#24 - Meus Heróis Morreram Todos
Resumo
Este episódio do Popcult funciona como um desabafo coletivo após a experiência traumática de assistir ao filme Mortal Kombat de 2021. Os hosts Gustavo e Orlando, junto com o convidado especial Lucas (do Four Corners Wrestling Podcast), compartilham sua profunda decepção com a adaptação, que destruiu as expectativas e os “heróis da infância” de Gustavo, um fã declarado da franquia.
A discussão detalha os inúmeros problemas do filme: roteiro desconexo que parece ter sido escrito por algoritmo, edição caótica que cria a sensação de que cada take pertence a uma linha do tempo alternativa, personagens sem motivação, vilões não ameaçadores (como um Sub-Zero que não consegue matar ninguém), e a ausência total do torneio Mortal Kombat que dá nome à obra. Eles contrastam essa falha com o filme de 1995, que, apesar de suas limitações, estabelecia claramente a premissa, os personagens e suas motivações.
A conversa evolui para uma análise mais ampla sobre a arrogância da indústria cinematográfica ao adaptar propriedades de videogame, ignorando o material fonte bem-sucedido (como os modos história dos jogos recentes de Mortal Kombat) em favor de fórmulas genéricas de mercado. Eles também traçam paralelos com outras adaptações fracassadas, como Street Fighter (1994), que pelo menos tinha o carisma de Raul Julia e não se levava tão a sério.
No final, o episódio se transforma em um veredito informal, comparando Mortal Kombat 2021 com Street Fighter 1994. O consenso é que Street Fighter, por não pretender ser sério e contar com uma performance icônica, é a obra menos pior. O episódio serve tanto como catarse para os participantes quanto como um aviso aos ouvintes para pouparem seu tempo e evitarem o filme de 2021.
Indicações
Movies
- Mortal Kombat (1995) — Citado como exemplo superior de adaptação, que estabelece a premissa, os personagens e suas motivações de forma clara e eficiente nos primeiros minutos.
- Street Fighter (1994) — Apontado como a adaptação “menos pior” na comparação final. Destacado por não se levar a sério e pela performance icônica e dedicada de Raul Julia como M. Bison.
- Scorpion’s Revenge (2020) — Filme animado mencionado como sendo medíocre, mas ainda assim muito melhor que a adaptação de 2021, especialmente na cena inicial que é similar mas melhor executada.
- Power Rangers (2017) — Mencionado por ter semelhanças estéticas e de roteiro com o Mortal Kombat de 2021, mas sendo considerado um filme melhor.
People
- Raul Julia — Elogiado extensivamente por sua performance como M. Bison em Street Fighter (1994). Dizem que ele elevou o material, dando 110% em um papel que poderia ser apenas galhofa, tornando-o memorável.
- Mark Dacascos — Citado como um ator de ação que, se tivesse interpretado o protagonista de Mortal Kombat (2021), poderia ter elevado o nível do filme devido à sua presença e experiência em filmes do gênero.
Podcasts
- Four Corners Wrestling Podcast — Podcast apresentado pelo convidado Lucas (LK6), que cobre wrestling profissional (WWE, AEW, New Japan). Foi recomendado aos ouvintes interessados no assunto.
Linha do Tempo
- 00:00:00 — Introdução e contexto do desabafo — Os hosts apresentam o episódio como um “pseudo-break” da temática da temporada, motivado pela experiência traumática de assistir ao novo filme de Mortal Kombat. Eles introduzem o convidado Lucas, que compartilhou o sofrimento durante a sessão de visualização coletiva via Telegram. O tom é de desilusão e necessidade de processar a decepção.
- 00:03:00 — A expectativa frustrada e o trauma do fã — Gustavo confessa seu amor pela ficção de Mortal Kombat e como estava esperançoso pelo filme, comparando sua espera à de um fã do Sonic por um bom jogo 3D. Ele descreve o alívio amargo de finalmente saber a verdade, mesmo que dolorosa, e como o filme destruiu seus “heróis da infância”. Orlando pontua que o episódio é um ensaio sobre o momento em que alguém vê seus sonhos pueris serem destruídos.
- 00:07:00 — Problemas estruturais: roteiro por algoritmo e falta de torneio — A crítica central começa: o filme parece ter sido feito por algoritmo, sem direção artística clara. Eles apontam a ausência do torneio Mortal Kombat, um problema que remonta aos jogos, mas que aqui é agravado pela falta de uma estrutura narrativa coesa. O protagonista original é criticado por ser um “avatar do público” sem personalidade, uma exigência do estúdio que não funciona.
- 00:20:00 — Vilões ineficazes e furos de roteiro gritantes — Eles desmontam a ameaça dos vilões. Sub-Zero, apresentado como o grande vilão, não consegue matar ninguém após a cena inicial. Shang Tsung tem pouca presença e não usa seu poder característico de se transformar. O grupo discute a incoerência das regras do torneio e a passividade do Raiden, que interfere quando quer, contradizendo sua própria premissa.
- 00:30:00 — Comparação com Mortal Kombat (1995) e a lição do estabelecimento — Eles elogiam o filme de 1995 por, em seus primeiros minutos, explicar claramente o torneio, apresentar os personagens e dar motivações compreensíveis a cada um. O filme antigo é citado como exemplo de como adaptar um jogo de luta, criando até personagens originais (como o irmão de Liu Kang) que servem à história, ao contrário das invenções vazias do novo filme.
- 00:40:00 — A arrogância da indústria e o desperdício do material fonte — A discussão ataca a arrogância da indústria cinematográfica em ignorar o material fonte bem-sucedido (os modos história dos jogos recentes) em favor de ideias próprias inferiores. Eles citam que a mesma Warner que produz os jogos não soube aproveitar o know-how interno. O filme é descrito como um produto de produtores, não de artistas, focando em checklists de mercado em vez de uma visão coerente.
- 00:55:00 — Problemas técnicos, de elenco e o desinteresse geral — A crítica se expande para os problemas técnicos: edição que não casa, erros de foco, direção de arte inconsistente (como o Shang Tsung com o rosto sujo sem motivo). Eles notam que até atores talentosos (como o intérprete do Scorpion) são subutilizados. O clímax da luta final é considerado desinteressante, pois o espectador já perdeu toda a boa vontade.
- 01:07:00 — O veredito final: Mortal Kombat 2021 vs Street Fighter 1994 — Chega a hora do veredito. Comparando a pior adaptação recente com uma clássica ruim, todos concordam que Street Fighter (1994) é superior. Os motivos: Street Fighter não tenta ser sério, tem o carisma e a dedicação de Raul Julia (que carrega o filme), e seu roteiro, ainda que ruim, foi escrito por um profissional (o mesmo de Duro de Matar). A conclusão é um aviso aos ouvintes: se tiver curiosidade, assista Street Fighter ou apenas as cenas do Raul Julia no YouTube, mas evite Mortal Kombat 2021 a todo custo.
Dados do Episódio
- Podcast: Popcult
- Autor: Atabaque Produções
- Categoria: TV & Film Film Reviews
- Publicado: 2021-05-04T14:14:12Z
- Duração: 01:15:08
Referências
- URL PocketCasts: https://podcast-api.pocketcasts.com/podcast/full/57529740-86a3-0138-ee33-0acc26574db2/ffeb3599-d897-4217-9902-4d882b426791
- UUID Episódio: ffeb3599-d897-4217-9902-4d882b426791
Dados do Podcast
- Nome: Popcult
- Tipo: episodic
- Site: https://www.spreaker.com/podcast/popcult—4416630
- UUID: 57529740-86a3-0138-ee33-0acc26574db2
Transcrição
[00:00:00] Half-Deaf
[00:00:20] Olá, ouvinte do Popcult, esse podcast sobre a intersecção entre sétima arte
[00:00:28] e o ápice do pensamento humano.
[00:00:32] E hoje vamos dar um pseudo-break do tema maior da nossa temporada, que é o herói,
[00:00:40] porque a gente passou por uma experiência traumática e a gente precisa digerir isso.
[00:00:46] Aqui a gente acha que essa conversa vai ser interessante para vocês.
[00:00:50] Como você pode ter visto o título, o pretexto da nossa conversa é discutir
[00:00:55] o filme do Mortal Kombat de 1995 do Paul W. S. Anderson
[00:00:59] contra o filme do Mortal Kombat de 2001 do Simon McQuoid.
[00:01:05] Eu estou aqui, como sempre, com o Orlando Calheiros.
[00:01:09] Olá, guys.
[00:01:10] Olá, Orlando. E temos um convidado especial que sofreu conosco na última sexta-feira
[00:01:15] assistindo o filme do Mortal Kombat.
[00:01:18] Assistimos conversando num grupo de Telegram, basicamente,
[00:01:21] porque a gente ainda… nenhum de nós está vacinado.
[00:01:24] Mas estava cada um na sua casa sofrendo e eu dou graças a Deus
[00:01:28] que a gente não estava sozinho, pelo menos em espírito,
[00:01:31] que a gente estava podendo trocar ali comentários,
[00:01:34] enfim, botar para fora a dor que a gente estava sentindo enquanto a gente sentia ela.
[00:01:39] Então, muito bem-vindo, Lucas, o LK6, o famoso, ele mesmo,
[00:01:44] apresentador do Four Corners Wrestling Podcast.
[00:01:48] Olá, Gus. Olá, Orlando.
[00:01:51] Esse nosso grupo de Telegram foi um autêntico ninguém solta a mão de ninguém, né?
[00:01:55] Sim, sim.
[00:01:56] Foi mais ou menos isso.
[00:01:58] Não, quando o Heitor se atrasou ali, que tipo o download dele demorou,
[00:02:01] a gente… não, não, todo mundo pausa, todo mundo pausa, espera ele carregar.
[00:02:04] Exatamente.
[00:02:05] Rolou uma esperança, rolou uma esperança que ele não ia conseguir baixar
[00:02:08] e a gente não ia ter que assistir.
[00:02:10] Não, então, eu fiquei assustado se ele desistisse,
[00:02:13] porque deu problema na primeira vez que ele deu stream,
[00:02:15] que ele fosse largar o bonde e que talvez isso desfizesse o bonde,
[00:02:20] porque eu já estava investido demais,
[00:02:23] eu estava o dia inteiro esperando aquele momento,
[00:02:25] tinha baixado o filme já de manhã,
[00:02:28] e aí eu estava o tempo inteiro lembrando o Heitor,
[00:02:30] tipo, oito horas, né? Oito horas.
[00:02:32] Aí ele já se atrasou por coisas… eu estava com a pipoca na mão,
[00:02:35] e o botão do Play tremendo, porque eu só queria descobrir,
[00:02:38] eu quero ver logo isso.
[00:02:40] Porque, enfim, confesso para os ouvintes,
[00:02:43] uma verdade que vocês já sabem,
[00:02:45] que eu sou muito fã de Mortal Kombat e mais do que isso.
[00:02:49] Eles são seus heróis, são seus heróis.
[00:02:51] Exato, muito fã da ficção do Mortal Kombat.
[00:02:53] Não é tipo assim, ah, eu gosto muito de jogar Mortal Kombat.
[00:02:55] Eu gosto de jogar Mortal Kombat, tirando vários, mas…
[00:03:00] Eu me interesso muito.
[00:03:02] Tipo, e aí o Lucas é o cara perfeito para estar aqui com a gente,
[00:03:04] porque o Lucas é o cara, assim, que eu consulto ele,
[00:03:07] é o meu oráculo sobre as coisas.
[00:03:09] Porque o Lucas vai mais longe que eu, por exemplo,
[00:03:11] ele lia o gibi que eles lançaram antes do Mortal Kombat X,
[00:03:15] que contava o prelúdio da história,
[00:03:18] e assim, eu não tinha saco para isso, mas eu tinha saco para…
[00:03:20] Lucas, me resume aí o que aconteceu.
[00:03:22] Era bem isso aí.
[00:03:24] O que aconteceu? Vai me contando aí.
[00:03:26] Qualquer coisa importante, isso me avisa.
[00:03:28] Vamos começar do fim, então, Lucas.
[00:03:31] O que aconteceu sexta-feira?
[00:03:33] Não, eu só queria…
[00:03:34] Tenta explicar esse filme para quem está ouvindo.
[00:03:36] Eu só queria… Tem uma coisa que é muito importante,
[00:03:38] que eu acho que vocês compartilham na minha opinião.
[00:03:40] Acho que o maior problema dessa sexta-feira foi a gente
[00:03:43] ter ido de peito aberto.
[00:03:45] Não, foi?
[00:03:46] Esperançoso.
[00:03:47] Eu estava bêbado.
[00:03:48] A gente…
[00:03:49] Eu não estava, não.
[00:03:50] Eu estava muito bêbado, eu entrei muito bêbado porque eu sabia…
[00:03:52] Na verdade, o Orlando e a Nina estavam totalmente cínicos com a proposta.
[00:03:57] E foi por isso que eles não se machucaram no fim.
[00:03:59] E deixa eu falar uma coisa, assim.
[00:04:00] Dá para repetir, desculpa aqui, Lucas, mas assim,
[00:04:02] eu fui bêbado porque eu achei que ia ser um filme ruim,
[00:04:05] e fiquei positivamente surpreso por ele ser pior do que eu esperava.
[00:04:11] E eu quero fazer todo o meu preâmbulo aqui,
[00:04:14] acho que é o que eu sempre falo, mas puxa daí que depois eu vou…
[00:04:16] Não, tudo bem, o Lucas vai tentar dar um panorama ali do filme
[00:04:20] com a voz do expert, e aí a gente entra no seu.
[00:04:23] Não, mas aí não tem, não precisa entender de Mortal Kombat
[00:04:26] para ver o que aconteceu ali, né, cara?
[00:04:28] Aconteceram várias coisas.
[00:04:30] E outras não aconteceram, né?
[00:04:33] Uma das coisas que você falou foi uma revisão do roteiro em nenhum momento.
[00:04:36] Não, então, e o que eu achei mais engraçado, a impressão que dá,
[00:04:39] você sabe quando você vai fazer trabalho em grupo na escola?
[00:04:43] Faz a sua parte.
[00:04:45] Faz a sua parte, não, faz a sua parte aí, os três primeiros slides é contigo.
[00:04:50] E aí os outros 4, 5, 6 é corlando, 7, 8, 9 eu ganço.
[00:04:54] Aí o cara usa uma fonte, um esquema, o assunto,
[00:04:57] alguém fala alguma coisa repetida, sabe?
[00:04:59] Não rola alguém juntar tudo e falar assim,
[00:05:01] vamos ver se isso tem uma lógica, que não teve, cara, não teve.
[00:05:04] A impressão que dá é que quando o projeto era pausado, cancelado,
[00:05:07] trocava diretor, roteirista, não sei,
[00:05:09] o cara pegava aquilo que já estava pronto
[00:05:12] e usava tipo ipsis literis.
[00:05:14] E ele falava assim, cara, mas tem uma coisa aqui que eu não quero usar,
[00:05:17] mas o cara já fez, né?
[00:05:18] Então, vou simplesmente ignorar isso.
[00:05:20] Me pediram pra mudar esse personagem aqui,
[00:05:22] eu vou entrar nessa única cena, adicionar uma fala pra fazer isso,
[00:05:26] e eu vou deixar todo o resto igual, não vou mexer.
[00:05:29] Que também eu relaciono com o meu comportamento,
[00:05:32] com a lição de casa e trabalhos na escola, que era exatamente esse.
[00:05:35] Aqui, só eu quero fazer uma adendo,
[00:05:37] vocês falaram do que não aconteceu no filme, é spoiler,
[00:05:41] não aconteceu Mortal Kombat, né?
[00:05:43] Não aconteceu Mortal Kombat.
[00:05:44] Não aconteceu Mortal Kombat.
[00:05:46] Quando eu percebi, pelo adiantado da hora,
[00:05:48] que esse era o destino que nos aguardava,
[00:05:50] porque até a metade do filme existe uma possibilidade,
[00:05:53] de que o terceiro ato vai ser isso.
[00:05:56] Mas quando você percebe, tipo, eu não pausei, então não olhei a timeline,
[00:06:02] mas eu sabia que o filme tinha uma hora e cinquenta,
[00:06:04] e aí eu olhei o relógio enquanto a gente trocava mensagem,
[00:06:06] e eu falei, ferrou, não contém.
[00:06:09] Não tá dando tempo, é.
[00:06:10] Não vai ter.
[00:06:11] Eu também vou fazendo isso, eu falo assim, cara, tem 20 minutos de filme,
[00:06:13] só tem umas sete na massa.
[00:06:15] Mas aí olha o quão inocente eu sou.
[00:06:19] Que imediatamente nesse momento, a minha resposta interior foi,
[00:06:24] uau, então o que será que eles vão fazer, né?
[00:06:27] Cara.
[00:06:28] Eles têm uma surpresa pra gente.
[00:06:30] Cara, vai ter algo muito interessante,
[00:06:32] vou invadir a terra mesmo.
[00:06:34] Nossa, cara.
[00:06:36] Eu fui todo.
[00:06:38] Aí eu quero fazer, agora eu quero fazer um paralelo,
[00:06:42] porque assim, não vai ser o primeiro nem último Mortal Kombat,
[00:06:46] filme, série, o mesmo jogo, que não existe um torneio Mortal Kombat.
[00:06:52] O próprio jogo do Mortal Kombat 3,
[00:06:54] é o Shang Tsung subiu o Shao Kahn, metendo um Accio Nevis,
[00:06:57] assim, cara, a gente não ganhou.
[00:06:59] Desde então.
[00:07:00] Vamos inventar alguma coisa aí.
[00:07:02] A gente não pode tirar a culpa da franquia de isso,
[00:07:05] que desde o Mortal Kombat 3 não tem torneio.
[00:07:08] O problema não é não ter o torneio, o problema é…
[00:07:12] É, exatamente.
[00:07:14] Eu confesso que eu fui assistindo o filme, torcendo sempre pelo pior,
[00:07:18] e torcido assim, cara, quando eu vi que o filme,
[00:07:20] naquele momento que virou uma Liga da Justiça, né,
[00:07:23] e inclusive depois eu quero perguntar a opinião aí,
[00:07:26] se vocês acharam que foi pior,
[00:07:28] Snyder’s Cut ou Mortal Kombat?
[00:07:30] Porém, todavia, entretanto, eu fui torcendo pelo pior.
[00:07:33] Eu já sabia, eu falei assim, esse filme vai terminar em lugar nenhum.
[00:07:36] E por isso foi melhor, cara.
[00:07:38] Porque assim, esse é aquele tipo de filme que ele é tão ruim,
[00:07:42] ele é tão ruim, ele vai piorando, né, porque assim,
[00:07:44] ele começa de uma maneira medíocre,
[00:07:46] aquele começo é totalmente medíocre, é um filme de ação genérico.
[00:07:51] É medíocre, é a melhor parte do filme.
[00:07:54] Tem uma razão pela qual eles lançaram aquela cena,
[00:07:56] tipo, uma semana antes do filme sair, eles lançaram aquela cena,
[00:07:58] porque aquela cena te dá uma ideia de, tipo, talvez esse é um filme de kung fu divertido.
[00:08:02] Né, e aí os caras viram, tipo assim, um acidente em câmera lenta, né cara, porque tu vai…
[00:08:09] Gente, digo pra vocês, além de me lembrar da Liga da Justiça,
[00:08:11] eu juro pra vocês, esse filme me lembra em diversos momentos esteticamente,
[00:08:15] em questão de roteiro e tudo mais,
[00:08:17] o filme dos Power Rangers que saiu em 2016, eu acho, 2017,
[00:08:23] e que é melhor que esse filme, desculpa, mas é.
[00:08:27] Mas não é problema, não é melhor que esse filme.
[00:08:29] Tem uma outra coisa também, esse sete minutos iniciais,
[00:08:32] que é aquela cena do Scorpion lutando com o Sub-Zero, né,
[00:08:34] são os únicos sete minutos do filme que um fã de Mortal Kombat
[00:08:37] pode olhar e falar, cara, esse é o Mortal Kombat.
[00:08:39] É, exatamente.
[00:08:40] E não tinha, assim, alguma coisa gritante que o cara vai olhar e vai falar,
[00:08:42] que porra é essa, cara?
[00:08:43] Tem.
[00:08:44] Não é uma cena de cosplay, né?
[00:08:46] É uma cena que passa o sentimento, assim, da coisa, tipo…
[00:08:49] Sim, sim, mais ou menos assim.
[00:08:50] Poderia ser uma cutscene num jogo.
[00:08:51] Uma coisa que eu acho muito engraçada, até falei no chat,
[00:08:53] assim que acaba essa cena, tipo, a cena tem sete minutos,
[00:08:56] com sete minutos e dois, os caras metem um letreiro na tela,
[00:08:59] que eles criam, tipo, umas três coisas diferentes
[00:09:01] para a mitologia do Mortal Kombat, você olha e fala, porra é essa, cara?
[00:09:04] Porra de profecia é essa, cara?
[00:09:05] E de novo, você vê que recorrer ao letreiro normalmente é um fracasso,
[00:09:09] já profecia é essa, cara?
[00:09:11] Mas assim, eu tenho uma crítica a cena inicial
[00:09:13] e depois eu quero fazer um grande levante aqui sobre o filme
[00:09:15] para não deixar que seja apenas um break, né, um desabafo,
[00:09:20] porque assim, para quem não entendeu…
[00:09:21] A gente vai chegar lá, mas eu sinto que a gente tem muito para desopilar até chegar lá.
[00:09:24] Não é claro, mas deixa claro que os ouvintes que ainda não entenderam,
[00:09:27] esse programa aqui está sendo criado porque o Guns,
[00:09:30] depois que ele assistiu esse filme, ele não é mais a mesma pessoa.
[00:09:33] Ele mesmo disse, ele fez essa confissão lá no grupo,
[00:09:35] foi assim, cara, agora a gente pode viver, move on, né,
[00:09:38] a gente pode seguir adiante.
[00:09:40] Sim, esse peso saiu das minhas costas.
[00:09:45] Eu estava preso esperando tal qual um fã do Sonic espera um novo jogo do Sonic
[00:09:51] achando que dessa vez vai ser bom o jogo 3D do Sonic,
[00:09:54] eu estava lá tipo assim, cara, esse filme vai ser bom,
[00:09:57] saiu o trailer e eu falei, wow, esse filme é bom, pode ser divertido.
[00:10:01] E aí eu só queria saber, eu queria saber, enfim,
[00:10:05] o que eu descobri não era a verdade que eu queria que fosse real,
[00:10:08] mas eu sei que é e pelo menos agora eu sei,
[00:10:10] e eu não penso mais nesse filme.
[00:10:12] É, mas isso que eu ia falar, porque esse episódio aqui,
[00:10:15] ele é uma espécie de meta meta episódio,
[00:10:17] é tipo um episódio de ensaio sobre os efeitos do momento
[00:10:21] em que o sujeito se depara com a destruição de seus heróis, né,
[00:10:26] como ele está tendo que lidar com isso, né,
[00:10:28] como é um momento de Gustavo Lanzetta lidando com a destruição
[00:10:32] de seu sonho infantil, de seu sonho pueril, né.
[00:10:34] A impressão é que alguém pegou os bonecos que o Guns sempre quis ter
[00:10:38] e nunca pôde brincar, tá ligado?
[00:10:40] É.
[00:10:41] E destruiu eles e fez assim a coisa mais vio e perturbadora, né, cara?
[00:10:46] Completamente.
[00:10:47] E, cara, e tem uma outra coisa assim,
[00:10:51] sobre essa primeira cena que eu estava vendo reviews do filme e tudo mais,
[00:10:56] e rolou um bagulho muito bem lembrado que é tipo,
[00:10:59] teve um filme animado do Mortal Kombat, o Scorpion’s Revenge uns anos atrás,
[00:11:03] que eu totalmente esqueci que existiu,
[00:11:05] que é totalmente medíocre, mas dez vezes melhor que esse filme,
[00:11:08] e ele começa com a mesma cena, só que feita melhor,
[00:11:11] que é a da invasão lá da base do Shari Ui e o assassinato da família do Scorpion,
[00:11:16] é tipo, ele faz melhor e era tipo um filme animado low budget, direct to DVD, assim,
[00:11:21] é, é, então assim, é isso, eu acho,
[00:11:25] e nos últimos três jogos do Mortal Kombat,
[00:11:27] a gente teve aquele modo história metida cinematográfico e tal,
[00:11:30] que tipo, eu não veria aquela série de TV se ela estivesse passando na TV, mas…
[00:11:35] No jogo funciona.
[00:11:37] No jogo funciona e é melhor que esse filme.
[00:11:39] Até hoje.
[00:11:40] É, mas até aí o sarrafo está muito lá embaixo naquele momento, o sarrafo.
[00:11:44] Mas, Olan, tem uma coisa que é muito importante aí, cara,
[00:11:47] que é o seguinte, se você fizesse um bolão e falasse assim,
[00:11:51] cara, vai ter um jogo de luta, seja novo,
[00:11:53] ou qualquer franquia que vai fazer um modo história que vai ser o melhor de todos os tempos,
[00:11:57] ninguém dava um centavo do Mortal Kombat, porque o Mortal Kombat estava falido, cara.
[00:12:01] A verdade, verdade.
[00:12:02] E tinha…
[00:12:03] E vamos lembrar o que eles tinham feito para tentar contar a história antes,
[00:12:07] que foi aquele modo Conquest no Deception e no Armageddon,
[00:12:11] que assim, era assistir um jogo de Play 1 e ler um gibi ruim, né?
[00:12:17] É melhor que todos os mundos possíveis, só faltou uma Pepsi quente.
[00:12:21] Mas assim, o…
[00:12:23] Mas assim, tem uma questão assim, vamos lá,
[00:12:26] porque a gente tem que deixar isso, porque eu espero que nossos ouvintes não assistam ao filme.
[00:12:31] Não, também.
[00:12:32] Isso eu recomendo.
[00:12:33] Isso é alguma coisa que o cara tira do episódio, tem que ser isso.
[00:12:36] Não façam isso em casa, ouvintes.
[00:12:38] Não vale a pena.
[00:12:39] Tipo, isso não vai ser divertidamente ruim.
[00:12:41] Não.
[00:12:42] Mas assim, então a gente tem que traduzir para os ouvintes que são essas cenas,
[00:12:47] que são esses minutos iniciais.
[00:12:49] Porque, enfim, é a cena em que o Skorpion, enquanto era humano,
[00:12:54] ele é surpreendido, né, pelo Sub-Zero e seus ninjas,
[00:12:57] que vão atacar e matar a família do Skorpion.
[00:12:59] Eu só queria um parêntesis muito rápido,
[00:13:02] o Sub-Zero e seus Lin Kuei, assassinos Lin Kuei,
[00:13:05] que predatam os ninjas, predatam, ninjas se basearam…
[00:13:09] São os protoninjas, né, são os protoninjas.
[00:13:11] Exatamente, eles estão matando os ninjas exatamente por causa disso,
[00:13:14] porque o fundador do Shrider, Yu, roubou os segredos do Lin Kuei.
[00:13:17] É, mas são os piores ninjas dos tempos.
[00:13:19] E ele não é surpreendido, Orlando?
[00:13:21] Tanto não é surpreendido, que assim que ele chega lá e tá todo louco,
[00:13:25] ele já sabe quem é que matou, tá ligado?
[00:13:27] Que desculpa, foi mal, foi mal.
[00:13:30] Ele tava, a família dele jurada de morte,
[00:13:33] ele indo pegar água de boa, assim.
[00:13:36] Não, aí vem uma coisa que me intriga, porque assim,
[00:13:39] é pros ouvintes terem a plena ciência do que que é o roteiro desse filme,
[00:13:44] porque nesse shot inicial aí, é estabelecido que o Sub-Zero e os Lin Kuei,
[00:13:49] os protoninjas, são os assassinos invencíveis, né,
[00:13:53] tanto que eles matam a família, matam o próprio Skorpion e tudo mais.
[00:13:56] Mas assim, naquelas, porque aí o Skorpion mata todos menos o Sub-Zero.
[00:13:59] Tudo bem.
[00:14:00] Só o Sub-Zero, acho que é o competente ali do rolê.
[00:14:02] Mas ele é competente, porque ele não mata ninguém ao longo do filme inteiro,
[00:14:06] ele não mata ninguém, calma, e ele não consegue matar o bebê.
[00:14:11] Se a ideia é que tá todo mundo.
[00:14:13] É, o bebê escondido.
[00:14:15] O bebê escondido, tu é um ninja.
[00:14:17] Não, sim, sim.
[00:14:19] Até o Hayden sabia que o bebê tava lá, e só chegou depois.
[00:14:23] É exatamente, o bebê chorando, entendeu?
[00:14:25] E uma parte que eu acho muito legal, é que assim, esses minutos iniciais,
[00:14:29] eles servem só pra te mostrar que o Sub-Zero matou o Skorpion,
[00:14:32] que o bebê sobreviveu, e que o Hayden levou o bebê embora pra algum lugar.
[00:14:36] É isso.
[00:14:37] Mas aí sabe pra que que é isso?
[00:14:38] Aí vem o ponto que é pra deixar claro, e aí eu vou jogar a bola pra vocês aqui.
[00:14:41] O resto do filme, a impressão que eu tenho, isso é uma coisa que…
[00:14:45] Que o filme foi feito por algoritmos.
[00:14:47] Porque assim, o filme não teve uma direção, tipo assim, uma direção artística, né?
[00:14:53] O filme é assim, cara, o que a gente precisa?
[00:14:54] A gente precisa de…
[00:14:56] O que que tá?
[00:14:57] Vamos fazer aqui uma pesquisa, pesquisa de mercado, o que que é?
[00:15:00] Vamos fazer um herói simpático, então ele tem que ter uma família,
[00:15:04] ele é um underdog, e sei lá o quê, papapapá.
[00:15:07] E aí eles conseguem fazer uma coisa que é surpreendente.
[00:15:10] É um protagonista que toda vez que tá em cena, parece um personagem coadjuvante.
[00:15:16] Parece um figurante.
[00:15:17] Ele é o Cigano Igor, cara.
[00:15:19] Ele é assim, ele é totalmente…
[00:15:21] Ele é incapaz de emitir emoções, assim, né?
[00:15:24] Pra você ver como esse filme é tão ruim,
[00:15:27] se Mark Dacascos tivesse feito esse papel principal,
[00:15:30] o filme tinha ganho nível.
[00:15:32] Tinha, porra, um ótimo vilão no John Wick 3,
[00:15:36] esse cara é muito relevante até hoje.
[00:15:38] Essa Mark Dacascos careca foi um trauma, cara.
[00:15:41] Eu tô pra assistir.
[00:15:43] Não, ele fez mais um filme careca, agora que ele é o…
[00:15:46] É tipo meio que o John Wick dele, assim, meio Low Rent,
[00:15:49] que é o tipo One Night in Bangkok.
[00:15:51] Ah, One Night in Bangkok, é verdade.
[00:15:52] É, que eu não vi ainda, mas eu tô me preparando.
[00:15:55] Mas sabe o quê?
[00:15:56] Pra ouvinte que não sabe, Mark Dacascos,
[00:15:58] qualquer filme de ação dos anos 90,
[00:16:01] quando ele chega ali no seu…
[00:16:03] Geralmente no seu terceiro, na sua terceira número,
[00:16:07] tem uma continuação com Mark Dacascos, né, cara?
[00:16:10] Você tá pensando só em o Corvo.
[00:16:12] Pra você ter ideia.
[00:16:13] E ele não é o terceiro Corvo,
[00:16:14] ele é o terceiro ator a interpretar o Corvo,
[00:16:16] não, é o terceiro ator a interpretar o Corvo,
[00:16:18] porque teve dois filmes, mas aí ele fez a série de TV,
[00:16:20] Stairway to Heaven, que eu tenho o DVD, é o box da série completa.
[00:16:24] Só pra pontuar, tinha uma série de filmes de ação nos anos 80 e 90,
[00:16:30] que era o American Ninja,
[00:16:31] que teve até, tipo, seis, sete filmes com o Mark Dacascos.
[00:16:34] O Mark Dacascos, ele era o protagonista da versão B,
[00:16:38] que era o American Samurai.
[00:16:40] Ai, tá vendo?
[00:16:41] E também fez o lendário filme do Double Dragon, hein?
[00:16:46] Sim!
[00:16:47] Não pode esquecer do filme do Double Dragon.
[00:16:49] O abobo do filme do Double Dragon é muito bom.
[00:16:52] Até hoje eu lembro.
[00:16:53] Eu vi no cinema, isso é vi no cinema.
[00:16:54] O vilão era o Robert Patrick, né, cara?
[00:16:56] É, cara.
[00:16:59] E olha só, o Mark Dacascos,
[00:17:01] os dois filmes que eu mais me lembro dele na minha infância,
[00:17:04] era um que passava o tempo inteiro no SBT,
[00:17:06] que é o Capoeira e Esporte Sangreto,
[00:17:07] que é o Only the Sun,
[00:17:09] que as ruas do Brasil ensinaram a ele a capoeira,
[00:17:14] e o outro era um famoso filme que era o DNA Caça ao Predador,
[00:17:21] que era um filme que não tinha o Predador,
[00:17:23] e o bicho que ele caçava era uma cópia do design do Alien, do Giger.
[00:17:28] O Alien mistrado com a cuca, né?
[00:17:30] É, era tipo isso.
[00:17:32] E aí era tipo uma cópia da história do Predador,
[00:17:34] que era ele no mato com o bicho, sabe?
[00:17:36] E ficava invisível também, que nem o Predador, né?
[00:17:38] Ficava invisível que nem o Predador.
[00:17:39] E aí o filme não tem esse nome em inglês,
[00:17:43] mas a distribuidora aqui no Brasil falou assim,
[00:17:45] não, bota o Predador no nome.
[00:17:46] E aí o DNA Caça o Predador.
[00:17:48] Mas aí, vamos lá,
[00:17:50] você apontou o primeiro problema que eu quero puxar,
[00:17:52] que é tipo assim,
[00:17:53] o vilão do filme eles botam como o Sub-Zero,
[00:17:57] eles tentam construir, tipo, o Sub-Zero é o nosso Big Bad.
[00:17:59] Quando você vê o trailer e vê isso, você pensa,
[00:18:03] this could work.
[00:18:04] Essa ideia pode seguir em frente, pode ser promissora,
[00:18:07] pode ser promissora.
[00:18:08] Só que aí o que acontece?
[00:18:09] Ele mata o Skorpion, mas assim,
[00:18:11] assim que ele vai embora,
[00:18:12] a gente vê que o Skorpion ainda não tá morto,
[00:18:13] ele se arrasta por nenhum motivo,
[00:18:15] além da gente ver a tatuagem dele de novo,
[00:18:17] que a gente já viu antes,
[00:18:19] e aí de novo essa coisa,
[00:18:20] parece que ninguém tava conversando no corte.
[00:18:22] Ele não se arrasta pouco,
[00:18:24] porque na verdade, o Skorpion tá o tempo inteiro muito perto e muito longe de casa,
[00:18:28] na geografia daquela cena.
[00:18:30] E aí o Sub-Zero, subsequentemente,
[00:18:32] todas as outras pessoas que ele mata, ele não matou.
[00:18:35] Ele vai matar o Jax, que não morre e é resgatado.
[00:18:39] Aí depois, ele não mata mais ninguém.
[00:18:42] Ele tenta matar um pai de família, cara,
[00:18:45] que nem sabe o que tá acontecendo num diner americano.
[00:18:48] Ele destrói os carros.
[00:18:50] Aí é o pior assassino do mundo,
[00:18:52] porque ele chega causando uma nevasca,
[00:18:55] uma chuva de granito,
[00:18:57] e todo mundo foge.
[00:19:00] Exato, porque ele é o pior.
[00:19:02] Ele deveria ser tipo um ninja,
[00:19:03] um assassino stealth, assim e tal,
[00:19:05] assassino silencioso, e não é.
[00:19:07] Aí é isso, ele acha que matou o Jax, não matou.
[00:19:10] É tipo assim, alguém em algum momento,
[00:19:12] só tem que começar a ensinar o Sub-Zero,
[00:19:13] você tem que começar a tirar o pulso das pessoas.
[00:19:15] É tipo assim, não dá mais.
[00:19:17] Sabe, o Sub-Zero é aquele sujeito,
[00:19:19] é tipo um artista pop, vai lá, vai lá, vai lá.
[00:19:22] E aí no final, você tem uma cena em que ele deixa implícito
[00:19:25] que matou a família do protagonista,
[00:19:27] e aí isso motiva o protagonista a sair atrás do Sub-Zero sem os seus parsas,
[00:19:31] sendo que o protagonista, e a gente vai voltar nessa questão,
[00:19:33] nunca venceu uma luta durante o filme,
[00:19:36] e isso é posto como um é, você é um meio predadorzão,
[00:19:39] isso já está estabelecido.
[00:19:40] E aí ele vai atrás do Sub-Zero com raiva para resgatar a família dele,
[00:19:43] e é claro que não é ele que resgata,
[00:19:45] é o espírito do Scorpion que ele faz voltar, porque é roteiro.
[00:19:51] E aí a família dele, você vê a família,
[00:19:53] o Sub-Zero congelou a mulher e a filha dele lá,
[00:19:56] igual ele congelou a filha do Scorpion no começo do filme,
[00:19:59] você vira, faz assim, caralho, matou a família do cara
[00:20:01] e ainda deixou aqui para ele ver.
[00:20:02] E aí, durante toda a luta do Scorpion e do Sub-Zero,
[00:20:05] que é para ser tipo o grande set piece de ação do filme,
[00:20:08] você corta para ele dando soquinhos no gelo,
[00:20:11] e aí imediatamente, eu saquei, não, ele vai salvar a família,
[00:20:14] ele vai tirar a família do gelo, eles vão estar vivos,
[00:20:16] ou seja, o Sub-Zero não mata ninguém.
[00:20:19] Então, é porque na primeira cena,
[00:20:21] Mortal Kombat,
[00:20:23] na primeira cena, o Sub-Zero não só congela a família do Scorpion,
[00:20:26] como ele trespassa uma stag cheat lá de gelo neles, né?
[00:20:31] Ele tipo espeta eles, aí dessa vez ele só esqueceu, tá ligado?
[00:20:35] Não deu tempo, não deu tempo.
[00:20:37] Aquecimento global, gente.
[00:20:39] Não deu tempo, mas ele foi avisar.
[00:20:41] Tipo, ele não terminou o trabalho, foi dizer que estava pronto.
[00:20:44] É tipo a pessoa que te chama para jantar,
[00:20:46] e você senta na mesa e fala, não, cinco minutinhos.
[00:20:47] E aí você fala, porra, que é isso?
[00:20:48] Porra, que é isso?
[00:20:50] E aí o foda não é nem isso.
[00:20:52] Uma coisa que eu acho engraçado é que o filme,
[00:20:54] ele se baseia na premissa que o Raiden,
[00:20:57] ele não pode interferir com o rolê.
[00:20:59] Ele está ali como se ele fosse o vigia da Marvel,
[00:21:02] o monitor da DC, um cara que teoricamente não,
[00:21:05] que são os caras que não podem interferir,
[00:21:07] mas sempre estão no meio da porra toda.
[00:21:09] Cara, aí no começo do filme, ele salva o bebê,
[00:21:11] ele teleporta todo mundo,
[00:21:13] ele põe um campo de força,
[00:21:14] ele solta um raio no Shang Tsung,
[00:21:15] e o filme inteiro ele fica falando,
[00:21:16] cara, não posso fazer nada disso, eu não posso me meter.
[00:21:18] Cara, vou falar uma coisa assim,
[00:21:21] na maior parte do tempo,
[00:21:23] eu vou tentar fazer uma coisa,
[00:21:24] porque eu estou pensando aqui no ouvinte,
[00:21:25] estou pensando no ouvinte,
[00:21:26] porque pra ele não ter que assistir esse filme,
[00:21:27] pra não deixar ele curioso.
[00:21:29] Porque assim, eu não sei explicar o que aconteceu no filme,
[00:21:34] e eu achei que era porque eu estava alcoholizado,
[00:21:36] e não é por isso, não faz sentido.
[00:21:38] Porque assim, basicamente a história é,
[00:21:40] tem dois mundos, tem dois mundos ouvintes,
[00:21:43] tem dois mundos, tem o mundo da Terra,
[00:21:45] tem o mundo lá do outro lado, dos vilões,
[00:21:47] vamos colocar assim,
[00:21:48] e tem um torneio que acontece de 100 anos,
[00:21:51] é isso?
[00:21:52] 50 anos.
[00:21:53] 50?
[00:21:55] Olha só, mais curto.
[00:21:56] 50 e 50.
[00:21:58] E aí a Terra, tipo o Botafogo,
[00:22:01] perdeu nove seguida, perdeu nove seguida.
[00:22:03] Se perder a décima, é uma regra,
[00:22:05] whatever total, porque se perder a décima pode vir,
[00:22:09] os caras podem invadir a Terra sem show,
[00:22:11] ninguém foi avisado.
[00:22:12] Na verdade, assim, ele junta os mundos,
[00:22:16] e tipo rola um hostile takeover, assim,
[00:22:19] os caras viam o acionista e acabou.
[00:22:21] A empresa ficou dez ciclos não dando prejuízo,
[00:22:25] vai ser absorvida pela que está dando lucro.
[00:22:27] É, o que, sei lá, é pra ser aquela conquista de vilão, né?
[00:22:32] Tipo, ó, conquista de vilão.
[00:22:33] É porque…
[00:22:34] O mais engraçado, Orlando,
[00:22:35] o mais engraçado é que assim, na história,
[00:22:36] o negócio é o seguinte,
[00:22:37] esse torneio existe, os deuses colocam,
[00:22:39] pra evitar que alguém venha tomar o outro reino na mão grande.
[00:22:43] É, é uma meritocracia.
[00:22:46] Entendeu?
[00:22:47] Vou tentar mais ou menos fazer o negócio justo.
[00:22:49] E o filme inteiro se baseia no Shang Tsung falando,
[00:22:52] foda-se pra essa regra.
[00:22:53] E nada acontecendo.
[00:22:55] Não tem um checks and balances ali pra chegar pra ele falar,
[00:22:58] você não pode efetivamente fazer.
[00:23:00] Não, ele fala, cara, vamos…
[00:23:02] A gente já ganhou nove seguidos,
[00:23:03] a gente esperou 450 anos,
[00:23:05] e se a gente burlasse as regras logo agora?
[00:23:08] Quando tudo indica que a gente vai vencer,
[00:23:11] porque a gente matou todo mundo da terra,
[00:23:14] e o campeão deles é um perdedor que nem tem poderes ainda.
[00:23:18] Não, aí é esse que é o ponto,
[00:23:19] porque a primeira cena que ele aparece,
[00:23:21] ele tá perdendo um torneio,
[00:23:22] uma luta de MMA de esquina, de academia, tá ligado?
[00:23:25] De academia e o quê?
[00:23:26] Ele é o cara que…
[00:23:27] Ele é um jobber.
[00:23:28] Ele é o cara que é pago pra perder.
[00:23:30] E aí é uma luta que não tem nada a ver com as outras duas do filme,
[00:23:33] porque aí ele tá realmente no chão, assim,
[00:23:35] uma parada meio Jiu-Jitsu,
[00:23:36] que não tem nada a ver com a coreografia das outras duas que ele tem que fazer.
[00:23:39] Tem uma coisa muito engraçada nesse começo do filme,
[00:23:41] porque embora em nenhum momento mostre ele recebendo uma grana pra perder,
[00:23:44] fica meio implícito que ele tá escondendo o jogo,
[00:23:47] ele tá ali porque é uma maneira fácil dele ganhar um dinheiro.
[00:23:49] E a filha dele tá na platéia, saca?
[00:23:52] E a filha dele tá tipo assim,
[00:23:53] meu pai não vai perder, meu pai é do caralho, não, meu pai vai ganhar.
[00:23:56] O cara tá apanhando, o cara tá apanhando,
[00:24:00] e de repente o cara tá pra filha dele e a filha dele,
[00:24:02] vai pai, usa o seu gancho, e você fala,
[00:24:04] meu irmão, o cara vai arrumar um problema, tá ligado?
[00:24:06] Ele vai dar um pau nesse cara, vai ganhar a luta.
[00:24:08] Não, e é tipo assim, eles estão…
[00:24:10] Aonde perde a filha, porra, meu pai só perde.
[00:24:12] Eles estão agarrados no chão, que gancho, filha, que gancho.
[00:24:17] E assim, o filme não coloca aquela esposa do cara,
[00:24:22] que eles têm um relacionamento mais duradouro,
[00:24:24] você acha que é só tipo um flingue, tá ligado?
[00:24:26] E aí ela chega e fala assim, por isso que eu não vejo ele lutar.
[00:24:29] Ele só apanha, ele só apanha.
[00:24:33] Maravilha, já falei que teu pai é um merda.
[00:24:36] Mas aí vem um outro ponto, que você falou que a menina
[00:24:38] tava pedindo um gancho enquanto o protagonista tava apanhando, né?
[00:24:41] Isso é uma coisa que eu fiz essa observação
[00:24:43] e eu considero nos comentários mais inteligentes
[00:24:45] que eu já fiz na minha vida durante o filme,
[00:24:47] que foi assim, cara, cada take do filme
[00:24:49] era uma linha de tempo alternativa.
[00:24:51] Porque assim, primeiro que na montagem não casava, né?
[00:24:54] E os personagens estavam vendo outros filmes.
[00:24:56] Então a luta que a menina estava vendo
[00:24:59] era outra porrada, tá ligado? Era outra porrada.
[00:25:01] Não era uma luta de jujitsu no chão,
[00:25:03] tava dando uma trocação do K1 ali, cara.
[00:25:05] E eu acho que essa fala do gancho também é a primeira
[00:25:09] pra gente entrar numa outra questão,
[00:25:11] que é o tom do filme nos diálogos de só fazer fanservice.
[00:25:16] Então tipo assim, não era dar muito gancho,
[00:25:18] mas ela grita pra dar o gancho.
[00:25:20] O cara tem o check list, né?
[00:25:21] Tinha um contrarreino com o check list, já colocou a referência do gancho?
[00:25:24] Aí o cara, porra, é verdade, esqueci, foi aí nessa cena aqui.
[00:25:27] Aí o cara, o Kano, ah, Kano wins,
[00:25:29] aí depois eles vão treinar e o Kung Lao vira tipo,
[00:25:35] you need to test your might.
[00:25:39] E aí só que aí, como é um filme totalmente insouço
[00:25:41] e o resto do diálogo e os personagens não é desenvolvido,
[00:25:44] tipo, fica saliente de uma maneira que você fica com vergonha de tipo,
[00:25:48] puta, eu sei que você fez isso pra mim, mas tipo, tá horrível.
[00:25:52] Eu sei que você tá tentando me agradar, mas você tá fudendo.
[00:25:55] Eu sou fã de luta livre.
[00:25:57] Eu sou fã de luta livre.
[00:25:58] Exato.
[00:25:59] Eu já assisti muita luta livre na minha vida,
[00:26:01] já paguei pra assistir luta livre, saca?
[00:26:03] Eu também.
[00:26:04] Pra você me deixar com vergonha, cara, de eu assistir alguma coisa,
[00:26:06] você tem que se esforçar pra caralho, assim.
[00:26:08] Cara, mas é isso.
[00:26:09] Em muitos momentos desse filme, bater um rolê do tipo,
[00:26:12] literalmente eu poderia estar vendo o filme do Pelé, saca?
[00:26:15] Poderia estar limpando a minha geladeira.
[00:26:17] Mas assim, é isso, se eles tivessem assistido um pouco de tipo, WWE,
[00:26:22] de…
[00:26:24] Tom and Jerry, Chaves.
[00:26:26] Qualquer coisa.
[00:26:27] Exato.
[00:26:28] Se eles tivessem, por exemplo, vamos pegar a luta livre,
[00:26:30] que eu acho que muita gente enxerga como…
[00:26:32] Uma galhofa.
[00:26:34] Uma galhofa, um formato de história meio pueril e tal.
[00:26:36] Você acompanhando uma temporada, assim, de WWE,
[00:26:40] você vai ter motivações e personagens
[00:26:43] que vão te deixar investido numa luta de uma maneira que esse filme nunca faz.
[00:26:48] Então, a impressão que dá é que ele não consegue inserir você ali
[00:26:53] e fazer…
[00:26:54] Nem que você pense assim, cara, isso é ruim, mas eu gosto.
[00:26:56] É.
[00:26:57] Eu estou curtindo esse…
[00:26:59] Nem tudo que a gente precisa assistir precisa ser…
[00:27:01] Precisa dar o Kane, ler um James Joyce, saca?
[00:27:04] Nenhum de nós foi procurando isso.
[00:27:05] A gente, tipo, eu amo Velozes e Furiosos.
[00:27:07] Até porque se você estiver num filme do Mortal Kombat
[00:27:09] esperando qualquer tipo desse livro, você está muito errado, tá ligado?
[00:27:12] Mas aí agora eu vou fazer um link com o filme de 95.
[00:27:15] Eu estava até vendo o filme de 95 hoje mais cedo,
[00:27:18] para a gente conversar.
[00:27:19] Cara, a impressão que dá é que os caras nunca nem tentaram ver o filme de 95.
[00:27:25] Quem fez esse novo?
[00:27:26] Porque o filme é muito, muito, muito superior, assim, tipo…
[00:27:29] E nos primeiros dez minutos do filme do Mortal Kombat,
[00:27:32] ele te explica o que é o torneio,
[00:27:34] ele te mostra quatro personagens e dá motivações muito claras para quem faz o quê.
[00:27:39] Olha, meu irmão, esse cara está querendo vingar o irmão,
[00:27:41] esse cara é o artista de TV,
[00:27:42] essa mina é a polícia e tem o bandido.
[00:27:46] E o vilão do filme, uma coisa surpreendente,
[00:27:48] ele tem um nome no começo do filme, porque no Mortal Kombat,
[00:27:51] os caras falam o nome Shang Tsung com uma hora e vinte de filme.
[00:27:54] Então, se você não sabe quem é o Shang Tsung,
[00:27:56] se você nunca leu Mortal Kombat,
[00:27:57] eu uso um método para avaliar filmes que é o método Ariovaldo.
[00:28:01] Ariovaldo é meu avô.
[00:28:02] Ele é aposentado das docas, ele teve um emprego na vida dele inteiro,
[00:28:05] ele é doqueiro, levantava saca de café na boca.
[00:28:08] Ele gosta muito de filme.
[00:28:10] Se ele estivesse vendo aquele filme, saca,
[00:28:12] ele ia falar, cara, isso é uma merda, porque eu não sei o que está acontecendo.
[00:28:15] O filme não me explica em nenhum momento
[00:28:17] e não é nem por achar que eu sou burro
[00:28:19] ou porque eu achar que eu sou muito inteligente.
[00:28:21] Ele simplesmente pegou um livro,
[00:28:24] rasgaram as primeiras 40 páginas e deram para você ler.
[00:28:27] E você fala, porra, é essa.
[00:28:30] E o filme de 95, ele faz isso.
[00:28:32] E tem uma outra coisa que, indo um pouco mais além,
[00:28:35] que esse filme acho que a gente discutindo não percebeu, mas é o seguinte.
[00:28:38] O Scorpion, que vai, vamos dizer assim,
[00:28:41] é o outro personagem principal da franquia Mortal Kombat,
[00:28:44] que é o Sub-Zero Scorpion.
[00:28:46] Ele aparece no filme por 10 minutos.
[00:28:48] Sim, ele está na cena inicial e na cena final.
[00:28:51] O Shang Tsung aparece por três.
[00:28:54] Os conectes importantes do filme não aparecem no filme.
[00:28:57] Não, eles cumprem tabela,
[00:28:59] eles estão total batendo ponto.
[00:29:01] E aí entra outra coisa, que é…
[00:29:03] Você falou muito bem de como o filme estabelece a premissa e os heróis de 95,
[00:29:09] mas também tem uma coisa que a gente discutiu no dia
[00:29:11] de como esse filme desperdiça a chance de introduzir os vilões.
[00:29:15] Porque ele tenta de introduzir os vilões numa hora
[00:29:18] e você não tem nenhuma razão para saber quem são
[00:29:21] ou por que eu deveria estar com medo dessa gente.
[00:29:23] Teoricamente só o Sub-Zero, você já conhece,
[00:29:25] você já deve estar desconfiado se não deveria ter muito medo dele,
[00:29:27] porque ele não conseguiu nem matar o Jax.
[00:29:29] Mas aí o Jax não tinha mais braços e ele não conseguiu terminar o trabalho.
[00:29:33] E aí o primeiro filme, o que ele faz?
[00:29:36] Ele usa personagens que não são os heróis para perderem as luzes,
[00:29:39] para serem jobbers, basicamente perderem.
[00:29:42] Os personagens do filme estabelecem o nível de ameaça que eles são para os nossos heróis.
[00:29:49] E esse filme não faz isso, porque a única vez que eles lutam
[00:29:52] é exatamente a luta que eventualmente eles perdem.
[00:29:56] Sabe por que eu vou fazer essa comparação aqui?
[00:29:59] Porque o filme de 95 ele vai beber na fonte que vai dar origem ao Mortal Kombat,
[00:30:06] que são os filmes do Bruce Lee.
[00:30:08] Que isso era muito comum, você vai estabelecer o vilão do filme do Bruce Lee,
[00:30:12] é o vilão matando lá o carinha qualquer.
[00:30:14] O mestre, né? O amigo, né?
[00:30:16] Exatamente.
[00:30:17] Os filmes do Van Damme, né?
[00:30:18] Exatamente.
[00:30:20] E aí você quando você vê o Goro no filme original,
[00:30:25] eu falo assim, cara, esse é um cara de respeito, né?
[00:30:28] No filme atual, por isso que eu estou falando,
[00:30:30] no filme atual ele foi um filme feito por algoritmo.
[00:30:33] Porque assim, tudo que ele faz, tudo que ele faz,
[00:30:37] tudo que era feito no filme só era pra agradar um nicho de mercado, né?
[00:30:41] Então assim, cena de luta, piada, sabe?
[00:30:44] Tipo assim, até o tom de roteiro me lembrou um pouco o tom dos filmes da Marvel,
[00:30:49] saca? Vamos tentar imprimir esse ritmo, vamos tentar imprimir.
[00:30:52] Mas só que copiado por uma máquina que não entende filmes.
[00:30:55] Exatamente, exatamente, foi assim pra assim, vamos pegar aqui ó,
[00:30:57] a gente tem esse, o input é o lore do Mortal Kombat,
[00:31:00] vamos pegar esses algoritmos aí rodando,
[00:31:02] o que que está hot no mercado, né?
[00:31:04] Ah, um protagonista multi-étnico que tem família,
[00:31:08] porque ele não é mais o Lone Ranger, ele não é, sabe?
[00:31:11] Tipo assim, é o que está na moda agora.
[00:31:13] E aí o cara vai lá e sai isso.
[00:31:15] E aí o protagonista é outro grande problema desse roteiro,
[00:31:18] que é, ele não tem função nenhuma,
[00:31:20] e ele não é um personagem, ele é um personagem original do filme,
[00:31:23] que como várias decisões de roteiro, você olha e fala assim,
[00:31:26] como que essa é a melhor alternativa que você tinha, né?
[00:31:29] Especialmente porque a gente pode olhar pra um material fonte aqui, né?
[00:31:32] E dizer, olha, você tomou várias decisões de mudar coisas,
[00:31:37] e aparentemente por motivo nenhum bom.
[00:31:40] Porque todas as decisões que o filme toma pra tipo,
[00:31:43] dar sua marca e por exemplo, vamos fazer uma história que não é a história do primeiro filme,
[00:31:47] que é do torneio e tal.
[00:31:49] Todas essas decisões levam eles a tomarem a pior escolha possível, né?
[00:31:55] É tipo, a gente não vai fazer um torneio,
[00:31:58] porque vocês têm uma ideia melhor? Não, não, a gente não tem nenhuma ideia.
[00:32:01] Mas sabe o que isso me lembra?
[00:32:03] Tem duas coisas, desculpa, tem duas coisas que é muito importante.
[00:32:06] Primeiro é o seguinte, uma coisa que eu tinha esquecido,
[00:32:08] o primeiro filme lá, o de 95, ele também inventa coisas.
[00:32:11] E ele inventa duas coisas que são perfeitas.
[00:32:14] Primeiro, ele inventa o irmão pro Liu Kang, que a função dele é morrer,
[00:32:16] pra dar essa vingança pro Liu Kang e tal.
[00:32:18] Ótimo.
[00:32:19] Perfeito. E ele inventa um personagem que é o Art Li lá,
[00:32:22] que é o cara que, é tipo, vamos dizer assim,
[00:32:26] o quarto membro do grupo deles, que é um cara que fica a brother deles
[00:32:29] e serve pra morrer pro goro.
[00:32:30] Que é um cara que chega pro Johnny Cage e fala,
[00:32:32] pô cara, eu assisto tuas lutas e tu é…
[00:32:34] Cara, e é isso, assim, a questão é você,
[00:32:37] não é errado você inventar coisas pra deixar, desenvolver melhor os personagens,
[00:32:42] mas você inventar por inventar é uma coisa tão…
[00:32:46] É, o primeiro filme também inventa o irmão do Liu Kang, né?
[00:32:49] Sim, sim, e é isso, e é isso.
[00:32:52] Mas é porque ele serve pra criar uma história que você…
[00:32:55] No jogo de luta você não precisa, você escolhe o boneco e cai na porrada.
[00:32:58] Por que ele tá batendo?
[00:32:59] Um minuto você já entende, né, cara?
[00:33:01] Porque o começo do filme é o Shang Tsung matando o irmão dele,
[00:33:04] falando que, ah, eu matei teu irmão, tu é o próximo,
[00:33:06] e ele acorda com o pesadelo.
[00:33:07] Você já entendeu o personagem ali, cara?
[00:33:09] Fechou, é um personagem, tem motivação, tem…
[00:33:11] Você sabe por que ele tá ali?
[00:33:13] Você falou disso assim, pra minha comparação,
[00:33:15] eu sei que esse é o nosso primeiro episódio de versos,
[00:33:17] e no final a gente vai ter que declarar quem é o vencedor desse,
[00:33:19] o melhor do pior aqui.
[00:33:21] A gente já declarou, assim.
[00:33:23] Não tem como, mas assim, então acho que pra ter uma luta justa,
[00:33:26] né, pra todo mundo tá no meio, sem handicap,
[00:33:29] não tem que ser Mortal Kombat de 2021 contra Mortal Kombat de 95,
[00:33:33] tem que ser Mortal Kombat de 2021 versus Street Fighter,
[00:33:36] se não me engano, de 93 ou 94?
[00:33:38] 94.
[00:33:39] 94.
[00:33:40] Eu achei que você ia dizer contra Mortal Kombat e Aniquilação de 1997.
[00:33:43] É, briga boa, hein, briga boa.
[00:33:45] É, briga mais justa, mas é assim, cara,
[00:33:47] mas eu acho que em termos de concepção e transformação,
[00:33:51] assim, o Mortal Kombat e Aniquilação,
[00:33:53] pelo menos ele tenta seguir o lore ali da parada toda,
[00:33:55] e ele afunda em questão de budget.
[00:33:59] Né, tipo assim, pô.
[00:34:00] E uma coisa que é importante, né,
[00:34:01] porque não faltou dinheiro pra esse filme do Mortal Kombat,
[00:34:03] é isso que eu programo.
[00:34:04] É isso que me deixa pura.
[00:34:05] É, e tal, é justamente isso.
[00:34:07] E aí me lembra o que foi, por exemplo, o filme do Street Fighter, né, cara,
[00:34:11] porque o roteiro do filme do Street Fighter
[00:34:13] foi escrito em menos de 24 horas.
[00:34:16] Sabe-se lá a base de quê, tá ligado nisso?
[00:34:18] Pocahina, né.
[00:34:19] Pocahina, né.
[00:34:20] Eu não tô dizendo, tu dizeste.
[00:34:22] Tu dizeste.
[00:34:23] Eu preciso lembrar a vocês, se eu não me engano,
[00:34:27] que assim, o diretor e roteirista do filme do Street Fighter
[00:34:32] é o roteirista de um dos melhores roteiros do cinema de ação já feitos.
[00:34:38] É o roteirista do Duro de Matar.
[00:34:40] Tipo, que é um roteiro perfeitamente acabado, assim, sabe?
[00:34:43] Tudo, tudo se encaixa.
[00:34:45] E aí, bicho, ele mesmo fala que ele não sabe, tipo, assim,
[00:34:49] que ele escreveu um péssimo roteiro,
[00:34:51] que ele não entendia nada do material,
[00:34:53] não sabia o que fazer com o material,
[00:34:55] e que ele tinha a exigência de usar todos os personagens,
[00:34:57] então que ele meio que, ah, vai,
[00:34:59] e que aí ninguém queria dirigir, então ele dirigiu.
[00:35:02] Então, e teve uma coisa que é muito louca,
[00:35:04] que é, mesmo, voltando a palavra com a Luta Livre,
[00:35:06] é o mesmo problema que acaba com a WCW em 1990,
[00:35:08] que é liberdade criativa.
[00:35:10] O cara assina o Wandaub pro filme e tem uma cláusula lá que ele pode escolher o que ele quiser
[00:35:13] e fazer a cena que ele quiser.
[00:35:14] E aí alguém chega e fala, cara, o Wandaub tá chapado lá no trailer,
[00:35:17] o que que a gente faz aí? Ah, não sei, cara, bota ele pra fazer um discurso aí, saca?
[00:35:21] Ó, tem essa Kelly Minogue aqui, ela vai fazer, não, não, beleza, o que que ela quer fazer?
[00:35:24] Ah, ela tem que dar uma pirueta aí e fazer, ah, beleza, deixa o cara fazer, né?
[00:35:27] É literalmente os Inmates Running the Asylum, né, assim.
[00:35:31] Não, é totalmente descontentado.
[00:35:33] Mas é aqui também.
[00:35:35] Por um diretor postiço, imagina ele chegando pra gente do Wandaub e falando,
[00:35:37] cara, esse teu crente tá louco, não, o cara…
[00:35:39] Pior que a história parece que é essa mesmo,
[00:35:42] inclusive a história da concepção do videogame, do Street Fighter The Movie, né, cara,
[00:35:47] que os atores digitalizados, tipo, o Wandaub apareceu por duas horas,
[00:35:52] falei assim, valeu, valeu, já deu, tá ligado?
[00:35:54] Sim, e o Capitão Salada é um personagem,
[00:35:59] e o Raul Júlia já tava tão doente que é o dublê dele que faz o papel no jogo.
[00:36:05] Mas aí eu acho que tem um paralelo entre esses dois filmes,
[00:36:09] que é exatamente essa coisa assim, ah, vamos usar um monte de personagem,
[00:36:12] mas eles não vão ser personagens, mas vamos usar nomes e caras familiares pros fãs,
[00:36:16] vamos lotar o filme disso e fazer um filme totalmente desconjuntado.
[00:36:20] E não é desconjuntado porque tem esses personagens, entendeu?
[00:36:22] Você consegue fazer um filme com aqueles personagens?
[00:36:25] Melhor, talvez você diminua um pouco o número de personagens?
[00:36:28] Talvez, mas é assim, dá motivações e dá motivações que façam sentido no seu filme,
[00:36:32] porque, de novo, quando a gente…
[00:36:33] De novo não, mas vamos lá voltar, voltar ao Liu Kang aqui.
[00:36:36] Quando a gente encontra o Liu Kang, os nossos heróis encontram o Liu Kang
[00:36:39] porque eles vão atrás do templo do Raiden.
[00:36:42] Aí eles chegam lá…
[00:36:43] Quando eles estão chegando, na verdade, o Liu Kang tá dando uma volta na quadra,
[00:36:46] basicamente, pra ter um…
[00:36:48] O Liu Kang mete uma bola de fogo no peito do Liu Kang, não sei mais nem menos,
[00:36:51] e fala, calma, eu sou amigo de vocês, pá!
[00:36:54] Exato, não, ele chega num plano do pôr do sol que não casa com o resto da cena.
[00:37:01] Mais uma vez a teoria da gente de tempo alternativo.
[00:37:03] Exato, e aí ele vira e fala, eu sou o Liu Kang, eu tinha que encontrar vocês.
[00:37:10] Taram demais, já tentaram matar o Jackson ontem, saca?
[00:37:13] Esse balaço no peito que eu mandei, né?
[00:37:16] Exato, e aí é tipo assim, você não encontrou os caras…
[00:37:18] Você e o Kung Lao, teoricamente, tinham que encontrar e treinar essas pessoas,
[00:37:21] só que vocês não foram fazer isso.
[00:37:23] E deixaram pra última hora.
[00:37:24] Então não bota isso na última versão do roteiro.
[00:37:26] Fala assim, ó, nessa versão do roteiro a gente botou os caras indo no templo,
[00:37:29] então tipo, ó, a motivação do Liu Kang e do Kung Lao não pode ser essa,
[00:37:32] não pode ser essa, a motivação deles é, bom, vocês chegaram aqui,
[00:37:35] a gente tá treinando pra isso há anos e vocês não, então a gente vai treinar vocês.
[00:37:39] A Justa resolveu.
[00:37:41] Vai lá, vai lá.
[00:37:43] Tem tantos problemas nesse roteiro que você resolve, tipo, pensando um pouco.
[00:37:49] E se isso fosse escrito pelo David Lynch e tivesse escrito Twin Peaks, né cara,
[00:37:54] Twin Peaks Redux, as pessoas iam achar geniais.
[00:37:57] Não, para, não, não, não, você só tá fazendo isso pra ser chato.
[00:38:01] Você não acredita no que a gente tá falando.
[00:38:03] Eu não acredito mesmo, mas assim, mas não sabe como que eu tô falando isso.
[00:38:06] Porque assim, o negócio é tão bizarro, mas é tão bizarro,
[00:38:10] porque a gente tem que achar que teve uma intencionalidade aí, cara.
[00:38:14] Assim, o ouvinte não tá tendo ideia, bicho, tem um take, no take seguinte o filme muda completamente.
[00:38:21] Eu vi muitos problemas de edição.
[00:38:23] Parece que alguém foi no banheiro e falou, deixa aí que depois eu termino.
[00:38:26] Aí o cara deva 10 minutos no banheiro, o cara fala,
[00:38:28] Orlando, nós vamos ficar atrasados, assume essa porra aí.
[00:38:32] Mas então, os problemas de roteiro, é muito comum a gente ver muito problemas de roteiro
[00:38:37] por, às vezes, um processo mercadológico que não respeita essa fase de desenvolvimento
[00:38:41] de um produto audiovisual.
[00:38:42] Mas, juntando com os problemas de edição e o tamanho dos buracos que tem nesse roteiro e na trama,
[00:38:50] fica parecendo algo que os envolvidos, não sei se todos, ligaram o foda-se em certo momento.
[00:38:57] E aí a gente precisa lembrar que esse é um projeto, como o Lucas trouxe lá atrás,
[00:39:01] que ele tá há muito tempo dormente, assim, tipo de tentar fazer,
[00:39:05] vamos produzir o terceiro filme do Anaconda, vai e volta e vai, cai diretor e cai isso, cai aquilo,
[00:39:10] e volta, vamos filmar não sei onde, vamos filmar não sei o que.
[00:39:13] E aí finalmente ele saiu com essa configuração aí,
[00:39:17] de esse roteirista terrível e esse diretor que…
[00:39:25] Não, tudo errado né, continuista, tem erro de foco cara, tem erro de foco, não tem foquista,
[00:39:33] você pode pegar assim, todos os níveis, sabe o que se me lembra, 9mm daquela série horrorosa que a gente viu,
[00:39:39] porque assim, você pega todos os pontos e fala assim ó, foquista, é uma merda, diretor de fotografia,
[00:39:44] uma merda, direção de arte, uma merda, direção de elenco, uma merda, diretor, uma merda, tudo.
[00:39:48] Posso ler a IMDB do diretor pra vocês entenderem, tá onde que ele veio?
[00:39:54] Dois créditos como diretor, Mortal Kombat 2021 e um curta metragem em 2014, é isso, pronto, acabou.
[00:40:03] Cara, é filme de produtor cara, mas…
[00:40:05] Ele não, ele é diretor de comercial, e aí o sentimento que eu tenho com esse filme,
[00:40:12] e a razão pela qual eu acho que eu gostei do trailer e odiei o filme,
[00:40:15] é que o filme inteiro parece um comercial, um trailer, pra um filme que eles não conseguiram fazer.
[00:40:20] Sim, sim.
[00:40:21] Você tem o tempo inteiro esperando que o filme engrenhe, que o filme faça sentido e ele não…
[00:40:26] Tem uma coisa que eu vou pegar esse teu gancho, que é o seguinte…
[00:40:29] O gancho? É?
[00:40:30] É, o filme de 95, ele termina num meio que num To Be Continued.
[00:40:37] É, ele faz a coisa que assim, que com certeza esse filme ia fazer também, a gente sabia,
[00:40:42] porque tipo, hoje em dia tudo é filme da Marvel, né?
[00:40:44] Então, mas a impressão que dá é que esse filme de 2021, ele termina num gancho pra um próximo filme,
[00:40:51] mas a impressão que dá é que ninguém envolvido ali acredita que vai ter um próximo filme.
[00:40:55] Cara, eu não sei.
[00:40:56] Tipo assim, a gente vai ter que deixar esse gancho aí, mas tá ligado que isso vai flopar, né?
[00:40:59] Não, eu não sei, porque sabe, a impressão que eu tenho é o seguinte, que…
[00:41:03] Desculpe, nada a conta produtores, tem muitos amigos que são inclusive, né?
[00:41:08] Mas assim, esse é um filme claramente que foi feito por produtores.
[00:41:12] Inclusive a decisão, essa decisão do personagem, o roteirista falou numa entrevista,
[00:41:16] que tipo assim, era uma exigência do estúdio, dos produtores do estúdio,
[00:41:19] que o protagonista fosse esse personagem novo que não tá nos jogos e fosse tipo o avatar do público.
[00:41:26] Não, então, aí é isso, aí assim, e eu…
[00:41:30] A gente sabe que essa galera não sabe muito bem o que tá fazendo, né?
[00:41:35] Na verdade, eles acham que sabe muito bem, então não, cara, vamos botar aqui, isso aqui vai dar sucesso.
[00:41:40] Cara, os caras tão esperando isso.
[00:41:42] Pô, o custo desse filme foi um custo alto, bicho.
[00:41:45] Eu preciso dizer uma coisa, esse filme saiu nos cinemas aqui no Brasil, eu acho que vai sair nos cinemas,
[00:41:50] saiu nos cinemas dos Estados Unidos, mas também saiu simultaneamente lá nos Estados Unidos no HBO Max.
[00:41:55] E aí uma coisa que me assustou essa semana foi que eles falaram que foi a melhor estreia de filme no HBO Max.
[00:42:01] Tudo bem que foram poucas estrelas até agora, mas assim…
[00:42:04] Zyderkant.
[00:42:05] Zyderkant já bateu de longe, mas logo antes tinha sido o Godzilla vs. King Kong.
[00:42:12] E ele já bateu a estreia do Godzilla vs. King Kong.
[00:42:15] Ah, mas é muito, mas o nome, né, acho que um dos motivos dos caras quererem terminar esse filme de alguma maneira
[00:42:20] é que o nome é Mortal Kombat muito vendável, né?
[00:42:22] E cara, o trailer tava bonito, entendeu? É isso, esse filme tem grana, eles fizeram tipo assim…
[00:42:25] Ah, o jogo de luta…
[00:42:26] São coisas muito legais na direção de arte.
[00:42:28] O jogo de luta, e assim, tá falando, mas hoje era multimilionário, né,
[00:42:31] a indústria de videogames hoje em dia é maior do que a indústria de cinema, né, em termos de lucro pra produto, né?
[00:42:36] Sim.
[00:42:37] Tipo, é o maior produto de videogame em termos de jogo de luta nesse momento, né, os caras fazem um filme desse.
[00:42:42] Saca, tipo…
[00:42:43] Eu acho que Tekken passou, mas assim…
[00:42:46] O Tekken é gigantesco.
[00:42:48] Eu acho que hoje em dia o Tekken como franquia conseguiu chegar em tipo mais receita do que Mortal Kombat,
[00:42:56] mas acho que Mortal Kombat é isso, o segundo lugar.
[00:42:57] Mas é isso, não era um produto qualquer, não era um…
[00:42:59] E diferente de Tekken, e especialmente diferente de Street Fighter, era uma série que tava constantemente rolando, né?
[00:43:05] Tipo, nunca teve um hiato tão grande nos jogos do Mortal Kombat,
[00:43:09] era um produto que, né, as empresas confiavam, primeiro a Midway, depois a Warner, pra ser rentável sempre.
[00:43:15] É, e a empresa da Warner, né, é isso que eu conto, é uma marca da Warner, né?
[00:43:18] Exato, é, exato, desde 2010 ali é da Warner.
[00:43:23] E aí, olha só, mas aí mesmo é que você entra numa certa arrogância na indústria do cinema para com a indústria do videogame, que é…
[00:43:33] Como a gente falou aqui, os últimos três jogos do Mortal Kombat tiveram um modo história muito legal, muito engajante.
[00:43:39] E assim…
[00:43:40] Isso fica chegando, gente.
[00:43:41] E muito…
[00:43:42] E aí, o modo história do Mortal Kombat 11, tipo, dura o tempo de uma temporada de TV praticamente,
[00:43:47] porque são umas seis horas, oito horas ali.
[00:43:49] E aí, você tem uma arrogância que é um time criativo que olha e fala assim…
[00:43:55] Não, a gente não vai pegar essa história que eles estão fazendo há três jogos e tentar, tipo, pegar os melhores momentos,
[00:44:00] fazer uma versão pro cinema, aumentar uns stakes e aumentar o production velho, claro, né?
[00:44:06] Tipo, trabalhar mais esses diálogos, etc, etc, diminuir o número dos personagens, poder desenvolver melhor.
[00:44:11] Não, não, não, eles olham e falam assim, não, joga tudo isso no lixo, porque eu tenho uma ideia melhor.
[00:44:17] Deixa a vomita e toca pro pai, né?
[00:44:19] E não tem, não tem, é patente que não tem.
[00:44:23] Mas é a mesma coisa, é a mesma coisa do Street Fighter.
[00:44:26] Cara, assim, os caras não acreditam que videogame possa ser…
[00:44:31] Esse é o ponto que eu acho.
[00:44:32] Porque se você for ver, assim, cara, qual o jogo de videogame realmente virou um filme bom, tirando esse Mortal Kombat antigo…
[00:44:40] Não é um filme bom, é só melhor que o novo.
[00:44:42] É, mas, cara, dá pra assistir e se divertir.
[00:44:45] Não, não, não, eu sou muito contra isso.
[00:44:47] A gente fez isso… Teve um aniversário meu um ano que a gente reviu esse filme, mas não foi interessante.
[00:44:53] No quesito filme de ação marcial, assim, é um filmasso.
[00:44:56] É isso, você vai ver, envelhecer melhor que o filme de Vandamme.
[00:45:00] Envelhecer melhor que O Último Dragão Branco.
[00:45:02] E eu fico triste que a gente não teve o Vandamme de Johnny Cage nesse filme, né, infelizmente.
[00:45:07] Só pra aproveitar a ponte, desculpa, Anando, rapidinho.
[00:45:11] Eu tava pesquisando aqui, assim, orelhado aqui, parece que a maior franquia de jogos de luta é Street Fighter.
[00:45:17] Street Fighter, ah tá.
[00:45:19] Ah tá, mas o último jogo não deu tudo isso?
[00:45:21] Não, não, não, assim, franquia como todo, assim.
[00:45:23] Como todo, é, porque tipo, eles lucraram tanto nos anos 90 que mesmo eles tendem um hiato ali nos anos 2000 ainda, né, e hoje em dia tem Street Fighter IV, Street Fighter V.
[00:45:31] É, mas só muito esporte hoje.
[00:45:33] É, exato.
[00:45:34] Mas assim, né, e mesmo assim eles estão sempre mal das pernas na Capcom, né, porque o 5 só saiu porque a Sony pagou parte do desenvolvimento em troca de exclusividade dos consoles.
[00:45:42] É, mas deixa eu terminar só o que eu tava falando, porque assim, cara, tu pega, por exemplo, Street Fighter, que pra mim é o filme que a gente tem que botar contra o Mortal Kombat aqui.
[00:45:49] O Street Fighter, os caras não acreditavam naquilo.
[00:45:52] Street Fighter Down, como o Luque tava falando, assim, dava um bom filme de…
[00:45:55] Você falou um kickbox.
[00:45:57] Um bom filme de…
[00:45:58] Deixa eu terminar, Gustavo.
[00:46:01] Ou assim, você deu…
[00:46:02] Dava um bom filme assim, cara, não precisa fazer nada.
[00:46:04] Os caras vão pro torneio, o cara na porrada quebra um carro porque tá puto e pronto.
[00:46:08] Não, aí os caras têm que transformar aqui numa histórica, história American Way of Life.
[00:46:12] Não, Estados Unidos indo pra uma, né, tipo, indo pra uma ilha no sudeste.
[00:46:18] Missão, missão da ONU, né, no Eastmore West, assim, né, uma…
[00:46:23] E esse filme também do Mortal Kombat também faz um pouco nisso, porque é sempre essa coisa
[00:46:28] belicosa, saca?
[00:46:30] Sabe, tem uma tradução meio pro cinema, sabe, uma grande história.
[00:46:34] Então, assim, o que que tava bombando naquela época?
[00:46:37] O que que era sério, entre aspas, naquela época?
[00:46:39] Era um filme de…
[00:46:41] Era um filme de ação, né, filme de invasão, de guerra e tal.
[00:46:45] O que tava bombando hoje em dia é filme da Marvel, né, tipo, é filme…
[00:46:50] Essas grandes sagas e sei lá o quê.
[00:46:52] Então, assim, o que o estúdio fez foi pegar o lore, pegar o 10 input, pegar e falar assim, olha,
[00:46:57] o que a gente acredita que vai dar certo é transformar isso aqui numa nova liga da justiça.
[00:47:01] Inclusive, tem o momento da liga da justiça, né, que eles chegam e falam assim,
[00:47:04] não, vamos vencer juntos, mas separando eles, né, vamos ter estratégia.
[00:47:08] Mas, mas, gente, gente, eu preciso fazer um parênteses aqui que reforça o meu ponto anterior
[00:47:12] sobre a arrogância de não aproveitar os pontos, que é o quê?
[00:47:16] O mesmo estúdio que faz os jogos Mortal Kombat e faz essas histórias,
[00:47:19] que inclusive já são histórias bem influenciadas pelos filmes de Super Heroes de hoje em dia,
[00:47:23] nos games, fazem os jogos da liga da justiça, né, o Injustice 1 e 2.
[00:47:28] Que você vai preferir.
[00:47:29] Eles escrevem, eles já, tipo assim, os caras que escrevem a história do Mortal Kombat,
[00:47:33] eles já sabem escrever ótimas histórias de grupos gerais também.
[00:47:36] Então, é tipo assim, em algum momento, você, é isso assim, sabe, tipo, a HBO agora tá fazendo a série,
[00:47:41] eu não gosto de Last of Us, mas estão lá fazendo e o roteirista principal, o Neil Druckmann,
[00:47:46] é o produtor executivo da série, sabe?
[00:47:48] Tipo, eles falam, beleza, se a gente vai adaptar um negócio que a gente acha que a história vale,
[00:47:51] e os personagens valem, pega o cara que já sabe lidar com isso e traz ele pra ajudar, entendeu?
[00:47:56] E aqui o processo parece que foi exatamente o mesmo de 95, 97, que foi tipo,
[00:48:02] a gente tem esses direitos aqui, vamos fazer.
[00:48:04] Mas, tipo, foda-se quem já sabe lidar com isso, assim.
[00:48:07] E aí, de novo, isso vem de uma arrogância, tipo, isso é um problema muito simples de resolver
[00:48:11] e eu vou resolver simplesmente aqui.
[00:48:12] E não resolveu, e aí, quebra a cara, mas não quebra a cara, mas quebra a cara no sentido de eu não gostei.
[00:48:17] Então, o quão mal deve estar se sentindo esse diretor, por saber que eu,
[00:48:21] gazanzeita, não gostei.
[00:48:22] Deve não conseguir dormir antes.
[00:48:24] Que ele demagou, que ele destruiu sua infância, né, guys?
[00:48:27] Exato, que ele destruiu minha infância, que mais um ano de isolamento social e pandemia,
[00:48:32] eu tava, tipo, tinha uma pequena coisa que me salvava,
[00:48:36] e assim, eu estaria mais isolado se em dois meses não tivesse Velozes e Furiosos 9, assim,
[00:48:42] porque pelo menos é alguma coisa com a qual eu posso contar.
[00:48:45] Mas se o único filme que eu estivesse esperando pra ver esse ano fosse do Mortal Kombat,
[00:48:49] eu não sei como estaria minha saúde mental agora.
[00:48:52] É triste, é triste.
[00:48:54] Eu lembrei de uma outra coisa muito legal também,
[00:48:56] que se o filme tem momentos que absolutamente não deveriam estar ali e foram inventados,
[00:49:01] ele peca porque faltam alguns momentos, assim, cruciais.
[00:49:05] E um que me chamou muito a atenção é que tem um personagem no filme, que é o Reiko, né,
[00:49:11] que aliás é interpretado pelo Nathan Jones, né, que é conhecido como Rictus Erectus do Mad Max,
[00:49:16] o cara grandão, né, também ex lutador de luta livre, passou pela WWE, enfim.
[00:49:22] E o Reiko, o papel dele no filme, além dele ser um boneco que tem quase nada a ver com o Reiko dos jogos,
[00:49:28] tipo assim, vamos usar o nome do cara e foda-se, ele não fala nada o filme inteiro,
[00:49:33] ele só aparece, dá um pau no Jax numa cena, e lá quando rola o momento Liga da Justiça,
[00:49:39] né, que o Raiden, que não pode interferir, ele pega todos os heróis,
[00:49:43] o cara faz um limbo, ele fala assim ó, a gente tá aqui, o Shang Tsung não pode nos afetar aqui,
[00:49:50] então a gente vai precisar dar um pep talk.
[00:49:52] E quem vai dar esse pep talk pra gente vai ser esse cara que não ganhou nenhuma luta o filme inteiro,
[00:49:56] que ninguém aqui respeita, ninguém gosta, e aí ele vira, o que é o pep talk dele?
[00:50:01] Ele vira e fala assim, ô Raiden, você consegue transportar qualquer pessoa pra qualquer lugar?
[00:50:05] E o Raiden fala um sim, quase de tipo, caralho, não tinha pensado nisso.
[00:50:12] Ah, eu tinha que ter, eu podia ter transportado, por exemplo, vocês para o meu templo, para treinar.
[00:50:17] Isso.
[00:50:18] Não, mas eu mandei um monge…
[00:50:20] E buscar o Jax sem os braços, imagina o monge indo buscar o Jax lá no barraco lá,
[00:50:24] o Jax sem os braços, arrastar ele até o deserto pra pegar ele.
[00:50:28] E de novo assim, a explicação de porque que os monges fazem braços ruins pra ele,
[00:50:33] pra ele ter que ter uma arcana que faz o braço metálico…
[00:50:38] Pensa nos ouvintes, pensa nos ouvintes, o que acontece é…
[00:50:41] Vamos ter que explicar o que é arcana agora.
[00:50:43] Na primeira luta, na primeira luta do filme…
[00:50:46] Tá no trailer, né, ele perde os braços.
[00:50:48] Sub-zero, sub-zero vai lá, congela os braços dele, ele mata e deixa ele pra morrer, né, vai embora.
[00:50:53] Não mata ele.
[00:50:56] Aí ele some no filme, some, whatever, né, acontece mais nada.
[00:51:01] O mundo presume ele como morto.
[00:51:03] É uma pena o que aconteceu com o Jax, vamos lá encontrar esse Raiden.
[00:51:07] Você só sabe que ele não morreu porque você viu o trailer e ele tá no trailer depois,
[00:51:10] com os braços metálicos, mas até então você acha que ele morreu.
[00:51:12] Aí esse Marco da Cássico da 2ª Divisão chega, conhece a Sônia, né, e conhece o Kano,
[00:51:19] e aí eles vão pro lugar mais secreto do mundo, que muito, né, muito conveniente,
[00:51:26] o Kano saber onde é o templo do Raiden, né, que é super secreto.
[00:51:28] E de novo, o Kano vai com uma motivação que o próprio filme vira pra tela e fala assim,
[00:51:32] a gente sabe que você não comprou, que essa é a motivação dele, mas a gente não teve tempo de pensar numa,
[00:51:37] então ele vai sem mesmo.
[00:51:39] Ele vai porque ele quer dois milhões de dólares, três milhões.
[00:51:41] Então, mas só que tipo, eles deixam claro no diálogo seguinte que é tipo,
[00:51:45] você não tem dois milhões de dólares e ele não acredita que você tenha dois milhões de dólares.
[00:51:49] Exatamente, é tipo o vilão do Austin Power, né, eu quero um milhão de dólares.
[00:51:54] Aí o Kano vira um personagem que ele não é, mas nessa cena a única explicação pro comportamento dele é tipo assim,
[00:51:59] ah, ele não quer admitir que gosta dos nossos heróis e ele quer estar junto nessa aventura.
[00:52:04] Ele tem sense de aventura, né, a verdade é que a aventura são os amigos que fazemos pelo caminho.
[00:52:08] Aí eles vão parar no meio do deserto, assim, num lugar nenhum, de lugar nenhum.
[00:52:12] Só pra finalizar o Reiko, que o rolê é o seguinte, quando o Raiden manda os caras lá pra esse lugar e rola esse pep talk,
[00:52:20] o Jax vira pro Raiden e fala assim, eu quero pegar aquele tal Reiko, ele tem uns assuntos inacabados com ele.
[00:52:26] Aí você fala, cara, como que ele sabe que o nome do cara é Reiko? De onde que ele conhece o cara?
[00:52:29] É verdade, ele não tava na cena que eles falaram que era um Reiko.
[00:52:32] E aí o melhor é que logo em seguida a Sônia vira pro Raiden e fala assim,
[00:52:35] agora eu quero ver tu me colocar pra lutar contra aquela mina dos dentão lá.
[00:52:39] E o Raiden fala, não, teu assunto é com o Kano. Teleporta lá pra lutar com o Kano.
[00:52:42] Ih, foda, tu não tem o que querer aqui, tu não tem o que querer aqui, mulher.
[00:52:47] Vamos lá, vamos lá, aí eles vão pro meio do deserto, gente, peraí, vamos tentar pegar aqui.
[00:52:51] Eles entram num avião, que é uma amiga do Kano.
[00:52:55] Direitinho pra uma velha.
[00:52:56] Aí eles pulam no meio do nada do deserto, ficam andando horas e horas.
[00:53:01] Quatro quilômetros do tempo?
[00:53:02] Aí chegam no tempo.
[00:53:03] Provavelmente bebe a própria ruína.
[00:53:05] É, tipo Bear Grylls. E aí eles chegam lá e tá o Liu Kang na porta, opa, tava esperando vocês.
[00:53:11] Ele não tá na porta, ele tá andando no meio do deserto também.
[00:53:14] Tipo, e sem nada, sem nenhum cantinho de água, sabe? Ele sabe que ele tá no deserto.
[00:53:18] Aí eles chegam assim, pô, eu tinha que procurar vocês, não é bem que vocês chegaram.
[00:53:21] Então, ou seja, tem um outro filme que o Liu Kang procurou a galera.
[00:53:24] Calma aí, gente.
[00:53:25] E ele não só procurou, como ele foi até Chicago, que era onde eles estavam no dia anterior,
[00:53:29] porque ele foi lá e pegou o Jax e trouxe de volta.
[00:53:31] Então, é isso que eu ia falar, porque nesse momento, quando eles chegam nesse lugar, no meio do nada, tá o Jax lá.
[00:53:36] E aí eu fico te perguntando, meu irmão, como é que o cara foi pra lá? O cara viajou, foi…
[00:53:41] Enfim, tudo isso aconteceu…
[00:53:42] A gente tem que presumir que o Hayden teleportou ele, e aí, de novo, por que o Hayden não faz mais?
[00:53:47] Porque é isso, o Hayden do Christopher Lambert, no primeiro filme, é isso, ele não pode interferir.
[00:53:51] Então, a razão pela qual ele não faz, o que ele faz é, ele não deixa o Shang Tsung quebrar as regras.
[00:53:57] Você não vai atacar meus caras aqui fora da ilha, antes do torneio, não vai.
[00:54:01] É uma das melhores cenas do 95, né?
[00:54:05] Que é quando os caras vão querer pegar eles depois do jantar, e ele só faz uma fagulha no dedo, eu acho que não, né?
[00:54:10] Exato, tipo, não pode, eu não vou deixar isso acontecer.
[00:54:13] E aí aqui o Hayden tem aquela barreira que ele bota no templo, mas eles nunca explicam como isso, como tipo,
[00:54:19] ah, eles tá mantendo as regras, não, vira só um movimento de desespero do Hayden.
[00:54:23] E o Hayden o tempo inteiro tá o quê? Sem nenhuma fé que eles vão ganhar, ele tá só, ele tá de saco cheio.
[00:54:29] Ele manda o protagonista embora, né?
[00:54:30] Ele manda o protagonista embora, e aí o protagonista é quase morto pelo goro, né?
[00:54:36] Por motivos, por motivos.
[00:54:38] Não, esse filme é legal que tem um personagem no jogo, que pra mim é um dos personagens símbolos do Mortal Kombat,
[00:54:43] que é um cara gigante com quatro braços.
[00:54:46] Ele não consegue colocar esse cara em nenhum momento na tela como uma criatura ameaçadora.
[00:54:50] Não.
[00:54:51] Ele simplesmente sai da garagem da casa do protagonista, sem razão nenhuma de ser, ele simplesmente aparece no celeiro lá do maluco.
[00:54:58] Ele é simplesmente o cara que matou os outros torneis anteriores, né?
[00:55:02] É, ele é o cara que matou o grande Kung Lao.
[00:55:05] E aí, de novo, o nosso herói, que aí ele ganha essa armadura de aquaman dele.
[00:55:10] A roupa da aquaman, é.
[00:55:11] Que é de pano.
[00:55:13] Não precisa, ninguém quer entender.
[00:55:15] Querem, vamos entender, vamos fazer esse serviço público.
[00:55:19] E aí eles chegam lá e a história toda é a seguinte, que tem um grupo de pessoas que tá predestinado a lutar o torneio mortal, né?
[00:55:27] O combate mortal, porque eles têm uma marca de nascença do dragão.
[00:55:32] Não, não, eles têm uma marca do dragão, o único que tem de nascença é o personagem principal.
[00:55:36] Todos os outros ganham matando alguém, tipo assim, se o cara tem a marca, tá ligado?
[00:55:41] Eu tô fazendo uma obra na minha casa, o Orlando tem a marca, sem querer rola um acidente e ele morre.
[00:55:46] Eu queria saber quem é que ganha a marca ou se a marca se perde, tá ligado?
[00:55:50] É verdade, é verdade.
[00:55:51] Se for uma pessoa na rua, alguma coisa assim.
[00:55:53] Ou me sentir doroso, ou me sentir culposo, né cara, como é que funciona isso?
[00:55:57] Quino, a história do Quino é o seguinte, cara, o Quino é um meliante genérico e a gente achou alguém que tinha a marca,
[00:56:02] só que a gente chegou lá e ele tinha acabado de matar o cara e a gente amarrou ele contra a vontade,
[00:56:07] aqui tá mantendo ele em cárcere privado.
[00:56:09] Não, e essa marca que você tá predestinado a lutar essa porra desse torneio, e que você em algum momento vai ganhar um poder,
[00:56:16] o poder é por causa do roteiro, né, ele é um poder do roteiro, ele vai fazer o roteiro funcionar, o poder é esse.
[00:56:24] E aí, assim, todo mundo demora pra descobrir os próprios poderes, a Sônia ganha a marca e na cena seguinte ela solta um poder, assim.
[00:56:30] E aí, mas a melhor parte é que é o seguinte, quando o Raiden, esse momento é muito bom,
[00:56:36] quando o Raiden fala assim, esses são os heróis da Terra, ele fica a porra e fala, perdemos, perdemos.
[00:56:41] É tipo, o Raiden tá assistindo o filme com a gente, assim.
[00:56:44] Me lembra? Sabe o que que me lembrou?
[00:56:46] O Raiden, inclusive, ele se retira, você viu que o Raiden tá muito pouco no filme também,
[00:56:50] ele é mais impressionante que tá muito pouco no filme, porque ele se retira, assim,
[00:56:53] tipo, abre-se, vocês vão treinar, vão jantar, eu não quero nem estar envolvido.
[00:56:56] Resolvendo a burocracia, né, do reino da Terra, eu quero ficar enchendo no gabinete.
[00:57:00] Alguém decidiu que tinha que ter CG no olho do Raiden o tempo inteiro,
[00:57:03] e aí imediatamente a produção vira, tipo, qualquer cena que pode não ter o Raiden não vai ter,
[00:57:07] porque senão a gente tem que mandar pro estúdio de efeitos visuais e vai demorar, não sei o quê.
[00:57:11] Aí, por isso que o Kano também não tem o olho de metal, não, tira o olho de metal do Kano,
[00:57:15] mas ele só salta o poder de um olho também.
[00:57:17] E, assim, eu acho que isso foi talvez feito menos por falta de dinheiro, do que por incompetência,
[00:57:23] porque, bicho, os caras não conseguem mixar a voz de Shang Tsung.
[00:57:28] A voz de Shang Tsung muda de cena pra cena.
[00:57:30] Sim, ela é diferente.
[00:57:31] O Shang Tsung é um personagem muito, muito sujeira nesse filme,
[00:57:34] até porque teve uma pergunta que eu levantei quando a gente assistia,
[00:57:36] cara, por que a cara dele tá suja?
[00:57:38] Tem uma cena que o Shang Tsung, ele tá andando pelo Outworld lá,
[00:57:43] e existem duas cenas no Outworld, né?
[00:57:45] Uma, ele tá sentado num trono que fica num lugar alto, que não tem razão de ser.
[00:57:50] É, tipo, ele tá num precipício que tem um trono pra ele.
[00:57:53] Ele tá ali num trono que é feito em cima de um precipício,
[00:57:55] tipo os caras fazerem um pichadinho assim, né?
[00:57:57] Só pra ele falar que a engenharia lá do Outworld é boa.
[00:57:59] Ele tá exatamente onde o coiote do Papa Leguas olha pra baixo e cai.
[00:58:04] E a outra cena, ele tá andando na pedreira da Toei ali, do Jaspion ali, dos Changemans, dos 80.
[00:58:11] E tem uns caras minerando alguma coisa que eu não sei o que é, eles estão batendo pedra.
[00:58:15] Quando eu digo que a direção de arte é boa, ela não é boa, por exemplo, nas cenas no Outworld.
[00:58:21] E aí ele tá tipo, como se ele estivesse inspecionando,
[00:58:23] assim, três caras sem camisa quebrando uma pedra, andando assim,
[00:58:26] e alguém pergunta alguma coisa, tipo,
[00:58:28] po, o senhor Shang Tsung, o que a gente faz agora?
[00:58:30] E ele tá com a cara toda cheia de fuligem, cara, saca?
[00:58:34] Como se ele tivesse visto alguém falando assim,
[00:58:36] cara, tu não sabe bater uma pedra, deixa eu bater essa porra aqui pra tu ver como é que faz.
[00:58:39] Vai, tá ligado?
[00:58:40] Eu cheguei aqui onde eu tô, mas eu sei bater pedra.
[00:58:42] E você fala, cara, vai ter alguma explicação, isso não tem.
[00:58:45] E precisa, o Shang Tsung, ele cria um outro problema de roteiro pra ele mesmo, depois,
[00:58:51] que é a cena que ele mata o Kung Lao.
[00:58:53] Porque o Kung Lao acabou de matar a Nitara, mostrou toda a sua performance lá de lutador,
[00:59:00] e aí o Shang Tsung dá dois passos pra frente, pega ele pelas coisas e fala,
[00:59:03] Your soul is mine! E pronto.
[00:59:06] E é tipo, bom, Shang Tsung, se você podia fazer isso,
[00:59:08] já podia até feitar um tempo com outras pessoas aqui.
[00:59:11] O Raiden manda uma nota de repúdio e fica por isso mesmo, né?
[00:59:13] Não é nem isso, nem isso, a ideia fica contrariada, a ideia fica contrariada.
[00:59:17] E aí o Liu Kang fica, tipo, chocado.
[00:59:19] A lenda eológica do Ford ali.
[00:59:21] Só que a gente não estabeleceu a relação entre o Liu Kang e o Kung Lao direito,
[00:59:25] então você não entra na do Liu Kang.
[00:59:27] Só uma outra coisa, porque o cast desse ator também ficou bem complexo,
[00:59:30] porque, assim, ele obviamente é um sujeito que fez botox.
[00:59:34] Ele, obviamente, então, assim, fica muito estranho você pensar que é aquele sujeito
[00:59:37] que é um imperador do outro mundo, tá ligado?
[00:59:41] Ele não é um imperador, ele é um feiticeiro.
[00:59:43] É, o feiticeiro, o feiticeiro.
[00:59:45] Ele é um rascutinho do outro lado.
[00:59:47] Ele vem pra cá, faz um botox e volta, né?
[00:59:49] Vai pra barra da tijuca, faz um botox lá e volta.
[00:59:51] Cara, os caras conseguiram fazer o Shang Tsung,
[00:59:53] sem o traço principal do Shang Tsung,
[00:59:55] foi o que ele ficou, ele é famoso, que é ele se transformar nas outras pessoas.
[01:00:00] Sim.
[01:00:01] A coisa mais Shang Tsung do bagulho todo, saca?
[01:00:05] Mas isso sabe o que que é, né?
[01:00:07] Isso sabe o que que é?
[01:00:08] Isso aí é gente que cresceu jogando os jogos 3D,
[01:00:11] que eles não tinham memória pra fazer isso.
[01:00:13] Não, porque eu lembro de novo, no filme de 95,
[01:00:17] o Shang Tsung ele se transforma duas vezes,
[01:00:19] uma no começo do filme, outra no final do filme.
[01:00:21] E a primeira vez que ele se transforma é mó legal,
[01:00:23] ele engabela o Johnny Cage, ele se transforma no agente do Johnny Cage,
[01:00:25] fala, po, eu duvido tu ir naquele torneio lá,
[01:00:27] que se tu ganhar tu não vai ser considerado uma fraude.
[01:00:30] Aí ele fala, po, beleza, tô indo.
[01:00:31] E ele tá indo embora, e ele vira o Shang Tsung,
[01:00:34] e tu fala, caralho, brother, esse maluco se transforma nas pessoas,
[01:00:37] cara, que vilão foda.
[01:00:39] Não, nesse não, ele fica sentado e fica com a cara suja.
[01:00:42] Mas só pra trazer um pouco de justiça fair and balanced aqui pra gente,
[01:00:48] voltando ao filme de 95 então,
[01:00:50] qual a motivação do Shang Tsung estar recrutando guerreiros na terra e não raiden?
[01:00:56] Mas o Shang Tsung não recruta guerreiros,
[01:00:59] ele se organiza no torneio.
[01:01:01] Não, mas ele convence o Johnny Cage aí, mas quem convence o Liu Kang aí é o Raiden, não é?
[01:01:09] Não, o Liu Kang vai porque ele quer vingar o irmão.
[01:01:12] Tanto que tem toda aquela cena dele indo no templo,
[01:01:14] falando, ah, vocês são uns babacas, vocês acreditam em Deus no trovão,
[01:01:17] aí o raiden aparece.
[01:01:18] Por que o Shang Tsung, que tem interesse em o Outworld vencer,
[01:01:22] ele vai e puxa a gente da terra, e ele puxa a gente que sabe lutar, entendeu?
[01:01:26] Porque ele podia vir puxar a gente.
[01:01:29] Não, então, eu acho que deve ter alguma coisa aí no momento.
[01:01:35] Ah, mas agora você tá…
[01:01:36] O seu vô, se ele visse o filme de Mortal Kombat.
[01:01:39] Então, mas o meu vô ia entender que, cara,
[01:01:41] primamente pra esse torneio ter uma validação tem que ter um número X de times lá.
[01:01:44] Não, eu acho que agora você tá carregando água pro filme
[01:01:47] de uma maneira que a gente não tá fazendo pro novo,
[01:01:49] e acho que o justo é a gente não carregar pro nenhum dos dois.
[01:01:51] Então, mas eu acho assim, se o filme estabelece ter um torneio,
[01:01:54] saca?
[01:01:55] Saca?
[01:01:56] Minimamente vão ter que ter pessoas pra esse torneio.
[01:01:59] Mas só que aí você teria que estabelecer que o lado de lá…
[01:02:03] E tem outra coisa, o Shang Tsung, ele rouba as almas dos combatentes.
[01:02:07] E pra isso ele precisa de almas…
[01:02:10] Ah, ele quer almas poderosas.
[01:02:12] Ok, essa eu compro.
[01:02:14] Imagine ele chegando pro shopping e falando, ó,
[01:02:16] peguei a alma do Lucas, do Orlando e do Guns.
[01:02:18] Ele fala, vai tomar uma coisa.
[01:02:20] Não, total, porque é isso, porque ele tem o negócio todo do…
[01:02:24] Eu viro eles.
[01:02:25] Eu viro Guns e gravo um podcast, tá ligado, Zico?
[01:02:27] Exato.
[01:02:28] Não, é, porque ele tem aquela parada toda do Your soul is mine.
[01:02:32] Não, é verdade.
[01:02:33] Tá, ok.
[01:02:34] Essa motivação eu acho que tá assim no texto,
[01:02:36] não é só o Lucas criando pra gente explicar.
[01:02:38] Mas a questão não é assim, eu acho que assim,
[01:02:40] a gente não precisa ser totalmente inapto
[01:02:44] pra que o filme explique tudo pra gente.
[01:02:46] Não, não, eu acho que é isso.
[01:02:48] Eu acho que é isso.
[01:02:50] Eu acho que essa é a diferença.
[01:02:51] Tipo assim, se o Shang Tsung demonstra no filme
[01:02:54] que ele preza essas almas que ele pega dos grandes guerreiros,
[01:02:58] eu acho que tá aí, tá justificado, entendeu?
[01:03:00] Tá no texto ali de alguma maneira,
[01:03:02] sem ter que estar, tipo, ele olhando pra câmera e falando,
[01:03:05] eu estou convidando eles porque os other gods ficam de olho e tal.
[01:03:08] Não, eu concordo totalmente com você.
[01:03:10] Eu, por exemplo, adoro John Wick, que é um filme que se vale muito de,
[01:03:13] tipo, não vou explicar, vambora.
[01:03:15] Mas, tipo, você não fica a nenhum momento fora da ação falando,
[01:03:18] mas o que que é? Por que que será?
[01:03:19] Fica tudo meio que subentendido.
[01:03:21] O universo é estabelecido de uma maneira que te convence, né?
[01:03:24] Exatamente.
[01:03:25] Você sabe o que você precisa saber pra acompanhar a história principal.
[01:03:29] Só que aí a gente chega num filme desse que não tem uma história principal.
[01:03:31] Por que é isso? Porque a gente não liga pro protagonista,
[01:03:33] a gente não liga pra motivação de ninguém,
[01:03:35] quando fica clara alguma motivação.
[01:03:37] E aí você não sabe pra onde aquilo tá indo.
[01:03:40] Logo, você não pode se investir numa trama, numa narrativa, numa história.
[01:03:47] Então você fica olhando pra aquilo que acontece como uma sequência,
[01:03:50] como o Orlando falou,
[01:03:52] uma sequência de cenas que pode ou não estar acontecendo em conjunto.
[01:03:55] E aí você começa a se tornar muito mais questionador enquanto espectador,
[01:03:59] porque nada tá fazendo sentido.
[01:04:02] E aí você tá querendo, tipo, entender o que tá acontecendo,
[01:04:05] ao invés de você só dizer,
[01:04:06] caralho, eu quero muito que o Liu Kang vença o Shogun Tsume, entendeu?
[01:04:09] Só uma coisa, só pra…
[01:04:10] Vai lá, vai lá, desculpa.
[01:04:11] Não, não, não, era isso.
[01:04:12] Não, porque assim…
[01:04:14] Pra gente finalizar, porque assim…
[01:04:16] Senão a gente vai ficar falando horas e horas desses filmes e…
[01:04:19] Porque é tipo ir pra análise, saca?
[01:04:22] Toda hora você vai descobrindo uma camada de problemas.
[01:04:24] Chega uma hora que o cara fala, já deu teu horário, né?
[01:04:26] Uma horinha aí…
[01:04:27] Em algum momento a gente vai descobrir quem dirigiu esse filme e foram as nossas mães.
[01:04:31] É uma coisa definível.
[01:04:33] Mas assim, porque assim, pra ouvinte ter uma ideia do quanto esse filme é ruim.
[01:04:37] Porque assim, se você vai assistir um filme, sei lá,
[01:04:39] um filme de Kung Fu,
[01:04:41] Ah, pô, o roteiro é uma merda, eu não acredito nos personagens, sei lá o que…
[01:04:45] Mas as cenas de ação são boas.
[01:04:47] São bem coreografadas, são bem editadas.
[01:04:49] Cara, as cenas de luta são horrorosas.
[01:04:51] São horrorosas, horrorosas.
[01:04:54] A cena de luta final, que talvez seria a cena…
[01:04:57] O clímax do filme, você simplesmente…
[01:05:00] Você não pode ligar menos pra ela, sabe?
[01:05:02] Porque é tipo assim…
[01:05:03] Porque tem alguns momentos que nem parece que os personagens estão na mesma cena.
[01:05:07] É muito louco, é tão mal editado que o negócio é, cara.
[01:05:10] E o cenário é terrível.
[01:05:11] E tem um problema que tá o seguinte, quando chega na hora dela, cara,
[01:05:13] você já tá de saco cheio demais.
[01:05:15] O filme já acabou com toda a tua boa vontade e você só tá…
[01:05:18] Você já viu que vai acabar mal.
[01:05:20] E você já entendeu o que vai acontecer assim, plenamente.
[01:05:24] É isso, assim, não tem nada que…
[01:05:26] Porque é isso, tudo bem.
[01:05:28] O filme pode ser previsível, pode, assim.
[01:05:30] Se você entra numa luta e você sabe que o mocinho vai vencer e tal,
[01:05:32] mas você quer ver a luta, você quer acompanhar.
[01:05:34] Mas ali no filme,
[01:05:36] é isso, é o Scorpion voltando,
[01:05:38] eles estão voltando depois da primeira cena,
[01:05:40] como você ficou esperando ele voltar o filme inteiro.
[01:05:42] E aí, tipo, e de novo, assim,
[01:05:44] você sabe o que acontece.
[01:05:46] Eu vou ter que ir esperando pra te pegar.
[01:05:48] Se o filme é todo feito para fãs,
[01:05:52] e é tipo, não tem nada que o fã saiba mais do que o Scorpion vai lá e mata o Sub-Zero.
[01:05:58] Então, é tipo, esse não pode ser o gancho pra manter interessado num filme,
[01:06:03] que teoricamente não é sobre essa luta.
[01:06:05] E aí, de novo, a gente entra num problema de roteiro,
[01:06:07] porque que o filme abre com essa luta entre Sub-Zero e Scorpion?
[01:06:11] Pra na cena seguinte falar, não, mas o seu filme é sobre esse homem aqui,
[01:06:13] perdendo uma luta numa academia.
[01:06:17] Parece que ele tenta fazer as duas coisas ao mesmo tempo,
[01:06:19] e ele não faz nada direito.
[01:06:23] Tem umas sobras do filme que seria o filme do Scorpion,
[01:06:26] que é o plot do Scorpion’s Revenge,
[01:06:29] e aí tem um outro filme ali que é o preâmbulo
[01:06:33] de um filme sobre o torneio que nunca acontece.
[01:06:35] Tem só uma última coisa, eu sei que eu não quero encerrar,
[01:06:38] mas tem uma coisa que soa muito diferente pra mim, que é o seguinte,
[01:06:41] tem o Cabal no filme.
[01:06:43] Nossa!
[01:06:44] E o Cabal, ele tem uma parte do filme que eu acho assim, fenomenal,
[01:06:48] que é como se chegasse e falasse assim,
[01:06:50] Cabal, você cala a boca e não fala nada.
[01:06:52] E ele fala assim, cara, eu vou liderar um piquete aqui,
[01:06:56] eu vou fazer um monólogo de um minuto.
[01:06:58] E nesse um minuto, ele consegue explicar o backstory do Kano,
[01:07:02] o backstory dele, e dá minimamente um motivo, por mais torpe que seja,
[01:07:06] saca?
[01:07:08] E aí alguém fala assim, cara, não é que esse cara tem um negócio aí,
[01:07:12] esse negócio de splichar aí e tal.
[01:07:14] E aí isso nunca mais é citado, e aí…
[01:07:17] É muito louco que esse filme, ele peque tanto em todos os aspectos,
[01:07:22] que dois personagens bem coadjuvantes sejam os melhores
[01:07:25] em fazer suas funções como personagens de um roteiro,
[01:07:28] que são o Kano e o Cabal,
[01:07:31] que estão lá totalmente, tipo, o Cabal especialmente,
[01:07:34] como bucha de canhão.
[01:07:36] Bucha, o cara é bucha.
[01:07:37] E eles tipo, no final sobra pra eles, assim,
[01:07:41] por acidente completo, eles são a melhor qualidade do filme.
[01:07:44] Que ainda é disparado, né?
[01:07:46] Mas então vamos lá, o veredito qual é?
[01:07:48] Mortal Kombat 2021 ou Street Fighter 1994?
[01:07:53] Vamos começar pelo convidado, o Guns, Lucas.
[01:07:59] Street Fighter 94.
[01:08:01] Street Fighter 94.
[01:08:03] É…
[01:08:05] Pelo motivo que não se propõe a ser um filme sério,
[01:08:09] e nessa função ele cumpre muito bem.
[01:08:11] Eu sou fã dos Bison Dollars.
[01:08:14] Tá aí, na real é isso.
[01:08:17] E assim, e nesse contexto, e os Bison Dollars são uma ideia muito idiota,
[01:08:21] mas tem tudo a ver com o cara ali, megalomaníaco,
[01:08:24] até a cena de fanservice,
[01:08:27] que é o GAME OVER!
[01:08:31] É muito bom, é muito bom.
[01:08:33] E também, principalmente por causa daquela final
[01:08:36] em memória a Raul Júlia, nosso eterno Mr. Bison.
[01:08:40] Cara, então, eu tava pronto pra dar um discurso que é,
[01:08:44] eu não vou dar desculpas pros crimes de Street Fighter de 94,
[01:08:49] só porque Mortal Kombat 2021 é uma merda, tá?
[01:08:53] E ainda acho que esse é o meu pensamento,
[01:08:55] mas tem um fator muito essencial, que é,
[01:08:58] tem o Raul Júlia naquele filme.
[01:09:00] Então, tem um ator que carrega muito daquele filme nas costas,
[01:09:04] que tipo, você tá assistindo um filme que não faz sentido,
[01:09:07] que o Gael finge que morre pra na cena seguinte desistir de fingir que morreu?
[01:09:11] Essa cena é muito boa.
[01:09:13] Mas só que você tem, você sabe que você fica ali,
[01:09:17] eu vou ver mais um pouquinho do Raul Júlia.
[01:09:19] Tem alguma coisa que te prende naquele filme.
[01:09:21] E por mais que é um roteiro que não faça sentido,
[01:09:24] ele minimamente foi escrito por alguém que sabe escrever roteiro,
[01:09:27] que é o Steven e de Souza.
[01:09:28] Então, os protagonistas têm alguns motivações.
[01:09:33] O Ken e o Ryu são totalmente detropados.
[01:09:35] São ladrões de coisas.
[01:09:37] Eles não são o Ken e o Ryu do jogo, mas, assim,
[01:09:39] eles são preságio que naquele filme eles querem fazer algo,
[01:09:42] você entendeu o que eles querem fazer.
[01:09:43] O Doutor Dalcim, né?
[01:09:44] O Doutor Dalcim.
[01:09:45] O Doutor Dalcim, cara.
[01:09:46] Exato.
[01:09:47] Cara, tem…
[01:09:48] Zaguirra é o Cameraman?
[01:09:49] É, não, não.
[01:09:50] O Balrog é o Cameraman.
[01:09:51] E o Rhonda?
[01:09:52] E o Rhonda?
[01:09:53] É o Pitacão de Som.
[01:09:54] Caraca, cara.
[01:09:55] Isso.
[01:09:56] Cara, a impressão que dá desse negócio do Raul Júlio nesse filme
[01:09:59] é que ele chegou naquela…
[01:10:00] Eu vi aquela porra e ele falou assim,
[01:10:01] eu me recuso a fazer parte de um bagulho que seja feito nas coxas,
[01:10:05] eu vou fazer de tudo para que isso minimamente tenha uma qualidade.
[01:10:09] Não, mas é o Raul Júlio.
[01:10:10] Tá ligado?
[01:10:11] Eu sou Raul Júlio.
[01:10:12] Eu sou Chico Mendes.
[01:10:13] A culpa do filme de…
[01:10:16] A gente não lembra você.
[01:10:18] A gente não tem um terceiro família Adams com o Raul Júlio,
[01:10:21] que inclusive está aqui, ali em cima,
[01:10:23] a dançamos velhos.
[01:10:26] A gente não tem um terceiro filme com o Raul Júlio
[01:10:28] porque ele topou gravar o Street Fighter
[01:10:31] porque o filho dele, a filha dele gostava
[01:10:34] e ele decidiu, tipo,
[01:10:35] vou fazer um filme baseado no bagulho que ela gosta,
[01:10:38] não consegui ajustar minha câmera, desculpa.
[01:10:39] E aí ele falou, não, vou filmar esse aqui e tal,
[01:10:42] depois eu faço o família Adams.
[01:10:44] E ele estava doente, tinha câncer e não sobreviveu.
[01:10:48] Ele morreu logo depois de gravar o Street Fighter.
[01:10:50] O Street Fighter é um filme que sempre que eu assisto
[01:10:52] eu me lembro disso, mas ao mesmo tempo é isso.
[01:10:55] Tem um ator, pelo menos, que é um puta ator
[01:10:59] e que é isso.
[01:11:00] Ele decidiu, tipo, não importa que eu filme essa galhofa aqui,
[01:11:03] eu vou dar 110% para a galhofa.
[01:11:07] E aí você tem cenas maravilhosas,
[01:11:09] que aí eu acho que concluo meu argumento com isso,
[01:11:12] que é o seguinte,
[01:11:14] o dia em que eu vi Mortal Kombat 2021
[01:11:20] foi o pior dia da minha vida.
[01:11:22] Mas o dia que eu vi o Street Fighter foi só terça-feira.
[01:11:27] Então o Street Fighter é melhor.
[01:11:31] Entrededores entenderão, entenderão, entenderão.
[01:11:34] Eu ia falar que ele vai dar lá, não tem o que falar.
[01:11:36] Tem um negócio, aquele ator que faz o Scorpion nesse filme de 21,
[01:11:39] é um puta ator, né?
[01:11:40] Sim, o Rory Saada, né?
[01:11:42] É, o cara tem experiência de fazer shakes pelo teatro em inglês.
[01:11:45] Aí os caras falam,
[01:11:46] põe esse cara para fazer um papel de um ninja por oito minutos.
[01:11:49] E o Sub-Zero é um dos melhores atores de lutinha de cinema,
[01:11:53] tipo, ele é um dos caras do The Raid 2.
[01:11:55] O próprio protagonista, ele é muito bom como artista marcial.
[01:11:58] Exato, ele não é um ator.
[01:11:59] A ator deve ser igual, a atuada deve ser igual.
[01:12:01] E aí não era, quem diria?
[01:12:03] Turns out que você pode ser um jobber na atuação também.
[01:12:09] Mas e aí, Orlando?
[01:12:10] Cara, depois dessa não tem…
[01:12:12] Eu já estava decidido, já estava decidido, cara.
[01:12:14] Street Fighter, 93,
[01:12:16] porque eu ia inclusive falar essa cena que o Gun já matou a pau,
[01:12:19] não tem mais o que dizer não, cara.
[01:12:20] Fechou.
[01:12:21] Olha, então se você é ouvinte,
[01:12:23] teve vontade de assistir alguma coisa,
[01:12:25] escutando esse programa aqui,
[01:12:26] assiste Street Fighter de 94.
[01:12:28] Eu não quero que essa mensagem…
[01:12:30] Assista as cenas do Raul Júlia no YouTube.
[01:12:33] Essa é a mensagem de paz que eu levo para você.
[01:12:34] Não, tem a cena do Dumb e do Zangief, cara,
[01:12:36] tipo, falar assim, muda de canal.
[01:12:38] Cara, lembra?
[01:12:39] Essa cena é muito boa, cara.
[01:12:40] Não, é muito bom que o…
[01:12:42] Ele é um filme do começo dos anos 90,
[01:12:44] muito próximo do fim da União Soviética,
[01:12:47] e aí o Zangief, como um bom russo burro,
[01:12:50] que é um arquétipo de filme americano,
[01:12:52] ele não sabe dar um joinha,
[01:12:54] ele dá o joinha de cabeça para baixo,
[01:12:56] e aí alguém vira a mão dele.
[01:12:57] Verdade.
[01:12:58] Só que é tipo…
[01:12:59] O joinha não é um símbolo americano.
[01:13:01] Tem que ter uma padrão no computador,
[01:13:02] o DJ fechindo com uma mala de dinheiro.
[01:13:04] Gente, não.
[01:13:05] Puta que pariu.
[01:13:06] O que você está fazendo, cara?
[01:13:07] A gente é vilão, cara.
[01:13:08] O que você está louco aqui?
[01:13:09] O bicho está pegando o quê?
[01:13:10] Nós somos vilões, cara.
[01:13:12] Cara, é…
[01:13:13] Não, maravilhoso.
[01:13:14] É isso, gente.
[01:13:15] Muito obrigado, Lucas.
[01:13:16] É…
[01:13:17] Ouçam o…
[01:13:18] Se vocês se interessam por Galhofa e Lutas,
[01:13:20] ouçam o Four Corners Wrestling Podcast do Lucas.
[01:13:23] Qual que foi a última coisa que vocês cobriram lá?
[01:13:26] Não, a gente cobre os semanais.
[01:13:28] Na verdade, eu estou num hiato do Four Corners.
[01:13:30] Eu sou membro no horário, mas eu estou estudando agora,
[01:13:32] estou com mestrado,
[01:13:33] bem no horário das gravações aí.
[01:13:35] Eu apareço mais no Discord lá, conversa,
[01:13:37] mas o Toshinho, o Dino Black e o Daigo estão tocando
[01:13:41] devidamente a casa, os outros três Corners da Justiça.
[01:13:45] Mas a gente sempre comenta, toda terça-feira e quinta-feira,
[01:13:48] os semanais e o paper view, enfim.
[01:13:50] WWE.
[01:13:51] Então, os WWE, New Japan, AEW, enfim.
[01:13:55] Como é que está essa…
[01:13:56] Eu só queria saber, só para encerrar,
[01:13:57] fazer o plug direito do podcast,
[01:13:59] eu queria saber como é que está a AEW.
[01:14:01] Eu não vi nada deles ainda.
[01:14:02] Cara, está bem legal.
[01:14:03] É uma segunda via.
[01:14:04] É muito melhor do que a própria WWE achou que ia ser.
[01:14:08] Querendo ou não, mas infelizmente é um negócio meio flaflú,
[01:14:11] em matéria de fã.
[01:14:12] Então, você vai ter a pessoa que não assiste e odeia,
[01:14:15] você vai ter o cara que só assiste e acha que é Jesus voltando.
[01:14:18] Sim.
[01:14:19] Mas assim, é um produto legal.
[01:14:20] No caso, o WCW voltando.
[01:14:21] E aí, até por questões mais sociais e até de trabalho mesmo.
[01:14:26] É um outro lugar que tem dinheiro para caralho para jogar nos caras.
[01:14:29] Exato.
[01:14:30] Criar uma competição ali no mercado americano.
[01:14:32] Quem vive disso está numa fase boa.
[01:14:35] Maravilha.
[01:14:36] Para mais análises maravilhosas sobre o wrestling,
[01:14:38] tem o Four Corners lá.
[01:14:39] É isso.
[01:14:40] Orlando, você quer divulgar alguma coisa?
[01:14:42] Escutem o pop cult.
[01:14:44] Escutem o pop cult.
[01:14:45] Apesar desse episódio, continuem com a gente.
[01:14:47] Semana que vem, a gente volta.
[01:14:48] Semana que vem, não.
[01:14:49] Daqui 15 dias, a gente volta no próximo episódio.
[01:14:51] A gente vai falar sobre Deadwood, a série,
[01:14:55] e o conceito de processo civilizatório.
[01:14:58] Olha só.
[01:14:59] Sim.
[01:15:00] A formação dos heróis.
[01:15:01] O berço dos heróis.
[01:15:02] O berço dos heróis e o que eles podem fazer que a gente não pode.
[01:15:06] Muito obrigado, gente.