que você vê a entrada e a saída

[01:44:21] de um túnel

[01:44:23] vai ter prédios com fachada ativa

[01:44:25] e que as pessoas olhem para a rua

[01:44:27] e elas se apropriem disso

[01:44:29] e que elas vejam a rua como algo delas

[01:44:31] o espaço é seu, a rua é sua

[01:44:33] isso faz a cidade se segura

[01:44:35] eu ia

[01:44:37] eu queria aproveitar a Alissa

[01:44:39] você comentou

[01:44:41] a situação de segurança

[01:44:43] ocupar o espaço

[01:44:45] e segurança da mulher

[01:44:47] você está falando

[01:44:49] de um universo de médio a grande escala

[01:44:51] espacial mesmo

[01:44:53] vocês ficaram sabendo daquela

[01:44:55] apareceu no twitter no começo do ano

[01:44:57] da Cecília do Lago, aquela moça que botou

[01:44:59] wi-fi na calçada dela?

[01:45:01] sensacional essa história

[01:45:03] eu vou até colar aqui

[01:45:05] para vocês

[01:45:07] ela chega tarde da noite

[01:45:09] a rua está deserta

[01:45:11] e ela abriu uma rede

[01:45:13] com velocidade e largura

[01:45:15] de banda definida no roteador dela

[01:45:17] não tem tanto alcance

[01:45:19] ela tem alguns poucos metros quadrados

[01:45:21] na frente da casa dela

[01:45:23] que está liberado para a galera

[01:45:25] e no horário que ela chega

[01:45:27] sempre tem uma molecada ali

[01:45:29] andando de skate, namorando, paquerando, usando a internet

[01:45:31] e eles ficam lá até uma hora da manhã

[01:45:33] cara, isso é fantástico

[01:45:35] essa história é muito bacana

[01:45:37] essa história é linda

[01:45:39] me lembra Pokémon Go

[01:45:41] na febre, eu jogo até hoje

[01:45:43] tá Pokémon Go?

[01:45:45] eu botei o link aqui

[01:45:47] depois coloca na postagem

[01:45:49] para poder conhecer a situação

[01:45:51] foi muito legal essa história

[01:45:53] ela resolveu momentaneamente o problema dela

[01:45:55] num espaço muito pequenininho

[01:45:57] e foi a mesma coisa que aconteceu no início do Pokémon Go

[01:45:59] as pessoas ficavam nas praças

[01:46:01] nos lugares onde tinha o Pokestop

[01:46:03] o ponto de interesse

[01:46:05] e eram partes da cidade que estavam totalmente esquecidas

[01:46:07] onde o pessoal ia só para se drogar de noite

[01:46:09] e de repente começou a aparecer

[01:46:11] gente para jogar

[01:46:13] e as pessoas começavam a conversar

[01:46:15] porque você fica ali um tempinho junto jogando

[01:46:17] tem um tempo de espera

[01:46:19] para você conseguir entrar na batalhinha

[01:46:21] que você tem que fazer para pegar o bicharoco

[01:46:23] e você acabou revitalizando áreas da cidade

[01:46:25] onde normalmente

[01:46:27] não tinha ninguém, né?

[01:46:29] como eu estou aqui em Curitiba

[01:46:31] eu não vou muito ao centro

[01:46:33] que é onde tem a maior parte dessas coisas

[01:46:35] mas é muito engraçado ver

[01:46:37] porque as vezes é uma praça onde o pessoal só passa mesmo

[01:46:39] e de repente tem uma galera assim

[01:46:41] teve uma vez que eu fui resolver uma coisa

[01:46:43] na sede da faculdade no centro

[01:46:45] tinha cinco grupos gigantes de pessoas

[01:46:47] de todas as idades

[01:46:49] tinha avó com neto

[01:46:51] tinha gente de terno e gravata

[01:46:53] tinha estudante, emo

[01:46:55] tinha mulher grávida

[01:46:57] tinha tudo

[01:46:59] tinha uma taroca de gente

[01:47:01] eram cinco grupos grandes diferentes

[01:47:03] porque você tem um limite de pessoas que conseguem jogar ao mesmo tempo

[01:47:05] e todo mundo batendo papo

[01:47:07] eu tenho contato de gente

[01:47:09] passei uma tarde inteira conversando com uma menina

[01:47:11] esperando começar uma outra batalha dessa

[01:47:13] em outro lugar

[01:47:15] então você acaba trazendo essa coisa

[01:47:17] de ocupar o espaço mesmo

[01:47:19] faz uma diferença brutal

[01:47:21] para a sensação de segurança

[01:47:23] e para a interação

[01:47:25] entre as pessoas mesmo

[01:47:27] é qualidade de vida, você sair na rua e ver gente

[01:47:29] em vez de ver a fachada de um prédio sem janela

[01:47:31] é claramente muito mais agradável

[01:47:33] não tem nem o que comparar

[01:47:35] e eu lembro que nessa época

[01:47:37] que bombou o Pokémon Go

[01:47:39] saiu uns textos

[01:47:41] uns blogs

[01:47:43] de se o Pokémon Go ia

[01:47:45] ressignificar o uso da cidade

[01:47:47] que as pessoas começariam

[01:47:49] a utilizar os espaços

[01:47:51] se o Pokémon Go levantaria

[01:47:53] a própria discussão de direito da cidade

[01:47:55] eu lembro que saiu isso numa época

[01:47:57] sim, sim

[01:47:59] é isso, é o viver na cidade

[01:48:01] é o estar na cidade, é o ocupar os espaços

[01:48:03] e querendo ou não

[01:48:05] as mulheres usam muito sim a cidade

[01:48:07] só que é isso, é um espaço hostil

[01:48:09] não é seguro

[01:48:11] eu não vou nem falar pouco

[01:48:13] as mulheres não se sentem seguras no espaço urbano

[01:48:15] porque são cidades que não foram feitas

[01:48:17] para a mulher se sentir segura

[01:48:19] porque foram feitas

[01:48:21] para homens

[01:48:23] e é por isso que as mulheres tem que ser um monte de urbanista mulher

[01:48:25] e refazer a cidade

[01:48:27] e ocupar esse espaço urbano

[01:48:29] a gente sabe do que está falando

[01:48:31] a gente sabe onde o calo aperta

[01:48:33] exatamente

[01:48:35] porque é isso, a gente tem que estar nesse lugar

[01:48:37] para a gente conseguir fazer lugares

[01:48:39] confortáveis para a gente mesmo

[01:48:41] Música

[01:48:43] Música

[01:48:45] Música

[01:48:47] Música

[01:48:49] Música

[01:48:51] Música

[01:48:53] Música

[01:48:55] Música

[01:48:57] Música

[01:48:59] Música

[01:49:01] Música

[01:49:03] Música

[01:49:05] Música

[01:49:07] Música

[01:49:09] Música

[01:49:11] Música

[01:49:13] Música

[01:49:15] Música

[01:49:17] Música

[01:49:19] Música

[01:49:21] Música

[01:49:23] Música

[01:49:25] Música

[01:49:27] Gente, eu estou chorando sangue aqui

[01:49:32] porque não dá vontade de parar esse papo

[01:49:35] mas em algum momento a gente vai ter que acabar esse episódio

[01:49:39] então eu vou deixar a Letícia fazer uma última pergunta

[01:49:44] para a gente encaminhar para as dicas

[01:49:46] Beleza

[01:49:47] Olha, eu tinha colocado aqui uma outra coisa que está na pauta

[01:49:51] que o Werther fez um comentário depois

[01:49:54] que era um site de gestão urbana da Prefeitura de São Paulo

[01:49:58] explicando o que são os Parklets

[01:50:01] Pois é, e aí tinha a pergunta crítica

[01:50:06] Parklet é Greenwash?

[01:50:09] Aí como essa pergunta toda ficou muito Sasha, toda em inglês

[01:50:11] vou deixar para o Werther, com esse nome também estrangeiro

[01:50:16] para explicar o que é Parklet, o que é Greenwash

[01:50:19] e se Parklet é Greenwash ou não

[01:50:21] Tá, vamos lá

[01:50:22] O Greenwash é aquela…

[01:50:24] aquela embalagem bonitinha, aquela embalagem verde num agrotóxico

[01:50:27] o cara vende como se fosse uma coisa ecologicamente correta

[01:50:32] ecologicamente sustentável, mas o produto dele é uma bosta

[01:50:34] basicamente é isso

[01:50:35] é aquela maquiagem de ecologicamente correto

[01:50:38] Para vender, né?

[01:50:39] Para vender, exatamente

[01:50:40] E os Parklets, eles são, por definição

[01:50:43] eu vou pegar a definição que está aqui

[01:50:44] do site de gestão urbana da Prefeitura de São Paulo

[01:50:47] Os Parklets são extensões temporárias das calçadas

[01:50:50] que promovem o uso do espaço público de forma democrática

[01:50:53] a partir da conversão de um espaço de estacionamento de automóveis

[01:50:57] a via pública é um espaço para permanência de pessoas

[01:51:00] ou seja, na prática você transforma uma ou duas vagas de garagem em mini praças

[01:51:04] coloca banco, coloca sombra, distribui wi-fi

[01:51:07] para a pessoa poder sentar, para bater papo

[01:51:12] para passear com o cachorro, para ler jornal

[01:51:15] para a criança poder brincar

[01:51:16] então assim, você diminui um pouco

[01:51:18] você dá uma outra cara para a cidade, né?

[01:51:21] justamente para ocupar os espaços

[01:51:23] e em São Paulo, atualmente, tem cento e algumas coisas

[01:51:28] está aqui, 131 Parklets

[01:51:30] 105 privados e 26 públicos

[01:51:32] então a ideia é muito interessante

[01:51:34] eu acho legal essa ideia

[01:51:35] eu gostei, eu comprei a ideia, né?

[01:51:39] para mim eles venderam muito bem

[01:51:40] a gente está diminuindo carro na via

[01:51:44] e vamos dar prioridade ao pedestre

[01:51:47] tem os desenhos muito bonitos e tal, não sei o que lá

[01:51:49] só que os Parklets, eles podem ser públicos ou privados

[01:51:53] desses 130, arredondando

[01:51:56] 105 são privados e 26 são públicos

[01:51:58] aí quando a gente pega o mapa dos Parklets de São Paulo

[01:52:01] depois, enfim, tem link, tem tudo aí

[01:52:04] os Parklets públicos, eles são minoria

[01:52:06] e geralmente, assim, tem um em cada subprefeitura de São Paulo

[01:52:11] umzinho só

[01:52:12] aí quando você pega os privados

[01:52:13] tem uma bolha de Parklets privados

[01:52:17] na zona mais nobre de São Paulo

[01:52:19] são aqueles bairros, né?

[01:52:20] classe média, classe média alta

[01:52:22] e quando a gente pega o Parklet

[01:52:23] esses privados, eles geralmente estão na frente

[01:52:27] de um estabelecimento comercial

[01:52:28] e vai ser o que?

[01:52:29] um restaurante, uma padaria, um bar, um boteco

[01:52:32] e aí quando eu coloquei, né?

[01:52:34] que o Parklet é Greenwash

[01:52:35] justamente foi para fazer essa provocação

[01:52:37] aqui na frente da minha casa tem um bar

[01:52:40] que fica aberto até altas horas da noite

[01:52:42] o cara queria colocar um Parklet

[01:52:44] e nitidamente era o seguinte

[01:52:46] era para o cliente poder ficar sentado na calçada

[01:52:50] já consumido antes de entrar no estabelecimento

[01:52:52] ele estava cagando

[01:52:53] para a questão de uso da área de mobilidade

[01:52:55] ele queria um local

[01:52:57] ele queria vender a ideia do Parklet

[01:52:59] para na verdade transformar uma área pública

[01:53:01] numa área para o cliente poder esperar

[01:53:04] até ele ser atendido

[01:53:06] na fila de espera

[01:53:07] e aqui no Espírito Santo tem uns assim também

[01:53:09] e lá em São Paulo tem muito disso também

[01:53:11] então assim

[01:53:12] ele é vendido como uma solução amigável

[01:53:16] para a questão de uso da cidade

[01:53:18] mas para mim na prática

[01:53:20] o cara está querendo um Parklet

[01:53:22] na frente dele para incrementar o comércio

[01:53:23] daí o Green Wash

[01:53:25] que eu acabei provocando

[01:53:28] foi uma ótima você ter colocado

[01:53:30] esse negócio, esse link aí

[01:53:33] porque eu não me lembro de ter visto isso em Curitiba

[01:53:35] em lugar nenhum

[01:53:36] no Rio, se não me engano

[01:53:38] acho que eu já cheguei a ver alguma coisa

[01:53:40] mas é muito provável que tenha

[01:53:42] a utilização tenha sido da mesma maneira

[01:53:45] Carioca é foda

[01:53:46] mas é realmente uma tristeza

[01:53:51] porque é uma proposta muito boa

[01:53:52] e porra, que merda

[01:53:53] é muito fácil

[01:53:54] está sendo vendida de muito legal

[01:53:57] mas porra, vai botar na frente do bar

[01:53:58] se o cara está preocupado com o uso mesmo

[01:54:00] e é dono de um bar

[01:54:00] vai botar um Parklet lá na periferia

[01:54:02] por exemplo

[01:54:03] vai botar numa rua comercial

[01:54:05] numa rua justamente dessa aí

[01:54:07] a partir de 5 horas da tarde

[01:54:08] fica deserta

[01:54:09] bota um Parklet bonito lá

[01:54:10] bota uma área de vivência e convivência lá

[01:54:12] longe do comércio dele

[01:54:13] para ele poder ajudar a fomentar o uso da cidade

[01:54:15] não seja hipócrita e coloque na frente do teu comércio

[01:54:18] para não virar local de fila de espera

[01:54:21] foda isso

[01:54:22] isso eu fiquei puto

[01:54:23] é um bom motivo para ficar puto, diria ele

[01:54:26] em cidades litorâneas

[01:54:29] eu posso dar até aqui o testemunho do que aconteceu em Florianópolis

[01:54:33] teve o tal dos Beach Clubs

[01:54:36] eu não sei se vocês ouviram falar disso

[01:54:38] o que é isso?

[01:54:40] me parece como vivem as praias na Itália

[01:54:43] basicamente é uma apropriação do espaço público da praia

[01:54:47] para você colocar guarda-sóis do seu hotel

[01:54:50] ou do seu quiosque da beira da praia

[01:54:53] que são exclusivos para os seus clientes

[01:54:57] é uma apropriação de espaço público

[01:55:00] para fins comerciais

[01:55:02] se você sentar e não consumir

[01:55:03] você é expulso do lugar

[01:55:05] basicamente

[01:55:06] e aí eles pegam os melhores pontos da praia

[01:55:09] das melhores praias

[01:55:10] em Florianópolis aconteceu um caso

[01:55:13] de Beach Clubs desses

[01:55:14] numa das praias mais badaladas

[01:55:17] mais dos ricaços de lá

[01:55:20] de Jurerê Internacional

[01:55:22] em que

[01:55:23] a justiça determinou

[01:55:26] a demolição de todos eles

[01:55:27] eu fico tão feliz

[01:55:30] quando essas coisas acontecem

[01:55:31] quando dá certo

[01:55:33] dá vontade de botar uma cadeira de praia

[01:55:35] só para ficar assistindo

[01:55:37] eu adoro ver o esperto se fudendo

[01:55:39] eu adoro ver o esperto se fudendo

[01:55:41] é muito bom

[01:55:42] excelente

[01:55:44] eu acho que aí

[01:55:46] eu estava aqui comprometido

[01:55:49] em trazer a informação

[01:55:51] aqui tem informação

[01:55:52] eu estava comprometido

[01:55:53] em pegar o Beach Club

[01:55:54] aqui para trazer para vocês

[01:55:55] mas vamos fechar esse episódio

[01:55:59] eu juro que nós vamos fechar esse episódio

[01:56:01] mas antes de fecharmos o episódio

[01:56:04] nós vamos para a balada do pistoleiro

[01:56:06] que é o nosso quadro

[01:56:08] de indicações culturais

[01:56:10] vamos começar pelos nossos convidados

[01:56:22] profissionalmente

[01:56:23] vamos começar pelos nossos convidados

[01:56:23] vamos começar pelos nossos convidados

[01:56:23] por favor, meninas, primeiro

[01:56:25] então, vamos com a Alissa primeiro

[01:56:30] vamos, gente, eu tenho três indicações

[01:56:33] três indicações, na verdade

[01:56:35] pode falar, adoro

[01:56:37] mas é que eu acho que elas são muito pontuais

[01:56:39] e a primeira indicação que eu vou sugerir

[01:56:43] é a dissertação da Marielle

[01:56:45] Marielle é presente

[01:56:47] sobre as UPPs

[01:56:49] o outro é um livro da Carolina Maria de Jesus

[01:56:53] que chama O Quarto de Despejo

[01:56:55] nossa, maravilhoso

[01:56:57] que faria, inclusive, 105 anos hoje

[01:56:59] ela

[01:57:01] e o outro livro que é O Lugar de Fala

[01:57:03] da Djamila Ribeiro

[01:57:05] que eu acho que são livros muito bons

[01:57:07] que deveriam ser lidos

[01:57:09] que deveriam ser lidos

[01:57:11] já estão na pauta

[01:57:13] perfeito

[01:57:15] agora fiquei na dúvida, mantemos as mulheres primeiro

[01:57:17] ou os convidados primeiro?

[01:57:19] convidados primeiro

[01:57:21] vamos converter, vai

[01:57:23] tem que tratar bem pra voltar sempre

[01:57:25] bom, olha só

[01:57:27] vou dar dois podcasts

[01:57:29] e um mini documentário

[01:57:31] o primeiro deles

[01:57:33] é o Memória em Branco

[01:57:35] é um documentário sobre Ghost Bikes

[01:57:37] Ghost Bikes é uma homenagem

[01:57:39] que o pessoal da bicicletada ou da massa crítica

[01:57:41] dos diferentes capitais fazem

[01:57:43] quando algum ciclista

[01:57:45] morre atropelado

[01:57:47] então o pessoal pega uma bicicleta

[01:57:49] geralmente a bicicleta da pessoa que morreu

[01:57:51] pinta ela toda de branco e pendura no alto do poste

[01:57:53] no local onde a pessoa morreu

[01:57:55] então se você mora em alguma capital

[01:57:57] e viu uma bicicleta branca pintada

[01:57:59] amarrada num poste

[01:58:01] ou amarrada num paraciclo

[01:58:03] com cadeado

[01:58:05] é sinal que ali naquele local morreu um ciclista

[01:58:07] no local né

[01:58:09] no local, no local

[01:58:11] tem várias capitais isso aí

[01:58:13] então o pessoal da

[01:58:15] Universidade Metodista de São Paulo

[01:58:17] de 2017, o pessoal da Publicidade e Propaganda

[01:58:19] acho que foi 17 ou 18

[01:58:21] uma turma nova, alunos que estavam fazendo TCC

[01:58:23] fizeram um documentário de uns 6 ou 7 minutos

[01:58:25] muito bom

[01:58:27] falando a história de um ciclista

[01:58:29] da vida e morte dele

[01:58:31] com documentário da mãe, da avó

[01:58:33] de conhecidos

[01:58:35] é bastante tocante

[01:58:37] apesar de bem curtinho, foi muito bem produzido

[01:58:39] tem uma reportagem do site

[01:58:41] Vade Bike, é um site ativista bastante interessante

[01:58:43] de São Paulo, então leia a reportagem

[01:58:45] e assista o documentário

[01:58:47] lá no Beco da Bike

[01:58:49] 23, nós gravamos um programa chamado

[01:58:51] Cidades Amigas das Bikes

[01:58:53] em que nós falamos

[01:58:55] daquele índice de Copenhagen

[01:58:57] lá, listamos as 10 ou 15

[01:58:59] cidades mais amigas das bikes

[01:59:01] de acordo com o ranking de 2017

[01:59:03] e a gente teve a participação da Ana Rosa

[01:59:05] lá do Apenão Podcast

[01:59:07] aquela fofura de pessoa

[01:59:09] ela mora lá na Alemanha

[01:59:11] e foi bastante interessante

[01:59:13] porque ela é ciclista, ciclista urbana

[01:59:15] usa bike para o trabalho e tal

[01:59:17] e a gente foi falando de como é

[01:59:19] a experiência de um ciclista

[01:59:21] de ciclistas em diferentes capitais

[01:59:23] e ela deu a visão dela, da cidade dela

[01:59:25] e da experiência que ela tem na Europa

[01:59:27] e aí saindo um pouco do

[01:59:29] universo de bicicleta

[01:59:31] o SciCast 301

[01:59:33] a história das cidades, então o pessoal de Humanas

[01:59:35] fez um trabalho maravilhoso

[01:59:37] episódio muito bom que fala

[01:59:39] da cidade

[01:59:41] como é que ela faz

[01:59:43] lá a gente tem aquela brincadeira que toda cidade começa num rio

[01:59:45] na margem de um rio

[01:59:47] e daí ela vai crescendo e fala como as cidades crescem

[01:59:49] como é que é o desenvolvimento

[01:59:51] humano, tecnológico, industrial

[01:59:53] é muito legal esse episódio

[01:59:55] vale a pena e ilustra um pouco

[01:59:57] a questão do direito de assistir

[01:59:59] eu até recomendei ele numa podcast Friday

[02:00:01] porque está muito bom

[02:00:03] muito bom

[02:00:05] mais alguma coisa Werther?

[02:00:07] não, não

[02:00:09] então dona Letícia

[02:00:11] olha, eu

[02:00:13] dificilmente indico música

[02:00:15] porque quem me conhece sabe que eu escuto pouquíssima música

[02:00:17] estou sempre de fone, mas estou sempre ouvindo podcast

[02:00:19] eu não sou uma pessoa particularmente musical

[02:00:21] mas

[02:00:23] agora eu já posso falar

[02:00:25] que quando for ao ar já vai ter saído

[02:00:27] o episódio, não vou dar muitos detalhes

[02:00:29] porque ainda é surpresa, senão o Barba me mata

[02:00:31] porém, eu gravei uma coisa para o Barba

[02:00:33] que envolvia música

[02:00:35] e eu falei, caraca, o que eu vou botar no Conheço Porra Nenhuma

[02:00:37] vou procurar, sei lá

[02:00:39] não sei, e aí achei

[02:00:41] lembrei dessas duas músicas

[02:00:43] de uma cantora chamada

[02:00:45] LP, ela tem um nome, é Laura Pellizzari

[02:00:47] é um nome italiano, mas ela é americana

[02:00:49] que eu conheci através da minha cunhada

[02:00:51] que tem um bad impression

[02:00:53] na Toscana

[02:00:55] e ela trabalha dando aula de culinária

[02:00:57] e a imensa maioria dos hóspedes dela são estrangeiros

[02:00:59] e aí normalmente

[02:01:01] durante a aula de culinária

[02:01:03] o pessoal bota uma música ou qualquer

[02:01:05] na caixa de som

[02:01:07] e uma aula que ela estava dando, alguém colocou essa música

[02:01:09] e aí ficou todo mundo assim, que voz é essa?

[02:01:11] que música é essa? que que é isso?

[02:01:13] e aí ela foi

[02:01:15] lá em casa um dia jantar e botou

[02:01:17] e a mesma coisa, ficou todo mundo sentado

[02:01:19] que que é isso? que voz é essa? que arranjo é esse?

[02:01:21] e ficou todo mundo viciado

[02:01:23] em LP, a minha filha Dora

[02:01:25] ela canta muito bem, tem uma voz

[02:01:27] muito diferente

[02:01:29] os arranjos das músicas são muito bonitos

[02:01:31] e eu escolhi duas, que são

[02:01:33] a primeira é a Lost in a Mew, que eu acho que é a mais famosa

[02:01:35] dela e que foi a primeira que eu ouvi

[02:01:37] e depois Night Like This

[02:01:39] em uma versão

[02:01:41] acústica, digamos assim, que ela gravou

[02:01:43] numa rádio, eu ouvi

[02:01:45] cara, a música é absolutamente deliciosa

[02:01:47] sugiro muito que vocês ouçam

[02:01:49] se eu estou recomendando, que eu nunca recomendo música

[02:01:51] é porque vale a pena

[02:01:53] e como ontem eu estava vendo um vídeo de balé

[02:01:55] que é uma coisa que eu não faço há muito tempo

[02:01:57] eu botei aqui um vídeo de uma bailarina negra

[02:01:59] chamada Precious Adams

[02:02:01] esse link em particular

[02:02:03] é pra uma apresentação

[02:02:05] dela de 2014

[02:02:07] no prêmio

[02:02:09] Lausanne

[02:02:11] é um prêmio que tem todo ano

[02:02:13] pra escolher os melhores bailarinos

[02:02:15] e coisa e tal, e pra quem não sabe

[02:02:17] o balé clássico é uma coisa muito

[02:02:19] de gente branca

[02:02:21] agora estão começando a aparecer bailarinas negras

[02:02:23] e a Precious Adams

[02:02:25] é maravilhosa, essa variação

[02:02:27] que ela dança, que é uma variação do balé

[02:02:29] da Bela Adormecida

[02:02:31] que eu não gosto, não é um dos meus preferidos

[02:02:33] é uma variação, uma música meio chatinha

[02:02:35] mas é difícil de executar

[02:02:37] e ela é maravilhosa, preste atenção

[02:02:39] no port de bas, que são os braços

[02:02:41] dela, a maneira como ela move os braços

[02:02:43] e as mãos

[02:02:45] é uma coisa maravilhosa, é super curtinho

[02:02:47] não precisa entender de balé, não precisa ter

[02:02:49] visto balé na vida antes, vocês vão ver

[02:02:51] vocês vão sentar e chorar

[02:02:53] porque ela é a graça

[02:02:55] em forma de pessoa dançando

[02:02:57] as minhas acabaram e você?

[02:02:59] então beleza, eu só tenho uma

[02:03:01] uma bem rápida e bem útil

[02:03:03] basicamente o que acontece na nossa vida digital

[02:03:05] nós estamos de bobeirinha

[02:03:07] abrimos um mercado livre

[02:03:09] da vida e

[02:03:11] acabamos comprando alguma coisa

[02:03:13] que nos é necessária na época

[02:03:15] um abraço, você vendeu a sua alma ao diabo

[02:03:17] o mercado livre tem o seu e-mail

[02:03:19] para todos sempre, e sempre vai te mandar

[02:03:21] um e-mail de oferta de alguma coisa

[02:03:23] aí você soma

[02:03:25] mercado livre, OLX

[02:03:27] Carrefour

[02:03:29] sei lá, Azul

[02:03:31] TAM, Submarino

[02:03:33] Americanas, e quando você vê

[02:03:35] o seu e-mail é um grande monte

[02:03:37] de entulho

[02:03:39] para coisas assim nasceu

[02:03:41] um serviço muito interessante

[02:03:43] chamado Unroll Me

[02:03:45] basicamente o que você faz

[02:03:47] é dar permissão

[02:03:49] de que o serviço tem acesso ao seu e-mail

[02:03:51] ele vai vasculhar

[02:03:53] em todos os seus e-mails

[02:03:55] quais são as listas

[02:03:57] de contatos e de mailing

[02:03:59] e de spam

[02:04:01] e o caralho a quatro que você está

[02:04:03] cadastrado

[02:04:05] e vai mostrá-los todos

[02:04:07] em uma lista

[02:04:09] nessa lista você vai poder escolher

[02:04:11] se você nunca mais na sua vida

[02:04:13] quer receber algo disso

[02:04:15] então você pode dar um unsubscribe

[02:04:17] ou você pode escolher

[02:04:19] eu gosto de receber

[02:04:21] e-mail do Submarino

[02:04:23] mas cara, três por semana é bem chato

[02:04:25] então eu posso mandar ele

[02:04:27] para o Unroll Me

[02:04:29] ao invés de para a minha caixa

[02:04:31] de e-mails

[02:04:33] o Unroll Me todo dia de manhã

[02:04:35] vai pegar todos os e-mails que você

[02:04:37] receberia como spam e mandar

[02:04:39] resumidos em um único e-mail

[02:04:41] isso vai dar uma

[02:04:43] limpeza bem legal

[02:04:45] no seu e-mail

[02:04:47] a gente já tem mil compras em sites

[02:04:49] dos mais variados

[02:04:51] coisas e isso

[02:04:53] pode ajudar muito a sua organização

[02:04:55] e a sua vida digital

[02:04:57] estou amando, já estou apagando mil coisas

[02:04:59] estou me sentindo ótima

[02:05:01] sim, quando você termina

[02:05:03] tudo é libertador

[02:05:05] quando passa o dia seguinte

[02:05:07] ao invés de receber 35

[02:05:09] e-mails de 35 lojas

[02:05:11] diferentes, você recebeu apenas um

[02:05:13] é muito bom, está no céu mesmo

[02:05:15] melhor que isso

[02:05:17] só a notícia que eu vi hoje é que o WhatsApp vai

[02:05:19] ter uma função agora que a gente

[02:05:21] vai conseguir bloquear

[02:05:23] que adicione a gente em grupos

[02:05:25] automáticos

[02:05:27] olha aí, muito bom

[02:05:29] pois é, vamos começar

[02:05:31] a distribuir isso aí nos próximos dias

[02:05:33] ou semanas

[02:05:35] show de bola, fica a dica do Unroll Me

[02:05:37] fechadas as dicas

[02:05:39] ah meu deus, ainda tem os jabás

[02:05:41] tem os jabás

[02:05:43] vocês estão fodidos, esse programa vai dar

[02:05:45] quatro horas

[02:05:47] ainda tem a balada

[02:05:49] tem a outra aí

[02:05:51] quem se fode é a outra que acredita

[02:05:53] eu escolhi essa vida

[02:05:55] o pessoal que ouve não reclama não

[02:05:57] Dona Alissa, quem quiser

[02:05:59] entrar em contato com você

[02:06:01] ou com Arquitetas Invisíveis, como é que faz?

[02:06:03] é pelo Instagram mesmo

[02:06:05] ou pelo próprio e-mail

[02:06:07] o e-mail é

[02:06:09] arquitetasinvisiveis.com

[02:06:11] e o Instagram é

[02:06:13] arquitetasinvisiveis

[02:06:15] está reformulando

[02:06:17] nossas mídias sociais

[02:06:19] nossas redes

[02:06:21] e a gente está tentando ser mais ativa

[02:06:23] possível, respondendo as pessoas

[02:06:25] no Instagram, interagindo com as pessoas

[02:06:27] que nos seguem

[02:06:29] e o e-mail sempre funciona

[02:06:31] o e-mail é um canal garantido

[02:06:33] se as pessoas quiserem, sei lá, referências

[02:06:35] perguntar, pedir a revista, etc

[02:06:37] o e-mail funciona muito bem

[02:06:39] e por tabela, comigo, pelo e-mail dos arquitetos

[02:06:41] também serve

[02:06:43] ótimo, muito bom

[02:06:45] tem mil redes sociais para dizer

[02:06:47] na verdade

[02:06:49] só o meu Twitter mesmo

[02:06:51] me procura lá

[02:06:53] werther__k

[02:06:55] eu produzo e apresento

[02:06:57] o Beco da Bike também, um podcast

[02:06:59] não é sobre bicicleta, é sobre ciclismo

[02:07:01] então a gente fala de tudo a respeito de ciclismo

[02:07:03] o nosso público é bem amplo

[02:07:05] tem gente que começou a pedalar ontem

[02:07:07] tem gente que nunca pedalou, tem gente que faz ciclismo de longa distância

[02:07:09] então se você gosta de bicicleta, tendo ou não tendo

[02:07:11] bicicleta, procura

[02:07:13] pelo Beco da Bike, é tudo Beco da Bike

[02:07:15] todas as redes sociais

[02:07:17] e eu participo também do time de ciências ambientais

[02:07:19] do SciCast Podcast

[02:07:21] eu sou biólogo, ecólogo

[02:07:23] e se tem alguma pauta de meio ambiente

[02:07:25] eu estou lá, então se você gosta de divulgação científica

[02:07:27] ciência divertida

[02:07:29] ou SciCast

[02:07:31] Werther, você pode depois dizer em off

[02:07:33] não precisa abrir para todo mundo

[02:07:35] mas eu quero entender

[02:07:37] como você faz

[02:07:39] para ter tempo de fazer isso tudo

[02:07:41] não dá para

[02:07:43] pedalar 600 km

[02:07:45] gravar dois podcasts

[02:07:47] e fazer pauta

[02:07:49] e o cacete, cara

[02:07:51] o seu dia tem 70 horas, não é possível

[02:07:53] que nada, eu procrastino

[02:07:55] muito mesmo, eu deixo de fazer tudo de última hora

[02:07:57] e tem que fazer, sacou?

[02:07:59] ele ainda procrastina, como assim?

[02:08:01] para você mesmo, é o poder da procrastinação

[02:08:03] se eu procrastinar

[02:08:05] você faz muito mais

[02:08:07] se eu procrastinar

[02:08:09] as demandas me engolem

[02:08:11] se eu procrastinar

[02:08:13] eu faço tudo de última hora

[02:08:15] e acabo fazendo e me f***

[02:08:17] as crianças não fazem isso em casa, por favor

[02:08:19] não, não faço

[02:08:21] você usa a mesma desculpa que eu

[02:08:23] eu funciono melhor sob pressão

[02:08:25] não, eu não funciono, me f*** muito

[02:08:27] mas faz

[02:08:29] já me f***i muito por conta disso

[02:08:31] estou tentando diminuir

[02:08:33] tem aqueles planners

[02:08:35] eu uso, mas como todas as coisas no mundo

[02:08:37] funciona se você usar

[02:08:39] o planner é o Google calendário

[02:08:41] falta um dia para entregar

[02:08:43] eu sou eu

[02:08:45] pois é, estamos juntos

[02:08:47] eu nunca utilizei um calendário

[02:08:49] na vida, para organização

[02:08:51] de nada, quando eu fiz

[02:08:53] uma semana inteira de organização

[02:08:55] no calendário do Google, roubaram meu celular

[02:08:57] então

[02:08:59] é um sinal

[02:09:01] eu tenho que continuar

[02:09:03] desse jeito caótico, que assim está tudo bem

[02:09:05] gente, muito obrigado

[02:09:07] pelo tempo de vocês, pela participação

[02:09:09] a gente sabe que

[02:09:11] realmente arranhou a superfície

[02:09:13] do que é o direito à cidade

[02:09:15] mas é um ótimo ponto de partida

[02:09:17] para quem quiser se aprofundar

[02:09:19] nesse tema, que é riquíssimo

[02:09:21] muito obrigado

[02:09:23] pelo tempo de vocês

[02:09:25] pela atenção

[02:09:27] pela vontade que vocês estavam de participar

[02:09:29] o Werther estava

[02:09:31] loucaço na nossa pauta

[02:09:33] enchendo links

[02:09:37] adoro o programa de vocês

[02:09:39] quando comecei a conversar com

[02:09:41] a Letícia

[02:09:43] me convidou, porra, abriu um sorriso de orelha

[02:09:45] que bom, bom saber

[02:09:47] então aqui eu abro para vocês fazerem

[02:09:49] as suas despedidas, e eu juro que a gente

[02:09:51] termina isso

[02:09:53] já me despedi, um beijo para todo mundo

[02:09:55] Alissa, prazer em conhecê-la

[02:09:57] vamos pedalar, um beijão para todo mundo

[02:09:59] eu agradeço muito o seu convite

[02:10:01] olha que foi demorado

[02:10:03] para a gente conseguir fazer

[02:10:05] esse episódio acontecer

[02:10:07] vários

[02:10:09] imprevistos, mas eu agradeço

[02:10:11] tanto no meu nome

[02:10:13] quanto no nome do coletivo inteiro

[02:10:15] a oportunidade de participar

[02:10:17] a gente gosta muito do podcast de vocês

[02:10:19] inclusive o podcast de vocês

[02:10:21] inspirou muita gente para fazer

[02:10:23] o nosso próprio

[02:10:25] a gente lançou

[02:10:27] nosso primeiro episódio semana passada

[02:10:29] por favor, se quiserem

[02:10:31] só seguir lá no nosso Instagram

[02:10:33] a gente divulgou, está no Spotify

[02:10:35] mais um jabá

[02:10:37] mais um jabá

[02:10:39] aquela coisa do marketing

[02:10:41] mas é isso, eu agradeço muito

[02:10:43] a conversa, é um tema que

[02:10:45] que me enche o coração

[02:10:47] eu gosto de discutir sobre isso

[02:10:49] eu gosto de falar, eu gosto de pensar sobre isso

[02:10:51] privilégios

[02:10:53] mas eu agradeço muito de verdade

[02:10:55] de coração, foi um prazer conhecer cada um

[02:10:57] de vocês, e é isso

[02:10:59] ai que beleza, show

[02:11:01] perfeito, a gente ainda vai ter

[02:11:03] mais uns 40 minutos para quem fica por aí

[02:11:05] mas a nossa gravação

[02:11:07] eu juro que acaba aqui

[02:11:09] falou, falou gente

[02:11:11] tchau, muito obrigada

[02:11:13] tchau Elisa, beijos

[02:11:39] tchau