#384 Rubens Casara e “A Construção do Idiota”


Resumo

Neste episódio do Vira Casacas, os hosts Gabriel Divã e Felipe Abau recebem o juiz e escritor Rubens Casara para discutir seu livro recém-lançado, ‘A Construção do Idiota: O Processo de Idiossubjetivação’. A conversa gira em torno do conceito central da obra: como a racionalidade neoliberal hegemônica, a partir dos anos 80, promove um processo de formatação subjetiva que produz indivíduos ‘idiotas’ – no sentido grego original de alguém fechado em si, incapaz de se relacionar com o comum e com a diversidade.

Casara explica o termo ‘idiosubjetivação’ como um neologismo criado para descrever essa mutação subjetiva. O objetivo desse processo é criar sujeitos úteis à manutenção do projeto neoliberal, indivíduos que agem por cálculo de interesse imediato, muitas vezes contra seus próprios interesses a longo prazo, e que naturalizam absurdos que seriam inaceitáveis décadas atrás. Esses sujeitos são caracterizados por um estilo de pensamento tendencialmente paranoico ou perverso, que parte para o ato sem reflexão crítica, violando limites éticos, legais e democráticos.

A discussão avança para os antídotos possíveis contra essa idiosubjetivação. Casara propõe o ‘pensar’ e o ‘amar’ como verbos revolucionários. O amor, entendido não de forma piegas, mas como uma abertura radical ao outro que admite a diferença (onde ‘um se torna dois’), é contrário à lógica da concorrência neoliberal. O pensamento crítico é necessário para diagnosticar a realidade e buscar caminhos emancipatórios. Os participantes também debatem como técnicas de idiosubjetivação manipulam o ódio, o ressentimento e o narcisismo para criar divisões entre os oprimidos, impedindo sua união contra os opressores.

Por fim, o episódio conecta a teoria do livro com a atualidade política, comentando a ascensão de forças de extrema-direita na Europa, o avanço de pautas reacionárias no Congresso brasileiro e a naturalização da barbárie, como no conflito Israel-Palestina. A conversa também critica certas posturas dentro da própria esquerda, como a busca por uma pureza moral que leva ao cancelamento e fragiliza as alianças necessárias para a transformação social. A obra e a discussão servem como um chamado para resgatar a ideia do ‘comum’ – a esfera do inegociável – como base para a construção de um mundo mais justo e solidário.


Indicações

Authors

  • Mark Fisher — Teórico citado por Rubens Casara, especificamente seu texto ‘O Castelo do Vampiro’, que critica a simplificação de argumentos e a cultura do cancelamento dentro da esquerda.
  • Erich Fromm — Autor referenciado por Casara, em especial sua tese sobre o ‘medo da liberdade’, que explica a busca por líderes autoritários por parte de sujeitos idiosubjetivados.
  • Theodor Adorno — Filósofo citado por Casara em duas ocasiões: sobre a falta de relação entre o sucesso de uma tese e sua verdade, e sobre o desafio de impedir o retorno da barbárie.
  • Domenico De Masi — Sociólogo italiano citado por Casara, que trabalha com o conceito de ‘homo stupidus stupidus’, em contraposição ao ‘homo sapiens sapiens’ que duvida e pensa.
  • Dany-Robert Dufour — Filósofo francês mencionado por Casara, que tem uma frase sobre o capitalismo acabar porque a espécie humana vai acabar se seguir o caminho da ilimitação neoliberal.

Books

  • A Construção do Idiota — Livro de Rubens Casara discutido no episódio. Analisa o processo de ‘idiosubjetivação’ na racionalidade neoliberal, que formata sujeitos fechados em si, úteis à manutenção do projeto de dominação.
  • Elogio do Amor — Livro de Alain Badiou mencionado por Rubens Casara. Trabalha o amor em uma perspectiva similar à discutida no episódio, como uma força política e de verdade.
  • Pessoas Decentes — Livro de Leonardo Padura indicado por Rubens Casara como uma leitura recente que ele considera excelente.
  • O Vampiro Lestat — Livro de Anne Rice mencionado por Felipe Abau durante as dicas culturais, relacionado à série ‘Entrevista com o Vampiro’.
  • Cyberproletariado — Livro em pré-venda da Editora Funilaria, indicado pelos hosts. Aborda poder de classe e informatização, das minas no Congo aos trabalhadores na China.

Films

  • Down by Law — Filme de Jim Jarmusch (1986) indicado por Gabriel Divã. Comédia sobre três homens numa penitenciária na Louisiana, com Tom Waits e Roberto Benigni.
  • Amantes Eternos — Filme de Jim Jarmusch (2013) mencionado por Rubens Casara. História de vampiro onde os humanos são vistos como zumbis.

Series

  • Entrevista com o Vampiro — Série disponível na Amazon Prime, indicada por Felipe Abau. Adaptação dos livros de Anne Rice, com uma abordagem que explora mais abertamente os relacionamentos entre os personagens.

Theater

  • Todas as Coisas Maravilhosas — Peça de teatro indicada por Rubens Casara. Monólogo com o ator Kiko Mascarense que trata do tema da depressão de maneira inteligente. Está em turnê pelo Brasil.

Linha do Tempo

  • 00:09:28Apresentação de Rubens Casara e do livro — Rubens Casara se apresenta como juiz, escritor e ateu ‘não dogmático’. Ele agradece o convite e apresenta seu livro ‘A Construção do Idiota’, explicando que busca entender como tantas pessoas passaram a tomar decisões aparentemente contrárias aos seus próprios interesses, movidas por um proveito individual imediato. Define o ‘idiota’ a partir da origem grega: alguém incapaz de se relacionar com a coletividade, fechado para o conhecimento e a diversidade.
  • 00:16:55Explicação do conceito de idiosubjetivação — Casara detalha o conceito central do livro: a ‘idiosubjetivação’. Trata-se de um processo de formatação subjetiva inerente à racionalidade neoliberal hegemônica, que visa criar sujeitos úteis à manutenção desse projeto. Esses sujeitos são treinados para ver tudo e todos como negociáveis ou descartáveis, com base em cálculos de interesse pessoal. O processo impede que as pessoas percebam que estão sendo submetidas a algo que, se conhecessem, não aceitariam.
  • 00:24:50O estilo paranoico e a psicose social — Em resposta a Felipe Abau, Casara discute como a idiosubjetivação produz sujeitos com quadros mentais paranoicos ou perversos. A racionalidade neoliberal, com seu mandamento de ilimitação, faz com que as pessoas ajam a partir de certezas (mesmo que delirantes), sem reflexão. O paranoico nem sequer tem consciência dos limites, enquanto o perverso goza ao violá-los. Essa postura é funcional para um modelo social que afasta todos os obstáculos à obtenção de lucro.
  • 00:32:00O amor como verbo revolucionário contra a idiosubjetivação — A partir de uma citação do livro, Gabriel Divã pergunta sobre o amor como criação do pensamento que permite construir o mundo a partir da diferença. Casara responde que a idiosubjetivação empobrece a linguagem e muda os sentidos das palavras. O amor, em seu sentido revolucionário, é abrir-se radicalmente ao outro, admitir a complexidade e a verdade do outro. Junto com o pensamento crítico, o amor é um antídoto contra a lógica da concorrência e da instrumentalização do outro, permitindo vislumbrar a possibilidade de um mundo melhor construído coletivamente.
  • 00:43:45Narcisismo, ressentimento e divisão dos oprimidos — Felipe Abau comenta sobre o narcisismo das pequenas diferenças e a vitimização. Casara concorda, explicando que a manipulação do ódio e do ressentimento é uma técnica fundamental da idiosubjetivação. Ela cria a necessidade de um inimigo e faz com que os oprimidos gastem mais energia brigando entre si (trabalhador contra trabalhador, movimento negro internamente, feministas entre si) do que lutando contra o opressor comum: o detentor do poder econômico que se beneficia da hegemonia neoliberal.
  • 00:48:47A demonização do comum e a esfera do inegociável — Gabriel Divã retoma a questão do ‘comum’, ligando-a a pensadores contemporâneos. Casara explica que a manutenção da hegemonia neoliberal exige a demonização do comum, que é a esfera do inegociável (direitos humanos, liberdade, a pessoa como fim em si mesma). Tudo que é percebido como um limite à busca ilimitada por lucro tende a ser destruído. Resgatar a ideia de comum, de que há coisas e pessoas que não podem ser objeto de negociação, é um passo fundamental para romper com a racionalidade neoliberal.
  • 00:58:55Medo da liberdade e busca por líderes autoritários — Felipe Abau pergunta sobre a fixação em figuras paternas/authoritárias como Bolsonaro ou bilionários. Casara relaciona isso ao ‘medo da liberdade’ teorizado por Erich Fromm. A idiosubjetivação, ao empobrecer o simbólico e o imaginário, gera medo de agir e de estar no mundo. Esse medo faz com que o sujeito busque alguém (um líder autoritário) para tomar as decisões que ele não quer ou não sabe tomar, demitindo-se de sua responsabilidade cidadã e abrindo mão da democracia.
  • 01:07:41Autocrítica da esquerda e os perigos do purismo moral — Felipe Abau levanta a questão da busca por perfeição e do cancelamento dentro da esquerda. Casara argumenta que a idiosubjetivação também atua nesse campo, criando uma suposta superioridade moral que leva à divisão. Técnicas como a criação de uma hierarquia das opressões ou a distorção de conceitos como ‘lugar de fala’ (como interdição à fala) servem para impedir o diálogo e a união dos oprimidos. Ele cita o texto ‘O Castelo do Vampiro’, de Mark Fisher, que critica esse fenômeno.
  • 01:16:05Atualidade política: nazifascismo e naturalização do absurdo — Gabriel Divã pede um comentário sobre a atualidade política, citando a ascensão da extrema-direita na Europa e pautas reacionárias no Brasil. Casara afirma que abrir o jornal é confirmar as teses do livro. Ele exemplifica com a defesa aberta da tortura por parlamentares (algo negado até pelos ditadores de 64), saudações nazistas no Congresso e projetos que criminalizam vítimas de estupro. A ilimitação neoliberal faz com que os próprios limites semânticos desapareçam, naturalizando o absurdo. A sociedade, tomada por ‘idiotas’, bate palmas para isso.

Dados do Episódio

  • Podcast: Viracasacas Podcast
  • Autor: Viracasacas Podcast
  • Categoria: News Politics
  • Publicado: 2024-06-18T02:59:12Z
  • Duração: 01:34:37

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA

[00:00:30] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA

[00:01:00] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA

[00:01:30] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA

[00:02:00] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA

[00:02:30] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA

[00:03:00] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA

[00:03:30] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA

[00:04:00] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA

[00:04:30] é, pois é, é, é, isso aí

[00:04:33] é, como é que é, o santo de casa

[00:04:35] qual é o santo do dia?

[00:04:38] eu não sei, cara

[00:04:39] eu tenho aqui meu livrinho, não vou puxar aqui ele agora

[00:04:41] ih, rapaz, logo tu

[00:04:43] bom, vamos lá

[00:04:44] eu vou mandar aqui um salve, Gabriel, pra galera que tá

[00:04:47] comentando os nossos episódios

[00:04:49] lá no YouTube, cara

[00:04:50] né, pessoal que tá fazendo o algoritmo

[00:04:53] funcionar, o Elcio Gomes

[00:04:55] comentou nesse nosso último episódio

[00:04:57] sobre, né, o Olhares sobre a Catástrofe

[00:04:59] disse muito bom episódio

[00:05:01] Thiago Batiston, ele acordou

[00:05:03] o algoritmo, digo, bora se ligar

[00:05:05] Leonardo Lemos

[00:05:07] e Saulo Pache, eu acho

[00:05:09] que se fala o Paché

[00:05:11] né, também

[00:05:13] deu um like ali pro

[00:05:15] algoritmo ficar ligadinho

[00:05:17] no Vira Casacas, olha que maravilha

[00:05:19] Pache, Sambroza

[00:05:21] Pirlo

[00:05:22] eu e o Gabriel, a gente tá torcendo

[00:05:25] pra Itália na Eurocopa

[00:05:27] só pelo prazer de fazer

[00:05:29] a escalação

[00:05:30] na verdade é, a gente tem essa piada aí, vai completar há quantos anos

[00:05:33] pelo amor de Deus, né

[00:05:35] não, olha, vai-te embora

[00:05:37] mas, cara, é isso aí, né

[00:05:38] esse Gil Madeira perguntou, né, eu queria acompanhar

[00:05:41] canais de política no YouTube

[00:05:43] o Madeira

[00:05:45] olha sem vergonha isso aí, cara

[00:05:47] o Vira Casacas tá no YouTube, por exemplo

[00:05:49] assim como estamos

[00:05:51] em todos os agregadores de podcast aí

[00:05:53] busca por Vira Casacas

[00:05:55] estamos nos streamings

[00:05:57] busca por Vira Casacas

[00:05:58] tem o nosso canal do YouTube

[00:06:00] que é, olha bolas, é Vira Casacas Podcast

[00:06:02] né, você nos encontra também

[00:06:04] diretamente no site do feed

[00:06:06] o viracasacas.libsyn.com

[00:06:08] e no nosso site também tem

[00:06:10] linkzinho pros episódios, viracasacas.com

[00:06:12] então, não falta lugar pra você

[00:06:14] escutar gratuitamente os nossos programas

[00:06:16] as nossas colunas

[00:06:18] e tudo mais que pinta por aí

[00:06:19] e o Vira Casacas é de grátis

[00:06:22] e sempre será, porém, né

[00:06:24] se você tiver aquela

[00:06:26] compaixão, aquele amor no seu

[00:06:28] coração, aquela vontade de ajudar

[00:06:30] você pode comentar lá no YouTube

[00:06:32] você pode mandar pras pessoas

[00:06:34] você pode compartilhar

[00:06:36] nas redes sociais, mas também

[00:06:38] se tiver como, considere

[00:06:40] por favor apoiar a gente lá no

[00:06:42] apoia.se

[00:06:43] ou na orelo.cc

[00:06:46] também, que daí

[00:06:48] tem algumas coisinhas pra vocês

[00:06:50] tem conteúdinho a mais ali também

[00:06:52] às vezes eu tô colocando imagens lá

[00:06:54] Gabriel, pra acompanhar os episódios

[00:06:56] do RT comentado, né

[00:06:58] ah, como será que era Santa Olga

[00:07:00] não tô afim de entrar lá

[00:07:02] estão todas as imagenzinhas organizadas

[00:07:04] pra você, partir de cinco

[00:07:06] reaisinhos já nos ajuda bastante

[00:07:09] cinco pilas, dez pilas

[00:07:10] quinze pilas, vinte pilas, quem sabe

[00:07:12] poxa, vitória

[00:07:14] vitória. Não, e outra coisa, né

[00:07:16] se você nos escutar

[00:07:18] pela Orelo, já tem

[00:07:20] uma pingadinha ali, assim como tem a

[00:07:22] pingadinha se você comprar as nossas

[00:07:24] dicas ali, usando os links

[00:07:26] que estão no viracasacas.com

[00:07:28] pra cada episódio, tá tudo lá

[00:07:30] agora, entrando na Orelo

[00:07:32] você tem que ter o login, porque

[00:07:34] lá pela Orelo você faz

[00:07:36] esse apoio, ao mesmo tempo

[00:07:38] pelo apoia.se, mesmíssima coisa

[00:07:40] você está logado lá

[00:07:42] tá cadastrado lá, e cinco

[00:07:44] reais mensais que saem

[00:07:46] assim, um mês inteiro, cinco

[00:07:48] num cartão de crédito, você não nota

[00:07:50] você paga inclusive mais caro

[00:07:52] por coisa que não é boa e você

[00:07:54] não precisa dela, né

[00:07:55] você tem aqui o viracasacas

[00:07:58] batalhando, dando murro na ponta de faca

[00:08:00] ah, mas Gabriel, mas eu quero dar seis e trinta e dois

[00:08:02] pode? Eu quero dar

[00:08:04] oitenta e oito, não

[00:08:06] aí não, aí você dá oitenta e sete

[00:08:08] ou oitenta e nove, né, que aí

[00:08:10] fica bonito, né. Eu quero dar

[00:08:12] cento e cinquenta, pode também

[00:08:14] mas cinco já adianta. É perfeito

[00:08:16] acho que é isso aí, Gabriel, vamos pro episódio?

[00:08:19] Vamos pro episódio que

[00:08:20] tá bom demais

[00:08:21] Gabriel Divã! Opa, estamos

[00:08:26] aí! Está você e mais

[00:08:28] alguém aí, Gabriel Divã, ou está sozinho?

[00:08:30] Olha, eu tô acompanhado

[00:08:32] de pessoas trabalhando, sabe, Man Network

[00:08:34] tinha uma banda, né, com esse nome, né

[00:08:36] tem pessoas trabalhando aqui no andar

[00:08:38] de cima e volta e meia vamos ter a presença

[00:08:40] de uma furadeira Seneca

[00:08:42] olha aí, olha aí, olha a furadeira, né

[00:08:44] eu já tava esperando, já tava esperando

[00:08:46] é aquela coisa, né, os

[00:08:48] grandes estúdios aí, onde

[00:08:50] trabalham os caras pra fazer programa de fascista

[00:08:52] e gente mentindo e falando bobagem, né

[00:08:54] os caras ganham dinheiro, isolamento acústico

[00:08:56] como é que é?

[00:08:58] carreira, não, aqui não, vira casacas

[00:09:00] depende do apoio de vocês, né, então a gente

[00:09:02] passa por esse tipo de situação, mas tudo bem, né

[00:09:04] a luta continua. O que importa

[00:09:06] é o conteúdo, Gabriel Divã

[00:09:08] e tenho certeza que nosso episódio de hoje

[00:09:10] não vai faltar conteúdo

[00:09:12] olha, o que importa é o recheio da bolacha

[00:09:14] ou melhor, do biscoito. Exatamente, né

[00:09:16] então estamos aqui

[00:09:18] mais uma semana com um convidado que

[00:09:20] fazia um tempo já que a gente

[00:09:22] tava pra convidar, né, e pra

[00:09:24] conseguir marcar um dia pra

[00:09:26] conversar, muito bem

[00:09:28] vindo aqui, Rubens Cassara

[00:09:30] obrigado por ter topado

[00:09:32] o nosso convite, obrigado

[00:09:34] por estar aqui conversando com a gente

[00:09:35] dá um oi pro pessoal e

[00:09:38] se apresenta pra quem porventura

[00:09:40] não te conhece. Felipe,

[00:09:42] eu é que agradeço o convite

[00:09:43] teu, do Gabriel, é sempre um prazer

[00:09:46] voltar nesse programa que eu gosto

[00:09:48] tanto, sou ouvinte

[00:09:50] bem, pra quem não me conhece

[00:09:52] eu sou amigo do Gabriel Divã

[00:09:53] do Felipe Abau, evidentemente

[00:09:56] esse é o motivo pelo qual eles me convidaram

[00:09:58] a vir falar aqui

[00:09:58] e dou a sorte de, nesse momento

[00:10:02] tá lançando um livro, que é

[00:10:04] A Construção do Idiota

[00:10:06] O Processo de Idiossubjetivação

[00:10:08] no qual eu tô pretendendo

[00:10:10] conversar

[00:10:12] com vocês sobre

[00:10:14] esse meio, esse instrumento

[00:10:16] que foi formatando

[00:10:18] sujeitos pra que eles

[00:10:20] se sentissem autorizados a fazer

[00:10:22] qualquer coisa em nome

[00:10:24] do seu proveito individual

[00:10:26] eu sou também

[00:10:28] nas horas vagas, juiz de direito

[00:10:30] do Tribunal de Justiça do Estado

[00:10:32] do Rio de Janeiro e ateu

[00:10:34] não dogmático, no sentido de que

[00:10:36] se amanhã ou depois Deus der

[00:10:38] provas de que existe, eu vou estar super

[00:10:40] do lado dele, mas por enquanto

[00:10:42] eu continuo ateu

[00:10:43] um prazer realmente estar aqui com vocês

[00:10:45] e disposto a esse bate-papo

[00:10:48] nos termos que vocês acharem melhor

[00:10:50] que ótimo essa apresentação aí

[00:10:52] não, é essa condição aí

[00:10:54] o ateísmo

[00:10:56] condicionado do Rubens, não tem nada

[00:10:58] eu vou dizer assim, não tem nada mais botafoguense

[00:11:00] que isso daí

[00:11:00] e o Rubens que, porra

[00:11:04] é um cara que eu admiro

[00:11:05] pelo posicionamento jurídico, eu admiro

[00:11:08] como escritor, como professor

[00:11:10] que também é

[00:11:11] e ele falou tudo, né, cara

[00:11:13] a principal condição, mas eu vou falar o contrário

[00:11:16] o privilégio é meu de poder

[00:11:18] chamar um cara desse parceiro

[00:11:19] e agora faz um tempinho, né, Rubens, que a gente não

[00:11:22] consegue tomar um chopinho aí, mas

[00:11:23] não há de ser nada, né, vamos

[00:11:25] lidar com isso aí em breve

[00:11:28] quem sabe aí numa turnê de divulgação

[00:11:30] deste livro que está sendo lançado

[00:11:32] aí a gente consegue se encontrar

[00:11:33] ela viaja o Brasil, alguma coisa do tipo

[00:11:36] aí, mas muito obrigado

[00:11:37] é a tua segunda participação no Vira Casacas

[00:11:40] e novamente

[00:11:41] estamos falando de um livro que tu está lançando

[00:11:43] a gente já tinha comentado contigo

[00:11:46] a respeito do Estado

[00:11:47] pós-democrático, num outro momento

[00:11:50] agora estamos aí com esse

[00:11:52] livro novo e eu já quero te colocar

[00:11:54] uma pergunta porque

[00:11:55] eu vou falar pra vocês aí uma coisa, vocês talvez

[00:11:58] conheçam o Casar das suas manifestações

[00:12:00] das redes sociais, né, de vários

[00:12:02] outros lugares

[00:12:03] o Casar é um gentleman, tá, o Casar é um cara

[00:12:06] assim, educado, é um cara de

[00:12:08] fino trato, mas é um cara

[00:12:10] também que quando escreve

[00:12:12] ele não poupa palavras, ele

[00:12:14] deixa transparecer alguma coisa

[00:12:16] assim que talvez a gente

[00:12:18] costume deixar mais, a gente faz o inverso

[00:12:20] né, eu e o Felipe, a gente deixa mais

[00:12:22] nas nossas manifestações do dia a dia

[00:12:24] e o Casar, não, ele é um cara assim

[00:12:26] polido, mas na hora que é pra

[00:12:28] sentar a ripa, né, o Casar

[00:12:30] vai lá, então, o livro, Casar

[00:12:32] ele já começa desde o título

[00:12:34] propondo um conceito

[00:12:36] mas propondo um xingamento

[00:12:38] tá propondo

[00:12:40] uma teorização sobre

[00:12:42] pessoas, ideologias

[00:12:44] práticas, mas tá também

[00:12:46] fazendo um deboche

[00:12:48] e tá oferecendo pra eles

[00:12:50] um conceito e tá oferecendo

[00:12:52] uma carapuça muito amarga

[00:12:54] como é que veio, pra começo

[00:12:56] de conversa, a ideia

[00:12:58] de falar sobre esse idiota

[00:13:00] quem é, quem são esses idiotas

[00:13:02] aí, e, né, como é que

[00:13:04] fica o estômago diante da idiotice

[00:13:06] desses idiotas?

[00:13:07] Gabriel, sinceramente, eu não pensei

[00:13:09] em fazer um deboche

[00:13:11] a gente quando escreve, você é um escritor

[00:13:14] também, sabe disso

[00:13:15] a gente tenta

[00:13:17] refinar ideias, porque as ideias são

[00:13:19] naturalmente anárquicas

[00:13:21] o Hegel dizia isso, né, pra você

[00:13:24] melhorar a tua ideia, pra você

[00:13:25] refinar a tua ideia, pra você

[00:13:27] compreender aquilo

[00:13:29] a que você

[00:13:31] dedica a sua atenção

[00:13:33] é preciso colocar em palavras

[00:13:35] ou falando ou escrevendo

[00:13:37] então, o objetivo desse livro

[00:13:39] foi tentar entender

[00:13:41] essa multidão de pessoas

[00:13:43] e que parece cada vez maior

[00:13:45] que toma decisões

[00:13:48] que aparentemente

[00:13:49] são contrárias a seus próprios interesses

[00:13:52] ou são decisões

[00:13:53] que vão dar um gozo imediato

[00:13:55] mas que no futuro elas

[00:13:57] vão acabar prejudicando

[00:13:59] essas mesmas pessoas

[00:14:01] que tomam essas decisões

[00:14:03] assim, de maneira muito resumida

[00:14:05] a pergunta que eu queria responder

[00:14:07] é como tanta gente

[00:14:09] passa a tomar

[00:14:11] decisões ou a ter

[00:14:13] atitudes que deveriam

[00:14:15] ser tidas como inadmissíveis

[00:14:18] como absurdas

[00:14:19] como a gente passou a naturalizar

[00:14:22] tanta coisa que há 40

[00:14:23] 50 anos atrás

[00:14:24] seria inaceitável

[00:14:27] e pra isso eu recorri

[00:14:28] eu resgatei a origem grega

[00:14:31] da palavra idiota

[00:14:32] na Grécia o idiota era aquela pessoa

[00:14:35] incapaz de se relacionar

[00:14:38] com a coletividade

[00:14:39] incapaz de se relacionar com o comum

[00:14:42] então, de maneira

[00:14:44] muito, muito, muito resumida

[00:14:45] o idiota é aquela pessoa

[00:14:47] fechada em si, egoísta

[00:14:49] mas fechada principalmente

[00:14:51] pro outro do conhecimento

[00:14:54] e pro outro da diversidade

[00:14:56] o conhecimento é o conhecimento

[00:14:57] e a diversidade

[00:14:59] assustam ao idiota

[00:15:01] e o idiota é isso

[00:15:03] que a gente tem visto

[00:15:04] pessoas com uma postura bovina

[00:15:06] inertes diante do absurdo

[00:15:09] e quando não estão inertes estão batendo palma

[00:15:11] pro absurdo

[00:15:12] isso me chocou bastante e me levou a escrever esse livro

[00:15:15] olha, eu vou

[00:15:16] antes de passar pro Felipe fazer

[00:15:18] já também o início da sua bateria

[00:15:20] de perguntas e considerações

[00:15:22] eu queria te propor também

[00:15:25] uma definição aqui pra nós

[00:15:27] porque essa questão do comum

[00:15:29] vai ser objeto de

[00:15:31] um questionamento meu, com certeza

[00:15:33] é uma coisa que eu me proponho a estudar bastante

[00:15:35] eu achei interessante quando tu trabalha

[00:15:38] essa situação do comum

[00:15:40] da ignorância

[00:15:40] mas eu queria te propor agora, de início

[00:15:43] tu dá uma pincelada, ou pelo menos

[00:15:45] oferecer uma amostra grátis

[00:15:48] de um conceito que permeia

[00:15:49] a obra inteira

[00:15:50] e que é um conceito muito importante pro que tu tá tentando colocar

[00:15:53] e pro que tu tá tentando trazer

[00:15:55] que é o da idiosubjetividade

[00:15:57] motivação, porque

[00:15:57] a gente sabe que quem pesquisa

[00:16:00] quem trabalha com autoras e autores

[00:16:02] que estão nessa linha

[00:16:04] de fazer uma crítica dos tempos em que vivemos

[00:16:06] a partir de uma racionalidade neoliberal

[00:16:09] a partir de mudanças

[00:16:11] que não são só a nível de

[00:16:13] economia política, governo

[00:16:15] num sentido formal

[00:16:16] mas elas são mudanças na subjetividade

[00:16:19] num sentido político que tem a ver com

[00:16:21] quem somos, quem achamos

[00:16:23] que devemos ser, a nossa vida

[00:16:24] os nossos interesses, esse comum

[00:16:27] que a gente fala

[00:16:27] então brincar com subjetividade

[00:16:31] controlar ou estimular

[00:16:33] subjetividade

[00:16:34] já é uma pauta recorrente

[00:16:36] em quem trabalha com esse tipo de coisa

[00:16:38] agora, a tua proposta aqui é justamente

[00:16:40] nessa construção do idiota

[00:16:42] isso passa por uma subjetivação

[00:16:45] idiótica, ou uma

[00:16:46] idiosubjetivação como tu trabalha

[00:16:48] ao longo do livro, eu queria que tu comentasse um pouquinho

[00:16:50] sobre esse conceito, porque é uma das coisas

[00:16:53] que poderia dizer que é um dos pilares

[00:16:55] da obra

[00:16:55] esse termo

[00:16:57] idiosubjetivação fui eu que criei

[00:16:59] para dar conta

[00:17:00] da mutação subjetiva

[00:17:03] ou do projeto de transformação

[00:17:05] do sujeito inerente

[00:17:07] à racionalidade neoliberal, ou seja

[00:17:09] a esse

[00:17:10] modo de ver e atuar

[00:17:13] no mundo que se tornou hegemônico

[00:17:15] a partir da década de 80 do século passado

[00:17:17] e que

[00:17:19] trata tudo

[00:17:21] e todos como negociáveis

[00:17:23] quando não descartáveis

[00:17:25] quando tem alguma utilidade

[00:17:27] negocia com a pessoa

[00:17:28] ou com o valor, quando não tem utilidade

[00:17:30] você descarta, a partir

[00:17:32] de cálculos de interesse

[00:17:34] que visam exclusivamente o lucro

[00:17:36] ou obtenção de algum tipo de vantagem pessoal

[00:17:39] das menores às maiores

[00:17:41] essa racionalidade

[00:17:42] esse modo de compreender

[00:17:44] e de agir no mundo

[00:17:46] ele se torna hegemônico

[00:17:47] e para dar cabo, para manter

[00:17:50] esse projeto que a gente poderia chamar

[00:17:52] de dominação neoliberal

[00:17:55] é preciso formatar

[00:17:56] um tipo de sujeito

[00:17:57] o processo de

[00:18:00] idiosubjetivação é justamente

[00:18:02] esse meio

[00:18:05] de formatar

[00:18:06] um sujeito útil

[00:18:08] à racionalidade neoliberal

[00:18:10] tem uma frase famosa

[00:18:12] do Nelson Rodrigues

[00:18:13] ele dizia mais ou menos assim

[00:18:16] que os idiotas iriam dominar o mundo

[00:18:18] não pela capacidade

[00:18:20] que eles tinham

[00:18:21] até porque eram de modo geral idiotas

[00:18:24] então pouco capazes

[00:18:25] mas pela quantidade

[00:18:26] a minha observação e a minha hipótese

[00:18:30] nesse livro é que eles não vão dominar o mundo

[00:18:32] mas eles são indispensáveis

[00:18:34] para que pouquíssimas pessoas

[00:18:37] os detentores do poder econômico

[00:18:40] e super ricos

[00:18:40] a que se refere o Chomsky

[00:18:42] para que essas pouquíssimas pessoas

[00:18:44] possam controlar

[00:18:46] uma multidão de indivíduos

[00:18:49] que são oprimidos

[00:18:52] mesmo quando não tem

[00:18:54] essa consciência

[00:18:55] então uma das coisas que eu acho

[00:18:56] que eu acho que é muito importante

[00:18:57] é que as funcionalidades

[00:18:57] da idiosubjetivação

[00:18:59] vai ser impedir que as pessoas

[00:19:01] percebam que estão sendo

[00:19:03] submetidas a algo

[00:19:05] que se conhecessem

[00:19:07] não deixariam que acontecesse

[00:19:09] a palavra sujeito

[00:19:11] vem disso, de sujeição

[00:19:12] todos os sujeitos são submetidos a algo

[00:19:16] a questão é

[00:19:16] eles vão ser submetidos ao conhecimento

[00:19:19] ou à ignorância

[00:19:20] eles vão ser submetidos à ciência

[00:19:22] ou ao mito

[00:19:23] eles vão ser submetidos

[00:19:25] ao argumento

[00:19:26] ou ao uso da força

[00:19:28] então o processo de idiosubjetivação

[00:19:31] vai formatar sujeitos

[00:19:33] como se fosse uma máquina

[00:19:33] saindo de lá sujeitos formatados

[00:19:36] que podem ser geniais em diversos aspectos

[00:19:39] mas eles vão ser

[00:19:40] fundamentalmente úteis

[00:19:43] à manutenção do projeto neoliberal

[00:19:45] que é um projeto comprometido

[00:19:47] apenas com aqueles

[00:19:50] 3 ou 1% da população

[00:19:52] que detém os meios

[00:19:54] de produção

[00:19:55] tanto material

[00:19:56] quanto os meios de produção

[00:19:58] da subjetividade

[00:19:59] tá aí, tá aí

[00:20:01] conceito, então, né

[00:20:03] trademark, Felipe Abal

[00:20:04] é excelente, né

[00:20:05] eu na verdade quando vi

[00:20:07] o Rubens comentar no Twitter

[00:20:09] que tava saindo o livro

[00:20:10] eu já fiquei extremamente curioso

[00:20:12] por causa dessa questão

[00:20:13] do título, né

[00:20:14] que é exatamente uma construção

[00:20:17] ele não é

[00:20:17] ah, vocês são idiotas

[00:20:19] existem pessoas idiotas

[00:20:21] mas de como é que se constrói

[00:20:22] toda essa questão

[00:20:23] e quando eu tava lendo o livro

[00:20:26] eu sei que o Gabriel gosta muito

[00:20:28] desse filósofo que eu vou citar

[00:20:30] que é o residente Gabriel de Van

[00:20:32] eu me lembrei muito da música

[00:20:34] Los Idiotas do KG-13

[00:20:36] e tem uma palavra

[00:20:38] tem uma passagem que é muito interessante

[00:20:39] que ele fala

[00:20:41] a idiotez, ela tem seus pontos

[00:20:44] a favor, é a única

[00:20:45] doença em que o doente

[00:20:48] não sofre, exceto todos ao seu redor

[00:20:51] eu acho muito boa

[00:20:54] essa sacada assim que tem

[00:20:55] mas Rubens

[00:20:56] uma das questões que me impactou

[00:20:59] bastante, eu achei interessante

[00:21:00] do livro o seguinte

[00:21:01] parece que tem uma boa parte dele

[00:21:04] que parece que foi feita sob medida

[00:21:06] para Gabriel de Van comentar

[00:21:08] e outra parte que foi feita sob medida

[00:21:10] pra eu comentar

[00:21:11] eu queria que teu livro tivesse saído antes

[00:21:13] do que eu lancei a respeito

[00:21:16] dos delírios

[00:21:18] que eu encontrei nas cartas

[00:21:20] enviadas aos presidentes

[00:21:22] durante a ditadura e depois

[00:21:24] a Lula e Bolsonaro e tal

[00:21:26] porque em determinado momento

[00:21:29] e depois mais profundamente

[00:21:31] tu começa a falar a respeito

[00:21:33] de um estilo paranoico

[00:21:35] que vai se formando também

[00:21:36] nessa pessoa que vai sendo construída

[00:21:39] e eu achei excelente

[00:21:41] porque foi uma coisa que eu

[00:21:43] vislumbrei nesse estudo que eu tinha

[00:21:45] feito, né?

[00:21:46] que as pessoas enviavam cartas aos presidentes

[00:21:49] e tal, e é claro que o momento político

[00:21:51] ele não cria

[00:21:53] loucura, ele não cria

[00:21:55] uma

[00:21:56] condição, uma estrutura

[00:21:58] como a gente falaria de uma questão

[00:22:00] mais lacaniana

[00:22:01] mas é muito interessante

[00:22:04] como ele é incorporado

[00:22:07] é muito interessante

[00:22:08] como esse discurso ele entra assim

[00:22:10] e ele vai ter um impacto

[00:22:12] muito direto

[00:22:13] e essa questão até do

[00:22:15] estilo paranoico é algo

[00:22:18] que já é bem antigo

[00:22:20] na verdade, ele vem lá do Hofstetter

[00:22:22] que já trazia essa questão da política

[00:22:24] mas eu acho que agora a gente está conseguindo

[00:22:26] ver

[00:22:29] vamos formular, deixa eu ver aqui

[00:22:30] mas eu acho que a gente está conseguindo

[00:22:32] ver aquele negócio que eu acho que foi

[00:22:34] o próprio Dufour

[00:22:36] que falou, a questão do

[00:22:37] o sonho de todo neurótico é ser

[00:22:40] psicótico, mas ele não tem coragem

[00:22:42] para tanto, então ele inveja o perverso

[00:22:44] mas agora

[00:22:46] parece que o pessoal deu um passinho a mais

[00:22:48] quando tu vê todo o negócio

[00:22:50] de sei lá, tu rezar pra pneu

[00:22:52] tu fazer todas essas

[00:22:54] questões assim, parece que está

[00:22:56] quase concretizando esse sonho

[00:22:57] não é que tu esteja dizendo, claro que

[00:23:00] esse pessoal ele é psicótico

[00:23:02] né, dentro dessa questão

[00:23:04] da paranoia, mas

[00:23:05] é um estilo que vai se formando

[00:23:07] né Rubens, isso eu achei muito interessante

[00:23:09] queria te ouvir falar mais sobre isso, que de novo

[00:23:12] eu queria que teu livro tivesse saído antes

[00:23:14] pra eu poder ter utilizado várias coisas que tu fala

[00:23:16] pô, que bacana que tu gostou Felipe

[00:23:18] fico feliz

[00:23:18] feliz que tu tenha gostado e triste de ver

[00:23:21] que a gente compartilha

[00:23:24] o mesmo diagnóstico

[00:23:26] dessa mutação subjetiva ocorrida

[00:23:27] na sociedade, porque

[00:23:29] pro cara ser idiota

[00:23:31] ele é levado a não refletir

[00:23:33] a não pensar, em especial ele é levado

[00:23:36] a não pensar criticamente

[00:23:37] o que significa isso?

[00:23:39] ele deve ser incapaz de formular

[00:23:42] diagnósticos adequados

[00:23:44] da realidade e mais

[00:23:45] do que isso, além de não formular

[00:23:47] adequadamente esses diagnósticos

[00:23:49] ele deve ser

[00:23:51] incapaz de eventualmente

[00:23:53] colocar o seu conhecimento numa

[00:23:56] direção emancipatória

[00:23:57] de redução

[00:23:59] de superação das múltiplas opressões

[00:24:01] uma das maneiras

[00:24:03] de levar a essa

[00:24:05] desnecessidade do pensamento

[00:24:07] é fazer com que o sujeito atue

[00:24:10] a partir de certezas

[00:24:11] ainda que delirantes

[00:24:12] então a racionalidade neoliberal

[00:24:15] que tem como marco normativo a ilimitação

[00:24:18] vai produzindo cada vez

[00:24:20] mais sujeitos

[00:24:21] que partem ao ato

[00:24:23] independentemente de qualquer reflexão

[00:24:26] o importante é agir

[00:24:27] mesmo que para isso

[00:24:29] você acabe deixando de lado

[00:24:32] o pensamento

[00:24:33] é perceptível na sociedade

[00:24:36] e cada vez mais

[00:24:38] que as pessoas passam a atuar

[00:24:40] a partir de quadros mentais

[00:24:42] que a gente poderia dizer

[00:24:43] são tipicamente paranoicos

[00:24:45] ou na melhor das hipóteses

[00:24:47] de quadros mentais

[00:24:49] perversos, ou seja

[00:24:51] ou a pessoa

[00:24:52] formatada a partir

[00:24:55] dessa ilimitação neoliberal

[00:24:57] ou essa pessoa

[00:24:59] tendencialmente ilimitada

[00:25:01] ela parte para o ato

[00:25:03] sem sequer ter consciência

[00:25:05] da existência de limites

[00:25:07] esses limites não são nem introjetados

[00:25:10] nesse indivíduo

[00:25:11] ou ela tem ciência do limite

[00:25:13] mas cada vez mais goza

[00:25:16] ao violar o limite, ou seja

[00:25:17] um quadro paranoico ou um quadro

[00:25:19] perverso

[00:25:20] e isso é fundamental

[00:25:22] a manutenção

[00:25:24] desse modelo

[00:25:25] neoliberal de sociedade

[00:25:28] em que há um mandamento

[00:25:29] consuma, há um mandamento

[00:25:32] faça o que você quer

[00:25:33] há um mandamento no sentido

[00:25:35] de afastar todos os limites

[00:25:38] que possam representar

[00:25:40] um obstáculo à obtenção de lucro

[00:25:42] por exemplo

[00:25:42] então esse sujeito

[00:25:45] tendencialmente paranoico

[00:25:48] ou na melhor das hipóteses

[00:25:50] sujeito perverso

[00:25:51] porque o perverso

[00:25:54] o perverso

[00:25:55] ainda tem a consciência

[00:25:57] de que existem limites

[00:25:58] ele desconsidera os limites

[00:25:59] mas ainda tem essa consciência

[00:26:01] o paranoico nem isso

[00:26:02] ele parte ao ato

[00:26:04] ou ato de consumir

[00:26:06] ou ato de xingar alguém

[00:26:07] nas redes sociais

[00:26:08] então ele passa a atuar

[00:26:11] no final das contas

[00:26:13] para atender

[00:26:14] a um desejo do detentor

[00:26:16] do poder econômico

[00:26:18] sem qualquer percepção

[00:26:20] da existência de limites

[00:26:22] sejam legais, democráticos, éticos

[00:26:25] a sua atuação

[00:26:27] então me parece que nesse sentido

[00:26:29] é muito fácil perceber

[00:26:32] na sociedade brasileira

[00:26:34] que cada vez mais

[00:26:36] os sujeitos

[00:26:37] eles atuam

[00:26:38] violando os limites

[00:26:41] que foram construídos

[00:26:42] e são a base da própria ideia

[00:26:44] de civilização

[00:26:45] a longo prazo

[00:26:47] se isso pode fornecer

[00:26:48] uma satisfação imediata

[00:26:50] a quem viola o limite

[00:26:51] a longo prazo

[00:26:53] isso vai representar

[00:26:54] a liberdade

[00:26:55] o próprio fim

[00:26:56] da ideia de civilização

[00:26:57] o próprio fim da ideia

[00:26:59] de laço social

[00:27:01] entre os indivíduos

[00:27:03] isso é muito interessante

[00:27:05] tem muita coisa

[00:27:06] a certeza é que sempre chama a atenção

[00:27:10] porque a certeza é característica

[00:27:11] da psicose

[00:27:12] o neurótico duvida

[00:27:14] o psicótico vai ter certeza

[00:27:17] Felipe, tem um autor

[00:27:19] italiano, um psiquiatra

[00:27:21] Vitório

[00:27:22] com a arte de fugir do sobrenome

[00:27:25] que ele trabalha com uma categoria

[00:27:27] que eu trago nesse livro

[00:27:28] que é do

[00:27:29] homos estúpidos estúpidos

[00:27:31] ele vai dizer o seguinte

[00:27:33] o homo sapiens sapiens

[00:27:34] tinha como principal característica

[00:27:35] a dúvida

[00:27:36] e a dúvida levava ao pensamento

[00:27:38] levava ao desejo de conhecimento

[00:27:40] quando a pessoa atua

[00:27:41] a partir de certezas

[00:27:42] por mais delirante

[00:27:43] que essas certezas sejam

[00:27:45] ele está se afastando

[00:27:46] ele está negando a possibilidade

[00:27:48] dessa dúvida

[00:27:49] que é a condição

[00:27:51] de possibilidade

[00:27:52] do pensamento

[00:27:54] por isso

[00:27:55] ele é cada vez mais estúpido

[00:27:56] por isso o idiota é estúpido

[00:27:58] de modo geral

[00:27:59] perfeito

[00:28:00] Gabriel

[00:28:00] nossa

[00:28:01] eu estava lembrando agora

[00:28:03] não é uma lembrança muito boa

[00:28:05] e eu não vou perder muito tempo com ela

[00:28:07] eu estava lembrando que

[00:28:09] um livro

[00:28:10] que se propõe a ser

[00:28:12] uma espécie de bíblia sagrada

[00:28:14] de uma galera

[00:28:15] que se enquadra perfeitamente

[00:28:17] nisso que vocês estão falando

[00:28:17] ele também envolvia esse termo

[00:28:19] no título

[00:28:20] idiota

[00:28:21] mas de uma maneira muito mais pobre

[00:28:23] e de uma maneira

[00:28:24] inclusive que reforça

[00:28:27] essa própria circunstância

[00:28:28] que o Rubens está falando

[00:28:29] no que diz respeito

[00:28:31] ao sujeito que

[00:28:33] neurotiza e que se afunda

[00:28:34] dentro dessa condição

[00:28:36] inclusive

[00:28:37] ironicamente o livro propunha

[00:28:39] uma espécie de receita

[00:28:41] para que você não seja um

[00:28:44] mas enfim

[00:28:45] não vou falar muito disso

[00:28:46] e se se sentiu ofendido

[00:28:48] de repente o autor quiser

[00:28:49] fazer uma resposta

[00:28:50] ah não vai poder

[00:28:50] enfim

[00:28:51] o que acontece

[00:28:53] o que acontece

[00:28:54] eu vou lançar aqui

[00:28:57] uma frase

[00:28:58] uma passagem

[00:29:00] que eu acho que faz parte dessas

[00:29:02] que tu comentou

[00:29:03] que entre outras coisas

[00:29:04] foram escritas para mim

[00:29:06] eu vou só passar um conceito aqui

[00:29:09] que você vai encontrar no meio da obra

[00:29:11] e eu queria comentar

[00:29:13] e perguntar para o Rubens

[00:29:14] uma coisa a partir disso

[00:29:15] o amor

[00:29:17] é uma criação do pensamento

[00:29:19] capaz de fazer com que o indivíduo

[00:29:20] experimente

[00:29:21] e possa construir o mundo

[00:29:23] a partir da diferença

[00:29:24] e a partir da diferença

[00:29:24] do um

[00:29:25] que se transforma em dois

[00:29:27] e não a partir de si

[00:29:29] cara isso aqui é muito bonito

[00:29:31] Rubens

[00:29:31] além de ser muito forte

[00:29:32] tecnicamente

[00:29:33] ele pega pela

[00:29:35] pela beleza do que significa

[00:29:37] porque

[00:29:37] o amor nesse sentido aqui

[00:29:39] e aí tem vários tipos de amor

[00:29:42] tem várias coisas que cabem

[00:29:43] aqui no léxico

[00:29:44] ele vai ser justamente isso

[00:29:46] porque o dois que vira um

[00:29:48] é o fascismo

[00:29:49] é justamente

[00:29:51] aquilo que você

[00:29:53] não nivela

[00:29:53] não nivela

[00:29:53] não nivela

[00:29:53] não nivela

[00:29:54] ou você não iguala

[00:29:56] num sentido

[00:29:57] mais amplo do termo

[00:29:58] você simplesmente

[00:29:59] né

[00:30:00] planifica

[00:30:00] e aqui não

[00:30:02] um tem que virar dois

[00:30:03] a diferença é muito importante

[00:30:05] o amor

[00:30:06] vai residir nessa diferença

[00:30:08] no momento em que

[00:30:09] há essa pluralidade

[00:30:10] no momento em que há

[00:30:11] essa possibilidade

[00:30:12] em que tudo está emancipado

[00:30:14] não que tudo converge

[00:30:15] para uma mesma coisa

[00:30:15] isso é uma outra coisa

[00:30:17] isso é um

[00:30:17] é algo que tenta se disfarçar

[00:30:19] eu queria que tu comentasse um pouco

[00:30:21] a respeito de

[00:30:23] todas essas coisas

[00:30:24] circunstâncias

[00:30:25] porque

[00:30:25] porque a gente está vendo

[00:30:27] uma galera

[00:30:28] que se escora

[00:30:29] em

[00:30:30] uma espécie

[00:30:31] distorcida

[00:30:32] dessa visão de amor

[00:30:34] e eu não estou querendo dizer

[00:30:35] que é distorcida

[00:30:35] só porque é contra

[00:30:36] o que eu acho

[00:30:37] mas é distorcida

[00:30:39] sim no instante

[00:30:39] que o amor deles

[00:30:41] é o amor do dois

[00:30:42] que se unifica em um

[00:30:44] é o amor que

[00:30:44] anula

[00:30:45] que apleina

[00:30:46] que desbasta

[00:30:47] as diferenças

[00:30:48] é o amor de

[00:30:49] uma igualdade

[00:30:51] mas não uma igualdade

[00:30:52] de direitos

[00:30:53] ou de

[00:30:53] né

[00:30:54] felicidade

[00:30:54] não é um estado

[00:30:56] de igualdade

[00:30:57] é uma igualdade

[00:30:58] no sentido militaresco

[00:30:59] é uma igualdade

[00:31:00] onde todo mundo

[00:31:01] converge

[00:31:02] e olha para o mesmo lado

[00:31:03] e é tão maluco isso aí

[00:31:05] que esses caras

[00:31:05] eles passam o tempo inteiro

[00:31:07] falando em

[00:31:08] ditaduras

[00:31:09] comunistas

[00:31:09] não sei o que

[00:31:10] ao mesmo tempo

[00:31:10] que louvam ditaduras

[00:31:11] eles ficam combatendo

[00:31:13] ditaduras

[00:31:14] conceituais

[00:31:15] dos gays

[00:31:16] não sei o que

[00:31:17] do gênero

[00:31:18] não sei o que

[00:31:19] da linguagem fluida

[00:31:20] mas eles são a favor

[00:31:21] das ditaduras de verdade

[00:31:22] eles chamam de

[00:31:23] ditadura

[00:31:24] né

[00:31:25] quando você tenta organizar

[00:31:27] político

[00:31:27] democraticamente

[00:31:28] alguma coisa

[00:31:29] algum teor de uma lei

[00:31:30] e aí eles vão lá

[00:31:31] e combatem isso

[00:31:33] fazendo ódios

[00:31:33] a ditaduras

[00:31:34] que de fato

[00:31:35] mataram pessoas

[00:31:36] esse amor

[00:31:37] dessa galera

[00:31:38] que tá

[00:31:39] sempre simbolizado

[00:31:40] nessas coisas

[00:31:41] prosaicas aí né

[00:31:42] é a bandeira

[00:31:43] é não sei o que

[00:31:44] é uma outra figura

[00:31:46] esse amor

[00:31:47] eles usam

[00:31:48] de cavalo de batalha

[00:31:49] justamente

[00:31:49] pra tentar neutralizar

[00:31:51] né

[00:31:51] o verdadeiro amor

[00:31:52] que reside

[00:31:53] nessa diferença

[00:31:53] esse afeto

[00:31:55] que como tu diz

[00:31:56] ele tem essa marca

[00:31:57] diferencial

[00:31:58] em relação aos outros

[00:31:59] perfeito Gabriel

[00:32:00] pra utilizar

[00:32:01] essa expressão

[00:32:03] que eu

[00:32:03] que eu criei

[00:32:04] da idiosubjetivação

[00:32:05] esses procedimentos

[00:32:07] de construção

[00:32:08] de formatação

[00:32:09] dos idiotas

[00:32:10] passam

[00:32:11] também

[00:32:12] pelo

[00:32:14] empobrecimento

[00:32:15] da linguagem

[00:32:16] pela mutação

[00:32:17] dos sentidos

[00:32:18] perceba

[00:32:19] quando a pessoa

[00:32:21] nasce

[00:32:22] ela é lançada

[00:32:22] na linguagem

[00:32:23] ela é lançada

[00:32:23] a linguagem

[00:32:24] antecipa sentidos

[00:32:26] ela vai compreendendo

[00:32:28] o que é o certo

[00:32:29] o que é o errado

[00:32:30] o que é o belo

[00:32:31] o que é o feio

[00:32:32] o que é o bom

[00:32:34] o que é o mal

[00:32:35] o que é o bem

[00:32:36] o que é a verdade

[00:32:37] o que é o amor

[00:32:38] então a idiosubjetivação

[00:32:41] vai mudando

[00:32:42] o sentido

[00:32:43] dessas palavras

[00:32:44] e muitas vezes

[00:32:45] levando a significados

[00:32:47] radicalmente contrários

[00:32:50] aos significados

[00:32:52] anteriores

[00:32:53] se a gente

[00:32:53] se a gente

[00:32:53] se a pessoa

[00:32:54] se o sujeito

[00:32:55] é constituído

[00:32:56] a partir desses sentidos

[00:32:58] que ele atribui

[00:32:59] à vida

[00:32:59] mudar esses sentidos

[00:33:01] muda o sujeito

[00:33:02] então o idiota

[00:33:03] é alguém

[00:33:04] que poderia ser

[00:33:04] uma pessoa muito bacana

[00:33:06] mas se torna

[00:33:07] isso que eu estou chamando

[00:33:08] de idiota

[00:33:09] nesse livro

[00:33:10] o que é o amor

[00:33:12] entendido

[00:33:13] como um verbo

[00:33:15] revolucionário

[00:33:16] o amor

[00:33:17] é abrir-se

[00:33:18] radicalmente

[00:33:20] ao outro

[00:33:21] é admitir

[00:33:22] a possibilidade

[00:33:23] do um

[00:33:24] se tornar dois

[00:33:25] nesse sentido

[00:33:27] ele é muito próximo

[00:33:28] da política

[00:33:29] ele também é um procedimento

[00:33:30] da verdade

[00:33:31] agora a política

[00:33:33] é coletiva

[00:33:34] e o amor

[00:33:35] é uma política

[00:33:37] da verdade

[00:33:38] do um

[00:33:39] para o dois

[00:33:39] é abrir-se

[00:33:40] para alguém

[00:33:41] diferente de você

[00:33:42] e abrir-se

[00:33:44] para alguém

[00:33:44] diferente de você

[00:33:45] é abrir-se

[00:33:47] inclusive

[00:33:47] para os defeitos

[00:33:49] para aquilo

[00:33:50] que o outro

[00:33:51] que tem no outro

[00:33:51] que te incomoda

[00:33:52] e o amor

[00:33:53] é abrir-se

[00:33:53] mas que são

[00:33:53] constitutivos

[00:33:54] dessa pessoa

[00:33:55] é abrir-se

[00:33:56] para a complexidade

[00:33:58] a idiosubjetivação

[00:34:00] faz o movimento

[00:34:01] contrário

[00:34:02] ele torna

[00:34:04] fenômenos

[00:34:05] complexos

[00:34:06] extremamente simples

[00:34:07] tão simples

[00:34:08] que a gente

[00:34:09] fica incapaz

[00:34:10] de compreender

[00:34:10] o que está errado

[00:34:11] ali

[00:34:11] naquele

[00:34:12] fenômeno

[00:34:13] determinado

[00:34:14] e o amor

[00:34:15] não

[00:34:16] o amor

[00:34:16] é esse

[00:34:16] abrir-se

[00:34:17] radicalmente

[00:34:19] é admitir

[00:34:20] as qualidades

[00:34:21] e os defeitos

[00:34:23] é abrir-se

[00:34:23] é admitir

[00:34:24] a verdade

[00:34:25] do outro

[00:34:26] a verdade

[00:34:27] entendida

[00:34:28] como esse

[00:34:29] ente complexo

[00:34:30] que é positividade

[00:34:31] e negatividade

[00:34:33] nesse livro

[00:34:34] eu trabalho

[00:34:35] que existem

[00:34:35] dois verbos

[00:34:36] que são

[00:34:37] ações

[00:34:39] tendencialmente

[00:34:40] contrárias

[00:34:41] a esse processo

[00:34:42] de idiosubjetivação

[00:34:44] que é o pensar

[00:34:45] e o amar

[00:34:46] o pensar

[00:34:47] no sentido

[00:34:48] de que

[00:34:49] é necessário

[00:34:50] compreender

[00:34:51] o que está acontecendo

[00:34:52] para que a gente

[00:34:52] possa mudar

[00:34:53] o rumo

[00:34:54] dessa prosa

[00:34:54] mudar a direção

[00:34:55] que nós estamos

[00:34:56] seguindo

[00:34:56] até porque

[00:34:57] seguir essa direção

[00:34:59] da ilimitação

[00:35:00] no mundo

[00:35:01] em que os recursos

[00:35:02] naturais

[00:35:02] são limitados

[00:35:03] é andar

[00:35:05] em direção

[00:35:05] ao precipício

[00:35:06] o Dufour

[00:35:08] ele tem

[00:35:09] essa frase

[00:35:10] que eu acho genial

[00:35:10] que é

[00:35:11] o capitalismo

[00:35:12] vai acabar

[00:35:12] mas não vai acabar

[00:35:14] porque nós

[00:35:14] conseguimos encontrar

[00:35:16] um outro modelo

[00:35:17] melhor que o capitalismo

[00:35:18] o capitalismo

[00:35:19] vai acabar

[00:35:19] porque a espécie

[00:35:20] humana

[00:35:21] vai acabar

[00:35:21] se continuar

[00:35:23] seguindo

[00:35:23] essa tentação

[00:35:25] da ilimitação

[00:35:26] neoliberal

[00:35:26] esse modelo

[00:35:27] neoliberal

[00:35:28] se continuar

[00:35:30] cedendo

[00:35:31] a esses processos

[00:35:32] de idiosubjetivação

[00:35:34] então é necessário

[00:35:36] pensar

[00:35:36] para mudar

[00:35:37] o sentido das coisas

[00:35:38] é necessário

[00:35:38] amar

[00:35:39] para admitir

[00:35:40] a possibilidade

[00:35:41] daquela pessoa

[00:35:43] que está

[00:35:43] do seu lado

[00:35:44] ser um companheiro

[00:35:46] na construção

[00:35:46] de uma vida melhor

[00:35:48] não só para você

[00:35:49] como também

[00:35:50] para a coletividade

[00:35:51] porque os

[00:35:52] métodos

[00:35:53] de idiosubjetivação

[00:35:54] fazem com que

[00:35:55] a gente olhe

[00:35:57] para a pessoa

[00:35:58] que está do nosso lado

[00:36:00] seja a nossa mulher

[00:36:01] nosso homem

[00:36:02] nosso parente

[00:36:03] nosso vizinho

[00:36:05] como um concorrente

[00:36:07] uma pessoa

[00:36:08] a ser vencida

[00:36:09] em alguns casos

[00:36:10] é ainda mais grave

[00:36:12] faz com que a gente

[00:36:13] olhe para o lado

[00:36:14] e veja

[00:36:15] naquele próximo

[00:36:16] o inimigo

[00:36:17] alguém a ser destruído

[00:36:19] a ser eliminado

[00:36:20] então o amar

[00:36:21] permite

[00:36:22] romper

[00:36:22] com essa tendência

[00:36:25] de fazer

[00:36:27] da concorrência

[00:36:28] da lógica

[00:36:29] da concorrência

[00:36:30] o modelo

[00:36:31] para todas

[00:36:32] as relações sociais

[00:36:33] a lógica do amor

[00:36:34] nesse sentido

[00:36:36] é o contrário

[00:36:36] da lógica da concorrência

[00:36:38] a lógica do amor

[00:36:39] é o contrário

[00:36:40] até porque o amor

[00:36:41] nesse sentido

[00:36:42] não empobrecido

[00:36:44] não colonizado

[00:36:45] pela racionalidade

[00:36:46] neoliberal

[00:36:46] o amor

[00:36:48] é inegociável

[00:36:49] quando a partir

[00:36:51] da racionalidade

[00:36:52] neoliberal

[00:36:52] a gente

[00:36:52] diz que tudo

[00:36:53] vira mercadoria

[00:36:54] ou seja

[00:36:54] tudo é inegociável

[00:36:56] o amor vai

[00:36:57] em sentido contrário

[00:36:58] dizendo

[00:36:58] não é inegociável

[00:37:00] a paz do lar

[00:37:01] não é inegociável

[00:37:01] a paz na família

[00:37:02] não é inegociável

[00:37:04] o outro

[00:37:04] não pode ser um instrumento

[00:37:06] ele deve ser um sujeito

[00:37:08] que caminha

[00:37:09] ao meu lado

[00:37:09] então eu deixo de perceber

[00:37:11] o meu vizinho

[00:37:13] o meu companheiro

[00:37:14] de trabalho

[00:37:15] como um concorrente

[00:37:17] ou inimigo

[00:37:17] e passo a percebê-lo

[00:37:19] como alguém

[00:37:20] que pode estar

[00:37:21] caminhando

[00:37:22] ao meu lado

[00:37:22] e que pode

[00:37:22] na construção

[00:37:24] de um mundo

[00:37:25] diferente

[00:37:25] isso é importante dizer

[00:37:27] por quê?

[00:37:28] porque a

[00:37:28] idiosubjetivação

[00:37:30] faz com que a gente

[00:37:31] passe a acreditar

[00:37:32] que não há

[00:37:33] alternativas

[00:37:34] ao mundo

[00:37:35] em que nós

[00:37:36] estamos lançados

[00:37:37] o amor

[00:37:38] e o pensamento

[00:37:39] exigem

[00:37:40] que a gente

[00:37:40] reconheça

[00:37:41] a possibilidade

[00:37:43] de um outro mundo

[00:37:44] de um mundo

[00:37:45] bem melhor

[00:37:46] bem mais agradável

[00:37:47] em que efetivamente

[00:37:49] chegue

[00:37:50] a maioria

[00:37:50] da população

[00:37:51] o que

[00:37:52] desde

[00:37:52] a tradição

[00:37:53] cristã

[00:37:54] se chama

[00:37:55] vida boa

[00:37:55] Felipe

[00:37:56] é o seguinte

[00:37:58] o Rubens

[00:37:59] acabou de fazer

[00:38:00] para a gente

[00:38:00] aqui

[00:38:01] uma das mais

[00:38:02] maravilhosas

[00:38:04] conceituações

[00:38:05] da possibilidade

[00:38:07] do termo

[00:38:07] amor

[00:38:08] dentre essas

[00:38:09] discussões

[00:38:10] e olha que

[00:38:11] eu leio

[00:38:12] muita gente

[00:38:12] que trabalha

[00:38:13] com esse conceito

[00:38:14] dessa maneira

[00:38:15] e tudo mais

[00:38:15] então assim

[00:38:16] tu segue aí

[00:38:17] perguntando

[00:38:17] eu só vou pedir

[00:38:18] uma licencinha

[00:38:18] que eu vou

[00:38:19] eu vou ali no corredor

[00:38:20] eu vou dar uma corrida

[00:38:21] e eu vou dar um pulo

[00:38:22] e um soco

[00:38:22] no ar

[00:38:23] assim

[00:38:23] que nem o Pelé

[00:38:24] tá

[00:38:24] perfeito

[00:38:25] não

[00:38:26] eu tava aqui

[00:38:27] ouvindo o Rubens

[00:38:28] e assim ó

[00:38:29] eu gosto muito

[00:38:30] de uma

[00:38:30] uma parte

[00:38:31] de uma citação

[00:38:33] do Zizek

[00:38:34] quando ele fala

[00:38:36] algo no sentido

[00:38:37] de que

[00:38:38] se você sabe

[00:38:39] a razão

[00:38:40] pela qual tu ama

[00:38:41] uma pessoa

[00:38:41] tu não ama ela

[00:38:42] né

[00:38:43] porque

[00:38:44] e

[00:38:44] isso eu acho

[00:38:45] que vai muito

[00:38:46] ao encontro

[00:38:47] disso que tu fala

[00:38:47] de um cálculo

[00:38:48] neoliberal

[00:38:49] às vezes a gente vê

[00:38:50] isso em rede social

[00:38:51] por exemplo

[00:38:52] né

[00:39:22] se perde

[00:39:23] não é

[00:39:24] o amor é aquele negócio

[00:39:25] de dizer

[00:39:25] por que que tu ama

[00:39:26] eu amo apesar de

[00:39:28] não por que

[00:39:30] né

[00:39:31] eu amo apesar de ser isso

[00:39:32] apesar de aquilo

[00:39:33] apesar daquele outro

[00:39:35] é esse apesar

[00:39:36] ele é muito mais forte

[00:39:37] do que o por que

[00:39:38] nesse momento

[00:39:39] e eu acho que

[00:39:41] quando tu reflete

[00:39:42] a respeito dessa questão

[00:39:43] e eu vou

[00:39:43] vou te dizer

[00:39:44] Rubens

[00:39:44] quando eu paro

[00:39:45] e vejo isso

[00:39:47] no teu livro

[00:39:47] assim

[00:39:47] é um negócio

[00:39:49] que é o meu

[00:39:50] primeiro impulso

[00:39:51] é dizer

[00:39:51] ai ai ai

[00:39:52] a gente vai cair

[00:39:53] naquele negócio

[00:39:54] poeril

[00:39:55] né

[00:39:55] de o amor

[00:39:56] vai vencer o ódio

[00:39:57] né

[00:39:58] e não é esse o caso

[00:39:59] eu penso que não é esse

[00:40:00] o caso

[00:40:01] que tu tá trazendo

[00:40:02] é exatamente

[00:40:03] porque

[00:40:04] e me corrija

[00:40:05] se eu tiver errado

[00:40:06] eu acho que muito

[00:40:08] dessa questão

[00:40:09] do idiota

[00:40:10] e o idiota

[00:40:10] ter ódio

[00:40:11] é aquela questão

[00:40:12] de um narcisismo

[00:40:13] das pequenas diferenças

[00:40:15] e é uma questão

[00:40:16] também

[00:40:17] essa própria lógica

[00:40:19] né

[00:40:19] do ser perseguido

[00:40:21] né

[00:40:21] do paranoico

[00:40:22] que tá sendo perseguido

[00:40:23] que só não tem

[00:40:24] essas coisas

[00:40:25] por causa do outro

[00:40:26] tudo que ele deseja

[00:40:27] não é

[00:40:28] por causa dele

[00:40:29] ou por causa

[00:40:30] desse sistema

[00:40:31] em que a gente vive

[00:40:32] é por causa

[00:40:33] desse outro

[00:40:34] que é criado

[00:40:35] uma ideia em cima

[00:40:36] que tá tentando

[00:40:37] te roubar as coisas

[00:40:38] que tá tentando

[00:40:39] te tirar as oportunidades

[00:40:40] existe uma vitimização

[00:40:42] é engraçado

[00:40:43] que é um pessoal

[00:40:43] que gosta de utilizar

[00:40:44] tanto

[00:40:45] a ideia de vitimização

[00:40:46] né

[00:40:46] mas na verdade

[00:40:48] eles é que

[00:40:49] sempre se tornam vítimas

[00:40:50] né

[00:40:51] o homem é

[00:40:52] vítima da mulher

[00:40:52] o branco

[00:40:53] ele é vítima do negro

[00:40:55] o rico

[00:40:56] ele é vítima

[00:40:57] do vagabundo

[00:40:58] e por aí vai

[00:41:00] né

[00:41:00] essa pessoa

[00:41:01] sempre é colocada

[00:41:02] numa posição de vítima

[00:41:03] então acho que não é

[00:41:05] essa ideia

[00:41:05] pueril do amor

[00:41:06] e que

[00:41:07] a minha pergunta

[00:41:08] é a seguinte

[00:41:09] eu creio que

[00:41:10] essa ideia do amor

[00:41:11] inclusive

[00:41:11] ela é muito mal entendida

[00:41:13] pela esquerda

[00:41:14] no momento também

[00:41:16] em que se faz

[00:41:17] muito

[00:41:18] aquela ideia

[00:41:19] sei lá

[00:41:20] do pobre metafórico

[00:41:21] do negro

[00:41:22] metafórico

[00:41:22] da mulher metafórica

[00:41:24] e que também

[00:41:25] não pode existir

[00:41:26] uma crítica

[00:41:27] não pode existir

[00:41:28] uma questão em cima

[00:41:29] porque também

[00:41:30] tem toda a ideia

[00:41:31] de que não

[00:41:32] essa pessoa

[00:41:33] merece tudo

[00:41:34] e é alheia a críticas

[00:41:35] eu achei muito interessante

[00:41:37] quando tu fala agora

[00:41:37] que diz

[00:41:38] nesse amor

[00:41:39] também tem crítica

[00:41:40] também tem erro

[00:41:41] também tem todas

[00:41:42] essas coisas

[00:41:42] né

[00:41:43] não é um endeusar

[00:41:45] né

[00:41:45] impossível de criticar

[00:41:47] impossível de fazer

[00:41:48] qualquer coisa

[00:41:49] agora

[00:41:50] não se pode

[00:41:51] construir

[00:41:51] a figura

[00:41:53] do outro

[00:41:53] como

[00:41:54] o inimigo

[00:41:55] né

[00:41:56] é mais ou menos

[00:41:57] por aí

[00:41:58] tô errado

[00:41:58] sou teu fã

[00:41:59] por causa de comentários

[00:42:00] como esse

[00:42:01] ao lado dessa obra

[00:42:03] do Zizek

[00:42:03] que você se refere

[00:42:04] tem um livro

[00:42:06] muito legal

[00:42:06] um pequeno livro

[00:42:07] do Badiou

[00:42:08] chamado Elogia do Amor

[00:42:09] eu acho que

[00:42:10] vai nessa mesma

[00:42:11] pegada

[00:42:12] e tu tem toda razão

[00:42:14] quando tu diz

[00:42:15] que o

[00:42:15] ódio

[00:42:16] passa a ser manipulado

[00:42:18] e sempre no interesse

[00:42:20] do detentor

[00:42:20] do poder econômico

[00:42:21] e não

[00:42:21] só o ódio

[00:42:22] né

[00:42:22] o ressentimento

[00:42:24] também

[00:42:25] então duas categorias

[00:42:26] que são fundamentais

[00:42:27] para entender

[00:42:27] esses processos

[00:42:28] de idiosubjetivação

[00:42:30] são

[00:42:31] a categoria

[00:42:32] do narcisismo

[00:42:33] e aí o narcisismo

[00:42:34] das pequenas diferenças

[00:42:36] faz um estrago

[00:42:37] enorme

[00:42:38] em qualquer pretensão

[00:42:39] de união

[00:42:40] dos oprimidos

[00:42:41] as pessoas

[00:42:42] ficam mais tempo

[00:42:43] brigando entre si

[00:42:44] do que lutando

[00:42:44] contra o opressor

[00:42:45] e também a ideia

[00:42:47] de ressentimento

[00:42:48] o ressentimento

[00:42:49] aquilo que você

[00:42:50] sente

[00:42:51] fica mais

[00:42:51] amargurando

[00:42:52] fica voltando

[00:42:53] o tempo todo

[00:42:54] acaba criando

[00:42:55] a necessidade

[00:42:56] do inimigo

[00:42:57] de uma pessoa

[00:42:58] que passa

[00:42:59] a ser

[00:43:01] a personificação

[00:43:02] de todos

[00:43:04] os fracassos

[00:43:05] do ressentido

[00:43:06] então pode ser

[00:43:07] uma pessoa

[00:43:08] sei lá

[00:43:09] um ex-marido

[00:43:10] uma ex-mulher

[00:43:11] um ex-companheiro

[00:43:12] de trabalho

[00:43:12] um ex-companheiro

[00:43:13] de movimento social

[00:43:14] mas tu olha

[00:43:15] para aquela pessoa

[00:43:16] e passa a atribuir

[00:43:17] a ela

[00:43:18] todas as causas

[00:43:19] dos teus fracassos

[00:43:20] pessoais

[00:43:21] e etc

[00:43:22] o ressentimento

[00:43:23] tem essa característica

[00:43:25] de permitir

[00:43:26] que o ressentido

[00:43:28] ou fazer com que

[00:43:29] o ressentido

[00:43:30] tenha necessidade

[00:43:31] de um inimigo

[00:43:32] tudo isso

[00:43:33] está intimamente

[00:43:34] ligado

[00:43:35] a um dos objetivos

[00:43:36] dessas técnicas

[00:43:38] de idiosubjetivação

[00:43:39] que é o da produção

[00:43:41] de divergências

[00:43:42] no campo

[00:43:43] dos oprimidos

[00:43:43] você tem

[00:43:45] uma minoria

[00:43:46] opressora

[00:43:47] uma maioria

[00:43:47] oprimida

[00:43:48] só que essas técnicas

[00:43:49] de idiosubjetivação

[00:43:50] manipulação do ódio

[00:43:51] manipulação do ódio

[00:43:51] manipulação do ódio

[00:43:51] manipulação do ressentimento

[00:43:52] o incentivo

[00:43:54] ao narcisismo

[00:43:55] ao narcisismo primário

[00:43:57] coisas do tipo

[00:43:58] fazem com que

[00:43:59] essa multidão

[00:44:00] de oprimido

[00:44:01] gaste mais tempo

[00:44:02] brigando entre si

[00:44:03] do que lutando

[00:44:05] contra o opressor

[00:44:06] aí você vê lá

[00:44:06] no movimento

[00:44:07] dos trabalhadores

[00:44:09] as pessoas

[00:44:09] o trabalhador brigando

[00:44:10] com o trabalhador

[00:44:11] sem incomodar o patrão

[00:44:13] tu vê no movimento negro

[00:44:15] negros brigando

[00:44:16] contra outros negros

[00:44:17] negros e pardos

[00:44:19] brigando contra

[00:44:20] pardos e negros

[00:44:21] e aí

[00:44:21] em vez de lutar

[00:44:23] contra o racismo

[00:44:24] tu vê no movimento

[00:44:25] feminista

[00:44:26] feministas lutando

[00:44:27] contra

[00:44:28] brigando contra

[00:44:29] outras feministas

[00:44:30] no lugar

[00:44:31] de lutar

[00:44:32] contra a dominação

[00:44:33] masculina

[00:44:34] contra o patriarcado

[00:44:35] é óbvio

[00:44:36] que isso é funcional

[00:44:37] mas funcional

[00:44:37] para quem?

[00:44:38] para o detentor

[00:44:39] do poder econômico

[00:44:40] que é o maior

[00:44:42] beneficiário

[00:44:43] aliás

[00:44:43] é para ele

[00:44:45] que existe

[00:44:45] a hegemonia

[00:44:46] da racionalidade

[00:44:47] neoliberal

[00:44:49] então

[00:44:49] a tua colocação

[00:44:50] achei genial

[00:44:51] Felipe

[00:44:51] perfeito

[00:44:52] bom

[00:44:53] eu vou

[00:44:54] Rubens

[00:44:54] seguir nessa linha

[00:44:55] porque

[00:44:56] eu acho que é interessante

[00:44:57] a gente desenhar

[00:44:59] algumas coisas

[00:44:59] dentro disso

[00:45:01] que tu está colocando

[00:45:02] e dentro

[00:45:03] desse fio condutor

[00:45:04] porque tem outra coisa

[00:45:06] interessante aqui

[00:45:07] que é

[00:45:08] como eu já tinha

[00:45:09] dito no início

[00:45:10] eu estava guardando

[00:45:11] essa pergunta aqui

[00:45:12] aquela questão

[00:45:13] da ignorância

[00:45:14] e do comum

[00:45:15] que engloba

[00:45:16] inclusive

[00:45:17] uma ênfase

[00:45:18] em um dos capítulos

[00:45:19] da obra

[00:45:19] e eu acho legal

[00:45:21] porque

[00:45:21] a tua pegada

[00:45:23] e o teu estudo

[00:45:24] do comum

[00:45:24] vai muito do que

[00:45:26] alguns dos autores

[00:45:27] e autoras

[00:45:28] mais sofisticados

[00:45:29] e eu diria

[00:45:30] que mais tem razão

[00:45:31] nas conjunturas

[00:45:33] atualmente falam

[00:45:35] e é engraçado

[00:45:36] porque

[00:45:36] muito do que se

[00:45:38] demoniza

[00:45:39] num sentido

[00:45:40] simbólico

[00:45:41] e num sentido

[00:45:42] bem raso

[00:45:43] binário

[00:45:44] a respeito de

[00:45:45] comunismo

[00:45:45] hoje em dia

[00:45:46] ele precisa ser discutido

[00:45:48] pensando não necessariamente

[00:45:50] num significante histórico

[00:45:52] e só

[00:45:53] pensando só

[00:45:54] não apenas

[00:45:55] num conjunto

[00:45:56] de conceitos

[00:45:57] simbologias

[00:45:58] acontecimentos

[00:45:59] não mas

[00:45:59] pensando na própria

[00:46:00] raiz da palavra

[00:46:01] e pensando na ideia

[00:46:03] por trás dela

[00:46:04] o comunismo

[00:46:05] é de comum

[00:46:05] e a gente tem que estar

[00:46:06] pensando nesse comum

[00:46:08] ou nesses comuns

[00:46:10] e aí o conceito

[00:46:11] pode se abrir

[00:46:12] dependendo de

[00:46:12] qual é a linha

[00:46:14] de investigação

[00:46:15] qual é a linha

[00:46:15] que se segue

[00:46:16] mas a questão do comum

[00:46:18] enquanto

[00:46:18] esse entorno

[00:46:20] e essa diversidade

[00:46:20] e essa diferença

[00:46:21] que também nos constitui

[00:46:23] dentre onde

[00:46:24] a gente também vive

[00:46:25] ela é muito impressionante

[00:46:27] porque

[00:46:27] a idiosubjetivação

[00:46:29] como tu bem diz aqui

[00:46:31] ela leva a gente

[00:46:32] para um outro lado

[00:46:33] ela está querendo

[00:46:34] justamente negar

[00:46:35] o poder

[00:46:36] que isso tem

[00:46:37] talvez por uma estratégia

[00:46:39] talvez por medo

[00:46:40] essa questão

[00:46:42] da expansão

[00:46:42] tanto do capital

[00:46:44] quanto da expansão

[00:46:46] da própria racionalidade

[00:46:47] neoliberal

[00:46:47] a gente sabe

[00:46:49] que existe aquele termo

[00:46:50] a estratégia

[00:46:50] sem estrategista

[00:46:52] não há necessariamente

[00:46:54] aquela pessoa

[00:46:56] que está no comando

[00:46:57] o grande vilão

[00:46:58] exclusivamente

[00:46:59] que está no comando

[00:46:59] não

[00:47:00] mas ela vai para onde

[00:47:01] pode expandir

[00:47:02] o capitalismo

[00:47:03] nesse sentido

[00:47:04] é tipo aquela coisa

[00:47:05] ele fagocita

[00:47:06] o que está ao redor

[00:47:07] e ele vai expandindo

[00:47:08] e aqui a gente pode ter

[00:47:10] tanto uma esfera

[00:47:11] de luta política

[00:47:12] uma bandeira reacionária

[00:47:14] quanto uma parte

[00:47:16] dessa estratégia

[00:47:17] muito maior

[00:47:18] que caminha

[00:47:18] por suas próprias pernas

[00:47:20] então

[00:47:20] essa idiosubjetivação

[00:47:23] ela vai inclusive

[00:47:24] educar

[00:47:25] ela vai subjetivar

[00:47:26] pessoas

[00:47:26] ela vai tentar

[00:47:27] dragar pessoas

[00:47:28] para longe

[00:47:29] dessa consideração

[00:47:30] que é a consideração

[00:47:31] do comum

[00:47:31] que aliás

[00:47:32] o Felipe

[00:47:34] inspirado

[00:47:35] por um autor

[00:47:36] que ele gosta muito

[00:47:37] que é o David Graeber

[00:47:38] falou esses tempos

[00:47:40] e eu repriso

[00:47:41] o mesmo raciocínio

[00:47:42] que ele

[00:47:42] aí eu não só faço

[00:47:44] uma copia e cola

[00:47:46] como eu também endosso

[00:47:47] a gente vê por exemplo

[00:47:49] em coisas como

[00:47:50] na tragédia

[00:47:50] que acontece

[00:47:50] no Rio Grande do Sul

[00:47:51] aqui

[00:47:52] a gente vê

[00:47:53] o próprio discurso

[00:47:54] de pessoas ajudando

[00:47:56] as outras

[00:47:56] que nada mais é

[00:47:58] do que a raiz

[00:47:59] mais básica

[00:47:59] da solidariedade

[00:48:00] que é o que possibilitou

[00:48:02] a raça humana

[00:48:02] andar pra frente

[00:48:03] né

[00:48:04] sendo

[00:48:05] basicamente

[00:48:06] enlatada

[00:48:07] sendo carimbada

[00:48:09] e posta a venda

[00:48:10] no mercado

[00:48:10] como

[00:48:11] um slogan fascista

[00:48:12] como uma coisa

[00:48:14] do tipo

[00:48:14] é aquela coisa

[00:48:16] em vez de ser

[00:48:17] o povo

[00:48:17] pelo povo

[00:48:18] num sentido

[00:48:19] de ver assim

[00:48:20] pois é

[00:48:20] né gente

[00:48:21] e se a gente

[00:48:21] se preocupasse

[00:48:22] mais com os outros

[00:48:23] e se a gente

[00:48:25] vivesse mais

[00:48:25] essa diferença

[00:48:26] no sentido de

[00:48:27] se respeitar

[00:48:28] se ajudar

[00:48:29] de procurar fazer

[00:48:31] com que o que

[00:48:32] excede pra mim

[00:48:33] e falta pra você

[00:48:34] talvez possa ser

[00:48:35] partilhado

[00:48:36] nem que seja

[00:48:36] mão de obra

[00:48:37] nem que seja

[00:48:38] vontade de ajudar

[00:48:39] quem sabe a gente

[00:48:40] não faz isso

[00:48:41] pras coisas melhorarem

[00:48:42] não

[00:48:42] isso tudo é empacotado

[00:48:44] e a meu ver

[00:48:45] num exemplo claro

[00:48:46] de ídio

[00:48:47] ou subjetivação

[00:48:48] de uma maneira

[00:48:48] como se fosse

[00:48:49] sempre uns contra os outros

[00:48:50] e a gente

[00:48:50] então

[00:48:51] o idiota

[00:48:52] ele é

[00:48:52] ele é um

[00:48:53] das pontas de lança

[00:48:54] contra o comum

[00:48:55] exato

[00:48:56] exato

[00:48:56] gabriel

[00:48:57] é necessário

[00:48:58] a manutenção

[00:48:59] da hegemonia

[00:49:00] neoliberal

[00:49:00] a demonização

[00:49:02] do comum

[00:49:03] ou dos comuns

[00:49:04] como você bem

[00:49:05] mencionou

[00:49:06] esse exemplo

[00:49:07] que você dá

[00:49:08] ele é

[00:49:10] perfeito

[00:49:11] porque você percebe

[00:49:12] que o ato

[00:49:13] de solidariedade

[00:49:14] ele é

[00:49:15] coaptado

[00:49:16] ele é

[00:49:16] apreendido

[00:49:18] remodelado

[00:49:19] como se fosse

[00:49:20] uma mercadoria

[00:49:20] na qual

[00:49:21] o sujeito

[00:49:22] busca algum tipo

[00:49:23] de capitalização

[00:49:24] ou seja

[00:49:24] ele é solidário

[00:49:25] por cálculo

[00:49:27] de interesse

[00:49:28] quando o é

[00:49:29] quando interessa ser

[00:49:30] e como

[00:49:31] nosso papo anterior

[00:49:33] permite deduzir

[00:49:35] sempre

[00:49:37] que a decisão

[00:49:38] é tomada

[00:49:39] por cálculo

[00:49:40] de interesse

[00:49:41] ela não é

[00:49:42] uma decisão

[00:49:42] amorosa

[00:49:43] nesse sentido

[00:49:44] de uma abertura

[00:49:45] ao outro

[00:49:46] está numa sociedade

[00:49:47] em que o egoísmo

[00:49:49] foi transformado

[00:49:50] em virtude

[00:49:50] e a solidariedade

[00:49:52] por outro lado

[00:49:53] é percebida

[00:49:55] como uma negatividade

[00:49:56] como um vício

[00:49:57] como alguma coisa ruim

[00:49:58] porque se a lógica

[00:50:00] é a lógica

[00:50:00] da concorrência

[00:50:01] para chegar na frente

[00:50:03] na luta concorrencial

[00:50:04] eu não posso perder tempo

[00:50:06] sendo solidário

[00:50:07] ou sendo fraterno

[00:50:09] eu só vou ser solidário

[00:50:10] ou fraterno

[00:50:11] quando isso me der

[00:50:12] algum tipo de vantagem

[00:50:13] isso está

[00:50:14] intimamente ligado

[00:50:16] a essa hegemonia

[00:50:16] da racionalidade

[00:50:17] neoliberal

[00:50:18] que precisa demonizar

[00:50:19] o comum

[00:50:19] e aqui eu vou fazer

[00:50:20] uma pergunta

[00:50:20] um conceito

[00:50:22] para o nosso bate-papo

[00:50:23] o que seria o comum

[00:50:24] aquilo que diz respeito

[00:50:25] a todos nós

[00:50:26] pelo simples fato

[00:50:28] de termos nascido

[00:50:29] com vida

[00:50:30] em relação ao qual

[00:50:30] nós somos

[00:50:31] não só constituintes

[00:50:32] como também

[00:50:34] responsáveis

[00:50:35] pela manutenção

[00:50:36] de maneira muito resumida

[00:50:38] é a esfera

[00:50:38] do inegociável

[00:50:39] daquilo que é

[00:50:41] de todos nós

[00:50:42] e que deve ser percebido

[00:50:43] como sempre

[00:50:44] de todos nós

[00:50:45] e que nós não podemos

[00:50:46] colocar no comércio

[00:50:48] não podemos negociar

[00:50:50] não podemos abrir

[00:50:50] mão

[00:50:51] então é o exato oposto

[00:50:53] daquela negociabilidade

[00:50:56] absoluta

[00:50:57] de tudo

[00:50:58] que é tipicamente

[00:50:59] neoliberal

[00:50:59] para a racionalidade

[00:51:01] neoliberal

[00:51:02] tudo e todos

[00:51:03] são negociáveis

[00:51:03] para a racionalidade

[00:51:05] baseada na ideia

[00:51:06] de comum

[00:51:07] ou de comuns

[00:51:08] a pessoa

[00:51:09] nunca pode ser

[00:51:11] objeto de negociação

[00:51:12] nunca pode ser

[00:51:13] instrumentalizado

[00:51:14] valores como

[00:51:15] a verdade

[00:51:16] a liberdade

[00:51:17] nunca podem ser

[00:51:18] objetos de negociação

[00:51:20] e a liberdade

[00:51:20] os direitos humanos

[00:51:22] entendidos

[00:51:23] como o comum

[00:51:25] no plano normativo

[00:51:27] nunca podem ser

[00:51:28] objetos de negociação

[00:51:30] e isso é mal visto

[00:51:33] pelos detentores

[00:51:34] do poder econômico

[00:51:35] por quê?

[00:51:36] porque essa esfera

[00:51:37] do comum

[00:51:37] essa esfera

[00:51:38] do inegociável

[00:51:40] representa

[00:51:41] um limite

[00:51:42] à busca

[00:51:43] por lucros

[00:51:44] em tese

[00:51:46] diante do comum

[00:51:47] a pessoa tem que parar

[00:51:48] tem que respeitar

[00:51:49] o comum

[00:51:49] e tem que

[00:51:50] tudo que é percebido

[00:51:51] como um limite

[00:51:52] à busca por lucro

[00:51:53] tende

[00:51:55] a ser destruído

[00:51:57] a partir

[00:51:58] da colocação

[00:51:59] em prática

[00:52:00] do instrumental

[00:52:00] neoliberal

[00:52:02] por isso

[00:52:03] por exemplo

[00:52:03] as praças

[00:52:04] que tradicionalmente

[00:52:05] eram os locais

[00:52:06] de encontro

[00:52:07] de debate

[00:52:07] de fala

[00:52:08] de abertura

[00:52:09] para o outro

[00:52:10] passam a ser demonizadas

[00:52:12] na racionalidade

[00:52:13] neoliberal

[00:52:14] e romper

[00:52:15] com a racionalidade

[00:52:16] neoliberal

[00:52:17] que vai exigir

[00:52:18] que a gente

[00:52:18] abandone

[00:52:19] ou pelo menos

[00:52:20] consiga

[00:52:20] compreenda

[00:52:21] as técnicas

[00:52:22] de subjetivação

[00:52:23] para não deixar

[00:52:24] que elas

[00:52:25] produzam

[00:52:25] os efeitos

[00:52:26] perversos

[00:52:27] que elas

[00:52:27] produzem

[00:52:28] passa

[00:52:29] necessariamente

[00:52:30] por resgatar

[00:52:32] essa ideia

[00:52:33] de comum

[00:52:34] essa ideia

[00:52:36] de que há

[00:52:36] pessoas

[00:52:37] e coisas

[00:52:38] que não podem

[00:52:39] ser objeto

[00:52:40] de negociação

[00:52:41] pois é

[00:52:43] cara

[00:52:43] é uma coisa

[00:52:44] impressionante

[00:52:45] é uma coisa

[00:52:46] impressionante

[00:52:47] inclusive

[00:52:47] o que não falta

[00:52:49] é demanda

[00:52:49] idiótica

[00:52:50] para consumir

[00:52:52] as coisas

[00:52:52] quando elas viram

[00:52:54] essa mercadoria

[00:52:55] pobre né

[00:52:56] é muito complicado

[00:52:57] eu estava aqui pensando

[00:52:58] e eu vou fazer

[00:52:59] agora

[00:53:00] a mais temida

[00:53:02] das frases

[00:53:03] em qualquer tipo

[00:53:04] de palestra

[00:53:04] ou coisa do gênero

[00:53:05] Gabriel de Vã

[00:53:06] qual é que é a frase

[00:53:07] seria

[00:53:08] eu quero fazer

[00:53:09] uma provocação

[00:53:10] perfeito

[00:53:11] perfeito

[00:53:12] que geralmente

[00:53:13] é uma porcaria

[00:53:14] que vem depois disso

[00:53:15] eu vou tentar

[00:53:15] que não seja

[00:53:16] Rubens

[00:53:18] uma das coisas

[00:53:19] que eu fiquei

[00:53:19] pensando

[00:53:20] quando eu estava

[00:53:20] lendo o teu livro

[00:53:22] é a seguinte

[00:53:23] uma das coisas

[00:53:24] muito tristes

[00:53:24] que acontece

[00:53:25] que eu vejo

[00:53:26] principalmente

[00:53:26] com o pessoal

[00:53:27] mais jovem

[00:53:27] mas não só

[00:53:28] mas não só

[00:53:30] é que tem

[00:53:31] uma coisa

[00:53:32] que vai muito

[00:53:33] nesse sentido

[00:53:34] que tu fala

[00:53:35] de todas as questões

[00:53:36] neoliberais e tal

[00:53:37] que é

[00:53:38] a confusão

[00:53:39] entre

[00:53:40] você ter dinheiro

[00:53:42] e você ser inteligente

[00:53:43] ou você ser um modelo

[00:53:45] ou qualquer coisa

[00:53:46] do gênero

[00:53:47] eu acho que

[00:53:48] isso acontece

[00:53:48] por exemplo

[00:53:49] quando a gente fala

[00:53:49] de Neymar

[00:53:50] quando a gente

[00:53:50] fala de Elon Musk

[00:53:52] é muito engraçado

[00:53:53] porque é muito fácil

[00:53:55] de tu colocar

[00:53:56] uma coisa dessas ali

[00:53:57] num Twitter da vida

[00:53:58] e vir um espertão

[00:53:59] embaixo e dizer

[00:54:00] não

[00:54:01] inteligente é tu

[00:54:02] né

[00:54:03] que é pobre

[00:54:03] sabe

[00:54:04] tipo não

[00:54:05] o cara ali

[00:54:05] porque é bilionário

[00:54:06] obviamente que ele é

[00:54:07] super legal

[00:54:09] que ele é super inteligente

[00:54:10] que ele deve ser defendido

[00:54:11] e tudo isso

[00:54:12] qual é que é a minha

[00:54:13] provocação

[00:54:14] que também vai

[00:54:15] pro lado político

[00:54:16] né

[00:54:17] de colocar

[00:54:18] nomes em algumas figuras

[00:54:20] como

[00:54:20] Jair Bolsonaro

[00:54:21] por exemplo

[00:54:22] quando eu tava fazendo

[00:54:24] o meu livro

[00:54:25] né

[00:54:26] então dessas cartas

[00:54:27] recebidas e tal

[00:54:28] teve uma coisa

[00:54:29] que me saltou muito

[00:54:30] aos olhos

[00:54:31] Rubens

[00:54:31] e eu não sei

[00:54:32] se aparece na tua

[00:54:33] no teu diagnóstico

[00:54:35] também assim

[00:54:36] da realidade

[00:54:37] quando a gente fala

[00:54:38] nessa questão

[00:54:39] por exemplo

[00:54:40] do paranoico

[00:54:41] ou de um estilo

[00:54:42] paranoico

[00:54:43] que vai puxar

[00:54:44] mais pra esse lado

[00:54:45] da psicose

[00:54:46] como tu bem coloca

[00:54:48] ele não vai funcionar

[00:54:50] ele não vai funcionar

[00:54:50] no campo

[00:54:51] simbólico

[00:54:53] e tudo que foge

[00:54:55] do simbólico

[00:54:55] ele vai retornar

[00:54:56] no real

[00:54:56] né

[00:54:57] e uma das coisas

[00:54:58] que eu vi exatamente

[00:54:59] é

[00:55:01] uma existência

[00:55:02] muito forte

[00:55:03] de uma fixação

[00:55:04] claro

[00:55:04] numa figura paterna

[00:55:07] né

[00:55:07] porque muitas vezes

[00:55:08] quando se fala

[00:55:08] do pai também

[00:55:09] tanto Freud

[00:55:11] quanto Lacan

[00:55:11] depois o pessoal

[00:55:12] acha que esse pai

[00:55:13] é o pai biológico

[00:55:14] assim

[00:55:15] e não

[00:55:16] ele pode ser um pai

[00:55:17] que recai

[00:55:18] no real

[00:55:18] né

[00:55:19] um pai mais real

[00:55:20] o que que eu vi

[00:55:21] nas cartas

[00:55:21] por exemplo

[00:55:22] o pessoal achando

[00:55:23] que um ditador

[00:55:24] general

[00:55:25] da ditadura militar

[00:55:26] era

[00:55:27] uma figura paterna

[00:55:29] né

[00:55:29] ele vai tomar

[00:55:29] esse lugar

[00:55:30] da figura paterna

[00:55:31] tu acha que tem

[00:55:32] muito dessa

[00:55:33] de se recorrer

[00:55:35] a figuras

[00:55:36] paternas

[00:55:37] a figuras do pai

[00:55:38] a esse pai real

[00:55:39] também nessa questão

[00:55:41] do idiota

[00:55:42] quando ele tá ali

[00:55:43] defendendo

[00:55:44] um Bolsonaro

[00:55:45] a todo custo

[00:55:46] tá defendendo

[00:55:47] alguma outra figura

[00:55:48] que ele puxe

[00:55:49] às vezes

[00:55:49] nesse lado

[00:55:50] muito

[00:55:51] econômico mesmo

[00:55:53] né

[00:55:53] ah o Jeff Bezos

[00:55:54] é gênio

[00:55:55] Elon Musk é gênio

[00:55:56] esses caras

[00:55:56] eu tenho que defender

[00:55:57] eu vou passar

[00:55:57] meu dia

[00:55:58] na internet

[00:55:59] caçando quem fala

[00:56:00] mal dele

[00:56:01] pra eu defender

[00:56:02] por causa que

[00:56:03] afinal de contas

[00:56:03] tá num

[00:56:04] numa posição superior

[00:56:06] né

[00:56:06] ele é esse

[00:56:06] outro com

[00:56:08] O maiúsculo

[00:56:09] assim

[00:56:09] Felipe

[00:56:10] tu tem toda razão

[00:56:12] e digo mais

[00:56:14] assim

[00:56:14] eu acho que

[00:56:14] o teu objeto

[00:56:15] de pesquisa

[00:56:16] as cartas enviadas

[00:56:17] aos presidentes

[00:56:18] primeiro que foi

[00:56:19] uma sacada

[00:56:19] muito boa

[00:56:20] que tu teve

[00:56:21] pra

[00:56:21] permitir

[00:56:23] observar

[00:56:24] inclusive

[00:56:25] essas mutações

[00:56:26] que se deram

[00:56:27] no ambiente social

[00:56:28] as identidades

[00:56:30] e diferenças

[00:56:31] ao longo

[00:56:31] desse período

[00:56:32] em que

[00:56:33] as pessoas

[00:56:33] escreviam as cartas

[00:56:35] e que figuras

[00:56:37] de diferentes

[00:56:38] dimensões

[00:56:39] ocupavam

[00:56:40] o cargo de presidente

[00:56:40] acho que foi

[00:56:41] um baita

[00:56:42] eu gostaria

[00:56:42] de ter tido acesso

[00:56:43] a todas essas cartas

[00:56:45] eu acho que

[00:56:45] me ajudaria muito

[00:56:46] inclusive

[00:56:46] nesse meu livro

[00:56:48] que eu tô lançando agora

[00:56:49] eu trabalho

[00:56:51] Felipe

[00:56:51] com o conceito

[00:56:52] de realidade

[00:56:52] como uma trama

[00:56:54] que envolve

[00:56:55] simbólico

[00:56:57] e imaginário

[00:56:58] a realidade

[00:56:58] não se confunde

[00:56:59] com o real

[00:57:00] o real

[00:57:00] não é representável

[00:57:02] a gente não consegue

[00:57:03] nunca colocar

[00:57:03] em palavras

[00:57:04] o real

[00:57:05] mas a realidade

[00:57:06] é representável

[00:57:07] a realidade

[00:57:08] é uma trama

[00:57:08] que envolve

[00:57:09] simbólico

[00:57:09] e imaginário

[00:57:10] o processo

[00:57:11] de idiosubjetivação

[00:57:13] vai produzir

[00:57:14] uma mutação

[00:57:15] do simbólico

[00:57:17] quase uma

[00:57:17] dessimbolização

[00:57:18] ao mesmo

[00:57:19] tempo

[00:57:20] que um profundo

[00:57:21] empobrecimento

[00:57:22] do imaginário

[00:57:23] e essa

[00:57:25] mutação

[00:57:26] do simbólico

[00:57:27] quer dizer

[00:57:27] do plano

[00:57:27] da linguagem

[00:57:28] do plano

[00:57:29] do limite

[00:57:29] esse empobrecimento

[00:57:31] do imaginário

[00:57:32] da capacidade

[00:57:33] de formular

[00:57:34] imagens

[00:57:34] e ideias

[00:57:35] a partir

[00:57:35] dessas novas imagens

[00:57:37] gera uma consequência

[00:57:39] evidente

[00:57:40] que é o medo

[00:57:41] o medo

[00:57:42] de agir

[00:57:42] o medo

[00:57:43] de estar no mundo

[00:57:44] o Eric Fromm

[00:57:45] tem um texto

[00:57:47] muito legal

[00:57:47] sobre o medo

[00:57:48] da liberdade

[00:57:49] eu acho

[00:57:49] que é isso

[00:57:50] que acontece

[00:57:51] acho que a produção

[00:57:53] de subjetividade

[00:57:54] aumenta esse medo

[00:57:55] da liberdade

[00:57:55] esse medo

[00:57:56] da liberdade

[00:57:57] faz com que o sujeito

[00:57:58] busque

[00:57:59] alguém

[00:58:00] para tomar

[00:58:01] as decisões

[00:58:02] que ele não sabe

[00:58:02] tomar

[00:58:03] que ele não quer

[00:58:04] tomar

[00:58:04] ou que ele tem

[00:58:05] medo de tomar

[00:58:06] e esse alguém

[00:58:07] normalmente

[00:58:08] é o líder

[00:58:09] o líder

[00:58:10] autoritário

[00:58:11] que pode ser

[00:58:12] até alguém

[00:58:13] com quem

[00:58:13] esse indivíduo

[00:58:15] medroso

[00:58:16] se identifique

[00:58:16] por exemplo

[00:58:17] o Bolsonaro

[00:58:18] o Jair Bolsonaro

[00:58:19] ele tinha

[00:58:20] essa característica

[00:58:21] de tentar

[00:58:22] passar

[00:58:22] uma imagem

[00:58:24] do homem

[00:58:25] muito simples

[00:58:26] do homem

[00:58:28] tão simples

[00:58:29] que se deixava

[00:58:30] perceber

[00:58:31] como ignorante

[00:58:32] isso gerava

[00:58:33] em alguma medida

[00:58:34] algo que a gente

[00:58:36] poderia chamar

[00:58:37] de uma empatia

[00:58:38] de um determinado

[00:58:39] eleitor

[00:58:39] poxa

[00:58:40] aquele homem

[00:58:41] faz igual a mim

[00:58:42] aquele homem

[00:58:42] pensa igual a mim

[00:58:43] ou não pensa

[00:58:44] igual a mim

[00:58:45] e ao mesmo tempo

[00:58:46] é aquele homem

[00:58:47] que ele vai entregar

[00:58:48] o poder

[00:58:48] de tomar

[00:58:49] as decisões

[00:58:49] que ele não quer decidir

[00:58:51] então

[00:58:51] essa tese

[00:58:53] do Eric Fromm

[00:58:53] eu em certa medida

[00:58:55] reproduzo no livro

[00:58:56] que esse medo

[00:58:57] de liberdade

[00:58:58] faz com que a pessoa

[00:58:59] se demita

[00:59:00] da sua responsabilidade

[00:59:02] de cidadão

[00:59:02] e transmita

[00:59:04] isso

[00:59:04] para uma figura

[00:59:05] que normalmente

[00:59:06] é o líder

[00:59:06] autoritário

[00:59:07] que vai

[00:59:08] decidir

[00:59:11] pelo povo

[00:59:11] então não é mais

[00:59:12] o governo do povo

[00:59:13] para o povo

[00:59:13] pelo povo

[00:59:14] não há mais

[00:59:15] que se falar

[00:59:15] em democracia

[00:59:16] há que se falar

[00:59:17] num modelo

[00:59:18] para utilizar

[00:59:19] a sua expressão

[00:59:20] meio paternalista

[00:59:21] o líder autoritário

[00:59:22] na figura do pai

[00:59:23] daquele que diz não

[00:59:24] daquele que

[00:59:25] determina

[00:59:27] como deverá ser feito

[00:59:28] ou não ser feito

[00:59:29] algo

[00:59:30] então acho que tem

[00:59:31] tudo a ver

[00:59:32] esse paralelo

[00:59:35] que você traçou

[00:59:36] com o que eu estou

[00:59:36] descrevendo

[00:59:37] ao longo do meu livro

[00:59:38] muito legal

[00:59:39] muito bom

[00:59:40] Gabriel Divan

[00:59:41] foi boa provocação

[00:59:43] ou foi

[00:59:43] foi

[00:59:44] foi boa provocação

[00:59:45] não foi idiotizante

[00:59:46] é

[00:59:47] eu vou dizer

[00:59:49] vou vir com a irmã

[00:59:50] dessa aqui

[00:59:50] eu queria fazer

[00:59:52] uma colocação

[00:59:53] aí o cara geralmente

[00:59:54] dá outra palestra

[00:59:54] que não raro

[00:59:56] é contra a do palestrante

[00:59:58] é um negócio impressionante

[00:59:59] não estou brincando

[01:00:00] não vou fazer isso

[01:00:00] mas

[01:00:01] tem duas coisas

[01:00:03] que eu ainda quero

[01:00:03] ouvir o Rubens falando

[01:00:05] uma delas é o seguinte

[01:00:06] esse individualismo

[01:00:09] isso que faz com que

[01:00:11] inclusive

[01:00:12] ele tanto

[01:00:13] ele é moeda

[01:00:14] e matriz

[01:00:15] desse idiota

[01:00:16] em construção

[01:00:17] porque

[01:00:18] ele reflete

[01:00:19] força

[01:00:20] o que o idiota

[01:00:21] está se tornando

[01:00:22] ao mesmo tempo

[01:00:22] que ele é um dos grandes

[01:00:24] fatores de estímulo

[01:00:25] para que

[01:00:25] a construção se dê

[01:00:27] agora

[01:00:28] esse individualismo

[01:00:29] hoje em dia

[01:00:30] eu me arrisco a dizer

[01:00:31] que ele é pop

[01:00:31] a gente tem assim

[01:00:34] é uma marca

[01:00:35] geracional

[01:00:36] em aspectos

[01:00:38] que vão

[01:00:38] da cultura

[01:00:40] passando pela

[01:00:41] simbologia

[01:00:42] que você quer

[01:00:43] passar

[01:00:43] de si mesmo

[01:00:45] historicamente

[01:00:46] aliado

[01:00:47] a simbologia

[01:00:47] de quem é vencedor

[01:00:49] né

[01:00:49] não raramente

[01:00:50] junto com

[01:00:51] questão pura

[01:00:51] e simplesmente

[01:00:52] monetária

[01:00:53] econômica

[01:00:53] né

[01:00:54] esse individualismo

[01:00:55] será que a gente

[01:00:57] não poderia dizer

[01:00:58] de uma maneira pessimista

[01:00:59] que ele venceu

[01:01:00] né

[01:01:00] e aí

[01:01:01] como é que fica

[01:01:02] as armas

[01:01:02] para a gente lidar

[01:01:04] com isso

[01:01:04] porque

[01:01:04] retomando

[01:01:06] né

[01:01:06] as coisas mais básicas

[01:01:08] que seriam

[01:01:10] né

[01:01:10] até como o Casara

[01:01:11] disse lá no início

[01:01:12] da conversa

[01:01:13] que seriam

[01:01:14] sempre tidas

[01:01:15] por mínimos

[01:01:16] por coisas

[01:01:17] que são padrão

[01:01:18] por coisas

[01:01:19] que não se discutiriam

[01:01:21] essas coisas

[01:01:22] elas já estão

[01:01:23] afetadas

[01:01:24] por isso

[01:01:24] de tal maneira

[01:01:25] que

[01:01:25] tá difícil

[01:01:26] de discutir

[01:01:27] com alguns

[01:01:28] tá difícil

[01:01:29] de lidar

[01:01:30] com o fato

[01:01:31] de que

[01:01:31] existem certos

[01:01:32] mínimos

[01:01:33] que os caras

[01:01:33] consideram

[01:01:34] inteiramente

[01:01:35] passíveis

[01:01:36] de negociação

[01:01:36] isso aí

[01:01:38] me parece

[01:01:39] que é fruto

[01:01:39] desse caráter

[01:01:40] pop

[01:01:41] desse caráter

[01:01:42] vitorioso

[01:01:43] desse caráter

[01:01:44] aí que está

[01:01:44] na vitrine

[01:01:45] desse tipo

[01:01:46] de individualismo

[01:01:47] né

[01:01:47] há muito tempo

[01:01:48] já se diz

[01:01:49] que aquela história

[01:01:50] de você

[01:01:51] batalhar

[01:01:52] por uma defesa

[01:01:54] de valores

[01:01:54] individuais

[01:01:55] tão importante

[01:01:56] na modernidade

[01:01:57] ele não deu

[01:01:58] mais nenhum passo

[01:01:59] para adiante

[01:01:59] aí ele chega

[01:02:00] no nosso tempo

[01:02:01] como uma distorção

[01:02:02] daquilo

[01:02:03] como um individualismo

[01:02:04] grosseiro

[01:02:05] não é uma questão

[01:02:06] de ser

[01:02:07] individuar

[01:02:08] é uma questão

[01:02:09] de pisotear

[01:02:11] pescoço

[01:02:12] pescoço é degrau

[01:02:13] exato

[01:02:14] a dimensão

[01:02:14] individual

[01:02:15] é fundamental

[01:02:16] o problema

[01:02:17] é essa distorção

[01:02:18] do individualismo

[01:02:20] que anula

[01:02:21] a dimensão coletiva

[01:02:22] a dimensão do outro

[01:02:23] o respeito

[01:02:24] a diferença

[01:02:25] e tudo isso

[01:02:27] que a gente está

[01:02:27] que a gente está

[01:02:28] conversando aqui

[01:02:29] o idiota

[01:02:31] é por definição

[01:02:32] o cara egoísta

[01:02:33] o indivíduo

[01:02:35] que para além

[01:02:37] de se preocupar

[01:02:38] com a esfera individual

[01:02:39] acha que tudo

[01:02:40] gira em torno

[01:02:41] do próprio umbigo

[01:02:41] aliás

[01:02:42] se a gente estudar

[01:02:43] a origem

[01:02:44] da palavra idiota

[01:02:45] como eu já mencionei

[01:02:46] é isso

[01:02:46] é a pessoa

[01:02:46] que acha

[01:02:47] que o mundo

[01:02:47] gira em torno

[01:02:48] do próprio umbigo

[01:02:48] e que só se preocupa

[01:02:51] com as suas

[01:02:52] vantagens pessoais

[01:02:53] e acha que

[01:02:54] o que ele pensa

[01:02:57] é o motor

[01:02:58] da história

[01:02:59] e isso é muito

[01:03:01] problemático

[01:03:02] se a gente

[01:03:02] olhar

[01:03:04] pela janela

[01:03:05] das nossas casas

[01:03:06] se a gente olhar

[01:03:06] a degradação social

[01:03:09] a que a população

[01:03:10] está submetida

[01:03:11] essa incapacidade

[01:03:13] de sentir

[01:03:14] como sua

[01:03:15] pelo menos

[01:03:15] parte da dor

[01:03:16] que as pessoas

[01:03:18] sentem

[01:03:18] tem na rua

[01:03:19] ela é um sintoma

[01:03:22] eu diria

[01:03:22] extremamente

[01:03:23] perverso

[01:03:24] e também

[01:03:26] é parte

[01:03:27] de um caminho

[01:03:28] em direção

[01:03:29] a um objetivo

[01:03:31] que sempre foi

[01:03:32] objetivo neoliberal

[01:03:33] de destruição

[01:03:35] total

[01:03:35] da sociedade

[01:03:36] Margaret Thatcher

[01:03:37] já dizia

[01:03:38] na década de 80

[01:03:39] que não existe sociedade

[01:03:40] existem indivíduos

[01:03:41] Margaret Thatcher

[01:03:42] já formulava

[01:03:43] bem em adesão

[01:03:45] a toda a teoria

[01:03:47] a teoria neoliberal

[01:03:48] e que

[01:03:48] ela já insinuava

[01:03:50] que para

[01:03:51] produzir

[01:03:52] uma mutação

[01:03:53] subjetiva

[01:03:54] que fizesse

[01:03:55] com que a maioria

[01:03:55] das pessoas

[01:03:56] esquecesse

[01:03:57] que existe

[01:03:58] uma sociedade

[01:03:59] seriam necessários

[01:04:01] instrumentos

[01:04:03] que acabassem

[01:04:04] por produzir

[01:04:05] um novo sujeito

[01:04:06] um sujeito

[01:04:06] tipicamente

[01:04:07] neoliberal

[01:04:08] e é justamente

[01:04:09] sobre isso

[01:04:10] que eu me dediquei

[01:04:11] a escrever

[01:04:12] tem que lembrar

[01:04:13] que ela fala

[01:04:14] que só existem

[01:04:14] indivíduos

[01:04:15] não existe sociedade

[01:04:16] mas aí rapidamente

[01:04:17] ela pensa

[01:04:17] em uma outra

[01:04:18] parcela do eleitorado

[01:04:19] e ela larga

[01:04:21] dizendo assim

[01:04:21] e famílias

[01:04:23] famílias existem

[01:04:24] até porque

[01:04:25] boba nunca foi

[01:04:27] a velha

[01:04:27] mas é um conhecimento

[01:04:28] também do conceito

[01:04:29] de família

[01:04:30] é um espaço

[01:04:32] de mando

[01:04:33] do homem branco

[01:04:34] do patriarcal

[01:04:36] a família dela

[01:04:38] assim como tudo

[01:04:40] tem pouco a ver

[01:04:41] com partilha

[01:04:42] com comum

[01:04:43] é outra família

[01:04:44] é a família

[01:04:45] tradicional de bem

[01:04:46] onde ela está

[01:04:47] é o mais

[01:04:48] maior banheiro

[01:04:49] público unissex

[01:04:50] do planeta

[01:04:51] caso vocês queiram visitar

[01:04:52] se ela

[01:04:53] se ela

[01:04:54] assim como

[01:04:55] o senhor

[01:04:55] aquele que escreveu

[01:04:56] o outro livro

[01:04:57] aquele

[01:04:57] pra não ser idiota

[01:04:58] se quiserem se manifestar

[01:04:59] beleza

[01:05:00] achem um jogo do copo

[01:05:01] qualquer

[01:05:02] e passem um recado

[01:05:03] pra nós

[01:05:03] a gente ler no ar

[01:05:04] perfeito

[01:05:05] Rubens

[01:05:06] eu quero agora

[01:05:07] puxando pro fim

[01:05:08] aqui das minhas intervenções

[01:05:10] eu quero virar

[01:05:12] um pouquinho

[01:05:12] a câmera

[01:05:14] pro nosso lado

[01:05:15] aqui

[01:05:15] outro dia

[01:05:17] Gabriel

[01:05:17] o nosso amigo

[01:05:18] a Mauri Gonzo

[01:05:19] ele comentou lá

[01:05:20] no Spotify

[01:05:21] ele contou

[01:05:22] quantas vezes

[01:05:22] que a gente falou

[01:05:23] de Mark Fisher

[01:05:24] no episódio

[01:05:25] então é claro

[01:05:26] que a gente tem que ter

[01:05:27] esse momento

[01:05:28] no episódio aqui também

[01:05:29] porque eu gostei muito

[01:05:29] que o Rubens

[01:05:30] citou um texto

[01:05:32] que eu gosto demais

[01:05:33] do Mark Fisher

[01:05:34] que é

[01:05:35] o Castelo do Vampiro

[01:05:36] e Rubens

[01:05:37] eu queria que a gente

[01:05:37] desse essa virada

[01:05:38] aqui pro nosso lado

[01:05:39] porque isso também

[01:05:40] é muito legal

[01:05:41] do teu livro

[01:05:41] ele não é

[01:05:43] uma coisa voltada

[01:05:45] como se fosse

[01:05:46] uma perfeição

[01:05:46] tudo que se faz

[01:05:48] né

[01:05:48] esquerda

[01:05:48] etc e tal

[01:05:49] e o outro lado

[01:05:50] está simplesmente

[01:05:51] errado e ponto

[01:05:52] não é essa a questão

[01:05:54] tem muito pra gente

[01:05:56] trabalhar também

[01:05:57] e eu acho

[01:05:58] extremamente pertinente

[01:05:59] quando a gente coloca

[01:06:00] essa questão

[01:06:01] de que

[01:06:02] principalmente

[01:06:03] voltado pro lance

[01:06:04] de uma certa

[01:06:05] perfeição

[01:06:06] da esquerda

[01:06:08] sabe

[01:06:08] em que tu pode

[01:06:09] simplesmente

[01:06:09] sinalizar a virtude

[01:06:11] teu papel

[01:06:12] tá feito

[01:06:12] e quem não

[01:06:14] é perfeito

[01:06:15] nesse sentido

[01:06:16] está imediatamente

[01:06:17] fora

[01:06:18] eu citei

[01:06:19] o Gigi

[01:06:20] que agora

[01:06:20] recentemente

[01:06:21] quando ele falou

[01:06:22] aquelas bobagens

[01:06:23] dele referente

[01:06:24] a Ucrânia

[01:06:25] aliás eu acho

[01:06:25] surpreendente

[01:06:26] que o pessoal

[01:06:27] tenha achado

[01:06:29] esquisito

[01:06:29] que um hegeliano

[01:06:30] quisesse lançar

[01:06:32] bomba atômica

[01:06:33] sabe

[01:06:33] porque é muito justo

[01:06:35] assim né

[01:06:36] mas enfim

[01:06:36] teve gente assim

[01:06:38] que pegou

[01:06:38] e me marcou

[01:06:39] em comentário

[01:06:40] dizendo

[01:06:40] quem sabe

[01:06:40] agora tu para

[01:06:41] de citar o cara

[01:06:42] tipo poxa

[01:06:43] se a gente vai pegar

[01:06:44] todo mundo

[01:06:45] que fala

[01:06:46] uma bobagem

[01:06:47] se todo mundo

[01:06:48] que resvalou

[01:06:49] na vida

[01:06:50] que teve um comentário

[01:06:51] infeliz

[01:06:51] que teve uma obra

[01:06:53] infeliz

[01:06:54] ou qualquer coisa

[01:06:55] do gênero

[01:06:55] na sua vida

[01:06:56] vai ficando

[01:06:57] muito esvaziada

[01:06:58] essa busca

[01:06:59] por uma perfeição

[01:07:00] da pessoa

[01:07:01] que você pode gostar

[01:07:02] claro que tem casos

[01:07:05] extremamente

[01:07:06] nítidos

[01:07:07] né

[01:07:07] tipo sei lá

[01:07:08] uma J.K. Rowling

[01:07:10] você é uma pessoa

[01:07:11] que tu não pode mais

[01:07:12] adquirir

[01:07:13] coisa que tu não pode

[01:07:14] mais fomentar

[01:07:15] a vida dela

[01:07:15] coisa do gênero

[01:07:17] né

[01:07:17] ah o Filipe

[01:07:18] fulano de tal

[01:07:18] que agora é

[01:07:19] antivax

[01:07:20] é nazista

[01:07:21] não sei o que

[01:07:22] poxa

[01:07:22] acabou

[01:07:23] deu

[01:07:23] agora

[01:07:24] não precisa de tanto

[01:07:26] as vezes

[01:07:27] pra rolar

[01:07:27] esse tão famoso

[01:07:29] cancelamento

[01:07:30] né

[01:07:30] então

[01:07:31] eu queria te ouvir

[01:07:32] um pouco Rubens

[01:07:33] sobre essa questão

[01:07:34] também

[01:07:34] né

[01:07:35] de como é que a gente

[01:07:36] pode se construir

[01:07:37] sem essa busca

[01:07:38] por perfeição

[01:07:39] foi legal

[01:07:41] tu falar

[01:07:41] nisso Filipe

[01:07:42] porque

[01:07:42] algo que eu tinha

[01:07:43] esquecido de falar

[01:07:44] muita gente

[01:07:46] que não leu o livro

[01:07:47] diz ah

[01:07:47] isso é papo de comunista

[01:07:49] é papo da esquerda

[01:07:50] e não é né

[01:07:52] se é algo que une

[01:07:53] direita e esquerda

[01:07:54] é essa

[01:07:55] sujeição

[01:07:57] às técnicas

[01:07:58] de idiosubjetivação

[01:07:59] aquele militante

[01:08:01] que fica falando

[01:08:03] por slogan

[01:08:04] argumentativo

[01:08:06] que fica reproduzindo

[01:08:07] frase feita

[01:08:08] descontextualizada

[01:08:10] ele é tão idiota

[01:08:12] quanto

[01:08:13] aquele rapaz

[01:08:14] que anda

[01:08:15] com o livro

[01:08:16] do

[01:08:16] do Filipe

[01:08:17] falecido

[01:08:17] astrólogo

[01:08:18] embaixo do braço

[01:08:19] e aqui

[01:08:20] sobre defender

[01:08:20] do Gabriel

[01:08:21] embora o título

[01:08:22] seja

[01:08:22] tenha semelhanças

[01:08:24] ou seja

[01:08:24] a palavra idiota

[01:08:25] o idiota dele

[01:08:26] era aquele

[01:08:27] que incomodava

[01:08:27] os negócios

[01:08:28] quando eu estou

[01:08:29] trabalhando aqui

[01:08:30] o conceito de idiota

[01:08:31] a partir

[01:08:31] da origem grega

[01:08:33] da palavra

[01:08:34] é justamente

[01:08:35] o contrário

[01:08:35] é aquele

[01:08:36] que é útil

[01:08:37] e funcional

[01:08:37] aos negócios

[01:08:39] e o livro dele

[01:08:40] é um manual

[01:08:41] de idiosubjetivação

[01:08:43] como tantos outros

[01:08:44] que por vezes

[01:08:45] tem um enorme

[01:08:47] sucesso

[01:08:47] editorial

[01:08:48] o que faz

[01:08:49] lembrar

[01:08:50] que o Adorno

[01:08:50] tinha razão

[01:08:51] quando ele diz

[01:08:52] que o sucesso

[01:08:52] de uma tese

[01:08:53] não guarda

[01:08:54] nenhuma relação

[01:08:55] com a verdade

[01:08:56] contida nela

[01:08:58] isso para dizer

[01:08:59] que essa busca

[01:09:01] da perfeição

[01:09:02] é um objetivo

[01:09:03] que é plantado

[01:09:05] e que é disseminado

[01:09:06] a partir das técnicas

[01:09:07] de idiosubjetivação

[01:09:08] e com uma finalidade

[01:09:09] política

[01:09:10] evidente

[01:09:12] que é

[01:09:12] dividir

[01:09:13] para conquistar

[01:09:15] essa ideia

[01:09:16] de que

[01:09:17] a esquerda

[01:09:18] goza

[01:09:19] de uma superioridade

[01:09:20] moral

[01:09:20] e que pode apontar

[01:09:21] o dedo

[01:09:22] para o outro

[01:09:23] sem qualquer

[01:09:23] autocrítica

[01:09:25] produzindo

[01:09:26] cancelamento

[01:09:27] que nada mais é

[01:09:27] do que uma espécie

[01:09:28] de morte simbólica

[01:09:30] tem servido

[01:09:32] para impedir

[01:09:33] a união

[01:09:34] dos oprimidos

[01:09:35] se criou

[01:09:35] uma outra estratégia

[01:09:36] que eu acho

[01:09:37] fantástica

[01:09:38] do ponto de vista

[01:09:39] dos ideólogos

[01:09:41] mas

[01:09:42] desastrosa

[01:09:43] na realidade

[01:09:44] que é de se criar

[01:09:45] uma espécie

[01:09:45] de hierarquia

[01:09:46] entre as opressões

[01:09:47] então

[01:09:48] a minha opressão

[01:09:49] é maior do que a sua

[01:09:50] só me preocupo

[01:09:51] com a minha opressão

[01:09:52] dane-se a opressão

[01:09:53] que o outro

[01:09:53] está submetido

[01:09:54] tudo isso

[01:09:55] são técnicas

[01:09:56] de produzir

[01:09:57] divergências

[01:09:58] e diferenças

[01:09:59] no imenso

[01:10:01] campo

[01:10:01] progressista

[01:10:02] no imenso campo

[01:10:03] das vítimas

[01:10:05] mais diretas

[01:10:06] da opressão

[01:10:08] da hegemonia

[01:10:09] neoliberal

[01:10:10] o texto

[01:10:11] do Mark Fisher

[01:10:12] quando eu li

[01:10:13] eu achei

[01:10:13] fantástico

[01:10:14] ele mesmo

[01:10:15] foi vítima

[01:10:16] né

[01:10:16] ele mesmo

[01:10:17] do que ele denuncia

[01:10:18] ali

[01:10:19] em dado momento

[01:10:20] da sua vida

[01:10:21] pouco antes

[01:10:22] da sua morte

[01:10:24] essa coisa

[01:10:25] recurso

[01:10:27] a um argumento

[01:10:29] hiper simplificado

[01:10:30] por exemplo

[01:10:31] da apropriação

[01:10:32] cultural

[01:10:33] ele vai denunciar

[01:10:34] como o mal

[01:10:36] que isso

[01:10:37] produz

[01:10:37] no sentido

[01:10:38] de negar

[01:10:39] a abertura

[01:10:39] inclusive

[01:10:40] as diferenças

[01:10:41] culturais

[01:10:42] uma distorção

[01:10:43] por exemplo

[01:10:44] do conceito

[01:10:45] de lugar de fala

[01:10:46] que para ele

[01:10:47] para muita gente

[01:10:47] passou a significar

[01:10:48] uma interdição

[01:10:49] da fala

[01:10:50] para determinadas

[01:10:51] pessoas

[01:10:51] como por exemplo

[01:10:53] se a questão

[01:10:54] do racismo

[01:10:55] e a questão

[01:10:56] do patriarcado

[01:10:58] do machismo

[01:10:58] estrutural

[01:10:59] não fossem

[01:11:00] fundamentais

[01:11:02] para serem discutidos

[01:11:03] por todas

[01:11:04] e todos

[01:11:05] tudo isso

[01:11:06] está intimamente

[01:11:07] ligado

[01:11:08] a essa

[01:11:09] tentativa

[01:11:10] de manter

[01:11:10] a hegemonia

[01:11:12] neoliberal

[01:11:12] porque se essas

[01:11:14] pessoas passassem

[01:11:15] a dialogar

[01:11:16] se elas

[01:11:16] se abrissem

[01:11:17] se elas entendessem

[01:11:19] inclusive

[01:11:19] os preconceitos

[01:11:21] as preconcepções

[01:11:22] equivocadas

[01:11:23] do outro

[01:11:23] daquele que está ali

[01:11:24] do teu lado

[01:11:24] e ajudassem

[01:11:25] essas pessoas

[01:11:26] a refletir

[01:11:28] se perceberem

[01:11:31] em equívoco

[01:11:32] no lugar

[01:11:33] de serem

[01:11:33] canceladas

[01:11:34] e eliminadas

[01:11:35] da possibilidade

[01:11:36] de qualquer aliança

[01:11:37] ainda que ocasional

[01:11:38] com certeza

[01:11:40] as esquerdas

[01:11:40] estariam muito

[01:11:41] mais potentes

[01:11:42] do que elas

[01:11:43] estão atualmente

[01:11:44] eu acho que

[01:11:44] esse diagnóstico

[01:11:45] que muita gente

[01:11:46] dá

[01:11:46] potência

[01:11:47] da esquerda

[01:11:48] hoje

[01:11:48] está ligado

[01:11:49] muito a essas brigas

[01:11:51] algumas delas

[01:11:52] artificialmente

[01:11:53] construídas

[01:11:54] no interior

[01:11:55] seja do movimento

[01:11:56] operário

[01:11:57] seja do movimento

[01:11:58] negro

[01:11:58] seja do movimento

[01:11:59] gay

[01:12:00] movimento das mulheres

[01:12:02] e principalmente

[01:12:04] esses argumentos

[01:12:06] ou esses discursos

[01:12:07] muitas vezes

[01:12:08] forjados

[01:12:09] a partir

[01:12:10] dessa crença

[01:12:11] numa espécie

[01:12:12] que você mencionou

[01:12:12] de superioridade

[01:12:14] moral

[01:12:14] é justamente

[01:12:16] isso

[01:12:16] que impede

[01:12:17] que a enorme

[01:12:19] quantidade

[01:12:20] de pessoas

[01:12:21] submetidas

[01:12:21] à opressão

[01:12:22] se juntem

[01:12:23] para lutar

[01:12:24] contra todas

[01:12:25] as opressões

[01:12:26] e não só

[01:12:27] contra aquelas

[01:12:28] de que elas

[01:12:29] são vítimas

[01:12:29] perfeito

[01:12:31] Gabriel Divã

[01:12:32] diga aí

[01:12:32] pois é

[01:12:33] indo também

[01:12:34] lamentavelmente

[01:12:35] para o final

[01:12:36] que seja

[01:12:38] a segunda

[01:12:39] de várias

[01:12:40] participações

[01:12:41] do casar aqui

[01:12:41] mas

[01:12:42] eu ainda tenho

[01:12:43] uma coisa

[01:12:44] para colocar

[01:12:45] e eu até

[01:12:46] me sinto meio mal

[01:12:47] porque a gente

[01:12:48] está falando

[01:12:48] coisas tão bacanas

[01:12:49] a partir da obra

[01:12:50] recomendando aí

[01:12:51] que você

[01:12:52] compre a obra

[01:12:53] que você

[01:12:54] leia conceitos

[01:12:55] muito mais desenvolvidos

[01:12:57] aqui

[01:12:57] aqui é uma conversa

[01:12:59] rápida com o autor

[01:13:00] e eu estava

[01:13:01] eu estava um pouco

[01:13:02] com medo

[01:13:02] Felipe de

[01:13:03] fulanizar

[01:13:04] ou rebaixar

[01:13:05] a discussão

[01:13:06] mas não dá

[01:13:07] para deixar em branco

[01:13:08] esse tipo de coisa

[01:13:09] porque

[01:13:10] diante do que

[01:13:11] a obra trata

[01:13:12] e do que nós

[01:13:13] estamos falando

[01:13:13] a gente precisa

[01:13:15] de

[01:13:16] diagnósticos

[01:13:17] precisa de

[01:13:18] saídas

[01:13:19] precisa de

[01:13:19] ideias

[01:13:20] e aí Rubens

[01:13:21] eu vou te

[01:13:22] instar

[01:13:23] a fazer algum

[01:13:24] comentário

[01:13:25] com base

[01:13:26] no teu escrito

[01:13:27] diante da atualidade

[01:13:29] que ele tem

[01:13:29] porque

[01:13:30] ele sai aí

[01:13:32] numa virada

[01:13:32] de maio

[01:13:33] para junho

[01:13:34] de 2024

[01:13:35] e nós estamos

[01:13:36] aqui num junho

[01:13:37] onde

[01:13:38] só na semana

[01:13:39] passada

[01:13:39] eu vou colocar

[01:13:40] dois marcadores

[01:13:41] aqui

[01:13:42] a gente

[01:13:43] no Brasil

[01:13:44] vivenciou uma discussão

[01:13:46] complexa

[01:13:46] diretamente

[01:13:46] inacreditável

[01:13:47] no que diz respeito

[01:13:49] a um interesse

[01:13:50] de uma bancada

[01:13:51] parlamentar

[01:13:52] autodenominada

[01:13:53] pró-vida

[01:13:54] no sentido

[01:13:55] de promover

[01:13:56] uma criminalização

[01:13:58] esdrúxula

[01:13:58] em relação

[01:13:59] a uma questão

[01:14:00] de aborto

[01:14:01] em relação

[01:14:02] a uma questão

[01:14:02] inclusive de

[01:14:03] aborto

[01:14:05] com

[01:14:05] ou como

[01:14:07] resultado

[01:14:08] de uma violência

[01:14:09] sexual

[01:14:10] uma coisa que eu

[01:14:11] inclusive falei

[01:14:12] numa parte

[01:14:12] aí o último

[01:14:13] que saiu

[01:14:13] o próprio

[01:14:15] código penal

[01:14:16] é um código

[01:14:16] de 1940

[01:14:17] na sua versão

[01:14:18] completamente reacionária

[01:14:20] ele já trazia

[01:14:21] uma possibilidade

[01:14:22] de aborto

[01:14:23] nesse sentido

[01:14:23] porque talvez

[01:14:24] dá para encaixar

[01:14:26] isso naqueles mínimos

[01:14:27] que esses caras

[01:14:28] não querem nem aceitar

[01:14:29] a partir disso

[01:14:30] a discussão

[01:14:31] não parte nem

[01:14:31] de um mínimo

[01:14:32] não

[01:14:32] eles querem esticar

[01:14:34] a corda o máximo

[01:14:34] possível

[01:14:35] e na mesma semana

[01:14:37] a gente viu

[01:14:38] a semana inaugurou

[01:14:39] com uma questão

[01:14:41] de que

[01:14:41] o parlamento

[01:14:42] europeu

[01:14:43] agora

[01:14:43] passa a ter

[01:14:45] uma quantidade

[01:14:45] obscena

[01:14:46] perigosa

[01:14:48] inaceitável

[01:14:49] de cadeiras

[01:14:50] para

[01:14:51] partidos

[01:14:52] de inspiração

[01:14:53] nem um pouco

[01:14:54] disfarçadamente

[01:14:55] nazista

[01:14:56] principalmente

[01:14:57] a partir de votações

[01:14:58] de Itália

[01:14:58] e França

[01:14:59] o que fez com que

[01:15:00] o presidente lá

[01:15:01] já passasse a tomar

[01:15:03] medidas para

[01:15:04] eventualmente

[01:15:05] convocar novas eleições

[01:15:06] para já vislumbrar

[01:15:07] um cenário

[01:15:08] de uma disputa

[01:15:09] daqui a dois anos

[01:15:10] também

[01:15:11] quando vai acabar

[01:15:11] o mandato dele

[01:15:12] então assim

[01:15:13] Rubens

[01:15:13] nós temos aí

[01:15:14] mal e mal

[01:15:15] 100 anos

[01:15:17] de quando

[01:15:19] acendeu o nazismo

[01:15:20] e

[01:15:20] quando a gente

[01:15:22] depois percebeu

[01:15:23] que não

[01:15:23] isso é errado

[01:15:24] isso não pode

[01:15:25] isso aí

[01:15:26] é um tipo de coisa

[01:15:27] que ninguém

[01:15:27] deveria

[01:15:28] aplaudir

[01:15:29] ou considerar

[01:15:30] e aí a gente

[01:15:32] está aí

[01:15:32] diante de uma ascensão

[01:15:34] nazifascista

[01:15:35] na Europa

[01:15:35] de novo

[01:15:36] a gente está

[01:15:37] diante de uma

[01:15:37] reverberação

[01:15:38] imitona

[01:15:39] dos nazifascismos

[01:15:41] do norte

[01:15:42] aqui no Brasil

[01:15:43] a nossa bancada

[01:15:44] de parlamentares

[01:15:44] de direitos

[01:15:45] de direita

[01:15:46] nunca foi tão ruim

[01:15:48] nunca trabalhou

[01:15:49] tanto em prol

[01:15:50] dessa idiosubjetivação

[01:15:52] quando

[01:15:52] dá para dizer assim

[01:15:54] nunca foi tão representante

[01:15:56] desse idiota

[01:15:56] construído

[01:15:57] eu queria que tu falasse

[01:15:58] um pouquinho

[01:15:59] o que seja

[01:15:59] ainda que o assunto

[01:16:00] possa render

[01:16:01] dias de discussão

[01:16:02] a respeito disso

[01:16:04] no contexto da tua obra

[01:16:05] cara o Gabriel

[01:16:05] o legal

[01:16:06] quer dizer

[01:16:06] se é que dá para chamar

[01:16:07] isso de legal

[01:16:08] mas o curioso

[01:16:09] de abrir o jornal

[01:16:10] hoje em dia

[01:16:11] aliás a gente nem mais

[01:16:12] abre o jornal

[01:16:12] a gente liga o computador

[01:16:14] e lê o jornal

[01:16:14] é

[01:16:15] é

[01:16:45] ,

[01:16:46] foi aquele projeto

[01:16:48] que tinha

[01:16:49] por finalidade

[01:16:50] produzir

[01:16:51] uma espécie

[01:16:52] de revolução

[01:16:52] cultural

[01:16:53] a partir

[01:16:55] da Alemanha

[01:16:56] as pessoas

[01:16:57] não sabem

[01:16:58] o que foi o nazismo

[01:16:59] logo se deixam seduzir

[01:17:00] pelo mesmo discurso

[01:17:02] que acabou

[01:17:03] resultando

[01:17:04] na barbárie

[01:17:06] o Adorno

[01:17:08] tem um texto

[01:17:08] muito legal

[01:17:09] que ele diz

[01:17:10] que o único desafio

[01:17:11] que nós tínhamos

[01:17:11] era impedir

[01:17:12] o retorno

[01:17:13] da barbárie

[01:17:14] e

[01:17:15] parece

[01:17:15] que a partir

[01:17:17] da hegemonia

[01:17:17] neoliberal

[01:17:19] da hegemonia

[01:17:20] da racionalidade

[01:17:21] neoliberal

[01:17:21] nem esse objetivo

[01:17:23] nós vamos conseguir

[01:17:24] evitar

[01:17:26] está aí Israel

[01:17:27] para não

[01:17:28] não nos deixar

[01:17:29] mentir

[01:17:31] quantidade de mortes

[01:17:33] então você vê

[01:17:34] por exemplo

[01:17:34] o conflito

[01:17:35] Israel

[01:17:36] com

[01:17:37] a Palestina

[01:17:38] talvez seja um bom exemplo

[01:17:40] você vê

[01:17:40] uma enorme

[01:17:42] quantidade

[01:17:42] de frases

[01:17:43] feitas

[01:17:44] de lado a lado

[01:17:45] mas principalmente

[01:17:45] do lado

[01:17:47] daqueles

[01:17:47] que querem justificar

[01:17:48] a morte

[01:17:49] de mulheres

[01:17:49] e crianças

[01:17:50] a partir

[01:17:52] de uma

[01:17:53] imagem

[01:17:54] que eles

[01:17:55] construíram

[01:17:56] de um terrorista

[01:17:58] que se esconde

[01:17:59] em qualquer lugar

[01:17:59] em um hospital

[01:18:00] isso só é possível

[01:18:02] em uma sociedade

[01:18:04] isso só é possível

[01:18:05] em pessoas

[01:18:06] idiosubjetivadas

[01:18:08] esses dias

[01:18:09] eu vi

[01:18:09] uma parlamentar

[01:18:10] aqui no Brasil

[01:18:11] fazendo a saudação

[01:18:12] nazista

[01:18:13] no parlamento

[01:18:14] isso seria

[01:18:15] inadmissível

[01:18:16] há 40, 50 anos

[01:18:17] atrás

[01:18:18] então

[01:18:19] mais uma vez

[01:18:20] a confirmação

[01:18:21] das teses

[01:18:21] do livro

[01:18:22] perceba uma coisa

[01:18:23] que eu acho

[01:18:24] sensacional

[01:18:24] durante a ditadura

[01:18:26] militar empresarial

[01:18:27] instaurada em 64

[01:18:29] ninguém defendia

[01:18:31] a tortura

[01:18:32] ou defendia

[01:18:32] a legitimidade

[01:18:33] da tortura

[01:18:34] ou defendia

[01:18:35] que a tortura

[01:18:35] deveria acontecer

[01:18:37] nem mesmo

[01:18:37] aqueles que

[01:18:38] mandavam

[01:18:40] os torturadores

[01:18:41] agir

[01:18:42] pelo menos

[01:18:42] no ponto de vista

[01:18:43] do discurso

[01:18:44] público

[01:18:44] eles negavam

[01:18:45] a possibilidade

[01:18:46] da tortura

[01:18:46] hoje em dia

[01:18:48] os nossos parlamentares

[01:18:50] de extrema direita

[01:18:51] defendem a tortura

[01:18:52] defendem

[01:18:53] aliás

[01:18:53] os ditadores

[01:18:54] de 64

[01:18:55] não se declaravam

[01:18:55] ditadores

[01:18:56] eles diziam

[01:18:57] ter produzido

[01:18:58] uma abre aspas

[01:18:59] revolução

[01:18:59] que salvou

[01:19:00] a democracia

[01:19:01] brasileira

[01:19:02] e hoje

[01:19:03] as pessoas

[01:19:04] defendem abertamente

[01:19:05] o retorno

[01:19:06] da ditadura

[01:19:06] aliás

[01:19:07] eu vi uma faixa

[01:19:08] em Copacabana

[01:19:09] há alguns meses

[01:19:10] atrás

[01:19:11] que era sensacional

[01:19:12] que era

[01:19:12] a faixa

[01:19:12] dizia o seguinte

[01:19:13] Felipe

[01:19:14] pelo direito

[01:19:15] de não ter direito

[01:19:16] de intervenção militar

[01:19:17] já

[01:19:18] fantástico

[01:19:19] cara

[01:19:19] é difícil

[01:19:20] é tipo

[01:19:21] produção

[01:19:22] de idiota

[01:19:23] quer dizer

[01:19:23] acho aquilo

[01:19:25] razoável

[01:19:26] como é que é

[01:19:27] aquele papo

[01:19:28] da ditadura

[01:19:29] espanhola

[01:19:29] contra o protesto

[01:19:31] das universidades

[01:19:32] abaixo

[01:19:32] a inteligência

[01:19:33] e uma morte

[01:19:34] é algo

[01:19:36] é algo

[01:19:37] horroroso

[01:19:38] a gente vê

[01:19:39] esse aprofundamento

[01:19:40] que só foi possível

[01:19:41] em razão

[01:19:41] dessa ilimitação

[01:19:42] neoliberal

[01:19:43] essa ilimitação

[01:19:45] ela faz com que

[01:19:46] os próprios limites

[01:19:48] semânticos

[01:19:49] das palavras

[01:19:50] desapareçam

[01:19:50] as palavras

[01:19:51] vão perdendo

[01:19:52] substância

[01:19:53] para permitir

[01:19:54] coisas absurdas

[01:19:56] como

[01:19:56] não sei se foi você

[01:19:57] Felipe

[01:19:57] ou Gabriel

[01:19:58] que mencionou

[01:19:59] que se permita

[01:20:00] por exemplo

[01:20:01] que uma jovem

[01:20:03] de 18 anos

[01:20:04] tenha sido estuprada

[01:20:06] e que faça um aborto

[01:20:08] para não ter que conviver

[01:20:09] durante toda a sua vida

[01:20:11] com o fruto

[01:20:12] de uma violência

[01:20:13] assim

[01:20:14] da qual

[01:20:15] as palavras

[01:20:15] não dão conta

[01:20:16] de dizer

[01:20:17] possa ser responsabilizada

[01:20:20] penalmente

[01:20:20] de maneira mais severa

[01:20:22] do que o estuprador

[01:20:22] como que a gente

[01:20:24] aceita isso

[01:20:25] passivamente

[01:20:25] porque a sociedade

[01:20:27] brasileira

[01:20:27] está tomada

[01:20:29] por idiotas

[01:20:30] que batem palma

[01:20:31] para isso

[01:20:32] pessoas que acreditaram

[01:20:34] numa mamadeira

[01:20:35] de piroca

[01:20:36] como política pública

[01:20:38] e que votaram

[01:20:39] contra a mamadeira

[01:20:40] de piroca

[01:20:41] sem ter

[01:20:43] aquela pausa

[01:20:44] referencial

[01:20:45] reflexiva

[01:20:45] de que aquele voto

[01:20:46] poderia significar

[01:20:47] por exemplo

[01:20:48] a perda

[01:20:49] de direitos

[01:20:50] trabalhistas

[01:20:51] ou a perda

[01:20:52] de direitos

[01:20:53] fundamentais

[01:20:54] quer dizer

[01:20:55] aquele cálculo

[01:20:57] de interesse

[01:20:57] simplista

[01:20:58] numa satisfação

[01:20:59] imediata

[01:21:00] sem qualquer

[01:21:01] possibilidade

[01:21:02] desse sujeito

[01:21:03] calcular

[01:21:05] ou refletir

[01:21:06] ou avaliar

[01:21:07] o que representaria

[01:21:09] em concreto

[01:21:10] aquela opção

[01:21:10] política

[01:21:11] eu estou falando

[01:21:12] desse caso concreto

[01:21:13] mas poderia dar

[01:21:14] vários outros

[01:21:14] inclusive no campo

[01:21:15] da esquerda

[01:21:16] decisões tomadas

[01:21:19] a partir de projetos

[01:21:20] pessoais de poder

[01:21:22] sem qualquer compromisso

[01:21:24] com a transformação

[01:21:25] de que a sociedade

[01:21:26] necessita

[01:21:27] então isso tudo

[01:21:29] está intimamente ligado

[01:21:30] e aí Gabriel

[01:21:31] para te dizer

[01:21:32] sem querer dar muito

[01:21:33] spoiler também

[01:21:33] do livro

[01:21:34] senão as pessoas

[01:21:34] não compram

[01:21:35] se as pessoas

[01:21:36] não comprarem o livro

[01:21:37] eu não posso

[01:21:37] largar meu emprego

[01:21:38] isso tudo

[01:21:40] eu estou tentando

[01:21:40] trabalhar

[01:21:41] na medida do possível

[01:21:42] das minhas limitações

[01:21:43] nesse livro

[01:21:44] acho que todos

[01:21:45] esses exemplos

[01:21:45] que você dá

[01:21:46] eles são explicáveis

[01:21:48] a partir dessa hegemonia

[01:21:50] da racionalidade neoliberal

[01:21:51] que exigiu

[01:21:53] técnicas de

[01:21:53] idiosubjetivação

[01:21:54] para criar

[01:21:55] esse povo

[01:21:56] idiota

[01:21:57] com comportamento

[01:21:58] bovino

[01:21:59] nossa senhora

[01:22:00] é triste

[01:22:01] é triste

[01:22:02] a gente ver

[01:22:03] que os exemplos

[01:22:04] aterradores

[01:22:05] que acontecem

[01:22:07] assim

[01:22:07] que deveriam nos deixar

[01:22:08] num sentido

[01:22:09] de estopor

[01:22:10] na verdade

[01:22:11] não

[01:22:11] eles estão

[01:22:12] inclusive adequados

[01:22:13] e eles

[01:22:14] são

[01:22:15] eu não vou dizer

[01:22:16] corriqueiros

[01:22:17] no sentido de banais

[01:22:19] mas eles

[01:22:20] já são parte

[01:22:21] do que se espera

[01:22:22] a gente já está esperando

[01:22:23] coisa pior

[01:22:24] é incrível

[01:22:25] é incrível

[01:22:26] Felipe

[01:22:27] a gente

[01:22:28] em algum momento

[01:22:29] tem que liberar

[01:22:30] o nosso convidado

[01:22:31] para seguir adiante

[01:22:33] seguir a vida

[01:22:33] ele tem outros compromissos

[01:22:35] e tudo mais

[01:22:35] é por isso que

[01:22:36] com muito pesar

[01:22:37] a gente vai

[01:22:39] agora sim

[01:22:39] encaminhando

[01:22:40] o final oficial

[01:22:41] da nossa conversa

[01:22:42] mas não sem antes

[01:22:43] dizer que

[01:22:44] sim

[01:22:45] ele fica um pouquinho mais

[01:22:46] a gente também fica

[01:22:47] um pouquinho mais

[01:22:48] por quê?

[01:22:48] porque agora

[01:22:49] vem o momento

[01:22:50] das nossas dicas culturais

[01:22:52] ou seja

[01:22:52] a gente vai

[01:22:53] além de mais uma vez

[01:22:55] recomendar o livro

[01:22:56] nós vamos deixar

[01:22:56] o link lá

[01:22:58] na nossa postagem

[01:22:59] aliás

[01:22:59] Natal do Abau

[01:23:01] está chegando aí

[01:23:02] eu acho que

[01:23:03] Construção do Idiota

[01:23:05] seria uma boa dica

[01:23:06] de livro a ser sorteado

[01:23:07] para os nossos apoiadores

[01:23:08] ou não?

[01:23:09] bom

[01:23:09] muito bom

[01:23:10] boa ideia

[01:23:11] muito bom

[01:23:11] então o sorteio

[01:23:13] que você participa

[01:23:14] sempre que apoia

[01:23:15] o Vira Casaca

[01:23:16] seja lá no

[01:23:16] apoia.se

[01:23:17] barra vira casaca

[01:23:18] seja no

[01:23:19] orelo.cc

[01:23:20] para nos dar uma força

[01:23:21] para nos dar

[01:23:22] aquela ajudinha

[01:23:23] para a gente continuar

[01:23:24] aqui

[01:23:25] conseguindo levar

[01:23:26] o programa adiante

[01:23:27] com ou sem furadeira

[01:23:29] a furadeira

[01:23:29] deu um

[01:23:30] deu um refresquinho

[01:23:31] para nós aí

[01:23:32] e a gente pôde ouvir

[01:23:33] o Casara

[01:23:34] e nas vezes

[01:23:35] que eu falei

[01:23:35] a gente pôde

[01:23:36] sossegar um pouco

[01:23:37] a única coisa ruim

[01:23:38] de eu falando

[01:23:39] sou eu falando

[01:23:39] não tem aliada

[01:23:41] para incomodar ainda mais

[01:23:43] mas enfim

[01:23:44] dizendo tudo isso

[01:23:45] e falando em apoio

[01:23:46] aliás

[01:23:46] a gente tem

[01:23:47] Rubens

[01:23:48] apoio aqui

[01:23:49] que é muito valioso

[01:23:51] e o primeiro deles

[01:23:52] é do Artesão

[01:23:53] pizzas artesanais

[01:23:54] pré-assadas

[01:23:55] há muito tempo

[01:23:56] com a gente

[01:23:57] aí Artesão

[01:23:57] mandando brasa

[01:23:59] aquela pizza

[01:24:00] com um nível

[01:24:01] incrível

[01:24:02] o nível

[01:24:02] do restaurante

[01:24:03] mais chique

[01:24:04] do mundo

[01:24:05] mas

[01:24:05] ela vai ser servida

[01:24:06] no verdadeiro lugar

[01:24:07] mais chique do mundo

[01:24:08] que é a sua casa

[01:24:09] ela está

[01:24:10] pré-assada

[01:24:11] você termina

[01:24:12] de fazer na sua casa

[01:24:13] o artesão

[01:24:13] tem pizza salgada

[01:24:14] doce

[01:24:15] café

[01:24:16] doce de leite

[01:24:17] molho

[01:24:17] pimenta

[01:24:18] top

[01:24:18] tudo o que você quiser

[01:24:19] e

[01:24:20] boa notícia

[01:24:21] todo vapor

[01:24:23] nas lojas físicas

[01:24:25] Canoas e Porto Alegre

[01:24:26] a gente sabe que

[01:24:27] teleentrega ali em Canoas

[01:24:29] região metropolitana

[01:24:30] pode estar prejudicada

[01:24:31] ainda

[01:24:32] pelos efeitos

[01:24:32] dessa coisa

[01:24:33] que vai longe

[01:24:34] mas

[01:24:35] ficamos sabendo

[01:24:36] com muita felicidade

[01:24:37] que nessa semana

[01:24:38] que passou agora

[01:24:39] dia dos namorados

[01:24:40] Artesão bombou

[01:24:42] e o Artesão

[01:24:43] está com a gente

[01:24:43] e inclusive

[01:24:44] se você pedir pizza

[01:24:46] ou mandar pelo zap zap

[01:24:48] e disser que é ouvinte

[01:24:49] do Vira Casaca

[01:24:50] diz assim ó

[01:24:50] escutei o programa

[01:24:51] do Casara lá

[01:24:52] você não paga

[01:24:53] a teleentrega

[01:24:54] que tal

[01:24:55] nosso outro apoiador aí né

[01:24:57] que também está forte aí

[01:24:58] é mais caçula

[01:24:59] mas já chegou chegando

[01:25:01] nos mandando um monte de coisa

[01:25:02] sempre com sugestão

[01:25:03] sempre com lançamentos bons

[01:25:05] é a Editora Funilaria

[01:25:06] Editora Funilaria

[01:25:07] que tem

[01:25:08] um acervo de livros

[01:25:09] que

[01:25:10] assim como

[01:25:11] este aqui

[01:25:12] que nós estamos comentando

[01:25:13] que não é

[01:25:13] da funilaria

[01:25:14] mas faz parte

[01:25:15] de um conjunto

[01:25:17] de obras

[01:25:18] que diagnosticam

[01:25:19] muita coisa

[01:25:19] do que está acontecendo

[01:25:20] a funilaria também tem

[01:25:22] muita

[01:25:23] mas muita coisa

[01:25:24] de gabarito

[01:25:25] e aí você encontra

[01:25:27] a funilaria

[01:25:27] aonde mesmo Felipe?

[01:25:29] olha só Gabriel

[01:25:30] você encontra lá

[01:25:31] no editorafunilaria.com.br

[01:25:34] e está em pré-venda

[01:25:36] um livro que fala

[01:25:37] de uma questão

[01:25:38] super importante

[01:25:39] que se chama

[01:25:40] Cyberproletariado

[01:25:42] olha aí

[01:25:43] e já tinha

[01:25:43] chega com promoção

[01:25:44] tem descontinho

[01:25:46] para quem compra antes

[01:25:46] porque está em pré-venda

[01:25:48] vai ser lançado em julho

[01:25:49] falando sobre

[01:25:50] poder de classe

[01:25:51] e a informatização

[01:25:53] coisa que vai

[01:25:54] desde as minas

[01:25:56] no Congo

[01:25:56] até os trabalhadores

[01:25:58] na China

[01:25:59] e tudo o que tem por trás

[01:26:01] corre lá

[01:26:02] e já compra

[01:26:02] na pré-venda

[01:26:03] porque está bem bacana

[01:26:05] olha aí

[01:26:06] então com o apoio

[01:26:07] da funilaria

[01:26:08] e do artesão

[01:26:09] vamos para as dicas culturais

[01:26:10] eu vou começar aqui

[01:26:11] e eu vou

[01:26:12] passar uma dica

[01:26:13] de um filme

[01:26:14] que é antigo

[01:26:15] até por ser preto e branco

[01:26:17] ele parece

[01:26:18] ele tem um clima

[01:26:19] de ser mais antigo

[01:26:21] do que ele é ainda

[01:26:21] mas não

[01:26:22] ele não é tão antigo assim

[01:26:23] é um filme

[01:26:24] que você encontra na MUBI

[01:26:26] mas você encontra também

[01:26:27] em outros lugares

[01:26:28] me disseram

[01:26:29] está por aí

[01:26:30] o filme

[01:26:30] um filme de

[01:26:32] Jim Jarmusch

[01:26:33] da década de 80

[01:26:34] que é maravilhoso

[01:26:36] e esses dias

[01:26:36] eu tive vontade

[01:26:37] de rever

[01:26:38] sabe sei lá porquê

[01:26:39] e felizmente

[01:26:40] estava com acesso

[01:26:41] facilitado ali

[01:26:42] eu sou assinante da MUBI

[01:26:43] e eu estava

[01:26:43] então estava ali

[01:26:44] mas você encontra

[01:26:45] repito facilmente

[01:26:46] em qualquer lugar

[01:26:47] Down by Law

[01:26:48] ou como

[01:26:49] ficou traduzido

[01:26:51] para outras línguas

[01:26:53] tanto para o italiano

[01:26:54] quanto para o português

[01:26:54] bem como se escreve

[01:26:55] literalmente

[01:26:56] Down by Law

[01:26:57] é maravilhoso isso aí

[01:26:59] com Ló

[01:27:00] com acento no final

[01:27:01] enfim cara

[01:27:02] um filme incrível

[01:27:03] do Jim Jarmusch

[01:27:04] três caras

[01:27:06] que foram parar

[01:27:07] numa penitenciária

[01:27:08] na Lusiana

[01:27:09] boa parte

[01:27:09] da ação do filme

[01:27:10] se dá

[01:27:11] na própria cela

[01:27:12] e aí

[01:27:13] a gente tem aqui

[01:27:14] uma prévia

[01:27:15] do que viria a ser

[01:27:17] aquilo que a gente

[01:27:17] já conheceu depois

[01:27:19] com tantos outros filmes

[01:27:20] do estilo

[01:27:21] de ser

[01:27:22] e de fazer comédia

[01:27:23] do Roberto Benigni

[01:27:24] fantástico no filme

[01:27:26] também tem o Tom Waits

[01:27:27] que é um cara

[01:27:28] que eu admiro

[01:27:29] tanto como cantor

[01:27:31] quanto como ator

[01:27:32] também ele faz

[01:27:32] coisas muito bacanas

[01:27:33] sempre umas participações

[01:27:34] assim mas

[01:27:35] sempre muito legal

[01:27:36] e eles estão ali

[01:27:37] não conseguem

[01:27:38] se entender direito

[01:27:40] mas eles precisam

[01:27:41] fugir

[01:27:42] e precisam comer

[01:27:42] né

[01:27:43] cara eu não vou contar

[01:27:44] mais nada

[01:27:45] sobre o filme assim

[01:27:46] eu só vou dizer

[01:27:47] que eu já vi

[01:27:48] Down by Law

[01:27:48] outras duas vezes

[01:27:49] e deu vontade

[01:27:50] de ver de novo

[01:27:50] e eu vi de novo

[01:27:51] e ele continua

[01:27:52] muito bom

[01:27:52] obrigado

[01:27:53] essa é a minha dica

[01:27:54] Felipe

[01:27:55] o que nós temos aí

[01:27:56] de dica?

[01:27:57] eu vou fazer um

[01:27:58] um enlace aqui

[01:28:00] Gabriel

[01:28:00] porque tu falou

[01:28:02] do Tom Waits

[01:28:03] e eu vi

[01:28:04] essa semana

[01:28:06] eu tava ali

[01:28:07] sem fazer nada

[01:28:07] vi que entrou

[01:28:08] na Amazon Prime

[01:28:10] o seriado

[01:28:11] entrevista com o Vampiric

[01:28:13] e eu tinha visto

[01:28:15] assim

[01:28:16] e eu acho que

[01:28:17] não tá muito legal

[01:28:18] acho que eu não vou ver

[01:28:19] e tal

[01:28:19] e a primeira temporada

[01:28:21] é muito bacana

[01:28:22] qual é o enlace

[01:28:23] com o Tom Waits

[01:28:24] que tem disso aí?

[01:28:25] ah eu sei qual é

[01:28:25] é o Tom Waits

[01:28:27] ele participou do filme

[01:28:28] do Entrevista com o Vampiro

[01:28:29] né

[01:28:30] e cara

[01:28:31] eu gostei bastante

[01:28:32] do seriado

[01:28:33] claro

[01:28:33] ele não é muito complexo

[01:28:35] é coisa

[01:28:35] aquele negocinho

[01:28:36] pra você assistir

[01:28:36] no final da noite

[01:28:37] ficar tranquilo

[01:28:38] o ator que faz o Lestai

[01:28:40] é muito gato

[01:28:41] né

[01:28:42] tudo certo

[01:28:43] me surpreendi

[01:28:44] que ninguém apareceu

[01:28:45] no Twitter

[01:28:45] dizendo

[01:28:46] olha só

[01:28:47] essa cultura woke

[01:28:48] né

[01:28:49] tão ali botando

[01:28:50] o caso do Louie

[01:28:51] com o Lestai

[01:28:52] nunca teve esse tipo de coisa

[01:28:53] botaram até

[01:28:54] relacionamento gay

[01:28:55] ali no meio

[01:28:56] o Tom Waits

[01:28:58] ele faz o entrevista

[01:28:59] eu ia dizer

[01:28:59] que o enlace

[01:29:00] não

[01:29:01] ele faz o Drácula

[01:29:02] é que ele faz

[01:29:03] o Renfield

[01:29:04] que é o

[01:29:05] do Drácula

[01:29:05] o Bedel do Drácula

[01:29:07] né

[01:29:07] claro

[01:29:08] ele fica se retorcendo

[01:29:10] na cela lá

[01:29:10] não

[01:29:11] eu pensei

[01:29:12] ué

[01:29:12] confuso

[01:29:12] ontem a entrevista

[01:29:13] com o vampiro

[01:29:14] aparecia o Tom Waits

[01:29:15] não

[01:29:15] eu que me atrapalhei

[01:29:16] é do Drácula

[01:29:17] claro

[01:29:17] mas é vampiro

[01:29:18] vampiro

[01:29:18] é

[01:29:18] tudo é vampiro

[01:29:19] é

[01:29:20] tudo é vampiro

[01:29:20] a série

[01:29:21] eu já ouvi falar

[01:29:21] muito bem dela

[01:29:22] aliás né

[01:29:23] se o Don Bailó

[01:29:25] se passa na Lusiana

[01:29:26] né

[01:29:27] boa parte do entrevista

[01:29:28] com o vampiro

[01:29:29] é na Lusiana também

[01:29:30] aliás né

[01:29:30] era muito esquisito

[01:29:32] que no filme anterior

[01:29:33] inclusive não tinha

[01:29:34] não tinha negro né

[01:29:35] cara

[01:29:35] o que é uma coisa que

[01:29:37] pô cara

[01:29:37] vai falar de

[01:29:38] da comunidade crioula

[01:29:39] na Lusiana né

[01:29:40] eu tô falando de crioula né

[01:29:42] eu não tô

[01:29:42] falando outra palavra aqui né

[01:29:44] com outro sentido

[01:29:44] sim sim sim

[01:29:45] e engraçado

[01:29:46] e nessa série tem né

[01:29:47] tem um dos personagens aí

[01:29:48] eu acho que vai ser o Louis né

[01:29:50] o Louis

[01:29:50] nessa definição europeu

[01:29:52] mas enfim

[01:29:53] eu tô louco pra ver mesmo

[01:29:54] cara

[01:29:54] eu achei que

[01:29:54] eu não levava a fé

[01:29:56] mas os comentários que eu ouço

[01:29:57] são todos bacanas

[01:29:58] não e é legal

[01:29:59] quero que você

[01:29:59] tudo aquilo que ficava

[01:30:00] meio subentendido

[01:30:02] no filme assim

[01:30:02] agora tá escrachado

[01:30:04] não é igual o livro

[01:30:05] não é igual

[01:30:06] então assim ó

[01:30:07] tem muita gente

[01:30:07] que tá correndo

[01:30:08] com esse negócio

[01:30:08] ah mas é que não era assim

[01:30:10] no livro

[01:30:10] é outra coisa

[01:30:11] vai pensando

[01:30:12] assim ó

[01:30:13] é outra história

[01:30:14] eles tão usando

[01:30:15] os personagens e tal

[01:30:17] mas é claro né

[01:30:18] se você gostar

[01:30:19] desse tipo de coisa

[01:30:20] leia o livro também

[01:30:21] vamos botar ali

[01:30:21] o linkzinho

[01:30:22] do Vampiro Lestat

[01:30:23] porque vale a pena ler também

[01:30:24] é aquele negocinho

[01:30:25] pra final de dia

[01:30:26] pra relaxar e tal

[01:30:28] que tem que fazer

[01:30:29] isso aí também

[01:30:30] afinal de contas

[01:30:30] se a gente só pensar

[01:30:31] em produzir

[01:30:32] tem uma certa lógica

[01:30:33] que gosta muito

[01:30:34] desse negócio né

[01:30:35] só produzir

[01:30:36] produzir produzir

[01:30:37] não não não

[01:30:38] tem que dar a relaxadinha

[01:30:39] somos a favor

[01:30:40] é o Mark Fisher

[01:30:41] fugindo do castelo

[01:30:42] do vampiro

[01:30:42] é o Felipe com a série

[01:30:43] do vampiro

[01:30:44] e com o livro do vampiro

[01:30:45] tá muito bom isso aqui

[01:30:46] é muito bom

[01:30:47] Rubens

[01:30:48] alguma coisa aqui

[01:30:49] que envolva vampiro

[01:30:50] não tô brincando

[01:30:51] qualquer coisa

[01:30:52] inclusive essa

[01:30:52] beleza

[01:30:53] que envolva vampiro

[01:30:54] amantes eternos

[01:30:56] também

[01:30:56] do Jim Jarmusch

[01:30:58] muito bom

[01:30:59] porra

[01:30:59] filmaço

[01:31:00] filmaço

[01:31:01] é um personagem

[01:31:01] em que nós acabamos

[01:31:03] figurando

[01:31:04] como zumbis

[01:31:05] na perspectiva deles

[01:31:07] eu acho que é um filme

[01:31:09] bem bacana

[01:31:09] mas como eu venho aqui

[01:31:10] muito pouco

[01:31:10] eu queria também

[01:31:11] indicar um livro

[01:31:12] que é o do Leonardo Padura

[01:31:14] o novo

[01:31:15] Pessoas Decentes

[01:31:16] que eu achei um baita

[01:31:17] é um baita escritor

[01:31:18] e esse livro

[01:31:19] eu acho que tá especial

[01:31:20] e como também

[01:31:21] veio muito pouco

[01:31:22] dedicar também

[01:31:23] uma peça de teatro

[01:31:24] chamado

[01:31:25] Todas as Coisas Maravilhosas

[01:31:27] que tá circulando

[01:31:28] pelo Brasil

[01:31:28] atualmente

[01:31:29] tá no Tuca Arena

[01:31:30] em São Paulo

[01:31:30] já teve pelo Rio

[01:31:32] e vai fazer

[01:31:33] uma turnê

[01:31:35] por várias cidades

[01:31:36] brasileiras

[01:31:36] é uma peça

[01:31:37] que trata

[01:31:37] do tema

[01:31:38] da depressão

[01:31:39] de uma maneira

[01:31:40] muito inteligente

[01:31:41] é um texto

[01:31:42] muito legal

[01:31:43] e eu ficaria muito feliz

[01:31:44] se vocês assistissem

[01:31:45] até porque

[01:31:46] o Kiko Mascarense

[01:31:47] que é o ator

[01:31:48] desse monólogo

[01:31:49] ele tá extraordinário

[01:31:50] nesse filme

[01:31:51] olha aí cara

[01:31:52] é dica demais

[01:31:53] tudo isso aqui

[01:31:54] com os links

[01:31:55] pra você achar facinho

[01:31:57] com as informações

[01:31:58] se for livro

[01:31:59] o linkzinho

[01:32:00] aquele que faz

[01:32:01] com que a gente

[01:32:02] ganha aí

[01:32:03] uma merreca

[01:32:04] lá do homem

[01:32:05] lá né

[01:32:06] eu ia falar

[01:32:07] o homem do foguete

[01:32:08] mas aqui tem vários

[01:32:08] todo mundo tem foguete

[01:32:09] ele também tem foguete

[01:32:10] ele também tem foguete

[01:32:10] tudo é foguete

[01:32:11] cara aí

[01:32:12] eu vou te contar

[01:32:12] e comprem o livro

[01:32:14] do Rubens

[01:32:14] não só pra ele

[01:32:15] largar o emprego

[01:32:16] mas pra ele lançar

[01:32:17] já o próximo

[01:32:18] e voltar logo

[01:32:19] é ele pode voltar

[01:32:21] sem livro também

[01:32:22] mas né

[01:32:22] quando tem livro

[01:32:23] a gente já faz um

[01:32:24] merchan aqui

[01:32:24] pro amigo e tal né

[01:32:25] eu ia comentar

[01:32:27] que grandes convidados

[01:32:29] e convidadas

[01:32:29] do Vira Casacas

[01:32:30] tem o sonho

[01:32:31] de largar o emprego

[01:32:31] né

[01:32:32] a Marie

[01:32:33] ela precisa

[01:32:34] que a gente assine

[01:32:35] a newsletter

[01:32:35] pra largar o emprego

[01:32:36] o Rubens precisa

[01:32:37] que a gente colabore aí

[01:32:39] então vamos ajudar

[01:32:40] o pessoal aí né pessoal

[01:32:41] porque

[01:32:41] trabalho não tá com nada

[01:32:42] tô brincando

[01:32:43] mas nem tá

[01:32:43] bom

[01:32:44] vai lá em

[01:32:45] viracasacas.com

[01:32:46] então

[01:32:46] que tá tudo linkado

[01:32:48] as nossas dicas

[01:32:48] e tudo mais

[01:32:49] só resta agradecer

[01:32:51] a essa verdadeira aula

[01:32:53] esse desafogo

[01:32:54] esse desabafo

[01:32:55] e essa propaganda

[01:32:56] qualificada

[01:32:58] da obra

[01:32:58] que está sendo lançada

[01:33:00] que está aí

[01:33:02] já

[01:33:02] à venda

[01:33:03] em todos os lugares

[01:33:04] aí

[01:33:04] seja livrarias virtuais

[01:33:06] ou físicas

[01:33:07] a gente tá falando

[01:33:08] de A Construção do Idiota

[01:33:09] Rubens Casara

[01:33:10] o autor aqui

[01:33:11] nos explanando

[01:33:12] sobre ela

[01:33:13] que honra

[01:33:14] meu amigo

[01:33:15] muito obrigado

[01:33:16] e

[01:33:16] vamos ver né

[01:33:17] vamos ver se

[01:33:18] volta logo

[01:33:19] se tem livro

[01:33:20] ou se não tem

[01:33:20] mas as portas pra ti

[01:33:21] estão sempre abertas aqui

[01:33:22] honra e prazer

[01:33:23] todo meu

[01:33:24] Gabriel, Felipe

[01:33:25] sempre que convidado

[01:33:27] eu recebo

[01:33:28] como uma convocação

[01:33:29] e venho

[01:33:30] rapidamente

[01:33:31] pra bater esse papo

[01:33:32] sempre gostoso

[01:33:33] com pessoas inteligentes

[01:33:34] como vocês

[01:33:35] fortíssimo

[01:33:36] agora fiquei feliz

[01:33:37] termina já

[01:33:38] Gabriel

[01:33:38] que tá numa nota excelente

[01:33:40] tá

[01:33:40] então

[01:33:41] , vamos desejar

[01:33:42] aquele tchau

[01:33:43] vamos desejar

[01:33:44] que o episódio

[01:33:45] tenha sido excelente

[01:33:46] pra vocês também

[01:33:47] como certamente

[01:33:48] foi pra nós

[01:33:49] e vamos tocar o berrante

[01:33:51] aqui pra espantar

[01:33:52] os idiotas

[01:33:53] espantar a

[01:33:54] idiosubjetivação

[01:33:55] espantar essa galera

[01:33:56] aí que

[01:33:57] não se abre

[01:33:58] por diferente

[01:33:58] espantar essa galera

[01:33:59] aí que

[01:34:00] Deus me livre

[01:34:01] né

[01:34:01] e depois disso

[01:34:02] eventualmente

[01:34:04] onde você estiver ouvindo

[01:34:04] vai vir os anúncios

[01:34:05] né

[01:34:06] e eu sempre vejo

[01:34:07] o mesmo anúncio

[01:34:08] de audiobook

[01:34:09] Felipe Abar

[01:34:09] não tem nenhum anúncio

[01:34:10] de foguete

[01:34:11] nenhum de Bitcoin

[01:34:12] nenhum anúncio

[01:34:13] que tem candidato

[01:34:14] a prefeito de São Paulo

[01:34:15] me ensinando a ser

[01:34:16] uma pessoa melhor

[01:34:17] eu tô ficando preocupado

[01:34:18] é uma pena né

[01:34:20] mas quem sabe

[01:34:20] agora vai vir

[01:34:21] Paulo Marçal

[01:34:23] toca o berrante

[01:34:24] toca o berrante

[01:34:25] que aí se vier

[01:34:26] vai ser adequado

[01:34:26] inclusive

[01:34:27] tchau prejudicada

[01:34:28] tchau galera

[01:34:29] até semana que vem

[01:34:30] tchau pessoal

[01:34:40] tchau tchau

[01:35:06] Ryan Reynolds aqui

[01:35:07] para o Mint Mobile

[01:35:08] com o preço de quase tudo

[01:35:09] que vai acontecer

[01:35:10] durante a inflação

[01:35:11] nós pensávamos

[01:35:12] que iríamos

[01:35:12] trazer os nossos preços

[01:35:12] para baixo

[01:35:13] então para nos ajudar

[01:35:14] nós trouxemos

[01:35:15] um auctioneiro de reversa

[01:35:16] que é aparentemente

[01:35:17] uma coisa

[01:35:17] Mint Mobile

[01:35:18] Unlimited Premium Wireless

[01:35:20] vai ter que ganhar

[01:35:20] 30, 30, vai ter que ganhar

[01:35:21] 30, vai ter que ganhar

[01:35:21] 20, 20, 20, vai ter que ganhar

[01:35:22] 20, 20, vai ter que ganhar

[01:35:23] 15, 15, 15, 15

[01:35:25] apenas 15 dólares por mês

[01:35:26] então

[01:35:26] dê uma olhada

[01:35:27] no mintmobile.com

[01:35:28] slash switch

[01:35:30] 45 dólares de pagamento

[01:35:31] equivalente a 15 dólares por mês

[01:35:32] novos clientes

[01:35:33] no primeiro plano de 3 meses

[01:35:33] só

[01:35:34] taxas e preços extra

[01:35:35] velocidade mais baixa

[01:35:35] mais de 40 gigabytes

[01:35:36] detalhado