#04 - Midsommar (feat. Imagina Juntas)
Resumo
Este episódio especial reúne os hosts dos podcasts PopCult e Imagina Juntas para uma análise profunda do filme Midsommar, dirigido por Ari Aster. A discussão apresenta perspectivas radicalmente diferentes sobre o significado e o valor do filme, criando um debate rico e multifacetado.
Orlando Calheiros apresenta uma crítica fundamentada na análise dos tropos racistas presentes no filme, argumentando que Midsommar reproduz estruturas clássicas do terror que demonizam o “outro”, apenas substituindo personagens não-brancos por brancos nórdicos. Ele vê o filme como uma mensagem anti-relativista que reforça a ideia de que culturas diferentes da moderna ocidental são perigosas e primitivas, utilizando elementos como parentesco difuso e rituais violentos para criar essa representação.
Karol Rocha (Tchulin) oferece uma leitura completamente oposta, focando na jornada emocional da protagonista Dani. Ela interpreta o filme como uma alegoria sobre solidão na sociedade moderna e o processo de cura através do acolhimento comunitário. Destaca cenas como as mulheres gritando junto com Dani e a empatia coletiva da comunidade como momentos positivos de conexão humana, vendo o final como uma libertação da personagem de um relacionamento tóxico.
Jéssica Greco ocupa uma posição intermediária, reconhecendo qualidades técnicas e visuais do filme enquanto critica aspectos narrativos. Ela vê Midsommar como um conto de fadas moderno ao estilo dos Irmãos Grimm, com elementos de empoderamento feminino, mas questiona a caracterização caricata dos personagens masculinos e alguns elementos de terror convencional que considera desnecessários. Sua análise equilibra apreciação pela fotografia e pela performance de Florence Pugh com frustração com clichês do gênero.
Ao longo da conversa, os participantes exploram como suas experiências pessoais e perspectivas influenciam sua interpretação do filme, discutindo temas como terror psicológico versus terror físico, a representação de comunidades isoladas, e as possibilidades narrativas que o filme poderia ter explorado mas não o fez. O debate revela como Midsommar funciona como um espelho para as preocupações contemporâneas sobre isolamento, relações tóxicas e o medo do diferente.
Indicações
Conceitos
- Gemeinschaft e Gesellschaft — Conceitos sociológicos alemães citados por Orlando para analisar a dicotomia entre sociedade comunitária versus sociedade individualista apresentada no filme.
Filmes
- Dogville — Mencionado como filme que Gus originalmente planejava discutir com Orlando antes de mudar para Midsommar, sugerindo conexões temáticas entre as obras.
- Hereditário — Filme anterior de Ari Aster comparado extensivamente com Midsommar, com discussões sobre padrões do diretor em construção de personagens e uso de tropes de terror.
- Corra! (Get Out) — Citado como exemplo de filme de terror que aborda questões sociais de maneira mais eficaz, particularmente na representação do terror das minorias.
- Us — Outro filme de Jordan Peele mencionado como exemplo do ‘horror das minorias’ onde o terror emerge da própria sociedade opressora.
- Sete (Se7en) — Comparado em termos de estrutura e atmosfera, particularmente na construção de suspense e revelações progressivas.
Livros
- A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado — Obra de Friedrich Engels mencionada por Orlando em discussão sobre teorias de parentesco e evolucionismo racista na antropologia.
Linha do Tempo
- 00:03:36 — A tese crítica de Orlando sobre os tropos racistas — Orlando apresenta sua análise de Midsommar como um filme que utiliza tropos classicamente racistas do terror, apenas substituindo personagens não-brancos por brancos nórdicos. Ele argumenta que o filme promove uma mensagem anti-relativista ao representar a comunidade sueca como primitiva e perigosa, reforçando a ideia de que culturas diferentes da moderna ocidental devem ser temidas. Sua crítica conecta o filme a tradições literárias e cinematográficas que demonizam o ‘outro’ como uma ameaça à civilização.
- 00:08:59 — A leitura emocional e alegórica de Karol — Karol defende uma interpretação focada na jornada emocional da protagonista Dani, vendo o filme como uma alegoria sobre solidão e cura comunitária. Ela destaca contrastes entre a sociedade individualista moderna e a comunidade acolhedora sueca, apontando cenas como as mulheres gritando junto com Dani e a empatia coletiva como momentos positivos. Para Karol, Midsommar é sobre encontrar acolhimento após trauma e libertar-se de relacionamentos tóxicos, com o final representando uma vitória emocional.
- 00:14:12 — A perspectiva equilibrada de Jéssica como conto de fadas — Jéssica apresenta uma visão mista, reconhecendo qualidades do filme enquanto critica seus elementos problemáticos. Ela interpreta Midsommar como um conto de fadas moderno ao estilo dos Irmãos Grimm, com elementos de empoderamento feminino e libertação de relacionamentos abusivos. No entanto, questiona a caracterização caricata dos personagens masculinos, alguns clichês de terror, e a ambiguidade inconclusiva do filme sobre seu próprio posicionamento cultural e moral.
- 00:25:02 — Discussão sobre o primeiro ato e terror psicológico — Os participantes concordam que o primeiro ato do filme, ambientado nos Estados Unidos, é a parte mais forte da narrativa. Eles elogiam a construção da claustrofobia emocional de Dani, a representação do relacionamento tóxico não nomeado, e as cenas que capturam sensações como crises de pânico e ansiedade. A discussão compara essa abordagem com filmes de Jordan Peele e explora como o terror psicológico do isolamento e invisibilidade feminina é mais eficaz que os elementos sobrenaturais posteriores.
- 00:42:01 — Críticas à americanização e clichês do gênero — A conversa se volta para as frustrações com a segunda metade do filme, que os participantes consideram excessivamente dependente de clichês do terror americano. Eles criticam a estrutura de ‘um por um morrendo’, os jump scares desnecessários, e a resolução convencional que revela a comunidade como genuinamente perigosa. Surgem sugestões de como o filme poderia ter sido mais interessante se mantivesse a ambiguidade ou explorasse mais profundamente o terror psicológico e cultural.
- 00:52:00 — Análise das limitações do diretor Ari Aster — Os participantes analisam as habilidades mistas de Ari Aster como diretor versus roteirista, comparando Midsommar com Hereditário. Eles elogiam sua competência técnica e direção, mas criticam sua incapacidade de desenvolver personagens complexos e sua tendência a criar ambiguidades não intencionais. A discussão explora como Aster parece acreditar que está fazendo comentários mais profundos do que realmente consegue transmitir, resultando em filmes que ‘envelhecem mal’ conforme são analisados.
- 01:03:50 — Reflexões finais sobre o propósito da crítica — O episódio se encerra com reflexões sobre o propósito do podcast e da crítica cultural. Os participantes discutem como mesmo filmes problemáticos podem gerar discussões valiosas e como a análise profunda ajuda a justificar o tempo gasto com obras imperfeitas. Eles reconhecem que Midsommar, apesar de suas falhas, conseguiu gerar reações emocionais e intelectuais significativas, que é precisamente o que buscam explorar em suas discussões sobre cultura pop.
Dados do Episódio
- Podcast: Popcult
- Autor: Atabaque Produções
- Categoria: TV & Film Film Reviews
- Publicado: 2020-06-23T08:30:06Z
- Duração: 01:10:46
Referências
- URL PocketCasts: https://podcast-api.pocketcasts.com/podcast/full/57529740-86a3-0138-ee33-0acc26574db2/a2cc5739-e562-43b1-b00e-8cedd26c96a2
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Dados do Podcast
- Nome: Popcult
- Tipo: episodic
- Site: https://www.spreaker.com/podcast/popcult—4416630
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Transcrição
[00:00:00] Bom dia, boa tarde e boa noite.
[00:00:17] Bem-vindo a um encontro desses dois grandes podcasts, o PopCult e o ImaginaJunta,
[00:00:23] dos quais ambos têm sorte de ter a minha presença.
[00:00:26] Hoje eu tô aqui quase como um mediador da discussão sobre um filme que muita gente viu
[00:00:31] e muita gente gostou e muita gente não gostou.
[00:00:35] E eu não vou me posicionar ainda sobre isso, diferente dos outros episódios do PopCult,
[00:00:40] porque esse é o primeiro filme que eu vi com a minha namorada,
[00:00:43] então eu não quero estragar essa memória, esse princípio de relacionamento.
[00:00:48] Então aqui comigo eu tenho quem normalmente está comigo no ImaginaJunta e no PopCult.
[00:00:52] Eu tenho o Orlando Calheiros.
[00:00:53] E aí, pessoal, tudo bem?
[00:00:54] Eu tenho o Karol Rocha, a Tchulin.
[00:00:57] E aí, pessoal?
[00:00:58] Eu tenho o Jéssica Greco.
[00:01:01] Oi, anjos.
[00:01:03] E nós somos o…
[00:01:04] Nós somos os dois podcasts que têm o desprazer de ter o Gus, né?
[00:01:14] Então, assim, a gente veio aqui pra falar mal do Gus.
[00:01:18] Vamos acompanhar, vamos acompanhar.
[00:01:20] Então, aí é o seguinte…
[00:01:21] Não quero dar spoiler.
[00:01:22] Essa semana…
[00:01:23] Eu já ia gravar um episódio com o Orlando, que ia abordar Midsommar e Dogville.
[00:01:27] E eu não tava conseguindo terminar de ver Dogville, porque eu não te amo.
[00:01:30] E aí…
[00:01:31] E aí…
[00:01:34] Aí, nisso, a Tchulin assistiu Midsommar, a Jéssica assistiu Midsommar,
[00:01:38] e as duas se pronunciaram no Twitter, tipo, ah, precisamos falar sobre.
[00:01:40] Aí eu falei, esse é o meu momento.
[00:01:42] Eu vou me espiar totalmente da responsabilidade de ter que ver Dogville.
[00:01:45] Quem disse?
[00:01:46] Fazer um episódio especial só sobre Midsommar.
[00:01:48] Quem disse?
[00:01:49] Eu quero um episódio de Dogville agora.
[00:01:51] Eu fiquei com vontade de ouvir.
[00:01:53] Você vai ter que ouvir.
[00:01:53] A gente vai fazer um especial…
[00:01:54] Eu vou ter que assistir tudo.
[00:01:56] Last One Trier.
[00:01:57] Vambora?
[00:01:57] Pegar os idiotas, Dogville, melancolia.
[00:02:00] Aí é legal.
[00:02:01] Aí, ó.
[00:02:02] Ô, Guns, a gente quer participar desse podcast aqui.
[00:02:04] Você poderia se retirar?
[00:02:07] Então, hoje eu vou falar muito pouco.
[00:02:10] Então, pra quem não gosta de mim, tá ótimo.
[00:02:12] Porque eu quero primeiro, tipo, vocês que lutem, entendeu?
[00:02:16] É tipo aquele momento do gargante torcicolo que o João Gordo dizia, chinense.
[00:02:22] Eu quero que assim…
[00:02:23] Primeiro…
[00:02:23] O Orlando vai apresentar aí a tese dele sobre Midsommar.
[00:02:29] Depois a Carol, depois a Jéssica.
[00:02:30] E aí vocês se resolvam.
[00:02:31] Eu vou estar aqui só pra tentar dar uma organizada nessa conversa.
[00:02:34] O que o amor fez com o homem.
[00:02:35] Ele não tem mais coragem de dar a opinião dele publicamente sobre um filme
[00:02:40] pra não estragar o que foi.
[00:02:42] Eu amei.
[00:02:42] A experiência.
[00:02:43] No final, eu vou escolher do lado de quem que eu tô.
[00:02:47] Vai ser um telecatch isso, né, Guns?
[00:02:49] A gente já sabe, né?
[00:02:50] Mas não quer a gente meio que concordar com…
[00:02:53] Com coisas aqui.
[00:02:54] Porque assim…
[00:02:55] Eu sou a pessoa que tô assim, cadelinha deste filme.
[00:02:59] Assim, quero que seja exibido nas escolas.
[00:03:02] Quero que ele voe, entendeu?
[00:03:05] Eu quero que ele voe.
[00:03:06] E eu sei que tem uma galera que eu amo muito, eu odeio muito.
[00:03:10] A Jéssica, ela segurou um pouco os comentários no Twitter.
[00:03:13] Eu não falei nada.
[00:03:14] Eu guardei que era pra poder abrir aqui meu coração, entendeu?
[00:03:18] Exatamente.
[00:03:18] A Jéssica sabe…
[00:03:19] Ela sabe deixar o público com expectativas.
[00:03:21] É, o público está ali, né?
[00:03:22] E conta pro Orlando.
[00:03:23] Eu não sei o que esperar, entendeu?
[00:03:25] Por isso que eu deixei a opinião da Jéssica por último também, entendeu?
[00:03:28] Porque aí a pessoa que quer muito saber o que ela pensa vai ter que esperar.
[00:03:31] Bom, sabe tudo.
[00:03:32] É o season finale, né, cara?
[00:03:33] Season finale.
[00:03:34] Vai lá.
[00:03:34] Orlando, você tem dois minutos.
[00:03:36] Dois minutos?
[00:03:36] Que porra é essa, cara?
[00:03:38] É a defesa de paredão do Big Brother.
[00:03:42] Pô, dois minutos eu não consigo falar meu nome, cara.
[00:03:44] Mas então…
[00:03:45] Isso é verdade, vai ser um homem bem prolixo.
[00:03:47] Exato.
[00:03:47] Orlando, você tem quanto tempo você quiser.
[00:03:49] Se eu achar que é muito tempo, eu te corto.
[00:03:50] Beleza, então.
[00:03:51] Cara, basicamente…
[00:03:53] É um bonito filme.
[00:03:56] É um filme bem realizado.
[00:03:58] Porém, contudo, entretanto, é um filme que…
[00:04:01] Por isso que esse filme seria colocado ao lado de Doc Ville e outros filmes do La Fontaine.
[00:04:06] Pois é um daqueles filmes que, por debaixo do pano, por debaixo da mesa,
[00:04:11] passa conceitos extremamente reacionários.
[00:04:13] Como, por exemplo, uma mensagem antirelativista.
[00:04:16] Porque esse filme, ele reelabora um troco clássico, né, da literatura de terror,
[00:04:22] dos cinemas de terror.
[00:04:23] Que é o medo do outro.
[00:04:26] Que muitas vezes, nos livros clássicos, vide Lovecraft e coisas do tipo,
[00:04:31] era encenado por pessoas, né, negras ou asiáticos.
[00:04:37] Mas, nesse filme, é encenado por brancos.
[00:04:41] Que esse troco, basicamente, gira em torno da seguinte ideia.
[00:04:44] Que é a base do pensamento racista, eurocêntrico.
[00:04:47] De que existe um, digamos, um progresso.
[00:04:51] Aqueles que estão do lado da luz, né.
[00:04:53] E aqueles que estão além e aquém da luz.
[00:04:56] E esses que estão além e aquém da luz, devem ser, de alguma forma, criminalizados por isso.
[00:05:03] Os filmes de terror, né, em vídeo, por exemplo, todos os clássicos disso, né,
[00:05:08] falam exatamente sobre o encontro, né, desses personagens que estão na luz,
[00:05:13] desses personagens iluministas, que se defrontam com esses seres da fronteira,
[00:05:17] com esses seres malignos, com esses seres não modernos.
[00:05:21] Então, assim, o Midsommar, o plot central dele,
[00:05:23] é justamente esse, né, um bando de jovens americanos que vai pra uma aldeia isolada na Suécia.
[00:05:29] Suécia ou Noruega?
[00:05:30] Suécia.
[00:05:31] Suécia.
[00:05:32] Suécia.
[00:05:33] E, chegando lá, se defrontam com um ritual, né, tipo, com um ritual bastante peculiar.
[00:05:39] E ficam apreciando esse ritual, né, tipo, naquela mensagem, nossa, que bonito, nossa,
[00:05:44] é a cultura deles.
[00:05:45] Inclusive, eu me sinto particularmente ofendida, porque os antropólogos desse filme são completos
[00:05:48] imbecis.
[00:05:49] Aqueles que eles fazem ali não tem nada a ver com antropologia, né.
[00:05:52] E…
[00:05:53] O filme fica…
[00:05:54] Eu achei que, por um momento, você tava falando do tipo da pesquisa antropológica para a
[00:06:01] reprodução de uma sociedade pagã, mas, na verdade, você tá falando que é dos personagens,
[00:06:07] aí que eu me toquei.
[00:06:08] É verdade, os personagens são os antropólogos e nada a ver, né.
[00:06:11] São antropólogos.
[00:06:12] Não.
[00:06:13] É, tipo, tão não antropólogos que eu levei um tempo pra lembrar que eles eram antropólogos
[00:06:16] nesse filme.
[00:06:17] Eu só saquei que eles eram…
[00:06:18] Eles são os turistas emocionados.
[00:06:19] Eu só saquei que eles eram antropólogos, assim, no final, quase no final, assim, com
[00:06:23] o tempo, quando tinha, sei lá, o outro boy lá começou a fazer a mesma tese que ele.
[00:06:27] Aí eu, assim…
[00:06:28] Que briga de teses.
[00:06:29] Eu, assim…
[00:06:30] Que tese?
[00:06:31] Que tese?
[00:06:32] Ah, entendi.
[00:06:33] Tipo…
[00:06:34] Sim, super parece que é só férias.
[00:06:35] É isso.
[00:06:36] Eu achei que era uma Oktoberfest deles, entendeu?
[00:06:37] É isso, mas era.
[00:06:38] Era, era…
[00:06:39] Mas era.
[00:06:40] Eram os antropólogos completamente sem ética, né, porque, enfim, um deles morre porque
[00:06:46] não tem ética.
[00:06:47] Eles ficam numa briga completamente imbecil ali, não, eu vou fazer minha tese aqui,
[00:06:52] sei lá o quê.
[00:06:53] Pá, pá, pá.
[00:06:54] Vou fazer minha tese em uma visita, enfim.
[00:06:56] E o problema disso é que justamente essa fé deles num princípio de relativismo é
[00:07:04] que impede eles de ver o perigo, né, porque tu vê, quando tudo começa a se desenhar
[00:07:07] pro, sei lá, olha, essas pessoas são perigosas, eles ficam, não, mas é a cultura deles,
[00:07:13] não, mas é a cultura deles, sei lá o quê, porque, assim, no fim das contas, se isso
[00:07:17] fosse um filme, se fosse um filme, o filme, ele tenta subverter essa expectativa justamente
[00:07:23] por meio disso, né, por usar pessoas brancas no lugar de um, num, num tipo de, de, de tropo
[00:07:29] que a gente tá acostumado a ver pessoas negras ou praticantes de religiões pagãs e sei lá
[00:07:34] o quê, bruxas, por exemplo, né, ele bota um monte de gente branca ou com um padrão
[00:07:38] de beleza e tudo mais, então isso meio que deixa as pessoas meio que inseguras se eles
[00:07:41] tão, se aquilo tá de fato acontecendo ou não, mas se você pensar, por exemplo, como
[00:07:46] é que seria a sua reação vendo um, esse tipo de filme com aqueles outros personagens
[00:07:51] sendo negros ou sendo praticantes mais brancos?
[00:07:52] Não, não, não.
[00:07:53] Então, o que eu acho que é muito interessante é que, no sentido de uma religião, enfim,
[00:07:54] imediatamente identificada como diabólica, você rapidamente vê como aquilo tem uma
[00:07:59] construção desse tipo, né, um racismo mediado onde o outro é sempre o inimigo e pá, pá,
[00:08:05] pá, peraí, coisa e tal, e pandura.
[00:08:06] Então, por isso que essa mensagem do filme é tão perigosa, porque ele tem uma mensagem
[00:08:10] anti-relativista, né, no sentido que ele reforça sempre essa estrutura de que aqueles
[00:08:15] que estão além e aquém da razão, e eu falo disso como uma pessoa que sofre isso
[00:08:18] na pele, né, por ser um praticante de uma religião não-sansitária.
[00:08:23] Não-sancionada pela modernidade, né?
[00:08:25] Um macumbeiro.
[00:08:26] Exatamente, né?
[00:08:28] Então, assim, uma pessoa que vira e mexe é tomada como uma pessoa perigosa por isso,
[00:08:33] né?
[00:08:33] Ah, vocês matam bichos e coisas do tipo, né?
[00:08:38] Então, assim, é impressionante ver como é que essa máquina…
[00:08:41] O pequeno curto-circuito que ele dá é só porque ele bota um monte de gente branca ali,
[00:08:45] mas o tropo é o tropo clássico desses filmes de terror racistas que mostram que o outro
[00:08:50] é sempre diferente e perigoso.
[00:08:52] Esse é o meu ponto.
[00:08:53] Muito obrigado, Orlando.
[00:08:57] Carol, por favor.
[00:08:59] Primeiro que, assim, a análise do Orlando, ela passa muito só sobre a estrutura do filme.
[00:09:04] A minha análise é sobre sentir.
[00:09:08] É o sentir que este filme nos traz.
[00:09:10] Afinal, a arte é sobre isso, né?
[00:09:12] Exatamente, exatamente.
[00:09:14] Então, assim, a minha grande questão com esse filme é toda a alegoria montada
[00:09:19] para mostrar para a gente como…
[00:09:23] a sociedade moderna está deixando a gente cada vez mais solitário, mesmo cercado de
[00:09:30] pessoas, entendeu?
[00:09:32] E eu gostei muito de uma questão do filme que fica mostrando aquela cultura, né?
[00:09:40] Tipo, uma coisa que a gente não tem acesso.
[00:09:44] Eles estão remotos lá no cu do mundo.
[00:09:48] Você vê que, tipo, não tem internet.
[00:09:50] Ela não é uma comunidade que foi, tipo…
[00:09:53] atualizada, assim, né?
[00:09:55] Então, é como se você estivesse, de fato, explorando uma sociedade muito diferente
[00:09:59] da que a gente vive, em vários termos.
[00:10:02] E aí, eu acho que o que mexeu comigo no filme são os contrapontos sociais.
[00:10:09] Por exemplo, vou dar alguns exemplos do que eu percebi, tá?
[00:10:14] A morte dos pais, né?
[00:10:15] Ela teve…
[00:10:17] Os pais foram mortos, né?
[00:10:19] Pela irmã.
[00:10:20] E ela fica uma pessoa extremamente carente.
[00:10:23] E solitária.
[00:10:24] Enquanto naquela outra sociedade, o cara fala, inclusive, que os pais dele já morreu.
[00:10:28] Só que ele foi criado em comunidade.
[00:10:30] Então, a morte dessas duas pessoas não traz um desespero igual ela tá vivendo, sabe?
[00:10:35] Os tipos de suicídio, também.
[00:10:39] Eu achei uma coisa…
[00:10:40] Como mostra como cada um encara tirar a própria vida.
[00:10:45] Enquanto ali tem os que fazem sacrifício, né?
[00:10:49] Tem a irmã dela que não aguentava mais viver, né?
[00:10:52] Então, são…
[00:10:53] É tipo a mesma ação, mas motivada por coisas diferentes.
[00:10:58] Não sei se dá pra entender esse ponto, assim.
[00:10:59] Deu, deu não.
[00:11:00] Entendi.
[00:11:00] E outra coisa é a questão dessa empatia que tem na outra comunidade.
[00:11:08] Que é tipo, quando o velho lá quebra a perna e grita de dor, todo mundo grita junto.
[00:11:14] Sente com ele.
[00:11:15] Tem a cena muito que ficou clássica desse filme, que é ela, tipo…
[00:11:19] Quando ela tá se livrando de tudo que ela viveu ali com aquele…
[00:11:23] Cusão do namorado dela.
[00:11:24] Que ela começa a gritar e tem aquela roda de mulheres gritando com ela.
[00:11:27] Que ela se sente finalmente apoiada e acolhida, sabe?
[00:11:31] Ou quando lá no ritual que o cara tá transando com a menina.
[00:11:36] Que ela tá sentindo prazer e todas elas tão, né?
[00:11:39] Também ali, espelhando esse comportamento, assim.
[00:11:42] Então, tem algumas coisas, assim, desse filme que me fizeram pensar.
[00:11:48] Que é sobre isso.
[00:11:49] É como que a gente lida com emoção, com perda.
[00:11:54] Né?
[00:11:55] Eu amei a coisa de tá todo mundo sempre meio drogado, assim, pra tá naquilo.
[00:12:00] E os efeitos visuais são muito bonitos.
[00:12:02] De quando a flor tá respirando.
[00:12:04] De quando ela tá tendo lá a brisa que ela é parte da natureza, assim.
[00:12:09] E o filme é realmente, assim, uma alegoria mesmo ali.
[00:12:14] Falando um começo e meio fim.
[00:12:17] Um arco de redenção, assim, né?
[00:12:20] Tem essa estrutura.
[00:12:22] E eu, particularmente…
[00:12:23] Gostei muito.
[00:12:24] Do tipo, ela se afastou de tudo.
[00:12:26] Foi pra um lugar super isolado.
[00:12:28] E começou a questionar a própria vida dela quando ela foi vendo as coisas lá.
[00:12:31] Até que tem o final poético.
[00:12:35] Que é o homem morrendo queimado.
[00:12:37] Dentro da pele de um urso.
[00:12:38] Então, assim.
[00:12:39] Não vi defeitos.
[00:12:40] Eu não estou entendendo a fala do Orlando.
[00:12:43] Sabe?
[00:12:44] Porque tem…
[00:12:45] Essa construção eu achei muito bonita.
[00:12:47] Assim, como você vê a personagem se desenvolvendo.
[00:12:51] Tipo, despertando.
[00:12:52] Sabe?
[00:12:53] Tem uma coisa de despertar dela.
[00:12:56] E que ela nunca tem um olhar de julgamento para as coisas que estão acontecendo lá.
[00:13:01] Pode perceber.
[00:13:02] Ela não é a pessoa questionadora.
[00:13:04] Do tipo…
[00:13:05] Nossa, mas por que estão se matando?
[00:13:07] Ela fica super abalada quando ela vê a morte dos velhos.
[00:13:10] Mas ela fica abalada pensando nos pais.
[00:13:13] Ela não fica abalada, tipo…
[00:13:16] Meu Deus!
[00:13:17] Eles praticam isso daqui, sabe?
[00:13:19] Porque eu acho que a jornada dentro dela estava tão intensa.
[00:13:23] Que ela não tinha essa visão de estranhamento para o que era de fora, sabe?
[00:13:30] Então, eu acho que tem uma coisa do tipo…
[00:13:33] Ela realmente foi fazer um retiro espiritual e se encontrou com ela.
[00:13:37] E finalmente foi acolhida.
[00:13:39] Que é algo que aquele babaca não conseguia oferecer para ela.
[00:13:44] É isso.
[00:13:45] É isso que eu penso.
[00:13:45] Essa é a visão.
[00:13:46] A Carol adorou o filme porque a Carol é relativista, né?
[00:13:49] Eu sou.
[00:13:50] Eu sou.
[00:13:50] Eu sou o mais relativista possível.
[00:13:53] Pode…
[00:13:54] Não, claro.
[00:13:54] Exato.
[00:13:54] Só que ela viu o filme pelos olhos do relativismo.
[00:13:58] Ela não se deixou abalar pelo antirelativismo aparente do diretor, né?
[00:14:03] Jéssica, agora…
[00:14:04] O Rufar de Tambores.
[00:14:06] A gente quer entender…
[00:14:07] Onde que está a Jéssica Greco aqui?
[00:14:10] Que peso, né?
[00:14:10] Qual foi a sua experiência com esse filme?
[00:14:12] Bom, primeiro que assim…
[00:14:13] Quando eu soube que ia ter um filme de terror, A Luz do Dia…
[00:14:17] Que ia ser um culto, uma comunidade formada, né?
[00:14:20] Principalmente por pessoas brancas.
[00:14:22] Que tinha…
[00:14:22] Que é muito do que o…
[00:14:24] Que o Orlando falou.
[00:14:26] Eu já estava muito empolgada para assistir.
[00:14:28] Aí, vários amigos assistiram.
[00:14:31] Falaram que era uma bosta.
[00:14:32] Eu falei, eu não vou passar essa raiva.
[00:14:34] Não vou ver.
[00:14:35] Mas aí eu vi a Tchulin falando muito bem e tudo mais.
[00:14:37] Eu falei, bom, vou tirar as minhas dúvidas e vou assistir a porra desse filme logo.
[00:14:42] E assim, de forma geral, eu gostei do filme.
[00:14:46] Mas eu acho que tem coisas que não me passaram muito e que eu me irritei bastante.
[00:14:52] Então, assim…
[00:14:52] Eu estou assim…
[00:14:53] Vale a pena assistir, no meu ponto de vista.
[00:14:56] Mas levando em consideração que tem algumas coisas que, para mim, não fazem sentido.
[00:15:00] Primeiro que assim…
[00:15:01] A minha visão do filme é muito sobre um conto de fadas.
[00:15:05] Porque, basicamente, ele é…
[00:15:07] Quando começa o filme, que tem aquela imagem que é uma ilustração super bonita, assim…
[00:15:12] De várias fases do filme, né?
[00:15:14] Ele conta o final do filme na primeira cena, né?
[00:15:16] E aquilo é muito imagem de Irmãos Grimm, sabe?
[00:15:20] Que é quando tem, tipo, aquela imagem da forma de desenho.
[00:15:22] E tal.
[00:15:23] Tem uma técnica, não é?
[00:15:25] Tem um nome para, tipo, essa técnica ou essa forma de apresentar, assim?
[00:15:29] Tem.
[00:15:29] Eu não vou lembrar o nome, mas tem um nome técnico de filme para isso, assim.
[00:15:33] E é muito legal porque eu comecei a reparar algumas coisas meio de…
[00:15:38] História de conto de fada mesmo.
[00:15:40] Então, tipo, ela era uma mina órfã, né?
[00:15:43] Que estava perdida.
[00:15:44] Que foi a algum lugar para se encontrar.
[00:15:47] Que é esse conto novo do conto de fadas, né?
[00:15:49] Que, tipo, não precisa de um príncipe cantado.
[00:15:52] Para ser salva.
[00:15:54] Ela mesmo se salva.
[00:15:55] Então, do meu ponto de vista, ele é um conto de fadas.
[00:15:59] Tipo, meio Irmãos Grimm.
[00:16:01] Meio aquela parada de, tipo, a verdadeira história da Chapeuzinho.
[00:16:04] Dos contos que eram extremamente pesados.
[00:16:07] E que não tem nada a ver com o que a gente vê da Disney e tudo mais.
[00:16:10] Mas que são meio que esses contos verdadeiros.
[00:16:12] Que são extremamente chocantes.
[00:16:14] E que passam um pouco disso numa coisa meio moderna do filme.
[00:16:18] Eu tenho muito essa visão sobre essa parte do filme.
[00:16:21] É…
[00:16:21] Uma coisa que me incomoda muito é que eu sinto que os personagens,
[00:16:24] eles são muito caricatos de uma forma ruim.
[00:16:27] Menos ela.
[00:16:27] Ela eu gosto muito.
[00:16:29] Mas eles, assim, é um bando de homem babaca, entendeu?
[00:16:32] Que a gente sabe como é.
[00:16:33] Tanto que, pra mim, eu falava assim,
[00:16:35] bom, pra mim o filme de terror, então, é ela viajar com esse bando de macho escroto.
[00:16:39] Pra mim, esse era o verdadeiro terror, entendeu?
[00:16:41] Não, o terror é estar com aquele pamonha daquele namorado dela lá há quatro anos.
[00:16:45] Aquele demônio.
[00:16:46] Eu só pensava assim, quando que ele vai morrer?
[00:16:48] Quando que ele vai morrer?
[00:16:49] Porque realmente ele era assim, uó.
[00:16:51] Então, tipo, e ela ir pra lá, era muito que um dos amigos lá,
[00:16:56] que era o amigo que fazia parte, né, da comunidade lá,
[00:17:00] queria muito que ela fosse pra ela se encontrar.
[00:17:02] Porque ele sabia, né, que se ela fosse, ela ia se encontrar lá,
[00:17:06] porque ela ia ser acolhida.
[00:17:08] Ela ia encontrar uma forma de, né, de ver as pessoas.
[00:17:12] E isso é muito legal.
[00:17:13] Como ela, no fim das contas, ela meio que foi por acaso,
[00:17:17] mas era justamente o que ela precisava.
[00:17:19] Tanto que é isso, todos os homens morrem, né?
[00:17:21] O papel deles ali é simplesmente ser o cara que vai fazer com que a linhagem deles, né,
[00:17:29] continue viva.
[00:17:30] E acabou, eles não servem pra outra coisa.
[00:17:32] É isso, né?
[00:17:33] Então, isso é, de um ponto de vista, né, da mulher, do empoderamento,
[00:17:39] dessa coisa dela, dessa força dela, eu concordo super com a Tchulin.
[00:17:43] Pra mim, isso é a coisa mais legal, assim.
[00:17:44] A cena final dela sorrindo e vendo ele queimando
[00:17:48] é muito pela visão dela de liberdade,
[00:17:51] dela tá conseguindo ter as próprias pernas, né?
[00:17:55] Enfim, conseguir ter a própria vida ali,
[00:17:57] ser a dona disso de alguma forma,
[00:18:00] mesmo dentro de um culto bizarro.
[00:18:02] Porque, justamente, ela começa a olhar as coisas e nada muito assusta ela,
[00:18:06] porque ela não tem mais essa percepção do que assusta ou não.
[00:18:09] Tipo, ela só quer conseguir fazer parte de alguma coisa.
[00:18:12] Todo mundo tá desesperado, né, gritando e tudo mais,
[00:18:16] e ela tá meio, tipo, ah, ok.
[00:18:18] Enquanto o namorado babaca nem liga pra ela.
[00:18:21] Ele fica muito mais, né, preocupado com o que tá acontecendo à volta dele
[00:18:26] do que com ela.
[00:18:27] Em momento nenhum, ele se preocupa com ela ao longo do filme, né?
[00:18:31] E isso é uma coisa que eu reparei muito.
[00:18:32] E outra coisa que eu depois fui pesquisar alucinante sobre o filme,
[00:18:35] porque eu fiquei, obviamente, obcecada,
[00:18:38] é que eu descobri que em 1518, teve uma epidemia de dança.
[00:18:45] Que aconteceu, era um caso de dançomania e histeria coletiva
[00:18:49] ocorrida em Estramburgo.
[00:18:51] Em julho de 1518.
[00:18:51] Em julho de 1518.
[00:18:53] Diversas pessoas dançaram sem descanso por dias a fio,
[00:18:57] e no período de aproximadamente um mês,
[00:18:59] a maioria caiu morta em consequência de ataques cardíacos, derrames e exaustão.
[00:19:02] Eu filei algumas coisas, tipo, porque eu tinha algumas ideias do filme,
[00:19:06] mas é aquilo, né, a gente quer saber se a gente tá pensando certo ou não.
[00:19:10] E outra coisa que eu achei bem bizarra, que eu achei nada a ver no filme,
[00:19:14] é que a partir do momento que o primeiro amigo morre,
[00:19:17] ele aparece depois, né, quando o amigo dele tá lá indo,
[00:19:21] ler o livro, proibido e etc.
[00:19:24] E ele aparece meio com uma, sei lá, ele aparece meio zumbi,
[00:19:27] e daí ele bate no cara, e o cara morre.
[00:19:29] Aquilo, pra mim, eu não entendi.
[00:19:31] Eu não sei se era alguém usando a pele dele.
[00:19:33] Amiga, era alguém usando a pele dele.
[00:19:35] Era o oráculo.
[00:19:36] Entendi, entendi.
[00:19:38] Na hora eu só não entendi o que aconteceu, eu só fiquei assim,
[00:19:40] ah, meu Deus, virou palhaçada.
[00:19:42] Isso, pra mim, eu achei um pouco bizarro, assim,
[00:19:45] mas de um jeito que não era legal.
[00:19:47] Mas, assim, de forma geral, eu gostei muito do filme,
[00:19:49] eu só senti que isso, os personagens,
[00:19:51] pra mim, eles eram muito estereotipados,
[00:19:54] e algumas coisas eram meio, sei lá,
[00:19:57] eram uns plot twists meio, tipo,
[00:19:59] você meio que tava ligado no que ia acontecer,
[00:20:01] e em alguns momentos você ria de nervoso,
[00:20:03] que era tão bizarro, que você só dava risada.
[00:20:06] O que eu acho que, obviamente, faz parte do filme,
[00:20:08] mas, assim, isso me incomodou de uma forma que eu não curti tanto.
[00:20:12] Mas outra coisa que é maravilhosa é a fotografia do filme, né,
[00:20:15] as cores.
[00:20:16] Sim.
[00:20:16] É espetacular, assim, eu fiquei muito feliz de ter assistido na minha TV grande.
[00:20:20] Nossa, eu também.
[00:20:22] Eu tava, tipo assim, que gostoso isso.
[00:20:24] O filme é lindo, lindo, lindo, lindo.
[00:20:26] Então, vale a pena, assim, só pra ver o filme,
[00:20:29] porque, visualmente, eu achei ele muito bonito.
[00:20:32] Tem um outro ponto que eu gostaria de acrescentar aqui,
[00:20:35] senhor juiz Gus Lanzetta.
[00:20:37] Por favor.
[00:20:39] Que tem uma coisa que eu fiquei meio irritada,
[00:20:42] que não precisava, que é tipo um negócio,
[00:20:43] que é tipo aquele sustinho de olhar no espelho
[00:20:46] e ter alguém atrás, sabe?
[00:20:48] Ficou muito, muito…
[00:20:49] Ficou perdido, porque não é…
[00:20:51] Scary Jump, né?
[00:20:52] É, exatamente.
[00:20:53] Esse ficou muito perdido, eu achei,
[00:20:55] que no momento que ela entra lá no banheiro,
[00:20:58] que ela tá tendo um ataque de pânico.
[00:21:00] E teve outras coisas que eu gostei, assim,
[00:21:05] por identificação de que já teve relacionamento merda.
[00:21:08] Acho que é isso que me prendeu na personagem.
[00:21:13] E das mulheres que eu vi falando sobre isso,
[00:21:15] eu acho que também tem uma coisa de gostar desse filme,
[00:21:19] que você se sente um pouco vingada, sabe?
[00:21:22] Sim.
[00:21:22] Por já ter passado por coisa merda.
[00:21:24] 100%.
[00:21:25] Porque tem uma coisa que é muito foda, assim, dela,
[00:21:28] que é quando ela percebe que o cara outro lá foi embora,
[00:21:34] na verdade morreu, e deixou a namorada.
[00:21:37] Ela fala assim,
[00:21:38] nossa, isso é uma coisa que você faria comigo.
[00:21:40] Tipo, ela começa a se dar conta do quanto que é bosta, sabe?
[00:21:43] Tipo, a outra pessoa faz uma merda
[00:21:45] e você se sente tão desconectada daquela pessoa ali que tá com você,
[00:21:48] ou não tem mais confiança, que você fala,
[00:21:51] caralho, ele faria isso comigo, meu.
[00:21:53] Sabe?
[00:21:54] E tipo, e ela é completamente invisível pra ele durante o filme.
[00:21:59] Isso é um negócio perturbador numa relação.
[00:22:01] Eu já passei por isso.
[00:22:03] Que tipo assim, ele não interage mais com ela.
[00:22:06] Ele simplesmente não se importa, entendeu?
[00:22:09] Ele, assim, é muito angustiante ver pelo olhar dela, né?
[00:22:15] Tipo, ela mal, tentando, sei lá,
[00:22:18] de alguma forma, se recuperar.
[00:22:21] Ela tá muito carente, tá muito sozinha.
[00:22:24] E você vê ele ignorando, assim, sabe?
[00:22:27] Não só ignorando, porque depois começa a rolar o interesse dele lá na menina.
[00:22:32] Que, claro, ele tá sendo seduzido,
[00:22:34] e tem lá o feitiço, né, que faz, não sei o quê.
[00:22:38] Mas ele tá se entregando naquilo ali, sabe?
[00:22:42] E ela tá vendo.
[00:22:43] Então, assim, essa é uma parte que é muito perturbadora.
[00:22:46] É muito…
[00:22:47] É o que, pra mim,
[00:22:48] não é o terror.
[00:22:49] Porque acho que não é terror nem horror, sei lá.
[00:22:51] Por isso que eu falo que, pra mim,
[00:22:52] esse gênero do filme deveria ser drama.
[00:22:56] Porque você sente uma angústia, assim,
[00:22:58] no meu caso, por exemplo,
[00:23:00] e como outras mulheres que eu vi relatando,
[00:23:02] que é uma angústia de você se projetar naquela personagem ali, entendeu?
[00:23:06] De você se sentir, muitas vezes, nessa história.
[00:23:09] Não só você, as amigas, né?
[00:23:11] A história da mulher que se fode, sempre, sabe?
[00:23:15] Eu acho muito legal, também,
[00:23:17] a questão da comunidade feminina.
[00:23:20] Tipo, que se une mesmo.
[00:23:21] Então, eles veem que ela tá sozinha e falam assim,
[00:23:23] não, vem cozinhar com a gente.
[00:23:24] Vem ficar aqui, não sei o quê.
[00:23:26] E aí, só nesse momento que ela começa a ser vista, né?
[00:23:30] De verdade.
[00:23:31] Então, você vê na cara dela, assim,
[00:23:34] como ela começa a ter uma outra…
[00:23:35] A atriz, né?
[00:23:36] Começa a ter uma outra postura ao longo do filme, assim.
[00:23:39] E ficando cada vez mais forte, assim, mais segura e tal.
[00:23:43] E aí, é onde ela pode fazer a comparação, né?
[00:23:45] Com o cara que ela realmente sente que não tá…
[00:23:48] Sim.
[00:23:49] Assim, que ela não existe, né?
[00:23:51] Ela não tá existindo.
[00:23:52] Acho que essa é a coisa que incomoda durante a história toda do filme.
[00:23:56] Tipo, mil coisas acontecendo e ela simplesmente não existe pra ele, sabe?
[00:24:00] E aí, o final…
[00:24:01] A cara dela, a expressão dela,
[00:24:04] aquele choro dela dolorido de quando ela já vai botar fogo lá na…
[00:24:09] Antes dele morrer,
[00:24:10] que é de dar cara triste e virar cara boa, sabe?
[00:24:13] Aquela cara dela, assim, de tipo…
[00:24:15] Tipo, beicinho amarrado, assim, triste, assim.
[00:24:19] Tipo, sabe aquela mágoa?
[00:24:21] Sabe quando você tá com mágoa daquela pessoa, daquilo?
[00:24:24] Aquilo, pra mim, foi muito forte, assim.
[00:24:26] Acho que ela conseguiu passar muito, assim, esses sentimentos, sabe?
[00:24:29] Tipo, quando você encara que, simplesmente, o cara é bosta demais, sabe?
[00:24:36] Enfim.
[00:24:36] Sim.
[00:24:38] Realmente, é, Gus, pode falar.
[00:24:39] É a identificação mesmo, entendeu?
[00:24:41] É, pois é.
[00:24:43] Quando você falou pra mim que ia ver o filme,
[00:24:45] eu falei, vai lá que você vai achar catártico.
[00:24:47] Aham.
[00:24:49] Exatamente.
[00:24:50] É, exatamente.
[00:24:50] É essa sensação mesmo.
[00:24:52] Orlando, o que você tem a mencionar?
[00:24:55] Não, porque tem uma questão aí que eu acho que é interessante.
[00:24:57] Porque, por exemplo, todo o…
[00:24:59] O primeiro arco do filme que se passa nos Estados Unidos,
[00:25:02] eu acho que é o melhor arco.
[00:25:03] Porque ele faz uma coisa ali,
[00:25:06] que o Jordan Peele é mestre em fazer isso.
[00:25:09] E não só…
[00:25:09] Tem toda uma tradição de que seria, digamos,
[00:25:11] o horror das minorias.
[00:25:14] No sentido…
[00:25:15] São filmes de terror que são descritos das…
[00:25:18] Filmes ou livros que são descritos da perspectiva
[00:25:23] de uma pessoa integrante de uma determinada minoria, né?
[00:25:26] No caso do Jordan Peele, geralmente são os negros, né?
[00:25:30] Então, o terror é a própria sociedade que envolve eles.
[00:25:33] Você pega o Us ou o filme Ocorra.
[00:25:36] Então, todo o terror é a própria sociedade branca e tudo mais.
[00:25:39] Mas, dentro da literatura de terror,
[00:25:41] tem um clássico que inaugura um tipo de terror que é…
[00:25:45] É um terror da potência feminina, né?
[00:25:47] Pega o Frankenstein da Mary Shelley.
[00:25:50] No qual você pode entender aquilo como um grande comentário
[00:25:53] sobre o patriarcado e essa…
[00:25:56] A ideia de como o patriarcado se desdobra
[00:26:00] num aspecto de metástase pra tentar criar vida, né?
[00:26:03] Excluindo as mulheres do processo.
[00:26:05] Porque Frankenstein, no fim das contas, é sobre isso, né?
[00:26:08] De um cara querendo criar uma vida sozinho, saca?
[00:26:11] Tipo, ressuscitar um…
[00:26:13] Criar vida dentro de um corpo.
[00:26:14] E o que…
[00:26:15] E a merda que dá em cima disso.
[00:26:16] Toda essa parte que ela fica descrevendo…
[00:26:20] Cara, aquela cena que ela chega e vai falar que vai viajar com eles…
[00:26:23] Aquela cena é genial.
[00:26:24] Aquela cena é muito bem dirigida.
[00:26:25] Porque você fica nervoso aquilo ali.
[00:26:27] Dá um…
[00:26:28] Como é que é?
[00:26:28] É cringe, né?
[00:26:29] Tipo, você fica…
[00:26:30] Cringe.
[00:26:31] Você fica assim que…
[00:26:32] Você tem mal-estar, né?
[00:26:33] Fica com vergonha.
[00:26:34] Você não sabe o que você tá sentindo, assim.
[00:26:37] E aquela coisa do relacionamento deles…
[00:26:39] Ser um relacionamento problemático, mas não nomeado como uma coisa óbvia ali de cara.
[00:26:44] Assim, olha…
[00:26:44] Esse cara é um babaca.
[00:26:45] Esse cara é um babacão de cara, assim.
[00:26:46] Tem uma coisa que fica um jogo até o momento que tu fica…
[00:26:50] No segundo arco, você fica muito menos sutil.
[00:26:52] A coisa fica logo na cara que o cara é um babaca.
[00:26:54] Mas no começo do filme fica naquela coisa do vai, não vai.
[00:26:56] Os amigos dele são babacas, de fato.
[00:26:58] Mas ele fica naquela…
[00:26:59] Ah, eu não sei se posso.
[00:27:00] Não sei se consigo.
[00:27:01] Não sei.
[00:27:02] Sabe?
[00:27:02] Tem toda uma dinâmica psicológica ali que eu acho bem interessante.
[00:27:06] O meu problema começa quando todo esse arco da personagem começa a envolver uma mensagem
[00:27:12] sobre outros povos.
[00:27:13] Justamente.
[00:27:14] Uma mensagem que…
[00:27:15] Que aciona tropos classicamente racistas.
[00:27:18] Nesse caso, dá pra fazer todo um desenvolvimento sobre a diferença de Gemenschaft e Gesenschaft.
[00:27:24] Olha só, guys.
[00:27:25] Finalmente citei alemão nesse podcast, cara.
[00:27:28] Mas é porque…
[00:27:29] É uma ideia, por exemplo, pra deixar básico isso, a ideia de Gesenschaft era uma posição
[00:27:36] clássica do pensamento que funda a sociologia, a antropologia, que vai dizer que as sociedades
[00:27:40] modernas são complexas e individualistas e que isolam as pessoas.
[00:27:44] Isso.
[00:27:44] Isso.
[00:27:44] Isso.
[00:27:44] Isso.
[00:27:44] Isso.
[00:27:44] Isso.
[00:27:44] Isso.
[00:27:44] Isso.
[00:27:44] Isso.
[00:27:44] Isso.
[00:27:44] Isso.
[00:27:45] Isso.
[00:27:45] Isso.
[00:27:45] Isso.
[00:27:45] Isso.
[00:27:45] rurais e outros povos são
[00:27:47] comunitários e ao ponto de que
[00:27:49] as pessoas ali perdem sua individualidade
[00:27:51] o filme lida muito com esse
[00:27:53] tropo, ao ponto de que
[00:27:55] as pessoas ali são criadas de maneira comunitária
[00:27:58] ou seja, elas não tem nem pai nem mãe
[00:27:59] elas são filhos da comunidade, coisas do tipo
[00:28:01] que é um tipo de desenvolvimento
[00:28:03] que se imaginava, por exemplo, chamado
[00:28:05] comunismo primitivo
[00:28:07] é um tipo de
[00:28:09] imaginário sobre
[00:28:11] parentesco que aparece em diversos
[00:28:13] livros evolucionistas racistas
[00:28:15] e você tem pouquíssimo ou nenhum
[00:28:17] exemplo desse tipo de coisa sendo feita no mundo
[00:28:19] geralmente quando isso aparece
[00:28:21] olha só, lá eles não sabem a paternidade
[00:28:23] das pessoas, ou eles deliberadamente
[00:28:25] ignoram a paternidade, a maternidade das pessoas
[00:28:27] todo mundo é criado comunitário
[00:28:29] isso na literatura é sempre uma coisa clássica
[00:28:31] pra mostrar que aquelas pessoas são primitivas
[00:28:33] porque vai pegar, por exemplo, Engels
[00:28:35] a origem da família, da propriedade
[00:28:38] eu ia entrar aí, mas eu vou
[00:28:39] deixar com você, eu tô lendo esse livro
[00:28:42] nesse momento
[00:28:42] porque o Engels, basicamente
[00:28:45] tudo que ele fala de parentesco é baseado
[00:28:47] no livro do Morgan
[00:28:48] que é um antropólogo evolucionista
[00:28:52] racista, então tudo que ele
[00:28:53] se fala sobre teorias de parentesco ali
[00:28:55] estão completamente furadas, essa ideia de que o parentesco
[00:28:58] se funda nessa relação
[00:28:59] de consanguinidade
[00:29:01] enfim, tudo isso já foi completamente destruído
[00:29:03] pela antropologia no último século
[00:29:05] o ponto todo é que
[00:29:07] esse tropo que aparece
[00:29:09] essa ideia do, olha
[00:29:10] um parentesco primitivo
[00:29:12] parentesco difuso, bicho, isso geralmente
[00:29:15] liga o alertinha, olha, então
[00:29:17] querem dizer que essas pessoas aí são
[00:29:18] não modernas, são primitivas, sabe
[00:29:21] e aí você vai acionando isso junto com
[00:29:22] comportamentos bem perigosos
[00:29:25] comportamentos, sabe, tudo isso
[00:29:27] forma esse escopo
[00:29:28] que é aquilo, se a gente estivesse vendo um filme
[00:29:31] onde os personagens não fossem
[00:29:33] brancos, a gente imediatamente
[00:29:35] falava, cara, que filme racista, bicho
[00:29:37] mas como os personagens são
[00:29:39] brancos, a gente fica assim, tem alguma coisa ali acontecendo
[00:29:41] né, tipo, você fica naquele
[00:29:42] vai, não vai, esse efeito
[00:29:44] até é interessante, o problema é que
[00:29:46] rapidamente ele se torna caricato
[00:29:48] né, ele começa a ficar muito caricato
[00:29:51] nisso, né, tipo, olha só
[00:29:52] o cara arrancou a cara do maluco e usou
[00:29:54] como, tipo, letterface
[00:29:56] sabe, essa cena é completamente necessária mesmo
[00:29:58] tu vê assim, caraca, de onde veio isso
[00:30:00] letterface tá no filme, e depois não aparece
[00:30:02] de novo, não tem uma razão pra aquilo
[00:30:04] tá acontecendo, e os rituais
[00:30:07] que eles criam, enfim
[00:30:08] ainda que tenha uma sessão de empatia
[00:30:11] né
[00:30:12] eles também partem de pressupostos
[00:30:15] que também são pressupostos, que são muito acionados
[00:30:17] isso era muito comum na literatura de viagem
[00:30:20] ou as pessoas quando estão horrorizadas
[00:30:21] com populações indígenas brasileiras
[00:30:23] nossa, eles fazem sexo na frente um dos outros
[00:30:25] nossa, isso, porque geralmente
[00:30:27] ele tenta lidar com uma certa
[00:30:29] sensibilidade
[00:30:30] ele tenta afrontar uma certa
[00:30:33] sensibilidade moderna
[00:30:35] do espectador, né, do tipo
[00:30:37] aquilo afronta ele porque aquilo parece meio
[00:30:39] errado, sabe, esse que é um ponto
[00:30:41] e ele aciona isso
[00:30:42] reforçando, esse que é o ponto, isso acaba reforçando
[00:30:45] a ideia de que essas questões
[00:30:46] esses elementos
[00:30:48] podem ser utilizados pra de alguma forma
[00:30:50] aferir perigo nas populações
[00:30:52] o outro, aquele que está além
[00:30:54] das luzes
[00:30:55] mas essa parte desse drama individual
[00:30:58] dela, com a relação
[00:31:00] com o namorado
[00:31:03] eu acho que é a melhor
[00:31:05] estrutura do filme
[00:31:05] o melhor desenvolvimento do filme é esse
[00:31:08] olha só
[00:31:09] o não nomeado, né, o não nomeado
[00:31:12] é legal, no começo do filme, né
[00:31:14] o cara parece babaca, mas às vezes
[00:31:17] parece não tão babaca, mas ele é um babaca
[00:31:19] mas ele é babaca, mas aí sabe que
[00:31:20] ele vai, não volta, vai, não volta, e no fim do conto
[00:31:22] ele é babaca mesmo, pronto
[00:31:23] não, pra mim a melhor coisa do filme é isso
[00:31:27] assim, se tivesse
[00:31:29] inclusive focado muito mais
[00:31:31] nesse ponto, né, dela
[00:31:33] do relacionamento deles
[00:31:35] e tudo mais, eu acho que teria sido
[00:31:37] mais legal, porque essa coisa de tipo
[00:31:38] um a um ir sumindo, algumas coisas me pareciam
[00:31:41] meio filme de terrorismo
[00:31:42] adolescente demais
[00:31:44] que, né, tipo, ai, todos os amigos vão para uma
[00:31:47] viagem, aí cada um, um por um
[00:31:49] vai sumindo, tipo, não precisava
[00:31:51] ter esse tipo de coisa, sabe
[00:31:53] e isso me irritou um pouco
[00:31:55] porque a relação dos dois era muito mais
[00:31:57] interessante, e era muito mais
[00:31:59] importante até pra culminar pro final do filme
[00:32:01] do que essas outras relações
[00:32:03] no meio, assim
[00:32:04] sabe uma coisa que eu acho que poderia ser?
[00:32:07] eu fiquei assistindo o filme, até a metade
[00:32:09] do filme, mais ou menos, com a esperança de que
[00:32:11] não fosse um filme de terror barato
[00:32:12] porque se não fosse
[00:32:14] um filme de terror, se não tivesse aqueles
[00:32:17] elementos de letterface
[00:32:19] toda aquela coisa da comunidade, realmente ser uma comunidade
[00:32:21] com pessoas que tem uma questão
[00:32:23] ali, violenta, sei lá o que
[00:32:25] tudo no final fosse uma percepção
[00:32:27] dos próprios personagens
[00:32:28] com o limite deles, por exemplo, cara, então
[00:32:31] vocês são pessoas brancas, americanas
[00:32:33] então tudo pra vocês, tudo que
[00:32:35] escapa da razão de vocês parece
[00:32:37] errado, violento, então
[00:32:39] se fosse uma coisa muito mais intelectual
[00:32:41] em cima disso, e mostrando
[00:32:42] ainda assim, desenvolvendo o tropo do namorado ser um
[00:32:44] babaca, sabe, desenvolvendo
[00:32:46] cara, seria um grande filme
[00:32:48] pra mim o problema foi que podia ser um grande
[00:32:51] filme que depois
[00:32:52] caiu num lugar comum desse tipo
[00:32:54] de literatura, desse tipo de filme, desse tipo
[00:32:57] de gênero, né? É porque ele parece
[00:32:59] que tem aquela pincelada
[00:33:00] americana, sabe, assim, do tipo
[00:33:03] morre um por um
[00:33:04] até a parte que deveria ser, tipo
[00:33:07] muito assustadora, assim
[00:33:08] dos comportamentos, eu não achei tanto
[00:33:10] sabe, do tipo
[00:33:12] a coisa do ritual
[00:33:15] sabe, assim, eu também não sei se é porque
[00:33:17] eu já tava assim, ah, beleza
[00:33:19] cultura deles, eu não, em nenhum
[00:33:21] momento, a coisa
[00:33:23] de ter rituais me deixou
[00:33:25] assustada, sabe, a coisa
[00:33:27] do cara, dos velhos que se matam
[00:33:30] dá com a porrada lá na cabeça
[00:33:32] pra morrer logo, tipo
[00:33:33] eu não, assim
[00:33:35] talvez a Carol
[00:33:37] do passado tivesse se assustado
[00:33:40] mais, porque eu era muito
[00:33:41] a pessoa que viu
[00:33:42] a família evangélica e tal, então qualquer coisa
[00:33:45] que saísse daquilo ali, meu Deus do céu, né
[00:33:47] eu mesmo tinha medo do terreiro que tinha na minha rua
[00:33:49] hoje em dia, caso é outro
[00:33:51] então, assim, eu acho que tem
[00:33:53] tem
[00:33:54] é meio uma
[00:33:56] suavizada em tudo, sabe
[00:33:59] eu acho que tem uma suavizada em tudo, assim
[00:34:01] não entra tão profundamente no conflito
[00:34:03] você tem aquela percepção, essa
[00:34:05] angústia, né, esquisita do
[00:34:06] do relacionamento deles
[00:34:09] a coisa de ir morrendo um por um
[00:34:11] eu achei super besta, assim, também
[00:34:12] eu também achei super besta, assim, também
[00:34:12] achei essa parte meio bobinha, assim
[00:34:15] acho que poderia
[00:34:17] ser bem mais assustadora, sabe
[00:34:19] no sentido de, tipo
[00:34:20] ter uma, quando
[00:34:21] acho que a coisa, por exemplo, pra mim ficaria muito
[00:34:25] mais terror se, quando o cara
[00:34:27] sumiu, o primeiro
[00:34:29] a gente visse
[00:34:31] o que aconteceu do outro lado, sabe
[00:34:32] tipo, a partir dali
[00:34:34] a galera amarrando ele, amarrando
[00:34:37] a boca dele, não sei o que
[00:34:38] sei lá, acho que isso me deixaria mais
[00:34:40] assustada, me colocaria mais
[00:34:42] dentro do terror, assim
[00:34:44] mas pra mim o grande terror mesmo
[00:34:46] foi essa
[00:34:47] é o que o Corlando falou
[00:34:49] essa construção, aquela parte que eles
[00:34:52] ainda estão, né, nos Estados Unidos
[00:34:54] é, assim, é de um mal estar
[00:34:57] assistir aquilo
[00:34:58] é muito foda, assim
[00:35:00] e eu achei muito foda da cena
[00:35:02] que quando ela chega, a gente só
[00:35:04] tá vendo ela pelo reflexo
[00:35:07] né, de um espelho
[00:35:08] que tem atrás, assim
[00:35:09] tipo, a gente não, então
[00:35:12] é, pra dar uma
[00:35:14] sensação, assim, de apagamento
[00:35:16] dela, sabe, porque ela tá ali
[00:35:18] naquela situação, né
[00:35:20] tipo, ninguém tá feliz que ela
[00:35:22] tá, que ela vai viajar com eles
[00:35:24] né, a não ser o outro que, meio que
[00:35:26] orquestrou para isso
[00:35:28] é, e ela
[00:35:30] tá, assim, envergonhada
[00:35:33] aquela, meu, aquela
[00:35:34] cena é assim, é um negócio muito
[00:35:36] bizarro, aquilo, realmente
[00:35:38] a arte mexeu comigo
[00:35:40] ela realizou, ela se
[00:35:42] propôs, assim, que é mexer com
[00:35:44] o nosso estado
[00:35:45] pode falar
[00:35:47] não, eu ia mudar de assunto, pode falar
[00:35:50] não, porque, nessa parte, porque
[00:35:52] esse começo do filme tem uma cena
[00:35:54] pra mim que é muito, muito boa, que é
[00:35:56] quando a
[00:35:58] todo aquele começo, que a irmã dela fala
[00:36:00] que acabou, que ela vai se matar, que
[00:36:02] sei lá o que, papapá, e aí ela
[00:36:04] manda e-mail e a irmã não responde
[00:36:06] tem um foco ali no e-mail, foco
[00:36:08] na ligação, que a mulher
[00:36:10] cara, aquilo ali
[00:36:12] assim, pra
[00:36:13] esse é aquele tipo de experiência
[00:36:16] que quem já passou algo do tipo, tu tá
[00:36:18] preocupado com alguém, e tu manda uma
[00:36:20] mensagem, a pessoa não responde, cara
[00:36:22] aquela cena, a maneira como
[00:36:24] ela é dirigida, então, por exemplo
[00:36:26] quando vai lá e revela o corpo da irmã
[00:36:28] no lugar de focar no corpo da irmã
[00:36:30] ele vai lá e foca no e-mail não respondido
[00:36:32] né, cara, essa
[00:36:34] cena, essa direção eu achei muito boa
[00:36:36] ali eu tava muito esperançoso
[00:36:38] que ia ser um ótimo filme, depois
[00:36:40] assim, toda a parte da viagem, eu falei, cara
[00:36:42] que maneiro, pode ser um filme
[00:36:44] aí depois, quando eles chegam lá
[00:36:46] tem sempre uma coisa meio estranha, eu falei
[00:36:48] vai, só que aí cai justamente nesse
[00:36:50] americanismo, né, olha
[00:36:52] tem um perigo mesmo, né, não pode ser
[00:36:54] uma coisa subjetiva
[00:36:56] só dos personagens. A cena dela chorando
[00:36:58] quando ela descobre, né, que a
[00:37:00] irmã se matou e os pais estão mortos
[00:37:02] e tal, aquela cena dela chorando
[00:37:04] com ele segurando ela
[00:37:06] meio que, ai que merda
[00:37:08] que eu tenho que tá aqui agora. Ai que saco, é
[00:37:10] aquela cena em contraponto
[00:37:12] com a cena final, né, em que ela tá
[00:37:14] chorando e todas as mulheres, ela tá gritando
[00:37:16] e todas as mulheres tão gritando junto com ela
[00:37:18] é muito, acho que é muito
[00:37:20] simbólica, assim, sobre o que significa
[00:37:22] ela tá sendo acolhida no começo do
[00:37:24] filme e ela tá sendo acolhida no
[00:37:26] final do filme, aquilo pra mim é muito legal
[00:37:28] é muito bonito, assim. É, é isso
[00:37:30] que eu encontrei, assim, do que eu tinha
[00:37:32] falado, do que é tipo a referência do suicídio
[00:37:34] pra um, suicídio pra outro
[00:37:36] é, como ela é vista aqui
[00:37:38] como ela é vista, tipo, é colocar a
[00:37:40] mesma situação
[00:37:41] com duas, é, com duas
[00:37:44] formas de serem vividas, né
[00:37:46] sim. É, essa sensação
[00:37:48] eu teve uma coisa também do começo
[00:37:50] que é muito foda, assim
[00:37:52] pra quem já teve
[00:37:54] uma crise de pânico
[00:37:56] eles conseguem
[00:37:58] te colocar na sensação
[00:38:00] da pré-crise, quando ela vai ter
[00:38:02] sabe? Sim, sim
[00:38:04] isso daí é muito
[00:38:06] pesado, assim, que parece que
[00:38:08] a audição tá
[00:38:10] longe, mas
[00:38:11] você foca numa coisinha, assim
[00:38:14] que é igual isso, né, do e-mail, né
[00:38:16] é, e muito aquilo
[00:38:18] que, tipo, você fica, você tem um ponto
[00:38:20] fixo ali, sua audição
[00:38:22] parece que vai sumindo
[00:38:24] começa a dar aquela palpitação
[00:38:26] aquele negócio, então, assim, isso
[00:38:28] foi muito bem construído, assim, né
[00:38:30] e ela tem, ela tem, ela tem esse
[00:38:32] ela tá tendo esses ataques, né
[00:38:34] então isso daí também foi um negócio que
[00:38:35] dentro do gênero, assim, prende a gente
[00:38:38] nesse incômodo, né
[00:38:40] nesse terror, assim.
[00:38:41] Isso eu achei muito foda
[00:38:43] É por isso que eu falo, esse filme não precisava
[00:38:46] daquele, todo aquele segundo
[00:38:47] daquele arco final, onde vai
[00:38:49] revelado que, é, realmente tem umas coisas bem estranhas
[00:38:51] acontecendo aqui. Ele podia ser
[00:38:53] se o filme fosse isso, imagina, se
[00:38:55] o filme fosse centrado nesse drama
[00:38:57] nessa viagem que eles fazem pra uma comunidade
[00:39:00] chega lá e ela, de repente, ela se encontra
[00:39:01] com alguma outra coisa, se conecta
[00:39:03] com alguma coisa que tá acontecendo ali, não precisava
[00:39:06] ser desenvolvido como um filme de terror
[00:39:07] efetivo, né, podia ser um filme
[00:39:09] de terror psicológico, drama
[00:39:11] inclusive
[00:39:12] isso reforçaria,
[00:39:15] do meu ponto de vista, ainda mais
[00:39:17] a posição dela enquanto uma mulher
[00:39:19] das dramas que ela sofre, de ter uma relação
[00:39:21] ruim com aquele cara
[00:39:23] do abuso
[00:39:26] mas do descaso que aquele cara tem
[00:39:27] dentro da relação, né, enfim
[00:39:29] esse que é o ponto, tipo assim
[00:39:31] todo, quando você entra pra fase
[00:39:33] do terror, daquela
[00:39:35] comunidade ali, do problema que tá acontecendo
[00:39:38] ali
[00:39:38] o foco se torna
[00:39:41] ele perde o foco, né, ele vira um filme
[00:39:43] de terror, por isso que ele fala, ele começa
[00:39:45] a reaparecer os tropos
[00:39:48] clássicos estabelecidos
[00:39:50] há, sei lá, dois, três séculos sobre o terror
[00:39:52] no cinema, enfim, na literatura
[00:39:54] olha, o problema é o outro
[00:39:55] sabe o que, a parte que eu achei
[00:39:57] o que me deu a sensação
[00:40:00] de terror mesmo, assim, de você ter medo
[00:40:02] quando ela tá sonhando
[00:40:04] e ela acorda e tá
[00:40:06] de noite, eles tão indo embora
[00:40:07] e deixando ela
[00:40:08] aquilo, parece que o filme vai
[00:40:11] nossa
[00:40:12] eu achei por um segundo que realmente tava acontecendo
[00:40:15] aquilo
[00:40:16] então eu também, aí me deu aquele mal estar
[00:40:19] assim, de tipo, caralho, eles vão deixar
[00:40:21] ela, sabe, e como ela pode
[00:40:23] ter esse sentido, tipo, isso pra mim foi um
[00:40:25] terror, sabe
[00:40:26] eu gosto, muito quando as coisas ficavam
[00:40:29] só muito subjetivas, do tipo
[00:40:31] eles tavam comendo aquela torta lá de carne
[00:40:33] mas assim, era uma torta, entre aspas
[00:40:35] de carne, né
[00:40:37] tipo, você achava que, sei lá, era um boi
[00:40:39] e até ele
[00:40:41] achar um cabelo, né, achar um
[00:40:43] pentelho lá no meio da torta
[00:40:45] aquilo, se tivesse
[00:40:47] ficado só naquilo e não tivesse
[00:40:49] mostrado que tinha o cara lá, todo
[00:40:51] né, desfalecido lá
[00:40:53] no meio das galinhas, no final
[00:40:55] aquilo era muito mais legal
[00:40:57] você ter essa dúvida, né
[00:40:59] estar sempre nesse medo do
[00:41:01] psicológico, tipo, de não mostrar o que
[00:41:03] eles fazem com as pessoas
[00:41:04] eu teria gostado mais
[00:41:06] porque acho que não teria tido essa resolução
[00:41:09] tipo, não precisava ter essa resolução
[00:41:11] é isso
[00:41:11] eles podiam nem fazer nada
[00:41:12] podia ser um bando de turista assustado
[00:41:14] porque, um bando de americano
[00:41:16] então, isso ia ser da hora
[00:41:18] porque assim, quando o primeiro cara sumiu
[00:41:21] o primeiro cara foi embora
[00:41:22] eu realmente achei que ele foi embora
[00:41:24] eu também, eu também
[00:41:26] o que deixa namorada
[00:41:27] tipo, pra mim tava assim, sim gente, normal
[00:41:31] eles só, é o costume deles, tá ligado
[00:41:33] eles não são uns
[00:41:34] uns canibal maluco assassino
[00:41:37] sabe, então assim, pra mim
[00:41:39] o terror era justamente assim
[00:41:41] seria ser só o scaring deles, assim, né
[00:41:44] tipo, não precisava de fato matar
[00:41:45] é, é isso que eu ponto
[00:41:47] americaniza, né, americaniza
[00:41:49] tem que botar o monstro, tem que botar o monstro
[00:41:52] ah, virou meio, essa coisa
[00:41:53] essa coisa meio Seven, tá ligado
[00:41:55] o filme Seven
[00:41:56] teve essa coisa meio pegada do Seven, assim
[00:41:59] mas, é, eu vou seguir aqui
[00:42:01] passando pano pro filme
[00:42:03] porque eu acho que a trajetória dela foi
[00:42:05] linda, tá bom
[00:42:07] foi incrível, mas essas coisas assim
[00:42:09] do filme, realmente tem umas coisas meio, meio
[00:42:11] não precisava, meio boba
[00:42:13] meio americanizada mesmo, tanto que
[00:42:15] eu, eu, Rafa, a gente fala muito que
[00:42:17] a gente precisa de parar de consumir tanta coisa
[00:42:19] americana só, sabe
[00:42:21] tipo, porque o formato, a gente tá
[00:42:23] meio que sabendo já, meio, tudo que vai acontecer
[00:42:25] ainda mais quando a gente vê
[00:42:27] é, de
[00:42:28] é, essa onda, né, de por exemplo
[00:42:31] de séries, séries que já são
[00:42:33] feitas, baseadas em coisas
[00:42:35] que estão comentando, acontecendo
[00:42:37] que irritaram, sabe
[00:42:38] acho que a gente precisa
[00:42:40] é
[00:42:41] eu acho que a questão é que depois do Hereditário
[00:42:44] né, a expectativa desse filme
[00:42:46] era ser uma coisa realmente muito diferente
[00:42:48] ser um negócio muito foda
[00:42:50] e eu acho que tinha muito
[00:42:52] essa coisa, né, eu tava muito nessa expectativa
[00:42:54] de ser um filme muito diferente
[00:42:55] de ser um filme muito legal, e aí
[00:42:57] quando ele cai nos clichês, você fica meio assim
[00:42:59] ai, caralho, pra que, sabe
[00:43:01] tipo, eu precisava fazer isso
[00:43:03] foi meio que eu senti, assim
[00:43:05] pra mim, Hereditário, eu vi depois
[00:43:08] né, de vez, então
[00:43:09] foi a chave pra eu entender
[00:43:11] o meu problema com várias coisas que o Ari Aster
[00:43:13] faz, que é o diretor e roteirista do filme
[00:43:15] sim, eu não vi Hereditário
[00:43:16] e aí, eu acho que Hereditário e Midsommar
[00:43:20] mostram que, tipo, a proposta dele
[00:43:21] é, eu vou fazer
[00:43:23] os filmes de terror que você já conhece
[00:43:25] mas eu vou fazer Cabeça, tá ligado
[00:43:27] é, e aí, ele por um lado
[00:43:29] ele faz muito bem, porque é isso, ele é um diretor muito bom
[00:43:31] ele dirige muito bem, então o próprio Hereditário
[00:43:33] é fantástico, ele pega
[00:43:35] uma história muito clichê de filme de terror
[00:43:37] e dirige muito bem
[00:43:39] só que ele é um péssimo roteirista
[00:43:41] na minha opinião, assim, ele constrói muito mal os personagens dele
[00:43:44] então é isso, assim, os babacas do
[00:43:45] Midsommar, eles são
[00:43:47] babacas rasos, assim
[00:43:49] então, por mais que ele construa bem
[00:43:51] naquele primeiro ato, assim, o senso de isolamento
[00:43:53] dela, de tipo, nossa, agora que a família dela morreu
[00:43:55] ela realmente não tem ninguém, tanto que você não vê ela
[00:43:57] com ninguém e tal, você vê ela só com eles
[00:44:00] o tempo inteiro, ou sozinha, e aí depois
[00:44:01] eles viajam, ele cria
[00:44:04] muito bem essa claustrofobia da vida dela
[00:44:05] mas eu não sei o quanto ele é capaz de não
[00:44:07] fazer isso, porque é meio que
[00:44:09] a mesma claustrofobia da
[00:44:11] Toni Collette no Hereditário
[00:44:13] e aí ele tenta explorar temas
[00:44:15] só que ele é incapaz de construir a personalidade de ninguém
[00:44:18] naquela família
[00:44:18] Será que ele tem o próprio Harry Johnson
[00:44:21] fazendo o papel de Harry Johnson? É isso?
[00:44:25] Os personagens dele
[00:44:27] É tipo isso, não, porque
[00:44:29] e assim, ele claramente nos dois filmes ele tem essa coisa
[00:44:32] assim, das mulheres que
[00:44:34] odeiam homens com uma certa justificativa
[00:44:36] mas ao mesmo tempo ele é incapaz
[00:44:37] de escrever personagens homens
[00:44:40] interessantes, assim, então
[00:44:41] Ou mulheres odiáveis
[00:44:43] Não, eu acho que ele consegue
[00:44:46] escrever mulheres
[00:44:47] um pouco odiáveis, ele só não tenta
[00:44:50] às vezes, mas eu acho que assim, por exemplo
[00:44:51] eu sinto que ele
[00:44:54] acha que a protagonista do
[00:44:56] Hereditário é muito mais
[00:44:58] cativante do que ela é, de verdade
[00:45:01] eu acho que ela é uma personagem muito
[00:45:03] muito repugnante e eu acho que ela é
[00:45:06] pra ser em momentos, mas não sempre
[00:45:08] e aí ele cai
[00:45:10] numas análises rasas de tipo
[00:45:13] ai, essa pessoa é assim
[00:45:14] porque ela é assim, sabe
[00:45:16] no Hereditário tem aquele tropo velho
[00:45:19] demais de filme de terror americano
[00:45:21] de a pessoa que tem
[00:45:22] algum problema
[00:45:24] mental ou uma
[00:45:26] desfiguração física
[00:45:28] é encarada
[00:45:31] como demoníaca e tal, e aí no Hereditário
[00:45:33] é a mesma coisa que vocês estavam falando no Midsommar
[00:45:35] é tipo, tem um filme muito melhor pra ser feito ali
[00:45:37] no caso do Hereditário, que é
[00:45:38] ah, e se não tivesse
[00:45:41] nada sobrenatural acontecendo
[00:45:42] e fosse a paranoia das pessoas
[00:45:44] e a crença dessas outras pessoas
[00:45:46] conflitando e tudo mais
[00:45:48] e assim, tipo, enfim
[00:45:49] e aí o personagem do pai, que não existe
[00:45:52] que ele é só um cara que eu zoei
[00:45:54] até quando eu tava assistindo, de tipo
[00:45:55] ele não tem um emprego, porque você meio que não sabe
[00:45:58] e o único momento que ele tem um emprego
[00:46:00] é porque ele atende o telefone
[00:46:02] no escritório, lá no fim do filme
[00:46:04] e tipo, ah tá, ok, você tem um escritório
[00:46:06] eu não sei o que você faz, e aí
[00:46:07] toda a questão com as maquetes
[00:46:10] que a Toni Collette faz
[00:46:11] que não
[00:46:13] substancia o filme de maneira alguma
[00:46:16] e aí, então, e aí vendo o Hereditário
[00:46:18] eu consegui entender o Midsommar também como
[00:46:20] ah, ok, agora eu vou pegar o tropo do
[00:46:22] universitários americanos
[00:46:24] viajando pra um lugar, e aí
[00:46:25] tudo dá errado, só que eu vou fazer do meu jeito
[00:46:28] e aí é a mesma coisa, quando eu vi o trailer a primeira vez
[00:46:30] e eu vi, nossa, é um filme de terror totalmente de dia
[00:46:32] e tal, meu Deus, olha que doido
[00:46:34] ele vai subverter essa parada
[00:46:36] mas não, ele não subverte, né
[00:46:37] e eu acho que ele não subverte
[00:46:39] chave, assim como o Orlando falou
[00:46:42] de tipo, ah, às vezes podia servir como
[00:46:44] um momento de olhar e de tipo
[00:46:46] ó, se não fossem pessoas
[00:46:48] brancas nesse momento, você estaria
[00:46:50] muito, muito
[00:46:52] muito mais desconfortável, você não estaria dando
[00:46:54] benefício da dúvida pra essas pessoas e tudo mais
[00:46:56] é, mas só que eu acho que o filme
[00:46:58] não explora isso, exatamente
[00:47:00] porque no final
[00:47:01] o que ele acaba mostrando é, olha só
[00:47:04] é muito mais legal você viver aqui com ele
[00:47:06] sim, mas
[00:47:07] a que custo, não é?
[00:47:10] sim, mas ao mesmo tempo ele constrói essa personagem
[00:47:12] que ele meio que diz assim
[00:47:14] ah, mas é isso aí, né, melhor ela estar com esses caras
[00:47:16] canibais e assassinos
[00:47:18] porque ela nunca ia ser feliz na nossa sociedade
[00:47:19] então ele meio que tenta ser relativista
[00:47:22] e não ao mesmo tempo
[00:47:24] né, então é por isso que ele me incomoda
[00:47:26] é, ela troca uma prisão pela outra, né, tipo
[00:47:27] é, exato, e aí
[00:47:30] ele acha que ele tá sendo muito, muito esperto
[00:47:32] assim, fazendo ela dar aquele sorrisinho no fim
[00:47:34] mas não
[00:47:35] então você não gostou do filme?
[00:47:37] do filme, né, claramente
[00:47:39] pra mim o sorrisinho não precisava, sabia?
[00:47:42] eu preferia que ela tivesse acabado, tipo
[00:47:43] com aquela cara de amargura vendo ele
[00:47:45] queimar, sabe, tipo, já deu pra entender
[00:47:48] já deu pra entender
[00:47:49] ele precisa de um parceiro criativo, entendeu?
[00:47:52] porque ele traz umas ideias muito boas
[00:47:53] ele executa muito bem como diretor, mas se
[00:47:55] tivesse uma pessoa do lado dele pra falar assim
[00:47:57] cara, se dá pra gente
[00:48:00] fazer mais uma passadinha nesse roteiro
[00:48:01] e deixar show
[00:48:04] e ele ia tá melhor, entendeu?
[00:48:05] porque claramente, assim, ele tem ótimas ideias
[00:48:07] e claramente ele é um
[00:48:09] um cineasta muito
[00:48:11] competente, tecnicamente falando e tal
[00:48:13] mas esse filme, quanto mais
[00:48:15] eu vi alguém no Twitter quando a gente falou
[00:48:17] que ia falar desse filme
[00:48:19] definiu muito bem como um tipo de filme bem comum
[00:48:21] que é o quanto mais você pensa nele, mais você vai ficar bravo
[00:48:23] exato, cara
[00:48:25] exato, bicho
[00:48:27] é uma boa definição
[00:48:29] é uma boa definição, né, que é tipo
[00:48:31] eu lembro que no dia que eu assisti a primeira vez com a Jade
[00:48:33] eu saí com várias boas impressões por causa
[00:48:35] dessas coisas que ele faz bem, né, especialmente
[00:48:37] e a performance da Florence Pugh
[00:48:40] como a protagonista e tal
[00:48:41] muito legal, mas aí você começa
[00:48:43] e você continua assim, mas o que
[00:48:45] ele tava querendo dizer mesmo?
[00:48:47] e aí você começa, cara
[00:48:49] é tipo assim
[00:48:51] cara, por que isso?
[00:48:53] porque é isso, no final eu acho que
[00:48:55] o maior problema do Midsommar é que ele tinha
[00:48:57] como ser uma ferramenta muito boa pra
[00:48:59] subverter esse medo do diferente
[00:49:01] que o Orlando tava falando
[00:49:03] e usar exatamente esse fato de que
[00:49:05] ah, olha só, são pessoas brancas nórdicas no lugar
[00:49:07] do que seria normalmente uma tribo africana
[00:49:09] ou asiática, ou sul-americana
[00:49:11] né, e aí
[00:49:13] e aí, por que que você não fica tão desconfortável?
[00:49:15] por que que você dá o benefício da dúvida pra essas pessoas
[00:49:17] e não pra uma tribo
[00:49:19] estereotipicamente
[00:49:21] violenta, né, até a coisa
[00:49:25] exato, primitiva
[00:49:27] em todos esses sentidos que a gente vê, de uai, eles não tem
[00:49:29] eles são uns amish europeus só
[00:49:31] sabe, no final das contas
[00:49:33] e aí o filme não se compromete nem ir pro lado de tipo
[00:49:35] isso aí, grande medo de você ser primitivo ou não
[00:49:37] nenhuma, nada, nenhuma cultura é superior
[00:49:40] a outra, tipo, é isso, são só costumes
[00:49:41] diferentes, e ser realmente relativista
[00:49:43] e ele também não se compromete com o outro lado
[00:49:45] de tipo assim, maluco, esses manos são bárbaros
[00:49:48] e vocês, tipo, deram o benefício da dúvida
[00:49:50] pra essa galera muito escrota
[00:49:52] porque, tipo, é isso, porque são europeus loiros
[00:49:53] entendeu? Só que o filme não vai pra nenhum dos dois
[00:49:56] lados, e o filme fica numa
[00:49:58] de tipo, hum, não sei
[00:50:00] será? E aí, como eu já falei
[00:50:02] uma vez pra uma amiga minha
[00:50:04] você falar será no final de alguma frase
[00:50:06] não te torna mais inteligente, porque você não tá questionando
[00:50:07] nada
[00:50:08] será mesmo, grande?
[00:50:11] será mesmo, então deixa
[00:50:12] é intervenção de psicólogo, né, será?
[00:50:16] é só pra tu fazer porra
[00:50:17] é tipo, é um grande
[00:50:19] joguei pro teu colo
[00:50:21] gente, quem é aquele
[00:50:23] ai, acho que ele é psicólogo
[00:50:26] que tem o avôs meu e o sim
[00:50:28] tem oclinhos, que
[00:50:29] o instagram dele, é só ele segurando
[00:50:31] papéis com frases
[00:50:33] que terminam com ponto final
[00:50:35] e aí ele acrescenta um
[00:50:37] será?
[00:50:39] vocês não sabem o que é?
[00:50:41] meu amor de deus
[00:50:43] vocês falando isso pra agora
[00:50:44] nossa, sim, ele é tipo
[00:50:47] sabe gente que dá um pitaco
[00:50:49] assim, no Globo News?
[00:50:51] um barbudão, a voz assim, sabe?
[00:50:53] tipo, oclinhos, assim
[00:50:55] é tipo um gus, velho, sabe?
[00:50:58] e aí ele tem, o instagram dele
[00:50:59] é só isso, é tipo assim
[00:51:01] frases, e aí ponto
[00:51:03] e aí um será?
[00:51:05] tipo caneta vermelha
[00:51:07] é o Midsommar
[00:51:07] os meus monólogos de abertura do PopCult
[00:51:10] agora vão ser sempre assim, tipo
[00:51:11] esse é um filme sobre empoderamento feminino
[00:51:14] e o relativismo cultural
[00:51:16] será?
[00:51:17] ou será?
[00:51:19] e é isso
[00:51:20] você não tem que se comprometer, entendeu?
[00:51:24] não, não tem
[00:51:24] e aí não é isso, e de novo assim
[00:51:27] não é algo que eu sinto que é ambíguo
[00:51:30] por escolha, é algo que é ambíguo
[00:51:32] porque ele
[00:51:33] não foi pra nenhum lado direito
[00:51:35] mas provavelmente se você conversasse com o Ari Aster
[00:51:37] ele provavelmente acha que ele
[00:51:39] ele fez o argumento pra um dos lados
[00:51:41] hum, é verdade, né?
[00:51:44] é verdade, talvez
[00:51:45] esse que é o problema, né?
[00:51:47] ele não só
[00:51:49] parece achar, porque no filme ele acha isso
[00:51:52] esse que é o ponto, eu acho, né?
[00:51:53] o filme deixa claro que ele acha que ele tem um argumento
[00:51:56] de desenvolvimento do personagem
[00:51:57] de desenvolvimento de uma mensagem, só que é isso
[00:51:59] ele acaba
[00:52:00] é tipo aquela bola do match point, né?
[00:52:04] do filme, que ela fica caindo
[00:52:05] pros dois lados, né, cara? Então dependendo do seu
[00:52:07] humor, você joga ela pra um lado ou pro outro, né?
[00:52:10] é, então, e eu acho que é como
[00:52:12] como um de vocês
[00:52:14] falou, que ela fica, ela vai de uma
[00:52:15] prisão pra outra, eu sinto muito
[00:52:17] que às vezes ele como o roteirista
[00:52:20] dessa história, ele acha que ele tipo
[00:52:21] salvou ela, sabe?
[00:52:23] ele é aquele cara babaca que tipo, acha
[00:52:25] eu te salvei, eu te tirei de lá e agora você tá aqui
[00:52:27] feliz, né? Cara, você
[00:52:29] me passou por experiências extremamente
[00:52:32] traumáticas, depois de você matar
[00:52:34] a minha família, que você é o roteirista dessa história toda
[00:52:35] você ainda, você me enfiou aqui
[00:52:37] pra passar por tudo isso, assim, ao invés de tipo
[00:52:39] só, sabe, a jornada dessa
[00:52:41] mulher podia ter sido
[00:52:43] a família dela inteira morreu
[00:52:45] e ela conseguiu a ajuda
[00:52:47] psicológica que ela precisava
[00:52:49] não, eu achei que num dado momento até, ia ser
[00:52:51] aquele momento clichê, de tipo
[00:52:53] tudo isso era uma grande viagem de ácido
[00:52:56] porque assim, ele
[00:52:57] toda hora, porque assim, toda hora tava
[00:52:59] shot aqui, shot pra cá, shot pra lá
[00:53:01] eu cheguei nesse momento também
[00:53:03] e aí, chegou um momento que eu falei assim
[00:53:05] o que será que ela tá vendo que é real?
[00:53:07] e o que não é real
[00:53:08] e aí, isso vai ter um desfecho, do tipo
[00:53:11] a parada dela ver as pessoas, né, caindo
[00:53:14] e o cara que subiu lá na pedra e se jogou
[00:53:16] e aí, chega no final, tá todo mundo numa mesa
[00:53:18] só curtindo
[00:53:19] e ela achou que eles tinham se jogado a pedra
[00:53:21] sei lá, eu tive…
[00:53:22] e esse ia ser um grande terror
[00:53:25] ela, a personagem, não saber o que é
[00:53:27] verdade e o que é a cabeça dela
[00:53:29] num lugar totalmente inóspito
[00:53:32] lá, entendeu?
[00:53:33] você não pode ir embora sozinha, não tem como
[00:53:35] e eu não sei se o que eu tô vendo é
[00:53:37] verdade ou se é
[00:53:39] ou é droga
[00:53:41] sabe, porque assim
[00:53:43] todo mundo tem medo
[00:53:44] de uma onda que você não vai voltar
[00:53:47] mais pro normal se você tomou droga
[00:53:49] sabe, isso é terror
[00:53:51] de novo, hereditário
[00:53:53] que tem todo o negócio com as maquetes
[00:53:55] que não volta
[00:53:57] né, que podia ter todo um negócio
[00:53:59] que o filme começa com um shot que também é isso
[00:54:01] no final, ah, eram maquetes ou não
[00:54:03] e qual que é a relação
[00:54:05] da maquete na nossa sociedade com
[00:54:07] sei lá
[00:54:07] a ideia do boneco de voodoo
[00:54:09] sei lá, nada volta
[00:54:10] e aí de novo, eu sinto que é uma coisa que teria sido resolvida
[00:54:13] com alguém do lado dele falando assim
[00:54:14] cara, mas quando tu levantou aquela bola e você montou
[00:54:17] cinco cenas dos caras tomando ácido
[00:54:18] e se a gente voltasse nisso pra resolver esse negócio
[00:54:21] e aí tem uma coisa
[00:54:22] não, não, não, é só um elemento que eu achei que seria legal ter uma cena
[00:54:25] sobre isso e mais nenhuma
[00:54:26] e isso seria super conto de fadas
[00:54:29] igual a Jéssica tava falando, sabe
[00:54:31] que é tipo, ah, caiu no sono
[00:54:33] e aí, tipo, seria uma coisa
[00:54:35] meio Alice, sabe
[00:54:37] era a viagem que eu tinha entrado
[00:54:39] então, esse que é o ponto que eu falo
[00:54:42] esse podia ser um dos caminhos do filme
[00:54:43] um outro caminho, imagina
[00:54:45] daria pra fazer esse filme no Brasil, sacou
[00:54:48] tipo, imagina que
[00:54:49] esse pessoal aí
[00:54:51] é um bando de estudante
[00:54:53] universitário, classe alta
[00:54:55] que vai visitar um terreiro de candomblé
[00:54:57] isolado
[00:55:00] e chega num dia que tem corte
[00:55:02] numa gira de Exu, saca
[00:55:04] aí começa a mostrar os personagens
[00:55:05] todos assustados com aquilo e eles
[00:55:07] ah, vê alguém com uma faca, acha que vai matar ele
[00:55:10] sei lá o que, papapá
[00:55:11] e aí de repente mostra, não, cara, olha só, tá vendo
[00:55:13] um bando de gente branca assustada, é isso que acontece
[00:55:16] nada acontece de verdade
[00:55:18] os caras tão fazendo ali o que tem que fazer
[00:55:20] então assim, essa também seria
[00:55:22] uma outra possibilidade que ele também não explora
[00:55:24] então o filme não vai nem pra esse lado que seria
[00:55:26] do conto de fadas, nem pro lado do
[00:55:28] olha, tá vendo como o pensamento branco
[00:55:30] é curto, ele não consegue
[00:55:32] experienciar a diferença sem transformar
[00:55:34] isso num terror, não, ele fica nessa bola
[00:55:36] no meio ali que cai
[00:55:37] um lado, cai pro outro
[00:55:38] faz tipo um pato, né, nada mal, voa mal
[00:55:41] saca, não faz nada direito
[00:55:43] mas, Orlando, é porque eu acho que ele
[00:55:45] ele, é, ele
[00:55:47] o próprio cara lá, o que escreveu lá
[00:55:49] enfim, ele realmente
[00:55:51] acha assustador
[00:55:53] essa sociedade que não é igual
[00:55:55] a ele, entendeu? Exatamente, por isso que eu tô falando
[00:55:57] é o tropo racista que ele elabora ali, cara
[00:55:59] esse que é o problema. Ele elabora e tipo
[00:56:01] é a verdade pra ele, entendeu?
[00:56:03] Realmente, uma galera isolada
[00:56:05] nananana
[00:56:05] já é
[00:56:07] já é assustador
[00:56:10] entendeu?
[00:56:12] Por exemplo, o meu olhar não foi de susto
[00:56:14] em momento nenhum, aí que tá
[00:56:15] porque pra mim o olhar foi tipo
[00:56:18] beleza, é, sei lá, ritual
[00:56:20] foda-se, tipo, tão vivendo aqui, entendeu?
[00:56:22] Tão fazendo os bagulhos deles
[00:56:24] e aí é isso que
[00:56:25] eu não conseguia enxergar
[00:56:28] como terror, horror, porque
[00:56:29] não justificaria pra mim
[00:56:32] isso ser o terror
[00:56:33] a sociedade que vive ali
[00:56:36] daquela forma
[00:56:37] sabe? Tipo, não
[00:56:39] O problema é que ele pune os personagens
[00:56:41] por pensarem assim que nem você
[00:56:42] esse que é o ponto, né? Ele pune os caras
[00:56:45] que chegam lá quando o pessoal não vai embora
[00:56:47] não, mas essa é a cultura deles, é perigoso
[00:56:49] é, é, é, nos afronta
[00:56:51] mas não, é a cultura deles
[00:56:52] é, pensando isso eles morreram
[00:56:55] sabe? Isso, isso, ou seja
[00:56:57] você não pode simplesmente olhar um ritual
[00:56:59] e achar que é a cultura deles, sabe por quê? Porque vão te matar
[00:57:01] sabia? É isso, é isso que eu amo
[00:57:02] E ao mesmo tempo
[00:57:04] o filme fica naquelas de tipo
[00:57:07] mesmo se eles fossem embora
[00:57:09] a alternativa que o filme propõe
[00:57:11] é sempre, vamos embora nós
[00:57:13] sim, é verdade
[00:57:14] qualquer outra pessoa sujeita a isso
[00:57:17] tudo bem, porque é a cultura deles
[00:57:19] é isso, tranquilo
[00:57:21] nunca também é uma coisa de tipo, não, vamos salvar
[00:57:22] tipo assim, meu, vamos tentar salvar
[00:57:24] as crianças que estão lá, não, não
[00:57:27] é a gente, a gente
[00:57:29] não quer estar aqui
[00:57:30] Ah, outra coisa que é muito
[00:57:32] vocês estão destruindo o filme pra mim
[00:57:35] vocês já entenderam, né?
[00:57:36] Que bom!
[00:57:37] É, mas eu continuo adorando
[00:57:40] a história da garota, mas o negócio
[00:57:42] que me irritou profundamente
[00:57:43] às vezes eu acho que, eu achei que era até
[00:57:45] proposital pra poder
[00:57:48] parecer um mundo de fantasia
[00:57:49] toda hora que elas crianças aparecerem correndo
[00:57:51] tipo, gente, eu tenho um filho, não é assim
[00:57:53] eles não ficam correndo 24 horas
[00:57:55] por mais que tenha muito espaço, entendeu?
[00:57:58] Toda hora, tipo, pode
[00:57:59] voltar o filme aí e ver
[00:58:01] toda hora que tem criança elas passam correndo
[00:58:04] sabe? Nunca tem as crianças fazendo alguma
[00:58:05] atividade, isso pode ser
[00:58:07] uma viagem de ácido, e não foi, e não era
[00:58:09] Era só ter feito uma viagem de ácido, gente
[00:58:12] resolvia, ela acordava na mesma
[00:58:14] grama, fim. A gente em uma hora
[00:58:16] resolveu dois filmes desse cara, entendeu?
[00:58:19] E ele não resolveu em anos
[00:58:20] Não, alguém aqui pensou em ser roteirista?
[00:58:22] Tem alguém aqui, alguém aqui nesse
[00:58:24] grupo aqui, já pensou em fazer isso?
[00:58:26] Em construir história?
[00:58:28] Escrever?
[00:58:29] É, mas assim, eu acho que é um
[00:58:32] filme, tipo, pra passar o tempo e é um
[00:58:34] filme legal pra isso, você não pode achar
[00:58:35] que vai ser, tipo, caralho,
[00:58:37] que filme muito incrível, eu acho que tem
[00:58:39] muitas pontas esquisitas aí
[00:58:41] mas que eu me diverti, tipo, eu curti
[00:58:43] o filme, no fim das contas. Eu também, eu curti
[00:58:45] Pra mim é isso, eu não passei raiva
[00:58:47] no filme, vocês provavelmente
[00:58:49] O Guns acho que passou mais raiva
[00:58:50] Não, não, eu não passei raiva, essa é a questão, eu não passei raiva
[00:58:53] eu passei raiva, tipo, semanas depois, assim
[00:58:55] Remoendo, remoendo
[00:58:57] Exato, o Hereditário foi menos
[00:58:59] o Hereditário também tem uma coisa assim, eu tenho muito medo de filme de terror
[00:59:01] em geral, e como o Hereditário, ele é mais tradicional
[00:59:03] no seu clima de terror
[00:59:05] no suspense e tal, eu fiquei
[00:59:07] com muito medo, até porque ele é muito bem dirigido
[00:59:09] e tal, então assim, teve muito esconder a cara
[00:59:11] debaixo do lençol e tudo mais
[00:59:12] eu sou essa pessoa assustadinha
[00:59:15] mas
[00:59:16] tipo, eu imediatamente comecei a questionar
[00:59:19] enquanto eu tava vendo coisas de construção de personagem
[00:59:21] que no Midsommar demorou muito mais
[00:59:23] pra eu começar a questionar, é tipo aquele
[00:59:25] o filme do Batman lá, que tem o Coringa
[00:59:27] que você sai do cinema e você acha que foi muito legal, e depois você começa
[00:59:29] a pensar, peraí, nada disso faz sentido
[00:59:31] O Guns
[00:59:32] no
[00:59:34] no episódio sobre o Poço
[00:59:36] a gente cunhou o texto
[00:59:37] o termo filmes pra pessoas que acham que
[00:59:39] Leandro Karnal é filosofia, né
[00:59:40] acho que é bom aqui
[00:59:42] a gente, junto com esse termo, colocar
[00:59:45] esse é um tipo de filme
[00:59:47] que é vinho aberto na geladeira, né
[00:59:49] cara, só piora com o tempo, né cara
[00:59:51] só vai piorando. Eu tenho uma expressão muito boa pra isso
[00:59:53] que é o envelhece como pão, não como vinho
[00:59:55] é isso
[00:59:57] é muito isso, o Diabo Veste Prada
[00:59:59] é um ótimo exemplo, inclusive
[01:00:00] é isso, só que esse filme
[01:00:03] desse diretor, eles envelhecem com uma semana
[01:00:05] saca, tipo iogurte
[01:00:07] eles envelhecem como um pão francês
[01:00:09] que é uma pedra
[01:00:10] mas ó, teve uma coisa
[01:00:14] que eu achei legal
[01:00:15] que é
[01:00:16] toda a construção de quem
[01:00:20] pensou ali na coisa de usar
[01:00:21] as runas pra poder
[01:00:23] identificar coisas dos personagens
[01:00:25] sabe
[01:00:26] porque poderia passar mais
[01:00:30] despercebido isso, eu acho que não, acho que teve um cuidado
[01:00:32] sabe, a coisa lá
[01:00:34] da onde eles dormiam, ter toda a história
[01:00:35] contada
[01:00:37] e aí as pessoas, com a vida
[01:00:39] as pessoas criticando ou falando
[01:00:41] era que tipo
[01:00:42] ai gente, a história
[01:00:45] a história
[01:00:46] tipo
[01:00:48] como se fosse uma, né, coincidência
[01:00:51] é tipo assim, ai tudo que aconteceu lá
[01:00:53] já tava escrito nas paredes
[01:00:55] então, mas é um ritual
[01:00:57] aquilo acontece sempre, sabe
[01:00:59] era isso que eu queria, tipo
[01:01:01] manifestar quando eu lia as coisas
[01:01:03] disso indivíduo, é coisa do Youtube mesmo, da galera assim
[01:01:05] e a história
[01:01:07] toda está na
[01:01:08] tipo, não é essa a história isolada
[01:01:10] se a gente tá falando de uma sociedade que já faz esse ritual
[01:01:13] essa é uma história de rituais
[01:01:15] entendeu, tipo, isso é um negócio
[01:01:17] e o filme martela isso muito bem, porque tipo
[01:01:19] o Pelly quando convida ele, fala
[01:01:20] não, a cada x anos a gente faz isso aqui
[01:01:22] então, então, exatamente
[01:01:23] é de tentar, óbvio, que esse é o ciclo de renovação
[01:01:27] dessa galera
[01:01:27] é isso, tem os que se oferecem, tem os que trazem gente de fora
[01:01:31] entendeu, dessa vez foram os
[01:01:33] antropólogos, antes foi
[01:01:35] sei lá, sei lá o que é
[01:01:37] mas assim
[01:01:37] é isso, e este cuidado
[01:01:41] assim, do visual, dessa parte
[01:01:43] ali, da alegoria sendo contada
[01:01:45] visualmente pra gente, eu gostei muito
[01:01:47] é, cada runa que ela
[01:01:49] usa na roupa tem um significado, a dele tinha
[01:01:51] outra, de não sei quem tem outra
[01:01:53] é, eu acho essa parte legal
[01:01:55] e eu fiquei, assim
[01:01:57] me achando, porque
[01:01:59] umas eu já sabia, porque eu tenho
[01:02:01] o War Vikings, entendeu
[01:02:02] aí eu tipo olhei e falei, ó, já vi essa runa
[01:02:05] risos
[01:02:06] risos
[01:02:06] risos
[01:02:06] risos
[01:02:07] risos
[01:02:07] risos
[01:02:07] isso é um antropo muito irritante
[01:02:09] de Hollywood, que é o
[01:02:11] quando eu vou contar uma história que vários
[01:02:13] outros filmes já fizeram, que nesse caso
[01:02:14] o filme é exatamente isso, que é tipo, eu vou contar a história
[01:02:17] de Sexta-feira 13, todos esses filmes de
[01:02:19] adolescentes em perigo, de novo
[01:02:20] eu faço uma história que dentro do universo
[01:02:23] diegético, ela também se repete
[01:02:25] porque ela é um jeito de você piscar
[01:02:27] pra câmera e dizer assim, eu sei que o meu
[01:02:29] roteiro é copiado
[01:02:29] risos
[01:02:30] é verdade, você sabe, então tudo bem
[01:02:34] porque é isso, especialmente filme de terror
[01:02:36] é muito isso, assim, filme de terror usa muito isso
[01:02:38] de tipo, mas o que que tá acontecendo
[01:02:41] assim, isso aconteceu
[01:02:42] várias vezes de novo e acontecerá
[01:02:44] novamente, e é tipo, ah
[01:02:46] ah, tá bom. Pânico, né, cara
[01:02:48] pânico é um exemplo clássico disso, né
[01:02:50] sim, porque o pânico é isso, é tipo, ah não, mas
[01:02:52] por que que esse filme de terror é igual a todos os outros filmes de terror
[01:02:54] ah, porque as pessoas desse filme viram os outros filmes de terror
[01:02:56] é isso, é isso
[01:02:58] porra, sim
[01:03:00] tá, mas por que que você tem que fazer esse filme, então
[01:03:02] risos
[01:03:03] mas assim, eu continuo achando
[01:03:06] da história linda dela, tá, galera
[01:03:08] porque rolei, rolei, rolou
[01:03:10] pra mim a identificação com
[01:03:12] a personagem central, entendeu
[01:03:14] e aí isso daí, isso é o verdadeiro
[01:03:17] trabalho da
[01:03:18] arte, que é tocar
[01:03:20] tocou, entendeu
[01:03:21] isso daí foi entregue
[01:03:24] tanto que a gente tá aqui uma hora falando mal
[01:03:26] então assim, algo mexeu na gente
[01:03:29] ruim é o filme que
[01:03:30] passa e você
[01:03:32] não sente nada, nada mudou pra você
[01:03:34] nem a raiva, sabe
[01:03:36] por isso que a proposta do Pop Culture é exatamente essa
[01:03:38] é entender o que, as ideias
[01:03:40] e os sentimentos que essas artes
[01:03:42] que muitas vezes a gente não gosta e outras vezes a gente gosta
[01:03:44] geram na gente, assim, né
[01:03:46] as visões de mundo que elas reforçam e tudo mais
[01:03:48] então a gente achou legal falar de Midsommar
[01:03:50] exatamente porque
[01:03:51] ele ressonou com a nossa geração
[01:03:54] e ressoou com a nossa geração e aí
[01:03:56] só que aí nesse
[01:03:58] nesse ressoar o Orlando queria
[01:04:00] trazer essas coisas, tipo, é, mas será que ele não tava também
[01:04:02] reforçando
[01:04:03] alguns valores que a gente considera conservadores
[01:04:06] quando a gente enxerga fora do contexto desse filme
[01:04:08] sim, eu concordo
[01:04:10] então daí, é só pra você pensar sobre esse filme
[01:04:12] você que tá ouvindo aí, já pensa aí sobre o filme
[01:04:14] e dá pra comemorar com o final
[01:04:16] o final é bom, o final é legal
[01:04:18] você fala assim
[01:04:18] é legal
[01:04:20] eu aplaudi o final
[01:04:23] eu aplaudi o final, eu vi isso e o Ruh finalmente morreu
[01:04:26] essa desgraça, foi ótimo
[01:04:28] me diverti
[01:04:28] eu só acho que você tá dando uma
[01:04:31] bela desculpa pro fato que a gente
[01:04:34] criou esse podcast pra não ter um
[01:04:36] uma sensação de inutilidade
[01:04:38] porque até o momento
[01:04:40] a gente fala prioritariamente sobre coisas que a gente
[01:04:42] não gostou, né, talvez com a exceção do Robocop
[01:04:44] eu acho que é uma
[01:04:45] a gente criou esse podcast numa tentativa de, cara
[01:04:48] eu não perdi esse tempo à toa, né, cara, não é possível
[01:04:50] não, mas é total isso, porque mesmo as coisas que a gente gosta
[01:04:52] que a gente, desde o começo, lá no ano passado
[01:04:54] quando a gente tava escrevendo os primeiros roteiros desse podcast
[01:04:56] a gente puxava muito filme que a gente
[01:04:58] gosta, mas que a gente sabe que é demente
[01:05:00] ah, sim
[01:05:01] ah, eu passei muito tempo da minha vida
[01:05:04] pensando sobre o seriado do Highlander
[01:05:06] então eu vou falar sobre como isso
[01:05:08] tem a ver com o fim da história
[01:05:09] e o império bélico dos Estados Unidos, sabe
[01:05:12] mas assim, no final das contas
[01:05:14] isso me lembra, tem um caso clássico
[01:05:16] disso, que é, uma vez eu entrei no carro
[01:05:18] de um amigo que tava me dando carona
[01:05:19] e ele tava ouvindo Snoop Dogg, e ele virou pra mim e falou
[01:05:22] assim, eu tô ouvindo toda a discografia
[01:05:24] do Snoop Dogg em ordem cronológica
[01:05:26] pra eu meio que sacar a evolução dele
[01:05:28] e aí eu fiquei muito irritado
[01:05:30] e eu virei pra ele e falei assim, caralho, o que aconteceu
[01:05:32] com a nossa sociedade, que esse momento
[01:05:34] que era seu, que você podia sentar e dizer
[01:05:36] eu estou ouvindo uma música, porque eu gosto
[01:05:38] dessa música, e eu só tenho lazer
[01:05:40] e ócio, você tá transformando num projeto
[01:05:42] acadêmico, assim
[01:05:43] de releitura
[01:05:46] de uma obra, bicho, por que que a gente
[01:05:48] tem essas manias, eu não sei porque a gente tem essas manias
[01:05:50] mas esse podcast só existe exatamente
[01:05:52] por causa dessa mania
[01:05:53] não, não, não, vamos pegar todo esse filme de ação que a gente já reviu
[01:05:56] 20 vezes aqui e dizer que tem um valor aqui
[01:05:58] na nossa análise deles
[01:06:00] não, vocês destruíram
[01:06:02] o filme, e eu tô aqui
[01:06:04] guardando as gostosas
[01:06:06] memórias, entendeu
[01:06:07] daquele momento que eu tava ali
[01:06:10] sozinha, de madrugada
[01:06:12] ah, e tem algo também que eu acho
[01:06:14] que é interessante pra mim, o porquê de
[01:06:16] gostar desse
[01:06:18] filme, porque
[01:06:19] tudo que é de terror
[01:06:22] depois que o Valentim nasceu
[01:06:24] ficou meio ruim pra mim, assim, não ruim
[01:06:26] tipo
[01:06:26] é difícil, sabe
[01:06:29] é difícil, eu voltei
[01:06:32] a ver
[01:06:33] Dark, e eu lembrei como foi
[01:06:36] super angustiante ver essa coisa de
[01:06:38] criança sumindo, né, então assim, tudo que é
[01:06:40] de terror, eu meio que evito, assim
[01:06:41] o último filme que eu vi
[01:06:44] de terror foi Corra, então assim
[01:06:46] esse filme também
[01:06:48] faz tempo, amiga, faz muito tempo
[01:06:50] então esse filme deu uma quebrada
[01:06:52] assim pra mim, tipo, me tirou do lugar comum
[01:06:54] ali de, ah, não quero ver filme
[01:06:56] de terror, sabe, então acho que eu
[01:06:58] vou ter um certo carinho por ele
[01:07:00] mas tá tudo certo
[01:07:02] gostar, amiga, tá tudo bem
[01:07:04] tem coisas boas, o filme pra mim não é
[01:07:06] 100%, e tem coisas muito boas
[01:07:08] e não é a vida, né
[01:07:09] a vida não tem parte de duas partes
[01:07:11] isso não é arte, entendeu
[01:07:14] ah, exatamente
[01:07:16] arte mitando a vida
[01:07:17] eu acho que é isso, assim, acho que a gente conseguiu apresentar
[01:07:19] várias experiências disparas com muitos pontos
[01:07:22] em comum com esse filme
[01:07:23] e conseguiu mais, acho que o mais
[01:07:26] importante, a gente conseguiu fazer com que
[01:07:28] as pessoas… justificar o seu podcast
[01:07:30] foi muito bom
[01:07:31] e assim, tipo, é isso, assim, pessoas que gostaram
[01:07:34] muito do filme, tipo a Carol, pensaram mais sobre o filme
[01:07:36] pessoas que já não gostaram sobre o filme
[01:07:37] pensaram em novas maneiras de não gostar sobre ele, né
[01:07:39] e de outras coisas que você pode apreciar
[01:07:41] né, que a gente falou
[01:07:43] então é isso, assim, a gente não tá aqui
[01:07:46] pra estimular você a odiar esse filme
[01:07:47] a gente tá aqui pra estimular você a odiar vários outros filmes
[01:07:50] e é o famoso, quem é a gente pra falar mal
[01:07:52] sabe?
[01:07:53] exato, assim, humildes
[01:07:56] podcasters como nós
[01:07:57] exatamente, é aquilo, fofoca, fofoca
[01:08:00] fofoca, fala mal, mas quem somos
[01:08:02] nós pra falar, né?
[01:08:03] quem sou eu pra julgar, quem sou eu pra julgar
[01:08:05] assim
[01:08:06] e tudo bem
[01:08:07] não, tranquilo, não gostou, faz um
[01:08:10] exato
[01:08:10] faz melhor, faz melhor
[01:08:13] faz o seu mito soma, então, é isso
[01:08:15] não tô dizendo que é ruim
[01:08:18] deixa eu só te falar tudo que eu achei ela merda
[01:08:20] mas tranquilo
[01:08:23] não tô dizendo que você não tinha que gostar, mas olha como você
[01:08:26] só gosta porque não percebeu que é ruim
[01:08:27] exatamente, que horror
[01:08:31] é isso, gente, gente, bom
[01:08:33] então se você tá ouvindo isso no feed do
[01:08:35] Imagina
[01:08:36] Juntas, tem o Pop Cult, pra você ouvir
[01:08:38] que tem esse tipo de discussão aqui, a Jéssica já
[01:08:40] participou de um outro episódio, que você pode ouvir
[01:08:41] sobre a Diabo da Espada, a Carol vai voltar
[01:08:43] pra falar sobre uma linda mulher
[01:08:46] uma linda mulher
[01:08:47] e a construção
[01:08:49] do homem salvador
[01:08:51] sim, o tropo
[01:08:54] né, que esse filme
[01:08:56] só substitui com o Selvagem
[01:08:57] Salvadores, é isso
[01:08:59] exatamente, e se você veio aqui
[01:09:02] pelo feed do Pop Cult, tem
[01:09:04] o Imagina Juntas, que tem eu, a Jéssica
[01:09:06] e a Carol normalmente falando sobre outras coisas
[01:09:07] que não midsummer
[01:09:08] eu ia falar agora, amiga
[01:09:12] por exemplo, a privada entupida
[01:09:14] que foi pauta aí, né, do nosso último
[01:09:16] EP, cocô boiando
[01:09:18] situações constrangedoras
[01:09:20] em bares, né, no banheiro
[01:09:22] é muito educativo, entendeu
[01:09:23] você aprende muito, entendeu, sobre
[01:09:25] cocô, sobre lavar louça, sobre
[01:09:28] problemas intestinais
[01:09:28] o ciclo completo da natureza
[01:09:31] é um ótimo programa
[01:09:33] será que saímos mesmo da fase escatológica
[01:09:36] será?
[01:09:37] nunca
[01:09:38] para saber sobre isso, só ouvindo o Imagina Juntas
[01:09:42] é isso
[01:09:42] gente, muito obrigado
[01:09:44] eu amei, muito obrigada pelo convite, gente
[01:09:47] é um prazer estar de volta, já estou sempre
[01:09:49] sentindo o elenco fixo, entendeu
[01:09:51] já é de casa, né, Jéssica
[01:09:52] não, pra mim é uma honra estar aqui
[01:09:55] eu já estou assim, nossa, como é bom
[01:09:58] um podcast com propósito, né
[01:09:59] talvez a gente pudesse fazer alguma coisa assim
[01:10:02] organizada
[01:10:03] é muito fácil ter uma pauta, né
[01:10:06] ajuda, né
[01:10:08] desenrola, né, desenrola
[01:10:09] nossa
[01:10:10] os meninos são bons, né, os meninos são bons
[01:10:13] os meninos são muito bons, né
[01:10:16] os meninos são bons
[01:10:17] ouve lá o podcast que os meninos são bons
[01:10:20] mas é cada figura, meu
[01:10:23] tchau, gente
[01:10:29] tchau, tchau
[01:10:30] tchau, tchau
[01:10:31] half-death
[01:10:36] half-death
[01:10:39] half-death
[01:10:43] half-death