Pistolando #169 - Letras que ensinam
Resumo
Neste episódio, Letícia Dacker e Tiago Corrêa conversam com Sandro Feter, professor de tipografia e design de interfaces na UFRGS, sobre sua pesquisa de mais de dez anos em escrita manual na escola e design de tipos para alfabetização infantil.
Sandro conta sua trajetória, desde o interesse inicial por tipos que emulam a escrita manual, passando pelo TCC sobre a letra de Iberê Camargo, mestrado na ESDE sobre a história do ensino da escrita do Renascimento ao século XX, até o doutorado na UFRGS, onde desenvolveu uma família tipográfica gratuita para o ensino da letra cursiva brasileira. Ele explica como, após a pandemia, buscou uma mentoria e acabou sendo convidado a integrar a equipe da Type Together para uma pesquisa mundial sobre como se ensina a escrita manual em 45 países de língua latina, projeto que resultará em uma fonte gratuita, um portal de informações e um livro.
A discussão aborda as diferenças entre modelos caligráficos ao redor do mundo (como o cursivo vertical brasileiro e italiano versus o inclinado americano), a influência histórica da letra inglesa e do movimento higienista que promoveu a verticalização, e os equívocos de usar fontes como Futura ou Arial para ensinar crianças a escrever. Sandro também comenta sobre o renascimento da escrita cursiva apoiado por estudos neurocognitivos que mostram seus benefícios para o desenvolvimento cerebral, organização textual e apoio a pessoas com dislexia, contrastando com a tendência de abandonar o cursivo em favor da digitação.
Tiago, como canhoto, traz perspectivas sobre as dificuldades específicas enfrentadas, como a falta de adaptações nos modelos e materiais. Sandro reconhece a necessidade de mais estudos nessa área e a importância de um design inclusivo. Ele também critica a perpetuação de modelos arcaicos cheios de ‘rococó’ originados do fluxo de tinta de penas metálicas, defendendo a criação de modelos contemporâneos e simplificados que atendam às crianças do século XXI.
Por fim, Sandro fala sobre a realidade do ensino no Brasil, onde as professoras muitas vezes não têm acesso a fontes adequadas e utilizam materiais de baixa qualidade encontrados na internet, destacando a necessidade urgente de fornecer ferramentas tipográficas de qualidade para educadores.
Indicações
Books
- Building Ligatures: The Power of Type — Livro da Type Together que celebra os 15 anos da empresa, falando sobre seu trabalho em construir conexões mundo afora através do design de tipos, incluindo produção para outras línguas.
- Letra Escolar Brasileira — Tese de doutorado de Sandro Feter, disponível online, que aborda o ensino da escrita cursiva no Brasil e a criação de uma família tipográfica gratuita para esse fim.
Organizations
- Type Together — Estúdio independente (type foundry) fundado por José Scaglione e Verônica Burian, conhecido por produzir fontes de alta qualidade e por seu trabalho inclusivo com diversas línguas. Sandro atualmente integra uma equipe de pesquisa deles sobre alfabetização em 45 países.
- Alphabets — Organização onde designers de tipos experientes doam parte do seu tempo para mentorar projetos iniciantes, especialmente de mulheres e latinos no type design. Sandro ganhou uma mentoria através deles.
People
- Rosemary Sassoon — Grande especialista mundial no estudo de tipografia e modelos caligráficos para educação, com muitos livros sobre o tema, incluindo estudos sobre a pega correta na escrita.
- Mônica Dengo — Calígrafa, artista plástica e designer italiana que tem um trabalho muito bonito na Itália, propondo um modelo itálico e semicursivo para o ensino da escrita, resgatando modelos renascentistas.
- Kate Gladstone — Professora americana especialista em cursivo, autora do livro ‘Read Cursive Fast’, que ensina pessoas a lerem em cursivo, respondendo à deficiência causada pelo abandono do ensino do cursivo nos EUA.
Places
- Cânions de São José dos Ausentes (RS) — Destino natural fantástico no Rio Grande do Sul, com paisagens magníficas de cânions. Sandro recomenda visitar na época de céus claros (julho/agosto) e sugere um roteiro que inclui descer a serra até Praia Grande (SC).
- Posada Pedra Fiada (Praia Grande, SC) — Lugar maravilhoso para se hospedar em Praia Grande, Santa Catarina, como parte de um roteiro de visita aos cânions da serra gaúcha.
Linha do Tempo
- 00:01:12 — Apresentação de Sandro Feter e seu campo de pesquisa — Sandro Feter se apresenta como professor de tipografia e design de interfaces na UFRGS, pesquisando escrita manual na escola e design de tipos para alfabetização há mais de dez anos. Ele explica que a pauta foi sugerida por Cadu, um tipógrafo do grupo de apoiadores Pistolândia. Letícia pergunta o que o levou a esse campo específico do cursivo na escola.
- 00:02:43 — Trajetória acadêmica: do TCC ao doutorado — Sandro conta sua longa história, começando em 2007, quando, após uma carreira em design gráfico, decidiu fazer o curso de graduação. Para o TCC, escolheu design de tipos, inicialmente pensando em fazer uma fonte da letra de Mário Quintana, mas descobriu que já existia. Com orientação de uma professora, acabou fazendo a fonte da letra de Iberê Camargo, tendo acesso a 300 cartas pessoais do artista. Esse trabalho abriu portas para a pós-graduação.
- 00:11:50 — O encontro com a professora Edna e a guinada para a alfabetização infantil — Inquieto com seu projeto de emular letras manuais, Sandro foi orientado a conhecer a professora Edna, esposa de seu orientador. Ela sugeriu que ele usasse sua motivação para algo social, pesquisando alfabetização infantil e tipos digitais. Esse momento foi um divisor de águas, definindo o rumo de sua pesquisa. No mestrado, estudou como se ensina a escrever na escola do Renascimento italiano até o século XX, abrindo um campo inédito no Brasil.
- 00:15:20 — O doutorado e a criação da família tipográfica gratuita — No doutorado na UFRGS, Sandro estudou os principais tipos digitais de ensino da escrita cursiva no mundo e entregou uma família tipográfica gratuita. Essa família atende tanto a tradição do modelo cursivo brasileiro quanto propõe caminhos alternativos mais contemporâneos e simplificados, permitindo três modelos de ensino. A tese foi defendida em 2019.
- 00:20:32 — A bolsa Gerard Unger e a entrada na Type Together — Após a pandemia, Sandro buscou uma mentoria para refazer sua família tipográfica do zero. Inscreveu-se na bolsa de estudos profissional Gerard Unger, promovida pela fundidora Type Together, e ganhou uma menção honrosa. Isso lhe rendeu uma entrevista com os diretores José Scaglione e Verônica Burian, que o indicaram para uma mentoria no projeto Alphabets. Em fevereiro, foi convidado por José para integrar a equipe da Type Together em uma grande pesquisa mundial sobre alfabetização infantil.
- 00:24:42 — O projeto global com a Type Together em 45 países — Sandro explica que está na equipe da Type Together, em convênio com a UFRGS, fazendo uma pesquisa sobre como se ensina a escrita manual em 45 países de língua latina. O projeto vai originar uma fonte gratuita para ensino da letra cursiva, um portal de informação sobre o ensino da escrita nesses países (tudo aberto e gratuito) e um livro. É uma divulgação em primeira mão, pois o projeto ainda está em curso e deve terminar no ano seguinte.
- 00:28:44 — Diferenças internacionais na caligrafia e a pergunta sobre sua importância — Letícia comenta que repara nas diferenças de caligrafia entre países, como a italiana e a brasileira, e pergunta por que existem tantas diferenças e o que determina como se ensina a criança a escrever em cursivo. Sandro responde que é um longo percurso, começando pelo fascínio das pessoas pela letra manual e coletando manuscritos e cartilhas.
- 00:30:16 — História da escrita: da letra inglesa ao movimento higienista — Sandro faz um panorama histórico. Explica que a letra inglesa dominou o mundo a partir do início do século XIX, vigorando no Brasil até os anos 40/50. Já a letra cursiva americana é inclinada (influência da Spenceriana e Palmer), enquanto a brasileira e italiana são verticais. No início do século XX, um movimento higienista originado na Suíça e Alemanha alegou que a letra inclinada causava problemas posturais, levando à verticalização da escrita cursiva na maioria dos países, exceto em alguns como México e Canadá, que mantiveram o modelo americano.
- 00:35:01 — O movimento da letra de imprensa e os equívocos — Após o movimento higienista, surgiu na Inglaterra, com Edward Johnston, o movimento da letra de imprensa (Foundation Hand). Conselhos de educação passaram a usar tipos digitais como Futura e Helvetica para ensinar esse modelo. Sandro critica isso como um equívoco, pois fontes geométricas não têm relação com a letra manual e não são instintivas para a criança. Enquanto a Inglaterra desenvolveu um sistema progressivo com fontes específicas que simulam o feito pela mão, a América Latina adotou fontes prontas como Arial, criando uma desconexão entre o aprendizado da letra de forma e a posterior transição para o cursivo.
- 00:39:51 — Modelos contemporâneos: simplificação e a Itália — Sandro cita o trabalho na Itália, onde simplificaram as maiúsculas (sem firulas) e mantiveram minúsculas cursivas verticais. Menciona o trabalho da calígrafa e designer Mônica Dengo e o grupo SMED, que propõe um modelo itálico levemente inclinado e semicursivo, resgatando o modelo caligráfico renascentista de Ludovico Arrighi. Ele também comenta o modelo progressivo da Finlândia, que ensina um modelo inicial bem desenhado e entende que as conexões entre letras acontecerão espontaneamente na letra madura da criança.
- 00:42:15 — A importância do método, modelo e a questão dos canhotos — Sandro explica que escrever tem um método e um modelo, com uma ordem e sentido (ex.: hastes sempre de cima para baixo) que favorecem a velocidade, eficiência e postura. Tiago, como canhoto, entra na conversa e questiona a facilitação para destros na escrita da esquerda para a direita. Sandro confirma que tudo foi pensado para destros, que escrevem puxando, enquanto canhotos empurram, o que é problemático. Comenta a histórica discriminação contra canhotos e a falta de estudos específicos para adaptar modelos ou criar uma inclinação à esquerda que pudesse facilitar.
- 00:53:55 — Tecnologia e a evolução do suporte tipográfico (Unicode, OpenType) — Sandro explica a evolução tecnológica: até 1998, um arquivo de fonte só podia ter cerca de 256 caracteres, insuficiente para línguas acentuadas. Com a formação do consórcio Unicode e o desenvolvimento dos tipos OpenType na virada do ano 2000, uma fonte passou a abarcar cerca de 90 mil códigos, permitindo atender línguas não latinas como o chinês. Ele destaca o trabalho da Type Together na produção para outras línguas e o livro ‘Building Ligatures: The Power of Type’, que celebra os 15 anos da empresa e seu trabalho em construir conexões globais.
- 00:56:17 — A desprofissionalização do ensino da escrita e seu renascimento — Sandro traça a história da desprofissionalização do ensino da escrita: no início do século XX, a escrita deixou de ser uma disciplina específica ministrada por mestres calígrafos e foi incorporada à disciplina de língua materna, impulsionada pela máquina de escrever, que reduziu a necessidade profissional da caligrafia fluente. Isso levou a uma preparação cada vez pior dos professores para ensinar a escrever. Nos EUA, a pressão para ensinar digitação levou à remoção do cursivo do currículo. No entanto, estudos neurocognitivos recentes mostraram que escrever à mão, especialmente em cursivo, cria mais conexões cerebrais, ajuda na organização textual e é benéfico para disléxicos, levando a um renascimento da escrita cursiva.
- 01:07:00 — Benefícios cognitivos da escrita manual versus digitação — Baseado em estudos científicos, Sandro detalha que escrever à mão, particularmente em cursivo, ativa muito mais conexões cerebrais do que digitar. A ligação entre as letras (o ‘emendado’) ajuda no fluxo cognitivo, trabalhando regiões cerebrais em comum com a leitura e organização do texto. Isso contrasta com a digitação, que segmenta as letras. Tiago complementa com observações pessoais sobre retenção na leitura física versus digital e na escrita manual versus digitação.
- 01:12:01 — Escrita cursiva, dislexia e legibilidade na leitura — Tiago pergunta se a escrita cursiva, que ajuda no foco para quem tem déficit de atenção ou dislexia, não se tornaria um obstáculo na hora de apenas ler. Sandro esclarece que ‘floreio’ é desnecessário e defende modelos simplificados. Sobre a leitura, ele afirma que se lê bem aquilo que se escreve bem. Cita o exemplo do seu filho Joaquim, que antes não lia cursivo e agora, após aprender a escrevê-lo, lê tranquilamente. Menciona o livro ‘Read Cursive Fast’ de sua amiga Kate Gladstone, criado para ensinar americanos a ler cursivo após o abandono de seu ensino.
- 01:19:46 — Desafios no Brasil: construtivismo e falta de ferramentas — Sandro discute os desafios no Brasil. A grande influência do construtivismo na América Latina, uma escola de pensamento que favorece a aprendizagem orgânica, entrou em conflito com a necessidade de um modelo e método para ensinar a escrever. Isso, somado à falta de preparação motora adequada no pré-escolar, criou defasagens. Além disso, as professoras brasileiras não têm acesso a uma fonte oficial de qualidade para criar seus materiais; o modelo está nas mãos das editoras, e as professoras acabam usando fontes de baixa qualidade da internet, muitas vezes inadequadas (como fontes espanholas com modelos diferentes).
- 01:28:44 — Exemplos internacionais de fontes oficiais e a resistência à mudança — Sandro cita a França como exemplo onde o governo montou um comitê com tipógrafos, professores e calígrafos para criar duas famílias tipográficas oficiais. No entanto, o projeto enfrentou resistência porque os designers não respeitaram as proporções tradicionais da quadrícula CIE, usada desde 1880. Isso ilustra a dificuldade de reformar a educação e a importância de respeitar as tradições locais ao propor mudanças.
- 01:42:28 — A questão da pressão na escrita e a pega correta — Tiago, como canhoto, pergunta sobre a pressão na escrita, já que ele tende a pressionar muito o lápis. Sandro admite que não há estudos específicos sobre pressão nas fontes tipográficas, mas destaca a importância da pega correta, estudada por especialistas como Rosemary Sassoon. Uma pega inadequada, como ‘em garra’, pode causar dor e prejudicar a escrita, especialmente para canhotos. Ele promete estudar mais o tema, incentivado pela conversa.
- 01:50:21 — Balada do Pistoleiro: recomendações finais — No quadro de recomendações, Tiago sugere aprender uma nova habilidade, compartilhando sua experiência recente aprendendo guitarra. Sandro recomenda o livro ‘Building Ligatures: The Power of Type’ da Type Together, sua tese ‘Letra Escolar Brasileira’ e seu estudo de mestrado para quem quiser se aprofundar no tema. Fora do assunto, indica os cânions de São José dos Ausentes no Rio Grande do Sul como destino natural fantástico, dando dicas de roteiro e hospedagem em Praia Grande, SC.
Dados do Episódio
- Podcast: Pistolando Podcast
- Autor: Leticia Dáquer e Thiago Corrêa
- Categoria: News Politics News News Commentary
- Publicado: 2022-09-28T05:10:23Z
- Duração: 02:03:21
Referências
- URL PocketCasts: https://podcast-api.pocketcasts.com/podcast/full/b6a05580-5917-0136-fa7c-0fe84b59566d/25389e6d-77ec-4df4-99d9-129cf720bfc1
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Dados do Podcast
- Nome: Pistolando Podcast
- Tipo: episodic
- Site: http://www.pistolando.com
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Transcrição
[00:00:00] MÚSICA
[00:00:26] Sejam bem-vindos, sejam bem-vindas pistoleiros e pistoleiras ao Pistolando 169
[00:00:31] Eu sou a Letícia Dacker e o seu Tiago Corrêa ainda não chegou, mas estará cegando, senhora
[00:00:38] Então vou começar logo de cara, sem piadinhas, sem trocadilhos
[00:00:44] E os recadinhos estarão no fim do episódio
[00:00:46] Talvez eu coloque o seu Tiago para falar os recadinhos de castigo
[00:00:50] E já vou pedir para o nosso convidado de hoje se apresentar
[00:00:54] Sandro, fala aí para o pessoal quem é você
[00:00:56] Tudo bem, Letícia?
[00:01:00] Muito
[00:01:00] Em primeiro lugar, eu quero agradecer a oportunidade de estar conversando um pouco com vocês
[00:01:09] E, bom, quem sou eu?
[00:01:12] Eu sou, meu nome é Sandro Feter, eu sou gaúcho de Porto Alegre
[00:01:19] Não nasci em Porto Alegre, nasci em Santo Ângelo, nas Missões, Rio Grande
[00:01:24] Mas aí estou em Porto Alegre desde os dois anos
[00:01:28] Eu sou professor de tipografia e de interface, projeto de interfaces digitais
[00:01:38] Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul
[00:01:40] E pesquiso aí já há mais de dez anos sobre escrita manual na escola
[00:01:50] E design de tipos para…
[00:01:54] Essa finalidade
[00:01:55] Aqui é importante dizer que quem fez a ponte, quem sugeriu a pauta, quem fez o contadinho
[00:02:00] Foi o Cadu, que é o nosso tipógrafo de estimação lá da Pistolândia
[00:02:05] Que é o nosso grupo de apoiadores, né?
[00:02:06] A gente tem um pessoal muito interessante na Pistolândia
[00:02:09] Pessoal que trabalha com coisas muito bacanas
[00:02:11] Então volta e meia aparecem sugestões de pauta, contatinhos e tudo mais
[00:02:16] E a gente fica sempre muito feliz
[00:02:17] Porque além de facilitar a vida da gente, são sempre ideias ótimas
[00:02:20] Então saem episódios sempre muito bons
[00:02:22] Deixa eu começar te perguntando uma coisa
[00:02:24] Antônio, como é que tu foi parar nisso?
[00:02:25] Porque eu entendo, eu faço tipografia, trabalho, eu faço fontes
[00:02:30] Beleza, eu conheço mais de uma pessoa que trabalha com isso, por incrível que pareça
[00:02:33] Mas por que esse campo específico do cursivo na escola?
[00:02:39] O que que te levou a isso aí?
[00:02:42] É uma longa história
[00:02:43] Vamos começar há algum tempo atrás
[00:02:48] Não faz muito tempo, eu tô falando de 2007
[00:02:54] Então em 2007, eu apesar de ter uma carreira aí no design gráfico
[00:03:01] Que remonta lá ao final dos anos 80
[00:03:05] Desde o início da computação gráfica
[00:03:09] Eu logo montei um escritório de design aqui em Porto Alegre
[00:03:14] E trabalhei muitos anos, mas não tinha curso de design em Porto Alegre
[00:03:21] Então assim que abriu a primeira sala
[00:03:24] A primeira turma de design, de graduação em design gráfico
[00:03:29] Eu estava lá na ficha 1 pra fazer o curso
[00:03:33] E que foi na universidade, não, no centro universitário Ritter dos Reis
[00:03:39] Aqui em Porto Alegre
[00:03:40] Então a primeira turma de design aqui de Porto Alegre
[00:03:45] Eu estava lá, depois de ter feito o escritório há mais ou menos, sei lá, uns 15 anos
[00:03:50] Depois de já ter fundado um escritório de design
[00:03:54] Eu tinha uma frustração muito grande de não ter estudado
[00:03:58] Minhas sócias eram formadas em publicidade e propaganda
[00:04:04] Mas eu sabia que não queria ser publicitário, eu queria ser designer
[00:04:08] E aí, primeira oportunidade que eu tive, eu fui lá estudar
[00:04:14] E ao final do meu curso, eu comecei a pensar
[00:04:20] Eu sempre conto essa história para os meus alunos hoje em dia
[00:04:22] Eu falo assim, olha
[00:04:23] Pensem bem no TCC de vocês
[00:04:26] O que esse tema do TCC
[00:04:28] Eu vejo ele como algo que possa abrir as portas
[00:04:32] Para uma carreira
[00:04:34] E foi justamente esse pensamento
[00:04:36] O que eu vou fazer?
[00:04:39] Naquela altura, eu trabalhava muito com identidade visual, embalagem
[00:04:44] Mas o design editorial era um plano de futuro que eu tinha
[00:04:52] Eu digo, vou fazer um curso de design
[00:04:53] Vou fazer um livro
[00:04:53] Eu digo, poxa, mas fazer o design de um livro
[00:04:57] Isso não vai me trazer muita coisa
[00:04:59] Afinal, já estou fazendo isso, estudo bastante sobre isso
[00:05:03] O que me dá muito prazer e que eu quero aprender mais?
[00:05:07] Bom, design de tipos
[00:05:09] Eu digo, bom, então, ok, o tema do TCC vai ser design de tipos
[00:05:14] Bom, mas que tipo?
[00:05:17] O que eu gosto mais?
[00:05:18] Eu sempre gostei dos tipos que…
[00:05:23] Tinham esse caráter orgânico
[00:05:25] Que emulavam a escrita manual
[00:05:27] E eu digo, tá aí
[00:05:30] Vou fazer a escrita de alguém
[00:05:33] Naquele momento, eu estava fazendo um conjunto de dois livros
[00:05:38] Que era o Centenário do Érico Veríssimo
[00:05:41] Só
[00:05:42] E o Centenário do Mário Quintana
[00:05:45] Era um duplo
[00:05:47] Só, mais nada
[00:05:48] Só isso
[00:05:49] É, eu tive esse prazer de fazer
[00:05:52] E aí, no livro do Mário
[00:05:55] Eu tive acesso a manuscritos do Mário Quintana
[00:06:00] E eu me encantei com a letra dele
[00:06:01] Me encantei com a letra dele
[00:06:04] E eu digo, cara, vou fazer uma fonte da letra do Mário Quintana
[00:06:10] Esse vai ser o meu TCC
[00:06:11] Bom, eu iniciei o TCC e logo na pesquisa inicial
[00:06:15] Eu descobri que tinha uma aluna da ESDE
[00:06:19] Que fez uma fonte do Mário Quintana
[00:06:22] Ah!
[00:06:22] Gente, que coisa maravilhosa
[00:06:24] Porque o Mário Quintana
[00:06:25] O Mário Quintana tinha um livro de poesias
[00:06:29] Que ele fez todo à mão
[00:06:30] Todo manuscrito
[00:06:31] Então, a Helena
[00:06:33] Hoje ela é professora da ESDE
[00:06:36] A Helena tinha feito uma fonte com a letra dele
[00:06:39] Eu digo, cara, acabou meu TCC
[00:06:42] Fiquei desesperado, né?
[00:06:46] Acabou meu TCC
[00:06:46] Mas eu me dava muito bem com os professores
[00:06:50] E tinha uma professora
[00:06:51] Minha professora de história
[00:06:52] Da arte
[00:06:52] Hoje é minha madrinha de casamento
[00:06:54] Minha colega de Universidade Federal
[00:07:00] Aqui também
[00:07:01] E fui desabafar com ela
[00:07:04] A gente costumava
[00:07:06] Toda quinta-feira, depois da aula
[00:07:07] Tomar cerveja
[00:07:09] E conversar
[00:07:11] E ela dizia, não tem problema
[00:07:14] Tu vai fazer a letra do Iberê Camargo
[00:07:17] Vou te levar lá na Fundação
[00:07:18] Tu vai ter contato com a viúva
[00:07:21] Dona Maria
[00:07:21] E ela dizia, não tem problema
[00:07:22] E tu vai fazer a letra do Iberê Camargo
[00:07:24] Que era sensacional
[00:07:25] Puxa, legal, o Iberê Camargo
[00:07:28] E aí fui
[00:07:30] Tive acesso a 300 cartas
[00:07:33] Do Iberê Camargo
[00:07:34] Conhecia a intimidade
[00:07:37] Da vida do Iberê
[00:07:38] A partir da correspondência pessoal dele
[00:07:40] E tem uma curiosidade
[00:07:43] Nisso, né?
[00:07:44] Como é que alguém tem as suas cartas próprias?
[00:07:48] Se essa carta foi enviada
[00:07:49] Para alguém
[00:07:49] Esse pessoal importante
[00:07:52] Eles escreviam cartas
[00:07:55] Como papel carbônico
[00:07:56] Ah, já tendo em mente
[00:07:59] O romance epistolar
[00:08:01] Que ia sair depois
[00:08:02] Tinha que ter tudo registrado
[00:08:05] Então, por exemplo
[00:08:06] Eu li cartas do Iberê
[00:08:08] Com seu marchão em Nova York
[00:08:11] Em inglês
[00:08:12] Tinha que ter isso registrado
[00:08:14] Então eles escreviam tudo com cópia
[00:08:16] Com papel carbônico
[00:08:18] E aí está ótimo
[00:08:21] Fiz a fonte do Iberê
[00:08:22] Cumpri meu TCC
[00:08:24] Ótimo, nota 10
[00:08:26] Me formei
[00:08:27] E eu digo, bom, está aí
[00:08:31] É nessa que eu vou
[00:08:32] Esse vai ser o meu tema de pós-graduação
[00:08:35] E aí eu escrevi
[00:08:37] Tinha um concurso
[00:08:38] Do Instituto Sérgio Mota
[00:08:40] Em São Paulo
[00:08:41] Tinha um concurso interessante
[00:08:44] Que eram trabalhos que faziam
[00:08:46] Uma
[00:08:47] Que cruzavam
[00:08:52] A linha de design
[00:08:53] Arte
[00:08:55] E computação
[00:08:57] Então
[00:08:59] Uma professora
[00:09:01] Da Universidade Federal
[00:09:03] Conheci meu trabalho
[00:09:05] Ela era do comitê curador
[00:09:07] Desse concurso
[00:09:08] E ela lembrou do meu trabalho
[00:09:10] E disse, olha, por que você não escreve
[00:09:12] O seu trabalho de conclusão nesse concurso
[00:09:14] Escrevi e ganhei uma menção honrosa
[00:09:17] Isso foi legal
[00:09:18] E eu resolvi estudar na ESDE
[00:09:21] Em São Paulo
[00:09:22] No Rio de Janeiro
[00:09:24] Eu tenho um amigo formado por lá
[00:09:28] Já fui lá, inclusive
[00:09:29] Um dia encontrar com ele
[00:09:30] Muita gente boa
[00:09:33] E eu queria ser orientado
[00:09:37] Pelo professor Guilherme Cunha Lima
[00:09:39] Então
[00:09:40] Um belo dia eu fui para o Rio de Janeiro
[00:09:43] Fui passear, digo, bom, vou passar lá na ESDE
[00:09:46] Vou levar meu projeto
[00:09:47] E eu tinha um projeto de justamente isso
[00:09:50] De fazer uma metodologia
[00:09:51] Para emular a letra manual
[00:09:54] Das pessoas em fontes digitais
[00:09:57] Para isso eu fiz
[00:09:59] Uma esquentação
[00:10:02] Peguei a letra manual
[00:10:04] Da minha esposa
[00:10:04] E converti numa fonte
[00:10:07] Usou de cobaia
[00:10:09] Funciona isso
[00:10:10] É, usei de cobaia e tal
[00:10:12] Funciona isso
[00:10:13] E aí levei um projeto
[00:10:16] Para o professor Cunha Lima
[00:10:19] Muito bem, me aceitou
[00:10:21] Fiz uma metodologia
[00:10:21] Daí a gente precisa ser aceito
[00:10:23] Por um orientador
[00:10:24] E daí a gente está apto a fazer o teste
[00:10:28] Para entrar
[00:10:29] Ter uma seleção bem rigorosa
[00:10:32] Na ESDE
[00:10:33] Aí eu fui fazer a seleção
[00:10:34] Eu precisava de uma bolsa
[00:10:35] Eu não tinha um tostão para ir morar no Rio de Janeiro
[00:10:37] Estudar lá
[00:10:38] Eu precisava ganhar a bolsa
[00:10:40] Eu me preparei, tirei o segundo lugar na seleção
[00:10:44] Ganhei a bolsa, fui feliz da vida
[00:10:46] De início
[00:10:48] Eu comecei a incomodar
[00:10:50] O professor Guilherme
[00:10:51] Muito inquieto
[00:10:53] Muito ativo
[00:10:54] Comecei a incomodar ele
[00:10:56] Lá pelas tantas eu digo assim
[00:10:57] Esse meu projeto aqui não está legal, professor
[00:11:00] Porque emular a letra das pessoas
[00:11:04] É uma falsificação
[00:11:06] Não é legal isso
[00:11:09] E aí eu tinha um colega mineiro
[00:11:10] Muito espirituoso
[00:11:12] O Almir Mirabô
[00:11:14] E daí ele disse assim
[00:11:17] É o gaúcho
[00:11:17] Você quer fazer um travesti de letra manual?
[00:11:21] É isso?
[00:11:22] É um negócio que não é
[00:11:27] Eu fiquei chateado com aquilo
[00:11:30] Mas não é isso
[00:11:33] Comecei a incomodar o meu orientador
[00:11:35] O professor Guilherme
[00:11:37] Ele disse assim
[00:11:38] Sandro, você precisa conhecer a Edna
[00:11:41] Ele é pernambucano
[00:11:43] Você precisa conhecer a Edna
[00:11:45] Minha esposa
[00:11:46] Me convidou, falei na casa deles
[00:11:48] Me apresentou a professora Edna
[00:11:50] E é ali
[00:11:50] Ali eu estava
[00:11:51] E aí eu conheci minha mãe carioca
[00:11:53] Ela me adotou
[00:11:54] E começou a me orientar
[00:11:57] E daí ela
[00:11:59] Ela disse
[00:12:01] Meu filho, você tem que usar
[00:12:02] Essa tua motivação
[00:12:05] Que é muito bacana
[00:12:06] Para alguma coisa para a sociedade
[00:12:09] Você já pensou em pesquisar
[00:12:11] Alfabetização infantil
[00:12:14] E tipos digitais
[00:12:16] Para alfabetização infantil
[00:12:18] Aí quando ela falou
[00:12:19] Aquilo ali brilhou meus olhos
[00:12:21] Eu falei
[00:12:21] Puxa, é isso
[00:12:23] Ela disse
[00:12:24] Então, muito bem
[00:12:25] Vamos começar isso
[00:12:26] Primeira coisa que você vai fazer
[00:12:28] Você vai ler os ingleses
[00:12:30] Os livros ingleses
[00:12:32] Os dois
[00:12:33] Os dois tem
[00:12:34] Tem passagem por Reddit
[00:12:37] Na Inglaterra
[00:12:38] Fizeram a pós deles lá
[00:12:40] E
[00:12:41] Que é a grande escola de tipografia
[00:12:45] Ah, olha aí
[00:12:46] Não sabia
[00:12:47] É a mais tradicional
[00:12:49] É a mais tradicional
[00:12:51] Hoje tem
[00:12:51] Outras ótimas escolas
[00:12:53] Não são muitas
[00:12:54] Mas Reading é a mais tradicional
[00:12:57] Em ensino da tipografia
[00:13:00] De design de tipos
[00:13:02] Que bacana
[00:13:02] Então você vai ler os ingleses
[00:13:06] Todos os livros
[00:13:08] Fora de catálogo
[00:13:09] Tive que catar isso aí
[00:13:10] E você vai estudar os tratadistas
[00:13:13] Italianos
[00:13:15] Então, no meu mestrado
[00:13:17] Eu escrevi sobre
[00:13:19] Como se ensina
[00:13:20] A escrever na escola
[00:13:22] Do renascimento italiano
[00:13:25] Até o século XX
[00:13:27] Gente, só também
[00:13:29] Só isso
[00:13:29] Só, é
[00:13:31] Um recorte
[00:13:33] Claro que
[00:13:33] Com a minha orientadora reclamando
[00:13:35] Que era muita coisa
[00:13:36] Mas eu fiz isso
[00:13:39] E foi um trabalho legal
[00:13:41] E eu abri um campo
[00:13:43] Posso dizer
[00:13:45] Bastante inédito
[00:13:47] Não sei de outro
[00:13:49] Pesquisador
[00:13:50] Que não é
[00:13:50] Nacional
[00:13:51] Que pesquisa isso
[00:13:52] Tem pesquisa sobre alfabetização
[00:13:55] Mas não com esse cruzamento
[00:13:57] Tem muito isso lá fora?
[00:13:59] Ou é uma coisa pouco estudada, ponto?
[00:14:02] Não, não tem
[00:14:03] Com esse cruzamento, não tem
[00:14:06] Todo pioneiro
[00:14:07] Eu conheço
[00:14:10] Três
[00:14:11] Mas assim, nenhum é
[00:14:15] Com o mesmo enfoque
[00:14:17] E aí
[00:14:19] Eu sei
[00:14:20] Feito
[00:14:22] Então eu fiz esse levantamento histórico
[00:14:24] No mestrado, um panorama
[00:14:25] Eu já queria fazer a fonte
[00:14:27] E a professora Edna disse
[00:14:29] Não, você não vai fazer a fonte agora
[00:14:32] Você vai no seu doutorado
[00:14:34] Você pode pensar em fazer a fonte
[00:14:35] Calma, Sando
[00:14:36] É, calma
[00:14:39] O orientador está sempre trazendo
[00:14:41] O orientando para a terra
[00:14:43] E aí no doutorado
[00:14:45] Então chegou o momento
[00:14:46] Eu fiz o doutorado
[00:14:48] Não pude voltar para a Edna
[00:14:50] Já era um outro momento de vida
[00:14:52] Eu já estava dando aula
[00:14:55] Como professor aqui em Porto Alegre
[00:14:57] E aí eu fiz o doutorado
[00:15:01] Na URGS
[00:15:01] O único professor
[00:15:04] Que poderia me orientar aqui
[00:15:06] Na URGS
[00:15:06] O professor é o Tom Catani
[00:15:09] O único que pesquisa
[00:15:12] Nesse campo
[00:15:13] De história, do design
[00:15:16] E aí então
[00:15:19] No doutorado
[00:15:20] Eu fui estudar
[00:15:21] Os principais tipos digitais
[00:15:25] De ensino
[00:15:26] Da escrita cursiva
[00:15:29] No mundo
[00:15:30] E entreguei
[00:15:33] Uma família tipográfica
[00:15:35] Uma família tipográfica
[00:15:38] Gratuita
[00:15:39] Que atende
[00:15:40] Tanto a tradição
[00:15:42] Do modelo cursivo brasileiro
[00:15:46] Quanto propõe
[00:15:48] Caminhos alternativos
[00:15:49] Mais contemporâneos
[00:15:52] E simplificados
[00:15:53] Para os professores
[00:15:54] É uma família que
[00:15:56] Ela permite
[00:15:57] Três modelos de ensino
[00:16:01] E venho trabalhando isso
[00:16:06] A minha tese eu defendi
[00:16:09] Em 2019
[00:16:11] Fui bem sucedido
[00:16:15] No trabalho
[00:16:17] Tudo ok, tudo legal
[00:16:19] Veio a pandemia
[00:16:21] Não, desculpa
[00:16:24] Veio a pandemia, não
[00:16:24] Em 2019 eu defendi
[00:16:26] E aí vem aquele esgotamento
[00:16:27] Pós-tese
[00:16:28] Que é uma coisa normal
[00:16:30] A tese é uma coisa
[00:16:33] Que te suga
[00:16:35] Tudo que você tem
[00:16:37] Toda a energia
[00:16:38] Eu digo assim
[00:16:40] Você precisa muito apoio da família
[00:16:43] Da esposa
[00:16:44] Eu tinha um filhinho
[00:16:47] No Brasil
[00:16:49] Um vinho também
[00:16:50] Ele acompanhou
[00:16:51] Ele acompanhou eu aqui
[00:16:54] Fazendo as minhas letras
[00:16:56] Ele sempre olhando as letras
[00:16:57] Cresceu acompanhando isso
[00:17:01] Hoje ele tem oito anos
[00:17:02] O Joaquim
[00:17:03] E ele estava
[00:17:05] Ele tinha quatro, cinco anos
[00:17:07] Ele ficava olhando a desenhar as letras
[00:17:09] Hoje ele está aprendendo a cursiva
[00:17:12] Nesse exato momento
[00:17:13] Usando as minhas letras
[00:17:16] Está com uma letra linda
[00:17:17] Eu digo, filho, a tua letra é muito boa
[00:17:18] Eu digo, filho, a tua letra é muito boa
[00:17:19] Eu digo, filho, a tua letra é muito melhor
[00:17:19] Muito legal
[00:17:21] Muito legal ver
[00:17:22] Acompanhar o aprendizado dele
[00:17:26] Bom
[00:17:27] Aí, então, em 2019
[00:17:30] Depois que eu defendi a tese
[00:17:31] Eu entrei num cansaço
[00:17:33] Preciso dar um tempo nisso
[00:17:35] Larguei
[00:17:36] Aí veio a pandemia
[00:17:38] E aí, então, as nossas aulas
[00:17:41] A gente ficou
[00:17:42] Acho que foi um semestre
[00:17:45] Não, nós ficamos quatro meses
[00:17:47] Parados na Federal
[00:17:49] Sem saber o que iríamos fazer
[00:17:51] Como a maioria das escolas
[00:17:53] Bom, agora eu vou
[00:17:57] Movimentar um pouco isso
[00:17:58] Pegar esse tempo aí e vou movimentar isso
[00:18:01] E
[00:18:02] Eu
[00:18:04] Eu tinha um plano
[00:18:07] De refazer a família tipográfica
[00:18:09] Do zero
[00:18:09] Ué, por quê?
[00:18:10] Porque, assim, quando a gente tem um trabalho acadêmico
[00:18:15] A gente tem um prazo
[00:18:17] Tem um timing de trabalho
[00:18:19] Um trabalho acadêmico
[00:18:19] Que não é o mesmo de um projeto
[00:18:21] Tipográfico
[00:18:23] Então, fazer uma fonte
[00:18:25] Uma família de tipos
[00:18:27] Ela, conforme a extensão
[00:18:29] Ela te consome
[00:18:31] Tanto quanto uma tese
[00:18:34] Te consome aí um ou dois anos
[00:18:36] Fazendo isso
[00:18:38] Dez horas por dia
[00:18:39] E
[00:18:41] Então
[00:18:44] Eu tive que tomar algumas decisões
[00:18:46] Que não foram as mais acertadas
[00:18:48] E tal
[00:18:48] E
[00:18:49] Enfim, eu digo, bom, ok
[00:18:52] Preciso refazer isso do zero
[00:18:54] E eu não sou, assim
[00:18:55] Um designer de tipos
[00:18:58] Com padrão de mercado
[00:19:01] Padrão da indústria, vamos dizer
[00:19:03] Eu digo, poxa
[00:19:05] Eu preciso
[00:19:05] Saber mais
[00:19:08] Preciso aprender com alguém que saiba
[00:19:10] Preciso ajuda de alguém que saiba muito
[00:19:12] Eu digo, eu vou
[00:19:14] Atrás de uma mentoria
[00:19:16] Eu também não tinha
[00:19:18] Muito dinheiro para pagar alguém
[00:19:20] Profissional
[00:19:21] Para fazer essa mentoria
[00:19:23] Eu digo, eu vou achar uma mentoria gratuita
[00:19:26] Afinal, o meu projeto
[00:19:27] Tem esse quê de contribuição social
[00:19:33] Eu queria isso
[00:19:35] Eu digo, eu vou participar de algumas seleções
[00:19:38] De mentoria
[00:19:39] E aí
[00:19:41] Eu descobri
[00:19:43] Uma bolsa de estudos
[00:19:46] Profissional em tipografia
[00:19:48] Que se chama
[00:19:49] Gerard Unger
[00:19:52] Promovida pela Type Together
[00:19:55] Que é uma
[00:19:57] Type Foundry, assim que a gente chama
[00:19:59] Esses estúdios produtores
[00:20:01] De tipos digitais
[00:20:03] Esse nome
[00:20:05] Type Foundry, fundidora de tipos
[00:20:07] Vem do
[00:20:08] Do século passado
[00:20:12] Digamos
[00:20:12] Quando os tipos eram de metal
[00:20:14] Então hoje as fundidoras
[00:20:16] São digitais
[00:20:17] E a Type Together
[00:20:20] Que é uma fundidora
[00:20:22] Um estúdio independente
[00:20:24] Muito legal
[00:20:26] Que eu gosto muito
[00:20:27] Sou muito fã
[00:20:29] E eu digo, puxa, eu vou participar
[00:20:32] Dessa bolsa de estudos
[00:20:34] Tinha todo o regulamento
[00:20:36] A ideia é que os vencedores
[00:20:38] Os projetos vencedores
[00:20:40] Iam ser internalizados
[00:20:42] Pela Type Together
[00:20:44] Desenvolvidos junto com eles
[00:20:47] Então
[00:20:47] Mas eu entendi que o concurso
[00:20:50] Tem um cunho
[00:20:52] De pegar jovens talentos
[00:20:53] Jovens
[00:20:54] E eu digo, ó, eu tô um pouquinho passado
[00:20:58] Nesse negócio aí
[00:20:59] E não vão pegar um professor
[00:21:02] De Universidade Federal
[00:21:03] Nessa coisa, mas tudo bem
[00:21:05] Uma menção honrosa tá valendo pra mim
[00:21:07] É legal
[00:21:08] E fui lá, me inscrevi e tal
[00:21:11] Participei e pimba, ganhei uma menção honrosa
[00:21:14] E aí
[00:21:17] E aí
[00:21:17] Ganhei uma entrevista
[00:21:20] Com os dois diretores
[00:21:21] O José Scaglione
[00:21:24] Que é argentino
[00:21:26] E a Verônica Burian
[00:21:28] Que é da Tchecoslováquia
[00:21:30] E são sócios
[00:21:32] Fundadores, ambos de Reading
[00:21:34] Se conheceram em Reading
[00:21:38] E fundaram essa empresa
[00:21:39] Sensacional
[00:21:41] Aliás, tem uma curiosidade sobre a Type Together
[00:21:43] Que eu vim descobrir agora
[00:21:45] Eles
[00:21:47] Fundaram a empresa em 2006
[00:21:49] E eles nunca tiveram uma sede
[00:21:51] Física
[00:21:52] Pra mim a empresa era sediada
[00:21:55] E pra mim a empresa era sediada
[00:21:57] Na Europa
[00:21:58] E não
[00:22:01] Não tem sede
[00:22:03] Eles trabalham online
[00:22:05] Desde 2006
[00:22:07] Gente
[00:22:08] É uma coisa que é o futuro agora, né
[00:22:11] É o que tá acontecendo agora
[00:22:13] Não, os caras, desde 2006
[00:22:15] Eles têm essa
[00:22:17] Índole
[00:22:17] A equipe são cerca de 15 pessoas
[00:22:20] Mundo afora
[00:22:21] Gente, que interessante
[00:22:22] Um na China, um no Líbano
[00:22:25] Um na Índia
[00:22:28] Dois na França
[00:22:30] Dois nos Estados Unidos
[00:22:32] Pra fazer reunião é dureza, né
[00:22:34] Tudo
[00:22:36] Tudo pelo
[00:22:38] Where we buy
[00:22:39] E aí
[00:22:41] Ganhei essa
[00:22:43] Então, essa menção honrosa
[00:22:45] Ganhei uma entrevista com os dois
[00:22:47] E aí eles fizeram um type critic
[00:22:50] Que a gente chama, né
[00:22:51] Que é uma crítica ali
[00:22:52] Da família tipográfica
[00:22:55] Várias dicas e tal
[00:22:56] E eu disse pra eles
[00:22:57] Puxa, eu tô atrás dessa mentoria
[00:23:01] E eles me indicaram
[00:23:02] Uma mentoria que é
[00:23:05] De uma organização chamada
[00:23:07] Alphabetes
[00:23:08] Do qual a própria Verônica faz parte
[00:23:11] Que é um projeto muito legal
[00:23:13] São esses cabeções
[00:23:15] Do design de tipos
[00:23:17] Doam parte do seu tempo
[00:23:19] Pra ajudar projetos iniciantes
[00:23:22] Principalmente
[00:23:24] De
[00:23:25] Mulheres
[00:23:28] No type design
[00:23:29] Mas também para os latinos
[00:23:32] Que são, digamos que a gente está
[00:23:34] Um pouco à parte
[00:23:35] Do grande mercado tipográfico
[00:23:37] Que é na América e na Europa
[00:23:40] Então eu entrei
[00:23:42] Nessa também outra disputa
[00:23:44] Com o Alphabetes
[00:23:45] E ganhei
[00:23:47] A minha mentoria
[00:23:48] Só que aí
[00:23:50] Essa entrevista com o Alphabeto Viadro
[00:23:54] Foi em outubro
[00:23:55] Em fevereiro eu estava de férias
[00:23:57] E recebi um e-mail
[00:23:59] Do José Escaglione
[00:24:01] Dizendo que eles tinham
[00:24:03] Sido
[00:24:05] Eles foram contratados
[00:24:07] Pra fazer um projeto
[00:24:09] Sobre alfabetização infantil
[00:24:12] E tipos digitais
[00:24:14] Ó, bem na tua praia
[00:24:15] E aí
[00:24:15] É isso
[00:24:17] Ele botou um e-mail
[00:24:18] Lembramos de você
[00:24:20] Ah, que delícia
[00:24:20] Queríamos te convidar
[00:24:23] Pra participar
[00:24:24] Dessa equipe
[00:24:26] Dessa grande pesquisa mundial
[00:24:27] Topa?
[00:24:29] Tem interesse?
[00:24:30] Só se for agora
[00:24:31] Comigo
[00:24:32] É comigo
[00:24:34] Só se for agora
[00:24:35] E aí
[00:24:36] Em fevereiro
[00:24:37] A gente começou
[00:24:39] A fazer essa pesquisa
[00:24:40] Então hoje eu estou
[00:24:42] Na equipe da Type Together
[00:24:44] Fazendo uma pesquisa
[00:24:47] Com um convênio
[00:24:49] Com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul
[00:24:51] Aqui, né
[00:24:52] Uma interação acadêmica
[00:24:54] E a gente está
[00:24:56] Levantando
[00:24:57] Como se ensina
[00:25:00] A escrita manual
[00:25:03] Em 45 países
[00:25:05] De língua latina
[00:25:06] E esse projeto
[00:25:09] Vai dar
[00:25:11] Origem a uma fonte
[00:25:14] Uma família
[00:25:15] Tipográfica
[00:25:16] Para ensino
[00:25:17] Da letra cursiva
[00:25:19] Nesses 45 países
[00:25:22] Uma fonte gratuita
[00:25:25] Vai dar origem
[00:25:27] A um site
[00:25:29] Um portal
[00:25:31] De informação
[00:25:32] Sobre ensino da escrita
[00:25:34] Nestes 45 países
[00:25:36] De língua latina
[00:25:37] Tudo aberto
[00:25:38] Tudo livre
[00:25:39] Tudo gratuito
[00:25:40] Também vai originar um livro
[00:25:42] E sei lá
[00:25:45] Mais mil coisas
[00:25:46] Artigos e palestras
[00:25:49] Enfim, vai ser um projeto muito legal
[00:25:51] Quero te comunicar
[00:25:53] Que vocês estão sabendo disso em primeira mão
[00:25:54] Quase ninguém sabe
[00:25:55] Desse projeto
[00:25:57] Porque ele ainda está em curso
[00:26:00] Deve terminar no ano que vem
[00:26:02] Somente
[00:26:02] Terminar a fonte e a base de dados
[00:26:07] Ai, gente, que coisa legal
[00:26:08] Muito legal
[00:26:10] Muito legal
[00:26:11] Então, uma coisa que iniciou
[00:26:14] Na minha tese
[00:26:15] Olha
[00:26:16] A gente está podendo fazer
[00:26:20] Para o mundo
[00:26:22] Nossa, tem um milhão de coisas
[00:26:24] Que eu quero te perguntar
[00:26:26] Então, vou falar
[00:26:27] Se você deixar, eu vou falar
[00:26:30] O tempo inteiro
[00:26:31] Calma, vou te interromper
[00:26:33] Eu sou uma pessoa que repara muito
[00:26:36] Na caligrafia dos outros
[00:26:37] E eu reparo em fontes também
[00:26:39] Eu sempre gostei, sempre achei interessante
[00:26:42] Então, assim, eu tenho as minhas fontes que eu gosto
[00:26:44] Eu tenho as que eu não suporto
[00:26:45] Que eu olho e já quero ver o que é isso
[00:26:46] Eu tenho as que eu não suporto
[00:26:46] Eu tenho as que eu não suporto
[00:26:46] Já quero sair correndo
[00:26:47] Já li, não sou uma estudiosa do assunto
[00:26:51] Mas quando aparece algum artigo
[00:26:52] Ou um livro menos técnico
[00:26:55] Para o público leigo
[00:26:56] Eu leio, eu acho interessante
[00:26:58] Eu sou uma daquelas pessoas que ficaram
[00:27:00] Órfãs da Ikea
[00:27:01] Quando a Ikea mudou a fonte
[00:27:03] E rolou uma pequena revolução
[00:27:06] O pessoal ficou puto
[00:27:07] Porque estava acostumado com a mesma fonte
[00:27:08] Há 20 milhões de anos
[00:27:10] E mudaram e ninguém gostou
[00:27:11] Então, assim, eu tenho
[00:27:13] Eu reparo nessas coisas
[00:27:14] Eu reparo também como as pessoas escrevem
[00:27:16] Eu tenho uma filha de 13 anos
[00:27:18] Que nasceu na Itália
[00:27:19] E eu alfabetizei ela em casa
[00:27:21] Em português
[00:27:22] Mas ela na escola
[00:27:23] Obviamente aprende italiano
[00:27:24] E eu notei logo de cara
[00:27:27] Que a maneira
[00:27:29] A caligrafia que eles usam na escola
[00:27:33] Para ensinar o cursivo
[00:27:34] É bastante diferente do que a gente usa no Brasil
[00:27:37] E depois eu vi um reflexo disso
[00:27:40] Digamos, na letra, por exemplo
[00:27:42] Da minha cunhada
[00:27:43] Que escreve muita coisa
[00:27:45] Ela dá aula de língua
[00:27:46] Ela dá aula de culinária
[00:27:48] Então ela prepara muita coisa
[00:27:49] Potinhos, bonitinhos
[00:27:51] De, sei lá, de geleia
[00:27:52] De não sei o que
[00:27:53] E aí escreve com a letra dela
[00:27:54] E dá de presente para os alunos e tal
[00:27:58] Então eu sempre presto atenção
[00:28:00] Em como é diferente
[00:28:01] Eu não conheço ninguém no Brasil
[00:28:02] Que escreva do jeito que ela escreve
[00:28:04] Eu não conheço ninguém no Brasil
[00:28:06] Que escreve do jeito que meu marido escreve
[00:28:08] A direção mesmo
[00:28:10] Começar o número por baixo
[00:28:11] Por cima, da esquerda, da direita
[00:28:12] O outro vai para lá
[00:28:13] O outro vai para cá
[00:28:14] Sabe essas coisas ridículas?
[00:28:15] Mas eu sempre presto atenção
[00:28:16] Sempre
[00:28:17] A minha…
[00:28:21] Ela fazia a barra
[00:28:23] Quando ela anotava a data
[00:28:24] Ela fazia a barra de baixo para cima
[00:28:26] Isso me deixava muito nervosa
[00:28:29] Porque para mim isso não é normal
[00:28:32] E eu sei que isso não tem relevância nenhuma
[00:28:34] Mas era uma coisa que me incomodava
[00:28:36] E então eu presto atenção
[00:28:38] Nesse tipo de coisa
[00:28:40] Absolutamente
[00:28:41] Por que que é importante então?
[00:28:44] Por que que você estudar
[00:28:45] Por que que tem que estudar?
[00:28:46] Por que que tem tanta diferença
[00:28:47] Na caligrafia de um país para o outro, por exemplo
[00:28:48] Para começar, a primeira pergunta
[00:28:50] Por exemplo, quando você vê um vídeo
[00:28:52] Um filme americano
[00:28:53] Aí você vê lá alguém escrevendo
[00:28:55] Deixou um recadinho anotado no post-it
[00:28:58] Dá um close na agenda da garota
[00:29:00] No caderno
[00:29:01] A gente reconhece uma caligrafia americana
[00:29:04] Na mesma hora
[00:29:05] Que não é igual a caligrafia
[00:29:07] De um brasileiro na escola
[00:29:09] Que eu sei que também não é
[00:29:11] Como um italiano escreve
[00:29:12] Por que que tem tanta diferença?
[00:29:14] O que é que determina a maneira…
[00:29:16] A escolha
[00:29:17] De como você vai ensinar a criança
[00:29:20] A escrever em cursivo?
[00:29:23] Bom
[00:29:24] É um longo percurso
[00:29:27] Mas vamos lá
[00:29:28] Em primeiro lugar
[00:29:29] Esse fascínio que as pessoas têm
[00:29:33] Pela letra manual
[00:29:34] É uma coisa muito legal
[00:29:35] Que eu venho acompanhando
[00:29:37] Desde lá de 2009
[00:29:40] Que eu iniciei meu mestrado
[00:29:42] Então lá no Rio
[00:29:44] As pessoas começaram a me dar
[00:29:46] Cartas dos familiares
[00:29:48] Porque gostavam da letra
[00:29:50] Da letra da mãe
[00:29:53] Então eu venho colecionando
[00:29:55] Alguns manuscritos
[00:29:58] E também esses livros
[00:30:00] De ensino da escrita
[00:30:01] Na escola
[00:30:02] Livros escolares
[00:30:03] As chamadas cartilhas
[00:30:06] Bom
[00:30:08] Em primeiro lugar
[00:30:10] É importante a gente
[00:30:12] Voltar um pouquinho no tempo
[00:30:16] Quando da Revolução Industrial
[00:30:18] A Inglaterra
[00:30:21] Ela ditou
[00:30:22] Ela foi o grande motor do mundo
[00:30:26] E no ensino da escrita
[00:30:29] A Inglaterra
[00:30:31] Até hoje está
[00:30:32] Bastante à frente
[00:30:34] Dos outros países
[00:30:36] Eu diria assim
[00:30:37] E a letra
[00:30:41] Chamada letra inglesa
[00:30:43] Ela foi a letra
[00:30:45] Do português
[00:30:46] Comércio mundial
[00:30:47] Aí a partir
[00:30:50] Início do século XIX
[00:30:55] Então a letra
[00:30:57] Inglesa dominou o mundo
[00:31:00] Esse modelo
[00:31:01] De escrita inglesa
[00:31:03] Ele vai
[00:31:05] Por exemplo
[00:31:06] No Brasil vai vigorar
[00:31:08] Até os anos
[00:31:08] 40, 50
[00:31:12] Então
[00:31:14] Todos os mundos
[00:31:16] Modelos que a gente tem hoje
[00:31:18] A maioria deles são
[00:31:21] Derivados da letra inglesa
[00:31:23] Inclusive a brasileira
[00:31:26] Aí já não sabia
[00:31:26] Só que
[00:31:28] Se a gente pegar a italiana
[00:31:30] Que você falou
[00:31:31] E a brasileira
[00:31:33] Elas são verticais
[00:31:35] E
[00:31:37] Nos Estados Unidos
[00:31:41] Eles tiveram uma influência muito grande
[00:31:43] De dois modelos
[00:31:45] Que são
[00:31:45] A letra Spenceriana
[00:31:47] E a posterior
[00:31:48] Que é a letra
[00:31:49] Do Palmer
[00:31:51] A N Palmer
[00:31:52] Então
[00:31:55] Ela é inclinada
[00:31:57] A letra cursiva americana
[00:31:59] É inclinada
[00:32:00] Enquanto que a nossa
[00:32:02] É vertical
[00:32:04] Então ela não tem inclinação
[00:32:06] A espanhola
[00:32:08] A italiana
[00:32:09] Também é vertical
[00:32:13] Alguns modelos
[00:32:15] Eles se mantiveram
[00:32:17] Muito ligados
[00:32:18] A tradição
[00:32:20] Aos modelos que antecederam
[00:32:23] Então
[00:32:24] Se você pegar, por exemplo
[00:32:27] O modelo francês
[00:32:27] Ele é muito tradicional
[00:32:29] As crianças francesas
[00:32:31] Aprendem a escrever em cursivo
[00:32:33] Diretamente com quatro anos
[00:32:34] Estão começando a aprender
[00:32:36] Letra cursiva bem rebuscadinha
[00:32:39] Cheia de rococó
[00:32:40] Para a gente falar uma linguagem
[00:32:42] Mais acessível
[00:32:44] Assim, né?
[00:32:45] Então
[00:32:47] É isso
[00:32:48] Alguns países ficaram mais ligados
[00:32:50] A tradição
[00:32:51] Outros não
[00:32:53] Mas no início do século XX
[00:32:55] Teve um fator determinante
[00:32:57] Houve um movimento
[00:32:59] Higienista
[00:33:00] Que veio
[00:33:03] Que se originou no norte da Europa
[00:33:06] Ali mais precisamente
[00:33:07] Suíça
[00:33:09] E Alemanha
[00:33:10] E eles
[00:33:12] Identificaram que a letra inglesa
[00:33:15] Inclinada
[00:33:15] Ela era prejudicial
[00:33:17] À saúde das crianças
[00:33:18] Ué?
[00:33:20] É
[00:33:20] Porque a criança fica torta para escrever?
[00:33:23] Exato
[00:33:23] São fatores pseudocientíficos
[00:33:28] Vamos dizer assim
[00:33:29] Mas eles alegavam que
[00:33:31] A letra causava problemas de coluna
[00:33:35] Gente, que engraçado isso
[00:33:38] As crianças ficavam miúpes
[00:33:40] E ficavam com problemas posturais
[00:33:43] Por causa da letra
[00:33:45] Muito inclinada
[00:33:46] Então eles colocaram um modelo
[00:33:49] Vertical
[00:33:50] Cursivo vertical
[00:33:51] Em muitos países o que se fez foi
[00:33:54] Pegou-se a letra inglesa
[00:33:56] E tirou a inclinação
[00:33:57] Faz tudo vertical
[00:33:58] E isso foi
[00:34:01] Rodou o mundo afora
[00:34:04] Esse movimento higienista
[00:34:06] Influenciou o mundo inteiro
[00:34:08] A escola do mundo inteiro
[00:34:10] E a grande maioria
[00:34:13] Dos países
[00:34:14] Verticalizou
[00:34:15] Os seus modelos
[00:34:17] Então isso foi adotado
[00:34:20] Assim na América Latina
[00:34:21] Em geral
[00:34:22] Com exceção de alguns países
[00:34:24] México, por exemplo, usa o modelo americano
[00:34:28] Canadá usa o modelo americano
[00:34:32] Que é a letra Palmer
[00:34:35] Então a letra Palmer
[00:34:37] Ela resistiu a esse movimento
[00:34:39] Da escrita cursiva vertical
[00:34:41] Eles mantiveram
[00:34:43] Mas enquanto a letra Palmer
[00:34:45] Os ingleses fizeram
[00:34:47] Várias reformas
[00:34:49] Logo depois desse movimento
[00:34:53] Higienista
[00:34:55] Que verticalizou a escrita cursiva
[00:34:57] Houve um outro movimento
[00:34:59] Que foi o da letra de imprensa
[00:35:01] Isso surge
[00:35:05] Na Inglaterra
[00:35:07] A partir do trabalho de calígrafos
[00:35:09] Principalmente
[00:35:11] Do Edward Johnston
[00:35:12] Que era um grande calígrafo
[00:35:15] E designer de tipos
[00:35:17] Do início do século XX
[00:35:19] Na Inglaterra
[00:35:20] E ele estuda
[00:35:22] O traço elementar
[00:35:26] Da caligrafia
[00:35:29] De um modelo caligráfico
[00:35:32] Específico
[00:35:33] Que ele chamou de
[00:35:34] Foundation Hand
[00:35:36] Uma caligrafia simplificada
[00:35:38] E ele estuda
[00:35:41] O que é o esqueleto
[00:35:42] Dessa caligrafia
[00:35:45] E mostra lá
[00:35:47] O que seria
[00:35:47] Essas formas esqueletais
[00:35:49] Imagina uma letra bem fininha
[00:35:50] Uma letra de normógrafo
[00:35:53] Só que ele queria propor
[00:35:57] Uma caligrafia simplificada
[00:35:59] E o conselho de educação
[00:36:02] Lá da Inglaterra
[00:36:05] Vamos usar tipos
[00:36:08] Digitais
[00:36:09] Para ensinar
[00:36:11] Esse modelo de letra de imprensa
[00:36:13] E o mundo
[00:36:15] Afora saiu pegando
[00:36:18] Euvética ou Futura
[00:36:19] Euvética
[00:36:22] Nos anos 50
[00:36:24] Mas a Futura foi uma das primeiras
[00:36:27] A serem utilizadas
[00:36:28] E aí começaram a ensinar
[00:36:31] As crianças a aprender
[00:36:33] A escrever com letra
[00:36:34] De imprensa
[00:36:36] A partir de fontes
[00:36:39] De texto
[00:36:41] Como Futura e Euvética
[00:36:43] Isso eu acho que foi
[00:36:45] Um…
[00:36:45] Um equívoco
[00:36:47] E o próprio
[00:36:49] Edward Johnston
[00:36:50] Diz que foi um equívoco
[00:36:53] Porque uma letra
[00:36:54] Geométrica como a Futura
[00:36:57] Não tem absolutamente
[00:36:58] Nada a ver com
[00:37:00] Letra manual
[00:37:02] Então, ok
[00:37:05] Ela é simples, mas
[00:37:06] Não é instintiva, você diz assim?
[00:37:09] Não, não tem nada ali
[00:37:11] Que seja instintivo para uma criança
[00:37:12] E nem os ingleses
[00:37:15] Adotaram esse
[00:37:17] Esse modo
[00:37:19] Esse esquema de ensino
[00:37:21] Os ingleses tinham
[00:37:23] Muita tradição em caligrafia
[00:37:26] E eles tinham uma coisa que
[00:37:28] Eles tinham já esse modelo simplificado
[00:37:31] Que eles encontraram na letra de arquiteto
[00:37:33] Então lá eles fizeram
[00:37:35] Lá eles fizeram
[00:37:38] Modelos caligráficos
[00:37:40] Simplificados
[00:37:41] Ou seja
[00:37:43] Uma letra
[00:37:45] De imprensa simplificada
[00:37:47] Mas muito orgânica
[00:37:48] E muito mais vinculada
[00:37:51] Ao produzido pela mão
[00:37:53] Enquanto que
[00:37:56] Em algumas partes do mundo
[00:37:58] Pegou-se fontes prontas
[00:38:00] Para ensinar
[00:38:01] E aí a gente, a América Latina toda
[00:38:04] Adota essa questão
[00:38:06] De letra de imprensa
[00:38:08] A letra que estiver disponível
[00:38:10] Então, Arial, Elvética
[00:38:12] Em alguns lugares Futura
[00:38:14] Que para mim é o pior cenário
[00:38:15] Possível
[00:38:16] Tadinha da Futura
[00:38:17] Pois é, tadinha das crianças
[00:38:20] Porque depois
[00:38:21] Depois de eles aprenderem a escrever
[00:38:23] A partir da Arial
[00:38:25] Eles têm que passar para um modelo
[00:38:29] Cursivo
[00:38:30] Que não tem nada a ver uma coisa com a outra
[00:38:32] Então não é progressivo
[00:38:33] Esse ensino
[00:38:35] Enquanto na Inglaterra é progressivo
[00:38:39] Eles fazem um sistema progressivo
[00:38:41] Não usam uma fonte
[00:38:42] Convencional
[00:38:45] De mercado
[00:38:46] Usam uma fonte específica
[00:38:49] Que simula
[00:38:52] Algo feito pela mão
[00:38:53] E é isso
[00:38:57] É um sistema progressivo
[00:38:58] Totalmente diferente
[00:39:00] Na Inglaterra hoje
[00:39:01] Ensinam um modelo muito simples mesmo
[00:39:04] Enquanto aqui a gente ainda está fazendo
[00:39:07] O rococó que tem a ver com
[00:39:08] As perninhas, o negocinho
[00:39:10] As letras maiúsculas principalmente
[00:39:13] Nossa, sim, socorro, sim
[00:39:15] Você falou da Itália
[00:39:18] Na Itália eles têm
[00:39:19] Hoje
[00:39:21] O modelo, a letra maiúscula
[00:39:24] Ela não tem firula nenhuma
[00:39:26] Ela é uma letra
[00:39:27] Que a gente chama de simplificada
[00:39:30] Letra de imprensa simplificada
[00:39:33] E a letra
[00:39:36] As letras minúsculas
[00:39:39] São totalmente cursivas
[00:39:41] Ou seja, são todas ligadas
[00:39:45] Verticais
[00:39:47] Tudo vertical
[00:39:48] Mas eles simplificaram, por exemplo
[00:39:51] Essa coisa da maiúscula
[00:39:53] Ornada
[00:39:54] Que é muito arcaica
[00:39:56] E na Itália tem um trabalho
[00:39:58] Muito legal, que é bastante novo
[00:40:01] De reformar o ensino
[00:40:04] A partir de modelos
[00:40:05] Itálicos
[00:40:08] Que é uma letra
[00:40:10] Levemente inclinada
[00:40:12] E não é totalmente cursiva
[00:40:14] Você pode ver que é uma letra
[00:40:15] Que é uma letra
[00:40:15] Que é uma letra
[00:40:15] Que é uma letra
[00:40:15] Você pode levantar o lápis
[00:40:17] Por exemplo, entre uma letra e outra
[00:40:19] Então tem umas diferenças sutis
[00:40:22] É um trabalho muito novo
[00:40:24] Que resgata
[00:40:25] O modelo caligráfico lá do Renascimento
[00:40:28] O primeiro modelo caligráfico
[00:40:30] Da história
[00:40:32] Que é do Ludovico Arrigui
[00:40:35] E lá no Renascimento
[00:40:38] E é um trabalho muito bonito
[00:40:41] Da Mônica Dengo
[00:40:42] Que é uma calígrafa
[00:40:44] Artista, plástica
[00:40:45] Que é uma letra
[00:40:45] E também designer
[00:40:48] E ela está com um trabalho muito legal
[00:40:51] Lá na Itália
[00:40:52] Com esse pessoal de educação muito bacana
[00:40:55] Lá na Itália
[00:40:55] Tem um grupo lá chamado SMED
[00:40:58] Que é
[00:40:59] Ensino da escrita nos tempos digitais
[00:41:04] Ah, que específico
[00:41:06] Bem legal
[00:41:07] Muito legal
[00:41:08] Muito, muito legal
[00:41:09] Muito legal isso
[00:41:15] Muito legal
[00:41:25] É um trabalho muito bonito
[00:41:26] E é um trabalho muito bom
[00:41:28] Um trabalho muito bom
[00:41:30] Eu acho que é muito legal
[00:41:31] Porque o especialista
[00:41:32] Ele fez um livro
[00:41:34] Que é o livro
[00:41:35] Que é sobre as crianças
[00:41:36] Que foi um胡re tudo
[00:41:38] O material é muito bom
[00:41:40] Então tem um grande trabalho
[00:41:41] Que сделали
[00:41:42] Uma rádio que o Luiz
[00:41:42] Me fez um skunk
[00:41:44] Que eu acho que está muito bom
[00:41:44] Ele é um autor que é muito bom
[00:41:44] E esse material ele é muito bom
[00:41:44] Eu acho que ele é muito bom
[00:41:44] Eu acho que ele é muito bom
[00:41:44] Eu acho que ele é muito bom
[00:41:44] Eu acho que ele é muito bom
[00:41:45] de você poder tirar o lápis e tal,
[00:41:47] eu ia te perguntar
[00:41:49] o que eu já tinha sempre perguntado antes.
[00:41:51] Por que é importante
[00:41:53] fazer de um certo jeito
[00:41:55] e não do outro? Por que eu fico nervosa
[00:41:57] com a outra fazendo a barra de baixo para cima,
[00:41:59] o oito que vai para o lado contrário
[00:42:01] do que eu estou acostumada a fazer?
[00:42:03] Por que é importante ter
[00:42:05] uma padronização disso?
[00:42:08] Qual é a diferença? O que muda
[00:42:09] na vida da criança para ela poder tirar o lápis do papel
[00:42:11] entre uma letra e outra ou não?
[00:42:13] Bom, você não imagina
[00:42:15] eu não sou uma pessoa muito
[00:42:17] calma, não.
[00:42:19] O meu estresse com o meu
[00:42:21] filho…
[00:42:24] Eu que não trabalho
[00:42:25] com isso, já me estressei com a minha filha por causa
[00:42:27] dessas coisas. Cada vez que fazia um P
[00:42:29] a moda italiana, que eu acho cafonérmica,
[00:42:31] eu já surtava. Imagina você
[00:42:33] que trabalha com isso e tem todos
[00:42:35] os parâmetros certinhos e tal.
[00:42:37] Deve ser difícil.
[00:42:39] O Joaquim, ele
[00:42:40] pegou
[00:42:42] o aprendizado da
[00:42:45] escrita no meio da pandemia.
[00:42:46] Ô, tadinho!
[00:42:48] Então, você vê, ele entra
[00:42:51] nessa geração
[00:42:53] que teve um atraso.
[00:42:58] Então…
[00:42:59] Bom, é uma longa
[00:43:01] história isso, mas é assim…
[00:43:05] Escrever tem
[00:43:07] uma…
[00:43:09] um método e um modelo, digamos.
[00:43:12] Claro que
[00:43:13] um vinculado ao outro, a partir
[00:43:15] de um modelo que tu
[00:43:16] convenciona, tu vai desenvolver
[00:43:18] um método de ensino.
[00:43:21] E
[00:43:22] tem uma ordem
[00:43:24] e tem um sentido.
[00:43:27] Então, por exemplo, você falou
[00:43:28] em barra, mas
[00:43:30] pra gente diferenciar,
[00:43:33] barra é horizontal e haste
[00:43:34] é vertical.
[00:43:36] Então, a haste, ela tem que ser
[00:43:39] desenhada sempre de cima pra baixo.
[00:43:41] Ah, então que bom que o meu nervosismo é justificado.
[00:43:43] É sempre.
[00:43:45] Então, tem…
[00:43:46] Toda letra tem um ponto de início
[00:43:49] e um ponto de fim.
[00:43:50] Isso vai fazer com que
[00:43:53] o teu fluxo de escrita
[00:43:54] seja mais rápido
[00:43:57] e eficiente. Além disso,
[00:43:59] vai favorecer a pega.
[00:44:01] Tu tem que pegar bem.
[00:44:03] Tu tem que sentar bem. Tu tem que ter uma
[00:44:05] postura boa. Tu tem que ter a posição
[00:44:07] correta do papel. Tem uma série
[00:44:09] de coisas.
[00:44:11] E o canhoto terá
[00:44:13] o escritório,
[00:44:15] o esquerdo terá que adaptar.
[00:44:17] Tem toda uma outra…
[00:44:20] Tem um outro
[00:44:21] setup pra gente
[00:44:22] usar uma linguagem mais
[00:44:25] contemporânea. O Thiago é
[00:44:27] canhoto. O canhoto acabou de entrar.
[00:44:29] O canhoto rindo aí, só testemunha
[00:44:31] das dificuldades.
[00:44:32] O Thiago é sinistro?
[00:44:35] O Thiago é sinistro?
[00:44:38] Ah, muito bem.
[00:44:40] Tudo bem?
[00:44:41] Vamos lá, tudo bem.
[00:44:42] Eu estava
[00:44:44] bem curioso pra chegar nessa
[00:44:46] parte aí, porque se vocês não
[00:44:48] tivessem entrado nesse
[00:44:50] tópico, eu acabaria tocando
[00:44:52] nesse assunto de qualquer forma.
[00:44:55] Enquanto canhoto,
[00:44:56] eu tenho lugar de fala sobre
[00:44:58] a dificuldade desse tipo de coisa,
[00:45:00] porque, assim,
[00:45:02] talvez seja uma
[00:45:04] questão de impressão minha,
[00:45:06] mas me parece
[00:45:07] que o fato de
[00:45:10] nós escrevermos
[00:45:11] no sentido da esquerda,
[00:45:14] pra direita,
[00:45:15] é, de certa forma, uma facilitação
[00:45:18] para destros, certo?
[00:45:20] Óbvio.
[00:45:22] Tudo foi feito pensando
[00:45:23] no destro.
[00:45:25] Você está sempre meio que puxando a perna
[00:45:28] das letras, né?
[00:45:30] Uma já vem meio que
[00:45:32] num fluxo
[00:45:35] muito mais constante,
[00:45:36] muito mais…
[00:45:37] que faz muito mais sentido pro destro do que pro canhoto.
[00:45:41] Ainda mais se for pensar
[00:45:42] no quesito canetas tintas.
[00:45:44] Teve coisa de tal que…
[00:45:47] Exato.
[00:45:48] Você falou um termo muito interessante.
[00:45:51] O destro,
[00:45:53] ele escreve
[00:45:54] puxando, e a gente precisa
[00:45:56] puxar. Empurrar é um problema.
[00:45:59] Isso, claro,
[00:46:00] vem do nankin, né?
[00:46:01] Tu não empurra a pena, tu puxa.
[00:46:05] O fluxo,
[00:46:06] tudo. Então, Thiago,
[00:46:08] com certeza, tudo foi feito
[00:46:09] pensando no destro.
[00:46:12] Os primeiros,
[00:46:14] os modelos, os primeiros manuais
[00:46:16] de escrita, lá da época
[00:46:18] do Renascimento, tem um que é sensacional,
[00:46:21] que o…
[00:46:23] do…
[00:46:24] Ah, meu Deus, agora me fugiu o nome.
[00:46:26] O Kreti, tá?
[00:46:28] O sobrenome dele é Kreti.
[00:46:29] Jean-Francesco Kreti.
[00:46:32] Que é um cara maravilhoso.
[00:46:34] Esse cara reformou
[00:46:35] a letra cursiva
[00:46:38] ali pelo ano
[00:46:40] de mil seiscentos e poucos.
[00:46:42] E ele dizia,
[00:46:44] dizia que o
[00:46:45] esquerdo,
[00:46:47] que se não me falha a memória em italiano
[00:46:50] é sinistro, já veja…
[00:46:52] É, esquerdo é sinistro, mas canhoto é mantino.
[00:46:55] Sim,
[00:46:56] mas eles chamavam de sinistro.
[00:46:58] Sim, o lado esquerdo é sinistro mesmo.
[00:47:00] Tinha essa ligação com
[00:47:02] o sombrio. Ele dizia que
[00:47:04] o canhoto era…
[00:47:06] ele era o pai do canhoto
[00:47:08] e não deve ter feito alguma coisa muito boa,
[00:47:10] se alimentou mal e tal.
[00:47:12] Era uma coisa muito…
[00:47:14] não sei bem como…
[00:47:18] Era errado ser canhoto, cara.
[00:47:20] Era errado.
[00:47:21] E tu era forçado, eles faziam…
[00:47:25] não podia ser.
[00:47:26] O mínimo que tu tinha que fazer era escrever com as duas.
[00:47:29] E isso aqui no Brasil
[00:47:30] era comum. A tia da minha esposa
[00:47:32] ela foi obrigada a desenvolver.
[00:47:35] Ela era professora
[00:47:36] primária, né? Foi obrigada a aprender
[00:47:38] a escrever com as duas mãos.
[00:47:40] Então, isso até os anos
[00:47:42] cinquenta não era…
[00:47:44] era estranho, né?
[00:47:47] Tu trabalhar
[00:47:48] a criança pra ela não ser
[00:47:49] canhota na escrita.
[00:47:53] Então, é uma
[00:47:54] dificuldade.
[00:47:57] A gente tem
[00:47:58] aquele negócio meio que
[00:48:00] cíclico, né?
[00:48:02] De que, de tempos em tempos,
[00:48:04] algumas coisas
[00:48:05] acabam caindo nesse tipo de…
[00:48:08] de…
[00:48:09] de obscurantismo,
[00:48:12] de tentar evitar e tal, ou não.
[00:48:14] Em algum momento
[00:48:16] do estudo
[00:48:18] de tipografias e tal,
[00:48:20] pensou-se em fazer
[00:48:22] algum tipo de
[00:48:24] letra cursiva
[00:48:27] para canhoto?
[00:48:29] Que facilitasse a vida
[00:48:30] do canhoto?
[00:48:31] Eu já vi alguma coisa, tá?
[00:48:32] Inclusive, quando eu participei
[00:48:35] da ATP em São Paulo,
[00:48:39] o ATP é o grande
[00:48:40] encontro de tipografia
[00:48:42] mundial.
[00:48:44] E se
[00:48:46] realizou em São Paulo
[00:48:48] no ano de
[00:48:49] 2016,
[00:48:52] acho, não me lembro bem.
[00:48:56] Acho que foi em 16.
[00:48:58] Eu estava começando o meu estudo de doutorado.
[00:49:01] Aí alguém me disse,
[00:49:02] olha, você tem que
[00:49:03] estudar pra
[00:49:06] disléxicos e pra canhoto.
[00:49:09] E pra canhoto.
[00:49:13] Mas,
[00:49:14] cara, não dá.
[00:49:17] Você tem que fazer
[00:49:20] recortes, né? E eu já sou
[00:49:22] meio maluco do
[00:49:22] recorte. Meu recorte é muito grande.
[00:49:26] Mas,
[00:49:28] pra estudar
[00:49:29] essa coisa da dislexia
[00:49:31] e do canhoto, precisa de um estudo
[00:49:34] profundo. E aí,
[00:49:36] eu não cheguei lá ainda.
[00:49:38] Mas,
[00:49:39] o que, uma coisa
[00:49:42] que, pro canhoto,
[00:49:44] é interessante, é como eu estava falando pra Letícia
[00:49:46] quando você chegou. Você tem que fazer um
[00:49:48] setup diferente.
[00:49:51] E,
[00:49:52] pro canhoto,
[00:49:53] um modelo
[00:49:55] com inclinação ao contrário
[00:49:57] poderia ser interessante.
[00:49:59] Mas, eu não
[00:50:01] estudei isso o suficiente.
[00:50:04] A gente tem
[00:50:05] alguns modelos
[00:50:06] inclinados pra direita.
[00:50:09] Pro canhoto, um modelo inclinado
[00:50:11] pra esquerda poderia ser interessante. Mas,
[00:50:13] eu deixo bem claro, eu não estudei
[00:50:15] isso o suficiente.
[00:50:17] Mas, é um
[00:50:19] futuro.
[00:50:20] E as línguas que se escrevem mesmo da direita pra esquerda?
[00:50:23] A maioria da população continua sendo
[00:50:25] destra. Por que os árabes escrevem da direita
[00:50:27] pra esquerda? Se borra tudo?
[00:50:30] Aí,
[00:50:31] é tudo diferente.
[00:50:33] Mas, eu
[00:50:34] não tenho conhecimento
[00:50:37] suficiente também. Mas,
[00:50:39] o contexto da escrita é
[00:50:41] tudo diferente. Por exemplo, se você pegar
[00:50:43] Aiko, a nossa letra
[00:50:45] ela é assentada
[00:50:47] numa linha de base, tá?
[00:50:49] Aquela pauta do caserno, né?
[00:50:51] Sim, sim. O árabe,
[00:50:53] quando você olha
[00:50:55] pra ele, você vai ver que ele tem
[00:50:57] uma linha de topo
[00:50:59] demarcada
[00:51:00] mais
[00:51:02] do que a linha de base.
[00:51:05] Então, ele, por exemplo, ele é mais
[00:51:07] fechado na linha de topo
[00:51:09] do que na linha de base.
[00:51:11] Que nem o talandês também se nomeia.
[00:51:13] Não é assim, né?
[00:51:14] Também, é.
[00:51:16] Então, muda tudo.
[00:51:19] Muda tudo.
[00:51:21] Então, eu não sou
[00:51:23] um linguista.
[00:51:24] Não entendo muito.
[00:51:26] O pessoal da TypeTogether
[00:51:29] é uma das
[00:51:31] dos
[00:51:33] estúdios de design de tipos
[00:51:35] que mais produz
[00:51:36] pra outras línguas. Eles têm um trabalho
[00:51:39] muito legal.
[00:51:40] Ah, que bacana.
[00:51:41] A TypeTogether lançou…
[00:51:43] Lançou agora
[00:51:44] em setembro um livro
[00:51:47] que se chama Building Ligatures
[00:51:49] The Power
[00:51:51] of Type, que fala
[00:51:53] desses 15 anos
[00:51:55] da empresa
[00:51:56] e como eles trabalharam
[00:51:59] nessa coisa de construir
[00:52:01] conexões mundo afora.
[00:52:04] Ligatures
[00:52:05] é um termo de
[00:52:06] letras, quando a gente constrói uma letra
[00:52:09] que emenda
[00:52:11] na outra, digamos.
[00:52:13] Então,
[00:52:15] eles usam esse termo
[00:52:16] pra falar disso, né?
[00:52:19] Construindo conexões
[00:52:21] com as pessoas mundo afora.
[00:52:23] E eles falam bastante dessa produção
[00:52:25] pra outras línguas, né?
[00:52:27] Que, se vocês
[00:52:29] pensarem, assim,
[00:52:30] o mundo não latino
[00:52:32] ele começa a ser
[00:52:35] bem atendido pela
[00:52:39] computação gráfica,
[00:52:41] pelo design de tipos, assim,
[00:52:43] a partir do ano 2000,
[00:52:44] que mudou a tecnologia
[00:52:46] de programação e produção
[00:52:48] de fontes.
[00:52:51] Até então,
[00:52:52] essas línguas não latinas
[00:52:54] estavam muito mal assistidas.
[00:52:59] Vamos aí, no ano 2000,
[00:53:02] até ali, em 1998,
[00:53:04] um arquivo de fonte
[00:53:05] só podia ter por volta de
[00:53:08] 256 caracteres.
[00:53:11] 256 caracteres.
[00:53:13] Isso não dava conta
[00:53:14] de uma fonte
[00:53:16] com duas línguas acentuadas,
[00:53:20] duas línguas latinas acentuadas.
[00:53:22] Não dava conta.
[00:53:24] Então, a partir aí,
[00:53:25] na virada pro ano 2000,
[00:53:28] foi formado um consórcio
[00:53:32] chamado Unicode
[00:53:33] e foi desenvolvido os tipos OpenType.
[00:53:36] Aí uma fonte começa
[00:53:38] a poder
[00:53:39] abarcar
[00:53:41] cerca de
[00:53:42] 90 mil códigos.
[00:53:45] Então, o chinês, por exemplo,
[00:53:47] começa a ser atendido
[00:53:48] no design de tipos.
[00:53:53] Então, a gente está falando
[00:53:55] só de 20 anos.
[00:53:56] Então, tem muito mercado aí,
[00:53:58] não latino, para produção de tipos,
[00:54:00] que é muito bacana.
[00:54:01] Eu não sei nada disso.
[00:54:04] Não consegui chegar lá ainda, não.
[00:54:06] Estou aprendendo alguma coisa
[00:54:08] com o pessoal da TypeTogether agora.
[00:54:11] Mas eu não posso ir para esse lado, não.
[00:54:14] Tenho muita coisa ainda
[00:54:15] para trilhar aí
[00:54:17] no ensino da escrita.
[00:54:19] Uma coisa que é legal de se falar
[00:54:21] é o seguinte.
[00:54:22] Eu não sou da educação.
[00:54:25] E aí, quem é esse cara
[00:54:27] que não é
[00:54:31] educador,
[00:54:32] não é professor,
[00:54:33] está se metendo
[00:54:34] no ensino da escrita?
[00:54:37] A escrita é um campo multidisciplinar.
[00:54:40] Então,
[00:54:41] eu não sou da educação.
[00:54:41] Então, ela precisa
[00:54:43] da contribuição
[00:54:45] de variados campos.
[00:54:48] E a gente,
[00:54:50] claro que, obviamente,
[00:54:51] precisa entender
[00:54:52] esse contexto
[00:54:55] da educação.
[00:54:58] Então, eu fui
[00:54:59] para dentro de sala de aula,
[00:55:02] entrevistei várias professoras
[00:55:04] na minha tese.
[00:55:06] Eu precisava
[00:55:07] entender isso.
[00:55:09] Só um pouquinho
[00:55:11] que deu uma loucura na minha…
[00:55:14] É, está com um retorninho aí.
[00:55:16] Na minha siria aqui.
[00:55:17] Ela fica…
[00:55:19] Ah, está falando contigo.
[00:55:20] Não, ela botou uma música para mim aqui.
[00:55:26] Boa, pelo menos, ou música ruim?
[00:55:28] Nem sei que música
[00:55:29] ela botou aqui.
[00:55:31] Bom, mas voltando.
[00:55:32] Então, o…
[00:55:34] O campo
[00:55:37] do ensino, ele é multidisciplinar.
[00:55:40] Para vocês terem um…
[00:55:41] uma ideia,
[00:55:43] qual é o cenário…
[00:55:46] No meu mestrado, eu estudei
[00:55:47] um cenário e fiquei bastante arrasado.
[00:55:50] Vai acabar a escrita
[00:55:52] cursiva.
[00:55:55] Eu não
[00:55:56] posso dizer que…
[00:55:57] Ia chegar lá em breve.
[00:56:00] Enquanto canhoto, eu sofri
[00:56:01] tanto com ela que eu não consigo dizer esse lamento.
[00:56:04] Inclusive, era uma das perguntas que eu tinha.
[00:56:06] O que a gente perde
[00:56:07] com deixar de ter
[00:56:09] escrita cursiva?
[00:56:11] Tá, então.
[00:56:17] Primeiro…
[00:56:17] Gente, vocês me desculpam se eu estou atropelando
[00:56:19] a pauta assim, porque…
[00:56:21] Porque como eu caí de paraquedas no meio…
[00:56:23] Não, não está não, está tudo certo.
[00:56:27] Mas sentou na janela.
[00:56:29] A gente diz…
[00:56:30] O cara chega atrasado e quer sentar na janela.
[00:56:33] A gente usa aqui no Sul, né?
[00:56:34] É, morri também.
[00:56:37] Tiagão, você sentou na janela.
[00:56:38] É exatamente o ponto.
[00:56:40] Por isso que eu falei isso.
[00:56:41] Olha, eu não sou educador.
[00:56:44] A minha intenção é
[00:56:46] contribuir.
[00:56:51] Então…
[00:56:52] Às vezes as professoras me perguntam
[00:56:54] mas eu quero saber qual é a tua opinião.
[00:56:57] Bom,
[00:56:58] já bem, a minha opinião é de fora.
[00:57:02] O que acontece?
[00:57:07] Na virada para o século XX,
[00:57:10] começa a acontecer
[00:57:11] uma coisa.
[00:57:11] A escrita, o ensino da escrita,
[00:57:14] deixa de ser
[00:57:15] uma disciplina
[00:57:17] específica
[00:57:19] dada,
[00:57:22] ministrada por um calígrafo,
[00:57:24] por um mestre calígrafo,
[00:57:26] e passa a fazer parte
[00:57:28] da disciplina
[00:57:30] de língua mãe
[00:57:32] dos países.
[00:57:33] Isso acontece em todo o mundo.
[00:57:35] Estou estudando isso
[00:57:37] e posso dizer para vocês que a história
[00:57:39] é parecida na maioria dos países.
[00:57:41] E, então,
[00:57:44] a disciplina
[00:57:45] deixa de existir.
[00:57:47] Existe um processo que é a
[00:57:48] desprofissionalização,
[00:57:51] uma palavra difícil,
[00:57:52] do ensino da escrita.
[00:57:55] Então, isso
[00:57:57] deixa de ser ensinado
[00:57:59] por um mestre profissional
[00:58:00] e passa a ser
[00:58:04] ensinado pelos professores.
[00:58:08] Por que isso acontece?
[00:58:09] É um impacto da máquina,
[00:58:11] a máquina de escrever.
[00:58:12] A máquina de escrever
[00:58:13] tira aquela necessidade
[00:58:16] da pessoa…
[00:58:18] Por exemplo, um escriturário
[00:58:19] de comércio, de repartição pública,
[00:58:22] no início do século,
[00:58:24] ele precisava ser fluente
[00:58:27] em seis estilos caligráficos,
[00:58:29] no mínimo.
[00:58:31] O que é isso, gente?
[00:58:32] Então, você só ia ter futuro
[00:58:35] enquanto funcionário público,
[00:58:38] enquanto
[00:58:39] um professor,
[00:58:39] um professor de arquitetura,
[00:58:41] qualquer repartição,
[00:58:42] ou mesmo no comércio,
[00:58:43] se você fosse fluente,
[00:58:46] aí vamos deixar por quatro estilos caligráficos.
[00:58:50] Então, fazia sentido isso.
[00:58:52] Era uma preparação para o futuro.
[00:58:54] Hoje, a preparação para o futuro
[00:58:55] é o computador.
[00:58:58] Então, quando surge a máquina de escrever,
[00:59:01] isso cai por terra.
[00:59:03] E, claro, gente,
[00:59:05] na escrita, na educação,
[00:59:07] tudo leva mais ou menos
[00:59:09] entre, no mínimo,
[00:59:10] entre 20 e 50 anos
[00:59:14] para mudar o curso de alguma coisa.
[00:59:16] É um caminho longo.
[00:59:18] Hoje está mais rápido,
[00:59:19] mas naquela época.
[00:59:21] Então,
[00:59:22] isso no Brasil vai até os anos 50,
[00:59:26] por aí.
[00:59:28] 1950.
[00:59:31] Então, quando deixa de existir
[00:59:33] essa necessidade profissional
[00:59:35] de se escrever
[00:59:36] com muito bem,
[00:59:40] em vários modelos,
[00:59:44] a escrita deixa de ser
[00:59:45] uma matéria em si.
[00:59:48] E aí, os professores
[00:59:49] progressivamente vão começar
[00:59:53] a ensinar a escrever.
[00:59:54] E esse contato com o calígrafo,
[00:59:57] com o cara que entende
[00:59:58] das letras mesmo,
[01:00:00] ele vai desaparecendo.
[01:00:03] Não existe mais esse…
[01:00:05] Não vou perguntar para vocês.
[01:00:07] Vocês, com certeza, conhecem um calígrafo.
[01:00:10] Eu conheço também.
[01:00:12] Mas a maioria das pessoas
[01:00:13] não conhece um calígrafo,
[01:00:15] não tem um amigo calígrafo.
[01:00:17] E esse conhecedor
[01:00:20] das letras passa a ser
[01:00:21] o tipógrafo.
[01:00:24] Passa a ser o designer de tipos.
[01:00:27] Então, hoje,
[01:00:28] quem contribui nesse assunto
[01:00:30] para a educação são os designers
[01:00:32] de tipos.
[01:00:33] Mas é uma coisa muito comum.
[01:00:35] Você acha um em cada país.
[01:00:40] Então,
[01:00:42] perdi o que eu da meada.
[01:00:44] Bom, a gente estava falando…
[01:00:46] Bom, o que acontece?
[01:00:47] As professoras começam paulatinamente
[01:00:50] a ser cada vez mais
[01:00:51] mal preparadas para ensinar a escrever.
[01:00:55] Eu não estou falando
[01:00:56] das professoras brasileiras.
[01:00:58] Isso é no mundo todo.
[01:01:00] Aí,
[01:01:02] como é que chega o final do século XX
[01:01:04] nos Estados Unidos?
[01:01:07] Precisamos ensinar
[01:01:08] as crianças,
[01:01:10] as crianças a digitar
[01:01:11] e a utilizar os computadores.
[01:01:14] Não tem tempo
[01:01:15] no currículo para isso.
[01:01:18] O que a gente faz?
[01:01:20] Não tem por que escrever cursiva.
[01:01:22] Vamos tirar a escrita cursiva,
[01:01:25] vamos entrar com o ensino
[01:01:26] das mídias digitais,
[01:01:28] só ensinamos a letra de imprensa.
[01:01:31] Isso
[01:01:31] aconteceu claramente
[01:01:34] nos Estados Unidos. Muitos
[01:01:35] americanos acabaram…
[01:01:38] Não ensinam mais o cursivo.
[01:01:39] Não.
[01:01:40] Inclusive, em volta e meia aparece algum caso
[01:01:42] no Twitter de gente que recebeu, sei lá,
[01:01:43] um convite de casamento e não consegue ler.
[01:01:45] Porque não sabe nem ler cursivo.
[01:01:47] Sim. Eu tenho uma grande amiga americana
[01:01:50] que é a professora
[01:01:51] Kate.
[01:01:54] Ela tem um livro
[01:01:56] que se chama
[01:01:57] Como Aprender
[01:02:02] a Ler em Cursivo.
[01:02:04] Me fugiu o título
[01:02:06] em inglês. Ele está aqui
[01:02:07] do meu lado, em algum lugar.
[01:02:08] A professora
[01:02:11] Kate Gladstone, ela é
[01:02:12] especialista nisso. Ela ensina
[01:02:15] as crianças americanas e adultos
[01:02:17] a ler em cursivo.
[01:02:20] Bom,
[01:02:20] aí então vários estados americanos
[01:02:23] tiraram o ensino da cursiva.
[01:02:25] Ao mesmo tempo,
[01:02:28] começou um grande
[01:02:29] estudo de um grupo
[01:02:30] de cientistas
[01:02:32] do ramo da
[01:02:34] neurocognição,
[01:02:38] psicopedagogia,
[01:02:38] e dislexia.
[01:02:42] E eles fizeram
[01:02:43] um extenso estudo
[01:02:45] com crianças escrevendo.
[01:02:50] E eles
[01:02:51] conseguiram constatar
[01:02:53] que quando a gente escreve
[01:02:56] com o teclado,
[01:02:58] a gente faz muito menos conexões
[01:03:00] cerebrais
[01:03:01] do que quando a gente escreve
[01:03:04] à mão.
[01:03:06] À mão.
[01:03:07] À mão.
[01:03:08] E eles também
[01:03:11] conseguiram constatar que
[01:03:12] a ligação
[01:03:15] entre uma letra e outra,
[01:03:16] a letrinha emendada,
[01:03:19] ajuda nesse fluxo
[01:03:21] cognitivo. Trabalha
[01:03:23] muito o cérebro
[01:03:24] em regiões também
[01:03:26] em comum com a leitura e com
[01:03:29] a organização do texto.
[01:03:32] A Berna e Miúdos,
[01:03:33] eles disseram assim, existem evidências
[01:03:35] que
[01:03:35] quem escreve à mão,
[01:03:38] está ajudando a pensar
[01:03:41] na organização do texto,
[01:03:43] trabalha muito melhor o cérebro
[01:03:45] no sentido de
[01:03:49] organizar a produção textual.
[01:03:51] E há muito tempo
[01:03:52] a educação se dedica a
[01:03:55] escrita
[01:03:57] no sentido de produção textual
[01:03:58] e não no sentido
[01:04:00] mecânico
[01:04:01] de escrever.
[01:04:05] Então,
[01:04:05] opa,
[01:04:07] aí todo mundo parou,
[01:04:08] não dá para
[01:04:11] passar nesse negócio aí,
[01:04:13] de começar a ensinar as crianças
[01:04:15] a só escrever com o computador.
[01:04:18] E a letra cursiva
[01:04:20] renasceu.
[01:04:23] Renasceu
[01:04:24] e aí tomaram-se
[01:04:26] algumas decisões
[01:04:28] que não sei dizer
[01:04:30] se são certas,
[01:04:32] mas uma das decisões foi que
[01:04:34] um dos pressupostos
[01:04:37] a partir desses estudos
[01:04:38] cognitivos
[01:04:39] é que
[01:04:41] a escrita totalmente cursiva
[01:04:45] é a mais adequada.
[01:04:47] Então, as associações de
[01:04:49] dislexia começaram a
[01:04:50] indicar
[01:04:51] a letra
[01:04:54] full cursive,
[01:04:56] que é o termo que é usado,
[01:04:59] ou continuous cursive.
[01:05:00] A nossa letra cursiva brasileira é totalmente
[01:05:03] cursiva.
[01:05:04] Tudo emendado
[01:05:06] que não levanta o lápis.
[01:05:08] E aí o mundo
[01:05:11] da escrita começou
[01:05:12] a brigar, não agora,
[01:05:15] porque a briga antes era
[01:05:16] escrita de imprensa
[01:05:18] e escrita cursiva.
[01:05:20] E a briga agora é
[01:05:22] escrita
[01:05:23] semicursiva
[01:05:25] ou cursiva total.
[01:05:28] O grande debate é esse.
[01:05:30] Mas a letra cursiva renasceu
[01:05:32] com muita força.
[01:05:35] Principalmente por causa desses
[01:05:36] estudos e dos
[01:05:38] direcionamentos
[01:05:40] das associações de dislexia,
[01:05:43] que são muito fortes lá fora.
[01:05:46] No Brasil eu não vejo
[01:05:47] muito esse intercâmbio,
[01:05:50] mas na Inglaterra é muito forte
[01:05:51] e nos Estados Unidos também.
[01:05:54] Olha só que coisa!
[01:05:56] Essa questão da escrita cursiva
[01:05:57] nos Estados Unidos
[01:05:59] parou de cair,
[01:06:02] como estava
[01:06:03] apintando nos primeiros anos
[01:06:05] do século XX.
[01:06:08] Então, até 2020,
[01:06:08] 2010,
[01:06:11] a escrita cursiva
[01:06:15] estava lomba abaixo.
[01:06:16] Foi meio que a época que teve aquela
[01:06:18] febre do lettering, né?
[01:06:24] Eu acho que é mais recente,
[01:06:25] Tiago.
[01:06:26] É mais recente.
[01:06:27] A minha filha fez, a Carol fez.
[01:06:30] É mais recente.
[01:06:31] Está dentro de um contexto de resgate.
[01:06:35] Está dentro de um contexto de resgate.
[01:06:37] Tem essa coisa toda do
[01:06:38] dos cafés e restaurantes
[01:06:41] de hipster fazerem aquela coisa
[01:06:43] no quadro negro,
[01:06:45] aquela coisinha com giz.
[01:06:49] Mas na escrita
[01:06:52] não tem a ver com…
[01:06:54] Não é com resgate.
[01:06:56] Não é assim
[01:06:57] uma nostalgia.
[01:06:59] É mais uma coisa…
[01:07:00] Está baseado em estudos científicos mesmo.
[01:07:04] Essa coisa
[01:07:04] de você ter mencionado
[01:07:07] desses estudos mesmo,
[01:07:08] quando você escreve à mão,
[01:07:10] você retém mais
[01:07:12] e funciona melhor
[01:07:13] do que se você digitar, né?
[01:07:15] Eu me lembro que a primeira coisa que eu li
[01:07:18] sobre esse assunto foi um artigo
[01:07:20] que mencionava
[01:07:21] cegos.
[01:07:23] Porque eles falaram, olha, como ninguém mais está aprendendo
[01:07:26] a escrever merda nenhuma e a gente
[01:07:27] usa o leitor de tela,
[01:07:30] então eu vou ditando e ele vai
[01:07:32] escrevendo, ou então o leitor lê
[01:07:34] para mim o que outra pessoa escreveu.
[01:07:36] E eu não escrevo, né?
[01:07:37] Eu não escrevo nada.
[01:07:38] A gente está perdendo a pontuação.
[01:07:40] A gente não sabe pontuar.
[01:07:43] Então é uma cascata
[01:07:45] de problemas que eu acho que ninguém
[01:07:47] estava prevendo com essa chegada
[01:07:49] da tecnologia e essa
[01:07:51] adoção maciça da tecnologia.
[01:07:53] Então acabaram acontecendo várias coisas.
[01:07:55] Tipo isso da pessoa
[01:07:56] não saber mais
[01:07:59] pontuar porque ela não escreve
[01:08:01] mais, não lê
[01:08:03] em braille nem nada. Porque tem uma tela,
[01:08:05] um leitor que lê para ela.
[01:08:06] É o cara que não escreve mais à mão.
[01:08:08] Só digita, então ele esquece.
[01:08:10] Meia hora depois ele não lembra mais o que ele escreveu.
[01:08:12] É a pessoa que não consegue mais ler o cursivo
[01:08:15] e então não sabe ler um
[01:08:17] convite de casamento. É um monte de coisa
[01:08:19] que eu acho que não tinha sido previsto, né?
[01:08:21] A gente abraça as tecnologias assim
[01:08:23] sem pensar muito no que vai acontecer depois.
[01:08:25] E acaba tendo um monte de consequência inesperada, né?
[01:08:28] Exato.
[01:08:29] E eu me lembro que esse artigo foi super interessante.
[01:08:31] Eu li e fiquei, caraca, é mesmo!
[01:08:33] E aí depois puxava
[01:08:35] link para esses estudos falando exatamente
[01:08:37] sobre essa dificuldade de retenção
[01:08:39] quando você
[01:08:39] não escreve
[01:08:44] à mão, né?
[01:08:45] Eu particularmente, eu escrevo só em cursivo.
[01:08:47] Eu não gosto de escrever em letra de forma.
[01:08:50] Só para algumas coisas
[01:08:51] muito pontuais. Eu sou a pessoa que escreve
[01:08:53] ainda na agenda. Eu uso a agenda de papel.
[01:08:55] Eu sinto falta de escrever à mão.
[01:08:58] E eu reparei que a mesma coisa
[01:08:59] acontece no lado da leitura também.
[01:09:01] Quando eu leio no Kindle, eu retenho
[01:09:03] menos. Eu acho que é porque
[01:09:05] não tem essa parte
[01:09:07] física de você manejar e passar
[01:09:09] a página. Você não tem a sensação de que
[01:09:11] o livro está andando, porque você não
[01:09:13] está passando página. Você não está vendo onde
[01:09:15] está o seu marcador, o que você já leu
[01:09:17] e quanto falta ainda.
[01:09:20] De que lado estava aquela frase que te
[01:09:21] interessou? Do lado direito, do esquerdo, em cima
[01:09:23] ou embaixo da página? Essas conexões
[01:09:25] físicas fazem muita diferença,
[01:09:27] né? E eu noto isso na escritura também.
[01:09:30] O que eu anoto, eu
[01:09:31] costumo me lembrar melhor.
[01:09:33] Claro que eu sou um caso, sou empírico, não quer dizer merda
[01:09:35] nenhuma, mas é uma observação,
[01:09:37] uma observação que está de acordo
[01:09:39] com o que os estudos dizem, né?
[01:09:42] É.
[01:09:44] Eles
[01:09:45] notaram, assim, por exemplo,
[01:09:47] quando…
[01:09:49] Uma coisa é a gente
[01:09:51] que já é adulto
[01:09:53] aprender a digitar.
[01:09:55] Agora, quando uma criança vai
[01:09:57] formar
[01:09:59] a conexão
[01:10:01] cerebral, né?
[01:10:02] É.
[01:10:05] A partir de
[01:10:06] coisas
[01:10:07] soltas, de letras soltas, por exemplo.
[01:10:10] É diferente de quando
[01:10:12] tu escreve uma letra cursiva.
[01:10:16] Tu tem um planejamento,
[01:10:18] aquele pensamento,
[01:10:20] ah, mas agora eu vou ter
[01:10:22] que levar esse traço lá pra cima,
[01:10:24] fazer um balão descer.
[01:10:26] Isso é muito mais interessante
[01:10:28] pro cérebro, pra criança,
[01:10:32] né? Forma muito mais
[01:10:34] conexões.
[01:10:35] E
[01:10:36] , e serve pro planejamento
[01:10:38] do texto. Isso aí é
[01:10:40] bastante interessante. Enquanto
[01:10:42] a digitação, não.
[01:10:44] Ela segmenta uma letra
[01:10:47] da outra e, né?
[01:10:49] Quando a gente estuda
[01:10:50] a leitura, né? A gente não lê
[01:10:52] uma letra separada da outra.
[01:10:55] A gente lê por
[01:10:56] sacadas, né? A gente
[01:10:58] diz. Então, tu lê grupos
[01:11:00] de quatro a cinco letras.
[01:11:02] Tu não lê letra por letra.
[01:11:04] Se tu fores ler letra por letra,
[01:11:06] a tua leitura vai
[01:11:07] pro saco.
[01:11:10] Então, por isso que a tipografia
[01:11:12] tem que ser muito bem pensada,
[01:11:14] que tu vai pro corpo do texto, né?
[01:11:16] Pra favorecer
[01:11:17] legibilidade e leiturabilidade.
[01:11:22] Então,
[01:11:24] se tu separar uma letra
[01:11:26] da outra, o negócio fica
[01:11:28] zoado.
[01:11:30] Então, é esse o cenário
[01:11:32] que a gente tá vivendo.
[01:11:33] Agora,
[01:11:34] Sandro,
[01:11:35] só pra
[01:11:38] esclarecer,
[01:11:40] você falou que
[01:11:42] justamente por conta desse tipo de conexão
[01:11:44] que a gente precisa fazer
[01:11:46] entre o florir,
[01:11:48] que precisa ser feito, né? Pra emendar uma letra
[01:11:50] na outra, isso faria
[01:11:52] com que escrever em cursivo
[01:11:54] fosse melhor pra quem
[01:11:56] tem algum tipo de déficit de atenção,
[01:11:59] dislexia, coisas do tipo.
[01:12:01] Agora, não seria
[01:12:03] o exato oposto, né?
[01:12:03] O exato oposto
[01:12:04] quando se pensa em apenas leitura?
[01:12:10] Esse tipo de floreio
[01:12:12] que ajuda a manter o foco
[01:12:14] na hora de escrever,
[01:12:15] ele não seria um obstáculo na hora de apenas ler?
[01:12:18] Não, peraí.
[01:12:21] Primeiro,
[01:12:22] floreio
[01:12:23] é uma coisa
[01:12:26] que eu, assim,
[01:12:27] minha opinião, não acho que precisa.
[01:12:30] Eu já ia entrar nesse ponto aí
[01:12:32] pra chegar um pouco mais,
[01:12:33] pro teu lado, né?
[01:12:38] Se alguém perguntar qual é a tua opinião,
[01:12:40] eu digo, olha, a minha opinião é
[01:12:41] uma letra semicursiva
[01:12:44] pode levantar o
[01:12:46] lápis.
[01:12:48] Maiúscula simplificada,
[01:12:49] não tem floreio nenhum.
[01:12:53] Ah, não, mas assim, o floreio foi totalmente
[01:12:56] por minha conta, assim.
[01:12:57] Porque eu não sei o termo técnico.
[01:13:00] E até porque a minha letra
[01:13:02] é feita numa
[01:13:03] bigorna.
[01:13:05] A letra do Thiago não é mole, meu Deus do céu.
[01:13:08] A minha é feita numa bigorna,
[01:13:10] então eu não tenho muita moral pra falar
[01:13:11] sobre isso.
[01:13:12] Assim, pingo no i pra mim é floreio já.
[01:13:15] Ligar uma letra
[01:13:17] na outra não significa
[01:13:20] floreio, tá? É simplesmente uma
[01:13:21] ligação. E ela é super
[01:13:23] rápida e pode ser muito simples.
[01:13:26] Agora aquela maiúscula
[01:13:28] com o rabinho de porco
[01:13:30] cheia de lero lero.
[01:13:32] Não, aquilo não faz,
[01:13:33] no mínimo, na minha opinião,
[01:13:36] tá, gente?
[01:13:37] Porque é um campo, a gente fica
[01:13:39] ah, o cara agora quer ensinar
[01:13:41] os outros. Não,
[01:13:43] não é isso. Eu tô aqui
[01:13:45] pra contribuir. Mas
[01:13:47] eu
[01:13:49] sou muito
[01:13:50] fã do trabalho que a Mônica Dengo tá fazendo
[01:13:53] na Itália. Tem outros
[01:13:55] grandes
[01:13:56] type designers
[01:13:59] contribuindo como
[01:14:01] algum lugar
[01:14:03] o primeiro nome dele
[01:14:06] realmente, eu não sei pronunciar,
[01:14:08] Gunnlagarr
[01:14:10] Briem, ele é
[01:14:12] da Islândia.
[01:14:14] Ah, poxa, aí também fica difícil.
[01:14:16] É, então eu tô estudando
[01:14:18] agora os países nórdicos lá.
[01:14:20] Ah, olha, é complicado.
[01:14:24] Por exemplo, se a gente pegar os países nórdicos,
[01:14:30] a Finlândia,
[01:14:30] por exemplo,
[01:14:33] eles têm um…
[01:14:33] Tem um modelo lá que é progressivo,
[01:14:35] muito simples,
[01:14:37] que prevê
[01:14:39] desde a letra
[01:14:41] inicial, que é separada,
[01:14:44] toda simplesinha,
[01:14:46] até o estágio
[01:14:47] final, que é
[01:14:49] semicursivo,
[01:14:51] ou seja, liga quando
[01:14:53] é conveniente.
[01:14:56] No modelo
[01:14:57] semicursivo, por exemplo, tudo que tem
[01:14:59] traço
[01:15:00] contrário, o traço
[01:15:03] interno,
[01:15:03] em sentido anti-horário, não liga.
[01:15:06] Então, a gente não tá…
[01:15:07] Não temos imagem aqui,
[01:15:09] mas imagine o G.
[01:15:11] O G, quando desce lá embaixo,
[01:15:13] no laço descendente,
[01:15:16] ele volta
[01:15:17] com o traço
[01:15:18] para ligar na outra letra.
[01:15:21] Sim.
[01:15:22] No modelo semicursivo, esse traço de volta,
[01:15:25] ele não existe.
[01:15:28] Então, o G não liga
[01:15:29] na próxima letra.
[01:15:30] O Y,
[01:15:32] cursivo,
[01:15:33] o Y, minúsculo, também não liga.
[01:15:36] Ele vai fazer um traço
[01:15:37] counter-clock,
[01:15:39] um traço no sentido…
[01:15:41] Anti-horário.
[01:15:43] Então, ou melhor,
[01:15:45] no sentido
[01:15:46] horário.
[01:15:50] Esse
[01:15:51] não liga.
[01:15:53] Então, todo traço que for cruzar,
[01:15:55] que eu vou puxar da esquerda pra direita,
[01:15:57] ele não acontece.
[01:15:59] Então, aí, o modelo é semicursivo.
[01:16:01] Tem letras que não ligam.
[01:16:03] Mas, voltando lá
[01:16:07] à Finlândia,
[01:16:09] eles ensinam
[01:16:10] só o modelo inicial desse esquema
[01:16:13] cursivo.
[01:16:14] E eles entendem que
[01:16:17] as conexões entre as letras
[01:16:18] acontecerão espontaneamente
[01:16:21] numa letra madura das crianças.
[01:16:25] Então, com isso, eles economizam
[01:16:27] tempo de ensino, tempo da professora,
[01:16:29] tempo dos alunos,
[01:16:31] mas ensinam
[01:16:32] muito bem, direitinho,
[01:16:34] esse modelo inicial,
[01:16:36] que não é uma Helvética, que não é uma Futura,
[01:16:39] não é uma Ariel.
[01:16:41] É um modelo muito bem
[01:16:43] desenhado, muito bem pensado.
[01:16:44] Tem uma fonte específica pra isso,
[01:16:47] desenhada por um
[01:16:49] bom designer
[01:16:50] lá da Finlândia.
[01:16:53] E aí, é isso.
[01:16:55] Entendeu?
[01:16:56] Então, eu acho muito interessante
[01:16:58] o pensamento deles.
[01:17:02] Então,
[01:17:02] não tem muito sentido tu ficar
[01:17:04] ensinando laço
[01:17:06] e rabinho de porco
[01:17:09] pras crianças
[01:17:11] no século XXI.
[01:17:12] Eu acho isso…
[01:17:13] Pra criança que não sabe nem amarrar o sapato.
[01:17:15] É, exatamente.
[01:17:17] Foi uma luta pra ensinar o Joaquim a amarrar o sapato.
[01:17:19] Ele conseguiu.
[01:17:20] Como é que é você ensinar
[01:17:23] isso, ensinar ele
[01:17:25] ou ajudar, enfim,
[01:17:27] com a caligrafia dele, coisa desse tipo?
[01:17:29] Como é que é a tua cobrança
[01:17:31] em cima dele?
[01:17:32] Ah, é uma luta. Sabe por quê?
[01:17:34] Porque, por um acaso,
[01:17:38] o modelo da professora
[01:17:39] dele é
[01:17:41] cheio de rococó.
[01:17:45] E aí,
[01:17:47] na minha fonte
[01:17:48] que eu fiz aqui pro Brasil,
[01:17:52] eu atendo
[01:17:53] o modelo tradicional, mas
[01:17:54] o que eu não concordava,
[01:17:57] eu não fiz, eu simplifiquei e tal.
[01:17:59] Então, o modelo
[01:18:03] que ele tá aprendendo é bem
[01:18:04] histórico, assim, né?
[01:18:07] Um modelo lá dos anos
[01:18:09] 20, assim, muito ligado na letra
[01:18:11] inglesa. E aí,
[01:18:13] eu fico, não, não, pai,
[01:18:15] mas a professora
[01:18:17] mandou assim, ele é muito, muito
[01:18:19] comportado, né?
[01:18:21] Não, mas a professora mandou assim.
[01:18:24] Por exemplo, ele
[01:18:25] pra escrever o espaço entre palavras
[01:18:27] ele bota o dedo, né?
[01:18:29] Ah, meu Deus, que coisa
[01:18:31] fofa!
[01:18:32] Eu fiz isso um tempo também.
[01:18:34] Caraca, bicho, eu não lembro disso.
[01:18:36] Eu também nunca fiz isso, mas eu achei fofíssimo.
[01:18:39] Eu digo, filho,
[01:18:41] para com esse dedo aí, tia,
[01:18:42] tu já sabe, cara, imagina
[01:18:45] que tem um espaço ali, vai e toca.
[01:18:47] E ele fica ali.
[01:18:48] Ele travou muito,
[01:18:51] ele tá com uma dificuldade de escrever.
[01:18:54] Ele
[01:18:54] pensa muito bem,
[01:18:57] ele conta muito bem uma história.
[01:18:59] O Joaquim, ele não dorme
[01:19:01] sem alguém ler pra ele.
[01:19:03] Ele tem muitos
[01:19:05] livros, ele ganha, sei lá,
[01:19:07] três livros por mês
[01:19:09] no mínimo, e mais
[01:19:11] toda
[01:19:11] as historinhas da Marvel
[01:19:15] que a gente tá lendo agora, as do meu tempo.
[01:19:18] Estamos lendo a coleção
[01:19:19] clássica Marvel agora.
[01:19:21] Nossa, tem material pra caramba.
[01:19:23] Então, é, mas ele
[01:19:24] ele tá lento
[01:19:26] no escrever, porque agora
[01:19:29] ele tá pegando afluência, porque
[01:19:30] travou de uma maneira tal,
[01:19:33] escrita cursiva,
[01:19:34] mas agora tá.
[01:19:37] Porque houve um problema
[01:19:39] de motricidade.
[01:19:42] Houve uma defasagem
[01:19:43] muito grande de motricidade.
[01:19:45] Então,
[01:19:46] o Brasil não trabalha bem,
[01:19:48] muito bem a motricidade.
[01:19:51] Isso eu acompanhei,
[01:19:53] pesquisei, sei.
[01:19:55] O que que acontece?
[01:19:59] Existiu, né, uma grande
[01:20:03] influência na América Latina do
[01:20:04] construtivismo.
[01:20:06] O construtivismo
[01:20:07] é uma
[01:20:09] e não é um
[01:20:12] método de ensino, né,
[01:20:14] é uma, como é que eu
[01:20:16] poderia dizer assim?
[01:20:19] Uma escola de pensamento,
[01:20:21] talvez? É, uma escola de pensamento,
[01:20:22] sem dúvida.
[01:20:24] Então,
[01:20:25] as convicções construtivistas,
[01:20:28] elas são muito interessantes, né?
[01:20:31] Mas,
[01:20:32] e aí entra a minha opinião, tá?
[01:20:37] Quando ela encontra o ensino
[01:20:39] da escrita,
[01:20:40] ela encontra duas coisas antagônicas
[01:20:42] à sua linha de pensamento,
[01:20:45] que é o tal do modelo
[01:20:46] e método.
[01:20:49] O construtivismo,
[01:20:51] ele quer que as crianças
[01:20:52] façam as suas próprias conexões
[01:20:54] e aprendam com
[01:20:56] um aprendizado
[01:20:57] muito,
[01:20:58] mais orgânico, né?
[01:21:03] É menos
[01:21:04] mostrar como fazer,
[01:21:07] tá? Então, mostrar como fazer
[01:21:08] é uma coisa que não se encaixa
[01:21:10] muito bem no construtivismo.
[01:21:12] Então, não é que o
[01:21:14] construtivismo tenha
[01:21:15] desconstruído
[01:21:20] o ensino da escrita, mas ele não,
[01:21:22] ele não
[01:21:24] trata isso com
[01:21:26] do modo como a gente,
[01:21:28] a gente acha que deveria ser,
[01:21:31] digamos, a gente
[01:21:31] tipógrafos, né?
[01:21:35] E calígrafos.
[01:21:36] Ninguém é calígrafo
[01:21:38] sem ter passado por um aprendizado,
[01:21:41] por um método e um modelo.
[01:21:43] Não existe como.
[01:21:44] E não existe como ensinar a escrever
[01:21:46] sem um modelo.
[01:21:49] No momento que tu mostra,
[01:21:51] olha, crianças, isso aqui é um A,
[01:21:53] eu tenho um modelo de A.
[01:21:54] E esse modelo,
[01:21:57] ele tem que ser adequado.
[01:21:58] Ele não pode ser uma letra futura
[01:22:01] de maneira nenhuma.
[01:22:03] A tua penima com a futura
[01:22:05] é muito engraçada, sério.
[01:22:09] Uma criança não faz um círculo.
[01:22:11] Ninguém faz um círculo.
[01:22:14] O orgânico
[01:22:15] faz um oval.
[01:22:17] Uma forma oval.
[01:22:19] Não faz um círculo sem uma régua.
[01:22:21] Então, tem uma máquina ali.
[01:22:23] E a mão da criança
[01:22:25] não é uma máquina. A mão da criança
[01:22:27] precisa de anos de preparação motora,
[01:22:28] tina.
[01:22:30] Então, é isso.
[01:22:32] A maioria dos modelos que a gente tem
[01:22:34] foram pensados em fluxo de tinta
[01:22:37] nanquim e uma
[01:22:38] pena de metal.
[01:22:41] Então, eles são do jeito
[01:22:43] que são. Inclusive,
[01:22:45] o rococó de entrada
[01:22:47] está ali para
[01:22:49] desfazer aquela bolha
[01:22:51] da pena que está
[01:22:52] farta de tinta.
[01:22:54] Ah, olha isso.
[01:22:56] Olha lá.
[01:22:58] Então,
[01:22:58] isso não faz o mínimo sentido hoje.
[01:23:02] A gente tem que…
[01:23:03] Nossa, pera.
[01:23:05] É por isso que tem aquele floreiro
[01:23:06] no começo?
[01:23:09] Tiago, tem a ver
[01:23:10] com isso.
[01:23:12] O cara enfrentava
[01:23:14] um monte de problema ali. Quando tu molha
[01:23:16] a pena, por que que não levanta
[01:23:20] a pena
[01:23:23] para escrever?
[01:23:23] Porque pinga.
[01:23:25] Claro, tu perde
[01:23:27] tempo e lá busca-te.
[01:23:28] E quando tu busca…
[01:23:30] Claro, o cara escrevia.
[01:23:32] Ele tinha um papel onde ele tirava o excesso.
[01:23:35] Mas o modelo…
[01:23:37] O modelo é
[01:23:39] pensado nisso.
[01:23:41] Nesse fluxo da tinta.
[01:23:43] Como é que a pena
[01:23:44] pega ali o início e tal.
[01:23:46] O modelo do Kret, por exemplo, é
[01:23:48] testediata. Ele tinha lá no final
[01:23:51] do ascendente uma gota
[01:23:52] de tinta na letra.
[01:23:54] É diferente.
[01:23:56] É diferente.
[01:23:57] Hoje não tem mais nada.
[01:23:58] Nada disso. Tem que ser modelo contemporâneo.
[01:24:01] A gente não pode estar
[01:24:02] usando
[01:24:04] para crianças do século XXI
[01:24:06] um modelo
[01:24:07] do século XIX.
[01:24:11] Essa é a opinião
[01:24:12] do designer.
[01:24:15] Testediata é aquele
[01:24:16] um que tipo
[01:24:17] num H aparece uma cabeça de fósforo
[01:24:20] queimada? Exato. É esse mesmo.
[01:24:23] Certo.
[01:24:25] Então
[01:24:25] o
[01:24:26] crescimento,
[01:24:28] ele estava trabalhando com um novo
[01:24:31] apontamento de pena.
[01:24:33] Ele já vai pegar
[01:24:35] gravura em metal.
[01:24:37] Todas essas tecnologias
[01:24:38] vão interferir
[01:24:40] tanto na escrita
[01:24:42] quanto na produção de tipos.
[01:24:45] O caminho é sempre junto.
[01:24:48] Então, quando
[01:24:49] desenvolvem a pena de metal,
[01:24:52] aí a letra,
[01:24:52] o modelo caligráfico vira uma loucura.
[01:24:55] É o rococó só.
[01:24:58] Era a influência
[01:25:00] da gravura de metal
[01:25:02] nas letras.
[01:25:05] Que coisa, cara!
[01:25:07] É fantástico. Eu adoro
[01:25:08] o que eu faço. Adoro
[01:25:09] esse meu campo de pesquisa.
[01:25:13] Mas é sempre…
[01:25:15] A gente tem que ter muito cuidado.
[01:25:20] As professoras precisam de ajuda.
[01:25:23] Por exemplo, se você for viver no Brasil,
[01:25:24] não tem
[01:25:26] uma fonte para os professores,
[01:25:28] para as professoras utilizarem.
[01:25:30] Hoje em dia, as professoras não usam
[01:25:33] um livro.
[01:25:34] Então, é meio…
[01:25:35] Cada um ensina…
[01:25:36] Cada uma ensina de acordo
[01:25:40] com a letra que ela tem.
[01:25:43] É meio isso?
[01:25:44] Então, as professoras,
[01:25:47] elas,
[01:25:48] em primeiro lugar,
[01:25:50] não ensinam a partir de um livro.
[01:25:52] Na nossa época, por exemplo,
[01:25:54] a gente pegava um livro e fazia todo o livro.
[01:25:55] Eu vejo…
[01:25:58] Eu sei que é
[01:25:58] na escola pública, porque eu pesquisei
[01:26:01] na escola pública, e agora
[01:26:03] acompanho o Joaquim na escola privada.
[01:26:06] Ele tem lá
[01:26:07] uma pasta
[01:26:08] cheia de atividades
[01:26:10] de ensino.
[01:26:14] As professoras fazem
[01:26:15] suas atividades de ensino.
[01:26:17] E aí elas não têm uma fonte
[01:26:18] para fazer sua atividade de ensino.
[01:26:22] No Brasil,
[01:26:23] a fonte oficial
[01:26:25] está
[01:26:28] na mão
[01:26:28] das editoras.
[01:26:31] As professoras…
[01:26:31] As cartilhas.
[01:26:33] As professoras não têm acesso a isso.
[01:26:37] Então, o que elas pegam?
[01:26:38] Pegam fontes
[01:26:40] sem qualidade na internet
[01:26:42] que estão aí e por aí,
[01:26:45] e elas se trocam.
[01:26:47] Por exemplo, se usa muito
[01:26:49] uma fonte espanhola
[01:26:51] para ensinar aqui no Brasil,
[01:26:52] mas o modelo não é o mesmo.
[01:26:55] É diferente.
[01:26:56] A professora olha e diz,
[01:26:58] mas esse aqui não é o meu A.
[01:27:00] Ela mistura, pega de uma outra fonte
[01:27:02] que tem aquele A.
[01:27:03] Ah, aí vira um…
[01:27:05] Quando eu estudei
[01:27:07] o meu mestrado,
[01:27:08] eu vi esse cenário.
[01:27:10] Digo, precisa de uma fonte para dar
[01:27:12] para esses professores.
[01:27:14] Mas é uma coisa muito lenta.
[01:27:18] Eu ainda não fui procurar,
[01:27:21] por exemplo, o governo.
[01:27:23] Eu quero fazer isso.
[01:27:25] Mas eu não estava preparado.
[01:27:26] Agora, com essa…
[01:27:28] Com esse desenvolvimento
[01:27:29] que a gente está fazendo
[01:27:30] junto com a Type Together,
[01:27:33] pode mudar.
[01:27:35] Então, estou esperando isso aí
[01:27:37] acontecer,
[01:27:39] ter os entregáveis
[01:27:41] para ver como é que vai ser.
[01:27:43] Mas a América Latina toda,
[01:27:46] de modo geral,
[01:27:47] precisa de muita ajuda.
[01:27:50] Eu acho que os
[01:27:52] designers de tipos
[01:27:53] podem contribuir bastante com isso.
[01:27:56] Mas a gente precisa
[01:27:58] estar aberto a receber
[01:27:59] essas contribuições.
[01:28:02] Fala, Tiago.
[01:28:03] Em nenhum momento a gente teve
[01:28:05] nenhum tipo de
[01:28:07] caligrafia padrão
[01:28:09] para professores
[01:28:11] utilizarem em sala de aula?
[01:28:14] Ou, tipo, a gente teve uma
[01:28:15] lá atrás, mas ela ficou obsoleta
[01:28:17] e aí o pessoal acabou
[01:28:19] ao invés de
[01:28:21] criando um novo padrão, adaptando?
[01:28:23] Não, caligrafia padrão, sim.
[01:28:27] Caligrafia padrão.
[01:28:28] Então, sim. Modelo caligráfico, sim.
[01:28:30] O Brasil tem.
[01:28:31] Ah, modelo caligráfico, sim.
[01:28:33] Estou falando da fonte
[01:28:35] que atende, a fonte que representa
[01:28:38] esse modelo.
[01:28:40] Ok.
[01:28:41] Por exemplo, na França,
[01:28:44] o governo recentemente
[01:28:46] fez um…
[01:28:48] montou um comitê
[01:28:50] de tipógrafos e professores
[01:28:52] e calígrafos e fizeram duas
[01:28:54] famílias tipográficas.
[01:28:56] E colocaram,
[01:28:58] colocaram num portal
[01:28:59] para atender
[01:29:01] todo o ensino do país.
[01:29:05] O problema
[01:29:06] lá foi que
[01:29:07] eles não ouviram muito os professores
[01:29:10] e quiseram reformar
[01:29:12] muito.
[01:29:14] Então, encontraram
[01:29:16] aquela resistência da tradição.
[01:29:19] É difícil reformar
[01:29:20] a educação.
[01:29:22] Porra, ainda mais na França.
[01:29:23] É, ainda mais na França.
[01:29:25] Nossa senhora.
[01:29:26] Então, eles fizeram um trabalho
[01:29:27] muito bem feito
[01:29:29] com uma type designer
[01:29:32] que conhece muito
[01:29:34] sobre modelos
[01:29:37] para a educação.
[01:29:38] E o negócio,
[01:29:40] pelo que eu pude ver, que eu já estudei
[01:29:42] em três momentos na França,
[01:29:43] no mestrado, no doutorado e agora
[01:29:46] de novo.
[01:29:48] Então, eu pensava ver agora que essa fonte
[01:29:50] que foi desenvolvida em
[01:29:52] 2016, se não me engano,
[01:29:54] já em uso
[01:29:56] e não está.
[01:29:57] Está enfrentando
[01:29:59] muita resistência
[01:30:01] da educação.
[01:30:03] Principalmente porque
[01:30:04] na França existe uma coisa chamada
[01:30:07] CIE.
[01:30:09] Não tenho certeza se a pronúncia é bem essa.
[01:30:11] O francês é
[01:30:12] muy malo.
[01:30:17] Então,
[01:30:19] CIE
[01:30:20] é uma quadrícula.
[01:30:23] Pensa no nosso caderno.
[01:30:25] O nosso caderno tem uma pauta,
[01:30:26] a linha de pauta.
[01:30:27] São três linhas.
[01:30:30] Duas linhas.
[01:30:32] A altura X a gente faz
[01:30:34] no imaginário, mas
[01:30:35] quando as crianças aprendem a escrever,
[01:30:38] elas têm lá uma linha da minúscula
[01:30:40] e uma da maiúscula.
[01:30:42] E
[01:30:43] lá eles têm
[01:30:46] quatro
[01:30:46] linhas
[01:30:48] e inclusive
[01:30:52] as marcações
[01:30:53] verticais. Então, eles escrevem
[01:30:56] num quadriculado
[01:30:57] que é variável.
[01:31:00] Então, a altura do ascendente
[01:31:02] e do descendente
[01:31:03] é
[01:31:04] 3 quartos da altura X.
[01:31:09] Uma regra muito
[01:31:11] difícil.
[01:31:15] E aí, esse novo modelo
[01:31:20] que o governo desenvolveu lá,
[01:31:21] os designers
[01:31:22] não respeitaram as proporções
[01:31:25] do CIE.
[01:31:27] Então, eles até fizeram
[01:31:30] o manual de adaptação.
[01:31:31] Os professores
[01:31:33] rejeitaram muito.
[01:31:35] Quer dizer, o CIE
[01:31:37] é uma tradição
[01:31:39] que vem de 1880
[01:31:42] e poucos.
[01:31:44] Caramba!
[01:31:46] E os caras
[01:31:47] desrespeitaram isso
[01:31:49] e não colou.
[01:31:51] Então, tem que ter muito cuidado com isso.
[01:31:53] Meu Deus, a gente desapeca, hein?
[01:31:55] Corta esse cordão birical.
[01:31:57] Vocês imaginam, eu tenho
[01:31:59] um casal de muitos amigos,
[01:32:01] são meus padrinhos de casamento.
[01:32:04] Eles foram morar na França.
[01:32:06] Ele é professor numa universidade
[01:32:07] francesa lá.
[01:32:09] E o filho dele tem,
[01:32:11] deixa eu ver, o Joaquim está com oito,
[01:32:13] o filho dele está com seis, fazendo sete.
[01:32:17] E ele me mostrou
[01:32:18] os cadernos de caligrafia
[01:32:20] da criança com cinco anos,
[01:32:21] já fazendo cursivo francês.
[01:32:24] Meu Deus, tadinho.
[01:32:25] O nó na cabeça.
[01:32:27] Mas pode, a criança faz.
[01:32:29] É só ter preparação adequada.
[01:32:32] Por isso que eu digo assim,
[01:32:33] olha, eu hoje já não
[01:32:35] tenho muita restrição
[01:32:37] a ser um modelo totalmente cursivo.
[01:32:40] Não tem problema,
[01:32:41] mas tem que ser bem ensinado,
[01:32:43] tem que ter preparação.
[01:32:45] Principalmente lá no
[01:32:47] pré-escolar.
[01:32:49] Tem os exercícios
[01:32:51] motores que tem que ser aplicado.
[01:32:53] Ah, ela fica fazendo as bolinhas,
[01:32:55] os tracinhos.
[01:32:56] Exatamente.
[01:32:57] Só que aí, na perspectiva
[01:32:59] do construtivismo,
[01:33:02] isso não é,
[01:33:04] não era muito,
[01:33:05] eles não caravam
[01:33:07] bem isso.
[01:33:09] Então, aí se perdeu
[01:33:12] bastante disso na América Latina,
[01:33:13] muito. E para o
[01:33:15] construtivismo, a melhor coisa que tinha era
[01:33:17] ensinar a letra de imprensa.
[01:33:21] Mas aí,
[01:33:23] a letra de imprensa
[01:33:24] tem uma visão,
[01:33:27] que não é a melhor,
[01:33:29] aqui na América Latina,
[01:33:31] que é essa visão de
[01:33:32] pegar a euvética
[01:33:34] e ensinar as crianças
[01:33:37] a iniciar a escrita
[01:33:39] a partir de uma fonte
[01:33:41] que não tem absolutamente nada a ver com
[01:33:43] aprender a escrever.
[01:33:46] Não.
[01:33:46] Não.
[01:33:57] the pain
[01:34:13] da…
[01:34:14] La la la la
[01:34:18] la
[01:34:19] sim…
[01:34:19] são 3 letrinhas
[01:34:22] todas bonitinhas
[01:34:24] fáceis de dizer
[01:34:26] ditas
[01:34:26] Você, nesse seu sim
[01:34:29] Assim
[01:34:29] Outras três também
[01:34:32] Representam não
[01:34:34] Que não fica bem no seu coração
[01:34:37] Sim
[01:34:38] São três letrinhas
[01:34:41] Todas bonitinhas
[01:34:43] Fáceis de dizer
[01:34:45] Ditas por você
[01:34:47] Nesse seu sim
[01:34:48] Assim
[01:34:49] Outras três também
[01:34:51] Representam não
[01:34:53] Que não fica bem
[01:34:55] No seu coração
[01:34:56] Agora o Tiago tinha feito uma pergunta
[01:34:59] Relacionada à leitura
[01:35:01] Sim
[01:35:02] Não sei se eu entendi bem
[01:35:06] Você está falando de ler
[01:35:08] O que é escrito à mão?
[01:35:12] A leitura cursiva
[01:35:14] Assim, da mesma forma que
[01:35:16] A escrita cursiva pode ajudar
[01:35:19] Quem tem algum tipo de
[01:35:20] Problema de déficit de atenção
[01:35:22] Se, por outro lado
[01:35:24] A leitura desse cursivo
[01:35:26] Não pode se tornar um pouco mais difícil
[01:35:28] Justamente por conta das coisas
[01:35:31] Que fizeram com que
[01:35:32] Daquelas linhas que fizeram com que
[01:35:34] O fluxo de escrita fosse mais
[01:35:36] Fluido
[01:35:37] Bom
[01:35:39] Tem bastante coisa
[01:35:42] Nada nesse campo
[01:35:44] É muito rápido
[01:35:46] Mas
[01:35:47] Eu gosto
[01:35:50] De uma máxima que diz
[01:35:52] Que a gente lê melhor
[01:35:54] Aquilo que é
[01:35:56] Que a gente lê mais
[01:35:57] Esses dias eu falei para um aluno
[01:36:00] Você pensa
[01:36:01] Lá na Idade Média
[01:36:04] Os tipos
[01:36:06] Black leather ou góticos
[01:36:08] Como a gente comumente chama
[01:36:09] Eles eram facilmente
[01:36:13] Lidos por todos que
[01:36:15] Sabiam ler e sabiam escrever
[01:36:18] Aquela letra
[01:36:19] Então se você
[01:36:22] Tem o código
[01:36:23] Beleza
[01:36:24] Beleza
[01:36:26] Para decodificar isso
[01:36:27] Agora se você não tem
[01:36:29] Você vai
[01:36:31] Você vai apanhar
[01:36:33] Vou voltar no caso do Joaquim
[01:36:37] O Joaquim até
[01:36:38] Seis meses atrás
[01:36:41] Ele dizia assim
[01:36:42] Pai, está escrito em cursivo
[01:36:45] Que eu não consigo ler direito
[01:36:46] Que letra é essa?
[01:36:49] Agora ele lê
[01:36:50] Tranquilo
[01:36:52] Porque o que mudou nesse meio do caminho
[01:36:54] Ele aprendeu a escrever
[01:36:56] Em cursivo
[01:36:57] Qual é o fenômeno
[01:37:00] Que eu estava falando com a Letícia lá no começo
[01:37:02] Nos Estados Unidos
[01:37:04] Eu tenho uma amiga
[01:37:06] Que fez um livro
[01:37:07] Como ler
[01:37:09] Rapidamente em cursivo
[01:37:12] Read cursive fast
[01:37:16] É o nome do livro dela
[01:37:19] Ela ensina as pessoas
[01:37:20] A ler em cursivo
[01:37:22] O que houve?
[01:37:24] As pessoas pararam de escrever
[01:37:26] Em cursivo
[01:37:27] E aí se tornaram incapazes
[01:37:29] De ler alguma coisa em cursivo
[01:37:32] Não liam um bilhete
[01:37:34] De alguém um pouco mais velho
[01:37:36] Que escreve em letra cursiva
[01:37:37] E não consegue ler
[01:37:38] Então
[01:37:39] Isso aí
[01:37:42] Você vai ler bem
[01:37:45] Se você escrever bem
[01:37:46] Então o modelo, claro
[01:37:48] Tem que ser
[01:37:51] Tem que ser adequado
[01:37:53] É legal
[01:37:56] Que dando esses exemplos
[01:37:57] Você está acompanhando isso no dia a dia
[01:38:01] Todo santo dia
[01:38:02] Com o Joaquim
[01:38:03] E aí eu também vou trazendo as coisas
[01:38:06] Aqui da minha parte
[01:38:07] E eu estou vendo que estou mais ou menos no nível do Joaquim
[01:38:10] É bobo
[01:38:15] Eu sei que daqui a pouco
[01:38:17] A Letícia vai querer fechar o episódio
[01:38:19] Já que eu entrei atrasadão
[01:38:21] Então eu só vou aproveitar para fazer
[01:38:23] Então como eu entrei atrasado
[01:38:26] Eu só vou fazer as minhas duas últimas perguntas
[01:38:28] Eu prometo que são as duas últimas
[01:38:29] Beleza
[01:38:30] A primeira é sobre o que a gente havia falado
[01:38:34] Assim que eu entrei na conversa
[01:38:36] Que era sobre talvez facilitar
[01:38:38] A escrita do canhoto
[01:38:40] Com um certo tipo de inclinação
[01:38:43] A esquerda
[01:38:43] Do que se trata essa inclinação?
[01:38:45] É da rotação do papel?
[01:38:47] Ou é de uma inclinação da própria base
[01:38:50] Onde vai se apoiar o papel?
[01:38:53] São
[01:38:54] São as duas coisas
[01:38:56] Assim
[01:38:56] O setup
[01:38:59] Ele é diferente para o canhoto e para o destro
[01:39:03] Qualquer bom
[01:39:05] Método vai ter
[01:39:08] Lá instruções para a professora
[01:39:11] Organizar o papel
[01:39:13] E a pega
[01:39:15] Que é muito importante
[01:39:16] Para o canhoto e para o destro
[01:39:18] É o
[01:39:20] O ângulo que é colocado a folha de papel
[01:39:23] Não?
[01:39:24] Não?
[01:39:25] Aí
[01:39:26] , eu já vi alguma coisa
[01:39:29] De novo, que eu te falei
[01:39:30] Que eu não estudei isso
[01:39:32] O suficiente
[01:39:34] É uma adaptação
[01:39:37] De inclinação do modelo
[01:39:39] Caligráfico para o canhoto
[01:39:41] Está entendendo?
[01:39:43] A inclinação da letra
[01:39:44] Não do papel
[01:39:45] É como se o canhoto escrevesse num tipo de itálico
[01:39:49] Que permitisse a ele deixar
[01:39:51] A mão apoiada
[01:39:53] Mas fora da pauta
[01:39:55] Para ele não sair
[01:39:56] Borrando tudo
[01:39:57] É, itálico à esquerda
[01:39:59] Ah, o itálico à esquerda
[01:40:01] Ok
[01:40:02] Isso
[01:40:02] Eu vou procurar se eu acho isso
[01:40:06] E te mando
[01:40:07] Tu fala em letra inclinada
[01:40:10] Ela geralmente vai ser à direita, né?
[01:40:12] Ela vai ser inclinada
[01:40:13] Sim, sim
[01:40:14] Existem estudos de facilitar
[01:40:19] Com um modelo inclinado à esquerda
[01:40:20] E muitos canhotos escrevem
[01:40:23] Inclinados à esquerda
[01:40:24] Nunca viste isso?
[01:40:26] É, eu faço exatamente o oposto
[01:40:29] Na verdade
[01:40:30] Eu me inclino tão, tão à direita
[01:40:33] Que eu estou praticamente puxando
[01:40:35] A caneta, mas com a mão esquerda
[01:40:37] Sim
[01:40:39] Então eu fico com um bracinho
[01:40:42] De T-Rex em cima do papel
[01:40:44] Assim, né?
[01:40:45] Porque eu preciso estar fazendo tudo
[01:40:48] Praticamente rotacionado
[01:40:50] Justamente por isso a curiosidade
[01:40:52] A própria escrita vertical
[01:40:54] Tem o sentido de facilitar a escrita
[01:40:55] Para o canhoto
[01:40:56] Que é tirar a inclinação, né?
[01:41:00] Até a própria escrita vertical
[01:41:01] A escrita vertical
[01:41:06] Ela vem do movimento higienista
[01:41:08] Que estudou
[01:41:09] Bastante aí
[01:41:11] Essa questão
[01:41:12] Da postura
[01:41:14] Da criança
[01:41:16] Nossa
[01:41:18] O negócio não é bom
[01:41:20] Isso está lá no início do episódio
[01:41:22] Quando você ouve o episódio
[01:41:24] Está no começo
[01:41:25] Sim
[01:41:25] A minha última pergunta então
[01:41:27] É que a gente falou bastante sobre
[01:41:29] Essa parte de desenhar as letras e tal
[01:41:33] Sobre questão de posicionamento
[01:41:35] De tirar ou não a pena e tal
[01:41:38] Só que assim
[01:41:39] Sei lá, nos últimos
[01:41:41] Sendo um pouco generoso
[01:41:43] Sei lá, nos últimos talvez 70 anos
[01:41:46] Toda criança
[01:41:48] Praticamente
[01:41:49] Acaba aprendendo a escrever com o lápis
[01:41:52] E no lápis
[01:41:54] O fator
[01:41:55] Pressão
[01:41:56] Ele
[01:41:57] Acaba sendo menos influenciador
[01:42:01] Da própria
[01:42:01] Aprendizagem de escrita, né?
[01:42:04] Você vai ter ali uma ou outra questão
[01:42:07] E eu por ser canhoto
[01:42:09] E por estar quase sempre
[01:42:10] Empurrando o diabo
[01:42:13] Da caneta
[01:42:15] Ou do lápis e tal
[01:42:16] Sempre tendia a fazer muita pressão
[01:42:18] Eu marco cinco folhas tranquilamente
[01:42:21] Escrevendo um texto
[01:42:23] Entendi
[01:42:23] Estou falando sério
[01:42:24] Estou falando sério
[01:42:25] Existe
[01:42:28] Alguma coisa que fale sobre
[01:42:30] Pressão
[01:42:31] De escrita
[01:42:34] Nessas fontes tipográficas novas
[01:42:37] Pensando que a pessoa
[01:42:39] Vai voltar a um modo mais analógico
[01:42:41] De escrita?
[01:42:43] Não
[01:42:44] Não tem
[01:42:45] Não tem mesmo
[01:42:47] Mas é
[01:42:49] Saio muito motivado
[01:42:53] Desse
[01:42:54] Desse
[01:42:54] Desse
[01:42:54] Desse
[01:42:55] Desse
[01:42:55] Desse nosso
[01:42:55] Papo
[01:42:56] A estudar mais isso, Thiago
[01:43:00] Eu vou
[01:43:01] Eu devo ter alguma coisa sobre isso
[01:43:04] E aí eu vou te passar
[01:43:06] Mas
[01:43:07] Pressão é uma coisa
[01:43:10] Que
[01:43:11] Que não deve haver, tá?
[01:43:16] A pega é uma coisa muito importante
[01:43:18] Muito
[01:43:19] Estudada por quem
[01:43:21] Faz um bom estudo disso, né?
[01:43:24] A
[01:43:25] Rosemary Sassoon
[01:43:26] Que também é de Reading
[01:43:28] É a grande
[01:43:29] O grande nome mundial
[01:43:31] Nesse estudo
[01:43:34] De tipografia
[01:43:37] E modelos
[01:43:38] Caligráficos
[01:43:40] Ela é a grande
[01:43:42] É o grande farol do meu estudo
[01:43:45] Sim
[01:43:47] Ela tem, sei lá
[01:43:49] 15 ou 20 livros
[01:43:51] Só sobre esse tema
[01:43:52] E ela tem
[01:43:55] Coisas específicas
[01:43:56] Sobre
[01:43:57] Sobre
[01:43:57] Crenhotos
[01:43:59] Tá?
[01:44:00] Que eu não pude estudar
[01:44:01] É
[01:44:02] Pra dislexia, sim
[01:44:05] Tem alguns cuidados
[01:44:06] Que a gente procura ter
[01:44:08] Diferenciar algumas letras e tal
[01:44:10] Pra justamente
[01:44:12] E isso a gente vê
[01:44:15] Na maioria dos modelos caligráficos
[01:44:17] Dos modelos de escrita cursiva
[01:44:19] Dos países
[01:44:20] Esse cuidado
[01:44:21] Por exemplo
[01:44:23] De dar
[01:44:24] Algumas
[01:44:25] Algumas pistas a mais
[01:44:26] No Q
[01:44:27] Principalmente
[01:44:28] Pra diferenciar
[01:44:30] Do P
[01:44:32] O problema de espelhamento
[01:44:33] Entre as letras
[01:44:35] B e D
[01:44:36] A gente procura cuidar isso
[01:44:38] Mas
[01:44:40] Pra canhoto, não
[01:44:42] E essa coisa da pega
[01:44:44] Sempre tem
[01:44:47] Vem essa instrução
[01:44:49] Pra cuidar
[01:44:50] Pra criança principalmente
[01:44:51] Não pegar em garra
[01:44:53] Não pegar o látice
[01:44:55] Em garra
[01:44:55] Isso acaba causando dor
[01:44:58] Quando tu vai escrever muito
[01:45:00] E prejudica a escrita
[01:45:03] E pro canhoto
[01:45:05] É uma luta
[01:45:07] É uma luta
[01:45:08] É injusto
[01:45:10] Nada foi pensado
[01:45:12] Direito aí pro canhoto
[01:45:15] Mas vou estudar, Thiago
[01:45:18] Prometo
[01:45:19] Isso é o legal de falar com alguém
[01:45:21] Que é completamente leigo
[01:45:23] No assunto, que talvez
[01:45:25] Venha uma coisa que estava um pouco fora do radar
[01:45:29] Mas que ótimo
[01:45:31] Nunca teve
[01:45:33] Nunca teve
[01:45:34] Eu falei aí
[01:45:36] Como eu te falei lá na Tipee
[01:45:39] O Gary Leonidas
[01:45:42] Que é um
[01:45:43] Grande tipógrafo aí
[01:45:44] Que estava dirigindo a minha mesa lá
[01:45:46] No encontro
[01:45:48] Ele falou
[01:45:50] Você tem que ter o olhar
[01:45:52] Pro canhoto
[01:45:53] E
[01:45:55] E pro disléxico
[01:45:56] Isso aí
[01:45:57] Em todo encontro
[01:45:59] Em todo bate-papo
[01:46:00] Cada palestra
[01:46:01] Sempre aparece esse
[01:46:02] Esse tópico
[01:46:04] Mas é aquela
[01:46:06] Aquela questão
[01:46:07] A gente tem que
[01:46:08] Primeiro vamos
[01:46:10] Vamos trabalhar
[01:46:11] O grande problema
[01:46:12] E daí
[01:46:13] Quando a gente
[01:46:14] Alcançar sucesso
[01:46:16] Vamos detalhando
[01:46:17] Se não
[01:46:19] Se não, não dá
[01:46:22] Sim, sim
[01:46:23] É o
[01:46:24] O mínimo
[01:46:26] O mínimo produto viável
[01:46:28] A gente tem que pensar
[01:46:29] Mas
[01:46:31] É interessante, cara
[01:46:34] É um campo muito interessante
[01:46:35] De continuar
[01:46:37] E como eu pretendo
[01:46:38] Continuar nisso
[01:46:40] Vamos lá
[01:46:42] Vamos olhar também pro canhoto
[01:46:44] Acho muito apropriado isso
[01:46:45] E o design
[01:46:47] Ele tem sempre que ouvir
[01:46:50] O usuário
[01:46:52] A gente trabalha aí
[01:46:54] Pra atender
[01:46:55] Aos problemas dos usuários
[01:46:58] Bem
[01:46:59] Bem, infelizmente
[01:47:02] Eu queria ter entrado mais cedo
[01:47:04] Na conversa
[01:47:05] Mas não consegui
[01:47:06] Muito obrigado
[01:47:07] Minha empresa
[01:47:08] Desgraçada
[01:47:09] Mas
[01:47:11] Tendo isso em mente
[01:47:13] Infelizmente
[01:47:14] A gente precisa fechar
[01:47:15] A gente poderia falar
[01:47:16] Sobre muitos outros aspectos aqui
[01:47:17] Eu tenho certeza que
[01:47:19] Durante o papo ainda
[01:47:20] Iam aparecer outras perguntas
[01:47:22] Outras coisas
[01:47:22] Que a gente poderia
[01:47:23] Explorar
[01:47:24] Como por exemplo
[01:47:26] O meu ódio
[01:47:28] Sobre
[01:47:29] Cadernos
[01:47:30] Aqueles cadernos espiral
[01:47:32] Dez matérias
[01:47:33] Quando você
[01:47:34] Ou tá muito no começo
[01:47:36] Ou muito no final
[01:47:37] Eu ia tocar nesse assunto
[01:47:38] Fica um desnível enorme
[01:47:39] Mas esse caderno também
[01:47:41] O caderno também não é ruim
[01:47:43] Pro canhoto?
[01:47:44] É, não é?
[01:47:45] Péssimo
[01:47:45] É péssimo
[01:47:46] Péssimo, né?
[01:47:47] Sim
[01:47:47] Não, pro canhoto
[01:47:48] Nada ajuda
[01:47:49] Quando o canhoto sou eu
[01:47:50] Que não tenho coordenação motora
[01:47:52] Direito
[01:47:53] É muito
[01:47:54] É muito chato isso, né?
[01:47:55] Por que o caderno
[01:47:57] Não pode ser reversível, né?
[01:47:59] Só que ele tem uma cabeça
[01:48:01] E um pé pensado
[01:48:02] Pro destro
[01:48:03] Ele poderia ser reversível
[01:48:05] Por exemplo
[01:48:07] Olha que legal
[01:48:08] Eu
[01:48:09] Peguei uns
[01:48:11] Uns type specimens, né?
[01:48:13] Que são
[01:48:14] Folhetos promocionais
[01:48:16] Das
[01:48:16] Famílias tipográficas, né?
[01:48:19] Lá na
[01:48:20] É que eu
[01:48:21] A recém cheguei
[01:48:22] De um encontro
[01:48:23] Com a type specimen
[01:48:24] Que aconteceu lá na Espanha
[01:48:26] Eu peguei uns
[01:48:27] Uns specimens deles
[01:48:28] De letras
[01:48:32] Em hebraico
[01:48:34] E o folder abre
[01:48:36] Ele não tem
[01:48:39] A dobra à esquerda
[01:48:40] Ele tem a dobra à direita
[01:48:41] E eu não me toquei disso
[01:48:43] E um aluno
[01:48:45] Meu
[01:48:47] Que chegou e disse
[01:48:48] Olha, professora
[01:48:49] Abre
[01:48:50] Da
[01:48:52] Abre
[01:48:52] Da
[01:48:52] Abre
[01:48:52] Da
[01:48:52] Abre
[01:48:52] Da
[01:48:52] Abre
[01:49:24] Vamos
[01:49:24] Vamos
[01:49:24] Porque
[01:49:25] Senão
[01:49:26] O meu ponto eletrônico
[01:49:27] Grita daqui a pouco aqui
[01:49:28] Eu já avisei
[01:49:33] Já avisei
[01:49:34] Mas você ouve
[01:49:35] Ah, tá
[01:49:38] Tá, desculpa
[01:49:41] Eu tô fazendo essa
[01:49:43] Tô fazendo
[01:49:44] O telefone sem fio aí
[01:49:47] Eu não tô ouvindo a Letícia, né?
[01:49:49] É, pois é
[01:49:50] Eu tô meio que
[01:49:51] Tendo a Letícia aqui
[01:49:52] No meu ponto eletrônico
[01:49:53] Tivemos alguns
[01:49:54] Problemas no meio
[01:49:55] Da gravação aqui
[01:49:56] E agora
[01:49:57] O Sandro não ouve a Letícia
[01:49:58] A Letícia não ouve o Sandro
[01:50:00] E eu ouço os dois
[01:50:02] Então a gente tá
[01:50:04] Meio bagunçado
[01:50:04] Você se deu bem aí, Tiago
[01:50:05] E é por isso que
[01:50:07] Eu que tô puxando agora
[01:50:09] A parte final do episódio
[01:50:11] Apesar de ter chegado
[01:50:12] No finalzinho
[01:50:14] E essa honra
[01:50:15] Era pra ser da Letícia
[01:50:16] Mas dito isso
[01:50:17] Vamos então pra
[01:50:19] Pra Balada do Pistoleiro
[01:50:21] Que é o nosso quadro aqui
[01:50:22] De recomendações
[01:50:23] De dicas
[01:50:24] É a parte
[01:50:25] Pseudo-cultural
[01:50:28] Do nosso episódio aqui
[01:50:30] Em que todo mundo dá
[01:50:32] Qualquer tipo de
[01:50:33] De dica cultural
[01:50:36] Pode ser livro, filme
[01:50:37] Receita
[01:50:38] Lugar pra se visitar
[01:50:40] Fonte tipográfica
[01:50:42] Pode ser qualquer coisa
[01:50:44] Dona Letícia
[01:50:46] Você quer começar?
[01:50:48] Não
[01:50:48] Pra dar tempo pro Sandro falar?
[01:50:50] Não
[01:50:51] Não, porque
[01:50:51] Porque
[01:50:52] Não sei nem se eu vou falar
[01:50:54] Ou colocar isso
[01:50:54] Porque não dá pra ninguém reagir
[01:50:56] Ele não pode responder
[01:50:58] Ao que eu ia dizer
[01:50:59] Porque ele não tá me ouvindo
[01:51:00] Então eu não vou falar nada
[01:51:01] Vai você sozinho
[01:51:02] Tá
[01:51:03] Qualquer coisa você faz o seu
[01:51:05] Como uma inserção posterior
[01:51:06] Sim, sim
[01:51:06] Depois eu faço
[01:51:07] Acho melhor
[01:51:07] Pode ser?
[01:51:08] Eu vou dar uma dica
[01:51:10] Normalmente eu dou umas dicas
[01:51:11] Um pouco mais específicas
[01:51:12] Mas essa vai ser bem abrangente
[01:51:14] Bem
[01:51:14] É
[01:51:16] Vai ser quase daquelas
[01:51:17] Inspiracional
[01:51:18] Assim, né
[01:51:19] Que é
[01:51:20] Aprenda uma nova habilidade
[01:51:23] É
[01:51:24] Faz dois meses
[01:51:27] Eu comecei
[01:51:28] A aprender guitarra
[01:51:30] E
[01:51:31] Nunca
[01:51:33] Nunca tinha
[01:51:34] Conseguido tocar nada
[01:51:36] Por primeiro
[01:51:37] Por ser canhoto
[01:51:38] E aí você precisa de todo um instrumento adaptado
[01:51:41] Etc e tal
[01:51:41] E segundo
[01:51:43] Por falta de
[01:51:44] Tempo
[01:51:44] Dedicação
[01:51:45] Poder comprar um instrumento
[01:51:47] Poder dedicar aulas e tal
[01:51:48] É
[01:51:49] Agora eu cheguei
[01:51:51] Num momento da vida
[01:51:52] Que eu tenho
[01:51:53] Tanto tempo
[01:51:53] Tanto algum dinheirinho
[01:51:54] É
[01:51:55] Sobrando
[01:51:56] Pra poder comprar um instrumento
[01:51:57] E algum tempinho
[01:51:59] Pra poder me dedicar
[01:52:00] E fazer aulas e tal
[01:52:01] É
[01:52:02] Tem sido dois meses
[01:52:04] Muito interessantes
[01:52:05] Assim
[01:52:05] De fazer essas aulas
[01:52:07] Porque
[01:52:07] É
[01:52:09] Você volta
[01:52:10] A dar valor
[01:52:12] Pra
[01:52:12] Pequenos incrementos
[01:52:14] De habilidade
[01:52:15] Você não precisa
[01:52:17] Aprender
[01:52:18] E realmente
[01:52:19] Dominar uma coisa
[01:52:21] De uma vez só, né
[01:52:22] Você vai começar
[01:52:23] A fazer
[01:52:24] Aqueles pequenos incrementos
[01:52:25] Na sua habilidade
[01:52:26] E de repente
[01:52:27] Uma posição de acorde
[01:52:29] Que não era tão
[01:52:30] É
[01:52:31] Confortável
[01:52:32] Pra você que doía o pulso
[01:52:34] Depois de fazer três vezes
[01:52:35] Agora já sai um pouco melhor
[01:52:37] É
[01:52:38] As coisas começam a entrar
[01:52:39] Num ritmo um pouco mais interessante
[01:52:41] E esse tipo de
[01:52:42] Pequeno incremento
[01:52:44] É
[01:52:45] É bem satisfatório
[01:52:47] Assim, né
[01:52:47] Te dá um
[01:52:48] Um longo prazo
[01:52:50] De pequenas vitórias
[01:52:51] Então
[01:52:52] Pode ser que você tenha
[01:52:53] Uma nova língua
[01:52:54] Pode ser um instrumento musical
[01:52:57] Pode ser
[01:52:58] Aprender
[01:53:00] As regras
[01:53:01] E jogar um novo esporte
[01:53:03] Pode ser qualquer coisa
[01:53:04] Mas assim
[01:53:05] Adquira uma nova habilidade
[01:53:07] Essa é a minha dica de hoje
[01:53:08] Sandro
[01:53:10] O que você manda pra nós?
[01:53:13] Então
[01:53:13] Eu
[01:53:14] Eu falei pra Letícia
[01:53:15] Pá, Letícia
[01:53:16] Esqueci de
[01:53:17] De pensar
[01:53:18] Nas dicas culturais
[01:53:20] Mas
[01:53:20] Eu vou me
[01:53:21] Me esforçar aqui
[01:53:23] Eu vou me esforçar
[01:53:23] Durante o episódio
[01:53:25] Eu já comentei
[01:53:27] Desse livro
[01:53:28] Da Type Together
[01:53:30] Que é
[01:53:31] Que é muito legal
[01:53:32] Então para
[01:53:32] Os eventuais designers
[01:53:35] Que escutarem o nosso episódio
[01:53:38] Fica a sugestão
[01:53:39] Desse novo livro
[01:53:40] Da Type Together
[01:53:41] Chamado
[01:53:42] Building Ligatures
[01:53:44] The Power of Type
[01:53:46] É um livro muito interessante
[01:53:48] E
[01:53:50] Pra quem
[01:53:51] Pra quem quiser
[01:53:53] Saber mais
[01:53:54] Sobre esse assunto
[01:53:55] Que a gente está falando
[01:53:56] Aqui hoje
[01:53:56] Eu indico
[01:53:58] Além da minha
[01:53:59] Tese
[01:53:59] Que se chama
[01:54:00] Letra Escolar Brasileira
[01:54:03] Então
[01:54:05] Só dá uma busca
[01:54:07] Aí no Google
[01:54:08] Sandro Fetter
[01:54:09] Letra Escolar Brasileira
[01:54:10] Vai poder
[01:54:12] Ler um pouco mais
[01:54:14] Sobre isso
[01:54:15] Se se interessar mais
[01:54:16] Pelos modelos históricos
[01:54:18] Do renascimento
[01:54:19] Mais antigo
[01:54:19] É o meu estudo de mestrado
[01:54:21] Pela ESDE
[01:54:22] Então
[01:54:22] ,
[01:54:23] Que esse eu nem lembro o nome
[01:54:25] Mas dá pra
[01:54:28] A partir do nome
[01:54:30] Se encontra aí
[01:54:31] Tá tudo aberto
[01:54:32] E aí
[01:54:35] Fora do nosso tema
[01:54:37] Aqui do nosso bate-papo
[01:54:41] Eu deixo aí a sugestão
[01:54:43] De que um hábito
[01:54:45] Que a gente vem procurando
[01:54:46] Desenvolver aqui na nossa família
[01:54:50] Depois da pandemia
[01:54:51] São os
[01:54:52] Destinos
[01:54:53] Naturais
[01:54:55] Mais próximos da natureza
[01:54:58] E aqui no
[01:54:59] Aqui no Rio Grande do Sul
[01:55:01] A gente tem
[01:55:02] Lugares maravilhosos
[01:55:04] Fora de Gramado e Canela
[01:55:07] Que é a visão comum
[01:55:09] Aqui de visitar o Rio Grande do Sul
[01:55:12] Vem pra Gramado
[01:55:12] Mas
[01:55:13] A gente
[01:55:14] Ainda durante a pandemia
[01:55:16] A gente foi visitar
[01:55:17] São José dos Ausentes
[01:55:19] E os cânions
[01:55:21] Lá daquela região
[01:55:22] Ali na divisa
[01:55:24] Com a Serra de Santa Catarina
[01:55:26] E é muito legal
[01:55:28] Então eu gostaria de indicar
[01:55:31] Os cânions
[01:55:32] De São José dos Ausentes
[01:55:34] Aqui no Rio Grande do Sul
[01:55:37] Como um destino
[01:55:38] Fantástico aí
[01:55:40] De natureza
[01:55:41] Um lugar muito legal
[01:55:44] Pra se conhecer e pra se estar
[01:55:46] Claro que é preciso
[01:55:48] Estudar
[01:55:50] Estudar
[01:55:51] Ver qual é a melhor época do ano
[01:55:53] Porque tem
[01:55:55] Tem épocas do ano
[01:55:56] Que acontece a viração
[01:55:57] Que é uma acerração
[01:55:59] Que sobe do mar
[01:56:00] E a gente não enxerga
[01:56:01] Absolutamente nada
[01:56:03] Então
[01:56:04] Por exemplo
[01:56:05] A melhor época
[01:56:05] É o inverno
[01:56:06] São os meses de
[01:56:08] Julho e agosto
[01:56:10] Que são os céus mais
[01:56:11] Mais claros
[01:56:13] E é fantástico
[01:56:13] É muito lindo
[01:56:15] Indico demais
[01:56:16] Sim, eu estive no
[01:56:17] Cânion Fortaleza já uma vez
[01:56:19] E referendo
[01:56:20] Essa
[01:56:21] Liga
[01:56:21] O Fortaleza
[01:56:22] O Fortaleza
[01:56:24] É no
[01:56:25] Na região de Cambará
[01:56:28] Que foi o último
[01:56:30] Que a gente foi visitar
[01:56:31] Agora recente
[01:56:32] Esse inverno
[01:56:33] A gente foi pra Cambará
[01:56:34] E no inverno anterior
[01:56:36] A gente foi pra São José
[01:56:37] Os dois são maravilhosos
[01:56:40] É uma região muito legal
[01:56:42] E como dica da dica
[01:56:45] Eu digo que em Praia Grande
[01:56:48] Na Santa Catarina
[01:56:49] É muito mais legal
[01:56:51] É mais barato de se hospedar
[01:56:52] Que no Rio Grande do Sul
[01:56:54] Sim
[01:56:55] Porque na parte mais baixa
[01:56:57] É lá que você não vai ter
[01:56:58] Toda aquela vista e tal
[01:56:59] Não, mas é fantástico
[01:57:00] Mas você tá no exato mesmo cânion
[01:57:02] E é sensacional também
[01:57:04] O programa que a gente faz
[01:57:05] É assim
[01:57:06] A gente sobe a serra
[01:57:08] Vai a São Francisco de Paula
[01:57:10] Nada de gramado e canela
[01:57:11] São Francisco de Paula
[01:57:13] Ali você para uma noite
[01:57:15] A cidade é ótima
[01:57:16] Daí você vai
[01:57:18] Ou a Cambará
[01:57:20] Ou a São José
[01:57:21] Aí você aproveita lá em cima
[01:57:24] E depois você desce o cânion de carro
[01:57:27] Se você tá em Cambará
[01:57:31] Você já desce direto
[01:57:32] E vai dar na Praia Grande
[01:57:33] Se você tá em São José
[01:57:35] Você vai para Santa Catarina
[01:57:39] E desce a Serra do Rio do Rastro
[01:57:41] E vai lá
[01:57:43] Pra Praia Grande
[01:57:44] Foi exatamente o que a gente fez
[01:57:46] E aí a gente encerra o programa
[01:57:48] Na posada Pedra Fiada
[01:57:51] Que é ali em Praia Grande
[01:57:52] Que é maravilhoso
[01:57:54] Praia Grande é outra
[01:57:55] Eles estão com uma nova posada
[01:57:59] Agora que eu não me lembro o nome
[01:58:00] Ali o programa é sensacional
[01:58:03] Dá pra ir direto
[01:58:04] Você não precisa nem pegar a serra
[01:58:06] Vai pela praia e volta pela praia
[01:58:08] A gente gosta de ir pela serra e voltar pela praia
[01:58:11] É muito legal
[01:58:13] Maravilha
[01:58:14] Maravilha
[01:58:15] Posada Pedra Fiada
[01:58:17] Paga nós aí, por favor
[01:58:19] Manda o pico
[01:58:21] Manda uma diária pra nós
[01:58:23] Dito isso
[01:58:27] Sandro, se alguém quiser
[01:58:28] Estender esse papo
[01:58:30] E conversar com você sobre
[01:58:33] Alguma das coisas
[01:58:35] Que a gente falou aqui
[01:58:36] Ou poder trocar figurinha sobre estudo
[01:58:39] Sobre isso, sobre aquilo
[01:58:40] Você tem redes sociais?
[01:58:43] Como é que faz?
[01:58:45] Eu tenho, sim
[01:58:46] O meu perfil do Instagram é aberto
[01:58:49] Justamente pra favorecer esses contatos
[01:58:51] Mas posso dar meu e-mail?
[01:58:54] Claro
[01:58:55] Meu e-mail é
[01:58:57] Sandro Feter
[01:58:58] Com dois T’s
[01:58:59] F-E-2-T-E-R
[01:59:02] SandroFeter
[01:59:03] ArrobaGmail.com
[01:59:05] Pode me mandar o e-mail
[01:59:06] Eu converso com várias professoras
[01:59:11] Do Brasil
[01:59:13] Envio a minha fonte
[01:59:15] Aí elas dizem
[01:59:16] Olha aqui, eu acho que tem que mudar isso
[01:59:19] Melhorar aqui
[01:59:20] É super fácil
[01:59:21] Super legal isso
[01:59:22] Adoro isso
[01:59:22] Enfim
[01:59:26] Todo o intercâmbio
[01:59:27] Que puder ser feito
[01:59:30] Eu acho sensacional
[01:59:31] Muito bom
[01:59:32] Eu trabalho com isso
[01:59:33] Estou falando com gente
[01:59:35] Educadores do mundo inteiro agora
[01:59:37] É muito bacana
[01:59:39] Maravilha
[01:59:41] No que a gente puder
[01:59:43] Encurtar esse caminho
[01:59:46] Servir de ponte
[01:59:47] Pra o pessoal conhecer mais
[01:59:49] Esse tipo de
[01:59:50] De
[01:59:51] Até de área de conhecimento mesmo
[01:59:53] O segundo programa que a gente faz
[01:59:55] Sobre fontes
[01:59:57] A gente fez sobre
[01:59:58] Letras que flutuam
[02:00:00] Das tipografias
[02:00:02] A querida Fernanda
[02:00:04] Querida Fernanda
[02:00:06] A gente não tem
[02:00:09] Absolutamente nenhuma afinidade
[02:00:11] Com essa área de conhecimento
[02:00:14] Mas a gente tem muita curiosidade
[02:00:16] Então a gente está sempre metido por aí
[02:00:18] Que legal
[02:00:19] Eu queria agradecer
[02:00:21] Muito o contato de vocês
[02:00:23] Fiquei super feliz
[02:00:25] De poder estar conversando
[02:00:26] É o primeiro bate-papo
[02:00:29] Que eu tenho sobre o tema
[02:00:31] Falei pra Letícia
[02:00:32] Comunicando esse estudo
[02:00:34] Que a gente fez com a Type Together
[02:00:36] Que a gente está fazendo
[02:00:37] Em primeira mão
[02:00:39] Pro programa de vocês
[02:00:42] E eu e a Fernanda
[02:00:45] Somos filhos dos mesmos orientantes
[02:00:48] Lá na Este
[02:00:49] E a gente está
[02:00:51] O professor Guilherme
[02:00:53] A professora Edna Cunha Lima
[02:00:55] E eu gosto muito da Fernanda
[02:00:56] O projeto dela é lindo demais
[02:00:58] É muito legal
[02:01:00] E eu fico muito feliz
[02:01:03] E agradeço muito vocês
[02:01:04] Estou triste agora porque não posso dar um tchau pra Letícia
[02:01:07] Ao vivo
[02:01:08] No programa
[02:01:10] É uma pena
[02:01:11] Mas a gente se fala
[02:01:13] Sim, sim
[02:01:15] E Sandra, assim
[02:01:17] Estamos de microfones abertos
[02:01:20] De portas abertas
[02:01:21] Tipo, se tiver uma novidade
[02:01:22] Se tiver um evento
[02:01:24] Um livro, qualquer coisa assim
[02:01:26] Pra divulgar
[02:01:26] Entre em contato conosco
[02:01:28] A gente passa a ficha aqui
[02:01:29] Beleza, que ótimo
[02:01:31] Ano que vem, quando a gente começar
[02:01:33] A publicar a nossa
[02:01:36] Nosso portal de dados
[02:01:39] Sobre educação
[02:01:41] E a fonte
[02:01:42] E o livro que vai acontecer
[02:01:44] Acho que a gente faz um novo bate-papo
[02:01:46] Eu peço pra vocês
[02:01:48] Claro, por favor
[02:01:51] Vai ser um prazerzão
[02:01:52] Legal, curti demais
[02:01:54] Bem, então é isso
[02:01:57] Redes sociais do Pistolando Muito Rápido
[02:02:01] Instagram e Twitter
[02:02:03] Como arroba Pistolando Pode
[02:02:05] Se você quer mandar um e-mail
[02:02:07] Pra gente, sei lá, solicitando alguma coisa
[02:02:09] Que a gente citou no episódio
[02:02:10] E não deu tempo de anotar
[02:02:12] Não tá na ficha técnica e tal
[02:02:14] Primeiro procura na ficha técnica lá em
[02:02:16] Pistolando.com
[02:02:17] Se não tá lá, entra em contato conosco
[02:02:19] Tanto pelos comentários
[02:02:21] No próprio site
[02:02:22] Ou então pelo e-mail
[02:02:24] Contato arroba Pistolando.com
[02:02:27] Você tem uma notícia?
[02:02:29] Você tem alguma coisa que gostaria de compartilhar
[02:02:31] Com apenas um dos hosts?
[02:02:33] Eu sou no Twitter
[02:02:34] O arroba Thiago underline CZZ
[02:02:36] Thiago com H
[02:02:38] Underline CZZ
[02:02:39] E a Dona Letícia é a arroba
[02:02:42] Paca Manca
[02:02:43] O pequeno mamífero manca porque ela manca
[02:02:46] É a vida
[02:02:47] Dito isso, eu acho que fechamos
[02:02:51] E, pô, Sandro
[02:02:53] Obrigado, obrigado demais
[02:02:55] Pelo papo, pela simpatia
[02:02:57] Pela disponibilidade
[02:02:58] De gastar aqui duas horas com a gente
[02:03:01] E, nossa
[02:03:03] Só posso agradecer
[02:03:05] Eu que agradeço, Thiago
[02:03:07] Muito obrigado a vocês
[02:03:09] Muito obrigado também
[02:03:11] A todo mundo que nos ouviu até aqui
[02:03:13] E até semana que vem
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[02:03:24] Cadu, valeu pelo contato
[02:03:30] Beijão