Naruhodo #376 - Como fazer alguém mudar de ideia?
Resumo
O episódio investiga a complexa questão de como fazer alguém mudar de ideia, especialmente em temas carregados de valores pessoais e políticos. Partindo de perguntas de ouvintes sobre a necessidade de vencer discussões, os apresentadores mergulham em pesquisas científicas recentes que mostram como nossas crenças distorcem a percepção de fatos objetivos.
A discussão começa com um estudo de 2016 que demonstra como as pessoas interpretam dados de forma diferente dependendo do tema. Quando apresentadas a uma tabela mostrando uma associação entre sorvete e irritação na pele, 99% das pessoas identificavam a correlação. No entanto, quando os mesmos números eram apresentados como uma relação entre posse de armas e crimes com armas, apenas 40% conseguiam ver a associação, evidenciando como valores pessoais filtram nossa interpretação da realidade.
Pesquisas de neurociência complementam essa visão, mostrando que quando encontramos informações que contradizem nossas crenças profundas, áreas cerebrais relacionadas ao julgamento de magnitude são ativadas, enquanto regiões emocionais são suprimidas - uma resposta semelhante à recepção de uma repreensão severa. Curiosamente, pessoas que mudam ligeiramente de opinião durante experimentos mostram menor atividade na ínsula e na amígdala, áreas ligadas à memória emocional.
O episódio apresenta três estratégias baseadas em evidências para facilitar mudanças de opinião: focar no “como” as coisas funcionam em vez do “porquê” das crenças; construir argumentos a partir dos valores da pessoa (como mostrar a liberais que uma política reduz desigualdades, e a conservadores que respeita autoridades); e utilizar abordagens presenciais que empreguem a “perspectiva de ação analógica”, pedindo às pessoas que relatem experiências pessoais similares às do grupo que se busca compreender.
A conclusão é realista: é possível mudar as ideias dos outros, mas apenas um pouco, e o processo é trabalhoso, exigindo exposição contínua e gradual. Em contextos online, especialmente, os resultados são muito limitados. A mudança significativa ocorre na média populacional ao longo do tempo, não em indivíduos específicos, destacando a importância de estratégias educacionais de longo prazo sobre o valor da felicidade coletiva em detrimento da necessidade individual de ter razão.
Indicações
Artigos-Cientificos
- Artigo de 2016 sobre tabelas 2x2 e percepção — Estudo crucial mencionado que mostrou como as pessoas interpretam os mesmos dados numéricos de forma diferente quando o tema (sorvete vs. posse de armas) resvala em seus valores pessoais, com taxas de identificação de correlação caindo de 99% para 40%.
- Artigo de 2018 na Scientific Reports com neuroimagem — Pesquisa com ressonância magnética funcional que mostrou padrões de ativação cerebral distintos quando pessoas eram expostas a informações que contradiziam seus valores, envolvendo o córtex pré-frontal dorsomedial e o córtex órbito-frontal.
- Artigo de 2020 sobre a estratégia do ‘como’ vs ‘porquê’ — Experimento que demonstrou que fazer pessoas refletirem sobre ‘como’ implementariam políticas complexas (como aquecimento global ou aposentadoria) as fazia perceber lacunas no próprio conhecimento e reduzir ligeiramente sua convicção inicial.
- Artigo da Science de 2016 sobre intervenção corpo a corpo — Estudo de campo na Flórida que testou a eficácia de uma intervenção presencial usando a ‘perspectiva de ação analógica’ para reduzir preconceito contra pessoas transgêneras, mostrando um aumento de quase 4 vezes no apoio a leis anti-discriminação.
Episodios
- Naruhodo #321 - Se debates virtuais são perda de tempo — Episódio mencionado como complementar, que mostra categoricamente que debates online são improdutivos, estabelecendo um contexto para a dificuldade de mudar opiniões em ambientes digitais.
- Naruhodo #140 - Porque a gente tem tanta raiva nas redes sociais — Episódio mais antigo que discute questões de desenvolvimento e o ‘backfire effect’, complementando a discussão sobre resistência a mudanças de opinião.
- Naruhodo #357 - Se é possível consenso na polarização — Episódio próximo ao período eleitoral que também complementa a discussão sobre polarização e a dificuldade de encontrar terreno comum em temas divisivos.
- Naruhodo #301 - Se a gente é tão bom quanto acha que é — Episódio sobre o efeito Dunning-Kruger, mencionado no contexto da ‘ilusão do entendimento’, onde as pessoas superestimam seu conhecimento sobre temas complexos, especialmente os morais.
- Naruhodo #285 - Porque outras pessoas não entendem coisas óbvias para nós — Citado como relacionado à estratégia da ‘perspectiva de ação analógica’, que ajuda a criar pontes de entendimento entre experiências diferentes.
Linha do Tempo
- 00:02:26 — Introdução ao tema da mudança de opinião — Os apresentadores introduzem a questão central do episódio: como fazer alguém mudar de ideia, especialmente em contextos polarizados como discussões familiares em grupos de WhatsApp. Eles mencionam que o episódio também poderia se chamar “O que é melhor: ter razão ou ser feliz?”, indicando a tensão entre a necessidade de estar certo e o bem-estar relacional.
- 00:05:11 — A ciência por trás da resistência à mudança — Altair explica que existem pesquisas recentes sobre o tema, destacando que mudar a opinião de alguém é possível, mas em grau limitado. Ele contrasta essa área com as teorias clássicas de persuasão do marketing, que focam em fazer pessoas experimentarem coisas novas, enquanto mudar valores e crenças arraigadas é muito mais difícil.
- 00:12:20 — Experimento da tabela 2x2: valores distorcem a percepção — É detalhado um estudo crucial de 2016. Os pesquisadores mostraram a mesma tabela de dados para dois grupos: um sobre sorvete e irritação na pele (99% identificaram a correlação) e outro sobre posse de armas e crimes (apenas 40% viram a associação). Isso demonstra como crenças prévias filtram nossa interpretação de informações objetivas, criando uma dissonância cognitiva.
- 00:19:18 — Neurociência da discordância: o cérebro sob ‘ataque’ — Altair descreve um estudo de 2018 com ressonância magnética funcional. Quando pessoas viam frases que contradiziam seus valores, havia maior ativação no córtex pré-frontal dorsomedial (área de julgamento de magnitude) e menor no córtex órbito-frontal (emoção). Essa resposta cerebral é comparada à sensação de levar um ‘esporro’, onde a pessoa paralisa e se distancia emocionalmente.
- 00:29:30 — Estratégia 1: Focar no ‘como’, não no ‘porquê’ — Apresenta-se a primeira estratégia eficaz: fazer perguntas sobre ‘como’ algo seria implementado, em vez de perguntar ‘por quê’ a pessoa acredita naquilo. Um estudo de 2020 mostrou que quando as pessoas tentavam explicar como implementariam políticas complexas (como mudanças na aposentadoria), percebiam suas próprias lacunas de conhecimento e sua convicção diminuía ligeiramente.
- 00:34:16 — Estratégia 2: Construir argumentos a partir dos valores do outro — A segunda estratégia envolve customizar a mensagem com base nos valores fundamentais do interlocutor. Um experimento com liberais (que valorizam igualdade) e conservadores (que valorizam autoridade e normas) mostrou que mensagens adaptadas a esses valores aumentavam a adesão a políticas sobre aquecimento global de 20% para 75%, movendo a opinião das pessoas em cerca de 1,5 ponto em uma escala de 0 a 10.
- 00:42:32 — Estratégia 3: A importância crucial do contato corpo a corpo — A terceira e mais eficaz estratégia é o contato presencial. Um estudo da Science de 2016 na Flórida testou uma intervenção para reduzir preconceito contra pessoas transgêneras. Pesquisadores visitaram casas e usaram a ‘perspectiva de ação analógica’, pedindo que as pessoas contassem experiências próprias de exclusão. Essa abordagem aumentou em quase 4 vezes o apoio a leis anti-discriminação comparado ao grupo controle.
- 00:50:12 — Aplicação educacional: lições da Turquia — É citado um trabalho na Turquia, que recebeu um grande fluxo de refugiados sírios. Aplicando a estratégia da perspectiva analógica em escolas - pedindo que crianças turcas contassem momentos em que se sentiram excluídas - os pesquisadores conseguiram reduzir significativamente o bullying xenófobo e construir empatia, mostrando a eficácia da técnica em populações jovens para mudanças de longo prazo.
- 00:53:40 — Conclusão: Ter razão ou ser feliz? — Os apresentadores concluem que, embora seja possível mudar um pouco a opinião alheia com as estratégias discutidas, o processo é lento, trabalhoso e tem efeitos limitados no indivíduo. A mudança real ocorre na média da população ao longo do tempo. Eles retomam o título alternativo: ‘O que é melhor: ter razão ou ser feliz?’, sugerindo que, frequentemente, buscar a felicidade coletiva pode ser mais valioso do que insistir em ter razão em cada discussão.
Dados do Episódio
- Podcast: Naruhodo
- Autor: B9, Naruhodo, Ken Fujioka, Altay de Souza
- Categoria: Science Social Sciences Science Life Sciences Education Self-Improvement
- Publicado: 2023-03-20T03:00:00Z
- Duração: 00:55:08
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/3f602eb0-4ae0-0134-ebfa-0d50f522381b/episode/5fe9fd8a-f168-4f22-b7af-db776a3dac78/
- UUID Episódio: 5fe9fd8a-f168-4f22-b7af-db776a3dac78
Dados do Podcast
- Nome: Naruhodo
- Tipo: episodic
- Site: http://naruhodo.b9.com.br
- UUID: 3f602eb0-4ae0-0134-ebfa-0d50f522381b
Transcrição
[00:00:00] Como fazer alguém mudar de ideia
[00:00:03] Bem-vindo ao NARUHODO, podcast para quem tem fome de aprender
[00:00:14] Eu sou Ken Fujioka
[00:00:16] Eu sou Ted Souza
[00:00:17] E hoje é dia de quê?
[00:00:19] Ciência e senso comum
[00:00:20] Você quer apoiar a ciência?
[00:00:25] Quer apoiar o pensamento científico?
[00:00:28] Quer ajudar o NARUHODO a se manter no ar?
[00:00:31] Ouvir os episódios e espalhar a palavra já é um grande passo
[00:00:34] Mas existe um outro jeito
[00:00:36] Quem possibilita isso é a ORELO
[00:00:39] Você escolhe um valor de contribuição mensal
[00:00:41] E tem acesso a conteúdos exclusivos, conteúdos antecipados e vantagens especiais
[00:00:47] Além disso, você pode ter acesso ao nosso grupo fechado no Telegram
[00:00:51] E conversar comigo, com o Altair e com outros apoiadores
[00:00:54] Toda vez que você ouvir ou fizer download de um episódio pelo ORELO
[00:00:58] Vai também estar pingando uns trocadinhos para o nosso projeto
[00:01:02] Combinado?
[00:01:03] Então baixe agora mesmo o app ORELO no endereço
[00:01:06] ou na sua loja de aplicativos
[00:01:10] E ajude a fortalecer o conhecimento científico
[00:01:14] E chegamos ao momento ALURA
[00:01:22] Querido ouvinte, querido ouvinte
[00:01:24] Você quer dar um verdadeiro mergulho no mundo da tecnologia?
[00:01:28] Migrar para uma nova carreira?
[00:01:30] Aprofundar-se nessa carreira?
[00:01:32] Então assine ALURA agora mesmo
[00:01:34] Você vai estudar, praticar, discutir e se aprofundar em uma plataforma que respira tecnologia
[00:01:41] Na ALURA, você terá acesso completo ao conhecimento
[00:01:44] Onde e quando você quiser
[00:01:46] Com novos cursos todas as semanas
[00:01:49] E ainda tem vantagem
[00:01:50] Ouvinte Narodô tem desconto especial
[00:01:53] Mas para isso, é preciso acessar a seguinte URL
[00:01:56] Anota aí
[00:01:57] alura.com.br
[00:01:59] barra promoção
[00:02:00] barra narodô
[00:02:02] Nesse endereço, além do desconto especial
[00:02:04] Você vai conhecer histórias reais de transformação de pessoas
[00:02:08] Que estudaram na ALURA
[00:02:09] Então repetindo
[00:02:11] Acesse alura.com.br
[00:02:13] barra promoção
[00:02:15] barra narodô
[00:02:26] Altaí
[00:02:26] Altaí, temos promoção barra narodô
[00:02:27] Altaí, temos promoção barra narodô
[00:02:27] Altaí, temos promoção barra narodô
[00:02:27] Pergunta de ouvintes, Altaí
[00:02:29] Pergunta muito cotidiana
[00:02:31] Na verdade, dado todo o contexto político que passamos
[00:02:35] Pelo menos no último ano
[00:02:36] Todas essas transições
[00:02:38] Acho que nos grupos de WhatsApp da família
[00:02:41] Muitas pessoas devem ter tido vontade
[00:02:44] De fazer os outros mudarem de ideia
[00:02:45] Sobre alguma coisa
[00:02:46] Esse é um episódio complementar a outros episódios
[00:02:49] Que vai atacar essa questão tão central
[00:02:51] Nos dias de hoje
[00:02:52] É verdade, a gente até estava em dúvida
[00:02:55] Se o título seria esse
[00:02:56] Ou o título seria
[00:02:57] Se é mais importante ser feliz
[00:03:00] Ou ter razão
[00:03:01] E ao decorrer do episódio
[00:03:04] A gente vai entender porquê
[00:03:06] Pois é
[00:03:07] A primeira mensagem, Altaí
[00:03:09] Veio do Marques Jr.
[00:03:12] Que disse o seguinte
[00:03:13] Porque quando estamos discutindo
[00:03:16] Sobre algum tema
[00:03:17] Queremos sempre convencer o outro lado
[00:03:19] Da nossa opinião
[00:03:20] Por que buscamos essa afirmação?
[00:03:24] Porque nós brasileiros
[00:03:25] Levamos tudo para o pessoal
[00:03:26] não sabemos ouvir críticas
[00:03:28] se você criticar ou elogiar o trabalho de alguém
[00:03:30] a pessoa entende que você está criticando-a
[00:03:33] ou elogiando-a
[00:03:34] claro que tem relação, mas sempre ouvi falar
[00:03:37] que em outras culturas
[00:03:38] eles não levam tudo para o pessoal
[00:03:40] especialmente os temas profissionais
[00:03:43] mais uma vez
[00:03:45] parabéns pelo trabalho
[00:03:47] obrigado Marx
[00:03:48] e temos também a pergunta do Alexandre
[00:03:51] Hortelã dos Passos
[00:03:53] que é empreendedor no setor de inovações
[00:03:55] tecnológicas na Grande São Paulo
[00:03:57] e ele diz o seguinte
[00:03:59] há muito tempo vejo discussões
[00:04:01] a respeito de ter razão ou ser feliz
[00:04:03] e já cheguei a conclusão
[00:04:05] que depende
[00:04:06] a resposta correta vem da avaliação
[00:04:08] de o quanto você acredita estar certo
[00:04:11] versus a relevância
[00:04:13] do resultado que ela provoca
[00:04:14] por exemplo, dois cirurgiões passam
[00:04:17] a discutir sobre o procedimento adequado
[00:04:19] para salvar uma vida
[00:04:20] ou uma discussão onde
[00:04:22] independentemente de quem esteja certo
[00:04:24] o resultado é
[00:04:25] irrelevante
[00:04:26] parece simples e óbvio
[00:04:27] mas minha pergunta para vocês é
[00:04:30] mesmo tendo este entendimento racional
[00:04:32] porque algumas pessoas não conseguem
[00:04:34] abrir mão de uma discussão
[00:04:36] mesmo sabendo que ela não irá mudar
[00:04:39] a vida de ninguém
[00:04:40] como a ciência explica essa necessidade
[00:04:43] de vencer e impor
[00:04:45] seu ponto de vista
[00:04:46] Altair
[00:04:55] porque é que a gente
[00:04:58] tem essa mania
[00:04:59] de querer mudar
[00:05:01] a cabeça do outro
[00:05:04] sobre um determinado tema
[00:05:06] a ciência tem
[00:05:08] algo a respeito para dizer Altair?
[00:05:11] sim tem
[00:05:12] e coisas muito recentes aliás
[00:05:13] por isso que essa pergunta saiu agora
[00:05:15] tem muitos artigos do ano passado e desse
[00:05:17] Ok, você é uma pessoa que fica tentando mudar
[00:05:20] a cabeça dos outros?
[00:05:21] eu acho que eu tento ser
[00:05:23] menos do que já fui
[00:05:25] mas acho que ainda sou bastante
[00:05:26] mas tem diminuído essa ânsia com a idade?
[00:05:29] você acha?
[00:05:30] acho que sim
[00:05:31] você tem se importado menos?
[00:05:33] eu acho que
[00:05:34] não sei se importado menos
[00:05:36] mas acho que eu tenho escolhido mais as pessoas
[00:05:39] que valem a pena esse esforço
[00:05:42] a ideia desse episódio
[00:05:43] é assim
[00:05:44] dá para mudar as ideias dos outros?
[00:05:47] dá, mas não muito
[00:05:49] tá bom
[00:05:50] por isso que como quem comentou antes
[00:05:52] esse episódio tem dois títulos
[00:05:54] então
[00:05:55] o título oficial
[00:05:56] é exatamente esse
[00:05:57] como fazer alguém mudar de ideia
[00:05:58] mas tem um outro título
[00:06:00] assim, honorário
[00:06:01] que seria esse
[00:06:01] o que é melhor
[00:06:02] ter razão ou ser feliz
[00:06:03] porque a grande ideia
[00:06:05] que assim
[00:06:06] a gente até consegue mudar as ideias dos outros
[00:06:08] mas um pouco
[00:06:09] talvez não valha o esforço
[00:06:11] dada
[00:06:11] a sua expectativa
[00:06:15] esse episódio
[00:06:17] ele conversa muito com alguns outros episódios
[00:06:20] que a gente já fez
[00:06:20] então entra numa linha de raciocínio
[00:06:22] por exemplo
[00:06:23] o episódio 321
[00:06:24] que é se debates virtuais
[00:06:27] são perda de tempo
[00:06:28] e naquele episódio
[00:06:30] categoricamente a gente mostra
[00:06:31] que é perda de tempo
[00:06:32] então a gente já chega numa conclusão
[00:06:34] para esse episódio inclusive
[00:06:35] então uma das estratégias
[00:06:38] para você conseguir
[00:06:39] pelo menos mover um pouco
[00:06:41] a ideia dos outros
[00:06:42] de posição
[00:06:43] do ponto de vista virtual
[00:06:46] usando o ambiente virtual
[00:06:47] é impossível
[00:06:48] praticamente
[00:06:49] tem uma coisa muito
[00:06:50] que é o framing
[00:06:51] que é o enquadramento
[00:06:52] de como você vai criar
[00:06:53] uma estratégia
[00:06:54] para manter
[00:06:54] mudar a ideia dos outros
[00:06:55] e uma das coisas
[00:06:58] desse enquadramento
[00:06:58] é o fato de ser online
[00:07:00] tipo discussão online
[00:07:01] não vale a pena
[00:07:02] ponto
[00:07:03] não vale a pena
[00:07:04] é muito restrito
[00:07:05] as situações
[00:07:06] em que isso é possível
[00:07:07] a gente já falou
[00:07:08] sobre o quanto
[00:07:10] é improdutivo
[00:07:11] tentar convencer alguém
[00:07:13] ou mesmo discutir
[00:07:14] nas redes sociais
[00:07:15] você está dizendo
[00:07:16] que mesmo fora dela
[00:07:18] os resultados também
[00:07:21] não são muito animadores
[00:07:22] é isso?
[00:07:23] isso, sim
[00:07:24] mas de novo
[00:07:25] é possível
[00:07:26] e aí tem certas populações
[00:07:30] onde é mais eficaz
[00:07:31] do que outras
[00:07:32] sobretudo pessoas mais jovens
[00:07:34] então a ideia
[00:07:35] dessas estratégias
[00:07:37] pode ser muito útil
[00:07:38] e pode ter uma eficácia
[00:07:39] muito grande
[00:07:40] em estratégias de educação
[00:07:42] então daí a importância
[00:07:44] desse episódio
[00:07:44] e da pergunta
[00:07:45] dos nossos ouvintes
[00:07:46] tem um outro episódio
[00:07:48] mais antigo
[00:07:48] que é o 140
[00:07:49] que é porque a gente
[00:07:50] tem tanta raiva
[00:07:51] nas redes sociais
[00:07:52] é um episódio mais antigo
[00:07:54] que a gente não tem
[00:07:54] a gente até fala
[00:07:54] de questões de desenvolvimento
[00:07:56] do backfire effect
[00:07:57] então ele também
[00:07:58] complementa a discussão
[00:07:59] e tem um episódio
[00:08:00] mais recente
[00:08:01] que é o 357
[00:08:03] que é se é possível
[00:08:04] consenso na polarização
[00:08:05] que foi bem próximo
[00:08:06] da eleição e tal
[00:08:07] também complementa
[00:08:09] muito a discussão
[00:08:10] a discussão desse
[00:08:11] para quem
[00:08:12] se alguém estiver
[00:08:12] pensando nisso
[00:08:13] esse não é um episódio
[00:08:15] que fala sobre
[00:08:16] teorias de persuasão
[00:08:17] certo
[00:08:18] que é muito próprio
[00:08:19] da área do que?
[00:08:19] na área de marketing
[00:08:20] publicidade e tal
[00:08:21] a ideia
[00:08:22] para você fazer
[00:08:23] uma pessoa
[00:08:23] mudar de ideia
[00:08:24] sobre alguma coisa
[00:08:25] não é uma estratégia
[00:08:27] de persuasão
[00:08:27] as teorias clássicas
[00:08:29] de persuasão
[00:08:30] elas trabalham
[00:08:31] no seguinte cenário
[00:08:32] você persuade a pessoa
[00:08:34] a fazer uma coisa nova
[00:08:35] certo
[00:08:36] que ela nunca fez
[00:08:37] por exemplo
[00:08:38] comprar um produto novo
[00:08:39] ela pode ter até
[00:08:40] experiência do tipo
[00:08:41] de produto
[00:08:42] sei lá
[00:08:42] eu quero comprar um carro
[00:08:43] de uma marca diferente
[00:08:45] mas eu já sei dirigir
[00:08:47] a questão é experimentar
[00:08:48] algo um pouquinho diferente
[00:08:49] entendi
[00:08:50] então
[00:08:51] é algo que você nunca fez
[00:08:53] ou que você não conhece
[00:08:53] ou que você conhece
[00:08:54] um pedaço
[00:08:55] que é diferente
[00:08:56] de mudar
[00:08:56] a crença de alguém
[00:08:58] isso
[00:08:58] mudar os valores
[00:08:59] a ideia é mudar valor
[00:09:01] então por exemplo
[00:09:03] tudo bem
[00:09:03] quando você faz
[00:09:04] em produto
[00:09:05] sei lá
[00:09:06] você é muito aficionado
[00:09:07] pela Apple
[00:09:07] às vezes você vai usar
[00:09:09] alguma coisa Android
[00:09:10] pode mexer um pouco
[00:09:11] com o seu valor
[00:09:12] mas aí vem da construção
[00:09:13] da identidade de marca
[00:09:14] certo
[00:09:15] não necessariamente
[00:09:16] do produto
[00:09:16] então envolve um pouco
[00:09:18] e às vezes assim
[00:09:20] quando você pensa
[00:09:21] em identidade de marca
[00:09:22] você não quer fazer
[00:09:23] o outro
[00:09:23] o outro
[00:09:23] o outro
[00:09:23] consumir a outra marca
[00:09:25] então essa
[00:09:26] as teorias clássicas
[00:09:28] de persuasão
[00:09:28] aplicado à publicidade
[00:09:29] marketing
[00:09:30] não é o foco
[00:09:31] dessa discussão
[00:09:31] a discussão desse episódio
[00:09:34] é bem nesse contexto
[00:09:35] de polarização
[00:09:36] das redes sociais
[00:09:37] do impacto disso
[00:09:38] na mudança
[00:09:39] dos valores das pessoas
[00:09:40] então
[00:09:41] é uma
[00:09:42] é uma linha de pesquisa
[00:09:43] que começou
[00:09:44] a coisa de
[00:09:45] 20 anos atrás
[00:09:46] assim
[00:09:47] não mais que isso
[00:09:48] que é quando a internet
[00:09:50] passou
[00:09:50] de 20 anos pra cá
[00:09:52] a internet passou
[00:09:52] a fazer parte
[00:09:53] de uma
[00:09:53] parte cotidiana
[00:09:54] da vida das pessoas
[00:09:56] aliás
[00:09:57] que uma pergunta
[00:09:57] desculpa tá
[00:09:58] essa é uma pergunta de velho
[00:09:59] mas a gente tá junto nisso
[00:10:00] o Reginaldo também
[00:10:01] então tudo bem
[00:10:01] com que idade
[00:10:03] você teve seu primeiro computador
[00:10:04] sei lá
[00:10:05] um XT
[00:10:05] bem cedo assim
[00:10:07] bem cedo
[00:10:08] acho que com 13
[00:10:09] 14 anos
[00:10:11] já tive meu primeiro micro
[00:10:12] é então
[00:10:13] eu também
[00:10:14] foi com
[00:10:14] uns 13 por aí
[00:10:16] e eu comecei a dar
[00:10:17] os meus primeiros passos
[00:10:18] na programação
[00:10:19] já com essa idade
[00:10:21] é então
[00:10:21] eu tive um 486
[00:10:22] né
[00:10:23] então foi bem
[00:10:24] bem nessa época
[00:10:25] a internet
[00:10:27] veio um pouquinho
[00:10:27] depois né
[00:10:28] e aí a coisa vai
[00:10:29] foi engrenando
[00:10:30] então assim
[00:10:30] pra gente
[00:10:31] mesmo você começando
[00:10:32] com 13, 14 anos
[00:10:33] na época a internet
[00:10:34] era bem precária
[00:10:36] assim o computador
[00:10:37] era precário
[00:10:37] então por mais que você
[00:10:39] se dedicasse
[00:10:39] ele não fazia parte
[00:10:40] da sua vida mesmo
[00:10:41] é quando eu tinha
[00:10:42] 13, 14 anos
[00:10:44] é muito mais tempo
[00:10:45] do que quando você
[00:10:45] tinha 13, 14 anos
[00:10:47] então pra mim
[00:10:48] a internet
[00:10:48] sequer existia
[00:10:50] isso exato
[00:10:51] eu comecei programando
[00:10:52] né
[00:10:53] vamos nos lembrar
[00:10:54] que eu comecei programando
[00:10:55] em cartão perfurado
[00:10:56] de computadores
[00:10:58] de grande porte
[00:10:58] né
[00:10:58] exatamente
[00:10:59] mal tinha um compilador
[00:11:01] né
[00:11:01] exato
[00:11:02] então
[00:11:02] é então
[00:11:03] daí a
[00:11:04] você tinha que reservar
[00:11:05] o horário
[00:11:05] pra usar o compilador
[00:11:06] isso exatamente
[00:11:08] então
[00:11:09] nesse caso
[00:11:11] não tinha nem internet
[00:11:12] direito
[00:11:12] não tinha
[00:11:13] então assim
[00:11:14] a computação
[00:11:15] era ligada a uma atividade
[00:11:16] que você dedicava o tempo
[00:11:17] é igual uma tarefa
[00:11:18] era um trabalho
[00:11:19] hoje não
[00:11:20] hoje você tem a computação
[00:11:21] você tem a internet
[00:11:22] isso controla
[00:11:23] a sua vida
[00:11:23] de certa forma
[00:11:24] né
[00:11:24] seja porque
[00:11:25] ela é a fonte
[00:11:26] da sua renda
[00:11:27] seja porque
[00:11:28] você passa muito tempo nela
[00:11:29] e você entra em contato
[00:11:31] com pessoas por ela
[00:11:31] então ela virou
[00:11:32] um ecossistema
[00:11:33] né
[00:11:34] antes não
[00:11:34] antes era uma ferramenta
[00:11:35] e hoje é um ecossistema
[00:11:36] e no meu caso
[00:11:37] uma ferramenta isolada
[00:11:38] dos outros computadores
[00:11:40] isso
[00:11:41] e mesmo da telefonia
[00:11:42] por exemplo
[00:11:43] hoje não
[00:11:43] hoje é tudo integrado
[00:11:44] e tal
[00:11:44] então
[00:11:45] essa é uma discussão
[00:11:46] muito recente mesmo
[00:11:47] né
[00:11:47] do impacto
[00:11:49] exponencial
[00:11:50] né
[00:11:50] da internet
[00:11:52] do contato
[00:11:53] com outros contextos
[00:11:54] sobre a nossa capacidade
[00:11:55] de julgar
[00:11:56] de ter valores
[00:11:57] e tal
[00:11:57] então
[00:11:58] essa área de pesquisa
[00:11:59] é bem nova
[00:11:59] tem uns 20 anos
[00:12:00] pra menos
[00:12:01] tá
[00:12:02] então assim
[00:12:03] deixa eu mostrar
[00:12:05] como que
[00:12:05] como que essa questão
[00:12:06] de ideia
[00:12:07] de mudar de ideia
[00:12:08] de novo
[00:12:09] não é ligada
[00:12:09] às teorias clássicas
[00:12:10] de persuasão
[00:12:11] mas é uma área nova
[00:12:12] tá
[00:12:12] tem um artigo
[00:12:14] 2016
[00:12:14] muito interessante
[00:12:16] muito interessante
[00:12:17] assim
[00:12:17] simples
[00:12:18] e bem bolado
[00:12:19] tá
[00:12:20] eles fizeram assim
[00:12:21] eles pegaram um grupo
[00:12:21] de pessoas
[00:12:23] e
[00:12:23] você sabe o que é uma tabela
[00:12:24] dois por dois
[00:12:25] é
[00:12:26] é uma tabela
[00:12:27] que tem duas linhas
[00:12:28] e duas colunas
[00:12:29] né
[00:12:29] e aí você coloca uma variável
[00:12:31] na linha
[00:12:31] e uma outra variável
[00:12:32] na coluna
[00:12:33] né
[00:12:33] e as respostas são sim e não
[00:12:35] positivo e negativo
[00:12:36] vira uma matriz aí
[00:12:37] de quatro quadradinhos
[00:12:39] isso
[00:12:40] e aí com números
[00:12:41] sim
[00:12:41] tá
[00:12:41] então eles fizeram uma
[00:12:43] uma história lá
[00:12:45] pra um grupo de pessoas
[00:12:46] falar assim
[00:12:46] falou
[00:12:47] existe uma
[00:12:48] hipótese
[00:12:49] né
[00:12:49] existe uma hipótese
[00:12:50] de que sorvete
[00:12:52] você consumir
[00:12:53] muito sorvete
[00:12:54] é
[00:12:55] aumenta
[00:12:56] a probabilidade
[00:12:58] de você ter
[00:12:58] certas irritações
[00:12:59] na pele
[00:13:00] por conta de possíveis
[00:13:02] conservantes
[00:13:02] no sorvete
[00:13:03] essa é a história
[00:13:05] que eles contaram
[00:13:05] tá
[00:13:06] então
[00:13:06] e aí a gente coletou dados
[00:13:08] coletamos dados
[00:13:09] os dados estão nessa tabela
[00:13:10] né
[00:13:11] e aí tinha lá
[00:13:12] na linha
[00:13:13] o sorvete
[00:13:13] positivo e negativo
[00:13:14] né
[00:13:15] quem come ou não sorvete
[00:13:16] e na coluna
[00:13:17] tinha irritação na pele
[00:13:18] positivo ou negativo
[00:13:19] tá
[00:13:19] e aí tinha números
[00:13:21] proporções de pessoas
[00:13:22] tá
[00:13:22] de novo
[00:13:24] essa relação não é verdadeira
[00:13:25] necessariamente
[00:13:26] tá
[00:13:26] mas a ideia
[00:13:27] foi pedir pra pessoa
[00:13:29] assim
[00:13:29] ó
[00:13:29] imagine que foi feito
[00:13:31] esse estudo
[00:13:32] né
[00:13:32] dá uma olhada nessa tabela
[00:13:34] e conclua algo
[00:13:35] a partir dessa tabela
[00:13:37] o que que você acha
[00:13:37] com base nesses dados
[00:13:39] supondo que é uma amostra
[00:13:40] representativa da população
[00:13:41] que foi bem coletado
[00:13:43] que tá tudo certo
[00:13:43] a pesquisa em si
[00:13:44] o que que você pode concluir
[00:13:46] tá
[00:13:46] então a tarefa da pessoa
[00:13:48] era olhar os números
[00:13:49] né
[00:13:50] e aí você vê por exemplo
[00:13:51] que no quadradinho
[00:13:52] onde você tem
[00:13:53] pessoas que tomam sorvete
[00:13:55] em relação a coluna
[00:13:57] com irritação da pele
[00:13:58] o número era muito maior
[00:13:59] do que nos outros casos
[00:14:01] tá
[00:14:02] tá
[00:14:02] então a
[00:14:03] assim
[00:14:04] você tomar sorvete
[00:14:05] e ter irritação na pele
[00:14:06] tinha uma proporção
[00:14:07] muito maior
[00:14:08] do que você
[00:14:09] não tomava
[00:14:10] quando você não tomava sorvete
[00:14:11] e não tinha irritação
[00:14:12] também era grande
[00:14:13] então naquela diagonal
[00:14:14] né
[00:14:15] tinha muito mais casos
[00:14:17] do que na outra diagonal
[00:14:18] tá
[00:14:19] e assim
[00:14:19] e a diferença era gritante
[00:14:20] de propósito
[00:14:21] pra pessoa reparar
[00:14:22] mesmo
[00:14:22] claro
[00:14:23] tá
[00:14:23] e beleza
[00:14:24] então assim
[00:14:25] a pessoa tinha que olhar
[00:14:26] refletir uns dois minutos
[00:14:27] e aí falar
[00:14:28] é
[00:14:29] olhando por essa tabela
[00:14:30] né
[00:14:30] parece que quem toma mais sorvete
[00:14:32] tem mais irritação na pele
[00:14:33] é a interpretação de uma tabela
[00:14:34] simples
[00:14:35] tá
[00:14:36] com uma pergunta de pesquisa
[00:14:37] que é meio inerte
[00:14:38] assim
[00:14:39] a sorvete
[00:14:40] tá
[00:14:41] é uma coisa meio descolada
[00:14:42] do valor
[00:14:43] né
[00:14:43] é só uma associação
[00:14:44] beleza
[00:14:45] aí um grupo de pessoas
[00:14:46] fizeram isso
[00:14:47] e noventa e nove
[00:14:49] por cento delas
[00:14:50] conseguiu perceber
[00:14:51] a associação
[00:14:52] beleza
[00:14:52] né
[00:14:53] aí eles fizeram
[00:14:54] pra um outro grupo de pessoas
[00:14:55] é a mesma tabela
[00:14:56] são os mesmos números
[00:14:58] mesmíssimos números
[00:14:59] só que eles trocaram
[00:15:00] as variáveis
[00:15:00] tá
[00:15:01] na linha
[00:15:02] em vez de sorvete
[00:15:03] o que eles colocaram
[00:15:05] era
[00:15:06] se você era a favor
[00:15:07] ou contra
[00:15:07] posse de arma
[00:15:08] tá
[00:15:09] posse de arma
[00:15:10] e na coluna
[00:15:11] ao invés de irritação na pele
[00:15:13] era a proporção de crimes
[00:15:14] usando armas
[00:15:16] então eles estavam testando
[00:15:17] aí trocaram a história né
[00:15:18] tipo é uma pesquisa
[00:15:20] mostrando se
[00:15:21] porte
[00:15:22] ter locais
[00:15:23] onde você tinha
[00:15:23] mais porte de arma
[00:15:25] você tinha mais crimes
[00:15:26] relacionados ao uso da arma
[00:15:28] perfeito
[00:15:28] tá
[00:15:29] é a mesma coisa
[00:15:30] os mesmos dados
[00:15:31] então assim
[00:15:32] a pessoa só tinha que identificar
[00:15:33] as proporções de novo
[00:15:35] né
[00:15:35] então ah
[00:15:36] por essa pesquisa
[00:15:36] parece que quem
[00:15:38] em locais onde você tem
[00:15:39] mais pessoas com armas
[00:15:40] tem mais crimes
[00:15:41] envolvendo armas
[00:15:42] como no caso do sorvete
[00:15:44] a proporção de pessoas
[00:15:45] que identificava a associação
[00:15:47] era coisa de noventa e oito
[00:15:48] noventa e nove por cento
[00:15:50] quando você trocava
[00:15:51] pra armas e crimes
[00:15:52] caia pra quarenta por cento
[00:15:54] além do tempo
[00:15:55] que a pessoa precisava
[00:15:56] pra decodificar a informação
[00:15:58] era maior
[00:15:58] né
[00:15:59] muitas das pessoas
[00:16:00] não escreviam
[00:16:02] tipo
[00:16:02] os dados estão mostrando
[00:16:04] que tem uma associação maior
[00:16:05] entre ter armas
[00:16:06] e mais crimes
[00:16:07] né
[00:16:08] por que?
[00:16:09] porque resvalava
[00:16:10] no que ela acreditava
[00:16:11] isso
[00:16:12] é
[00:16:13] a pergunta sobre
[00:16:14] o que ela acreditava
[00:16:16] sobre porte de armas
[00:16:17] era feita em algum momento
[00:16:18] antes ou depois?
[00:16:20] depois foi feito
[00:16:21] e aí você vê
[00:16:22] a associação né
[00:16:22] então as pessoas
[00:16:23] que tinham
[00:16:24] que eram mais a favor
[00:16:25] do porte de arma
[00:16:26] e não concordavam
[00:16:27] que isso gerava mais crimes
[00:16:28] gerava uma dissonância
[00:16:30] cognitiva né
[00:16:30] então temos
[00:16:32] o naruhodo duplo
[00:16:33] sobre dissonância cognitiva
[00:16:34] e concordavam menos
[00:16:35] com a
[00:16:36] a interpretação
[00:16:37] mais óbvia
[00:16:38] isso
[00:16:38] então
[00:16:39] é
[00:16:39] dos dados
[00:16:40] dos números mesmo
[00:16:41] então os números
[00:16:42] não mostravam
[00:16:42] uma associação tão forte
[00:16:43] por conta da noção de valor
[00:16:45] que as pessoas tinham antes
[00:16:46] tá
[00:16:47] e de novo
[00:16:48] não tinha nenhuma estimulação
[00:16:50] tipo
[00:16:50] ó
[00:16:50] tá aqui os dados
[00:16:51] essa é a pergunta
[00:16:52] escreva
[00:16:53] só isso
[00:16:54] a pessoa não escrevia
[00:16:55] ou escrevia uma coisa
[00:16:56] diferente assim né
[00:16:58] e aí a diferença
[00:16:59] primeira aí
[00:17:01] que a gente percebe
[00:17:02] é que na segunda pergunta
[00:17:04] né
[00:17:04] relacionada a porte de armas
[00:17:05] a gente
[00:17:07] tem
[00:17:08] talvez
[00:17:09] um território
[00:17:09] onde as pessoas
[00:17:10] são mais opiniadas
[00:17:11] isso
[00:17:12] onde mexe
[00:17:13] com uma noção de valor
[00:17:14] no caso do sorvete
[00:17:17] irritação
[00:17:17] assim
[00:17:18] não é tanto né
[00:17:18] talvez a pessoa
[00:17:20] que é fã de sorvete
[00:17:21] ela queira
[00:17:22] não
[00:17:23] não assumir isso
[00:17:25] não assumir
[00:17:26] essa interpretação
[00:17:28] é
[00:17:28] ela não se implica
[00:17:29] sabe
[00:17:29] nunca aconteceu comigo
[00:17:30] então não é comigo
[00:17:31] mas no caso de porte de arma
[00:17:33] envolve também
[00:17:33] uma noção de valor
[00:17:34] tipo do que você acredita
[00:17:36] do que você acha
[00:17:36] com o que você se identifica
[00:17:38] isso gera uma distorção
[00:17:39] da percepção de número
[00:17:41] sim
[00:17:41] isso que é muito louco
[00:17:42] muito louco
[00:17:43] sabe
[00:17:43] porque a tabela é a mesma
[00:17:44] aliás
[00:17:45] só por curiosidade
[00:17:46] essa mesma pesquisa
[00:17:47] perguntava
[00:17:48] quem tinha porte de armas
[00:17:49] também
[00:17:49] não
[00:17:50] então
[00:17:50] como era nos Estados Unidos
[00:17:51] sim
[00:17:52] aí tinha lá a proporção
[00:17:53] mas isso não deu associação
[00:17:55] ter ou não
[00:17:56] isso não
[00:17:57] mas a questão era a crença mesmo
[00:17:58] certo
[00:17:59] sabe
[00:17:59] então
[00:17:59] o que você faz com a sua crença
[00:18:01] importa menos
[00:18:02] o que importa é a crença
[00:18:03] porque ela já baliza
[00:18:04] a sua percepção
[00:18:05] isso também é interessante
[00:18:07] saber né
[00:18:07] sim
[00:18:08] sim muito
[00:18:08] então esse artigo é ótimo
[00:18:10] quer dizer
[00:18:11] tem gente que tem arma
[00:18:12] lá nos Estados Unidos
[00:18:13] que respondeu a essa pesquisa
[00:18:15] tem arma em casa
[00:18:16] ou porte de arma
[00:18:17] mas não necessariamente
[00:18:20] desacreditado
[00:18:21] acredita que
[00:18:22] porte de arma
[00:18:23] vá aumentar
[00:18:25] o número de crimes
[00:18:26] com arma
[00:18:27] isso
[00:18:28] então
[00:18:28] mas o ponto
[00:18:29] não é nem a crença
[00:18:30] o ponto desse artigo
[00:18:32] é o quanto você percebe
[00:18:33] a diferença
[00:18:33] numa tabela de números
[00:18:35] sim sim sim
[00:18:35] não entendi
[00:18:36] é só isso
[00:18:37] mas de qualquer forma
[00:18:38] você falou que
[00:18:39] no primeiro momento
[00:18:40] quando você fala sobre
[00:18:42] compara o valor dela
[00:18:44] com a interpretação
[00:18:45] houve uma associação
[00:18:48] na crença
[00:18:49] mas com o porte de arma
[00:18:51] em si
[00:18:51] não é o mesmo
[00:18:51] não é o mesmo
[00:18:51] não necessariamente
[00:18:52] isso
[00:18:53] é que a amostra
[00:18:53] não era representativa
[00:18:54] pra isso
[00:18:55] então a proporção
[00:18:55] era muito pequena
[00:18:56] de pessoas que tinham
[00:18:58] um porte de arma
[00:18:58] por exemplo
[00:18:59] isso
[00:19:00] então isso
[00:19:00] essa é uma questão
[00:19:01] menos colateral
[00:19:02] mais colateral
[00:19:03] aí tem um outro trabalho
[00:19:05] que surgiu
[00:19:05] dois anos depois
[00:19:06] 2018
[00:19:07] que eles
[00:19:08] também muito legal
[00:19:09] quase na nature
[00:19:11] na scientific reports
[00:19:12] que eles fizeram assim
[00:19:13] eles colocaram
[00:19:14] a pessoa dentro
[00:19:16] da ressonância magnética
[00:19:17] funcional
[00:19:18] e mostravam
[00:19:20] assim
[00:19:20] primeiro você avaliava
[00:19:21] o que era
[00:19:21] o que a pessoa acreditava
[00:19:22] de valores
[00:19:23] e aí você tinha
[00:19:25] um grupo de pessoas liberais
[00:19:26] e um grupo conservador
[00:19:27] também
[00:19:27] e colocava na ressonância
[00:19:30] e aí mostrava frases
[00:19:31] que concordavam
[00:19:33] com coisas que elas acreditavam
[00:19:34] e frases que discordavam
[00:19:35] completamente
[00:19:36] do que elas acreditavam
[00:19:37] e aí assim
[00:19:38] ela não precisava falar nada
[00:19:40] só mostrava lá
[00:19:41] atividade no cérebro
[00:19:43] e aí o interessante
[00:19:44] desse artigo
[00:19:45] é que
[00:19:47] quando a coisa era
[00:19:48] contra a sua crença
[00:19:49] a sua noção de valor
[00:19:51] ela não tinha
[00:19:51] áreas diferentes
[00:19:52] eram ativadas
[00:19:53] então por exemplo
[00:19:55] quando você via uma frase
[00:19:58] que era contrária
[00:19:59] a algo que você tinha
[00:20:01] como um valor
[00:20:02] muito grande seu
[00:20:02] tinha uma área
[00:20:05] que era mais ativada
[00:20:06] que era o córtex
[00:20:07] pré-frontal
[00:20:07] dorso medial
[00:20:08] isso tem a ver com
[00:20:10] essa é uma área relacionada
[00:20:11] com capacidade de julgar
[00:20:13] mas julgamento
[00:20:15] é no sentido
[00:20:16] de quantidade
[00:20:17] mesmo
[00:20:18] então essa área
[00:20:20] por exemplo
[00:20:20] ela é envolvida
[00:20:21] para você julgar
[00:20:21] distância
[00:20:22] tamanho
[00:20:23] forma
[00:20:24] né
[00:20:25] tipo julgar
[00:20:26] nesse sentido
[00:20:27] é você dizer
[00:20:28] o quanto que um objeto
[00:20:29] é maior que o outro
[00:20:30] sabe
[00:20:31] é esse tipo de deliberação
[00:20:33] então
[00:20:33] quando você está vendo
[00:20:34] uma frase
[00:20:35] que discorda muito
[00:20:36] de algo que você acredita
[00:20:37] é como se você estivesse
[00:20:38] medindo ela
[00:20:40] sabe
[00:20:40] medindo
[00:20:41] uma gradação
[00:20:42] uma magnitude
[00:20:43] né
[00:20:44] aí envolve muito
[00:20:45] atividade dessa área
[00:20:46] tipo então você lê
[00:20:47] várias vezes
[00:20:48] tipo é isso mesmo
[00:20:49] sabe
[00:20:50] você fica tentando confirmar
[00:20:51] tá
[00:20:51] e aí tem uma menor atividade
[00:20:53] de uma outra área
[00:20:54] que é o
[00:20:55] córtex órbito frontal
[00:20:56] o órbito frontal
[00:20:57] ele é mais relacionado
[00:20:58] com uma questão
[00:20:59] mais emocional
[00:21:00] assim
[00:21:01] você tende a embotar
[00:21:02] um pouco a sua emoção
[00:21:04] você dá uma
[00:21:05] inibida
[00:21:07] na sua emoção
[00:21:07] quando a frase
[00:21:09] discorda muito
[00:21:10] de algo que você acredita
[00:21:11] tá
[00:21:12] então a
[00:21:12] a sensação
[00:21:14] só pra dar uma ideia
[00:21:15] aí é uma coisa
[00:21:16] mais extrema
[00:21:17] tá
[00:21:17] isso normalmente
[00:21:18] não acontece
[00:21:18] mas sabe quando
[00:21:20] eu não sei se já aconteceu
[00:21:20] com você
[00:21:21] quem for mulher
[00:21:22] vai
[00:21:22] tem muito mais empatia
[00:21:24] pra entender
[00:21:24] esse tipo de sensação
[00:21:25] ou quem
[00:21:27] quando você era pequeno
[00:21:28] é mais comum
[00:21:29] você já levou
[00:21:29] uma baita bronca
[00:21:30] ou por exemplo
[00:21:31] no beisebol
[00:21:32] ou em alguma coisa assim
[00:21:33] um monte
[00:21:34] então teve alguém
[00:21:35] que te deu um puta esporro
[00:21:36] mas assim
[00:21:36] mas foi um esporro
[00:21:37] de você
[00:21:38] parar de ouvir
[00:21:40] de você sentir
[00:21:40] que você tava lá longe
[00:21:41] assim que você
[00:21:42] meio que caiu no buraco
[00:21:43] sabe
[00:21:44] nem que seja por um segundo
[00:21:46] sim
[00:21:46] com certeza
[00:21:47] sabe
[00:21:47] é então
[00:21:48] quando você sente esse esporro
[00:21:50] né
[00:21:51] e dá aquela sensação
[00:21:51] de que você cai pra dentro
[00:21:53] é essa sensação
[00:21:54] assim
[00:21:55] bem exageradamente
[00:21:56] tá
[00:21:56] tem a ver com essas duas áreas
[00:21:58] então você tem uma ativação
[00:22:00] maior do
[00:22:00] dorso medial
[00:22:02] então
[00:22:02] é como se você tivesse
[00:22:04] o que que ele tá fazendo
[00:22:05] por que que ele tá fazendo isso
[00:22:06] é tipo
[00:22:07] tentando medir
[00:22:09] né
[00:22:09] o que que tá acontecendo
[00:22:10] mas ao mesmo tempo
[00:22:11] embotando a sua emoção
[00:22:12] e é por isso
[00:22:14] que você cai pra dentro
[00:22:14] você tipo
[00:22:15] internamente
[00:22:16] você tenta se distanciar
[00:22:18] mesmo que fisicamente
[00:22:19] você não esteja
[00:22:20] tá
[00:22:21] quando esse esporro
[00:22:22] é muito grande
[00:22:22] ou você vai paralisar
[00:22:23] ou você vai correr
[00:22:24] certo
[00:22:25] mas é muito interessante
[00:22:26] porque
[00:22:27] quando
[00:22:27] mesmo vendo uma afirmação
[00:22:29] de uma coisa
[00:22:31] que você
[00:22:31] discorda muito
[00:22:33] né
[00:22:33] que ataca muito
[00:22:34] sua noção de valor
[00:22:35] dá essa noção de ataque
[00:22:36] de você se sentir atacado
[00:22:38] hum
[00:22:40] e aí
[00:22:41] assim
[00:22:41] esse artigo é fantástico
[00:22:42] porque
[00:22:43] eles começaram
[00:22:44] assim
[00:22:45] primeiro eles colocam uma frase
[00:22:46] que é totalmente o contrário
[00:22:48] né
[00:22:48] totalmente o contrário
[00:22:49] depois eles vão colocando
[00:22:50] outras frases
[00:22:51] que se aproximam mais
[00:22:52] do que você acredita
[00:22:54] então é mais fácil
[00:22:55] de você aceitar
[00:22:56] sabe
[00:22:57] tipo pra dar uma mexidinha
[00:22:59] não é pra cair pro outro lado
[00:23:00] é pra dar
[00:23:00] uma mexidinha
[00:23:02] e aí eles verificaram
[00:23:03] que algumas pessoas
[00:23:05] começaram a mudar
[00:23:06] um pouco de ideia
[00:23:07] eles fizeram um assessment
[00:23:08] depois
[00:23:08] né
[00:23:09] e aí eles viram
[00:23:10] para aquelas pessoas
[00:23:11] que mudaram
[00:23:12] por exemplo
[00:23:13] a respeito de uma certa opinião
[00:23:15] elas tinham uma nota 8
[00:23:16] né
[00:23:17] e depois do experimento
[00:23:18] caiu pra 7
[00:23:19] sabe
[00:23:20] diminuiu um pouquinho
[00:23:20] eles pegaram
[00:23:22] essa subamostra
[00:23:23] de pessoas
[00:23:23] que mudaram um pouquinho
[00:23:24] de ideia
[00:23:25] tá bom
[00:23:26] ao longo do experimento
[00:23:27] pra essas pessoas
[00:23:28] eles viram
[00:23:29] que tinha duas áreas
[00:23:30] que tinham menos atividade
[00:23:32] muito importantes
[00:23:33] essas duas áreas
[00:23:34] que era a ínsula
[00:23:34] e a amígdala
[00:23:35] né
[00:23:36] a ínsula é
[00:23:37] é
[00:23:38] uma área
[00:23:39] fortemente relacionada
[00:23:41] com
[00:23:41] evocação emocional
[00:23:43] e a amígdala também
[00:23:44] e principalmente
[00:23:45] memória emocional
[00:23:46] tá
[00:23:47] e aí é uma outra
[00:23:49] descrição interessante
[00:23:49] então aquelas pessoas
[00:23:50] que mudaram
[00:23:51] nem que seja um ponto
[00:23:52] de ideia
[00:23:53] né
[00:23:53] tem um envolvimento maior
[00:23:55] de uma memória emocional
[00:23:56] então ela
[00:23:57] lembra da experiência
[00:23:58] sabe
[00:23:59] ela pode não concordar
[00:24:01] mas ela lembra
[00:24:02] que ela passou
[00:24:02] por uma situação
[00:24:03] em que
[00:24:04] teve alguma coisa
[00:24:05] que ela ficou pensando
[00:24:05] certo
[00:24:07] tudo bem
[00:24:07] então
[00:24:08] esses dois artigos
[00:24:09] assim
[00:24:10] apesar de serem feitos
[00:24:11] por grupos diferentes
[00:24:12] eles complementam
[00:24:12] uma coisa muito interessante
[00:24:14] né
[00:24:14] que é isso assim
[00:24:16] a
[00:24:16] primeira conclusão inicial
[00:24:18] né
[00:24:18] quando você
[00:24:19] assim
[00:24:20] é mais fácil
[00:24:21] você mudar de ideia
[00:24:22] em relação a temas
[00:24:23] mais neutros
[00:24:24] ou inertes
[00:24:25] ou temas em que
[00:24:26] você não está
[00:24:27] diretamente envolvido
[00:24:28] tipo
[00:24:29] pode ser
[00:24:30] pode ser com você
[00:24:31] mas provavelmente
[00:24:32] não é
[00:24:32] né
[00:24:33] então até aí
[00:24:34] tudo bem
[00:24:34] você identifica bem
[00:24:35] os dados e tal
[00:24:36] mas quando o tema
[00:24:37] envolve uma noção
[00:24:38] de valor
[00:24:39] você distorce
[00:24:40] tá
[00:24:41] e você distorce
[00:24:42] por quê
[00:24:42] porque
[00:24:43] inicialmente
[00:24:44] você sente como
[00:24:45] se fosse um ataque
[00:24:46] tá
[00:24:47] você sente como
[00:24:47] se fosse um ataque
[00:24:48] mas bem leve
[00:24:49] esse ataque
[00:24:50] né
[00:24:50] o suficiente
[00:24:51] pra você embotar a emoção
[00:24:53] e ao mesmo tempo
[00:24:54] medir o que está acontecendo
[00:24:55] então você está
[00:24:56] numa posição de alerta
[00:24:58] você fica naquela
[00:24:58] posição de alerta
[00:25:00] tá
[00:25:00] caso
[00:25:01] dependendo da forma
[00:25:02] da informação
[00:25:03] se ela for muito
[00:25:04] contrária
[00:25:05] ao que você acredita
[00:25:06] é um esporro
[00:25:08] você paralisa
[00:25:09] né
[00:25:10] ou foge
[00:25:10] tá
[00:25:11] quando ela é intermediária
[00:25:12] a frase é
[00:25:13] perto daquilo
[00:25:14] que você acredita
[00:25:15] mas é um pouquinho
[00:25:15] diferente
[00:25:16] você tende a guardar
[00:25:18] a experiência
[00:25:19] do momento
[00:25:20] tá
[00:25:21] mas não quer dizer
[00:25:21] que muda você
[00:25:22] pode ser que mude
[00:25:24] depois
[00:25:24] tá
[00:25:25] né
[00:25:25] e daí
[00:25:26] daí a ideia
[00:25:27] né
[00:25:27] desses trabalhos
[00:25:27] que mostram
[00:25:28] que tem que ser
[00:25:29] uma exposição
[00:25:29] continuada
[00:25:30] tem que ser uma coisa
[00:25:31] várias vezes
[00:25:32] tem que ser continuada
[00:25:33] e aos pouquinhos
[00:25:34] tá
[00:25:35] por isso que é chato
[00:25:36] e dá trabalho
[00:25:36] tá
[00:25:37] tem que ser bem
[00:25:38] aos pouquinhos
[00:25:39] né
[00:25:40] e aí
[00:25:41] assim
[00:25:41] e aí a coisa
[00:25:42] anda
[00:25:42] fantasticamente
[00:25:44] né
[00:25:44] porque
[00:25:44] esse é um termo
[00:25:46] de 2013
[00:25:46] né
[00:25:47] que chama
[00:25:48] ilusão do entendimento
[00:25:50] então
[00:25:50] a ilusão do entendimento
[00:25:51] é
[00:25:52] é
[00:25:52] é ligado à ideia
[00:25:53] do seguinte
[00:25:54] quando a gente trata
[00:25:55] de informações
[00:25:56] ligadas a valor
[00:25:57] então o que você acredita
[00:25:59] o que você entende
[00:26:00] que é justo
[00:26:01] que é correto
[00:26:02] e tal
[00:26:02] né
[00:26:03] toda noção de valor
[00:26:04] envolve uma questão
[00:26:05] ligada à identidade
[00:26:06] então
[00:26:07] as coisas que você acredita
[00:26:09] antes de tudo
[00:26:09] são coisas que você
[00:26:10] se sente representado
[00:26:11] e que você acha que é
[00:26:13] tudo
[00:26:13] às vezes pode não ser
[00:26:14] o que você
[00:26:15] o que você é
[00:26:16] mas seria o que você
[00:26:17] gostaria de ser
[00:26:18] né
[00:26:19] então é um caminho
[00:26:20] pra isso
[00:26:21] tá
[00:26:21] então os valores
[00:26:22] tem a ver com isso
[00:26:23] e tem coisas
[00:26:24] que você se sente
[00:26:25] representado
[00:26:26] ou você faz parte
[00:26:27] é o que identifica você
[00:26:29] em certos grupos
[00:26:30] tá
[00:26:31] então
[00:26:31] o
[00:26:32] isso que dá
[00:26:33] essa ideia
[00:26:34] da ilusão
[00:26:34] de entendimento
[00:26:35] né
[00:26:36] e aí
[00:26:36] quando você trata
[00:26:37] de assuntos morais
[00:26:39] que envolvem moralidade
[00:26:40] isso facilita
[00:26:42] muito a influência
[00:26:42] política
[00:26:43] por isso que o discurso
[00:26:44] fica polarizado
[00:26:45] então
[00:26:46] por isso que muitos
[00:26:47] no marketing político
[00:26:48] dificilmente um político
[00:26:50] fica falando de coisas
[00:26:51] muito técnicas
[00:26:52] né
[00:26:53] então
[00:26:53] ah
[00:26:54] eu quero diminuir
[00:26:56] a taxa de juros
[00:26:57] porque isso vai afetar
[00:26:58] esse indicador
[00:26:58] esse indicador
[00:26:59] mesmo que o discurso
[00:27:00] seja coerente
[00:27:01] claro
[00:27:01] né
[00:27:02] ele só vai influenciar
[00:27:04] as pessoas que entendem
[00:27:04] a parada
[00:27:05] mesmo
[00:27:06] é verdade
[00:27:07] isso é um argumento bom
[00:27:08] né
[00:27:08] mas a maior parte
[00:27:09] das pessoas
[00:27:09] não entende o argumento
[00:27:11] então não faz diferença
[00:27:12] né
[00:27:12] mas as pessoas
[00:27:13] acham que entendem
[00:27:15] então
[00:27:15] esse é o ponto importante
[00:27:17] da ilusão de entendimento
[00:27:18] né
[00:27:18] quando a gente trata
[00:27:19] de assuntos morais
[00:27:21] em geral
[00:27:21] eles são complexos
[00:27:22] porque envolve a gente
[00:27:24] envolve outras pessoas
[00:27:25] envolve o ambiente
[00:27:26] né
[00:27:27] esses assuntos complexos
[00:27:29] em geral
[00:27:30] a gente acha que sabe
[00:27:31] mais do que acha que sabe
[00:27:32] do que sabe
[00:27:33] a gente
[00:27:34] a gente acha que sabe
[00:27:36] mais do que sabe
[00:27:36] de verdade
[00:27:37] rola um mini
[00:27:38] Dunning Kruger
[00:27:39] aí
[00:27:39] nesse aspecto
[00:27:41] mora um Dunning Kruger
[00:27:42] aí tem a ver
[00:27:43] com o nosso
[00:27:43] naruhodo 301
[00:27:45] né
[00:27:45] se a gente é tão bom
[00:27:47] quanto acha que é
[00:27:47] porque assim
[00:27:48] um passo importante
[00:27:49] pra gente perceber
[00:27:51] que de fato sabe algo
[00:27:52] é saber que não sabe
[00:27:54] sim
[00:27:55] você entende quem
[00:27:56] então por exemplo
[00:27:57] porque que você é um publicitário
[00:27:58] com muita experiência
[00:27:59] porque você sabe
[00:28:00] o que você sabe
[00:28:01] e você sabe
[00:28:02] o que você não sabe
[00:28:03] da área
[00:28:04] verdade
[00:28:05] logo isso te dá um limite
[00:28:06] aí você sabe
[00:28:07] ó eu consigo saber
[00:28:08] tais coisas
[00:28:09] e o que eu não sei
[00:28:10] eu sei as condições
[00:28:10] pra saber
[00:28:11] aí você sabe
[00:28:12] é essa coisa
[00:28:14] quando você trata
[00:28:15] de temas complexos
[00:28:16] sobretudo ligados
[00:28:17] a argumentos morais
[00:28:18] a esmagadora
[00:28:19] maioria
[00:28:19] da gente
[00:28:19] as pessoas não sabem
[00:28:20] do que tá falando
[00:28:21] porque pra saber
[00:28:23] que de verdade
[00:28:24] ela tem que saber
[00:28:25] o que ela não sabe
[00:28:26] e isso ela nem se expôs
[00:28:28] né
[00:28:28] então é muito difícil
[00:28:29] muito difícil
[00:28:30] de cara já
[00:28:32] saber que
[00:28:34] precisa estudar
[00:28:35] pra saber alguma coisa
[00:28:36] isso
[00:28:37] então no começo
[00:28:38] você tem que partir
[00:28:39] de uma posição
[00:28:40] de neutralidade
[00:28:41] mas
[00:28:41] de fato né
[00:28:43] pra entender a coisa
[00:28:43] mas se você for neutro
[00:28:45] em tudo
[00:28:46] você nem se reconhece
[00:28:47] como sujeito social
[00:28:49] né
[00:28:49] então
[00:28:49] porque você é um sujeito social
[00:28:51] na medida que você acredita
[00:28:52] em algumas coisas
[00:28:53] e pertence a alguns grupos
[00:28:54] né
[00:28:55] então partir da neutralidade
[00:28:56] em tudo
[00:28:57] é muito difícil
[00:28:58] assim demanda
[00:28:59] uma
[00:29:01] uma
[00:29:01] auto-observação muito grande
[00:29:03] que a educação não dá
[00:29:04] porque a educação
[00:29:05] é voltada pro trabalho
[00:29:06] e é difícil mesmo
[00:29:07] você sofre
[00:29:08] é complicado
[00:29:09] tá
[00:29:09] e aí a gente entra assim
[00:29:11] numa parte do episódio
[00:29:12] que é
[00:29:12] tudo bem
[00:29:13] então tudo bem
[00:29:13] dado que as pessoas
[00:29:14] têm ilusão do entendimento
[00:29:15] elas sabem muito menos
[00:29:17] do que de fato elas sabem
[00:29:18] e quando são valores morais
[00:29:19] as pessoas tendem
[00:29:20] a se sentir atacadas
[00:29:21] né
[00:29:22] quando tem essa
[00:29:22] certas afirmações
[00:29:24] o que a gente pode fazer
[00:29:25] pra mudar
[00:29:26] elas um pouquinho
[00:29:27] né
[00:29:27] nem que seja um milímetro
[00:29:29] né
[00:29:29] tem três
[00:29:30] três passos
[00:29:31] pra você criar esse enquadramento
[00:29:33] né
[00:29:34] esse framing
[00:29:34] o primeiro passo
[00:29:36] do enquadramento
[00:29:36] é o seguinte
[00:29:37] a mensagem que você vai construir
[00:29:39] ela tem que se focar
[00:29:40] mais no como
[00:29:41] as coisas são
[00:29:42] ao invés
[00:29:43] de porquê
[00:29:44] tá
[00:29:45] tudo bem
[00:29:45] então
[00:29:46] o que que seria isso
[00:29:47] né
[00:29:48] aí tem
[00:29:49] um método
[00:29:50] inclusive
[00:29:50] né
[00:29:51] muito interessante
[00:29:52] de pesquisa qualitativa
[00:29:53] na verdade
[00:29:55] entrevista
[00:29:55] barra
[00:29:56] coleta de dados
[00:29:57] assim né
[00:29:57] que é o
[00:29:58] o método
[00:30:00] da perspectiva
[00:30:00] da ação analógica
[00:30:02] tá
[00:30:02] o nome técnico
[00:30:03] como é que funciona isso
[00:30:04] tá
[00:30:05] tem um experimento também
[00:30:06] fantástico
[00:30:07] 2020
[00:30:07] esse artigo
[00:30:08] que mostra o seguinte
[00:30:10] eles pegaram lá
[00:30:11] dois grupos de pessoas
[00:30:12] e
[00:30:13] e eles
[00:30:13] apresentaram ideias
[00:30:15] que as pessoas
[00:30:16] tinham opiniões
[00:30:17] mas são ideias
[00:30:18] muito complicadas
[00:30:19] por exemplo
[00:30:20] aquecimento global
[00:30:21] aquecimento global
[00:30:22] é um tema complexo
[00:30:24] envolve vários agentes
[00:30:25] a esmagadora
[00:30:26] maioria das pessoas
[00:30:27] não sabe do que tá falando
[00:30:28] quando elas dão opinião
[00:30:29] inclusive a gente
[00:30:30] inclusive eu e você
[00:30:31] tá
[00:30:32] porque sempre vai
[00:30:33] é muito complexo
[00:30:34] sempre vai ter algum
[00:30:35] alguma faceta
[00:30:36] que você não tá olhando
[00:30:37] então eles pegaram
[00:30:38] por exemplo
[00:30:39] eles pegaram dois temas
[00:30:40] um é aquecimento global
[00:30:41] e o outro é
[00:30:42] aposentadoria
[00:30:43] né
[00:30:43] se você deveria aumentar
[00:30:45] a idade de aposentadoria
[00:30:46] ou não
[00:30:47] né
[00:30:47] e aí tem
[00:30:48] é uma discussão
[00:30:49] muito complexa
[00:30:50] do ponto de vista econômico
[00:30:51] porque se você colocar
[00:30:52] muito cedo
[00:30:52] tem problema
[00:30:54] se colocar muito tarde
[00:30:55] o modelo quebra
[00:30:56] sabe
[00:30:56] é complicado
[00:30:57] tá
[00:30:58] é complicado mesmo
[00:30:59] né
[00:30:59] então
[00:31:00] e aí eles pegaram pessoas
[00:31:01] né
[00:31:02] e aí um grupo de pessoas
[00:31:04] eles perguntaram assim
[00:31:05] ó
[00:31:05] escreva
[00:31:06] qual é a sua crença
[00:31:08] né
[00:31:09] se você é a favor
[00:31:09] de tais
[00:31:10] eles colocaram uma série
[00:31:12] de
[00:31:12] de afirmações
[00:31:14] coloque
[00:31:15] qual é a sua crença
[00:31:16] né
[00:31:17] e por que você acredita naquilo
[00:31:19] tipo
[00:31:20] justifique
[00:31:20] por que
[00:31:21] tá bom
[00:31:21] aí as pessoas justificaram
[00:31:22] pro outro grupo
[00:31:24] eles colocaram assim
[00:31:25] coloque o que que você acredita
[00:31:26] e como você faria
[00:31:28] pra implementar
[00:31:29] então por exemplo
[00:31:30] eu acredito
[00:31:31] que as pessoas
[00:31:32] deveriam se aposentar
[00:31:33] aos 80 anos
[00:31:34] tô inventando
[00:31:35] tá
[00:31:35] eu acredito que a idade
[00:31:36] deveria aumentar
[00:31:37] né
[00:31:38] aí
[00:31:38] por que que eu acredito nisso
[00:31:40] um grupo
[00:31:41] respondeu
[00:31:41] o outro grupo
[00:31:42] como você faria
[00:31:44] pra ver isso implementado
[00:31:45] como
[00:31:46] né
[00:31:47] qual seria o impacto
[00:31:48] nas pessoas
[00:31:49] que responderam
[00:31:49] por que
[00:31:50] né
[00:31:51] as respostas eram mais curtas
[00:31:53] né
[00:31:53] e
[00:31:54] tipo só reafirmavam
[00:31:55] que elas acreditavam
[00:31:56] e tá
[00:31:57] né
[00:31:57] no grupo que tinha que responder
[00:31:59] como
[00:31:59] a pessoa começava a escrever
[00:32:01] e ela se dava conta
[00:32:02] que ela não sabia
[00:32:03] como implementar
[00:32:04] ela só achava
[00:32:05] né
[00:32:06] e assim
[00:32:07] e a ideia é não julgar
[00:32:08] não julgar
[00:32:09] é só a pessoa perceber
[00:32:10] falar
[00:32:10] é
[00:32:11] aqui
[00:32:11] como que você faz
[00:32:13] pra implementar isso
[00:32:14] a pessoa não sabe
[00:32:15] né
[00:32:16] e aí
[00:32:17] é
[00:32:18] isso já é uma perspectiva
[00:32:19] analógica
[00:32:20] a pessoa se coloca
[00:32:21] no lugar
[00:32:21] de alguém que não entende
[00:32:22] de fato
[00:32:23] e aí
[00:32:24] o que que acontece
[00:32:25] a pessoa continua
[00:32:26] acreditando naquilo
[00:32:27] mas em vez de acreditar
[00:32:29] numa escala
[00:32:29] de 0 a 10
[00:32:30] 8
[00:32:31] ela começa a acreditar
[00:32:32] 7 ou 6
[00:32:33] certo
[00:32:34] entendeu
[00:32:35] que é sutil
[00:32:35] quer dizer
[00:32:36] fazer a pessoa
[00:32:37] se deparar
[00:32:39] com a sua própria
[00:32:40] ignorância
[00:32:41] vamos dizer assim
[00:32:42] sobre um determinado assunto
[00:32:43] afeta
[00:32:44] ainda que pouco
[00:32:46] afeta
[00:32:47] pode vir
[00:32:48] afetar
[00:32:49] a opinião anterior
[00:32:51] dela
[00:32:51] isso
[00:32:51] isso
[00:32:52] desde que não haja julgamento
[00:32:53] não pode ter julgamento
[00:32:55] depois
[00:32:55] então assim
[00:32:56] você deixa a pessoa
[00:32:57] no vazio
[00:32:58] fala
[00:32:58] como que eu faço isso
[00:33:00] como que você faria
[00:33:02] aí você vê que a pessoa
[00:33:02] não consegue responder
[00:33:03] você não responde
[00:33:04] tipo
[00:33:05] então medite
[00:33:06] é isso
[00:33:07] vai ver
[00:33:08] pronto
[00:33:09] não tem certo e errado
[00:33:10] tipo
[00:33:11] é tipo
[00:33:12] seu professor na escola
[00:33:13] seu professor na escola
[00:33:14] você fala
[00:33:14] mas eu não acho isso
[00:33:15] ele fala
[00:33:16] aula que vem
[00:33:17] volta a aula que vem
[00:33:19] sabe
[00:33:19] fica pensando nisso
[00:33:20] depois você volta
[00:33:21] tem um pouco
[00:33:21] da estratégia
[00:33:22] você deu esses dois exemplos
[00:33:24] então
[00:33:24] como
[00:33:25] exemplos
[00:33:27] de uma estratégia
[00:33:28] que é mais eficiente
[00:33:29] do que você
[00:33:30] tentar ficar
[00:33:31] debatendo
[00:33:32] com a pessoa
[00:33:33] não
[00:33:33] debater é inútil
[00:33:34] debater é realmente
[00:33:35] sobretudo online
[00:33:37] sobretudo online
[00:33:38] essa estratégia
[00:33:39] do como e do porquê
[00:33:40] online até dá pra fazer
[00:33:41] assim
[00:33:42] você deixa a pessoa
[00:33:43] no vazio mesmo
[00:33:44] fala
[00:33:44] medite né
[00:33:46] tipo
[00:33:46] você entendeu
[00:33:47] a conclusão
[00:33:48] hum hum
[00:33:49] então medite
[00:33:50] nada contra
[00:33:51] tal
[00:33:52] todo mundo é assim
[00:33:53] todo mundo é assim
[00:33:54] inclusive eu e você
[00:33:55] 100% das pessoas
[00:33:56] vão ter temas
[00:33:57] que você acredita
[00:33:58] quando você vai falar
[00:33:59] mas como fazer isso
[00:34:00] você trava
[00:34:00] então quer dizer que
[00:34:02] né
[00:34:02] pense mais
[00:34:04] né
[00:34:04] leia mais
[00:34:05] procure mais
[00:34:06] é isso aí
[00:34:07] tá
[00:34:07] isso é bem legal mesmo né
[00:34:09] sobretudo pra temas ligados
[00:34:11] a saúde
[00:34:11] mudança climática
[00:34:12] esse tipo de coisa
[00:34:13] é bem interessante
[00:34:15] aí o segundo
[00:34:16] né
[00:34:16] o segundo
[00:34:17] segundo atributo
[00:34:18] do enquadramento
[00:34:19] né
[00:34:20] quando você vai tentar
[00:34:21] conversar com alguém
[00:34:23] sobre
[00:34:23] a ideia é você criar
[00:34:24] um argumento
[00:34:25] de acordo com
[00:34:27] o ponto de vista
[00:34:27] do outro
[00:34:28] tá
[00:34:29] você vai criar
[00:34:30] um argumento
[00:34:30] a partir do que
[00:34:31] o outro acredita
[00:34:32] ou seja
[00:34:33] você vai criar
[00:34:34] um argumento
[00:34:35] com um princípio moral
[00:34:36] comum
[00:34:36] aquilo que a pessoa
[00:34:38] acredita
[00:34:38] isso é difícil
[00:34:40] de fazer
[00:34:40] mas é muito
[00:34:41] eficaz
[00:34:42] quando você consegue
[00:34:43] tá
[00:34:44] e de novo
[00:34:45] publicitários
[00:34:46] vocês têm uma boa
[00:34:47] boa experiência
[00:34:48] em criar
[00:34:48] pits
[00:34:49] né
[00:34:49] os pits
[00:34:50] tem a ver com isso
[00:34:51] em vez de
[00:34:53] em vez de chocolate
[00:34:54] né
[00:34:54] isso é muito
[00:34:55] muito interessante
[00:34:56] e aí
[00:34:57] tem alguns trabalhos
[00:34:59] né
[00:34:59] um deles
[00:34:59] fantástico também
[00:35:00] que é assim
[00:35:01] esse é o modelo americano
[00:35:03] aqui no Brasil
[00:35:04] eu vou
[00:35:05] eu tentei
[00:35:06] traduzir
[00:35:06] né
[00:35:07] a descrição
[00:35:08] né
[00:35:08] não vale pensar
[00:35:10] em direita e esquerda
[00:35:11] não é direita e esquerda
[00:35:12] se você
[00:35:12] se você pensar
[00:35:13] pessoas de direita
[00:35:14] pessoas de esquerda
[00:35:14] o experimento
[00:35:15] não funciona
[00:35:16] tá
[00:35:17] então
[00:35:18] o
[00:35:18] a ideia
[00:35:19] é você pensar assim
[00:35:20] é
[00:35:21] porque
[00:35:21] tem direita e esquerda
[00:35:22] né
[00:35:22] nessas duas categorizações
[00:35:24] que é o liberal
[00:35:24] e o conservador
[00:35:25] tá
[00:35:26] então assim
[00:35:27] de novo
[00:35:28] é um espectro enorme
[00:35:30] tá bom
[00:35:30] isso torna os experimentos
[00:35:31] mais complicados
[00:35:32] mas só pra dar um resumo
[00:35:33] uma ideia
[00:35:34] uma pessoa com pensamento
[00:35:35] mais liberal
[00:35:36] em geral
[00:35:37] seria uma pessoa
[00:35:38] que mantém
[00:35:39] antes de qualquer coisa
[00:35:40] o princípio da igualdade
[00:35:42] e de cuidado
[00:35:43] com o outro
[00:35:44] antes
[00:35:45] antes de qualquer coisa
[00:35:45] do que você é
[00:35:46] do que você acredita
[00:35:47] do que você defende
[00:35:48] temos que diminuir
[00:35:49] as desigualdades
[00:35:50] e manter
[00:35:51] as equivalências
[00:35:54] entre as pessoas
[00:35:54] tá
[00:35:55] esse seria o norte
[00:35:56] de uma pessoa liberal
[00:35:58] em média
[00:35:58] tá
[00:35:59] é
[00:36:00] uma pessoa mais conservadora
[00:36:02] é uma pessoa
[00:36:03] que tem por primazia
[00:36:04] o respeito
[00:36:05] pela autoridade
[00:36:06] e pela
[00:36:07] por uma certa
[00:36:08] norma de conduta
[00:36:09] tá
[00:36:10] não quer dizer
[00:36:11] que o conservador
[00:36:13] também não queira
[00:36:13] reduzir a desigualdade
[00:36:15] mas o meio
[00:36:16] é diferente
[00:36:17] o meio
[00:36:18] pelo qual é diferente
[00:36:19] tudo bem
[00:36:20] então
[00:36:21] a ideia básica
[00:36:22] da descrição
[00:36:23] da descrição
[00:36:23] desses dois perfis
[00:36:25] né
[00:36:25] que é o que funciona
[00:36:26] nos experimentos
[00:36:27] é isso
[00:36:27] não importa
[00:36:28] se você é cirandeiro
[00:36:29] ou bolsominion
[00:36:30] não importa
[00:36:31] tá
[00:36:31] porque você vai ter
[00:36:32] liberal e conservador
[00:36:33] nos dois espectros
[00:36:34] tá bom
[00:36:35] então direita e esquerda
[00:36:36] não funciona aqui
[00:36:36] tá
[00:36:37] então o liberal
[00:36:38] é aquele que tem um princípio
[00:36:39] antes de tudo
[00:36:40] diminuir a desigualdade
[00:36:42] e
[00:36:43] o cuidado pelo outro
[00:36:44] vem qualquer
[00:36:45] a frente de qualquer coisa
[00:36:46] tá
[00:36:47] é
[00:36:48] , no grupo
[00:36:49] mais conservador
[00:36:50] a ideia
[00:36:50] é um respeito
[00:36:51] por uma autoridade
[00:36:52] e por uma certa
[00:36:53] norma de conduta
[00:36:54] se você seguir
[00:36:55] essa norma
[00:36:56] vai dar tudo certo
[00:36:57] tudo bem quem
[00:36:58] tá
[00:36:59] então
[00:36:59] e aí
[00:37:01] quando você tem
[00:37:01] esses dois grupos
[00:37:02] né
[00:37:03] eles identificaram
[00:37:04] dois grupos de pessoas
[00:37:05] assim né
[00:37:05] tem
[00:37:05] o artigo é bem claro
[00:37:06] pra mostrar como
[00:37:07] como medir e tal
[00:37:08] isso né
[00:37:09] é
[00:37:10] eles fizeram lá
[00:37:11] um
[00:37:12] era uma
[00:37:13] uma certa política
[00:37:14] pra
[00:37:15] de aquecimento global
[00:37:16] né
[00:37:17] então assim
[00:37:17] pra
[00:37:18] para
[00:37:18] , pra reduzir
[00:37:19] emissão de gás
[00:37:20] estufa
[00:37:21] essas coisas
[00:37:22] né
[00:37:22] todo mundo vai ter que
[00:37:23] cooperar
[00:37:24] então assim
[00:37:24] pra reduzir lá
[00:37:25] o impacto do homem
[00:37:27] na natureza
[00:37:28] a gente vai ter que
[00:37:30] tomar ações
[00:37:31] que vão envolver
[00:37:31] a todas as pessoas
[00:37:32] tá
[00:37:34] isso é fato
[00:37:34] tá bom
[00:37:35] a gente já sabe
[00:37:36] que no futuro
[00:37:36] pra reduzir os impactos
[00:37:38] do aquecimento global
[00:37:39] todo mundo vai ter que
[00:37:40] abrir mão de alguma coisa
[00:37:41] independente de você
[00:37:42] direita, esquerda
[00:37:43] liberal, conservador
[00:37:44] não importa
[00:37:45] tudo bem
[00:37:46] isso vai acontecer
[00:37:47] no entanto
[00:37:48] independente da sua
[00:37:49] filiação política
[00:37:50] tem pessoas que aceitam
[00:37:52] não, tudo bem
[00:37:53] eu vou sofrer um pouco
[00:37:54] mas vale a pena
[00:37:55] essa seria a ideia liberal
[00:37:56] e tem a pessoa
[00:37:58] independente do espectro político
[00:37:59] que não quer mudar
[00:38:00] não
[00:38:01] eu aceito que tenha mudanças
[00:38:03] desde que não me afete
[00:38:04] tudo bem, Kim?
[00:38:05] ok
[00:38:06] perceberam?
[00:38:07] sim
[00:38:07] então ó
[00:38:08] ficou claro pra você
[00:38:09] que existem essas duas personas
[00:38:10] sim
[00:38:12] que eu aceito a mudança
[00:38:13] desde que não me afete
[00:38:14] e que tudo bem
[00:38:15] eu abro mão
[00:38:16] vamos aí
[00:38:17] tá
[00:38:17] existe essas duas pessoas
[00:38:18] e você entende que
[00:38:20] existem pessoas
[00:38:21] desses dois tipos
[00:38:22] tanto na direita
[00:38:23] quanto na esquerda?
[00:38:24] sim
[00:38:24] existe
[00:38:25] tá?
[00:38:26] então não tem a ver
[00:38:27] com direita e esquerda
[00:38:28] tá bom?
[00:38:29] não tem a ver com
[00:38:29] um senso de autopreservação mesmo
[00:38:31] tá?
[00:38:32] e aí quando
[00:38:32] aí eles queriam fazer
[00:38:33] que todo mundo
[00:38:34] os dois grupos
[00:38:35] se convencessem
[00:38:36] a adotar uma certa
[00:38:38] política
[00:38:38] né?
[00:38:40] que
[00:38:40] porque a ideia
[00:38:41] é que o aquecimento global existe
[00:38:43] e todo mundo vai ter que fazer
[00:38:43] alguma coisa
[00:38:44] né?
[00:38:44] e aí eles fizeram
[00:38:46] pros dois grupos
[00:38:47] é
[00:38:47] é
[00:38:48] MySlogans
[00:38:49] textos
[00:38:49] né?
[00:38:50] frases
[00:38:50] coisas do tipo
[00:38:51] né?
[00:38:52] e aí depois avaliaram
[00:38:53] se a pessoa era a favor
[00:38:54] ou não da política
[00:38:55] tá?
[00:38:56] quando a
[00:38:57] semiótica
[00:38:58] né?
[00:38:59] da construção das frases
[00:39:01] das coisas
[00:39:02] era customizada
[00:39:04] a partir da expectativa
[00:39:06] inicial da pessoa
[00:39:06] então
[00:39:07] eu sou uma pessoa
[00:39:08] que quer reduzir
[00:39:09] a desigualdade
[00:39:10] então o que que eu faço?
[00:39:11] eu crio num argumento
[00:39:12] da mensagem
[00:39:13] a premissa
[00:39:14] de que
[00:39:15] se essa atitude
[00:39:16] for feita
[00:39:17] vai reduzir
[00:39:18] a desigualdade
[00:39:18] tudo bem?
[00:39:20] então o argumento
[00:39:21] da mensagem
[00:39:22] bate com o que você
[00:39:23] acredita
[00:39:23] tem como valor
[00:39:24] né?
[00:39:26] é
[00:39:26] quando isso acontece
[00:39:27] quando você customiza
[00:39:28] a mensagem
[00:39:29] pro indivíduo
[00:39:30] 75% das pessoas
[00:39:32] assinariam
[00:39:33] uma petição
[00:39:34] para ter essa
[00:39:35] lei
[00:39:36] né?
[00:39:37] pelo menos discutida
[00:39:39] tá?
[00:39:40] quando não era
[00:39:40] customizado
[00:39:41] tipo
[00:39:42] era uma mensagem
[00:39:43] padrão
[00:39:43] pra todo mundo
[00:39:44] só 20% das pessoas
[00:39:46] faziam a petição
[00:39:47] independente
[00:39:48] se ela era liberal
[00:39:49] ou conservadora
[00:39:49] certo
[00:39:51] tudo bem?
[00:39:52] então esse é o segundo ponto
[00:39:53] você tem que partir
[00:39:54] da pessoa
[00:39:55] então
[00:39:55] primeira coisa
[00:39:57] é você perguntar
[00:39:58] tipo
[00:39:58] o que que você acredita?
[00:40:00] pergunta pra pessoa
[00:40:00] o que que você acha?
[00:40:01] a pessoa fala
[00:40:02] um monte de coisa
[00:40:03] o que que ela acha?
[00:40:04] beleza
[00:40:04] a partir do que ela acha
[00:40:06] você vai construir
[00:40:07] frases
[00:40:08] usando
[00:40:09] usando o que ela acredita
[00:40:11] como uma consequência
[00:40:12] então
[00:40:13] ah não
[00:40:14] você acredita que
[00:40:15] tipo
[00:40:16] por exemplo
[00:40:16] você é uma pessoa
[00:40:17] muito ti
[00:40:18] né?
[00:40:19] então
[00:40:19] e você faz parte
[00:40:21] de um teísmo
[00:40:22] estruturado
[00:40:23] por uma instituição
[00:40:23] né?
[00:40:24] então
[00:40:24] você tem uma certa
[00:40:26] crença religiosa
[00:40:27] né?
[00:40:28] então eu acredito
[00:40:29] que todo mundo
[00:40:30] que tem essa crença
[00:40:30] segue os preceitos
[00:40:31] os cânones e tal
[00:40:32] são pessoas melhores
[00:40:34] e se todo mundo
[00:40:35] seguir isso
[00:40:36] vai dar certo
[00:40:36] tudo bem?
[00:40:38] ok
[00:40:38] então assim
[00:40:39] a gente tem uma
[00:40:41] uma massa
[00:40:41] uma massa grande
[00:40:42] de pessoas
[00:40:43] que é ateísta
[00:40:44] na população
[00:40:45] e mesmo com crítica
[00:40:46] elas tem essa perspectiva
[00:40:47] mesmo
[00:40:48] né?
[00:40:49] de que ah
[00:40:49] se todo mundo pensa
[00:40:50] como eu penso
[00:40:51] e acho que vai dar certo
[00:40:52] tá?
[00:40:53] e não tem certo
[00:40:54] e errado nisso
[00:40:54] tá?
[00:40:55] mas se você constrói
[00:40:56] uma mensagem
[00:40:57] que tem como consequência
[00:40:59] isso
[00:41:00] ou algo ligado a isso
[00:41:01] a pessoa tende
[00:41:02] a aderir mais
[00:41:03] a mudar
[00:41:04] de ideia
[00:41:05] mais um pouquinho
[00:41:05] não é que ela vai
[00:41:07] por outro lado
[00:41:07] mas ela
[00:41:08] tipo ganha
[00:41:09] você ganha 10% dela
[00:41:10] sabe?
[00:41:11] alguma coisa assim
[00:41:12] tanto é que o artigo mostra
[00:41:13] que numa escala
[00:41:14] de 0 a 10
[00:41:15] né?
[00:41:16] as pessoas migravam
[00:41:17] em média
[00:41:17] um ponto e meio
[00:41:19] tá?
[00:41:20] entre aspas
[00:41:21] você mudava
[00:41:22] meio que 15%
[00:41:24] a opinião dela
[00:41:24] tá?
[00:41:26] mais ou menos
[00:41:26] ok
[00:41:26] então tem a
[00:41:27] agora tem a
[00:41:28] terceira e última estratégia
[00:41:30] né?
[00:41:31] a terceira estratégia
[00:41:32] desse framing
[00:41:33] né?
[00:41:34] então primeiro
[00:41:34] o foco em como
[00:41:35] as coisas são
[00:41:36] ao invés de porque
[00:41:37] a pessoa tem a crença
[00:41:38] o segundo
[00:41:39] construir um argumento
[00:41:41] a partir do ponto de vista
[00:41:42] da pessoa
[00:41:43] o segundo
[00:41:43] e o terceiro
[00:41:45] a a a
[00:41:46] isso é uma coisa
[00:41:47] mais recente
[00:41:47] né?
[00:41:47] é a grande
[00:41:49] importância
[00:41:50] da estratégia
[00:41:50] corpo a corpo
[00:41:51] tem que ser físico
[00:41:53] tá?
[00:41:54] por isso que no
[00:41:54] online não funciona
[00:41:56] no online
[00:41:57] é muito difícil
[00:41:58] funcionar
[00:41:59] tá?
[00:41:59] é é
[00:42:00] você lembra quem
[00:42:01] hoje é muito menos frequente
[00:42:02] mas é
[00:42:03] pelo menos
[00:42:03] nas grandes capitais
[00:42:04] você lembra das pessoas
[00:42:06] no passado
[00:42:06] as pessoas batiam
[00:42:07] na sua porta
[00:42:07] você gostaria de ouvir
[00:42:08] a palavra de nosso senhor?
[00:42:10] sim
[00:42:10] que virou até um meme
[00:42:11] lembra?
[00:42:12] né?
[00:42:13] testemunho de Jeová
[00:42:14] essas coisas todas
[00:42:14] né?
[00:42:15] então o
[00:42:16] tem os artigos mais recentes
[00:42:17] que mostram que isso
[00:42:18] é razoavelmente efetivo
[00:42:20] a estratégia
[00:42:21] corpo a corpo
[00:42:22] e aí tem um artigo
[00:42:23] da Science
[00:42:24] fantástico
[00:42:25] fantástico
[00:42:26] uma sacada muito boa
[00:42:27] é
[00:42:28] também 2016
[00:42:29] que é sobre essa estratégia
[00:42:31] tá?
[00:42:32] o corpo a corpo
[00:42:32] então eles fizeram assim
[00:42:33] foi na Flórida
[00:42:34] nos Estados Unidos
[00:42:35] eles pegaram 500 pessoas
[00:42:37] lá
[00:42:37] por setor
[00:42:39] e tal
[00:42:39] dividiram bonitinho
[00:42:40] né?
[00:42:41] aí eles foram
[00:42:41] assim o
[00:42:42] pesquisador
[00:42:43] ou os pesquisadores
[00:42:44] foram na casa da pessoa
[00:42:45] batia na porta
[00:42:46] né?
[00:42:46] a pessoa abria
[00:42:47] né?
[00:42:48] e aí chegavam pra ela
[00:42:49] e faziam
[00:42:51] pra ela um discurso
[00:42:53] assim
[00:42:53] não um discurso
[00:42:55] evangelizador
[00:42:56] mas fazer esse discurso
[00:42:57] assim
[00:42:57] tipo
[00:42:58] porque o objetivo
[00:42:59] da pesquisa
[00:43:00] era reduzir
[00:43:01] o preconceito
[00:43:02] contra
[00:43:03] transgêneros
[00:43:04] tá?
[00:43:06] na época
[00:43:06] 2016
[00:43:07] tinha uma grande discussão
[00:43:08] sobre isso
[00:43:08] e eles queriam reduzir
[00:43:10] o preconceito
[00:43:11] contra transgêneros
[00:43:12] tá?
[00:43:13] e aí eles queriam saber
[00:43:14] se essa estratégia
[00:43:14] corpo a corpo
[00:43:15] ajudava
[00:43:16] né?
[00:43:17] aí eles faziam lá
[00:43:17] batia na porta
[00:43:18] da pessoa
[00:43:18] e conversavam
[00:43:20] sobre isso
[00:43:20] só que assim
[00:43:21] conversar não é
[00:43:22] tipo
[00:43:22] tem um método
[00:43:24] pra fazer isso
[00:43:25] né?
[00:43:25] tem uma
[00:43:25] uma estratégia
[00:43:27] né?
[00:43:27] pra fazer isso
[00:43:28] de entrevista
[00:43:29] não é só dar um
[00:43:30] o lero
[00:43:31] tem essa perspectiva
[00:43:32] de ação analógica
[00:43:33] que eles fizeram
[00:43:34] como que era
[00:43:35] essa estratégia
[00:43:35] que eles fizeram
[00:43:36] com a pessoa?
[00:43:37] eles se apresentavam
[00:43:38] falavam tal
[00:43:38] explicavam o objetivo
[00:43:40] da pesquisa
[00:43:40] né?
[00:43:41] só que aí falavam
[00:43:42] pra pessoa assim
[00:43:43] né?
[00:43:43] não pedia a opinião dela
[00:43:44] falava pra ela assim
[00:43:45] olha
[00:43:46] é
[00:43:47] imagine
[00:45:47] Tesla assinaria
[00:45:49] tá?
[00:45:49] e uma proporção
[00:45:50] e aí tem
[00:45:51] esse é um grupo
[00:45:51] né?
[00:45:52] um grupo de pessoas
[00:45:53] fez esse
[00:45:54] essa entrevista
[00:45:55] onde você tinha que contar
[00:45:56] uma história
[00:45:56] sobre você mesmo
[00:45:58] e tem um outro grupo
[00:45:59] de 500 pessoas
[00:46:00] que eles foram lá na casa
[00:46:02] mediram também
[00:46:02] os três meses
[00:46:03] só que era uma conversa
[00:46:04] sobre reciclagem
[00:46:05] e a pessoa não contava
[00:46:07] nada dela
[00:46:07] tipo era o grupo controle
[00:46:08] né?
[00:46:10] e aí quando você compara
[00:46:11] esse grupo manipulado
[00:46:12] com o grupo controle
[00:46:13] né?
[00:46:14] o grupo com a intervenção
[00:46:15] quase quatro vezes
[00:46:17] mais pessoas
[00:46:17] Pessoas assinariam um termo
[00:46:21] dizendo que dão suporte à discussão
[00:46:23] sobre leis anti-discriminação.
[00:46:26] Muito interessante, não é, Ken?
[00:46:28] Muito interessante.
[00:46:29] Muito.
[00:46:29] Embora a gente saiba,
[00:46:30] o disclaimer que você fez logo no início do episódio,
[00:46:34] que isso não tem a ver com persuasão publicitária.
[00:46:38] Isso.
[00:46:38] Mas eu fico aqui imaginando
[00:46:40] que isso também deve ter valer de alguma forma,
[00:46:46] por exemplo, para a venda porta-a-porta
[00:46:48] versus tentar vender a mesma coisa online.
[00:46:52] Talvez.
[00:46:53] Talvez.
[00:46:53] Porque talvez no presencial
[00:46:56] você conseguisse emular essa abordagem.
[00:47:00] Sim.
[00:47:01] Será que a gente vai ter a volta dos caixeiros viajantes?
[00:47:04] Hein, Ken?
[00:47:05] Será?
[00:47:06] Dos mascates?
[00:47:07] É verdade.
[00:47:09] Tem uma questão de persuasão também,
[00:47:11] mas essa pesquisa foi feita com percepção de valor.
[00:47:14] Sim.
[00:47:14] Então,
[00:47:15] mostra o quão interessante isso é, né?
[00:47:19] De novo,
[00:47:20] você não muda a opinião do outro,
[00:47:21] mas você move um pouquinho, né?
[00:47:23] Certo.
[00:47:23] E conforme você vai movendo,
[00:47:25] com o passar do tempo,
[00:47:26] em grande população,
[00:47:27] vai tendo um efeito multiplicativo,
[00:47:30] mas não no indivíduo,
[00:47:31] mas na média deles.
[00:47:33] Entendi.
[00:47:33] Então, esse efeito de mudança,
[00:47:35] a gente só vai ver com muito tempo,
[00:47:38] muita repetição,
[00:47:38] mas é um efeito escalável.
[00:47:40] Mas é escalável na média da população,
[00:47:42] não nos indivíduos.
[00:47:44] Tá?
[00:47:45] Por isso tem que fazer parte, por exemplo,
[00:47:46] da educação,
[00:47:47] de um processo educacional.
[00:47:49] Então, você pedir para a pessoa,
[00:47:50] me conta uma situação
[00:47:51] parecida com uma situação
[00:47:53] de um grupo que você não conhece.
[00:47:56] Então, por exemplo,
[00:47:57] eu sei, sei lá,
[00:47:58] pessoas transgêneras, em geral,
[00:48:01] são marginalizadas por uma série de razões.
[00:48:03] E muitas pessoas não conhecem essa realidade.
[00:48:06] Se você pergunta,
[00:48:07] pede para uma pessoa contar
[00:48:09] alguma situação em que ela se sentiu excluída,
[00:48:13] e quando ela conta essa situação,
[00:48:15] ela se sente excluída,
[00:48:16] ela consegue ter empatia
[00:48:18] dessa sensação do corpo
[00:48:20] com um mecanismo de exclusão
[00:48:22] que pode acontecer em outros grupos
[00:48:24] por outras razões.
[00:48:26] Isso não muda a sua opinião,
[00:48:28] mas mexe um pouco.
[00:48:29] E é o que importa.
[00:48:29] Certo.
[00:48:30] E é o que importa.
[00:48:32] Isso tem muito a ver com o nosso
[00:48:33] Daruhodo 285,
[00:48:34] porque outras pessoas não entendem coisas
[00:48:37] que são óbvias para nós.
[00:48:39] Essa estratégia da perspectiva de ação analógica
[00:48:41] é muito interessante.
[00:48:42] E aí, um último trabalho,
[00:48:45] para encerrar o episódio,
[00:48:46] nessa perspectiva também,
[00:48:47] tem a ver com uma coisa bem atual.
[00:48:51] Eu não sei se você sabe quem,
[00:48:53] mas a Turquia tem o maior êxodo
[00:48:57] do mundo moderno,
[00:48:58] o maior êxodo de refugiados da história,
[00:49:01] por conta da Síria.
[00:49:03] Então, Bachar Al-Assad,
[00:49:05] a desgraça daquela ditadura na Síria,
[00:49:08] há mais de uma década,
[00:49:10] tem uma enorme pressão migratória
[00:49:12] dos sírios para a Turquia.
[00:49:14] A Turquia,
[00:49:15] tem cerca de 80 milhões de pessoas hoje,
[00:49:17] mais de 10% da população
[00:49:19] é imigrante refugiada.
[00:49:25] Então, imagina a pressão
[00:49:26] dessa população
[00:49:27] nos sistemas de educação,
[00:49:29] nos sistemas de saúde,
[00:49:30] e tem pessoas que são refugiadas
[00:49:32] há 10 anos lá.
[00:49:34] Principalmente o sul da Turquia,
[00:49:36] recentemente,
[00:49:36] coisa de um mês e pouco atrás,
[00:49:38] tivemos um fortíssimo terremoto
[00:49:40] ali na região do sul,
[00:49:41] que inclusive atacou Alepo
[00:49:43] e o sul da Turquia,
[00:49:44] o meio sul da Turquia.
[00:49:46] Infelizmente, fui testemunho ocular,
[00:49:48] mas foi terrível.
[00:49:50] Mas, estive lá em algumas regiões,
[00:49:53] mostra a Mazela,
[00:49:54] que é aquela região,
[00:49:56] não só pelas tensões locais,
[00:49:58] étnicas e políticas,
[00:50:01] mas também por toda a questão
[00:50:03] política da região.
[00:50:05] Terrível.
[00:50:06] Muita força ao povo turco
[00:50:08] e ao povo sírio também.
[00:50:11] E aí tem um trabalho muito interessante
[00:50:12] que fizeram,
[00:50:13] de um trabalho de sociólogos,
[00:50:16] antropólogos e tal,
[00:50:18] sobre educação para aceitar o diferente
[00:50:21] na Turquia.
[00:50:23] Por quê?
[00:50:23] Porque tem uma pressão muito grande agora
[00:50:25] no ambiente educacional,
[00:50:27] começou a aumentar muito o bullying
[00:50:28] contra imigrante,
[00:50:30] óbvio,
[00:50:31] porque tem muitos imigrantes nas escolas.
[00:50:34] E aí é um trabalho muito interessante,
[00:50:36] que eles fizeram exatamente
[00:50:37] essa estratégia nas escolas.
[00:50:39] Começaram a fazer grupos
[00:50:41] e pedir para as crianças
[00:50:42] imaginarem,
[00:50:43] em situações onde elas se sentiram
[00:50:45] marginalizadas, excluídas,
[00:50:47] não se sentindo pertencentes
[00:50:48] a uma certa comunidade.
[00:50:51] As crianças contavam essa situação
[00:50:53] e isso facilitava muito
[00:50:54] o entendimento da situação do imigrante.
[00:50:57] E aí reduzia muito as tensões.
[00:51:00] E esse tipo de estratégia
[00:51:01] é muito eficaz em criança.
[00:51:04] Criança até 12 anos,
[00:51:05] muito eficaz.
[00:51:06] Diminui muito, posteriormente,
[00:51:09] a incidência de pensamento xenófobo e tal.
[00:51:12] Então,
[00:51:13] essa ideia da perspectiva de ação analógica
[00:51:15] é muito eficaz,
[00:51:17] sobretudo feita em escolas.
[00:51:18] E a gente colhe os impactos depois
[00:51:20] de forma muito sustentável.
[00:51:22] Não é interessante, Ken?
[00:51:23] Eu não sei de vocês,
[00:51:24] mas isso é uma coisa fantástica.
[00:51:26] Não é?
[00:51:26] Muito, muito interessante.
[00:51:28] E também estou interessado em
[00:51:30] saber como é que,
[00:51:34] se isso também pode ser aplicado
[00:51:36] em outras situações.
[00:51:39] A técnica pode ser aplicada
[00:51:40] em outras situações,
[00:51:41] falta pesquisa.
[00:51:42] Mas, de novo,
[00:51:42] volta no começo do episódio,
[00:51:44] que essa é uma pesquisa
[00:51:45] que tem no máximo 20 anos
[00:51:46] por conta do efeito da internet.
[00:51:49] Então, são formas de contra-resistência,
[00:51:51] de contra-persuasão,
[00:51:53] de resistência à persuasão, na verdade.
[00:51:56] E aí, a resistência à persuasão
[00:51:58] por conta da persuasão da internet
[00:52:00] passa por efeitos fora da internet.
[00:52:03] Sobretudo corpo a corpo,
[00:52:05] em estratégias no foco no como
[00:52:07] as coisas são ao invés de porquê,
[00:52:09] e também em construção de argumentos
[00:52:11] a partir dos valores,
[00:52:12] a partir dos valores das pessoas.
[00:52:14] A partir do valor da pessoa.
[00:52:16] E alguma hipótese, Altair,
[00:52:18] de por que o analógico faz tanta diferença?
[00:52:21] Tem a ver com a diferença entre
[00:52:22] empatia e alteridade, né?
[00:52:24] Então, quando eu pego uma característica
[00:52:28] de um certo grupo,
[00:52:29] que você não faz parte,
[00:52:31] e eu peço para você contar uma história
[00:52:32] onde o sentimento,
[00:52:35] por exemplo,
[00:52:36] imagina um grupo marginalizado.
[00:52:39] A gente já tem bem descrito
[00:52:41] pessoas que são marginalizadas,
[00:52:42] sofrem com certas coisas, né?
[00:52:45] E aí eu peço para você
[00:52:47] me contar uma história de algo na sua vida
[00:52:49] onde você sentiu essas coisas
[00:52:51] que os marginalizados sentem,
[00:52:53] por exemplo.
[00:52:54] Vai te dar essa conexão.
[00:52:56] A ideia é que te dá essa proximidade.
[00:52:58] Fala, nossa, se isso aconteceu comigo e foi tão ruim,
[00:53:00] essa pessoa deve estar se sentindo assim.
[00:53:03] Não gera
[00:53:04] alteridade, né?
[00:53:06] Mas pelo menos uma ligação de empatia
[00:53:08] para você tentar se aproximar a 10%,
[00:53:10] já é o começo.
[00:53:11] A alteridade,
[00:53:12] a alteridade vai ser criada com contato
[00:53:14] subsequente, constante,
[00:53:16] aí a mudança se cria.
[00:53:18] Mas é sempre um processo.
[00:53:20] O mesmo processo que fez você ser o bicho zoado
[00:53:23] que você é,
[00:53:24] para você deixar de ser o bicho zoado que você é,
[00:53:26] é outro processo.
[00:53:28] Então não tem bala de prata,
[00:53:30] não tem solução mágica para isso.
[00:53:32] Então assim, a conclusão, e aí a gente termina
[00:53:34] com o outro título
[00:53:36] do episódio,
[00:53:38] o que é melhor, ter razão ou ser feliz?
[00:53:40] É assim,
[00:53:42] assim, na verdade
[00:53:44] o melhor é ser feliz, né?
[00:53:46] Mas se você quiser ter razão, pelo menos
[00:53:48] agora a gente desenvolveu um método,
[00:53:51] saiba que esse método
[00:53:52] vai te ajudar a ter um pouco mais de razão,
[00:53:54] convencer a pessoa,
[00:53:56] mas é muito pouco e tem que ser
[00:53:58] sustentado. Se você tiver paciência,
[00:54:01] ajuda, né?
[00:54:02] Mas contamos com a paciência e
[00:54:03] que você abra mão de um pouco da felicidade
[00:54:06] para que essa felicidade
[00:54:08] seja distribuída para a coletividade
[00:54:10] e não apenas para você
[00:54:11] se isolar.
[00:54:12] E tentando ser feliz em realidades paralelas
[00:54:15] e ilusórias, não é verdade?
[00:54:17] É, tá certíssimo, Altair!
[00:54:19] E Naruhodô,
[00:54:21] ilustríssimo ouvinte!
[00:54:24] E você já sabe, aqui no Naruhodô
[00:54:27] quem faz a pauta é você!
[00:54:29] Você tem alguma pergunta pra gente
[00:54:30] ou quer comentar algum episódio?
[00:54:32] Escreva pra nós!
[00:54:33] podcast.naruhodô.com.br
[00:54:36] Repetindo!
[00:54:37] podcast.naruhodô.com.br
[00:54:40] E lembre-se, mande nome completo
[00:54:42] idade, profissão e a cidade
[00:54:44] de onde você está falando.
[00:54:46] É isso aí!
[00:54:46] NARUHODÔ
[00:54:51] Este podcast é apresentado por
[00:54:58] p9.com.br
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