#06 - Policial “Rebelde”


Resumo

O episódio analisa criticamente o tropo do “policial rebelde” ou “justiceiro” na cultura pop, desde filmes clássicos como Dirty Harry e Desejo de Matar até produções brasileiras como Tropa de Elite. Os apresentadores discutem como essa figura narrativa serve para sedimentar uma ideologia que justifica a violência policial como necessária e até heroica, especialmente quando o policial age “fora das regras” em nome de um “bem maior”.

A discussão explora como esse tropo não é apenas preguiça de roteiro, mas um mecanismo cultural que ajuda a naturalizar a ideia de que “bandido bom é bandido morto” e que a polícia, enquanto instituição, tem uma natureza “geneticamente fascista”. Os participantes argumentam que essas narrativas criam uma dicotomia entre vidas que valem a pena ser protegidas e vidas “matáveis”, geralmente associadas a grupos marginalizados racial e socialmente.

O episódio também traça as origens históricas desse tropo, conectando-o aos filmes de faroeste (onde o ranger protegia colonizadores de povos indígenas) e à sua atualização no contexto urbano dos anos 1970 nos EUA, que criou a figura do inimigo interno (negros, punks). A análise se estende aos super-heróis como versões exacerbadas desse justiceiro, com destaque para Batman e Homem de Ferro.

Por fim, os apresentadores examinam tentativas de subverter esse tropo em filmes como Observing Report (O Policial Fora de Controle) e discutem como a naturalização dessa figura impede questionamentos estruturais sobre a polícia, mantendo a crença de que o problema são “policiais ruins” e não uma instituição projetada para funcionar através da violência e opressão.


Indicações

Documentarios

  • Conversas com um Assassino: As Fitas de Ted Bundy — Série documental da Netflix sobre Ted Bundy, mencionada por ilustrar como elementos como ultra-individualismo e repressão sexual extrema criam figuras como assassinos em série.

Filmes

  • Tropa de Elite — Citado como o exemplo mais pungente do tropo no Brasil, que mistura o herói de ação norte-americano com a violência espetacularizada de programas de TV, transformando tortura em entretenimento.
  • Dirty Harry — Apresentado como um clássico que estabeleceu o arquétipo do policial anti-herói que vai contra as regras, baseado em um policial real e atualizando o tropo do faroeste para o contexto urbano.
  • Desejo de Matar (Death Wish) — Mencionado como um exemplo quase ideal do tropo, onde um homem se vinga da morte da esposa matando dezenas de pessoas, ilustrando a lógica de que algumas vidas valem mais que outras.
  • Observing Report (O Policial Fora de Controle) — Recomendado como uma comédia que genuinamente desconstrói o tropo, mostrando um protagonista terrível envenenado pela fantasia do justiceiro policial.
  • Last Action Hero — Citado como uma sátira dos filmes de ação dos anos 80/90 que pode servir como ponto de partida para questionar as características do policial rebelde.

Livros

  • Como Nascem os Monstros — Livro de Rodrigo Nascimento, um policial militar preso, que reporta a experiência de formação dos PMs e como ela passa por uma dessensibilização e estímulo à violência.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Introdução ao tropo do policial rebelde — Os apresentadores introduzem o tema do policial justiceiro que enfrenta as regras da instituição, citando exemplos como John McClane, Dirty Harry e Capitão Nascimento. Discutem como esse estereótipo vai além da preguiça de roteiro e sedimenta a ideologia de que a violência policial é necessária e que bandido bom é bandido morto.
  • 00:05:13A polícia como instituição geneticamente fascista — Orlando propõe que a polícia é uma “instituição geneticamente fascista”, tornando conceitos como “polícia antifascista” um oxímoro. Eles discutem a relação complexa entre o desejo da sociedade por policiais e como isso cria o ninho onde o fascismo se instaura, destacando que muitas pessoas acreditam mais nessa filosofia do que admitem.
  • 00:14:12Tropa de Elite como culminação do tropo — Os apresentadores focam em Tropa de Elite como exemplo pungente do tropo, destacando como o Capitão Nascimento é a culminação de décadas de personagens similares. Discutem como o filme mistura o tropo do herói de ação norte-americano com a violência espetacularizada de programas como Brasil Alerta, transformando tortura em entretenimento.
  • 00:20:52Origem no faroeste e inimigos internos — A discussão traça as origens do tropo nos filmes de faroeste, onde o ranger protegia colonizadores de povos indígenas. Na década de 1970, esse arquétipo é atualizado para o contexto urbano, criando a figura do inimigo interno (negros, punks) que ameaça o cidadão de bem, com Dirty Harry sendo um exemplo fundamental.
  • 00:35:00A figura do psicopata e a produção social — Os participantes analisam como a figura do psicopata (como em Dirty Harry) simplifica narrativas, permitindo soluções violentas. Questionam por que os EUA produzem tantos assassinos em série e psicopatas, sugerindo que é sintomático de uma sociedade que cria essas figuras e depois as normaliza ou as transforma em “psicopatas funcionais” dentro da máquina estatal.
  • 00:47:27Filmes que tentam subverter o tropo — Gus apresenta uma série de filmes que supostamente subvertem o tropo do policial rebelde, como Lakeview Terrace, Training Day e Rampart. Ele argumenta que, no final, muitos deles acabam reforçando a ideia de que a solução ainda é violenta ou que o problema são policiais individuais ruins, não a instituição.
  • 00:53:33Observing Report como subversão genuína — Gus destaca Observing Report (O Policial Fora de Controle) como uma comédia que genuinamente desconstrói o tropo. O filme mostra um guarda de shopping (Seth Rogen) envenenado pela fantasia do justiceiro, cometendo atos terríveis enquanto se acha nobre. É apresentado como um raro exemplo que critica a ideologia por trás do desejo de ser um policial herói.
  • 01:03:26Conclusão: O cinema fundado no poder paralelo — Orlando encerra argumentando que o cinema americano é fundado na noção de poder paralelo para manter a opressão, citando o primeiro grande sucesso cinematográfico norte-americano, O Nascimento de uma Nação, que retrata a Ku Klux Klan como heróis. Isso exemplifica como a cultura romantiza o genocídio para sustentar a sociedade como a conhecemos.

Dados do Episódio

  • Podcast: Popcult
  • Autor: Atabaque Produções
  • Categoria: TV & Film Film Reviews
  • Publicado: 2020-07-07T08:30:16Z
  • Duração: 01:05:19

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Me entregue seu distintivo e a sua arma

[00:00:16] Quando foi a primeira vez que você ouviu essa frase num filme ou série de TV?

[00:00:20] Eu não me lembro e aposto que você também não

[00:00:21] Isso porque esse tropo do policial rebelde que enfrenta as regras da instituição pelo bem maior e pela justiça

[00:00:27] É um favorito da nossa cultura

[00:00:29] Seja John McClane, Dirty Harry, Martin Riggs ou nosso próprio Capitão Nascimento

[00:00:33] Esse estereótipo é muito mais do que preguiça de roteiro

[00:00:36] Ele é um dos grandes sedimentadores de uma ideologia pervasiva à nossa sociedade

[00:00:39] De que a violência policial não é só necessária para manter a civilização

[00:00:43] Mas insuficiente se presa às normas restritivas do Estado

[00:00:48] Em outras palavras, essas obras nos ajudam a absorver a ideia de que bandido bom é bandido morto

[00:00:54] Oi Orlando, tudo bem?

[00:00:55] Depois dessa introdução, não né?

[00:00:58] Porque basicamente você lembrou um dos principais flagelos da nossa existência atual, né?

[00:01:03] Pois é, que se existe borbulhando sob a pele do corpo societário

[00:01:10] E às vezes nem tanto sob a pele uma bile fascista

[00:01:15] É porque algo ajudou a espremer essa bile e que foi a nossa cultura, né?

[00:01:22] Pois é, né? Porque esse que é um ponto fundamental, né?

[00:01:26] Se existe…

[00:01:28] A polícia

[00:01:29] Se existe essa instituição geneticamente fascista

[00:01:34] Essa é uma frase bastante…

[00:01:37] Queríamos…

[00:01:39] Gostei, deixei reverberar, tá?

[00:01:40] É, porque assim, ela tem que ser…

[00:01:42] A polícia é uma instituição geneticamente fascista

[00:01:46] Por isso que uma coisa como polícia antifascista é um oxymoro

[00:01:50] Mas vamos por aí agora não

[00:01:52] Mas se a polícia…

[00:01:54] Você não acha fascinante que a palavra oxymoro contém moro?

[00:01:58] Olha só, tu já…

[00:01:58] Olha só, tu já…

[00:01:58] Olha só, tu já…

[00:01:58] Tá recalcando aí a parada aí, cara

[00:02:01] Já tá acontecendo

[00:02:01] Mas o meu ponto aqui, guys

[00:02:05] O meu ponto aqui é o seguinte

[00:02:06] Se a polícia enquanto instituição fascista é possível, né?

[00:02:11] É porque existem aqueles que anseiam a existência de policiais

[00:02:16] E essa relação complexa entre desejo e a instituição

[00:02:21] Que basicamente é o ninho onde o fascismo se instaura, né?

[00:02:27] E esse é um tópico que é muito bom

[00:02:28] Muito bom pro tema do nosso podcast

[00:02:30] Que é discutir como que a cultura molda os nossos entendimentos do mundo

[00:02:34] Porque assim, hoje é muito claro que existe uma parcela da população

[00:02:37] Que acredita explicitamente numa ideia de que sim, bandido bom é bandido morto

[00:02:45] De que a violência policial é mais do que aceitável e necessária

[00:02:49] E existe uma parcela da população que se diz contra isso

[00:02:52] Mas se a gente parar pra ver que o ser humano não acredita só nas coisas que ele sabe que acredita

[00:02:58] Ele não acredita só nas coisas que ele sabe que acredita

[00:02:58] É, a gente vê que na verdade as pessoas acreditam muito mais nessa filosofia

[00:03:02] Do que as que admitem apaixonadamente isso, né?

[00:03:08] E eu acho que a gente vai analisar hoje como que é muito comum

[00:03:11] Essa ideia nas coisas que a gente consome e não questiona

[00:03:14] E que por isso, mesmo uma pessoa que às vezes pensa

[00:03:16] Tipo, não, eu sou contra a violência policial e eu apoio as manifestações

[00:03:21] Mas aí viram e mandam tipo

[00:03:22] Ah, mas também não tem porque quebrar a vidaça

[00:03:24] Ou tipo, ah, é que os policiais foram violentos

[00:03:27] Porque as pessoas estavam sentindo que não eram violentos

[00:03:28] Que acreditam que existe uma certa necessidade da existência da polícia

[00:03:35] E uma necessidade da violência policial

[00:03:37] E que ela é inseparável da condição humana

[00:03:40] De que sempre tem que haver uma polícia

[00:03:41] Que o problema é que a nossa polícia

[00:03:43] Se ela é corrupta ou se ela é violenta demais

[00:03:46] E ela é bruta

[00:03:47] É porque tem alguma falha no sistema

[00:03:50] E não que ele tá funcionando exatamente como ele foi desenhado pra funcionar

[00:03:55] É, exatamente isso, né?

[00:03:56] Por isso que eu insisto nessa ideia de

[00:03:58] A polícia é uma coisa que tem que ser violenta

[00:03:58] A polícia é uma instituição geneticamente fascista

[00:04:01] Porque a maneira como ela funciona hoje

[00:04:05] E falo isso com propriedades

[00:04:10] De conhecer, de ter um ambiente familiar pra mim

[00:04:14] Por questões familiares, tenho familiares policiais

[00:04:16] Alguns amigos meus de infância

[00:04:18] Alguns, muitos amigos, inclusive, viraram policiais

[00:04:21] Porque, enfim, em Padre Miguel, década de 90

[00:04:23] Era quase que uma opção de ter uma carreira assalariada, né?

[00:04:28] Então você percebe que

[00:04:30] A maneira como a polícia, seja ela

[00:04:34] E todas elas, né?

[00:04:35] Inclusive, não só a PM, né?

[00:04:38] Funciona, não é uma perversão do seu papel, né?

[00:04:41] Ela foi feita pra isso

[00:04:43] Se ela tá sendo criada

[00:04:44] Se ela tá funcionando desse jeito

[00:04:45] Ela tá funcionando bem

[00:04:48] Dentro dos termos que ela foi proposta

[00:04:51] Não é uma coisa do tipo

[00:04:52] Ela está corrompida

[00:04:53] Ou, é que é a coisa do discurso daquele

[00:04:56] Do nosso Capitão Nascimento, né?

[00:04:58] Ele vai sempre atrás do que tá corrompendo as instituições

[00:05:01] Não, cara, elas estão funcionando realmente

[00:05:03] Quando essas pessoas falam

[00:05:04] As instituições estão funcionando perfeitamente

[00:05:07] Eles estão corretos

[00:05:08] O problema justamente é esse

[00:05:09] As instituições

[00:05:11] Exato, e o tropo que a gente vai analisar aqui

[00:05:13] É exatamente sobre isso

[00:05:15] Não é só do policial como herói

[00:05:17] Na ficção, mas do policial

[00:05:20] Que enfrenta a polícia como herói

[00:05:22] Porque isso é mais uma camada

[00:05:25] Que diz

[00:05:25] Ah, às vezes essas regras

[00:05:27] Elas trabalham

[00:05:28] Contra a justiça

[00:05:30] O que isso significa

[00:05:31] E contra o bem

[00:05:33] Entre aspas

[00:05:34] Porque no final é isso

[00:05:37] Vários dos filmes que a gente vai citar aqui

[00:05:38] E o próprio Tropa de Elite

[00:05:40] A saga Tropa de Elite com Tropa de Elite 1 e 2

[00:05:42] Mostra isso

[00:05:43] Ações que são postas como

[00:05:46] Justificáveis do herói

[00:05:48] Da obra

[00:05:49] São exatamente ir contra as regras

[00:05:51] Tipo, eu vou pegar e vou usar de brutalidade policial

[00:05:54] Contra, seja um jovem favelado

[00:05:57] Ou

[00:05:58] Contra um político

[00:06:00] Ali no Tropa de Elite 2

[00:06:01] Mas isso tudo é posto como, tipo, tá vendo

[00:06:03] Se a gente simplesmente pudesse sair e descer a porrada

[00:06:06] Nesses caras

[00:06:07] A gente ia acabar com aquilo que corrompe a nossa sociedade

[00:06:10] E não vendo isso como

[00:06:12] A própria corrupção, né

[00:06:14] Um policial que não segue as regras

[00:06:16] Estabelecidas para a polícia

[00:06:18] Está sendo um criminoso também

[00:06:20] Pois é, né

[00:06:21] Porque esse que é o ponto

[00:06:23] Esses filmes

[00:06:27] Isso é um dos motivos pelos quais

[00:06:28] Eu rapidamente encontro uma criança

[00:06:30] Que foi, talvez

[00:06:32] Uma vez você me falou isso, né

[00:06:34] A gente que cresceu

[00:06:35] Sendo homem, branco, nerd

[00:06:39] Teve um determinado momento

[00:06:41] Nas nossas vidas que a gente poderia ter caído

[00:06:42] Para o outro lado

[00:06:43] Sim, eu estava falando sobre isso hoje mesmo

[00:06:46] Não só a gente que cresceu homem, branco, hétero

[00:06:49] Só como a gente cresceu nerd

[00:06:51] Em fóruns de videogame

[00:06:53] A gente cresceu com acesso à internet

[00:06:54] A partir de certo ponto

[00:06:57] E a gente vê hoje

[00:06:58] Tanta coisa horrível

[00:07:00] Que vem desses meios que a gente viu surgir

[00:07:02] E dos quais a gente saiu

[00:07:04] Uns 10 anos antes

[00:07:06] De isso fazer tanto mal para a nossa cabeça

[00:07:09] Que a gente vê

[00:07:10] Várias situações em que você pensa

[00:07:12] Cara, por pouco

[00:07:14] Não sou eu lá também, entendeu

[00:07:16] O processo

[00:07:18] De dessensibilização

[00:07:20] Que muita gente passou

[00:07:22] Na internet

[00:07:23] De perder a empatia pelo outro

[00:07:25] E de perder

[00:07:26] O questionamento

[00:07:28] Pelo sistema ao seu redor

[00:07:30] E que eu acho

[00:07:32] Espero que

[00:07:34] Pessoas mais qualificadas

[00:07:36] E pesquisadores com mais informação

[00:07:38] Que eu possa estudar melhor o tema

[00:07:40] Mas eu acho que tem muito a ver também

[00:07:41] Com o fato de que você consome o mundo real

[00:07:43] Por uma tela cada vez mais

[00:07:45] A mesma tela que você usa para ver os seus filmes

[00:07:48] E programas de TV

[00:07:50] E vídeos na internet

[00:07:51] Que todas as coisas que acontecem

[00:07:53] Fora da sua tangível experiência

[00:07:56] Subjetiva

[00:07:58] Se tornam todas equivalentes

[00:08:00] E não geram grandes emoções

[00:08:02] Tem várias questões aí

[00:08:05] Porque esse consumo mediado

[00:08:07] Ele basicamente é o consumo de qualquer coisa

[00:08:09] Tem uma frase clássica

[00:08:11] Dos culturalistas que diz

[00:08:13] O olho que vê é o órgão da tradição

[00:08:15] Basicamente o nosso olho hoje em dia

[00:08:17] É o celular

[00:08:19] É a tela do computador

[00:08:21] O entretenimento é o nosso olho

[00:08:23] Esse que é o grande ponto desse podcast

[00:08:25] Aqui

[00:08:26] Mas o ponto que eu queria chegar

[00:08:29] Nessa história

[00:08:30] Que foi

[00:08:32] Uma das coisas que rapidamente

[00:08:35] Me tirou desse esquema

[00:08:38] Do tipo

[00:08:38] De consumir essas fantasias

[00:08:42] Esse tropo

[00:08:42] De aceitá-lo

[00:08:45] Esse que é o ponto

[00:08:46] De aceitá-lo enquanto uma formulação válida

[00:08:49] É necessário pular as regras

[00:08:52] Para que se defenda

[00:08:53] Uma coisa assim

[00:08:55] O tropo do justiça

[00:08:56] Esse que é o ponto final

[00:08:57] Foi justamente compreender

[00:09:01] Foi um determinado momento da minha vida

[00:09:03] Que eu me percebi

[00:09:05] Porque justamente

[00:09:05] Eu sou um sujeito criado

[00:09:08] No subúrbio carioca

[00:09:09] Eu sou de uma família

[00:09:11] Composta por uma pluralidade de raças

[00:09:15] Eu tenho uma passabilidade branca

[00:09:16] Mas meu irmão não é branco

[00:09:17] Então assim

[00:09:18] Eu sofri, fui alvo de racismo

[00:09:23] Ambiental

[00:09:25] Então eu

[00:09:26] Muitas vezes eu estava na outra ponta

[00:09:29] Das ações policiais

[00:09:31] Então rapidamente eu compreendi

[00:09:34] Que aquele tropo

[00:09:36] Essa ideia do justiceiro

[00:09:38] Ela na verdade

[00:09:39] Ela era uma máquina opressiva

[00:09:42] De outras experiências

[00:09:43] Que é justamente

[00:09:44] Quando você tem pessoas que são criadas

[00:09:46] Nesse meio que o único acesso

[00:09:48] A esse tipo de situação

[00:09:50] É mediado pelo tropo do justiceiro

[00:09:52] Eles vão acreditar rapidamente nisso

[00:09:54] Rapidamente a ideia de que

[00:09:55] Polícia

[00:09:56] De que bandido bom é bandido morto

[00:09:58] De que os policiais que torturam

[00:10:00] Que fazem coisas

[00:10:01] Eles podem estar fazendo uma coisa ruim

[00:10:03] Mas é em nome de um

[00:10:04] Os fins justificam os meios

[00:10:06] Ou aquela pose que eu acho que é muito comum

[00:10:10] Na imagem que a gente tem

[00:10:13] Do liberal de pseudo esquerda

[00:10:15] De ouvir de algum caso

[00:10:17] Em que a polícia matou alguém

[00:10:19] Ou de ver um filme em que você mata

[00:10:21] O bandido e tal

[00:10:22] E de ter aquela pose do tipo

[00:10:24] Pois é

[00:10:25] Uma pena que teve que chegar a isso

[00:10:27] Sim, sim, sim

[00:10:29] Teve que chegar

[00:10:31] Esse que é o ponto

[00:10:32] Porque toda a questão fundamental

[00:10:36] E esses tropos impedem a gente de pensar

[00:10:39] É como

[00:10:40] O que acontece pra situação chegar nesse ponto

[00:10:42] Do conflito

[00:10:44] Do cara ter que

[00:10:45] E quem ganha com tudo isso

[00:10:48] Pra mim esse foi o problema fundamental

[00:10:50] Por isso que

[00:10:51] E hoje que a gente vai chegar nisso

[00:10:54] Porque o herói maior

[00:10:55] Desse tropo

[00:10:56] É o Batman do Nolan

[00:10:59] Que é um justiceiro de marca maior

[00:11:01] Miliciano

[00:11:02] Assim, não tem como a gente deixar de citar nesse episódio

[00:11:05] Por mais que a gente não vá entrar a fundo nisso

[00:11:08] Porque a gente está tentando fazer um episódio de uma hora

[00:11:10] Mas assim

[00:11:11] Os super heróis na cultura moderna

[00:11:14] Eles servem exatamente

[00:11:16] Como

[00:11:17] Um expoente dessa fantasia

[00:11:20] De beleza, o policial tem que seguir as regras

[00:11:22] Mas e se eu tivesse um super policial

[00:11:24] Que não precisa seguir todas as regras?

[00:11:25] Pois é, porque o super herói

[00:11:28] Ele inclusive

[00:11:29] No sentido corpóreo

[00:11:32] Ele escapa

[00:11:33] Das restrições societárias usuais

[00:11:35] Ou seja, o próprio corpo dele

[00:11:37] A própria existência dele ultrapassa

[00:11:39] Os limites do humano

[00:11:40] Então assim, se o tropo do justiceiro

[00:11:42] Ele é aquele sujeito

[00:11:45] Que tem que lutar contra os limites da própria sociedade

[00:11:47] Pra fazer a justiça

[00:11:48] O super herói, mas ainda assim

[00:11:51] Ele vai estar confinado aos limites

[00:11:53] Do humano

[00:11:54] E aí que vem o super herói

[00:11:55] E aí vem a brincadeira, toda a ironia do Robocop

[00:11:58] Mais uma vez se torna brilhante

[00:11:59] O policial

[00:12:01] O policial super herói

[00:12:04] Ele na verdade não é o super policial

[00:12:05] Porque ele não só apenas escapa

[00:12:07] Das restrições societárias

[00:12:08] Como ele escapa da restrição da própria espécie

[00:12:11] Pra fazer a justiça

[00:12:12] Ele voa, ele é super forte

[00:12:15] Ele é super inteligente, ele é super rico

[00:12:17] Que é o grande poder do Batman

[00:12:18] Sim

[00:12:19] É muito bom

[00:12:23] É uma crítica que a gente vê cada vez mais

[00:12:25] Sobre o Batman

[00:12:26] Ele é um bilionário

[00:12:28] Que podia simplesmente doar todo o dinheiro dele

[00:12:31] E pagar seus impostos

[00:12:32] Mas ele prefere resolver

[00:12:34] Todos os problemas sociais batendo em pobres

[00:12:36] Pois é

[00:12:38] O Batman dos quadrinhos

[00:12:40] O Batman dos quadrinhos não é assim

[00:12:42] O Batman do cinema ele é, mas o Batman dos quadrinhos

[00:12:44] Vamos entrar nessa não porque

[00:12:45] É um longo debate

[00:12:47] Uma coisa que eu acho que vale

[00:12:50] A última coisa que eu vou falar sobre super heróis

[00:12:51] Antes da gente voltar para os nossos policiais rebeldes

[00:12:54] É que

[00:12:55] É uma observação que eu fiz até no episódio do Benzina

[00:12:58] Que a gente gravou juntos

[00:12:59] Que você nota que quando os Estados Unidos

[00:13:01] Voltam a se militarizar pesadamente

[00:13:04] Para a guerra do Afeganistão e do Iraque

[00:13:06] No começo dos anos 2000

[00:13:07] Os super heróis americanos viram mais militarizados

[00:13:10] Algo que tinha começado nos anos 90 um pouco

[00:13:12] Que é aquela coisa dos X-Men

[00:13:13] Começarem a ter uniformes mais militarizados

[00:13:15] O Batman do Nolan é explicitamente militarizado

[00:13:18] Ele usa equipamento militar

[00:13:20] E aí a gente tem

[00:13:21] Depois o Homem de Ferro

[00:13:23] Da Marvel no cinema

[00:13:25] Que ele também é um vendedor de armas

[00:13:28] Militares

[00:13:29] Não, eu vou usá-las para o bem

[00:13:31] Mas usá-las para o bem é muito parecido

[00:13:33] Com usá-las para o mal

[00:13:34] Só muda assim

[00:13:37] Especialmente nos filmes da Marvel

[00:13:39] Eles viram braços do governo

[00:13:41] Nos filmes do Nolan

[00:13:42] O trabalho do Batman com a polícia

[00:13:44] É a partir do segundo filme muito junto

[00:13:47] E ele usa de táticas

[00:13:50] Que o governo usa

[00:13:51] De espionagem e tudo mais

[00:13:53] E nos filmes da Marvel

[00:13:55] Os filmes da Marvel

[00:13:57] Eles viram oficialmente um braço do governo

[00:14:00] De policiamento mundial

[00:14:03] Enfim, não vamos entrar nessa

[00:14:04] A gente vai gravar um episódio especial sobre isso

[00:14:06] Sim, a gente ainda vai fazer um episódio de Super-Heroes

[00:14:08] Então vamos falar desse tropo

[00:14:10] E vamos começar com

[00:14:12] Acho que Tropa de Elite

[00:14:13] Que é o filme mais

[00:14:15] Pungente

[00:14:17] Desses todos

[00:14:20] Eu tenho uns exemplos aqui de filmes

[00:14:22] Que tentam subverter isso

[00:14:23] Então vamos falar um pouco do Tropa de Elite

[00:14:25] Primeiro para a gente estabelecer bem

[00:14:27] Do que a gente está falando

[00:14:28] E de como que o Capitão Nascimento

[00:14:32] Ele é meio que a culminação

[00:14:34] De décadas de personagens assim

[00:14:36] Eu citei o John McClane

[00:14:37] Na abertura que é o protagonista

[00:14:39] De Duro de Matar

[00:14:40] Que é um filme que eu acho maravilhoso

[00:14:41] Mas assim, é impossível negar

[00:14:43] Que ele é um filme sobre um policial

[00:14:46] Agindo sozinho

[00:14:47] Ele não está na sua jurisdição nem nada

[00:14:49] Matando

[00:14:50] Pessoas para

[00:14:53] Terminar o dia abraçado com a sua esposa

[00:14:55] Indo com o horário natal em casa

[00:14:56] Você falou que o Tropa de Elite

[00:15:00] Ele termina

[00:15:02] Para a gente brasileiro

[00:15:03] Um tropo clássico

[00:15:05] Do cinema de ação norte-americano

[00:15:08] Isso é inegável

[00:15:09] Esse código, essa linguagem

[00:15:10] Tanto que o diretor foi fazer o que foi fazer

[00:15:14] Mas o

[00:15:15] Tem uma questão que eu acho que também é interessante

[00:15:18] Abordar

[00:15:19] Porque o Tropa de Elite

[00:15:20] Ele faz a virada final

[00:15:23] Desses programas

[00:15:25] Do estilo Brasil Alerta

[00:15:27] Que já vinham ali

[00:15:29] Desde a década de 90

[00:15:30] Minando a nossa imaginação

[00:15:33] Colonizando-a com essa linguagem

[00:15:35] Violenta

[00:15:36] Não é coincidência

[00:15:39] De que esses programas

[00:15:41] Do tipo Brasil Alerta

[00:15:42] O programa do Ratinho, essas coisas

[00:15:45] Eles misturavam denúncias de violência

[00:15:48] E entretenimento

[00:15:49] Pueril, piadas

[00:15:51] Coisas do tipo, curiosidades

[00:15:53] Porque assim, eles são programas

[00:15:55] De entretenimento

[00:15:56] A violência se torna um entretenimento

[00:15:59] Para as pessoas

[00:16:00] E aí, o Tropa de Elite

[00:16:02] Ele meio que faz essa virada

[00:16:05] Juntando tudo

[00:16:07] Ele junta o tropo do herói de ação

[00:16:09] Do cinema norte-americano

[00:16:10] Junta o tropo dessa violência

[00:16:12] De entretenimento

[00:16:14] Que é típica desses noticiários

[00:16:16] Desses jornais

[00:16:17] E vira tudo

[00:16:18] Não é à toa que, por exemplo

[00:16:19] Não sei se você teve essa experiência grotesca

[00:16:21] Que eu tive, porque você era mais novo

[00:16:23] Mas enfim, acho que você já tinha idade suficiente

[00:16:24] Para assistir o Tropa de Elite

[00:16:25] No cinema

[00:16:26] E cara, eu sinceramente

[00:16:29] Eu já tive algumas experiências

[00:16:30] Grotescas na minha vida envolvendo entretenimento

[00:16:33] Mas essa foi uma das piores

[00:16:35] Porque era

[00:16:37] Por exemplo, cenas de tortura

[00:16:38] As pessoas dando risada das cenas de tortura

[00:16:41] Risada, as pessoas rindo de chorar

[00:16:43] Sabe, assim

[00:16:44] As pessoas rindo de chorar dos bordões

[00:16:47] Que eram inventados ali

[00:16:49] Nas cenas de tortura, das coisas do tipo

[00:16:51] E eu falo assim, cara

[00:16:53] Estamos rindo

[00:16:54] As pessoas estão rindo

[00:16:56] Estamos enquanto sociedade

[00:16:57] Para deixar isso bem claro

[00:16:58] Rindo

[00:17:00] De uma máquina genocida

[00:17:03] Estamos rindo de tortura

[00:17:05] A gente não está rindo de qualquer coisa

[00:17:08] A gente está rindo de tortura

[00:17:09] O que está acontecendo?

[00:17:10] Qual foi a quantidade de voltas que a gente teve que dar

[00:17:14] Para transformar tortura

[00:17:16] E morte de pessoas

[00:17:17] Um entretenimento do tipo

[00:17:20] Você está rindo disso

[00:17:22] Não é nem uma coisa do tipo

[00:17:24] Nossa, é um filme de ação

[00:17:25] Tem uma tensão, você está rindo

[00:17:28] É um filme de comédia praticamente

[00:17:29] Mas você falou a palavra

[00:17:32] Chave aí, eu acho

[00:17:34] Desse pensamento

[00:17:36] Que é pessoas

[00:17:37] Porque não são pessoas naquele momento

[00:17:39] Porque de alguma maneira

[00:17:41] Especialmente quando a gente está falando das cenas de tortura

[00:17:43] Com os

[00:17:45] Teoricamente os vilões, os bandidos

[00:17:48] Você está dizendo que aquela pessoa

[00:17:50] Em algum momento abdicou da própria humanidade

[00:17:51] Porque ela cometeu um deslize

[00:17:53] Que é algo que

[00:17:54] Vem dos filmes

[00:17:55] Esses nossos heróis podem matar

[00:17:58] Inúmeros capangas

[00:17:59] E eles são só corpos para caírem em câmera lenta

[00:18:02] E aí a gente vê

[00:18:04] O que isso gera no ser humano

[00:18:05] Além de um filme que ele gosta de ver

[00:18:08] Isso gera no ser humano

[00:18:09] Uma discussão frequente

[00:18:11] Que é

[00:18:11] Algum inocente é baleado pela polícia

[00:18:14] É morto pela polícia

[00:18:15] Alguém tem que vir e dizer

[00:18:17] E ele só estava indo estudar

[00:18:19] Ele estava indo na casa da mãe dele

[00:18:21] Ele era trabalhador

[00:18:23] Porque assim

[00:18:24] Fica implícito que

[00:18:25] Se tivesse fazendo alguma coisa errada também

[00:18:28] Aí pediu para morrer

[00:18:29] Pois é

[00:18:31] Tem uma questão que é fundamental

[00:18:33] O pensamento grego clássico

[00:18:36] Pode vir aquele momento

[00:18:37] O pensamento pensamento grego

[00:18:40] Exatamente

[00:18:41] O pensamento grego clássico

[00:18:44] Falava uma coisa

[00:18:45] Que permaneceu na nossa

[00:18:47] Filosofia espontânea

[00:18:49] A filosofia que funda a nossa sociedade

[00:18:51] Ele fazia uma separação

[00:18:54] Que era entre bios e zoo

[00:18:55] Sendo a zoo

[00:18:58] A vida em seu estado bruto

[00:19:00] Vida que todos compartilham

[00:19:01] Por exemplo, eu, você, um cachorro

[00:19:04] Sei lá, um periquito

[00:19:06] Uma aranha

[00:19:07] O estado de estar vivo

[00:19:08] A bios seria, na verdade

[00:19:11] Uma outra forma de vida

[00:19:13] A vida em seu estado

[00:19:15] Digamos, específico

[00:19:18] A zoo é a vida que todo mundo compartilha

[00:19:21] É, a zoo é

[00:19:22] A vida biológica

[00:19:23] Que a gente chama hoje

[00:19:24] Sim, e a bios somos nós, assim

[00:19:26] Isso, né

[00:19:27] Por exemplo, a vida do suburbano carioca

[00:19:30] A vida do paulistano, sabe

[00:19:32] Então são estilos de vida

[00:19:33] Vamos colocar assim

[00:19:34] A grande questão que

[00:19:37] Conforme a metafísica ocidental

[00:19:40] For se desdobrando

[00:19:41] Essas duas palavras foram se fundindo

[00:19:44] Num sentido único

[00:19:45] Ainda permanece

[00:19:47] Zootecnia, biologia

[00:19:49] As palavras ainda estão ali, os prefixos

[00:19:52] Mas o que acontece

[00:19:53] Quando você funde essas palavras, né

[00:19:55] Você cria um sentimento difuso

[00:19:56] De que você começa a confundir

[00:19:59] A vida como um todo

[00:20:01] E a vida enquanto algo específico

[00:20:03] Por que eu tô falando disso?

[00:20:05] Porque a metafísica ocidental

[00:20:07] Ela se cria com uma ideia de que

[00:20:09] Ok, todos os seres vivem

[00:20:11] Mas algumas vidas valem mais apenas do que outras

[00:20:14] E as vidas que valem mais apenas do que outras

[00:20:15] São as nossas vidas

[00:20:17] Porque toda a metafísica ocidental se funda

[00:20:19] Na ideia de que, a gente falou disso no programa do Diabo Veste Prada

[00:20:21] Existe um sacrifício

[00:20:23] Necessário

[00:20:25] O sacrifício é sempre do outro

[00:20:26] Quem são aqueles que a gente pode sacrificar

[00:20:29] Em nome do nosso próprio estilo de vida

[00:20:31] Então assim, esses filmes

[00:20:33] São os filmes que melhor, digamos

[00:20:35] Transparecem isso, porque o inimigo

[00:20:37] Aquele que é sacrificado

[00:20:39] É colocado logo na tela e você ri

[00:20:40] Da morte dele, porque essa pessoa não condiz

[00:20:43] Com aquele estilo de vida que você acha que é o ideal

[00:20:45] Pois é, isso lembra

[00:20:48] Muito

[00:20:50] Então

[00:20:52] Então

[00:20:52] A questão de que

[00:20:54] Os filmes do Charles Bronson

[00:20:56] Que a gente citou muito

[00:20:58] Quando a gente estava se preparando para fazer esse episódio

[00:21:00] Que inclusive tem um remake recente

[00:21:03] Como é o nome daqueles filmes?

[00:21:05] Desejo de Matar 36

[00:21:06] É Desejo de Matar

[00:21:08] Eu não lembro o título original

[00:21:10] Mas teve um remake de Desejo de Matar recente

[00:21:12] Com o Bruce Willis também

[00:21:13] Que comete todos os mesmos crimes

[00:21:15] Do que os originais

[00:21:17] Mas é que ele é um exemplo

[00:21:19] Ele é um exemplo quase que

[00:21:22] As condições ideais de pressão

[00:21:24] E temperatura

[00:21:25] Porque é um filme em que teoricamente

[00:21:27] Um homem está se vingando da morte da sua esposa

[00:21:30] Pela mão de uma gangue urbana

[00:21:32] Esse grande

[00:21:34] Estereótipo cinematográfico

[00:21:36] Maravilhoso da gangue

[00:21:38] Urbana

[00:21:39] Que ele

[00:21:41] Para se vingar da morte da mulher dele e fazer justiça

[00:21:44] Entre aspas, esse conceito

[00:21:45] Americanófilo e cinematográfico

[00:21:48] De justiça, ele mata

[00:21:49] Dezenas de pessoas, então em algum momento

[00:21:52] Você tem que parar e entender

[00:21:55] Que é exatamente isso que você está propondo

[00:21:57] Existe alguma balança

[00:21:59] Metafórica

[00:22:01] Na qual ele bota a vida da esposa

[00:22:04] E a vida dessas pessoas

[00:22:05] E a da esposa dele pesa mais

[00:22:06] Sim, tem um Desejo de Matar

[00:22:09] Se as pessoas forem no Youtube

[00:22:11] E pesquisarem

[00:22:12] Morte do Risadinha, Desejo de Matar

[00:22:15] Elas vão encontrar a cena

[00:22:17] Que sintetiza isso de uma maneira

[00:22:19] Cristalina

[00:22:20] Que é a morte

[00:22:22] Desse personagem chamado Risadinha

[00:22:23] Que era um cara que roubava bolsas

[00:22:26] E aí ele rouba uma bolsa

[00:22:28] O cara compra uma arma

[00:22:30] Cano longo, não sei

[00:22:31] Não sou um grande conhecedor de armas

[00:22:33] E mata o cara depois que o cara rouba a câmera dele

[00:22:35] E as pessoas todas comemoram, todo mundo faz uma festa

[00:22:38] E sei lá o que

[00:22:39] O ponto é assim

[00:22:41] O cara é condenado a morte porque rouba uma bolsa

[00:22:44] Porque rouba uma câmera

[00:22:45] É morto pelas costas

[00:22:48] A distância

[00:22:50] A população comemorando

[00:22:52] O telespectador comemora

[00:22:54] Todo mundo se sente mais seguro

[00:22:56] Naquele jogo

[00:22:57] E aí você vai ver a cor

[00:22:59] Do sujeito que morre

[00:23:01] E ele não é branco

[00:23:02] Você vai ver sobre quem eles estão falando

[00:23:06] Aqueles que estão sendo mortos

[00:23:08] Em nome da justiça

[00:23:09] Não é o cidadão médio norte-americano

[00:23:12] Que está vendo filme confortável

[00:23:14] Na sua casa e vendo aquela morte

[00:23:15] E falando assim, nossa eu me sinto mais confortável

[00:23:17] Porque ele imagina que existem pessoas assim

[00:23:19] Tipo

[00:23:21] A gente vê nos originais

[00:23:25] Desejo de matar

[00:23:26] Que começam nos anos 70

[00:23:27] Death Wish

[00:23:29] Exato, estava procurando aqui

[00:23:31] É o

[00:23:32] Que quando o bandido é branco

[00:23:35] Normalmente ele é o que?

[00:23:37] Ele é o punk, entre aspas

[00:23:38] Ele está com roupas de couro, piercings

[00:23:41] E algum cabelo colorido, espetado

[00:23:43] Porque é uma semiótica

[00:23:45] Muito básica

[00:23:47] Tipo, ele não é um cidadão de bem

[00:23:49] E é daí que

[00:23:51] E é isso assim

[00:23:52] Por exemplo, acredito que todo mundo

[00:23:55] Que para pra ouvir um podcast nosso

[00:23:57] Tem todas as ressalvas do mundo

[00:24:01] Com o termo cidadão de bem

[00:24:02] Que já foi, que a gente

[00:24:04] Acho que já está bem vilanizado

[00:24:07] Na nossa bolha de convívio

[00:24:09] Mas é

[00:24:10] Da onde surge o conceito de cidadão de bem?

[00:24:13] Ué, surge

[00:24:14] Daí assim, não é que ele surge daí

[00:24:17] Mas o que que encalca isso na nossa mente?

[00:24:19] Por que a gente sabe diferenciar

[00:24:21] O que é um cidadão de bem

[00:24:22] Sem nunca ter lido uma definição de dicionário?

[00:24:25] Porque esses filmes todos existem

[00:24:27] Na dimensão de um cidadão de bem

[00:24:29] Fazendo o bem para os seus

[00:24:31] Contra esses outros

[00:24:32] Que não são dignos de serem chamados de cidadãos de bem

[00:24:35] É esse que é

[00:24:36] Um ponto fundamental, né?

[00:24:38] Porque quando a gente vai ver

[00:24:39] Tem um personagem aí que é fundamental nessa história

[00:24:43] É…

[00:24:44] Que é o Dutch Harry

[00:24:45] Que é do Clint Eastwood

[00:24:47] O Clint Eastwood

[00:24:49] Que é um sujeito que

[00:24:51] Começou fazendo filmes de…

[00:24:53] Ficou famoso, na verdade

[00:24:54] Fazendo filmes de Velho Oeste

[00:24:56] Não é coincidência

[00:24:58] Que o Dutch Harry é uma atualização

[00:25:00] Desse gênero do Faroeste

[00:25:02] Do Ranger, né? Do Lonely Ranger

[00:25:04] Dos filmes de Faroeste

[00:25:05] Para uma situação urbana, né?

[00:25:08] E aí quando você vai ver

[00:25:09] Como esse trope

[00:25:11] Se origina dos filmes de Faroeste

[00:25:14] O Ranger, né?

[00:25:16] O Lonely Ranger

[00:25:17] Ele era aquele sujeito que era o braço do genocídio

[00:25:19] Que protegia

[00:25:21] Os…

[00:25:22] Como é que chama?

[00:25:23] Os colonizadores

[00:25:24] Sim, eram colonizadores

[00:25:26] Mas tinha um nome que os americanos adoram

[00:25:28] Os pioneiros, né?

[00:25:29] É, os…

[00:25:31] É, não é…

[00:25:32] Whatever, né, cara?

[00:25:36] Peregrinos

[00:25:36] Peregrinos, peregrinos

[00:25:38] Enfim, ele protegia os peregrinos

[00:25:41] Da vilania dos povos indígenas

[00:25:44] Que, veja só, estavam um pouco

[00:25:45] Incomodados

[00:25:47] Incomodados com o fato de que aquelas pessoas

[00:25:49] Estavam…

[00:25:51] Indo…

[00:25:51] Tomando suas terras, né?

[00:25:53] Imagina, não tinha nem motivo pra estar um pouco chateados

[00:25:55] Com aquilo que estavam sendo vítimas

[00:25:56] Eles não tinham jeito de se vingar, né?

[00:25:58] Então o Lonely Ranger, ele surge um pouco

[00:26:02] Ele surge um pouco, né?

[00:26:02] Ele surge na esteira desse discurso

[00:26:04] Que de uma certa maneira vai lidar com o genocídio

[00:26:07] Que funda a própria sociedade norte-americana

[00:26:09] E aí o que acontece?

[00:26:11] Na década de 70, né?

[00:26:12] Muito na esteira daquele…

[00:26:14] Daquela…

[00:26:16] Da depressão econômica nos Estados Unidos

[00:26:17] A recessão, Reagan, Nixon

[00:26:19] Aquelas coisas todas, né?

[00:26:20] Nixon, né?

[00:26:21] Os Estados Unidos começam a produzir

[00:26:24] Uma ideia de inimigo interno, né?

[00:26:26] Na verdade tem aquele momento que viram dois inimigos, né?

[00:26:28] O inimigo externo, que são os comunistas

[00:26:31] A gente ainda vai fazer uns episódios

[00:26:32] Falando sobre isso, né?

[00:26:33] E aí tem os inimigos internos

[00:26:35] Quem são os inimigos internos, os inimigos urbanos?

[00:26:39] São os negros, né?

[00:26:40] Assim, são os negros e os punks

[00:26:42] Ou seja, são aqueles que

[00:26:43] De uma forma ou outra, né?

[00:26:46] Seja pela cor da sua pele

[00:26:47] Ou pelo estilo de vida

[00:26:49] Não vão corresponder ao modelo padrão

[00:26:51] Do cidadão branco norte-americano, né?

[00:26:55] Exato

[00:26:55] E o Dirty Harry é meio que

[00:26:56] Um ótimo exemplo, assim

[00:26:59] Das origens desse tropo

[00:27:00] Porque, assim, por mais que a gente tenha citado

[00:27:02] O Desejo de Matar, lá, o Death Wish

[00:27:04] Ele é visto, especialmente hoje

[00:27:06] E mesmo na época

[00:27:07] Como um filme mais trash

[00:27:08] Um filme mais exploitation

[00:27:09] Um filme que não é digno de respeito

[00:27:11] Mas o Clint Eastwood é considerado, né?

[00:27:13] Hoje um grande cineasta

[00:27:15] E os filmes do Dirty Harry

[00:27:16] Pelo menos o primeiro

[00:27:17] Considerado clássicos do cinema, né?

[00:27:19] Só que o primeiro filme

[00:27:21] Já estabelece ele como esse anti-herói

[00:27:23] Que vai contra as regras da polícia

[00:27:25] Seja porque o parceiro dele foi morto

[00:27:30] Ou porque ele tem alguma

[00:27:31] Ele tem alguma peleja pessoal ali

[00:27:34] Com quem ele percebe

[00:27:35] E vale lembrar

[00:27:37] Que o Dirty Harry é baseado

[00:27:39] Num policial de verdade, né?

[00:27:40] Ele é baseado no Dave Tosh

[00:27:42] Que era um policial de São Francisco

[00:27:43] Que era um dos investigadores

[00:27:44] Do caso do serial killer do

[00:27:46] Zodiac, né?

[00:27:48] Que inclusive tem o filme

[00:27:49] Zodiac

[00:27:50] Que aí tem o filme

[00:27:51] O ator lá que faz o Hulk

[00:27:53] Interpreta esse policial

[00:27:56] Mas enfim

[00:27:56] É isso, assim

[00:27:59] Não é um personagem ficcional

[00:28:01] Criado pra ser

[00:28:03] Ele é tão próximo da realidade

[00:28:06] Quanto o Capitão Nascimento, né?

[00:28:08] É isso, assim

[00:28:08] Que também é baseado

[00:28:09] Num policial do Bop

[00:28:10] Sim, ainda que as camadas

[00:28:12] E aí que vem um outro ponto

[00:28:13] Que eu acho que é importante, né?

[00:28:15] Porque

[00:28:15] Essa é uma coisa que eu

[00:28:17] Eu sempre acrescento, né?

[00:28:20] O filme

[00:28:21] Fake News

[00:28:21] Olha pra onde a gente vai agora

[00:28:22] Fake News

[00:28:23] Não é uma questão

[00:28:24] De ignorância, né?

[00:28:27] Supostamente uma ignorância

[00:28:28] Ou de desinformação

[00:28:30] Fake News é a questão de desejo

[00:28:32] Né?

[00:28:34] Porque isso foi uma coisa

[00:28:36] Que eu percebi

[00:28:37] Vendo

[00:28:39] Lendo sobre o roteiro de cinema

[00:28:41] Lendo sobre o cinema

[00:28:42] Porque, por exemplo

[00:28:43] O cinema

[00:28:45] Como tudo, né?

[00:28:47] É uma fábula, né?

[00:28:48] Você bota lá um filme

[00:28:49] Com um cara que tem uma capa

[00:28:50] Que sai voando

[00:28:51] Ou o Dutch Harry

[00:28:51] Enfim

[00:28:52] As pessoas pra alguma

[00:28:53] Pra de alguma forma

[00:28:54] Se engajar com aquilo

[00:28:56] Com aquela informação

[00:28:56] Com aquela experiência

[00:28:57] Elas têm que ter

[00:28:58] Dentro de si

[00:28:59] Um desejo de crença naquilo, né?

[00:29:01] Elas têm que desejar

[00:29:02] Acreditar aquilo

[00:29:02] Mesmo que num nível

[00:29:03] Pré-consciente

[00:29:04] Com as Fake News

[00:29:06] É a mesma coisa

[00:29:07] E por que que eu tô falando disso?

[00:29:09] Porque

[00:29:09] Da mesma maneira

[00:29:10] Que a gente acredita

[00:29:11] Que Capitão Nascimento

[00:29:14] Ou o Dutch Harry

[00:29:15] Eles possam ter existido

[00:29:17] Nos termos que a gente acredita

[00:29:19] Que eles existiram

[00:29:19] Por conta dos filmes

[00:29:20] Que a gente viu

[00:29:21] Né?

[00:29:22] É porque justamente

[00:29:23] A gente deseja

[00:29:24] Acreditar na existência

[00:29:26] Dessas figuras

[00:29:27] Se torna coerente

[00:29:29] Pra gente acreditar

[00:29:30] Que esses sujeitos

[00:29:30] São heróis em algum nível

[00:29:32] A gente não vai perceber

[00:29:33] Por exemplo

[00:29:34] O grau

[00:29:37] De desequilíbrio emocional

[00:29:39] O grau de violência

[00:29:41] Que esses sujeitos

[00:29:42] Encerram em si

[00:29:44] Tu vai ver o Capitão Nascimento

[00:29:45] Nossa, porque

[00:29:46] Tem umas passagenzinhas ali

[00:29:47] Que ele empurra a mulher dele

[00:29:49] Nossa, ele sofre

[00:29:50] Ele toma remédio

[00:29:50] Com a sua mulher

[00:29:50] Coitado

[00:29:51] Mas também olha o que ele

[00:29:52] Olha a vida que ele tem

[00:29:53] Meu Deus

[00:29:54] Sabe?

[00:29:55] Olha o mundo

[00:29:56] Que nós estamos criando

[00:29:57] Pra esse sujeito

[00:29:58] Porque ele é a grande vítima

[00:29:59] O Capitão Nascimento

[00:30:00] Ele ao mesmo tempo

[00:30:01] Ele é o algoz

[00:30:03] Ele é o executor

[00:30:04] E a vítima da sociedade

[00:30:05] Ele tá ali louco

[00:30:07] E ao mesmo tempo

[00:30:08] Ele tá ali lutando

[00:30:09] Pelas pessoas

[00:30:10] Ele é duplamente

[00:30:11] Ele é um mártir

[00:30:12] É a imagem clássica do mártir

[00:30:14] O ponto todo pra mim é

[00:30:16] O quanto as pessoas desejam

[00:30:20] Acreditar

[00:30:20] Nesse troco

[00:30:22] Porque do contrário

[00:30:24] Imagina

[00:30:24] Se as pessoas não desejassem

[00:30:25] Se a gente não fosse criado

[00:30:27] Num mundo

[00:30:28] Numa sociedade

[00:30:29] Que nos ensina

[00:30:30] Que olha

[00:30:30] Existem vidas matáveis

[00:30:33] Existem vidas que vale a pena

[00:30:34] Ser protegidas

[00:30:35] E existem aqueles

[00:30:36] Que estão se sacrificando

[00:30:37] No limite

[00:30:39] Pra estabelecer essa diferença

[00:30:40] Pra manter essa diferença

[00:30:42] Pra nos proteger

[00:30:43] Proteger nós que somos

[00:30:45] Vidas não matáveis

[00:30:46] Só uma sociedade

[00:30:48] Que estrutura

[00:30:49] O pensamento dela

[00:30:50] Dessa maneira

[00:30:51] Vai criar sujeitos

[00:30:53] Indivíduos que desejam acreditar

[00:30:54] Que o Capitão Nascimento

[00:30:56] Ou que o

[00:30:57] Como é o nome do policial lá

[00:30:58] Do Dutch Harry

[00:30:58] O

[00:31:00] Harry Callaghan

[00:31:02] Enfim

[00:31:02] Não, mas do personagem real

[00:31:03] O cara lá

[00:31:04] Ah, o Toshi

[00:31:06] O Toshi

[00:31:06] Eu fechei a arma

[00:31:07] Mas assim

[00:31:09] Vão acreditar que esses sujeitos

[00:31:10] São heróis

[00:31:10] E não pessoas que precisam

[00:31:12] De intervenção

[00:31:13] Psiquiátrica

[00:31:14] Eu só preciso

[00:31:16] Deixar uma coisa clara

[00:31:17] Por favor

[00:31:18] O Toshi

[00:31:19] O policial da verdadeira vida

[00:31:20] Não era um cara

[00:31:21] Que saia matando pessoas

[00:31:22] Ah, sim, sim

[00:31:23] Mas então

[00:31:23] Eles usam ele de base

[00:31:25] Exatamente porque

[00:31:25] Ele tava investigando

[00:31:27] O caso do Zodíaco

[00:31:28] E ficou famoso por causa disso

[00:31:30] E o vilão do Dirty Harry

[00:31:32] É um serial killer

[00:31:33] Chamado Scorpio

[00:31:34] Que é baseado no Zodiac

[00:31:36] É só isso

[00:31:37] É diferente, eu acho

[00:31:38] Do caso

[00:31:39] Do que é o Bop

[00:31:40] Na vida real

[00:31:40] E como ele é glamorizado

[00:31:41] Na tropa de elite

[00:31:42] Não, mas eu acho que sim

[00:31:44] Eu acho que na verdade

[00:31:45] É só uma questão menor nisso

[00:31:46] Porque

[00:31:47] No fim das contas

[00:31:49] Ainda você tem

[00:31:50] Uma preservação

[00:31:50] No papel da polícia

[00:31:51] Enquanto uma instituição necessária

[00:31:53] E fundamental

[00:31:53] E que vai proteger a gente

[00:31:54] Por exemplo

[00:31:55] De um sujeito que é louco

[00:31:56] Sabe?

[00:31:56] Sim, e que a gente vê

[00:31:58] Hoje

[00:31:58] A gente tá gravando isso

[00:32:00] No começo de junho

[00:32:02] Então

[00:32:02] Estão rolando ainda

[00:32:03] Fortemente

[00:32:04] Os protestos

[00:32:05] Antirracistas

[00:32:06] E antibrutalidade

[00:32:08] Policial

[00:32:08] Nos Estados Unidos

[00:32:09] E em outros lugares

[00:32:10] E que a gente vê

[00:32:12] Que segue

[00:32:13] A pleno

[00:32:14] O discurso de

[00:32:15] Ah, temos que punir

[00:32:16] Os maus policiais

[00:32:17] Sim

[00:32:18] Mas que

[00:32:19] De alguma maneira

[00:32:19] Não importa quantos

[00:32:20] Sejam os casos

[00:32:21] De brutalidade policial

[00:32:22] De abuso de poder

[00:32:23] E de simplesmente

[00:32:25] De assassinato

[00:32:26] Pela mão da polícia

[00:32:27] Nunca pode ser encarado

[00:32:31] Como um problema estrutural

[00:32:32] Um problema

[00:32:33] Como você falou

[00:32:34] Genético

[00:32:34] Da polícia

[00:32:35] Esse que é o ponto

[00:32:36] Porque

[00:32:37] Se a gente fosse

[00:32:38] Por exemplo

[00:32:38] Essa coisa que eu

[00:32:39] Não concordo muito

[00:32:41] Dessa distinção

[00:32:41] Entre o Toshi

[00:32:42] E o Bop

[00:32:43] Por exemplo

[00:32:44] Porque aqui no Brasil

[00:32:45] A gente vai ter

[00:32:45] Essa distinção

[00:32:46] Entre a PM

[00:32:47] E a Polícia Civil

[00:32:49] E aí você vai ver

[00:32:50] Por exemplo

[00:32:50] Que a Polícia Civil

[00:32:53] Foi o principal órgão

[00:32:56] Civil

[00:32:57] De repressão

[00:32:58] Da ditadura militar

[00:32:59] Saca?

[00:33:00] Então assim

[00:33:01] Sim, o próprio

[00:33:02] O próprio

[00:33:03] DOI-COD, né?

[00:33:04] Sim, o DOI-COD

[00:33:05] No caso do DOI-COD

[00:33:07] O DOI-COD era da PM

[00:33:08] E o DOI-COD era da

[00:33:09] Da Polícia Civil

[00:33:11] Se não me engano

[00:33:11] Então assim

[00:33:12] O ponto é

[00:33:14] A polícia

[00:33:15] Enquanto instituição

[00:33:17] E a gente crer

[00:33:18] Que a existência

[00:33:19] Desses sujeitos

[00:33:20] Desses sujeitos

[00:33:20] Policiais, né?

[00:33:22] Não do

[00:33:22] Do sujeito policial

[00:33:24] Enquanto um termo genérico

[00:33:24] O papel do sujeito policial

[00:33:26] Como

[00:33:26] Uma função heróica

[00:33:28] Seja ela lutando

[00:33:29] Contra um

[00:33:31] Psicopata

[00:33:32] Do Zodíaco

[00:33:33] Ou contra

[00:33:34] Os traficantes

[00:33:36] Dessa figura

[00:33:37] Que assombra

[00:33:38] A sociedade brasileira

[00:33:39] A gente vai acreditar

[00:33:40] Que esse estilo

[00:33:41] De lidar

[00:33:43] Com esses problemas

[00:33:44] Enfim

[00:33:45] É o ideal

[00:33:46] Porque justamente

[00:33:47] Nós somos incapazes

[00:33:49] Tamanha

[00:33:50] A gente não tem

[00:33:50] A colonização

[00:33:51] Do nosso pensamento

[00:33:52] De imaginar

[00:33:53] Uma forma alternativa

[00:33:54] De lidar com isso

[00:33:55] E a figura do psicopata

[00:33:56] Ela é muito útil

[00:33:57] Pra essas narrativas

[00:33:58] Serem mais simples

[00:34:00] De digerir, né?

[00:34:01] Eu acho que não é

[00:34:02] Não é por acaso

[00:34:03] Que o vilão do Dirty Harry

[00:34:04] É um psicopata

[00:34:06] Porque aí ele pode

[00:34:08] Simplesmente dar um tiro

[00:34:09] No cara

[00:34:09] E encerrar o filme

[00:34:10] Porque são figuras

[00:34:12] Que

[00:34:12] Tanto

[00:34:13] Acho que

[00:34:14] Não vou entrar na questão

[00:34:15] Na vida real

[00:34:16] Mas na ficção

[00:34:17] Elas são muito fáceis

[00:34:19] De serem simplificadas

[00:34:20] Como

[00:34:20] Ah, essa pessoa é um psicopata

[00:34:22] Ele vai matar pessoas

[00:34:23] E não há nada

[00:34:24] Que a gente possa fazer sobre isso

[00:34:24] Então a solução

[00:34:25] De você dar um tiro

[00:34:26] Na cara dessa pessoa

[00:34:27] E matar ela

[00:34:28] Ou trancafiar

[00:34:29] Numa caixa de concreto

[00:34:31] Pro resto da vida

[00:34:32] São apresentadas como

[00:34:34] Ah, isso aí é uma solução

[00:34:35] Porque essa pessoa

[00:34:36] É uma pessoa pior que nós

[00:34:37] Ela não merece

[00:34:38] Viver com a gente

[00:34:39] E eu não tô aqui

[00:34:40] Tentando fazer um julgamento

[00:34:42] De valores

[00:34:42] De tipo

[00:34:43] Ah, os psicopatas

[00:34:44] Merecem

[00:34:46] Vamos andar de mãos dadas

[00:34:47] Com psicopatas assassinos

[00:34:48] Mas a gente também

[00:34:49] Tem que reconhecer

[00:34:50] Que

[00:34:50] Assim

[00:34:51] Psicopatas existem

[00:34:52] Na sociedade

[00:34:52] E são

[00:34:53] A minoria dos psicopatas

[00:34:55] São assassinos em série

[00:34:56] Ou coisa que valha

[00:34:57] Assim

[00:34:59] Acho que há diversos

[00:35:00] Diversas pessoas

[00:35:01] Que se enquadram

[00:35:02] Aí numa definição

[00:35:03] De psicopatia

[00:35:04] E muito mais

[00:35:05] Aparentemente

[00:35:05] De sociopatia

[00:35:06] Que muitas vezes

[00:35:07] Têm

[00:35:07] Vidas

[00:35:10] Vamos dizer assim

[00:35:13] Mais ou menos normais

[00:35:14] E muitas delas

[00:35:15] Se encontram

[00:35:17] Numa profissão

[00:35:19] Onde você

[00:35:20] Tenha

[00:35:21] O dever

[00:35:22] De ser violento

[00:35:23] E opressor

[00:35:24] Com o seu

[00:35:24] Companheiro cidadão

[00:35:26] Esse que é um ponto

[00:35:28] Importante também

[00:35:29] Porque não é coincidência

[00:35:31] De que

[00:35:32] A figura do psicopata

[00:35:34] Tem assolado

[00:35:35] A cultura norte-americana

[00:35:36] Assim

[00:35:37] De que como

[00:35:38] Por exemplo

[00:35:38] A produção

[00:35:39] Que é esse que

[00:35:40] Pra mim

[00:35:41] É a minha questão

[00:35:42] Enquanto antropólogo

[00:35:43] Enquanto filósofo

[00:35:44] Que é assim

[00:35:45] Qual é

[00:35:47] Que modelo

[00:35:48] Que sociedade

[00:35:48] É essa

[00:35:49] Que é essa

[00:35:50] Que produz

[00:35:50] Esses sujeitos

[00:35:51] Porque

[00:35:52] A gente consegue

[00:35:53] Imaginar

[00:35:54] Esses sujeitos

[00:35:54] Sendo produzidos

[00:35:56] A gente tá valendo aqui

[00:35:57] A produção

[00:35:58] De sujeitos

[00:35:59] No cinema

[00:35:59] De papéis

[00:36:00] No cinema

[00:36:01] Figuras imaginárias

[00:36:03] Só que a gente tem que

[00:36:04] Compreender

[00:36:04] Por isso que pra mim

[00:36:05] O interessante é isso

[00:36:06] De que essa produção

[00:36:08] Imagética

[00:36:09] Ela é

[00:36:10] Ela funciona

[00:36:11] Como se fosse

[00:36:12] Um espelho

[00:36:13] Que purifica

[00:36:15] No sentido

[00:36:16] De deixar mais cristalino

[00:36:17] Sujeitos

[00:36:18] Que a própria sociedade

[00:36:19] Cria no seu interior

[00:36:20] No seu interior

[00:36:22] Então assim

[00:36:23] Um cinema

[00:36:25] Que é obcecado

[00:36:26] Com a figura

[00:36:27] Do psicopata

[00:36:28] Não é

[00:36:30] Não é coincidência

[00:36:31] Que uma

[00:36:31] Que uma

[00:36:31] Hidrústia do cinematográfico

[00:36:32] Que é obcecada

[00:36:33] Com a figura

[00:36:34] Do psicopata

[00:36:35] Seja

[00:36:36] Seja

[00:36:36] Se inicie

[00:36:38] Seja típica

[00:36:39] De uma sociedade

[00:36:40] Que também

[00:36:41] É assolada

[00:36:42] Entre aspas

[00:36:43] Por figuras

[00:36:44] Como o Ted Bundy

[00:36:46] Sabe

[00:36:46] Charles Manson

[00:36:48] E coisas do tipo

[00:36:48] E é muito

[00:36:50] Sintomático

[00:36:52] Que os Estados Unidos

[00:36:53] Produza mais

[00:36:54] Desses assassinos

[00:36:55] Psicopatas

[00:36:56] Do que qualquer

[00:36:57] Outro lugar do mundo

[00:36:58] Assim

[00:36:59] Disparado

[00:37:00] Não é um fenômeno

[00:37:02] Exclusivo dos Estados Unidos

[00:37:03] Mas ele acontece

[00:37:04] Nos Estados Unidos

[00:37:05] De assim

[00:37:06] Num número

[00:37:07] Assim

[00:37:07] Que é

[00:37:08] Que é impensável

[00:37:09] Né

[00:37:09] E esse que é o ponto

[00:37:10] É que nem aquela

[00:37:11] Aquela coisa

[00:37:12] Dos tiroteios em massa

[00:37:14] Né

[00:37:14] Enfim

[00:37:15] Tipo Columbine

[00:37:17] Por que que nos Estados Unidos

[00:37:18] Se vive uma epidemia

[00:37:19] Disso

[00:37:20] No lugar de se perguntar

[00:37:21] Que sociedade

[00:37:22] É essa

[00:37:23] Que tá produzindo

[00:37:25] Essas figuras

[00:37:26] Né

[00:37:27] A gente normaliza

[00:37:29] A pergunta

[00:37:30] Como se

[00:37:31] Fosse algo

[00:37:32] Provavelmente

[00:37:32] Irrespondível

[00:37:33] Ou na verdade

[00:37:34] Uma pergunta

[00:37:34] Que não deve ser feita

[00:37:35] Exato

[00:37:36] A pergunta é sempre

[00:37:37] Por que que isso

[00:37:38] Continua acontecendo

[00:37:40] Passivamente

[00:37:40] Tipo assim

[00:37:41] Isso acontece

[00:37:42] Com os Estados Unidos

[00:37:43] E na verdade

[00:37:44] E aí a gente

[00:37:45] E aí a resposta

[00:37:46] Na verdade é

[00:37:47] Geralmente é

[00:37:48] Como nós

[00:37:49] Podemos

[00:37:50] Impedir

[00:37:51] Esse indivíduo

[00:37:52] Não

[00:37:52] A gente não pode impedir

[00:37:53] Esses indivíduos

[00:37:54] De existir

[00:37:54] Nós temos que impedir

[00:37:55] Esses indivíduos

[00:37:56] De agir

[00:37:56] Então assim

[00:37:57] Exato

[00:37:57] A gente não é assim

[00:37:59] Como que a gente faz

[00:38:00] Pra ele

[00:38:00] Uma pessoa não

[00:38:02] Não estar nessa condição

[00:38:05] Que a leva

[00:38:05] A agir dessa maneira

[00:38:07] E pensar dessa maneira

[00:38:08] E sentir dessa maneira

[00:38:09] É sempre

[00:38:09] Como que eu faço

[00:38:11] Isso não me atingir

[00:38:12] Né

[00:38:13] E de novo assim

[00:38:14] Essa questão da voz passiva

[00:38:15] Nunca é

[00:38:16] Como você bem disse

[00:38:18] Como que os Estados Unidos

[00:38:19] Continuam a criar

[00:38:21] Essas condições

[00:38:22] E esses

[00:38:23] E esses acontecimentos

[00:38:24] E é sempre

[00:38:25] Como que isso

[00:38:26] Continua a acontecer

[00:38:27] Conosco

[00:38:28] Tem uma

[00:38:28] Tem um exemplo

[00:38:29] Se você assistir aquela

[00:38:30] Aquela série

[00:38:32] Do Netflix

[00:38:33] Que é sobre o Ted Bundy

[00:38:34] Né

[00:38:34] Das fitas

[00:38:35] Que ele gravava

[00:38:36] Enfim

[00:38:36] Do

[00:38:36] Recomendo inclusive

[00:38:38] É um bom documentário

[00:38:39] Eu comecei a ver

[00:38:40] A série documentário

[00:38:41] Tem o filme também

[00:38:41] Que saiu depois

[00:38:42] Eu comecei a ver a série

[00:38:43] E uma coisa que é interessante

[00:38:45] É perceber por exemplo

[00:38:46] É

[00:38:47] Vários elementos

[00:38:48] Né

[00:38:48] Um

[00:38:49] Ultra individualismo

[00:38:51] A ideia de vencer na vida

[00:38:52] Ser famoso

[00:38:54] Uma repressão do tipo

[00:38:55] Sexual extrema

[00:38:57] Né

[00:38:57] Tudo

[00:38:58] Todos esses elementos

[00:38:59] Formando um caldeirão ali

[00:39:00] Que posteriormente vai

[00:39:02] Se

[00:39:02] Que vai criar um personagem

[00:39:04] Né

[00:39:05] Que

[00:39:06] Não por coincidência

[00:39:08] Encontra plena liberdade

[00:39:10] De agir contra aqueles

[00:39:11] Que são livres

[00:39:12] Né

[00:39:13] Que eram os alvos

[00:39:13] As mulheres

[00:39:15] Que eram os alvos

[00:39:16] Do Ted Bundy

[00:39:17] Né

[00:39:17] É

[00:39:18] É

[00:39:19] , tem uma parte

[00:39:19] Que é muito interessante

[00:39:20] Né

[00:39:20] Que como o Ted Bundy

[00:39:21] Acaba com a cultura da carona

[00:39:22] Enfim

[00:39:23] Como que

[00:39:24] E aí tu vê né

[00:39:25] Esse que é o ponto

[00:39:25] A sociedade que se recusa

[00:39:28] A entender

[00:39:29] Por que que ela continua

[00:39:31] A produzir esses sujeitos

[00:39:32] É a sociedade

[00:39:33] Que só é capaz

[00:39:34] De responder

[00:39:35] A existência desses sujeitos

[00:39:36] Se tornando cada vez

[00:39:38] Mais totaliza

[00:39:40] Totalitarizada

[00:39:42] Cada vez mais

[00:39:44] Afeito

[00:39:45] A instituição

[00:39:46] A

[00:39:47] A soluções

[00:39:48] Que são exercidas

[00:39:49] Exercícios de poder

[00:39:50] Né

[00:39:50] Que no limite

[00:39:51] Vão formar mais sujeitos

[00:39:52] Iguais a ele

[00:39:53] Por exemplo

[00:39:53] Na esteira

[00:39:55] Do massacre de Columbine

[00:39:56] O que que você cria?

[00:39:57] Você cria

[00:39:58] Uma instituição

[00:39:59] De vigilância contínua

[00:40:01] Das escolas

[00:40:01] Nos Estados Unidos

[00:40:02] Você não cria

[00:40:03] Um sistema

[00:40:04] De acolhimento

[00:40:05] Dos jovens

[00:40:05] De entendimento

[00:40:06] Sei lá o que

[00:40:07] Pô cara

[00:40:08] Eu já li

[00:40:08] A biografia lá

[00:40:09] O livro que a mãe

[00:40:10] De um dos garotos

[00:40:11] Escreveu de Columbine

[00:40:12] É um negócio

[00:40:13] Terrível

[00:40:14] Porque tu vê

[00:40:15] Uma sociedade

[00:40:16] Que é completamente

[00:40:16] Incapaz de lidar

[00:40:18] Com sujeitos

[00:40:19] Que tá com aquele estado

[00:40:20] Sabe?

[00:40:21] E assim

[00:40:21] E com a família

[00:40:22] E com a mãe

[00:40:23] Enfim

[00:40:23] Então

[00:40:24] Qual foi a solução disso?

[00:40:26] Criar uma

[00:40:27] Uma discussão

[00:40:28] Ampla

[00:40:28] Na sociedade norte-americana

[00:40:30] Sobre

[00:40:31] Como lidar

[00:40:33] Com esses sujeitos

[00:40:34] Como impedir

[00:40:34] Que essas pessoas

[00:40:35] Se criem

[00:40:36] Né

[00:40:37] Nasçam

[00:40:37] Não

[00:40:38] A ideia é

[00:40:39] Como impedir

[00:40:39] Essas pessoas de agir

[00:40:40] Tem um

[00:40:41] A gente falou hoje

[00:40:42] Porque

[00:40:43] Eu acho que fica muito óbvio

[00:40:45] Quando a gente para

[00:40:45] Pra analisar esse

[00:40:47] Os protagonistas

[00:40:48] Que a gente tá

[00:40:49] Tá discutindo aqui hoje

[00:40:51] Que eles são

[00:40:52] Eles não são

[00:40:53] Tipo o antipsicopata

[00:40:54] Eles são o psicopata

[00:40:55] Do bem

[00:40:56] Entre aspas

[00:40:56] Funcional né

[00:40:57] É

[00:40:58] Eles são tão psicopatas

[00:40:59] Eles tem

[00:41:00] O modo exoperante deles

[00:41:03] É a violência

[00:41:04] E é o matar

[00:41:05] E é a desconsideração

[00:41:06] Pela vida alheia

[00:41:07] Né

[00:41:07] É assim

[00:41:08] Os nossos protagonistas

[00:41:11] Desses filmes

[00:41:11] Que a gente citou

[00:41:12] Não tem remorso

[00:41:14] Né

[00:41:14] Eles existem como

[00:41:15] Os psicopatas

[00:41:16] Do bem

[00:41:17] O ápice

[00:41:18] Diz que

[00:41:18] Talvez seja

[00:41:19] Aquela série

[00:41:20] Horrorosa

[00:41:21] Que as pessoas gostam

[00:41:21] Que é Dexter

[00:41:22] Né

[00:41:23] Nossa

[00:41:23] Que é o tal

[00:41:24] Serial Killer do bem

[00:41:25] Que é tipo

[00:41:25] Ah ele tem essa

[00:41:26] Essa vontade

[00:41:27] Incontrolável de matar

[00:41:28] Então o jeito

[00:41:29] Que ele vira um mocinho

[00:41:30] É porque ele

[00:41:31] Ele mata e tortura

[00:41:33] Pessoas que

[00:41:33] Ah merecem

[00:41:34] Tem um outro

[00:41:35] Tem outro aspecto aí

[00:41:36] Que são

[00:41:37] Mas assim

[00:41:37] O Dexter pelo menos

[00:41:38] É explicitamente um psicopata

[00:41:39] Né

[00:41:40] Quando o herói de ação

[00:41:42] Ele gosta de matar

[00:41:43] E torturar as pessoas

[00:41:44] A gente não chama ele

[00:41:45] De psicopata

[00:41:46] Mas o Dexter

[00:41:47] Pelo menos a gente

[00:41:48] Deixava

[00:41:48] Chamar

[00:41:49] É e

[00:41:50] Por isso que eu ia falar

[00:41:50] Porque tem

[00:41:51] Na verdade tem

[00:41:51] Um duplo movimento aí

[00:41:53] Né

[00:41:53] Porque

[00:41:54] É

[00:41:55] A utilização

[00:41:57] Que essa sociedade

[00:41:58] Que forma

[00:41:59] É

[00:42:00] Psicopatas

[00:42:02] Vamos colocar assim

[00:42:03] E

[00:42:04] Forma

[00:42:04] Números cada vez

[00:42:05] Maiores

[00:42:06] A única

[00:42:07] Forma que

[00:42:08] Essa sociedade

[00:42:09] Tem

[00:42:09] Que essa sociedade

[00:42:10] Encontra

[00:42:10] De dar a esses sujeitos

[00:42:12] Um papel

[00:42:12] Funcional

[00:42:13] É na sua própria

[00:42:15] Máquina

[00:42:16] Genocida

[00:42:17] Ou seja

[00:42:17] Ela dobra

[00:42:18] O movimento

[00:42:19] E fala assim

[00:42:19] Então

[00:42:20] Esses sujeitos

[00:42:21] Eles são

[00:42:22] Matáveis também

[00:42:25] Porque você vai ver

[00:42:26] Por exemplo

[00:42:26] Um gênero de filme

[00:42:28] Que se tornou muito comum

[00:42:30] Nos Estados Unidos

[00:42:31] Que é o gênero

[00:42:32] De denúncia

[00:42:32] Dos efeitos psicológicos

[00:42:34] Da guerra

[00:42:34] Né

[00:42:34] E aí

[00:42:35] O que acontece

[00:42:36] O tal do

[00:42:37] Shell shock

[00:42:38] O ponto é

[00:42:39] Esses filmes

[00:42:41] Mostram

[00:42:41] Como a própria

[00:42:42] Máquina bélica

[00:42:43] Norte-americana

[00:42:44] E aqui no Brasil

[00:42:45] Você poderia fazer

[00:42:45] Filmes iguais

[00:42:46] Falando da PM

[00:42:48] Né

[00:42:48] Como esses filmes

[00:42:50] Eles mostram

[00:42:51] Como a máquina bélica

[00:42:52] Norte-americana

[00:42:53] Cria psicopatas

[00:42:55] Para ela

[00:42:56] O Tropa de Elite

[00:42:58] Mostra como

[00:42:59] A máquina bélica

[00:43:00] Estatal

[00:43:01] Brasileira

[00:43:02] Cria psicopatas

[00:43:03] A seu favor

[00:43:04] Sabe

[00:43:04] Sim

[00:43:04] A galera exalta muito

[00:43:06] Aquela

[00:43:06] O abuso psicológico

[00:43:09] Do

[00:43:09] Do Capitão Nascimento

[00:43:10] E dos outros policiais

[00:43:11] Com os policiais

[00:43:12] Que estão entrando

[00:43:13] E sendo treinados

[00:43:14] Né

[00:43:14] Sim

[00:43:15] Nossa cara

[00:43:16] Porque justamente

[00:43:16] Essa

[00:43:17] Tem um

[00:43:18] Um livro

[00:43:19] Né

[00:43:20] Você precisa

[00:43:20] Dessa experiência traumática

[00:43:21] Para criar

[00:43:22] Essa máquina

[00:43:23] De opressão

[00:43:24] E de matar

[00:43:25] Né

[00:43:26] O ser humano

[00:43:27] Ele não chega

[00:43:27] Ali

[00:43:29] Sendo tratado

[00:43:30] Com amor

[00:43:31] E empatia

[00:43:32] Né

[00:43:32] Ele precisa

[00:43:33] Ele precisa

[00:43:33] Ser violentado

[00:43:35] De certa maneira

[00:43:36] Para

[00:43:36] Virar

[00:43:38] Essa pessoa

[00:43:39] Tem um livro

[00:43:40] Né

[00:43:41] De um sujeito

[00:43:41] Chamado Rodrigo Nascimento

[00:43:42] É

[00:43:43] Que é um

[00:43:45] Policial

[00:43:46] Um cara da polícia militar

[00:43:46] Que foi preso

[00:43:48] Né

[00:43:48] , e

[00:43:49] Preso

[00:43:50] Agindo com o PM

[00:43:52] Assim

[00:43:53] Então vocês imaginam

[00:43:54] O que

[00:43:54] As coisas que ele fez

[00:43:55] Sequestro

[00:43:56] Coisas do tipo

[00:43:57] O

[00:43:57] E ele vai reportar

[00:43:59] A experiência

[00:44:00] O nome do livro é

[00:44:01] Como nascem os monstros

[00:44:02] O título é

[00:44:02] Bastante sugestivo

[00:44:03] E ele vai mostrar

[00:44:04] Como

[00:44:05] A própria formação

[00:44:07] Dos PMs

[00:44:08] Passa por essa

[00:44:09] Dessensibilização

[00:44:10] Dos sujeitos

[00:44:12] Né

[00:44:12] Pelo

[00:44:12] No treinamento

[00:44:13] E dessa

[00:44:14] Desse estímulo

[00:44:15] Contínuo

[00:44:16] Da sua violência

[00:44:17] Né

[00:44:18] Então assim

[00:44:18] Essa máquina

[00:44:20] Que é glorificada

[00:44:22] Né

[00:44:22] Por um lado

[00:44:23] O que

[00:44:24] O que as pessoas

[00:44:24] Estão glorificando

[00:44:25] Nesse tipo de filme

[00:44:26] Não é só

[00:44:27] A morte

[00:44:29] Né

[00:44:30] Daqueles que

[00:44:31] Elas consideram

[00:44:32] Como matáveis

[00:44:33] Ou seja

[00:44:33] Não é apenas

[00:44:35] Um exercício

[00:44:36] De

[00:44:37] Violência

[00:44:38] Contra o outro

[00:44:39] Mas é também

[00:44:41] Um exercício

[00:44:41] De violência

[00:44:42] Contra a si mesma

[00:44:43] Né

[00:44:44] Então assim

[00:44:45] É um

[00:44:45] É duplamente

[00:44:47] Violento

[00:44:47] É

[00:44:48] Ao mesmo tempo

[00:44:48] Racista

[00:44:49] Nesse sentido

[00:44:50] Né

[00:44:50] Porque o outro

[00:44:51] Não por coincidência

[00:44:53] É sempre aquele

[00:44:54] Que tem

[00:44:54] Uma cor diferente

[00:44:56] Que pertence

[00:44:57] A uma raça

[00:44:57] Diferente

[00:44:58] Aquele que

[00:44:59] Tem crenças

[00:45:00] Diferentes

[00:45:01] Tem religiões

[00:45:01] Diferentes

[00:45:02] Não apenas isso

[00:45:03] Mas também

[00:45:04] Vai mostrar

[00:45:04] Como a própria

[00:45:05] Máquina

[00:45:05] É

[00:45:06] Violenta

[00:45:08] Contra

[00:45:08] Aqueles que são

[00:45:10] Entre muitas aspas

[00:45:12] Né

[00:45:12] Enfim

[00:45:12] Os mocinhos

[00:45:13] A máquina

[00:45:15] É violenta

[00:45:16] Então

[00:45:16] Esses filmes

[00:45:18] Esse tropo

[00:45:18] É um

[00:45:19] É um

[00:45:19] É um tropo

[00:45:20] Duplamente

[00:45:20] Violento

[00:45:21] Né

[00:45:21] Pra fora

[00:45:22] E pra dentro

[00:45:23] Sim

[00:45:24] O

[00:45:24] Uma coisa

[00:45:26] Só uma observação

[00:45:27] Eu tava

[00:45:28] Vendo aqui

[00:45:29] A nossa lista

[00:45:30] De filmes citados

[00:45:31] No episódio

[00:45:31] Até agora

[00:45:32] E eu percebi

[00:45:33] Uma questão

[00:45:34] Muito importante

[00:45:35] De tradução

[00:45:36] Olha só

[00:45:36] Como

[00:45:37] Death Wish

[00:45:38] É desejo

[00:45:39] De matar

[00:45:39] No Brasil

[00:45:39] O título brasileiro

[00:45:41] É muito mais honesto

[00:45:42] Porque Death Wish

[00:45:43] Em inglês

[00:45:43] É uma expressão

[00:45:44] De quem tem

[00:45:45] Algum desejo

[00:45:45] De morrer

[00:45:46] Pulsão de morte

[00:45:46] A famosa

[00:45:47] Pulsão de morte

[00:45:48] Da psicanálise

[00:45:49] Exato

[00:45:49] E que meio que

[00:45:50] Tá dizendo

[00:45:50] Que tipo

[00:45:51] Ah olha só

[00:45:51] Esse homem

[00:45:51] Perde a mulher

[00:45:52] Perde tudo

[00:45:53] E aí ele

[00:45:53] Sai

[00:45:54] Com nada a perder

[00:45:56] Pra um mundo

[00:45:57] De violência

[00:45:58] Mas só que

[00:45:59] Na visão brasileira

[00:46:00] É muito mais honesta

[00:46:01] Tipo não

[00:46:01] Ele sai com o desejo

[00:46:02] De matar

[00:46:03] Tanto que ele

[00:46:04] Não morre no fim

[00:46:04] Na verdade

[00:46:05] Na verdade

[00:46:05] Eu acho que

[00:46:06] É duplo

[00:46:06] Esse processo

[00:46:07] Porque assim

[00:46:08] Se a gente tá falando

[00:46:09] Justamente

[00:46:09] De uma sociedade

[00:46:10] Que cria

[00:46:12] Psicopatas funcionais

[00:46:14] Nesse sentido

[00:46:14] Porque funcionam

[00:46:16] Dentro da máquina genocida

[00:46:17] Nesse caso

[00:46:18] É um sujeito

[00:46:19] Que precisava

[00:46:20] De um tratamento

[00:46:22] Psicológico

[00:46:23] O death wish

[00:46:23] A pulsão

[00:46:24] Desejo de suicida

[00:46:25] A pulsão de morte

[00:46:27] Ele pega

[00:46:28] Esse

[00:46:29] Essa

[00:46:31] Psicopatia

[00:46:33] E transforma

[00:46:33] Não é uma psicopatia

[00:46:34] Na verdade

[00:46:35] Mas enfim

[00:46:35] Esse problema psicológico

[00:46:37] E transforma ele

[00:46:38] Numa coisa funcional

[00:46:39] Para a sociedade

[00:46:39] Ou seja

[00:46:40] Em vez de se matar

[00:46:41] Ele vai

[00:46:42] Matar outros

[00:46:44] Matar aqueles

[00:46:45] Que a sociedade

[00:46:45] Que essa sociedade

[00:46:46] Julga como matáveis

[00:46:47] Ninguém pega

[00:46:49] E fala assim

[00:46:50] Vamos tratar esse sujeito

[00:46:51] O ideal seria

[00:46:53] Tratar essa pessoa

[00:46:55] Acolhê-la de alguma forma

[00:46:56] E acolher os outros

[00:46:58] Entender porque

[00:46:59] A violência urbana emerge

[00:47:01] Enfim

[00:47:02] Acolher

[00:47:02] E tentar resolver

[00:47:03] O problema na origem

[00:47:04] Na sua estrutura

[00:47:05] Não

[00:47:05] A questão é

[00:47:06] Vamos produzir mais violência

[00:47:08] Violência sobre violência

[00:47:09] Violência sobre violência

[00:47:10] A gente tá chegando aqui

[00:47:11] Aos 50 minutos

[00:47:12] Quase

[00:47:13] Então eu acho

[00:47:14] Que é a hora

[00:47:15] De eu fazer um quadro

[00:47:16] Que eu vou fazer

[00:47:16] Que eu preparei

[00:47:17] Pra esse episódio

[00:47:18] Que é

[00:47:18] O filme que você acha

[00:47:20] Que tá subvertendo

[00:47:21] Esse tropo

[00:47:21] Mas o Gus vai te explicar

[00:47:22] Que ele não tá não

[00:47:23] Você tá preparado?

[00:47:26] Vamos lá?

[00:47:27] Vamos lá

[00:47:27] Vamos lá

[00:47:29] O primeiro filme aqui

[00:47:30] É pouco conhecido

[00:47:31] Porque ele não saiu no cinema

[00:47:32] Pelo menos no Brasil

[00:47:33] Ele saiu direto

[00:47:34] Em DVD

[00:47:35] Mas eu

[00:47:36] Ainda frequentava

[00:47:37] Locadoras de vídeo

[00:47:38] Quando isso aconteceu

[00:47:39] Em 2008

[00:47:40] Sim

[00:47:41] Eu parei de ir

[00:47:41] Em locadoras

[00:47:42] Só quando

[00:47:42] A última locadora de vídeo

[00:47:44] Que eu ia importar

[00:47:44] Fechou

[00:47:45] O filme é

[00:47:46] Lakeview Terrace

[00:47:47] Que saiu como

[00:47:48] O Vizinho

[00:47:49] Aqui no Brasil

[00:47:50] E

[00:47:51] É estrelado pelo

[00:47:52] Samuel Jackson

[00:47:53] Que é o tal

[00:47:54] Vizinho do título

[00:47:55] Ele é um policial

[00:47:56] Em Los Angeles

[00:47:56] Ele é um policial

[00:47:57] Abusivo

[00:47:58] Corrupto

[00:47:59] Que começa

[00:48:00] Meio que aterrorizar

[00:48:01] Essa família

[00:48:02] O casal

[00:48:03] Que é o Patrick Wilson

[00:48:04] E a Kerry Washington

[00:48:05] Que são um casal

[00:48:06] Internacional

[00:48:07] Que viram vizinhos

[00:48:08] Desse personagem

[00:48:09] Do

[00:48:10] Samuel Jackson

[00:48:12] E ele

[00:48:12] Usa do fato

[00:48:13] Que ele é um policial

[00:48:14] E que

[00:48:14] Ele é inatimista

[00:48:16] Por causa disso

[00:48:17] Pra começar

[00:48:18] A atormentar

[00:48:19] A vida desses caras

[00:48:20] E tal

[00:48:20] Só que

[00:48:21] Assim

[00:48:21] Primeiro lugar

[00:48:22] Beleza

[00:48:22] O filme

[00:48:23] Teoricamente

[00:48:24] Desprezível

[00:48:24] Porque ele bota

[00:48:25] O policial

[00:48:25] Como vilão

[00:48:26] Né

[00:48:27] E aí tipo

[00:48:29] Ah olha só

[00:48:30] O policial

[00:48:30] Que abusa do poder

[00:48:31] Ele é um vilão

[00:48:32] Mas só que aí

[00:48:32] Duas coisas

[00:48:33] A primeira

[00:48:34] É que eu preciso

[00:48:34] Só fazer um adendo

[00:48:35] De tipo assim

[00:48:36] Tá

[00:48:37] O vilão

[00:48:38] É um policial negro

[00:48:39] Beleza

[00:48:41] Não sei o que

[00:48:41] Você tomou

[00:48:41] Essa decisão aí

[00:48:43] Sendo que o problema

[00:48:44] Da polícia

[00:48:45] Especialmente a americana

[00:48:46] Tende a ser

[00:48:47] Que tem

[00:48:47] Um monte de supremacista

[00:48:49] Branco dentro dela

[00:48:50] Mas a outra coisa

[00:48:51] Que é

[00:48:52] É o fim

[00:48:52] O fim das histórias

[00:48:53] Tal qual as

[00:48:54] Fábulas da carochinha

[00:48:56] Né

[00:48:56] Elas

[00:48:57] Elas dizem

[00:48:58] Qual é a moral

[00:48:58] Da nossa história

[00:48:59] E a moral da história

[00:49:00] É que no fim

[00:49:01] O personagem

[00:49:01] Do Patrick Wilson

[00:49:03] Simplesmente faz com que

[00:49:04] O

[00:49:06] O personagem

[00:49:07] Do Samuel Jackson

[00:49:08] Se irrite muito

[00:49:09] Numa cena

[00:49:10] Em que ele tá armado

[00:49:11] E que aí ele

[00:49:12] Tente dar um tiro

[00:49:12] No Patrick Wilson

[00:49:13] Quando ele dá o tiro

[00:49:13] E erra

[00:49:14] Ele acerta

[00:49:14] Sei lá

[00:49:14] Na perna

[00:49:15] No ombro

[00:49:16] Do Patrick Wilson

[00:49:16] Aí os policiais

[00:49:18] Que tão observando ali

[00:49:19] Têm que

[00:49:20] Fazer valer as regras

[00:49:21] E atiram

[00:49:22] No Samuel Jackson

[00:49:23] Mesmo ele sendo

[00:49:23] Um policial

[00:49:24] Então basicamente

[00:49:26] A moral da história

[00:49:27] É tipo

[00:49:27] Ah não

[00:49:28] Você tem que conseguir

[00:49:28] Fazer com que algum policial

[00:49:29] Bom mate o policial ruim

[00:49:31] Nossa

[00:49:31] Então

[00:49:32] Eu só fico imaginando

[00:49:34] Uma versão disso aqui

[00:49:34] Em Padre Miguel

[00:49:35] O cara me dá um tiro

[00:49:37] E os caras

[00:49:37] Os amigos dele

[00:49:38] Iam me segurar

[00:49:39] Saca

[00:49:40] Tipo

[00:49:40] Sim

[00:49:41] Falar meu irmão

[00:49:42] Fica tranquilo aí

[00:49:43] Esquenta tua cabeça com isso não

[00:49:45] Fica tranquilo aí

[00:49:45] Vai lá

[00:49:46] Aí

[00:49:48] Nós vamos pra versão

[00:49:49] Como é que se diz

[00:49:51] Prestige movie

[00:49:53] De mais ou menos

[00:49:53] A mesma coisa

[00:49:55] Que é

[00:49:55] Training day

[00:49:56] Dia de treinamento

[00:49:57] Estrelando

[00:49:58] O

[00:49:59] Denzel Washington

[00:50:00] Denzel Washington

[00:50:01] Grande

[00:50:01] Grande ator

[00:50:02] E aí

[00:50:03] Que também

[00:50:04] No final

[00:50:05] Do filme

[00:50:07] O policial

[00:50:09] Bonzinho

[00:50:10] Lá do Ethan Hawke

[00:50:11] Bota o

[00:50:13] Denzel Washington

[00:50:14] Numa situação

[00:50:15] Em que

[00:50:15] É inescapável

[00:50:16] A violência

[00:50:17] De uma

[00:50:18] De uma gangue

[00:50:20] De rua

[00:50:20] Que mata eles

[00:50:21] Então de novo

[00:50:23] Assim

[00:50:23] É aquela coisa

[00:50:24] Tipo assim

[00:50:24] A gente não vai resolver isso

[00:50:26] De uma maneira civilizada

[00:50:27] A gente vai resolver isso

[00:50:27] De uma maneira

[00:50:28] Incivil

[00:50:30] Né

[00:50:30] Mas autorizada

[00:50:32] Pelo contexto

[00:50:33] Né

[00:50:34] Então tipo

[00:50:34] É isso

[00:50:35] De novo

[00:50:36] O único jeito

[00:50:37] De resolver algo aqui

[00:50:38] É matando

[00:50:39] Mesmo que o crime

[00:50:40] Seja matar

[00:50:41] Aí a gente vai

[00:50:42] Pra outro filme

[00:50:43] Que é um

[00:50:44] Um bom filme

[00:50:45] Mas de novo

[00:50:46] Não é

[00:50:47] Não está subvertendo

[00:50:48] Esse tropo

[00:50:48] Mesmo que ele acha

[00:50:49] Que esteja

[00:50:50] É Rampart

[00:50:51] É um filme

[00:50:51] De 2011

[00:50:52] Que olha só

[00:50:54] Qual é o título

[00:50:54] Em português

[00:50:55] Vai deixar bem claro

[00:50:57] Que ele tem tudo a ver

[00:50:57] Com o nosso episódio

[00:50:57] É um tira

[00:50:58] Acima da lei

[00:50:59] Nossa

[00:51:00] E assim

[00:51:01] Você vai ver

[00:51:02] O quanto ele é

[00:51:03] Uma pilha

[00:51:04] De clichês

[00:51:05] Que a primeira coisa

[00:51:07] É o nosso protagonista

[00:51:08] É o Woody Harrison

[00:51:09] Ele é um policial

[00:51:10] Em Los Angeles

[00:51:11] Que é um veterano

[00:51:13] Do Vietnã

[00:51:14] Nossa

[00:51:15] Então

[00:51:16] , primeira coisa

[00:51:17] Ele tem esse

[00:51:17] Esse shell shock

[00:51:18] Esse estresse

[00:51:19] Pós-traumático

[00:51:21] Da guerra

[00:51:22] Como uma primeira justificativa

[00:51:23] De porque ele não se adapta

[00:51:24] À sociedade

[00:51:25] E tudo mais

[00:51:25] Aí ele é um policial

[00:51:27] Extremamente corrupto

[00:51:28] E aí

[00:51:29] Ele eventualmente

[00:51:30] Comete um

[00:51:32] Um assassinato

[00:51:32] E no final

[00:51:33] O final do filme

[00:51:34] É ele dando uma confissão

[00:51:36] Pra um outro policial

[00:51:37] O policial bonzinho

[00:51:38] No caso

[00:51:38] Né

[00:51:39] E ele

[00:51:40] Confessa que matou

[00:51:41] Um homem

[00:51:42] Em 1977

[00:51:43] Porque era um outro

[00:51:45] Cara

[00:51:46] Que tava envolvido

[00:51:46] Nas corrupções com ele

[00:51:47] Mas que ele descobre

[00:51:48] Que o cara

[00:51:48] Era um

[00:51:49] Um

[00:51:50] Um

[00:51:52] Um

[00:51:52] Estuprador em série

[00:51:54] Né

[00:51:55] E aí ele mata o cara

[00:51:56] E aí

[00:51:57] O policial bonzinho

[00:51:58] Fala assim

[00:51:59] Tá, mas eu

[00:51:59] Eu não vou te prender por isso

[00:52:00] Eu vou te prender

[00:52:01] Pelo cara que você matou agora

[00:52:02] Nossa

[00:52:04] E aí

[00:52:05] Ou seja

[00:52:06] Assim, de novo

[00:52:07] É assim

[00:52:08] Gente, o problema não é o crime

[00:52:09] É contra quem é o crime

[00:52:10] É

[00:52:11] E aí

[00:52:12] A gente tem

[00:52:13] Outros dois que

[00:52:14] Aí esses

[00:52:15] Eu acho que

[00:52:16] Eu vou dar o benefício

[00:52:17] Da dúvida e dizer

[00:52:17] Talvez eles sejam

[00:52:18] Boas subversões do trobo

[00:52:19] É

[00:52:20] Last Action Hero

[00:52:22] Né

[00:52:22] Que é o

[00:52:23] Último herói de ação

[00:52:24] Do

[00:52:24] Do nosso querido

[00:52:26] Arnold Schwarzenegger

[00:52:27] Ex-governador da Califórnia

[00:52:28] Que ele é

[00:52:29] Uma sátira

[00:52:30] Desse tipo

[00:52:30] De

[00:52:31] Protagonista

[00:52:32] Né

[00:52:32] Ele é

[00:52:33] Ele é uma sátira

[00:52:34] Dos filmes de ação

[00:52:35] Do final dos anos 80

[00:52:36] Começo dos anos 90

[00:52:37] E aí

[00:52:38] Por causa disso

[00:52:38] O protagonista

[00:52:39] Do

[00:52:39] Do

[00:52:41] Arnold Schwarzenegger

[00:52:42] Ele é um policial

[00:52:42] Que é uma versão

[00:52:43] Cartunesca desse cara

[00:52:44] Tipo

[00:52:45] Ei

[00:52:45] Você não pode mais

[00:52:46] Fazer as coisas

[00:52:46] Do jeito que você quer

[00:52:47] E sair por aí

[00:52:48] Atirando todo mundo

[00:52:48] Eu quero seu

[00:52:49] Seu

[00:52:49] Seu distintivo

[00:52:50] E a sua arma

[00:52:50] Não sei o que

[00:52:51] Então

[00:52:52] Eu acho que esse filme

[00:52:53] Talvez

[00:52:54] É que assim

[00:52:54] Ele acaba

[00:52:55] Ele foca

[00:52:57] Em zoar outras coisas

[00:52:58] Então eu não digo

[00:52:58] Que ele é uma

[00:52:59] Uma puta

[00:53:00] Crítica social

[00:53:01] Foda

[00:53:01] Mas

[00:53:02] Ele talvez

[00:53:03] Seja um ponto de partida

[00:53:04] Pra você começar

[00:53:05] A questionar

[00:53:06] Certas

[00:53:08] Certas

[00:53:08] Características

[00:53:10] Desses filmes

[00:53:11] De ação

[00:53:11] Do policial rebelde

[00:53:12] E aí

[00:53:13] Eu acho que tem um filme

[00:53:14] Que realmente

[00:53:15] Foi totalmente

[00:53:16] Mal compreendido

[00:53:17] Pela maioria das pessoas

[00:53:18] Na época que saiu

[00:53:19] Até por

[00:53:20] Por falhas

[00:53:21] Totais de marketing

[00:53:22] O tipo de filme

[00:53:23] Que o estúdio não sabe

[00:53:24] O que é

[00:53:25] E não sabe vender

[00:53:25] Que é uma comédia americana

[00:53:27] De 2009

[00:53:28] Chamada Observing Report

[00:53:29] Que também tem um título

[00:53:30] Muito bom em português

[00:53:31] Pro nosso

[00:53:32] Episódio aqui

[00:53:33] Que é

[00:53:34] O policial fora de controle

[00:53:35] E é uma comédia

[00:53:38] De um cara

[00:53:39] Que eu gosto muito

[00:53:39] Que é o

[00:53:40] Jody Hill

[00:53:41] O Jody Hill

[00:53:41] É o criador

[00:53:42] Daquelas séries

[00:53:42] Eastbound and down

[00:53:43] Vice principles

[00:53:45] E o Jody Hill

[00:53:45] E

[00:53:45] E

[00:53:46] E de uma série

[00:53:47] Que tá passando no HBO agora

[00:53:48] Que é de uma família

[00:53:49] De pastores

[00:53:49] Evangelicos

[00:53:51] Que eu me

[00:53:51] The Righteous Gemstones

[00:53:53] E aí

[00:53:54] Esse filme é muito bom

[00:53:55] Ele é estrelado pelo

[00:53:56] Pelo Seth Rogen

[00:53:58] E o Seth Rogen

[00:53:58] É um guarda

[00:53:59] De

[00:54:00] De shopping

[00:54:01] Que sonha em ser policial

[00:54:02] Só que ele sonha

[00:54:04] Em ser policial

[00:54:04] Exatamente porque ele quer ser

[00:54:05] O Capitão Smith

[00:54:06] Ele quer bater nas pessoas

[00:54:07] Ele quer ser um justiceiro

[00:54:08] E

[00:54:09] Ele eventualmente

[00:54:10] Ele

[00:54:10] Ele

[00:54:11] Ele acaba numa situação

[00:54:12] Em que ele tenta ser isso

[00:54:13] Assim de tipo

[00:54:14] Ah puta

[00:54:14] Eu vou

[00:54:15] Descer a porrada

[00:54:16] Nesses caras

[00:54:17] E ele é um

[00:54:17] Ele é um protagonista

[00:54:18] Terrível assim

[00:54:19] Terrível

[00:54:19] Ele

[00:54:20] Ele

[00:54:20] Ele

[00:54:20] Ele

[00:54:21] Ele estupra uma

[00:54:22] Uma

[00:54:23] Nossa

[00:54:24] A personagem da Anna Faris

[00:54:25] Que ele sai num date

[00:54:26] E ela fica extremamente alcoolizada

[00:54:27] E ele

[00:54:28] E ele se aproveita do fato

[00:54:29] Que ela tá alcoolizada

[00:54:29] Quase inconsciente

[00:54:30] Pra

[00:54:31] Pra estuprar ela

[00:54:32] Assim

[00:54:32] Ele é um péssimo assim

[00:54:33] Ele é uma péssima pessoa

[00:54:34] Que acha que é muito

[00:54:36] Nobre

[00:54:36] E

[00:54:37] Destinado pra ser

[00:54:38] Esse herói do mundo real

[00:54:39] Que é o policial

[00:54:40] Na visão dele

[00:54:40] E

[00:54:41] E o filme inteiro

[00:54:42] Desconstrói essa fantasia dele

[00:54:44] Assim

[00:54:44] Então

[00:54:44] É um daqueles

[00:54:45] Filmes que as pessoas

[00:54:45] Assim

[00:54:46] É muito louco

[00:54:47] Que o Tropa de Elite

[00:54:48] Seja um filme

[00:54:49] Que teoricamente

[00:54:49] Muita gente defende

[00:54:50] Falando

[00:54:50] Não, não, não

[00:54:51] Mas o filme não tá do lado

[00:54:52] Do

[00:54:52] Do

[00:54:52] Do Capitão Nascimento

[00:54:53] E é tipo

[00:54:54] Eu acho que não tem muita evidência

[00:54:56] No filme

[00:54:56] De que ele não tá do lado

[00:54:57] Mas esse filme

[00:54:58] Claramente não tá do lado

[00:54:59] Do personagem do Seth Rogen

[00:55:00] E

[00:55:00] E aí esse filme

[00:55:02] É muito bom

[00:55:02] Porque ele mostra

[00:55:03] Tipo

[00:55:04] O protagonista

[00:55:05] Como um desses

[00:55:06] Desses

[00:55:07] Desses garotos

[00:55:08] Assim

[00:55:08] Totalmente envenenados

[00:55:11] Pela

[00:55:11] Pela ideologia dominante

[00:55:13] Que

[00:55:13] Que

[00:55:14] Que

[00:55:14] Tá nesses filmes

[00:55:15] Que a gente cita aqui

[00:55:16] Que tá

[00:55:16] No noticiário

[00:55:17] Que a gente vê

[00:55:18] Que enfim

[00:55:18] Que tá na

[00:55:18] Que tá na ideologia dominante

[00:55:19] Na sociedade que a gente vive

[00:55:21] Então eu acho que ele é um ótimo exemplo

[00:55:22] De tipo assim

[00:55:23] Como

[00:55:23] Como que uma pessoa

[00:55:25] Que acha

[00:55:25] Pode achar que é boa

[00:55:27] Sendo que ela

[00:55:28] É

[00:55:29] É

[00:55:29] É totalmente envenenada

[00:55:31] Por

[00:55:32] Por

[00:55:32] Pensamentos nocivos

[00:55:33] E ações

[00:55:34] Completamente nocivas

[00:55:35] Cara

[00:55:36] Isso

[00:55:37] Esse é importante né

[00:55:38] Porque

[00:55:39] Uma das questões fundamentais

[00:55:41] Que quando a gente vai debater

[00:55:42] É

[00:55:43] Genocídio

[00:55:44] O genocídio

[00:55:44] O genocídio

[00:55:44] O genocídio do povo

[00:55:45] Do povo negro

[00:55:47] Do povo favelado

[00:55:48] Enfim

[00:55:49] É

[00:55:50] É justamente você ter que lidar

[00:55:53] Com a máquina da negação

[00:55:55] Né

[00:55:56] Com a máquina da descrença social

[00:55:58] E a negação

[00:55:59] Ela é uma coisa

[00:56:00] Por isso que eu falei

[00:56:00] Da questão do desejo lá atrás

[00:56:02] A negação

[00:56:03] Não é um processo simples

[00:56:04] De você lidar né

[00:56:05] Porque quando você chega pro cara

[00:56:06] Olha essa evidência

[00:56:07] O cara faz uma elaboração secundária

[00:56:09] E mantém a estrutura da crença

[00:56:11] Original dele

[00:56:11] Uma das questões

[00:56:13] Justamente

[00:56:14] É que

[00:56:14] A maioria das pessoas

[00:56:16] Como foi

[00:56:16] Criada

[00:56:18] Nesse

[00:56:18] Nesse

[00:56:19] Nessa sociedade

[00:56:20] Como ela

[00:56:21] Aceitou esse tropo

[00:56:23] Né

[00:56:24] Do justiceiro

[00:56:25] Ou

[00:56:26] Da possibilidade

[00:56:27] De que o policial bom

[00:56:29] Possa resolver a situação

[00:56:30] Porque existem policiais ruins

[00:56:31] Isso é verdade né

[00:56:32] Porque quando a gente vai

[00:56:33] Você vai mostrar os números

[00:56:34] As estatísticas

[00:56:35] Olha

[00:56:36] Tantas

[00:56:36] Olha só o número de vítimas da polícia

[00:56:39] Veja quantos são negros

[00:56:40] Sabe

[00:56:41] Veja onde

[00:56:42] Como é que a polícia age

[00:56:43] Em tal lugar

[00:56:43] Você mostra a data

[00:56:44] Para as pessoas

[00:56:44] Isso rapidamente

[00:56:46] É controlado

[00:56:47] Com a ideia de que

[00:56:48] Olha só

[00:56:49] São policiais ruins

[00:56:51] São sujeitos ruins

[00:56:52] Porque da mesma maneira

[00:56:53] Que tem um garoto

[00:56:55] Tipo esse personagem

[00:56:56] Desse filme

[00:56:57] Que se enxerga como herói

[00:56:59] Vão ter pessoas

[00:56:59] Que vão enxergar essas pessoas

[00:57:00] Como heróis né

[00:57:01] Tipo como um modelo

[00:57:02] Ainda que não queira seguir

[00:57:03] Esse modelo

[00:57:04] Mas ainda assim

[00:57:04] Ah existe esse modelo

[00:57:06] Existe esse tipo de pessoa né

[00:57:09] E aí

[00:57:09] Junto com isso né

[00:57:11] Junto com esse tropo

[00:57:12] Todo

[00:57:13] Você tem

[00:57:14] Toda essa

[00:57:14] maneira

[00:57:15] Como a própria

[00:57:15] Mídia cobre

[00:57:17] Essas situações

[00:57:18] De como o debate

[00:57:19] Público é feito né

[00:57:20] Vamos rapidamente

[00:57:22] Encontrar os culpados

[00:57:23] E puni-los por isso

[00:57:24] Aí você vai lá

[00:57:24] E vê por exemplo

[00:57:25] Que cara

[00:57:26] Então

[00:57:26] Isso se repete

[00:57:28] Com uma frequência

[00:57:28] Que não é possível

[00:57:30] Que sejam sempre

[00:57:31] Pessoas

[00:57:31] Indivíduos

[00:57:32] Que estão fazendo isso

[00:57:32] Tem uma instituição

[00:57:33] Que está promovendo

[00:57:35] Sabe

[00:57:35] Então

[00:57:36] É de novo assim

[00:57:37] Do mesmo jeito

[00:57:37] Que a gente estava falando

[00:57:38] Sobre os atiradores

[00:57:39] Dos tiroteios em massa

[00:57:40] E dos assassinos em série

[00:57:43] É de novo assim

[00:57:43] Por que

[00:57:44] Que essas pessoas

[00:57:45] Por que que esse comportamento

[00:57:46] Está surgindo assim

[00:57:47] Sim

[00:57:47] É estatisticamente impossível

[00:57:49] Que ele seja

[00:57:49] Só aleatório né

[00:57:51] É resultado

[00:57:52] Da perversão individual

[00:57:53] Saca

[00:57:54] Do sujeito

[00:57:54] Exato

[00:57:54] Tipo

[00:57:55] Ah não vai acontecer

[00:57:55] Uma em cada dez pessoas

[00:57:57] Vai ser assim

[00:57:57] Claramente não é assim

[00:57:58] Claramente

[00:57:59] Você consegue associar

[00:58:01] Para além

[00:58:03] Da

[00:58:03] Da

[00:58:04] Da

[00:58:05] Da chance

[00:58:07] Assim

[00:58:07] Essa coisa

[00:58:08] É como a gente fala assim

[00:58:10] Por que que

[00:58:10] Tem uma incidência

[00:58:11] Muito maior disso

[00:58:12] Nos Estados Unidos

[00:58:12] Não é uma questão

[00:58:13] Populacional

[00:58:14] Se você compara

[00:58:14] Com o resto do mundo

[00:58:15] Tem muito mais gente

[00:58:16] Fora dos Estados Unidos

[00:58:17] Do que dentro

[00:58:17] Né

[00:58:18] Por que que

[00:58:19] Né

[00:58:19] Por que que as coisas

[00:58:20] São assim

[00:58:20] No epicentro

[00:58:22] Da

[00:58:22] Dessa nossa cultura

[00:58:23] Né

[00:58:24] A gente está falando aqui

[00:58:25] De filmes americanos

[00:58:26] Né

[00:58:27] E um filme brasileiro

[00:58:27] Totalmente

[00:58:28] Influenciado por filmes americanos

[00:58:30] A gente está falando aqui

[00:58:30] Da

[00:58:31] Da cultura que eu

[00:58:32] Você e as pessoas que ouvem

[00:58:33] Esse podcast

[00:58:34] Consumimos largamente

[00:58:36] E ela é

[00:58:36] É

[00:58:37] É

[00:58:38] É

[00:58:38] América

[00:58:39] América

[00:58:40] América centralizada

[00:58:43] Nossa

[00:58:43] Nossa

[00:58:44] Enfim

[00:58:45] Não mas tem uma

[00:58:45] Mas por que que

[00:58:46] Mas por que que eu falei disso

[00:58:48] Porque por exemplo

[00:58:48] Você falou

[00:58:49] Tocando um ponto fundamental

[00:58:50] Que tem muita gente

[00:58:50] Que acha que o

[00:58:51] Tropa de Elite 2

[00:58:53] Critica o que foi colocado

[00:58:54] No primeiro filme né

[00:58:55] Mostrando que

[00:58:56] A polícia tem problemas

[00:58:58] E sei lá o que

[00:58:59] E aí vai o capitão nascimento

[00:59:00] Vai pra Brasília

[00:59:01] E aí

[00:59:02] Blá blá blá

[00:59:03] E papapá

[00:59:04] Bicho

[00:59:05] Ainda assim

[00:59:06] Você tem um paladino

[00:59:07] No centro da história né

[00:59:08] Não é a toa

[00:59:09] Que depois tem o mecanismo

[00:59:10] Né cara

[00:59:11] É

[00:59:11] E de novo assim

[00:59:12] O

[00:59:13] O

[00:59:13] , não é porque o

[00:59:16] O, o, o

[00:59:18] O capitão nascimento

[00:59:19] Não gosta de políticos

[00:59:21] Que eu e você

[00:59:21] Não gostaríamos também

[00:59:22] E que a gente gostaria de remover

[00:59:24] A, a, de onde eles estão

[00:59:26] E do seu

[00:59:27] Do seu

[00:59:28] Do seu status de poder

[00:59:29] Que a gente concorda com

[00:59:31] Com a razão assim

[00:59:32] Tipo

[00:59:32] O, o, de novo assim

[00:59:33] O, o, o

[00:59:36] O capitão nascimento

[00:59:36] Ele não é contra o sistema

[00:59:38] Ele não acha que o sistema

[00:59:39] É um problema

[00:59:40] Ele acha que o sistema

[00:59:41] Foi corrompido

[00:59:42] Exato

[00:59:43] Exato

[00:59:43] Corrompido

[00:59:45] Por políticos

[00:59:46] Né

[00:59:47] Corrompido

[00:59:47] Exato

[00:59:47] Esse que é o ponto né

[00:59:49] Então aí ele tem que

[00:59:50] Ir contra

[00:59:51] E aí

[00:59:51] E aí onde que a gente chega

[00:59:53] A gente chega no fato

[00:59:54] De que ele acha

[00:59:55] De novo

[00:59:56] Que a polícia

[00:59:57] É

[00:59:57] Um

[00:59:58] Um fenômeno natural

[01:00:00] Que existe a polícia

[01:00:02] Não ideológica

[01:00:02] Isso

[01:00:03] Que a polícia

[01:00:04] Tá sendo subvertida

[01:00:05] Por interesses políticos

[01:00:06] E que existe

[01:00:07] A, o, o

[01:00:08] A versão ideal

[01:00:10] Né

[01:00:10] Existe o ideal platônico

[01:00:12] De polícia

[01:00:12] Que

[01:00:43] É essa noção

[01:00:43] De que a civilidade

[01:00:45] Tem que ser imposta

[01:00:46] A força

[01:00:47] Ou seja

[01:00:47] Que a civilidade

[01:00:48] Precisa de incivilidade

[01:00:49] Pra ser imposta

[01:00:50] Como se

[01:00:51] E aí

[01:00:52] Porque de novo

[01:00:53] Como você gosta de citar

[01:00:55] Essa ideia de que

[01:00:56] Ah não

[01:00:57] No estado natural

[01:00:57] O ser humano é selvagem

[01:00:59] Né

[01:00:59] Então você tem que

[01:01:00] Domar o ser humano

[01:01:01] Pra ele viver em sociedade

[01:01:02] Só que

[01:01:03] Isso é negado

[01:01:04] Pelo simples fato

[01:01:05] De que a gente conseguiu

[01:01:05] Criar uma sociedade primeiro

[01:01:07] Né

[01:01:07] Que a gente saiu

[01:01:08] Do estado

[01:01:09] De natureza

[01:01:11] De ser

[01:01:11] Sermos primatas

[01:01:13] Ali

[01:01:13] E que a gente começou

[01:01:15] A se sedentarizar

[01:01:15] E criar

[01:01:16] O que a gente conhece

[01:01:17] Como sociedade

[01:01:17] Sem haver uma sociedade

[01:01:19] Pra reprimir a gente

[01:01:20] Né

[01:01:21] Esse que é o ponto

[01:01:22] Né

[01:01:22] Porque assim

[01:01:23] A humanidade

[01:01:24] Prescindiu

[01:01:26] Da ideia de estado

[01:01:28] Dessa sociedade

[01:01:28] Durante séculos

[01:01:30] Séculos

[01:01:30] Sim

[01:01:31] Né

[01:01:31] E assim

[01:01:32] E diversas outras

[01:01:33] Sociedades

[01:01:35] Prescindem

[01:01:36] De um estado repressor

[01:01:38] Né

[01:01:38] A gente inventou isso

[01:01:39] Pra se

[01:01:40] Se reprimir

[01:01:41] Pra se recalcar

[01:01:41] O estado

[01:01:42] Ele não

[01:01:43] É o oposto

[01:01:44] De

[01:01:44] E assim

[01:01:45] Vou usar a palavra

[01:01:46] Porque é a palavra

[01:01:46] Que a gente tem

[01:01:47] Mas as origens

[01:01:47] Delas são

[01:01:48] Já ideológicas

[01:01:50] Né

[01:01:50] Não é o oposto

[01:01:51] De barbárie

[01:01:52] Né

[01:01:52] Não

[01:01:52] Não

[01:01:53] É isso assim

[01:01:54] Mas a gente

[01:01:55] A gente é levado

[01:01:56] A acreditar

[01:01:56] Porque a gente

[01:01:57] Vive numa

[01:01:58] Sociedade

[01:01:59] Cuja ideologia dominante

[01:02:00] É estadista

[01:02:01] De que é isso assim

[01:02:02] De que o estado existe

[01:02:03] Porque pô

[01:02:03] Se não tivesse o estado

[01:02:04] Já era

[01:02:05] Né

[01:02:06] Se não

[01:02:07] Se não tivesse estado

[01:02:08] A gente

[01:02:08] A gente

[01:02:09] Taria solto no mato

[01:02:11] Mas é

[01:02:12] Meio que como você

[01:02:12] Dizer assim

[01:02:13] Tipo pô

[01:02:13] Se não tivesse zoológico

[01:02:15] Os bichos se matavam

[01:02:16] É

[01:02:16] Na verdade

[01:02:17] No fim do dia

[01:02:18] O bárbaro

[01:02:19] É aquele que acredita

[01:02:20] Na barbárie

[01:02:21] Né cara

[01:02:22] Exato

[01:02:22] E aí tipo

[01:02:22] Por que a gente

[01:02:23] Chama de barbárie

[01:02:24] Né

[01:02:24] Por que a gente

[01:02:24] Quem eram os bárbaros

[01:02:25] Ué

[01:02:26] Eles eram outra sociedade

[01:02:27] Com outra forma

[01:02:28] De organização

[01:02:29] É

[01:02:29] Exatamente

[01:02:30] Então esse próprio mito

[01:02:31] Se funda

[01:02:32] Né

[01:02:32] Que vai lá

[01:02:33] Vamos pensar na queda

[01:02:34] De Roma

[01:02:34] Essas coisas todas

[01:02:35] Se funda numa

[01:02:37] Ali ainda tava se preparando

[01:02:39] Né

[01:02:39] Mas depois se desdobra

[01:02:40] Rapidamente

[01:02:41] Numa máquina

[01:02:41] Genocida racista

[01:02:42] Né

[01:02:43] Porque por isso que eu fui falar

[01:02:44] Dos filmes

[01:02:45] Né

[01:02:45] Dos filmes

[01:02:46] De velho oeste

[01:02:47] Que romantizavam

[01:02:49] O genocídio

[01:02:49] Dos povos indígenas

[01:02:50] Depois dos filmes

[01:02:52] Urbanos

[01:02:52] Da década de 70

[01:02:53] Nos Estados Unidos

[01:02:54] Que vão

[01:02:54] Romantizar o genocídio

[01:02:56] Da população preta

[01:02:57] Nos Estados Unidos

[01:02:58] A mesma coisa

[01:02:59] Aqui né

[01:03:00] Do filme

[01:03:00] Do Capitão Nascimento

[01:03:01] Que vai romantizar

[01:03:03] O genocídio

[01:03:04] Da população preta

[01:03:05] E favelada

[01:03:05] Saca

[01:03:06] Então é isso

[01:03:06] Eles tão sempre

[01:03:07] Eles tem que

[01:03:08] Romantizar né

[01:03:10] A pílula

[01:03:11] Que é essa pílula

[01:03:12] Do

[01:03:12] No genocídio

[01:03:13] Porque

[01:03:13] A sociedade

[01:03:14] Tal como a gente

[01:03:16] Imagina ela

[01:03:17] Tal como a gente

[01:03:18] Experiencia ela

[01:03:19] Ela só pode existir

[01:03:20] Atrelada ao genocídio

[01:03:21] Orlando

[01:03:22] Você levantou

[01:03:23] A melhor bola

[01:03:23] Pra eu encerrar esse episódio

[01:03:25] Opa

[01:03:26] O cinema americano

[01:03:27] É fundado

[01:03:29] Na noção

[01:03:30] De poder paralelo

[01:03:32] Pra manter a opressão

[01:03:33] Porque

[01:03:34] Qual é

[01:03:35] O primeiro

[01:03:36] Grande

[01:03:36] Sucesso cinematográfico

[01:03:39] Norte-americano

[01:03:40] Birth of a Nation

[01:03:42] Um filme

[01:03:42] Sobre

[01:03:44] A KKK

[01:03:45] A Ku Klux Klan

[01:03:46] Um grupo

[01:03:47] Terrorista

[01:03:48] Né

[01:03:48] Para estatal

[01:03:51] Que

[01:03:52] Existe até hoje

[01:03:53] E que existe

[01:03:54] Pra

[01:03:55] Manter a supremacia

[01:03:57] Branca

[01:03:58] Do estado americano

[01:03:59] E que

[01:03:59] É

[01:04:00] É

[01:04:01] É narrado

[01:04:01] Ali como

[01:04:02] São os heróis

[01:04:03] De Birth of a Nation

[01:04:04] Nossa

[01:04:04] Sim

[01:04:05] Que é o primeiro

[01:04:06] Grande filme americano

[01:04:07] Né

[01:04:07] Basicamente

[01:04:08] Então

[01:04:09] Dorme com essa

[01:04:11] Rapaz

[01:04:12] É

[01:04:12] , Orlando

[01:04:13] Você quer promover

[01:04:14] Alguma coisa sua

[01:04:15] Os seus outros podcasts

[01:04:17] As suas outras aventuras

[01:04:18] Eu só queria pedir o espaço

[01:04:20] Pra falar pras pessoas

[01:04:22] Que tá rolando

[01:04:22] Uma campanha de arrecadação

[01:04:24] Pro povo aikewara

[01:04:25] Que eu tô promovendo

[01:04:27] O que acontece

[01:04:29] Os aikewara

[01:04:29] Como várias populações indígenas

[01:04:31] Estão sofrendo

[01:04:32] Com a epidemia de coronavírus

[01:04:33] E

[01:04:34] Já temos

[01:04:35] Um óbito

[01:04:37] Pelo menos dois indígenas

[01:04:38] Em situação gravíssima

[01:04:39] Enfim

[01:04:39] Com total descaso

[01:04:40] Dos órgãos competentes

[01:04:42] Coisas assim

[01:04:42] Coisas do tipo

[01:04:43] Então

[01:04:43] Eu com outras pessoas

[01:04:45] Que lá da região

[01:04:46] Estamos

[01:04:46] Promovendo

[01:04:48] Uma ação

[01:04:48] De ajuda

[01:04:49] Pra essa população

[01:04:50] Então

[01:04:51] Dá pra botar o link

[01:04:53] Na descrição do episódio?

[01:04:54] Dá pra botar o link

[01:04:55] Na descrição

[01:04:55] Então beleza

[01:04:56] É isso

[01:04:56] Veja lá

[01:04:57] Se vocês podem ajudar

[01:04:58] E se não puderem

[01:04:59] Pelo menos

[01:04:59] Promova nas suas redes

[01:05:00] Vamos ajudar

[01:05:01] Quem precisa

[01:05:03] Isso aí

[01:05:04] Half-Death

[01:05:12] Se você gostar

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