Ludwig Feuerbach, filósofo da libertação


Resumo

Este episódio apresenta a vida e obra de Ludwig Feuerbach, filósofo alemão do século XIX conhecido por sua crítica radical à religião. A tese central de Feuerbach é que a teologia é uma antropologia invertida: tudo o que as religiões atribuem a Deus refere-se, na verdade, à essência humana projetada para fora. Sua principal obra, A Essência do Cristianismo (1841), argumenta que Deus é uma projeção das qualidades humanas (amor, bondade, poder) e que a religião é uma forma de alienação onde o homem não se reconhece em sua própria criação divina.

A influência de Feuerbach em Karl Marx e Friedrich Engels é destacada como fundamental. Engels afirmou que “todos nós éramos, naquele momento, Feuerbachianos”. Marx, em cartas a Feuerbach, expressou grande admiração e afirmou que ele havia dado “um fundamento filosófico ao socialismo”. As famosas Teses sobre Feuerbach de Marx surgem desse diálogo crítico, embora Feuerbach tenha recusado colaborar mais diretamente com Marx e Engels, considerando já ter alcançado o ápice de sua investigação filosófica com a crítica da religião.

O episódio também aborda o contexto biográfico de Feuerbach: sua formação teológica e filosófica, seu afastamento de Hegel, seu casamento e vida em Bruckberg, seu engajamento ao lado dos revolucionários em 1848 e seus anos finais de pobreza em Nuremberg. É mencionado seu envolvimento com o nascente movimento social-democrata e seu funeral, que reuniu milhares de trabalhadores.

Além da relação com Marx, são exploradas as conexões do pensamento de Feuerbach com outros autores. Sua caracterização da religião como “ilusão” antecipa a análise de Sigmund Freud em O Futuro de uma Ilusão. Sua proclamação do ateísmo prático da modernidade ecoa a “morte de Deus” anunciada por Nietzsche. Nos seus últimos anos, influenciado pela leitura de Marx, Feuerbach passou a relacionar a moral e a virtude diretamente com as condições materiais de existência, superando as éticas abstratas de Kant e Fichte.

A conclusão reforça a importância duradoura de Feuerbach: sua filosofia da libertação, centrada no princípio de que “o homem é o ser supremo para o homem”, foi uma condição necessária para o desenvolvimento do materialismo histórico de Marx e Engels, e suas ideias continuam relevantes para compreender as lutas emancipatórias do presente.


Indicações

Cursos

  • Introdução à Filosofia dos Pré-Socráticos à Sartre — Curso oferecido pelo podcast, com mais de 14 horas de duração. Tem o objetivo de colocar o aluno em contato direto com textos de filósofos como Platão, Aristóteles, Hegel, Marx, Nietzsche, entre outros.
  • A Filosofia de Karl Marx, Uma Introdução — Curso do apresentador sobre Karl Marx, com mais de 8 horas de duração. Foca especificamente na filosofia de Marx, abordando temas como materialismo histórico, dialética, religião como ópio do povo e a revolução.

Livros

  • A Essência do Cristianismo — Obra principal de Ludwig Feuerbach, publicada em 1841. Nela, ele desenvolve a tese de que Deus é uma projeção das qualidades humanas e que a teologia é, na verdade, uma antropologia invertida.
  • Reflexões sobre a Morte e a Imortalidade — Obra de Feuerbach de 1830, publicada anonimamente. Neste livro, ele se opõe à crença na imortalidade e deixa claro seu rompimento com o cristianismo.
  • Fundamentos da Filosofia — Obra de Feuerbach publicada em 1843. Nela, ele define o homem como um ser social, cuja essência não está no indivíduo isolado, mas na comunidade. Esta obra aumentou a admiração de Marx por ele.
  • O Futuro de uma Ilusão — Obra de Sigmund Freud mencionada no episódio. O apresentador afirma que Freud chega às mesmas conclusões de Feuerbach, vendo a religião como uma ilusão que surge de desejos infantis de proteção.
  • O Capital — Obra de Karl Marx. É mencionado que, nos seus anos finais, Feuerbach estudou esta obra e que as descobertas de Marx na economia política influenciaram seu pensamento ético posterior.

Locais

  • Johannes Friedhof (Cemitério de Nuremberg) — Cemitério em Nuremberg onde Ludwig Feuerbach foi enterrado. Seu funeral reuniu milhares de pessoas com bandeiras vermelhas, e seu túmulo ainda recebe flores anualmente.

Pessoas

  • Georg Wilhelm Friedrich Hegel — Filósofo alemão. Feuerbach inicialmente ouviu suas lições com entusiasmo em Berlim, mas depois se tornou um crítico de seu pensamento.
  • Giordano Bruno — Filósofo e cosmólogo italiano. Feuerbach ocupou-se de suas obras durante sua formação e carregou sua influência por toda a vida.
  • Friedrich Wilhelm Joseph Schelling — Filósofo alemão. Marx convidou Feuerbach para escrever uma crítica a Schelling, que na época era visto como um filósofo conservador usado pelo governo para sufocar a influência de Hegel.
  • Søren Kierkegaard — Filósofo cristão dinamarquês. É mencionado que suas críticas ao cristianismo nominal de sua época têm relação com a ideia de Feuerbach sobre o ‘ateísmo prático’ dos que se dizem crentes.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Introdução a Ludwig Feuerbach e sua tese central — Apresentação do episódio sobre Ludwig Feuerbach, descrito como “filósofo da libertação”. É estabelecida sua tese básica: a teologia é uma antropologia invertida, onde tudo o que se fala sobre Deus refere-se, na verdade, à essência do homem. O episódio promete abordar sua vida, sua obra principal A Essência do Cristianismo e sua influência em Karl Marx.
  • 00:03:29A importância e influência de Feuerbach no século XIX — Destaca-se a dificuldade de encontrar um movimento emancipatório do século XIX que não tenha sido influenciado por Feuerbach. Karl Marx e Friedrich Engels são apontados como os principais divulgadores de seu pensamento, embora tenham, involuntariamente, ofuscado sua importância. Compreender Feuerbach é apresentado como crucial para entender as origens do marxismo e as lutas do presente.
  • 00:04:35Biografia e formação intelectual de Feuerbach — Descrição da vida de Ludwig Feuerbach: nascimento em 1804, família protestante e intelectual, estudos iniciais em teologia em Heidelberg e posterior mudança para filosofia. Sua passagem por Berlim, onde ouviu Hegel, e por Erlangen, onde se tornou crítico do hegelianismo. A publicação anônima de Reflexões sobre a Morte e a Imortalidade (1830), marcando seu rompimento com o cristianismo.
  • 00:07:10Vida pessoal e período produtivo em Bruckberg — Casamento com Bertha Löw e mudança para o castelo da família dela em Bruckberg. Feuerbach buscava equilíbrio na natureza e aprendia com os camponeses, como expresso na citação: “Lógica, eu aprendo em uma universidade alemã, mas ótica, a arte de ver, isso eu aprendo em um vilarejo alemão”. Este foi um período de grande produtividade intelectual.
  • 00:08:07Antropologia no lugar da Teologia: o centro do pensamento — Exploração do materialismo antropológico de Feuerbach. Sua filosofia tinha como tarefa central desenvolver o ser humano, lutando contra a opressão e defendendo uma vida digna “aqui e agora”, não no céu. Ele também se posicionava a favor dos direitos das mulheres. A religião é vista como a expressão infantil do homem, originada no desejo.
  • 00:09:03A Essência do Cristianismo e o conceito de projeção — Análise da obra principal de Feuerbach (1841). Ele argumenta que Deus é uma projeção das qualidades humanas (amor, bondade, poder). Nesse processo de projeção, o homem se aliena de sua própria essência, passando a ver Deus como um ser externo e independente. O último capítulo da obra conclui que “o segredo da teologia é a antropologia”.
  • 00:10:38Relações com Freud e Nietzsche — A caracterização da religião como “ilusão” por Feuerbach antecipa a obra de Sigmund Freud, O Futuro de uma Ilusão, que também vê a religião surgindo de desejos infantis de proteção. Da mesma forma, o “ateísmo prático” proclamado por Feuerbach aproxima-se da proclamação da “morte de Deus” por Nietzsche, referindo-se ao papel irrelevante de Deus na vida prática moderna.
  • 00:12:36A importância do método ateísta para Marx e Engels — O ateísmo consciente de Feuerbach foi fundamental para Marx e Engels. Em uma carta de 1843, Marx afirma que seu objetivo era o mesmo de Feuerbach: “trazer as questões religiosas e políticas na forma humana autoconsciente”. Feuerbach via o ateísmo moderno como prático e inconsciente; sua contribuição foi reconhecê-lo e proclamá-lo abertamente.
  • 00:18:30A recepção entusiástica por Marx e Engels — Engels descreve o efeito libertador de A Essência do Cristianismo: “O entusiasmo foi geral. Todos nós éramos, naquele momento, Feuerbachianos”. A admiração de Marx aumentou com a obra Fundamentos da Filosofia (1843), onde Feuerbach define o homem como um ser social, cuja essência está na comunidade, não no indivíduo isolado.
  • 00:19:48As cartas de Marx a Feuerbach e a recusa em colaborar — Marx escreve a Feuerbach em 1843 e 1844, convidando-o para colaborar em seus jornais e expressando “alta consideração” e “amor”. Na segunda carta, Marx afirma que Feuerbach “deu, não sei se de maneira consciente, um fundamento filosófico ao socialismo”. Feuerbach recusou ambas as propostas, pois considerava ter atingido o ápice de sua investigação filosófica e não podia mudar seu foco de pesquisa.
  • 00:24:03Engajamento político e anos finais de Feuerbach — Feuerbach apoiou a Revolução de 1848, o que lhe trouxe problemas com as autoridades. Após a derrota, foi vigiado pela polícia. Empobrecido após a falência da fábrica da família de sua esposa, mudou-se para Rechenberg (Nuremberg) em 1860. Nos seus últimos anos, aproximou-se do proletariado, estudou O Capital de Marx e passou a relacionar a moral diretamente com as condições materiais de vida.
  • 00:27:20Morte, funeral e legado de Feuerbach — Feuerbach faleceu em 1872, filiado ao partido social-democrata. Seu funeral reuniu entre 6 e 10 mil pessoas, um mar de bandeiras vermelhas, correspondendo a cerca de 10% da população local. Seu túmulo em Nuremberg ainda recebe flores anualmente. O episódio conclui que, assim como o marxismo divulgou Feuerbach, a filosofia de Feuerbach (o princípio de que “o homem é o ser supremo para o homem”) foi uma condição necessária para o materialismo histórico de Marx e Engels.

Dados do Episódio

  • Podcast: Filosofia Vermelha
  • Autor: Glauber Ataide
  • Categoria: Society & Culture Philosophy
  • Publicado: 2023-05-02T08:00:21Z
  • Duração: 00:29:39

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Olá, amigos e amigas do Saber. Neste episódio de hoje falaremos sobre Ludwig Feuerbach, filósofo da libertação.

[00:00:09] Feuerbach elaborou uma das mais sofisticadas críticas ao cristianismo e sua obra foi de fundamental importância para Karl Marx.

[00:00:18] A tese básica de Feuerbach é a de que a teologia é uma antropologia invertida

[00:00:24] e que tudo o que as religiões falam sobre Deus se refere, na verdade, à própria essência do homem.

[00:00:31] Em nossa exposição falaremos um pouco sobre a vida de Feuerbach, as principais ideias de sua obra A Essência do Cristianismo

[00:00:38] e a grande admiração de Karl Marx por este filósofo. Então vamos lá, acompanhe.

[00:00:54] Antes de iniciar, um breve recado. Faça sua inscrição em nosso curso de Introdução à Filosofia dos Pré-Socráticos à Sartre.

[00:01:04] Nosso curso tem mais de 14 horas de duração, oferece total flexibilidade, pois não há data nem de início e nem de término e você ainda recebe um certificado ao final.

[00:01:14] O nosso objetivo com este curso é colocar você em contato direto com alguns dos principais textos de toda a história da filosofia.

[00:01:22] Então, ao invés de ler comentadores…

[00:01:24] ou literatura secundária falando sobre os filósofos, os nossos vídeos vão te preparar para ler diretamente textos de Platão, Aristóteles, Sêneca, Marco Aurélio, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, René Descartes, Immanuel Kant, Hegel, Marx, Nietzsche, Sartre, etc.

[00:01:43] Para mais informações, acesse o link que está na descrição deste episódio ou então o link que você pode encontrar em nosso site que é www.filosofiaeps.org.

[00:01:54] O nosso segundo e último recado é sobre o meu mais novo curso A Filosofia de Karl Marx, Uma Introdução.

[00:02:03] Este curso tem mais de 8 horas de duração falando apenas sobre Karl Marx.

[00:02:07] E assim como o outro curso de Introdução à Filosofia, o acesso também é vitalício e você pode fazer com total flexibilidade, sem data para iniciar ou finalizar.

[00:02:18] Este não é um curso de introdução ao marxismo.

[00:02:21] O nosso recorte contempla aqui…

[00:02:24] O que significa que aspectos econômicos, por exemplo, não estão no escopo do curso.

[00:02:31] Isso se explica pelo fato de o marxismo ser uma tradição imensa que tem início nas obras de Marx, abrangendo não apenas diversos outros pensadores, mas também várias outras áreas além da filosofia.

[00:02:43] E o nosso objetivo aqui não é abordar outras áreas ou outros pensadores.

[00:02:47] É apenas a filosofia de Karl Marx.

[00:02:50] Alguns dos temas que abordamos neste curso são…

[00:02:53] A biografia de Marx, o que é materialismo histórico, o que é dialética, a afirmação de Marx de que a religião é o ópio do povo, falamos sobre o idealismo alemão,

[00:03:03] a tensão que existe na obra de Marx entre normatividade e descrição, falamos sobre a revolução como exigência da razão e vários outros temas.

[00:03:13] Para saber mais, clique no link que está na descrição deste episódio ou então no link que você encontra em nosso site, mais uma vez, www.filosofiaepsicanal.com.

[00:03:23] Voltemos então ao nosso tema, Ludwig Feuerbach, filósofo da libertação.

[00:03:29] Seria difícil encontrar um movimento emancipatório do século XIX que não tenha sido influenciado de uma forma ou de outra por Ludwig Andreas Feuerbach.

[00:03:39] Os dois autores deste período que mais projetaram o nome de Feuerbach foram Karl Marx e Friedrich Engels.

[00:03:47] O primeiro, Karl Marx, com as suas famosas teses sobre Feuerbach.

[00:03:51] E o segundo, com a obra…

[00:03:53] O que acontece é que os pais do socialismo científico, Marx e Engels, se tornaram tão grandes que, ao mesmo tempo em que divulgaram o nome de Feuerbach,

[00:04:05] acabaram também, involuntariamente, ofuscando aquele filósofo sem o qual a obra dos dois não teria sido possível.

[00:04:13] Compreender a obra de Feuerbach é importante hoje não apenas para mergulhar no caldo cultural do qual surgiu Marx, Engels e o marxismo,

[00:04:23] mas também para compreender melhor as lutas do presente que, na maioria das vezes, ainda são as mesmas enfrentadas por estes autores.

[00:04:31] Vamos começar falando um pouco então sobre a vida de Feuerbach.

[00:04:35] Seu nome é Ludwig Andreas Feuerbach e ele nasceu em 28 de julho de 1804 em uma cidade chamada Landshut na Alemanha.

[00:04:45] A família era protestante e carregava os valores progressistas do pai, que é o famoso jurista…

[00:04:53] O nosso Ludwig teve sete irmãos, sendo vários deles bem-sucedidos em suas áreas de atuação.

[00:05:02] Então, na família de Feuerbach havia um arqueólogo, um matemático, um jurista, um linguista e um filósofo.

[00:05:09] De modo que os Feuerbach eram praticamente uma sociedade científica em família.

[00:05:15] Ludwig concluiu seus estudos, do que a gente poderia chamar de ensino médio no Brasil, na cidade de Ansbach, em 1804.

[00:05:23] E no ano seguinte, começou a estudar teologia em Heidelberg.

[00:05:28] Feuerbach se tornava, no entanto, cada vez mais crítico das lições dos teólogos.

[00:05:32] E seu ceticismo aumentava em relação a tudo o que acreditava até então.

[00:05:37] Nesse momento, ele muda de curso e vai estudar filosofia.

[00:05:41] Na cidade de Berlim, ele ouve com entusiasmo as lições de Hegel.

[00:05:46] Mas nos últimos anos de seu curso, ele vai para Erlangen e se torna um crítico de Hegel.

[00:05:52] Ele é um crítico de Hegel.

[00:05:53] A forte tendência para o concreto, para os sentidos e para a percepção se desenvolve em seu pensamento.

[00:05:59] E nesse período, ele se ocupa também das obras de Giordano Bruno, cuja influência ele carregará por toda a vida.

[00:06:06] Em 1829, Feuerbach obteve permissão para lecionar na Universidade de Erlangen, onde ficou somente até 1832.

[00:06:16] Durante esse período, foi publicada anonimamente a sua obra Reflexões sobre a Morte e a Imortalidade,

[00:06:23] de 1830, e nessa obra ele se opõe à crença na imortalidade e deixa claro já ter rompido com o cristianismo.

[00:06:31] Só um pequeno parênteses aqui, eu mencionei essa cidade de Erlangen, é uma cidade vizinha à cidade na qual eu moro,

[00:06:38] que é Nuremberg, na Alemanha.

[00:06:40] Inclusive, por coincidência, quando eu me mudei para cá, eu percebi que aqui na região havia vários monumentos ao filósofo Feuerbach.

[00:06:48] Então, pesquisando, eu vi que ele morava justamente aqui na região onde eu moro.

[00:06:53] Então, mais ou menos num raio de 500 metros, um quilômetro da minha casa, é justamente onde o Feuerbach morou nos seus últimos 12 anos de vida.

[00:07:01] No início dos anos 1830, Feuerbach conhece Bertha Löw, filha de um fabricante de porcelanas já empobrecido.

[00:07:10] Em 12 de novembro de 1837, eles se casam e se mudam para um castelo da família dela, na cidade de Brugberg, a mais ou menos a cerca de 12 quilômetros de Ansbach.

[00:07:22] Lá, o casal teve duas casas.

[00:07:23] Os filhos, uma das quais faleceu ainda criança.

[00:07:26] Ao mesmo tempo em que exercia sua atividade como filósofo e docente, Feuerbach também buscava um equilíbrio na natureza.

[00:07:34] Ele se encontrava com camponeses e se sentava com estes nas tavernas.

[00:07:39] Ele escreveu o seguinte, abre aspas,

[00:07:41] Lógica, eu aprendo em uma universidade alemã, mas ótica, a arte de ver, isso eu aprendo em um vilarejo alemão.

[00:07:49] Fecha aspas.

[00:07:50] Então, os anos em Brugberg foram muitos.

[00:07:53] Muito produtivos.

[00:07:54] E nesse período, apareceram suas obras mais importantes.

[00:07:57] Vamos falar agora sobre uma das principais características do pensamento de Feuerbach, que é

[00:08:02] Antropologia ao invés de Teologia.

[00:08:07] A crítica à religião e o materialismo antropológico de Feuerbach ocupam o centro de seu pensamento.

[00:08:13] Uma das principais tarefas de sua filosofia é construir, é formar, é desenvolver o ser humano.

[00:08:21] Feuerbach se colocava com…

[00:08:23] contra a opressão do homem e defendia uma vida digna, sem pobreza e necessidade.

[00:08:29] Mas, aqui e agora, não depois, no céu.

[00:08:33] Não, uma vida digna, sem pobreza e necessidade, deveria ser conquistada aqui nessa terra, nesta vida.

[00:08:40] A ideia religiosa da imortalidade, para Feuerbach, não era nada mais que o desejo de ter uma vida melhor.

[00:08:47] Feuerbach também se posicionava a favor do direito das mulheres.

[00:08:51] E isso em uma época em que…

[00:08:53] o patriarcalismo era ainda mais forte e dominante.

[00:08:56] Em 1841, Feuerbach publicou sua principal obra, A Essência do Cristianismo.

[00:09:03] Neste livro, ele afirma que Deus é uma projeção das principais qualidades humanas.

[00:09:09] Por exemplo, se os seres humanos são capazes de amar, então Deus é todo amor.

[00:09:15] Se os seres humanos são capazes de bondade, então Deus é todo bom.

[00:09:20] Se os seres humanos possuem alguma força…

[00:09:23] então Deus é todo poderoso.

[00:09:26] Ao se projetar em Deus, no entanto, o homem não se reconhece mais nele.

[00:09:31] Deus é encarado como um ser externo, independente do homem e com vida própria.

[00:09:36] Embora Feuerbach não utilize este termo, ele opera aqui com o conceito hegeliano de alienação,

[00:09:43] ou Entfremdung no alemão, que também seria apropriada por Marx no contexto de sua crítica ao capitalismo.

[00:09:50] No último capítulo dessa obra, Feuerbach conclui da seguinte forma…

[00:09:52] No último capítulo dessa obra, Feuerbach conclui da seguinte forma…

[00:09:53] Nesta obra, provamos que o conteúdo e o objeto da religião são totalmente humanos.

[00:10:01] Provamos que o segredo da teologia é a antropologia, que o segredo do ser divino é o ser humano.

[00:10:08] Fecha aspas.

[00:10:09] A religião, para Feuerbach, é o ser, é a essência infantil do homem.

[00:10:14] Em outras palavras, a religião é o homem enquanto criança, e sua origem se encontra no desejo.

[00:10:21] Vejam só que interessante.

[00:10:23] A essência da fé é que ela é o que o homem deseja.

[00:10:29] Ele deseja ser imortal, logo, ele é imortal.

[00:10:33] Fecha aspas.

[00:10:34] Feuerbach também caracteriza a religião como uma ilusão,

[00:10:38] o que deixa evidente a influência que sua obra exerceria no século seguinte sobre Sigmund Freud.

[00:10:43] Nesse sentido, nós podemos citar aqui que o pai da psicanálise, em sua obra O Futuro de uma Ilusão,

[00:10:49] chega às mesmas conclusões de Feuerbach.

[00:10:53] Afirma que a religião surge de desejos infantis de proteção contra o mundo externo diante do qual nós somos indefesos.

[00:11:01] Segundo Freud,

[00:11:03] Quando adultos, nós percebemos nossa fragilidade diante da força da natureza e da morte.

[00:11:09] Então, nós buscamos uma proteção assim como fazíamos em nossa infância.

[00:11:13] E dessa busca surge o onipotente pai que teria controle sobre tudo o que é mais forte do que nós.

[00:11:21] Percebam então que,

[00:11:22] antes de Freud, Feuerbach já havia identificado que a fé é o que o homem deseja.

[00:11:28] E ele também já havia caracterizado a religião como uma ilusão.

[00:11:33] Feuerbach era um profundo conhecedor do cristianismo.

[00:11:36] Sua análise não se restringe a afirmações gerais sobre a relação entre as essências divina e humana,

[00:11:44] mas revela também como diversos dogmas e sacramentos cristãos

[00:11:48] podem ser explicados através de sua redução da teologia,

[00:11:52] da teologia à antropologia.

[00:11:54] Então, após explicar sobre as essências do homem e de Deus nos dois primeiros capítulos de sua obra,

[00:12:01] A Essência do Cristianismo,

[00:12:02] ele vai investigar alguns aspectos tais como

[00:12:06] Deus enquanto essência da razão,

[00:12:08] Deus como essência moral ou lei,

[00:12:12] o segredo da encarnação,

[00:12:14] o segredo do Deus sofredor,

[00:12:16] o mistério da trindade e da mãe de Deus,

[00:12:19] e o segredo da ressurreição e do nascimento,

[00:12:20] e o segredo da ressurreição e do nascimento,

[00:12:21] e o segredo da ressurreição e do nascimento,

[00:12:21] e o segredo da ressurreição e do nascimento,

[00:12:22] e o segredo da ressurreição e do nascimento sobrenatural.

[00:12:24] E na segunda parte da obra,

[00:12:25] ele fala sobre diversas contradições no cristianismo tais como

[00:12:29] na existência de Deus,

[00:12:31] na trindade,

[00:12:32] nos sacramentos

[00:12:33] e na relação entre fé e amor.

[00:12:36] O método do ateísmo de Feuerbach foi de fundamental importância para Marx e Engels.

[00:12:41] Em uma carta de 1843 a Arnold Ruger,

[00:12:46] Marx escreve o seguinte, abre aspas,

[00:12:48] A nossa finalidade não pode ser outra que não

[00:12:51] a de Feuerbach com sua crítica à religião,

[00:12:54] ou seja, trazer as questões religiosas e políticas na forma humana autoconsciente.

[00:13:01] Fecha aspas.

[00:13:02] Ao explicar em que consistia seu ateísmo,

[00:13:05] Feuerbach afirmou que este era apenas a forma consciente e sincera do ateísmo,

[00:13:11] inconsciente e prático do homem moderno e da ciência.

[00:13:15] Vejam só que interessante, Feuerbach vai afirmar o seguinte,

[00:13:18] O homem moderno é um ateu prático e não-prático.

[00:13:21] Vejam só que interessante, Feuerbach vai afirmar o seguinte,

[00:13:21] A diferença é que Feuerbach apenas reconhece isso e o proclama abertamente.

[00:13:28] Então, nesse sentido, vejam só que Feuerbach está muito próximo de Nietzsche com a proclamação da morte de Deus.

[00:13:35] Quando Nietzsche disse que Deus está morto,

[00:13:37] Nietzsche queria dizer basicamente que Deus já não desempenhava nenhum papel prático na vida, na cultura ou na ciência.

[00:13:44] É por isso que Feuerbach considerava como ridículas as tentativas de oprimir o ateísmo na filosofia,

[00:13:51] deixando intocado o ateísmo da empiria, o ateísmo da vida prática.

[00:13:57] Feuerbach afirmava o seguinte,

[00:13:58] Olha, é risível pensar que ao atacar a consciência, ou seja, o sintoma do mal, a própria causa do mal também seria afetada.

[00:14:08] Esta reflexão é de uma atualidade tremenda e nós podemos relacionar isso também com as próprias críticas

[00:14:13] que um filósofo cristão, que foi o Søren Kierkegaard, também fazia ao cristianismo de sua época.

[00:14:19] Kierkegaard falava, olha, você simplesmente afirma,

[00:14:21] que quem tem crença em Deus não te torna um cristão, não te torna um crente.

[00:14:27] A questão é como você vive a sua vida, quão sério é o cristianismo na sua vida prática.

[00:14:34] E nesse sentido, a maioria absoluta dos frequentadores de igreja ou daqueles que se dizem crentes,

[00:14:41] é uma maioria de ateus práticos.

[00:14:43] A única diferença é que eles não assumem o seu ateísmo da empiria.

[00:14:47] Eles não assumem o seu ateísmo prático, mas na verdade são ateus.

[00:14:51] Nós vamos fazer agora uma breve pausa musical a fim de que você absorva e reflita no conteúdo exposto até aqui.

[00:14:58] Você vai ouvir uma música de Tommaso Albinoni, compositor nascido em Veneza, na Itália, em 1671

[00:15:05] e falecido também em Veneza em 1751.

[00:15:10] Essa obra de Albinoni é o concerto para dois oboés em Fá maior.

[00:15:21] MÚSICA DE TOMASO ALBINO

[00:15:51] MÚSICA DE TOMASO ALBINO

[00:16:21] MÚSICA DE TOMASO ALBINO

[00:16:51] MÚSICA DE TOMASO ALBINO

[00:17:21] MÚSICA DE TOMASO ALBINO

[00:17:51] Caso você tenha interesse em conhecer melhor as músicas que tocamos nos intervalos dos episódios,

[00:18:12] basta você procurar pela playlist Clássicas Filosofia Vermelha no Spotify.

[00:18:18] Voltemos então ao nosso tema.

[00:18:21] Virk Feuerbach, filósofo da libertação.

[00:18:23] Vamos falar um pouco agora sobre a recepção de Feuerbach, mais especificamente por Marx e Engels.

[00:18:30] Engels afirmou que apenas quem sentiu o efeito libertador de A Essência do Cristianismo de Feuerbach

[00:18:37] pode entender o que se passou à época.

[00:18:40] O Engels afirma o seguinte, abre aspas,

[00:18:42] O entusiasmo foi geral.

[00:18:44] Todos nós éramos, naquele momento, Feuerbachianos.

[00:18:48] A exaltação com que Marx recebeu a obra e o quanto esta lhe influenciou,

[00:18:54] apesar de todas as reservas críticas, podem ser lidos em A Sagrada Família.

[00:18:59] Fecha aspas.

[00:19:00] A admiração de Marx por Feuerbach aumentou ainda mais quando, dois anos depois,

[00:19:05] este publicou a obra Fundamentos da Filosofia, em 1843.

[00:19:10] Obra na qual Feuerbach define o homem como um ser social.

[00:19:14] A essência do homem não se encontra em um indivíduo.

[00:19:18] Não é isolado, mas na comunidade, na unidade do homem com o homem.

[00:19:22] Nesta obra, Feuerbach afirma que individualismo significa finitude e limitação

[00:19:28] e que vida em comunidade significa liberdade e infinitude.

[00:19:33] O jovem Marx tenta, então, trazer o renomado filósofo Feuerbach

[00:19:37] para contribuir no seu recém-fundado jornal Deutsch-Französischer Jahrbüchen,

[00:19:42] que em português é chamado de Anais Franco-Alemães,

[00:19:45] em uma carta de 3 de outubro de 1843,

[00:19:48] Marx vai escrever o seguinte para Feuerbach, abre aspas.

[00:19:52] Honrado senhor, você foi um dos primeiros escritores que expressaram

[00:19:56] a necessidade de uma aliança científica franco-alemã.

[00:20:01] Você é, por isso, um dos primeiros a auxiliar o empreendimento

[00:20:04] que busca efetivar esta aliança.

[00:20:07] Toda contribuição sua será muito bem-vinda.

[00:20:10] Fecha aspas.

[00:20:11] Feuerbach respondeu à carta de Marx imediatamente, mas recusou a proposta.

[00:20:17] Ele disse que

[00:20:18] sentia muito não poder contribuir no momento com o tema proposto por Marx,

[00:20:23] que era uma crítica à filosofia de Schelling,

[00:20:26] que era um filósofo que, naquele momento, se mostrava como extremamente conservador

[00:20:30] e que havia sido escolhido pelo governo para substituir

[00:20:34] e tentar sufocar a influência de Hegel na Alemanha.

[00:20:37] Essa recusa, no entanto, não impediu que Marx escrevesse posteriormente

[00:20:42] uma segunda carta, tentando ganhar Feuerbach para um trabalho conjunto

[00:20:47] na incipiente filosofia revolucionária do proletariado.

[00:20:51] Então, em 11 de agosto de 1844,

[00:20:54] alguns meses antes de redigir as famosas 11 teses a Feuerbach,

[00:20:59] Marx escreveu o seguinte, abre aspas,

[00:21:02] Espero ansiosamente por uma oportunidade em que eu possa lhe demonstrar a alta consideração e,

[00:21:09] perdoe-me a palavra, o amor que tenho por você.

[00:21:13] Nestes escritos você deu, não sei se de maneira consciente,

[00:21:17] um fundamento filosófico ao socialismo

[00:21:19] e os comunistas entendem estes trabalhos desta maneira.

[00:21:23] Fecha aspas.

[00:21:25] Vejam só que afirmação forte de Marx sobre Feuerbach.

[00:21:28] Isso é uma carta que o Marx mandou para ele e o Marx afirma claramente aqui, olha,

[00:21:33] o amor que eu tenho por você, a alta consideração e, perdoe-me a palavra, o amor.

[00:21:39] E, segundo o próprio Marx, o Feuerbach deu uma fundamentação filosófica ao socialismo.

[00:21:45] Feuerbach respondeu,

[00:21:47] também, a esta segunda carta de Marx, embora não tenha atendido a seu pedido.

[00:21:52] Segundo Georg Biedermann, que é um dos biógrafos de Feuerbach,

[00:21:57] o que aconteceu é que a razão das recusas em trabalhar com Marx e Engels

[00:22:02] é que ele não podia seguir os dois jovens pensadores

[00:22:05] em um caminho que correspondia tão pouco às suas inclinações enquanto filósofo.

[00:22:11] Então as causas reais e mais profundas eram de natureza fisiopsicológica,

[00:22:17] como o próprio Feuerbach esclareceu em outro contexto.

[00:22:20] Então vejam só o que o Feuerbach falou numa outra ocasião,

[00:22:23] mas que serve para esclarecer por que ele não pôde acompanhar Marx e Engels.

[00:22:28] Abre aspas.

[00:22:37] Fecha aspas.

[00:22:39] Então, dizendo de outra forma, Feuerbach considerava que, em 1843,

[00:22:44] ele já tinha realizado seu objetivo de vida,

[00:22:46] com sua crítica da religião e alcançado o topo de sua atividade teórica.

[00:22:52] O que acontece é que a capacidade de se dedicar bem a um objeto de estudo

[00:22:57] se desgasta ao longo de alguns anos ou décadas

[00:23:00] e não está mais disponível uma segunda vez.

[00:23:03] Feuerbach não podia, então, naquela idade,

[00:23:06] mudar completamente de sua linha de investigação,

[00:23:09] de sua linha de pesquisa,

[00:23:10] para acompanhar dois pensadores mais jovens e de alto calibre como Marx e Engels.

[00:23:15] Nós mencionamos agora…

[00:23:16] Agora, que Feuerbach considerava que ele já tinha alcançado o topo de sua atividade filosófica.

[00:23:23] E, de certa maneira, Marx também parecia compreender a coisa dessa forma.

[00:23:28] Porque Marx afirma, por exemplo, na introdução de sua Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, o seguinte,

[00:23:34] abre aspas.

[00:23:35] A crítica da religião termina com a doutrina de que o homem é o ser máximo para o homem,

[00:23:41] isso é, com o imperativo categórico de derrubar todas as condições,

[00:23:46] em que o homem surte como ser humilhado, escravizado, abandonado, desprezível.

[00:23:52] Fecha aspas.

[00:23:53] Bom, quem fez essa crítica da religião?

[00:23:56] Marx está fazendo referência à obra de Feuerbach.

[00:23:59] Vamos falar agora um pouco sobre o engajamento político de Feuerbach.

[00:24:03] No ano de 1848, na Revolução Alemã, Feuerbach se posicionou ao lado dos revolucionários,

[00:24:10] o que mais tarde acabou lhe trazendo problemas com as autoridades.

[00:24:14] No fim deste mesmo ano,

[00:24:16] em pedido de vários estudantes, ele ministrou as palestras de A Essência da Religião em

[00:24:22] Heidelberg.

[00:24:23] Então havia um público entusiasmado que ouvia suas palestras e, na galeria do salão,

[00:24:29] ao lado dos ouvintes previamente inscritos, havia também diversos operários e trabalhadores

[00:24:34] que podiam acompanhar suas palestras gratuitamente.

[00:24:38] Após a derrota da Revolução de 1848, Feuerbach se mostra resignado e volta para a cidade

[00:24:45] de Bruchberg.

[00:24:46] Ele passa a ser vigiado pela polícia e sua casa chega a ser revistada.

[00:24:51] Em 1860, empobrecido após a falência da fábrica de porcelanas herdada da família

[00:24:58] de sua esposa, ele é obrigado a deixar a cidade sem dinheiro nem mesmo para o transporte

[00:25:03] dos móveis e se muda para Rechenberg, que é hoje parte de Nuremberg.

[00:25:08] Rechenberg hoje é praticamente um parquinho aqui do lado da minha casa.

[00:25:13] Eu já mencionei nesse episódio que ele morou os 12 anos em Nuremberg.

[00:25:14] Ele morou 12 anos em Nuremberg.

[00:25:15] Ele morou 12 anos em Nuremberg.

[00:25:16] Eu já mencionei Nuremberg.

[00:25:17] A sua casa ainda fica bem pornography, mas o público continua a nascer do tempo em que

[00:25:18] você se torna parlante.

[00:25:19] Pois não é uma casa totalmente extra fina, ordenada por famous americanos que, o trabalho

[00:25:20] que ele fez agora seria muito difícil e perرة.

[00:25:21] Muitas vezes, farmacias recém- Bundestau paraRechenberg e o rakははvi ela se torniam

[00:25:22] merda das bömergas.

[00:25:23] E o fossil pão está serve todo ano e não funciona apenas quando você videos fazer

[00:25:24] seus pesquisas aqui.

[00:25:25] Há voce horas inteiras doрoupadas por não estar acessado às palestras e stakes.

[00:25:26] Desde então isso muda muito a sua vida em col Turkish.

[00:25:27] Ao passar dos anos, Feuerbach se sentia cada vez mais ligado ao proletariado e estudou

[00:25:28] o capitalleria de Marx.

[00:25:31] como Feuerbach havia influenciado Marx, este agora também lhe trazia contribuições e

[00:25:37] seu pensamento ético claramente incorpora as descobertas de Marx no campo da economia

[00:25:43] política. Feuerbach reconhecia agora que a moral e a virtude possuíam estreita relação

[00:25:49] com as condições materiais de vida. Ele afirma o seguinte, olha só essa citação

[00:25:54] de Feuerbach interessante, abre aspas, a virtude precisa tanto quanto o corpo de alimentação

[00:26:00] roupas, luz, ar, espaço. Onde os homens vivem amontoados uns sobre os outros, por

[00:26:07] exemplo, nas fábricas inglesas ou nas moradias populares, onde não podem nem mesmo compartilhar

[00:26:14] o oxigênio em quantidades suficientes, lá não sobra espaço para a moral, sendo ela

[00:26:20] apenas um monopólio dos senhores donos de fábricas, dos capitalistas. O fundamento

[00:26:26] da vida é também o fundamento da moral.

[00:26:30] Nós podemos dizer então que de certa maneira Feuerbach superou, com a influência de Marx,

[00:26:36] as doutrinas morais de Kant e Fichte, que permaneciam em normas éticas abstratas. A

[00:26:42] relação entre as condições materiais de existência e o comportamento ético dos

[00:26:47] homens, entre o ser social e a consciência social, permitiu a Feuerbach reavaliar a doutrina

[00:26:54] de Kant. Inclusive ele afirma basicamente o seguinte, olha, se o Kant tivesse escrito

[00:26:59] sua doutrina moral, não poderia ser uma doutrina de Kant, porque a doutrina de Kant

[00:27:00] não era para professores de filosofia, mas para trabalhadores, diaristas, lenhadores,

[00:27:06] camponeses e operários, essa doutrina teria princípios totalmente diferentes de Kant.

[00:27:12] Feuerbach faleceu em 13 de setembro de 1872. O recém-fundado partido social-democrata,

[00:27:20] ao qual Feuerbach havia se filiado dois anos antes, conclamou assim os trabalhadores para

[00:27:25] o seu funeral.

[00:27:26] Abre aspas,

[00:27:27] Trabalhadores,

[00:27:28] companheiros,

[00:27:29] Fecha aspas.

[00:27:59] A maioria trabalhadores e um mar de bandeiras vermelhas ao cemitério Johannes Friedhof em Nuremberg.

[00:28:07] Entre 6 e 10 mil pessoas compareceram ao seu funeral, o que correspondia a aproximadamente 10% da população da região naquela época.

[00:28:17] E ainda hoje, todos os anos no dia de sua morte, buquês de flores são deixados no túmulo de Voiba.

[00:28:24] Eu já visitei o seu túmulo pelo menos duas vezes no cemitério aqui da cidade.

[00:28:28] E sempre que eu vou, de fato, há flores lá.

[00:28:32] A memória de Voiba continua viva não apenas devido aos monumentos aqui na cidade,

[00:28:37] mas principalmente devido à sua obra e à enorme influência de seu pensamento na teoria de Marx e Engels.

[00:28:45] Certamente a teoria de Voiba não teria sido tão propagada sem o materialismo histórico fundado por Marx e Engels.

[00:28:52] Mas sem a filosofia de Voiba, por outro lado.

[00:28:55] Sem o seu princípio antropológico que proclamava…

[00:28:58] que o homem é o ser supremo para o homem,

[00:29:01] a concepção materialista da história de Marx e Engels também não teria sido possível.

[00:29:07] Lembrando mais uma vez, faça sua inscrição em nosso curso de Introdução à Filosofia dos Pré-socráticos à Sartre.

[00:29:14] O link para o nosso curso está na descrição deste episódio,

[00:29:17] assim como o link para o nosso novo curso A Filosofia de Karl Marx – Uma Introdução.

[00:29:23] Um grande abraço e até o próximo.

[00:29:28] Transcrição e Legendas Pedro Ribeiro Carta