Existir x Existir na Internet (participação especial: Gabi Barbosa)


Resumo

O episódio discute a relação entre existir na vida real e existir na internet, explorando como a necessidade de presença digital se tornou central para muitas pessoas. A conversa parte da experiência pessoal da convidada Gabi Barbosa, que começou a escrever blogs aos 11 anos como forma de lidar com a solidão no interior do Amapá, e como essa prática moldou sua identidade ao longo dos anos.

Os participantes refletem sobre como a internet evoluiu desde os primórdios dos blogs, quando as interações eram mais cuidadosas e baseadas em trocas genuínas, para o cenário atual onde a pressão por produzir conteúdo constante e a busca por visibilidade muitas vezes geram um sentimento de cansaço. Gabi compartilha sua jornada de influencer frustrada e cansada digital, destacando como a necessidade de estar sempre online pode confundir os limites entre a pessoa real e a persona digital.

São apresentadas pesquisas de tendências que indicam que a maioria das pessoas acredita que ter uma presença digital bem trabalhada é essencial para a carreira e até para a sensação de existir no mundo. Discute-se também a tendência do “protagonismo”, onde as pessoas preferem consumir conteúdos alinhados aos seus próprios interesses, em vez de interagir com outras, o que pode levar a uma internet menos conectiva e mais individualista.

A conversa também aborda a nostalgia de uma época em que a internet facilitava encontros reais e trocas significativas entre pessoas com interesses diversos, contrastando com a atual dinâmica de algoritmos que priorizam a personalização em detrimento da conexão humana. O episódio conclui refletindo sobre os desafios de equilibrar a vida online e offline em um mundo onde a existência parece cada vez mais atrelada à visibilidade digital.


Indicações

Pesquisas

  • Pesquisa do grupo Consumoteca — Mencionada no episódio, esta pesquisa de tendências aborda o comportamento online na América Latina, indicando que a maioria das pessoas acredita que é necessário estar presente e produzir conteúdo na internet para ter sucesso e até para sentir que existe.

Podcasts

  • Mamilos — Citado por Gabi Barbosa, o podcast Mamilos é mencionado pela famosa pergunta “quem é você na fila do pão?“. É um exemplo de conteúdo que reflete sobre identidade e sociedade.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Introdução e apresentação da convidada Gabi Barbosa — Os hosts apresentam o episódio e a convidada Gabi Barbosa, que se descreve como coordenadora de mídias sociais, ex-influencer frustrada e “cansada digital”. O tema central é anunciado: a dualidade entre existir e existir na internet, questionando se são a mesma coisa e se é possível separá-las.
  • 00:03:20Contexto do tema: a pressão para estar online — A discussão começa a partir de um programa anterior que mencionou a sensação de que, se você não está nas redes sociais, parece que não existe. São citadas pesquisas de tendências, como uma do grupo Consumoteca, que mostram que as pessoas sentem a necessidade de estar online e produzindo conteúdo para viver e se conectar, uma pressão que atinge não apenas influenciadores, mas qualquer pessoa “cronicamente online”.
  • 00:05:58A história de Gabi: blogs, solidão e identidade — Gabi Barbosa conta que começou a escrever em blogs aos 11 anos, morando no interior do Amapá, como forma de lidar com a solidão e expressar seus sentimentos. Ela descreve como a internet a ajudou a se reconhecer e a ampliar sua visão de mundo, conectando-se com pessoas de outros lugares. Aos poucos, essa prática se misturou profundamente com sua identidade, criando uma persona digital desde muito jovem.
  • 00:12:00A evolução da internet e a mudança nas interações — Os participantes relembram os primórdios da internet, quando criar um blog exigia editar HTML manualmente e as interações eram mais cuidadosas e baseadas em uma certa “etiqueta”. Contrastam essa época com o cenário atual, onde qualquer assunto pode atrair haters e a dinâmica das redes sociais é muito diferente. Gabi reflete sobre como o tom dos comentários e o formato do conteúdo foram mudando ao longo dos anos.
  • 00:16:49A profissionalização e a pressão por conteúdo — A conversa aborda como a produção de conteúdo para a internet se profissionalizou, exigindo muitas vezes equipes inteiras por trás de um influenciador, embora possa passar a impressão de que é um trabalho solitário. Discute-se a tendência de as pessoas se verem como uma marca e acreditarem que uma presença digital forte é crucial para a carreira e até para a sensação de existência.
  • 00:19:57A era do protagonismo e o individualismo online — São apresentados dados de pesquisas que mostram uma tendência chamada “era do protagonismo”, onde as pessoas preferem consumir conteúdos alinhados aos seus próprios interesses (via algoritmos) em vez de interagir com amigos ou descobrir coisas novas através dos outros. Exemplos como o Spotify Wrapped são citados como símbolos dessa cultura de personalização e exibição individual.
  • 00:22:00Nostalgia da internet conectiva e encontros reais — Os participantes expressam saudade de uma época em que a internet facilitava encontros reais e trocas genuínas entre pessoas com interesses diversos, como nos eventos de blogueiros em São Paulo no final dos anos 2000. Eles contrastam essa ânsia por conexão com a dinâmica atual, que parece mais focada no protagonismo individual e na existência como uma marca, o que pode levar ao cansaço digital.

Dados do Episódio

  • Podcast: O Alvissareiro
  • Autor: O Alvissareiro
  • Categoria: Society & Culture
  • Publicado: 2023-10-09T16:19:24Z
  • Duração: 00:59:41

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] E aí, moçada! Quer dizer, não tão moçada assim porque hoje estamos sem Gabriel Prado, né, Jéssica?

[00:00:28] Tristes sem a presença do nosso Gabrielzinho.

[00:00:31] Ah, pois vamos lá, né, as benesses do seletismo, né?

[00:00:35] Nossa, o selete é bom demais, né?

[00:00:36] É bom demais. O menino tá de férias, pode viajar o país todo, né?

[00:00:39] Pois é.

[00:00:40] Tá ali mandando fotos pra gente da vida rural que ele tá levando.

[00:00:43] Exatamente.

[00:00:44] Uma vida mais tranquila.

[00:00:45] Tudo que a gente queria.

[00:00:46] Exatamente. Uma casa no campo.

[00:00:48] E um cafezinho tirado na hora.

[00:00:50] Exatamente. Mas estamos aqui hoje, Jéssica e eu, recebendo uma convidada ilustre pra

[00:00:56] debater com a gente o tema de Alvissareiro de hoje, que é a Gabi Barbosa.

[00:01:00] Olá.

[00:01:01] Olá.

[00:01:02] Gostei do ilustre.

[00:01:03] É verdade.

[00:01:04] É sempre ilustre aqui. A gente sempre chama de ilustre e depois a gente pergunta pra

[00:01:09] pessoa…

[00:01:10] Por que você é ilustre?

[00:01:11] Por que, exatamente. Como diriam minhas amigonas do Mamilos, quem é você na fila do pão?

[00:01:16] É engraçado, é porque eu tô assim, tentando pensar nisso já pelo menos uns três, quatro

[00:01:21] dias e eu não consigo definir.

[00:01:23] Mas tudo bem, né?

[00:01:24] Aqui em São Paulo a gente se define primeiro pelo nosso emprego e depois pelo resto das

[00:01:28] outras coisas.

[00:01:29] É isso.

[00:01:30] Infelizmente.

[00:01:31] Mas eu sou a Gabi Barbosa, eu sou coordenadora de mídias sociais, mas já fui outras coisas,

[00:01:37] inclusive uma influencer frustrada e uma cansada digital, não é mesmo?

[00:01:44] Por que não?

[00:01:45] O termo é muito bom.

[00:01:46] O termo é maravilhoso.

[00:01:48] Tá no meu currículo, cansada digital.

[00:01:50] Mentira, não tá porque é meu trabalho, né?

[00:01:52] Então eu não posso nem falar isso.

[00:01:53] Não, mas não, mas é muito bom o termo, né?

[00:01:56] Influência cansada, influência frustrada e cansada digital.

[00:02:00] Por que o tema de hoje, meus amigos, é justamente a gente falar um pouquinho dessa dualidade

[00:02:05] entre existir e existir na internet.

[00:02:08] É a mesma coisa?

[00:02:09] Não é?

[00:02:10] Dá pra separar bem essas duas atividades?

[00:02:12] Vamos descobrir juntos neste programa.

[00:02:15] Mas antes, como eu sempre digo, neste programa temos dois breves recados, o primeiro deles,

[00:02:21] O Alvi Sareiro, é membro orgulhoso da família Benove de Podcasts.

[00:02:25] Você pode ouvir todos eles em benove.com.br barra podcast.

[00:02:30] São podcast para todos os gostos, cores, sabores e amores que você nutre nessa vida.

[00:02:36] Acesse já e ouça horas e horas de produção podcastica inédita nas interwebs.

[00:02:43] Este programa de O Alvi Sareiro está sendo gravado nos estúdios Voz da Vila Romana,

[00:02:49] em São Paulo.

[00:02:50] Para você conhecer um pouquinho mais e também tirar o seu projeto de podcast da gaveta,

[00:02:55] acesse instagram.com barra estúdios Voz para falar com toda a equipe e inundar o Instagram

[00:03:02] e o TikTok com os famigerados cortes.

[00:03:06] E sem mais delongas, Jéssica e Gabi, partiu pauta?

[00:03:10] Bora!

[00:03:11] Bora!

[00:03:20] Muito bem.

[00:03:21] É o seguinte, a gente gravou há algumas semanas um programa, né, que foi o nosso

[00:03:26] terceiro programa, com o Doni, um canalista fantástico, super, super das redes sociais,

[00:03:32] super do Twitter, assim.

[00:03:34] E uma das coisas que foi mencionada nesse programa que eu achei bastante interessante,

[00:03:39] que ele até brincou, daria outro programa.

[00:03:41] E deu.

[00:03:42] E deu.

[00:03:43] Corta para hoje.

[00:03:45] Quando ele mencionou a questão de que se a gente não está nas redes sociais, se a

[00:03:49] gente não está produzindo conteúdo, se a gente não está de alguma maneira conectado

[00:03:53] a tudo isso, parece que a gente não existe.

[00:03:55] E ele comentou isso.

[00:03:56] É uma coisa que tem aparecido em consultório de influencers ou não.

[00:04:00] E o lance todo é, como ele traz uma questão um pouquinho mais de algumas histórias que

[00:04:05] aparecem lá, poderia ser uma coisa que não fosse tão disseminada.

[00:04:08] Porém, essa coisa aparece em pesquisas.

[00:04:10] Então, algumas pesquisas de tendências, e eu trouxe uma que tive acesso assim muito

[00:04:15] recentemente, que é uma pesquisa do grupo Consumoteca.

[00:04:18] A gente mencionou num braincast para falar um pouquinho sobre o assunto.

[00:04:21] Mas é um tema que aparece muito em outras pesquisas de comportamento.

[00:04:26] Essa coisa realmente das pessoas precisarem estar online, precisarem estar produzindo

[00:04:31] coisas para viver.

[00:04:33] E é claro que isso vai trazer consequências óbvias para o que ela acha que é existir

[00:04:38] ou qual é a missão dela na vida, o sentido da vida, uma coisa super ampla.

[00:04:44] E não é só o influenciador digital, não é só o viciadinho e meme polêmico, é como

[00:04:48] eu, por exemplo.

[00:04:49] São as pessoas cronicamente online, né?

[00:04:51] É, exato.

[00:04:52] Parece que existe uma questão de que você precisa estar online para que as pessoas saibam

[00:04:57] que você existe e, portanto, você possa até se conectar com elas.

[00:05:01] E, quanto mais a gente lê sobre o assunto, parece que vai ficando pior.

[00:05:05] Há uma tendência a esse tipo de coisa piorar.

[00:05:08] A gente hoje não quer fazer um exercício de futurologia, a gente quer fazer um exercício

[00:05:12] de…

[00:05:13] Agorologia.

[00:05:14] Agorologia.

[00:05:16] Presentologia.

[00:05:17] Presentologia, enfim.

[00:05:19] A gente quer fazer um exercício de falar um pouquinho sobre esta questão de que se

[00:05:23] isso realmente pega ou não, partindo das nossas experiências bem pessoais, né?

[00:05:27] Então, a ideia é discutir se existir é igual a existir na internet ou se essas coisas

[00:05:33] realmente podem viver separadas, se a gente consegue existir sem estar conectado, se

[00:05:38] há esse mundo offline, ou, no caso, se ele é possível nessa toada atual que a gente

[00:05:43] está vivendo no dia de hoje.

[00:05:45] E para isso que a gente quis trazer uma convidada, que é justamente uma…

[00:05:49] Uma cansada digital, porém, uma ex-influencer, Gabi?

[00:05:54] Ou atual influencer?

[00:05:55] Me conta, como que está essa sua vida?

[00:05:58] Está passando por um processo de análise muito grande que, na verdade, é muitos anos, né?

[00:06:04] Vamos começar do começo.

[00:06:05] Como que você surgiu na internet?

[00:06:08] Como que você começou o uso da internet para se transformar em influencer?

[00:06:11] Eu acho que, assim como você, eu também surgi no começo da era de ouro que a gente

[00:06:18] viu nos blogs, né?

[00:06:20] Então, eu comecei a escrever em blog quando eu tinha uns 11 anos de idade.

[00:06:25] E era uma forma de eu…

[00:06:28] Ah, era uma forma de eu conseguir expressar o que eu tava vivendo, porque eu morava no

[00:06:33] Amapá nessa época.

[00:06:35] E eu me sentia muito solitária.

[00:06:37] Eu era uma pessoa que, assim, eu não morava na capital, eu morava no interior e tudo mais.

[00:06:42] Então, escrever era uma forma de eu tentar entender os meus sentimentos de criança de

[00:06:47] 11 anos de idade.

[00:06:49] E eu vi que no processo de escrever, eu também me conectava com outras pessoas.

[00:06:54] Então, eu me sentia menos sozinha.

[00:06:56] Então, foi um processo muito importante pra eu fazendo essa autoanálise de mim mesma

[00:07:01] como uma pessoa morando no interior do Amapá.

[00:07:06] Então, foi um processo, assim, de me reconhecer.

[00:07:10] Um processo de reconhecimento mesmo.

[00:07:12] Que aí, como eu comecei muito nova, ele acabou fazendo muito parte da minha vida.

[00:07:18] Se misturou, né? Quem é você offline e você online.

[00:07:21] É tipo assim, começou com 11 anos, sabe?

[00:07:24] Tipo, no começo da internet, basicamente, né?

[00:07:27] Aqui no Brasil.

[00:07:28] Você chega na adolescência, tá lá justamente moldando o seu caráter.

[00:07:31] Você já é uma persona digital, né?

[00:07:34] É, exatamente.

[00:07:35] Já tem um avatar.

[00:07:36] Sim, e assim, vocês lembram, né?

[00:07:38] Nessa época, a gente não podia falar nem nosso nome real, né?

[00:07:42] Então, essa persona, né, é persona de fato.

[00:07:44] A gente tinha um outro nome.

[00:07:46] A gente não falava de onde a gente era.

[00:07:48] Tinha medo dessas pessoas que perseguiam.

[00:07:50] Hoje em dia, a gente fala tudo, quase, né?

[00:07:52] A pessoa consegue achar a gente aqui agora, se quiser.

[00:07:54] Se bobear, tá tudo aí.

[00:07:55] Socorro, né?

[00:07:56] Fica com medo, já.

[00:07:57] Eu acho que eu vi o ninja na minha visão perifé.

[00:08:01] Então, assim, eram outros tempos, né?

[00:08:04] E assim, foi sempre algo que cresceu comigo.

[00:08:08] Essa vontade de compartilhar um pouco dos meus sentimentos.

[00:08:11] Porque eu acho que quando você expressa e quando você lê o que a outra pessoa tá expressando,

[00:08:17] você organiza melhor os seus sentimentos e as suas opiniões e a sua visão pelo mundo.

[00:08:22] Você, querendo ou não, assim, o fato de eu estar me conectando com pessoas de outros lugares do Brasil

[00:08:28] me ampliava a ideia do que era existir, né?

[00:08:32] Então, tipo, eu, no Amapá, eu falava, caramba, é possível ser de outra maneira.

[00:08:38] Então, eu tinha uma visão mais ampla do que era ser, né?

[00:08:42] Pra além de só existir no meu mundinho ali, de colégio e tal.

[00:08:46] Mas aí chegou no momento que você ficou relativamente conhecida por um público mais seleto.

[00:08:51] Você fala de literatura há muito tempo.

[00:08:53] Só que a gente se conheceu na época que você falava de moda.

[00:08:57] É, então, pois é.

[00:08:58] O fato de você estar há muito tempo na internet, né, você passa por muitas fases, né?

[00:09:04] Depois dessa época que eu escrevi em blogs e tudo mais.

[00:09:07] E blogs como Just Lia, pra quem é muito velho.

[00:09:12] Agora vamos começar a entregar a idade digital da galera, né?

[00:09:16] Não, o Just Lia, ele começou por volta de 2000, 2001, né?

[00:09:20] É muito velho.

[00:09:21] Valia Camargo faz até hoje o Just Lia.

[00:09:23] Você fala muito velho, gente.

[00:09:25] Eu fico…

[00:09:26] Mas, assim, a internet…

[00:09:28] Eu fico me sentindo idoso, entendeu?

[00:09:30] Mas 2000, 2001…

[00:09:31] Somos todos.

[00:09:32] Eu tava lá, eu também fiz blog essa época, sabe?

[00:09:34] Somos todos.

[00:09:35] Tá todo mundo com o joelho ruim aí.

[00:09:37] Nossa senhora, gente.

[00:09:38] A coluna já foi pro caralho.

[00:09:40] É tístico.

[00:09:41] A gente grava meio ditário.

[00:09:43] Benove, onde estamos, fez ou tá pra fazer 21 anos?

[00:09:46] Caramba.

[00:09:47] É, minha gente.

[00:09:48] É isso.

[00:09:49] A gente tá com essa idade aí.

[00:09:50] Mas, Jesus, você também, exato, você começou também os blogs muito cedo.

[00:09:54] Por aí, é.

[00:09:55] Por aí.

[00:09:56] Existem pessoas dessa idade hoje em dia, né?

[00:09:58] De 20 anos de idade.

[00:10:00] Maiores de idade.

[00:10:02] Né, dessa época aí, ainda era bem jovem nessa época, mas é esses primeiros experimentos,

[00:10:09] de começar a escrever internet.

[00:10:10] É dessa época, 2001, 2002.

[00:10:12] 2003, eu fui parar…

[00:10:14] 2003 é uma história engraçada.

[00:10:16] Eu fui trabalhar num lugar muito mequetrefe, assim.

[00:10:18] Uma empresa de fundo de quintal que fazia sites.

[00:10:20] Tá.

[00:10:21] Ah, que ótimo.

[00:10:22] Ficava num, assim, tipo uma vilazinha de empresas assim, umas casinhas.

[00:10:26] Bill Gates Sites, não?

[00:10:27] Nossa, não.

[00:10:28] Mas, assim, embaixo da gente era um cara que fazia manutenção de microcomputadores.

[00:10:32] Microcomputadores.

[00:10:33] E monitores, mas daqueles monitores que eram…

[00:10:36] Cachotão.

[00:10:37] Exato, de tubo.

[00:10:38] Exato, de tubo, né?

[00:10:39] E aí, por conta de ser uma empresinha de face sites, eu sempre brincava com essa história.

[00:10:45] Uma empresa de face sites.

[00:10:46] Igual face bolos.

[00:10:47] Bolos, bolos, bolos.

[00:10:48] E aí, ele…

[00:10:50] Então, tinha o serviço de hospedagem.

[00:10:52] Então, por eu trabalhar lá, eu era estagiário e tal, tava começando a faculdade, o dono

[00:10:56] da empresa falou, ah, eu mega hospedo o teu site.

[00:10:59] Que era um negócio que…

[00:11:00] Era caro, na época.

[00:11:01] Proibitivo.

[00:11:02] Imagina hospedar, né?

[00:11:03] Porque representava um custo mensal ali.

[00:11:06] Aí ele falou, compre um domínio.com.br e tal.

[00:11:09] Eu comprei.

[00:11:10] Porque aí, pelo menos o pagamento era anual.

[00:11:12] E coloquei o site lá pra rodar.

[00:11:14] Só que naquela época, Wordpress não existia.

[00:11:17] Não, ele…

[00:11:18] Não, eu lembro que, por exemplo, eu fazia o meu blog e, na verdade, era um site.

[00:11:22] Ele não era um esquema de blog.

[00:11:23] Ele era um site que eu atualizava todo dia com texto novo.

[00:11:26] Aham.

[00:11:27] Abriu HTML.

[00:11:28] É.

[00:11:29] Eu fazia o texto novo, porque eu não tinha, né?

[00:11:32] Então, tipo, o Wordpress foi alta tecnologia.

[00:11:35] Depois.

[00:11:36] Eu me lembro do B9.

[00:11:37] Assim, quando eu fui trabalhar a primeira vez com o Merigo.

[00:11:39] Uhum.

[00:11:40] Tô falando em 2007.

[00:11:41] Fazia esse trampo todo aí.

[00:11:44] Que o Merigo atualizando o B9 lá no escritório, assim.

[00:11:48] Hackers.

[00:11:49] Abrindo o movable type.

[00:11:50] Porque o B9 era todo em movable type.

[00:11:53] Não tinha ido pra Wordpress ainda.

[00:11:55] E era uma outra pegada.

[00:11:57] Era muito complexo, assim, subir um post.

[00:12:00] Era muito…

[00:12:01] Era um trampo do inferno, assim.

[00:12:02] Mas esse era…

[00:12:03] Essa era a vida.

[00:12:04] Fazia tudo na raça.

[00:12:05] Mas eu acho que isso também moldou como a gente lida com as tecnologias hoje.

[00:12:09] É, então.

[00:12:10] Então.

[00:12:11] Assim, é uma coisa que eu tava até pensando, né?

[00:12:13] Em relação a tudo isso, né?

[00:12:15] Todas essas experiências.

[00:12:17] Eu trabalhei, por exemplo, no JustLia durante sete anos.

[00:12:19] Cara, foi tudo isso?

[00:12:21] Isso é uma eternidade pra internet.

[00:12:23] Pra internet?

[00:12:24] Ai, olha, eu vou falar pra carreira de muita gente, né?

[00:12:26] Pra carreira.

[00:12:27] Exatamente.

[00:12:28] Eu trabalhei durante sete anos.

[00:12:29] E assim, sete anos pra internet também é muita mudança.

[00:12:33] Muita coisa acontece.

[00:12:34] Eu lembro, assim, que na época que eu tinha o meu blog e tal.

[00:12:37] Eu fechei o meu blog em 2016, eu acho.

[00:12:41] Oficialmente.

[00:12:42] Mas uma das coisas que eu gostava muito é quando a gente falava um pouco, né?

[00:12:47] Sobre a nossa experiência de algo.

[00:12:49] E eu senti, assim, que o retorno das pessoas em relação a esses textos e tudo mais

[00:12:55] eram sempre retornos que traziam coisas positivas, coisas…

[00:12:59] Mesmo se fossem críticas, por exemplo.

[00:13:02] Eram críticas que acrescentassem.

[00:13:03] E eram cuidadosas, até.

[00:13:04] A gente tinha uma etiqueta, digamos assim, né?

[00:13:07] A internet era relativamente nova.

[00:13:09] Então, tipo, você não vai abordar uma pessoa e falar que ela é ridícula.

[00:13:14] Não, mas até o seu assunto não era um assunto que puxava hater.

[00:13:17] Não era um hard news.

[00:13:18] Não era uma coisa que você falava de fofoca, que normalmente tira o pior da pessoa, né?

[00:13:22] Sim.

[00:13:23] É, mas, assim, hoje em dia, né, eu acho que é isso, assim.

[00:13:26] A gente tem um processo hoje em dia tão diferente do que era naquela época.

[00:13:31] Naquela época?

[00:13:32] Nossa, naquela época eu já tô falando igual a minha avó.

[00:13:35] Porque, assim, naquela época mesmo…

[00:13:37] Acabou tudo assim.

[00:13:40] Naquela época, minha filha, nem te conto.

[00:13:44] Quando eu blogava.

[00:13:46] Quando eu fazia o meu blog.

[00:13:49] Eu mexia no meu HTML.

[00:13:51] Vocês estão zoando?

[00:13:52] É isso mesmo.

[00:13:53] A geração Z olha exatamente assim, a gente.

[00:13:56] Nossa, que pessoa velha, 33 anos, cruzes.

[00:13:59] Nossa, ela não tinha aplicativo?

[00:14:00] Como assim?

[00:14:01] É, exato, como assim?

[00:14:02] Então, assim, eu tenho a sensação de que as abordagens eram feitas de um jeito muito diferente que hoje em dia.

[00:14:08] E hoje em dia tem até umas brincadeiras, assim, no Twitter hoje em dia, né?

[00:14:12] Que qualquer assunto que você fala é possível aparecer um hater.

[00:14:16] Qualquer assunto que você fala.

[00:14:18] Absolutamente qualquer um.

[00:14:19] Então, assim, eu sinto que eu abrindo a minha vida e falando sobre coisas pessoais e tal.

[00:14:26] Eu senti que vinha muito retorno interessante.

[00:14:29] Até que deixou de vir.

[00:14:30] Na verdade, assim, eu acho que é muito mais uma situação de…

[00:14:35] Eu gostava muito de escrever.

[00:14:37] Mas…

[00:14:38] E eu achava que era esse o caminho que eu tinha que trilhar, né?

[00:14:41] Afinal, desde 11 anos eu escrevi em blog.

[00:14:44] Então, um caminho natural é esse, né?

[00:14:46] Eu cheguei a fazer letras na universidade.

[00:14:48] Serrei, fui pra publicidade.

[00:14:50] Aí eu finalizei e tal.

[00:14:52] Mas, assim, eu senti que o meu caminho era esse.

[00:14:55] Enfim, vamos aqui fazer blog, escrever e tentar esse lugar, produzir conteúdo pra internet.

[00:15:02] Meu objetivo nunca foi ser famosa, etc.

[00:15:06] Eu queria muito ajudar as pessoas, compartilhar as coisas que eu tava vivendo.

[00:15:10] Ter relações com as pessoas.

[00:15:12] Tanto que, assim, hoje em dia eu sou muito grata por isso, por esse movimento.

[00:15:16] Porque hoje eu tenho amigas de verdade que vieram da internet.

[00:15:20] Tipo você, assim.

[00:15:21] Então esse movimento, ele teve frutos.

[00:15:24] Teve frutos.

[00:15:25] Teve frutos muito bons, assim.

[00:15:27] Só que aí ele também te exige muito, né?

[00:15:30] Então, por a gente estar há muito tempo na internet, a gente começa a ver que as coisas vão começando a mudar.

[00:15:36] O tom dos comentários vai mudando.

[00:15:39] As redes que a gente participa mudam, né?

[00:15:43] O formato de conteúdo que você consome é outro.

[00:15:46] Os influenciadores que estão inovando, estão fazendo outras coisas.

[00:15:51] Uma coisa que eu sinto muito, até do Yasuda, que a gente se dá muito bem nisso.

[00:15:56] O próprio avissareiro é um formato que hoje, ele, assim, é um formato que não é o que tá fora.

[00:16:03] A gente usa as câmeras pra fazer cortes.

[00:16:06] A gente não tem o vídeo todo no YouTube.

[00:16:08] E o corte já é aquela coisa…

[00:16:10] A gente tá indo longe demais.

[00:16:11] É, tipo que a gente…

[00:16:12] Pô, tem mesmo, tem mesmo, sabe?

[00:16:15] Tem, Yasuda, tem.

[00:16:16] Mas será, sabe?

[00:16:17] Mas isso fala muito da gente.

[00:16:19] De como a gente foi construído na internet as pessoas que nós nos transformamos durante o tempo.

[00:16:24] É, não, exato.

[00:16:25] Houve um tempo que gravar podcast era realmente poder fazer de uma maneira…

[00:16:30] Um estúdio muito manbembe, o que era…

[00:16:32] Nossa, o meu estúdio era…

[00:16:33] Era em casa.

[00:16:34] Em casa.

[00:16:35] Nossa, beleza.

[00:16:36] O áudio estava na internet, muito bem editado, profissionalmente editado.

[00:16:39] Mas assim, não exigia grandes recursos.

[00:16:41] E agora não, gente.

[00:16:42] Eu acho que esse sonho que todo mundo nutriu de alguma maneira,

[00:16:45] e a gente já vai entrar no segundo capítulo disso,

[00:16:47] é algo que está aqui agora.

[00:16:49] Então vou falar um pouquinho dessas tendências que estão aí,

[00:16:51] que não são diferentes desse sonho que você viveu,

[00:16:54] eu vivi, Jéssica também viveu,

[00:16:56] e também talvez muita gente tenha vivido,

[00:16:58] que é o desse eu digital que transforma no grande viabilizador,

[00:17:03] na grande abertura de portas das nossas vidas.

[00:17:06] Das realizações.

[00:17:07] Tem duas coisas que são muito interessantes aqui.

[00:17:10] A primeira delas é, justamente, que até por conta desse aumento de canais

[00:17:15] a gente precisaria estar para ter uma presença digital

[00:17:18] aos moldes dos novos tempos, etc.

[00:17:20] Então realmente isso exige um preparo das pessoas hoje,

[00:17:24] que é de uma empresa.

[00:17:25] Quando eu vejo um influenciador digital muito grande,

[00:17:28] desses que tem milhões de seguidores,

[00:17:30] eu sei que tem uma equipe grande por trás deles.

[00:17:33] A gente brinca aqui, que é um negócio meio manbem,

[00:17:35] e tal, ao vissareiro, mas bem ou mal,

[00:17:37] se a gente for ver bem aqui,

[00:17:39] para a gente botar um programa no ar,

[00:17:41] além da equipe, além de quem você está vendo aqui,

[00:17:44] na câmera e tudo mais, tem uma galera por trás.

[00:17:46] O pessoal que está aqui está todo na captação.

[00:17:48] Das câmeras, do áudio.

[00:17:49] Tem os técnicos.

[00:17:50] Tem os técnicos.

[00:17:51] Nunca é trabalho de uma pessoa.

[00:17:53] Nunca é trabalho de uma pessoa só.

[00:17:54] E aí, os profissionais também.

[00:17:56] Mesma coisa, não é trabalho de uma pessoa só.

[00:17:58] Ser um influenciador digital muito profissional

[00:18:00] é ter uma equipe por trás produzindo vídeos.

[00:18:02] E passam a impressão para a gente.

[00:18:04] Roteiros.

[00:18:05] Mas passa a impressão para a gente que é só ela fazendo.

[00:18:07] É só ela fazendo sozinha.

[00:18:08] E as pessoas estão nessa.

[00:18:10] Aquilo que a gente já discutiu,

[00:18:12] um trilhão de programas, que é exatamente essa tendência,

[00:18:14] que ele fala aqui do EUSA,

[00:18:16] é o nome dessa tendência.

[00:18:17] Bom, né?

[00:18:18] Eu gostei, chique.

[00:18:19] Aquela do profissional liberal sendo

[00:18:21] obrigado a se tornar uma persona digital,

[00:18:24] e então indo para isso,

[00:18:25] postando absurdos no LinkedIn, ou não,

[00:18:27] ou às vezes até fazendo isso muito bem.

[00:18:28] Mas o lance todo é,

[00:18:29] por que a gente está falando disso?

[00:18:30] Porque 83% das pessoas que foram entrevistadas

[00:18:33] parecem entrevistas de tendências.

[00:18:34] E é uma entrevista, inclusive,

[00:18:36] que aborda alguns países da América Latina.

[00:18:38] Eles acreditam que as pessoas vão ganhar dinheiro

[00:18:41] usando essa imagem através dos conteúdos

[00:18:44] do que ela posta na internet.

[00:18:45] Como ela vai ganhar dinheiro,

[00:18:47] pode ser link a filiado,

[00:18:48] pode ser fazendo publi editorial,

[00:18:49] pode ser criando um canal de conteúdo

[00:18:51] da LinkedIn no mídia,

[00:18:52] e pode ser um viabilizador

[00:18:54] de outros tipos de negócio, enfim.

[00:18:56] Capitador de cliente.

[00:18:57] Exato.

[00:18:58] 77% delas acreditam que

[00:19:00] um perfil bem trabalhado nas redes sociais

[00:19:02] ajuda na carreira.

[00:19:04] E 70% gostam de pensar em si mesmos como uma marca,

[00:19:08] então uma marca que é planejamento e investimento

[00:19:10] para acontecer na internet.

[00:19:11] E isso está acontecendo neste momento.

[00:19:13] A gente viveu lá atrás, bateu um cansaço,

[00:19:15] que a gente vai entrar justamente nesse capítulo,

[00:19:17] mas aconteceu lá atrás e está muito atrelada

[00:19:19] essa coisa do, ó, existir hoje em dia

[00:19:22] demanda…

[00:19:23] Planejamento.

[00:19:24] Esse trampo,

[00:19:25] existir para qualquer coisa, quer dizer, médico,

[00:19:28] não basta só operar.

[00:19:31] É, tem que…

[00:19:33] Tem que tirar foto do raio-x.

[00:19:35] Tem que dançar com o bisturife.

[00:19:37] Tem que tirar foto do raio-x e postar no Twitter.

[00:19:39] Isso. Ai, meu Deus.

[00:19:40] E tem uma outra coisa muito louca que está acontecendo

[00:19:43] que talvez tenha muito a ver com isso

[00:19:45] que a gente começou a demonstrar de cansaço.

[00:19:47] Porque estamos juntos, estamos na mesma.

[00:19:49] A gente está mega cansado também.

[00:19:50] Usando, com certeza, eu me vejo usando hoje muito menos

[00:19:53] redes sociais do que já usei na vida.

[00:19:54] Tem uma outra tendência aqui que coloca as pessoas,

[00:19:57] elas mesmas, como protagonistas

[00:19:59] do filme e da vida delas.

[00:20:00] Já ouvimos esse papo com outros nomes em…

[00:20:03] Ela se renova.

[00:20:04] É, é uma tendência que se renova.

[00:20:05] Mas olha que coisa legal.

[00:20:06] É uma tendência chamada de era do protagonismo

[00:20:09] por esse estudo, como já falei, do grupo Consumoteca,

[00:20:11] em que as pessoas realmente partem

[00:20:15] apenas dos seus pontos de vista,

[00:20:17] do seu universo e criam daquilo.

[00:20:19] Então é um menor interesse, sei lá,

[00:20:22] aprender alguma coisa com o outro,

[00:20:24] conectar e partir apenas do próprio repertório

[00:20:28] e colocar no caso que a gente,

[00:20:29] justamente, está gravando um podcast,

[00:20:31] então fomos lá, peguei uma pesquisa,

[00:20:32] que não fui eu que fiz.

[00:20:34] Não foi uma coisa…

[00:20:35] Ah, tirei da minha cabeça que isso está acontecendo.

[00:20:38] Exato assim, né?

[00:20:39] É, exato.

[00:20:40] E não, vamos lá, está acontecendo, tudo mais.

[00:20:43] E que dados corroboram com essa questão?

[00:20:46] Um dado que, para mim, é assim,

[00:20:48] mata o nome social em rede social,

[00:20:51] mídia social e qualquer coisa.

[00:20:53] 78% das pessoas gostam mais de ver conteúdos

[00:20:56] ligados aos seus interesses do que conversar

[00:20:58] e interagir com outras pessoas.

[00:21:00] 74% das pessoas preferem que os algoritmos

[00:21:03] surgiram conteúdos baseados no seu histórico,

[00:21:06] nos seus interesses do que conteúdos com base

[00:21:08] no que os amigos estão consumindo.

[00:21:10] Ou seja, foda-se os amigos.

[00:21:12] E justamente, tem uma outra coisa que é maravilhosa,

[00:21:15] que é 71% gostam muito quando as empresas

[00:21:18] e principalmente esses serviços que elas usam

[00:21:20] vão lá e empacotem os interesses

[00:21:23] e as coisas que você consumiu nessa plataforma

[00:21:25] numa coisa feita para você.

[00:21:27] O exemplo mais bem acabado disso,

[00:21:29] que é um bruto sucesso,

[00:21:31] é aquele negócio do Spotify Rapid, por exemplo.

[00:21:34] O que você ouviu no ano, pronto, pode postar.

[00:21:37] Posta o que você ouviu no ano,

[00:21:39] que está pronto para você brilhar.

[00:21:41] Um monte de gente posta a mesma coisa,

[00:21:43] ninguém lê de ninguém, porque o objetivo é postar o seu.

[00:21:46] É isso.

[00:21:47] Exatamente.

[00:21:48] E aí caímos nisso, porque aquela internet

[00:21:50] que talvez nós tenhamos conhecido de muita troca,

[00:21:53] alguém estava lembrando algum tempo muito antigo de internet,

[00:21:56] mas existiu um lance ali em 2007, 2008,

[00:22:00] talvez um pouco nova,

[00:22:02] de as pessoas que estavam produzindo blogs

[00:22:04] aqui na cidade de São Paulo,

[00:22:06] começaram a se olhar, se encontrar,

[00:22:08] começou a ter um evento grande, tipo Primeira Campus Party.

[00:22:11] Muita gente se encontrou nesse dia

[00:22:13] e disse, opa, é você que faz aquilo, não sei o que lá.

[00:22:16] Começaram a ter uns eventos de marcas,

[00:22:18] querendo saber quem era essa galeria da internet.

[00:22:20] Toda semana era um happy hour diferente,

[00:22:22] bancado por alguém.

[00:22:24] E tinha um bar em São Paulo, ali perto da Avenida Paulista,

[00:22:27] em que essa galera se encontrava ocasionalmente.

[00:22:29] Não lembro se era semanalmente, mas assim,

[00:22:31] minimamente, uma vez por mês,

[00:22:33] rolava um encontro desses, dessa galera.

[00:22:37] A única coisa que os unia

[00:22:39] era o fato deles terem uma publicação na internet,

[00:22:41] mas os assuntos eram dos mais diversos.

[00:22:43] Tinha gente que escrevia de tecnologia,

[00:22:45] tinha gente que escrevia sobre comportamento,

[00:22:47] tinha gente que escrevia sobre moda,

[00:22:49] sobre universo…

[00:22:51] Geek, sei lá.

[00:22:52] É, universo geek, anime, qualquer coisa.

[00:22:55] A única coisa que nos unia, usamos a mesma plataforma para fazê-lo.

[00:22:58] Você usa Blockspot, eu uso Blockspot.

[00:23:00] É meio isso, sabe?

[00:23:02] Conversa sobre o blogger também, Wordpress,

[00:23:04] e fica tocando, né?

[00:23:06] Às vezes o Fotolog, sei lá.

[00:23:08] Nisso surgiu o Twitter,

[00:23:10] e foram as primeiras pessoas que foram lá para dentro.

[00:23:12] E foi uma época que era tudo muito mágico,

[00:23:14] porque era realmente conectar-se

[00:23:16] com pessoas, com ideias.

[00:23:18] Surgiram casas especializadas

[00:23:20] em fazer eventos para essa galera.

[00:23:22] Dá uma certa tristeza que a internet

[00:23:24] conectou muita gente legal

[00:23:26] e permitiu fazer muitos projetos muito interessantes.

[00:23:28] Mas eu não percebo

[00:23:30] no uso da internet de hoje,

[00:23:32] essa mesma ânsia das pessoas.

[00:23:34] E tudo bem, as pessoas são diferentes,

[00:23:36] as pessoas querem outra coisa talvez hoje.

[00:23:38] Querem existir, querem ser protagonistas

[00:23:40] do seu próprio filme,

[00:23:42] e precisam estar na internet para poder sobreviver.

[00:23:44] Sentir que existe no mundo de uma certa forma.

[00:23:46] E o que talvez tenha ocasionado o cansaço.

[00:23:48] Espera só um pouquinho

[00:23:50] que a gente já volta

[00:23:52] para continuar essa conversa deliciosa.

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