#31 - Um Ensaio sobre The Rehearsal (com Gregório Duvivier e Pedro Falcão)


Resumo

Gus abre o episódio anunciando mudanças no apoia.se e propondo um “ensaio” inspirado pela própria premissa de The Rehearsal: chamar primeiro um convidado “menos famoso” e depois o convidado “famoso”. Pedro Falcão entra para conversar sobre como a série provoca dissociação e dúvida constante sobre o que é real ou encenado — e o trio usa isso para refletir sobre interações sociais protocolares e máscaras do cotidiano.

A conversa se aprofunda em como The Rehearsal explicita engrenagens de comportamento social: protocolos, polidez, moral, e até a maternidade/paternidade como construções atravessadas por expectativas culturais. A personagem Angela vira um exemplo central dessa oscilação entre identificação e estranhamento, e o episódio discute como a série usa sets e “zoom out” para embaralhar real e reprodução, além de como a edição revela gradualmente as esquisitices dos participantes.

Pedro conecta o tema à sua experiência no BBB: a impossibilidade de sustentar uma máscara contínua, o efeito de uma única persona se tornar “a única máscara”, e o impacto posterior das expectativas do público e de relações parasociais — inclusive dentro de círculos próximos. O grupo debate também a pergunta ética que retorna no final de The Rehearsal, especialmente quando envolve crianças, e compara o grau de “catarse” e autoexposição das engrenagens do programa com a opacidade de realities tradicionais.

Com a entrada de Gregório Duvivier, a discussão ganha foco no último episódio, no desconforto específico de envolver crianças e na ideia do Nathan como “vilão” da própria série, lembrando o espectador da cumplicidade de quem dá play. Eles aproximam The Rehearsal de obras que “apontam o dedo” para o público, e ampliam o assunto para a indústria do entretenimento, conspirações que se agarram em fatos reais e a normalização de violência estrutural como entretenimento.

No final, o papo vai para a lógica de fama e influência: desde casting por número de seguidores até o desejo social de celebridade e a “falência da realidade” que alimenta realities. O episódio termina com jabá do jogo Relic Hunters Rebels (na Netflix) e com Gus narrando, em tom de pós-créditos, o incômodo de não ter retribuído o “prazer” do Gregório ao desconectar.


Indicações

Articles

  • Artigo sobre The Rehearsal na The New Yorker — Gregório menciona uma crítica publicada na The New Yorker, e o grupo comenta que houve respostas e debates em torno dela. A referência aparece ligada à discussão sobre a ‘graça’ e a fratura ética que a série expõe.

Books

  • The Invisible Man (H.G. Wells) — É citado para discutir uma tese sociológica sobre comportamento quando não há vigilância/punição, conectando com protocolos sociais e ‘polidez’ como ensaio. O grupo usa a obra como gancho para falar de contenção e normas.
  • The Time Machine (H.G. Wells) — É mencionado ao discutir o autor H.G. Wells e críticas ao imaginário de ‘civilização’ e seus vieses. Serve como referência lateral na conversa sobre ideias europeias de estado de natureza e moral.

Games

  • Relic Hunters Rebels — Pedro recomenda o jogo disponível no aplicativo da Netflix para celular (Android e iPhone). Ele descreve como um jogo divertido, incluindo para crianças, e comenta que ajudou a escrever parte da história.
  • Relic Hunters Legend — Pedro menciona como próximo projeto, descrevendo como um RPG online com apelo para quem gosta de RPG japonês antigo e referências como looter shooter. Ele antecipa que devem surgir notícias em breve.
  • Undertale — É citado como exemplo de jogo que “pune” ou confronta expectativas do jogador, usado como paralelo à forma como The Rehearsal confronta o espectador. Aparece na discussão sobre metalinguagem e participação do público.
  • Diablo — Aparece como referência de estilo para contextualizar o tipo de experiência que Relic Hunters Legend pretende conversar. É citado junto a outros exemplos de looter shooter e RPG.
  • Destiny — É mencionado como referência de looter shooter para situar o gênero e o público potencial de Relic Hunters Legend. Entra como comparação de estilo.

Movies

  • Nope — É citado como tema do próximo episódio do podcast, dirigido por Jordan Peele. Entra na conversa sobre entretenimento e a presença de crianças/indústria.
  • Funny Games — É mencionado como exemplo de obra que vira o dedo para o espectador e o confronta com seu desejo de consumo de violência/drama. Surge como paralelo para a dimensão acusatória de The Rehearsal.
  • Hollow Man — É lembrado como adaptação/variação ligada ao Homem Invisível, citado como “filme merda” e associado a Kevin Bacon e Paul Verhoeven. Entra na discussão sobre a tese do homem invisível e comportamento sem punição.
  • Little Miss Sunshine — É citado como referência crítica/paródica de concursos de beleza infantis e cultura de exposição. O exemplo serve para reforçar a discussão sobre realities com famílias e crianças.

Reality-Shows

  • Big Brother Brasil (BBB) — Surge como comparação constante para discutir máscara social, edição e exploração em reality. Pedro relata experiências de isolamento, privação de controle e manipulações da produção para gerar instabilidade.
  • Nasubi / A Life of Prizes — É citado como reality japonês extremo em que um humorista fica trancado e depende de prêmios de concursos para sobreviver. O exemplo é usado para refletir sobre crueldade e limites éticos do entretenimento.
  • New Faces Brasil — É descrito como um “Big Brother” de baixíssimo orçamento no interior do Paraná, exibido no YouTube. O grupo usa o caso para falar de aspiração à fama e da promessa (alegada) de sucesso que não se sustenta fora do confinamento.

Series

  • The Rehearsal — A série é o tema do episódio e é descrita como um experimento que expõe as engrenagens do “real”, do ensaio social e da ética em reality. Eles destacam especialmente o arco de paternidade/maternidade, o desconforto do final e a ideia de Nathan como vilão que confronta o espectador.
  • Nathan For You — É citado como obra anterior de Nathan Fielder e referência para entender seu método: ideias absurdas, uso de burocracia e edição que revela estranhezas. O grupo comenta casos como Dumb Starbucks e outras situações em que participantes parecem não compreender totalmente o contexto.
  • How To with John Wilson — É recomendado como série da HBO com olhar semelhante ao de Nathan, mas mais afetivo e meditativo. Eles dizem que dá para rever para relaxar e mencionam episódios marcantes, inclusive o contraste com o desconforto de The Rehearsal.
  • Greg News — É mencionado como programa de Gregório Duvivier, com retorno indicado para novembro. Aparece no contexto de televisão, narrativa e discussão sobre como imagens e edição moldam percepção de realidade.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Mudanças no apoia.se e novo nível único — Gus anuncia novidades no apoia.se, com unificação dos níveis de apoio em um só. Ele explica que a partir de 12 reais por mês apoiadores ganham acesso ao Discord e que vão começar lives de filme por lá. O objetivo é fortalecer a comunidade e manter o podcast funcionando.
  • 00:01:16A ideia do episódio como “ensaio” — Gus introduz The Rehearsal e explica a premissa metalinguística do episódio: chamar um convidado famoso para crescer o podcast, mas ensaiar antes para não desperdiçar a oportunidade. Ele brinca com o fato de o convidado famoso não aparecer de início e com Orlando não ter visto tudo.
  • 00:03:56Entrada de Orlando e Pedro Falcão — Gus cumprimenta Orlando e apresenta Pedro Falcão, já em clima de piada com o atraso do convidado famoso. Pedro descreve que a série lhe causava sensação de dissociação e dúvida sobre o que é real. O grupo começa a relacionar a série com interações sociais ensaiadas do cotidiano.
  • 00:06:54Máscaras sociais, polidez e protocolos — Orlando afirma que praticamente todas as interações sociais são ensaiadas, conectando isso a normas e protocolos de convivência. A conversa deriva para ideias sobre civilização, polidez e regras silenciosas que transformam empatia em burocracia. O ensaio vira metáfora para padrões culturais e comportamentais.
  • 00:12:30Maternidade/paternidade como construção cultural — Orlando aponta o “ensaio” da maternidade/paternidade como ponto central da série, discutindo instinto materno como mito e a maternidade compulsória como fonte de ansiedade. O grupo comenta como The Rehearsal torna explícito que essas relações são construídas e não automáticas. A série aparece como uma quebra de pacto: falar abertamente sobre o quanto tudo é ensaiado.
  • 00:15:20Angela e o jogo entre identificação e estranhamento — Gus descreve a mecânica de sets e reproduções de ambientes que confundem o espectador sobre o que é cenário e o que é “real”. A personagem Angela é discutida como alguém inicialmente identificável, mas revelada gradualmente como mais estranha, com falas conspiratórias (Halloween, Google/satanás). O grupo destaca a edição como ferramenta para “enforcar” personagens com suas próprias declarações.
  • 00:18:06Pedro fala sobre BBB, persona e pós-programa — Pedro explica como participantes entram no BBB com um papel, mas a máscara é difícil de sustentar 24 horas; ainda assim, uma única máscara passa a dominar. Ele relata que ao sair não sabia mais quem era e que a expectativa do público (e até de pessoas próximas) fixava aquela versão como “o Pedro real”. A conversa aborda relações parasociais e o peso de ser interpretado e editado por terceiros.
  • 00:37:29A série acusa o espectador: exploração e culpa — O grupo discute críticas de que The Rehearsal explora pessoas e como a própria série incorpora esse debate, sobretudo no final. Eles comparam com obras que viram a acusação para o público, sugerindo que o programa não deixa o espectador consumir o drama como entretenimento “barato”. Surge a ideia de Nathan como vilão que lembra que tudo acontece porque ele quis — e porque o público quer assistir.
  • 00:40:41Gregório entra e o dilema ético com crianças — Gregório Duvivier chega e comenta que o último episódio o perdeu especialmente quando envolve uma criança que cria vínculo com o Nathan. Ele diferencia o desconforto ético com adultos (que assinam termos) do desconforto com crianças, que não compreendem atuação do mesmo modo. A conversa lê o final como tentativa do Nathan de lidar com a culpa por ter causado dano maior.
  • 00:46:25Comparações com realities e indústria do entretenimento — Orlando cita o reality japonês Nasubi/A Life of Prizes e amplia a discussão sobre como entretenimento trata pessoas como material, inclusive crianças. O grupo menciona abusos na indústria e como teorias conspiratórias se agarram em elementos reais. A ideia central é que The Rehearsal parece menos cruel por expor a engrenagem e buscar algum tipo de remediação, ainda que falha.
  • 01:05:09Pedro descreve manipulações e privação de controle no BBB — Pedro detalha o isolamento e a dinâmica de controle no BBB: equipe mascarada, pouca conversa, e decisões de produção que criam instabilidade emocional. Ele relata episódios como a ausência de foto da namorada no quarto do líder e uma prova em que cartas de familiares eram destruídas. A conversa enquadra o confinamento como experiência psicológica deliberadamente induzida.
  • 01:14:49Aspirar fama, influência e casting por seguidores — Orlando descreve exemplos de realities menores (New Faces Brasil) e o desejo social por fama que leva pessoas a dívidas e humilhações. O grupo comenta o caso de Juliette e a lógica de primeiro ter fama e depois “virar artista”. Eles citam anúncio de teste de ator com exigência mínima de seguidores e exemplos de escolhas profissionais guiadas por métricas de Instagram.
  • 01:23:13HBO, John Wilson e o olhar “alienígena” — O grupo elogia a HBO por bancar projetos caros e fora do padrão, citando The Rehearsal e How To with John Wilson. Eles comparam o olhar dos dois criadores: ambos observam a humanidade como um “alienígena”, mas John Wilson seria mais afetivo e re-assistível, enquanto Nathan sustenta desconforto e falta de conexão. A conversa fecha com agradecimentos e recomendações de assistir aos programas.
  • 01:25:51Jabá do jogo e pós-créditos do “prazer” — Pedro divulga Relic Hunters Rebels como jogo disponível na Netflix para celular e antecipa notícias de Relic Hunters Legend. Após encerrar a gravação, Gus narra que ficou incomodado por ter desconectado antes de retribuir o “prazer” dito por Gregório. Ele enquadra esse incômodo como algo a “ensaiar” para uma futura entrevista.

Dados do Episódio

  • Podcast: Popcult
  • Autor: Atabaque Produções
  • Categoria: TV & Film Film Reviews
  • Publicado: 2022-09-09T00:44:03Z
  • Duração: 01:30:46

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Oi, a gente tem novidades no nosso apoia.se, agora a gente juntou tudo num nível só,

[00:00:07] então se você apoiar a gente a partir de 12 reais por mês, você já ganha acesso

[00:00:12] ao Discord, o servidor onde a gente junta a nossa comunidade aqui, e vai começar a

[00:00:16] fazer as lives de filme lá, porque assim a gente pode ver qualquer filme sem restrições

[00:00:23] de Jeff Bezos ou aí da lei, e aí a outra coisa é que agora, então é isso, a gente

[00:00:32] unificou, ao invés de ter um apoio de 10, um apoio de 25 e tal, a gente juntou tudo

[00:00:38] e agora é isso, a ideia é que assim a gente consiga ter mais desapoiadores numa comunidade

[00:00:46] maior e também mais apoios para ver se a gente consegue mais ganhinha para continuar

[00:00:53] fazendo esse podcast, mas a gente fica muito feliz com todo mundo que já apoia e dessa

[00:00:58] maneira também a gente sabe que algumas pessoas que às vezes não podiam renovar porque

[00:01:02] às vezes podia ser meio caro e tal, podem ainda continuar apoiando, podem chamar mais

[00:01:09] amigas para apoiar e ficarem muito felizes com alguma coisa.

[00:01:16] The Rehearsal é uma série muito especial e que está ganhando muita atenção e por

[00:01:34] causa disso a gente queria fazer um episódio muito que chamasse a atenção, que ajudasse

[00:01:41] o podcast a crescer, então a gente teve uma ideia de chamar um convidado famoso, um convidado

[00:01:48] que inclusive tem programa na HBO, mas para subir de nível muito rápido muitas variáveis

[00:01:58] podiam levar o podcast a não explorar tão bem essa oportunidade, então tirando um aprendizado

[00:02:07] aí do programa The Rehearsal, a gente decidiu ensaiar essa entrevista, então a gente chamou

[00:02:14] primeiro um convidado menos famoso para entrevistar e depois entrevistar um convidado mais famoso

[00:02:25] e aí é o grande negócio que a gente fez nesse episódio, vocês vão gostar.

[00:02:32] The Rehearsal, a nova série de Nathan Fielder, é o ápice inignorável da TV da realidade?

[00:02:38] Eu deveria ter usado inignorável sem antes pesquisar e ver se é uma palavra de verdade?

[00:02:45] Ensaiar é a melhor maneira de se preparar para os desafios da vida?

[00:02:49] Eu normalmente ensaio esses monólogos lendo eles para o Orlando logo antes da gente gravar

[00:02:54] e eu não sei se isso me ajuda ou não, o quanto a gente se preocupar com as nossas

[00:02:58] inseguranças é combustível para que elas se mantenham no poder, no episódio de hoje

[00:03:03] temos dois convidados, o ex jornalista, ex BBB e desenvolvedor de jogos Pedro Falcão

[00:03:08] e o comediante, ator e apresentador Gregório do Vivier, como o Falcão é menos famoso

[00:03:14] eu deixo de começar por ele para ver se eu tava sendo um bom apresentador antes de fazer

[00:03:18] perguntas para o Gregório, 47 minutos depois o Gregório não apareceu e a gente decidiu

[00:03:23] gravar sem ele.

[00:03:24] Como o Orlando não viu a série inteira, mesmo tendo um amplo tempo de se preparar

[00:03:28] e o convidado famoso não apareceu, eu comecei a pensar alto durante meu monologo.

[00:03:34] E se eu usasse esse episódio como um ensaio para um episódio com o Gregório, um episódio

[00:03:39] em que o Orlando viu a série toda e muitos novos ouvintes teriam exposição ao pop cult?

[00:03:45] Nem sempre podemos nos preparar para tudo, e as vezes se preparar para não fracassar

[00:03:49] pode aumentar a chance de dar tudo errado, mas talvez o maior preparo para o sucesso

[00:03:54] seja sonhar.

[00:03:56] Muito bem-vindos ao pop cult, tudo bem Orlando?

[00:03:58] Guss, eu tô quase indo em São Paulo te dar um abraço cara.

[00:04:01] Obrigado, espero que em breve a gente esteja na mesma cidade.

[00:04:06] Espero que em breve, espero que em breve.

[00:04:10] Pedro Falcão, meu amigo, convidado, bem-vindo.

[00:04:13] Obrigado, obrigado, valeu.

[00:04:14] Você não se importa se eu te chamo de Gregório algumas vezes durante o podcast, me ajuda

[00:04:18] no meu processo.

[00:04:20] É, precisava pensar só em fazer um sotaque mais parecido com o dele aqui, mas…

[00:04:24] Entendi, entendi.

[00:04:26] Eu acho que quem não tá vendo, o Falcão tá em casa, inclusive de terno, apontando

[00:04:32] para a câmera revoltado e vai falar mal do Ciri em algum momento, então tá no personagem,

[00:04:36] né?

[00:04:37] Exato.

[00:04:38] Era um grande momento que a HBO podia ter patrocinado esse podcast, o Gregório tem

[00:04:40] um programa da HBO, o rehearsal é da HBO, muitas oportunidades perdidas, mas a vida

[00:04:46] é uma sequência de oportunidades perdidas.

[00:04:49] É isso que essa série tem a dizer para a gente, Pedro Falcão?

[00:04:52] Cara, essa série, eu tive alguns problemas de assistir essa série, porque toda vez

[00:04:57] que eu assistia, eu terminava os episódios e bati uma certa desassociação, assim,

[00:05:05] dessociação, aliás, de tipo, o que que é real, o que que não é, eu conversar aqui

[00:05:08] com a minha vizinha nesse elevador é real, o que que é real, e a única coisa que me

[00:05:14] deixava mais amarrado, enraizado no real era sair para passear com a minha cachorra

[00:05:21] e ver ela fazendo xixi, que eu sabia que aquilo era real.

[00:05:23] Claro, eu acho que tem duas coisas que você levantou muito importantes aí.

[00:05:27] Eu acho que essa série ser semanal, não ser uma série de streaming, daquelas cai tudo

[00:05:31] de uma vez, foi muito importante para você ter esse período de digestão coletiva, individual

[00:05:37] e coletiva.

[00:05:38] No meu caso coletiva, eu acho que no seu tempo que a gente tava vendo o Twitter e críticas

[00:05:43] a série em vários veículos que cobrem cultura pop, então tava dando pra pensar bastante

[00:05:49] sobre e essas interações totalmente atuadas na nossa vida, porque apesar do que quer que

[00:05:59] seja que a psicologia tem a dizer sobre nossa máscara social e o quanto que qualquer interação

[00:06:05] social é genuína, mas assim, tem interações sociais que são protocolares, logo antes

[00:06:09] de começar a gravar a gente tava falando aqui do um de nós aqui, não vou falar quem,

[00:06:14] mas o mais baixinho, ficou bravo que ganhou uma nota ruim de um motorista do Uber, e

[00:06:19] aí a gente começou a falar de tipo, eu faço tudo certinho, eu entro, dou bom dia, sou

[00:06:24] educado e fico na minha, não peso a onda, não ignoro se a pessoa fala comigo e tal,

[00:06:31] e eu acho que encontrar a vizinha no elevador é total, você tá preparado pra, ah, isso

[00:06:36] aqui é uma interação, é uma interação limitada, ela tem uma parte limitada de mim,

[00:06:43] uma parte limitada da minha vizinha, e é tipo, a gente só quer cumprir o seu papel

[00:06:48] pra que isso não tenha atrito, não é?

[00:06:54] Orlando, quais são as interações sociais ensaiadas do seu dia a dia?

[00:07:00] Absolutamente todas, sem zoeira, tem várias questões aí envolvidas, a primeira, o Pedro,

[00:07:10] ele, assim, eu tava perguntando isso pra ele antes, na coxia, assim, foi assim, cara,

[00:07:16] você fica aliviado ou você tem um certo sentimento de tristeza, porque as pessoas

[00:07:21] não lembram que você é um ex-BBB, né cara, mas porque assim, ser um ex-BBB, perdoa se

[00:07:27] eu estiver errado, eu acho que tem uma coisa, às vezes eu tô fazendo live, eu já fiz live

[00:07:33] pra 9 mil pessoas, não tem comparação com o público no BBB, sabe, mas é um sentimento

[00:07:39] tão, é um sentimento bizarro, às vezes, porque você tá falando com um número imenso

[00:07:45] de pessoas sem ter a possibilidade de um ensaio, tipo, você fazer uma live de 4 horas, 3 horas,

[00:07:51] que você tá discutindo sobre alguma coisa, não tem como você ensaiar aquilo, não tem

[00:07:55] como você ensaiar durante 4 horas, ficar no improviso em cima daquilo, e aquilo dá uma

[00:07:59] insegurança muito grande, eu, por exemplo, em vários momentos, por não poder ensaiar,

[00:08:04] por exemplo, se eu vou fazer uma apresentação, eu ensaio, eu tenho texto, né, tipo, aquilo me

[00:08:10] dá uma segurança pra agir diante daquela multidão, né, uma live, por exemplo, eu imagino que um

[00:08:15] BBB, que, porra, cara, BBB você não consegue se aliviar no banheiro, né, tipo, assim, você

[00:08:20] tá o tempo inteiro sendo monitorado, assim, toda a distância entre aquilo que você ensaia,

[00:08:26] aquilo que vai pras pessoas é muito curta, né, porque numa live também é isso, às vezes você

[00:08:31] tá falando alguma coisa, no momento aquilo vai e passa, e cara, isso gera uma sensação de ansiedade

[00:08:36] imensa, e assim, por mais que a gente não saiba, a gente ensaia as coisas, por isso que eu falei,

[00:08:42] tudo que eu faço é amplamente ensaiado, porque assim, por mais que você, o seu cérebro,

[00:08:48] fala assim, cara, eu não vou, né, tem uma teoria muito ruim, muito ruim na sociologia antiga,

[00:08:54] que fala que as pessoas só não cometem crimes pelo medo de serem pegas, né, tanto que aquele

[00:09:01] homem invisível do Caraca, o… H.G. Wells. Então, o livro… Eu tô aqui pra isso,

[00:09:08] Focão, eu sou esse cara. No livro do… Eu tô, desculpa, gente, eu tô meio corrido aqui,

[00:09:13] o cérebro não tá funcionando hoje. O livro dele tem essa tese sociológica, né,

[00:09:17] quando o cara toma a poção da invisibilidade, o maluco vira um monstro, praticamente, né,

[00:09:22] inclusive tem um belíssimo filme merda do… Mas o filme merda não lembro de quem… Kevin Bacon.

[00:09:28] Do Kevin Bacon. Ah, tá, o Hollow Man. Não, mas tem o nome, tem o diretor… O Verhoeven.

[00:09:35] O Verhoeven? É do Verhoeven. É do Verhoeven. É do Verhoeven. Então, o Verhoeven tem…

[00:09:42] Tem alguns momentos estranhos, tem alguns momentos estranhos. Mas assim, voltando pro livro, né,

[00:09:46] o Wells também é o cara que escreveu a máquina do tempo, né, em que ele… Ou você é um ser humano

[00:09:52] branco civilizado do começo do século XX, final do século XIX, ou você é um selvagem.

[00:09:57] É, mas então, o homem civilizado do século XX que ele tinha na cabeça dele, né, tipo…

[00:10:02] Era um monstro.

[00:10:03] Exatamente, era um monstro contido, é aquela tese original do estado de natureza, né,

[00:10:08] que o estado… Pra quem não sabe, uma coisa que eu sempre repito, gente, o estado de natureza,

[00:10:12] do homem, é uma invenção dos europeus, nunca fiz sentido nenhum, atropologicamente,

[00:10:16] se não se confirma historicamente nem atropologicamente em lugar nenhum do mundo.

[00:10:19] E essa ideia era utilizada, exatamente, pra que você vivesse num estado eterno de polidez,

[00:10:25] que é o… Nada mais, nada menos do que ensaiar.

[00:10:27] De leis, né, e…

[00:10:28] De leis e de polidez, no sentido, tipo, do…

[00:10:31] De leis silenciosas.

[00:10:33] De leis silenciosas, a galerinha caliu na sua cabeça, né, de tipo, qual é a faca de fora,

[00:10:40] depois pra faca de dentro, e, né, e você, se alguém espirrar, saúde, não sei o que, enfim,

[00:10:46] de transformar o que deveria ser a genuína educação, empatia e convívio afetuoso em

[00:10:55] protocolos burocráticos.

[00:10:57] Não, mas então, mas é aí que eu venho a uma questão que eu quero chegar,

[00:11:00] toda essa direção foi pra chegar aí.

[00:11:02] A grande questão disso é o que aquilo que…

[00:11:06] A civilização europeia, né, que é uma entre outras, mas ela inventou uma coisa que é típica dela,

[00:11:14] que é essa castração contínua no qual o sujeito, né, ele, desde seu momento de nascimento,

[00:11:20] ele é submetido a inúmeros protocolos castrativos da sua existência,

[00:11:24] ao ponto de que hoje em dia a gente sequer consegue, boa parte da população tem problemas

[00:11:29] para defecar, dado a quantidade de protocolos que nos desvergonham, coisas do tipo,

[00:11:36] mas a grande questão é que todo esse estado de natureza que eu tava falando,

[00:11:40] ele é inventado pra quê? Pra que as pessoas aceitem que existe um poder sobre elas.

[00:11:43] Não, é necessário que tenha um estado que vá te punir, caso você faça uma merda,

[00:11:48] pra que o seu vizinho não faça uma merda com você, pra que você possa dormir tranquilo,

[00:11:52] porque no momento que você está dormindo é o momento que você está vulnerável,

[00:11:55] né, e aí que vem a questão, nessa história,

[00:12:01] aquilo que se vende pras pessoas, esse estado normativo, essa moral, é um grande ensaio,

[00:12:07] é um grande, assim, se você fizer isso vai acontecer tal coisa, né, aí quando você para

[00:12:13] pra pensar, você vê que todos os nossos padrões, de padrões de gênero, padrões de comportamento,

[00:12:17] eles são grandes ensaios, né, tipo assim, ó, você se portar de tal maneira, você vai ter tal

[00:12:22] sequência, tudo que nos é colocado é um grande ensaio, né, é um grande, ó, um e se, né,

[00:12:30] e aí que vem a grande questão, essa série, eu acho que esse é um dos pontos que mais me pega nessa

[00:12:35] série, é porque ele joga isso pra fora, né, ele transforma isso numa espécie de, ele pega a

[00:12:42] engrenagem e mostra como é que funciona nesse ensaio, então por exemplo, talvez eu acho que o ponto

[00:12:49] dessa série é o ensaio da maternidade, né cara, o ensaio da maternidade barra paternidade, né,

[00:12:53] que se torna, exato, se torna um ensaio de muitas coisas ali, sim, e aí quando você para pra ver,

[00:12:59] por exemplo, como a gente é criado nessa reprodução automática, né, a gente, nós somos criados como

[00:13:05] quase, vinde por exemplo, toda essa interdição, né, todo esse controle do corpo das mulheres, né,

[00:13:11] tipo, as mulheres são tratadas na nossa sociedade como máquinas reprodutivas, né,

[00:13:17] como assim, o abor, enfim, essa falta de autonomia do poder, essa castração do poder de decisão,

[00:13:24] né, enfim, quando você olha pra isso, você percebe, por exemplo, que a nossa sociedade nos cria desde

[00:13:31] pequeno, pra quê? Pra sermos pais, pra sermos mães, pra darmos continuidade, as coisas, pra nos

[00:13:36] comportarmos como trabalhadores, enfim, a série, quando ela bota assim, cara, como que eu vou ensaiar

[00:13:40] isso, né, que é uma coisa assim, que você não, ah, não, parece que ali tá sendo quebrado, eu acho que,

[00:13:46] o Pedro falou, essa coisa disso, dissociação, pra mim, essa dissociação começa porque ela quebra,

[00:13:52] digamos, um pacto silencioso que a gente tem sobre os nossos ensaios, que a gente não pode falar sobre

[00:13:56] isso, então, a gente, hoje em dia se fala mais, no caso específico, a gente fala sobre paternidade,

[00:14:01] paternidade, porque é um tema da série, mas por exemplo, a ideia da maternidade como algo compulsório,

[00:14:07] especialmente pras mulheres, né, e isso ser origem de tantas ansiedades pra homens também,

[00:14:12] em escala muito menor, enfim, e o fato de que até bem pouco tempo as pessoas sequer poderiam admitir

[00:14:18] isso, cara, eu não sei se eu vou ser um bom pai, eu não sei se eu vou ser uma boa mãe, eu não sei

[00:14:22] se eu tenho jeito pra isso, eu não sei se eu quero isso, sabe, já era um crime, o que que essa série

[00:14:27] faz, ela pega e escancara o quanto isso não é uma coisa natural, porque uma das coisas que se vende,

[00:14:33] por exemplo, existe todo o tratado antropológico sobre o mito do instinto materno, o mito do instinto

[00:14:39] materno, né, porque não é um mito, uma coisa criada, o instinto materno, essa coisa distinto

[00:14:43] não existe, isso aí é uma construção, essa relação da mãe com o bebê, do pai com a criança,

[00:14:49] isso são coisas que vão sendo construídas, tipo, essa série escancara isso, nós não somos máquinas,

[00:14:55] ao contrário do que nos disseram, nós não somos máquinas criadas pra nos reproduzir, máquinas

[00:14:59] criadas pra viver de uma determinada forma, né, a série escancara não, a gente ensaia sobre isso,

[00:15:04] a gente ensaia culturalmente, mas a série vai lá e bota, as pessoas estão ensaiando, sabe, vou

[00:15:08] ensaiar pra ser uma mãe, vou ensaiar pra ser um pai, vou ensaiar pra ser, sei lá, pra conversar,

[00:15:12] pra confessar um segredo pra um amigo, sabe, coisas que deveriam ser em tese, é, que deveriam ser em tese normais, né?

[00:15:20] Sim, não, e eu acho muito, eu acho fascinante, sim, voltando então pra esse, o experimento da maternidade

[00:15:29] que a gente está dominando a série, é muito legal como ele usa reproduções de ambientes reais,

[00:15:37] e ele adora fazer o review, né, de você não sabe se você tá na versão real desse lugar,

[00:15:43] até eu dar o zoom out da cena, assim, de, às vezes a gente tá na casa, às vezes a gente tá na reprodução da casa,

[00:15:48] dentro de um set, e aí a gente tem a personagem da Ângela, né, que é uma pessoa real, mas é uma personagem fascinante,

[00:15:56] e aí, que viveu ali sendo filmada durante umas semanas, tipo você, né, Falcão?

[00:16:03] Então, é…

[00:16:05] Ela teve um pouco mais de liberdade, mas assim, a gente também tá aqui do outro lado de uma produção,

[00:16:09] ela lá dentro não sabe o que que vai ser usado, de que maneira vai ser usado,

[00:16:14] e mais pra frente na série mostra que ela várias vezes, entre aspas, quebra esse personagem dentro do personagem.

[00:16:21] Exato, porque ela, tipo, ela não tem esse compromisso e não tem um boninho lá falando, ei, ei, ei, né?

[00:16:26] Então, tipo assim, como eles deixaram a Aria, é claro, ela, tipo, fez o que eu acho que a maioria das pessoas faria,

[00:16:30] que é tipo assim, tá, e aí, deixa eu conversar com as pessoas de uma maneira normal e tal,

[00:16:35] mas o que eu fico pensando é, tem uma cena em que ela confronta o Nathan e fala que ele tá, tipo,

[00:16:41] tentando explicar o programa pra ela, que nunca viu o programa, e de certa maneira você nunca viu o BBB em que você está, né?

[00:16:48] Você já pode até ter visto os outros, mas você nunca sabe o que que é, quem é você…

[00:16:51] Eu sempre falei isso, eu sempre falei isso, que, tipo, o meu maior sonho era ter visto o BBB que eu estava dentro, fora do BBB.

[00:16:58] É tipo o Kanye West que falava, né, que o meu maior arrependimento é que eu nunca vou poder me ver ao vivo.

[00:17:02] Aham.

[00:17:04] O George Reyes só falava como escutou Beatles.

[00:17:07] Ó, ele também nunca realmente escutou o Beatles, ele só vai escutar, hum, eu errei essa daí, hum, eu queria ter gravado isso aí de outro jeito,

[00:17:13] mas, o que eu acho fascinante é que tem uma hora que ela confronta e ele fala assim,

[00:17:19] ah, mas você falou que, tipo, tem umas partes engraçadas, a minha vida é a parte engraçada, é isso, tipo, você está rindo de mim?

[00:17:25] Aham, aham.

[00:17:26] E aí, acho que volta pra essa ideia de ensaio, e quando você não tem o controle, né, você tá sendo gravado, isso vai ser editado por outras pessoas, isso, né, tipo…

[00:17:37] Sim.

[00:17:38] Ou você vai ser visto ao vivo, você não sabe em que contexto, e você não sabe como que a pessoa que tá te vendo pensa e vai te interpretar.

[00:17:46] Por mais que você tenha um período de incubação ali antes de entrar na casa e que você já sabe que você vai estar no Big Brother,

[00:17:51] e você poderia ser o Michael, o Scofield lá do Prison Break e fazer o maior plano, dez mil partidas de xadrez à frente,

[00:18:02] ah, não tem como ensaiar estar numa casa durante uma semana.

[00:18:06] Exato, e vocês falaram dessas duas coisas, né, tipo, você tava falando dessa questão da máscara, das máscaras sociais e tal,

[00:18:14] e o Orlando tá falando dessa questão de ensaiar e tudo, e tipo, todo mundo que entra no BBB na primeira semana,

[00:18:19] ainda tá dentro do personagem que eles construíram dentro da cabeça deles, do que eles vão ser na casa, né, tipo, eles estão projetando aquilo que eles…

[00:18:28] Se todo mundo escolhe um papel.

[00:18:29] Todo mundo escolhe um papel quando entra na casa, exatamente, tipo, se não escolhem por você também, né, porque a produção da Globo faz essas coisas, mas tipo…

[00:18:38] Mas é isso, assim, o que eu queria chegar à minha pergunta era, quanto tempo demorou pra você e como que foi pra você o momento que você fala assim,

[00:18:45] ah, isso é insustentável, porque, tipo, eu tô aqui nessas condições, eles me botaram exatamente com um grupo de pessoas que eles sabem,

[00:18:50] tipo, o que que cada um vai cutucar no outro, e aí, tipo, assim, é impossível, assim, né, é impossível você manter a máscara 24 horas por dia,

[00:18:57] existe um estresse inerente a estar aqui dentro que simplesmente não permite, e aí, e como você se sentiu, e como você não gritou pela sua mãe.

[00:19:05] Então, esse que é o problema, porque, tipo, a máscara continua, por isso que o problema é que o maior problema que eu tinha era que, tipo,

[00:19:14] quando eu saí do BBB, é que eu não sabia quem eu era, de verdade, eu literalmente não sabia quem eu era, porque você assume essa máscara no primeiro momento que você chega lá,

[00:19:24] e realmente, depois de umas semanas, você já não tá mais na vibe de tipo, ah, beleza, tô no BBB, mas eu tipo, não, eu preciso viver a minha vida,

[00:19:33] porque eu me sentia muito, muitas vezes eu me sentia como se eu tivesse, tipo, jogando um RPG que não termina nunca,

[00:19:40] então, é tipo, você acorda de manhã e fala assim, ah, pode crer, qual que é a minha ficha do meu personagem, como é que é, ah, eu preciso fazer tal coisa, beleza,

[00:19:50] só que isso vai se diluindo na sua, tipo, aquela máscara única que você tem, entendeu, porque, tipo, a gente tem essas outras máscaras que a gente troca ao longo do dia,

[00:20:01] quando a gente tá falando com as, né, tipo, nossos pais, nossas famílias, quando a gente fala com os nossos amigos, colegas de trabalho,

[00:20:08] e a gente vai trocando essas máscaras, isso é muito saudável, isso é uma coisa que nunca tinha trocado, trocar essas máscaras é muito saudável,

[00:20:14] lá você não pode trocar essas máscaras, e a única máscara que você tem é essa do Pedro do BBB, sabe, então, tipo, essa máscara foi ficando,

[00:20:27] ela foi se tornando a única máscara que eu tinha, e quando eu saí, as pessoas, principalmente as expectativas das pessoas eram que eu fosse aquela pessoa,

[00:20:38] então, tipo, as pessoas desenvolveram até mesmo, tipo, assim, relações parasociais comigo, eu digo até amigos próximos, sabe, tipo, amigo meu que morava comigo,

[00:20:48] até a minha família, tipo, desenvolveram uma relação de me ver lá dentro e falar esse é o Pedro, esse é o Pedro que eu conheço, sabe,

[00:20:57] tipo, eles viram aquela máscara e foram tão expostos àquela máscara que virou eu, assim, eles tinham aquela expectativa que fosse eu,

[00:21:05] só que, tipo, eles ficaram muito próximos desse Pedro que eles estavam vendo na televisão, enquanto que eu não, eu não fiquei tão próximo dessas pessoas,

[00:21:13] tipo, eu não fiquei tão próximo, assim, tipo, nesse nível de intimidade, tipo, até com amigos ou até com família, sabe, tipo, por quê?

[00:21:20] Porque com família e tudo o mais, com amigos eu uso uma máscara específica, eles viram uma outra máscara que, tipo, não era, mas eu não conseguia mais,

[00:21:27] Ficou quanto tempo lá, Pedro?

[00:21:30] Fiquei dois meses, mais ou menos, são três total.

[00:21:33] Cara, é muito tempo.

[00:21:34] Quantas elimidações são essas?

[00:21:35] Eu saí na sétima, na oitava, acho que era uma coisa.

[00:21:39] Ah, ficou aí, então, guerreirinho, guerreirinho.

[00:21:41] É, foi, até metade, assim, eu só saí porque eu tretei com a campeã lá do ano lá.

[00:21:46] E aí, porque eu acho que talvez, é, eu acho que talvez seja essa.

[00:21:51] Nada disso, é a coisa que eu vejo que as pessoas falam no Twitter, falta de zão de jogo, é.

[00:21:56] Então, isso é uma coisa que é bizarra, entende?

[00:21:59] Era, tipo, cara, eu saí, eu lembro que eu fui, tipo, na primeira ou segunda semana que eu tinha saído da casa,

[00:22:05] e eu vi, tipo, eu fui, sei lá, no supermercado e eu estava, sei lá, escolhendo um molho de tomate,

[00:22:12] assim, uma coisa bem idiota, e aí chega uma senhora para mim, do nada, e vira e fala,

[00:22:18] nossa, eu não gostava de você.

[00:22:21] E você fala assim, como?

[00:22:23] Mas o que, por quê?

[00:22:25] Eu falo assim, não, é porque você é essa pessoa que fez tal coisa.

[00:22:29] E para mim não é isso, sabe?

[00:22:31] Tipo, não tem como ser, tipo, não é, por mais que as pessoas e os bebês adorem ficar repetindo,

[00:22:37] não, porque eu sou muito eu mesmo, quando chega lá, né, tipo, ah, eu sou eu mesmo o tempo todo,

[00:22:41] ah, é isso, eu sou muito real, é tudo, mas não tem como ser.

[00:22:45] Tipo, literalmente, não tem como ser.

[00:22:47] Acho que é isso que é em relação a essa coisa do real.

[00:22:50] Eu lembro que vocês estavam falando do pop cult, eu acho que de Matrix 4,

[00:22:54] acho que o Orlando levantou um negócio de tipo, pô, quando tem novidade,

[00:22:59] ninguém quer de fato ver e consumir essa novidade e tal.

[00:23:05] E eu acho que é por isso que reality bomba tanto, porque as pessoas querem acreditar

[00:23:10] que aquilo é real, que aquilo é o único, que aquilo é uma experiência

[00:23:14] que não é ensaiado e não é artificial e não é ficcional de alguma maneira.

[00:23:20] E é mentira, quando você liga uma câmera, nada é real.

[00:23:23] A partir do momento que ela está sendo testemunhada por uma câmera, ela não é real.

[00:23:29] Não tem como ser.

[00:23:30] Tem toda uma discussão sobre isso, tem o que você falou das máscaras,

[00:23:33] tem o trabalho que todo mundo cita, que eu tenho N críticas,

[00:23:37] mas tem um fundo bom, que é o do Irving Goffman.

[00:23:42] Aqui no Brasil, mal traduzido como representação do eu na vida cotidiana,

[00:23:46] mas é preventificação do eu na vida cotidiana,

[00:23:48] porque tem essa coisa de atualização diferenciada da intimidade.

[00:23:52] Então, ah, o que você é na escola é diferente do que você é na casa, enfim.

[00:23:57] E eu acho que isso é um ponto interessante.

[00:23:58] Mas tem uma outra coisa que eu acho, e eu vou fazer uma crítica a você, Pedro,

[00:24:03] porque quando eu falei que falta divisão de jogo, a gente estava conversando antes.

[00:24:06] Eu acho grande erro, da boa parte de BBB, inclusive eu gostaria de ser Big Brother,

[00:24:12] essa coisa de pessoa que está fazendo um papel próximo,

[00:24:15] ou faz um papel para si mesma, dizendo que eu estou aqui, eu sou eu, essa pessoa.

[00:24:22] É um papel para si mesmo.

[00:24:23] É, essa verdade para as pessoas.

[00:24:25] Eu não, se eu entrasse no Big Brother, eu ia fazer uma versão completamente falseada minha.

[00:24:30] Eu só contaria mentira do tempo inteiro, de uma forma compulsória, tá ligado?

[00:24:35] Se alguém me perguntasse o meu nome, eu ia falar Jorginho, sabe qual é?

[00:24:38] Tipo, de tantas mentiras.

[00:24:39] Eu ia inventar uma existência completamente estapafurde, minha, sabe qual é?

[00:24:44] Mas de coisa de ficção científica mesmo, sabe qual é?

[00:24:46] Não, porque quando eu fui abduzido por alienígenas, sabe?

[00:24:49] Tipo, para causar o momento da minha edição, no estilo da mulher,

[00:24:53] quando ela fala, como é que é, quando você procura sobre satanás no Google,

[00:24:57] o Google omite porque satanás controla o Google.

[00:25:00] Para quem não viu a série, o Google é satanás.

[00:25:03] Sim, é exato.

[00:25:04] Está no Rehearsal, né?

[00:25:05] Tipo, a mulher que vai ensaiar ter um filho,

[00:25:09] para quem não viu a série, tem um momento que tem essa mulher que quer ter um filho,

[00:25:13] ela falou assim, eu quero ter um filho, eu quero casar, meu sonho é casar, ter um filho,

[00:25:17] só que eu estou aqui 40 anos, nunca vi, nunca consegui isso porque não tem uma pessoa comigo,

[00:25:22] dá a entender a série de que ela nunca teve relações sexuais,

[00:25:25] dá a entender muito por alto, assim.

[00:25:27] Não, não, não, não, não, não, não, esse é que eu, não,

[00:25:29] ela mora em Nova York e ela tem um passado regresso,

[00:25:33] que ela quer deixar no caso, que ela se converteu ao cristianismo.

[00:25:36] Desde então ela está com voto de castidade.

[00:25:38] Pentecostal, exato, e agora ela só vai casar, só vai transar de novo quando casar,

[00:25:41] mas ela foi, ela fala, ah, eu bebia muito, usava muita droga e tal,

[00:25:45] eu tinha peças influências, e aí…

[00:25:48] Mas a castidade dela exerce um tema central.

[00:25:51] Ela exerce agora, depois que ela se tornou cristã,

[00:25:53] ela agora só vai transar com o homem que vai ser o marido dela e tal.

[00:25:57] Depois do casamento, after.

[00:25:59] Depois do casamento, exato, mas aí é muito fascinante,

[00:26:02] porque ela ainda vive em Nova York e tal, onde ela viveu essa vida pregressa,

[00:26:06] e aí ela tem essa fantasia de, não, mas quando eu casar e tiver um filho,

[00:26:09] eu vou morar no Oregon, numa casa e tal, tipo, eu vou deixar tudo,

[00:26:13] o meu passado vai ter sido uma fantasia, essa fantasia vai ser…

[00:26:17] É, mas isso também, mas o passado geralmente, quem era que falava isso era o Pruch,

[00:26:20] que o passado é um lugar estranho, com gente esquisita, sabe?

[00:26:22] É uma coisa, não é o Pruch que fala isso, não, mas…

[00:26:24] É o Lulú Santos.

[00:26:25] Talvez, pode ser também.

[00:26:27] Ou, como é que é o…

[00:26:30] Cara, sempre que eu refiro é como o Eduardo e Mônica, o caralho…

[00:26:33] O Eduardo e Mônica, sim, o Renato Russo.

[00:26:34] O Renato Russo, o Renato Russo.

[00:26:36] Mas é, é um lugar estranho.

[00:26:37] Caralho, agora acabou, acabou minha vida, entendeu?

[00:26:40] Você vê que o pessoal fã de legião urbana, meio que…

[00:26:43] Agora acho que não pode falar…

[00:26:45] Até dois irmãos já podem falar mal agora, hoje em dia.

[00:26:47] Já, porque essa gente já está ficando velha.

[00:26:49] É, já foi, já passou a época do fandom.

[00:26:51] Mas, assim, o…

[00:26:54] E aí, só pra completar a descrição da série,

[00:26:56] aí ela chega, é contatada pela produção,

[00:27:01] e montam uma casa fake pra ela no Oregon, né?

[00:27:04] Tipo assim, com fazendinha e tudo mais.

[00:27:07] E uma criança, que na verdade é todo um coletivo de atores mirinhos,

[00:27:12] que fica tendo trocado de três em três horas,

[00:27:14] e que envelhece numa proporção…

[00:27:17] Porque as coisas, enfim, cara, a coisa vai crescendo,

[00:27:20] as coisas escalam muito rápido, né?

[00:27:22] Tipo assim, cara, primeiro você descobre que vai ter uma série de atores mirinhos

[00:27:25] que se alternam no papel de criança, né?

[00:27:29] Então assim, de três em três horas você tem que tocar criança,

[00:27:31] porque pelas regras dos Estados Unidos,

[00:27:33] uma ator mirinho não pode trabalhar mais de três horas.

[00:27:35] Então troca pra criança.

[00:27:37] E aí, de quanto?

[00:27:38] De três em três dias essa criança envelhece x ou x horas.

[00:27:41] Cada semana, se não me engano, envelhece.

[00:27:43] Cada semana, mais ou menos.

[00:27:44] Ele não dá um tempo exato, se eu não me engano,

[00:27:47] mas pelo que dá pra entender,

[00:27:48] ele passa mais ou menos uma semana com cada idade.

[00:27:51] Ele pula de seis pra nove, de nove pra quinze.

[00:27:57] Tipo, eles fazem meio que idades chave.

[00:27:59] Eles não vão fazendo ano a ano, mas é isso.

[00:28:01] Ele passa mais ou menos uma semana com uma idade.

[00:28:03] E aí cada idade tem vários atores,

[00:28:05] porque antes dos 14,

[00:28:09] os atores não podem trabalhar mais que três horas sem parar e tal,

[00:28:13] então é isso, a criança entra numa porta

[00:28:17] e sai outra criança, que fica exatamente igual,

[00:28:20] continuando a interação, tipo,

[00:28:22] oi, então, ok, vamos lá.

[00:28:24] Cara, é uma coisa completamente surreal.

[00:28:27] Tem uma coisa desse momento,

[00:28:29] porque ela começa como uma pessoa bem solitária,

[00:28:32] que está à procura de um companheiro

[00:28:34] pra construir uma família,

[00:28:36] e ela tem um sonho idílico de constituir

[00:28:38] uma família no interior dos Estados Unidos,

[00:28:40] Oregon, pra quem não sabe,

[00:28:42] seria tipo Minas Gerais, assim,

[00:28:44] tipo, vai uma fazendinha inteira de Minas, sabe?

[00:28:46] É, é muito difícil fazer esses planos,

[00:28:50] mas lá tem muitos lugares que são no meio do nada,

[00:28:56] mas não são…

[00:28:58] mas tem algum pibzinho,

[00:29:00] eles só são desinteressantes e abandonados pela vida.

[00:29:02] Tanto que tem um momento que ele fala da cidade que eles escolheram,

[00:29:06] e eu adoro, isso é uma coisa que o Nathan faz muito desde o Nathan For You,

[00:29:10] que faz uma narração que é contradita

[00:29:12] pelas imagens que ele está mostrando, né?

[00:29:14] E ele fala assim, a cidade é muito interessante,

[00:29:16] muitas coisas acontecem e tal, é um centro urbano muito agitado,

[00:29:19] enquanto assim você mostra uma placa,

[00:29:21] temos ovos aqui.

[00:29:23] Eu, por exemplo,

[00:29:25] eu que sou uma pessoa que aprecia o campo,

[00:29:29] aprecia o…

[00:29:31] meu sonho é ter uma fazendinha no interior de Minas,

[00:29:34] sabe, nessa divisa Rio de Janeiro-Minas,

[00:29:36] meu sonho é morar lá.

[00:29:38] Por exemplo, ouvintes, quando eu estou dizendo assim,

[00:29:40] é afastado dos grandes centros urbanos,

[00:29:42] do centro de Nova York.

[00:29:44] Eu preferiria essa vida, inclusive, morar afastado,

[00:29:48] se pudesse, se tivesse dinheiro.

[00:29:50] Nossa, cara.

[00:29:52] Mas assim, a grande questão é a seguinte,

[00:29:55] ela começa como uma personagem com qual o ouvinte,

[00:30:01] o telespectador se identifica,

[00:30:03] só que depois, enfim,

[00:30:05] tem um primeiro momento que você já começa a estranhar,

[00:30:07] não, eu quero um lugar, porque que ela quer morar longe?

[00:30:10] Ela quer um lugar que não tenha wi-fi,

[00:30:12] porque as redes wireless

[00:30:14] afetam a formação do crânio das crianças.

[00:30:16] Ela já fala isso e fica assim,

[00:30:18] opa, peraí.

[00:30:19] E aí ela passa o tempo inteiro em que ela está no Oregon no celular.

[00:30:21] É, não, e aí ok,

[00:30:23] aí fica assim, ok, ela tem uma questão aí, talvez…

[00:30:27] Isso é uma coisa mais difundida,

[00:30:29] depois a cor escalona…

[00:30:31] A galera do Nathan, tipo os roteiristas, produtores do Nathan,

[00:30:35] são muito bons, desde o Nathan For You,

[00:30:37] de como eles editam esse material

[00:30:39] para lentamente revelar estranhezas das pessoas.

[00:30:43] Tem um episódio clássico do Nathan For You,

[00:30:45] que tipo, o episódio está acabando,

[00:30:47] ele ajudou o dono de uma lojinha,

[00:30:49] e aí tipo, você acha,

[00:30:51] tipo assim, beleza, isso acabou,

[00:30:53] e aí o cara fala assim, ah, eu estava muito nervoso,

[00:30:55] mas aí eu bebi o xixi do meu neto e ficou tudo bem.

[00:30:57] Ele, oi?

[00:30:59] Não, pega!

[00:31:01] Porque quando você bebe o xixi de uma criança,

[00:31:03] se você fica mais calmo,

[00:31:05] não, quem diz isso?

[00:31:07] O Gaetano tem um problema, o Gaetano não se comunica para outras pessoas,

[00:31:09] ele se comunica para ele e para o ciclo dele.

[00:31:11] Gaetano, explica para as pessoas quem é o Nathan, cara.

[00:31:13] Ah, desculpa, o Nathan Fielder é o criador

[00:31:15] de The Rehearsal,

[00:31:17] e ele tinha antes esse programa na Comedy Center,

[00:31:19] o Nathan For You, que era uma sátira desses programas

[00:31:21] de eu vim consertar o seu negócio.

[00:31:23] E aí ele ia realmente consertar negócios,

[00:31:27] só que com a pior ideia do mundo,

[00:31:29] então…

[00:31:31] No meio da madrugada, para a gente ficar rico.

[00:31:33] Exato, assim,

[00:31:35] um dos esquemas dele que virou muita

[00:31:37] notícia na época, foi que ele

[00:31:39] foi salvar uma cafeteria em Los Angeles,

[00:31:41] e ele falou, mas e se a gente transformar a sua cafeteria

[00:31:43] num Starbucks, mas

[00:31:45] protegido pela lei da paródia?

[00:31:47] Então, tipo, como a paródia é protegida como liberdade de pressão,

[00:31:49] a gente vai chamar de Dumb Starbucks.

[00:31:51] E aí a gente registra a loja

[00:31:53] como uma galeria de arte,

[00:31:55] e isso aqui é uma grande instalação de arte.

[00:31:57] E ele conseguiu!

[00:31:59] E aí o grande negócio do Nathan For You

[00:32:01] é que ele usava muito

[00:32:03] consultores legais

[00:32:05] para, tipo, tirar sarro

[00:32:07] da burocracia da sociedade

[00:32:09] do lado do comércio.

[00:32:11] E aí o The Rehearsal agora é a burocracia

[00:32:13] de existir em sociedade.

[00:32:15] Mas aí, enfim, aí tem o episódio que é isso,

[00:32:17] assim, o senhorzinho dono da loja,

[00:32:19] tipo, no final começa a contar, tipo, não,

[00:32:21] porque minha avó bebia o xixi,

[00:32:23] o meu xixi quando era pequeno,

[00:32:25] e ela falava que o xixi de criança com menos de seis anos,

[00:32:27] relaxa, se você está nervoso,

[00:32:29] você bebe.

[00:32:31] E é isso, esse tipo de revelação.

[00:32:33] Cara, eu nem lembro qual é o episódio,

[00:32:35] o que ele está fazendo nesse episódio.

[00:32:37] Ah, é um episódio que ele está salvando

[00:32:39] um antiquário,

[00:32:41] deixando o antiquário aberto

[00:32:43] depois da meia-noite para pessoas

[00:32:45] bêbadas entrarem e derrubarem

[00:32:47] coisas, e aí tem uma placa bem grande

[00:32:49] que se você derrubar ou quebrar alguma coisa, você sempre tem que pagar.

[00:32:51] Então que o jeito de gerar

[00:32:53] faturamento para o antiquário é

[00:32:55] de entrar pessoas bêbadas entrarem no antiquário,

[00:32:57] e aí eventualmente ele está levando

[00:32:59] um cara

[00:33:01] bêbado que entrou lá de volta para casa,

[00:33:03] e aí o cara começa a contar que

[00:33:05] ele e o irmão transaram com uma garota

[00:33:07] juntos.

[00:33:09] Cara, que horrível, coisa horrível, cara.

[00:33:11] É terrível, mas assim, eles são muito

[00:33:13] bons em deixar as pessoas

[00:33:15] enforcarem.

[00:33:17] Não, não, mas é assim…

[00:33:19] Porque assim, só para complicar

[00:33:21] esse raciocínio disso, porque assim,

[00:33:23] para apresentar a personagem para as pessoas

[00:33:25] entenderem para onde que ela vai.

[00:33:27] Como é o nome dela?

[00:33:29] Angela, né?

[00:33:31] Tipo assim, porque ela começa falando isso,

[00:33:33] você é uma pessoa solitária, que tem um sonho

[00:33:35] solitário, né, porque ela quer morar isolada

[00:33:37] mesmo, ela fala assim, eu, meu marido,

[00:33:39] meu filho isolado numa

[00:33:41] fazendinha no Oregon, então a ideia dela é ficar isolada

[00:33:43] num lugar que não tem uma grande

[00:33:45] cidade, alguma coisa do tipo.

[00:33:47] E aí depois ela começa a falar umas coisas do tipo,

[00:33:49] tem um

[00:33:51] momento em que

[00:33:53] ele se fantasia de Batman, o garoto

[00:33:55] de Capitão América, isso, de Homem-Amaranha,

[00:33:57] uma coisa dessas.

[00:33:59] E ela fala assim, por que vocês estão assim desse jeito?

[00:34:01] Ela, porque ele é Halloween, ela, Halloween

[00:34:03] é uma festa de satanás, eles

[00:34:05] sacrificam crianças no Halloween.

[00:34:07] Tipo assim, e fala seríssimo para

[00:34:09] ele, ele já ia assim, eu não sabia

[00:34:11] disso, ela, não, você

[00:34:13] pode procurar, eles sacrificam

[00:34:15] crianças, sei lá, aí ela começa a falar um monte de coisa

[00:34:17] disso, aí depois, depois de um tempo,

[00:34:19] ela chega pra ela e fala assim, olha, eu pesquisei

[00:34:21] sobre o Halloween e não tem nada

[00:34:23] de satânico, eles não matam crianças no Halloween,

[00:34:25] sei lá o que, é uma festa celta,

[00:34:27] ela, ele fala, pesquisou onde?

[00:34:29] No Google, ele no Google, ela, mas o Google

[00:34:31] é satanista, o Google, ele omite

[00:34:33] os resultados de satan para que as pessoas não descubram

[00:34:35] as obras de satan, aí tu fica assim,

[00:34:37] que? Tipo…

[00:34:39] O que que tá acontecendo? Onde eu me meti?

[00:34:41] Você começa identificando com a personagem e de repente dá uma quebra

[00:34:43] de expectativa bizarra,

[00:34:45] tá ligado? E tu foi assim, caralho maluco!

[00:34:47] E eu acho que isso é uma coisa legal,

[00:34:49] porque assim,

[00:34:51] isso é uma coisa que em todos os momentos

[00:34:53] fica oscilando, você tem personagens

[00:34:55] que são apresentados como completamente

[00:34:57] com as quais

[00:34:59] você se identifica, porque depois ela vai

[00:35:01] ensaiar um namoro com um cara,

[00:35:03] que é um desses caras que sobreviveu um acidente de carro

[00:35:05] e o cara tava buscando

[00:35:07] uma nova vida e sei lá o que, e de repente

[00:35:09] você descobre que o cara…

[00:35:11] Não sei nem de ver,

[00:35:13] tá ligado? Alucinado é uma palavra,

[00:35:15] não sei se é alucinado, é uma coisa muito

[00:35:17] louca, assim,

[00:35:19] e meio boi-lixo total,

[00:35:21] tá ligado?

[00:35:23] E tem um outro momento

[00:35:25] que é aquele cara que

[00:35:27] é apresentado com o colar do justiceiro,

[00:35:29] que o cara, não, eu faço

[00:35:31] justiça com as próprias mãos, eu gosto

[00:35:33] do justiceiro pra isso, cara,

[00:35:35] a gente fala assim, pô, mó Bolsonaro, do caralho, sei lá o que,

[00:35:37] e é o cara que, porra maluco, vai ajudar todo mundo,

[00:35:39] preocupado em ajudar o coroa lá,

[00:35:41] que o lance do cara era só conversar com o irmão, pedir o perdão,

[00:35:43] que o irmão aceitasse a vida dele,

[00:35:45] é mó negócio, assim, cara,

[00:35:47] tipo, tem toda uma quebra

[00:35:49] de expectativa, porque eu acho que, enfim, esse

[00:35:51] sentimento que o Pedro falou de associação, que eu acho

[00:35:53] que é uma coisa que é interessante, porque

[00:35:55] hoje em dia, especialmente no mundo de internet,

[00:35:57] a gente tá o tempo inteiro sendo capaz,

[00:35:59] o que o Pedro falou da vivência dele lá

[00:36:01] no… essas relações

[00:36:03] parasociais e tal,

[00:36:05] até a gente que tem um pouco de, né,

[00:36:07] sei lá,

[00:36:09] é, e as pessoas acham que conhecem a gente,

[00:36:11] então, pô, cara,

[00:36:13] acha que eu sou o Orlando que ela vê no podcast

[00:36:15] e tal, pô, tem dia que eu não tô bem, tem dia que eu

[00:36:17] quero ficar deitado na sala, sabe,

[00:36:19] tô puto com as coisas, então, assim,

[00:36:21] o… é, mas é muito, pô,

[00:36:23] é interessante como é que as pessoas estão o tempo inteiro

[00:36:25] se relacionando com versões muito

[00:36:27] reduzidas de você, né,

[00:36:29] e as pessoas julgam você por aquela

[00:36:31] percepção, então, por exemplo,

[00:36:33] na internet, então, você consegue ser uma pessoa

[00:36:35] que, às vezes, é uma frase,

[00:36:37] sabe, tipo, se as pessoas acham que te

[00:36:39] conhecem por uma frase, por exemplo,

[00:36:41] Twitter, você fala lá, agora não é 140,

[00:36:43] mas 280, as suas caracteres,

[00:36:45] as pessoas acham que te conhecem por

[00:36:47] aquilo, e não é, aí,

[00:36:49] esse programa é interessante porque ele oferece isso

[00:36:51] e aí você, naquele padrão

[00:36:53] de se…

[00:36:55] é quase como se você fosse

[00:36:57] punido, já viu, o

[00:36:59] Pedro, tu faz design de jogos, né, Pedro?

[00:37:01] Tipo Undertale, né,

[00:37:03] tipo, o jogo meio que te pune

[00:37:05] pra você jogar um RPG, né, um jogo de RPG que te pune

[00:37:07] entre aspas e jogar um RPG, tipo,

[00:37:09] o rehearsal

[00:37:11] ele te pune, entre aspas, pra você

[00:37:13] achar que tá vendo uma série, sabe,

[00:37:15] porque você começa assim, não, cara, esse cara é o que é um babaca,

[00:37:17] esse aqui é um baú clássico babaca, tá ligado?

[00:37:19] Não, mas ele é o cara mais legal, tipo, assim,

[00:37:21] a pessoa que você se identifica, a pessoa

[00:37:23] completamente louca, ou falando do

[00:37:25] ramai, ou falar de satan, sabe, coé,

[00:37:27] tipo, agora pode falar.

[00:37:29] Cara, eu acho que tem uma parada

[00:37:31] que você falou muito boa, que é te culpar pelo que você

[00:37:33] tá vendo, e meio que, tipo, né, essa coisa

[00:37:35] do, o que que você tá vendo? Porque você tá vendo

[00:37:37] um reality show, porque uma

[00:37:39] discussão que começou a rolar

[00:37:41] durante a exibição da primeira

[00:37:43] temporada foi, ah, mas essa série

[00:37:45] está, ela é exploitative, né,

[00:37:47] ela está explorando essas

[00:37:49] pessoas que aparecem na série,

[00:37:51] e aí é, tipo,

[00:37:53] sim, é um reality

[00:37:55] sobre realities, né, e

[00:37:57] talvez ele seja, ele se questiona muito

[00:37:59] mais sobre isso, especialmente

[00:38:01] chegando ali no último episódio,

[00:38:03] sobre, tipo, quais são os efeitos nas pessoas que eu

[00:38:05] boto aqui, que eu contrato pra fazer

[00:38:07] isso só porque eu tive essa ideia maluca.

[00:38:09] E aí, eu

[00:38:11] acho muito interessante que

[00:38:13] me lembra,

[00:38:15] me lembra, tipo, funny games,

[00:38:17] spec ops, essas coisas que, tipo, apontam dele pra

[00:38:19] você, especialmente em algo que

[00:38:21] quando ele mostra assim, ah, sabia que eu sei fazer

[00:38:23] a melhor manipulação emocional

[00:38:25] possível, mas aí ele olha pra câmera e quebra

[00:38:27] tudo, que tem o último episódio

[00:38:29] e o penúltimo,

[00:38:31] que terminam com momentos assim de, tipo,

[00:38:33] é uma cena de filme de Oscar,

[00:38:35] a cena do escorregador, por exemplo,

[00:38:37] lá, que desce o filho adolescente,

[00:38:41] é, tipo, perfeita, você fala assim, cara,

[00:38:43] se fosse o final de um filme sobre um pai

[00:38:45] que tá querendo voltar no tempo pra, né,

[00:38:47] consertar seus erros, não sei o quê,

[00:38:49] mas aí ele, tipo, ele faz questão de,

[00:38:51] não, deixa a câmera, deixa a câmera, deixa a câmera,

[00:38:53] e o ator vira, é isso?

[00:38:55] E aí ele vai, tum, lembra,

[00:38:57] tipo assim, não, não, não, não, não, não,

[00:38:59] não, você não vai usar isso aqui

[00:39:01] pra, tipo, tirar seu entretenimento barato

[00:39:03] de se envolver no drama dos outros,

[00:39:05] não, não, não.

[00:39:07] Mas é, quando, não,

[00:39:09] era meio sobre isso, quando a gente,

[00:39:11] quando eu era jornalista na Vice,

[00:39:13] uma das, é,

[00:39:15] uma das coisas que logo no começo

[00:39:17] me ensinaram, quando eu tava fazendo

[00:39:19] entrevista,

[00:39:21] era que as melhores partes

[00:39:23] da entrevista era sempre

[00:39:25] quando você ficava em silêncio,

[00:39:27] e então era sempre quando

[00:39:29] eu fazia uma pergunta, e aí

[00:39:31] vinha primeiro a resposta ensaiada,

[00:39:33] a resposta programada,

[00:39:35] e aí eu sempre, sempre

[00:39:37] ficava quieto e continuia só

[00:39:39] ficava fazendo assim com a cabeça, tipo, pra

[00:39:41] gerar esse momento de desconforto.

[00:39:43] E eu acho que esse momento de desconforto

[00:39:45] é muito importante, porque as pessoas ficam meio

[00:39:47] desesperadas, geram uma ansiedade

[00:39:49] de alguma maneira, e aí

[00:39:51] elas buscam meio que

[00:39:53] desesperadas dentro da psique delas,

[00:39:55] o que elas precisam responder pra agradar

[00:39:57] aquela pessoa que tá quieta, sabe?

[00:39:59] E isso acontece o tempo todo,

[00:40:01] tipo, o rehearsal é meio sobre isso.

[00:40:05] É o Gregório.

[00:40:07] Nesse momento, a gente

[00:40:09] traz um

[00:40:11] voice-alike, não,

[00:40:13] sound-alike do Gregório,

[00:40:15] pra se preparar

[00:40:17] pra eventual entrevista do

[00:40:19] Gregório. Então, essa voz

[00:40:21] que vocês estão ouvindo, como o programa de áudio,

[00:40:23] fica mais fácil produzir esse tipo de coisa, né?

[00:40:25] Você não precisa de um cara que é um sósia, mas ele

[00:40:27] soa como o Greg, e aí

[00:40:29] isso foi a nossa tentativa

[00:40:31] de ensaio pra gravar

[00:40:33] o podcast com o Greg,

[00:40:35] com as perguntas que a gente tinha pra fazer pra ele,

[00:40:37] e as respostas que a gente imagina

[00:40:39] que ele daria. Olá, bem-vindo!

[00:40:41] Caralho, gente, desculpa.

[00:40:43] Perdão aí, Gus, Pedro,

[00:40:45] o Alandro. Gente, eu tava com a minha filha,

[00:40:47] botei ela nos links, saí andando,

[00:40:49] esqueci totalmente que às 11 eu tinha que estar,

[00:40:51] esqueci completamente, mil perdões.

[00:40:53] Mas acho que é muito bom,

[00:40:55] porque a gente pôde ensaiar a

[00:40:57] entrevista com o Pedro antes de você chegar,

[00:40:59] e você teve, né, e você foi,

[00:41:01] você o quê? Ficou perdido

[00:41:03] na ilusão de ser pai, né,

[00:41:05] que é parte dessa série. Caralho, exatamente.

[00:41:07] Aliás, é a parte, pô, que mais

[00:41:09] me fudeu a cabeça.

[00:41:11] Caralho!

[00:41:13] Como é, como é, como você, tipo,

[00:41:15] né, pai, de criança

[00:41:17] pequena, vendo ali,

[00:41:19] ele, tipo, querer

[00:41:21] sair na frente de todos os erros

[00:41:23] e arrependimentos e desafios?

[00:41:25] Cara, então, foi ali que ele,

[00:41:27] esse último episódio, me perdeu.

[00:41:29] Não sei se vocês viram tudo, você pode

[00:41:31] falar sobre o último?

[00:41:33] Pode, pode sim. Só o Orlando não viu, ele teve

[00:41:35] pleno tempo pra ver, e não viu,

[00:41:37] porque é despreparado. Então, cara,

[00:41:39] quando ele começa a ensaiar com criança,

[00:41:41] e a criança não tem pai,

[00:41:43] e ele começa a brincar que é o pai

[00:41:45] da criança, e a criança fala assim,

[00:41:47] poxa, então você quer ser meu pai

[00:41:49] de verdade, então eu vou te chamar de pai, pai, pai,

[00:41:51] e ele fala assim, ah não, não, ali,

[00:41:53] ali eu fiquei, eu vou

[00:41:55] com ele, aonde ele me levar, eu vou,

[00:41:57] as pessoas, muita gente reclamou,

[00:41:59] né, de um dilema ético, dele não avisar

[00:42:01] pras pessoas, às vezes, nem todo mundo tá sabendo

[00:42:03] quem sabe o que que não é,

[00:42:05] isso daí eu acho interessante, porque as pessoas

[00:42:07] estão com uma câmera ligada, elas assinaram

[00:42:09] o termo de compromisso, é isso aí,

[00:42:11] acho que não tem dilema aí, é todo mundo adulto.

[00:42:13] Agora, quando pega uma

[00:42:15] criança, bro,

[00:42:17] ali me fudeu, eu falei, porra Nathan,

[00:42:19] eu tava com você até agora,

[00:42:21] cara.

[00:42:23] E é muito interessante, porque ele foca

[00:42:25] em uma criança que teve, né,

[00:42:27] que passou por esse,

[00:42:29] esse trauma aí,

[00:42:31] com o programa, que é isso assim,

[00:42:33] ele começa,

[00:42:35] o programa usa muita criança, como vários outros

[00:42:37] programas usam, e

[00:42:39] aí rola isso,

[00:42:41] a criança que não tinha pai,

[00:42:43] e a mãe botou lá, tipo, pra atuar,

[00:42:45] e aí, eventualmente, ele chega pra mãe e fala,

[00:42:47] mas você acha que ele sabe o que é atuar?

[00:42:49] E ela, eu não sei,

[00:42:51] se ele sabe o que é atuar, porque o que faz sentido,

[00:42:53] a criança tem seis anos, né, tipo, na cidade a gente

[00:42:55] não tem como saber, e ele tenta explicar, não, mas

[00:42:57] você lembra quando a gente fingiu que era dinossauro,

[00:42:59] mas é isso, assim,

[00:43:01] é claramente ele,

[00:43:03] querendo lidar

[00:43:05] com o que ele fez, e

[00:43:07] ele começa, tipo,

[00:43:09] a tentar questionar, tanto ele,

[00:43:11] quanto a mãe ali, de tipo,

[00:43:13] tá, mas como que a gente segue em frente agora?

[00:43:15] Que a gente, tipo, eu tava tentando me preparar pra não fazer

[00:43:17] outras cagadas, e eu fiz uma cagada muito maior,

[00:43:19] e agora eu não sei como seguir

[00:43:21] em frente, assim, e aí, o que eu

[00:43:23] acho que

[00:43:25] fica ali, muito

[00:43:27] expresso no episódio,

[00:43:29] na minha visão é,

[00:43:31] algo que ele estabeleceu no primeiro, assim,

[00:43:33] que ele termina o último episódio, com algo que

[00:43:35] o final do primeiro episódio deixa muito claro que é,

[00:43:37] ele é o vilão da série,

[00:43:39] ele é o vilão da própria série,

[00:43:41] a todo momento ele tá lembrando a gente,

[00:43:43] de tipo, assim, nada

[00:43:45] disso estaria acontecendo se eu não quisesse fazer isso,

[00:43:47] e todas as consequências

[00:43:49] ruins que estão acontecendo aqui,

[00:43:51] são minha culpa, e são a minha culpa

[00:43:53] só porque, e o tempo inteiro ele fica nos

[00:43:55] lembrando disso, essas decisões frívolas,

[00:43:57] de tipo, eu vou levar o bar inteiro, a reprodução

[00:43:59] do bar inteiro pro Oregon, só porque eu quero ter onde sentar,

[00:44:01] e tal, e aí, tipo, ah,

[00:44:03] eu vou fazer a criança passar por uma festa

[00:44:05] de aniversário silenciosa pra economizar 15 mil

[00:44:07] dólares depois.

[00:44:09] Cara, quer ver um outro exemplo disso,

[00:44:11] de que tudo é uma grande viagem dele,

[00:44:13] inclusive aquilo que eu te falei no começo, que eu acho

[00:44:15] que é o que me segurou

[00:44:17] na série, é a ideia de

[00:44:19] achar o tempo inteiro que aquilo é fake,

[00:44:21] porque, assim, é o meu controle de sanidade, tá ligado?

[00:44:23] Não, isso é que é fake, não é possível, não é possível que as coisas

[00:44:25] escalarem tão rápido, mas é o

[00:44:27] momento em que tem o

[00:44:29] fã do Justiceiro lá,

[00:44:31] que o fã do Justiceiro, ele

[00:44:33] depois, ele fica se autoelogiando

[00:44:35] pelo que aconteceu com o cara, tá ligado?

[00:44:37] Nossa, não, porque pra algumas pessoas

[00:44:39] só baixa um ensaio e sei lá o quê.

[00:44:41] Cara, isso é muito uma vibe narcisística.

[00:44:43] E eu acho que, assim, e eu fico

[00:44:45] lembrando daquele, do,

[00:44:47] daquele fake que ele faz sobre TikTok,

[00:44:49] pra vender o John Wilson.

[00:44:51] É, quando eles foram anunciar o How to John Wilson,

[00:44:53] e aí, do nada, tipo, o trailer de How to John Wilson

[00:44:55] vai virando um documentário

[00:44:57] sobre o Nathan criar uma boyband em casa.

[00:44:59] Então, assim, tipo, assim,

[00:45:01] e tu fica naquela, assim, cara, aí tem umas

[00:45:03] chaves ali que tu vê, que é pra aquele momento que ele chega

[00:45:05] e bota a arma no, ele bota uma arma

[00:45:07] em cima da mesa, enfim. Naquele momento,

[00:45:09] você tem um, eu acho que tem algumas

[00:45:11] pequenas pistas. Então, eu, pelo menos, eu fiquei nessa

[00:45:13] história, cara. Tem algumas coisas aqui

[00:45:15] pra me controlar. Então, assim,

[00:45:17] porque, pô, cara,

[00:45:19] essa coisa da criança, por exemplo,

[00:45:21] o…

[00:45:23] Tem um, hum…

[00:45:25] Não sei se o Pedro e o Gregório estão ligados,

[00:45:27] eu e o Gunther, a gente já gravou um programa

[00:45:29] sobre esse programa, que é um programa japonês,

[00:45:31] um reality japonês chamado Nasubi,

[00:45:33] que é um cara que ficou trancado

[00:45:35] num quarto…

[00:45:37] A Life of Prizes, que era um cara,

[00:45:39] Nasubi era o personagem, era o humorista.

[00:45:41] É um humorista que ficava

[00:45:43] trancado num quarto,

[00:45:45] pelado, e tudo que ele

[00:45:47] ganhava, que ele podia usar, eram coisas

[00:45:49] que ele ganharia através de concursos,

[00:45:51] de revistas que ficavam pra ele.

[00:45:53] Tinha, assim, um Marara com um monte de revista,

[00:45:55] ele pegava as revistas e começava a mandar

[00:45:57] pros concursos, então, eles só ganhariam a comida,

[00:45:59] se ele ganhasse arroz num concurso.

[00:46:01] E o programa fica

[00:46:03] mantendo esse cara em cárcere privado,

[00:46:05] durante o quê?

[00:46:07] Três meses e meio, né cara? Tipo…

[00:46:09] No final, acabou sendo mais de um ano, porque eles começavam

[00:46:11] a, tipo… Não, não, não, fica mais um pouco,

[00:46:13] fica mais um pouco, e no final eles mandaram ele pra Coreia

[00:46:15] pra ele ter que aprender coreano pra

[00:46:17] se inscrever em concursos

[00:46:19] coreanos, e aí ele só

[00:46:21] poderia sair quando ele tivesse acumulado em prêmios

[00:46:23] o valor de uma passagem de volta pro Japão.

[00:46:25] Cara, é um negócio assim absurdo,

[00:46:27] um negócio absurdo, né? Um negócio absurdo.

[00:46:29] E aí, cara, tipo assim,

[00:46:31] pra essa relação dele com crianças

[00:46:33] no…

[00:46:35] Na série, incomoda pra

[00:46:37] caralho pra gente, né? Mas ao mesmo

[00:46:39] tempo, cara, isso é uma coisa,

[00:46:41] outro dia eu tava pensando nisso sem ter visto esse episódio

[00:46:43] final, não sei por que que eu tava falando isso até numa live.

[00:46:47] Bicho, hoje em dia

[00:46:49] nem tanto, porque tem um monte de lei pra isso e tal,

[00:46:51] mas cara, tu pega aquelas crianças que eram

[00:46:53] atormirinhas dos anos 80, 70, então eles

[00:46:55] se falam, mas 70, 80, 90,

[00:46:57] começo dos anos 2000, cara, as

[00:46:59] crianças tudo ficaram aqui no Brasil, nem tanto,

[00:47:01] por causa de novela, tem outras… Mas nos Estados Unidos

[00:47:03] era tudo piração, cara, tipo assim, como que

[00:47:05] a indústria do entretenimento, o que

[00:47:07] que elas faz, o que que elas faz com crianças, sabe?

[00:47:09] Cara, inclusive isso tem uma relação

[00:47:11] com o Pizza Gate, tem

[00:47:13] relação com o Trump, né?

[00:47:15] Os caras tão igual.

[00:47:17] Com essa nóia de tipo, é, que você, de acusar

[00:47:19] o outro, tipo, a pior coisa que você

[00:47:21] pode ser, tipo, é um pedófilo, né? Então você vai

[00:47:23] usar isso como arma, né, tipo,

[00:47:25] você é uma pessoa que tortura crianças,

[00:47:27] que… Cara, eu ouvi hoje,

[00:47:29] agora, na rádio, a Clarissa Garotinho,

[00:47:31] o programa dela é todo esse, o programa

[00:47:33] de, é, pra se elegir,

[00:47:35] eu tava na rádio e de repente eu ouço uma voz feminina

[00:47:37] falando assim, eu vou acabar

[00:47:39] com essa rede de pedofilia

[00:47:41] que varre o braço.

[00:47:43] Tão importando, então,

[00:47:45] esse papo já.

[00:47:47] Os divulgadores dessa tese eram um ator mirim,

[00:47:49] que eu não esqueci o nome, por isso que eu lembrei.

[00:47:51] Era um ator mirim.

[00:47:53] Então, porque as coisas se misturam, porque o Corey Feldman,

[00:47:55] que é ex-ator mirim

[00:47:57] e foi vítima de estupro

[00:47:59] em Hollywood, ele é um dos caras

[00:48:01] que levanta muito a bola de, tipo, ah, Hollywood,

[00:48:03] assim, desses caras do Einstein e tal,

[00:48:05] não é só assédio e estupro de

[00:48:07] atrizes e atores adultos,

[00:48:09] né? Tipo, os atores mirim

[00:48:11] são, tipo, uma grande moeda de troca e tal.

[00:48:13] E aí é isso, né? Essas grandes teorias

[00:48:15] da conspiração se

[00:48:17] prendem em coisas reais e

[00:48:19] para extrapolar pra isso.

[00:48:21] Aquele maluco do Twister, como é aquela banda?

[00:48:23] Antissatanista. O Dominó?

[00:48:25] Twister? Não, Twister.

[00:48:27] Twister. É Twister a banda, né?

[00:48:29] Vocês são mais novos. Eu não lembro.

[00:48:31] É? Era uma banda que tinha

[00:48:33] o cara que, depois, teve problema com o

[00:48:35] ISBT. É, todos eram do ISBT, né?

[00:48:37] Tipo, acho que até o Dominó era do Gugu.

[00:48:39] Não é o Rafael Willian

[00:48:41] que você tá pensando? Não, depois dele.

[00:48:43] É mais novo que ele. Ah, teve depois, tá.

[00:48:45] Teve depois. Era uma banda que tinha, era um cara que tinha

[00:48:47] um cabelo espetadinho.

[00:48:49] Eu acho que é Twister. É Twister.

[00:48:51] Teve um problema com dependência química

[00:48:53] e tal. Ficou preso um tempo.

[00:48:55] Cara, ele disse, salvo engano,

[00:48:57] perdão, a lopa de departamento jurídico,

[00:48:59] se eu estiver errado, não me processa, é um erro de memória.

[00:49:01] Mas, tipo, assim,

[00:49:03] ele falou sobre abuso.

[00:49:05] Ele falou que sofreu abuso na época de carreira.

[00:49:07] Cara, isso é uma questão, eu não tô brincando com isso.

[00:49:09] Isso é uma questão muito séria

[00:49:11] na edição do entretenimento,

[00:49:13] a utilização de criança. Inclusive,

[00:49:15] você vai ver as pessoas falando,

[00:49:17] esses ex-atores mirins falando sobre o set,

[00:49:19] lá nós éramos uma família,

[00:49:21] o fulano era como meu pai, o fulano era como…

[00:49:23] Só que terminava aquilo, terminava aquele processo

[00:49:25] sobre as séries grandes.

[00:49:27] Pô, que é isso, cara? Como assim, pirava, né?

[00:49:29] Tipo, e aí…

[00:49:31] Aliás, o próximo episódio vai falar um pouco sobre isso também,

[00:49:33] que é o episódio sobre Nope, do Jordan Peele.

[00:49:35] Só pra deixar o ouvinte…

[00:49:37] Então, mas aí que tem uma coisa,

[00:49:39] isso que é uma coisa que eu acho que é interessante,

[00:49:41] porque, assim, quando a gente pega isso,

[00:49:43] a gente consegue ver, a gente consegue ter uma…

[00:49:47] O Macaulay Culkin, né, cara? O Macaulay Culkin.

[00:49:49] O maior caso disso, tá até hoje tentando voltar, né?

[00:49:51] Tipo, da onda.

[00:49:53] O cara…

[00:49:55] Mas, assim, a gente naturaliza, sei lá.

[00:49:57] Isso, o Macaulay Culkin é um dos poucos que teve sorte

[00:49:59] de poder ainda ter o dinheiro lá.

[00:50:01] Que é isso, ele não precisa trabalhar,

[00:50:03] ele pode cuidar dele mesmo.

[00:50:05] Não, então, mas é isso que eu tô falando.

[00:50:07] Eu acho que o incômodo que o Greg sentiu,

[00:50:09] eu senti desde o primeiro momento,

[00:50:11] aquela primeira cena, que parece que eles estão

[00:50:13] raptando a criança, né?

[00:50:15] Quando eles introduzem a questão da criança,

[00:50:17] eles entram lá pela… Puxam a criança,

[00:50:19] tu fica assim, que é isso, cara? Eles estão estimulando

[00:50:21] um secuário, depois a gente explica, mas mesmo aquela questão

[00:50:23] toda, é muito louco.

[00:50:25] Aí tu pensa assim, cara, mas o que que isso se difere

[00:50:27] muito da indústria de entretenimento?

[00:50:29] Aí tu pensa assim, o que que isso se

[00:50:31] difere, cara?

[00:50:33] A quantidade de

[00:50:35] influenciadores e influenciadoras mirintes.

[00:50:37] Bicho, a minha…

[00:50:39] Eu acho que no contexto

[00:50:41] que é produzido o rehearsal,

[00:50:43] que não só lá essa

[00:50:45] indústria é mais antiga e muito mais

[00:50:47] tóxica de influenciadores mirintes,

[00:50:49] youtubers mirintes, tiktokers mirintes agora,

[00:50:51] mas ele é feito numa

[00:50:53] cena televisiva lá,

[00:50:55] assim, bicho,

[00:50:57] você não consegue imaginar

[00:50:59] o número de reality shows que estão sendo produzidos

[00:51:01] nesse instante nos Estados Unidos.

[00:51:03] Com famílias inteiras e com crianças.

[00:51:05] Miss Sunshine é uma paródia,

[00:51:07] paródia disso, entre aspas, paródia crítica, daquele que é

[00:51:09] do…

[00:51:11] das meninas que ficam fazendo concursos de beleza.

[00:51:13] Das meninas de Miss, concursos de Miss.

[00:51:15] Cara, aquilo ali…

[00:51:17] E aquilo virou uma época, virou uma febre

[00:51:19] entre as pessoas, assistiu aquilo de uma forma irônica.

[00:51:21] Eu falei, que porra é essa, amigo?

[00:51:23] Pô, que trouço pornográfico,

[00:51:25] cara!

[00:51:27] Por isso que eu acho que o

[00:51:29] rehearsal nesse sentido, ele é muito

[00:51:31] menos cruel.

[00:51:33] Apesar de parecer, tipo, mano,

[00:51:35] esse cara é um psicopata, esse cara tinha que ser preso

[00:51:37] pra ele fazer o que ele fez com essas crianças

[00:51:39] e tudo, mas eu acho muito menos cruel

[00:51:41] justamente por ele expor isso, ele

[00:51:43] tipo, deixar claro que isso acontece.

[00:51:45] E por ele tentar de alguma maneira remediar, né?

[00:51:47] É, do jeito dele, né? Tipo, imitando,

[00:51:49] sendo a mãe e ele

[00:51:51] fingindo e ele ensaiando.

[00:51:53] Exato, no final não dá certo, vamos dizer,

[00:51:55] entre aspas. Não dá certo,

[00:51:57] mas é muito doido.

[00:51:59] É muito menos cruel, sabe?

[00:52:01] Porque ele leva o outro ator lá pra brincar

[00:52:03] com o ator e tá, e você acha que ele tá sendo, tipo, só legal

[00:52:05] e aí, assim que eles saem, ele vira pra todo

[00:52:07] tipo, pronto, conseguiu? Você acha que você consegue imitar ele?

[00:52:09] E aí, tipo, não! Meu Deus!

[00:52:11] Ele não consegue se livrar dessa

[00:52:13] obsessão! E tem uma coisa que é interessante

[00:52:15] que eu acho que é legal

[00:52:17] e é corajoso ele botar criança, porque

[00:52:19] a criança é claramente a criptonita

[00:52:21] dele, né? Porque

[00:52:23] ele é um super-homem, no sentido que

[00:52:25] ele não quebra. Ele nunca

[00:52:27] quebra do personagem Nathan. Então,

[00:52:29] nas situações mais bizarras, ele não

[00:52:31] para de rir, não pede desculpas e não…

[00:52:33] Não, ele é aquele cara ultra-focado

[00:52:35] nele mesmo,

[00:52:37] que não tá nem aí pro comércio

[00:52:39] de ninguém, como ele provou no Nathan For You.

[00:52:41] Foda-se que o cara tá falido,

[00:52:43] quebrado, ninguém vai na loja dele, ele vai conseguir

[00:52:45] piorar a vida dessa pessoa.

[00:52:47] Então, assim, ele não tem

[00:52:49] nenhuma empatia, não

[00:52:51] consegue conectar com ninguém, ele é aquele cara

[00:52:53] que não consegue conectar, e quando vê

[00:52:55] uma criança, amigo, ali, ele botar

[00:52:57] a criança é onde ele

[00:52:59] se ferra, porque o espectador

[00:53:01] vai estar do lado da criança, vai estar torcendo

[00:53:03] pra você, né, conseguir conectar

[00:53:05] de alguma maneira ali, porque a criança vai

[00:53:07] conectar com você de uma maneira muito

[00:53:09] sincera. Mas ele…

[00:53:11] Mas tem uma coisa que eu tava falando, a Pedim Gãs, porque assim,

[00:53:13] eu tava falando, antes de tu entrar, Gregório,

[00:53:15] tava falando muito sobre isso, porque essa série,

[00:53:17] ela meio que, eu comprei ela

[00:53:19] com jogos de videogame

[00:53:21] que, tipo, unem o que você está jogando em videogame, né?

[00:53:23] Tipo Undertale

[00:53:25] e tal, o…

[00:53:27] E essa série meio que, tipo, une por achar que está

[00:53:29] assistindo uma série, então, personagens que são

[00:53:31] introduzidos por meio de uma empatia,

[00:53:33] tipo, a Ângela, pô, é uma pessoa solitária,

[00:53:35] uma mulher solitária que quer ter uma família,

[00:53:37] sei lá, porque, de repente, a mulher piradaça

[00:53:39] falando de satanás,

[00:53:41] ou a professora de judaísmo falando sobre

[00:53:43] ramais, sei lá o quê, e o cara

[00:53:45] que é o fã do Justiceiro

[00:53:47] é o cara que, pô, o maluco tu se conecta, o cara

[00:53:49] ajuda o coroa lá a se limpar,

[00:53:51] sabe, tu foi assim, pô, então a

[00:53:53] série tá o tempo todo jogando com essa expectativa

[00:53:55] e a pessoa que tem empatia, de repente, é uma escrota

[00:53:57] calma aí, Gus, que eu vou, tipo, levantar uma bola

[00:53:59] pra tu cabeçar nessa área

[00:54:01] eu vou até contrapor

[00:54:03] não, e aí ele faz isso com o próprio Nathan

[00:54:05] né, que é um cara que… aquela coisa assim

[00:54:07] aí ele é o protagonista, então a gente sempre tem aquela coisa do

[00:54:09] protagonista legal e sei lá o quê, pá pá pá pá pá pá pá

[00:54:11] e isso me lembra uma coisa

[00:54:13] que é

[00:54:15] talvez o nosso episódio mais polêmico, né, Gus

[00:54:17] sobre Seinfeld

[00:54:19] porque Seinfeld é isso, tá ligado?

[00:54:21] você se identifica com aqueles personagens porque você se identifica

[00:54:23] com os protagonistas de qualquer porra que bota na tua frente

[00:54:25] mas é que elas não são pessoas legais

[00:54:27] não, eles são os vilões da própria série

[00:54:29] inclusive, inclusive eu tenho pra mim

[00:54:31] que o Nathan For You é inspirado naquele episódio

[00:54:33] do Seinfeld ajudando lá o

[00:54:35] o cara bando o cara botar comida paquistanesa

[00:54:37] sim, you’re a very very bad man

[00:54:39] é, então tipo assim, que volta ao último episódio

[00:54:41] né, cara, tipo, então é isso, eu acho que

[00:54:43] ele é o grande herdeiro

[00:54:45] desse humor Seinfeld, né cara

[00:54:47] tipo, que uma pessoa não… é, e depois de achar que ele é que sabe

[00:54:49] como solucionar os problemas, mas o que eu ia falar

[00:54:51] é que eu acho que o próprio episódio

[00:54:53] faz uma coisa meio Michael Hennick

[00:54:55] dessa coisa de tipo, te culpar pelo que você está

[00:54:57] querendo, porque assim, basicamente o último

[00:54:59] episódio, do jeito que a série

[00:55:01] toda fala, tipo, não é isso que você quer, tipo

[00:55:03] eu te dei a premissa e você veio aqui, você apretou play

[00:55:05] é isso que você quer, e aí

[00:55:07] ele vira pra câmera e fala assim

[00:55:09] mas não era isso que você queria, tipo

[00:55:11] isso só está acontecendo porque você queria assistir

[00:55:13] né, e aí eu acho que ele

[00:55:15] faz isso muito bem quando

[00:55:17] ele fala assim, não beleza, aí eu falei assim

[00:55:19] não vou mais usar criança, então

[00:55:21] eu vou tentar atores mais velhos, eu vou tentar

[00:55:23] um boneco e tal, e ele filma isso

[00:55:25] de uma maneira maravilhosa em que você olha e fala assim, é não

[00:55:27] eu não ia assistir isso, isso é… isso é horrível

[00:55:29] isso não me convence

[00:55:31] então ele te convence que tipo

[00:55:33] mas se entende porque a gente usou criança, né

[00:55:35] tipo, não ia ficar legal assim

[00:55:37] Mas ao mesmo tempo eu acho que é muito interessante

[00:55:39] que ele coloca isso de que tipo, por mais

[00:55:41] que, é, seja

[00:55:43] as pessoas tenham assinado

[00:55:45] ali o, né, o

[00:55:47] termo contrato de

[00:55:49] permissão de uso de imagem, todas essas coisas

[00:55:51] isso não muda o fato de que isso afeta

[00:55:53] as pessoas, assim, tipo, no caso

[00:55:55] eles usam a criança, né

[00:55:57] tipo, no caso eles usam a criança, mas tipo assim

[00:55:59] eu, como eu falei, eu vi isso pessoalmente

[00:56:01] o que está acontecendo com outras pessoas

[00:56:03] do BBB, assim, tipo, pessoas

[00:56:05] que saíram do BBB e tiveram crises

[00:56:07] e tipo entraram em colapso psicológico

[00:56:09] é, porque não sabiam mais

[00:56:11] o que que eram, o que que

[00:56:13] quem que elas eram depois do BBB

[00:56:15] e como, e essa exposição

[00:56:17] bizarra que você tem

[00:56:19] de repente

[00:56:21] e eu acho, por isso que eu falo assim

[00:56:23] eu acho que é muito mais cruel um BBB

[00:56:25] que em nenhum momento tem esse momento de

[00:56:27] catharsis pras pessoas envolvidas que tão lá

[00:56:29] sabe de tipo, beleza

[00:56:31] você tem esse momento de catharsis no

[00:56:33] no Nelson, no, no rehearsal

[00:56:35] de tipo, de você, ele ir lá

[00:56:37] e conversar com a criança e tentar

[00:56:39] falar pra ela, não mas eu sou o Nelson e tal

[00:56:41] e tenta desarmar isso de certa maneira

[00:56:43] No BBB isso nunca acontece, entende?

[00:56:45] Tipo, quando você sai do BBB…

[00:56:47] Se o BBB mostrasse o Boninho

[00:56:49] conversando com você antes de você entrar na casa…

[00:56:51] Dando um abraço, filhão, dando um abraço.

[00:56:53] Sabe, no fim… Exato, você sai, o Boninho

[00:56:55] entra com uma ideia e fala

[00:56:57] não, mas fica tranquilo, tal, ou que mostra

[00:56:59] depois que ele acaba…

[00:57:01] Não, eu acho que

[00:57:03] o Boninho tinha que ter coragem

[00:57:05] do Nathan, o Boninho tinha que ter coragem do Nathan

[00:57:07] e mostrar as reuniões onde eles

[00:57:09] fazem o casting, e ver o que eles falam das pessoas.

[00:57:11] Não, olha só, o Boninho

[00:57:13] tinha coragem mesmo, deixava uma câmera ligada.

[00:57:15] Sim, não, não,

[00:57:17] exato, é, tipo assim, faça com você,

[00:57:19] faça com você, bota na sua.

[00:57:21] Paperview 24 horas na edição do BBB.

[00:57:23] Isso!

[00:57:25] Exato, pra ver o que eles falam das pessoas lá dentro.

[00:57:27] Porque é isso que me dá raiva, você tem toda razão.

[00:57:29] A engrenagem do BBB,

[00:57:31] o Pedro me lembrou muito bem, ela é invisível

[00:57:33] e dá impressão pra muita gente

[00:57:35] que vê, eu diria pra imensa maioria das pessoas

[00:57:37] que vê, que aquilo ali é

[00:57:39] uma mostragem fiel do Brasil,

[00:57:41] como se fosse um datafono.

[00:57:43] E as pessoas falam.

[00:57:45] Ou daquelas pessoas, né, como se elas não tivessem sendo

[00:57:47] cutucadas num zoológico.

[00:57:49] Como se elas não tivessem uma,

[00:57:51] elas existissem através

[00:57:53] da câmera, elas existem através da câmera,

[00:57:55] não através da existência dela.

[00:57:57] Não, e a própria escolha dele, dele já é

[00:57:59] muito, né, política, ele quer dizer alguma

[00:58:01] coisa com aquela escolha, e depois

[00:58:03] da escolha das pessoas, da escolha das

[00:58:05] imagens, a escolha, enfim, ele tá

[00:58:07] o tempo todo triando e de uma maneira

[00:58:09] invisível, você não vê

[00:58:11] esses fios,

[00:58:13] né, então as pessoas têm

[00:58:15] muita impressão, me incomoda muito isso nas análises,

[00:58:17] as pessoas que estão analisando o BBB, comparando

[00:58:19] com o Brasil, e me incomoda muito

[00:58:21] isso, como se fosse uma leitura,

[00:58:23] como se fosse um grupo focal

[00:58:25] de estudo, como se fosse realmente um grupo,

[00:58:27] sabe, como se não fosse uma visão

[00:58:29] que o Boninho tem do Brasil, porque você tá vendo

[00:58:31] o que o Boninho quer te contar.

[00:58:33] É uma coisa, eu acho que isso é um fenômeno

[00:58:35] que realmente só acontece muito

[00:58:37] com audiovisual,

[00:58:39] sei lá, como o Deleuze

[00:58:41] fala, imagem e movimento,

[00:58:43] porque é uma coisa que

[00:58:45] tem, é uma

[00:58:47] cinema,

[00:58:49] TV, eles ocupam um lugar de muito

[00:58:51] privilégio na nossa sociedade,

[00:58:53] de ser um ditador

[00:58:55] cultural, ditador no sentido de

[00:58:57] tipo, aquilo ser o definidor cultural,

[00:58:59] o definidor, mais do que isso, o definidor da

[00:59:01] própria realidade, do que é a realidade.

[00:59:03] Então, ao contrário de outras coisas

[00:59:05] que a gente consegue construir uma

[00:59:07] subjetividade quando a gente vê aquilo,

[00:59:09] seja uma música, seja um quadro mesmo

[00:59:11] e tal,

[00:59:13] imagens e movimento, não, imagens e

[00:59:15] movimento é a realidade, a gente

[00:59:17] o que tá no imaginário

[00:59:19] popular é que filme e TV é a realidade,

[00:59:21] aquilo é real. Não à toa,

[00:59:23] quantas vezes a gente já ouviu falar daquelas

[00:59:25] histórias de ator, de novela que

[00:59:27] apanha, que é vilão,

[00:59:29] porque a pessoa simplesmente…

[00:59:31] É, o Gregório aí…

[00:59:33] Gregório aí…

[00:59:35] Gregório, o Gregório, o personagem Greg

[00:59:37] é o vilão do Gregório?

[00:59:39] Perfeito, é isso aí cara,

[00:59:41] eu sou um vilão. Porque eu tava na minha

[00:59:43] casa e ele começou a me trazer várias coisas

[00:59:45] que me deixaram com raiva, vários dados,

[00:59:47] de fatos, que vieram me irritar,

[00:59:49] e aí eu fico pensando, se o Datena é o vilão do programa

[00:59:51] do Datena, você é o vilão do seu programa?

[00:59:53] Eu sou, cara, no meu programa não tem mocinho,

[00:59:55] é só vilão,

[00:59:57] eu fazendo, me atrasando a merda para as pessoas.

[00:59:59] Mas isso que você falou, Gregório,

[01:00:01] deles quererem que o Big Brother pareça

[01:00:03] um levantamento data folha do Brasil,

[01:00:05] é muito real. E pessoas

[01:00:07] como o Boninho, pessoas com o mesmo sobrenome

[01:00:09] do Boninho, que aliás são pai do Boninho,

[01:00:11] já falaram coisas como o

[01:00:13] racismo acabou no Brasil, e

[01:00:15] eu não tenho dúvida de que muita gente viu,

[01:00:17] o Jean Wyllys ganhou o BBB e falou, tá vendo,

[01:00:19] eu não tenho homofobia, o cara gay

[01:00:21] ganhou o BBB, acabou. E assim,

[01:00:23] como alguém que tava trabalhando na Globo,

[01:00:25] durante um dos últimos Big Brothers,

[01:00:27] e parte da equipe trabalhava

[01:00:29] nos dois programas, e eu

[01:00:31] ouvia conversas, era muito assim,

[01:00:33] era transparente, tipo, não, esse ano

[01:00:35] ele quer um fulano assim, fulano assado,

[01:00:37] fulano assim, porque aí na casa, entendeu, vai rolar

[01:00:39] briga sobre isso, e aí o pessoal no Twitter vai

[01:00:41] querer briga sobre isso. Então assim,

[01:00:43] todo reality show,

[01:00:45] de confinamento ou não, ele é

[01:00:47] uma contação de história, ele tem

[01:00:49] roteiristas, inclusive, e ele é uma contação de história

[01:00:51] igual a um filme de ficção.

[01:00:53] Por isso que eu acho que o rehearsal,

[01:00:55] de caminhar muito assim, ele ser muito

[01:00:57] transparente no roteiro que ele quer mostrar, de tipo,

[01:00:59] esse personagem do Nathan, tentando

[01:01:01] ser humano e sentir

[01:01:03] emoções, e aí cagando todo

[01:01:05] mundo em volta dele, não sei o que e tal,

[01:01:07] se tornando vilão da história, é um argumento

[01:01:09] que eu poderia te vender como um longa,

[01:01:11] facilmente, de ficção, mas

[01:01:13] ele mistura as duas coisas meio que também pra fazer

[01:01:15] esse ponto de tipo, estranho do que nada,

[01:01:17] que a gente chama de reality show,

[01:01:19] é real, né, é só uma

[01:01:21] contação de história, e aí, onde

[01:01:23] pessoas estão atuando,

[01:01:25] sem saber que estão atuando,

[01:01:27] o Dana Gould

[01:01:29] tem uma frase muito boa, que é

[01:01:31] são produtores que

[01:01:33] são pessoas que não são roteiristas,

[01:01:35] escrevendo um roteiro para pessoas que não são atores

[01:01:37] atuarem,

[01:01:39] é tipo, é uma grande produção amadora

[01:01:41] de nada.

[01:01:43] A gente tem

[01:01:45] uma coisa que é o momento pop cult,

[01:01:47] o momento que o Guns a gente tem um argumento

[01:01:49] que é o momento do pop cult, por isso que a gente tem o problema.

[01:01:51] Quem que você vai citar?

[01:01:53] Vamos lá, vai vir.

[01:01:55] Beleza, óbvio, mas não, mas tipo, o…

[01:01:57] Cara,

[01:01:59] eu acho que o Nathan, ele é

[01:02:01] o produtor, sabe?

[01:02:03] Tipo assim, ele é o big brother, ele é o big brother

[01:02:05] no sentido do big brother lá do oral, tipo assim,

[01:02:07] produtor, sabe? Tipo assim, ele é o grande produtor,

[01:02:09] o produtor vai te ver,

[01:02:11] tá ligado? O produtor está

[01:02:13] atrás de você, nada

[01:02:15] contra produtores, tem até amigos que são,

[01:02:17] tem muitos amigos produtores,

[01:02:19] né?

[01:02:21] Mas o papel do produtor,

[01:02:23] o produtor é aquele cara que vai enxergar, ele enxerga

[01:02:25] uma situação, a funcionalidade dele,

[01:02:27] gente, é meio que essa, ele assim,

[01:02:29] você dá uma visão artística pra ele, o cara fala

[01:02:31] olha, a gente precisa disso, disso, disso, disso, disso,

[01:02:33] pra que isso aqui acontecer, ele tá vendo o número, ele tá vendo

[01:02:35] como operacionalizar aquilo.

[01:02:37] Um bom produtor é o cara que vai escutar o artista,

[01:02:39] mas tem o produtor, produtor, que todo mundo

[01:02:41] já lidou com, né?

[01:02:43] Que tu vai chegar com uma ideia

[01:02:45] artística pro cara e o cara fala, ó, isso aqui vai custar tanto, não dá pra fazer,

[01:02:47] vamos fazer de outro jeito, de um jeito bem merda,

[01:02:49] só que vai dar mais lucro, vai dar, sabe?

[01:02:51] Tipo assim, vamos, então assim,

[01:02:53] eu acho que ele faz esse papel, sabe?

[01:02:55] Tipo, do produtor ao produtor,

[01:02:57] e ao mesmo tempo ele tem uma visão,

[01:02:59] ele é quase como se ele fosse

[01:03:01] um duplo de si mesmo ali, né? Tipo, ele é

[01:03:03] o cara que faz isso e depois ao mesmo tempo ele

[01:03:05] se critica por aquilo, ele tá meio que,

[01:03:07] tem uma lógica cristã. Porque ele sabe que também

[01:03:09] isso é uma forma de, que o

[01:03:11] resto da mídia funciona aqui,

[01:03:13] se você mostrar que você é meio consciente

[01:03:15] das suas falhas, as pessoas meio que passam pano pra você.

[01:03:17] É, não, então assim, ele tem

[01:03:19] uma culpa, só que aí que tem um pronto, que eu acho que

[01:03:21] é por isso que as pessoas não passam pano pra ele ali,

[01:03:23] eu acho que tem uma, foi até o Greg que falou pra mim

[01:03:25] disso, né, da crítica, foi do New Yorker, né, Greg?

[01:03:27] Foi.

[01:03:31] Ah, essa aí eu vi, essa é do New Yorker,

[01:03:33] eu vi muita gente, tipo, artigos

[01:03:35] respondendo a esse artigo do New Yorker.

[01:03:37] Não, mas eu acho que porque tem uma questão de reatividade,

[01:03:39] eu acho que tem um pouco isso com o Greg News,

[01:03:41] tem um pouco isso com as lábios que eu faço,

[01:03:43] tem uma certa reatividade das pessoas quando elas se deparam com alguma coisa

[01:03:45] que, que, é meio que elas,

[01:03:47] elas se incomodam, né, porque por exemplo,

[01:03:49] uma coisa que me incomoda muito,

[01:03:51] eu não assisto Big Brother por conta disso,

[01:03:53] muito por conta disso, cara,

[01:03:55] nas últimas edições, inclusive, teve vários casos

[01:03:57] de, de, de, de, de, de

[01:03:59] gente entrando em Meltdown, como é que é?

[01:04:01] Gente tendo um colapso lá

[01:04:03] dentro, é, tipo um colapso mental lá

[01:04:05] dentro, e cara, em situações

[01:04:07] de abuso, né, de, de,

[01:04:09] de abuso sexual, de abuso de, de, de,

[01:04:11] de abuso moral, de assédio moral e tal.

[01:04:13] Eu diria que, que, que a própria premissa desses

[01:04:15] reality shows já é uma forma de tortura

[01:04:17] psicológica. Cara, é. Exato, então…

[01:04:19] Então. Tipo, você que passou por isso,

[01:04:21] Pedro, quem que você… Não,

[01:04:23] o Pedro que passou por isso, você foi…

[01:04:25] Ele é um ex-BBB. Ele é um ex-BBB.

[01:04:27] É mesmo? Por isso que ele está aqui.

[01:04:29] É. É.

[01:04:31] Eu fico muito feliz, voltando ao que o Orlando falou.

[01:04:33] Essa foi a nossa primeira pergunta, você fica feliz

[01:04:35] ou triste que as pessoas não lembram?

[01:04:37] Eu fico muito feliz que não lembram, isso é muito bom.

[01:04:39] É, mas eu, mas é isso, é assim,

[01:04:41] e essa foi uma das coisas que eu fiquei surpreso,

[01:04:43] porque eu, justamente, né,

[01:04:45] pô, sou formado em cinema, trabalhei com cinema

[01:04:47] e tal, e eu sempre, eu estava esperando

[01:04:49] já, ainda mais que quando você chega lá,

[01:04:51] eles têm essa ilusão da casa,

[01:04:53] mas não é uma casa, é obviamente um estúdio

[01:04:55] e é tipo óbvio. É,

[01:04:57] exatamente, é obviamente um estúdio,

[01:04:59] quando você chega lá dentro, todas

[01:05:01] as luzes são de estúdio, tem câmera pra todos

[01:05:03] os lados e tal. É,

[01:05:05] mas eu fiquei muito, muito

[01:05:07] impressionado que com

[01:05:09] a,

[01:05:11] digamos assim, a,

[01:05:13] o compromisso

[01:05:15] da equipe do BBB

[01:05:17] em aquilo ser um experimento psicológico,

[01:05:19] porque tipo, o isolamento é muito

[01:05:21] real a partir do momento que

[01:05:23] você é pego lá da tua casa,

[01:05:25] tipo, você não tem quase

[01:05:27] mais contato com ninguém,

[01:05:29] assim, tipo, e quando, e dentro

[01:05:31] da casa também, é literal a única

[01:05:33] pessoa que você está conversando com sua apresentadora,

[01:05:35] tipo, mesmo todas as outras pessoas,

[01:05:37] elas vão estar de máscara, elas não podem

[01:05:39] conversar com você, é, o médico

[01:05:41] não conversa com você direito,

[01:05:43] sabe, tipo, ninguém conversa

[01:05:45] com você, então eles se preocupam muito

[01:05:47] com isso, então essa foi uma das coisas

[01:05:49] que eu fiquei muito surpresa, eles de fato

[01:05:51] levam isso como um experimento

[01:05:53] psicológico social,

[01:05:55] tipo, e eles forçam

[01:05:57] umas coisas que você só percebe depois

[01:05:59] que você sai. A minha esposa me contou isso,

[01:06:01] que tipo, eu ganhei

[01:06:03] uma das provas do líder,

[01:06:05] e eu estava maluco para ver uma foto da minha

[01:06:07] namorada na época, que hoje eu esposo, mas eu estava maluco

[01:06:09] para ver uma foto dela, tipo, eu queria

[01:06:11] ver uma foto dela, eu queria saber se ela estava bem, se ela

[01:06:13] estava, seria uma, de certa forma,

[01:06:15] uma resposta, tipo,

[01:06:17] na minha cabeça, se tivesse uma foto dela

[01:06:19] dentro do quarto do líder,

[01:06:21] estava tudo bem aqui fora,

[01:06:23] coisas meio doidas, psicológicas.

[01:06:25] Sim, você não sabe o que as pessoas que você ama estão pensando de você.

[01:06:27] Isso, exatamente,

[01:06:29] e eles não colocaram uma foto

[01:06:31] dela lá. E isso me deixou maluco,

[01:06:33] porque eu fiquei pensando

[01:06:35] o tempo todo, pô, então é isso,

[01:06:37] ela me abandonou, ela não quer mais nada comigo,

[01:06:39] ou alguma coisa do tipo,

[01:06:41] e aí depois eu me toquei que era exatamente

[01:06:43] isso que eles estavam fazendo, eles queriam que eu

[01:06:45] ficasse instável

[01:06:47] de alguma maneira, para eu,

[01:06:49] tipo, sei lá, sair pegando alguém

[01:06:51] na festa, ou fazendo bosta, entendeu?

[01:06:53] Perdeu o controle de alguma coisa. É, eles

[01:06:55] criam instabilidade exatamente

[01:06:57] por isso, tipo, uma das provas mais cruéis

[01:06:59] que teve da minha edição, foi que eles

[01:07:01] falam assim, eles tinham,

[01:07:03] eu acho que era uma prova do anjo, alguma coisa assim, e tinha várias

[01:07:05] cartas de pessoas

[01:07:07] de pessoas da sua

[01:07:09] vida. Tipo, essa tem uma carta

[01:07:11] de fulano, de tipo, de sua irmã,

[01:07:13] a carta do seu pai, papapapapa.

[01:07:15] E aí você tinha que selecionar

[01:07:17] a carta de outro participante e destruir

[01:07:19] essa carta, tipo, num picadão de papel.

[01:07:21] E a gente estava dois

[01:07:23] meses, tipo, desesperado pra saber

[01:07:25] qualquer coisa, tinha gente ali que tinha mãe que tava com

[01:07:27] câncer, tinha gente ali que tinha

[01:07:29] tipo, sabe, tava em

[01:07:31] situação extensa, assim,

[01:07:33] enfim, é

[01:07:35] o compromisso

[01:07:37] deles em transformar aquilo em uma experiência

[01:07:39] psicológica é muito, muito sério,

[01:07:41] assim, eu acho que as pessoas não têm essa noção.

[01:07:43] Então, mas é esse que é o ponto que eu chegar,

[01:07:45] porque, por exemplo, no

[01:07:47] no, no, no

[01:07:49] no rehearsal, ele

[01:07:51] não apenas cria

[01:07:53] essa situação que todo Riarte cria,

[01:07:55] como ele expõe isso e compartilha

[01:07:57] isso com o público. Porque, assim,

[01:07:59] uma coisa que eu, eu sempre me incomodo,

[01:08:01] ah, porque quando, cara,

[01:08:03] quando você tem um caso, tipo,

[01:08:05] uma pessoa entrando em colapso, como foi acho que na edição

[01:08:07] da Karol Conká, que teve aquele,

[01:08:09] como é que é, o penteado,

[01:08:11] tipo, cara,

[01:08:13] bicho, a sociedade como um todo

[01:08:15] é culpada daquilo, responsável por aquilo,

[01:08:17] tá ligado? Porque tá todo mundo assistindo, tá todo mundo

[01:08:19] só quando a coisa sai do limite,

[01:08:21] que as pessoas, ah, de repente, o problema

[01:08:23] individual não é problema individual, tá ligado?

[01:08:25] Não, é que nem, enfim, quando a gente olha pra, sei lá,

[01:08:27] pras taxas de pessoas com

[01:08:29] adicção na sociedade. Não é um problema

[01:08:31] individual, não é um problema de um indivíduo que não sabe usar

[01:08:33] cocaína, sabe o que é? Não, cara, tem toda uma questão

[01:08:35] pra quando você vê usuários de

[01:08:37] crack, o problema maior não é o uso do crack, o problema

[01:08:39] maior é uma situação, né, de

[01:08:41] privação, de propriedade material,

[01:08:43] então, assim, é uma estrutura,

[01:08:45] a violência que você vê, sei lá, o cara entrando em

[01:08:47] colapso no programa é o resultado final,

[01:08:49] talvez o resultado mais visível de uma estrutura

[01:08:51] de violências, como essa que você relatou,

[01:08:53] de pequenas violências que as pessoas

[01:08:55] tendem a ignorar em nome do seu

[01:08:57] próprio entretenimento. Então,

[01:08:59] quando?

[01:09:01] E a privação de controle, sabe,

[01:09:03] tipo, o tempo todo você é privado de controle,

[01:09:05] tipo, quando eu saí do BBB,

[01:09:07] uma das primeiras coisas que eu queria

[01:09:09] fazer, eu virei tipo Tom Hanks naquele

[01:09:11] náufrago lá, a primeira

[01:09:13] coisa que eu queria fazer quando eu cheguei no quarto

[01:09:15] do hotel, ó, que fica ali do lado de fora,

[01:09:17] da Globo ali,

[01:09:19] era ficar ligando e desligando a luz, porque a gente

[01:09:21] não tinha esse controle, a gente

[01:09:23] não tinha o controle de desligar as luzes

[01:09:25] dos aposentos, dos quartos, eles

[01:09:27] que decidiam quando que a luz ligava, quando que ela

[01:09:29] desligava, e, tipo, ter essa privação

[01:09:31] de controle era terrível. Cara, e é muito louco

[01:09:33] a gente normalizar, mais do que isso, mais do que

[01:09:35] normalizar, assistir e

[01:09:37] venerar, né, uma coisa que é um monte de gente ali

[01:09:39] sendo, é, privada.

[01:09:41] Torturada, logicamente.

[01:09:43] Não tem nada para o seguinte, assim,

[01:09:45] é mala pra caralho, as pessoas vão falar assim, porra,

[01:09:47] cara, é, coisa mala, que questionamento

[01:09:49] mala, mas é um questionamento

[01:09:51] que eu acho que a gente deveria se fazer,

[01:09:53] na minha opinião, que é o seguinte, é uma pessoa sendo

[01:09:55] filmada 24 horas por dia, ela tá trabalhando

[01:09:57] 24 horas por dia pra Globo, não tá?

[01:09:59] Seu trabalho não é assim, tá gerando muito

[01:10:01] lucro. Eu, eu…

[01:10:03] Uma pessoa trabalhando 24 horas por dia

[01:10:05] para uma corporação.

[01:10:07] Só porque tá filmando pode.

[01:10:09] É, filmando pode, ou seja, não é

[01:10:11] trabalho, não, é trabalho, ela tá

[01:10:13] gerando lucro 24 horas por dia

[01:10:15] durante meses, assim, por que que a gente

[01:10:17] isso daí é aceitável?

[01:10:19] Do mesmo jeito que a criança sendo criança no Nathan

[01:10:21] tá sendo paga, mesmo sem ela saber que tá atuando.

[01:10:23] A criança trabalhando é a mesma coisa, eu tô falando, mas o Porto já trabalhou

[01:10:25] com criança, mas assim, a gente não

[01:10:27] tolera trabalho infantil, né, é um

[01:10:29] crime assim contra a humanidade, é coisa

[01:10:31] mais trabalho artístico,

[01:10:33] sim, eu não tô dizendo, eu acho que dá pra

[01:10:35] você fazer de uma forma digna, óbvio, mas

[01:10:37] é óbvio que existe uma questão, uma dúvida

[01:10:39] ética ali, porque uma criança

[01:10:41] não pode ser a rimo de família, como a expressão

[01:10:43] não pode, pra cabeça dela, pra

[01:10:45] cabeça da família, não existe, é uma

[01:10:47] cagada você trazer dinheiro, você é a

[01:10:49] pessoa que traz dinheiro pra sua casa.

[01:10:51] E então, assim, eu acho que o Nathan

[01:10:53] entra nessa, ele se pergunta

[01:10:55] isso, pelo menos, né, ele expõe

[01:10:57] essa fratura ética e a graça

[01:10:59] do negócio é esse, mas é também o

[01:11:01] problema, o cara da New Yorker não entendeu

[01:11:03] essa graça, falou assim, cara, isso é errado,

[01:11:05] isso é errado, eu entendo, ele não tem

[01:11:07] entendido, e entra numa coisa que talvez

[01:11:09] seja meio geracional, esquisito isso, mas

[01:11:11] por exemplo,

[01:11:13] meu pai, cara, eu tentei já mostrar pra ele

[01:11:15] as coisas que eu gosto de comédia,

[01:11:17] quase tudo ele acha

[01:11:19] só triste,

[01:11:21] tipo assim, The Office,

[01:11:23] The Office ele acha triste, ele vir aqui

[01:11:25] e não fala, Greg, mas eu não consigo,

[01:11:27] assim, só tenho pena desse cara,

[01:11:29] dessas pessoas, e

[01:11:31] é muito comum

[01:11:33] que exista uma diferença

[01:11:35] geracional no consumo da

[01:11:37] comédia, sobretudo, e que

[01:11:39] não pega, que não acha engraça

[01:11:41] nisso, que eu tenho a impressão de que a nossa

[01:11:43] geração acha o

[01:11:45] porra, a creme dela creme, né,

[01:11:47] a gente acha assim, a nata

[01:11:49] tá nesse sofrimento assim,

[01:11:51] tá nesse lugar eticamente esquisito.

[01:11:53] Eu acho, Greg, muito

[01:11:55] interessante isso, porque eu acho que assim, eu tenho

[01:11:57] certos limites de cringe

[01:11:59] human, de como é que é,

[01:12:01] de vergonha alheia que eu não consigo,

[01:12:03] o The Office, tanto o

[01:12:05] britânico quanto o americano,

[01:12:07] eu não consigo, o americano mais, porque eu acho

[01:12:09] que ele é a versão pasteurizada, que só

[01:12:11] existe pra te dizer, tipo, a sua família deveria ser

[01:12:13] pessoas que trabalham com você e te explora.

[01:12:15] Mas o

[01:12:17] que eu acredito é que essa mudança

[01:12:19] geracional também, nesse sentido,

[01:12:21] talvez é porque tudo que a gente via,

[01:12:23] até da comédia,

[01:12:25] né, na cultura pop, antes

[01:12:27] da nossa época, escondia

[01:12:29] várias dessas tristezas que a gente vê como

[01:12:31] tão comuns assim,

[01:12:33] essa coisa de tipo, cara, essa

[01:12:35] mãe tá botando esse filho pra trabalhar porque

[01:12:37] ela é pobre, entendeu? Ele vai

[01:12:39] na casa dela, entendeu?

[01:12:41] É um pedacinho de, é um trailer sem

[01:12:43] roda, entendeu? É óbvio

[01:12:45] porque que essa mãe topou isso sem saber,

[01:12:47] tipo, olha, eu não tenho como ensaiar

[01:12:49] a minha vida inteira e voltar

[01:12:51] atrás e decidir o que eu

[01:12:53] vou fazer ou não como mãe, porque, pô,

[01:12:55] é uma oportunidade que apareceu aqui de eu botar

[01:12:57] meu filho nesse negócio e tirar uma graninha

[01:12:59] mais, porque aí, pô, a gente precisa, né?

[01:13:01] Então, eu acho que faz sentido

[01:13:03] também essa produção ter ido pro Oregon

[01:13:05] e fazer isso porque, tipo,

[01:13:07] tira aquela presunção de, tipo,

[01:13:09] ah, é uma dessas mães de Los Angeles que tá

[01:13:11] enfiando o filho em tudo que é comercial e tal,

[01:13:13] não sei o quê, eu acho que mostra,

[01:13:15] exato, um conflito ético que você falou,

[01:13:17] é isso, assim, tipo, como que, como que você pode

[01:13:19] querer que uma família

[01:13:21] ou uma mãe dependa

[01:13:23] financeiramente de uma criança?

[01:13:25] A coisa do, assim, a gente consegue ver ser muito saliente com criança,

[01:13:27] né, cara, mas a gente

[01:13:29] que trabalha nessa fronteira do entretenimento,

[01:13:31] mas o Greg que trabalha

[01:13:33] dentro do entretenimento, cara,

[01:13:35] a quantidade

[01:13:37] de pessoas, a gente

[01:13:39] tá com, a gente tem um,

[01:13:41] eu tenho uma editoria, Greg, com

[01:13:43] Gus, que, assim, no meio da madrugada eu mando pra ele

[01:13:45] ideias loucas que a gente fala, cara, isso aqui é o programa

[01:13:47] que a gente vai ganhar um Oscar, a gente vai ficar rico, cara.

[01:13:49] Por exemplo, a gente quer fazer um…

[01:13:51] E a minha editoria é, aham, aham…

[01:13:53] Então, a gente quer fazer um… Um movimentary,

[01:13:55] sabe, sobre um aspirante

[01:13:57] de famoso que a gente vai criar,

[01:13:59] que vai comprar uma conta fake, vai fazer um documentário

[01:14:01] sobre esse cara, sei lá, indo tirar foto

[01:14:03] na piscina do Fasano,

[01:14:05] sabe o que é? Tipo, indo caçar nota,

[01:14:07] sei lá, do Léo Dias, na praia, andando

[01:14:09] no recreio, sabe o que é? Porque, assim,

[01:14:11] cara, a quantidade de pessoas,

[01:14:13] e eu conheci isso muito ao longo da minha vida, cara,

[01:14:15] a quantidade de pessoas que aspiravam ser famosas,

[01:14:17] porque… Por que que elas aspiravam

[01:14:19] ser famosas, saca? Tipo, assim, a quantidade de gente aqui

[01:14:21] de Padre Miguel, Banco Realengo,

[01:14:23] que, pô, ia fazer uma pontinha na Globo, que ia

[01:14:25] caraca, conhecia fulano, enciclano, sei lá o quê,

[01:14:27] porque se aproximam de artistas,

[01:14:29] né, tipo, toda essa questão de

[01:14:31] não, tô andando com fulano, tô andando com ciclano,

[01:14:33] sabe? Porque a ideia,

[01:14:35] por que que… E aí tu vai chegar

[01:14:37] no limite que as pessoas se sujeitam

[01:14:39] ao Big Brother, né?

[01:14:41] Aí chega no Big Brother, tem esse vislumbre

[01:14:43] de possibilidade, e quando saem de lá, a pessoa

[01:14:45] quebra, porque aquela vida não se sustenta,

[01:14:47] né? E aí tem um experimento

[01:14:49] que eu acho horrível,

[01:14:51] o negócio, que é aquele New Faces Brasil,

[01:14:53] vocês estão ligados no New Faces Brasil?

[01:14:55] O New Faces Brasil,

[01:14:57] cara, foi

[01:14:59] uma espécie de Big Brother

[01:15:01] de baixíssimo orçamento, feito no

[01:15:03] interior do Paraná, os caras pegavam

[01:15:05] a galera, trancavam eles num salão de festas,

[01:15:07] e a produção

[01:15:09] só tinha dois microfones de mão,

[01:15:11] que as pessoas tinham que ficar andando com os

[01:15:13] microfones de mão, e eles eram filmados tipo câmera

[01:15:15] de segurança, mesmo. Isso passava

[01:15:17] no YouTube, e aí, cara,

[01:15:19] a galera entrava na casa, e a

[01:15:21] produção da casa, segundo o pessoal,

[01:15:23] o pessoal da produção não me processa,

[01:15:25] isso foi divulgado na época,

[01:15:27] que as pessoas ficavam se sentindo enganadas,

[01:15:29] porque a produção falava, não, vocês estão bombando

[01:15:31] aqui fora, aqui fora só se fala do New

[01:15:33] Faces Brasil, e a galera saía,

[01:15:35] ninguém falava deles, ninguém sabia de quem era,

[01:15:37] acho que o cara que ganhou,

[01:15:39] o maluco fazia o papel de Hulk brasileiro

[01:15:41] no programa do Marcos Mion,

[01:15:43] sabe qual é? Era o famoso, era o nível

[01:15:45] do famoso do programa, sabe que

[01:15:47] assim, eu assisti aqui umas duas,

[01:15:49] três vezes, porque aquilo ali

[01:15:51] é assim, tu via a quantidade de pessoas

[01:15:53] aspirando a algum lugar de fama, sabe qual é?

[01:15:55] Uma situação completamente

[01:15:57] bizarra, tipo os caras

[01:15:59] usando o banheiro do lugar, era tipo

[01:16:01] banheiro de salão de festa, sabe

[01:16:03] aqueles banheiros só com aquelas

[01:16:05] divisoriazinhas e tal, sei lá o que, foi assim

[01:16:07] cara, mas aí tu imagina, por que essa

[01:16:09] máquina atrai tanto? Por que que hoje em dia todo mundo

[01:16:11] quer ser influenciador, sabe qual é?

[01:16:13] Tipo, cara, a galera, eu conheço gente que faz

[01:16:15] dívida pra comprar celular bom,

[01:16:17] pra poder tentar bombar no Instagram,

[01:16:19] pra conseguir ganhar dinheiro

[01:16:21] com motivos, sabe? A pessoa não

[01:16:23] faz nada, não produz nada, sabe? Porque se você

[01:16:25] posta muito, vem dinheiro. É isso!

[01:16:27] Aconteceu uma coisa que pra mim, assim,

[01:16:29] foi triste

[01:16:31] e ao mesmo tempo

[01:16:33] meio desesperador, assim, que foi ver

[01:16:35] quando a Juliette saiu do BBB

[01:16:37] e ela foi tipo um fenômeno

[01:16:39] publicitário, de tudo,

[01:16:41] assim, ela foi tipo, foi muito

[01:16:43] grande, foi uma das maiores BBBs que

[01:16:45] cresceu no Instagram e todas

[01:16:47] essas coisas. E quando ela saiu, ela deu uma

[01:16:49] entrevista, acho que uma semana depois,

[01:16:51] falando disso,

[01:16:53] tipo, ah, gente, agora

[01:16:55] eu faço o que vocês quiserem,

[01:16:57] tipo, falando pro seu público, sabe?

[01:16:59] Tipo, vocês querem que eu cante? Eu canto!

[01:17:01] Vocês querem que eu atue? Eu atuo!

[01:17:03] Sabe? Tipo, as pessoas,

[01:17:05] quanto mais influência, mais,

[01:17:07] acho que esses novas,

[01:17:09] eu sinto muito que, assim, antigamente

[01:17:11] a gente ainda tinha uma ordem,

[01:17:13] entre aspas, natural da coisa, de tipo,

[01:17:15] primeiro você produz alguma coisa que

[01:17:17] chama a atenção das pessoas e a

[01:17:19] fama, meio que, é proveniente disso,

[01:17:21] tipo, ela vem através disso.

[01:17:23] Hoje não, hoje, primeiro você tem

[01:17:25] fama e depois você vira artista.

[01:17:27] Paris Hilton, eu não tô comprando a Juliette no dia de tentamento,

[01:17:29] mas a Paris Hilton é isso.

[01:17:31] Ela canta bem.

[01:17:33] A Juliette entrega muito bem.

[01:17:35] O pessoal de casting, olha

[01:17:37] quantos seguidores um ator e

[01:17:39] uma atriz têm no Instagram antes de contratar.

[01:17:41] Bom, teve um anúncio da Netflix recentemente,

[01:17:43] eu não sei se vocês viram isso.

[01:17:45] Teste para ator, procuramos ator com

[01:17:47] mais de 10k.

[01:17:49] Para fazer teste só.

[01:17:51] Por pouco, Greg.

[01:17:53] Você não podia fazer teste.

[01:17:55] O ator não consegue mais fazer um teste.

[01:17:57] Não é que ele não consegue um papel.

[01:17:59] Ele não pode fazer, ele não tem direito

[01:18:01] a fazer o teste, porque eles não querem perder o…

[01:18:03] Exato, mais de 10k é a linha

[01:18:05] para fazer o teste, aí chega lá, aí ficou

[01:18:07] entre você e o cara, e o cara tem 20, você tem 15?

[01:18:09] Pô, vai cara, né?

[01:18:11] É médico.

[01:18:13] As pessoas estão escolhendo o médico.

[01:18:15] Viralizou o vídeo da Betina,

[01:18:17] lembra da Betina da propaganda e sei lá o quê?

[01:18:19] Ela dizendo que ela escolheu

[01:18:21] a dermatologista dela

[01:18:23] pela quantidade de seguidores do Instagram.

[01:18:25] Depois dizem que Rico é inteligente.

[01:18:27] O que eu queria falar para encerrar aqui

[01:18:29] antes é só…

[01:18:31] Eu acho que é muito interessante

[01:18:35] que o Greg levantou a parte da legitimação,

[01:18:37] porque o que o Pedro

[01:18:39] me descreveu aí no processo dele ser

[01:18:41] levado para o confinamento do Big Brother,

[01:18:43] me parece algo que se alguém descrevesse para mim

[01:18:45] que vai acontecer, mesmo ele me preparando e falando

[01:18:47] vai vir um pessoal aqui, eu vou sumir por um tempo,

[01:18:49] qualquer coisa fala com eles, é coisa de culto.

[01:18:51] É coisa de gente que vai me levar para um culto,

[01:18:53] tirar todo o dinheiro da minha conta

[01:18:55] e eu nunca mais desenvolver minha família.

[01:18:57] E aí só pode acontecer

[01:18:59] porque existe

[01:19:01] isso estabelecido, tipo ainda é mal criou o formato,

[01:19:03] chegou aqui, muito importante,

[01:19:05] chegou aqui com casa dos artistas, não com o Big Brother.

[01:19:07] Então, quando foi a casa dos artistas,

[01:19:09] tudo bem, é artista, artista até mais é que se fuder.

[01:19:11] E aí é tipo assim, é a gente que está na TV e tal.

[01:19:13] Aí depois começou

[01:19:15] pessoas comuns e tal.

[01:19:17] Então eu diria assim, o The Rehearsal

[01:19:19] está num canal na HBO e tem um formato tão sui generis

[01:19:21] e tal, eu acho que é

[01:19:23] exatamente para a gente começar a questionar

[01:19:25] se está tudo normal nesse paradigma

[01:19:27] que a gente vive, então para encerrar

[01:19:29] essa é a minha questão para o Pedro e para o Greg.

[01:19:31] Está tudo normal quando se trata de

[01:19:33] entretenimento, a mistura

[01:19:35] de realidade de entretenimento, a busca da fama,

[01:19:37] todas essas coisas?

[01:19:41] Cara, essa questão de reality show

[01:19:43] eu acho

[01:19:45] meio…

[01:19:47] eu acho uma

[01:19:49] falência da realidade,

[01:19:51] por mais que seja a

[01:19:53] tipo o nome seja reality show

[01:19:55] é uma falência da realidade, não sei

[01:19:57] o Orlando com certeza

[01:19:59] deve saber mais disso,

[01:20:01] o realismo capitalista e como a gente

[01:20:03] a morte da paródia,

[01:20:05] a morte

[01:20:07] da ficção,

[01:20:09] porque a gente vive numa distopia,

[01:20:11] a gente vive numa

[01:20:13] realidade que não faz nenhum

[01:20:15] sentido, então

[01:20:17] eu acho que tem muito a ver com o que a gente

[01:20:19] está vivendo politicamente

[01:20:21] e por isso que a gente se agarra

[01:20:23] nessas falsas ideias do que

[01:20:25] é uma realidade.

[01:20:27] Vocês estavam falando disso,

[01:20:29] porque tem roteiro, muita gente me perguntava

[01:20:31] se tem um roteiro no BBB,

[01:20:33] não, não tem um roteiro

[01:20:35] mas não precisa, porque tem a

[01:20:37] edição de imagens

[01:20:39] e a edição de imagens já é forma narrativa

[01:20:41] então

[01:20:43] eu acho que as pessoas

[01:20:45] estão cada vez mais desesperadas

[01:20:47] por acreditar em alguma coisa real

[01:20:49] e eu acho que isso tem

[01:20:51] muita ver com isso, essa falência do que é a realidade.

[01:20:53] E o real é a banheira do

[01:20:55] Gugu, né cara?

[01:20:57] O real é a banheira do Gugu,

[01:20:59] é isso, é a banheira do Gugu, né?

[01:21:01] A relação da banheira do Gugu, né?

[01:21:03] É cara, não, isso, adorei

[01:21:05] ouvir o Pedro aqui que viveu isso na pele

[01:21:07] e cara

[01:21:09] eu queria muito conversar

[01:21:11] com alguém que fez o programa do Nathan, saber

[01:21:13] o quanto, como

[01:21:15] é que se dá esse tratamento com ele, por exemplo

[01:21:17] desliga a câmera, ele continua lá

[01:21:19] olhando bolado pra você ou ele fala

[01:21:21] pô irmão, obrigadão por ter vindo

[01:21:23] dar um abraço, entendeu?

[01:21:25] Eu queria muito saber

[01:21:27] como é que se dá em termos de carinho

[01:21:29] inclusive com a pessoa, porque

[01:21:31] essas coisas são importantes, né?

[01:21:33] Desliga a câmera e o cara, ele entende

[01:21:35] que ele foi alvo de um programa de

[01:21:37] comédia ou ele

[01:21:39] acha até o final

[01:21:41] caralho, que maluco doente,

[01:21:43] sabe, o cara que fez

[01:21:45] Nathan Foyou, por exemplo, o cara

[01:21:47] que fez o Dumb Starbucks

[01:21:49] gastura, ele, qual era

[01:21:51] o quanto que ele

[01:21:53] tava entendendo aquilo?

[01:21:55] Como espectador eu adoro ter essa dúvida, acho que

[01:21:57] é uma dúvida muito rica, mas como

[01:21:59] eu sei que no Nathan Foyou

[01:22:01] eles nem falavam que era da Comedy Central o programa

[01:22:03] eles falaram que era um programa da Viacom

[01:22:05] quando você assinava as coisas, e até o final

[01:22:07] até o final, o cara vindo lá

[01:22:09] exato, e nunca ficou muito

[01:22:11] famoso, então eles conseguiram fazer várias

[01:22:13] temporadas sem as pessoas que

[01:22:15] participavam terem visto o programa

[01:22:17] e mais do que o Dumb Starbucks, que bombou

[01:22:19] muito, eu lembro muito daquele The

[01:22:21] Movement, que quando ele criou um

[01:22:23] falso livro com um falso cara

[01:22:25] que dizia, ele contratou um ator e falou

[01:22:27] não era nem um ator, era um cara que malhava

[01:22:29] falou assim, você topa dizer que

[01:22:31] você escreveu uma autobiografia na qual

[01:22:33] você mostra que você ficou bombado sem nunca pisar numa academia

[01:22:35] só fazendo mudança de móvel

[01:22:37] e aí o cara, ah tudo bem

[01:22:39] e o cara topa, ele contratou um cara pra escrever o livro

[01:22:41] e ele emplaca a pauta em vários

[01:22:43] jornais locais, porque ele fala, ah, ninguém do

[01:22:45] jornal local checa a pauta, você manda o release e eles chamam

[01:22:47] só o jornal local, esse que é o problema, né?

[01:22:49] Qual que é o reality show

[01:22:51] que não é real?

[01:22:53] É o jornal

[01:22:55] É cara, jornal

[01:22:57] sobre segurança pública e empresta

[01:22:59] na televisão é o Greg News

[01:23:01] tá passando ainda Greg?

[01:23:03] Vai sair semana que vem

[01:23:05] novembro, em novembro

[01:23:07] volta em novembro, novembro vai ser show

[01:23:09] vai ser Copa do Mundo e Greg News

[01:23:11] exatamente, aí eles mandam um salve pra

[01:23:13] HBO, porque vendo o John Wilson

[01:23:15] e vendo

[01:23:17] o Nathan, que as coisas mais interessantes

[01:23:19] que a gente tem visto esse ano

[01:23:21] os dois de HBO, tem uma coisa

[01:23:23] interessante que é, cara

[01:23:25] a HBO deu uma grana alta

[01:23:27] porque os dois são caros, né?

[01:23:29] O John Wilson menos, mas ainda assim

[01:23:31] Mas é produzido pelo

[01:23:33] Nathan, que não deve ser barato

[01:23:35] por uma coisa que não tem roteiro

[01:23:37] então, uma puta

[01:23:39] quer dizer, tem obviamente o roteiro, mas não tem um pré-roteiro

[01:23:41] tem um roteiro feito após a filmagem

[01:23:43] É, confia que vai ficar bom

[01:23:45] é uma carta branca pro cara

[01:23:47] e isso é muito difícil você ver

[01:23:49] na TV, cara, na verdade é…

[01:23:51] Mas eu, sabe uma coisa que eu penso muito

[01:23:53] sobre, quando eu comecei a ver o The Rehearsal

[01:23:55] eu vi o custo de produção do Rehearsal

[01:23:57] eu fiquei pensando, como foi o mesmo

[01:23:59] contrato, a HBO fechou um contrato

[01:24:01] de produzir ideias do Nathan, eu fico

[01:24:03] pensando se parte do contrato não foi, tipo, a gente vai

[01:24:05] pegar a verba de dois programas, só que

[01:24:07] um deles é só um maluco com uma câmera na mão

[01:24:09] então a gente vai usar a verba de dois

[01:24:11] programas pra fazer o Rehearsal, e tipo

[01:24:13] muito pouco dinheiro pra fazer o John Wilson

[01:24:15] que não precisa de dinheiro pra ser um programa fascinante

[01:24:17] exatamente, aquele programa é foda

[01:24:19] então é isso, assine a HBO pra ver o Greg

[01:24:21] o Nathan e o John Wilson

[01:24:23] e tem um paralelo entre o Nathan e o John Wilson

[01:24:25] que é, só pra concluir

[01:24:27] que é muito foda, que os dois tem um olhar

[01:24:29] muito parecido, que é um olhar

[01:24:31] meio do alienígena, né, como se tivesse chegado

[01:24:33] um alienígena aqui na terra tentando entender como é que

[01:24:35] se dão as relações humanas, olhando

[01:24:37] ah, como é que é um aniversário de criança

[01:24:39] ficou olhando, tentando entender aquilo

[01:24:41] os dois parecem, só que

[01:24:43] o Nathan se deixa mais

[01:24:45] atravessar, talvez que você não consiga

[01:24:47] vê-lo, você consegue enxergar

[01:24:49] pelos olhos dele um olhar

[01:24:51] um pouco mais afetivo

[01:24:53] o John Wilson, perdão, o John Wilson, exatamente

[01:24:55] o John Wilson ele consegue empatizar

[01:24:57] e conectar, o primeiro episódio

[01:24:59] da primeira temporada já é isso, já é ele

[01:25:01] conseguindo conectar com o cara

[01:25:03] e o Nathan até o final não consegue

[01:25:05] então meio que comparando assim

[01:25:07] eu tendo a ter uma experiência com o

[01:25:09] espectador melhor

[01:25:11] vendo o John Wilson

[01:25:13] não, o John Wilson

[01:25:15] em momento nenhum eu já achei desconfortável

[01:25:17] ele é muito meditativo, eu posso rever um episódio

[01:25:19] de John Wilson a qualquer momento, só pra relaxar um pouco

[01:25:21] e ponderar sobre a comunidade

[01:25:23] é emocionante aquele primeiro episódio do rapaz lá

[01:25:25] que fala do amigo que morreu

[01:25:27] tipo, é suicídio, né, que tem suicídio

[01:25:29] acidental, né

[01:25:31] cara, ele vai pro MTV Spring Break e sai com aquele material

[01:25:33] só ele consegue

[01:25:35] esse aí é um poderável

[01:25:37] eu adoro que ele posta

[01:25:39] no Instagram, tipo, atualizações da

[01:25:41] mamá, que era a dona do apartamento

[01:25:43] que vendeu o apartamento pra ele, eu amo

[01:25:45] quando ele posta sobre ela

[01:25:47] adorei, não sabia

[01:25:49] perfeito, gente, muito obrigado

[01:25:51] Pedro, Pedro, Pedro, frente

[01:25:53] de eu jabar aí cara

[01:25:55] o que que você está vendendo agora?

[01:25:57] tá com jogo na Netflix?

[01:25:59] a gente saiu com jogo na Netflix

[01:26:01] Relic Hunters Rebels

[01:26:03] é só baixar o Netflix no seu celular

[01:26:05] procurar Relic Hunters ali que deve aparecer

[01:26:07] jogo bem divertido

[01:26:09] principalmente pra criança e tal

[01:26:11] um joguinho de tiro bem gostosinho

[01:26:13] a criança não pode atuar, mas pode ficar

[01:26:15] jogando o joguinho aí viciada

[01:26:17] de tiro aí, né

[01:26:19] como é que é o jogo?

[01:26:21] Relic Hunters Rebels

[01:26:23] pra Netflix

[01:26:25] você baixa Netflix no seu celular

[01:26:27] tanto Android quanto iPhone, que funciona, tá lá

[01:26:29] tem vários jogos agora na Netflix

[01:26:31] o Netflix tem jogos agora, é

[01:26:33] Relic Hunters Rebels

[01:26:35] eu ajudei a escrever parte da história

[01:26:37] e em breve a gente deve ter

[01:26:39] umas notícias sobre Relic Hunters

[01:26:41] Legend, que é mais RPG

[01:26:43] online, uma coisa pra quem curte

[01:26:45] principalmente RPG japonês

[01:26:47] das antigas, curte um looter shooter

[01:26:49] Diablo, Destiny, essas coisas

[01:26:51] vai ser uma parada pra esse nível aí

[01:26:53] Pedro, vou começar você botando na minha lista

[01:26:55] com Greg eu já faço isso, com

[01:26:57] Gus, lista de pessoas pra quem

[01:26:59] eu mando ideias malucas cara

[01:27:01] manda, manda, manda pra mim

[01:27:03] ideias de jogo, ideias de podcast, ideias de roteiro

[01:27:05] comigo é que isso, eu vou mandar em pé

[01:27:07] perfeito, gente

[01:27:09] maravilha, muito obrigado

[01:27:11] e agora

[01:27:13] o Orlando vai usar a hora do almoço pra assistir

[01:27:15] o filme que ele tinha que ter assistido

[01:27:17] ninguém pode ir embora não

[01:27:19] ninguém pode, deixa eu dar stop

[01:27:23] nessa hora eu fiquei

[01:27:25] meio preocupado que pareceu

[01:27:27] meio rude eu na frente

[01:27:29] pra os convidados lembrar

[01:27:31] que o Orlando não tinha visto

[01:27:33] o filme

[01:27:35] tal qual

[01:27:37] ele não tinha visto a série inteira antes desse episódio

[01:27:43] e aí a gente acabou adiando

[01:27:45] na verdade a gravação desse episódio

[01:27:47] do filme

[01:27:49] que vai ser o próximo

[01:27:53] mas depois que a gente deu stop

[01:27:55] tem aquela hora que a gente tem que dar tchau pros convidados

[01:27:59] e logo

[01:28:01] antes de desconectar

[01:28:03] eu dei tchau, agradeço novamente

[01:28:05] a presença do Pedro e do

[01:28:07] Gregório

[01:28:09] mas eu percebi que

[01:28:11] o Gregório

[01:28:13] assim que eu tava clicando pra desconectar

[01:28:15] ele falou prazer, Gus

[01:28:17] porque foi a primeira vez que a gente

[01:28:19] conversou

[01:28:21] e desconectou antes

[01:28:23] de eu conseguir retribuir

[01:28:25] dizer prazer, Gregório

[01:28:27] então

[01:28:29] isso ficou me incomodando o resto daquele dia

[01:28:33] e agora

[01:28:37] eu sinto que quando a gente pode entrevistar

[01:28:39] o Gregório de verdade

[01:28:41] eu preciso lembrar de

[01:28:43] não errar isso

[01:28:45] e aí

[01:28:49] eu acho que vai dar certo

[01:28:53] e aí no podcast

[01:28:55] com o Gregório eu não vou botar essa parte

[01:28:57] no final

[01:28:59] pra que

[01:29:01] as pessoas não

[01:29:03] usem do

[01:29:05] podcast

[01:29:07] pra por exemplo

[01:29:09] ir nas redes sociais

[01:29:11] e tentar

[01:29:13] me ajudar a esclarecer que

[01:29:15] eu ia dizer prazer, Gregório

[01:29:17] também

[01:29:19] mas eu não

[01:29:21] desconectou o

[01:29:23] emcastrante que eu tava apretando

[01:29:25] eu não sabia que ele ia falar isso

[01:30:23] e aí

[01:30:25] e aí

[01:30:27] o que

[01:30:29] oH

[01:30:31] oH

[01:30:33] oH

[01:30:35] oH

[01:30:37] oH

[01:30:39] oH

[01:30:41] oH

[01:30:43] oH

[01:30:45] oH

[01:30:47] oH

[01:30:49] oH