Destroçando a libido coletiva (participação especial: Hiago Vinícius)


Resumo

O episódio discute a percepção compartilhada pelos participantes de que a vida noturna e a boemia em São Paulo estão em declínio. A conversa parte da frase do convidado Hiago Vinícius sobre como estamos ‘destroçando a libido coletiva que fez de São Paulo uma cidade que não dormia’. Os participantes exploram se essa sensação é apenas saudosismo ou se há uma mudança real nos padrões sociais.

São levantados diversos fatores que podem estar contribuindo para essa transformação: mudanças geracionais (a Geração Z bebe menos e dorme mais cedo), questões econômicas (custo de vida mais alto), transformações no trabalho (home office reduzindo happy hours), prioridades individuais (saúde, academia, cuidados com pets e plantas) e questões de segurança pública. A pandemia também é citada como um catalisador que acelerou algumas tendências, como a preferência por atividades ao ar livre.

A discussão também aborda a gentrificação em bairros boêmios como Vila Madalena e Pinheiros, onde bares históricos estão fechando para dar lugar a empreendimentos imobiliários. Dados concretos são mencionados: um terço dos bares e restaurantes fecharam em São Paulo após a pandemia, fenômeno similar ao observado no Reino Unido. Os participantes refletem sobre a dificuldade de formar comunidades e a sensação crescente de isolamento social.

No final, há uma reflexão sobre possíveis soluções e a importância de buscar conexões comunitárias, seja através de grupos locais, atividades coletivas ou mesmo experiências como o Carnaval, que se tornou uma importante catarse coletiva. A conversa reconhece que, embora os padrões sociais estejam mudando, a necessidade humana de conexão e vida coletiva permanece.


Indicações

Locais

  • Tóquio (balada em São Paulo) — Balada famosa em São Paulo localizada em um prédio, inspirada no estilo japonês, conhecida por ter vários pontos ‘instagramáveis’ com luzes de neon e filas longas. Citada como exemplo de lugares que as pessoas frequentam mais pela experiência fotográfica do que pela diversão em si.

Pessoas

  • Nath Finanças — Mencionada brevemente como referência em educação financeira, em um contexto de brincadeira sobre não cobrir o cheque especial na vida noturna.
  • Caroleta Marinho — Advogada que criou um grupo no Facebook (Spotted da Santa Cecília) para tentar reunir pessoas do bairro para sair, exemplificando uma tentativa de reconstruir a vida social noturna através de comunidades online.

Podcasts

  • Braincast — Mencionado como o podcast onde Hiago Vinícius trabalha nos bastidores, comandado por Carlos Merigo com participações de Marco Mello e Luiz Ingino. É parte da família B9 de podcasts.
  • Mupoca — Podcast mencionado no passado dos participantes, que rendeu histórias e pautas, especialmente relacionadas a aplicativos de relacionamento e experiências noturnas.

Linha do Tempo

  • 00:04:09Introdução ao tema: a sensação de que a noite paulistana mudou — Luiz Iassuda apresenta sua percepção pessoal de que a noite paulistana não é mais a mesma, questionando se é apenas uma crise de meia-idade ou algo mais amplo. Ele menciona que o convidado Hiago Vinícius trouxe essa discussão com a frase sobre ‘destroçar a libido coletiva’, sugerindo que se pessoas mais jovens também sentem isso, pode ser uma mudança real nos padrões sociais.
  • 00:08:43Dados sobre mudanças geracionais: Geração Z bebe menos — Hiago Vinícius menciona estudos do Ministério da Saúde que mostram que a Geração Z (pessoas com 20 anos ou menos) está bebendo menos álcool e dormindo mais cedo. Ele contrasta isso com sua própria geração (millennials), que está bebendo mais. Isso introduz a discussão sobre diferenças comportamentais entre gerações que podem estar afetando a vida noturna.
  • 00:12:23Fatores econômicos e a busca por experiências ‘instagramáveis’ — Os participantes discutem como a situação financeira mais difícil limita a frequência de saídas, mas também como, quando as pessoas saem, buscam experiências que ‘valham mais a pena’ - muitas vezes associadas a lugares esteticamente agradáveis para fotos no Instagram. Eles citam o exemplo da balada Tóquio em São Paulo, conhecida por seus pontos fotográficos e filas longas.
  • 00:16:37Impacto da pandemia e preferência por atividades ao ar livre — A conversa aborda como a pandemia acelerou a preferência por atividades ao ar livre, que eram consideradas mais seguras. Essa tendência pode ter persistido no pós-pandemia, contribuindo para o declínio de bares e baladas fechados. Também se discute como o home office quebrou rotinas que incluíam happy hours após o trabalho.
  • 00:22:01Mudanças de prioridades: saúde, responsabilidades e autocuidado — Jéssica Corrêa explica por que prefere ir à academia do que ao bar, citando responsabilidades como cuidar do gato, da casa, do trabalho freelance e da própria saúde. Ela argumenta que não se trata apenas de escolha, mas de necessidade - se não cuidar da saúde, não poderá trabalhar. Isso ilustra como prioridades individuais competem com a vida social noturna.
  • 00:32:33Questão de segurança pública como barreira para a vida noturna — Os participantes abordam um fator crucial: a insegurança nas ruas. Eles compartilham experiências pessoais de medo de assalto, especialmente para mulheres que não podem sair sozinhas à noite sem correr riscos significativos. Essa discussão expande o tema para além de preferências pessoais, tocando em problemas estruturais que limitam o acesso à vida noturna.
  • 00:35:05Dados concretos: um terço dos bares fechou pós-pandemia — Luiz Iassuda apresenta dados impactantes: aproximadamente um terço dos bares e restaurantes fecharam após a pandemia em São Paulo. Hiago complementa com informações similares do Reino Unido, onde um terço dos clubes noturnos fechou desde junho de 2020. Esses números sugerem que o fenômeno não é apenas percepção, mas tem bases econômicas reais.
  • 00:36:30Gentrificação e transformação de bairros boêmios — Discute-se como bairros tradicionalmente boêmios como Pinheiros e Vila Madalena estão passando por gentrificação, com bares seculares fechando para dar lugar a empreendimentos imobiliários de luxo. Isso não apenas reduz opções de lazer, mas também afeta a segurança, já que ruas movimentadas com comércio noturno tendem a ser mais seguras.
  • 00:45:29Carnaval como catarse coletiva e a dificuldade de formar comunidades — Os participantes refletem sobre como o Carnaval se tornou uma importante válvula de escape para a libido coletiva reprimida, mas questionam por que esse espírito não se mantém ao longo do ano. Eles discutem a dificuldade de formar comunidades estáveis em um contexto de alta rotatividade de moradores e falta de espaços de convivência espontânea.
  • 00:50:47Conclusão: mudanças reais e a busca por conexão — A discussão chega à conclusão de que há mudanças reais ocorrendo, não sendo apenas saudosismo. Os dados sobre consumo de álcool, fechamento de estabelecimentos e mudanças comportamentais corroboram essa percepção. Os participantes reconhecem que, embora os padrões sociais estejam mudando, a necessidade humana de conexão permanece, e talvez seja necessário um esforço individual mais intencional para construir comunidades no contexto atual.

Dados do Episódio

  • Podcast: O Alvissareiro
  • Autor: O Alvissareiro
  • Categoria: Society & Culture
  • Publicado: 2023-09-26T01:45:13Z
  • Duração: 00:57:13

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] E aí, moçada!

[00:00:23] Bem-vindos a mais um ao Vissareiro, sim!

[00:00:27] Eu sou o Luiz Iassuda e eu estou aqui, hoje não em bancada, mas estamos aqui sentados em confortáveis poltronas.

[00:00:33] Subindo na vida.

[00:00:35] Subindo na vida, é outro tipo de podcast, praticamente o programa da GMT.

[00:00:39] Sentando com mais conforto na vida.

[00:00:40] Exatamente.

[00:00:41] Nosso talk show.

[00:00:42] Um talk show, um talk show.

[00:00:43] Olha que coisa bonita.

[00:00:44] Então hoje, me acompanhando nesse talk show, estou aqui, claro, com o Gabriel Prado,

[00:00:48] Jéssica Corrêa.

[00:00:49] E aí, meus camaradas!

[00:00:51] E o nosso convidado especial de hoje, que jogou a frase que dá título ao nosso programa

[00:00:57] de hoje, que é o Destroçando a Nossa Libido Coletiva.

[00:01:00] Vamos tentar entender o que é isso aí?

[00:01:03] Iago Vinícius, seja muito bem-vindo ao Vissareiro, meu cara.

[00:01:06] Boa noite, gente!

[00:01:07] Prazer para quem não me conhece.

[00:01:09] Para quem não te conhece, você!

[00:01:10] Você é o rapaz que brilha, eu não me esqueço.

[00:01:12] Mais prazer ainda para quem me conhece, alegria demais estar aqui.

[00:01:15] Muito bom.

[00:01:16] A gente está aqui hoje reunido para discutir um pouquinho do que está acontecendo aí

[00:01:20] com um assunto que nos é muito caro, não é mesmo, Iago?

[00:01:22] Que é a noite.

[00:01:23] Exato.

[00:01:24] Nossa vontade de viver.

[00:01:25] Sabe, pessoas viciadas em viver?

[00:01:27] Onde elas estão?

[00:01:28] Onde elas estão?

[00:01:29] Só sobrou eu e a Suda, só.

[00:01:30] Vamos tentar, vamos tentar ver junto, ou de repente isso aqui vira uma grande celebração

[00:01:34] das pessoas.

[00:01:35] É, a gente está perdida mesmo.

[00:01:36] Foi a mesma coisa, quando rolou as eleições de 2022, eu tive a curiosidade de ver como

[00:01:42] foi a votação do meu, da minha sessão eleitoral.

[00:01:45] Meus pêsames.

[00:01:46] E eu moro num bairro que é, né, mais conservador, por assim dizer, mas na minha sessão eleitoral

[00:01:52] deu 70 a 30 lula.

[00:01:53] Caramba!

[00:01:54] Falei, onde estão vocês, esquerdias do bairro?

[00:01:57] Literalmente seus vizinhos.

[00:01:58] Meus vizinhos.

[00:01:59] Pessoas que…

[00:02:00] Podem dormir do seu lado.

[00:02:01] Exato.

[00:02:02] Falei, vamos se…

[00:02:03] Pessoas que brigam com você na fila do mercado, porque tem que falar isso também.

[00:02:04] São pessoas horríveis.

[00:02:05] Não, não.

[00:02:06] Vamos se reunir, vamos tentar alguma coisa, talvez esse programa faça a mesma coisa pelos

[00:02:10] seres da noite.

[00:02:11] Mas antes da gente entrar nessa riquíssima discussão que teremos, eu preciso dar aqueles

[00:02:16] dois recadinhos para quem está chegando, né, de paraquedas nesse programa, não ouviu

[00:02:21] os anteriores.

[00:02:22] Gosto da palavra.

[00:02:23] Ah, caiu aqui na busca do Spotify, opa, cheguei, né.

[00:02:26] O Alves Sareiro é membro orgulhoso da família B9 de podcasts, você pode entrar lá em

[00:02:31] b9.com.br.barra.podcasts e ouvir todos eles.

[00:02:35] Tem programas para todos os gostos e Iago está lá, assim, brilhando no braincast.

[00:02:39] É isso, eu estou companheiro de bancada, mas eu estou por trás também nos bastidores,

[00:02:44] então se você me procurar bastante, você me acha lá.

[00:02:46] É verdade, não.

[00:02:47] Tudo que é feito um braincast é feito de Iago.

[00:02:49] É, não, é uma coisa maravilhosa, assim, é uma grande simbiose ali.

[00:02:53] Um programa comandado pelo nosso queridíssimo Carlos Merigo, mas com aqueles personagens

[00:02:57] já da internet, né, que se tornaram Marco Mello, Luiz Ingino e tantos outros.

[00:03:01] E claro, todos os outros podcasts da família são, assim, muitas produções, são horas

[00:03:06] e horas de produções semanais, né, que adicionam essa grande biblioteca audiofônica

[00:03:12] nacional.

[00:03:13] Toda semana, alguma coisa nova acontecendo por lá.

[00:03:16] E se você tem um projeto de podcast, assim como a gente tinha também, né, no passado,

[00:03:20] uma estrutura legal, que é umas poltronas, olha, não corte isso aqui, hoje vai ficar

[00:03:24] um espetáculo.

[00:03:25] Se você precisar de uma estruturinha com um microfone para gravar, para fazer os seus

[00:03:29] vídeos, lançar no YouTube, ou, né, de repente, só lançar os famigerados cortes com você

[00:03:35] olhando para a parede, né, e mais ninguém na sala, o que a gente estava chamando aqui

[00:03:39] de…

[00:03:40] Ou sentado ao lado de uma poltrona vazia, por que não?

[00:03:42] Exatamente, também está melhor.

[00:03:43] Às vezes você está melancólico, você gravar um clipe melancólico.

[00:03:46] Exatamente.

[00:03:47] Enquesta os estúdios do EditaCast no site editacast.com.br, veja os planos, marque a

[00:03:53] sua hora e bote o seu projeto no ar.

[00:03:57] E é isso, meus amigos.

[00:03:58] Sem mais delongas, partiu pauta?

[00:04:09] Muito bem, gente.

[00:04:10] É o seguinte.

[00:04:11] Nesse momento pós-pandemia, confesso que eu odeio esse…

[00:04:15] Vivemos em uma sociedade, né?

[00:04:16] Vivemos em uma sociedade.

[00:04:17] Nesse momento pós-pandemia.

[00:04:18] Nesse momento pós-pandemia.

[00:04:19] Exatamente.

[00:04:20] Bom, mas, enfim, nesse momento que estamos vivendo, no ano de senhora, de 2023, né,

[00:04:27] eu confesso que alguma coisa estava acontecendo, assim, comigo e eu achava que era muito pessoal.

[00:04:32] Foi um negócio para, sei lá, tentar resolver realmente em terapia, que é essa coisa de

[00:04:37] achar que a noite paulistana, no caso, né, eu moro aqui em São Paulo, mas já ouvi

[00:04:42] acusações de outros lugares também, já não era mais a mesma, né, já não tinha

[00:04:47] mais aquela…

[00:04:48] A boemia, né?

[00:04:49] A boemia, aquela vivacidade, que tornava a cidade tão pulsante aí.

[00:04:53] Então eu pensava assim, sabe, então aquele tipo, né, os rolês noturnos que eu tanto

[00:04:58] amava, tal, estavam diferentes.

[00:05:00] E aí, obviamente, foi uma coisa que eu falei, não, não, mas, cara, peraí, sou eu passando

[00:05:04] por uma crise de meia idade, I’m too old for this shit, os jovens dominaram os novos

[00:05:09] lugares e tá tudo bem, é assim que a vida, né, é assim que a banda toca, é assim que

[00:05:14] a vida segue, talvez meu tempo tenha passado.

[00:05:17] Porém, contudo, entretanto, incerto a feita, estávamos lá no nosso grupo, né, temos um

[00:05:24] grupo de WhatsApp do Braincast, né, e o Iago, essa figura que está aqui, que a gente traz

[00:05:29] justamente para o debate, me solta uma pérola, assim, até como sugestão de pauta, né.

[00:05:34] A frase toda era bem longa, né, porque era uma coisa grande, era uma coisa do tipo, como

[00:05:38] as pessoas vêm em microapartamentos, estão trocando seus apartamentos por microapartamentos.

[00:05:43] Aí veio a frase, que eu falei, cara, me fala mais sobre isso.

[00:05:47] As pessoas estão fazendo isso e destroçando a libido coletiva que fez de São Paulo uma

[00:05:54] cidade que não dormia.

[00:05:55] É bonito.

[00:05:56] É bonito.

[00:05:57] Esse menino fala…

[00:05:58] Ele falou isso olhando nos meus olhos e aí, meio decorado a frase, eu tô completamente

[00:06:01] tímido agora.

[00:06:02] Não vou falar mais nada, gente.

[00:06:03] Cabou a minha participação.

[00:06:04] E aí foi um lance que eu falei, Iago, você é jovem.

[00:06:08] Repita, por favor.

[00:06:09] Repita com mais palavras.

[00:06:11] Ainda perguntei, né, porque não tinha sedilha, você quis dizer destroçado, minha mulher.

[00:06:16] É, destroçado.

[00:06:17] Então, sei lá, vamos sentar, vamos conversar, porque a razão é, eu sou, né, eu tô mais

[00:06:23] velho, tá tudo bem, mas você é jovem, Iago, você é jovem, você tá aí no auge, na

[00:06:28] flor da idade, como dizem, e se você tá estranhando, então temos um estranhamento

[00:06:34] pra poder comentar.

[00:06:35] E minha pista, conversando com outras pessoas, é que, sim, tem alguma coisa diferente acontecendo,

[00:06:42] assim como também já houve críticas.

[00:06:44] Como é, fala de novo, por favor, porque a frase é a razão de estarmos aqui.

[00:06:49] Eu vou colocar um eco na frase.

[00:06:52] Estamos destroçando a nossa libido coletiva, aquela libido social que fez da cidade aquela

[00:06:58] que não dormia.

[00:06:59] Olha.

[00:07:00] É isso.

[00:07:01] Você agora é o nosso redator.

[00:07:02] Parabéns pela fala.

[00:07:03] Parabéns.

[00:07:04] Cara, primeiro que se eu estou no auge e na flor da minha idade, se eu tô com tudo em

[00:07:11] cima, poxa vida, assim, precisava melhorar bastante.

[00:07:16] Que isso?

[00:07:17] Iago tá…

[00:07:18] Não, mas é que, assim, entre as pessoas, mais ou menos na minha idade, eu tô com 27,

[00:07:22] né, a gente tá completamente ansioso pelos 30, tipo, não, os 30 é quando a coisa vai

[00:07:26] acontecer.

[00:07:27] Agora que vem.

[00:07:28] É quando vai começar, por enquanto a gente tá só ensaiando, a gente tá meio numa adolescência

[00:07:33] A adolescência passou, a gente virou adulto, mas ainda tem umas coisas que parece que não

[00:07:36] tem o meu braço aqui, chamando uma ambulância pro rabais.

[00:07:41] Meu Deus.

[00:07:42] Tem uma coisa, parece que a gente não teve o aprendizado do pacote completo, tipo, coisa

[00:07:47] que a gente havia vivido, a gente ainda vai ter que viver, então postergou, meio que deu

[00:07:50] uma esticada ali na linha do que é a vida adulta, mas eu acho que quando eu falei isso

[00:07:54] foi um textão enorme, que a gente tava discutindo justamente essa questão do microapartamento

[00:07:57] e ainda a gente tava pensando essa pauta, muito numa chave de opção.

[00:08:01] As pessoas estão escolhendo morar em espaços menores, morar pior, né, no fim das contas.

[00:08:06] E isso é uma escolha.

[00:08:07] Isso é uma escolha, depois, enfim, chegamos ao ponto que não era e a culpa mais uma vez

[00:08:10] era do capitalismo.

[00:08:11] A gente tirou a máscara do Scooby-Doo e era o capitalismo mais uma vez.

[00:08:15] Mas essa lógica de morar em espaços pequenos é justamente poder aproveitar o que a cidade

[00:08:20] oferece.

[00:08:21] É estar mais próximo, ou seja, você vai morar mais perto do seu trabalho, né, e aí

[00:08:25] você vai poder aproveitar mais da própria cidade, porém, tem coisas, porém, tem coisas

[00:08:31] acontecendo, né.

[00:08:32] Tem dados, obviamente, aqueles grandes dadões que corroboram pra essa coisa de talvez não

[00:08:37] seja coisa da nossa cabeça, que é, por exemplo, a geração mais jovem, a Z, né, a que tá

[00:08:43] vindo aí, a que tá dos seus 20 baixos para baixo.

[00:08:47] Essa é uma geração que bebe menos, que por segundo, né, dorme mais cedo, tem alguns

[00:08:53] estudos que eu considero mais sérios, então, sei lá, levantamento no Ministério da Saúde

[00:08:57] vindo dizer que essa é uma faixa que tá bebendo menos, legal, entendo a metodologia

[00:09:02] fizeram, respeitaram a amostra Brasil, aquela coisa toda, e constataram que os jovens realmente

[00:09:07] estão bebendo menos.

[00:09:08] Boas jovens.

[00:09:09] E que a geração que tá bebendo mais, justamente, é a minha, mas também tá tudo bem.

[00:09:13] Significa?

[00:09:16] Pois é.

[00:09:17] Aí temos uma outra camada que é esses estudos comportamentais, então, que pegam uma amostra

[00:09:22] menor, que, né, tendem às vezes não respeitar, justamente, essa amostra Brasil, mas dá

[00:09:28] uma olhada no que tá acontecendo nos bairros mais, né, raipados das cidades, e quando

[00:09:33] a gente fala aqui, no caso da cidade que moramos, que é São Paulo, né, os bairros ali que

[00:09:38] ficam nesse quadrilátero que vai de Perdizes até, no máximo, passando ali pelo Itaim

[00:09:44] e Adiacências.

[00:09:45] Zona de Rodízio.

[00:09:46] Isso, a Zona de Rodízio.

[00:09:47] Nesses lugares, né, de fato, tem uma nova tendência de coisas mais cedo, coisas durante

[00:09:53] o dia, né, tá acontecendo um outro tipo de movimento, né.

[00:09:57] Não é mais, não é que não é mais, mas tá, é uma decadência da noite, e quando

[00:10:01] a gente diz noite, é o formato noite, né, formato de sair de noite, formato de você

[00:10:05] sair pela cidade, aí você vai pra um lugar, aí você quebra pro outro, aí você tem

[00:10:09] um jantar, depois você vai pra um bar beber um pouquinho mais, depois vai pra um boteco,

[00:10:13] Esse formato de você rodiziar aí uma coisa mais livre, ultimamente você tem que se comprometer

[00:10:18] com o rolê, né, você vai pra um rolê, você tem que ficar naquele lugar, porque

[00:10:21] você vai pagar uma entrada desgraçada, e aí, enfim, você vai tomar poucos drinks,

[00:10:24] que também são drinks caros, enfim, é uma mudança de, muito de formato, de forma de

[00:10:29] consumir, assim, né.

[00:10:30] Eu tenho um lance, assim, novamente, pode ser muito uma impressão pessoal, eu tenho

[00:10:34] um lance que tá virando uma cerimônia, então as pessoas meio que estão se organizando

[00:10:38] em grandes grupos, hoje é o dia do rolê, né, então, elas vão em grupos, né, a gente

[00:10:43] tava brincando um pouquinho antes aqui da, de começarmos a gravar, que é, você olha

[00:10:48] claramente, diz assim, isso aí é a happy hour da firma, que é o aniversário, sabe,

[00:10:54] que é um contexto, né, de, assim, um agrupamento fechado ali, uma coisa menos sociável, talvez,

[00:11:00] porque, enfim.

[00:11:01] Aqueles ali tão indo gravar um podcast, não mexe com eles, viu.

[00:11:06] Vocês são historiadores?

[00:11:08] Nós somos contadores de histórias.

[00:11:10] A gente, é o Gabriel tá aqui dizendo uma frase que ouvimos justamente na boemia.

[00:11:14] Exato, quando ela era viva, né.

[00:11:16] Se éramos os historiadores ouvimos isso aqui no lugar.

[00:11:19] Mas nada, nada vai superar o dia que alguém te pediu um momento Faustão, aí viraram

[00:11:24] pra mim e perguntaram se você era famoso, e eu aproveitei pra dizer que sim.

[00:11:29] Ele diz que eu era famoso e que eu tinha feito uma aliação, e, assim, uma coisa que eu

[00:11:34] amo ainda, porque não amava, porque eles ainda existem e tal, eu amo os antigos ouvintes

[00:11:39] do Mupoca, porque eles fizeram, de alguma maneira, a busca Luiz e a suda malhação

[00:11:43] aparecer como sugestão do Google.

[00:11:46] E a melhor parte disso é que agora tem tudo no Globoplay.

[00:11:49] Acesse.

[00:11:50] Eles são os mentores das pessoas que associaram o Deolane ao nome Bafuda, né.

[00:11:53] Então, a coisa tá, eles evoluíram, né, todas as bruxas.

[00:11:56] É isso.

[00:11:57] Então, por tudo isso, realmente a gente ouviu coisas maravilhosas na noite.

[00:12:01] Eu acho que tem um ponto aí, né, essas coisas elas surgiam espontaneamente justamente pelas

[00:12:06] pessoas estarem reunidas, né.

[00:12:08] Agora tudo virou um ritual do tipo, vamos criar um grupo de WhatsApp para resolver um

[00:12:13] problema.

[00:12:14] Não é?

[00:12:15] Vamos sentar junto, olhar para a cara do outro e falar.

[00:12:17] Mas, Iago, me diz uma coisa, tem também relação com a vida financeira do brasileiro que tá

[00:12:23] cada vez mais difícil?

[00:12:24] Eu acho que tem.

[00:12:25] Eu acho que tem dois sentidos, o primeiro mais óbvio que é, cara, cabe menos no orçamento,

[00:12:29] vou sair menos, não vou sair todos os dias, que é uma coisa que a gente vai parar de

[00:12:32] fazer.

[00:12:33] Vê, a suda, um dia a gente vai aprender.

[00:12:34] Eu ainda não cheguei.

[00:12:35] Que não é pra cobrar o cheque especial na noite, tá?

[00:12:37] Entendi.

[00:12:38] Alô, Nath Finanças!

[00:12:39] Dica de investimento!

[00:12:40] Mas, ao mesmo tempo, tem muita convicção de que existe uma coisa que, como cabe menos

[00:12:48] no orçamento, quando eu vou sair tem que valer mais a pena.

[00:12:50] Esse valer mais a pena tem sido muito atrelado, isso não é uma coisa ruim nem boa a princípio,

[00:12:55] eu acho ruim, mas aí as pessoas tem mal gosto pra nenhuma delas.

[00:12:57] Um bonde de experiências Instagramáveis, né, lugares bonitos, com luzinha neon, então

[00:13:03] eu vou pagar um pouquinho mais caro, vou beber menos, vou consumir menos coisas, mas eu vou

[00:13:07] ter uma foto mais bacana, eu vou ter uma pista mais bacana, não é que a pessoa não tá

[00:13:11] saindo.

[00:13:12] Mesmo que você não se divirta no lugar.

[00:13:13] Pois é.

[00:13:14] A foto vai ficar incrível.

[00:13:15] Exato, exato, exato.

[00:13:16] E aí, enfim, o que é diversão pras pessoas, eu também tô aceitando que é variável.

[00:13:21] A gente também tava comentando sobre, desculpa, pessoal, que não é de São Paulo, eu vou

[00:13:26] ficar justificando isso bastante durante esse programa, mas existe uma balada muito famosa

[00:13:30] aqui em São Paulo, né, que fica num prédio, então ela tem essa coisa de você subir as

[00:13:35] escadinhas de vários andares e tal, e ela justamente remete, por ficar num prédio,

[00:13:40] ao estilo de balada que existe no Japão, então ela se chama Tóquio.

[00:13:43] Ah, eu sei que você deu o nome, eu achei que você ia jogar no ar.

[00:13:46] Não.

[00:13:47] É que ele vai passar um boleto depois.

[00:13:48] E ela tem realmente um monte de pontos Instagramáveis lá dentro, e fora uma fila, assim.

[00:13:54] Absurda.

[00:13:55] E é muito engraçado isso, porque, cara, as pessoas realmente tão aqui pra tirar a

[00:13:58] fotinho no neon.

[00:13:59] É isso.

[00:14:00] Eu tenho um crush em você, no neon.

[00:14:02] Vai tudo pro Tinder.

[00:14:03] Isso.

[00:14:04] Eu vou conhecer uma pessoa na balada, eu vou usar essa foto no Tinder, eu vou conhecer

[00:14:08] essa pessoa no Tinder, eu vou marcar com ela um lugar.

[00:14:10] E mostrar que você frequenta.

[00:14:11] Que é um lugar Instagramável também.

[00:14:12] Exato.

[00:14:13] Porque os lugares que eu frequento dizem de quem que eu sou, então vai tudo, é uma nova

[00:14:17] forma de fazer.

[00:14:18] E aí a nossa questão é se se faz a partir dessa forma, ou só se, se performa a partir

[00:14:23] dela.

[00:14:24] E aí, porque assim, eu confesso que eu tô, né, eu durei muito pouco tempo nessa vida

[00:14:29] de aplicativos aí, nessa nova temporada, sabe, não foi uma coisa que eu me diverti

[00:14:33] fazendo não.

[00:14:34] Só rendeu pautas pro alviçareiro mesmo, assim.

[00:14:36] Só feriu histórias, né?

[00:14:37] É, rendeu histórias e pauta pro alviçareiro.

[00:14:38] Basicamente a gente tem aí o…

[00:14:39] Pro Mupoca também.

[00:14:40] Pro Mupoca, enfim, né, no passado também rendeu.

[00:14:41] Mas aí era uma outra fase, né?

[00:14:42] Aí eu confesso que também era uma fase…

[00:14:43] Uma fase mais terelepe, talvez.

[00:14:44] Mas eu perdi o ponto, a gente mudou o tema aqui.

[00:14:45] Mudou o tema.

[00:14:46] Tá.

[00:14:47] Mas antes eu queria comentar que eu não sei se eu concordo com a questão financeira.

[00:14:48] Óbvio que ela é séria, ela é importante, mas assim, a gente vive em crises cíclicas,

[00:14:49] né?

[00:14:50] E já houve momentos piores da economia nacional e que…

[00:14:51] E tem questões também, aquela coisa, ah, eu vou, eu gosto de viajar, ah, tá difícil

[00:15:08] pra eu viajar.

[00:15:09] Não vou mais viajar, mas vou começar pelo menos a consumir lazer na minha cidade, então

[00:15:15] vou sair mais, vou comer mais fora ao invés de fazer um grande gasto de turismo, por

[00:15:21] exemplo.

[00:15:22] E eu vejo, pelo menos nos últimos anos ali, eu sempre sendo morador ali do centro, que

[00:15:29] antes a noite ela tava muito, tinha essa questão do after, do after, do after, né, de pula

[00:15:35] de lugar em lugar, mas eu vi que houve, eu vou falar, eu vou entregar a minha idade,

[00:15:40] aqui eu vou falar assim, muitas boates fechando, boate, pô, é que muitas baladas.

[00:15:45] Aham.

[00:15:47] Eu entendo que as festas, elas aconteciam dentro das baladas e tinha rua ali com uma

[00:15:55] conexão, um bar, um after, alguma coisa, mas ia de um lado pro outro.

[00:15:59] E aí, a partir, sei lá, uns cinco últimos anos, não vou colocar só na conta da pandemia,

[00:16:05] houve o surgimento de várias adegas, né, várias lojinhas ali, ou até de ambulantes,

[00:16:11] e eu vejo como isso é popular e é frequentado, né, então pelo menos a minha impressão

[00:16:16] é que nos momentos de estar na rua ali, dentro de centros ali, Augusta, desses eixos mais

[00:16:23] boêmios assim, que ainda sobrevivem dessa maneira, tá mais na rua, acho que tem a

[00:16:27] ver com essa questão econômica também, e ao passo que muitas baladas fecharam.

[00:16:32] Tem uma coisa da experiência também que a gente não pode tirar da equação que é

[00:16:37] passamos, né, passando pelo mundo difícil de pandemia e tal, e as primeiras atividades

[00:16:42] que foram mais recomendadas ou que foram menos proibidas foram justamente as atividades

[00:16:47] ao ar livre.

[00:16:48] Então, ó, não é perigoso, é menos perigoso você encontrar seus amigos no meio da rua

[00:16:53] e tomar cerveja do ambulante do que se enfiar no bar fechado e ficar respirando lá dentro,

[00:16:58] se enfiar num karaoke duvidoso e ficar, né, lá confinado, por assim dizer, ou numa balada

[00:17:05] ou qualquer coisa que o seja, e aí, então é uma coisa que também tá aí, né, sei

[00:17:10] De repente essa é algo que pode ter ficado, olha, pô, fazer coisas ao ar livre, pra

[00:17:15] fazer coisas ao ar livre tem que ser mais cedo por conta das questões de legislação,

[00:17:20] então beleza, então façamos coisas ao ar livre mais cedo, né.

[00:17:23] E que esse retorno pós pandemia também não é imediato, né, tipo, não é que virou

[00:17:26] uma chave e aí todo mundo voltou, existe uma grande demanda de eventos, de tudo, assim,

[00:17:31] as pessoas estão com muita vontade de sair de casa, de fazer coisas, mas elas ainda

[00:17:34] não tão necessariamente no ritmo de ter uma vida tranquila, até porque elas se acostumaram

[00:17:40] a viver em home office, em pandemia, confinado, mesmo quem teve que trabalhar, mas enfim,

[00:17:44] uma vida dentro de casa e você tem que se fazer disso, né.

[00:17:47] Eu fico pensando assim, aí trazendo, transportando pra uma questão de mercado, assim, ah, você

[00:17:51] trabalha, seja qualquer área, mas eu vou citar a área que nós trabalhávamos que

[00:17:54] era agência de propaganda, então começo de carreira, todo mundo ali na casa dos seus

[00:17:58] vinte e poucos anos, tendo que ir à agência diariamente, fazendo aqueles turnos longos

[00:18:03] de agência que é um problema desse mercado, então galera saía, sei lá, qualquer dia

[00:18:07] da semana, umas oito da noite, nove da noite, às vezes um pouco mais, e pô, bar, bar.

[00:18:11] Famoso tomar uma, né.

[00:18:12] Vamos tomar uma.

[00:18:13] E isso esticava.

[00:18:14] Esperar uma coisa esvaziada.

[00:18:15] Não, é, mas isso esticava, virava, de repente até uma coisa que entrava na madrugada, tal

[00:18:21] que no dia, como você tinha trabalhado, no dia seguinte, né, as pessoas iam chegar

[00:18:25] um pouco mais tarde ali, e era meio que, era uma, como posso dizer, era uma convivência

[00:18:30] quase incentivada do mercado pra você, e conhecendo pessoas, tipo, tinha alguns bares

[00:18:35] em São Paulo, que eram reuniões, quase um networking da…

[00:18:38] E quem não ia era mais escamoteado, assim, tipo, nossa, ele não é o pessoal que vai,

[00:18:43] né.

[00:18:44] Era um negócio que assim, mesmo que você fosse eventualmente, você ia acabar indo

[00:18:46] alguma vez, porque cara, você tava todo dia ali respirando esse ambiente.

[00:18:50] Aí corta pra esse momento em que, então temos mais, né, pessoas trabalhando de maneira

[00:18:55] remota, não tô dizendo que é todo mundo, não é isso, mas tem bem mais gente, tipo,

[00:19:00] isso já se reflete em coisas como o trânsito nas cidades, o pico do trânsito virou um

[00:19:04] dia que não é mais a sexta-feira, que era o grande pico do trânsito, tipo, todo mundo

[00:19:09] tem que trabalhar, então vamos de carro, porque hoje é sexta-feira, hoje é o dia…

[00:19:13] Que todo mundo tá na vitória.

[00:19:15] Exatamente, e dia de depois ir pra alguma outra maldade, aí não precisa, né, voltar

[00:19:20] pra casa.

[00:19:21] É, e agora, putz, sexta-feira, já tô em casa.

[00:19:24] Pois é, vou me arrumar pra sair, sete horas da noite.

[00:19:27] É, então, muda do perfil de tudo, né, desde esse botequinho que hospedava o happy hour,

[00:19:33] não recebe mais isso com a mesma frequência, e aí eu vejo um monte desses lugares que

[00:19:38] recebiam, né, happy hours, muito específicos de um pessoal de mercado, o cara falou, cabou,

[00:19:43] cara.

[00:19:44] Tem um que era famoso, a galera de agentes de propaganda brotava nesse boteco, e pós

[00:19:47] pandemia ele falou, não, não, fecha às seis, eu só sirvo almoço.

[00:19:50] Cabou.

[00:19:51] Cabou.

[00:19:52] Não tem mais um movimento mesmo.

[00:19:53] E…

[00:19:54] Faculdade.

[00:19:55] Eu ia trazer esse ponto, que eu acho que quando eu cheguei, eu não sei você, Jéssica, quanto

[00:19:58] tempo você ficou de mercado mesmo, assim, eu sei que agora você é uma empresária,

[00:20:02] multimilionária e tal.

[00:20:03] Quando eu cheguei pra trabalhar em uma agência, e isso faz um boquinho, sei lá, 10 anos

[00:20:07] que eu trabalho, já não, esse happy hour de, ah, vamos tomar aquela posa expediente,

[00:20:11] rolava mais com pessoas mais velhas, fazer um happy hour por semana já começou a ficar

[00:20:14] muito mais difícil, aquela coisa que você tá, meu, hoje eu vou precisar falar mal do

[00:20:19] meu chefe.

[00:20:20] Era mais com gente mais velha mesmo, assim, inclusive, me vi muito com o chefe porque

[00:20:22] era quem era mais velho, em agências que eu trabalhei, assim, por conta, e aí eu acho

[00:20:25] que entra muito isso, assim.

[00:20:26] É muito difícil você reunir um grupo de dez pessoas e você ter uma maioria de pessoas

[00:20:30] que estão livres à noite, estão livres posa expediente.

[00:20:32] Essas pessoas, elas vão segundo um trampo, ou vão pra faculdade, ou vão pra academia,

[00:20:37] ou vão pra ter uma série de outras atividades que vão entrando aí no meio do caminho.

[00:20:40] O que você tá dizendo que minha geração negligenciava, tipo, ir à academia, por exemplo?

[00:20:44] Eu estou dizendo, afirmando isso.

[00:20:45] Eu e Gabriel, eu e Gabriel, uns quantos anos da mesma academia lá que você foi duas vezes

[00:20:50] e acho que eu fui uma e meia.

[00:20:51] Uma e meia, eu gosto dessa conta.

[00:20:53] Cara, eu acho que eu tenho um crédito lá ainda porque foi aqui que rolou a pandemia.

[00:20:57] É, foi, foi, exatamente.

[00:20:58] Você já chegou a ver isso?

[00:20:59] Ah, eu só, só mandei uma hora cancelar lá a matrícula e fui embora.

[00:21:03] Que agora eu moro em frente, né?

[00:21:05] Olha aí.

[00:21:06] Então, aí você vai marcar uma cerveja com ele e ele, ah não, hoje é dia de leg press.

[00:21:09] É, é.

[00:21:10] Tá a pessoa com aquela coisa horrível, cheia de proteína.

[00:21:13] Então, a geração Z é mais saudável mesmo.

[00:21:14] E não é só a geração Z, mas assim, nós estamos mais saudáveis enquanto população,

[00:21:18] a geração Z tá puxando isso, nós estamos morando mais sozinhos, o que significa que

[00:21:21] nós temos que ir pra casa sair com o nosso pet, tem gente que tem que ir pra casa regar

[00:21:24] as plantas, tem gente que precisa cuidar do Neopet, sei lá.

[00:21:28] São uma série de atividades, são uma série de atividades que as pessoas têm que fazer

[00:21:31] autonomamente.

[00:21:32] As pessoas têm que dar conta de uma carga de vida, é aquela coisa, né, tem tendência

[00:21:36] sobre isso, eu não vou lembrar o nome do termo agora, já fizeram um termo em inglês

[00:21:38] pra isso, mas é como nós estamos transformando em atividades, coisas básicas da vida, coisas

[00:21:43] que devem estar intrínsecas ao nosso dia a dia, a gente não tem mais movimentos, a

[00:21:45] gente faz academia, a gente não tem mais, enfim, socialização, a gente vai fazer faculdade.

[00:21:49] Fazer faculdade é uma coisa muito comum hoje, né, muito esperado que todo mundo esteja

[00:21:52] fazendo faculdade o tempo inteiro, então acho que a gente tá todo mundo sempre muito

[00:21:55] ocupado, né, senhora, ficar sempre ocupada.

[00:21:57] Eu acho que eu, assim, eu fiquei pensando nessa coisa da faculdade que você trouxe,

[00:22:01] eu tenho 28, então eu só sou um ano mais velho que você, mas o que acontece, quando

[00:22:05] eu fiz faculdade, eu fiz a noite, só que eu fazia uma faculdade que era feita pro proletariado,

[00:22:11] e o que eu quero dizer com isso, eram pessoas que só precisavam do diploma, essa faculdade

[00:22:16] nem existe mais hoje, eu nem sei se eu consigo pegar um diploma se eu precisar hoje, nesse

[00:22:21] ponto.

[00:22:22] Sim, você ia à noite, pôs trabalhar o dia inteiro e voltava pra casa o que seu filho

[00:22:27] tava te esperando, era bem comum eu ser a pessoa mais jovem ali do meio, porque eu fiz design

[00:22:32] gráfico e as pessoas eram mais velhas e trabalhavam exatamente, ah, agora a agência pede que

[00:22:38] você tenha uma faculdade, você vai ser, tinha um cara que ele fazia livros didáticos,

[00:22:43] como é que você fala que o seu editor não tem faculdade?

[00:22:46] Esse é o caso, então eu nunca tive essa vivência de noite, porque eu ia embora com

[00:22:52] todo mundo.

[00:22:53] Chopada da faculdade, né, não passou.

[00:22:55] Não passei por isso, não tive trote, não tive nada disso, então a minha relação com

[00:23:00] a noite ela é muito diferente, que se reflete na minha vida hoje e traz isso da geração

[00:23:05] mais saudável, hoje eu prefiro, me desculpa, mas eu prefiro mesmo ir na academia do que

[00:23:11] às vezes ir pro bar, eu vou ser bem sincera.

[00:23:15] Eu vou, é com isso.

[00:23:16] Acabou o programa, o Yasuda quase levantou da cadeira.

[00:23:19] Obrigado.

[00:23:20] Porque assim, eu sei que se eu beber muito, no dia seguinte eu vou estar imprestável.

[00:23:26] Minha mãe sempre trabalhou de noite, então pra sair com a minha mãe, você tem que marcar

[00:23:30] com ela tipo, putz, vamos sair na sexta, então o plantão dela tem que ser, tipo, sexta é

[00:23:34] o dia que ela tem que estar em casa, aí sábado ela pega meio que uma folga, porque ela consegue

[00:23:37] relaxar, tipo, ela tem três dias de preparação pra fazer um rolê, porque ela trabalha de

[00:23:40] noite.

[00:23:41] Sim.

[00:23:42] Minha mãe não deixa falar que ela tem mais de 28 anos, então minha mãe tem 28 anos

[00:23:46] em muitas aspas, então ela já tem uma certa estrada.

[00:23:48] Eu vejo, justamente é isso, tipo, eu vou falar com uma galera, tipo, vamos tomar uma cerveja?

[00:23:52] Puta, então tá bom, eu vou tomar uma cerveja na quinta, porque aí na sexta eu consigo

[00:23:55] acordar mais tarde, e aí na quarta-feira eu não vou pra tal lugar, você fala, meu

[00:23:59] Deus, amor da minha vida.

[00:24:00] Era só pra cerveja.

[00:24:01] Na esquina, eu estou aqui, vem pra cá, vem me ver.

[00:24:04] Não, mas o negócio é, e aí no caso de eu, mulher morando sozinha, que tem gato, que

[00:24:09] é freelancer e tem…

[00:24:10] E planta também, né?

[00:24:11] Gato, freelancer.

[00:24:12] Ah, é o planta eu mato, não entendi.

[00:24:13] Lob da bexiga, isso.

[00:24:14] Nossa, eu mato a planta, coitada.

[00:24:15] Mas, assim, eu tenho o gato, eu tenho a casa pra cuidar, eu tenho o meu trabalho.

[00:24:21] Quando eu vou juntando todas as camadas e da saúde também, porque se eu não cuidar

[00:24:25] da minha saúde, eu não vou ter aposentadoria, eu preciso me preocupar hoje com a minha saúde.

[00:24:30] Não, se você não cuidar da sua saúde, você não tem trabalho.

[00:24:32] Exato!

[00:24:33] Se eu pegar uma tendinite, gente, eu tô ferrada.

[00:24:36] Sim.

[00:24:37] Então, assim, se eu não cuidar, se eu não realmente for lá fazer o meu exercício da

[00:24:40] canela, que vai me deixar em pé, do punho, eu não consigo viver.

[00:24:46] Então, assim, não é, e agora pensando, não é nem tanto uma escolha de não ir ao

[00:24:50] bar.

[00:24:51] Exato.

[00:24:52] Não é uma escolha.

[00:24:53] É quase de, se eu não cuidar de mim, quem é que vai?

[00:24:55] É o custo.

[00:24:56] É o custo.

[00:24:57] Enquanto isso tá pesando, tipo, é isso, me prejudica bastante o estilo de vida que

[00:25:00] eu penso, porque não é nada adequado a minha vida.

[00:25:03] Mas eu acho que uma coisa também não anula outra, né?

[00:25:05] Até porque, depois daqui, não é mesmo?

[00:25:08] Acho que, é, exato.

[00:25:09] Mas o…

[00:25:10] A gente vai alimentar a noite, viu?

[00:25:11] Eu lembro que, há alguns anos, criaram uma palavra tão bonita pra falar disso, né?

[00:25:15] Serendipidade.

[00:25:16] O que que aconteceu com isso, né?

[00:25:19] Agora tá tudo programado.

[00:25:20] Sim.

[00:25:21] Por muito tempo, eu tenho essa coisa de querer sair, eu comecei a sair sozinho, porque eu

[00:25:25] falei, bom, a galera da minha idade, a galera do meu entorno, do meu metier, eu também,

[00:25:29] sei lá, cursei letras na USP, né, então não é um pessoal muito agitadão, assim,

[00:25:32] mas…

[00:25:33] Bom, tinha festas maravilhosas, né, meu amigo?

[00:25:35] É, mas eu andava com uma galera mais limpinha, né?

[00:25:38] Tinha festas maravilhosas na Fefe Leste, tinha toda aquele…

[00:25:40] Organizei várias, inclusive.

[00:25:41] Circuito do Festuspe lá.

[00:25:43] Então, a gente viu…

[00:25:44] Cara, eu tô muito uspeiro.

[00:25:45] Circuito de festa da USP, a gente viu, eu estava lá, estudando da USP…

[00:25:50] Quando proibiram.

[00:25:51] Quando proibiram, porque o cara foi lá, achamos um corpo na piscina, tipo, né, e aí polícia

[00:25:55] militar no campo, tipo, as coisas mudaram, assim.

[00:25:57] Mas aí, por muito tempo, eu guardei pra mim que, tipo, cara, a galera tá em outra vibe,

[00:26:00] que não é minha vibe, e tudo bem, eu sou uma pessoa que devia ter nascido nos anos

[00:26:03] 60, eu nasci agora.

[00:26:04] E que bom, porque eu nasci numa vida militar, bacana.

[00:26:06] Então, beleza, eu vou sair sozinho, vou viver a minha vida, tal, e vou fazer amizades

[00:26:09] com pessoas mais velhas.

[00:26:10] Bacana, eu gosto.

[00:26:11] Só que aí eu comecei a perceber o que você falou, tipo, não é só uma questão de escolha,

[00:26:15] de vontade, de estilo de vida.

[00:26:16] Tem muita gente que quer viver mais, aproveitar mais, e aí aqui a gente tem uma pauta que

[00:26:21] é muito paulistana, mas eu vejo muito isso em cidades do interior também.

[00:26:25] Cidades do interior, cidades menorzinhas, tipo, tem muitos lugares que estão fechando

[00:26:29] bar…

[00:26:30] Se a gente pegar Capitais, eu tava comentando da intenção de gravar essa pauta com muitos

[00:26:34] amigos cariocas, e eles viraram e disseram pra mim, a noite no Rio não morreu.

[00:26:37] Eu fiquei assim, cara…

[00:26:38] Então, a noite morreu, no caso?

[00:26:40] Então eu virei assim, peraí, e eu fiquei assim meio, cara, mas a minha sensação

[00:26:44] em relação a certas coisas no Rio é até que tem bairro que até deu uma…

[00:26:49] Cara, eu fui lá com a minha família esse ano, fui com a minha família, então procurando

[00:26:52] um rolê família no Rio de Janeiro de noite, de uma semana feriada, a gente não achou.

[00:26:55] A gente teve que voltar pra casa, jantou e fui pra casa, porque não tinha que fazer.

[00:26:57] É mesmo?

[00:26:58] Não tinha que fazer.

[00:26:59] Mas tinha bares pra roler, ou não?

[00:27:01] Tinha bares pra jantar.

[00:27:02] E aí tinha aqueles roleis do Rio de Janeiro que a gente subiu, a gente foi pra uma balada

[00:27:05] no Vidigal, tive que subir com a minha família de vão, morro inteiro lá, achei que todo

[00:27:08] mundo…

[00:27:09] Porque não tinha que fazer.

[00:27:10] E aí você trouxe uma coisa importante, isso é algo do centro ou as periferias ainda

[00:27:15] estão vivendo a noite?

[00:27:17] Então, estão vivendo muita adega, porque a adega é a adega e pôs de gasolina, isso.

[00:27:23] Esse lugar que permite uma reunião, que as pessoas vão comprar ali o álcool…

[00:27:26] Um camarada tem um carro com um sistema de som, vai colar o sistema de som lá, aturar…

[00:27:30] Que é a experiência interiorana também, de você fazer uma confraternização.

[00:27:34] O interior, pelo menos enquanto eu vivi no interior, era uma balada, era dois ou três

[00:27:41] bares, eles são cíclicos, um fecha, aí abre outro, do tipo…

[00:27:46] Ele se retroalimenta.

[00:27:47] Não, não, é o bar da moda, passou a moda, ele fale, ele fecha, aí rola um hiato, o

[00:27:53] povo vai pra igreja, não sei quando vai abrir outro, mas não passa disso, assim, acompanhando

[00:27:58] que os últimos vinte anos continuam assim, e é isso, é posto de gasolina, e é muito

[00:28:03] rolê dentro de casa, a churrasco.

[00:28:06] Sim, mas tem um caso que eu queria trazer, é um case que acho que quando eu falo da

[00:28:10] vontade das pessoas de viver a noite, a vida, de exercer essa libido coletiva, essa demanda

[00:28:16] reprimida de libido coletiva, tem um caso que é muito emblemático, porque eu morei

[00:28:19] uns três anos na Santa Cecília, na época que a Santa Cecília saiu na Capa da Veja

[00:28:23] como o Santa Cecília, a cena da Santa Cecília, tal, não sei o que lá, tem uma amiga minha,

[00:28:30] que eu não conhecia, já vou contar como eu conheci, Caroleta Marinho, que é advogada,

[00:28:34] sabe, estabelecendo banca de advocacia, aquela vontade de viver a vida, viver aquela esquerda

[00:28:38] festiva, tal, não sei o que lá, vamos embora, vamos montar uma turma pra gente sair, beleza,

[00:28:42] como é que você vai montar uma turma no seu bairro?

[00:28:44] É o que você falou, você não conhece as pessoas que votaram no Lula no seu bairro

[00:28:47] de Reaça, exato, são pessoas que moram no vizinho de Porto e você não tem nenhum

[00:28:52] contato.

[00:28:53] A evitada falou, mano, vou fazer um, ela fez um grupo no Facebook, um Spotted da Santa

[00:28:57] Cecília, que é aquela Spotted, aquela coisa do vifulano no mercado, a partir daí, ela

[00:29:01] começou a ir montando uma rede de uma galera e começou a marcar uns bares, e aí o grupo

[00:29:06] meio que foi crescendo, aí virou meio, um grupo mais de bares que de Spotted, e Spotted

[00:29:10] virou pra gente ali se intensificar a relação, mas muita demanda, meu, vamos marcar bar,

[00:29:13] vamos sair, pá, não sei o que lá, aí marca, vamos fazer então o happy hour do grupo,

[00:29:17] aí vai lá uma enqueca, agora tudo, redes sociais é isso, né, aquela democracia é

[00:29:20] incrível.

[00:29:21] A gente acha que a democracia às vezes ela puxa a vida, mas aí vai lá, faz a enquete,

[00:29:25] putz, é, exato, que dia melhor, que horário que vocês preferem, tal, não sei o que lá,

[00:29:28] o que ganhar, beleza, vai, você chega lá, tem as mesmas seis pessoas, das cinquenta

[00:29:32] que votaram.

[00:29:33] Aí só começa as desculpas, né, ah não, não dá, puta, meu, minha, minha, vou dar

[00:29:36] banho no meu peixe, exato, minha vó no Jiu Jitsu, e eu tenho certeza que, sabe, vó

[00:29:40] quebra a perna mesmo, acontece, e você tem que mesmo que levar.

[00:29:43] Toda semana, quanta perna, né?

[00:29:45] Exato, mas é isso, assim, tipo, é muito difícil pra galera arranjar tempo, assim,

[00:29:49] porque eu tenho visto, eu tenho visto uma galera, tipo, ah, nossa, o pessoal da minha

[00:29:52] idade, do meu metier, da minha bolha, do meu circo, tem muito reclamado da dificuldade

[00:29:55] de fazer amizades e estabelecer relações profundas, e você sai na noite, porque no

[00:29:59] fim das contas, no fim do dia, você quer mesmo criar lá, você quer conhecer gente,

[00:30:03] quer ouvir histórias diferentes, você quer, sabe, conhecer lugares, pessoas, tal, e aí

[00:30:07] você fala, puta, você não tá conseguindo, né, nossa, relações líquidas, as pessoas

[00:30:10] não ligam mais umas pras outras, e aí como é que você tá fazendo pra fazer amigos?

[00:30:13] Pô, então, aí você trabalha o dia inteiro, aí você vai pra academia, então tem que

[00:30:16] ser uma amizade ali entre as nove e meia, e às onze, que às onze e meia você já

[00:30:20] vai assistir aquela serezinha e vai dormir.

[00:30:22] Se você tá de fone, você já não faz amizade com ninguém.

[00:30:24] Se você já não faz amizade com ninguém, então, assim, você vai ocupando.

[00:30:27] Academia não é lugar pra fazer amizade.

[00:30:29] Academia não é lugar pra fazer amizade, mercado não é lugar pra fazer amizade,

[00:30:32] é pra fazer amizadinho.

[00:30:33] Não, mercado é, mas academia…

[00:30:34] Ah, eu vou discordar, esportes coletivos…

[00:30:38] Esportes coletivos, esportes coletivos.

[00:30:39] Não, esportes coletivos tudo bem, agora…

[00:30:41] Eu faço Muay Thai, eu sou muito briguenta, então, assim, eu fiz amigos no Muay Thai.

[00:30:46] Não é bom você fazer um amigo que você bateu nele, né?

[00:30:47] Exato.

[00:30:48] Eu me deu um murro na pessoa.

[00:30:49] E a gente ficou amigo.

[00:30:50] Malhação, o principal cenário da malhação não era o Gigabyte?

[00:30:54] Era.

[00:30:55] A casa de sucos.

[00:30:56] Casa de sucos.

[00:30:57] Pois é.

[00:30:58] Que era só uma coisa politicamente correta pra cinco da tarde, adolescentes, mas adolescentes

[00:31:03] na minha época era bar mesmo.

[00:31:06] Bar e cerveja barata.

[00:31:07] Era, era.

[00:31:08] Vamos se trazer a outro ponto, um pin nessa história.

[00:31:10] O que aconteceu com a cerveja barata do boteco?

[00:31:13] As pessoas não querem mais?

[00:31:15] É, então…

[00:31:16] A galera me julga muito, eu sou um conto-mas, vou botar aqui.

[00:31:20] Um brameiro?

[00:31:21] Não, um escolzeiro.

[00:31:22] Doro uma escola, fui criado assim, eu não gosto de Heineken, não quero beber Heineken,

[00:31:25] as pessoas me obrigam.

[00:31:26] A galera julga.

[00:31:27] É, mas aconteceu esse fenômeno e encareceu o preço do, no fim das contas, do líquido,

[00:31:31] né?

[00:31:32] O fenômeno da ipazinha da casa.

[00:31:36] Cerveja da casa.

[00:31:37] Cerveja da…

[00:31:38] É, enfim.

[00:31:39] E aí tem um outro ponto, né?

[00:31:41] Pode não ter a ver…

[00:31:42] Ah, em crises econômicas, as pessoas continuam saindo, as pessoas continuam tendo algum

[00:31:46] tipo de libido social, como a gente tá falando, libido coletivo aqui, porém, de fato, programação

[00:31:52] num bar é, a cerveja tá cara, o álcool tá…

[00:31:56] E beleza estar caro, porque eu sei que também tem um plano de…

[00:32:00] As pessoas precisam beber menos, então ele precisa ser um pouco mais caro, então isso

[00:32:04] inibe mesmo.

[00:32:05] Por que eu vou ao bar se na rua, né, no ambulante, na deguinha, no mercadinho que

[00:32:12] tem ali, vende mais barato, eu pego, sento na praça e fico, é que, justamente, esse

[00:32:18] rolê de se fazer isso tem um limite de horário.

[00:32:21] Sim, exato.

[00:32:22] E não é seguro se você ficar sozinho numa praça com uma lata de Heineken, eu descolgo.

[00:32:28] Eu pôo um cartaz assim, né?

[00:32:30] E entramos, justamente, nesse capítulo.

[00:32:33] Tem um componente dessa coisa toda que é a segurança pública, não tem como não falar

[00:32:37] disso.

[00:32:38] Exato, vamos ter que falar disso.

[00:32:39] É, não tem como não falar disso.

[00:32:40] É, porque é isso?

[00:32:41] Eu achei que eu ia morrer aqui na porta, literalmente, eu tava aqui esperando…

[00:32:44] Era uma rua meio-unedma, né?

[00:32:45] Exato, nós estamos numa rua de muito família, assim, sabe, tudo muito tranquilo.

[00:32:48] É uma rua residencial.

[00:32:49] Nossa, se passa uma moto eu corro.

[00:32:51] Então, passou duas motos, dois caras numa moto.

[00:32:54] Dois caras em duas motos.

[00:32:55] Em duas motos, eles tavam aqui na porta, pá, e eu falei, nossa, que coisa, né, vem gravar

[00:33:00] o podcast e não vou poder gravar que eu vou estar morrendo.

[00:33:03] Vou estar com a faca no meu baço.

[00:33:04] Vou estar ocupado morrendo.

[00:33:05] E é um lance, né?

[00:33:06] As pessoas…

[00:33:07] Tipo, é assim, nesse momento, assim, nesse momento que passaram as duas pessoas de moto,

[00:33:10] que era o entregador, eles tavam com coisas de entrega, pizza e tal, eu realmente achei

[00:33:13] que eles iam me assaltar, tipo, ninguém é provado contrário, até eles irem embora,

[00:33:16] assim.

[00:33:17] E aí, imagina, imagina as mulheres na rua, quer dizer, tipo, eu saio com muito medo

[00:33:20] de ser assaltado, de ser preso, de me plantarem um flagrante, sabe, quer dizer.

[00:33:25] E tem isso também, né, plantar flagrante, né, essa coisa toda e…

[00:33:29] O famoso rodar, né?

[00:33:30] Exato.

[00:33:31] Pra ser mulher também e sair na noite, tem muitas questões, gente, muitas.

[00:33:36] Não dá.

[00:33:37] Simplesmente, vamos ser sinceros, não dá pra uma mina sair sozinha à noite.

[00:33:39] Não, não é uma…

[00:33:40] Não dá.

[00:33:41] Se ela for, ela é muito corajosa e, assim, ela tá aberta a riscos muito grandes.

[00:33:47] A gente tá vendo situações em que mulheres não estão podendo andar de Uber direito

[00:33:51] porque são jogadas no meio da rua.

[00:33:52] Cara, essa história realmente…

[00:33:54] É absurdo.

[00:33:55] Pega muito.

[00:33:56] Quanto mais a gente facilita, quanto mais a gente dá ferramentas pra gente poder sair,

[00:34:00] né, mais a gente dá ferramentas pras pessoas que querem prejudicar as coisas que também

[00:34:05] saírem.

[00:34:06] Pois é.

[00:34:07] É mais coisa solta.

[00:34:08] Até mesmo, eu viajei pra fora pela primeira vez e eu fui sozinha.

[00:34:11] Eu tava num bar à noite, só que assim, eu sabia que eu precisava voltar logo porque eu

[00:34:15] falei, eu tô num país que eu não conheço, tô sozinha, eu não falo a língua e aí,

[00:34:19] no momento que eu tava no bar, bebei no último copo de cerveja ali, né, enfim, um pouco

[00:34:24] mais tarde, rolou uma briga no bar.

[00:34:26] Vou morrer.

[00:34:27] Vocês começaram a se socar.

[00:34:28] Aí, o que é assim?

[00:34:29] Vou morrer, vou morrer.

[00:34:30] De alguma forma, eu vou morrer.

[00:34:31] É isso, gente.

[00:34:32] Vai secar, eu vou mandar o meu corpo pro Brasil, então pode jogar aqui, tá bom.

[00:34:34] Vai ter que ter hack mesmo.

[00:34:35] Não, e aí você tá lá tomando o seu Negroni, que eu já sei que você gosta, tô esplanando

[00:34:38] aqui, e aí pá, eu vou chegar pra você, não te conheço, falar, nossa, eu adoro o Negroni

[00:34:42] também, você vai falar, o quê?

[00:34:43] Você vai olhar pra mim assim…

[00:34:44] Tarado.

[00:34:45] Eu vou colocar a mão em cima do copo e não vou beber nunca mais.

[00:34:48] Doze em dez chances de eu ser mesmo tarado.

[00:34:51] Não sou, viu, gente, mas de eu ser mesmo tarado, tipo…

[00:34:53] Eu acho que dentro desses pontos tá faltando, realmente, aquela coisa da gente entrar aqui

[00:34:56] e começar a apontar uns culpáveis, porque tem resultados práticos, essa coisa, de tudo

[00:35:00] que a gente tá comentando aqui, né, o número cruel dessa pandemia é, né, a gente fala

[00:35:05] em porcentagem, não, mas eu gosto de usar a fração, porque ela choca, um terço de

[00:35:09] bares e restaurantes fecharam.

[00:35:11] E não é São Paulo, é uma coisa que acontece com a Taís, a gente pegou também dados

[00:35:15] de Londres.

[00:35:16] Conta pra gente.

[00:35:17] Eu queria pesquisar se era algo isolado, assim, se era relacionado à nossa geração

[00:35:23] ou alguma questão socioeconômica, e eu vi que no Reino Unido também um terço dos

[00:35:29] clubes ou barcos que existiam em junho de 2020 fecharam.

[00:35:35] E aí depois é o mesmo número de bares em São Paulo, aproximadamente.

[00:35:39] Exato, como a gente não separa baladas dos bares, aqui o número veio todo junto bares,

[00:35:46] e inclui também as baladas.

[00:35:47] Um terço de bares, é muita coisa.

[00:35:49] É muita coisa.

[00:35:50] E eu acho que as questões são bem parecidas, tem uma questão do público tá mais em casa

[00:35:55] mesmo, mas também tem o aumento de gastos por conta de uma escalada da inflação que

[00:36:01] eles vivem, que a gente também já se acostumou há muito tempo, mas lá tem um custo energético

[00:36:07] muito maior, e também a gentrificação, porque imóveis de luxo começam a abrir

[00:36:13] em bairros boêmios e residenciais, e aí tá fazendo muito barulho, isso aqui prejudica

[00:36:20] e tal.

[00:36:21] E eu lembrei de moradores de lugares, é um lance que existe em muitas casas.

[00:36:25] Exato, o teu exemplo, Iago, foi ótimo pra lembrar do seguinte, eu sempre procurei morar

[00:36:30] em lugares movimentados, em lugares centrais, em lugares com vida noturna, porque o movimento

[00:36:36] torna a rua mais segura, o movimento constante, o fluxo de pessoas, a loja, o bar aberto até

[00:36:43] duas da manhã, a loja aberta até meia-noite, isso traz luz, traz movimento, traz segurança

[00:36:50] do que uma rua totalmente ema, e se você observar o que tá acontecendo agora em Pinheiros,

[00:36:55] por exemplo, Vila Madalena, que era outro núcleo boêmio de São Paulo, sei lá, os

[00:37:01] bares estão sendo vendidos, os imóveis onde funcionavam, lugares seculares, ou tão virando

[00:37:09] o Miami Towers.

[00:37:11] E existe realmente esse ponto, agora tem uma, como toda a cidade vai ter, tem regiões que

[00:37:17] elas já estão, vamos dizer assim, construídas, então você já tem o estabelecimento ali

[00:37:22] de vida, e geralmente essas regiões são as mais centrais, aqui no caso de São Paulo,

[00:37:26] o centro, por exemplo, não tem esse espaço, a não ser o que eles estão querendo fazer,

[00:37:31] aí papo pra outros programas, né, toda a especulação em cima da Cracolândia e tudo

[00:37:35] mais.

[00:37:37] Mas assim, pra gente poder ir de uma maneira muito mais simples aqui, claro que esse tipo

[00:37:41] de receita, gente, fecham bares, fecham restaurantes, é menos gente empregada no setor, é menos

[00:37:47] dinheiro circulando e as pessoas gastando, não deixando o dinheiro aqui na economia

[00:37:52] local, porque quando você se dispõe a gastar uma grana na noite, o dinheiro fica aqui,

[00:37:57] circula, se paga o restaurante, paga todos os funcionários que continuam consumindo

[00:38:02] aqui, o dinheiro não vai pra nenhum outro estado, o dinheiro não vai pra nenhum outro

[00:38:06] país, né, quando você faz uma comprinha, tipo, você troca seu bar por uma comprinha,

[00:38:10] né, num site, o dinheiro não tá circulando na economia daqui.

[00:38:15] Quem bebe faz o PIB, né?

[00:38:16] O negócio é isso.

[00:38:17] É isso, no fim das coisas é isso, quem bebe faz o PIB.

[00:38:19] E aí o ponto é, existe, como que é legal a gente poder concluir, talvez não seja

[00:38:23] coisa da nossa cabeça, né, Yara?

[00:38:24] É, a gente não tá maluco sozinho.

[00:38:26] Tem um programa que obviamente nasceu ali já um pouquinho antes da pandemia, com um determinado

[00:38:31] programa municipal, aqui no caso da cidade de São Paulo, que era pra fomento da vida

[00:38:37] noturna, pra justamente falar, olha, o centro, né, tem esse perfil, ele tem moradores que

[00:38:43] querem esse movimento, ou, de repente, não na porta de casa, mas querem ali por perto

[00:38:48] que exista movimento, as pessoas gostariam de frequentar se houvesse opção, então,

[00:38:53] vamos fazer, vamos criar esse fomento, eu olhei e falei, poxa, que legal, eu acho que seria

[00:38:57] justamente a resposta que a gente precisaria, e aí eu fui ver o que eles estão fazendo

[00:39:03] aqui de ativações, eles fizeram aqui o festival de natal, Luzes, que é muito menor do que

[00:39:10] já foi, sabe, o festival de natal, que é um mega show, que diminuiu, a minha curiosidade

[00:39:14] foi assim, existia um grande evento que chegou a virar o terceiro evento turístico da cidade,

[00:39:20] que era a virada cultural, que mataram, aniquilaram, transformaram em outra coisa.

[00:39:25] Mataram literalmente, tá, porque, assim, antes da destruição da virada cultural,

[00:39:29] a destruição cultural da virada cultural, teve a virada, as viradas Walking Dead, assim,

[00:39:33] que era, que você ia, meu, você via barbaridades, atrocidades na rua, gente, sem, era uma pessoa

[00:39:39] que ia apanhar com o skate, a pessoa apanhar com o skate, tipo, o skate foi a arma que

[00:39:43] foi usada contra a pessoa.

[00:39:44] Tudo pode ser arma se você quiser.

[00:39:46] Enfim, então, mas, assim, matou-se essa coisa de, ah, ele tem um grande momento que boa

[00:39:51] parte, todo mundo ia congregar num mesmo lugar ali em comum, a noite, que era o caso

[00:39:57] desse evento.

[00:39:58] Mas, beleza, vamos ver se outras coisas podem acontecer.

[00:40:00] Aí teve esse festival de natal com luz, um festival do café no triângulo.

[00:40:04] Quem é Triângulo?

[00:40:05] Sei lá.

[00:40:06] Ele tá na sala com a gente?

[00:40:07] Não, não.

[00:40:08] O vai de roteiro que são caminhadas, tipo, o walking tour, assim, né, aquele tour,

[00:40:14] guia turístico que vai andando e falando, ah, essas coisas, que obviamente acontecem

[00:40:17] durante o dia.

[00:40:18] Durante o dia.

[00:40:19] E pra mim, olha, isso tá dentro do, vou repetir, tudo isso dentro do programa de fomento a

[00:40:24] vida noturna da cidade.

[00:40:26] Então, já falamos aqui de walking tour, que é do dia, o café, o festival de luz,

[00:40:31] que é só no natal, e final, pra coroar, corridas de rua.

[00:40:35] Que é uma coisa que acontece de manhã, o pessoal saudável vai correr sete da manhã.

[00:40:38] Mas é uma sessão de noite e é meio que um rolê, né, tipo, a galera vai, a galera

[00:40:43] festeja essa corrida de rua, se você for, bô, bacana pra ser, assim, porque o pessoal

[00:40:47] se diverte muito, eles começam a gritar, cantar musiquinha, de noite, correndo pela

[00:40:51] paulista, a galera da bike também, da bike que eu já vi, da bike que eu já vi, uniformezinho

[00:40:55] tal, pá, e aí é isso, assim, essa é a questão, quando a gente fala de não destroçar

[00:41:00] a libido coletivo, né, tipo, cara, vocês precisam todo mundo ir pro bar, eu adoraria,

[00:41:04] mas eu não gosto muito de vocês, não precisa de que vocês todos vão.

[00:41:06] Se seu rolê é correr de noite com uma galera, bacana, assim, mas não exclua o outro, não

[00:41:10] exclua, e minha questão é, mas faz, minha questão é só, tipo, pessoas que estão

[00:41:14] em casa, tá difícil tirar pessoas de casa, pessoas querem sair de casa, tipo, como é

[00:41:17] que a gente não consegue fazer esse meta acontecer?

[00:41:18] É, e acho que esse é o ponto que fica mesmo, porque eu não tenho, assim, não tô vendo

[00:41:23] saída, sabe, do mesmo ponto que, pô, como é que a gente fazia antigamente, então,

[00:41:27] foi o caso que você acabou de citar de Santa Cecília, aí, que eu passei pela mesma coisa,

[00:41:31] mas o ano do senhor era 2016, a gente formou um grupo lá de gente que, nossa, nós somos

[00:41:37] notívagos, nós estamos na flor da idade, a gente, de repente, tem uma outra libida

[00:41:42] ali, que não é a coletiva social que a gente gostaria de estar gastando aqui, e beleza,

[00:41:47] formou-se ali uma congregação que se encontrava em bares, e rolou durante um bom tempo, rolou

[00:41:53] ali num contexto de muitas pessoas se conheceram por ali, foi um momento alegre, foi um momento

[00:41:58] interessante, mas não tem mais esse lugar, assim, porque eu fico pensando assim, bom,

[00:42:03] beleza, vou juntar a galera no Facebook, né?

[00:42:05] Exato, tipo, hoje eu não saberia fazer.

[00:42:07] No Instagram, tipo, peraí, vamos formar um grupo, sei lá, um grupo de transmissão,

[00:42:11] eu vou…

[00:42:12] Pra você ver como o Orkut foi visionário, né?

[00:42:15] Visionário, visionário.

[00:42:16] Que mais?

[00:42:17] A comunidade do Orkut era…

[00:42:18] Era o lugar pra conhecer pessoas na minha época.

[00:42:20] Era a rede social de verdade, né?

[00:42:22] Tanto é que a minha amiga conseguiu fazer isso na Santa Cecília, porque a Santa Cecília

[00:42:25] tem um grupo de Facebook historicamente famoso, que é o Cecília Ziboarques, onde o que não

[00:42:29] tem lá em moradores de Santa Cecília, tá todo mundo lá, e aí tem barraco, tem confusão,

[00:42:33] tem memes, e aí tem uma galera já boa e foi bom pra montar uma base, porque se eu

[00:42:37] quiser fazer um…

[00:42:38] Tem lá um Bixigas e Belavistas, né?

[00:42:39] Tem, tem.

[00:42:40] Mas não…

[00:42:41] Não, é peste.

[00:42:42] Não tá rolando, não.

[00:42:43] Se você é DM, tem que movimentar.

[00:42:44] Então, assim, eu não conseguiria nem começar esse negócio, vou, sei lá, entrar no Grindr

[00:42:47] e chamar uma galera pra entrar.

[00:42:48] Que, de repente, pode ser uma indicação, as pessoas estão se mudando de lá, estão

[00:42:50] se mudando pra lá.

[00:42:51] Pode ser.

[00:42:52] Não, não, as pessoas estão se mudando o tempo inteiro.

[00:42:53] Elas estão se mudando toda hora, porque é isso, contrasse o aluguel de um ano, aí

[00:42:57] o prédio vai ser demolido, porque vai virar um oixo.

[00:43:00] E vai virar Airbnb e tal, aí você vai pra moca, aí da moca você vai pular pro…

[00:43:03] Sabe?

[00:43:04] Que nem gado, você não se enraíza mais no lugar.

[00:43:06] É difícil você fazer uma cena de boemia que dure muito tempo por conta disso, porque…

[00:43:09] Não são as mesmas pessoas.

[00:43:10] Não são as mesmas pessoas.

[00:43:11] É uma repatividade enorme.

[00:43:13] E é engraçado.

[00:43:14] O eixo não fica mais mesmo.

[00:43:15] Porque nessas reportagens de retomada, por exemplo, você vê histórias de bares históricos

[00:43:19] ou muito antigos da cidade e tal, que querem justamente…

[00:43:23] Olha, eu prefiro sair lá da rua onde eu tava, porque ela virou uma outra coisa, porque

[00:43:28] ela tá com um outro movimento, porque ela morre mais cedo, pra ir pra um lugar onde

[00:43:32] vai o meu habituê, um cara que é mais velho, que, sabe, tá acostumado…

[00:43:37] Às vezes até mais velho, é bem mais velho, né, já tá entrando ali, de repente, na

[00:43:41] melhor idade e tal, mas que, ó, tem um perfil de consumo, tem um perfil de…

[00:43:46] Que banca a casa.

[00:43:47] E eles falam que, ó, mesmo pra quem era habituê, pra quem falava, olha, ficaram até duas,

[00:43:52] três da manhã, né, fazendo esse tipo de atividade, não, agora todo mundo realmente

[00:43:55] O famoso para às onze, vai embora, e é isso, assim.

[00:44:00] E é uma…

[00:44:01] Eu não sei, assim, eu não quero só parecer saudosista e ser aquela coisa de…

[00:44:07] Ah, mas você é um bêbado enverterado, você é um cara que só quer…

[00:44:11] Só tá pensando…

[00:44:12] Não, olha, era realmente divertido, assim.

[00:44:15] Tinha uma…

[00:44:16] Tinha uma mágica.

[00:44:17] A noite tem toda uma magia que traz diversão, que traz entretenimento, traz histórias novas,

[00:44:23] traz inspiração pra fazer coisas durante o dia com alguma coisa que você ouviu ali,

[00:44:28] né.

[00:44:29] E, de repente, a falta desse lugar pra estarmos, né, tá realmente batendo.

[00:44:33] E não é que…

[00:44:34] Pô, não é isso, ó, não tem mais bares…

[00:44:36] Tem, tem.

[00:44:37] Mas vou trazer outra coisa aqui que eu acho que nós estamos no quarto episódio, eu vou

[00:44:42] falar pela quarta vez.

[00:44:43] Consistência de marca, é bom, vai acabar, hein.

[00:44:50] Tem um problema de a gente não estar mais se organizando como coletivos e criando comunidades.

[00:44:57] Tá pensando muito só no…

[00:44:58] No isolado, no nosso.

[00:45:00] Eu acho que a gente tá ficando bobo.

[00:45:03] Também.

[00:45:04] Bacana.

[00:45:05] O ser humano brasileiro médio tá ficando bobo.

[00:45:08] Mas a gente tá ficando sozinho também, isso que eu tenho essa sensação, que a gente

[00:45:12] tá tão focado em nós mesmos, focados nisso, de ter uma saúde em dia, da casa funcionar,

[00:45:18] da planta tá molhada.

[00:45:19] E isso tá afetando a nossa cabeça, a gente vai lá tentar resolver em terapia, bota…

[00:45:23] Mas eu tava ouvindo vocês e tava lembrando do carnaval, tipo, o carnaval cada vez mais

[00:45:29] virando uma grande catarse coletiva, né.

[00:45:32] Pois é.

[00:45:33] E foi.

[00:45:34] Exato.

[00:45:35] E foi.

[00:45:36] E foi, foi.

[00:45:37] E eu justamente esperava que aquilo…

[00:45:38] Foi o ponto alto desse ano, eu acho.

[00:45:39] É, então, eu justamente esperava que…

[00:45:40] Que fosse se manter.

[00:45:41] Que aquele espírito do carnaval…

[00:45:42] Que a galera ia falar, pô, agora sim, vamos sair.

[00:45:45] É isso, olha, lembra como era a ponta na rua?

[00:45:47] Não, e eu acho que o valor do carnaval é abraçar o aleatório, né.

[00:45:52] É tipo, meu, vou sair…

[00:45:54] Ah, tem um bloquinho ali que vai…

[00:45:57] Nunca fui, sei lá, naquele pedaço da Vila Leopoldina.

[00:46:00] Vamos ver o que acontece.

[00:46:01] Porra, que legal.

[00:46:02] Eu conheci lugares que eu não conhecia no carnaval, só de sair da rua.

[00:46:07] Pelo amor de Deus.

[00:46:08] Não.

[00:46:09] Então, vocês não acham que é um problema coletivo, assim, de a gente não se juntar

[00:46:12] mais como bandos?

[00:46:14] Eu acho que a gente tá cada vez mais disincentivo, tipo, que hora do nosso dia que a gente conhece

[00:46:19] pessoas, convive com pessoas, se não seja do nosso trabalho, assim.

[00:46:22] Assim, não quero defender o lobby pelo fim do home office, mas acho que a maioria das

[00:46:28] pessoas pelo menos tem a rotina delas muito atrelada ao trabalho, e a rotina do trabalho

[00:46:34] passou por uma quebra muito grande, né, agora você não encontra as mesmas pessoas todos

[00:46:39] os dias.

[00:46:41] E no fim, a extensão dessa rotina, que talvez era o happy hour, o barzinho, que virava o

[00:46:47] after e por aí vai, acabou quebrado.

[00:46:50] É, e tem uma coisa, quando a gente foi falar justamente dessa pauta de microapartamento

[00:46:53] lá no Braincast, acho que eu nem cheguei a falar no ar, mas eu fiquei com a vontade

[00:46:56] de, não querendo defender igrejas também, mas eu sou religioso e eu tenho que ficar

[00:47:02] constantemente indo no meu terreiro, meu terreiro é uma comunidade fechada, mas enfim, consistente,

[00:47:06] tem ali uma galera, putz, que é uma galera que eu não conheceria fora daquele ambiente

[00:47:09] ali, passo dias lá dentro, muitas vezes vou agora no feriado ficar o feriado inteiro

[00:47:13] lá dentro, às vezes passo 15 dias lá e tal, existe, o que eu quero dizer, ali eu tenho

[00:47:17] uma vida paralela, que é uma vida coletiva, porque ali, quando eu estou lá, é o que

[00:47:22] eu falei, às vezes eu passo 15 dias lá dentro, então eu moro com aquelas pessoas, a gente

[00:47:25] divide comida, a gente faz comida para todos, não tô falando pra todo mundo virar hippie

[00:47:28] e fazer acampamentos, mas é assim, tipo, se você tá na sua casa e tá pensando, putz,

[00:47:35] eu queria me conectar, sabe, como se eu fosse um átomo, me conectar com as moléculas lá,

[00:47:40] os elétrons, cara, procure, não necessariamente uma religião, porque isso costuma dar muito

[00:47:45] errado quando a pessoa vai aleatório assim, pense um pouco, não estamos incentivando

[00:47:50] a religião, de forma alguma, mas procure uma comunidade, nem que seja assim, os corredores

[00:47:55] lá da paulista, que é uma galera bem animada, viu, mas assim, como tá centrado muito no

[00:47:59] indivíduo, talvez esse passo vai ter que ser dado de uma forma individual também,

[00:48:03] vou me filiar a um grupo, eu percebo muito que os podcasts, por exemplo, agora menos,

[00:48:07] passou bom os podcasts, mas o podcast virou a banda, né, durante uma época, que era tipo,

[00:48:11] um jeito de eu reunir minha galera, a gente sentar e gravar, a gente vai ter conversa, uma conversa…

[00:48:15] Veja o que era aquele momento ecumênico, né, de gravar Brinquest, no nosso caso também a gente

[00:48:22] falava muito disso do Mupoca, pois existia um momento ecumênico de estarmos juntos ali,

[00:48:26] e era muito bom, porque era aquele momento semanal de nos vermos.

[00:48:30] O que matou um pouco o Mupoca, a gente comentou isso no zero, foi isso, acabou esse encontro antes,

[00:48:36] onde a gente desopilava, primeiro falava um pouco de vida pessoal, depois tentava organizar uma pauta,

[00:48:41] e finalmente… E honestamente, eu acho que Brinquest só não tomou o mesmo caminho, porque de fato,

[00:48:46] né, ele… Teve mais disciplina. Não só mais disciplina, mas também tem aquela questão comercial mesmo.

[00:48:53] Tem um CNPJ ali, né? Tem um CNPJ ali, no fim das contas, tem essa pressão. Um carrasco. A gente não tem.

[00:48:57] No nosso caso aqui, a gente tá ganhando dinheiro pra… Tá sem avarar esse podcast aqui. Aproveite.

[00:49:01] Não, é, mas é que tem um negócio que é, por exemplo… Vai haver um OXO nesse podcast.

[00:49:04] É, é… E é maravilhoso, né? A gente roda uma temporada inteira pra ver se esse podcast virou um OXO.

[00:49:12] É isso. No fim das contas é tudo OXO, né? No fim das contas é isso, olha.

[00:49:19] A gente tá aqui em proteger, a gente tá falando é culpa… A gente tem que ser mais coletivo,

[00:49:24] do capitalismo, blá, blá, blá, blá. Viramos OXO. Será que alguém já se conheceu num OXO?

[00:49:29] É, algo pra se perguntar, viu? Se você… Escreve pra gente. No próximo episódio… Histórias de OXO.

[00:49:36] Tá, a gente… Um caminho pra finalizar? Pra finalizar. Mas vamos lá.

[00:49:39] Eu tenho uma pergunta pra você. Tá bom. E a galera que foi boêmia com você,

[00:49:44] ou que você conheceu naquele circuito de noite, o que foi feio desse povo? Todo mundo casou e foi…

[00:49:48] É, projeto família, projeto… Agora eles vão em festinha de criança.

[00:49:51] Tem festa de criança, tem só a galera que, se não teve filhos, tem o projeto casamento mesmo, né?

[00:49:58] Uma coisa… Ah, agora tem uma vida a dois, uma outra relação. E tem as pessoas que simplesmente

[00:50:04] se trancaram em casa. Conheço… Tem uns seres humanos que não socializam mais, assim, saem.

[00:50:09] Uma vez por mês é super programado. Uma coisa… Ó, hoje é o dia do…

[00:50:14] Um Vali Night. Não, nem um Vali Night. Essa pessoa que eu tô pensando, inclusive,

[00:50:18] é um cara solteiro. Mas uma vez por mês, é meio assim, hoje o monstrão saiu da jala.

[00:50:25] Ah, tá. É o dia do… Desopilar.

[00:50:27] É. Mas ele faz isso uma vez por mês. É, porque é isso assim também, né? Tipo,

[00:50:30] pra maioria das pessoas, esse momento, essa efervescência passa. E, às vezes,

[00:50:33] vai passar com 25 anos. Pra nós, vai passar um pouquinho depois e, tipo, beleza.

[00:50:38] Eu concordo que passa mesmo. Tanto é que, assim, uma das coisas que eu discuti muito nesse programa,

[00:50:42] será que a coisa da minha cabeça tá rolando? Porque passa, mas teriam que chegar as novas.

[00:50:47] E aí, as novas não tão vindo, né? É, e assim, não, não. É, exato, né? Então,

[00:50:50] tô vendo que as pessoas… Tá rolando uma passada de bastão.

[00:50:53] É, o dado é, as pessoas estão bebendo menos, os bares estão fechando. Então,

[00:50:56] eu falei, talvez não seja coisa da minha cabeça. Não, tudo vira hamburgueria mesmo.

[00:50:59] É, tudo virando temaqueria, hamburgueria, sorveteria de franquia, mercado de franquia.

[00:51:06] Mas, assim, acho que um dos pontos que… Acho que eu quis mesmo, né, pra trazer,

[00:51:11] né, essa discussão. Mas realmente, chegou um momento, assim, que… É, tinha que estar

[00:51:16] acontecendo alguma coisa parecida ou com uma outra geração. E eu tô vendo que

[00:51:21] não é necessariamente uma verdade, assim. Não.

[00:51:23] São muitos dos lugares que existem, que estão sendo frequentados por pessoas mais novas, tal.

[00:51:28] Já existiam. Sim.

[00:51:29] São os mesmos lugares, assim. Aí, nesses lugares,

[00:51:31] você vê que eles estão um pouco mais vazios, um pouco mais… É sempre uma coisa de…

[00:51:35] Tem alguma outra coisa acontecendo que eu ainda não entendi bem.

[00:51:39] Eu tava discutindo antes, pra encerrar mesmo essa história,

[00:51:42] e a gente poder partir justamente pros momentos finais.

[00:51:45] É, eu tava discutindo essa pauta com o Gil Valauer.

[00:51:47] Falei ao Gil, ó, a gente tá com essa ideia de discutir aquela…

[00:51:49] Justamente aquela frase do Iaguinho, tal, não sei o que lá, tal.

[00:51:52] E a Suda, você toma cuidado, assim, porque tem…

[00:51:55] Eu estou ouvindo relatos de gente que tá vivendo a vida com 40 mais, assim…

[00:52:00] Roletando.

[00:52:01] É, roletando. Eu falei, então, tem. Eu entendo que tenha.

[00:52:04] Mas houve uma mudança de perfil, assim. E pra quem era notívago,

[00:52:08] quem gostava de noite, essa mudança de perfil das coisas acontecendo,

[00:52:12] que são mais diurnas, mais ao ar livre, mais saudáveis, por assim dizer,

[00:52:17] é bastante diferente.

[00:52:18] E mudança de relação, né?

[00:52:19] É.

[00:52:20] Forma com que você se relaciona com a noite, assim.

[00:52:22] Sim.

[00:52:22] Tipo, é isso, o carnaval, você vai lá, e o carnaval também é muito mega, né?

[00:52:25] Eu preciso muito, nossa, me acabar inteiro, rasgar minha roupa na praça pública, tipo…

[00:52:28] Aí depois dá aquilo e fala, beleza, até o ano que vem.

[00:52:31] É, exato. Vou me recolher, vou…

[00:52:33] Um ano bem cristão.

[00:52:34] Vou ficar quietinho em casa, jogando Crash Bandicoot.

[00:52:37] Isso.

[00:52:38] Enfim, que é a questão de você se relacionar com as coisas de fato, né?

[00:52:40] Tipo, você não só consumir, e beleza, a gente vive na era do consumo,

[00:52:43] então a gente vai lá e consome as coisas, a gente não se apega a elas,

[00:52:47] porque também é isso, não dá pra se apegar ao garçom,

[00:52:48] porque o bar vai fechar, enfim, não vai ficar ali muito tempo,

[00:52:51] as pessoas vão embora, tudo que a gente colocou aqui,

[00:52:54] que não tem verdade absoluta mesmo, acho que quem sai de…

[00:52:57] A ideia de Alvissareiro foi discutir coisas.

[00:52:59] Inquietações.

[00:53:00] Inquietações. E foi muito legal te trazer, porque eu falei,

[00:53:03] o Iago não vive a mesma realidade que a minha.

[00:53:05] Iago não é menino da classe média alta, branco…

[00:53:09] Eu tô colocando entre aspas, porque eu não…

[00:53:11] Tenho que sempre fazer esse parênteses, que não sou exatamente branco,

[00:53:13] mas, enfim, conto como para efeitos que a gente conhece muito bem da nossa sociedade,

[00:53:19] então a sua vivência com certeza vai ser diferente,

[00:53:20] você é mais novo do que eu e você vem de um outro lugar.

[00:53:23] E aí, aquele momento que a gente conversou primeiro,

[00:53:25] a gente tá sentindo a mesma coisa.

[00:53:27] Sim, é isso, tipo…

[00:53:28] Então, cara, então tem… Então, de repente, não é mesmo conosco,

[00:53:32] não é uma… Pode ser uma coisa que seja maior.

[00:53:34] Se você, ouvinte, achou, se identificou de alguma maneira com isso,

[00:53:37] não era notívago e falou, vocês estão falando besteira,

[00:53:40] mas se era e, de repente, tá falando, não, é, algo mudou mesmo.

[00:53:43] Estamos aí nas redes sociais para, justamente,

[00:53:46] debatermos mais um pouco desse assunto.

[00:53:48] De repente, vai continuar sendo uma inquietação.

[00:53:50] Eu cheguei a fazer uma pergunta aberta, assim, do tipo,

[00:53:52] tem alguém, assim, em academia, estudando legal

[00:53:55] esse rescal do que aconteceu com a noite nesse momento

[00:53:58] que a gente tá vivendo pós pandemia, novo normal, etc, etc, etc,

[00:54:01] porque as coisas mudaram.

[00:54:03] De repente, daqui uns anos vão surgir, vai surgir alguma coisa

[00:54:07] que explique melhor esse momento que a gente tá vivendo

[00:54:10] e o que a gente tá sentindo.

[00:54:12] Mas, de repente, venha corroborando com mais dados,

[00:54:14] com uma base mais comportamental.

[00:54:16] Eu acho que a gente já conseguiu ter,

[00:54:18] nesses poucos programas que a gente gravou,

[00:54:20] uma base para entender que muita coisa realmente tá acontecendo.

[00:54:24] O programa que a gente fez com o Doni,

[00:54:26] quando a gente foi brincar sobre terapia em dia,

[00:54:29] muita coisa ali ficou evidente,

[00:54:30] que tá se passando na cabeça das pessoas.

[00:54:32] Quando a gente fez o programa com o Cris,

[00:54:33] a gente falou da questão do que tá acontecendo com os minentes,

[00:54:36] com o pessoal mais ou menos da minha idade.

[00:54:38] E que tem muito a ver com isso.

[00:54:39] Tem muito a ver com isso.

[00:54:40] Porque é onde tá dando crash aqui, né?

[00:54:41] É, exatamente.

[00:54:42] E, claro, quando a gente falou da questão de trabalho

[00:54:44] em Niquedim também ali, a gente também permeou tudo isso.

[00:54:47] Então, assim, essas coisas, cara, ouvintes,

[00:54:49] estão realmente interligadas, estão muito interligadas.

[00:54:52] Só tem uma pauta esse programa, só na verdade.

[00:54:54] É, eu até fiz uma brincadeira.

[00:54:55] Capitalismo.

[00:54:56] No fim das contas, o vissareiro devia se chamar

[00:54:58] a culpa é do capitalismo.

[00:55:00] Nesse caso, a culpa é um pouco nossa também.

[00:55:02] Também.

[00:55:03] Também.

[00:55:07] Mas é isso, minha gente.

[00:55:09] Eu acho que foi uma discussão muito rica.

[00:55:10] Eu quero muito te agradecer pela presença, Iaguinho.

[00:55:12] Foi muito legal.

[00:55:13] Muito obrigado.

[00:55:14] A gente já tá indo pra quase uma hora e meia gravando.

[00:55:17] Veja só você, né?

[00:55:18] Então, obviamente, editado, eu sei que vai ficar ali na horinha.

[00:55:22] Todo mundo vai parecer muito mais inteligente do que de fato foi hoje.

[00:55:28] Mas foi um prazer mesmo ter você aqui.

[00:55:31] A gente te espera pras próximas, aí, numa próxima temporada,

[00:55:34] um próximo assunto.

[00:55:35] De repente, pra voltar a discutir esse assunto com mais dados.

[00:55:39] Ou gravar um ao vivo na noite também.

[00:55:41] Não, só se encontrar, né?

[00:55:43] É, então, se for só pro bardo do Wafter, pode ser…

[00:55:46] Tomar uma.

[00:55:46] Tomar uma, né?

[00:55:47] Ou ir na academia.

[00:55:49] Eu vou tentar me abrir.

[00:55:51] É isso.

[00:55:52] Tá com crédito lá, né?

[00:55:53] Todo.

[00:55:54] Tem uns seis meses lá.

[00:55:55] Do seu crédito.

[00:55:56] Jéssica Correia e Gabriel Prado,

[00:55:57] sempre um prazer inenarrável dividir este podcast com vocês.

[00:56:01] E também um prazer inenarrável estar com vocês,

[00:56:04] ouvintes de O Alviçareiro.

[00:56:07] Te encontramos daqui 15 dias num novo programa.

[00:56:10] Uma nova pauta inquietante como esta de hoje foi.

[00:56:14] Tchau.

[00:56:14] Um beijo.

[00:56:27] Acesse oalviçareiro.com.br pra links de O Alviçareiro

[00:56:32] nos mais diversos players de podcast do mercado.

[00:56:35] Links para o nosso Instagram e o nosso TikTok,

[00:56:38] onde a gente posta os famigerados cortes.

[00:56:40] E links para as redes sociais de todo mundo que participa desse podcast.

[00:56:44] Você ouviu Destrossando a Libido Coletiva,

[00:56:48] um programa muito especial que tivemos, né?

[00:56:51] A participação também especial de Iago Vinícius.

[00:56:54] Roteiro e apresentação de Luís Iassuda.

[00:56:56] Este que vos fala.

[00:56:57] Jéssica Correia e Gabriel Prado.

[00:56:59] A edição de Jéssica Correia.

[00:57:00] Captação de áudio e vídeo de Jefferson Rossini.

[00:57:03] E equipe do EditaCast.

[00:57:05] O Alviçareiro tem parceria na divulgação do B9.