Comunismo, medo e história: uma conversa sobre o PCB e o Brasil


Resumo

O episódio começa com Gisele Camargo relatando uma experiência familiar onde o tema do comunismo surgiu como um “fantasma”, gerando discussões acaloradas. Ela menciona uma pesquisa Datafolha que mostra que 44% dos brasileiros temem que o país vire comunista após as eleições, e convida o professor Antônio Carlos Mazel para discutir as origens históricas desse medo.

O professor Mazel explica que o anticomunismo é uma fabricação com quase 200 anos, criada para manter os privilégios da burguesia e a exploração do trabalho. Ele traça a história do comunismo como projeto filosófico, diferenciando-o das experiências socialistas históricas. O capitalismo, segundo ele, é a primeira economia a articular produção com conhecimento científico, mas fundamenta-se na exploração do trabalho alheio.

A conversa aborda a história do Partido Comunista Brasileiro (PCB), fundado em 1922, e seu papel nas lutas democráticas do país, incluindo a apresentação da lei de liberdade religiosa por Jorge Amado e a conquista do 13º salário. Mazel critica a ideia de que comunistas são contra a democracia, destacando que foram eles que mais lutaram por direitos e liberdades no Brasil, pagando caro durante a ditadura militar.

O professor analisa os erros históricos do PCB, como não compreender plenamente as greves do ABC no final dos anos 1970, e critica o PT por seu caráter reformista e de conciliação de classes. Ele também comenta os governos Lula e Dilma, o golpe de 2016 e a eleição de Bolsonaro. Por fim, apresenta as propostas atuais do PCB através de sua candidata à presidência, Sofia Manzano, que incluem reforma agrária, monopólio do petróleo, fortalecimento do SUS e da educação pública, e taxação de grandes fortunas.


Indicações

books

  • Sinfonia Inacabada — Livro do professor Antônio Carlos Mazel sobre a história do PCB no Brasil, mencionado como uma obra que faz uma crítica ao partido e analisa seu papel histórico.

filmes

  • O Jovem Karl Marx — Filme recomendado pelo professor para entender como Marx e Engels construíram a teoria social comunista, mostrando suas influências e o contexto histórico.
  • O Patriota — Citado como exemplo (embora “apologético”) das revoluções burguesas e das mortes que ocorreram durante a independência dos Estados Unidos, ilustrando que revoluções não são processos tranquilos.

organizacoes

  • Partido Comunista Brasileiro (PCB) — Partido político fundado em 1922, destacado por seu papel histórico nas lutas democráticas, por direitos trabalhistas e sociais no Brasil. O professor convida os ouvintes a visitar o site do partido para conhecer seus documentos e propostas.

pessoas

  • Sofia Manzano — Candidata à presidência pelo PCB nas eleições de 2022, professora e economista doutora pela USP. O professor apresenta suas propostas para o país, incluindo reforma agrária e políticas sociais.
  • Jorge Amado — Escritor e deputado federal pelo PCB que, em 1945, apresentou a lei de liberdade religiosa no Brasil, uma conquista importante para a diversidade religiosa no país.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Introdução e relato pessoal sobre política familiar — Gisele Camargo apresenta o episódio e conta uma experiência familiar onde discussões políticas sobre Lula e Bolsonaro criaram conflitos. Ela relata a morte de um primo com quem não falava devido a brigas no Facebook e reflete sobre como a política se tornou um tabu. A apresentadora menciona o ressurgimento do “fantasma” do comunismo em conversas familiares e cita uma pesquisa Datafolha que mostra o medo de parte dos brasileiros de que o país vire comunista.
  • 00:05:33Origem histórica do medo do comunismo — O professor Antônio Carlos Mazel é apresentado e inicia sua análise. Ele explica que o anticomunismo é uma fabricação com quase 200 anos, criada para manter os privilégios da burguesia. O comunismo nasceu como projeto filosófico com base em Hegel, Marx e Engels. O capitalismo, embora tenha desenvolvido tecnologia, fundamenta-se na exploração do trabalho. O projeto comunista propõe uma sociedade comunitária onde todos tenham conforme suas necessidades e capacidades.
  • 00:15:21Papel dos comunistas na liberdade religiosa no Brasil — Gisele pergunta sobre a participação dos comunistas na construção da liberdade religiosa no Brasil. Mazel explica que o Brasil foi por muito tempo monopólio da Igreja Católica, que perseguia judeus, protestantes e religiões afro-brasileiras. Os comunistas, apesar de laicos ou agnósticos, sempre defenderam a liberdade de crença. Em 1945, o deputado comunista Jorge Amado apresentou a lei de liberdade religiosa, uma grande conquista da sociedade brasileira.
  • 00:24:01História e lutas do Partido Comunista Brasileiro (PCB) — O professor detalha a trajetória do PCB desde sua fundação em 1922. O partido surgiu do movimento operário e teve papel fundamental na luta por direitos como o 13º salário, férias, saúde e educação pública, além da proteção aos povos originários (como na criação da Reserva do Xingu). Mazel enfatiza que o PCB sempre lutou pela democracia e foi um dos principais opositores da ditadura militar, pagando um preço alto com centenas de militantes assassinados.
  • 00:38:41Crítica ao PCB e análise do PT e dos governos petistas — Gisele menciona o livro “Sinfonia Inacabada” do professor, que critica o PCB por não compreender o significado das greves do ABC no final dos anos 1970. Mazel expande a crítica, explicando a estrutura democrática interna do partido (com teses, congressos e debates) e sua rigidez programática. Ele analisa a formação do PT como uma tríade entre sindicalismo economicista (Lula), sociais-democratas tardios e esquerda católica, resultando num partido reformista que fez muitas concessões à elite.
  • 00:57:47Futuro do comunismo no Brasil e propostas do PCB — Gisele pergunta sobre a possibilidade de uma revolução comunista no Brasil. Mazel esclarece que nunca houve um país comunista, apenas socialistas (como fase de transição). O comunismo propõe o fim do Estado, do exército e da propriedade privada dos meios de produção. Atualmente, o PCB defende a construção de um grande polo socialista através de um movimento social forte e um programa que inclui reforma agrária, monopólio do petróleo, fortalecimento do SUS e da educação pública, taxação de grandes fortunas e controle social da sociedade.

Dados do Episódio

  • Podcast: AntiCast
  • Autor: HD1
  • Categoria: Society & Culture
  • Publicado: 2022-04-07T18:51:57Z
  • Duração: 01:08:59

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Eu sou Gisele Camargo e esse é o Anticast número 516.

[00:00:13] É, pra Venezuela, pra Cuba, Coreia do Norte, ninguém quer viajar, né?

[00:00:24] Ouvi.

[00:00:25] É esse fim de semana.

[00:00:27] Respondi entre os dentes que ia pra Cuba, até que eu gostaria bastante de ir.

[00:00:32] Fazia muito tempo que a minha família, por parte de pai, não se reunia.

[00:00:37] Desde 2018, o tema política virou um tabu e as brigas ganharam espaço virtual.

[00:00:43] Eu amadureci bastante nesse processo, perdi um primo de Covid, com quem eu não falava

[00:00:49] por causa de discussões no Facebook envolvendo Lula e Bolsonaro.

[00:00:54] E no fundo a gente sabe que as questões são mais profundas do que Lula e Bolsonaro, são

[00:00:58] mais complexas do que só duas lideranças políticas.

[00:01:01] Só que diante da morte, sei lá, eu gostaria de ter conduzido a situação de outra forma.

[00:01:07] E não que dependesse só de mim, né?

[00:01:09] Mas gostaria de ter feito a minha parte.

[00:01:11] Mas tem coisas que não vão mudar.

[00:01:14] Eu não mudei o meu posicionamento político, não vou mudar o meu posicionamento político.

[00:01:19] E confesso até que me questionei em algum momento ou outro, mas daí eu olhei pra quem

[00:01:23] estava comigo, pra quem estava nas trincheiras ao meu lado e realmente me senti ao lado certo

[00:01:28] da história.

[00:01:29] Bom, eu fui pra festa de uma tia de coração aberto, língua controlada e muito decidida

[00:01:35] a não falar de política.

[00:01:37] Havia até um certo acordo velado, silencioso, que tirava Lula e Bolsonaro da conversa.

[00:01:44] Já nos parabéns, um primo meu muito debochado disse baixinho perto de mim, bora puxar um

[00:01:50] olê olê olê olá Lula Lula, dei um beliscão nele, a gente riu um pouquinho e seguimos.

[00:01:56] Bom, tudo muito bem, tudo muito bom, tirar foto, comer coxinha, comer brigadeiro, faz

[00:02:01] fofoca, relembra a infância, dá risada, ai uma verdadeira delícia.

[00:02:06] Meu coração estava realmente com saudade de tudo isso.

[00:02:09] Até que essa pessoa, uma agregada, começou a falar de política, só começou a falar

[00:02:13] de política num tom muito cheio de raiva.

[00:02:17] Eu tava levando tudo em tom de brincadeira, né, faz um comentário aqui, esclarece uma

[00:02:23] situaçãozinha ali, mas não me apegando muito firme ao que ela estava falando, eu

[00:02:28] me peguei até defendendo a Globo, veja, bem comunista, porque por fim apareceu a teoria

[00:02:33] da ameaça comunista, o comunismo que existe em Cuba, na Venezuela e na Coreia do Norte.

[00:02:40] Minha vontade era perguntar qual livro você leu sobre esse assunto, é do Olavo de Carvalho

[00:02:45] ou é só uma corrente do WhatsApp mesmo?

[00:02:47] Mas me mantive na linha, coração, paz e amor, cumpri a minha parte do acordo, falei

[00:02:52] algumas amenidades, sorri, acenei e saí, mas olha, foi um que procó, essa mesma pessoa

[00:02:59] continuou os ataques, só que aí a minha irmã afirmou que, ai, eu sou do Lions e se

[00:03:05] o Lula ganhar, eu não vou mais dar dinheiro para caridade, o clássico, né, fazer caridade

[00:03:10] é bom, justiça social não é?

[00:03:12] Minha mãe, ouvindo tudo que a gente contava, ficou ofendidíssima, puta da cara e aos

[00:03:19] 84 anos, foi ao Facebook colocar na página dessa pessoa, ai, eu sou do Lions, kkkkk,

[00:03:29] imagina, a minha tia me ligou, pediu para pagar, só que a pessoa já tinha bloqueado

[00:03:35] a minha mãe, não dava mais para pagar, eu já aproveitei e me vinguei e disse para

[00:03:39] minha mãe, olha, se a senhora fizer isso de novo, a senhora vai ficar sem celular,

[00:03:44] foi um fuzuê, minha prima me mandou mensagem dizendo, olha, tá um clima tão ameno que

[00:03:48] quem sabe no próximo fim de semana eu faço uma outra festa, ainda bem que a minha família

[00:03:52] tem o recurso do deboche, um clássico, né, da família brasileira de 2022, mas eu confesso

[00:03:58] que uma coisa me surpreendeu, foi ver o comunismo tomando ares de fantasma de novo, não que

[00:04:03] tenha deixado de ser e nem acho que no fundo, no fundo seja realmente esse o problema,

[00:04:09] realmente o medo, a pessoa em questão não deve ter nenhuma informação sobre o que

[00:04:13] é o comunismo, além do vídeo do véio Davan falando um monte de mentira no WhatsApp,

[00:04:19] mas esse medo é bastante real entre os brasileiros e continua bastante real entre os brasileiros,

[00:04:26] como mostrou uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha no fim do ano passado, segundo

[00:04:31] essa pesquisa, 44% dos entrevistados temem que o Brasil possa virar comunista após as

[00:04:38] eleições desse ano, a maioria que afirma ter medo de um Brasil comunista é eleitora

[00:04:43] do Bolsonaro como não poderia deixar de ser, além do Olavo de Carvalho que fomentou toda

[00:04:48] essa discussão, o comunismo é o inimigo maior de Bolsonaro, nossa bandeira jamais

[00:04:54] será vermelha, afirma o Bundão mantendo um inimigo comum, mas que de fato nunca nem

[00:05:00] chegou perto do Brasil, e aí que entra uma dificuldade, porque como é que se combate

[00:05:05] um inimigo que não existe, como é que se combate ou se discute com a irrealidade, com

[00:05:10] algo que é quase paranoico, com uma mentira, Brasil 2022 se ainda não te chamaram de comunista

[00:05:17] fica esperto, pode ser que você não seja um bom sujeito, e tá valendo se te mandarem

[00:05:22] diretamente para Cuba, Venezuela ou Coreia do Norte, bom e para falar sobre isso eu converso

[00:05:33] com ele que é doutor em História Econômica, pós-doutor em Filosofia Política e livre

[00:05:37] docente em Ciência Política pela Universidade Estadual Paulista, é professor dos programas

[00:05:42] de pós-graduação em História Econômica na USP e Serviço Social na PUC São Paulo,

[00:05:48] professor Antônio Carlos Mazel, falei tudo direitinho, professor.

[00:05:52] Falou muito, muito bonitinho, obrigado.

[00:05:54] Ok, obrigado a professor pela disponibilidade de estar aqui com a gente na Antiguette batendo

[00:05:59] esse papo. Professor, sempre acho muito engraçado que o comunismo seja esse

[00:06:07] esse bicho papão para muita gente como se ele já estivesse perto de ter acontecido no Brasil.

[00:06:15] Recentemente tive um encontro familiar em que isso voltou, essa coisa esse medo do

[00:06:19] comunismo colocado aí como um inimigo que a gente não consegue muito saber por onde

[00:06:25] combater ou combater a ideia das pessoas que tipo olha, comunismo não é isso que você está

[00:06:32] pensando e comunismo nunca esteve perto de se consolidar no Brasil como uma

[00:06:39] metodologia social e econômica e tal.

[00:06:42] Na onde que vem esse medo do comunismo?

[00:06:46] Olha, isso é uma fabricação, né?

[00:06:50] É uma fabricação antiga, tem mais, eu diria que tem quase 200 anos essa propaganda contra o comunismo.

[00:07:01] O comunismo na verdade ele nasce como um projeto filosófico de acúmulo de outras discussões

[00:07:11] filosóficas, porque o comunismo tem uma base filosófica muito forte, né?

[00:07:16] Em base no filósofo alemão chamado Hegel e depois a sua superação com Marx e Engels e outros pensadores,

[00:07:23] pensadores de grande calibre como Giorgi Lucati, um grande filósofo húngaro, ou como

[00:07:29] Steven Mesaros, também um outro filósofo húngaro, que esse ficou radicado na Inglaterra.

[00:07:36] O próprio Lenin, que o pessoal costuma dizer, ah, o Lenin era um pensador, um cara grande,

[00:07:44] com um cabedal intelectual muito amplo, muito profundo.

[00:07:50] Então, por que ele é fabricado? Porque o comunismo vem como uma das vertentes filosóficas do Ocidente no século XIX.

[00:08:00] Quer dizer, nasce com uma construção filosófica.

[00:08:05] Então, a partir de um método dialético do filósofo chamado Hegel, Friedrich Hegel, na Alemanha,

[00:08:14] e que vai se inspirar, inclusive, nos métodos dialéticos dos pensadores do mundo antigo, do renascimento, esse Hegel,

[00:08:23] e depois, obviamente, ele vai ser retrabalhado por Marx e por Engels.

[00:08:29] Quem tiver interesse, assista aquele filme Jodem Marx.

[00:08:32] Um pouco aparece como é que eles vão construindo essa teoria social,

[00:08:36] que também tem influência da Revolução Francesa,

[00:08:39] tem influência dos pensadores liberais, de Rousseau, de Montesquieu, de Locke, mas mais de Rousseau e de Locke.

[00:08:45] Enfim, você tem vários pensadores que vão influenciar o comunismo.

[00:08:49] E por que é que há uma campanha permanente contra o comunismo?

[00:08:53] A primeira coisa, o comunismo diz o seguinte, olha, a história não é eterna.

[00:08:57] O mundo nunca foi desse jeito.

[00:08:59] Para o mundo chegar como nós estamos hoje, ele andou pelo menos alguns milhares de anos.

[00:09:05] E nunca o capitalismo foi a única forma social, forma socioeconômica que regeu o mundo.

[00:09:13] Antes disso, houve outras formas econômicas, formações sociais, formas sociometabólicas,

[00:09:20] ou se quiser, modos de produção.

[00:09:22] Desde daquelas formas antigas das tribos,

[00:09:30] tribos originárias, que não são só os tribos da nossa América,

[00:09:34] as tribos que vão gerar o homo sapiens, que vai sair, vai espalhar pelo mundo,

[00:09:42] são formas tribais, até as sociedades, passando por sociedades babilônicas,

[00:09:48] passando pela sociedade egípcia, pelos gregos antigos, pelos antigos romanos, pela idade médica.

[00:09:53] Cada um desses períodos é uma forma econômica.

[00:09:57] E que o mundo viveu muito mais tempo fora do capitalismo do que no capitalismo.

[00:10:02] Se nós pensarmos, o capitalismo tem, por volta de sua construção,

[00:10:08] tem mais ou menos 500 anos, começa lá no século, a crise do feudalismo,

[00:10:12] lá pelo século 14, você já tem algumas formas de capitalismo se estruturando,

[00:10:18] e o capitalismo mesmo industrial tem uns 250 anos, mais ou menos,

[00:10:23] que é o que a gente está vivendo hoje.

[00:10:25] Então é muito pouco tempo se você pensar na história humana que é milenar.

[00:10:29] Só de escrita nós temos aí uns 6 mil anos, e de civilização temos quase 10 mil anos.

[00:10:36] Então a gente viveu muito mais sociedades não capitalistas do que sociedade capitalista.

[00:10:41] E por que o capitalismo é emblemático?

[00:10:45] Primeiro porque o capitalismo é uma sociedade que desenvolveu muito

[00:10:50] tecnologia, força produtiva, indústrias, então ele foi importante no sentido de modernizar.

[00:10:58] Imagina nós em 300 anos andamos muito mais do que a humanidade andou em milhares de anos,

[00:11:04] mas não foi por causa do capitalismo, ainda que o capitalismo tem um papel importante,

[00:11:08] foi por causa do desenvolvimento da ciência que o capitalismo possibilitou,

[00:11:14] porque ele é a única economia do mundo, a primeira economia da história da humanidade

[00:11:21] que articula a produção com técnica e conhecimento, o desenvolvimento científico.

[00:11:27] Só que o seguinte, tem lá um problema, nem tudo são rosas.

[00:11:33] O capitalismo para ele poder se desenvolver, ele tem que ter como fundamento a exploração do trabalho do outro.

[00:11:39] Então uma minoria vive do desfrute do trabalho da maioria.

[00:11:43] E um desfrute que nem sempre é um desfrute civilizado, basta a gente olhar o Brasil.

[00:11:49] Quer dizer, um arroxo salarial, o cara trabalha muito, trabalha mais do que 8 horas por dia,

[00:11:54] 12 horas por dia para ganhar um salário de mil e quinhentos reais, dois mil reais.

[00:11:59] E cada um desses caras vão gerar um montante enorme, uma riqueza até absurdas.

[00:12:05] A gente pensar, esses monopólios que têm trilhões, quatro milhões de dólares,

[00:12:12] para que serve isso?

[00:12:14] Quer dizer, serve para quê? Para a vaidade dos proprietários, dos acionistas.

[00:12:19] Então o comunismo diz o seguinte, o capitalismo é a última forma da humanidade

[00:12:24] que para poder se desenvolver vai explorar o trabalho alheio.

[00:12:27] O que é o comunismo? Vem de comunidade.

[00:12:30] Quer dizer, primeiro nome.

[00:12:32] Quer dizer, é o que se propõe a uma sociedade comunitária

[00:12:35] onde todos tenham de acordo com a sua necessidade e todos tenham de acordo com a sua capacidade.

[00:12:41] Ninguém vai roubar a casa do outro.

[00:12:43] Quem faz isso é o banco capitalista.

[00:12:46] Fala assim, os comunistas vão roubar minha casa.

[00:12:48] Não, quem rouba a sua casa é o banco se você não pagar a prestação.

[00:12:51] Quem tira teu carro da sua casa é o banco se você não pagar a prestação do carro.

[00:12:55] E assim por diante.

[00:12:56] E quem pega o seu salário é o dono da empresa, o capitalista,

[00:13:02] porque ele vai ficar com uma parte enorme do aquilo que você produz.

[00:13:07] Então quer dizer, o projeto comunista é um avanço

[00:13:10] no sentido de dar um passo avante para que a sociedade ganhe uma ampla liberdade

[00:13:16] e uma ampla democracia, porque a proposta do Marx

[00:13:19] é uma proposta de uma sociedade onde todos decidam coletivamente.

[00:13:25] Obviamente os capitalistas não querem isso.

[00:13:28] Então se criou uma indústria mesmo de difamação, até porque no capitalismo

[00:13:33] também existe os monopólios de informação, de manipulação.

[00:13:37] Quer dizer, existem muitos estudos sociológicos sobre a manipulação

[00:13:42] dos meios de comunicação.

[00:13:44] Você imagina que quatro ou cinco grandes agências do mundo

[00:13:49] divulgam as notícias como eles querem.

[00:13:51] No Brasil sete famílias são donas dos meios de comunicação, televisão, rádio.

[00:13:57] Então quer dizer, você tem uma orquestração e nos anos 30, nos anos 20 e 30

[00:14:03] tinha um clero muito reacionário, muito conservador.

[00:14:07] Nos anos 50, isso minha mãe me falava,

[00:14:13] que os padres na igreja diziam que comunista comia criancinha, mas de verdade.

[00:14:17] Não é uma piada, porque hoje virou piada.

[00:14:20] Então você tem uma uma e por que isso?

[00:14:23] Porque obviamente a burguesia quer manter os seus privilégios,

[00:14:26] continuar explorando o trabalho, continuar pagando pouco,

[00:14:30] precarizando o trabalhador, explorando a mão de obra, concentrando riqueza.

[00:14:36] Enquanto eu tenho um apartamento de 10 milhões, uma casa de 10 milhões,

[00:14:40] o outro cara mora na favela e alguns moram

[00:14:43] e vivem em condição de rua.

[00:14:47] Em situação de rua.

[00:14:49] Então daí vem esse esse ódio ao comunismo.

[00:14:53] Depois é aquela coisa de que o comunismo é ateu.

[00:14:56] O comunismo não é ateu, mas ele tem uma base científica.

[00:14:59] Então, obviamente, em vez de ele buscar explicações místicas,

[00:15:04] a Terra é quadrada, essa coisa assim, a vacina da AIDS.

[00:15:09] Ele tem como fundamento a visão do mundo dele.

[00:15:11] Ele é muito radicalmente científica.

[00:15:14] O que me quer dizer que que ele não não possa ser um comunista religioso.

[00:15:19] Enfim, pouco é isso.

[00:15:21] Inclusive, a gente estava comentando aqui antes de começar,

[00:15:25] pegando essa última fala por esse fio aí da religião, de que

[00:15:31] os comunistas ajudaram a construir a liberdade

[00:15:35] de liberdade religiosa aqui no Brasil.

[00:15:37] É isso? Conta um pouquinho dessa história.

[00:15:40] Sim, é contraditoriamente.

[00:15:43] O Brasil, sabe, ele foi durante muito tempo um monopólio da igreja católica.

[00:15:48] Hoje ele tem aí a disputa com os evangélicos,

[00:15:53] mas os católicos ainda são majoritários.

[00:15:56] E a igreja católica era muito conservadora, era ligada aos donos de

[00:16:02] de fazendas, aos donos de escravos,

[00:16:05] quer dizer, pela própria história do Brasil, que é uma história muito violenta.

[00:16:10] Imaginam, uma sociedade que se estabelece através da escravidão.

[00:16:16] Se imagina que são só 130, 140 anos, mais ou menos,

[00:16:20] chutando aqui por baixo, que nós abolimos a escravidão.

[00:16:23] E o processo de abolição da escravidão foi um processo brutal,

[00:16:28] porque se se faz a lei Aurem 1888,

[00:16:33] e essa lei, ela não integra esses ex-escravos, ex-escravizados

[00:16:38] no processo produtivo, marginaliza, coloca eles fora

[00:16:42] e vai buscar trabalhadores explorados que estavam vivendo

[00:16:45] situações de miséria na Europa, o que explica a imigração europeia para o Brasil.

[00:16:51] Na verdade, esse monopólio católico, ele perseguia,

[00:16:54] como perseguiu no período colonial, os judeus,

[00:16:59] perseguia os protestantes, os evangélicos,

[00:17:04] porque os revejantes não são somente os neopetê costaristas,

[00:17:08] existem luteranos, existem, enfim,

[00:17:11] anabatistas, outros ramos dos evangélicos,

[00:17:17] que perseguia também, e principalmente perseguia religiões afro-brasileiras,

[00:17:22] não só a religião dos negros brasileiros,

[00:17:26] afro-brasileira, mas também a religião indígena.

[00:17:30] Estigmatizava, perseguia, prendia, prendia até escola de samba.

[00:17:35] Tem a famosa história da vai-vai, que é uma escola de samba aqui de São Paulo

[00:17:38] muito famosa, que quando a vai-vai saía nos anos 40

[00:17:43] para fazer o seu carnaval, a polícia ia atrás acompanhando o destile da vai-vai.

[00:17:49] Os comunistas sempre tiveram muita tolerância

[00:17:53] os comunistas brasileiros em particular,

[00:17:55] eu quero dizer isso, porque quem são os comunistas brasileiros?

[00:17:59] Quanto tempo eles existem?

[00:18:00] Os comunistas brasileiros existem desde 1922.

[00:18:06] Portanto, é um partido que nasce do movimento operário brasileiro,

[00:18:10] vinha de alguns militantes que fundaram o PCB

[00:18:16] intelectuais operários da imprensa proletária,

[00:18:20] como o Astralogio do Pereira, como Otávio Blandão, como Cristiano Cordeiro,

[00:18:25] vão juntar um núcleo de operários que rompem com

[00:18:28] com um anarquismo e olham o que está acontecendo na Rússia,

[00:18:33] a experiência da Revolução Russa, da primeira, o primeiro momento da Revolução Russa

[00:18:37] e fundam o PCB aqui, o Partido Comunista Brasileiro,

[00:18:40] Seção Brasileira da Internacional Comunista,

[00:18:43] que era uma articulação política para fazer uma revolução.

[00:18:47] E esses desde 1922 até 2022, que são 100 anos,

[00:18:54] esses comunistas fizeram muitas coisas.

[00:18:56] Primeiro, eles tiveram a petulância de dizer, olha, nós somos um partido

[00:19:00] que vamos representar os interesses dos trabalhadores do campo e da cidade.

[00:19:05] Isso deixou as elites dirigentes brasileiras muito preocupadas.

[00:19:10] Segundo, eles tiveram a ousadia de ter um jornal cotidiano

[00:19:15] para os trabalhadores, revistas culturais para os trabalhadores

[00:19:18] e começar a agregar intelectuais e artistas

[00:19:22] para trabalhar junto com o movimento social,

[00:19:25] com a maioria da população, que são os trabalhadores.

[00:19:28] Então isso significou algumas políticas

[00:19:33] em direção à luta por direitos,

[00:19:36] principalmente a luta pela democracia.

[00:19:38] Isso é uma coisa importante, porque imagina, o Brasil é um país

[00:19:42] sem nenhuma tradição democrática, é um país que sai da escravidão.

[00:19:46] A escravidão não tem um em dois reinados ou um império com dois reinados.

[00:19:52] E uma escravidão que vai durar até 1888,

[00:19:56] em um latifúrmio que dura 400 anos,

[00:19:59] quer dizer, isso não gera uma sociedade democrática.

[00:20:02] O Brasil é o país dos golpes de Estado.

[00:20:05] Se a gente pode contar nas mãos tantos golpes de Estado que ocorreram no Brasil.

[00:20:09] Em 1822, o próprio processo de independência vem como golpe.

[00:20:14] Em 1824, o fechamento da Assembleia Constituinte.

[00:20:18] 1830 com o golpe da maioridade, que se dá um golpe

[00:20:22] que se transforma D. Pedro II e maior, com 16 anos de idade.

[00:20:26] 1889, o golpe da República.

[00:20:28] 1930, o golpe de Getúlio.

[00:20:31] Em 1945, o 47, um golpe branco

[00:20:35] que põe o Partido Comunista na clandestinidade,

[00:20:38] ele já tinha sido várias vezes exposto na clandestinidade.

[00:20:40] 1964, um golpe militar brutal que durou 20 anos, 21 anos.

[00:20:45] E em 2016, o golpe na Dilma. Se a gente for somar,

[00:20:49] nós temos um tempo enorme de golpes de Estado.

[00:20:51] Por quê? Porque nós não temos uma tradição democrática

[00:20:55] e a luta pela democracia é uma coisa sagrada para os comunistas.

[00:20:59] Basta ver a trajetória dos comunistas brasileiros.

[00:21:02] Foram os que mais lutaram pela democracia.

[00:21:05] E uma das coisas que se discutia era o direito do cara

[00:21:09] a ter a religião que ele quisesse.

[00:21:11] Ainda que os comunistas não se declarem religiosos,

[00:21:14] eles são laicos, alguns não têm religião,

[00:21:19] eu não diria que são ateus.

[00:21:21] Eles são, agora me foge o nome, agnósticos.

[00:21:25] O que é o agnóstico, o termo grego,

[00:21:28] que significa não se preocupa com a religião?

[00:21:31] O fundamento dos comunistas é um mundo regido pelas leis,

[00:21:36] por leis racionais, por direitos e pela ciência.

[00:21:42] Feito isso, a luta era garantir o direito das pessoas

[00:21:47] de ter a sua religião que quisesse,

[00:21:49] não necessariamente a cartilha da igreja católica.

[00:21:54] Até porque uma das coisas boas da República de 89

[00:21:58] foi transformar o Brasil num Estado laico,

[00:22:00] ou seja, um Estado que não tem religião, ou Estado não tem religião.

[00:22:04] Quem tem religião são as pessoas. Por quê?

[00:22:06] Porque o Estado é um Estado de várias pessoas que têm várias religiões.

[00:22:12] O Estado brasileiro, aqui no Brasil, nós temos judeus, cristãos,

[00:22:16] muçulmanos, nudistas,

[00:22:21] afro, gente de religiões afro-brasileiras.

[00:22:25] Quer dizer, então você tem uma diversidade.

[00:22:27] As religiões indígenas,

[00:22:30] a diversidade religiosa necessitava uma regulação

[00:22:35] por legal, dando um direito amplo de liberdade religiosa.

[00:22:40] E o PCB, na sua bancada constituinte de 1945,

[00:22:44] porque você tinha uma Assembleia Nacional Constituinte

[00:22:47] que saía de uma ditadura, o Brasil, então você tem uma Assembleia Nacional Constituinte.

[00:22:52] E ali o PCB, através do seu deputado federal, Jorge Amado,

[00:22:55] que era o escritor, que era deputado pelo Partido Comunista Brasileiro,

[00:23:00] apresenta a lei de liberdade religiosa.

[00:23:02] Então uma das coisas que é uma grande conquista da sociedade brasileira

[00:23:08] é essa lei de liberdade religiosa apresentada pelo PCB.

[00:23:12] Logo depois ele é posto na clandestinidade de novo.

[00:23:15] Mas uma das outras leis importantes que o PCB vai fazer é o 13º.

[00:23:20] É o direito a férias.

[00:23:22] Então, quer dizer, são lutas que o PCB, os comunistas.

[00:23:27] Por que eu falo o PCB?

[00:23:28] Porque durante muito tempo só teve um partido comunista, que foi o PCB.

[00:23:34] E aí, quer dizer, o que significa que os comunistas tiveram um papel

[00:23:38] grande, não só na discussão das liberdades democráticas,

[00:23:45] mas também na luta por saúde pública, na luta por educação pública,

[00:23:49] na luta pelo monopólio do petróleo, na luta pelo monopólio

[00:23:54] da riqueza do subsolo, carvão, diamantes, ouro.

[00:23:58] Enfim, e na luta também pela proteção dos povos originais.

[00:24:01] Teve muito um papel muito importante na construção da Reserva do Xingu,

[00:24:07] junto com os irmãos filas boas.

[00:24:09] Então, o PCB foi um partido que lutou muito pela democracia.

[00:24:13] Nunca, nunca apoiou.

[00:24:15] E quando o PCB, tem muita gente que fala assim, mas em 35.

[00:24:20] 35 houve um levante.

[00:24:22] O primeiro não era um levante do Partido Comunista,

[00:24:24] era um levante da ação nacional libertadora. Segundo,

[00:24:29] os comunistas faziam parte dessa ação nacional libertadora,

[00:24:32] mas era contra o golpe de estado do Getúlio.

[00:24:35] Então, tem que entender isso, que era um levante

[00:24:38] que propunha, inclusive, a democracia no Brasil.

[00:24:41] Então, é isso um pouco da trajetória, das lutas democráticas.

[00:24:45] E quando houve a ditadura civil militar, que durou 21 anos,

[00:24:49] o PCB foi um dos principais opositores da ditadura e pagou muito caro por isso.

[00:24:55] Tivemos centenas de militantes assassinados, sequestrados.

[00:24:59] Tivemos sete membros da direção nacional do partido assassinados,

[00:25:04] que até hoje, agora já descobrimos.

[00:25:06] Alguns foram queimados nos formos de uma usina no Rio de Janeiro.

[00:25:11] Outros foram assassinados aqui em São Paulo, num lugar que chamava casa da vovó,

[00:25:16] onde as pessoas eram torturadas até a morte,

[00:25:18] e depois as quartezadas já jogaram no Rio, aqui no interior de São Paulo.

[00:25:22] Então, quer dizer, os comunistas pagaram caro pela luta pela democracia.

[00:25:26] Então, a gente não aceita e tem combatido

[00:25:30] esse rótulo de que nós somos contra a democracia e contra a liberdade,

[00:25:34] muito pelo contrário.

[00:25:36] A gente entende que quem é contra a liberdade

[00:25:39] é aqueles que atentam contra a democracia, contra o Supremo Tribunal Federal,

[00:25:43] contra a legislação vigente,

[00:25:46] e que atacam os direitos institucionalizados

[00:25:51] das populações indígenas quilombolas.

[00:25:55] Enfim, para mim, esses são contra a liberdade,

[00:25:57] que atentam contra a democracia, que querem cercar o Congresso,

[00:26:01] que querem fechar o Supremo Tribunal Federal.

[00:26:03] Esses são os que lutam contra a liberdade.

[00:26:06] Nós somos ao contrário, lutamos pela liberdade.

[00:26:10] É impressionante, como todos os golpes no Brasil,

[00:26:12] a ameaça comunista sempre teve ali usada como principal argumento.

[00:26:20] O Bolsonaro enche a boca para falar que a nossa bandeira jamais era vermelha,

[00:26:25] que não vai permitir que os comunistas corruptos ganhem o país.

[00:26:31] Enfim, é muito, muito curiosa, muito curiosa essa relação mesmo.

[00:26:38] E quando você vai lendo, estudando e montando essa linha histórica,

[00:26:42] você vê como são coisas que nunca, e não é só no Brasil,

[00:26:46] na América Latina de maneira geral, nas eleições do Chile também

[00:26:50] havia muito esse discurso de olha, o comunismo pode chegar,

[00:26:54] os comunistas podem vir, os comunistas podem, enfim, tomar sua propriedade

[00:27:00] como se aquilo fosse um meio de produção.

[00:27:03] Tem uma coisa importante.

[00:27:05] Esse discurso é um discurso da América Latina.

[00:27:10] É o discurso do Pinochet.

[00:27:12] Interessante que é o discurso dos caras que mais atentam contra a democracia.

[00:27:17] É o discurso das ditaduras do Uruguai nos anos 70, 60, 70,

[00:27:21] das ditaduras argentinas nos anos 60, 70,

[00:27:24] do Pinochet.

[00:27:25] É o discurso da ditadura militar brasileira.

[00:27:28] É o discurso dos que são contra a ditadura.

[00:27:30] Eles vão dizer o seguinte, mas veja,

[00:27:34] na Rússia se matou milhões de pessoas.

[00:27:38] Hoje mesmo eu estava vendo na TV francesa uma,

[00:27:41] porque hoje nós estamos vivendo aqui.

[00:27:43] Eu vou aproveitar essa questão da guerra da Rússia com a Ucrânia.

[00:27:48] Lembrando que a Rússia não é mais socialista.

[00:27:50] Putin não é um comunista. Putin é um conservador.

[00:27:53] É um católico e é um anticomunista.

[00:27:55] Lembrando isso.

[00:27:56] Mas se tenta sempre ligar o Putin aos comunistas, porque ele é russo.

[00:28:02] Não é porque o cara é russo, o cara é comunista.

[00:28:04] O Putin, o Putin,

[00:28:05] aliás, foi parte do grupo que desmontou a experiência socialista

[00:28:09] que na União Soviética, da Reis União Soviética, que se esgotou.

[00:28:13] Então eu digo o seguinte, houve experiências no mundo socialistas

[00:28:17] interessantes, mas como todas as experiências,

[00:28:20] mas o capitalismo tem 500 anos.

[00:28:22] Se contar da sua formação até ele se transformar em capitalismo industrial.

[00:28:26] São 500 anos.

[00:28:28] Se você pegar a experiência mais antiga da socialista, socialista,

[00:28:33] porque não é comunista, eu vou explicar a diferença.

[00:28:36] Quer dizer, o que é o socialismo?

[00:28:37] Se prepara a sociedade para uma forma de viver que faz tempo que ela não vive.

[00:28:43] Os comunistas são pelo fim do Estado,

[00:28:46] pela administração direta, pela democracia direta,

[00:28:49] pela coletivização dos meios de produção, pelo fim dos bancos

[00:28:54] e por uma outra forma social, pelo fim do exército.

[00:28:59] E que o policiamento ou o controle da justiça seja feita coletivamente

[00:29:04] por pessoas eleitas em seus locais de trabalho de moradia.

[00:29:08] Então quer dizer, é uma outra cabeça de sociedade.

[00:29:11] Agora, nesse processo, por exemplo, na própria Rússia.

[00:29:17] Houve problemas.

[00:29:18] Eu diria que o primeiro momento da revolução russa foi interessante.

[00:29:22] Teve muita, muita participação.

[00:29:24] Gente do Muniteiro foi para a União Soviética, dos Estados Unidos,

[00:29:29] da Europa, da América Latina, era um caldeirão fervente de ideias

[00:29:34] e de avanços científicos.

[00:29:37] Basta dizer que até hoje a maior, o maior avanço no plano psicopedagógico

[00:29:42] são ainda os pedagogos e os psicólogos russos.

[00:29:47] Vigotsky, Luntiev, Lurian, por exemplo,

[00:29:51] que até hoje são usados e são estudados com profundidade

[00:29:54] nos seus métodos científicos pedagógicos.

[00:29:58] Mas acontece que também você teve problema.

[00:30:01] Primeiro a Rússia foi invadida, todo um monte de país invadiu a Rússia

[00:30:05] quando ela fez a revolução.

[00:30:07] Houve uma guerra civil de quatro anos.

[00:30:11] Depois houve uma luta interna porque o Lenin, que era a grande liderança,

[00:30:15] morre muito jovem em função de um atentado, que ele sofre,

[00:30:19] morre com 50 anos, então ele morre no auge da sua capacidade intelectual

[00:30:23] e no alto da sua capacidade política.

[00:30:26] Aí você tem distorções, mas distorções também,

[00:30:30] que algumas não foram provadas, aquela história de milhões de mortes.

[00:30:34] Sabe quando você mata pessoas, pessoas aparecem.

[00:30:37] Não dá para esconder milhões.

[00:30:39] Onde estão os milhões de cadáveres que os russos mataram na Rússia

[00:30:43] durante a revolução.

[00:30:45] Provavelmente houve luta interna, houve luta política, houve mortes.

[00:30:49] Claro, uma revolução não é uma coisa tranquila, não é uma coisa simples.

[00:30:54] Mas todas as revoluções houve mortes, as revoluções burguesas também.

[00:30:57] Porque não esquecer que os burgueses fizeram revolução também na França,

[00:31:01] nos Estados Unidos, na Inglaterra.

[00:31:04] Vamos dizer que são os três grandes países

[00:31:06] onde houve a revolução burguesa e as pessoas mataram pessoas.

[00:31:09] Tanto na Inglaterra foi uma guerra entre exércitos,

[00:31:12] o Cromwell contra os exércitos absolutistas,

[00:31:15] como na França, os revolucionários, os jacobinos,

[00:31:19] contra a aristocracia e a burguesinha, e nos Estados Unidos também.

[00:31:24] Lá foi uma revolução nacional e uma revolução anticolonial,

[00:31:28] onde eles também mataram pessoas.

[00:31:30] Ela só assistiu, assistiu o patriota,

[00:31:33] ainda que seja um filme um pouco, vamos dizer assim, apologético.

[00:31:38] Mas o que acontece no patriota

[00:31:39] é o que acontecia mesmo na revolução dos Estados Unidos.

[00:31:42] Então o que significa que a revolução da independência,

[00:31:46] o que significa que as revoluções criam distorções

[00:31:50] e essas experiências criaram problemas.

[00:31:53] Eu diria o seguinte, os partidos do poder se fundiram no Estado.

[00:31:58] Isso é muito complicado.

[00:32:01] Eu diria que a única experiência grande socialista que está vigindo tem Cuba,

[00:32:06] onde Cuba você tem uma, é incrível,

[00:32:09] uma ampla liberdade de opinião e de fala

[00:32:13] para que se tenha uma ideia.

[00:32:15] Você pode ser candidata através dos grupos chamados

[00:32:21] Comitês de Defesa da Revolução, que não necessariamente são do partido

[00:32:25] comunista cubano, e você pode ser indicado para ser deputado sem partido.

[00:32:31] Isso existe em Cuba.

[00:32:34] Todas as discussões sobre a locação de verba

[00:32:37] de regionais, de regiões macro e micro regiões

[00:32:42] são discutidas coletivamente, para qual escola, para qual hospital.

[00:32:46] Então em Cuba você tem saúde e educação gratuitas

[00:32:51] e você tem direito garantido de alimentação e habitação.

[00:32:54] Cuba é pobre, é pobre, mas também vive desde

[00:32:58] de 59, 60, ele vive um bloqueio brutal dos Estados Unidos

[00:33:03] que nem remédio eles conseguem comprar.

[00:33:05] Por isso que eles se transformaram num grande país

[00:33:07] e produtor de remédios e de vacinas.

[00:33:09] Agora essas revoluções elas têm problemas e essas experiências

[00:33:15] por exemplo, elas tem condições de que as pessoas tivessem emprego,

[00:33:19] pleno emprego, tivessem moradia, tivessem educação e cultura e saúde.

[00:33:25] Então era muito comum eu quando eu era mais jovem

[00:33:29] ainda cheguei a visitar países socialistas

[00:33:33] e na Polônia eu conheci um professor

[00:33:37] eu conversava muito com ele, ele era um senhor eu era um jovem de vinte

[00:33:42] e poucos anos e ele dizia assim olha vamos conversando

[00:33:45] eu estava fazendo um curso com ele e ele dava um curso de economia

[00:33:50] e a gente conversando em inglês ele dizia vamos comigo andando

[00:33:53] que eu preciso buscar a minha filha pois não.

[00:33:56] E sua filha faz o que? A minha filha faz balé.

[00:33:59] Pô professor ele falou pois é e meu pai era metalúrgico.

[00:34:03] Quer dizer é uma sociedade onde a filha de um metalúrgico

[00:34:06] estuda balé, toca violino,

[00:34:09] vira professor, vira o que você quiser porque você tem um aparato do Estado.

[00:34:14] Mas ao mesmo tempo teve problemas também, nada humano é perfeito.

[00:34:19] Mas eu acho que esses acúmulos positivos que ficaram

[00:34:24] eles são também absorvidos por essa nova geração de comunistas

[00:34:30] ao qual eu quero me enquadrar, uma geração meia oito

[00:34:34] eu sou famoso meia oito, geração meia oito.

[00:34:38] E essa geração que eu era muito jovem em meia oito

[00:34:41] mas eu era de um garoto que militava na juventude comunista.

[00:34:48] E ali eu acho que a gente absorveu muitas experiências

[00:34:52] entendendo o seguinte não basta falar que você é democrata

[00:34:56] a democratização da sociedade ela tem que ser uma democratização

[00:35:01] ela tem que ser horizontal e vertical.

[00:35:04] Tem que ir para baixo tem que ir para cima e tem que ir para os lados.

[00:35:07] Então não adianta se falar viva num país como os Estados Unidos

[00:35:10] viva num país democrático onde meia dúzia vai de famílias

[00:35:16] detém a riqueza geral do país

[00:35:20] e onde a maioria porque a gente tem que entender que os Estados Unidos

[00:35:23] tem uma bela propaganda de si.

[00:35:25] Mas a maioria dos estadunidenses moram, trabalham precariamente.

[00:35:29] Você tem um contingente enorme de pessoas que moram em trailers

[00:35:32] você tem uma enorme população em situação de rua.

[00:35:35] Você tem um racismo tão violento quanto o nosso

[00:35:38] porque aqui é um país do racismo violento do racismo estrutural.

[00:35:41] Lá você também tem.

[00:35:43] Então você tem uma pequena classe média que vive relativamente bem

[00:35:48] oscilando hoje ela tem emprego em 2008.

[00:35:50] Quantos perderam na crise de 2008 quantos perderam as suas casas

[00:35:54] que não conseguiram pagar.

[00:35:56] A maioria mora em casa de madeira.

[00:35:58] Pensa isso casas de madeira não em casa de alvenaria casas de madeira

[00:36:02] e um contingente enorme vive em trailers.

[00:36:06] Os Estados Unidos falam eu sou democrata mas a democracia

[00:36:08] ela tem que passar pelo acesso à cultura pelo acesso ao padrão de vida

[00:36:12] asuável civilizado os Estados Unidos não tem saúde pública

[00:36:15] que inclusive melhor porque tem o SUS e graças aos SUS a gente conseguiu

[00:36:21] corrigir o absurdo do que foi feito no governo o governo Bolsonaro.

[00:36:28] Mais de 600 mil mortos quase 650 mil mortos.

[00:36:32] E lá nos Estados Unidos não tem SUS.

[00:36:35] Você vive e não tem aposentadoria.

[00:36:38] Você trabalha a vida inteira tem que fazer uma poupança

[00:36:41] para você poupar para poder viver razoavelmente velho.

[00:36:44] Você tem que guardar 30% do seu salário.

[00:36:47] Os Estados Unidos não tem saúde pública.

[00:36:50] Então você tem que pagar plano de saúde.

[00:36:52] O seu plano de saúde ele é escalonado.

[00:36:54] Fala assim olha eu trato aqui tal doença tal doença.

[00:36:58] Se você tiver câncer você precisa pagar mais um pulso.

[00:37:00] Se você não tem no seu plano um tratamento de câncer

[00:37:04] você vai para o hospital os caras te põe na rua.

[00:37:07] Tem uma história famosa de uma senhora negra em alguns anos atrás

[00:37:10] que morreu na porta do hospital porque não tinha não tinha no plano dela

[00:37:15] não tratava doenças cardíacas ela morreu de um infarto

[00:37:18] aceitado numa cadeira no meio de um inverno de Nova Iorque

[00:37:23] que a gente sabe que não é o inverno qualquer inverno extremamente vigilado.

[00:37:27] Então quer dizer nós vamos falar sou democrata sou democrata

[00:37:30] mas você não vota direto nos Estados Unidos.

[00:37:33] Eu estou pegando aqui o exemplo que fala nós somos os democratos.

[00:37:37] Nós somos os americanos e os democratos

[00:37:40] como se a América não fosse composta por 36 países

[00:37:43] e como se nós aqui não fôssemos americanos também.

[00:37:46] Mas eles são os americanos e os democratas

[00:37:49] só que os democratas não votam direto no presidente da República

[00:37:53] eles votam num colégio eleitoral

[00:37:55] que é composto pelos partidos que têm poder nos Estados Unidos

[00:38:00] que aliás o país maior que eles se chamam de maior democracia

[00:38:03] no mundo é regido por dois países partidos

[00:38:06] o democrata e o republicano que se alteram no poder.

[00:38:09] Então não basta dizer que você é democrata

[00:38:12] não basta dizer que você luta pela democracia

[00:38:16] se você é democracia não atinge socialmente as pessoas.

[00:38:21] A democracia é se a gente não tem bases iguais

[00:38:25] nem pontos de partidas iguais

[00:38:28] é meio difícil de falar de qualquer tipo de democracia.

[00:38:33] Exato de oportunidade.

[00:38:35] Fica mais distante.

[00:38:38] Professor no seu livro Sinfonia inacabada

[00:38:41] o senhor fala da história do PCV no Brasil

[00:38:44] e faz uma crítica à esquerda mas tem uma passagem ali

[00:38:48] que o senhor fala sobre o final dos anos 70

[00:38:52] início dos anos 80 as movimentações operárias do ABC

[00:38:56] e como nem o Partido dos Trabalhadores e nem o PCV

[00:38:59] que até então era hegemônico dentro do movimento operário

[00:39:03] conseguiram compreender esses movimentos e captar esses movimentos

[00:39:08] para trazer uma uma consolidação da democracia brasileira.

[00:39:15] A gente poderia dizer que isso mais ou menos aconteceu no Brasil em 2013

[00:39:20] a gente teve um movimento massivo a população

[00:39:24] sedenta a lei de uma representatividade que acabou

[00:39:27] enfim se virando num golpe.

[00:39:31] Pode pode eu quero fazer essa correlação

[00:39:34] dizer muito bem lembrado que bom que você leu bem meu livro viu.

[00:39:37] Gostei porque você pegou uma coisa que é central no meu trabalho.

[00:39:42] O meu trabalho quem quem for ler não é uma apologia ao PCV

[00:39:45] ao contrário se você viu ele é uma crítica permanente

[00:39:51] as falhas que o PCV tinha na luta pela

[00:39:55] pela construção do socialismo porque obviamente

[00:39:58] o PCV queria propor uma sociedade socialista

[00:40:01] ele tem como proposta uma sociedade socialista que não é capitalista.

[00:40:06] O que é uma das coisas que é cara aos comunistas

[00:40:11] é o estudo então toda a política do Partido Comunista

[00:40:15] ela ela dá muito trabalho porque o Partido Comunista faz congresso.

[00:40:19] Você imagina ele clandestino fazendo o congresso ele fez o congresso clandestino.

[00:40:24] Alguns caíram caíram quer dizer foram descobertos pela polícia.

[00:40:28] Mas uma das coisas que tem assim são as teses.

[00:40:31] Então o PCV tem uma direção funciona da seguinte maneira

[00:40:34] o Partido Comunista qualquer lugar no mundo ele tem uma direção nacional

[00:40:39] que é eleita pela pela base pela pelas.

[00:40:43] Você tem as organizações municipais estaduais e nacionais.

[00:40:47] Então no congresso você tem a eleição democrática de delegados

[00:40:53] que são eleitos pela base.

[00:40:55] Esses delegados votam nos diretores na em pessoas

[00:41:00] para que componha o núcleo dirigente do partido

[00:41:02] tanto municipal como nacional e como como como estadual e como nacional.

[00:41:08] Então esse é um pouco a estrutura do PCV e esse esse comitê central

[00:41:14] que chama-se assim que o comitê que que que dirige o partido

[00:41:18] mas dirige coletivamente ele nunca dirige sozinho.

[00:41:21] Ele dirige sempre dialogando com as bases e dialogando de que maneira.

[00:41:25] Todas as decisões têm que passar pelas bases.

[00:41:28] Não é uma decisão de cima para baixo é de cima para baixo de baixo para cima

[00:41:32] e dos lados aquela coisa do vertical horizontal.

[00:41:35] E uma das coisas que que é fundamental

[00:41:39] para os comunistas em processos de congresso é a a a a

[00:41:44] a elaboração das teses que vão fundamentar os debates dos congresso.

[00:41:49] Essas teses elas têm por trás estudos históricos

[00:41:54] sociológicos econômicos estudos culturais

[00:41:58] estudos de saúde pública de de de de discussões

[00:42:04] profunda então são vários companheiros que a gente chama de camaradas

[00:42:09] que estão dentro do partido médicos professores economistas.

[00:42:14] Enfim é um partido operários estudantes donas de casa

[00:42:19] um partido do povo e aí não tem hierarquia porque um é professor

[00:42:24] o outro é é é um que trabalha num posto de gasolina como frentista.

[00:42:30] Ele tem a mesma o mesmo poder o mesmo direito de discutir

[00:42:33] de discordar e de propor.

[00:42:36] Então uma das coisas que é fundamental para os comunistas é o estudo

[00:42:39] e quando ao congresso se apresenta as teses

[00:42:43] as teses vão pro partido inteiro são discutidas

[00:42:47] são emendadas são mudadas são criticadas

[00:42:50] aí volta para a Comissão de Redação que absorve

[00:42:52] todas essas críticas que vão por escrito tal aí depois se coloca de novo

[00:42:56] aí tem outras críticas outras discussões

[00:42:58] e aí se discute depois do próprio congresso e se vota

[00:43:03] uma linha política uma linha política muito centrada

[00:43:06] em ciência em história em sociologia em economia em saúde pública em educação

[00:43:12] e aí vai na habitação tem uma um conjunto de

[00:43:16] de propostas que o PCB vai que o partido

[00:43:19] estou falando um partido comunista clássico qualquer partido comunista

[00:43:22] funciona assim vai levar como linha política então a gente apresenta um documento.

[00:43:26] Quando você entra no partido você tem que fazer duas coisas

[00:43:29] lê os estatutos depois lê as resoluções do congresso o último congresso

[00:43:35] por exemplo o PCB fez um congresso no passado o 16º congresso.

[00:43:40] Isso significa que isso faz com que o PCB e a militância

[00:43:46] tenha um discurso muito afinado.

[00:43:51] Eu me lembro que a minha mãe dizia o seguinte eu levava um amigo meu lá para casa

[00:43:55] para almoçar para jantar e ela dizia vocês falam tudo igual.

[00:44:00] Não é que a gente fala tudo igual a gente constrói uma linha

[00:44:04] e através da linha a gente analisa e avaliou o partido.

[00:44:07] Mas às vezes a linha pode não dar certo.

[00:44:10] Gisele pode pode estar falha ela pode não ter não contemplar a dinâmica

[00:44:15] porque a realidade é mais dinâmica do que qualquer livro

[00:44:17] e de que qualquer programa político.

[00:44:21] E às vezes o partido não tem a agilidade de acompanhar essa dinâmica

[00:44:26] chama das coisas que nós estamos querendo corrigir através de ativos

[00:44:29] os ativos que a gente faz cada três meses para fazer a análise da conjuntura.

[00:44:34] Isso tem corrigido um pouco o como dizer a rigidez dos programas.

[00:44:38] Então a gente acrescenta a denda são ativos

[00:44:42] e às vezes o Partido Comunista não entendeu por exemplo

[00:44:46] o significado das greves do ABC no final dos anos 70

[00:44:50] que eram greves que checavam a ditadura que põe a ditadura em cheque.

[00:44:54] O partido tinha uma visão muito muito responsável.

[00:44:58] Quando houve o I-5 em 1968

[00:45:01] para quem não sabe o I-5 é o momento onde a ditadura fica feroz.

[00:45:05] Ela tira todos os direitos e intervém em todos os poderes

[00:45:09] tanto no judiciário como no legislativo fecha congresso abre congresso

[00:45:15] indica senadores indica deputados era uma coisa brutal era uma ditadura.

[00:45:20] E uma das coisas que ocorre quando o I-5 é que segmentos da esquerda

[00:45:26] não toda a esquerda mas segmentos de inclusive de líderes importantes

[00:45:30] como Marighella como Mário Alves como Jacó Gorenda

[00:45:36] líderes importantes como João Amazonas

[00:45:40] vão para a luta armada vão falando vamos fazer a resistência armada.

[00:45:43] O PCB diz que não adianta que nós não vamos vencer na luta armada.

[00:45:47] Por que porque nós já tínhamos uma leitura que o Brasil

[00:45:50] o Brasil não era uma republiqueta de bananas.

[00:45:54] O Brasil a gente acaba a gente esquece nessa

[00:45:57] nessa discussão do nosso país.

[00:45:59] O Brasil é uma grande economia do mundo uma das grandes economias

[00:46:03] uma das oito nove economias do mundo oscila as vezes está no décimo oito lugar

[00:46:08] às vezes está no oitavo mas é uma das grandes economias do mundo.

[00:46:11] O Brasil é um país capitalista com um alto grau de desenvolvimento

[00:46:15] de tecnologia e força produtiva.

[00:46:19] Então o Brasil tem um exército moderno.

[00:46:23] O Brasil tem uma polícia moderna ainda que ela não seja moderna.

[00:46:27] Eu diria as polícias militares.

[00:46:29] Na concepção é uma polícia que ainda ficou com o rabo preso na ditadura.

[00:46:34] Ainda ela continua achando que o cidadão é um inimigo interno

[00:46:38] até porque o presidente da República de Plantão aqui acha também que o cidadão

[00:46:41] é um inimigo interno.

[00:46:43] E de qualquer maneira quer dizer o.

[00:46:48] Esta esta esta essa visão que eu perceber tinha

[00:46:52] de que o Brasil era um país industrializado jamais uma guerrilha no campo

[00:46:56] iria conseguir vencer uma ditadura altamente

[00:47:02] capacitada inclusive pelos Estados Unidos

[00:47:06] no sentido de repassar para os órgãos de repressão

[00:47:10] as tecnologias de repressão de tortura.

[00:47:12] Porque isso não foi criado aqui.

[00:47:14] Tirando o pau de arara que é genuínamente nacional

[00:47:18] todas as outras técnicas vêm não dos Estados Unidos

[00:47:21] para quem vai se assustar agora mas vem da França

[00:47:25] que na guerra de independência da Argélia desenvolveu uma série de

[00:47:29] de formas de repressão inclusive de torturas que foram usadas na América Latina.

[00:47:34] Mas de qualquer maneira que eu quero dizer o seguinte

[00:47:37] o PCB achava que era necessário naquele momento não ir para o confronto armado

[00:47:41] e muitos dos que foram para o confronto armado foram assassinados

[00:47:46] foram mortos como Marighella lá o que é assistir o filme

[00:47:50] vai compreender como Lamarca né.

[00:47:52] Como enfim como vários eu diria patriotas

[00:47:57] são patriotas que apesar de serem socialistas

[00:48:02] para o espanto da burguesia se batiam pela democracia

[00:48:06] aqui no Brasil para que se voltasse ao Estado democrático de direito.

[00:48:10] O PCB disse não adianta a gente tem que ir para o movimento de massa

[00:48:13] e ele foi para o MDB.

[00:48:15] Ele entrou dentro do MDB estava com destino.

[00:48:18] Então os militantes militares no MDB

[00:48:21] junto com o que estava no PCB que era condistínio no MDB.

[00:48:26] E em função disso se se criou uma grande frente ampla

[00:48:30] e o PCB foi importante na costura da frente ampla contra a ditadura

[00:48:35] e o PCB não entendia que esta frente ampla tinha se esgotado

[00:48:39] porque você tinha polos da sociedade muito mais avançados

[00:48:43] e fazendo um cheque contra a ditadura uma oposição à ditadura

[00:48:47] de maneira objetiva que não era meramente no Parlamento

[00:48:51] mas era no âmbito da vida real ou seja na luta econômica.

[00:48:56] Os operários questionavam nas suas greves o arroz salarial

[00:49:00] que era um dos elementos da ditadura.

[00:49:02] Se existe uma ditadura para poder comprimir os salários e aumentar

[00:49:06] a expropriação do trabalhador e aumentar a acumulação de capital.

[00:49:10] Era essa a ideia da ditadura para modernizar pelo Alder.

[00:49:14] Que que eu falo pelo Alder é uma modernização sem democracia

[00:49:18] que é muito comum no Brasil os processos de modernização

[00:49:22] sem o povo contra ele.

[00:49:25] Ora quem vai arrebentar com o modelo econômico da ditadura

[00:49:28] são essas greves e aí um dos erros é que o PT que se forma

[00:49:33] não está entendendo o significado daquelas greves

[00:49:35] nem mesmo o Lula que era o líder dessas greves.

[00:49:39] Lembrando que o Lula nunca foi comunista mas nem passou perto.

[00:49:43] Aliás os dois irmãos do Lula eram do Partido Comunista do PCB

[00:49:47] o Vavaio e o Freixico.

[00:49:49] Freixico não porque ele era freio porque ele era gordinho baixinho careca.

[00:49:52] Então o pessoal chamava ele de Freixico

[00:49:54] que um pouco lembrava aquele Freytuck do Robin Hood.

[00:49:58] Mas o Lula nunca foi os irmãozinhos mas o Lula nunca foi um comunista.

[00:50:02] O Lula sempre trabalhou pela conciliação de classe né.

[00:50:06] Pela conciliação de classe mas nem um social democrata

[00:50:09] nem um fora do tempo porque a social democracia brasileira

[00:50:12] ela é tardia lá dos anos 40 quando com a social democracia europeia

[00:50:16] do século final do século XIX.

[00:50:18] Agora de qualquer maneira

[00:50:21] nem o Lula nem os seus companheiros nem Vicentinho nem Jacob Itá

[00:50:25] estavam compreendendo o significado da ação deles.

[00:50:27] Isso pode acontecer.

[00:50:28] E quando se forma o PT se junta ali uma tríade

[00:50:33] se junta esses operários que eu chamo de

[00:50:36] o sindicalismo economicista que é o do Lula

[00:50:39] que não é socialista.

[00:50:41] É o que você falou da conciliação de classe

[00:50:44] aumentar o salário é também aumentar o lucro do patrão.

[00:50:47] Essa cabeça do Lula.

[00:50:49] O Lula nunca foi um comunista.

[00:50:51] Tem que ter isso claro.

[00:50:54] E além disso junta-se os sociais democratas

[00:50:58] tardios brasileiros.

[00:51:00] Dá um exemplo aqui o emblemático como o Suplicy.

[00:51:03] O Suplicy nunca foi um comunista.

[00:51:05] Suplicy além de vir de uma família muito tradicional

[00:51:09] paulista.

[00:51:14] Ele é um cara que é o social democrata

[00:51:16] um democrata radical mas não é um comunista.

[00:51:20] Como Lula eu acho que o Lula é um democrata radical mas não é um comunista.

[00:51:25] Isso significa portanto que esse núcleo que tomou conta do PT

[00:51:29] transformou o PT num partido reformista e é complicado

[00:51:33] porque fez muita concessão e muita conciliação

[00:51:36] para com os monopólios nacionais e internacional para com o capital financeiro

[00:51:40] para com o agronegócio e complicou muito

[00:51:44] porque atrela o movimento dos trabalhadores e a luta pelos seus interesses

[00:51:48] a luta dessa elite econômica que não é a mesma que não é a mesma luta.

[00:51:53] Gizé então eu diria que

[00:51:57] isso leva com que se enfraqueça o movimento social

[00:52:01] e permite com que e aí você tem uma crise econômica também no meio

[00:52:05] que começa em 2008 o Lula surfa bem na crise.

[00:52:10] O Brasil está bem está com está com reservas.

[00:52:13] Até hoje o Brasil está muito bem

[00:52:15] e desses colchões de dólares que os dois governos Lula deixaram.

[00:52:20] Primeiro o governo Dilma o governo Titubianto segundo a Dilma

[00:52:24] não consegue compreender também a necessidade ali

[00:52:29] de uma elasticidade política para costurar uma governança.

[00:52:33] Ela acaba tomando um golpe

[00:52:36] e esse golpe acaba levando o surgimento do tema

[00:52:39] a desarticulação daquele daquele acordo

[00:52:42] que os dois os dois governos Lula fizeram com a elite brasileira

[00:52:47] é uma elite que não é democrática que é sedente de lucro

[00:52:50] que adora explorar trabalho.

[00:52:52] E aí você vê o que o que ocorre elege.

[00:52:55] Primeiro você tem que montar uma farsa monta-se uma farsa

[00:52:58] do impeachment de Dilma e agora está provado que a Dilma não cometeu nenhum crime

[00:53:02] tanto que ela não foi nem processado.

[00:53:04] E a segunda coisa são as farças do Lula.

[00:53:08] Pois ele o Lula seja um anjo mas a história do apartamento do Lula

[00:53:13] eu até brincando com a minha com a minha mulher aqui em casa

[00:53:16] naquela época eu dizia assim eu estou com medo que vão me prender

[00:53:19] porque eu também comprei uma uma uma uma cota de cooperativa

[00:53:24] quando eu estava quando eu era associado ao sindicato dos professores

[00:53:28] tinha uma cota para comprar um terreno eu passei anos pagando o maldito terreno

[00:53:32] quando quando eu acabei de pagar vieram para mim

[00:53:34] você quer o dinheiro ou você quer ou você quer o terreno.

[00:53:39] Eu não quero terreno eu assinei aquele papel que o que o Moro disse

[00:53:43] tem um papel aqui está assinado ou não então só pode guardar o Lula falou.

[00:53:47] Eu em meu caso não eu tinha assinado mas eu passei pagando aquele

[00:53:51] aquele consórcio durante sei lá 20 anos.

[00:53:56] Você percebe então o fato dela ter pago o consórcio um consórcio

[00:54:00] de ter se interessado por um apartamento e não quis ter apartamento

[00:54:03] estou dizendo a dona Marisa isso não configura crime

[00:54:06] e ele foi condenado como crime

[00:54:09] conseguiram dizer que aquele apartamento rinha como presente

[00:54:12] de uma maracutai mas não se provou a maracutai não se provou

[00:54:15] o apartamento era dele.

[00:54:17] O outro absurdo a história da chácara do de Atibaia

[00:54:20] que era que tinha proprietários era um era o filho do Jacob Itar

[00:54:25] que era um grande camarada dele que foi prefeito do de Campinas

[00:54:29] e que foi um dos metalúrgicos dos anos 70 da liderança da da novo sindicalismo.

[00:54:34] E e o Instituto Lula também recebeu

[00:54:38] todos os institutos recebem dinheiro de empresa

[00:54:40] inclusive o Instituto Fernando Henrique Cardoso.

[00:54:44] Quer dizer então não é uma conclusão se se provou também

[00:54:48] que não só os tribunais que julgaram eram incompetentes

[00:54:51] mas como as acusações eram acusações que não eram robustas.

[00:54:56] Mas isso foi o que foi trama do golpe para que na saída do tema

[00:55:00] se tivesse ali o Bolsonaro com toda uma estrutura

[00:55:05] inclusive da grande imprensa grande imprensa que hoje é contra ele

[00:55:08] era favorável cobrir as passeatas na Paulista

[00:55:14] o pessoal de camisa da seleção não sei o que.

[00:55:17] E aí Lula preso que mesmo assim

[00:55:21] a vitória do Bolsonaro não foi uma vitória tranquila

[00:55:25] porque ele perdeu para os votos brancos e nulos

[00:55:27] e teve também os votos do Haddad em cima de que projeto político

[00:55:32] de meter a mão no fundo público.

[00:55:35] Por isso que ele vai nomear o Guedes e quem é o Guedes.

[00:55:37] Guedes não é o econômico que a gente tem que ter assim.

[00:55:39] Existe economista e existe cara que entende de banco.

[00:55:42] Pode até ser o economista mas é o economista que entende de banco.

[00:55:45] O economista é o cara que entende de sociedade que constrói políticas públicas

[00:55:50] constrói um projeto para o país o projeto econômico o projeto social

[00:55:54] o projeto de desenvolvimento de modernização tecnológica

[00:55:57] e fortalecimento das universidades e do ensino público

[00:56:00] para você poder ter cérebros para desenvolver tecnologicamente

[00:56:03] industrialmente o país.

[00:56:05] E você tem um cara que tem como ideia meter a mão no fundo público

[00:56:08] privatizar a aposentadoria que

[00:56:12] que ainda bem que não conseguiu fazer como o que o Mande queria

[00:56:15] porque já tinha feito isso no Chile.

[00:56:17] Para quem não sabe Paulo Guedes foi um dos assessores do governo Pinochet

[00:56:21] nessa questão da desmonte da previdência social

[00:56:25] onde os velhinhos se matavam nas ruas porque não tinha como

[00:56:28] como viver com a aposentadoria que era apresentada para eles.

[00:56:32] Paulo Guedes estava nessa articulação.

[00:56:35] Paulo Guedes fortalece o

[00:56:39] agronegócio e desmonta as leis trabalhistas.

[00:56:42] Esse foi o tripé que se elege o Bolsonaro.

[00:56:45] Mas fora isso ele não conseguiu soldar um bloco.

[00:56:48] Não conseguiu soldar um bloco.

[00:56:49] Você teve um retrocesso na inducionalização.

[00:56:52] Você teve um aprofundamento da crise econômica.

[00:56:55] O empobrecimento do país e o enriquecimento dos setores do agronegócio.

[00:57:00] Então um pouco da condição é essa.

[00:57:03] Desculpe se eu falei demais Gisele.

[00:57:05] Imagina não é que vai se pintando um cenário e daí você.

[00:57:10] Nesse momento a solução é o nome do Lula.

[00:57:14] É o que me parece mais viável e enfim o que me parece.

[00:57:17] Mas a gente sabe de novo que vem essa questão da conciliação de classe.

[00:57:21] Mais uma vez a gente se distancia dessa verdadeira revolução.

[00:57:29] Qual seria o momento para uma revolução comunista.

[00:57:32] Ela só existiria se pegando em armas.

[00:57:34] O que se o que se discute hoje no PCB como um futuro

[00:57:39] para um futuro uma possibilidade de um futuro comunista no Brasil

[00:57:44] para a gente já ir encerrando a nossa entrevista.

[00:57:47] Gisele vou te responder em dois em dois tempos.

[00:57:51] Primeiro assim não houve não existe ainda não houve no mundo um país comunista.

[00:57:56] O houve países socialistas que é o primeiro momento onde você tem um estado

[00:58:01] o estado organiza a economia como você tem na China.

[00:58:05] Às vezes tem o maior número de bilionários do mundo.

[00:58:09] É uma coisa bem contraditória.

[00:58:12] Contraditório mas são bilhões de pessoas que não passam fome.

[00:58:16] Por exemplo um bilhão e não sei quantos milhões que não passam fome.

[00:58:21] Mas ali é um processo de transição exatamente o socialismo é uma transição

[00:58:25] porque ele é híbrido.

[00:58:27] Ele tem elementos do capitalismo elementos já do comunismo.

[00:58:31] Mas o mundo comunista porque o comunismo ele destrói ele ele acaba com o Estado.

[00:58:36] Ele acaba com o Exército.

[00:58:37] Ele recompôe ele recria uma polícia comunitária.

[00:58:41] Ele enfim ele acaba com com propriedade privada das indústrias

[00:58:46] e dos meios de produção não tua casa casa é tua.

[00:58:49] A casa vai ser sempre tua tua casa é tua e você vai mandar nela.

[00:58:54] Ninguém vai entrar em quem rouba a casa dos outros banco.

[00:58:56] Eu sempre falo isso para meus alunos.

[00:58:59] Agora o perceber

[00:59:03] e eu acho que os comunistas do mundo também comunista não é forma de bolso

[00:59:07] não é não é como é que fala é receita de bolso.

[00:59:11] A proposta do comunismo é uma proposta para o futuro

[00:59:14] é uma proposta generosa da humanidade

[00:59:18] porque a gente chama de emancipação humana da exploração

[00:59:23] do homem pelo homem o homem pelo homem aqui no sentido da humanidade

[00:59:26] de um ser humano explorar o outro ser humano

[00:59:30] e na verdade o perceber tem uma visão

[00:59:34] muito diferente da visão por exemplo do PT.

[00:59:38] O perceber tem uma visão

[00:59:41] inclusive do PC do PC do B é um partido que nasce em 62

[00:59:46] como o racha do PCB e ao PC do B que a gente conhece.

[00:59:51] Nós temos uma visão diferente do PCB e do PC do B.

[00:59:54] A gente acha que nesse momento é necessário que você consolide

[00:59:58] primeiro um grande e poderoso movimento social.

[01:00:02] Não tem uma forma uma não é uma receita de bolo tem que ser assim e assado.

[01:00:08] A gente não sabe se uma revolução pode ser uma revolução de veludo

[01:00:14] na perspectiva dos trabalhadores não essas inventadas ali

[01:00:17] pelos Estados Unidos e alguns países para desestabilizar governos democráticos.

[01:00:21] Não pode ser uma revolução pacífica mas o que é a revolução

[01:00:25] é mudar as relações sociais.

[01:00:28] Isso que é uma revolução.

[01:00:29] Não necessariamente você vai fazer isso com luta armada

[01:00:33] mas é necessário nesse momento construir um grande polo socialista

[01:00:38] no Brasil programar que quer dizer programático com com uma análise

[01:00:43] política com uma análise de fundo da realidade brasileira

[01:00:48] que eu chamo de teses e resoluções

[01:00:52] textos que que aprofundem uma análise do Brasil.

[01:00:56] Quais são as necessidades hoje em dia.

[01:00:59] A gente até até aponta essas necessidades.

[01:01:01] Nós estamos lançando para a presidenta da República

[01:01:05] uma camarada nossa uma professora

[01:01:08] a nadal de uma universidade lá da Bahia da Vitória da Conquista

[01:01:12] a Universidade Pública e a professora Sofia Manzano

[01:01:17] que é aqui de São Paulo mas que foi trabalhar na Bahia

[01:01:19] e que a doutora que é economista e doutor em História Econômica pela USP.

[01:01:25] Esta camarada que é professor uma jovem intelectual

[01:01:30] e professora brasileira.

[01:01:32] Ela não são propondo o que primeiro é necessário que você tenha uma

[01:01:37] ou repensar de políticas agrárias.

[01:01:40] Não dá para você ter um país onde é o maior produtor de comida do mundo

[01:01:44] de grãos do mundo de arroz de carne bovina de carne suína

[01:01:48] de carne de frango e as pessoas passam fome e vão disputar osso

[01:01:53] no açougue pagando um quilo de carne uma fortuna.

[01:01:58] Agora mesmo estou ontem mesmo tive no supermercado

[01:02:02] e vi os caras cobrando carne seis vezes no cartão.

[01:02:07] Brincadeira o maior produtor de alimentos do mundo as pessoas passam fome.

[01:02:11] Isso é um dado um dado objetivo.

[01:02:13] Então qual é a proposta.

[01:02:14] É repensar fazer uma reforma agrária

[01:02:17] reforma agrária o que significa tirar a terra de pequeno proprietário.

[01:02:21] Mas é regular a terra de grande proprietário

[01:02:25] é dar o direito para que você tenha a construção de agriculturas

[01:02:29] fundamentadas em núcleos coletivos através das famílias

[01:02:32] que se organizam coletivamente para atender as necessidades.

[01:02:36] Por exemplo dos cinturões urbanos não quer dizer que elas vão acabar

[01:02:39] com a grande economia agrária porque ela é uma fonte de riqueza.

[01:02:44] Nós vamos regular uma proposta nossa é regular o solo

[01:02:48] monopolizar o petróleo voltar a Petrobras.

[01:02:51] O que é o monopólio do petróleo é o monopólio da sociedade

[01:02:55] porque se o Estado representa a sociedade

[01:02:57] o monopólio do petróleo é o monopólio é um patrimônio do Brasil

[01:03:01] não é um patrimônio de ninguém

[01:03:03] não é um patrimônio do presidente da república

[01:03:05] porque a gente diferencia políticas de governo e política de Estado.

[01:03:10] Quer dizer o monopólio do petróleo é uma política de Estado

[01:03:12] utilizar o pressal.

[01:03:13] Isso o Lula tinha razão estava plenamente correto

[01:03:17] para você com o pressal financiar educação ciência e tecnologia

[01:03:21] fundamental porque nenhum país se desenvolve sem ciência

[01:03:24] e sem tecnologia e por fortuna das lutas populares no Brasil.

[01:03:29] O Brasil tem grandes universidades né.

[01:03:33] Algumas elas são aqui em São Paulo.

[01:03:35] Uspi, Unesp, Unicamp.

[01:03:37] São universidades reconhecidas no mundo inteiro.

[01:03:40] Você tem grandes universidades federais

[01:03:42] o UFRJ, Universidade de Minas Gerais, Universidade de Pernambuco.

[01:03:46] Você tem grandes cérebros mas você tem que também alimentá-los

[01:03:49] no sentido de você bancar uma grande universidade pública e gratuita

[01:03:54] aprofundar as políticas de cotas

[01:03:56] porque as políticas de cotas permitem que os pobres

[01:03:59] e a maioria dos pobres do Brasil são os negros.

[01:04:03] Tenho acesso à educação, tenho acesso à universidade

[01:04:07] e mudar também criar grandes

[01:04:11] conglomerados industriais,

[01:04:14] fábricas médias, pequenas e médias empresas

[01:04:17] inclusive com empresários pequenos e médios empresários nesse momento.

[01:04:21] Aquela coisa do híbrido que eu estava te contando

[01:04:24] fazendo uma economia voltada para o mercado interno.

[01:04:28] Você não precisa pagar futura por uma roupa.

[01:04:31] 200 reais de uma camisa, 150 de uma calça.

[01:04:34] Não, você tem uma indústria voltada para o mercado interno,

[01:04:38] para eletrodoméstico, para que as pessoas

[01:04:40] possam ter na sua casa geladeira, televisão, ter acesso ao computador.

[01:04:43] Isso é possível.

[01:04:44] Então nós somos propondo que é uma outra economia.

[01:04:47] Não estou propondo aqui para expropiar ninguém, mas é uma outra economia.

[01:04:51] Obviamente taxar fortunas, taxar heranças.

[01:04:54] Não é a herança do vovô, tem lá 200 mil reais.

[01:04:58] Falando dos bilhões das heranças milionárias dos empresários

[01:05:02] e dos financistas brasileiros.

[01:05:06] Você tem uma política importante de moradia.

[01:05:09] Você tirar as pessoas da rua.

[01:05:12] Que em São Paulo numa canetada com alguns milhões de reais

[01:05:15] você tiraria essas pessoas da rua, acabaria com o Cracolândia.

[01:05:19] Você tem uma saúde pública forte, você tem uma educação pública forte.

[01:05:23] Então o que nós somos propondo no nosso programa

[01:05:27] o controle social da sociedade, que a sociedade tenha mais poder.

[01:05:32] Repensar a eleição de juízes.

[01:05:36] O juiz hoje lê indicado, é uma coisa autocrática.

[01:05:40] Você não tem democracia na eleição de juízes.

[01:05:43] Até a grande democracia do mundo, que não é tão democrática assim nos Estados Unidos,

[01:05:47] os juízes são eleitos.

[01:05:49] Então quer dizer, a gente está pensando aqui em alternativas.

[01:05:53] A Sofia Manzan vai

[01:05:57] no momento que ela estiver fazendo nossos programas,

[01:06:00] nossas propagandas eleitorais,

[01:06:04] ela vai apontar aquilo que o PCB coletivamente

[01:06:08] construiu como uma proposta de governo, trazendo o que?

[01:06:12] As forças populares.

[01:06:14] A gente é contra essa história da conciliação de clássico Lula

[01:06:17] que está propondo fazer.

[01:06:19] Então no primeiro turno nós estamos apresentando o Sofia Manzano,

[01:06:23] a professora Sofia Manzano, para tentar uma alternativa democrático

[01:06:28] popular para esse país.

[01:06:32] Legal, professor, quem quiser saber um pouco mais da história

[01:06:36] do Partido Comunista Brasileiro e saber um pouco mais da história

[01:06:40] do comunismo no Brasil, pode encontrar a informação no seu livro

[01:06:46] Sinfonia na Acabada, da editora Boitempo, né?

[01:06:50] Isso, e a Sinfonia na Acabada é uma história, né?

[01:06:54] Mas você sabe que a bibliografia sobre o PCB no Brasil é imensa.

[01:06:58] Você tem um monte de livros sobre o PCB, mas tem o site, entra no site do PCB.org,

[01:07:06] acho que é .org.br em geral.

[01:07:09] O PCB.org é o .org.br, eu não vou saber de cabeça, mas vai lá.

[01:07:14] Tem documentos com livre acesso, clica, leia, enfim.

[01:07:21] Quem quiser saber mais, tem que estudar mais um pouco também.

[01:07:25] Tá jóia. Obrigada, professor, pelo tempo e pela disponibilidade

[01:07:29] em estar aqui com a gente, tá jóia?

[01:07:32] Gisele, eu que agradeço a entrevista.

[01:07:37] E agora estou te olhando, quero ver você para te dar um tchau

[01:07:40] e quero pedir desculpa por esse contratempo, viu?

[01:07:44] Que eu tive que resolver o problema lá da minha filha.

[01:07:47] Como você tem filho?

[01:07:49] Graças a Deus, ela tem filho.

[01:07:50] Então ela vai entender o que eu estou.

[01:07:52] Não, e eu precisei desmarcar, estava aqui sentada nesse mesmo lugar.

[01:07:56] Daí me mandaram mensagem da escola, o Vicente caiu.

[01:07:59] Daí pensa, né?

[01:08:01] Oito quilômetros daqui eu fui desesperada, assim, tipo, ainda bem.

[01:08:05] Primeira coisa que me veio na cabeça foi desmarcar para poder.

[01:08:08] Ai, meu Deus.

[01:08:09] E você, ouvinte da Anticast, muito obrigada por estar aqui com a gente.

[01:08:13] Você que é patrão, muito obrigada.

[01:08:17] Olha, a sua colaboração faz realmente diferença, porque não é fácil, viu?

[01:08:20] É um trabalho bastante puxado, produzir tudo isso, escrever, pesquisar,

[01:08:24] entrevistar as pessoas.

[01:08:25] Mas com a sua ajuda, isso aqui faz mais sentido.

[01:08:30] E você que ainda não colabora com Anticast, entra lá na nossa campanha no Catarse.

[01:08:36] Deixe o seu apoio para a gente.

[01:08:39] A partir de cinco reais você ajuda bastante já.

[01:08:42] Um beijo para você e até o próximo programa.

[01:08:46] Tchau, tchau.