Pistolando #155 - Manuscritos do Mar Morto


Resumo

A historiadora Tupá Guerra, especialista em Manuscritos do Mar Morto e demônios, visita o Pistolando para um episódio especial sobre os 75 anos da descoberta desses textos. Ela explica que a data exata é incerta, mas a narrativa tradicional conta que em 1947 (ou 1946) dois pastores beduínos encontraram os primeiros manuscritos em uma caverna próxima ao Mar Morto ao procurarem uma cabra perdida. Os manuscritos foram vendidos a um antiquário em Belém e eventualmente chegaram às mãos de acadêmicos, desencadeando uma corrida arqueológica caótica nos anos 1950, com beduínos, governos e instituições competindo por fragmentos.

Os Manuscritos do Mar Morto compreendem cerca de 15.000 fragmentos que montam aproximadamente 900 manuscritos, descobertos em 11 cavernas principais na região de Qumran. Cerca de 40% são textos que viriam a formar o Antigo Testamento, 30% são textos apócrifos ou deuterocanônicos, e os 30% restantes são textos sectários possivelmente ligados a uma comunidade específica, talvez os essênios. Entre os achados mais fascinantes está o Pergaminho de Cobre (3Q15), encontrado na Caverna 3, que contém um mapa do tesouro e exigiu técnicas especiais de abertura desenvolvidas por engenheiros.

A pesquisa sobre os manuscritos foi marcada por controvérsias e restrições de acesso. As primeiras publicações (a série DJD) começaram nos anos 1950 e só foram concluídas nos anos 2000, com acesso limitado a um pequeno grupo de acadêmicos. Nos anos 1990, uma edição fac-símile publicada pela Biblical Archaeology Society levou a batalhas judiciais por direitos autorais, mas acelerou a digitalização. Hoje, a Biblioteca Digital dos Manuscritos do Mar Morto, um projeto com tecnologia da NASA, disponibiliza imagens de alta qualidade de todos os fragmentos online.

Tupá também discute seu trabalho específico com textos sobre demônios e seres malignos, como o 4Q511 (Hinos do Sábio). Ela explica que, no período do Segundo Templo, as doenças e o mal eram frequentemente associados a ataques demoníacos, e a proteção envolvia tanto práticas espirituais (orações, encantamentos) quanto remédios físicos, sem a separação moderna entre medicina e religião. A conversa ainda aborda figuras controversas como John Allegro, que passou anos procurando o tesouro do Pergaminho de Cobre e foi ostracizado após publicar um livro alegando que o cristianismo primitivo era um culto a cogumelos alucinógenos.


Indicações

Livros

  • The Maverick of the Dead Sea Scrolls (sobre John Allegro) — Biografia do controverso pesquisador John Allegro, que procurou o tesouro do Pergaminho de Cobre e propôs a teoria do cogumelo alucinógeno para as origens do cristianismo.

Podcasts

  • Banca da Garagem (episódio sobre Tobias) — Recomendado por Tiago, é um episódio do podcast da Tupá sobre o livro de Tobias, que ela estudou no mestrado e que é considerado apócrifo por algumas tradições cristãs.
  • Mundo Freak Confidencial — Podcast onde Tupá Guerra participa regularmente, falando sobre temas como demônios e história.
  • Dragões de Garagem — Podcast de divulgação científica onde Tupá também participa.

Series

  • RuPaul’s Drag Race All Stars (Temporada 7) — Recomendado por Letícia, esta temporada em específico é elogiada por ter um dos melhores episódios ‘Snatch Game’ da franquia, com drag queens vencedoras de temporadas anteriores.
  • In the Name of People (série chinesa) — Recomendada por Tiago, é uma série policial/drama político chinesa de 55 episódios disponível no YouTube, que explora a burocracia e corrupção no sistema chinês.
  • Le Bureau des Légendes (série francesa) — Recomendada por Tupá, é uma série de espionagem francesa focada no trabalho de infiltração e burocracia de uma agência de inteligência, com um ritmo diferente das produções americanas.

Sites

  • Biblioteca Digital dos Manuscritos do Mar Morto (Leon Levy) — Site mencionado por Tupá que contém imagens em altíssima qualidade de todos os manuscritos, fotografados com tecnologia da NASA. Permite explorar e ampliar os fragmentos.

Linha do Tempo

  • 00:01:04Apresentação de Tupá Guerra e seu trabalho — Tupá Guerra se apresenta como historiadora especializada em Manuscritos do Mar Morto e demônios. Ela explica que se autoconvidou para o episódio para celebrar os aproximadamente 75 anos da descoberta dos manuscritos, um marco importante, ainda que a data exata seja incerta.
  • 00:02:35A lenda da descoberta pelos beduínos — Tupá conta a história tradicional da descoberta: dois pastores beduínos procurando uma cabra perdida no deserto da Cisjordânia jogaram uma pedra em uma caverna e ouviram o som de cerâmica quebrando. Dentro, encontraram jarros de barro contendo manuscritos. Eles venderam os manuscritos a um antiquário em Belém por cerca de sete libras jordanianas, que acabaram chegando a acadêmicos da École Biblique em Jerusalém.
  • 00:09:00A redescoberta da Caverna 1 e o caos das escavações — A Caverna 1 foi oficialmente redescoberta em 28 de janeiro de 1949 por um observador belga da ONU com a Legião Árabe. Seguiu-se uma corrida maluca por mais manuscritos, com beduínos, arqueólogos, governos e instituições competindo, muitas vezes com escavações apressadas e falta de financiamento. O período pós-Segunda Guerra e a instabilidade política da região (antes da criação de Israel) complicaram ainda mais o processo.
  • 00:15:35O Pergaminho de Cobre e seu mapa do tesouro — Tupá apresenta seu manuscrito favorito, o Pergaminho de Cobre (3Q15), encontrado na Caverna 3 em 1952. É uma chapa de cobre enrolada contendo um mapa do tesouro. Sua abertura exigiu o desenvolvimento de uma serra especial por engenheiros na Inglaterra, pois o cobre oxidou após a descoberta. É um artefato único, e suas razões para ser feito em cobre permanecem um mistério.
  • 00:28:42A montagem dos fragmentos e as primeiras publicações — Os milhares de fragmentos foram levados para uma sala chamada ‘Scrollery’ (Pergaminheria), onde equipes trabalharam por anos montando-os como quebra-cabeças gigantes sem imagem de referência. As primeiras publicações acadêmicas (a série DJD) começaram nos anos 1950, cada volume contendo descrição, transcrição, tradução e comentários de um ou mais manuscritos. Esse trabalho era lento e restrito a um pequeno grupo.
  • 00:41:01Polêmicas de acesso e a digitalização — Nos anos 1990, a Biblical Archaeology Society publicou uma edição fac-símile de todos os manuscritos, violando alegados direitos autorais e gerando um processo judicial. Esse evento marcou uma virada, pressionando por maior acesso. O projeto da Biblioteca Digital dos Manuscritos do Mar Morto, usando tecnologia de imagem da NASA (fotografia multiespectral e infravermelho), foi concluído em 2012 e disponibilizou imagens de alta qualidade online, revolucionando a pesquisa.
  • 00:56:06Conteúdo dos manuscritos: Bíblicos, apócrifos e sectários — Dos aproximadamente 913 manuscritos de Qumran, cerca de 40% são textos que se tornariam o Antigo Testamento, 30% são textos apócrifos (como Tobias, Enoque) e 30% são textos sectários, possivelmente de uma comunidade local (talvez associada aos essênios). Estes incluem regras da comunidade, hinos e textos como o ‘Rolo da Guerra’, que descreve uma batalha cósmica entre os ‘Filhos da Luz’ e os ‘Filhos das Trevas’.
  • 01:17:46O trabalho de pesquisa de Tupá com textos de demônios — Tupá explica seu trabalho prático: ela estuda manuscritos como o 4Q511, traduzindo do hebraico, analisando imagens de alta resolução e comparando com outros textos da época. Seu foco é entender como as pessoas do período do Segundo Templo concebiam o mal, os demônios e a proteção contra eles, que muitas vezes estava entrelaçada com práticas médicas e concepções escatológicas.
  • 01:59:21Tupá conta a história do pesquisador John Allegro, que passou cerca de dez anos procurando o tesouro descrito no Pergaminho de Cobre. Embora não tenha encontrado o tesouro, suas expedições levaram a descobertas arqueológicas. Allegro foi posteriormente ostracizado pelo mundo acadêmico após publicar ‘O Cogumelo Sagrado e a Cruz’, livro no qual argumentava que o cristianismo primitivo era um culto a cogumelos alucinógenos. — A história de John Allegro e a caça ao tesouro

Dados do Episódio

  • Podcast: Pistolando Podcast
  • Autor: Leticia Dáquer e Thiago Corrêa
  • Categoria: News Politics News News Commentary
  • Publicado: 2022-05-25T15:32:23Z
  • Duração: 02:35:02

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] MÚSICA

[00:00:26] Sejam bem-vindos e sejam bem-vindas pistoleiros e pistoleiras ao Pistolando 155

[00:00:31] Infelizmente, novamente atrasado, porém, aqui estamos

[00:00:35] Eu sou Letícia D’Aquer

[00:00:36] Eu sou o Tiago Corrêa

[00:00:38] Muito que bem, e hoje estamos aqui com ela, a mais querida, a autoconvidada

[00:00:44] Tupa Guerra

[00:00:46] Se alguém no mundo mundial não souber quem você é na podosfera, se apresenta pra galéria, por favor

[00:00:53] Eu aposto que tem muita gente que não sabe quem eu sou

[00:00:55] Oi, gente

[00:00:56] Fiquei tímida

[00:00:59] Então, muito prazer, eu sou a Tupa Guerra, eu sou historiadora

[00:01:04] E trabalho especificamente com manuscritos do Mar Morto e demônios

[00:01:09] E me autoconvidei

[00:01:11] Tá certíssima, é assim que eu gosto

[00:01:13] Ouvi, ouvi, eu ouço, né? Claro que eu ouço

[00:01:18] E daí eu ouvi toda a tristeza no BMF, falando

[00:01:21] Tá dando treta, tá difícil de ter convidado

[00:01:25] Eu falei, não

[00:01:25] Posso ser convidada, então?

[00:01:28] Nossa, adoramos, amamos muito

[00:01:31] Vem cá, você veio falar do que aqui hoje, então?

[00:01:34] Então, eu vim falar do meu xodó, que são os manuscritos do Mar Morto

[00:01:38] Ah, garota, e por quê? Por que vamos falar desses manuscritos hoje?

[00:01:41] Porque, então, esse ano, talvez, e eu vou explicar melhor por que que é um talvez

[00:01:47] Mas, mais ou menos, todo mundo aceita que esse ano fazem 75 anos da descoberta dos manuscritos do Mar Morto

[00:01:54] Ah, parada

[00:01:55] 75, 46, então?

[00:01:59] 7

[00:01:59] Ah, é, 7, tá

[00:02:02] Nossa, tô…

[00:02:04] Ah, é, não é mais 2021, pera

[00:02:06] Isso

[00:02:07] Pois é, já dá pra até explicar um pouco por que que é mais ou menos 47, 46, enfim

[00:02:18] Porque a gente não sabe exatamente o ano em que os manuscritos foram descobertos

[00:02:23] Tem uma história bonitinha

[00:02:25] Que é a história que, normalmente, eles contam para as pessoas de como os manuscritos foram descobertos

[00:02:30] Mas tem vários pesquisadores que questionam um pouco a história

[00:02:33] O que que se conta?

[00:02:35] Era uma vez, dois pastores beduínos que estavam passeando com suas cabras no deserto, certo?

[00:02:43] Então, eles estavam com as cabrinhas deles

[00:02:45] E uma das cabras saiu por aí e se perdeu

[00:02:52] E eles estavam tentando descobrir onde que a cabra estava

[00:02:55] E tem várias

[00:02:56] A gente tá falando ali do deserto

[00:02:58] A gente chama de Cisjordânia, né?

[00:03:01] A região ali perto do Mar Morto

[00:03:04] E ela tem umas falésias, tipo

[00:03:06] E essas falésias têm várias cavernas

[00:03:08] Algumas naturais, outras feitas por seres humanos, enfim

[00:03:12] E a cabra tinha entrado numa caverna

[00:03:15] E daí, reza a lenda, que eles pegaram uma pedra e jogaram dentro da caverna

[00:03:19] Tipo, estavam jogando dentro das cavernas pra ver qual das cavernas gritava

[00:03:22] Pra saber qual caverna que tinha a cabra

[00:03:24] E eles estavam tentando descobrir onde que a cabra estava

[00:03:25] E eles entraram, ouviram, jogaram a pedra

[00:03:28] E ouviram a pedra bater numa…

[00:03:31] Quebrar uma coisa de…

[00:03:33] De barro

[00:03:34] E eles…

[00:03:35] Né?

[00:03:36] Eles ficaram curiosos, entraram na caverna

[00:03:39] Estava lá a cabra

[00:03:40] E jarros de barro

[00:03:43] E dentro desses jarros tinham manuscritos

[00:03:46] Eles não eram bobos, né?

[00:03:49] Eles sabiam que aquilo tinha…

[00:03:51] Podia ter algum dinheiro, algum valor de venda

[00:03:54] Então, eles pegaram

[00:03:55] Pegam esses manuscritos

[00:03:57] Levam pra…

[00:03:59] Pra um vendedor

[00:04:00] De…

[00:04:02] De antiguidades

[00:04:03] Que ficava em Belém

[00:04:05] O nome dele era

[00:04:08] Kando

[00:04:09] Kalil Skander Sahin

[00:04:11] Skander é Alexandre, não é?

[00:04:14] É

[00:04:14] É isso

[00:04:16] E o Kando era o…

[00:04:19] Tal, e daí eles…

[00:04:20] Eles deixam um com o Kando

[00:04:22] E…

[00:04:24] Que…

[00:04:25] Vendem eles por mais ou menos

[00:04:27] Sete pounds de jordanianos

[00:04:29] Da época

[00:04:30] O que em 2021 dava, tipo

[00:04:33] Trezentos e quarenta dólares

[00:04:35] Aparentemente

[00:04:36] Né?

[00:04:38] Enfim

[00:04:38] E daí…

[00:04:40] Tipo, eles deixam ali

[00:04:42] E o Kando vai entrar em contato

[00:04:44] Com os padres que estavam ali num…

[00:04:48] Em Jerusalém

[00:04:50] E em Belém, né?

[00:04:50] Você tem várias escolas

[00:04:51] Por causa da forma que foram colonizadas

[00:04:54] Essas cidades

[00:04:54] E essa região

[00:04:55] Então você tem ali

[00:04:56] Franceses

[00:04:57] Você tem vários…

[00:04:59] Vários acadêmicos

[00:05:00] E padres, né?

[00:05:02] Tem mosteiros

[00:05:03] E etc

[00:05:03] E daí eles falam com o pessoal

[00:05:05] Da Ecole Biblique

[00:05:06] Que existe até hoje, né?

[00:05:09] Que é a escola de Bíblia

[00:05:10] Tá lá

[00:05:10] E cai na mão

[00:05:12] De um…

[00:05:14] De um padre que vai olhar

[00:05:16] E vai falar

[00:05:16] Cara, isso daqui é muito antigo

[00:05:18] E a partir daí

[00:05:20] Começa uma loucura

[00:05:22] Para se procurar os manuscritos

[00:05:24] Porque ele fala

[00:05:24] Isso é muito antigo

[00:05:25] De onde veio isso?

[00:05:27] Quem é que conseguiu isso?

[00:05:30] É…

[00:05:31] Tipo, de onde veio esse negócio aqui?

[00:05:33] Porque esse negócio é mais antigo

[00:05:34] Do que a gente jamais…

[00:05:35] Jamais tinha visto um negócio antigo desse jeito

[00:05:38] E daí você tem uma loucura

[00:05:40] Porque assim…

[00:05:41] Vamos lá, gente

[00:05:41] 47, né?

[00:05:44] Isso…

[00:05:44] É…

[00:05:45] 47 é o…

[00:05:47] Teoricamente a data

[00:05:48] E por que que é isso?

[00:05:49] Porque tipo, os beduínos…

[00:05:50] Vai que eles acharam em 46

[00:05:52] Vai que eles acharam em 47

[00:05:53] Em 48…

[00:05:54] Em 48 é feita

[00:05:55] O anúncio oficial

[00:05:57] Da…

[00:05:59] Por um cara da…

[00:06:01] Escola americana

[00:06:02] De pesquisa oriental

[00:06:04] Ele, né?

[00:06:05] Fala da…

[00:06:06] Então vai ser esse…

[00:06:08] Oficialmente temos a descoberta

[00:06:10] De um grupo de manuscritos

[00:06:12] E daí a gente…

[00:06:14] Aí é muita loucura

[00:06:15] Porque assim…

[00:06:16] Pensa que…

[00:06:18] O que que acontece no mundo

[00:06:20] Mais ou menos nesse mesmo período

[00:06:22] Ah, maravilha!

[00:06:24] Ótimo, Pedro!

[00:06:24] A gente vai descobrir coisas importantes

[00:06:25] Que não podem ser bombardeadas

[00:06:27] Né?

[00:06:28] Ótimo!

[00:06:29] Nossa!

[00:06:30] Em Israel!

[00:06:30] Quer dizer, não existia Israel ainda

[00:06:32] Mais ou menos

[00:06:32] Nossa, maravilhoso!

[00:06:33] Isso!

[00:06:34] Lugar ótimo!

[00:06:36] Período histórico maravilhoso!

[00:06:38] Foi!

[00:06:39] Foi isso, assim…

[00:06:40] Então…

[00:06:41] Aí você tem uma…

[00:06:42] Uma corrida muito doida

[00:06:44] Do pessoal tentando fazer os beduínos falarem

[00:06:47] Onde que eles tinham encontrado

[00:06:48] Barra gente saindo, correndo

[00:06:52] Pra procurar cavernas

[00:06:53] Barra os beduínos

[00:06:54] Os beduínos, obviamente

[00:06:56] Escavando loucamente

[00:06:58] Todas as cavernas

[00:06:59] Pra vender mais

[00:07:00] Então…

[00:07:02] Cacete!

[00:07:03] Gente, que tempestade de merda!

[00:07:05] É um bagulho que falando assim

[00:07:07] Lembra…

[00:07:09] Sei lá, um Indiana Jones

[00:07:10] É uma parada muito bagunçada

[00:07:13] Que tem muitos atores ao mesmo tempo

[00:07:15] Tentando fazer a descoberta

[00:07:18] E daí, assim…

[00:07:20] O que conta a história…

[00:07:22] Por que essa parte da história

[00:07:23] Esse começo da história

[00:07:24] Da cabra e tal

[00:07:26] A gente questiona um pouco, né?

[00:07:27] Porque…

[00:07:29] É uma história muito arrumadinha

[00:07:31] Em alguma medida

[00:07:32] Então…

[00:07:34] Muitas coisas conspirando ao mesmo tempo, né?

[00:07:37] Isso, isso

[00:07:38] O pessoal…

[00:07:38] Assim, uma coisa que se sabe

[00:07:40] É que, de novo, os beduínos

[00:07:43] Eles tinham conhecimento

[00:07:44] De que tinham artefatos arqueológicos

[00:07:47] Em boa parte dessas cavernas

[00:07:49] Então é possível

[00:07:49] Que eles soubessem

[00:07:51] E eles iam lá, escavavam e vendiam

[00:07:54] Né?

[00:07:54] Não é…

[00:07:56] Porque, normalmente, a gente…

[00:07:57] A gente tá falando dos anos 40

[00:07:58] Quando a galera pinta nos anos 50

[00:08:01] Essa descoberta

[00:08:03] Imagina se os bravos europeus

[00:08:07] Maravilhosos vão dizer que os beduínos

[00:08:09] Os beduínos são incultos

[00:08:11] São, né?

[00:08:12] Então, enfim…

[00:08:15] Fica essa loucura

[00:08:17] E, assim, é muito…

[00:08:19] Eu já li algumas histórias

[00:08:20] Eu não sou especialista na descoberta

[00:08:23] Embora eu ache fascinante

[00:08:24] A parte da descoberta

[00:08:25] E você tem várias histórias

[00:08:27] De como foi uma loucura

[00:08:28] Porque os beduínos, a princípio

[00:08:31] Não vão falar

[00:08:32] Tipo, não vão tentar

[00:08:33] Não vão dizer qual caverna

[00:08:35] Afinal, né?

[00:08:36] Eles querem continuar vendendo

[00:08:37] Então, tá

[00:08:38] Teve essa primeira venda

[00:08:39] Tá todo mundo ali

[00:08:40] Todo mundo não, né?

[00:08:42] Tem um…

[00:08:43] Um grupinho de acadêmicos

[00:08:44] Que tá muito querendo descobrir

[00:08:46] De onde vieram esses manuscritos

[00:08:48] Porque todo mundo seria muita gente

[00:08:49] E não era exatamente uma coisa

[00:08:52] Que todo mundo tava interessado

[00:08:53] Aí você…

[00:08:54] Tem…

[00:08:55] Um cara chamado

[00:08:58] Ovid Sellers

[00:09:00] Que era o diretor dessa

[00:09:01] Escola Americana de Estudos Orientais

[00:09:04] E ele tá tentando descobrir

[00:09:06] De onde vieram…

[00:09:08] De onde…

[00:09:09] Qual caverna que é, né?

[00:09:11] E daí ele tenta convencer os sírios

[00:09:13] A ajudarem ele a procurar a caverna

[00:09:15] Mas ele não tinha o dinheiro

[00:09:17] Pra bancar a expedição síria

[00:09:19] Aí…

[00:09:21] No começo de 49

[00:09:23] O governo da Jordânia

[00:09:24] Permite que a Legião Árabe

[00:09:27] Faça pesquisa na área

[00:09:29] Pra tentar encontrar

[00:09:30] A caverna

[00:09:32] Sendo assim

[00:09:34] É…

[00:09:35] Em…

[00:09:37] 28 de janeiro de 49

[00:09:39] A caverna 1

[00:09:40] É…

[00:09:41] Foi redescoberta

[00:09:43] Por um observador belga

[00:09:45] Das Nações Unidas

[00:09:46] Que tava junto com a Legião Árabe

[00:09:49] Ah!

[00:09:50] É muito doido

[00:09:51] Mas gente…

[00:09:51] Que história de filme isso?

[00:09:53] É 100%

[00:09:54] Mas assim…

[00:09:56] Como ele soube que aquela era a caverna 1?

[00:09:59] Ou foi mais uma cagada do destino?

[00:10:02] Mais um acidente?

[00:10:03] É meio que…

[00:10:05] Ele tava numa pista quente assim mesmo?

[00:10:07] Ah, eles tinham uma ideia de onde tava

[00:10:09] E daí eles…

[00:10:10] Acho que depois eles confirmaram que aquela tinha sido a caverna

[00:10:13] Onde encontraram o primeiro manuscrito

[00:10:15] Mas isso tudo é meio nebuloso

[00:10:17] E assim…

[00:10:19] Caverna 1 é o nome que eles deram

[00:10:21] Quando eles descobriram ela em 49

[00:10:23] Não era o nome dela…

[00:10:24] Ela antes

[00:10:25] Então…

[00:10:27] A partir daí

[00:10:28] Ficou definido

[00:10:29] Que aquela primeira caverna de 49

[00:10:31] Se chamaria caverna 1

[00:10:32] E a partir daí

[00:10:33] A gente ia procurar outras

[00:10:34] Na verdade nem se tinha certeza

[00:10:36] Que tinha outras nesse período

[00:10:37] Assim…

[00:10:38] A gente ainda não tinha…

[00:10:39] Ninguém sabia muito

[00:10:40] Assim…

[00:10:41] De outras cavernas

[00:10:42] Então…

[00:10:44] É…

[00:10:44] É porque realmente

[00:10:45] O nome caverna 1

[00:10:46] É o nome que vem depois

[00:10:48] Nessa hora

[00:10:48] Ela é só caverna

[00:10:50] Tá…

[00:10:53] Se tem 1

[00:10:54] É porque tem 2 cavernas

[00:10:54] Tem 2 depois

[00:10:55] Mas pode ter aparecido

[00:10:56] De fato mais tarde

[00:10:56] Isso…

[00:10:57] Ela apareceu depois

[00:10:58] A princípio ela era só caverna

[00:11:00] Tá…

[00:11:01] E daí…

[00:11:02] A…

[00:11:03] Eles começam…

[00:11:04] O departamento de antiguidades

[00:11:05] Jordaniano

[00:11:06] Começa a escavar essa caverna

[00:11:09] Vai escavar de fevereiro a março de 49

[00:11:11] E…

[00:11:13] Lá eles encontram alguns outros fragmentos

[00:11:16] Uns pedaços de linho

[00:11:18] Umas jarras

[00:11:19] E alguns outros artefatos

[00:11:20] Meio variados ali

[00:11:21] Umas…

[00:11:22] Lamparinas

[00:11:23] Umas coisas assim

[00:11:24] Uhum

[00:11:25] Aí o tempo passa

[00:11:27] Em 51

[00:11:29] Só que assim

[00:11:29] Nesse tempo

[00:11:30] Tá todo mundo ainda tentando saber

[00:11:32] Tem mais caverna?

[00:11:32] Não tem?

[00:11:33] Enfim

[00:11:33] Em 51

[00:11:35] O Roland Devaux

[00:11:36] Que é um dos primeiros caras

[00:11:39] A…

[00:11:40] Ele é um padre dominicano francês

[00:11:43] E ele era um dos caras que…

[00:11:46] Ele era o cara da École Biblique

[00:11:48] Que eu falei

[00:11:48] Que identificou muito

[00:11:50] Esse fragmento primeiro

[00:11:51] É…

[00:11:52] Ele tem um time

[00:11:53] Que…

[00:11:54] E eles estão…

[00:11:55] Vão começar efetivamente

[00:11:57] A fazer uma superescavação lá

[00:11:58] E os beduínos descobriram mais 30 fragmentos

[00:12:02] No que veio ser conhecido posteriormente

[00:12:04] De Caverna 2

[00:12:05] Uhum

[00:12:06] E daí…

[00:12:07] Na Caverna 2

[00:12:08] Na verdade eles encontraram 300 fragmentos

[00:12:11] Foi

[00:12:11] De…

[00:12:13] É…

[00:12:13] 300 fragmentos

[00:12:14] De mais ou menos 33 manuscritos

[00:12:16] E daí isso, claro

[00:12:18] Começou, né?

[00:12:19] Tipo…

[00:12:20] Caraca, galera

[00:12:21] Encontramos mais

[00:12:22] Né?

[00:12:23] Vamos cavucar

[00:12:23] Vamos cavucar

[00:12:24] Vamos procurar

[00:12:25] Vamos atrás de outras cavernas

[00:12:27] E quando a gente tá falando em fragmentos

[00:12:29] A gente tá falando em que tamanho, mais ou menos

[00:12:31] Dessas peças

[00:12:33] É bem variado, né?

[00:12:34] Pelo que eu vi

[00:12:35] 100% variado

[00:12:37] 100% variado

[00:12:38] Os manuscritos do Mar Morto

[00:12:40] Eles são compostos

[00:12:42] De cerca de…

[00:12:43] É um pouco difícil

[00:12:44] Não é?

[00:12:45] Mas cerca de 15 mil fragmentos

[00:12:47] Que dão…

[00:12:48] Moleza

[00:12:49] Que montam mais ou menos 900 manuscritos

[00:12:52] Jesus

[00:12:53] E esses fragmentos vão desde fragmentos

[00:12:57] Menores de um centímetro

[00:12:59] Até coisas de mais de um metro, assim

[00:13:01] Então…

[00:13:03] É variado mesmo

[00:13:04] É, se você vai procurar

[00:13:06] Eu fui catar umas fotos pra fazer a capa e tal, né?

[00:13:09] E aí tem…

[00:13:10] Eu me lembro de já ter lido reportagens sobre isso, obviamente

[00:13:12] Mais de uma vez, né?

[00:13:14] E fora a Fantástico, Globo Repórter, essas coisas, né?

[00:13:17] Quem nunca?

[00:13:18] E aí sempre tem, assim

[00:13:20] Uns pedacinhos bem pequenininhos mesmo, né?

[00:13:23] Um negócio que não é muito…

[00:13:23] Um negócio que não é muito…

[00:13:23] Um negócio que não é muito…

[00:13:23] Pega, sei lá, uma letra

[00:13:24] É, um negocinho, um cotoquinho

[00:13:27] E tem uns que você vai desenrolando

[00:13:28] E o negócio abre inteirão, assim

[00:13:30] Bem conservadão e tal

[00:13:31] Tem, inclusive, diferença bastante grande

[00:13:33] De estado de conservação também, né?

[00:13:36] É que quando…

[00:13:38] É que quando falam pra gente sobre esse tipo de coisa

[00:13:40] É meio que…

[00:13:42] Na mentalidade de todo mundo

[00:13:44] Acaba vindo aqueles pergaminhos enroladinhos e tal, né?

[00:13:47] Que não é exatamente o que aconteceu, né?

[00:13:50] Quem dera

[00:13:51] É, inclusive…

[00:13:53] Inclusive quero

[00:13:54] Né?

[00:13:55] Queria, queria

[00:13:56] Vou deixar, assim, a dica pras pessoas

[00:13:58] Tem um site muito, muito maravilhoso

[00:14:00] Que é a Biblioteca Digital dos Manuscritos do Mar Morto

[00:14:04] É só…

[00:14:05] Eu ia falar só em inglês, não

[00:14:06] Mas tá em inglês, em alemão, em árabe e em hebraico

[00:14:11] Então, qualquer uma dessas línguas consegue

[00:14:14] Facilitou um monte

[00:14:15] E acho que é em russo também

[00:14:17] Não reconheço a última língua

[00:14:19] Ah, russo, olha, certamente

[00:14:20] Enfim

[00:14:21] Mas aí se você colocar

[00:14:22] Dead Sea Scrolls

[00:14:23] No Google

[00:14:23] Você cai direto nessa Léon Lévy

[00:14:26] E esse é um outro rolê

[00:14:28] Um projeto dos anos 2000

[00:14:29] Que fotografou todos os manuscritos

[00:14:32] E você tem todos eles em altíssima qualidade

[00:14:35] Mas tem fotos também do pessoal

[00:14:38] Trabalhando nas descobertas

[00:14:40] Lá nos anos 50 e 60

[00:14:41] Ah, que legal

[00:14:42] Que legal ver o making of, né?

[00:14:45] É muito genial, assim

[00:14:46] Tem as fotos da sala

[00:14:49] Que eles montaram

[00:14:51] Que era chamada de

[00:14:52] Scroll…

[00:14:53] Scrollery

[00:14:54] Tipo a…

[00:14:56] Pergaminheria

[00:14:57] Isso, a pergaminheria

[00:15:00] Que foi o lugar que eles montaram

[00:15:01] Mas eu tô indo pra frente

[00:15:03] Deixa eu voltar aí

[00:15:03] Pra história da descoberta

[00:15:05] E depois eu falo um pouquinho mais

[00:15:07] Dos textos em si

[00:15:08] Então, assim

[00:15:09] Só pra dar uma ideia dos fragmentos

[00:15:13] Na Caverna 2 eles encontraram 300 fragmentos

[00:15:15] De 33 manuscritos

[00:15:18] Então, assim

[00:15:18] 300…

[00:15:20] Pensa o tamanho dessas coisas

[00:15:22] É pequenininho

[00:15:23] Aí logo depois

[00:15:26] Ainda em 52

[00:15:27] De 52 a 56

[00:15:28] Eles vão descobrir muita coisa

[00:15:30] Em 52 ainda eles descobrem

[00:15:33] O meu manuscrito favorito de todos os tempos

[00:15:35] Que é

[00:15:37] O meu xodó

[00:15:38] Vocês vão concordar comigo

[00:15:41] Que é o melhor manuscrito

[00:15:41] Ele é conhecido como

[00:15:43] O pergaminho de cobre

[00:15:46] Ele é exatamente isso que descreve

[00:15:49] Um pergaminho de cobre

[00:15:50] E nele tem um mapa do tesouro

[00:15:53] Gente, é coisa de…

[00:15:55] Ah, eu ia te perguntar sobre isso

[00:15:57] Se é verdade essa história de ter um mapa de tesouro

[00:16:00] Tem um mapa do tesouro

[00:16:02] Ele é muito genial

[00:16:03] Ele foi encontrado na Caverna 3

[00:16:04] De novo, né?

[00:16:06] O número das cavernas foi sendo dado

[00:16:08] De acordo com quando eles iam encontrando

[00:16:11] E ele tem toda uma história fantástica com ele

[00:16:16] Porque imagina que eles encontraram

[00:16:17] Um rolo de cobre

[00:16:18] Tipo, uma chapinha de cobre

[00:16:21] Bem fininha e enrolada

[00:16:22] E ele tem toda uma história fantástica com ele

[00:16:23] Porque imagina que eles encontraram

[00:16:23] Um rolo de cobre

[00:16:23] Tipo, uma chapinha de cobre

[00:16:23] Que maneiro isso

[00:16:25] Eu não me lembro de ter visto isso, não

[00:16:26] Pois é, é um dos mais legais

[00:16:29] Eu vou mandar pra vocês

[00:16:32] O link, deixa eu ver se eu acho aqui rapidinho

[00:16:34] Tem o videozinho deles

[00:16:35] Abrindo o rolo de cobre

[00:16:38] Porque assim, como vocês devem imaginar

[00:16:40] Uma chapa de cobre, você não pode simplesmente desenrolar ela

[00:16:43] Porque, né?

[00:16:46] Ela foi enrolar

[00:16:46] Não dá pra simplesmente desenrolar

[00:16:48] Temos dois problemas aqui

[00:16:50] O primeiro, não dá pra simplesmente desenrolar

[00:16:52] E o segundo, não dá pra simplesmente desenrolar

[00:16:53] E o segundo, cobre é uma parada que reage muito com oxigênio

[00:16:56] E daí, vocês imaginam o estado

[00:16:59] Ah, tá todo verdinho

[00:17:00] Todo cheio de pelanquinha

[00:17:02] Na verdade, ele ainda tava sussa

[00:17:05] Até eles tirarem da caverna e abrirem

[00:17:08] Ah, bom, aí fudeu

[00:17:09] É, tirou do tapué

[00:17:11] O negócio oxidou

[00:17:13] Hoje em dia, a gente tem uns pedacinhos dele

[00:17:16] Pedacinhos

[00:17:17] Não é nem a parada inteira

[00:17:19] Mas

[00:17:20] O rolo de cobre

[00:17:22] Ele foi um grande mistério

[00:17:25] Um tempo, porque foi isso

[00:17:27] Como a gente vai abrir o rolo de cobre

[00:17:30] Como a gente vai

[00:17:32] Como a gente vai fazer isso

[00:17:34] E daí ele foi levado pra universidade

[00:17:36] De

[00:17:37] Ele foi levado pra Inglaterra

[00:17:40] E na Inglaterra

[00:17:42] O pessoal de

[00:17:44] Da universidade, da pessoal de engenharia

[00:17:47] De materiais

[00:17:47] Foi tentar descobrir

[00:17:50] Como abrir o rolo de cobre

[00:17:52] É muito massa

[00:17:55] E daí eles acabaram desenvolvendo

[00:17:58] Uma serra

[00:18:00] Super fininha

[00:18:01] Que conseguia cortar

[00:18:03] Camadinha por camadinha do rolo

[00:18:06] Enquanto um outro negócio

[00:18:09] Segurava ele

[00:18:10] Enfim, e daí assim eles

[00:18:12] Abriram o rolo de cobre

[00:18:14] E ele

[00:18:16] Com isso, hoje em dia

[00:18:17] Ele é cortadinho em pedacinhos

[00:18:19] O rolo de cobre é um dos poucos

[00:18:22] Coisas que fica no Museu da Jordânia

[00:18:26] Porque daí a gente entra em coisas políticas

[00:18:28] Depois de porque os manuscritos

[00:18:29] Lembra que eu falei que foi o pessoal da Jordânia

[00:18:31] Que começou a escavar?

[00:18:33] Então, pois é

[00:18:34] Mas a maior parte dos manuscritos está em Israel

[00:18:36] E daí isso tem outras tretas políticas envolvidas

[00:18:39] Essa é a parte que o Thiago gosta

[00:18:41] Tá, porque que

[00:18:42] Esse daí em específico

[00:18:45] Foi feito em cobre

[00:18:47] Por conta desse tesouro

[00:18:48] Porque era algo que você não poderia

[00:18:51] Sei lá

[00:18:52] Arriscar que o papel desmanchasse

[00:18:54] É isso?

[00:18:56] Tipo, tem

[00:18:57] Se sabe alguma coisa sobre

[00:18:59] O que diabos tá escrito ali

[00:19:02] Que justificasse ele ser de cobre?

[00:19:04] Então, aqui a gente tem alguns outros problemas

[00:19:07] O primeiro problema é

[00:19:09] Não temos como saber

[00:19:10] Exatamente por quê

[00:19:11] Porque

[00:19:12] Só quem sabia por quê

[00:19:15] Não tá vivo mais

[00:19:17] E daí ninguém deixou escrito por que que eles fizeram

[00:19:20] Não tá escrito nele

[00:19:21] Por que que ele é

[00:19:22] Especial

[00:19:23] Por que que ele é diferente

[00:19:24] Ele é o único artefato

[00:19:26] Que a gente encontrou desse período

[00:19:28] Que é desse jeito

[00:19:29] Então

[00:19:30] Que coisa

[00:19:30] Ele é um mistério

[00:19:32] Em grande medida ele é um mistério

[00:19:34] Porque

[00:19:34] Como

[00:19:35] Por quê?

[00:19:37] Por que que fizeram isso?

[00:19:38] É porque ele era especial?

[00:19:39] Não sabemos se é porque ele era especial

[00:19:40] É porque ele precisava ser preservado

[00:19:42] Ah gente, vocês precisam descobrir isso

[00:19:44] Senão o History Channel vai encher o sábado

[00:19:46] Mas é

[00:19:47] Existem muitas teorias sobre

[00:19:49] A gente só não tem uma resposta definitiva

[00:19:51] Eu achei

[00:19:52] Pra vocês

[00:19:52] Mandei aqui pra vocês

[00:19:53] No

[00:19:53] Coisa

[00:19:54] O link

[00:19:55] Do videozinho

[00:19:56] Do

[00:19:57] Dele sendo aberto

[00:19:58] Que é muito legal

[00:20:00] Dessa

[00:20:01] Esse que eu falei

[00:20:02] Essa pessoal

[00:20:02] Do

[00:20:03] Da engenharia de materiais

[00:20:04] Que fez essa

[00:20:05] Essa coisa pra abrir ele

[00:20:07] Então a gente não sabe

[00:20:09] E

[00:20:10] Uma das questões

[00:20:10] Sobre os manuscritos do Mar Morto

[00:20:12] É que a gente ainda não sabe

[00:20:13] Muita coisa sobre eles

[00:20:14] Por alguns motivos

[00:20:16] Tem motivos

[00:20:17] É

[00:20:17] Políticos

[00:20:19] E outras questões

[00:20:21] Que eu já vou chegar nelas

[00:20:22] Melhor

[00:20:23] E tem o motivo de que

[00:20:25] Pode não parecer

[00:20:26] Mas 75 anos

[00:20:27] É uma descoberta bem recente

[00:20:29] Pra história

[00:20:30] Sim

[00:20:31] Porque

[00:20:32] Né

[00:20:32] Mas considerando

[00:20:33] A antiguidade

[00:20:34] Dos

[00:20:35] Dos achados, né

[00:20:37] Isso

[00:20:37] Eu sou

[00:20:38] Eu posso dizer assim

[00:20:39] Que eu sou mais ou menos

[00:20:41] Terceira geração de acadêmicos

[00:20:43] Que tá estudando com isso

[00:20:44] Então

[00:20:45] Você não tem ainda assim

[00:20:47] Um

[00:20:47] Tanta pesquisa

[00:20:48] E tem a questão de que

[00:20:50] Lembra

[00:20:51] Esse caos que foi

[00:20:52] A descoberta

[00:20:52] Né

[00:20:53] E daí

[00:20:53] Um manda

[00:20:55] É

[00:20:55] Manda

[00:20:56] A legião

[00:20:58] Árabe

[00:20:59] Aí depois

[00:21:00] Vai a galera

[00:21:00] De outro lugar

[00:21:01] Aí depois

[00:21:02] Vai a galera

[00:21:02] Com dinheiro

[00:21:03] De outro lugar

[00:21:03] Enfim

[00:21:05] Aí

[00:21:06] Com esse rolo todo

[00:21:08] Rolo

[00:21:09] Tss

[00:21:10] É

[00:21:11] Então assim

[00:21:15] Você tem

[00:21:16] É

[00:21:17] Lá nos anos 50

[00:21:18] Né

[00:21:19] O

[00:21:19] De repente

[00:21:20] O valor dos manuscritos

[00:21:21] Porque vai se percebendo

[00:21:22] Que eles são uma descoberta

[00:21:23] Muito única

[00:21:24] O valor monetário deles

[00:21:26] Vai subindo

[00:21:27] Tipo

[00:21:27] Ficando muito caro

[00:21:29] Muito caro

[00:21:29] E daí

[00:21:30] Todo mundo

[00:21:32] Começa a tentar escavar

[00:21:33] Mais rápido

[00:21:34] Tanto a galera

[00:21:35] Gente

[00:21:35] Corrida maluca

[00:21:36] É uma corrida maluca

[00:21:37] Tanto a galera

[00:21:38] Que era

[00:21:39] Tipo de universidade

[00:21:40] Ou etc

[00:21:41] Que queria

[00:21:41] Né

[00:21:42] Quanto os beduínos

[00:21:43] Que querem obviamente

[00:21:44] Vender e ganhar mais dinheiro

[00:21:45] E claro

[00:21:47] Outras

[00:21:47] É bem Indiana Jones

[00:21:48] Gente

[00:21:49] Esse momento é

[00:21:50] Tipo 100%

[00:21:51] Indiana Jones

[00:21:52] E

[00:21:53] Todo mundo vai ali

[00:21:55] Procurando naquela área

[00:21:57] E

[00:21:58] Entre 53

[00:21:59] E 56

[00:22:00] Eles encontram

[00:22:01] As cavernas

[00:22:02] De 4 a 10

[00:22:03] Que são

[00:22:03] Mais ou menos

[00:22:04] Todas muito grudadinhas

[00:22:05] Uma na outra

[00:22:06] Elas ficam tipo

[00:22:07] Entre

[00:22:07] Numa área

[00:22:08] De 150 metros

[00:22:09] Todas elas

[00:22:10] Uau

[00:22:11] E

[00:22:12] É porque

[00:22:13] As cavernas

[00:22:14] 1, 2 e 3

[00:22:15] E 11

[00:22:16] Estão a mais ou menos

[00:22:17] De 1 a 2 quilômetros

[00:22:18] Ao norte

[00:22:19] É

[00:22:21] É

[00:22:22] , é

[00:22:22] Dessa

[00:22:22] Desse grupo de cavernas

[00:22:24] Que é de 4 a 10

[00:22:25] Então

[00:22:26] É

[00:22:27] Você tem uma

[00:22:28] Corrida maluca

[00:22:29] Pra se escavar

[00:22:30] E se

[00:22:31] E se comprar

[00:22:33] Você tem

[00:22:34] Claro

[00:22:34] Muita

[00:22:35] Você tem uma falta

[00:22:37] De dinheiro grande

[00:22:38] Pra fazer isso

[00:22:39] Né

[00:22:39] Vamos lembrar

[00:22:39] Segunda Guerra Mundial

[00:22:41] Acabou de acabar

[00:22:42] Ninguém tá tendo dinheiro

[00:22:43] Sobrando

[00:22:43] Pra mandar

[00:22:44] Pra descobertas

[00:22:45] Arqueológicas

[00:22:46] E daí

[00:22:48] Você tem

[00:22:48] Cara

[00:22:49] No

[00:22:49] Você tem

[00:22:50] É

[00:22:51] É

[00:22:52] Notícias

[00:22:53] Você tem

[00:22:54] Recortes de jornal

[00:22:56] Da época

[00:22:57] Da descoberta

[00:22:58] Tipo assim

[00:22:59] Você quer comprar

[00:22:59] Um presente diferente

[00:23:01] Que?

[00:23:02] Pra seu amigo

[00:23:03] Exatamente

[00:23:04] É

[00:23:05] Tá zoando

[00:23:07] Não tô gente

[00:23:09] Não tô

[00:23:10] Não tô

[00:23:10] Aqui ó

[00:23:11] É

[00:23:12] No Wall Street Journal

[00:23:13] Tem assim

[00:23:14] Os quatro manuscritos

[00:23:16] Os quatro

[00:23:18] Como se fossem

[00:23:18] D4

[00:23:19] Dead Sea Scrolls

[00:23:20] Ah tipo

[00:23:21] Só tem quatro

[00:23:21] É

[00:23:22] Aí fala aqui né

[00:23:24] Manuscritos bíblicos

[00:23:25] Datando

[00:23:26] A pelo menos

[00:23:27] Duzentos

[00:23:28] Antes da Era Comum

[00:23:29] Estão à venda

[00:23:30] Esse seria

[00:23:31] Um presente ideal

[00:23:33] Pra uma instituição

[00:23:34] Educacional

[00:23:35] Ou religiosa

[00:23:35] Por um

[00:23:36] Por um indivíduo

[00:23:37] Ou grupo

[00:23:38] Olha só

[00:23:39] Gente

[00:23:40] Que loucura

[00:23:42] Como assim?

[00:23:44] Ai ai

[00:23:45] É muito bom gente

[00:23:46] É muito genial

[00:23:46] Então

[00:23:47] Porque eles estavam

[00:23:48] Tentando

[00:23:49] É

[00:23:50] Conseguir grana

[00:23:51] Pra fazer

[00:23:51] As escavações

[00:23:53] E pra resgatar

[00:23:54] O máximo de manuscritos

[00:23:55] Possível

[00:23:55] Pra que eles não fossem

[00:23:56] Vendidos no mercado

[00:23:58] Paralelo ali né

[00:24:00] Então

[00:24:02] Porque a gente sabe

[00:24:03] Que questão de

[00:24:04] Antiguidades

[00:24:05] Etc

[00:24:05] Elas vão sendo vendidas

[00:24:06] No mercado paralelo

[00:24:07] E elas somem

[00:24:09] Então

[00:24:09] Tá essa loucura

[00:24:11] Correndo

[00:24:12] O governo da Jordânia

[00:24:13] É um dos que

[00:24:13] Financia muito

[00:24:14] As escavações

[00:24:17] Enfim

[00:24:18] Caos

[00:24:18] Caos

[00:24:19] E várias universidades

[00:24:21] E grupos

[00:24:21] Da Europa

[00:24:22] Acabam comprando

[00:24:23] E nunca recebem

[00:24:25] Os manuscritos

[00:24:26] Porque ficam todos

[00:24:28] Em Israel

[00:24:29] Ai meu Deus

[00:24:30] O que eu vou ter que confessar

[00:24:33] Que eu acho

[00:24:34] Relativamente engraçado

[00:24:35] Porque tipo

[00:24:36] Vocês

[00:24:38] Colonizadores

[00:24:39] Não vão ficar

[00:24:39] Com o nosso manuscrito

[00:24:40] Obrigada pelo dinheiro

[00:24:41] Foi massa

[00:24:42] Beijo me liga

[00:24:44] Beijo me liga

[00:24:45] Aí

[00:24:48] Você tem essa

[00:24:51] Aí a gente

[00:24:51] Chega pro meio

[00:24:52] Que segunda fase

[00:24:53] Beleza

[00:24:53] A galera escavou

[00:24:54] Descobriu um monte

[00:24:55] De manuscrito

[00:24:56] Tem umas histórias

[00:24:57] Muito doidas

[00:24:57] Quando eu falo de Indiana Jones

[00:24:58] Tem umas histórias

[00:24:59] Muito doidas

[00:25:00] Tipo uma equipe

[00:25:00] De arqueólogos

[00:25:01] Indo com

[00:25:03] Escolta de soldados

[00:25:05] E daí eles

[00:25:06] Vêm em uma nuvem

[00:25:07] De poeira lá

[00:25:08] Quer dizer que tem

[00:25:08] Algum outro grupo

[00:25:09] Escavando em um lugar

[00:25:10] E corre com

[00:25:12] Exército

[00:25:13] E faz

[00:25:13] É tipo

[00:25:14] Treta

[00:25:14] Treta

[00:25:15] Gente

[00:25:15] Cacete

[00:25:17] E essas incursões

[00:25:19] Eram patrocinadas

[00:25:21] Por museus

[00:25:23] Por governos

[00:25:24] Quem é que bancava

[00:25:25] Essa

[00:25:25] Essa galera

[00:25:26] Que resolveu

[00:25:27] Escavar tudo

[00:25:28] Ou iam por conta própria

[00:25:29] Você tem

[00:25:30] Um pouco de tudo

[00:25:31] Basicamente

[00:25:33] Você tem

[00:25:34] Essa

[00:25:34] Essa organização

[00:25:36] The American Society

[00:25:37] American School of Oriental Studies

[00:25:40] And Research

[00:25:41] In Palestine

[00:25:42] Tipo a

[00:25:42] Escola Americana

[00:25:43] De Estudos Orientais

[00:25:44] Na Palestina

[00:25:45] Que é uma organização

[00:25:47] Sem fins lucrativos

[00:25:48] É

[00:25:49] Baseada em

[00:25:50] Alexandria

[00:25:50] Na Virgínia

[00:25:51] E eles financiaram

[00:25:53] Apropriado o nome

[00:25:53] Inclusive

[00:25:54] Né?

[00:25:55] Ainda como se não bastasse

[00:25:56] Era Alexandria Rada

[00:25:57] Mas se for isso

[00:25:58] Isso

[00:25:59] Isso

[00:26:01] Isso

[00:26:03] Isso

[00:26:05] Isso

[00:26:07] Isso

[00:26:09] Isso

[00:26:11] Isso

[00:26:13] Isso

[00:26:15] Isso

[00:26:17] Isso

[00:26:19] Isso

[00:26:19] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:20] Isso

[00:26:21] O que você quer dizer é que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer dizer que você quer

[00:26:51] Dois meninos

[00:26:53] Três

[00:26:55] Mas o amor

[00:26:56] É só um

[00:26:58] Eu estou

[00:27:01] Sempre em um mundo

[00:27:03] Eu tenho que

[00:27:05] Vê-lo em seu

[00:27:06] Mundo

[00:27:08] E é tão pesado que me faz

[00:27:10] Você quer saber

[00:27:12] Quem escreveu o livro de Júlio

[00:27:15] Ela quer saber

[00:27:16] Quem escreveu o livro de Júlio

[00:27:19] Aí você tem

[00:27:20] Bom

[00:27:22] Essa galera

[00:27:24] Você tem o governo

[00:27:26] Da Jordânia financiando

[00:27:29] E você tem

[00:27:31] Uma galera só caçando manuscrito por lucro

[00:27:33] E você tem

[00:27:35] Caos, é isso

[00:27:36] É muito novela

[00:27:38] Onde tem ser humano tem novela, impressionante

[00:27:40] É muito bom gente, eu acho genial

[00:27:42] E daí você, tudo bem

[00:27:45] Então a gente tem a Caverna 11

[00:27:46] Descoberta em 56

[00:27:49] É meio que a última

[00:27:50] Caverna a ser descoberta

[00:27:54] Desse grupo

[00:27:55] A Caverna 11, inclusive, ela estava com o teto colapsado

[00:27:58] Ela teve que ser escavada

[00:28:00] É todo um rolê

[00:28:01] E daí esses manuscritos, como a gente falou

[00:28:04] Eles são pedacinhos minúsculos, certo?

[00:28:06] Pedacinhos minúsculos

[00:28:07] Fáceis de perder

[00:28:08] E que não estão exatamente arrumados

[00:28:12] Restinho de nota fiscal que ficou no bolso

[00:28:14] Isso

[00:28:15] E assim, eles não estão exatamente arrumados

[00:28:18] Porque

[00:28:19] A escavação não foi exatamente arrumada

[00:28:22] E daí

[00:28:23] Chega tudo isso

[00:28:26] Eles concentram tudo isso

[00:28:28] Nessa

[00:28:28] Na manuscritoria lá

[00:28:32] Que a gente falou

[00:28:33] E é a partir daí

[00:28:36] Que eles vão começar a ser

[00:28:38] Estudados e publicados

[00:28:40] Publicação

[00:28:42] E daí você tem

[00:28:43] Fotos que pra gente hoje em dia

[00:28:46] São assustadoras

[00:28:47] Como tipo

[00:28:48] Uma foto com três caras do time de escavação

[00:28:52] Sentados numa mesinha

[00:28:53] Mexendo nos manuscritos com a mão

[00:28:55] Uma caneca de café do lado

[00:28:57] Cigarro

[00:28:58] Ventilador ligado, gato passando atrás

[00:29:01] Isso, isso

[00:29:03] É isso aí

[00:29:04] Então a gente diz que

[00:29:07] Uma parte considerável

[00:29:10] Dos danos aos manuscritos do Mar Morto

[00:29:12] Foi

[00:29:13] Feita posterior

[00:29:15] A descoberta

[00:29:16] Porque

[00:29:18] Foi isso assim

[00:29:19] Que maravilha

[00:29:21] Mas por outro lado

[00:29:23] Parte considerável do que a gente conhece

[00:29:26] Como técnicas de conservação

[00:29:28] De manuscritos antigos

[00:29:30] Também veio desse momento

[00:29:33] Porque a gente nunca

[00:29:33] A gente nunca tinha lidado com um grupo de manuscritos

[00:29:37] Tão antigo na história

[00:29:38] Então a gente não sabia também

[00:29:41] As técnicas de preservação e tudo mais

[00:29:43] Né

[00:29:44] Claro que se sabia muito

[00:29:46] Foi basicamente tentativa e erro né

[00:29:48] Isso

[00:29:49] É claro que se sabia muita técnica né

[00:29:51] Óbvio que isso já existia

[00:29:53] Todo um trabalho de conservação e preservação

[00:29:55] Mas muita coisa acabou sendo desenvolvida

[00:29:57] Por causa dos manuscritos também

[00:29:59] E

[00:30:01] Daí o que acontecia era isso

[00:30:03] Chegava esses manuscritos

[00:30:04] Às vezes em caixa de fósforo

[00:30:06] Às vezes em caixa de sapato

[00:30:08] Com terra

[00:30:11] Sujos né

[00:30:12] Na real é até bom que o pessoal não tentasse limpar

[00:30:15] Porque pra limpar isso precisa de uma certa técnica

[00:30:17] E

[00:30:18] E daí a galera montou

[00:30:20] Numa sala super comprida

[00:30:22] Essa manuscriteria

[00:30:24] Que eram mesas

[00:30:26] Mesas gigantes

[00:30:28] Com milhares de pequenos fragmentos em cima

[00:30:31] E pessoas que tipo

[00:30:32] Chegava uma caixinha nova

[00:30:33] Aí você sentava

[00:30:35] Ia limpar e ia tentar organizar

[00:30:39] É tipo montar um quebra-cabeça gigante

[00:30:41] Com um monte de peça faltando

[00:30:43] Torta

[00:30:44] Isso

[00:30:44] E que você não sabe qual é o desenho

[00:30:47] Muito bom

[00:30:48] Ótimo passatempo

[00:30:52] E boa parte do pessoal que trabalha

[00:30:55] Nessa época tem muita gente que vai trabalhar

[00:30:56] Nisso nas férias

[00:30:58] É tipo o pessoal que era professor em outro lugar

[00:31:00] É hobby e falta de grana

[00:31:03] Não tinha dinheiro pra financiar

[00:31:05] Então a galera ia pelo amor à arte

[00:31:07] Assim

[00:31:08] Caramba

[00:31:10] Pra fazer

[00:31:11] Reza a lenda que ninguém ficava muito mais de um ou dois meses

[00:31:15] Porque você ficava doido depois de um tempo

[00:31:17] Porque era muito pedacinho

[00:31:18] E daí muitas vezes você ia

[00:31:21] Tipo iam chegando os pedaços

[00:31:22] E você ia juntando

[00:31:24] Porque você vai acostumando

[00:31:25] Como o nome diz são manuscritos

[00:31:28] Então eles foram feitos à mão

[00:31:29] E você vai acostumando mais ou menos com a letra

[00:31:32] Então você fala

[00:31:32] Ah eu acho que eu já vi essa letra aqui antes

[00:31:34] Você vai com seu pedacinho procurando

[00:31:36] Por isso que são mesas gigantes com manuscritos

[00:31:38] E daí você acha e coloca junto

[00:31:41] O cansaço disso

[00:31:43] Não é

[00:31:45] E daí a partir daí

[00:31:47] Quando você tinha mais ou menos um pedacinho

[00:31:48] Menos as coisas mais organizadas

[00:31:50] Esses manuscritos foram sendo fotografados

[00:31:52] Fotografados normalmente

[00:31:56] Imagens com raio X

[00:31:59] Foram feitos raio X dos manuscritos

[00:32:01] Por quê?

[00:32:03] Muitas vezes esses manuscritos

[00:32:05] O tipo de dano deles

[00:32:07] Manuscrito

[00:32:08] Vou dar uma base também

[00:32:10] Dessas coisas eu fui aprendendo

[00:32:11] Você pode ter couro e pergaminho

[00:32:15] São coisas diferentes

[00:32:16] Pra preparar um pergaminho

[00:32:18] O pergaminho é um tipo de couro

[00:32:20] Preparado de uma maneira específica

[00:32:22] Ele vai ser limpo

[00:32:23] Ele vai ser polido

[00:32:25] Ele vai ser esticado

[00:32:26] Então ele vai ter uma superfície muito lisa

[00:32:28] Pra se trabalhar

[00:32:29] Mas ele ainda é feito de couro

[00:32:32] O que significa que

[00:32:34] As pessoas que já viram couro

[00:32:35] Percebem que o couro escurece com o tempo

[00:32:38] Com dois mil anos o couro escurece ainda mais

[00:32:41] A textura muda

[00:32:43] Fica totalmente diferente

[00:32:44] Teve alguma

[00:32:45] Isso, teve alguma umidade no meio do caminho

[00:32:48] Ele enruga

[00:32:50] Ou ele craquela

[00:32:53] Enfim

[00:32:54] E daí quando você usa o raio-x

[00:32:56] Você consegue muitas vezes enxergar

[00:32:58] Como ele tá muito escuro

[00:33:00] Muitas vezes com o raio-x você consegue enxergar o que tá escrito

[00:33:03] Porque daí no raio-x

[00:33:05] Aparece as letras

[00:33:06] Do que tá escrito

[00:33:07] Então a gente usa muito isso

[00:33:10] Pra enxergar os manuscritos

[00:33:12] Então lá nos anos 50 eles fizeram isso

[00:33:14] Eles foram fotografando

[00:33:15] Colocando em plaquinhas de vidro

[00:33:18] Nosso desespero

[00:33:19] Mas enfim

[00:33:20] Era o que se entendia na época como melhor

[00:33:22] Então vocês imaginam

[00:33:24] Sanduichava os manuscritos em duas plaquinhas de vidro

[00:33:27] Não é a melhor ideia

[00:33:29] Muitas vezes usavam

[00:33:32] Fita tipo durex

[00:33:36] Pra grudar os manuscritos

[00:33:37] Ah meu Deus, chegou o livro velho

[00:33:39] Isso

[00:33:40] Para o nosso desespero também

[00:33:42] Hoje em dia

[00:33:42] Temos técnicas melhores pra isso

[00:33:45] E assim que eles iam mais ou menos

[00:33:48] Falando

[00:33:48] não, esse daqui finalizado, então agora vai ser publicado.

[00:33:53] Então, eles começaram uma série de livros,

[00:33:56] que é conhecida como DJD, DJD,

[00:33:59] é a série de livros mais famosa entre pesquisadores,

[00:34:04] que são livros que eles têm,

[00:34:07] normalmente eles têm um pouco sobre,

[00:34:09] ah, como é o manuscrito, então vai dizer,

[00:34:11] ah, é um manuscrito de tantos centímetros por tantos centímetros,

[00:34:15] formado por tantos fragmentos,

[00:34:17] fragmento 1 tem tal tamanho, fragmento 2 tal tamanho,

[00:34:20] o couro de cor tal tem danos de tal tipo,

[00:34:28] então tem essa descrição básica.

[00:34:29] Tipo uma biópsia, praticamente.

[00:34:31] Isso, e daí logo depois vem uma transcrição no manuscrito,

[00:34:35] então alguém pegou e passou para letrinhas de computador, digamos,

[00:34:43] em hebraico, a maior parte dos manuscritos

[00:34:47] está em hebraico, então temos ali o textinho em hebraico,

[00:34:51] e daí depois você tem uma sugestão,

[00:34:53] tem uma tradução e comentários,

[00:34:57] que é muito do que a gente faz,

[00:34:59] e isso demora muito tempo para fazer,

[00:35:01] porque até você conseguir pegar o manuscrito,

[00:35:03] olhar o que tem ali,

[00:35:04] e os comentários muitas vezes são do tipo,

[00:35:08] sei lá, Lamed, que é uma das letras,

[00:35:10] que é uma das mais fáceis de identificar,

[00:35:12] que tem o som tipo de L nosso,

[00:35:14] é, aí a pessoa vai,

[00:35:16] e vai falar assim,

[00:35:18] ah, essa linha está cortada na metade,

[00:35:21] mas,

[00:35:21] isso,

[00:35:23] mas essa primeira letra,

[00:35:25] possivelmente é um Lamed,

[00:35:27] porque a gente consegue ver,

[00:35:29] no traço do pedacinho que sobrou,

[00:35:32] uma parte de cima,

[00:35:34] de um jeito que é um risco,

[00:35:35] que normalmente só se faz para Lamed,

[00:35:37] então provavelmente essa daqui é uma palavra que começa com Lamed,

[00:35:40] e dentro, considerando a frase,

[00:35:42] qual palavra que tal,

[00:35:44] eu sugiro que aqui pode ser tal palavra,

[00:35:46] porque considerando,

[00:35:46] considerando o pedaço que está faltando,

[00:35:48] cabem tantas letras, então…

[00:35:50] Gente, mas é muito minucioso,

[00:35:53] é maneiríssimo,

[00:35:54] mas eu só consigo pensar na exaustão,

[00:35:57] só isso que me vem à cabeça.

[00:36:00] E daí assim,

[00:36:01] você pensa que a partir dos anos 50,

[00:36:02] começou a ser publicado,

[00:36:04] então iam saindo esses livros,

[00:36:06] cada um desses livros,

[00:36:08] eu tenho só um,

[00:36:09] aqui em casa,

[00:36:10] porque eles são caros,

[00:36:12] por motivo de caro.

[00:36:14] Nossa,

[00:36:15] é,

[00:36:15] deve ter sido um serviço,

[00:36:16] deve ter sido um serviço sacau demais, assim.

[00:36:19] Porque,

[00:36:20] imagina o quanto de referência você precisa ter, né?

[00:36:23] Você precisa considerar o espaço que você tem,

[00:36:26] você precisa ter o vocabulário daquela língua,

[00:36:29] você precisa ter a condição de fazer esse tipo de identificação

[00:36:33] numa grafia parcial, né?

[00:36:35] Tipo,

[00:36:36] tem muita coisa envolvida para chegar em uma dedução, né?

[00:36:40] Isso.

[00:36:41] E para chegar em uma dedução,

[00:36:42] e daí todo mundo publicar,

[00:36:44] e todo mundo falar,

[00:36:44] não, eu não concordo.

[00:36:46] Quando você falou em comentários,

[00:36:50] eu até pensei no pessoal mandando,

[00:36:51] odiei esse estrelinha.

[00:36:53] Exatamente.

[00:36:57] É quase isso.

[00:36:58] Eu só acho que…

[00:37:00] Eu só acho engraçado.

[00:37:04] Assim,

[00:37:05] em geral,

[00:37:05] antes,

[00:37:06] em geral,

[00:37:07] essa tradução e comentário

[00:37:08] ficou mais para o final.

[00:37:09] Antes, também,

[00:37:10] em geral,

[00:37:10] o pesquisador que ficou responsável

[00:37:12] por essa publicação,

[00:37:14] faz também um comentário,

[00:37:16] tipo,

[00:37:16] ah,

[00:37:16] esse texto,

[00:37:18] eu acredito,

[00:37:18] depois de traduzir,

[00:37:19] acredito que ele se encaixa no contexto tal,

[00:37:22] blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá.

[00:37:24] Só que aí, aqui,

[00:37:25] a gente tem a primeira questão também,

[00:37:27] por que que esse campo

[00:37:28] acaba sendo um campo muito novo.

[00:37:31] Por N motivos,

[00:37:33] não se permitia

[00:37:35] que outras pessoas,

[00:37:37] tipo,

[00:37:37] ficou muito restrito

[00:37:38] quem tinha acesso a esses manuscritos

[00:37:40] para publicação.

[00:37:42] Então, essas publicações demoraram muito.

[00:37:44] Elas começaram nos anos 50,

[00:37:46] a última saiu em 2000 e…

[00:37:48] 2000 e tanto.

[00:37:50] Gente!

[00:37:51] Caramba!

[00:37:51] Então, até…

[00:37:53] até muito recentemente,

[00:37:55] a maior parte dos pesquisadores

[00:37:56] não tinha acesso

[00:37:57] ao conjunto completo dos manuscritos.

[00:38:00] Só quem tinha acesso,

[00:38:02] a gente tinha que ficar…

[00:38:03] a gente não,

[00:38:04] que eu ainda não trabalhava com isso, né?

[00:38:05] Mas as pessoas tinham que ficar esperando

[00:38:06] a sorte de publicarem um manuscrito

[00:38:10] que você está interessado,

[00:38:11] para você poder pesquisar sobre ele,

[00:38:14] ou então você tinha que ser parça

[00:38:15] da galera

[00:38:16] que controlava os manuscritos

[00:38:18] para você poder ir lá publicar.

[00:38:20] Olha só, que legal.

[00:38:22] Cara, que mão de obra!

[00:38:24] Né?

[00:38:25] E assim,

[00:38:26] quando a gente fala essa mão de obra,

[00:38:28] gente, é uma tese de…

[00:38:29] Publicar um manuscrito desses,

[00:38:30] muitas vezes,

[00:38:31] é uma tese de doutorado.

[00:38:32] É o trabalho que dá

[00:38:33] publicar, às vezes, um manuscrito.

[00:38:36] Né?

[00:38:37] É…

[00:38:38] Aí…

[00:38:38] Compreensivelmente.

[00:38:39] Compreensivelmente, né?

[00:38:41] E daí, esse rolê fica…

[00:38:42] fica essa…

[00:38:44] essa…

[00:38:44] essa…

[00:38:45] essa…

[00:38:46] coisa

[00:38:46] até os anos 90.

[00:38:49] Tipo, tadá!

[00:38:50] O que que acontece, né?

[00:38:51] Anos 90.

[00:38:53] Nos anos 90, a gente tem…

[00:38:56] É…

[00:38:57] Você tem, então…

[00:38:59] A série…

[00:39:00] Perdão.

[00:39:00] A série de publicações,

[00:39:02] que é essa série mais conhecida,

[00:39:04] ela tem 40 volumes.

[00:39:07] Oi!

[00:39:07] Certo?

[00:39:09] Oi!

[00:39:11] E…

[00:39:12] Ela foi controlada…

[00:39:14] Ela foi…

[00:39:14] Ela teve diferentes editores,

[00:39:16] que…

[00:39:16] que cuidaram…

[00:39:17] Enfim…

[00:39:18] Atualmente, o editor em chefe,

[00:39:19] eu acho que ele ainda é editor em chefe,

[00:39:22] é…

[00:39:23] Ou, enfim…

[00:39:24] Chama Emmanuel Tov.

[00:39:26] Ele é o diretor do projeto de publicação.

[00:39:29] Eu conheço ele.

[00:39:30] Gente, tem isso também.

[00:39:31] O campo é bem pequeno,

[00:39:32] é relativamente pequeno o número de pessoas,

[00:39:34] aí você acaba meio que sabendo…

[00:39:35] conhecendo todo mundo, assim.

[00:39:37] Cheio dos…

[00:39:38] Cheio dos pistolão, você.

[00:39:39] Cheio dos pistolão, né?

[00:39:40] É porque, tipo, sei lá,

[00:39:41] uma conferência de manuscritos mamotas,

[00:39:43] aí você chega lá e tem 20 pessoas.

[00:39:46] Cada um leva uma comida,

[00:39:49] as meninas levam refrigerante.

[00:39:52] Quase isso.

[00:39:55] Aí, então, assim, você tem…

[00:39:58] É…

[00:39:59] Então, o Tov foi ficando…

[00:40:01] Foi publicando e tal.

[00:40:02] Ah, outra questão que eu não falei.

[00:40:04] No final de todas as…

[00:40:07] No final de todas as…

[00:40:10] As publicações tem também fotos dos manuscritos.

[00:40:13] Então, você pode comparar, né?

[00:40:15] Você pode usar esse…

[00:40:16] Esse tipo de texto, esse tipo de livro

[00:40:18] é muito, muito comum

[00:40:20] para quem estuda manuscritos antigos, assim.

[00:40:23] Esse tipo de publicação costuma ser a base

[00:40:24] para qualquer estudo.

[00:40:25] Então, sei lá, eu estou interessada

[00:40:27] em tentar descobrir por que o rolo de cobre

[00:40:30] foi feito em cobre.

[00:40:33] A primeira coisa que eu vou pegar

[00:40:34] é a publicação,

[00:40:36] a primeira publicação que foi feita dele,

[00:40:38] que tem a transcrição,

[00:40:39] que tem as fotos,

[00:40:40] que tem estado da descoberta, etc.

[00:40:43] E, a partir dali, eu vou estudar o texto

[00:40:45] e, daí, eu vou estudar o texto.

[00:40:45] E eu vou, né?

[00:40:47] Poder fazer pesquisa sobre.

[00:40:48] Então, esse começo aí é muito…

[00:40:51] É bem…

[00:40:54] Enfim, é muito importante

[00:40:55] essa primeira publicação.

[00:40:57] Aí, nos anos 90,

[00:41:01] a Sociedade Bíblica de Arqueologia,

[00:41:06] que é lá nos Estados Unidos,

[00:41:08] eles…

[00:41:09] Já está errado.

[00:41:10] Já é uma contradição inteira.

[00:41:11] Mas, mais ou menos.

[00:41:15] Eles publicaram

[00:41:18] uma edição

[00:41:20] facsímile

[00:41:22] dos Manuscritos do Mar Morto.

[00:41:24] Tipo, meio que uma edição com

[00:41:25] todos os manuscritos.

[00:41:27] Lembra que, até 91,

[00:41:29] os manuscritos, eles só eram publicados

[00:41:30] nessa série específica do DJD.

[00:41:34] E você só tinha acesso…

[00:41:36] Tipo, era muito raro você ter acesso

[00:41:38] a eles mesmo.

[00:41:40] Bom.

[00:41:40] Aí, essa galera publicou

[00:41:42] essa edição facsímile.

[00:41:45] Tem vários…

[00:41:45] Várias tretas internas

[00:41:49] de por que eles publicaram,

[00:41:50] por que eles tinham comprado

[00:41:51] lá nos anos 40.

[00:41:53] Tem todo um rolê aí.

[00:41:55] Mas, enfim.

[00:41:56] Ao publicarem isso,

[00:41:57] eles meio que fizeram público

[00:41:59] todos os manuscritos.

[00:42:01] E daí, o pessoal, o professor,

[00:42:03] o Elisha Kinron,

[00:42:04] que era o cara que…

[00:42:07] Era da Universidade Hebraica aí,

[00:42:09] que estava mais no…

[00:42:12] Comandando a publicação

[00:42:14] dos manuscritos do Mar Morto.

[00:42:15] O Mar Morto processa a galera

[00:42:17] dessa sociedade, porque…

[00:42:18] Mas, gente…

[00:42:20] Por copywriting.

[00:42:22] Por copywriting.

[00:42:24] Porque falou que eles…

[00:42:27] Que eles publicaram…

[00:42:30] Infrigia o copyright e tal.

[00:42:32] Enfim.

[00:42:32] Aí você tem toda uma briga

[00:42:34] nas cortes e tudo mais.

[00:42:36] Suprema Corte de Israel,

[00:42:37] blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá.

[00:42:40] E, em 2000,

[00:42:43] é…

[00:42:43] O pessoal…

[00:42:45] O pessoal teve que devolver

[00:42:46] todas as cópias para…

[00:42:50] Mas, gente…

[00:42:52] Acabou a edição de bolso.

[00:42:54] Tipo isso.

[00:42:56] Só que isso

[00:42:57] meio que começou

[00:42:59] o momento, que é o segundo momento,

[00:43:03] que começam

[00:43:04] publicações digitais.

[00:43:06] Então,

[00:43:08] a despeito dos manuscritos terem sido

[00:43:09] descobertos há 75 anos atrás,

[00:43:13] é mais ou menos a partir

[00:43:14] dos anos 2000, final dos anos 90,

[00:43:15] e começo dos anos 2000,

[00:43:17] que os pesquisadores que trabalhavam com isso

[00:43:19] tiveram acesso a todos os manuscritos.

[00:43:24] Então,

[00:43:24] era muito comum antes você ter

[00:43:26] acesso, por exemplo, a minha orientadora.

[00:43:28] Isso. Ela trabalhou com

[00:43:29] um manuscrito específico

[00:43:31] e ela teve acesso

[00:43:34] a fotos desse manuscrito, tudo certinho.

[00:43:37] Mas ela não tinha

[00:43:38] como… Ela não tinha uma base de dados

[00:43:40] com todos os manuscritos para

[00:43:41] comparar e ver, olha, isso daqui é parecido com aquele.

[00:43:44] Gente, mas isso não faz menos.

[00:43:45] Não faz sentido.

[00:43:48] Deveria ser tudo aberto para você.

[00:43:50] É um trabalho eminentemente comparativo.

[00:43:52] Você tem que comparar.

[00:43:53] Isso.

[00:43:55] Mas é.

[00:43:59] E esse é o tipo de coisa

[00:43:59] que atrasa toda a pesquisa de todo mundo também.

[00:44:02] Isso.

[00:44:03] Você tem muita questão política envolvida aí,

[00:44:05] porque os manuscritos vão ser considerados

[00:44:08] por Israel

[00:44:08] como uma pedra fundamental

[00:44:12] para justificar e para

[00:44:13] é…

[00:44:15] Nunca é tão simples assim, mas meio que

[00:44:17] para dizer que, olha, o Estado de Israel

[00:44:20] faz todo sentido ser aqui

[00:44:22] porque, veja, temos esses manuscritos

[00:44:24] que são manuscritos israelenses que são…

[00:44:26] Tem mais de dois mil anos de idade.

[00:44:27] Logo, tá certo,

[00:44:29] a gente tá aqui.

[00:44:31] Tá, mas pra isso eu vou

[00:44:34] voltar um pouquinho. Você falou ali

[00:44:36] que

[00:44:37] tem manuscritos em hebraico

[00:44:40] e em aramaico, certo?

[00:44:42] Isso. Tem mais

[00:44:43] alguma outra língua além desses dois?

[00:44:45] Sim. Ah, eu posso falar rapidinho

[00:44:47] quem são os manuscritos, né?

[00:44:49] É. Então, é porque, assim,

[00:44:51] esses, por terem em hebraico e em aramaico,

[00:44:54] eles são, tipo, o mesmo texto

[00:44:55] era basicamente uma tradução,

[00:44:58] eram diferentes versões,

[00:44:59] os textos não conversam entre si,

[00:45:02] o que que, afinal, eles dizem?

[00:45:04] Varia. Varia muito.

[00:45:06] A maior parte

[00:45:07] dos textos tá em hebraico, tem texto

[00:45:09] em aramaico, em grego, em latim,

[00:45:11] tem textos não identificados.

[00:45:13] Como assim?

[00:45:14] De língua que ninguém sabe qual é?

[00:45:15] Mas esses em grego e em latim

[00:45:19] eles são do mesmo período?

[00:45:20] Então, calma, já chegou aí. Tem na Bateu

[00:45:22] em árabe também.

[00:45:24] Aí que a gente chega numa questão aqui.

[00:45:26] Os manuscritos que são mais

[00:45:28] famosos são os manuscritos

[00:45:30] de Qumran, dessas onze cavernas

[00:45:32] que eu falei. Acontece que

[00:45:34] com o passar dos anos

[00:45:36] e com tecnologia e com etc,

[00:45:39] mais

[00:45:40] descobertas foram feitas.

[00:45:43] Outras cavernas

[00:45:44] foram identificadas e mais descobertas

[00:45:46] foram feitas. Então, você

[00:45:48] tem, basicamente,

[00:45:51] no mundo acadêmico,

[00:45:52] a gente chama de manuscrito do Mar Morto

[00:45:53] qualquer manuscrito que tenha sido descoberto

[00:45:56] na região do Mar Morto.

[00:45:58] E não só de Qumran,

[00:46:00] que são os manuscritos mais famosos.

[00:46:03] Isso.

[00:46:03] É a denominação de procedência.

[00:46:06] Isso.

[00:46:07] Você não tem que colocar que é

[00:46:10] um papiro tipo

[00:46:11] manuscrito de Mar Morto.

[00:46:13] Isso.

[00:46:14] Então, você tem, por exemplo,

[00:46:18] você tem vários manuscritos

[00:46:20] que são…

[00:46:23] A maior parte dos manuscritos

[00:46:25] de Qumran

[00:46:26] datam mais ou menos de 300

[00:46:28] antes da Era Comum

[00:46:30] até 70 depois da Era Comum.

[00:46:33] 70 depois da Era Comum

[00:46:35] é uma data relativamente…

[00:46:36] É uma data importante porque é a data

[00:46:39] em que os romanos destroem

[00:46:40] o Templo de Jerusalém.

[00:46:42] Hum.

[00:46:42] Sim, o cerco.

[00:46:45] Isso, você tem o Cerco de Jerusalém

[00:46:47] em 70 com o Vespasiano

[00:46:49] que vai se tornar Imperador Romano depois

[00:46:51] e eles destroem o Templo de Jerusalém

[00:46:53] o que é, por sinal, uma coisa muito estranha

[00:46:55] dos romanos fazerem. Os romanos não

[00:46:57] costumavam destruir templos por aí

[00:46:59] quando eles conquistavam outros lugares.

[00:47:01] Mas os romanos destroem o Templo de Jerusalém

[00:47:03] possivelmente em parte

[00:47:05] porque o Vespasiano, que é o Imperador

[00:47:07] ele está

[00:47:09] assumindo depois de Nero

[00:47:11] Olha lá, vou eu falar.

[00:47:12] Vou falar outras coisas. Mas, ó, tem Nero

[00:47:13] Tem ninguém reclamando, né?

[00:47:16] Tem Nero. Aí Nero

[00:47:18] dá toda a treta de Nero

[00:47:20] ele não botou fogo em Roma, tá? Não foi Nero

[00:47:22] Nero nem estava em Roma na época.

[00:47:24] Tadinho. Injustiçado.

[00:47:25] Nero era um canalha, mas assim

[00:47:28] esse crime ele não cometeu.

[00:47:31] Provavelmente

[00:47:32] Roma pegou fogo porque Roma era um lugar

[00:47:34] caótico, com muitas

[00:47:36] casas de madeira e pegava fogo.

[00:47:39] Inclusive casas de

[00:47:40] oito andares, que eu acho outra coisa fantástica.

[00:47:41] Isso é muito foda.

[00:47:44] Aí,

[00:47:45] depois de Nero, a gente tem o ano

[00:47:47] que é conhecido como o ano dos quatro imperadores.

[00:47:50] Como o próprio nome diz,

[00:47:51] é um ano em que quatro imperadores

[00:47:53] se sucedem, um vai matando

[00:47:55] o outro. Nesse período

[00:47:57] você ser imperador romano era quase uma sentença

[00:47:59] de morte, né? A usurpadora.

[00:48:02] Isso. Porque os imperadores

[00:48:04] nesse período, eles estão

[00:48:05] eles normalmente saem

[00:48:07] do meio do exército, eles são generais do exército.

[00:48:10] Então, tipo, ah, um general pega,

[00:48:11] e fala, não, agora eu sou imperador, ele tem um grupo

[00:48:13] dele. Aí vão lá e matam ele, e outro

[00:48:15] general fala, ah, agora eu sou imperador.

[00:48:17] Aí você tem todo esse rolê.

[00:48:19] Depois desse caos,

[00:48:22] Vespasiano é

[00:48:23] proclamado imperador de Roma, e

[00:48:25] Vespasiano está nesse momento, quando ele é proclamado

[00:48:27] imperador, ele está na Judéia lidando

[00:48:29] com a revolta da Judéia, que é essa primeira

[00:48:31] revolta da Judéia, que acaba em 70.

[00:48:34] E daí, uma

[00:48:35] das teorias que a gente coloca,

[00:48:37] é que possivelmente essa revolta da Judéia

[00:48:40] acabou sendo…

[00:48:41] utilizada por Vespasiano

[00:48:44] pra justificar mais o poder imperial

[00:48:46] dele, pra dizer, olha essa

[00:48:47] batalha incrível que eu comandei, que eu

[00:48:49] lutei, etc.

[00:48:52] E daí, isso, só que

[00:48:54] tipo, a priori,

[00:48:55] a revolta da Judéia não era uma revolta importante

[00:48:58] pra Roma, porque

[00:48:59] a Judéia já era uma península, já era

[00:49:01] uma província conquistada, então ela

[00:49:03] era só uma revolta, ela não era uma

[00:49:05] guerra de conquista. Mas o

[00:49:07] Vespasiano, ele vai fazer moedas

[00:49:09] e vai criar uma narrativa de conquista,

[00:49:11] sobre a revolta da Judéia.

[00:49:14] Então, você

[00:49:15] tem

[00:49:16] coisas da história, né? Vários

[00:49:19] fatores aleatórios que acabam

[00:49:21] gerando uma coisa, e daí eles acabam destruindo

[00:49:23] o templo, os judeus tem que pagar

[00:49:25] uns impostos altíssimos por bastante

[00:49:27] tempo pra

[00:49:28] tipo, reembolsar

[00:49:31] Roma pela revolta e coisas do

[00:49:33] tipo. Esses impostos

[00:49:35] ficam mais tempo do que deviam

[00:49:37] e tudo isso vai gerar

[00:49:39] uma segunda revolta, que a revolta,

[00:49:41] de Bar Kokba, que foi de

[00:49:43] 130… É, ela foi

[00:49:45] uma revolta de 132 a 136

[00:49:48] da Era Comum.

[00:49:50] E essa revolta…

[00:49:51] É, ela foi, foi longa.

[00:49:53] E essa revolta, muitos

[00:49:55] dos manuscritos do Mar

[00:49:57] Morto são possivelmente

[00:49:59] manuscritos do

[00:50:01] período dessa revolta, então são manuscritos

[00:50:03] posteriores. Cerca

[00:50:05] de…

[00:50:07] Não sou boa de contas,

[00:50:09] cerca de 60 anos depois dos

[00:50:11] manuscritos de Curã.

[00:50:14] Inclusive, então, alguns

[00:50:15] desses manuscritos que a gente fala de outras

[00:50:17] línguas, eles são desse período.

[00:50:20] Mas tem, por exemplo, manuscritos em árabe

[00:50:22] que são posteriores,

[00:50:24] porque essas cavernas, elas

[00:50:25] acabaram sendo utilizadas por várias

[00:50:27] populações, né? Elas estavam lá e as pessoas

[00:50:29] iam usando. E daí você

[00:50:31] tem, por exemplo, ali

[00:50:33] em 2017, a

[00:50:35] Universidade Hebraica

[00:50:38] anunciou

[00:50:39] uma 12ª caverna, perto

[00:50:41] das outras, né?

[00:50:43] E nessa caverna eles encontraram

[00:50:45] jarras

[00:50:46] vazias

[00:50:49] e elas estavam quebradas de um jeito

[00:50:51] que sugere que elas foram…

[00:50:54] que manuscritos foram tirados

[00:50:55] dessas cavernas nos anos 50.

[00:50:59] O tipo

[00:50:59] de dano, né? Elas sugerem que elas foram

[00:51:01] escavadas nos anos 50 naquela loucura

[00:51:03] que a gente falou antes.

[00:51:06] Já em 2021,

[00:51:08] eles anunciaram

[00:51:10] vários manuscritos,

[00:51:11] que datam dessa 2ª

[00:51:13] revolta que eu falei.

[00:51:15] E, dentre esses

[00:51:17] manuscritos, eles falaram,

[00:51:19] foi notícia bastante ano

[00:51:21] passado, que tinha sido descoberta mais uma

[00:51:23] caverna dos manuscritos e tals.

[00:51:26] Essa caverna é conhecida como

[00:51:27] a Caverna do Horror.

[00:51:29] Que nome agradável, né?

[00:51:31] Que nome ótimo.

[00:51:33] Cada vez mais Indiana Jones.

[00:51:35] É que a Caverna do Horror,

[00:51:37] ela fica, ela também,

[00:51:39] ela é conhecida como

[00:51:40] a Caverna 8

[00:51:43] de Nahal Hever.

[00:51:45] E elas

[00:51:46] foram encontradas lá

[00:51:49] esqueletos

[00:51:51] de, se eu não me engano…

[00:51:53] Ah, isso. Por que

[00:51:55] o nome é Caverna do Horror? Porque lá foram encontrados

[00:51:57] 40 esqueletos de homens, mulheres

[00:51:59] e crianças.

[00:52:02] Possivelmente

[00:52:03] pessoas que estavam

[00:52:04] na revolta e que estavam

[00:52:07] fugindo do

[00:52:08] dos soldados romanos.

[00:52:12] Essa revolta de 136, né?

[00:52:13] Que acaba em 136.

[00:52:15] E, aparentemente, pelo como

[00:52:17] os ossos não parecem

[00:52:19] ter

[00:52:20] danos.

[00:52:23] Então, é possível que os soldados romanos

[00:52:25] só cercaram todas as saídas da caverna

[00:52:27] e essas pessoas morreram de fome.

[00:52:30] Então, né?

[00:52:32] Então, é conhecida como a

[00:52:33] Caverna do Horror.

[00:52:34] O horror define bem.

[00:52:36] E daí foi encontrado mais um manuscrito,

[00:52:38] nessa caverna, mas, assim,

[00:52:40] já tinha sido escavada antes.

[00:52:42] Essa descoberta de 2021

[00:52:43] não é uma descoberta tão nova e ela

[00:52:46] tem uma questão política importante

[00:52:47] porque essa região é

[00:52:49] território… é considerada

[00:52:52] pela lei internacional como território

[00:52:54] ocupado.

[00:52:57] Não é oficialmente território

[00:52:58] de Israel. Então, pela lei, Israel não poderia

[00:53:00] estar fazendo escavações arqueológicas

[00:53:02] em território ocupado.

[00:53:04] Mas aí, né? Daí,

[00:53:05] enfim, temos muitas outras questões juntas.

[00:53:08] Ao lado dessas pesquisas crunching do

[00:53:29] ahhhhh

[00:53:32] ORA cross landing

[00:53:34] justin

[00:53:34] tu

[00:53:35] tu

[00:53:35] tu

[00:53:35] tu

[00:53:36] tu

[00:53:37] tu

[00:53:37] tu

[00:53:37] tu

[00:53:37] tu

[00:53:37] tu

[00:53:38] está

[00:53:38] MÚSICA

[00:54:07] É possível então que os manuscritos tenham sido levados para lá, tanto a primeira quanto a segunda leva, para proteger eles de serem destruídos no cerco de Jerusalém?

[00:54:19] Sim, essa é uma das possibilidades, essa é uma das teorias que a gente tem.

[00:54:24] A teoria de que os manuscritos eram, uma das teorias, por exemplo, diz que os manuscritos eram a biblioteca do templo de Jerusalém e que teria sido levada para lá para ser escondida.

[00:54:36] Essa teoria não tem muita força, porque perto, lembra que da caverna 4 a 10 elas são todas muito próximas uma da outra, né?

[00:54:47] Perto dessas cavernas tem umas ruínas, que a princípio ninguém achou que faziam parte ou tinham relação com as cavernas, mas as pesquisas arqueológicas mostram que essas ruínas tem sim relação com as cavernas.

[00:55:02] E essas ruínas foram abandonadas nos anos 70, então é possível.

[00:55:06] É mais provável que esses manuscritos já tenham sido depositados e que eles estejam conectados às ruínas e não ao templo.

[00:55:14] Ah, certo, certo.

[00:55:16] Só por uma curiosidade, porque a gente acabou não falando disso, é que você falou que a maioria dessas cavernas é basicamente erosão de falésia, assim, né?

[00:55:25] Essas cavernas são muito profundas?

[00:55:28] Varia muito, não tem, não consigo te dizer assim, tipo, depende muito da caverna.

[00:55:34] Mas assim, elas foram…

[00:55:36] São exploradas à exaustão.

[00:55:38] Não tem nenhuma que a gente tenha um espaço que a caverna ainda vai chegar numa câmara que pode ter coisa pra caralho.

[00:55:46] Pouco provável, mas possível.

[00:55:48] Não é impossível, que ótimo.

[00:55:50] É.

[00:55:50] Pouco provável porque hoje em dia se usa tecnologia, tipo, de satélite, de pães, ultrassom, isso, essas coisas todas.

[00:56:00] Então é bem pouco provável.

[00:56:02] Mas assim, é…

[00:56:04] Só pra vocês terem noção também do número, né?

[00:56:06] A Curã, que é esse lugar onde tem as ruínas perto e etc.

[00:56:12] Você tem catalogados 913 manuscritos que são de Curã.

[00:56:17] Os outros manuscritos do Mar Morto, que eu disse, que são esses outros de outras cavernas, você tem, tipo,

[00:56:21] Vá de Muhabarat, que são 159, de Nahal Rever, são 112, de Massada, Massada é muito famosa, 47.

[00:56:30] Eu falei Massada é muito famosa, eu não sei se vocês conhecem Massada.

[00:56:32] Eu não.

[00:56:33] Eu não.

[00:56:33] Eu conheço o Sul e vou em Massada.

[00:56:37] Vocês fizeram o Hilarié, mas não…

[00:56:40] Massada é um forte, é que foi um dos últimos fortes a serem, a se renderem, a serem conquistados nas revoltas.

[00:56:49] E tem todas as histórias do cerco de Massada, ele era um forte, tipo, o pessoal se, né, se refugiou lá e daí a galera se suicidou pra não se render.

[00:56:59] Tem várias histórias, assim, então Massada é relativamente famosa.

[00:57:02] Nossa.

[00:57:03] Aí você tem mais 41 de uma caverna chamada Abuchinger e outro, e um manuscrito de uma outra chamada Vá de Sideir.

[00:57:13] Enfim, então assim, dá pra ver que em Curã tem 900 e todas as outras tem, tipo, 100, 40, por isso que Curã é tão mais famoso, tão mais conhecido.

[00:57:23] E dos manuscritos de Curã, enfim, você tem cerca de, e por que que eu falo cerca de?

[00:57:31] Porque essas coisas são sempre um tanto quanto…

[00:57:33] Complexas e confusas, mas cerca de 40% dos manuscritos que foram encontrados em Curã são textos que fazem parte do que hoje a gente conhece como Antigo Testamento.

[00:57:44] Oh!

[00:57:45] Então, cerca de 40 cópias, uma parcela bem considerável de textos.

[00:57:50] Isso não é exatamente impressionante.

[00:57:53] Não, né?

[00:57:55] Não, não é impressionante.

[00:57:55] É, não era exatamente disseminada, assim, né, a escrita.

[00:58:02] E não era fácil também fazer esse tipo de coisa.

[00:58:05] Então, eu imagino que se fosse pra encontrar alguma coisa, seria religiosa, né?

[00:58:08] Não ia encontrar, sei lá, um folheto do Mercado Guanabara, né?

[00:58:12] Isso.

[00:58:13] Exatamente.

[00:58:14] Então, assim, 40% são textos que acabaram virando textos canônicos.

[00:58:19] Toda…

[00:58:20] A gente pode até, algum dia, se vocês quiserem, a gente pode gravar um episódio só sobre a formação do cânone, porque isso é outra história muito louca.

[00:58:27] Envolve pombas e pombas místicas e tudo mais.

[00:58:31] É.

[00:58:32] Mas, assim, então, nesse período de 300 até 70, mais ou menos, nesse período, a gente chama…

[00:58:41] Até anterior.

[00:58:42] A gente chama esse período de…

[00:58:43] O período do Segundo Templo, que é mais ou menos quando o Segundo Templo de Israel existia, até os romanos destruírem nos anos 70.

[00:58:51] Então, nesse período do Segundo Templo, não existia ainda o que hoje a gente conhece como Bíblia, né?

[00:58:56] O que tinham eram textos.

[00:58:59] Como os textos, como vocês disseram, a gente imagina manuscritos e…

[00:59:02] Pergaminhos como enroladinhos.

[00:59:04] Eles eram assim.

[00:59:05] Então, não existia também o formato livro, né?

[00:59:08] Nessa região, não…

[00:59:10] Ninguém usava o formato livro para textos.

[00:59:12] Você usava o formato pergaminho, que eram rolinhos de textos.

[00:59:18] E o formato pergaminho, ele tem algumas desvantagens em relação ao livro.

[00:59:22] Uma delas é que, se você precisa achar um pedaço no meio, você vai ter que desenrolar um pedaço e enrolar o outro até você conseguir chegar no pedaço que você precisa.

[00:59:31] O livro, você pode só virar as páginas.

[00:59:32] Além do que, o pergaminho, ele tem algumas limitações.

[00:59:37] O livro também, claro.

[00:59:39] Mas, assim, o pergaminho, ele vai ser limitado, por exemplo, pelo tamanho do bicho, da onde veio aquele couro para fazer o pergaminho.

[00:59:46] Então, você não vai ter pergaminhos muito maiores.

[00:59:49] Claro que você vai costurando um pergaminho no outro.

[00:59:52] Mas você também…

[00:59:53] Chega um momento que você não consegue fazer um rolo muito maior, assim.

[00:59:56] Então, os pergaminhos, eles não costumam ter muito mais.

[00:59:59] Mas eu não lembro qual o máximo de metragem que eles têm.

[01:00:02] Mas é…

[01:00:02] Qual é o animal mais usado?

[01:00:05] A cabra.

[01:00:06] O carneiro?

[01:00:07] É, a cabra.

[01:00:08] Isso.

[01:00:10] E daí, então, o couro de cabra não é exatamente uma coisa gigante, né?

[01:00:14] Não, sim.

[01:00:15] E daí, o que eles faziam era secar nesse processo todo, raspar, deixar ele super fininho, lisinho.

[01:00:21] Ele realmente…

[01:00:22] Ele quase parece uma folha de papel.

[01:00:23] Ele é muito parecido com uma folha de papel, se você só olha ele.

[01:00:26] E daí, você ia costurando, fazendo…

[01:00:30] Cortando tiras e costurando uma tira na outra.

[01:00:32] E daí, os melhores pedaços vão ser utilizados para textos mais importantes.

[01:00:38] E, às vezes, você sabe que aquele texto talvez não fosse tão importante,

[01:00:41] ou quem fez não tinha tanta grana,

[01:00:43] quando ele tem uma borda, tipo.

[01:00:46] Porque as bordas são irregulares, né?

[01:00:49] Então, quando tem essas bordas.

[01:00:51] Então, essas separações que eu estou falando de textos, né?

[01:00:56] As porcentagens dos textos e tal.

[01:00:58] Provavelmente, naquele período, não faziam sentido para as pessoas.

[01:01:01] Essa é uma separação que a gente fazia.

[01:01:02] A gente faz hoje em dia, porque a gente olha e a gente fala…

[01:01:04] Ah, esses textos aqui…

[01:01:06] Sei lá, 500 anos depois, eles viraram um livro.

[01:01:09] Então, eles…

[01:01:10] Mas, para a época, não necessariamente tinham textos que eram mais importantes que outros.

[01:01:16] Quer dizer…

[01:01:17] Com exceção do Pentateuco, né?

[01:01:19] Os cinco livros básicos do Antigo Testamento.

[01:01:22] Com exceção desses cinco, que a gente já sabe que eles eram relativamente mais importantes.

[01:01:26] Mas os outros…

[01:01:28] Variavam.

[01:01:30] Os cinco são Gênesis.

[01:01:32] Êxodos, Levíticos, Números e Deuteronômio.

[01:01:37] Esses são os…

[01:01:38] O Pentateuco, a Torá, enfim.

[01:01:42] Enfim.

[01:01:43] Então, 40%…

[01:01:45] A maioria se refere ao Pentateuco, então.

[01:01:48] Não, não.

[01:01:50] 40% se refere ao Antigo Testamento como um todo.

[01:01:54] Ao que a gente chama de Antigo Testamento como um todo.

[01:01:57] 30% são os textos…

[01:01:59] É…

[01:02:00] Que acabaram…

[01:02:02] Não fazendo o corte para estar no Antigo Testamento.

[01:02:07] Mas que eram…

[01:02:09] Mas, assim, depende.

[01:02:10] O diretor Scott não incluiu.

[01:02:13] Isso.

[01:02:15] Assim, depende um pouco também porque a gente tem uma variação.

[01:02:18] A gente tem mais ou menos…

[01:02:20] 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

[01:02:22] Você tem uns 15 ou 16 variações do Antigo Testamento.

[01:02:25] Porque você tem a tradição ocidental,

[01:02:28] que daí a gente tem os protestantes não conformistas,

[01:02:32] os lateranos, os anglicanos e os católicos romanos.

[01:02:35] Cada um desses quatro tem variações dentro dos seus Antigos Testamentos,

[01:02:41] digamos assim.

[01:02:43] Você tem as tradições ocidentais ortodoxas.

[01:02:50] Então, os gregos, a igreja grega ortodoxa,

[01:02:53] a eslavônica ortodoxa e a igreja ortodoxa da Geórgia.

[01:02:57] Aí você tem as tradições ortodoxas orientais.

[01:03:00] Você tem, então, os armênios.

[01:03:02] Os armênios, sírios, cóptas e o tal arredo.

[01:03:08] E você tem a igreja do Oriente, que é a igreja síria e a igreja oriental.

[01:03:16] É isso.

[01:03:17] Cada um desses pode ter pequenas variações.

[01:03:19] Claro, imagina se não ia ter.

[01:03:23] Por exemplo, boa parte do pessoal,

[01:03:26] os evangélicos em geral, os luteranos,

[01:03:32] os anglicanos, eles não consideram o livro de Tobias

[01:03:35] como parte do Antigo Testamento.

[01:03:37] Já os católicos, sim.

[01:03:40] Então, aqui, por isso que eu falei que é mais ou menos.

[01:03:42] Porque esses outros 30% de textos incluem textos tipo o livro de Tobias.

[01:03:48] Que para os católicos é canônico.

[01:03:50] Mas para o resto da galera não é canônico.

[01:03:53] E aí vai depender do lobby daquele…

[01:03:56] O Tobias não tem um lobby muito forte com o outro lado.

[01:04:00] Não.

[01:04:01] Aí você tem o livro de Enóquio,

[01:04:02] o livro de Jubileus,

[01:04:04] o Wisdom…

[01:04:07] Ai, perdão.

[01:04:08] Você tem alguns salmos,

[01:04:11] dos 152 a 155.

[01:04:13] Enfim, você tem textos,

[01:04:15] obviamente religiosos,

[01:04:16] que chegaram ou não mais ou menos no cânone.

[01:04:19] Esses formam o outro 30%.

[01:04:21] Só que aqui já tem 70%.

[01:04:23] E daí, mais ou menos,

[01:04:25] os outros 30%

[01:04:26] são o que algumas pessoas

[01:04:28] chamam de textos sectários.

[01:04:30] Que seriam textos…

[01:04:32] De algum grupo específico.

[01:04:34] Que a gente não tem muita clareza

[01:04:36] de quem é, possivelmente, os essênios.

[01:04:38] Mas, talvez não.

[01:04:39] Eu não acho que são os essênios.

[01:04:41] Quem são os essênios, gente?

[01:04:42] Quem são os essênios?

[01:04:46] Aí a gente chega meio que na segunda parte da história.

[01:04:49] Olha como é longa essa história, né, gente?

[01:04:51] Mas, assim,

[01:04:52] quando se descobriram os manuscritos do Mar Morto,

[01:04:55] um dos primeiros manuscritos a serem descobertos

[01:04:57] foi o…

[01:04:59] Ele é conhecido como

[01:05:00] O Grande Pergaminho de Zanino.

[01:05:01] O Grande Pergaminho de Isaías.

[01:05:03] Por que ele é o Grande Pergaminho de Isaías?

[01:05:05] Porque ele é o Livro de Isaías

[01:05:06] e ele é um pergaminho muito, muito, muito bem conservado.

[01:05:09] Ele é lindo, maravilhoso.

[01:05:11] Se vocês colocarem…

[01:05:13] Vai ser mais fácil de achar em inglês, né?

[01:05:14] Se você colocar The Great Isaiah Scroll,

[01:05:16] você vai achar. Ele é lindo.

[01:05:17] Como era grande o Pergaminho de Isaías.

[01:05:20] Né?

[01:05:21] E ele foi um dos primeiros a ser descoberto.

[01:05:27] Mas, logo depois,

[01:05:28] eles também encontraram alguns outros textos

[01:05:30] como A Regra da Construção,

[01:05:31] a Comunidade, ou

[01:05:33] O Pergaminho da Guerra,

[01:05:36] ou A Regra

[01:05:38] das…

[01:05:40] Blessings.

[01:05:41] Bênçãos.

[01:05:44] Isso, obrigada. Desculpa, gente.

[01:05:45] É porque como eu estudei mais em inglês,

[01:05:47] aí, às vezes, os nomes em português me fogem.

[01:05:49] Não é mal, Sasha.

[01:05:51] É que eu fico com vergonha,

[01:05:54] mas é porque…

[01:05:55] Bom, então, esses textos,

[01:05:58] eles são fragmentários,

[01:06:00] né? Então, falta pedacinhos.

[01:06:01] De boa parte deles. Mas, por exemplo,

[01:06:04] A Regra da Comunidade,

[01:06:06] que também é conhecido como Manual de Disciplina,

[01:06:09] que é, mais ou menos,

[01:06:11] é tipo a especialidade da minha orientadora

[01:06:12] de doutorado,

[01:06:14] são textos que falam

[01:06:16] exatamente o que o nome diz.

[01:06:19] Regras para a vida em comunidade.

[01:06:21] E essas regras

[01:06:22] para a vida em comunidade,

[01:06:24] eles colocam, por exemplo,

[01:06:25] os ideais da comunidade,

[01:06:28] eles descrevem o ritual,

[01:06:30] a cerimônia para se entrar na comunidade,

[01:06:31] como que deveria ser feita

[01:06:34] a cerimônia todo ano.

[01:06:36] Aí, depois, eles colocam

[01:06:38] um monte de regras,

[01:06:40] por exemplo, de administração,

[01:06:43] regras de quem come o quê,

[01:06:45] quando.

[01:06:46] Aí, depois, eles falam do templo espiritual,

[01:06:49] aí eles falam,

[01:06:50] aí tem uns hinos, enfim.

[01:06:52] A regra… Então,

[01:06:54] essas leis, elas claramente

[01:06:56] não se referem a todo

[01:06:58] o judaísmo.

[01:06:59] Elas são alguma comunidade específica.

[01:07:02] Mas,

[01:07:04] qual comunidade?

[01:07:06] Não sabemos.

[01:07:08] Não sabemos.

[01:07:10] Como elas foram encontradas,

[01:07:12] esses textos foram encontrados perto daquele…

[01:07:14] Lembra que eu falei que tinha umas ruínas?

[01:07:16] Muita gente acha, não.

[01:07:17] Provavelmente era a comunidade que morava nessas ruínas.

[01:07:20] Que, possivelmente, era a dona

[01:07:22] dessa biblioteca inteira.

[01:07:24] Ok, é uma possibilidade.

[01:07:27] E daí,

[01:07:28] existe um historiador

[01:07:30] antigo, chamado José,

[01:07:31] que é outro cara… Esse cara é genial, gente.

[01:07:33] Ele é muito, muito bom.

[01:07:35] Ele era um líder…

[01:07:37] É porque ele era um líder, tipo… Ele era um historiador

[01:07:39] judeu, e daí ele foi capturado

[01:07:41] pelo Vespasiano, que a gente já

[01:07:43] falou desse moço hoje.

[01:07:45] E daí, quando ele é capturado pelo Vespasiano…

[01:07:47] Foi levado lá pra Minas, né?

[01:07:49] Isso.

[01:07:51] Vespasiano italiano é aquele…

[01:07:54] Como é que chama aquilo?

[01:07:56] Aquilo onde um homem faz xixi no banheiro.

[01:07:59] Ah, é?

[01:07:59] O sanitário é o mictório.

[01:08:01] Isso se chama Vespasiano.

[01:08:03] Caralho, olha…

[01:08:04] Então, toda vez que você tá falando, eu tô rindo internamente.

[01:08:09] Cara, que legado, velho.

[01:08:11] Né?

[01:08:13] Mijava pra caramba o Vespasiano.

[01:08:16] Morreu… Reza a lenda que morreu

[01:08:17] no trono, inclusive.

[01:08:20] No trono, cagando, no caso.

[01:08:24] Mas…

[01:08:24] Bom, e Vespasiano…

[01:08:26] Nossa, fomos muito longe.

[01:08:28] Não, e pra vocês saberem

[01:08:30] porque que Vespasiano…

[01:08:31] Poderia ser conhecido, mas não é.

[01:08:34] Ele é o cara que construiu o Coliseu.

[01:08:37] Ah, é verdade.

[01:08:38] Também conhecido, né?

[01:08:39] Como Auditório Flávio.

[01:08:41] O Vespasiano é o primeiro.

[01:08:42] Ele inaugura a Dinastia Flávia.

[01:08:45] Porque o nome dele era Tito Flávio Vespasiano.

[01:08:49] E depois ele tem outros filhos.

[01:08:51] Dois filhos dele

[01:08:52] seguem depois dele.

[01:08:54] Enfim.

[01:08:56] Eu tava em Vespasiano por causa do José.

[01:08:58] Isso.

[01:08:58] O Vespasiano capturou o José, que é esse historiador.

[01:09:01] E o José, quando foi capturado,

[01:09:03] falou pro Vespasiano,

[01:09:04] ó, grande conquistador,

[01:09:08] você se tornará…

[01:09:09] Eu tive um sonho, e os astros

[01:09:12] me falaram que você se tornará

[01:09:14] imperador. E daí, possivelmente,

[01:09:16] o Vespasiano falou, aham,

[01:09:17] prende lá, gente, o resto da galera.

[01:09:20] Só que aí o Vespasiano se tornou imperador.

[01:09:23] E o Vespasiano

[01:09:23] precisava, porque o Vespasiano

[01:09:26] lembra que quatro imperadores morreram logo

[01:09:27] antes dele, né? Sim.

[01:09:28] Então ele precisava, ele tava ali

[01:09:30] numa situação um pouquinho…

[01:09:31] caótica, um pouco complicada, ele precisava…

[01:09:34] Tenso, tenso. Tenso, né?

[01:09:35] Ele precisava mostrar que ele

[01:09:38] era um imperador, que ele

[01:09:40] era o imperador escolhido.

[01:09:42] E daí a gente entra em várias outras questões,

[01:09:44] porque

[01:09:45] os imperadores em Roma não eram vistos como

[01:09:48] deuses, mas eles eram vistos como

[01:09:49] pessoas que os deuses apoiam.

[01:09:52] E o Vespasiano vai usar muito

[01:09:54] a…

[01:09:56] o que o Joséfo fala

[01:09:58] pra mostrar, olha,

[01:10:00] mesmo esse cara aqui,

[01:10:01] que é judeu, tá falando,

[01:10:04] já falava antes,

[01:10:06] que eu era destinado pelos deuses a ser

[01:10:07] imperador. Então

[01:10:09] o Vespasiano vai…

[01:10:12] o Joséfo passa a ser meio que

[01:10:13] um historiador da família do Vespasiano.

[01:10:17] E ele passa

[01:10:18] a morar em Roma. Personal, personal

[01:10:19] historiador. Isso.

[01:10:21] E ele passa a morar em Roma, e daí ele vai escrever

[01:10:23] sobre o Vespasiano, mas ele vai escrever também

[01:10:25] vários livros de histórias sobre os judeus.

[01:10:27] O que é bem interessante, porque

[01:10:29] ele, então,

[01:10:31] é muito…

[01:10:33] porque ele é um historiador, né? Ele não tá escrevendo textos

[01:10:35] religiosos, necessariamente. Então

[01:10:37] ele vai contar, ele que conta

[01:10:39] sobre a guerra, sobre a…

[01:10:42] essa revolta de 70…

[01:10:44] Enfim.

[01:10:46] E… Nossa, agora que eu vi

[01:10:48] aqui, que esse Joséfo

[01:10:49] que você tá falando é o Tito Flávio.

[01:10:52] É isso.

[01:10:54] Ah, caralho. O Vespasiano é o Tito Flávio.

[01:10:56] Todos eles são Tito Flávio.

[01:10:57] Como assim todos eles são Tito Flávio?

[01:10:59] É porque…

[01:11:01] Tito Flávio.

[01:11:01] Tito Flávio.

[01:11:04] É uma lourança, meu Zé Bu, provocante.

[01:11:06] É porque…

[01:11:07] É que aí a gente tá falando

[01:11:10] da forma como os nomes eram construídos

[01:11:11] em Roma.

[01:11:14] Porque

[01:11:14] o Joséfo,

[01:11:17] ele é o Flávios Joséfus.

[01:11:20] Mas que, na verdade,

[01:11:21] o nome dele era Iosef Ben

[01:11:23] Matitiahu.

[01:11:26] Que era o nome em hebraico dele, certo?

[01:11:28] Só que lembra que ele foi

[01:11:30] é…

[01:11:31] Ele foi cooptado

[01:11:34] pelo Vespasiano.

[01:11:36] Certo? E o Vespasiano

[01:11:38] é o primeiro da dinastia

[01:11:40] Flávia.

[01:11:42] O nome dele é Tito Flávio Vespasiano.

[01:11:44] Então, o Joséfo

[01:11:46] ganha, ele é mais ou menos

[01:11:48] adotado. Não é efetivamente

[01:11:50] adotado. Mas ele…

[01:11:52] Então ele passa a ser conhecido em Roma

[01:11:54] como Flávio Joséfo.

[01:11:56] Flávios Joséfus.

[01:11:59] Certo.

[01:12:00] Mas o nome dele,

[01:12:01] em hebraico, é Iosef

[01:12:04] Ben Matitiahu.

[01:12:06] Ele apareceu aqui pra mim como

[01:12:08] Titos Flávios Joséfus.

[01:12:10] Da onde veio esse Titos, então?

[01:12:11] Também do Vespasiano. É o nome do Vespasiano.

[01:12:14] Tito Flávio Vespasiano.

[01:12:16] E daí, como ele… Como o Joséfo

[01:12:18] trabalha pra ele, é tipo…

[01:12:20] Passa dele e ganha o nome dele, entendeu?

[01:12:23] Ok. Ok.

[01:12:25] Eu não tava ligando

[01:12:26] esse Joséfo a ninguém. Eu olhei Tito Flávio.

[01:12:28] Porra, Tito Flávio eu sei quem é.

[01:12:30] Peraí. Agora tá tudo…

[01:12:31] Tito Flávio é o Vespasiano agora.

[01:12:34] É.

[01:12:36] Você quer ficar mais…

[01:12:37] Quer ficar mais confuso? O filho do Vespasiano

[01:12:40] que assume logo depois dele se chama

[01:12:42] Tito Flávio César

[01:12:44] Vespasiano.

[01:12:46] Ah, porra. O pessoal gosta também.

[01:12:48] Ele é puta que pariu.

[01:12:49] E daí o outro filho do Vespasiano se chama

[01:12:52] Tito Flávio Domiciano.

[01:12:55] Ah, cara.

[01:12:56] Não, não, não.

[01:12:57] Aí você entende a burocracia, de onde veio

[01:12:59] a burocracia italiana.

[01:13:00] É isso.

[01:13:01] Porque o nome das pessoas era associado.

[01:13:05] Mas por que a gente tá falando do Joséfo?

[01:13:08] O Joséfo escreveu um dos textos,

[01:13:10] um dos livros que o Joséfo escreveu

[01:13:12] que é Antiguidades Judaicas.

[01:13:15] E ele escreve

[01:13:16] A Guerra dos Judeus, Antiguidades Judaicas.

[01:13:19] E daí, nesse texto,

[01:13:20] ele fala sobre um grupo de pessoas

[01:13:23] que vivia no deserto

[01:13:26] e que tinha

[01:13:26] regras estranhas

[01:13:28] e que se chamavam de Essenos.

[01:13:30] Essenos.

[01:13:33] Aí, quando a galera

[01:13:34] nos anos 50 e tal, começou a achar

[01:13:36] esses textos sobre essas

[01:13:37] regras de comunidade,

[01:13:40] achou, né? A regra da comunidade,

[01:13:42] falou, caraca, achamos

[01:13:44] os Essenos que o Joséfo citou.

[01:13:47] Tá.

[01:13:48] Certo? Essa é a conexão.

[01:13:51] E daí todo mundo falou, uuuh, Essenos!

[01:13:53] E daí, a partir daí,

[01:13:55] existe uma

[01:13:56] das teorias

[01:13:57] que dizem que

[01:13:58] é…

[01:13:59] é…

[01:13:59] é…

[01:13:59] é…

[01:14:00] é…

[01:14:00] é…

[01:14:00] uma das hipóteses

[01:14:01] de por que os manuscritos estão lá,

[01:14:03] que é a teoria dos Essenos.

[01:14:06] Que…

[01:14:07] ela foi

[01:14:07] muito famosa por um tempo,

[01:14:09] mas a partir dos anos 90,

[01:14:11] ela passa a ser muito questionada

[01:14:13] porque o pessoal fala,

[01:14:15] não, peraí, a gente tá…

[01:14:16] Primeiro que o Joséfo é famoso por mentir.

[01:14:20] Depois…

[01:14:20] Ah, mas que ótimo,

[01:14:22] seu Joséfo!

[01:14:23] Ah, mas esses historiadores dessa época

[01:14:25] eram tudo assim também.

[01:14:27] Todo mundo confiando, o cara vai lá e solta uma mentirona.

[01:14:29] Mentirona? Sacanagem.

[01:14:31] Né?

[01:14:32] E assim, é…

[01:14:33] a outra…

[01:14:35] Então, a…

[01:14:36] a teoria dele, tem também o Plínio…

[01:14:38] Plínio, o velho,

[01:14:40] também fala de um grupo de Essenos

[01:14:42] morando no deserto.

[01:14:45] Então…

[01:14:46] O Plínio era mais confiável, me parece, não?

[01:14:48] É, então, assim, você tem duas fontes da antiguidade que falam,

[01:14:50] mas eu tenho um historiador

[01:14:52] que pesquisa especialmente isso

[01:14:54] e ele fala que essa hipótese não faz sentido

[01:14:57] porque o Plínio fala…

[01:14:59] É porque a descrição do Plínio

[01:15:00] fala de um lugar que não é

[01:15:02] o lugar das cavernas e tal.

[01:15:07] E daí ele fala também de outras características.

[01:15:10] E tem algumas coisas que não batem, assim,

[01:15:12] do tipo…

[01:15:13] Ah, eles falam que os Essenos

[01:15:15] eram os caras que…

[01:15:17] eram um grupo só de homens.

[01:15:19] Ah, e depois tem gente que fala, não, mas espera aí,

[01:15:21] no manuscrito aqui tem um manuscrito

[01:15:23] que fala que é um grupo só de homens.

[01:15:24] Mas aí tem um outro manuscrito, que é conhecido como

[01:15:26] o texto de Damasco,

[01:15:28] que fala…

[01:15:29] que fala de mulheres também.

[01:15:31] Então, espera aí, qual que é o certo?

[01:15:34] Então, enfim, é complexo.

[01:15:36] A outra teoria

[01:15:37] é a teoria

[01:15:38] da… a teoria sectária,

[01:15:42] que é meio que uma variação

[01:15:43] dos Essenos, mas se diz

[01:15:45] tipo, não, eles não eram

[01:15:47] Essenos, eles

[01:15:49] eram Saduceus.

[01:15:52] E daí

[01:15:52] essa é a teoria de um outro cara.

[01:15:55] Os priminhos, os primos dos Essenos?

[01:15:56] Isso. Os Saduceus eram um outro

[01:15:58] grupo de… de judeus.

[01:16:01] Isso é também importante.

[01:16:02] Quando a gente fala em judaísmo da Antiguidade,

[01:16:04] não é o judaísmo de hoje,

[01:16:06] e é judaísmos.

[01:16:09] Você tem muitas e muitas

[01:16:10] correntes e formas. Então, por isso também

[01:16:12] que muita gente questiona, que fala,

[01:16:14] cara, não dá pra gente

[01:16:16] chamar esse grupo aqui de sectário,

[01:16:19] porque a gente não tem evidência,

[01:16:20] como a gente não tem outros textos

[01:16:22] da mesma época de outros lugares, como que a gente

[01:16:24] pode dizer que essa galera aqui era diferente?

[01:16:26] É…

[01:16:28] Isso tá parecendo aquele sketch

[01:16:30] do… da vida de Brian, da

[01:16:32] Frente de Libertação para a Japéia.

[01:16:34] Exatamente isso. Por sinal,

[01:16:36] eu fui numa conferência, logo no

[01:16:38] comecinho do doutorado,

[01:16:40] que era Jesus and Brian.

[01:16:43] Nossa!

[01:16:43] Or what the Python have ever done for us.

[01:16:46] Fantástico! E daí…

[01:16:48] Cara, foi a coisa mais fantástica

[01:16:50] da vida, porque era uma conferência inteira

[01:16:52] dedicada a analisar.

[01:16:54] Eram pesquisadores,

[01:16:55] que a gente fala, pesquisadores

[01:16:57] de estudos bíblicos,

[01:16:59] que é tipo eu e outras pessoas.

[01:17:01] E…

[01:17:02] Pessoas de cinema, e a gente tava estudando

[01:17:05] se a vida de Brian fazia sentido

[01:17:08] historicamente, etc.

[01:17:10] Parte da conclusão é

[01:17:11] a vida de Brian é um dos melhores filmes já feitos

[01:17:13] sobre Jesus.

[01:17:17] E não fui eu que falei, foram vários pesquisadores

[01:17:19] que também trabalham com isso.

[01:17:21] Mas é isso, assim, você tem…

[01:17:23] Nesse momento na Judéia, você tem muitos grupos.

[01:17:26] Muitos grupos.

[01:17:27] Então se questiona um pouco

[01:17:28] de por que a gente tá chamando essa galera

[01:17:30] de sectários, se a gente não tem

[01:17:33] os textos… Tipo, não existe uma outra

[01:17:35] biblioteca desse período pra gente comparar

[01:17:37] e dizer, ah, esse é sectário,

[01:17:38] esse não é, sabe?

[01:17:40] Então é um pouco complicado você

[01:17:42] simplesmente dizer que eles eram sectários.

[01:17:45] Eu, por exemplo, quando eu cito,

[01:17:46] eu falo, eu costumo falar

[01:17:48] é…

[01:17:50] O grupo de pessoas

[01:17:52] possivelmente associado aos manuscritos.

[01:17:57] Ao grupo de pessoas que morava

[01:17:58] nas ruínas,

[01:18:00] possivelmente associada por um período

[01:18:02] aos manuscritos. É tipo isso.

[01:18:05] Ah, cite.

[01:18:06] Porque não tem como saber. A gente não tem como

[01:18:08] saber ainda, não tem nada que

[01:18:10] comprove ou desprove

[01:18:12] quem que são. Teve uma galera

[01:18:14] que propôs uma teoria cristã,

[01:18:17] mas assim, não.

[01:18:19] Não existe nenhum fragmento

[01:18:21] nos manuscritos de Curã,

[01:18:23] agora que a gente já estabeleceu que existem

[01:18:25] outros manuscritos de Marmô.

[01:18:27] Não tem nenhum fragmento cristão lá.

[01:18:29] Nenhum. Absolutamente nada do

[01:18:31] Novo Testamento, nada cristão.

[01:18:33] Então, não.

[01:18:35] Não.

[01:18:57] Novo Testamento, nada cristão.

[01:19:26] Novo Testamento, nada cristão.

[01:19:26] Novo Testamento, nada cristão.

[01:19:26] Novo Testamento, nada cristão.

[01:19:26] Novo Testamento, nada cristão.

[01:19:26] Novo Testamento, nada cristão.

[01:19:26] Novo Testamento, nada cristão.

[01:19:26] Novo Testamento, nada cristão.

[01:19:26] Novo Testamento, nada cristão.

[01:19:26] Novo Testamento, nada cristão.

[01:19:26] Você tem… Mas é isso.

[01:19:29] Esse é o caos.

[01:19:30] Dá para ter uma ideia um pouco do caos

[01:19:32] que são os manuscritos, porque

[01:19:34] muitas vezes, quando historiadores vão estudar um período,

[01:19:36] a gente vai pegar um texto e a gente vai falar

[01:19:38] tá, quando esse texto…

[01:19:40] Qual era o contexto sociopolítico

[01:19:42] cultural em que esse texto foi

[01:19:44] produzido? Para a gente conseguir

[01:19:46] entender muito sobre o texto. No caso

[01:19:48] dos manuscritos do Marmota, a gente não tem certeza

[01:19:50] sobre muito do contexto.

[01:19:52] Então, a gente estuda

[01:19:54] o texto em si e daí a gente

[01:19:56] tenta partir do que está escrito

[01:19:58] no texto. Pegar o contexto.

[01:20:00] Isso. Em comparação com outros

[01:20:02] textos.

[01:20:04] Claro que sim. Tem isso. Já existem

[01:20:06] outras pesquisas, outros textos, etc.

[01:20:08] Então, a gente consegue…

[01:20:10] Tem muita coisa para ser comparativa

[01:20:12] e para se trabalhar. Mas aí a gente

[01:20:14] chega também… Então, quem trabalha?

[01:20:16] Eu conheço menos

[01:20:18] da parte dos textos que são considerados

[01:20:20] canônicos, porque

[01:20:22] quem trabalha com eles, trabalha com várias

[01:20:24] outras questões.

[01:20:26] Porque são textos conhecidos. Então, por exemplo,

[01:20:28] se você tem um pedacinho de um pergaminho…

[01:20:30] Esse é fantástico, gente. Se tem um pedacinho

[01:20:32] de um pergaminho

[01:20:33] de Gênesis, você consegue

[01:20:36] estabelecer qual era o tamanho

[01:20:38] original daquele pergaminho. Por quê?

[01:20:40] A gente sabe qual o tamanho de Gênesis.

[01:20:42] A gente sabe quantos

[01:20:44] capítulos tem. A gente sabe isso.

[01:20:46] Então, eu tenho um colega, por exemplo, que

[01:20:48] quando você

[01:20:50] pega um pergaminho, mesmo que ele esteja

[01:20:52] muito fragmentário, você consegue

[01:20:54] posicionar fragmentos nele,

[01:20:56] a partir de padrões

[01:20:58] de dano no manuscrito. Por quê?

[01:21:01] Pensa que os manuscritos foram encontrados

[01:21:02] enroladinhos.

[01:21:04] Ainda que muito bagunçados, muito destruídos.

[01:21:07] Mas você vai

[01:21:08] saber que a parte que estava mais

[01:21:10] por fora é a parte que está mais

[01:21:12] destruída. E a parte mais de dentro,

[01:21:14] em geral, é a parte menos destruída.

[01:21:16] Isso. Se, por exemplo,

[01:21:18] ele… Alguma coisa bateu

[01:21:20] nele e cortou ele,

[01:21:22] você consegue ver que a cada

[01:21:24] X tempo, se

[01:21:26] repete o mesmo corte, certo?

[01:21:28] Sim. Sim. Só que esse corte

[01:21:30] vai ficando… O intervalo que esse corte

[01:21:32] vai aparecendo vai ficando menor conforme você vai

[01:21:34] chegando mais dentro do manuscrito.

[01:21:36] Então, você consegue posicionar

[01:21:38] a partir daí, você consegue

[01:21:39] saber o tamanho original do manuscrito,

[01:21:42] você consegue pensar

[01:21:44] a distribuição dos pedacinhos,

[01:21:46] vai facilitando aquela montagem

[01:21:48] de quebra-cabeça que a gente falou.

[01:21:49] É, porque

[01:21:52] é muito divertido. É uma área

[01:21:54] muito legal de trabalhar.

[01:21:56] Já os meus manuscritos,

[01:21:58] meus, né? Os meus bebês.

[01:22:00] No meu coração.

[01:22:03] Os meus que falam

[01:22:04] de demônios, eles

[01:22:06] não são textos que têm outras cópias.

[01:22:09] Tipo, eles são as únicas cópias

[01:22:10] que a gente tem desse texto

[01:22:11] até onde se sabe.

[01:22:14] Então, fodeu.

[01:22:16] Aí, fodeu. É, então, assim,

[01:22:18] eu tenho, por exemplo, sei lá,

[01:22:20] eu tenho um manuscrito que se chama…

[01:22:23] Ah, eu vou ensinar pra vocês

[01:22:24] como que a gente dá nome pros manuscritos.

[01:22:26] Porque é legal.

[01:22:28] Agora vocês vão saber. Então, normalmente,

[01:22:30] a primeira coisa no nome do…

[01:22:32] A gente dá nomes, na verdade, a gente dá siglas, né?

[01:22:35] A primeira coisa da sigla

[01:22:36] de um manuscrito é a caverna

[01:22:38] onde ele foi encontrado.

[01:22:40] Então, você vai ter, sei lá, um,

[01:22:42] dois, três, quatro, cinco, até onze.

[01:22:44] Beleza? São onze cavernas

[01:22:46] principais. Na doze, a gente não encontrou

[01:22:48] nenhum texto. Então, continuam sendo onze.

[01:22:50] Eu tô aqui com a página

[01:22:52] da Wikipedia

[01:22:53] daquele de cobre aberto, e ele é o…

[01:22:56] 3Q15. Isso.

[01:22:58] O manuscrito de cobre…

[01:22:59] O rolo de cobre se chama 3Q15.

[01:23:02] Então, ele foi encontrado na caverna 3.

[01:23:05] Q, porque

[01:23:06] é de Curã. Lembra que tem outros

[01:23:08] manuscritos do Mar Morto. Então, você tem,

[01:23:10] sei lá, Vá de Morrabá,

[01:23:12] Narra o Rever, enfim. Então,

[01:23:14] Q são os de Curã.

[01:23:16] E 15, porque ele foi o

[01:23:18] décimo quinto manuscrito daquela caverna

[01:23:20] a alguém dar um número pra ele.

[01:23:22] É isso.

[01:23:24] E é assim que a gente sabe. Então, por exemplo,

[01:23:26] quando eu comecei a estudar os manuscritos,

[01:23:28] eu fui estudar mesmo

[01:23:30] os manuscritos no doutorado, né?

[01:23:32] Quando eu comecei, eu achava

[01:23:33] profundamente confuso. Hoje em dia,

[01:23:36] eu já tenho uma ideia, porque, por exemplo,

[01:23:38] a caverna 4 é, teoricamente,

[01:23:40] a caverna onde se encontrou mais coisas.

[01:23:43] Teoricamente, porque

[01:23:44] lembrem do caos da descoberta.

[01:23:46] E daí, tipo, às vezes o pessoal falava,

[01:23:47] de onde veio esse manuscrito, quando você ia comprar o manuscrito?

[01:23:50] Aí o pessoal falava, ah, a caverna 4.

[01:23:52] Só que, tipo, beleza.

[01:23:54] Então, a gente tem que ficar,

[01:23:56] um pouco, assim, tem estudos, por exemplo,

[01:23:58] de perfil de cavernas, pra tentar entender

[01:24:00] se, sei lá, na caverna 1, eles

[01:24:02] guardavam mais textos de tal tipo, na caverna

[01:24:04] 2, de tal tipo. Só que aí

[01:24:06] a gente tem esse problema de que, talvez,

[01:24:08] a gente não saiba exatamente qual veio de qual, e daí

[01:24:10] isso é um pouco difícil.

[01:24:13] Mas,

[01:24:14] então, assim, os meus, eu trabalho,

[01:24:16] a maior parte dos meus manuscritos também

[01:24:18] é da caverna 4. Então, eu tenho, sei lá,

[01:24:20] eu trabalho com o 4Q511,

[01:24:23] que,

[01:24:24] então, ele é o, veio da

[01:24:26] caverna 4 de Curã, ele é o número

[01:24:28] 511 dentro dos manuscritos da caverna

[01:24:30] 4, pra você ver como a caverna 4 tem coisa.

[01:24:33] E o 4Q511

[01:24:34] é o maior dos manuscritos que eu

[01:24:36] trabalho. Ele tem cerca de 200

[01:24:38] fragmentos. Caralho.

[01:24:41] Então,

[01:24:42] ele é grande.

[01:24:46] Eu vou, se o pessoal entrar,

[01:24:48] eu sei que o pessoal tá ouvindo, mas quem quiser, entra

[01:24:50] lá na biblioteca digital, que eu

[01:24:52] falei, e escreve, tem lá,

[01:24:54] tem, explore o arquivo, né,

[01:24:56] explore the archive. Aí, você escreve lá na busca,

[01:24:58] 4Q511.

[01:25:00] E aperta procurar,

[01:25:02] e ele vai te mostrar o nome

[01:25:04] desse manuscrito. Daí, os manuscritos têm

[01:25:06] nomes. Só que eu não gosto muito

[01:25:08] de usar o nome, porque eu acho que o nome é mais confuso.

[01:25:10] Eu vou mandar aqui pra vocês o link.

[01:25:12] Eu tô vendo ele aqui agora.

[01:25:14] Tá vendo, meu bebê?

[01:25:16] Então, esse é

[01:25:18] o meu manuscrito mais completo.

[01:25:22] Tão vendo o tamanho dos pedacinhos dele?

[01:25:24] Tá de sacanagem.

[01:25:26] Não, não tô.

[01:25:27] É de chorar.

[01:25:30] Inclusive, tem vários fragmentos que a gente não

[01:25:32] sabe onde eles, teoricamente, estão.

[01:25:35] E daí, se vocês passarem um pouquinho…

[01:25:36] Como assim? Onde eles estão?

[01:25:37] Onde eles se encaixam no texto, isso?

[01:25:40] Ah, tá, tá, tá.

[01:25:42] Se vocês olharem ali

[01:25:43] pra baixo, né, tem primeiro essas

[01:25:46] fotos mais gerais, com os

[01:25:48] fragmentos, e daí depois tem uma foto,

[01:25:50] tipo, uma foto colorida e uma foto preta e branco.

[01:25:52] A foto preta e branco

[01:25:55] é feita com…

[01:25:55] É com infravermelho.

[01:25:58] E daí, por isso que você consegue ler.

[01:26:01] Porque…

[01:26:01] Não sei se vocês conseguiram ver que tem, tipo, menos…

[01:26:03] O mesmo pedaço incolorido

[01:26:06] e em preto e branco.

[01:26:07] E incolorido não dá pra ler nada, e em preto e branco

[01:26:10] dá pra ler? Assim, dá pra ler no sentido de

[01:26:12] dá pra ver o que tá nele?

[01:26:15] Então, isso é uma

[01:26:16] das coisas, a questão das

[01:26:18] pesquisas com…

[01:26:19] As fotos com raio-x e com infravermelho

[01:26:22] que foram feitas pra…

[01:26:24] Pra ter. Então, esse é um dos meus bebês.

[01:26:25] Esse é um dos que eu trabalho.

[01:26:28] E, como eu disse, a gente não sabe…

[01:26:30] Não tem uma outra cópia dele.

[01:26:33] É…

[01:26:33] Ele tem um nome que

[01:26:35] é os…

[01:26:37] Os hinos do…

[01:26:39] Mas que a tradução melhor seria…

[01:26:42] Os hinos do sábio ou

[01:26:43] do professor.

[01:26:45] É uma palavra um pouco difícil.

[01:26:48] Mas, porque esse…

[01:26:50] Como que a gente sabe que…

[01:26:51] Por que a gente chama assim? Porque em um dos trechos

[01:26:54] tem lá, assim, esse é

[01:26:55] o segundo hino do

[01:26:57] sábio. Ah, tá.

[01:26:59] Aí eu falo, bom, se é o segundo, possivelmente

[01:27:02] tem o primeiro, né? Então,

[01:27:03] possivelmente tem mais de um hino aqui.

[01:27:06] E, é…

[01:27:07] Ele fala que é o hino do sábio. Logo,

[01:27:10] esse é o nome do texto. Tá.

[01:27:11] E é assim que, às vezes, a gente dá nome.

[01:27:13] Só que eu não consigo, por exemplo, como eu falei,

[01:27:16] aquela coisa dos padrões de

[01:27:17] dano e etc, que eu acho fantástico.

[01:27:20] Eu não consigo muito usar isso nos

[01:27:21] meus textos, porque, como vocês podem ver,

[01:27:24] ele tá muito fragmentário e eu não tenho,

[01:27:25] uma base. Então, eu não consigo dizer…

[01:27:28] Eu não consigo pensar, necessariamente,

[01:27:29] qual era o tamanho original dele.

[01:27:32] Eu consigo dizer

[01:27:33] qual o tamanho mínimo que ele tinha

[01:27:35] que ter pra caber todos esses fragmentos.

[01:27:38] Mas não tem como dizer qual o tamanho

[01:27:39] original dele.

[01:27:41] Aí, quer ver? Vou sugerir. Vamos lá e coloquem

[01:27:43] outro numerozinho pra gente procurar.

[01:27:46] Fala aí. Oba!

[01:27:47] A gente vai no 4Q

[01:27:48] 444.

[01:27:51] Conhecido como 4Q

[01:27:54] 4Q

[01:27:54] 4Q

[01:27:54] 4Q

[01:27:55] 4Q

[01:27:55] 4Q

[01:27:55] 4Q

[01:27:55] 4Q

[01:27:56] 4Q

[01:27:56] 4Q

[01:27:56] 4Q

[01:27:57] 4Q

[01:27:57] 4Q

[01:27:57] 4Q

[01:27:57] 4Q

[01:27:57] 4Q

[01:27:57] 4Q

[01:27:57] 4Q

[01:27:57] 4Q

[01:27:57] Fórmula mágica? Incantation?

[01:28:00] Acho que é, né?

[01:28:02] Feitiço, sei lá.

[01:28:03] Feitiço, isso.

[01:28:06] Abriram ele?

[01:28:06] Sim.

[01:28:08] Tá vendo como a parte colorida dele não dá pra ler quase nada?

[01:28:12] Sim.

[01:28:13] Esse é um dos difíceis.

[01:28:15] E esse,

[01:28:17] se você olhar na foto,

[01:28:18] numa foto um pouquinho mais pra baixo,

[01:28:20] tem uma foto colorida e uma preta e branco,

[01:28:22] e dá pra ver ali em cima, dá pra ver linhas.

[01:28:25] Várias,

[01:28:25] vezes a gente consegue ver as linhas da costura.

[01:28:28] É muito legal.

[01:28:29] Ah, que maneiro isso!

[01:28:31] É fantástico!

[01:28:32] Porque, como eu falei, os pergaminhos tem que ser

[01:28:35] juntados, né? Você tem que juntar um com o outro.

[01:28:37] Aham.

[01:28:39] Um pontinho ali. Né?

[01:28:41] É muito legal. Ah, muito legal.

[01:28:43] Aí, esse daqui, inclusive,

[01:28:45] ele é muito, muito curioso, porque

[01:28:47] ele é costurado em cima e embaixo.

[01:28:50] Ele é o único manuscrito que tem costura

[01:28:51] em cima e embaixo. Normalmente, eles têm costura só na lateral.

[01:28:54] Hum.

[01:28:54] E esse daqui

[01:28:56] é feito com esses pedaços pequenos. A gente não

[01:28:58] sabe. Uma das teorias é que

[01:29:00] talvez

[01:29:01] tivesse algum uso ritual dessas costuras.

[01:29:05] Não sabemos.

[01:29:06] Não sabemos. Estamos, né?

[01:29:08] Agora, deixa eu mostrar outro pra vocês.

[01:29:10] Ah, que legal esse negócio

[01:29:12] de quando você seleciona

[01:29:15] um em específico,

[01:29:16] tem a reguinha aqui, né? Sim, pra você ver o tamanho dele.

[01:29:18] É muito maneiro.

[01:29:21] É, eu tô falando, ele é um

[01:29:22] site fantástico.

[01:29:23] Vamos lá, 11Q11.

[01:29:31] São os salmos apócrifos.

[01:29:33] Eu espero que você que está nos ouvindo

[01:29:35] esteja fazendo também.

[01:29:37] Senão vai ser a coisa mais chata do mundo.

[01:29:39] Não, foi mal, gente.

[01:29:41] Faça porque é muito maneiro.

[01:29:42] Olha, o negócio…

[01:29:43] O que que aconteceu aqui?

[01:29:44] É, parece o negócio do calçadão de Copacabana.

[01:29:47] O que que houve?

[01:29:48] Então, o que aconteceu? Ele tava enrolado, ele foi encontrado enrolado.

[01:29:51] Hum.

[01:29:53] Em cima e embaixo. Eu, inclusive, como eu trabalhei com ele,

[01:29:55] eu testei isso. Eu pego um papel, enrola

[01:29:57] e você rasga

[01:29:59] numa diagonal em cima e embaixo.

[01:30:01] A hora que você abre, ele faz esse desenho.

[01:30:03] Olha só.

[01:30:05] E daí, ele…

[01:30:07] Enfim, ele também tem muito texto.

[01:30:09] Ele é ótimo. Dá pra saber

[01:30:11] bastante coisa dele.

[01:30:13] Mesmo que cotadão assim.

[01:30:15] É bem cheio, assim.

[01:30:17] As partes que sobraram, né? Tem, de fato,

[01:30:19] muito texto ainda, né? Tem.

[01:30:21] Você consegue inferir alguma coisa.

[01:30:22] Mas, porra…

[01:30:23] Mas aí, deu pra ver que…

[01:30:25] Podia ter sobrado a linha do meio do zigue-zague?

[01:30:28] Podia ter sobrado a linha inteira, né?

[01:30:29] Podia, né? Não sobrou.

[01:30:31] Não, e daí, aqui dá pra ver, quando a gente fala também, às vezes,

[01:30:33] de fragmento, é que a gente não tá falando

[01:30:36] tipo, ah, sobrou uma linha inteira.

[01:30:38] Muitas vezes, sobrou meio parágrafo,

[01:30:40] tipo, meio só o começo do parágrafo

[01:30:42] de todas as linhas.

[01:30:44] E daí, você vai lá, né?

[01:30:46] Por exemplo, aqui. Sei lá, tem…

[01:30:48] Bem no comecinho desse, especificamente,

[01:30:49] você tem uma menção a demônio.

[01:30:52] Mas, tipo, não tem nenhum

[01:30:53] contexto. Só tem a palavra demônio

[01:30:55] que sobrou numa linha.

[01:30:57] Então, é muito difícil eu saber, poder te dizer

[01:30:59] plenamente, tipo, ah, mas que demônio?

[01:31:01] Não sei, gente. Tem demônio.

[01:31:04] Eles, obviamente, estão preocupados com esse assunto.

[01:31:06] Eles escreveram sobre esse assunto.

[01:31:08] Agora, enfim.

[01:31:10] E daí, é…

[01:31:11] Eu tô mostrando isso também um pouco pra trazer um pouco

[01:31:13] essa… Como que é o trabalho, né?

[01:31:15] Porque, o que eu fiz? Eu peguei esses textos,

[01:31:18] esses três que eu mostrei pra vocês, e outros.

[01:31:21] Aí, eu fui ler

[01:31:22] todos eles, traduzindo.

[01:31:23] E, porque eu tenho que fazer a minha própria tradução.

[01:31:25] Você não pode confiar só na tradução de outra pessoa.

[01:31:27] Não porque a outra pessoa não é confiável,

[01:31:30] mas porque toda tradução é uma interpretação.

[01:31:33] E, se você quer fazer

[01:31:34] um trabalho mais aprofundado,

[01:31:36] você precisa conhecer o que o texto

[01:31:38] tá te dizendo. Você precisa…

[01:31:39] Porque a estrutura do hebraico

[01:31:42] é diferente da estrutura do inglês

[01:31:44] e do português. Enfim, toda língua

[01:31:46] tem isso, né?

[01:31:47] E daí, pra você… Muitas vezes tem nuances que você

[01:31:50] só pega quando você faz a tradução

[01:31:52] você mesmo.

[01:31:53] Você que trabalha com tradução tem um pouco

[01:31:55] noção disso, né? Que tem coisas da tradução

[01:31:58] que é muito difícil passar. E você sempre

[01:32:00] vai fazer escolhas.

[01:32:01] Então,

[01:32:03] a gente faz o que a gente chama de uma

[01:32:05] working translation, né? Tipo, uma tradução de trabalho.

[01:32:08] Não é uma tradução… Tipo, a minha

[01:32:10] tradução não é uma tradução que eu necessariamente quero

[01:32:12] publicar. Porque eu não sou uma linguista.

[01:32:14] Eu não sou especialista em tradução.

[01:32:16] Mas ela é uma tradução que eu fiz

[01:32:18] pra que eu entenda. E daí tem as minhas

[01:32:20] anotações sobre ela.

[01:32:22] E daí eu pegava…

[01:32:23] E esse site é muito, muito fantástico por isso.

[01:32:26] Porque eu pegava um manuscrito desse

[01:32:27] e, como o Thiago falou, tem a

[01:32:29] reguinha do lado, né?

[01:32:31] Eu consigo ampliar… Sério,

[01:32:33] você consegue ampliar essa imagem?

[01:32:36] Muito, muito, muito, muito.

[01:32:38] E daí eu consigo… Sim, eu testei aqui

[01:32:39] e é obsceno. Obsceno, não é?

[01:32:42] E a qualidade

[01:32:43] que ela continua é muito incrível.

[01:32:46] E daí você… Eu ampliava

[01:32:48] loucamente pra olhar

[01:32:50] e falar, não, peraí, tal

[01:32:51] pessoa falou que isso daqui é um

[01:32:54] IOD. Eu não concordo que é um

[01:32:56] IOD. Eu acho que essa linha continua

[01:32:58] mais um pouco pelo que eu tô vendo aqui.

[01:33:01] E daí eu questiono, tipo,

[01:33:02] pô, tal pessoa colocou

[01:33:04] tal tradução aqui. Eu tô questionando essa

[01:33:05] tradução. Eu acho que essa tradução, na verdade,

[01:33:08] que fica melhor aqui é tal.

[01:33:10] Enfim, é isso aí que eu fiz na minha vida.

[01:33:14] E é muito

[01:33:15] legal. Esse especificamente, o 11Q11,

[01:33:19] quando eu

[01:33:20] estudei, quando eu tava trabalhando,

[01:33:21] trabalhando com ele, não tinha ainda essas imagens

[01:33:24] aqui. Então,

[01:33:26] não tinha essas imagens dele

[01:33:28] completos, só tinha os pedaços.

[01:33:31] Então, o que eu fiz

[01:33:32] foi eu imprimi ele, eu imprimi,

[01:33:34] tirei print screen e imprimi

[01:33:36] os pedacinhos e

[01:33:38] montei ele pra eu poder ver ele

[01:33:40] inteiro, porque eu não tinha nenhuma imagem dele

[01:33:41] completo que eu conseguisse ler.

[01:33:43] Aí eu fiz isso. Gente…

[01:33:45] Brincadeira, tipo, papel e tesoura.

[01:33:48] E esse projeto que

[01:33:49] tá aqui, que é esse site,

[01:33:51] ele é um site…

[01:33:53] Tem, inclusive, um vídeo nesse site, depois, se as pessoas

[01:33:55] quiserem olhar, tem lá no

[01:33:57] Aprenda Sobre os Manuscritos, tem um videozinho que eles

[01:33:59] mostram imagens, porque

[01:34:01] esse site é uma colaboração de Israel

[01:34:03] com a NASA.

[01:34:05] Uh, rapaz!

[01:34:07] E é muito legal essa parte

[01:34:09] técnica também dos manuscritos. Por quê?

[01:34:11] Eu já consigo ver alguém

[01:34:13] dentro do History Channel esfregando as mãos.

[01:34:16] Tipo, era tudo que a gente

[01:34:17] precisava pra dizer que é de ET.

[01:34:19] Isso, exatamente!

[01:34:21] O que que aconteceu com essa…

[01:34:25] Porque esse site,

[01:34:27] ele é um desses esforços. Lembra lá que a gente

[01:34:29] falou da questão toda das

[01:34:31] publicações e todas as tretas

[01:34:33] e etc?

[01:34:35] Então, esse projeto é um projeto

[01:34:37] que foi de, mais ou menos, de

[01:34:39] 93 a 2012.

[01:34:42] Que é um

[01:34:43] projeto que foi pegar todos

[01:34:45] os manuscritos

[01:34:46] com tecnologia da NASA.

[01:34:49] Que tem

[01:34:51] tecnologia de imagem, né?

[01:34:53] Porque a NASA tem tecnologia de imagem

[01:34:55] muito, muito cabulosa.

[01:34:57] E eles criaram um laboratório

[01:35:00] de fotos pra tirar

[01:35:01] fotos infravermelha.

[01:35:03] E, na verdade, não só infravermelha,

[01:35:05] imagens multispectral,

[01:35:08] né? Com vários espectros

[01:35:09] e ondas de luz

[01:35:11] diferentes. Justamente

[01:35:13] porque, às vezes,

[01:35:14] eles usam essas técnicas

[01:35:17] de imagens de

[01:35:19] múltiplos espectros,

[01:35:21] quando eles estão fazendo

[01:35:23] estudando planetas remotamente,

[01:35:27] certo? E daí se usou

[01:35:29] essa mesma tecnologia pra

[01:35:31] fotografar os manuscritos.

[01:35:32] E muitas vezes você consegue, daí, fazer

[01:35:35] textos que estavam legíveis.

[01:35:38] Que legal!

[01:35:40] É muito massa.

[01:35:41] Sem ter que passar suco de limão, né?

[01:35:44] Isso!

[01:35:46] E, assim, como eu disse,

[01:35:47] tem textos desses que

[01:35:48] não, cara, não…

[01:35:51] Eles são muito, muito frágeis

[01:35:53] e muito preciosos, então…

[01:35:55] Não dá pra ficar manipulando, né? Vira pra lá,

[01:35:57] vira pra cá, vira do avesso.

[01:36:00] E, assim,

[01:36:01] em 2012 foi terminado e daí

[01:36:03] lançaram esse site, que é esse site que a gente tem

[01:36:05] acesso, que é um site muito legal.

[01:36:07] E nesse site,

[01:36:09] você consegue ver, mas

[01:36:11] esse site ainda tá sendo finalizado.

[01:36:13] 2012, estamos em 2022,

[01:36:15] tem 10 anos que as pessoas têm gente trabalhando

[01:36:17] nesse site. Por quê?

[01:36:20] Tiraram as fotos,

[01:36:21] e daí, se a pessoa entrar aqui e for lá,

[01:36:23] né, explorar o arquivo,

[01:36:25] e for olhar os textos,

[01:36:27] qualquer um desses que a gente falou e etc.,

[01:36:30] você vai ver que cada uma das fotos

[01:36:33] tem um número.

[01:36:35] Sim.

[01:36:36] Então, assim, tem a…

[01:36:39] Tipo, a foto 403,

[01:36:42] tal, tal, tal, tal.

[01:36:43] Só que tem um time agora

[01:36:45] que tá tentando colocar

[01:36:46] os números dessas fotos

[01:36:48] em conjunto com os números

[01:36:50] das fotos que foram tirados

[01:36:53] nos anos 50.

[01:36:55] Porque não necessariamente

[01:36:57] esses números são os mesmos.

[01:37:00] Por quê?

[01:37:01] Porque, senão, como a gente acha?

[01:37:03] Eu, por exemplo… Nossa, já passei muito tempo aqui.

[01:37:05] Tipo, tem um pedaço de um texto

[01:37:07] que eu tô em dúvida no fragmento

[01:37:09] que tá numerado

[01:37:11] como fragmento,

[01:37:13] sei lá, 300

[01:37:14] do 4Q511.

[01:37:17] Só que aqui, ele não tá

[01:37:19] com o número 300 igual o do

[01:37:20] livro. Ele tem outro número.

[01:37:23] Aí, eu tinha que ficar…

[01:37:24] É basicamente um depar, então.

[01:37:26] Isso. Aí, eu tenho que ficar, tipo…

[01:37:29] Imagina, várias horas aqui

[01:37:30] com a foto do livro.

[01:37:33] Aí, eu olhava o formato do fragmento

[01:37:35] e ficava procurando aqui

[01:37:36] nessas fotinhos qual que é o fragmento

[01:37:39] do formato pra bater, pra achar.

[01:37:41] Cruzes. Pra olhar.

[01:37:43] É, tipo, muito… É, cruzes.

[01:37:45] Exatamente.

[01:37:45] Exatamente.

[01:37:48] Então,

[01:37:49] tem todo esse processo.

[01:37:50] Tem todo esse processo que tá sendo feito

[01:37:51] de nomear

[01:37:53] e arrumar direitinho os fragmentos

[01:37:56] de acordo com o que

[01:37:58] era… com o que foi feito

[01:37:59] e tals.

[01:38:01] Com o que foi feito nos anos 60. Então, esse ainda é um trabalho

[01:38:04] que ainda está sendo feito nesse site.

[01:38:06] Mas é muito legal.

[01:38:08] Todo o processo pra se criar esse site é muito

[01:38:09] legal e é muito acessível. Eu não teria

[01:38:11] feito meu doutorado se eu não tivesse acesso

[01:38:13] a isso daqui. Ou talvez tivesse feito. Mas, assim,

[01:38:16] eu nunca vi pessoalmente os manuscritos.

[01:38:18] Entendi.

[01:38:18] Eu nunca fui pra Israel.

[01:38:20] E vi pessoalmente. Pretendo.

[01:38:22] Pretendo. Mas,

[01:38:24] com isso eu consigo… Muitas vezes

[01:38:26] o que eu consigo ver aqui é

[01:38:28] melhor até do que se eu for ver

[01:38:30] a olho nu. Porque tem essa ampliação

[01:38:32] maluca que eles têm.

[01:38:34] Com a qualidade de imagem incrível.

[01:38:39] No site não tem todas as

[01:38:40] imagens, mas você consegue pedir pra eles.

[01:38:43] E daí, enfim, tem taxas e tal.

[01:38:44] Eu nunca precisei disso. Mas eles fizeram

[01:38:46] imagens laterais também. Então, você consegue

[01:38:48] ver o relevo do manuscrito.

[01:38:50] Você consegue ver com diferentes

[01:38:52] luzes. Você consegue ver

[01:38:55] enfim, muitas coisas.

[01:38:57] Muitas… Enfim,

[01:38:58] coisas que a gente usa pra pesquisa mesmo, né?

[01:39:01] Entendi. Porque,

[01:39:02] embora o mais famoso seja

[01:39:04] datar com carbono

[01:39:06] as coisas, a gente raramente…

[01:39:08] A gente não data quase nada com carbono

[01:39:10] nos manuscritos. Porque…

[01:39:14] Primeiro porque…

[01:39:15] Eu não sei. Você sabe como que data

[01:39:16] coisas com carbono?

[01:39:18] É que tem que destruir um pedaço, né?

[01:39:20] Isso. Exatamente. Você não pode sacrificar

[01:39:22] o negócio. É tão pequenininho.

[01:39:24] Se tiver que sacrificar um pedacinho, você já…

[01:39:27] Né?

[01:39:28] Corre o risco de… Já foi feito.

[01:39:30] E o tamanho do pedaço deve ser

[01:39:32] considerável, não?

[01:39:34] Hoje em dia, é cada vez menor.

[01:39:36] Porque tecnologia.

[01:39:38] Mas, ainda assim,

[01:39:40] um pedaço considerável.

[01:39:43] E a gente…

[01:39:44] Assim, a maior parte das…

[01:39:47] dos pesquisadores

[01:39:48] acaba sendo um pouco contra a ideia de…

[01:39:50] de ficar destruindo

[01:39:53] os manuscritos pra isso.

[01:39:56] Eles têm…

[01:39:57] Foram feitas duas séries maiores

[01:39:58] de datação por carbono, mas é uma coisa

[01:40:01] assim… Fora isso, a datação de carbono

[01:40:02] ela é um pouco… Ela te dá uma…

[01:40:05] Um espaço de tempo muito grande, né?

[01:40:07] Ela não é…

[01:40:09] Ela não te dá um

[01:40:10] espaço tão preciso.

[01:40:12] Tipo, ela te diz assim, ah…

[01:40:15] Tá datado

[01:40:16] do ano

[01:40:18] 1933

[01:40:19] da Era Comum

[01:40:21] ou 200 anos

[01:40:24] antes disso. Aí você fala, cara,

[01:40:26] uma datação de 200 anos não tá me ajudando.

[01:40:33] Aí o que a gente faz, então,

[01:40:34] é datar paleograficamente.

[01:40:37] Que é?

[01:40:38] A gente analisa

[01:40:39] a forma da letra

[01:40:41] e a gente

[01:40:44] costuma usar muito isso como forma

[01:40:46] de datação, porque

[01:40:47] a gente…

[01:40:49] A gente não percebe isso no nosso dia a dia,

[01:40:51] mas a forma que a gente escreve tem

[01:40:53] muito relacionado a um período, porque

[01:40:55] as pessoas aprendem a escrever no mesmo…

[01:40:57] No mesmo formato, mais ou menos.

[01:40:59] Então a gente consegue dizer

[01:41:00] por paleografia, tipo, ah,

[01:41:03] essa escrita é uma escrita erodiana

[01:41:04] que foi comum nessa

[01:41:07] região do período tal ao período tal,

[01:41:09] então esse manuscrito deve ser mais ou menos

[01:41:11] desse período. Só que aquela

[01:41:13] coisa, existem…

[01:41:14] É… Existem

[01:41:16] muita gente que forja manuscritos.

[01:41:19] Ah, ainda tem essa, sim.

[01:41:22] Tem. E daí,

[01:41:23] então, nunca…

[01:41:25] O que a gente usa, o que a gente fala, é que a gente usa

[01:41:27] crítica interna e crítica externa.

[01:41:30] A crítica externa

[01:41:31] é o formato da letra,

[01:41:33] o tipo do pergaminho,

[01:41:35] o tipo da tinta,

[01:41:37] tudo isso, e a gente faz…

[01:41:40] Isso

[01:41:40] nos dá uma base de datação.

[01:41:43] A crítica interna é o texto em si.

[01:41:45] Então você vai ler o texto

[01:41:46] e daí, dependendo do tipo de

[01:41:49] coisa que o texto cita,

[01:41:50] da forma da escrita, da métrica

[01:41:53] e etc., você consegue datar.

[01:41:55] E daí você combina essas informações

[01:41:57] para propor uma data

[01:41:58] do manuscrito.

[01:42:01] Ou seja, muito trabalho também.

[01:42:04] Em geral,

[01:42:05] por exemplo, os manuscritos que eu trabalho,

[01:42:07] eu normalmente falo, olha,

[01:42:09] esse manuscrito foi datado por tal pessoa

[01:42:11] no período tal, e eu não vejo

[01:42:13] nenhuma evidência, mas eu não me

[01:42:15] aprofundo tanto nessa parte de datação

[01:42:17] em geral.

[01:42:19] Mas é uma das coisas que você pode pesquisar.

[01:42:23] Mas assim, você trabalha

[01:42:25] com essa parte de demônios.

[01:42:28] Tendo em vista

[01:42:29] a totalidade

[01:42:31] dos manuscritos

[01:42:33] e tal, ou então

[01:42:35] aqui focando para os de Curã e tal,

[01:42:38] qual a

[01:42:39] porcentagem deles que

[01:42:41] cita demônios?

[01:42:43] É vasto?

[01:42:44] Não.

[01:42:45] São coisas muito específicas

[01:42:47] para determinadas funções

[01:42:50] ou rituais.

[01:42:52] É que a gente tem duas questões, né?

[01:42:56] Os que eu trabalhei especificamente

[01:42:58] não são todos os textos

[01:43:00] que citam ou falam de qualquer tipo

[01:43:02] de força maligna.

[01:43:03] Eu trabalhei com textos que

[01:43:05] poderiam ser classificados

[01:43:08] como textos mágicos, textos que poderiam

[01:43:10] ser utilizados em rituais ou etc.

[01:43:13] Ritual

[01:43:14] ou oração, enfim.

[01:43:16] Então, esses textos,

[01:43:17] os que eu trabalho, não são

[01:43:19] muitos, assim. São seis

[01:43:21] ou sete textos, eu acho, que eu trabalhei.

[01:43:24] O que, né, assim,

[01:43:26] não é um número tão grande dentro de

[01:43:27] 900 textos.

[01:43:29] Mas que já deve dar seus 400

[01:43:31] fragmentos tranquilos.

[01:43:33] É, inferno, inferno.

[01:43:36] Inclusive, um dos textos que eu trabalhei,

[01:43:38] a gente está falando muito de pergaminho,

[01:43:39] mas tem alguns dos manuscritos que foram

[01:43:41] feitos em papiro.

[01:43:44] Um dos meus textos

[01:43:45] era em papiro.

[01:43:46] E aí, como é que mudou seu modo de trabalhar, então?

[01:43:50] Então, o papiro,

[01:43:51] ele é um pouco

[01:43:53] diferente, né, pra montar e tal.

[01:43:55] Você consegue ver…

[01:43:56] É legal ver o papiro, porque você consegue ver

[01:43:59] as fibras do papiro. Ah, vocês quiserem…

[01:44:00] Quem quiser olhar,

[01:44:03] é o… Acho que é o 6Q18.

[01:44:05] Acho que é isso.

[01:44:07] Deixa eu ver se é ele mesmo.

[01:44:08] É, esse mesmo. 6Q18.

[01:44:11] Se vocês colocarem aí no site,

[01:44:12] vocês conseguem ver.

[01:44:15] É…

[01:44:15] Aí, dando aquele zoom maneiro.

[01:44:18] Os pedaços.

[01:44:21] Isso, você vê o zoom maneiro

[01:44:22] e daí você consegue ver as fibras.

[01:44:25] Dá pra ver, mais ou menos, as fibras

[01:44:26] do papiro, tá vendo?

[01:44:29] Dá pra ver

[01:44:30] umas listrinhas, assim.

[01:44:32] Sim, sim. Ah, que legal!

[01:44:33] Isso, essas são as fibras do papiro.

[01:44:36] Tá vendo? A textura é completamente

[01:44:38] diferente. Que já deve ajudar horrores

[01:44:39] na hora de colocar em ordem e tal, né?

[01:44:43] Mais ou menos,

[01:44:44] porque… É, não,

[01:44:45] não ajuda muito, não.

[01:44:47] Esse manuscrito é um inferno, porque…

[01:44:49] Esse não dá pra saber qual a ordem de nada, assim.

[01:44:51] Você tem que pensar cada pedaço

[01:44:53] quase separado, assim, porque… Enfim.

[01:44:56] Mas ele

[01:44:57] muda, por exemplo, tipo,

[01:44:59] algumas questões. Papiro…

[01:45:01] A minoria dos textos é em papiro

[01:45:03] porque papiro, nesse período,

[01:45:05] ele é…

[01:45:07] Ele era só produzido no Egito.

[01:45:10] E ele era controlado

[01:45:11] pelo governo egípcio. É, não era o governo

[01:45:13] egípcio, né? Enfim. Mas o que eu…

[01:45:15] Hoje a gente chama de Egito. Mas…

[01:45:18] Ele era controlado. Ele não era uma coisa,

[01:45:19] tipo, ele era uma coisa estatal.

[01:45:22] Você não podia só comprar de qualquer

[01:45:23] pessoa. Tinha todo um controle.

[01:45:25] Então, se a gente tá falando

[01:45:27] de Curã, que é

[01:45:29] pra lá, né? Que já perto

[01:45:31] de onde hoje é a Jordânia, ali na questão

[01:45:33] do Mar Morto, é longe.

[01:45:36] Então, imagina a grana

[01:45:37] que era. Com certeza, o papiro era mais caro.

[01:45:40] Fora que, quando a gente

[01:45:41] pensa num nacionalismo que tinha

[01:45:43] um nacionalismo crescente nesse período,

[01:45:45] justamente que vai, inclusive,

[01:45:48] levar a duas revoltas,

[01:45:49] com o nacionalismo crescente,

[01:45:52] as pessoas não querem usar

[01:45:53] um material estrangeiro pra escrever

[01:45:55] um texto sagrado.

[01:45:58] Porque o texto é sagrado, né?

[01:46:00] O texto religioso é um texto sagrado.

[01:46:02] Então, o papiro

[01:46:04] tem essas outras questões pra se pensar.

[01:46:06] E daí, a questão

[01:46:07] dos demônios, né? Você tem…

[01:46:10] O que dá pra dizer é que

[01:46:11] com certeza, no período do Segundo Templo,

[01:46:13] tinham pessoas muito preocupadas.

[01:46:15] Preocupadas com seres malignos.

[01:46:17] Porque isso aparece não só nos textos que eu trabalho,

[01:46:19] mas em outros também.

[01:46:21] E daí, enfim, a gente sabe

[01:46:23] que as pessoas se preocupavam com

[01:46:25] seres malignos. Eu falo

[01:46:27] seres malignos e não demônios, porque

[01:46:29] demônio é um termo grego um pouco posterior.

[01:46:32] Então, nesse período, eles não usariam

[01:46:34] necessariamente esse termo.

[01:46:35] Seres malignos, tipo, dá pra gente incorporar

[01:46:37] mais tipos de coisas.

[01:46:40] E, então, as pessoas,

[01:46:41] obviamente, se preocupavam com o mal e como

[01:46:43] o mal podia afetar a vida delas.

[01:46:46] E elas faziam coisas pra se proteger.

[01:46:48] Agora,

[01:46:49] quão espalhado

[01:46:52] isso é? E a gente tem que tomar muito cuidado

[01:46:54] também quando a gente pensa assim, ah…

[01:46:57] São, sei lá,

[01:46:57] só tem uma… Só seis

[01:46:59] manuscritos. Logo, não era tão importante.

[01:47:02] Cara, a gente não sabe se a gente

[01:47:03] tem todas as copias.

[01:47:06] É. Então, é

[01:47:07] muito… É sempre muito cuidado na hora de

[01:47:09] pensar isso, assim, de tipo, ó, tá, seis que a gente

[01:47:11] sabe.

[01:47:13] A gente sabe que, muitas vezes,

[01:47:15] quando tem… Tem vários

[01:47:17] textos, tem muitas cópias. Sei lá, Enoque

[01:47:19] tem um monte de cópias. Jubileus tem um monte

[01:47:21] de cópias. Então,

[01:47:23] é possível que esses textos fossem

[01:47:25] mais importantes, porque eles têm muitas cópias.

[01:47:28] Mas é possível também que

[01:47:29] tinha uma caverna inteira cheia de outros que

[01:47:31] se perdeu por N motivos e não chegou

[01:47:33] até a gente. Então, é sempre…

[01:47:36] É perigoso. É um argumento

[01:47:37] perigoso de se fazer.

[01:47:39] Ô, Topá, mas assim, quando você fala assim,

[01:47:41] ah, eu trabalho com esse não sei o quê.

[01:47:44] O teu… O que que… No que que

[01:47:46] consiste esse teu trabalho?

[01:47:48] Tipo, é juntar os fragmentos?

[01:47:50] Ou é traduzir?

[01:47:52] Ou é colocar no contexto histórico?

[01:47:54] Ou é procurar o demônio? Ou é tudo isso junto?

[01:47:57] É dividido

[01:47:58] esse trabalho? Cada tem pessoas

[01:48:00] especializadas em uma determinada coisa?

[01:48:02] Como é que é o negócio?

[01:48:04] Então, na…

[01:48:05] Isso é uma coisa, inclusive, eu comento muito com…

[01:48:07] No doutorado, eu fiz amiguinhos de exatas,

[01:48:10] né, e de outras áreas.

[01:48:11] Aí eu comento com eles, é tão

[01:48:13] diferente, gente.

[01:48:14] O mundo de vocês.

[01:48:16] Porque… É um trabalho muito

[01:48:18] solitário, em boa parte do tempo.

[01:48:21] É…

[01:48:22] Porque, diferente, sei lá, de um laboratório,

[01:48:24] que tem uma pessoa que fez esse pedaço, uma pessoa

[01:48:25] que fez aquele, outra pessoa que fez aquele, e a gente fez

[01:48:28] um resultado meio conjunto.

[01:48:30] Aqui, tipo, sou eu que sento e leio.

[01:48:32] Claro que todo conhecimento

[01:48:34] é um conhecimento conjunto. Não existe

[01:48:36] conhecimento não conjunto no mundo, né?

[01:48:38] Porque eu tô…

[01:48:39] Eu me apoio na pesquisa de muita gente

[01:48:42] que veio antes. O que eu estou…

[01:48:44] Tudo, mas, mais especificamente,

[01:48:46] é… Há dois mil anos

[01:48:48] atrás, os judeus se preocupavam

[01:48:50] com demônios?

[01:48:51] Se eles se preocupavam, o que que eles faziam

[01:48:54] pra se proteger?

[01:48:55] Essas coisas que eles faziam pra se proteger,

[01:48:57] alterava o dia-a-dia deles?

[01:48:59] Tipo, tinha alguma parada que eles tinham que fazer toda hora?

[01:49:03] Essas são meio que as perguntas

[01:49:04] norteadoras que eu uso.

[01:49:07] Aí, eu uso

[01:49:08] os manuscritos como fonte.

[01:49:10] Então, eu vou nos manuscritos, leio,

[01:49:12] e daí acaba tendo um pouco

[01:49:14] de tudo, porque eu vou ter que traduzir, eu vou ter

[01:49:16] que, né, ver as

[01:49:18] letrinhas e vou ter que tentar fazer algum

[01:49:20] sentido dessas coisas.

[01:49:22] Aí eu faço uma tradução. Depois que eu faço

[01:49:24] uma tradução, então eu gastei, sei lá,

[01:49:26] dois anos e tanto do doutorado só fazendo a tradução.

[01:49:28] Só entendendo,

[01:49:30] enfim. Aí que

[01:49:32] eu vou pra parte que seria a parte

[01:49:34] mais suculenta da pesquisa,

[01:49:36] pra mim, claro que muita gente vai gostar mais de outras,

[01:49:39] que é ler o texto,

[01:49:40] comparar com outros textos do

[01:49:42] mesmo período e tentar entender

[01:49:44] o que que esse texto nos conta sobre

[01:49:46] a vida daquelas pessoas.

[01:49:48] É isso. Aí,

[01:49:50] nesse momento

[01:49:52] agora, eu tô

[01:49:54] estudando principalmente, mais

[01:49:56] de uma coisa, mas assim,

[01:49:58] no doutorado eu foquei mais, então,

[01:50:00] em tentar entender o panorama geral.

[01:50:02] O que que esses textos que tem alguma

[01:50:04] alguma utilização prática,

[01:50:06] prática no sentido de, tipo,

[01:50:08] é uma oração, é uma música, enfim,

[01:50:10] o que que eles nos mostram sobre

[01:50:12] esse medo de demônios.

[01:50:14] Agora, eu tô mais, porque

[01:50:16] em vários desses textos, tem uma preocupação

[01:50:18] temporal. Do tipo,

[01:50:20] ah, a gente tá vivendo num período

[01:50:22] em que Deus permite

[01:50:24] que tenham coisas ruins no mundo.

[01:50:26] Mas esse período vai acabar.

[01:50:29] E, então,

[01:50:30] você tem, o mal,

[01:50:32] ele tá associado a um período específico

[01:50:34] da história. Em outros textos,

[01:50:36] a gente tem coisas do tipo, ah,

[01:50:38] os demônios,

[01:50:40] tem o demônio que é pior,

[01:50:42] ou que é o demônio que te ataca a meio-dia.

[01:50:44] Tem amigo que morre de medo do demônio do meio-dia.

[01:50:46] Eu não sei se eu entendi.

[01:50:48] É como se eles

[01:50:50] tivessem uma…

[01:50:53] É como se fosse

[01:50:54] esperado que algo acontecesse

[01:50:56] de ruim, porque é o período.

[01:50:59] Isso.

[01:51:00] Mas, assim, quando a gente tá falando

[01:51:02] desse período, a gente tá falando em um

[01:51:04] período histórico, ou

[01:51:06] tipo, um período do dia?

[01:51:08] Então, é isso que eu tô estudando.

[01:51:10] Mas, aparentemente, os dois.

[01:51:12] Ah, meu Deus. Não, se é o do

[01:51:14] meio-dia, é muito específico.

[01:51:16] Esse é atrasado de gestão. Não gostei

[01:51:18] desse demônio. Só existe o demônio

[01:51:20] do meio-dia porque a gente

[01:51:22] tá vivendo no período histórico que permite

[01:51:24] a existência de demônios.

[01:51:26] Que, sei lá, me remete àquele

[01:51:27] We Live in a Society, né?

[01:51:30] Que virou um meme do Coringa.

[01:51:32] Que, tipo, cara,

[01:51:34] que doideira.

[01:51:36] É, faz parte do pensamento desse

[01:51:38] período, né? De dois mil anos atrás,

[01:51:39] as pessoas entendiam um pouco isso, assim.

[01:51:42] Porque a resposta

[01:51:43] demônio, ou ser maligno em geral,

[01:51:47] pensa assim,

[01:51:47] há alguns textos,

[01:51:50] eu vou focar só nos textos mais bíblicos

[01:51:52] do judaísmo, né?

[01:51:53] Porque são os textos que eu conheço mais, em outras

[01:51:55] culturas, diferente. Alguns

[01:51:58] textos do judaísmo, eles vão falar muito da

[01:52:00] questão de, tipo, se você é uma

[01:52:02] pessoa boazinha, coisas boas acontecem

[01:52:04] com você. Se você é uma pessoa

[01:52:06] ruim, coisas ruins acontecem com você.

[01:52:09] E essa é a,

[01:52:10] tipo, teoria mais…

[01:52:12] mais clássica, digamos assim.

[01:52:13] E se você é uma pessoa boa e

[01:52:16] acontecem coisas ruins, é por causa do

[01:52:18] período. Não necessariamente.

[01:52:20] É normal, Cebolinha.

[01:52:22] Isso é normal.

[01:52:25] O que rola

[01:52:26] é que seres humanos vivendo

[01:52:28] percebem que coisas ruins acontecem

[01:52:30] com pessoas legais, né?

[01:52:31] E coisas boas com pessoas ruins.

[01:52:34] E daí você fica, tipo, tá, então, essa teoria não

[01:52:36] está sendo o suficiente. Então, os

[01:52:38] filósofos e outras pessoas

[01:52:40] foram pensar sobre o assunto,

[01:52:42] e tal. E demônios é uma das possíveis

[01:52:44] explicações. Demônios

[01:52:46] é, tipo, olha,

[01:52:47] sei lá, os seres humanos

[01:52:50] foram…

[01:52:51] não estão sendo legais, os seres humanos não estão

[01:52:54] respeitando as leis de Deus.

[01:52:56] Por isso, Deus permitiu

[01:52:58] que a gente viva numa era

[01:53:00] de…

[01:53:02] de terror, ou uma era

[01:53:04] ruim, ou uma era terrível, onde

[01:53:06] você pode ser atacado

[01:53:08] por demônios.

[01:53:10] Caso você não siga…

[01:53:12] siga as leis de Deus. Se você seguir as leis de Deus,

[01:53:14] teoricamente, você não é atacado por demônios.

[01:53:16] Então, um daqueles textos que eu falei

[01:53:18] que são os textos de regras da comunidade,

[01:53:20] né? Tem um conjunto de textos

[01:53:22] de regras. Um deles fala,

[01:53:24] por exemplo, sobre as redes

[01:53:25] de Belial, que seria

[01:53:28] um dos chefes, talvez,

[01:53:30] do mal.

[01:53:32] E daí ele fala, assim, olha,

[01:53:34] existem três redes…

[01:53:35] Quem jogou o vampiro à máscara já esbarrou com Belial em algum momento.

[01:53:38] Eu conheci um Belial no Mirc, nos tempos de Mirc.

[01:53:41] E eu não sabia.

[01:53:42] Eu não sabia o que era Belial, porque eu nunca cheguei nem perto de uma Bíblia,

[01:53:44] então eu não sabia. Fiquei um monte de tempo sem saber.

[01:53:46] Só fui saber o que era

[01:53:47] meses depois, mas tudo bem.

[01:53:50] Demônio! É um demônio.

[01:53:51] É um demônio.

[01:53:52] Então, esse texto fala

[01:53:55] que existem as três redes de Belial.

[01:53:58] E as redes de Belial,

[01:54:00] elas são terríveis, porque

[01:54:01] quando você cai em uma,

[01:54:04] ainda que você escape dela, você provavelmente

[01:54:06] vai cair em outra logo em seguida.

[01:54:08] Porque as redes de Belial,

[01:54:10] eu não lembro as três redes de Belial,

[01:54:12] certinho agora, mas é tipo

[01:54:13] fornicação. Aí você

[01:54:16] tá tipo, tá transando

[01:54:18] com quem não devia.

[01:54:20] E isso é um dos pecados. E daí, quando

[01:54:22] você tá cometendo esse pecado,

[01:54:24] você caiu na rede de Belial.

[01:54:25] Aí você tá suscetível ao ataque de outros

[01:54:28] seres malignos. E o que esse

[01:54:30] ataque gera? Normalmente

[01:54:31] doença. Então, assim, sei lá,

[01:54:33] você tá com gripe, você tá com coisa, é porque você não foi

[01:54:36] temente a Deus o suficiente.

[01:54:37] E isso permitiu

[01:54:39] que você, sei lá, ficasse com uma

[01:54:41] imunidade.

[01:54:42] De baixa a demônios.

[01:54:43] E daí os demônios te atacaram.

[01:54:46] Que coisa!

[01:54:48] Sendo

[01:54:49] uma das redes de Belial

[01:54:51] a…

[01:54:53] Como é que você falou? A luxúria? A fornicação.

[01:54:55] A fornicação. Imagino que

[01:54:57] uma das coisas fossem as próprias doenças

[01:54:59] venérias, né? Possivelmente.

[01:55:02] Possivelmente.

[01:55:04] É o tipo de coisa que, assim, a gente

[01:55:05] é…

[01:55:07] Esse raciocínio que você acabou de fazer,

[01:55:09] é o tipo de raciocínio que a gente…

[01:55:11] Tipo, você vai, por exemplo, pensar, pô, será que

[01:55:13] uma das redes de Belial podia ser

[01:55:15] considerada… Doenças venérias podiam ser

[01:55:17] consideradas, associadas a isso?

[01:55:19] Aí você vai ter que ir no texto, reler o texto

[01:55:21] e procurar outros textos da época

[01:55:23] pra ver se tem alguma… Associação.

[01:55:25] Alguma outra indicação, alguma outra associação

[01:55:27] que, né, colabore…

[01:55:29] Corrobore a sua teoria.

[01:55:32] Ninguém fez essa

[01:55:33] até agora, até onde eu sei. Então tá aí, fica aí

[01:55:35] o tema de pesquisa aberto.

[01:55:38] Mas é muito…

[01:55:39] É fascinante como os seres

[01:55:41] malignos são associados com doença

[01:55:43] nesse período, o que não quer

[01:55:45] dizer que as pessoas achavam que as

[01:55:47] doenças eram só

[01:55:48] demoníacas, ou que elas só rezavam

[01:55:51] pra doença curar.

[01:55:53] É porque a nossa sociedade

[01:55:55] divide muito o…

[01:55:58] A parte de cura

[01:55:59] espiritual e física, né?

[01:56:02] E eu não tô dizendo que é certo ou errado,

[01:56:03] enfim, tô só falando que é assim que a gente faz.

[01:56:05] A medicina pra gente não é uma

[01:56:07] questão espiritual, ou não deveria ser.

[01:56:10] Só que nesse período,

[01:56:11] era. Então,

[01:56:13] sei lá, vou dar um exemplo

[01:56:15] que eu não vi em lugar nenhum, é um exemplo

[01:56:17] da minha cabeça, tá?

[01:56:19] Digamos que você tá tendo,

[01:56:21] sei lá, você tá tendo

[01:56:23] alguma malária. Malária é uma doença

[01:56:25] que era muito comum. Então,

[01:56:27] a malária, ela

[01:56:29] vai ser entendida como

[01:56:31] um ataque de demônios,

[01:56:33] mas você

[01:56:35] também tem remédios, tipo plantas e etc,

[01:56:37] etc, que você tem que tomar.

[01:56:40] Que são coisas

[01:56:41] que as pessoas, a partir de muita

[01:56:43] observação e pesquisa, etc,

[01:56:45] entenderam, viram que há essas coisas aqui.

[01:56:47] A casca da árvore lá, não sei o que das contas.

[01:56:49] Tem que ir ninho.

[01:56:52] Isso.

[01:56:53] Só que daí, pra aquelas

[01:56:55] pessoas, elas não vão só tomar a casca

[01:56:57] da árvore, sei lá, elas vão no

[01:56:58] cara que sabe preparar a casca da árvore

[01:57:01] e ele vai fazer as orações corretas

[01:57:03] em cima da casca da árvore

[01:57:04] e a pessoa vai acreditar que são as duas

[01:57:07] coisas que te curam, não uma só.

[01:57:10] Então, essa coisa é muito…

[01:57:11] muito entrelaçada,

[01:57:12] interligada, assim. Então,

[01:57:15] é… é só porque

[01:57:17] eu gosto de trazer um pouco isso,

[01:57:19] porque a gente, a nossa mente hoje em dia,

[01:57:21] né, a gente tende a olhar pro passado e falar

[01:57:23] ah, eles eram, né,

[01:57:25] que otários, ou que…

[01:57:26] como assim eles acreditavam em demônio,

[01:57:29] que besta, obviamente o que tá curando é a

[01:57:31] casca, tipo, velho, não, obviamente

[01:57:33] não, né, obviamente o que tá curando pra eles

[01:57:35] é a combinação das duas coisas.

[01:57:37] Pra gente, a gente sabe

[01:57:39] hoje em dia que não necessariamente, mas assim,

[01:57:41] a gente, né, é sempre

[01:57:42] a…

[01:57:45] é… essas coisas são muito

[01:57:47] interligadas nesse momento da história.

[01:57:49] Então, não dá pra gente

[01:57:51] separar elas e olhar elas só

[01:57:53] como, ah, eu vou olhar só a questão espiritual.

[01:57:55] Porque a questão espiritual

[01:57:57] nunca tava sozinha.

[01:57:59] Entendi.

[01:58:01] Entendi. É isso.

[01:58:03] Deu pra entender mais ou menos o que eu estudo?

[01:58:04] Sim, é… trabalhão, danado.

[01:58:07] É. É.

[01:58:08] É.

[01:58:11] Onde é que você foi amarrar tua égua, mulher?

[01:58:15] Não, detalhe, que eu tava

[01:58:17] no mestrado, eu estudava o livro de Tobias

[01:58:19] no mestrado.

[01:58:21] E aí o meu orientador

[01:58:23] daqui do Brasil falou, ah, Tupá,

[01:58:25] entrou em contato uma pesquisadora

[01:58:27] da Inglaterra e tal, queria ver se eu queria

[01:58:29] trabalhar com ela com manuscritos do Mar Morto.

[01:58:32] Aí eu falei, cara, eu não entendo

[01:58:33] nada de manuscritos do Mar Morto.

[01:58:34] Ele falou, então, as pessoas não entendem das coisas

[01:58:37] até elas estudarem as coisas.

[01:58:38] É justamente por isso que você faz um doutorado.

[01:58:41] Eu falei, ah, então pode ser.

[01:58:43] Já que eu posso.

[01:58:45] Tá subentendido que eu não sei

[01:58:47] antes de chegar? Tá, então tudo bem.

[01:58:48] Então vamos lá.

[01:58:50] E foi assim que eu me meti nessa.

[01:58:52] Foi isso e os demônios foi porque, tipo,

[01:58:55] ah, manuscritos do Mar Morto, como vocês viram.

[01:58:58] Tem milhares de temas

[01:58:59] a serem pesquisados.

[01:59:01] E daí, cara, como que… o que você vai estudar

[01:59:03] disso? Eu falei, posso estudar demônios?

[01:59:05] Ele falou, pode.

[01:59:08] Mas tem, por exemplo…

[01:59:09] Assim, de outras coisas.

[01:59:11] De outras coisas que tem dentro dos manuscritos, assim.

[01:59:13] Você lembra de alguma que é muito

[01:59:15] pitoresca, assim? Uma que vira quase

[01:59:17] um caos? Porque, por que diabos

[01:59:19] isso tá escrito aqui?

[01:59:21] Eu gosto muito do Rolo da Guerra.

[01:59:24] Fora… Ah, e tem a questão,

[01:59:25] toda a questão, depois eu falo

[01:59:27] do Mapa do Tesouro. Mas tem o Rolo da Guerra,

[01:59:29] que é um dos manuscritos bem legais.

[01:59:31] O Rolo da Guerra, ele descreve

[01:59:33] uma guerra. Ele efetivamente descreve

[01:59:35] uma guerra. Ele parece super emocionante, né?

[01:59:37] Que você fala, ah, é um Rolo da Guerra, ele descreve uma guerra.

[01:59:39] Mas não, é chatinho.

[01:59:41] Porque é tipo assim, aí vem

[01:59:43] a infantaria com tantas coisas

[01:59:45] de tal jeito, eles vão marchar

[01:59:47] de tal jeito, e eles usam uma roupa

[01:59:50] de tal jeito e armas tais.

[01:59:51] Aí você fala, tipo, cara…

[01:59:52] É tipo isso, assim.

[01:59:55] É, exatamente isso. É a descrição eterna

[01:59:58] de… E daí

[01:59:59] vai ter tal pessoa que vai

[02:00:02] soar um trompete de tal jeito

[02:00:03] e tal. Mas

[02:00:05] esse texto, ele é

[02:00:07] interessante porque ele fala

[02:00:09] justamente dessa guerra.

[02:00:11] Cosmica e de uma guerra que a gente não

[02:00:13] sabe direito se

[02:00:14] se se refere… Se tem referências

[02:00:17] a uma guerra efetiva, provavelmente

[02:00:19] tem. Mas também ela

[02:00:21] fala sobre essa guerra do fim dos tempos.

[02:00:23] Quando vai parar de ter demônios

[02:00:25] na Terra.

[02:00:27] É uma guerra cósmica

[02:00:29] dos Filhos das Luz contra os Filhos

[02:00:31] das Trevas.

[02:00:33] Porque algum grupo

[02:00:35] que foi em algum momento

[02:00:37] associado aos manuscritos do Mar Morto

[02:00:39] é…

[02:00:40] Eles eram… Eles se consideravam

[02:00:43] os Filhos da Luz.

[02:00:45] E eles agem contra

[02:00:47] que são os inimigos deles, que são seres

[02:00:49] malignos. E eu falo seres malignos

[02:00:51] são tanto os seres malignos

[02:00:53] sobrenaturais, tipo demônios e tal,

[02:00:55] quanto os seres malignos, outros seres humanos

[02:00:57] que são ruins.

[02:01:00] Que são os

[02:01:01] Filhos das Trevas.

[02:01:03] Então, nos manuscritos do Mar Morto

[02:01:05] tem muito essa descrição dos Filhos da Luz

[02:01:07] contra os Filhos das Trevas.

[02:01:10] Enfim. E eu acho

[02:01:10] trevoso e divertido.

[02:01:12] Ah, divertido sim.

[02:01:15] Corrige aqui pro

[02:01:16] burrão que não sabe nada sobre religião

[02:01:19] nenhuma. O judaísmo

[02:01:21] dessa época

[02:01:22] ele tinha alguma crença

[02:01:25] escatológica? Ele tinha algum…

[02:01:28] alguma ideia de fim

[02:01:29] de mundo? Isso pode ser assim

[02:01:31] um proto-apocalipse?

[02:01:33] Alguma coisa assim?

[02:01:33] Ele está dentro desse contexto.

[02:01:37] Então, o judaísmo

[02:01:39] do Segundo Templo, porque tem vários,

[02:01:42] o período do Segundo Templo,

[02:01:44] que é esse período mais ou menos de 500

[02:01:45] antes da Era Comum até 70

[02:01:47] da Era Comum,

[02:01:49] é o período em que você está

[02:01:51] se desenvolvendo mais essas ideias escatológicas.

[02:01:55] Que vão culminar

[02:01:56] eventualmente nas ideias

[02:01:58] escatológicas do cristianismo.

[02:02:00] Mas que o próprio

[02:02:01] texto do Apocalipse,

[02:02:04] do Apocalipse de João,

[02:02:06] que eu vou assinar, Apocalipse significa

[02:02:07] revelação, e por isso que ele,

[02:02:09] em inglês, é chamado de revelation.

[02:02:12] É só um texto de revelação,

[02:02:17] o fim do mundo é o escatológico.

[02:02:20] O Apocalipse tem, inclusive,

[02:02:21] pesquisadores que questionam

[02:02:23] se já dá para dizer que ele é

[02:02:25] efetivamente um texto cristão, ou se ele

[02:02:27] foi produzido por pessoas que se identificavam

[02:02:29] como judeus. Não sabemos.

[02:02:32] Faz parte dos debates

[02:02:33] sobre o texto.

[02:02:35] Então,

[02:02:35] você tem, sim,

[02:02:38] é exatamente o que você pensou.

[02:02:39] Eu não diria um proto, eu diria

[02:02:41] parte do…

[02:02:43] Você já tem textos escatológicos nos manuscritos

[02:02:45] do Mar Morto. Então, você

[02:02:47] com certeza tinha judeus

[02:02:49] que acreditavam

[02:02:51] em fim dos tempos

[02:02:53] nesse outro padrão.

[02:02:55] Certo. Mas ele não era

[02:02:57] o cânone do judaísmo

[02:03:00] daquela época.

[02:03:01] Não sabemos qual era o cânone do judaísmo naquela época

[02:03:03] para afirmar isso com certeza.

[02:03:06] Certo.

[02:03:07] Lembra que eu falei que a gente não tem certeza?

[02:03:09] Tipo, eu parto do princípio

[02:03:12] que se os textos estão lá juntos,

[02:03:14] eles possivelmente tinham

[02:03:15] um interesse similar neles.

[02:03:18] Ou eles uma importância parecida.

[02:03:20] Então, não dá para dizer

[02:03:21] se no cânone

[02:03:24] ou não, porque o que

[02:03:25] era o cânone nesse período, né? A gente não tem

[02:03:27] essa certeza. Não tem falta de referência, né?

[02:03:30] Isso. A gente sabe

[02:03:31] que o Pentateuco, aqueles cinco livros,

[02:03:34] eram mais

[02:03:35] importantes, mas a gente não sabe

[02:03:37] desses todos outros,

[02:03:39] qual que era ou não era mais importante

[02:03:41] nesse período específico e para essa comunidade, né?

[02:03:43] Porque… Diferentes comunidades também.

[02:03:47] Sim.

[02:03:48] Interessante, né?

[02:03:49] E… Não é?

[02:03:51] É legal. Religião, eu nunca achei

[02:03:53] que eu ia estudar religião na minha vida.

[02:03:55] Nunca.

[02:03:56] Eu entrei na história e para você me perguntasse

[02:03:59] Tupac Alora, Tupac, o que você quer estudar?

[02:04:01] Eu falava qualquer coisa que não seja história

[02:04:03] da religião, porque essa é a coisa mais chata

[02:04:05] que alguém pode estudar.

[02:04:08] Aqui estou eu, pagando,

[02:04:09] minha língua.

[02:04:10] Vocês são os demônios.

[02:04:13] Meus demoninhos. Ah, e

[02:04:15] outro caso legal dos manuscritos

[02:04:17] é o caso do rolo de cobre

[02:04:19] que a gente já falou, que é fantástico

[02:04:21] e que teve um pesquisador.

[02:04:23] Porque, assim, se você estivesse pesquisando

[02:04:25] os manuscritos do Mar Morto e você achasse o mapa

[02:04:27] do tesouro, qual seria a sua atitude?

[02:04:31] Cara, é impossível resistir

[02:04:33] a tentação de atrás.

[02:04:36] Procurar o mapa do tesouro, né?

[02:04:37] Tipo, vamos procurar o tesouro.

[02:04:39] O tesouro. E, obviamente, teve um cara

[02:04:41] que fez isso. Ele é um cara

[02:04:43] muito, muito, muito, muito controverso.

[02:04:47] Ele tem um…

[02:04:49] O nome dele era John Allegro.

[02:04:51] Tem uma biografia dele muito interessante

[02:04:53] chamada John Allegro, Maverick

[02:04:54] dos manuscritos do Mar Morto. Só tem em inglês.

[02:04:57] Mas é bem interessante pra entender um pouco.

[02:05:00] Ele era uma figura complicada,

[02:05:01] interessante. Eu gosto

[02:05:03] muito dele, justamente por ele ser uma figura

[02:05:05] complicada e interessante.

[02:05:06] E ele foi o cara, eu acho que ele passou quase 10 anos.

[02:05:09] Procurando o tesouro.

[02:05:11] Porque

[02:05:12] o mapa do tesouro, ele tem

[02:05:15] referências que não existem mais. Do tipo,

[02:05:17] ah, depois da pedra grande,

[02:05:19] faça tal coisa. Tipo, calha, velho.

[02:05:21] Como eu sei qual pedra grande tinha nesse lugar?

[02:05:24] Então,

[02:05:25] ele tentou várias e várias

[02:05:27] possibilidades. Uma delas, nesse

[02:05:29] processo, ele descobriu várias

[02:05:31] cavernas e vários artefatos arqueológicos.

[02:05:34] Dentre elas, uma caverna…

[02:05:35] A descoberta mais

[02:05:37] empolgante, digamos, que ele fez

[02:05:38] foi a caverna do Natal.

[02:05:41] Que ele descobriu no dia do Natal. Por isso

[02:05:42] ela é chamada de caverna do Natal.

[02:05:45] E lá tinha

[02:05:46] pedaços de tecido,

[02:05:50] moedas,

[02:05:50] essas coisas que são muito importantes.

[02:05:52] Elas podem não parecer tão emocionantes quanto um texto.

[02:05:55] Quer dizer, na real, pra quem vai no museu,

[02:05:57] essa parte é bem mais emocionante que o texto.

[02:05:58] Ninguém acha o texto legal. Porque ele é minúsculo.

[02:06:01] E, tipo, né.

[02:06:03] Mas ele… Então, ele saiu

[02:06:04] atrás do coisa que a gente não encontrou.

[02:06:06] Tem muitas teorias sobre o tesouro.

[02:06:08] Se a gente não encontra

[02:06:10] porque hoje em dia a gente não tem mais as referências

[02:06:12] certas. Ou se

[02:06:14] esse tesouro já foi

[02:06:16] encontrado nesses dois mil anos.

[02:06:19] Já era. A gente nunca vai encontrar

[02:06:20] nem sinal dele. Ou

[02:06:22] se esse tesouro efetivamente existiu.

[02:06:26] Ou se ele é

[02:06:27] uma metáfora pra outras coisas.

[02:06:28] Que é uma teoria também. Tipo, na real,

[02:06:30] talvez não tinha um tesouro físico.

[02:06:33] Talvez fosse outra questão. Outra

[02:06:34] metáfora. Tem teorias

[02:06:36] nesse sentido também.

[02:06:38] Tem estudos nesse sentido.

[02:06:42] E

[02:06:42] só pra dar um pouco de base,

[02:06:45] o John Allegro é o cara

[02:06:46] que meio que foi

[02:06:49] banido e ostracizado do mundo

[02:06:50] acadêmico porque ele escreveu

[02:06:52] um livro dizendo que

[02:06:54] o cristianismo primitivo era um culto

[02:06:56] baseado em cogumelos alucinógenos.

[02:06:58] Ah! Eu amei

[02:07:00] isso, gente.

[02:07:03] Tá vendo? Não tem como eu não achar

[02:07:05] o John Allegro no mundo. É muito bom isso.

[02:07:06] Em vários momentos. Cara, eu dei aula de inglês.

[02:07:08] Pra uma guia turística

[02:07:11] espanhola, lá na Itália.

[02:07:13] Inglês não. Dei aula de português pra ela.

[02:07:15] E aí

[02:07:16] ela fazia parte

[02:07:18] da prova que ela tinha que fazer. Porque você não pode

[02:07:20] simplesmente chegar e sair falando

[02:07:22] pro grupo que você quiser. Você tem que estar com a sua carteirinha

[02:07:25] lá de guia turístico. Você tem que ter feito

[02:07:26] uma prova pra ter

[02:07:29] autorização pra ser guia turístico

[02:07:30] naquela língua. Então ela tinha de espanhol,

[02:07:32] catalão, inglês e francês que ela já falava.

[02:07:35] E ia fazer português

[02:07:36] porque era a época em que os Estados Unidos estavam na

[02:07:38] supermerda e só brasileiro praticamente

[02:07:40] ficava viajando. Então ela queria fazer português.

[02:07:43] E aí ela ficava treinando

[02:07:44] as falas. Ela, olha, hoje vou falar

[02:07:46] sobre a CIS. E aí ela falava

[02:07:49] tudo que ela normalmente falaria

[02:07:50] pros turistas, né? Contando o negócio todo e falava

[02:07:52] em português. E

[02:07:54] essa história ela contou várias

[02:07:56] vezes porque ela queria que saísse certinho. Ela ia ter que

[02:07:58] dar uma resposta boa na prova. Ela tinha que ensaiar

[02:08:00] mesmo, né? E aí

[02:08:02] de tanta gente falar de a CIS,

[02:08:04] a história, que o crucifixo falou com ele,

[02:08:06] não sei mais o que das quantas. Aí um dia

[02:08:08] ela para e olha pra mim e diz, gente, esse lance do crucifixo,

[02:08:11] eu nunca vou superar isso. Eu tenho

[02:08:12] certeza que ele comeu um cogumelo na beira

[02:08:14] da estrada e achou que o cogumelo tava

[02:08:16] falando com ele porque não tem outra explicação.

[02:08:19] Ele viu um monte de coisa que não existia

[02:08:20] e o teto da igreja,

[02:08:22] o bispo que falou, segura o teto

[02:08:24] da igreja. O cara tava surtadaço.

[02:08:26] É claro que tem um cogumelinho aí. Não tem

[02:08:28] outra explicação. E isso ficou

[02:08:30] comigo assim. E eu acho que super

[02:08:32] faz sentido.

[02:08:34] Super faz sentido.

[02:08:35] Essa teoria aí, já ouvi ela antes.

[02:08:37] Gostei.

[02:08:38] Tá vendo? Então,

[02:08:40] o Alegro escreveu um livro

[02:08:42] acadêmico sobre

[02:08:43] e foi ostracizado

[02:08:46] do mundo dos manuscritos. Coitado.

[02:08:48] E do mundo acadêmico.

[02:08:50] Você não tem noção, mas assim,

[02:08:52] ele lançou esse

[02:08:54] livro,

[02:08:55] O Cogumelo Sagrado e a Cruz.

[02:08:58] Que nome fantástico. Em 70.

[02:09:01] Né?

[02:09:02] E ele

[02:09:04] tipo, cara,

[02:09:06] ele perdeu o emprego, eu acho, com isso.

[02:09:08] Ele, é tipo, foi muito, muito

[02:09:12] surreal, assim, a parada.

[02:09:14] É, diziam que

[02:09:16] ele era um cara excêntrico,

[02:09:19] que tal,

[02:09:20] outra pessoa falou que era

[02:09:22] possivelmente o livro

[02:09:24] mais absurdo, ludicrous.

[02:09:26] Gente. Texto

[02:09:28] produzido por um acadêmico,

[02:09:30] por um acadêmico.

[02:09:32] É, o cara que publicou

[02:09:34] o livro, né? A casa que publicou

[02:09:36] o livro, pediu desculpas,

[02:09:38] é, por

[02:09:40] ter publicado, o Allegro

[02:09:42] teve que pedir demissão. Menina,

[02:09:44] que babado. É.

[02:09:46] Pois é. E

[02:09:48] ele

[02:09:50] acabou, tipo, e daí, em

[02:09:52] 2006, o Allegro morreu nos anos

[02:09:54] em 88.

[02:09:56] Ele tinha 65 anos.

[02:09:59] E foi isso, assim, tipo, ele

[02:10:00] tudo que ele publicou foi

[02:10:02] muito desacreditado depois.

[02:10:05] Poxa. Desse livro,

[02:10:06] assim, e ele perdeu,

[02:10:08] enfim, é muito surreal.

[02:10:11] A história toda,

[02:10:12] eu acho ela surreal em vários sentidos.

[02:10:15] Não dizendo que o John Allegro

[02:10:16] era uma pessoa maravilhosa e perfeita,

[02:10:18] porque, como qualquer ser humano, ele também tem vários

[02:10:20] problemas e questões aí,

[02:10:22] também da publicação. Ele foi um dos caras

[02:10:24] que não deixava a galera

[02:10:26] publicar, que fazia… Enfim.

[02:10:29] Mas, essa história

[02:10:30] eu acho bizarra, porque, tipo, cara,

[02:10:32] ele escreveu um livro ruim?

[02:10:34] Tá bom, gente. Acontece.

[02:10:36] Sim.

[02:10:38] Não faz sentido você demitir

[02:10:40] a pessoa porque… Rolou um cancelamento, já sabia que cancelamento

[02:10:42] não é de hoje.

[02:10:44] Não, rolou um cancelamento surreal, assim,

[02:10:46] de, tipo, pessoas pararem de responder carta

[02:10:48] pra ele. Que maldade. Ignorando o tweet.

[02:10:50] Foi bloqueado pelos correios. Eu mandei pra…

[02:10:53] Né? Tô vendo o link aqui.

[02:10:54] Eu coloquei um link do site

[02:10:56] dele, porque, enfim, tem a família dele,

[02:10:58] tem a filha dele e tal, tem esse livro que conta

[02:11:00] a história dele. E no site dele, se o pessoal

[02:11:02] for em fotos, tem

[02:11:04] 41 fotos que

[02:11:06] ele bateu das escavações e elas são muito…

[02:11:08] Ficam muito legais.

[02:11:09] Eu adoro fotos antigas.

[02:11:12] Essas fotos não são tão

[02:11:14] antigas, elas já são um pouquinho posteriores.

[02:11:17] Eu acho que elas são dos anos

[02:11:18] 70, talvez, das escavações dos anos 70.

[02:11:21] Já são fotos coloridas.

[02:11:22] Mas elas são muito legais e dá pra ver

[02:11:24] as cavernas, os jarros que a gente

[02:11:26] falou. Dá pra ver

[02:11:28] o alegro andando por aí.

[02:11:30] Tem uma foto com um helicóptero.

[02:11:33] Que legal.

[02:11:34] Fantástico. É, fica aí o…

[02:11:36] Tá. Porque pra mim é um dos causos,

[02:11:38] um dos melhores dos manuscritos, é essa história

[02:11:40] toda. Ah, estamos… Eu estou aqui

[02:11:42] olhando.

[02:12:04] Música

[02:12:08] Música

[02:12:10] Música

[02:12:12] Música

[02:12:14] Música

[02:12:16] Música

[02:12:18] Música

[02:12:20] Música

[02:12:22] Música

[02:12:24] Música

[02:12:26] Música

[02:12:28] Música

[02:12:30] Música

[02:12:32] Música

[02:12:34] Música

[02:12:36] Música

[02:12:38] Então, bom

[02:13:02] Eu, a gente ficaria aqui muito mais tempo

[02:13:05] Porque

[02:13:05] Cara, como assim?

[02:13:08] Porque não parece, mas tem mais duas horas que a gente tá aqui falando

[02:13:10] Então, só que

[02:13:12] Como as pessoas tem coisas pra fazer na vida

[02:13:15] Com certeza

[02:13:16] Eu acho que a gente precisa encerrar, infelizmente

[02:13:18] Mas já fica

[02:13:20] Convite pra futuros episódios sobre várias coisas

[02:13:22] Que você já mencionou aí

[02:13:23] Volto sempre que você quiser

[02:13:26] Mas assim, ó

[02:13:27] Os convidados não estão podendo

[02:13:31] Tá, me manda uma mensagem

[02:13:32] Tá bom

[02:13:33] Sim, senhora

[02:13:36] Mas, isso dito, vamos então

[02:13:38] Para a balada do pistoleiro

[02:13:39] Ai, gente, meu olho tá doendo

[02:13:41] Você precisa descansar também

[02:13:44] Gente, como dó essa merda ficar latejando

[02:13:46] Que inferno

[02:13:47] A primeira coisa é você tirar a cara

[02:13:50] Da frente dessa tela

[02:13:51] Vai ajudar um monte já

[02:13:53] Tá, então vamos para a balada do pistoleiro

[02:13:56] Seu Tiago, quem vai ser primeiro?

[02:13:57] Sua dica cultural aí

[02:13:58] Ah, eu sabia que você ia me colocar primeiro

[02:14:02] Tá

[02:14:02] Vamos lá

[02:14:03] Pra começo de conversa

[02:14:06] Eu acho que a gente já tem que deixar

[02:14:07] A banca da garagem da Tupá

[02:14:10] Sobre Tobias

[02:14:11] Que foi um episódio muito, muito bom

[02:14:14] Eu ri litros

[02:14:16] É daqueles episódios assim que você

[02:14:18] Ouve, você gosta tanto

[02:14:20] Que eu lembro exatamente onde eu tava

[02:14:22] Quando eu ouvi, sabe?

[02:14:23] O que eu tava fazendo

[02:14:25] Foi muito bom esse episódio

[02:14:28] É o meu mestrado

[02:14:29] Pra começo de conversa

[02:14:30] Deixamos ele lá

[02:14:31] Eu vou deixar um aqui

[02:14:33] Mas eu não sei

[02:14:34] Eu não tô totalmente decidido

[02:14:36] De que é uma dica cultural

[02:14:37] Mas eu vou deixar aí

[02:14:39] Caso alguém queira assistir também

[02:14:42] Eu tava procurando

[02:14:44] Séries de

[02:14:46] Policial

[02:14:48] Série de lei

[02:14:49] Chinesa pra assistir

[02:14:52] Por quê? Porque sou eu

[02:14:53] E eu achei uma

[02:14:56] Chamada In the Name of People

[02:14:58] Que ela começou

[02:15:01] Em 2017

[02:15:02] E ela tem

[02:15:04] 55 episódios

[02:15:07] E estão todos no YouTube

[02:15:08] Então a gente pode deixar o link

[02:15:10] Pro primeiro episódio

[02:15:12] Pra caso alguém queira

[02:15:13] E ela tá lá já com as suas legendinhas

[02:15:16] Toda bonitinha e tal

[02:15:18] Eu só assisti os dois primeiros

[02:15:21] E tá bem difícil

[02:15:23] Porque

[02:15:24] Não, tá

[02:15:25] Realmente tá

[02:15:27] Não, é que tá bem difícil

[02:15:29] É

[02:15:31] É porque tá bem difícil

[02:15:35] Porque assim, você tem que

[02:15:37] Ler com uma atenção do caralho

[02:15:39] Por conta do maldito

[02:15:41] Do maldito idioma, né

[02:15:43] Porque tem horas que a legenda

[02:15:45] Passa voando, tem horas que a legenda

[02:15:47] Leva um ano

[02:15:48] E não tem como você só olhar

[02:15:51] Pro que tá acontecendo na tela

[02:15:52] Você tem que ler a legenda

[02:15:54] Porque chinês

[02:15:55] Tem partes, e isso é muito legal nessa legenda

[02:15:59] Que ele diz ali

[02:16:01] Qual é o idioma que tá sendo falado

[02:16:03] Então tem uma hora que as pessoas

[02:16:05] Estão falando em mandarim

[02:16:06] E aí um deles puxa o telefone

[02:16:08] E conversa com um político encantonês

[02:16:11] E eles colocam isso ali

[02:16:13] E isso é legal pra tipo

[02:16:15] Dar a entender essa relação

[02:16:17] Mais estreita entre personagens

[02:16:19] E tal

[02:16:19] O que é difícil nela, além da parte da linguagem

[02:16:23] É que a gente não sabe

[02:16:25] Bulhufas sobre

[02:16:27] Como diabos funciona

[02:16:28] A burocracia legalica

[02:16:31] Chinesa

[02:16:33] Então todos os personagens

[02:16:35] Quando aparece ali vem o nome dele

[02:16:37] E o cargo dele

[02:16:38] Só que todos eles de alto escalão

[02:16:41] Tem dois cargos

[02:16:42] Porque é o cargo que ele faz enquanto

[02:16:45] Funcionário público

[02:16:48] E o cargo que ele faz

[02:16:49] Enquanto membro do partido

[02:16:51] Então você tem o cara que ele é

[02:16:55] O secretário de mineração

[02:16:58] Da província de Guangzhou

[02:16:59] Que é

[02:17:01] Superintendente de não sei o que

[02:17:03] No partido

[02:17:04] Aí você fica, meu Deus do céu

[02:17:07] É muita coisa

[02:17:08] E é muito personagem

[02:17:10] Porque você tem os policiais, você tem os procuradores

[02:17:13] Você tem os políticos, você tem os suspeitos

[02:17:15] Você tem os empresários

[02:17:17] Cara, é enorme

[02:17:19] E é por isso que tem 50

[02:17:21] De episódios

[02:17:22] Porque desenrolar isso aqui vai ser

[02:17:24] Fudido, mas é interessante de ver

[02:17:27] E é um negócio completamente

[02:17:28] Fora da nossa ideia

[02:17:30] Ele me…

[02:17:30] Ele me tem um ar assim

[02:17:33] Um pouquinho lava-jato, sabe?

[02:17:35] Então eu ainda preciso assistir um pouco mais

[02:17:38] Pra ver se eu vou continuar

[02:17:39] Mas tá aí, a dica tá dada

[02:17:42] É In the Name of People

[02:17:43] Deixa eu botar aqui

[02:17:45] E tá onde?

[02:17:47] Tá no YouTube

[02:17:48] Eu vou te passar o link

[02:17:50] O link do primeiro episódio

[02:17:53] Que daí quem quiser já segue dali

[02:17:55] Tá

[02:17:57] Acabou? Acabaram suas dicas?

[02:18:00] Porra, você queria mais?

[02:18:02] Eu acabei de trazer uma série chinesa

[02:18:04] Não, só tô perguntando, cara

[02:18:05] Daí que, não sei, de repente eu tava inspirada

[02:18:07] Tinha oito, não sei

[02:18:08] Eu vou dar uma só

[02:18:10] Que é

[02:18:12] Então, queria primeiro começar

[02:18:16] Mandando um beijo para a Maggie

[02:18:17] Que foi quem me iniciou no mundo de RuPaul’s Drag Race

[02:18:20] E…

[02:18:22] Que eu não botava a menor fé

[02:18:23] Eu tinha visto vários memes e não entendi

[02:18:26] E achava que não ia achar graça nenhuma

[02:18:27] E eu e Carol ficamos totalmente viciadas

[02:18:30] São as nossas comfort series, assim

[02:18:32] Quando a gente não sabe o que ver

[02:18:34] Tô sem ideia, não tem nada pra fazer

[02:18:35] A gente bota uma temporada qualquer

[02:18:38] Inclusive ela está revendo a sexta temporada

[02:18:40] Pela milésima vez agora na sala

[02:18:42] Enquanto eu estou aqui gravando

[02:18:43] A minha cachorra se chama Manila

[02:18:45] Por causa da drag chamada Manila

[02:18:47] É por isso?

[02:18:49] É por isso

[02:18:49] Em Curitiba uma vez eu saindo com ela

[02:18:53] Aí uma moça, dona de cachorro também

[02:18:55] A gente tava brincando, a gente tava conversando

[02:18:57] Aí ela perguntou, mas é Manila a cidade?

[02:18:59] Eu falei, não é

[02:19:00] Eu amo a Manila

[02:19:02] Eu era tão viciada

[02:19:04] Eu tive que parar de ver porque eu tava saindo na rua maquiada

[02:19:07] Que nem elas

[02:19:07] Olha, eu chamei, ela veio aqui, tadinha

[02:19:11] Não julgo

[02:19:12] Pois é, eu tenho um rompante

[02:19:14] De vez em quando me dá vontade

[02:19:17] Mas, assim

[02:19:19] Eu vi, principalmente quando eu tava com

[02:19:21] A semana que eu tava com Covid

[02:19:23] Que eu tava bem chumbada aqui

[02:19:25] Eu fiquei

[02:19:27] Vendo todas as outras temporadas

[02:19:29] Dos outros parques

[02:19:30] Então eu vi Austrália, vi Espanha

[02:19:32] Tailândia, não sei o que

[02:19:33] Holanda, mas assim, nenhuma assim

[02:19:36] Realmente chamou a minha atenção

[02:19:37] E a impressão sempre que fica

[02:19:40] É que tipo, miga seja de menos

[02:19:42] Porque tá tendo temporada de

[02:19:43] Todo mês ela inventa algum programa novo

[02:19:46] Uma coisa nova

[02:19:46] Aí quando começaram a anunciar esse

[02:19:49] All Stars, a temporada 7

[02:19:51] Eu falei, gente, ninguém aguenta mais isso, chega

[02:19:53] Não vou ver essa merda

[02:19:55] E aí eu vi as queens que foram escolhidas

[02:19:58] Eu falei, talvez eu veja essa merda

[02:19:59] Porque eu gosto delas

[02:20:01] E aí depois, Cleita, meu amigo Cleiton

[02:20:04] Falou, amiga, você tem que ver

[02:20:06] Porque esses episódios estão muito bons

[02:20:08] E de fato

[02:20:10] Estão muito bons

[02:20:11] Só saíram dois episódios até agora

[02:20:13] Até o momento que nós estamos gravando

[02:20:14] O segundo já é o Snatch Game

[02:20:17] Quem segue sabe

[02:20:19] Que é cedo pra caramba pra ter Snatch Game

[02:20:21] E é o melhor Snatch Game da história

[02:20:23] De todos os episódios de Vulcão

[02:20:24] Então eu super recomendo que assistam

[02:20:27] Possivelmente

[02:20:29] Se quiserem pegar mesmo

[02:20:31] Todas as referências, vão ter que ver as 14

[02:20:33] Temporadas

[02:20:34] Da série regular

[02:20:37] Digamos assim, porque são paralelas

[02:20:38] Você tem RuPaul’s Drag Race normal

[02:20:41] Digamos assim

[02:20:41] E All Stars, que é tipo o campeonato

[02:20:44] Das que são muito ótimas, mas que não ganharam

[02:20:47] Esse

[02:20:48] Essa temporada 7

[02:20:50] É só de drags que já ganharam

[02:20:53] Então assim

[02:20:54] É creme de la creme total

[02:20:56] É o pessoal muito foda, só tem gente muito boa

[02:20:59] E tá muito divertida

[02:21:01] Cada roupa maravilhosa, cada maquiagem maravilhosa

[02:21:03] Tá super legal de ver

[02:21:04] É muito séria assim pra você

[02:21:07] O Manila tá foda

[02:21:09] É muito séria assim pra você

[02:21:13] Não pensar em nada

[02:21:14] Só se divertir, ver coisas bonitas

[02:21:16] E ver gente talentosa

[02:21:17] E rir das piadas ridículas

[02:21:19] E ficar jogando

[02:21:21] O preenchimento labial alheio

[02:21:24] Então assim, super vale a pena

[02:21:26] Recomendo

[02:21:27] Tem várias plásticas muito péssimas

[02:21:29] Parem, porque tá foda

[02:21:31] E tem muitas coisas muito, muito legais

[02:21:33] E tá super divertido

[02:21:35] Então eu recomendo pra caramba

[02:21:36] Pra passar o tempo, não tem como uma coisa melhor

[02:21:38] Faz uma pipoquinha e só vai

[02:21:40] Dona Tupá

[02:21:41] Vou concordar plenamente

[02:21:43] RuPaul é incrível, maravilhoso

[02:21:46] Agora eu tô terminando

[02:21:48] Eu tô acompanhando a Espanha

[02:21:50] E tô acompanhando Down Under

[02:21:51] Ainda não vi

[02:21:52] Só que eu não entendo nada dos netgames da Espanha

[02:21:56] Porque eu não conheço as celebridades

[02:21:58] A gente não conhece

[02:21:58] É, a gente não conhece a Espanha

[02:21:59] A gente não conhece a Espanha

[02:21:59] A gente não conhece a Espanha

[02:21:59] E eu não conheço parte das piadas também

[02:22:01] Eu entendo, eu entendo espanhol e tal

[02:22:04] Muita coisa a gente perde, né

[02:22:05] Mas elas são muito engraçadas, são muito divertidas

[02:22:08] É ótimo, assim, muito, muito maravilhoso

[02:22:10] Então eu vou fazer três recomendações

[02:22:12] Essa foi

[02:22:14] Só continuando a recomendação

[02:22:16] Quem lê inglês e quiser

[02:22:18] Eu recomendo ler a história do John Allegro

[02:22:20] Que eu comentei

[02:22:21] O livro é The Maverick of the Dead Sea Scrolls

[02:22:24] John Allegro

[02:22:25] Eu vou deixar, mando pra você o link aqui

[02:22:28] Eu tenho o link da Amazon

[02:22:31] Mas, enfim, não comprem da Amazon, tá, gente?

[02:22:34] De preferência comprem de outro lugar

[02:22:35] Enfim

[02:22:36] E eu vou indicar um seriado

[02:22:39] Que eu gostaria muito que mais alguém assistisse

[02:22:41] Porque eu assisti

[02:22:43] Eu achava fantástico quando eu assistia

[02:22:45] Ele é um seriado francês

[02:22:48] Chamado

[02:22:50] De Bourreau des Legendaires

[02:22:52] Eu não falo francês, então, desculpa

[02:22:54] O Boreal

[02:22:56] É o nome do seriado

[02:22:58] É um seriado de espiões

[02:23:01] E ele é muito legal

[02:23:04] Eu, pelo menos, acho fantástico

[02:23:06] Porque ele segue uma lógica

[02:23:08] Muito diferente dos seriados dos Estados Unidos

[02:23:10] De espiões

[02:23:12] Que é, tipo, ação

[02:23:14] E não sei o que e tal

[02:23:15] Não, ele tem uma

[02:23:17] Ele segue muito mais uma lógica

[02:23:19] Eu vou dizer realista, mas não é necessariamente realista

[02:23:22] Tá, gente? Porque é um seriado

[02:23:24] E, tipo, tem burocracia pra caramba

[02:23:25] Que é o dia-a-dia de qualquer lugar

[02:23:27] Tem burocracia

[02:23:27] E tem muito da galera

[02:23:28] Que tá, tipo, undercover

[02:23:32] Que tá, né

[02:23:34] Tá ali fazendo trabalho e tal

[02:23:36] E muito, tipo, sei lá

[02:23:38] Tem uma personagem que tem todo o rolê

[02:23:40] De, tipo, eles

[02:23:41] Como que eles vão fazer ela

[02:23:43] Virar um agente

[02:23:45] Um agente infiltrado

[02:23:47] Num programa de

[02:23:50] Iraniano de, sei lá, de mísseis

[02:23:52] Aí tem uma bolsa

[02:23:54] Que o Iran dá pra estudantes

[02:23:56] De tal coisa

[02:23:57] Então a mina tem que ser a melhor

[02:23:58] Pra ela conseguir a bolsa

[02:24:00] E ela tem que conseguir a bolsa

[02:24:02] Pra ninguém desconfiar

[02:24:03] Então ela tem que conseguir a bolsa

[02:24:05] De um jeito legítimo

[02:24:06] E daí ela se infiltra

[02:24:09] E daí ela vai passando informação

[02:24:10] Mas é, tipo, todo esse trabalho

[02:24:12] Muito mais delicado de infiltração

[02:24:15] E etc, que não é só se vestir com a roupa, né

[02:24:17] É muito…

[02:24:19] Eu achei fantástico, assim

[02:24:20] Eu acho muito, muito legal a série

[02:24:22] Eu assistia no…

[02:24:25] Na Amazon

[02:24:26] Quando eu morava em Israel

[02:24:27] Eu estava na Gringolândia

[02:24:28] Eu não sei, vou confessar que eu não faço

[02:24:30] A mais remota ideia de onde ele esteja

[02:24:33] Mas…

[02:24:36] É…

[02:24:37] Tem cinco temporadas, até onde eu sei

[02:24:39] E ganhou vários prêmios

[02:24:40] Especialmente…

[02:24:43] Prêmios franceses, né

[02:24:45] Ganhou muitos prêmios

[02:24:47] De televisão, então recomendo

[02:24:49] Pra vocês assistirem aí

[02:24:50] E, por favor, se alguém assistir

[02:24:53] Me avisa pra gente comentar

[02:24:54] Que nunca tenho com quem comentar

[02:24:55] Nossa, já fiquei super curiosa

[02:24:56] Eu gosto muito de série não-americana

[02:24:58] Eu gosto de trash americano

[02:24:59] Ah, eu também

[02:25:00] Mas eu gosto muito de ver coisas diferentes

[02:25:03] É legal você ver um ritmo diferente

[02:25:04] As pessoas feias, as casas desarmadas, sujas

[02:25:07] É importante voltar pra realidade de vez em quando

[02:25:11] É, exatamente a minha vibe

[02:25:12] É, tipo, eu vi um tempo atrás também

[02:25:15] Comecei a ver uma série sobre a Catarina Grande

[02:25:17] Feita na Rússia

[02:25:19] Eu falei, cara, que legal ver o que os russos estão falando disso

[02:25:22] E qual é o ritmo da série

[02:25:24] E tal, chama Ecaterina

[02:25:25] É bom também

[02:25:26] Ah, eu já vi trailer em algum lugar

[02:25:29] Alguém me mandou um trailer

[02:25:30] Falei, ó, que foda

[02:25:31] É legal

[02:25:31] Mas eu não esqueci dela

[02:25:33] Que mais?

[02:25:34] Você deu duas

[02:25:35] Não, a terceira era só reforçar pra vejam o RuPaul

[02:25:38] Ah, tá

[02:25:39] Então tá, vejam, vejam, vejam

[02:25:41] Até pra vocês entenderem os memes, gente

[02:25:42] Tem tanto meme de drag

[02:25:43] Se vocês não virem a série, vocês não vão saber

[02:25:45] E, né, faz parte

[02:25:47] Se entenderem meme, a vida fica muito triste

[02:25:49] Tá, beleza

[02:25:50] Então acabamos as nossas indicaciones

[02:25:53] Vamos para os nossos jabás

[02:25:55] Tupac, quem quiser

[02:25:56] te achar, te acha

[02:25:58] Onde? Não falta onde

[02:26:00] A lista é longa, manda ver que eu vou anotando aqui

[02:26:03] As pessoas me acham

[02:26:04] Nas redes sociais em geral

[02:26:06] Com o arroba Tupaguerra

[02:26:08] Porque é a mesma arroba, sei lá, Instagram, Twitter e tal

[02:26:11] O Twitter

[02:26:13] Tá um pouco parado e tal

[02:26:15] Mas é porque, como eu tô, gente

[02:26:16] Eu tô com três empregos

[02:26:18] É muito cansativo, eu tenho muito pouco tempo

[02:26:20] Pra fazer coisas, assim

[02:26:22] Estamos pensando em mudar essa vida, mas estamos nela

[02:26:24] E

[02:26:26] E de podcast, vocês me ouvem

[02:26:29] Sempre no Mundo Freak Confidencial

[02:26:31] Falando de demônios e coisas terríveis

[02:26:34] Também

[02:26:34] No Dragões de Garagem

[02:26:36] Que é um lado mais científico

[02:26:39] Embora o Mundo Freak já foi acusado

[02:26:41] De ser um podcast de ciências

[02:26:43] Foi muito engraçado

[02:26:44] Calulha

[02:26:48] O bom é que a pessoa realmente falou

[02:26:49] Vocês são um podcast de ciências disfarçado

[02:26:52] Caraca, gente, nem a gente sabia disso

[02:26:54] Grave, hein, muito grave

[02:26:56] E

[02:26:58] Eu faço parte também do Midcast Política

[02:27:01] Embora eu esteja

[02:27:03] Ah, mas tá sumida pra caramba, hein

[02:27:05] Porque eu ouço e não tem tempo que eu não te ouço

[02:27:08] É, eu só faço parte dos bastidores agora

[02:27:10] Porque

[02:27:11] O ano passado foi muito difícil

[02:27:14] E eu não dei conta de continuar falando de notícias

[02:27:16] Toda semana, por isso que eu não gravo mais

[02:27:18] Mas eu faço parte dos bastidores

[02:27:20] Tá certíssima

[02:27:21] Eu perdi muita gente ano passado

[02:27:23] Então as coisas ficaram difíceis

[02:27:26] Mas…

[02:27:27] Super, super compreensível

[02:27:29] Um beijo pros meninos do Mid

[02:27:31] Adoro todos eles, já estiveram aqui

[02:27:33] Eu já estive lá, eles são ótimos, adoro, ouço sempre

[02:27:36] Um beijo pra todos vocês

[02:27:36] E episódios incríveis, tanto eles aqui quanto você lá, né?

[02:27:40] Sim

[02:27:40] Eu não fui lá ainda, hein

[02:27:43] Eu não vou me convidar

[02:27:45] Vão ter que vir aqui

[02:27:46] Ah, tá bom, então

[02:27:47] Eu tenho um privilégio, né

[02:27:52] De ex-convidada

[02:27:54] Que o Victor me manda

[02:27:55] Me manda um convidado

[02:27:56] Pra fazer um preview das paródias, né

[02:27:58] Muito bom

[02:27:59] Antes do episódio ser publicado

[02:28:01] E aí eu fico sempre muito chateada

[02:28:03] Quando eles não desafinam, eu gosto quando eles cantam mal

[02:28:06] Então eu reclamo, quando eles cantam certinho

[02:28:08] Eu fico, pô, falei, gente, não é assim

[02:28:10] Tem que ser ruim

[02:28:10] Mas as paródias estão sempre melhores

[02:28:13] Rodrigo está se superando, então beijo para todos eles

[02:28:15] Eu sempre participo de tapitaco nas coisas

[02:28:18] Eu falo que eu tô nos bastidores

[02:28:19] Aí, ó, já faz parte

[02:28:22] Não importa

[02:28:23] Beleza, então é isso aí

[02:28:25] O seu Thiago quer dar os seus recadinhos?

[02:28:26] Os seus recadinhos a jato aí?

[02:28:27] Esse birô francês aí

[02:28:30] Nos Estados Unidos ele tá

[02:28:32] No AMC Plus

[02:28:34] E na Apple TV

[02:28:36] Na

[02:28:38] Inglaterra ele tá

[02:28:40] Na Apple TV

[02:28:41] Em Portugal não tem, no Brasil não tem

[02:28:44] Na França ele tá no Canal Plus

[02:28:47] No Brasil tem

[02:28:48] Quando cai do caminhão

[02:28:49] Ah, no Brasil tem

[02:28:52] Você vai catar do caminhão pra mim, então, né

[02:28:54] É, seu Thiago

[02:28:55] Ah, sempre sobra pra eu fazer isso, né

[02:28:57] Tá bom, vamos lá

[02:28:59] Tem o pessoal que é pirata

[02:29:02] Eu, na real, eu tô praticamente uma marinha mercante

[02:29:05] Porque eu só levo as coisas sob encomenda

[02:29:07] Tadinho, eu peço

[02:29:10] Ele cata as coisas tudo pra mim depois

[02:29:12] É, tá

[02:29:14] Isso dito, então, o pessoal vai ter que se virar

[02:29:17] Mas estão todos acostumados, já sabem

[02:29:18] Vamos aos recadinhos

[02:29:20] Pra eu poder fechar o olho

[02:29:21] Sim, senhora

[02:29:22] Sim, senhora

[02:29:24] De recadinhos

[02:29:25] Quem quer falar conosco, redes sociais

[02:29:27] Dona Letícia Dacker é

[02:29:30] Arroba Pacamanca no Twitter

[02:29:32] E eu acho que só no Twitter, né

[02:29:34] No Insta também, mas eu não posto nada de interessante

[02:29:38] Ah, então tá, então só no Twitter

[02:29:39] Eu sou o Thiago

[02:29:41] Underline, underscore é o caralho

[02:29:43] Underline CZZ

[02:29:45] O nosso programinha aqui

[02:29:49] É o Pistolando Pod

[02:29:51] Em todas as redes de arroba

[02:29:52] Tanto no Twitter

[02:29:54] Quanto no Instagram

[02:29:55] E se quiser falar conosco

[02:29:59] No e-mail temos o contato

[02:30:01] Arroba Pistolando.com

[02:30:03] Lembrando, sem BR

[02:30:04] Bem como o site

[02:30:06] Pistolando.com

[02:30:07] Que é onde você vai encontrar os links

[02:30:10] Pra tudo que falamos aqui

[02:30:11] De série francesa

[02:30:14] A policial chinês

[02:30:15] A manuscrito do Mar Morto

[02:30:18] A gente

[02:30:20] Tomando cogumelo

[02:30:22] E falando que é filho de Deus

[02:30:24] O que que eu tô esquecendo, dona Letícia?

[02:30:29] Parcerias

[02:30:30] Ah, parcerias é com você

[02:30:31] Parcerias é com você

[02:30:33] Eu não tô com a pauta aberta

[02:30:34] Eu sempre esqueço esses links

[02:30:35] Como é que você não lembra disso, Thiago?

[02:30:38] Meu Deus do céu

[02:30:38] Veste Esquerda.com.br

[02:30:42] Comprar sua camisetinha esquendopata

[02:30:44] Ofensiva pro seu vizinho, pro seu tio

[02:30:46] Do zap

[02:30:47] Você vai usar na cara dele pra ele ficar bem triste

[02:30:49] Chateado com você, puto, que é ótimo

[02:30:51] De repente explode uma artéria

[02:30:52] Nunca se sabe

[02:30:54] Usando o código de desconto

[02:30:56] Pistola10, você tem 10% de desconto

[02:30:59] Temos uma parceria com

[02:31:01] aboitempoeditorial.com.br

[02:31:03] Barra Pistolando

[02:31:04] E mais nada

[02:31:06] Mas temos o catarse.me

[02:31:08] Barra Pistolando

[02:31:09] Temos o patreon.com.br

[02:31:11] Para quem está fora do Brasil

[02:31:13] Tem o PicPay, que é só Pistolando

[02:31:16] Só tem a gente lá mesmo

[02:31:17] E se quiserem fazer um Pix

[02:31:20] Contato arroba pistolando.com

[02:31:22] É a nossa chave Pix

[02:31:23] E não se esqueçam

[02:31:24] De duas coisas

[02:31:26] Quem contribui com a gente

[02:31:27] Primeiro, entra nos grupinhos malucos

[02:31:30] Que temos lá dos apoiadores

[02:31:31] Que já são oito grupos

[02:31:33] Ou nove, eu estou perdido já

[02:31:35] E além disso, mês que vem

[02:31:38] Tem sorteio

[02:31:39] Dos dois livrinhos que ganhamos aqui

[02:31:42] Da editora Kalinka

[02:31:43] Sobre a literatura

[02:31:45] Infanto-juvenil russa

[02:31:47] Então

[02:31:49] Entrem no nosso grupinho

[02:31:52] De apoiadores o quanto antes

[02:31:54] Quem tiver lá ao final

[02:31:56] Ao final de maio

[02:31:58] Ah, tem outro?

[02:32:00] Porra, Thiago

[02:32:01] Ô Letícia

[02:32:02] Os cursos

[02:32:04] Ah, meu Deus do céu

[02:32:05] Falamos disso na outra hora então

[02:32:07] Eu não estou com as anotações

[02:32:09] Não estou com nada aqui

[02:32:10] Está foda

[02:32:11] Eu só acordei e assisti Fórmula 1

[02:32:14] Não fiz nada hoje

[02:32:15] Não estou julgando

[02:32:18] Não estou julgando

[02:32:21] Então tá, é isso aí

[02:32:24] Acabou?

[02:32:25] Tá, tá, acabou então

[02:32:27] Ok

[02:32:28] Ótimo

[02:32:29] Tupá, muito obrigada pelo seu autoconvite

[02:32:32] Caiu como uma luva

[02:32:34] Adorei o papo, aprendi um milhão de coisas

[02:32:35] Vou sonhar com esses pedaços de papiro agora

[02:32:38] São lindos

[02:32:39] São lindos

[02:32:41] Eu vou deixar até aberta a página aqui

[02:32:42] Para ficar de vez em quando lá olhar

[02:32:43] Porque é muito, muito interessante mesmo

[02:32:45] Adorei

[02:32:46] Então valeu, Zassu

[02:32:47] Sempre que quiser, pode falar comigo

[02:32:49] Eu adoro falar sobre o assunto

[02:32:51] Muito obrigada, Fôrma

[02:32:54] Tem me aceitado

[02:32:55] Eu tinha muito tempo para me convidar

[02:32:58] Imagina

[02:33:00] Eu falo, não Tupã, não quero gravar com você

[02:33:01] Ninguém nunca

[02:33:04] Não existe isso, amiga

[02:33:05] Isso não existe

[02:33:06] Foi ótimo, adorei

[02:33:08] Obrigada mesmo

[02:33:10] Foi bom demais, muito obrigado

[02:33:12] Eu lembro de ano passado

[02:33:17] A gente ter visto aquele negócio

[02:33:18] Sobre uma nova caverna

[02:33:20] Que poderiam aparecer novidades

[02:33:22] Mas a gente ficou naquela direção

[02:33:24] Meu, primeiro

[02:33:25] Todo mundo vai falar disso daqui pra frente

[02:33:27] Então não adiantava a gente

[02:33:30] Entrar nessa barca

[02:33:32] Naquele momento

[02:33:33] Segundo, acabaram de anunciar isso

[02:33:36] Até começar a sair alguma coisa

[02:33:38] De realmente novidade

[02:33:40] Desse negócio, vai demorar um monte

[02:33:41] A gente foi empurrando, foi empurrando

[02:33:44] E simplesmente não fizemos esse episódio

[02:33:46] Ainda bem que aconteceu agora

[02:33:48] Aconteceu num ótimo timing

[02:33:50] E ainda é comemoração de 75 anos

[02:33:53] Talvez

[02:33:53] Maravilhoso

[02:33:54] Vai ter bolinho

[02:33:56] Vai ter uma conferência no final do ano

[02:33:59] E o cartaz da conferência

[02:34:02] É uma cabra com bolinho

[02:34:04] É muito bonitinho o cartaz

[02:34:05] Que coisa fantástica

[02:34:07] Eu vou ver se eu acho o desenho pra mandar pra vocês

[02:34:10] Achei, me manda

[02:34:10] Adorei

[02:34:14] A cabra faz parte do folclore

[02:34:16] Então beleza, gente

[02:34:19] Até semana que vem

[02:34:20] Semana que vem tem BMF

[02:34:21] Garantido

[02:34:22] Então adeus

[02:34:23] Semana que vem certamente tem BMF

[02:34:25] Eu tenho 75 links aqui

[02:34:27] Literalmente 75 links

[02:34:30] Fico feliz

[02:34:31] Deus tá vendo

[02:34:32] Até semana que vem, gente

[02:34:37] Beijo

[02:34:38] Valeu, muito obrigado

[02:34:40] Até mais

[02:34:41] Este podcast foi editado por

[02:34:53] Gente, dois segundos que a minha gata

[02:34:55] Tá tentando abrir a porta desesperadamente

[02:34:58] Sem problema

[02:35:01] E é óbvio que quando você abre a porta

[02:35:03] O gato fica parado nela, né?

[02:35:04] Te olhando

[02:35:05] É pra isso que ele serve

[02:35:08] O gato ele é contra

[02:35:11] O que se fecha em portas

[02:35:13] Na vida, né?

[02:35:14] Ele quer que os caminhos estejam abertos

[02:35:16] Não necessariamente ele quer passar por aquele caminho