#170 - O que esperar de Tech Leaders com Henrique Bastos


Resumo

Neste episódio gravado durante a Tech Leadership Conference, Eduardo Matos conversa com Henrique Bastos sobre as expectativas em relação aos líderes técnicos (tech leads). Henrique, Principal Engineer na Routable, compartilha sua visão baseada em décadas de experiência.

A discussão começa com as duas principais expectativas de Henrique para um tech lead: conhecimento técnico e maturidade. Ele define maturidade como autoconhecimento, capacidade de compor times e navegar nas incertezas do negócio. Henrique critica o idealismo excessivo na tecnologia, onde pessoas pulam de linguagem em linguagem sem dominar fundamentos como testes automatizados, e enfatiza que a solução vem das pessoas, não da tecnologia.

O episódio aborda a importância de entender o negócio e conversar com diferentes áreas da empresa (marketing, vendas, financeiro). Henrique argumenta que líderes técnicos devem “botar o manager para trabalhar” em vez de esperar ordens, e discute como profissionais seniores (staff/principal) devem atuar como multiplicadores, alavancando a equipe ao seu redor em vez de apenas executar tarefas.

Uma parte significativa é dedicada à relação entre agilidade e testes automatizados. Henrique defende que não é possível ser ágil sem testes, TDD e práticas como integração contínua e deploy frequente. Ele explica que essas práticas reduzem o tempo entre dúvida e verificação, permitindo mudanças rápidas e confiança no software. O episódio também explora como tech leads podem continuar se desenvolvendo tecnicamente, destacando a importância do autoconhecimento para entender o próprio perfil profissional.


Indicações

Books

  • A Fórmula da Eficácia — Livro de Alisson Valles, recomendado por Henrique como a obra de alguém que “mais sabe ágil no mundo”. O livro aborda como reduzir o tempo entre uma dúvida e ver algo funcionando, com TDD sendo a técnica que traz isso para zero.

Pessoas

  • Alisson Valles — Amigo de Henrique Bastos e autor do livro “A Fórmula da Eficácia”. Henrique o considera o cara que mais sabe sobre ágil no mundo, por ter implementado todas as técnicas em seus próprios negócios.
  • Fábio Akita — Mencionado por Henrique em relação ao termo “mafiograma”, que se refere à rede de relacionamentos e influências dentro de uma empresa (quem é amigo de quem, quem não gosta de quem).

PráTicas

  • Coding Dojo — Prática recomendada por Henrique para capacitar desenvolvedores juniores. Ele implementa sessões de duas horas por semana na Routable, usando Mob Programming, e observa diferença nítida entre quem participa e quem não participa.
  • TDD (Test-Driven Development) — Henrique defende que dominar TDD muda a forma de pensar do programador. Embora não precise ser usado sempre, o domínio da técnica é essencial para agilidade, pois permite feedback constante e confiança para mudanças.

Linha do Tempo

  • 00:02:53Expectativas para um tech lead: conhecimento técnico e maturidade — Henrique Bastos apresenta suas duas principais expectativas para um líder técnico: bom conhecimento técnico e maturidade. Ele define maturidade como autoconhecimento, capacidade de compor times e navegar nas incertezas do negócio. Henrique critica o idealismo excessivo na tecnologia e enfatiza que a solução vem das pessoas, não apenas da tecnologia.
  • 00:06:10O problema do idealismo no desenvolvimento de software — Eduardo pede para Henrique aprofundar o conceito de idealismo mencionado anteriormente. Henrique cita o “idealismo do código certo” como exemplo, onde desenvolvedores querem refatorar tudo sem considerar o impacto no negócio. Ele contrasta a expressão artística na programação (que deve ser feita em projetos pessoais) com o trabalho profissional, que deve focar em entregar valor para o cliente.
  • 00:09:34Como um staff/principal pode gerar impacto cross-company — Um participante pergunta como gerar impacto cross-company quando seu chefe o mantém focado em tarefas do time. Henrique responde que a forma mais rápida é trocar de chefe, mas se houver boa relação, é preciso entender as dores do líder. Ele explica que profissionais seniores devem ser multiplicadores, fazendo a equipe produzir 10 vezes mais, e sugere criar processos como Coding Dojos para capacitar desenvolvedores juniores.
  • 00:19:44Primeiros passos para se aproximar do negócio — Eduardo pergunta como líderes técnicos podem dar os primeiros passos para entender melhor o negócio. Henrique recomenda fazer perguntas abertas, ouvir atentamente e se inserir no “mafiograma” (rede de relacionamentos) da empresa. Ele sugere se colocar disponível para ajudar pessoas de outras áreas, mesmo com pequenas ações, para se tornar “notável” e construir um banco de favores.
  • 00:29:57Por que não é possível ser ágil sem testes automatizados — Um participante questiona a afirmação de Henrique de que não dá para ser ágil sem testes automatizados. Henrique explica que agilidade é sobre tempo de resposta e capacidade de mudar o software sem grandes impactos. Testes, TDD e práticas como integração contínua reduzem o tempo entre dúvida e verificação, dando confiança para deploy frequente. Ele recomenda o livro “A Fórmula da Eficácia” de Alisson Valles.
  • 00:39:33A divisão entre gestão técnica e gestão de pessoas — Um participante pergunta sobre a divisão percentual entre programação e gerenciamento para um tech lead. Henrique responde de forma categórica: tech lead deve gastar 0% gerenciando pessoas e 100% gerenciando o projeto/código. Gestão de pessoas é papel do manager. Ele usa a analogia do futebol: tech lead é o capitão que joga no campo, enquanto o manager é o técnico no banco.
  • 00:42:32Como continuar se desenvolvendo tecnicamente após se tornar especialista — Eduardo pergunta como líderes técnicos podem continuar se desenvolvendo tecnicamente após atingirem níveis avançados. Henrique enfatiza a importância do autoconhecimento para entender o próprio perfil profissional (ex: resolvedor de problemas vs. pesquisador profundo). Ele compartilha que aprende puxado pela necessidade, resolvendo problemas reais, e busca conversar diretamente com especialistas em vez de apenas ler livros.

Dados do Episódio

  • Podcast: Tech Leadership Rocks
  • Autor: Eduardo Matos
  • Categoria: Technology
  • Publicado: 2024-01-21T10:00:00Z
  • Duração: 00:46:34

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Fala, líder! Meu nome é Eduardo Matos e esse é o podcast Tech Leadership Rocks.

[00:00:11] Antes de começar, eu queria deixar um recado.

[00:00:13] Se você é líder na área de tecnologia,

[00:00:15] Tech Lead, Engineering Manager, Tech Manager, QA Lead, DevOps Lead,

[00:00:19] então quero te convidar para conhecer a nossa formação para líderes de tecnologia da Escola Forja.

[00:00:23] Lá a gente traz uma formação completa passando por assuntos como

[00:00:26] gestão de pessoas, agilidade, métricas, comunicação, arquitetura e muito mais.

[00:00:30] São conteúdos com aulas ao vivo, bastante interação com os colegas

[00:00:34] e conteúdos práticos para você aplicar no seu dia a dia e se destacar na sua empresa.

[00:00:38] Para conhecer, você só precisa visitar

[00:00:39] conteúdo.escolaforja.com.br

[00:00:42] conteúdo.escolaforja.com.br

[00:00:46] Recado dado, agora vamos partir para a conversa com o nosso convidado.

[00:00:50] Bom, eu estou passando aqui só para avisar que esse episódio foi gravado de uma forma um pouquinho diferente.

[00:00:54] Ele foi gravado durante o Tech Leadership Rocks.

[00:00:56] Tech Leadership Conference com o Henrique Bastos e também os participantes que estavam ali presentes.

[00:01:00] A gente conversou um pouco sobre as expectativas em cima da pessoa que está na posição de liderança técnica, tá bom?

[00:01:06] Então, dito isso, bora lá para o episódio.

[00:01:09] Bom, vamos lá.

[00:01:10] Antes da gente começar aqui, de fato, eu queria pedir só para você se apresentar rapidinho, Henrique,

[00:01:13] para o pessoal te conhecer um pouco melhor.

[00:01:14] E só contar uma curiosidade aqui.

[00:01:16] Cara, eu sempre tive uma, vamos dizer assim, um contato muito próximo com o teste automatizado,

[00:01:22] sempre curti essa parte de qualidade e tal, e muito por sua causa, tá?

[00:01:26] Isso, mas eu fiz lá o treinamento do Welcome to the Jungle.

[00:01:29] Eu aprendi muito sobre teste lá.

[00:01:30] Eu aprendi sobre teste lá e, cara, passei a usar, assim, direto depois daquilo.

[00:01:34] Então, cara, mudou a minha vida em relação a lidar com tecnologia depois, sabe, do treinamento.

[00:01:38] Então, muito obrigado aí.

[00:01:39] Eu queria pedir para você se apresentar, cara.

[00:01:42] Meu nome é Henrique Bastos.

[00:01:44] Eu moro em Teresópolis, no interior de Teresópolis.

[00:01:48] Então, você chega na cidade de Teresópolis, tem que andar 30 minutos até a minha casa,

[00:01:51] eu me escondo no meio da Mata Atlântica ali.

[00:01:53] E, por incrível que pareça, tem melhor fibra ótica.

[00:01:56] Aqui em Niterói, onde eu morava originalmente.

[00:01:58] E eu tenho uma trajetória aí longa de treinamento, de consultoria.

[00:02:05] Hoje eu sou Principal Engineer da Routable, que é uma fitaque americana.

[00:02:11] E estamos aí para conversar sobre liderança.

[00:02:15] Se vocês quiserem conversar, estou à disposição.

[00:02:18] Boa, vamos lá, vamos lá.

[00:02:19] A gente vai bater um papo aqui, mais ou menos uns 40 minutos de papo.

[00:02:23] Aí, nos últimos 10, a gente abre para a galera perguntar.

[00:02:25] Inclusive, se alguém quiser…

[00:02:26] Já deixar a pergunta no comentário ali, cara, fica super à vontade, tá?

[00:02:29] Depois eu vou parar, dou uma lida aqui e a gente vai respondendo, tá?

[00:02:32] Mas, para começar aqui, vamos dizer assim, de uma forma um pouco mais genérica,

[00:02:36] mas eu queria entender muito a tua visão, Henrique, é o seguinte.

[00:02:39] O que você considera, assim, o que você espera de uma pessoa que é líder técnica, que é tech lead?

[00:02:45] Vamos chamar de tech lead aqui, mas uma pessoa que é líder técnica.

[00:02:48] Quais são as suas expectativas em relação à pessoa que está atuando nessa posição?

[00:02:53] Cara, eu tenho duas expectativas.

[00:02:56] Primeiro, um bom conhecimento técnico e maturidade.

[00:03:00] Para mim, a coisa mais escassa no mercado que existe hoje é maturidade.

[00:03:05] Boa, conta um pouquinho aí sobre maturidade, o que você quer dizer com isso?

[00:03:10] Bom, maturidade não é idade.

[00:03:14] Maturidade, eu acho que tem relação com autoconhecimento, você se conhecer, saber as suas qualidades, os seus defeitos.

[00:03:20] E conseguir relacionar com a qualidade de defeito dos outros também.

[00:03:23] E, assim, conseguir compor o time.

[00:03:26] E entregar os projetos.

[00:03:28] Então, eu vejo ainda que perde-se muita energia com idealismos na tecnologia, né?

[00:03:36] Então, pula-se de linguagem em linguagem, mas as pessoas não sabem escrever teste ainda.

[00:03:42] Em 2023, sei lá, tem 23 anos que eu aprendi a escrever teste automatizado.

[00:03:47] E a maioria das pessoas, a faculdade não ensina, as pessoas ainda não sabem fazer isso.

[00:03:50] Então, a tecnologia, ela não dá a solução.

[00:03:54] A solução vem da pessoa, né?

[00:03:56] E a maturidade é para você conseguir negociar, entregar no prazo, com qualidade.

[00:04:00] Conseguir resolver as questões do time.

[00:04:04] Porque o time, não adianta botar o goleiro para jogar na zaga, jogar no ataque.

[00:04:08] Você vai ter esse tipo de problema.

[00:04:11] E navegar no negócio.

[00:04:14] Eu vejo que tem muito programador e pessoal de tecnologia que…

[00:04:18] Ah, o cara quer ser especialista.

[00:04:19] E pode ser, eu sou especialista em Python.

[00:04:22] Eu tenho um programa em Python há 24 anos e me especializei nisso.

[00:04:26] Mas, eu navego tranquilamente na parte de negócio.

[00:04:30] Acho que isso é uma capacidade que tem que desenvolver.

[00:04:32] Você não consegue crescer na carreira.

[00:04:35] Não quer dizer que você vai virar manager, tá?

[00:04:36] Eu não sou manager.

[00:04:38] Já fui, não quero voltar a ser.

[00:04:41] Minha questão é realmente atuar na parte de tecnologia.

[00:04:45] Mas você precisa saber conversar com os outros idiomas da empresa.

[00:04:50] O idioma do marketing, o idioma da vendas, o idioma do financeiro,

[00:04:53] o idioma do manager, o idioma de negócio.

[00:04:56] Você precisa saber navegar nisso.

[00:04:59] E a dificuldade de aprender isso exige maturidade

[00:05:02] para que você consiga navegar nas incertezas.

[00:05:06] Porque não tem muita coisa incerta.

[00:05:08] As pessoas…

[00:05:10] Tudo vai dando errado.

[00:05:11] O melhor dia de qualquer projeto é o primeiro dia.

[00:05:13] Você tem budget novo, prazo novo, equipe nova, tecnologia nova.

[00:05:18] E as merdas vão acontecer para frente.

[00:05:20] Então, essa gestão de mudanças, essa gestão de conflitos

[00:05:24] é o que o líder tem que fazer.

[00:05:26] O líder técnico vai ter que fazer no âmbito da tecnologia.

[00:05:29] E tem isso também.

[00:05:30] Como líder técnico, eu também não faço terapia, não.

[00:05:33] Eu faço pessoalmente, mas não faço da galera.

[00:05:35] Então, eu estou com o manager.

[00:05:37] Eu boto o manager para trabalhar.

[00:05:39] Essa é uma parte muito importante.

[00:05:40] Botar o engineer manager para trabalhar é fundamental.

[00:05:43] Não é ele que te bota para trabalhar.

[00:05:45] É você que bota ele para trabalhar.

[00:05:46] E essa mudança de chave, ele diz maturidade.

[00:05:48] Essa é a minha opinião.

[00:05:50] Faz sentido para você, não?

[00:05:52] Para mim, faz total sentido.

[00:05:54] E, pessoal,

[00:05:55] pode usar o comentário aqui também para colocar a opinião de vocês.

[00:05:58] De vez em quando, eu vou parar aqui para dar uma lida.

[00:06:01] Daí, eu só queria pegar uma palavra que você usou, Henrique,

[00:06:04] que eu achei bem interessante aqui,

[00:06:06] para a gente aprofundar um pouquinho nela,

[00:06:07] que é essa parte de idealismo que você comentou.

[00:06:10] Bem no começo, você mencionou isso.

[00:06:13] Eu queria entender o que você costuma ver

[00:06:15] que acontece mais em termos de idealismo.

[00:06:18] O pessoal fala, não, isso tem que ser assim,

[00:06:20] é esse jeito, mas que, cara, não é bem assim.

[00:06:22] Não é bem assim que funciona.

[00:06:23] Talvez não seja desse jeito aí.

[00:06:25] Tem algum, talvez, alguns idealismos ali

[00:06:27] que acontecem mais do que outros, que te chamam mais atenção?

[00:06:31] Sim.

[00:06:32] Tem o idealismo do código certo.

[00:06:36] Então, rapaz, você tem que fazer a limonada com a fruta que tiver.

[00:06:40] Então, você vai pegar um código legado lá,

[00:06:41] você não vai ter que refazê-lo todo.

[00:06:44] A coisa que eu mais bato na galera é esse negócio de refatorar.

[00:06:47] Refatorar como ticket solto não existe.

[00:06:49] Refatorar é para você fazer durante o processo de construir algo novo.

[00:06:53] Então, você reparte o trabalho.

[00:06:55] Agora, o pessoal quer matar débito técnico, quer fazer,

[00:06:59] deixa as coisas saírem do controle, sabe?

[00:07:01] E aí, depois que refazer tudo, isso dá muita confusão.

[00:07:04] Nunca viu funcionar.

[00:07:06] Total, total.

[00:07:09] Inclusive, teve um episódio no podcast, no Tecnico da Shiprocks,

[00:07:12] que eu conversei com o Guilherme Frois, se eu não me engano.

[00:07:16] Ele comenta lá, cara, para mim, estou levando isso para a vida,

[00:07:19] que é, não existe decisão técnica.

[00:07:22] Toda decisão é uma decisão de negócio.

[00:07:24] Então, é entender.

[00:07:25] Você está fazendo uma melhoria ali, vai fazer uma refatoração,

[00:07:27] mudar a linguagem, mudar o frame, seja lá o que for.

[00:07:29] Cara, qual é o impacto que isso vai trazer no negócio?

[00:07:31] Se não trouxer impacto, será que você deveria realmente estar fazendo isso?

[00:07:34] E tem muito a ver, na minha visão, com esse idealismo,

[00:07:36] com essa maturidade que você está comentando.

[00:07:38] Se a pessoa não tem maturidade para entender um negócio desse,

[00:07:40] cara, talvez, enfim, eu imagino que ela vai ter muito problema ali

[00:07:43] na área de tecnologia, vai fazer muita besteira.

[00:07:45] Isso, e as pessoas ficam muito assim,

[00:07:47] pô, Henrique, mas eu treino a programação porque é maneiro,

[00:07:50] porque, porra, eu me expresso artisticamente e tal.

[00:07:53] Eu falo, pô, eu também.

[00:07:54] Entendeu?

[00:07:55] Então, o que eu faço?

[00:07:56] Quando eu quero fazer alguma coisa da minha cabeça,

[00:07:58] quero experimentar uma técnica nova, uma coisa assim,

[00:08:02] eu faço os meus projetos, eu pago o meu tempo, entendeu?

[00:08:06] O meu cliente me paga para eu fazer um trabalho para ele.

[00:08:09] Eu me pago para curtir, para me divertir,

[00:08:12] para fazer as coisas que eu tenho vontade de fazer.

[00:08:14] E assim eu vou construindo, o projeto eu penso,

[00:08:16] assim eu vou compartilhando, vou fazendo todo esse movimento.

[00:08:18] Então, essa mistura das pessoas só aprenderem no trabalho

[00:08:23] e que vêm usar o trabalho,

[00:08:25] para se expressar artisticamente, isso dá muita confusão.

[00:08:28] Porque você precisa criar espaços na sua vida pessoal

[00:08:30] para que você tenha tempo de fazer outro projeto,

[00:08:32] de fazer seus experimentos e tal.

[00:08:35] Aí eu entendo que às vezes é correria,

[00:08:36] não sei se o pessoal está fazendo muita hora extra agora,

[00:08:40] como é que está o mercado em relação a isso,

[00:08:42] mas no meu tempo, quando eu trabalhava em uma empresa,

[00:08:47] eu trabalhava presencial e tudo mais,

[00:08:50] tinha muito isso, da galera ficar preso na ineficiência,

[00:08:54] trabalhando.

[00:08:55] Por muitas horas, até tarde, fazendo lixo.

[00:08:58] E acho que é isso que a gente tem que ser criterioso e impedir.

[00:09:01] Por isso que o teste é tão importante, as técnicas são fundamentais.

[00:09:04] E não dá para você resolver um problema de gestão

[00:09:08] sem a tecnologia redonda, isso não dá.

[00:09:11] Então, se o cara quer botar Scrum e não faz teste automatizado,

[00:09:14] pode parar, manda todo mundo para a praia que vai gastar menos.

[00:09:18] É, está lá no, eu não sei se é no Scrum que está isso,

[00:09:20] mas no XP com certeza está,

[00:09:22] fala sobre a questão da excelência técnica.

[00:09:24] Então, se você tem um time, cara, que você quer colocar,

[00:09:26] usar uma metodologia ágil, sem uma excelência técnica ali,

[00:09:29] você provavelmente vai ter problema.

[00:09:31] Daí, o *** fez uma pergunta aqui no chat,

[00:09:34] mas eu queria pedir para você abrir o microfone,

[00:09:36] se você puder, para você perguntar aqui ao vivo,

[00:09:38] acho que vai ser mais interessante.

[00:09:40] Pode ser?

[00:09:41] Claro, claro.

[00:09:43] Agora sou eu.

[00:09:45] Boa, boa Henrique.

[00:09:47] Cheguei a fazer um treinamento contigo há muitos anos atrás também,

[00:09:49] foi muito maneiro, legal você estar aqui.

[00:09:52] Cara, eu tenho uma dúvida aqui,

[00:09:53] eu acabei de sentar uma pergunta aqui,

[00:09:54] que é uma dúvida da Steph e eu estou em um time

[00:09:56] onde eu preciso começar a entender como que eu posso gerar impacto cross-company,

[00:10:01] só que eu trabalho para um chefe que ele é muito bom,

[00:10:04] só que ele ainda é um pouco inexperiente e assim,

[00:10:07] a abordagem dele comigo é, cara, não, você vai fazer aqui as tasks do time,

[00:10:13] vai continuar sendo tarefeiro,

[00:10:15] então como que eu posso lidar com esse cenário,

[00:10:18] para eu poder realmente ter esse impacto cross-company?

[00:10:22] Cara, a forma mais difícil,

[00:10:24] a forma mais rápida é a troca de chefe.

[00:10:27] Essa não tem jeito, porque é o seguinte,

[00:10:29] se para você, quando você sobe, virou Steph,

[00:10:34] quando você vai subindo na carreira,

[00:10:36] você, cara, eu não sei nem usar o Jira,

[00:10:40] eu não sei nem como é que é para fazer o ticket,

[00:10:43] qual o processo de ticket, porque como principal,

[00:10:46] o meu trabalho é ser o multiplicador,

[00:10:48] as coisas que eu faço tem que fazer todo mundo trabalhar 10 vezes melhor,

[00:10:52] entendeu?

[00:10:54] Então, essa é a parada muito importante, sabe?

[00:10:58] Se você tem uma boa relação com o cara e tudo mais,

[00:11:03] vai conversando, vai tentando ver qual é,

[00:11:05] aí não tem nada a ver com o trabalho, tem os hacks da vida mesmo,

[00:11:11] de você entender por que ele fala isso, quais são as dores que ele tem.

[00:11:14] Às vezes o cara está com uma equipe mais júnior

[00:11:17] e quer que você compense pela ineficiência da equipe,

[00:11:20] então ele espera que você faça as tarefas da equipe,

[00:11:23] porque ele acha que o tudo é bom,

[00:11:24] que o throughput vai ser mais alto.

[00:11:26] Mas, na verdade, não vai, é instintentável isso, né?

[00:11:29] Como staff, você é um multiplicador,

[00:11:31] as pessoas à sua volta têm que produzir 10 vezes mais

[00:11:34] do que sem a sua presença, entendeu?

[00:11:37] Então, a tua estratégia de programar,

[00:11:39] a tua estratégia de abordar as priorizações,

[00:11:41] o teu entendimento do negócio,

[00:11:43] e você começa a facilitar, a reduzir as pílulas de execução

[00:11:48] para o que é palatável para a equipe.

[00:11:50] O que eu peço para um júnior fazer, porque não sei o que peço,

[00:11:54] tem um manager que cuida da equipe,

[00:11:56] mas eu entro lá na equipe naquele projeto e eu direciono.

[00:11:59] Então, tem um júnior que às vezes vai ficar preso,

[00:12:02] encebando para fazer um design arquitetural.

[00:12:05] Eu boto o cara para fazer,

[00:12:06] faz um scriptzinho aqui que vai funcionar,

[00:12:08] resolve esse pedacinho.

[00:12:09] Ele não está vendo que depois dos 10 pedacinhos que ele fizer,

[00:12:12] eu vou conseguir sentar com ele e a gente vai juntar aquele troço

[00:12:15] e vai ficar um negócio maior.

[00:12:16] Então, mas eu já estou vendo lá na frente,

[00:12:18] eu consigo quebrar essas coisas e ir direcionando cada um

[00:12:21] de acordo com a sua necessidade, né?

[00:12:23] Então, porque é isso aí,

[00:12:23] o cara começa a produzir, a coisa começa a andar,

[00:12:26] o cara se sente animado, ele vai aprendendo com você,

[00:12:28] aumenta o grau de confiança e a equipe inteira produz melhor.

[00:12:31] Então, não tem nada que o staff ou o principal possam fazer

[00:12:37] que eles compensem a ineficiência do time.

[00:12:39] O que você tem que fazer é realmente alavancar a galera toda ao seu entorno.

[00:12:44] Essa é a minha visão, pelo menos.

[00:12:45] Isso faz todo sentido.

[00:12:47] No meu contexto em específico, acredito que seja esse cenário que você mencionou,

[00:12:51] de ter um time um pouquinho mais júnior e as coisas precisam caminhar.

[00:12:53] Um time um pouquinho mais júnior? O que você pode fazer?

[00:12:57] Eu fiz muito isso, fiz até na própria Routable, que é…

[00:13:02] Eu pego a galera mais júnior e falo assim, ó,

[00:13:04] vocês têm que fazer duas horas de Coding Dojo por semana

[00:13:07] e eu começo lá pra ensinar os caras e depois eu boto os caras pra bater cabeça

[00:13:11] e volto uma vez no mês.

[00:13:12] E o cara faz um ano daquela porra pra aprender a programar com teste,

[00:13:15] pra aprender a entender o que é que eu estou dizendo quando eu estou dizendo.

[00:13:19] Porque uma coisa é o que eu falo, outra coisa é o que eu digo.

[00:13:22] E o cara que não tem repertório,

[00:13:23] ele não tem essa capacidade de pegar a sutileza.

[00:13:25] E a sutileza é onde moram os detalhes, onde resolvem as coisas.

[00:13:29] Então acho que isso é você criar espaço no processo de trabalho da empresa

[00:13:34] pra você capacitar a galera. Porque a empresa escolheu contratar os júnior.

[00:13:37] Então a empresa já está com esse ônus aí na conta.

[00:13:39] Então o que você tem que fazer? Como é que você compensa isso?

[00:13:41] Você cria um processo de orientação dessa galera.

[00:13:44] E pra mim o Coding Dojo é a melhor parada que tem.

[00:13:46] Faz com Mob Programming, qualquer coisa que vale.

[00:13:49] E hoje em dia com as ferramentas online, cara, você faz isso com a mão nas costas.

[00:13:53] E tem muita gente, que foi meu aluno e tal, que vê…

[00:13:57] Eu vejo o cara que participou do Coding Dojo e o cara que não participou do Coding Dojo.

[00:14:01] É água e vinho, entendeu? A diferença é nítida.

[00:14:04] E pra você poder desenvolver essa capacidade…

[00:14:08] Pra mim o sintoma do júnior, quando eu sei que o cara é júnior,

[00:14:11] e ele tem um problema, a primeira coisa que ele faz é escrever um código.

[00:14:15] Porque ele já está pensando, tem que trabalhar com muitas coisas e tal.

[00:14:17] Ele não pensou ainda nos efeitos, nas entradas, nas saídas, ele está tudo embolado ainda.

[00:14:22] Então você precisa…

[00:14:23] E abrindo a cabeça do cara, e ele só vai conseguir fazer isso,

[00:14:26] se ele tiver que olhar pro processo em vez do resultado.

[00:14:30] Por isso que é tão difícil aprender técnicas avançadas no trabalho em si.

[00:14:35] Porque você tem que ter maturidade já pra conseguir fazer isso.

[00:14:37] Porque você, no dia a dia, você quer entregar o resultado.

[00:14:41] Só que pra você se melhorar, você tem que olhar o teu processo de trabalho.

[00:14:44] E vou dar exemplo.

[00:14:46] Eu uso Python, então eu tenho uma IDE que, cara, eu faço tudo lá.

[00:14:50] Eu não vou no GitHub pra fazer um request.

[00:14:52] É tudo, um comando, tá tudo funcionando.

[00:14:54] Tem gente que usa print pra fazer debug,

[00:14:56] que entra no servidor pro SSH pra fazer print no servidor de teste, o cara…

[00:15:00] Então é essa ineficiência que o cara nem percebe, nem sabe que tem esse problema.

[00:15:05] Pra ele, ele acha que…

[00:15:06] Por isso que eu fico brincando com a galera,

[00:15:07] que o cara tá usando o Vim, é porque ele não tá contando as horas que ele tá perdendo.

[00:15:12] Porque se tiver uma ideia pronta, com tudo integrado,

[00:15:15] ele vai ter menos esforço cognitivo pra poder trabalhar melhor.

[00:15:18] Claro que tem gente que já tá com muita experiência e tem capacidade de fazer as coisas,

[00:15:21] mas, no geral, via de regra, a minha visão tem sido essa, assim.

[00:15:27] A minha observação concreta, empírica dos fatos é essa,

[00:15:31] que são poucos os que dominam as ferramentas que usam, por exemplo.

[00:15:35] Então isso tudo é coisa que você tem que compensar e resolver na tua equipe,

[00:15:38] pra galera não parar de bater cabeça.

[00:15:41] Fazendo alguns comentários adicionais, acho que essa percepção de que,

[00:15:46] entre aspas, os devs estão te travando de você fazer outras coisas, cara, isso é incrível.

[00:15:51] Porque você percebeu um problema ali acontecendo.

[00:15:53] Quando eu digo problema é, cara, você quer atuar, vamos dizer assim,

[00:15:55] em iniciativas de mais alto valor, mas tem alguma coisa ali que o teu líder tá, cara,

[00:15:59] ele não quer te deixar sair porque tem um problema, beleza?

[00:16:01] Até faz algum sentido, tá? Até faz algum sentido.

[00:16:04] Então é importante, nesse caso, você entender como que o seu líder tá pensando.

[00:16:07] Então não é que ele não quer, vamos dizer assim, deixar você fazer outra coisa

[00:16:10] porque saiu da cabeça dele, do nada.

[00:16:12] Tipo, não, existe uma questão ali acontecendo que, enfim, ele entendeu que aquele, enfim,

[00:16:16] é mais importante você atuar na equipe, tá?

[00:16:18] Então, só de você entender isso,

[00:16:20] é importante que você já consegue dar um passo em relação a isso, né?

[00:16:23] Fazendo tudo que o Henrique falou, talvez algumas outras coisas, inclusive.

[00:16:27] Você tem que se antecipar ao teu chefe.

[00:16:29] Porque assim, não é o teu chefe que te bota pra trabalhar,

[00:16:31] é você que bota ele pra trabalhar, entendeu?

[00:16:34] É essa lógica que você tem que inverter.

[00:16:36] Porque o teu chefe é uma espécie de cliente.

[00:16:39] Então o cliente, você não espera o cliente dizer o que quer.

[00:16:42] Você que vai entender o problema do cliente,

[00:16:44] você que vai resolver o que o cliente tá…

[00:16:46] Se antecipar às necessidades do cliente, entendeu?

[00:16:48] Então essa é uma parada muito importante.

[00:16:50] Muito bom, muito bom.

[00:16:51] Acho que esse é um ponto.

[00:16:52] Um outro ponto que eu queria ainda adicionar, além disso,

[00:16:55] e já passo pra você, Rafael, rapidinho,

[00:16:57] é que na sua posição como staff, isso aqui talvez doa um pouco, tá?

[00:17:01] Pelo seguinte, só dando um contexto.

[00:17:03] Outro dia eu tava conversando com uma pessoa lá da empresa

[00:17:07] sobre a posição de tech lead e tal, de liderança de maneira geral.

[00:17:10] Um negócio que eu comentei com essa pessoa foi assim,

[00:17:13] quando a pessoa tá numa posição de liderança,

[00:17:15] o staff, o especialista, independente de como a empresa chama,

[00:17:18] o esperado não é que a empresa

[00:17:20] vai passar tarefas pra pessoa.

[00:17:21] O esperado, até isso eventualmente acontece,

[00:17:23] mas o esperado é que essa pessoa entenda o que tá acontecendo no ambiente dela

[00:17:27] pra que ela traga o que deve ser feito.

[00:17:29] Então uma pessoa especialista, vamos dizer assim, daí pra frente,

[00:17:32] especialista, staff, principal, por aí vai,

[00:17:34] é que essa pessoa traga as demandas ali de alguma forma, né?

[00:17:37] Pelo menos em algum grau isso aconteça.

[00:17:39] Então pra você, acho mega importante você conseguir entender

[00:17:42] o que tem de importante na empresa como um todo pra você atuar

[00:17:45] e que talvez até seja mais importante do que atuar dentro da equipe.

[00:17:48] Esse é um ponto.

[00:17:50] E dando um passo além disso,

[00:17:52] é super importante que você saiba também articular

[00:17:55] qual o valor que tá ali fora, porque uma coisa é você enxergar,

[00:17:58] outra coisa é você conseguir colocar isso pra fora

[00:18:00] pra que o seu líder entenda que de fato, pô, não, realmente,

[00:18:02] aqui você tá, vamos dizer assim, ajudando a entregar essa funcionalidade,

[00:18:05] cara, ali você tá ajudando 50 outros devs que, cara,

[00:18:07] vão entregar muitas funcionalidades, então é melhor você atuar fora.

[00:18:10] Então quando você consegue articular esse tipo de coisa,

[00:18:12] vai facilitar muito mais pra você conseguir fazer

[00:18:15] o que você tá enxergando como o que é mais importante.

[00:18:18] Show?

[00:18:20] E aí, galera?

[00:18:21] Eu queria, na verdade, complementar aí o que o Henrique falou

[00:18:25] e você também, Edu, sobre esse lance da capacidade do dev

[00:18:30] se adiantar e dar a tarefa pro líder.

[00:18:33] Na verdade, os times que eu mais tenho orgulho de ter trabalhado

[00:18:37] eram esses times que, tipo assim, praticamente toda dele a gente falava,

[00:18:42] olha, travei aqui e líder, preciso de você, me ajuda aí, me desbloqueia.

[00:18:46] Foram os times que eu mais aprendi, foram os times mais performáticos,

[00:18:50] e assim, não tenho, obviamente, aqui algo científico pra comprovar,

[00:18:54] mas a correlação, ela é, sei lá, muito clara, é gritante até.

[00:18:59] Então, realmente, acho que faz todo sentido esse tipo de dinâmica.

[00:19:02] Muito bom, cara, muito bom.

[00:19:04] Boa.

[00:19:06] Daí, eu queria te fazer outra pergunta, Henrique, que é o seguinte.

[00:19:10] Você até chegou a passar um pouquinho nesse tema,

[00:19:13] mas eu queria aprofundar um pouco nele.

[00:19:14] Porque assim, a gente que é mais experiente, a gente entende a importância de uma pessoa líder,

[00:19:19] ter algum contato com o negócio.

[00:19:21] A ideia não é que ela seja a pessoa de negócio,

[00:19:23] mas ela precisa entender minimamente como o negócio funciona, né?

[00:19:26] Daí, vamos assumir que quem tá aqui com a gente, até quem assistir isso aqui depois,

[00:19:31] ou ouvir depois, é uma pessoa que tem interesse, vamos dizer assim,

[00:19:34] de dar uma guinada pro negócio, entender um pouco mais,

[00:19:36] quais são, talvez, os primeiros passos que essa pessoa pode dar

[00:19:39] pra conseguir se aproximar um pouco mais de negócio ali na empresa que ela tá trabalhando?

[00:19:44] Cara, fazer pergunta. Aprender a fazer pergunta.

[00:19:47] E eu faço muito isso.

[00:19:48] Eu já fiz muito isso.

[00:19:50] Eu lembro que, quando eu queria entender um negócio, eu faço pergunta aberta.

[00:19:52] Porque as pessoas, geralmente, elas querem, de novo, é o foco no resultado.

[00:19:57] Aí você perde o foco do processo.

[00:19:59] Você consegue, né?

[00:20:00] Quando você tá numa empresa, toda empresa tem um mafiograma.

[00:20:03] Meu amigo Fábio Akita tem essa frase, essa expressão que eu adoro, que é mafiograma.

[00:20:07] Que é quem é amigo de quem, quem não gosta de quem, quem fala com quem.

[00:20:10] Você tem que construir isso, tem que se inserir nesse processo.

[00:20:13] Então, esse processo, essa inserção, ela se dá com você criando relacionamentos.

[00:20:18] E qual é a forma de você se relacionar com alguém?

[00:20:23] Você faz pergunta aberta, ouve atentamente e ajuda no que pode.

[00:20:28] Às vezes, eu nem posso ajudar as pessoas,

[00:20:30] mas eu já sei que o outro cara tem um pouco de coisa dentro daquilo,

[00:20:34] eu faço a ponte.

[00:20:35] Isso é suficiente pra você se tornar notável,

[00:20:37] pra pessoa conseguir te notar e dizer,

[00:20:39] porra, quando eu tive uma merda lá, o Henrique também ajudou.

[00:20:41] Então, quem não tem a bagagem, tem que ter o quê?

[00:20:45] Tem que ter a fome, entendeu?

[00:20:46] Tem que ter esse processo de você,

[00:20:48] de você fazer a experiência, se relacionar com as pessoas.

[00:20:51] E chamar o cara, chamar o cara de venda pra bater um passo,

[00:20:53] chamar o cara de…

[00:20:55] Esse negócio de se comportar como oxigênio,

[00:20:58] onde tem um espaço, você se mete pra saber o que é,

[00:21:01] e não pra bancar o herói.

[00:21:02] Então, quando você tá ali, sempre disponível,

[00:21:05] fazendo perguntas, perguntas abertas, bolas,

[00:21:08] pra ouvir o que a outra pessoa, pra deixar pensando no que o cara tá dizendo.

[00:21:10] Pelo que você não entenda, você registra,

[00:21:12] e aí você vai refletindo sobre isso.

[00:21:16] Você vai ouvir o que o cara tá dizendo,

[00:21:17] vai refletir sobre isso.

[00:21:19] E você vê como é que você pode ajudar.

[00:21:20] Às vezes você ajuda fazendo uns 50zinhos, às vezes você ajuda…

[00:21:23] Pô, gente, já ajudei o cara de venda fazendo uma macro no Excel, entendeu?

[00:21:27] Já ajudei o cara de marketing, porra,

[00:21:29] ajudando ele a navegar lá no meio chip da vida que ele usava lá,

[00:21:33] que aí ele não tava entendendo como é que era.

[00:21:34] Então, você se coloca disponível pras pessoas, entendeu?

[00:21:37] E aí você começa a ficar ouvindo, aí você começa.

[00:21:39] Conversa com um, conversa com o outro, conversa com o outro,

[00:21:41] você começa a se relacionar, e as pessoas começam a lembrar de você.

[00:21:44] Quando o cara tem uma ideia, e acontece…

[00:21:46] Cara, rapaz, será que…

[00:21:47] O cara faz isso, o cara me liga, ele não vai no suporte, ele me liga.

[00:21:51] Cara, tu sabe se isso aqui funciona e tal, não sei o quê?

[00:21:53] Eu vou… Calma aí, deixa eu pesquisar com você.

[00:21:55] Vou, vejo.

[00:21:55] Aí eu falo com o cara do suporte,

[00:21:56] faço um problema de um cara pra fazer a ilusão de um com o outro, entendeu?

[00:21:59] Então, não tem desculpa pro cara que é mais júnior

[00:22:04] não ter acesso a essas coisas, entendeu?

[00:22:06] O que ele tá fazendo é esperando alguém dizer pra ele o que pode fazer.

[00:22:11] Mas as pessoas estão disponíveis na empresa, é contato.

[00:22:13] Se você estivesse na fila do banco,

[00:22:15] você tinha essa capacidade de fazer amizade, porra.

[00:22:17] Você vai ligar, vai…

[00:22:17] Conversar com alguém, vai perguntar, e não é.

[00:22:20] E aí tem uma confusão.

[00:22:21] Ah, mas eu sou introvertido, porque eu sou mais de tecnologia,

[00:22:23] eu sou mais tímido e tal.

[00:22:25] Não é pra você falar de você.

[00:22:26] Aí não precisa saber nada de você.

[00:22:28] Não precisa saber nem seu nome.

[00:22:30] Às vezes, eu faço um experimento dessas vezes.

[00:22:31] Você vai, começa a fazer pergunta com alguém,

[00:22:34] começa assim, porra, calor, né?

[00:22:36] Calor hoje, né?

[00:22:37] Eu vou pôr um mengão, aí você vai caindo, porra, legal, não sei o quê.

[00:22:40] Daqui a pouco você vai estar conversando mesmo, perguntando pro cara.

[00:22:42] Pô, legal, será que tem esse andar aqui?

[00:22:44] O que é esse andar aí que você tá indo?

[00:22:45] Aí você vai fazendo perguntas.

[00:22:46] Aí você vai fazendo perguntas, o cara não sabe nem teu nome.

[00:22:49] Tu tá meia hora fazendo pergunta, o cara tá falando, você abrindo.

[00:22:52] Ele acha que você já é meu brother, entendeu?

[00:22:55] E você tá ali, genuinamente interessado na pessoa, entendeu?

[00:22:59] É isso que abre as portas, você ter interesse genuíno nas pessoas, né?

[00:23:02] E isso, cara, não custa nada.

[00:23:04] Isso é só um pouquinho de treino.

[00:23:07] O interessante disso é que…

[00:23:10] Você até comentou, né?

[00:23:11] Que a pessoa não precisa ser sênior, pode ser um júnior ali.

[00:23:13] Que assim, a sensação da pessoa que tá te acessando,

[00:23:16] é de que ela talvez te passa alguma coisa,

[00:23:19] talvez uma dificuldade que ela tenha,

[00:23:20] e que no final vai ser resolvido.

[00:23:21] Mas talvez você nem resolveu nada,

[00:23:23] você só falou com outra pessoa que foi lá e resolveu,

[00:23:25] você só fez a ponte.

[00:23:26] Mas a percepção dela, não, cara.

[00:23:28] Tipo, eu consigo confiar nessa pessoa, eu falo pra ela, cara.

[00:23:30] Os problemas são resolvidos assim, de repente, sabe?

[00:23:33] E eu sempre falo assim, cara, ó.

[00:23:34] Fala com esse fulano aqui, porque esse cara parece que manja.

[00:23:37] Então fala com ele aqui, mas se ele não resolver,

[00:23:39] me liga que eu vou te arrumar outra pessoa.

[00:23:41] Irmão, eu não sei fazer a parada,

[00:23:43] mas eu vou sacudir a rede e encontrar alguém pra ajudar, entendeu?

[00:23:46] Isso faz uma diferença, cara.

[00:23:48] E você está falando, Henrique?

[00:23:51] As coisas mais caras da vida são financiadas por um banco dos favores.

[00:23:57] Isso aí, meu irmão, é batata.

[00:23:59] E o que você tá falando, Henrique, é basicamente, vamos dizer assim,

[00:24:02] é uma aulinha de como você consegue ganhar influência

[00:24:05] no ambiente que você tá, como você consegue se tornar mais influente.

[00:24:07] E naturalmente, em algum momento, vai tocar no negócio.

[00:24:09] Eu acho que é ser notável.

[00:24:10] Eu acho que é ser notável é melhor do que ser influente.

[00:24:12] Você não influencia ninguém.

[00:24:13] Você não tá ali dizendo o que a pessoa vai fazer.

[00:24:15] Você é notável.

[00:24:16] Ele sabe quem você é, lembra de você.

[00:24:19] E quando você precisar, ela vai saber quem você é.

[00:24:21] Mas você passa ali despercebido.

[00:24:22] Você fica meses sem falar com o cara,

[00:24:24] mas ele nunca vai esquecer que você já ajudou ele.

[00:24:27] Total, total.

[00:24:28] E um negócio que eu super indico também pra quem,

[00:24:31] especialmente pra quem quer começar dentro da equipe,

[00:24:34] de um jeito mais simples, é senta com a pessoa que é líder de produto da equipe,

[00:24:37] que a maioria das equipes hoje tem,

[00:24:39] Product Manager, Product Owner, independente de como é chamado.

[00:24:41] Ainda que seja até um stakeholder, uma pessoa de uma outra equipe.

[00:24:44] Cara, senta com ela e pergunta.

[00:24:46] O que você tá buscando aqui resolver?

[00:24:48] O que você pretende entregar?

[00:24:49] Vamos dizer assim, o que você tá enxergando de valor nos próximos três meses?

[00:24:52] Cara, quer entender um pouquinho a tua visão.

[00:24:53] Onde você quer que a gente chegue com o negócio, com o produto?

[00:24:55] Me conta um pouquinho aí.

[00:24:57] Deixa a pessoa falar.

[00:24:58] A chance dela, vamos dizer assim, reconhecer em você como uma pessoa

[00:25:02] que realmente quer ajudar é muito grande.

[00:25:05] E a chance dela querer, vamos dizer assim, se aproximar de você também é muito grande.

[00:25:09] Então, cara, cheiro e proveito é simples.

[00:25:10] É dentro da equipe, não precisa nem ir muito longe, sabe?

[00:25:13] Então, eu acho que um passo desse aí já é super importante pra quem, de fato,

[00:25:16] quer se aproximar de negócio depois.

[00:25:17] O detalhe do negócio você aprende depois.

[00:25:19] Total. E tem a coisa básica.

[00:25:21] Saiba usar o software que você tá fazendo.

[00:25:24] Tem um monte de programador que nem logou, nem entrou, nem criou um cenário,

[00:25:28] nem explorou a ferramenta.

[00:25:30] Saiba usar o software que você tá fazendo, mano.

[00:25:32] Porque aí você vai entender a cabeça de quem tá usando,

[00:25:33] vai entender a cabeça do cara de produto,

[00:25:35] vai poder adaptar, vai poder saber nas conversas do mais alto nível

[00:25:38] o que que tá acontecendo, o que que o software faz, o que que não faz.

[00:25:41] Então, tem que saber usar.

[00:25:43] Não é só, ah, aqui eu sei fazer o deploy.

[00:25:45] Isso aí é um detalhe.

[00:25:46] Deveria ser automático e inclusivo.

[00:25:49] Muito bom, muito bom.

[00:25:50] Alguém fazer um comentário aqui?

[00:25:51] Alguma pergunta sobre esse ponto?

[00:25:53] Da parte de negócio.

[00:25:54] Posso fazer uma pergunta rapidinho sobre essa questão de negócio?

[00:25:58] Fala.

[00:25:59] Henrique, eu trabalho hoje numa equipe que ela é voltada pra projetos rápidos,

[00:26:06] tiros rápidos.

[00:26:07] Eu trabalho numa consultoria.

[00:26:09] E aí, nessa questão, eu não fico fixo numa…

[00:26:12] Eu tenho uma equipe fixa, porém não uma equipe fixa

[00:26:15] para um projeto específico.

[00:26:17] E aí, pra pegar essa parte de questão de negócio,

[00:26:20] eu, pelo menos, me sinto um pouco mais prejudicado.

[00:26:24] Tipo, eu não consigo pegar o negócio daquele projeto específico de ponta a ponta.

[00:26:30] Eu tenho que chegar, aprender o projeto em uma semana,

[00:26:34] programar em quatro sprints e entregar.

[00:26:38] Então, nesse sentido, como que você talvez conseguiria…

[00:26:44] É mais uma dica que eu gostaria, tipo, pra poder fazer essa coisa

[00:26:48] de uma forma mais eficiente, sabe?

[00:26:51] Não sei se deu pra entender a viagem aqui.

[00:26:53] Eu…

[00:26:55] É, vamos lá.

[00:26:57] Entender de negócio não é você virar o PHD na coisa, né?

[00:27:01] Você tem que saber por que aquele software existe,

[00:27:04] como é que aquele software faz dinheiro,

[00:27:06] quanto é que as pessoas pagam pra aquele software, né?

[00:27:09] E na consultoria, tem alguém cobrando, alguém pagando você pra fazer alguma coisa.

[00:27:13] Então, quanto que estão pagando, né? Quanto que você ganha?

[00:27:16] Às vezes, você não tem informação, mas você consegue extrapolar a partir do quanto que você ganha.

[00:27:19] Acorda?

[00:27:21] E pra entender, por vezes, nunca dá pra fazer tudo, né?

[00:27:24] Você já pegou alguma consultoria que terminou no prazo?

[00:27:26] Eu nunca vi isso acontecer.

[00:27:28] Então, você sempre tem um problema.

[00:27:29] Então, a priorização é uma coisa muito importante.

[00:27:31] Então, ali, ao invés do entendimento do negócio, ele…

[00:27:35] Não o entendimento da empresa em si,

[00:27:37] mas o entendimento do por que aquele software existe,

[00:27:39] o que ele resolve e quais são as maiores dores

[00:27:43] de quem usa aquele produto.

[00:27:45] Isso, cara, qualquer um tem que conseguir te dizer.

[00:27:47] O cara que tá ali trabalhando contigo…

[00:27:49] A menos que você funcione como uma fábrica de software.

[00:27:51] Aí, você não tem acesso a nada.

[00:27:53] Aí, realmente, é ticket, programa e vai.

[00:27:55] Mas aí, a lógica é outra.

[00:27:58] E é muito difícil.

[00:27:59] Eu, na minha carreira, lá atrás, eu experimentei isso

[00:28:01] e escolhi não trabalhar com isso de jeito nenhum.

[00:28:04] Então, se eu trabalho com produto, eu não trabalho…

[00:28:06] Eu faço muita consultoria, tá?

[00:28:08] Consultorias, assim, cabeludas, complexas.

[00:28:10] Mas, na consultoria, você tá ali pra resolver.

[00:28:13] Resolver uma dor.

[00:28:14] E não apenas pra entregar umas ordens de serviço, entendeu?

[00:28:18] Então, eu não sei como é que é a tua realidade,

[00:28:19] mas tem que analisar isso.

[00:28:22] Se você não tem acesso a nada, no pior caso,

[00:28:24] você tá buscando um fábrica de software,

[00:28:26] então, eu acho que os focos são dois.

[00:28:29] O foco é você entender como é que te mede

[00:28:31] e entregar o mais rápido possível.

[00:28:34] Porque a métrica acaba sendo essa, né?

[00:28:37] Mas isso acaba sendo ruim pra carreira a longo termo.

[00:28:41] Então, acho que é isso que tem que balancear bem.

[00:28:43] É difícil falar isso.

[00:28:45] Faz algum sentido o que eu falei, não?

[00:28:47] Fez, fez total sentido pra mim.

[00:28:50] Até a questão…

[00:28:51] E qual é o teu cenário?

[00:28:54] Cara, meu cenário…

[00:28:55] Eu tenho acesso a…

[00:28:56] É fábrica de software ou não?

[00:28:57] Você tem acesso ou é fábrica de software?

[00:28:59] Eu tenho acesso, não é fábrica de software.

[00:29:01] Eu tenho acesso às pessoas, eu consigo tirar as dúvidas.

[00:29:04] Realmente, fez sentido.

[00:29:09] Você trabalha remoto ou presencial?

[00:29:11] Híbrido.

[00:29:12] Meu cliente não obriga que eu vá presencialmente,

[00:29:15] então, eu vou uma vez por semana, x tempo.

[00:29:21] Então, toda vez que você for, não almoce sozinho.

[00:29:23] Vai almoçar com alguém que você não conhece na empresa.

[00:29:26] Os barras no café, entendeu?

[00:29:27] Vai pra entender o que o cara faz.

[00:29:29] Pô, o que tu faz aí?

[00:29:30] Pô, vamos…

[00:29:31] Deixa eu te pagar um almoço.

[00:29:31] Já fiz muito.

[00:29:32] Deixa eu te pagar um almoço aí pra entender o que você faz.

[00:29:33] Eu falo, como assim?

[00:29:34] Eu quero entender o que se trabalha, pô.

[00:29:36] Vamos bater um papo e tal, não sei o quê.

[00:29:38] O cara acha meio estranho e tal.

[00:29:39] Pô, qual é o problema, pô?

[00:29:41] Ele trabalha contigo, cara.

[00:29:41] Eles só não se conhecem.

[00:29:42] Ainda vamos lá.

[00:29:43] Aí o cara, ah, tá bom, vamos lá.

[00:29:44] Tá bom.

[00:29:45] Vai começar, entendeu?

[00:29:46] Sim.

[00:29:48] Bom sentido.

[00:29:49] Valeu pela dica.

[00:29:51] Bom, tudo bom.

[00:29:52] Jorge?

[00:29:54] Uba, tudo bom, Henrique?

[00:29:55] Cara, você fez um comentário

[00:29:57] que não dá pra ser ágil sem testes automatizados.

[00:29:59] E eu já li algo sobre isso,

[00:30:01] mas eu confesso que ainda não deu aquele estalo pra mim.

[00:30:05] Você podia, tipo, dar uma pincelada sobre esse tema?

[00:30:08] Na verdade, o que eu li, você não pode ser ágil sem TDD.

[00:30:11] Nem só testes automatizados.

[00:30:12] Tá, vamos por partes, tá?

[00:30:15] Tem um amigo meu que escreveu um livro.

[00:30:19] Pode fazer uma indicação aqui, Edu?

[00:30:22] Claro, a vontade.

[00:30:23] Tem um livro que é A Fórmula da Eficácia, do Alisson Valles.

[00:30:28] É um grande amigo meu.

[00:30:30] Esse cara, pra mim, ele é o cara que mais sabe ágil no mundo.

[00:30:35] No mundo.

[00:30:36] Porque ele é o único cara que eu conheço que implementou,

[00:30:39] sobre o próprio risco,

[00:30:41] todas as técnicas nos negócios dele

[00:30:43] e saiu do outro lado corrigindo o que não funcionava

[00:30:46] e melhorando o que funcionava.

[00:30:47] Então, esse cara, pra mim, é fora do normal nesse quesito.

[00:30:51] E o livro dele mostra essa questão,

[00:30:53] porque o desafio na fórmula da eficácia é essa, né?

[00:30:55] Você tem uma dúvida.

[00:30:57] Você tem alguma coisa pra fazer.

[00:30:58] E o que você quer reduzir é o tempo entre uma dúvida

[00:31:02] e você ver algo funcionando.

[00:31:04] Você quer trazer isso pra zero.

[00:31:06] Então, a única técnica que traz isso pra literalmente zero é o TDD.

[00:31:11] Mas você fala assim, ah, mas eu tenho que usar o TDD.

[00:31:13] Cara, pra mim, o TDD, ainda que você não escreveu os testes,

[00:31:17] eu já tô fazendo um esquema do TDD,

[00:31:19] porque tem um processo de interação, de rodar.

[00:31:22] Não precisa ser que eu vou fazer o Unity teste daquele jeito ali.

[00:31:26] Não, a gente já fez o TDD com o Shell Script, entendeu?

[00:31:29] Depois que você entende a essência,

[00:31:31] você cria o teu método interativo e incremental,

[00:31:35] de você ter feedback constante.

[00:31:37] Você, a todo tempo, programei uma coisa.

[00:31:40] O que eu aprendi?

[00:31:41] O que eu programei não está funcionando até que eu tenha a prova de que ele funcione.

[00:31:45] É isso que eu tenho que trazer pra zero.

[00:31:46] Se eu trago isso pra zero de uma forma dinâmica,

[00:31:48] eu vou interagindo e vai crescendo e tudo o que eu tô fazendo tá funcionando.

[00:31:52] Então, eu nunca tenho um momento que o paciente tá morto, entendeu?

[00:31:55] Em cima da minha mesa, tá lá o programa.

[00:31:57] O que acontece?

[00:31:58] Às vezes, dá 30 minutos, você tá programando e cria um doido.

[00:32:00] Você fala assim, caralho, será que essa porra vai funcionar?

[00:32:02] Você nem rodou o trote pra fazer.

[00:32:04] Então, esse tempo, isso você tem que trazer pra zero.

[00:32:07] Porque é isso que te dá agilidade.

[00:32:08] Porque o que é agilidade?

[00:32:09] É você conseguir mudar.

[00:32:10] Mudar o software sem grandes impactos.

[00:32:14] Eu tenho que, todo dia, poder mudar como o software funciona sem grandes impactos.

[00:32:18] Às vezes, vai custar mais, vai mudar uma preguiça muito profunda.

[00:32:21] Beleza, mas você não vai experimentar o estado de espírito

[00:32:26] de não saber se a coisa vai funcionar ou não.

[00:32:29] Por quê?

[00:32:29] Porque tá tudo cercado.

[00:32:32] Pensa num médico que vai fazer uma cirurgia,

[00:32:36] numa comba enferrujada,

[00:32:38] batimento sem monitor cardíaco,

[00:32:40] sem monitor de respiração,

[00:32:42] sem saber a pressão do paciente,

[00:32:43] sem nada.

[00:32:44] Qual é a chance do cara matar o paciente?

[00:32:46] É total.

[00:32:47] Ele não tá vendo o que tá dentro.

[00:32:49] A gente não vê o que tá dentro do código.

[00:32:51] A gente não vê o código rodando na máquina.

[00:32:53] Então, qual é a garantia que a gente tem que o paciente tá vivo?

[00:32:55] É a porra do software funcionando.

[00:32:57] É o teste rodando e garantindo que aquelas suas hipóteses, elas são realmente válidas.

[00:33:02] E qual é o problema de você não ter teste?

[00:33:04] É que você não vai ser ágil.

[00:33:06] Você tá só fatiando o tempo ali.

[00:33:08] Por quê?

[00:33:09] Porque você vai perder muito tempo tentando consertar coisas

[00:33:13] que você deveria conseguir reproduzir instantaneamente.

[00:33:17] E aí você não consegue mudar o curso porque começa a enfileirar,

[00:33:21] vai empilhando as demandas porque você tá ali preso naquele bug maluco

[00:33:25] que você não tem teste, que você não sabe reproduzir,

[00:33:27] que a coisa não funciona.

[00:33:28] E aí você não consegue dar a resposta.

[00:33:30] Tem um tempo de resposta.

[00:33:31] Agilidade não é velocidade.

[00:33:33] As coisas são devagar.

[00:33:34] Programar demora.

[00:33:35] É difícil.

[00:33:36] Agilidade é o tempo de resposta.

[00:33:39] Pode ser devagar, mas o tempo de resposta tá ali, tá curto, entendeu?

[00:33:43] Então você sabe que tá chegando no seu destino.

[00:33:46] Então esse que é o grande…

[00:33:47] Recomendo o livro do Alisson porque ele mostra isso em diversos anos.

[00:33:51] E o lance do TDD é que as pessoas ficam no Twitter falando um monte de merda,

[00:33:56] mas o lance do TDD é que você não precisa usar ele,

[00:33:59] mas tem que dominar a técnica.

[00:34:01] Tem que dominar.

[00:34:02] Muda a forma de você pensar, muda você como programador.

[00:34:05] Então assim que você…

[00:34:06] Depois que você domina,

[00:34:07] depois que você pagou o preço de aprender,

[00:34:09] aprender aquilo profundamente,

[00:34:11] você escolhe quando usar ou não,

[00:34:12] porque é igual arte marcial.

[00:34:13] Você sabe dar todos os golpes.

[00:34:14] Tu escolhe qual golpe tu vai usar.

[00:34:16] Entendeu?

[00:34:17] Então agora, a negação de algo…

[00:34:21] Porque, porra, sei lá…

[00:34:24] Se o Twitter tá em chamas, aí isso é uma perda de energia danada.

[00:34:28] E não adianta.

[00:34:30] Você não vai conseguir…

[00:34:31] E não é só TDD.

[00:34:32] Eu diria que não dá pra se agir se você não tem TDD,

[00:34:34] se você não tem integração contínua,

[00:34:36] se você não faz deploy todo dia,

[00:34:38] se você não tem teste automatizado rodando o tempo inteiro,

[00:34:40] se os merges não são automatizados…

[00:34:42] Tem uma porrada de coisa que você tem que ter

[00:34:44] pra ter um feedback de que,

[00:34:46] seja lá o que tá acontecendo,

[00:34:47] o software tá sempre funcionando.

[00:34:49] Entendeu?

[00:34:50] Então é essa a questão.

[00:34:51] Pra mim, botar em produção tem que ser várias vezes ao dia.

[00:34:54] Por quê?

[00:34:55] Porque você tá vendo…

[00:34:56] Agora, pra você botar em produção várias vezes ao dia,

[00:34:58] sem teste,

[00:34:59] porra,

[00:35:00] você não vai ter confiança de fazer isso.

[00:35:02] Então você tem que trazer um aparato

[00:35:04] que vai aumentar o teu grau de confiança

[00:35:06] pra você conseguir fazer tudo instantaneamente.

[00:35:11] Eu queria dar um exemplo aqui

[00:35:13] pra responder essa mesma pergunta,

[00:35:15] só que de um ângulo diferente,

[00:35:16] trazendo um caso real

[00:35:17] de uma equipe que…

[00:35:18] Eu estive próximo dessa equipe.

[00:35:19] O que aconteceu?

[00:35:20] A equipe, vamos dizer assim,

[00:35:22] era naquele formato muito tradicional,

[00:35:24] um pouco mais antigo até,

[00:35:26] de ter desenvolvedores de software,

[00:35:28] uma etapa de desenvolvimento de software,

[00:35:29] uma etapa de teste, teste manuais,

[00:35:31] e depois vinha o deploy de fato.

[00:35:33] Vinha um release ali.

[00:35:34] O que aconteceu ao longo do tempo?

[00:35:36] Quanto mais, vamos dizer assim,

[00:35:38] código era produzido,

[00:35:39] mais trabalho dava pra os testadores testarem manualmente.

[00:35:42] Então, mais funcionalidades,

[00:35:43] mais cenários ali pra eles passarem.

[00:35:45] E quanto mais cenários,

[00:35:46] mais tempo pra eles testarem.

[00:35:47] Então, conforme o tempo foi passando,

[00:35:49] ia demorando cada vez mais pra fazer entrega de fato,

[00:35:52] porque passava muito tempo testando.

[00:35:54] Daí, o que o pessoal começou a fazer?

[00:35:56] Começou a acumular várias funcionalidades

[00:35:58] pra quando fosse testar,

[00:35:59] testava tudo de uma vez só.

[00:36:00] Só que, porra, vai ter que represar isso aí,

[00:36:02] não vai entregar, vai represar.

[00:36:04] Daí, vamos dizer assim,

[00:36:05] a gente tinha algumas escolhas ali pra fazer, né?

[00:36:08] Tirando, vamos dizer assim,

[00:36:09] a possibilidade por hora,

[00:36:10] tirando a possibilidade de,

[00:36:11] pô, vamos parar e vamos fazer teste automatizado,

[00:36:13] porque a gente, ao longo do tempo,

[00:36:14] vai resolvendo esse problema.

[00:36:15] Vamos tirar isso, colocar isso de lado agora?

[00:36:17] Vamos pensar em duas possibilidades

[00:36:18] que a gente tinha imediatas ali.

[00:36:20] Uma delas era,

[00:36:21] cara, vamos parar de fazer teste automatizado

[00:36:23] e a gente vai correr um mega risco aqui,

[00:36:25] em toda entrega que a gente for fazer.

[00:36:26] Será que a gente tá disposto a isso?

[00:36:27] A ficar corrigindo bug em produção?

[00:36:29] Enfim, é uma pergunta que a gente tem que fazer.

[00:36:30] Talvez sim, talvez não.

[00:36:31] Depende do cenário.

[00:36:32] Mas é um risco que a gente tá correndo.

[00:36:34] Ou outro caso é,

[00:36:35] cara, quer saber?

[00:36:36] Vamos continuar fazendo teste automatizado,

[00:36:37] vamos esperar pras entregas demorarem pra sair.

[00:36:39] É isso.

[00:36:40] Então, quando a gente tá falando de agilidade,

[00:36:41] a gente tá falando justamente desse tempo

[00:36:43] crescente ao longo do tempo,

[00:36:44] que a gente tem que fazer alguma coisa ali,

[00:36:45] manualmente,

[00:36:46] provavelmente, é manualmente,

[00:36:48] pra gente garantir que tem,

[00:36:49] tentar, né?

[00:36:50] Garantir que tem uma certa qualidade

[00:36:52] pra gente botar em produção.

[00:36:53] A pergunta é,

[00:36:54] será que é por esse caminho que eu quero seguir?

[00:36:56] Ou é melhor ter, de fato,

[00:36:57] teste automatizado, implementando isso,

[00:36:58] ainda que seja aos pouquinhos ao longo do tempo,

[00:37:00] até ter uma cobertura legal

[00:37:01] que a gente consiga confiar minimamente

[00:37:03] no software que a gente tem que usar?

[00:37:04] Porque a gente tá entregando, sabe?

[00:37:05] Então, é disso que a gente tá falando.

[00:37:06] A gente tá falando de entregar uma funcionalidade,

[00:37:08] talvez em um, dois dias,

[00:37:09] em vez de entregar em um, dois meses,

[00:37:10] porque tem que ficar parado na fila

[00:37:11] esperando alguém manualmente testar aquilo, sabe?

[00:37:14] Então, esse foi um cenário real, assim,

[00:37:16] que eu peguei de uma equipe que eu vi.

[00:37:18] É, nesse aspecto,

[00:37:20] tem também o lance da criatividade, né?

[00:37:22] Que chega assim,

[00:37:23] ah, não, a gente tem que fazer essa feature aqui,

[00:37:25] porque vai ter um impacto no negócio e tal,

[00:37:27] não sei o quê.

[00:37:28] Beleza.

[00:37:29] Aí é o trabalho de entrar pra frente.

[00:37:30] Então, beleza.

[00:37:32] A última feature que a gente fez,

[00:37:33] quanto tempo foi?

[00:37:34] Quanto tempo levou pro pessoal de vendas vender?

[00:37:37] Ah, não.

[00:37:38] Levou três meses.

[00:37:39] Beleza.

[00:37:40] E quantas pessoas,

[00:37:41] quantas vendas a gente teve em três meses?

[00:37:43] Ah, teve duas.

[00:37:44] Beleza.

[00:37:45] Então, eu posso fazer uma arquitetura

[00:37:46] que vai funcionar pra todo mundo,

[00:37:47] mas a primeira versão pode funcionar pra um cara só,

[00:37:49] não pode?

[00:37:50] Que é outra coisa.

[00:37:51] Você reduz o custo arquitetural

[00:37:54] pra você conseguir…

[00:37:55] Eu fiz isso.

[00:37:56] A gente lançou uma feature outro dia

[00:37:57] pra um cara que tava lá,

[00:37:58] não tem nem banco de dados.

[00:38:00] Eu peguei o dicionário,

[00:38:02] o objeto lá modelado,

[00:38:03] bonitinho,

[00:38:04] já peguei o objeto lá,

[00:38:06] meti no Redis lá,

[00:38:07] resolvi o problema do cara,

[00:38:08] tá funcionando.

[00:38:09] O cara saiu da urgência.

[00:38:10] Agora eu tenho tempo pra poder…

[00:38:11] Calma aí, deixa eu pegar isso aqui.

[00:38:12] Qual é o modelo de banco?

[00:38:13] Como é que vai funcionar?

[00:38:14] Então, assim,

[00:38:15] você começa,

[00:38:16] porque tá tudo acertado com teste,

[00:38:18] a implementação vira um detalhe.

[00:38:21] E aí você pode implementar,

[00:38:22] eu posso gravar no arquivo, no disco,

[00:38:24] eu posso gravar no banco de dados,

[00:38:25] eu posso enviar pela rede,

[00:38:26] eu posso deixar na memória.

[00:38:28] Você pode fazer com tanta técnica,

[00:38:29] com tanta coisa,

[00:38:31] que te dá flexibilidade.

[00:38:33] Você ganha muita velocidade.

[00:38:34] Então, assim,

[00:38:35] as pessoas já sabem

[00:38:36] que não dá pra fazer teste.

[00:38:37] Cara,

[00:38:38] você tá fazendo errado,

[00:38:39] porque o fato de fazer com teste

[00:38:40] permite que você faça as coisas

[00:38:41] muito mais rápido.

[00:38:42] Essa é a minha experiência.

[00:38:43] Muito bom.

[00:38:44] Daí eu queria abrir o microfone aqui

[00:38:45] pra vocês trazerem outra pergunta

[00:38:46] que vocês quiserem.

[00:38:47] A gente fica super à vontade, tá?

[00:38:48] Quem quiser trazer,

[00:38:49] é só abrir o microfone e falar.

[00:38:50] Eu tenho uma questão aqui

[00:38:51] pra levantar,

[00:38:52] só pra entender.

[00:38:53] O quanto,

[00:38:54] na visão sua,

[00:38:55] Henrique,

[00:38:56] também,

[00:38:57] em termos de…

[00:38:58] Quando o tech lead,

[00:38:59] ele…

[00:39:00] Ele tem uma…

[00:39:01] Ele tem uma…

[00:39:02] Ele tem uma…

[00:39:03] Ele tem a parte de gerenciar

[00:39:04] toda a equipe

[00:39:05] e a parte técnica,

[00:39:06] mas ele também tem que

[00:39:07] pôr a mão na massa

[00:39:08] e programar,

[00:39:09] desenvolver.

[00:39:10] O quanto isso pode atrapalhar

[00:39:11] o gerenciamento

[00:39:12] dos projetos técnicos?

[00:39:13] Em termos de percentuais,

[00:39:14] pra uma ideia de…

[00:39:15] O que seria…

[00:39:16] O cara programa ainda,

[00:39:17] tem que ficar

[00:39:18] pôndo a mão na massa,

[00:39:19] mas ele tem que,

[00:39:20] também,

[00:39:21] gerenciar.

[00:39:22] Então,

[00:39:23] qual que seria uma…

[00:39:24] Uma coisa legal,

[00:39:25] assim,

[00:39:26] tipo,

[00:39:27] tantos porcento pra isso

[00:39:28] e pra aquilo?

[00:39:29] Se tem essa base,

[00:39:30] se tem uma ideia,

[00:39:31] não sei se vocês

[00:39:32] me entenderam.

[00:39:33] Entendi,

[00:39:34] assim.

[00:39:35] Entendi.

[00:39:36] Não, pra mim,

[00:39:37] o Tech Lead tem que gastar

[00:39:38] 0% gerenciando a equipe

[00:39:39] e 100%

[00:39:40] gerenciando o projeto.

[00:39:41] Tech Lead

[00:39:42] não faz gestão de pessoas,

[00:39:43] faz gestão de código.

[00:39:44] Tem que ter um gerente,

[00:39:45] um manager

[00:39:46] que faça gestão das pessoas.

[00:39:47] Entendeu?

[00:39:48] O cara tá com dor de barriga,

[00:39:49] o cara, entendeu,

[00:39:50] tá com problema pessoal,

[00:39:51] o cara…

[00:39:52] Tech Lead

[00:39:53] não tem nada a ver com isso.

[00:39:54] Entendeu?

[00:39:55] E Tech Lead

[00:39:56] que dá tarefa,

[00:39:57] faz ticket assignment,

[00:39:58] também,

[00:39:59] porra.

[00:40:00] Que equipa é essa

[00:40:01] que o cara não puxa

[00:40:02] o que ele vai fazer?

[00:40:03] Quer dizer,

[00:40:04] então,

[00:40:05] eu vejo muito isso de…

[00:40:06] Na minha época,

[00:40:07] na minha época,

[00:40:08] quando eu sou mais velho,

[00:40:09] na minha época tinha

[00:40:10] o tal do coordenador.

[00:40:11] Aí o coordenador

[00:40:12] era um manager,

[00:40:13] ele não diria manager.

[00:40:14] Aí as pessoas falavam

[00:40:15] de Tech Lead.

[00:40:16] Não é Tech Lead.

[00:40:17] Se perguntar uma parada

[00:40:18] de como é que tá o sistema,

[00:40:19] uma questão arquitetural,

[00:40:20] ele não sabe responder.

[00:40:21] Ele vai ter que conversar

[00:40:22] com alguém.

[00:40:23] Então,

[00:40:24] não é Tech Lead.

[00:40:25] Entendeu?

[00:40:26] Então,

[00:40:27] o Tech Lead,

[00:40:28] ele faz,

[00:40:29] ele cuida do Tech.

[00:40:30] Ele lidera

[00:40:31] a parte Tech.

[00:40:32] Agora,

[00:40:33] então,

[00:40:34] eu acho que o Tech Lead

[00:40:35] é um cara mais hands-on mesmo.

[00:40:36] É um cara que tá subindo,

[00:40:37] que nem nosso amigo mais

[00:40:38] na conversa anterior,

[00:40:39] é um cara que tá subindo

[00:40:40] numa carreira em Y,

[00:40:41] porque ele vai subir

[00:40:42] como liderança técnica,

[00:40:43] não liderança de gestão.

[00:40:44] Gestão tem o caminho da gestão.

[00:40:45] Vai fazer relatório

[00:40:46] pra caralho,

[00:40:47] vai fazer,

[00:40:48] entendeu?

[00:40:49] Vai discutir lá

[00:40:50] um monte de planilha,

[00:40:51] de anti-chat.

[00:40:52] O cara técnico

[00:40:53] é código na rua,

[00:40:54] sacou?

[00:40:55] É a discussão

[00:40:56] arquitetura,

[00:40:57] que é a estratégia

[00:40:58] observabilidade,

[00:40:59] conversar com outros Tech Leads

[00:41:00] das outras equipes

[00:41:01] pra poder discutir

[00:41:02] uma coisa.

[00:41:03] Pra gente comentar

[00:41:04] alguma coisa mais.

[00:41:05] Então,

[00:41:06] essa…

[00:41:07] Eu sei que o mercado

[00:41:08] às vezes tá meio atrasado.

[00:41:09] Tem empresas

[00:41:10] que ainda não tem

[00:41:11] esses dois papéis,

[00:41:12] né?

[00:41:13] Do Manager

[00:41:14] e do Lead, né?

[00:41:15] Do Tech Lead.

[00:41:16] Então,

[00:41:17] essa é uma coisa

[00:41:18] pra rever.

[00:41:19] O Manager aí,

[00:41:20] no caso,

[00:41:21] seria o Squad Leader,

[00:41:22] no caso,

[00:41:23] também?

[00:41:24] Ou seria totalmente

[00:41:25] diferente nesses pontos?

[00:41:26] Cara,

[00:41:27] pra mim,

[00:41:28] pra mim é tudo

[00:41:29] nome de…

[00:41:30] São nomenclaturas.

[00:41:31] Pra mim os termos

[00:41:32] não fazem sentido.

[00:41:33] Não importa.

[00:41:34] O importante é

[00:41:35] esse cara tá olhando

[00:41:36] pro código

[00:41:37] ou tá olhando

[00:41:38] pras pessoas?

[00:41:39] O Tech Lead

[00:41:40] não é o cara

[00:41:41] que vai dizer

[00:41:42] quem é que tá fazendo o quê.

[00:41:43] Isso é o Manager.

[00:41:44] O Tech Lead

[00:41:45] tá lá, meu irmão.

[00:41:46] Na guerra,

[00:41:47] junto com a galera.

[00:41:48] Entendeu?

[00:41:49] É o capitão do time.

[00:41:50] O capitão do time

[00:41:51] não tá no banco.

[00:41:52] Não tá lá.

[00:41:53] Não é o técnico,

[00:41:54] entendeu?

[00:41:55] O técnico

[00:41:56] é o Manager.

[00:41:57] O Tech Lead

[00:41:58] é o jogador.

[00:41:59] Tá lá no campo

[00:42:00] com a galera.

[00:42:01] Fazendo gol igual,

[00:42:02] xingando,

[00:42:03] pra gente finalizar aqui.

[00:42:04] Ou,

[00:42:05] seguir pro final,

[00:42:06] né?

[00:42:07] É…

[00:42:08] Agora,

[00:42:09] trazendo um pouquinho

[00:42:10] mais a parte técnica,

[00:42:11] como é que a gente…

[00:42:12] Como é que você indica,

[00:42:13] né,

[00:42:14] que…

[00:42:15] Enfim,

[00:42:16] líderes…

[00:42:17] Vamos dizer líderes técnicos

[00:42:18] aqui nesse caso, né?

[00:42:19] Como é que líderes

[00:42:20] ou pessoas além do nível sânio

[00:42:21] podem continuar

[00:42:22] se desenvolvendo

[00:42:23] tecnicamente

[00:42:24] depois de que ela…

[00:42:25] Pô, já são especialista ali.

[00:42:26] Talvez até trabalhe

[00:42:27] com a especialidade delas mesmo.

[00:42:28] Cara,

[00:42:29] como é que ela continua

[00:42:30] se desenvolvendo tecnicamente?

[00:42:31] Pra onde é que ela olha?

[00:42:32] Pra que é que ela dá

[00:42:33] o perfil de cada um, né?

[00:42:36] Eu tenho

[00:42:37] pessoas que trabalham comigo

[00:42:39] que são pessoas completamente diferentes

[00:42:41] de mim. Absolutamente diferentes.

[00:42:44] Tem gente que gosta de fazer

[00:42:45] uma coisa só e gosta de ir profundo

[00:42:47] naquilo ali. E aqui eu tenho valor pra empresa,

[00:42:49] com os senhores. Mas eu sou um bombeirão.

[00:42:52] Onde tá dando merda é

[00:42:53] onde eu me sinto em casa, sacou?

[00:42:55] Nem vou lá, resolvo. Também assim,

[00:42:57] não escrevo um relatório, não mando um e-mail.

[00:42:59] Eu vou onde tá dando merda. Eu chego lá,

[00:43:01] resolvo, tá tudo bem. Passou, pegou,

[00:43:03] tá beleza, vem embora, vai pra outra coisa.

[00:43:05] Então, o perfil,

[00:43:07] por isso que eu falo da maturidade. Não sei se você sabe qual é o teu perfil.

[00:43:10] Pô, eu tenho

[00:43:10] um staff que trabalha comigo

[00:43:13] que é o cara mais organizado da vida.

[00:43:15] O cara tem tudo escrito

[00:43:16] no Notion, bonitinho. Pô, eu não sei nem entrar

[00:43:19] no Notion, meu. O cara tem tudo organizadinho,

[00:43:21] o cara vai pra relatório

[00:43:23] e conversa do Slack e tal.

[00:43:25] Eu tô ali, de bobeira,

[00:43:26] por exemplo, quando é que tem fumaça aí?

[00:43:28] Tem fumaça, eu nem vejo fumaça pra resolver.

[00:43:30] Então, é perfil.

[00:43:32] Saca?

[00:43:33] Então, no meu perfil,

[00:43:35] por que que isso é bom? Eu vejo

[00:43:37] muitas coisas diferentes

[00:43:39] que me ajudam a questionar

[00:43:41] as minhas especializações.

[00:43:43] Então, aí eu vou estudar, eu vou correr atrás.

[00:43:45] Aí eu vou, calma aí.

[00:43:47] Como é que essa porra funciona?

[00:43:48] O que eu tava fazendo lá é vou lá pra ver

[00:43:50] vestido e tal. Então, é

[00:43:53] como eu aprendo, né?

[00:43:54] É puxado pela necessidade.

[00:43:57] Tem gente que tem um

[00:43:58] pensamento diferente. Tem um cara que é

[00:44:00] tem a cabeça mais de pesquisador e tal.

[00:44:02] Olha, é outra vibe. O cara vai olhar

[00:44:04] pra aquele negócio pro resto da vida, né?

[00:44:06] É a área dele, né?

[00:44:09] Agora, isso pra mim,

[00:44:10] eu achava que era uma coisa de estratégia profissional,

[00:44:13] de estratégia de carreira. Mas eu vi que não.

[00:44:15] Que é uma questão realmente de

[00:44:16] personalidade e autoconhecimento.

[00:44:19] De como é que você funciona.

[00:44:21] Porque isso é uma coisa

[00:44:22] importante também.

[00:44:24] Não é qualquer empresa que vai precisar de um cara

[00:44:26] que nem eu. Que tem esse perfil,

[00:44:28] sacou?

[00:44:31] Tem empresas que

[00:44:32] funciona de um outro jeito.

[00:44:34] Então, você tem que saber onde você vai se meter

[00:44:36] porque esse teu perfil tem um impacto

[00:44:38] muito grande. Isso vai

[00:44:39] te dar a superfície de contato

[00:44:41] pra gerar impacto no negócio.

[00:44:44] Então, eu tenho uma porrada de equipe

[00:44:45] que dá um monte de merda. Eu vou lá resolver.

[00:44:47] Tem galera boa. Trabalho junto, não sei o que.

[00:44:50] E vamos criando

[00:44:52] sempre assim. Eu resolvo um problema, mas eu não resolvo

[00:44:53] o problema. Eu resolvo um problema,

[00:44:56] eu já entendi como as coisas estão acontecendo.

[00:44:57] Cada problema que a gente resolve, vai colocando

[00:44:59] a empresa alinhada pra um futuro

[00:45:01] que, estrategicamente,

[00:45:02] é definido com os executivos.

[00:45:05] Então, o cara resolve um problema ali,

[00:45:07] vai criando uma infraestrutura devagarzinho.

[00:45:10] Problema a problema, comendo pela ribeirada,

[00:45:11] que vai direcionando pra aquele futuro desejado.

[00:45:14] Então, acho que isso é

[00:45:15] como eu faço. Isso me exige

[00:45:18] aprender sempre um monte de coisa, que é o meu

[00:45:20] perfil. Agora,

[00:45:22] muita

[00:45:22] conversa que tem, sabe? Então, eu faço

[00:45:26] muito isso. Eu não tenho muito saco de estar lendo

[00:45:28] livro, não sei o que. Então, geralmente,

[00:45:30] o cara escreveu o livro, beleza.

[00:45:31] Quem é o cara mais entusiasmado

[00:45:33] com aquele livro? Aí, eu vou atrás

[00:45:35] daquele cara. O cara me explica,

[00:45:37] não sei o que. Eu vou conversar, vou tomar

[00:45:39] uma cerveja. Cansei de pegar avião

[00:45:41] pra ter contato com os

[00:45:43] caras que saibam o que eu quero aprender.

[00:45:45] Essa é a questão da minha estratégia.

[00:45:48] Muito massa, muito massa.

[00:45:49] Bom, muito bom, Henrique. Se quiser

[00:45:51] passar uma palavrinha final pro pessoal aí, né? Enquanto a gente

[00:45:53] tem um tempinho aqui, cara, fica super à vontade. Mas,

[00:45:55] de qualquer forma, muito obrigado aqui pelo

[00:45:56] bate-papo que a gente teve aqui. Foi muito massa.

[00:45:59] Muito insight aqui que eu tive,

[00:46:01] né? Mas imagino que o pessoal também. E é isso,

[00:46:03] cara. Se quiser passar uma palavrinha aí, fica à vontade.

[00:46:06] Ah, tranquilo. Agradeço pelo convite,

[00:46:07] sempre à disposição aí. Parabéns

[00:46:09] pelo trabalho. Acompanho bastante aí pelo

[00:46:11] LinkedIn e tal. Também tô sempre lá no

[00:46:13] LinkedIn. Eu não uso muito rede social, mas

[00:46:15] tive uma fadiga disso aí

[00:46:17] há um tempo atrás. Tô um pouquinho

[00:46:19] lá no Twitter, mas no LinkedIn tô

[00:46:21] sempre lá acompanhando os amigos que esse trabalho

[00:46:23] deu bem, muito bacana.

[00:46:25] Boa, boa. Muito massa, cara.

[00:46:27] Então, muito obrigado aí. E já a gente começa

[00:46:29] a próxima palestra aqui, pessoal. Bom,

[00:46:31] valeu, pessoal. Fica com Deus aí. Abraço.