Psicologia econômica: por que nos afogamos em dívidas?
Resumo
O episódio aborda o cenário alarmante de endividamento no Brasil, onde 43% da população se considera muito endividada e 78% das famílias têm boletos atrasados. As apresentadoras Cris Bartz e Juvalauer conversam com a economista Gabriela Chaves e a psicóloga econômica Vera Rita de Mello Ferreira para entender as causas psicológicas e estruturais desse fenômeno.
Os especialistas discutem como fatores como inflação, oferta massiva de crédito (especialmente cartões) e demanda reprimida por serviços pós-pandemia contribuem para o problema. A conversa explora aspectos emocionais do consumo, como a “dor do pagamento” que desaparece com cartões de crédito, a desmaterialização do valor monetário e a dificuldade em diferenciar desejo de necessidade.
A psicologia econômica é apresentada como ferramenta para entender por que tomamos decisões financeiras aparentemente irracionais. Conceitos como contabilidade mental, otimismo excessivo, locus de controle e tolerância à frustração são explicados para entender por que pessoas em condições similares têm comportamentos financeiros tão diferentes.
O episódio também oferece caminhos práticos para sair das dívidas, incluindo a importância de fazer um diagnóstico realista, negociar dívidas de forma factível, construir reserva de emergência paralelamente e buscar educação financeira. São mencionadas ferramentas como portabilidade de dívidas e recursos gratuitos do Banco Central e da CVM.
Por fim, enfatiza-se que a solução envolve tanto informação técnica quanto trabalho emocional para desenvolver uma relação mais saudável com o dinheiro, reconhecendo que as emoções frequentemente dominam nossas decisões financeiras.
Indicações
Canais_E_Redes_Sociais
- Pílulas de Psicologia Econômica (YouTube) — Canal da Vera Rita de Mello Ferreira com conteúdo gratuito sobre psicologia econômica.
- @psicologiaeconomica (Instagram) — Perfil no Instagram comandado pela sócia da Vera, Cris, com conteúdo sobre psicologia econômica.
Cursos
- Cursos Vértice Psy — Cursos online e assíncronos da Vera Rita sobre educação financeira e arquitetura de escolha, disponíveis em cursosverticepsy.com.br.
Livros_E_Conceitos
- Arquitetura de Escolha — Conceito apresentado por Vera que envolve alterar pequenos detalhes no contexto para ajudar pessoas a tomarem melhores decisões financeiras.
- Psicologia Econômica — Campo de estudo que analisa o comportamento econômico e a tomada de decisão, combinando psicologia e economia.
Sites_E_Recursos
- Banco Central do Brasil (bcb.gov.br) — Site recomendado para informações confiáveis sobre taxas de juros, calculadora cidadã, portabilidade de dívidas e educação financeira.
- CVM (Comissão de Valores Mobiliários) — Órgão regulador com conteúdo educativo sobre finanças e investimentos.
- consumidor.gov.br — Site para contato com empresas e negociação de dívidas em condições especiais, mencionado pelo advogado Érico de Mello.
- Semana Nacional de Educação Financeira — Evento anual com diversas atividades, informações em semananf.gov.br ou hashtag semananf.
Linha do Tempo
- 00:06:26 — Introdução ao problema do endividamento no Brasil — As apresentadoras apresentam estatísticas alarmantes sobre endividamento: 43% da população se considera muito endividada, 78% das famílias têm boletos atrasados, totalizando R$ 312 bilhões em contas em atraso. Destacam que a maioria dos endividados são jovens entre 18-30 anos, trabalham e usam cartão principalmente para necessidades básicas como supermercado e remédios. Três fatores principais são identificados: inflação, oferta crescente de crédito e demanda reprimida por serviços pós-pandemia.
- 00:10:01 — Apresentação das especialistas convidadas — Gabriela Chaves se apresenta como economista e fundadora da Nufront Empoderamento Financeiro. Vera Rita de Mello Ferreira se apresenta como presidente da Associação Internacional de Pesquisa em Psicologia Econômica (IAREPE), professora e consultora em comportamento econômico, educação financeira e arquitetura de escolha. Ambas destacam sua experiência no tema que será discutido.
- 00:14:52 — Aspectos emocionais do cartão de crédito e a indústria do endividamento — Gabriela Chaves discute como o cartão de crédito se tornou uma ferramenta de endividamento massivo, com instituições financeiras lucrando com taxas altíssimas. Explica a “desmaterialização do valor” - quando pagamos com cartão não sentimos o dinheiro saindo, diferente do pagamento em dinheiro. Vera complementa falando do “pain of pain” (dor da dor), a ausência de sensação imediata ao usar cartão, que facilita o consumo descontrolado.
- 00:20:44 — Contabilidade mental e a ilusão das prestações — Vera explica o conceito de contabilidade mental - como compartimentamos mentalmente nosso dinheiro de formas que não refletem a realidade financeira. Discute como dividir compras em muitas parcelas cria a ilusão de que estamos gastando pouco, quando na verdade comprometemos grande parte da renda futura. As participantes compartilham experiências pessoais de subestimar gastos parcelados e pagar por coisas que já não têm mais valor emocional.
- 00:24:42 — Diferenças de comportamento financeiro dentro das mesmas famílias — As participantes exploram por que pessoas criadas no mesmo ambiente familiar desenvolvem comportamentos financeiros tão diferentes. Gabriela sugere que personalidade e reação à escassez explicam parte das diferenças. Vera acrescenta fatores como modelos parentais (seguir ou rejeitar), tendências inatas de tolerância à frustração, locus de controle (interno vs externo) e até extroversão - pessoas mais extrovertidas tendem a se endividar mais por socialização.
- 00:33:57 — Arquitetura de escolhas para evitar endividamento — Vera explica o conceito de arquitetura de escolhas - alterar pequenos detalhes no contexto para ajudar pessoas a tomarem melhores decisões. Sugere estratégias como parar de seguir contas que incentivam consumo, rever amizades que pressionam para gastar, e a metáfora do “sapo grande na lagoa pequena” (estar entre pessoas com renda similar). Destaca a aplicação automática como “bala de prata” para poupar, criando reserva para emergências.
- 00:38:53 — Direitos dos devedores e ferramentas legais — O advogado Érico de Mello, ex-presidente de associações de Procons, explica direitos dos consumidores endividados: como identificar juros abusivos usando o Banco Central, limites legais de cobrança (sem constrangimento), ausência de prisão civil por dívida (exceto pensão alimentícia), e a novidade dos números 0304 para cobranças. Explica também que dívidas com mais de 5 anos não podem mais negativar o nome, mas continuam existindo.
- 00:47:13 — Plano prático para sair das dívidas — Gabriela apresenta um plano em etapas: substituir ansiedade por responsabilidade, fazer diagnóstico completo da dívida, estabelecer prioridades (primeiro pequenos produtores, depois dívidas com juros mais altos), criar plano de pagamento realista (não otimista), calcular mínimo necessário para sobrevivência, e honrar os acordos feitos. Enfatiza a importância de não pagar apenas o mínimo do cartão, que prolonga infinitamente a dívida.
- 00:56:30 — Recursos gratuitos e portabilidade de dívidas — Gabriela recomenda recursos gratuitos de educação financeira, especialmente do Banco Central (bcb.gov.br) e CVM, alertando sobre desinformação na internet. Explica a portabilidade de dívidas - transferir dívidas de instituições com juros altos para outras com juros menores, usando a tabela do Banco Central. Enfatiza a importância de não subestimar pequenas porcentagens de juros, que agem como “fermento” aumentando dívidas rapidamente.
- 00:59:41 — Reserva de emergência mesmo durante o pagamento de dívidas — As especialistas concordam que é crucial construir reserva de emergência mesmo enquanto se paga dívidas, pois emergências não escolhem momento. Gabriela sugere começar com valores simbólicos (R$10-50). Vera destaca o benefício psicológico: ver dinheiro acumulando dá sensação de competência e alimenta o “efeito posse”, motivando a continuar. Ambas enfatizam que isso evita novos endividamentos quando surgem imprevistos.
Dados do Episódio
- Podcast: Mamilos
- Autor: B9
- Categoria: News
- Publicado: 2023-05-12T22:47:47Z
- Duração: 01:09:21
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/8e5629f0-512e-0132-cf87-5f4c86fd3263/episode/85ee4801-4ecd-49a7-ac4c-9a9bbab97efa/
- UUID Episódio: 85ee4801-4ecd-49a7-ac4c-9a9bbab97efa
Dados do Podcast
- Nome: Mamilos
- Tipo: episodic
- Site: http://mamilos.b9.com.br/
- UUID: 8e5629f0-512e-0132-cf87-5f4c86fd3263
Transcrição
[00:00:00] Oferecimento Meu Peso Minha Jornada.
[00:00:03] Acesse a campanha e entenda a relação entre o peso e a saúde.
[00:00:30] Mamileiros e mamiletes, bem-vindos ao nosso espaço de diálogo semanal.
[00:00:41] Eu sou a Cris Bartz.
[00:00:43] Eu sou a Juvalauer.
[00:00:44] E esse é o Mamilos, o podcast que está mais interessado em construir pontos do que em provar pontos.
[00:00:49] Bora juntos!
[00:00:55] Para que o Mamilos seja produzido e oferecido gratuitamente para você,
[00:01:00] vinculamos mensagens publicitárias em nossos conteúdos.
[00:01:03] Valorizem marcas que valorizam o diálogo.
[00:01:07] Antes do episódio de hoje, o Mamilos, com apoio da Accenture,
[00:01:11] propõe um momento para a gente conversar sobre a construção de uma carreira na área de tecnologia
[00:01:15] e sobre esse mercado de trabalho no Brasil,
[00:01:18] passando por temas como liderança, equidade de gênero,
[00:01:21] cibersegurança, robotização e inteligência artificial.
[00:01:25] Imagina você, estudante, se tivesse a oportunidade de tirar qualquer coisa,
[00:01:30] sem ter dúvidas sobre carreira, com uma diretora da Accenture.
[00:01:33] O que você perguntaria?
[00:01:34] O Mamilos foi atrás desses estudantes para conectá-los com um time de mulheres muito competentes.
[00:01:41] Em três pequenas colunas, vamos ouvir duas dúvidas de alunos das áreas de tecnologia
[00:01:46] e as respostas dessas gestoras.
[00:01:49] Na coluna de hoje, vamos falar sobre os desafios para construir uma carreira na área de segurança cibernética
[00:01:54] e como esse segmento impacta nos negócios.
[00:01:57] Vamos nessa!
[00:02:00] A CIDADE NO BRASIL
[00:02:03] Bora para a primeira pergunta!
[00:02:06] Me chamo Luiz Felipe, tenho 25 anos e sou aluno do 6º período de Sistema de Informação da Unifacom.
[00:02:12] A minha primeira pergunta é
[00:02:14] Quais são as principais habilidades técnicas e pessoais
[00:02:18] que um profissional precisa ter para trabalhar na área de cibersegurança?
[00:02:23] Quem nos responde é a Vanessa Fonseca.
[00:02:25] Oi pessoal, eu sou a Vanessa Fonseca.
[00:02:28] Eu sou diretora da área de Cibersegurança.
[00:02:30] Segurança Cibernética da Accenture.
[00:02:32] Eu sou branca, loira, de cabelo comprido, com a bochecha rosa.
[00:02:37] Sou alta, tenho 1,77m.
[00:02:42] Oi Luiz Felipe, obrigada pela tua pergunta.
[00:02:45] Aliás, super interessante, adorei.
[00:02:47] Vou falar um pouco disso.
[00:02:48] Sobre as capacidades técnicas.
[00:02:51] Hoje você tem algumas formações, alguns cursos de formação focados,
[00:02:56] talvez o mais difícil é em segurança especificamente,
[00:03:00] e alguns cursos mais técnicos que podem ajudar na sua formação,
[00:03:06] mas eles não são essenciais.
[00:03:08] Eu sou advogada de formação, só para te dar um contexto.
[00:03:11] Então assim, não há um currículo específico necessário.
[00:03:15] Mas existem uma série de certificações, algumas inclusive gratuitas,
[00:03:21] que te dão muita bagagem, muito conhecimento na área de segurança.
[00:03:24] Então eu recomendo, ainda que você não tenha uma formação técnica em segurança,
[00:03:27] que você procure esses cursos, essas certificações,
[00:03:31] que sem dúvida vão inclusive abrir um horizonte bastante bom para você entender.
[00:03:36] A segurança tem muitos assuntos diferentes a se tratar.
[00:03:40] Então você consegue, a partir dessas certificações,
[00:03:43] inclusive achar aquele tema que mais converse com a tua aptidão, com o seu interesse.
[00:03:49] Então acho que esse é um ponto importante.
[00:03:51] Mais uma pergunta.
[00:03:53] A minha outra pergunta seria,
[00:03:55] quais são os maiores desafios da cibersegurança no Brasil,
[00:04:01] e como esse segmento pode impactar positivamente aos negócios?
[00:04:08] Eu falo que segurança é um tema que depende muito de perspicácia,
[00:04:14] proatividade, você entender o cliente.
[00:04:17] Então, como é que segurança pode beneficiar o negócio?
[00:04:20] 100%, 100%.
[00:04:23] Segurança deixou de ser um tema de tecnologia,
[00:04:24] apenas.
[00:04:27] Há pouco tempo a gente só falava de segurança atrelada a uma tecnologia.
[00:04:31] Hoje a segurança está atrelada ao negócio.
[00:04:34] Se segurança não entender a prioridade do negócio,
[00:04:38] a estratégia do negócio, já começou errado.
[00:04:41] Segurança aporta valor.
[00:04:43] Então assim, se a gente está falando de um banco,
[00:04:46] se a gente está falando de uma jornada para o Open Banking, por exemplo,
[00:04:50] eu tenho que ter uma determinada visão de segurança para acelerar esse processo.
[00:04:53] Se eu estou falando de uma loja de varejo, a estratégia vai ser outra.
[00:04:58] Então segurança hoje está diretamente associada à estratégia do negócio.
[00:05:04] Sem ela, o negócio provavelmente vai demorar mais tempo para chegar ali no seu grande objetivo.
[00:05:12] Dúvidas respondidas, hein?
[00:05:14] Obrigada, Vanessa, pelas respostas e obrigada, Luiz Felipe, por participar.
[00:05:19] Semana que vem a gente volta com mais uma coluna de perguntas e respostas.
[00:05:21] Até lá!
[00:05:24] A Accenture Brasil é conectada à inovação e movida à tecnologia e conhecimento.
[00:05:30] Por isso, eles oferecem um caminho ideal entre você e o que você imagina para a sua carreira.
[00:05:34] São mais de 700 mil funcionários que entregam a promessa da tecnologia e da criatividade humana todos os dias,
[00:05:40] atendendo clientes em mais de 120 países.
[00:05:44] A Accenture abraça a tecnologia e a criatividade humana todos os dias,
[00:05:48] atendendo clientes em mais de 120 países.
[00:05:50] A Accenture abraça o poder de mudança para criar valor e sucesso compartilhado para os seus clientes,
[00:05:56] funcionários, acionistas, parceiros e comunidades.
[00:06:00] Quer fazer parte de um time que abraça o poder de mudança?
[00:06:03] Acesse www.accenture.com.br barra carreiras.
[00:06:20] www.accenture.com.br
[00:06:24] Bora junto sobre dinheiro.
[00:06:26] Eu e a Juliana, a gente fica horas e horas falando desse assunto.
[00:06:30] E a gente poderia fazer uma série de programas sobre isso, até estamos falando isso.
[00:06:34] Vamos fazer uma minissérie, porque são tantos recortes.
[00:06:36] Mas a gente quer ter um foco claro hoje.
[00:06:40] Dívidas.
[00:06:41] Porque se você está cheio de dívida, não dá para conversar sobre mais nada que envolva dinheiro.
[00:06:46] Investimento? Como, meu amigo?
[00:06:49] E dívida é a realidade de quase metade dos brasileiros.
[00:06:53] No segundo semestre de 2022, 43% da população se considerava muito endividada.
[00:07:00] Em 2021, o índice era 32%.
[00:07:04] Se a gente for considerar essa dívida dentro das famílias,
[00:07:07] a gente pode dizer que 78% das famílias brasileiras estão com os boletos atrasados,
[00:07:13] segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.
[00:07:17] São quase 70 milhões de boletos atrasados.
[00:07:19] São 312 bilhões de pessoas com dívidas num valor médio de R$ 4.500.
[00:07:24] Somando tudo, são 312 bilhões de reais de contas em atraso.
[00:07:30] Sete de cada dez famílias têm pelo menos três contas atrasadas.
[00:07:35] E 62% estão negativadas há mais de 90 dias.
[00:07:40] Por que isso, Cris? É por causa de desemprego?
[00:07:43] Não. Porque 85% dessas pessoas trabalham e são economicamente ativas.
[00:07:49] São pessoas mais velhas que a renda caiu após a aposentadoria?
[00:07:53] Também não. A maioria, 35%, tem entre 18 e 30 anos.
[00:07:59] Ah, mas 56% são mulheres e têm dívida no cartão de crédito.
[00:08:03] Deve ser porque mulher gasta muito com futilidade, né? Também não.
[00:08:07] 65% usam cartão para fazer supermercado e 41% com remédio.
[00:08:13] Lembrando que 51% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres.
[00:08:17] E elas são as que têm menos acesso a crédito.
[00:08:20] Mas isso é coisa de gente que tem menos acesso a informação e alfabetização básica.
[00:08:25] Lá pelo norte e nordeste do país. Também não.
[00:08:28] A maioria dos endividados estão no sul e no sudeste e têm segundo grau completo.
[00:08:33] Deve ser então porque esse povo não liga.
[00:08:35] Porque é gente responsável que está acostumada a ficar com o nome sujo. Também não.
[00:08:39] 83% afirma que têm dificuldade para dormir por conta das dívidas.
[00:08:43] 61% vivem sensações de crise e ansiedade
[00:08:47] só de pensar na dívida.
[00:08:49] 51% têm vergonha dessa condição de endividado.
[00:08:53] Mas então, por quê? O que está causando tanta dívida?
[00:08:57] De acordo com o economista do CNC, Isis Ferreira,
[00:09:00] são três os fatores que contribuíram para esse recorde de endividamento.
[00:09:04] A alta da inflação, que corroeu o poder de compra das famílias.
[00:09:08] O incentivo crescente ao uso de cartão de crédito através da oferta de novos produtos e serviços por bancos e fintechs.
[00:09:16] E, para os que têm mais renda, a demanda que estava represada por serviços e diversão,
[00:09:23] como viagens e compra de passagens aéreas.
[00:09:26] A nossa intenção hoje é entender mais sobre o que nos faz entrar em dívidas
[00:09:30] e como a gente pode sair delas.
[00:09:32] Pega a calculadora e vem com a gente.
[00:09:34] Bora, então, apresentar quem está hoje aqui na nossa mesa
[00:09:48] para nos ajudar a entender o que nos faz entrar e como sair desse rolê de dívida.
[00:09:55] Vamos começar por quem já é de casa?
[00:09:57] Gabriela Chaves, por favor, se apresente novamente para os nossos ouvintes.
[00:10:01] Quem é você na fila do Saldão da Dívida?
[00:10:04] Saudações, mamileiros, mamiletes.
[00:10:07] Eu estou muito feliz de estar aqui de novo.
[00:10:09] Bora falar desse assunto difícil que é das dívidas, né?
[00:10:13] Eu sou Gabi Chaves, sou economista, fundadora da Nufront Empoderamento Financeiro,
[00:10:18] que é uma plataforma que há cinco anos vem democratizando esse mundo da economia e das finanças.
[00:10:24] Estou muito feliz de estar aqui. Bora trocar essa ideia.
[00:10:27] Que delícia. A gente tem também a Vera Rita de Mello Ferreira.
[00:10:31] Por favor, professora, se apresente para os nossos ouvintes.
[00:10:34] Quem é você na fila do pão?
[00:10:36] Então, eu sou atualmente a presidente da Associação Internacional de Pesquisa em Psicologia Econômica,
[00:10:44] a sigla em inglês é IAREPE, e Psicologia Econômica estuda comportamento econômico e tomada de decisão.
[00:10:53] Então, eu sou professora e consultora nessas áreas de Psicologia Econômica, de comportamentos econômicos,
[00:11:02] de educação financeira e de arquitetura de escolha que a gente vai falar daqui a pouco.
[00:11:09] E eu também faço parte do Comitê de Pesquisa da Rede Internacional de Educação Financeira da OCDE,
[00:11:19] a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
[00:11:22] Muito bom. Vamos começar então.
[00:11:24] Doutora Vera, o primeiro ponto que parece contribuir para esse endividamento gigante
[00:11:29] é a inflação, porque ela corrói o nosso poder de compra.
[00:11:32] Se a gente continua com os mesmos hábitos que a gente tinha e com o tempo a inflação vai crescendo,
[00:11:38] a dívida vai acumulando.
[00:11:40] A sua pesquisa de mestrado foi sobre os aspectos emocionais associados à inflação e à estabilização da moeda.
[00:11:47] Quais são os principais aprendizados sobre essa pesquisa que a gente poderia aplicar hoje?
[00:11:53] Como é que as situações vividas por todos nós vão impactar escolhas coletivas e escolhas individuais?
[00:11:59] Então a gente teve algumas mudanças muito importantes desde aquela época
[00:12:04] que foi o período de 1985 a 1994, quando de fato veio o Plano Real
[00:12:13] e a gente continua com alguma estabilidade econômica.
[00:12:20] A inflação não é nem de perto como era naquela época e a gente ainda não entrou naqueles gatilhos
[00:12:28] que eu não sei se vocês pegaram porque são jovens,
[00:12:33] mas a gente tinha reajustes quase que automáticos com a inflação.
[00:12:39] Não só dos preços, isso era praticamente diário, como também de salários, de contas,
[00:12:48] tudo ia sendo reajustado automaticamente.
[00:12:51] Naquele momento as pessoas tinham apego pela inflação.
[00:12:57] Eu acho que isso foi o ponto mais importante que eu levantei
[00:13:02] porque elas tinham uma sensação de que elas estavam ficando ricas
[00:13:07] com tantos zeros acrescentados nas suas contas bancárias.
[00:13:11] Era pura ilusão.
[00:13:13] Estava todo mundo achando que estava nadando bem na liquidez
[00:13:18] porque a economia girava rapidamente, só que não era real.
[00:13:25] Então quando o Plano Real veio, por exemplo, muita gente quebrou
[00:13:30] porque descobriu que não sabia administrar nada, só sabia fazer reajustes em cima da inflação.
[00:13:37] Agora a gente tem uma situação diferente, inclusive porque a oferta de crédito
[00:13:43] é muito maior hoje do que era na década de 1980.
[00:13:48] E para entender endividamento tem um ponto muito importante.
[00:13:52] É uma moeda com dois lados.
[00:13:55] Se de um lado a gente tem endividamento, do outro lado a gente tem que oferecer o crédito.
[00:14:01] Porque a pessoa nunca vai se endividar sozinha.
[00:14:04] Ela vai se endividar se alguém deu dinheiro para ela se endividar.
[00:14:09] E nós temos o jujuzão, que são esses juros absurdos do spread.
[00:14:16] Não vou nem falar de Selic, mas do spread a gente tem 15% ao mês.
[00:14:22] Quando eu falo para os meus colegas de fora, que cartão de crédito, cheque especial,
[00:14:28] vários tipos de crédito tem esses juros escorxantes, as pessoas acham que eu estou maluca.
[00:14:34] Que não é possível, que é no ano. 15% ao ano e eles já ficam de cabelo em pé.
[00:14:39] Eu falo, não cara, é 15% ao mês.
[00:14:43] É muita coisa.
[00:14:45] É muita coisa.
[00:14:46] Gabi, a professora Vela já começou a falar um pouquinho desse crédito.
[00:14:52] O que a gente mais usa é o cartão de crédito.
[00:14:55] E os maiores endividamentos estão acontecendo no cartão.
[00:15:00] Sem entrar diretamente no que a gente tem que fazer para melhorar essa prática,
[00:15:05] eu queria dar um passo anterior de perguntar o que são os aspectos emocionais
[00:15:10] que circulam no uso desse produto.
[00:15:12] Porque tem inexperiência, tem empolgação, tem status.
[00:15:17] Por que a gente odeia amar o cartão de crédito?
[00:15:21] Sim.
[00:15:22] Porque quando a gente fala de dívida é importante a gente falar dessa indústria
[00:15:26] que tem por trás da dívida.
[00:15:28] Existe uma indústria financeira que lucra muito no endividamento das pessoas.
[00:15:33] Existe uma indústria que cobra taxas altíssimas para emprestar dinheiro para as pessoas.
[00:15:38] E o cartão de crédito é uma das formas mais populares que a gente tem nos últimos anos.
[00:15:44] Hoje você tem supermercados abrindo financeiras e oferecendo cartão de crédito.
[00:15:50] Lojas.
[00:15:51] É muito fácil você fazer um cartão de crédito hoje.
[00:15:54] Coisa que não era tempos atrás.
[00:15:56] Na época do carnê você tinha que entregar um monte de documento
[00:16:00] para conseguir provar que você precisava daquele crédito.
[00:16:04] Hoje o crédito está muito mais acessível.
[00:16:07] Mas eu acho que tem um ponto importante da gente falar
[00:16:09] que é como as instituições financeiras também precisam ser envolvidas nessa discussão sobre endividamento.
[00:16:16] Porque elas oferecem um produto que tem taxas altíssimas.
[00:16:21] Que eles atribuem a um risco de calote.
[00:16:25] Mas que no final do dia gera muito lucro para eles.
[00:16:29] E que tem pouquíssima flexibilidade.
[00:16:31] Eles ficam no discurso do ESG que vai até o nível 1.
[00:16:37] Eles conseguem fazer doações, mas eles não mexem no coração do problema
[00:16:42] que é os produtos deles.
[00:16:44] Não tem um sistema onde a gente vai construir essa relação de confiança.
[00:16:48] E a gente vai conseguindo aí ter taxas mais baratas.
[00:16:52] Ter uma carência para quando a gente precisa do dinheiro por 5 dias.
[00:16:57] E aí tudo isso se soma numa taxa de juros surreal.
[00:17:00] Que faz com que as dívidas cresçam numa velocidade absolutamente incompatível com a nossa renda.
[00:17:07] Ô Gabi, tem outros aspectos que são mais emocionais
[00:17:11] que eu acho que é importante a gente também trazer.
[00:17:13] Talvez eu seja muito ingênua, muito bobo que eu vou falar, mas é isso.
[00:17:16] Você põe a maquininha assim.
[00:17:18] A maquininha é quase mágica aquele cartão.
[00:17:21] Porque você vai poder quando você nunca pôde, entendeu?
[00:17:24] E aí de repente, tudo bem.
[00:17:26] Aí vem a fatura do cartão naquele mês e é terrível e você vai lá pagar e tal.
[00:17:31] E às vezes é isso.
[00:17:34] Essa possibilidade que você tem que você nunca teve é difícil lidar com poder.
[00:17:39] Porque poder vem com responsabilidade.
[00:17:41] Grandes poderes, grandes responsabilidades.
[00:17:43] O que você trouxe de hoje a gente tem acesso a um crédito que a gente não tinha antes.
[00:17:48] Então vem um poder que a gente não tinha antes.
[00:17:51] Existe um tempo de dor até aprender a usar com responsabilidade, não existe?
[00:17:56] Não é natural que seja assim?
[00:17:58] Sim, porque a gente tem uma questão que é a desmaterialização do valor.
[00:18:02] Então hoje a gente tem um pedaço de cartão de crédito de plástico
[00:18:06] que ele é do mesmo tamanho, independente de quanto de crédito ele tem lá dentro.
[00:18:10] Então antes a gente tinha uma carteira, a gente conseguia ver a quantidade de notas diminuindo.
[00:18:17] Existem estudos que vão mostrar que pagar em dinheiro tem um efeito emocional
[00:18:22] muito diferente de você pagar no cartão de crédito.
[00:18:25] Porque quando você paga no cartão de crédito você não sente aquele recurso saindo.
[00:18:31] Verdade.
[00:18:32] É quase que uma varinha mágica que você passa numa outra máquina de plástico
[00:18:37] e você pode ter as coisas apertando botões.
[00:18:41] Só que no final do dia existe aí uma taxa de juros que é cobrada.
[00:18:45] Existe um sistema por trás.
[00:18:47] Eu acho que o endividamento entre a juventude ele é muito alto
[00:18:51] porque não existe educação financeira nas escolas.
[00:18:55] Os jovens eles chegam muito mal preparados no primeiro emprego.
[00:18:59] Eu pelo menos eu gastei meu primeiro salário em menos de dois dias.
[00:19:03] Meu primeiro salário quando eu vi aquele dinheiro na conta eu fui pro shopping
[00:19:09] e assim depois de 48 horas eu tinha 57 centavos na minha conta.
[00:19:13] Eu não tinha nem dinheiro para condução.
[00:19:16] E é uma questão que eu reflito muito nessa questão da educação financeira
[00:19:20] que é como que na juventude sem as ferramentas adequadas
[00:19:24] a gente faz escolhas bem problemáticas.
[00:19:29] E a gente vai aprendendo com elas ao longo do tempo.
[00:19:32] Mas também o sistema financeiro precisa criar mecanismos
[00:19:36] para fazer a educação financeira ser a agenda do dia.
[00:19:40] Sem dúvida.
[00:19:41] Eu acho que a gente precisa diferenciar
[00:19:44] as pessoas que estão usando crédito para comer
[00:19:48] para tentar sobreviver atualmente
[00:19:51] e que daí é uma situação trágica
[00:19:54] e a gente não sabe bem como é que isso vai sair aí para frente
[00:19:58] e cujo jusão não ajuda absolutamente nada.
[00:20:02] E a gente tem as outras pessoas que sentem isso que a Ju falou do poder.
[00:20:10] O cartão de crédito me dá poder.
[00:20:13] E esse aspecto também que a Gabi estava levantando
[00:20:16] é uma coisa meio mágica.
[00:20:18] Você evita a dor do pagamento.
[00:20:21] Em inglês eles chamam de pain of pain.
[00:20:24] Na hora que você passa o cartão nada acontece com você.
[00:20:28] E você facilmente pode dar uma de avestruz
[00:20:31] e fazer de conta que nada aconteceu mesmo.
[00:20:34] E só quando a estrutura chegar é que você toma aquele susto.
[00:20:39] Entra aí aliás um outro fenômeno que a gente estuda na psicologia econômica
[00:20:44] que chama contabilidade mental
[00:20:46] que é uma maneira como você se relaciona com o dinheiro
[00:20:52] pode ser toda compartimentada.
[00:20:55] Então tem vários memes.
[00:20:57] Outro dia a gente pôs lá no Instagram do Psicologia Econômica
[00:21:01] um meme que é assim
[00:21:03] Nossa, R$3,50.
[00:21:07] R$9,00 lá.
[00:21:10] Como que isso deu R$3,500?
[00:21:15] Eu todo mês.
[00:21:17] Pois é, todos nós.
[00:21:20] Nunca é para baixo.
[00:21:22] Chorindo.
[00:21:24] Caca cry.
[00:21:26] A estimativa sempre é que é menos e sempre supera.
[00:21:30] Nunca é o contrário.
[00:21:32] Ah não, acho que deu R$10,00 e você olha lá.
[00:21:35] Nossa, R$2,100.
[00:21:37] E o clássico de dividir as coisas.
[00:21:40] E assim, você realizou o desejo
[00:21:44] ele deixa de ser presente para você
[00:21:46] e você vai ficar pagando 10 meses.
[00:21:48] E aí você não tem mais a sensação de aquisição.
[00:21:51] Quando é o contrário, se eu estou juntando dinheiro por 10 meses
[00:21:54] por 10 meses eu me lembro que eu desejo aquela coisa.
[00:21:57] E aí eu entrego o dinheiro e eu fico muito feliz porque eu tive aquilo.
[00:22:00] Se eu compro com a minha varinha mágica
[00:22:03] eu compro e divido em 10 vezes.
[00:22:05] Eu não entendo depois porque eu não tenho dinheiro.
[00:22:07] Aí eu vou olhar a fatura.
[00:22:09] Ah, porque eu estou pagando 10 faturas.
[00:22:11] Daquilo que eu já comi.
[00:22:12] Prestações de coisas que eu nem lembro que eu tenho mais, entendeu?
[00:22:14] Não me importa mais.
[00:22:15] Não está resolvendo nada na minha vida.
[00:22:17] Já acabou.
[00:22:18] A coisa até já gastou, já estragou, já era.
[00:22:22] Exato.
[00:22:23] Agora, outra vez.
[00:22:25] Tem um sistema aí perverso.
[00:22:28] Porque a gente não para de dar trombada com tentações.
[00:22:34] Tem 8 trilhões de produtos sendo oferecidos.
[00:22:40] Você está lá rolando tela no Instagram.
[00:22:43] E o algoritmo sabe melhor que você o que você quer.
[00:22:49] Não, é isso.
[00:22:50] A gente aprendeu nessa pandemia a gastar dinheiro sem sair de casa.
[00:22:53] Se antes a gente ficava em casa para economizar.
[00:22:56] Agora isso já não é mais verdade.
[00:22:59] A gente através da internet consegue consumir absolutamente tudo.
[00:23:03] Então, ficar em casa para economizar não é mais uma estratégia.
[00:23:07] É verdade, é verdade.
[00:23:09] Não, vocês estão falando de pessoas imaturas.
[00:23:12] Pessoas maduras e adultas veem comerciais, mas não se sentem seduzidas por eles.
[00:23:18] É verdade, professora?
[00:23:19] Não, agora é oficial.
[00:23:22] Somos todos regidos pelas emoções.
[00:23:27] E as nossas emoções são muito primitivas.
[00:23:30] A gente é limitadamente rádio.
[00:23:33] Não é que a gente seja irracional, também não é isso.
[00:23:36] Nós somos limitadamente racionais.
[00:23:39] Tanto porque a nossa capacidade cognitiva, quer dizer, de processar as informações.
[00:23:44] Ela é limitada em si.
[00:23:46] Mas acima de tudo, as emoções é que mandam na gente.
[00:23:50] Eu tenho uma frase de cabeceira de um psicanalista inglês, o Luffy Beon, que é o seguinte.
[00:23:55] A razão é escrava da emoção.
[00:23:59] E existe, a razão existe para.
[00:24:02] Racionalizar a experiência emocional.
[00:24:07] Quem manda na bironga toda é a emoção.
[00:24:11] Não tem por onde.
[00:24:13] Então, claro, não somos nada maduros.
[00:24:16] A gente tem uma camadinha, um verniz assim de…
[00:24:21] Ah, todo mundo ali na Faria Lima, no elevador, etc.
[00:24:26] Arranhou um pouquinho a superfície?
[00:24:29] Uga! Uga!
[00:24:31] Mas peraí, Gabi.
[00:24:36] Tem uns mais ugabugas do que os outros.
[00:24:39] Porque eu acho isso muito curioso e interessante.
[00:24:42] Como numa mesma família, então teoricamente a gente teve acesso aos mesmos recursos.
[00:24:47] A mesma informação financeira, educação, formação financeira e tal.
[00:24:51] Você sempre, sempre vai encontrar naquela família grande.
[00:24:55] A tia destrambelhada, a tia que sabe fazer dinheiro, mas gasta muito dinheiro.
[00:25:00] Não sabe fazer.
[00:25:01] Aquela trabalhadora que sempre foi assalariada, mas construiu tudo bem devagarinho.
[00:25:05] A formiguinha construiu a casa, construiu o carro, não sei o que.
[00:25:08] Construiu até a casa de praia.
[00:25:10] E você fala, como é que essa pessoa, o salário dela é o salário mínimo?
[00:25:12] Como é que ela fez isso?
[00:25:13] Então tem os milagrosos de renda, de fazer dinheiro.
[00:25:16] Tem os milagrosos de fazer resultado, que é entre entrada e saída consegue construir patrimônio.
[00:25:22] E tem a galera destrambelhada das ideias.
[00:25:24] E a galera que está sempre de risco em risco.
[00:25:27] O que explica isso?
[00:25:29] Acho que aí entram as diferenças de comportamento.
[00:25:32] As pessoas têm personalidades diferentes e elas lidam com os problemas de forma diferente.
[00:25:39] Eu já vi a escassez levando as pessoas para um lugar de ser pão duro, como as pessoas falam.
[00:25:47] De não gastar, de ter uma dificuldade muito grande, inclusive, de gastar dinheiro pelo medo de voltar para a escassez.
[00:25:55] E você tem aquelas pessoas que falam, já que eu não tenho nada.
[00:25:59] Não tenho nada para perder.
[00:26:01] Vamos para cima.
[00:26:03] Acho que em todas as famílias a gente encontra esses perfis.
[00:26:07] E o que a gente precisa aprender a fazer é lidar com responsabilidade sobre essa questão.
[00:26:14] Entendendo que tem um impacto muito grande no nosso futuro a forma como a gente faz a gestão dos recursos hoje.
[00:26:22] Acho que as pessoas que conseguem conquistar as coisas a partir de ganhar um salário mínimo.
[00:26:28] São excelentes administradoras.
[00:26:31] E a gente tem uma realidade no Brasil que é essa.
[00:26:34] Milhares de lares sendo chefiados por mulheres.
[00:26:38] Mulheres que têm uma renda de um a dois salários mínimos e conseguem administrar essa renda para sustentar famílias inteiras.
[00:26:47] Ao mesmo tempo você tem jovens que não pagam aluguel, moram com os pais e estão endividados no cartão de crédito.
[00:26:55] Essa é uma realidade que a gente precisa enfrentar.
[00:26:59] E obviamente que o conhecimento é uma chave muito importante.
[00:27:04] Mas para cada doença a gente vai ter um remédio.
[00:27:08] Para essa mulher que está se desdobrando para sustentar uma família com um salário mínimo.
[00:27:15] A gente precisa falar sobre como aumentar essa renda.
[00:27:19] Como se qualificar, como conseguir expandir essa renda.
[00:27:23] E para esse jovem que está gastando de forma desenfreada num contexto onde ele nem tem tantas responsabilidades financeiras.
[00:27:31] A conversa é muito sobre a responsabilidade.
[00:27:36] Como que você vai olhar para o seu futuro e sobretudo entender o custo de estar endividado.
[00:27:43] Eu fiquei endividada durante a faculdade inteira.
[00:27:47] E era uma questão de necessidade.
[00:27:49] A bolsa do estágio não dava conta da alimentação.
[00:27:53] Do xerox e do transporte.
[00:27:56] Mas no final de quatro anos, quando eu parei para olhar a quantidade de juros que eu paguei para o banco.
[00:28:03] Eu poderia ter comprado uma moto.
[00:28:05] E foi isso que me fez virar a chavinha de falar.
[00:28:09] Cara, não dá para ficar pagando juros para o banco.
[00:28:12] Porque na hora que eu preciso de alguma coisa o banco não me dá nada.
[00:28:16] Então foi um momento assim.
[00:28:18] Foi pela dor que eu aprendi.
[00:28:21] E a dor de ficar pegando ali dinheiro no cheque especial tem um preço.
[00:28:25] E é um preço bem caro.
[00:28:27] Professora Vera, eu queria sofisticar um pouquinho essa ideia do porquê que alguns conseguem e outros não.
[00:28:32] Criados no mesmo ambiente.
[00:28:34] Levantando uma teoria aqui.
[00:28:36] Queria que você me dissesse se faz algum sentido.
[00:28:39] Me parece que algumas pessoas têm mais resistência à frustração.
[00:28:43] A conseguir abrir mão de um bem.
[00:28:46] E conseguir falar, tá bom, passo 100.
[00:28:49] E sustenta a frustração de não ter conseguido.
[00:28:52] E outras pessoas têm menos resistência a essa frustração.
[00:28:55] E aí elas acabam cedendo ao desejo.
[00:28:58] O desejo vira necessidade.
[00:29:00] Deixou de ser desejo e virou necessidade.
[00:29:02] E ela não consegue se conter e entra nesse lugar.
[00:29:05] Faz algum sentido?
[00:29:07] Exatamente no ponto.
[00:29:09] A questão é de, sim, como você reage às experiências muito agradáveis que são as da frustração.
[00:29:16] Agora, numa mesma família, são vários fatores.
[00:29:20] Você pode ter os pais, a família, os adultos de referência, sempre vão ser algum tipo de modelo para os filhos.
[00:29:30] Seja para imitar, para aprender a fazer igual a eles, ou seja no negativo.
[00:29:38] Como no negativo da foto.
[00:29:40] Eu vou fazer o oposto.
[00:29:42] Meus pais são tão controlados.
[00:29:45] Tudo sempre era um perrengue total.
[00:29:49] Que agora que eu tenho meu dinheiro, eu vou meter o louco.
[00:29:52] Eu não quero nem saber.
[00:29:54] Eu não sei se eu vou amanhã.
[00:29:56] Ou ao contrário.
[00:29:58] Os pais eram tão malucos e desorganizados.
[00:30:01] Que eu conheci gente, por exemplo, que não tinha, naquela época, nem talão de cheque.
[00:30:08] Nem cartão de crédito.
[00:30:11] Porque prendeu, às vezes.
[00:30:15] Pela dor.
[00:30:16] Outras vezes, pelo exemplo de que não.
[00:30:19] Se organiza e vive dentro do que você tem.
[00:30:23] Se isso casa com uma tendência que, outra vez, se puxar pela psicanálise.
[00:30:28] A gente já vem com essas tendências.
[00:30:31] Ou de suportar melhor as frustrações.
[00:30:35] Não ficar esmagado por elas.
[00:30:37] Ou de não suportar nada.
[00:30:39] De ter um limiar minúsculo e você não aguenta.
[00:30:43] E tem também mais um elemento psicológico.
[00:30:48] Que é o que a gente chama de locus de controle.
[00:30:51] Quer dizer, eu sou uma pessoa mais autônoma?
[00:30:55] Ou eu jogo para a galera?
[00:30:58] Se eu estou mais preocupada com o que eu acho que é melhor para mim.
[00:31:03] A gente pode entender que é um locus de controle interno.
[00:31:06] Está dentro de mim.
[00:31:08] Agora, se eu delego para as pessoas.
[00:31:12] O que elas podem achar ou não achar a meu respeito.
[00:31:15] Se eu ficar sempre preocupado com o que vão pensar.
[00:31:19] Aí eu tenho um locus de controle externo.
[00:31:22] E a gente vê mais pessoas endividadas.
[00:31:26] Se tiverem esse locus de controle externo.
[00:31:30] E um outro fator também.
[00:31:33] O que vocês acham?
[00:31:35] Quem que fica mais endividado?
[00:31:37] Os introvertidos ou os extrovertidos?
[00:31:40] Me parece que o extrovertido.
[00:31:42] Então, por quê?
[00:31:44] Porque eles são da gandaia.
[00:31:46] Eles precisam encontrar as pessoas o tempo inteiro.
[00:31:50] Então, eles saem toda noite.
[00:31:52] Vão para o boteco, vão para o restaurante.
[00:31:55] E se empolgam e pagam para todo mundo.
[00:31:58] Então, a gente também vai encontrar mais extrovertidos entre as pessoas.
[00:32:04] E dá presente para todo mundo.
[00:32:06] Esquece que não é rica.
[00:32:08] Esquece.
[00:32:09] Agora, tem uma coisa bem interessante no que a gente está falando.
[00:32:12] Que é traçar bem o perfil do porquê os endividados são mais jovens.
[00:32:15] Menos tolerância à frustração.
[00:32:18] E mais esse locus de controle externo.
[00:32:21] Afinal, a gente está tão exposto às redes sociais o tempo todo.
[00:32:24] Você está todo mundo passeando, viajando, se divertindo.
[00:32:27] Só tem extrovertido no mundo.
[00:32:29] Então, eu também vou precisar fazer isso.
[00:32:31] Imagina se eu não for almoçar com o pessoal do trabalho.
[00:32:34] E levar comida de casa.
[00:32:36] Imagina se eu perguntar o preço antes de sentar no restaurante.
[00:32:39] Olha que vergonha.
[00:32:40] Quer dizer que eu sou pobre?
[00:32:41] Que eu não consigo pagar?
[00:32:43] Se eu questionar o preço do vinho que a galera escolheu no almoço.
[00:32:46] Porque se eu sentei, né?
[00:32:48] Sentou, sorriu, a conta dividiu.
[00:32:50] E aí vocês vão pedir as coisas sem olhar o preço?
[00:32:53] E aí eu que estou contando.
[00:32:55] Eu estava contada lá.
[00:32:56] Eu segui bonitinho.
[00:32:57] No front, eu estava lá contando meus dinheirinhos.
[00:33:00] Estava tudo certo.
[00:33:01] Aí eu sentei numa mesa de almoço.
[00:33:03] Gastei meu orçamento da semana inteira.
[00:33:05] Porque eu tenho vergonha de perguntar.
[00:33:07] Oh galera, mas aí vão pedir um vinho, eu vou dividir.
[00:33:09] Fica ruim.
[00:33:10] É uma das poucas vantagens da gente.
[00:33:11] A gente ser velho, viu?
[00:33:13] Daí você começa a ficar mais cara de pau.
[00:33:16] Começa a andar para as coisas.
[00:33:19] E faz mais do jeito que você acha adequado, né?
[00:33:23] Professora, a gente estava falando aqui que o terceiro ponto da dívida
[00:33:27] que as pessoas estão atualmente tem a ver com diversão, passagem aérea, viagens.
[00:33:34] Justamente o que a gente estava falando aqui.
[00:33:37] Então, só que isso parece sempre irresponsável e futilíssimo.
[00:33:42] Mas a gente ficou quase três anos em pandemia.
[00:33:45] Está todo mundo agora querendo ir para o bar.
[00:33:46] Está todo mundo querendo viajar.
[00:33:48] Como é que a arquitetura de escolhas pode ajudar a gente a dosar melhor esse desejo,
[00:33:53] essa necessidade e conseguir ter um pouco de diversão, mas não descambar tudo?
[00:33:57] Bom, se qualquer pessoa ou entidade no mundo tivesse essa resposta,
[00:34:03] todos os problemas estariam solucionados.
[00:34:06] O que a arquitetura de escolha quer?
[00:34:10] Alterar pequenos detalhes no contexto para ajudar as pessoas
[00:34:15] a tomarem as melhores decisões para elas mesmas.
[00:34:19] Algumas estratégias que a gente pode tentar fazer, e agora algumas estão meio furadas.
[00:34:26] Como a Gabi lembrou, a gente virou comprador desde casa.
[00:34:31] A gente não precisa sair de casa, porque antes uma estratégia era essa.
[00:34:35] Você nem vai no shopping.
[00:34:37] Mesmo assim, ainda é melhor você…
[00:34:39] Melhor você não ficar dando mole para o azar, sem dúvida.
[00:34:44] Então, parar de seguir conta que fica te fazendo cócega para gastar.
[00:34:53] Pare de andar com rico.
[00:34:55] Até amigo gastão te prejudica muito.
[00:34:58] Reveja suas amizades.
[00:35:00] É verdade, é verdade.
[00:35:02] Ontem eu ainda estava falando em um grupo de estudos sobre isso,
[00:35:05] que é um autor aí da nossa área que fala.
[00:35:09] O que você prefere ser?
[00:35:11] Um sapo pequeno numa lagoa grande?
[00:35:15] Quer dizer, você tem menos dinheiro do que todo mundo
[00:35:19] e fica perdendo fôlego lá para alcançar.
[00:35:23] Ou você prefere ser um sapo grande numa lagoa pequena?
[00:35:27] Que daí você está mais confortável.
[00:35:30] As outras pessoas podem até ter menos dinheiro que você, ou a mesma coisa.
[00:35:34] E você daí não está o tempo inteiro no sufoco completo.
[00:35:39] Para tentar alcançar os outros.
[00:35:42] A gente vê, por exemplo, que muitos gerentes de banco costumam estar muito endividados.
[00:35:50] Porque passa tanto dinheiro por eles.
[00:35:52] E clientes de alta renda, por exemplo, que ganham muito mais dinheiro do que eles ganham.
[00:36:00] E eles acham que eles têm que ter o mesmo carro, que frequentar o mesmo restaurante.
[00:36:05] Enfim.
[00:36:06] É um estrago na vida financeira.
[00:36:10] Sem dúvida.
[00:36:11] Agora, só para completar.
[00:36:13] Arquitetura de escolha tem uma estratégia que é bala de prata para tentar guardar dinheiro.
[00:36:21] Que é aplicação automática.
[00:36:24] Então você já faz uma escolha.
[00:36:29] Você toma uma providência que é combinar com a instituição financeira.
[00:36:35] Quanto por cento ou x reais que todos os meses devem ser direcionados para tal aplicação.
[00:36:43] Isso pode te ajudar também em momentos em que você precisaria usar o crédito.
[00:36:49] Porque surge uma emergência, uma despesa inesperada.
[00:36:54] E você tem aquela sua reserva de emergência.
[00:36:59] E de preferência uma reserva também para longo prazo.
[00:37:02] Isso que você estava falando.
[00:37:04] A gente se deu conta esse ano.
[00:37:07] Eu estava falando com a Cris.
[00:37:08] Quando você negocia, o seu dia a dia é de uma ordem de grandeza muito diferente da sua finança pessoal.
[00:37:14] Eu acho que é uma dificuldade que as pessoas não têm muita noção.
[00:37:16] Isso que se chama ancoragem.
[00:37:18] Isso.
[00:37:19] Depende do ponto de referência que você está usando.
[00:37:22] Porque a gente sempre precisa de algum ponto de referência.
[00:37:24] Senão no vácuo a gente não consegue avaliar nada.
[00:37:27] Então se fica sempre um ponto de referência milhão.
[00:37:31] Você vai achar que 10 mil é troco.
[00:37:35] Exato.
[00:37:36] O que a gente está conversando é que tanto isso.
[00:37:39] Ver muito dinheiro quanto ver muita publicidade.
[00:37:43] O nosso cérebro vai guardando informações que não estão necessariamente no nosso consciente.
[00:37:48] Pode ficar ali no pré-consciente.
[00:37:50] Então você não tem muita noção.
[00:37:52] É no inconsciente.
[00:37:53] Muito no inconsciente.
[00:37:55] O que acontece é que você acredita que tem domínio, mas não tem.
[00:37:59] Não.
[00:38:00] Eu acho que essa que é a grande sacada que pode transformar a forma de ver o dinheiro.
[00:38:06] É perceber que na verdade você é muito suscetível e muito vulnerável.
[00:38:10] A tudo que você está tendo acesso.
[00:38:13] Aos lugares onde você vai.
[00:38:15] É como se você trabalhasse numa carvoaria e achasse que não vai ficar sujo de carvão.
[00:38:19] Boa analogia.
[00:38:20] A gente diz que somos frágeis, precários e limitados.
[00:38:27] E ninguém deve se oponder.
[00:38:29] Todos nós.
[00:38:30] Desculpa, como é que é?
[00:38:32] Não parece bom, né?
[00:38:33] A realidade é difícil, né menina?
[00:38:36] A realidade.
[00:38:37] Bom, a gente viu na pesquisa que o medo e a vergonha são os indesejáveis companheiros de quem está com dívida.
[00:38:45] Então para iniciar esse bloco agora, a gente vai ouvir o ex-presidente das associações de Procons paulistas, Érico de Mello.
[00:38:53] Que ele vai falar um pouquinho sobre ferramentas e direito dos devedores.
[00:39:00] Olá pessoal, tudo bem?
[00:39:04] Olá Ju, olá Cris.
[00:39:06] Meu nome é Érico de Mello.
[00:39:08] Sou advogado, sou sócio do PG Advogados e fui presidente da associação de Procons paulistas.
[00:39:14] Bom, vamos direto ao ponto então.
[00:39:16] Como eu consigo identificar se os juros são abusivos?
[00:39:20] Talvez o jeito mais fácil e direto seja consultar o próprio site do Banco Central.
[00:39:26] Existem índices oficiais para taxas de juros que podem ser consultadas no site do Banco Central.
[00:39:29] Uma outra ferramenta importantíssima do Banco Central é a chamada calculadora cidadã.
[00:39:36] Ela pode ser acessada online também e ela permite que você coloque ali o valor de um financiamento, as parcelas, os juros
[00:39:44] e eventualmente você consegue até identificar algumas anormalidades por meio dessa calculadora que é muito útil.
[00:39:50] Em termos de cobrança, o que pode e o que não pode?
[00:39:53] O artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor, ele fala que na cobrança de dívidas
[00:39:58] o consumidor não pode ser exposto ao ridículo, ser submetido ao constrangimento e nem ser ameaçado.
[00:40:06] Muita gente tem medo inclusive de ser preso, né?
[00:40:08] Bom, mas a nossa Constituição Federal, ela proíbe a prisão civil por dívida.
[00:40:13] A única exceção a essa regra é a questão da pensão alimentícia.
[00:40:17] Mas não existe no Brasil, fora esse caso, prisão por dívida, prisão civil por dívida.
[00:40:22] Muita gente também tem medo de perder a casa em virtude do não pagamento de dívidas.
[00:40:27] Bom, uma alerta aqui que eu faço é para tomar muito cuidado com contratos em que você,
[00:40:34] por exemplo, para fazer um empréstimo, você entrega o seu imóvel como garantia.
[00:40:39] Nesse caso, se você não conseguir honrar esse contrato, sim, você poderá vir a perder o seu imóvel.
[00:40:44] Isso não é do dia para noite, obviamente, tem que ter um processo, mas pode ocorrer.
[00:40:49] Bom, em breve nós teremos uma novidade no Brasil com relação a ligações de cobrança.
[00:40:54] A Anatel decidiu que os números que ligam para a gente,
[00:40:56] que ligam para a gente para fazer cobrança, eles vão ter que começar necessariamente com o prefixo 0304.
[00:41:03] Em breve essa mudança estará em prática e nós podemos acompanhar as notícias para saber exatamente a partir de quando isso vai estar valendo.
[00:41:12] Mas aí os números de cobrança que te ligam vão ter que começar com 0304.
[00:41:17] Bom, e aquelas famosas dívidas com mais de cinco anos?
[00:41:20] Essas dívidas, ao contrário do que muita gente pensa, elas não deixam de existir.
[00:41:24] O que muda é que depois de cinco anos,
[00:41:26] o nome do consumidor, o CPF do consumidor, ele não pode mais estar inscrito no cadastro de inadimplentes.
[00:41:33] Então, apesar dessa ser uma expressão popularmente conhecida, a questão do nome sujo,
[00:41:39] ela não é uma expressão que ela é utilizada e ela nem é politicamente correta mais, digamos assim,
[00:41:45] mas só para a gente entender que depois de cinco anos não pode ter mais nome sujo,
[00:41:51] o nome do consumidor não pode ser mais negativado em virtude daquela dívida
[00:41:54] e ela não pode ser cobrada mais judicialmente.
[00:41:56] Ela ainda pode ser cobrada, ela ainda existe,
[00:42:00] mas ela não vai influenciar mais, por exemplo, no Serasa Score, tá bom?
[00:42:04] E a gente vê muito por aí também saldão de negociação de dívidas, multirão de negociação de dívidas.
[00:42:10] Geralmente são iniciativas muito positivas.
[00:42:13] Algumas delas, inclusive, são organizadas pela própria FEBRABAN
[00:42:17] em conjunto com a Secretaria Nacional do Consumidor
[00:42:20] e são iniciativas que oferecem condições especiais para pagamento.
[00:42:24] Muitas dessas iniciativas, inclusive, acontecem de maneira virtual.
[00:42:29] Pelo site www.consumidor.gov.br,
[00:42:33] o consumidor pode entrar em contato ali com as empresas
[00:42:36] e conseguir condições especiais, se for o caso, tá bom?
[00:42:40] Muito obrigado e até a próxima.
[00:42:48] Vamos para a próxima pergunta, que a gente ia te perguntar o seguinte, doutora Vera.
[00:42:51] Eu tenho a impressão que, do mesmo jeito que a gente criou os contos de fada
[00:42:56] para falar de perigos para as crianças, então, do perigo de falar com estranhos,
[00:43:01] do perigo de mentir, do perigo de tal,
[00:43:04] a gente deveria contar, criar contos sobre juro composto.
[00:43:08] Porque essa premissa de que, ah, não, mês que vem eu pego, mês que vem eu pego,
[00:43:13] tinha que ter uma forma muito didática de gravar no nosso inconsciente coletivo
[00:43:18] de que você vai perder, a perna dele é muito mais rápida,
[00:43:20] ele corre mais rápido do que você.
[00:43:23] A cada mês, a chance de você pegar ele é muito menor.
[00:43:27] Que hora que eu tenho que falar, gente, parou tudo, eu vou ter que pedir ajuda,
[00:43:30] vou ter que renegociar, eu vou ter que criar uma outra estratégia,
[00:43:33] porque senão, eu nunca mais vou alcançar essa bola.
[00:43:37] Tem uma questão aqui que é a seguinte, é que hora que levanta a bandeira vermelha?
[00:43:41] Porque a gente acaba dobrando a aposta.
[00:43:43] Que hora que eu deveria falar, não vou mais dar conta, preciso de ajuda?
[00:43:47] Bom, isso aí é muito difícil, porque quem está endividado,
[00:43:51] em grande parte, é pessoa que odeia estar endividada
[00:43:56] e vai fazer de tudo para evitar isso.
[00:43:59] Como? Pegando mais crédito.
[00:44:01] Ela não deu conta de pagar a primeira dívida, ela pega mais crédito.
[00:44:06] Se ela já não estava dando conta de pagar a primeira,
[00:44:10] como é que ela vai dar conta de pagar duas?
[00:44:12] Mas ela, aí que está, né?
[00:44:14] Nós, seres humanos, temos otimismo excessivo.
[00:44:20] A gente não vê claramente os riscos no horizonte.
[00:44:24] E junto com isso, a gente tem a prima do otimismo excessivo,
[00:44:28] que é a autoconfiança exagerada.
[00:44:31] Então, você fala, não, mês que vem eu saio dessa.
[00:44:35] Não, eu vou dar conta.
[00:44:37] Não, é só eu apertar um pouquinho aqui e não vai.
[00:44:41] Porque é aquela coisa, o jujuzão é muito mais forte.
[00:44:44] Ele está juros em cima de juros.
[00:44:48] Para a gente que investe, vem o jujuzinho.
[00:44:53] Mas para quem está endividado, vem o jujuzão.
[00:44:56] Então, a coisa fica brava mesmo.
[00:44:59] Então, vai juntando tudo isso e a pessoa tem muita vergonha
[00:45:04] de estar endividada, de um modo geral.
[00:45:06] Principalmente mais velhos.
[00:45:08] Porque é um fenômeno que foi se naturalizando.
[00:45:14] Eu lembro quando, na década de 60,
[00:45:18] por exemplo, no colégio, se alguém, uma família falia,
[00:45:23] era assim um segredo, uma vergonha total.
[00:45:26] Nossa, faliram.
[00:45:28] Meu Deus, tem que fugir com os móveis da casa,
[00:45:32] senão vai ser tudo penhorado, não sei o quê, não sei o quê.
[00:45:34] Hoje, você vai numa mesa de bar e é fácil encontrar alguém dizendo,
[00:45:40] quebrei, estou descapitalizado.
[00:45:43] Ah, e o outro, eu também.
[00:45:46] Nossa, você nem imagina
[00:45:48] quanto eu estou devendo.
[00:45:49] Naturalizou.
[00:45:50] Por um lado, é bom porque sai o estigma,
[00:45:54] que era muito ruim.
[00:45:56] Mas, por outro lado, parece que é o normal.
[00:46:01] Todo mundo está endividado.
[00:46:03] Não tem como não estar.
[00:46:05] E aí, outra vez, eu não estou falando de população de baixíssima renda,
[00:46:09] que não tem escolha.
[00:46:11] Estou falando quando o consumo, a desorganização
[00:46:16] e as…
[00:46:18] as insistências para empurrar crédito para cima das pessoas
[00:46:22] e para empurrar consumo, é claro.
[00:46:24] Tudo isso tinha que ser, claro, repensado.
[00:46:28] Agora, levantar a bandeira vermelha é assim que possível.
[00:46:33] Porque quanto mais você demora, mais cara vai ficando a dívida.
[00:46:38] Principalmente se você continuar pagando, né?
[00:46:41] Então, vamos lá.
[00:46:42] Eu reconheci, tá?
[00:46:43] Quebrei, o negócio passou por cima mesmo.
[00:46:47] Só de juros de cartão de crédito, já chegou na fábula de 409%.
[00:46:53] Então, Alice, se a pessoa pegou 50 reais no mês seguinte,
[00:46:56] é 204 reais que ela está devendo.
[00:46:59] O que que dá para fazer?
[00:47:01] Eu acabei de reconhecer.
[00:47:02] Estou te ligando e falando.
[00:47:03] Gabi, assim, deu ruim aqui para mim.
[00:47:06] Eu preciso de um plano para poder olhar para esse universo aqui
[00:47:10] e entender o que que eu faço.
[00:47:12] O que você vai me falar, Gabi?
[00:47:13] Primeira coisa que a gente tem que substituir
[00:47:16] todo o sentimento de frustração, todo o sentimento de ansiedade
[00:47:21] e converter ele em responsabilidade, assim.
[00:47:23] A gente precisa olhar para essa dívida, encarar ela
[00:47:27] e a gente faz isso a partir de um diagnóstico
[00:47:30] que é entender o tamanho da dívida.
[00:47:32] Porque muitas vezes as pessoas saem parcelando as coisas
[00:47:35] e aí elas não têm a dimensão do todo dessa dívida.
[00:47:38] A gente precisa entender porque quando a conta não fecha
[00:47:42] a gente vai ter que estabelecer uma prioridade.
[00:47:44] Quais dívidas a gente vai pagar primeiro?
[00:47:46] Quais dívidas vão ficar para um segundo momento?
[00:47:49] E a gente sempre orienta as pessoas a pagarem.
[00:47:52] Os pequenos produtores são pessoas que não resistem ao calote.
[00:47:55] É o cara do mercadinho, é o cara do açougue, a manicure.
[00:48:00] E em seguida olhar para as dívidas que têm as taxas de juros mais altas
[00:48:06] porque elas são as dívidas que crescem numa maior velocidade.
[00:48:11] Então, sempre fazer um plano de pagamento realista.
[00:48:15] De fato, não pagar as dívidas que você não vai dar conta de honrar com os acordos.
[00:48:20] Porque os juros sobre juros no Brasil é uma realidade muito séria.
[00:48:24] Quando você fica renegociando uma dívida por muito tempo
[00:48:29] chega um momento que você está pagando basicamente juros.
[00:48:32] Então, quando você não dá conta de pagar
[00:48:35] é melhor você pausar o pagamento, fazer uma organização financeira
[00:48:40] para ter uma renda para pagar aquela dívida.
[00:48:43] E a partir daí, negociar com a instituição
[00:48:45] financeira e honrar esse compromisso.
[00:48:48] Essa coisa de pagar o mínimo da fatura do cartão de crédito
[00:48:52] ficar rolando cheque especial por muito tempo
[00:48:56] só colocando aí um valor mínimo
[00:48:58] é um fator que faz com que sua dívida se prolongue de uma forma surreal.
[00:49:03] E é isso, entender que você vai precisar manter a sua dignidade.
[00:49:08] Então, calcula qual que é o seu mínimo necessário.
[00:49:11] Qual o valor que você precisa para as coisas básicas e essenciais.
[00:49:15] Alimentação, moradia, saúde.
[00:49:18] E a partir daí, você entende qual é o seu poder de pagamento dessa dívida
[00:49:23] e faz uma negociação realista.
[00:49:26] Porque eu já lidei com pessoas que estavam com 70% da renda comprometida em dívidas.
[00:49:33] E isso é uma situação que faz a pessoa se sentir assim
[00:49:38] como se ela fosse uma pessoa incompetente.
[00:49:42] Uma pessoa que não dá conta de administrar o dinheiro.
[00:49:45] Uma aluna chegou para mim assim há quatro anos de se aposentar.
[00:49:50] Ela tinha 61, ela ia se aposentar com 65.
[00:49:54] E ela estava com 70% da renda dela consumida em empréstimos, cartões e cheque especial.
[00:50:02] E ela chorava e falava assim, como é que eu vou me aposentar daqui a quatro anos?
[00:50:06] De fato, ela conseguiu.
[00:50:08] A gente conseguiu reorganizar, fazer uma renegociação que fosse realista.
[00:50:14] Porque o problema da gente ficar renegociando de forma picada
[00:50:17] é que a gente perde a dimensão do todo e aí a gente não dá conta de pagar.
[00:50:22] Então assim, faça renegociações realistas e honre com essas renegociações.
[00:50:28] Porque ficar protelando uma dívida é uma coisa que no cenário de juros altos
[00:50:33] que a gente está vivendo pode ser muito, muito séria.
[00:50:36] E pode também procurar ajuda ou de consultores financeiros, planejadores financeiros
[00:50:43] ou também do setor público, os Procons, Defensoria Pública.
[00:50:48] Eles têm serviços de apoio ao super endividado, aos endividados.
[00:50:54] Exatamente.
[00:50:55] Professora, a Gabi trouxe um plano.
[00:50:58] Então sentar, negociar, fazer uma negociação realista com um pagamento realista.
[00:51:04] Só que tem uma pressão acontecendo dentro de mim que não estou acostumada a dever.
[00:51:10] Tem uma pressão que é…
[00:51:12] Mas eu vou ficar pagando essa dívida por muito tempo.
[00:51:16] Como que a gente faz para lidar com esses elementos que estão acontecendo ali dentro de mim
[00:51:22] e ter sangue frio e ter disciplina para eu conseguir cumprir um plano?
[00:51:26] Porque a gente vê muita gente desistindo e aí volta de novo para aquela bola de neve.
[00:51:31] Então tem que ser um plano realmente factível.
[00:51:35] Não pode dizer…
[00:51:37] Ah não, em seis meses a gente desenha aqui um jeito e você vai ficar livre da dívida.
[00:51:42] Não vai.
[00:51:44] A não ser que ela venda tudo que ela tem e não coma mais durante seis meses, talvez.
[00:51:51] Então tem que ser no ritmo possível, no valor possível, na proporção possível.
[00:51:59] E que ela consiga dar conta também psiquicamente, sem dúvida.
[00:52:05] Por isso que eu digo, se tiver alguém…
[00:52:08] E que não sou eu, não estou fazendo propaganda, autopropaganda.
[00:52:12] Mas um consultor financeiro, um planejador financeiro que vá orientando
[00:52:17] e que tenha essa experiência de dizer, olha, este é um planejamento viável para o seu estilo de vida,
[00:52:27] para o seu orçamento, para o seu momento.
[00:52:30] Pode não ser nem o melhor de todos, mas esse você vai dar conta.
[00:52:35] Então pode não ser o melhor tecnicamente.
[00:52:38] Ah não, se você aumentar um pouquinho, você vai abater.
[00:52:42] Mas a pessoa sabe que não vai conseguir aumentar mais.
[00:52:45] Ou então ela vai dar conta três meses e depois estoura tudo outra vez.
[00:52:51] Ela volta, não para a estaca zero, para a estaca menos 20.
[00:52:55] Então tem que ser muito realista, aquilo que a Gabi falou.
[00:52:59] Tem que ser do tamanho da possibilidade da pessoa.
[00:53:04] Ela só vai fazer o que ela for capaz de fazer.
[00:53:08] É o oposto de ser super otimista, de achar que…
[00:53:11] Não, mas eu vou conseguir mais renda, eu vou contar com um salário, um aumento de salário, um aumento de renda.
[00:53:19] Não, mas eu vou começar a vender picolé e aí com esse incremento de renda eu vou conseguir pagar.
[00:53:24] Você está vendendo picolé? Tem essa renda?
[00:53:26] Você não é otimista, você não super valoriza suas possibilidades.
[00:53:30] Uma coisa que pode ajudar são os passos dos alcoólicos anônimos.
[00:53:36] Por hoje eu vou segurar um pouco mais…
[00:53:41] Vou aguentar.
[00:53:42] Porque se você olhar para o longo prazo, você desanima.
[00:53:45] Você fala, como que eu vou sobreviver dez anos, cinco anos aqui.
[00:53:52] Não, hoje.
[00:53:54] Hoje eu vou achar algum jeito de ter um lazer mais barato.
[00:54:00] Hoje, hoje, a cada dia, a cada dia.
[00:54:03] Gabi, mas a professora está falando de ter um acompanhamento financeiro.
[00:54:08] E a gente vê muita gente, inclusive, vendendo isso na internet.
[00:54:11] Mas eu já estou cheia de dívida.
[00:54:13] Eu vou investir em trazer uma pessoa para organizar a dívida, fazendo mais dívida?
[00:54:18] Como é que funciona isso? Parece tão inacessível.
[00:54:20] Eu acho que, infelizmente, o universo da educação financeira no Brasil,
[00:54:25] ele ainda é muito voltado para a classe média, para um olhar em relação à classe média.
[00:54:29] Então, as pessoas que estão em um nível de super endividamento têm muita dificuldade de acessar.
[00:54:34] A AnoFront foi pensada para isso, assim.
[00:54:37] Então, a gente tem várias iniciativas super populares.
[00:54:40] Eu acho que hoje, também, existe muito conteúdo gratuito na internet.
[00:54:44] Existem muitas lives, tem muita informação disponível.
[00:54:48] Inclusive, dentro do próprio site do Banco Central, dentro do site da CVM,
[00:54:54] dá para encontrar muito conteúdo gratuito para navegar por esse universo, assim.
[00:55:00] Mas é muito importante entender se as pessoas têm condições de falar sobre o que elas estão falando.
[00:55:07] Porque, na internet, tem muitas pessoas que falam sobre finanças sem nenhum tipo de informação
[00:55:14] e falam muita besteira, inclusive, assim.
[00:55:17] Acho que buscar informação dentro dos órgãos reguladores, como o Banco Central e a CVM,
[00:55:23] é um caminho certo para quem quer ter uma informação imparcial,
[00:55:27] para quem quer ter uma informação de confiança.
[00:55:30] O site do Banco Central é bcb.gov.br
[00:55:33] e lá é um espaço onde as pessoas podem ter muita informação
[00:55:36] de qualidade em relação a essa questão das finanças.
[00:55:40] Inclusive, no site do Banco Central, tem uma parte que eu amo, que é a de taxa de juros,
[00:55:45] onde eles mostram as taxas de juros médias praticadas pelas instituições financeiras.
[00:55:51] Então, tem uma coisa que muita gente não sabe,
[00:55:53] que é a possibilidade de fazer portabilidade de dívida.
[00:55:57] Se você está numa instituição financeira que te cobra taxas abusivas,
[00:56:01] você pode entrar no site do Banco Central, procurar uma instituição financeira
[00:56:06] que tenha uma taxa de juros mais baixa e conversar com essa instituição financeira
[00:56:11] para fazer uma portabilidade da sua dívida de uma instituição financeira para outra.
[00:56:17] Essa é uma possibilidade que as pessoas não sabem,
[00:56:21] mas que é real e pode te ajudar muito a economizar na taxa de juros.
[00:56:26] Então, usem a ferramenta, usem a informação do Banco Central
[00:56:30] e não subestimem o 1%.
[00:56:33] A gente tem uma dificuldade tremenda com a matemática,
[00:56:36] então a gente fala 1%, 2%, 3%, 5%, 10%,
[00:56:40] vira uma abstração que não faz sentido.
[00:56:44] Mas a gente tem que pensar que esses juros são como um fermento
[00:56:48] que está fazendo a nossa dívida crescer cada vez mais.
[00:56:52] Então, o ideal é não pagar juros e recebê-los
[00:56:56] e a gente precisa acessar esse lugar que é de aprender a conquistar as coisas
[00:57:01] sem ser pela dívida.
[00:57:03] Eu cresci ouvindo.
[00:57:05] Se a gente não se endivida,
[00:57:06] nessa vida a gente não vai ter nada.
[00:57:08] Porque eu vi a minha família mobiliando a casa
[00:57:11] a partir do carnê das lojas, do fiado.
[00:57:16] A gente por muito tempo acessou o consumo a partir da dívida.
[00:57:21] O que a gente precisa falar agora
[00:57:23] é sobre como que a gente organiza a nossa renda,
[00:57:28] como é que a gente aprende a fazer mais renda
[00:57:32] para a gente conseguir manter o nosso poder de compra
[00:57:35] diante da inflação.
[00:57:37] E a partir disso, a gente precisa falar sobre investir.
[00:57:41] Porque também tem o mito de que…
[00:57:42] Eu ia te perguntar isso, Gabi.
[00:57:44] Porque assim, se a gente olha para esse planejamento
[00:57:47] só do lado de como você pode ir,
[00:57:50] da onde que você vai cortar para poder liberar dinheiro para pagar a dívida,
[00:57:55] você estrangula demais as famílias.
[00:57:57] Então, pensar também do outro lado,
[00:58:00] que é que outra renda podemos buscar juntos
[00:58:04] para que…
[00:58:05] A amortização dessa dívida não seja tão sofrida para a família.
[00:58:08] Então, falar de fazer renda é importante também.
[00:58:12] Gerar renda nova.
[00:58:13] Exato. E não só renda extra.
[00:58:15] Eu acho que as pessoas precisam aprender a valorizar a própria renda.
[00:58:19] Se eu sou funcionário de uma empresa,
[00:58:21] como é que eu consigo uma promoção?
[00:58:23] Quais são as qualificações que eu tenho que fazer
[00:58:26] para conseguir uma promoção?
[00:58:27] Se eu sou uma pequena empreendedora,
[00:58:30] quais são os produtos que eu posso vender
[00:58:32] num valor mais alto para aumentar o meu faturamento?
[00:58:35] Então, para além da ideia de fazer trabalhos extras
[00:58:38] e conseguir rendas novas,
[00:58:39] a gente precisa aprender como é que a gente incrementa a nossa renda,
[00:58:43] como é que a gente se capacita dentro do mercado de trabalho,
[00:58:48] como é que a gente se capacita dentro do empreendedorismo
[00:58:51] para aprender a fazer mais dinheiro.
[00:58:54] Porque a realidade é que o salário mínimo no Brasil,
[00:58:57] ele já não dá conta.
[00:58:59] Você olha o preço médio dos aluguéis nas capitais brasileiras,
[00:59:03] ele já é superior ao salário mínimo.
[00:59:05] Na maior parte das capitais do Brasil.
[00:59:07] Então, o salário mínimo, ele é muito mais um valor formal,
[00:59:11] um valor formal que a gente tem,
[00:59:14] que vai regular uma série de políticas públicas,
[00:59:17] do que o nosso relógio de qual que é o valor que a gente tem que ter.
[00:59:22] Gabi, olha só, você estava me falando de um plano,
[00:59:25] a professora ainda falou, vamos ficar no hoje,
[00:59:28] porque é um plano que pode ter cinco, dez anos.
[00:59:32] E aí, o que eu queria te perguntar é,
[00:59:34] pagar a dívida é mais importante do que ter uma reserva emergencial?
[00:59:38] Dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo?
[00:59:41] Ou só dá para começar a juntar um dinheirinho
[00:59:44] depois que acabar de pagar todas as dívidas?
[00:59:46] Olha, as emergências, elas não escolhem as pessoas por dívida, né?
[00:59:53] Elas não vão falar assim, olha, eu não vou pegar a Cris,
[00:59:56] porque nesse momento ela está endividada, então eu não vou ter uma emergência.
[01:00:01] Emergências acontecem com todo mundo,
[01:00:03] por isso é muito importante a gente ir construindo essa reserva de emergência
[01:00:08] paralelamente à quitação das dívidas, tá?
[01:00:12] É inclusive quando a gente junta dinheiro que a gente consegue ter mais poder
[01:00:16] de negociação com as instituições financeiras.
[01:00:19] Então, é muito importante que mesmo a pessoa endividada
[01:00:22] estabeleça um valor, nem que seja 10 reais, 20 reais, 50 reais, 100 reais,
[01:00:27] para fazer a reserva de emergência e se preocupe em guardar dinheiro,
[01:00:33] para conseguir antecipar a dívida que ela possui.
[01:00:36] Então, no caso, por exemplo, das pessoas que têm financiamento imobiliário.
[01:00:40] O financiamento imobiliário, ele dura aí 30 anos.
[01:00:43] Não dá para a pessoa passar 30 anos sem ter uma reserva de emergência,
[01:00:47] porque, inclusive, o imóvel que ela comprou pode ter reparos emergenciais,
[01:00:53] os móveis podem quebrar, a gente não fica sem geladeira.
[01:00:57] Então, quando a geladeira dá um problema, a gente precisa consertar,
[01:01:02] não importa o quanto custe.
[01:01:04] Então, a reserva de emergência é para todo mundo, a gente precisa ter uma grana
[01:01:10] para que, inclusive, a gente não se endivide mais ainda quando a emergência acontece.
[01:01:16] E tem uma dimensão psicológica.
[01:01:19] Eu também concordo, você está endividado, se puder, consiga ir guardando dinheiro também.
[01:01:26] Porque daí você sente que você não está só o dinheiro passando pela sua mão
[01:01:31] indo direto para o pagamento de dívida, nada fica para você,
[01:01:34] você não está sendo capaz de ter nada.
[01:01:37] À medida que você vai guardando alguma coisa, você olha para aquilo e fala,
[01:01:41] afinal, eu não sou assim uma porcaria completa.
[01:01:44] Eu sei, eu estou devendo, está tudo desorganizado e tal, mas olha só,
[01:01:48] eu estou conseguindo guardar um pouco.
[01:01:50] Então, isso pode ir alimentando até o que a gente chama de efeito posse
[01:01:55] da pessoa ir gostando daquele dinheiro que está crescendo ali,
[01:01:59] ela vai regando.
[01:02:01] E pode ser até o start para se reorganizar.
[01:02:06] E deixa eu aproveitar uma carona.
[01:02:09] Eu também sou fã do Departamento de Educação Financeira do Banco Central.
[01:02:15] Já trabalhei com eles, eles são muito legais.
[01:02:19] Tem uma página sobre a educação financeira pós-pandemia.
[01:02:24] Então, vale a pena, porque tem vários exemplos lá, vários temas.
[01:02:31] Vale a pena.
[01:02:32] E semana que vem, a semana de 15 a 21,
[01:02:36] é a Semana Nacional de Educação Financeira, com vários eventos.
[01:02:41] Por isso que esse programa está aí no ar, está vendo?
[01:02:43] Pronto, então está certo.
[01:02:45] Conta um pouquinho do que é.
[01:02:47] Então, a Semana Nacional de Educação Financeira concentra eventos.
[01:02:53] Primeiro, ela é organizada pelo fórum, acho que chama agora fórum,
[01:03:00] que chamava Comitê Nacional de Educação Financeira.
[01:03:04] Então, a gente tem à frente a CVM, tem também o Banco Central, a Previc,
[01:03:10] os reguladores, SUSEP, e tem também algumas iniciativas privadas,
[01:03:15] ou mistas, o SEBRAE, por exemplo, que estão promovendo atividades.
[01:03:21] Então, a abertura vai ser no dia 15, segunda-feira,
[01:03:25] vai ser na B3, aqui em São Paulo, na Bolsa de Valores.
[01:03:29] Eu vou estar num painel lá para falar sobre criptoativos.
[01:03:33] Tem que olhar semananf.gov, eu acho, .br,
[01:03:41] ou procurar pela hashtag semananf e ver as atividades.
[01:03:47] Porque essa, por exemplo, você pode até se inscrever, se tiver lugar,
[01:03:52] dá para ir, ou acompanhar online.
[01:03:56] E depois, nos outros dias, tem outras atividades.
[01:03:59] Então, vale a pena, tem bastante coisa.
[01:04:02] Muito bom.
[01:04:03] Então, o que a gente está falando aqui é que um bom plano de educação financeira
[01:04:09] para poder pagar essas dívidas, um plano realista,
[01:04:12] vai levar em consideração ter também essa reserva de emergência.
[01:04:16] Então, eu acho muito legal a gente introduzir isso numa ideia de
[01:04:20] paga o dívida enquanto guarda um pouquinho.
[01:04:22] Isso é realista.
[01:04:23] Eu queria muito agradecer vocês duas.
[01:04:26] Eu acho que a gente conseguiu trazer muita informação condensada,
[01:04:29] aqui em pouco tempo.
[01:04:31] Para quem está nos ouvindo, eu acho que fica a máxima que a dívida
[01:04:36] não vai se resolver sozinha.
[01:04:38] A gente tem muito costume de falar, não vou nem olhar a minha conta,
[01:04:41] porque eu sei que está ruim.
[01:04:43] E, assim, realmente, vamos precisar nos responsabilizar.
[01:04:46] É uma conversa de adulto.
[01:04:48] Vai olhar a conta sim e vamos sentar para conversar sobre isso,
[01:04:51] porque vai passar, mas vai passar se a gente evoluir essa conversa
[01:04:57] e realmente entender como a gente pode trabalhar
[01:04:59] o dinheiro a nosso favor.
[01:05:00] Eu gosto muito da máxima de eu amo mandar no dinheiro.
[01:05:04] Eu detesto que ele mande em mim, mas eu adoro mandar nele.
[01:05:08] Eu acho que tem…
[01:05:10] Eu queria fechar com o convite para o caminho do conhecimento
[01:05:14] para o empoderamento financeiro.
[01:05:16] Ele tem duas vias.
[01:05:19] Então, a primeira é a informação.
[01:05:22] O que a Gabi falou da portabilidade, eu nunca tinha ouvido falar.
[01:05:24] Embora a gente ache que esse conteúdo está batido,
[01:05:27] que a gente sempre escuta,
[01:05:28] tem que gastar menos do que você recebe, tem que gerar…
[01:05:30] Assim, tem uma receita de bolo que todo mundo mais ou menos conhece
[01:05:33] e não consegue botar na prática, mas tem informação importante
[01:05:37] e eu acho que, assim, com o interesse que a gente busca,
[01:05:39] informações de, sei lá, outras coisas de decoração, de moda, de não sei o quê,
[01:05:44] a gente também se munir de informação financeira é básico da vida.
[01:05:49] É igual comer, você vai ter que saber.
[01:05:51] Então, tem que estar no seu dia a dia, na sua dieta de informação.
[01:05:54] Só que eu acho que a gente dá muito valor para isso
[01:05:57] e pouco para o outro lado.
[01:05:58] É, dessa via que é o da professora Vera, que é a educação emocional.
[01:06:04] São trabalhos que a gente vai ter que ter com a gente mesmo,
[01:06:07] mergulhos que a gente vai ter de o que que importa para a gente,
[01:06:10] por que que importa para a gente, como a gente se sente,
[01:06:12] o que que nos envergonha, o que nos deixa com medo,
[01:06:15] o que que nos dá satisfação, qual é a diferença de necessidade e desejo.
[01:06:19] São perguntas profundas.
[01:06:20] Quando a gente acha que dinheiro é só dinheiro, né, não é, cara, não é.
[01:06:26] Enquanto a gente não parar para pensar,
[01:06:28] nessa psicologia do dinheiro, onde ele nos pega e por que que ele nos pega,
[01:06:34] e não trabalhar arduamente para construir uma relação melhor,
[01:06:38] a gente ainda vai ser mandado pelo dinheiro.
[01:06:40] A gente não consegue chegar nesse lugar da Cris
[01:06:42] se não tiver muito trabalho e investimento na gente mesmo.
[01:06:46] É, eu posso agradecer o convite.
[01:06:49] Gostei muito, Gabi.
[01:06:51] Obrigada aí pela companhia, pela complementação.
[01:06:55] E obrigada pelo convite, Cris e Ju.
[01:06:58] Eu queria deixar umas dicas de conteúdo gratuito,
[01:07:03] que é o meu canal,
[01:07:04] Pílulas de Psicologia Econômica, no YouTube,
[01:07:08] o Instagram, que é a minha querida Cris, que é sócia, que comanda,
[01:07:14] que é o arroba psicologiaeconomica, tudo junto, sem acento.
[01:07:18] E para quem quiser mergulhar mais no assunto,
[01:07:21] eu tenho cursos online e assíncronos.
[01:07:25] Então, a pessoa pode
[01:07:27] fazer no seu ritmo, ao longo de um ano,
[01:07:29] no cursosverticepsy.com.br.
[01:07:35] Cursosverticepsy, tudo junto, .com.br.
[01:07:41] E tem alguns de educação financeira, é um,
[01:07:45] e o de arquitetura de escolha é outro, que são online, ao vivo.
[01:07:50] Já foi o de educação financeira nesse semestre,
[01:07:53] o semestre que vem vai ter de arquitetura de escolha.
[01:07:56] E, claro, tem muita coisa a mais que a gente poderia falar
[01:08:00] sobre o significado do dinheiro,
[01:08:02] o que eu chamo de semáforo emocional,
[01:08:05] o quinteto fantástico para poder pensar tudo isso,
[01:08:09] mas fica para uma outra, não é?
[01:08:11] Vai ter, com certeza.
[01:08:13] Gente, gratidão enorme.
[01:08:15] Acho que falar desse assunto é fundamental
[01:08:18] e falar de um jeito leve,
[01:08:20] porque a gente vive numa sociedade que fala que você vale o que você tem
[01:08:24] e que você tem o que você merece.
[01:08:26] Então, quando as pessoas estão endividadas,
[01:08:29] o sentimento é realmente muito ruim,
[01:08:31] a gente não pode romantizar.
[01:08:33] Mas eu quero dizer para quem está ouvindo
[01:08:35] que a dívida não te define,
[01:08:37] bora correr atrás da sua saúde financeira,
[01:08:40] bora correr atrás de entender essas coisas todas
[01:08:44] e cuidar da saúde financeira
[01:08:46] para que a gente tenha um futuro próspero,
[01:08:49] um futuro com qualidade de vida.
[01:08:52] Essa é uma conversa fundamental para os próximos dias que virão.
[01:08:56] Então é isso, a dívida não te define,
[01:08:58] bora construir aí esse empoderamento financeiro.
[01:09:01] E brigadão pelo convite, estamos juntos sempre.
[01:09:05] Obrigada, garotas. Um beijo.
[01:09:26] Na jornada pelo controle de peso, saber que você não está sozinho é fundamental.
[01:09:34] Acesse Meu Peso Minha Jornada.