Pistolando #157 - Direitos autorais
Resumo
No episódio 157 do Pistolando Podcast, os hosts Thiago Corrêa e Letícia Dacquer recebem a advogada e professora Patrícia Arias para um bate-papo aprofundado sobre direitos autorais. O episódio, gravado no aniversário de quatro anos do podcast, começa com uma breve conversa sobre a dificuldade de conciliar agendas e a saturação de convidados no cenário de podcasts atual, antes de mergulhar no tema principal.
Patrícia explica os fundamentos do direito autoral, diferenciando a proteção da expressão de uma ideia (e não da ideia abstrata) e abordando a distinção entre direitos patrimoniais e morais do autor. Ela detalha como a lei brasileira, influenciada pelo direito francês, protege tanto a exploração econômica quanto a integridade da obra vinculada à personalidade do criador. A conversa percorre a história do direito autoral, desde seu surgimento ligado à invenção da imprensa e às reivindicações dos editores, passando pelos movimentos internacionais de proteção como a Convenção de Berna de 1886.
Os hosts exploram as complexidades e zonas cinzentas na aplicação da lei, especialmente em áreas como arte, design e sátira, onde a linha entre referência e plágio é tênue. Thiago traz à tona o emblemático caso do Mickey Mouse e as sucessivas extensões do prazo de copyright nos EUA, motivadas pelo lobby da Disney. Patrícia alerta, no entanto, que muitas empresas hoje protegem personagens como marcas tridimensionais, o que pode perpetuar o controle mesmo após a expiração dos direitos autorais.
A discussão também aborda os limites e deficiências da Lei 9.610/98 (Lei de Direitos Autorais brasileira), que não acompanha adequadamente as novas tecnologias e realidades digitais. São discutidos os mecanismos de uso justo (fair use), as licenças Creative Commons (que invertem a lógica do ‘tudo proibido, exceto o autorizado’) e a importância do acesso a bens culturais para a identidade e dignidade coletivas. O episódio termina com dicas práticas para criadores de conteúdo, como podcasters, sobre como navegar os riscos de uso de obras protegidas, enfatizando a busca por autorização, o uso de obras em domínio público e a transparência ética.
Indicações
Filmes
- Tico e Teco: Defensores da Lei — Filme de 2022 que mistura animação 2D, 3D, CGI e outras técnicas. Thiago destaca a trama noir e o fato de os vilões produzirem versões pirateadas e ‘capengas’ de personagens famosos, relacionando-se diretamente com a discussão sobre direitos autorais e paródias.
Guias
- Podcasting Legal Guide (Creative Commons) — Guia lançado pela Creative Commons explicando o que significam as várias licenças no contexto de podcasting. Patrícia menciona que inclui até um símbolo específico para podcasts, o ‘Podsafer’, e é um recurso valioso para produtores entenderem seus direitos e limites.
Livros
- Manual for Cleaning Women (por Lucia Berlin) — Livro de contos e crônicas curtos da autora americana Lucia Berlin. Letícia recomenda pela escrita esteticamente interessante e pela escolha vocabular peculiar, destacando que a autora é uma ‘maga das palavras’ apesar de ser pouco conhecida do grande público.
Websites
- Tonic (Thony C.) — Blog de um historiador da ciência focado em matemática renascentista, com posts detalhados, ilustrações de compêndios da época e histórias sobre figuras como Johannes Kepler. Thiago recomenda pela forma cativante como apresenta tretas e curiosidades históricas.
Linha do Tempo
- 00:07:15 — Definição e fundamentos do direito autoral — Patrícia Arias explica que o direito autoral é uma ferramenta jurídica que concede exclusividade de mercado para quem cria uma obra original. Ela diferencia a proteção da expressão concreta da ideia (como um livro escrito) da ideia abstrata em si (como a premissa de uma história). A originalidade aqui significa que a obra foi criada pelo autor, não copiada, e não necessariamente que é nova ou inédita.
- 00:17:12 — História do direito autoral e o papel da imprensa — A convidada traça a origem histórica do direito autoral, vinculando-a à invenção da imprensa, que facilitou a reprodução em massa e gerou a necessidade de proteção. Ela menciona a influência da Revolução Francesa e do liberalismo na concepção de direitos subjetivos, incluindo os direitos autorais. As primeiras leis, como a de 1790 nos EUA, surgiram nesse contexto, inicialmente mais focadas em proteger editores do que autores propriamente ditos.
- 00:34:00 — Diferenças entre direito moral e patrimonial e prazos de proteção — Patrícia detalha a divisão entre direitos patrimoniais (que podem ser cedidos ou transferidos) e direitos morais (irrenunciáveis e ligados à personalidade do autor, como o direito à integridade da obra). Ela compara os sistemas jurídicos, notando que o Brasil segue a tradição francesa, com forte proteção moral. São explicados os prazos de proteção no Brasil (vida do autor + 70 anos) e as variações em outros países, como as extensões nos EUA que protelaram a entrada do Mickey Mouse em domínio público.
- 00:48:34 — Estratégias contemporâneas: marcas tridimensionais e o caso Mickey — A discussão aborda como grandes empresas como Disney e Mauricio de Sousa estão migrando a proteção de personagens do direito autoral para o registro como marcas tridimensionais. Como marcas podem ser renovadas indefinidamente a cada 10 anos, essa estratégia cria uma proteção perpétua, contornando a limitação temporal do domínio público. Isso significa que mesmo com a expiração dos direitos autorais do Mickey, seu uso comercial pode continuar restrito.
- 01:08:44 — Limites, Creative Commons e defasagem da lei brasileira — Patrícia analisa os limites aos direitos autorais na lei brasileira (artigo 46 da Lei 9.610), como citações e paródias, mas ressalta que a legislação está defasada frente à realidade digital. Ela introduz as licenças Creative Commons, que invertem a lógica para ‘tudo permitido, exceto o proibido’, e menciona guias específicos para podcasters. A conversa enfatiza a importância da transparência, do uso ético e da busca por autorização para minimizar riscos.
- 01:25:03 — O direito autoral como instrumento e questões de acesso cultural — A convidada propõe enxergar o direito autoral mais como um meio do que como um fim, cujo uso pode beneficiar criadores ou apenas intermediários. Ela levanta questões sobre o acesso a bens culturais importantes para a identidade coletiva (como músicas ou rituais indígenas) e como o direito autoral pode, às vezes, impedir esse acesso. São mencionadas brechas como licenças compulsórias por interesse público, ainda pouco exploradas no Brasil.
Dados do Episódio
- Podcast: Pistolando Podcast
- Autor: Leticia Dáquer e Thiago Corrêa
- Categoria: News Politics News News Commentary
- Publicado: 2022-06-22T16:25:37Z
- Duração: 02:02:37
Referências
- URL PocketCasts: https://podcast-api.pocketcasts.com/podcast/full/b6a05580-5917-0136-fa7c-0fe84b59566d/b95ac616-e2a3-440f-8788-07d069232d78
- UUID Episódio: b95ac616-e2a3-440f-8788-07d069232d78
Dados do Podcast
- Nome: Pistolando Podcast
- Tipo: episodic
- Site: http://www.pistolando.com
- UUID: b6a05580-5917-0136-fa7c-0fe84b59566d
Transcrição
[00:00:00] Sejam muito bem-vindos, pistoleiros e pistoleiras!
[00:00:28] Esse é o Pistolando Podcast número 157 e eu sou o Thiago Corrêa e inverti a ordem das coisas.
[00:00:35] Por que você inverteu o quê?
[00:00:37] Porque eu devia falar primeiro quem eu sou e só depois o número do episódio, não?
[00:00:41] Não!
[00:00:43] Cara, tem tanto tempo que a gente não grava que a gente nem sabe mais nem fazer a abertura mais.
[00:00:47] Exato, a gente tá emburrecendo, a gente tá desaprendendo a fazer um negócio que a gente inventou.
[00:00:54] Porque não que a gente inventou o podcast, mas que a gente inventou o nosso podcast.
[00:00:57] A sarna pra se costurar.
[00:00:58] Pra se pensar, no caso, é.
[00:01:00] É, acho que eu prefiro o conceito de criatividade, vocês estão se recriando todos os dias.
[00:01:05] Olha, não tinha pensado, não tinha pensado desse ponto de vir.
[00:01:09] Falta que faz uma pessoa otimista, né?
[00:01:12] Alguém na mesa tem que estar com esperança, porque senão é só bater a cabeça.
[00:01:16] Mas, eu sou Letícia Dacquer.
[00:01:19] Eu já falei que eu sou o Thiago Corrêa, né?
[00:01:21] Você já falou, né?
[00:01:22] Falei, falei, falei.
[00:01:23] E aí, Letícia Dacquer, você quer fazer algum comentário?
[00:01:28] Sobre esse período de hiato forçado ou qualquer outra coisa?
[00:01:33] Menina, esse período de hiato forçado, como sempre, é dificuldade de conciliar agendas.
[00:01:38] Porque ou as pessoas estão, tipo, voltando à vida depois da pandemia e tá todo mundo sem tempo.
[00:01:44] Ou as pessoas estão de saco cheio de falar online, conversar online.
[00:01:47] Que não as culpa, porque eu também estou.
[00:01:50] Ou a gente é muito chato e as pessoas detestam a gente.
[00:01:53] Não sei, não sei o que que é.
[00:01:54] Tem outra coisa aí que o bagulho de podcast cotizou, né?
[00:01:58] Qualquer arrombado hoje tem um podcast?
[00:02:00] É.
[00:02:01] Então, assim, todo mundo tá sendo chamado pra falar sobre alguma coisa em algum lugar, assim.
[00:02:06] É, verdade.
[00:02:07] Então, eu acho que alguns convidados talvez estejam um pouco saturados, né?
[00:02:11] De falar pra tantos meios.
[00:02:14] Quase sempre é o mesmo tema ou é uma pequena variação dentro do tema.
[00:02:20] É.
[00:02:20] Não é o tipo de problema que a gente tem, porque a gente tá sempre procurando coisa um pouco diferente do…
[00:02:28] Que ninguém tá falando.
[00:02:28] Tá em cima, assim, do que é o holofote atual.
[00:02:31] Mas a gente também acaba um pouco impactado e deu esse shabu aí, né?
[00:02:37] Deu esse shabu no pior momento que poderia, que é o momento de aniversário do podcast.
[00:02:41] Estamos gravando, inclusive, no dia do aniversário.
[00:02:45] Cara!
[00:02:46] De quatro anos do podcast.
[00:02:47] É mesmo?
[00:02:48] Eu nunca lembro disso, gente.
[00:02:49] Eu não lembro nem do meu aniversário de casamento, você sabe, né?
[00:02:54] Então…
[00:02:54] Ah, eu só…
[00:02:56] Eu só lembro disso.
[00:02:57] É 20 do 6.
[00:02:58] Pô, então parabéns, seu Tiago.
[00:03:00] Parabéns pra nós.
[00:03:01] É, é.
[00:03:02] É alguma coisa parecida com isso aí.
[00:03:05] Mas vem cá.
[00:03:05] É.
[00:03:06] Hum?
[00:03:07] É…
[00:03:08] Você tá falando que a gente faz uns temas que não são os temas que todo mundo tá falando, né?
[00:03:12] Então, sim.
[00:03:13] Tem alguém falando de…
[00:03:14] E aí, o que vai acontecer?
[00:03:15] De direitos autorais hoje, por aí, assim?
[00:03:17] Tem a aparecer pra você, em algum momento?
[00:03:19] Nesses dias?
[00:03:20] Então, assim, ninguém tá falando de direitos autorais.
[00:03:23] Hum.
[00:03:24] Mas ano que vem, todo mundo vai falar de direitos autorais.
[00:03:27] Direitos autorais?
[00:03:28] Porque é o ano que vai expirar a licença do Mickey.
[00:03:33] Ano 2024?
[00:03:35] É 2023.
[00:03:36] Ih, rapaz.
[00:03:39] Então…
[00:03:39] Assim, ano que vem vai virar uma loucura.
[00:03:42] Vai virar um salseiro de todo mundo querendo falar sobre isso.
[00:03:45] A gente que não é bobo nem nada largou na frente.
[00:03:48] E vai poder esfregar na cara de todo mundo que falamos disso antes de ser modinha.
[00:03:53] Hum.
[00:03:53] Então, pra poder falar sobre…
[00:03:57] Isso como…
[00:03:58] É…
[00:03:59] Não somos especialistas.
[00:04:01] Óbvio, temos a nossa convidada especialista.
[00:04:03] Que, inclusive, já fez a sua participação.
[00:04:06] Já começou muito bem começada.
[00:04:07] Já colocou a sua voz.
[00:04:08] Então, seja muito bem-vinda, Patrícia Arias.
[00:04:13] Eu preciso perguntar isso.
[00:04:14] Eu vou perguntar no ar.
[00:04:15] É Arias, Arias, Arias ou Clayton, não sei.
[00:04:21] Lucas.
[00:04:21] A segunda opção.
[00:04:23] Arias.
[00:04:24] Arias.
[00:04:24] Arias.
[00:04:25] Ok.
[00:04:26] Arias.
[00:04:27] Isso.
[00:04:27] Mas sempre fica Arias porque o Word acaba acentuando por conta própria.
[00:04:32] Ah, e ele não tem acento.
[00:04:34] É, não tem acento.
[00:04:35] Mas isso é normal.
[00:04:36] Não se preocupa, não.
[00:04:37] Tá.
[00:04:37] Não, eu sou Letícia sem acento.
[00:04:39] Deveria ter, mas não tem.
[00:04:40] E aí, por exemplo, o navegador fala, destino de Letícia à esquerda.
[00:04:46] Porque ele está lendo corretamente porque deveria ter o acento.
[00:04:49] E tô acostumada também.
[00:04:50] Não tem problema.
[00:04:51] Mas tá, bom saber que detesta mais pessoas pelo nome pronunciado errado.
[00:04:55] Fico nervosa.
[00:04:55] Sem problema.
[00:04:57] Agora estamos lá.
[00:04:58] Patrícia, você apresenta aí para o pessoal, então.
[00:05:01] Sim.
[00:05:02] Olá, tudo bem?
[00:05:03] Antes de me apresentar, parabéns para vocês.
[00:05:05] Ah, brincando.
[00:05:06] Nossa, que bacana.
[00:05:08] Aniversário.
[00:05:09] Eu tive que me conter porque às vezes eu não aguento.
[00:05:12] Eu ia falar na hora, eu falei, não, mas é muita interrupção, não é uma confusão.
[00:05:15] Mas pode falar.
[00:05:16] Tipo, se fosse eu, eu teria batido palminha, entendeu?
[00:05:19] Quase que eu fiz isso.
[00:05:20] Eu cheguei a controlar a mão, mas me deram a dica do microfone, não.
[00:05:24] Deixou quietinho.
[00:05:26] Imóvel.
[00:05:27] Olha, parabéns para vocês, parabéns pela trajetória, que vem outros mais 4, 5, 10,
[00:05:34] 20 anos, enfim, vocês inventando, reinventando, trazendo conteúdo, diversão para a gente
[00:05:40] e também reflexões.
[00:05:41] Acho que isso é fundamental.
[00:05:44] A gente agradece a disponibilidade de vocês, né?
[00:05:47] Bem legal.
[00:05:48] E olha, me sinto muito honrada por estar nessa data aqui.
[00:05:51] A gente que agradece pela presença.
[00:05:54] E você sabe que meu aniversário foi em junho também, né?
[00:05:57] Olha, ó.
[00:05:58] Ó, tá vendo?
[00:05:59] É distinto.
[00:06:00] Juntou tudo.
[00:06:01] Só é, tá escrito nas estrelas.
[00:06:03] Ah, daqui a pouco um ouvinte vai mandar aí mapa astral do podcast.
[00:06:07] Vai.
[00:06:07] E aí eu vou fingir que não tô vendo.
[00:06:09] Que vocês conhecem.
[00:06:12] Legal.
[00:06:14] Então, meu nome é Patrícia, eu sou advogada.
[00:06:18] E atualmente eu dou aula numa universidade em Joinville, Santa Catarina, na Univili.
[00:06:23] E na universidade eu dou aula no curso de Direito.
[00:06:26] E também no mestrado e no doutorado em Patrimônio Cultural e Sociedade.
[00:06:31] E também sou professora colaboradora do Profinit, na UFSC.
[00:06:35] Sou convidada lá por eles.
[00:06:38] E desde 2003, mais ou menos, eu venho pesquisando, enfim, atuando na área de propriedade intelectual.
[00:06:46] Inicialmente, contratos internacionais de software.
[00:06:49] Depois, e também direito autoral.
[00:06:51] Aí depois, agora, eu tô meio que pendendo.
[00:06:55] Bem de 2011 pra cá.
[00:06:56] Pra cá, né, trabalhando essa relação da propriedade intelectual com cultura.
[00:07:00] Patrimônio cultural, identidade, direitos culturais.
[00:07:04] Tem sido uma aventura bem divertida.
[00:07:07] Eu acho que a gente tem que começar pelo começo até pra meio que estabelecer alguns pontos pacíficos, né?
[00:07:15] Então, tipo, o que exatamente é o direito autoral, assim?
[00:07:19] Qualquer um pode, sei lá, qualquer um pode clamar o direito.
[00:07:26] Pode reclamar o direito autoral por qualquer coisa que faça,
[00:07:31] desde que consiga provar que foi você que fez.
[00:07:33] Como é que funciona isso?
[00:07:35] Mais ou menos, Thiago.
[00:07:36] Ótima pergunta.
[00:07:37] Então, o direito autoral, ele é uma ferramenta jurídica, uma lei,
[00:07:42] onde o Estado concede uma exclusividade de mercado pra quem cria uma obra original.
[00:07:51] E original aqui, não necessariamente naquele conceito de novidade.
[00:07:56] Porque daí tá mais relacionados à patente, né?
[00:08:00] É uma outra vibe.
[00:08:02] É original no sentido de que fui eu quem fiz, eu não copiei de ninguém.
[00:08:07] A obra originária é minha.
[00:08:10] Então, se você tem uma criação de diversa, assim, de qualquer natureza,
[00:08:16] artística, científica, literária, que esteja em qualquer tipo de suporte material ou imaterial,
[00:08:23] que seja uma criação.
[00:08:26] Original, o instrumento jurídico dos direitos autorais te vai conceder uma exclusividade de mercado
[00:08:35] sobre a expressão da sua ideia, e não sobre a ideia abstrata.
[00:08:41] Não sei se eu explico um pouco melhor esse conceito.
[00:08:44] Eu acho que vai precisar.
[00:08:47] Assim, trocando em miúdos.
[00:08:48] Eu quero escrever um livro sobre um rapaz que se apaixona por uma moça
[00:08:55] e eles não podem ficar juntos.
[00:08:56] Porque as famílias são inimigas mortais, e aí eles criam um plano mirabolante,
[00:09:02] e não dá muito certo, tá?
[00:09:05] Tá vendo que há uma ideia de escrever um livro.
[00:09:09] Entretanto, se eu nunca escrevo um livro, e alguém escreve um livro com essa ideia abstrata,
[00:09:16] e claro, não é um roteiro, é uma ideia que surge de escrever um livro
[00:09:21] com mais ou menos esse argumento, assim, né?
[00:09:25] É…
[00:09:26] É…
[00:09:26] Então, eu não posso impedir que a pessoa escreva um livro.
[00:09:28] Por que eu não escrevi?
[00:09:30] Ah, eu quero escrever um livro sobre podcasts.
[00:09:33] Só que eu nunca escrevi um livro, qualquer um pode escrever.
[00:09:36] Então, ele não me dá uma exclusividade ou direitos sobre uma ideia abstrata.
[00:09:42] Ah, agora eu falei pra todo mundo que eu quero escrever um livro sobre podcasts.
[00:09:48] Agora ninguém mais pode escrever um livro sobre podcasts.
[00:09:50] Entendi.
[00:09:51] Entende?
[00:09:52] Isso não pode.
[00:09:53] Agora, se eu escrever um livro sobre podcasts,
[00:09:56] e alguém for lá e copiar três parágrafos do meu livro sem devida citação,
[00:10:02] ou sem os requisitos legais pra isso, né, que são os limites aos direitos autorais,
[00:10:07] aí eu posso reivindicar.
[00:10:09] Aí é uma outra coisa.
[00:10:10] Uhum.
[00:10:12] Entendi.
[00:10:12] Quando a gente pensa nisso pra, por exemplo, um livro,
[00:10:15] soa muito mais próximo do que é exatamente o plágio que a gente tá mais acostumado a ver,
[00:10:22] que é o acadêmico, né?
[00:10:24] Isso.
[00:10:24] Então, aquela…
[00:10:26] Aquele formatinho de citação que você tem que aprender lá no primeiro semestre de qualquer faculdade e tal, né?
[00:10:32] Isso.
[00:10:33] Já fica um pouco mais…
[00:10:34] Um pouco mais claro.
[00:10:36] Mas quando a gente vai pra parte de arte mesmo,
[00:10:39] isso é um lance muito, muito mais tênue, né?
[00:10:43] Tem um tom de cinza bem estranho aí, né?
[00:10:47] Bem cinza, viu?
[00:10:49] Diga-se de passagem.
[00:10:51] Porque daí você tem a questão, né?
[00:10:53] O que é referência?
[00:10:56] E o que é arte?
[00:10:58] A gente vê isso, por exemplo…
[00:11:00] Esses tempos mais atrás, eu tava conversando com o pessoal do design, né?
[00:11:04] E a gente conversando sobre isso, né?
[00:11:06] O que é referência e o que é criação a partir disso.
[00:11:10] A gente não cria as coisas do zero, né?
[00:11:13] A gente aprende coisas, vê coisas, enfim.
[00:11:16] Pesquisa antes.
[00:11:17] Então, a gente não gera as coisas do zero.
[00:11:20] A gente não tá isolado, né?
[00:11:21] Ainda mais hoje em dia.
[00:11:22] Eu entendo a escrita ter sido inventada independentemente em dois continentes,
[00:11:26] que não se falavam.
[00:11:27] Mas hoje em dia, não tem como.
[00:11:29] A gente tá exposto a tudo que os outros fazem, né?
[00:11:33] É muito raro você poder dizer que inventou uma coisa ao mesmo tempo que outra pessoa,
[00:11:37] sem nunca ter tido nenhum conhecimento do que o outro fez, né?
[00:11:41] A gente tá o tempo inteiro sendo bombardeado com referência.
[00:11:43] Vai misturando tudo na cabeça.
[00:11:45] Não é uma escolha consciente, eu acho, né?
[00:11:47] Muitas vezes.
[00:11:47] Com certeza.
[00:11:49] Com certeza.
[00:11:50] Então, às vezes, diferenciar o que é referência e o que é uma criação originária,
[00:11:55] fica, às vezes, na seara do detalhe, né?
[00:11:59] Então, eu vou ter que contratar um perito.
[00:12:01] O perito vai ter um perito técnico naquela área.
[00:12:04] Por exemplo, artes plásticas, artes visuais, design de produto, enfim, né?
[00:12:10] Artista gráfico.
[00:12:13] Ele vai ter que analisar de forma técnica aquele desenho, aquela criação,
[00:12:19] e ver o que coincide e o que não coincide.
[00:12:21] E o que coincide?
[00:12:24] O que é?
[00:12:24] O que é natural daquele objeto e o que é algo criativo, originário.
[00:12:29] Por exemplo, eu não posso exigir exclusividade se eu fizer uma camiseta
[00:12:35] com um orifício pra colocar a cabeça, dois orifícios pra colocar o braço e ficar o tronco,
[00:12:40] porque isso é próprio de qualquer camiseta, entende?
[00:12:44] Não é nada originário ou algo criativo eu fazer uma camiseta no formato de camiseta.
[00:12:52] Eu não posso exigir exclusividade sobre isso.
[00:12:54] Agora, eu coloco uma caída de ombro diferente, que conecta a uma coisa de uma touca.
[00:13:03] Eu imagino que alguém que trabalha com moda me ouvindo falar isso deve ter pensado assim também que ela fez direito, né?
[00:13:12] Eu imagino, mas tudo bem.
[00:13:14] Eu tenho um probleminha grave com criatividade e não realidade, mas tá tudo bem, vamos lá.
[00:13:20] Mas enfim, eu invento uma coisa muito louca, né?
[00:13:22] Aí sim, algo que não é vulgar.
[00:13:24] Vulgar no sentido próprio, natural de ser uma camiseta.
[00:13:30] E isso se aplica à arte, ao design, em embalagens ou produtos.
[00:13:36] Aquilo que é próprio daquele produto, próprio daquela arte, se vulgarizou no tempo, não tem originalidade.
[00:13:46] Então, às vezes eu vou ter que dividir mesmo em partes na questão do detalhe técnico
[00:13:51] pra saber onde se diferencia e onde não.
[00:13:54] E às vezes, tá na área cinza, você falou muito bem, Thiago e Letícia, tá na área cinza.
[00:14:01] A gente tem algumas dicas que pode dar pra quem quer fazer algo totalmente novo, né?
[00:14:07] Então, buscar referências de algo que não seja próprio daquilo.
[00:14:11] Então, por exemplo, eu quero fazer o design de uma cadeira, legal?
[00:14:15] Então, às vezes eu posso buscar inspiração em uma árvore, numa flor, um jardim.
[00:14:24] Ou, sei lá, num carro.
[00:14:28] Que daí eu reduzo os riscos de ser uma reprodução.
[00:14:33] Então, eu posso diversificar as minhas inspirações.
[00:14:37] Mas o risco sempre existe.
[00:14:39] Eu fui curioso com esse negócio de direito autoral porque, assim,
[00:14:42] eu fui pesquisar sobre as leis de direito autoral americanas,
[00:14:47] justamente pra ver esse negócio das N revogações que já teve por causa do Mickey e tal.
[00:14:52] E aí…
[00:14:54] E aí eu descobri que a primeira lei de direito autoral americana,
[00:14:59] que eu imagino que talvez seja a primeira lei de direito autoral do mundo,
[00:15:03] não sei dizer,
[00:15:05] mas que ela é de 1790.
[00:15:08] E aí, o que ele dizia é que os trabalhos poderiam ser protegidos por até 28 anos.
[00:15:15] Então, seriam 14 anos garantidos.
[00:15:18] E se ao fim dos 14 anos, o inventor,
[00:15:23] o dono,
[00:15:24] desse direito autoral ainda estivesse vivo,
[00:15:29] ele poderia reclamar mais 14 anos.
[00:15:32] Senão, em 14 anos, se ele morreu no 13º ano…
[00:15:37] É, acabou. Não tem essa.
[00:15:38] E eu fico…
[00:15:40] Eu achei curioso porque, assim,
[00:15:42] a gente vê aqueles compêndios de matemática renascentista,
[00:15:47] aquelas coisas loucas, assim.
[00:15:48] A gente quem?
[00:15:49] Deixa pra minha dica cultural do final do episódio.
[00:15:54] Então tá bom.
[00:15:54] Então a gente…
[00:15:56] Deu até medo agora.
[00:16:00] A gente vê aqueles trabalhos científicos antigos, assim, né?
[00:16:05] Você pega coisa de, sei lá, trigonometria,
[00:16:09] feito na Idade Média, coisa maluca, assim.
[00:16:13] E o pessoal já fazia citações
[00:16:16] num formato, claro que não similar,
[00:16:20] não com a padronização que a gente conhece hoje,
[00:16:22] mas num formato muito…
[00:16:24] Muito parecido na questão de respeito e reverência
[00:16:27] às obras que vieram antes que se tem hoje.
[00:16:31] E até porque era muito daquele negócio de
[00:16:34] os cientistas daquela época estarem se correspondendo o tempo todo, né?
[00:16:39] E aí você faz um trabalho citando o tempo todo o fulano lá
[00:16:43] porque o fulano vai te mandar uma carta
[00:16:46] com os pontos que você levantou
[00:16:48] e vocês podem trabalhar em outra coisa junto, é isso.
[00:16:52] Só que, assim,
[00:16:53] como funcionava esse diabo antes de 1790
[00:16:57] pra questões artísticas, comerciais, assim?
[00:17:01] Tipo, existia alguma coisa, um proto-copyright, assim,
[00:17:07] que era utilizado anteriormente ou não?
[00:17:12] Ótima pergunta, Tiago.
[00:17:13] Isso daí é que é o seguinte.
[00:17:16] Tem alguns elementos, tanto de tecnologia
[00:17:19] quanto de própria concepção de sociedade
[00:17:23] que mudaram com o tempo, né?
[00:17:24] Então, por exemplo,
[00:17:26] um ponto muito importante pro surgimento e criação do copyright
[00:17:30] ou do direito autoral,
[00:17:31] que copyright e direito autoral também tem concepções diferentes
[00:17:34] que eu posso explicar depois, tá?
[00:17:39] Foi a criação da imprensa.
[00:17:42] Porque até então, as reproduções de publicações,
[00:17:46] de livros, etc.,
[00:17:48] era feito tudo por meio de copistas.
[00:17:50] Sim.
[00:17:50] Então, principalmente nos monólogos,
[00:17:53] nas séries, os monges, né?
[00:17:54] Se eu tô falando certo.
[00:17:56] Desculpe algum historiador que esteja ouvindo.
[00:17:58] Tem alguns, tem alguns, mas você está certo.
[00:18:00] Tem alguns que estão lá, aliás, isso é certo.
[00:18:03] Estão lá copiando.
[00:18:04] Então, era um trabalho árduo, demorado, etc.
[00:18:07] Com a criação da imprensa,
[00:18:10] a cópia ficou mais fácil.
[00:18:12] E aí começaram a ser vindicações.
[00:18:15] Então, isso deu um pulo
[00:18:19] no tipo de direito que deveria existir,
[00:18:23] a criação da imprensa.
[00:18:23] E aí começaram a ser vindicações
[00:18:26] de como proteger esses direitos.
[00:18:29] Aí a gente se pergunta, né?
[00:18:31] Quando surge, por exemplo, a propriedade intelectual,
[00:18:33] direito de patente, direito de marca, né?
[00:18:37] Enquanto direito subjetivo é…
[00:18:42] Bem, vamos lá.
[00:18:43] Lembrando da disciplina de história do direito,
[00:18:46] que eu não fui lá uma das melhores, tá?
[00:18:50] Mas aí que remete à questão da Revolução Francesa.
[00:18:53] Então, antes da Revolução Francesa,
[00:18:55] você tinha…
[00:18:56] O Estado, ele tinha um poder muito grande
[00:18:59] sobre até de vida e morte, né?
[00:19:01] Dos seus súditos.
[00:19:03] Então, você, na época dos senhores feudais,
[00:19:05] você ia lá e falava,
[00:19:06] olha, esse merece viver, esse merece morrer.
[00:19:09] E com a Revolução Francesa, isso mudou um pouco.
[00:19:11] Até tem o liberalismo, a partir daí, né?
[00:19:14] Que fala, olha, o homem, por ser homem, tem direitos.
[00:19:19] Só pelo fato de ser homens.
[00:19:21] E o Estado,
[00:19:23] ele tem que respeitar esses direitos.
[00:19:25] Então, ainda que não tenha uma lei
[00:19:28] que proteja o homem escrita,
[00:19:31] o fato de ser homem, ele tem alguns direitos inerentes.
[00:19:33] Como, por exemplo, o direito à própria vida.
[00:19:35] O Estado não pode vir e tirar a vida dele
[00:19:37] porque ele quer tirar.
[00:19:39] Ele tem direitos.
[00:19:40] E deveres, óbvio, né?
[00:19:42] Então, nessa onda de direitos e deveres,
[00:19:45] começam a surgir várias outras leis.
[00:19:46] Dentre elas, as leis de direitos autorais.
[00:19:49] Você viu, né?
[00:19:50] Em 1790,
[00:19:51] da Rainha Ana, também, na Inglaterra,
[00:19:54] também foi mais ou menos nessa época,
[00:19:57] que dá essa proteção às criações.
[00:20:01] Que, com o surgimento da imprensa,
[00:20:04] se tornou mais fácil a questão da reprodução sem autorização.
[00:20:10] Nesse contexto, também surge a reivindicação
[00:20:13] dos direitos morais do autor.
[00:20:15] Que é algo que, no direito norte-americano,
[00:20:18] não é tão presente quanto no direito francês.
[00:20:21] Então, o direito autoral, ele vai se subdividir
[00:20:24] em dois âmbitos de proteção.
[00:20:26] O direito patrimonial do autor
[00:20:29] e o direito moral do autor.
[00:20:32] O direito patrimonial significa
[00:20:34] que eu concedo autorização
[00:20:38] para alguém usar da minha obra
[00:20:42] ou eu transfiro a propriedade da minha obra,
[00:20:44] eu deixo de ser dono e passo para outra pessoa.
[00:20:47] Então, é o direito de eu usar economicamente
[00:20:49] os direitos autorais.
[00:20:51] Né?
[00:20:51] Então, é o direito de eu usar economicamente os direitos autorais.
[00:20:51] E o direito moral, esse já é irrenunciável e inalienável,
[00:20:57] porque está vinculado à personalidade do autor.
[00:21:00] Ele vem muito da doutrina francesa de direito autoral,
[00:21:03] que significa que, quando eu crio algo,
[00:21:07] é parte de mim que está nesse algo.
[00:21:10] É parte da minha…
[00:21:11] dos meus valores…
[00:21:14] Interpretação diferente?
[00:21:16] É bem diferente.
[00:21:17] É bem diferente.
[00:21:18] E isso dá bastante pano para a mãe,
[00:21:21] quando chega nas práticas,
[00:21:25] ou, eventualmente,
[00:21:26] em algumas obras que são utilizadas
[00:21:28] ou no continente norte-americano
[00:21:30] ou no continente francês,
[00:21:32] dá uma baguncinha boa aí, viu?
[00:21:36] Uns conflitos interessantes.
[00:21:39] E o Brasil, ele é muito próximo do direito francês.
[00:21:44] Então, hoje, nós, na Lei 9.610,
[00:21:47] que é a Lei de Direitos Autorais,
[00:21:49] nós temos a proteção do direito moral,
[00:21:51] do direito moral do autor
[00:21:52] e do direito patrimonial do autor.
[00:21:55] Kant era um cara que reclamava,
[00:21:58] ainda que não houvesse essa concepção
[00:22:00] enquanto direito escrito,
[00:22:02] de direito moral,
[00:22:03] que isso foi surgir depois.
[00:22:06] O direito autoral vai surgir quase
[00:22:08] como uma proteção dos editores.
[00:22:10] Depois ele vai crescendo, vai aumentando.
[00:22:13] O Kant falava, olha, tudo bem,
[00:22:16] vocês copiem minhas obras,
[00:22:17] mas copiem de forma adequada,
[00:22:19] não altera o que eu disse.
[00:22:20] Copia mais do que…
[00:22:21] A gente faz diferente.
[00:22:24] Não altera nem o que eu disse.
[00:22:26] Fala, mas fala diferente, é uma boa.
[00:22:29] Então, ele reivindicava isso.
[00:22:31] Está certo isso.
[00:22:33] Que é muito próprio hoje,
[00:22:35] que daí o direito foi se moldando
[00:22:37] às demandas sociais.
[00:22:40] Lá por volta de 1880,
[00:22:44] um pouquinho antes,
[00:22:46] mas principalmente em 1883 e 1886,
[00:22:50] começa o movimento de proteção internacional.
[00:22:54] Porque, veja, quando eu crio uma coisa,
[00:22:56] ela é imaterial, o conhecimento é imaterial.
[00:22:59] Então, facilmente eu consigo pegar
[00:23:02] um livro da França e reproduzir
[00:23:04] nos Estados Unidos e vice-versa.
[00:23:07] Então, eu não dependo,
[00:23:09] eu não preciso do material
[00:23:11] para reproduzir aquilo que está nesse material.
[00:23:14] E aí, os autores, dentre eles, Vitor Hugo,
[00:23:17] por exemplo, é um que falava, olha,
[00:23:19] não basta ter lei para os países para proteção,
[00:23:22] porque minhas obras,
[00:23:24] principalmente os autores franceses,
[00:23:27] estão sendo copiadas,
[00:23:30] por atores do direito.
[00:23:32] E eles começaram o movimento
[00:23:34] por uma proteção internacional.
[00:23:36] Então, em 1886,
[00:23:38] surge a Convenção da União de Berna,
[00:23:41] que protege os direitos autorais.
[00:23:43] O Brasil, inclusive, foi um dos,
[00:23:45] não sei se é o décimo primeiro
[00:23:47] que assinou essa convenção,
[00:23:48] lá em 1886.
[00:23:51] Enfim, foram os primeiros a assinar.
[00:23:53] É bem interessante.
[00:23:55] Brasil, early adopter de tudo.
[00:23:57] Tá vendo?
[00:23:59] Mas, e assim,
[00:24:01] nesse período ainda se falava
[00:24:03] em direito autoral como
[00:24:05] reservado ao
[00:24:07] autor mesmo, né?
[00:24:09] Já se falava alguma coisa em relação
[00:24:11] à editora, por exemplo?
[00:24:13] Sim, na realidade…
[00:24:14] A direito de sessão de distribuição?
[00:24:17] Então, na verdade,
[00:24:20] grande parte das reivindicações,
[00:24:22] quando surge a imprensa,
[00:24:24] vem pelos editores.
[00:24:26] Ah!
[00:24:28] O autor que entrou depois.
[00:24:30] E os editores, salvo engano,
[00:24:32] posso estar enganada aqui nesse ponto,
[00:24:34] se eu não me lembro de quando eu estudei
[00:24:36] história de direito autoral, mas vamos lá.
[00:24:38] Porque eles estavam reivindicando,
[00:24:40] e aí dava assim, tinha alguns direitos
[00:24:42] dos editores, aquele que primeiro publicasse
[00:24:44] naquele país tinha uma espécie
[00:24:45] de exclusividade de mercado.
[00:24:47] E a mesma coisa para o outro, né?
[00:24:49] Depois começou-se a ampliar
[00:24:51] os direitos relacionados
[00:24:53] aos autores, aos direitos
[00:24:55] conexos com os produtores
[00:24:57] musicais, intérpretes,
[00:24:59] artistas,
[00:25:01] e aí começou-se a ampliar.
[00:25:03] Mas a gente vê aí
[00:25:05] uma atuação do mercado
[00:25:07] muito forte, né?
[00:25:09] Essa exclusividade de mercado
[00:25:11] para o editor que editou a primeira vez,
[00:25:13] depois ampliar para o autor,
[00:25:15] e por aí vai.
[00:25:17] Então,
[00:25:19] já começa lá no início,
[00:25:21] depois vai sendo ampliado.
[00:25:23] E nesse tipo de reivindicação,
[00:25:25] nesse período, existia
[00:25:27] alguma,
[00:25:29] algum equilíbrio
[00:25:31] entre demandas de autores
[00:25:33] e editores?
[00:25:35] Porque assim, hoje a gente vive um momento
[00:25:37] de bastante desequilíbrio, né?
[00:25:39] Hoje o artista é
[00:25:41] praticamente refém
[00:25:43] de
[00:25:45] distribuição de
[00:25:47] de…
[00:25:49] Provavelmente, assim,
[00:25:51] o que mais me vem à cabeça é justamente
[00:25:53] a praga do Spotify com músicos,
[00:25:55] de como ele acaba refém
[00:25:57] daquilo ali como uma parte de divulgação
[00:25:59] dele, mas que
[00:26:01] a música dele está sendo tocada ali
[00:26:03] e o cara está pagando
[00:26:05] mensalidades e está recebendo
[00:26:07] uma ninharia.
[00:26:09] Eu até te responderia
[00:26:11] com uma pergunta um pouco filosófica, né?
[00:26:13] Qual seria o critério
[00:26:15] de equilíbrio? É um negócio
[00:26:17] complicado, mas
[00:26:19] assim, eu não saberia te dizer
[00:26:21] se houve,
[00:26:23] existia equilíbrio na época.
[00:26:25] Às vezes a gente pensando em direito,
[00:26:27] né? A gente sempre acha, assim,
[00:26:29] que é porque está na lei,
[00:26:31] está certo, é justo
[00:26:33] ou é moral, né?
[00:26:35] Mas a própria criação da
[00:26:37] lei, as próprias concepções legais,
[00:26:39] elas são
[00:26:41] uma construção de poder, né?
[00:26:43] Então,
[00:26:45] na perspectiva de quem
[00:26:47] está com o poder e a caneta na mão,
[00:26:49] é uma relação equilibrada.
[00:26:51] Sim.
[00:26:53] Mas talvez quem tem um impacto da lei
[00:26:55] talvez não seja.
[00:26:57] E aí a grande complexidade
[00:26:59] é da democracia, né?
[00:27:01] Que canais a gente tem
[00:27:03] para ouvir aqueles que não estão
[00:27:05] com a caneta na mão?
[00:27:07] Que boa
[00:27:09] vontade ou que predisposição
[00:27:11] se tem para ouvir?
[00:27:13] Questão de Spotify,
[00:27:15] e eu acho bem legal a tua
[00:27:17] pergunta, Tiago, né?
[00:27:19] São ferramentas tecnológicas
[00:27:21] novas, e
[00:27:23] quando a gente tem esse tipo de ferramenta
[00:27:25] nova, a gente tem novas relações
[00:27:27] sociais, novas conexões sociais.
[00:27:29] E o direito não dá conta, tá?
[00:27:31] De responder isso ou não.
[00:27:33] Porque conforme forem vindo as demandas,
[00:27:35] é que a gente vai ver qual é
[00:27:37] o ponto de equilíbrio nisso tudo.
[00:27:39] Então, se eu fosse perguntar para o
[00:27:41] dono da plataforma…
[00:27:43] Ele vai falar de todo
[00:27:45] investimento que ele teve,
[00:27:47] de ter que pagar as pessoas,
[00:27:49] de fazer o controle disso, etc, etc,
[00:27:51] de segurança…
[00:27:53] Então, para ele, está super equilibrado?
[00:27:55] Mas para o
[00:27:57] músico, não está equilibrado.
[00:27:59] Ou talvez para ele
[00:28:01] também não esteja equilibrado,
[00:28:03] vai saber. Então, às vezes,
[00:28:07] a questão do diálogo,
[00:28:09] quando a gente fala de dinheiro
[00:28:11] e poder, de processo de decisão,
[00:28:13] é um negócio bem complicado.
[00:28:15] Até que ponto se está
[00:28:17] disposto a saber onde dói realmente.
[00:28:19] E nisso,
[00:28:21] o direito é um pouco arrogante,
[00:28:23] na parte de legislação.
[00:28:25] Porque tem todo um jogo de poder em cima disso também.
[00:28:27] De lobby, de tentar articular
[00:28:29] para o que eu acho que é o meu
[00:28:31] ponto de equilíbrio.
[00:28:33] E o ser humano consegue
[00:28:37] esticar bastante o conceito
[00:28:39] de justiça.
[00:28:41] E de que forma eu consigo, então,
[00:28:47] gerar um sistema
[00:28:49] que permita a participação de todo mundo,
[00:28:51] para gerar uma lei
[00:28:53] que atenda todo mundo,
[00:28:55] é bem complexo, é bem difícil.
[00:28:57] E a lei, às vezes,
[00:28:59] não atende isso, não.
[00:29:01] São poucas as leis que efetivamente
[00:29:03] atendem todos os envolvidos.
[00:29:05] Porque são relações complexas,
[00:29:07] são relações sociais complexas.
[00:29:09] Isso não é muito otimista.
[00:29:15] Mas faz sentido, faz sentido.
[00:29:17] Não é uma coisa simples mesmo.
[00:29:19] Tudo que tem ser humano no meio é uma zona.
[00:29:21] Não tem como.
[00:29:25] Tem muita subjetividade.
[00:29:27] Tem muita subjetividade.
[00:29:29] E é isso que você falou.
[00:29:31] Conforme as coisas vão mudando,
[00:29:33] a lei tem que correr atrás para se adaptar.
[00:29:35] E os movimentos de resistência também.
[00:29:37] Entende?
[00:29:39] Se você ficar quieto que está tudo bem,
[00:29:41] não vai mudar.
[00:29:43] Então é questão de se unir e reivindicar.
[00:29:45] Olha, até aqui não está bom, não.
[00:29:47] Vamos se unir aí,
[00:29:49] vamos nos unir e vamos ver
[00:29:51] de que forma poderia ser melhor para a gente.
[00:29:53] De que forma essa lei pode atender.
[00:29:55] Eu acho que
[00:29:57] esses movimentos,
[00:29:59] essas reivindicações são muito importantes.
[00:30:39] As reivindicações são muito importantes.
[00:30:43] Porque,
[00:30:45] são reivindicados
[00:30:47] e são reivindicados.
[00:30:49] Porque,
[00:30:51] são reivindicados e reivindicados.
[00:30:53] E nós temos que,
[00:30:55] nós temos que,
[00:30:57] nós temos que reivindicar
[00:30:59] essa lei de resistência.
[00:31:01] E isso é o que
[00:31:03] a gente tem que fazer.
[00:31:05] Mas como eu disse,
[00:31:07] O Brasil é muito
[00:31:11] diferente com relação a outros países
[00:31:13] nessa questão de direitos autorais.
[00:31:16] Você falou da diferença
[00:31:17] de quem segue o direito
[00:31:19] romano e quem segue a coisa mais
[00:31:21] francesa. Enfim, não estou
[00:31:23] botando o mesmo patamar, mas a gente
[00:31:25] sabe que países diferentes tendem a
[00:31:27] seguir direitos
[00:31:29] diferentes.
[00:31:32] Como é que é isso em termos
[00:31:33] de direitos autorais? Tem uma diferença muito
[00:31:35] grande também?
[00:31:36] Então, na parte
[00:31:38] de direito autoral, tem diferenças,
[00:31:40] só que não são tão gritantes por causa
[00:31:42] daquele movimento que eu comentei com você, que o
[00:31:44] Vitor Hugo fez, sabe?
[00:31:45] A convenção internacional,
[00:31:48] um tratado internacional tentando
[00:31:49] equilibrar ou pelo menos
[00:31:52] deixar mais parecido o possível
[00:31:54] os direitos. Então,
[00:31:56] muitos têm bastante semelhanças,
[00:31:58] até porque os Estados Unidos são
[00:32:00] signatários da Convenção Donald
[00:32:02] Berna, do Acordo TRIPS,
[00:32:04] que na parte de… O Acordo TRIPS
[00:32:06] é um acordo relacionado
[00:32:08] à propriedade intelectual vinculado à
[00:32:10] Organização Mundial do Comércio,
[00:32:12] que esse negócio aí é outro
[00:32:14] babado forte, né?
[00:32:15] O M6, daí dá pano
[00:32:18] pra manga pra caramba. Mas, enfim,
[00:32:21] o Acordo TRIPS,
[00:32:22] que também remete à proteção de
[00:32:24] direito autoral pela Convenção da União
[00:32:26] de Berna, tem a Convenção Universal de Direito
[00:32:28] Autoral, tem a Convenção
[00:32:30] de Roma e tem várias convenções
[00:32:32] internacionais. Essas convenções,
[00:32:34] elas tentam dar uma…
[00:32:36] uma equalizada, entende?
[00:32:38] Só que tem diferenciações.
[00:32:40] Então, uma delas, por exemplo, a legislação
[00:32:42] brasileira, que é muito vinculada à
[00:32:44] lei de direitos autorais francesa,
[00:32:46] a concepção francesa de direito
[00:32:48] autoral, ela protege
[00:32:50] o direito patrimonial do autor,
[00:32:52] que é o artigo 28 e 29,
[00:32:54] e também os direitos morais
[00:32:56] do autor, que é o artigo 24.
[00:32:58] Dentro do artigo…
[00:32:59] dentre os direitos do artigo 24,
[00:33:02] que são os direitos morais,
[00:33:04] tá, por exemplo, a integridade,
[00:33:06] a integridade da obra.
[00:33:07] Mesmo que eu tenha cedido os direitos patrimoniais
[00:33:10] completos pra outra pessoa
[00:33:11] ou pra uma empresa, se essa
[00:33:14] empresa for alterar a minha obra,
[00:33:16] ela pode
[00:33:17] infringir os meus direitos morais.
[00:33:20] Porque eu posso reivindicar
[00:33:22] e me opor
[00:33:23] a alterações que
[00:33:26] denigram a minha imagem ou a minha
[00:33:28] reputação enquanto autor.
[00:33:31] Né? Então,
[00:33:32] é um dos direitos morais.
[00:33:33] Outra diferença também
[00:33:35] é a própria concepção.
[00:33:37] Quem é autor e quem é titular.
[00:33:40] No Brasil,
[00:33:41] autor é pessoa física.
[00:33:43] É quem cria.
[00:33:45] Titular é quem é dono.
[00:33:46] Que pode ser o autor ou não.
[00:33:49] Eu contratei alguém
[00:33:50] para fazer uma obra pra mim
[00:33:53] e fiz um contrato de sessão de direitos
[00:33:55] autorais, onde a pessoa,
[00:33:57] o autor, cede tudo
[00:33:59] pra mim. Então, eu sou titular.
[00:34:00] É basicamente o que as gravadoras fazem com todos os
[00:34:03] músicos, né?
[00:34:04] É.
[00:34:05] É, é mais ou menos isso assim.
[00:34:07] As editoras, os musicais,
[00:34:09] é uma forma de manter controle, né?
[00:34:12] E aí eu cedo os direitos,
[00:34:14] só que os direitos morais eu não cedo.
[00:34:16] Já em outros países,
[00:34:18] eu posso ter uma empresa
[00:34:20] como autor também.
[00:34:23] Então, vai depender
[00:34:24] de país. Tempo de proteção
[00:34:26] também é outra coisa que muda, né?
[00:34:27] O Tiago comentou aqueles 20 anos,
[00:34:29] e aí,
[00:34:32] remetendo à questão do Mickey Mouse,
[00:34:33] que o Tiago comentou,
[00:34:35] enfim, hoje no Brasil,
[00:34:37] os direitos autorais, ele tem uma proteção
[00:34:39] durante toda a vida do autor,
[00:34:43] mais
[00:34:43] 70 anos contados
[00:34:46] a partir de 1º de janeiro
[00:34:48] do ano subsequente
[00:34:49] à morte do autor.
[00:34:52] Então, eu vou pegar toda a vida,
[00:34:54] aí eu começo a contar 70 anos,
[00:34:56] o autor morreu,
[00:34:58] eu começo a contar a partir de 1º de janeiro
[00:35:00] do ano seguinte, mais
[00:35:01] 70 anos. E aí, quem usufrui
[00:35:04] disso,
[00:35:05] são as famílias, os herdeiros, enfim.
[00:35:08] Se ele não deixa herdeiros,
[00:35:10] aí cai em domínio público.
[00:35:12] Se ele deixa herdeiros, segue.
[00:35:14] Se eu não sei quem é o autor,
[00:35:16] porque eu posso publicar uma obra
[00:35:18] por pseudônimo,
[00:35:19] ou simplesmente anônima, né?
[00:35:21] Aí, é 70 anos contados
[00:35:24] de 1º de janeiro do ano
[00:35:25] subsequente ao da criação
[00:35:28] da obra ou publicação.
[00:35:31] Então,
[00:35:31] aí vai diferenciar.
[00:35:34] Nos Estados Unidos,
[00:35:35] nos Estados Unidos tem, se for
[00:35:36] empresa, acho que é 120 anos, se não alterou
[00:35:39] de novo, que isso daí foi uma das reivindicações
[00:35:41] do Mickey Mouse na época,
[00:35:43] que estava caindo em domínio público,
[00:35:45] aí eles brigaram, brigaram, brigaram pra aumentar
[00:35:47] o prazo.
[00:35:49] Depois, tem alguns países que são
[00:35:51] 50 anos, aí vai
[00:35:53] variando os prazos, né?
[00:35:55] Tem outras especificidades também
[00:35:57] que variam de país pra país,
[00:35:59] mas o cerne de proteção,
[00:36:01] quem faz parte dessas convenções
[00:36:03] internacionais,
[00:36:05] é parecido.
[00:36:08] E esse lance do
[00:36:09] Mickey, Thiago, convém explicar?
[00:36:11] Ou você está presumindo que todo mundo
[00:36:13] sabe do que a gente está falando?
[00:36:15] Ah, eu acho que todo mundo
[00:36:17] mais ou menos sabe que o
[00:36:19] Mickey é velho pra caralho, né?
[00:36:21] O Mickey é de 1928.
[00:36:24] Se você for passar
[00:36:26] a régua, assim, no Mickey,
[00:36:29] o Mickey, ele já é uma
[00:36:31] variação de um outro personagem,
[00:36:33] que é o Coelho Oswald,
[00:36:35] se você procurar aí
[00:36:37] pelo Coelho Oswald
[00:36:39] na internet, você vai ver que ele é
[00:36:41] muito desgraçadamente
[00:36:44] inspirado no Gato Félix,
[00:36:46] que era o grande
[00:36:47] superstar da época, né?
[00:36:49] O Gato Félix é de 1919, era
[00:36:51] o grande cartoon
[00:36:53] da época e tal.
[00:36:55] Aí fizeram esse Coelho Oswald aqui, que foi
[00:36:57] o
[00:36:57] Walt Disney com
[00:37:01] um parceiro dele da época,
[00:37:03] o Charles Mintz. Eles fizeram,
[00:37:05] fizeram esse personagem pra
[00:37:07] pra ser um
[00:37:08] escada de algum
[00:37:11] outro desenho ali. O Mintz
[00:37:13] deu uma apunhalada nas costas,
[00:37:15] não literal, do
[00:37:16] Disney e
[00:37:18] sumiu com, foi pra uma
[00:37:21] foi pra uma outra
[00:37:22] empresa de animação, com
[00:37:25] todos os animadores, todos os desenhistas
[00:37:27] das equipes deles
[00:37:28] e os direitos
[00:37:31] do Coelho Oswald.
[00:37:33] Então, aí
[00:37:34] o Disney ficou putaço,
[00:37:37] prometeu que nunca mais ia trabalhar
[00:37:38] pra ninguém, ia trabalhar por conta e tal,
[00:37:41] criou uma lista
[00:37:42] de coisas que fossem
[00:37:45] adoráveis ao público,
[00:37:47] animaizinhos que fossem adoráveis
[00:37:49] ao público e que fossem
[00:37:51] fáceis de desenhar,
[00:37:52] porque ele precisava fazer isso com rapidez
[00:37:54] e escala, né?
[00:37:56] E passando por N
[00:37:58] provas ali, ele
[00:38:00] chegou no Mickey,
[00:38:02] o camundonguinho que todo mundo
[00:38:04] conhece aí. O Mickey, ele
[00:38:06] tava pra expirar o direito
[00:38:08] autoral dele em
[00:38:10] oitenta e
[00:38:11] quatro.
[00:38:15] É, oitenta e quatro.
[00:38:17] E aí, em setenta e seis,
[00:38:19] oito anos antes da expiração,
[00:38:22] o
[00:38:22] pessoal da Disney já começou,
[00:38:25] já estavam ricos para um caralho, né?
[00:38:26] E começaram a jogar fardos
[00:38:28] e mais fardos de dinheiro em
[00:38:30] campanha de congressista
[00:38:32] pra fazer,
[00:38:34] lobby pela prorrogação
[00:38:36] da lei de direito autoral
[00:38:38] nos Estados Unidos.
[00:38:40] E aí, em setenta e nove,
[00:38:42] eles conseguiram que a lei fosse
[00:38:44] que prolongasse
[00:38:46] o direito autoral do
[00:38:48] Mickey de oitenta e quatro
[00:38:50] pra dois mil e três.
[00:38:52] Aí chegou ali no meio dos
[00:38:54] anos noventa, eles já estavam pela boa
[00:38:56] de novo, né? Com a corda no pescoço, porque
[00:38:58] dois mil e três ia
[00:39:00] ia acontecer e ia
[00:39:02] ser basicamente uma escada.
[00:39:04] Ia ser
[00:39:05] em dois mil e três
[00:39:08] o Mickey, em dois
[00:39:10] mil e cinco o
[00:39:12] Pateta, em dois mil e sete o
[00:39:14] Donald, ia ser um atrás do outro, assim.
[00:39:16] Era um castelo de cartas,
[00:39:18] né? A gente ia ver que
[00:39:19] o bagulho ia
[00:39:21] desmanchar. Aí, em
[00:39:24] noventa e oito, eles conseguiram
[00:39:26] mais uma prorrogação,
[00:39:28] que daí foi de dois mil e três pra dois mil e
[00:39:30] vinte e três. Então,
[00:39:32] por que a gente conta dois mil e vinte e três?
[00:39:34] Porque é quando expira, mas aí seria a partir
[00:39:36] de primeiro de janeiro de dois mil e vinte e quatro.
[00:39:39] Que ele passa
[00:39:40] a ser de
[00:39:40] domínio público, né? E aí
[00:39:44] regozijaivos,
[00:39:46] né? Todo mundo vai…
[00:39:48] Assim, eu acho que primeiro de janeiro
[00:39:50] de dois mil e vinte e quatro, a gente vai
[00:39:52] ter o festival
[00:39:53] mundial de pornô do Mickey
[00:39:56] em todas as fóruns.
[00:39:58] Caraca, Thiago! Porque a internet
[00:40:00] é isso. A internet é isso. Mas você
[00:40:01] precisa dessa…
[00:40:03] Que negócio? Espíria
[00:40:06] pra pessoa fazer pornô do Mickey?
[00:40:08] Não, mas é legal comemorar
[00:40:09] a efeméride, né?
[00:40:15] Porque assim,
[00:40:16] só se você
[00:40:17] dar uma volta em qualquer bairro
[00:40:20] do Brasil, que você vai achar
[00:40:21] um monte de escolinha, de creche,
[00:40:23] com aquela versão troncha do Mickey
[00:40:25] desenhada igual a turma da Mônica.
[00:40:27] Não tinha um grupo no Facebook chamado
[00:40:30] Turma da Mônica Pintada em Muro de Escolha?
[00:40:32] Não tinha um grupo no Facebook chamado Turma da Mônica Pintada em Muro de Escolha?
[00:40:33] Aqueles desenhos absurdos.
[00:40:35] E tem os do Mickey também. Então, assim,
[00:40:38] não vai fazer muita diferença
[00:40:40] pro brasileiro, não.
[00:40:42] Mas, assim, por que eu passei por essa parada toda
[00:40:44] pra explicar o esquema do Mickey?
[00:40:46] Porque foi uma das coisas que nos levou a esse episódio, né?
[00:40:49] E porque eu quero perguntar
[00:40:50] pra Patrícia, porque tem um cara muito maneiro.
[00:40:52] Depois eu falo aqui da
[00:40:53] historinha dele com o Mickey.
[00:40:56] Mas, Patrícia, como é que fica
[00:40:58] a parte de direito autoral
[00:41:00] no que se refere
[00:41:02] à sátira?
[00:41:03] Porque, assim, você faz
[00:41:06] uma caricatura, você faz
[00:41:08] um negócio que tem que ser parecido
[00:41:10] o suficiente pra você associar
[00:41:12] ao que você quer representar.
[00:41:15] Tipo, tem que ser
[00:41:16] parecido com o Donald, né?
[00:41:18] Tem que ser reconhecível.
[00:41:21] Ele não pode
[00:41:22] parecer que é outra coisa. Ele tem que parecer
[00:41:24] aquele, mas também não pode ser igual
[00:41:26] porque senão fere o tal do direito
[00:41:28] autoral. Como é que equilibra esse tipo de coisa?
[00:41:31] É, isso daí
[00:41:32] é difícil. Bem, eu vou
[00:41:33] deixar então o Mickey pra depois, que talvez
[00:41:35] eu tenha uma notícia que não te deixe tão contente.
[00:41:38] Mas, a questão
[00:41:39] da sátira, né? A lei de direitos
[00:41:42] autorais, a brasileira em específico,
[00:41:44] ela tem a permissão de
[00:41:45] paródias. Então,
[00:41:47] fazer paródias
[00:41:49] é livre, né?
[00:41:52] Então, isso é um pouco mais fácil
[00:41:53] se eu vinculo isso à música, né?
[00:41:55] Então, ah, faço uma paródia de uma música
[00:41:57] que tem esse ar mais
[00:41:59] de
[00:42:01] essa conotação mais engraçada, de
[00:42:03] comédia. Até um pouco de
[00:42:05] crítica, um pouco sarcástica até às vezes, né?
[00:42:09] Então,
[00:42:09] esse tipo de paródia é permitido
[00:42:11] pela lei de direitos autorais. Então, não tem que pedir
[00:42:13] autorização prévia pra fazer.
[00:42:16] Mas, dentro do conceito
[00:42:17] de paródia, eu posso ampliar
[00:42:19] isso e fazer uma espécie de paródia, sei lá,
[00:42:21] de um personagem,
[00:42:24] né? Fazer um
[00:42:25] Mickey um pouco diferente,
[00:42:28] mas que relembre, isso que você falou,
[00:42:29] né? Lembre,
[00:42:32] mas não seja igual.
[00:42:33] Né? É importante
[00:42:35] deixar claro que é uma espécie
[00:42:37] de releitura satírica,
[00:42:40] né? Essa questão
[00:42:40] de que eu estou fazendo uma espécie de homenagem
[00:42:43] ou usando um pouco de sacasmo em cima disso.
[00:42:46] Contudo,
[00:42:47] isso não é garantia
[00:42:49] de que se um dia chegar na frente do
[00:42:51] juiz, ele vai entender isso.
[00:42:53] Porque a nossa lei,
[00:42:55] ela não é tão específica.
[00:42:57] Ela fala que as paródias
[00:42:59] podem ser feitas.
[00:43:01] Ponto.
[00:43:02] Então, inclusive, assim,
[00:43:04] são livres as paráfrases,
[00:43:06] paródias que não forem
[00:43:07] verdadeiras reproduções da obra
[00:43:10] originária, nem lhe implicarem
[00:43:12] descrédito.
[00:43:14] Então, eu tenho que observar
[00:43:15] essa frase e, dentro dessa
[00:43:18] frase, criar algo
[00:43:20] que não seja verdadeira
[00:43:22] reprodução e nem implique
[00:43:24] em descrédito, mas que seja
[00:43:26] um processo criativo
[00:43:27] em cima de uma obra pré-existente.
[00:43:30] Mas o que exatamente
[00:43:32] seria esse
[00:43:33] correr em descrédito?
[00:43:36] É o que está na lei.
[00:43:37] Aí vai depender do que o juiz comeu no almoço.
[00:43:39] Estou brincando.
[00:43:40] Mas vai depender…
[00:43:42] Estou brincando.
[00:43:45] Então, porque assim,
[00:43:46] aí o juiz vai interpretar a partir disso,
[00:43:48] entende?
[00:43:49] E é uma questão muito subjetiva.
[00:43:53] Então,
[00:43:54] talvez aí
[00:43:56] não ser algo muito
[00:43:57] de ataques pessoais,
[00:44:00] etc. Ou talvez,
[00:44:02] trazer algo relacionado
[00:44:03] a um fato político,
[00:44:06] social,
[00:44:07] que eu consiga utilizar isso
[00:44:10] como expressão criativa
[00:44:12] até de uma manifestação pública
[00:44:13] respeito de algo.
[00:44:16] Só que isso não é
[00:44:18] garantia que você não vá ter problema.
[00:44:20] A questão é
[00:44:21] o seguinte, é eu me resguardar
[00:44:24] para definir, para eu entrar
[00:44:27] nessa seção da lei.
[00:44:29] Eu tento me resguardar para isso.
[00:44:30] Olha, eu me baseio nessa lei…
[00:44:32] É porque assim, por exemplo, eu fico pensando
[00:44:34] em coisas assim, vamos
[00:44:36] seguir no exemplo da turma da Mônica aí.
[00:44:39] Alguém vai lá e faz
[00:44:41] um desenho do Cebolinha
[00:44:43] fumando crack.
[00:44:45] E assim,
[00:44:46] o Cebolinha é um personagem infantil,
[00:44:49] ele tem aquela associação
[00:44:51] com as crianças e tal.
[00:44:52] E aí você coloca ele
[00:44:54] num negócio completamente
[00:44:56] pervertido da finalidade dele.
[00:44:59] Pode ser um descrédito.
[00:45:00] Isso é um descrédito do que exatamente?
[00:45:03] Do Cebolinha?
[00:45:04] A gente está começando a personificar
[00:45:06] o próprio Cebolinha.
[00:45:10] Na verdade,
[00:45:11] eu posso até colocar
[00:45:12] um pouco mais
[00:45:15] de sal
[00:45:16] nessa história,
[00:45:19] que também vai remeter
[00:45:20] à questão do Mickey.
[00:45:22] Lembra que se comentou sobre a questão do domínio público?
[00:45:25] Que vai cair agora,
[00:45:26] em 2023, 2024, vai cair o domínio público.
[00:45:29] Em tese,
[00:45:30] todos poderiam
[00:45:33] utilizar, reproduzir o Mickey
[00:45:35] sem precisar pedir
[00:45:37] autorização prévia.
[00:45:38] Essa é a lógica do domínio público.
[00:45:42] Eu não posso,
[00:45:43] por exemplo, dizer que fui eu que fiz o Mickey.
[00:45:46] Mas poderia
[00:45:48] reproduzir
[00:45:49] sem pedir autorização prévia.
[00:45:51] Acontece que de uns anos pra cá,
[00:45:54] as empresas que trabalham
[00:45:55] muito com licenciamento de personagens,
[00:45:58] tipo Walt Disney,
[00:46:00] Warner,
[00:46:00] DC,
[00:46:02] Maurício de Souza,
[00:46:03] Sam Hill, que é dona da Hello Kitty,
[00:46:06] elas têm alterado
[00:46:08] a estratégia de proteção.
[00:46:10] Elas não estão focando mais em direitos autorais.
[00:46:13] Elas estão registrando
[00:46:14] os personagens como marcas
[00:46:16] tridimensionais.
[00:46:20] O que isso implica?
[00:46:21] Marcas tridimensionais.
[00:46:24] Como marca da empresa.
[00:46:28] Isso está dentro
[00:46:30] de propriedade intelectual.
[00:46:32] É a irmã do direito autoral,
[00:46:34] só que está na outra irmã.
[00:46:35] A irmã da propriedade industrial.
[00:46:37] A marca é quando eu dou uma exclusividade
[00:46:40] de mercado, assim como direito autoral,
[00:46:43] sobre um sinal
[00:46:44] distintivo
[00:46:46] que diferencia uma empresa
[00:46:48] ou um produto,
[00:46:50] um serviço de outros.
[00:46:52] Como Nike, como várias outras.
[00:46:55] Como, por exemplo,
[00:46:57] Pistolando.
[00:46:57] Se vocês registraram a marca Pistolando
[00:47:00] lá no NPI,
[00:47:01] é uma marca que diferencia vocês.
[00:47:04] Ninguém vai poder fazer um podcast
[00:47:05] chamado Pistolando.
[00:47:09] Entende?
[00:47:10] Com foco de comunicação social,
[00:47:13] político, seja lá o que for.
[00:47:15] Ninguém vai poder fazer
[00:47:16] o podcast na mesma classe que vocês fizeram,
[00:47:18] chamado Pistolando.
[00:47:20] Mas bem, isso se aplica…
[00:47:22] A gente tem alguns tipos
[00:47:24] de marcas diferentes. A gente tem a marca
[00:47:26] nominativa, que é o nome,
[00:47:28] Pistolando.
[00:47:29] Pistolando.
[00:47:30] Temos a marca figurativa,
[00:47:32] que vamos supor que vocês tenham um logo
[00:47:34] do Pistolando, só um desenho.
[00:47:36] É só isso.
[00:47:38] Se eu tenho uma espécie do Pistolando
[00:47:40] com uma fonte diferente,
[00:47:41] algumas partes estéticas diferentes,
[00:47:45] eu chamo de marca mista.
[00:47:47] E eu tenho a marca tridimensional,
[00:47:49] que eu já aplico
[00:47:51] a um objeto
[00:47:53] tridimensional
[00:47:54] que diferencia a minha empresa
[00:47:56] ou a minha atividade empresarial de outras.
[00:47:58] Um caso clássico
[00:48:00] de marca tridimensional
[00:48:02] é a Coca-Cola.
[00:48:04] Então, por exemplo, a garrafinha da Coca-Cola,
[00:48:06] que vocês já observaram,
[00:48:08] só a Coca-Cola tem o formato daquela garrafa.
[00:48:12] Porque é uma marca tridimensional.
[00:48:15] Ou, sabe aquele copo americano
[00:48:17] que é bom pra tomar cerveja bem geladinha?
[00:48:20] Todos os copos que vocês virarem
[00:48:22] vai ter o NF, que é Nadir Figueiredo.
[00:48:25] Que é uma marca tridimensional
[00:48:26] da Nadir Figueiredo.
[00:48:28] O famoso copo americano, né?
[00:48:29] É, exato.
[00:48:31] E aí, essas empresas, elas estão registrando
[00:48:34] os personagens como marca tridimensional.
[00:48:39] O que que isso implica na prática?
[00:48:42] A marca, ela tem um prazo de proteção
[00:48:44] diferente dos direitos autorais.
[00:48:47] Quando eu tenho uma marca registrada,
[00:48:49] eu tenho uma proteção por 10 anos
[00:48:51] e eu posso renovar esses 10 anos
[00:48:54] indefinidamente.
[00:48:57] Então, enquanto ela renovar,
[00:48:58] a marca tridimensional
[00:49:00] do Pateta, do Mickey,
[00:49:04] sei lá, do Pernalunga,
[00:49:06] da Mônica, do Cebolinha,
[00:49:07] ou seja lá, quem for,
[00:49:10] ele vai ter o direito exclusivo
[00:49:11] sobre aquilo.
[00:49:14] Então, o direito autoral
[00:49:15] hoje já não é mais tanta preocupação,
[00:49:18] porque eles usaram outros institutos
[00:49:20] de propriedade intelectual
[00:49:22] pra proteger.
[00:49:23] E por que o uso dessa marca
[00:49:26] como marca tridimensional?
[00:49:27] Como marca tridimensional?
[00:49:28] Por conta do apelo comercial mesmo, né?
[00:49:31] É um sinal distintivo
[00:49:33] que diferencia a minha atividade comercial
[00:49:35] dos outros.
[00:49:37] E eles têm conseguido isso, tá?
[00:49:40] É bem comum.
[00:49:41] Se vocês entrarem no site do NPI lá
[00:49:43] e procurarem na base de marcas,
[00:49:45] vocês vão ter bastante personagens registrados.
[00:49:48] Agora, tem coisas em que
[00:49:49] o direito autoral é realmente um,
[00:49:52] de fato, um empecilho, assim, né?
[00:49:54] Ele atravanca as coisas.
[00:49:55] A gente já teve aqui um episódio,
[00:49:58] Letícia vai lembrar, é super antigo,
[00:50:01] mas é super icônico
[00:50:02] o nosso episódio sobre
[00:50:04] música clássica.
[00:50:07] E, na época,
[00:50:09] nós estávamos, inclusive, conversando
[00:50:10] sobre a dificuldade que é
[00:50:12] você conseguir
[00:50:14] as partituras pra poder
[00:50:16] fazer reproduções e tal.
[00:50:18] Porque não se pode fazer reproduções, né?
[00:50:21] Você tem que, basicamente,
[00:50:22] alugar elas de um
[00:50:24] tutor lá, de uma outra
[00:50:26] fila harmônica do caralho, a quatro,
[00:50:28] a poder fazer a sua apresentação
[00:50:31] usando aquelas partituras e depois devolve, né?
[00:50:34] E a gente vê que tem
[00:50:37] determinados trabalhos que simplesmente
[00:50:39] dependem do domínio público.
[00:50:43] Dependem de, pelo menos, algum tipo
[00:50:45] de copyleft pra ser levados
[00:50:48] a um a um nível satisfatório.
[00:50:50] E a gente está usando esses meios
[00:50:53] nesse exato momento porque
[00:50:55] tudo o que a gente está usando aqui pra gravar,
[00:50:58] para conversar, para se conhecer, é baseado em Linux, que é um software livre,
[00:51:05] que precisa ser livre para que tenha pessoas mexendo sem maiores complicações
[00:51:12] e empecilhos de direito que acabem ficando na frente de alguma evolução de software e tal.
[00:51:21] Então, como é que o direito autoral e vocês que estudam direito autoral
[00:51:27] vêem a própria área?
[00:51:30] Se fala sobre esse tipo de problema, sobre lugares em que ele é ruim, ele atrapalha?
[00:51:38] Sim, o tempo inteiro.
[00:51:43] Inclusive, tem alguns autores, o Lessig, por exemplo, é um que fala que nem deveria existir direito autoral.
[00:51:51] É um contrassenso, porque assim, existe um conceito,
[00:51:55] quando a gente faz análise econômica,
[00:51:57] da propriedade, e tem alguns economistas que vão trabalhar isso,
[00:52:03] o Boston, o Lentz, por exemplo, que ele vai trabalhar o seguinte,
[00:52:06] o bem público é aquele bem não que no sentido que é um bem do Estado,
[00:52:10] mas é um bem não rival.
[00:52:12] Então, uma propriedade, em tese, faria sentido quando eu tenho escassez de um bem.
[00:52:18] Por exemplo, se eu tenho quatro pessoas e cinco cavernas
[00:52:23] num mundo onde não existe conceito de Estado ou direito,
[00:52:27] se eu tenho quatro pessoas e cinco cavernas, vai dar briga?
[00:52:32] É mais difícil, né?
[00:52:34] A menos que alguém, sei lá, implique que quer o sol da manhã ou o sol da tarde,
[00:52:38] uma caverna mais retonda, mais oval, com maior área na frente, enfim.
[00:52:44] Tirando esses detalhes, é mais difícil.
[00:52:47] Agora, se eu tenho cinco pessoas e quatro cavernas, a chance de dar briga é maior?
[00:52:53] Definitivamente.
[00:52:53] Então, quando eu tenho escassez,
[00:52:57] de um instrumento, essa é a tese, a análise disso, né?
[00:53:01] Eu tenho um instrumento que diga que determinada pessoa tem a propriedade sobre aquilo
[00:53:07] e determinada pessoa não tem a propriedade sobre aquilo.
[00:53:10] Assim evita que essas pessoas se matem para conseguir ter a propriedade sobre aquilo.
[00:53:15] Entende?
[00:53:16] Pois bem, quando eu tenho um bem público, o conhecimento, por exemplo, não tem escassez.
[00:53:23] O fato de eu estar falando isso para vocês agora,
[00:53:27] não vai deixar eu saber menos.
[00:53:29] Ele não acaba, né?
[00:53:31] Exatamente. Muito pelo contrário, né?
[00:53:33] Ou seja, hoje eu aprendi, inclusive, que existe nos ajustes,
[00:53:38] um negócio que eu mudo o volume do áudio de entrada.
[00:53:44] Vocês vão conhecer o que eu conheço e eu vou conhecer o que vocês conhecem,
[00:53:48] então a gente simplesmente soma, né?
[00:53:50] Então, por que ter propriedade sobre algo que não é escasso?
[00:53:54] E aí tem várias teorias.
[00:53:57] Algumas teorias é questão de incentivo, outras teorias até é questão de direitos humanos.
[00:54:02] Então, por exemplo, poxa, por que a pessoa não pode ganhar dinheiro para poder comer em cima do que ela faz?
[00:54:10] Por que eu não posso considerar um artista ou um músico como um trabalhador?
[00:54:15] E o que ele recebe sobre o que ele faz ser um salário?
[00:54:18] Tipo, na mesma concepção de salário.
[00:54:21] Outros já vão dizer, olha, o Poznan Lentes, por exemplo, vai falar o seguinte, olha,
[00:54:25] quando eu tenho algo que é um bem público, que é de todo mundo, não é escasso,
[00:54:33] a gestão desse bem público tende a ser menos eficiente,
[00:54:39] como a mesma lógica de um terreno que não é de ninguém.
[00:54:43] Quem que cuida quando não é de ninguém?
[00:54:46] A menos que você tenha uma comunidade ou um bairro muito bem organizado,
[00:54:50] com uma gestão coletiva muito forte, sejam unidos e façam ali,
[00:54:55] uma horta coletiva, comunitária.
[00:54:58] Se não for isso, quem é que vai cuidar? Vai virar o quê? Lixão, né?
[00:55:01] Então, assim, quando o bem é público, não é escasso, a gestão tende a ser menos eficiente.
[00:55:08] Então, você cria propriedade intelectual para dar uma gestão mais eficiente por um tempo.
[00:55:14] Essa é uma das justificativas.
[00:55:16] Outros dizem, ah, porque quem cria, quem investe em inovação,
[00:55:21] quem investe em criar coisas novas, tem um custo operacional maior,
[00:55:25] do que aquele que só copia.
[00:55:28] Então, é justo que ele tenha um fôlego no mercado para ter o retorno do seu investimento.
[00:55:34] Então, você tem N teorias, inclusive aquelas que dizem que propriedade intelectual
[00:55:39] não beneficia quem cria, beneficia quem é detentor dos direitos só.
[00:55:44] Então, você transforma quem cria em apenas mais uma massa de manobra de trabalho.
[00:55:55] Então, você tem N teorias, inclusive aquelas que dizem que propriedade intelectual
[00:55:58] não beneficia quem cria, beneficia quem é detentor dos direitos só.
[00:56:00] Então, você tem N teorias, inclusive aquelas que dizem que propriedade intelectual
[00:56:02] não beneficia quem cria, beneficia quem é detentor dos direitos só.
[00:56:04] Então, você tem N teorias, inclusive aquelas que dizem que propriedade intelectual
[00:56:06] não beneficia quem cria, beneficia quem é detentor dos direitos só.
[00:56:08] Então, você tem N teorias, inclusive aquelas que dizem que propriedade intelectual
[00:56:10] não beneficia quem cria, beneficia quem é detentor dos direitos só.
[00:56:12] Então, você tem N teorias, inclusive aquelas que dizem que propriedade intelectual
[00:56:14] não beneficia quem cria, beneficia quem é detentor dos direitos só.
[00:56:16] Um para você, é o que copiar pode fazer
[00:56:20] Se eu roubar o seu bicicleta, você tem que levar o bus
[00:56:29] Mas se eu apenas copiar, há um para nós dois
[00:56:35] Fazendo mais de uma coisa, é o que chamamos de copiar
[00:56:42] Compartilhando ideias com todos, é por isso que copiar é divertido
[00:56:47] É por isso que copiar é divertido
[00:57:12] E por isso ele merece ser mais bem remunerado
[00:57:15] Entretanto, você vê que, por exemplo, a inovação na música brasileira
[00:57:19] É o sertanejo, que é uma música em parte de teoria musical
[00:57:25] Em conhecimento mais profundo de habilidade e tal
[00:57:31] Ela é uma música completamente medíocre
[00:57:33] E todos os caras que trabalham com músicas muito mais virtuosas e mais refinadas
[00:57:39] Hoje penam para conseguir shows no Brasil
[00:57:41] Então, tipo, o argumento de mercado não funciona dentro do artístico
[00:57:47] Porque você consegue ser completamente medíocre
[00:57:51] E mesmo assim fazer um sucesso do cacete
[00:57:53] É que daí é uma parte um pouco diferente, né?
[00:57:58] É mais subjetivo também, né?
[00:58:00] É, e aí você vai analisar uma questão da qualidade artística
[00:58:04] Qual a sequência de acordes
[00:58:11] Qual a sequência de acordes
[00:58:11] Qual é a linha melódica
[00:58:13] Como foi o arranjo
[00:58:14] Enfim
[00:58:16] Aí, a lei, ela não dá conta
[00:58:20] Porque daí ela teria que fazer uma análise de valor estético sobre isso
[00:58:25] Então, aí como que eu posso fazer uma lei que diz
[00:58:30] Não, a tua música não tem qualidade suficiente para ser protegida
[00:58:33] Mas talvez esse seja o próprio ponto, né?
[00:58:37] Uma vez que você está indo para algo tão subjetivo quanto…
[00:58:41] Eleberto
[00:58:41] Qual seria o propósito de tentar colocar isso em termos de uma lei, né?
[00:58:48] É, e essa é uma das concepções que criticam
[00:58:51] Então, o fato de existir propriedade intelectual
[00:58:54] Ela não é um consenso
[00:58:57] Existem críticas, né?
[00:59:00] Mas eu poderia, por exemplo, trazer um outro questionamento
[00:59:03] Aí dando um pouquinho de advogada do diabo, né?
[00:59:07] Beleza
[00:59:07] Vai lá e alguém coloca a tua voz
[00:59:10] Com todas as tuas perguntas
[00:59:11] E faz um outro podcast chamado Pistola
[00:59:15] E começa a monetizar em cima disso
[00:59:18] No caso, o grande problema aí é a monetização
[00:59:22] Sabe?
[00:59:23] Justamente
[00:59:24] Porque uma vez que as mesmas perguntas estão sendo feitas para uma outra pessoa
[00:59:32] E claramente, por serem pessoas diferentes
[00:59:35] As respostas serão diferentes
[00:59:36] As reações serão diferentes
[00:59:38] Não é…
[00:59:39] Não é…
[00:59:41] Não é tão fácil roteirizar a ponto de ser um plágio tão descarado
[00:59:46] O grande problema é a monetização em cima, né?
[00:59:49] E se fosse um plágio descarado?
[00:59:57] Entende?
[00:59:58] Não é um campo muito simples
[01:00:00] É, se fosse um plágio descarado
[01:00:03] A pessoa estaria tão fodida quanto nós, assim
[01:00:05] A gente não vive disso
[01:00:08] A gente não faz dinheiro com isso
[01:00:10] Se você tá pensando em nos imitar, você tá fodido
[01:00:13] Vai bater bolo pra fora que você ganha mais
[01:00:17] Vai vender a avó
[01:00:18] A avó tá dando mais dinheiro
[01:00:21] Tem esse problema
[01:00:22] O feitiço vai virar contra o feiticeiro nesse caso
[01:00:25] Não, mas assim
[01:00:26] A gente sabe que tem pessoas que fazem a mesma coisa
[01:00:30] E ganham dinheiro
[01:00:31] E outras não
[01:00:31] Tem muita coisa envolvida
[01:00:33] Não é só a qualidade do produto, né?
[01:00:34] Tem muitas outras coisas envolvidas
[01:00:36] E aí…
[01:00:37] Só que você trouxe um ponto muito importante, Tiago
[01:00:40] Que é o que?
[01:00:40] Às vezes…
[01:00:42] Eu, particularmente, tá?
[01:00:44] Prefiro olhar o direito autoral
[01:00:46] Mais do que um fim
[01:00:47] Um meio
[01:00:48] Ele é um instrumento
[01:00:50] A pergunta é como eu uso esse instrumento
[01:00:53] E pra que eu uso esse instrumento
[01:00:55] Entende?
[01:00:56] Então eu posso usar uma faca pra cortar uma laranja
[01:00:58] Ou matar alguém
[01:00:59] O direito autoral, ele pode ser uma ferramenta interessante?
[01:01:04] Pode
[01:01:04] Eventualmente pode
[01:01:05] Mas dependendo da forma como eu o utilize
[01:01:09] Eu não tô bem sabendo
[01:01:10] Eu tô beneficiando quem cria
[01:01:11] Eu tô beneficiando quem é dono da coisa
[01:01:13] Entende?
[01:01:14] Os intermediários
[01:01:15] Aí fica complicado
[01:01:17] E eu tô impedindo o acesso a coisas que são importantes
[01:01:19] Como o conhecimento
[01:01:21] Que é o caso que você falou das partituras
[01:01:23] E aí entra um pouco no que eu tenho pesquisado ultimamente
[01:01:27] No mestrado e no doutorado de patrimônio cultural e sociedade, né?
[01:01:31] Existem alguns bens culturais
[01:01:33] Existem alguns bens que são tidos como culturais
[01:01:37] Que eles têm, além de ser culturais, né?
[01:01:39] Que eles têm, além de ser culturais, né?
[01:01:40] Que eles têm, além de ser um bem, uma criação
[01:01:41] Eles representam uma determinada parcela da população
[01:01:45] Então eles fazem parte da identidade
[01:01:48] De um momento histórico
[01:01:50] De uma parcela da população
[01:01:52] E ter acesso a estes bens
[01:01:56] É ter acesso à própria dignidade
[01:01:58] Entende?
[01:02:00] O que a gente poderia dizer como um exemplo disso?
[01:02:04] Por exemplo
[01:02:10] Vamos lá
[01:02:12] Território para indígenas
[01:02:16] Quer ver?
[01:02:18] Os indígenas
[01:02:19] Eles têm as suas concepções
[01:02:21] As suas práticas culturais
[01:02:23] As suas rezas
[01:02:25] Os seus rituais
[01:02:26] E eles estão muito vinculados a determinados territórios
[01:02:30] Eu poderia argumentar
[01:02:31] Poxa, ele não pode fazer nessa terra
[01:02:33] Ele faz em outra terra
[01:02:35] Será que pode?
[01:02:37] Não pode, não é a mesma coisa
[01:02:39] Não tem a mesma coisa
[01:02:39] Não tem a mesma simbologia
[01:02:41] Não tem
[01:02:42] E aí quando eu tiro ele daquele local
[01:02:46] Ele já não consegue mais fazer aquela prática
[01:02:48] E aquela prática o identifica
[01:02:51] Ou torna um ser social
[01:02:54] Porque ele faz
[01:02:55] Aquela prática com outros seres sociais
[01:02:58] Entende?
[01:02:59] Tem uma conexão social aí que aglutina
[01:03:02] A existência deles
[01:03:03] E a identidade deles
[01:03:04] Existe uma memória coletiva
[01:03:06] A partir daquilo que o identifica
[01:03:08] Né?
[01:03:09] Ou por exemplo
[01:03:11] Vamos colocar aí uma música
[01:03:15] Que seja muito importante
[01:03:16] Vila Lobos
[01:03:18] Vamos colocar aí Vila Lobos
[01:03:20] Eu sou brasileira
[01:03:22] Cara, adoro vila
[01:03:25] Não só por ser brasileira
[01:03:27] Porque o cara é muito bom
[01:03:27] Mas de qualquer forma
[01:03:28] Tem uma outra concepção pra mim
[01:03:32] Quando eu ouço vila
[01:03:33] Cara, ou tão jobim
[01:03:36] Ou um samba
[01:03:38] Sabe? Aquele samba
[01:03:39] Demônios da Garoa
[01:03:40] Sei lá, né?
[01:03:44] Me emociona
[01:03:46] Me identifica
[01:03:47] Imagina agora eu não poder mais ouvir
[01:03:49] Porque, sei lá, os herdeiros
[01:03:51] Ai, sei lá
[01:03:53] Não dá ideia, não
[01:03:55] Sei lá, ou de repente
[01:03:57] Enfim, os herdeiros
[01:03:59] De algum sambista muito importante
[01:04:01] Que não esteja em domínio público ainda
[01:04:03] Não quer mais que toque essa música
[01:04:05] Em potes alguma em qualquer outro lugar
[01:04:06] Entende?
[01:04:07] É difícil?
[01:04:09] É porque identifica uma
[01:04:11] Me identifica, entende?
[01:04:13] Me torna mais eu
[01:04:16] No sentido porque
[01:04:17] Me faz parte de uma
[01:04:20] Prática social
[01:04:22] Então, às vezes, impedir o acesso
[01:04:25] A um conhecimento
[01:04:26] A uma prática, a um bem cultural
[01:04:27] É algo que não é bacana
[01:04:30] E o direito autoral pode fazer isso?
[01:04:32] Existem algumas ferramentas
[01:04:34] Algumas brechas
[01:04:35] A gente chama de licença obrigatória
[01:04:37] Ou licença compulsória
[01:04:39] No Brasil, nós temos a licença compulsória
[01:04:42] Para patentes de medicamentos, por exemplo
[01:04:45] Foi o caso do coquetel da AIDS
[01:04:47] Que fez a patente
[01:04:48] Sim, sim, sim, o caso clássico
[01:04:50] A licença compulsória do Favirense
[01:04:53] Para fazer parte do coquetel
[01:04:55] Daquele conjunto de medicamentos
[01:04:57] Para tratamento da AIDS
[01:04:58] Na Convenção da União de Berna
[01:05:01] Que é esse tratado internacional
[01:05:03] Para direito autoral
[01:05:04] De 1886
[01:05:06] Existe também uma brecha de licença
[01:05:09] Obrigatória para determinados bens
[01:05:12] Que tenham esse teor
[01:05:14] De interesse público
[01:05:15] Só que esse tipo
[01:05:18] De ferramenta jurídica
[01:05:20] Tem que ser legislado
[01:05:22] Por cada país
[01:05:23] Eu desconheço no Brasil
[01:05:26] Uma legislação a este respeito
[01:05:28] Eu desconheço
[01:05:30] Mas tem a previsão
[01:05:32] Nos tratados internacionais
[01:05:33] Alguns países tem
[01:05:35] Então o Estado chega assim
[01:05:37] Considerando o valor histórico
[01:05:39] O valor cultural
[01:05:41] Ou o interesse público
[01:05:42] Sobre essa partitura
[01:05:44] E você não está abrindo mão dela
[01:05:47] Exercendo seus direitos privados
[01:05:50] Eu vou licenciar essa partitura
[01:05:54] Vou permitir a reprodução dela
[01:05:57] E você vai receber tanto por isso
[01:05:59] E é o Estado que institui
[01:06:00] Quanto ele vai receber por aqui
[01:06:02] Porque a propagação desse conhecimento
[01:06:07] A propagação desse bem
[01:06:08] Ele é
[01:06:09] Ele é
[01:06:09] Importante
[01:06:10] Para a coletividade
[01:06:12] A gente ainda não tem isso
[01:06:16] Na legislação nacional
[01:06:17] Mas temos exemplos internacionais
[01:06:19] E convenção internacional a esse respeito
[01:06:21] E é super importante
[01:06:23] Acho que o ponto que você colocou
[01:06:25] É fundamental
[01:06:27] Porque o direito autoral
[01:06:29] Ele traz esse empecilho
[01:06:31] Ele traz
[01:06:34] A gente até tem um mecanismo
[01:06:37] Que inclusive
[01:06:39] Nós, podcasters
[01:06:41] A gente se apoia muito nele
[01:06:42] Que é o tal do Fair Use
[01:06:44] Então, assim
[01:06:46] O pessoal lá na gringa
[01:06:48] Tem um pequeno dispositivo
[01:06:50] Que você
[01:06:51] Que permite que você use
[01:06:53] Um pequeno trecho de
[01:06:55] Um produto com propriedade
[01:06:58] Intelectual registrada
[01:07:00] Com propriedade autoral registrada
[01:07:02] Desde que
[01:07:04] Seja parcial
[01:07:06] Não exceda X tempo
[01:07:09] Não esteja tendo ganho comercial
[01:07:12] Com isso
[01:07:13] E todo mundo
[01:07:15] Acaba
[01:07:16] Nos podcasts por aí
[01:07:18] Acaba meio que se apoiando nisso
[01:07:20] Inclusive nós
[01:07:21] Para colocar trechos de música
[01:07:24] A gente sempre procura alguma música
[01:07:26] Que tenha a ver com o tema do episódio
[01:07:28] Para fazer algumas transições
[01:07:30] Tradicionalmente
[01:07:32] As nossas vírgulas sonoras
[01:07:34] Só que assim
[01:07:36] Que eu saiba
[01:07:39] O Fair Use não existe no Brasil, certo?
[01:07:43] É, é um pouco diferente
[01:07:45] O Fair Use
[01:07:46] Ou na Europa a gente chama
[01:07:48] A regra dos três passos
[01:07:50] Que é parecido com o Fair Use norte-americano
[01:07:52] Ele é um conceito mais aberto
[01:07:55] Então se você tem os critérios
[01:07:57] Está usando, por exemplo
[01:07:58] Para fins educacionais
[01:08:00] Não vai atrapalhar
[01:08:01] A exploração normal da obra
[01:08:04] Fins didáticos
[01:08:06] Ou coisa parecida
[01:08:07] Ou seja, tem os requisitos
[01:08:08] Né?
[01:08:09] Se entra dentro daqueles requisitos
[01:08:11] Eu posso fazer o uso
[01:08:13] O Brasil ele tem sim
[01:08:14] Que a gente chama
[01:08:15] Limites aos direitos autorais
[01:08:17] Mas ele não é aberto desse jeito
[01:08:19] Não é tão aberto
[01:08:21] Ele é o artigo 46
[01:08:23] E ele vai trazer o que pode ser feito
[01:08:27] Sem que isso
[01:08:28] Infringe a direitos autorais
[01:08:30] Então, por exemplo
[01:08:32] Reprodução na imprensa diária
[01:08:35] Ou periódica
[01:08:36] De notícia de jornal de outro jornal
[01:08:38] Então eu posso reproduzir
[01:08:39] Essa notícia
[01:08:40] Num outro jornal
[01:08:42] Colocando, claro, os dados
[01:08:44] O nome do autor
[01:08:45] A publicação
[01:08:48] Onde foi transcrito, etc, etc
[01:08:50] Ou, por exemplo
[01:08:52] A citação em livros, jornais, revistas
[01:08:56] Ou qualquer outro meio de comunicação
[01:08:58] De passagens de qualquer outra obra
[01:09:01] Para fins de estudo, crítica
[01:09:03] Ou polêmica
[01:09:04] Na medida justificada
[01:09:06] Afim de atingir
[01:09:07] Indicando se o nome do autor
[01:09:08] É a origem da obra
[01:09:09] Estou lendo o livro
[01:09:09] Estou lendo aqui
[01:09:10] O inciso 4
[01:09:11] Do artigo 46
[01:09:13] E existem outras coisas também
[01:09:15] Que são 8 incisos
[01:09:18] No artigo 46
[01:09:19] Mais o artigo 47 e 48
[01:09:21] Enfim, é muito número, muito inciso
[01:09:23] Vamos deixar o juridiquês de lado
[01:09:24] Tudo isso quer dizer
[01:09:26] Que existem algumas brechas
[01:09:28] Só que a lei de direitos autorais brasileiras
[01:09:31] Ela não dá conta
[01:09:33] Dessas novas tecnologias
[01:09:35] Ela não dá conta nem da figura do Xerox
[01:09:37] Que já existia quando ela surgiu
[01:09:38] Meu Deus
[01:09:39] Gente, o que ela tem?
[01:09:42] Ela fala assim
[01:09:43] Reprodução em um só exemplar
[01:09:46] De pequenos trechos
[01:09:47] Para uso privado do copista
[01:09:49] Desde que feita por este
[01:09:51] Instituto de lucro
[01:09:53] Ou seja, ela fez
[01:09:54] Uma concepção de que
[01:09:56] O cara ia para a biblioteca
[01:09:58] Pegava o livro, sentava e copiava
[01:10:00] Os trechos que ele queria e voltava para casa
[01:10:02] E usava isso no trabalho dele
[01:10:04] Ele pegava a barça
[01:10:06] Aí copiava, a barça da vizinha
[01:10:09] Copiava aquele parágrafo todo
[01:10:11] De repente botava um papel carbono
[01:10:13] Exato
[01:10:15] Ele tem autorização para isso
[01:10:18] A lei está aqui
[01:10:18] Mas não é concepção que eu consiga em alguns segundos
[01:10:21] Tirar fotocópia de um monte de páginas
[01:10:23] Muda de figura
[01:10:25] Muda de figura, o que é um pequeno trecho
[01:10:27] Nesse sentido, uso privado do copista
[01:10:29] Mas não foi ele quem fez, é quem é o dono da máquina
[01:10:31] De copiadora
[01:10:32] E agora você tem celulares
[01:10:35] Que digitalizam tudo
[01:10:37] Justamente
[01:10:38] Perfeito
[01:10:39] Aí eu uso o privado do copista
[01:10:40] Foi ele que fez, aí já facilita a vida
[01:10:42] Mas de qualquer forma
[01:10:46] O que é um pequeno trecho?
[01:10:48] É um livro inteiro
[01:10:49] Eu pego ali, sei lá, 10% é um pequeno trecho
[01:10:52] E se esse livro inteiro for de artigos
[01:10:54] E um artigo inteiro é 10 páginas
[01:10:56] Sei lá
[01:10:57] É uma obra inteira?
[01:10:59] É um pequeno trecho? Será?
[01:11:01] Então o processo de interpretação
[01:11:04] Da legislação, já que ela traz incisos fechados
[01:11:06] Para a realidade
[01:11:09] Que a gente vive com tantas ferramentas tecnológicas
[01:11:12] Diferentes
[01:11:13] É bem complicado, é bem difícil
[01:11:15] Inclusive tem autores que defendem
[01:11:18] Que esses incisos do artigo 46
[01:11:20] Não é fechado
[01:11:22] São exemplos
[01:11:23] Outras coisas poderiam estar agregadas
[01:11:25] Que pudessem
[01:11:29] Envolver a questão do interesse público
[01:11:32] Só que não são todos que entendem isso
[01:11:34] E principalmente
[01:11:35] Na hora do faz-me-rir
[01:11:38] Não é todo juiz que entende
[01:11:39] A questão do interesse público
[01:11:39] Que vai dar ganho de causa
[01:11:42] Então, por exemplo
[01:11:44] Na dúvida
[01:11:45] Quais estratégias a gente pode usar
[01:11:49] Para fazer o uso de obras
[01:11:50] De terceiros
[01:11:52] Protegidas por direito autoral
[01:11:54] Estratégia ouro pede autorização
[01:11:56] Ou usa uma base de imagens gratuitas
[01:12:00] Uma base de sons gratuito
[01:12:02] Pede autorização
[01:12:03] Outra estratégia
[01:12:05] Obras de domínio público
[01:12:07] E aí tem que tomar
[01:12:09] Tanto cuidado com o direito do autor
[01:12:11] Quanto os direitos conexos
[01:12:12] Então tem que ser de autores
[01:12:14] Que faleceram há mais de 50 anos
[01:12:17] E de reproduções fonográficas
[01:12:21] Ou de gravação
[01:12:23] Que foi gravado
[01:12:26] Há mais de 70 anos
[01:12:27] Porque também tem os direitos
[01:12:29] Dos intérpretes, artistas
[01:12:31] Do editor musical, do produtor
[01:12:34] Que são direitos conexos
[01:12:35] Que contam 70 anos
[01:12:37] A partir de primeiro ano
[01:12:39] Primeiro de janeiro do ano subsequente
[01:12:40] Ao dar fixação, divulgação
[01:12:43] Então tem que tomar cuidado
[01:12:46] Do domínio público
[01:12:46] Então primeira estratégia
[01:12:47] Pede autorização
[01:12:48] Segunda estratégia
[01:12:49] Usa obras de domínio público
[01:12:51] Mas tem uma obra que é muito importante
[01:12:54] Para este podcast
[01:12:56] Então tenta inserir isso
[01:12:58] No contexto
[01:13:00] Faça um estudo
[01:13:02] Uma crítica
[01:13:03] Uma análise desse pequeno trecho
[01:13:05] Que daí a gente tenta envolver
[01:13:08] Né?
[01:13:09] Na parte de
[01:13:11] Vamos lá
[01:13:12] Reprodução, por exemplo
[01:13:13] Em quaisquer obras
[01:13:15] De pequenos trechos de obras pré-existentes
[01:13:17] De qualquer natureza
[01:13:19] Ou de obra integral
[01:13:19] Quando de artes plásticas
[01:13:21] Sempre que a reprodução em si
[01:13:24] Não seja o objetivo principal da obra nova
[01:13:27] E que não prejudique a exploração
[01:13:30] Da mal da obra produzida
[01:13:32] Nem causa um prejuízo injustificado
[01:13:34] Aos legítimos interesses dos autores
[01:13:36] Combinado com
[01:13:38] A exploração da obra
[01:13:39] A citação
[01:13:39] Em livros, jornais, revistas
[01:13:42] Ou qualquer outro meio de comunicação
[01:13:44] De passagens de qualquer obra
[01:13:47] E aí, veja, obra pode ser música
[01:13:49] Para fins de estudo
[01:13:50] Crítico ou polêmica
[01:13:52] Na justificativa
[01:13:53] Na medida justificada a fim de atingir
[01:13:55] Eu estou lendo aqui o artigo 46
[01:13:57] O inciso oitavo, que foi o primeiro
[01:14:00] E o inciso terceiro, que foi o segundo que eu li
[01:14:03] E você está na lei
[01:14:05] Então a gente sempre se apoia
[01:14:07] Isso quer dizer que você nunca vai ter problema?
[01:14:09] Não se sabe
[01:14:10] Alguém pode se sentir ofendido
[01:14:13] E lá entra a questão
[01:14:14] Aí você vai ter que ter argumentos
[01:14:17] Para defender que você estava
[01:14:19] Se valendo
[01:14:20] Desses dois incisos
[01:14:23] Só que veja
[01:14:23] Está aberta a interpretação também
[01:14:26] Está aberta a interpretação também
[01:14:28] A pessoa pode dizer
[01:14:31] Que se sente lesada
[01:14:32] E falar, olha, tudo bem
[01:14:34] Que botou só um trechinho para criticar
[01:14:36] Mas não gostei
[01:14:38] Exato
[01:14:38] Não quero que bote nada
[01:14:40] E aí você fica como?
[01:14:42] Exato
[01:14:42] E assim, nessa área
[01:14:44] Você tem decisão para tudo quanto é gosto
[01:14:47] Eu já vi decisão
[01:14:48] De uma pessoa que usou um pequeno trecho
[01:14:52] De uma música para fins publicitários
[01:14:54] Que o juiz entendeu que tudo bem
[01:14:58] Usou a questão do pequeno trecho ali
[01:15:00] De citação ou coisa parecida
[01:15:02] E tudo bem
[01:15:03] E outra que fez a mesma coisa
[01:15:05] E foi condenado
[01:15:06] Então é isso
[01:15:08] Então aí sim
[01:15:09] Então aí você vai ter que colocar na balança
[01:15:13] O mais seguro
[01:15:16] É a questão de risco controlado
[01:15:19] Entende?
[01:15:19] O mais seguro é
[01:15:20] Pede autorização antes
[01:15:21] Ou usa música de domínio público
[01:15:26] Risco controlado
[01:15:28] Se eu faço da música um objeto de análise
[01:15:31] Ah, eu preciso daquele trecho
[01:15:32] Porque eu estou analisando aquele trecho daquela música
[01:15:34] Então risco controlado
[01:15:37] E lembrando, tá?
[01:15:38] Isso daqui, o direito autoral
[01:15:40] Ele é um direito privado
[01:15:42] Então você só vai receber uma ação
[01:15:45] Uma notificação, coisa parecida
[01:15:47] Se o autor, o titular desse direito
[01:15:49] Fizer isso
[01:15:50] Ninguém pode
[01:15:52] Ah, você pegou, copiou a música do outro lá
[01:15:55] E ele vai entrar com a ação contra você
[01:15:57] Porque ele se sentiu ofendido
[01:15:59] A gente fala que ele não tem legitimidade para isso
[01:16:02] Quem tem é o titular, não ele
[01:16:04] Ou ela, enfim
[01:16:06] Um terceiro, não tem nada a ver com a história
[01:16:08] Então existem algumas
[01:16:10] Então assim, a gente tem um texto legal
[01:16:13] Que na minha perspectiva
[01:16:14] Não dá conta
[01:16:16] Das questões tecnológicas
[01:16:19] Das ferramentas
[01:16:19] E da realidade que a gente vive hoje
[01:16:22] Na questão de cultura, de arte
[01:16:25] Do meio cultural
[01:16:26] E a questão é como interpreta isso
[01:16:30] De que forma eu consigo usar essas licenças
[01:16:33] Esses limites
[01:16:34] Não licenças, mas chamar de limite
[01:16:36] Para não confundir com o contrato de licença
[01:16:38] De forma eu consigo usar esses limites
[01:16:41] Para a minha área
[01:16:42] É complexo, não é fácil não
[01:16:47] Não é bolinho
[01:16:48] Não, não é
[01:16:50] É estudar
[01:16:52] É pedir consultorias
[01:16:55] Eu acho que sempre ajuda bastante
[01:16:57] Mas é complexo mesmo
[01:17:01] Não é fácil
[01:17:01] Porque a lei
[01:17:02] Ela está bastante defasada
[01:17:05] Na minha perspectiva
[01:17:06] Do que a gente tem hoje de realidade
[01:17:08] No Brasil
[01:17:09] Que país está mais avançado nesse sentido?
[01:17:12] Eu não saberia te dizer, Letícia
[01:17:14] Eu não saberia te dizer
[01:17:16] A União Europeia
[01:17:18] Ela tem uma legislação própria
[01:17:21] Quase que válido
[01:17:23] Para toda a União Europeia
[01:17:24] Que já contempla algumas coisas nesse sentido
[01:17:27] Só que depende
[01:17:28] O que você entende por avanços
[01:17:31] Então, por exemplo
[01:17:32] Eu ia falar
[01:17:33] No sentido de não estar mais falando de Xerox
[01:17:37] E já estar falando de Xerox
[01:17:38] Falando de, sei lá
[01:17:39] Snapchat
[01:17:40] Vamos ficar um pouquinho atrasados
[01:17:43] Mas não tanto
[01:17:44] Já chegou nos aplicativos, entendeu?
[01:17:47] Já superou a fase da Xerox
[01:17:49] Mas já está no aplicativo
[01:17:50] Não no mais recente, mas já chegou lá
[01:17:52] É, eu não saberia dizer isso para você
[01:17:57] Porque eu não conheço integralmente
[01:18:00] Todas as legislações
[01:18:01] Hoje, nesse sentido
[01:18:03] Mas, por exemplo, hoje já tem leis
[01:18:05] Ainda que o Brasil
[01:18:06] Depois consiga
[01:18:08] Conseguiu trazer um pouco
[01:18:09] Mas que criminaliza
[01:18:11] O rompimento de medidas tecnológicas
[01:18:14] De proteção
[01:18:15] Sei lá, o hackeio
[01:18:18] Copia o código fonte
[01:18:20] Acho que no Brasil
[01:18:21] Já não pode mais
[01:18:23] Mas, enfim, outras coisas que permitem acesso
[01:18:26] Então
[01:18:27] Vai depender muito também
[01:18:30] Do que é avanço nesse sentido
[01:18:33] Se eu restrinjo muito, muito, muito
[01:18:35] Também, não sei se é um avanço
[01:18:38] Agora, uma lei mais equilibrada
[01:18:42] Eu não saberia te dizer
[01:18:43] Porque ela sempre vai pender para algum lado
[01:18:45] E lei é jogo de poder
[01:18:47] Também
[01:18:48] Uma sociedade
[01:18:50] Com mais acesso à educação
[01:18:53] E consciência crítica
[01:18:55] Do seu papel de cidadão e social
[01:18:56] Consegue fazer mais reivindicações
[01:18:59] Então você tem um certo equilíbrio
[01:19:01] Um pouco maior
[01:19:02] Porque você tem uma pressão popular
[01:19:04] Nessa democracia mais sadia
[01:19:06] Agora, uma sociedade
[01:19:08] Mais alienada
[01:19:09] Que não tem tanto acesso
[01:19:10] A esse tipo de conhecimento
[01:19:12] Ou não tem consciência
[01:19:14] Do impacto
[01:19:15] Da arte, da cultura
[01:19:17] Ou de acesso à arte e cultura
[01:19:19] Para a própria população
[01:19:21] Aí fica complicado
[01:19:24] São vozes unitárias
[01:19:26] Brigando contra
[01:19:28] Aí vira uma luta em glória mesmo
[01:19:30] É difícil
[01:19:31] Por isso que
[01:19:33] Eu particularmente
[01:19:35] E não puxando
[01:19:37] Puxando o sardinho
[01:19:38] Mas já fazendo uma espécie de elogio
[01:19:41] Nesse aniversário
[01:19:42] Pistolando
[01:19:44] São iniciativas como essa que fazem a diferença
[01:19:47] Entende?
[01:19:48] Então parabenizo vocês
[01:19:50] E me sinto muito ilusionjada por estar aqui hoje, sinceramente
[01:19:53] Porque isso vai fazer a diferença
[01:19:55] A gente fica
[01:19:57] Feliz de verdade
[01:19:58] Sério, brigadão
[01:20:00] A gente tenta
[01:20:03] A gente tem
[01:20:03] A gente chegou a gravar
[01:20:06] Até um
[01:20:07] Foi um editorial, né, Thiago?
[01:20:09] Que a gente fez na época com o lance do Spotify
[01:20:11] Exatamente por causa desse babado
[01:20:12] Dos direitos autorais das músicas e tal
[01:20:15] Tava na fase que a gente não tava numerando direito as coisas
[01:20:18] A gente tava com uma numeração alternativa
[01:20:20] Não era isso?
[01:20:22] Exato
[01:20:22] E aí ficou só um editorial mesmo
[01:20:25] Pra falar de um outro assunto relacionado a um outro episódio
[01:20:29] E também depois desse lance do Spotify
[01:20:30] Foi, se não me engano, na época que o pessoal começou a correr
[01:20:34] Pra ser exclusivo do Spotify
[01:20:35] Foi mais ou menos nessa época, não foi?
[01:20:37] Exatamente
[01:20:38] Se eu não me engano
[01:20:39] Cara, deve ter sido o que?
[01:20:40] Cento e…
[01:20:42] Não, isso já tá pedindo demais
[01:20:43] Vinte e um?
[01:20:46] Vinte e um?
[01:20:47] Eu já meia noite e dez aqui
[01:20:50] Eu não me pergunto essas coisas
[01:20:52] Mas eu me lembro
[01:20:55] Que foi
[01:20:56] Uma das motivações pra gente gravar
[01:20:59] Esse editorial e tal
[01:21:00] Foi exatamente esse lance da exclusividade do Spotify
[01:21:02] E tal
[01:21:03] Que acaba sendo ruim
[01:21:05] Por N
[01:21:07] Motivos
[01:21:07] Tem que acabar o Spotify
[01:21:08] Spotify é merda, não usem
[01:21:10] Mas tem o lance das músicas que acaba pesando também
[01:21:13] A gente avisou na época
[01:21:13] Olha, se tirarem a gente do feed do Spotify
[01:21:15] A gente não estiver mais lá
[01:21:16] Provavelmente é porque a gente usou
[01:21:18] Música e caiu na malha fina deles lá
[01:21:21] E aí
[01:21:22] Podem chutar a gente pra fora da plataforma
[01:21:25] Estamos sujeitos a isso até hoje
[01:21:29] Inclusive, acho que a gente não incomoda ninguém
[01:21:30] Porque a gente vê realmente é pequeno
[01:21:31] Mas a gente já soube de casos
[01:21:35] De outros podcasts pequenos também
[01:21:36] Que foram chutados, não?
[01:21:38] Sim, já soubemos
[01:21:40] Tanto daqui quanto de fora
[01:21:42] Do Brasil e de fora
[01:21:44] Às vezes acontece, acho que eles pegam alguém
[01:21:47] Pega um bode expiatório
[01:21:49] Pra meio que servir de aviso
[01:21:51] Pra todo mundo
[01:21:52] Mas a gente simplesmente vai fazendo o nosso
[01:21:54] Caga e anda
[01:21:56] Com todo respeito
[01:21:58] Porque
[01:21:59] Porque assim
[01:22:01] A gente não tem estrutura
[01:22:05] Pra esse tipo de coisa
[01:22:06] Não tem estrutura pra ficar
[01:22:07] Pagando gente pra compor uma trilha
[01:22:11] Por favor
[01:22:11] Então
[01:22:12] É uma parada bem
[01:22:15] Bem diferente
[01:22:17] Que a gente procura
[01:22:20] Não se preocupar com isso
[01:22:21] Apesar de que a gente sabe que deveria
[01:22:23] Mas
[01:22:25] A gente é encrenqueiro mesmo
[01:22:27] Então a gente vai esperar o pau comer
[01:22:28] Alguém vir com o processinho
[01:22:30] E aí a gente vê o que faz
[01:22:31] Posso dar uma luz de esperança?
[01:22:36] Por favor
[01:22:36] Então assim
[01:22:39] Então assim
[01:22:42] Dá uma olhadinha as plataformas
[01:22:43] Que vocês disponibilizam
[01:22:45] Algumas plataformas tem acordos com o ECAD
[01:22:48] Principalmente na parte da música em si
[01:22:50] Porque na parte da música
[01:22:52] O Brasil tem um órgão de gestão coletiva
[01:22:54] De direitos autorais
[01:22:56] Que é as execuções musicais
[01:22:57] Por exemplo, o YouTube
[01:22:59] A Google, no caso
[01:23:01] Ela tem um acordo com o ECAD
[01:23:03] Onde a própria Google
[01:23:06] Paga os direitos autorais
[01:23:08] Das músicas usadas na plataforma
[01:23:10] Que até foi uma decisão
[01:23:12] Da STJ, que as plataformas deveriam
[01:23:14] Remunerar a questão dos direitos
[01:23:16] Autorais das músicas usadas
[01:23:17] Principalmente
[01:23:19] O ECAD está fazendo acordo com várias
[01:23:22] Plataformas nesse sentido
[01:23:24] O que dá uma liberdade
[01:23:26] Maior de uso de músicas
[01:23:27] Nas plataformas
[01:23:29] Aí dá uma pesquisada
[01:23:31] Até que ponto
[01:23:34] Isso pode beneficiar vocês
[01:23:36] Nesse sentido
[01:23:36] Que daí dá uma liberdade
[01:23:39] Uma tranquilidade também
[01:23:40] Para produzir os podcasts de vocês
[01:23:42] E produzir conteúdo
[01:23:43] Acho que vale a pena dar uma pesquisada
[01:23:47] Esse dever de casa é para o Thiago
[01:23:49] Ah, não me vem com o dever de casa
[01:23:52] Estou fodido já
[01:23:53] Me ajuda
[01:23:55] Você sabe como é que anda a minha vida
[01:23:58] Oh, Céus
[01:24:01] Oh, Céus
[01:24:03] Conte que eu não sou dinheiro
[01:24:04] Dona Letícia
[01:24:06] Você tem mais alguma coisa para perguntar?
[01:24:08] Eu queria perguntar sobre
[01:24:10] Tinha uma última coisa aqui na minha listinha
[01:24:12] Que era sobre o Creative Commons
[01:24:14] Ah, legal, legal
[01:24:16] Porque a gente
[01:24:18] Vê bastante, a gente que mora na internet
[01:24:20] Principalmente eu e o Thiago
[01:24:22] É o tipo de coisa que aparece com bastante frequência
[01:24:25] E se você não
[01:24:26] Tiver paciência de lá fuçar o que é
[01:24:28] Você vê lá o símbolozinho e tal
[01:24:30] Mas não entende do que eles estão falando
[01:24:32] O que é e legalmente
[01:24:34] Como é que
[01:24:36] Funciona isso, é vinculante, não é
[01:24:38] Vale em tudo quanto é lugar
[01:24:39] Como é que funciona isso?
[01:24:41] Isso é bem legal essa pergunta, viu Letícia
[01:24:43] Porque é o seguinte
[01:24:44] Lembra que eu falei
[01:24:46] A lógica do direito autoral
[01:24:48] Ela é assim
[01:24:49] Você não pode fazer nada
[01:24:51] Do que não for autorizado
[01:24:54] Exceto esses limites de direitos autorais
[01:24:56] Que a gente conversou um pouquinho
[01:24:57] Todos os tempos de autorização
[01:24:59] A lógica do Creative Commons
[01:25:03] Ele inverte isso
[01:25:04] Você pode fazer
[01:25:06] Tudo que não seja proibido
[01:25:08] Entendi
[01:25:09] Você pode fazer tudo
[01:25:11] Exceto pedir autorização
[01:25:13] Ai meu Deus
[01:25:17] Aí depende muito do tipo de licença
[01:25:20] Do Creative Commons
[01:25:21] Porque eles tem símbolozinhos
[01:25:22] E eles fazem combinações daqueles símbolos
[01:25:25] Exato, você faz um mix e match ali
[01:25:27] Exato, então assim
[01:25:29] Primeira regra de ouro
[01:25:31] O fato de estar na internet não quer dizer
[01:25:33] Que é permitido tudo, tá?
[01:25:36] Muito pelo contrário
[01:25:37] E tem muita empresa ganhando dinheiro com isso, tá?
[01:25:39] Se valendo da ingenuidade
[01:25:42] Vamos chamar de ingenuidade
[01:25:44] De outras pessoas
[01:25:46] Você é tão boazinha
[01:25:46] Olha ali, vejo uma imagem
[01:25:52] Ali na internet, vou e coloco
[01:25:53] No meu blog, aí tem empresa
[01:25:55] Que vai lá e fala assim
[01:25:56] Hostilizou sem pedir autorização
[01:25:59] E fica fazendo prova
[01:26:01] Olha aqui, tá vendo?
[01:26:03] Você tá me devendo tanto
[01:26:04] Todo tempo que você usou sem pedir autorização
[01:26:07] Mais a multa
[01:26:09] Por não ter pedido
[01:26:11] E aí você não tem como brigar
[01:26:14] Como negociar valor
[01:26:15] Porque você já usou
[01:26:16] Então tem gente que tá ganhando dinheiro com isso, tá?
[01:26:22] Fica cuidado
[01:26:22] Enfim, então faz estar na internet
[01:26:25] Não quer dizer que pode usar
[01:26:26] Então aí você tem que ver que tipo de licença
[01:26:29] Aquele conteúdo
[01:26:31] Aquela obra foi disponibilizada
[01:26:34] Uma das
[01:26:34] Licenças que permitem coisas
[01:26:36] Bem legal são os creative commons
[01:26:39] Então eles fazem combinações
[01:26:41] Do que pode
[01:26:42] Do que não pode ser feito
[01:26:44] Melhor, pode tudo menos aquilo
[01:26:46] Então por exemplo
[01:26:47] A questão da autoria, né?
[01:26:49] Quando tem a questão
[01:26:52] Do homenzinho lá, aquele símbolozinho
[01:26:54] Fala assim, ah, você pode fazer
[01:26:57] Obras derivadas, você pode
[01:26:58] Reproduzir
[01:27:00] Mas você sempre tem que mencionar a autoria
[01:27:02] Aí outra, ah, você pode
[01:27:04] Reproduzir, mas não pode usar
[01:27:05] Para fins comerciais
[01:27:07] Ah, pode usar, pode reproduzir
[01:27:09] Mas não pode fazer obras derivadas
[01:27:11] Enfim, aí você vai ter que olhar
[01:27:14] Que tipo de licença
[01:27:15] Que símbolos estão sendo combinados
[01:27:17] Naquela obra
[01:27:19] Aí você sabe o que você não pode fazer
[01:27:21] Inclusive, tem um símbolo específico
[01:27:24] Fazendo meu dever de casa, né?
[01:27:26] Pesquisando sobre podcasts
[01:27:28] E direito autoral, né?
[01:27:30] Tem um símbolo específico
[01:27:32] Para podcasts, que é o Podsafer
[01:27:34] Que, inclusive, tem
[01:27:37] A Creative Commons lançou
[01:27:39] Um guia
[01:27:40] Do que o podcast
[01:27:42] O que significam essas licenças
[01:27:45] Podcasting’s
[01:27:47] Legal Guide
[01:27:49] O guia legal para podcasting
[01:27:51] As regras, né?
[01:27:54] Para isso
[01:27:55] E aí vai explicando dentro do Creative Commons
[01:27:58] O que se pode fazer
[01:28:00] Dentro do conceito de podcast
[01:28:02] Então tem ainda o símbolo
[01:28:03] Do Podsafer
[01:28:04] Que você pode usar aquilo para podcasts
[01:28:07] Então vale a pena
[01:28:09] E isso é bem recente, né?
[01:28:10] Isso é o que? 2016?
[01:28:14] Talvez?
[01:28:16] Não é antigo não, tá?
[01:28:19] Talvez seja até mais recente do que isso
[01:28:21] Mas eu acho que é 2017
[01:28:22] Por aí, assim
[01:28:24] Nossa, isso é
[01:28:27] Isso é muito bom
[01:28:28] É muito legal
[01:28:30] E o símbolo é bem bonitinho também
[01:28:31] Bem legal
[01:28:31] Enfim
[01:28:34] E tem, né?
[01:28:35] Que traz
[01:28:35] Para a comunidade de podcast
[01:28:37] Traz, assim
[01:28:39] Alguns usos específicos
[01:28:41] E adaptados para a realidade, né?
[01:28:43] Então acho que vale a pena
[01:28:45] Até para ter menos dor de cabeça mesmo, né?
[01:28:48] A gente nunca sabe
[01:28:49] Quem vai se sentir ofendido ou não, né?
[01:28:51] Dá uma olhada
[01:28:52] Que tipo de licença
[01:28:53] É disponibilizada, tal
[01:28:55] E assim
[01:28:56] Como eu comentei
[01:28:57] É um direito privado
[01:28:58] Se ninguém fala nada
[01:29:00] Tá tudo bem
[01:29:01] E é de pessoa para pessoa, sabe?
[01:29:04] Tem gente que quer que mais use mesmo
[01:29:06] Tá disponibilizando lá
[01:29:08] A questão
[01:29:09] Eu acho que principalmente
[01:29:11] A transparência e o uso ético disso
[01:29:14] Se eu tô usando
[01:29:15] Faz referência
[01:29:17] Quem não vai querer que o nome esteja vinculado
[01:29:19] Pô, você ainda é música
[01:29:20] Principalmente música que não seja tão conhecida
[01:29:23] De compositor
[01:29:24] Sim, é divulgação
[01:29:26] Divulgação
[01:29:27] E outra
[01:29:28] Às vezes a gente acha que é muito difícil
[01:29:30] Manda um e-mail
[01:29:31] Fala, olha, tô fazendo um episódio sobre isso
[01:29:33] Isso, isso
[01:29:34] Tem interesse
[01:29:35] Em divulgar tua música, etc
[01:29:37] Ah, eu acho que dá pra gente se unir
[01:29:40] Nessa comunidade mais
[01:29:42] Fora do mainstream, né?
[01:29:45] E fazer coisas legais
[01:29:47] Pra uso do capital social
[01:29:50] Eu acho que é bem legal
[01:29:52] Olha
[01:29:54] Fica a mensagem de esperança
[01:29:56] Para a união dos povos
[01:29:57] Eu não tenho mais esse otimismo, não
[01:30:01] Mas admiro quem tem
[01:30:03] Pois assim
[01:30:04] Não, eu entendo
[01:30:04] Eu entendo que é possível
[01:30:05] E principalmente eu entendo essa coisa de você
[01:30:07] De pedir mesmo
[01:30:09] Porque às vezes a gente acha
[01:30:10] Que as pessoas são inacessíveis
[01:30:11] Que não vão responder
[01:30:12] Que vão dar o tapa na cara
[01:30:14] Mas o não você já tem
[01:30:16] O famoso o não você já tem
[01:30:17] Se você não perguntar nada
[01:30:19] Aí você vai estar totalmente errado
[01:30:21] Então, boa
[01:30:23] Boa, boa dica
[01:30:24] Eu gostei
[01:30:24] Usos éticos mesmo
[01:30:25] Do tipo assim
[01:30:26] Ah, cara
[01:30:27] O que eu gostaria que fizessem comigo
[01:30:29] Caso quisessem usar uma obra minha
[01:30:31] Uhum
[01:30:32] Né?
[01:30:33] E é legal, poxa
[01:30:34] Sinal que tá legal a obra
[01:30:37] Vale a pena ser usada
[01:30:38] Tá sendo divulgada
[01:30:39] Né?
[01:30:40] E é capaz da pessoa até gostar
[01:30:42] Enfim, né?
[01:30:43] Já indicar, ó
[01:30:45] Vê ali, ó
[01:30:45] Ouça esse episódio
[01:30:46] Tá usando uma obra minha
[01:30:47] Olha que legal
[01:30:48] Né?
[01:30:50] Assim, eu sei que às vezes
[01:30:51] Parece um pouco poliana, né?
[01:30:53] Mas eu acho que
[01:30:54] Se a gente vê o todo
[01:30:56] É complexo
[01:30:57] Mas nas pequenas coisas
[01:30:59] Talvez dê pra simplificar um pouco
[01:31:01] Uhum, né?
[01:31:02] E…
[01:31:03] E a partir disso
[01:31:03] No micro, né?
[01:31:05] É, no micro
[01:31:06] Às vezes
[01:31:06] O todo
[01:31:07] Dá um desespero
[01:31:08] Confesso pra vocês
[01:31:09] Que eu também quando olho o todo
[01:31:10] Ainda mais nos últimos anos
[01:31:12] É
[01:31:13] Rapaz
[01:31:14] Tá difícil
[01:31:15] É
[01:31:16] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:17] É
[01:31:18] É
[01:31:18] É
[01:31:18] É
[01:31:18] É
[01:31:18] É
[01:31:18] É
[01:31:18] É
[01:31:18] É
[01:31:18] É
[01:31:18] É
[01:31:18] É
[01:31:18] Eu nunca entendi tão na pele
[01:31:22] Enfim, emocionalmente
[01:31:24] Fisicamente também
[01:31:26] Os conceitos de pandemônio, né?
[01:31:29] Após uma pandemia
[01:31:30] Mas eu acho que no livro
[01:31:33] Dá pra gente fazer algumas coisas
[01:31:34] Bom, muito bom
[01:31:36] Gente, só pra terminar
[01:31:37] O que eu tentei informar aqui
[01:31:40] Mas eu falhei miseravelmente
[01:31:41] Eu não achei qual foi o episódio que nós falamos lá
[01:31:44] Sobre o negócio do Spotify
[01:31:45] Eu sei que é posterior ao 55
[01:31:48] Porque eu não sei
[01:31:48] Porque o outro
[01:31:49] O outro
[01:31:50] Situação que a gente
[01:31:51] Foi da treta
[01:31:52] Foi da treta da
[01:31:52] Foi da área
[01:31:53] Isso
[01:31:54] Que
[01:31:55] Que foi o número 55
[01:31:57] Então foi posterior a isso
[01:31:58] Eu vou achar aqui
[01:31:59] Vai estar na postagem
[01:32:00] Mas qual exatamente
[01:32:00] É
[01:32:01] Qual exatamente é
[01:32:02] Eu não sei
[01:32:03] Até porque a Letícia me ajudou um monte nos títulos
[01:32:06] Porque tipo
[01:32:07] Estudando 56
[01:32:08] Se chama
[01:32:09] Língua de cadáver inca com leite em pólen
[01:32:13] É usada por piratas das árvores
[01:32:15] Para não chover gafanhoto no carnaval
[01:32:18] De um ano
[01:32:18] Das vacas
[01:32:19] Garoto, mas esse aí é o BMF
[01:32:21] Esse é o BMF
[01:32:22] Não tem nada a ver
[01:32:22] Eu vou achar e vou botar na postagem
[01:32:24] Se os senhores se acalmem
[01:32:25] Se acalmem que eu vou achar
[01:32:27] É porque a gente faz
[01:32:29] A gente alterna episódios
[01:32:32] Episódios como esse
[01:32:33] Com os nossos episódios ímpares
[01:32:35] São como esse
[01:32:36] Está sendo
[01:32:37] Uma conversa com um convidado
[01:32:38] Que entende do assunto
[01:32:39] Porque eu e o Tiago
[01:32:39] Não entendemos nada de coisa nenhuma
[01:32:41] E aí
[01:32:42] Os episódios parem
[01:32:43] Somos só
[01:32:44] Eu e o Tiago
[01:32:45] Comentando notícias
[01:32:46] Boas, más e feias
[01:32:47] E aí
[01:32:49] Durante um certo período
[01:32:50] Eu fazia o título do episódio
[01:32:53] Misturando as notícias
[01:32:54] E ficava uma coisa enorme
[01:32:55] Maluca tipo essa
[01:32:56] E aí depois eu fui desistindo
[01:32:59] Porque a minha imaginação
[01:33:00] Não estava mais dando conta
[01:33:02] E agora ficou só o número mesmo
[01:33:04] Mas esse do editorial
[01:33:05] Eu vou achar e vai estar na postagem
[01:33:07] Não tem nome maluco nenhum
[01:33:08] Ele só tem dois assuntos
[01:33:09] A gente fez uma coisa curtinha
[01:33:11] Falando só do episódio
[01:33:12] Das tretas da arte
[01:33:15] E depois do lance do Spotify
[01:33:17] E depois do lance do Spotify
[01:33:18] Ficou legal
[01:33:19] Depois eu te mando o link
[01:33:20] Para você ouvir
[01:33:20] Ficou curtinho
[01:33:21] Ah, quero ouvir sim
[01:33:22] Eu só não achei ele aqui
[01:33:25] Mas
[01:33:25] Mas ele vai estar na postagem
[01:33:27] Eu vou colocar lá
[01:33:27] É que eu não podia perder a chance
[01:33:29] De pegar no teu pé
[01:33:30] Claro
[01:33:30] Imagina
[01:33:31] A gente adora esses nomes
[01:33:34] E esse episódio 56
[01:33:36] É muito bom
[01:33:37] Eu estou olhando aqui
[01:33:38] A foto das vacas
[01:33:39] Que o pessoal
[01:33:40] O pessoal fez um
[01:33:43] Fez uma matriz
[01:33:44] Fez um
[01:33:45] Desenhou um quadriculado
[01:33:47] Num pasto
[01:33:48] E fez um
[01:33:48] E soltou vacas
[01:33:49] Ah, isso é do Chapéu da Vaca
[01:33:50] Exato
[01:33:51] E aí deixaram as vacas
[01:33:53] Pastando ali
[01:33:54] E deram significados
[01:33:56] Para cada um daqueles
[01:33:58] Daqueles quadrados ali
[01:34:00] Que cada quadrado
[01:34:02] Representava uma empresa
[01:34:03] Na bolsa de valores
[01:34:04] E aí cada vez
[01:34:05] Que a vaca cagava
[01:34:07] Num daqueles quadrados
[01:34:09] Eles compravam ações
[01:34:10] Daquela empresa
[01:34:11] E a vaca foi mais eficiente
[01:34:14] Em ganhar dinheiro
[01:34:15] Que autosanalista financeiro
[01:34:17] Esse episódio é muito bom
[01:34:18] Ótimo
[01:34:19] Ótimo
[01:34:19] É o 56?
[01:34:21] 56
[01:34:22] Ah, vou procurar
[01:34:23] Eu te mando o link
[01:34:25] Eu te mando o link
[01:34:25] Ai, meu Deus do céu
[01:34:26] Manda, manda
[01:34:27] Não, mas a gente começou
[01:34:28] Com menos notícias
[01:34:29] Então os títulos
[01:34:30] Não eram tão longos assim
[01:34:31] Aí em algum momento
[01:34:32] A gente despirocou muito
[01:34:33] Começou a trazer muita notícia
[01:34:35] E não tinha linha suficiente
[01:34:37] Para botar o nome
[01:34:38] O título do episódio
[01:34:39] Na capa
[01:34:40] Não dava
[01:34:41] Não cabia
[01:34:41] E eu parei
[01:34:43] Mas enfim
[01:34:44] Seu Tiago
[01:34:45] Algo mais?
[01:34:46] Pois
[01:34:46] É
[01:34:48] De perguntas
[01:34:50] Eu não tenho
[01:34:50] Eu só vou fazer uma aqui
[01:34:52] Porque eu não posso perder
[01:34:53] A oportunidade
[01:34:54] Dessa bagunça aqui
[01:34:55] Deu no Guardian
[01:34:57] Dia 31 de maio agora
[01:35:00] Que os caras lá do Scorpions
[01:35:04] Eles fizeram aquela música
[01:35:06] Wind of Change
[01:35:07] No período da reunificação da Alemanha
[01:35:11] E na queda da União Soviética e tal
[01:35:13] E meio que acabou virando
[01:35:15] Um hino daquele acontecimento
[01:35:18] E tal
[01:35:19] Eles acabaram
[01:35:20] Meio que passando
[01:35:22] Passando para o zeitgeist
[01:35:25] De todos aqueles acontecimentos
[01:35:27] E tal
[01:35:27] E aí
[01:35:28] Nessa música
[01:35:30] Tem referências
[01:35:31] A Rússia
[01:35:33] Ele começa lá com
[01:35:34] I follow the Moskva
[01:35:36] Down to Gorky Park
[01:35:37] Então tipo
[01:35:38] Ele fala do Parque Gorky
[01:35:40] Em Moscou
[01:35:41] E do Moskva também
[01:35:42] E aí
[01:35:43] Agora em 31 do 5
[01:35:46] Aqui
[01:35:47] Eles resolveram
[01:35:48] Que
[01:35:48] Eles vão
[01:35:50] Mudar a letra
[01:35:51] Da música
[01:35:52] Para retirar
[01:35:55] As referências
[01:35:57] A Rússia
[01:35:58] Da música
[01:35:59] É quase um BMF
[01:36:01] No meio
[01:36:01] De novo esse negócio
[01:36:03] Igual o outro
[01:36:04] A previsão do Stroganoff
[01:36:06] É a cultura do cancelamento
[01:36:08] Chegou ao Wind of Change
[01:36:09] Então se você canta
[01:36:11] Wind of Change
[01:36:12] Agora
[01:36:13] Com a versão original
[01:36:15] Com referências a Rússia
[01:36:17] E o autor não quer mais
[01:36:19] Que aquela seja a referência
[01:36:22] Isso é violação
[01:36:23] De direito autoral?
[01:36:27] Você sabe que esse caso é muito legal?
[01:36:30] Pô
[01:36:30] Você me pegou em Tiago
[01:36:31] Não posso falar disso
[01:36:34] O direito
[01:36:35] É que assim
[01:36:35] Isso aqui aconteceu
[01:36:36] Lá
[01:36:38] Não foi baseado na lei brasileira
[01:36:40] Mas se eu trouxesse esse caso para o Brasil
[01:36:42] No direito moral do autor
[01:36:45] Um dos direitos lá
[01:36:46] É o direito moral do autor
[01:36:47] É o de modificar
[01:36:49] A obra a qualquer tempo
[01:36:51] Então assim
[01:36:53] Pelo direito moral dele
[01:36:55] Ele poderia fazer essa mudança
[01:36:57] Né?
[01:37:01] Agora
[01:37:02] Se eu cantar
[01:37:05] Música ainda
[01:37:07] Utilizando as referências a Rússia
[01:37:09] E não mais Ucrânia
[01:37:10] Se eu feriria os direitos autorais
[01:37:13] Dele
[01:37:13] Seria mais a questão
[01:37:16] Se eu pedir ou não
[01:37:17] Autorização para cantar a música
[01:37:19] Entende?
[01:37:20] Não tanto a questão
[01:37:22] De mudar o nome
[01:37:25] Vendo a princípio
[01:37:27] Eu não analisei o caso
[01:37:29] O que poderia estar de repercussão nisso
[01:37:32] É mais assim
[01:37:33] Está cantando a música sem autorização prévia
[01:37:35] Agora
[01:37:37] Vamos supor
[01:37:39] Que ele alterou a música agora
[01:37:41] Sei lá, estou viajando aqui
[01:37:43] Posso estar viajando
[01:37:44] Aí
[01:37:47] Nessa cultura do cancelamento
[01:37:49] Como você colocou
[01:37:50] Que todo mundo transforma uma gota num tsunami
[01:37:52] Porque isso dá mais like
[01:37:54] Enfim
[01:37:56] Dá mais acesso
[01:37:58] É uma loucura isso
[01:37:59] Então
[01:38:02] Se ele altera
[01:38:04] Eu canto a música alterada
[01:38:06] Eventualmente
[01:38:08] Eu posso implicar
[01:38:11] Que você está alterando a minha música
[01:38:12] Sem minha autorização
[01:38:13] Porque eu alterei ela
[01:38:15] E você não está respeitando o que eu alterei
[01:38:16] Cara, isso dá um pouco de perigo para mim
[01:38:17] É um paradoxo
[01:38:18] O tempo
[01:38:22] Perguntou para o tempo
[01:38:23] O tempo respondeu
[01:38:25] Socorro
[01:38:29] Eu alterei algo que não era
[01:38:31] Não rola isso
[01:38:34] Mas enfim
[01:38:35] Eventualmente pelo direito moral
[01:38:37] Ele possa brigar alguma coisa
[01:38:39] Mas até explicar o que foi alterado
[01:38:41] Ou deixou de alterar
[01:38:42] Enfim
[01:38:43] Aí tem que achar um juiz de muito bom senso
[01:38:46] Mesmo porque
[01:38:46] Esse é um caso
[01:38:51] É um caso curioso
[01:38:53] Daquele para jogar numa sala de aula
[01:38:55] E só
[01:38:55] Divide a turma em duas
[01:38:59] Bota umas luvas de boxe
[01:39:02] E resolve
[01:39:03] Meus queridos
[01:39:06] Vou fazer um exercício de lógica
[01:39:07] Excelente
[01:39:09] Rapaz, muito bom
[01:39:11] Não conheci esse caso não, viu Thiago
[01:39:13] Vou dar uma olhada
[01:39:14] Analisada nele
[01:39:15] Eu vi aqui do The Guardian
[01:39:16] É
[01:39:17] Eu inclusive mandei o link
[01:39:20] Eu te mando agora
[01:39:21] Ali no chat
[01:39:22] Ai meu Deus
[01:39:25] Seu Thiago
[01:39:26] Eu acho que é isso
[01:39:28] Eu já fiz até um pequeno BMF
[01:39:29] No meio do episódio
[01:39:30] Eu estou muito satisfeito
[01:39:31] Everybody stand up
[01:39:35] It’s time to do
[01:39:37] The Mouseka Dance
[01:39:39] Música
[01:39:40] Música
[01:39:41] Música
[01:39:43] Música
[01:39:45] Música
[01:39:46] Música
[01:39:46] Música
[01:39:46] Música
[01:39:46] Música
[01:40:10] Então vamos para a balada do pistoleiro
[01:40:13] Para a nossa sessão de dicas culturais
[01:40:15] Música
[01:40:16] Vamos, vamos sim senhora
[01:40:18] Então tá, começa você aí
[01:40:20] Você quer começar?
[01:40:21] Não
[01:40:21] Não
[01:40:23] Não o que?
[01:40:26] Não quer começar?
[01:40:27] Não, vai você
[01:40:28] Eu tenho que achar o meu link aqui
[01:40:30] Tá, eu vou começar com uma
[01:40:32] Que eu já cantei a pedra lá
[01:40:34] No começo do episódio
[01:40:36] Eu ando em lugares esquisitos
[01:40:38] Na internet
[01:40:39] Alguns são insalubres
[01:40:41] E alguns são maravilhosos
[01:40:44] Esse link aqui
[01:40:45] Vem da…
[01:40:46] Da turma dos maravilhosos
[01:40:48] É o Tonic
[01:40:50] É T-H-O-N-Y-C
[01:40:54] .wordpress.com
[01:40:57] Ele é um historiador de ciência
[01:41:01] Voltado para matemática
[01:41:03] Então ele tem um blog de matemática renascentista
[01:41:08] E é maravilhoso
[01:41:12] De bom
[01:41:13] Porque assim, ele é lindo
[01:41:15] Tem ali, ó
[01:41:16] As imagens, as ilustrações
[01:41:19] Que vinham dos compêndios da época e tal
[01:41:21] Ele conta as histórias muito, muito bem
[01:41:24] E não tem lugar que você vai achar
[01:41:28] Tretas com mais classe
[01:41:31] Do que na matemática renascentista
[01:41:33] Tipo, ele pega um post de um cara
[01:41:37] Que botou num blog lá na casa do cacete
[01:41:39] Um negócio sobre
[01:41:40] Curiosidades da vida de Johann Kepler
[01:41:44] E aí ele traz todas aquelas
[01:41:46] Para os posts dele
[01:41:49] E começa a destrinchar uma a uma
[01:41:52] E é maravilhoso
[01:41:54] É muito bom
[01:41:55] Você acha que é a coisa mais chata do mundo
[01:41:57] E você simplesmente depois está envolvido naquilo
[01:42:01] E você não consegue parar de ler
[01:42:02] É muito, muito legal
[01:42:05] Eu nunca pensei que eu ia ter tanta empolgação
[01:42:08] Com matemática renascentista
[01:42:10] Mas eu sei que em algum lugar desse mundo
[01:42:14] Tem alguém que…
[01:42:16] Estava só esperando esse link chegar na sua vida
[01:42:19] Enquanto pessoa
[01:42:26] Enquanto pessoa que nasceu sem os giros cerebrais
[01:42:29] Responsáveis por qualquer tipo de contagem
[01:42:32] Em relação
[01:42:33] Interessante, positivo e agradável com números
[01:42:36] Eu acho que eu vou passar
[01:42:38] Talvez eu vá ver os desenhos
[01:42:39] Ver as figuras
[01:42:40] Mas assim…
[01:42:41] Se for para indicar um post
[01:42:43] Provavelmente eu não vou ler não
[01:42:45] Ah
[01:42:45] Ah
[01:42:45] Ah
[01:42:46] E se for para indicar um post em específico
[01:42:48] Eu já mandei aí o link no nosso chatzinho
[01:42:51] É o episódio
[01:42:55] O episódio
[01:42:56] O post dele de janeiro desse ano
[01:42:58] Em que ele fala sobre a vida do Kepler
[01:43:00] É muito legal
[01:43:01] Muito legal mesmo
[01:43:02] A segunda dica que eu deixo
[01:43:06] Que tem a ver com o episódio
[01:43:07] Olha só
[01:43:08] Ó, inovando
[01:43:09] A segunda dica que eu deixo
[01:43:12] Que tem a ver com o episódio
[01:43:13] É o filme do Tico e Teco
[01:43:16] Você gostou tanto assim?
[01:43:18] Sério?
[01:43:20] Não
[01:43:20] Eu achei muito legal
[01:43:22] Achei muito, muito, muito legal
[01:43:23] Ele tem milhões de referências
[01:43:25] Você pode ver ele 30 vezes
[01:43:26] Só pegando referências e referências
[01:43:28] É, eu vi
[01:43:29] E não achei nada do outro mundo não
[01:43:30] E…
[01:43:31] É porque ele tem…
[01:43:33] É…
[01:43:34] A…
[01:43:34] O jeito como a história dele é contado
[01:43:37] É totalmente noir
[01:43:39] E é isso que me pega nessa porra
[01:43:41] Ele é um filme noir disfarçado
[01:43:44] Ai, tchau
[01:43:45] Mas o filme que eu acho que é o melhor do mundo é o filme do Tico e Teco
[01:43:46] Mas o legal que tem a ver com a nossa…
[01:43:49] Com a nossa…
[01:43:50] O nosso papo de hoje
[01:43:51] É que justamente os vilões
[01:43:54] Aqui não vou contar tanto assim do filme
[01:43:57] Mas os vilões estão realmente fazendo
[01:44:01] Versões pirateadas
[01:44:03] De todos aqueles personagens, né?
[01:44:05] Então…
[01:44:06] É sempre ali um…
[01:44:09] É um Dumbo com uma orelha menor do que a outra
[01:44:12] É um negocinho meio…
[01:44:14] Meio capenga ali
[01:44:15] Mas que…
[01:44:15] É…
[01:44:16] Mas que na verdade são todos…
[01:44:18] Algum…
[01:44:19] Algum tipo de bootleg, né?
[01:44:21] É, a gente faz uma versão paraguaia dos…
[01:44:24] Dos filmes
[01:44:24] Era um…
[01:44:26] Eu vi e falei
[01:44:27] Tá, tá visto assim
[01:44:29] Eu gostei
[01:44:31] Eu gostei
[01:44:32] Eu realmente gostei
[01:44:33] É…
[01:44:34] Ele é um filme com uma técnica do caralho
[01:44:37] Isso sim
[01:44:38] Isso sim
[01:44:39] Nossa, a técnica dele é um absurdo
[01:44:40] Porque assim
[01:44:41] Eles conseguiram fazer um negócio que…
[01:44:44] Assim, me desculpa
[01:44:45] Quem gosta de…
[01:44:46] De Space Jam e tal
[01:44:48] Mas o único filme até então
[01:44:50] Que tinha feito direito
[01:44:51] Esse negócio de humano interagindo com desenho
[01:44:53] Foi uma cilada pra Roger Rabbit
[01:44:56] E desde então
[01:44:58] Ninguém tinha feito nada nem parecido
[01:45:00] E esse filme subiu essa barra
[01:45:03] Conseguiu ser melhor que Roger Rabbit
[01:45:05] Nessa…
[01:45:06] Não, é feito pra caramba
[01:45:07] Mas eu acho isso chato
[01:45:08] Porra, ele tem aplicação de 2D
[01:45:10] Ele tem aplicação 3D
[01:45:12] CGI, tudo misturado
[01:45:13] Ele tem boneco de massinha
[01:45:14] É…
[01:45:14] Ele tem boneco…
[01:45:15] Ele tem boneco de…
[01:45:16] Ele tem fantoche tipo Muppets
[01:45:19] Ele tem um bonequinho de meia
[01:45:21] Então assim
[01:45:23] Ele tem muitas técnicas envolvidas ao mesmo tempo
[01:45:25] Deve ter sido um pesadelo na parte técnica
[01:45:28] E principalmente um pesadelo na parte jurídica
[01:45:32] Na parte legal
[01:45:33] De você pegar todos aqueles direitos autorais
[01:45:35] Coisa que é da Warner
[01:45:37] Coisa que é da DreamWorks
[01:45:38] Tem de tudo em qualquer lugar
[01:45:39] Coisa que é da Pixar
[01:45:39] Coisa que é da Hanna-Barbera
[01:45:42] E tá tudo no filme
[01:45:43] Tudo no filme
[01:45:44] E ele tem um bonequinho de meia
[01:45:45] E aí você fica
[01:45:45] Meu Deus do céu
[01:45:47] Quanto eles não pagaram
[01:45:49] Pra colocar esses…
[01:45:51] Todos esses direitos privados lá
[01:45:52] É…
[01:45:53] Mas é…
[01:45:54] Coisa séria
[01:45:55] Eu gostei
[01:45:55] Eu gostei do filme
[01:45:56] Então tá
[01:45:59] Eu adorei as chicas
[01:46:00] Já anotei aqui
[01:46:01] Então tá bom
[01:46:01] Então tá bom
[01:46:02] Eu vou dar só uma dica
[01:46:05] Que é um livro que eu tô lendo
[01:46:06] De uma autora chamada
[01:46:08] Lucia Berlin
[01:46:09] Que apesar do nome
[01:46:10] Ela é americana
[01:46:10] E…
[01:46:12] Pelo que eu entendi
[01:46:13] De família meio mexicana também
[01:46:14] Eu não sei
[01:46:15] É um livro muito estranho
[01:46:17] Porque ele tem…
[01:46:19] Ele na verdade é uma mistura
[01:46:21] De contos e crônicas
[01:46:23] Tudo muito curtinho
[01:46:24] Você percebe
[01:46:26] Alguns personagens recorrentes
[01:46:28] Mas não todos
[01:46:29] E você percebe também
[01:46:31] Que tem alguns temas recorrentes
[01:46:33] Provavelmente são autobiográficos
[01:46:35] Mas não sei
[01:46:36] Porque eu não sei nada
[01:46:37] Sobre essa autora
[01:46:38] Eu nunca tinha ouvido falar dela
[01:46:40] Até a Amazon me sugerir
[01:46:44] Não sei o que eu tava procurando
[01:46:45] Ela é da onde?
[01:46:46] Ela é americana
[01:46:47] Pelo que eu entendi
[01:46:48] Ela é americana
[01:46:49] E é Lutia mesmo?
[01:46:51] Não é Lutia?
[01:46:52] É porque…
[01:46:53] Eu sei que é Lutia
[01:46:54] Porque tem…
[01:46:55] Um dos textos
[01:46:56] Ela fala
[01:46:56] Ela menciona
[01:46:57] A pronúncia
[01:46:58] Então…
[01:47:01] Pelo que eu entendi
[01:47:02] Se estavam falando realmente dela
[01:47:04] Eu acho que sim
[01:47:05] Por causa desses temas recorrentes
[01:47:06] Então é Lutia
[01:47:07] Se não é Lúcia
[01:47:08] E fica aí por isso mesmo
[01:47:10] De qualquer forma
[01:47:11] Berlin
[01:47:12] Ou Berlina
[01:47:13] Não sei se fosse em espanhol
[01:47:14] Acho que teria um acento
[01:47:15] Eu não sei dizer
[01:47:15] Não vou correr atrás disso agora
[01:47:18] Irei depois agora não
[01:47:19] E…
[01:47:21] Eu nunca tinha ouvido falar dela
[01:47:25] Nunca
[01:47:25] E é ridículo
[01:47:27] Porque ela escreve muito bem
[01:47:28] E esse livro se chama
[01:47:31] Eu tô lendo em inglês
[01:47:32] A Manual for Cleaning Women
[01:47:34] Eu não sei se eles traduziram
[01:47:35] Literalmente
[01:47:36] Manual para Mulheres de Limpeza
[01:47:38] Eu não sei
[01:47:38] Vou procurar
[01:47:40] E vou colocar o link lá direitinho
[01:47:41] Na pauta pra vocês
[01:47:42] É muito interessante
[01:47:43] Porque são essas
[01:47:44] Mini historinhas
[01:47:46] Ou mini crônicas
[01:47:47] Realmente muito curtas
[01:47:49] Tem coisa assim
[01:47:49] De meia página
[01:47:50] Tem coisa de uma página e meia
[01:47:51] Algumas chegam a dez
[01:47:52] Mas são realmente curtas
[01:47:54] E…
[01:47:55] E não necessariamente
[01:47:57] É uma historinha fechadinha
[01:47:58] Às vezes é só
[01:47:59] Mesmo a descrição de uma cena
[01:48:00] E tal
[01:48:01] E com um jeito de escrever
[01:48:04] Muito interessante
[01:48:05] E eu sou muito chata
[01:48:06] Pra essas coisas
[01:48:07] Não só pra essas coisas
[01:48:08] Mas em particular
[01:48:09] Pra esse tipo de coisa
[01:48:10] Eu sou muito chata
[01:48:10] Porque se a história é legal
[01:48:12] Mas é contada de um jeito
[01:48:13] Meio é
[01:48:14] Pra gente não ter
[01:48:14] Pra mim o saldo final é
[01:48:16] Mesmo que a história for ótima
[01:48:17] E os personagens forem fantásticos
[01:48:19] Normalmente não me prende muito
[01:48:21] Não me pega muito
[01:48:22] Eu gosto de ver a parte de
[01:48:25] De magia das palavras mesmo
[01:48:27] Uma escolha de palavras interessante
[01:48:29] Uma construção de frase maneira
[01:48:31] Eu fico na minha cabeça classificando
[01:48:33] Isso aqui é uma subjetiva
[01:48:34] Uma frase subordinada
[01:48:36] Não sei o que
[01:48:36] Eu gosto
[01:48:37] E é difícil
[01:48:39] Mesmo autores que eu considero
[01:48:41] Que escrevem coisas que eu gosto
[01:48:43] Admitir que é uma coisa
[01:48:44] Eu admito que
[01:48:45] Eu admito que não são magos das palavras
[01:48:49] Estava conversando com uma amiga
[01:48:50] Ontem no almoço
[01:48:51] Que, por exemplo
[01:48:53] Os livros da Helena Ferrante
[01:48:55] Eu gosto do desenvolvimento
[01:48:57] De personagens dela
[01:48:58] Eu gosto da história
[01:48:59] Eu quero saber o que acontece depois
[01:49:01] Mas ela não é uma maga das palavras
[01:49:04] Ela é uma maga de personagem
[01:49:06] É diferente
[01:49:07] E essa aqui não
[01:49:08] Ela escreve de uma maneira assim
[01:49:10] Esteticamente o texto dela
[01:49:12] É muito interessante
[01:49:13] Ela escolhe umas palavras
[01:49:14] Que você não pensaria em juntar
[01:49:17] Numa frase
[01:49:18] Ela tem uma maneira diferente de escrever
[01:49:21] E isso está me fazendo curtir muito esse livro
[01:49:24] Estou gostando bastante
[01:49:25] Estou indo devagar para curtir mesmo
[01:49:28] E está sendo um contraste interessante
[01:49:30] Com outro livro que eu estou lendo
[01:49:31] Que eu não estou gostando
[01:49:32] Inclusive vou devolver para a biblioteca
[01:49:34] Porque eu não vou terminar
[01:49:35] Pois não sou obrigada
[01:49:36] E vou ficar lendo esse aqui
[01:49:38] Porque eu realmente estou gostando
[01:49:39] E é uma pena que ela não seja mais conhecida
[01:49:40] Porque aparentemente ela é conhecida
[01:49:43] Só pelos entendidos mesmo
[01:49:44] Não tanto do público em geral
[01:49:46] E gostaria que fosse mais
[01:49:49] Porque é realmente muito legal
[01:49:50] E eu vou procurar outras coisas dela para ler também
[01:49:52] Vou colocá-la na pauta
[01:49:54] Vai estar tudo bonitinho lá
[01:49:56] Procure na sua livraria local
[01:49:59] A gente já falou isso mais de uma vez
[01:50:00] Mas se não tiver em outro jeito
[01:50:01] Peguem lá no nosso link da Amazon Maroto
[01:50:05] Que a gente ganha uns cascais lá em cima
[01:50:08] De comissão
[01:50:09] E essa é a minha dica de hoje
[01:50:12] Estou com monodica hoje
[01:50:14] Patrícia
[01:50:15] O que tens para nós?
[01:50:21] Oi?
[01:50:22] De dica cultural
[01:50:23] Lembra que eu tinha pedido para você então?
[01:50:26] Ai
[01:50:27] Desculpa
[01:50:29] Esqueceu
[01:50:30] Até eu esqueço as vezes
[01:50:34] Não importa
[01:50:36] Pensa
[01:50:38] O que você comeu hoje estava bom?
[01:50:41] Fala aí
[01:50:41] Onde você mora?
[01:50:42] Restaurante bom
[01:50:42] Já teve de tudo aqui mulher
[01:50:44] Pessoal já deu tudo aqui
[01:50:44] Tudo que você diga que você pode imaginar
[01:50:46] Não sabe?
[01:50:48] Dica para não encravar a unha
[01:50:49] Tem de tudo aqui
[01:50:51] Eu vou aproveitar que o tema está aberto
[01:50:54] Vou fazer um desafio para a Patrícia
[01:50:56] Falar bons lugares para a Cira em Joinville
[01:51:00] Eu sou de Joinville
[01:51:02] Não tem lugar
[01:51:03] A melhor coisa de Joinville é a saída
[01:51:06] Ah não
[01:51:10] Aí depende
[01:51:10] Por exemplo
[01:51:11] Uma coisa que eu gosto bastante
[01:51:12] Tá?
[01:51:14] É…
[01:51:14] Andar de bike nos espaços rurais
[01:51:16] Lugares inusitados
[01:51:19] Assim
[01:51:19] Você vê
[01:51:20] Tem umas coisas muito pitorescas
[01:51:22] Eu gosto muito de natureza, né?
[01:51:24] Então é uma coisa que eu gosto bastante
[01:51:26] Porque você vê a questão da história
[01:51:29] Então você vê casas em Chaimel
[01:51:32] Algumas não estão preservadas
[01:51:34] Outras também
[01:51:35] Mas até o não preservado tem o seu charme
[01:51:39] No meio de sítios, etc
[01:51:42] Com rios
[01:51:44] Então é uma coisa que eu gosto bastante
[01:51:44] Uma parte de natureza aqui
[01:51:46] Bahia Babitonga
[01:51:47] Que é maravilhoso
[01:51:48] Eu amo, né?
[01:51:49] Por exemplo, almoçar
[01:51:50] Vila da Glória
[01:51:51] Acho muito gostoso
[01:51:52] Tem coisas bem bacanas
[01:51:54] A comida em Joinville é muito boa
[01:51:56] Diga-se de passagem
[01:51:58] Você, Thiago
[01:52:00] Mas eu adoro
[01:52:01] Eu vou me abster de começar
[01:52:03] E você sabe que assim
[01:52:10] Eu acho que tem algumas exposições legais em museus
[01:52:13] Eu acho que tem algumas exposições legais em museus
[01:52:14] Eu acho que tem algumas exposições legais em museus
[01:52:14] Eu acho que tem algumas exposições legais em museus
[01:52:14] Eu acho que no marge estava tendo uma exposição bacana
[01:52:18] A gente não tem tanto quanto se estivesse no grande centro
[01:52:21] Como São Paulo, Curitiba
[01:52:22] Até acho que Joinville merecia muito mais
[01:52:25] Eu concordo
[01:52:26] Merecia muito mais
[01:52:28] Mas se a gente garimpar
[01:52:30] Acho umas coisas bacanas
[01:52:31] Não na proporção que merecia
[01:52:34] Mas tem umas coisas legais
[01:52:38] Que dá pra garimpar
[01:52:39] De exposição
[01:52:41] De museus
[01:52:43] E até na parte do meio rural
[01:52:45] Que eu gosto bastante aqui
[01:52:47] Não sei se serviu de dica
[01:52:50] Claro que serviu de dica
[01:52:52] Pega ali na estrada da ilha
[01:52:55] Vai tranquilo
[01:52:56] Vai passear
[01:52:57] Entra nas estradinhas
[01:52:59] Tem umas coisas bem pitorescas
[01:53:02] E muito legais
[01:53:03] Sem contar comida
[01:53:04] É isso, Thiago
[01:53:07] Você está frequentando os lugares errados
[01:53:09] Só te digo isso
[01:53:12] Você frequenta lugares estranhos
[01:53:13] Na internet e fora da internet também
[01:53:15] Só digo isso
[01:53:18] Vim aqui gravar
[01:53:23] Estou sendo atacado
[01:53:24] É normal
[01:53:25] Só terça-feira
[01:53:26] No caso segunda
[01:53:27] Aqui já é terça
[01:53:28] Escuta, vamos
[01:53:30] Acabamos então?
[01:53:33] Acabamos
[01:53:34] Fechado por hoje
[01:53:36] O pessoal já sabe como falar com a gente
[01:53:38] Contato
[01:53:41] Se quiser mandar e-mail
[01:53:43] Arroba Pistolando Pode
[01:53:44] No Insta e no Twitter
[01:53:47] Nós temos a parceria
[01:53:49] Com a Veste Esquerda
[01:53:50] Usando o código de desconto
[01:53:53] Pistola10
[01:53:53] Você leva 10% de desconto
[01:53:55] Nas suas camisetas
[01:53:56] Legal para votar, para fazer campanha
[01:53:59] Para irritar o tio do pavê
[01:54:00] No almoço de domingo
[01:54:02] Temos uma parceria com a Boitempo
[01:54:04] Editorial.com.br
[01:54:06] Que vocês comprarem por esse link
[01:54:09] A gente ganha mais uns trocadex
[01:54:11] Tem o nosso link da Amazon
[01:54:13] Que a gente não gosta, não compra
[01:54:15] Mas se precisarem, tá lá
[01:54:16] E os nossos sites
[01:54:18] Os nossos financiamentos coletivos
[01:54:20] O catarse.me
[01:54:22] Barra Pistolando
[01:54:23] Para quem tá no Brasil, assim como o PicPay
[01:54:26] Estamos lá como Pistolando
[01:54:27] Quem quiser fazer um Pix relâmpago, toma aqui
[01:54:29] Hoje estou me sentindo magnânimo, vou fazer um Pix
[01:54:32] A nossa chave do Pix
[01:54:34] É o contato
[01:54:35] ArrobaPistolando.com
[01:54:37] E para quem tá fora do Brasil, tem o Patreon.com
[01:54:40] Barra Pistolando
[01:54:41] E a casa, obviamente
[01:54:43] Agradece encarecidamente toda e qualquer colaboração
[01:54:45] Porque senão a gente não consegue fazer nada
[01:54:48] Certo, seu Tiago?
[01:54:50] E mais uma coisinha
[01:54:51] Episódio que vem
[01:54:53] Episódio que vem
[01:54:55] Tem sorteio
[01:54:56] Que já prometemos no mês passado
[01:54:59] Episódio que vem
[01:55:02] Tem sorteio entre todos os
[01:55:03] Nossos apoiadores
[01:55:05] Toda a turma que tava
[01:55:06] Tava toda certinha
[01:55:09] Fechado é isso, dona Letícia?
[01:55:12] Fechado é isso
[01:55:13] Editado, produzido
[01:55:15] Idealizado
[01:55:16] E saído a forceps
[01:55:19] Por Estopim Podcasts
[01:55:23] Então, deixar mais esse último recado
[01:55:26] Estopimpodcasts.com.br
[01:55:29] E é isso
[01:55:30] É isso
[01:55:31] Queria agradecer, obviamente, muito
[01:55:34] A Patrícia pela conversa
[01:55:35] Que foi ótima
[01:55:37] Amei
[01:55:38] E pelo Gustavo, que fez a ponte
[01:55:40] Um beijo pro Gustavo
[01:55:41] Claro
[01:55:42] Valeusas, Patrícia
[01:55:45] Espero que você tenha gostado da experiência
[01:55:46] Gostei muito
[01:55:49] Além de ter sido muito divertido
[01:55:50] Acho que vocês fizeram perguntas
[01:55:52] Muito pertinentes, muito atuais
[01:55:54] E assim, eu prometo
[01:55:57] Que agora eu vou pesquisar melhor
[01:55:59] As dicas culturais, desculpa
[01:56:00] Eu esqueci
[01:56:03] Foi completo
[01:56:04] A próxima vez você já traz
[01:56:06] Oito dicas
[01:56:07] Olha, tô super à disposição
[01:56:10] Sempre que vocês precisarem
[01:56:11] Gostei bastante
[01:56:12] Da experiência
[01:56:13] Agradecer ao Gustavo
[01:56:14] Pela dica, pela indicação
[01:56:16] Acho que foi
[01:56:17] Aprendi muito com vocês hoje
[01:56:19] E sigo à disposição
[01:56:21] Se vocês precisarem
[01:56:22] Estou por aqui
[01:56:23] Tiago, tô em Joinville
[01:56:25] Então, só entrar em contato
[01:56:27] A Letícia tá um pouco mais longe
[01:56:29] Mas quem sabe
[01:56:30] De vir aqui
[01:56:31] Só pra gente tomar um café
[01:56:32] Sim, senhora
[01:56:34] Ai, que legal
[01:56:35] Perfeito
[01:56:35] Letícia, você tem uma
[01:56:37] Você tem uma missão
[01:56:39] Diga
[01:56:40] Eu quero que a capa
[01:56:42] Descenda
[01:56:42] Esse episódio
[01:56:43] Seja o Cebolinha
[01:56:45] Fumando crack
[01:56:45] Não
[01:56:46] Ai, meu Deus
[01:56:47] O senhor pode parar
[01:56:48] O senhor pode parar
[01:56:53] Nem vem que não tem
[01:56:54] Até eu tenho limite
[01:56:56] Fica me testando
[01:56:59] Minha paciência de velha
[01:57:00] O senhor pare
[01:57:01] Vamos lá
[01:57:02] Vamos lá
[01:57:03] Vamos embora
[01:57:03] Então, vamos deixar a Patrícia
[01:57:05] Jantar, coitada
[01:57:06] E eu dormir, né
[01:57:07] Que tá difícil aqui
[01:57:08] Mas valeu zaço, Patrícia
[01:57:10] Foi ótimo
[01:57:11] Valeu, foi muito bom
[01:57:11] Eu tinha assim que ia sair
[01:57:12] Que eu ia sair
[01:57:12] Sai quarta-feira
[01:57:13] E aí eu te mando o link
[01:57:14] Pra você
[01:57:15] Pra você ouvir
[01:57:16] E falar
[01:57:16] Mamãe, tô na Globo
[01:57:18] Não, não tá
[01:57:19] Mas tá no podcast
[01:57:20] Mamãe, tô no Pistolando
[01:57:22] Tá no Pistolando
[01:57:23] E aí já divulga
[01:57:24] E aí a gente já fica feliz
[01:57:26] Que bom
[01:57:26] Que bom que você gostou
[01:57:27] Estamos felizes
[01:57:28] Gostei bastante
[01:57:29] Parabéns
[01:57:30] E parabéns pelo aniversário
[01:57:32] É verdade
[01:57:32] Muito obrigado
[01:57:34] Então é isso aí, gente
[01:57:35] Até semana que vem
[01:57:36] Semana que vem tem
[01:57:37] Porque semana que vem
[01:57:38] Não depende de ninguém
[01:57:39] Só da gente
[01:57:39] Então semana que vem
[01:57:40] Tem episódio
[01:57:41] Caralho, tá gravando
[01:57:42] Tá, tá gravando
[01:57:44] Estou gravando
[01:57:44] Estou terminando
[01:57:45] De mandar meu beijo
[01:57:46] Minhas últimas promessas
[01:57:47] Até semana que vem
[01:57:48] Beijo, tchau
[01:57:50] Tchau
[01:57:51] Ai, meu Deus
[01:57:53] Tchau
[01:57:54] Este podcast foi editado por
[01:57:59] estopimpodcasts.com.br
[01:58:12] Tchau, tchau
[01:58:42] Tchau, tchau
[01:59:12] Tchau, tchau
[01:59:42] Tchau, tchau
[02:00:12] Tchau, tchau
[02:00:42] Tchau, tchau
[02:01:12] Tchau, tchau
[02:01:42] Tchau, tchau
[02:02:12] Tchau, tchau
[02:02:42] Obrigado por assistir.