#105 - Como ter uma boa oratória com Nelio Xavier


Resumo

Neste episódio, Eduardo Matos conversa com Nélio Xavier, professor de oratória e host do podcast Insider, sobre como desenvolver habilidades de comunicação eficazes, especialmente para líderes de tecnologia. Nélio define oratória como a habilidade de falar em público de forma estruturada, destacando que público pode ser qualquer grupo com duas ou mais pessoas, incluindo reuniões e apresentações.

A conversa aborda inicialmente a importância da autoconsciência comunicativa, identificando vícios de linguagem como “é”, “né” e “hum”. Nélio explica que esses vícios geralmente ocorrem nas fronteiras sintáticas entre frases e que a solução é substituí-los por pausas. Ele descreve os quatro estágios de aprendizagem de uma habilidade comportamental: incompetência inconsciente, incompetência consciente, competência consciente (fase robótica) e competência inconsciente (naturalidade), enfatizando que a prática repetida é essencial para atingir o último estágio.

Nélio explora o medo de falar em público, que ele redefine como medo de falhar em público. Ele discute os sinais físicos da ansiedade (boca seca, sudorese, tremores) e ensina a técnica de respiração diafragmática para metabolizar adrenalina e controlar o nervosismo. A importância da estruturação de ideias também é abordada, com ênfase na clareza do objetivo e na objetividade, além de técnicas para organizar início, meio e fim da fala.

A linguagem corporal é outro tema central, com dicas sobre olhar (contato visual e varredura), postura ativa e gestual congruente com a fala. Nélio defende o uso de câmeras abertas em reuniões remotas para aumentar a conexão e reduzir ruídos de comunicação. Ele também oferece técnicas de improviso, como usar um assunto de apoio para ganhar tempo e estruturar respostas com contexto, ligação e conclusão.

Por fim, Nélio responde à pergunta que Eduardo não fez: como tornar apresentações de dados e tecnologia menos chatas e mais atraentes. Ele recomenda o uso de recursos emocionais como histórias, analogias, metáforas e anáforas para equilibrar o excesso de conteúdo racional, tornando a comunicação mais envolvente e memorável.


Indicações

Films

  • Click — Filme com Adam Sandler mencionado por Nélio como analogia ao desejo de ter um ‘controle remoto’ para pausar o tempo e pensar durante um improviso.
  • Divertida Mente (Inside Out) — Filme da Pixar mencionado por Nélio como exemplo que retrata emoções básicas, incluindo o medo, e que tem base científica.

People

  • Murilo Gann — Mencionado por Nélio como alguém que afirma que a comunicação é uma habilidade do ‘cinto do Batman’ que, a longo prazo, fará a carreira escalar.
  • Robert Dewey — Referenciado (possivelmente com nome aproximado) como autor dos estágios de consciência na aprendizagem de habilidades comportamentais: incompetência inconsciente, incompetência consciente, competência consciente e competência inconsciente.
  • Albert Mehrabian — Pesquisador citado por Nélio em relação ao ‘mito de Mehrabian’, uma estatística (55% corpo, 37% voz, 7% palavras) sobre o impacto da comunicação que ele considera imprecisa e contextual.
  • Martin Luther King — Citado como exemplo do uso da anáfora, um recurso emocional de comunicação que consiste na repetição da ideia central no início de frases, como em seu famoso discurso ‘I Have a Dream’.

Podcasts

  • Insider — Podcast apresentado por Nélio Xavier, com episódios semanais às terças-feiras, abordando habilidades de negócio, comunicação, liderança e gestão em formato de mesa redonda.
  • Além de Sênior — Podcast irmão do Tech Leadership Rocks, apresentado por Eduardo Matos e Otávio Santana, que traz convidados para discutir temas relevantes para desenvolvedores acima do nível sênior.

Tools

  • Respiração Diafragmática — Técnica ensinada por Nélio para controlar a ansiedade ao falar em público: inspirar pelo nariz, soltar o ar pela boca por mais tempo do que a inspiração, e expandir o abdômen (não o peitoral) para colocar mais ar.

Linha do Tempo

  • 00:02:34Definição de oratória e primeiro passo para melhorar — Nélio define oratória como a habilidade de falar em público de forma estruturada, esclarecendo que ‘público’ pode ser qualquer grupo com duas ou mais pessoas. Ele enfatiza que o primeiro passo é criar consciência da própria comunicação, identificando vícios de linguagem por meio da gravação e análise de áudios e vídeos pessoais.
  • 00:05:44Técnica para eliminar vícios de linguagem — Nélio explica que vícios de linguagem ocorrem nas fronteiras sintáticas entre frases, onde deveriam haver pausas. A técnica é substituir os vícios por pausas curtas ou longas, trazendo a consciência da comunicação escrita para a oral. Ele reconhece que o processo inicialmente soa robótico, mas com prática se torna natural.
  • 00:09:09Os quatro estágios de aprendizagem de uma habilidade comportamental — Nélio detalha os quatro estágios para dominar uma técnica de comunicação: incompetência inconsciente (não sabe que existe), incompetência consciente (sabe mas não sabe fazer), competência consciente (sabe fazer mas precisa pensar) e competência inconsciente (faz naturalmente, como dirigir). A transição entre estágios requer prática repetida.
  • 00:14:09Medo de falhar em público e controle da ansiedade — Nélio redefine o medo de falar em público como medo de falhar em público – de errar ou não atender expectativas. Ele explica que é impossível agradar a todos e que aceitar isso reduz a pressão. Em seguida, descreve os sinais físicos da ansiedade (boca seca, tremores) e ensina a técnica de respiração diafragmática para metabolizar adrenalina e acalmar o corpo.
  • 00:23:21Como estruturar ideias e ser objetivo na comunicação — Nélio apresenta seus quatro pilares da comunicação: comportamental, não verbal (corpo e voz), verbal (conteúdo) e estrutural. Para estruturar ideias, ele destaca a necessidade de vocabulário (adquirido por bons inputs) e objetividade – saber exatamente onde se quer chegar. A falta de clareza sobre o objetivo final é o maior vilão da desorganização.
  • 00:31:44Problemas mais comuns em comunicação — Baseado em sua experiência, Nélio lista os problemas mais frequentes: 1) ansiedade/nervosismo para se expor (especialmente em novas posições de liderança ou ao gravar vídeos); 2) vícios de linguagem combinados com incapacidade de organizar ideias; 3) insatisfação com a própria voz (tom muito agudo, linearidade monótona, volume baixo).
  • 00:36:51Dicas de linguagem corporal: olhar, postura e gestual — Nélio desmente o mito de Mehrabian sobre porcentagens exatas de impacto, mas confirma que mais da metade do impacto emocional vem do corpo. Ele oferece três dicas práticas: 1) Olhar – buscar contato visual e varrer o olhar entre as pessoas; em reuniões remotas, olhar para a câmera. 2) Postura ativa – desencostar da cadeira, ombros alinhados, pernas na largura do quadril para comunicar interesse. 3) Gestual congruente – usar as mãos em sintonia com o que se fala, sem exagero.
  • 00:42:24A importância de câmeras abertas em reuniões remotas — Nélio se posiciona firmemente a favor de câmeras abertas, argumentando que quanto mais sinais de comunicação (texto, voz, imagem), menor a chance de ruído. A linguagem corporal (olhar, expressão facial, postura) é fundamental para estabelecer conexão. Exceções são aceitáveis (problemas de internet, locais inadequados), mas a regra deve ser manter a câmera aberta sempre que possível.
  • 00:46:16Técnicas para improvisar em situações inesperadas — Para improvisar (falar sem preparação), Nélio recomenda ganhar tempo para pensar. A técnica é: ter um assunto de apoio (fato, notícia, história), começar falando sobre ele, enquanto em segundo plano estrutura a resposta real, e então fazer uma ligação para chegar à resposta. Outro ‘hack’ é parafrasear ou elogiar a pergunta para ganhar alguns segundos, mas sem exagerar para não soar falso.
  • 00:51:16Como tornar apresentações de dados mais atraentes — Respondendo à pergunta que Eduardo não fez, Nélio sugere equilibrar recursos racionais (dados, gráficos) com recursos emocionais para prender a atenção. Ele recomenda usar histórias, analogias (exemplo: ‘20 Maracanãs’ para hectares desmatados), metáforas (atribuir sentido figurado) e anáforas (repetição da ideia central no início de frases, como ‘I have a dream’). Esses recursos tornam o conteúdo técnico mais acessível e memorável.

Dados do Episódio

  • Podcast: Tech Leadership Rocks
  • Autor: Eduardo Matos
  • Categoria: Technology
  • Publicado: 2022-10-02T09:00:19Z
  • Duração: 01:12:36

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Fala, líder! Meu nome é Eduardo Matos e esse é o podcast Tech Leadership Rocks.

[00:00:15] Antes de começar, eu queria deixar dois recados aqui.

[00:00:18] O primeiro deles é que agora o Tech Leadership Rocks tem um irmão,

[00:00:21] um podcast além de sênior.

[00:00:22] Nele, o Otávio Santana e eu trazemos convidados para conversar sobre tudo

[00:00:26] que um dev acima do nível sênior precisa saber sobre tecnologia.

[00:00:29] Para conhecer, você pode visitar techleadership.rocks barra além de sênior.

[00:00:33] Tudo junto e sem acento.

[00:00:35] O segundo recado é que nós temos uma comunidade de líderes de tecnologia no Slack.

[00:00:39] Lá você pode tirar suas dúvidas sobre gestão, liderança ou qualquer outro tema

[00:00:42] com outros líderes do mercado.

[00:00:43] Para conhecer, você pode visitar techleadership.rocks barra Slack.

[00:00:47] Recados dados, agora vamos partir para a conversa com o nosso convidado.

[00:00:50] Hoje eu vou conversar com o Nélio Xavier.

[00:00:52] Ele é host do podcast Insider e professor de oratório.

[00:00:55] Tudo bem, Nélio? Obrigado por aceitar o convite.

[00:00:56] Tudo ótimo, tudo ótimo.

[00:00:59] Edu, muito obrigado pelo convite.

[00:01:02] Quero dar as boas-vindas aos líderes também de tecnologia que estão aqui ouvindo a gente no pod.

[00:01:07] Muito legal.

[00:01:07] Você pode contar um pouquinho sobre você aí?

[00:01:09] O que você faz?

[00:01:10] A sua história um pouquinho?

[00:01:11] Só para a galera te conhecer um pouco melhor?

[00:01:13] Claro, claro, claro, claro.

[00:01:15] Vamos lá.

[00:01:15] Como você falou, eu sou host do podcast Insider.

[00:01:19] Então esse é o primeiro título que fica na minha bio lá do LinkedIn.

[00:01:22] Conduz um podcast também que já está na quarta temporada.

[00:01:26] A gente já tem mais de 230 episódios.

[00:01:29] Três episódios publicados, além de ser host do podcast, que é uma paixão minha.

[00:01:33] Eu adoro fazer o que eu faço lá no pod.

[00:01:35] Eu também sou professor de oratória.

[00:01:37] Eu ajudo as pessoas a falarem melhor em público.

[00:01:41] E vale dizer que eu estou aqui nesse podcast e muitas dessas pessoas vêm da área de tecnologia,

[00:01:47] vêm de áreas muito racionais, de finanças, que querem trabalhar essa habilidade comportamental.

[00:01:52] E nessa posição de educador de comunicação, vai, eu digo que eu me divido em mentor, professor,

[00:01:59] palestrante também.

[00:02:00] E aí tem uma função, eu diria que tripla, que orbita junto com o host e com o professor,

[00:02:06] que é mestre de cerimônias, apresentador, host de eventos.

[00:02:10] Então essas são as áreas hoje que eu atuo, que eu gosto de navegar no mundo da comunicação.

[00:02:17] Muito legal.

[00:02:18] E para começar o nosso papo aqui, obviamente vai ser sobre oratória.

[00:02:22] É um assunto que, por um acaso, me interessa bastante.

[00:02:26] Daí eu queria começar com uma pergunta bem aberta.

[00:02:29] Aí a gente vai afunilando, conforme a gente vai conversando por aqui.

[00:02:32] Então a pergunta aberta vai ser a seguinte.

[00:02:34] De maneira geral, o que a gente precisa fazer para ter uma melhor oratória?

[00:02:40] Então é uma pergunta bem abertona.

[00:02:42] Legal.

[00:02:43] Só para esquentar.

[00:02:44] Tudo bem.

[00:02:45] Tudo bem.

[00:02:46] Vamos lá.

[00:02:47] Primeiro passo.

[00:02:48] Vale definir o que é oratória para quem está ouvindo agora e ainda não teve contato

[00:02:54] com esse nome ou essa habilidade.

[00:02:57] Se a pessoa que está ouvindo agora…

[00:02:58] E quiser confirmar o que eu estou falando, abrir o Google nesse exato momento e colocar

[00:03:03] oratória, vai bater uma daquelas definições lá da Wikipédia ou então de algum blog,

[00:03:09] dizendo o seguinte.

[00:03:11] Oratória é a habilidade de falar em público de forma estruturada.

[00:03:15] Isso é oratória.

[00:03:17] Aí a pessoa pode pensar assim, Edu.

[00:03:19] Nossa, falar em público?

[00:03:20] Ah, mas eu não sou palestrante, não sou professor.

[00:03:22] Eu só faço reuniões, estou aqui no meu trabalho.

[00:03:25] Público é duas ou mais pessoas.

[00:03:27] Eu aqui, eu e você agora, Edu, gravando esse pod, tem várias pessoas ouvindo.

[00:03:32] Nós estamos falando em público.

[00:03:34] Agora, vale-se ter uma estrutura.

[00:03:37] E aí essa definição abraça outras áreas da comunicação.

[00:03:41] Comunicação verbal, comunicação não verbal, parte de controle emocional para se

[00:03:45] comunicar, parte estrutural de fato.

[00:03:47] E aí você me perguntou qual seria o primeiro passo, entendendo já o que é oratória, criar

[00:03:53] consciência da própria comunicação.

[00:03:55] Criar consciência da própria comunicação.

[00:03:58] Tem muita gente, Edu, que às vezes comete erros de comunicação que nem sabe que está

[00:04:04] errado.

[00:04:05] Então a pessoa não vai corrigir o que ela não sabe que está errado.

[00:04:08] Um exemplo muito comum, que é muito fácil de perceber e que até quem não trabalha

[00:04:13] com comunicação percebe, são vícios de linguagem.

[00:04:16] Aquelas pessoas que preenchem a fala muito com é, hum, e, ou então né, né, né, né,

[00:04:23] né.

[00:04:24] Você pode estar lembrando de alguém agora que fala desse jeito contigo.

[00:04:27] São erros percebidos que incomodam.

[00:04:30] Mas se a pessoa nem sabe que isso é um vício, ela não vai corrigir.

[00:04:34] Então o primeiro passo, Edu, perceba a sua comunicação.

[00:04:39] Fique mais consciente.

[00:04:40] Ah, Nélio, como é que eu fico mais consciente?

[00:04:43] Ouça seus áudios do WhatsApp, se veja em algum vídeo.

[00:04:47] Ah, Nélio, não gosta de me ver.

[00:04:49] Comece a se gravar, não mostra para ninguém.

[00:04:52] Se veja você.

[00:04:53] Então ouvir, estimular a comunicação, estimular uma fala, uma participação numa

[00:05:00] reunião e perceber como isso aconteceu, a forma de entregar, já é um primeiro passo

[00:05:07] para você despertar a curiosidade para melhorar esses outros aspectos da comunicação.

[00:05:12] Pô, beleza, legal, né, saber que, né, ter essa consciência da comunicação, isso

[00:05:17] é importante.

[00:05:18] Daí eu queria pegar um ponto que você mesmo puxou ali sobre vícios de linguagem.

[00:05:21] Que, por um acaso, eu tenho vários ali.

[00:05:25] Daí eu queria entender na sua visão como que a gente consegue trabalhar, começar a

[00:05:29] trabalhar nesses vícios de linguagem para a gente melhorar.

[00:05:31] A gente, beleza, vamos assumir que a gente já está ouvindo o nosso áudio do WhatsApp

[00:05:35] ou nos assistindo em algum vídeo e tal.

[00:05:38] A gente percebeu ali algum vício, algum é, algum né, alguma coisa assim.

[00:05:41] Como é que a gente faz daí em diante?

[00:05:43] Maravilha.

[00:05:44] Posso usar você de cobaia, Edu?

[00:05:46] Claro.

[00:05:47] Então vamos lá.

[00:05:49] Em que momento você acredita, parando para pensar e você já falou, nossa, eu tenho

[00:05:56] também vícios.

[00:05:57] Em que momento eles entram na sua fala?

[00:05:59] Você consegue me dizer quanto que você usa eles?

[00:06:02] Consigo, sim.

[00:06:03] Normalmente, quando eu estou pensando, eu estou entre dois pensamentos, vamos dizer

[00:06:08] assim, então penso, alguma coisa falo, eu não consigo conectar diretamente com outra

[00:06:12] fala, então nesse meio tempo, normalmente eu uso alguma linguagem, alguma linguagem,

[00:06:16] eu ia falar linguagem de programação, linguagem de…

[00:06:19] Vício de linguagem, desculpa.

[00:06:21] A tecnologia está muito inserida na pessoa, né?

[00:06:24] Boa.

[00:06:25] Beleza, olha, você foi bem preciso.

[00:06:28] Os vícios de linguagem, eles entram nesse momento, quando você está pensando em algo

[00:06:34] para falar, quando você quer conectar uma ideia.

[00:06:38] Olhando estruturalmente para a comunicação, Edu, os vícios, eles entram entre uma frase

[00:06:43] e outra.

[00:06:44] Você está falando alguma coisa e vai continuar falando.

[00:06:48] Vai continuar falando, né?

[00:06:50] Uma nova frase e…

[00:06:52] Entre uma frase e outra.

[00:06:54] Num texto, Edu, o que tem entre uma frase e outra?

[00:06:59] Uma pausa.

[00:07:02] Antes da pausa, se você pegar um texto e você olhar para ele, entre uma frase…

[00:07:06] Tem um ponto.

[00:07:07] Tem um ponto.

[00:07:08] Exato.

[00:07:09] Tem um ponto, tem uma vírgula, tem um ponto e vírgula, tem dois pontos.

[00:07:13] O nome técnico disso é Fronteiras Sintáticas.

[00:07:16] Tem as Fronteiras Sintáticas.

[00:07:19] Agora sim, Edu.

[00:07:20] Quando você está lendo um texto e tem uma vírgula e tem um ponto, o que você faz?

[00:07:27] Você dá uma pausa pequena.

[00:07:29] Exato.

[00:07:30] Você dá uma pausa.

[00:07:31] Essa, Edu, é a lógica de substituição de limpeza dos vícios de linguagem dissecada.

[00:07:37] Os vícios de linguagem entram no lugar dos pontos.

[00:07:41] Da vírgula, do ponto vírgula, dois pontos, ponto parágrafo, reticências.

[00:07:45] No lugar dos pontos, deve-se entrar uma pausa.

[00:07:48] Uma pausa curta ou uma pausa longa para dar efeito de finalização.

[00:07:53] Os vícios entram no lugar dos pontos.

[00:07:55] No lugar dos pontos, entra uma pausa.

[00:07:57] Tira vício, entra pausa.

[00:07:59] A ideia é trazer essa consciência da comunicação escrita para a comunicação oral.

[00:08:04] Ponto.

[00:08:05] É fácil?

[00:08:06] Não, não é fácil.

[00:08:08] Requer treino.

[00:08:09] Agora, o primeiro passo é saber que tem vícios.

[00:08:12] Agora você sabe onde eles entram.

[00:08:14] Agora você sabe que deveriam estar onde eles estão.

[00:08:17] Que é uma pausa.

[00:08:21] Beleza?

[00:08:22] Perfeito, perfeito.

[00:08:23] E eu já tentei fazer alguma coisa nessa linha, praticar e tal.

[00:08:27] O que eu percebi nas vezes que eu pratiquei foi justamente que não era natural, né?

[00:08:33] Parece que é algo muito de…

[00:08:35] Eu estou me forçando de fato enquanto eu estou, vamos dizer assim, praticando ali, falando,

[00:08:40] eu estou me lembrando de que eu não posso usar o que eu não devo naquele momento.

[00:08:44] Usar, enfim, algum preenchedor ali, né?

[00:08:47] Entre uma frase e outra e tal.

[00:08:48] E daí o Paulo…

[00:08:49] Soou meio estranho no começo para quem está fazendo.

[00:08:51] Pelo menos para mim soou, né?

[00:08:52] É assim mesmo?

[00:08:53] Sim, sim.

[00:08:54] Sim, sim.

[00:08:55] Vai soar estranho.

[00:08:56] E vale um alerta antes de eu dizer o porquê que vai soar estranho.

[00:09:00] Que é o seguinte.

[00:09:04] Vamos lá.

[00:09:06] Oratória é uma habilidade comportamental.

[00:09:09] Uma soft skill.

[00:09:11] Diferente de uma hard skill.

[00:09:12] E aqui eu estou falando para um público de tecnologia que lida com programação.

[00:09:16] Você já falou aí com softwares, com dev, com tudo isso.

[00:09:19] Essa sopa de letrinhas.

[00:09:21] Que você, por exemplo, conduzindo um software, você tem um botão que você aperta o botão

[00:09:26] e ele faz uma ação.

[00:09:27] Pronto.

[00:09:28] Acabou.

[00:09:29] Apertou o botão, fez a ação.

[00:09:30] Agora, aprender uma técnica de oratória, de pausa, de olhar, de corpo, de voz, não

[00:09:35] é apertou o botão, foi a ação.

[00:09:38] Requer treino.

[00:09:39] Requer prática.

[00:09:41] Porque não muda comportamento de uma hora para outra.

[00:09:44] A tua comunicação não vai virar a chave de uma hora para outra.

[00:09:47] Existem quatro estágios, Edu, de consciência para você absorver, aprender e aplicar uma

[00:09:54] técnica comportamental naturalmente.

[00:09:56] Para chegar na naturalidade.

[00:09:58] Passando rapidamente por eles.

[00:10:00] Primeiro estágio.

[00:10:01] Isso não fui eu que criei.

[00:10:03] Eu não vou lembrar o nome do autor.

[00:10:05] Robert Dewey, se eu não me engano, que fala dos estágios de consciência.

[00:10:09] Primeiro estágio.

[00:10:10] Incompetência inconsciente.

[00:10:12] É aquele estágio que é incompetência porque você não sabe fazer e é inconsciente

[00:10:16] porque você nem sabia que dava para fazer.

[00:10:18] Como, por exemplo, aplicar as pausas.

[00:10:20] Você não sabia a técnica da pausa curta, da pausa longa.

[00:10:23] Segundo estágio.

[00:10:25] Agora quem está com fone no ouvido, ouvindo a gente.

[00:10:28] Chegou no segundo estágio.

[00:10:30] Incompetência consciente.

[00:10:32] Esse é o segundo estágio.

[00:10:33] É incompetência porque a pessoa não sabe fazer ainda.

[00:10:36] Agora, é consciente porque ela agora sabe que dá para pausar.

[00:10:39] Ela sabe que dá para pausar para tirar os vícios de linguagem.

[00:10:43] Terceiro estágio.

[00:10:45] Competência consciente.

[00:10:48] Esse é o estágio mais estressante.

[00:10:52] Robótico.

[00:10:53] Mecânico.

[00:10:54] Que incomoda.

[00:10:55] Foi o que você mencionou.

[00:10:56] Como que a pessoa sai do segundo para o terceiro?

[00:10:59] Quando ela começa a praticar.

[00:11:01] Quando ela pega um exercício das pausas, por exemplo, ou de qualquer outra técnica de comunicação

[00:11:08] e começa a fazer.

[00:11:10] Por que é competência consciente?

[00:11:12] É competência porque a pessoa está pausando.

[00:11:14] Só que é consciente porque ela tem que pensar para pausar.

[00:11:16] Foi o que você falou.

[00:11:17] Caramba, Nelly. Eu estou falando e eu tenho que pensar para pausar.

[00:11:21] Nossa, parece uma trabalheira do caramba.

[00:11:23] E é uma trabalheira do caramba.

[00:11:25] Agora, qual é o objetivo, Edu?

[00:11:28] Chegar no quarto estágio.

[00:11:30] Competência inconsciente.

[00:11:33] Me diz aí.

[00:11:35] Você acha que alguém pensa para escovar o dente?

[00:11:38] Com certeza não.

[00:11:40] Talvez uma criança.

[00:11:41] Alguém pensa.

[00:11:42] Alguém já é adulto.

[00:11:43] Alguém pensa para amarrar o cadarço?

[00:11:45] Não, suponho que não.

[00:11:47] Para dirigir.

[00:11:48] Você dirige?

[00:11:49] Sim.

[00:11:50] Dirige.

[00:11:51] Vai pegar a primeira vez que você dirigiu.

[00:11:54] Parecia uma coisa de cada vez.

[00:11:56] É de tirar o freio de mão, pisar na embreagem ali, se você pegou um carro que não era automático.

[00:12:03] Aí você tem que dar a seta, você tem que ver o retrovisor e botar o cinto.

[00:12:06] Hoje em dia é automático.

[00:12:07] O automático é igual a competência inconsciente.

[00:12:11] Aqui está a naturalidade.

[00:12:13] Como você tira a competência inconsciente e vai para o quarto estágio?

[00:12:17] Repete, repete, repete, repete, repete.

[00:12:20] Hoje eu não tenho vício na minha fala.

[00:12:22] Também porque eu dou aula disso há meia década.

[00:12:25] Mas porque eu pratiquei muito.

[00:12:28] Para ter uma fala sem vícios, aplicando as pausas.

[00:12:32] E para finalizar e devolver para você.

[00:12:35] Quem pode estar ouvindo agora.

[00:12:36] Por que é tão importante tirar os vícios?

[00:12:39] Essa pergunta que o Edu fez.

[00:12:41] Porque vícios de linguagem, hesitações e interjeições.

[00:12:46] Tipo, tipo, cara.

[00:12:48] Isso suja a tua fala.

[00:12:51] Isso passa para o outro, para quem está te ouvindo.

[00:12:53] Percepção de insegurança.

[00:12:56] De baixa qualidade na comunicação.

[00:12:58] E aí você pode perder um contrato.

[00:13:01] Você pode deixar de ser escolhido.

[00:13:04] Você pode perder a atenção das pessoas.

[00:13:07] Por isso que vale.

[00:13:09] Entender como pausar, como aplicar essa e outras técnicas de comunicação.

[00:13:12] E a gente está falando de líderes aqui.

[00:13:15] Não está falando de, vamos dizer assim, qualquer profissional.

[00:13:18] Então a gente vai frequentemente estar nos comunicando ali.

[00:13:23] Nos comunicando com alguém importante na empresa.

[00:13:26] Com talvez um cliente importante.

[00:13:28] Então é importante a gente ter uma oratória que condiza com isso.

[00:13:32] De alguma forma.

[00:13:33] Exatamente.

[00:13:34] E tende a ser, tende a ser o fator decisivo para muitos encontros.

[00:13:45] Para muitas conversas.

[00:13:47] Para muitos contratos fechados.

[00:13:49] É a comunicação.

[00:13:50] O Murilo Gann, ele fala que a comunicação é uma habilidade de cinto do Batman.

[00:13:55] A longo prazo, essa é a habilidade que vai fazer a tua carreira escalar.

[00:14:01] Por isso que vale a atenção.

[00:14:02] E vale o episódio inteiro.

[00:14:04] No podcast.

[00:14:05] Com certeza.

[00:14:06] Outro ponto que eu queria ver contigo é o seguinte.

[00:14:09] Um negócio que eu já tive muito problema, assim, ao longo da minha vida.

[00:14:12] Que era o medo de falar em público.

[00:14:15] Aquele receio, sabe?

[00:14:16] Pô, falo ou não falo?

[00:14:17] O que vai acontecer aqui e tal?

[00:14:18] Eu queria entender como é que a gente faz para lidar com esse medo que surge ali.

[00:14:23] De a gente fazer uma apresentação.

[00:14:24] Ou de conversar com uma pessoa.

[00:14:26] Boa.

[00:14:27] Boa.

[00:14:28] Boa pergunta.

[00:14:29] Edu, vou devolver para você.

[00:14:30] Antes de dar a resposta final.

[00:14:33] Numa escala de 0 a 10 de nervosismo, de medo.

[00:14:38] Você consegue me dizer em qual…

[00:14:40] Sendo 0.

[00:14:41] Pouquinho.

[00:14:42] E 10.

[00:14:43] Muito.

[00:14:44] Muita ansiedade.

[00:14:45] Muito nervosismo.

[00:14:46] Consegue me dizer em qual nível você já chegou?

[00:14:51] Provavelmente eu cheguei muito próximo do 10, se não no 10.

[00:14:55] Especialmente quando…

[00:14:56] Eu posso até contar a história que aconteceu comigo.

[00:14:58] Eu vou contar o começo.

[00:14:59] Eu não vou contar o final.

[00:15:00] Mas foi quando eu me tornei monitor na faculdade.

[00:15:04] E, obviamente, sendo monitor eu deveria atender outros estudantes para explicar como funcionava

[00:15:10] um exercício.

[00:15:11] Como é que resolvia e tal.

[00:15:13] E eu lembro que no primeiro estudante que chegou para tirar uma dúvida comigo, eu literalmente

[00:15:18] suava frio para…

[00:15:20] Tentando ajudar a pessoa ali.

[00:15:21] Sentado junto com ela.

[00:15:22] Olha só.

[00:15:23] Com uma pessoa.

[00:15:24] Conversando com uma pessoa.

[00:15:25] Eu suava frio.

[00:15:26] Só de pensar na ideia de que…

[00:15:27] Esse estudante estava me olhando.

[00:15:28] Esse colega estava me olhando ali.

[00:15:29] Esperando que eu resolvesse e tal.

[00:15:30] Nossa, o que vai acontecer aqui?

[00:15:31] Literalmente suando frio.

[00:15:32] Então, esse foi o começo.

[00:15:33] Então, para mim, é bem próximo do 10.

[00:15:34] Vamos dizer assim.

[00:15:35] Sim.

[00:15:36] Sim.

[00:15:37] Bacana.

[00:15:38] E eu também.

[00:15:39] Vou confessar.

[00:15:40] Já passei por situações que me deixaram muito nervoso.

[00:15:41] Muito ansioso.

[00:15:42] As pessoas olham para um professor de oratório e tendem a pensar.

[00:15:43] Ah, essa pessoa aí nunca passou nervosismo.

[00:15:44] Nunca ficou com a boca seca.

[00:15:45] Com sudorese.

[00:15:46] Na hora de falar.

[00:15:47] Não.

[00:15:48] Não.

[00:15:49] Não.

[00:15:50] Não.

[00:15:51] Não.

[00:15:52] Não.

[00:15:53] Não.

[00:15:54] Não.

[00:15:55] Não.

[00:15:56] Não.

[00:15:57] A partir de rel YOGA, por се.

[00:15:58] Por plans.

[00:15:59] Proêsso.

[00:16:00] É 단척 custody.

[00:16:01] Oh.

[00:16:02] Detalhado.

[00:16:03] Sem intenção al christi pisnava.

[00:16:04] Então.

[00:16:05] Não.

[00:16:06] Já passou.

[00:16:07] P 어렵ệu.

[00:16:08] Todo mundo ja passou em certo gramuho por isso.

[00:16:09] Porque eu digo que todo mundo ja passou.

[00:16:10] Porque a raiz dette medo, deste nervosismo.

[00:16:11] Back fools!

[00:16:12] Do, até para entender como controlar, vai entender esta raiz.

[00:16:13] É o medo.

[00:16:14] É uma emociao.

[00:16:15] Não da para simplesmente tirar.

[00:16:16] fascinating.

[00:16:17] Abra a cabeça.

[00:16:18] Pega o medo e joga fora.

[00:16:19] Não.

[00:16:20] Não tem como.

[00:16:21] E defer a simbeveryone the end.

[00:16:22] Uma emociao inata.

[00:16:23] Da Pixar, que tem as emoções na cabeça da menininha.

[00:16:27] É maravilhoso aquele filme.

[00:16:29] Tem base científica, inclusive.

[00:16:31] O medo é uma dessas emoções que vem com a gente.

[00:16:34] Serve para preparar a gente para uma situação de risco, de estresse.

[00:16:39] E ele ligou alerta para o corpo de que algo vai acontecer.

[00:16:43] Então, quando a gente tem medo dessa situação de se expor, Edu,

[00:16:48] eu costumo falar que a pessoa não tem medo de falar em público.

[00:16:52] Ninguém tem medo de falar.

[00:16:53] Mas as pessoas falam.

[00:16:55] O que as pessoas têm é medo de falhar em público.

[00:16:59] É medo de errar em público.

[00:17:02] É medo de não atender a expectativa alheia.

[00:17:06] É uma letra, é um H.

[00:17:08] Não é falar, é falhar.

[00:17:11] E aí tem que tirar uma coisa da frente,

[00:17:14] que é não dá para atender a expectativa de todo mundo.

[00:17:17] Não dá.

[00:17:18] Simplesmente não dá.

[00:17:19] É ilusão minha, Edu, achar que eu vou vir aqui no seu podcast

[00:17:22] pela primeira vez, sem te conhecer, sem conhecer a tua audiência,

[00:17:26] e achar que eu vou agradar 100% todo mundo que está com fone não ouvindo,

[00:17:31] ouvindo o podcast.

[00:17:32] Não, não vou.

[00:17:34] Eu não vou.

[00:17:35] E pode ser que eu erre.

[00:17:37] E se eu errar, ok.

[00:17:38] Eu tenho que corrigir.

[00:17:39] Mas eu errei.

[00:17:42] Tirando isso da frente, a gente já tira um peso nas costas.

[00:17:46] E entender que, ok, dá para errar.

[00:17:48] Agora, como administrar?

[00:17:49] Aí vem o pós.

[00:17:52] Beleza, Nelly?

[00:17:52] Eu já entendi que é um medo, é um medo de errar.

[00:17:55] Então, eu posso aceitar que eu vou errar, que eu já vou ficar mais tranquilo.

[00:17:58] Sim.

[00:17:58] Agora, vamos para a parte da ciência da coisa.

[00:18:01] Geralmente, Edu, quando você…

[00:18:04] Vou pegar uma situação tua de novo, vou usar você de cobai de novo.

[00:18:07] Ou então, se você quiser me trazer situações da área, pode ser bom.

[00:18:11] Consegue me dar exemplos de situações que poderiam gerar um nervosismo,

[00:18:15] uma ansiedade grande para um profissional de tecnologia se expor?

[00:18:20] Possivelmente, apresentar um projeto.

[00:18:22] Um projeto que fez, ou tentar fazer uma palestra num evento, alguma coisa do tipo.

[00:18:28] Alguns exemplos.

[00:18:29] Legal.

[00:18:30] Apresentar um projeto, ou fazer uma palestra num evento.

[00:18:33] Uma boa situação.

[00:18:34] Nessa hora, na hora de pré-entrar no projeto, na reunião, que seja presencial ou remota,

[00:18:40] ou então antes da palestra, o corpo começa a dar esses sinais de ansiedade, de medo.

[00:18:47] E como vem esses sinais?

[00:18:48] Glândulas supra-renais produzem adrenalina, que é um hormônio.

[00:18:51] Adrenalina.

[00:18:52] Não é a vilã, mas é o que provoca tudo.

[00:18:55] Quanto mais medo você tem, mais adrenalina entra na corrente sanguínea.

[00:18:59] Essa adrenalina, na corrente sanguínea, acelera o batimento cardíaco.

[00:19:04] E aí, meu amigo, quando acelera o batimento cardíaco,

[00:19:08] vem os sinais corporais e cognitivos de ansiedade.

[00:19:14] Vou falando dos sinais.

[00:19:16] Quem está com fone no ouvido agora,

[00:19:19] levanta a mão, sem ouvir.

[00:19:22] Se você já sentiu algum desses sinais.

[00:19:25] Boca seca,

[00:19:27] sudorese,

[00:19:28] palpitação,

[00:19:30] dor de barriga,

[00:19:31] tremores na voz,

[00:19:33] mãos trêmulas,

[00:19:35] desvio de olhar,

[00:19:37] aquela pessoa que desvia o olhar, não olha para cima, para baixo, não consegue olhar para a pessoa,

[00:19:40] fala acelerada.

[00:19:42] Tem gente que quando fica nervoso, muito nervosa, começa a falar rápido,

[00:19:44] porque quer acabar logo com aquela situação, então acelera muito.

[00:19:47] Sorriso constante, a pessoa sorri muito assim, não para de sorrir,

[00:19:50] quer mostrar que está calma,

[00:19:52] mas está muito nervoso e aí não passa credibilidade nenhuma,

[00:19:55] porque a credibilidade está no tom mais grave, mais fechado.

[00:19:59] Além disso, rigidez muscular,

[00:20:02] hesitações,

[00:20:05] tudo isso é sinal de ansiedade.

[00:20:09] Sentiu isso?

[00:20:10] Ligou o alerta.

[00:20:12] A adrenalina está lá no alto.

[00:20:14] O que eu tenho que fazer?

[00:20:15] Metabolizar essa adrenalina.

[00:20:17] Vou passar uma técnica que ajuda muito a controlar essa ansiedade,

[00:20:21] que é

[00:20:22] respiração diafragmática.

[00:20:24] Já ouviu falar?

[00:20:25] Acho que sim.

[00:20:26] Você vai respirar com a barriga?

[00:20:29] Exato, exato.

[00:20:31] A ideia é que, um, você inspire o ar pelo nariz,

[00:20:34] dois, solte o ar pela boca,

[00:20:37] três, solta o ar por mais tempo do que você inspira.

[00:20:41] Então, inspirou em dois segundos,

[00:20:44] solta em quatro ou cinco.

[00:20:48] Devagar.

[00:20:49] Por quê?

[00:20:49] Porque é na expiração que você está ficando calmo.

[00:20:52] Porque você está metabolizando adrenalina e reduzindo o batimento cardíaco.

[00:20:56] Não adianta nada eu pedir para você ficar calmo e você…

[00:20:59] Você vai ficar mais acelerado.

[00:21:04] Então, não dá.

[00:21:05] E a parte diafragmática,

[00:21:08] não é que você tem que saber exatamente onde fica o diafragma no meu corpo.

[00:21:12] Não.

[00:21:13] Basta você, quando colocar o ar para dentro, no passo um,

[00:21:17] expandir mais o abdômen do que o peitoral.

[00:21:20] Então, as pessoas estão vendo a gente,

[00:21:22] agora, não é elevar o peitoral aqui,

[00:21:26] subindo o ombro.

[00:21:27] Não, não, não, não.

[00:21:28] Deixa o peitoral parado e coloca a barriga para frente.

[00:21:35] Porque você vai colocar mais ar para dentro.

[00:21:38] Logo, você terá mais ar para colocar para fora.

[00:21:40] Vai ficar mais calmo, mais rápido.

[00:21:46] Faz total sentido isso.

[00:21:47] Muito legal.

[00:21:48] Curti muito o exercício.

[00:21:49] Vou praticar.

[00:21:50] Talvez seja…

[00:21:51] Esse é um dos principais pontos que falte para mim,

[00:21:54] essa parte mais de…

[00:21:55] Respiração.

[00:21:56] De respiração, exatamente.

[00:21:59] Porque, até pegando o exemplo que eu te dei mais cedo,

[00:22:01] o que aconteceu comigo depois daquilo ali?

[00:22:04] Obviamente, eu continuei atuando como monitor na faculdade.

[00:22:08] Mais pessoas vieram falar comigo.

[00:22:10] Eu era obrigado a atender as pessoas.

[00:22:11] Não podia simplesmente ignorar.

[00:22:13] E eu fui melhorando, aos pouquinhos, aos pouquinhos e tal.

[00:22:16] Chegou num ponto onde mais de uma pessoa passou a vir.

[00:22:19] Daí, em vez de sentar com a pessoa e resolver,

[00:22:21] ali no caderno, alguma coisa assim,

[00:22:23] eu passei a ir para o quadro,

[00:22:24] mesmo me forçando a fazer isso.

[00:22:26] Então, eu fui para o quadro e comecei a resolver.

[00:22:28] Até que, no final do semestre ali, na faculdade,

[00:22:32] eu já estava dando aula, vamos dizer assim,

[00:22:34] para umas 40 pessoas.

[00:22:35] E eu já estava relativamente confortável com aquilo ali.

[00:22:38] De tanto que eu vim praticando ao longo do semestre.

[00:22:40] Então, a partir da prática ali, eu fui pegando.

[00:22:42] Então, muito legal também conhecer essa técnica aí.

[00:22:45] Vou praticar, com certeza.

[00:22:46] Boa, boa, boa.

[00:22:48] Você foi repetindo aquela situação,

[00:22:50] se acostumando.

[00:22:51] A passar para aquela exposição.

[00:22:53] Então, é natural.

[00:22:54] A competência inconsciente.

[00:22:56] Repetiu, repetiu, repetiu.

[00:22:57] Foi ficando tranquilo, foi ficando calmo.

[00:22:59] E aí, você conseguiu se controlar, se manter sob controle.

[00:23:02] Por mais tempo.

[00:23:04] Muito bom.

[00:23:05] E outro ponto que eu queria ver contigo é o seguinte.

[00:23:08] Eu estou usando muito esse episódio aqui

[00:23:12] quase como uma mentoria.

[00:23:13] Espero que também ajude quem estiver ouvindo a gente.

[00:23:16] Vamos lá.

[00:23:18] Vamos lá.

[00:23:18] Outro ponto que eu estou bem curioso é o seguinte.

[00:23:21] Quando a gente vai fazer uma apresentação ou conversar com alguém,

[00:23:25] uma pessoa importante ali, vamos dizer.

[00:23:27] Eu acho muito legal quando a pessoa com quem a gente está conversando ali,

[00:23:32] enfim, especialmente quando é num momento importante,

[00:23:34] quando a pessoa é articulada naquilo que ela está falando,

[00:23:37] quando ela consegue expressar bem as ideias que ela tem em mente.

[00:23:40] É diferente daquele caso onde, por exemplo, a pessoa, vamos dizer assim,

[00:23:43] ela fala talvez muito rápido ali.

[00:23:46] A gente não entende muito bem o que a pessoa está falando,

[00:23:49] não entende a mensagem que ela quer passar e tal.

[00:23:51] Então, eu queria entender como é que a gente consegue talvez estruturar um pouco

[00:23:55] o que a gente vai falar para a pessoa, como é que a gente quer passar a mensagem para ela

[00:23:58] de uma forma que seja mais articulada, mais estruturada e fique mais fácil da pessoa entender.

[00:24:03] Acho que vai um pouquinho além da oratória ou não.

[00:24:05] Enfim, eu acho que você pode me dizer melhor isso aí.

[00:24:08] Sim, vamos lá.

[00:24:10] Está quase uma mentoria de verdade esse podcast.

[00:24:15] Seguinte, depois que eu começo a dar aula para alguns mentorandos,

[00:24:21] e eles aprendem um cardápio de técnicas maior,

[00:24:27] aí eu provoco eles da seguinte forma.

[00:24:30] Eu falo, olha só,

[00:24:32] olha o por trás agora da minha mentoria.

[00:24:35] Olha o por trás da aula.

[00:24:37] Olha o por trás da minha fala.

[00:24:40] O que é esse por trás?

[00:24:41] É a forma que eu estruturo, o como eu entrego, o início e o meio e fim.

[00:24:47] Se quiserem agora os ouvintes e você também perceberem.

[00:24:51] Como o Nelly está entregando as respostas.

[00:24:54] Você falou, não sei se foge um pouco da oratória já.

[00:24:58] Deixa eu só dar um contexto de quatro pilares,

[00:25:00] que é até o que eu gosto de método de trabalho.

[00:25:04] De maneira geral, pegando aquela definição que eu dei lá atrás,

[00:25:07] no início aqui do papo,

[00:25:10] de arte de falar em público de forma estruturada,

[00:25:13] tem um primeiro pilar da comunicação que eu enxergo como um pilar comportamental,

[00:25:18] que envolve muito desse controle emocional que a gente tocou agora,

[00:25:21] de como se manter equilibrado para falar, controlar o nervosismo.

[00:25:25] Além disso, entra a percepção de com quem eu estou falando.

[00:25:30] O perfil comportamental de fato, se é alguém mais extrovertido, mais introvertido.

[00:25:34] Se eu também sou um ponto de autoconhecimento, se eu sou mais racional,

[00:25:37] ou se eu tendo a ser mais emocional.

[00:25:40] Esse é o primeiro pilar.

[00:25:41] Saindo desse pilar, Edu, a gente vai para dois pilares aqui do meio,

[00:25:45] que é a comunicação verbal e não verbal.

[00:25:48] O que é o não verbal?

[00:25:51] Tudo aquilo que não tem a ver com o verbo, com a palavra.

[00:25:54] É o corpo, a linguagem corporal, o olhar, o gestual, a postura, a movimentação.

[00:25:59] E a voz, o som que eu produzo, o volume da voz, a entonação lá no agudo, aqui no grave.

[00:26:07] Isso é não verbal.

[00:26:08] Está muito ligado à emoção, à sensação que a gente comunica.

[00:26:12] Terceiro pilar, o verbal.

[00:26:14] A resposta está aqui, no verbal.

[00:26:17] Fala e linguagem compõem a comunicação verbal.

[00:26:21] É o que diz respeito à palavra.

[00:26:23] É o que diz respeito ao conteúdo.

[00:26:25] A clareza do que você está entregando.

[00:26:28] A articulação, a dicção, o vocabulário, a objetividade, a capacidade de conectar uma ideia à outra.

[00:26:35] E o último pilar, só para não deixar sem o último aqui, o estrutural.

[00:26:39] Que é de respeito às estruturas, a forma que a gente organiza as ideias para entregar.

[00:26:42] Por exemplo, estrutura de apresentação, uma estrutura de improviso,

[00:26:46] uma estrutura de storytelling, como contar a história.

[00:26:48] Tem uma estrutura, tem um roteiro por trás.

[00:26:50] Uma estrutura diversa.

[00:26:51] Venda, uma estrutura de pitch, uma estrutura de vídeo, de gravação de vídeo.

[00:26:55] Tem estruturas.

[00:26:57] Como eu falei, a resposta começa aqui, no verbal.

[00:27:00] Nélio do céu, como a gente organiza as ideias?

[00:27:03] Como a gente estrutura uma fala?

[00:27:05] Foi essa pergunta que você me fez, não foi?

[00:27:08] Maravilha.

[00:27:10] Base.

[00:27:11] Tem que ter vocabulário.

[00:27:14] Ah, Nélio, se ensina vocabulário?

[00:27:17] Bagagem em vocabulário?

[00:27:18] Ou seja, saber usar sinônimo?

[00:27:20] Ou seja, saber trocar as palavras?

[00:27:22] Isso não se ensina.

[00:27:23] Isso vem de leitura.

[00:27:25] Bons inputs, eu diria.

[00:27:26] Porque não só leitura.

[00:27:29] Boas leituras, bons podcasts como esse.

[00:27:32] Boas referências.

[00:27:34] Quando você consome bons inputs, é natural que o teu cérebro vá guardando

[00:27:38] boas palavras para serem utilizadas.

[00:27:41] Então, essa bagagem em vocabulário é importante.

[00:27:44] E uma outra base importante para estruturar é saber ser objetivo.

[00:27:50] Passar para ti antes de finalizar.

[00:27:52] Edu, para você, se eu te pedisse para definir agora,

[00:27:56] o que é ser objetivo?

[00:27:58] Objetividade para você?

[00:28:01] Para mim, é ir direto ao ponto na mensagem.

[00:28:05] Porque assim, quando eu estou conversando com alguém,

[00:28:07] eu quero passar uma mensagem para ela.

[00:28:08] Tem alguma coisa que está na minha visão.

[00:28:10] Tem alguma coisa na minha cabeça que eu quero passar para a cabeça dela.

[00:28:13] E quanto mais simples e mais direta for essa mensagem,

[00:28:16] na minha visão, maiores as chances da pessoa entender.

[00:28:20] Então, objetividade.

[00:28:20] Objetividade tem a ver com eu falar menos para tornar mais fácil para a pessoa compreender.

[00:28:25] Exato.

[00:28:26] Maravilhoso, Edu.

[00:28:27] Você já é um iniciado.

[00:28:28] Você não é um iniciante da comunicação, tá?

[00:28:32] Objetividade é isso.

[00:28:33] É você ir direto ao ponto.

[00:28:36] A parte do ser simples entra mais até em clareza.

[00:28:39] Que a gente pega o conceito de fala.

[00:28:41] Mas é ir direto ao ponto.

[00:28:43] Para eu ir direto ao ponto, primeiro, eu tenho que saber que ponto é esse.

[00:28:49] Invertendo a lente da tua pergunta, Edu.

[00:28:50] Se você me dissesse, Nélio, me perguntasse, Nélio,

[00:28:53] qual é o maior vilão da falta de estrutura?

[00:28:57] Da falta de organização de ideias?

[00:29:00] Qual é o maior vilão daquelas pessoas que se perdem?

[00:29:04] Que não conseguem organizar o início, meio e fim?

[00:29:06] Eu diria que é esse.

[00:29:07] Não saber onde quer chegar.

[00:29:10] Então, como você falou.

[00:29:12] Aí eu sei o que eu quero passar para outra pessoa.

[00:29:14] E aí, a partir desse ponto, eu vou tentar ser simples.

[00:29:17] Mas tem muita gente, Edu, que nem sabe o que eu quero falar.

[00:29:20] Que está numa reunião, que às vezes marca uma reunião de 30 minutos.

[00:29:28] Entrega em dois, porque não precisava de 30.

[00:29:31] Ou entrega em 50, uma hora, porque não sabia que tinha tanta coisa.

[00:29:37] Sabe aquela frase do…

[00:29:38] Ah, essa reunião podia ser um e-mail.

[00:29:40] O problema é o problema da objetividade.

[00:29:42] Então, tenha clareza do que você quer falar.

[00:29:45] Beleza, está claro?

[00:29:46] Agora, define início, meio e fim.

[00:29:48] Por onde eu começo a minha fala?

[00:29:50] Como eu desenvolvo a minha fala?

[00:29:52] Como eu termino a minha fala?

[00:29:55] É assim que a gente lapida a objetividade.

[00:29:58] E eu tenho que fazer isso dentro do tempo.

[00:30:00] Porque se eu passo do tempo, eu dou brecha para as pessoas acharem

[00:30:03] que a gente é prolixo, que é extensivo, que fala demais.

[00:30:09] Dentro disso, desse conceito de ter vocabulário e de saber ser objetivo,

[00:30:14] é que entram as estruturas.

[00:30:17] Por exemplo, para um podcast, uma estrutura de resposta.

[00:30:19] Você me perguntou, eu estou te respondendo.

[00:30:21] Eu estou aplicando agora uma estrutura de improviso.

[00:30:23] Eu puxo um contexto inicial, eu faço uma ligação e eu trago a resposta.

[00:30:26] Eu não trago só a resposta de cara.

[00:30:29] Eu sou podcast também, eu falo que isso é o convidado ouriço.

[00:30:32] Não sei se você já pegou um convidado ouriço aqui no podcast.

[00:30:35] Aquela pessoa que você pergunta, ela responde de volta.

[00:30:37] Sim.

[00:30:40] É horrível, meu amigo.

[00:30:41] Pelo amor de Deus.

[00:30:42] É triste.

[00:30:42] É complicado.

[00:30:44] Eu falo que é o convidado ouriço.

[00:30:46] Eu estou aplicando uma estrutura.

[00:30:47] Agora, se eu fosse contar uma história, eu aplicaria?

[00:30:49] Outra estrutura.

[00:30:50] Storytelling, que é ter apresentação, jornada.

[00:30:52] Aí, se a gente entrar em estrutura, daria um podcast de 10 horas aqui, meu amigo.

[00:30:58] Com certeza.

[00:31:00] E pegando o que a gente já conversou até agora,

[00:31:04] a gente falou ali de vício, falou de estrutura e tal.

[00:31:09] Um ponto que eu imagino que seja bastante comum, vamos dizer assim,

[00:31:13] de problemas, sejam justamente os vícios ali.

[00:31:15] Talvez o maior, eu acho que você consegue me falar até melhor isso.

[00:31:19] Além dos vícios, quais são os problemas mais comuns que você costuma ver ali nas pessoas

[00:31:24] quando elas estão falando, vão fazer uma apresentação ou algo nessa linha?

[00:31:28] Bacana.

[00:31:29] Olha, vou usar a minha base de dados de leads que me procuram, e não só até mim diretamente

[00:31:37] como mentoria, mas na escola que eu dou aula aqui no Rio de Janeiro, no Clube da Fala.

[00:31:42] Quais seriam os maiores problemas?

[00:31:44] Nós já abordamos dois deles.

[00:31:46] Um, o maior disparado.

[00:31:48] É a ansiedade.

[00:31:50] Nervosismo para se expor.

[00:31:52] Aquelas pessoas que, por exemplo, foram promovidas agora para líderes,

[00:31:58] já que a gente está falando com líderes,

[00:31:59] e precisam se expor mais, conduzir reuniões, se apresentar para hierarquias superiores,

[00:32:06] e sentem uma trava, uma barreira.

[00:32:08] Ou então, atrelando mais um elemento a esse medo, a essa trava,

[00:32:13] alguém que quer gravar vídeo, que quer ter uma presença digital,

[00:32:16] mas não consegue se ver no vídeo.

[00:32:18] O maior erro ou problema seria esse medo.

[00:32:23] Em seguida, eu elencaria os vícios de linguagem que a gente passou aqui.

[00:32:29] Mas nem todo mundo tem essa consciência de vício, junto com incapacidade de organizar ideias.

[00:32:34] Que a gente também tocou agora.

[00:32:36] A pessoa se perde.

[00:32:38] Tem gente que chega e fala, nossa, eu estou branco.

[00:32:41] As palavras parecem que saem correndo da minha cabeça.

[00:32:43] É exatamente isso que a gente acabou de falar.

[00:32:47] De objetividade, de ter clareza do que é.

[00:32:48] Entregar.

[00:32:49] E para fechar, num terceiro, vou dar um bônus, num terceiro, a voz.

[00:32:58] A voz é um dos principais motivos das pessoas pensarem em investir em comunicação.

[00:33:06] Um problema que ela percebe e fala, não estou satisfeito.

[00:33:10] A voz em que sentido?

[00:33:11] A pessoa não fica satisfeita com a própria voz.

[00:33:16] Ou então, vou dar um exemplo.

[00:33:18] Fiz um conteúdo um dia desses, lá para o LinkedIn, que deu um engajamento bacana,

[00:33:24] que foi sobre uma voz muito aguda.

[00:33:27] Geralmente, mulheres têm vozes mais agudizadas.

[00:33:29] A voz aguda nada mais é do que uma voz mais fina.

[00:33:33] E essa voz aguda, ela está atrelada a uma emoção de alegria, de acolhimento, de colorido, de movimento.

[00:33:39] E mulheres líderes, para passar credibilidade, elas precisam entender que tem que navegar por um tom.

[00:33:48] Um tom mais grave.

[00:33:50] Ah, Nélio, fala igual o Cid Moreira.

[00:33:52] Não, não é falar igual o Cid Moreira.

[00:33:55] Cada um tem o seu registro de tom.

[00:33:58] E eu tenho o meu agudo e eu tenho o meu grave.

[00:34:01] Você tem o seu agudo, Edu, e você tem o seu grave.

[00:34:04] Então, a pessoa insatisfeita com a voz, ou a pessoa que tem uma voz mais rouca, desse jeito,

[00:34:09] alguém que fala muito baixinho, que quer aprender a falar mais alto,

[00:34:13] ou então, isso pega no calo da tecnologia.

[00:34:17] Ou então, isso pega no calo da tecnologia.

[00:34:18] Ou então, isso pega no calo da tecnologia.

[00:34:18] Uma pessoa, Edu, que tem um tom linear, que fala desse jeito o tempo inteiro,

[00:34:23] que não muda muito a voz, que fica monótono,

[00:34:27] e aí, depois de um minuto falando, a pessoa já perdeu a atenção.

[00:34:30] Todo mundo deve lembrar de um professor que falava desse jeito.

[00:34:33] Isso é voz.

[00:34:35] Então, querer quebrar a linearidade para chamar mais a atenção das pessoas,

[00:34:38] marcar uma ênfase, completaria essa tríade de problemas.

[00:34:44] Muito interessante.

[00:34:45] Essa questão da voz também é um negócio que já me pegou bastante,

[00:34:48] no começo da minha juventude, se não no começo da carreira,

[00:34:52] mas na juventude, eu falava muito baixo em muitas situações,

[00:34:57] e com o tempo fui praticando, até a própria monitoria me ajudou bastante nisso,

[00:35:00] a impor mais, vamos dizer assim, a minha voz, a falar mais alto,

[00:35:04] para ficar mais fácil as pessoas me entenderem.

[00:35:06] Então, acabou que ali eu pratiquei bastante e fiquei melhor nisso,

[00:35:09] pelo menos falando em público, eu me sinto um pouco mais confortável.

[00:35:12] Mas realmente, a voz que a gente impõe ali, ela consegue dar um respeito maior,

[00:35:18] ela consegue facilitar a compreensão da pessoa,

[00:35:19] pelo menos foi isso que eu percebi ali, vamos dizer assim, praticando ali no dia a dia.

[00:35:23] Sim, sim. E você tendo passado por isso,

[00:35:27] eu tenho quase certeza que hoje, na sua rotina profissional,

[00:35:33] talvez não tanto aqui no podcast, mas em reuniões, em rotina de trabalho,

[00:35:37] você vê pessoas que têm um desconforto com a própria voz,

[00:35:42] que às vezes até nem dão opinião, não querem falar,

[00:35:46] por enxergarem…

[00:35:48] esse problema com a voz,

[00:35:51] de não falar,

[00:35:53] e de não ter investido nisso ainda e poder investir.

[00:35:57] Você consegue enxergar isso ou eu estou falando algo que não é realidade?

[00:36:01] Em alguns casos, sim.

[00:36:03] Especialmente com pessoas que normalmente já têm uma personalidade um pouco mais retraída,

[00:36:08] falam menos ali, então são pessoas que usam uma voz mais baixa,

[00:36:11] talvez se impõem menos em algumas situações ali, então a gente consegue ver isso sim.

[00:36:15] Sim.

[00:36:18] Boa. Beleza, a gente falou bastante aqui de estrutura, falou de vícios aqui,

[00:36:22] mas um outro ponto que eu estou bem curioso também em relação à linguagem corporal,

[00:36:25] porque eu estou assumindo aqui que esse é um ponto importante,

[00:36:28] especialmente para quem está fazendo uma apresentação, talvez,

[00:36:30] quem está conversando com alguém importante ali,

[00:36:33] a questão é como que a gente deve encarar essa questão da linguagem corporal,

[00:36:37] o que que é importante ali a gente ter em mente, pelo menos,

[00:36:39] vamos pensar que uma pessoa está começando agora, vai fazer uma apresentação ali,

[00:36:42] e que ela está querendo usar o corpo um pouquinho melhor, em vez de ficar paradona, com a mão no bolso, assim,

[00:36:47] o que que a pessoa pode fazer ali para começar a ter uma linguagem corporal um pouquinho melhor.

[00:36:51] Bacana, boa, vamos lá.

[00:36:53] Tem uma estatística que roda por aí, sobre a porcentagem do impacto da comunicação,

[00:37:00] não sei se você já viu, Edu, que 55% vem de linguagem corporal, 37% de voz e 7% de palavras.

[00:37:09] Já viu isso?

[00:37:11] Eu acho que já vi em algum lugar.

[00:37:13] Alguém já deve, uma parte das pessoas já deve ter se deparado com isso.

[00:37:17] Isso é um mito.

[00:37:19] Isso é um mito, a gente chama de mito, a gente chama, poucas pessoas conhecem, o mito de Merhabian.

[00:37:25] Por quê?

[00:37:26] Porque não dá para a gente assumir, de fato, essa precisão de impacto da comunicação, dividindo para corpo, voz e fala.

[00:37:32] Isso um pesquisador chamado Albert Merhabian, na década de 60, fez uma pesquisa com profissionais de comunicação,

[00:37:39] para entender o impacto emocional da mensagem deles, num contexto específico.

[00:37:45] Então não dá para a gente assumir que, de tudo que a gente fala,

[00:37:47] é exatamente essa divisão.

[00:37:49] 55% corpo, 37% voz, 7% palavras.

[00:37:53] Não, vale ter esse cuidado.

[00:37:55] Agora, o gancho para trazer as dicas que você me pediu.

[00:37:59] É certo que mais da metade do impacto emocional na minha comunicação vem do corpo.

[00:38:07] Aí você falou, ah Nelly, quando as pessoas vão para um palco, vão entrar em uma reunião, dicas simples para elas usarem melhor o corpo.

[00:38:14] Vamos lá, vou passar três.

[00:38:17] 1. Olhar.

[00:38:19] Está aqui na expressão facial.

[00:38:21] Vai entrar em uma reunião presencial ou remota, busca o olho no olho.

[00:38:28] Por quê?

[00:38:29] Quando você olha no olho de alguém, você está passando mais confiança naquela fala, está transmitindo mais segurança.

[00:38:36] O contrário é verdadeiro.

[00:38:38] Eu falei aqui atrás, se você desvia muito o olhar, você está passando ali insegurança, ansiedade, nervosismo.

[00:38:44] Está falando com muita gente?

[00:38:46] Busca varrer o olhar.

[00:38:48] Você não vai olhar só para uma única pessoa e vai ficar com ela até o final.

[00:38:51] Não, porque você ignora as outras.

[00:38:53] E também não adianta olhar para o fundo da sala, para o horizonte, porque a sensação de ignorar vai ser igual.

[00:39:01] E se estiver aqui em um ambiente remoto, que eu estou agora com o Edu, como é que eu chego perto de olho no olho, Nelly?

[00:39:07] Se eu não estou com a pessoa ali, tenta olhar mais para a câmera, ao invés de olhar para a tela.

[00:39:13] Quem está vendo agora, sentiu esse efeito.

[00:39:15] Agora eu estou olhando aqui para o Edu na tela.

[00:39:17] Agora eu estou olhando para a câmera.

[00:39:19] Na tela de quem está me vendo, na tela do Edu, eu estou olhando para ele.

[00:39:23] Então o olhar é um primeiro ponto importante.

[00:39:25] Além do olhar, a postura.

[00:39:29] A postura dentro da linguagem corporal, Edu, comunica muito do interesse percebido pelas outras pessoas.

[00:39:36] Não sei se você já viu isso em reuniões do trabalho, mas eu vou simular aqui.

[00:39:41] Se eu estivesse agora, dando essa entrevista aqui para você.

[00:39:45] Encostadão aqui na minha cadeira.

[00:39:48] Vou falar mais alto porque eu estou mais distante do microfone.

[00:39:50] Encostadão aqui na minha cadeira.

[00:39:52] Braço apoiado.

[00:39:54] A tua percepção de interesse da minha parte seria menor ou maior?

[00:39:58] Muito menor.

[00:40:00] Muito menor, porque eu estou completamente relaxado, encostado.

[00:40:04] Ah, Nelly, então eu não tenho que relaxar em nenhum momento?

[00:40:07] Não precisa ficar igual o segurança da Inglaterra ali, né?

[00:40:11] Tenso.

[00:40:12] Rígido o tempo inteiro.

[00:40:14] Não é oito nem oitenta.

[00:40:16] Agora, quando você for falar, além do olhar, deixa a postura ativa.

[00:40:21] O que é a postura ativa?

[00:40:22] Se estiver sentado na cadeira, desencosta da cadeira.

[00:40:26] O ombro, cuidado para não arcar muito para frente, também não esticar lá atrás.

[00:40:31] Deixa ele mais ativo aqui, retilíneo.

[00:40:34] Pernas não muito juntas, nem tão abertas.

[00:40:36] Abertas na largura do quadril.

[00:40:38] Alinha a tua postura.

[00:40:39] Isso comunica interesse.

[00:40:41] O Edu agora.

[00:40:42] Percebendo que eu estou com a minha postura alinhada, percebendo que eu estou interessado,

[00:40:45] a tendência é que ele me dê mais atenção.

[00:40:48] Se ele me dá mais atenção, o que acontece?

[00:40:50] A retenção aumenta.

[00:40:53] E para fechar, Edu, uso do gestual.

[00:40:56] Uso das mãos.

[00:40:57] Gestual é igual à movimentação de mãos.

[00:41:02] Alerta máximo.

[00:41:04] Tem aquelas pessoas que se consideram já bem comunicativas, né?

[00:41:08] E que falam balançando muito a mão.

[00:41:10] E é dúvida de muita gente.

[00:41:12] Ah, Nelly, eu devo usar as mãos?

[00:41:13] Sim, deve.

[00:41:14] Mas, de novo, não no exagero.

[00:41:16] O uso do gestual, Edu, tem que ter consciência ou congruência com o que você fala.

[00:41:22] Vou repetir essa última frase sem congruência.

[00:41:26] O uso do gestual, Edu, tem que ter congruência com o que você fala.

[00:41:31] Se eu ficar só com a mão balançando para um lado e para o outro, eu não estou atribuindo qualidade.

[00:41:36] O uso do gestual tem que ter congruência.

[00:41:39] Tem que estar em sintonia com o que você fala.

[00:41:41] Aí está adequado.

[00:41:44] Aí você endossa com o corpo, emocionalmente, aquela mensagem.

[00:41:48] Olhar, postura, gestual.

[00:41:50] Depois eu mando o boleto para os ouvintes, hein?

[00:41:54] Muito bom, muito bom.

[00:41:55] E o curioso é que, quando você falou da postura ali, eu olhando aqui, né?

[00:41:59] Obviamente, estou vendo o vídeo.

[00:42:01] Talvez quem esteja ouvindo a gente não está percebendo, mas vendo aqui dá para ver a diferença

[00:42:06] que faz a pessoa ter uma boa postura enquanto ela está falando ali com o corpo.

[00:42:08] Ela está falando ali, conversando com a gente.

[00:42:10] Inclusive, isso entra até num ponto que eu queria saber de você sobre, vamos dizer assim,

[00:42:15] reuniões online, apresentações online, seja lá no que for.

[00:42:18] Então, você já comentou nesse caso o que a postura faz total diferença.

[00:42:22] Daí eu queria entender até um ponto.

[00:42:24] Eu queria saber a sua opinião em relação a isso.

[00:42:26] Câmera aberta.

[00:42:28] O que você acha?

[00:42:29] Aberta? Fechada?

[00:42:30] Faz muita diferença? Não faz?

[00:42:31] Eu queria entender a sua visão sobre isso.

[00:42:32] Vamos lá, vamos lá.

[00:42:34] Nélio Xavier anuncia e se posiciona…

[00:42:37] Ele se posiciona oficialmente no podcast Tech Leadership Rocks.

[00:42:42] Eu sou a favor de todas as câmeras abertas.

[00:42:47] Ponto.

[00:42:49] Por que esse pronunciamento?

[00:42:52] Porque você transmite mais sinais de comunicação.

[00:42:59] Vamos lá.

[00:43:01] Se a gente tivesse tendo essa entrevista aqui agora por telefone

[00:43:06] e você não estivesse me vendo como você está me vendo agora, Edu,

[00:43:10] você só teria o meu conteúdo, a minha fala e a minha voz, certo?

[00:43:19] Pela voz, daria para perceber um ponto de emoção que eu estou querendo passar, certo?

[00:43:24] Se eu estou interessado ou não, ok, até dá.

[00:43:27] Agora, vamos retroceder o canal.

[00:43:31] Se nós estivéssemos fazendo essa entrevista pelo WhatsApp,

[00:43:34] imagina, você me faz a pergunta e eu te respondo pelo WhatsApp com o texto.

[00:43:39] Só teria o verbal, o texto.

[00:43:41] Concorda comigo que fica mais difícil ainda de entender a intenção daquela mensagem num texto?

[00:43:47] Muito mais.

[00:43:49] Tanto é que tem tanta confusão assim quando as pessoas conversam por texto.

[00:43:52] WhatsApp, Slack, Discord…

[00:43:55] Meu amigo, o joinha do WhatsApp para umas pessoas é um ok, beleza.

[00:43:59] O joinha do WhatsApp para minha namorada é sinal de confusão.

[00:44:03] Ué, por que você foi tão cego comigo?

[00:44:08] Então, gera muito ruído.

[00:44:10] Quanto menos sinal, maior a chance de ruído de comunicação acontecer.

[00:44:16] Então, você progredindo duas casinhas aqui,

[00:44:18] saindo do texto, texto e voz, texto, voz e imagem,

[00:44:22] como a gente está fazendo agora,

[00:44:24] você está me vendo, Edu, você está vendo a minha postura,

[00:44:27] você está vendo como eu estou gesticulando, para onde eu estou olhando.

[00:44:30] A percepção de interesse aumenta.

[00:44:33] Você aumenta demais a chance de ser assertivo.

[00:44:37] Por isso, meu amigo, câmeras abertas.

[00:44:41] Muito, muito legal.

[00:44:43] E esse até é um ponto que, por um acaso,

[00:44:46] entrou na discussão que a gente teve recentemente,

[00:44:49] num treinamento que eu dei sobre one-on-ones ali e tal.

[00:44:53] E a importância da gente ter câmera aberta.

[00:44:55] É muito, vamos dizer assim, chato quando a gente vai fazer uma one-on-one com a pessoa.

[00:45:02] Isso eu estou dizendo até porque é o que comentaram ali no treinamento.

[00:45:05] Mas é muito chato quando a gente vai fazer uma one-on-one com a pessoa

[00:45:07] e a pessoa está com a câmera fechada.

[00:45:09] Como que eu vou conseguir me conectar com a pessoa que está do outro lado

[00:45:11] se a câmera está fechada?

[00:45:13] Exato, exato.

[00:45:15] Olha, o verbo que você usou, o conectar,

[00:45:17] ele passa muito pela linguagem corporal.

[00:45:20] O olhar, a expressividade facial, a postura, como eu já falei aqui.

[00:45:26] Tudo que compõe a linguagem corporal é o que baseia a conexão.

[00:45:31] Se você não está vendo a pessoa, meu amigo,

[00:45:33] você tem que se apegar muito na voz da pessoa.

[00:45:35] Então, câmera aberta, claro, tem aquelas exceções.

[00:45:39] Ah, a internet não permite, se eu abrir a câmera fica muito ruim.

[00:45:43] Ah, ok, não tem como.

[00:45:45] Ou então a pessoa está na rua, teve que entrar na reunião,

[00:45:49] está no transporte público, vai ser um caos.

[00:45:52] Tudo bem, ninguém é intransigente.

[00:45:56] Agora, tem a opção de abrir?

[00:45:58] Abra.

[00:46:01] Muito bom, muito bom.

[00:46:03] Eu super recomendo, assim, a não ser, obviamente,

[00:46:05] talvez em algum caso extremo ali, que naquele momento não dê para abrir,

[00:46:09] mas por padrão, acho que é legal deixar na câmera aberta.

[00:46:11] Sou muito a favor disso também.

[00:46:13] Outro ponto que eu queria ver contigo é que é o seguinte,

[00:46:16] de vez em quando, a gente está no trabalho, assim,

[00:46:18] isso acontece especialmente quando, enfim,

[00:46:21] a gente está trabalhando presencialmente, mas pode acontecer também remotamente,

[00:46:24] que é, a gente está ali, de boa, trabalhando,

[00:46:26] e do nada alguém chama a gente,

[00:46:28] pô, tem uma apresentação aqui que a gente tem que fazer,

[00:46:30] para esse pessoal novo que está chegando na empresa e tal,

[00:46:32] você pode contar um pouquinho sobre a empresa para eles e tal,

[00:46:35] aí, putz, beleza, vou ter que improvisar alguma coisa aqui com o pessoal.

[00:46:39] Aí a pergunta que fica é, como é que a gente faz para tentar improvisar ali

[00:46:44] de uma forma que seja, pelo menos funcione ok, vamos dizer assim,

[00:46:47] para quem está do outro lado.

[00:46:49] Então, tem alguma técnica para improvisação ali que eu possa usar

[00:46:51] em uma situação do dia a dia?

[00:46:53] Tem, tem, tem.

[00:46:55] Existem técnicas de improviso.

[00:46:57] Como eu falei de estruturas aqui atrás,

[00:46:59] eu vou pegar o gancho da minha fala.

[00:47:01] Tem estruturas de improviso, tem estruturas de pitch,

[00:47:03] tem estruturas de storytelling.

[00:47:05] Para improvisar, vamos lá, vamos pegar a ideia do improviso,

[00:47:10] só que eu vou usar o exemplo que você me trouxe de ter que falar da empresa,

[00:47:14] ou ter que se apresentar de supetão, de surpresa.

[00:47:18] O que é improvisar?

[00:47:20] Falar sem ter preparado nada antes.

[00:47:22] Isso é improviso.

[00:47:24] Uma situação de uma pergunta inesperada, um pedido de fala com esse inesperado,

[00:47:27] e não só no trabalho.

[00:47:28] Fora do trabalho, por exemplo.

[00:47:30] Discurso de aniversário.

[00:47:32] Ah, vai lá Edu, faz um discurso.

[00:47:34] Ué, como assim fazer um discurso?

[00:47:36] Eu não estava preparado para fazer um discurso,

[00:47:39] e eu tenho que fazer um discurso?

[00:47:41] Isso é improvisar.

[00:47:42] Nessa situação, Edu, o que nós precisamos?

[00:47:45] A pessoa que vai improvisar.

[00:47:47] Precisamos de tempo.

[00:47:49] Esse seria o ideal, não seria?

[00:47:51] O melhor dos mundos, ter tempo para pensar.

[00:47:54] Já viu aquele filme, Click, do Adam Sandler?

[00:47:57] Sim.

[00:47:58] Lembra aquele filme que ele tinha um controle remoto de Deus?

[00:48:01] E aí ele apertava pause e o tempo parava.

[00:48:05] Seria maravilhoso se existisse um controle daquele,

[00:48:08] mas ninguém tem aquele controle.

[00:48:10] Então, a base de um bom improviso

[00:48:14] é você conseguir ganhar tempo para pensar

[00:48:18] exatamente no que tem que ser dito.

[00:48:21] Como fazer isso?

[00:48:23] Tenha um assunto de apoio.

[00:48:25] Tenha um coringa.

[00:48:28] O que pode ser, Nelly, um assunto de apoio?

[00:48:31] Pode ser um fato que acabou de acontecer,

[00:48:33] pode ser uma notícia atual,

[00:48:34] pode ser um filme que você viu, um livro que você leu,

[00:48:37] uma experiência passada, uma história sua.

[00:48:39] Tudo isso pode servir de apoio.

[00:48:41] Começa por aí.

[00:48:43] Começou a falar sobre o que veio na sua cabeça,

[00:48:46] sobre esse fato, sobre esse apoio,

[00:48:49] em segundo plano, na sua cabeça, você está pensando ali,

[00:48:53] o que eu vou responder de fato?

[00:48:55] Ah, legal, eu vou falar isso aqui.

[00:48:57] Já sei o que eu vou falar, agora eu faço uma ligação

[00:49:00] para chegar nessa resposta.

[00:49:02] Eu já fiz isso várias vezes aqui no podcast, inclusive.

[00:49:05] Você me perguntou, eu trouxe um apoio.

[00:49:08] Ah, já sei o que eu quero falar para o Edu.

[00:49:10] Vira e traz a resposta.

[00:49:12] Essa estrutura, ela encaixa muito perfeitamente

[00:49:16] para uma situação de improviso.

[00:49:18] De fato, quando você não sabe ali o que falar.

[00:49:21] Ainda assim, quando você sabe o que falar,

[00:49:22] muitas perguntas que você me fez, eu sabia a resposta.

[00:49:27] Dá para eu aplicar essa estrutura,

[00:49:29] para que eu não seja tão direto,

[00:49:31] para que eu dê um contexto,

[00:49:33] para ampliar a chance da compreensão popular ser maior.

[00:49:38] Para não ser o convidado ouriço,

[00:49:41] que eu falei aqui atrás, para não responder e voltar.

[00:49:44] Então, ter um apoio, fazer uma ligação,

[00:49:46] e aí chegar na resposta, é um bom início, meio e fim

[00:49:49] para uma situação como essa.

[00:49:52] Se for então, talvez ali, eu estou pensando aqui,

[00:49:54] em uma apresentação, por exemplo,

[00:49:56] que alguém te faz uma pergunta,

[00:49:58] na hora você não sabe exatamente o que responder,

[00:50:00] talvez dê para você responder com uma nova pergunta,

[00:50:03] para entrar um pouco mais a fundo,

[00:50:04] e é o tempo de você pensar em uma resposta melhor para a outra pessoa.

[00:50:07] Exato, exato.

[00:50:09] Dá para fazer.

[00:50:10] Aí tem alguns hacks, não dá para entregar todos os hacks,

[00:50:13] mas alguns hacks que é muito comum ser visto

[00:50:17] com figuras públicas parafrasear ou elogiar a pessoa.

[00:50:20] É um tempo para você chegar no apoio,

[00:50:25] que é essa primeira etapa que eu falei.

[00:50:27] Edu, ótima pergunta que você me fez,

[00:50:30] sobre como saber improvisar em situações do dia a dia profissional,

[00:50:34] da sua rotina, porque…

[00:50:36] Aí você começa.

[00:50:38] Eu elogiei parafraseei a sua pergunta,

[00:50:40] ganhei ali uns 5, 6 segundos para começar o meu apoio

[00:50:44] para chegar lá na resposta.

[00:50:46] O alerta vai antes de eu terminar.

[00:50:50] Não dá para usar isso em todas as respostas,

[00:50:53] porque senão fica fake.

[00:50:54] Soa falso demais, imagina.

[00:50:56] Está respondendo um questionário e toda a resposta

[00:50:58] excelente pergunta sobre tal ou tal coisa.

[00:51:00] Ótima pergunta.

[00:51:02] Sempre excelente pergunta.

[00:51:04] Aí é claro que vai ficar falso.

[00:51:06] É para usar uma vez ou outra.

[00:51:08] Muito bom, muito bom.

[00:51:10] E agora, só para finalizar aqui,

[00:51:12] o que eu deveria ter te perguntado sobre oratória,

[00:51:15] mas não te perguntei?

[00:51:16] Nossa, rapaz.

[00:51:18] Essa pergunta é muito boa.

[00:51:20] Estou usando a estrutura agora, nesse momento.

[00:51:22] Porque, Edu,

[00:51:24] quando eu participo de um podcast

[00:51:26] como entrevistado,

[00:51:28] faço muitas entrevistas,

[00:51:30] sou entrevistador, já tenho mais de 200 entrevistas,

[00:51:32] eu costumo falar

[00:51:34] que o último podcast

[00:51:36] que eu gravei

[00:51:38] foi sempre o melhor.

[00:51:40] Foi sempre a minha melhor versão.

[00:51:42] Então, esse podcast

[00:51:44] que eu estou gravando agora é o melhor

[00:51:46] podcast de

[00:51:48] oratória do Nélio,

[00:51:50] que vocês vão ouvir

[00:51:52] até que ele grave o próximo.

[00:51:54] Por quê?

[00:51:56] Porque entra o ponto da maturidade,

[00:51:58] da experiência.

[00:52:00] E dito isso, com a maturidade,

[00:52:02] com a experiência que eu tenho hoje,

[00:52:04] fiz a ligação, saí do apoio, estou fazendo a ligação.

[00:52:06] Dito isso, com a experiência que eu tenho hoje,

[00:52:08] você fez ótimas perguntas

[00:52:10] sobre comunicação verbal,

[00:52:12] sobre comunicação não verbal.

[00:52:14] Agora,

[00:52:16] uma pergunta que você poderia

[00:52:18] ter me feito,

[00:52:20] que você não fez,

[00:52:22] que pela minha experiência de contato

[00:52:24] com profissionais de tecnologia,

[00:52:26] seria

[00:52:28] Nélio, como eu deixo

[00:52:30] uma apresentação de

[00:52:32] dados, de planilhas,

[00:52:34] de programação

[00:52:36] menos chata e mais

[00:52:38] atraente?

[00:52:40] Pergunta feita.

[00:52:42] Essa é uma boa pergunta, não é?

[00:52:44] Como eu faço para deixar uma

[00:52:46] apresentação de dados,

[00:52:48] números de

[00:52:50] tudo que é tech,

[00:52:52] de devs, menos chato,

[00:52:54] menos denso

[00:52:56] e mais atraente?

[00:52:58] Base, use recursos emocionais.

[00:53:02] Por quê? Porque dados,

[00:53:04] tecnologia, números, planilhas,

[00:53:06] gráficos,

[00:53:08] são recursos racionais.

[00:53:10] É muita razão,

[00:53:12] é o logos, é a lógica,

[00:53:14] é o dado. Isso é importante?

[00:53:16] Claro que é importante. Agora, se você só

[00:53:18] fica nisso, a tendência

[00:53:20] é que a atenção das pessoas

[00:53:22] vá caindo, porque exige muita atenção

[00:53:24] para absorver tudo isso de razão.

[00:53:26] Então, sai um pouco da razão

[00:53:28] e entra na emoção.

[00:53:30] Ah, Nélio, como eu entro na emoção com corpo e voz?

[00:53:32] Também. Isso é a forma.

[00:53:34] Agora, no conteúdo. Conto uma história.

[00:53:36] A gente contou várias histórias.

[00:53:38] Você contou histórias aqui. Eu trouxe histórias aqui.

[00:53:40] Use analogias.

[00:53:42] O que é uma analogia?

[00:53:44] Uma relação de equivalência

[00:53:46] de algo que é técnico, que é difícil de

[00:53:48] entender para algo que é popular,

[00:53:50] que é conhecido. Quer ver um exemplo de analogia

[00:53:52] simples?

[00:53:54] Que muita gente vê e não percebe que é uma analogia

[00:53:56] que é um recurso emocional para dar impacto,

[00:53:58] para atrair a atenção das pessoas, para deixar a informação menos chata?

[00:54:00] Notícia de

[00:54:02] desmatamento na Amazônia.

[00:54:04] Jornal.

[00:54:06] O William Bonner, lá, por exemplo.

[00:54:08] Ele não fala, nessa semana foram

[00:54:10] desmatados 20 hectares

[00:54:12] de floresta na Amazônia.

[00:54:14] Meu amigo,

[00:54:16] eu não sei o que equivale

[00:54:18] a um hectare. Eu não sei qual o tamanho de um hectare.

[00:54:20] Muita gente não sabe.

[00:54:22] Então, o que ele faz?

[00:54:24] Nessa semana foram desmatados o equivalente

[00:54:26] a 20 estádios do Maracanã

[00:54:28] na floresta amazônica.

[00:54:30] Aí você,

[00:54:32] nossa senhora,

[00:54:34] 20 maracanãs.

[00:54:36] É grande.

[00:54:38] Claro que é, porque você sabe o tamanho do

[00:54:40] Maracanã. É simples.

[00:54:42] Além de uma analogia,

[00:54:44] metáforas, anáforas

[00:54:46] anáforas.

[00:54:48] Já ouviu falar em anáfora, Edu?

[00:54:50] Não, esse eu não sei.

[00:54:52] Só para completar, metáfora

[00:54:54] é quando você atribui um sentido figurado

[00:54:56] a algum elemento. Por exemplo,

[00:54:58] se eu falar

[00:55:00] o Edu

[00:55:02] conduzindo o podcast

[00:55:04] é como um guepardo.

[00:55:06] Ou o Edu

[00:55:08] é um guepardo conduzindo o podcast.

[00:55:10] O Edu literalmente não é um guepardo.

[00:55:12] Claro que não.

[00:55:14] Mas eu atrelei ao Edu

[00:55:16] a característica do guepardo.

[00:55:18] Por exemplo, de velocidade, de raciocínio,

[00:55:20] de rapidez, de agilidade.

[00:55:22] Por isso o Edu é um guepardo.

[00:55:24] Anáfora. Anáfora

[00:55:26] é um recurso avançado, emocional.

[00:55:28] É uma repetição da

[00:55:30] ideia central do discurso no início

[00:55:32] de cada fala.

[00:55:34] De novo, é você repetir

[00:55:36] a ideia central do discurso

[00:55:38] ali numa frase, no início

[00:55:40] de cada fala, de cada

[00:55:42] parágrafo. Quer ver um exemplo?

[00:55:44] Discurso do Martin Luther King.

[00:55:46] Quem não viu,

[00:55:48] coloque no Youtube

[00:55:50] Martin Luther King

[00:55:52] discurso que você vai ver.

[00:55:54] Ele falava

[00:55:56] I have a dream

[00:55:58] that black people

[00:56:00] E aí construía. Aí terminava.

[00:56:02] I have a dream

[00:56:04] E aí ia de novo.

[00:56:06] E aí voltava.

[00:56:08] I have…

[00:56:10] Eu tenho um sonho. E construía.

[00:56:12] Essa era a ideia central dele.

[00:56:14] Ele ia marcar as pessoas com isso. E ele marcou.

[00:56:16] Ele marcou a história da humanidade com esse discurso.

[00:56:18] É fácil fazer uma anáfora?

[00:56:20] Não. Não é.

[00:56:22] Mas é uma das alternativas

[00:56:24] além da história, da analogia

[00:56:26] pra você deixar uma apresentação de dados

[00:56:28] mais atraente.

[00:56:30] Dá pra contar a história com dados.

[00:56:32] Muito bom. Depois dessa

[00:56:34] eu vou te pedir pra você emitir

[00:56:36] o boleto pra botar nas notas do podcast

[00:56:38] aqui.

[00:56:40] Muito obrigado, Nélio, pela tua

[00:56:42] presença e eu vou dar esse

[00:56:44] passinho aqui pra você passar sua mensagem

[00:56:46] pra você se apresentar, falar onde as pessoas

[00:56:48] te encontram. Legal.

[00:56:50] Maravilha. Quando eu falo, quando as pessoas

[00:56:52] falam pra eu fazer esse

[00:56:54] CTA final, essa chamada pra ação

[00:56:56] quando minha namorada tá perto

[00:56:58] ela fala, nossa, você soa muito arrogante.

[00:57:00] Mas eu falo que não é arrogante

[00:57:02] porque eu falo pras pessoas jogarem meu nome

[00:57:04] no Google, entendeu? Joga meu nome no Google.

[00:57:06] Mas por quê? Porque meu nome é

[00:57:08] um pouco incomum. Não é muito natural

[00:57:10] ter Nélio Xavier por aí. Entendeu?

[00:57:12] Eu não conheci nenhum Nélio Xavier.

[00:57:14] Então, Nélio Xavier. Se você jogar

[00:57:16] no Google, de fato, você vai achar as minhas redes.

[00:57:18] Mas pra facilitar pra você, vamos lá.

[00:57:20] Eu tô muito no LinkedIn. O Edu,

[00:57:22] inclusive, me abordou lá pelo

[00:57:24] LinkedIn. Eu diria que é

[00:57:26] a minha rede social

[00:57:28] profissional principal.

[00:57:30] O LinkedIn. Então,

[00:57:32] é só jogar Nélio Xavier com um x que você

[00:57:34] vai me encontrar, com certeza. Acho que eu sou o único, Nélio Xavier,

[00:57:36] no LinkedIn. Tem…

[00:57:38] Tô no Instagram. Tem mais Instagram, mais pessoal.

[00:57:40] E tô no Spotify com um podcast

[00:57:42] Insider. Toda terça-feira,

[00:57:44] onze da manhã. Se você jogar

[00:57:46] Insider lá no Spotify,

[00:57:48] você vai ouvir

[00:57:50] uma mesa redonda sobre alguma habilidade

[00:57:52] de negócio. Uma habilidade comportamental, que pode ser

[00:57:54] comunicação, liderança. Uma habilidade digital.

[00:57:56] Uma habilidade de gestão.

[00:57:58] E, de novo, a mesa redonda. Eu não

[00:58:00] sou o expert da mesa. Eu recebo

[00:58:02] convidados. Eu tenho co-hosts.

[00:58:04] E é por lá que eu tô toda

[00:58:06] terça, meu conteúdo principal. E se

[00:58:08] quiser trabalhar a sua

[00:58:10] comunicação, ir além aqui

[00:58:12] do podcast, só me chamar em uma

[00:58:14] dessa gente. Só mandar uma mensagem como o Edu mandou,

[00:58:16] que eu sou bem acessível. Bem tranquilo.

[00:58:18] E obrigado pelo convite de novo, Edu.

[00:58:20] Imagina, eu que

[00:58:22] agradeço aqui pela presença. Um abraço e até mais.

[00:58:24] Valeu!