Viver de criatividade, com Aline Valek


Resumo

Cris Dias recebe a escritora, podcaster e criadora de conteúdo Aline Valek para um bate-papo sobre o que significa viver de criatividade. A conversa começa com uma reflexão sobre o título de “escritor” e as barreiras internas e sociais para se assumir como tal, especialmente para mulheres. Aline compartilha sua trajetória, desde a formação em publicidade até a publicação de seus livros pela editora Rocco, destacando o papel fundamental de sua newsletter na construção de sua carreira.

Eles discutem a pressão por se encaixar em gêneros literários e a importância de não se limitar a caixas, com Aline explicando sua preferência por seguir as ideias que surgem, mesmo que isso signifique explorar territórios diferentes a cada projeto. A conversa também aborda a relação com o público, a pressão do mercado por conteúdo serializado e a necessidade de se reinventar constantemente para manter o interesse e o tesão pelo trabalho.

A parte financeira e a monetização do trabalho autoral são exploradas em detalhes. Aline descreve sua estratégia de “polvo”, com múltiplas fontes de renda que incluem apoios (como seu Apoia.se), cursos, eventos e trabalhos por encomenda. Ela e Cris debatem o dilema entre disponibilizar conteúdo gratuito para ampliar o alcance e a necessidade de cobrar para pagar as contas, refletindo sobre o acesso à arte e a elitização da cultura.

O papo se aprofunda no processo criativo em si, com Aline descrevendo as fases de um projeto, incluindo o “vale da desistência”, e a importância de aceitar a imperfeição e as vulnerabilidades como parte do trabalho artístico. Ela argumenta que são justamente as fraturas e contradições que tornam uma obra poderosa e conectável.

Por fim, a conversa gira em torno do conceito de fama e sucesso. Aline expressa sua relutância em buscar popularidade massiva, preferindo uma conexão mais humana e em escala gerenciável com seu público. Eles refletem sobre a pressão por números nas redes sociais e a importância de encontrar significado na comunicação autêntica, encerrando com a ideia de que o crescimento pode ser “para os lados” (como um rizoma) e não apenas “para cima”, valorizando as conexões profundas em vez da mera escala.


Indicações

Books

  • Irmãs da Revolução — Coletânea de ficção científica organizada por Anne e Jeff Vandermeer, com contos escritos exclusivamente por mulheres. Inclui um conto inédito da Aline Valek, ‘A Mulher Que Vestiu a Montanha’. Cris Dias comenta sobre a importância da obra para diversificar um gênero historicamente dominado por autores homens.

Courses

  • Técnicas criativas para transformar ideias em textos — Curso ministrado por Aline Valek na Domestika. O curso aborda o processo criativo, desde a captação de ideias até a finalização de textos, incluindo estratégias para superar bloqueios e o ‘vale da desistência’.

Events

  • NaNoWriMo (National Novel Writing Month) — Maratona de escrita mencionada por Aline Valek, onde os participantes tentam escrever 50 mil palavras de um romance em um mês (novembro). Foi durante essa maratona que Aline escreveu o primeiro manuscrito de seu livro ‘As Águas Vivas Não Sabem de Si’.

People

  • Margaret Atwood — Escritora mencionada por Aline Valek como uma referência. Aline menciona ter feito um masterclass dela onde Atwood fala sobre bloqueio criativo e a importância de investigar suas causas profundas.
  • Alex Castro — Mencionado por Aline Valek como alguém que ministra um curso sobre grandes clássicos da literatura. Ele ensina que obras que sobreviveram ao tempo muitas vezes são recheadas de contradições e que são justamente essas ‘fraturas’ que atraem os leitores.
  • David Lynch — Cineasta citado por Aline Valek. Ela menciona um vídeo onde Lynch compara a captação de ideias a uma pescaria, onde as ideias podem surgir de forma inesperada e não ter relação com o trabalho anterior.

Podcasts

  • Hipsters.tech (especificamente ‘Hipsters Fora de Controle’) — Podcast da Alura sobre carreira e tecnologia, focado em inteligência artificial generativa. Cris Dias menciona sua participação em um episódio chamado ‘Ajuda entre IAs, Limitação de Tokens, Intimidade Artificial e mais’.

Linha do Tempo

  • 00:03:14A dificuldade de se assumir como escritor(a) — Aline Valek discute a relutância comum, especialmente entre mulheres, em reivindicar o título de “escritora”. Ela menciona os “marcos” sociais usados para validar a profissão (como ganhar dinheiro ou ser publicado por uma grande editora) e relata um evento em São Paulo onde muitas escritoras se questionavam se tinham direito de estar presentes. A conversa explora como a literatura é vista como algo sagrado e distante, e como essa percepção cria uma barreira para a autoidentificação.
  • 00:09:28Livros são para rabiscar? A sacralização da literatura — Cris pergunta a opinião de Aline sobre rabiscar livros e fazer anotações nas margens. Aline defende que o livro é uma plataforma interativa que pede a participação do leitor, uma conversa. Eles discutem como a visão do livro como objeto sagrado contribui para a ideia de que quem o escreve é alguém especial, um gênio, dificultando ainda mais que pessoas comuns se vejam como escritoras.
  • 00:13:48Gêneros literários e a rejeição às caixinhas — Cris pergunta como Aline se define, citando um elogio que a coloca como “a maior autora de ficção especulativa da nossa geração”. Aline responde que não gosta de se colocar em caixinhas de gênero, pois as considera mais limitantes do que libertadoras. Ela explica que prefere receber as ideias de forma aberta, como numa pescaria, e contar histórias de personagens, que podem estar em arranjos muito diferentes. Deixar a categorização para editores, livrarias e acadêmicos.
  • 00:17:46Lidando com o feedback do público e a pressão por repetir fórmulas — Aline discute a pressão mercadológica para produzir em série o mesmo tipo de conteúdo que fez sucesso, citando exemplos do Instagram. Ela reflete sobre como lida com isso, tentando deixar as coisas acontecerem naturalmente, sem se prender a um tema. Ela explica que precisa se surpreender e fazer algo diferente a cada projeto (seja um romance ou uma temporada de podcast) para manter o interesse, mesmo que isso represente um risco de não agradar o público anterior.
  • 00:24:41Trajetória: da publicidade à escrita e o papel da newsletter — Aline conta que se formou em Publicidade e que a faculdade a influenciou muito, especialmente a lição de uma professora: “escreva como uma conversa”. Ela relata sua trajetória desde blogs em Brasília até se mudar para São Paulo, onde começou a viver de ser “Aline Valek”, assinando textos. Ela destaca que foi através da newsletter, onde compartilhava o processo de escrita do primeiro romance durante o NaNoWriMo, que uma editora leitora se interessou e a publicou, dando um passo importante em sua carreira.
  • 00:29:39Como pagar os boletos: a estratégia do “polvo” — Cris pergunta como Aline transforma seu trabalho em negócio e paga suas contas. Ela explica que, sem um salário fixo, precisa pensar em renda anual, não mensal. Sua estratégia é ter múltiplas fontes de renda (como um polvo): apoios (Apoia.se), cursos, eventos e trabalhos por encomenda. Ela enfatiza a importância crucial dos apoiadores, que a mantêm “com a cabeça fora da água” durante períodos sem trabalho ou com pagamentos atrasados.
  • 00:34:20O dilema do conteúdo gratuito versus pago — Cris e Aline debatem a tensão entre disponibilizar conteúdo gratuito para ampliar o alcance e a necessidade de monetizar o trabalho. Aline confessa seu impasse: ela gostaria de ser remunerada, mas tem uma visão ideológica de que a arte deveria ser acessível. Sua newsletter permanece aberta porque os apoiadores a sustentam, mas ela pondera que, se os números caíssem, talvez considerasse fechá-la. Ambos compartilham a sensação de querer que suas ideias se espalhem, mas precisando pagar as contas.
  • 00:40:07Definindo criatividade: ofício, não lampejo divino — Cris pergunta como Aline define criatividade. Ela rejeita a glamourização e a associação com celebridade, definindo-a como uma capacidade humana mais simples e fundamental: resolver problemas, associar ideias e criar algo novo. Ela argumenta que a criatividade é chão, está presente em cozinheiros, donas de casa, crianças, e é sobre olhar o mundo com curiosidade. Critica a ideia de que é necessário consumir ferramentas caras para ser criativo.
  • 00:44:24O sofrimento e o “vale da desistência” no processo criativo — Cris pergunta se criar é sofrimento. Aline reconhece que, embora o artista não precise sofrer para trabalhar, no seu processo pessoal o sofrimento faz parte, com incertezas e dúvidas. Ela descreve o “vale da desistência” como uma fase normal do processo, onde se questiona tudo. A chave é entender essas fases (como a procrastinação) como etapas e desenvolver estratégias para sair delas, às vezes investigando questões pessoais profundas que bloqueiam o trabalho.
  • 00:54:58Relação com a fama e a busca por conexão humana — Cris pergunta sobre a relação de Aline com a fama. Ela responde “péssima”, criticando a associação entre artista e celebridade e a corrida por números massivos (milhões de seguidores) para monetizar. Aline prefere uma escala mais humana, onde pode se comunicar diretamente com seu público, sem atrair “muito maluco”. Ela e Cris refletem sobre a perda da noção de escala humana na internet e a importância de buscar conexões significativas, não apenas crescimento numérico. Aline finaliza com a metáfora do crescimento “para os lados” (como um rizoma), em vez de apenas “para cima”.

Dados do Episódio

  • Podcast: Boa Noite Internet
  • Autor: Ampère
  • Categoria: Society & Culture Philosophy Health & Fitness Mental Health
  • Publicado: 2023-05-07T23:00:01Z
  • Duração: 01:08:40

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Hey guys, it is Ryan. I’m not sure if you know this about me, but I’m a bit of a fun fanatic when I can.

[00:00:04] I like to work, but I like fun too. It’s a thing, and now the truth is out there.

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[00:00:22] So join me in the fun. Sign up now at chumbacasino.com.

[00:00:27] No purchase necessary. BTW. Void. We’re prohibited by law. See terms and conditions. 18+.

[00:00:30] Boa noite, internet. Boa noite, Brasil. Eu sou o Cris Dias.

[00:00:38] No episódio da semana passada, eu relembrei o S01E02. Você não é o seu crachá.

[00:00:45] Ele voltou aqui de novo, porque foi lá nesse episódio que eu fiz uma brincadeirinha

[00:00:49] de perguntar o que você pediria para colocar debaixo do seu nome

[00:00:53] se um dia você aparecesse em uma reportagem do Jornal Nacional.

[00:00:57] Ou de repente você já apareceu, né? Não sei. Vai aqui.

[00:01:00] E, assim, eu confesso que eu nem sei se o JN ainda faz isso de colocar

[00:01:04] fulana de tal, professora, mas essa linhazinha fala muito da nossa sociedade.

[00:01:10] De que não é suficiente você saber o meu nome, você tem que saber quem eu sou

[00:01:15] na já famosa fila do pão.

[00:01:18] Eu não sou qualquer um comentando que tá tudo caro.

[00:01:20] Eu sou empresário ou dona de casa. É sempre isso, né?

[00:01:24] Tá caro? Chama uma dona de casa aí.

[00:01:27] A versão moderna dessa linhazinha hoje é a Microbio do LinkedIn.

[00:01:32] Aquela linhazinha que fica também debaixo do nome.

[00:01:35] A minha em inglês, com muita pompa e gerada com a ajuda do chat EPT é…

[00:01:40] Deixa eu dar um ctrl v aqui. Socorro.

[00:01:44] Founding Father at Ampere.

[00:01:47] E mais um monte de buzzwords, porque é isso.

[00:01:49] No futuro todos serão founders por 15 minutos.

[00:01:52] Nem que seja founder de May.

[00:01:55] Eu sempre tive dificuldades.

[00:01:57] Escolhi o que seria essa minha descrição do Jornal Nacional.

[00:02:01] Não é publicitário, já tem tempo.

[00:02:02] Analista de sistema há mais tempo ainda.

[00:02:05] Também não gosto de empresário.

[00:02:07] É capitalista demais.

[00:02:09] Até que um dia, escrevendo a newsletter aqui do Bando na Internet,

[00:02:12] eu saí do armário escritor.

[00:02:14] É isso que eu sou. Escritor.

[00:02:17] Só que não, é claro.

[00:02:19] Porque o que eu faço aqui no Bando na Internet é mais do que escrever.

[00:02:24] Na minha cabeça, o meu trabalho acaba quando eu fecho o roteiro,

[00:02:26] quando eu paro de escrever.

[00:02:27] Mas ainda assim, tem bastante coisa para fazer.

[00:02:31] E eu não estou nem contando isso de agora fazer entrevistas.

[00:02:35] Mas escrever é tal coisa que eu faria mesmo que ninguém estivesse vendo.

[00:02:39] Se é assim, quem vem conversar hoje por aqui é a Aline Wallach,

[00:02:43] que é escritora, mas também é podcaster, professora, criativa, comunicadora.

[00:02:48] Eu só sei que ela é mais escritora do que eu.

[00:02:51] Já publicou até livro por grandes editoras.

[00:02:54] A gente vai falar disso tudo, como ela se achou no mundo,

[00:02:57] e como ela faz para criar.

[00:02:59] Ela conversou comigo direto de Berlim, onde ela está morando agora,

[00:03:03] com o gato dela tocando terror.

[00:03:05] E eu comecei justamente perguntando como ela vestiu essa carapuça de escritora.

[00:03:14] E sempre tem esse dilema, principalmente entre mulheres,

[00:03:18] mas eu nem sou escritora, eu escrevo de vez em quando.

[00:03:22] Mas não, longe de mim, querer me apropriar desse título.

[00:03:27] E já eu, eu vi esse título ali dando bobeira,

[00:03:31] fui lá, peguei para mim, ninguém bateu na minha porta, FBI, CIA,

[00:03:35] e veio, como assim, você quer se dizer escritora?

[00:03:38] Então tem várias, vamos dizer, marcos que as pessoas usam,

[00:03:43] mas eu não posso me dizer escritora porque eu não ganho dinheiro com isso.

[00:03:46] Primeiro, ninguém ganha dinheiro com isso, realmente.

[00:03:49] Então se for parte daí, nem os grandes escritores poderiam ter se dito escritores,

[00:03:55] porque muitos morreram.

[00:03:57] Então, assim, na pobreza, né?

[00:03:58] O que é uma história também péssima da gente vangloriar, né?

[00:04:02] Mas aí, ah, ter livro publicado, quando?

[00:04:06] É por uma grande editora, independente?

[00:04:09] Sabe que isso foi uma coisa que eu ouvi muito?

[00:04:11] Teve em São Paulo, no ano passado, um grupo de escritoras convocou,

[00:04:16] todas as escritoras de São Paulo, para fazer uma foto na escadaria na frente do Pacaembu.

[00:04:21] Só que apareceu tantas, tantas mulheres escritoras.

[00:04:27] Esse dia, eu acho que estava rolando uma feira, a Feira do Livro, ali na frente,

[00:04:30] que tiveram que abrir o Pacaembu para a gente tirar a foto lá dentro.

[00:04:34] E isso, o Pacaembu, acho que ainda está em obras, né?

[00:04:37] Então teve o maior esquema de ter que conseguir autorização com a prefeitura.

[00:04:42] Demorou super, e a gente conseguiu, a gente encheu quase uma parte da arquibancada, né?

[00:04:47] Uma sessão da arquibancada inteira de escritoras que vivem em São Paulo

[00:04:52] e que estavam disponíveis naquele dia.

[00:04:54] Muitas não foram.

[00:04:56] E eu ouvi muito.

[00:04:57] E conversando com as escritoras daquele dia, tipo, mas será que eu sou escritora?

[00:05:01] Será que eu poderia estar aqui?

[00:05:02] Porque eu publiquei só na internet.

[00:05:05] Ah, eu só tenho um blog.

[00:05:06] Então essa é uma questão, assim, muito comum.

[00:05:09] E eu mesma estava me perguntando, será que eu posso ir esse dia para tirar foto?

[00:05:13] Porque, assim, tudo bem, eu tenho livro publicado, mas eu não, sei lá,

[00:05:17] eu não sou uma escritora super famosa, super conhecida, que ganha prêmios,

[00:05:22] que está nos jornais.

[00:05:22] Será que é para eu estar nesse dia?

[00:05:24] Então todo mundo se sentiu um pouco falado.

[00:05:27] Fora de lugar.

[00:05:28] E eu acho que ser escritora acaba tendo um pouco essa sensação sempre, né?

[00:05:34] De você estar meio que fora do lugar.

[00:05:37] Não só por você ser…

[00:05:39] Acho que principalmente por você ser artista e você…

[00:05:42] Quando eu conheço pessoas novas, agora que eu estou morando em outro país,

[00:05:45] eu estou muito nessa situação de conhecer pessoas novas e me apresentar,

[00:05:48] o que é que eu faço.

[00:05:49] E aí sempre ao falar o que é que eu faço, que eu sou escritora,

[00:05:52] parece, assim, muito alienígena, sabe?

[00:05:55] Como assim?

[00:05:56] Todo mundo tem perguntas…

[00:05:57] Na reação das pessoas, parece alienígena.

[00:06:00] Exato.

[00:06:01] Exato.

[00:06:01] Tipo, eu achei que aqui na Alemanha seria normal as pessoas conhecerem artistas,

[00:06:06] conhecerem escritores, mas todo mundo fica muito assim…

[00:06:09] Peraí, mas o que você faz?

[00:06:10] O que você escreve?

[00:06:12] Você já publicou?

[00:06:13] As pessoas têm muitas perguntas sobre isso.

[00:06:16] Então eu acho que não é, assim, uma coisa muito comum.

[00:06:20] Então, por isso essa sensação de estar fora do lugar.

[00:06:22] Porque meio que cada escritor precisa fazer o seu caminho, né?

[00:06:25] Não tem…

[00:06:26] Por exemplo, um publicitário, a gente entende mais ou menos o que um publicitário faz.

[00:06:30] Entender, né?

[00:06:31] Talvez…

[00:06:31] Não, não seja uma palavra.

[00:06:33] Exatamente.

[00:06:35] Concordar.

[00:06:37] Mas…

[00:06:38] A gente entende, né?

[00:06:39] Que trabalha pra alguém.

[00:06:41] Mas acho que as pessoas têm uma dificuldade de entender.

[00:06:44] Pra quem você trabalha?

[00:06:45] Né?

[00:06:45] Aquela coisa de espião.

[00:06:46] Pra quem você trabalha?

[00:06:48] Trabalho pra mim.

[00:06:49] Isso…

[00:06:49] Quem é seu patrão, quem é seu chefe.

[00:06:51] É uma boa…

[00:06:52] Exato.

[00:06:53] Eu acho que isso que é…

[00:06:54] Talvez seja difícil de se entender.

[00:06:56] Se as pessoas se…

[00:06:57] De quem escreve, né?

[00:06:59] Se reconhecer como escritor.

[00:07:01] Porque quem é que tá me validando?

[00:07:02] Quem é que tá me dando esse título?

[00:07:04] Não, principalmente nisso que você falou agora há pouco.

[00:07:07] Que é…

[00:07:08] Até a invenção do Kindle, vai?

[00:07:10] Da Amazon, da própria internet.

[00:07:12] Precisava de uma editora, alguém externo.

[00:07:15] Virar e falar assim…

[00:07:16] Ok, isso aqui que você escreveu…

[00:07:18] Segundo meus critérios, eu achei que vale ser uma impressora rotatória.

[00:07:24] Colocar isso, gastar tinta e botar isso aqui.

[00:07:25] Botar isso no papel.

[00:07:27] Agora, isso.

[00:07:28] Blogueiro, é escritor.

[00:07:29] Lancei meu livro no Kindle, eu sou escritor.

[00:07:32] E eu vejo, apesar de eu não viver no mundo literário,

[00:07:35] nunca fui na Flip, nem nada,

[00:07:36] isso de…

[00:07:37] Ah, não, mas é autopublicado.

[00:07:39] Então, é, sabe, de uma casta inferior e tal.

[00:07:43] Mas eu tenho mais facilidade de usar a palavra…

[00:07:47] Afinal de contas, homem.

[00:07:48] De usar a palavra escritor pra me definir.

[00:07:50] Mas eu travo na palavra artista.

[00:07:52] Várias vezes na minha newsletter eu tenho…

[00:07:54] Nós, artistas, eu…

[00:07:55] Nós, artistas?

[00:07:57] Como assim?

[00:07:58] Tô me achando…

[00:07:58] Acho que sou quem? Gilberto Gil?

[00:08:00] Tá achando que eu, sabe, assim…

[00:08:02] Artista.

[00:08:03] Artista é o fulano.

[00:08:05] Mas a gente coloca isso de escritor.

[00:08:07] Mas você acha que tem a coisa a ver também de que…

[00:08:10] Ah, vamos usar a palavra aqui.

[00:08:11] Trabalho de vagabundo, assim.

[00:08:13] Ah, você fica escrevendo.

[00:08:14] Esse é o seu trabalho, escrever.

[00:08:16] É um nome chique pra desempregado, né?

[00:08:22] Pois é, não sei se tem isso.

[00:08:24] Porque eu acho que esses vínculos…

[00:08:25] Capitalistas, né?

[00:08:26] Essa hierarquia de você meio que ser uma…

[00:08:28] Não que escritor não seja uma peça do capitalismo, tá?

[00:08:31] Sim, sim.

[00:08:32] Eu acho que é.

[00:08:33] E bastante.

[00:08:34] Inclusive, vamos agora falar do patrocinador.

[00:08:36] Não, brincadeira.

[00:08:37] Mas é isso.

[00:08:40] Ou então, me apoie, né?

[00:08:42] Isso, isso.

[00:08:42] Dá os nossos apoios.

[00:08:44] Isso.

[00:08:45] Não sei, eu não sei.

[00:08:47] Mas é porque isso que você falou, por exemplo,

[00:08:49] de se considerar artista e meio que…

[00:08:52] Ah, mas isso é me colocar no mesmo patamar,

[00:08:55] de Gilberto Gil, de Caetano Veloso,

[00:08:59] de grandes nomes.

[00:09:00] Eu acho que, escritor, isso acontece a mesma coisa, né?

[00:09:02] Porque eu acho que a gente tem um certo…

[00:09:05] Vê a literatura com um certo distanciamento.

[00:09:08] A maioria dos escritores que a gente conhece

[00:09:10] já estão mortos, né?

[00:09:12] Publicaram há muito tempo.

[00:09:14] Sim.

[00:09:15] Ou foram muito grandiosos,

[00:09:17] têm um alcance muito grande.

[00:09:19] Mas a gente vê a literatura com esse certo distanciamento,

[00:09:22] eu acho que de ver o livro também como uma coisa sagrada.

[00:09:25] Sim.

[00:09:25] Eu vou te interromper fazendo uma pergunta aqui,

[00:09:28] resolver uma questão doméstica aqui.

[00:09:30] O que você acha do hábito de rabiscar no livro

[00:09:35] anotações na margem, canetinha amarela?

[00:09:38] Qual a sua opinião nessa guerra cultural?

[00:09:40] Amo, acho necessário.

[00:09:43] O livro é uma plataforma muito interativa, né?

[00:09:47] Ele pede a nossa…

[00:09:49] Ele é uma plataforma de conversa, né?

[00:09:50] Mesmo que a gente não rabisque,

[00:09:52] a gente está conversando de alguma forma

[00:09:53] com aquele autor, com aquela história.

[00:09:55] Então, ele pede a nossa participação naquilo.

[00:09:59] Mas é bom, porque tem uma certa pessoa

[00:10:02] que está aqui nessa gravação, produzindo,

[00:10:04] que é a minha esposa.

[00:10:06] E outro dia ela estava…

[00:10:07] Não, comprei um negócio aqui,

[00:10:10] é meio um post-it transparente,

[00:10:11] que você pode escrever no livro sem estragar o livro.

[00:10:14] Eu falei, cara, livro é para estragar,

[00:10:15] livro é para rabiscar.

[00:10:17] E ela fez uma cara de sacrilégio, assim,

[00:10:19] de não, o livro é uma coisa imaculada que você…

[00:10:24] E eu até entendo,

[00:10:25] óbvio que estou zoando aqui, mas assim,

[00:10:27] depois dá para alguém o livro,

[00:10:30] dá para a biblioteca da escola,

[00:10:32] a gente tem um monte de livro para a biblioteca da escola,

[00:10:33] e realmente é aquele livro todo, sei lá.

[00:10:37] Eu nunca fui de rabiscar em livro,

[00:10:40] mas eu acho que é por isso,

[00:10:41] porque eu colocava nesse lugar que você falou de…

[00:10:43] Não, o livro…

[00:10:44] Tanto que a Bíblia quer dizer o livro, né?

[00:10:48] Enfim, o livro é sagrado, é uma coisa.

[00:10:51] E, portanto, se é sagrado,

[00:10:53] quem escreve esse livro,

[00:10:55] é alguém especial,

[00:10:57] é alguém que merece, né?

[00:10:59] Não é qualquer um, não é…

[00:11:00] Como assim você é escritora?

[00:11:02] Escritora é ser outra coisa.

[00:11:04] Exato, tem que ser um gênio, né?

[00:11:06] Sabe o que está rolando esses últimos dias?

[00:11:08] Está rolando uma discussão sobre isso

[00:11:10] no mundo literário, né?

[00:11:12] Saiu um artigo na Folha de uma crítica,

[00:11:15] não sei se é um crítico ou uma crítica,

[00:11:17] mas de comentando como o mercado editorial brasileiro

[00:11:21] tem fabricado gênios,

[00:11:23] porque agora,

[00:11:25] todos os livros que saem

[00:11:27] são de gênios.

[00:11:28] Isso aqui é genial.

[00:11:30] Acaba sendo mais uma ferramenta de marketing

[00:11:32] do que, de fato,

[00:11:34] uma espada sobre seus ombros

[00:11:36] dizendo que agora você é genial,

[00:11:38] você tem direito de ser publicado,

[00:11:41] de ser considerado escritor.

[00:11:42] E vários outros autores,

[00:11:44] eu tenho visto essa discussão.

[00:11:47] Por exemplo, tem a Fabiana Guimarães,

[00:11:49] que é uma escritora brasiliense,

[00:11:51] ela fala um pouco

[00:11:52] de como o escritor brasileiro

[00:11:55] é muito cobrado.

[00:11:57] Então, o escritor brasileiro

[00:11:59] não pode ser um escritor ok,

[00:12:01] ele não pode ser um escritor mediano.

[00:12:02] Para ser um escritor brasileiro,

[00:12:04] você tem que ser excepcional,

[00:12:07] você tem que ser genial,

[00:12:08] você tem que ser best-seller.

[00:12:09] E eu acho que isso coloca aí uma barreira…

[00:12:11] Não necessariamente,

[00:12:12] porque aí o Paulo Coelho é best-seller,

[00:12:14] não, mas também não vale.

[00:12:15] Mas ele não é genial,

[00:12:17] porque ele é para as massas.

[00:12:18] Então, assim, surgem vários obstáculos

[00:12:21] que, no final das contas,

[00:12:22] ninguém é escritor, então.

[00:12:25] Porque, se nem Paulo Coelho

[00:12:27] pode ser contrário a escritor,

[00:12:28] então quem pode?

[00:12:31] Então, se ninguém pode,

[00:12:33] então todo mundo pode.

[00:12:35] E eu acho que

[00:12:36] esse vício,

[00:12:38] essa mania por gatekeepers,

[00:12:41] eu acho que a gente está mais interessado

[00:12:43] em prestar atenção

[00:12:44] ou eleger gatekeepers

[00:12:46] do que fazer arte, do que

[00:12:48] enfim, inovar

[00:12:51] ou desenvolver, nos desenvolver

[00:12:53] culturalmente.

[00:12:55] Tirar as ideias que estão presas aqui dentro

[00:12:57] e fazendo barulho e botar para fora,

[00:13:00] às vezes é tão simples quanto isso.

[00:13:02] Mas deixa eu te perguntar.

[00:13:03] Isso que você está falando me lembra de uma outra coisa

[00:13:05] que tem outras camadas

[00:13:07] nesse gatekeeper que você falou,

[00:13:09] que é caixinhas.

[00:13:11] Então, assim,

[00:13:12] é autora de ficção,

[00:13:16] é ensaísta,

[00:13:17] é colunista,

[00:13:18] é entrevistadora.

[00:13:21] E você,

[00:13:23] e você está certíssima,

[00:13:24] você,

[00:13:25] você escreve, vai,

[00:13:26] não ficção,

[00:13:28] quase um diário na sua newsletter falando,

[00:13:30] inclusive, da sua mudança para o exterior.

[00:13:33] No seu podcast,

[00:13:34] você faz uns ensaios

[00:13:36] meio históricos, meio viajante, meio

[00:13:38] boa noite internet e tal.

[00:13:39] Você tem livros de ficção publicados.

[00:13:42] E aí a pergunta é

[00:13:43] como você se define

[00:13:45] no geral e no específico da ficção?

[00:13:48] Porque eu tenho aqui

[00:13:49] um abre aspas para botar no,

[00:13:52] se eu botar na orelha do seu próximo livro,

[00:13:55] a maior autora

[00:13:56] de ficção especulativa do Brasil

[00:13:58] da nossa geração,

[00:14:00] travessão Daniel Lameira.

[00:14:01] Daniel Lameira declarou

[00:14:03] que você é a maior

[00:14:05] autora de ficção especulativa do nosso Brasil.

[00:14:08] Como é que você se vê?

[00:14:08] Teu estilo?

[00:14:09] Como é que você,

[00:14:10] em que caixinha você se bota?

[00:14:12] Independente que os outros botem do Lameira,

[00:14:15] onde você se bota?

[00:14:16] Olha, Lameira é muito generoso,

[00:14:18] em primeiro lugar.

[00:14:20] Sim, tinha até o peso

[00:14:21] de uma grande responsabilidade

[00:14:23] agora sobre meus ombros,

[00:14:24] que você trouxe para mim.

[00:14:27] Mas sobre gênero,

[00:14:29] é muito interessante,

[00:14:30] porque por mais que eu escreva

[00:14:31] bastante ficção científica,

[00:14:33] eu não gosto de me colocar em caixinhas.

[00:14:36] Eu acho que

[00:14:37] para quem cria,

[00:14:39] para o artista,

[00:14:40] ver o gênero que está criando,

[00:14:42] não sei, pelo menos para mim,

[00:14:44] é mais limitante do que libertador.

[00:14:47] Porque a partir do momento

[00:14:48] em que eu for pensar,

[00:14:49] beleza, eu sou uma escritora

[00:14:50] de ficção científica.

[00:14:51] Isso aconteceu quando eu escrevi

[00:14:53] o meu segundo livro,

[00:14:54] Cidades a Fundo em Dias Normais,

[00:14:56] que eu entrei numa crise,

[00:14:58] porque o meu primeiro romance

[00:14:59] poderia mais ou menos

[00:15:02] ser considerado ficção científica,

[00:15:04] mas não completamente.

[00:15:05] Mas ainda assim,

[00:15:06] foi publicado dentro de um selo

[00:15:08] de ficção fantástica,

[00:15:10] de ficção especulativa.

[00:15:11] Já o meu segundo livro

[00:15:12] tem alguns elementos fantásticos,

[00:15:14] mas não é nada ficção científica.

[00:15:16] Então, nesse momento,

[00:15:17] eu entrei numa crise.

[00:15:18] Será que eu estou fazendo algo errado?

[00:15:20] Estou traindo o meu público?

[00:15:23] É, será que eu teria que me manter?

[00:15:24] Nesse nicho e só escrever

[00:15:26] ficção científica?

[00:15:28] Mas eu estava vendo um vídeo ontem

[00:15:30] do David Lynch,

[00:15:32] trechos, cortes do David Lynch falando,

[00:15:34] e ele fala que as ideias você

[00:15:36] capta como se estivesse numa pescaria.

[00:15:38] Você está pescando, de repente,

[00:15:40] você pescou uma ideia.

[00:15:42] E aquela ideia, às vezes,

[00:15:43] pode não ter nada a ver

[00:15:45] com o que você estava fazendo anteriormente.

[00:15:47] Então, eu gosto também de receber

[00:15:49] as ideias de uma forma muito aberta.

[00:15:52] Eu estou mais interessada

[00:15:53] em contar a história de personagens,

[00:15:54] e esses personagens,

[00:15:56] eles podem estar em arranjos muito diferentes.

[00:15:59] Mas, talvez, pelas minhas referências literárias,

[00:16:01] por eu gostar muito de quadrinhos,

[00:16:04] eu ter lido muita ficção científica,

[00:16:06] eu acabo indo mais para esse lado,

[00:16:08] do absurdo.

[00:16:09] Por ser brasileira também,

[00:16:10] a minha referência,

[00:16:11] histórias absurdas,

[00:16:12] eu estou competindo com o noticiário, sabe?

[00:16:15] Eu tenho que ser mais doida

[00:16:16] do que as notícias.

[00:16:18] Então, eu acabo não querendo muito

[00:16:20] me encaixar em alguma coisa.

[00:16:23] Porque eu acho,

[00:16:24] eu acho que

[00:16:24] não cabe a mim definir

[00:16:27] o que eu escrevo.

[00:16:29] Cabe a mim escrever.

[00:16:31] Então, cabe a quem definir.

[00:16:33] É a editora que vai colocar isso num selo,

[00:16:36] a livraria que vai escolher

[00:16:37] em qual prateleira ela vai me colocar.

[00:16:40] Quem vai definir são os acadêmicos

[00:16:42] que podem querer

[00:16:44] se interessar pela obra

[00:16:46] e vão, enfim,

[00:16:47] eles têm já um olhar mais para o gênero,

[00:16:50] um olhar mais histórico.

[00:16:51] Então, são essas pessoas que vão

[00:16:53] colocar etiquetas.

[00:16:54] O meu trabalho não é criar etiquetas.

[00:16:57] Eu acho que ia ficar muito…

[00:16:58] Eu ia enlouquecer se eu fosse pensar

[00:17:00] eu sou isso.

[00:17:02] E eu acho que isso é uma característica

[00:17:04] da produção artística

[00:17:07] ou de conteúdo

[00:17:08] do meio digital

[00:17:09] que eu acho que eu tenho visto muito no Instagram

[00:17:12] também. Não sei se em outros meios é assim.

[00:17:15] Mas que é. Uma pessoa faz sucesso

[00:17:16] com um tipo de vídeo

[00:17:18] e, de repente,

[00:17:20] o perfil dela vira uma variação

[00:17:23] daquele vídeo.

[00:17:24] Em outras situações, mas é aquele

[00:17:26] tipo de vídeo. A pessoa fez sucesso

[00:17:28] fazendo dancinha.

[00:17:30] Todos os vídeos são fazendo dancinha.

[00:17:32] Fez sucesso com um vídeo

[00:17:34] falando como seria se

[00:17:36] o português fosse falado como o inglês.

[00:17:38] E aí, todos os vídeos

[00:17:40] são daquela forma. Parte 2, parte 3, parte 4.

[00:17:42] Que é isso. É até uma coisa que eu ia te perguntar.

[00:17:45] Como você lida

[00:17:46] com o feedback e reação do público?

[00:17:48] Assim, a galera gostou.

[00:17:50] Por exemplo, agora você está fazendo uma série sobre

[00:17:52] transmídia em todos os…

[00:17:54] os seus pontos de contato midiáticos

[00:17:56] sobre aprender

[00:17:58] uma nova língua porque você se mudou

[00:18:00] para a Alemanha. E a galera

[00:18:02] legal. Comenta. Eu também.

[00:18:04] Passei por isso. Vou dar uma dica.

[00:18:06] Isso entra na tua cabeça de jeito

[00:18:08] consciente ou não de que eu preciso

[00:18:09] produzir mais conteúdo com isso? Como é que você

[00:18:12] lida com essa caixinha que as pessoas vão te

[00:18:14] empurrando? A partilheira da livraria que vão

[00:18:16] te empurrando? Sim.

[00:18:18] Eu acho que tem uma pressão

[00:18:19] e eu acho que é muito mercadológica

[00:18:22] também de você

[00:18:24] produzir

[00:18:24] em série, você

[00:18:26] produzir de forma industrial

[00:18:28] o mesmo, daquela mesma

[00:18:30] coisa, mas eu

[00:18:32] tento deixar vir meio que

[00:18:34] naturalmente, né? Então

[00:18:36] eu quero escrever sobre a Alemanha

[00:18:38] no momento, eu vou escrever, mas eu não

[00:18:40] vou me tornar uma blogueira

[00:18:42] sobre a cultura alemã.

[00:18:44] Eu não vou, eu não quero ficar

[00:18:46] presa nesse tema, mas

[00:18:48] inevitavelmente eu vou acabar

[00:18:50] trazendo alguma coisa, né?

[00:18:51] Alguma coisa sobre isso.

[00:18:53] Da mesma forma, por exemplo,

[00:18:55] já me perguntaram, a Alemanha vai

[00:18:57] influenciar o seu novo romance?

[00:18:59] E eu diria que não, porque

[00:19:01] tá se passando no Brasil, não sei,

[00:19:03] eu também não sei em que nível

[00:19:05] essa influência se dá.

[00:19:07] É inevitável essas influências

[00:19:09] acabarem contaminando a gente,

[00:19:11] mas eu deixo visto de uma

[00:19:13] forma muito natural, né?

[00:19:15] Eu não penso, eu vou fazer agora vídeo

[00:19:17] só sobre isso, né? Até o meu

[00:19:19] próprio podcast, cada temporada

[00:19:20] eu queria olhar

[00:19:23] em um lugar diferente.

[00:19:24] É até difícil, eu entendo

[00:19:27] muito, muito o que você fala agora,

[00:19:29] porque eu não sei direito

[00:19:31] explicar sobre o que é

[00:19:33] o meu podcast, a não ser, sei lá,

[00:19:35] linguagens e tentar decifrar

[00:19:37] o que é humano.

[00:19:38] É o mais geral do geral,

[00:19:41] que é sobre tudo,

[00:19:43] é sobre arte, sobre ciência, sobre história,

[00:19:45] é sobre o que me interessa.

[00:19:46] Então, em cada temporada também, eu tento olhar

[00:19:48] pra uma coisa diferente.

[00:19:50] E eu, não que eu gosto,

[00:19:52] eu ia falar que eu gosto,

[00:19:53] mas é que eu preciso me surpreender,

[00:19:55] eu preciso fazer algo diferente,

[00:19:57] porque a partir do momento em que

[00:19:59] eu faço uma coisa do mesmo jeito,

[00:20:02] por exemplo, uma temporada do podcast,

[00:20:03] a primeira temporada teve 20 episódios,

[00:20:06] em que eu tava fazendo,

[00:20:07] me descobrindo também, né, mas fazendo

[00:20:09] tudo mais ou menos ali no mesmo padrão.

[00:20:12] A partir do momento que eu entendi que padrão era esse,

[00:20:14] eu pensei, eu quero já mudar de padrão.

[00:20:16] Então, na segunda temporada,

[00:20:17] eu tentei fazer diferente.

[00:20:19] Então, intencionalmente, eu quis fazer diferente

[00:20:21] daquilo que as pessoas já estavam gostando.

[00:20:23] O que é um risco, né?

[00:20:25] Porque, poxa, as pessoas gostam disso.

[00:20:27] Se eu mudar, o que é que elas vão achar?

[00:20:30] Pode flopar, pode dar errado.

[00:20:32] Mas,

[00:20:33] eu ficar fazendo a mesma coisa sempre,

[00:20:36] eu acho que eu perco tesão, assim,

[00:20:38] de…

[00:20:39] Porque meio que eu já decifrei o padrão, beleza,

[00:20:41] eu já entendi esse padrão que eu tô fazendo,

[00:20:42] agora eu quero tentar explorar outros padrões, né?

[00:20:46] Então, até em cada romance,

[00:20:49] eu sinto que eu preciso de um narrador diferente,

[00:20:52] de uma linguagem diferente,

[00:20:53] então, cada romance,

[00:20:56] que é terrível também, né?

[00:20:57] Porque eu poderia muito bem seguir

[00:20:59] as fórmulas, eu não sei,

[00:21:02] eu tenho algum problema na cabeça.

[00:21:03] O próximo mistério que o detetive vai desvendar,

[00:21:07] e beleza, e…

[00:21:08] Mas é porque eu preciso…

[00:21:10] O código da 20, o código da 22,

[00:21:13] o código da 23, e…

[00:21:15] É, eu poderia fazer isso,

[00:21:17] eu sou trouxa de não fazer isso, né?

[00:21:19] De trabalhar mais em cima de um padrão,

[00:21:23] que é mais seguro, é mais confortável,

[00:21:25] eu tenho que, cada romance,

[00:21:27] eu tenho que reinventar o universo do zero, né?

[00:21:29] De repente, eu tenho que reaprender português.

[00:21:33] Então, assim, eu começo meio que do zero

[00:21:35] em cada coisa que eu faço,

[00:21:37] o que é angustiante,

[00:21:39] mas, ao mesmo tempo, é o que me motiva.

[00:21:46] O Momento Alura dessa semana

[00:21:48] é um momento de vitória,

[00:21:51] porque eu espero que você se lembre

[00:21:52] umas semanas atrás,

[00:21:53] eu contei aqui que a Alura tem vários podcasts

[00:21:55] sobre carreira e tecnologia,

[00:21:58] e um deles era o Hipsters Fora de Controle,

[00:22:00] que já é o meu apreço, meu coração,

[00:22:02] porque você sabe que eu tenho fraco,

[00:22:04] gosto muito de nomes de coisas que levam dois pontos.

[00:22:07] Hipsters, dois pontos, Fora de Controle,

[00:22:10] é um podcast sobre a famosa, famigerada,

[00:22:13] querida inteligência artificial generativa,

[00:22:16] o Chat APT, o Midi Journey,

[00:22:17] e várias outras ferramentas desse tipo,

[00:22:20] que, inclusive, são indicados nos episódios.

[00:22:23] Ah, e o que foi que eu fiz?

[00:22:24] Eu lancei uma indiretinha, tá bom?

[00:22:27] Não foi tão direitinha assim.

[00:22:29] Eu falei que, poxa, sim, quem sabe,

[00:22:32] seria legal se eu participasse do programa,

[00:22:34] e olha só, o meu plano maligno deu certo.

[00:22:37] Semana passada, a Júlia Chagas,

[00:22:39] que é a diretora de marketing da Alura,

[00:22:40] você sabe por quê,

[00:22:41] porque ela foi a nossa entrevistada

[00:22:43] aqui no quarto episódio da temporada,

[00:22:45] a Júlia me mandou uma mensagem perguntando

[00:22:47] se eu não queria participar

[00:22:48] do Hipsters Dois Pontos Fora de Controle,

[00:22:50] e eu me fiz surpreso.

[00:22:52] Nossa, será?

[00:22:53] Nunca pensei nisso.

[00:22:55] E, claro, topei.

[00:22:56] Para me ouvir, então,

[00:22:57] para ouvir a minha participação,

[00:22:59] escuta aí o episódio do dia 28 de abril,

[00:23:02] que se chama

[00:23:02] Ajuda entre IA’s,

[00:23:04] Limitação de Tokens,

[00:23:06] Intimidade Artificial e mais.

[00:23:09] Junto comigo estavam

[00:23:10] Paulo Silveira, CEO da Alura,

[00:23:12] Sérgio Lopes, CEO da Alura,

[00:23:14] Guilherme Silveira,

[00:23:15] o outro fundador da Alura, junto com o Paulo,

[00:23:18] sim, eles são irmãos,

[00:23:19] e o Marcos Mendes,

[00:23:20] host do Bolha Dev Podcast.

[00:23:22] A gente deu

[00:23:24] diquinhas de ferramentas,

[00:23:26] mas principalmente filosofou

[00:23:28] sobre o uso da inteligência artificial

[00:23:30] nessa parte aí do título

[00:23:31] Intimidade Artificial,

[00:23:33] onde eu consegui a proeza de linkar o uso da IA

[00:23:36] com o filme Click, do Adam Sandler,

[00:23:38] porque nesse filme está

[00:23:40] tudo o que você precisa saber sobre a vida.

[00:23:42] O Hipsters Fora de Controle

[00:23:44] fica dentro do feed do Hipsters.tech.

[00:23:47] É só procurar aí no seu app de podcast.

[00:23:49] Já segue o feed todo aí.

[00:23:50] Ele é um dos vários podcasts,

[00:23:52] podcast da Alura, que, você sabe,

[00:23:55] é a maior escola online

[00:23:56] de tecnologia do Brasil.

[00:23:58] E para ganhar 10% de desconto lá,

[00:24:01] tendo acesso a todos os cursos

[00:24:03] por um preço fixo,

[00:24:04] acessa aí alura.com.br

[00:24:07] barra promoção

[00:24:08] barra boa noite internet.

[00:24:10] Bom, bora voltar para o papo com a Aline.

[00:24:15] Mas deixa eu te perguntar o que nos trouxe aqui

[00:24:18] do seu processo criativo.

[00:24:19] A gente tem muita gente no Boa Noite Internet,

[00:24:22] que tem, por exemplo,

[00:24:24] ou galera que está saindo da faculdade,

[00:24:27] ou galera que está pensando

[00:24:28] em mudar a famosa, como é que é,

[00:24:30] transição de carreira e tal.

[00:24:32] Então, a primeira pergunta para eu te fazer

[00:24:34] em cima disso é, você se formou

[00:24:36] em alguma faculdade? Você fez faculdade de quê?

[00:24:38] Qual é a sua formação? De onde você veio?

[00:24:41] E por que que isso,

[00:24:42] ou se isso, acabou sendo importante

[00:24:44] para você ou se foi uma grande perda de tempo?

[00:24:47] Eu fui publicitária, então

[00:24:48] eu me formei em comunicação social.

[00:24:50] Ah, você se formou em comunicação social, legal.

[00:24:52] Eu me formei em comunicação social

[00:24:54] para publicidade.

[00:24:56] Não me arrependo, por mais que, assim,

[00:24:58] tenha sido muito difícil trabalhar

[00:25:00] com publicidade, mas eu aprendi

[00:25:02] muito. Eu acho que

[00:25:04] muito do que eu aprendi

[00:25:06] e do que eu carrego até hoje na minha

[00:25:08] escrita, principalmente na minha escrita para a internet,

[00:25:10] na minha escrita da newsletter,

[00:25:12] por exemplo, eu fui muito

[00:25:14] influenciada por professores que eu tive

[00:25:16] nessa época. Então, a minha professora

[00:25:18] de redação, a Raquel Cantarelli,

[00:25:20] ela me ensinou uma coisa que eu já,

[00:25:22] ainda mais, esqueci e que

[00:25:24] valia para a redação publicitária,

[00:25:27] que era escreva

[00:25:28] como uma conversa. E eu levei

[00:25:30] isso, eu trago isso até hoje,

[00:25:32] escreva como uma conversa.

[00:25:34] E claro que na publicidade isso,

[00:25:36] essa conversa é meio que para

[00:25:38] te vender uma coisinha,

[00:25:40] mas

[00:25:41] isso cria uma conexão

[00:25:44] com o leitor. Você consegue

[00:25:46] transportar o leitor para dentro

[00:25:48] da sua história, você consegue

[00:25:50] fazer o leitor se identificar

[00:25:52] com algo. Nossa, mas parece que ele está falando

[00:25:54] para mim, parece que ele está falando

[00:25:55] sobre a minha vida. Então, isso é

[00:25:58] uma conversa, né? E eu acho que

[00:26:00] a conversa também, ela parte do

[00:26:02] princípio de você expor as suas vulnerabilidades.

[00:26:04] Então, de você se,

[00:26:06] enfim, se expor

[00:26:08] as suas fraquezas, as suas falhas,

[00:26:10] a sua humanidade, que você não é

[00:26:11] perfeito, né? E tipo,

[00:26:14] estamos juntos, estamos do mesmo lado.

[00:26:16] Então, muito mais do que uma

[00:26:17] técnica persuasiva.

[00:26:19] É o que eu gosto de falar, de você não estar maluco

[00:26:21] sozinho. É a minha expressão, como eu descrevo

[00:26:23] a internet e o ato de escrever,

[00:26:25] mas a internet em geral. Você não está maluco sozinho.

[00:26:27] Amo. É exatamente isso.

[00:26:29] É exatamente isso. Então, foi uma coisa que eu aprendi

[00:26:31] na faculdade

[00:26:32] e que eu levo, assim, como

[00:26:35] uma regra de ouro da minha escrita.

[00:26:38] Escreva como uma conversa.

[00:26:39] Mas aí, como eu tinha

[00:26:40] como eu tinha blog desde

[00:26:43] sempre, eu escrevia histórias,

[00:26:45] eu escrevia ficção, escrevia

[00:26:48] contos. Então, eu já tinha

[00:26:49] uma certa produção constante,

[00:26:51] enquanto eu trabalhava,

[00:26:53] fazia roteiro, de varejo.

[00:26:56] E aí, enquanto isso, eu estava contando

[00:26:57] minhas historinhas aqui. Então, não foi assim,

[00:26:59] de um dia, do dia pra noite, que eu

[00:27:01] virei escritora. Mas aí,

[00:27:03] eu gostava de fazer conteúdo e foi o que me

[00:27:05] permitiu viver de frila e fazer

[00:27:07] conteúdo. E aí, quando eu me mudei pra São Paulo,

[00:27:09] eu acho que a chavinha virou.

[00:27:11] Eu estava em Brasília, que não tem

[00:27:13] um mercado, um cenário

[00:27:15] artístico. Talvez hoje tenha

[00:27:17] mais, mas na época não tinha muito

[00:27:19] espaço. Achava, não achava, mas enquanto

[00:27:21] isso, eu estava ali escrevendo, continuando

[00:27:23] escrevendo no meu blog. Meu blog ganhou

[00:27:25] muita relevância num

[00:27:27] tempo. E eu fui convidada

[00:27:29] a escrever pra Carta Capital,

[00:27:31] sobre feminismo. Então,

[00:27:33] ali, eu meio que já virei

[00:27:35] Aline Wallach, assim, mas

[00:27:37] já era Aline Wallach antes, né?

[00:27:39] Desde o blog, mas

[00:27:40] comecei a viver de ser Aline Wallach.

[00:27:43] Meu job é Aline Wallach.

[00:27:45] E aí, comecei a vender os meus textos

[00:27:47] como Aline Wallach, não mais como

[00:27:49] aquela escritora fantasma, né?

[00:27:51] Aquela ghostwriter pra marca.

[00:27:53] Agora, os trabalhos que eu vendia

[00:27:55] eram assinados. E a

[00:27:57] partir disso, comecei a criar

[00:27:58] a newsletter. E a partir da newsletter…

[00:28:01] Foi tudo… Uma coisa foi puxando a outra, sabe?

[00:28:03] Não foi uma coisa assim, de repente, eu lancei um livro.

[00:28:05] Acho que cada escritor tem um caminho,

[00:28:07] tem uma forma disso acontecer.

[00:28:09] Mas, no meu caso, foi graças

[00:28:11] à newsletter que eu publiquei

[00:28:13] no livro. Porque uma das minhas leitoras

[00:28:15] trabalhava numa editora

[00:28:16] e na newsletter eu contava, ah, eu tô escrevendo

[00:28:19] um romance. Na época, eu tava participando…

[00:28:21] de um…

[00:28:22] de uma maratona de escrita que chama Nanowrimel.

[00:28:25] É National Novel Writing Month.

[00:28:28] Que é no mês de novembro

[00:28:29] que existe esse desafio

[00:28:31] de escrever 50 mil palavras

[00:28:33] de um romance em um mês.

[00:28:34] De um primeiro manuscrito. E eu tava escrevendo

[00:28:37] do meu primeiro livro, As Águas Vivas

[00:28:39] Não Sabem de Si, que eu, na época,

[00:28:41] eu nem, assim,

[00:28:43] sabia que isso ia virar um livro um dia.

[00:28:45] Eu tava querendo só escrever algo

[00:28:47] mais longo, né? Foi a primeira vez que eu escrevi algo

[00:28:49] mais longo. E, na newsletter, eu

[00:28:51] compartilhava esse processo, né? Eu falava

[00:28:53] nossa, tô na metade da meta, tô chegando

[00:28:55] lá, o livro é sobre isso,

[00:28:57] blá, blá, blá. E essa

[00:28:58] editora, que me lia, falou

[00:29:01] ah, deixa eu ver isso

[00:29:03] daí que você tá escrevendo.

[00:29:04] E aí ela leu, se interessou,

[00:29:06] contratou o livro. E aí eu

[00:29:08] cheguei nesse outro degrauzinho, que eu não vou

[00:29:11] dizer que é o degrau definitivo, né? Mas

[00:29:12] nesse outro degrauzinho de ter um livro

[00:29:14] publicado numa casa

[00:29:16] editorial muito grande, muito respeitada

[00:29:18] no Brasil, que é a Roco. Então, isso

[00:29:20] já foi um outro passinho, né?

[00:29:23] Mas aí você escreve um livro,

[00:29:25] será que eu consigo escrever outro?

[00:29:27] Essa foi

[00:29:28] a motivação. E aí eu tô nesse

[00:29:30] grande esquema de pirâmide, que eu não consigo

[00:29:33] mais sair dele, que é escrever um livro,

[00:29:35] depois outro livro, depois outro livro.

[00:29:37] A pergunta é curta e grossa. Então,

[00:29:39] se é tudo isso, como você paga seus

[00:29:41] boletos? Como é que você não precisou

[00:29:43] voltar a trabalhar em

[00:29:44] agência? Como você, enfim,

[00:29:47] como é que você transforma isso no

[00:29:48] famoso business? Acho que foi a

[00:29:50] partir do momento que eu entendi que

[00:29:52] eu não podia, se eu não

[00:29:54] tenho um trabalho assalariado,

[00:29:57] eu também não posso

[00:29:58] pensar em ganhar dinheiro

[00:30:00] mês a mês, né?

[00:30:02] Eu preciso ter uma visão mais ampla,

[00:30:04] o que pra mim é muito difícil, sou uma pessoa muito

[00:30:06] ansiosa, muito dramática,

[00:30:08] mas de tentar ver as coisas mais a

[00:30:10] médio prazo. Então, por exemplo, eu não vejo

[00:30:12] muito em relação a salário,

[00:30:15] eu vejo em relação a renda

[00:30:16] anual, né? A renda que eu… Porque assim, é

[00:30:18] muito instável. Tem meses que rolam,

[00:30:20] muito trabalho, tem meses que não rola

[00:30:22] nada. Então, eu preciso

[00:30:24] ir me balanceando por essa

[00:30:26] média. E aí, outra coisa que eu aprendi

[00:30:29] foi a trabalhar como um

[00:30:30] polvo, né? De ter vários

[00:30:32] braços, várias rendas diferentes

[00:30:35] pra justamente quando

[00:30:37] não são todas as rendas que são

[00:30:38] constantes, então uma vai segurando

[00:30:40] a outra. Eu acho que a mais importante

[00:30:42] pra mim, no momento, e talvez seja um pouquinho

[00:30:44] jabá, mas é o meu apoia-se,

[00:30:47] que são os meus leitores

[00:30:49] maravilhosos, super

[00:30:50] generosos, que permitem que eu continue

[00:30:52] a escrever, apesar desses

[00:30:54] longos períodos de não ter trabalho,

[00:30:57] ou ter trabalho e demorar

[00:30:58] 90 dias pra pagar, isso acontece

[00:31:00] muito. Então, permitem

[00:31:02] que eu tenha esse respiro, né? Eles me

[00:31:04] dão assim, eles permitem que a minha cabeça

[00:31:06] fique fora da água, pelo menos.

[00:31:09] Então, é essa

[00:31:10] ajuda constante

[00:31:12] que me mantém

[00:31:14] navegando, aos poucos.

[00:31:16] Mas fora isso, quais são os outros braços

[00:31:18] do polvo? Você falou, tem

[00:31:20] mês que não tem nada, o que é? Que tipo de coisa

[00:31:22] que você faz? Eventos,

[00:31:24] cursos, encomendas,

[00:31:26] trabalhos, contos,

[00:31:29] que eu tenho gostado

[00:31:30] mais de fazer. Então,

[00:31:32] esse tipo de trabalho.

[00:31:34] Então, seja com a minha imagem,

[00:31:36] eu acho que o único que eu não faço

[00:31:38] mesmo é publicidade.

[00:31:40] De, sei lá,

[00:31:42] de ser garota propaganda,

[00:31:44] não sei se…

[00:31:46] Famoso publi. Eu acho que é o único

[00:31:47] que não faço, mas fora isso,

[00:31:50] curso, evento,

[00:31:52] enfim, tem o curso da doméstica

[00:31:54] também, se inscreva.

[00:31:56] Vamos falar desse curso daqui

[00:31:57] em instantes, vamos falar desse curso.

[00:31:59] Sim, então eu tenho que me desdobrar,

[00:32:02] tentar me desdobrar o máximo possível.

[00:32:05] Boa. Não, gostei

[00:32:06] da analogia do polvo. A gente tem um

[00:32:08] quadro de polvo ali na sala, eu vou dar um

[00:32:10] destaque maior pra ele, que é bem isso.

[00:32:12] Mas eu não só entendo

[00:32:14] e concordo, como também compartilho

[00:32:16] com você os números, que eu chamo

[00:32:18] Boa Noite Internet Gold, que eu sou muito ruim de dar nome

[00:32:20] pras coisas, mas é isso.

[00:32:22] A patronagem, a galera que apoia

[00:32:24] financeiramente aqui. Eu achei legal que no fim do seu podcast

[00:32:26] você fala, vocês são maravilhosos.

[00:32:28] E eu fico meio assim, pô, mas

[00:32:30] é meio truque psicológico eu falar pras pessoas,

[00:32:32] vocês são incríveis, vocês são as melhores

[00:32:34] pessoas do mundo. Então eu falei, não, beleza, a Lini

[00:32:36] fez, então eu vou fazer também.

[00:32:40] Mas sobre

[00:32:41] os Wallakers, que é como

[00:32:42] os meus apoiadores se autodenominam,

[00:32:44] meu fandom, eles são realmente

[00:32:46] maravilhosos, eles sabem disso. A gente tem um grupo,

[00:32:48] um grupinho no Zap,

[00:32:50] que eles, assim, criaram um clube do livro,

[00:32:52] eles se encontram,

[00:32:54] eles me dão ideias, inclusive,

[00:32:57] de temas. Então, assim,

[00:32:58] eu sou puramente

[00:33:00] gratidão, eles são muito incríveis.

[00:33:02] Teve uma época em que eles

[00:33:04] eu tava muito mal, assim, tipo

[00:33:06] tava

[00:33:08] afundada no vale da desistência.

[00:33:10] Eu não tava vendo mais sentido

[00:33:12] de continuar escrevendo os letters.

[00:33:14] Enfim, eu super desabafei

[00:33:16] sobre isso com eles, porque afinal eles

[00:33:18] também financiam o meu trabalho, né?

[00:33:20] E eu precisava de um tempo.

[00:33:22] E, assim, não só eles entenderam como eles

[00:33:24] me mandaram uma cesta

[00:33:26] de presentes, com flores, com

[00:33:28] chocolates. Então, assim, eu fiquei…

[00:33:30] Eles são incríveis, eles são incríveis

[00:33:32] mesmo. Eu não tenho,

[00:33:34] assim, palavras pra agradecer essas pessoas

[00:33:36] que me ensinam muito também.

[00:33:38] Não só dão ideias, mas eu

[00:33:40] observando eles conversarem

[00:33:42] e como eles conversam também de uma forma

[00:33:44] muito gentil, muito generosa

[00:33:46] a compartilhar referências, eles também me

[00:33:48] ensinam muito, porque eles são de áreas muito diferentes.

[00:33:50] Eu tenho apoiadores que são pesquisadores,

[00:33:53] professores, artistas,

[00:33:55] escritores,

[00:33:56] editores. Então, eu aprendo

[00:33:58] muito também com eles. É uma…

[00:34:00] É realmente uma conversa.

[00:34:02] Você tem coisas que você publica que pra alguém

[00:34:04] ler, precisa pagar. Desde o

[00:34:06] seu grupo que você acabou de citar,

[00:34:08] os Valekers, até um livro que eu vou

[00:34:10] na livraria, vou comprar. E você

[00:34:12] tem, por exemplo, a sua newsletter é grátis,

[00:34:14] você tem um podcast, você tem uma quantidade

[00:34:16] de conteúdos,

[00:34:18] grátis. Vamos pegar um

[00:34:20] exemplo prático. A tua newsletter, ela é

[00:34:22] aberta. Isso. E aí você acabou de

[00:34:24] contar que você, aberta, portanto

[00:34:26] grátis, você só conseguiu

[00:34:27] ser publicada porque alguém lia

[00:34:30] a sua newsletter e falou assim, legal, vou te

[00:34:32] dar uma oportunidade de

[00:34:33] ser publicada. E aí isso,

[00:34:36] você até usou a imagem do

[00:34:38] degrau, você subiu o degrau na arquibancada

[00:34:40] do Pacaembu. A minha newsletter

[00:34:42] é fechada, porque aí eu

[00:34:44] tenho até uma relação até de trabalho, assim.

[00:34:46] Cara, eu vou dar essa

[00:34:48] coisa legal que eu tenho pra quem me apoia,

[00:34:50] pra quem paga meus boletos

[00:34:52] e tal, então não vou liberar

[00:34:54] pro mundo. Então eu fico numa batalha interna

[00:34:56] de tipo assim, só que eu sei que se eu botar

[00:34:58] a newsletter grátis ou publicar

[00:35:00] no LinkedIn, ou seja lá o que for,

[00:35:02] eu tô aumentando a minha audiência.

[00:35:04] Mas e daí? Se isso não vira dinheiro?

[00:35:06] Você tem algum raciocínio em cima

[00:35:08] disso, um plano de negócio? Ou você

[00:35:09] na hora decide? Como é que você decide

[00:35:11] o conteúdo que vai ser aberto e o conteúdo que vai ser

[00:35:14] fechado? Sim, isso é um impasse

[00:35:16] pra mim, porque eu

[00:35:18] gostaria de ser remunerada, né?

[00:35:20] Pelo trabalho que eu faço. Eu acho que

[00:35:22] eu escrevo uma newsletter muito boa

[00:35:24] e que as pessoas sempre são tocadas

[00:35:26] ou conhecem coisas novas

[00:35:28] e não sei se tem um pouco, talvez,

[00:35:30] de, não

[00:35:32] síndrome de impostora, mas de uma certa

[00:35:34] humildade, de

[00:35:36] nossa, mas eu não vou

[00:35:38] cobrar. Imagina, imagina se eu vou

[00:35:40] cobrar, eu tô pegando no boi.

[00:35:42] Você conhece essa expressão mineira,

[00:35:44] mineiresse? Não. Eu estou pegando no boi

[00:35:46] que as pessoas estão me lendo.

[00:35:48] Eu tô, assim, eu

[00:35:50] devia estar, é uma vantagem

[00:35:52] já das pessoas estarem me lendo, eu devia

[00:35:54] estar agradecendo

[00:35:55] das pessoas estarem me lendo.

[00:35:58] Então, isso pra mim é um impasse, porque

[00:36:00] eu não queria fechar, porque

[00:36:02] eu também entendo que,

[00:36:04] não sei, eu teria menos gente me lendo,

[00:36:06] claro, porque não seria todo

[00:36:07] o meu universo de leitores

[00:36:10] que iria pagar. Então eu tenho sempre

[00:36:12] esse impasse, mas eu

[00:36:13] talvez faça isso mais por uma questão

[00:36:16] ideológica, daí tá vendo trouxa,

[00:36:18] de novo,

[00:36:19] de que eu acho que a

[00:36:22] arte, e assim, não é toda a minha arte

[00:36:24] que é acessível, assim,

[00:36:26] pra todos, né? Por exemplo, os meus,

[00:36:27] o meu trabalho de ficção, os meus romances

[00:36:30] não são, porque são publicados por uma editora,

[00:36:32] né? Então tem um custo

[00:36:33] que envolve o trabalho de outros profissionais,

[00:36:36] que eu não posso simplesmente

[00:36:37] abrir isso pra todo mundo. Mas

[00:36:40] no que tá no meu alcance,

[00:36:42] eu gostaria de que fosse

[00:36:44] mais acessível, né?

[00:36:46] E talvez seja aí essa minha coisa ideológica

[00:36:48] de tornar a literatura, de tornar

[00:36:50] a arte mais acessível, porque ela já

[00:36:52] é tão elitista, já é tão fechada,

[00:36:54] né? Eu fico muito irritada

[00:36:56] de entrar no… E por mais que entenda

[00:36:58] também, né, que alguém precisa pagar

[00:37:00] as contas, né? Não existe almoço grátis.

[00:37:02] Mas de tentar ler um…

[00:37:04] uma crônica no jornal,

[00:37:06] um artigo de opinião e, lá, me deparar

[00:37:08] com o paywall. Embora um jornal

[00:37:10] também fature com publicidade,

[00:37:12] né? Mas,

[00:37:14] enfim, esse ainda é um impasse

[00:37:16] pra mim, né? Então, eu,

[00:37:18] por enquanto, é um conteúdo que tá

[00:37:20] aberto e que eu gostaria que ficasse aberto

[00:37:22] o máximo possível

[00:37:24] e só tá aberto porque

[00:37:25] tem leitores apoiando,

[00:37:28] né? Agora, se eu tivesse menos

[00:37:30] apoiadores e eu não conseguisse

[00:37:32] pagar minhas contas do mês, aí talvez

[00:37:34] eu considerasse

[00:37:35] fechar, né? Então, talvez

[00:37:38] pra trazer pessoas que não apoiavam pra

[00:37:40] passar a apoiar. Mas é muito difícil

[00:37:42] isso. Eu gostaria que circulasse o máximo

[00:37:44] possível, né? Que as ideias

[00:37:46] pudessem circular o máximo possível.

[00:37:48] E eu tentar

[00:37:49] proteger esse mínimo

[00:37:52] cercadinho que eu tenho

[00:37:53] desses tentáculos

[00:37:56] aí do capitalismo.

[00:37:58] Não, eu concordo. E, assim, eu, em

[00:38:00] 2018, fim de 2018, eu acho que

[00:38:02] comecei a fazer newsletter. E a primeira

[00:38:04] edição, e já era fechada, ela

[00:38:06] nasceu fechada como, até como

[00:38:07] prêmio, como é que é, recompensa

[00:38:10] de quem me apoiasse. Eu lembro

[00:38:12] da sensação, e eu

[00:38:13] literalmente coloquei isso na newsletter, que, assim,

[00:38:16] pela primeira vez na minha vida,

[00:38:18] eu tô sendo pago pra escrever.

[00:38:20] Assim, as pessoas entraram, sei lá,

[00:38:22] numa quarta-feira,

[00:38:24] e na sexta-feira

[00:38:26] eu tava escrevendo. Cara, essa é a primeira vez

[00:38:28] eu já blogo desde 2000 e tal. É a primeira vez

[00:38:30] que eu tô sendo pago pra escrever. Que legal!

[00:38:32] Mas, do outro lado, vem isso que você falou

[00:38:34] de que a gente quer ser lido, que

[00:38:35] nossas ideias se espalhem

[00:38:37] e tal. E, umas semanas atrás, eu tô

[00:38:40] surtado do chat EPT, da Inteligência

[00:38:42] Artificial. Já fiz, sei lá,

[00:38:44] umas 10 newsletters sobre o assunto.

[00:38:46] E aí, duas, três semanas atrás,

[00:38:48] um cara, inclusive um publicitário,

[00:38:50] camarada meu, mandou uma

[00:38:52] mensagem falando assim, cara, a sua newsletter é mais

[00:38:54] legal, eu adoro, não sei o quê.

[00:38:56] E eu fico assim, mas ninguém sabe,

[00:38:58] né? Tipo, sei lá,

[00:38:59] tem aquelas centeninhas de pessoas ali

[00:39:02] que sabem, e aí eu fico assim,

[00:39:05] espalhem, digam

[00:39:06] que a newsletter é legal, mas não é assim que funciona.

[00:39:08] Enfim, mas eu fico

[00:39:10] nessa mesma luta que você tá escrevendo

[00:39:12] de que, não, legal, se

[00:39:13] uma quantidade suficiente de pessoas

[00:39:16] apoiasse, eu liberaria a newsletter,

[00:39:18] porque aí, beleza, os boletos estão pagos,

[00:39:20] eu fico, que é,

[00:39:22] eu concordo com você, meio coisa de artista, assim,

[00:39:24] não, a informação merece…

[00:39:26] E de artista dessa geração de internet,

[00:39:28] né, que nasceu lá,

[00:39:30] que viveu num mundo sem internet, e de repente

[00:39:32] começou a viver num mundo com internet,

[00:39:34] somos a última geração a

[00:39:35] ser assim, e fala

[00:39:38] a informação tem que ser livre, viva o

[00:39:40] livre, livre circulação

[00:39:42] e tal, mas boletos

[00:39:43] estão aí. Mas a conta não fecha,

[00:39:46] né? É isso, a conta não fecha,

[00:39:48] mas deixa eu, então, aproveitar pra fazer, sim,

[00:39:50] um jabá, que eu

[00:39:52] acho valioso, que é o

[00:39:54] seu curso, você tem um curso na Domestika, qual é o nome

[00:39:56] oficial do curso? Técnicas

[00:39:58] criativas para

[00:40:00] transformar ideias em textos.

[00:40:02] É pra tentar englobar

[00:40:04] tudo que o curso traz. Boa.

[00:40:07] Então, vou começar

[00:40:08] pela pergunta que é praticamente de

[00:40:10] coach, que é

[00:40:12] como você define criatividade,

[00:40:14] porque é uma coisa muito, você vê em todos

[00:40:16] esses cursos de criatividade, todo

[00:40:18] mundo é criativo, até em agência de publicidade,

[00:40:20] né? Todo mundo é criativo, as ideias podem

[00:40:22] vir de qualquer lugar, e do mesmo jeito que a gente

[00:40:24] falou lá no início, que não, eu não sou escritor,

[00:40:26] não, eu não sou artista, tem um monte de gente que falou, não,

[00:40:28] eu não sou criativo. Então, como é que é,

[00:40:30] se também falamos de caixinha,

[00:40:32] como é que é a tua caixinha do que é a criatividade?

[00:40:34] Da mesma forma que eu acho que

[00:40:36] o escritor é glamourizado, não,

[00:40:38] eu, escritor, acho que o criativo

[00:40:40] também é, né? Se vê o

[00:40:42] criativo como artista,

[00:40:44] e às vezes equipara-se artista

[00:40:46] à celebridade, então, se você

[00:40:48] pensa, não, essa pessoa não é uma celebridade,

[00:40:50] então ela não é artista, as pessoas

[00:40:52] acham que é a mesma coisa, então, se eu não

[00:40:54] sou artista, eu não sou criativo,

[00:40:56] e até dentro de agência

[00:40:58] existe um pouco isso, o criativo,

[00:41:00] né? Aquele que pensa

[00:41:02] aquelas ideias originais,

[00:41:04] premiadas, aquelas

[00:41:06] grandes sacadas,

[00:41:08] mas eu acho que a criatividade é

[00:41:10] mais simples e talvez

[00:41:12] é muito mais humana

[00:41:14] que a capacidade da gente resolver problemas,

[00:41:16] da gente associar ideias, da gente

[00:41:18] combinar ideias pra criar algo

[00:41:20] novo, e até

[00:41:21] isso põe um pouco em xeque a questão

[00:41:24] de originalidade também,

[00:41:26] que se associa a criativo,

[00:41:28] o criativo é fazer algo que ninguém nunca

[00:41:30] fez antes, mas sabe que existe algo que ninguém

[00:41:32] nunca fez antes? Se a gente tá sempre

[00:41:34] combinando coisas, e por mais que

[00:41:36] a gente misture as referências

[00:41:37] e coloque um pouco do nosso próprio

[00:41:40] tempero ali dentro, e vira

[00:41:42] realmente algo novo, a gente

[00:41:44] tá continuando uma grande conversa,

[00:41:46] né? Que vem de milagres,

[00:41:48] milênios atrás, a gente ainda tá conversando

[00:41:50] com os gregos que pensaram ali

[00:41:52] nas primeiras peças

[00:41:54] de teatro, a gente ainda tá

[00:41:56] conversando com isso, quando a gente vê um filme da Marvel,

[00:41:58] então, por exemplo,

[00:42:00] né? Então, acho que a criatividade

[00:42:02] ela é muito

[00:42:04] mais chão, ela é muito

[00:42:06] porque ela não é só, ela não

[00:42:08] se manifesta só em artistas,

[00:42:10] claro, tem uma criatividade artística,

[00:42:12] mas um cozinheiro pode

[00:42:14] ser criativo, uma dona de casa

[00:42:16] pode ser criativa,

[00:42:18] qualquer trabalhador pode ser

[00:42:20] criativo, né? Crianças são

[00:42:22] criativas, né? Acho que a criança é a

[00:42:23] criatividade, assim, em ebulição

[00:42:25] antes dela começar a ser tolida

[00:42:28] pela culpa, pelo medo, pela vergonha

[00:42:30] que várias instituições

[00:42:31] de autoridade vão

[00:42:33] depois colocando na gente

[00:42:36] e acho que a criatividade

[00:42:38] é esse lugar da gente também poder voltar a ser

[00:42:39] criança e olhar o mundo

[00:42:42] com mais curiosidade, né? Com esse

[00:42:44] gesto de não sei o que é isso,

[00:42:46] o que é isso? Pra que serve?

[00:42:48] Como eu posso usar? Quando você pega uma coisa que você

[00:42:50] não sabe o que é e às vezes usa de outra

[00:42:52] forma, sabe? Não pra aquela

[00:42:54] forma que foi planejado,

[00:42:56] isso também é uma forma de ser criativo,

[00:42:58] né? E de usar as limitações

[00:43:00] também, a gente às vezes pensa

[00:43:02] ah, mas eu não tenho equipamento certo,

[00:43:04] ah, eu não tenho as condições

[00:43:06] corretas. Qual é a sua máquina de

[00:43:08] escrever? Fala aí a sua máquina.

[00:43:10] Eu odeio, eu odeio.

[00:43:12] As pessoas perguntam, mas qual computador você usa?

[00:43:14] Qual microfone você usa?

[00:43:16] Qual impressora você usa?

[00:43:18] Não importa,

[00:43:20] porque tipo, é… Moleskine,

[00:43:22] Moleskine discorda de você que vende

[00:43:23] caderno pra caramba, que não, com esse caderno

[00:43:26] aqui, eu vou ter

[00:43:27] esse… Não, a propaganda do Moleskine é melhor

[00:43:29] porque assim, o caderno que era

[00:43:31] usado por fulano de tal e começa…

[00:43:34] Exato. Eu preciso de um caderno

[00:43:36] desse, esse caderno é maravilhoso

[00:43:38] e ele é o que me falta.

[00:43:39] Você vê como a gente coloca até a criatividade no lugar

[00:43:42] de consumo, né? Você precisa consumir

[00:43:44] algo pra ser criativo. Nossa,

[00:43:46] muito, muito. Mas você tem uma

[00:43:48] frase que você fala no curso, dando

[00:43:49] espirateando o seu curso aqui, que eu

[00:43:52] literalmente dei risada alta,

[00:43:54] que você fala alguma coisa tipo assim,

[00:43:55] as pessoas têm muitas dificuldades

[00:43:57] na hora de criar. A primeira é começar

[00:44:00] e a segunda é terminar.

[00:44:03] Você…

[00:44:03] Existe esse lugar… Que eu gostei

[00:44:06] dessa discussão que você acabou de fazer

[00:44:07] e a palavra que me vem à cabeça quando

[00:44:10] alguém encara a criatividade do jeito que você falou

[00:44:12] que é o jeito que eu encaro é ofício, né?

[00:44:14] A criatividade, ou escrever, ou pintar

[00:44:16] ou compor uma música, é ofício.

[00:44:18] É ofício, não é

[00:44:19] um lampejo divino e tal.

[00:44:22] Criar pra você é sofrimento?

[00:44:24] Como é que você vê essa… Que existe esse…

[00:44:26] Hollywood deve ter reforçado

[00:44:28] isso do criativo, o sofrimento

[00:44:30] eu tenho, eu preciso, ou

[00:44:31] alcoólatra, ou, né…

[00:44:34] Como é que essa relação criar… Até que

[00:44:36] você falou agora há pouco, você estava no vale da

[00:44:37] desistência e tal. Como é que é o sofrer

[00:44:40] no ofício da criatividade pra você?

[00:44:42] Eu gostaria de dizer que isso é um

[00:44:43] grande estereótipo, que

[00:44:45] o artista não precisa de

[00:44:47] sofrimento pra trabalhar. E eu acho que

[00:44:49] realmente, o artista não precisa de sofrimento

[00:44:51] pra trabalhar. Você pode se divertir

[00:44:54] com o que você faz.

[00:44:55] Mas, assim, no meu processo, o sofrimento, infelizmente,

[00:44:58] faz parte.

[00:45:00] Com várias incertezas,

[00:45:02] várias dúvidas, várias

[00:45:04] vozes, cada uma falando uma coisa.

[00:45:06] Eu tento, cala a boca, cala a boca,

[00:45:08] vocês estão me deixando louco. Então, assim,

[00:45:10] eu passo, e também por esse

[00:45:11] vale da desistência, que eu acho que eu também falo

[00:45:14] disso no curso, né, naquele momento

[00:45:16] em que tem

[00:45:17] momentos que a gente tá super empolgado

[00:45:20] e o projeto consegue avançar, a gente

[00:45:22] tem várias ideias. E então,

[00:45:24] do nada, a gente

[00:45:26] por que que eu tô fazendo isso? Isso tá

[00:45:28] uma merda, eu não sei o que eu tô

[00:45:30] fazendo. Tem até

[00:45:32] o meme da menina que tá fazendo um trabalho

[00:45:34] de escola e começa a rasgar. Eu

[00:45:36] gastei o dinheiro da minha vida aqui

[00:45:38] pra fazer isso. E ela fica muito

[00:45:40] irritada. Eu me sinto assim

[00:45:42] em várias

[00:45:44] etapas do meu processo, em que eu caio

[00:45:46] nesse vale da desistência.

[00:45:47] Mas a gente vai criando

[00:45:49] estratégias pra sair do vale da desistência,

[00:45:52] porque ele é uma etapa

[00:45:53] do processo, ele é uma fase. Então,

[00:45:56] até tem coisas que se a gente

[00:45:57] passar a enxergar como etapas,

[00:45:59] como fases, ter mais

[00:46:01] clareza disso, a gente entende que também

[00:46:03] a gente pode sair dele. Então, a procrastinação,

[00:46:06] por exemplo, é uma fase

[00:46:08] normal do processo. Você precisa se

[00:46:09] distanciar do que você

[00:46:11] tá fazendo e fazer outra coisa,

[00:46:14] e lavar a louça, e passear

[00:46:15] com o cachorro, pra até a

[00:46:17] diar um pouco a sua cabeça.

[00:46:19] O problema é quando você não sai

[00:46:21] da procrastinação, e você não volta

[00:46:23] pro projeto. Mas se você vê como

[00:46:26] uma etapa que tem hora pra começar, hora pra

[00:46:27] terminar, então uma hora você

[00:46:29] anda. O vale da desistência é a mesma

[00:46:31] coisa. Claro que ele envolve

[00:46:33] talvez questões mais complexas,

[00:46:36] mais emocionais,

[00:46:38] de você entender. Eu fiz

[00:46:39] um masterclass da

[00:46:41] Margaret Atwood, que é uma escritora que eu amo,

[00:46:44] e acho que foi

[00:46:45] na primeira aula que ela já fala

[00:46:47] sobre, eu tô pirateando aqui também, eu não sei

[00:46:49] quais delas,

[00:46:51] que ela fala sobre o

[00:46:53] bloqueio, né, porque todo mundo fala, ah, como

[00:46:55] vencer o bloqueio,

[00:46:57] e a gente vence o bloqueio a partir

[00:46:59] do momento que a gente olha

[00:47:01] de frente pra ele. Por que eu estou

[00:47:04] bloqueado pra fazer isso?

[00:47:06] Às vezes você tem que fazer uma investigação

[00:47:08] que não tem a ver com a parte técnica do

[00:47:09] trabalho, não é que você não sabe fazer aquilo,

[00:47:11] não é que te falta um moleskine pra

[00:47:13] você terminar aquilo. Às vezes você

[00:47:15] tá com questões pessoais, às vezes

[00:47:17] muito antigas, né, às vezes o que você tá

[00:47:19] fazendo é tão profundo

[00:47:21] e tão íntimo seu

[00:47:23] que você precisa, às vezes,

[00:47:26] dar vários passinhos pra trás

[00:47:28] e olhar pra você

[00:47:29] mesmo e tentar se resolver

[00:47:32] em cima disso pra você continuar

[00:47:33] avançando. E eu acho que

[00:47:35] o difícil de fazer literatura é que

[00:47:37] constantemente eu tô esbarrando em

[00:47:39] questões muito pessoais, em questões

[00:47:41] muito traumáticas, né,

[00:47:43] naquele nervo. Por exemplo,

[00:47:45] ter escrito As Águas do Céu,

[00:47:47] Os Livros Não Sabem de Si, né, um livro

[00:47:49] que se passa completamente

[00:47:51] submerso, né,

[00:47:53] no oceano, isso escrito

[00:47:55] por uma pessoa que sequer sabe nadar,

[00:47:57] né, então não é que eu amo aquela pessoa que

[00:47:59] ah, eu amo. Uma pessoa que é o

[00:48:01] estereótipo, nascida em Minas

[00:48:03] Gerais, que é o estereótipo da pessoa

[00:48:05] que não entende de oceano.

[00:48:10] Exato, e eu fui me interessar

[00:48:11] por quê? Justamente porque

[00:48:13] me fascina e me assusta.

[00:48:15] Então tudo que é terrível pra mim,

[00:48:17] encarar como, por exemplo, o desentendimento,

[00:48:20] o abandono, a violência,

[00:48:22] é justamente o que me

[00:48:23] atrai pra escrever. Mas ao mesmo tempo

[00:48:25] é muito difícil lidar com as coisas

[00:48:27] assim, que mexem

[00:48:29] com a gente. Mas é justamente o que mexe

[00:48:31] com a gente que vale a pena escrever sobre.

[00:48:33] Porque senão a gente manda o chat GPT escrever,

[00:48:36] sabe? A gente tem que

[00:48:37] se jogar e expor as nossas vulnerabilidades

[00:48:40] e saber também que

[00:48:41] não vai sair perfeito, né.

[00:48:43] E isso é um dos pontos também

[00:48:45] que sempre me joga fazendo análise

[00:48:47] aqui ao vivo, ao vivo não, né.

[00:48:49] Mas com o

[00:48:51] Cris Dias, de

[00:48:52] quando eu me percebo

[00:48:54] no vale da desistência

[00:48:57] também, quando eu encaro algo

[00:48:59] que, opa, isso aqui

[00:49:00] eu não sei exatamente como lidar

[00:49:03] com isso, né. Então eu

[00:49:05] acabo tendo que voltar

[00:49:06] a questões muito pessoais

[00:49:09] e talvez

[00:49:11] disso, de entender que

[00:49:12] nossa, mas não tá ficando bom,

[00:49:15] não tá perfeito.

[00:49:16] E de entender que

[00:49:18] a fratura, a falha

[00:49:20] também é o que torna

[00:49:22] um trabalho

[00:49:23] poderoso. Pode

[00:49:26] olhar nas maiores obras.

[00:49:28] Eu acho que isso eu

[00:49:30] aprendi fazendo um curso com

[00:49:32] Alex Castro, ele faz

[00:49:34] um curso sobre grandes

[00:49:36] clássicos da literatura, né.

[00:49:39] E ele

[00:49:40] fala muito de que essas obras

[00:49:42] que sobreviveram milhares

[00:49:44] de anos, por exemplo, a Bíblia,

[00:49:46] eles estão recheados de contradições.

[00:49:48] E são esses erros, essas

[00:49:50] contradições, esses buracos

[00:49:52] que fazem os leitores

[00:49:54] de gerações depois

[00:49:56] quererem preencher esses buracos,

[00:49:58] essas fraturas.

[00:50:00] Então a gente precisa aceitar

[00:50:02] um pouco também os nossos

[00:50:04] erros, né. Talvez entender

[00:50:06] que eles sejam necessários pra gente

[00:50:08] colocar aquilo no mundo,

[00:50:10] né. De que mesmo você

[00:50:12] expondo ali uma ferida muito

[00:50:14] profunda sua, que

[00:50:16] isso torna

[00:50:18] aquilo mais humano e que vai fazer aquilo

[00:50:20] sobreviver por mais tempo.

[00:50:25] Deixa eu contar uma história aqui

[00:50:26] rapidinho sobre a Aline Valle, que

[00:50:28] como são as coisas, né. Como é o

[00:50:30] mundo e o acaso.

[00:50:32] Estava eu essa semana

[00:50:34] editando a entrevista da Aline,

[00:50:36] selecionando o que ia pro ar,

[00:50:38] rindo, né, lembrando o papo.

[00:50:40] Aí chega um alerta no e-mail

[00:50:42] do coworking da Ampere, dizendo

[00:50:44] que tinha um pacote pra mim na portaria,

[00:50:46] um recebidinho.

[00:50:48] Aí eu fui lá, vi que era um pacote da editora

[00:50:50] Aleph, que é amiga aqui do Bom Na Internet,

[00:50:52] né, já patrocinou o programa,

[00:50:54] já me botou na capa de livro e tudo.

[00:50:56] Eis que, dentro do pacote,

[00:50:59] tinha o livro

[00:50:59] Irmãs da Revolução, que é uma

[00:51:02] coletânea de ficção científica organizada

[00:51:04] pelo casal Anne e Jeff Vandermeer.

[00:51:07] O Jeff é o cara que escreveu

[00:51:08] a série de livros Aniquilação,

[00:51:10] que virou filme da Netflix e tudo.

[00:51:13] A coletânea é

[00:51:14] toda de contos escritos por

[00:51:16] mulheres, o que é doido.

[00:51:19] Porque desde que eu sou moleque, tudo

[00:51:20] que me era dado pra ler em ficção

[00:51:22] científica era escrito por homens.

[00:51:25] Meus ídolos eram

[00:51:25] o Arthur Clarke, Isaac Asimov,

[00:51:29] Frank Herbert,

[00:51:30] Ray Bradbury, por aí vai.

[00:51:32] São esses autores que

[00:51:34] influenciaram também caras como Elon Musk

[00:51:36] e o Jeff Bezos, o famoso

[00:51:38] Jeff Bezos. É só ver que

[00:51:40] é aquele futuro que tem nesses

[00:51:42] livros que eles estão querendo construir.

[00:51:43] Só que a ficção científica foi

[00:51:45] literalmente inventada por uma mulher,

[00:51:48] a Mary Shelley, quando ela

[00:51:50] escreveu Frankenstein. Só que

[00:51:52] quando o mercado cresceu,

[00:51:54] o mercado literário de sci-fi cresceu, elas foram

[00:51:56] meio que chutadas pro canto

[00:51:57] e lentamente voltam a tomar

[00:52:00] liderança nessa área, agora

[00:52:01] no século XXI. Tá bom,

[00:52:03] mas o que a Aline Wallach tem a ver com essa

[00:52:05] história toda? Porque lá,

[00:52:08] nesse livro que eu recebi, tem contos de um monte

[00:52:10] de autora do século XX e XXI,

[00:52:12] da Angela Carter, a Nandy Okorafor,

[00:52:15] e também tem

[00:52:15] um conto inédito da Aline, que se

[00:52:17] chama A Mulher Que Vestiu a Montanha.

[00:52:20] Na hora que eu vi isso, eu pedi

[00:52:21] pra produção aqui, alô produção!

[00:52:24] Mandar uma mensagem pra Aleph, pedindo

[00:52:26] um cupom pra você que tá aí ouvindo

[00:52:27] poder curtir essa belezura,

[00:52:29] porque essa coletânea é baita edição, capa

[00:52:31] dura, coisa linda, coisa fina.

[00:52:34] Então, isso aqui não é publi,

[00:52:35] eu não tô ganhando nada com isso, além do tal do

[00:52:37] quentinho no coração, de ajudar

[00:52:39] a boa leitura e gente que eu gosto.

[00:52:42] Segunda-feira eu boto lá no meu Instagram

[00:52:43] umas fotos do livro pra vocês conferirem,

[00:52:45] que são 30 contos,

[00:52:47] mais de 500 páginas,

[00:52:50] tem história também da Octavia A. Butler,

[00:52:52] da Ursula K. Le Guin,

[00:52:53] na boa, baita lançamento.

[00:52:56] O cupom é de 30%,

[00:52:57] olha que maravilha, vale

[00:52:59] pra quem comprar no site da Aleph,

[00:53:01] eu vou botar o link, tudo mais, na descrição

[00:53:03] do episódio, mas o cupom é

[00:53:05] IRMÃS30, tudo junto,

[00:53:07] CENTIL, IRMÃS30,

[00:53:10] se você já quiser ir lá,

[00:53:11] agora comprar, é só ir no

[00:53:13] editoraaleph.com.br,

[00:53:15] Aleph com PH, tá lá na homepage,

[00:53:18] o Irmãs da Revolução.

[00:53:19] Pegou aí? Então, de volta pro papo.

[00:53:30] Última coisa que tá na minha pauta aqui,

[00:53:32] que foi o motivo de eu botar o teu nome

[00:53:34] na listinha de pessoas que eu queria

[00:53:35] entrevistar nessa temporada,

[00:53:38] que é a newsletter do Rodrigo,

[00:53:40] que você linkou na sua newsletter,

[00:53:42] que linkava pro seu podcast da

[00:53:44] Babilônia, que na minha…

[00:53:45] E aí, mais uma vez,

[00:53:48] eu repeti aqui, porque

[00:53:50] eu acho que seu podcast parece muito

[00:53:51] com o meu, que você deixa pra falar literalmente

[00:53:54] nos últimos minutos disso, que eu

[00:53:56] usei a palavra fama, né, e eu

[00:53:57] anotei no meu caderninho aqui, que não é

[00:53:59] moleskine, é digital,

[00:54:02] being de apenas, assim, essa

[00:54:03] necessidade de ser

[00:54:05] big, que aí você faz… Não vou dar spoiler,

[00:54:08] talvez. Crescer

[00:54:10] para o alto e não para os lados e tal,

[00:54:12] porque falamos

[00:54:13] aqui de ser…

[00:54:15] ter um livro publicado pela Roco, de ter

[00:54:18] Patreon, apoia-se,

[00:54:20] de pagar boletos,

[00:54:22] quanto mais fama, no sentido

[00:54:24] numérico, a gente tem, mais

[00:54:26] essa tarefa fica fácil,

[00:54:28] vamos chamar assim, né, mais

[00:54:29] caro eu consigo, quanto mais ouvinte do meu podcast

[00:54:32] eu tiver, mais caro eu consigo cobrar do meu patrocinador,

[00:54:35] mais fácil eu pagar boletos.

[00:54:37] Como é que é a tua

[00:54:37] relação com isso de fama?

[00:54:40] Porque, por outro lado, você acabou de

[00:54:42] falar assim, cara, eu vou publicar o que eu tiver afim,

[00:54:44] e não…

[00:54:45] não me soa como papinho, porque assim, eu acompanho

[00:54:47] o seu conteúdo, você escreve, inclusive você para

[00:54:50] de publicar seu podcast, seu podcast não tem

[00:54:51] regularidade, enfim.

[00:54:53] Que é isso, cara, eu vou fazer o que eu acho certo,

[00:54:56] então como é que é a sua relação com fama?

[00:54:58] Não sei se é a continuação da sessão de

[00:54:59] terapia que você falou, mas

[00:55:00] qual é a tua visão de fama?

[00:55:04] Minha relação com fama?

[00:55:06] Péssima.

[00:55:08] Péssima. Acabou esse seu fim do programa,

[00:55:09] obrigado, até semana que vem.

[00:55:13] Porque existe

[00:55:13] o que eu falei, né, existe…

[00:55:15] existe uma certa associação

[00:55:17] de artista com celebridade,

[00:55:19] eu acho que a culpa é completamente da

[00:55:21] Rede Globo, que igualou

[00:55:23] você ser artista

[00:55:25] com você ser

[00:55:26] conhecido por toda a massa,

[00:55:29] por toda a população brasileira, que é muito

[00:55:31] difícil. Eu acho que só,

[00:55:33] sei lá, instituições que tenham alcance da Globo,

[00:55:35] por exemplo, de grandes veículos, conseguem

[00:55:37] isso. É muito difícil

[00:55:39] você ser conhecido num país que é gigantesco,

[00:55:41] o Brasil é muito grande, a gente às vezes

[00:55:43] não tem nem noção do quanto é

[00:55:45] grande o Brasil, de quanta gente tem no Brasil

[00:55:47] e quão diferentes são essas pessoas.

[00:55:50] E aí eu acho que, talvez,

[00:55:52] a gente tenha herdado, agora eu vou

[00:55:53] desde os tempos mais primórdios, hein,

[00:55:55] a gente tenha herdado um pouco da

[00:55:57] cultura, desde a colonização,

[00:56:00] de ser o país

[00:56:01] de uma cultura só.

[00:56:04] Nós somos agora o país do café,

[00:56:05] nós somos agora o país da soja,

[00:56:07] nós somos agora o país do açúcar.

[00:56:10] Então a gente tinha um grande

[00:56:11] produto que a gente tinha que devastar,

[00:56:13] uma quantidade de terra enorme,

[00:56:15] pra suprir uma demanda, exportar

[00:56:17] pra Europa e tudo mais.

[00:56:19] E eu acho que isso tá se refletindo

[00:56:21] também no entretenimento,

[00:56:23] na mídia, na mídia de massa, né.

[00:56:26] Se você não alcança uma

[00:56:27] massa gigantesca, milhões

[00:56:29] de assinantes, por exemplo,

[00:56:31] milhões de inscritos no seu canal do YouTube,

[00:56:33] você não consegue viver

[00:56:35] daquilo, porque só começa

[00:56:37] pensando agora no YouTube, né,

[00:56:39] você só consegue monetizar

[00:56:42] isso minimamente se você

[00:56:43] tem uma escala de milhões,

[00:56:45] né, você consegue ser remunerado

[00:56:47] de fato por esse trabalho.

[00:56:49] Da mesma forma, artistas, músicos,

[00:56:51] você tem que ser conhecido por um público gigantesco.

[00:56:54] Então fica uma corrida,

[00:56:55] uma corrida eterna pela fama,

[00:56:58] tá aí um exemplo, talvez

[00:56:59] um programa de maior audiência,

[00:57:01] de maior alcance, que todo mundo comenta

[00:57:03] de todas as

[00:57:05] classes sociais que é o Big Brother, que é

[00:57:07] pessoas, hoje em dia, não tão anônimas,

[00:57:09] né, mas que estão ali em busca

[00:57:11] da popularidade suprema.

[00:57:13] Quem é que é

[00:57:15] o mais querido

[00:57:17] de todo o Brasil?

[00:57:18] O Big Brother é o exemplo que você falou,

[00:57:21] é famoso porque é famoso, assim.

[00:57:22] Agora tem, você falou, as celebridades que vão lá,

[00:57:25] mas é assim, eu vou pegar essa pessoa que ninguém

[00:57:27] sabia o que era e automaticamente

[00:57:29] só por estar nesse programa,

[00:57:31] agora ela é famosa.

[00:57:33] E a piada dos sonhos de ser

[00:57:35] ex-BBB, ninguém quer ser BBB,

[00:57:37] as pessoas querem ser ex-BBB, porque é isso,

[00:57:39] é a varinha

[00:57:41] mágica, agora, plim, o plim-plim,

[00:57:43] olha, sem querer, fiz o plim-plim

[00:57:45] de transformar a pessoa em famosa.

[00:57:47] Exato, eu não acho que, por exemplo,

[00:57:49] a fama resolve os problemas

[00:57:51] de, por exemplo, se eu ganhasse uma escala

[00:57:53] assim, de ter milhões

[00:57:55] de seguidores no Instagram, por exemplo,

[00:57:57] eu acho que isso ia ser uma dor de cabeça

[00:57:59] pra mim, porque a forma

[00:58:01] que eu gosto de me comunicar, eu gosto

[00:58:03] de responder as pessoas que me

[00:58:05] marcam, que estão lendo o livro, eu falo

[00:58:07] ai, boa leitura, o que você achou?

[00:58:09] Eu ia perder isso completamente,

[00:58:11] né, claro que ia ser ótimo

[00:58:12] pros números, o número de venda,

[00:58:15] mas também ia começar

[00:58:17] a atrair muito maluco,

[00:58:19] né, aumenta

[00:58:21] a popularidade e começa a vir

[00:58:23] pessoas nada a ver, pessoas que

[00:58:25] sei lá, te tratam

[00:58:27] estranho, então eu gosto

[00:58:29] um pouco disso, de

[00:58:31] eu conseguir ter um certo,

[00:58:33] não, controle eu não tenho, na verdade, controle eu não tenho

[00:58:35] de nada, mas eu tenho uma certa

[00:58:37] sorte, eu acho, de atrair essas

[00:58:39] pessoas que são super gentis,

[00:58:41] super generosas, super inteligentes,

[00:58:43] eu conseguir me relacionar

[00:58:45] com essas, né, e não ter

[00:58:47] tanto maluco, assim,

[00:58:49] atrás de mim, o que é um problema, eu acho,

[00:58:51] da fama, então, acho que a fama

[00:58:53] poderia me atrapalhar, eu poderia acabar ficando

[00:58:55] muito focada nisso, na minha

[00:58:57] imagem, e deixar de lado

[00:58:59] a escrita, né, de deixar de lado a criação,

[00:59:02] então, eu gosto de

[00:59:03] aproveitar isso

[00:59:05] a meu favor, também, né, e de

[00:59:07] não ver o meu número

[00:59:09] como um fracasso absoluto,

[00:59:11] né, e de tentar

[00:59:13] sempre, claro que eu sofro

[00:59:15] por isso, né, e de ver

[00:59:16] uma pessoa fazendo um conteúdo

[00:59:18] X e tem um milhão de seguidores

[00:59:21] fazendo vídeo de

[00:59:23] sei lá, de nada,

[00:59:25] da vida, de nada,

[00:59:27] e eu fico pensando, nossa, mas eu podia

[00:59:29] ter um milhão de seguidores, aí eu falo, ah, será que

[00:59:31] eu podia ter um milhão de seguidores? Vou imitar, vou imitar

[00:59:33] essa pessoa aí, porque tá bombando,

[00:59:35] eu vou fazer isso. Exato,

[00:59:37] exato, e aí começa a gente

[00:59:39] ver um monte de coisa igual, de repente,

[00:59:41] né, e tá todo mundo falando igual,

[00:59:44] e bebendo das mesmas

[00:59:45] referências. Eu vi que, por exemplo,

[00:59:47] você agora tá, não sei se você sempre fez, mas você tá

[00:59:49] fazendo umas experiências em vídeo e tal, como é

[00:59:51] que você tá lidando com isso, já que

[00:59:53] bom, aí eu sou escritora, sou podcaster,

[00:59:55] agora sou colunista também, agora sou

[00:59:57] videomaker, sou

[00:59:59] blogueirinha, youtuber, como é que

[01:00:00] você tá se encontrando nesse meio aí?

[01:00:03] Eu acho que é uma coisa que eu tô percebendo

[01:00:05] em comum com você, que eu acho que a gente

[01:00:07] acima de

[01:00:09] qualquer coisa, isso usando a escrita,

[01:00:11] usando o som, a gente

[01:00:13] é comunicador, a gente quer se comunicar,

[01:00:15] com as pessoas, então

[01:00:17] talvez nem seja isso que eu ia

[01:00:19] te perguntar, o lance também com a pergunta de volta

[01:00:21] pra você, se você vê isso

[01:00:23] como uma busca pela fama,

[01:00:25] ou será que não é uma forma de você

[01:00:27] vendo como

[01:00:28] o cenário hoje tá estabelecido, uma

[01:00:31] forma de você buscar uma

[01:00:33] conexão, uma comunicação com as pessoas

[01:00:35] que te seguem? Se tá todo mundo no Instagram

[01:00:37] vendo vídeo,

[01:00:39] será que você não consegue fisgar

[01:00:41] um pouco a atenção dessa pessoa,

[01:00:43] não pelos caçamos milhões

[01:00:44] de views, mas talvez caçando

[01:00:46] aquela conexão única e singular

[01:00:48] que você pode ter com

[01:00:50] sei lá, e a gente pensa, a gente

[01:00:53] tem milhares de views lá, se você

[01:00:55] colocasse essas milhares de pessoas

[01:00:57] num auditório,

[01:00:58] nossa, ia ser muita gente.

[01:01:01] Sim, seria um baita auditório. Exato,

[01:01:03] mas aí a gente, pela

[01:01:04] comparação, vê, mas esse número não é

[01:01:07] nada, porque fulano conseguiu

[01:01:08] tanto, e a gente vai perdendo

[01:01:11] a noção da escala humana,

[01:01:14] da conexão,

[01:01:14] a conexão em escala humana

[01:01:16] que a internet

[01:01:18] tá, não sei se esse

[01:01:20] barco já partiu, se a gente tem como

[01:01:22] ainda reestabelecer

[01:01:24] um pouco, isso do que a gente tá tendo

[01:01:26] agora, né, eu e você aqui, a gente tá

[01:01:28] claro, economizando muito em

[01:01:30] terapia, mas também aprofundando

[01:01:33] uma conexão que a gente já tem,

[01:01:34] eu de ouvir os seus podcasts, você

[01:01:36] de agora fazendo o meu curso,

[01:01:38] a gente se seguindo nas redes sociais,

[01:01:40] te seguindo no Twitter, até você

[01:01:43] sabiamente sair de lá,

[01:01:44] emigrar para o Mastodon,

[01:01:47] então assim, a gente tá numa conversa

[01:01:48] que tá mudando de

[01:01:50] sala, né, vamos dizer assim, mas

[01:01:52] de certa forma, a gente tem essa escala humana,

[01:01:54] às vezes você é um viozinho

[01:01:56] ali no rios, isso

[01:01:58] faz parte de uma conversa, né, a gente

[01:02:00] talvez, isso claro

[01:02:02] que me angustia, né, de pensar

[01:02:04] em números, mas quando eu volto

[01:02:06] e falo aqui agora, me acalma um pouco

[01:02:08] de saber que a conexão

[01:02:11] tá funcionando,

[01:02:12] a gente tá conseguindo se comunicar,

[01:02:14] estão prestando atenção no que a gente tá

[01:02:16] fazendo, a gente precisa ter fé,

[01:02:18] claro que é uma palavra muito

[01:02:20] religiosa, mas acho

[01:02:22] que não tem como fugir

[01:02:24] de precisar ter fé

[01:02:26] quando você tá fazendo,

[01:02:28] principalmente quando você tá escrevendo,

[01:02:30] porque você tá ali lançando uma

[01:02:32] mensagem na garrafa, jogando no mar,

[01:02:34] e você tem que ter fé que em algum momento

[01:02:36] vai chegar pra alguém

[01:02:38] que vai ouvir aquilo no momento

[01:02:40] certo, ou vai ler aquilo no momento que

[01:02:42] faz sentido pra ela, e aquilo

[01:02:44] vai fazer um monte de conexões

[01:02:46] acontecerem dentro da cabeça dela

[01:02:48] e isso vai ser

[01:02:50] passado adiante, adiante, adiante

[01:02:52] num ciclo sem fim

[01:02:54] muito namastê, né, mas

[01:02:56] eu acho que é o que me

[01:02:58] acalma, é o que me acalma quando

[01:03:00] eu penso, quando eu fico muito

[01:03:02] enfim, pilhada

[01:03:04] nessa coisa de tem que ter mais, tem que

[01:03:06] crescer mais, tem que chegar em mais gente

[01:03:08] e eu penso, cara, já tô

[01:03:10] chegando em muita gente, e o livro

[01:03:12] ensina muito isso, né, porque o livro tem um

[01:03:14] outro tempo, que não é o tempo das redes sociais

[01:03:16] o primeiro livro eu lancei

[01:03:18] em 2016, ainda tem gente

[01:03:20] lendo, ainda tá chegando nas pessoas

[01:03:22] e ainda tô

[01:03:24] recebendo coisas sobre esse livro, então

[01:03:25] não acabou, eu não lancei, tá, acabou

[01:03:27] tem que pensar no próximo, igual

[01:03:29] como se fosse um vídeo no YouTube

[01:03:31] que de fato você tem que lançar outro, porque senão

[01:03:33] você é soterrado ali

[01:03:36] pelo algoritmo, e o livro me

[01:03:37] ensinou que, eu ainda tô tentando aprender

[01:03:39] na verdade, porque eu não tenho paciência

[01:03:42] mas de que as coisas

[01:03:44] acontecem no outro tempo

[01:03:45] num tempo mais

[01:03:47] orgânico, num tempo que a gente também

[01:03:49] não pode controlar, talvez o que a gente

[01:03:52] precise é entender

[01:03:53] pra gente o que faz sentido

[01:03:55] pra mim, por exemplo, é poder

[01:03:57] me comunicar com o meu público de uma

[01:04:00] forma mais próxima, talvez

[01:04:02] sabendo que a pessoa tá ali no

[01:04:04] Reels, tentar levar pra ela, por exemplo

[01:04:06] o assunto que tá na newsletter da semana

[01:04:08] tipo, gente, olha o que tá rolando

[01:04:10] nesse outro canal aqui

[01:04:11] né, mas de um jeito que não

[01:04:14] é já tão batido como, ah, é acesso

[01:04:16] a linzalec.substack.com

[01:04:18] que traga um pouco mais a conversa

[01:04:20] né, até eu fiz um vídeo lendo comentários

[01:04:22] da minha newsletter

[01:04:23] e as pessoas gostaram, eu fiquei, gente, mas

[01:04:25] eu, tipo, simplesmente liguei a câmera, li os comentários

[01:04:28] e comentei

[01:04:29] a parte mais trabalhosa, na verdade, foi

[01:04:31] editar e colocar legenda

[01:04:34] demora

[01:04:35] ai, essa é a pior parte, mas

[01:04:38] eu achei um bom experimento

[01:04:40] assim, de tentar expandir

[01:04:42] essa conversa, talvez

[01:04:44] seja o caso da gente procurar

[01:04:45] o que faz sentido pra gente

[01:04:47] pessoalmente, às vezes não é

[01:04:49] você conseguir dois milhões de

[01:04:51] views, de seguidores, pra conseguir

[01:04:53] uma publi, às vezes é

[01:04:55] uma outra coisa, e aí voltando no

[01:04:57] exemplo que você deu na newsletter do

[01:04:59] Rodrigo Van Kampen, que você citou

[01:05:02] que fala sobre

[01:05:03] não crescer, não tem só uma direção

[01:05:05] pra você crescer, né, que a gente vê, ah, é só crescer

[01:05:07] pra cima, é só você ser a árvore mais

[01:05:09] alta da floresta, é só isso que vale

[01:05:11] a floresta, ela tem

[01:05:13] um mecanismo, assim, que todas as árvores

[01:05:16] são importantes, de todos os tamanhos

[01:05:17] né, então, tem outros lugares pra você

[01:05:20] crescer a grama, por exemplo, que cresce

[01:05:21] pros lados, né, que

[01:05:23] se expande pros lados, e que é o

[01:05:25] risoma, né, em que elas meio que

[01:05:27] conversam, assim, as raízes delas

[01:05:29] então, talvez é mudar um pouco

[01:05:32] de como a gente tá enxergando o nosso próprio

[01:05:34] trabalho. Eu não tenho um jeito

[01:05:36] melhor da gente terminar esse episódio

[01:05:38] eu vou deixar o recado aqui

[01:05:39] no ar, a Aline me prometeu

[01:05:42] vai dar um cuponzinho

[01:05:43] de desconto pro curso dela

[01:05:45] mas ela não vai falar aqui, tem que ir na

[01:05:47] descrição do episódio, olha eu aqui fazendo, ó

[01:05:49] publicitareis aqui, ó o gatilho

[01:05:52] tem que entrar na descrição do episódio pra pegar

[01:05:54] o link e o cupom

[01:05:55] mas show demais, Aline, muito obrigado aí por essa

[01:05:57] conversa e pelo trabalho e pela

[01:05:59] um chorando no ombro do outro

[01:06:01] é isso aí

[01:06:02] maravilhoso

[01:06:05] maravilhoso. Muito bom, valeu

[01:06:08] obrigada

[01:06:13] é isso aí, internet

[01:06:16] mais uma entrevista que eu saio muito feliz

[01:06:18] falando é sobre isso

[01:06:19] sem um tom irônico

[01:06:21] agora vai ser assim, um pouco de entrevista, um pouco de ensaio

[01:06:24] de textão em forma de podcast

[01:06:25] mas segue valendo aquilo de você

[01:06:28] passar adiante a palavra do Boa Noite Internet

[01:06:30] manda aí esse episódio pra quem você acha

[01:06:32] que vai curtir

[01:06:32] eu gostei muito de conversar com a Aline e ver que a gente tem

[01:06:36] as mesmas minhocas na cabeça

[01:06:38] só que o Boa Noite Internet

[01:06:39] quando tem entrevista funciona mais ou menos assim

[01:06:42] depois que a gente…

[01:06:43] a gente grava as entrevistas, eu sento pra editar

[01:06:45] e tentar chegar

[01:06:47] em uma versão ali com uma hora

[01:06:49] pra respeitar aí o seu tempo

[01:06:51] e logo de cara eu tiro o máximo

[01:06:53] das partes onde eu tô falando

[01:06:55] filosofando, contando o meu lado

[01:06:57] da história. Por exemplo, nesse

[01:06:59] episódio aqui teve uma hora que eu meio que fiz

[01:07:01] um desabafo dessa coisa

[01:07:03] de fazer vídeo pro Boa Noite Internet

[01:07:05] e a Aline responde e fala o que ela acha

[01:07:07] do ponto de vista dela

[01:07:08] mas se você quiser ouvir

[01:07:11] a conversa toda, dá

[01:07:13] uma hora e meia de papo, tudo bem

[01:07:15] porque a entrevista completa tá lá

[01:07:17] no feed secreto do Boa Noite Internet

[01:07:19] só pra quem é assinante

[01:07:21] só pra quem apoia o Boa Noite Internet

[01:07:23] ajuda a gente aqui a seguir contando

[01:07:25] histórias no mundo de

[01:07:27] vantagens do Boa Noite Internet

[01:07:28] que tem a newsletter semanal

[01:07:30] tem mordomias lá no Discord

[01:07:32] e tem não só a conversa completa com a Aline

[01:07:35] tem todas as entrevistas

[01:07:37] que já rolaram aqui, são 18

[01:07:39] entrevistas que não são

[01:07:41] só as do podcast não, tem as lives

[01:07:43] que a gente fez ano passado no melhor Discord

[01:07:45] não tá disponível em lugar nenhum

[01:07:47] então olha aí, periga ter Boa Noite

[01:07:49] Internet inédito pra você ouvir

[01:07:51] você já sabe, mas eu vou repetir

[01:07:53] que eu aprendi o que? Que na publicidade

[01:07:55] frequência é importante

[01:07:56] vai no boanoiteinternet.com.br

[01:07:59] barra assine

[01:08:00] e vem pra essa turma show que apoia a gente

[01:08:03] aqui, vem pro mundo de vantagens

[01:08:04] não tem cupom pro Boa Noite Internet

[01:08:07] essa semana não, quem usou, usou

[01:08:08] tem cupom pro livro que tem um

[01:08:11] conteúdo inédito da Aline Wallach, que nem você ouviu

[01:08:13] o break aí, e tem também

[01:08:15] o cupom pro curso da Aline na

[01:08:17] doméstica, tudo na descrição

[01:08:19] do episódio ali, pra você copiar, colar

[01:08:21] tem o link tudo certinho, não precisa decorar nada

[01:08:23] que eu tô falando aqui, é isso, chega

[01:08:25] semana que vem no Boa Noite Internet

[01:08:27] a gente vai falar com um cara

[01:08:29] que eu confesso que eu fiquei emocionado

[01:08:31] de entrevistar, eu já curto o trabalho dele

[01:08:33] tem um tempão, e a gente falou justamente

[01:08:35] sobre como se manter relevante

[01:08:37] mas também interessado, animado

[01:08:39] com o mesmo trabalho por tanto

[01:08:41] tempo, quero ver quem vai

[01:08:43] vir aqui em Alança e o seu palpite nas social

[01:08:45] redes, eu sou o arroba

[01:08:46] Cris Dias no Instagram, domingo que vem

[01:08:49] 8 da noite

[01:08:50] o Boa Noite Internet é um podcast da Ampere

[01:08:53] a edição de som é da Jéssica Correia

[01:08:55] edição de vídeo do Pedro Hassan

[01:08:57] produção do Gui Pinheiro

[01:08:59] e da Ana Maron, até

[01:09:01] a próxima semana

[01:09:13] e até a próxima