Qual é o meu lugar? — com Egnalda Côrtes


Resumo

Neste episódio, Cris Dias conversa com Egnalda Côrtes, fundadora da agência Cortes e Companhia, sobre a transição do mundo corporativo para o empreendedorismo no mercado de criadores de conteúdo. Egnalda compartilha sua trajetória de 22 anos como executiva, seu plano inicial de se tornar presidente de empresa, e como uma crise familiar – o acidente grave do filho Pedro Henrique (PH) – a levou a repensar sua carreira e prioridades.

A conversa detalha como Egnalda começou a agenciar o próprio filho, que se tornou um youtuber mirim ativista, falando sobre heróis negros e a lei 10.639. Ela explica o processo de construir uma narrativa profissional própria, deixando de ser apenas “a mãe do PH” para se tornar Ignalda Côrtes, uma profissional respeitada no mercado digital. O episódio aborda a importância de criar um legado e a reconexão afetiva com os filhos.

Egnalda discute profundamente a valorização do trabalho criativo, compartilhando exemplos concretos de negociações e valores (como a cobrança de R 30 mil para R$ 130 mil após uma contraproposta bem fundamentada). Ela critica a cultura de segredo sobre valores no mercado e defende a transparência para evitar o sucateamento da produção de conteúdo.

A agenciadora também fala sobre a necessidade de coerência entre marcas e criadores, a importância do propósito (ou, no mínimo, da coerência) nas parcerias, e como a comunidade do criador pode apoiar patrocínios quando entende que eles sustentam todo o conteúdo gratuito produzido. Ela enfatiza que a cobrança deve refletir toda a construção de autoridade e história do criador, não apenas métricas como seguidores ou views.

Por fim, Egnalda reflete sobre seu compromisso com a comunidade, a quebra de estereótipos (sendo uma mulher negra de negócios na indústria digital) e o desejo de construir um legado que reverbere para as futuras gerações, permitindo que mais pessoas, especialmente aquelas com perfis sub-representados, vejam o sonho de trabalhar com conteúdo como uma possibilidade real e valorizada.


Indicações

Laws

  • Lei 10.639 — Egnalda explica que é a lei que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. Ela descobriu que o conteúdo do PH estava atendendo a essa lei, o que deu ainda mais relevância ao seu trabalho.
  • Lei 11.535 — Mencionada brevemente por Egnalda como a lei equivalente à 10.639, mas voltada para a história e cultura dos povos indígenas.

Organizations

  • Cortes e Companhia — Agência fundada por Egnalda Côrtes para agenciar criadores de conteúdo, com foco inicial em influenciadores negros ativistas, que eram ignorados pelo mercado publicitário tradicional. Tornou-se líder da Aliança Sem Estereótipos da ONU Mulheres.
  • Alura — Patrocinadora do podcast Boa Noite Internet nesta temporada. Apresentada como a maior escola online de tecnologia do Brasil, com cursos de programação e gestão. Cris Dias destaca a convergência de propósito com a educação.
  • ONU Mulheres — Mencionada por Egnalda ao dizer que a Cortes e Companhia se tornou empresa líder da Aliança Sem Estereótipos desta organização, como reconhecimento por seu trabalho de quebra de estereótipos no mercado digital.

People

  • Malcolm X — Mencionado por Egnalda ao citar a fala da filha dele, que disse não ter conhecido o pai, apenas o mito e o ativista, o que impactou sua reflexão sobre a imagem que estava construindo para os próprios filhos.
  • Martin Luther King — Citado como inspiração para o filho PH após assistir à peça ‘Topo da Montanha’, que retrata seu último dia. Isso despertou no PH o desejo de ler sua biografia e se engajar em questões raciais.
  • Nelson Mandela — Mencionado por PH como uma das figuras sobre as quais ele queria ler e aprender após ser impactado pela peça sobre Martin Luther King.
  • Zumbi dos Palmares — Apontado por Egnalda como o primeiro herói negro brasileiro que o PH pesquisou e sobre o qual fez um vídeo para seu canal, iniciando sua jornada de conteúdo ativista.
  • Machado de Assis — Egnalda menciona que um dos primeiros vídeos do PH foi sobre Machado de Assis negro, um tema pouco discutido na época, que gerou grande repercussão e foi compartilhado por Gilberto Gil.
  • Gabi Oliveira — Criadora de conteúdo que Egnalda começou a assessorar informalmente. É citada como exemplo de criadora que relutava em cobrar por seu trabalho por ver seu conteúdo como algo muito pessoal (‘sua alma’).
  • Lázaro Ramos — Ator que era uma aspiração para o PH. Egnalda comprou ingressos para a peça ‘Topo da Montanha’ estrelada por ele e por Thais Araujo, que foi o evento catalisador para o despertar ativista do filho.

Linha do Tempo

  • 00:02:57Introdução e plano original de carreira de Egnalda — Cris Dias apresenta o episódio e a convidada Egnalda Côrtes, que trabalha agenciando criadores. Egnalda começa contando seu plano de carreira original, que era subir na hierarquia corporativa até se tornar presidente de uma empresa, um sonho que cultivou por 22 anos. Ela descreve sua rápida ascensão inicial, de operadora de telemarketing a executiva, e seu plano B, caso não alcançasse a presidência aos 40 anos: migrar para a área de educação como consultora ou professora.
  • 00:05:30Reflexão sobre a vida familiar e reconexão com os filhos — Egnalda compartilha um momento de reflexão profunda sobre o equilíbrio entre sua carreira de sucesso e sua vida familiar. Ela percebe, através de desenhos feitos por seus filhos em terapia, que sua imagem para eles era de uma mulher poderosa, mas distante. Isso a leva a questionar a construção do laço afetivo com eles e a buscar uma reconexão, citando inclusive o exemplo da filha de Malcolm X, que disse não ter conhecido o pai, apenas o mito.
  • 00:07:20O acidente do filho PH e a dedicação à recuperação — Egnalda narra o acidente grave de bicicleta do filho Pedro Henrique (PH), que fraturou os côndilos mandibulares e tinha prognóstico de deformidade facial e múltiplas cirurgias. Determinada a evitar isso, ela aprende e aplica um rigoroso regime de fisioterapia a cada hora e meia, dedicando-se integralmente à recuperação do filho por seis meses. Durante esse período difícil, PH descobre o YouTube, iniciando um novo vínculo entre mãe e filho através do consumo e discussão de conteúdo.
  • 00:12:05O despertar ativista do PH após uma peça de teatro — Egnalda conta que, após levar o PH (então com 13 anos) para assistir à peça “Topo da Montanha”, sobre Martin Luther King, o filho ficou profundamente impactado e quis “fazer alguma coisa” sobre a questão racial no Brasil. Ele lembra à mãe que ela mesma começou no ativismo com 13 anos. Esse momento marca o início do canal do PH no YouTube, focado em heróis negros brasileiros, com Egnalda ajudando na pesquisa, roteiro e construção de uma narrativa com profundidade e propósito.
  • 00:18:28O sucesso do canal e a desilusão com o mercado publicitário — Egnalda descreve o crescimento rápido do canal do PH, que ganhou visibilidade na mídia tradicional (Globo, Fantástico) e reconhecimento de figuras como Gilberto Gil após um vídeo sobre Machado de Assis negro. No entanto, em junho de 2016, PH expressa desânimo, dizendo que pessoas como ele (negras) não trabalham com a internet e que talvez fosse melhor trabalhar com o pai. Essa fala ativa em Egnalda tanto a mãe quanto a profissional que não aceitou o lugar que tentaram impor a ela.
  • 00:22:08A decisão de Egnalda de provar que era possível e fundar sua agência — Reagindo à desistência do filho, Egnalda tem uma conversa firme com PH, afirmando que ele poderia sim fazer o que amava e que ela resolveria a parte comercial. Ela então mergulha no desconhecido mercado de influenciadores, frequentando cursos do Google e YouTube. Para se afirmar como profissional e não apenas ‘a mãe do PH’, e para criar uma agência que acreditasse em influenciadores negros ativistas (que o mercado ignorava), ela funda a Cortes e Companhia (inicialmente Cortes Assessoria).
  • 00:26:56Primeira grande negociação: a lição sobre valorizar a história — Egnalda narra sua primeira grande negociação: um convite para o PH figurar em apostilas escolares. A editora ofereceu R 3.500 que ela havia pedido (valor necessário para comprar uma câmera), ensinando-a a importância de fundamentar o valor na narrativa e não sucatear o trabalho.
  • 00:30:25Filosofia de cobrança: não sucatear a própria alma — Egnalda explica sua filosofia ao aconselhar criadores como Gabi Oliveira, que relutava em cobrar por algo que faria de graça por acreditar no propósito. Ela argumenta que, se o conteúdo é precioso como a ‘alma’ do criador, não deve ser sucateado. É preciso separar as competências que pagam boletos (consultorias, outros produtos) da ‘bola de ouro’ (a voz e a narrativa única). A cobrança por patrocínio deve refletir toda a construção de autoridade e história, não apenas métricas de engajamento.
  • 00:42:41Case de negociação: elevando o valor através do propósito e da história — Egnalda detalha um caso concreto onde uma proposta de R 130 mil e R$ 90 mil após uma contraproposta. Ela rejeitou o briefing inicial focado em reviews de produtos de beleza e propôs um projeto com rodas de conversa e valorização de protagonistas locais, alinhado ao ativismo das criadoras. Ela também exigiu que a marca revisse suas ações internas de diversidade. O cliente aceitou, entendendo o valor de se conectar com narrativas de transformação social.
  • 00:50:19Outro case: conectando a história da marca à narrativa social — Egnalda conta sobre a negociação para uma marca francesa de hambúrguer vegano que queria uma família negra como embaixadora. Ela justificou um valor alto (que subiu de R 75 mil) escrevendo sobre a importância histórica e política de se representar famílias negras intactas no Brasil, contrastando com a destruição dessas famílias durante a escravidão. A agência e o cliente (cuja empresa era familiar e tinha origem pós-Primeira Guerra) se comoveram com a profundidade da análise, que tocou no cerne da identidade da marca.
  • 00:59:00A responsabilidade coletiva e a rejeição a propostas que sucateiam o mercado — Egnalda fala sobre rejeitar uma proposta de uma grande marca de sabão em pó que oferecia valores baixos (R 50 mil e, mesmo com uma contraproposta de R$ 25 mil, recusou. Sua lógica é de responsabilidade coletiva: aceitar valores baixos para uma criadora estabelecida prejudica todo o mercado, especialmente criadores menores. Ela prefere perder o negócio a contribuir para o sucateamento da profissão.
  • 01:01:13Conclusão: legado, compromisso com a comunidade e a potência de ser quem é — Egnalda reflete sobre o legado que quer deixar, conectando seu trabalho aos seus ancestrais e às futuras gerações. Ela vê seu papel como quebra de estereótipos (mulher negra na liderança do mercado digital) e como facilitadora para que mais pessoas sub-representadas possam entrar nesse mercado. Ela encerra reforçando o slogan da Cortes: ‘a potência de ser quem você é’, destacando a importância de se alicerçar na própria história e construir com os pés no chão para um futuro melhor e coletivo.

Dados do Episódio

  • Podcast: Boa Noite Internet
  • Autor: Ampère
  • Categoria: Society & Culture Philosophy Health & Fitness Mental Health
  • Publicado: 2023-06-04T23:00:02Z
  • Duração: 01:09:01

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Hey guys, it is Ryan. I’m not sure if you know this about me, but I’m a bit of a fun fanatic when I can.

[00:00:04] I like to work, but I like fun too. It’s a thing, and now the truth is out there.

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[00:00:57] Criar conteúdo como um negócio, né? O famoso business.

[00:01:01] Eu falei disso em várias entrevistas nessa temporada, mas eu fui atrás de um ponto de vista

[00:01:06] não de quem cria conteúdo, mas de quem justamente faz esse salto de apertar um rec até pagar boletos.

[00:01:15] Foi assim que eu cheguei pra conversar com a Ignalda Cortes, que trabalha com isso de agenciar creators.

[00:01:22] Ela sempre cruzava comigo nos corredores lá do nosso coworking,

[00:01:25] mas eu nunca tinha parado pra trocar mais do que.

[00:01:27] Meia dúzia de palavras com ela.

[00:01:29] Esse era o plano, e a gente falou disso.

[00:01:32] Ela me explicou como é o processo de trabalho dela, e me deu aulas de como posicionar o meu trabalho.

[00:01:40] A Ignalda começou nesse mundo agenciando o próprio filho, Pedro Henrique,

[00:01:44] que é claro, ninguém deve chamar ele de Pedro Henrique, só ela.

[00:01:47] O PH do canal do YouTube PH Cortes, e no Instagram é o Cortes do PH.

[00:01:53] Hã? PH Cortes? Cortes do PH?

[00:01:56] E normal, né?

[00:01:57] Enquanto a gente, por aí, nesse mundão, não acaba tendo a carreira administrada por alguém da família por causa de confiança, né, essas coisas.

[00:02:05] Eu achei que ia ser um papo de cifras e planos estratégicos, e foi, a gente falou muito disso.

[00:02:10] Ela, inclusive, comenta rindo que fala de números sim, que acha que uma coisa que falta nesse mercado é a galera abrir os valores.

[00:02:18] O que eu não sabia, o que me pegou de surpresa, e eu aprendi durante a conversa, é que pra pensar em carreira, em quanto cobrar, se vai pegar aquele emprego,

[00:02:27] qualquer um de nós aqui, creator ou não, precisa responder uma pergunta, não em uma entrevista de podcast, mas pra si mesmo.

[00:02:35] Qual é o meu lugar?

[00:02:38] É esse aqui que me deram? Que disseram que é onde eu tenho que ficar?

[00:02:42] Eu gosto desse lugar?

[00:02:44] É isso que esperam de mim, mas eu preciso concordar?

[00:02:47] Eu preciso aceitar?

[00:02:54] Como você chegou até aqui?

[00:02:56] Você…

[00:02:57] Eu queria ser CEO, multinacionais.

[00:03:00] Era o seu plano? Qual era o seu plano de…

[00:03:02] O meu plano.

[00:03:03] É, a expectativa deu tudo certo, mas enfim, qual era o teu…

[00:03:06] Não, o meu plano, quando eu tinha lá meus 18, 19 anos, eu só achava muito legal trabalhar com computador e trabalhar no telefone, e eu gostava de gente.

[00:03:15] O meu primeiro sonho era ser a melhor operadora de telemarketing do Brasil.

[00:03:18] Mal sabendo que ia virar o que vira, mas enfim.

[00:03:20] É, mas eu estou falando de um momento em que operação de telemarketing, ninguém conhecia muito bem o que era,

[00:03:27] o nome era bonito, era Pomposo Operadora de Telemarketing, porque nem sabiam o que era.

[00:03:31] Eram três salários mínimos, mais um ticket de cinco, era por dia cinco McDonald’s, era o meu ticket.

[00:03:40] Então, aquilo tudo era tão…

[00:03:42] Tipo assim, eu estava bombando, eu tinha plano de saúde.

[00:03:46] Então, assim, ali o meu sonho foi esse, primeiro.

[00:03:50] Depois, pelas promoções que eu fui tendo continuamente, depois de três meses já fui promovida, depois mais três meses…

[00:03:56] Então, muito rapidamente eu saí de três para onze salários mínimos, num prazo de um ano.

[00:04:02] Eu comecei a sonhar que eu poderia ser presidente de uma empresa, ponto.

[00:04:07] E foram 22 anos de construção de carreira.

[00:04:11] Eu cheguei a um cargo de executivo depois de dez anos.

[00:04:17] Então, foi um tempo para chegar nesse lugar, que era ser gerente.

[00:04:21] Quando eu cheguei aos 34 anos, que eu já era uma executiva,

[00:04:26] eu comecei a ponderar que talvez eu não fosse ter saúde o bastante para chegar nesse lugar.

[00:04:33] E aí eu pensei, bom, se eu chegar aos 40 e não alcançar a presidência de uma empresa,

[00:04:39] eu vou para a área de educação, vou dar aula, vou compartilhar conhecimento,

[00:04:43] porque eu sei que eu tenho aqui muita história para contar.

[00:04:46] Então, era isso. E o que era dar aula?

[00:04:50] Eu ia lá fazer uma especialização para a faculdade.

[00:04:54] E é isso.

[00:04:55] E prestar serviço?

[00:04:56] E prestar serviço para uma consultoria, continuar sendo uma prestadora de serviço,

[00:04:59] não num lugar de CLT, CNPJ, mas ainda prestando serviço para uma empresa.

[00:05:04] Nunca, em hipótese alguma, eu sonhei em ter uma empresa.

[00:05:07] Não era um plano.

[00:05:08] A nossa geração era isso, cara.

[00:05:10] Eu vou entrar nessa empresa aqui e 40 anos depois eu vou sair aposentado.

[00:05:14] Show! É isso, é isso aí.

[00:05:16] Cheguei aos 40 anos, eu já comecei esse plano.

[00:05:20] Desvinculei da empresa e comecei a prestar serviço de consultoria.

[00:05:24] Comecei e estava de boas.

[00:05:26] E era isso. E fiquei um ano de boas, assim.

[00:05:29] Por que, Cris?

[00:05:30] Eu também comecei a pensar sobre o tanto que eu tinha feito pelo mercado

[00:05:34] na construção de lideranças.

[00:05:36] E o que eu tinha feito em casa.

[00:05:39] Se isso se dialogava e qual era a construção de imagem que os meus filhos tinham de mim.

[00:05:44] Que eles tinham uma imagem de uma mulher muito independente,

[00:05:47] muito poderosa, mas os desenhos eram sempre com certa distância.

[00:05:52] Eu sempre estava de batom.

[00:05:55] Cílios.

[00:05:56] Alongados, pasta na mão e dirigindo.

[00:05:59] Ou saindo com a pasta na mão, mas sem a mãozinha dada.

[00:06:02] Porque meus filhos fazem terapia desde muito cedo.

[00:06:05] Então, esses desenhos foram aparecendo.

[00:06:08] Quando foram aparecendo desenhos em que eu nunca estava de mãos dadas com eles,

[00:06:13] eu comecei também a me observar como que eu tinha construído o meu laço afetivo,

[00:06:18] não o laço materno.

[00:06:20] Eles sabiam que eu era mãe, eles me amavam,

[00:06:22] mas faltava algo para reconectar.

[00:06:25] Então, isso era uma questão para mim.

[00:06:27] Por quê?

[00:06:29] Eu acho que construir uma história coerente

[00:06:32] vem de um lugar também de muita leitura e ler histórias.

[00:06:36] Eu li muitas histórias de ativistas e executivos que eram fenomenais,

[00:06:40] que eram fantásticos,

[00:06:43] mas quando seus filhos falavam deles,

[00:06:45] a filha do Malcom X, por exemplo,

[00:06:47] quando ela veio ao Brasil.

[00:06:49] Ela veio ao Brasil em 2017.

[00:06:50] Quando perguntavam o que você acha do seu pai,

[00:06:53] ela falou assim, eu não conheci meu pai.

[00:06:55] Eu conheci o mito, o herói, o ativista que vocês conheceram.

[00:07:00] Quem me criou foi minha mãe.

[00:07:01] E isso me batia num lugar de que ideia e construção

[00:07:05] que eu estou fazendo para os meus filhos.

[00:07:07] Então, eu fiz essa retomada.

[00:07:09] Então, por isso que eu fui fazer.

[00:07:10] Esse primeiro ano eu fiquei mais tranquila

[00:07:12] e no outro ano eu já estava prestando serviço,

[00:07:14] mas tranquila, três vezes por semana.

[00:07:17] E o Pedro Henrique, nesse período,

[00:07:20] teve um acidente muito grave.

[00:07:21] Um pouco antes de eu parar.

[00:07:23] Na verdade, eu parei por conta do acidente.

[00:07:25] Teve um acidente muito grave.

[00:07:27] O prognóstico é de que ele teria uma deformação facial,

[00:07:30] porque quebrou os côndulos mandibulares.

[00:07:32] Como o crescimento do crânio e do maxilar

[00:07:36] são coordenados pelo côndilo,

[00:07:39] olha que loucura.

[00:07:40] Quando uma criança quebra,

[00:07:42] essa é uma corrida contra o tempo,

[00:07:44] porque a criança está no momento,

[00:07:45] ele estava com 11, no momento do estirão.

[00:07:48] Então, calcifica muito rápido.

[00:07:49] O médico falou o seguinte para mim,

[00:07:51] mãe, vai calcificar,

[00:07:54] ele vai ficar com a boca aberta,

[00:07:55] ou com a boca fechada.

[00:07:56] A gente vai ter que quebrar a face dele

[00:07:57] por diversas vezes.

[00:07:59] Eu falei, qual outra solução tem?

[00:08:01] E foi um acidente de bicicleta, tá?

[00:08:03] Aí eu, qual outra solução tem?

[00:08:04] Ele falou assim, olha,

[00:08:05] esse é o prognóstico,

[00:08:07] porque é impossível a gente ter um resultado,

[00:08:11] ele é uma criança,

[00:08:11] ele não vai aguentar a dor da fisioterapia.

[00:08:14] E aí, meu caro Cris Dias,

[00:08:16] eu fiz o seguinte,

[00:08:17] fui ler mais sobre,

[00:08:19] pedi para os médicos da Santa Casa,

[00:08:21] porque foi passado do particular para a Santa Casa,

[00:08:24] porque eram os melhores,

[00:08:26] e o médico falou assim,

[00:08:28] olha, o que eu posso fazer pela senhora

[00:08:29] é ensinar como fazer a fisioterapia.

[00:08:30] Eu falei assim, então eu quero.

[00:08:32] De quanto em quanto tempo,

[00:08:33] se eu fizer,

[00:08:34] não corre o risco dessa quantidade de cirurgias.

[00:08:38] Só se a senhora fizer de uma hora e meia,

[00:08:40] uma hora e meia.

[00:08:41] Eu falei, eu vou fazer.

[00:08:42] Eu vou fazer,

[00:08:43] e aí eu combinei com o PH.

[00:08:44] Falei, olha só, filho,

[00:08:46] vai ser um processo dolorido,

[00:08:47] mas a gente precisa fazer isso

[00:08:49] na tentativa de que você não passe por tantas cirurgias

[00:08:52] e de que você não tenha essa deformidade,

[00:08:54] não que isso seja um problema,

[00:08:58] mas é um marcador.

[00:09:00] É um outro marcador social

[00:09:02] para além dos quais você já carrega.

[00:09:05] A gente vai tentar fugir desse marcador.

[00:09:07] Foi isso.

[00:09:08] E aí foi obstinação mesmo,

[00:09:10] tipo, o tratamento,

[00:09:12] fazer a fisioterapia,

[00:09:14] em cada lado era 45 minutos.

[00:09:17] E dali uma hora e meia

[00:09:18] eu tinha que fazer de novo.

[00:09:20] Larguei tudo para me dedicar a essa fisioterapia.

[00:09:23] E durante a fisioterapia,

[00:09:24] o PH encontrou o YouTube.

[00:09:28] A minha mãe,

[00:09:29] a vó,

[00:09:30] sabia o que fazer.

[00:09:32] Minha mãe deu um iPod,

[00:09:33] tipo assim,

[00:09:34] para o lugar de onde a gente vem,

[00:09:36] era um presente,

[00:09:37] era o presente.

[00:09:38] Deu um iPod para ele,

[00:09:40] ele viu o YouTube e falou assim,

[00:09:42] olha isso aqui.

[00:09:43] E a gente, durante a fisioterapia,

[00:09:45] que era muito dolorosa,

[00:09:46] e foram seis meses,

[00:09:48] ele só passou,

[00:09:49] aí teve a cirurgia inicial

[00:09:51] e mais uma cirurgia para tirar a placa de titânio,

[00:09:53] né?

[00:09:54] Tá.

[00:09:54] Essa parte também.

[00:09:55] Ele quebrou.

[00:09:56] Não precisou quebrar a face dele,

[00:09:58] porque ele confiou em mim.

[00:10:00] Ele teve dores que ele suportou

[00:10:02] e eu compartilhei o que eu podia.

[00:10:05] Enquanto isso,

[00:10:05] a gente ia assistindo

[00:10:06] todas as baboseiras que tinham

[00:10:09] para aquela idade,

[00:10:11] que eram coisas bastante questionáveis.

[00:10:13] Mas eu nunca proibi meus filhos.

[00:10:15] Se eles querem fazer,

[00:10:16] a gente vai fazer junto.

[00:10:17] Porque a gente vai pensar junto sobre isso.

[00:10:20] A gente não tem ninguém de cinema em casa,

[00:10:22] ninguém.

[00:10:22] Mas ele era muito ligado.

[00:10:24] Ele começou a falar sobre a edição,

[00:10:27] o que ele gostava.

[00:10:28] E pronto, ficou nesses assuntos.

[00:10:31] Nesse momento, nesse período,

[00:10:33] a gente se reconectou como

[00:10:34] pessoas que se curtiam,

[00:10:36] não só mãe e filho.

[00:10:38] Criamos um elo de confiança

[00:10:40] e ele decidiu fazer um canal.

[00:10:43] Passou seis meses,

[00:10:44] mais uma cirurgia, tirou a chapa de titânio,

[00:10:47] já está liberado.

[00:10:49] Seus côndulos

[00:10:50] foram formados

[00:10:52] exatamente como eram.

[00:10:54] Sim, nessa hora, o que passou na tua cabeça

[00:10:56] quando recebeu essa notícia?

[00:10:58] Na hora que passou na minha cabeça, Cris,

[00:11:01] foram algumas crenças que eu acabei

[00:11:03] adotando para mim, para sobreviver.

[00:11:06] Neste mundo que nós conhecemos,

[00:11:07] cheio de marcadores sociais,

[00:11:09] que é, o impossível não pode

[00:11:11] ser tão impossível.

[00:11:14] Se eu não acreditar

[00:11:15] que é possível, como que eu vou mudar?

[00:11:17] Quando você estava nesse tempo todo lá,

[00:11:19] nos 45, mais 45 minutos,

[00:11:21] também era isso que você ficava falando para você.

[00:11:24] Não, para mim,

[00:11:24] as outras coisas eu vou ter que lidar

[00:11:26] na vida com o PH.

[00:11:28] Mas esse problema a gente vai ter que superar.

[00:11:31] Se eu chegar no final

[00:11:32] e realmente ele tiver que fazer várias cirurgias

[00:11:35] e realmente ele tiver uma deformação,

[00:11:37] a gente vai chegar nesse final

[00:11:39] com o resultado de que tentamos muito.

[00:11:42] Não foi por desistência,

[00:11:43] não foi por medo,

[00:11:45] foi muita tentativa

[00:11:47] e esse resultado aqui ainda é mais ameno

[00:11:49] porque teve muita tentativa.

[00:11:52] Pena que a gente não conseguiu.

[00:11:52] Seria esse o resultado final.

[00:11:54] E chegando a um resultado tão positivo,

[00:11:56] vejamos, olhem para o PH hoje.

[00:11:59] Isso, eu ia comentar isso.

[00:12:00] Olhem para o PH hoje.

[00:12:00] Trabalho bem feito.

[00:12:01] Trabalho bem feito.

[00:12:03] Eu tinha comprado no dia 12 de outubro

[00:12:05] dois ingressos para a peça teatral

[00:12:07] Topo da Montanha com Lázaro e Thaís.

[00:12:10] Lázaro era uma aspiração para o PH.

[00:12:14] Só que o meu plano era ir com o meu marido

[00:12:15] assistir essa peça.

[00:12:17] E aí, sabe aquela coisa

[00:12:19] do marido chegar à noite

[00:12:21] e a gente se encontrar à noite?

[00:12:23] Amor, eu comprei,

[00:12:24] o ingresso para a gente ir

[00:12:26] no Topo da Montanha.

[00:12:27] Ele, preta, não estou afim.

[00:12:29] Você que gosta assim de teatro,

[00:12:31] sempre você quer me chamar para o teatro,

[00:12:33] mas não estou afim.

[00:12:34] Aí o PH gritou assim do quarto,

[00:12:37] mamãe, eu quero.

[00:12:40] Ele tinha 13 anos.

[00:12:42] Não tinha idade indicativa.

[00:12:44] A peça fala do que teria sido

[00:12:47] o último dia de Martin Luther King,

[00:12:49] mas que traz muitas discussões também

[00:12:52] do que teria sido essa época,

[00:12:54] era Martin Luther King como homem.

[00:12:56] Mas, fundamentalmente,

[00:12:57] constrói uma narrativa sobre o heroísmo

[00:13:00] e sobre o protagonismo negro na história.

[00:13:05] O PH, ele tinha um sonho, né?

[00:13:08] Ele tinha um sonho de ser ator.

[00:13:10] Ele era fã do Lázaro.

[00:13:12] Aí viu toda aquela magnitude de teatro,

[00:13:14] aquelas imagens.

[00:13:15] Aquilo construiu algo nele.

[00:13:18] No final da peça,

[00:13:20] ele, mamãe, eu tenho que fazer alguma coisa.

[00:13:21] Eu falei, meu filho,

[00:13:24] o que você vai fazer?

[00:13:25] Você tem 13 anos.

[00:13:26] Aí ele, eu preciso fazer alguma coisa,

[00:13:28] porque aqui no Brasil nós temos esse problema também.

[00:13:31] Eu falei, sim, está certo.

[00:13:33] Você tem uma vida para fazer isso.

[00:13:34] Agora você só tem 13 anos.

[00:13:37] Ele, mas mamãe,

[00:13:40] você começou no movimento social com 13 anos.

[00:13:44] Cris, vieram vários sentimentos.

[00:13:46] Uma de orgulho,

[00:13:47] outra de o que eu estou fazendo com a cabeça dos meus filhos.

[00:13:51] Três, fruto não cai longe do pé.

[00:13:54] E que bom que o meu filho entende a necessidade de construir algo coletivo.

[00:13:59] Porque eu nunca levei meus filhos junto comigo para os movimentos de rua.

[00:14:04] Por conta do perigo.

[00:14:05] Enfim, eu nunca quis colocá-los nesse lugar,

[00:14:08] porque o ativismo é uma escolha.

[00:14:11] Não pode ser uma imposição.

[00:14:13] Então, eu nunca coloquei eles na situação.

[00:14:16] Isso era uma coisa minha.

[00:14:17] Meu marido nunca foi.

[00:14:19] Ele é super medroso com isso.

[00:14:21] Meu marido…

[00:14:22] Somos de classes…

[00:14:24] É uma família toda negra,

[00:14:25] mas de classes sociais,

[00:14:27] eu e meu marido, muito diferentes.

[00:14:29] Ele é da classe média de Olinda.

[00:14:31] Ele veio com outro drive.

[00:14:33] Então, assim, ele nem fez parte de movimento algum.

[00:14:37] Ele queria viver.

[00:14:38] E eu estava querendo mudar o mundo,

[00:14:40] porque o meu bairro tinha violência policial.

[00:14:42] E aí eu perguntei ao meu filho,

[00:14:43] mas o que você quer fazer?

[00:14:44] Aí ele foi para casa.

[00:14:45] No dia seguinte, ele já tinha uma resposta.

[00:14:47] Ah, mamãe, eu quero ler Martin Luther King,

[00:14:50] quero ler Mandela,

[00:14:53] e quero ler Malcolm X.

[00:14:54] Aí eu falei assim,

[00:14:55] então, meu filho, vamos fazer o seguinte.

[00:14:56] Eu consigo dar essas três biografias de presente

[00:15:00] no Natal.

[00:15:01] Era outubro.

[00:15:02] No Natal eu te dou.

[00:15:04] Mas, por enquanto,

[00:15:05] que tal você pesquisar

[00:15:06] sobre os heróis negros brasileiros?

[00:15:08] Porque eles existem.

[00:15:09] Aí ele…

[00:15:10] Já sei!

[00:15:11] Vou começar…

[00:15:11] A gente já estava no começo de novembro.

[00:15:13] Vou começar para o zumbi.

[00:15:15] Aí ele foi, leu sobre o zumbi.

[00:15:18] Ele, mamãe, olha aqui.

[00:15:19] Aí eu olhei o que ele tinha escrito.

[00:15:21] Porque aí, olha só.

[00:15:22] É isso que as pessoas ignoram.

[00:15:24] Quando uma criança se interessa pelo audiovisual

[00:15:27] e se interessa em pesquisar

[00:15:30] e começa a se interessar em escrever,

[00:15:32] ela está desenvolvendo redação, né?

[00:15:33] Roteiro.

[00:15:34] Aí ele me deu e eu falei assim,

[00:15:36] é, tá bom, mas a gente pode melhorar.

[00:15:38] Você quer que eu faça o roteiro para você?

[00:15:40] Ah, mamãe, você faz para mim?

[00:15:42] Faço, mas você vai falar na sua linguagem.

[00:15:44] Mas eu acho que a gente precisa

[00:15:46] construir algo com um pouquinho de profundidade

[00:15:49] porque não é mais sobre você, meu filho.

[00:15:52] É sobre toda uma comunidade.

[00:15:54] E aí eu comecei a ir nas feiras

[00:15:57] para buscar.

[00:15:58] Aí, óbvio, né?

[00:15:59] Pessoa de empresa, né?

[00:16:02] Ser humano que foi de empresa.

[00:16:04] Aí já pensar na parte do marketing.

[00:16:06] Aí já penso assim, não.

[00:16:07] Já faz um plano de negócio na cabeça.

[00:16:10] O cenário tem que ter, tem que dialogar.

[00:16:12] Eu comecei a pensar sobre várias coisas.

[00:16:15] A roupa era importante.

[00:16:17] O cabelinho dele

[00:16:18] está no blequinho.

[00:16:20] Estava tudo certo.

[00:16:21] E aí começou o primeiro vídeo.

[00:16:23] E aí começou o primeiro vídeo.

[00:16:24] E a gente frequentando lugares de movimento negro.

[00:16:28] Conversando com jornalistas.

[00:16:30] O primeiro vídeo

[00:16:31] eu já mandei para uma jornalista.

[00:16:34] Ela achou fenomenal

[00:16:35] porque a forma com que o PH

[00:16:37] editava

[00:16:38] era muito dentro do jeitinho

[00:16:41] que as crianças gostavam da época.

[00:16:42] Ele estava editando para ele.

[00:16:44] Ele estava editando para ele.

[00:16:46] E isso foi muito bacana.

[00:16:48] E aí o segundo vídeo

[00:16:49] sobre Machado de Assis

[00:16:51] disse que isso era pouco discutido.

[00:16:54] Pouco se falava.

[00:16:55] Hoje todo mundo fala do Machado de Assis negro.

[00:16:58] Mas naquele momento

[00:17:00] pouca gente falava.

[00:17:01] Só o mundo acadêmico.

[00:17:03] Quando a gente trouxe Machado de Assis

[00:17:05] foi uma reportagem que fizeram.

[00:17:08] Isso foi cair na Globo.

[00:17:09] Aí Gilberto Gil compartilhou.

[00:17:11] Aí virou algo assim.

[00:17:12] O Pedro Henrique saiu de 100 seguidores

[00:17:14] para 3 mil.

[00:17:16] Numa hora, duas horas.

[00:17:18] E aí chamaram ele na Globo.

[00:17:20] Foi o primeiro youtuber negro.

[00:17:23] Mas foi o primeiro youtuber.

[00:17:24] O primeiro youtuber mirim assim.

[00:17:25] Que foi lá e falou de um assunto relevante.

[00:17:27] Que não era falar sobre ser um youtuber mirim.

[00:17:29] Era sobre a relevância de

[00:17:31] falar sobre 10.639.

[00:17:34] Que eu não sabia que estava atendendo

[00:17:36] essa lei. A real é essa.

[00:17:37] Qual é essa lei?

[00:17:38] A lei 10.639 estabelece a obrigatoriedade

[00:17:41] das escolas falarem sobre a história do negro no Brasil.

[00:17:45] A partir de uma perspectiva

[00:17:46] intelectual e de outras

[00:17:48] construções narrativas

[00:17:49] para além da parte cultural

[00:17:52] do samba e da capoeira.

[00:17:54] E aí, só que essa lei

[00:17:56] já existe desde 2002,

[00:17:58] se eu não me engano.

[00:17:59] Existe também a dos indígenas, que é 11.535.

[00:18:03] Eu não sabia dessas leis.

[00:18:05] Aí que eu fui entender

[00:18:06] porque fizeram uma reportagem internacional.

[00:18:08] Aí que eu fui entender porque a Unesco

[00:18:10] entrou em contato.

[00:18:11] Aí virou algo enorme.

[00:18:14] 2015. 2016

[00:18:16] é chamado por Cria Esperança.

[00:18:18] Aí vem Fantástico.

[00:18:19] Aí vem todas as grandes mídias

[00:18:22] querem o PH.

[00:18:24] Menos o mercado publicitário.

[00:18:27] E aí, quando é junho

[00:18:28] de 2016,

[00:18:31] PH chega

[00:18:32] até mim e fala assim

[00:18:34] olha mamãe, eu não

[00:18:36] vou conseguir trabalhar com isso

[00:18:38] porque pessoas como eu

[00:18:40] não trabalham com a internet.

[00:18:43] Eu não quero

[00:18:44] somente construir um mundo melhor

[00:18:46] para os outros. Eu quero construir

[00:18:48] um mundo melhor para mim também.

[00:18:49] E eu acho que é melhor eu ir trabalhar

[00:18:51] com meu pai. Trabalhar

[00:18:53] de office boy, trabalhar.

[00:18:55] Aprender a função lá do meu pai

[00:18:58] que ele tem um negócio

[00:18:59] que isso não é pra mim.

[00:19:01] Ele chegou à conclusão de que

[00:19:03] o racismo não iria deixar

[00:19:06] ele ser quem ele queria.

[00:19:08] E aí, Cris Dias

[00:19:09] veio a alma

[00:19:11] não de uma mãe leoa

[00:19:13] mas de uma profissional que não

[00:19:15] teve quem dissesse qual era o lugar dela.

[00:19:18] Mexeu muito com o meu ego

[00:19:20] profissional.

[00:19:21] Mexeu muito com

[00:19:22] um lugar

[00:19:23] muito sensível que é

[00:19:27] de ser uma pessoa da periferia,

[00:19:28] de ser uma pessoa negra.

[00:19:29] Foi um gatilhão. Eu não fui

[00:19:32] simpática. Manja, Rochelle.

[00:19:35] De todos odeiam

[00:19:37] Cris. Eu quase assim

[00:19:38] gritando.

[00:19:40] Gente, gritando. Olha só,

[00:19:43] você nunca mais vai repetir

[00:19:45] isso pra mim. Não há

[00:19:46] nada que você não possa fazer.

[00:19:49] Óbvio que vem de uma

[00:19:50] fantasia, porque a gente sabe que nem

[00:19:52] é todo mundo que consegue.

[00:19:54] Fiquei maluca, porque eu falei assim

[00:19:56] cara, eu não consegui construir coragem

[00:19:58] nesse moleque. Quem sou eu como

[00:20:00] executiva que fiz tanto lá fora e aqui dentro

[00:20:02] não tô conseguindo fazer com que meu filho

[00:20:04] me tenha como referência.

[00:20:06] A pergunta que eu te fiz do flashback

[00:20:08] é assim, ouvindo a sua história, você tava

[00:20:11] entrando numa máquina do tempo

[00:20:13] pra você com aquela idade

[00:20:14] e eu, sabe, eu vou de volta pro futuro.

[00:20:16] Eu vou alterar o curso da história

[00:20:18] lá atrás. É isso.

[00:20:19] Quem poderia fazer se não eu?

[00:20:21] Sabe?

[00:20:22] Eu que tava sentindo essa dor. Sim.

[00:20:24] Eu acho que é uma construção também muito importante

[00:20:26] de ser compartilhada.

[00:20:29] A maioria do ativismo não

[00:20:30] começa pelo coletivo.

[00:20:33] Começa por dores pessoais.

[00:20:35] Ah, sim.

[00:20:36] São dores particulares.

[00:20:38] Que aí você encontra

[00:20:40] força no coletivo. Isso, eu acho

[00:20:42] é por aí. É isso.

[00:20:44] Então, o que aconteceu é que

[00:20:46] eu tinha que provar pro meu filho

[00:20:48] que era possível. Então, quando

[00:20:50] o PH me trouxe isso, primeiro

[00:20:52] me trouxe essas dores, tipo, não fui

[00:20:54] boa o bastante. Veio sim o ego. Sim, sim.

[00:20:57] Não fui boa o bastante pra passar

[00:20:58] pra esse menino aqui. Você acha que é uma coisa de mãe isso?

[00:21:00] Uma reação natural de mãe? É uma reação

[00:21:02] eu acho que mistura várias

[00:21:04] questões, né? Tem a questão

[00:21:06] da mãe, aí tem a questão

[00:21:08] dessa pessoa negra que

[00:21:10] é de uma família em que

[00:21:12] um casal muito pobre

[00:21:14] foi e fez

[00:21:17] meu pai também foi um cara que não

[00:21:18] aceitou o lugar

[00:21:21] que foi colocado pra ele.

[00:21:22] Então, eu venho de uma

[00:21:24] história de pessoas que

[00:21:26] tentaram muito. Pessoas obstinadas.

[00:21:30] É

[00:21:30] muito complexo

[00:21:32] pra uma pessoa que vem

[00:21:34] desse histórico olhar pra o depois

[00:21:36] e falar assim, como assim você não vai tentar? Como que você vai parar?

[00:21:38] Você vai aceitar o lugar que te colocaram.

[00:21:40] Não pode, não dá. Então, eu falei

[00:21:42] o que que eu falei pra ele? Aí eu dei aqueles gritos, né?

[00:21:45] E a reação dele qual foi?

[00:21:46] Ele ficou parado, assim, olhando pra mim.

[00:21:48] Eu falei assim, tem mais uma coisa. Você é uma criança.

[00:21:50] Isso é divertido pra você?

[00:21:52] É. Você vai

[00:21:54] continuar se divertindo. O resto, eu

[00:21:56] resolvo. Ai, gente.

[00:21:58] E aí virou pra câmera e falou, e agora como

[00:22:00] eu resolvo? E agora como eu resolvo?

[00:22:02] Publicitários, onde andam?

[00:22:04] O que comem?

[00:22:06] Eu não sabia nada, Cris. Eu não era

[00:22:08] desse mercado. Ah, eu te perguntei isso.

[00:22:10] Nada é nada.

[00:22:12] O que aconteceu

[00:22:13] foi que em 2016

[00:22:15] eu comecei a frequentar o Google,

[00:22:18] o YouTube, porque o PH

[00:22:20] virou uma grande…

[00:22:22] figura e começaram a chamar ele,

[00:22:24] só que ele só tinha 14 anos e não podia ir em lugar

[00:22:26] nenhum sem acompanhante. Então,

[00:22:28] chamaram ele pro curso.

[00:22:30] Aí me conheceram num curso de

[00:22:32] media training.

[00:22:34] E aí no curso de media training

[00:22:36] eu também tava lá e eu fazia o curso também.

[00:22:39] E aí começaram a falar assim, gente,

[00:22:40] essa pessoa, porque também tem

[00:22:42] um olhar estereotipado do que é mãe.

[00:22:44] As pessoas esquecem que a mãe, ela pode

[00:22:46] ser uma farmacêutica, uma engenheira,

[00:22:48] uma executiva,

[00:22:50] mas mãe negra, o que que ela é?

[00:22:52] Se não é uma pessoa de boa vontade, esforçada

[00:22:54] e guerreira. Luta de uma guerreira. Ninguém imagina

[00:22:56] que essa pessoa tem competências

[00:22:58] desenvolvidas. Essa mãe, a mãe

[00:23:00] e eu, mãe do PH.

[00:23:02] Eu não tinha nome, mas eu era

[00:23:04] mãe do PH. Isso uma vez,

[00:23:06] duas vezes, beleza, mas quando você

[00:23:08] começa, pensa que eu

[00:23:10] construí toda uma lógica, uma

[00:23:12] narrativa e um protagonismo dentro do mercado

[00:23:14] que eu estava.

[00:23:15] Aí venho pra cá, junto com o PH

[00:23:18] e sou a mãe do PH.

[00:23:21] No começo era muito

[00:23:22] bacana, depois eu comecei a pensar

[00:23:24] no estereótipo da mãe

[00:23:25] e também na ideia que eu estava

[00:23:28] construindo no meu filho de me apagar

[00:23:30] a partir do brilho dele.

[00:23:32] Boa. Eu estou adorando que você já está respondendo

[00:23:34] isso que eu perguntei. Ele é um menino.

[00:23:36] A gente está falando de uma sociedade machista.

[00:23:38] Se eu perco o meu nome e perco

[00:23:40] a minha identidade, que ideia que eu

[00:23:42] construo com esse garoto sobre o feminino?

[00:23:44] Que ideia que eu iria construir

[00:23:45] pra Maria Morena, cinco anos mais nova?

[00:23:49] Que uma

[00:23:50] mulher não pode brilhar do lado de um homem?

[00:23:52] Por mais que esse homem seja jovem

[00:23:54] e seja seu filho.

[00:23:55] Isso. Seu filho, seu irmão, isso aí.

[00:23:57] Ainda assim, eu era Ignalda Cortes.

[00:24:01] Aí eu comecei a

[00:24:02] treiná-lo que em ambientes

[00:24:04] profissionais, eu seria Ignalda

[00:24:06] e ele o PH.

[00:24:07] E que ele não iria me chamar de mãe e que eu não iria

[00:24:10] falar que ele era meu filho.

[00:24:11] Ele falou, mas mamãe, você é minha mãe.

[00:24:13] Porque ele tinha muito orgulho.

[00:24:15] Falei assim, então, mas pra que as pessoas

[00:24:18] me respeitem, é importante que elas

[00:24:20] me enxerguem profissionalmente.

[00:24:22] Eu não estou com você somente porque você é meu filho.

[00:24:25] E aí, com isso,

[00:24:26] eu vi a necessidade mesmo de construir

[00:24:29] o meu nome também.

[00:24:30] Eu não precisava me apagar.

[00:24:33] E aí eu fundei a Cortes e Companhia,

[00:24:35] que era na época Cortes

[00:24:36] Assessoria, porque não existia

[00:24:39] nenhuma agência

[00:24:41] que acreditasse

[00:24:43] que quisesse ter no casting

[00:24:44] influenciadores negros.

[00:24:46] Influenciador negro ativista, então, sem chance.

[00:24:49] Não tinha.

[00:24:50] Muito trabalho esses temas aí.

[00:24:51] Muito.

[00:24:52] Não, isso não dá dinheiro.

[00:24:53] Isso não dá, isso.

[00:24:54] Aí, até que eu contei no YouTube,

[00:24:56] porque perguntaram pra uma pessoa que estava dando treinamento,

[00:24:59] quanto que eu cobro?

[00:25:01] O cara não soube responder.

[00:25:02] Eu aí, eu respondi.

[00:25:03] Eu falei, bom, eu vou explicar aqui pra vocês

[00:25:05] quanto que eu cobrei o convite

[00:25:07] que veio pro PH.

[00:25:08] Mas, Ignalda, convite não é convite?

[00:25:10] Não, convite, pra você que está construindo

[00:25:12] uma narrativa na internet,

[00:25:15] é negócio.

[00:25:16] E aí, começaram a me olhar muito.

[00:25:18] Aí, fui convidada a ser mentora

[00:25:20] dos canais do YouTube.

[00:25:22] Isso.

[00:25:23] Porque eu comecei a dar aula

[00:25:24] nas aulas que eu era convidada.

[00:25:27] E eles achavam o máximo.

[00:25:28] E aí, começaram a me pedir, inclusive,

[00:25:31] revisar o material.

[00:25:32] Aí, eu já estava no lugar que eu queria.

[00:25:34] Eu não era mais mãe do PH.

[00:25:36] Eu era Ignalda.

[00:25:37] Nesse ano, 2016, final do ano,

[00:25:40] lista dos builders da indústria digital.

[00:25:44] Aí, eu saí lá na lista do U-Pix

[00:25:46] como uma das 15 construtoras do mercado digital.

[00:25:50] A partir disso, aí, pronto.

[00:25:53] Aí, começaram a me chamar pra um monte de coisa,

[00:25:55] pra um monte de palestras, de entrevistas,

[00:25:57] não sei o quê.

[00:25:58] Mas, até chegar a esse lugar,

[00:26:01] eu não tinha um contrato

[00:26:03] assinado.

[00:26:05] Lembra? Eu só estava com o PH.

[00:26:07] Formei um grupo de WhatsApp

[00:26:08] com vários influenciadores

[00:26:11] negros pra dar dicas

[00:26:13] de como negociar.

[00:26:14] Gente, é o seguinte. Chegou um convite pro PH

[00:26:16] pra ele fazer parte das apostilas do Ensino Fundamental 2.

[00:26:19] O convite,

[00:26:20] o convite chegou dessa forma.

[00:26:23] Vocês terão a honra

[00:26:24] de fazer parte

[00:26:26] de um projeto de educação

[00:26:28] aonde a história do PH

[00:26:30] mais o referencial

[00:26:32] de como ele trouxe a 10.639

[00:26:34] será passado

[00:26:36] e vai ser um exemplo para todas as crianças.

[00:26:38] De nada.

[00:26:40] Para isso, eu preciso da autorização.

[00:26:43] Eu, ok.

[00:26:45] Aí, eu mandei o e-mail proposta.

[00:26:48] A autorização de imagem.

[00:26:50] Aí, a minha cobrança.

[00:26:51] Vamos lembrar que ano que era.

[00:26:52] 2016.

[00:26:54] A minha cobrança foi

[00:26:56] dentro do que eu precisava

[00:26:59] naquele momento, que era uma câmera

[00:27:01] e os spotbox.

[00:27:04] PH não tinha.

[00:27:05] PH tinha um celular Motorola quebrado.

[00:27:08] A tela toda quebradinha.

[00:27:09] Era isso que ele tinha.

[00:27:11] Eu precisava de uma câmera.

[00:27:12] Era 3.500 reais.

[00:27:14] E aí, eu cobrei isso.

[00:27:17] Comprei 4.000 pra ter a margem de negociação.

[00:27:19] A moça falou.

[00:27:20] Olha, talvez você não saiba.

[00:27:22] No mercado editorial, temos um valor base.

[00:27:26] E o valor é de 300 reais.

[00:27:29] Certo?

[00:27:30] Tá tudo certo.

[00:27:31] Eu falei assim, então.

[00:27:32] Mas se vocês quisessem um modelo,

[00:27:35] fazia sentido pagar 300 reais.

[00:27:37] Vocês querem alguém que tenha uma história construída.

[00:27:40] E isso é uma marca.

[00:27:41] Isso é uma marca que tem propósito.

[00:27:43] Não é a imagem de uma criança de 13 anos apenas.

[00:27:47] Mas é um referencial.

[00:27:48] E que vai construir uma nova geração.

[00:27:50] De pessoas que vão fazer a diferença no mundo.

[00:27:52] Então, assim.

[00:27:53] Demoraram 3 meses e voltaram com 3.500 reais.

[00:27:57] Eu tinha pedido 4.

[00:27:58] Lembra que eu deixei uma margem de negociação.

[00:28:01] 3.500 reais foi o dinheiro certinho.

[00:28:03] Pra comprar o que eu precisava.

[00:28:06] Então, a primeira cobrança foi nesse lugar.

[00:28:09] Contei essa história lá.

[00:28:11] Aí a galera.

[00:28:11] Cara, como que você…

[00:28:12] Imagina, eu ia morrer de ansiedade.

[00:28:15] É o que tá passando na minha cabeça agora.

[00:28:16] Eu ia morrer de ansiedade.

[00:28:18] O que acontece?

[00:28:19] Quando você não tem nada.

[00:28:20] E chegam propostas.

[00:28:22] Você continua não tendo nada.

[00:28:24] E eu sou da área comercial.

[00:28:26] Que é essa minha carreira.

[00:28:27] Minha carreira é toda comercial.

[00:28:29] Então, eu já tenho também o hábito.

[00:28:31] O costume dos diversos nãos.

[00:28:34] Esse lugar de ansiedade.

[00:28:36] Ele já tá muito administrado.

[00:28:37] Que eu acho que também é importante o criador.

[00:28:41] Ele entender quais são os seus pontos de vulnerabilidade.

[00:28:45] Sabe?

[00:28:45] Ah, eu que vou fazer toda a negociação.

[00:28:47] Se isso não vai te atrapalhar criativamente.

[00:28:50] Que é a tua bola de ouro.

[00:28:52] Beleza.

[00:28:53] Mas se isso for te trazer transtornos e conflitos.

[00:28:57] E te dar um break na criatividade.

[00:28:59] Melhor você passar isso pra outra pessoa.

[00:29:01] Já aconteço.

[00:29:02] Se isso é dentro de um contexto em que a pessoa tá bombando.

[00:29:06] Que a pessoa realmente já é o estouro.

[00:29:08] Saiu do BBB.

[00:29:10] E tá com um milhão de propostas.

[00:29:12] Talvez.

[00:29:14] Mas.

[00:29:15] Mesmo essa pessoa que saiu do BBB.

[00:29:17] Se ela precisa construir marca.

[00:29:19] Porque lá.

[00:29:20] Ela construiu uma história.

[00:29:21] Aqui fora ela pode querer construir outra.

[00:29:23] Talvez ela precise de um profissional.

[00:29:25] E um profissional que possa orientar.

[00:29:27] E que possa trazê-la pro chão.

[00:29:29] Não ficar todo momento falando que ela é fantástica.

[00:29:31] Fenomenal.

[00:29:32] Aí.

[00:29:32] Esse mesmo grupo que eu tinha no WhatsApp.

[00:29:34] Começou a me pedir.

[00:29:35] Aguinaldo.

[00:29:36] Você pode fazer essa negociação pra mim?

[00:29:38] Aí eu lembro que a primeira vez que a Gabi Oliveira.

[00:29:41] Me chamou.

[00:29:42] Foi em 2016.

[00:29:43] Era um trabalho com eHistory.

[00:29:47] Que é reprisar raízes.

[00:29:50] E que eu tinha uma ideia.

[00:29:50] Que eu queria um tweet dela.

[00:29:51] Aí ela falou assim.

[00:29:52] Aguinaldo.

[00:29:53] Quanto que eu posso pedir?

[00:29:54] Eu falei assim.

[00:29:54] Pede.

[00:29:55] Porque eu calculei naquele momento lá.

[00:29:57] Falei assim.

[00:29:57] Os tweets dela.

[00:29:58] Uns 500 pro tweet.

[00:30:00] E aí.

[00:30:00] Do que eles pediram.

[00:30:01] Ah.

[00:30:01] 3.500.

[00:30:02] Não era valor difícil de tabela não.

[00:30:04] Tudo era 3.500.

[00:30:05] Eu vou contar pra vocês outras.

[00:30:07] 3.500.

[00:30:08] Olha lá.

[00:30:08] Aí ela conta depois.

[00:30:09] Em outras entrevistas que ela contou.

[00:30:11] Que eu fiquei sabendo.

[00:30:11] Falei assim.

[00:30:12] Eu não tive coragem de cobrar.

[00:30:13] Então.

[00:30:14] Mas eu ia te perguntar isso.

[00:30:14] Que tem a ver com pegar no boi assim.

[00:30:16] Eu estou divulgando uma série de TV.

[00:30:18] Que se conecta totalmente com o meu assunto.

[00:30:21] Eu ainda vou cobrar por isso.

[00:30:23] Como é que você quebra isso na cabeça da pessoa?

[00:30:25] Porque é isso.

[00:30:26] Tipo assim.

[00:30:27] Até assuntos até mais bons.

[00:30:27] Aquilo que eu faria de graça.

[00:30:28] Isso.

[00:30:29] É isso.

[00:30:29] É isso.

[00:30:30] Eu faria de graça isso.

[00:30:31] Então.

[00:30:32] Aí.

[00:30:32] A lógica é.

[00:30:34] E aí eu vou.

[00:30:35] Eu acho que é pra todo mundo.

[00:30:37] Quem estiver ouvindo.

[00:30:38] Fazer esse exercício.

[00:30:39] O que você está fazendo.

[00:30:40] O que significa pro mercado.

[00:30:43] O que significa isso pra sociedade.

[00:30:45] Lembrando que eu só trabalhava.

[00:30:47] E trabalho ainda com.

[00:30:48] Com criadores que trazem o ativismo ali.

[00:30:51] Na construção da sua narrativa.

[00:30:54] Com a Gabi por exemplo.

[00:30:55] Depois que ela me contou isso.

[00:30:56] Falei assim.

[00:30:56] Olha.

[00:30:56] O que você tem que entender?

[00:30:58] Você começou isso.

[00:31:00] Por quê?

[00:31:01] Ah.

[00:31:02] Porque eu queria muito.

[00:31:03] Que pessoas como a minha mãe.

[00:31:05] A minha tia.

[00:31:06] Pudessem entender que elas não tem culpa.

[00:31:09] Que o sistema.

[00:31:11] Funciona dessa forma.

[00:31:13] E que eu só fui entender isso na faculdade.

[00:31:15] Eu queria multiplicar isso.

[00:31:16] Tá bom.

[00:31:17] Isso foi o motivo pelo qual você começou.

[00:31:18] Você quer espalhar isso e tornar isso popular.

[00:31:21] Qual era o seu objetivo quando você começou?

[00:31:23] Ah.

[00:31:24] Eu queria ser funcionária pública.

[00:31:26] Era o sonho da Gabi.

[00:31:27] Eu falei assim.

[00:31:27] Então.

[00:31:28] Esse é o seu plano.

[00:31:29] Ser funcionária pública.

[00:31:31] Isso que você está fazendo.

[00:31:33] Tem um valor.

[00:31:35] Ele é calculável?

[00:31:36] Não, Ignaldo.

[00:31:37] Eu estou falando de algo que é a minha alma.

[00:31:39] Isso.

[00:31:40] Eu falei assim.

[00:31:41] Então.

[00:31:42] Partindo desse princípio.

[00:31:43] Você acha que a sua alma pode ser sucateada?

[00:31:46] Se isso é tão precioso pra você.

[00:31:48] Cris.

[00:31:49] Como você vai sucatear algo que é precioso?

[00:31:51] Aí pode vir uma pergunta do outro lado.

[00:31:53] Mas Ignalda.

[00:31:54] Nós fazemos parte de um sistema que nos sucateia.

[00:31:57] Cara.

[00:31:57] Então você tem outras preciosas competências que você pode vender.

[00:32:02] Por um valor X.

[00:32:03] Mas essa marca aqui.

[00:32:05] Ela tem que ter peso.

[00:32:06] Porque isso vai construir sua história.

[00:32:08] Pra mim.

[00:32:09] Talvez seja uma utopia.

[00:32:10] Mas na minha cabeça.

[00:32:11] Pelo menos dentro da bolha que eu vivo.

[00:32:14] O que a gente está fazendo.

[00:32:16] É pra mudar a história.

[00:32:17] Uhum.

[00:32:18] Isso é incalculável.

[00:32:20] Mas se é pra mudar a história.

[00:32:21] Mas se é pra mudar a história.

[00:32:22] Por que isso tem preço?

[00:32:24] Não.

[00:32:24] É.

[00:32:24] O mais básico ainda.

[00:32:26] Prático.

[00:32:27] Entendo o pensamento da Gabi na época.

[00:32:29] Que era assim.

[00:32:29] É pra mudar a história.

[00:32:30] E pagar boletos ao mesmo tempo.

[00:32:32] Então assim.

[00:32:33] Eu sei que é preciso cobrar.

[00:32:35] E aí eu volto até no que você falou.

[00:32:37] Do coletivo e tal.

[00:32:38] Entendo que tem que cobrar.

[00:32:40] Mas eu não sei quanto cobrar.

[00:32:41] Ninguém sabe quanto cobrar.

[00:32:42] Ninguém conta um pro outro.

[00:32:43] Isso que você fez agora de dar número.

[00:32:45] Eu nunca vi ninguém fazer assim.

[00:32:46] Eu cobrei 3,500.

[00:32:47] Sabe?

[00:32:47] Eu não sei.

[00:32:47] Eu não sei.

[00:32:47] Sete dígitos.

[00:32:49] Sabe?

[00:32:50] As pessoas ficam…

[00:32:50] Não é.

[00:32:51] Mas eu vou falar todos os valores aqui.

[00:32:53] Porque eu acho que é horrível.

[00:32:54] Essa lógica de manter sobre segredo.

[00:32:57] Porque é isso que faz com que o mercado se torne abusivo.

[00:33:00] E eu posso…

[00:33:01] Eu não vou falar o nome das marcas.

[00:33:02] E nem o nome das agências.

[00:33:03] Mas eu posso falar sobre valores.

[00:33:05] Que hoje eu fecho.

[00:33:07] E sei que uma agência.

[00:33:09] Que está agenciando influenciadores negros.

[00:33:12] Que se coloca como líder.

[00:33:14] Vendeu.

[00:33:14] Uhum.

[00:33:15] Quando você está nessa lógica de transformar.

[00:33:17] Na ação.

[00:33:18] Você não pode esquecer.

[00:33:19] Que reverbera.

[00:33:20] Tudo que você vai fazer.

[00:33:21] Não é sobre o indivíduo.

[00:33:22] Mas é sobre o que o seu ato impactará no outro.

[00:33:26] Então quando eu sucateio o conteúdo de um podcast.

[00:33:29] Eu não estou falando só sobre esse podcast.

[00:33:32] Uhum.

[00:33:32] Eu estou falando sobre todos os podcasts.

[00:33:34] São muitos profissionais.

[00:33:36] Extremamente competentes.

[00:33:38] Com muito conteúdo.

[00:33:39] A maioria dos podcasters que eu conheço.

[00:33:41] É gente que está na vida.

[00:33:43] Fazendo muita coisa há muito tempo.

[00:33:45] Uhum.

[00:33:45] Os mais jovens.

[00:33:47] Trazem o frescor também.

[00:33:49] Trazem a sua vivência.

[00:33:50] Que é preciosa também.

[00:33:51] A gente não pode sucatear a história.

[00:33:54] E a ideia do outro.

[00:33:55] O que a gente pode entrar.

[00:33:56] São nos acordos.

[00:33:57] O que vai trazer equilíbrio.

[00:34:00] Eu tenho que pagar boletos.

[00:34:02] E tenho que vender o meu conteúdo.

[00:34:04] Que tal.

[00:34:05] Quando eu pensar no pagar boletos.

[00:34:07] Principalmente no início dessa construção dessa marca.

[00:34:10] Que é um podcast.

[00:34:11] Que é um conteúdo no TikTok.

[00:34:14] Ou no Instagram.

[00:34:15] Eu pensar.

[00:34:16] Nas outras coisas.

[00:34:17] Nas outras competências que eu tenho.

[00:34:18] Nas consultorias que eu possa vender.

[00:34:20] Nos outros produtos que eu posso ter.

[00:34:24] Quando se tratar da sua voz.

[00:34:28] Construindo uma narrativa.

[00:34:29] Com uma assinatura ali.

[00:34:31] Que é do patrocínio.

[00:34:33] Apoio.

[00:34:34] De tal marca.

[00:34:35] Isso tem que ter um valor razoável.

[00:34:38] Porque não é qualquer coisa.

[00:34:40] Que a marca está bancando.

[00:34:42] Não é sobre aquele conteúdo.

[00:34:45] Mas é sobre toda a construção de autoridade.

[00:34:47] Que o Cris Dias tem.

[00:34:48] Que isso tem pelo menos 30 anos.

[00:34:51] E é sobre isso sim.

[00:34:54] Ai Ignalda.

[00:34:55] Mas agora também tem os players.

[00:34:57] A quantidade de views.

[00:34:59] Isso.

[00:35:00] Eu vou ficar calado.

[00:35:02] Eu penso na pergunta e você já responde.

[00:35:04] Você deve estar com um chip na minha cabeça.

[00:35:06] Mas tem uma quantidade de…

[00:35:07] Você acabou de falar.

[00:35:08] O teu número favorito.

[00:35:09] 3.500.

[00:35:10] Que o PH tinha 3.500 seguidores.

[00:35:12] E você cobrou 3.500.

[00:35:13] O anunciante divide.

[00:35:14] Ele fala assim.

[00:35:14] Então eu estou pagando 1 real por seguidor.

[00:35:16] Eu vou gastar esses 3.500 em qualquer outro lugar.

[00:35:20] No Youtube, na Globo, no panfleto, na rua.

[00:35:23] E rola uma continha de…

[00:35:25] Ah, e aí eu gasto 1 centavo por panfleto.

[00:35:28] Em vez de 1 real por seguidor.

[00:35:29] Entendeu?

[00:35:30] Como é que você desata esse nó?

[00:35:32] Primeiro que nós não estamos falando a mesma coisa.

[00:35:34] Não é espaço de mídia.

[00:35:36] Essas ou todas as outras propagandas.

[00:35:39] Que ele for fazer em qualquer outro espaço.

[00:35:41] Ele vai estar disputando com N marcas.

[00:35:43] Com diversas…

[00:35:44] Com uma programação diversa.

[00:35:46] Com…

[00:35:46] Todos os ônus e bônus de estar naquele espaço.

[00:35:50] Quando ele busca a sua marca.

[00:35:53] É sobre…

[00:35:54] Não somente sobre seus views.

[00:35:56] Mas sobre a autoridade que você tem.

[00:35:58] E aí, sim.

[00:35:59] Precisamos escrever.

[00:36:01] Não mandar uma proposta com valor só.

[00:36:04] A proposta tem que ir acompanhada do seu histórico.

[00:36:07] Você não chegou hoje.

[00:36:08] E eles não estão comprando da sua chegada hoje.

[00:36:11] Eles estão comprando toda a construção que você tem.

[00:36:15] Inclusive.

[00:36:15] O Boa Noite Internet.

[00:36:18] E aí, você entende que existe uma construção anterior.

[00:36:21] E o veículo onde isso vai acontecer é o Boa Noite Internet.

[00:36:24] É o Boa Noite Internet.

[00:36:24] Então, é sobre a construção de autoridade que você tem.

[00:36:29] E esse é o valor que você pode cobrar.

[00:36:31] O valor que você quiser.

[00:36:32] A gente tem milhares de podcasts.

[00:36:34] Se a gente entrar dentro dessa lógica.

[00:36:36] Não faz nem sentido.

[00:36:37] Por que você está me buscando?

[00:36:39] Eu acho que é uma pergunta.

[00:36:40] Por que você está me buscando?

[00:36:42] Porque quando uma marca busca você.

[00:36:44] Ela tem o interesse.

[00:36:45] Se existe convergência de propósito.

[00:36:48] Se não existe.

[00:36:48] Você vai colocar uma lente de aumento.

[00:36:51] E aí, é uma pesquisa que eu sempre faço.

[00:36:53] Uma marca me busca.

[00:36:55] Aí, eu vou ver sobre o propósito mesmo dessa marca.

[00:36:58] Lá no final da proposta.

[00:36:59] Eu falo sobre o porquê que faz sentido estarmos juntos.

[00:37:03] Essa convergência é o que pode conduzir esse diálogo.

[00:37:06] Que tem que ser respeitoso.

[00:37:08] Eu não vou entrar numa medição de réguas que são passadas.

[00:37:13] Eu não vou.

[00:37:15] Eu não vou entrar numa lógica de um mercado que ficou para trás.

[00:37:20] Eu estou falando de um novo tempo.

[00:37:22] Estamos falando de inovação.

[00:37:24] Aí, você vem falar de inovação.

[00:37:25] Você me quer construindo uma lógica passada.

[00:37:28] Ah, mas é por…

[00:37:29] Não.

[00:37:30] Eu tenho isso.

[00:37:31] Custa isso.

[00:37:32] Qual é o espaço aqui que a gente tem de diálogo e de entregas.

[00:37:36] Para a gente chegar dentro de um budget que seja razoável para os dois.

[00:37:39] Isso.

[00:37:40] E, importante.

[00:37:41] O contratante.

[00:37:43] Ele não pode ter uma relação.

[00:37:45] Hierárquica com você.

[00:37:46] O fato dele ser contratante.

[00:37:49] Não o faz maior e nem melhor porque você é o contratado.

[00:37:53] Existe aqui uma troca de interesses.

[00:37:56] Esse contratante está entrando aqui porque ele quer.

[00:37:59] Se ele tem uma lógica muito tacanha.

[00:38:03] De sucatear ou de diminuir o seu valor.

[00:38:07] Mesmo ele querendo.

[00:38:08] Temos um problema.

[00:38:10] Porque a gente está conversando também.

[00:38:11] Cris, de um novo momento da comunicação.

[00:38:15] O momento à loura dessa semana é meio diferente.

[00:38:21] Porque, sem querer, ele aconteceu no meio da conversa com a Reginalda.

[00:38:24] Sempre que a gente vai começar a gravar uma entrevista.

[00:38:28] Eu gosto de explicar para quem eu estou entrevistando.

[00:38:30] Para que lado eu estava pensando em levar a entrevista.

[00:38:33] Porque eu quero deixar a pessoa confortável.

[00:38:35] Sem precisar ficar adivinhando o que ela está fazendo ali.

[00:38:39] Às vezes essa conversa acontece quando a gente já está lá na mesa gravando.

[00:38:42] Já apertaram o rec.

[00:38:43] É um papinho rápido.

[00:38:44] Só que dessa vez foi isso aqui que aconteceu.

[00:39:14] O que é a Escola Online de Tecnologia do Brasil?

[00:39:16] É a Netflix dos cursos de tecnologia.

[00:39:19] Você paga um fixo.

[00:39:20] Caraca!

[00:39:20] Escola de Tecnologia.

[00:39:22] Programação.

[00:39:23] E também gestão, gerência de projetos.

[00:39:26] Esse tipo de coisa.

[00:39:27] Nossa, que fenomenal.

[00:39:28] Que seja…

[00:39:29] Olha, existem algumas coisas de construção de marca que são muito significativas.

[00:39:34] Uma delas é você correlacionar ao seu propósito, à sua marca, à educação.

[00:39:39] Sim.

[00:39:40] Uma escola estar bancando é muito significativo.

[00:39:44] É óbvio que também tem…

[00:39:44] Tem relação direta com a construção de autoridade que você tem no mercado.

[00:39:49] Mas é muito especial escolher quem vai estar com você na jornada.

[00:39:55] Porque isso vai construir a jornada, né?

[00:39:57] E quando você começa com uma escola, isso diz muito para onde você vai.

[00:40:02] Não é papinho.

[00:40:03] Eu sou muito grato.

[00:40:04] Eu fico muito feliz pela Lura acreditar na gente aqui no Bono Internet.

[00:40:08] Porque eu também acredito muito no que a Lura faz em educação.

[00:40:12] Em democratizar a educação.

[00:40:14] Em espalhar conhecimento.

[00:40:16] Em pensar em cada detalhe do curso e do site.

[00:40:20] Sabendo, por exemplo, que existem pessoas diferentes dando play lá nos vídeos.

[00:40:24] Aprender é um negócio engraçado porque todo mundo sabe que é importante.

[00:40:28] Todo mundo adora falar.

[00:40:29] Não porque o futuro do país é educação.

[00:40:32] Mas chega lá na prática, deixa para depois.

[00:40:34] Ah, eu não tenho tempo.

[00:40:36] E fica lá o quê?

[00:40:37] Fica a fila de curso só crescendo para fazer.

[00:40:40] Por isso, meu pedido hoje aqui é…

[00:40:43] Separa esse tempinho aí, vai.

[00:40:44] Eu sei, eu sei.

[00:40:46] Aprender é uma grande ladeira, né?

[00:40:47] Precisa de tempo, de repetição, de esforço.

[00:40:51] Mas faz isso por você.

[00:40:52] E nem precisa ser pensando em carreira, em promoção, em recolocação.

[00:40:57] Claro que isso é importante porque é isso que paga os nossos boletos.

[00:41:00] Mas é meio como eu falei no primeiro episódio dessa temporada sobre ser genial.

[00:41:04] Tem que curtir o processo.

[00:41:06] Não é estudar porque lá na frente vai ter um diploma, um certificado.

[00:41:11] É estudar por entender que estudar é legal ali.

[00:41:14] Na hora.

[00:41:16] Mas na frente, aqui no nosso papo, o Ignaldo vai falar de como a comunidade,

[00:41:19] como você aí que está ouvindo, interage com as marcas.

[00:41:23] Então eu sei que tudo bem eu te falar para passar lá.

[00:41:25] Aonde?

[00:41:26] No alura.com.br barra promoção barra bônus de internet

[00:41:30] para ganhar 10% de desconto na Alura.

[00:41:33] Porque, como eu sempre falo aqui toda semana,

[00:41:35] é o seu jeito de agradecer a Alura por estar com a gente aqui nessa temporada.

[00:41:40] É propaganda sim, mas é uma propaganda que a gente acredita.

[00:41:44] A Alura.

[00:41:44] A maior escola online de tecnologia do Brasil.

[00:41:51] Você acha que chegamos nesse momento, lá de 2014, 2016 para cá,

[00:41:56] o quanto aconteceu de que você esperava, o quanto não aconteceu?

[00:41:59] O quanto deu certo o nosso plano, incluindo o ano de 2020,

[00:42:02] no meio que chegou para bagunçar tudo? Como é que você está?

[00:42:04] O que eu sinto, e é um sentimento, e também acho que são os números,

[00:42:09] talvez algumas pesquisas futuras tragam isso para nós.

[00:42:13] Houve sim o sucateamento da produção de conteúdo, já que somos milhares.

[00:42:18] Milhares não, somos milhões.

[00:42:20] Porque assim, entrar nesse mercado para pagar boleto eu não consigo.

[00:42:23] Aliás, é uma coisa que você fala, não largue seu emprego, não, é isso.

[00:42:27] Vai ser funcionária pública.

[00:42:29] É esse o plano? Se é esse o plano, então eu vou fazer a negociação

[00:42:34] até chegar nos números que precisamos.

[00:42:37] Então, em 2016 eu não tinha nada, em novembro veio uma proposta

[00:42:41] de uma indústria de beleza.

[00:42:43] De beleza, e eu vou falar valores.

[00:42:47] A proposta era de trabalhos, não sei quantos, gente, era uma coisa assim,

[00:42:51] tipo 24 posts no Instagram, 120 stories, eu não sei, era muita coisa.

[00:42:58] Num valor de 35 mil.

[00:43:00] 35 mil para uma que tinha, eu não vou falar os nomes de uma das criadoras

[00:43:06] porque não estão mais comigo, e de repente ela vai falar,

[00:43:09] falou os meus valores ali, mas os que estão comigo eu tenho isso,

[00:43:13] assinado que eu possa sempre falar, porque eu acho importante falar.

[00:43:17] E aí, essa primeira, ela tinha 70 mil, a outra tinha 40 mil.

[00:43:23] E veio a proposta desse tanto de entregas, era 30 mil o contrato anual.

[00:43:29] Primeiro que o escopo, ele estava pautado dentro de uma lógica de beleza

[00:43:34] que as meninas não atendiam, que elas não faziam review de produto.

[00:43:38] Já começou errado no briefing.

[00:43:40] No briefing, e aí eu mandei uma contraproposta.

[00:43:43] Com rodas de conversa, valorização de protagonismo local,

[00:43:48] essa marca, ela tem âmbito nacional, então de fazer isso nos locais

[00:43:55] com as protagonistas do local, junto com esse grupo de embaixadores,

[00:44:00] mas sempre contando com as vozes do local, para a gente valorizar o território,

[00:44:05] para fazer essa economia girar para todas as regiões do país e tal.

[00:44:09] A gente ligou para mim, falou assim,

[00:44:13] você não está entendendo que é a marca tal?

[00:44:17] Eu falei assim, eu estou entendendo, mas a marca tal está querendo essas meninas,

[00:44:22] não é por conta da beleza.

[00:44:23] Inclusive, usava de jeito errado, né, essas meninas.

[00:44:27] Totalmente equivocado, falei assim, ela não está querendo as meninas

[00:44:30] para elas falarem somente sobre beleza.

[00:44:32] Ela está querendo, porque as meninas utilizam sim a beleza

[00:44:34] como uma ferramenta de diálogo sobre política e educação.

[00:44:37] É isso que a gente faz, a gente não pode mudar a lógica de trabalho das meninas.

[00:44:40] Acho que você vai perder uma oportunidade.

[00:44:43] As duas que receberam essa proposta, uma, a Gabi falou assim,

[00:44:49] Ignalda, eu nunca vi tanto dinheiro.

[00:44:53] Eu falei assim, então, aí você falou que confiava em mim.

[00:44:56] Ela falou assim, eu confio, porque eu sei que é muito dinheiro,

[00:44:59] mas de repente não vai valorizar o nosso trabalho do jeito que a gente pensa.

[00:45:04] Vamos lá, eu que já trabalhei com frila, contratinho, né.

[00:45:08] Nossa, é muito dinheiro.

[00:45:09] Aí quando você tem que, por um ano, entregar aquilo,

[00:45:12] no fim do ano você está assim…

[00:45:13] Nunca mais eu pego isso, porque…

[00:45:16] É isso.

[00:45:17] Exato.

[00:45:17] E aí o que aconteceu com esse contrato?

[00:45:19] Para uma virou 130 e para a outra 90.

[00:45:24] Foi um grande pulo.

[00:45:26] O cliente entrou em contato comigo, falou,

[00:45:27] Ignalda, nós queremos conversar com você, você tem um tempo?

[00:45:30] E marcamos a reunião, fui conversar, ela falou assim,

[00:45:32] eu entendo o que você trouxe.

[00:45:35] Vocês não podem estar contratando uma publicidade

[00:45:38] de pessoas que estão sendo ativistas na rede social,

[00:45:43] se vocês internamente não comunicarem isso.

[00:45:46] E aí veio uma grande revolução para todo o que foi lado.

[00:45:49] Porque tudo isso serviu para a empresa se rever.

[00:45:52] Falei que tinha que ter algum projeto social voltado a jovens, mulheres,

[00:45:57] porque tinha que fazer sentido para as meninas, sabe?

[00:46:00] Estar nesse projeto, estar com a marca.

[00:46:02] Se a marca não faz nada, além de…

[00:46:05] Gente, está tudo bem ter produtos que cuidem da nossa beleza,

[00:46:11] mas naquele momento não fazia sentido,

[00:46:13] fazer isso sem algo que trouxesse um embasamento de relevância social.

[00:46:20] E para mim, já trabalhei em agência gigante,

[00:46:23] vem de um pensamento que era o jeito que se fazia esses anos atrás,

[00:46:29] de primeiro alcance, quantos pontos de bop eu vou fazer,

[00:46:34] e mensagem no sentido de blá, de mensagem.

[00:46:37] Compre essa caneta, porque essa caneta é a melhor caneta do mercado.

[00:46:41] E fim.

[00:46:42] E é uma visão.

[00:46:43] Muitas vezes utilitária ou aspiracional, essa caneta vai fazer você…

[00:46:47] Enfim.

[00:46:47] É utilitária mesmo.

[00:46:48] Mas nessa mudança que acontece, bem nesse período de tempo que você está construindo tudo isso,

[00:46:55] quem está do lado de cá consumindo, com o dedão lá no celular,

[00:46:59] já está assim, cara, caneta, sabe?

[00:47:01] São todas feitas na mesma fábrica da China, sabe?

[00:47:04] É exatamente isso.

[00:47:05] Tem que ter algo mais para eu me conectar.

[00:47:07] O que é essa marca aqui, que essa caneta está fazendo consumidor final?

[00:47:10] Mas aí você estava falando um negócio que eu…

[00:47:12] Quero tirar uma dúvida da tua…

[00:47:14] Você falou tudo bem, falar de beleza e tal.

[00:47:16] O que você acha de que toda marca tem que ter um propósito?

[00:47:19] Você até falou o seu trabalho com criadores ativistas e tal.

[00:47:22] Toda marca tem que ter um propósito.

[00:47:24] Tudo tem que ser uma grande história profunda, emocionante, de superação.

[00:47:29] Eu estava lá no Rio 2C, eu estava num workshop lá de conteúdo para as marcas,

[00:47:33] e no final todos os cases que vieram eram literalmente pró-bono da agência.

[00:47:37] Era a ONG de não sei o quê, o instituto de não sei o que lá.

[00:47:39] Eu disse, tá bom, mas e se eu quiser vender, sabe, de novo, caneta,

[00:47:42] se eu quiser vender gasolina para botar no tanque do meu carro,

[00:47:46] como é que você vê isso ou…

[00:47:48] Ah, não, acabou a época dessas marcas.

[00:47:49] Eu acho que o instituto da marca tem que ter coerência, porque acredita.

[00:47:53] Se ela não tem propósito algum, se o negócio dela é vender caneta,

[00:47:57] que ela seja a melhor vendedora de caneta,

[00:47:59] que ela me traga possibilidades mil de me conectar a essa caneta.

[00:48:03] Eu estou comprando a caneta porque ela me traz conforto,

[00:48:07] porque ela parece que traz leveza,

[00:48:09] mas a marca não tem que ter um propósito, mas ela tem que ter coerência.

[00:48:12] Se eu estou vendendo que essa caneta me traz conforto,

[00:48:16] qual é a imagem que eu estou construindo de conforto?

[00:48:19] Essa imagem estereotipada?

[00:48:21] E aí, talvez, seja uma outra leitura.

[00:48:24] Ela pode não ter propósito, mas para ela ser inovadora,

[00:48:27] como que ela vai se colocar como imagem?

[00:48:29] As propagandas, se eu quero só vender caneta,

[00:48:33] quais são os outros valores agregados que podem suprir uma necessidade?

[00:48:38] Então, é entender muito bem a sua audiência,

[00:48:40] e essa audiência tem uma necessidade de propósito?

[00:48:42] Se tem uma necessidade de propósito,

[00:48:45] se a gente está falando de um mundo capitalista,

[00:48:48] e talvez a marca queira construir um propósito,

[00:48:51] mas esse propósito tem que ter muita coerência,

[00:48:54] porque se perde, se esvazia, tem que ser de verdade,

[00:48:58] porque se o objetivo dela é só vender caneta,

[00:49:00] mas a audiência dela vem demonstrando uma alteração de comportamento

[00:49:06] que precisa de algo mais,

[00:49:08] desde que o mundo é mundo, quando a gente trabalha com venda,

[00:49:11] a gente atende a necessidade.

[00:49:12] A necessidade do cliente.

[00:49:14] Só que, caramba, esse povo está falando de propósito?

[00:49:17] A marca não tem nenhum propósito.

[00:49:19] O que eu vou fazer agora?

[00:49:21] Eu não preciso fazer nada, mas eu posso trazer pessoas que façam.

[00:49:26] E aí, eu vou trazer profissionais do mercado

[00:49:31] que tenham propósito e que possam construir isso junto.

[00:49:35] Porque essa pessoa que vai estar por trás da marca,

[00:49:37] ela tem uma necessidade de estar engajada.

[00:49:40] Talvez, para você estudar,

[00:49:42] é uma grande balela.

[00:49:44] Mas a sua audiência está mudando.

[00:49:47] A sua audiência está pedindo mais.

[00:49:50] Você não tem competência para isso.

[00:49:52] Mas tem pessoas no mercado que tem.

[00:49:54] Traz essas pessoas para dentro de casa.

[00:49:56] A competência é fazer a melhor caneta ou guarda-chuva,

[00:49:59] ou sei lá o que.

[00:50:00] Traz gente que vai ser a tua linha de frente.

[00:50:05] São pessoas que estão construindo alguma história aí,

[00:50:08] que tem propósito, que tem, tecnicamente,

[00:50:11] de competência.

[00:50:12] O fato dessas pessoas terem propósito,

[00:50:14] elas vão construir isso junto com você.

[00:50:16] Ela vai descobrir qual é o propósito.

[00:50:18] Exemplo.

[00:50:19] Eu vou falar também valores.

[00:50:20] A agência me mandou uma solicitação de um hambúrguer vegano

[00:50:24] que ia ser lançado no mercado.

[00:50:26] E queria um perfil de família.

[00:50:29] Eu passei esse perfil de família.

[00:50:30] Eles tinham lá um valor que também trouxeram as entregas,

[00:50:34] seis meses de exclusividade.

[00:50:36] Isso aí foi agora 2019.

[00:50:38] E tinha que ir na loja, no mercado,

[00:50:41] no mercado XPTO,

[00:50:43] que eram poucos mercados que tinham,

[00:50:44] porque era uma empresa francesa que fornecia para alguns.

[00:50:47] Sabe mercadinho, aquele tipo de mercadinho boutique?

[00:50:49] Então, em algumas regiões de São Paulo e tal.

[00:50:52] Pegaram a imagem de uma família negra,

[00:50:54] mas uma família negra em ascensão.

[00:50:55] Ou seja, não era incoerente.

[00:50:57] Eles queriam aqueles criadores mesmo

[00:50:59] que passavam essa ideia de não vivo na periferia.

[00:51:04] Nós já somos emergentes.

[00:51:06] Estamos aqui na região dos alfaviles da vida.

[00:51:09] Eles vendiam essa imagem.

[00:51:10] Isso era uma realidade.

[00:51:11] A marca pegou, então, escolheu certinho.

[00:51:15] Mas na hora de mandar o valor,

[00:51:16] seis meses de exclusividade,

[00:51:18] mandou o valor de 22 mil.

[00:51:20] Aí, eu mandei todo o histórico e a construção.

[00:51:25] E por que a construção de uma família negra

[00:51:28] era tão importante aqui no Brasil?

[00:51:30] Eu estudo história.

[00:51:31] Eu gosto de história.

[00:51:32] Eu gosto de filosofia.

[00:51:34] Então, é entender que a gente teve um…

[00:51:37] A escravização trouxe a separação.

[00:51:40] A escravização destruiu a imagem de famílias negras.

[00:51:44] Porque, chegando no Brasil,

[00:51:45] o primeiro ato a ser cometido com famílias era a separação.

[00:51:50] Se este homem, normalmente homem,

[00:51:53] tivesse um cargo hierárquico rei daquela etnia,

[00:51:58] sua filha e sua esposa eram estupradas na frente

[00:52:01] de toda aquela comunidade

[00:52:03] que já estava vindo num navio negreiro.

[00:52:06] O estupro, em todo o ambiente de guerra,

[00:52:09] ele é…

[00:52:10] Arma pra matar o homem,

[00:52:13] porque esse homem vai reagir,

[00:52:15] e aí eu tenho uma desculpa pra atirar.

[00:52:16] E dois, pra acabar com a continuidade daquela família.

[00:52:22] Porque é o sêmen daquele ser que vai ficar naquelas mulheres.

[00:52:26] E aquilo pode trazer frutos.

[00:52:29] Então, estupro é uma das armas mais cruéis

[00:52:31] a serem utilizadas pra destruir uma comunidade.

[00:52:35] As mulheres são as grandes vítimas disso.

[00:52:37] Então, nós temos uma história de muita dor.

[00:52:40] E que as famílias, o rompimento era muito cruel.

[00:52:44] Era de morte e estupro.

[00:52:46] Pra gente construir essa nova lógica,

[00:52:49] porque aí depois veio a democracia racial,

[00:52:51] que dizia que os casais,

[00:52:53] que traz ascensão e traz,

[00:52:56] num país racista ainda traz,

[00:52:58] o casamento interracial,

[00:53:00] e eu sou fruto do casamento interracial,

[00:53:02] até a lógica de criação de um e do outro é diferente,

[00:53:05] e como o mundo enxerga, isso traz sim ascensão.

[00:53:08] Isso não é uma mentira.

[00:53:09] Uhum.

[00:53:10] E essa nova ideia de família, essa nova narrativa,

[00:53:13] é uma ideologia política.

[00:53:15] Essas pessoas se unem por amor, por afinidades,

[00:53:17] mas a imagem tem uma construção política.

[00:53:20] Só que, como que o europeu vai saber disso, gente?

[00:53:22] Ah, sim.

[00:53:23] Então, eu escrevi sobre isso.

[00:53:25] Sobre o que foi que aconteceu na chegada ao Brasil,

[00:53:28] e como estamos agora construindo essa nova narrativa,

[00:53:32] e por que que era tão importante pra essa empresa,

[00:53:35] que aí eu fui ler, que era uma empresa de construção,

[00:53:37] adivinha, familiar.

[00:53:39] Uhum.

[00:53:39] A empresa,

[00:53:40] a 110 anos atrás, ela iniciou por conta de uma família,

[00:53:45] que acreditava, foi bem depois da Primeira Guerra Mundial,

[00:53:49] que eles construíram essa empresa.

[00:53:50] Então, meu caro, quando chegou pra agência,

[00:53:53] e quando a agência apresentou…

[00:53:54] Você já fez trabalho na agência, né?

[00:53:56] O que aconteceu?

[00:53:57] Aí eu perguntei, né, porque eles aceitaram,

[00:53:59] de 27 mil foi pra 75 mil.

[00:54:01] Eu tinha pedido um pouquinho mais.

[00:54:02] Tinha pedido 90, a gente chegou 75.

[00:54:05] E eu perguntei, por que que fecharam?

[00:54:07] Ignaldo, você pegou no lugar mais precioso que tem da marca,

[00:54:10] que eu também não sabia.

[00:54:11] Foi na história da família.

[00:54:12] A família vem da Primeira Guerra Mundial.

[00:54:15] Eles sobreviveram.

[00:54:17] E a história vem…

[00:54:17] Então, quando bateu lá, o presidente da empresa é neto dessa história.

[00:54:23] Literalmente cresceu ouvindo essa história.

[00:54:25] Ouviu essa história.

[00:54:25] Então, pra ele, assim, trouxe, assim, tudo.

[00:54:28] Inclusive, eu não sabia que o estupro tinha esse lugar também na guerra.

[00:54:33] Então, essa sensibilidade de você entender o que significa a sua marca

[00:54:37] pode mudar tudo nos valores.

[00:54:40] Você cobra, sabe, Cris?

[00:54:42] Muito legal.

[00:54:42] Você foi lá, a família contou a história, fez o francês lá chorar.

[00:54:46] É muito bonito.

[00:54:47] Mas não foi isso que…

[00:54:47] O objetivo não era isso.

[00:54:49] Eles querem se tornar conhecidos no Brasil.

[00:54:53] E dentro de uma lógica de diversidade,

[00:54:56] ele não podia só pegar famílias ricas brancas.

[00:54:59] Tem que pegar uma família negra.

[00:55:01] Como é que seis meses depois ele…

[00:55:02] Ele falou assim, legal, foi um dinheiro bem gasto,

[00:55:05] vamos renovar por mais seis meses.

[00:55:07] Você consegue literalmente provar isso?

[00:55:09] Como é que você mostra que, olha, funcionou.

[00:55:11] Não é só um Google Docs bonitinho contando uma história emocionante.

[00:55:15] Primeiro, aquele criador que a agência escolheu

[00:55:18] já tem uma forma de construir narrativa.

[00:55:21] E não foi falando essa história da marca.

[00:55:23] Não foi nada disso.

[00:55:24] O que eu levei pra ele é o porquê que custa isso.

[00:55:27] E você tem que pagar.

[00:55:29] Então, eu tinha que fazer isso fazer sentido pra ele.

[00:55:31] Eles escolheram também porque ela tem as melhores câmeras,

[00:55:35] tem uma edição fantástica.

[00:55:37] É um material bonito de se ver.

[00:55:38] E…

[00:55:39] E…

[00:55:39] A comunidade só trazia comentários.

[00:55:43] E aí virou um outro case que não era sobre venda.

[00:55:46] Apesar dela…

[00:55:48] Ela tem que fazer a propaganda ali.

[00:55:49] Ele queria que se espalhasse a marca.

[00:55:51] Mas os comentários, tipo…

[00:55:53] Que massa vocês estão fazendo de um…

[00:55:56] Eu agora nem sei que produto é esse.

[00:55:57] Nem tem no meu bairro esses comentários.

[00:56:00] Mas eu vou ir atrás desse mercado aí na Zona Sul pra comprar.

[00:56:04] Porque o surpreendente pra comunidade que seguia ela

[00:56:07] era, tipo, uma marca francesa tá…

[00:56:09] Tá fazendo com vocês.

[00:56:11] E isso eu também não esperava.

[00:56:12] O que eu esperava é que a galera ia gostar.

[00:56:14] Que a galera ia ficar com vontade de comer.

[00:56:15] Não tem.

[00:56:17] Mas esses comentários trazem pro cliente um outro valor de engajamento

[00:56:21] que ele nem esperava.

[00:56:23] E esse outro valor ele quer continuar construindo.

[00:56:26] Isso faz com que dê continuidade.

[00:56:28] Desses quatro meses, mais quatro meses.

[00:56:30] E a gente ir prolongando.

[00:56:32] É também sobre o alcance, sobre o engajamento da comunidade.

[00:56:35] Mas esse engajamento dos comentários…

[00:56:37] E principalmente quando a pessoa é muito…

[00:56:41] A Gabi é sarcástica com ela mesma.

[00:56:44] Eu lembro que ela fez um conteúdo que…

[00:56:46] Eu acho que era pra colocar meio-dia.

[00:56:47] Era alguma coisa de comida.

[00:56:49] E aí ela fez na legenda.

[00:56:51] Ela falou assim…

[00:56:51] Como vocês sabem, tô aqui falando…

[00:56:54] Sei lá, falando que ela come.

[00:56:55] A Gabi almoça 10 horas da manhã.

[00:56:57] Opa, gostei da Gabi.

[00:56:58] Ela almoça muito cedo.

[00:57:00] E aí a galera só era pra falar assim…

[00:57:02] Olha, se a gente não te conhecesse,

[00:57:04] a gente ia acreditar que você tá comendo meio-dia.

[00:57:07] Avisa pra marca que você come mais cedo.

[00:57:10] Mas que a gente…

[00:57:11] Mesmo assim, a gente tá aqui curtindo muito essa parceria.

[00:57:16] Que eu acho que também tem que ser uma lógica

[00:57:19] ser construída com a sua audiência.

[00:57:20] Você precisa de patrocínio.

[00:57:23] É importante que a sua audiência entenda

[00:57:25] que você constrói um monte de conteúdo sem patrocínio.

[00:57:29] Quando chega um patrocinador,

[00:57:31] não é somente por aquele conteúdo.

[00:57:33] É por todos os outros que você fez de graça.

[00:57:36] Que você fez de graça.

[00:57:37] Isso.

[00:57:37] Sabe por quê?

[00:57:38] Porque você não tá sucateando o mercado.

[00:57:40] E você fez de graça porque você acredita no que você faz.

[00:57:44] Mas quando cobra,

[00:57:45] e essa é a lógica que eu faço com todos os criadores,

[00:57:48] é quando a gente cobra,

[00:57:50] a gente cobra pela quase exclusividade.

[00:57:53] Porque se a gente tá escolhendo,

[00:57:55] a gente não faz com qualquer um.

[00:57:56] E como a gente já construiu essa história de não sucateamento,

[00:58:00] a gente construiu uma história que é coletiva e de responsabilidade.

[00:58:03] Então a comunidade tem que saber disso.

[00:58:06] E a comunidade, sabendo,

[00:58:07] diz quando entra uma publi, meu amigo,

[00:58:10] a comunidade vem em peso.

[00:58:13] Porque ela quer que aquilo se perpetue.

[00:58:15] Então eu acho que assim,

[00:58:15] a autenticidade, a coerência tem que ser de todos os lados.

[00:58:19] Essa coerência que vai construir uma relação,

[00:58:22] só lutar tanto com a audiência quanto com o contratante.

[00:58:26] E todos esses processos que eu descrevi,

[00:58:29] eles no final do dia constroem um valor impagável da sua marca

[00:58:34] e constroem um valor impagável

[00:58:37] da marca que te contrata.

[00:58:39] Porque o que vai ficar nesse imaginário,

[00:58:41] porque você sabe que corre a boca miúda.

[00:58:43] Sim.

[00:58:44] O mercado fica sabendo.

[00:58:46] E essa marca, quando te contratava,

[00:58:48] ela tem um lugar de satisfação.

[00:58:50] Se você não constrói uma narrativa séria,

[00:58:52] de coerência,

[00:58:54] vai ficar sucateado.

[00:58:55] E se você pertence a plataformas,

[00:58:57] exemplos,

[00:58:58] um sabão em pó famoso,

[00:59:00] manda a seguinte proposta,

[00:59:02] de 5 mil reais ou 4 mil reais

[00:59:05] para fazer reels,

[00:59:07] para fazer não sei quantos stories,

[00:59:11] todo mundo no mesmo dia,

[00:59:12] quer dizer…

[00:59:12] Ah, sim.

[00:59:14] Famoso.

[00:59:14] Você acha que mandou para a minha galera esse e-mail?

[00:59:18] Não.

[00:59:19] O que a agência fez?

[00:59:21] Porque o nome…

[00:59:22] Eu acho que fica bloqueado os nomes dos meus

[00:59:24] para eu nem receber esses e-mails.

[00:59:26] Mandou assim,

[00:59:27] Rignaldo, nós estamos com uma grande campanha

[00:59:29] e a marca tal gostaria muito de ter fulano,

[00:59:31] biotranociclano.

[00:59:33] Só que o budget está bem reduzido.

[00:59:35] Você pode mandar uma proposta para nós?

[00:59:37] Mas eu já estou adiantando porque está bem reduzido.

[00:59:39] Eu já sabia qual era a marca,

[00:59:41] já sabia o que estava ocorrendo.

[00:59:43] Mandei a proposta,

[00:59:44] mas era bem diferente.

[00:59:46] Era uma proposta de 50 mil.

[00:59:47] Com a mesma entrega.

[00:59:50] E aí, voltou.

[00:59:52] Rignaldo, sabe o que é?

[00:59:54] A gente não tem esse,

[00:59:56] mas a gente consegue aqui

[00:59:57] com muito aperto pagar 25 mil.

[01:00:00] Eu poderia ter topado, Cris.

[01:00:03] Mas se eu topo,

[01:00:04] essa minha criadora,

[01:00:06] que é a Gabi,

[01:00:07] ela tem…

[01:00:07] 600 mil.

[01:00:08] Se eu topo, o que acontece com a pessoa que tem 100 mil?

[01:00:12] Entende?

[01:00:13] É óbvio que a gente fecha muitos bons negócios

[01:00:15] e hoje eu tenho a vantagem social de fazer essas escolhas.

[01:00:18] Mas foi uma vantagem social construída.

[01:00:20] Não foi dada.

[01:00:21] Então, eu rejeitei e rejeitei com os nomes

[01:00:24] que eles poderiam convidar.

[01:00:25] E eu ainda coloquei na proposta.

[01:00:27] Eu não estou diminuindo

[01:00:29] a possibilidade da gente se conectar.

[01:00:32] Eu só estou evitando

[01:00:33] que o mercado se sucateie cada vez mais.

[01:00:36] Eu não posso fazer parte disso.

[01:00:37] Quando a galera da Cortes

[01:00:39] acha que eu estou cobrando muito

[01:00:41] e que isso está fazendo perder negócio,

[01:00:43] eles saem e está tudo bem.

[01:00:44] Tem coisas que são muito caras para mim.

[01:00:46] Essa lógica tem a ver com os meus antepassados, sabe?

[01:00:49] Eu durmo todos os dias muito bem, cara.

[01:00:52] Eu estou fazendo o que tem que ser feito.

[01:00:54] Os meus ancestrais estão regozijando, assim, sabe?

[01:00:57] Porque foram séculos de desumanização,

[01:01:01] deslegitimação.

[01:01:03] A gente tem que fazer isso valer a pena.

[01:01:05] E não é só por eles.

[01:01:06] É pelos que vêm depois da gente.

[01:01:08] Porque também não é mais sobre o meu filho.

[01:01:10] Mas sabe que essa tranquilidade

[01:01:13] de estar fazendo o que tem que ser feito

[01:01:15] e não precisar…

[01:01:17] Porque é isso.

[01:01:18] Também como a Cortes e companhia

[01:01:21] se torna agora empresa líder

[01:01:23] da Aliança Sem Estereótipos da ONU Mulheres.

[01:01:25] Como? Eu te pergunto.

[01:01:27] Porque a gente construiu essa história

[01:01:29] no mercado.

[01:01:30] E nada mais é do que a quebra de estereótipos.

[01:01:34] Inclusive do que é

[01:01:35] ser uma mulher de um ano.

[01:01:36] Ser uma mulher de negócios na indústria digital,

[01:01:39] na indústria publicitária.

[01:01:40] Do que é pertencer a uma sociedade capitalista,

[01:01:43] mas não perder seus valores.

[01:01:45] Que são esses valores que a gente não abre mão.

[01:01:49] Eu pretendia que milhões de pessoas pudessem fazer parte desse mercado.

[01:01:54] Milhões de pessoas parecidas comigo.

[01:01:56] E aí vem todas as outras intersecções, né?

[01:01:59] Porque a partir disso aí vem PCD,

[01:02:01] aí vem trans, aí vem…

[01:02:03] Eu queria somente que isso fosse um sonho possível,

[01:02:06] um sonho possível para outras pessoas.

[01:02:08] E que as agências abrissem essas oportunidades.

[01:02:10] E hoje elas fazem isso.

[01:02:12] Então o meu dever

[01:02:14] dentro dessa lógica está cumprido.

[01:02:16] Quanto às pessoas

[01:02:18] que confiam na Cortes,

[01:02:20] eu ainda continuo seguindo

[01:02:22] a lógica

[01:02:24] da responsabilidade coletiva.

[01:02:26] Eu não posso escatear

[01:02:28] uma marca.

[01:02:30] Eu tô falando do conteúdo que se constrói na internet.

[01:02:32] Mas eu sempre faço a pergunta

[01:02:34] o que mais você faz? Qual é a sua profissão?

[01:02:36] Porque isso aqui tem que garantir os boletos.

[01:02:38] Porque eu não quero encheção de saco.

[01:02:40] Ah, Ignaldo, porque eu tenho boleto.

[01:02:42] Não, não é sobre isso.

[01:02:44] Boleto para pagar, você paga com as outras competências desenvolvidas

[01:02:46] e todos os trabalhos que você pode fazer.

[01:02:48] Se você não faz ainda, vamos construir.

[01:02:50] Vamos construir curso,

[01:02:52] vamos construir consultoria,

[01:02:54] vamos construir produtos.

[01:02:56] Mas isso aqui, teu golden ball,

[01:02:58] você não pode abrir mão disso

[01:03:00] por qualquer coisa.

[01:03:02] Por qualquer possibilidade.

[01:03:04] É importante que a marca também entenda

[01:03:06] o quão a sério você se leva.

[01:03:08] Porque como você quer que o outro te respeite

[01:03:10] se você mesmo não se respeita?

[01:03:12] Mas como você tá construindo essa narrativa?

[01:03:14] E não é arrogância.

[01:03:16] E nem é também hierarquizar a relação.

[01:03:18] Não. Existe uma troca.

[01:03:20] Essa troca tem que ser boa pros dois lados.

[01:03:22] A gente pode dialogar mais.

[01:03:24] De repente o budget é menor,

[01:03:26] tem como eu diminuir as entregas.

[01:03:28] Como que a gente pode fazer isso aqui?

[01:03:30] Não espere

[01:03:32] que a marca vá

[01:03:34] diminuir o valor em sete vezes

[01:03:36] e que na próxima

[01:03:38] ela vai topar em fazer.

[01:03:40] Ela não vai topar.

[01:03:42] E detalhe, isso vai se espalhar no mercado.

[01:03:44] Por que que você

[01:03:46] começou a fazer o que você começou?

[01:03:48] Faz esse exercício.

[01:03:50] E a partir desse lugar

[01:03:52] entenda qual é a sua marca,

[01:03:54] o que que você quer com aquilo.

[01:03:56] Qual o legado que você quer construir.

[01:03:58] Quem é que tá do teu lado

[01:04:00] ou acima

[01:04:02] ou em volta de você.

[01:04:04] Eu tô falando bem filosoficamente

[01:04:06] porque é que eu sempre penso

[01:04:08] nos meus filhos,

[01:04:10] penso nos meus pais,

[01:04:12] mas penso na minha avó que já foi embora

[01:04:14] e minha avó, ela olhava pra mim

[01:04:16] minha avó é uma mulher preta, retinta,

[01:04:18] ganhadeira, de Amargosa, Bahia.

[01:04:20] Sertão da Bahia.

[01:04:22] E ela olhava pra mim e falava assim

[01:04:24] a sua vida vai ser diferente.

[01:04:26] E era nessa lógica de que eu tava

[01:04:28] com acesso e eu ia estudar

[01:04:30] eu era mais clara que ela.

[01:04:32] Então minha relação

[01:04:34] com os retintos também vem desse lugar

[01:04:36] de refazer narrativas.

[01:04:38] Quando consigo grandes

[01:04:40] coisas pras pessoas mais escuras

[01:04:42] da corte, isso é um objetivo.

[01:04:44] É refazendo assim,

[01:04:46] é olhando pra minha avó e falar

[01:04:48] viu, que a senhora

[01:04:50] é tão grande quanto eu.

[01:04:52] Aliás, eu só sou porque você foi.

[01:04:54] Então assim, tem esse

[01:04:56] lugar, eu tenho um compromisso muito

[01:04:58] sério, é muito sério

[01:05:00] com a comunidade. Muito sério

[01:05:02] comigo mesmo, muito sério com quem eu me sinto

[01:05:04] atravessada. Não foi

[01:05:06] do acaso que a gente chegou até aqui, sabe Cris?

[01:05:08] Teve muita história antes

[01:05:10] da gente. A gente tem que fazer

[01:05:12] a nossa vida, essa existência valer muito a pena.

[01:05:14] E o trabalho perpassa por esse

[01:05:16] lugar. A gente fica dedicado a maior

[01:05:18] parte do nosso tempo aos

[01:05:20] nossos trabalhos. Isso tem que ter sentido.

[01:05:22] Isso tem que ser um legado.

[01:05:24] Eu serei esta velha

[01:05:26] de reunir

[01:05:28] sempre pessoas em casa pra contar

[01:05:30] a história e dos filhos

[01:05:32] netos e bisnetos contarem

[01:05:34] histórias sobre mim.

[01:05:36] É isso que eu quero. Eu quero que

[01:05:38] essa história reverbere. Eu quero

[01:05:40] ser eterna. Olha, eu

[01:05:42] estou na péssima posição de avó.

[01:05:44] Eu falei muito, né? Nossa, animal.

[01:05:46] Muito obrigado pelas suas histórias

[01:05:48] e por compartilhar o conhecimento em cifras

[01:05:50] aqui com a gente. Mas muito bom.

[01:05:52] Obrigado por estar aqui com a gente.

[01:05:54] Eu que agradeço a oportunidade.

[01:05:56] A sua generosidade de

[01:05:58] compartilhamento de espaço.

[01:06:00] Que as pessoas fiquem com

[01:06:02] uma frase que é o eslogan da

[01:06:04] Cortes, mas tem a ver com tudo isso que eu estou

[01:06:06] falando, que é a potência

[01:06:08] de ser quem você é. É na potência

[01:06:10] de ser quem você é com todo o

[01:06:12] arcabouço intelectual, empírico.

[01:06:14] Há uma construção

[01:06:16] que não é de hoje. E isso tem que estar

[01:06:18] sempre muito alicerçado. A gente tem que estar

[01:06:20] com o pezinho bem no chão pra fazer a coisa

[01:06:22] certa. Pra que os

[01:06:24] próximos passos, que não são só

[01:06:26] nossos, a gente tenha um

[01:06:28] novo futuro. E que a gente fez

[01:06:30] parte dessa construção. Nesse

[01:06:32] hoje que vai virar passado. Muito bom.

[01:06:34] Muito bom. Obrigada, querido.

[01:06:42] É isso aí, internet. Onde mais

[01:06:44] papo. Acabando a voz. Me despedindo

[01:06:46] da minha voz aqui por essa semana.

[01:06:48] E toda semana eu fico, não,

[01:06:50] agora essa entrevista aqui,

[01:06:52] esse programa melhor, esse superou.

[01:06:54] Mas episódio é que nem filha.

[01:06:56] A gente gosta mais da que está mais perto.

[01:06:58] Só isso está tudo certo.

[01:07:00] Eu espero que você também tenha gostado.

[01:07:02] Como eu falei lá no começo, eu achei que a conversa

[01:07:04] ia ser seriona. De números

[01:07:06] e planilhas. E foi

[01:07:08] isso aí. Muito mais legal.

[01:07:10] É por isso que eu sempre saio feliz dessas entrevistas.

[01:07:12] Vocês acham que eu estou entrevistando pra vocês

[01:07:14] ouvirem? Que nada. É só um truque.

[01:07:16] É tudo pra mim.

[01:07:18] Então me marca lá na xoxorreis

[01:07:20] arroba CrisDias no Instagram.

[01:07:22] Agora também tem gente comentando o episódio no

[01:07:24] LinkedIn Disney. Então faz um post

[01:07:26] startupeiro lá sobre qual o seu lugar

[01:07:28] como profissional, mas também como pessoa.

[01:07:30] Aí me marca que eu

[01:07:32] recompartilho lá. O papo com a Ignalda

[01:07:34] foi tão bom e tão longo que

[01:07:36] no final eu já estava preocupado com o tempo

[01:07:38] de estúdio acabar, né?

[01:07:40] Não dá pra gente chegar no fim.

[01:07:42] Eu nem fiz a famosa pergunta do que ela diria

[01:07:44] pra ela mesma de uns anos atrás.

[01:07:46] Mas por outro lado ela meio que respondeu

[01:07:48] sem eu nem perguntar, então

[01:07:50] está tudo certo. Mas como sempre a

[01:07:52] versão completa da entrevista, duas horas

[01:07:54] de papo, está lá no feed secreto

[01:07:56] pra quem apoia o Boa Noite Internet.

[01:07:58] Vai lá no boanoiteinternet.com.br

[01:08:00] barra assine

[01:08:02] pra entrar pra essa turma, pega o link

[01:08:04] do podcast secreto, vai ouvir todas

[01:08:06] as entrevistas da história do Boa Noite

[01:08:08] Internet e muito mais

[01:08:10] no mundo de ofertas, mundo de vantagens

[01:08:12] de quem ajuda a gente a seguir contando

[01:08:14] histórias. O feed secreto

[01:08:16] está fazendo sucesso, estou gostando de ver a galera

[01:08:18] ouvindo lá. E aliás, outro dia

[01:08:20] no Discord, o Rodrigo Jacome, que é

[01:08:22] assinante das antigas desde 2020,

[01:08:24] ele comentou o seguinte que,

[01:08:26] abre aspas,

[01:08:28] o certo de ouvir o Boa Noite Internet é

[01:08:30] dar play na versão editada pra ouvir a

[01:08:32] introdução e depois continuar

[01:08:34] ouvindo na edição sem cortes,

[01:08:36] aí voltar na editada pra ouvir os

[01:08:38] encerramentos aqui. Um abraço

[01:08:40] Rodrigo, sei que você está aqui ouvindo.

[01:08:42] E aí todo mundo respondeu lá no Discord

[01:08:44] com um emoji do Mandalorian,

[01:08:46] this is the way, que é a piada interna

[01:08:48] de quando a gente concorda muito com alguma coisa.

[01:08:50] Então vai lá, boanoiteinternet.com.br

[01:08:52] vem com a gente.

[01:08:54] Semana que vem,

[01:08:56] aqui no Boa Noite Internet, quando a gente

[01:08:58] vai ter um episódio antimotivacional,

[01:09:00] hein, atenção, que aqui é assim,

[01:09:02] aqui é a verdade nua e crua,

[01:09:04] a gente vai falar com uma pessoa que virou

[01:09:06] ex-creator. Domingo,

[01:09:08] 20 horas, 8 horas da noite,

[01:09:10] a gente se vê. O Boa Noite

[01:09:12] Internet é um podcast da Ampere, a edição

[01:09:14] de som é da Jéssica Corrêa, edição

[01:09:16] de vídeo do Pedro Hassan,

[01:09:18] produção do Gui Pinheiro e da

[01:09:20] Ana Maron. Até

[01:09:22] a próxima semana.

[01:09:28] Um beijo.

[01:09:58] Um beijo.