AntiCast 466 - Independência do Banco Central


Resumo

Gisele Camargo abre o episódio expressando sua perplexidade com a prioridade dada à independência do Banco Central em meio a uma pandemia, desemprego recorde e falta de vacinas. Ela questiona o que realmente significa essa autonomia e argumenta que o BC já é autônomo, citando exemplos de ex-presidentes que, após deixarem o cargo, assumiram posições no mercado financeiro com informações privilegiadas, aproveitando uma quarentena de apenas seis meses.

A convidada Ana Paula Salviati, historiadora e doutoranda em desenvolvimento econômico, explica o papel do Banco Central no controle da liquidez monetária para conter a inflação, dentro do modelo do Plano Real. Ela detalha mecanismos como o compulsório bancário e as operações compromissadas, que retiram dinheiro de circulação dos bancos, remunerando-os com títulos públicos indexados à Selic. Esse sistema, segundo ela, beneficia o sistema financeiro às custas do Estado e da população.

Ana Paula argumenta que a proposta de independência do BC visa torná-lo imune à interferência do presidente eleito, impedindo mudanças na política monetária por até três anos de um mandato. Isso consolida um modelo econômico que prioriza a atração de capital estrangeiro com juros altos, a desindustrialização e a agroexportação, em detrimento do desenvolvimento interno e da geração de empregos. Ela critica a cópia de modelos como o do Federal Reserve dos EUA, inaplicável ao Brasil.

A discussão conecta a gestão técnica da economia com seus impactos sociais: desemprego massivo, poder de compra em queda e um Estado com capacidade fiscal restringida para pagar juros da dívida. A autonomia do BC é apresentada como mais um passo na consolidação de um projeto ultraliberal que desmonta a possibilidade de um projeto nacional de desenvolvimento. O episódio conclui com um chamado para que os ouvintes apoiem a produção de conteúdo independente.


Indicações

People

  • Nelson Barbosa — Mencionado por Gisele como alguém que escreveu textos acessíveis sobre o tema da independência do Banco Central, oferecendo uma perspectiva crítica mesmo dentro de um espectro mais ortodoxo.
  • Arminio Fraga — Citado como exemplo de ex-presidente do Banco Central que, após deixar o cargo, abriu um banco de investimento (Gávea Investimentos), ilustrando o problema da circulação de informações privilegiadas entre o BC e o mercado financeiro.

Podcasts

  • Chico Barney Urgente (CBU) — Canal no YouTube mencionado por Ana Paula Salviati como uma distração, onde ela participa como comentarista, discutindo desde assuntos sérios até temas como o Big Brother Brasil.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Introdução e perplexidade com a prioridade da autonomia do BC — Gisele Camargo apresenta o tema, questionando por que a independência do Banco Central é uma prioridade em meio à pandemia, desemprego e falta de vacinas. Ela confessa não entender profundamente o assunto, mas já se posiciona contra, baseada em quem defende a proposta. Levanta a questão sobre o que o BC realmente faz e se ele já não é autônomo.
  • 00:05:51Entrevista com Ana Paula Salviati: papel do Banco Central — Ana Paula Salviati é apresentada como historiadora e doutoranda em desenvolvimento econômico. Ela começa explicando a origem do Banco Central na ditadura militar e seu papel atual no âmbito do Plano Real. Descreve o Plano Real como um modelo neoliberal de inserção econômica, focado no controle da inflação através da gestão da liquidez, e não no desenvolvimento industrial ou na geração de empregos.
  • 00:19:16Mecanismos de controle: compulsório e operações compromissadas — Ana Paula explica didaticamente como o Banco Central controla a liquidez do sistema. Detalha o compulsório bancário (porcentagem que os bancos devem manter em caixa) e as operações compromissadas, onde o BC vende títulos do Tesouro com compromisso de recompra para ‘enxugar’ o dinheiro em circulação nos bancos. Esses títulos são remunerados pela Selic, gerando um custo fiscal enorme e beneficiando o sistema financeiro.
  • 00:34:14O que significa a independência do Banco Central — A discussão chega ao cerne da proposta: a independência significaria que o presidente eleito não poderia trocar o presidente do BC até o terceiro ano de mandato. Ana Paula argumenta que isso torna a política monetária (juros, câmbio, controle da inflação) imune à vontade popular, travando qualquer projeto de desenvolvimento alternativo. Ela destaca que o BC se tornaria independente do Executivo, mas não do mercado financeiro.
  • 00:44:39Comparação com outros países e inaplicabilidade ao Brasil — Questionada sobre onde esse modelo funciona, Ana Paula cita o Federal Reserve (FED) dos EUA, mas ressalta que é um caso único, pois o país emite a moeda de reserva mundial. Para o Brasil, copiar esse modelo é inapropriado, pois nossa economia é estruturada para atrair capital com juros altos, não para crescer e distribuir renda. Ela enfatiza que o problema é o modelo do Plano Real, não a falta de autonomia do BC.
  • 00:58:01Impactos sociais e a necessidade de entender o debate econômico — Ana Paula conecta a política econômica técnica com a realidade social: desemprego, poder de compra em queda e milhões de brasileiros em situação de pobreza. Ela defende a importância de popularizar o debate econômico, tirando-o do jargão técnico, para que as pessoas entendam como decisões como a autonomia do BC afetam suas vidas. O episódio termina com um apelo para o apoio a podcasts independentes.

Dados do Episódio

  • Podcast: AntiCast
  • Autor: HD1
  • Categoria: Society & Culture
  • Publicado: 2021-02-18T15:52:32Z
  • Duração: 01:09:48

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Eu sou Gisele Camargo e esse é o anti-cash número 466 e que porra é essa de autonomia

[00:00:27] do Banco Central?

[00:00:28] Sério gente, nesse momento, eu juro que até esse programa eu nem sabia o que significava

[00:00:32] autonomia do Banco Central, confesso que entendi, defendo minha postura que é contra, mas

[00:00:37] não posso ensinar você sobre o tema, é muito difícil.

[00:00:40] Mas gente, as primeiras coisas né, isso eu sei de cor, no meio de uma pandemia com a

[00:00:45] possibilidade de chegar aos 17% de brasileiros desempregados, com a extrema pobreza no Brasil

[00:00:52] crescendo a olhos vistos e o fim do auxílio emergencial, com a indefinição do orçamento

[00:00:57] de 2021 cara, a gente não sabe até agora, acabando o Carnaval, como vai gastar o nosso

[00:01:03] dinheiro esse ano, além de claro pagar os custos do Centrão, que cobrou e cobrou bem

[00:01:08] viu, pela eleição do Arthur Lira e do Rodrigo Pacheco.

[00:01:11] A gente não tem vacina, não tem perspectiva, não pode nem sonhar com o Carnaval em 2022

[00:01:16] e qual a prioridade, além de armar a população, a porra da independência do Banco Central?

[00:01:23] Até começo de conversa, você sabe o que faz o Banco Central?

[00:01:27] Real oficial, bem certinho mesmo.

[00:01:28] E o que significa a independência do Banco Central?

[00:01:31] Primeiramente dizer que o Banco Central não é independente é uma mentira, mentira.

[00:01:36] Banco Central é autônomo já, sim, quem escolhe o presidente do Banco Central é o presidente

[00:01:41] do país, o que não significa que o Banco Central vai catar todas as decisões do governo,

[00:01:47] até porque qualquer governo que dirija essa nação, podendo ser o Che Guevara, vai ter

[00:01:52] que agradar quem?

[00:01:53] Quem?

[00:01:54] Quem?

[00:01:55] Quem?

[00:01:56] Os empresários, os ricos, os donos da porra toda.

[00:01:57] E eu não tô falando de você que tem uma Hilux, e desculpa, você que tem uma Hilux

[00:02:00] com adesivo 17, não tá nem ouvindo esse programa né, deveria, pois é.

[00:02:04] Eu fiz uma pesquisa sobre o que fizeram os ex-presidentes do Banco Central nos anos 90.

[00:02:09] Comecei com Imbraim Eries, ou Eris, não sei, que foi presidente do Banco Central nos tempos

[00:02:14] do Collor.

[00:02:15] Quando saiu, ele virou o quê, o quê, o quê?

[00:02:18] Consultor financeiro.

[00:02:19] E todas as informações privilegiadas que ele tinha, beleza?

[00:02:22] Na sequência veio Francisco Gross, que já tinha sido presidente do Banco Central no

[00:02:27] governo Sarney e que depois foi novamente no governo Fernando Henrique Cardoso.

[00:02:31] Quando deixou o cargo por último, foi presidente da OGX, uma empresa do grupo de Eike Batista.

[00:02:38] Eike, beleza?

[00:02:39] Bom, vamos ao terceiro e olha, eu já tô ficando um pouco cansada.

[00:02:43] Gustavo Loyola, fonte queridinha de jornalistas até hoje, foi presidente do Banco Central

[00:02:48] no governo Itamar e voltou no governo Fernando Henrique Cardoso.

[00:02:52] Depois, bom, o que diz o Wikipedia, abre aspas, foi sócio e diretor da empresa MCM Consultores

[00:02:58] Associados de agosto de 1993 a maio de 1995, no intervalo entre os períodos em que ocupou

[00:03:06] a presidência do Banco Central.

[00:03:08] Atualmente, Gustavo Loyola é sócio e diretor da empresa de consultoria Tendências Consultoria

[00:03:14] Integrada.

[00:03:15] Eu fui atrás do regulamento do Banco Central, difícil pra mim que sou de humanas, mas a

[00:03:20] quarentena de um presidente do Banco Central, ou seja, o período em que ele não pode assumir

[00:03:25] um cargo em uma empresa privada depois de deixar o cargo de presidente do Banco Central

[00:03:32] é de seis meses, ou seja, ilegais, ilegais, essas pessoas não estão, ah, mas eles vão

[00:03:38] trabalhar com o que depois de serem presidente do Banco Central?

[00:03:42] Com a economia tá certo e não há juízo de valor aqui, mas é necessário refutar

[00:03:46] sim que o Banco Central no Brasil é autônomo sim.

[00:03:51] Vou contar um caso pra exemplificar essa questão da quarentena e informações privilegiadas.

[00:03:55] Eu tava conversando com uma prima que trabalha numa empresa de expatriados, uma multinacional,

[00:03:59] grandona e tal, ela é incrível quando o assunto é tudo e também na questão financeira.

[00:04:03] Ela coordena uma equipe que faz, entre outras coisas, imposto de renda de brasileiros que

[00:04:07] moram em vários países do mundo trabalhando pra grandes empresas e eu de um ano a choro

[00:04:11] porque nem acho eu era livre.

[00:04:12] A gente tava batendo um papo sobre investimentos porque eu comecei a desejar a beleza que é

[00:04:17] ver o meu dinheirinho trabalhando para mim, adendo com 50 reais, você consegue fazer

[00:04:21] uma carteira de investimentos, viu?

[00:04:23] E se você não tiver ciência disso, seu dinheiro vai trabalhar para os bancos.

[00:04:28] Bom, o fato é que, voltando ao papo com a minha prima, por exemplo, ela não pode investir

[00:04:32] em determinadas empresas por ter informações privilegiadas, ou seja, as empresas que a

[00:04:37] empresa dela atende ou os setores que são atendidos pela empresa dela, ela não pode

[00:04:43] investir por uma questão de regra.

[00:04:46] Então não é defender que quem trabalhou no Banco Central nunca mais volte ao mercado,

[00:04:50] mas é preciso ter regras mais duras e rígidas para que presidir o Banco Central não vire

[00:04:55] uma fonte de informação privilegiada.

[00:04:57] Tá, Gisele, mas e por que ser contra a independência do Banco Central?

[00:05:01] Não tem muitos argumentos ainda, viu?

[00:05:03] Bom, primeiro é porque como a gente acabou de ver o argumento da falta de autonomia,

[00:05:07] é uma mentira.

[00:05:08] Segundo, porque tudo que é bom para os bancos é necessariamente ruim para a população,

[00:05:14] fica esperto.

[00:05:15] Ah, tal coisa é boa para o banco?

[00:05:17] Me fodi.

[00:05:18] Esse o pensamento tem que ser automático já, se é bom para o banco é ruim para a

[00:05:22] população.

[00:05:23] Terceiro, vindo desse governo, gente, a população aí pode comprar arma mas não tem vacina,

[00:05:27] é bom já ficar meio desconfiado com qualquer proposta.

[00:05:30] E para terminar, vale lembrar que quem é o entusiasta da independência do Banco Central

[00:05:35] é o Paulo Guedes, ele mesmo chegou a falar que era um sonho sendo realizado.

[00:05:40] Pensa, ele mesmo que disse que quer vender o Brasil todinho.

[00:05:44] Então, gente, boa coisa isso não é.

[00:05:46] E para falar sobre esse assunto, a gente recebe aqui no Anticast, pela segunda vez,

[00:05:51] ela já está virando figurinha tarimbada, Ana Paula Salviati, que é historiadora, é

[00:05:58] mestre em história econômica ou da economia que fala?

[00:06:01] História econômica.

[00:06:02] História econômica.

[00:06:03] E é doutoranda em desenvolvimento econômico pela Unicamp, é isso?

[00:06:08] É isso mesmo.

[00:06:09] E também mãezinha do Tito.

[00:06:11] Ai, mãezinha é péssimo, né?

[00:06:13] Mas aí…

[00:06:14] Mãezinha.

[00:06:15] Mas se você está falando, tudo bem.

[00:06:16] Você pode.

[00:06:17] É, mas é o goldiava.

[00:06:18] Na maternidade, tipo, ai, a mãezinha, tipo, mãezinha é o cu, vontade de falar, né?

[00:06:24] Pessoal lá todo estrupeada.

[00:06:25] Mãezinha é o caralho, minha senhora.

[00:06:26] Olha bem para mim.

[00:06:27] Olha a minha situação.

[00:06:29] Tem o nome, né?

[00:06:30] Olha a força que eu fiz aqui, minha senhora.

[00:06:35] Mas aí…

[00:06:36] Isso mesmo.

[00:06:37] Gravidíssima.

[00:06:38] Gravidíssima, Gisele.

[00:06:39] Olha, você é a mulher da porta aberta, muito obrigada novamente por essa porta.

[00:06:45] Imagina.

[00:06:46] Gravidíssima.

[00:06:47] Aqui a gente está de vídeo, né, mas não dá para ver, mas estou aqui sentada segurando

[00:06:51] a barriguinha aqui.

[00:06:52] Está curtindo.

[00:06:53] Está curtindo.

[00:06:54] Estou comendo uma banana, tomando água, aquela loucura toda.

[00:06:58] Está curtindo?

[00:06:59] Estou.

[00:07:00] Estou.

[00:07:01] A insônia, a larica noturna, estou curtindo tudo, com intensamente.

[00:07:07] É uma fase, né?

[00:07:09] Eu não tive uma visão tão romântica assim, mas hoje tenho saudade.

[00:07:14] E vou te dizer que é a tarefa mais difícil da vida, mas é a melhor também.

[00:07:18] Eu não sou de romantizar, eu acho que na mesma proporção que é bom é ruim, mas é

[00:07:22] muito bom.

[00:07:23] E é muito ruim.

[00:07:24] Eu espantei alguns amigos porque no primeiro trimestre, em janeiro, dezembro, eu estava

[00:07:30] muito mal, com muita ânsia, eu falei que era uma bolinha do bem, porque eu estava me desfazendo

[00:07:37] em vida.

[00:07:38] Aí, não, mas é uma vida, eu falei, é, o alien também era, ele crescia dentro de

[00:07:43] você.

[00:07:44] Para dar uma vida eu estou terminando com a minha, agora eu já estou me sentindo muito

[00:07:48] melhor.

[00:07:49] O primeiro trimestre é muito cruel, depois melhora e depois no final, cara, eu lembro

[00:07:54] que o Vicente nasceu numa quinta-feira, na segunda-feira, eu andei, eu vi pelo aplicativo

[00:07:59] do celular, 15 quilômetros.

[00:08:00] Como assim?

[00:08:01] Tipo, andando no centro para resolver coisas, tipo, aquela coisa assim, foi uma sensação

[00:08:06] muito boa, assim, de mulher, maravilha, sabe, assim, tipo, tá vindo.

[00:08:10] Abrei de dar a luz, me dá esse boleto aqui que eu vou pagar agora.

[00:08:14] Não, mas vai chegar esse momento, não, é só melhora, assim.

[00:08:17] Aí, no final, parece que você está grávida há cinco anos, sabe, você tem um desajuste.

[00:08:22] É, o pessoal fala que passa rápido, a sensação não é de passar rápido, não, gente.

[00:08:27] Eu falo que semana por semana.

[00:08:29] Mas o nosso assunto não é maternidade, né?

[00:08:31] Não é maternidade dessa lei.

[00:08:33] Não pode se dar esse luxo.

[00:08:34] Não posso, não podemos.

[00:08:36] Porque o Brasil, vou te falar, que caralho, né, o brasileiro não tem um dia de paz puta

[00:08:40] merda.

[00:08:41] E isso, assim, estamos pensando um assunto porque haveria outros inúmeros para a gente

[00:08:45] falar.

[00:08:46] A gente está aí de independência do Banco Central.

[00:08:48] Ana, eu juro que eu tentei ler alguma coisa para compreender, mas para mim, de humanas,

[00:08:54] é muito difícil.

[00:08:55] Então, assim, acho que a gente poderia começar explicando qual que é o papel do Banco Central.

[00:09:00] Todo país tem um Banco Central, é isso?

[00:09:02] Sim, todo país tem um Banco Central, o nosso Banco Central mesmo.

[00:09:07] Eu acho que assim, vamos lá, a ditadura militar, ela implementou uma série de ferramentas

[00:09:14] em instrumentos de política, de economia federal, que criou um instrumental de dívida

[00:09:23] pública, de títulos públicos.

[00:09:26] O Banco Central, como a gente conhece hoje, depois ele vai se recaracterizando diferente,

[00:09:33] mas para a gente ter uma noção de que a ditadura militar institui uma série de estruturas

[00:09:38] econômicas na esfera do poder executivo, do poder federal.

[00:09:42] Então, o Banco Central surge aí, talvez para o ouvinte entender, porque o Delfim Neto

[00:09:47] é sempre uma figura que retorna, porque o Delfim estava no meio dessas inovações econômicas.

[00:09:55] O Banco Central já teve vários papéis diferentes, mas na nossa economia atual, que eu chamo

[00:10:04] do plano real, o plano real é a forma como o Brasil está para o mundo e está internamente.

[00:10:13] Como é que a economia brasileira se desenvolve dentro dos marcos do plano real?

[00:10:20] Já teve épocas no Brasil de Vargas, de Kubitschek, inclusive da ditadura militar, que a gente

[00:10:26] estava dentro daqueles limites do desenvolvimentismo nacional.

[00:10:30] Cada um do seu jeito eles estavam tentando criar uma infraestrutura econômica que fizesse

[00:10:37] com que o país fosse autônomo o mais possível.

[00:10:40] É um debate gigantesco isso, mas enfim, o plano real é um modelo econômico brasileiro,

[00:10:46] mas ele não é estruturado para que o Estado seja essa entidade que voluntariamente

[00:10:55] tenta criar estruturas econômicas que tornem o país autônomo ou mais independente.

[00:11:03] O plano real é um modelo de inserção econômica extremamente neoliberal.

[00:11:08] Aqui nós somos uma economia em sintonia com o mercado financeiro, com as necessidades

[00:11:14] do mercado internacional.

[00:11:16] Isso é bom ou ruim?

[00:11:17] Porque tudo para mim, falou neoliberal, é o que eu falo, eu falei, por que eu sou tão

[00:11:20] contra a independência do Banco Central se eu nem entendo porra nenhuma?

[00:11:24] Mas é que quem propõe, daí eu já fico com o pé atrás, eu falo, cara, se tem tanta

[00:11:28] gente que eu admiro falando que é uma merda, então é uma merda, né?

[00:11:31] Até o Serra apareceu da tumba, o ouvinte pode achar esquisito, o Serra, o que que elas

[00:11:41] estão falando?

[00:11:42] O teu fineto falou, o Serra, as pessoas já estão tristes comigo, mas o Serra, ele é

[00:11:47] uma das figuras, os textos dele tem textos seminais sobre a economia brasileira dos anos

[00:11:52] 60 e 70.

[00:11:53] Você lê e você não acredita que é o Serra.

[00:11:55] Eu acho que conforme eu for falando, Gigi, você vai juntando ré concreta aí, você

[00:12:01] mesmo vai ver aonde essa barra funda vai.

[00:12:05] Então assim, se antes a gente tinha ou teve algum propósito de industrialização brasileira,

[00:12:11] o plano real não existe mais.

[00:12:15] Então a gente desde os anos 80, já no começo dos anos 80, ou seja, já desde o final da

[00:12:20] ditadura militar, o Brasil vem descendo da ladeira da industrialização.

[00:12:25] Então a gente teve vários, a gente tem programas de privatização desde o Collor, mas a FHC

[00:12:31] inaugurou pacotes e pacotes de privatização que nunca foram interrompidos completamente

[00:12:36] e hoje eles fazem parte da agenda desse governo, que a gente pode chamar de ultraliberal, nem

[00:12:42] neoliberal, ultraliberal, também é um debate líquido.

[00:12:44] Que não combina com esse conservadorismo no costume, assim, com essa coisa militar,

[00:12:49] né?

[00:12:50] Tipo, a gente vê, a gente vive uma loucura, né?

[00:12:53] Não existe isso.

[00:12:54] A gente também às vezes idealiza muito o que é o liberalismo pensando na Inglaterra,

[00:13:00] entendeu?

[00:13:01] Uma coisa assim, o liberalismo dos trópicos, ele nunca foi progressista nos costumes.

[00:13:06] O nosso centrão sempre foi do centro e direita, né?

[00:13:11] Eu acho que assim, para quem está nos ouvindo, a Constituição da Nova República, ela traz

[00:13:19] muitas coisas ainda da ditadura militar.

[00:13:22] Os partidos do centrão eram, o grosso era a Arena, que é o PFL, que é o DEM.

[00:13:29] Pessoal do Foro de Terezina não chama de centrão, chama de Arenão, justamente por

[00:13:33] isso, né?

[00:13:34] Arenão.

[00:13:35] Então assim, o centrão ou PMDBismo, que o Marcos Nobre chama, eles são uma geleia

[00:13:42] real à direita, de centro e direita, que compunha a base da ditadura militar.

[00:13:48] Então assim, o que esperar do centrão?

[00:13:51] Nada mais do que o reflexo daquilo que eles já faziam naquele comportamento, né?

[00:13:56] Então o plano real, ele é o encaixe desse centrão com as demandas dos anos 90, de uma

[00:14:04] economia reformulada mais aberta ao mercado financeiro.

[00:14:07] E o nosso papel já não seria mais disputar a economia com exportações industriais, né?

[00:14:14] A gente sempre faz esse debate em sala de aula das vantagens comparativas.

[00:14:18] Aqui nós temos muita terra para carpir, nós temos muitas belezas naturais, então

[00:14:23] isso aqui é lugar para ter turismo, é para vender soja, é para exportar madeira.

[00:14:28] Então assim, tem todo um debate de onde isso nos leva, como economia, né?

[00:14:34] A questão é que se eu me especializar em grãos e quiser sempre acompanhar tecnologicamente,

[00:14:40] por exemplo, algum desenvolvimento de informática ou de fármacos, eu vou ter uma grande dificuldade,

[00:14:46] não é mesmo?

[00:14:47] O desenvolvimento, assim, para eu conseguir vender o mesmo de soja em termos de valor,

[00:14:53] não de volume, claro, né?

[00:14:54] Para conseguir comprar, por exemplo, um celular, eu vou ter que vender muito, eu vou ter que

[00:15:00] plantar muito, eu vou ter que fazer com que muito da minha economia seja voltada para

[00:15:04] comprar, às vezes, só uma peça.

[00:15:06] Então é muito desigual.

[00:15:08] O peso da nossa economia, mesmo que a gente fomente que isso aqui vire só uma grande

[00:15:13] fazenda, que é o nosso rumo, a gente vai estar sempre muito vulnerável economicamente.

[00:15:18] Quem já não é tão novinho viveu a inflação, então o plano real, ele é sempre no mainstream,

[00:15:24] assim, a gente sempre ouve falando como se for, como ele foi a tábua de salvação da

[00:15:32] inflação brasileira, porque ele é um plano de controle inflacionário.

[00:15:36] Até aí, tudo bem, de estabilização inflacionária?

[00:15:39] Não, eu estou super acompanhando, pegando o movimento, assim, está bem didático para

[00:15:43] mim que sou realmente zero esquerda em questões financeiras, assim, e lembro da inflação.

[00:15:50] Se você sentir que eu fui muito longe, você me fala.

[00:15:53] Não, pode deixar.

[00:15:54] Então o objetivo do plano real é controlar a inflação.

[00:15:59] Ah, Ana, que legal, é controlar a inflação e garantir desenvolvimento econômico?

[00:16:03] Não, é controlar a inflação, ponto.

[00:16:05] Ah, Ana, a inflação é porque as pessoas compram muito, né?

[00:16:09] Não, nós temos vários eventos que produzem inflação e aí a gente começa.

[00:16:14] A gente teria como controlar a inflação sem o plano real?

[00:16:18] Porque eu lembro dessa loucura, assim, eu lembro de ir no mercado e tipo, no mercadinho

[00:16:22] e tipo, mãe, não deu, não pude trazer, sabe, e uma coisa que tinha comprado no dia

[00:16:26] anterior e tinha dado.

[00:16:28] O plano real, ele adota uma forma de controle inflacionário extremamente ortodoxa.

[00:16:35] Ortodoxa, monetarista, é como se a gente tivesse com uma unha encravada e cortasse

[00:16:40] o pé.

[00:16:41] Acho que a gente vai entendendo assim.

[00:16:42] Então a inflação, quando o jornal fala, quando o Guedes vem e fala que o brasileiro

[00:16:47] está comendo muito, por isso que o arroz está caro, o que a gente está ouvindo?

[00:16:50] Que a inflação é decorrência do gasto, né?

[00:16:55] Do consumo público.

[00:16:56] Só que a nossa inflação, e a gente pode olhar para um país com quase 20 milhões

[00:17:02] de brasileiros desempregados, hoje a nossa inflação está bem esquisita, né?

[00:17:08] O que eu quero chegar a dizer é que um país que tem um mercado de trabalho informal muito

[00:17:14] grande, uma remuneração da mão de obra historicamente mal remunerada, dizer que a

[00:17:19] nossa inflação é decorrência do comportamento e do consumo das pessoas é desonesto, certo?

[00:17:25] Mas na primeira hora que a gente teve um aquecimento da inflação com o consumo industrial, bateram

[00:17:31] na Dilma como se ela fosse um cachorro.

[00:17:33] O plano real, ele vai dizer que a inflação que a gente tem é decorrente do consumo.

[00:17:38] Então ele vai dizer que para esterilizar a inflação, ele vai estar sempre aumentando

[00:17:43] o preço do dinheiro, que são os juros.

[00:17:46] O problema, e aí a gente entra num ninho de mafagafinho desgraçado, é que existe outro

[00:17:51] tipo de inflação, que é a inflação da liquidez financeira, tá?

[00:17:56] Então vamos fechar os olhos e vamos imaginar o que eu vou falar agora.

[00:18:03] Então assim, tem um fenômeno que a gente chama de duplicidade da moeda, Gigi.

[00:18:07] Então eu e você, nós andamos com dinheiro manual, dinheiro cada vez menos, inclusive,

[00:18:14] né?

[00:18:15] A gente anda com dinheiro de notinha, certo?

[00:18:17] Para que o dinheiro no final do dia tenha o valor que o governo federal defende ter,

[00:18:22] que precisa garantir que tenha a mesma proporção de valor, o dinheiro que circula entre nós

[00:18:29] e o dinheiro que circula lá no mercado financeiro, porque assim, o dinheiro é um só, é o real.

[00:18:34] Ele circula a base monetária, que somos nós, os cidadãos, e ele circula no mercado financeiro,

[00:18:40] nas transações financeiras, nos bancos, tá?

[00:18:42] Quando falar mercado financeiro, pode pensar em banco que fica mais fácil.

[00:18:45] Os bancos também circulam dinheiro.

[00:18:48] Então para que o dinheiro no final do dia tenha sempre o mesmo valor, o governo federal

[00:18:52] tem que garantir que o dinheiro tenha, ele seja, ele tenha o mesmo peso nos dois lugares.

[00:18:58] Vamos falar assim.

[00:18:59] E quem que faz isso?

[00:19:00] O Banco Central.

[00:19:01] Quem que garante que no final do dia ele vai ter o controle da base monetária em circulação

[00:19:07] tanto conosco quanto nos bancos?

[00:19:10] O Banco Central.

[00:19:11] Então eu sei que eu falei muita coisa, mas o papel do Banco Central numa frase só é

[00:19:16] garantir o controle da liquidez, ou seja, da quantidade de dinheiro em circulação.

[00:19:22] Porque fazendo isso, para o plano real, você vai ter o controle da inflação.

[00:19:26] Eu sei que a gente está num assunto terrível e que você deve estar do outro lado chorando.

[00:19:30] Não, eu fiquei, eu só me perguntei, eu só me pergunto assim, tipo, como que o Banco

[00:19:35] Central faz esse controle?

[00:19:37] Qual que é o mecanismo?

[00:19:38] Como é que ele faz?

[00:19:39] Eu entendi essa coisa, tipo, é só um dinheiro, mas realmente, né?

[00:19:42] Tipo, é, por exemplo, é a questão dos impostos.

[00:19:45] Uma coisa, um dinheiro para uma pessoa que vai gastar todo o salário dela em comida

[00:19:50] e em aluguel é uma coisa.

[00:19:51] Agora, um salário, uma pessoa que vai gastar, não vai gastar da renda dela, é diferente, entendeu?

[00:19:59] Então, assim, é o mesmo dinheiro, é o mesmo dinheiro, mas ele tem significantes

[00:20:04] diferentes para as mais diversas classes de, tô certa, tô indo no pensamento.

[00:20:10] A gente só precisa lembrar que nós somos nozes e o banco são instituições financeiras.

[00:20:16] Sim, sim, sim, sim.

[00:20:17] Mas o raciocínio segue um pouco por aí, Gigi.

[00:20:20] Segue um pouco não, então me fala, o que que tá errado?

[00:20:24] É assim, vamos pensar, os bancos, no final do dia, eles fazem vários, quando você faz

[00:20:29] um PIX ou quando você faz um TED, enfim, quando você transfere um dinheiro de um Banco

[00:20:35] A para um Banco C, então o Banco A, ele vai ficar sem um dinheiro, o Banco C vai ficar

[00:20:40] com mais um dinheiro, então no final do dia os bancos precisam fazer a contabilização

[00:20:45] dos valores, do que que foi depositado, do que foi sacado, do que o banco investiu, do

[00:20:50] que que o banco tem em títulos públicos e assim sucessivamente.

[00:20:54] Então o banco, ele tem uma liquidez, liquidez é um dinheiro não investido, é um dinheiro

[00:20:59] em circulação, dinheiro livre, certo?

[00:21:01] Então o Banco Central, ele é o responsável por controlar essa quantidade de dinheiro livre

[00:21:07] dos bancos e a quantidade de dinheiro em circulação nossa, certo?

[00:21:11] E como ele faz isso, né, Gisele?

[00:21:13] Ele tem algumas ferramentas, ele pode aumentar o compulsório bancário, nossa, que esquisito,

[00:21:21] olha, o que que é o compulsório bancário?

[00:21:24] Compulsório bancário é quanto o Banco Central obriga cada um dos bancos a ter em caixa,

[00:21:31] por exemplo, o banco tem o meu e o seu salário depositado lá, mas com o meu e o seu salário

[00:21:37] ele fez uma série de investimentos e empréstimos.

[00:21:41] Se nós duas representássemos toda a população e nós duas fôssemos tirar o nosso dinheiro

[00:21:46] do banco, o banco quebrava, certo?

[00:21:48] Então veja só, se o meu raciocínio for incompreensível, o quanto é benéfico para a estrutura do sistema

[00:21:54] financeiro, hoje a gente não anda com dinheiro manual.

[00:21:57] A gente consaca nosso salário.

[00:21:58] Até porque essa questão da liquidez, eu entendi muito ano passado, eu fiz uma consultoria

[00:22:03] financeira, né, porque eu sou uma pessoa bem perdulária, assim, e fui entender como

[00:22:06] é que funciona e tal, e foi muito legal, assim, e liquidez é isso.

[00:22:10] Tipo, não importa se você tem um apartamento, liquidez é, eu preciso do dinheiro hoje.

[00:22:14] Preciso desse dinheiro agora, né, tipo, aconteceu uma merda, eu preciso desse dinheiro.

[00:22:17] Ah, você não vai vender um apartamento, né, tem que fazer toda a documentação.

[00:22:22] Então, você tem esse dinheiro, mas não é o dinheiro que está na sua mão, né?

[00:22:25] Sim, exato.

[00:22:26] Hoje eu tenho o meu dinheiro em depósito no banco, porque eu tenho o débito, tenho

[00:22:30] milhares de formas para pagar, posso apresentar, colocar meu dedo, posso colocar, aproximar

[00:22:36] o cartão.

[00:22:37] Eu não preciso mais sacar.

[00:22:38] Se eu não preciso sacar, o banco tem esse dinheiro muito mais disponível do que tinha,

[00:22:43] por exemplo, há 20 anos atrás, gente.

[00:22:46] Então, assim, só para ver se eu entendi mesmo, o Banco Central faz esse papel de dizer

[00:22:50] para o banco assim, ó, você tem o salário da Ana e da Gisele, você investiu, mas e

[00:22:55] se elas quiserem esse dinheiro agora?

[00:22:57] Então, assim…

[00:22:58] Não, o Banco Central, ele não faz exatamente isso, Gigi, ele tem que dizer para os bancos

[00:23:03] que o salário da Gisele e da Ana, ele vai ficar com 20%, ele vai ter que ficar com

[00:23:08] 20% no caixa.

[00:23:09] É como se fosse, eu vou falar um nome que é bem vocabulário financeiro, um red, é

[00:23:14] uma proteção.

[00:23:15] É uma proteção do Banco Central, que é o fiador do sistema financeiro, o sistema

[00:23:20] monetário nacional, digamos assim, ele é um instrumento, né, que o fiador mesmo é

[00:23:24] o Estado, mas é assim, ó, você vai ficar com pelo menos 20% de todos os seus depósitos

[00:23:30] à vista.

[00:23:31] Já teve outras citações em outros lugares do mundo que os países estavam com menos

[00:23:35] de 5%, né, tipo, jogando liquidez em circulação, né, você vê como isso oscila de situação

[00:23:42] e de país em país.

[00:23:44] Então assim, para controlar a liquidez do sistema financeiro, e você deu um ótimo

[00:23:49] exemplo, né, se você tem o seu dinheiro parado em um investimento, se você é um

[00:23:54] banco, ou se você é uma empresa e você tem muito dinheiro investido numa obra, numa

[00:23:59] infraestrutura, numa indústria, no que for, você não tem a liquidez desse dinheiro,

[00:24:04] né, Gigi?

[00:24:05] Ele não está líquido para você, mas ele está líquido se você deixar ele lá parado

[00:24:09] no investimento, não está?

[00:24:10] Ele está rendendo, às vezes até mais do que numa obra ou numa indústria.

[00:24:14] Então o que acontece?

[00:24:15] Por causa dessa duplicidade da moeda, ou seja, ela circula em lugares diferentes, o Banco

[00:24:21] Central, ele tenta com compulsório reduzir a quantidade de dinheiro que o banco deixa

[00:24:26] em circulação e ele usa operações compromissadas, que agora a gente tem também chamado por

[00:24:32] depósitos voluntários, mas isso é outra história.

[00:24:34] Então veja bem.

[00:24:36] A primeira palavra, a primeira termo.

[00:24:39] Operações compromissadas.

[00:24:42] O que é isso?

[00:24:43] O que é isso?

[00:24:44] São títulos.

[00:24:46] O Banco Central, hoje em dia, ele não emite mais título do tesouro.

[00:24:50] Eu sei que está muita informação.

[00:24:52] Não, eu estou um pouco mais ligada no tesouro, porque estou aí nessa pesquisa para investir

[00:24:57] e tal, mas assim, eu sei que o Banco Central não emite mais título.

[00:25:00] Exato, exatamente.

[00:25:02] Mas quem emite esses títulos?

[00:25:04] Os títulos são sempre únicas e exclusivamente emitidos pelo Tesouro Nacional.

[00:25:09] Só que até 1999, 2000 e pouco, o Banco Central emitia títulos do tesouro e isso foi corrigido.

[00:25:16] Da uma festa da fruta.

[00:25:17] Então o que o tesouro faz?

[00:25:19] Ele emite títulos para o Banco Central utilizar, tá bom?

[00:25:24] Então o que raios são operações compromissadas?

[00:25:26] São títulos com compromisso de recompra.

[00:25:30] Fechamos os olhinhos.

[00:25:31] O Banco Central usa títulos do tesouro, títulos ordinários, com responsabilidade, com direito

[00:25:37] de recompra.

[00:25:38] Então se ele vender, ele tem que recomprar.

[00:25:41] Então vamos lá.

[00:25:42] Se a liquidez fosse um aquário cheio d’água e o Banco Central precisa enxugar a liquidez

[00:25:46] da base financeira, a encirculação financeira, é como se ele pegasse uma esponja e sugasse

[00:25:52] essa água e jogasse fora, certo?

[00:25:54] O problema é que esse exemplo não nos funciona.

[00:25:56] Primeiro que ele não joga fora essa água que ele joga depois.

[00:26:00] A água vai para despesa depois, mas tudo bem.

[00:26:03] Esse título, ele enxuga a água da circulação financeira dos bancos.

[00:26:08] E como é que ele faz isso?

[00:26:09] Bom, a senhora é o Bamerindus, certo?

[00:26:11] Vamos falar de bancos pré-históricos.

[00:26:14] O Bamerindus tem uma quantidade muito grande de liquidez e o Banco Central precisa enxugar

[00:26:19] a liquidez, porque ele precisa controlar a inflação.

[00:26:22] Então ele vai comprar o seu dinheiro para você tirar ele de circulação, Gigi.

[00:26:28] Ele vai fazer isso como?

[00:26:30] Ele vai vender um título público para você que ele vai te garantir que ele vai recomprar

[00:26:35] mais tarde.

[00:26:36] Ele troca o dinheiro por um título que ele garante que vai comprar depois para você,

[00:26:40] de você.

[00:26:41] Eu sei que é uma loucura.

[00:26:42] Eu sei que é uma coisa completamente paranoica.

[00:26:45] Não, mas ficou super claro, ficou super claro.

[00:26:47] Então operações compromissadas são operações com compromisso de recompra.

[00:26:51] Então para o Bamerindus não ter mais liquidação, liquidez em circulação, o Banco Central

[00:26:57] vai lá e troca a liquidez, os papéis, digamos assim, para ficar mais claro, mais fácil

[00:27:03] de compreensão, por títulos, títulos remunerados pela Selic.

[00:27:08] Gigi, se a gente está até aqui entendendo, é um baita negócio, hein?

[00:27:12] Só quero dar um parênteses aqui.

[00:27:13] Eu quero dizer para o ouvinte da Anticast que, por favor, ele colabore com a Anticast,

[00:27:18] porque, ó, são 8 e 14, duma sexta-feira, véspera de carnaval.

[00:27:22] Eu estou aqui se fosse um meme, tipo, era a minha cabeça fervendo, mas eu entendi até

[00:27:27] aqui.

[00:27:28] Não, estamos arrumando tempo da Ana Paula, que está com toda a boa vontade de explicar

[00:27:33] de um jeito super compreensão, porque, gente, economia é uma coisa muito difícil.

[00:27:37] Mas tá, não.

[00:27:38] Eu entendi até aqui.

[00:27:39] Ok, já entendi.

[00:27:40] Colabore com a Anticast, colabore porque ninguém trabalha de graça, ninguém trabalha

[00:27:44] de graça.

[00:27:45] Por favor, seja patrão aqui dessa bagaça.

[00:27:46] Exatamente.

[00:27:47] Mas continuemos.

[00:27:48] Então assim…

[00:27:49] Esses títulos são regidos pela Selic.

[00:27:50] Sim, ele paga pela Selic, certo?

[00:27:53] Mas, Ana Paula, você pode depois vender esse título que o Banco Central te vendeu, porque

[00:27:58] veja, o ouvinte tem que fechar os olhos, pôr a mão na frente do rosto e falar, meu

[00:28:03] Deus, que porra ela está falando, entendeu?

[00:28:06] O mercado financeiro ou as instituições financeiras, a gente tem o mercado primário

[00:28:12] e o mercado secundário.

[00:28:13] O mercado primário é banco, banco central, bancos comerciais, banco central e alguns

[00:28:18] bancos de investimento, fundos também.

[00:28:20] O mercado secundário é o big hub, é o bichão.

[00:28:23] Todas as operações do mercado secundário ou mercado sombra são lastreadas nesse mercado

[00:28:29] primário.

[00:28:30] Então, quando o banco central compra a sua liquidez e te dá um título que te garante

[00:28:35] que ele vai comprar, eu, por minha vez, eu revendo ele lá para o terceiro.

[00:28:39] Posso revender?

[00:28:40] Claro que posso.

[00:28:41] É meu, é meu.

[00:28:42] E aí o mercado secundário é que dá o preço.

[00:28:46] A questão é, a garantia que a gente tem é que esse título que o banco central emitiu,

[00:28:51] ele vai comprar de volta pela Selic.

[00:28:53] Então a gente chama isso de uma operação de overnighting.

[00:28:56] Overnighting para os jovens é uma operação que se dá a noite inteira e ela é corrigida.

[00:29:01] E aconteceu muito nos anos 80, também ligado a um fenômeno sempre ligado à inflação.

[00:29:06] Então, Gigi, se o ouvinte ainda estiver conosco e não estiver chorando, já deu para entender

[00:29:11] que o simples ato de manter a liquidez no nosso país é muita grana.

[00:29:18] O simples fato de ficar parado, se você for um banco, te remunera pela Selic, Gigi.

[00:29:23] O Banco Central, ele é responsável por praticar a política monetária.

[00:29:29] Quem desigina a política monetária é o Comitê Monetário Nacional e o COPOM.

[00:29:35] O COPOM é o Comitê de Política Monetária.

[00:29:38] Então o Banco Central é o que põe a mão para funcionar.

[00:29:40] Todas essas estruturas que eu citei, BC, Banco Central, COPOM, CMN, que é o Conselho Monetário Nacional,

[00:29:47] eles estão… Você faz um guarda-chuva e o guarda-chuva é o plano real, eles estão embaixo.

[00:29:53] Então eles funcionam conforme o plano real entende que você primeiro identifica a inflação

[00:29:58] como uma inflação que você tem que controlar sempre a liquidez.

[00:30:02] Você tem que sempre controlar a liquidez.

[00:30:03] Como se a nossa inflação fosse uma decorrência, ela existisse, porque as pessoas consomem demais.

[00:30:09] E eu já expliquei aqui com essa coisa exótica que acontece que os bancos não precisam consumir demais.

[00:30:16] Eles simplesmente podem ficar parados, Gigi.

[00:30:18] Eles não precisam fazer nada.

[00:30:19] E é muita grana que eles ganham com isso, Gigi.

[00:30:22] E em cima do nosso dinheiro que não está ganhando na mesma proporção, né?

[00:30:25] Nunca, nunca é na mesma proporção.

[00:30:28] No ano de 2020, essa posição do Banco Central, a quantidade de operações compromissadas

[00:30:34] emitidas pelo Banco Central no ano de 2020 foi 18% da nossa dívida bruta geral do PIB,

[00:30:40] o que equivale a mais ou menos R 300 bilhões.

[00:30:45] Meu Deus do céu.

[00:30:46] O PIB brasileiro em 2019 de R$ 7 trilhões.

[00:30:51] Então é uma quantidade, mas a gente já vai chegar lá, é uma quantidade…

[00:30:55] Veja, existe uma miopia, certo?

[00:30:58] A inflação não é decorrente dos gastos do consumo ordinário.

[00:31:03] Onde eu quero chegar é que a inflação é induzida pelo próprio sistema financeiro.

[00:31:07] Porque ele se beneficia disso.

[00:31:09] Perfeitamente.

[00:31:10] Então, e assim, ai meu Deus do céu, mas como é que resolve isso?

[00:31:14] Isso é o horus borus brasileiro.

[00:31:16] A serpente enfiou a boca no rabo.

[00:31:18] Então assim, o plano real identifica a inflação desse jeito.

[00:31:21] Nós vivemos sobre o sistema de regime de métodos da inflação.

[00:31:25] O regime de métodos da inflação funciona aqui, nos Estados Unidos, no Japão, na Alemanha, na França.

[00:31:29] O problema é que nós não somos esses países que têm juros negativos.

[00:31:34] Nossos juros são historicamente muito altos.

[00:31:36] Então o benefício que o sistema financeiro não é só ao brasileiro, o sistema financeiro é internacional.

[00:31:41] Retira do Brasil, ó, é muito alto.

[00:31:43] Então eles são toda a liquidez do mercado internacional para aqui.

[00:31:48] Como? Não entendi.

[00:31:50] Explica essa parte de novo.

[00:31:51] Não é só o Bamerindos que faz essa operação, Gigi.

[00:31:55] Se os Estados Unidos, a França, o Japão, a Alemanha, a Inglaterra operam num regime de métodos da inflação,

[00:32:01] que é esse regime onde existe uma meta prévia e o Banco Central corre atrás,

[00:32:05] só que esses países têm taxas de juros negativas, a liquidez do mercado financeiro é livre, né?

[00:32:13] O mercado financeiro é aberto.

[00:32:14] Essa é a ideia neoliberal, não é?

[00:32:16] Que os mercados sejam livres para que o mercado financeiro encontre o melhor lugar para investir.

[00:32:21] Nós somos o melhor lugar para investir.

[00:32:23] A simples possibilidade de você ficar parado e recebendo uma taxa real de juros alta, de mais de 5%,

[00:32:31] é muita grana, Gigi.

[00:32:32] Você fica parado e esses títulos são remunerados pelo Estado, não tem risco nenhum.

[00:32:37] Aí o nosso ouvinte que já está entendendo um pouco mais, entendeu que, bom,

[00:32:41] mas qual vantagem Maria leva de ser uma grana que circula no mercado financeiro internacional

[00:32:47] ser remunerado em reais que estão tão desvalorizados?

[00:32:50] O que eu faço, né?

[00:32:51] Tipo, em dólares o nosso PIB é 1 trilhão, em reais o nosso PIB é 7 trilhões.

[00:32:56] Veja o tamanho do descolamento da nossa moeda.

[00:32:59] Então aí existe a segunda parte.

[00:33:01] Esse dinheiro valorizado pelo próprio Estado, ele vai se influir no mercado de terras,

[00:33:08] ele vai se influir em todo lugar que ele puder fazer uma exportação.

[00:33:12] Porque aí, por exemplo, com uma exportação de commodities, com a amplificação do preço da terra,

[00:33:17] com a amplificação, por exemplo, de terras griladas,

[00:33:20] ele vai lá e joga esse dinheiro para fora através de exportação e recebe em dólar.

[00:33:25] É um sistema, é uma engrenagem intrincada.

[00:33:29] E ainda assim vende mais barato, né?

[00:33:31] Pela desvalorização da moeda, enfim.

[00:33:33] E ganha em dobro, e ganha três vezes mais, né?

[00:33:38] Onde a gente precisa, né, que a gente está falando do Banco Central.

[00:33:41] Então o Banco Central é o ator que põe em prática a política monetária.

[00:33:45] Então a gente entendeu que ele tem o compulsório bancário,

[00:33:50] tem as operações compromissadas, e eu coloco que ele tem a taxa de juros, certo?

[00:33:54] Porque é ele que vai falar, bom, a taxa de juros precisa ser,

[00:33:58] ele vai entender que a taxa de juros precisa ser regulada para controlar a inflação.

[00:34:03] Então onde a gente precisa entender o que que tem, ou quando a gente fala, né?

[00:34:09] Porque o motivo para a gente estar aqui é a independência do Banco Central.

[00:34:14] O que que é essa porra aí?

[00:34:15] A independência do Banco Central é um, veja, desde o Fernando Henrique,

[00:34:19] que a gente entrou nessa carruagem, ela vem sendo debatida.

[00:34:22] Não, não é um assunto novo, pelo que eu pesquisei,

[00:34:25] tipo, realmente são aí uns 30 anos se debatendo,

[00:34:28] e eu quase morri quando eu vi que, tipo, meu Deus, é 30 anos que a gente está nessa.

[00:34:32] Há 30 anos, assim, briga de foice no escuro.

[00:34:36] Então, como eu falei no começo, é um governo ultraliberal, certo?

[00:34:40] É reforma atrás de reforma, isso aqui é uma máquina de fazer linguiça.

[00:34:44] É privatização, é reforma, tudo isso porque ele prevê que vá garantir mais estabilidade,

[00:34:50] previsibilidade para os mercados internacionais.

[00:34:53] Então, quando eu garanto para o, quando eu sinalizo para o mercado internacional

[00:34:58] que o meu Banco Central, o presidente do Banco Central,

[00:35:01] não vai poder ser modificado pelo presidente eleito do Executivo Brasileiro,

[00:35:06] até os três primeiros anos do mandato de qualquer presidente,

[00:35:09] eu estou dizendo que todo presidente brasileiro que quiser ter uma outra forma

[00:35:14] de reivindicar a economia brasileira não vai conseguir por três anos de mandato.

[00:35:20] Esse é o primeiro ponto. Se não, sim, com certeza.

[00:35:23] Eu acho até anti-democrático, né?

[00:35:25] Porque, enfim, se você tem um governo eleito pela maioria

[00:35:30] e ele não vai poder influir na economia, que é, tipo, talvez…

[00:35:34] A nossa economia, o eixo da nossa política econômica é a política humanitária,

[00:35:39] é o tal do tripé macroeconômico.

[00:35:42] A única coisa que importa é o cacete do tripé macroeconômico para a nossa economia,

[00:35:47] não que é a única coisa que importa,

[00:35:49] é a única coisa que importa para quem administra a economia.

[00:35:53] É como se a economia fosse só um Playmobil,

[00:35:56] que você puxa para cá, puxa para lá, funciona daqui, você descola de lá.

[00:36:00] Então, a nossa economia ficou extremamente…

[00:36:04] Como eu posso dizer, ela se tornou extremamente tecnicista,

[00:36:07] mas é um tecnicismo que produz o que procor, certo?

[00:36:11] Ele é miúpe, que, primeiro, a própria gestão monetária do plano real

[00:36:15] produz gasto fiscal.

[00:36:17] Porque lembra que eu falei da esponja que você põe no aquário e joga água,

[00:36:21] só que essa água não vai para o ralo.

[00:36:23] Essa água vira gasto fiscal.

[00:36:25] E, como eu disse, pelo menos 18% do PIB…

[00:36:28] Sim, porque você tem que comprar liquidez garantindo títulos.

[00:36:32] Então, o governo empenha o dinheiro dele nisso, nesse controle.

[00:36:36] Exato. A gente poderia abrir uma porta aqui e falar do debate da galera da MMT.

[00:36:42] Não, melhor não.

[00:36:43] Pelo amor de Deus. Hoje não.

[00:36:45] Eu tomo esforço muito.

[00:36:47] Hoje não. Onde eu quero chegar é que,

[00:36:49] mesmo que a gente levasse o debate deles em aplicação,

[00:36:53] porque eu não trabalho com o debate deles,

[00:36:55] na parte contável, na parte escriturária,

[00:36:58] o dinheiro é gasto.

[00:36:59] No final do dia, toda e qualquer instituição que tiver uma operação

[00:37:03] compromissada no seu saldo vai ser remunerado por juros.

[00:37:08] E esses juros não é uma ficção.

[00:37:10] Esses juros vão fazer parte do gasto fiscal.

[00:37:13] E tudo no Brasil é gasto fiscal.

[00:37:16] E, quando eu falo assim, é porque nós temos de responsabilidade fiscal.

[00:37:20] Nós temos desenculação de rendas da União.

[00:37:23] Nós temos um teto de 20 anos sem atualização de investimentos.

[00:37:27] É tudo para constranger a capacidade fiscal do Estado,

[00:37:31] para garantir para quem tem os títulos públicos brasileiros,

[00:37:35] tudo que for produzido nesse lugar

[00:37:37] vai ser garantido para ser pago para remunerar esses títulos.

[00:37:41] Então, a política monetária do nosso país,

[00:37:43] ela submete a política fiscal.

[00:37:45] Eu sei que eu falei chinês agora, falei uma língua estranha.

[00:37:48] Eu superentendi.

[00:37:49] O nosso compromisso não é com o povo.

[00:37:51] O nosso compromisso é em pagar os bancos e manter isso.

[00:37:54] E a gente gasta um dinheiro imenso nisso.

[00:37:56] Resumindo, assim, o cambate filho da puta, é isso?

[00:37:59] Não é só os bancos, tá?

[00:38:01] Então, é toda e qualquer instituição financeira que tiver…

[00:38:06] Veja, porque o interesse sempre é que não tenha…

[00:38:09] Porque o tesouro continua vendendo títulos públicos.

[00:38:12] O Banco Central, ele se utiliza dos títulos públicos

[00:38:15] para fazer política monetária.

[00:38:17] Então, assim, toda a nossa economia,

[00:38:20] onde o desenho importante, o guarda-chuva,

[00:38:25] o que segura o guarda-chuva da nossa economia

[00:38:27] é ela mesma garantir sempre remuneração

[00:38:32] e a entrada de capital estrangeiro, certo?

[00:38:35] E ela faz isso remunerando, garantindo uma inflação estável,

[00:38:39] porque isso é importante para a competitividade internacional.

[00:38:43] Ela faz isso literalmente abaixando a cueca, entendeu?

[00:38:47] Ela literalmente está mostrando os fundilhos,

[00:38:50] porque não bastou o teto de gastos, né?

[00:38:53] Agora, ela quer ir mais longe e ela sempre vai mais longe.

[00:38:57] Enquanto o Brasil não se transformar num grande curral,

[00:39:00] isso daqui não vai acabar, né?

[00:39:02] Porque a ideia de você garantir o que é essa nova autonomia do Banco Central.

[00:39:07] Quando eu sou eleita presidente, eu mudo o presidente do Banco Central.

[00:39:12] Também faço várias coisas.

[00:39:13] Agora não.

[00:39:14] Eu vou ter que esperar três anos de um mandato de quatro

[00:39:17] para poder modificar, certo?

[00:39:18] Aí de você, se não tiver muito bem da cabeça,

[00:39:22] se você tiver com uma quantidade de pessoas pequena te apoiando,

[00:39:28] não é mesmo?

[00:39:28] Aí de você, se tiver uma outra ideia de política monetária,

[00:39:33] coisa que o PT não fez, continuou conduzindo,

[00:39:37] o plano de metas da inflação do jeitinho que é,

[00:39:39] o regime de metas da inflação do jeitinho que é.

[00:39:41] Mas vai que você tenha alguma ideia diferente para a condução do BC

[00:39:46] e você queira colocar um presidente que esteja mais ligado às suas ideias.

[00:39:51] Não vai conseguir.

[00:39:52] O Banco Central, ele fica independente da política do Executivo,

[00:39:56] mas ele não fica independente do mercado financeiro.

[00:39:59] O Banco Central, essa medida não autonomiza ele do mercado financeiro.

[00:40:06] Eu estou interessada em autonomia do Banco Central do mercado financeiro.

[00:40:10] Eu quero que o Banco Central seja autônomo do mercado financeiro,

[00:40:13] não que ele seja autônomo de uma política que foi eleita presidente, né?

[00:40:18] Essa é uma das mudanças na independência do Banco Central,

[00:40:22] ou seja, o presidente não vai ter interferência, né?

[00:40:25] Tipo, quem chegou é isso que está aí.

[00:40:27] Se eu quiser continuar na mesma política, se eu quiser mudar alguma coisa, não vai rolar.

[00:40:31] O que mudaria mais?

[00:40:32] O que vai mudar, né?

[00:40:33] Porque eles vão aprovar a PL19, né? Não adianta.

[00:40:36] A gente não vai conseguir isso.

[00:40:38] Quando a gente diz que…

[00:40:40] Eu estava assistindo o Jornal da Globo, do Globo News, esse dia, e a jornal…

[00:40:46] Os jornais compraram completamente, né?

[00:40:48] Não.

[00:40:49] Assim, que vai ajudar porque o dinheiro vai ficar, né?

[00:40:52] Que o âncora perguntava para a analista de economia

[00:40:55] o que que ia ser bom para o brasileiro, né?

[00:40:59] Porque lembraram que são pessoas que assistem.

[00:41:01] Ah, o dinheiro… Vai ajudar o dinheiro a ficar mais barato.

[00:41:04] Não vai.

[00:41:04] Aí eu comecei a twittar, que é uma mentira, que é uma mentira.

[00:41:07] Não existe nenhuma correlação entre dinheiro caro e dinheiro mais barato

[00:41:12] à independência do Banco Central.

[00:41:14] Porque a manutenção da taxa de juros real alta no Brasil

[00:41:17] não tem nada a ver com a estabilidade ou a independência do Banco Central.

[00:41:21] Tem a ver com o nosso modelo de gestão da inflação,

[00:41:24] que o Banco Central faz parte.

[00:41:26] Se a nossa inflação é controlada sempre a juros altos,

[00:41:29] não é porque o Banco Central não transmite ao mercado segurança e estabilidade.

[00:41:34] É porque a nossa economia é desenhada para atrair capitais com juros altos.

[00:41:40] Ela é desenhada… Eu vou mais longe.

[00:41:42] Às vezes aparece alguém me perguntando quando o país vai voltar a crescer.

[00:41:46] Não é o propósito da nossa política econômica.

[00:41:49] O nosso propósito não é ter uma economia punjante de crescimento econômico

[00:41:54] com criação de empregos.

[00:41:55] O propósito, o desenho do plano real, como ele é gerido hoje

[00:42:00] e o objetivo dele é baratear custo de mão de obra,

[00:42:03] é tornar você o Uber da sua categoria, certo?

[00:42:07] Lembrando que há 10 anos atrás a gente via a gente fazendo o troço

[00:42:11] do salário do chinês, 100 dólares mensais.

[00:42:15] Nós já recebemos menos do que um chinês.

[00:42:17] Nós já recebemos menos do que 100 dólares mensais

[00:42:20] o trabalhador brasileiro.

[00:42:21] Então é mão de obra barata, certo?

[00:42:24] Mercado aberto para investimento externo,

[00:42:26] terceirização de todos os ramos,

[00:42:29] ampliação da desindustrialização e agroexportação.

[00:42:33] Vender a Amazônia para plantar soja.

[00:42:35] Esse é o sentido da nossa economia.

[00:42:38] Então se um presidente entender que a coisa não deve andar tão nesse sentido,

[00:42:43] eu falei tão, não em outro sentido, ele já vai ser prejudicado.

[00:42:47] Se ele entender que o Banco Central, ele, por exemplo,

[00:42:51] precisa conduzir a inflação a partir de outra política de controle inflacionário,

[00:42:56] primeiro que ele vai ter que fazer com que o brasileiro entenda

[00:43:00] que você não precisa ganhar só no executivo,

[00:43:02] você tem que ganhar no legislativo também, brasileirinho.

[00:43:05] Você tem que votar também no candidato do legislativo do seu presidente.

[00:43:08] Ele vai ter que fazer uma mudança brutal na forma de gestão da nossa economia.

[00:43:13] Nossa economia é um encaixe.

[00:43:15] Ela é feita como plataforma de valorização.

[00:43:18] Ah, mas a Ana é muito heterodoxa.

[00:43:20] Olha, eu sou mais do que heterodoxa,

[00:43:22] mas eu entendo muito bem do que o assunto ortodoxo.

[00:43:26] O raciocínio do plano real,

[00:43:28] ele é feito para que o brasileiro, o nós,

[00:43:31] tenhamos um baixíssimo poder de compra,

[00:43:33] porque quanto menor for o nosso poder de compra,

[00:43:36] mais controlado a inflação.

[00:43:37] Só que não é aí que a nossa inflação nasce.

[00:43:40] A nossa inflação nasce sempre desde especulação financeira,

[00:43:43] isso desde os primórdios do plano real.

[00:43:45] Então, por causa dessa duplicidade da moeda,

[00:43:48] dessa moeda que circula materialmente entre nós,

[00:43:53] mas circula também na esfera financeira,

[00:43:56] o plano real não é capaz,

[00:43:59] alguns autores falam que ele é mais do que incapaz,

[00:44:01] ele não é feito para.

[00:44:03] Ele erra no monero sistematicamente,

[00:44:06] porque ao mesmo tempo,

[00:44:07] o Brasil não é feito para receber investimentos de longo prazo,

[00:44:11] ele não propicia investimentos que saiam da esfera financeira

[00:44:15] e venham para investimentos de longo prazo.

[00:44:17] Então, é uma bolha que vai se constituindo

[00:44:19] a de infinito no sistema financeiro brasileiro.

[00:44:22] Então, o Banco Central,

[00:44:23] ele fica só realimentando,

[00:44:25] retroalimentando o sistema financeiro,

[00:44:27] tentando controlar uma inflação que não nasce do consumo,

[00:44:31] mas como se nascesse.

[00:44:32] E aí, ele fica sempre aumentando a taxa de juros.

[00:44:35] É só essa mudança que significa a independência do Banco Central?

[00:44:39] Só da figura da interferência do executivo

[00:44:42] ou essa independência do executivo?

[00:44:45] Eu entendo que parece a pouco, mas ela é muito.

[00:44:48] Não, mas eu não acho, com tudo que você falou.

[00:44:52] E aí, eu queria saber,

[00:44:53] quais países têm esse modelo independente?

[00:44:56] Onde isso funciona?

[00:44:58] Esse é um argumento.

[00:44:59] O principal país que todo mundo fala,

[00:45:03] mas ninguém pode copiar os Estados Unidos.

[00:45:06] Ninguém pode copiar nada dos Estados Unidos, nada.

[00:45:09] Porque os Estados Unidos não pode,

[00:45:10] ele não se preocupa nem com a sua dívida interna,

[00:45:13] nem com a sua dívida externa.

[00:45:14] Ninguém pode fazer isso,

[00:45:16] a Alemanha não pode fazer isso,

[00:45:17] a Inglaterra, o Brasil, a China, a Moldávia não pode fazer isso,

[00:45:23] porque os Estados Unidos emite a moeda de lastro internacional.

[00:45:26] Então, eles estão sempre em déficit interno e externo.

[00:45:29] Então, a condução que o FED dá para a crise de 2008…

[00:45:33] O que é FED?

[00:45:35] O FED é o Banco Central Norte-Americano.

[00:45:37] Então, a condução econômica que o FED deu,

[00:45:41] veja, é muito interessante isso dizer.

[00:45:43] Em 2008, o FED, ele resgatou, vou usar a palavra resgatou,

[00:45:48] várias instituições financeiras,

[00:45:50] sem necessariamente passar pela aprovação

[00:45:54] das câmaras legislativas norte-americanas, certo?

[00:45:57] Então, ele fez isso comprando títulos podres,

[00:46:01] injetando títulos públicos, de uma forma…

[00:46:04] Um título podre seria uma empresa…

[00:46:07] Nico, caducou na sua mão.

[00:46:09] Ah, tá.

[00:46:10] Caducou na sua mão.

[00:46:11] A pessoa que comprou algo seu não vai te pagar.

[00:46:15] Então, para injetar liquidez

[00:46:17] no sistema financeiro norte-americano e internacional,

[00:46:21] o FED foi lá e comprou esses títulos micados.

[00:46:24] Me dá esse título que nunca vai sair remunerado,

[00:46:26] porque eu te dou dinheiro.

[00:46:27] E fez isso, e ainda colocou liquidez no sistema financeiro

[00:46:31] para essas empresas específicas, com o intuito divulgado

[00:46:35] de que elas voltassem a aquecer a economia,

[00:46:38] voltassem a emprestar dinheiro.

[00:46:39] Isso não aconteceu, Gigi.

[00:46:40] Esse dinheiro veio em grande parte para cá, tá?

[00:46:44] Aquilo que a Dilma chamou de tsunami financeira.

[00:46:47] Então, a Alemanha fez, todo mundo fez esse…

[00:46:50] Todo esse dinheiro que os bancos centrais tentaram injetar

[00:46:54] nos seus mercados financeiros, vieram para cá.

[00:46:56] Por quê? Porque a gente paga juros bastante altos.

[00:47:00] Só que, se você pegar qualquer gráfico

[00:47:02] da dívida pública interna na norte-americana,

[00:47:05] a quantidade de dívida do tesouro norte-americano

[00:47:08] com hipotecas, com esses títulos micados que elas compraram,

[00:47:12] que o tesouro norte-americano comprou,

[00:47:14] ou melhor, o FED fez o tesouro ficar,

[00:47:16] ele só aumenta cada ano que passa,

[00:47:19] porque ele nunca vai ser pago.

[00:47:20] Só que agora faz parte da dívida de todo o norte-americano.

[00:47:23] Então, é socialização das perdas, certo?

[00:47:26] Privatização dos lucros, lá e aqui.

[00:47:29] Então, o passivo norte-americano é gigantesco, certo?

[00:47:32] O passivo norte-americano é gigantesco.

[00:47:35] Mas isso não faz com que as pessoas deixem de acreditar

[00:47:39] ou que o dólar seja substituído pelo Ui Wan, por exemplo.

[00:47:43] Todas as transações econômicas são feitas em dólar.

[00:47:47] Então, pouco importa para a economia internacional

[00:47:50] se a dívida pública norte-americana ultrapassa o PIB dos caras.

[00:47:53] Mas isso não é verdade para a gente, certo?

[00:47:56] Então, a condução que o FED deu para a crise de 2008

[00:48:00] é um ótimo exemplo para a gente ter uma ideia

[00:48:03] de como é descolada a ação de quando o seu gestor,

[00:48:08] que o Banco Central, ele é o gestor da política monetária.

[00:48:12] E eu sei que política monetária parece algo distante,

[00:48:16] mas política monetária é taxa de juros, gente.

[00:48:18] O Banco Central, ele é o cara que vai fazer a prática

[00:48:22] da política monetária.

[00:48:24] E aí, se você autonomiza isso,

[00:48:27] você pode pôr o próprio Diego Evara na presidência do Brasil,

[00:48:31] que não vai acontecer nada, entendeu?

[00:48:34] Você pode, eu acho que é uma ótima…

[00:48:37] Você pode voltar na vera do PCO, do PSTU,

[00:48:41] agora me confundi, a vera, e não vai acontecer nada.

[00:48:44] Porque você não vai ter como,

[00:48:46] através de uma política do Executivo,

[00:48:48] se o Banco Central for ainda mais, e esse é o caminho,

[00:48:51] independente, você pode colocar o Papai Noel ali,

[00:48:55] que nada vai acontecer, porque a gestão monetária da economia

[00:48:58] é a gestão da taxa de juros, da taxa de câmbio.

[00:49:01] Ou seja, estamos fodidos da inflação.

[00:49:04] Você acha que vai passar?

[00:49:05] Não.

[00:49:06] Você não acha que vai passar no Senado?

[00:49:07] Não, não, vai passar.

[00:49:08] Vai passar isso e vai passar mais coisa.

[00:49:10] Assim, a gente está num momento de desmonte, né?

[00:49:13] De, vamos lá, vamos vender o que tem.

[00:49:15] Que fique claro, e assim, às vezes,

[00:49:18] quando a gente usa a palavra desmonte,

[00:49:20] que parece que a gente vai ter alguma coisa montada depois.

[00:49:22] Então, o que tiver montado é ingovernável, né?

[00:49:26] Fique ingovernável.

[00:49:28] Porque, se você entendeu que você pode votar no Tiago Evarão,

[00:49:31] e nada vai acontecer, que a política monetária,

[00:49:34] que é a política da inflação, juros e câmbio,

[00:49:36] vai continuar sendo administrada.

[00:49:37] Isso, hipoteticamente, o Banco Central

[00:49:39] ficando cada vez mais autônomo, né?

[00:49:41] Por um corpo administrativo, tecnocrático,

[00:49:44] que ele é independente.

[00:49:45] Ele pode votar.

[00:49:47] Você torna o Banco Central independente do executivo,

[00:49:50] mas não do mercado financeiro?

[00:49:51] Você pode fazer o que você quiser.

[00:49:53] Você pode até, inclusive, votar no Bolsonaro,

[00:49:55] que aí vai ficar lá de espantalho,

[00:49:57] falando um monte de merda o dia inteiro.

[00:49:59] E eles vão fazer, vão passar reforma administrativa,

[00:50:03] fazer estudos para privatização de pós-saúde,

[00:50:06] vão tentar cortar o BCP,

[00:50:08] vão tentar fazer reforma do que você imaginar, né?

[00:50:12] O Supremo agora deu autorização

[00:50:14] para a privatização do Dataprev.

[00:50:17] Você fala, nossa senhora, como assim?

[00:50:19] O Dataprev é a base de dados de todo brasileiro.

[00:50:22] Então, assim, eu acho que a minha função,

[00:50:24] por mais que a gente tente falar de uma coisa muito abstrata e difícil,

[00:50:28] que é o funcionamento do Banco Central,

[00:50:30] é dar nome aos bois,

[00:50:31] que é óbvio e ululante que a gente precisa controlar a inflação do país.

[00:50:36] Porque a inflação é um problema estrutural

[00:50:39] de todo país latino-americano e de todo país pobre,

[00:50:42] mas principalmente do Brasil,

[00:50:43] que não é nem desenvolvido e nem um pouco desenvolvido.

[00:50:46] Nós somos um país rico que não distribui renda nenhuma,

[00:50:49] nós somos um país estruturalmente todo cagado.

[00:50:52] Então, falar de inflação é muito importante para o nosso país.

[00:50:55] E copiar métodos de controle inflacionário de outros países não funciona.

[00:51:00] A forma como os Estados Unidos controlam a economia deles não é modelo para ninguém.

[00:51:06] Tem algum país mais que tem essa independência do Banco Central?

[00:51:10] Algum país que se pareça mais com a gente, mais pobre?

[00:51:13] Você sabe que eu não consegui, por incompetência, por limitação minha mesma.

[00:51:18] O que eu sei é o funcionamento do regime de meta-inflação,

[00:51:21] que ele é quase uma taborraza em todos os lugares.

[00:51:25] E o principal país que tem é o FED, que é o dos Estados Unidos.

[00:51:29] Mas esses países que você citou, tipo Alemanha, França,

[00:51:33] não têm essa independência?

[00:51:34] Eles não têm essa independência como o FED tem.

[00:51:38] Por exemplo, a Merkel é extremamente influente na política alemã como um todo,

[00:51:43] mas eu me sinto um pouco confortável para falar.

[00:51:46] Mas mesmo que se deles fossem, independente, esse é o ponto.

[00:51:50] Não serve para nós.

[00:51:51] O que a Alemanha faz não cabe aqui.

[00:51:54] A Alemanha é um país desenvolvido.

[00:51:56] A gente não está nem atrás nem na frente, a gente está bem no meio.

[00:51:59] Então, a política francesa de estímulo econômico não cabe aqui.

[00:52:04] Assim como a política vietnã mito de estímulo econômico também não cabe aqui.

[00:52:08] Outro dia eu estava falando com um sei-quem e deu o exemplo do Vietnã.

[00:52:12] Então, não funciona aqui.

[00:52:13] Porque a nossa economia é a oitava, décima economia do mundo.

[00:52:17] A do Vietnã não está nem atrás nem em primeiras.

[00:52:20] O que eu acho que o brasileiro não enxerga o próprio país.

[00:52:23] Nós somos uma economia riquíssima que não distribui absolutamente renda.

[00:52:28] E a inflação é um dos mecanismos de mais distorção de renda.

[00:52:34] Então, o plano real é montado para controlar a inflação, para o inglês ver.

[00:52:38] Porque ele faz isso deixando sempre o valor das coisas muito caro para a gente ter acesso.

[00:52:43] Porque os juros são muito caros, os juros são muito altos.

[00:52:47] E ele faz um controle inflacionário que só funciona na cabeça dele.

[00:52:51] Porque ele faz um controle inflacionário direto com o sistema financeiro.

[00:52:54] Então, a inflação é baixa.

[00:52:57] Mas você tem dinheiro para comprar alguma coisa?

[00:52:58] Você não tem emprego, certo?

[00:53:01] Você aceita qualquer emprego?

[00:53:02] Você aceita ser Uber da sua categoria porque você não tem trabalho?

[00:53:06] Ah, mas olha que legal!

[00:53:09] Existem muitas formas de conduzir a economia de um país.

[00:53:12] E essa é a forma mais deletéria.

[00:53:15] Porque nós somos um país que tem umas questões crônicas.

[00:53:18] Nós temos 20 milhões de desempregados, mas aqueles que já não conseguem mais encontrar emprego.

[00:53:25] Isso gira em mais ou menos 40 milhões.

[00:53:28] Aí nós temos mais ou menos 25 milhões de brasileiros que são arrimos de família

[00:53:33] porque eles recebem o BCP e aposentadoria.

[00:53:35] O BCP é prestação de continuado, que é basicamente um salário mínimo

[00:53:40] se você for completamente miserável e chegou aos 60 anos de idade.

[00:53:44] Então vamos lá, 40 milhões mais 25 milhões, certo?

[00:53:47] Então nós temos pelo menos 65 milhões de brasileiros que estão sempre numa situação muito depauperada.

[00:53:58] 25 milhões desses brasileiros são arrimos de família.

[00:54:01] E eu garanto que se desses 40 milhões que estão completamente desassistidos,

[00:54:07] muitos estão impactando ainda mais o orçamento dessa única pessoa aposentada dentro da família.

[00:54:13] A gente está falando de um universo de 65 milhões de brasileiros extremamente debilitado, certo?

[00:54:19] E é essa massa gigante de gente, e nós nos incluímos nisso, que é afetada diretamente por uma condução.

[00:54:27] Econômica da política e da economia brasileira que não tem um horizonte de nos beneficiar com qualidade de emprego,

[00:54:37] com qualidade de salário.

[00:54:38] Por exemplo, faz dois anos que o Bolsonaro não dá aumento real acima do que é permitido.

[00:54:44] Porque o legislativo apresenta o quanto ele pode dar de aumento real.

[00:54:49] Aumento real ou simplesmente a correção pela inflação.

[00:54:53] Ele nem sequer faz isso.

[00:54:54] Então o nosso poder de compra vai diminuindo ano por ano.

[00:54:57] Eu não sei se você tem feito mercado, mas esses dias eu estava deprimida, sim.

[00:55:04] Eu tenho meditado, tenho corrido.

[00:55:07] Então eu tenho tentado muito estar presente e consciente.

[00:55:09] E deu, cara, mas por que eu estou deprimida?

[00:55:11] Cara, eu tinha feito mercado.

[00:55:13] A gente mudou hábitos de consumo e a gente tem uma vida confortável, sabe?

[00:55:18] Óbvio, a gente não está ali no 1%, não está nessa galera.

[00:55:23] Mas a gente tem uma vida muito confortável.

[00:55:25] E teve uma mudança de hábitos de consumo.

[00:55:27] Nada que impacte, nada que…

[00:55:29] Mas assim, cara, tipo, meu Deus, é surreal, é surreal.

[00:55:36] Na letra fria da Constituição, o salário mínimo,

[00:55:39] ele deve garantir o sustento do arrimo da família, a mulher e filhos, dois filhos.

[00:55:45] Então o DIEESI faz a contabilidade regional de cada estado quanto deveria ser.

[00:55:50] O salário mínimo real, que é aquele consolidado na lei,

[00:55:54] aquilo que ele deveria ser, ele gira em torno de quatro a cinco mil reais.

[00:55:58] Então, você brasileiro que recebe mais ou menos nessa faixa,

[00:56:03] você entende, da letra fria para trás, que você é classe média.

[00:56:08] Só que não. Você recebe um salário mínimo, certo?

[00:56:12] A vida confortável que a gente ganha é essa…

[00:56:16] Assim, eu nunca viajei para fora do país, mas o meu companheiro já viajou.

[00:56:19] E ele conta coisas que eu me sinto, assim, quase um hipopótamo.

[00:56:23] É o padrão de vida médio de um cidadão inglês.

[00:56:26] Você fala, nossa, mas esse médio é médio é médio, é alta do brasileiro.

[00:56:30] Não, mas ali é médio é médio, é médio é baixa.

[00:56:32] Então, para a gente entender…

[00:56:34] É o inglês mediano, né?

[00:56:35] É o inglês médio, é o nosso U.

[00:56:38] Então, aqui, todo mundo que recebe menos de cinco mil, na Inglaterra,

[00:56:43] já estaria recebendo, ou na Alemanha, ou na França,

[00:56:46] uma série de bolsa, a bolsa Kinder, e é bolsa até 22 anos,

[00:56:52] e é bolsa para estudar, e é bolsa para comer.

[00:56:55] Nos Estados Unidos, você também tem tickets de alimentação

[00:56:58] para a população mais pobre.

[00:57:01] A gente não tem nada, a gente não tem nada.

[00:57:04] Os caras estão batendo a cabeça para pagar 250 reais de auxílio.

[00:57:09] É, mas venderam ou compraram a eleição do Lira e do cara do Senado

[00:57:13] por três bilhões de reais.

[00:57:15] Você vai dar uma treta tão grande que ele não quer ninguém?

[00:57:17] É que a gente não compra, né? O central a gente aluga, né?

[00:57:20] Sim, não quero só ver.

[00:57:23] Ah, não, agora é dedo no cu e putaria, né, Gigi,

[00:57:27] com o português mais castiço postiço, né?

[00:57:30] Sim, a gente vai se foder, mas ele vai também, né?

[00:57:33] Ele achou que se livrou do inglês, que custo.

[00:57:37] Agora, assim, para as pessoas, que eu sempre dou aula,

[00:57:41] aí os alunos ficam com essa cara que você está, né?

[00:57:44] Muito deprimidos.

[00:57:45] Aí eu falo, então, depressão é a sensação de que não tem nada para fazer,

[00:57:49] né, o que você vai fazer, ou que tudo vai piorar.

[00:57:52] Então, veja, como é que as coisas vão piorar?

[00:57:54] As coisas já estão ruins.

[00:57:56] Hoje, para a gente estar aqui, faz 30 anos que a gente está descendo essa ladeira.

[00:58:01] Não foi porque aconteceu um impeachment em 2015.

[00:58:04] Essa ladeira vem sendo descida há uns 30 anos, né?

[00:58:09] Então, assim, menos.

[00:58:11] Faz 30 anos que a gente está nessa merda, descendo para chegar até aqui.

[00:58:15] Então, assim, não é que vai ficar ruim, já está.

[00:58:18] Mas se a gente tem consciência, porque o debate econômico não existe, né, Gigi?

[00:58:23] Debate no sentido do que é o Banco Central.

[00:58:26] Eu sei que o nosso ouvinte deve estar em posição fetal,

[00:58:29] porque eu falei um monte de coisa muito difícil.

[00:58:32] Para mim, muito difícil.

[00:58:34] E eu sou uma pessoa que estou sempre estudando e estou sempre me…

[00:58:37] Esses dias eu vi alguém falando,

[00:58:39] ah, enquanto você assiste o BBB, eles estão vendendo o Banco do Brasil.

[00:58:43] Daí o cara escreveu, vou assistir um filme iraniano para ver se eles param.

[00:58:47] Tipo assim, não existe essa comparação, né?

[00:58:50] E eu estou sempre me informando.

[00:58:52] Daí eu até pensei, eu falei, cara, vou dar uma estudada para conversar com a Ana,

[00:58:55] para postar em uma banca.

[00:58:58] Daí eu falei, cara, a minha melhor função vai ser, tipo, me faça entender,

[00:59:02] porque é realmente muito difícil.

[00:59:04] Eu li aqui textos do Nelson Barbosa, de outras pessoas,

[00:59:08] aqui até para ver como é que estava o nível de debate.

[00:59:11] Nível de debate, mesmo para quem acha que é pouca coisa essa mudança,

[00:59:16] também fala que o mercado não tem independência do mercado do Banco Central.

[00:59:20] Então, isso são alguns ortodoxos, não tanto,

[00:59:23] porque nós temos uma exuberância, uma fauna de ortodoxos.

[00:59:27] Nós temos Arminio Fraga dando comentário.

[00:59:29] Mas a coluna do Nelson Barbosa na Folha também foi muito interessante.

[00:59:33] Ele tentando dar propostas de como você fazer com que presidentes do Banco Central

[00:59:37] não saiam e criem, por exemplo, bancos de investimento logo em seguida.

[00:59:42] O nosso fofo do Arminio Fraga, ele tem a GAVA Investimentos, certo?

[00:59:46] Gustavo Franco Eden e todo o presidente do Banco Central que sai do cargo

[00:59:51] abrem um banco de investimento.

[00:59:53] Imagina o nível, o tipo de informação privilegiadíssima que você não tem

[00:59:57] antes e depois, sabe?

[00:59:59] Então, existem coisas que podem ser feitas,

[01:00:02] mas a principal e a primeira delas é recuperar a condição de entender o debate,

[01:00:08] porque o plano real é uma pedra que ninguém toca,

[01:00:12] só que o plano real não é o câmbio diferente,

[01:00:17] ele não é do cruzeiro para o real.

[01:00:19] O plano real não é só isso, ele é um modelo econômico,

[01:00:23] ele é uma forma de condução brasileira,

[01:00:26] que você pode votar no Lula,

[01:00:28] você pode ressuscitar o Brizola,

[01:00:30] que se eles não serem, você pode pôr o Diego Evara lá,

[01:00:35] você pode pôr o Marechal Tito ali,

[01:00:37] que nada vai acontecer.

[01:00:39] Então, assim, isso faz com que a gente tenha mais condições de pautar debate

[01:00:45] e entender o que está acontecendo.

[01:00:47] E vou fazer um jabá, Gigi,

[01:00:48] porque assim que eu defender a minha tese,

[01:00:50] eu conheci um pessoal que grava cursos,

[01:00:55] eu sempre ganhei meu dinheirinho dando cursos disso aí,

[01:00:59] de divulgação de economia para não economistas.

[01:01:02] Os amigos falaram que eu devia ter patenteado o nome e agora já era,

[01:01:05] mas é para tirar a gente do umbral,

[01:01:07] e eu vou montar um curso de economia brasileira nesse sentido.

[01:01:11] Olha, estaremos acompanhando.

[01:01:14] Do Anticast, porque a gente precisa pagar o leite das crianças.

[01:01:19] E eu preciso entender realmente,

[01:01:21] eu me senti muito ignorante e me senti muito no sentido assim,

[01:01:25] porque as pessoas que eu curto ideologicamente,

[01:01:29] e é por isso que a gente se alinha com algumas pessoas,

[01:01:32] falam que é ruim.

[01:01:33] Mas por que que é ruim?

[01:01:35] Na prática, acho que muita gente que está ouvindo a gente

[01:01:38] também não consegue entender.

[01:01:40] Você pode ter um exemplo ou outro,

[01:01:42] mas entender que nem você falou, tipo, o papel do Banco Central,

[01:01:46] essa questão da fluidez, do quanto isso impacta no nosso dinheiro.

[01:01:50] Daí a gente não tem 250 reais para dar para um miserável, sabe?

[01:01:55] Não tem nem…

[01:01:56] Se comer a vina, salsicha, vina a gente chama aqui em Curitiba,

[01:02:00] não tem mais nem dinheiro para comer isso.

[01:02:02] Então, eu acho que trazer essa realidade,

[01:02:05] porque isso é a nossa vida, isso é o dia a dia,

[01:02:09] isso é a nossa prática.

[01:02:11] E economia tende a ser um vocabulário tão fechado

[01:02:15] quanto de um ministro do STF.

[01:02:17] É, o Juridiqueis, né?

[01:02:19] É o Economaze.

[01:02:21] E assim, você pega um texto para ler…

[01:02:23] Na tese, né?

[01:02:25] Eu tentei ler um texto ao longo de três anos.

[01:02:28] A primeira vez que eu li, eu não conseguia entender.

[01:02:30] Da última vez que eu li, eu li ele de ponta cabeça,

[01:02:32] eu li ele lavando louça.

[01:02:33] Então, assim, até você entrar no métier do assunto,

[01:02:37] vai muito tempo.

[01:02:38] Mas eu entendo que o meu papel nessa situação toda

[01:02:42] é tentar traduzir o que acontece.

[01:02:45] Então, assim, se eu viesse aqui e desse um zap para você falar,

[01:02:49] a diferença é que o presidente eleito pelo país

[01:02:53] só vai poder mudar o presidente do Banco Central

[01:02:56] no terceiro ano de mandato.

[01:02:58] É isso que muda.

[01:02:59] É isso que está lá.

[01:03:00] É só isso que muda.

[01:03:02] A questão é que um economista mais chão,

[01:03:06] um economista que trabalha com coisas comezinhas,

[01:03:08] ele vai falar isso.

[01:03:09] Mas um economista que trabalha com estruturas,

[01:03:12] que trabalha com política monetária ou com economia política,

[01:03:15] ele fala, olha, o buraco é mais fundo.

[01:03:17] O que significa um presidente eleito não poder modificar

[01:03:21] o presidente do Banco Central?

[01:03:23] Mas vou além.

[01:03:25] O que significa um presidente eleito não conseguir modificar

[01:03:30] a forma como o país faz a gestão da sua economia?

[01:03:35] Porque o Banco Central, como eu disse, ele é o office boy.

[01:03:40] O que significa um país não poder modificar sua,

[01:03:44] não poder disputar uma outra forma econômica?

[01:03:48] A gente não consegue disputar.

[01:03:50] Acho que deu para entender.

[01:03:52] Óbvio que fazendo o seu curso vai ser muito mais claro.

[01:03:55] Nos avise que a gente volta a falar disso,

[01:03:58] sobre a importância.

[01:03:59] A gente já deixa marcado aí um…

[01:04:01] Eu sei que parece um jabá, tênis, rafaria.

[01:04:04] Mas é também.

[01:04:06] É uma forma assim, imagina.

[01:04:08] São anos sem ter com quem conversar,

[01:04:11] porque ninguém entende o que você estuda.

[01:04:13] Eu me sinto estudando uma estrela,

[01:04:15] uma estrela no universo paralelo.

[01:04:18] Até para a divulgação.

[01:04:21] Me vejo como uma divulgadora científica mesmo, nesse sentido.

[01:04:25] Uma cientista.

[01:04:26] Vamos lá.

[01:04:27] O que você tem feito, comecei essa série no último Anticast,

[01:04:30] e o que você tem feito para sobreviver ao Brasil de 2021?

[01:04:33] O que te dá prazer?

[01:04:34] Olha, eu tenho sempre comido uma coisinha gostosa,

[01:04:38] dormido bastante, mas isso são demandas de Tito.

[01:04:42] Eu brinco com o pessoal que eu faço parte do elenco

[01:04:46] de comentaristas do Chico Barney Urgente, do CBU,

[01:04:50] aquele canal dele no YouTube completamente varsa.

[01:04:53] E comentando assuntos completamente bizarros,

[01:04:57] incluindo o Big Brother.

[01:04:59] Quem é essa torcida?

[01:05:00] Até o Judo Vigô.

[01:05:02] Meu Deus, maravilhoso.

[01:05:04] Judo Vigô, ele me…

[01:05:07] Como é que a gente fala?

[01:05:09] Ele sou eu, ele é todos nós, pesquisadores,

[01:05:12] ainda mais de economia, e ele é de desenvolvimento econômico,

[01:05:16] sem bolsa.

[01:05:17] Porque eu penso assim, só um doutorando de economia

[01:05:22] para entender que só que tal…

[01:05:24] Como é que ele fala?

[01:05:25] É bicho, é só que tal uma merda.

[01:05:28] Entender que só entrando no Big Brother

[01:05:31] para melhorar bem de vida.

[01:05:33] Então ele me representa.

[01:05:35] Um doutorando sem bolso.

[01:05:37] Ele é maravilhoso.

[01:05:38] Falando de mãinha.

[01:05:39] Mãe, não cancele mãinha.

[01:05:41] Não ataque mãinha.

[01:05:42] Ai, meu Deus, eu tenho tanta vontade de ser amiga dele.

[01:05:44] Queria tanto que ele tomasse fazer um podcast.

[01:05:46] Ele é muito para cima.

[01:05:47] A questão é que ficou muito pesado assistir o Big Brother,

[01:05:50] além da conta.

[01:05:52] Então a minha distração mesmo tem sido, às vezes,

[01:05:56] assistir uma série, fazer alguma coisinha assim,

[01:05:59] um pouquinho em casa.

[01:06:01] Mas assim, sempre pensando que é um dia após o outro,

[01:06:06] a gente não pode cair nesse marasmo, não.

[01:06:09] Agora você vai começar aí uma tese sobre criação de filho,

[01:06:13] porque a gente lê tanta coisa, pesquisa tanta coisa.

[01:06:15] Carrinho.

[01:06:16] Qual carrinho ideal, custo, benefício, qual…

[01:06:20] Tudo isso, né?

[01:06:22] Eu não estava querendo saber o sexo do bebê,

[01:06:25] mesmo porque isso é irrelevante no final das contas.

[01:06:29] É ele que vai escolher o que vai querer ser.

[01:06:31] Mas aí a gente fez ultrassorno.

[01:06:33] Tinha como não ver.

[01:06:34] Tem eu que sou cega e falei, bom, então é o Tito, né?

[01:06:38] Ai, delícia. Adoro esse nome.

[01:06:39] Vamos ver o que o Tito vai fazer da vida dele e vamos acompanhar, né?

[01:06:43] Mas é uma delícia, Guria.

[01:06:45] É uma delícia, uma delícia.

[01:06:47] Bem-vinda a esse mundo assim.

[01:06:49] Não são só flores, mas é muito bom.

[01:06:52] Ana, obrigada por gastar o teu tempo na sexta-feira à noite,

[01:06:57] pré-carnaval, que é o seu do carnaval, né?

[01:07:00] Enfim, mas muito obrigada mesmo.

[01:07:02] Eu queria comentar, Gisele, que você é uma das mulheres

[01:07:05] que eu mais admiro pela porta aberta.

[01:07:08] Ah, maravilhosa.

[01:07:10] Lá atrás, eu sei que é meio clichê,

[01:07:13] mas assim, lá atrás, quando eu fiz aquele post lá,

[01:07:16] você me chamou, eu sei, o canhão, que é o Anticast.

[01:07:21] E assim, eu me sinto muito feliz porque você me puxou.

[01:07:26] Lindo.

[01:07:27] Outros tantos também, mas eu sei a importância.

[01:07:31] E muito obrigada pela porta aberta, mais uma vez.

[01:07:34] E várias coisas.

[01:07:35] Tipo, tem programas que não rolaram,

[01:07:37] mas já houve dúvidas que a gente trocou, questões que eu levantei.

[01:07:40] Então assim, obrigada por disponibilizar o teu conhecimento também,

[01:07:44] que é tão distante do meu, né?

[01:07:46] Mas enfim, estamos aí para aprender. Obrigada, tá?

[01:07:49] Obrigada a você.

[01:07:50] E boa sexta-feira aí com o Faxina.

[01:07:53] Faxina.

[01:07:54] Um abraço para ele.

[01:07:55] Ela e meu marido trocaram mó ideia

[01:07:57] antes de começar o programa, que a gente teve uma treta com o computador.

[01:08:00] Mas enfim, galera, obrigada quem está ouvindo até agora.

[01:08:04] Muito obrigada.

[01:08:05] Espero que tenha sido esclarecedor.

[01:08:07] É difícil.

[01:08:08] Para mim foi difícil.

[01:08:09] E eu tenho certeza que eu quero ouvir esse episódio em doses homeopáticas,

[01:08:13] para poder assimilar, embora a Ana traga essa coisa muito didática,

[01:08:17] com exemplos muito práticos, assim.

[01:08:20] E é por isso que quando eu pensei em falar sobre isso,

[01:08:23] o primeiro nome que me veio à cabeça foi você.

[01:08:25] Mas assim, eu espero que vocês realmente entendam,

[01:08:28] ou pelo menos abram um pouco a cabeça.

[01:08:30] E colabore com o Anticast.

[01:08:31] Agora eu tenho que fazer esse jabá, né?

[01:08:33] Porque antes era o Ivan que fazia também.

[01:08:35] Mas colabore, entre lá.

[01:08:36] Gente, é cinco reais por mês.

[01:08:38] Apoie, não precisa ser só o Anticast.

[01:08:40] Apoie o podcast que você curte.

[01:08:42] Porque, gente, é um trabalho, sério.

[01:08:45] É um trabalho danado, assim.

[01:08:47] E é algo tão importante.

[01:08:48] Fale dos podcasts para as pessoas que não costumam escutar.

[01:08:52] Porque a gente tem um material muito bom sendo produzido.

[01:08:55] É fora do circuito convencional de imprensa e de mídia, assim.

[01:08:59] Então apoie o podcast que você gosta.

[01:09:02] Todo mundo está aí com as campanhas.

[01:09:05] Então dê realmente essa força, sim.

[01:09:07] Porque está muito difícil, muito difícil ser jornalista no Brasil.

[01:09:11] Viver no Brasil está difícil, né?

[01:09:13] Mas produzir conteúdo independente está difícil.

[01:09:15] Então é isso.

[01:09:16] Cinco reais não é a sua latinha de Coca-Cola com coxinha, meu amigo.

[01:09:20] Eu tenho certeza que o Anticast, meu podcast também,

[01:09:23] contribui bastante com você.

[01:09:25] E merece a latinha de Coca-Cola e uma coxinha por mês, não é mesmo?

[01:09:29] Exatamente. Vamos lá, né, Ana?

[01:09:31] Todo mundo se apoiando.

[01:09:32] Obrigada, tá?

[01:09:33] Um beijo, linda.

[01:09:34] Obrigada a você.

[01:09:35] Um beijo, querida.