Dias Gomes, novelas e censura, com Laura Mattos e Carapanã


Resumo

O episódio é uma entrevista com a jornalista e pesquisadora Laura Mattos sobre seu livro “Herói Mutilado: Roque Santeiro e os Bastidores da Censura, a TV na Ditadura”. A conversa parte da análise da obra de Dias Gomes, especificamente da trajetória da peça/novela Roque Santeiro, que foi censurada em três momentos distintos: em 1965 (como peça), em 1975 (quando sua adaptação para TV foi barrada) e em 1985 (quando, mesmo na redemocratização, a novela que finalmente foi ao ar sofreu cortes).

Através desse caso, Laura Mattos explora a complexa relação entre a ditadura militar, a televisão (em especial a Rede Globo) e os artistas de esquerda, muitos comunistas, que foram fundamentais para a construção da teledramaturgia brasileira. Ela descreve um “triângulo amoroso de alta voltagem” entre a ditadura, que queria um veículo de unificação nacional; a TV, que buscava audiência; e os autores comunistas, que viam na TV uma plateia massiva para suas ideias. A censura não era apenas uma imposição de cima para baixo, mas um jogo de forças com interesses cruzados.

A discussão avança para paralelos com o cenário político-cultural brasileiro atual. Os participantes debatem como mecanismos de censura e autocensura se manifestam hoje, muitas vezes de forma mais difusa e “orgânica”, através de pressões econômicas (como o corte de verbas via Lei Rouanet), campanhas de desmoralização em redes sociais, e a instrumentalização de um discurso moralista. A figura da atriz Regina Duarte, que atuou em Roque Santeiro e hoje é ministra da Cultura, surge como um símbolo dessa desconexão e dos paradoxos do momento.

Por fim, a conversa reflete sobre a potência da comédia e da sátira como ferramenta de crítica política, como visto em obras como “O Bem Amado”, e sobre a atualidade da discussão sobre a construção de mitos, tema central de Roque Santeiro. O episódio conclui com um alerta sobre a necessidade de defender a liberdade de expressão em um contexto de polarização e intolerância, onde a tentação da censura, em todas as suas formas, é uma ameaça constante à democracia.


Indicações

Books

  • Herói Mutilado: Roque Santeiro e os Bastidores da Censura, a TV na Ditadura — Livro de Laura Mattos, lançado pela Companhia das Letras, que investiga a censura à obra de Dias Gomes em três momentos da ditadura militar, usando a novela Roque Santeiro como fio condutor para analisar as relações entre TV, artistas comunistas e o regime autoritário.
  • Baleia — Livro infantil de Sérgio Campanti, recomendado por Letícia Dacke. É um livro ilustrado que vem dentro de uma redinha de pesca, com uma história fofinha, indicado para presentear crianças.

Music

  • Monsieur Periné — Banda colombiana recomendada por Tiago Corrêa. Ele descreve o som como uma mistura de latinidade com influências afro, com músicas em português, espanhol e francês. Recomenda especificamente a música “Nuestra Canción”.

People

  • Átila Iamarino — Biólogo e divulgador científico recomendado por Carapanã. Ele está fazendo um trabalho importante de combate à desinformação sobre o coronavírus (COVID-19) em suas redes sociais e no canal Nerdologia.

Places

  • FAMA (Fábrica de Arte Marco Amaro) — Museu de arte em Itu, São Paulo, recomendado por Laura Mattos. Ocupa uma antiga fábrica têxtil e tem um acervo de alta qualidade, com obras de artistas como Bispo do Rosário e exposições como estudos de Tarsila do Amaral.

Podcasts

  • Vira Casacas — Podcast de política apresentado por Carapanã e Gabriel Divan, mencionado por ele durante os agradecimentos finais.
  • Xadrez Verbal — Podcast de política internacional apresentado por Felipe Figueiredo, mencionado por Carapanã em conexão com o canal Nerdologia, que ele co-apresenta com Átila Iamarino.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Abertura e atualização sobre ação da FENAFISCO no STF — Os hosts Letícia e Tiago apresentam o episódio e reproduzem um áudio enviado por Charles Alcântara, presidente da FENAFISCO. Ele explica que a entidade protocolou uma Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no Supremo Tribunal Federal questionando o sistema tributário brasileiro como um todo. O argumento é que o sistema atual, que cobra mais dos pobres e menos dos ricos, viola preceitos fundamentais da Constituição, como a construção de uma sociedade justa, a erradicação da pobreza e o princípio da capacidade contributiva.
  • 00:13:15Apresentação do tema principal: o livro Herói Mutilado — Letícia e Tiago dão as boas-vindas aos ouvintes e apresentam o episódio 59 do Pistolando. Eles introduzem o tema: o livro “Herói Mutilado: Roque Santeiro e os Bastidores da Censura, a TV na Ditadura”, da jornalista Laura Mattos. Explicam que, para evitar conflitos de interesse por Laura ser jornalista da Folha de S.Paulo, convidaram também o comentarista Carapanã para a conversa. Laura é recebida e comenta sobre a atualidade do tema da censura no Brasil de hoje.
  • 00:18:06A gênese da pesquisa e do livro de Laura Mattos — Laura Mattos detalha o percurso de sua pesquisa, que começou em 2011 durante um período sabático na Folha, com a intenção inicial de fazer uma biografia. Ela se interessou por Dias Gomes, um dos pilares da teledramaturgia brasileira e membro do Partido Comunista. A pesquisa foi transformada em dissertação de mestrado (defendida em 2016) e, posteriormente, no livro lançado pela Companhia das Letras. Ela explica que optou por abandonar a linguagem acadêmica na versão final para atingir um público mais amplo.
  • 00:22:05A importância de Dias Gomes e o recorte de Roque Santeiro — Laura explica por que escolheu Dias Gomes como personagem central: ele era um dramaturgo comunista cuja trajetória permite contar a história da migração dos artistas de esquerda do teatro para a televisão durante a ditadura. O recorte da obra “Roque Santeiro” é especial porque ela foi censurada em três momentos-chave (1965, 1975 e 1985), que correspondem ao início, auge e fim do regime militar. Ela destaca a surpresa de descobrir que a novela de 1985, símbolo da redemocratização, também teve um calhamaço de documentos de censura.
  • 00:28:35A relação complexa entre TV, comunistas e ditadura — Os participantes discutem como a Globo e a ditadura permitiam que autores comunistas como Dias Gomes produzissem novelas de sucesso. Laura descreve essa dinâmica como um “triângulo amoroso de alta voltagem”: a TV precisava do talento dos comunistas para a audiência; os comunistas viam na TV uma plateia massiva para suas ideias; e a ditadura tinha interesse no veículo de unificação nacional. Era um jogo de controle episódio a episódio, onde muito passava, mas no caso de Roque Santeiro em 1975, a censura foi explícita.
  • 00:38:35A comédia como ferramenta de crítica política — A conversa aborda a eficácia da comédia e da sátira, como em “O Bem Amado”, para fazer crítica social. Laura comenta que, naquela época, a comédia era uma ferramenta usada pelos autores para chegar à audiência e fazer crítica política de forma maquiada. Letícia e Carapanã refletem sobre como, hoje, a realidade muitas vezes supera a ficção e como a sátira pode, por vezes, banalizar a gravidade dos fatos, fazendo com que as pessoas riam sem necessariamente enxergar a crítica subjacente.
  • 00:45:27Comparações entre a censura na ditadura e os mecanismos atuais — Carapanã pergunta sobre as mudanças nos modos operandi da censura. Ele e Laura traçam paralelos entre o passado e o presente. Enquanto na ditadura a censura era mais centralizada e legalizada, hoje ela se manifesta de formas mais difusas: através de pressões econômicas (como o corte de verbas da Lei Rouanet), campanhas de desmoralização nas redes sociais, discursos presidenciais contra artistas e a “autocensura” por medo de represálias. Eles citam exemplos como o do prefeito Crivella, que usou o ECA para censurar uma revista em quadrinhos.
  • 00:52:55O enredo de Roque Santeiro e os motivos da censura — Laura resume a história de Roque Santeiro: um suposto herói militar que na verdade desertou. Quando ele retorna vivo, os poderosos da cidade precisam escondê-lo para manter o mito que sustenta a economia local. Ela explica que a peça, escrita em 1963 e publicada em 1965, foi imediatamente lida como uma crítica direta aos “falsos heróis” da ditadura. Em 1975, a tentativa de adaptação para a TV foi barrada após a ditadura grampear um telefonema de Dias Gomes se gabando de enganar os censores, o que foi visto como uma provocação grave.
  • 01:03:16O papel de Janete Clair e a parceria com Dias Gomes — Laura fala sobre Janete Clair, esposa e parceira de Dias Gomes, uma autora de grande sucesso de audiência, mas muitas vezes subestimada pela esquerda da época por seu estilo mais melodramático. Ela revela que Janete compartilhava da consciência política do marido, chegou a pensar em se filiar ao Partido Comunista e que sua casa era usada para reuniões do partido. O casal trabalhava em conjunto, às vezes até inserindo frases censuradas de uma novela na outra. O SNI a considerava uma “comunista notória”.
  • 01:18:44A construção de mitos e a atualidade da obra de Dias Gomes — A discussão retorna ao cerne de Roque Santeiro: a necessidade social de acreditar em mitos. Laura conecta essa análise ao fenômeno de figuras políticas atuais, onde a crítica muitas vezes não consegue demolir a crença no mito. Ela argumenta que a obra de Dias Gomes é extremamente atual para entender como, nas redes sociais, as pessoas tendem a aceitar como verdade aquilo com que concordam, rejeitando como “fake news” o que contradiz suas crenças. A sociedade prefere acreditar no mito a enfrentar uma realidade complexa.
  • 01:27:09Autocensura e a contratação de ex-censores pela Globo — Laura detalha um dos efeitos mais perversos da censura: a autocensura. Ela cita uma carta de Dias Gomes reclamando que, desde o porteiro até o diretor, todos alertavam sobre o que “não iria passar”. Para evitar problemas, a própria Globo chegou a contratar um ex-censor, Otacílio, para “pentear” os roteiros antes de enviá-los à censura oficial, a pedido de Dercy Gonçalves. Isso ilustra como o mecanismo de controle se internalizava na produção.
  • 01:37:44Regina Duarte: do elenco de Roque Santeiro ao Ministério da Cultura — Os participantes debatem a figura paradoxal de Regina Duarte, que atuou como a “Viúva Porcina” em Roque Santeiro (1985), participou de comitivas de artistas contra a censura na ditadura e hoje é ministra da Cultura de um governo de extrema-direita. Eles expressam perplexidade com sua trajetória e seu discurso atual, que parece negar tudo o que a novela representou. Carapanã a define como “imune ao aprendizado”. Laura se abstém de análises profundas, mas espera, como Fernando Meirelles, que sua experiência na cultura possa ser um canal de diálogo.
  • 01:50:53Encerramento, agradecimentos e dicas culturais — Os hosts agradecem aos convidados pela longa e rica conversa. Reforçam a recomendação do livro “Herói Mutilado”. Cada participante dá uma dica cultural: Laura recomenda o museu FAMA (Fábrica de Arte Marco Amaro) em Itu; Carapanã recomenda a conta do biólogo Átila Iamarino no Twitter para informações sobre coronavírus; Tiago recomenda a banda colombiana Monsieur Periné; e Letícia recomenda o livro infantil “Baleia”, de Sérgio Campanti. Eles fazem os jabás finais, lembram os contatos do podcast e encerram com um alerta sobre higiene devido à pandemia de COVID-19.

Dados do Episódio

  • Podcast: Pistolando Podcast
  • Autor: Leticia Dáquer e Thiago Corrêa
  • Categoria: News Politics News News Commentary
  • Publicado: 2020-03-27T05:11:56Z
  • Duração: 02:11:11

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Oi gente, tudo bom? Vocês lembram da FENAFISCO, né? Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital.

[00:00:06] Aí vocês vão perguntar por que eu deveria lembrar da FENAFISCO, Letícia?

[00:00:09] Porque o presidente da FENAFISCO é o nosso querido Charles Alcântara,

[00:00:14] que gravou com a gente os episódios tanto de reforma da Previdência quanto de paraísos fiscais.

[00:00:20] E a gente tinha prometido que ia deixar um canal aberto com eles e se precisassem de alguma coisa

[00:00:26] ou se a gente tivesse alguma dúvida sobre alguma evolução nova que tivesse alguma coisa a respeito relacionada a eles,

[00:00:34] que a gente iria perguntar e o Charles fez o favor de gravar alguns áudios para a gente

[00:00:39] explicando uma ação que a FENAFISCO entrou no STF questionando a reforma tributária proposta pelo Legislativo.

[00:00:48] A gente vai colocar o link na pauta de um fio do Twitter explicando exatamente o que é esse processo todo,

[00:00:56] mas a gente pediu.

[00:00:56] Então, para o Charles mandar uns áudios explicando com mais detalhes daquele jeito super didático dele

[00:01:02] o que a FENAFISCO não gostou e que expectativas eles têm, o que eles acham que vai acontecer

[00:01:08] e explicando direitinho para todo mundo o que é essa ação no STF com a qual eles entraram.

[00:01:15] Bom, olá Letícia, olá Tiago, prazer voltar a falar com vocês e com todo esse povo aí que acompanha o Pistolando.

[00:01:25] Então.

[00:01:26] A FENAFISCO, nós chegamos a conversar algumas vezes, né?

[00:01:29] As duas vezes que eu tive o prazer de participar do programa,

[00:01:34] nós conversamos sobre essa questão tributária, essa injustiça, enfim,

[00:01:38] esse sistema aí que cobra impostos dos pobres e poupa os ricos, enfim.

[00:01:45] Pois bem, a gente, no último dia 3 de março, a FENAFISCO protocolou uma ADPF,

[00:01:51] uma sigla que significa Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental.

[00:01:56] Cabe ao STF, como guardião da Constituição Federal, apreciar esse tipo de ação, né?

[00:02:04] Tanto quanto a ADI também, que é mais famosa, a Ação Direta de Inconstitucionalidade.

[00:02:10] Essa é uma ação por descumprimento de preceito fundamental,

[00:02:13] que foi uma tese desenvolvida pela professora Heloísa Machado.

[00:02:18] A professora Heloísa Machado, ela entrega, integra um coletivo chamado

[00:02:23] Coletivo de Advocacia Indivisível.

[00:02:26] Direitos Humanos, CADU.

[00:02:29] A professora Heloísa também é da Fundação Getúlio Vargas

[00:02:32] e é parceira também dessa nossa iniciativa, a Oxfam Brasil.

[00:02:40] Aproveito e mando um abraço aí para o Oded Grajev, que foi um dos ideólogos dessa ação,

[00:02:46] para a Kátia Maia, que é a diretora da Oxfam Brasil, parceiras aí dessa iniciativa,

[00:02:52] que é inédita, viu, Letícia e Tiago?

[00:02:55] Pela primeira vez…

[00:02:56] Desde o Supremo Tribunal Federal, desde o advento da Constituição de 1988,

[00:03:03] já são aí quase 32 anos dessa Constituição,

[00:03:09] apelidada e conhecida como Constituição Cidadana,

[00:03:12] foi a primeira vez que o Supremo Tribunal Federal recebeu uma ação dessa natureza,

[00:03:19] questionando não apenas um ou outro tributo, enfim,

[00:03:24] há incontáveis ações no Supremo tratando de especificamente um ou outro tributo.

[00:03:32] Desta feita, não.

[00:03:34] Nós questionamos, nessa ação do dia 3 de março,

[00:03:38] que está agora sob a relatoria da ministra Carmen Lúcia,

[00:03:43] questionamos o sistema tributário como um todo.

[00:03:46] O que é que nós estamos dizendo aí, Letícia e Tiago, basicamente,

[00:03:50] para não me alongar, principalmente nesse juridiquê,

[00:03:54] que não é a minha área?

[00:03:56] Nós estamos dizendo basicamente o seguinte,

[00:03:58] que o sistema tributário brasileiro hoje, tal qual se apresenta,

[00:04:02] ou seja, a maneira como são cobrados os tributos no Brasil

[00:04:05] e de quem são cobrados os tributos no Brasil,

[00:04:10] ela não cumpre os preceitos, alguns preceitos fundamentais

[00:04:16] da República Federativa do Brasil, que estão consagrados na Constituição Federal.

[00:04:21] E a gente cita aqui rapidamente quais são.

[00:04:24] A começar pelo artigo 3º da Constituição da República,

[00:04:28] que trata dos objetivos fundamentais.

[00:04:31] Ou seja, é o que justifica a existência dessa República Federativa chamada Brasil.

[00:04:37] Ela existe para atender alguns objetivos.

[00:04:42] Quais sejam?

[00:04:43] Primeiro, construir uma sociedade justa, livre e solidária.

[00:04:47] Está lá no artigo 3º, inciso 1º da Constituição Federal.

[00:04:52] Construir é objetivo fundamental.

[00:04:53] Construir uma sociedade justa, livre e solidária.

[00:04:59] No inciso 3º desse mesmo artigo, está lá,

[00:05:03] é também objetivo fundamental da República Federativa do Brasil,

[00:05:07] erradicar, olha só, erradicar a pobreza e a marginalização

[00:05:14] e reduzir as desigualdades sociais e regionais.

[00:05:19] O artigo 5º, lá no caput,

[00:05:23] são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

[00:05:29] E, por fim, o artigo 145 da Constituição,

[00:05:33] que traz no seu bojo, no seu parágrafo,

[00:05:38] o princípio da capacidade contributiva,

[00:05:41] expressa no seguinte comando,

[00:05:43] sempre que possível os impostos terão caráter pessoal

[00:05:46] e serão graduados conforme a capacidade econômica das pessoas.

[00:05:52] Ou seja, os objetivos…

[00:05:53] Os objetivos fundamentais da República,

[00:05:56] que é de construir uma sociedade justa, livre e solidária,

[00:06:00] de erradicar a pobreza e a marginalização,

[00:06:03] reduzir as desigualdades sociais e regionais.

[00:06:06] O artigo 5º, de que todos são iguais perante a lei,

[00:06:09] sem distinção de qualquer natureza.

[00:06:10] E o artigo 145, seu parágrafo,

[00:06:13] de que os impostos serão graduados conforme a capacidade econômica.

[00:06:17] O nosso sistema tributário, Thiago e Letícia,

[00:06:20] faz o oposto disso.

[00:06:23] Ele não apenas…

[00:06:23] Não apenas não atende a esses preceitos,

[00:06:26] como ele confronta, ele briga, ele agride esses preceitos.

[00:06:33] O nosso sistema tributário nacional,

[00:06:35] ele aprofunda, agrava a pobreza, a miséria, a marginalização,

[00:06:40] ele aprofunda as desigualdades,

[00:06:43] ele não trata os cidadãos e cidadãs brasileiros de maneira igual,

[00:06:46] porque ele cobra mais de uns e menos de outros,

[00:06:49] e inversamente proporcional à sua capacidade econômica.

[00:06:52] Ou seja,

[00:06:53] o sistema tributário, inclusive, no princípio da capacidade contributiva,

[00:06:57] ele faz exatamente o caminho inverso.

[00:07:00] Ao invés de ele tributar conforme a capacidade econômica,

[00:07:03] ele faz o seguinte,

[00:07:04] ele cobra mais de quem tem menos capacidade econômica

[00:07:08] e menos de quem tem mais.

[00:07:10] O Brasil é, e a gente já conversou sobre isso,

[00:07:12] o paraíso fiscal dos ricos.

[00:07:15] O Brasil tem 206 bilionários,

[00:07:19] 206 bilionários que acumulam,

[00:07:22] tem uma riqueza de quase 1 trilhão e 300 bilhões de reais.

[00:07:29] Isso equivale a cerca de 18% do PIB do Brasil.

[00:07:34] Isso equivale mais ou menos a oito bolsas-famílias,

[00:07:38] oito valores anuais de bolsa-família,

[00:07:42] nas mãos de duas centenas de homens brancos,

[00:07:47] de machos escrotos,

[00:07:49] egoístas, ignorantes, etc.

[00:07:52] Essa gente não paga quase nada de imposto.

[00:07:57] Enquanto isso, quem vive do trabalho paga imposto.

[00:08:00] Então, nós recorremos ao STF até mesmo

[00:08:02] por não acreditarmos que o nosso Congresso Nacional,

[00:08:08] que majoritariamente,

[00:08:10] e merece todo o respeito do Congresso,

[00:08:13] é pela política que a gente vai encontrar as soluções do país,

[00:08:16] mas o Congresso representa majoritariamente essa gente.

[00:08:20] Esses 206.

[00:08:22] Que não querem pagar impostos.

[00:08:24] Então, a gente recorreu ao Supremo,

[00:08:26] espera que o Supremo Tribunal Federal, com essa DPF,

[00:08:30] reconheça esse estado de coisas inconstitucionais do sistema tributário

[00:08:35] e inste o Congresso brasileiro a fazer uma reforma,

[00:08:39] a reforma tributária que o país precisa.

[00:08:42] O que quer dizer?

[00:08:43] Cobrar mais das grandes rendas, da grande riqueza, do grande patrimônio

[00:08:49] e menos do consumo.

[00:08:51] É isso.

[00:08:52] Essa é a reforma tributária que o país precisa,

[00:08:55] ao invés de fazer a reforma tributária que os ricos desejam.

[00:08:59] Então, um pouco essa diferença, a gente espera que com essa ação,

[00:09:02] que é inédita na história do Supremo Tribunal Federal,

[00:09:06] a gente consiga mudar um pouco esse cenário tão ruim,

[00:09:12] inclusive de desigualdade crescente, permanente, contínua,

[00:09:20] de pobreza, de aumento da pobreza,

[00:09:22] a gente está no Brasil com 50 milhões de seres humanos,

[00:09:27] de homens e mulheres no Brasil,

[00:09:29] que ou estão desempregados ou estão em trabalho precário, em trabalho informal.

[00:09:35] Isso dá praticamente a metade de toda a população economicamente ativa no Brasil,

[00:09:41] que são as pessoas com idade de trabalhar.

[00:09:44] O Brasil tem 105 milhões de pessoas com idade para trabalhar,

[00:09:50] que é o que se chama de população economicamente ativa.

[00:09:53] E 50 milhões, ou seja, praticamente a metade delas está aí,

[00:09:57] desempregada, em trabalho informal, trabalho precário, desalentadas.

[00:10:02] Enfim, é disso que a gente está falando.

[00:10:04] É preciso mudar o sistema tributário brasileiro

[00:10:07] e a gente espera que o Supremo Tribunal Federal,

[00:10:10] na condição de guardião da Constituição,

[00:10:13] proteja a Constituição e diga ao Congresso,

[00:10:17] olha, façam a reforma tributária que o país precisa.

[00:10:20] Enfim, Letícia, Tiago, mais uma vez,

[00:10:23] muito obrigado pelo espaço que vocês nos concedem

[00:10:26] para discutir um tema tão importante, tão caro para a sociedade brasileira.

[00:10:30] E fico à disposição de vocês.

[00:10:33] E um abraço a todo mundo que forma essa comunidade do Pistolando.

[00:10:39] Um grande abraço.

[00:10:43] Letícia, Tiago, só uma errata.

[00:10:46] Eu preciso aqui deixar registrado para vocês,

[00:10:49] fazer uma correção.

[00:10:51] Eu, há pouco, quando me referi aos 206 bilionários

[00:10:55] que detêm uma riqueza equivalente a 1 trilhão e 300 bilhões de reais,

[00:11:03] eu disse que isso equivaleria a cerca de 8 valores anuais de Bolsa Família.

[00:11:09] Não. Essa conta está errada.

[00:11:12] Na verdade, é porque eu estava pensando no outro número.

[00:11:15] É claro que 1 trilhão e 300 bilhões

[00:11:18] é muito, mas muito mais que 8 Bolsas Família anuais.

[00:11:22] É porque eu lembrei de um outro dado que eu quero deixar registrado.

[00:11:25] É que esses 206 bilionários,

[00:11:28] que, repito, detêm uma riqueza de 1 trilhão e 300 bilhões,

[00:11:34] eles, em apenas um ano,

[00:11:37] entre março de 2018 e março de 2019,

[00:11:43] eles ganharam, Letícia e Tiago,

[00:11:46] o equivalente a 230 bilhões.

[00:11:50] Então, no intervalo de um ano,

[00:11:52] esses 206 ficaram mais ricos,

[00:11:56] cerca de 230 bilhões.

[00:11:59] Esses 230 bilhões, sim,

[00:12:03] equivalem a 8 Bolsas Família anuais.

[00:12:07] Então, vocês vejam o tamanho da fortuna.

[00:12:11] Eles não têm mais o buraco, viu, Letícia e Tiago,

[00:12:15] para enfiar tanto dinheiro.

[00:12:18] Sim, todos os buracos estão entupidos de dinheiro

[00:12:22] e não tem mais onde enfiar.

[00:12:24] Está certo?

[00:12:25] Mas eles não se cansam de ganhar dinheiro.

[00:12:27] Enfim, então eu só queria fazer essa retificação aí

[00:12:31] para que os ouvintes não ficassem com a impressão

[00:12:34] de que essa turma ganha só 8 Bolsas Família anuais.

[00:12:39] Não.

[00:12:40] Eles ganham muito mais do que isso.

[00:12:42] Um abraço mais uma vez.

[00:12:45] Tchau, tchau.

[00:13:15] Sejam muito bem-vindos, pistoleiros e pistoleiras.

[00:13:22] Esse é o Pistolando número 59.

[00:13:26] É isso mesmo?

[00:13:27] Teoricamente, sim.

[00:13:28] Sim, sim, sim, Salavinha.

[00:13:30] Então, oficialmente é o 59.

[00:13:32] A gente falou que é o 59.

[00:13:34] Ele pode não sair na hora do 59.

[00:13:36] Ele é o 59.

[00:13:38] Eu sou o Tiago Corrêa.

[00:13:40] Eu sou a Letícia Dacke.

[00:13:41] E hoje, assim, hoje a gente se superou.

[00:13:44] Porque o assunto é novela.

[00:13:46] Quem diria que depois de um episódio

[00:13:49] falando sobre as forças da ONU no Haiti,

[00:13:53] a gente viria com um episódio de novela, né?

[00:13:56] É bom, é bom para dar um contrastezinho

[00:13:58] e para a úlcera não corroer tanto assim.

[00:14:00] É, a gente deu uma variada bem legal aqui.

[00:14:03] E vamos ser um pouquinho mais específicos do que isso?

[00:14:07] O assunto de hoje é o livro Herói Mutilado,

[00:14:10] do Roque Santero e os bastidores da censura americana.

[00:14:14] A TV na Ditadura.

[00:14:15] E para falar sobre esse livro,

[00:14:17] nada mais, nada menos do que a própria autora.

[00:14:20] Seja muito bem-vinda, Laura Matos.

[00:14:23] Obrigada, Tiago.

[00:14:24] Obrigada, Letícia.

[00:14:26] Não é tão leve assim.

[00:14:28] Esse assunto que vocês estavam comemorando.

[00:14:31] Não é exatamente uma novela.

[00:14:33] Talvez uma novela, mas não é uma novela romântica, digamos assim.

[00:14:38] Não.

[00:14:39] Não é novela das seis de época com uma mocinha engraçadinha, né?

[00:14:43] Não, não é.

[00:14:44] Infelizmente, não.

[00:14:45] Mas prazer falar com vocês, gente.

[00:14:47] Estou à disposição.

[00:14:48] Fico feliz de falar sobre o meu livro.

[00:14:51] Enfim, eu comecei essa pesquisa em 2011.

[00:14:55] Lancei o livro no ano passado.

[00:14:58] E ao longo desses anos em que eu estava estudando a ditadura, a censura,

[00:15:04] no começo eu me senti olhando para o passado, estudando o passado.

[00:15:09] Ao longo dos anos,

[00:15:11] eu fui me impressionando com algumas relações que foram se estabelecendo entre o passado e o presente.

[00:15:19] E acabei lançando o livro num ano em que a gente…

[00:15:26] num momento em que a gente fala praticamente sobre censura o tempo inteiro, né?

[00:15:31] Infelizmente.

[00:15:32] Acabou.

[00:15:33] É por isso que a gente resolveu fazer esse episódio, né?

[00:15:36] Porque veio bem a calhar, inclusive com toda…

[00:15:39] Inclusive com a Regina Duarte.

[00:15:40] Sim.

[00:15:41] É sério, gente.

[00:15:42] O momento é muito propício para falar desse livro.

[00:15:44] Não, aqui a gente não dá ponto sem nó, não.

[00:15:47] Uma coisa que eu gostaria de deixar claro, até por uma questão de transparência com a audiência,

[00:15:52] é que a Laura, além de autora do livro e tal,

[00:15:57] ela é jornalista da Folha de São Paulo.

[00:15:59] Então, a gente não ia cometer a indelicadeza e a saia justa de fazer determinadas perguntas para ela

[00:16:06] justamente por conta de sua posição profissional.

[00:16:09] Então,

[00:16:10] pode ter gente que não entenda a diferença entre as posições dela,

[00:16:15] as posições editoriais da Folha e tal.

[00:16:18] Então, para evitar esse tipo de coisa, nós pedimos um reforço aqui,

[00:16:22] que é um senhor reforço, que esse vem com a coleira solta.

[00:16:29] Que é para dar o escolacho no governo mesmo.

[00:16:32] E seja muito bem-vindo nosso amigo Carapanã.

[00:16:36] Boa tarde, boa noite, bom dia pistoleiros e pistoleiras.

[00:16:39] É um prazer estar aqui.

[00:16:42] Agradeço demais o convite, mas queria dizer que hoje eu estou calmo, tranquilo.

[00:16:47] Pô, tu não estava no contrato.

[00:16:53] Não, não.

[00:16:54] Eu estou inclusive super empolgado de participar disso,

[00:16:58] porque como um fã da novela Rock Santero,

[00:17:02] é por isso que eu estou aqui, né?

[00:17:04] Um cara que fica assistindo reprises no YouTube, no Canal Viva.

[00:17:08] Meu Deus!

[00:17:10] Pois é, não, eu estou brincando.

[00:17:12] Mas fica, eu agradeço demais o convite.

[00:17:15] Olha, eu não sei até que ponto isso é brincadeira,

[00:17:17] porque isso já faz parte da mitologia do Virakazakas, né?

[00:17:21] Já teve algumas conversas sobre novelas aí em off,

[00:17:27] e não em off também, alguma coisa que foi para o ar aí sobre o Carapanã falando de novelas.

[00:17:32] Então, está sendo bem apropriada a sua participação aqui.

[00:17:36] Mas vamos para o que interessa, né?

[00:18:06] O livro, efetivamente, ele tem cerca de três, quatro meses de lançamento pela Companhia das Letras, né?

[00:18:28] Mas a tese que gerou o livro já tem cerca de dois anos, é isso, Laura?

[00:18:32] Isso mesmo, é.

[00:18:33] Eu defendi a dissertação de mestrado, né?

[00:18:35] Eu defendi a dissertação de mestrado lá na USP em 2016.

[00:18:39] E depois esse livro, ele…

[00:18:43] A história é mais ou menos assim.

[00:18:45] Eu comecei a pesquisa em 2011, num período sabático que eu tirei na Folha,

[00:18:51] por ter um bom tempo já de casa.

[00:18:55] Eles tinham essa política, né?

[00:18:57] De deixar alguns profissionais em período sabático para algum projeto e tudo mais.

[00:19:04] Então, eu comecei a…

[00:19:05] Eu cobria, atualmente, televisão, fazia 11 anos.

[00:19:08] E aí, do período sabático, eu comecei a…

[00:19:11] A história da TV.

[00:19:13] Eu pensava em fazer alguma biografia.

[00:19:16] Sou muito fã de biografias.

[00:19:18] Tenho esse sonho de fazer uma biografia.

[00:19:20] Então, eu comecei a fazer esse estudo.

[00:19:24] Acabei caindo no Dias Gomes, me concentrando.

[00:19:27] E esse recorte, né?

[00:19:29] Da novela Roque Santero, que a gente pode explicar melhor já já.

[00:19:34] Mas só para chegar no mestrado e depois no livro.

[00:19:38] Então, o projeto começou com a ideia de fazer um livro reportagem.

[00:19:42] Então, eu fiz toda a coleta de informação, a pesquisa, com esse olhar, assim.

[00:19:47] Aí, ao longo…

[00:19:48] Voltei para a redação, acabou o sabático.

[00:19:50] Não consegui tocar durante algum tempo.

[00:19:53] E até que eu resolvi…

[00:19:55] Eu senti uma vontade, assim, de voltar para a universidade, para a academia.

[00:20:01] E pensei em transformar essa…

[00:20:03] Pesquisa do livro reportagem em um projeto de pesquisa para o mestrado, né?

[00:20:09] Assim, eu fiz e foi ótimo.

[00:20:13] Melhor caminho que eu poderia ter feito, porque…

[00:20:16] Nessa mudança de perspectiva, eu acho que…

[00:20:21] Eu ganhei bastante ferramentas, assim, para…

[00:20:25] Enfim, para produzir esse livro de uma maneira mais adequada, né?

[00:20:31] Com uma metodologia mais aprofundada do que com o que eu já carregava ali

[00:20:38] ao longo de anos de redação de jornal diário e tudo mais.

[00:20:42] Claro que as coisas se completavam, né?

[00:20:46] E se somavam.

[00:20:47] Mas o mestrado me ajudou a ter um mergulho mais profundo, assim.

[00:20:53] Uma metodologia mais interessante para construir essa história, né?

[00:20:57] E aí, eu fiz o mestrado, só que também já buscando lá…

[00:21:00] Mesmo na dissertação conciliar aquela linguagem de pesquisa acadêmica

[00:21:07] que é obrigatória e tudo mais com…

[00:21:10] Enfim, a minha origem de jornalista, né?

[00:21:15] Com o texto de reportagem e tudo mais.

[00:21:17] E aí, foi assim que a minha dissertação.

[00:21:21] Aí, depois, a Companhia das Letras se interessou em lançar.

[00:21:25] Então, a gente fez uma…

[00:21:26] Assim, eu fiz uma versão, né?

[00:21:29] Da dissertação.

[00:21:30] Mas que é muito semelhante.

[00:21:32] Só que nessa…

[00:21:34] No livro, eu realmente abandono a linguagem acadêmica, né?

[00:21:39] Me concentro numa linguagem jornalística.

[00:21:42] Aprofundo mais histórias mais interessantes.

[00:21:45] E a narrativa ganha, assim, uma fluência

[00:21:50] que tem mais a cara de um livro que não seja acadêmico.

[00:21:54] Assim, ainda que ele possa se configurar também como acadêmico.

[00:21:57] Mas foi esse o percurso, assim, para esse livro.

[00:21:59] Para esse livro ser lançado.

[00:22:00] E essa é a relação entre a dissertação e o livro.

[00:22:05] Alguma razão especial para que o tema fosse o Dias Gomes?

[00:22:10] Então, eu comecei a estudar a história da TV, né?

[00:22:13] E, enfim…

[00:22:15] Quando eu cheguei no Dias Gomes, eu achei um personagem incrível, né?

[00:22:21] Ele foi um dos…

[00:22:25] Assim, ele e a Jeanette Clerc, que era a mulher dele.

[00:22:28] E isso é muito saboroso na história, né?

[00:22:31] Que era um casal e tudo mais.

[00:22:33] Eles foram os pilares da teledramaturgia brasileira, né?

[00:22:37] E aí, tem toda uma história política.

[00:22:40] Ele era membro do Partido Comunista.

[00:22:43] E aí, a história dele conta…

[00:22:45] Através da história dele, a gente conta a história do teatro.

[00:22:50] De como a ditadura se estabeleceu no teatro.

[00:22:53] E de como esses dramaturgos que eram comunistas…

[00:22:57] Ou, pelo menos…

[00:22:59] Mesmo que não fossem comunistas ou ligados ao partido, eram de esquerda.

[00:23:04] Foram para a televisão, né?

[00:23:07] E que isso sedimentou, assim, a teledramaturgia brasileira.

[00:23:11] Então, eu achei o personagem muito interessante.

[00:23:14] A princípio, eu pensei numa biografia mesmo.

[00:23:17] Mas eu fiquei um pouco insegura.

[00:23:19] Porque eu tinha uma concorrência muito forte.

[00:23:22] Que era do próprio Dias Gomes.

[00:23:24] Porque ele fez uma autobiografia, né?

[00:23:26] Então…

[00:23:27] E aí, me deparei também com essa história.

[00:23:30] Que é a história do livro.

[00:23:33] Que é…

[00:23:35] O que acontece com o Roque Santero, né?

[00:23:37] O que a gente tem na memória afetiva, até, do Brasil.

[00:23:41] Assim, em relação ao Roque Santero.

[00:23:43] Um fenômeno de audiência.

[00:23:44] Uma novela maravilhosa.

[00:23:46] Inesquecível.

[00:23:47] E tudo mais, né?

[00:23:49] Mas eu não imaginava que existia toda uma novela por trás dessa novela.

[00:23:55] Essa novela começou como uma peça.

[00:24:00] Em 1965, censurada no dia da estreia.

[00:24:05] No começo da ditadura.

[00:24:07] Em 1975, o Dias Gomes fez uma versão pra telenovela.

[00:24:12] Como ele fez de várias…

[00:24:14] Como era o método dele mesmo.

[00:24:17] Fazer versões das peças pras telenovelas.

[00:24:20] Que foi censurada de uma maneira, assim…

[00:24:23] Completamente improvável.

[00:24:25] Assim, inesperada.

[00:24:26] Surpreendente.

[00:24:28] Ainda que a gente estivesse na ditadura.

[00:24:30] Mas uma novela da Globo ser censurada da forma que foi.

[00:24:34] Foi uma ruptura muito…

[00:24:36] Enfim…

[00:24:38] Interessante, assim.

[00:24:40] E depois, quando ela foi ao ar.

[00:24:42] Em 1985, virou um fenômeno de audiência.

[00:24:46] E aí, foi…

[00:24:47] A gente tem, assim, né?

[00:24:49] Na memória.

[00:24:50] Que ela foi um símbolo da volta da liberdade de expressão.

[00:24:54] E aí, eu acho que o mais curioso desse percurso é que…

[00:24:59] Quando eu fui pesquisar.

[00:25:01] Eu descobri que essa parte de 1985.

[00:25:06] Que a gente já estava na redemocratização.

[00:25:09] Guarda um calhamaço de documentos na censura.

[00:25:14] Porque a novela seguiu sendo muito censurada.

[00:25:17] O que não foi explorado na época.

[00:25:20] Não veio à tona.

[00:25:21] E nem ficou pro nosso registro.

[00:25:23] Pro nosso registro histórico, assim.

[00:25:25] Então, eu achei esse recorte dessa obra.

[00:25:30] Com esses três momentos.

[00:25:32] Que através dele a gente poderia contar um pouco da história da ditadura.

[00:25:38] Porque a censura acontece exatamente em 65, 75 e 85.

[00:25:43] A ditadura vai de 64 a 85.

[00:25:47] Então, é começo, meio e fim.

[00:25:49] Da ditadura.

[00:25:50] Com toda a história da implantação.

[00:25:52] Da indústria televisiva no Brasil.

[00:25:57] E é um pouco a história do Brasil mesmo.

[00:26:01] Então, foi por aí.

[00:26:03] O Dias Gomes me chamou a atenção.

[00:26:05] Em razão desses motivos.

[00:26:07] É um personagem muito rico.

[00:26:10] E é uma pessoa que acabou sendo subestimada na nossa cultura.

[00:26:18] Ele é muito atual.

[00:26:20] A obra dele.

[00:26:21] Especialmente no Brasil de hoje, assim.

[00:26:24] Ela é muito atual.

[00:26:27] Mas é um cara que não tem, assim.

[00:26:31] Eu acho que a gente não consegue dar o valor que ele tem.

[00:26:34] De fato, assim.

[00:26:35] Na cultura nacional, né?

[00:26:37] Eu acho que se fala muito dele como um ótimo autor ponto.

[00:26:40] De novela e tal.

[00:26:41] De novelas que fizeram sucesso.

[00:26:42] Mas essa questão toda de informação.

[00:26:44] E de censura.

[00:26:45] Disso, daquilo.

[00:26:46] Nunca.

[00:26:47] Não costuma aparecer muito, né?

[00:26:49] É, então.

[00:26:50] É difícil entender.

[00:26:52] Por que que ele não é.

[00:26:54] Eu, na minha visão.

[00:26:55] Ele não é valorizado como deveria ser, né?

[00:26:58] Pode ter a ver com justamente essa questão.

[00:27:01] De ele ter sido autor de novela.

[00:27:04] De ele ter sido mais consagrado.

[00:27:08] Porque, de fato, ele começou a ser consagrado.

[00:27:10] Como dramaturgo.

[00:27:11] Quando o filme baseado na obra dele.

[00:27:14] O Pagador de Promessas.

[00:27:15] Ganhou o Festival de Cannes em 62.

[00:27:17] Aí ele começou a ser um autor.

[00:27:19] Um dramaturgo respeitado.

[00:27:21] Não só no Brasil.

[00:27:22] Como internacionalmente.

[00:27:24] Mas aí houve essa migração.

[00:27:26] Que foi imposta pela censura.

[00:27:28] Também.

[00:27:30] Não dá para dizer que foi o único motivo.

[00:27:32] Mas que isso está na equação.

[00:27:35] E existia todo um desconforto.

[00:27:39] Com essa incorporação.

[00:27:42] Dos dramaturgos comunistas pela televisão.

[00:27:47] Tanto.

[00:27:48] Tanto da esquerda.

[00:27:50] Como na TV.

[00:27:52] Na própria TV.

[00:27:53] Então acho que isso gerou um ruído.

[00:27:57] Que era incômodo para ele, inclusive.

[00:27:59] Isso eu trago no livro.

[00:28:01] Eu tive acesso a um diário.

[00:28:03] Que nunca foi publicado.

[00:28:05] Que ele escreveu justamente entre 59 e 62.

[00:28:08] Quando ele fez as peças mais importantes.

[00:28:10] Ele definiu a base da dramaturgia dele.

[00:28:13] E ele deixa muito claro.

[00:28:15] Como era difícil.

[00:28:17] Conciliar esses dois papéis.

[00:28:21] De militante.

[00:28:23] De comunista mesmo.

[00:28:25] E de celebridade.

[00:28:29] Digamos assim.

[00:28:30] De certa maneira.

[00:28:31] Entendeu?

[00:28:32] E como é que deixaram a versão de 75 quase acontecer.

[00:28:35] Mesmo sabendo que ele era um comunistaço e tal.

[00:28:38] Você diz a censura ou a Globo?

[00:28:41] A censura também.

[00:28:42] E a Globo.

[00:28:43] Sabendo que a Globo sempre esteve do lado do establishment.

[00:28:45] Não.

[00:28:46] Porque ele estava fazendo novelas de sucesso.

[00:28:50] Ele foi para a Globo em 69.

[00:28:52] E estava fazendo.

[00:28:54] Já tinha feito novelas de sucesso.

[00:28:56] Já tinha feito inclusive o Bem Amado.

[00:28:58] Que a primeira versão.

[00:29:01] Não a série que a gente lembra mais.

[00:29:03] Que tinha sido.

[00:29:05] Enfim.

[00:29:06] Sempre foram sucessos de audiência.

[00:29:09] E obviamente.

[00:29:11] Nessa transposição.

[00:29:14] Não é só no caso do Dias Gomes.

[00:29:16] Mas enfim.

[00:29:17] É uma característica desse momento.

[00:29:20] Nessa transposição.

[00:29:22] A televisão.

[00:29:23] Tem um sociólogo que é da Unicamp.

[00:29:26] Que eu me baseei muito na pesquisa dele.

[00:29:29] Ele trocamos bastante.

[00:29:32] Ele me ajudou bastante.

[00:29:34] E ele fala isso.

[00:29:35] De como.

[00:29:37] Ele chama de brasilidade revolucionária.

[00:29:40] Que era toda aquela coisa das artes.

[00:29:42] De esquerda.

[00:29:43] Da hegemonia.

[00:29:45] Da arte de esquerda.

[00:29:47] Naquele momento.

[00:29:49] Como ela foi incorporada.

[00:29:51] E de certa forma ela se diluiu na indústria de TV.

[00:29:53] Porque a indústria de TV.

[00:29:55] Em razão da linguagem.

[00:29:57] Enfim.

[00:29:59] Da audiência.

[00:30:01] E isso.

[00:30:03] É interessante pensar.

[00:30:05] Porque tem tudo a ver.

[00:30:07] Com a relação.

[00:30:09] Entre a televisão.

[00:30:11] E a ditadura.

[00:30:13] E a ditadura militar.

[00:30:15] Porque a ditadura também queria.

[00:30:17] Todo mundo fala.

[00:30:19] A TV se beneficiaram.

[00:30:21] Da ditadura.

[00:30:23] E de fato se beneficiaram.

[00:30:25] Como inclusive outros.

[00:30:27] Ramos da indústria cultural.

[00:30:29] Mas.

[00:30:31] O que acontece.

[00:30:33] Esse crescimento.

[00:30:35] Que a TV teve.

[00:30:37] Que era interessante para a ditadura.

[00:30:39] Porque ela queria um veículo.

[00:30:41] Que pudesse ser nacional.

[00:30:43] Que pudesse unificar o território nacional.

[00:30:45] E facilitar o controle.

[00:30:47] Político.

[00:30:49] Também era uma.

[00:30:51] Digamos assim.

[00:30:53] Ela também queria a televisão.

[00:30:55] Como um aliado controlado.

[00:30:57] Um aliado.

[00:30:59] Na verdade.

[00:31:01] Ela queria a televisão como um aliado.

[00:31:03] Não necessariamente.

[00:31:05] Era assim a relação.

[00:31:07] Simplificar dizer que era aliada da ditadura.

[00:31:09] Então eu fui indo.

[00:31:11] Sei lá da onde que eu parti.

[00:31:13] Para chegar no que eu estou falando agora.

[00:31:15] Mas me perguntaram.

[00:31:17] Alguma coisa que eu não sei.

[00:31:19] Por que eu cheguei.

[00:31:21] Não consigo voltar mais.

[00:31:23] A gente vai concatenando os assuntos.

[00:31:25] E não tem muito disso não.

[00:31:27] Mas uma coisa que eu acho muito curioso.

[00:31:29] Desculpa só um pouquinho.

[00:31:31] Eu fiquei feliz.

[00:31:33] A Letícia me perguntou.

[00:31:35] Como que deixaram.

[00:31:37] Então assim.

[00:31:39] Desculpa interromper você Tiago.

[00:31:41] Imagina.

[00:31:45] Então assim.

[00:31:47] Os dramaturgos estavam na televisão.

[00:31:49] Os comunistas.

[00:31:51] Tem a clássica frase.

[00:31:53] Que é real.

[00:31:55] Do Roberto Marinha.

[00:31:57] Dos meus comunistas cuido eu.

[00:31:59] É uma realidade.

[00:32:01] Existia essa relação de fato.

[00:32:03] Entre a televisão.

[00:32:05] E os comunistas.

[00:32:07] E eles tinham todo o interesse.

[00:32:09] Nos comunistas.

[00:32:11] Porque os comunistas eram.

[00:32:13] Todos esses talentosos autores.

[00:32:15] Daquela época.

[00:32:17] Produtores.

[00:32:19] Era todo mundo de esquerda.

[00:32:21] Não tinha muito como você achar quem não fosse.

[00:32:23] Então eles sabiam fazer aquilo.

[00:32:25] Eles que criaram tudo isso.

[00:32:27] Então era super interessante.

[00:32:29] Para Globo.

[00:32:31] Colocar uma novela.

[00:32:33] Que ia dar uma baita audiência.

[00:32:35] E para a TV.

[00:32:37] E para a ditadura.

[00:32:39] Aí que está.

[00:32:41] Era esse jogo de controle.

[00:32:43] Episódio a episódio.

[00:32:45] Frase a frase.

[00:32:47] Edição a edição.

[00:32:49] De telejornal.

[00:32:51] Mas também obviamente.

[00:32:53] Quando interessava.

[00:32:55] Eles determinavam.

[00:32:57] Uma ordem.

[00:32:59] Principalmente no jornalismo.

[00:33:01] Vocês vão exibir isso desse jeito.

[00:33:03] Esse vídeo vai sair assim.

[00:33:05] Mas.

[00:33:07] Eles fizeram.

[00:33:09] Eles puderam fazer muita coisa.

[00:33:11] Eles fizeram a teledramaturgia.

[00:33:13] E por ali também.

[00:33:15] Muita coisa foi criticada.

[00:33:17] Eu brinco que no livro.

[00:33:19] Eu falo que os comunistas.

[00:33:21] A TV e a ditadura.

[00:33:23] Eles formavam um triângulo amoroso.

[00:33:25] De alta voltagem.

[00:33:27] Todos tinham algum interesse comum.

[00:33:29] Que era.

[00:33:31] Essa representação.

[00:33:33] Enfim.

[00:33:35] Que era esse veículo muito poderoso.

[00:33:37] Eles tinham interesse nesse veículo.

[00:33:39] A TV tinha interesse nessa audiência.

[00:33:41] Que era gerada pelos produtos.

[00:33:43] Criados pelos autores comunistas.

[00:33:45] E a ditadura também tinha interesse.

[00:33:47] Nessa identidade nacional.

[00:33:49] Que foi criada de certa forma.

[00:33:51] Pela televisão.

[00:33:53] Pela teledramaturgia.

[00:33:55] Era difícil.

[00:33:57] Era um jogo de forças.

[00:33:59] E aí.

[00:34:01] Eles faziam as coisas.

[00:34:03] E as coisas passavam.

[00:34:05] Mas nesse caso do Roxanteiro.

[00:34:07] Não passou.

[00:34:09] Uma coisa que eu acho muito interessante desse período.

[00:34:11] E não é nem uma questão só do Dias Gomes.

[00:34:13] Dá para notar isso.

[00:34:15] Em outros escritores.

[00:34:17] Dramaturgos da época.

[00:34:19] Até no próprio Jorge Amado.

[00:34:21] Que além de.

[00:34:23] Eles terem essa.

[00:34:25] Ideologia de esquerda.

[00:34:27] Eles sempre encararam isso.

[00:34:29] Inclusive você conta no livro.

[00:34:31] A forma de fazer.

[00:34:33] Esse tipo de espetáculo.

[00:34:35] Mais chanchada.

[00:34:37] Mais burlesco.

[00:34:39] Mais extremamente popular.

[00:34:41] Eles entendiam isso.

[00:34:43] Como uma forma muito específica.

[00:34:45] De militância.

[00:34:47] E até é alguma coisa.

[00:34:49] Que a gente vê hoje.

[00:34:51] De uma certa forma.

[00:34:53] Porque algumas pessoas.

[00:34:55] Falam sobre a fórmula Globo.

[00:34:57] De fazer novelas.

[00:34:59] E eu acho que até o Carapano.

[00:35:01] Pode me ajudar a entender essa parte.

[00:35:03] Todo mundo fala daquela fórmula.

[00:35:05] De fazer novelas da Globo.

[00:35:07] E a seis é de época.

[00:35:09] Bobinha.

[00:35:11] Sete é mais comédia.

[00:35:13] Oito jornal.

[00:35:15] Nove ou dez.

[00:35:17] Entra o filé mesmo.

[00:35:19] O prato principal.

[00:35:21] E essa tem que ter um amorzinho.

[00:35:23] E tem que ter um tema.

[00:35:25] Que aparentemente.

[00:35:27] É aquele negócio sério.

[00:35:29] Que vai ser levado.

[00:35:31] A recorrer da história.

[00:35:33] Porque você tem que mostrar um certo tipo.

[00:35:35] De engajamento social.

[00:35:37] Completamente fabricado.

[00:35:39] De que essa novela veio para discutir.

[00:35:41] Um tema sério tal.

[00:35:43] E esse é o formato que se vê hoje.

[00:35:45] Mas quando você vê isso.

[00:35:47] Por exemplo no Bem Amado.

[00:35:49] Ou no Rock Santeiro e tal.

[00:35:51] Elas eram muito escrachadas.

[00:35:53] E elas não estavam ali.

[00:35:55] Para discutir um tema tal.

[00:35:57] Elas colocavam coisas.

[00:35:59] De uma forma bastante subversiva.

[00:36:01] E deixavam isso.

[00:36:03] Para que fosse entendido.

[00:36:05] Muito subjetivamente.

[00:36:07] Pelo público.

[00:36:09] Inclusive a ponto de o Bem Amado.

[00:36:11] Se tornar uma comédia mesmo.

[00:36:13] As pessoas não conseguirem mais.

[00:36:15] Reconhecer.

[00:36:17] Naquele político ali.

[00:36:19] A caricatura.

[00:36:21] Que estava sendo pintada.

[00:36:23] Parecia só uma caricatura.

[00:36:25] Tal qual um personagem.

[00:36:27] Da escolinha do professor Raimundo.

[00:36:29] Que tristeza.

[00:36:31] Eu não sei.

[00:36:33] Eu não sei se o Carapanã quer comentar alguma coisa.

[00:36:35] O Carapanã fica livre para perguntar também.

[00:36:37] Por favor.

[00:36:39] Eu quero ouvir.

[00:36:41] Eu estou até anotando aqui.

[00:36:43] Eu não sei.

[00:36:45] Você fez uma reflexão.

[00:36:47] Uma reflexão sua.

[00:36:49] Sobre.

[00:36:51] A história.

[00:36:53] Da teledramaturgia.

[00:36:55] Uma conexão com a teledramaturgia atual.

[00:36:57] Eu não acompanho.

[00:36:59] Eu descobri a novela há muito tempo.

[00:37:01] Depois que eu parei de descobrir.

[00:37:03] Eu dei um tempo.

[00:37:05] Tem um tempo.

[00:37:07] Que já tem anos.

[00:37:09] Eu não estou acompanhando as novelas.

[00:37:11] Eu não sei como.

[00:37:13] Eu não posso falar sobre a atualidade.

[00:37:15] Enfim.

[00:37:17] Eu não sei se a gente está.

[00:37:19] Concordando ou discordando exatamente.

[00:37:21] Mas eu acho que.

[00:37:23] As novelas daquela.

[00:37:25] Dos anos 70.

[00:37:27] De Ana de Clara e outros.

[00:37:29] Laura César Muniz.

[00:37:31] Braulio Pedroso.

[00:37:33] De fato traziam.

[00:37:35] Uma reflexão sobre o país mesmo.

[00:37:37] É claro que isso.

[00:37:39] É colocado.

[00:37:41] Tinha que ser colocado.

[00:37:43] Num formato.

[00:37:45] Num formato.

[00:37:47] De um produto.

[00:37:49] Que é um produto para massa.

[00:37:51] Muito mais do que é hoje.

[00:37:53] Porque hoje.

[00:37:55] A gente já não tem uma audiência de massa.

[00:37:57] Que a audiência da TV aberta.

[00:37:59] Seja gigantesca.

[00:38:01] Mas a gente já tem.

[00:38:03] Hoje a gente já sabe que é.

[00:38:05] A gente fala de audiências de nicho.

[00:38:07] E tudo mais.

[00:38:09] Naquele momento.

[00:38:11] Você tinha que agradar todo mundo.

[00:38:13] E esse era um.

[00:38:15] Enfim.

[00:38:17] Era um complicador.

[00:38:19] De alguma forma.

[00:38:21] E isso dificultava.

[00:38:23] Muito.

[00:38:25] Enfim.

[00:38:27] Os governadores.

[00:38:29] Do Partido Comunista.

[00:38:31] Eles tiveram muita dificuldade de lidar.

[00:38:33] Com isso.

[00:38:35] E tiveram muito preconceito.

[00:38:37] No início.

[00:38:39] Até que eles resolveram entender.

[00:38:41] Que aquilo era imperdível.

[00:38:43] Para eles na verdade.

[00:38:45] Aquele veículo.

[00:38:47] Aquela oportunidade.

[00:38:49] Do ponto de vista político.

[00:38:51] Era imperdível.

[00:38:53] Além de ser.

[00:38:55] a teoria da brecha, quer dizer, da infiltração,

[00:38:57] a gente vai se infiltrar nesse veículo

[00:38:59] e vai usar esse veículo para colocar nossas ideias,

[00:39:06] para iluminar, digamos assim, o público, a audiência,

[00:39:12] e o Dias Gomes teve muito esse dilema no começo,

[00:39:19] mas ele foi adotando um discurso ao longo dos anos

[00:39:24] que dizia assim, olha, eu e meus amigos, a minha turma,

[00:39:30] queríamos fazer um teatro político, popular,

[00:39:35] e a gente fazia para meia dúzia de pessoas da elite esse teatro,

[00:39:39] porque quem ia ao teatro ver aquilo?

[00:39:42] Agora, como é que eu vou dispensar uma plateia

[00:39:45] ou subestimar uma plateia que tem todas as classes sociais,

[00:39:53] enfim, todos os…

[00:39:54] Todos os extratos, tem tudo, está tudo ali,

[00:39:56] está o intelectual, o formador de opinião,

[00:40:00] o trabalhador da construção civil, está todo mundo vendo novela.

[00:40:06] Então, assim, só um pouco complementando,

[00:40:10] você falou alguma coisa do bem amado, de a comédia,

[00:40:15] um pouco, pelo que eu entendi, cortar aquela proposta,

[00:40:22] ou se sobrepor à proposta política de crítica?

[00:40:28] Eu não diria nem cortar, é que ela foi maquiada de uma forma

[00:40:32] para que esse político fosse caricato o suficiente

[00:40:35] para passar pela ditadura, mas que não fosse tão caricato

[00:40:40] a ponto de a própria população perder a referência

[00:40:44] de quem são aquelas caricaturas do típico cara

[00:40:49] que ainda é uma cria de um coronelismo,

[00:40:52] o cara que acha que pode fazer o que for.

[00:40:55] E, curiosamente, o bem amado tem coisas sensacionais,

[00:40:59] como, por exemplo, a manifestação totalmente espontânea

[00:41:05] que é comunicada muito anteriormente.

[00:41:11] Por exemplo, você tem interferências na justiça o tempo todo,

[00:41:15] você tem coisas que acontecem nos nossos noticiários o tempo todo.

[00:41:18] Não, o Dorico Paraguaçu é muito…

[00:41:22] É que fizeram, a CBN fez aquele…

[00:41:24] Não sei se ainda está tendo, parei de ouvir, na verdade.

[00:41:27] Foi o Thiago até que me sugeriu.

[00:41:28] Então, a CBN estava fazendo uma paródia mesmo,

[00:41:33] era uma coisa bem curtinha, que eles pegavam trechos do bem amado

[00:41:36] e tal, não sei o quê, que batiam perfeitamente

[00:41:38] com o que tinha acontecido naquele dia na política brasileira.

[00:41:41] Você ficava, cara, não é possível.

[00:41:43] Exatamente, o nome é Rádio Sucupira.

[00:41:45] Rádio Sucupira, é verdade.

[00:41:46] Rádio Sucupira.

[00:41:47] Mas a gente, a realidade sempre supera a ficção, né?

[00:41:51] Sempre, nossa.

[00:41:52] Não tem menor dúvida.

[00:41:53] Agora, o Dorico Paraguaçu é…

[00:41:56] É inacreditável esse personagem, né?

[00:41:59] É maravilhoso, assim.

[00:42:00] Mas o caos que dá origem a ele é sensacional, né?

[00:42:03] Também.

[00:42:04] Você conta essa parte no livro e o caos é muito bom.

[00:42:08] Que é só para todos os nossos milhares de ouvintes

[00:42:12] entenderem o que a gente está falando.

[00:42:15] Mas serão milhares mesmo, né, gente?

[00:42:18] Poucos, mas são milhares.

[00:42:20] Chegamos aos milhares, mas são poucos por enquanto.

[00:42:22] Mas são milhares.

[00:42:22] Com certeza.

[00:42:23] Não é uma ironia que eu fiz, eu estou falando sério.

[00:42:27] Mas, enfim, o caos do Dorico é que foi baseado

[00:42:32] numa história real de um prefeito que coloca

[00:42:37] a construção de um cemitério como plataforma…

[00:42:40] Assim, a campanha política dele trabalha muito com isso, né?

[00:42:44] Vende muito isso e aí ele é eleito e constrói o cemitério e tal.

[00:42:49] E aí não morre ninguém na cidade, né?

[00:42:51] Para ele inaugurar o cemitério e aí ele fica…

[00:42:54] Isso é muito bom.

[00:42:55] É muito Brasil isso.

[00:42:56] Jogueiro público.

[00:42:59] Tudo mais que ninguém morre, né?

[00:43:01] É engraçado.

[00:43:03] Veja este pobre homem.

[00:43:06] Vetusto cidadão dessa cidade.

[00:43:10] Morreu com quase cem anos.

[00:43:12] Aqui viveu.

[00:43:14] Aqui nasceu.

[00:43:16] Aqui teve filho.

[00:43:18] Aqui construiu família.

[00:43:20] Nunca morreu.

[00:43:21] Nunca saiu daqui.

[00:43:23] Mas agora, depois de morto, ele é obrigado a emigrar.

[00:43:28] Botam o corpo dele dentro de uma rede

[00:43:32] e lá vai ele balançando a sua difuntice

[00:43:36] através de três léguas

[00:43:38] para ser enterrado em terra estrangeira

[00:43:41] no meio de estranha gente.

[00:43:44] Pode esse homem dormir sossegado, santo eterno?

[00:43:48] Pode!

[00:43:48] Pode!

[00:43:49] Pode!

[00:43:50] Pode!

[00:43:50] Pode!

[00:43:50] Pode!

[00:43:50] Pode!

[00:43:50] Pode!

[00:43:50] Pode!

[00:43:51] Pode!

[00:43:51] Pode!

[00:43:51] Pode!

[00:43:51] Pode!

[00:43:51] Pode!

[00:43:52] Pode!

[00:43:52] Pode!

[00:43:52] Pode!

[00:43:52] Pode!

[00:43:52] Pode!

[00:43:52] Pode!

[00:43:53] Não!

[00:43:53] Não!

[00:43:53] Não!

[00:43:54] Não!

[00:43:54] Não!

[00:43:55] Meus conterrâneos de Sucupira!

[00:44:00] Essa cidade não pode continuar nessa situação!

[00:44:08] Na atual conjuntura,

[00:44:12] a gente tem que fazer o cemitério municipal!

[00:44:19] É assim, o Odorico,

[00:44:20] é assim, o Odorico,

[00:44:20] é assim, o Odorico,

[00:44:20] é assim, o Odorico,

[00:44:21] O Odorico, esse calcinhozinho, eles são personagens para questionar esse coronelismo,

[00:44:31] que é algo muito presente na obra do Dias Gomes, esse chefe,

[00:44:36] até às vezes até informal das pequenas cidades, principalmente no Nordeste e tudo mais.

[00:44:41] E assim, durante muito tempo, a ditadura também liderava a crítica a essa figura da política nacional,

[00:44:53] crítica interessante para a ditadura, que tem uma imagem de modernidade,

[00:45:00] que fosse superior a esse.

[00:45:05] Então, não era algo que eles sentiam como mais ao longo do mundo, foi semistórico.

[00:45:11] E aí, obviamente, claro, o avanço dessa dramaturgia de idades era o micro-uso do Brasil,

[00:45:22] mas isso também não é claro.

[00:45:25] Carapana, essa questão do…

[00:45:27] Eu queria perguntar uma coisa para o Carapana, voltando ainda à questão da censura e tal,

[00:45:32] como é que você vê que mudou, se é que mudou ao longo dos anos,

[00:45:38] o modo operando da direita em termos de policiamento,

[00:45:41] das obras e que tipo de preocupação tinham e hoje não tem mais, ou vice-versa?

[00:45:49] Você vê uma mudança na maneira deles tratarem uma determinada obra

[00:45:52] como pessoa não grata, digamos assim, uma coisa desse tipo,

[00:45:57] ou você acha que é mais ou menos a mesma coisa, não mudou muito?

[00:45:59] Não, tem uma coisa que a Laura fala que eu acho que é muito interessante,

[00:46:03] é como a pesquisa dela dialoga com o que a gente está vivendo agora.

[00:46:06] Eu acho que de uma maneira bem direta, assim.

[00:46:09] Sim.

[00:46:10] É bem interessante.

[00:46:11] Então, tem uma coisa que eu acho curiosa, e depois eu queria que a Laura falasse mais sobre isso,

[00:46:16] por favor, mas é um pouco sobre como a censura, muitas vezes ali no começo,

[00:46:20] ela é focada em cima do teatro, e eu fico sempre pensando quem ia ao teatro nessa época.

[00:46:27] Eu sempre fico pensando por que censurar uma coisa que talvez era tão pequena

[00:46:32] ou tão, talvez, inexpressiva dentro de um, sei lá, talvez…

[00:46:37] É uma coisa que me chama a atenção toda vez, porque a ideia é…

[00:46:41] É uma coisa da censura da peça de teatro, e se eu não me engano, a Laura, por favor, me diga se eu estou errado,

[00:46:47] mas eu acho que Rock Santero foi censurada a primeira vez na década de 70,

[00:46:51] porque descobriram que era baseado na peça do Dias Gomes, que tinha sido censurada, né.

[00:46:56] E eu vejo que, cara, essa questão aí é um negócio que eu acho curioso, assim,

[00:47:04] porque isso volta para algo que a gente está vendo o tempo todo, né, dito aí por ministros de Estado,

[00:47:10] mas essa ideia de uma…

[00:47:11] Abre aspas, restauração cultural, que, aparentemente, a direita, essa direita brasileira que está no poder,

[00:47:18] poderia fazer, e que, por estranhas coincidências, inclui discursos ipsis literis do Joseph Goebbels,

[00:47:27] que é o ministro da propaganda nazista.

[00:47:28] Só coincidência, só coincidência.

[00:47:29] É, eu não sei, né, assim, eu acho muito esquisito, assim.

[00:47:34] Mas tem uma ideia que se dá o tempo todo, assim, sobre…

[00:47:39] Essa coisa meio do…

[00:47:42] É, uma teoria do olavismo, assim, mas que ele importou de outros lugares,

[00:47:46] mas que a esquerda teria uma certa hegemonia cultural no Brasil,

[00:47:51] porque a ditadura nunca se preocupou com a questão da cultura.

[00:47:55] O que eu acho que é muito engraçado, né, porque se a gente for pensar,

[00:47:58] além da censura, o aparelho dos integralistas, né, assim,

[00:48:04] daquele movimento filofascista ou fascista, etc., lá,

[00:48:09] dos anos 30, um monte dele estava dentro do Estado,

[00:48:16] da ditadura militar, e, sei lá, o Plínio Salgado escrevendo um manual

[00:48:20] de moral e cívica, e toda essa coisa de…

[00:48:23] A propaganda como…

[00:48:27] Enfim, dessa expansão brasileira, a coisa do futebol, ou seja,

[00:48:30] você tinha um aparato midiático de produção de uma…

[00:48:36] Enfim, de uma apologia à ditadura militar,

[00:48:39] à maneira como os caras foram usar o futebol,

[00:48:44] uma maneira como você tinha, sei lá, a produção da voz do Brasil, enfim,

[00:48:48] você teve tudo isso, e é engraçado como hoje, né,

[00:48:52] essa direita trata como se a ditadura não tivesse se preocupado com isso, né,

[00:48:55] como se ela não tivesse feito isso, ela só tivesse pensado em censurar.

[00:49:00] E não foi isso que aconteceu, né, você tinha um monte de coisas ali,

[00:49:05] de pontos, eu acho, onde isso era muito…

[00:49:09] Muito presente, assim.

[00:49:10] Agora, eu queria que a Laura comentasse, se for possível,

[00:49:13] essa fixação dos militares com o teatro, assim, porque…

[00:49:16] É uma coisa que aparece, às vezes, você tá lendo algum livro sobre ditadura,

[00:49:20] ah, e aí a peça tal foi alvo de protesto, foi alvo de não sei o quê,

[00:49:24] porque… Aí eu termino a minha fala, mas, assim,

[00:49:27] hoje a gente vê uma coisa um pouco parecida, né,

[00:49:30] e eu acho que a censura quase sempre hoje por duas vias, né,

[00:49:35] por alguma coisa que tenha alguma temática ligada,

[00:49:39] a temática LGBT,

[00:49:41] que eu acho que hoje é muito passível de ser atacada, né,

[00:49:46] por vários modos, e qualquer coisa que lide com a figura de Jesus, assim,

[00:49:51] que é muito interessante.

[00:49:53] Ah, virou um ponto crucial, né, hoje em dia são…

[00:49:57] Talvez a questão da LGBT seja…

[00:49:59] Porque ela é vista até onde não tem, né,

[00:50:01] qualquer coisa vira uma questão de gênero,

[00:50:03] e aí viram os carcel, né,

[00:50:06] até onde não tem nada, eles vão atrás,

[00:50:09] e aí quando você resolve misturar os dois igual no Porta dos Fundos,

[00:50:13] fudeu, né?

[00:50:14] É, exatamente. Nossa, juntou, cagou tudo.

[00:50:18] Mas, Laura, fique à vontade para responder aí.

[00:50:20] Bom, tem um monte de coisa aí para a gente,

[00:50:24] para a Faran abrir um leque bem amplo de possibilidades aí

[00:50:29] para a gente comentar.

[00:50:31] Eu anotei algumas coisas, vamos ver se eu consigo ajudar, assim,

[00:50:34] de alguma maneira, gente, a refletir sobre isso.

[00:50:37] Primeira questão.

[00:50:39] Do teatro, né?

[00:50:40] É uma pergunta interessante.

[00:50:41] Por que que eles se esmavam com o teatro, digamos assim,

[00:50:45] se o teatro…

[00:50:46] Sim, obviamente a plateia nunca vai ser uma plateia de veículo de massa,

[00:50:52] de comunicação de massa.

[00:50:54] Por quê?

[00:50:55] Porque o teatro era visto,

[00:50:59] isso fica bem claro nos documentos do SNI, né,

[00:51:03] também, enfim,

[00:51:05] em tudo que se estudou a respeito da ditadura,

[00:51:08] o teatro era visto como um, ele tinha muita, muito impacto,

[00:51:13] ele era muito perigoso, assim, na visão da ditadura,

[00:51:18] para mobilizar a oposição, especialmente para a conexão

[00:51:22] com o movimento estudantil, né?

[00:51:24] Então, o olhar era esse, quer dizer,

[00:51:28] ali estavam os autores relevantes de esquerda, né?

[00:51:33] Eles estavam produzindo naquele espaço, né, para…

[00:51:38] Eles estavam fazendo peças, né?

[00:51:40] Todos os movimentos de esquerda forte e tal estavam no teatro naquele momento.

[00:51:47] E eles viam aquilo como um potencial grande de, né,

[00:51:52] de influenciar, né, a oposição de maneira geral.

[00:52:00] E, especialmente, o movimento estudantil era uma preocupação,

[00:52:03] porque o movimento estudantil estava muito conectado ao teatro também, né?

[00:52:07] E também, né, o movimento estudantil era uma preocupação, porque o movimento estudantil estava muito conectado ao teatro também, né?

[00:52:07] E também, né, o movimento estudantil era uma preocupação, porque o movimento estudantil estava muito conectado ao teatro também, né?

[00:52:08] Naquele início de ditadura, né, no começo dos anos 60,

[00:52:14] a televisão também não tinha, lógico que numericamente, digamos assim, já seria maior,

[00:52:19] mas também era um veículo que estava começando a crescer, né?

[00:52:24] A Globo foi lançada em 65, então era algo ainda que não tinha tanta importância,

[00:52:33] como depois se tornou, né, como depois ganhou essa importância.

[00:52:37] como depois se tornou, né, como depois ganhou essa importância.

[00:52:37] Eu acho que é por aí essa resposta.

[00:52:41] Aí ele fala, né, o Carapanã fala assim, também a censura aconteceu na novela,

[00:52:47] por que eles se basearam, por que eles descobriram que era baseado na peça,

[00:52:52] o problema é o teatro nesse caso, né?

[00:52:54] Acho que foi isso, né, Carapanã, que você quis me perguntar, né?

[00:52:58] Acho que foi isso, né, Carapanã, que você quis me perguntar, né?

[00:52:59] Não, então, aí ao longo do, né, a censura foi mudando, né,

[00:53:05] Não, então, aí ao longo do, né, a censura foi mudando, né,

[00:53:06] ao longo dos anos, né, e de fato ela inviabilizou o teatro, né,

[00:53:13] porque era um, era, tudo era censurado, né, e daí virou um investimento de risco,

[00:53:18] aí ninguém mais conseguia sobreviver do teatro, né, e o Dias Gomes e tantos outros

[00:53:24] foram pra televisão também em razão disso, né, ele tava, ele tava,

[00:53:29] ele não tinha dinheiro mais, a Janete Clare, que é a mulher dele que conseguia trazer dinheiro pra casa, né,

[00:53:34] ele não tinha dinheiro mais, a Janete Clare, que é a mulher dele que conseguia trazer dinheiro pra casa, né,

[00:53:37] inclusive foi ela que conversou com o Boni pra ele ir pra lá, né, e enfim, mas aí eles foram todos pra televisão, né,

[00:53:46] inclusive foi ela que conversou com o Boni pra ele ir pra lá, né, e enfim, mas aí eles foram todos pra televisão, né,

[00:53:47] em grande parte eles foram pra televisão, e a televisão começou a crescer,

[00:53:52] a virar esse produto, né, esse veículo de importância, né, que nunca antes vista, né,

[00:54:02] e aí eles entenderam, ao longo desse processo, o potencial de mobilização da classe média que a TV trazia, né,

[00:54:11] e aí a história da censura ao Roxanteiro em 75, ela é, tem assim, ela juntou uma série de fatores, assim, pra ela acontecer, né,

[00:54:26] a gente, não é só porque descobriram que era uma peça e o problema era ser uma peça,

[00:54:31] foi um grampo, só pra pessoal que tá ouvindo entender, né, eles descobriram, porque era velada essa inspiração,

[00:54:37] porque a peça estava vetada desde então, e o Dias Gomes recebeu um recado,

[00:54:43] porque ele tentou vender, ele vendeu os direitos pro Herbert Richards pra fazer um filme do Verso do Herói,

[00:54:49] que é a peça que deu origem à novela, e eles mandaram um recado com essas palavras,

[00:54:54] diga pro Dias Gomes tirar o cavalinho da chuva, porque enquanto a gente tiver no poder essa obra,

[00:54:59] porque é, acho que é isso aí.

[00:55:00] Porque é, acho que é isso aí.

[00:55:01] Acho que, só mais um parênteses, talvez as pessoas não saibam, né,

[00:55:05] porque que essa obra incomodava tanto, vamos começar por aí, vai.

[00:55:08] Só, só, é, por quê? Porque é, é, porque às vezes a pessoa que tá ouvindo,

[00:55:13] muitas já não sabem nem a da novela qual é a história.

[00:55:16] Ah, sim, né, cheio de jovens, tem muito jovens, então a pessoa não sabe.

[00:55:20] É, então, vamos começar pela peça, então o que que é a peça, é, o que que é a peça,

[00:55:25] a história, o resuminho, assim, da peça, né, é um, um cabo da Força Expedicionária,

[00:55:31] brasileira, né, foi lutar na, na Itália, na Segunda Guerra Mundial, né,

[00:55:36] e teria, segundo a, a cidade dele, cidade natal dele ficou sabendo,

[00:55:41] levantado lá pra salvar o pelotão dele de forma heróica e morreu salvando os companheiros,

[00:55:47] e patrioticamente e tal, e isso chegou na cidade dele, então aquilo virou,

[00:55:53] ele virou um herói nacional, ou virou um herói local, né, e, e aí a cidade mudou o nome dela

[00:56:00] pra, pra Cabo Jorge, que chamava Cabo Jorge e tudo mais, e aí de repente algumas coisas

[00:56:05] começaram a acontecer, diziam que ele fazia milagre e aquilo ativou o turismo da cidade,

[00:56:10] aí todo mundo girava em torno daquilo, a, a, né, a indústria, comércio, político,

[00:56:16] todo mundo começou a faturar com aquele, aquela história, né, aí é esse que depois de 17 anos,

[00:56:23] esse Jorge aí aparece, ele, ele não tinha morrido heroicamente, ele tinha desertado

[00:56:29] e passado os últimos anos em bordéis da, da Europa, né, e aí quando ele volta

[00:56:35] só os poderosos ficam sabendo, o encontram ali, né, e eles falam, ele não pode aparecer,

[00:56:42] porque vai, a cidade vai acabar, né, vai acabar toda, todo o poder, né, que a gente tem,

[00:56:49] a economia e tudo mais, então ele tem que desaparecer, né, e eles tinham que manter o vivo morto, né,

[00:56:57] nem que pra isso eles precisassem matá-lo mesmo, né, então é, é, o que que é?

[00:57:03] É um falso herói militar, né, o Dias Gomes escreveu isso em 63, né, e, mas ele, a,

[00:57:11] foi lançado em livro em 65, antes da censura à peça, e o Paulo Francis e o Enio Silveira,

[00:57:18] eles fizeram, que era o editor, e, e, e eles fizeram a orelha e a, o prefácio do livro, já dando,

[00:57:25] ressignificando, né, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a,

[00:57:27] a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a, a,

[00:57:28] essa crítica com o momento nacional, né, da, da ditadura, da, daquele novo regime, né, e falando,

[00:57:34] olha só, esses, esses heróis, esses, esses, essa turma que tá aí que, que, se coloca como herói

[00:57:41] eles são falsos mitos, né, e, e isso foi terrível, foi uma coisa direta na, na, na, numa crítica

[00:57:49] direta à ditadura militar, e aí foi que a peça, então, a peça foi censurada, e eles deram esse

[00:57:55] recado de que isso não vai ao ar de jeito nenhum e temperamento social, você morreu, vai morrer,

[00:57:57] Aí quando chegou em 75, o Dias Gomes falou, bom, eu vou tirar, eu vou usar o berço do herói, mas eu vou tirar a patente do protagonista, ele não vai mais ser militar, ele vai ser um produtor de santos, de santo que defende a cidade dele contra um bandido, a luta pela igreja e tal, e aí parece que ele, todo mundo acha que ele morreu,

[00:58:24] mas na verdade ele fugiu, levando dinheiro da cidade e da igreja inclusive, né, aí o Boni, que era o chefe da Globo, foi avisado, né, ah, tem certeza, você vai tirar toda a política, não, vou tirar toda a política, só vai ficar a história e tudo mais, a mesma história, mas não tem mais a política e tal, né, e aí o Dias Gomes falou com um amigo dele, que era um historiador, o Nelson Fenex Odré, num telefonema, ah, então, eu tô fazendo, olha, uma safadeza com o

[00:58:54] com os caras, olha o que eu fiz, e ele, ah, ah, ah, como eu sou espertão, não vão descobrir e tal, porque, tipo assim, né, são, ele não usou essa palavra, mas, como que diz assim, são idiotas, não vão nem perceber, né, e isso tava sendo, esse telefonema tava grampeado pelo SIC, né, o que era ilegal, aí a gente tem uma demonstração, né, clara de como esse aparelho todo funcionava,

[00:59:23] né,

[00:59:24] eles inventavam lei quando eles precisavam, mas quando eles também não tinham a lei, eles também faziam as, fizeram o grampo, mesmo sem lei, né, e, e aí, era, foi algo muito provocativo, né, pro, pro, pra ditadura chegar isso lá, e a gente tava vivendo um momento no Brasil em que a, a, né, existiam as forças da, as forças da, da linha dura e as forças da, da abertura, né, é, existia uma ruptura dentro do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do,

[00:59:54] do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do

[01:00:24] Roberto Marinho, relações

[01:00:26] familiares, eles tinham rompido

[01:00:28] estavam rompidos nesse momento

[01:00:30] e aí

[01:00:32] veio, sabe assim, a tempestade

[01:00:34] perfeita, assim, pra acontecer

[01:00:36] isso, né, então eu acho

[01:00:38] que exatamente não é questão

[01:00:40] de ser uma peça nesse momento

[01:00:42] é o que essa obra

[01:00:44] traz, assim, e dentro desse

[01:00:46] contexto político

[01:00:47] que

[01:00:48] depois de, meses

[01:00:51] depois o Herzog foi assassinado

[01:00:53] também, então

[01:00:54] o próprio Dias Gomes conectou os fatos

[01:00:57] você vê como

[01:00:58] como a coisa tava

[01:01:01] totalmente fora de controle

[01:01:03] de certa forma

[01:01:05] censurar uma novela da Globo dessa forma

[01:01:07] era perder o controle, porque

[01:01:09] não era interessante pra ditadura, eles foram

[01:01:11] os principais, na minha visão, prejudicados

[01:01:13] por essa censura, entendeu?

[01:01:14] porque isso caiu na boca do

[01:01:16] povo, como assim censurar

[01:01:18] novela das oito, gente?

[01:01:21] não toca na minha novela das oito

[01:01:22] é, é

[01:01:23] o espectador ficou sabendo, eles não ficavam

[01:01:25] sabendo das coisas, né

[01:01:26] antes o pessoal tava

[01:01:28] discutindo censura, livro de cubismo

[01:01:31] peça de teatro que ninguém ia ver

[01:01:33] coisas super modernas

[01:01:35] e de repente você censura uma novela

[01:01:37] e talvez nem isso, era muito

[01:01:39] pouco falado, né

[01:01:40] a censura, era censurada também

[01:01:43] falar sobre censura era

[01:01:44] proibido, né

[01:01:46] a primeira regra do Clube da Luta é não falar sobre o Clube da Luta

[01:01:49] exato, é

[01:01:50] e aí, enfim, acho que um pouquinho

[01:01:53] comentei as coisas

[01:01:55] tem vários aspectos interessantes

[01:01:57] que o Carapana levantou

[01:01:58] vocês falam, né

[01:02:01] estão falando especificamente

[01:02:03] da direita, uma coisa que eu

[01:02:05] defendo

[01:02:06] no livro é que a censura

[01:02:08] ela não é exclusiva, né

[01:02:10] de governos de direita

[01:02:12] não sou eu que defendo, é algo que

[01:02:15] enfim, que é

[01:02:16] fato, né

[01:02:18] não é exclusiva de governos de direita

[01:02:20] ela é uma ferramenta

[01:02:23] de governos autoritários, né

[01:02:24] isso sim, né, tanto de direita

[01:02:27] quanto de esquerda, eu brinco que ela é

[01:02:29] democraticamente distribuída

[01:02:31] a direita e a esquerda, né

[01:02:33] dependendo do

[01:02:34] quão autoritário é aquele

[01:02:36] aquele comando, né

[01:02:38] só um comentário sobre isso

[01:02:41] claro que a gente está vivendo um

[01:02:42] governo de direita no Brasil

[01:02:44] o nosso contexto é uma coisa

[01:02:47] mais específica, mas a ideia

[01:02:49] é essa mesmo, o que você ia perguntar, Tiago, alguma coisa?

[01:02:51] eu ia perguntar sobre

[01:02:53] uma coisa

[01:02:53] a gente tem essa ideia, talvez

[01:02:56] eu não sei o quanto

[01:02:59] ela se justifica ou não

[01:03:00] mas que talvez o Dias Gomes tenha

[01:03:02] sido dos dramaturgos brasileiros

[01:03:05] os mais censurados, certo

[01:03:07] e nisso

[01:03:09] em alguns momentos

[01:03:10] pra cobertar, em alguns momentos

[01:03:12] pra tirar tanto

[01:03:14] foco dele e tal

[01:03:16] teve uma participação muito grande

[01:03:18] da Janete Clare que eu acho

[01:03:20] que às vezes não é dado

[01:03:23] devido crédito pra ela

[01:03:24] você pode falar um pouco

[01:03:26] da biografia da Janete Clare

[01:03:29] ao lado do Dias Gomes

[01:03:30] como se dava esse companheirismo

[01:03:33] não só na

[01:03:34] vida amorosa, mas também como

[01:03:37] como dramaturgos nessa

[01:03:38] jornada de tentar

[01:03:41] desviar da censura

[01:03:42] é uma história bonita, né

[01:03:44] a história desse casal

[01:03:46] é dramática, né

[01:03:48] é romântica também

[01:03:50] a Globo vai fazer uma série sobre

[01:03:53] a história do casal, né

[01:03:54] e a neta deles

[01:03:59] é uma das autoras

[01:04:01] das roteiristas, eu acho que tem

[01:04:02] muito o que explorar

[01:04:05] assim, da história

[01:04:07] deles, uma coisa que é

[01:04:09] importante

[01:04:10] é que a Janete Clare

[01:04:12] ela foi muito injustiçada

[01:04:15] na verdade, né

[01:04:16] porque ela era a senhora

[01:04:19] audiência, ela dava muita audiência

[01:04:21] e ela

[01:04:23] ela veio

[01:04:24] da radionovela

[01:04:26] e ela teve uma formação mais melodramática

[01:04:29] o texto dela

[01:04:31] é mais melodramático

[01:04:32] e ela tem mais forte

[01:04:35] essa influência romântica

[01:04:36] e tudo mais

[01:04:37] é bem novelão, novelão, né

[01:04:39] só que ela

[01:04:41] dividia com o Dias Gomes

[01:04:44] toda essa consciência, inclusive

[01:04:46] recentemente falando

[01:04:48] com o filho deles

[01:04:51] o Alfredo, que é um baterista

[01:04:53] ele chama

[01:04:55] o Alfredo igual ao pai

[01:04:56] o pai também chamava Alfredo, o Alfredo Dias Gomes

[01:04:59] ele me disse que inclusive

[01:05:01] ela pensou em entrar no Partido Comunista

[01:05:03] em se filiar

[01:05:05] só que eles falaram

[01:05:07] como um casal, uma sociedade

[01:05:09] uma parceria

[01:05:10] não seria interessante, porque

[01:05:12] era muito arriscado

[01:05:14] e ela tinha muito medo disso

[01:05:16] naquele momento, assim

[01:05:18] da militância dele

[01:05:21] eles fizeram reuniões na casa

[01:05:23] do casal, né

[01:05:24] do Comitê Cultural, do Partido Comunista

[01:05:27] ela ficava ali

[01:05:29] recebendo as mulheres, as crianças

[01:05:31] porque a maioria era de homens

[01:05:33] tinha mulher também, mas a maioria eram homens

[01:05:35] porque eles tentavam disfarçar

[01:05:38] aquilo como encontros culturais

[01:05:40] entre amigos e tudo mais

[01:05:41] mas eram encontros políticos

[01:05:43] então ela dividia com ele

[01:05:45] e ela

[01:05:46] fez muita crítica

[01:05:49] social e política

[01:05:51] no meio do

[01:05:51] no meio do

[01:05:52] dos beijos românticos, entendeu?

[01:05:55] Mas era uma outra linguagem

[01:05:57] era uma linguagem

[01:05:58] diferente da linguagem do Dias Gomes

[01:06:01] né

[01:06:01] mas é curioso

[01:06:05] que a esquerda mesmo

[01:06:06] às vezes foi muito injusta com ela

[01:06:09] até o Ferreira Goulart

[01:06:11] que era muito amigo do Dias Gomes

[01:06:13] e dela também, era injusto

[01:06:15] depois ele se

[01:06:16] redimiu, assim, ele reconheceu

[01:06:19] mas o SMI

[01:06:21] sabia

[01:06:22] chamava a Janet Fair de comunista

[01:06:25] tem vários documentos

[01:06:27] nessa pesquisa que eu fiz

[01:06:29] que ela aparece como comunista

[01:06:31] notória e as novelas

[01:06:33] delas são analisadas

[01:06:35] ponto a ponto, então

[01:06:36] o que a esquerda não via

[01:06:39] e talvez o registro histórico

[01:06:41] não tenha falhado

[01:06:43] nisso

[01:06:44] o SMI estava vendo

[01:06:47] e aí

[01:06:49] eles, sim

[01:06:51] eles tinham uma produção

[01:06:52] absurda, eles faziam uma novela atrás da outra

[01:06:55] cada um ficava num canto

[01:06:57] da casa com a sua máquina

[01:06:59] de escrever, né

[01:07:00] isolados, assim, mas eles

[01:07:02] trocavam o tempo inteiro, né

[01:07:05] teve alguns momentos

[01:07:07] clássicos, assim, de misturar

[01:07:09] um personagem de uma novela com o da outra

[01:07:11] tem um

[01:07:13] e teve uma vez

[01:07:15] que ele mandou uma frase censurada

[01:07:17] da novela dele pra novela

[01:07:19] dela que passou também

[01:07:20] olha

[01:07:21] é

[01:07:22] , era bem

[01:07:24] esse casal é muito rico, assim

[01:07:26] a história deles é muito rica

[01:07:28] ah, o que mais que você perguntou, Letícia, sobre eles?

[01:07:32] é, acho que foi isso mesmo

[01:07:33] o Thiago, não sei se o Thiago

[01:07:35] queria perguntar alguma coisa pro Carapanã também

[01:07:36] porque a gente já falou, foi o Thiago que perguntou

[01:07:38] mas não sei se tá, considera respondido

[01:07:41] e quer passar uma pergunta

[01:07:43] pro Carapanã, alguma coisa assim

[01:07:44] não, acho que eu vou passar a palavra pro Carapanã

[01:07:47] ele tá meio quietinho

[01:07:48] não, quando o assunto é interessante a gente tem que escutar mais

[01:07:51] e falar menos, cara

[01:07:52] não toma tudo

[01:07:53] eu tava pensando

[01:07:57] um pouco mais sobre

[01:07:58] essa coisa

[01:08:01] de como

[01:08:02] aconteceu a censura antes

[01:08:05] e como ela acontece hoje

[01:08:06] tem uma coisa que eu acho que é bem

[01:08:08] bem curiosa, assim, porque eu acho que

[01:08:11] hoje é quase como se a melhor

[01:08:13] censura fosse a autocensura, né

[01:08:15] não sei se as pessoas

[01:08:17] concordam, mas então

[01:08:18] esses caras eles não

[01:08:21] até então

[01:08:22] nesse momento eles não passam

[01:08:24] nenhum tipo de mecanismo

[01:08:26] onde a censura

[01:08:28] ela vai ser

[01:08:31] como eu vou dizer

[01:08:32] instaurada, onde você vai poder

[01:08:35] vetar uma

[01:08:35] oficializada, você vai poder vetar uma aula

[01:08:39] vetar uma peça, vetar uma coisa

[01:08:41] o que eles fazem é assim

[01:08:42] antes isso era uma coisa de

[01:08:44] movimentos, coisas ligadas a políticos

[01:08:47] etc, ou seja, esses caras vão

[01:08:48] falar, olha, isso aqui é uma coisa imoral

[01:08:51] etc, etc, que eu acho que é

[01:08:52] algo que é do jogo

[01:08:54] de alguma forma, mas hoje você tem

[01:08:57] uma coisa que é diferente, né, é o presidente

[01:08:59] é o ministro

[01:09:00] esses caras estão direcionando esse tipo

[01:09:02] de coisa, ou seja, o presidente que vai

[01:09:04] compartilhar o vídeo de alguém

[01:09:06] que

[01:09:08] está falando mal de outra pessoa

[01:09:10] numa sala de aula de um cursinho, alguma coisa

[01:09:12] desse tipo, assim, um

[01:09:14] direcionamento totalmente desproporcional

[01:09:16] então

[01:09:18] é um pouco como uma

[01:09:20] e aí é interessantíssimo

[01:09:22] porque

[01:09:22] a filmagem, né, lá como você ia pensar

[01:09:25] lá numa distopia orleliana

[01:09:27] que tudo está centralizado no ministério

[01:09:29] ela é feita por outras pessoas

[01:09:31] que estão prontas dentro

[01:09:33] de uma máquina pra jogar isso lá

[01:09:35] então os seus

[01:09:37] concidadãos estão tentando

[01:09:39] te censurar o tempo todo

[01:09:41] e isso é uma coisa que é

[01:09:43] super curioso, ou seja, como

[01:09:45] como escola sem partido funciona

[01:09:47] sem existir, como

[01:09:49] um tipo de censura

[01:09:52] prévia nas artes

[01:09:52] e aí também a gente tem uma coisa que eu acho

[01:09:54] que é interessantíssimo

[01:09:56] é como

[01:09:57] uma das primeiras coisas que o governo fez

[01:10:01] já era um

[01:10:03] papo antigo essa coisa assim

[01:10:05] ah, a lei Rouanet é uma coisa pra financiar

[01:10:07] o comunismo ou qualquer coisa do tipo

[01:10:09] então uma das primeiras coisas que o governo

[01:10:11] faz é cancelar o patrocínio

[01:10:13] da Petrobras às artes ou tentar

[01:10:15] impor algum tipo de

[01:10:17] censura prévia

[01:10:19] e tem coisas que eu não consigo

[01:10:21] assim, eu estava até pensando em dar uma

[01:10:22] estudada nisso, mas já saiu notícia

[01:10:24] de prêmios de literatura

[01:10:27] nada desprezíveis

[01:10:29] dados pra alguém que escreveu um livro

[01:10:31] em três semanas, alguma coisa assim

[01:10:33] e aí claro que alguém

[01:10:34] que é, enfim, da patota

[01:10:37] das redes sociais do governo

[01:10:38] enfim, é isso, eu acho que

[01:10:41] essa

[01:10:42] instrumentalização total

[01:10:44] ela tá aí, eu não sei até onde ela vai

[01:10:47] mas se a gente ficar

[01:10:49] olhando um pouco, eu acho que essas

[01:10:50] comparações com o Gria, elas não são

[01:10:52] tão eficazes, porque o Gria é um país

[01:10:54] muito pequeno, é um país muito

[01:10:56] diferente, assim

[01:10:57] viveu sob outro

[01:11:00] aspecto, mas por exemplo lá

[01:11:02] o que? Os caras censuram

[01:11:04] peça de balé porque diz que

[01:11:06] incita a criança

[01:11:08] a se tornar homossexual, porque é uma peça sobre uma criança

[01:11:10] que é um menino que quer dançar balé

[01:11:12] os caras vão dizer que

[01:11:15] eles têm uma

[01:11:16] centralização do que deve ser pesquisado ou não

[01:11:19] que é decidido a um nível

[01:11:20] presidencial, assim, o nível do

[01:11:22] executivo, tudo isso

[01:11:24] tá colocado ali e tem

[01:11:26] um caso que eu acho que é o mais estranho

[01:11:28] e grotesco de todos, que é

[01:11:30] mudar uma lei pra tornar

[01:11:32] impossível que a

[01:11:34] universidade lá

[01:11:35] a Universidade Central da Europa

[01:11:38] lá possa funcionar, né

[01:11:40] como diz a Universidade dos Soros

[01:11:42] e a coisa que eu sempre tenho que dizer, gente

[01:11:44] que é muito engraçada, é o seguinte

[01:11:46] o Viktor Orban, que é o

[01:11:49] aquele cara legal, enfim, o presidente da Hungria

[01:11:51] aquele cara legal lá, enfim

[01:11:52] o cara que fez essa coisa toda, né, que criou

[01:11:54] que veio com uma defesa

[01:11:57] de uma democracia iliberal

[01:11:58] ou antiliberal, né, que a gente acha

[01:12:00] que ele tá criticando o comunismo, mas ele passa o tempo inteiro

[01:12:02] criticando o liberalismo

[01:12:03] mas o Viktor Orban

[01:12:06] foi bolsista

[01:12:08] da Fundação Soros

[01:12:09] pra estudar ciência política na

[01:12:12] Inglaterra, então

[01:12:14] isso não é um fato, não é nada

[01:12:16] assim, você pode pegar isso, é uma coisa que tá em qualquer lugar

[01:12:18] qualquer jornal, tá na biografia dele, isso é notório

[01:12:20] e público, e como

[01:12:22] toda uma geração de gente

[01:12:24] pós-União Soviética

[01:12:26] que, enfim, que eram

[01:12:28] caras que buscavam alguma coisa

[01:12:30] como um tipo de democracia

[01:12:32] liberal

[01:12:34] ou conservadora, num sentido meio

[01:12:36] Reagan ou Thatcher, e deu nessa coisa

[01:12:38] bizarríssima, assim, que é um

[01:12:40] nativismo

[01:12:41] muito

[01:12:44] com um pseudo

[01:12:46] religiosidade, uma coisa

[01:12:48] de um controle

[01:12:49] muito pronunciado

[01:12:52] e que é, enfim

[01:12:55] que é a planta, né

[01:12:56] enfim, a planta do que é

[01:12:58] que a nossa direita no poder quer fazer aqui

[01:13:01] não tem nenhuma

[01:13:03] digo assim, não tem nenhuma

[01:13:05] nada, nenhuma

[01:13:07] novidade nisso, é o que eles dizem

[01:13:08] o exemplo onde eles se miram

[01:13:10] e eu acho que

[01:13:13] não sei se seguiria

[01:13:15] um pouco o que é lá, mas a gente vê isso o tempo

[01:13:17] todo, né, então

[01:13:18] ouvinte aí, talvez não saiba, mas por exemplo

[01:13:20] o que o Orban fez, ele

[01:13:22] ele meio que

[01:13:24] esganou a imprensa também

[01:13:26] ou fazendo aliados dele comprarem

[01:13:30] jornais, ou

[01:13:32] tentando restringir

[01:13:35] financiamentos, ou seja

[01:13:36] se você diz que

[01:13:38] qualquer um que quiser estar dentro do bonde

[01:13:41] do governo não deve

[01:13:42] anunciar na imprensa

[01:13:44] que, enfim, quer cometer

[01:13:46] jornalismo

[01:13:47] que, engraçado, é uma coisa que

[01:13:50] o nosso presidente disse

[01:13:51] outro dia numa reunião com empresários lá

[01:13:54] mediada pelo Paulo Skaff, então

[01:13:56] é, não sei se consegue, né

[01:13:58] mas a intenção, ela sempre está dada

[01:14:00] os paralelos são infinitos

[01:14:02] né, cara, se você for parar pra pensar

[01:14:04] cara, a gente está

[01:14:05] bem furdido

[01:14:21] olhando o vendaval

[01:14:23] não sou nenhum

[01:14:26] São Tomé

[01:14:27] no que eu não vejo

[01:14:29] eu ainda levo fé

[01:14:31] eu quero a felicidade

[01:14:36] mas a tristeza

[01:14:38] anda pegando no meu pé

[01:14:40] tem gente falando com a lua

[01:14:42] gente chorando na praça

[01:14:44] menino querendo rango

[01:14:46] negro bebendo cachaça

[01:14:48] e a cada minuto que passa

[01:14:50] teve dez minutos de rato

[01:14:51] gente chegando

[01:14:52] tem muita gente pagando, pagando, pagando

[01:14:55] pra ver

[01:14:56] uma coisa que vocês mencionaram

[01:15:00] antes, e que eu não sei se eu entendi errado

[01:15:01] mesmo é o fato de que, foi o Thiago que falou, se não me engano

[01:15:04] que a coisa descambou tanto pra comédia

[01:15:06] que as pessoas nem reconhecem

[01:15:08] mais como verdade, né

[01:15:09] como paródia

[01:15:11] então ficam incapazes de fazer

[01:15:13] uma crítica, e eu vejo isso acontecendo

[01:15:16] muito também agora, porque

[01:15:17] cara, todo mundo sacaneando direto

[01:15:19] não só no Brasil, mas fora também

[01:15:21] e você viu ali o Adnet fazendo aquela

[01:15:23] aquela coisa maravilhosa

[01:15:25] no desfile, fazendo aquele

[01:15:26] aquela flexão ali, com aquele pescoço de galinha

[01:15:29] que é o que o grandíssimo saco de merda

[01:15:31] faz, né, o cara não sabe fazer nem flexão

[01:15:33] de verdade, e tipo

[01:15:35] fica todo mundo rindo, achando graça

[01:15:37] e meio que fica por isso mesmo, né

[01:15:39] a coisa descambou tanto pra comédia

[01:15:41] que fica difícil até você

[01:15:43] enxergar que é absurda

[01:15:45] e que é absurda por ser real

[01:15:47] que se fosse só fantasia, no mundo da fantasia

[01:15:49] é show, mas não é, né

[01:15:51] e eu acho que o que eu vejo

[01:15:53] pelo menos eu, pessoalmente, nas minhas bolhas

[01:15:55] e nos parcos de contatos que eu ainda tenho

[01:15:57] com Minions em geral

[01:15:59] o que eu vejo é meio que isso aí mesmo

[01:16:01] é tiozão do pavê, é assumido

[01:16:04] é comédia, todo mundo acha graça

[01:16:05] e a gravidade da coisa meio que

[01:16:07] passa despercebida

[01:16:09] as pessoas ou não percebem ou não se importam

[01:16:12] porque estão achando divertido

[01:16:13] e tá um momento

[01:16:15] super legal, né

[01:16:17] você vê o Odorico ali

[01:16:19] você vê a novela passando

[01:16:21] você vê outras obras

[01:16:23] mais antigas até, tudo isso se tornando

[01:16:25] realidade e as pessoas tratando

[01:16:27] como se fosse uma obra de fantasia, de ficção

[01:16:29] quando na verdade não é, né

[01:16:31] tem como a gente sair desse buraco

[01:16:33] fazer as pessoas entenderem que não é engraçado

[01:16:35] porque é real, só é engraçado se for no mundo da ficção

[01:16:38] o que vocês acham?

[01:16:39] Olha, Letícia, eu

[01:16:40] na verdade, assim, acho que tem uma

[01:16:43] discussão em relação à comédia

[01:16:46] como um canal

[01:16:47] de crítica, assim, que é

[01:16:49] riquíssima

[01:16:51] não é exatamente a minha

[01:16:54] especialidade, né, assim

[01:16:56] do que eu vi

[01:16:58] nessa época da dramaturgia

[01:17:00] nesse caso

[01:17:02] que eu estudei

[01:17:04] e tudo mais, a comédia

[01:17:06] era uma ferramenta ali

[01:17:08] que se associava

[01:17:10] à crítica

[01:17:12] política

[01:17:13] da qual a crítica política fazia

[01:17:16] uso, né, mesmo pra

[01:17:18] ser eficiente

[01:17:20] ou pra chegar

[01:17:21] à audiência da melhor maneira

[01:17:23] agora, eu não sei te dizer

[01:17:25] com propriedade, assim

[01:17:26] o impacto disso

[01:17:29] a eficiência

[01:17:32] da comédia

[01:17:32] assim, na minha visão

[01:17:35] intuitiva e do pouco

[01:17:38] que essa

[01:17:39] do que essa pesquisa

[01:17:41] pode me trazer sobre isso

[01:17:43] eu acredito que teve uma força

[01:17:45] relevante

[01:17:47] naquele momento

[01:17:49] e não

[01:17:50] o contrário, assim

[01:17:52] que quem não entendia

[01:17:55] era

[01:17:56] que pode acontecer

[01:17:59] não é o

[01:18:01] que de significativo

[01:18:03] aconteceu, né, do ponto de vista

[01:18:05] da construção, da teledramaturgia

[01:18:08] dessa identidade nacional e tal

[01:18:09] mas, assim,

[01:18:11] é só uma resposta

[01:18:13] um pouco intuitiva mesmo

[01:18:15] que eu te dou, entendeu? Um comentário meu

[01:18:17] que eu não

[01:18:18] não estou

[01:18:20] no estudo

[01:18:21] exatamente isso, né

[01:18:22] é

[01:18:23] agora, uma coisa que

[01:18:25] enquanto você estava falando

[01:18:26] é

[01:18:27] me passou pela cabeça

[01:18:29] sobre porque que as pessoas

[01:18:31] riem, né

[01:18:32] é

[01:18:33] isso é

[01:18:34] acho que é a chave

[01:18:36] pra gente

[01:18:37] assim, pensar sobre

[01:18:39] esses fenômenos

[01:18:40] e o Dias Gomes escreveu isso

[01:18:42] exatamente nessa peça

[01:18:43] O Verso do Herói

[01:18:44] porque

[01:18:44] quando ele fez

[01:18:46] O Pagador de Promessas

[01:18:47] ele queria

[01:18:47] discutir a intolerância, né

[01:18:50] que poderia ser

[01:18:50] poderia ser escrito agora também, né, e com o berço do herói, o que que ele quis discutir? A necessidade que a gente tem de acreditar em mitos, né, que a sociedade tem de acreditar em mitos, e quando eles fizeram a, toda a produção para a versão de 75 que foi censurada,

[01:19:11] nos trabalhos ali que eles fizeram com o elenco e a produção e tudo mais, os diretores, eles deixavam claro assim que a gente tem que entender que isso faz parte da sociedade, que a gente não está colocando assim, ah, o povo é, como quem diz assim,

[01:19:32] assim, todos nós podemos estar nessa, nesse caldo que de repente se encanta com o mito.

[01:19:41] Porque existe uma necessidade disso acontecer, e o Dias Gomes discutiu isso lindamente, assim, na minha opinião, nessa obra, na novela especificamente, né, tem uma cena que o, porque era o Zé Wilker que fazia o Rock Santeiro, né, que todo mundo ficava tentando esconder e tudo mais, e aí quando ele aparece na praça e fala, vou dizer que eu estou vivo, vou acabar com essa mentira, né, as pessoas não acreditam que ele está lá,

[01:20:11] as pessoas acham que é um espírito dele que veio e tudo mais, e isso tem muitos autores hoje, né, analisando essa questão por causa do fenômeno Trump, enfim, e a gente tem aqui o Bolsonaro e tantos outros que a gente poderia mencionar, né, porque as pessoas não enxergam,

[01:20:36] e quando existe a crítica e quando aquilo é repetido,

[01:20:41] é conhecido, aquilo não consegue demolir aquele mito, né, e isso para a esquerda ou para a direita também, então estudar o mito, né, e ele mesmo se chama de mito, né, estudar o mito é um caminho bacana para a gente pensar sobre isso, tem autores que falam coisas assim que batem exatamente com o que acontece,

[01:21:09] quer dizer, vem um autor,

[01:21:11] um áudio, um texto no seu WhatsApp, se você quer concordar, se você concorda é notícia, se você discorda é fake news, né, todo o mecanismo hoje das redes sociais passa por isso, né, porque o mito não pode ser, é mais fácil a gente acreditar no mito do que a gente despertar para a realidade, né, é mais difícil despertar para essa realidade muitas vezes, então, na verdade, a sociedade foge desse discurso, né,

[01:21:41] despertar, né, desse rompimento, então, assim, é uma coisa que eu aprendi a pensar sobre com essa obra do Dias Gomes, né, e que hoje é um tema, é o tema, né, para a gente estudar, para a gente pensar e debater, acho que é isso que eu queria comentar sobre o que a Letícia falou, não sei se ajudei em algo aí.

[01:22:05] Ajudou, ajudou sim. Carapanã, o que você fala sobre, o que você manda aí sobre o assunto?

[01:22:10] Ah, eu achei…

[01:22:11] Não tem nada a acrescentar, eu tenho… Ah, eu também fiquei muito… Eu acho engraçado, tem essas ironias sempre, né, mas, assim, parece que a peça é censurada primeiro pelo governo do Carlos Lacerda, né, tem um momento em que a censura não está centralizada no governo federal, e eu sempre acho a história do Lacerda uma das coisas mais… É uma das, sei lá, uma das tragédias mais malucas da política brasileira, né.

[01:22:40] Sim.

[01:22:40] Porque de entusiasta dos militares a, basicamente, sei lá, um percebido político e, enfim…

[01:22:51] Ele é comunista, o Lacerda.

[01:22:54] É, mas é muito maluco.

[01:22:55] Ele era do Partido Comunista, né.

[01:22:57] Sim, sim.

[01:22:58] Sim.

[01:22:59] É, mas ele foi do que? Ele era da ELN, né.

[01:23:04] Ele foi do Partido Comunista mesmo.

[01:23:06] Ele foi banido.

[01:23:07] Sim.

[01:23:07] Sim.

[01:23:08] É, ele foi banido do Partido Comunista.

[01:23:10] Comunista.

[01:23:11] E aí está uma das explicações para esse rancor, assim, porque todos os amigos dele eram comunistas e ele perdeu toda uma rede, assim, né, social e intelectual e tudo mais, né.

[01:23:30] Quando é uma história que eu falo, menciono no livro também, que é uma história interessante, assim, né, uma passagem riquíssima, assim, da nossa…

[01:23:40] política, que é quando ele foi chamado para… ele era jornalista, né, ele foi chamado para escrever uma reportagem sobre o Partido Comunista, por uma revista, e foi algo encomendado pelo governo, obviamente, era para detonar o Partido Comunista.

[01:23:58] E aí ele conversou, segundo a versão dele, ele conversou com os dirigentes e falou, olha, vai ter que ser escrita, é melhor eu fazer do que deixar para outra pessoa.

[01:24:10] Porque eu sou daqui.

[01:24:13] E aí, então, ele foi fazer.

[01:24:16] E aí, quando saiu esse artigo, ele dava alguns nomes e tal, que segundo ele eram nomes que todo mundo já tinha lá, né, nos órgãos de segurança e tudo mais, e repressão, todo mundo já tinha.

[01:24:31] Então, ele disse que construiu de uma maneira que não iria prejudicar o Partido Comunista, ao contrário, o objetivo dele era evitar que o partido fosse prejudicado.

[01:24:40] Mas…

[01:24:40] Não teve, isso é a versão dele, mas teve uma leitura completamente oposta, ele foi colocado como o grande traidor da causa, né.

[01:24:49] E aí ele foi banido, então ele tinha uma relação rancorosa muito forte, assim, com…

[01:24:54] E aí veio, foi para o anticomunismo, é demais mesmo, é uma biografia e tanto, nossa, do Lacerda.

[01:25:02] Estudei um pouquinho, assim, porque ele passa, né, por essa… pela obra, ele censurou essa peça e depois é isso,

[01:25:10] ele foi…

[01:25:10] Ele foi preso, né, na decretação do AI-5, né, é incrível mesmo a trajetória.

[01:25:16] A gente estava falando dele por causa dos mitos, ele também era, né, um pouco assim, né, um cara de mobilizar, né, a audiência e tal, né, o público, né.

[01:25:28] Não, e de ter passado de comunista, depois os comunistas eram opositores do Vargas, mas depois é tipo o cara, né, o maior opositor do Vargas, o cara da UDN,

[01:25:39] aquela coisa toda, e aí uma grande liderança conservadora, o cara que fazia aqueles discursos, né, de mobilização, o pessoal fala muito sobre isso,

[01:25:49] para depois virar um… um nada, né, do tipo, ele… ele… ele… nossa, foi… esse final dele foi uma coisa muito… muito dura, né, porque é o cara que foi depois para frente ampla para tentar…

[01:26:07] É… é…

[01:26:09] Se… sei lá, se descolar da ditadura, ou tentar alguma coisa, enfim, viu que não tinha o que se… o que se fazer e que… e que se coloca muito, enfim, que se…

[01:26:22] Acaba virando uma própria vítima ali, mas…

[01:26:25] É…

[01:26:25] Eu lembrei disso porque essa… essa ideia da censura, a primeira censura, eu acho que como é que é que foi… a censura, a peça, foi feita nessa época pelo governo dele, né.

[01:26:35] Exato.

[01:26:35] Agora, tinha uma coisa que eu queria que você comentasse para a gente.

[01:26:39] É quando a…

[01:26:39] A Globo contrata um ex-censor para… para atuar na emissora, assim, e aí essa parte eu acho uma coisa super interessante, queria que você comentasse mais.

[01:26:50] Sim, porque o Carapanã falou também da autocensura, né, é… é a consequência mais danosa, assim, desse processo todo de censura é exatamente a autocensura, né, porque…

[01:27:05] É… e esse… essa… essa contratação…

[01:27:09] Eles contrataram alguns, esse… esse que eu cito é o Otati, o… ele era censor no Rio, ele foi o censor… ele censurou a peça do Roxanteiro, ele foi lá no dia e tal, é… e ele foi contratado depois pela Globo, porque qual que era a intenção, né, da Globo?

[01:27:26] Era evitar problema, assim, era já censurar logo, já não precisava passar… já avisa aqui o que que não vai passar, você já sabe como que é, entendeu? Foi uma sugestão da própria Dersi Gonçalves, que sofreu demais com a censura.

[01:27:39] Olha só.

[01:27:40] É, muito demais, assim, e… e… enfim, esses programas, assim, eles eram… eles foram muito, muito punidos, porque eles tinham uma… também uma… eles iam contra essa ideia de Brasil moderno, Brasil grande, sabe, do milagre econômico, esses programas mais populares, né, e aí era uma dupla perseguição, assim, era uma perseguição…

[01:28:09] ao que eles representavam de mais popular, daquela estética e tudo mais, né, e politicamente, então, então os programas de auditório, eles sofreram bastante, e enfim, eles contrataram esse… esse… esse censor pra… eles falavam pra pentear antes, né, eles usavam esse tema, pentear os roteiros, os programas e mandar pra censura.

[01:28:37] Tem uma carta que eu…

[01:28:39] eu achei no… no acervo do Dias Gomes, que… que tá com a viúva dele, a Bernadette Lizio, no Rio, e… que é uma carta que ele… ele escreve pro Boni reclamando da autocensura, né, no… no Bem Amado, falando… agora, desde a do porteiro, quando eu chego até o diretor, quando… todo mundo vai me… vai dizer, olha, isso aí é melhor você não colocar, que não… não vai passar, isso aí não é bom, aquilo ali pode, que…

[01:29:07] Então, é terrível.

[01:29:09] É terrível, né, e… e acho que também faz parte do… do que o Carapanã falou, né, da escola sem partido e tudo mais, e eu acho que essa… essa censura em 85 da… da… da… da novela Roxanteiro, pra mim, é o momento mais… é… interessante de ser estudada, porque… porque ela acontece na redemocratização, né, e… e aí, a partir daí, eu consegui… é… é… refletir…

[01:29:39] sobre… sobre… e… enfim, e… os casos demonstram isso, de que a censura, ela não precisa de uma legislação pra acontecer, de uma legislação específica, né, a censura foi banida do… da legislação brasileira na Constituição de 88, né, mas acabou a censura, desde 88, acabou em algum momento, ela acabará em algum momento, né, então, assim, o que eu…

[01:30:09] o que eu acredito, a partir dessa pesquisa, é que a censura, que tem milhares de… de… de possibilidades de acontecer, milhares de tentáculos, que pode vir desde a… disso que o Carapanã tá falando, tirar dinheiro daqui e colocar lá, né, é… enfim, e podando de… de… de… é… essa coisa de represália econômica também, é… que você conta com uma rede ali de… de… de possíveis patrocinadores,

[01:30:39] anunciantes, e… e dessas ameaças, né, que… que vai interferir na… na… na aula do professor e tudo mais, né, é… são… são… e fora a censura das big techs ali, de gente, né, de que é o Google, é o Facebook, eles que definem o que… o que pode sair e o que não pode, né, de… com regras que a gente não entende de… de fato, né, enfim, é uma discussão… é enorme, né, essa, e… e… então, o que eu… o que eu acredito, assim, é que a gente tem que…

[01:31:09] a censura, ela acontece

[01:31:11] mais fortemente ou não,

[01:31:14] dependendo do caldo

[01:31:15] cultural que a sustente

[01:31:17] ou a condene, né?

[01:31:20] E porque

[01:31:21] ela, se quiser acontecer, ela acontece.

[01:31:23] É como o Crivella, quando censurou

[01:31:25] o quadrinho lá,

[01:31:28] aquela revista,

[01:31:29] porque dois personagens

[01:31:31] dois garotos

[01:31:34] estavam se beijando, né?

[01:31:35] Então, o que ele usou?

[01:31:37] Ele usou o ECA, o Estatuto da Criança

[01:31:39] e do Adolescente, que é de 1990,

[01:31:41] que é uma lei necessária

[01:31:43] de proteção,

[01:31:45] que diz que você não pode

[01:31:46] deixar, dar acesso

[01:31:49] à pornografia para crianças.

[01:31:51] Então, o ECA está aí desde

[01:31:53] 90, mas quando ele quis

[01:31:54] usar para dizer que aquilo é pornografia,

[01:31:57] ele usou.

[01:31:58] Você consegue achar…

[01:32:00] Dá teus pulos e a coisa vai, né?

[01:32:03] E aí tem

[01:32:05] um respaldo

[01:32:06] dessa base

[01:32:08] da sociedade

[01:32:11] que o elegeu, que o sustenta

[01:32:13] no poder, que

[01:32:14] sustenta essa proibição.

[01:32:17] Depois, enfim, a gente

[01:32:19] hoje tem as instituições

[01:32:21] ali, uma briga

[01:32:23] mais forte do que era na ditadura, obviamente.

[01:32:25] A justiça entrou e

[01:32:27] derrubou e tal. Mas

[01:32:28] é perigosíssimo, porque o

[01:32:31] caldo cultural de sustentação

[01:32:33] à censura, ele está

[01:32:35] totalmente…

[01:32:36] contado hoje, né?

[01:32:38] E é uma tentação

[01:32:40] censurar as pessoas

[01:32:43] quando a gente vive um momento

[01:32:44] de oposição,

[01:32:46] dessa polarização absurda,

[01:32:49] porque é tão absurdo

[01:32:50] para nós ouvir o que o outro lado

[01:32:52] pensa, porque a gente não quer que eles

[01:32:54] falem de qualquer lado

[01:32:57] que você esteja, você não quer que aquela pessoa

[01:32:59] fale, porque é muito contrário

[01:33:01] ao que você pensa, né?

[01:33:03] Então, assim,

[01:33:04] e a rede social é isso.

[01:33:06] A gente vai criando

[01:33:08] ali nossos próprios mecanismos

[01:33:10] de censura para tudo bem.

[01:33:13] Isso não é

[01:33:14] proibido, mas, assim,

[01:33:16] você começa a entrar

[01:33:18] numa sintonia de que

[01:33:21] pode falar ou não pode

[01:33:22] falar, né? Pode se

[01:33:24] expressar ou não pode se expressar.

[01:33:26] É, até porque fica nebuloso,

[01:33:29] né? O que é liberdade de expressão?

[01:33:30] O que é você ofender?

[01:33:32] O que é pornografia?

[01:33:34] Não tem como você…

[01:33:36] A liberdade de expressão como um pilar da

[01:33:38] democracia, ela se perde

[01:33:40] em brigas

[01:33:42] políticas,

[01:33:44] enfim, ela se perde

[01:33:46] nesse universo

[01:33:47] de mistura,

[01:33:50] de um moralismo, de religião

[01:33:54] e de diferenças, assim,

[01:33:58] políticas tão

[01:34:00] tão acentuadas, né?

[01:34:02] Ela realmente se perde.

[01:34:04] E por isso que eu acho

[01:34:06] que defender a liberdade

[01:34:08] de expressão é um

[01:34:10] desafio para todos nós,

[01:34:12] porque parece

[01:34:14] óbvio, pode parecer

[01:34:16] óbvio até para uma parte da

[01:34:18] sociedade, mas

[01:34:19] a tentação é

[01:34:21] diária

[01:34:23] e ela acontece para todo mundo,

[01:34:26] porque tem os defensores

[01:34:28] da… confessos da

[01:34:30] censura e tem aqueles que defendem

[01:34:32] a liberdade de expressão desde que

[01:34:34] as pessoas digam aquilo com que elas

[01:34:36] concordam. E não é assim,

[01:34:38] né? A liberdade de expressão

[01:34:40] é liberdade de expressão.

[01:34:42] E aí vem a autocensura,

[01:34:44] que é a pergunta,

[01:34:46] e aí vem a autocensura

[01:34:48] também, porque acontece que

[01:34:50] nessas horas,

[01:34:51] o que você faz? Você vai falar

[01:34:54] sobre… Você está numa escola, você vai falar

[01:34:56] sobre a ditadura ou vai falar que,

[01:34:58] sei lá, você vai falar que

[01:35:00] teve seu papel

[01:35:02] para

[01:35:03] inibir uma

[01:35:05] revolução comunista,

[01:35:08] se você acredita nisso,

[01:35:10] ou você vai falar que

[01:35:11] essa é uma ideia absurda

[01:35:13] e que existiu tortura,

[01:35:15] ou você vai falar que existiu tortura,

[01:35:18] você não fala

[01:35:19] sobre nada.

[01:35:22] É desesperador, hoje em dia,

[01:35:24] falar sobre alguma coisa,

[01:35:25] porque tudo é…

[01:35:28] Outro dia eu estava até brincando

[01:35:30] com uma amiga minha, hoje em dia, se você toma

[01:35:31] café com a…

[01:35:33] Se você falar que quer o açúcar no café,

[01:35:36] você já corre certos riscos,

[01:35:37] entendeu? Já existe

[01:35:40] uma ideia de que o café sem açúcar

[01:35:41] é que é o certo. Então,

[01:35:43] é terrível esse momento de

[01:35:45] intolerância generalizada que a gente

[01:35:47] vive. E aí vem

[01:35:49] o caldo cultural para a censura,

[01:35:51] para a autocensura.

[01:35:53] Temos que reverter

[01:35:54] esse percurso aí, porque é a democracia

[01:35:57] que está em jogo.

[01:35:58] É uma coisa que eu acho

[01:36:00] muito curiosa e muito interessante,

[01:36:02] assim, de comparar

[01:36:04] modos operandi de como se fazia

[01:36:06] censura na época da ditadura

[01:36:08] e como se faz algo

[01:36:10] já muito próximo à censura

[01:36:12] nos dias de hoje,

[01:36:14] é verificar, por exemplo,

[01:36:17] como são dadas as narrativas,

[01:36:19] né? Quando, na época

[01:36:20] da ditadura, você conseguia impedir

[01:36:23] que uma versão

[01:36:24] de algum fato viesse à tona.

[01:36:27] Você não tinha

[01:36:27] essas redes sociais, você não tinha

[01:36:30] tanta diversidade de canais,

[01:36:32] por onde propagar uma informação e tal.

[01:36:35] Hoje, você já não consegue

[01:36:36] impedir que uma notícia

[01:36:39] não, que não agrade

[01:36:41] determinado regime,

[01:36:42] ela venha à tona.

[01:36:44] Em compensação, você consegue fazer,

[01:36:47] você consegue movimentar

[01:36:48] toda uma máquina de propaganda

[01:36:50] para, de alguma forma,

[01:36:53] reverter aquilo ali

[01:36:54] em benefício próprio.

[01:36:57] A gente acabou de ver isso, por exemplo,

[01:36:58] com o PIB, que

[01:37:00] o PIB sempre foi o que,

[01:37:02] que a gente sempre entendeu como

[01:37:04] o PIB, de repente, quando ele

[01:37:06] não é um indicador que

[01:37:08] traz

[01:37:09] alguma forma de benefício,

[01:37:12] alguma forma de mérito

[01:37:14] para quem está acompanhando,

[01:37:16] de repente, você precisa distorcer

[01:37:18] ele em alguma coisa que separe entre

[01:37:20] público e privado e cria

[01:37:22] algum tipo de senso

[01:37:24] artificial de

[01:37:26] benefício para

[01:37:28] manter uma

[01:37:30] parte da narrativa controlada

[01:37:32] pelo seu lado.

[01:37:34] Agora, a gente vive

[01:37:36] essa expectativa,

[01:37:38] porque ninguém sabe que diabos

[01:37:40] vai acontecer,

[01:37:42] com uma gestão

[01:37:44] da Regina Duarte.

[01:37:46] E a Regina Duarte é essa figura muito

[01:37:48] louca, assim, que, meu Deus, ela esteve

[01:37:50] em Rock Santero, ela

[01:37:52] subiu em palanque com

[01:37:54] o Lula nos diretas já,

[01:37:56] ela fez aquele icônico

[01:37:58] Eu Tenho Medo, e agora ela

[01:38:00] virou uma bolsonarista

[01:38:02] e ninguém sabe que diabos

[01:38:04] esperava essa mulher, e

[01:38:05] sei lá, a carapana me ajuda,

[01:38:08] assim, a namoradinha do Brasil

[01:38:09] cumpriu o seu papel e

[01:38:11] arrumou um boy lixo, é isso mesmo?

[01:38:15] Eu já falei que ela foi

[01:38:17] de namoradinha do Brasil a viúva do Brasil

[01:38:20] e o que resta agora é

[01:38:21] velar o corpo

[01:38:23] desse país sofrido.

[01:38:26] Só isso que eu tenho a dizer.

[01:38:28] Eu não sei nada do

[01:38:30] que esperar, não entendo nada, sei que

[01:38:32] ela vai ter problemas, como já está

[01:38:33] tendo, e não sei se vai durar muito tempo no cargo,

[01:38:36] não, já vou ser bem sincero, assim,

[01:38:38] porque

[01:38:38] é muito complicado.

[01:38:41] É, ela já está sendo taxada de comunista e

[01:38:43] Carluxo já disse que vai tirar ela, né?

[01:38:47] Carluxo já disse

[01:38:47] que vai tirar ela e tal, não sei o quê,

[01:38:50] então não sei se aconteceu alguma coisa nos bastidores

[01:38:52] ou se foi ela ter criticado sei lá o quê,

[01:38:54] ela já virou

[01:38:55] comunistaça inimiga do governo.

[01:38:58] Ela não está partida com o Bebiano

[01:38:59] depois. Pois é, o negócio está…

[01:39:02] está complicado, mas é…

[01:39:04] é estranho, né,

[01:39:06] de você ver isso. Eu falo, caramba, a mulher

[01:39:08] participou da parada que foi uma

[01:39:10] super crítica e tal, não é possível

[01:39:12] que não tenha aprendido nada, né? De onde que veio

[01:39:14] essa merda, cara? O que aconteceu

[01:39:16] com essa criatura? Eu não sei.

[01:39:18] É, eu acredito

[01:39:20] que seja algo muito próximo

[01:39:22] do que o…

[01:39:24] do que o Carlos Lacerda

[01:39:26] da nossa época, né, o Reinaldo Azevedo,

[01:39:29] que ele tem,

[01:39:32] é dito, assim, porque

[01:39:33] muito provavelmente

[01:39:35] ela esteve em todos

[01:39:37] esses lugares, ela repetiu os

[01:39:39] discursos de todas essas épocas

[01:39:42] e ela

[01:39:43] não absorveu uma

[01:39:45] gota de conhecimento

[01:39:47] de cada um desses pontos, assim.

[01:39:50] Ela interpretou

[01:39:52] um personagem do Dias Gomes,

[01:39:54] ela fez

[01:39:55] a primeira

[01:39:57] Nossa Senhora do

[01:39:59] Alto da Compadecida,

[01:40:02] ela trabalhou com esses caras

[01:40:04] que tinham um senso

[01:40:06] de justiça

[01:40:08] e do que é certo, completamente

[01:40:10] diferente do que ela propaga

[01:40:12] hoje, ela passou por

[01:40:14] palanque com o Lula em diretas já e tal,

[01:40:16] e ela veio por todos esses lugares

[01:40:18] e hoje ela fala determinadas coisas

[01:40:20] e eu só consigo pensar, cara,

[01:40:23] é só uma

[01:40:24] total vacinação

[01:40:27] contra o conhecimento.

[01:40:29] Assim, ela é

[01:40:30] imune ao aprendizado,

[01:40:32] ela não conseguiu

[01:40:33] adquirir nada de nenhuma

[01:40:35] dessas épocas. Na entrevista

[01:40:37] dela no Fantástico,

[01:40:39] sei lá, umas duas

[01:40:41] semanas atrás, já que

[01:40:43] esse programa deve sair no dia 25,

[01:40:46] ela falou

[01:40:47] alguma coisa sobre

[01:40:48] precisamos produzir uma cultura

[01:40:51] pra maioria. E eu fiquei

[01:40:53] oi? E tipo,

[01:40:55] do que você tá falando? E ela repetiu

[01:40:57] um discurso muito próximo.

[01:40:58] Esse discurso foi absurdo.

[01:41:00] Muito próximo do que a gente já viu,

[01:41:02] sendo dito pelo Bolsonaro,

[01:41:03] ela citou algumas coisas ali

[01:41:06] que não com essas palavras, mas ela

[01:41:07] deu a entender sobre o tal

[01:41:09] gabinete do ódio, né? E foi aí

[01:41:11] que provavelmente o Carlos se

[01:41:13] doeu e agora resolveu

[01:41:15] que ele tem uma nova

[01:41:17] arquinimiga e tal,

[01:41:20] mas

[01:41:21] é uma grande incógnita.

[01:41:24] E, pô, pensar que

[01:41:25] essa pessoa foi uma das figuras

[01:41:27] centrais e tal, eu

[01:41:29] fico muito curioso mesmo

[01:41:31] de saber o que

[01:41:33] a Regina Duarte aprendeu

[01:41:35] sobre a ditadura

[01:41:37] com tudo que a novela

[01:41:40] em que esta porra

[01:41:41] atuou para um

[01:41:43] caralho, sofreu

[01:41:45] várias cortes e ela

[01:41:47] parece que não aprendeu

[01:41:49] nada. Ela parece que passou por

[01:41:51] isso em Colum.

[01:41:53] Esse tipo de corte que existiu

[01:41:55] no Rock Santero e tal,

[01:41:57] isso chegava até as coxias, chegava

[01:41:59] aos atores e tal,

[01:42:01] e ela não aprendeu nada.

[01:42:01] E, pô, ela não aprendeu nada.

[01:42:01] Isso era numa parte do processo

[01:42:03] tão anterior que eles

[01:42:04] sequer ficavam sabendo disso.

[01:42:07] É impossível que não soubessem, não?

[01:42:09] Primeira coisa, assim,

[01:42:11] que quando a

[01:42:13] novela foi censurada em 75,

[01:42:15] de forma

[01:42:16] que não era comum,

[01:42:19] o comum era essa censura

[01:42:21] de episódio

[01:42:23] a episódio, frase por frase,

[01:42:25] que não era sentida pelo telespectador,

[01:42:28] né?

[01:42:30] Que era o

[01:42:31] interesse do governo

[01:42:33] era que o telespectador não percebesse

[01:42:35] isso, naturalmente. Então, essa

[01:42:37] ruptura que houve, que

[01:42:38] aconteceu em 75,

[01:42:41] quando a Globo, pela primeira vez,

[01:42:43] demonstrou ali um

[01:42:45] rompimento,

[01:42:47] uma crítica à ditadura

[01:42:48] num editorial do Jornal Nacional,

[01:42:51] no dia

[01:42:53] seguinte, uma comitiva de

[01:42:55] atores e diretores

[01:42:57] e autores da Globo

[01:42:59] foi para,

[01:43:01] na porta do Palácio do Planalto, entregar uma carta

[01:43:03] para o Geisel, porque eles queriam entregar uma carta

[01:43:05] para o Geisel, né? Pegaram os grandes

[01:43:07] nomes ali e a Regina Duarte

[01:43:09] não era a viúva porcina

[01:43:11] nessa versão, era a Beth Faria que fazia,

[01:43:13] ela não estava nesse elenco

[01:43:15] de 75, mas ela era

[01:43:17] a namoradinha do Brasil, ela era

[01:43:19] uma, enfim, uma

[01:43:21] personalidade da teledramaturgia

[01:43:23] já, então ela foi dar esse reforço

[01:43:25] nessa comitiva, e isso

[01:43:27] deu, né? Além de, já tinha

[01:43:29] gente, tinha muita gente famosa, tinha…

[01:43:31] Tarsísio Meira,

[01:43:33] não, Tarsísio Meira eu não estou

[01:43:35] lembrando mais, mas tinha

[01:43:36] um monte de global ali

[01:43:39] famoso, e

[01:43:41] o nome dela deu um peso,

[01:43:43] né? Eles foram lá,

[01:43:45] não conseguiram ser recebidos pelo

[01:43:47] Geisel Fugiu, né?

[01:43:49] Mas colocou

[01:43:50] um assessor dele lá pra

[01:43:52] o… esqueci o nome daquele

[01:43:54] Fugiu agora, que é o grande,

[01:43:57] um dos grandes construtores aí da

[01:43:59] ditadura, o Go…

[01:44:01] Goberi, né? O ministro…

[01:44:03] Ah, o Goberi. É, isso.

[01:44:05] É ele que recebeu

[01:44:07] um representante da comitiva

[01:44:09] lá.

[01:44:11] A Regina Duarte,

[01:44:13] depois ela foi a viúva porcina

[01:44:15] na versão de 85,

[01:44:17] e obviamente que

[01:44:20] chegava

[01:44:21] pro elenco, né?

[01:44:23] Se bem que ainda era

[01:44:25] algo que era

[01:44:27] feito no

[01:44:29] roteiro, né?

[01:44:31] Acontecia também

[01:44:33] de cenas gravadas serem cortadas

[01:44:35] depois no vídeo. Tinha, na verdade,

[01:44:37] essas duas possibilidades, né?

[01:44:40] Mas todo mundo

[01:44:41] ficava sabendo ali na produção,

[01:44:43] né? Dos problemas,

[01:44:45] o que aconteceu, né?

[01:44:47] Agora, o que que

[01:44:49] isso representou

[01:44:51] pra ela? É difícil saber,

[01:44:53] a gente não tem a oportunidade de perguntar

[01:44:55] pra ela, né? Porque seria realmente

[01:44:57] uma pergunta interessante, né? Como que você

[01:44:59] é… sentir,

[01:45:01] sentia essa censura, o que que você pensa?

[01:45:03] Certamente,

[01:45:04] eu vejo, assim,

[01:45:07] acho que é uma possibilidade

[01:45:09] maior

[01:45:10] que ela não faça uma conexão, né?

[01:45:13] Entre esses dois momentos,

[01:45:15] assim. Eu não sei analisar

[01:45:17] a figura da Regina Duarte, porque ela…

[01:45:19] Eu não estudei

[01:45:21] a biografia dela,

[01:45:23] ela passa pela história aqui,

[01:45:25] então eu cruzei

[01:45:27] com ela pelo caminho, assim.

[01:45:28] E hoje eu não cubro

[01:45:30] o Ministério da Cultura, né?

[01:45:32] Então eu acompanho, assim,

[01:45:33] as notícias lateralmente,

[01:45:37] né? Então eu não consigo

[01:45:39] fazer uma análise, né?

[01:45:40] Mas acredito que, assim,

[01:45:42] ou ela, naquele momento,

[01:45:44] pode ser também que ela

[01:45:46] acreditasse que isso justificava

[01:45:48] alguma censura moral, porque se fazia

[01:45:50] essa diferença, é uma diferença

[01:45:52] com a qual eu não concordo, né?

[01:45:54] A diferença entre censura política

[01:45:56] e moral. Eu acho que toda censura é

[01:45:58] ruim que ela tenha um…

[01:46:00] um objeto

[01:46:02] moral, ela é uma

[01:46:04] censura política, porque a moral

[01:46:06] é a moral de quem sustenta

[01:46:08] ou não sustenta aquele projeto

[01:46:10] político, né? Não sei se

[01:46:12] ela acreditava que aquela

[01:46:14] censura pudesse se justificar,

[01:46:16] porque tem muito de que a sociedade

[01:46:18] também…

[01:46:21] A sociedade também,

[01:46:23] parte da sociedade também pede

[01:46:24] e exige uma censura. Eu não sei se ela

[01:46:26] faz parte disso, é difícil, porque normalmente

[01:46:28] quem está…

[01:46:30] na indústria cultural, assim, né?

[01:46:32] Quem está na área cultural

[01:46:34] não endossa

[01:46:36] esse tipo de coisa, né? Mas

[01:46:38] a gente também não sabe dizer exatamente

[01:46:40] qual que era a visão dela

[01:46:42] ou se mudou essa visão,

[01:46:44] porque já… Quantos anos se

[01:46:46] passaram desde que isso aconteceu também, né?

[01:46:49] Então, é muito complicado,

[01:46:51] assim, eu…

[01:46:52] Às vezes as pessoas me perguntam da Regina Duarte

[01:46:54] porque ela está…

[01:46:56] Ela é um símbolo

[01:46:58] dessa novela, é uma…

[01:47:00] interpretação, na minha visão, assim,

[01:47:02] genial dela, né?

[01:47:04] Da Viúva Porcina. Sim, é inesquecível.

[01:47:06] É inesquecível, é uma coisa

[01:47:08] super marcante. Se a gente quer se divertir,

[01:47:11] um pouco vai lá no YouTube

[01:47:12] ver cenas maravilhosas dela com

[01:47:14] o Lima Duarte, né?

[01:47:16] Então, às vezes as pessoas me perguntam, porque

[01:47:18] aí ela virou ministra

[01:47:20] e tal. E eu

[01:47:21] realmente não arrisco muito.

[01:47:24] Eu dei, assim…

[01:47:26] Por sorte, eu assisti

[01:47:28] o Rodavela,

[01:47:30] o Rodavela Viva, do

[01:47:31] Fernando Meirelles, que é uma pessoa que eu

[01:47:34] admiro bastante, assim, né?

[01:47:36] Em vários aspectos.

[01:47:39] Acho, enfim,

[01:47:40] sem falar da

[01:47:41] carreira, porque eu não preciso

[01:47:44] falar, mas do ponto de vista

[01:47:46] de equilíbrio e

[01:47:48] generosidade, assim, é uma pessoa que eu

[01:47:49] admiro muito. E

[01:47:51] ele fez um comentário

[01:47:53] que eu tendo a…

[01:47:55] com o qual eu tendo a concordar,

[01:47:57] assim, eu espero que ele esteja certo.

[01:48:00] Que é, assim, eu acho

[01:48:02] que nesse cenário

[01:48:03] essa

[01:48:06] possibilidade de conciliar,

[01:48:09] de conciliação

[01:48:10] entre esse governo que

[01:48:12] quer destruir a

[01:48:14] cultura nacional

[01:48:15] e uma pessoa que é da

[01:48:18] cultura nacional, que sabe

[01:48:20] como é feita uma

[01:48:22] peça, uma novela,

[01:48:24] uma série, um filme.

[01:48:26] Ela sabe o que é,

[01:48:28] ela sabe a importância

[01:48:30] da cultura para um país, né?

[01:48:32] Sabe, ela sabe, assim,

[01:48:33] que visão ela tem disso, a gente vai

[01:48:35] aos poucos

[01:48:37] tentando entender, mas o que ela sabe

[01:48:39] que a cultura é algo essencial

[01:48:42] e que ela é um fruto

[01:48:43] da cultura nacional, isso é indiscutível.

[01:48:46] Então, nesse cenário,

[01:48:48] acreditar que isso possa ser

[01:48:49] um canal de

[01:48:51] diálogo, eu acho que

[01:48:54] que, assim,

[01:48:55] eu vou com ele,

[01:48:57] eu vou com o Fernando Meirelles, porque a gente precisa

[01:48:59] também,

[01:49:00] ter algum otimismo, né?

[01:49:02] Vamos ver até que ponto

[01:49:03] ela vai levar, eu estou acompanhando

[01:49:06] as notícias aí, das dificuldades

[01:49:08] e tal,

[01:49:09] mas, enfim, entre ela

[01:49:12] e o anterior,

[01:49:14] vamos acreditar

[01:49:16] que a gente está melhor agora, né?

[01:49:18] Aí o tempo dirá,

[01:49:20] né? Carapanã,

[01:49:21] mais alguma coisa que você quer falar?

[01:49:24] Fechou, fechou? Não, não.

[01:49:26] Seu Tiago, você está vivo?

[01:49:27] Eu estou aqui, eu caí,

[01:49:29] eu voltei,

[01:49:30] eu recuperei o meu microfone,

[01:49:32] o meu audacity explodiu,

[01:49:34] aconteceu de tudo aqui,

[01:49:36] mas eu estou aqui, eu só tenho um pouco de medo

[01:49:38] desse negócio e o tempo dirá,

[01:49:40] porque a última vez

[01:49:42] que falaram sobre isso, a pergunta

[01:49:44] era Tyson ou Messi?

[01:49:46] Quem será melhor?

[01:49:50] E a Vianney Carley,

[01:49:52] você falhou miseravelmente,

[01:49:53] mas eu estou viajando

[01:49:56] bem longe do termo,

[01:49:58] mas a gente pode ficar.

[01:50:00] A gente vai ficar,

[01:50:01] a gente vai ficar.

[01:50:02] Mistérios da meia-noite

[01:50:03] que voam longe

[01:50:05] que você nunca

[01:50:06] não sabe nunca

[01:50:07] se vão, se ficam

[01:50:09] e vai quem foi.

[01:50:15] Impérios de um lobisomem

[01:50:17] que fosse um homem

[01:50:18] de uma menina

[01:50:19] tão desgarrada

[01:50:21] desamparada

[01:50:22] seu professor.

[01:50:26] Naquele mesmo tempo

[01:50:28] do mesmo povo

[01:50:30] O arco se entregou ao seu amor porque

[01:50:33] Não quis ficar com os veados

[01:50:38] Nem mesmo entre Deus ou o capeta que viveu na feira

[01:50:44] Beleza, fecha o senhor então, já que esse episódio é teu.

[01:50:53] É meu? Como assim? É nosso, é de nós quatro.

[01:50:56] Hoje é 51 a 49, a proporção hoje é essa.

[01:51:00] Fecha aí, fecha. Você tá muito tempo calado com essa tua queda aí.

[01:51:03] Não, sem problema.

[01:51:05] Não, beleza. Então, antes de fechar, a gente só pode agradecer, né?

[01:51:10] Porque estamos aqui há 84 anos falando sobre esse livro

[01:51:17] e sobre todas essas histórias e tem muito mais a ser falado.

[01:51:22] Então, fica de novo aqui a recomendação do livro.

[01:51:26] Pra quem não pegou o nome do livro é

[01:51:28] Herói Mutilado, Roque Santeiro e os Bastidores da Censura, a TV na Ditadura.

[01:51:34] E ele saiu pela Companhia das Letras.

[01:51:36] Nós temos, tínhamos, eu não sei mais qual outro tipo verbal utilizar, mas…

[01:51:43] Acho que já é o pretérito, já tem que entrar no pretérito.

[01:51:45] Ok, mas então nós tínhamos uma parceria com a Companhia das Letras

[01:51:50] e esse livro, inclusive, nós escolhemos entre os lançamentos da companhia ali

[01:51:55] e a gente bateu o olho e falou, cara,

[01:51:57] isso aqui, isso daqui da samba, então…

[01:52:02] Eu tô bem satisfeito com esse episódio, é um negócio bem diferente

[01:52:05] comparado ao que a gente tava fazendo, então…

[01:52:08] Passa no selo pistolante de qualidade de assunto estranho.

[01:52:15] Então, gente, muito obrigado, Laura, por ter dedicado esse tempo aqui

[01:52:21] a falar conosco, a explicar um pouco do seu processo de pesquisa.

[01:52:24] Os 84 anos, né, Tiago?

[01:52:27] Sim, sim.

[01:52:37] Gente, eu poderia ficar 150 anos conversando com vocês, realmente…

[01:52:43] Obrigada, foi um prazer enorme pra mim, enfim, a gente…

[01:52:52] É difícil chegar num resultado como esse, é um percurso…

[01:52:57] Bem árduo e colocar um livro numa prateleira no Brasil é, assim, uma maratona, né?

[01:53:06] Mas eu fiquei muito feliz de ter conseguido e de que…

[01:53:11] Não feliz com o fato do livro ser atual, porque eu gostaria que ele não fosse,

[01:53:16] eu gostaria que a gente tivesse falado sobre o passado,

[01:53:18] mas, assim, eu agradeço que a oportunidade de tentar,

[01:53:25] de alguma maneira, refletir sobre a realidade agora,

[01:53:30] a partir de alguns aspectos dessa pesquisa.

[01:53:33] Então, pra mim, é, assim, um prazer enorme e agradeço muito o espaço de vocês,

[01:53:41] a reflexão aí, esse compartilhar aí que a gente teve de ideias,

[01:53:49] e foi ótimo, obrigada mesmo.

[01:53:51] Foi show o papo.

[01:53:53] Vem cá, eu não me lembro mais se eu te pedi,

[01:53:55] se eu cheguei a falar com você das nossas dicas culturais.

[01:53:58] Ah, você pediu!

[01:53:59] E eu costumo esquecer.

[01:54:01] Ah, que bom que eu não esqueci.

[01:54:03] Não, eu falei, eu vou pegar os detalhes pra falar pra vocês,

[01:54:10] eu esqueci de pegar os detalhes, mas eu vou falar…

[01:54:13] Bom, então tá bom, se eu falei, eu já não vou levar bronca,

[01:54:18] eu tô mais feliz.

[01:54:19] Eu vou falar, eu ia pegar endereço bonitinho e tal,

[01:54:23] mas também não é tão difícil aqui, porque na internet a gente acha rápido, né?

[01:54:27] Pode, essa é a nossa, a balada do pistoleiro,

[01:54:29] o nosso quadro com as dicas culturais, que podem ser culturais ou não,

[01:54:32] eu dou umas dicas meio nada a ver de vez em quando,

[01:54:35] então é cultural no termo bem genérico, pode mandar aí.

[01:54:38] É, mas não é tão genérica, mas é um pouco inusitada, talvez,

[01:54:43] porque é um espaço de arte que eu conheci recentemente na cidade de Itu,

[01:54:50] que fica a uma hora e pouco aqui de São Paulo,

[01:54:53] ela é conhecida por ter coisas grandes, eu não sei se essa fama chega aí pra vocês.

[01:54:58] Sim, gente, como não?

[01:54:59] Quem nunca teve uma borracha de Itu na escola?

[01:55:01] O colega levou uma borracha do tamanho de um prato.

[01:55:03] Exato, e a gente frequenta a cidade de Itu e tem essa pracinha que é gostosa,

[01:55:08] com um orelhão gigante, aí tem que explicar hoje pras crianças,

[01:55:11] primeiro que é orelhão, né?

[01:55:13] Tem que explicar porque é grande, então são duas camadas ali de didatismo.

[01:55:21] Mas recentemente foi aberto um espaço lá em Itu que foge desse estereótipo turístico da cidade,

[01:55:31] que se chama Fama, fábrica de arte Marco Amaro,

[01:55:36] da família do comandante Rolim, que é do fundador da TAM,

[01:55:43] e é um espaço maravilhoso, é um museu que foi feito

[01:55:49] numa antiga fábrica têxtil, que é importante pra cidade,

[01:55:54] então aquele ar de fábrica sendo destruída e tal,

[01:56:01] e eles colocaram arte, mas com um padrão impressionante de qualidade e relevância.

[01:56:11] Então, por exemplo, eles têm lá o Bispo do Rosário,

[01:56:14] em uma sala que vai ficar até setembro,

[01:56:18] agora no dia 14 de março vai começar uma exposição sobre a Tarsila,

[01:56:25] estudos e anotações dela, então é muito surpreendente,

[01:56:31] naquela cidade pequena do interior e que tem todo esse turismo

[01:56:39] centrado nessa coisa mais folclórica, que é gostoso também,

[01:56:43] nada contra as borrachas de Itu, né?

[01:56:46] Mas é um lugar muito interessante de arte,

[01:56:51] que surpreende mesmo, especialmente o turista que vai lá

[01:56:57] mais nessa sintonia com essa coisa mais histórica da cidade mesmo,

[01:57:04] das coisas grandes, né?

[01:57:06] É um museu de fazer inveja mesmo,

[01:57:11] mesmo pra gente que tá em São Paulo, que tem um monte de possibilidades e tal,

[01:57:15] um espaço lindo, com salas e você vai andando também ao ar livre,

[01:57:21] com obras ao ar livre, restaurante legal.

[01:57:25] Maravilhoso o passeio, assim, acho que…

[01:57:28] Show, tá na pauta, quem puder…

[01:57:30] É…

[01:57:31] Tá aqui o site, tudo direitinho.

[01:57:33] Mas tá aí, famamuseu.org o site.

[01:57:37] Ótimo.

[01:57:38] Carapanã, tem dica?

[01:57:41] Tenho, eu tenho, na verdade, uma coisa bem simples.

[01:57:43] É…

[01:57:44] Talvez na data que sair o episódio não vai ser tão importante,

[01:57:48] ou espero,

[01:57:49] mas eu queria recomendar a conta de Twitter do Atila Yamarino,

[01:57:55] que é um baita divulgador científico,

[01:57:58] tá fazendo um trabalho de divulgação científica sobre o coronavírus super bom,

[01:58:01] combatendo a desinformação,

[01:58:03] colocando um monte de informação aí pra todo mundo,

[01:58:08] e também o canal que ele tem, mantém,

[01:58:11] junto com o Felipe Figueiredo, do Xadrez Verbal, né? Podcast.

[01:58:14] Legal que é o Nerdologia,

[01:58:16] que é um dos meus canais preferidos.

[01:58:19] Às vezes tem um vídeo de ciências duras,

[01:58:22] depois tem um vídeo de história,

[01:58:24] eles vão alternando assim, acho que tem um vídeo por semana,

[01:58:26] ou um vídeo a cada dois dias,

[01:58:28] não lembro mais a frequência,

[01:58:29] mas eu sempre entro lá e maratono de vez em quando.

[01:58:32] Fica aí pra quem não conhece.

[01:58:34] Tá bom, ótimas dicas.

[01:58:36] Todo mundo deve ter recebido o vídeo do Atila no Zap

[01:58:39] sem saber que é o Atila,

[01:58:40] porque eu recebi de 12 milhões de fontes diferentes,

[01:58:43] e fiquei feliz de estar recebendo vídeos dele,

[01:58:46] e não de uma pessoa imbecil falando pra lavar a mão com vinagre,

[01:58:49] tomar suco de graviola e outras merdas desse tipo.

[01:58:53] Então, toda vez que eu recebo,

[01:58:55] ah, isso, pode passar pra frente que isso aqui é show.

[01:58:58] Primeira vez que acontece isso,

[01:58:59] eu receber vídeos que não são idiotas, então eu tô muito feliz.

[01:59:02] Vou colocar aqui na lista pra quem ainda não conhecer,

[01:59:04] mas o pessoal que tá acostumado a ouvir podcast

[01:59:06] certamente conhece o Atila, que todo mundo gosta muito dele.

[01:59:09] Thiago, e aí? E tu?

[01:59:11] Então…

[01:59:13] Vamos lá.

[01:59:14] Eu tava dando uma caçada, assim, totalmente despretensiosa

[01:59:19] sobre artistas que já ganharam o tal do Grammy Latino,

[01:59:23] que é uma daquelas premiações, assim,

[01:59:26] que o brasileiro simplesmente caga e anda

[01:59:29] pra quem ganha o Grammy Latino.

[01:59:31] E eu fui lá procurar algumas coisas aqui da América Latina

[01:59:34] que fossem interessantes, assim, pra se ouvir e tal,

[01:59:38] e conheci uma banda colombiana chamada Messier Perriné.

[01:59:43] É Monsier.

[01:59:44] Ah, é bem nome colombiano isso mesmo.

[01:59:47] É Monsier mesmo, né, como no francês.

[01:59:50] E Perriné é P-E-R-I-N-E, acento agudo nesse E.

[01:59:59] E eles são uma banda meio…

[02:00:04] Eles são uma banda com um som bem colombiano mesmo, assim,

[02:00:08] que você sente que tem alguma coisa ali de uma levada meio afro.

[02:00:12] Ele tem uma latinidade, eu não sei explicar esse bagulho,

[02:00:16] mas é bem interessante.

[02:00:18] É como se, sei lá, Ana Vitória encontrasse seu Jorge

[02:00:27] e tomassem ayahuasca.

[02:00:29] Eu não sei.

[02:00:30] Nossa, mãe do céu.

[02:00:32] Caraca.

[02:00:33] Eles têm músicas em português, em francês, em espanhol,

[02:00:36] é tudo uma bagunça.

[02:00:37] Rapá.

[02:00:38] E se eu puder recomendar uma, inclusive,

[02:00:40] eu vou colocar como trilha de música.

[02:00:41] Eu vou colocar como trilha de fundo aqui

[02:00:43] para as pessoas já conhecerem.

[02:00:45] Eu deixo uma chamada Nuestra Canción.

[02:00:48] Ela é bem gostosinha de ouvir.

[02:00:51] Fica a recomendação.

[02:01:11] Tá, beleza.

[02:01:32] Eu vou dar uma dica…

[02:01:34] Não, eu tô chocada com esse nome que é super colombiano,

[02:01:37] mas tudo bem.

[02:01:38] Eu vou dar uma dica…

[02:01:40] De um amigo meu,

[02:01:42] vou fazer um jabá interno, digamos assim.

[02:01:45] Eu, para quem me conhece, todo mundo sabe

[02:01:48] que eu traduzo o italiano, morei na Itália,

[02:01:50] estudei italiano, blá, blá, blá, blá.

[02:01:51] E quando eu estudei italiano no Rio,

[02:01:53] que tem 84 anos praticamente,

[02:01:56] o pessoal da minha turma é tão legal

[02:01:58] que a gente até hoje mantém contato.

[02:01:59] Isso tem realmente muitos anos.

[02:02:00] Eu estava na faculdade, eu me formei em 2001,

[02:02:02] então a gente está falando de final dos anos 90.

[02:02:06] A gente se conhece há bastante tempo

[02:02:07] e praticamente ninguém perdeu contato à maturidade.

[02:02:09] É uma turma muito bacana.

[02:02:11] Um dia estou eu na livraria com a Carol

[02:02:13] e ela olha um livrinho infantil,

[02:02:15] que apesar de ser para uma idade mais baixa do que a dela,

[02:02:18] era um livro para crianças menores,

[02:02:19] mas ele vem dentro de uma redinha de pesca,

[02:02:22] super bonitinho,

[02:02:23] as ilustrações são lindas e tal,

[02:02:25] e o texto ela gostou.

[02:02:26] Ela abriu na hora, leu e gostou,

[02:02:27] apesar de ser uma coisa bem mais simplesinha.

[02:02:29] Ela ainda gosta de ler esses livros de criança menor.

[02:02:32] E aí ela pediu para comprar.

[02:02:34] E aí eu lembrei,

[02:02:35] caramba, esse livro é o livro do Sérgio.

[02:02:37] É o livro de um amigo meu, do curso de italiano.

[02:02:39] Se chama Baleia, o livro.

[02:02:42] O nome dele é Sérgio Campanti.

[02:02:44] Ele é um fofo.

[02:02:45] O livro é um fofo.

[02:02:46] É da editora Voo.

[02:02:47] É um livro legal para dar de presente,

[02:02:49] porque vem com essa redinha,

[02:02:50] as crianças, sabe?

[02:02:51] Você pode dizer que olha,

[02:02:52] aqui pesquei o livro no mar e tal,

[02:02:54] não sei o quê.

[02:02:55] É super bonitinho.

[02:02:56] As crianças adoram.

[02:02:57] É uma história bem fofinha.

[02:02:58] O Sérgio é um fofo também.

[02:02:59] Então é um livro infantil que eu recomendo.

[02:03:03] Quem tiver festa de aniversário aí por esses dias

[02:03:05] ou tiver alguma criança para presentear,

[02:03:08] que seja a sua própria,

[02:03:09] ou de terceiros,

[02:03:10] pode ser um bom presente,

[02:03:13] porque ele é bem bonitinho,

[02:03:14] um livrinho bem gostosinho.

[02:03:15] É bom para ler com a criança no colo,

[02:03:17] entendeu?

[02:03:18] Para você ir descrevendo as imagens e tal.

[02:03:20] É bem legalzinho.

[02:03:21] O link está aqui na pauta também.

[02:03:23] Então, agora nos restam o quê?

[02:03:26] Jabás, seu Tiago?

[02:03:28] Sim, jabás, por favor.

[02:03:30] Carapanã, quem quiser te achar,

[02:03:32] te acha e não te seguir ainda,

[02:03:33] te acha onde?

[02:03:35] Me acha no Twitter,

[02:03:36] arroba carapanajabás.

[02:03:38] Carapanarana.

[02:03:40] E eu estou ali toda semana,

[02:03:43] bom, quase sempre,

[02:03:44] no Vira Casacas,

[02:03:46] que é um podcast de política,

[02:03:48] hoje tocado por mim e pelo Gabriel Divan.

[02:03:51] E queria mandar um abraço para o Felipe Abau

[02:03:53] e falar que eu estou com muita saudade dele já

[02:03:55] e que ele nos abandonou.

[02:03:57] Espero que isso seja temporário.

[02:04:00] E, bom, eu acho que é isso.

[02:04:02] Sim, senhor.

[02:04:03] Laura, quem quiser entrar em contato com você,

[02:04:05] entra como?

[02:04:06] Te acha onde?

[02:04:07] Está.

[02:04:08] Eu pensei que eu podia fazer o jabá também.

[02:04:10] É esse o jabá?

[02:04:11] Faça.

[02:04:12] É esse o jabá, manda ver.

[02:04:13] Eu pensei que o jabá era para falar do meu livro.

[02:04:15] Também.

[02:04:16] O jabá é tudo, é contato.

[02:04:17] Eu concordo com você que dar livro de presente é ótimo.

[02:04:19] Não, olha, a gente falou de auto-censura,

[02:04:21] mas aqui é auto-propaganda,

[02:04:22] que é o jabá, pode fazer.

[02:04:23] Ah, não.

[02:04:24] Não, então, eu estou por aí no Face,

[02:04:28] tem o meu e-mail,

[02:04:30] se alguém quiser me mandar também,

[02:04:32] que é lauramados, com dois t’s, né,

[02:04:35] .s, de sapo, que é de queijo,

[02:04:39] que é Soares Quintas, que é meu nome,

[02:04:42] então, lauramados, t’s.sq, arroba gmail.com,

[02:04:46] e é isso, obrigada mesmo, gente.

[02:04:51] Lembrei também, então, eu tenho uma coluna na Folha,

[02:04:56] eu sou repórter e colunista na Folha,

[02:04:59] e agora faz um ano, vai fazer um ano em abril,

[02:05:02] eu estou escrevendo uma coluna sobre educação,

[02:05:04] foi meio por acaso, assim,

[02:05:06] eu achava que eu ia,

[02:05:08] eu estava lançando o livro,

[02:05:10] achei que eu ia ficar escrevendo sobre censura,

[02:05:14] e eles me pediram para falar sobre educação,

[02:05:16] e eis que a coluna de educação

[02:05:18] e o tema da censura se encontraram, infelizmente,

[02:05:23] e eu também falo sobre censura na coluna de educação,

[02:05:27] mas outros temas também,

[02:05:28] se alguém tem interesse pela educação,

[02:05:30] está lá na parte de colunistas da Folha de São Paulo também,

[02:05:34] fico feliz com a leitura de vocês.

[02:05:36] Pode deixar, colocarei lá,

[02:05:38] coloquei aqui na pauta também.

[02:05:40] Mais alguma coisa que vocês queiram falar?

[02:05:43] Olha, eu queria agradecer.

[02:05:46] Eu queria agradecer o convite,

[02:05:49] e dizer que foi ótimo, e é isso.

[02:05:52] Bom, nós gostaríamos de agradecer muitíssimo aos dois,

[02:05:56] e pedir desculpa pelo atraso do seu Thiago hoje,

[02:05:58] mas está sendo um dia bizarro na rotina do seu Thiago,

[02:06:01] então, eu entendo.

[02:06:04] As coisas são meio esquisitas hoje,

[02:06:06] mas muitíssimo obrigada pela participação de vocês,

[02:06:09] ainda bem que deu tudo certo,

[02:06:11] fora essa caída do Thiago aí meio esquisita,

[02:06:13] o resto aparentemente funcionou direitinho,

[02:06:15] os dedos das gravações aparentemente estão,

[02:06:18] nos estão sendo favoráveis,

[02:06:20] mas também não vou nem bater na madeira,

[02:06:22] porque, né?

[02:06:23] Melhor ficar quieto.

[02:06:24] Thiago, mais alguma coisa?

[02:06:26] Nossos contatinhos rapidinhos.

[02:06:28] Nas últimas duas semanas a Bruxa tem andado solta aqui,

[02:06:31] então é melhor nem falar muito sobre isso.

[02:06:33] Esse programa aqui, ele é o primeiro que eu faço na íntegra,

[02:06:37] com o nosso novo equipamento,

[02:06:39] então a gente tem que agradecer muito aos nossos apoiadores,

[02:06:44] e você, que ainda não nos apoia,

[02:06:47] mas que está vendo que a gente está usando esse dinheiro

[02:06:50] para realmente melhorar alguma coisa aqui,

[02:06:53] se estiver dentro do seu orçamento,

[02:06:55] se estiver dentro das suas condições,

[02:06:57] entre em catarse.me

[02:06:59] e a partir de cinco reais você já pode

[02:07:02] nos auxiliar aqui a transformar o nosso projetinho

[02:07:05] em uma coisa cada vez melhor e mais bem feita.

[02:07:09] Ou, se você estiver fora do país,

[02:07:11] pode usar o patreon.com.

[02:07:13] Agora que o dólar bateu cinco reais,

[02:07:15] meu, tanto faz, cara.

[02:07:17] Segue seu coração aí,

[02:07:19] se você puder doar um dólar,

[02:07:21] dar cinco pila, a gente está de boaça.

[02:07:24] Tirando isso, nós estamos participando,

[02:07:28] e como esse episódio sai no final do mês de março,

[02:07:31] ainda é válido para o podcast Adelas,

[02:07:35] a hashtag o podcast Adelas foi criada para mostrar

[02:07:39] para dar mais visibilidade para mulheres que fazem podcast,

[02:07:45] e principalmente quando isso é feito fora do mês de março.

[02:07:49] Tem muita gente que só chama

[02:07:51] para participar de episódios temáticos,

[02:07:53] para falar sobre coisinhas de mulherzinha,

[02:07:55] e só no mês de março.

[02:07:57] Então, nós estamos aqui

[02:08:00] apoiando explicitamente a hashtag

[02:08:03] como uma forma de combater isso.

[02:08:05] Todo o episódio nosso,

[02:08:07] nós citamos mulheres podcasters,

[02:08:09] porque vocês que nos ouvem sabem

[02:08:11] que tem muito mais mulher no podcast

[02:08:15] do que se diz por aí,

[02:08:17] e não é só para assunto de mulherzinha.

[02:08:19] Isso é muito bom que fique claro.

[02:08:22] Eu estou esquecendo alguma coisa, dona Letícia?

[02:08:25] Nossos contatos?

[02:08:26] Pistolando pod no Twitter e no Instagram.

[02:08:30] Ou então no contato

[02:08:31] arroba pistolando.com

[02:08:33] se você prefere o meio do e-mail.

[02:08:37] Cacofonia.

[02:08:40] Ou então se você preferir conteúdo complementar,

[02:08:44] links no post e tal,

[02:08:46] vá no nosso site pistolando.com.

[02:08:48] Lá você vai encontrar tanto material complementar

[02:08:52] para esse como para todos os nossos outros episódios.

[02:08:56] Acho que acabei.

[02:08:58] Eu acho que agora realmente foi, né?

[02:08:59] Vocês já sabem também

[02:09:00] nossa parceria com a Veste Esquerda.com.br.

[02:09:03] Escolham uma camiseta esquerdopata lá

[02:09:05] e usem o código PISTOLA10

[02:09:07] para ter 10% de desconto.

[02:09:09] Lavem as mãos.

[02:09:11] Lavem as mãos.

[02:09:13] Aquela mão de rua asquerosa.

[02:09:15] Quando chegar em casa,

[02:09:17] antes de encontrar qualquer coisa,

[02:09:18] tocar qualquer coisa, abraçar alguém,

[02:09:20] lava a mão.

[02:09:21] Ah, desgraçada.

[02:09:23] Eu estava roendo a unha bem na hora que você falou.

[02:09:25] É óbvio que estava.

[02:09:26] Você acha que eu não te conheço?

[02:09:28] Não faça como o seu Tiago,

[02:09:30] que está lá comendo o vírus com a unha.

[02:09:31] Entendeu?

[02:09:32] Lava a fucking mão quando chegar em casa.

[02:09:34] Por favor.

[02:09:35] Lavem frequentemente.

[02:09:37] Tuçam um braço aqui por dentro do cotovelo.

[02:09:41] Não tuçam na mão.

[02:09:42] Não espirrem na mão.

[02:09:43] Porque depois você vai pegar essa mão toda nojenta,

[02:09:45] cheia de perdigoto.

[02:09:46] Vai encostar uma maçaneta

[02:09:48] que outra pessoa vai tocar,

[02:09:50] que ninguém nunca vai limpar.

[02:09:51] Essa pessoa vai coçar o olho.

[02:09:54] Coisa que eu já também mandei vocês não fazerem mais.

[02:09:56] E aí o vírus entra na sua mucosa.

[02:09:57] Do olho todo feliz.

[02:09:59] E quando você olhar,

[02:10:00] você já vai estar na UTI entubado.

[02:10:02] E vai por mim não é legal.

[02:10:03] Então deixem de ser nojentos.

[02:10:05] Lavem essa mão de rua.

[02:10:06] Por favor.

[02:10:07] Até o momento que esse episódio foi para o ar,

[02:10:09] eu acho que talvez não seja necessário

[02:10:12] um cuidado tão agressivo.

[02:10:15] Sempre tem que lavar a mão de rua, Tiago.

[02:10:17] Deixa de ser nojento.

[02:10:18] Não, mas eu estou falando do que está acontecendo agora, mulher.

[02:10:22] Não importa.

[02:10:23] Sempre.

[02:10:24] Sempre.

[02:10:26] Sempre.

[02:10:27] Agora nós estamos com suspeitas,

[02:10:29] ainda não confirmadas até o momento agora do final da gravação,

[02:10:33] de que o coronavírus talvez tenha pego Bolsonaro.

[02:10:38] Então a gente torce pela saúde do coronavírus aí.

[02:10:43] E vamos ver como é que vai se dar.

[02:10:46] Vamos ver.

[02:10:47] Quando sair o episódio,

[02:10:48] a gente já tuita o link do episódio já com o champanhe aberto ou não,

[02:10:53] dependendo do resultado.

[02:10:54] Certo?

[02:10:56] Tomara que o coronavírus consiga sair dessa aí.

[02:10:59] Eu?

[02:11:00] Quem é o mar?

[02:11:01] Não sei.

[02:11:02] Não estou vendo maldade nenhuma.

[02:11:03] Gente, deixa eu parar a gravação.

[02:11:05] Eu acho que acabou.

[02:11:06] Chega.

[02:11:07] Obrigada, gente.

[02:11:08] Até a próxima.

[02:11:09] Beijo.

[02:11:10] Muito obrigado.

[02:11:11] Até a próxima.

[02:11:12] Até.

[02:11:26] Beijo.