#32 - Nope (com MM Izidoro)


Resumo

O episódio apresenta uma análise detalhada do filme ‘Nope’ de Jordan Peele, com participação especial do roteirista e diretor MM Izidoro, que entrevistou o próprio Jordan Peele e o elenco. A conversa explora como o filme funciona como uma metalinguagem sobre fazer cinema, subvertendo expectativas de gênero e abordando questões raciais e de representação na indústria do entretenimento.

Os participantes discutem como ‘Nope’ combina elementos de filmes clássicos de Spielberg como ‘Contatos Imediatos do Terceiro Grau’ e ‘Tubarão’, mas os transforma em algo completamente novo. O filme é analisado como uma reflexão sobre a obsessão, o espetáculo e o trauma, com paralelos sendo traçados com ‘Moby Dick’ e a caça à baleia branca como metáfora para a busca pela imagem perfeita.

A fotografia do filme recebe atenção especial, particularmente a forma como captura a pele negra em cenas noturnas - uma conquista técnica significativa considerando a história do cinema em não calibrar adequadamente para tons de pele mais escuros. A discussão também aborda como o filme comenta sobre a compressão digital, reconhecimento facial e vigilância na era contemporânea.

Os personagens são analisados em suas complexidades, com destaque para a dinâmica familiar entre os irmãos protagonistas (interpretados por Daniel Kaluuya e Keke Palmer) como contraponto ao individualismo típico dos filmes de terror. O episódio explora como Jordan Peele, vindo da comédia, consegue criar obras que são simultaneamente engajadas socialmente e extremamente divertidas, desafiando expectativas sobre o que um cineasta negro ‘deveria’ produzir.


Indicações

Conceitos

  • Noite americana — Técnica cinematográfica de filmar durante o dia para simular noite, discutida como uma conquista técnica particularmente impressionante em ‘Nope’ devido à dificuldade histórica de capturar tons de pele escuros nessas condições.
  • Compressão digital — Processo técnico discutido como referência no filme - algoritmos que diferenciam o que se move do que permanece estático para economizar bits, relacionado à nuvem parada que de repente se move em ‘Nope’.
  • Reconhecimento facial — Tecnologia contemporânea referenciada através do mecanismo de Jean Jacket - a criatura só ativa quando ‘vê’ um rosto, comentando sobre vigilância e como essas tecnologias são usadas para oprimir minorias.

Filmes

  • Contatos Imediatos do Terceiro Grau — Mencionado como uma das principais referências de Spielberg que Jordan Peele reconstrói em ‘Nope’, particularmente na ambientação desértica e na abordagem do contato com o desconhecido.
  • Tubarão — Outra referência spielbergiana discutida, com Jean Jacket funcionando como um ‘tubarão invertido’ - enquanto em Tubarão o monstro é escondido, em Nope ele é mostrado quase desde o início.
  • Us — Segundo filme de Jordan Peele, analisado como uma subversão do gênero slasher que melhora na segunda visualização, assim como Nope.
  • Get Out — Primeiro filme de Jordan Peele, mencionado como subversão do horror psicológico e exemplo de como ele aborda questões raciais através do gênero.
  • Moby Dick — Obra literária referenciada como paralelo temático central para ‘Nope’, com a obsessão pela ‘baleia branca’ (Jean Jacket) consumindo todos os personagens.
  • Cowboys and Aliens — Filme mencionado como um grande flop de Hollywood que Jordan Peele ironicamente resgata e executa ‘da maneira certa’ em ‘Nope’.
  • Midsommar — Filme de terror contrastado com ‘Nope’ na discussão sobre como diferentes filmes abordam trauma e comunidade, mencionado como exemplo de abordagem que os participantes consideram problemática.

Locais

  • Fry’s Electronics — Rede de lojas de eletrônicos com uma unidade em Los Angeles que tem um disco voador na parede, usada como locação em ‘Nope’ e discutida como símbolo da Los Angeles periférica e desiludida, longe do glamour de Hollywood.
  • Vale de Santa Clarita — Região onde se passa ‘Nope’, discutida como representação da periferia de Los Angeles - perto o suficiente de Hollywood para sentir sua influência, mas longe o suficiente para nunca realmente fazer parte da indústria.

Pessoas

  • Jordan Peele — Diretor de ‘Nope’ analisado em profundidade como cineasta que subverte gêneros, aborda questões raciais e cria filmes que funcionam tanto como entretenimento quanto como comentário social.
  • Daniel Kaluuya — Ator protagonista de ‘Nope’ elogiado por sua atuação estoica e silenciosa que ‘rouba cenas’ mesmo sem falar, com sua presença contrastando com o ambiente de Hollywood.
  • Keke Palmer — Atriz co-protagonista analisada como subversão da ‘final girl’ tradicional de filmes de terror, representando uma personagem complexa que fuma maconha, tem um ‘bico’ mas mantém forte laço familiar.
  • Steven Yeun — Ator coreano-americano que interpreta Jupiter, discutido como representação do trauma imigrante e da tentativa de se tornar ‘mais americano que os americanos’ através da performance do cowboy.
  • Hoyte van Hoytema — Diretor de fotografia de ‘Nope’ elogiado por suas conquistas técnicas, particularmente na captura de cenas noturnas com atores negros e na criação da ‘noite americana’ mais bonita da história do cinema.

Linha do Tempo

  • 00:00:48Introdução do convidado MM Izidoro e contexto sobre o filme — MM Izidoro é apresentado como roteirista, diretor e podcaster que já entrevistou Jordan Peele sobre ‘Nope’. Os hosts explicam por que convidaram MM para discutir o filme, destacando sua expertise e experiência prévia com o material. A conversa começa com impressões iniciais sobre o filme e como ele afetou os participantes.
  • 00:03:02Nope como filme sobre fazer cinema e compressão digital — MM Izidoro argumenta que ‘Nope’ é fundamentalmente um filme sobre fazer filmes e cinema. Ele discute como elementos como a nuvem parada, câmeras de segurança e vídeos de celular representam a era da compressão digital, onde algoritmos diferenciam o que se move do que permanece estático. A conversa explora como isso se relaciona com a história do cinema e a representação da realidade através de meios digitais.
  • 00:05:48Jordan Peele como subversor de gêneros e antifilme moderno — Orlando analisa Jordan Peele como cineasta que subverte gêneros: ‘Get Out’ com o horror psicológico, ‘Us’ com slashers, e ‘Nope’ com filmes de UFO. Ele argumenta que ‘Nope’ é um ‘antifilme Netflix’ - um filme que melhora na segunda visualização quando você já conhece o contexto. A discussão contrasta Peele com outros diretores referenciadores como Tarantino, destacando como ele usa referências para transformar os gêneros em vez de apenas emulá-los.
  • 00:09:48Obsessão, Moby Dick e a metáfora da baleia branca — Os participantes exploram como ‘Nope’ é um filme sobre obsessão, comparando-o com ‘Moby Dick’. Todos os personagens são obcecados com algo: o fotógrafo com a imagem perfeita, Jupiter com o espetáculo, os irmãos com sobrevivência e legado. A criatura Jean Jacket funciona como a baleia branca - um objeto de desejo e destruição que consome aqueles que a perseguem, representando a natureza predatória da busca pelo espetáculo.
  • 00:14:27Trauma racial e a perspectiva do homem preto no cinema — MM Izidoro discute como os três filmes de Jordan Peele exploram o trauma do homem preto na sociedade americana. Em ‘Nope’, isso se manifesta através da domesticação de animais selvagens (cavalos, macaco, Jean Jacket) como metáfora para como pessoas marginalizadas são ‘domadas’ para servir ao espetáculo. A conversa também aborda o trauma dos personagens asiáticos, particularmente Jupiter (Steven Yeun) como imigrante coreano tentando se tornar ‘mais americano que os americanos’.
  • 00:20:09Jean Jacket como câmera, reconhecimento facial e vigilância — A análise foca na criatura Jean Jacket como representação de uma câmera - com seu ‘olho’ que só ativa quando vê rostos, referenciando tecnologias contemporâneas de reconhecimento facial. Os participantes discutem como o filme comenta sobre vigilância e como essas tecnologias são frequentemente usadas para oprimir pessoas não-brancas. A criatura também é comparada com formas lovecraftianas e naves alienígenas clássicas do cinema dos anos 50.
  • 00:24:46Fotografia e a captura da pele negra no cinema — Discussão técnica sobre como ‘Nope’ realiza uma ‘noite americana’ (filmar dia como noite) com atores negros e cavalos escuros - algo historicamente difícil devido à calibragem de filmes para peles brancas. Os participantes explicam como a indústria cinematográfica tradicionalmente não capturava bem tons de pele escuros, e como o filme de Jordan Peele supera isso tecnicamente, tornando-se um comentário sobre a própria história da fotografia cinematográfica.
  • 00:30:08Arte periférica além do panfletarismo e subversão de expectativas — Orlando argumenta que Jordan Peele desafia expectativas sobre o que artistas periféricos ‘devem’ produzir - em vez de criar ‘pornografia da falta’ (obras apenas sobre sofrimento), ele faz filmes que são simultaneamente engajados e extremamente divertidos. A discussão explora como Peele subverte gêneros enquanto mantém o entretenimento, criando obras que funcionam em múltiplos níveis e atraem audiências diversas.
  • 00:35:38Los Angeles periférica e a desilusão do sonho americano — Os participantes analisam como ‘Nope’ retrata uma Los Angeles periférica e desiludida - longe dos estúdios de Hollywood, em locais como a loja Fry’s (com seu disco voador na parede) que já fechou. O filme mostra o lado ‘carni’ (circense) do entretenimento americano - o golpismo por trás do espetáculo. A discussão explora como os personagens vivem à sombra da indústria do entretenimento, mas nunca realmente fazem parte dela.
  • 00:42:16Subversão dos tropos de terror e a ‘final girl’ — Análise de como ‘Nope’ subverte os tropos clássicos de filmes de terror. Keke Palmer como Emerald não é a ‘final girl’ tradicional - ela fuma maconha, tem um ‘bico’ e inicialmente parece desinteressada. O filme também quebra a regra do individualismo típico do gênero, focando na comunidade e nos laços familiares. Os protagonistas sobrevivem através da cooperação, não do excepcionalismo individual.
  • 00:47:45Comunidade versus individualismo no horror — Contraste entre a família negra que sobrevive através da cooperação e união, e a família branca da sitcom do macaco que é destruída pelo individualismo (cada um corre para um lado, abandonam uma criança). Os participantes discutem como essa dinâmica reflete diferentes abordagens culturais à sobrevivência e como ‘Nope’ oferece uma visão alternativa aos filmes de terror tradicionais, que normalmente celebram o individualismo heroico.
  • 00:58:53O olhar que devora e a metáfora da câmera — Discussão filosófica sobre o olhar no filme - como olhar para algo é uma forma de devorá-lo, criar relação ou predação. Jean Jacket literalmente devora através do olhar (reconhecimento facial). Os diferentes personagens têm diferentes tipos de olhar: o fotógrafo tem olhar vazio e maquínico; os irmãos têm olhar de conexão; Jupiter tem olhar explorador. O filme é analisado como uma exploração das variações do olhar e como a câmera media nossa relação com o mundo.
  • 01:04:00A piada da Oprah shot e o charlatanismo midiático — Os participantes analisam a piada recorrente do ‘Oprah shot’ - a necessidade de uma imagem tão boa que seria mostrada no programa de Oprah Winfrey. Eles discutem como Oprah representa o charlatanismo midiático americano (ela promoveu João de Deus, Dr. Oz, etc.), e como essa referência adiciona camadas de ironia ao desejo dos personagens de ‘mostrar a verdade’ através de um veículo não comprometido com a verdade.
  • 01:08:06Encerramento e projetos atuais dos participantes — MM Izidoro fala sobre seus projetos atuais, incluindo o podcast documental ‘Casa Floresta’ para o Instituto Socioambiental, onde levou influenciadores para vivências com comunidades indígenas e ribeirinhas. Gans menciona seu podcast ‘Um Espião Silenciado’ sobre um espião infiltrado em grupos de direita nos anos 60. O episódio se encerra com agradecimentos e informações sobre como acessar conteúdo bônus para apoiadores do Popcult.

Dados do Episódio

  • Podcast: Popcult
  • Autor: Atabaque Produções
  • Categoria: TV & Film Film Reviews
  • Publicado: 2022-09-15T08:30:02Z
  • Duração: 01:12:52

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Dizem que é a idade que conta.

[00:00:02] Para nós, o que conta é a atitude.

[00:00:04] Novos Seat Ibiza e Seat Arona.

[00:00:07] Conectados, cheios de estilo e prontos para todos os planos.

[00:00:10] Porque ser jovem não é um número,

[00:00:12] é como te moves e como vives.

[00:00:14] Novos Seat Ibiza e Arona desde 195 euros ao mês.

[00:00:18] A idade é uma atitude.

[00:00:24] Esse episódio tem spoilers?

[00:00:26] Não.

[00:00:27] Acomodar spoilers para um filme que não tem respostas?

[00:00:30] Não.

[00:00:31] Uma homenagem crítica a Los Angeles de verdade.

[00:00:34] Uma periferia da fábrica de sonhos da hegemonia americana.

[00:00:37] Da Fry’s com o disco voador na parede,

[00:00:39] aos Cowboys, suas fantasias vêm daqui.

[00:00:42] No fim, até uma câmera, um motor e muita lona.

[00:00:45] Podem ser Lovecraftianos.

[00:00:47] Ou podem.

[00:00:48] Orlando, hoje a gente recebe aqui o nosso grande amigo,

[00:00:54] roteirista, diretor, podcaster, creator.

[00:00:58] Um homem que já usou lindos, ternos, de cores magenta, incríveis.

[00:01:05] M&M’s de Doro, bem-vindo ao podcast.

[00:01:08] Olá, amigos, muito obrigado pelo convite.

[00:01:11] Estou muito honrado como fã.

[00:01:14] Como eu disse com Jordan Peele quando eu entrevistei ele,

[00:01:17] muito fã de longa data e primeira vez participando.

[00:01:20] Exato. First time, long time.

[00:01:22] E é uma das razões que eu te chamei aqui.

[00:01:25] É que você, além de cineasta,

[00:01:29] você conversou com Jordan Peele sobre este filme.

[00:01:32] Você entrevistou pro Wall, o Jordan Peele, o pessoal do elenco.

[00:01:36] Você escreveu sobre o filme.

[00:01:38] E aí, quando eu fui ver, eu já tinha lido.

[00:01:41] Eu já tinha visto você conversando com ele.

[00:01:43] Eu vi um pouco depois, uns dias depois.

[00:01:45] Então, assim que eu vi, você foi…

[00:01:47] Tipo, o Orlando não tinha visto ainda, tinha acabado de estrear.

[00:01:50] Você era uma das pessoas que eu sabia.

[00:01:51] Tipo, eu preciso falar com o Marcel.

[00:01:52] Então, se o Orlando não quiser desobedecer,

[00:01:54] eu já vou ter que falar com ele.

[00:01:55] Porque eu não consumo pirataria.

[00:01:57] Não consumo pirataria.

[00:01:58] Exatamente. A pirataria que ele consome.

[00:02:00] Então, hoje chegou o dia, né,

[00:02:04] depois que o Orlando prometeu que ia assistir o filme,

[00:02:07] pra saíram da sala, não assistiu.

[00:02:09] Estamos aqui, uma semana depois.

[00:02:12] A EMB tá na praia, né.

[00:02:14] Antes de começar aqui, pra quem não sabe,

[00:02:17] eu tava tomando um chá, comendo um mousse de morango,

[00:02:20] olhando os passarinhos e pensando em alienígenas.

[00:02:24] Só que é o que vida boa.

[00:02:26] Você tava na praia, deitado aí,

[00:02:28] e você olhava pro céu e falava assim,

[00:02:30] será que todas essas nuvens estão se mexendo?

[00:02:32] Pô, eu vou ser sincero que desde o filme assim,

[00:02:34] quando eu vejo uma nuvem meio perfeitinha,

[00:02:36] aquela nuvem simples assim, dá uma…

[00:02:38] Mexe.

[00:02:39] Bate.

[00:02:40] Eu adoro esse filme.

[00:02:41] O que eu vou lançar aqui pra vocês,

[00:02:42] pra gente começar a conversa,

[00:02:43] é que essa coisa da nuvem não mexendo,

[00:02:45] a instalação de câmeras de segurança,

[00:02:47] o vídeo do celular,

[00:02:49] o fato de que eles têm que ter um bom fotógrafo

[00:02:51] pra conseguir capturar a imagem que eles precisam,

[00:02:53] de que eles pensam sobre isso.

[00:02:55] É um jeito, é uma das milhares maneiras

[00:02:57] que esse filme é sobre, mais do que tudo pra mim,

[00:03:00] ele é um filme sobre fazer filmes.

[00:03:02] E sobre fazer cinema em geral, inclusive TV.

[00:03:04] Porque a gente tem o episódio que abre o filme do macaco.

[00:03:09] O que eu fiquei pensando é,

[00:03:11] a própria nuvem pra mim era uma referência a tudo isso que é

[00:03:14] a gente vive na era, há uns 20 anos,

[00:03:17] na era da compressão digital de cinema,

[00:03:21] em que o grande efeito da compressão digital

[00:03:24] é que ela tenta ver o que se mexe e não se mexe numa cena,

[00:03:28] e fala, bom, se isso não tá se mexendo,

[00:03:30] eu vou gastar menos bits aqui.

[00:03:32] Só que aí quando aquilo se mexe do nada,

[00:03:34] tipo você vê vários artefatos de compressão,

[00:03:37] inclusive tem a galera que usa isso como video-art,

[00:03:41] tem um clipe maravilhoso do Kanye West com o Kid Cudi,

[00:03:45] que é todo baseado nessa técnica,

[00:03:47] e é nisso que eu ficava pensando.

[00:03:49] Então, como ele é sobre a história do cinema,

[00:03:51] e sobre o primeiro cowboy do cinema ser um homem negro

[00:03:55] em cima de um cavalo,

[00:03:57] e a celuloide necessária pra capturar aquilo que a gente tá vendo,

[00:04:01] mas também sobre como a nossa realidade é filtrada

[00:04:05] por esses celulares e vídeo digital,

[00:04:07] às vezes é muito mais corrompida do que a gente percebe.

[00:04:11] Orlando, você que é fotógrafo, o que você achou?

[00:04:13] Cara, o que eu achei do filme,

[00:04:16] eu assisti quase duas vezes ontem, né?

[00:04:19] Eu fui assistir de madrugada,

[00:04:22] e comecei assistindo o filme primeiramente,

[00:04:25] devo deixar claro,

[00:04:27] que eu sou uma pessoa que morro de medo de alienígenas,

[00:04:29] não acredito nas essências de alienígenas,

[00:04:31] mas morro de medo, não sei porque,

[00:04:33] deve ser algum trauma infantil, talvez tenha sido abduzido,

[00:04:35] não me lembro, porque eles jamais deixariam você se lembrar.

[00:04:38] O que é engraçado é irônico,

[00:04:40] e talvez você tenha que levar isso pra terapia,

[00:04:42] porque você é um pequeno homem cabeçudo, né?

[00:04:44] Talvez eu tenha medo de voltar pra casa.

[00:04:46] Talvez o maior monstro é você mesmo,

[00:04:50] tipo aqueles Little Grays, na verdade você se lembra da sua família real,

[00:04:53] você é claramente lembrando de Ser Cauel.

[00:04:57] É um ressentimento de piano, tá ligado?

[00:05:00] Eu fujo dos aliens como fujo de mim mesmo, e eu caçador de mim.

[00:05:04] Olha só, uma nova interpretação aí,

[00:05:07] mas vou levar isso pra minha terapia terça-feira que vem.

[00:05:10] Mas eu tava pensando, porque eu assisti o filme de primeira,

[00:05:13] tem algumas coisas que eu vou falar,

[00:05:16] desculpa aí, vou demorar um pouquinho.

[00:05:18] Primeira coisa, eu tô particularmente feliz

[00:05:22] com essa safra de filmes,

[00:05:24] porque aquilo que eu sempre falo, cara,

[00:05:26] eu não me lembro de quando, em Hollywood,

[00:05:30] quando eu digo Hollywood, apesar do Jordan Peele,

[00:05:32] o contexto da produção do Jordan Peele,

[00:05:34] apesar de tudo, todos os espaços que ele tem ali independentes,

[00:05:38] mas eu fico feliz de ver que em Hollywood,

[00:05:41] eu sempre falo isso, ainda produz filmes que eu gosto.

[00:05:44] Tipo, tivemos Batman, Prey, e agora é o NOPE.

[00:05:48] E o NOPE, especialmente porque ele é o anti-filme Netflix,

[00:05:54] ele é o anti-Netflix, ele é o anti-filme moderno.

[00:05:57] O NOPE, ele é pra mim aquilo que a gente sempre fala aqui,

[00:06:00] a gente trabalha com spoilers.

[00:06:02] Porque se o filme depende de spoilers pra ser bom,

[00:06:04] ele é um péssimo filme.

[00:06:06] Ele não se sustenta com roteiro,

[00:06:08] ele não se garante com fotografia,

[00:06:09] ele não se garante com atuação,

[00:06:10] ele não se garante com nada.

[00:06:11] O NOPE, ele é um filme que melhora

[00:06:13] depois que tu sabe do que é um filme.

[00:06:15] A segunda vez que você vê o filme, ele tá melhor.

[00:06:18] No momento que você já sabe todo o contexto

[00:06:20] de tudo o que vai acontecer,

[00:06:21] que você para e vai analisando o filme,

[00:06:23] ele melhora demais.

[00:06:25] É a mesma coisa que aconteceu com Us.

[00:06:27] O Us, ele melhora demais depois que você vê de novo.

[00:06:30] E o Jordan Peele é um cara que trabalha muito bem nisso.

[00:06:33] Eu acho que o Jordan Peele,

[00:06:35] porque a galera é um tipo de cineasta,

[00:06:39] que eu não consigo entender,

[00:06:40] o Tarantino é um que as pessoas fazem isso,

[00:06:43] o Shemalai é outro que as pessoas fazem isso.

[00:06:45] Nossa, ele conhece muito de cinema,

[00:06:47] traz muitas referências de filmes pro cinema.

[00:06:50] Grande merda, todo grande diretor de cinema tem que saber isso.

[00:06:53] Todos os diretores da história são grandes consumidores de cinema.

[00:06:56] Acho que eu não consigo pensar em um grande diretor de cinema

[00:06:58] que não consumia cinema.

[00:07:00] É usar a referência pra além do, é, eu vi isso.

[00:07:03] É, exatamente.

[00:07:05] O Jordan Peele, tu percebe que ele é um sujeito,

[00:07:09] ele é um nerdão de cinema,

[00:07:11] ele é um cara que entende do riscado,

[00:07:13] só que ele é o contrário do Tarantino,

[00:07:15] ele não tá querendo emular essas coisas,

[00:07:18] ele pega e subverte o gênero.

[00:07:20] Por exemplo, quando tu pega o Get Out,

[00:07:23] ele subverte o gênero psicose.

[00:07:25] Quando você pega o Us,

[00:07:27] ele subverte o gênero slasher.

[00:07:29] Agora ele subverte o próprio gênero de UFOs,

[00:07:33] que ficaram muito famosos com os filmes do Spielberg,

[00:07:36] com o filme do Spielberg,

[00:07:37] depois de ele fazer outras coisas também,

[00:07:38] ele subverte completamente a tua expectativa com esses filmes

[00:07:41] e transforma esses filmes em outra coisa.

[00:07:43] E melhor até quando você vai ver esses filmes novamente.

[00:07:46] O Us fez isso comigo com os slashers.

[00:07:49] Mas por que eu tô falando isso, cara?

[00:07:51] Porque esse filme não apenas é um antifilme moderno,

[00:07:56] ele não apenas subverte o gênero de UFOs,

[00:07:59] contato com seres alienígenas e coisas do tipo,

[00:08:02] e aí fica a grande lição pro Chimalaya com sinais,

[00:08:07] que é mais uma dessas babauzeiras que ele fez.

[00:08:10] Mas esse filme, eu não me lembro,

[00:08:16] não tô brincando sobre isso não, cara,

[00:08:17] eu não me lembro de quando, na história recente do cinema,

[00:08:22] eu terminei de ver um filme e imediatamente eu comecei a vê-lo novamente.

[00:08:26] Porque, de imediato, terminei de ver o filme ontem,

[00:08:30] tipo, era duas e poucas da manhã,

[00:08:32] eu parei assim, fui comer alguma coisa, voltei assim, cara,

[00:08:35] eu não ia conseguir dormir, não ia conseguir dormir,

[00:08:37] eu fui, eu tava nervoso, eu chorei no final do filme,

[00:08:39] eu chorei no final, achei o final do filme emocionante,

[00:08:41] tipo, eu achei o filme, mandei uma mensagem,

[00:08:44] eu mandei uma mensagem, estou me sentindo mal por causa desse filme,

[00:08:47] tipo, o filme me fez eu me sentir mal,

[00:08:49] o que é uma coisa que eu espero que as pessoas entendam,

[00:08:52] eu aprecio isso no filme, né,

[00:08:54] um filme que só não é uma massagem, né, pra meus bons sentimentos,

[00:08:59] é um filme que faz o que me sinta mal,

[00:09:01] toda aquela cena do macaco, cara,

[00:09:03] todo aquele, que é um contexto importantíssimo do filme,

[00:09:07] depois se a gente for falar disso eu acho que é importante,

[00:09:09] eu fiquei pirando na história do macaco,

[00:09:12] aquilo me fez eu me sentir mal,

[00:09:14] eu tenho toda uma questão com animais, com caos animal, cara,

[00:09:17] tipo assim, toda aquela, aquela, a utilização dos animais no cinema,

[00:09:20] como que os animais são tratados no cinema, né,

[00:09:22] aí você vai fazer como que as pessoas negras são tratadas no cinema,

[00:09:24] como que os atores são tratados, o que que é a indústria do entretenimento,

[00:09:27] no que que a indústria do entretenimento se cria, né,

[00:09:29] no apagamento, na violência, aquelas coisas todas,

[00:09:31] então são imensas camadas do filme,

[00:09:33] só que cara, na sequência eu fiquei vendo aquilo e aí eu me toquei,

[00:09:37] olha aí o momento pop cult, hein,

[00:09:40] que eu entrei na máquina do filme, porque eu,

[00:09:43] é um filme pra mim, é um filme,

[00:09:45] sobre tantas outras coisas, mas também sobre obsessão,

[00:09:48] é um filme sobre a Moby Dick, cara,

[00:09:50] tipo não à toa, eu sou fanático pro Herman Melville,

[00:09:54] eu sou fanático pro Moby Dick,

[00:09:55] foi assim, todos os personagens do filme são obcecados com alguma coisa,

[00:09:59] até aquele, o cara da loja lá de equipamentos,

[00:10:02] primeira cena dele, ele é obcecado com a ex-namorada,

[00:10:04] tá ligado, ele começa a falar da ex-namorada que largou ele, sei lá o quê,

[00:10:07] porque o fotógrafo lá, o cara,

[00:10:09] tipo era, ele era um ser tão obcecado que ele era vazio,

[00:10:12] ele me parece um Arrabe, ele é o Arrabe, ele é justamente o Arrabe.

[00:10:16] Eles estão todos fugindo em busca do espetáculo, né,

[00:10:19] eles estão fugindo de alguma coisa usando o espetáculo como a baleia, assim.

[00:10:23] Exato, exato, porque assim, a grande história do Arrabe é isso,

[00:10:26] que o Arrabe ele não caça a baleia porque ele tá com vingança,

[00:10:29] ele tá com raiva da baleia, não, ele tá fugindo da própria,

[00:10:32] da própria desmedida da existência, do próprio vazio de existir,

[00:10:36] ele só se, ele só se, ele só existe enquanto aquilo, né,

[00:10:40] enquanto alguém que persegue a baleia branca.

[00:10:42] O cineasta é totalmente isso, né, todo desfecho do arco dele é isso, né,

[00:10:46] tipo assim, cara, eu só existo pra isso, aquela mensagem criptica que ele fala,

[00:10:49] né, do final, sei lá o quê, é tudo pra isso.

[00:10:52] E todos os personagens têm alguma medida, né, tipo o personagem principal,

[00:10:56] nossa, qual o nome do ator lá, o…

[00:10:58] O Daniel Flua?

[00:10:59] Isso, cara, eu acho esse cara, eu acho esse cara porra foda demais, cara.

[00:11:04] Ele tem uma interpretação estoica, assim, uma coisa que…

[00:11:07] Sim.

[00:11:08] É uma coisa, assim, tem alguns atores…

[00:11:10] Ele sobressai mesmo, tipo, ele faz uma seriedade que por si só se torna tão grande

[00:11:18] quanto, por exemplo, a personalidade da irmã que é super…

[00:11:22] Sim!

[00:11:23] …provertida, mas ele faz um estoicismo que da primeira cena,

[00:11:26] até porque contrasta tanto com aquela galera de Hollywood,

[00:11:30] de com quem ele tem que tratar, que ele tá ali, né, com aquele queixo sempre um pouco pra baixo.

[00:11:36] Cara, assim, cara, eu lembro, assim, conversando com um conhecido que era um professor de teatro e tal,

[00:11:47] e ele falava uma coisa assim, cara, você mede um ator como ele fica em silêncio,

[00:11:50] a qualidade de um ator como ele fica em silêncio numa cena.

[00:11:52] Cara, ele em silêncio na cena, ele rouba a cena em silêncio, cara.

[00:11:55] É um negócio impressionante, sobrenatural, tipo, se ele tá em silêncio na cena

[00:11:59] e tu não consegue parar de olhar pra ele.

[00:12:01] Tipo, tem uma personagem falando do lado dele e tu tá ali olhando pro cara.

[00:12:03] Eu falei assim, caralho, maluco, olha a cena.

[00:12:05] É impassividade, e ela vai ter um papel narrativo nisso, né.

[00:12:10] Ela vai ter um papel narrativo, a relação dele com o animal ali, né.

[00:12:14] Enfim, e é impressionante.

[00:12:16] Todas as interpretações são muito boas, é uma coisa assim, impressionante, assim, cara.

[00:12:20] Todas, todas as interpretações muito boas, até do Júpiter, como é que é?

[00:12:26] Do Júpiter, do Steven Yuen?

[00:12:28] Sim, nossa.

[00:12:29] Que é o ator, que é o Júpiter.

[00:12:30] Nossa, tudo muito bom, cara.

[00:12:32] Só que ele consegue roubar o papel.

[00:12:34] E ele é o oposto, ele é o cara que bota aquela máscara.

[00:12:36] Tipo, ah, putz, foi, né, que loucura esse trauma que definiu a minha vida, né.

[00:12:40] Pô, doideira.

[00:12:41] Nossa, cara.

[00:12:42] Nossa, cara.

[00:12:43] E tipo assim, mas só pra terminar, é um filme que aí quando eu percebi que eu fiquei obcecado pelo filme

[00:12:48] tal como os personagens do filme ficaram obcecados pelo óbvio, né, pelo ser, pelo ser que tu seja, sabe qual é.

[00:12:56] Porque a grande questão, assim, eu vi muita gente reclamando do filme.

[00:12:59] Ah, porque o filme não tem resposta.

[00:13:01] Pô, cara.

[00:13:03] Pô, mas sincero, foda-se, não tem que, se tivesse, assim, o Allen vem, estragava o filme.

[00:13:09] Sabe, não tinha, isso não é o propósito.

[00:13:12] O propósito é aquilo que você vai sentir durante a jornada, quando você tá vendo aquilo, aqueles momentos todos.

[00:13:17] Cara, eu fiquei obcecado pelo filme.

[00:13:19] O filme conseguiu, assim, eu não me lembro, eu não estou sendo leveando.

[00:13:22] Eu não me lembro da última vez que eu fiquei assim com um filme de cinema.

[00:13:25] Fiquei obcecado pelo filme.

[00:13:26] MM, você ficou tão obcecado quanto o Allan que você pagaria pra passar a noite num quarto cheio de artefatos do filme,

[00:13:34] tal qual os caras passaram pela sitcom.

[00:13:39] Cara, eu fiquei bastante também, ainda mais que eu tinha, eu vi o filme, tipo, dois, acho que um mês e meio antes de estrear no Brasil,

[00:13:47] que atrasou a lançamento do Brasil, né, mas só que aí a gente fez as entrevistas com eles

[00:13:52] e agradeço aqui publicamente a Universal Pictures, que eu não tenho ideia porque eles me chamaram, mas me chamaram pra entrevistar e foi ótimo.

[00:13:59] Mas a gente fez junto com o lançamento americano, né, naquelas semanas de, naqueles dias de junket e tal.

[00:14:05] E aí eu tive que pensar muito no filme, mas num tempo muito concentrado, sabe, entre ver o filme e entrevistar foi, tipo, menos de um dia.

[00:14:13] E tem uma coisa que me bateu muito, e quem me conhece por cima, quem já ouviu Imagina Juntas, que eu participei com Guns,

[00:14:19] ou se me segue um pouquinho, sabe que eu me foco muito em saúde mental, esse tipo de coisa, né, e tem uma coisa no trampo do Jordan Peele mesmo,

[00:14:27] que eu até conversei com ele, que é o ponto de vista do homem preto e do trauma do homem preto na criação das obras, né,

[00:14:37] os três filmes dele é sobre isso, basicamente, né, então é sobre o Get Out, vai ser sobre o homem preto numa sociedade,

[00:14:47] o Grau e o Was, né, um é um homem preto, outra família preta numa sociedade branca, e como somos aceitos ou não,

[00:14:55] e por que somos aceitos, em que lugar somos aceitos, e esse, eu acho que tem esse trauma grande do animal selvagem, assim,

[00:15:05] e de pegar o animal selvagem e querer domar ele através do trauma.

[00:15:09] Então todos os seres que estão ali, principalmente os homens, eles estão ali traumatizado com alguma coisa, né,

[00:15:17] desde o pai, que tem a história do avô lá, de ser o cowboy preto, que nunca foi reconhecido, com o Daniel, né, com o OJ,

[00:15:29] até o nome, chamaram o cara de OJ, né, se você é jovem suficiente, vai ali atrás do OJ Simpson, então chamaram o cara de OJ,

[00:15:38] como o branco, né, reage quando fala o J, o próprio, o macaco, né, o gorde, como o gorde, como você, como a galera de Hollywood acha,

[00:15:48] só porque é um macaco que está usando roupa e está ali fazendo o tempo, não é mais um animal selvagem, os cavalos, o jean jacket, né, o ser,

[00:15:57] todos ali são animais selvagens sendo tentado dominar para o espetáculo, ou para servir algum papel, e como o trauma passa por todos eles,

[00:16:07] é uma coisa que a gente falou, e o Steve Yuen falou para mim, assim, uma parada, a gente conversou sobre isso também, e a gente falou sobre isso,

[00:16:14] que a gente fala muito do preto e o Jordan Peele muito preto, mas só que tem o trauma do amarelo e do coreano, né, coreano, japonês,

[00:16:23] até um pouco do chinês, que é uma cultura que nem tem muito contato, principalmente coreano, que você tem o K-pop, mas o K-pop só existe, né, o K-pop,

[00:16:33] porque é muito opressor, com a cultura é muito opressora.

[00:16:38] E ali em Los Angeles a gente tem gente muito grande que passou pelos campos de concentração dos japoneses nos anos 40, ali nos Estados Unidos,

[00:16:47] não precisa ir muito longe, não precisa ir nem até a Ásia.

[00:16:51] Não, total, e o próprio Steve Yuen, o pai dele, que é imigrante coreano, foi para o Canadá com eles pequenos e tal,

[00:17:00] era em ponto engenheiro porque ele começou do zero, então é uma coisa que eles batem muito nisso.

[00:17:05] Para mim, o filme vem do filme, eu já vi o filme acho que umas três vezes, vem do filme e eu vou muito para esse lugar,

[00:17:12] concordo com tudo que o Orlando falou, essa mistura do Steven Spielberg classicão, que quando eu ouviu o filme a primeira vez eu virei para os meus amigos

[00:17:21] e o pessoal falou, e aí, o que você acha do filme? Falei, cara, é contatos imediatos com tubarão, né?

[00:17:28] Porra, sim, caralho.

[00:17:30] É os dois filmes, tipo assim, o cara pegou os dois filmes do Spielberg, só faltava, é o lista de Tinder assim,

[00:17:37] dois filmes mais instantes que o cara fez e fez uma coisa só com um pouquinho de ET até, sabe, de ter o contato,

[00:17:44] mas é uns contatos imediatos claramente, aquele desertão, a nave, não explica muito bem da nave vem, o som, tudo está lá e o tubarão do bicho,

[00:17:53] mas só com o tubarão invertido, que o tubarão, se você não vê o tubarão nesse, você vê quase do frame 1 o bicho.

[00:18:00] E essa coisa, eu acho que tem a coisa que mais me fascina no Jordan Peele, que o Orlando falou que é isso, ele é um nerd,

[00:18:08] até um amigo nosso, o Teo Popovic, me mandou num grupo que eu tenho com os roteiristas, uma foto ontem do Jordan Peele com nove anos,

[00:18:16] vestido de Beetlejuice, sabe, no Halloween, e aí você fala, velho, é isso, é um preto nerd, e aí o preto nerd muitas vezes,

[00:18:25] quase sempre o preto ou pessoas periféricas, a minoria majoritária que a gente está chamando agora, que é a gente que está aqui do lado de fora da brancitude,

[00:18:41] quase sempre a gente tem que fazer o filme e o filme só tem que ser, é panfletário, não pode ser legal, não pode ser bacana, não pode ser nerd, não pode ser divertido,

[00:18:50] e Jordan Peele vai pro contrário, ele fala, não, tem que ser divertido, e aí nesse outro dia, porque eu quero fazer o Akira Slide,

[00:18:57] eu quero colocar uma mina preta numa moto e fazer o Akira Slide ali, porque ele ia dirigir o filme do Akira e não dirigiu,

[00:19:06] só que provavelmente ele queria dirigir o filme do Akira pra fazer essa cena, e ele fez a cena ele mesmo no filme dele, tá ligado?

[00:19:12] Então como ele consegue fazer isso?

[00:19:15] Todos nós aqui nesta gravação somos exatamente o mesmo tipo de nerd, né, eu tenho certeza que eu e o Orlando, se dado a chance, a gente se atiraria,

[00:19:27] tipo, pra roteirizar e dirigir, por exemplo, o filme do Mortal Kombat, o Orlando como fotógrafo já teria várias ideias de como ser o diretor de fotografia

[00:19:35] de um filme do Mortal Kombat, por exemplo, né, seria o nosso Akira Slide, o Get Over Here e tal, e o Get Over Here que é uma fase que é o oposto Get Out,

[00:19:46] se você parar pra pensar, não, mas o que eu tava pensando é o quanto também o filme é muito inteligente em botar essas diferentes camadas da relação da câmera conosco, né,

[00:19:59] então isso é uma questão assim ali no filme, porque por mais que você não entenda o que é o monstro e nem se ele é um alienígena ou não, o que que é aquilo,

[00:20:09] mas ele é visivelmente uma câmera, né, e ele age como uma câmera moderna, porque ela tem reconhecimento facial, né, se você não olha ela nos olhos,

[00:20:19] ela não vê o seu rosto, você tá imune, isso me lembrou, e inclusive quando começou essa questão do filme…

[00:20:25] E ele parece um sensor ali, né?

[00:20:27] É, e ele parece também uma câmera, um old time, né, porque tem aquela sinfona quase que vai, e aí você vê a lente chegando mais perto,

[00:20:36] e aí junta várias formas meio love christianas com formas de alienígenas dos naves, alienígenas principalmente dos cinemas dos anos 50,

[00:20:46] mas ao mesmo tempo na minha cabeça, tipo, você poderia explicar aquilo como, po, era um monte de lona que rasgou e tinha câmera no meio, e aí aquilo, né, enfim,

[00:20:56] mas o que eu acho interessante é que é isso, que ele traz até pra, por mais seja um filme que olha muito em retrospecto pra história do cinema

[00:21:05] e como ele se relaciona com essas várias questões, e ele faz isso ali na periferia de Hollywood, mas ele também acaba mexendo com as questões atuais da câmera na nossa vida, né,

[00:21:18] então você tem o cara do TMZ ali tentando filmar alguma coisa com uma câmera digital e um celular, numa moto, tipo, imediatista pra só jogar na internet,

[00:21:28] o que que tá acontecendo, não sei o quê, e você tem essa representação que eu pensei muito, sempre que eu vi esse negócio,

[00:21:34] depois que eles descobrem a tática, tipo, se ela não vê seu rosto, ou se ela vê algo que ela acha que é um rosto, ela ativa,

[00:21:42] eu pensei muito no reconhecimento facial que a gente tem hoje em todas as câmeras, assim, no meu celular, na câmera de segurança lá do supermercado,

[00:21:49] em como isso é usado também num estado de vigilância de quem as maiores ítimas muitas vezes são as pessoas, muitas vezes não, sempre são as pessoas não-brancas, né,

[00:21:57] então, eu achei até interessante, não sei se você pensou sobre isso, ou se, tipo, se isso, você já viu alguma interpretação sobre isso,

[00:22:04] porque isso foi uma coisa que eu não vi ainda, assim, o pessoal discutindo, e me lembrou muito, sobre como ele acaba comentando até numa certa deturpação do papel da câmera, né,

[00:22:13] a câmera que era essa ferramenta de contar histórias, registrar momentos, vira também uma arma de opressão.

[00:22:19] Gente, então, seria legal a gente trazer a Nina pra falar disso, tá ligado?

[00:22:24] Pois é, a Nina da hora, que já veio no Popcult antes, ela lida muito com essa questão da ética no uso da tecnologia,

[00:22:31] Pois é, mas o que você pensa, Marcelo, você como, por isso que usa a câmera por bem,

[00:22:37] o quanto esse filme também bota uma câmera na mão de um monstro que vem de cima, e o quanto isso reflete parte dessa realidade?

[00:22:46] É, acho que a parada que você tava falando do espetáculo, né, o quanto eu que já trabalho há quase 25 anos no entretenimento,

[00:22:55] já cheguei no proverbial lá, a trabalhar em Hollywood, tem um ditado que o Guillermo del Toro, citando o nome aqui, me falou um dia,

[00:23:02] que ele falou, fazer o que a gente faz é comer um sanduíche de merda, às vezes você morde mais pão, mas você tá sempre comendo merda, sabe?

[00:23:11] E acho que tem essa parada, e aí tem essa parada, assim, do como te consome, né, que ali é muito a figura do Diup e a figura do fotógrafo,

[00:23:22] o como você é consumido nessa obsessão de um momento que você pode ter sido grande por cinco minutos, igual o Diup foi ali na infância,

[00:23:31] que aquilo vai te fixar, vai te jogar naquele lugar e a sua imagem vai ficar presa com aquilo, né, você vai perder a sua imagem até de adulto, de homem, de muitos lugares.

[00:23:40] E esse bicho, o Jim Jack, ao mesmo tempo é isso, e pra mim ele também representa muito do imaginário dessa opressão, dessa captura,

[00:23:53] porque chega uma hora ali, no final do filme, quando ele cresce, que parece ter aquele sensor, mas ao mesmo tempo ele parece um navio negreiro, sabe?

[00:24:02] A vela, uma parada, ainda atrás dos pretinhos com a galera dentro da barriga.

[00:24:12] Então acho que o Jim Jack tem essa grande metáfora amorfa, quase assim, do que seria desde um ovni até uma câmera.

[00:24:21] E o que eu acho interessante, eu li bastante também sobre o making-of do filme técnico, porque o fotógrafo, o Hoyt Von Vontemma, eu sou muito fã dele,

[00:24:31] e tecnicamente o filme é incrível, eles estão filmando, eles estão executando num nível muito foda.

[00:24:37] E eu fiquei muito interessado, porque já tem a história ali do primeiro filme, do cavalo andando, do cara negro.

[00:24:46] E durante muitos anos, acho que o Orlando pode falar um pouco melhor, mas durante dezenas de anos do cinema, a gente não tinha como capturar a pele preta direito,

[00:24:57] por causa do filme, por causa da revelação, como a calibragem era feita por cartões da Kodak, que eram mulheres brancas.

[00:25:09] Então você não tinha. E aí você vê uma noite americana igual eles fizeram nesse filme.

[00:25:15] Para quem não sabe, uma noite americana é você fingir que é noite, filmando de dia, só que você passa por um processo que fica azulado e tal,

[00:25:23] e você parece que é de noite. E aí você faz uma noite americana, talvez a noite americana mais bonita da história do cinema,

[00:25:30] com pessoas pretas, cavalos pretos, uma torrada de coisa preta, e você vê aquilo perfeitamente, é sobre falar sobre o filme também.

[00:25:39] Porque os caras tiveram que adaptar, da mesma maneira que o fotógrafo teve que adaptar a câmera ali para filmar o Jean Jacket,

[00:25:46] porque o Jean Jacket passa e destrói a câmera, ele teve que ir fazer na mão, eles tiveram que inventar alguma coisa,

[00:25:51] que eles inventaram uma câmera dupla ali, filmando em ultravioleta, umas paradas muito loucas que eles fizeram ali,

[00:25:59] para chegar naquela coisa, eles tiveram que inventar um equipamento só para pegar a pele preta de noite, para deixar bonito.

[00:26:06] Então isso vai retroalimentando, como a própria captura da imagem é ilusiva, ela é ilusiva e a gente vai atrás dela custa o que custar,

[00:26:15] tal qual o Jean Jacket vai atrás de se alimentar disso aí.

[00:26:20] Isso que tu falou, acho que foi a primeira coisa que me pegou no filme.

[00:26:24] A primeira coisa que me pegou no filme foi a fotografia, nossa, e isso vem desde o Anse, porque no Anse eram pessoas negras no escuro.

[00:26:33] Eu, cara, eu sou fotógrafo, eu sou da periferia do subúrbio do Rio de Janeiro, então eu sou acostumado a geralmente ser a pessoa mais branca dos ambientes onde eu estou.

[00:26:47] Fotografia dentro de terreiro de candomblé, sabe, então assim, eu aprendi a fotografar no geral com a pele das pessoas ao meu redor, da minha própria família,

[00:26:58] eu sou o cara mais branco da minha família provavelmente, então assim, então eu sei lidar com a pele negra, produzir contraste com a pele negra,

[00:27:09] eu sou foda, não, não é isso, é porque onde você aprende a fotografar, onde aprende a sua arte, determina como é a sua arte.

[00:27:16] Então assim, eu aprendi a lidar com isso e eu só fui entender que isso não era, isso era um problema quando eu comecei a encontrar outros fotógrafos,

[00:27:24] especialmente fotógrafos, porque eu sou de uma época do analógico, como era difícil para essas pessoas lidarem com peles brancas.

[00:27:34] Por exemplo, eu, um dos grandes fotógrafos que eu, cara, assim, eu tive a honra, tenho a honra de ser amigo do filho dele, quase um irmão que é o Januário Garcia,

[00:27:44] que foi o cara que fez a capa, por exemplo, porra, da Alice Brandão, sabe, aquele disco clássico da Alice Brandão, cara, fotografou Gilberto Gil,

[00:27:51] por que ele era o cara que fotografava essas pessoas? Porque ele sabia lidar com a pele dessas pessoas e criar contraste com a cor que podia usar atrás,

[00:27:59] sabe, qual a iluminação que usaria, porque senão você deixa a pessoa com a pele cinza, né, tipo, você torna a pessoa muito branca.

[00:28:05] Uma pele azul também, né?

[00:28:06] É, total. Então assim, e aí, cara, a primeira coisa que me chamou a atenção foi justamente isso, uma noite americana com um ator muito retinto, né,

[00:28:16] tipo assim, retinto e com um cavalo escuro. Eu falei assim, cara, e os caras estão criando contraste, isso aqui é magia, tá ligado?

[00:28:23] Pra quem não é fotógrafo, pode passar a partir desse detalhe. Quando eu vi isso, eu falei assim, cara, quando o Lucky, né, cara,

[00:28:30] tipo assim, eu falei, cara, isso é emocionante, não sei se é sacanagem, eu fico emocionado.

[00:28:34] É incrível.

[00:28:35] Como que isso, capturar isso é uma baleia branca, né, tipo assim, é a maior dica, né, cara, é a baleia albina da obsessão do fotógrafo.

[00:28:43] Não, e captar isso em IMAX 65 milímetros, que é uma câmera que é um 1 mili, basicamente, né, o tamanho da câmera 65,

[00:28:53] e aí tipo com movimento, com grua, você vê assim que é uma parada muito impressionante o que eles fizeram, sim.

[00:28:59] Não, só pra terminar, a Gancho, a Gancho, só deixa pra eu puxar isso pra eu ter uma outra coisa, porque o que o Eminem falou, se não eu perco.

[00:29:06] Porque ele falou uma coisa, assim, eu tenho muito convívio, fui casado, inclusive tem que trazer a Manaíra aqui, né, cara,

[00:29:12] fui casado com uma das diretoras do Cinco Vezes de Favela, da geração do cinema favelado aqui do Rio de Janeiro, né, da galera,

[00:29:18] tipo, e tu falou uma coisa que pra mim me pega muito, e eu acho que é uma das coisas que me atrai muito no trabalho do Jordan Peele,

[00:29:25] que é isso sim, cara, tipo, o periférico no geral, não só o negro, mas o periférico no geral, quando ele produz arte,

[00:29:35] a arte tem que ser sobre a própria condição dele daquilo que falta, né, tem que ser uma arte que vai tipo uma espécie de pornografia da falta, né,

[00:29:44] uma pornografia da mesa, nossa, olha como que eu sou, olha a fome aqui onde eu vivo, olha aqui a violência.

[00:29:49] Cara, quando, por exemplo, isso foi uma das coisas legais do Cinco Vezes, né, mas a ideia de pessoas que são colocadas numa periferia, né,

[00:30:00] não só na periferia real, mas numa periferia social, a arte delas ser uma arte divertida, tá ligado, no sentido de, cara,

[00:30:08] assim, eu não quero só falar disso, obviamente que a minha existência enquanto periférico nunca vai ser apagada num filme,

[00:30:17] assim, um filme que uma pessoa, que um homem negro produz vai passar, vai lidar com questões diferentes que um homem branco criado no Leblon,

[00:30:24] criado nos jardins vai produzir, a coisa é diferente, não importa, mesmo que a gente consuma a Quira, a arte, o que vai estar em jogo ali,

[00:30:31] os afetos que vão estar em jogo são outros, né, e eu acho que o Jordan Peele, ele é um cara que, ele lida com isso, né, ele lida com isso muito bem,

[00:30:41] e fala assim, cara, mas no fim do dia os filmes também são do caralho, tá ligado, tipo assim, é um filme de terror que tu vai ficar com medo,

[00:30:48] é um filme de suspense que tu vai ficar com suspense, tá ligado, não é um filme só sobre isso, um filme só sobre isso já é muita coisa,

[00:30:54] sobretudo em Hollywood, né, mas tipo assim, ele pega e dá uma volta e fala assim, cara, olha só, então, tem outras coisas, sabe,

[00:30:59] tipo assim, as pessoas não são apenas essa condição, esse povo não é apenas essa condição, tem outras histórias que a gente pode contar, né,

[00:31:06] sobre isso, cara, e isso é uma parada que, tu falou isso, eu lembro da época do Oz, que era muito isso, cara, pessoas brancas falando do Oz,

[00:31:18] cara, tá vendo como é que é, tipo, mas tem uma coisa assim, pô, o cara fez um filme de slasher, tá ligado, um filme de slasher que tem humor ainda, sabe,

[00:31:25] tipo, em alguns momentos, sabe, e essa coisa da via dele como roteirista de humor fica presente em vários momentos, né, cara.

[00:31:32] É engraçado, os filmes são reais engraçados, as pelas são reais belas.

[00:31:35] E aí, cara, tipo assim, e é impressionante isso, isso é uma coisa que me pega muito, por isso que eu acho que ele é um cara que subverte,

[00:31:41] é a contínua subversão das expectativas, né, tipo assim, o que você esperaria de um autor, de um homem negro que vai fazer um filme sério,

[00:31:50] aí ele vai lá e faz um filme de terror, tá ligado, tipo assim, qual o próximo filme depois do Corra, ele vai lá e faz um filme de slasher,

[00:31:56] aí depois assim, qual o próximo filme, cara, vamos subverter esse gênero, ele tá subvertendo todos os tropos possíveis nos quais estão tentando enquadrar,

[00:32:03] tanto ele, quanto a obra dele, quanto o gênero onde ele tá atuando, eu acho importante ressaltar isso do, nessa casa somos devotos de Jordan Peele, puta que pariu, cara.

[00:32:14] Com certeza, e eu acho que tem, eu como alguém que vem da comédia, assim, tem uma piada muito boa nesse filme que é ele existir,

[00:32:22] porque é o seguinte, né, num mundo onde Hollywood quase só faz filmes de quadrinhos,

[00:32:28] um dos maiores flops de filmes de quadrinhos da história de Hollywood se chama Cowboys and Aliens, e ele falou,

[00:32:34] aí eu faço Cowboys and Aliens e eu faço da Certa então.

[00:32:36] Cara, sim!

[00:32:38] É isso que ele fez, e eu acho que, eu tava até conversando com uma amiga que falou que, tipo, não tinha gostado tanto do filme,

[00:32:46] e aí, em tentar, tipo, entender o que ela não tinha gostado do filme, eu cheguei numa outra questão que eu acho que ele se beneficia muito do passado dele com o Kian Peele, né, escrever sketch especialmente,

[00:32:59] que é, você tem que estabelecer uma premissa, um personagem e entregar tudo muito rápido, você não tem tempo, né, de viver ali,

[00:33:05] então eu acho que ele, você entende aqueles personagens muito rápido, você entende quem é o protagonista, a irmã, o cowboy, todo mundo muito rápido, muito rápido.

[00:33:16] Quando você tem aqui aquela primeira cena de abertura do massacre do macaco, e aí você vê ele lá, o Jupiter, dono do negócio,

[00:33:23] e usando aquilo como tipo, ah, isso aqui é só mais um museu da minha carreira, tipo, ah, isso não me afetou, não sei o quê, eu vivo pelo espetáculo, eu me sacrifico pelo espetáculo,

[00:33:33] você vê, eu imediatamente, tipo, falo assim, carny asshole, porque nos Estados Unidos eles têm muito essa coisa que a gente tem aqui, da cultura circense, dos parques e tal,

[00:33:42] e lá são os carnes, né, esses pequenos, e é de onde vem esses pequenos artistes e tal, e o que ele tem ali, aquele parque de diversões de cowboy, é carny, é tipo, é isso, é a essência do entretenimento no seu mais puro golpismo.

[00:33:58] E, girls, e ao subverter, é o imagético muito forte americano, porque é uma coisa que eu falei muito, principalmente com o Steven, com o Ewan, assim,

[00:34:08] o cowboy de verdade ali, que é o Daniel Calua, ele tá com uma roupa de crew, né, uma roupa de equipe de um filme flop, assim, né, que é o rei, o escorpião rei ali, a mume e tal,

[00:34:22] e quem tá vestido de cowboy é um coreano, tá vestido, né, tá vestido com a indumentária clássica, e aí se você for ver a história da, a história do velho oeste,

[00:34:36] você vai ver lá os chineses, a imigração, tem toda uma parada ali, de quem foram os cowboys mesmo, quem tava ali construindo aquela região dos Estados Unidos,

[00:34:46] e aí esse cara pega esse imagético e veste a esposa ruiva, né, que adora essa atriz, esqueci o nome dela, mas adora essa atriz que ela faz uma série,

[00:34:57] gosto muito do For All Mankind, da Apple, os filhinhos mistos ali, né, mas só que é isso, tipo, como é que ele pega esse identitário americano clássico em todos os filmes,

[00:35:11] que é a comunidade perfeita no primeiro, é o chegar no proverbial lá, né, tipo, chegar no topo da pirâmide social no segundo,

[00:35:23] e agora essa imagem mesmo americana do, o imagético visual mesmo americano, né, que é o cowboy, é o cinema, é várias dessas coisas que faz a América ser América, assim,

[00:35:35] e o carne, essa parada tá ali muito junto.

[00:35:38] E que tem até uma certa compensação talvez, né, de tipo, por ele ser um descendente de coreanos ali, o personagem, ele tá até tentando ser mais americano que o americano,

[00:35:49] por isso que ele tá vestido de cowboy, né, os outros personagens, exato, e ao mesmo tempo eu adoro, tipo, é isso, assim, aquele parque, ele é assim,

[00:35:59] ele é o refúgio do refúgio do entretenimento ali onde eles estão, e eu acho muito bom como o filme, o Jordan Peele notoriamente é alguém que mora em Nova York, né,

[00:36:13] ele trabalha muito em Los Angeles, mas ele mora em Nova York, e eu respeito muito isso, porque quem atura a morar em Los Angeles é quebrado por dentro,

[00:36:19] porque aquela cidade é muito deprimente, e eu adoro quando um filme foca exatamente nas partes mais deprimentes daquela cidade,

[00:36:26] que é isso, assim, é tipo, a Fry’s, que é tipo uma rede de loja de eletrônica, tipo, sei no ponto frio aqui, a Fry’s tem aquela loja,

[00:36:33] já fui naquela Fry’s, que é porque ela em Hollywood, não em Hollywood, mas em Los Angeles, ela tem o disco voador na parede,

[00:36:42] tipo, você está onde eles fazem filmes, você está no reino da fantasia, e é tipo, gente, tudo isso é plástico e barato em alguma forma de decomposição já,

[00:36:54] porque o auge de tudo isso aqui já passou, o auge do próprio varejo de eletrônicos já passou, assim, a gente está vendo…

[00:37:01] O auge da ufologia já passou, né?

[00:37:03] O auge da ufologia já passou.

[00:37:05] Não, até essa loja que eles filmaram era uma loja que já estava fechada.

[00:37:08] Ah, então é isso, já deve ter…

[00:37:10] A loja estava fechada.

[00:37:12] Eu fui anos atrás.

[00:37:14] É uma loja tão mítica em Los Angeles que eles pediram, acho que tinha fechado um pouquinho antes de filmar, por causa da pandemia fechou,

[00:37:22] e aí eles falaram, mas a loja está lá ainda, e aí é uma família, o Fry lá é de uma família, né?

[00:37:28] E aí eles falaram, não, mas a gente pode usar aquela loja, vocês ainda têm?

[00:37:31] E a gente falou, não, vocês vão lá.

[00:37:33] E aí eles usaram aquela loja por causa disso, né?

[00:37:35] Porque é uma loja meio mítica, assim, quando você está quebrado, chega em Los Angeles e precisa comprar coisas, você ia naquela loja.

[00:37:42] Exatamente, é, não, eu fui lá porque, assim, eu ia muito a Los Angeles todo ano por causa dos eventos de games.

[00:37:48] E aí eu lembro que aquela loja era do tipo assim, ah, vamos lá comprar uns DVD barato.

[00:37:52] Aí a gente ia muito…

[00:37:54] Então, e aí é tipo assim, você pode comprar DVDs ali perto de onde é Hollywood, mas assim, se você vai na…

[00:37:59] Aquela frase é muito longe de Hollywood.

[00:38:01] E esse filme inteiro tem essa parada de tipo, a gente está em Hollywood, mas a gente está tão longe de Hollywood, entendeu?

[00:38:09] É tipo assim, você pode morar em Curicica e você está do lado da casa do Big Brother e do Projac,

[00:38:15] mas você nunca esteve tão longe também, sabe?

[00:38:18] E eu adoro que a gente vê eles chegando na frase, assim que começa a questão de investigar o que está acontecendo,

[00:38:27] porque eu acho que fala sobre como essa indústria representada ali pelo disco voador na parede é o que nos diz o que a gente pode imaginar.

[00:38:36] Então, ao mesmo tempo que eles…

[00:38:39] O filme está dizendo para a gente, tipo assim, talvez você só acha que é um alienígena,

[00:38:42] porque você fica vendo esse disco voador cinematográfico na sua frente

[00:38:46] e ele vira uma explicação simples para aquilo que está acontecendo, não é?

[00:38:50] Então, eu gosto do filme não dar resposta, porque é isso, porque eu saí do filme pensando muito assim,

[00:38:55] cara, pode ser que não tenha nada, pode ser um negócio assim, pode ser um monstro mais terreno,

[00:39:01] porque em várias horas aquele monstro me lembrou de um clássico Vermes Malditos,

[00:39:06] que também é ali naquele TZ, naquele cenário muito parecido.

[00:39:10] E só para completar, então voltando à questão que o Orlando falou de como ele subverte expectativas sobre o trabalho dele, o Jordan Peele,

[00:39:20] eu acho que exatamente por ele fazer um filme tão bem pensado e bem executado é que ele chuta a cara, assim,

[00:39:29] de tipo, eu não quero que vocês discutam os meus filmes de tipo, olha só, ele é um diretor negro falando sobre a questão negra dos Estados Unidos e tal, não sei o quê.

[00:39:39] Não é, deixa os diretores irlandeses fazerem 12 anos de escravidão e aí ele vai fazer esse filme que é tipo, é isso, assim,

[00:39:47] que ele vai chegar e falar assim, eu preciso, eu vou pegar um puto diretor de fotografia e falar para ele assim,

[00:39:51] você vai fazer o meu filme abrir com uma câmera em IMAX fazendo um plano em que ele pega.

[00:39:58] O Daniel Calua, o pai cowboy lá e aí ele olha para o céu e aí ele olha de novo para cá,

[00:40:04] então ele tipo cria uma sensação de imersão absurda ao mesmo tempo que ele recria grandes panorâmicas do cinema de cowboy americano

[00:40:13] e ele vai lá e tipo, e faz assim, porque é a diferença, acho que entre o que o Orlando falou mesmo assim,

[00:40:18] de tipo, ah, você já viu muitos filmes e você já viu muitos filmes, você entende a linguagem do cinema e como utilizá-la

[00:40:24] e agora você vai escrever o seu próprio épico com essa linguagem.

[00:40:28] Qual duas coisas sobre isso? Eu lembro que esse movimento de câmera, o Deleze falava que esse movimento de câmera

[00:40:34] foi quando o cinema começou a pensar, tá ligado? Que é o movimento de câmera que quando ele conta a história, né?

[00:40:41] É quando a imagem conta, mas não tem que ter alguém, isso, isso, sabe, porque nessa eu contei um roxo contando isso.

[00:40:46] Agora tem duas coisas que eu quero, essa subversão de gênero, primeiro tem uma coisa que é o filme tem uma fase

[00:40:53] o filme tem uma final girl, né, que é a, como é que, como é o nome da mulher?

[00:40:58] É a KK Palmer.

[00:40:59] Nossa, que também entrega tudo, entrega tudo, meu Deus do céu, cara.

[00:41:04] Ela tá muito bem no filme.

[00:41:05] Muito bem, e cara, eu fiquei feliz porque é um ator que eu reconheço pelo nome, pela voz, que é o, cara, que é o Arbiter, que é o Keith David.

[00:41:17] Ah, o que fez, que é o pai, eu amo.

[00:41:19] É só o Simons, que foi o primeiro ator negro do cinema, né?

[00:41:23] Tipo, foi? Foi esse que foi o primeiro, essa leva de herói, não foi o primeiro negro?

[00:41:27] O cinema não foi ele, mas ele é a voz de um dos super-heróis negros, tipo…

[00:41:31] O cinema é o Michael J. White, né?

[00:41:33] É, o Michael J. White que é, porque ele já era lutador e pá, então ele era tipo um ator.

[00:41:38] Mas o desenho foi quando? O desenho foi em 97.

[00:41:41] O desenho é mais ou menos, eu acho que ele é 98.

[00:41:43] Mas, não, ele é incrível, ele é um cara, putz, e aquela voz dele é, e ele inclusive ainda é a voz do Spawn, né?

[00:41:50] O Spawn, quando apareceu agora…

[00:41:51] Ele é o Capitão Anderson, Capitão Anderson do Mass Effect, Capitão Anderson do Mass Effect, ele é o Arbiter, o Arbiter do Reino.

[00:41:57] É um cara, quando eu escuto a voz, assim, eu falei, caraca, cara.

[00:42:00] Tipo, e ele tem uma participação muito curta no filme.

[00:42:03] Aí eu falei, cara, todas as atuações são perfeitas, assim, tem uma atuaçãozinha mais ou menos.

[00:42:08] Mas assim, eu acho que é muito interessante, por exemplo, aquela que eu tava falando do tropo clássico do filme da Final Girl, né cara?

[00:42:16] Tipo assim, é interessantíssimo como ele, porque assim, existem as chamadas regras não assumidas dos filmes de terror, né cara?

[00:42:23] Tipo assim, e esse filme não lida com nenhuma delas, não lida com nenhuma delas, tá ligado?

[00:42:27] Tipo assim, a personagem central, a Final Girl do filme, tipo assim, cara, ela fuma maconha, tipo assim, ela…

[00:42:36] Ela é tipo assim, não cara, isso aqui é meu bico, cara.

[00:42:38] Tipo assim, ela é introduzida com uma personagem um pouco dissonante daquele cenário, tem um conflito entre ela e o irmão.

[00:42:46] Mas você vê que o laço entre eles é fundamental, que é o laço que vai mover a história toda, né?

[00:42:52] Porque, pô, em vários momentos o irmão tá lá naquela coisa, não, eu vou entender esse animal, eu vou…

[00:42:57] Eu não vou sair daqui, eu tenho bocas pra alimentar, isso aqui é minha terra, isso aqui é que eu vou embora.

[00:43:00] Não, vamos embora, vamos embora, vamos embora, e ela nunca vai embora.

[00:43:03] Ela nunca vai embora, ela tá sempre com o irmão, tá ligado?

[00:43:05] E ela entrega tudo, e tudo isso é a virada final, por isso que eu terminei o filme emocionado.

[00:43:09] Esse é um tema que me pega forte, tá ligado?

[00:43:11] Cara, agora que você falou isso, eu pensei numa coisa muito, que tipo, falando sobre slashers e narrativas e tal,

[00:43:18] e o quanto, especialmente tendo feito um programa de comédia e sketch, ele sabe subverter essas ideias,

[00:43:24] eu fiquei pensando muito agora que é tipo, ela chega muito como codivante e ela acaba sendo a heroína do filme,

[00:43:31] porque imagina, né, tipo assim, existe um filme chamado, possível aí, chamado Quando Um Não Quer, Dois Não Brigam,

[00:43:40] que é o seguinte, que se ela vai lá e ele fala assim, não quero, não tô nem aí, ela fala, então tá bom, te fode aí,

[00:43:46] esse filme não acontece, porque o Daniel Calua lá, o personagem dele, nunca ia fazer nada, entendeu?

[00:43:52] Cara, mas eu acho que tem uma parada aí, uma parada aí que eu vou falar, assim, aí entra o meu papel,

[00:43:58] dá pra contrastar de certa forma esse filme com aquele filme que eu acho horroroso, que eu acho racista, aquele…

[00:44:08] Caraca, a gente já fez um pop cult sobre ele.

[00:44:11] É que são tantos, Orlando.

[00:44:13] Não, mas é um filme que a gente fez com a Tio Lin.

[00:44:15] Qual é o…

[00:44:17] Eu vou ter que puxar aqui a lista.

[00:44:20] Pô, eu odeio, meu sério apagou esse filme, é um filme de terror de dia, que eu acho horrível aquele filme.

[00:44:26] Ah, e o Midsommar.

[00:44:28] Midsommar. Cara, assim, porque tu contrasta o…

[00:44:32] Tem um valor, assim, tem uma motivação pra esses três personagens, pra verdade, pra verdade, pra dois irmãos, né,

[00:44:41] porque aí também tem o pai, né, que é uma relação com a terra barra família, não, é uma relação individual, sabe,

[00:44:49] eles não são personagens individuais, tem vários momentos, tipo assim, por exemplo, cara, tem um…

[00:44:54] Pra mim, pra mim, é uma piada consciente, aquele momento que o cara, que o…

[00:45:00] Agora, acho que o nome do protagonista, um dos protagonistas.

[00:45:03] O Daniel Calua, o OJ.

[00:45:05] OJ, é caraca, como que eu esqueci isso?

[00:45:07] Tipo assim, do OJ, tipo, tem hora que ele fala assim, que ele vê o bicho e fala assim, não, não, não vou fazer isso, não vou.

[00:45:13] Que é onde vem o nome do filme, é.

[00:45:15] É, não, mas assim, no…

[00:45:17] Mas porque, assim, é um trope de filme americano, tá ligado?

[00:45:19] Tipo assim, nesse momento, um protagonista, geralmente branco, faria uma merda de…

[00:45:24] Sabe qual é? Tipo assim, é que nem naquele…

[00:45:26] No US, tem umas piadinhas que são assim, quando ele vai tentar…

[00:45:29] Eles vão tentar entrar em casa, e eles estão trancados lá de fora.

[00:45:32] Aí eu falo assim, pega a chave e reserva.

[00:45:34] Aí o maluco falou assim, que porra de não ser de gente branca é isso, cara, de chave e reserva, tá ligado?

[00:45:38] Exato, vou deixar a chave aqui embaixo do capacho, certo?

[00:45:41] Cara, é por isso que eu falo assim, é um cara que conhece o filme, que conhece o gênero e tá pegando assim, não?

[00:45:46] Não vai ter isso aqui agora não.

[00:45:48] E também comentando, tipo, nesse caso do Ans, né, comentando sobre como assim, tipo,

[00:45:51] a gente acha que é algo, é 100% universal e é tipo assim, não, cara, ele tá vindo e fazendo o vale bom apontamente,

[00:45:56] tipo, isso é coisa de gente branca.

[00:45:58] Sim, sim, e assim, cara, o…

[00:46:00] É aquilo que eu sempre falo, uma coisa assim, tipo assim, é…

[00:46:03] Se filme de terror americano fosse no Brasil com um monte de macumbeiro,

[00:46:07] 90% dos filmes era o Festival do Minuto.

[00:46:09] Tá ligado?

[00:46:10] Chama o meu pai de santo e bate uma folha e resolve.

[00:46:12] Sabe qual é?

[00:46:13] Não, mas o cara vai lá, vou enfrentar o bicho.

[00:46:14] Não, não, tem fantasma aqui em casa, vou chamar o meu pai de santo.

[00:46:17] Chama o meu pai de santo aqui, tem uma galinha, tá resolvido o assunto.

[00:46:20] Bom, resolveu, já botamos algum pra fora.

[00:46:22] Não, cara, tipo assim, porque eu acho que é isso que é uma coisa que às vezes eu até acho ruim quando vejo filme americano.

[00:46:26] Porque assim, nesse filme eu acho que ele explora uma coisa que não é tão comum num filme,

[00:46:31] especialmente no gênero de filme americano.

[00:46:33] Eu falo isso porque eu sou viciado no gênero, ninguém sabe, cara.

[00:46:36] Que você pega o meu plexo e é só filme de terror.

[00:46:38] Sabe qual é?

[00:46:39] Eu assisti tudo dos anos 80, tudo.

[00:46:41] Então assim, os personagens de filmes de terror geralmente são pessoas brancas,

[00:46:46] com um ou outro, exceção, e extremamente individualistas.

[00:46:51] Inclusive a sobrevivência deles se dá pelo seu individualismo.

[00:46:55] A Daify Del Gross, cara, é o indivíduo excepcional.

[00:46:59] Não, a força desses indivíduos no filme é uma família que eles criam.

[00:47:04] É o laço entre o irmão e a irmã.

[00:47:06] Eles agregam o maconheirinho lá da loja também, que é um cara super.

[00:47:11] O Angel.

[00:47:12] É, que é aquele meu cara que tem um shit job.

[00:47:16] A vida dele é uma maconha, ficar jogando joguinho no VR.

[00:47:21] E o maluco tá lá, ele constitui a família com os caras.

[00:47:24] Ele vira meio que o alívio cômico ali da história toda.

[00:47:27] E depois eles agregam lá o Sinás Obcecado.

[00:47:30] Mas tipo assim, a grande questão deles é a relação entre eles.

[00:47:34] Mesmo quando um vai ter um papel mais proeminente, como o OJ,

[00:47:37] aquele papel proeminente dele só faz sentido da relação dele com os outros personagens.

[00:47:41] Ou seja, existe uma comunidade que reage no filme.

[00:47:45] Como o Nuance.

[00:47:46] A questão não é uma sobrevivência de um indivíduo, mas a família que reage.

[00:47:50] A família reage junto àquela ameaça.

[00:47:52] Que inclusive é contrastado com o que acontece com a família branca.

[00:47:56] Quando eles vão reagir enquanto os indivíduos vão sendo mortos individualmente.

[00:47:59] Tipo assim, a família quando reage junto, ela vai conseguir reagir isso.

[00:48:02] Nesse filme, é uma família um pouco, obviamente, uma comunidade.

[00:48:07] É uma comunidade, é quase uma formação terreiro ali.

[00:48:10] Tipo assim, cara, ser todo é ser parte.

[00:48:13] A gente só vai conseguir enfrentar isso?

[00:48:15] Tu é minha irmã, tu vai ter que me dar essa moral aqui.

[00:48:17] Eu te dou esse suporte e você age desse jeito.

[00:48:19] Quer o quê?

[00:48:20] A cena lá do começo, que é a cena do comercial.

[00:48:24] Ele não seria capaz de fazer o comercial sem a irmã.

[00:48:27] A irmã não seria capaz de fazer o comercial sem ele.

[00:48:30] Ela já chega sabendo que esse é o meu papel.

[00:48:35] Eu domo a galera aqui, ele cuida do trabalho e faz o trampo.

[00:48:40] Então assim, essa junção entre eles, que pra mim é a cena inicial.

[00:48:44] Que é uma cena que é a chave pra entender o papel da resistência no filme.

[00:48:47] Pra mim é essencial, porque aí é aquela coisa que eu tava falando.

[00:48:51] Aquela coisa que ser periférico, vir de uma periferia, ser um homem negro.

[00:48:59] São coisas que modificam o tema.

[00:49:02] Modificam o tema e enriquecem o roteiro.

[00:49:05] Não é simplesmente, tem um personagem negro.

[00:49:07] Não, cara, tem um personagem negro.

[00:49:09] A construção do roteiro é feita de forma diferente.

[00:49:11] O problema do filme é diferente.

[00:49:13] A resolução do filme é diferente.

[00:49:15] Por isso que uma das coisas que pra mim que eu fiquei fascinado.

[00:49:17] Fascinado, porque eu que sou fascinado com esses filmes.

[00:49:19] Falei assim, cara, isso subverte o gênero.

[00:49:21] Colocando uma questão que já tinha hoje.

[00:49:24] É a família.

[00:49:25] Tipo, é a comunidade, é relação entre as pessoas.

[00:49:28] É isso que vai fazer essas pessoas resistirem.

[00:49:30] Pô, cara.

[00:49:31] Foda, foda.

[00:49:33] Selit, esquece.

[00:49:35] Isso tá no roteiro muito bem também, eu acho.

[00:49:38] Porque tem aquela questão do…

[00:49:40] Desculpa, desculpa.

[00:49:42] Não, agora não, eu já tinha começado.

[00:49:43] Não vou te cortar.

[00:49:44] Sabe qual é o contraste disso?

[00:49:46] Porque a série do macaco.

[00:49:48] A família falsa, tá ligado?

[00:49:50] Que é exterminada.

[00:49:51] Cada um corre pro lado.

[00:49:52] Exato.

[00:49:53] Ninguém resiste junto ao chimpanzé.

[00:49:55] Todo mundo corre, abandona uma criança, tá ligado?

[00:49:58] Tipo, vão embora.

[00:50:00] Tipo, a família se separa.

[00:50:02] É destruída.

[00:50:03] E isso incute nele exatamente esse individualismo.

[00:50:06] Tipo, ninguém vai cuidar de mim.

[00:50:07] Ninguém aqui…

[00:50:09] Eu estou aqui na…

[00:50:10] Eu estou em Hollywood.

[00:50:11] Eu estou no app.

[00:50:12] É, o verdadeiro trauma dele era ter sido do entretenimento, né?

[00:50:16] O verdadeiro trauma dele era ter sido…

[00:50:18] É, e perceber que ele era tão descartável quanto o macaco.

[00:50:21] Que, né, tipo…

[00:50:22] É isso.

[00:50:23] Tanto que a última coisa que ele faz ali com o macaco é que ele é capaz de tentar, né?

[00:50:29] Tipo, identificar o macaco tipo…

[00:50:31] Ei, assim, tipo, eu não sou seu inimigo, né?

[00:50:33] E tal.

[00:50:34] Que teoricamente é o que ele teria feito com o Dean Jackets também, né?

[00:50:36] Que uma coisa espelha a outra.

[00:50:39] Que a capacidade dele de ser a pessoa que estende a mão pra um fist bump pro chimpanzé…

[00:50:44] Que eu estava achando macaco sem querer.

[00:50:46] É…

[00:50:47] E…

[00:50:48] Ele teoricamente, em algum momento, aí, estabeleceu algum tipo de relação com o Dean Jackets.

[00:50:52] Agora você terminou de falar, Orlando. Obrigado.

[00:50:54] Não, rapidinho, saia.

[00:50:55] Porque o MMI…

[00:50:56] Não, não, não, não, não, não…

[00:50:57] Porque o MMI…

[00:50:58] Porque o MMI…

[00:50:59] Porque o MMI…

[00:51:00] Porque o MMI…

[00:51:01] Porque o MMI…

[00:51:02] Porque o MMI…

[00:51:03] Porque o MMI…

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[00:51:13] Porque o MMI…

[00:51:14] Porque o MMI…

[00:51:15] Porque o MMI…

[00:51:16] Porque o MMI…

[00:51:17] Porque o MMI…

[00:51:18] Porque a genteomina esse proposal, a gente surprises aqui…

[00:51:19] crashing, hi, hi.

[00:51:20] Só que não Wong Fei apenas, meu amigo.

[00:51:24] Porque aí eu boxes no instincto, né?

[00:51:29] Eu texto pra vocês, daWhoaFei, né?

[00:51:33] Essa vedere que overlai a vida é sethletạo 10 a)]

[00:51:35] coisas, né, cara, esse filme também é sobre isso, né, de que como não é apenas o macaco

[00:51:39] que era descartável por exemplo, do estilo de entretenimento, né, mas que todas as pessoas

[00:51:43] e o trauma daquele cara se torna ele próprio entretenimento para outras pessoas, né, tipo

[00:51:47] o trauma do Steven Yang, dele, da vida dele, se torna um entretenimento para outras pessoas

[00:51:52] que pagam.

[00:51:53] O casal que pagou, como é, 50 mil dólares pra dormir uma noite lá.

[00:51:57] Eu tava tentando falar um negócio, desculpa a mim, né, o que eu tava tentando falar muito

[00:52:02] rápido, antes do M&M olhar para o relógio, entendi já, não, não, não, foi só mensagem

[00:52:09] que chegou.

[00:52:10] Ah, é que o relógio é moderno, a hora que eu tô recebendo as minhas mensagens é do

[00:52:14] grupo que a gente tá, e aí eu gosto muito que no roteiro você tem esse contraste, que

[00:52:21] é, o personagem do Steven Yang, o Jupiter, ele oferece, né, e é estabelecido que é

[00:52:26] recorrente essa oferta de tipo, ah, eu compro a fazenda do seu pai, compro tudo, os cavalos

[00:52:31] de uma vez e você pode, né, tocar fora.

[00:52:34] Só que o Daniel Kalu é, por mais que ele não expresse, né, tipo, ele não expresse

[00:52:39] muita alegria com nada, ele não quer, ele, tipo, tanto que quando ele vende um cavalo

[00:52:46] para o Steven Yang, ele fala, eu, ó, de novo, é igual o outro lá, que eu quero poder comprar

[00:52:51] de volta depois, tá, só porque eu tô precisando de uma grana agora e tal.

[00:52:54] Ele quer, tipo, manter essa, a cultura da família dele, o trabalho da família dele

[00:52:58] que ele faz e, tipo, não é sobre quanto dinheiro que eu consigo, não é, tipo, ah,

[00:53:03] se eu vender tudo agora, eu tiro uma grana, faço o que eu quiser, mas ele tem essa questão

[00:53:09] e aí é contrastado com o Steven Yang com, tipo, não, eu vou explorar aqui o jean jacket,

[00:53:14] eu vou fazer isso, eu vou fazer aquilo e vou explorar o meu trauma infantil para ganhar

[00:53:19] dinheiro e aí eu seja, tipo, o cara extremamente americano, o cowboy e o Daniel Kalu, trabalhador,

[00:53:28] camiseta da crew e que acaba sendo o verdadeiro cowboy, não é, Emi?

[00:53:35] É, juntando as duas coisas agora, a dupla levantando aqui, é que, de novo, acho que

[00:53:43] essa parada do trauma periférico que a gente tá falando de carregar o peso da tradição

[00:53:51] nos seus ombros, né, o que que é que a gente tem que fazer para continuar e até quebrar

[00:53:56] com ela, que é a diferença da irmã pro irmão, do OJ, pra KK Palmer, esqueci o nome da personagem

[00:54:05] dela agora, mas o OJ, ele é quase oprimido, não só pela sociedade, mas pelo pai dele

[00:54:17] ali, pela coisa disso, de manter o rancho vivo, a tradição dos Heywoods, de fazer tudo aquilo

[00:54:25] ali que acontece e a mina fala, mano, vou ali, já volto, vou curtir minha vida, vou fazer outra coisa,

[00:54:31] vou tentar 200 outras coisas, mas ainda assim volto pra casa pra ficar aqui com vocês e quando vocês

[00:54:38] precisarem me liga que eu colo aí, que a gente ainda é uma família, a gente ainda tá junto e não dá pra

[00:54:44] ir tão longe assim enquanto eu sonho em ir, mas ainda muitas vezes, né, que é uma coisa que você vê

[00:54:51] muito nesses lugares, tipo Hollywood, São Paulo, Nova Iorque, nessas cidades de transição que eu chamo

[00:54:59] assim, que é essa cidade que você vai fazer alguma coisa, mas você tá preso a sua família em outra

[00:55:05] cidade, a sua família vem e fica junto com a mesma galera da onde você era e cria esses bairros

[00:55:13] nesses bairros com uma cultura muito própria de um lugar só, né, tipo nos Estados Unidos isso é muito

[00:55:20] claro, assim, os guetos de cada cultura, em São Paulo tá começando a ser, né, tipo, você tem a

[00:55:28] liberdade, você vai ter o bom retiro, tá mudando, a liberdade também tá mudando, mas você começa a ter.

[00:55:35] O bom retiro realmente é um bom retiro, né, porque ele já foi o bairro judeu, ele já foi o bairro.

[00:55:41] Do Armênio.

[00:55:43] Do Armênio, aí agora ele já, ele tá se tornando cada vez mais o bairro coreano, que ele é há muitos anos,

[00:55:49] mas agora estão chegando bolivianos, peruanos e os chineses também, é, exatamente.

[00:55:54] É, eles estão vindo, então a parada ali dos guetos que colocam a gente, acho que essa cena que até o

[00:56:03] Orlando falou do começo do filme, pra mim é uma cena que mostra muito, porque o K, eu tô trabalhando

[00:56:10] muito, por exemplo, com provas indígenas.

[00:56:13] E eu fiquei amigo de algumas lideranças, tipo, o Ailton Krenak, o Davi Kopenawa, tipo, eu converso

[00:56:19] com eles, às vezes eu troco o WhatsApp com o Ailton Krenak, às vezes, sabe, e tem coisas que eles

[00:56:24] ficam falando, igual o Daniel Kaluya fica falando na caçada do cavalo, que é pro nosso bem.

[00:56:29] Só que a gente tá pouco se fodendo, assim, a gente tá, não, mas se eu fizer isso e se eu continuar vivo,

[00:56:36] eu não vou entregar isso aqui, eu não vou viver meu sonho, não vou comprar meu carro, não vou ter

[00:56:40] a minha casa, eu não vou viajar de avião, eu não vou comer carne, eu não vou, sei lá, fazer várias

[00:56:44] coisas, mas aí o Guilherme fala, tá, mas se você fizer isso, você tá falando que vai morrer.

[00:56:49] Exato, ele vai te dar um cois na cara.

[00:56:50] Na floresta vai acabar, o céu vai cair.

[00:56:54] Até aí você fala, não, e aí tem que vir alguém, tipo a Keke Palmer, assim, pra tipo, e aí galera,

[00:56:58] beleza, tipo, fazer um, que é quase o Jordan Peele, né, vir e transformar num espetáculo.

[00:57:05] Ela é o insert dele.

[00:57:08] Pure simplesmente ali, né, porque se ele dá o insert lá, a gente não fica atrás, como acontece, né,

[00:57:13] quando o cavalo ali dá o cois, o olho, o fotógrafo que depois a gente vai encontrar ele lá na frente,

[00:57:19] ele tá meio morto ali, falando atrás da câmera.

[00:57:23] E esse começo, aí o meu roteirista, eu gosto muito desse começo, porque esse começo, ele

[00:57:29] apresenta, é quase aquela teoria do Beckett, né, se você mostra uma arma,

[00:57:34] você tem que usar, ela tem que ser atirada até o fim do segundo ato, assim.

[00:57:39] Esse começo é isso, aparece, é, do check-up, desculpa.

[00:57:44] E aí é isso, aparece a moeda que mata o pai, é a mesma moeda, é a mesma moeda que vai ter,

[00:57:49] dá pra, dá pra, é pra menino que ela quer, depois quer tirar foto.

[00:57:54] Aparece a chave, a chave pra você ir pra alguma coisa, aparece o fotógrafo,

[00:57:59] quem vai captar a imagem, o cavalo, o olho do cavalo com a bola, com a bola brilhante,

[00:58:06] é não olhar no olho do cavalo lá na frente, tipo, esse, e o Gord, né, a primeira cena do Gord,

[00:58:12] então esses primeiros nésmios de filme, assim, como Orlando falou, você vê uma primeira vez,

[00:58:17] você vê na segunda, você começa a ver que tudo tava lá, assim, tudo tava literalmente lá,

[00:58:22] e principalmente, como diria nosso querido Vin Diesel, na maior saga do Serra do Cinema,

[00:58:28] é sobre família, sempre, é isso.

[00:58:29] Perfeito, perfeito, perfeito, e eu só queria botar essa coisa do olhar, porque eu achei,

[00:58:33] pra mim, é o ato emocionante do filme, né, que é a troca dos irmãos, né, cara, é assim,

[00:58:37] é o vínculo, né, cara, e você tava falando do, do, do, do Ayoto Krenak, do Davi Copenal,

[00:58:42] eu sou, eu sou etnólogo, né, de formação, né, morei dois anos, maldei indígena e tal,

[00:58:46] tipo, então trabalhei, minha tese de doutorado foi com isso, e é, assim, existe uma grande,

[00:58:53] existe, assim, uma coisa, assim, como é, é, uma relação que vai aparecer em várias,

[00:58:58] em vários povos indígenas, várias filosofias indígenas, que é a ideia de que o olhar devora,

[00:59:03] né, é pelo olhar que você devora o outro, né, e devorar o outro não é só comer o outro,

[00:59:07] não, mas devorar é assim, que você cria uma relação, que quando você come algo,

[00:59:10] você cria uma relação com aquilo, né, essa que é a grande questão, né, então, assim,

[00:59:14] quando você olha pra algo, você devora aquele algo de alguma forma, dependendo do seu olhar,

[00:59:18] né, porque se você tem um olhar de predador, é um olhar, é a mãe que olha pro filho, né,

[00:59:21] por exemplo, e várias teoria de psicologia vão falar do momento que o bebê olha pra mãe,

[00:59:26] do bebê, sabe, tipo, assim, a criação de vínculos de qualquer sorte, sejam vínculos predatórios,

[00:59:32] sejam vínculos de aliança, cara, esse filme, mais uma vez, a captura pelo olhar, a captura,

[00:59:37] porque a câmera também é uma mirada, né, tipo, assim, o olhar do cineasta que é um olhar vazio,

[00:59:41] sabe, porque ele não tinha relação, a maneira como ele vai falar, por exemplo, eu vou servir aqui

[00:59:46] pra torta, pros meus melhores amigos, e é aí, sabe, tipo, assim, o cara tem interrupção, sabe,

[00:59:54] a libido dele foi embora, sabe, ele tomando remédio, assim, tipo, o ato suicidário dele,

[01:00:01] a forma que ele vai construindo aquilo, porque o olhar dele é vazio, né, o olhar dele quase

[01:00:05] que se confunde com aquele olhar maquínico, né, ele não tem um olhar pra outras pessoas,

[01:00:10] ele não tem um olhar com outros seres vivos, né, o olhar dele é sempre mediado, quando você

[01:00:14] olha os irmãos, não, o olhar dos irmãos é um olhar um direto pro outro, ó, tô te vendo,

[01:00:17] você tá me vendo, cara, tá ligado, tipo assim, a gente tá aqui um com o outro, é a mesma coisa

[01:00:21] do olhar da criatura, mas é pelo lado da predação, tem uma variação, cara, o filme,

[01:00:30] entre outras coisas, é um filme sobre variações do olhar, né?

[01:00:33] Com certeza, e como o olhar da câmera, o gaze, né, que se fala muito do meu, gaze e tudo mais,

[01:00:40] quanto que cada uma dessas pessoas olham diferentemente pra aquilo, né, a gente tem o cara da loja,

[01:00:48] por exemplo, que vende as câmeras, ele é um cara que tá predisposto a ver tudo como o UFO, né,

[01:00:53] o Steve Ewan tá disposto como dono de circo, disposto a ver tudo como, como é que eu exploro isso,

[01:01:03] né, como é que eu uso isso pra pegar uns trouxas, né, porque é isso, né, a plateia pro, no pensamento

[01:01:12] carne, né, que é a fundação de toda a indústria do tenemento americano e por sub sequência todo

[01:01:18] audiovisual mundial, é, é tipo, você traz, a sua plateia é alguém que você enganou pra te dar um

[01:01:23] dinheiro e ir lá ver alguma coisa, entendeu? Se eu consigo enganar você o suficiente de, pá,

[01:01:28] você vem ver a mulher barbada, o geek, alguma coisa, consegui, e ele, ele transforma essa

[01:01:35] criatura nisso, sabe, e então, e o olhar do Daniel Calua é o de sobrevivência, de ser tipo,

[01:01:44] deixa aqui, sabe, deixa eu continuar vivendo minha vida de boa e em paz, e o da Em, que eu acho

[01:01:50] maravilhoso e que ela é o insert do, do diretor até por causa disso, é porque ela é a pessoa que

[01:01:56] tem que registrar isso, a gente tem que mostrar isso pros outros, e como que a gente faz isso com

[01:02:02] uma câmera, e aí eu acho que vem a piada, a piada suprema do filme pra mim é, conhecendo o trabalho

[01:02:11] do Jordan Peele e muito do que ele já falou na vida dele é, o fato de que eles ficam falando

[01:02:16] we need the Oprah shot, né, a gente precisa de um vídeo que é bom o suficiente que vai passar na

[01:02:21] né, um bagulho que vai viralizar um pouquinho e passou. Ele escolhe a Oprah não só porque ela é

[01:02:27] tipo, a comunicadora negra de maior alcance dos Estados Unidos, já foi, né, não é mais,

[01:02:32] porque ela, né, hoje em dia faz programa de elite e tal, no canal fechado dela, mas o, o, é porque

[01:02:40] ela é o maior alavá, tipo, o maior alicerce de charlatão da TV americana, a quantidade de vezes,

[01:02:49] o João de Deus, né, ela, porra, ela promoveu o João de Deus, assim, mais do que a mãe do João de Deus.

[01:02:54] O Dr. Oz agora, que tá aparecendo, que tá concorrendo.

[01:02:58] Concorrendo ao Senado como aliado do Trump, aquele, aquele jornalista do New York Times que inventou um

[01:03:04] livro, que aí depois ela teve que se desculpar, enfim, ela, ela tá ali pra, o lá atrás, o homem do

[01:03:11] Dr. Oz, se eu não me engano, ela também chegou a promover nos anos 90, enfim, ela é, ela é tal qual o

[01:03:19] Júpiter acha que ele é uma puta versão de alguma coisa, ela é, tipo, o Jerry Springer, assim, o

[01:03:24] apresentador de programa de urno mais ralé, TV local, elevado a uma posição maior, então, assim,

[01:03:32] é, é, eu acho muito engraçado, assim, eu sei que não é de, não é sem querer, que ele fala assim,

[01:03:39] a gente vai contar a verdade na Oprah, um programa totalmente não comprometido com a verdade.

[01:03:46] Em cima de estar falando, Deus, tem uma questão aí, que ouvindo você falar, veio forte pra mim, que é isso,

[01:03:53] que até o Orlando falou, a final girl, assim como no audiovisual clássico, ela é quem fica atrás do

[01:04:00] monitor, é ela que fica monitorando, ela não tá se pondo na frente das câmeras, ela não tá se pondo

[01:04:08] em perigo, muitas vezes, né, então ela fica dentro de casa, quem tá lá fora é o irmão, quem tá lá

[01:04:16] fora é o angel, quem tá lá fora é o fotógrafo, e aí, da mesma maneira que o antepassado dela,

[01:04:21] ninguém lembra o nome do Rei Udo, o original ali, da imagem, mas lembra do fotógrafo que tava atrás

[01:04:28] da câmera, é esse mercado, esse mercado, né, que se a gente tá falando de meliés até hoje, mas a gente não sabe

[01:04:36] quem é o nome da fada, do cara que fez, a gente fala de Eisenstein, a gente fala do, aí você vai

[01:04:42] vir, do Chaplin, o que tá na frente da câmera é um objeto, ele é resumido e destruído, né, ele é

[01:04:48] consumido e destruído, como o Orlando falou, assim, e aí quem vai ficando pra trás, vai ficando com o

[01:04:54] bucho cheio e tem essa sobrevida, esse filme é muito clássico.

[01:04:59] É um filme pós-me too também, né, quando a gente fala ali de como ele mostra a exploração do ator,

[01:05:06] criança, de tudo, ele também é um filme que sabe que a sua audiência, o seu público, está ciente de

[01:05:12] que essa indústria é predatória e abusadora em todos os níveis, né, e não é só com crianças,

[01:05:18] não é só com animais, não é só com negros, não é só com o crew e a galera que não aparece na frente

[01:05:23] das câmaras, é até com quem aparece na frente das câmaras, que inclusive é o tema de uma outra obra

[01:05:27] que a gente vai analisar em breve, que é assim que o Orlando jogar Immortality, a gente vai…

[01:05:32] Pô, eu tô… tem que comprar, tem que comprar, pensei que você ia falar do pessoal de South Park, do Britney Spears.

[01:05:37] Eu vou, e eu vou estar muito informado, porque eu vou entrevistar o criador de Immortality essa semana,

[01:05:42] e aí então eu vou trazer isso pro podcast, e aí isso faz um gancho, isso é uma surpresa,

[01:05:48] até pro Orlando, o Orlando sabe, o M.M. além de um ótimo convidado, cineasta, amigo pessoal do Jordan Peele

[01:05:55] ele é mais que um amigo, friends, e aí ele falou, cara, eu tenho aqui umas entrevistas que eu fiz,

[01:06:03] a lenda do Jordan Peele, que não foram ao ar no wall, você gostaria? Eu falei, sabe quem gostaria?

[01:06:09] Os apoiadores do pop cult, então se você é apoiador do pop cult, que inclusive baixou o preço, agora é 12 reais,

[01:06:16] é o mínimo, né, pra você entrar aqui, fazer parte do nosso discord lá, pra onde a gente vai juntar

[01:06:24] a nossa comunidade, assistir filmes, apontar dedos, aliás, assistir filme, eu quero muito rever esse filme

[01:06:30] com o comentário do diretor quando sair em blu-ray, hein cara, vai ser fascinante, todas as coisas que a gente vai poder se aprofundar,

[01:06:35] inclusive isso pode ser uma session que a gente pode fazer lá no nosso discord, e conteúdos bônus tais, quais,

[01:06:41] as entrevistas do M.M. com o pessoal que fez Nope, que eu sempre esqueço o nome aqui, muito obrigado,

[01:06:47] queria te agradecer M.M. por ter vindo e por ser um homem como sempre muito generoso, saudades,

[01:06:53] a gente vai se ver agora numa festa, em breve, realmente vamos poder dar um abraço, depois de…

[01:06:57] Acho que foi o meu aniversário, né?

[01:07:00] Não, eu fui te ver lá no Don Chua.

[01:07:03] Ah, verdade, então faz tipo um mês.

[01:07:05] Que porra, tu vê ele a menos tempo que eu, não me vê mais de um ano.

[01:07:10] Não, eu vejo não, é que o M.M. e a gente mora na mesma cidade, é diferente, a gente se vê bem mais frequentemente do que você,

[01:07:15] porque realmente a gente consegue.

[01:07:19] Mas, M.M., conta o pessoal, você agora tá fazendo podcast de basquete ainda,

[01:07:25] o que você tá fazendo que o pessoal pode comprar?

[01:07:27] Você tem a coluna, fala da sua coluna, e o que mais você tá fazendo?

[01:07:29] Então vamos lá, primeiro agradecer vocês aí, sempre bom bater um papo,

[01:07:34] ainda mais nesse nível, né, me sentir aqui, eu devia ter feito um doutorado, um mestrado antes,

[01:07:40] mas acho que deu pro gasto.

[01:07:42] Não, mas a gente tem todo mundo confortável, porque assim, a gente tem o Orlando, que é tipo acadêmico, deu aula em faculdade,

[01:07:48] e tem eu que não terminei o colégio, então a gente joga pra todo lado.

[01:07:52] Normalmente o convidado tá entre os dois.

[01:07:57] Mas que ótimo, então não, agora eu tô fazendo, tem muita, finalmente o ano do podcast chegou no Brasil,

[01:08:06] e aí a gente vai ter bastante lançamento esse ano, sendo que o primeiro acontece,

[01:08:12] não sei quando vai ao ar esse programa, só que no dia 12 de setembro agora, a gente tá gravando isso numa sexta,

[01:08:19] vai ter ido, esse programa deve ir ao ar a sexta que vem daqui uma semana, então já vai ter ido ao ar.

[01:08:25] Tá bom, então uma semana atrás, você tá ouvindo no dia que lançou, na segunda-feira, a segunda-feira que lançou,

[01:08:30] a gente vai lançar um podcast que eu dirigi, que é um audio documentário pro Instituto Socioambiental,

[01:08:35] chamado Casa Floresta, onde a gente levou…

[01:08:38] Pô, tu dirigiu?

[01:08:39] Dirigi.

[01:08:40] Pô, tô ansioso pra ver, cara, tava vendo na página do Isa, vários making ofs do Isa, o pessoal falou, do caralho, maneiro.

[01:08:49] E bom, então eu que dirigi, e aí vão ser seis episódios que a gente levou influenciadores pra fazer vivências

[01:08:57] em campos de atuação do Isa, indígenas que são bolas ribeirinhos,

[01:09:03] e o podcast é a gente contando essa jornada de aprendizagem,

[01:09:07] eles contando pra gente como foi o que eles aprenderam e a gente acompanhando em real time,

[01:09:11] ali com o áudio do povo da floresta, tem que falar cada vez mais alto.

[01:09:14] E aí tem mais alguns que vão sair esse ano ainda nesse lugar, então por isso que o NOPE pra mim é muito interessante,

[01:09:21] porque tem desde ficção até não ficção, vindo nesse lugar de inteirimento, né,

[01:09:26] pra gente fazer um ribeirinho, falar tão alto quanto uma Kardashian, assim, pra mim é a minha questão atual, assim,

[01:09:35] de fazer isso, então me sigam nas minhas social redes,

[01:09:39] M&M igual chocolate, que eu sou Redondo e Marrom, e Zidoro com Zé de Zabumba,

[01:09:42] e aí tudo junto, me sigam ali que vocês vão, que vai ter bastante coisa mesmo.

[01:09:48] Não vou ser o rei do podcast, porque isso já tá com o Ganslan Zeta, tem o Príncipe que é o Chico Felic,

[01:09:52] e aí talvez o Duque, talvez o Viscom, né, pra que monarquia, né?

[01:09:57] Pra que monarquia? Não, abaixa a monarquia, a gente tá, a gente não tem, a gente conseguiu derrubar mais um grande pedaço da monarquia.

[01:10:03] Eu já digo isso, o único rei que eu reconheço é o que dança a Lujá,

[01:10:08] tirando esse, não tem nenhum rei que venha.

[01:10:11] O único, eu como fã de Velozes e Furiosos, o único rei que eu reconheço…

[01:10:14] O Gans não entendeu essa, o Gans não entendeu.

[01:10:16] Não, eu não entendi, eu fui criado numa parmamenta aqui em São Paulo.

[01:10:21] Mas o único rei que eu reconheço é o Drift King de Tóquio.

[01:10:28] Pode ser também, deixa aí, mas enfim.

[01:10:31] Esse é conquistado, esse é na meritocracia.

[01:10:37] Olha só, eu também dirigi um podcast documental pra vocês ouvirem,

[01:10:40] que estreou dia 14, dois dias depois do MM, então logo antes desse.

[01:10:46] Você pode ouvir o do MM e também ouvir Um Espião Silenciado,

[01:10:50] que é um podcast documental pesquisado, co-escrito e apresentado pelo Rafael Albert, historiador aí que pesquisou a história

[01:10:59] de um espião que estava infiltrado nos grupos de direita aqui do Brasil no começo dos 60,

[01:11:07] e morre num processo de violência que escala, escala, escala e dá num certo golpe em 1964.

[01:11:15] E a gente traça uns paralelos aí também, como às vezes, se em 62, 64 começou, talvez em 2016, 2018 tenha começado.

[01:11:23] E várias coisas assim, como linhas de continuidade aí com várias coisas.

[01:11:28] Queria mandar um beijo pra Orlando.

[01:11:31] Beijo do Orlando, obrigado.

[01:11:32] Você, o que você tem que promover?

[01:11:34] Está fazendo live?

[01:11:35] Não faço live, segunda, quarta e sextas, estou aí igual o Papai Noel de Shopping, na época de política,

[01:11:42] cara, estou igual o cara que trabalha no Shopping, trabalhando de domingo a domingo.

[01:11:45] O cálice, né, o cálice que está talvez, o cálice está parado, vai pra segunda temporada agora,

[01:11:53] que a gente vai finalmente revelar quem matou José Jobim, diplomata.

[01:11:59] E foi aí que vem o podcast Expanded Universe, foi o José Nogueira, o espião do meu, e aí a gente começa.

[01:12:05] Cara, é foda, né, porque a gente estava, é muito louco essa história, a gente estava fazendo dois programas parecidos,

[01:12:11] né, tipo em paralelo, sem planejar, dois trabalhos de investigação histórica, dois audio documentários.

[01:12:17] Pois é.

[01:12:18] Mas enfim, é isso não, cara.

[01:12:19] É muito legal, não, e assim, é isso, eu brinquei, mas acho que quem gostou do cálice vai gostar do Espião Silenciado.

[01:12:25] Vai, com certeza, vai, com certeza.

[01:12:27] É uma história bem, a gente conseguiu fazer de uma maneira compacta e trazer informações que não estão no livro,

[01:12:33] porque tem o livro, o Espião Silenciado, do Rafael, e a gente conseguiu expandir, a gente conseguiu botar uma grana

[01:12:37] pra continuar fazendo pesquisas, entrevistas, então fica a dica, vocês podem ouvir os oito episódios do Espião Silenciado,

[01:12:43] e aí depois segunda temporada de cálice.

[01:12:45] É feito?

[01:12:47] Então beleza, é isso.

[01:12:49] Obrigado novamente, obrigado a todo mundo que ouviu, obrigado a todo mundo que apoia.

[01:12:53] Lembrando que você que apoia pode ir lá no Apoia.se e ver o material extra sobre…

[01:12:57] Nope.