O jovem é mesmo preguiçoso? (participação especial: Luli Radfahrer)
Resumo
O episódio discute a percepção comum de que os jovens da geração atual são preguiçosos, narcisistas e descompromissados. Os participantes questionam essa visão, argumentando que ela é recorrente ao longo da história e muitas vezes baseada em recortes sociais limitados. Luli Radfahrer, professor com mais de 30 anos de experiência na ECA-USP, oferece uma perspectiva histórica sobre como as gerações se definem pelo que não querem ser, desde os hippies até a geração Z.
A conversa explora as diferenças entre millennials e a geração atual, destacando como a falta de referências sólidas (escola, igreja, família, emprego) e a influência das mídias sociais algoritmizadas moldam a identidade dos jovens. Discute-se também a relação das gerações com o trabalho, desde a promessa de estabilidade do CLT até a precarização do PJ e a busca por significado além da remuneração.
Os participantes refletem sobre como a geração atual enfrenta um mundo com excesso de opções e informações, o que pode levar a uma paralisia ou a uma busca por pertencimento em grupos. A discussão aborda ainda a importância de acolher os jovens em vez de julgá-los, reconhecendo que suas queixas muitas vezes ecoam as das gerações anteriores, mesmo que as respostas sejam diferentes.
No final, conclui-se que a crítica aos jovens é frequentemente infundada e que é preciso ouvi-los e entendê-los em seu contexto. A mensagem central é a importância do pensamento coletivo e da construção de um tecido social que dê sentido ao trabalho e à vida, além do mero aspecto financeiro.
Indicações
Podcasts
- Sambas Contados (podcast do Emicida) — Mencionado por Jéssica Corrêa, onde ela foi co-roteirista. O podcast explora relações entre o samba, sua história em São Paulo e Rio, e suas influências, conectando com temas como ciência, quadrinhos (Will Eisner) e Susan Sontag.
Linha do Tempo
- 00:06:34 — Introdução ao tema: jovens preguiçosos e narcisistas — Luiz Iaçuda apresenta o tema central do episódio: a ideia de que os jovens são taxados de preguiçosos, narcisistas e mimados. Ele problematiza essa visão, destacando que muitas vezes se baseia em recortes sociais limitados (como empresários da Faria Lima) e não reflete a realidade da maioria dos jovens brasileiros, que compõem a maior parte dos desempregados. A pergunta que norteia a discussão é lançada: o jovem é mesmo preguiçoso e egocêntrico?
- 00:10:00 — Luli Radfahrer responde à pergunta-título — Luli Radfahrer responde diretamente à pergunta do título: “Não, não é.” Ele começa a desconstruir a ideia, lembrando que os millennials também foram criticados no passado. Introduz o conceito dos “nem-nem” (que nem trabalham nem estudam) como uma “depressão artificial” promovida pela mídia, e argumenta que os jovens não querem repetir o modelo de vida de seus pais, que se mataram de trabalhar e ficaram “escravos” de grandes empresas.
- 00:16:15 — A definição por negação e a falta de modelos — Luli desenvolve a tese de que as gerações jovens se definem pelo que não querem ser, citando os hippies (contra a guerra) e os millennials (contra o modelo de trabalho dos pais). Ele argumenta que a geração atual não tem mais modelos sólidos para seguir, pois os pilares sociais (escola, igreja, família, emprego) estão esfacelados. Isso leva a uma busca por pertencimento e, por vezes, a um radicalismo como estratégia de sobrevivência e definição de identidade.
- 00:23:10 — Carreira e a diferença geracional na relação com o trabalho — A conversa se volta para como os jovens enxergam a carreira. Luli contrasta as gerações: a dele buscava estabilidade no serviço público; a dos millennials rompeu com o CLT pelo PJ; e a geração atual vê o PJ extremo (como Uber e iFood) e não quer isso. Ele destaca que os jovens hoje não têm um modelo para quebrar e estão desorientados, mas já entendem que a carreira não é eterna. A discussão inclui o relato pessoal de Jéssica sobre sua recusa inicial a um contrato PJ.
- 00:33:00 — Perda da fé nas instituições e busca por referências individuais — Os participantes discutem como a sociedade perdeu a fé nas instituições tradicionais (medicina, igreja, escola) e passou a acreditar mais em indivíduos (médicos, pastores, professores específicos). Luli vê isso como parte de uma evolução em espiral, onde a descrença nas estruturas pode levar, no futuro, à construção de novas referências coletivas. A esperança é apontada como característica fundamental do ser humano, especialmente do jovem, que é o pilar da sociedade futura.
- 00:40:37 — A busca por significado além do trabalho e a necessidade de acolhimento — Luli argumenta que é preciso dissociar o valor pecuniário do significado do trabalho. Ele defende que todos querem fazer algo com orgulho e que dê sentido, como o bombeiro ou o jardineiro que se orgulham de seu ofício. O problema, segundo ele, é a ficção de que o trabalho deve ser uma religião e fornecer toda a satisfação. A geração atual busca significado, e o desafio é acolhê-la, tratando-a como adultos que gostam de ser desafiados e respeitados.
- 00:46:00 — Conclusão: a importância de ouvir e não julgar os jovens — Luli conclui enfatizando a importância de ouvir os jovens em vez de julgá-los rapidamente. Ele afirma que, no fundo, todas as gerações reclamam da mesma coisa: fazer um trabalho sem sentido. A diferença está nas respostas dadas a cada geração (“cala a boca e trabalha” para os boomers, “vai encher a bunda de dinheiro” para a geração X, “monta sua empresa” para os millennials e “desmonta essa merda e divide o dinheiro” para a geração Z). A mensagem final é de acolhimento e construção coletiva.
Dados do Episódio
- Podcast: O Alvissareiro
- Autor: O Alvissareiro
- Categoria: Society & Culture
- Publicado: 2024-04-16T14:02:41Z
- Duração: 00:52:30
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/o-alvissareiro/ff475f20-107b-013c-f5d1-0acc26574db2/o-jovem-%C3%A9-mesmo-pregui%C3%A7oso-participa%C3%A7%C3%A3o-especial-luli-radfahrer/8a85e6c0-9258-4bb9-8386-c252da21b7a7
- UUID Episódio: 8a85e6c0-9258-4bb9-8386-c252da21b7a7
Dados do Podcast
- Nome: O Alvissareiro
- Tipo: episodic
- Site: https://www.spreaker.com/podcast/o-alvissareiro—5920998
- UUID: ff475f20-107b-013c-f5d1-0acc26574db2
Transcrição
[00:00:00] E aí moçada, e aí, aqui é Luiz Iaçuda, estamos começando um O Alvissareiro,
[00:00:28] depois de longas, longas férias, não é mesmo, Gabriel Prado?
[00:00:32] É isso mesmo, cada um tem as férias que merece, né?
[00:00:35] É, as nossas foram um bocado longas, né?
[00:00:37] Depende pra quem você perguntar, né? O que é o conceito de tempo?
[00:00:41] Esse papinho do tempo é relativo, a gente jogou muito na época que a gente gravava aquele outro podcast, né?
[00:00:47] Mas esse aqui, né? Enfim, a gente até prometeu que ia ter uma temporada regular bonitinha,
[00:00:52] a promessa continua, vão ser só 12 programas mesmo, e aí a gente para de novo.
[00:00:56] Mas enfim, tô aqui me adiantando, né?
[00:00:58] Já esse papo duro que nós vamos ter aí nos próximos programas.
[00:01:01] Mas antes disso, a gente tem que também aqui cumprimentar o outro membro dessa bancada fixo, né?
[00:01:07] Que é Jéssica Corrêa, que também teve umas férias agitadas aí, hein, Jéssica?
[00:01:11] Meus amigos, que férias!
[00:01:14] Que férias? Conta aqui pro ouvinte o que você andou aprontando nessas férias, que eu vi que não foi pouca coisa, não.
[00:01:19] Bom, eu fiz muita coisa, realmente, assim, eu vivi três vidas em alguns meses aí.
[00:01:25] Mas eu acho que uma das coisas mais legais que aconteceu…
[00:01:28] Foi que eu fui co-roteirista do Emicida, no projeto pra Globoplay.
[00:01:33] Muito legal, né? Nossa, gente, é…
[00:01:36] Uau!
[00:01:37] Jéssica com as fotinho era o orgulho do ouviçareiro, a gente tava assim, ó…
[00:01:44] Parabéns, parabéns!
[00:01:46] Muito obrigada, hein?
[00:01:47] Como é que as pessoas encontram o podcast lá na Globoplay? Ou em qualquer outro player?
[00:01:52] Então, você encontra o podcast do Emicida com a Globoplay, na Globoplay,
[00:01:57] e também todos os players de podcast, ele chama Sambas Contados.
[00:02:01] A gente contou, a gente fez relações entre o samba, a história do samba,
[00:02:05] tanto em São Paulo, quanto no Rio de Janeiro, as suas influências, com histórias do mundo.
[00:02:11] A gente falou, assim, de ciência a Will Eisner, a gente falou de quadrinho, teve Susan Sontag.
[00:02:18] Então, assim, se você curte o Emicida, se você curte samba, se você curte papos malucos que caem num assunto interessante,
[00:02:27] se você curte papos malucos que caem num assunto interessante, se você curte papos malucos que caem num assunto interessante,
[00:02:27] vocês vão gostar do podcast.
[00:02:28] E se você curte Jéssica Corrêa também?
[00:02:31] Eu acho que se a pessoa tá ouvindo o Alviçareiro, talvez essa parte de papos malucos a pessoa goste, né?
[00:02:38] E hoje, meus amigos, nós estamos aqui pra discutir essa coisa que sempre falam, né?
[00:02:43] Se o jovem é preguiçoso, o jovem é narcisista.
[00:02:46] Então, a pergunta é, o jovem é mesmo preguiçoso?
[00:02:48] Mas é claro que, né, eu não sou mais jovem, eu tampouco sou especialista em jovem,
[00:02:54] e eu creio que muitos aqui da mesa também não são especialistas.
[00:02:57] Então, a gente trouxe um especialista em jovem, né?
[00:03:01] Um jovem lólogo.
[00:03:03] É, um jovenólogo. Por que ele é especialista em jovem?
[00:03:05] Jovem lólogo.
[00:03:07] Jovem lólogo. Por que ele é especialista em jovem?
[00:03:10] Porque ele dá aula na ECA USP há mais de 30 anos.
[00:03:14] Então, ele há 30 anos vê aí uma geração de pessoas de 18 anos chegando ali na universidade, né?
[00:03:20] Então, é pra isso que nós trouxemos hoje, então, o jovem lólogo Lully Radfacher.
[00:03:25] Muito bem-vindo ao Alviçareiro.
[00:03:27] Muito bem-vindo ao Alviçareiro.
[00:03:27] Alviçaras, eu estou muito feliz de estar aqui.
[00:03:29] Eu acho que, assim, vocês são generosos.
[00:03:32] E eu já quero começar já, porque eu já sei que vai ter o tipo de crítica ao podcast.
[00:03:36] Naturalmente, você pegou como lugar de fala,
[00:03:40] você pega pra falar sobre o jovem, aquele cara que não é jovem,
[00:03:45] e vai falar com aquele olhar, assim, patronizador sobre o jovem.
[00:03:49] Mas vou dizer que tudo bem, porque a mesma coisa que falam os jovens de hoje falavam de vocês,
[00:03:53] e eu os defendia.
[00:03:54] Então, assim, como eu pelo menos estou do lado deles,
[00:03:57] talvez batam menos em mim.
[00:03:58] Lully, nenhum jovem aceitou o convite.
[00:04:01] Não, e outra, não tem ninguém…
[00:04:03] Nenhum jovem foi maltratado na execução deste podcast.
[00:04:07] É isso.
[00:04:08] E não tem ninguém, também, acompanhando o jovem há tanto tempo.
[00:04:12] Assim, eu parei de acompanhar os jovens, basicamente, quando saí da faculdade,
[00:04:17] ou, sei lá, em determinado cargo no mercado de trabalho, né?
[00:04:20] Então, eu não tenho acompanhado o dia-a-dia do jovem, né?
[00:04:23] Dependendo, se for seu Leonardo DiCaprio, você continua acompanhando.
[00:04:27] É, pode até ser, mas não é o meu caso, né?
[00:04:30] Não tenho nenhum apelo aqui para continuar fazendo isso.
[00:04:33] Então, por isso, hoje, você está aqui para conseguirmos falar sobre o jovem.
[00:04:37] Mas, antes de irmos para a pauta, meus amigos, eu tenho que relembrá-los que
[00:04:41] o Alvissareiro é um membro orgulhoso da família B9 de podcasts.
[00:04:45] Você pode acessar todos eles lá em b9.com.br barra podcasts.
[00:04:51] Tem podcasts para todos os gostos, sabores, amores e cores.
[00:04:57] Se você quiser nutrir nessa vida, sempre digo que horas e mais horas de produção
[00:05:03] podcástica inédita, semanalmente, nos seus ouvidinhos, com a família B9 de podcasts.
[00:05:09] E, hoje, nós não estamos num estúdio gravando, né?
[00:05:13] Contingências, estamos…
[00:05:14] Não, estamos em quatro.
[00:05:15] Estamos remotinhos, em quatro estúdios diferentes, né?
[00:05:18] Cada um no seu próprio estúdio.
[00:05:20] Contingências para a gente poder trazer essa continuação da primeira temporada de Alvissareiro,
[00:05:27] o mais rápido possível que deu.
[00:05:29] Mas, como vocês viram, as férias aqui foram agitadas, minha gente.
[00:05:32] E se você é jovem e tem um estúdio a nos oferecer…
[00:05:36] Nos ligue.
[00:05:37] Entre em contato.
[00:05:38] Nos ligue.
[00:05:39] E, bom, é isso. A gente ficou realmente aí…
[00:05:42] Hoje ficamos sem o estúdio, mas a gente queria gravar o programa rápido.
[00:05:45] Nos próximos, a gente vai vendo como isso se intercala.
[00:05:48] Já temos as pautas dos três próximos programas.
[00:05:51] Então, assim, já está tudo certinho.
[00:05:53] Vai ter. Pode ficar tranquilo.
[00:05:55] Este programa saindo.
[00:05:56] Pode contar 15 dias. Vai ter o outro.
[00:05:58] Vai dar tudo certo.
[00:06:00] O Gabriel!
[00:06:01] O Gabriel fala, não, não.
[00:06:03] Não conta não, Gabriel. Vai dar certo, sim.
[00:06:05] Vai sim. Confia.
[00:06:06] E aí, a gente, lá no último programa, a gente dá os detalhes de como é que vai funcionar o Alvissareiro segunda temporada.
[00:06:13] Que vai acontecer, mas a gente vai ter que ter uma conversa aí, meu caro ilustríssimo ouvinte.
[00:06:20] E agora, sim, meus amigos, sem mais delongas, vamos discutir essa pauta?
[00:06:26] Muito bem.
[00:06:34] De fato, como o Lully adiantou aqui, não é de hoje que o jovem é achincalhado pelas gerações anteriores.
[00:06:40] Como o nosso amigo Thales Cione.
[00:06:43] Thales Cione, aquele que gravava o Pocah com a gente, o podcast anterior a este projeto.
[00:06:48] O ex-jovem Thales Cione.
[00:06:49] Que fez um jovem.
[00:06:50] Que fez um jovem.
[00:06:51] Uma jovem.
[00:06:52] Mas o Thales Cione, nesse momento, sacaria do bolso uma citação.
[00:06:54] Uma citação.
[00:06:55] Uma citação de Alexandre Magno.
[00:06:57] Então, eu já faço isso aqui, homenageando o Thales Cione.
[00:07:00] Então, o Alexandre Magno já cantou lá no começo do século XXI.
[00:07:04] Virado ali do 2000, 2001.
[00:07:05] O jovem no Brasil nunca é levado a sério.
[00:07:07] Então, desde aquela época, este assunto estava aí no ar.
[00:07:11] A geração atual, ela é taxada de preguiçosa.
[00:07:14] Taxada de narcisista.
[00:07:16] Taxada de mimada.
[00:07:17] Não são raros os relatos das pessoas falando, ah, essa geração, né?
[00:07:22] É preguiçosa, não quer trabalhar.
[00:07:24] Ou as reportagens que se referem a esse tipo de comportamento.
[00:07:28] Ou que falam sobre um comportamento descompromissado.
[00:07:31] Narcisista, das pessoas que estão começando a entrar no mercado de trabalho.
[00:07:34] Enfim, se você fizer uma busca, tanto no Google, quanto no TikTok, se você for jovem.
[00:07:39] Você vai encontrar conteúdo relacionado.
[00:07:42] E o ponto é o seguinte, né?
[00:07:44] Acho que tem algumas coisas para a gente separar aqui.
[00:07:46] A primeira delas é que é sempre um recorte.
[00:07:48] E sempre um recorte olhando lá para cima, para os países lá de cima.
[00:07:52] Então, é sempre aquela coisa de acordo, sabe?
[00:07:54] De acordo com os líderes empresariais dos Estados Unidos, trabalhar com jovem é difícil.
[00:07:58] Ah, no Reino Unido, o jovem não está indo nem para as entrevistas de trabalho.
[00:08:02] Pô, que bom, né?
[00:08:03] Adoro a realidade de vocês, mas talvez aqui no Brasil a realidade não seja bem essa, né?
[00:08:07] Porque aqui, mesmo tipo de reportagem, vão perguntar para quem?
[00:08:10] Sei lá, para o empresário da Faria Lima.
[00:08:12] Ah, trabalhar com jovem hoje em dia, esse jovem branco bem formado, né?
[00:08:15] Das melhores universidades do país.
[00:08:17] É muito difícil.
[00:08:18] Enfim, eu acho que como nós temos esses abismos sociais e econômicos aqui no Brasil.
[00:08:24] Eu acho bem difícil que essa realidade, né?
[00:08:26] Tão classe alta, branca, que se reflita para todo mundo, né?
[00:08:31] E se a gente for lembrar só com um dado, né?
[00:08:34] Para tentar mostrar que isso não é bem uma verdade.
[00:08:37] O jovem compõe a maior parte dos desempregados do país.
[00:08:40] E em desempregados, eu quero fazer aqui um reforço.
[00:08:43] É pessoas que estão ativamente procurando trabalho e não encontram.
[00:08:46] Porque não são jovens que, ah, não quero trabalhar.
[00:08:49] Porque esse aí seria um desalentado.
[00:08:50] Mas não, eu estou falando de desemprego mesmo.
[00:08:52] Então, tem essa questão.
[00:08:54] Como bem lembrou o Lully aqui na introdução.
[00:08:56] Eu já fui jovem um dia.
[00:08:58] Falaram justamente isso da minha geração.
[00:09:01] Eu lembro bem que a minha geração foi, sim, taxada de descompromissada.
[00:09:05] Idealista.
[00:09:06] Que talvez seja a grande diferença entre a minha geração e a dos mais jovens, né?
[00:09:11] E também bastante narcisista, né?
[00:09:13] Enfim, eu tendo a achar que realmente toda essa fala que existe sobre o jovem de hoje.
[00:09:19] Ela não é realmente séria.
[00:09:21] O Alexandre Magno já estava certo 24 horas.
[00:09:23] 24 anos atrás, né?
[00:09:25] Então, para a gente continuar tentando entender.
[00:09:28] Por que fazemos isso?
[00:09:29] Por que botamos o jovem nessa berlinda?
[00:09:32] Por que falamos isso sobre as gerações jovens há tanto tempo?
[00:09:35] Trouxemos aqui o Lully.
[00:09:37] Que está lidando com o jovem há bastante tempo.
[00:09:41] Ou seja, se tem alguém que viu nos últimos 30 anos um comentário sobre uma determinada geração jovem.
[00:09:46] E viu esse comportamento em loco.
[00:09:47] Foi ele.
[00:09:48] Para poder começar nesse programa, Lully.
[00:09:51] Respondendo a primeira pergunta.
[00:09:52] A mais básica de todas, né?
[00:09:53] A que dá título a esse programa.
[00:09:55] E aí?
[00:09:56] O jovem é mesmo preguiçoso e egocêntrico?
[00:09:59] Não, não é.
[00:10:00] É…
[00:10:01] Bom, vamos lá.
[00:10:02] Primeiro, é o famoso…
[00:10:03] Como é que é?
[00:10:04] Eu peço licença para discordar de uma coisinha ou duas aí.
[00:10:06] Primeiro, uma coisa divertida, né?
[00:10:07] Na época que vocês eram jovens e tal.
[00:10:09] Uma das coisas que eu ouvia o tempo todo.
[00:10:11] É você é o único cara que ainda gosta de millennials.
[00:10:15] Hoje em dia existe uma coisa que é muito parecida, né?
[00:10:18] Você falou.
[00:10:19] Olha, não.
[00:10:20] A realidade é outra.
[00:10:21] Você não consegue e tal.
[00:10:22] Mas não depende muito de onde você procura.
[00:10:24] Porque hoje existe, sim, uma…
[00:10:26] Toda uma fatia social.
[00:10:28] E isso ela está no mundo inteiro.
[00:10:29] Mas em países do terceiro mundo é mais evidente.
[00:10:32] Como no Brasil.
[00:10:33] É o que a mídia tradicional aprendeu a chamar de os neném.
[00:10:36] Que nem trabalha, nem estuda.
[00:10:38] Do mesmo jeito que a gente fala hoje.
[00:10:40] Que você tem uma mídia social promovendo uma espécie de um transtorno de déficit de
[00:10:45] atenção artificial.
[00:10:46] O neném, ele é uma espécie de uma depressão artificial.
[00:10:49] Quer dizer.
[00:10:50] O indivíduo não é um deprimido clínico.
[00:10:52] Mas ele é um indivíduo que tem os sintomas todos de uma depressão.
[00:10:55] Só que essa depressão não é uma depressão efetiva.
[00:10:58] Quer dizer.
[00:10:59] Boa parte do burnout que a gente vê hoje em dia.
[00:11:01] Outras palavras.
[00:11:02] Elas são mais ou menos isso.
[00:11:03] Quer dizer.
[00:11:04] Veja.
[00:11:05] O que ele tem de comum com o cara que, sei lá, tem posses e pode não trabalhar?
[00:11:08] É que ele não quer.
[00:11:09] Mesmo aquele que procura emprego.
[00:11:11] Ele procura porque precisa.
[00:11:13] Mas querer ele não quer.
[00:11:15] Por que desde os millennials isso se torna bastante evidente, né?
[00:11:18] Porque ele tem como ponto de referência.
[00:11:19] O pai dele.
[00:11:20] A mãe dele.
[00:11:21] Que se fala assim.
[00:11:22] Cara.
[00:11:23] Mas espera aí.
[00:11:24] Esses caras se mataram de trabalhar.
[00:11:25] E ficaram escravos dentro de uma empresa gigantesca.
[00:11:30] Eu mal vi esses caras quando eu cresci.
[00:11:32] E no fundo.
[00:11:33] No fundo.
[00:11:34] Quer dizer.
[00:11:35] É até aquela expressão que a gente fala.
[00:11:36] A pessoa é tão pobre.
[00:11:37] Mas tão pobre.
[00:11:38] Mas tão pobre.
[00:11:39] Que a única coisa que ela tem é dinheiro.
[00:11:40] Quer dizer.
[00:11:41] Então.
[00:11:42] Quando a gente fala que o millennial é idealista.
[00:11:43] O millennial na verdade.
[00:11:44] Ele é o primeiro a chamar a atenção para isso.
[00:11:46] Que antes do millennial.
[00:11:47] Você tinha.
[00:11:48] A geração Yuppie.
[00:11:49] Que.
[00:11:50] Ah.
[00:11:51] Tudo bem.
[00:11:52] Anos 80 é uma coisa meio esquisita mesmo.
[00:11:53] Você tem Reagan.
[00:11:54] Você tem Thatcher.
[00:11:55] Você tem um monte de coisas esquisitas no mundo.
[00:11:56] Mas.
[00:11:57] Antes disso mesmo.
[00:11:58] Você tinha o flower power.
[00:11:59] É.
[00:12:00] Quer dizer.
[00:12:01] Todo o flower power.
[00:12:02] Todo o paz e amor dos Beatles.
[00:12:03] Era mais ou menos.
[00:12:04] Não quero ser igual aos meus pais.
[00:12:05] Tudo o que aconteceu nos anos 60.
[00:12:06] Anos 70.
[00:12:07] Era.
[00:12:08] Não quero ser igual aos meus pais.
[00:12:09] Aí.
[00:12:10] Os anos 80.
[00:12:11] Pela primeira vez.
[00:12:12] Inverteu a posição.
[00:12:13] É como se de repente.
[00:12:14] Sempre tivesse sido democrata.
[00:12:15] E de repente apareceu.
[00:12:16] Um não quero ser igual aos meus pais.
[00:12:17] De direita.
[00:12:18] Que era.
[00:12:19] Olha.
[00:12:20] Não quero ser igual aos meus pais.
[00:12:21] Porque meus pais.
[00:12:22] São de baita de uns losers.
[00:12:23] É.
[00:12:24] Então.
[00:12:25] Eu quero ser.
[00:12:26] O empreendedor.
[00:12:27] Eu quero construir.
[00:12:28] E eu quero.
[00:12:29] Que os pobres.
[00:12:30] Mais é que se danem.
[00:12:31] Etc.
[00:12:32] E tal.
[00:12:33] Quer dizer.
[00:12:34] Então.
[00:12:35] Surge essa ideia.
[00:12:36] Do leido mais forte.
[00:12:37] Cada um por si.
[00:12:38] Eu quero enfiar uma faca no dente.
[00:12:39] E contra todo mundo.
[00:12:40] Então.
[00:12:41] Isso começa nos anos 80.
[00:12:42] Aliás.
[00:12:43] Eu acho muito engraçado.
[00:12:44] Quando.
[00:12:45] Sei lá.
[00:12:46] Qualquer psiquiatra.
[00:12:47] Psicólogo.
[00:12:48] Tem um terremoto.
[00:12:49] Não é assim.
[00:12:50] É.
[00:12:51] Mudança social.
[00:12:52] É uma coisa que acontece.
[00:12:53] Tá aí.
[00:12:54] De novo.
[00:12:55] Né.
[00:12:56] É.
[00:12:57] Então.
[00:12:58] Pois é.
[00:12:59] Então.
[00:13:00] O que aconteceu.
[00:13:01] Nos anos 70.
[00:13:02] Teve isso.
[00:13:03] Nos anos 80.
[00:13:04] Teve o backlash.
[00:13:05] Eu acredito.
[00:13:06] Aí.
[00:13:07] É uma.
[00:13:08] Posição pessoal.
[00:13:09] Minha.
[00:13:10] Mas eu acredito.
[00:13:11] Que a história.
[00:13:12] Evolui em espiral.
[00:13:13] Então.
[00:13:14] Você.
[00:13:15] Às vezes.
[00:13:16] Vai pra frente.
[00:13:17] Às vezes.
[00:13:18] Você.
[00:13:19] Evoluiu pra isso.
[00:13:20] Então.
[00:13:21] Quer dizer.
[00:13:22] Você percebe.
[00:13:23] Que há uma evolução.
[00:13:24] Só que a evolução.
[00:13:25] É lenta.
[00:13:26] Então.
[00:13:27] O que que acontece.
[00:13:28] Desde os millennials.
[00:13:29] Né.
[00:13:30] E eu acho que a.
[00:13:31] A Lena Dunn.
[00:13:32] É um ótimo exemplo.
[00:13:33] Aquela famosa frase dela.
[00:13:34] Né.
[00:13:35] Quer dizer.
[00:13:36] Eu quero ser a voz.
[00:13:37] Da minha geração.
[00:13:38] Ou.
[00:13:39] Uma voz.
[00:13:40] De uma geração.
[00:13:41] É.
[00:13:42] Ou seja.
[00:13:43] Eu entendo.
[00:13:44] Que eu não pertenço.
[00:13:45] E eu quero.
[00:13:46] Deixar clara.
[00:13:47] Noção.
[00:13:48] O que você é.
[00:13:49] Não sei.
[00:13:50] Não sei.
[00:13:51] Eu tenho 21 anos.
[00:13:52] Tenho 22 anos.
[00:13:53] Eu não tenho idade ainda.
[00:13:54] Pra saber o que eu sou.
[00:13:55] Mas eu tenho uma clara.
[00:13:56] Noção.
[00:13:57] Do que eu não quero ser.
[00:13:58] Do mesmo jeito.
[00:13:59] Que o hippie.
[00:14:00] Tinha uma clara noção.
[00:14:01] Do que que era a guerra fria.
[00:14:02] E do que que tinha sido.
[00:14:03] A guerra.
[00:14:04] A segunda guerra mundial.
[00:14:05] E a guerra da Coreia.
[00:14:06] E a guerra do Vietnã.
[00:14:07] Então.
[00:14:08] Ele falou assim.
[00:14:09] Cara.
[00:14:10] Eu não quero ser isto.
[00:14:11] Né.
[00:14:12] Se a solução.
[00:14:13] É abraçar tudo.
[00:14:14] Numa época.
[00:14:15] Aquela época.
[00:14:16] Você gosta de Uber.
[00:14:17] Então.
[00:14:18] Você tem que gostar de táxi.
[00:14:19] Não é bem assim.
[00:14:20] Né.
[00:14:21] Mas aquela época.
[00:14:22] Era isso.
[00:14:23] Você é A.
[00:14:24] Ou B.
[00:14:25] Um lado.
[00:14:26] Ou outro.
[00:14:27] Da folha.
[00:14:28] Acho que.
[00:14:29] Legal.
[00:14:30] O ponto.
[00:14:31] Que você falou.
[00:14:32] Dos hippies.
[00:14:33] Mas que.
[00:14:34] Tinham a referência.
[00:14:35] Né.
[00:14:36] Era.
[00:14:37] Era.
[00:14:38] Esse mundo.
[00:14:39] Muito binário.
[00:14:40] Será que.
[00:14:41] A diferença.
[00:14:42] Pro jovem.
[00:14:43] De hoje.
[00:14:44] Ela não tá.
[00:14:45] Muito.
[00:14:46] Tênis.
[00:14:47] Por exemplo.
[00:14:48] Cara.
[00:14:49] Quais são as possibilidades.
[00:14:50] Que ela tem.
[00:14:51] Que ela pode.
[00:14:52] O que que ela deve fazer.
[00:14:53] O que que ela não deve fazer.
[00:14:54] Que atitude.
[00:14:55] Que se ela tomar.
[00:14:56] Vai.
[00:14:57] Condenar.
[00:14:58] O futuro.
[00:14:59] Dela.
[00:15:00] Ou vai.
[00:15:01] Fazer ela ir por um caminho.
[00:15:02] E não ir pro outro.
[00:15:03] Sei lá.
[00:15:04] Eu acho que.
[00:15:05] A partir da geração.
[00:15:06] Milênio.
[00:15:07] Isso.
[00:15:08] Talvez.
[00:15:09] Tenha ficado.
[00:15:10] Cada vez mais.
[00:15:11] Intensificado.
[00:15:12] Até chegar.
[00:15:13] A hoje em dia.
[00:15:14] Né.
[00:15:15] Tanto.
[00:15:16] Pessoas mais jovens.
[00:15:17] Do que eu.
[00:15:18] Elas não sabem.
[00:15:19] O que é.
[00:15:20] Tédio.
[00:15:21] Quando não existe.
[00:15:22] O tédio.
[00:15:23] Tudo é tédio.
[00:15:24] O excesso.
[00:15:25] De opções.
[00:15:26] É.
[00:15:27] Acaba sendo.
[00:15:28] Entediante.
[00:15:29] Então.
[00:15:30] Ao mesmo tempo.
[00:15:31] Pensar.
[00:15:32] Possibilidades.
[00:15:33] De futuro.
[00:15:34] Periga.
[00:15:35] Cair.
[00:15:36] Um pouco.
[00:15:37] Nisso.
[00:15:38] Não.
[00:15:39] É.
[00:15:40] Eu acho que.
[00:15:41] Assim.
[00:15:42] A gente.
[00:15:43] Sempre.
[00:15:44] Tem.
[00:15:45] O tempo.
[00:15:46] Por exemplo.
[00:15:47] No caso do hippie.
[00:15:48] Você tinha.
[00:15:49] O.
[00:15:50] O lado de fora.
[00:15:51] Dizendo.
[00:15:52] Cara.
[00:15:53] Eu não quero ser isso.
[00:15:54] Na época.
[00:15:55] Era binário.
[00:15:56] Então.
[00:15:57] Quere ser a negação.
[00:15:58] Diz.
[00:15:59] Beleza.
[00:16:00] Vem o milênio.
[00:16:01] Eu achei legal.
[00:16:02] O Gabriel.
[00:16:03] Trazer o milênio.
[00:16:04] O jeito.
[00:16:05] Mais fácil.
[00:16:06] De você entender.
[00:16:07] Essa geração.
[00:16:08] De hoje.
[00:16:09] É entender o milênio.
[00:16:10] Entendeu.
[00:16:11] Quer dizer.
[00:16:12] O milênio.
[00:16:13] Ele.
[00:16:15] eu quero seguir meus sonhos,
[00:16:16] não quero fazer que nem meus pais,
[00:16:17] que adiaram o sonho por 20, 30, 40 anos,
[00:16:21] até que estavam velhos demais pra seguir o sonho.
[00:16:23] Ou que resolveram comprar o sonho
[00:16:25] na prateleira do supermercado.
[00:16:27] Então, beleza, ele sabia o que ele não queria ser.
[00:16:29] Só que aí ele não tinha mais o modelo,
[00:16:31] porque a televisão tava começando a esfacelar,
[00:16:33] o rádio esfacelando, revistas esfacelando.
[00:16:36] Então, e pela primeira vez,
[00:16:37] internet já não era mais aquela coisa
[00:16:40] antiguinha ainda de sites, né?
[00:16:42] Internet, as mídias sociais começam a ganhar cor,
[00:16:45] e aí ele começa a se encontrar na mídia social.
[00:16:48] E isso tudo é intrínseco.
[00:16:49] O problema do intrínseco é o problema de você falar assim,
[00:16:52] olha, que a gente tá poluindo o planeta
[00:16:54] porque o meu vizinho não recicla.
[00:16:57] Tudo bem, intrínseco é o seu vizinho não reciclar.
[00:16:59] Agora, o extrínseco é a porcaria da fábrica de plástico
[00:17:02] que te dá um negócio ou que não é reciclável,
[00:17:04] ou que obriga você a reciclar, né?
[00:17:06] Quer dizer, então, num mundo perfeito,
[00:17:09] eu não vou ter uma televisão cada vez mais fina,
[00:17:11] mas eu vou ter uma televisão
[00:17:12] cada vez mais reaproveitável.
[00:17:14] Eu vou ter uma embalagem que, se por acaso
[00:17:16] o cara vacilou e misturou no lixo comum,
[00:17:18] ela vai se desintegrar em 20 anos, 30 anos, 50 anos,
[00:17:22] em vez de se desintegrar automaticamente.
[00:17:24] Beleza.
[00:17:25] Mas quer dizer, então, o lado de lá faz a sua parte.
[00:17:27] No caso de vocês, no caso dos millennials,
[00:17:29] o que acontecia era que
[00:17:30] tava começando a surgir a economia da atenção.
[00:17:33] E a economia da atenção meio que, assim,
[00:17:35] pegou o millennial com um soco na cara.
[00:17:38] Porque, de repente, ele começou a se preocupar muito
[00:17:41] em marcar,
[00:17:42] em marcar uma posição.
[00:17:43] Marcar, assim, eu preciso dar a minha opinião.
[00:17:46] Eu preciso ser algo.
[00:17:48] Eu preciso definir algo.
[00:17:50] Isso até hoje marca a geração millennial, né?
[00:17:52] Quer dizer, a geração millennial,
[00:17:54] ela precisa dar a opinião dela.
[00:17:56] Aliás, eu explorei isso em sala de aula
[00:17:58] com meus alunos na outra semana,
[00:18:00] que era a ideia do…
[00:18:01] Meu amigo, se você tiver qualquer opinião
[00:18:03] que você tenha sobre a faixa de Gaza,
[00:18:05] o Benjamin Netanyahu não dá a mínima
[00:18:07] pra sua opinião.
[00:18:07] Se você não gosta do Putin,
[00:18:09] ele não vai renunciar
[00:18:11] porque a Joana não gosta dele.
[00:18:12] Sabe?
[00:18:13] Então, assim, qual é a opinião que você tem
[00:18:14] a respeito dele?
[00:18:15] Não importa.
[00:18:16] Você tem que entender o que está acontecendo no mundo,
[00:18:18] mas você não tem que dar a sua opinião.
[00:18:20] A sua opinião não é tão importante assim.
[00:18:22] No millennial surge a necessidade
[00:18:24] de dar a minha opinião.
[00:18:25] E o que é interessante da geração que vem depois,
[00:18:28] e eu acho que o primeiro expoente da geração X,
[00:18:31] você tem a Greta Thunberg, né?
[00:18:32] A Greta Thunberg é o primeiro exemplo claro
[00:18:35] do que que vem a ser a próxima geração.
[00:18:37] Ela era ainda bem nova,
[00:18:39] ela era neurodiversa,
[00:18:40] trazendo um monte de coisas
[00:18:43] e batendo de frente sozinha
[00:18:45] contra uma indústria enorme.
[00:18:46] Legal.
[00:18:47] De novo, a gente volta pro modelo do millennial,
[00:18:50] eu tô me definindo pelo que eu não sou.
[00:18:51] Porque até então, o que é a Greta, né?
[00:18:53] Ela é um ativista.
[00:18:55] O que são essas ações todas do sujeito que joga,
[00:18:57] sei lá, um vidro de tinta num quadro?
[00:19:00] Quer dizer, no fundo, é muito uma definição
[00:19:02] pelo que eu não sou.
[00:19:03] Agora, por que o sujeito se comporta desse jeito?
[00:19:05] Ele se comporta desse jeito
[00:19:06] porque é uma estratégia de sobrevivência.
[00:19:08] Eu não tenho ponto de referência,
[00:19:09] eu não tenho pra onde…
[00:19:10] Eu não tenho pra onde olhar.
[00:19:11] Todos os grandes pilares sociais desapareceram, né?
[00:19:13] Então, escola, igreja, emprego, família,
[00:19:16] tá tudo esfacelado.
[00:19:18] Então, eu preciso seguir algo,
[00:19:20] eu preciso de alguma estrutura, né?
[00:19:21] A gente fala que é o paradigma baby consuelo, né?
[00:19:24] Quer dizer, você consome todas as drogas do mundo,
[00:19:27] você é cósmica, você é telúrica
[00:19:29] e você termina crente.
[00:19:30] Por que você precisa de estrutura?
[00:19:31] Então, você percebe que há um radicalismo
[00:19:34] nessa geração
[00:19:35] porque é uma necessidade de pertencer a algo.
[00:19:39] Sendo que, pra vocês,
[00:19:40] por exemplo, era muito fácil pertencer a algo.
[00:19:43] Existia pra vocês algumas coisas.
[00:19:46] Sabiam que a mídia de massa estava morrendo,
[00:19:47] mas existia uma mídia internet,
[00:19:49] existia uma blogosfera em que você se apoiava.
[00:19:52] Na geração anterior, na minha geração,
[00:19:54] era muito fácil.
[00:19:55] Existiam as grandes empresas,
[00:19:57] existiam os veículos de comunicação,
[00:20:00] você ia se apoiar neles, né?
[00:20:02] Então, você se definia pela Folha,
[00:20:04] pelo Estado, pelo New York Times, etc.
[00:20:07] Quer dizer, você se definia pela mídia.
[00:20:08] Então, todo mundo sempre segue.
[00:20:10] Então, você se definia pela mídia.
[00:20:11] Agora, parece que, assim,
[00:20:12] há gerações em que elas são marcadas
[00:20:15] pela vontade de ter protagonismo
[00:20:18] e há gerações que elas são marcadas
[00:20:19] pela vontade de ter uma identidade de grupo.
[00:20:22] Como que o adolescente de 18 anos
[00:20:25] chega na sua sala, primeiro dia de aula?
[00:20:27] Qual que é a sua visão dessa situação?
[00:20:29] Primeiro, pra começar, assim,
[00:20:30] eu já pego eles um pouco queimados na chapa, né?
[00:20:33] Ah, é?
[00:20:33] Que é ótimo.
[00:20:34] É, porque eu vou encarar esses meninos
[00:20:37] no segundo ano da escola.
[00:20:38] Ah, tá.
[00:20:38] Então, eles já chegaram…
[00:20:40] Essa é a minha vantagem.
[00:20:41] É uma coisa que eu não trocaria nada.
[00:20:42] Eles já chegaram cheios de esperanças.
[00:20:44] Já encontraram um staff velho
[00:20:47] falando de como era o mundo em 72.
[00:20:49] E já mascaram um pouco de sarcasmo.
[00:20:55] O grande problema, uma coisa assim,
[00:20:56] uma doença que o jovem não pode ter
[00:20:58] é cinismo.
[00:21:00] Cinismo é uma coisa assim…
[00:21:01] Cinismo é uma doença muito séria.
[00:21:02] Ai, fudeu.
[00:21:03] Estamos doentes.
[00:21:04] Na idade de vocês, vocês começam a pegar…
[00:21:06] Exatamente.
[00:21:07] Vocês começam a pegar…
[00:21:08] E a minha sugestão é você se…
[00:21:10] Se livrem desse treco o mais rápido possível
[00:21:12] que isso não leva a lugar nenhum.
[00:21:13] Pô, aí lascou-se.
[00:21:15] Gente, obrigado.
[00:21:16] Esse é o último episódio do Alves Sareno.
[00:21:18] Depois de 15 anos, Lully.
[00:21:20] Você vê com esse papinho pra cima da gente
[00:21:22] depois de 20 anos.
[00:21:24] 20 anos.
[00:21:24] Veja, existe uma diferença
[00:21:25] entre pragmatismo e cinismo.
[00:21:27] Quer dizer, o problema do cinismo, assim,
[00:21:29] o cínico, ele quase que torce
[00:21:32] pra que a coisa dê errada
[00:21:33] pra que ele se prove certo.
[00:21:35] Quantos debates a gente vê
[00:21:37] que o sujeito é muito mais preocupado
[00:21:39] em estar certo,
[00:21:40] do que em estar feliz?
[00:21:41] Se você começar a acreditar
[00:21:42] que você não vai fazer diferença no mundo,
[00:21:44] que é tudo exatamente igual,
[00:21:46] e que você vai seguir linha reta,
[00:21:47] cara, você é muito novo pra isso.
[00:21:49] Quer dizer, se você sentir que
[00:21:51] relações afetivas são muito complicadas,
[00:21:54] que você tem que viver sozinho,
[00:21:55] chega de namorada,
[00:21:56] e você tem 70 anos,
[00:21:59] tudo bem.
[00:21:59] Se você tem 20 anos,
[00:22:00] isso é muito sério.
[00:22:02] É só pra pontuar,
[00:22:03] em outros papos,
[00:22:04] inclusive em outros alviçareiros,
[00:22:05] ou até em papos, né,
[00:22:07] que antecederam a gravação desses programas,
[00:22:09] uma das coisas que,
[00:22:10] se fala muito sobre
[00:22:11] essa geração de jovens de hoje,
[00:22:13] é um certo grau de…
[00:22:16] O melhor adjetivo seria,
[00:22:18] sei lá,
[00:22:18] uma coisa meio de resignação,
[00:22:21] uma coisa meio…
[00:22:22] um estoicismo,
[00:22:23] um niilismo,
[00:22:25] se for pra pegar
[00:22:26] uma coisa um pouco mais pessimista.
[00:22:28] E aí, pela ótica que você tá colocando
[00:22:29] neste exato momento,
[00:22:31] talvez não é bem isso, né?
[00:22:33] Mas é muito mais
[00:22:34] uma falta de parâmetro.
[00:22:35] Eu acho o seguinte,
[00:22:36] se você tem 20 anos,
[00:22:38] você toca guitarra,
[00:22:39] e é bancário,
[00:22:40] e você entende que ser bancário
[00:22:42] é um pedágio que você paga
[00:22:45] pra financiar a sua guitarra.
[00:22:48] E aos 20 anos,
[00:22:49] você tem certeza absoluta
[00:22:50] que você não vai ficar no banco.
[00:22:51] Aí, aos 30 anos,
[00:22:52] o banco vai te prostituindo,
[00:22:53] vai te pagando salários cada vez maiores,
[00:22:55] e vai ficando lá dentro.
[00:22:56] E aos 40 anos,
[00:22:57] você larga a guitarra.
[00:22:58] Mas tudo bem,
[00:22:59] porque você passa a ter outras prioridades,
[00:23:01] tipo família, etc.
[00:23:02] O problema é você, aos 20,
[00:23:04] encarar o banco como uma coisa séria.
[00:23:06] Como que você vê
[00:23:07] esses jovens lidando com
[00:23:09] carreira?
[00:23:10] Porque a gente vem sentindo,
[00:23:12] pelo menos os millennials,
[00:23:13] que assim, a gente é um monte de PJ
[00:23:15] de si mesmo,
[00:23:16] que a gente tem que ficar pulando
[00:23:17] de bico em bico.
[00:23:19] Mas como os jovens estão enxergando
[00:23:20] carreira mesmo?
[00:23:21] É, aí vem…
[00:23:22] Eu acho que agora
[00:23:23] a gente traz um pouquinho
[00:23:25] pra questão de fora,
[00:23:27] pra questão extrínseca.
[00:23:28] A principal diferença
[00:23:30] que essa geração teve
[00:23:31] no momento de formação da identidade,
[00:23:33] pra vocês,
[00:23:34] é a mídia social
[00:23:35] algoritimizada.
[00:23:37] Quer dizer,
[00:23:38] eu acho que qualquer
[00:23:39] qualquer millennial
[00:23:40] olha pro Instagram
[00:23:42] com um certo distanciamento, né?
[00:23:44] Quer dizer,
[00:23:45] eu sei que
[00:23:46] ou pro algoritmo do YouTube
[00:23:47] ou pro feed do Twitter,
[00:23:49] quer dizer,
[00:23:50] eu sei que
[00:23:51] esse trécula tá loucão
[00:23:53] pra dizer que eu sou lindo,
[00:23:54] maravilhoso, cheiroso, etc.
[00:23:55] Mas eu sei que isso aqui é um algoritmo.
[00:23:57] De vez em quando,
[00:23:58] sei lá, tô meio carente
[00:23:59] e me deixo seduzir.
[00:24:01] Mas eu sei que aquilo é ficção.
[00:24:02] Por quê?
[00:24:02] Porque vocês…
[00:24:04] A gente sempre fala que tecnologia
[00:24:05] é tudo aquilo que nasceu
[00:24:06] depois de você.
[00:24:07] Aquilo que nasceu antes de você
[00:24:09] não é tecnologia,
[00:24:10] é o mundo como ele é.
[00:24:10] Então, como vocês vieram antes, né?
[00:24:12] Formaram a identidade
[00:24:13] antes da mídia social,
[00:24:15] a mídia social é um plus.
[00:24:17] Ela tá ali,
[00:24:17] ela é presente, né?
[00:24:19] Você vai lá tirar aquele monte de selfie,
[00:24:21] você vai se relacionar
[00:24:22] pelo Tinder,
[00:24:24] você vai passar a vida no Instagram,
[00:24:27] isso é tudo bem.
[00:24:27] Mas você, no fundo,
[00:24:28] no fundo, no fundo,
[00:24:29] sabe que isso é uma ficção.
[00:24:32] Então, quando a gente pega
[00:24:32] essa molecada nova
[00:24:33] e pra chegar na questão da carreira,
[00:24:35] eu acho que é assim.
[00:24:36] Ele primeiro definiu
[00:24:37] o que ele não quer ser.
[00:24:38] Ele tá mentindo
[00:24:39] meio preocupado
[00:24:40] pra tentar entender
[00:24:41] o que ele pode ser.
[00:24:42] Mas ele já tem uma vantagem
[00:24:43] com relação a vocês.
[00:24:44] Ele já entendeu
[00:24:45] que a carreira não é eterna.
[00:24:47] Porque vocês
[00:24:48] são a primeira geração…
[00:24:50] Mas vocês prometeram, Lully.
[00:24:52] É.
[00:24:53] É.
[00:24:53] Nós prometemos.
[00:24:54] A minha geração prometeu.
[00:24:56] Vocês prometeram.
[00:24:57] Era só fazer faculdade.
[00:24:58] Era só fazer faculdade
[00:24:59] e ia dar tudo certo, né?
[00:25:00] É.
[00:25:00] Não, e também ser branco
[00:25:02] e ter nascido
[00:25:03] em determinados bairros, né?
[00:25:04] Exato.
[00:25:05] O que acontece?
[00:25:06] A minha geração,
[00:25:07] ela se livrou
[00:25:08] da firma
[00:25:09] do relógio de ouro
[00:25:10] que te era dado
[00:25:11] ao trabalhar
[00:25:12] 50 anos
[00:25:13] dentro de uma firma, etc.
[00:25:14] A sua geração
[00:25:16] se livrou dos iupis.
[00:25:17] Da ideia de que
[00:25:19] se eu trabalhar
[00:25:20] feito uma mula
[00:25:21] 70 horas,
[00:25:22] eu vou CPJ.
[00:25:23] A geração posterior
[00:25:24] já entendeu
[00:25:25] que CPJ é Uber.
[00:25:26] E CPJ é entregador do iFood.
[00:25:28] E ela não quer CPJ.
[00:25:30] Então, você percebe neles
[00:25:32] uma certa desorientação
[00:25:34] porque os pontos de referência
[00:25:35] não existem mais.
[00:25:36] Os quadros de referência
[00:25:37] estão completamente
[00:25:38] desmontados.
[00:25:39] Então, quer dizer,
[00:25:40] ele não tem um modelo
[00:25:41] para quebrar.
[00:25:41] Do ponto de vista de carreira,
[00:25:43] ele não tem um modelo
[00:25:43] para quebrar.
[00:25:44] Vocês quebraram
[00:25:45] um modelo
[00:25:46] de CLT
[00:25:48] para CPJ.
[00:25:49] E perceberam
[00:25:50] que tem vantagens
[00:25:51] e desvantagens.
[00:25:52] Eles viram
[00:25:53] que esse modelo
[00:25:54] leva ao PJ extremo
[00:25:57] que é um entregador
[00:25:58] de Uber.
[00:25:59] E aí, como é que fica?
[00:26:01] Então, quer dizer,
[00:26:01] o que eu vejo muito neles
[00:26:03] e eu lembro que
[00:26:03] quando eu defendia
[00:26:04] a geração de vocês
[00:26:05] eu falava assim,
[00:26:06] olha, o que existe
[00:26:07] de muito valor ali,
[00:26:08] é que esse indivíduo
[00:26:09] ele quer ser tratado
[00:26:11] como adulto
[00:26:12] porque ele é quase um adulto.
[00:26:13] Então, ele quer ser ouvido,
[00:26:14] ele quer ser respeitado,
[00:26:16] ele quer ser reconhecido
[00:26:17] dentro do universo,
[00:26:19] do ambiente dele
[00:26:20] e ele só sabe
[00:26:22] o que ele não quer.
[00:26:23] Então, assim,
[00:26:23] o que você precisa dar pra ele?
[00:26:25] Você precisa dar pra ele
[00:26:25] um bom desafio.
[00:26:26] No caso de vocês,
[00:26:28] o desafio era
[00:26:29] um frila maior
[00:26:30] do que você fosse capaz
[00:26:32] de encarar.
[00:26:32] Então, quer dizer,
[00:26:33] a minha geração
[00:26:34] acreditava no
[00:26:34] faz o primeiro de graça
[00:26:36] que no segundo
[00:26:37] eu te pago.
[00:26:38] Vocês não acreditam
[00:26:39] mais nisso.
[00:26:40] Vocês acreditam no
[00:26:41] ah, mas tu não é bom
[00:26:42] o suficiente pra fazer.
[00:26:43] A geração posterior
[00:26:44] acredita, olha,
[00:26:45] 48 caras estão fazendo.
[00:26:47] E aí, você vai ficar sozinho?
[00:26:48] Não vou nem tentar.
[00:26:49] É,
[00:26:50] então, na geração
[00:26:51] de vocês, sim.
[00:26:52] Porque se tem
[00:26:52] 48 pessoas fazendo,
[00:26:54] eu não vou nem tentar
[00:26:55] porque como é que
[00:26:56] eu me destaco
[00:26:57] no meio deles?
[00:26:58] Na geração posterior,
[00:26:59] se tem 48 pessoas fazendo,
[00:27:01] é seguro.
[00:27:02] Então, eu vou segui-los.
[00:27:03] Então, eu vou entrar.
[00:27:04] Por isso que eu falo
[00:27:05] que é a diferença
[00:27:05] do pavão pro leme, tá?
[00:27:07] Quer dizer, pegando o…
[00:27:08] o extremo, tá?
[00:27:09] Obviamente que vocês
[00:27:10] não são uma geração
[00:27:10] vaidosa de pavões,
[00:27:11] mas vocês são
[00:27:12] uma geração individual.
[00:27:13] E a geração posterior,
[00:27:15] ela é uma geração coletiva.
[00:27:16] Se você pegar o hippie
[00:27:18] lá atrás, no ano 60,
[00:27:20] ele era uma geração coletiva.
[00:27:22] O yuppie que veio depois
[00:27:23] é uma geração individual.
[00:27:25] Aí, ó.
[00:27:25] Quem chegou?
[00:27:26] Você.
[00:27:27] Você chegou no cerne
[00:27:28] desse programa.
[00:27:29] Opa!
[00:27:30] A solução é essa.
[00:27:32] A solução é o coletivo.
[00:27:34] O jovem já…
[00:27:35] Então, tá tudo certo.
[00:27:35] É que todo o episódio
[00:27:36] do Alviçareira…
[00:27:38] Primeiro chega
[00:27:38] a essa conclusão.
[00:27:39] Mas eu queria
[00:27:40] dividir com vocês
[00:27:41] que eu tava lembrando
[00:27:42] disso essa semana
[00:27:44] sobre o meu primeiro
[00:27:45] contato com PJ.
[00:27:46] Eu sou uma mulher
[00:27:47] de 29 anos.
[00:27:49] Eu tenho 29 hoje.
[00:27:50] Jovem.
[00:27:50] Clássico.
[00:27:51] Sou jovem.
[00:27:51] E uma das coisas
[00:27:52] que eu achei muito maluca
[00:27:53] foi no meu estágio.
[00:27:54] Eu tinha completado
[00:27:55] os dois anos de estágio
[00:27:56] e aí o meu chefe
[00:27:58] me chamou e falou assim,
[00:28:00] Jéssica,
[00:28:00] não podemos te contratar,
[00:28:02] não temos dinheiro
[00:28:03] para contratar
[00:28:04] uma pessoa CLT.
[00:28:05] Só que eu fui formada,
[00:28:07] fui uma…
[00:28:07] criança,
[00:28:08] adolescente formada
[00:28:09] com sindicato, assim.
[00:28:11] A minha mãe falava,
[00:28:12] você vai ter
[00:28:12] sua carteira assinada
[00:28:13] e vai ser assinada
[00:28:14] na mesma empresa
[00:28:15] por 10 anos, assim.
[00:28:17] Aí ele virou e falou assim
[00:28:18] pra mim,
[00:28:18] não podemos te contratar.
[00:28:19] Vou te dar um contrato
[00:28:20] aqui de 6 meses.
[00:28:22] Você vai trabalhar
[00:28:23] como uma profissional
[00:28:25] que vai vir
[00:28:25] de segunda a sexta.
[00:28:27] Vai ter horário
[00:28:27] pra entrar,
[00:28:27] horário pra sair
[00:28:28] e vai ter
[00:28:29] sua hora de trabalho.
[00:28:30] Eu fiquei assim,
[00:28:31] mas qual que é a parte boa
[00:28:32] que eu não tô pegando aqui?
[00:28:34] E eu falei,
[00:28:35] eu estou na faculdade,
[00:28:36] eu preciso dessa comprovação
[00:28:37] em carteira
[00:28:39] que eu sou uma profissional
[00:28:40] apta pra trabalhar.
[00:28:41] Não é assim que funciona.
[00:28:43] Pelo menos não era
[00:28:44] quando eu estava
[00:28:45] me formando.
[00:28:46] Então,
[00:28:46] eu acho muito doido
[00:28:47] pensar em retrospecto
[00:28:49] essa história,
[00:28:50] porque agora
[00:28:51] já é um modelo
[00:28:53] meio normal.
[00:28:55] E eu fiquei
[00:28:55] puta da vida
[00:28:56] quando me ofereceram isso.
[00:28:58] E eu não aceitei.
[00:28:59] Eu fui procurar emprego
[00:29:00] CLT mesmo.
[00:29:01] É, e aí que tá.
[00:29:02] Muitos dos CLTs,
[00:29:04] a cenoura de burro
[00:29:05] que esfregava
[00:29:06] na frente deles
[00:29:06] é falar assim,
[00:29:07] olha,
[00:29:07] se você for
[00:29:07] seguinte,
[00:29:08] te dou 4
[00:29:09] se for CLT,
[00:29:10] te dou 9
[00:29:11] se for na nota fiscal.
[00:29:13] E aí o cara fala,
[00:29:13] não, então beleza.
[00:29:15] Então eu vou pro PJ.
[00:29:16] E aí é óbvio, né?
[00:29:17] Quer dizer,
[00:29:18] o melhor jeito
[00:29:18] de você quebrar
[00:29:19] uma coletividade
[00:29:20] é você
[00:29:21] mostrar pro indivíduo
[00:29:23] que sozinho
[00:29:24] ele ganha mais agora.
[00:29:26] Ele vai perder
[00:29:26] no médio prazo,
[00:29:27] mas ele ganha mais agora.
[00:29:28] Porque é a mesma ideia
[00:29:30] que leva
[00:29:30] a geração de agora
[00:29:32] pro Uber.
[00:29:32] Porque ele fala assim,
[00:29:33] cara,
[00:29:33] bem ou mal,
[00:29:34] pensa assim,
[00:29:35] pra ele ele fala,
[00:29:36] se eu for PJ,
[00:29:37] eu vou ter que ter
[00:29:38] um contador,
[00:29:39] eu vou ter que ter
[00:29:40] nota fiscal,
[00:29:40] eu vou ter que trabalhar
[00:29:41] pra ganhar.
[00:29:42] Se eu for dirigir
[00:29:43] a porcaria do carro,
[00:29:44] se eu for dirigir
[00:29:45] a moto do aplicativo,
[00:29:46] se eu for alugar
[00:29:47] um pedaço da minha casa,
[00:29:48] eu vou ganhar agora.
[00:29:50] Você vai ganhar menos.
[00:29:51] Sim, mas eu vou ganhar agora.
[00:29:52] Então,
[00:29:53] sempre vai ter esse apelo,
[00:29:54] sempre vai ter
[00:29:55] alguma empresa predatória
[00:29:56] que vai pegar isso.
[00:29:58] Agora,
[00:29:59] é muito importante
[00:30:00] acolher
[00:30:01] esse jovem
[00:30:02] porque assim,
[00:30:04] ele não tá lá.
[00:30:05] Pensa,
[00:30:05] pensa você
[00:30:05] quando você foi jogada
[00:30:07] pro PJ.
[00:30:07] Você não fazia parte
[00:30:09] de um movimento
[00:30:10] liberal
[00:30:11] que queria matar
[00:30:12] os sindicatos
[00:30:14] e queria ser prejudicado?
[00:30:15] Não, não, não.
[00:30:15] Você tava completamente
[00:30:16] desamparada,
[00:30:17] você precisava de um emprego.
[00:30:18] Então, o que você precisava?
[00:30:18] Você precisava de alguém
[00:30:19] que te abraçasse,
[00:30:20] não alguém que falasse assim,
[00:30:21] ah, não, você é,
[00:30:22] você não é
[00:30:23] da turma do sindicato.
[00:30:24] Então,
[00:30:24] essa turma nova,
[00:30:26] o que acontece?
[00:30:26] Ele vê ali
[00:30:27] que de um lado,
[00:30:28] ele vê o pai,
[00:30:29] a mãe,
[00:30:30] que trabalharam muito
[00:30:31] e que não conseguiram
[00:30:32] juntar uma grana necessária.
[00:30:34] Do outro lado,
[00:30:35] ele vê que
[00:30:36] ele até pode fazer
[00:30:37] uns bicos agora,
[00:30:39] levantar alguma grana
[00:30:40] que para,
[00:30:41] como é que é?
[00:30:41] O que é muito divertido
[00:30:42] da geração de 20 anos
[00:30:44] é que 300 reais
[00:30:45] é dinheiro, né?
[00:30:46] Então, assim,
[00:30:47] e é dinheiro mesmo.
[00:30:48] Nossa, 300 reais.
[00:30:49] Às vezes o moleque fala,
[00:30:50] não, não sei o que,
[00:30:50] é 300 reais.
[00:30:51] Ah, legal,
[00:30:53] nossa, sensacional, hein?
[00:30:54] Não, mas que bom,
[00:30:56] eu fico feliz com isso, né?
[00:30:59] É, exatamente.
[00:30:59] Mas você leva um tempo
[00:31:01] porque, assim,
[00:31:01] a diferença de valores
[00:31:03] nessa idade,
[00:31:04] cara,
[00:31:05] às vezes você tá
[00:31:05] na casa dos pais,
[00:31:06] você tá morando
[00:31:06] naquela kit,
[00:31:07] net,
[00:31:08] dividindo a kit, net
[00:31:09] com mais três, né?
[00:31:10] Quer dizer, então,
[00:31:11] porra, 300 reais
[00:31:12] é realmente um monte de dinheiro.
[00:31:13] Mal sabe ele
[00:31:14] que daqui a pouco
[00:31:15] o seu ticket vai subir muito, né?
[00:31:17] Mas, assim,
[00:31:18] então, é muito tentador.
[00:31:19] Tem várias questões.
[00:31:20] Fala assim,
[00:31:21] cara,
[00:31:21] vocês estão largando
[00:31:22] um mundo horroroso pra mim,
[00:31:24] o que eu vou fazer
[00:31:25] em cima desse indivíduo?
[00:31:26] Você tem a mídia social
[00:31:28] batendo nele,
[00:31:29] dizendo,
[00:31:29] você é lindo,
[00:31:30] você é genial,
[00:31:31] você é cheiroso,
[00:31:32] você é criativo.
[00:31:33] E do outro lado,
[00:31:33] você tem a mídia de massa
[00:31:34] dizendo,
[00:31:34] olha, o mundo vai acabar,
[00:31:36] vai ter guerra nuclear,
[00:31:37] a inteligência artificial,
[00:31:39] Ucrânia,
[00:31:39] faixa de gás,
[00:31:40] é o diabo.
[00:31:41] Mas é o que a mídia
[00:31:41] sempre falou.
[00:31:43] É, só que…
[00:31:44] Só mudou a mídia.
[00:31:45] Não, não, não,
[00:31:45] a gente já fez…
[00:31:46] Não, pera aí,
[00:31:46] a gente tem que fazer…
[00:31:47] A gente já fez programas
[00:31:49] justamente pra falarmos aqui,
[00:31:50] né,
[00:31:51] desse momento
[00:31:52] em que realmente
[00:31:53] de uns anos pra cá
[00:31:54] que, olha,
[00:31:55] chegamos a um consenso,
[00:31:56] o planeta vai acabar
[00:31:57] e rápido, né?
[00:31:58] Então, a notícia
[00:31:59] é pior do que
[00:32:00] na nossa época,
[00:32:01] é muito pior, né?
[00:32:02] Na sua época,
[00:32:03] você tinha ainda
[00:32:05] os quatro grandes pilares,
[00:32:06] sabe?
[00:32:07] Isso é o mesmo
[00:32:07] que se alguma coisa
[00:32:07] batesse,
[00:32:08] você podia perguntar
[00:32:09] pra escola,
[00:32:11] pra família,
[00:32:12] pra igreja,
[00:32:12] pro trabalho,
[00:32:13] o que fazer.
[00:32:14] Hoje você não tem isso,
[00:32:15] né?
[00:32:15] Quer dizer,
[00:32:16] você tinha alguém
[00:32:17] que você ia procurar.
[00:32:18] As pessoas mais de igreja
[00:32:19] iam procurar mais de igreja.
[00:32:20] Às vezes você ia voltar
[00:32:21] pro seu professor de história
[00:32:22] do ensino médio
[00:32:23] e fala,
[00:32:24] cara, me explica isso aqui
[00:32:25] que eu tô querendo entender.
[00:32:26] Você tinha uma figura
[00:32:27] de referência,
[00:32:27] uma figura muito parecida
[00:32:28] com o líder religioso.
[00:32:30] Tem uma pesquisa do Google
[00:32:32] que eu não me recordo o nome,
[00:32:33] mas ela é bem recente,
[00:32:34] que fala que
[00:32:35] isso não tá restrito
[00:32:36] a agir,
[00:32:37] a gerações, tá?
[00:32:38] Mas a sociedade,
[00:32:39] ela tem perdido
[00:32:40] a fé nas instituições,
[00:32:42] mas acreditado
[00:32:43] mais no indivíduo.
[00:32:45] Então ela não acredita
[00:32:45] na medicina,
[00:32:46] mas ela acredita
[00:32:47] no médico que fala
[00:32:48] que não tem que tomar vacina.
[00:32:50] Ela não acredita
[00:32:51] na igreja,
[00:32:51] mas acredita
[00:32:52] no pastor
[00:32:53] que prega,
[00:32:54] sei lá o quê.
[00:32:55] Não acredita
[00:32:56] na escola,
[00:32:57] mas acredita
[00:32:58] no professor ao lado
[00:32:59] e por aí vai.
[00:33:00] Então, mas pensa assim,
[00:33:01] mas aí que tá, Gabriel,
[00:33:02] volta pra,
[00:33:03] só pra fechar
[00:33:04] esse raciocínio
[00:33:04] que é muito bonito.
[00:33:05] Voltando pra ideia
[00:33:06] da evolução,
[00:33:07] a evolução em espiral,
[00:33:08] e aí você fala assim,
[00:33:08] tá bom,
[00:33:09] a escola não presta
[00:33:10] pra nada,
[00:33:11] mas aquele professor Olavo
[00:33:13] segura a onda,
[00:33:14] beleza,
[00:33:15] voltamos a ter
[00:33:15] um professor
[00:33:16] e uma massa
[00:33:18] disposta a seguir
[00:33:19] esse professor
[00:33:19] que vai construir
[00:33:20] uma escola de novo.
[00:33:21] Então quer dizer,
[00:33:22] a geração que vem
[00:33:23] depois deles
[00:33:24] volta a querer construir,
[00:33:25] porque não adianta,
[00:33:26] cara,
[00:33:27] o homo sapiens
[00:33:28] devia chamar,
[00:33:29] sei lá,
[00:33:29] homem da esperança,
[00:33:30] né,
[00:33:30] porque assim,
[00:33:31] lembra que fala,
[00:33:32] abriram a caixa de Pandora,
[00:33:33] saiu toda aquela desgraça
[00:33:34] e a única coisa
[00:33:35] que sobrou no fundo
[00:33:35] da caixa de Pandora
[00:33:36] foi a esperança.
[00:33:37] Cara,
[00:33:37] devia entender então
[00:33:38] que a esperança é um mal
[00:33:39] como todos os outros,
[00:33:40] né,
[00:33:40] quer dizer,
[00:33:41] o ser humano
[00:33:41] é o único animal
[00:33:42] que tem esperança.
[00:33:43] A hora que você
[00:33:44] tira a esperança
[00:33:45] do jovem principalmente,
[00:33:47] porque assim,
[00:33:48] por que o jovem
[00:33:48] é tão importante?
[00:33:49] Porque ele é o cara
[00:33:50] que vai construir a família,
[00:33:51] ele é basicamente
[00:33:52] o pilar da sociedade
[00:33:54] que a partir da geração
[00:33:56] de vocês
[00:33:56] está sendo construído
[00:33:57] em cima.
[00:33:58] Então,
[00:33:58] esse jovem
[00:33:59] precisa ser acolhido,
[00:34:00] eu preciso tratar
[00:34:01] o alicerce.
[00:34:02] Queria pegar exatamente
[00:34:02] esse gancho
[00:34:03] que você falou
[00:34:04] de um pouco de evolução,
[00:34:06] pra olhar
[00:34:06] pro outro lado.
[00:34:08] Acredito que
[00:34:08] a gente tem uma
[00:34:09] certa resistência
[00:34:10] ao jovem
[00:34:11] por uma questão
[00:34:12] de sobrevivência,
[00:34:13] né,
[00:34:13] porque é sempre
[00:34:14] a geração posterior
[00:34:16] vai suplantar
[00:34:17] a geração anterior,
[00:34:19] vai virar
[00:34:19] o chefe
[00:34:20] da manada,
[00:34:22] vai te tocar
[00:34:23] pra escanteio
[00:34:24] e por aí vai.
[00:34:25] Voltando pro mercado
[00:34:25] de trabalho,
[00:34:26] é um pouco,
[00:34:27] por que que hoje
[00:34:28] na sua opinião
[00:34:30] a gente vê
[00:34:31] manchetes
[00:34:32] com pesquisas,
[00:34:32] por exemplo,
[00:34:33] que 74%
[00:34:34] dos líderes
[00:34:35] acham a geração
[00:34:36] Z mais desafiadora
[00:34:38] de se trabalhar
[00:34:39] e tão contratando
[00:34:40] o millennial ali
[00:34:42] que é,
[00:34:43] ah,
[00:34:43] que acha que você
[00:34:44] não é tão bom assim,
[00:34:45] né,
[00:34:45] pega a geração
[00:34:46] do impostor
[00:34:47] que já foi
[00:34:48] a geração do desafio,
[00:34:50] que já foi
[00:34:50] a geração da ameaça,
[00:34:52] mas que agora
[00:34:52] tá em posições
[00:34:53] de liderança
[00:34:54] e assumiu
[00:34:55] uma atitude mais
[00:34:56] de defesa,
[00:34:57] uma postura
[00:34:58] mais de cordeirinho.
[00:34:59] É fácil entender,
[00:35:00] Gabriel,
[00:35:01] quer ver?
[00:35:01] É só você pegar
[00:35:01] o seguinte,
[00:35:02] imagina que você
[00:35:03] tem uma postura
[00:35:04] bem,
[00:35:05] sei lá,
[00:35:06] hétero,
[00:35:06] ex-machista
[00:35:08] e aí você percebe
[00:35:09] que não adianta mais,
[00:35:11] esse espaço
[00:35:11] não tem mais.
[00:35:13] Então,
[00:35:13] você agora
[00:35:15] tá tendo
[00:35:15] uma enorme dificuldade
[00:35:16] em explicar pra pessoa
[00:35:17] que,
[00:35:18] sei lá,
[00:35:19] por exemplo,
[00:35:19] que entrando nessa faculdade,
[00:35:20] fazendo esse MBA,
[00:35:21] ele vai ter um emprego
[00:35:22] porque ela já sabe
[00:35:23] que não vai ter.
[00:35:24] Fazendo essa faculdade,
[00:35:25] assim,
[00:35:25] quer dizer,
[00:35:26] então,
[00:35:26] aquelas cenouras de burro
[00:35:28] já não se aplicam mais.
[00:35:29] Mas alguma cenoura existe.
[00:35:31] Alguma cenoura existe,
[00:35:32] mas ele não sabe qual é.
[00:35:33] Então,
[00:35:33] o que ele faz?
[00:35:34] Ele apela
[00:35:35] para que essa cenoura
[00:35:36] de alguma forma
[00:35:36] já funcionou.
[00:35:37] Então,
[00:35:38] você vê muito isso.
[00:35:39] Você vê aquele cara
[00:35:40] que era…
[00:35:41] Você nunca vai pegar
[00:35:41] o extremo oposto.
[00:35:44] É,
[00:35:44] vamos pegar,
[00:35:44] sei lá,
[00:35:44] a Jéssica,
[00:35:45] que dentro da cabeça dela
[00:35:46] tava muito claro
[00:35:47] que ela tinha que ter o CLT.
[00:35:49] Você não vai conseguir
[00:35:50] com o PA Jéssica
[00:35:51] ali no primeiro toque.
[00:35:52] Não,
[00:35:52] não vai.
[00:35:53] Mas no médio prazo,
[00:35:54] a Jéssica percebe
[00:35:55] que ela tem contas a pagar.
[00:35:57] Corrompidaça.
[00:35:58] E aí,
[00:35:58] o que acontece?
[00:35:59] Ela fala,
[00:35:59] bom,
[00:35:59] então beleza.
[00:36:00] Por quê?
[00:36:01] Tem o CNPJ tatuado.
[00:36:03] É,
[00:36:04] mas olha só.
[00:36:05] Por quê?
[00:36:06] Porque,
[00:36:06] porque,
[00:36:06] porque a posição dela
[00:36:07] era muito mais…
[00:36:09] Vou sair chorando.
[00:36:10] Não, não.
[00:36:11] Fica tranquila, Jéssica.
[00:36:12] Porque assim,
[00:36:12] essa posição
[00:36:13] a favor do sindicato
[00:36:15] era muito mais
[00:36:16] uma posição
[00:36:16] imposta em você,
[00:36:18] uma posição de valores
[00:36:19] dos outros
[00:36:20] que você absorveu
[00:36:21] do que um valor
[00:36:23] intrínseco seu.
[00:36:24] Porque se fosse
[00:36:25] um valor intrínseco seu,
[00:36:26] eu não chacoalharia.
[00:36:27] Sabe?
[00:36:28] Quer dizer,
[00:36:28] agora,
[00:36:29] é uma coisa assim,
[00:36:29] olha,
[00:36:29] eu acho que isso é certo.
[00:36:31] Agora,
[00:36:31] eu acho que isso é certo
[00:36:32] a ponto de comprometer…
[00:36:33] Não, não.
[00:36:34] Eu só acho que isso é certo.
[00:36:35] Acho que é uma…
[00:36:35] é uma…
[00:36:36] é uma…
[00:36:36] é uma…
[00:36:36] é uma tristeza
[00:36:36] que o mundo é desse jeito e tal,
[00:36:38] mas eu acho que você é o famoso moderado.
[00:36:40] Então, o que acontece?
[00:36:41] O moderado é fácil de corromper.
[00:36:43] Ai, obrigado.
[00:36:44] O problema é o radical.
[00:36:45] Cara, é porque é isso,
[00:36:46] são…
[00:36:47] Quando a gente fala disso assim
[00:36:48] da CLT,
[00:36:49] pra mim era muito importante
[00:36:50] porque eu tava tentando
[00:36:51] realmente
[00:36:52] ter um futuro
[00:36:53] minimamente seguro,
[00:36:55] certo?
[00:36:56] Só que a partir do momento
[00:36:57] em que eu sou uma pessoa
[00:36:58] que vim de uma família
[00:36:59] extremamente pobre
[00:37:00] e eu não tinha
[00:37:01] pra onde voltar,
[00:37:02] se você me mandar
[00:37:03] entregar comida,
[00:37:04] eu vou, cara.
[00:37:05] Porque eu preciso comer,
[00:37:06] eu preciso…
[00:37:06] Então, me vestir.
[00:37:07] Aí, realmente, eu…
[00:37:08] E a gente volta
[00:37:08] pra definição de segurança.
[00:37:10] Quer dizer,
[00:37:11] o que que é seguro?
[00:37:13] É seguro uma coisa
[00:37:14] do médio prazo
[00:37:16] em que eu vou ter
[00:37:17] uma estrutura de apoio.
[00:37:19] Veja, eu murgi.
[00:37:20] Às vezes, apareci…
[00:37:21] Tinha uma época, né?
[00:37:22] O Yaya e o Gabriel
[00:37:23] viram muito isso.
[00:37:24] Tinha uma época
[00:37:24] que eu aparecia na lista
[00:37:26] de figuras influenciadoras
[00:37:29] para os empreendedores.
[00:37:31] E eu morria de rir, cara.
[00:37:32] Eu sou funcionário público.
[00:37:34] Eu sou o contrário
[00:37:36] de qualquer pessoa.
[00:37:36] Eu sou o contrário
[00:37:36] de qualquer empreendedor.
[00:37:38] Daqui a nove anos,
[00:37:39] eu tenho uma aposentadoria
[00:37:41] estável,
[00:37:42] 100% do meu salário
[00:37:44] for the fucking life.
[00:37:46] Então, quer dizer,
[00:37:46] eu não sou referência
[00:37:47] pra ninguém, né?
[00:37:48] Quer dizer,
[00:37:48] eu sou absolutamente
[00:37:50] o retrato de outra era.
[00:37:52] Então, mas é exatamente…
[00:37:54] Pra nossa geração,
[00:37:55] essa era a referência.
[00:37:57] Entendeu?
[00:37:57] Isso.
[00:37:58] Por isso que a Jéssica
[00:37:59] tinha isso.
[00:38:00] Acho que todo mundo aqui
[00:38:01] cresceu falando,
[00:38:02] gente, carreira pública
[00:38:03] é garantia.
[00:38:05] A gente foi muito
[00:38:06] mais criado
[00:38:06] pra ser bons empregados
[00:38:08] do que empreendedores.
[00:38:11] Exatamente.
[00:38:11] Você falou a palavra
[00:38:12] mágica, Gabriel.
[00:38:13] Você foi criado para.
[00:38:14] Porque, sei lá,
[00:38:15] seus pais que querem
[00:38:16] o melhor pra você
[00:38:17] falaram, olha,
[00:38:18] isso aqui é bacana,
[00:38:19] isso aqui é uma visão
[00:38:19] de longo prazo.
[00:38:20] Uma visão que o jovem
[00:38:21] nunca vai ter.
[00:38:22] Eu quis largar a ECA
[00:38:23] umas 30 vezes fácil, assim.
[00:38:25] Mas fácil, fácil.
[00:38:27] É, quer dizer,
[00:38:27] é muito fácil agora pra mim,
[00:38:29] que eu tô muito perto, né?
[00:38:30] Tô oito, nove anos
[00:38:32] da aposentadoria,
[00:38:33] que eu falo, não,
[00:38:33] beleza, mano.
[00:38:34] Agora também
[00:38:35] eu vou ser muito bom.
[00:38:36] O curso dá um tiro
[00:38:36] de bazuca no pé.
[00:38:38] Ainda mais que eu entrei
[00:38:39] na ECA em 1993.
[00:38:41] É, aí aquele momento
[00:38:42] ia, ia, tá vendo?
[00:38:43] Olha, eu entrei
[00:38:44] enquanto você não tinha nascido.
[00:38:45] É, quer dizer…
[00:38:45] Não, não, não.
[00:38:46] Eu já tinha, né?
[00:38:47] Não vem contar, não.
[00:38:47] Mas quase.
[00:38:48] É, mas quase.
[00:38:49] Então, quer dizer,
[00:38:50] não, eu lembro
[00:38:50] a primeira vez
[00:38:51] que eu peguei um aluno
[00:38:52] nascido em 93.
[00:38:54] Eu falei, pô,
[00:38:54] se você nasceu,
[00:38:55] eu já dava aula aqui.
[00:38:56] Aí o moleque
[00:38:57] respondeu, mas assim,
[00:38:58] sem pulo, né?
[00:38:59] Então, professor,
[00:38:59] eu vou morrer
[00:39:01] e você ainda vai
[00:39:01] estar dando aula aqui.
[00:39:02] Você é o Highlander.
[00:39:03] Eu falei, ô, ok.
[00:39:05] Voltando a história assim,
[00:39:06] quer dizer,
[00:39:06] é muito fácil
[00:39:07] você falar de fora pra dentro.
[00:39:09] É o PJ pra vocês.
[00:39:11] Sabe?
[00:39:11] Você fala assim,
[00:39:12] cara, ok,
[00:39:13] se eu entrar
[00:39:13] num concurso público,
[00:39:15] engolir um monte
[00:39:16] de desaforos
[00:39:17] ao longo de 40 anos,
[00:39:19] eu vou ter uma vida,
[00:39:21] uma sobrevida, ok,
[00:39:22] mas vale a pena, né?
[00:39:23] Será que essa sobrevida
[00:39:24] vale a pena?
[00:39:25] É que eu sou
[00:39:25] o raríssimo caso
[00:39:27] de ser funcionário público
[00:39:28] dentro de uma instituição
[00:39:30] que me dá
[00:39:31] uma alegria muito grande.
[00:39:32] Quer dizer,
[00:39:32] cara, por que o professor
[00:39:33] ganha tão mal, né?
[00:39:34] Porque, no fundo,
[00:39:35] no fundo,
[00:39:35] o professor, ele sabe
[00:39:37] que ele tá dentro
[00:39:38] de um lugar
[00:39:38] que ele poderia estar
[00:39:39] em algum outro lugar
[00:39:40] ganhando um pouco melhor
[00:39:40] e odiando furiosamente
[00:39:43] o que ele faz, né?
[00:39:43] Quer dizer, então,
[00:39:44] o professor que realmente
[00:39:45] gosta do que ele faz,
[00:39:46] ele sabe que…
[00:39:48] A mãe do Gabriel,
[00:39:48] a professora, quer dizer,
[00:39:49] o Gabriel tem isso de perto,
[00:39:50] quer dizer,
[00:39:51] o professor que gosta
[00:39:52] do que faz,
[00:39:53] ele fala assim,
[00:39:53] cara, eu tô dentro do lugar
[00:39:55] que pelo menos
[00:39:55] me permite ensinar, né?
[00:39:57] Você pega aquele cara
[00:39:58] que é jardineiro,
[00:39:59] ele fala, ok,
[00:39:59] eu sou funcionário público,
[00:40:00] mas eu sou jardineiro.
[00:40:01] Quer dizer,
[00:40:02] eu não tenho que lidar com gente,
[00:40:03] não tenho que lidar com processo,
[00:40:04] não tenho que lidar com burocracia,
[00:40:05] eu não tenho que lidar
[00:40:05] com pequenas autoridades,
[00:40:07] eu tenho que lidar com planta.
[00:40:08] É a mesma coisa,
[00:40:09] quer dizer, o PJ,
[00:40:10] eu vou ficar no PJ
[00:40:10] só temporário,
[00:40:12] daqui a pouco eu migro
[00:40:13] pra alguma coisa melhor.
[00:40:14] Agora o cara tá,
[00:40:15] eu tô ali no precarizado,
[00:40:16] é temporário,
[00:40:17] eu vou migrar
[00:40:18] pra algo melhor.
[00:40:19] Quer dizer,
[00:40:19] enquanto a gente não der
[00:40:20] algo melhor
[00:40:21] pra que essas pessoas façam,
[00:40:22] enquanto a gente explorar
[00:40:23] um modelo de negócio
[00:40:25] que só considera
[00:40:26] o funcionário,
[00:40:27] se o funcionário é PJ,
[00:40:28] que só considera
[00:40:30] o funcionário,
[00:40:31] se eu tiver
[00:40:31] um ambiente de aplicativo,
[00:40:34] eu não vou construir
[00:40:35] um ambiente melhor.
[00:40:36] Então assim,
[00:40:37] é interessante você entender
[00:40:39] o jovem da geração atual
[00:40:41] como alguém que,
[00:40:42] como você,
[00:40:43] como eu,
[00:40:44] é alguém que tem
[00:40:45] uma integridade,
[00:40:46] é um adulto,
[00:40:47] gosta de ser desafiado,
[00:40:49] mas ele quer realmente
[00:40:51] fazer algo
[00:40:52] que o satisfaça,
[00:40:54] algo que traga
[00:40:55] aquilo que,
[00:40:56] sei lá,
[00:40:56] daria numa
[00:40:57] guachupé de 1950,
[00:41:00] daria o
[00:41:01] negócio de aplicativo.
[00:41:01] O reconhecimento social
[00:41:03] ou o reconhecimento religioso,
[00:41:05] quer dizer,
[00:41:06] é aquilo que o sujeito,
[00:41:07] sei lá,
[00:41:07] em 1950,
[00:41:08] ele era bombeiro
[00:41:09] e ganhava muito mal,
[00:41:11] mas toda a pequena
[00:41:12] comunidade em volta dele
[00:41:13] gostava muito dele
[00:41:14] porque ele era o bombeiro.
[00:41:15] Se a casa pegasse fogo,
[00:41:16] era ele que salvava.
[00:41:17] Esse tecido social
[00:41:19] que a gente perdeu
[00:41:20] e que a gente precisa
[00:41:21] de alguma forma recuperar.
[00:41:22] Porque no fundo,
[00:41:23] todo mundo,
[00:41:23] todo mundo
[00:41:24] quer fazer um negócio legal.
[00:41:25] Eu não imagino
[00:41:26] um jardineiro
[00:41:28] que quer plantar
[00:41:29] uma planta pra morrer.
[00:41:30] Eu não imagino
[00:41:30] um marceneiro,
[00:41:31] que quer fazer
[00:41:32] uma mesa torta.
[00:41:33] Sabe,
[00:41:33] a gente tem orgulho
[00:41:34] do próprio trabalho.
[00:41:35] O problema é que
[00:41:36] criaram uma ficção bizarra
[00:41:39] que o trabalho
[00:41:40] vira uma religião,
[00:41:41] então você tem que tirar
[00:41:42] a sua satisfação
[00:41:44] do trabalho
[00:41:45] e que o trabalho
[00:41:46] tem que te dar
[00:41:47] todas as respostas.
[00:41:48] Na maior parte das vezes,
[00:41:50] o melhor exemplo
[00:41:50] ainda tá lá
[00:41:51] nos anos 70,
[00:41:52] em que o cara
[00:41:53] era baixista
[00:41:55] ou tocava
[00:41:56] oboé
[00:41:57] na sinfônica
[00:41:59] e era caixa do Itaú.
[00:42:00] E o cara
[00:42:01] que ele entendia claramente
[00:42:02] o trabalho tá aqui
[00:42:03] pagando minhas contas
[00:42:04] e o meu sonho
[00:42:05] tá do outro lado.
[00:42:07] Então, assim,
[00:42:07] essa cultura calvinista
[00:42:09] americana
[00:42:09] de rendição pelo trabalho
[00:42:11] é uma coisa
[00:42:11] que a gente tem que se livrar.
[00:42:13] E a gente vê isso, cara.
[00:42:14] Aquela pessoa que fala assim
[00:42:15] todo sábado
[00:42:16] vai entregar
[00:42:17] sopão
[00:42:18] pra morador de rua
[00:42:20] ou vai plantar
[00:42:21] canteiro de coisa.
[00:42:23] Você percebe
[00:42:23] que a pessoa tá feliz.
[00:42:25] Ela tá extremamente feliz ali.
[00:42:27] Porque a vida dela
[00:42:28] tem significado.
[00:42:29] Você não vai encontrar
[00:42:30] o cara que tá
[00:42:30] na beira da morte,
[00:42:31] falando assim
[00:42:32] pô, podia ter participado
[00:42:33] de mais reunião,
[00:42:34] podia ter tido
[00:42:35] um terceiro Porsche
[00:42:36] ou poderia ter ganhado
[00:42:37] um milhão a mais.
[00:42:38] Não.
[00:42:38] Você vai ver essa pessoa
[00:42:39] na beira da morte
[00:42:39] falando assim
[00:42:40] queria que a minha vida
[00:42:41] tivesse mais significado.
[00:42:42] E eu acho que
[00:42:43] a hora que a gente
[00:42:44] dissocia
[00:42:45] o valor pecuniário,
[00:42:47] o dinheiro
[00:42:48] do significado,
[00:42:49] aí você consegue descobrir
[00:42:51] uma coisa muito grande.
[00:42:52] Então, assim,
[00:42:52] no caso da geração de vocês,
[00:42:54] ela era uma geração
[00:42:55] bastante individualista.
[00:42:56] Beleza.
[00:42:57] Então, como é que você
[00:42:58] vai ser uma celebridade
[00:43:00] por ter feito
[00:43:01] algo célebre
[00:43:02] e não por ter
[00:43:04] participado do,
[00:43:05] sei lá,
[00:43:06] Big Brother?
[00:43:07] E o grande desafio
[00:43:08] pra vocês
[00:43:09] era fazer um negócio
[00:43:09] realmente tão bom,
[00:43:11] tão legal,
[00:43:12] que eu me torno
[00:43:13] célebre por consequência.
[00:43:14] Eu acho que, por exemplo,
[00:43:15] o exercício de vocês
[00:43:16] desde o mundo poca
[00:43:17] é muito claramente isso.
[00:43:19] Sabe?
[00:43:19] Quer dizer,
[00:43:20] eu quero fazer
[00:43:20] a diferença pro mundo.
[00:43:22] Eu quero trazer,
[00:43:23] eu quero aglutinar
[00:43:23] pessoas legais
[00:43:24] porque eu quero
[00:43:25] marcar as pessoas.
[00:43:26] É isso
[00:43:26] o que remunera
[00:43:28] o espírito de vocês.
[00:43:29] O resto é só dinheiro.
[00:43:31] E eu acho
[00:43:31] que, assim,
[00:43:31] a gente vai conseguir
[00:43:32] solucionar bem
[00:43:33] essas relações todas
[00:43:34] a hora que a gente conseguir
[00:43:35] despregar uma coisa da outra.
[00:43:37] A hora que você vai
[00:43:38] pro trabalho,
[00:43:39] tirando da cabeça
[00:43:40] aquela ideia abessa
[00:43:41] que o trabalho
[00:43:41] tem que te dar
[00:43:42] algum significado.
[00:43:43] Desde a Bíblia,
[00:43:44] a ideia do trabalho é
[00:43:45] então, Adão comeu
[00:43:47] a maçã errada
[00:43:47] no lugar errado
[00:43:48] com a moça errada,
[00:43:50] então toma,
[00:43:50] de castigo agora,
[00:43:51] desgraçado,
[00:43:52] tu vai trabalhar
[00:43:52] o resto da vida.
[00:43:53] Mas é uma conclusão
[00:43:54] que a gente,
[00:43:55] não raro,
[00:43:56] chega aqui nesse programa,
[00:43:57] no fim das contas,
[00:43:58] que, sim,
[00:44:00] é preciso repensar
[00:44:01] o modelo de trabalho.
[00:44:03] Óbvio que eu tenho
[00:44:03] preocupações no sentido
[00:44:05] de que o jovem
[00:44:05] ainda nem conhece
[00:44:06] o trabalho, né,
[00:44:07] pra efetivamente
[00:44:08] questionar e tudo mais.
[00:44:10] Mas eu vejo que
[00:44:11] essa discussão
[00:44:12] estando mais presente,
[00:44:14] porque ela não era presente
[00:44:15] quando eu era muito jovem.
[00:44:16] Ninguém tava questionando
[00:44:17] o modelo de trabalho
[00:44:19] que tava sendo colocado,
[00:44:19] na verdade.
[00:44:20] Seu futuro já tava escrito.
[00:44:22] Tava, iaiaiaia.
[00:44:23] Só que era outro modelo.
[00:44:24] Não, mas, então,
[00:44:24] mas o que eu tô dizendo
[00:44:26] é que não existia
[00:44:27] uma questão
[00:44:28] de eu dissociar,
[00:44:29] de pegar o trabalho
[00:44:31] certo,
[00:44:31] de dissociar, exatamente.
[00:44:33] É, dissociar.
[00:44:33] Este é um assunto
[00:44:34] muito novo.
[00:44:35] Na verdade,
[00:44:36] minha geração foi pautada, né,
[00:44:37] você precisa, inclusive,
[00:44:39] encontrar propósito
[00:44:40] no seu trabalho,
[00:44:41] que é o mais absurdo, né?
[00:44:43] Então…
[00:44:43] É completamente absurdo.
[00:44:44] Mas falaram,
[00:44:45] mas era o ponto
[00:44:46] que se falava.
[00:44:47] Eu, assim, acho que
[00:44:47] a gente até já se estende
[00:44:49] demais aqui.
[00:44:50] A gente tem um programa
[00:44:51] que tende a durar uma hora,
[00:44:52] mas foi muito legal
[00:44:54] todos esses pontos abordados.
[00:44:55] Acho que até pra comentarmos
[00:44:57] que, no fim das contas,
[00:44:59] me parece, né,
[00:45:00] me parece que,
[00:45:02] como comentado ali
[00:45:03] no começo do programa,
[00:45:04] falar, né,
[00:45:05] o que se fala
[00:45:05] sobre o jovem, usualmente,
[00:45:07] realmente,
[00:45:08] não é muito sério mesmo.
[00:45:09] Tem a ver com…
[00:45:10] Acho que tem uma coisa
[00:45:11] que o Gabriel comentou.
[00:45:11] Tem a ver, pode ser com medo mesmo.
[00:45:13] Olha, tem…
[00:45:13] Sabe, é o jovem
[00:45:14] fazendo coisas diferentes,
[00:45:15] é o jovem fazendo
[00:45:16] coisas que eu não tô entendendo,
[00:45:18] porque, obviamente,
[00:45:19] eu fiquei velho
[00:45:20] pra entender, né?
[00:45:21] E se eu não entendo,
[00:45:23] é uma ameaça pra mim.
[00:45:24] É, se eu não entendo,
[00:45:25] é uma ameaça.
[00:45:26] Então tem essa coisa de
[00:45:27] ah, geração Z,
[00:45:29] é assim,
[00:45:29] é assado,
[00:45:30] geração Z não sabe trabalhar.
[00:45:32] Que é uma coisa
[00:45:32] que eu ouvi demais
[00:45:33] ao longo do início
[00:45:34] de carreira inteira, assim.
[00:45:35] Que a minha geração
[00:45:36] era preguiçosa,
[00:45:37] que a minha geração
[00:45:37] não entregava,
[00:45:38] que a minha geração isso.
[00:45:39] E no fim das contas,
[00:45:40] tá aí todo mundo chegando, né?
[00:45:41] Minha geração tá aí trabalhando.
[00:45:43] E aí, olha só, cara.
[00:45:45] É que, quer dizer,
[00:45:45] por que que…
[00:45:46] Por que que eu,
[00:45:48] bem mais velho que vocês,
[00:45:50] sou amigo de vocês
[00:45:51] desde aquela época
[00:45:52] e espero eu continuar
[00:45:54] a ser amigo de vocês
[00:45:55] por muito tempo?
[00:45:56] Porque desde aquela época…
[00:45:59] Não.
[00:46:00] Esse é o ponto.
[00:46:00] Esse é o ponto.
[00:46:01] Vocês são seres humanos.
[00:46:03] Vocês têm questões
[00:46:04] e eu, em vez de
[00:46:06] rapidamente julgar vocês,
[00:46:08] classificar vocês
[00:46:09] e encaixotar vocês
[00:46:10] em algum lugar, né?
[00:46:11] Como mais um jovem,
[00:46:13] eu falei, não, peraí.
[00:46:14] Deixa eu entender o que que é.
[00:46:15] Vamos conversar o que que é.
[00:46:17] Então, o que eu acho, assim,
[00:46:18] sei lá, a minha recomendação
[00:46:19] pra quem tá ouvindo
[00:46:20] esse podcast, assim,
[00:46:21] antes de reclamar de alguém,
[00:46:23] vai lá escutar essa pessoa.
[00:46:24] Cara, você vai perceber
[00:46:25] que às vezes
[00:46:26] o que ele tá reclamando
[00:46:27] é aquilo que você
[00:46:28] se cansou de reclamar.
[00:46:30] Você só se tornou
[00:46:31] mais pragmático,
[00:46:32] mas, no fundo,
[00:46:32] você tem a mesma queixa que ele.
[00:46:34] Sabe?
[00:46:34] Traz essa pessoa pro seu lado.
[00:46:36] Todo mundo tá disposto
[00:46:38] a fazer uma parte desagradável
[00:46:41] em nome de uma coisa
[00:46:43] maior agradável.
[00:46:44] Esse é, basicamente,
[00:46:45] o axioma da tatuagem, né?
[00:46:47] Você tá disposto
[00:46:48] a sofrer dor,
[00:46:49] a passar um tempo
[00:46:51] o cara fazendo um rabisco
[00:46:52] na sua pele.
[00:46:53] Olha só esse braço, velho.
[00:46:55] Em áreas sensíveis, doloridas,
[00:46:57] porque você sabe
[00:46:58] que o efeito
[00:47:00] exterior é maior.
[00:47:01] Sabe?
[00:47:01] Ninguém é chamado
[00:47:02] pra tatuagem
[00:47:03] porque, olha,
[00:47:03] vem aqui, vai doer.
[00:47:05] Ah, mano, vai pro inferno.
[00:47:06] Eu não quero.
[00:47:07] O valor da tatuagem
[00:47:08] não é a dor.
[00:47:09] O valor da tatuagem
[00:47:10] é o…
[00:47:12] Quer dizer, a dor
[00:47:12] dura um período,
[00:47:13] um período muito curto.
[00:47:14] E o desenho,
[00:47:15] quando bem feito,
[00:47:17] quando uma coisa
[00:47:17] que faz parte da sua identidade,
[00:47:18] vai durar pra sempre.
[00:47:19] E pra gente meio que amarrar,
[00:47:21] mas, pô,
[00:47:22] eu falaria sobre eles.
[00:47:23] Eu sou absolutamente
[00:47:24] apaixonado por eles
[00:47:25] porque, no fundo,
[00:47:26] eu acho que, assim,
[00:47:27] a gente tem ali
[00:47:27] um protótipo
[00:47:29] de ser humano,
[00:47:30] vai passar
[00:47:31] um longo tempo
[00:47:33] pela frente,
[00:47:34] tendo um impacto
[00:47:35] muito grande
[00:47:35] na sociedade.
[00:47:36] E você tá ali
[00:47:38] naquela plantinha
[00:47:39] que ainda não tá sólida.
[00:47:41] Você é a estaca da planta.
[00:47:43] Cara, se a estaca
[00:47:44] tá lá bem amarrada,
[00:47:45] a planta cresce sólida,
[00:47:46] você joga a estaca fora
[00:47:47] e, porra,
[00:47:48] a planta ficou sólida
[00:47:50] e ninguém vai lembrar
[00:47:51] que a estaca tá lá.
[00:47:52] Então,
[00:47:53] essas pessoas
[00:47:53] só precisam ser abraçadas.
[00:47:55] Às vezes,
[00:47:55] a queixa do Geração Z
[00:47:57] é igual
[00:47:58] à queixa do Millennial,
[00:47:59] que, por sua vez,
[00:48:00] é igual à queixa
[00:48:01] do Geração X,
[00:48:03] que é igual
[00:48:03] à queixa do Boomer,
[00:48:04] que é
[00:48:05] tô fazendo um trabalho
[00:48:06] de merda
[00:48:06] que não faz o menor sentido.
[00:48:08] A única diferença
[00:48:09] é a resposta.
[00:48:10] A resposta pro Boomer
[00:48:11] é cala a boca e trabalha.
[00:48:13] A resposta pro X é
[00:48:14] você vai encher
[00:48:14] a bunda de dinheiro.
[00:48:16] A resposta pro Millennial
[00:48:17] é você vai montar
[00:48:18] a sua empresa
[00:48:18] e encher a bunda de dinheiro.
[00:48:20] E a resposta pro Z é
[00:48:21] vão desmontar essa merda
[00:48:23] e dividir o dinheiro.
[00:48:24] Sabe?
[00:48:25] Então, quer dizer,
[00:48:25] mas, no fundo,
[00:48:26] no fundo,
[00:48:27] todo mundo tá se queixando
[00:48:27] da mesma coisa.
[00:48:28] Tá certo.
[00:48:29] Acho que,
[00:48:30] conclui muito bem
[00:48:31] esse papo,
[00:48:32] mas que a gente,
[00:48:32] a gente concorda,
[00:48:33] daria pra ficar conversando
[00:48:35] aqui mais algumas horas,
[00:48:36] com certeza,
[00:48:37] mas a gente, né,
[00:48:37] não pode se alongar
[00:48:38] até em respeito ao vídeo,
[00:48:39] então eu já quero
[00:48:40] já agradecer.
[00:48:41] Ah, claro, né?
[00:48:42] Demais, Lully.
[00:48:43] Conclui que todo mundo
[00:48:44] é ou já foi jovem
[00:48:45] e que todo jovem
[00:48:46] é, sim, preguiçoso.
[00:48:47] É isso.
[00:48:48] E velho será.
[00:48:49] E velho será.
[00:48:50] E beleza, gente.
[00:48:51] E assim continuará
[00:48:52] caminhando a humanidade, né?
[00:48:53] Até que o planeta acabe,
[00:48:55] de fato.
[00:48:55] Toca o ciclo da vida aí.
[00:48:58] Toca o ciclo da vida.
[00:49:00] É, ciclo sem fim.
[00:49:02] Isso, pronto.
[00:49:04] Gente, acho que,
[00:49:05] novamente,
[00:49:06] o programa, né,
[00:49:07] era pra ser
[00:49:08] uma discussão breve aqui
[00:49:10] sobre uma pedra,
[00:49:10] acabou sendo um papo
[00:49:12] bem complexo,
[00:49:13] eu acho que,
[00:49:13] cheio de informações
[00:49:14] pra, né,
[00:49:15] o ouvinte que chegou até aqui
[00:49:17] pra pensar um pouquinho mais
[00:49:18] sobre essa questão,
[00:49:19] se principalmente
[00:49:20] esse ouvinte que chegou até aqui,
[00:49:21] e eu desconfio que seja mesmo,
[00:49:23] é o ouvinte não jovem,
[00:49:24] justamente porque a gente
[00:49:25] acaba falando mais
[00:49:26] com os millennials.
[00:49:27] Então, assim,
[00:49:28] é legal ouvir, né?
[00:49:30] Então,
[00:49:30] inclusive de alguém
[00:49:30] que é mais velho que a gente,
[00:49:32] millennial aqui,
[00:49:32] é que, assim,
[00:49:34] é importante sentar
[00:49:35] ouvir o jovem
[00:49:35] que essa grita
[00:49:36] que se tem em relação ao jovem
[00:49:38] tá,
[00:49:39] como a gente já desconfiava
[00:49:41] que tava errada,
[00:49:41] tá errada.
[00:49:42] Justamente,
[00:49:43] é uma parte importante
[00:49:45] nos ouvirmos,
[00:49:46] nos considerarmos todos
[00:49:46] no fim das contas humanos,
[00:49:48] e que sim,
[00:49:48] o jovem tá
[00:49:49] num processo de formação
[00:49:51] de uma série de questões
[00:49:53] e que é muito legal, né,
[00:49:55] enfim,
[00:49:55] poder participar disso
[00:49:56] de uma maneira construtiva
[00:49:57] e não destrutiva.
[00:49:59] Eu acho que,
[00:49:59] acho que essa,
[00:50:00] essa é uma boa mensagem
[00:50:02] no fim das contas
[00:50:03] que tá sempre alinhada, né,
[00:50:04] Jéssica,
[00:50:05] com aquela outra mensagem
[00:50:06] que a gente sempre
[00:50:07] deixa nesse programa
[00:50:08] que é,
[00:50:08] vamos pensar mais
[00:50:09] no coletivo,
[00:50:10] vamos pensar mais, né,
[00:50:11] na sociedade como um todo,
[00:50:13] aquela coisa toda
[00:50:13] sempre tá aqui.
[00:50:15] A ideia é a seguinte,
[00:50:16] somos todos empreendedores aqui
[00:50:18] e você é uma referência
[00:50:19] pra nós.
[00:50:20] Você é
[00:50:21] a nível de funcionário público.
[00:50:24] A nível de…
[00:50:25] Eu que me aposentarei
[00:50:26] enquanto vocês vão estar
[00:50:28] trabalhando o resto da vida.
[00:50:29] Obrigada.
[00:50:30] A gente já sabia disso,
[00:50:32] mas olha…
[00:50:32] Com essa bomba.
[00:50:33] Com essa bomba,
[00:50:34] eu quero agradecer novamente
[00:50:35] sua presença aqui, Lu,
[00:50:36] e obrigado por
[00:50:37] topar fazer parte
[00:50:38] dessa baguncinha aqui gostosa
[00:50:40] que a gente chama de
[00:50:41] O Alvissareiro.
[00:50:42] Quero agradecer demais.
[00:50:43] Eu adorei, gente.
[00:50:44] O modelo é muito bom.
[00:50:46] Muito obrigado.
[00:50:46] Próximas temporadas,
[00:50:47] quem sabe,
[00:50:48] a gente discutindo
[00:50:49] alguma outra coisa, né?
[00:50:50] Quero agradecer também aqui
[00:50:51] meus ilustríssimos
[00:50:53] companheiros de bancada,
[00:50:54] Jéssica Corrêa
[00:50:55] e Gabriel Prado
[00:50:57] nessa volta,
[00:50:58] nessa volta que,
[00:50:59] né,
[00:50:59] de temporada.
[00:51:01] A gente sabe que a gente
[00:51:02] queria ter chegado aqui
[00:51:03] um pouquinho antes, né?
[00:51:05] Mas estão chegando,
[00:51:06] estão chegando com mais
[00:51:07] quatro programinhas,
[00:51:08] este e mais três.
[00:51:09] A gente vai terminar
[00:51:09] essa temporadinha assim.
[00:51:11] Já temos os próximos
[00:51:12] programas engatilhados.
[00:51:14] Fique com a gente,
[00:51:15] caro ouvinte,
[00:51:15] nesses próximos daqui.
[00:51:17] São mais três programas
[00:51:18] que a gente chega, né,
[00:51:20] no final dessa temporada
[00:51:21] com muito orgulho
[00:51:23] de tudo que falamos
[00:51:24] até aqui.
[00:51:25] Isso.
[00:51:25] Completando a cartelinha,
[00:51:27] você ganha um café expresso.
[00:51:28] Ó, beijo pra todo mundo.
[00:51:29] Beijo pra todo mundo.
[00:51:29] Até mais.
[00:51:30] Até.
[00:51:31] Tchau, tchau.
[00:51:44] Acesse
[00:51:45] ouviçareiro.com.br
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[00:51:49] Oviçareiro
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[00:51:51] players de podcast
[00:51:52] do mercado.
[00:51:53] Isso mesmo,
[00:51:53] estamos nos melhores
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[00:52:09] Você acabou de ouvir
[00:52:11] um programa que teve
[00:52:12] roteiro e apresentação
[00:52:14] de Luiz Yassuda,
[00:52:15] este que vos fala,
[00:52:17] Jéssica Correia
[00:52:18] e Gabriel Prado.
[00:52:19] A edição é de
[00:52:20] Jéssica Correia
[00:52:21] e Oviçareiro
[00:52:22] tem parceria
[00:52:24] na divulgação
[00:52:24] do P9.
[00:52:29] A edição é de Jéssica Correia e Jéssica Correia e Jéssica Correia e Jéssica Correia.