Radiografia psicopatológica de um governo de merda, com Christian Dunker e André Thieme


Resumo

O episódio realiza uma análise psicopatológica do cenário político brasileiro, com foco no governo Bolsonaro e figuras associadas. Os participantes discutem a possível psicopatia de Wilson Witzel, a fixação escatológica de Bolsonaro, a linguagem confusa de Carlos Bolsonaro (Carluxo) e os mecanismos psicológicos que levam massas a apoiarem figuras autoritárias.

A conversa explora conceitos como transtorno de personalidade antissocial, a retórica da autenticidade baseada na violação de fronteiras entre público e privado, e a identificação negativa (ódio em comum) que une certos eleitores. Christian Dunker traz perspectivas da psicanálise, citando Wilhelm Reich e a noção do “Zé Ninguém” que transfere seu desejo e capacidade de gozo para um líder medíocre.

André Thieme complementa com uma visão da análise do comportamento, discutindo como a punição não educa e como a despolitização e a desvalorização da palavra criaram um terreno fértil para o atual cenário. A conversa também aborda o impacto na saúde mental da população e estratégias para preservá-la, como manter laços sociais e buscar controle sobre aspectos da vida pessoal.

Por fim, discutem-se possibilidades de reversão do quadro, com otimismo baseado na ideia de que os estados de massa são temporários e que a própria incoerência do projeto levará ao seu desgaste. São feitas recomendações culturais e práticas para enfrentar o momento.


Indicações

Filmes

  • Bacurau — Filme de Kleber Mendonça indicado por Christian Dunker. É citado como uma obra que pensa a violência para além de dicotomias fáceis, mostrando um ‘terceiro tipo’ de violência insurgente.

Livros

  • Psicologia de Massas do Fascismo — De Wilhelm Reich. Citado por Christian Dunker para analisar a adesão de massas a figuras autoritárias, explicando o fenômeno do ‘Zé Ninguém’ que transfere seu desejo para o líder.
  • Escuta é Ninguém — Livro citado por Christian Dunker que analisa a eleição de Hitler, sintetizado na frase em que o líder diz ‘escuta, você que se acha um Zé Ninguém’.
  • Nada — De Carmen Laforet. Indicado por Letícia Dac, é um romance que se passa na Barcelona do pós-guerra, recomendado também para praticar espanhol.

Pessoas

  • Olavo de Carvalho — Mencionado como mentor intelectual do governo Bolsonaro. Sua influência é analisada na formação de um pensamento conspiratório e delirante que vê uma ‘batalha espiritual’ por trás dos eventos políticos.

PeçAs De Teatro

  • A Casa Sumersa — Peça do grupo Companhia Velha, indicada por Christian Dunker. Aborda o sofrimento psíquico e seu entrelaçamento com a política, sem cair em militância ou polarização simplista.

PráTicas

  • Plantar tomate em casa — André Thieme dá uma dica passo a passo de como plantar tomate a partir de uma rodela do fruto, visando autonomia e redução do consumo de agrotóxicos.
  • Buscar atendimento psicológico no SUS ou em universidades — André Thieme incentiva as pessoas a procurarem atendimento psicológico nas unidades básicas de saúde (por demanda popular) e nos serviços oferecidos por universidades com cursos de Psicologia, que são gratuitos e supervisionados.

Linha do Tempo

  • 00:08:53Discussão sobre psicopatia e Wilson Witzel — André Thieme questiona o uso do termo ‘psicopata’ para descrever o governador Wilson Witzel. Ele explica os critérios do transtorno de personalidade antissocial, como frieza emocional e instrumentalização das pessoas, e discute como essas características podem ser valorizadas em ambientes políticos que exigem falta de escrúpulos. A conversa pondera se é uma característica inerente ou uma estratégia de propaganda.
  • 00:15:04A fixação escatológica de Bolsonaro — Os participantes investigam por que Jair Bolsonaro fala tanto em ‘cocô’. Christian Dunker analisa isso como parte de uma retórica de autenticidade que viola deliberadamente a fronteira entre o público e o privado, trazendo para o debate aquilo que deveria ser reservado. Ele relaciona essa linguagem com a prática de governo que mistura o público e o privado, como colocar familiares em cargos de poder.
  • 00:20:11A linguagem confusa de Carlos Bolsonaro (Carluxo) — A discussão se volta para os tweets desconexos de Carlos Bolsonaro. André Thieme sugere que pode ser uma estratégia deliberada de confusão ou um reflexo de um pensamento paranoico e conspiratório, influenciado por Olavo de Carvalho. Eles debatem a dificuldade de distinguir entre uma patologia e uma tática política em um ambiente de edição e controle de imagem.
  • 00:35:09Psicologia de massas e o ‘Zé Ninguém’ — Christian Dunker introduz conceitos de Wilhelm Reich para explicar a adesão massiva a Bolsonaro. Ele descreve o ‘Zé Ninguém’ como alguém que desistiu de sua vida erótica e de buscar prazer, transferindo essa capacidade para um líder medíocre com quem se identifica. Esse líder oferece um sentido de pertencimento e uma válvula para o ódio, organizando a vida das pessoas em torno da destruição de inimigos.
  • 00:57:57Despolitização e a dificuldade do diálogo — Os participantes refletem sobre o longo período de despolitização no Brasil, herança da ditadura, e a dificuldade de reinserir as pessoas no debate político. Discutem a tentação de dizer ‘eu avisei’ e a ineficácia dessa abordagem. André Thieme defende a necessidade de diálogo presencial, escuta ativa e construção de pontes a partir das ansiedades comuns, como segurança e economia.
  • 01:09:57Cuidados com a saúde mental em tempos políticos — André Thieme responde à pergunta sobre como preservar a saúde mental. Ele recomenda manter relacionamentos sociais próximos e seguros, focar em coisas boas da vida e em aspectos sobre os quais se tem controle, e buscar ajuda profissional. Destaca a importância de momentos de ‘bolha’ para recarregar as energias antes de engajar em debates mais desgastantes.
  • 01:16:22Perspectivas de reversão e otimismo — Christian Dunker expressa otimismo sobre uma eventual reversão do quadro. Ele argumenta que os estados de massa são insustentáveis a longo prazo e que o próprio grupo bolsonarista se fragmenta. A incoerência entre promessas e resultados econômicos desagrada às elites, e o amor cego que elege um tirano pode se transformar no ódio que o devora.

Dados do Episódio

  • Podcast: Pistolando Podcast
  • Autor: Leticia Dáquer e Thiago Corrêa
  • Categoria: News Politics News News Commentary
  • Publicado: 2019-10-12T01:43:15Z
  • Duração: 01:39:31

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

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[00:06:00] Ninguém toma decisões racionais

[00:06:01] em economia.

[00:06:03] Tem dois nobeis aí pra provar.

[00:06:04] Exatamente. Bem importante pontuar.

[00:06:08] Mas não é exatamente sobre isso

[00:06:09] que a gente veio falar.

[00:06:10] Eu tô esperando a gente entrar no episódio.

[00:06:12] Hoje tá difícil. Amanhã realmente não é

[00:06:15] o momento propício pra vocês, já percebem.

[00:06:18] Letícia,

[00:06:19] antes de me criticar, me supere.

[00:06:22] Eu tô acordada

[00:06:23] na hora de um super beijo, lavar e louça.

[00:06:25] Já fiz uma coisa.

[00:06:25] Não, vamos lá, vamos lá.

[00:06:31] A gente,

[00:06:32] além do André aqui, nós tivemos que fazer

[00:06:34] em gravações separadas, então essa é a hora

[00:06:36] que eu faço um recorte aqui

[00:06:38] e você ouve o nosso outro convidado de hoje.

[00:06:41] Vamos lá, o negócio hoje é jogo rápido,

[00:06:42] então a gente não vai perder tempo.

[00:06:44] Eu juro que

[00:06:45] eu vou tentar não ser prolixo.

[00:06:48] Eu só vou relembrá-los que

[00:06:50] o meu nome é… Eu sou o Thiago Correa

[00:06:52] e… E eu sou a Letícia Dac.

[00:06:54] Eu ia fazer uma piadinha com esse seu…

[00:06:55] Eu sou o Thiago Correa, mas não rolou.

[00:06:57] É, não faça piada. Não temos tempo para piadas hoje, Letícia Dac.

[00:07:00] Não temos tempo para piadas hoje.

[00:07:03] Não, a gente tá fazendo

[00:07:04] tudo na correria aqui porque

[00:07:05] tá tudo meio em cima da hora e

[00:07:07] a gente já teve uma

[00:07:09] gravação que era pra ter sido ontem, não rolou,

[00:07:12] vai ser hoje, tá tudo meio maluco.

[00:07:14] Então, sem mais delongas,

[00:07:16] muito obrigado

[00:07:17] e muito bem-vindo.

[00:07:19] Pra nós é uma honra

[00:07:21] e uma satisfação tê-lo aqui, Christian Dunker.

[00:07:24] Opa!

[00:07:24] Pra mim é um prazer,

[00:07:26] uma satisfação estar pistolando

[00:07:28] com vocês aí.

[00:07:31] Christian,

[00:07:32] você não sabe assim porque

[00:07:33] talvez tenham três

[00:07:36] pessoas em toda a área

[00:07:38] da psicologia e da psicanálise

[00:07:40] que eu consigo ouvir

[00:07:42] sem me irritar pra cacete, assim.

[00:07:45] E você tá nesse patamar.

[00:07:47] Então, pra mim

[00:07:48] é muito bom estar falando

[00:07:50] com você.

[00:07:51] Ah, porque você não gosta de quântico?

[00:07:54] Ah, nem fala.

[00:07:58] Ontológico?

[00:07:59] Como é que é?

[00:08:01] Então, a gente tá nessa, assim,

[00:08:03] e isso é papo pra outro episódio.

[00:08:05] Meu Deus, um dia a gente vai ter que falar

[00:08:07] disso. Voltando,

[00:08:09] eu acho que a gente já pode

[00:08:11] começar com as

[00:08:13] tranqueiras de entender

[00:08:15] mais ou menos como é que funciona

[00:08:17] a cabeça

[00:08:18] da galera que tá

[00:08:21] tão envolvida, assim, com essa parte

[00:08:23] de política.

[00:08:24] Do outro lado da trincheira,

[00:08:27] eu não sei nem por onde começar,

[00:08:29] porque é tanta coisa, é tanta

[00:08:30] maluquice, assim. Eu acho que eu vou começar

[00:08:33] pelo que é um pouco

[00:08:35] mais simples, mas ao mesmo tempo

[00:08:37] é um pouco mais pesado, que daí eu acho

[00:08:39] que depois a tendência é melhorar.

[00:08:41] André, a gente

[00:08:43] tem utilizado

[00:08:45] sem pudor nenhum

[00:08:46] a terminologia pra

[00:08:49] chamar o Wilson Witzel

[00:08:51] de psicopata.

[00:08:53] A gente fala isso,

[00:08:54] assim, enchendo a boca

[00:08:56] pra falar, esse governador do Rio de Janeiro

[00:08:58] é um psicopata.

[00:09:00] Dada

[00:09:00] os critérios técnicos pra isso,

[00:09:04] a gente tá muito longe de estar

[00:09:06] curado ou não? Talvez eu vá

[00:09:08] discordar bastante de algumas coisas.

[00:09:10] Aí é pra isso, vamos lá. Eu gosto

[00:09:12] de a gente olhar um pouco mais de forma geral,

[00:09:14] porque quando a gente começa a olhar pra

[00:09:16] classe política atual

[00:09:18] em que a gente vai debater, por muitas

[00:09:20] vezes é um pouco

[00:09:22] confortável a gente

[00:09:23] começar a atribuir a eles algumas

[00:09:25] características psicológicas ou

[00:09:27] psiquiátricas, nesse caso, pra tentar

[00:09:29] nos referir a eles.

[00:09:31] Da distância que eu tô

[00:09:32] e pelo que eu consigo acompanhar do Witzel,

[00:09:36] é um pouco difícil a gente

[00:09:37] chegar num critério diagnóstico

[00:09:39] tão claro e preciso sobre

[00:09:41] se a gente pode dizer que ele é um psicopata ou não.

[00:09:44] Apesar de

[00:09:45] a gente ver muitas

[00:09:47] coisas que acontecem

[00:09:49] e manifestações dessa criatura

[00:09:51] que…

[00:09:53] indicam bons critérios

[00:09:55] pra gente

[00:09:56] identificar a psicopatia.

[00:09:59] E aí algumas coisas que

[00:10:01] talvez ajudem a gente a entender isso é

[00:10:03] essa questão, essa desvalorização

[00:10:05] da vida humana

[00:10:07] em vários sentidos. Talvez a gente

[00:10:09] possa estar falando de… estar relacionando

[00:10:11] com alguns casos de psicopatia.

[00:10:13] A gente até fez um episódio de psicopatia

[00:10:15] recente no Dragões e

[00:10:17] acho que fica bom a gente tentar

[00:10:19] olhar também pra algumas questões

[00:10:21] de como é que isso se

[00:10:23] se refere, né?

[00:10:25] Como é que a gente consegue identificar

[00:10:26] o que é psicopata e o que não é.

[00:10:29] Porque muitas vezes a gente vai estar falando

[00:10:31] de uma classe de pessoas

[00:10:34] que elas vão ter algum

[00:10:35] transtorno psiquiátrico

[00:10:37] e que aí, a partir disso, a gente

[00:10:39] vai conseguir identificar, enfim.

[00:10:41] E muitas vezes, ou na maior

[00:10:43] parte dos casos, quando a gente está falando de psicopata

[00:10:45] a gente está falando de um tipo de

[00:10:47] transtorno de personalidade

[00:10:49] que é o transtorno de personalidade antissocial.

[00:10:52] Que é uma pessoa que tem um caráter

[00:10:53] mais estável ao longo da vida. Principalmente

[00:10:55] no sentido de ter

[00:10:56] frieza emocional. Então, ele tem

[00:10:59] pouca capacidade de

[00:11:01] sentir emoções.

[00:11:04] E, principalmente, reconhecer

[00:11:05] as emoções dos

[00:11:07] outros, né? No sentido de

[00:11:09] reconhecer aquelas outras pessoas como

[00:11:11] seres autônomos

[00:11:13] e que têm sentimentos e que sofrem

[00:11:15] e tudo mais. E, ao mesmo tempo,

[00:11:18] essa instrumentalização,

[00:11:20] essa objetificação das outras

[00:11:21] pessoas. Por conta

[00:11:23] características. Então, ele vai

[00:11:25] acabar se aproveitando e tudo mais.

[00:11:27] A gente vê muitos

[00:11:29] dos psicopatas,

[00:11:32] né? Muitas dessas pessoas que têm

[00:11:33] esse tipo de condição

[00:11:34] ascenderem em situações

[00:11:37] tanto de

[00:11:38] ascenderem tanto em condições

[00:11:41] profissionais quanto políticas, né? Tanto no

[00:11:43] ambiente privado quanto público.

[00:11:45] Em situações em que é exigido

[00:11:47] essa falta de escrúpulos,

[00:11:49] né? De você fazer as coisas

[00:11:51] de forma que só

[00:11:53] se beneficia a si mesmo, mesmo que você

[00:11:55] tenha que passar por cima das outras pessoas.

[00:11:57] E a gente tem situações de vida

[00:11:59] que proporcionam isso, né? A gente vai ver

[00:12:01] várias características, várias questões

[00:12:03] e que isso acontece. Por exemplo, lojas

[00:12:05] aí que têm status

[00:12:06] da liberdade na frente.

[00:12:09] E aí…

[00:12:10] Eu não acharia tão estranho

[00:12:13] que, no momento político, no cenário

[00:12:15] político atual, a gente teria um

[00:12:17] governador que ele também

[00:12:18] tivesse essas características de psicopatias

[00:12:21] ou talvez outras características

[00:12:23] aprendidas, né?

[00:12:24] Que se aproximem da psicopatia.

[00:12:27] E aí é que eu entro na coisa

[00:12:29] de o quanto que também a gente permite

[00:12:31] ou então o quanto que… Como é que a

[00:12:33] sociedade está? Que o fato de o cara ter

[00:12:35] essas características, ter esses comportamentos

[00:12:37] ela decide voltar no cara deles.

[00:12:39] É enaltecido, inclusive, né?

[00:12:41] Tudo isso é o que é

[00:12:43] apreciado, né? Isso é muito estranho.

[00:12:45] É, e aí eu fico me perguntando

[00:12:47] muitas vezes se é

[00:12:48] uma característica própria dele ou

[00:12:51] é uma característica de propaganda

[00:12:53] política. E às vezes isso

[00:12:55] é o que me torna mais triste.

[00:12:57] Não sei o que é pior, realmente. É difícil

[00:12:58] definir o que é pior, né?

[00:13:00] Se é o cara fingir que é isso

[00:13:02] pra agradar o público ou se é ele

[00:13:05] ser isso mesmo e as pessoas se amarrarem

[00:13:07] e votarem, né? Não sei.

[00:13:08] O Witz é um caso à parte até porque tem

[00:13:11] toda a questão do próprio ego

[00:13:13] dele, né? Ele

[00:13:14] não admite que as pessoas

[00:13:17] votaram nele por conta

[00:13:18] da onda bolsonarista. Ele fala

[00:13:20] que as pessoas votaram nele porque

[00:13:23] reconhecem o trabalho dele, reconhecem

[00:13:24] nele a pessoa que o Rio de Janeiro

[00:13:26] precisava e tal. Ninguém sabia quem ele era,

[00:13:29] pelo amor de Deus. Né? Ninguém, ninguém.

[00:13:31] Até uma semana antes

[00:13:33] da reeleição ninguém sabia. Sim.

[00:13:35] É que nem o governador de Santa Catarina, né?

[00:13:36] Sim, é outro caso à parte, assim.

[00:13:39] Outro… Mas esse até que

[00:13:40] não é psicopata, pelo menos.

[00:13:43] Sim, mas a gente até…

[00:13:45] Ele foi uma surpresa

[00:13:46] não ruim. É, a gente até achou

[00:13:48] uma surpresa agradável, assim. Olha,

[00:13:51] caramba, o cara nem é

[00:13:52] faz culto à morte toda semana,

[00:13:55] olha só. Nossa, ele nem

[00:13:57] desce do helicóptero comemorando, que cara bacana.

[00:13:59] Pois é, daqui a pouco ele vai ser

[00:14:01] expulso no partido, assim.

[00:14:04] Corre o risco.

[00:14:04] Mas, gente, que louco.

[00:14:07] Já tô acostumado.

[00:14:09] Ah, coitado.

[00:14:11] Que coitado o quê? Ele é

[00:14:13] um cocô? Ô, seu cocô, não

[00:14:15] fique chateado. É mesmo

[00:14:17] que é de errado. Vou contar

[00:14:19] a minha história.

[00:14:21] Uma triste,

[00:14:22] triste história. Me chamam

[00:14:24] de fedido. Fedido.

[00:14:27] Nojento. Nojento.

[00:14:28] Caca. Caca. De tudo

[00:14:31] que é ruim. Ninguém gosta

[00:14:32] de mim, mas eu não tô nem aí.

[00:14:35] Eu sou cocô

[00:14:37] e eu nasci assim.

[00:14:39] Já tô acostumado.

[00:14:41] Cocô.

[00:14:43] Cocô. Olha o

[00:14:45] cocô. A gente tava

[00:14:46] praticamente um mês tentando combinar

[00:14:48] esse episódio

[00:14:50] e há um mês e pouco atrás,

[00:14:52] tinha uma coisa que não

[00:14:54] saía da boca da galera

[00:14:56] e todo mundo queria saber, todo mundo

[00:14:58] queria entender e eu não posso deixar

[00:15:01] de começar esse programa

[00:15:02] fazendo essa pergunta.

[00:15:04] Por que que o Bolsonaro fala tanto em cocô?

[00:15:09] Aí você me complica, né?

[00:15:13] Aí você, assim,

[00:15:15] me convida a cometer

[00:15:16] uma heresia, né?

[00:15:18] Porque a gente não pode

[00:15:20] a gente não pode analisar as pessoas,

[00:15:22] sem o consentimento delas,

[00:15:25] né? Sem a

[00:15:26] assim, a

[00:15:27] não, não, a gente

[00:15:31] usa, o Bolsonaro é o nosso

[00:15:32] bode expiatório, né? A gente usa

[00:15:35] um caso hipotético

[00:15:36] de quem sabe, um presidente

[00:15:38] e tal, pra falar sobre

[00:15:40] coprolalia, né?

[00:15:42] Isso aí que tem pra nós.

[00:15:45] É, é uma

[00:15:46] coisa que eu acho que entra

[00:15:48] falando assim mais a partir da biografia,

[00:15:51] das coisas que a gente lê,

[00:15:52] sobre o personagem, né?

[00:15:55] É uma coisa que é muito

[00:15:56] compatível com um

[00:15:59] certo, uma certa retórica,

[00:16:01] né? Da autenticidade.

[00:16:03] Essa retórica, ela tá muito

[00:16:04] baseada em trazer pro espaço público

[00:16:07] aquilo que

[00:16:09] deveria permanecer no espaço privado.

[00:16:11] Onde é que nasce essa

[00:16:12] partição, né? Onde é que tá a fronteira?

[00:16:15] Como é que a gente aprende que tem

[00:16:16] coisas que você mantém no reservado?

[00:16:19] Isso,

[00:16:20] bom, tem muito que ver com os

[00:16:22] cuidados de higiene, de

[00:16:24] entendimento da experiência, assim,

[00:16:26] do próprio corpo, a ideia

[00:16:29] que a gente é ensinado de que,

[00:16:30] olha, você pode defecar,

[00:16:33] mas isso não é uma coisa pra ser

[00:16:34] feita, assim, aos olhos de todo mundo,

[00:16:36] né? Ou seja, com banheiro, com cocô,

[00:16:39] com xixi, com coisas que a gente

[00:16:40] não tem que trazer pro espaço público,

[00:16:43] que a gente faz entre quatro

[00:16:44] paredes, né? Então,

[00:16:46] isso é um ícone, mas se a gente

[00:16:48] olhar pra trás, desde

[00:16:50] a eleição,

[00:16:52] até as primeiras declarações,

[00:16:56] isso é só mais

[00:16:57] do mesmo. É golden

[00:16:59] shower aqui,

[00:17:01] a explicitação

[00:17:03] da

[00:17:05] beleza ou feiura de uma

[00:17:07] primeira-dama lá,

[00:17:10] é assim, é um

[00:17:11] linguajar que tá baseado

[00:17:13] nessa violação

[00:17:15] dessa fronteira.

[00:17:17] Um pouco assim como a gente

[00:17:19] olha pra aquela criança e dá

[00:17:21] risada, porque a

[00:17:22] criança diz assim, olha, o rei

[00:17:24] está no uhu, olha só, ele está

[00:17:26] falando a verdade. Por quê? Porque

[00:17:28] ele está violando esta fronteira.

[00:17:30] O que me parece grave é que

[00:17:32] essa retórica, ela é absolutamente

[00:17:34] coerente com uma

[00:17:36] prática de governo. Ou seja,

[00:17:39] misturar o público com o privado.

[00:17:41] Sim. Colocar os filhos

[00:17:42] para mandar, colocar o filho

[00:17:45] pra ser

[00:17:47] embaixador em Washington,

[00:17:49] colocar os amigos no poder,

[00:17:51] lidar com…

[00:17:52] com o poder como se ele fosse, assim,

[00:17:54] uma operação intrafamiliar,

[00:17:57] eleger aqueles que

[00:17:58] são, vamos dizer assim,

[00:18:01] afinidades eletivas

[00:18:02] nos planos dos gostos,

[00:18:05] e, bom, governar

[00:18:06] desse jeito.

[00:18:10] É uma

[00:18:10] escatologia

[00:18:11] muito sintomática, né? Porque o que ele

[00:18:14] fala é o que ele faz também. Ele escolhe

[00:18:16] pessoas que são merdas,

[00:18:19] praticamente. É uma coisa

[00:18:20] muito estranha. Você vê que é o que ele

[00:18:22] gosta, ele se cerca de pessoas assim,

[00:18:24] é um negócio estranhíssimo.

[00:18:26] Uma coisa que eu fico pensando sobre

[00:18:28] esse negócio dele falar tanto em cocô,

[00:18:30] assim, que eu fiquei

[00:18:32] elucubrando e eu tenho essa péssima

[00:18:34] mania de me meter na

[00:18:36] área de expertise dos outros,

[00:18:38] já que eu não sou especialista em nada e me

[00:18:40] meto na especialidade dos outros.

[00:18:42] Então, uma coisa que eu fiquei pensando

[00:18:44] em todas essas vezes em que ele

[00:18:46] fica falando sobre

[00:18:48] escatologia é de

[00:18:50] se de alguma forma,

[00:18:52] na época pós-facada,

[00:18:54] em que ele estava com aquela bolsinha

[00:18:56] de cocô, aquilo não

[00:18:58] mudou a relação dele com o

[00:19:00] cocô. Ah, sim, bem

[00:19:02] observado, concordo,

[00:19:04] né? Aquilo evocou uma

[00:19:06] convivência mais íntima com

[00:19:08] os nexos, né?

[00:19:10] Uma convivência…

[00:19:11] Eles se tornaram um só.

[00:19:14] Porque volta a

[00:19:17] retomar, né?

[00:19:18] Uma bolsa móvel,

[00:19:20] os problemas em torno da operação,

[00:19:22] da facada, né?

[00:19:24] E acho que isso, sim,

[00:19:25] denota também essa

[00:19:28] permanência dessa

[00:19:30] questão que foi, no fundo,

[00:19:32] um evento de forte potência

[00:19:34] política. Muitos dizem

[00:19:36] que se não tivesse havido

[00:19:38] a facada, não teria sido eleito.

[00:19:40] É uma forma que associou

[00:19:42] os dejetos

[00:19:44] com a pena alheia,

[00:19:45] com a ideia de que, no fundo,

[00:19:48] ele está sendo vítima, vítima

[00:19:50] de um ataque cruel que foi,

[00:19:52] né? Então, é importante

[00:19:54] talvez

[00:19:56] entender que isso foi

[00:19:58] capitalizado.

[00:20:00] Bom, já que a gente está falando de pessoas

[00:20:02] em particular, né? A gente está falando do

[00:20:04] Whitney Houston.

[00:20:06] Falando de outro, que também não é muito

[00:20:08] normal, e o Carluxo, hein?

[00:20:11] Ai, cara… O que que são aqueles

[00:20:12] tweets dele, André? O que que

[00:20:14] é aquilo? Nada do que ele fala faz sentido.

[00:20:16] O que que é aquilo? Tem um texto

[00:20:18] muito bom da

[00:20:20] época, da revista época,

[00:20:22] chamado Uma Análise do Estilo

[00:20:24] Confuso e Particular

[00:20:26] dos Tweets de Carlo Bolsonaro.

[00:20:29] Eu adorei a…

[00:20:30] Eu adorei a sutileza de…

[00:20:32] Confuso e Particular. Cara…

[00:20:34] Não é particular, é uma merda, é diferente.

[00:20:36] É, tem aquele negócio de que há mil

[00:20:38] chimpanzés em mil anos

[00:20:40] apertando botões aleatórios

[00:20:42] e em algum momento eles vão fazer

[00:20:44] uma obra do Shakespeare. Não vão fazer

[00:20:46] uma obra do Carluxo, sinto muito.

[00:20:48] Quantos anos a gente vai ter que esperar

[00:20:50] pro Carluxo fazer…

[00:20:52] Um tweet que faça sentido.

[00:20:54] Não estaremos

[00:20:55] vivos pra ver, isso aí não tem a menor

[00:20:57] menor…

[00:20:59] Me explica, o que que…

[00:21:01] O que que acontece ali?

[00:21:04] Olha, do jeito que as coisas estão,

[00:21:05] realmente não estaremos vivos.

[00:21:08] Enquanto humanidade.

[00:21:11] Mas…

[00:21:11] É realmente difícil, mas…

[00:21:14] Eu fico… Eu até entrei

[00:21:15] hoje ainda pra dar uma olhada no feed

[00:21:17] dele, porque… Vai ser, né?

[00:21:20] Porque eu costumo tentar não

[00:21:21] acompanhar muito, apesar de muitas vezes

[00:21:23] ele chegar na minha timeline, né?

[00:21:25] Mas tem umas coisas que

[00:21:27] me veem muito na questão da…

[00:21:30] De uma aprendizagem

[00:21:31] absurda, assim, de começar

[00:21:33] a ver teorias da conspiração

[00:21:35] em várias situações diferentes, algumas coisas

[00:21:37] que beiram a paranoia, né?

[00:21:39] No sentido de você ver perseguição,

[00:21:41] ver coisas específicas,

[00:21:43] um sentimento de autoimportância muito

[00:21:45] elevado e…

[00:21:47] Que ao mesmo tempo não tá tão fora

[00:21:49] da realidade, porque, né?

[00:21:51] Os pesares, eles estão, né?

[00:21:53] A família toda tá no poder, né?

[00:21:55] Então, não tá tão fora

[00:21:58] disso, mas ao mesmo tempo ela

[00:21:59] beira uma…

[00:22:01] Uma falta de… Uma fantasia, assim, né?

[00:22:03] No sentido de… Tudo é possível

[00:22:05] pelo discurso, como se tudo fosse

[00:22:08] apenas discurso.

[00:22:09] Ele tá no mundo apenas do simbólico,

[00:22:12] lá, né? Nas questões

[00:22:13] de fazer essa relação com

[00:22:15] diferentes

[00:22:17] possibilidades, diferentes realidades,

[00:22:20] enfim. Mas de seguir muito,

[00:22:21] pelo… Pela filosofia…

[00:22:24] Não, filosofia não, né?

[00:22:26] Por uma ficção

[00:22:28] explicativa

[00:22:29] voltada, assim, muito embasada

[00:22:32] no Olavo de Carvalho,

[00:22:33] que também tem toda essa questão

[00:22:35] do diálogo

[00:22:37] de uma… De ele tentar explicar

[00:22:39] a realidade por aquilo que

[00:22:41] é entendível por uma pessoa

[00:22:43] com conhecimento médio

[00:22:45] das coisas, né? Então…

[00:22:47] E que vai pegar pontas

[00:22:49] diferentes em…

[00:22:51] Aleatórias e tentar

[00:22:53] fazer um traço.

[00:22:55] Mas só com as pontas que lhe interessam, né?

[00:22:57] Tem um desenho que eu acho muito interessante

[00:23:00] que ele faz

[00:23:01] uma relação disso. Tem vários pontos

[00:23:04] numa folha, e aí você tem

[00:23:05] um desenho que faz, tipo, uma estrela juntando

[00:23:08] as pontas que você quer, e aí depois você tem

[00:23:10] o outro que faz um desenho pegando todas as pontas

[00:23:12] que estão. E aí ele faz a diferença entre

[00:23:14] teoria da conspiração e ciência, né?

[00:23:16] Que é justamente isso.

[00:23:18] Você pega só aquilo que te interessa

[00:23:20] pra explicar o fenômeno,

[00:23:21] e ignora todos os outros fatos

[00:23:23] e outras coisas que

[00:23:25] permitiriam uma explicação um pouco mais

[00:23:27] complexa, né?

[00:23:30] E mais acurada

[00:23:31] do que é que tá acontecendo. Mas você

[00:23:33] escolhe os pontos a dedo e aquilo

[00:23:35] faz sentido, né? Dentro

[00:23:38] da tua lógica argumentativa.

[00:23:40] Assim, uma coisa que eu

[00:23:41] fico muito curioso, agora

[00:23:43] até tirando um pouco

[00:23:45] da figura do próprio Carluxo,

[00:23:48] né? Mas

[00:23:49] só pra usar o

[00:23:51] exemplo dele, mas pra falar de uma outra

[00:23:53] questão um pouco mais técnica

[00:23:55] dentro da psicologia, da psiquiatria,

[00:23:58] da psicanálise, eu nunca sei

[00:23:59] qual dos três usar.

[00:24:02] Vamos ver.

[00:24:04] Depende do que tu vai falar.

[00:24:05] Essa falta de conexão

[00:24:08] entre as coisas que ele fala

[00:24:09] não mostra

[00:24:11] uma forma

[00:24:13] caótica, uma forma perturbada

[00:24:16] que a cabeça de uma pessoa

[00:24:18] funciona, e com

[00:24:19] isso não mostra uma forma

[00:24:21] caótica e perturbada

[00:24:23] de como ela vê o mundo

[00:24:25] à sua volta? Tipo, como é que

[00:24:27] isso é compreendido

[00:24:30] pelos estudos

[00:24:31] disso mesmo, ou não?

[00:24:33] Vai ter dois pontos.

[00:24:36] Se a gente estivesse conversando

[00:24:38] com ele e tudo que ele falasse

[00:24:39] fosse como os tweets dele,

[00:24:41] aí a gente poderia estar entrando numa análise desse tipo.

[00:24:44] De tentar… Porque o que a pessoa

[00:24:45] fala tem a ver com como

[00:24:47] ela entende essas relações

[00:24:49] e essas características de

[00:24:51] mundo, né? E aí a gente poderia estar

[00:24:53] justamente discutindo

[00:24:55] como é que ele está conseguindo

[00:24:57] organizar essas informações. A gente poder

[00:24:59] fazer perguntas, alguma coisa um pouco mais estruturada,

[00:25:01] fazer uma entrevista mesmo com o

[00:25:03] Carlos Bolsonaro. Mas

[00:25:05] no Twitter eu fico me perguntando

[00:25:08] o quanto isso também não é,

[00:25:10] por mais que seja bizarro,

[00:25:11] estranho e talvez

[00:25:13] não efetivo,

[00:25:15] mas é uma escolha, é uma estratégia

[00:25:18] de confundir mesmo as

[00:25:19] pessoas. É verdade.

[00:25:21] Porque a gente nunca vai saber, na verdade, né, cara?

[00:25:23] Não tem como a gente saber se isso

[00:25:25] é estratégia ou se é ele assim mesmo, né?

[00:25:27] É, e até porque o Carluxo anda bem

[00:25:29] blindado, né?

[00:25:31] Justamente pra não dar entrevistas muito

[00:25:33] longas e tal. Você não vê uma entrevista

[00:25:35] muito longa dele e

[00:25:37] as entrevistas maiores que

[00:25:38] ele dá, ele dá pros seus

[00:25:42] confrades

[00:25:43] ali, pros seus comparsas, eu diria,

[00:25:45] e recebe

[00:25:47] todo tipo de edição e tal.

[00:25:49] Ele fica muito mais eloquente do que

[00:25:51] ele normalmente é. Ele fica

[00:25:53] parecendo muito mais

[00:25:54] interessante do que ele

[00:25:57] realmente é, né? Todo mundo,

[00:25:59] a gente aqui que faz podcast,

[00:26:01] a gente sabe como o milagre da edição

[00:26:03] pode mudar todo o tom

[00:26:04] de uma conversa

[00:26:07] e tal pra transformar ela

[00:26:08] em um tom um pouco mais

[00:26:10] pesado, em uma coisa um pouco mais

[00:26:13] didática. Então,

[00:26:15] são artifícios que a gente

[00:26:17] conhece muito bem, né?

[00:26:18] É, e aí entra essa questão,

[00:26:21] mas será que o Twitter dele tem menos

[00:26:23] filtro? Será que realmente

[00:26:25] é algo que tá no celular dele

[00:26:27] e ele vai lá e tuita alguma coisa rapidamente?

[00:26:29] Pode ser, porque, por exemplo, até

[00:26:31] tava dando, como eu falei, né?

[00:26:33] Tava até dando uma revisada no feed

[00:26:35] dele hoje e tem um

[00:26:37] tweet que eu achei engraçado, que ele tá,

[00:26:39] que ele menciona o Jair,

[00:26:41] o Jairzão. Massa!

[00:26:43] E ele colocou

[00:26:45] a rouba errada. Aí eu fiquei assim,

[00:26:47] será que ele errou a rouba? Tipo, não tá nem

[00:26:48] linkado assim, né? Será que ele errou a rouba?

[00:26:51] Ou será que o Jair foi

[00:26:52] bloqueado? Já pensou, gente,

[00:26:55] que plot twist?

[00:26:57] Maravilhoso!

[00:26:59] Aí depois eu meço pra baixo e eu vi

[00:27:01] um outro que tava, tipo, tava funcionando.

[00:27:03] Aí eu falei, ah, então deve ter sido um erro.

[00:27:05] E aí, talvez, né?

[00:27:07] Mas acho isso muito interessante,

[00:27:09] porque pra mim, sempre

[00:27:10] me pega, e principalmente nos discursos

[00:27:12] do Bolsonaro, essa forma caótica

[00:27:15] e meio sem filtro,

[00:27:17] assim, tipo, de ficar ofendendo as

[00:27:19] pessoas diretamente, em minorias,

[00:27:21] e tudo mais, ele dá a sensação

[00:27:23] pras pessoas, e até saiu um

[00:27:25] artigo sobre isso, ele dá a sensação

[00:27:26] pras pessoas que a

[00:27:28] pessoa é mais verdadeira, que ela

[00:27:30] é mais honesta.

[00:27:33] Autêntica, né? É, por causa dessa

[00:27:35] pretensa autenticidade, né?

[00:27:36] Essa coisa de você não se regular pelo que

[00:27:39] é aceito na sociedade,

[00:27:40] o que pode ser dito ou não. O que é, tipo,

[00:27:43] é uma questão bem complicada,

[00:27:45] porque se a gente for parar pra pensar,

[00:27:47] o que ele tá falando lá é muito

[00:27:48] bem direcionado a um grupo

[00:27:50] majoritário de pessoas que realmente

[00:27:53] pensam, né? Aquelas coisas absurdas

[00:27:55] que ele fala, do tipo,

[00:27:56] de ser contra minorias

[00:27:59] e homofobia

[00:28:00] e racismo, né? Todas as questões.

[00:28:04] Quando você

[00:28:06] se para e dói grafada

[00:28:09] aparece na TV

[00:28:11] e diz coisas

[00:28:13] que não consigo entender

[00:28:14] O que eu faço

[00:28:17] vou fazer com você

[00:28:19] O que eu faço

[00:28:21] vou fazer com você

[00:28:24] Você se prometendo

[00:28:29] que tudo vai

[00:28:30] melhorar, mas cada vez

[00:28:33] mais

[00:28:34] está pior a situação

[00:28:36] Enquanto você promete

[00:28:39] vou fazer com você

[00:28:41] Enquanto você promete

[00:28:44] vou fazer com você

[00:28:46] A gente sabe que

[00:28:48] ele é um homem que não é um homem, né?

[00:28:49] E são bem assessorados, né?

[00:28:50] Tem gente muito esperta por trás

[00:28:52] dando um suporte ali

[00:28:54] intelectual, porque pra ele

[00:28:56] dessa parte falta, né?

[00:28:58] Mas você acha realmente que todas as coisas que ele fala

[00:29:01] todos esses absurdos que ele fala

[00:29:02] você acha que isso tudo é de caso pensado

[00:29:05] ou é uma coisa de espontaneidade

[00:29:07] mesmo porque eles são assim

[00:29:08] e eu conheço gente que é assim

[00:29:09] todo mundo conhece um tiozão do pavê, né?

[00:29:12] Eu acho que não

[00:29:13] eu acho que não é uma

[00:29:16] não é um personagem montado, né?

[00:29:18] Não é…

[00:29:19] Pode ter uma assessoria de imprensa

[00:29:22] de marketing, mas a pessoa não consegue

[00:29:24] se impedir

[00:29:25] Tanto que, assim

[00:29:27] havia uma expectativa geral

[00:29:30] de que alguém ia controlar o personagem

[00:29:32] mas

[00:29:33] obviamente isso não acontece

[00:29:36] gerando situações de óbvio

[00:29:38] de sabor político

[00:29:40] de óbvio

[00:29:42] vamos dizer assim, perturbação

[00:29:44] desnecessária, né?

[00:29:45] Para os interesses, inclusive

[00:29:47] que mais ou menos a gente pode intuir

[00:29:50] que estão ali presentes, né?

[00:29:52] Então, me parece que é uma limitação

[00:29:55] uma limitação psíquica

[00:29:57] uma limitação moral

[00:30:00] se a gente quiser

[00:30:01] que a pessoa não consegue se limitar

[00:30:04] em relação a determinadas declarações

[00:30:07] e como ela não consegue se limitar

[00:30:09] tipo, a pessoa, vamos dizer assim, impulsiva

[00:30:12] ela não consegue deter aquele impulso

[00:30:14] aquela compulsão

[00:30:15] muito frequentemente

[00:30:16] muito frequentemente

[00:30:17] pode transformar aquilo num estilo

[00:30:19] não integrar aquilo na sua personalidade

[00:30:22] e fazer daquilo uma espécie de arma

[00:30:25] mas o critério clínico

[00:30:28] é justamente quando você percebe

[00:30:31] que a pessoa não

[00:30:32] que tem uma coercitividade

[00:30:34] nessa prática

[00:30:35] que tem uma coerção psíquica

[00:30:37] aquilo manda em mim

[00:30:39] não sou eu que mando naquilo

[00:30:41] acho que isso é bem evidente

[00:30:44] na trajetória

[00:30:47] porque isso já estava antes

[00:30:49] estava na declaração com a Maria do Rosário

[00:30:51] estava na forma como conduz o voto

[00:30:57] homenageando o Ustra

[00:30:59] e aquela coisa assim

[00:31:00] de que já que eu não consigo agradar

[00:31:03] então eu vou me especializar

[00:31:05] na arte de me tornar inconveniente

[00:31:10] de me tornar desagradável

[00:31:12] de mostrar para as pessoas

[00:31:13] que eu sou isso mesmo

[00:31:15] isso eu acho que é uma coisa

[00:31:17] que só floresce num ambiente

[00:31:20] onde há tanta manipulação

[00:31:24] há tanta pós-verdade

[00:31:26] há tanta suspeita sobre os outros

[00:31:29] e sobre si mesmo

[00:31:30] que é uma retórica assim

[00:31:33] ela consegue alcançar

[00:31:36] e muitas pessoas ficaram aderidas a isso

[00:31:38] e convencer as pessoas

[00:31:40] era isso mesmo que eu ia te perguntar

[00:31:42] até porque tem que fazer um paralelo com o Trump

[00:31:45] porque são figuras muito

[00:31:47] parecidas

[00:31:48] o Bolsonaro se inspira nele claramente

[00:31:50] e ambos trabalham com essa coisa

[00:31:53] do pelo menos ele é autêntico

[00:31:55] que eu acho

[00:31:57] inacreditável assim

[00:31:58] as pessoas acharem legal

[00:31:59] é legal o cara ser autêntico sobre todas as outras qualidades

[00:32:02] ele pode ser um autêntico merda

[00:32:03] mas se ele é autêntico isso é bom

[00:32:05] eu não consigo entender isso

[00:32:06] exatamente

[00:32:07] mas eu faria várias distinções

[00:32:11] o Trump é um

[00:32:14] bom exemplo

[00:32:16] da sujeição

[00:32:17] de espécie

[00:32:17] ele é um bom exemplo

[00:32:19] de um cara que negocia

[00:32:22] que vem do mundo corporativo

[00:32:24] que vem da elite aristocrática americana

[00:32:27] ele é um

[00:32:29] vamos dizer assim

[00:32:30] um bom caso dos seus pares

[00:32:32] o Bolsonaro não é um bom caso

[00:32:35] dos seus pares

[00:32:35] ele é um deputado de segunda classe

[00:32:39] ele é um

[00:32:41] capitão que foi renegado pelo exército

[00:32:43] ele vem

[00:32:45] de um partido que é feito das preces

[00:32:47] ele

[00:32:48] joga com a autenticidade

[00:32:51] mas ele joga com a autenticidade

[00:32:53] que fala com a irrelevância

[00:32:55] que consegue capturar

[00:32:57] aquelas pessoas

[00:32:59] que estão se sentindo muito

[00:33:01] diminuídas, que estão se sentindo muito

[00:33:03] desalentadas, que estão se sentindo que não tem

[00:33:05] voz alguma, que estão se sentindo

[00:33:07] assim de que, olha esse jogo

[00:33:09] não é pra mim, eu não consigo e não quero participar

[00:33:12] então o que eu quero fazer?

[00:33:13] eu quero melar o jogo, quanto pior melhor

[00:33:15] então a gente é cobrado

[00:33:17] aquela pessoa que vai tornar

[00:33:19] o ambiente tóxico

[00:33:21] eu tenho a impressão que os

[00:33:23] eleitores de Trump, eles tinham

[00:33:25] uma estratégia mental

[00:33:28] muito diferente da

[00:33:29] estratégia do, vamos chamar

[00:33:32] esse grupo

[00:33:34] não bolsonarista

[00:33:36] que foi a maior parte

[00:33:37] daqueles que elegeram o Bolsonaro

[00:33:39] o Bolsonaro acho que tem 15% no máximo

[00:33:42] de pessoas que realmente

[00:33:43] aderem às teses que ele está

[00:33:45] praticando

[00:33:47] os outros, vamos dizer assim

[00:33:49] 25, 30%

[00:33:52] dos seus eleitores

[00:33:53] dos seus, dos votantes

[00:33:55] embarcaram

[00:33:57] numa

[00:33:58] aventura

[00:34:00] de inconsequência

[00:34:02] com seus próprios interesses

[00:34:05] uma coisa que me pega muito

[00:34:07] quando a gente para pra ver as coisas

[00:34:09] por esse prisma

[00:34:11] é que assim, todo mundo já conhecia

[00:34:14] a figura que era o Bolsonaro

[00:34:16] por três

[00:34:17] quase 30 anos de vida pública

[00:34:19] e não é exatamente

[00:34:21] chocante ver

[00:34:23] deveria ser, claro que deveria

[00:34:25] mas não é exatamente chocante

[00:34:27] não é algo que impressiona

[00:34:29] que pega a gente de surpresa

[00:34:30] ver o Bolsonaro falando

[00:34:33] tecendo loas a um

[00:34:35] torturador, notório torturador

[00:34:37] não é um negócio que, ah, talvez

[00:34:39] foi, não, ele era

[00:34:41] um torturador, reconhecido por isso

[00:34:43] podia ter até escolhido casos mais duvidosos

[00:34:45] mas esse não, né?

[00:34:47] não, ele faz questão de pegar um

[00:34:48] que é notoriamente conhecido por isso

[00:34:50] agora, não é uma surpresa pra gente

[00:34:52] que ele faça esse tipo de defesa

[00:34:55] o que surpreende muito

[00:34:56] é ter uma

[00:34:58] captura tão grande de massas

[00:35:00] que o defendam

[00:35:02] por fazer um elogio

[00:35:04] a um torturador

[00:35:06] então, essa psicologia de massas

[00:35:09] assim, o que que

[00:35:10] a gente pode falar ou pensar

[00:35:13] sobre como

[00:35:14] essas pessoas trabalham os seus

[00:35:16] próprios escrúpulos?

[00:35:18] aí, quer dizer, eu acho que tem vários subgrupos

[00:35:20] mas o grupo mais

[00:35:22] preocupante é aquele que talvez

[00:35:24] foi descrito pelo Reich

[00:35:26] em Psicologia de Massas do Fascismo

[00:35:29] e num outro livro

[00:35:30] menos conhecido, mas muito

[00:35:32] interessante, chamado

[00:35:34] Escutas é Ninguém, que é uma análise

[00:35:36] da eleição do Hitler

[00:35:38] e essa

[00:35:40] frase

[00:35:41] sintetiza o livro

[00:35:44] como se o Hitler tivesse

[00:35:46] dizendo assim, escuta

[00:35:48] você que se acha um Zé Ninguém

[00:35:50] esse Zé Ninguém, ele descreve

[00:35:53] como

[00:35:53] alguém assim que desistiu

[00:35:56] de procurar o seu prazer na vida

[00:35:59] desistiu de tornar

[00:36:00] sua vida erótica

[00:36:02] uma vida assim que vale a pena

[00:36:04] desistiu de uma relação

[00:36:06] intensa, amorosa

[00:36:08] que consiga ligar então a sexualidade

[00:36:10] com o amor

[00:36:12] e que

[00:36:14] coloca a pessoa

[00:36:16] numa tarefa real

[00:36:18] de procurar, por exemplo, a sua felicidade

[00:36:20] então, esse Zé Ninguém

[00:36:22] é no fundo, diz o Reich, um banana

[00:36:24] não é um banana porque ele

[00:36:26] está obedecendo o líder nesse

[00:36:28] momento, mas porque ele desistiu

[00:36:31] de si antes

[00:36:32] ele dá pouco valor

[00:36:34] à vida em geral

[00:36:36] e pouco valor à sua vida

[00:36:38] em particular, então o que acontece

[00:36:41] quando aparece esse pequeno grande

[00:36:42] homem, que tem por condição

[00:36:44] ser um boçal

[00:36:46] alguém assim que é

[00:36:48] medíocre

[00:36:49] que podia ser qualquer um

[00:36:52] que não é muito forte, que não é muito viril

[00:36:55] que é uma

[00:36:57] pessoa que a gente não coloca

[00:36:59] como o

[00:37:01] grande líder, mas justamente

[00:37:03] ele se aproveita dessa sua

[00:37:05] irrelevância pra

[00:37:06] evocar sobre as massas

[00:37:09] esse mesmo sentimento

[00:37:11] de que, olha, você não vale nada

[00:37:13] mas você ligado comigo

[00:37:15] comigo vale alguma coisa

[00:37:16] porque eu vou assim

[00:37:19] colocar você no poder

[00:37:20] você vai conseguir gozar

[00:37:23] através de mim

[00:37:24] então essa sua miséria erótica

[00:37:27] ela vai ser curada

[00:37:29] quando você se identifica comigo

[00:37:31] enquanto você transfere

[00:37:33] pra mim a capacidade de

[00:37:35] sentir prazer e satisfação

[00:37:36] e indiretamente o que você ganha

[00:37:39] é uma irmandade

[00:37:41] um sentimento que você pertence

[00:37:43] a um movimento que está

[00:37:45] mudando o destino

[00:37:46] que está escrevendo a história

[00:37:49] do começo, é uma nova era

[00:37:51] que se inaugura

[00:37:53] e então você pode

[00:37:54] ter também, além de tudo

[00:37:57] um sentido para a sua vida local

[00:37:59] que é o sentido de destruir

[00:38:01] os seus inimigos

[00:38:02] então o ódio passa a ser um afeto

[00:38:04] muito importante aqui

[00:38:06] que é então instrumentalizado pra criar

[00:38:08] inimizades e organizar

[00:38:11] a vida das pessoas, veja só

[00:38:13] como uma

[00:38:14] vez posto dessa forma

[00:38:16] a sua vida passa a ter um novo sentido

[00:38:19] uma vez

[00:38:21] convertido

[00:38:22] pra esse grande

[00:38:24] empreendimento, você se demite

[00:38:26] da sua condição de indivíduo

[00:38:28] você transfere a sua posição de sujeito

[00:38:31] pra o líder e desde então

[00:38:33] você passa a ser uma criança

[00:38:34] guiada de novo por papai

[00:38:36] de quem você recebe aquela

[00:38:38] segurança, então pra que

[00:38:40] isso aconteça

[00:38:42] o mestre

[00:38:44] ele não pode ser alguém

[00:38:47] assim muito

[00:38:47] bem dotado do ponto de vista

[00:38:50] dos seus atributos psicológicos

[00:38:52] não pode ser alguém muito evoluído

[00:38:54] não pode ser alguém muito bem resolvido

[00:38:56] tem que ser alguém assim mais ou menos

[00:38:58] como é o nosso caso aqui, o Bolsonaro

[00:39:01] se for um cara muito evoluído

[00:39:03] não rola a identificação

[00:39:05] rola outro tipo de identificação

[00:39:07] que daí

[00:39:08] talvez no caso assim do Trump

[00:39:11] esse outro tipo de

[00:39:13] identificação

[00:39:14] seja mais palatável

[00:39:16] porque no fundo ele está dizendo

[00:39:19] assim pras pessoas

[00:39:20] vamos deixar todo mundo rico

[00:39:22] vota em mim que eu vou tornar você

[00:39:25] igual a mim, porque eu sou um empresário

[00:39:27] rico, eu vou levar vocês pra lá

[00:39:28] é a flauta de Ramelã

[00:39:30] o nosso Bolsonaro

[00:39:33] não está dizendo isso

[00:39:34] nunca prometeu tornar ninguém rico

[00:39:36] ele só prometeu bater nos outros

[00:39:38] que coisa né, é uma identificação

[00:39:41] pela negativa né

[00:39:42] exatamente

[00:39:42] nós não somos as mesmas coisas

[00:39:46] nós detestamos as mesmas coisas

[00:39:48] nós não queremos as mesmas coisas

[00:39:50] é um tipo de identificação muito esquisito

[00:39:52] não é normalmente o que agrega as pessoas

[00:39:54] o ideal seria que as pessoas se juntassem

[00:39:57] por interesses em comum

[00:39:58] e não por negativas em comum

[00:40:00] aí eu acho que tem que ver

[00:40:02] com uma

[00:40:04] coisa que talvez seja mais forte

[00:40:06] na cultura brasileira do que na cultura americana

[00:40:09] não sei

[00:40:09] que é um certo ressentimento histórico

[00:40:12] as diferenças

[00:40:14] as desigualdades do Brasil são tamanhas

[00:40:16] e tão maltratadas

[00:40:18] que

[00:40:19] a ideia de que alguém

[00:40:22] pode deixar de ser

[00:40:24] aquele senhor de escravo

[00:40:26] mestre de engenho, dono das coisas

[00:40:28] que humilha os outros porque tem

[00:40:30] sei lá, o dinheiro

[00:40:31] isso é brasileiro

[00:40:33] isso foi ativado

[00:40:37] pela retórica do Bolsonaro

[00:40:38] você que está perdendo

[00:40:41] a sua posição

[00:40:42] vote em mim que a gente vai

[00:40:44] revidar esses arrogantes

[00:40:47] intelectuais, universitários

[00:40:49] artistas

[00:40:50] todos esses que fazem você se sentir pequeno

[00:40:53] todos esses que te humilham

[00:40:55] qual que é a humilhação

[00:40:57] que está sendo capitalizada aqui

[00:41:00] é a humilhação já histórica

[00:41:01] graça no Brasil há muito tempo

[00:41:04] e é curioso

[00:41:05] como toda essa parte

[00:41:07] da auto-imagem do Zé Ninguém

[00:41:09] que você acabou de nos passar

[00:41:11] ela é totalmente

[00:41:12] totalmente

[00:41:12] compatível com qualquer

[00:41:14] atirador de escola americana

[00:41:16] com exceção

[00:41:19] dessa parte de como

[00:41:20] um grande líder, um governo

[00:41:22] fala com essa pessoa

[00:41:24] com relação a auto-imagem dela

[00:41:26] é totalmente associável

[00:41:28] totalmente compatível com esse pessoal

[00:41:30] de pouco apreço pela vida

[00:41:32] eliminação de inimigos

[00:41:34] e caramba é

[00:41:36] impressionante

[00:41:38] o pessoal do 4chan

[00:41:39] eles que estão nessa plataforma

[00:41:42] um pouco de videogame

[00:41:45] um pouco de incel

[00:41:47] mas que assim

[00:41:48] nós somos os perdidos

[00:41:50] nós somos os desvalidos

[00:41:52] então perdido por um, perdido por mil

[00:41:54] agora

[00:41:55] essa turma no Brasil

[00:41:58] não foi, eu diria assim

[00:42:00] os prevalentes

[00:42:01] no Brasil quem se deixou levar

[00:42:04] por essa incitação

[00:42:06] ao ressentimento violento

[00:42:08] foi curiosamente a classe

[00:42:10] mais instruída

[00:42:11] né

[00:42:12] , quase

[00:42:13] que eu tinha

[00:42:16] posições

[00:42:17] mais elevadas

[00:42:20] em termos instrucionais

[00:42:22] eu sou um pouco contra essa palavra incel

[00:42:24] quando a gente tem uma palavra tão boa

[00:42:26] na língua brasileira

[00:42:28] que é o cabaço

[00:42:29] o famoso virjão

[00:42:32] você acha que é o cabaço?

[00:42:35] o cabaço tem uma coisa

[00:42:37] assim meio também

[00:42:38] de despertar

[00:42:41] a

[00:42:42] , a ingenuidade

[00:42:44] né, a pessoa cabaço

[00:42:46] é, eu fico naquela do cabaço

[00:42:49] de justamente, cara, você não sabe

[00:42:50] das coisas da vida, você não sabe nem do que você tá falando

[00:42:53] mas, mas é

[00:42:57] é só pra pegar no pé mesmo

[00:42:58] nesse sentido

[00:43:00] daquilo que padece da síndrome de

[00:43:03] Dunning-Kruger, conhece?

[00:43:05] é, isso aí, isso aí

[00:43:06] que é o cara que

[00:43:07] é uma pesquisa assim psicológica

[00:43:10] que mostrou que quanto menos você sabe

[00:43:12] de um assunto, mais você acha

[00:43:14] que sabe, mais, é mais

[00:43:16] corajoso, cognitivamente

[00:43:18] você se torna, esse é o cabaço

[00:43:20] né

[00:43:20] não, é, é, essa ineptitude

[00:43:24] essa incapacidade de se relacionar

[00:43:27] e, e, de

[00:43:28] sobressair em qualquer coisa que seja

[00:43:30] né, essa mediocridade 360

[00:43:32] graus, né, a pessoa totalmente

[00:43:33] totalmente desinteressante

[00:43:36] totalmente, sei lá, é

[00:43:38] é um personagem muito estranho e aí acaba

[00:43:40] se identificando realmente com esse cara que

[00:43:42] se sobressai por ser muito

[00:43:44] escroto, mas pelo menos ele se

[00:43:46] sobressai de alguma maneira, né, que é uma coisa

[00:43:48] estranhíssima na minha cabeça

[00:43:50] mas, é, esse pessoal

[00:43:52] núcleo duro dele, né, o pessoal que não deixa

[00:43:54] de apoiar de maneira nenhuma, que

[00:43:55] arruma desculpa pra tudo que ele faz

[00:43:57] e que, sei lá, né, faz

[00:44:00] contorcionismo argumentativo

[00:44:02] pra poder justificar qualquer coisa

[00:44:04] que, qualquer notícia que apareça

[00:44:06] e que, é, eu acho que

[00:44:08] é isso mesmo, a identificação é essa

[00:44:10] pelo menos se identifica com alguma coisa, nem que

[00:44:12] seja com uma coisa que todo mundo detesta

[00:44:13] né, o que a maior parte das pessoas já entendeu

[00:44:16] o que é ruim, né, eu fico

[00:44:18] muito chocada com

[00:44:19] a repercussão lá fora, né, de tudo que tá acontecendo

[00:44:22] aqui, porque

[00:44:23] se por um lado a gente tinha

[00:44:25] antigamente, as pessoas antigamente, né, até pouco

[00:44:28] tempo antes das eleições e tal, rolava uma certa

[00:44:30] credibilidade da imprensa internacional

[00:44:32] né, quando falavam

[00:44:33] muito, o caso do Brasil era um lugar, a gente

[00:44:35] ia pra fora, a pergunta era constante

[00:44:38] né, o Brasil era uma esperança mundial

[00:44:40] em termos de enfrentamento

[00:44:42] de pobreza, enfrentamento

[00:44:44] de fome, mudança

[00:44:46] institucional, né, um país

[00:44:48] que consegue crescer e resolver

[00:44:49] problemas ambientais junto com

[00:44:52] a

[00:44:53] redistribuição de renda, a gente

[00:44:56] entregando

[00:44:58] ou não, fomos uma grande

[00:45:00] esperança pro mundo, né.

[00:45:01] Você acha que alguém esperava

[00:45:04] que o tamanho do estrago

[00:45:06] seria tão grande assim, que todo mundo

[00:45:08] né, que raciocina

[00:45:10] digamos assim, tinha ideia de que

[00:45:12] ia acontecer uma coisa super negativa

[00:45:14] pro país e tal, mas alguém, você acha que

[00:45:15] alguém tinha ideia de que ia ser um desastre tão

[00:45:17] grande, que ele ia ter tanta cara de pau, tanta coragem

[00:45:20] tanta petulância?

[00:45:21] Olha, tinha sim, acho que

[00:45:24] um número

[00:45:25] razoável de pessoas

[00:45:28] né, tentando

[00:45:30] avisar todo mundo, né

[00:45:31] mas quando você tá num lugar errado

[00:45:33] né, você, tuas palavras

[00:45:35] elas perdem força

[00:45:38] e quando aconteceu

[00:45:40] uma espécie de desinstitucionalização

[00:45:41] generalizada

[00:45:43] da autoridade, seja quem for

[00:45:45] que tivesse autoridade, não tava valendo

[00:45:47] tava mal comunado, corrupto, impotencial

[00:45:50] isso foi um golpe dentro

[00:45:51] do golpe, né, isso começou lá

[00:45:53] atrás, quando você

[00:45:55] desativou todo o sistema

[00:45:58] de reconhecimento, o que mais

[00:46:00] ou menos fazia

[00:46:01] algum controle, né, pra

[00:46:03] contra-emergência dessa barbárie

[00:46:06] agora

[00:46:07] era o

[00:46:09] engano típico de uma

[00:46:11] de uma certa brasilidade

[00:46:13] né, que

[00:46:15] dá até um certo sabor

[00:46:17] humorado pra essa tragédia

[00:46:20] que

[00:46:21] projetou no outro o seu próprio

[00:46:23] cinismo, então o que que era a ideia?

[00:46:26] esse cara, ele só está

[00:46:27] fazendo um personagem, ele é

[00:46:29] um palhaço, depois a gente

[00:46:31] controla ele, entendeu? A gente

[00:46:32] engaiola ele, porque a gente

[00:46:35] põe o Guedes

[00:46:37] a gente põe o Mourão

[00:46:39] a gente põe alguém lá e controla ele

[00:46:41] porque a gente sempre controlou, né

[00:46:43] a gente está no poder aí há muito tempo

[00:46:45] então deixa ele falar, e daí

[00:46:47] o que que a gente consegue? A gente consegue

[00:46:49] acabar com o valor da palavra

[00:46:51] a gente reduz

[00:46:52] o valor geral da palavra

[00:46:55] no mercado, então falar

[00:46:56] virou assim futebol, virou

[00:46:59] qualquer coisa, prometer

[00:47:01] não prometer, ir a

[00:47:03] debate, ideias, tudo

[00:47:05] tudo foi deflacionado

[00:47:07] com a esperança de que com isso a gente

[00:47:09] leva o jogo, né, a gente ganha

[00:47:11] e depois continuamos a

[00:47:13] a governar

[00:47:15] e a mandar no país como sempre mandamos

[00:47:17] agora o engraçado

[00:47:19] e curioso é que

[00:47:20] ninguém esperava que

[00:47:22] o cara estava falando sério

[00:47:25] você

[00:47:27] projetou ele

[00:47:29] a sua inconsequência verbal

[00:47:31] a sua

[00:47:32] lorota, né, de que assim

[00:47:35] as pessoas falam qualquer coisa e tudo bem

[00:47:37] você se apoiou nessa

[00:47:39] nessa clima

[00:47:41] de internet, assim

[00:47:42] de rede social, de que a gente pode

[00:47:45] falar qualquer coisa, que nada acontece, sabe

[00:47:46] e agora estão

[00:47:49] vendo com o que que

[00:47:51] significa, né, a

[00:47:52] inconsequência verbal no poder

[00:47:54] a gente perdendo aí oportunidades

[00:47:57] janelas de desenvolvimento

[00:47:59] pensando do ponto de vista

[00:48:01] da direita, né, pensando do ponto de vista da

[00:48:03] daqueles que diziam assim

[00:48:05] o Brasil… Do progresso

[00:48:06] agora a gente destrava o Brasil

[00:48:09] porque é tudo uma questão

[00:48:11] de dinheiro, nota sobre nota

[00:48:13] as palavras não importam

[00:48:14] e aí a gente se mete

[00:48:16] no encrenca com China, França

[00:48:19] a bolsa cai

[00:48:21] dia depois de dia

[00:48:22] os contratos

[00:48:25] enfim, surge uma insegureza

[00:48:27] jurídica

[00:48:28] acontece o caos

[00:48:31] gerado exatamente por

[00:48:33] eu vou dizer assim

[00:48:34] uma deflação do valor da palavra

[00:48:36] uma deflação que foi organizada

[00:48:39] que foi assim, que foi

[00:48:41] eleita, então dá vontade de ser

[00:48:43] agora, engole, nem feio

[00:48:45] você deve aprender

[00:48:51] abaixar a cabeça

[00:48:53] e dizer sempre muito

[00:48:55] obrigado

[00:48:56] são palavras que ainda

[00:48:59] te deixam dizer

[00:49:00] por ser homem bem

[00:49:02] disciplinado

[00:49:04] deve pois só fazer

[00:49:06] pelo bem da nação

[00:49:08] tudo aquilo que for

[00:49:10] ordenado

[00:49:12] pra ganhar um fuscão

[00:49:14] no juízo final

[00:49:16] e diploma de bem

[00:49:18] comportado

[00:49:20] você merece

[00:49:22] você merece

[00:49:24] tudo vai bem

[00:49:26] tudo legal

[00:49:28] cerveja, samba e amanhã

[00:49:30] seu Zé se acabar

[00:49:32] em teu carnaval

[00:49:34] mas você merece

[00:49:37] o que que a gente

[00:49:38] pode usar

[00:49:40] como substituição

[00:49:41] ao eu avisei

[00:49:42] que é o que a tentação

[00:49:44] nos confere

[00:49:46] a dizer

[00:49:47] possivelmente enfiando o dedo na cara da pessoa

[00:49:50] que é o que ela mereceria na verdade

[00:49:51] porque nada disso é novidade

[00:49:53] nada disso é diferente do que foi prometido em campanha

[00:49:56] a gente já sabia que era isso

[00:49:58] então as pessoas estão agindo

[00:50:00] que nem o Pikachu surpreso

[00:50:02] como se toda essa maluquice

[00:50:04] tivesse caído do céu

[00:50:06] inesperadamente

[00:50:07] mas a gente está falando isso desde o começo

[00:50:09] só que você vai falar o que você quer dizer

[00:50:10] só que você vai falar o que você quer dizer

[00:50:10] só que você vai falar o que você quer dizer

[00:50:10] só que você vai apontar o dedo e falar

[00:50:11] eu avisei

[00:50:12] que é o que a gente tem muita vontade de fazer

[00:50:14] não vai ajudar

[00:50:16] a remendar essa cagada toda aí

[00:50:19] que está rolando

[00:50:20] o que a gente pode usar como alternativa

[00:50:22] se eu te avisei seu merda

[00:50:25] e fora que além de não

[00:50:27] ajudar a consertar

[00:50:29] porque a cagada está feita

[00:50:31] foi feita nas eleições

[00:50:32] é uma ferramenta bastante pouco didática

[00:50:36] porque

[00:50:37] ninguém gosta de ter

[00:50:39] os seus erros

[00:50:40] os seus erros

[00:50:40] apontados na sua cara

[00:50:42] você entra na defensiva imediatamente

[00:50:44] então a pessoa tende a se fechar

[00:50:46] e ela não vai

[00:50:48] ela não vai olhar pra você

[00:50:50] e vai dizer, não, realmente

[00:50:52] eu estava muito errado

[00:50:53] eu devo desculpas a você e a nação brasileira

[00:50:56] não, isso não vai acontecer

[00:50:58] qual é a melhor forma

[00:51:00] da gente fazer isso

[00:51:02] sem ter vontade de bater em ninguém

[00:51:04] então

[00:51:05] a vontade não passa

[00:51:07] a gente vai ter que

[00:51:10] trabalhar essa vontade

[00:51:11] porque realmente

[00:51:12] eu também vou ter que trabalhar a minha vontade

[00:51:14] às vezes eu tenho vontade, inclusive

[00:51:15] só pra desabafar um pouquinho

[00:51:17] às vezes eu tenho vontade, inclusive

[00:51:20] de dizer assim, ele avisou vocês

[00:51:22] que eu ia fazer isso

[00:51:23] estava em todas as entrevistas

[00:51:27] estava no projeto de governo dele

[00:51:29] estava tudo lá

[00:51:31] mas enfim

[00:51:32] o que nos resta é chamar essas pessoas

[00:51:35] presencialmente

[00:51:36] a única forma de fazer isso é presencialmente

[00:51:39] infelizmente

[00:51:39] internet

[00:51:40] ainda são ferramentas que

[00:51:43] presencialmente talvez uma conversa

[00:51:46] privada, por mensagem de texto

[00:51:48] talvez ajude um pouco

[00:51:49] mas questões de internet

[00:51:51] ou de comunicação social mais ampla

[00:51:54] é muito difícil a gente conseguir

[00:51:56] fazer essa conversa

[00:51:58] porque precisa no momento de

[00:52:00] a gente ouvir muito mais

[00:52:02] essa pessoa pra entender

[00:52:04] o que ela realmente está vendo agora

[00:52:06] que ela acha que

[00:52:08] é ruim

[00:52:09] e a partir disso

[00:52:11] a gente começar a construir pontes

[00:52:13] pra voltar a conversar

[00:52:15] sobre coisas que realmente são importantes

[00:52:17] e como é que a gente

[00:52:18] e que outras possibilidades existem

[00:52:21] pra gente pensar melhor

[00:52:23] governo, estado, enfim

[00:52:25] Brasil como um todo

[00:52:27] então não existe uma

[00:52:29] forma simples e fácil de fazer isso

[00:52:31] em termos de comunicação

[00:52:34] a gente estuda a questão das habilidades

[00:52:36] sociais mais

[00:52:37] até a questão

[00:52:39] de como a gente fala, como a gente organiza

[00:52:41] essas informações

[00:52:42] ela é sempre muito contextual

[00:52:44] a linguagem, as conversas

[00:52:47] essa questão do diálogo

[00:52:49] ela é sempre muito contextual

[00:52:50] então a gente precisa ter muito essa capacidade

[00:52:53] de ouvir e ajustar

[00:52:55] e se ajustar a conversa

[00:52:57] pra que a gente consiga ter uma conversa

[00:52:59] seja produtiva

[00:53:00] no sentido muito de respeitar aquilo que a pessoa está falando

[00:53:03] não necessariamente concordar

[00:53:05] mas respeitar

[00:53:07] que aquilo é o que ela realmente pensa

[00:53:09] sente aquelas situações

[00:53:10] e tentar a partir disso

[00:53:12] introduzir novas formas

[00:53:15] ou mostrar que

[00:53:16] a ansiedade que ela tem

[00:53:18] a dificuldade que ela tem com questões de segurança

[00:53:21] com questões de trabalho

[00:53:22] com questões financeiras

[00:53:25] de quanto o dinheiro dela vale

[00:53:27] no fim do mês

[00:53:28] é um problema que a gente também passa

[00:53:31] é um problema que a gente também tem

[00:53:33] e que o problema não é

[00:53:35] que a gente ignora essas questões

[00:53:36] mas é que a gente acha que a forma

[00:53:38] de resolver essas questões

[00:53:40] são diferentes

[00:53:41] não é com mais violência que a gente resolve a questão da violência

[00:53:44] ou a questão da segurança

[00:53:45] e pensar sobre isso

[00:53:47] em geral as respostas certas

[00:53:50] elas são muito contra intuitivas

[00:53:52] e isso é que torna muito mais

[00:53:54] complexo essa discussão

[00:53:56] eu discuto muito a questão

[00:53:58] de punição

[00:53:59] porque pela análise do comportamento

[00:54:01] a gente vai defender que a punição

[00:54:03] é sempre a pior forma de você tentar

[00:54:05] ensinar comportamentos

[00:54:07] primeiro porque a punição

[00:54:08] não ensina nada

[00:54:09] ela reprime comportamentos

[00:54:11] então você está diminuindo ocorrências

[00:54:14] de coisas que a pessoa faz

[00:54:15] e que geralmente são coisas que são prazerosas

[00:54:18] para a pessoa e você acha que ela não deveria estar fazendo

[00:54:20] aí isso dá para discutir

[00:54:22] socialmente

[00:54:23] até Foucault

[00:54:24] eu acho que tem umas pontes muito interessantes

[00:54:26] mas quando a gente olha para

[00:54:29] essa relação já tem um problema

[00:54:31] a punição já não ensina nada

[00:54:33] então se a gente for pensar como é que a nossa sociedade

[00:54:35] lida com pessoas que cometeram crimes

[00:54:38] saíram

[00:54:38] da linha e desobedeceram

[00:54:41] as regras sociais

[00:54:42] a gente apenas pune

[00:54:44] e pune de forma vingativa

[00:54:47] ainda né

[00:54:47] isso acaba gerando uma característica

[00:54:51] muito pior dessas relações

[00:54:53] então a pessoa vai se sentir cada vez

[00:54:55] mais afastada da sociedade

[00:54:57] mais inimiga do Estado

[00:54:59] e se ela é colocada como uma pessoa

[00:55:01] afastada da sociedade inimiga do Estado

[00:55:02] ela é o outro né e se ela é o outro

[00:55:04] ela é diferente e ela também vai se sentir

[00:55:07] diferente então as pessoas

[00:55:08] que seguem as regras e as pessoas que estão

[00:55:10] dentro do Estado então são os outros

[00:55:12] também e existe

[00:55:14] um mecanismo psicológico mesmo

[00:55:16] que quando a gente

[00:55:18] interpreta aquela outra pessoa

[00:55:21] como alguém diferente de um grupo

[00:55:22] diferente do meu a gente

[00:55:24] vai sempre menosprezar

[00:55:27] aquela pessoa que é de um grupo diferente

[00:55:28] do meu e aí isso tira todas

[00:55:30] aquelas características

[00:55:32] de humanidade que acontece também com o psicopata

[00:55:35] que a gente estava falando antes né

[00:55:36] mas que nesse caso a gente não vai chamar de psicopatia

[00:55:38] talvez de sociedade

[00:55:38] alguma coisa nesse sentido

[00:55:40] ou até alguma outra característica

[00:55:42] e aí aqueles comportamentos

[00:55:45] que são de

[00:55:46] agressivos contra essa outra pessoa

[00:55:49] que vai ter várias características

[00:55:51] geralmente eles vão estar muito mais

[00:55:53] fáceis, muito mais

[00:55:54] é muito mais provável de acontecer

[00:55:57] do que a pessoa se reintegrar

[00:55:59] na sociedade e tentar realmente

[00:56:01] participar de uma vida social

[00:56:02] e respeitar as outras pessoas

[00:56:04] então a gente teria que pensar em novas formas

[00:56:07] justamente de reeducar

[00:56:08] essas pessoas, de acolher essas pessoas

[00:56:10] de entender pelo que é que ela passa

[00:56:12] e tudo mais

[00:56:13] e isso é completamente a última coisa

[00:56:16] que as pessoas vão pensar né

[00:56:17] pra resolver o problema de segurança

[00:56:20] é e talvez passe muito por essa coisa

[00:56:22] da despolitização também né

[00:56:24] porque a gente teve um afastamento

[00:56:26] das pessoas da política

[00:56:27] muito grande né

[00:56:30] as pessoas realmente não querem saber

[00:56:32] a gente não aprende isso, não leva a sério

[00:56:34] na escola né

[00:56:36] a gente tá vendo agora que vão ter essas eleições

[00:56:37] pro

[00:56:38] hoje né, pro conselho tutelar

[00:56:41] e não sei o que, e ninguém nunca soube

[00:56:43] que você podia votar nisso né

[00:56:44] então agora que tá rolando

[00:56:47] um certo tipo de discussão

[00:56:49] que até pouco tempo atrás ninguém tinha

[00:56:50] e agora isso tá aparecendo e a gente tá começando

[00:56:53] a conversar um pouco mais

[00:56:55] sobre isso, mas rolou um período

[00:56:57] longo de despolitização e é muito

[00:56:59] difícil você inserir essas pessoas na política

[00:57:01] de novo, ter uma discussão saudável

[00:57:03] enfiando o dedo na cara e falando

[00:57:05] eu avisei né, embora a tentação seja muito grande

[00:57:07] eu sou uma que tem que me segurar, alguém

[00:57:08] me avisa, eu sou uma que tem que me segurar

[00:57:08] alguém me amarra, por favor, porque a vontade que eu tenho

[00:57:11] é mandar todo mundo na merda

[00:57:12] mas rola muito isso né

[00:57:15] muitas dessas pessoas que eu gostaria de mandar

[00:57:16] merda, vinham com esse discurso

[00:57:18] ah, detesto política, não entendo nada

[00:57:20] acho muito chato, isso vinha rolando já há bastante

[00:57:23] tempo né, e o cara, eleições

[00:57:24] desse porte, com esses candidatos

[00:57:26] como é que você pode dizer que você não entende

[00:57:28] nada e não quer saber né, é uma coisa

[00:57:30] muito grave, foram eleições muito sérias

[00:57:33] né, foi um

[00:57:34] embate de grupos

[00:57:36] muito diferentes assim, com a possibilidade

[00:57:38] de dar uma merda gigante, que é o que está acontecendo

[00:57:40] e as pessoas realmente não sabiam, e foi a mesma coisa

[00:57:42] com o Witzel, todo mundo que eu conheço

[00:57:44] meus ex-amigos médicos que votaram no Witzel

[00:57:46] falaram claramente no grupo

[00:57:48] eu não sei nem quem é, mas eu voto nele de olhos

[00:57:50] fechados pra não ter que votar no Tarcísio

[00:57:52] sabe, foi esse nível assim

[00:57:54] então rola uma, pra você

[00:57:56] reinserir essas pessoas no pensamento

[00:57:58] político, e torná-las

[00:58:00] interessadas de uma política, vai dar um trabalho do cacete

[00:58:02] a gente tem que acolher de alguma forma, mas eu

[00:58:04] eu pessoalmente não sou capaz

[00:58:06] não

[00:58:06] mas

[00:58:08] , isso é, eu vejo como

[00:58:10] um movimento social até mais

[00:58:12] longo disso, porque eu fico

[00:58:14] pensando que a gente vem de uma

[00:58:16] ditadura, né, e ela

[00:58:17] ela fez o papel muito

[00:58:19] certinho, ela conseguiu

[00:58:22] muito competentemente fazer as

[00:58:24] pessoas não falarem de política

[00:58:26] sim, e imagino que pra

[00:58:28] justamente manter as mesmas elites

[00:58:30] né, no poder, tem toda essa

[00:58:32] questão de tirar

[00:58:34] da escola

[00:58:35] as discussões realmente

[00:58:38] de

[00:58:38] política, de sociedade

[00:58:40] de civilidade, no sentido

[00:58:42] de que civilidade não é apenas

[00:58:44] obediência, né, discutir modelos

[00:58:46] de estado e tudo mais

[00:58:48] e eu vejo isso

[00:58:50] principalmente assim, pela minha criação

[00:58:52] com meus pais, a gente não falava

[00:58:54] de política em casa, assim, falava

[00:58:56] minimamente de alguns candidatos

[00:58:58] ou alguma coisa, mas

[00:59:00] eu comecei a ter essa vivência mais

[00:59:02] com amigos do que em casa

[00:59:04] e eu imagino que muita gente teve essa questão

[00:59:06] e na minha visão aqui em Santa Catarina

[00:59:08] as pessoas não discutem política

[00:59:10] o ditado que eu mais ouvi durante a minha

[00:59:12] infância e adolescência é

[00:59:15] futebol, política e religião

[00:59:17] não se discute

[00:59:18] eu resolvi rebelar

[00:59:21] com tudo, né

[00:59:22] sair da religião, não vejo futebol

[00:59:25] e discuto política

[00:59:26] meu Deus, que heré

[00:59:27] mas você sabe que, segundo os últimos dados do IBGE

[00:59:31] a maior torcida

[00:59:33] do Brasil

[00:59:34] é a das pessoas que não tem time nenhum, né

[00:59:37] sim, exatamente

[00:59:38] as pessoas hoje

[00:59:40] se identificam muito mais

[00:59:42] numa pesquisa do IBGE mesmo

[00:59:44] de qual é o seu time

[00:59:45] de futebol do coração

[00:59:47] não, eu não tenho nenhum time

[00:59:49] é a maior torcida do Brasil hoje

[00:59:51] é as pessoas que não tem nenhum time

[00:59:53] gente, não sabia, não

[00:59:54] e outra coisa que é recente

[00:59:58] é essa questão da polarização

[01:00:00] política, né, entenderam

[01:00:01] que o discurso da polarização política

[01:00:04] também promove os candidatos

[01:00:06] que se quer colocar no poder

[01:00:07] então

[01:00:08] por pior que seja

[01:00:09] pra nossa saúde mental, no nosso dia a dia

[01:00:12] politicamente ainda se utiliza

[01:00:14] essa questão da polarização como

[01:00:16] campanha

[01:00:17] sim, sou muito louco

[01:00:21] não vou me curar

[01:00:28] já não sou

[01:00:32] o único

[01:00:37] que

[01:00:37] encontrou a paz

[01:00:40] mas louco

[01:00:42] é quem me diz

[01:00:45] e não é feliz

[01:00:48] eu sou feliz

[01:00:53] eu queria mudar um pouquinho

[01:01:00] o tema

[01:01:01] mas pra também tirar uma dúvida

[01:01:04] sobre mais um desses meus palpites

[01:01:06] na área de especialidade

[01:01:07] do discurso do IBGE

[01:01:07] em agosto

[01:01:10] agora a gente teve

[01:01:12] todo

[01:01:13] todo o barulho que deu com relação

[01:01:16] as queimadas, né, o dia que

[01:01:18] anoiteceu 3 horas da tarde

[01:01:20] em São Paulo e tal

[01:01:21] e no meio daquela confusão toda

[01:01:24] o

[01:01:25] justamente o presidente da república

[01:01:28] resolve fazer uma

[01:01:30] elocubração maluca lá

[01:01:31] dizendo que

[01:01:33] podem ter sido

[01:01:35] queimadas

[01:01:37] feitas por ONGs

[01:01:39] não sei o que, não sei o que

[01:01:40] e todo mundo

[01:01:42] entrou naquele negócio de

[01:01:44] cara, ele não pode estar falando sério

[01:01:45] isso não faz o menor sentido

[01:01:46] e eu entrei numa

[01:01:49] numa ideia

[01:01:50] de tentar entender como que a cabeça

[01:01:53] dele conseguiu fechar uma sinapse

[01:01:55] dessa

[01:01:55] e eu, sério, às vezes eu faço isso

[01:02:00] eu não deveria, mas eu faço

[01:02:01] e aí eu comecei a pensar

[01:02:03] e rememorar outros episódios

[01:02:06] da história

[01:02:07] da história brasileira

[01:02:08] e eu fiquei pensando

[01:02:09] pô, ele foi um capitão do exército

[01:02:11] num período final

[01:02:14] de ditadura, já quase entrando

[01:02:16] pra democratização

[01:02:18] e tal, então

[01:02:19] e ele era do batalhão

[01:02:22] do Rio de Janeiro, ele deve ter

[01:02:23] muita afinidade com o pessoal

[01:02:26] não exatamente

[01:02:28] da caserna, mas muita afinidade

[01:02:30] com o pessoal do porão mesmo

[01:02:31] da ditadura desse período

[01:02:33] e um dos casos mais

[01:02:35] icônicos desse

[01:02:36] período foi o

[01:02:38] atentado do Rio Centro

[01:02:40] em que militares

[01:02:43] tentaram plantar uma bomba

[01:02:45] num

[01:02:46] evento que era

[01:02:48] pró-redemocratização

[01:02:50] pra poder com isso

[01:02:52] justificar uma nova

[01:02:54] intransigência e um recrudescimento

[01:02:57] do regime e tal

[01:02:58] que já vinha definhando e tal

[01:03:00] e aí a minha cabeça começou a pensar

[01:03:02] cara, ele deve achar

[01:03:04] que a cabeça de

[01:03:06] um pessoal hongueiro

[01:03:08] funciona como a cabeça

[01:03:10] de um militar do porão da ditadura

[01:03:12] em que ele é capaz de

[01:03:14] destruir

[01:03:16] escrúpulos próprios

[01:03:18] e atuar contra

[01:03:20] a própria causa que

[01:03:22] no papel ele defende

[01:03:23] pra que com isso ele consiga

[01:03:26] dar uma revertida na retórica

[01:03:29] construída

[01:03:30] e com isso

[01:03:32] reforçar o seu próprio poder

[01:03:34] e eu fiquei muito nisso de cara, ele tá

[01:03:36] ele tá projetando nos hongueiros

[01:03:38] o que ele via no porão

[01:03:40] eu tô indo muito longe

[01:03:42] eu tô sendo muito maluco nessa

[01:03:44] nessa ideia toda

[01:03:47] mas o que que ele via no porão

[01:03:48] ali, dá uma

[01:03:50] o que que exatamente você estaria pensando

[01:03:53] ele é

[01:03:54] o que ele via ali

[01:03:56] era a tortura

[01:03:58] a violência, era

[01:03:59] não apenas a tortura e a violência

[01:04:02] mas a justificativa de uma

[01:04:04] violência contra a

[01:04:06] civil em prol

[01:04:08] de manter o seu status quo

[01:04:10] certo

[01:04:11] é, eu

[01:04:13] primeiro uma nota sobre esse dia

[01:04:16] esse dia das trevas

[01:04:19] do escurecimento

[01:04:21] foi muito interessante

[01:04:22] para os clínicos

[01:04:24] como voltou

[01:04:26] a partir daquele momento

[01:04:28] o tema da política nos divãs

[01:04:30] as pessoas

[01:04:31] a partir daquele dia foi muito interessante

[01:04:34] porque é como se tivesse um toque

[01:04:36] do real, sabe

[01:04:37] não, mas é de verdade

[01:04:38] tá acontecendo mesmo

[01:04:40] você entrou por esse vazio

[01:04:44] da palavra, né

[01:04:45] será que tá acontecendo?

[01:04:48] não, queimadas

[01:04:49] diz que me diz

[01:04:51] como que eu vou acreditar em alguma coisa

[01:04:53] aquela ideia de que o esperto é o descrente

[01:04:56] então não dá pra acreditar

[01:04:59] em qualquer coisa porque a imprensa tá mentindo

[01:05:01] ou

[01:05:02] o IMPA tá mentindo

[01:05:05] ou

[01:05:06] é

[01:05:06] , é tudo incerto

[01:05:08] e a partir daquele momento de fato

[01:05:10] muitas pessoas caíram em si

[01:05:11] não, mas tá acontecendo alguma coisa muito

[01:05:14] errada aqui, né, alguma coisa muito

[01:05:16] estranha

[01:05:17] quanto a tua colocação

[01:05:20] eu

[01:05:22] leio, escuto ela assim

[01:05:24] muito em série com o que

[01:05:26] eu tenho acompanhado do mentor

[01:05:28] intelectual do governo aí

[01:05:30] o Olavo de Carvalho

[01:05:32] que tem um mutualismo ali

[01:05:34] que não é uma aliança

[01:05:36] usual

[01:05:38] é uma

[01:05:39] coisa assim, meio

[01:05:41] vamos dizer assim

[01:05:44] é uma identificação de um outro tipo

[01:05:46] em que um fala pro outro

[01:05:48] em que tem mensagens ocultas

[01:05:50] que tem

[01:05:50] uma história, sabe

[01:05:53] que está acontecendo em paralelo

[01:05:55] a essa que a gente tá vivendo

[01:05:57] essa outra história, ela é muito interessante

[01:06:00] porque ela coliga elementos religiosos

[01:06:02] então é como se tivesse

[01:06:04] acontecendo uma batalha espiritual

[01:06:05] e essa batalha espiritual é uma batalha espiritual

[01:06:06] essa batalha espiritual

[01:06:07] ela envolve todo mundo

[01:06:09] o mundo todo

[01:06:10] e então os personagens

[01:06:12] da política, das artes

[01:06:14] os personagens públicos

[01:06:16] eles são assim, às vezes espiões

[01:06:19] espiões duplos

[01:06:20] pessoas que estão a favor das trevas

[01:06:23] contra o bem

[01:06:24] como se eles estivessem

[01:06:27] vivendo

[01:06:28] uma espécie de

[01:06:30] sociedade secreta

[01:06:33] seitas

[01:06:34] que tem uma espécie

[01:06:36] espécie de sociedade secreta

[01:06:36] uma espécie de versão B

[01:06:38] do mundo

[01:06:39] dentro dessa versão B

[01:06:41] que é o que acontece

[01:06:42] ou que aconteceu em parte

[01:06:44] com os porões da ditadura

[01:06:46] com aqueles que precisavam criar-se

[01:06:49] uma espécie de versão delirante

[01:06:52] pra se sustentar

[01:06:53] para continuar a perpetrar crimes

[01:06:55] pra continuar a dizer

[01:06:57] em nome do que nós estamos matando as pessoas

[01:06:59] não, é porque eu não sou viética

[01:07:01] não, é porque eu comunismo

[01:07:03] veja que esses elementos

[01:07:05] eles voltam a ser

[01:07:06] eles voltam

[01:07:06] mas não só como um anacronismo histórico

[01:07:09] mas como uma

[01:07:10] como uma espécie assim de

[01:07:12] olha, na política

[01:07:14] as coisas assim

[01:07:16] tem um bastidor

[01:07:18] umas coisas realmente são

[01:07:20] e essas coisas tais quais elas realmente são

[01:07:23] passa por um mundo encantado

[01:07:25] um mundo delirante

[01:07:26] um mundo em que, por exemplo

[01:07:29] a figura do diabo, do demônio

[01:07:31] do capeta, é um personagem

[01:07:33] é um personagem assim

[01:07:34] que está no jogo

[01:07:36] não é uma invenção

[01:07:38] não é uma crença

[01:07:39] ela realmente está fazendo coisas

[01:07:41] então, a partir de uma montagem alternativa

[01:07:45] da realidade desse tipo

[01:07:47] eu compreenderia melhor

[01:07:49] esses eventos que você está colocando

[01:07:53] de efeito reverso

[01:07:56] vamos pôr uma bomba

[01:07:57] porque assim a gente desestabiliza

[01:07:59] a gente cria um sentimento

[01:08:01] de que o comunismo está chegando

[01:08:03] e daí a gente justifica

[01:08:05] a nossa

[01:08:05] a nossa

[01:08:06] a nossa permanência no poder

[01:08:08] isso seria uma linha

[01:08:09] tipo Jânio Quadros

[01:08:11] vou criar as forças poderosas

[01:08:14] para ter mais poder

[01:08:15] eu realmente não acredito

[01:08:17] que é isso que está rolando

[01:08:18] eu acho

[01:08:20] você acha muito sofisticado esse raciocínio?

[01:08:23] num certo sentido é mais sofisticado

[01:08:25] e num outro sentido é menos sofisticado

[01:08:27] está rolando

[01:08:29] um nível mais

[01:08:31] tosco

[01:08:32] de elaboração e de estratégia

[01:08:36] um nível

[01:08:37] em que você tem uma novela paralela

[01:08:40] tem uma novela paralela

[01:08:42] que aquele grupo

[01:08:44] professa, pratica

[01:08:46] e que está fechado em si mesma

[01:08:49] eu diria assim

[01:08:50] tem mais que ver com um fenômeno religioso

[01:08:52] do que com um fenômeno

[01:08:54] assim de

[01:08:55] espionagem política

[01:08:57] e essa frase está rolando

[01:09:00] um nível mais tosco

[01:09:01] podia estar na bandeira nesse momento

[01:09:03] é um ótimo momento

[01:09:06] resumo

[01:09:07] cara, que tenso

[01:09:09] como que fica a saúde mental da gente

[01:09:12] que acha

[01:09:14] tudo isso um horror

[01:09:15] e enfim

[01:09:18] como é que a gente faz?

[01:09:21] porque está todo mundo cagado da cabeça

[01:09:22] está todo mundo

[01:09:24] cagado da cabeça

[01:09:25] todo mundo que raciocina está super mal

[01:09:28] os grupos estão xoxos

[01:09:30] o pessoal está em uma certa dificuldade

[01:09:32] porque parece aqueles quadrinhos

[01:09:34] que de vez em quando alguém faz uma charge

[01:09:36] né?

[01:09:36] só acorda de madrugada

[01:09:37] meu Deus, o mundo

[01:09:38] e não consegue mais dormir

[01:09:39] e está todo mundo meio que nessa

[01:09:41] rola uma depressão política geral

[01:09:43] para quem raciocina

[01:09:45] quem ainda está no mundo dos unicórnios

[01:09:48] alados lá do Bolsonaro

[01:09:49] está achando ótimo

[01:09:50] mas para quem a água está batendo na bunda

[01:09:52] e para quem raciocina um pouquinho

[01:09:53] a coisa está realmente muito grave

[01:09:54] está incomodando pra caramba

[01:09:56] como é que fica a nossa saúde mental?

[01:09:57] o que a gente pode fazer para não surtar

[01:09:59] mais do que já está surtando?

[01:10:01] bom, curiosamente

[01:10:02] a minha esposa que é advogada

[01:10:05] e não psicóloga

[01:10:06] no final das eleições do ano passado

[01:10:09] ela compartilhou um texto comigo

[01:10:11] e ela foi atrás de a gente começar

[01:10:14] a promover esse tipo de coisa

[01:10:15] porque no final das eleições

[01:10:18] a gente já estava exausto, exaurido

[01:10:20] de fato, ano passado

[01:10:21] e era um artigo que ele falava justamente

[01:10:24] de como é que a gente consegue

[01:10:26] preservar e cuidar da nossa saúde mental

[01:10:28] após questões de eleições

[01:10:31] e o que vai vir pela frente

[01:10:33] e muitas das coisas

[01:10:34] que ele afirmou

[01:10:36] e apontava lá

[01:10:37] ele tem como foco

[01:10:38] a questão de manter

[01:10:40] os relacionamentos sociais

[01:10:42] próximos e seguros

[01:10:43] no sentido de pessoas

[01:10:45] com quem a gente consegue

[01:10:47] compartilhar ideias

[01:10:49] e amizades de fato

[01:10:51] que se mantiveram

[01:10:53] e que a gente possa

[01:10:55] promover encontros recorrentes

[01:10:59] estar com essas pessoas

[01:11:00] conversar com essas pessoas

[01:11:01] manter laços principalmente

[01:11:04] no sentido de

[01:11:06] se encontrar mesmo presencialmente

[01:11:08] e conversar sobre

[01:11:09] as diferentes coisas

[01:11:10] e não só sobre política

[01:11:12] porque se a gente começar numa roda

[01:11:13] e falar sobre política

[01:11:14] a gente vai deprimir

[01:11:16] vai todo mundo chorar junto

[01:11:17] e não vai resolver muita coisa

[01:11:18] mas falar sobre outras coisas

[01:11:20] olhar para as coisas menores

[01:11:22] ver

[01:11:23] aproveitar as pequenas coisas

[01:11:26] que são boas da vida

[01:11:28] necessariamente

[01:11:30] parece autoajuda

[01:11:31] mas faz sentido

[01:11:33] é um ponto que é importante

[01:11:35] o quanto que a gente pode

[01:11:36] a gente está olhando também

[01:11:37] para aproveitar as coisas que são boas

[01:11:40] e realmente comemorar

[01:11:41] os pequenos avanços pessoais

[01:11:43] que a gente tem

[01:11:44] para não ter um foco

[01:11:46] tanto no noticiário

[01:11:49] porque basicamente

[01:11:49] eu vejo noticiário e fico triste

[01:11:51] talvez manter as coisas que são boas

[01:11:54] as coisas que são próximas

[01:11:55] olhar para coisas que acontecem próximas

[01:11:57] que são boas também

[01:11:58] tentar ter algum controle

[01:12:01] sobre questões próprias da sua vida

[01:12:04] porque isso também ajuda a gente

[01:12:06] ter um pouco mais de senso

[01:12:07] de organização e de controle

[01:12:09] que a principal questão para a gente

[01:12:12] enquanto seres humanos

[01:12:14] a gente vai ter muito mais medo

[01:12:16] vai se sentir muito mais desamparado

[01:12:18] em frente a coisas que são desconhecidas

[01:12:21] quando a gente tem pouco controle

[01:12:22] sobre o que pode acontecer

[01:12:24] então tentar buscar as coisas

[01:12:26] sobre as quais a gente tem um pouco mais de controle

[01:12:28] e focar nessas coisas

[01:12:30] às vezes ajuda também

[01:12:31] nas questões de saúde mental

[01:12:36] sei lá, a gente sempre fica naquele negócio

[01:12:40] de faço o que eu digo

[01:12:41] não faço o que eu faço

[01:12:43] porque eu particularmente

[01:12:46] eu já não gosto muito de gente

[01:12:48] então ir atrás de gente

[01:12:51] com quem eu rompi politicamente

[01:12:53] é um desafio que eu

[01:12:56] nesse momento eu não

[01:12:57] sequer me sinto preparado

[01:12:59] para enfrentar

[01:13:00] mas no momento eu também não recomendo

[01:13:02] mas a gente conhece

[01:13:05] está muito fresca

[01:13:05] a raça da vida

[01:13:06] a gente conhece gente que está

[01:13:08] nesse rolê

[01:13:09] e assim, eu acho muito meritório

[01:13:12] eu acho que eles estão fazendo

[01:13:14] um papel muito importante

[01:13:16] coisa que eu até

[01:13:18] gostaria de poder fazer

[01:13:20] mas eu sei que eu não tenho a didática

[01:13:22] para isso, eu sei que eu não tenho

[01:13:23] a estrutura emocional

[01:13:26] para isso

[01:13:27] e se eu tentasse fazer

[01:13:30] além de ser muito desgastante

[01:13:32] para mim, provavelmente eu não chegaria

[01:13:34] a um resultado satisfatório

[01:13:35] porque

[01:13:35] eu ia só querer sair de lá

[01:13:37] num camburão

[01:13:38] mas

[01:13:39] é algo para se pensar

[01:13:44] quem sabe

[01:13:45] com as coisas arrefecendo

[01:13:47] a gente possa retomar um diálogo

[01:13:50] de uma forma um pouco mais

[01:13:52] civilizada

[01:13:53] mas o Brasil dificilmente deixa

[01:13:56] é, mas é mais nesse sentido

[01:14:00] de encontrar com pessoas que

[01:14:02] ainda tem afinidade

[01:14:03] e que não foram

[01:14:05] para o outro lado

[01:14:06] nesse sentido

[01:14:09] de a gente se aproximar um pouco

[01:14:11] primeiro, para manter mesmo

[01:14:13] a questão da saúde mental

[01:14:14] de pessoas que ainda compartilham

[01:14:17] que compartilham visões políticas

[01:14:19] nesse momento

[01:14:20] ou alguma visão de vida com que a gente possa

[01:14:23] se relacionar

[01:14:24] é que aí bate o medo

[01:14:27] de vir aquele negócio de

[01:14:29] mas aí você não está se fechando numa bolha

[01:14:31] e sempre

[01:14:32] o túnel de eco

[01:14:34] o túnel de vento

[01:14:35] aquela coisa

[01:14:36] você ficar falando só para a sua própria plateia

[01:14:38] pregar para convertido

[01:14:39] é, mas saúde mental

[01:14:41] envolve um pouco disso

[01:14:42] não digo que a gente vai se fechar na bolha e pronto

[01:14:45] para sempre

[01:14:45] mas até para conseguir lidar com essas outras pessoas

[01:14:48] e conversar com essas outras pessoas

[01:14:50] eu acho que é importante

[01:14:51] em alguns momentos

[01:14:52] ter momentos de bolha mesmo

[01:14:54] de se fechar

[01:14:55] e conseguir respirar

[01:14:57] e manter

[01:14:58] fazer a manutenção

[01:15:05] de uma pessoa

[01:15:15] de uma pessoa

[01:15:17] de uma pessoa

[01:15:17] de uma pessoa

[01:15:18] você não fala pelas costas

[01:15:19] você não fala pelos cotovelos

[01:15:22] passa a noite sem claro

[01:15:23] mordendo a fronha

[01:15:24] e escolhendo frases de efeito moral

[01:15:26] e nunca que você dá jeito

[01:15:28] e nunca que ninguém dá jeito

[01:15:30] na situação

[01:15:31] escrupulou

[01:15:32] mas olha só

[01:15:35] você tem que ter uma ideia

[01:15:35] você tem que ter uma ideia

[01:15:35] você tinha falado

[01:15:36] até essa coisa

[01:15:37] desse delírio deles

[01:15:39] desse aspecto muito religioso

[01:15:41] você tem essa coisa

[01:15:42] do curso da personalidade

[01:15:44] e você tem a coisa

[01:15:45] da desvalorização

[01:15:46] da palavra

[01:15:47] da informação

[01:15:48] da alergia à ciência

[01:15:50] como é que existe a possibilidade

[01:15:53] da gente desfazer isso

[01:15:54] num futuro

[01:15:55] que nós veremos

[01:15:57] apesar de estarmos em faixas etárias diferentes

[01:16:00] o Thiago é jovem

[01:16:00] mas

[01:16:01] a gente vai ver

[01:16:04] uma reversão disso

[01:16:05] porque é muito estranho

[01:16:07] você pensar em como é que você

[01:16:09] porque a gente só tem informação como arma

[01:16:12] não tem mais nada

[01:16:13] aonde mais você pode ir

[01:16:14] além de esfregar os dados

[01:16:16] na cara de uma pessoa

[01:16:17] e se ela não aceita os dados

[01:16:18] o que você faz?

[01:16:19] você senta e chora?

[01:16:20] então como é que a gente vai reverter isso?

[01:16:22] eu sou extremamente otimista

[01:16:24] nessa matéria

[01:16:25] pode ser assim

[01:16:26] crenças

[01:16:26] ai, queria

[01:16:27] realmente

[01:16:29] eu sou

[01:16:29] por quê, né?

[01:16:32] primeiro motivo é que

[01:16:33] isso ia ter que acontecer

[01:16:34] de alguma forma

[01:16:35] nenhuma marcha histórica

[01:16:37] não é um conjunto de triunfos

[01:16:40] inclusive é um processo global

[01:16:43] não precisava ser tão violento

[01:16:45] com tantas perdas

[01:16:47] mas de alguma forma ia acontecer

[01:16:49] é bom que aconteça

[01:16:51] assim de forma tão explícita

[01:16:53] porque a reversão

[01:16:56] ela vai encontrar um impulso

[01:16:59] a perda de apoio do Bolsonaro

[01:17:03] ela é vigorosa

[01:17:05] ela é

[01:17:06] vertiginosa

[01:17:08] para qualquer presidente

[01:17:09] e a gente tem assim

[01:17:13] um fator que eu acho muito importante

[01:17:17] que é o seguinte

[01:17:18] é uma coisa elementar

[01:17:20] da psicanálise

[01:17:22] da psicologia também social

[01:17:23] que a gente chama de

[01:17:25] quando a pessoa

[01:17:26] ela entra em funcionamento de massa

[01:17:28] ela não é mais uma pessoa

[01:17:29] ela não é mais um indivíduo

[01:17:31] voltando lá no Zé Ninguém

[01:17:32] ela é a parte de uma torcida

[01:17:34] nesse momento

[01:17:35] ela é a parte de uma torcida

[01:17:35] nesse estado

[01:17:36] não adianta dados

[01:17:37] não adianta esclarecimento

[01:17:41] não adianta amor e benevolência

[01:17:44] a pessoa é uma outra pessoa

[01:17:47] ela virou outra pessoa

[01:17:49] a parte boa disso

[01:17:50] é que a gente não consegue

[01:17:52] viver assim

[01:17:54] tanto tempo continuado

[01:17:55] num estado de massa tão homogêneo

[01:17:57] mesmo o próprio grupo bolsonarista

[01:18:00] ele se autodesfaz

[01:18:01] ele está brigando com um

[01:18:03] velho e sábio

[01:18:05] o Olavo Carvalho

[01:18:08] detonando cada vez mais gente

[01:18:10] os inimigos internos

[01:18:12] esse processo

[01:18:14] ele é estrutural

[01:18:15] ele já é previsto

[01:18:16] e ele vai gradualmente

[01:18:18] tirando as pessoas

[01:18:20] as pessoas vão saindo

[01:18:21] desse funcionamento de massa

[01:18:23] envergonhadas

[01:18:24] ressentidas

[01:18:25] ah tá

[01:18:25] eu continuo votando nele

[01:18:27] porque eu não voto atrás

[01:18:28] volto atrás

[01:18:29] mas

[01:18:29] o problema

[01:18:32] é se isso vai ser reativado

[01:18:34] numa política

[01:18:35] da próxima eleição

[01:18:35] isso seria grave

[01:18:37] que os mesmos processos

[01:18:41] de novo levassem as pessoas

[01:18:43] a entrarem nesse estado zumbi

[01:18:45] mas

[01:18:46] eu tenho uma

[01:18:49] grande estimativa

[01:18:50] de que isso seria

[01:18:52] um tanto quanto improvável

[01:18:55] porque

[01:18:56] Bolsonaro não está

[01:18:58] jogando para as elites

[01:19:00] as elites não estão contentes

[01:19:03] com isso que está acontecendo

[01:19:04] cadê os números

[01:19:05] cadê a economia pujante

[01:19:08] cadê os destravamentos

[01:19:10] que foram prometidos

[01:19:11] quem tem feito alguma coisa

[01:19:13] é o Congresso

[01:19:13] é o Maia

[01:19:16] Bolsonaro

[01:19:18] enfim

[01:19:19] se mostrou

[01:19:20] uma ilusão

[01:19:22] uma ilusão

[01:19:23] e as pessoas

[01:19:24] assim como elas criam líderes

[01:19:25] vamos lembrar

[01:19:26] como é que terminou Mussolini

[01:19:28] espetado no espeto

[01:19:30] como é que terminou o Hitler

[01:19:32] não terminou a política

[01:19:34] não terminou a política

[01:19:34] não terminou a política

[01:19:34] não terminou a política

[01:19:34] não terminou a política

[01:19:34] não terminou a política

[01:19:34] não terminou a política

[01:19:34] não terminou a política

[01:19:34] não terminou a política

[01:19:34] o mesmo amor

[01:19:36] insano

[01:19:37] que elege o tirano

[01:19:40] faz com que

[01:19:41] os seus súditos

[01:19:42] o devorem

[01:19:43] é o que

[01:19:44] favas contadas

[01:19:46] deve acontecer

[01:19:47] eu e minha bola de cristal

[01:19:50] o prevê

[01:19:51] o que vem máximo

[01:19:53] se não for antes

[01:19:55] então vamos partir

[01:19:57] para a dica cultural

[01:19:57] que eu só te avisei

[01:19:59] ontem à noite

[01:19:59] em cima da hora

[01:20:00] porque eu sempre esqueço

[01:20:01] se você lembrou

[01:20:02] de dar de alguma dica

[01:20:03] eu confesso que

[01:20:04] peço que pra mim foi complicada, porque

[01:20:05] como a gente grava muito,

[01:20:08] eu vou gastando todas as minhas dicas.

[01:20:10] Mas o que você quer

[01:20:12] mandar aí de recomendação pro pessoal?

[01:20:14] Eu vou ser meio assim

[01:20:16] básico, né?

[01:20:18] Meio óbvio, mas eu acho

[01:20:20] que vale a pena pra

[01:20:21] o momento de hoje, né?

[01:20:24] E a minha dica cultural

[01:20:26] é Bacurau, né?

[01:20:27] Mas é Bacurau junto

[01:20:29] com uma peça de teatro

[01:20:31] do grupo Companhia

[01:20:33] Velha

[01:20:34] que chama-se

[01:20:37] A Casa Sumersa.

[01:20:39] É uma peça muito interessante

[01:20:41] sobre, enfim,

[01:20:43] sofrimento psíquico

[01:20:45] e seu entrançamento com a política.

[01:20:48] É uma peça que consegue

[01:20:49] fazer isso sem

[01:20:50] apelar

[01:20:53] pra um certo tipo de militância

[01:20:55] ou de

[01:20:56] bipolarização, assim,

[01:20:59] muito fácil. Então, são dois

[01:21:01] trabalhos que falam sobre a violência,

[01:21:03] mas que escapam

[01:21:06] a dicotomia que a gente

[01:21:07] tá preso no momento, né?

[01:21:09] Que é, de um lado, a violência da transgressão,

[01:21:11] do crime, né?

[01:21:13] Da violação da lei

[01:21:15] e a outra violência que é a violência das leis,

[01:21:17] né? De quem é dono das leis,

[01:21:19] quem decide como aplica,

[01:21:21] quem vai, quem não vai,

[01:21:23] muda a lei conforme… É a violência

[01:21:25] do VAR, né? Só que

[01:21:27] o VAR é capitaneado

[01:21:29] pelo nosso time, né?

[01:21:32] Então,

[01:21:33] as duas

[01:21:35] coisas, elas precisam

[01:21:37] ser vistas, assim, junto

[01:21:39] pra mostrar que tem um terceiro tipo

[01:21:41] de violência, né? Que o Walter Benjamin

[01:21:43] chamava de violência divina, né?

[01:21:45] Que é a violência da verdadeira insurreição,

[01:21:48] que é a violência

[01:21:48] necessária pra gente

[01:21:51] transformar esse

[01:21:53] nível, vamos dizer assim, de violência cotidiana,

[01:21:57] de

[01:21:57] invisibilização

[01:22:00] do morticínio

[01:22:01] de jovens negros de periferia,

[01:22:03] do feminicídio, né?

[01:22:07] Essa violência,

[01:22:08] ela tem que acabar, né?

[01:22:09] Mas em nome do quê? Por onde que a gente vai

[01:22:11] fazer isso se estancar, né?

[01:22:14] É uma mutação

[01:22:15] que passa pelos nossos discursos,

[01:22:18] pelas palavras, né?

[01:22:20] Porque não são

[01:22:20] aulas de educação

[01:22:23] para a violência, são filmes,

[01:22:25] são filmes e peças de teatro, né?

[01:22:28] Que vão criando uma outra

[01:22:29] atitude diante da violência,

[01:22:31] que não é de seguir o mestre,

[01:22:33] que não é tomar aquilo como exemplo,

[01:22:35] dizer, ah, isso que deve ser feito.

[01:22:37] Enquanto a gente olhar pra cultura

[01:22:39] como um mestre que

[01:22:41] diz, assim, simplesmente

[01:22:43] imagens a serem reproduzidas,

[01:22:45] corpos a serem, assim,

[01:22:47] mimetizados, não vai dar certo.

[01:22:49] Nós temos que, vamos dizer assim,

[01:22:51] pensar a violência.

[01:22:53] A gente tem que refletir

[01:22:55] sobre a violência e, pra isso, tem que pô-la

[01:22:57] de uma forma menos cosmética e menos

[01:22:59] exibicionista. É isso que a gente

[01:23:01] tem em

[01:23:03] Bacurau, é isso que a gente tem

[01:23:05] em Casa Sumersa

[01:23:07] do Kiko Marques,

[01:23:09] né?

[01:23:11] Bacurau do

[01:23:12] Kleber Mendonça. Pode ser

[01:23:15] essa dica, sim?

[01:23:17] Nossa, excelente!

[01:23:19] Essas duas coisas, lendo

[01:23:21] ao fundo cá, né, do Bernardo

[01:23:23] Carvalho,

[01:23:24] e tendo como, assim,

[01:23:27] exposição a Grada

[01:23:29] Quilomba, né?

[01:23:31] Refazendo e recontando a história

[01:23:33] do Édipo, ali na Pinacoteca, não sei

[01:23:35] se já saiu, né? Mas que era

[01:23:37] obrigatório, compulsório

[01:23:39] pra quem quer pensar o que

[01:23:40] que é a reinvenção do nosso

[01:23:42] discurso sobre e contra a violência.

[01:23:45] Pode ser? Excelente!

[01:23:47] Caramba, muito bom! Muito bom mesmo!

[01:23:56] Cristian, muito obrigado pelo seu tempo.

[01:23:58] A gente sabe que o seu tempo é ultracorrido

[01:24:00] e super curto, então a gente vai

[01:24:02] te liberar, nós fazemos as nossas

[01:24:04] recomendações, as nossas coisas depois, na

[01:24:06] parte de edição. Obrigado,

[01:24:09] viu, gente? Desculpa. Muito obrigada.

[01:24:10] O que eu fiz ontem.

[01:24:12] Imagina, acontece.

[01:24:14] O podcast de vocês, o máximo.

[01:24:16] E tamo junto.

[01:24:18] Obrigada. Valeu, Zássio, pedi de verdade.

[01:24:21] Imagina. E a gente

[01:24:22] espera poder contar com você

[01:24:24] futuramente aí, pra gente, quem sabe

[01:24:26] até pra desenvolver esse negócio do

[01:24:28] coach quântico, né? Seria uma boa.

[01:24:32] Pelo amor de Deus.

[01:24:32] É a única psicologia barata

[01:24:34] aqui hoje, não, Thiago.

[01:24:37] Vamos deixar isso

[01:24:38] daí no ar, quem sabe um dia a gente

[01:24:40] traz esse negócio do coach quântico de volta

[01:24:42] pra Baila. Meu Deus, episódio quântico, eu não tenho

[01:24:44] psicológico pra isso.

[01:24:47] Obrigada, Cristian.

[01:24:48] Boa noite. Muito obrigado.

[01:24:50] Eu acho que a gente precisa

[01:24:52] finalizar aí, até porque,

[01:24:54] porra, né, a gente já tá alugando o André

[01:24:56] num final de semana, então

[01:24:58] tá na hora de deixar… O que você fez

[01:25:00] no domingo? Pois é,

[01:25:02] então tá na hora

[01:25:05] de liberar aí, pra você passar com a sua

[01:25:07] família, pra poder

[01:25:09] curtir um pouco, não sem

[01:25:11] antes deixar aí os seus jabás,

[01:25:13] deixa aí o seu… A balada do

[01:25:15] pistoleiro. Ah, meu

[01:25:17] Deus, eu já ia passar batida.

[01:25:19] A dica cultural.

[01:25:21] Sim, por favor, por favor,

[01:25:23] eu já ia passar batida. André,

[01:25:25] você deixa alguma coisa pra gente

[01:25:27] de dica cultural aí, pro finalzinho?

[01:25:29] Vamos lá. Eu tava…

[01:25:32] Fiquei pensando,

[01:25:32] um pouco hoje, quando eu acordei, sobre

[01:25:34] a balada do pistoleiro. Eu vou indicar…

[01:25:37] Bom, sobre algumas coisas que a gente discutiu,

[01:25:39] eu posso dar duas indicações?

[01:25:40] Quanto você quiser. Quanto você quiser, cara.

[01:25:42] E não se…

[01:25:44] Não se amarre por conta de dica

[01:25:46] cultural, assim. Volta e meia a gente…

[01:25:48] Não, pode ser qualquer coisa. Eu dou receita de

[01:25:50] comida, é, não pode ser qualquer coisa.

[01:25:52] Vamos dar um tempo pro André pensar?

[01:25:55] Aí eu falo a mim e eu acho

[01:25:57] que ele perde o medo da dele. Tá, então vai,

[01:25:59] manda ver. Porque a minha dica

[01:26:00] de hoje é…

[01:26:02] pra você nunca mais comprar tomate.

[01:26:05] Você já falou no episódio

[01:26:07] passado e tal, né, Letícia, que você

[01:26:08] acha… É, eu tenho um problema com tomate,

[01:26:10] mas acho um antipático.

[01:26:12] Mas, assim, a minha dica

[01:26:15] é a seguinte. São seis

[01:26:17] pequenos passos.

[01:26:18] Primeiro, pega um tomate,

[01:26:20] corta em rodelas, coloca num vaso

[01:26:22] grande com terra preta e adubada.

[01:26:25] Segundo passo,

[01:26:26] coloque um pouco mais de terra por cima

[01:26:28] e deixa a natureza

[01:26:30] fazer o seu trabalho.

[01:26:32] Terceiro passo, depois de uma

[01:26:34] semana, a maioria das

[01:26:37] sementes que tava naquelas rodelas

[01:26:39] do tomate, vai

[01:26:41] começar a germinar. A maioria

[01:26:43] delas vai sobreviver, vai ficar

[01:26:44] um monte de mudinha, um monte de raminho

[01:26:46] pequenininho saindo do vaso. Você

[01:26:49] escolhe, quarto passo,

[01:26:51] você escolhe as

[01:26:53] sei lá, cinco,

[01:26:55] quatro ou cinco das mudas

[01:26:57] maiores, que são as mais fortes,

[01:26:59] dessas que se…

[01:27:01] que germinaram.

[01:27:02] Retira todas as outras do vaso, deixa só

[01:27:04] essas no vaso. Quinto passo,

[01:27:07] depois de mais duas semanas,

[01:27:09] você refaz a sua

[01:27:10] seleção. Você vai ter lá quatro

[01:27:12] ou cinco raminhos um pouco maiores,

[01:27:15] retira os três menores,

[01:27:17] fica só com os dois mais fortes

[01:27:19] e deixa só esses no vaso.

[01:27:20] E depois de algum tempinho,

[01:27:22] cuidando com carinho,

[01:27:24] com paciência, regando,

[01:27:26] tratando de luz, logo logo você vai

[01:27:28] ter um tomateiro e nunca mais vai precisar

[01:27:30] comprar tomate cheio de agrotóxico.

[01:27:32] Essa é a minha dica de hoje.

[01:27:34] Você já plantou seus tomates, seu Tiago?

[01:27:36] Eu já plantei os meus tomates, eu posso até

[01:27:38] mandar uma fotinha depois.

[01:27:40] Eles estão, nesse momento,

[01:27:43] eles estão no passo três.

[01:27:44] Ele tá cheio de

[01:27:46] germinadinhos pequenininhos.

[01:27:48] Tá, boa dica, que não

[01:27:50] seguirei.

[01:27:53] Mas é legal. Não, eu já vi,

[01:27:54] eu gosto muito desses posts que tem assim, como reaproveitar,

[01:27:57] replantar plantas que você…

[01:27:59] verdura, legume, né? Então você,

[01:28:00] sei lá, comeu um…

[01:28:02] aí você pega um pedaço do aipo, planta, ele nasce de novo.

[01:28:04] Eu jamais farei nada disso que eu tenho o dedo

[01:28:06] podre pra planta. Mas

[01:28:08] eu acho super bacana, eu gosto de ver

[01:28:10] como é que se faz, né? Essa do tomate eu já tinha visto

[01:28:12] de você cortar em rodela e tal, é bacana.

[01:28:14] Bonitinha, bonitinha. André, já

[01:28:16] pensou aí? Já. Então

[01:28:18] manda ver. A primeira dica é

[01:28:20] beber bom água com frequência.

[01:28:22] Ah, sim, muito bom. Saúde

[01:28:23] mental, ela parte

[01:28:26] de como a gente está fisicamente,

[01:28:28] né? Então,

[01:28:29] vou dizer

[01:28:31] claramente,

[01:28:32] não existe mente, mente faz parte

[01:28:34] do seu corpo.

[01:28:36] Ai, que delícia ouvir isso.

[01:28:38] Cuide disso. Outra coisa que eu queria

[01:28:40] indicar, e aí vai ser

[01:28:41] uma coisa muito boa pra sociedade,

[01:28:44] é vão até as unidades básicas

[01:28:46] de saúde e peçam por atendimento psicológico.

[01:28:49] Porque foi assim

[01:28:49] que todas aquelas terapias

[01:28:52] alternativas entraram no processo

[01:28:54] do serviço

[01:28:56] público de saúde. Por demanda

[01:28:58] popular, né? As pessoas tinham interesse

[01:29:00] e foram e buscaram.

[01:29:01] E aí, como essas terapias

[01:29:03] alternativas, que não funcionam pra quase

[01:29:05] nada, elas fazem uma

[01:29:07] boa propaganda, as pessoas pedem

[01:29:09] por isso e, né, fazem solicitações.

[01:29:12] Então, elas acabam entrando no processo

[01:29:13] e faz sentido, porque…

[01:29:15] Claro, se as pessoas querem. Isso,

[01:29:17] a unidade, né, o serviço de saúde

[01:29:19] é o serviço da população e tem um processo

[01:29:21] e o SUS, ele faz isso de forma

[01:29:23] perfeita, assim, eu acho que isso é bem interessante.

[01:29:25] Tá, pera aí. Terapias

[01:29:27] alternativas, você diz, é tipo aquelas

[01:29:30] cromoterapia, aquelas porra,

[01:29:31] assim? Isso. HIKE, cromoterapia,

[01:29:34] essas coisas. Tudo isso tem no

[01:29:35] SUS? Tem. Meu Deus. É, tem

[01:29:37] e por solicitação popular.

[01:29:39] Foi ano passado, acho que foi incluído

[01:29:41] 10 terapias alternativas.

[01:29:44] Uhum. É.

[01:29:45] Me lembra, me lembra. Além da homeopatia,

[01:29:47] né, que já tá aí. Além da homeopatia.

[01:29:49] Não tá de chorar. É.

[01:29:51] Então, peçam terapia, terapia é…

[01:29:53] É, peçam terapia. Terapia funciona.

[01:29:57] E vai ajudar a gente a passar por

[01:29:59] esses momentos. Sim, sim.

[01:30:01] Várias universidades também

[01:30:03] têm núcleos de

[01:30:05] psicologia e tal, né, que

[01:30:07] prestam

[01:30:08] atendimento

[01:30:10] gratuito e tal, contínuo.

[01:30:13] É bem interessante. Eu lembro que

[01:30:15] quando eu tava na faculdade, a minha tinha,

[01:30:17] inclusive. Sim. Tinha filas

[01:30:19] e filas, porque ela costumava

[01:30:21] destruir os seus alunos.

[01:30:25] Mas tava lá, tava lá.

[01:30:28] É, pra quem

[01:30:29] tem universidade próximo,

[01:30:31] é um ponto bem interessante, sim.

[01:30:32] Todas as universidades, faculdades,

[01:30:35] todos os níveis que têm curso de psicologia,

[01:30:37] eles vão ter um serviço de atendimento

[01:30:39] psicológico, porque é como a gente

[01:30:41] treina os futuros psicólogos, né.

[01:30:43] E esses psicólogos que

[01:30:45] estão lá atendendo, futuros psicólogos,

[01:30:47] eles têm supervisão

[01:30:49] de profissionais com bastante

[01:30:51] experiência e com conhecimento

[01:30:53] bem acurado na área.

[01:30:55] Então, vale a pena também como uma

[01:30:57] estratégia pra quem não pode pagar

[01:30:59] por terapia. Show. Boa, boa

[01:31:01] dica. Show de bola. É isso por hoje,

[01:31:03] então? A minha dica, caralho.

[01:31:05] A Letizia? Porra, tu não deu tua

[01:31:07] ainda, cacete. Nunca mais gravo de manhã, cara.

[01:31:09] Que merda, você tá horrível.

[01:31:11] Meu cérebro não funciona.

[01:31:14] Desgraça!

[01:31:15] Ó, a minha dica é rapidinha, só uma,

[01:31:17] porque a gente fica gastando dica nos episódios

[01:31:19] e aí acaba que eu não tenho mais dica. Eu tô lendo

[01:31:21] um livro chamado Nada, da Carmen

[01:31:22] Laforet, ou Laforet, eu não sei, que era

[01:31:25] espanhola, que foi a Bia

[01:31:27] das desqualificadas. Beijo, Bia!

[01:31:29] Que indicou, e ela teve,

[01:31:31] dificuldade de achar esse livrinho em espanhol,

[01:31:33] então ela tinha lido em português e tal, e eu consegui,

[01:31:35] eu achei ele em espanhol na Itália e tô lendo.

[01:31:37] E é bem interessante, é uma história

[01:31:39] que se passa na Barcelona do pós-guerra

[01:31:41] e tem, eu já conheço

[01:31:43] Barcelona, não muito bem, mas já estive lá

[01:31:45] algumas vezes, então muitas coisas que ela descreve

[01:31:47] eu me lembro. É interessante,

[01:31:49] é uma história meio maluca,

[01:31:51] uma família muito estranha, mas

[01:31:53] é uma história interessante. Eu não estou amando

[01:31:55] o quanto eu sinto que eu deveria estar amando depois do que a Bia

[01:31:57] falou, mas eu tô gostando. E é uma maneira de você

[01:31:59] treinar o seu espanhol, então eu deixo

[01:32:01] de dica, é um livro que vale a pena ver. Eu tô gostando,

[01:32:03] não tô amando, mas estou gostando bastante.

[01:32:05] E outra coisa, já que o episódio vai

[01:32:07] ao ar na semana

[01:32:08] do dia, sei lá, 10,

[01:32:11] alguma coisa assim. No dia do dia

[01:32:13] que seria o dia mais feliz da sua vida.

[01:32:15] Não, no dia,

[01:32:17] no dia, eu adoro isso, gente.

[01:32:19] Ai, como eu amava Blitz.

[01:32:21] A essa altura do campeonato, já na semana passada,

[01:32:23] saíram, por acaso, na mesma semana,

[01:32:25] quatro episódios dos quais eu participei.

[01:32:27] Caralho!

[01:32:28] É, cara, juntou tudo,

[01:32:30] não sei, fiquei um tempão sem gravar.

[01:32:31] Porra nenhuma, e aí na mesma semana, mó galera me convidou

[01:32:33] e eu fui. Então, quem tiver afim de me

[01:32:36] ouvir mais e não estiver ouvindo ainda,

[01:32:38] eu coloquei tudo nas minhas redes sociais,

[01:32:40] tá tudo lá no Twitter e tal, mas foi

[01:32:41] um episódio do Medicina em Debate falando de

[01:32:43] Bacurau, e é uma pegada bem diferente,

[01:32:46] porque eles analisam aspectos médicos,

[01:32:48] né, de saúde,

[01:32:50] que foram falados no episódio.

[01:32:52] Então, não é uma análise que você já ouviu em outros

[01:32:53] podcasts, foi bem legal a conversa.

[01:32:56] Eu gravei um silêncio no estúdio,

[01:32:58] que na verdade eu não gravei, eu mandei um áudio curto

[01:33:00] sobre músicas pra dançar.

[01:33:01] E vocês sabem que eu não danço

[01:33:03] nada nunca, então ficou um áudio

[01:33:04] divertido. Eu gravei

[01:33:07] um papo lendário

[01:33:09] do podcast Mitografia sobre mulheres

[01:33:11] na Terra-média. Pra quem não sabe, eu sou

[01:33:13] Tolkien maníaca, então

[01:33:15] meu cachorro se chamava Légolas,

[01:33:17] eu tenho uma prateleira inteira

[01:33:19] só de Tolkien na minha casa, eu adoro Tolkien,

[01:33:21] e apesar de ter contribuído pouco nesse episódio,

[01:33:23] foi um papo bacana. E o que mais?

[01:33:25] Ah, um Treta Talks.

[01:33:27] Claro, o Treta Talks que saiu acho que na semana anterior,

[01:33:29] inclusive, sobre cancelamento,

[01:33:31] de ídolos.

[01:33:33] E foi um papo bem bacana,

[01:33:35] não sabia muito bem o que esperar quando começou

[01:33:37] a conversa, mas eu acho que o papo ficou legal,

[01:33:39] assim, eu me diverti muito gravando.

[01:33:41] Ah, e na semana anterior ainda saiu

[01:33:43] o primeiro episódio do novo podcast

[01:33:45] da Grécia, que é o Viajando com a Grécia,

[01:33:47] e eu gravei o primeiro episódio com

[01:33:49] ela sobre viagem e

[01:33:51] também tá lá, procurem lá no feed,

[01:33:53] assinem e ouçam. Então quem não tiver

[01:33:55] cansado de me ouvir, não falta

[01:33:57] opção pra me ouvir de novo.

[01:33:59] Quem tá de saco cheio, que é perfeitamente

[01:34:01] compreensível, é só não ouvir nenhum.

[01:34:02] Haja festa pra tanto arroz!

[01:34:05] Não é mesmo, né?

[01:34:06] Gente, caralho!

[01:34:08] Ela juntou tudo, foi foda, foi uma semana

[01:34:10] meio, super bizarra. Bom,

[01:34:12] jabás então, né? Ah, é o meu, né?

[01:34:15] Vai lá, André, seu jabazão.

[01:34:17] Pessoal do podcast que você quiser.

[01:34:19] Então, eu vou…

[01:34:21] O meu jabá principal é

[01:34:22] Dragões de Garagem, e eu tenho

[01:34:24] participado frequentemente esse ano

[01:34:27] por questões de produção e

[01:34:29] por procrastinação da

[01:34:31] tese de doutorado, talvez.

[01:34:33] A gente teve um episódio

[01:34:35] sobre psicopatas, então como a gente falou aí do…

[01:34:37] Filmes, né? Foi bem legal.

[01:34:39] Psicopata no cinema, não foi? Isso,

[01:34:41] psicopata no cinema. Ah, foi muito legal esse episódio.

[01:34:43] E ficou grande, a gente discutiu

[01:34:45] tanto a questão psicológica, quanto

[01:34:47] a questão cinematográfica

[01:34:48] desse universo. Achei que foi

[01:34:51] bem interessante mesmo. Essa semana,

[01:34:53] então, pelo que eu tô entendendo, já

[01:34:55] saiu o episódio de Constituição

[01:34:57] do Dragões de Garagem. Ah!

[01:34:58] Então, vai ser um

[01:35:01] Dragões de Garagem pistolando, mais ou menos.

[01:35:02] Ó, que beleza! Tá bem interessante, que eu já

[01:35:05] fiz a revisão. Ó, que beleza!

[01:35:06] E o que eu ia comentar… E se quiserem

[01:35:09] ouvir eu falar

[01:35:10] um pouco mais sobre o que é ciência do

[01:35:12] comportamento, principalmente, que é a minha área

[01:35:14] na psicologia, e que existem outras

[01:35:16] coisas além de psicanálise, ou que talvez

[01:35:19] psicanálise nem seja psicologia…

[01:35:21] Desculpa, Duncan.

[01:35:25] Alfinetada!

[01:35:27] Albuvaço! Aí tem o meu Twitter, que

[01:35:28] de vez em quando… Eu tenho uma thread lá,

[01:35:31] biscoito, porque a gente gosta de ganhar biscoito

[01:35:32] na internet. Ó, interessante!

[01:35:35] E tá lá fixada no meu perfil.

[01:35:36] E de vez em quando eu solto

[01:35:38] algumas outras coisas sobre

[01:35:40] a análise do comportamento das pessoas.

[01:35:43] Ou geral.

[01:35:44] Lindeza! Qual é o seu

[01:35:46] Twitter pessoal? Eu tenho aqui, mas…

[01:35:48] A minha arroba é andrelt.

[01:35:51] Andrelt. Beleza!

[01:35:53] Show! O que mais?

[01:35:55] Seu Tiago, alguma coisa?

[01:35:56] Não! Eu tô tentando

[01:35:59] finalizar o episódio faz meses,

[01:36:01] tá difícil, né?

[01:36:03] Bom, vocês já sabem onde

[01:36:04] achar a gente, né? A gente tá no

[01:36:06] Twitter e no Instagram como

[01:36:08] arroba pistolando pode. Eu estou… Meu Twitter

[01:36:10] pessoal é arroba pacamanca, paca

[01:36:12] pequeno mamífero, manca porque ela manca.

[01:36:14] O seu Tiago está como arroba tiago

[01:36:16] underline czz. Mandem e-mail pra gente,

[01:36:18] contato arroba pistolando ponto com.

[01:36:21] Todas as anotações, os links,

[01:36:22] tudo que foi mencionado, tá tudo na

[01:36:24] postagem do episódio.

[01:36:26] Mulheres podcasters, aquela

[01:36:27] hashtag maneira, manda quando forem compartilhar

[01:36:30] o episódio, compartilhem

[01:36:32] com a hashtag pra todo mundo

[01:36:34] encontrar, mulheres

[01:36:35] podcasters. Comprem sua camiseta

[01:36:38] na vestesquerda.com.br

[01:36:40] com o código de desconto PISTOLA10

[01:36:42] pra ter 10% de desconto.

[01:36:45] O que mais?

[01:36:46] Aí, porra, é o outubro vitorioso, né?

[01:36:48] Agora não tem desculpa,

[01:36:50] pelo amor de Deus, outubro

[01:36:51] tem que comprar uma camisa na vestesquerda, puta que pariu.

[01:36:54] Eu também acho. Até a minha tá atrasada

[01:36:56] na real. O que mais? Mais algum recado?

[01:36:58] catarse.me

[01:36:59] barrapistolando e patreon.com

[01:37:02] barrapistolando pra quem tá fora do Brasil.

[01:37:04] Se vocês quiserem contribuir com a gente,

[01:37:06] com os caraminguazinhos por mês,

[01:37:08] a gente agradece bastante, ajuda a manter o programa

[01:37:10] de pé. Perfeito.

[01:37:12] É isso? Acabou então? Eu acho que sim.

[01:37:14] Olha, eu acho que hoje eu mandei tudo, então show.

[01:37:16] Boa, tá de parabéns, tá de parabéns.

[01:37:18] Caraca! Você deveria ter

[01:37:20] feito esse episódio, porque você funciona

[01:37:22] de manhã. Eu não, eu funciono de manhã, é verdade.

[01:37:24] Eu só funciono de manhã, de noite eu só quero dormir.

[01:37:26] Show de bola, muito obrigado, André.

[01:37:29] Desculpa,

[01:37:29] alugar a sua manhã de domingo

[01:37:32] pra falar de um assunto

[01:37:34] tão

[01:37:35] pesado, tão complicado

[01:37:38] de falar, assim, que ficar

[01:37:40] fazendo… Eu imagino

[01:37:42] que você goste, né? Porque, sei lá,

[01:37:44] você escolheu esse

[01:37:46] ramo, mas eu fico, caralho,

[01:37:48] cara, olha o que eu tô fazendo da minha vida.

[01:37:50] Eu tô acordando

[01:37:51] pouco da manhã pra falar sobre

[01:37:54] intersecção entre psicologia e política,

[01:37:56] meu Deus. Não, mas

[01:37:58] cara, muito obrigado mesmo por participar.

[01:38:00] Muito mesmo. Valeu, Zasson.

[01:38:02] Não, eu quero agradecer mesmo, porque

[01:38:04] eu… eu gosto

[01:38:06] muito do trabalho de vocês e eu acho

[01:38:08] muito legal poder falar em outros

[01:38:10] em outros podcasts e estar participando

[01:38:12] de… e pra debater

[01:38:14] e trazer um pouco a questão

[01:38:16] de quando a gente tá olhando

[01:38:18] pras pessoas, pro comportamento delas,

[01:38:20] a gente olhar um pouquinho ao redor, né, do que

[01:38:22] acontece ao redor delas, pra tentar entender

[01:38:24] um pouco mais esses fenômenos.

[01:38:27] Bom, e acordar

[01:38:28] de manhã, eu sou razoavelmente

[01:38:30] matutino, apesar de eu dar aula à noite

[01:38:32] e acabar tendo que dormir um pouco mais.

[01:38:35] Mas foi um prazer

[01:38:36] estar aqui pra discutir essas questões de psicologia,

[01:38:38] apesar de que a minha área,

[01:38:40] o que eu gosto de estudar na psicologia mesmo

[01:38:42] é mais a parte positiva, né,

[01:38:44] aprendizagem de novos comportamentos, segurança

[01:38:46] no trabalho, enfim. Então eu não fico

[01:38:48] me chafurdando na lama

[01:38:49] dos transtornos.

[01:38:54] Você é uma pessoa saudável.

[01:38:54] Apesar de que a gente conhece.

[01:38:55] Você é uma pessoa saudável.

[01:38:57] Beleza, mas foi ótimo o papo.

[01:38:59] Muito obrigada mesmo.

[01:39:01] Manda um beijo pra sua advogada de casa aí,

[01:39:03] que ela é gente boa pra caramba.

[01:39:05] Ela é menos matutina

[01:39:07] do que eu, inclusive. Eu aproveitei

[01:39:09] esse momento que ela ainda não acordou.

[01:39:11] Ah, então tá. Então acordado, a gente

[01:39:13] mandou um abraço, que foi ótimo conhecer vocês pessoalmente

[01:39:15] no Capivara, a gente ficou bem feliz.

[01:39:17] Sim, adorei. Adorei. Foi bem

[01:39:19] bacana mesmo, então pode mandar um beijão pra ela.

[01:39:21] E então até a próxima, gente.

[01:39:24] Beleza.

[01:39:24] Show de bola. Até semana que vem

[01:39:26] com o bom, o mal e o feio.

[01:39:29] Beijo.

[01:39:34] Tá muito bom. Parabéns, seu cocô.

[01:39:36] Obrigado, obrigado.