#384 Rubens Casara e “A Construção do Idiota”
Resumo
Neste episódio do Vira Casacas, os hosts Gabriel Divã e Felipe Abau recebem o juiz e escritor Rubens Casara para discutir seu livro recém-lançado, ‘A Construção do Idiota: O Processo de Idiossubjetivação’. A conversa gira em torno do conceito central da obra: como a racionalidade neoliberal hegemônica, a partir dos anos 80, promove um processo de formatação subjetiva que produz indivíduos ‘idiotas’ – no sentido grego original de alguém fechado em si, incapaz de se relacionar com o comum e com a diversidade.
Casara explica o termo ‘idiosubjetivação’ como um neologismo criado para descrever essa mutação subjetiva. O objetivo desse processo é criar sujeitos úteis à manutenção do projeto neoliberal, indivíduos que agem por cálculo de interesse imediato, muitas vezes contra seus próprios interesses a longo prazo, e que naturalizam absurdos que seriam inaceitáveis décadas atrás. Esses sujeitos são caracterizados por um estilo de pensamento tendencialmente paranoico ou perverso, que parte para o ato sem reflexão crítica, violando limites éticos, legais e democráticos.
A discussão avança para os antídotos possíveis contra essa idiosubjetivação. Casara propõe o ‘pensar’ e o ‘amar’ como verbos revolucionários. O amor, entendido não de forma piegas, mas como uma abertura radical ao outro que admite a diferença (onde ‘um se torna dois’), é contrário à lógica da concorrência neoliberal. O pensamento crítico é necessário para diagnosticar a realidade e buscar caminhos emancipatórios. Os participantes também debatem como técnicas de idiosubjetivação manipulam o ódio, o ressentimento e o narcisismo para criar divisões entre os oprimidos, impedindo sua união contra os opressores.
Por fim, o episódio conecta a teoria do livro com a atualidade política, comentando a ascensão de forças de extrema-direita na Europa, o avanço de pautas reacionárias no Congresso brasileiro e a naturalização da barbárie, como no conflito Israel-Palestina. A conversa também critica certas posturas dentro da própria esquerda, como a busca por uma pureza moral que leva ao cancelamento e fragiliza as alianças necessárias para a transformação social. A obra e a discussão servem como um chamado para resgatar a ideia do ‘comum’ – a esfera do inegociável – como base para a construção de um mundo mais justo e solidário.
Indicações
Authors
- Mark Fisher — Teórico citado por Rubens Casara, especificamente seu texto ‘O Castelo do Vampiro’, que critica a simplificação de argumentos e a cultura do cancelamento dentro da esquerda.
- Erich Fromm — Autor referenciado por Casara, em especial sua tese sobre o ‘medo da liberdade’, que explica a busca por líderes autoritários por parte de sujeitos idiosubjetivados.
- Theodor Adorno — Filósofo citado por Casara em duas ocasiões: sobre a falta de relação entre o sucesso de uma tese e sua verdade, e sobre o desafio de impedir o retorno da barbárie.
- Domenico De Masi — Sociólogo italiano citado por Casara, que trabalha com o conceito de ‘homo stupidus stupidus’, em contraposição ao ‘homo sapiens sapiens’ que duvida e pensa.
- Dany-Robert Dufour — Filósofo francês mencionado por Casara, que tem uma frase sobre o capitalismo acabar porque a espécie humana vai acabar se seguir o caminho da ilimitação neoliberal.
Books
- A Construção do Idiota — Livro de Rubens Casara discutido no episódio. Analisa o processo de ‘idiosubjetivação’ na racionalidade neoliberal, que formata sujeitos fechados em si, úteis à manutenção do projeto de dominação.
- Elogio do Amor — Livro de Alain Badiou mencionado por Rubens Casara. Trabalha o amor em uma perspectiva similar à discutida no episódio, como uma força política e de verdade.
- Pessoas Decentes — Livro de Leonardo Padura indicado por Rubens Casara como uma leitura recente que ele considera excelente.
- O Vampiro Lestat — Livro de Anne Rice mencionado por Felipe Abau durante as dicas culturais, relacionado à série ‘Entrevista com o Vampiro’.
- Cyberproletariado — Livro em pré-venda da Editora Funilaria, indicado pelos hosts. Aborda poder de classe e informatização, das minas no Congo aos trabalhadores na China.
Films
- Down by Law — Filme de Jim Jarmusch (1986) indicado por Gabriel Divã. Comédia sobre três homens numa penitenciária na Louisiana, com Tom Waits e Roberto Benigni.
- Amantes Eternos — Filme de Jim Jarmusch (2013) mencionado por Rubens Casara. História de vampiro onde os humanos são vistos como zumbis.
Series
- Entrevista com o Vampiro — Série disponível na Amazon Prime, indicada por Felipe Abau. Adaptação dos livros de Anne Rice, com uma abordagem que explora mais abertamente os relacionamentos entre os personagens.
Theater
- Todas as Coisas Maravilhosas — Peça de teatro indicada por Rubens Casara. Monólogo com o ator Kiko Mascarense que trata do tema da depressão de maneira inteligente. Está em turnê pelo Brasil.
Linha do Tempo
- 00:09:28 — Apresentação de Rubens Casara e do livro — Rubens Casara se apresenta como juiz, escritor e ateu ‘não dogmático’. Ele agradece o convite e apresenta seu livro ‘A Construção do Idiota’, explicando que busca entender como tantas pessoas passaram a tomar decisões aparentemente contrárias aos seus próprios interesses, movidas por um proveito individual imediato. Define o ‘idiota’ a partir da origem grega: alguém incapaz de se relacionar com a coletividade, fechado para o conhecimento e a diversidade.
- 00:16:55 — Explicação do conceito de idiosubjetivação — Casara detalha o conceito central do livro: a ‘idiosubjetivação’. Trata-se de um processo de formatação subjetiva inerente à racionalidade neoliberal hegemônica, que visa criar sujeitos úteis à manutenção desse projeto. Esses sujeitos são treinados para ver tudo e todos como negociáveis ou descartáveis, com base em cálculos de interesse pessoal. O processo impede que as pessoas percebam que estão sendo submetidas a algo que, se conhecessem, não aceitariam.
- 00:24:50 — O estilo paranoico e a psicose social — Em resposta a Felipe Abau, Casara discute como a idiosubjetivação produz sujeitos com quadros mentais paranoicos ou perversos. A racionalidade neoliberal, com seu mandamento de ilimitação, faz com que as pessoas ajam a partir de certezas (mesmo que delirantes), sem reflexão. O paranoico nem sequer tem consciência dos limites, enquanto o perverso goza ao violá-los. Essa postura é funcional para um modelo social que afasta todos os obstáculos à obtenção de lucro.
- 00:32:00 — O amor como verbo revolucionário contra a idiosubjetivação — A partir de uma citação do livro, Gabriel Divã pergunta sobre o amor como criação do pensamento que permite construir o mundo a partir da diferença. Casara responde que a idiosubjetivação empobrece a linguagem e muda os sentidos das palavras. O amor, em seu sentido revolucionário, é abrir-se radicalmente ao outro, admitir a complexidade e a verdade do outro. Junto com o pensamento crítico, o amor é um antídoto contra a lógica da concorrência e da instrumentalização do outro, permitindo vislumbrar a possibilidade de um mundo melhor construído coletivamente.
- 00:43:45 — Narcisismo, ressentimento e divisão dos oprimidos — Felipe Abau comenta sobre o narcisismo das pequenas diferenças e a vitimização. Casara concorda, explicando que a manipulação do ódio e do ressentimento é uma técnica fundamental da idiosubjetivação. Ela cria a necessidade de um inimigo e faz com que os oprimidos gastem mais energia brigando entre si (trabalhador contra trabalhador, movimento negro internamente, feministas entre si) do que lutando contra o opressor comum: o detentor do poder econômico que se beneficia da hegemonia neoliberal.
- 00:48:47 — A demonização do comum e a esfera do inegociável — Gabriel Divã retoma a questão do ‘comum’, ligando-a a pensadores contemporâneos. Casara explica que a manutenção da hegemonia neoliberal exige a demonização do comum, que é a esfera do inegociável (direitos humanos, liberdade, a pessoa como fim em si mesma). Tudo que é percebido como um limite à busca ilimitada por lucro tende a ser destruído. Resgatar a ideia de comum, de que há coisas e pessoas que não podem ser objeto de negociação, é um passo fundamental para romper com a racionalidade neoliberal.
- 00:58:55 — Medo da liberdade e busca por líderes autoritários — Felipe Abau pergunta sobre a fixação em figuras paternas/authoritárias como Bolsonaro ou bilionários. Casara relaciona isso ao ‘medo da liberdade’ teorizado por Erich Fromm. A idiosubjetivação, ao empobrecer o simbólico e o imaginário, gera medo de agir e de estar no mundo. Esse medo faz com que o sujeito busque alguém (um líder autoritário) para tomar as decisões que ele não quer ou não sabe tomar, demitindo-se de sua responsabilidade cidadã e abrindo mão da democracia.
- 01:07:41 — Autocrítica da esquerda e os perigos do purismo moral — Felipe Abau levanta a questão da busca por perfeição e do cancelamento dentro da esquerda. Casara argumenta que a idiosubjetivação também atua nesse campo, criando uma suposta superioridade moral que leva à divisão. Técnicas como a criação de uma hierarquia das opressões ou a distorção de conceitos como ‘lugar de fala’ (como interdição à fala) servem para impedir o diálogo e a união dos oprimidos. Ele cita o texto ‘O Castelo do Vampiro’, de Mark Fisher, que critica esse fenômeno.
- 01:16:05 — Atualidade política: nazifascismo e naturalização do absurdo — Gabriel Divã pede um comentário sobre a atualidade política, citando a ascensão da extrema-direita na Europa e pautas reacionárias no Brasil. Casara afirma que abrir o jornal é confirmar as teses do livro. Ele exemplifica com a defesa aberta da tortura por parlamentares (algo negado até pelos ditadores de 64), saudações nazistas no Congresso e projetos que criminalizam vítimas de estupro. A ilimitação neoliberal faz com que os próprios limites semânticos desapareçam, naturalizando o absurdo. A sociedade, tomada por ‘idiotas’, bate palmas para isso.
Dados do Episódio
- Podcast: Viracasacas Podcast
- Autor: Viracasacas Podcast
- Categoria: News Politics
- Publicado: 2024-06-18T02:59:12Z
- Duração: 01:34:37
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/dee3a250-f2f5-0134-ec5e-4114446340cb/episode/a659c818-9dd1-4ec7-bc06-18e7a416209d/
- UUID Episódio: a659c818-9dd1-4ec7-bc06-18e7a416209d
Dados do Podcast
- Nome: Viracasacas Podcast
- Tipo: episodic
- Site: https://www.spreaker.com/podcast/viracasacas-podcast—6704831
- UUID: dee3a250-f2f5-0134-ec5e-4114446340cb
Transcrição
[00:00:00] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA
[00:00:30] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA
[00:01:00] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA
[00:01:30] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA
[00:02:00] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA
[00:02:30] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA
[00:03:00] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA
[00:03:30] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA
[00:04:00] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA
[00:04:30] é, pois é, é, é, isso aí
[00:04:33] é, como é que é, o santo de casa
[00:04:35] qual é o santo do dia?
[00:04:38] eu não sei, cara
[00:04:39] eu tenho aqui meu livrinho, não vou puxar aqui ele agora
[00:04:41] ih, rapaz, logo tu
[00:04:43] bom, vamos lá
[00:04:44] eu vou mandar aqui um salve, Gabriel, pra galera que tá
[00:04:47] comentando os nossos episódios
[00:04:49] lá no YouTube, cara
[00:04:50] né, pessoal que tá fazendo o algoritmo
[00:04:53] funcionar, o Elcio Gomes
[00:04:55] comentou nesse nosso último episódio
[00:04:57] sobre, né, o Olhares sobre a Catástrofe
[00:04:59] disse muito bom episódio
[00:05:01] Thiago Batiston, ele acordou
[00:05:03] o algoritmo, digo, bora se ligar
[00:05:05] Leonardo Lemos
[00:05:07] e Saulo Pache, eu acho
[00:05:09] que se fala o Paché
[00:05:11] né, também
[00:05:13] deu um like ali pro
[00:05:15] algoritmo ficar ligadinho
[00:05:17] no Vira Casacas, olha que maravilha
[00:05:19] Pache, Sambroza
[00:05:21] Pirlo
[00:05:22] eu e o Gabriel, a gente tá torcendo
[00:05:25] pra Itália na Eurocopa
[00:05:27] só pelo prazer de fazer
[00:05:29] a escalação
[00:05:30] na verdade é, a gente tem essa piada aí, vai completar há quantos anos
[00:05:33] pelo amor de Deus, né
[00:05:35] não, olha, vai-te embora
[00:05:37] mas, cara, é isso aí, né
[00:05:38] esse Gil Madeira perguntou, né, eu queria acompanhar
[00:05:41] canais de política no YouTube
[00:05:43] o Madeira
[00:05:45] olha sem vergonha isso aí, cara
[00:05:47] o Vira Casacas tá no YouTube, por exemplo
[00:05:49] assim como estamos
[00:05:51] em todos os agregadores de podcast aí
[00:05:53] busca por Vira Casacas
[00:05:55] estamos nos streamings
[00:05:57] busca por Vira Casacas
[00:05:58] tem o nosso canal do YouTube
[00:06:00] que é, olha bolas, é Vira Casacas Podcast
[00:06:02] né, você nos encontra também
[00:06:04] diretamente no site do feed
[00:06:06] o viracasacas.libsyn.com
[00:06:08] e no nosso site também tem
[00:06:10] linkzinho pros episódios, viracasacas.com
[00:06:12] então, não falta lugar pra você
[00:06:14] escutar gratuitamente os nossos programas
[00:06:16] as nossas colunas
[00:06:18] e tudo mais que pinta por aí
[00:06:19] e o Vira Casacas é de grátis
[00:06:22] e sempre será, porém, né
[00:06:24] se você tiver aquela
[00:06:26] compaixão, aquele amor no seu
[00:06:28] coração, aquela vontade de ajudar
[00:06:30] você pode comentar lá no YouTube
[00:06:32] você pode mandar pras pessoas
[00:06:34] você pode compartilhar
[00:06:36] nas redes sociais, mas também
[00:06:38] se tiver como, considere
[00:06:40] por favor apoiar a gente lá no
[00:06:42] apoia.se
[00:06:43] ou na orelo.cc
[00:06:46] também, que daí
[00:06:48] tem algumas coisinhas pra vocês
[00:06:50] tem conteúdinho a mais ali também
[00:06:52] às vezes eu tô colocando imagens lá
[00:06:54] Gabriel, pra acompanhar os episódios
[00:06:56] do RT comentado, né
[00:06:58] ah, como será que era Santa Olga
[00:07:00] não tô afim de entrar lá
[00:07:02] estão todas as imagenzinhas organizadas
[00:07:04] pra você, partir de cinco
[00:07:06] reaisinhos já nos ajuda bastante
[00:07:09] cinco pilas, dez pilas
[00:07:10] quinze pilas, vinte pilas, quem sabe
[00:07:12] poxa, vitória
[00:07:14] vitória. Não, e outra coisa, né
[00:07:16] se você nos escutar
[00:07:18] pela Orelo, já tem
[00:07:20] uma pingadinha ali, assim como tem a
[00:07:22] pingadinha se você comprar as nossas
[00:07:24] dicas ali, usando os links
[00:07:26] que estão no viracasacas.com
[00:07:28] pra cada episódio, tá tudo lá
[00:07:30] agora, entrando na Orelo
[00:07:32] você tem que ter o login, porque
[00:07:34] lá pela Orelo você faz
[00:07:36] esse apoio, ao mesmo tempo
[00:07:38] pelo apoia.se, mesmíssima coisa
[00:07:40] você está logado lá
[00:07:42] tá cadastrado lá, e cinco
[00:07:44] reais mensais que saem
[00:07:46] assim, um mês inteiro, cinco
[00:07:48] num cartão de crédito, você não nota
[00:07:50] você paga inclusive mais caro
[00:07:52] por coisa que não é boa e você
[00:07:54] não precisa dela, né
[00:07:55] você tem aqui o viracasacas
[00:07:58] batalhando, dando murro na ponta de faca
[00:08:00] ah, mas Gabriel, mas eu quero dar seis e trinta e dois
[00:08:02] pode? Eu quero dar
[00:08:04] oitenta e oito, não
[00:08:06] aí não, aí você dá oitenta e sete
[00:08:08] ou oitenta e nove, né, que aí
[00:08:10] fica bonito, né. Eu quero dar
[00:08:12] cento e cinquenta, pode também
[00:08:14] mas cinco já adianta. É perfeito
[00:08:16] acho que é isso aí, Gabriel, vamos pro episódio?
[00:08:19] Vamos pro episódio que
[00:08:20] tá bom demais
[00:08:21] Gabriel Divã! Opa, estamos
[00:08:26] aí! Está você e mais
[00:08:28] alguém aí, Gabriel Divã, ou está sozinho?
[00:08:30] Olha, eu tô acompanhado
[00:08:32] de pessoas trabalhando, sabe, Man Network
[00:08:34] tinha uma banda, né, com esse nome, né
[00:08:36] tem pessoas trabalhando aqui no andar
[00:08:38] de cima e volta e meia vamos ter a presença
[00:08:40] de uma furadeira Seneca
[00:08:42] olha aí, olha aí, olha a furadeira, né
[00:08:44] eu já tava esperando, já tava esperando
[00:08:46] é aquela coisa, né, os
[00:08:48] grandes estúdios aí, onde
[00:08:50] trabalham os caras pra fazer programa de fascista
[00:08:52] e gente mentindo e falando bobagem, né
[00:08:54] os caras ganham dinheiro, isolamento acústico
[00:08:56] como é que é?
[00:08:58] carreira, não, aqui não, vira casacas
[00:09:00] depende do apoio de vocês, né, então a gente
[00:09:02] passa por esse tipo de situação, mas tudo bem, né
[00:09:04] a luta continua. O que importa
[00:09:06] é o conteúdo, Gabriel Divã
[00:09:08] e tenho certeza que nosso episódio de hoje
[00:09:10] não vai faltar conteúdo
[00:09:12] olha, o que importa é o recheio da bolacha
[00:09:14] ou melhor, do biscoito. Exatamente, né
[00:09:16] então estamos aqui
[00:09:18] mais uma semana com um convidado que
[00:09:20] fazia um tempo já que a gente
[00:09:22] tava pra convidar, né, e pra
[00:09:24] conseguir marcar um dia pra
[00:09:26] conversar, muito bem
[00:09:28] vindo aqui, Rubens Cassara
[00:09:30] obrigado por ter topado
[00:09:32] o nosso convite, obrigado
[00:09:34] por estar aqui conversando com a gente
[00:09:35] dá um oi pro pessoal e
[00:09:38] se apresenta pra quem porventura
[00:09:40] não te conhece. Felipe,
[00:09:42] eu é que agradeço o convite
[00:09:43] teu, do Gabriel, é sempre um prazer
[00:09:46] voltar nesse programa que eu gosto
[00:09:48] tanto, sou ouvinte
[00:09:50] bem, pra quem não me conhece
[00:09:52] eu sou amigo do Gabriel Divã
[00:09:53] do Felipe Abau, evidentemente
[00:09:56] esse é o motivo pelo qual eles me convidaram
[00:09:58] a vir falar aqui
[00:09:58] e dou a sorte de, nesse momento
[00:10:02] tá lançando um livro, que é
[00:10:04] A Construção do Idiota
[00:10:06] O Processo de Idiossubjetivação
[00:10:08] no qual eu tô pretendendo
[00:10:10] conversar
[00:10:12] com vocês sobre
[00:10:14] esse meio, esse instrumento
[00:10:16] que foi formatando
[00:10:18] sujeitos pra que eles
[00:10:20] se sentissem autorizados a fazer
[00:10:22] qualquer coisa em nome
[00:10:24] do seu proveito individual
[00:10:26] eu sou também
[00:10:28] nas horas vagas, juiz de direito
[00:10:30] do Tribunal de Justiça do Estado
[00:10:32] do Rio de Janeiro e ateu
[00:10:34] não dogmático, no sentido de que
[00:10:36] se amanhã ou depois Deus der
[00:10:38] provas de que existe, eu vou estar super
[00:10:40] do lado dele, mas por enquanto
[00:10:42] eu continuo ateu
[00:10:43] um prazer realmente estar aqui com vocês
[00:10:45] e disposto a esse bate-papo
[00:10:48] nos termos que vocês acharem melhor
[00:10:50] que ótimo essa apresentação aí
[00:10:52] não, é essa condição aí
[00:10:54] o ateísmo
[00:10:56] condicionado do Rubens, não tem nada
[00:10:58] eu vou dizer assim, não tem nada mais botafoguense
[00:11:00] que isso daí
[00:11:00] e o Rubens que, porra
[00:11:04] é um cara que eu admiro
[00:11:05] pelo posicionamento jurídico, eu admiro
[00:11:08] como escritor, como professor
[00:11:10] que também é
[00:11:11] e ele falou tudo, né, cara
[00:11:13] a principal condição, mas eu vou falar o contrário
[00:11:16] o privilégio é meu de poder
[00:11:18] chamar um cara desse parceiro
[00:11:19] e agora faz um tempinho, né, Rubens, que a gente não
[00:11:22] consegue tomar um chopinho aí, mas
[00:11:23] não há de ser nada, né, vamos
[00:11:25] lidar com isso aí em breve
[00:11:28] quem sabe aí numa turnê de divulgação
[00:11:30] deste livro que está sendo lançado
[00:11:32] aí a gente consegue se encontrar
[00:11:33] ela viaja o Brasil, alguma coisa do tipo
[00:11:36] aí, mas muito obrigado
[00:11:37] é a tua segunda participação no Vira Casacas
[00:11:40] e novamente
[00:11:41] estamos falando de um livro que tu está lançando
[00:11:43] a gente já tinha comentado contigo
[00:11:46] a respeito do Estado
[00:11:47] pós-democrático, num outro momento
[00:11:50] agora estamos aí com esse
[00:11:52] livro novo e eu já quero te colocar
[00:11:54] uma pergunta porque
[00:11:55] eu vou falar pra vocês aí uma coisa, vocês talvez
[00:11:58] conheçam o Casar das suas manifestações
[00:12:00] das redes sociais, né, de vários
[00:12:02] outros lugares
[00:12:03] o Casar é um gentleman, tá, o Casar é um cara
[00:12:06] assim, educado, é um cara de
[00:12:08] fino trato, mas é um cara
[00:12:10] também que quando escreve
[00:12:12] ele não poupa palavras, ele
[00:12:14] deixa transparecer alguma coisa
[00:12:16] assim que talvez a gente
[00:12:18] costume deixar mais, a gente faz o inverso
[00:12:20] né, eu e o Felipe, a gente deixa mais
[00:12:22] nas nossas manifestações do dia a dia
[00:12:24] e o Casar, não, ele é um cara assim
[00:12:26] polido, mas na hora que é pra
[00:12:28] sentar a ripa, né, o Casar
[00:12:30] vai lá, então, o livro, Casar
[00:12:32] ele já começa desde o título
[00:12:34] propondo um conceito
[00:12:36] mas propondo um xingamento
[00:12:38] tá propondo
[00:12:40] uma teorização sobre
[00:12:42] pessoas, ideologias
[00:12:44] práticas, mas tá também
[00:12:46] fazendo um deboche
[00:12:48] e tá oferecendo pra eles
[00:12:50] um conceito e tá oferecendo
[00:12:52] uma carapuça muito amarga
[00:12:54] como é que veio, pra começo
[00:12:56] de conversa, a ideia
[00:12:58] de falar sobre esse idiota
[00:13:00] quem é, quem são esses idiotas
[00:13:02] aí, e, né, como é que
[00:13:04] fica o estômago diante da idiotice
[00:13:06] desses idiotas?
[00:13:07] Gabriel, sinceramente, eu não pensei
[00:13:09] em fazer um deboche
[00:13:11] a gente quando escreve, você é um escritor
[00:13:14] também, sabe disso
[00:13:15] a gente tenta
[00:13:17] refinar ideias, porque as ideias são
[00:13:19] naturalmente anárquicas
[00:13:21] o Hegel dizia isso, né, pra você
[00:13:24] melhorar a tua ideia, pra você
[00:13:25] refinar a tua ideia, pra você
[00:13:27] compreender aquilo
[00:13:29] a que você
[00:13:31] dedica a sua atenção
[00:13:33] é preciso colocar em palavras
[00:13:35] ou falando ou escrevendo
[00:13:37] então, o objetivo desse livro
[00:13:39] foi tentar entender
[00:13:41] essa multidão de pessoas
[00:13:43] e que parece cada vez maior
[00:13:45] que toma decisões
[00:13:48] que aparentemente
[00:13:49] são contrárias a seus próprios interesses
[00:13:52] ou são decisões
[00:13:53] que vão dar um gozo imediato
[00:13:55] mas que no futuro elas
[00:13:57] vão acabar prejudicando
[00:13:59] essas mesmas pessoas
[00:14:01] que tomam essas decisões
[00:14:03] assim, de maneira muito resumida
[00:14:05] a pergunta que eu queria responder
[00:14:07] é como tanta gente
[00:14:09] passa a tomar
[00:14:11] decisões ou a ter
[00:14:13] atitudes que deveriam
[00:14:15] ser tidas como inadmissíveis
[00:14:18] como absurdas
[00:14:19] como a gente passou a naturalizar
[00:14:22] tanta coisa que há 40
[00:14:23] 50 anos atrás
[00:14:24] seria inaceitável
[00:14:27] e pra isso eu recorri
[00:14:28] eu resgatei a origem grega
[00:14:31] da palavra idiota
[00:14:32] na Grécia o idiota era aquela pessoa
[00:14:35] incapaz de se relacionar
[00:14:38] com a coletividade
[00:14:39] incapaz de se relacionar com o comum
[00:14:42] então, de maneira
[00:14:44] muito, muito, muito resumida
[00:14:45] o idiota é aquela pessoa
[00:14:47] fechada em si, egoísta
[00:14:49] mas fechada principalmente
[00:14:51] pro outro do conhecimento
[00:14:54] e pro outro da diversidade
[00:14:56] o conhecimento é o conhecimento
[00:14:57] e a diversidade
[00:14:59] assustam ao idiota
[00:15:01] e o idiota é isso
[00:15:03] que a gente tem visto
[00:15:04] pessoas com uma postura bovina
[00:15:06] inertes diante do absurdo
[00:15:09] e quando não estão inertes estão batendo palma
[00:15:11] pro absurdo
[00:15:12] isso me chocou bastante e me levou a escrever esse livro
[00:15:15] olha, eu vou
[00:15:16] antes de passar pro Felipe fazer
[00:15:18] já também o início da sua bateria
[00:15:20] de perguntas e considerações
[00:15:22] eu queria te propor também
[00:15:25] uma definição aqui pra nós
[00:15:27] porque essa questão do comum
[00:15:29] vai ser objeto de
[00:15:31] um questionamento meu, com certeza
[00:15:33] é uma coisa que eu me proponho a estudar bastante
[00:15:35] eu achei interessante quando tu trabalha
[00:15:38] essa situação do comum
[00:15:40] da ignorância
[00:15:40] mas eu queria te propor agora, de início
[00:15:43] tu dá uma pincelada, ou pelo menos
[00:15:45] oferecer uma amostra grátis
[00:15:48] de um conceito que permeia
[00:15:49] a obra inteira
[00:15:50] e que é um conceito muito importante pro que tu tá tentando colocar
[00:15:53] e pro que tu tá tentando trazer
[00:15:55] que é o da idiosubjetividade
[00:15:57] motivação, porque
[00:15:57] a gente sabe que quem pesquisa
[00:16:00] quem trabalha com autoras e autores
[00:16:02] que estão nessa linha
[00:16:04] de fazer uma crítica dos tempos em que vivemos
[00:16:06] a partir de uma racionalidade neoliberal
[00:16:09] a partir de mudanças
[00:16:11] que não são só a nível de
[00:16:13] economia política, governo
[00:16:15] num sentido formal
[00:16:16] mas elas são mudanças na subjetividade
[00:16:19] num sentido político que tem a ver com
[00:16:21] quem somos, quem achamos
[00:16:23] que devemos ser, a nossa vida
[00:16:24] os nossos interesses, esse comum
[00:16:27] que a gente fala
[00:16:27] então brincar com subjetividade
[00:16:31] controlar ou estimular
[00:16:33] subjetividade
[00:16:34] já é uma pauta recorrente
[00:16:36] em quem trabalha com esse tipo de coisa
[00:16:38] agora, a tua proposta aqui é justamente
[00:16:40] nessa construção do idiota
[00:16:42] isso passa por uma subjetivação
[00:16:45] idiótica, ou uma
[00:16:46] idiosubjetivação como tu trabalha
[00:16:48] ao longo do livro, eu queria que tu comentasse um pouquinho
[00:16:50] sobre esse conceito, porque é uma das coisas
[00:16:53] que poderia dizer que é um dos pilares
[00:16:55] da obra
[00:16:55] esse termo
[00:16:57] idiosubjetivação fui eu que criei
[00:16:59] para dar conta
[00:17:00] da mutação subjetiva
[00:17:03] ou do projeto de transformação
[00:17:05] do sujeito inerente
[00:17:07] à racionalidade neoliberal, ou seja
[00:17:09] a esse
[00:17:10] modo de ver e atuar
[00:17:13] no mundo que se tornou hegemônico
[00:17:15] a partir da década de 80 do século passado
[00:17:17] e que
[00:17:19] trata tudo
[00:17:21] e todos como negociáveis
[00:17:23] quando não descartáveis
[00:17:25] quando tem alguma utilidade
[00:17:27] negocia com a pessoa
[00:17:28] ou com o valor, quando não tem utilidade
[00:17:30] você descarta, a partir
[00:17:32] de cálculos de interesse
[00:17:34] que visam exclusivamente o lucro
[00:17:36] ou obtenção de algum tipo de vantagem pessoal
[00:17:39] das menores às maiores
[00:17:41] essa racionalidade
[00:17:42] esse modo de compreender
[00:17:44] e de agir no mundo
[00:17:46] ele se torna hegemônico
[00:17:47] e para dar cabo, para manter
[00:17:50] esse projeto que a gente poderia chamar
[00:17:52] de dominação neoliberal
[00:17:55] é preciso formatar
[00:17:56] um tipo de sujeito
[00:17:57] o processo de
[00:18:00] idiosubjetivação é justamente
[00:18:02] esse meio
[00:18:05] de formatar
[00:18:06] um sujeito útil
[00:18:08] à racionalidade neoliberal
[00:18:10] tem uma frase famosa
[00:18:12] do Nelson Rodrigues
[00:18:13] ele dizia mais ou menos assim
[00:18:16] que os idiotas iriam dominar o mundo
[00:18:18] não pela capacidade
[00:18:20] que eles tinham
[00:18:21] até porque eram de modo geral idiotas
[00:18:24] então pouco capazes
[00:18:25] mas pela quantidade
[00:18:26] a minha observação e a minha hipótese
[00:18:30] nesse livro é que eles não vão dominar o mundo
[00:18:32] mas eles são indispensáveis
[00:18:34] para que pouquíssimas pessoas
[00:18:37] os detentores do poder econômico
[00:18:40] e super ricos
[00:18:40] a que se refere o Chomsky
[00:18:42] para que essas pouquíssimas pessoas
[00:18:44] possam controlar
[00:18:46] uma multidão de indivíduos
[00:18:49] que são oprimidos
[00:18:52] mesmo quando não tem
[00:18:54] essa consciência
[00:18:55] então uma das coisas que eu acho
[00:18:56] que eu acho que é muito importante
[00:18:57] é que as funcionalidades
[00:18:57] da idiosubjetivação
[00:18:59] vai ser impedir que as pessoas
[00:19:01] percebam que estão sendo
[00:19:03] submetidas a algo
[00:19:05] que se conhecessem
[00:19:07] não deixariam que acontecesse
[00:19:09] a palavra sujeito
[00:19:11] vem disso, de sujeição
[00:19:12] todos os sujeitos são submetidos a algo
[00:19:16] a questão é
[00:19:16] eles vão ser submetidos ao conhecimento
[00:19:19] ou à ignorância
[00:19:20] eles vão ser submetidos à ciência
[00:19:22] ou ao mito
[00:19:23] eles vão ser submetidos
[00:19:25] ao argumento
[00:19:26] ou ao uso da força
[00:19:28] então o processo de idiosubjetivação
[00:19:31] vai formatar sujeitos
[00:19:33] como se fosse uma máquina
[00:19:33] saindo de lá sujeitos formatados
[00:19:36] que podem ser geniais em diversos aspectos
[00:19:39] mas eles vão ser
[00:19:40] fundamentalmente úteis
[00:19:43] à manutenção do projeto neoliberal
[00:19:45] que é um projeto comprometido
[00:19:47] apenas com aqueles
[00:19:50] 3 ou 1% da população
[00:19:52] que detém os meios
[00:19:54] de produção
[00:19:55] tanto material
[00:19:56] quanto os meios de produção
[00:19:58] da subjetividade
[00:19:59] tá aí, tá aí
[00:20:01] conceito, então, né
[00:20:03] trademark, Felipe Abal
[00:20:04] é excelente, né
[00:20:05] eu na verdade quando vi
[00:20:07] o Rubens comentar no Twitter
[00:20:09] que tava saindo o livro
[00:20:10] eu já fiquei extremamente curioso
[00:20:12] por causa dessa questão
[00:20:13] do título, né
[00:20:14] que é exatamente uma construção
[00:20:17] ele não é
[00:20:17] ah, vocês são idiotas
[00:20:19] existem pessoas idiotas
[00:20:21] mas de como é que se constrói
[00:20:22] toda essa questão
[00:20:23] e quando eu tava lendo o livro
[00:20:26] eu sei que o Gabriel gosta muito
[00:20:28] desse filósofo que eu vou citar
[00:20:30] que é o residente Gabriel de Van
[00:20:32] eu me lembrei muito da música
[00:20:34] Los Idiotas do KG-13
[00:20:36] e tem uma palavra
[00:20:38] tem uma passagem que é muito interessante
[00:20:39] que ele fala
[00:20:41] a idiotez, ela tem seus pontos
[00:20:44] a favor, é a única
[00:20:45] doença em que o doente
[00:20:48] não sofre, exceto todos ao seu redor
[00:20:51] eu acho muito boa
[00:20:54] essa sacada assim que tem
[00:20:55] mas Rubens
[00:20:56] uma das questões que me impactou
[00:20:59] bastante, eu achei interessante
[00:21:00] do livro o seguinte
[00:21:01] parece que tem uma boa parte dele
[00:21:04] que parece que foi feita sob medida
[00:21:06] para Gabriel de Van comentar
[00:21:08] e outra parte que foi feita sob medida
[00:21:10] pra eu comentar
[00:21:11] eu queria que teu livro tivesse saído antes
[00:21:13] do que eu lancei a respeito
[00:21:16] dos delírios
[00:21:18] que eu encontrei nas cartas
[00:21:20] enviadas aos presidentes
[00:21:22] durante a ditadura e depois
[00:21:24] a Lula e Bolsonaro e tal
[00:21:26] porque em determinado momento
[00:21:29] e depois mais profundamente
[00:21:31] tu começa a falar a respeito
[00:21:33] de um estilo paranoico
[00:21:35] que vai se formando também
[00:21:36] nessa pessoa que vai sendo construída
[00:21:39] e eu achei excelente
[00:21:41] porque foi uma coisa que eu
[00:21:43] vislumbrei nesse estudo que eu tinha
[00:21:45] feito, né?
[00:21:46] que as pessoas enviavam cartas aos presidentes
[00:21:49] e tal, e é claro que o momento político
[00:21:51] ele não cria
[00:21:53] loucura, ele não cria
[00:21:55] uma
[00:21:56] condição, uma estrutura
[00:21:58] como a gente falaria de uma questão
[00:22:00] mais lacaniana
[00:22:01] mas é muito interessante
[00:22:04] como ele é incorporado
[00:22:07] é muito interessante
[00:22:08] como esse discurso ele entra assim
[00:22:10] e ele vai ter um impacto
[00:22:12] muito direto
[00:22:13] e essa questão até do
[00:22:15] estilo paranoico é algo
[00:22:18] que já é bem antigo
[00:22:20] na verdade, ele vem lá do Hofstetter
[00:22:22] que já trazia essa questão da política
[00:22:24] mas eu acho que agora a gente está conseguindo
[00:22:26] ver
[00:22:29] vamos formular, deixa eu ver aqui
[00:22:30] mas eu acho que a gente está conseguindo
[00:22:32] ver aquele negócio que eu acho que foi
[00:22:34] o próprio Dufour
[00:22:36] que falou, a questão do
[00:22:37] o sonho de todo neurótico é ser
[00:22:40] psicótico, mas ele não tem coragem
[00:22:42] para tanto, então ele inveja o perverso
[00:22:44] mas agora
[00:22:46] parece que o pessoal deu um passinho a mais
[00:22:48] quando tu vê todo o negócio
[00:22:50] de sei lá, tu rezar pra pneu
[00:22:52] tu fazer todas essas
[00:22:54] questões assim, parece que está
[00:22:56] quase concretizando esse sonho
[00:22:57] não é que tu esteja dizendo, claro que
[00:23:00] esse pessoal ele é psicótico
[00:23:02] né, dentro dessa questão
[00:23:04] da paranoia, mas
[00:23:05] é um estilo que vai se formando
[00:23:07] né Rubens, isso eu achei muito interessante
[00:23:09] queria te ouvir falar mais sobre isso, que de novo
[00:23:12] eu queria que teu livro tivesse saído antes
[00:23:14] pra eu poder ter utilizado várias coisas que tu fala
[00:23:16] pô, que bacana que tu gostou Felipe
[00:23:18] fico feliz
[00:23:18] feliz que tu tenha gostado e triste de ver
[00:23:21] que a gente compartilha
[00:23:24] o mesmo diagnóstico
[00:23:26] dessa mutação subjetiva ocorrida
[00:23:27] na sociedade, porque
[00:23:29] pro cara ser idiota
[00:23:31] ele é levado a não refletir
[00:23:33] a não pensar, em especial ele é levado
[00:23:36] a não pensar criticamente
[00:23:37] o que significa isso?
[00:23:39] ele deve ser incapaz de formular
[00:23:42] diagnósticos adequados
[00:23:44] da realidade e mais
[00:23:45] do que isso, além de não formular
[00:23:47] adequadamente esses diagnósticos
[00:23:49] ele deve ser
[00:23:51] incapaz de eventualmente
[00:23:53] colocar o seu conhecimento numa
[00:23:56] direção emancipatória
[00:23:57] de redução
[00:23:59] de superação das múltiplas opressões
[00:24:01] uma das maneiras
[00:24:03] de levar a essa
[00:24:05] desnecessidade do pensamento
[00:24:07] é fazer com que o sujeito atue
[00:24:10] a partir de certezas
[00:24:11] ainda que delirantes
[00:24:12] então a racionalidade neoliberal
[00:24:15] que tem como marco normativo a ilimitação
[00:24:18] vai produzindo cada vez
[00:24:20] mais sujeitos
[00:24:21] que partem ao ato
[00:24:23] independentemente de qualquer reflexão
[00:24:26] o importante é agir
[00:24:27] mesmo que para isso
[00:24:29] você acabe deixando de lado
[00:24:32] o pensamento
[00:24:33] é perceptível na sociedade
[00:24:36] e cada vez mais
[00:24:38] que as pessoas passam a atuar
[00:24:40] a partir de quadros mentais
[00:24:42] que a gente poderia dizer
[00:24:43] são tipicamente paranoicos
[00:24:45] ou na melhor das hipóteses
[00:24:47] de quadros mentais
[00:24:49] perversos, ou seja
[00:24:51] ou a pessoa
[00:24:52] formatada a partir
[00:24:55] dessa ilimitação neoliberal
[00:24:57] ou essa pessoa
[00:24:59] tendencialmente ilimitada
[00:25:01] ela parte para o ato
[00:25:03] sem sequer ter consciência
[00:25:05] da existência de limites
[00:25:07] esses limites não são nem introjetados
[00:25:10] nesse indivíduo
[00:25:11] ou ela tem ciência do limite
[00:25:13] mas cada vez mais goza
[00:25:16] ao violar o limite, ou seja
[00:25:17] um quadro paranoico ou um quadro
[00:25:19] perverso
[00:25:20] e isso é fundamental
[00:25:22] a manutenção
[00:25:24] desse modelo
[00:25:25] neoliberal de sociedade
[00:25:28] em que há um mandamento
[00:25:29] consuma, há um mandamento
[00:25:32] faça o que você quer
[00:25:33] há um mandamento no sentido
[00:25:35] de afastar todos os limites
[00:25:38] que possam representar
[00:25:40] um obstáculo à obtenção de lucro
[00:25:42] por exemplo
[00:25:42] então esse sujeito
[00:25:45] tendencialmente paranoico
[00:25:48] ou na melhor das hipóteses
[00:25:50] sujeito perverso
[00:25:51] porque o perverso
[00:25:54] o perverso
[00:25:55] ainda tem a consciência
[00:25:57] de que existem limites
[00:25:58] ele desconsidera os limites
[00:25:59] mas ainda tem essa consciência
[00:26:01] o paranoico nem isso
[00:26:02] ele parte ao ato
[00:26:04] ou ato de consumir
[00:26:06] ou ato de xingar alguém
[00:26:07] nas redes sociais
[00:26:08] então ele passa a atuar
[00:26:11] no final das contas
[00:26:13] para atender
[00:26:14] a um desejo do detentor
[00:26:16] do poder econômico
[00:26:18] sem qualquer percepção
[00:26:20] da existência de limites
[00:26:22] sejam legais, democráticos, éticos
[00:26:25] a sua atuação
[00:26:27] então me parece que nesse sentido
[00:26:29] é muito fácil perceber
[00:26:32] na sociedade brasileira
[00:26:34] que cada vez mais
[00:26:36] os sujeitos
[00:26:37] eles atuam
[00:26:38] violando os limites
[00:26:41] que foram construídos
[00:26:42] e são a base da própria ideia
[00:26:44] de civilização
[00:26:45] a longo prazo
[00:26:47] se isso pode fornecer
[00:26:48] uma satisfação imediata
[00:26:50] a quem viola o limite
[00:26:51] a longo prazo
[00:26:53] isso vai representar
[00:26:54] a liberdade
[00:26:55] o próprio fim
[00:26:56] da ideia de civilização
[00:26:57] o próprio fim da ideia
[00:26:59] de laço social
[00:27:01] entre os indivíduos
[00:27:03] isso é muito interessante
[00:27:05] tem muita coisa
[00:27:06] a certeza é que sempre chama a atenção
[00:27:10] porque a certeza é característica
[00:27:11] da psicose
[00:27:12] o neurótico duvida
[00:27:14] o psicótico vai ter certeza
[00:27:17] Felipe, tem um autor
[00:27:19] italiano, um psiquiatra
[00:27:21] Vitório
[00:27:22] com a arte de fugir do sobrenome
[00:27:25] que ele trabalha com uma categoria
[00:27:27] que eu trago nesse livro
[00:27:28] que é do
[00:27:29] homos estúpidos estúpidos
[00:27:31] ele vai dizer o seguinte
[00:27:33] o homo sapiens sapiens
[00:27:34] tinha como principal característica
[00:27:35] a dúvida
[00:27:36] e a dúvida levava ao pensamento
[00:27:38] levava ao desejo de conhecimento
[00:27:40] quando a pessoa atua
[00:27:41] a partir de certezas
[00:27:42] por mais delirante
[00:27:43] que essas certezas sejam
[00:27:45] ele está se afastando
[00:27:46] ele está negando a possibilidade
[00:27:48] dessa dúvida
[00:27:49] que é a condição
[00:27:51] de possibilidade
[00:27:52] do pensamento
[00:27:54] por isso
[00:27:55] ele é cada vez mais estúpido
[00:27:56] por isso o idiota é estúpido
[00:27:58] de modo geral
[00:27:59] perfeito
[00:28:00] Gabriel
[00:28:00] nossa
[00:28:01] eu estava lembrando agora
[00:28:03] não é uma lembrança muito boa
[00:28:05] e eu não vou perder muito tempo com ela
[00:28:07] eu estava lembrando que
[00:28:09] um livro
[00:28:10] que se propõe a ser
[00:28:12] uma espécie de bíblia sagrada
[00:28:14] de uma galera
[00:28:15] que se enquadra perfeitamente
[00:28:17] nisso que vocês estão falando
[00:28:17] ele também envolvia esse termo
[00:28:19] no título
[00:28:20] idiota
[00:28:21] mas de uma maneira muito mais pobre
[00:28:23] e de uma maneira
[00:28:24] inclusive que reforça
[00:28:27] essa própria circunstância
[00:28:28] que o Rubens está falando
[00:28:29] no que diz respeito
[00:28:31] ao sujeito que
[00:28:33] neurotiza e que se afunda
[00:28:34] dentro dessa condição
[00:28:36] inclusive
[00:28:37] ironicamente o livro propunha
[00:28:39] uma espécie de receita
[00:28:41] para que você não seja um
[00:28:44] mas enfim
[00:28:45] não vou falar muito disso
[00:28:46] e se se sentiu ofendido
[00:28:48] de repente o autor quiser
[00:28:49] fazer uma resposta
[00:28:50] ah não vai poder
[00:28:50] enfim
[00:28:51] o que acontece
[00:28:53] o que acontece
[00:28:54] eu vou lançar aqui
[00:28:57] uma frase
[00:28:58] uma passagem
[00:29:00] que eu acho que faz parte dessas
[00:29:02] que tu comentou
[00:29:03] que entre outras coisas
[00:29:04] foram escritas para mim
[00:29:06] eu vou só passar um conceito aqui
[00:29:09] que você vai encontrar no meio da obra
[00:29:11] e eu queria comentar
[00:29:13] e perguntar para o Rubens
[00:29:14] uma coisa a partir disso
[00:29:15] o amor
[00:29:17] é uma criação do pensamento
[00:29:19] capaz de fazer com que o indivíduo
[00:29:20] experimente
[00:29:21] e possa construir o mundo
[00:29:23] a partir da diferença
[00:29:24] e a partir da diferença
[00:29:24] do um
[00:29:25] que se transforma em dois
[00:29:27] e não a partir de si
[00:29:29] cara isso aqui é muito bonito
[00:29:31] Rubens
[00:29:31] além de ser muito forte
[00:29:32] tecnicamente
[00:29:33] ele pega pela
[00:29:35] pela beleza do que significa
[00:29:37] porque
[00:29:37] o amor nesse sentido aqui
[00:29:39] e aí tem vários tipos de amor
[00:29:42] tem várias coisas que cabem
[00:29:43] aqui no léxico
[00:29:44] ele vai ser justamente isso
[00:29:46] porque o dois que vira um
[00:29:48] é o fascismo
[00:29:49] é justamente
[00:29:51] aquilo que você
[00:29:53] não nivela
[00:29:53] não nivela
[00:29:53] não nivela
[00:29:53] não nivela
[00:29:54] ou você não iguala
[00:29:56] num sentido
[00:29:57] mais amplo do termo
[00:29:58] você simplesmente
[00:29:59] né
[00:30:00] planifica
[00:30:00] e aqui não
[00:30:02] um tem que virar dois
[00:30:03] a diferença é muito importante
[00:30:05] o amor
[00:30:06] vai residir nessa diferença
[00:30:08] no momento em que
[00:30:09] há essa pluralidade
[00:30:10] no momento em que há
[00:30:11] essa possibilidade
[00:30:12] em que tudo está emancipado
[00:30:14] não que tudo converge
[00:30:15] para uma mesma coisa
[00:30:15] isso é uma outra coisa
[00:30:17] isso é um
[00:30:17] é algo que tenta se disfarçar
[00:30:19] eu queria que tu comentasse um pouco
[00:30:21] a respeito de
[00:30:23] todas essas coisas
[00:30:24] circunstâncias
[00:30:25] porque
[00:30:25] porque a gente está vendo
[00:30:27] uma galera
[00:30:28] que se escora
[00:30:29] em
[00:30:30] uma espécie
[00:30:31] distorcida
[00:30:32] dessa visão de amor
[00:30:34] e eu não estou querendo dizer
[00:30:35] que é distorcida
[00:30:35] só porque é contra
[00:30:36] o que eu acho
[00:30:37] mas é distorcida
[00:30:39] sim no instante
[00:30:39] que o amor deles
[00:30:41] é o amor do dois
[00:30:42] que se unifica em um
[00:30:44] é o amor que
[00:30:44] anula
[00:30:45] que apleina
[00:30:46] que desbasta
[00:30:47] as diferenças
[00:30:48] é o amor de
[00:30:49] uma igualdade
[00:30:51] mas não uma igualdade
[00:30:52] de direitos
[00:30:53] ou de
[00:30:53] né
[00:30:54] felicidade
[00:30:54] não é um estado
[00:30:56] de igualdade
[00:30:57] é uma igualdade
[00:30:58] no sentido militaresco
[00:30:59] é uma igualdade
[00:31:00] onde todo mundo
[00:31:01] converge
[00:31:02] e olha para o mesmo lado
[00:31:03] e é tão maluco isso aí
[00:31:05] que esses caras
[00:31:05] eles passam o tempo inteiro
[00:31:07] falando em
[00:31:08] ditaduras
[00:31:09] comunistas
[00:31:09] não sei o que
[00:31:10] ao mesmo tempo
[00:31:10] que louvam ditaduras
[00:31:11] eles ficam combatendo
[00:31:13] ditaduras
[00:31:14] conceituais
[00:31:15] dos gays
[00:31:16] não sei o que
[00:31:17] do gênero
[00:31:18] não sei o que
[00:31:19] da linguagem fluida
[00:31:20] mas eles são a favor
[00:31:21] das ditaduras de verdade
[00:31:22] eles chamam de
[00:31:23] ditadura
[00:31:24] né
[00:31:25] quando você tenta organizar
[00:31:27] político
[00:31:27] democraticamente
[00:31:28] alguma coisa
[00:31:29] algum teor de uma lei
[00:31:30] e aí eles vão lá
[00:31:31] e combatem isso
[00:31:33] fazendo ódios
[00:31:33] a ditaduras
[00:31:34] que de fato
[00:31:35] mataram pessoas
[00:31:36] esse amor
[00:31:37] dessa galera
[00:31:38] que tá
[00:31:39] sempre simbolizado
[00:31:40] nessas coisas
[00:31:41] prosaicas aí né
[00:31:42] é a bandeira
[00:31:43] é não sei o que
[00:31:44] é uma outra figura
[00:31:46] esse amor
[00:31:47] eles usam
[00:31:48] de cavalo de batalha
[00:31:49] justamente
[00:31:49] pra tentar neutralizar
[00:31:51] né
[00:31:51] o verdadeiro amor
[00:31:52] que reside
[00:31:53] nessa diferença
[00:31:53] esse afeto
[00:31:55] que como tu diz
[00:31:56] ele tem essa marca
[00:31:57] diferencial
[00:31:58] em relação aos outros
[00:31:59] perfeito Gabriel
[00:32:00] pra utilizar
[00:32:01] essa expressão
[00:32:03] que eu
[00:32:03] que eu criei
[00:32:04] da idiosubjetivação
[00:32:05] esses procedimentos
[00:32:07] de construção
[00:32:08] de formatação
[00:32:09] dos idiotas
[00:32:10] passam
[00:32:11] também
[00:32:12] pelo
[00:32:14] empobrecimento
[00:32:15] da linguagem
[00:32:16] pela mutação
[00:32:17] dos sentidos
[00:32:18] perceba
[00:32:19] quando a pessoa
[00:32:21] nasce
[00:32:22] ela é lançada
[00:32:22] na linguagem
[00:32:23] ela é lançada
[00:32:23] a linguagem
[00:32:24] antecipa sentidos
[00:32:26] ela vai compreendendo
[00:32:28] o que é o certo
[00:32:29] o que é o errado
[00:32:30] o que é o belo
[00:32:31] o que é o feio
[00:32:32] o que é o bom
[00:32:34] o que é o mal
[00:32:35] o que é o bem
[00:32:36] o que é a verdade
[00:32:37] o que é o amor
[00:32:38] então a idiosubjetivação
[00:32:41] vai mudando
[00:32:42] o sentido
[00:32:43] dessas palavras
[00:32:44] e muitas vezes
[00:32:45] levando a significados
[00:32:47] radicalmente contrários
[00:32:50] aos significados
[00:32:52] anteriores
[00:32:53] se a gente
[00:32:53] se a gente
[00:32:53] se a pessoa
[00:32:54] se o sujeito
[00:32:55] é constituído
[00:32:56] a partir desses sentidos
[00:32:58] que ele atribui
[00:32:59] à vida
[00:32:59] mudar esses sentidos
[00:33:01] muda o sujeito
[00:33:02] então o idiota
[00:33:03] é alguém
[00:33:04] que poderia ser
[00:33:04] uma pessoa muito bacana
[00:33:06] mas se torna
[00:33:07] isso que eu estou chamando
[00:33:08] de idiota
[00:33:09] nesse livro
[00:33:10] o que é o amor
[00:33:12] entendido
[00:33:13] como um verbo
[00:33:15] revolucionário
[00:33:16] o amor
[00:33:17] é abrir-se
[00:33:18] radicalmente
[00:33:20] ao outro
[00:33:21] é admitir
[00:33:22] a possibilidade
[00:33:23] do um
[00:33:24] se tornar dois
[00:33:25] nesse sentido
[00:33:27] ele é muito próximo
[00:33:28] da política
[00:33:29] ele também é um procedimento
[00:33:30] da verdade
[00:33:31] agora a política
[00:33:33] é coletiva
[00:33:34] e o amor
[00:33:35] é uma política
[00:33:37] da verdade
[00:33:38] do um
[00:33:39] para o dois
[00:33:39] é abrir-se
[00:33:40] para alguém
[00:33:41] diferente de você
[00:33:42] e abrir-se
[00:33:44] para alguém
[00:33:44] diferente de você
[00:33:45] é abrir-se
[00:33:47] inclusive
[00:33:47] para os defeitos
[00:33:49] para aquilo
[00:33:50] que o outro
[00:33:51] que tem no outro
[00:33:51] que te incomoda
[00:33:52] e o amor
[00:33:53] é abrir-se
[00:33:53] mas que são
[00:33:53] constitutivos
[00:33:54] dessa pessoa
[00:33:55] é abrir-se
[00:33:56] para a complexidade
[00:33:58] a idiosubjetivação
[00:34:00] faz o movimento
[00:34:01] contrário
[00:34:02] ele torna
[00:34:04] fenômenos
[00:34:05] complexos
[00:34:06] extremamente simples
[00:34:07] tão simples
[00:34:08] que a gente
[00:34:09] fica incapaz
[00:34:10] de compreender
[00:34:10] o que está errado
[00:34:11] ali
[00:34:11] naquele
[00:34:12] fenômeno
[00:34:13] determinado
[00:34:14] e o amor
[00:34:15] não
[00:34:16] o amor
[00:34:16] é esse
[00:34:16] abrir-se
[00:34:17] radicalmente
[00:34:19] é admitir
[00:34:20] as qualidades
[00:34:21] e os defeitos
[00:34:23] é abrir-se
[00:34:23] é admitir
[00:34:24] a verdade
[00:34:25] do outro
[00:34:26] a verdade
[00:34:27] entendida
[00:34:28] como esse
[00:34:29] ente complexo
[00:34:30] que é positividade
[00:34:31] e negatividade
[00:34:33] nesse livro
[00:34:34] eu trabalho
[00:34:35] que existem
[00:34:35] dois verbos
[00:34:36] que são
[00:34:37] ações
[00:34:39] tendencialmente
[00:34:40] contrárias
[00:34:41] a esse processo
[00:34:42] de idiosubjetivação
[00:34:44] que é o pensar
[00:34:45] e o amar
[00:34:46] o pensar
[00:34:47] no sentido
[00:34:48] de que
[00:34:49] é necessário
[00:34:50] compreender
[00:34:51] o que está acontecendo
[00:34:52] para que a gente
[00:34:52] possa mudar
[00:34:53] o rumo
[00:34:54] dessa prosa
[00:34:54] mudar a direção
[00:34:55] que nós estamos
[00:34:56] seguindo
[00:34:56] até porque
[00:34:57] seguir essa direção
[00:34:59] da ilimitação
[00:35:00] no mundo
[00:35:01] em que os recursos
[00:35:02] naturais
[00:35:02] são limitados
[00:35:03] é andar
[00:35:05] em direção
[00:35:05] ao precipício
[00:35:06] o Dufour
[00:35:08] ele tem
[00:35:09] essa frase
[00:35:10] que eu acho genial
[00:35:10] que é
[00:35:11] o capitalismo
[00:35:12] vai acabar
[00:35:12] mas não vai acabar
[00:35:14] porque nós
[00:35:14] conseguimos encontrar
[00:35:16] um outro modelo
[00:35:17] melhor que o capitalismo
[00:35:18] o capitalismo
[00:35:19] vai acabar
[00:35:19] porque a espécie
[00:35:20] humana
[00:35:21] vai acabar
[00:35:21] se continuar
[00:35:23] seguindo
[00:35:23] essa tentação
[00:35:25] da ilimitação
[00:35:26] neoliberal
[00:35:26] esse modelo
[00:35:27] neoliberal
[00:35:28] se continuar
[00:35:30] cedendo
[00:35:31] a esses processos
[00:35:32] de idiosubjetivação
[00:35:34] então é necessário
[00:35:36] pensar
[00:35:36] para mudar
[00:35:37] o sentido das coisas
[00:35:38] é necessário
[00:35:38] amar
[00:35:39] para admitir
[00:35:40] a possibilidade
[00:35:41] daquela pessoa
[00:35:43] que está
[00:35:43] do seu lado
[00:35:44] ser um companheiro
[00:35:46] na construção
[00:35:46] de uma vida melhor
[00:35:48] não só para você
[00:35:49] como também
[00:35:50] para a coletividade
[00:35:51] porque os
[00:35:52] métodos
[00:35:53] de idiosubjetivação
[00:35:54] fazem com que
[00:35:55] a gente olhe
[00:35:57] para a pessoa
[00:35:58] que está do nosso lado
[00:36:00] seja a nossa mulher
[00:36:01] nosso homem
[00:36:02] nosso parente
[00:36:03] nosso vizinho
[00:36:05] como um concorrente
[00:36:07] uma pessoa
[00:36:08] a ser vencida
[00:36:09] em alguns casos
[00:36:10] é ainda mais grave
[00:36:12] faz com que a gente
[00:36:13] olhe para o lado
[00:36:14] e veja
[00:36:15] naquele próximo
[00:36:16] o inimigo
[00:36:17] alguém a ser destruído
[00:36:19] a ser eliminado
[00:36:20] então o amar
[00:36:21] permite
[00:36:22] romper
[00:36:22] com essa tendência
[00:36:25] de fazer
[00:36:27] da concorrência
[00:36:28] da lógica
[00:36:29] da concorrência
[00:36:30] o modelo
[00:36:31] para todas
[00:36:32] as relações sociais
[00:36:33] a lógica do amor
[00:36:34] nesse sentido
[00:36:36] é o contrário
[00:36:36] da lógica da concorrência
[00:36:38] a lógica do amor
[00:36:39] é o contrário
[00:36:40] até porque o amor
[00:36:41] nesse sentido
[00:36:42] não empobrecido
[00:36:44] não colonizado
[00:36:45] pela racionalidade
[00:36:46] neoliberal
[00:36:46] o amor
[00:36:48] é inegociável
[00:36:49] quando a partir
[00:36:51] da racionalidade
[00:36:52] neoliberal
[00:36:52] a gente
[00:36:52] diz que tudo
[00:36:53] vira mercadoria
[00:36:54] ou seja
[00:36:54] tudo é inegociável
[00:36:56] o amor vai
[00:36:57] em sentido contrário
[00:36:58] dizendo
[00:36:58] não é inegociável
[00:37:00] a paz do lar
[00:37:01] não é inegociável
[00:37:01] a paz na família
[00:37:02] não é inegociável
[00:37:04] o outro
[00:37:04] não pode ser um instrumento
[00:37:06] ele deve ser um sujeito
[00:37:08] que caminha
[00:37:09] ao meu lado
[00:37:09] então eu deixo de perceber
[00:37:11] o meu vizinho
[00:37:13] o meu companheiro
[00:37:14] de trabalho
[00:37:15] como um concorrente
[00:37:17] ou inimigo
[00:37:17] e passo a percebê-lo
[00:37:19] como alguém
[00:37:20] que pode estar
[00:37:21] caminhando
[00:37:22] ao meu lado
[00:37:22] e que pode
[00:37:22] na construção
[00:37:24] de um mundo
[00:37:25] diferente
[00:37:25] isso é importante dizer
[00:37:27] por quê?
[00:37:28] porque a
[00:37:28] idiosubjetivação
[00:37:30] faz com que a gente
[00:37:31] passe a acreditar
[00:37:32] que não há
[00:37:33] alternativas
[00:37:34] ao mundo
[00:37:35] em que nós
[00:37:36] estamos lançados
[00:37:37] o amor
[00:37:38] e o pensamento
[00:37:39] exigem
[00:37:40] que a gente
[00:37:40] reconheça
[00:37:41] a possibilidade
[00:37:43] de um outro mundo
[00:37:44] de um mundo
[00:37:45] bem melhor
[00:37:46] bem mais agradável
[00:37:47] em que efetivamente
[00:37:49] chegue
[00:37:50] a maioria
[00:37:50] da população
[00:37:51] o que
[00:37:52] desde
[00:37:52] a tradição
[00:37:53] cristã
[00:37:54] se chama
[00:37:55] vida boa
[00:37:55] Felipe
[00:37:56] é o seguinte
[00:37:58] o Rubens
[00:37:59] acabou de fazer
[00:38:00] para a gente
[00:38:00] aqui
[00:38:01] uma das mais
[00:38:02] maravilhosas
[00:38:04] conceituações
[00:38:05] da possibilidade
[00:38:07] do termo
[00:38:07] amor
[00:38:08] dentre essas
[00:38:09] discussões
[00:38:10] e olha que
[00:38:11] eu leio
[00:38:12] muita gente
[00:38:12] que trabalha
[00:38:13] com esse conceito
[00:38:14] dessa maneira
[00:38:15] e tudo mais
[00:38:15] então assim
[00:38:16] tu segue aí
[00:38:17] perguntando
[00:38:17] eu só vou pedir
[00:38:18] uma licencinha
[00:38:18] que eu vou
[00:38:19] eu vou ali no corredor
[00:38:20] eu vou dar uma corrida
[00:38:21] e eu vou dar um pulo
[00:38:22] e um soco
[00:38:22] no ar
[00:38:23] assim
[00:38:23] que nem o Pelé
[00:38:24] tá
[00:38:24] perfeito
[00:38:25] não
[00:38:26] eu tava aqui
[00:38:27] ouvindo o Rubens
[00:38:28] e assim ó
[00:38:29] eu gosto muito
[00:38:30] de uma
[00:38:30] uma parte
[00:38:31] de uma citação
[00:38:33] do Zizek
[00:38:34] quando ele fala
[00:38:36] algo no sentido
[00:38:37] de que
[00:38:38] se você sabe
[00:38:39] a razão
[00:38:40] pela qual tu ama
[00:38:41] uma pessoa
[00:38:41] tu não ama ela
[00:38:42] né
[00:38:43] porque
[00:38:44] e
[00:38:44] isso eu acho
[00:38:45] que vai muito
[00:38:46] ao encontro
[00:38:47] disso que tu fala
[00:38:47] de um cálculo
[00:38:48] neoliberal
[00:38:49] às vezes a gente vê
[00:38:50] isso em rede social
[00:38:51] por exemplo
[00:38:52] né
[00:39:22] se perde
[00:39:23] não é
[00:39:24] o amor é aquele negócio
[00:39:25] de dizer
[00:39:25] por que que tu ama
[00:39:26] eu amo apesar de
[00:39:28] não por que
[00:39:30] né
[00:39:31] eu amo apesar de ser isso
[00:39:32] apesar de aquilo
[00:39:33] apesar daquele outro
[00:39:35] é esse apesar
[00:39:36] ele é muito mais forte
[00:39:37] do que o por que
[00:39:38] nesse momento
[00:39:39] e eu acho que
[00:39:41] quando tu reflete
[00:39:42] a respeito dessa questão
[00:39:43] e eu vou
[00:39:43] vou te dizer
[00:39:44] Rubens
[00:39:44] quando eu paro
[00:39:45] e vejo isso
[00:39:47] no teu livro
[00:39:47] assim
[00:39:47] é um negócio
[00:39:49] que é o meu
[00:39:50] primeiro impulso
[00:39:51] é dizer
[00:39:51] ai ai ai
[00:39:52] a gente vai cair
[00:39:53] naquele negócio
[00:39:54] poeril
[00:39:55] né
[00:39:55] de o amor
[00:39:56] vai vencer o ódio
[00:39:57] né
[00:39:58] e não é esse o caso
[00:39:59] eu penso que não é esse
[00:40:00] o caso
[00:40:01] que tu tá trazendo
[00:40:02] é exatamente
[00:40:03] porque
[00:40:04] e me corrija
[00:40:05] se eu tiver errado
[00:40:06] eu acho que muito
[00:40:08] dessa questão
[00:40:09] do idiota
[00:40:10] e o idiota
[00:40:10] ter ódio
[00:40:11] é aquela questão
[00:40:12] de um narcisismo
[00:40:13] das pequenas diferenças
[00:40:15] e é uma questão
[00:40:16] também
[00:40:17] essa própria lógica
[00:40:19] né
[00:40:19] do ser perseguido
[00:40:21] né
[00:40:21] do paranoico
[00:40:22] que tá sendo perseguido
[00:40:23] que só não tem
[00:40:24] essas coisas
[00:40:25] por causa do outro
[00:40:26] tudo que ele deseja
[00:40:27] não é
[00:40:28] por causa dele
[00:40:29] ou por causa
[00:40:30] desse sistema
[00:40:31] em que a gente vive
[00:40:32] é por causa
[00:40:33] desse outro
[00:40:34] que é criado
[00:40:35] uma ideia em cima
[00:40:36] que tá tentando
[00:40:37] te roubar as coisas
[00:40:38] que tá tentando
[00:40:39] te tirar as oportunidades
[00:40:40] existe uma vitimização
[00:40:42] é engraçado
[00:40:43] que é um pessoal
[00:40:43] que gosta de utilizar
[00:40:44] tanto
[00:40:45] a ideia de vitimização
[00:40:46] né
[00:40:46] mas na verdade
[00:40:48] eles é que
[00:40:49] sempre se tornam vítimas
[00:40:50] né
[00:40:51] o homem é
[00:40:52] vítima da mulher
[00:40:52] o branco
[00:40:53] ele é vítima do negro
[00:40:55] o rico
[00:40:56] ele é vítima
[00:40:57] do vagabundo
[00:40:58] e por aí vai
[00:41:00] né
[00:41:00] essa pessoa
[00:41:01] sempre é colocada
[00:41:02] numa posição de vítima
[00:41:03] então acho que não é
[00:41:05] essa ideia
[00:41:05] pueril do amor
[00:41:06] e que
[00:41:07] a minha pergunta
[00:41:08] é a seguinte
[00:41:09] eu creio que
[00:41:10] essa ideia do amor
[00:41:11] inclusive
[00:41:11] ela é muito mal entendida
[00:41:13] pela esquerda
[00:41:14] no momento também
[00:41:16] em que se faz
[00:41:17] muito
[00:41:18] aquela ideia
[00:41:19] sei lá
[00:41:20] do pobre metafórico
[00:41:21] do negro
[00:41:22] metafórico
[00:41:22] da mulher metafórica
[00:41:24] e que também
[00:41:25] não pode existir
[00:41:26] uma crítica
[00:41:27] não pode existir
[00:41:28] uma questão em cima
[00:41:29] porque também
[00:41:30] tem toda a ideia
[00:41:31] de que não
[00:41:32] essa pessoa
[00:41:33] merece tudo
[00:41:34] e é alheia a críticas
[00:41:35] eu achei muito interessante
[00:41:37] quando tu fala agora
[00:41:37] que diz
[00:41:38] nesse amor
[00:41:39] também tem crítica
[00:41:40] também tem erro
[00:41:41] também tem todas
[00:41:42] essas coisas
[00:41:42] né
[00:41:43] não é um endeusar
[00:41:45] né
[00:41:45] impossível de criticar
[00:41:47] impossível de fazer
[00:41:48] qualquer coisa
[00:41:49] agora
[00:41:50] não se pode
[00:41:51] construir
[00:41:51] a figura
[00:41:53] do outro
[00:41:53] como
[00:41:54] o inimigo
[00:41:55] né
[00:41:56] é mais ou menos
[00:41:57] por aí
[00:41:58] tô errado
[00:41:58] sou teu fã
[00:41:59] por causa de comentários
[00:42:00] como esse
[00:42:01] ao lado dessa obra
[00:42:03] do Zizek
[00:42:03] que você se refere
[00:42:04] tem um livro
[00:42:06] muito legal
[00:42:06] um pequeno livro
[00:42:07] do Badiou
[00:42:08] chamado Elogia do Amor
[00:42:09] eu acho que
[00:42:10] vai nessa mesma
[00:42:11] pegada
[00:42:12] e tu tem toda razão
[00:42:14] quando tu diz
[00:42:15] que o
[00:42:15] ódio
[00:42:16] passa a ser manipulado
[00:42:18] e sempre no interesse
[00:42:20] do detentor
[00:42:20] do poder econômico
[00:42:21] e não
[00:42:21] só o ódio
[00:42:22] né
[00:42:22] o ressentimento
[00:42:24] também
[00:42:25] então duas categorias
[00:42:26] que são fundamentais
[00:42:27] para entender
[00:42:27] esses processos
[00:42:28] de idiosubjetivação
[00:42:30] são
[00:42:31] a categoria
[00:42:32] do narcisismo
[00:42:33] e aí o narcisismo
[00:42:34] das pequenas diferenças
[00:42:36] faz um estrago
[00:42:37] enorme
[00:42:38] em qualquer pretensão
[00:42:39] de união
[00:42:40] dos oprimidos
[00:42:41] as pessoas
[00:42:42] ficam mais tempo
[00:42:43] brigando entre si
[00:42:44] do que lutando
[00:42:44] contra o opressor
[00:42:45] e também a ideia
[00:42:47] de ressentimento
[00:42:48] o ressentimento
[00:42:49] aquilo que você
[00:42:50] sente
[00:42:51] fica mais
[00:42:51] amargurando
[00:42:52] fica voltando
[00:42:53] o tempo todo
[00:42:54] acaba criando
[00:42:55] a necessidade
[00:42:56] do inimigo
[00:42:57] de uma pessoa
[00:42:58] que passa
[00:42:59] a ser
[00:43:01] a personificação
[00:43:02] de todos
[00:43:04] os fracassos
[00:43:05] do ressentido
[00:43:06] então pode ser
[00:43:07] uma pessoa
[00:43:08] sei lá
[00:43:09] um ex-marido
[00:43:10] uma ex-mulher
[00:43:11] um ex-companheiro
[00:43:12] de trabalho
[00:43:12] um ex-companheiro
[00:43:13] de movimento social
[00:43:14] mas tu olha
[00:43:15] para aquela pessoa
[00:43:16] e passa a atribuir
[00:43:17] a ela
[00:43:18] todas as causas
[00:43:19] dos teus fracassos
[00:43:20] pessoais
[00:43:21] e etc
[00:43:22] o ressentimento
[00:43:23] tem essa característica
[00:43:25] de permitir
[00:43:26] que o ressentido
[00:43:28] ou fazer com que
[00:43:29] o ressentido
[00:43:30] tenha necessidade
[00:43:31] de um inimigo
[00:43:32] tudo isso
[00:43:33] está intimamente
[00:43:34] ligado
[00:43:35] a um dos objetivos
[00:43:36] dessas técnicas
[00:43:38] de idiosubjetivação
[00:43:39] que é o da produção
[00:43:41] de divergências
[00:43:42] no campo
[00:43:43] dos oprimidos
[00:43:43] você tem
[00:43:45] uma minoria
[00:43:46] opressora
[00:43:47] uma maioria
[00:43:47] oprimida
[00:43:48] só que essas técnicas
[00:43:49] de idiosubjetivação
[00:43:50] manipulação do ódio
[00:43:51] manipulação do ódio
[00:43:51] manipulação do ódio
[00:43:51] manipulação do ressentimento
[00:43:52] o incentivo
[00:43:54] ao narcisismo
[00:43:55] ao narcisismo primário
[00:43:57] coisas do tipo
[00:43:58] fazem com que
[00:43:59] essa multidão
[00:44:00] de oprimido
[00:44:01] gaste mais tempo
[00:44:02] brigando entre si
[00:44:03] do que lutando
[00:44:05] contra o opressor
[00:44:06] aí você vê lá
[00:44:06] no movimento
[00:44:07] dos trabalhadores
[00:44:09] as pessoas
[00:44:09] o trabalhador brigando
[00:44:10] com o trabalhador
[00:44:11] sem incomodar o patrão
[00:44:13] tu vê no movimento negro
[00:44:15] negros brigando
[00:44:16] contra outros negros
[00:44:17] negros e pardos
[00:44:19] brigando contra
[00:44:20] pardos e negros
[00:44:21] e aí
[00:44:21] em vez de lutar
[00:44:23] contra o racismo
[00:44:24] tu vê no movimento
[00:44:25] feminista
[00:44:26] feministas lutando
[00:44:27] contra
[00:44:28] brigando contra
[00:44:29] outras feministas
[00:44:30] no lugar
[00:44:31] de lutar
[00:44:32] contra a dominação
[00:44:33] masculina
[00:44:34] contra o patriarcado
[00:44:35] é óbvio
[00:44:36] que isso é funcional
[00:44:37] mas funcional
[00:44:37] para quem?
[00:44:38] para o detentor
[00:44:39] do poder econômico
[00:44:40] que é o maior
[00:44:42] beneficiário
[00:44:43] aliás
[00:44:43] é para ele
[00:44:45] que existe
[00:44:45] a hegemonia
[00:44:46] da racionalidade
[00:44:47] neoliberal
[00:44:49] então
[00:44:49] a tua colocação
[00:44:50] achei genial
[00:44:51] Felipe
[00:44:51] perfeito
[00:44:52] bom
[00:44:53] eu vou
[00:44:54] Rubens
[00:44:54] seguir nessa linha
[00:44:55] porque
[00:44:56] eu acho que é interessante
[00:44:57] a gente desenhar
[00:44:59] algumas coisas
[00:44:59] dentro disso
[00:45:01] que tu está colocando
[00:45:02] e dentro
[00:45:03] desse fio condutor
[00:45:04] porque tem outra coisa
[00:45:06] interessante aqui
[00:45:07] que é
[00:45:08] como eu já tinha
[00:45:09] dito no início
[00:45:10] eu estava guardando
[00:45:11] essa pergunta aqui
[00:45:12] aquela questão
[00:45:13] da ignorância
[00:45:14] e do comum
[00:45:15] que engloba
[00:45:16] inclusive
[00:45:17] uma ênfase
[00:45:18] em um dos capítulos
[00:45:19] da obra
[00:45:19] e eu acho legal
[00:45:21] porque
[00:45:21] a tua pegada
[00:45:23] e o teu estudo
[00:45:24] do comum
[00:45:24] vai muito do que
[00:45:26] alguns dos autores
[00:45:27] e autoras
[00:45:28] mais sofisticados
[00:45:29] e eu diria
[00:45:30] que mais tem razão
[00:45:31] nas conjunturas
[00:45:33] atualmente falam
[00:45:35] e é engraçado
[00:45:36] porque
[00:45:36] muito do que se
[00:45:38] demoniza
[00:45:39] num sentido
[00:45:40] simbólico
[00:45:41] e num sentido
[00:45:42] bem raso
[00:45:43] binário
[00:45:44] a respeito de
[00:45:45] comunismo
[00:45:45] hoje em dia
[00:45:46] ele precisa ser discutido
[00:45:48] pensando não necessariamente
[00:45:50] num significante histórico
[00:45:52] e só
[00:45:53] pensando só
[00:45:54] não apenas
[00:45:55] num conjunto
[00:45:56] de conceitos
[00:45:57] simbologias
[00:45:58] acontecimentos
[00:45:59] não mas
[00:45:59] pensando na própria
[00:46:00] raiz da palavra
[00:46:01] e pensando na ideia
[00:46:03] por trás dela
[00:46:04] o comunismo
[00:46:05] é de comum
[00:46:05] e a gente tem que estar
[00:46:06] pensando nesse comum
[00:46:08] ou nesses comuns
[00:46:10] e aí o conceito
[00:46:11] pode se abrir
[00:46:12] dependendo de
[00:46:12] qual é a linha
[00:46:14] de investigação
[00:46:15] qual é a linha
[00:46:15] que se segue
[00:46:16] mas a questão do comum
[00:46:18] enquanto
[00:46:18] esse entorno
[00:46:20] e essa diversidade
[00:46:20] e essa diferença
[00:46:21] que também nos constitui
[00:46:23] dentre onde
[00:46:24] a gente também vive
[00:46:25] ela é muito impressionante
[00:46:27] porque
[00:46:27] a idiosubjetivação
[00:46:29] como tu bem diz aqui
[00:46:31] ela leva a gente
[00:46:32] para um outro lado
[00:46:33] ela está querendo
[00:46:34] justamente negar
[00:46:35] o poder
[00:46:36] que isso tem
[00:46:37] talvez por uma estratégia
[00:46:39] talvez por medo
[00:46:40] essa questão
[00:46:42] da expansão
[00:46:42] tanto do capital
[00:46:44] quanto da expansão
[00:46:46] da própria racionalidade
[00:46:47] neoliberal
[00:46:47] a gente sabe
[00:46:49] que existe aquele termo
[00:46:50] a estratégia
[00:46:50] sem estrategista
[00:46:52] não há necessariamente
[00:46:54] aquela pessoa
[00:46:56] que está no comando
[00:46:57] o grande vilão
[00:46:58] exclusivamente
[00:46:59] que está no comando
[00:46:59] não
[00:47:00] mas ela vai para onde
[00:47:01] pode expandir
[00:47:02] o capitalismo
[00:47:03] nesse sentido
[00:47:04] é tipo aquela coisa
[00:47:05] ele fagocita
[00:47:06] o que está ao redor
[00:47:07] e ele vai expandindo
[00:47:08] e aqui a gente pode ter
[00:47:10] tanto uma esfera
[00:47:11] de luta política
[00:47:12] uma bandeira reacionária
[00:47:14] quanto uma parte
[00:47:16] dessa estratégia
[00:47:17] muito maior
[00:47:18] que caminha
[00:47:18] por suas próprias pernas
[00:47:20] então
[00:47:20] essa idiosubjetivação
[00:47:23] ela vai inclusive
[00:47:24] educar
[00:47:25] ela vai subjetivar
[00:47:26] pessoas
[00:47:26] ela vai tentar
[00:47:27] dragar pessoas
[00:47:28] para longe
[00:47:29] dessa consideração
[00:47:30] que é a consideração
[00:47:31] do comum
[00:47:31] que aliás
[00:47:32] o Felipe
[00:47:34] inspirado
[00:47:35] por um autor
[00:47:36] que ele gosta muito
[00:47:37] que é o David Graeber
[00:47:38] falou esses tempos
[00:47:40] e eu repriso
[00:47:41] o mesmo raciocínio
[00:47:42] que ele
[00:47:42] aí eu não só faço
[00:47:44] uma copia e cola
[00:47:46] como eu também endosso
[00:47:47] a gente vê por exemplo
[00:47:49] em coisas como
[00:47:50] na tragédia
[00:47:50] que acontece
[00:47:50] no Rio Grande do Sul
[00:47:51] aqui
[00:47:52] a gente vê
[00:47:53] o próprio discurso
[00:47:54] de pessoas ajudando
[00:47:56] as outras
[00:47:56] que nada mais é
[00:47:58] do que a raiz
[00:47:59] mais básica
[00:47:59] da solidariedade
[00:48:00] que é o que possibilitou
[00:48:02] a raça humana
[00:48:02] andar pra frente
[00:48:03] né
[00:48:04] sendo
[00:48:05] basicamente
[00:48:06] enlatada
[00:48:07] sendo carimbada
[00:48:09] e posta a venda
[00:48:10] no mercado
[00:48:10] como
[00:48:11] um slogan fascista
[00:48:12] como uma coisa
[00:48:14] do tipo
[00:48:14] é aquela coisa
[00:48:16] em vez de ser
[00:48:17] o povo
[00:48:17] pelo povo
[00:48:18] num sentido
[00:48:19] de ver assim
[00:48:20] pois é
[00:48:20] né gente
[00:48:21] e se a gente
[00:48:21] se preocupasse
[00:48:22] mais com os outros
[00:48:23] e se a gente
[00:48:25] vivesse mais
[00:48:25] essa diferença
[00:48:26] no sentido de
[00:48:27] se respeitar
[00:48:28] se ajudar
[00:48:29] de procurar fazer
[00:48:31] com que o que
[00:48:32] excede pra mim
[00:48:33] e falta pra você
[00:48:34] talvez possa ser
[00:48:35] partilhado
[00:48:36] nem que seja
[00:48:36] mão de obra
[00:48:37] nem que seja
[00:48:38] vontade de ajudar
[00:48:39] quem sabe a gente
[00:48:40] não faz isso
[00:48:41] pras coisas melhorarem
[00:48:42] não
[00:48:42] isso tudo é empacotado
[00:48:44] e a meu ver
[00:48:45] num exemplo claro
[00:48:46] de ídio
[00:48:47] ou subjetivação
[00:48:48] de uma maneira
[00:48:48] como se fosse
[00:48:49] sempre uns contra os outros
[00:48:50] e a gente
[00:48:50] então
[00:48:51] o idiota
[00:48:52] ele é
[00:48:52] ele é um
[00:48:53] das pontas de lança
[00:48:54] contra o comum
[00:48:55] exato
[00:48:56] exato
[00:48:56] gabriel
[00:48:57] é necessário
[00:48:58] a manutenção
[00:48:59] da hegemonia
[00:49:00] neoliberal
[00:49:00] a demonização
[00:49:02] do comum
[00:49:03] ou dos comuns
[00:49:04] como você bem
[00:49:05] mencionou
[00:49:06] esse exemplo
[00:49:07] que você dá
[00:49:08] ele é
[00:49:10] perfeito
[00:49:11] porque você percebe
[00:49:12] que o ato
[00:49:13] de solidariedade
[00:49:14] ele é
[00:49:15] coaptado
[00:49:16] ele é
[00:49:16] apreendido
[00:49:18] remodelado
[00:49:19] como se fosse
[00:49:20] uma mercadoria
[00:49:20] na qual
[00:49:21] o sujeito
[00:49:22] busca algum tipo
[00:49:23] de capitalização
[00:49:24] ou seja
[00:49:24] ele é solidário
[00:49:25] por cálculo
[00:49:27] de interesse
[00:49:28] quando o é
[00:49:29] quando interessa ser
[00:49:30] e como
[00:49:31] nosso papo anterior
[00:49:33] permite deduzir
[00:49:35] sempre
[00:49:37] que a decisão
[00:49:38] é tomada
[00:49:39] por cálculo
[00:49:40] de interesse
[00:49:41] ela não é
[00:49:42] uma decisão
[00:49:42] amorosa
[00:49:43] nesse sentido
[00:49:44] de uma abertura
[00:49:45] ao outro
[00:49:46] está numa sociedade
[00:49:47] em que o egoísmo
[00:49:49] foi transformado
[00:49:50] em virtude
[00:49:50] e a solidariedade
[00:49:52] por outro lado
[00:49:53] é percebida
[00:49:55] como uma negatividade
[00:49:56] como um vício
[00:49:57] como alguma coisa ruim
[00:49:58] porque se a lógica
[00:50:00] é a lógica
[00:50:00] da concorrência
[00:50:01] para chegar na frente
[00:50:03] na luta concorrencial
[00:50:04] eu não posso perder tempo
[00:50:06] sendo solidário
[00:50:07] ou sendo fraterno
[00:50:09] eu só vou ser solidário
[00:50:10] ou fraterno
[00:50:11] quando isso me der
[00:50:12] algum tipo de vantagem
[00:50:13] isso está
[00:50:14] intimamente ligado
[00:50:16] a essa hegemonia
[00:50:16] da racionalidade
[00:50:17] neoliberal
[00:50:18] que precisa demonizar
[00:50:19] o comum
[00:50:19] e aqui eu vou fazer
[00:50:20] uma pergunta
[00:50:20] um conceito
[00:50:22] para o nosso bate-papo
[00:50:23] o que seria o comum
[00:50:24] aquilo que diz respeito
[00:50:25] a todos nós
[00:50:26] pelo simples fato
[00:50:28] de termos nascido
[00:50:29] com vida
[00:50:30] em relação ao qual
[00:50:30] nós somos
[00:50:31] não só constituintes
[00:50:32] como também
[00:50:34] responsáveis
[00:50:35] pela manutenção
[00:50:36] de maneira muito resumida
[00:50:38] é a esfera
[00:50:38] do inegociável
[00:50:39] daquilo que é
[00:50:41] de todos nós
[00:50:42] e que deve ser percebido
[00:50:43] como sempre
[00:50:44] de todos nós
[00:50:45] e que nós não podemos
[00:50:46] colocar no comércio
[00:50:48] não podemos negociar
[00:50:50] não podemos abrir
[00:50:50] mão
[00:50:51] então é o exato oposto
[00:50:53] daquela negociabilidade
[00:50:56] absoluta
[00:50:57] de tudo
[00:50:58] que é tipicamente
[00:50:59] neoliberal
[00:50:59] para a racionalidade
[00:51:01] neoliberal
[00:51:02] tudo e todos
[00:51:03] são negociáveis
[00:51:03] para a racionalidade
[00:51:05] baseada na ideia
[00:51:06] de comum
[00:51:07] ou de comuns
[00:51:08] a pessoa
[00:51:09] nunca pode ser
[00:51:11] objeto de negociação
[00:51:12] nunca pode ser
[00:51:13] instrumentalizado
[00:51:14] valores como
[00:51:15] a verdade
[00:51:16] a liberdade
[00:51:17] nunca podem ser
[00:51:18] objetos de negociação
[00:51:20] e a liberdade
[00:51:20] os direitos humanos
[00:51:22] entendidos
[00:51:23] como o comum
[00:51:25] no plano normativo
[00:51:27] nunca podem ser
[00:51:28] objetos de negociação
[00:51:30] e isso é mal visto
[00:51:33] pelos detentores
[00:51:34] do poder econômico
[00:51:35] por quê?
[00:51:36] porque essa esfera
[00:51:37] do comum
[00:51:37] essa esfera
[00:51:38] do inegociável
[00:51:40] representa
[00:51:41] um limite
[00:51:42] à busca
[00:51:43] por lucros
[00:51:44] em tese
[00:51:46] diante do comum
[00:51:47] a pessoa tem que parar
[00:51:48] tem que respeitar
[00:51:49] o comum
[00:51:49] e tem que
[00:51:50] tudo que é percebido
[00:51:51] como um limite
[00:51:52] à busca por lucro
[00:51:53] tende
[00:51:55] a ser destruído
[00:51:57] a partir
[00:51:58] da colocação
[00:51:59] em prática
[00:52:00] do instrumental
[00:52:00] neoliberal
[00:52:02] por isso
[00:52:03] por exemplo
[00:52:03] as praças
[00:52:04] que tradicionalmente
[00:52:05] eram os locais
[00:52:06] de encontro
[00:52:07] de debate
[00:52:07] de fala
[00:52:08] de abertura
[00:52:09] para o outro
[00:52:10] passam a ser demonizadas
[00:52:12] na racionalidade
[00:52:13] neoliberal
[00:52:14] e romper
[00:52:15] com a racionalidade
[00:52:16] neoliberal
[00:52:17] que vai exigir
[00:52:18] que a gente
[00:52:18] abandone
[00:52:19] ou pelo menos
[00:52:20] consiga
[00:52:20] compreenda
[00:52:21] as técnicas
[00:52:22] de subjetivação
[00:52:23] para não deixar
[00:52:24] que elas
[00:52:25] produzam
[00:52:25] os efeitos
[00:52:26] perversos
[00:52:27] que elas
[00:52:27] produzem
[00:52:28] passa
[00:52:29] necessariamente
[00:52:30] por resgatar
[00:52:32] essa ideia
[00:52:33] de comum
[00:52:34] essa ideia
[00:52:36] de que há
[00:52:36] pessoas
[00:52:37] e coisas
[00:52:38] que não podem
[00:52:39] ser objeto
[00:52:40] de negociação
[00:52:41] pois é
[00:52:43] cara
[00:52:43] é uma coisa
[00:52:44] impressionante
[00:52:45] é uma coisa
[00:52:46] impressionante
[00:52:47] inclusive
[00:52:47] o que não falta
[00:52:49] é demanda
[00:52:49] idiótica
[00:52:50] para consumir
[00:52:52] as coisas
[00:52:52] quando elas viram
[00:52:54] essa mercadoria
[00:52:55] pobre né
[00:52:56] é muito complicado
[00:52:57] eu estava aqui pensando
[00:52:58] e eu vou fazer
[00:52:59] agora
[00:53:00] a mais temida
[00:53:02] das frases
[00:53:03] em qualquer tipo
[00:53:04] de palestra
[00:53:04] ou coisa do gênero
[00:53:05] Gabriel de Vã
[00:53:06] qual é que é a frase
[00:53:07] seria
[00:53:08] eu quero fazer
[00:53:09] uma provocação
[00:53:10] perfeito
[00:53:11] perfeito
[00:53:12] que geralmente
[00:53:13] é uma porcaria
[00:53:14] que vem depois disso
[00:53:15] eu vou tentar
[00:53:15] que não seja
[00:53:16] Rubens
[00:53:18] uma das coisas
[00:53:19] que eu fiquei
[00:53:19] pensando
[00:53:20] quando eu estava
[00:53:20] lendo o teu livro
[00:53:22] é a seguinte
[00:53:23] uma das coisas
[00:53:24] muito tristes
[00:53:24] que acontece
[00:53:25] que eu vejo
[00:53:26] principalmente
[00:53:26] com o pessoal
[00:53:27] mais jovem
[00:53:27] mas não só
[00:53:28] mas não só
[00:53:30] é que tem
[00:53:31] uma coisa
[00:53:32] que vai muito
[00:53:33] nesse sentido
[00:53:34] que tu fala
[00:53:35] de todas as questões
[00:53:36] neoliberais e tal
[00:53:37] que é
[00:53:38] a confusão
[00:53:39] entre
[00:53:40] você ter dinheiro
[00:53:42] e você ser inteligente
[00:53:43] ou você ser um modelo
[00:53:45] ou qualquer coisa
[00:53:46] do gênero
[00:53:47] eu acho que
[00:53:48] isso acontece
[00:53:48] por exemplo
[00:53:49] quando a gente fala
[00:53:49] de Neymar
[00:53:50] quando a gente
[00:53:50] fala de Elon Musk
[00:53:52] é muito engraçado
[00:53:53] porque é muito fácil
[00:53:55] de tu colocar
[00:53:56] uma coisa dessas ali
[00:53:57] num Twitter da vida
[00:53:58] e vir um espertão
[00:53:59] embaixo e dizer
[00:54:00] não
[00:54:01] inteligente é tu
[00:54:02] né
[00:54:03] que é pobre
[00:54:03] sabe
[00:54:04] tipo não
[00:54:05] o cara ali
[00:54:05] porque é bilionário
[00:54:06] obviamente que ele é
[00:54:07] super legal
[00:54:09] que ele é super inteligente
[00:54:10] que ele deve ser defendido
[00:54:11] e tudo isso
[00:54:12] qual é que é a minha
[00:54:13] provocação
[00:54:14] que também vai
[00:54:15] pro lado político
[00:54:16] né
[00:54:17] de colocar
[00:54:18] nomes em algumas figuras
[00:54:20] como
[00:54:20] Jair Bolsonaro
[00:54:21] por exemplo
[00:54:22] quando eu tava fazendo
[00:54:24] o meu livro
[00:54:25] né
[00:54:26] então dessas cartas
[00:54:27] recebidas e tal
[00:54:28] teve uma coisa
[00:54:29] que me saltou muito
[00:54:30] aos olhos
[00:54:31] Rubens
[00:54:31] e eu não sei
[00:54:32] se aparece na tua
[00:54:33] no teu diagnóstico
[00:54:35] também assim
[00:54:36] da realidade
[00:54:37] quando a gente fala
[00:54:38] nessa questão
[00:54:39] por exemplo
[00:54:40] do paranoico
[00:54:41] ou de um estilo
[00:54:42] paranoico
[00:54:43] que vai puxar
[00:54:44] mais pra esse lado
[00:54:45] da psicose
[00:54:46] como tu bem coloca
[00:54:48] ele não vai funcionar
[00:54:50] ele não vai funcionar
[00:54:50] no campo
[00:54:51] simbólico
[00:54:53] e tudo que foge
[00:54:55] do simbólico
[00:54:55] ele vai retornar
[00:54:56] no real
[00:54:56] né
[00:54:57] e uma das coisas
[00:54:58] que eu vi exatamente
[00:54:59] é
[00:55:01] uma existência
[00:55:02] muito forte
[00:55:03] de uma fixação
[00:55:04] claro
[00:55:04] numa figura paterna
[00:55:07] né
[00:55:07] porque muitas vezes
[00:55:08] quando se fala
[00:55:08] do pai também
[00:55:09] tanto Freud
[00:55:11] quanto Lacan
[00:55:11] depois o pessoal
[00:55:12] acha que esse pai
[00:55:13] é o pai biológico
[00:55:14] assim
[00:55:15] e não
[00:55:16] ele pode ser um pai
[00:55:17] que recai
[00:55:18] no real
[00:55:18] né
[00:55:19] um pai mais real
[00:55:20] o que que eu vi
[00:55:21] nas cartas
[00:55:21] por exemplo
[00:55:22] o pessoal achando
[00:55:23] que um ditador
[00:55:24] general
[00:55:25] da ditadura militar
[00:55:26] era
[00:55:27] uma figura paterna
[00:55:29] né
[00:55:29] ele vai tomar
[00:55:29] esse lugar
[00:55:30] da figura paterna
[00:55:31] tu acha que tem
[00:55:32] muito dessa
[00:55:33] de se recorrer
[00:55:35] a figuras
[00:55:36] paternas
[00:55:37] a figuras do pai
[00:55:38] a esse pai real
[00:55:39] também nessa questão
[00:55:41] do idiota
[00:55:42] quando ele tá ali
[00:55:43] defendendo
[00:55:44] um Bolsonaro
[00:55:45] a todo custo
[00:55:46] tá defendendo
[00:55:47] alguma outra figura
[00:55:48] que ele puxe
[00:55:49] às vezes
[00:55:49] nesse lado
[00:55:50] muito
[00:55:51] econômico mesmo
[00:55:53] né
[00:55:53] ah o Jeff Bezos
[00:55:54] é gênio
[00:55:55] Elon Musk é gênio
[00:55:56] esses caras
[00:55:56] eu tenho que defender
[00:55:57] eu vou passar
[00:55:57] meu dia
[00:55:58] na internet
[00:55:59] caçando quem fala
[00:56:00] mal dele
[00:56:01] pra eu defender
[00:56:02] por causa que
[00:56:03] afinal de contas
[00:56:03] tá num
[00:56:04] numa posição superior
[00:56:06] né
[00:56:06] ele é esse
[00:56:06] outro com
[00:56:08] O maiúsculo
[00:56:09] assim
[00:56:09] Felipe
[00:56:10] tu tem toda razão
[00:56:12] e digo mais
[00:56:14] assim
[00:56:14] eu acho que
[00:56:14] o teu objeto
[00:56:15] de pesquisa
[00:56:16] as cartas enviadas
[00:56:17] aos presidentes
[00:56:18] primeiro que foi
[00:56:19] uma sacada
[00:56:19] muito boa
[00:56:20] que tu teve
[00:56:21] pra
[00:56:21] permitir
[00:56:23] observar
[00:56:24] inclusive
[00:56:25] essas mutações
[00:56:26] que se deram
[00:56:27] no ambiente social
[00:56:28] as identidades
[00:56:30] e diferenças
[00:56:31] ao longo
[00:56:31] desse período
[00:56:32] em que
[00:56:33] as pessoas
[00:56:33] escreviam as cartas
[00:56:35] e que figuras
[00:56:37] de diferentes
[00:56:38] dimensões
[00:56:39] ocupavam
[00:56:40] o cargo de presidente
[00:56:40] acho que foi
[00:56:41] um baita
[00:56:42] eu gostaria
[00:56:42] de ter tido acesso
[00:56:43] a todas essas cartas
[00:56:45] eu acho que
[00:56:45] me ajudaria muito
[00:56:46] inclusive
[00:56:46] nesse meu livro
[00:56:48] que eu tô lançando agora
[00:56:49] eu trabalho
[00:56:51] Felipe
[00:56:51] com o conceito
[00:56:52] de realidade
[00:56:52] como uma trama
[00:56:54] que envolve
[00:56:55] simbólico
[00:56:57] e imaginário
[00:56:58] a realidade
[00:56:58] não se confunde
[00:56:59] com o real
[00:57:00] o real
[00:57:00] não é representável
[00:57:02] a gente não consegue
[00:57:03] nunca colocar
[00:57:03] em palavras
[00:57:04] o real
[00:57:05] mas a realidade
[00:57:06] é representável
[00:57:07] a realidade
[00:57:08] é uma trama
[00:57:08] que envolve
[00:57:09] simbólico
[00:57:09] e imaginário
[00:57:10] o processo
[00:57:11] de idiosubjetivação
[00:57:13] vai produzir
[00:57:14] uma mutação
[00:57:15] do simbólico
[00:57:17] quase uma
[00:57:17] dessimbolização
[00:57:18] ao mesmo
[00:57:19] tempo
[00:57:20] que um profundo
[00:57:21] empobrecimento
[00:57:22] do imaginário
[00:57:23] e essa
[00:57:25] mutação
[00:57:26] do simbólico
[00:57:27] quer dizer
[00:57:27] do plano
[00:57:27] da linguagem
[00:57:28] do plano
[00:57:29] do limite
[00:57:29] esse empobrecimento
[00:57:31] do imaginário
[00:57:32] da capacidade
[00:57:33] de formular
[00:57:34] imagens
[00:57:34] e ideias
[00:57:35] a partir
[00:57:35] dessas novas imagens
[00:57:37] gera uma consequência
[00:57:39] evidente
[00:57:40] que é o medo
[00:57:41] o medo
[00:57:42] de agir
[00:57:42] o medo
[00:57:43] de estar no mundo
[00:57:44] o Eric Fromm
[00:57:45] tem um texto
[00:57:47] muito legal
[00:57:47] sobre o medo
[00:57:48] da liberdade
[00:57:49] eu acho
[00:57:49] que é isso
[00:57:50] que acontece
[00:57:51] acho que a produção
[00:57:53] de subjetividade
[00:57:54] aumenta esse medo
[00:57:55] da liberdade
[00:57:55] esse medo
[00:57:56] da liberdade
[00:57:57] faz com que o sujeito
[00:57:58] busque
[00:57:59] alguém
[00:58:00] para tomar
[00:58:01] as decisões
[00:58:02] que ele não sabe
[00:58:02] tomar
[00:58:03] que ele não quer
[00:58:04] tomar
[00:58:04] ou que ele tem
[00:58:05] medo de tomar
[00:58:06] e esse alguém
[00:58:07] normalmente
[00:58:08] é o líder
[00:58:09] o líder
[00:58:10] autoritário
[00:58:11] que pode ser
[00:58:12] até alguém
[00:58:13] com quem
[00:58:13] esse indivíduo
[00:58:15] medroso
[00:58:16] se identifique
[00:58:16] por exemplo
[00:58:17] o Bolsonaro
[00:58:18] o Jair Bolsonaro
[00:58:19] ele tinha
[00:58:20] essa característica
[00:58:21] de tentar
[00:58:22] passar
[00:58:22] uma imagem
[00:58:24] do homem
[00:58:25] muito simples
[00:58:26] do homem
[00:58:28] tão simples
[00:58:29] que se deixava
[00:58:30] perceber
[00:58:31] como ignorante
[00:58:32] isso gerava
[00:58:33] em alguma medida
[00:58:34] algo que a gente
[00:58:36] poderia chamar
[00:58:37] de uma empatia
[00:58:38] de um determinado
[00:58:39] eleitor
[00:58:39] poxa
[00:58:40] aquele homem
[00:58:41] faz igual a mim
[00:58:42] aquele homem
[00:58:42] pensa igual a mim
[00:58:43] ou não pensa
[00:58:44] igual a mim
[00:58:45] e ao mesmo tempo
[00:58:46] é aquele homem
[00:58:47] que ele vai entregar
[00:58:48] o poder
[00:58:48] de tomar
[00:58:49] as decisões
[00:58:49] que ele não quer decidir
[00:58:51] então
[00:58:51] essa tese
[00:58:53] do Eric Fromm
[00:58:53] eu em certa medida
[00:58:55] reproduzo no livro
[00:58:56] que esse medo
[00:58:57] de liberdade
[00:58:58] faz com que a pessoa
[00:58:59] se demita
[00:59:00] da sua responsabilidade
[00:59:02] de cidadão
[00:59:02] e transmita
[00:59:04] isso
[00:59:04] para uma figura
[00:59:05] que normalmente
[00:59:06] é o líder
[00:59:06] autoritário
[00:59:07] que vai
[00:59:08] decidir
[00:59:11] pelo povo
[00:59:11] então não é mais
[00:59:12] o governo do povo
[00:59:13] para o povo
[00:59:13] pelo povo
[00:59:14] não há mais
[00:59:15] que se falar
[00:59:15] em democracia
[00:59:16] há que se falar
[00:59:17] num modelo
[00:59:18] para utilizar
[00:59:19] a sua expressão
[00:59:20] meio paternalista
[00:59:21] o líder autoritário
[00:59:22] na figura do pai
[00:59:23] daquele que diz não
[00:59:24] daquele que
[00:59:25] determina
[00:59:27] como deverá ser feito
[00:59:28] ou não ser feito
[00:59:29] algo
[00:59:30] então acho que tem
[00:59:31] tudo a ver
[00:59:32] esse paralelo
[00:59:35] que você traçou
[00:59:36] com o que eu estou
[00:59:36] descrevendo
[00:59:37] ao longo do meu livro
[00:59:38] muito legal
[00:59:39] muito bom
[00:59:40] Gabriel Divan
[00:59:41] foi boa provocação
[00:59:43] ou foi
[00:59:43] foi
[00:59:44] foi boa provocação
[00:59:45] não foi idiotizante
[00:59:46] é
[00:59:47] eu vou dizer
[00:59:49] vou vir com a irmã
[00:59:50] dessa aqui
[00:59:50] eu queria fazer
[00:59:52] uma colocação
[00:59:53] aí o cara geralmente
[00:59:54] dá outra palestra
[00:59:54] que não raro
[00:59:56] é contra a do palestrante
[00:59:58] é um negócio impressionante
[00:59:59] não estou brincando
[01:00:00] não vou fazer isso
[01:00:00] mas
[01:00:01] tem duas coisas
[01:00:03] que eu ainda quero
[01:00:03] ouvir o Rubens falando
[01:00:05] uma delas é o seguinte
[01:00:06] esse individualismo
[01:00:09] isso que faz com que
[01:00:11] inclusive
[01:00:12] ele tanto
[01:00:13] ele é moeda
[01:00:14] e matriz
[01:00:15] desse idiota
[01:00:16] em construção
[01:00:17] porque
[01:00:18] ele reflete
[01:00:19] força
[01:00:20] o que o idiota
[01:00:21] está se tornando
[01:00:22] ao mesmo tempo
[01:00:22] que ele é um dos grandes
[01:00:24] fatores de estímulo
[01:00:25] para que
[01:00:25] a construção se dê
[01:00:27] agora
[01:00:28] esse individualismo
[01:00:29] hoje em dia
[01:00:30] eu me arrisco a dizer
[01:00:31] que ele é pop
[01:00:31] a gente tem assim
[01:00:34] é uma marca
[01:00:35] geracional
[01:00:36] em aspectos
[01:00:38] que vão
[01:00:38] da cultura
[01:00:40] passando pela
[01:00:41] simbologia
[01:00:42] que você quer
[01:00:43] passar
[01:00:43] de si mesmo
[01:00:45] historicamente
[01:00:46] aliado
[01:00:47] a simbologia
[01:00:47] de quem é vencedor
[01:00:49] né
[01:00:49] não raramente
[01:00:50] junto com
[01:00:51] questão pura
[01:00:51] e simplesmente
[01:00:52] monetária
[01:00:53] econômica
[01:00:53] né
[01:00:54] esse individualismo
[01:00:55] será que a gente
[01:00:57] não poderia dizer
[01:00:58] de uma maneira pessimista
[01:00:59] que ele venceu
[01:01:00] né
[01:01:00] e aí
[01:01:01] como é que fica
[01:01:02] as armas
[01:01:02] para a gente lidar
[01:01:04] com isso
[01:01:04] porque
[01:01:04] retomando
[01:01:06] né
[01:01:06] as coisas mais básicas
[01:01:08] que seriam
[01:01:10] né
[01:01:10] até como o Casara
[01:01:11] disse lá no início
[01:01:12] da conversa
[01:01:13] que seriam
[01:01:14] sempre tidas
[01:01:15] por mínimos
[01:01:16] por coisas
[01:01:17] que são padrão
[01:01:18] por coisas
[01:01:19] que não se discutiriam
[01:01:21] essas coisas
[01:01:22] elas já estão
[01:01:23] afetadas
[01:01:24] por isso
[01:01:24] de tal maneira
[01:01:25] que
[01:01:25] tá difícil
[01:01:26] de discutir
[01:01:27] com alguns
[01:01:28] tá difícil
[01:01:29] de lidar
[01:01:30] com o fato
[01:01:31] de que
[01:01:31] existem certos
[01:01:32] mínimos
[01:01:33] que os caras
[01:01:33] consideram
[01:01:34] inteiramente
[01:01:35] passíveis
[01:01:36] de negociação
[01:01:36] isso aí
[01:01:38] me parece
[01:01:39] que é fruto
[01:01:39] desse caráter
[01:01:40] pop
[01:01:41] desse caráter
[01:01:42] vitorioso
[01:01:43] desse caráter
[01:01:44] aí que está
[01:01:44] na vitrine
[01:01:45] desse tipo
[01:01:46] de individualismo
[01:01:47] né
[01:01:47] há muito tempo
[01:01:48] já se diz
[01:01:49] que aquela história
[01:01:50] de você
[01:01:51] batalhar
[01:01:52] por uma defesa
[01:01:54] de valores
[01:01:54] individuais
[01:01:55] tão importante
[01:01:56] na modernidade
[01:01:57] ele não deu
[01:01:58] mais nenhum passo
[01:01:59] para adiante
[01:01:59] aí ele chega
[01:02:00] no nosso tempo
[01:02:01] como uma distorção
[01:02:02] daquilo
[01:02:03] como um individualismo
[01:02:04] grosseiro
[01:02:05] não é uma questão
[01:02:06] de ser
[01:02:07] individuar
[01:02:08] é uma questão
[01:02:09] de pisotear
[01:02:11] pescoço
[01:02:12] pescoço é degrau
[01:02:13] exato
[01:02:14] a dimensão
[01:02:14] individual
[01:02:15] é fundamental
[01:02:16] o problema
[01:02:17] é essa distorção
[01:02:18] do individualismo
[01:02:20] que anula
[01:02:21] a dimensão coletiva
[01:02:22] a dimensão do outro
[01:02:23] o respeito
[01:02:24] a diferença
[01:02:25] e tudo isso
[01:02:27] que a gente está
[01:02:27] que a gente está
[01:02:28] conversando aqui
[01:02:29] o idiota
[01:02:31] é por definição
[01:02:32] o cara egoísta
[01:02:33] o indivíduo
[01:02:35] que para além
[01:02:37] de se preocupar
[01:02:38] com a esfera individual
[01:02:39] acha que tudo
[01:02:40] gira em torno
[01:02:41] do próprio umbigo
[01:02:41] aliás
[01:02:42] se a gente estudar
[01:02:43] a origem
[01:02:44] da palavra idiota
[01:02:45] como eu já mencionei
[01:02:46] é isso
[01:02:46] é a pessoa
[01:02:46] que acha
[01:02:47] que o mundo
[01:02:47] gira em torno
[01:02:48] do próprio umbigo
[01:02:48] e que só se preocupa
[01:02:51] com as suas
[01:02:52] vantagens pessoais
[01:02:53] e acha que
[01:02:54] o que ele pensa
[01:02:57] é o motor
[01:02:58] da história
[01:02:59] e isso é muito
[01:03:01] problemático
[01:03:02] se a gente
[01:03:02] olhar
[01:03:04] pela janela
[01:03:05] das nossas casas
[01:03:06] se a gente olhar
[01:03:06] a degradação social
[01:03:09] a que a população
[01:03:10] está submetida
[01:03:11] essa incapacidade
[01:03:13] de sentir
[01:03:14] como sua
[01:03:15] pelo menos
[01:03:15] parte da dor
[01:03:16] que as pessoas
[01:03:18] sentem
[01:03:18] tem na rua
[01:03:19] ela é um sintoma
[01:03:22] eu diria
[01:03:22] extremamente
[01:03:23] perverso
[01:03:24] e também
[01:03:26] é parte
[01:03:27] de um caminho
[01:03:28] em direção
[01:03:29] a um objetivo
[01:03:31] que sempre foi
[01:03:32] objetivo neoliberal
[01:03:33] de destruição
[01:03:35] total
[01:03:35] da sociedade
[01:03:36] Margaret Thatcher
[01:03:37] já dizia
[01:03:38] na década de 80
[01:03:39] que não existe sociedade
[01:03:40] existem indivíduos
[01:03:41] Margaret Thatcher
[01:03:42] já formulava
[01:03:43] bem em adesão
[01:03:45] a toda a teoria
[01:03:47] a teoria neoliberal
[01:03:48] e que
[01:03:48] ela já insinuava
[01:03:50] que para
[01:03:51] produzir
[01:03:52] uma mutação
[01:03:53] subjetiva
[01:03:54] que fizesse
[01:03:55] com que a maioria
[01:03:55] das pessoas
[01:03:56] esquecesse
[01:03:57] que existe
[01:03:58] uma sociedade
[01:03:59] seriam necessários
[01:04:01] instrumentos
[01:04:03] que acabassem
[01:04:04] por produzir
[01:04:05] um novo sujeito
[01:04:06] um sujeito
[01:04:06] tipicamente
[01:04:07] neoliberal
[01:04:08] e é justamente
[01:04:09] sobre isso
[01:04:10] que eu me dediquei
[01:04:11] a escrever
[01:04:12] tem que lembrar
[01:04:13] que ela fala
[01:04:14] que só existem
[01:04:14] indivíduos
[01:04:15] não existe sociedade
[01:04:16] mas aí rapidamente
[01:04:17] ela pensa
[01:04:17] em uma outra
[01:04:18] parcela do eleitorado
[01:04:19] e ela larga
[01:04:21] dizendo assim
[01:04:21] e famílias
[01:04:23] famílias existem
[01:04:24] até porque
[01:04:25] boba nunca foi
[01:04:27] a velha
[01:04:27] mas é um conhecimento
[01:04:28] também do conceito
[01:04:29] de família
[01:04:30] é um espaço
[01:04:32] de mando
[01:04:33] do homem branco
[01:04:34] do patriarcal
[01:04:36] a família dela
[01:04:38] assim como tudo
[01:04:40] tem pouco a ver
[01:04:41] com partilha
[01:04:42] com comum
[01:04:43] é outra família
[01:04:44] é a família
[01:04:45] tradicional de bem
[01:04:46] onde ela está
[01:04:47] é o mais
[01:04:48] maior banheiro
[01:04:49] público unissex
[01:04:50] do planeta
[01:04:51] caso vocês queiram visitar
[01:04:52] se ela
[01:04:53] se ela
[01:04:54] assim como
[01:04:55] o senhor
[01:04:55] aquele que escreveu
[01:04:56] o outro livro
[01:04:57] aquele
[01:04:57] pra não ser idiota
[01:04:58] se quiserem se manifestar
[01:04:59] beleza
[01:05:00] achem um jogo do copo
[01:05:01] qualquer
[01:05:02] e passem um recado
[01:05:03] pra nós
[01:05:03] a gente ler no ar
[01:05:04] perfeito
[01:05:05] Rubens
[01:05:06] eu quero agora
[01:05:07] puxando pro fim
[01:05:08] aqui das minhas intervenções
[01:05:10] eu quero virar
[01:05:12] um pouquinho
[01:05:12] a câmera
[01:05:14] pro nosso lado
[01:05:15] aqui
[01:05:15] outro dia
[01:05:17] Gabriel
[01:05:17] o nosso amigo
[01:05:18] a Mauri Gonzo
[01:05:19] ele comentou lá
[01:05:20] no Spotify
[01:05:21] ele contou
[01:05:22] quantas vezes
[01:05:22] que a gente falou
[01:05:23] de Mark Fisher
[01:05:24] no episódio
[01:05:25] então é claro
[01:05:26] que a gente tem que ter
[01:05:27] esse momento
[01:05:28] no episódio aqui também
[01:05:29] porque eu gostei muito
[01:05:29] que o Rubens
[01:05:30] citou um texto
[01:05:32] que eu gosto demais
[01:05:33] do Mark Fisher
[01:05:34] que é
[01:05:35] o Castelo do Vampiro
[01:05:36] e Rubens
[01:05:37] eu queria que a gente
[01:05:37] desse essa virada
[01:05:38] aqui pro nosso lado
[01:05:39] porque isso também
[01:05:40] é muito legal
[01:05:41] do teu livro
[01:05:41] ele não é
[01:05:43] uma coisa voltada
[01:05:45] como se fosse
[01:05:46] uma perfeição
[01:05:46] tudo que se faz
[01:05:48] né
[01:05:48] esquerda
[01:05:48] etc e tal
[01:05:49] e o outro lado
[01:05:50] está simplesmente
[01:05:51] errado e ponto
[01:05:52] não é essa a questão
[01:05:54] tem muito pra gente
[01:05:56] trabalhar também
[01:05:57] e eu acho
[01:05:58] extremamente pertinente
[01:05:59] quando a gente coloca
[01:06:00] essa questão
[01:06:01] de que
[01:06:02] principalmente
[01:06:03] voltado pro lance
[01:06:04] de uma certa
[01:06:05] perfeição
[01:06:06] da esquerda
[01:06:08] sabe
[01:06:08] em que tu pode
[01:06:09] simplesmente
[01:06:09] sinalizar a virtude
[01:06:11] teu papel
[01:06:12] tá feito
[01:06:12] e quem não
[01:06:14] é perfeito
[01:06:15] nesse sentido
[01:06:16] está imediatamente
[01:06:17] fora
[01:06:18] eu citei
[01:06:19] o Gigi
[01:06:20] que agora
[01:06:20] recentemente
[01:06:21] quando ele falou
[01:06:22] aquelas bobagens
[01:06:23] dele referente
[01:06:24] a Ucrânia
[01:06:25] aliás eu acho
[01:06:25] surpreendente
[01:06:26] que o pessoal
[01:06:27] tenha achado
[01:06:29] esquisito
[01:06:29] que um hegeliano
[01:06:30] quisesse lançar
[01:06:32] bomba atômica
[01:06:33] sabe
[01:06:33] porque é muito justo
[01:06:35] assim né
[01:06:36] mas enfim
[01:06:36] teve gente assim
[01:06:38] que pegou
[01:06:38] e me marcou
[01:06:39] em comentário
[01:06:40] dizendo
[01:06:40] quem sabe
[01:06:40] agora tu para
[01:06:41] de citar o cara
[01:06:42] tipo poxa
[01:06:43] se a gente vai pegar
[01:06:44] todo mundo
[01:06:45] que fala
[01:06:46] uma bobagem
[01:06:47] se todo mundo
[01:06:48] que resvalou
[01:06:49] na vida
[01:06:50] que teve um comentário
[01:06:51] infeliz
[01:06:51] que teve uma obra
[01:06:53] infeliz
[01:06:54] ou qualquer coisa
[01:06:55] do gênero
[01:06:55] na sua vida
[01:06:56] vai ficando
[01:06:57] muito esvaziada
[01:06:58] essa busca
[01:06:59] por uma perfeição
[01:07:00] da pessoa
[01:07:01] que você pode gostar
[01:07:02] claro que tem casos
[01:07:05] extremamente
[01:07:06] nítidos
[01:07:07] né
[01:07:07] tipo sei lá
[01:07:08] uma J.K. Rowling
[01:07:10] você é uma pessoa
[01:07:11] que tu não pode mais
[01:07:12] adquirir
[01:07:13] coisa que tu não pode
[01:07:14] mais fomentar
[01:07:15] a vida dela
[01:07:15] coisa do gênero
[01:07:17] né
[01:07:17] ah o Filipe
[01:07:18] fulano de tal
[01:07:18] que agora é
[01:07:19] antivax
[01:07:20] é nazista
[01:07:21] não sei o que
[01:07:22] poxa
[01:07:22] acabou
[01:07:23] deu
[01:07:23] agora
[01:07:24] não precisa de tanto
[01:07:26] as vezes
[01:07:27] pra rolar
[01:07:27] esse tão famoso
[01:07:29] cancelamento
[01:07:30] né
[01:07:30] então
[01:07:31] eu queria te ouvir
[01:07:32] um pouco Rubens
[01:07:33] sobre essa questão
[01:07:34] também
[01:07:34] né
[01:07:35] de como é que a gente
[01:07:36] pode se construir
[01:07:37] sem essa busca
[01:07:38] por perfeição
[01:07:39] foi legal
[01:07:41] tu falar
[01:07:41] nisso Filipe
[01:07:42] porque
[01:07:42] algo que eu tinha
[01:07:43] esquecido de falar
[01:07:44] muita gente
[01:07:46] que não leu o livro
[01:07:47] diz ah
[01:07:47] isso é papo de comunista
[01:07:49] é papo da esquerda
[01:07:50] e não é né
[01:07:52] se é algo que une
[01:07:53] direita e esquerda
[01:07:54] é essa
[01:07:55] sujeição
[01:07:57] às técnicas
[01:07:58] de idiosubjetivação
[01:07:59] aquele militante
[01:08:01] que fica falando
[01:08:03] por slogan
[01:08:04] argumentativo
[01:08:06] que fica reproduzindo
[01:08:07] frase feita
[01:08:08] descontextualizada
[01:08:10] ele é tão idiota
[01:08:12] quanto
[01:08:13] aquele rapaz
[01:08:14] que anda
[01:08:15] com o livro
[01:08:16] do
[01:08:16] do Filipe
[01:08:17] falecido
[01:08:17] astrólogo
[01:08:18] embaixo do braço
[01:08:19] e aqui
[01:08:20] sobre defender
[01:08:20] do Gabriel
[01:08:21] embora o título
[01:08:22] seja
[01:08:22] tenha semelhanças
[01:08:24] ou seja
[01:08:24] a palavra idiota
[01:08:25] o idiota dele
[01:08:26] era aquele
[01:08:27] que incomodava
[01:08:27] os negócios
[01:08:28] quando eu estou
[01:08:29] trabalhando aqui
[01:08:30] o conceito de idiota
[01:08:31] a partir
[01:08:31] da origem grega
[01:08:33] da palavra
[01:08:34] é justamente
[01:08:35] o contrário
[01:08:35] é aquele
[01:08:36] que é útil
[01:08:37] e funcional
[01:08:37] aos negócios
[01:08:39] e o livro dele
[01:08:40] é um manual
[01:08:41] de idiosubjetivação
[01:08:43] como tantos outros
[01:08:44] que por vezes
[01:08:45] tem um enorme
[01:08:47] sucesso
[01:08:47] editorial
[01:08:48] o que faz
[01:08:49] lembrar
[01:08:50] que o Adorno
[01:08:50] tinha razão
[01:08:51] quando ele diz
[01:08:52] que o sucesso
[01:08:52] de uma tese
[01:08:53] não guarda
[01:08:54] nenhuma relação
[01:08:55] com a verdade
[01:08:56] contida nela
[01:08:58] isso para dizer
[01:08:59] que essa busca
[01:09:01] da perfeição
[01:09:02] é um objetivo
[01:09:03] que é plantado
[01:09:05] e que é disseminado
[01:09:06] a partir das técnicas
[01:09:07] de idiosubjetivação
[01:09:08] e com uma finalidade
[01:09:09] política
[01:09:10] evidente
[01:09:12] que é
[01:09:12] dividir
[01:09:13] para conquistar
[01:09:15] essa ideia
[01:09:16] de que
[01:09:17] a esquerda
[01:09:18] goza
[01:09:19] de uma superioridade
[01:09:20] moral
[01:09:20] e que pode apontar
[01:09:21] o dedo
[01:09:22] para o outro
[01:09:23] sem qualquer
[01:09:23] autocrítica
[01:09:25] produzindo
[01:09:26] cancelamento
[01:09:27] que nada mais é
[01:09:27] do que uma espécie
[01:09:28] de morte simbólica
[01:09:30] tem servido
[01:09:32] para impedir
[01:09:33] a união
[01:09:34] dos oprimidos
[01:09:35] se criou
[01:09:35] uma outra estratégia
[01:09:36] que eu acho
[01:09:37] fantástica
[01:09:38] do ponto de vista
[01:09:39] dos ideólogos
[01:09:41] mas
[01:09:42] desastrosa
[01:09:43] na realidade
[01:09:44] que é de se criar
[01:09:45] uma espécie
[01:09:45] de hierarquia
[01:09:46] entre as opressões
[01:09:47] então
[01:09:48] a minha opressão
[01:09:49] é maior do que a sua
[01:09:50] só me preocupo
[01:09:51] com a minha opressão
[01:09:52] dane-se a opressão
[01:09:53] que o outro
[01:09:53] está submetido
[01:09:54] tudo isso
[01:09:55] são técnicas
[01:09:56] de produzir
[01:09:57] divergências
[01:09:58] e diferenças
[01:09:59] no imenso
[01:10:01] campo
[01:10:01] progressista
[01:10:02] no imenso campo
[01:10:03] das vítimas
[01:10:05] mais diretas
[01:10:06] da opressão
[01:10:08] da hegemonia
[01:10:09] neoliberal
[01:10:10] o texto
[01:10:11] do Mark Fisher
[01:10:12] quando eu li
[01:10:13] eu achei
[01:10:13] fantástico
[01:10:14] ele mesmo
[01:10:15] foi vítima
[01:10:16] né
[01:10:16] ele mesmo
[01:10:17] do que ele denuncia
[01:10:18] ali
[01:10:19] em dado momento
[01:10:20] da sua vida
[01:10:21] pouco antes
[01:10:22] da sua morte
[01:10:24] essa coisa
[01:10:25] recurso
[01:10:27] a um argumento
[01:10:29] hiper simplificado
[01:10:30] por exemplo
[01:10:31] da apropriação
[01:10:32] cultural
[01:10:33] ele vai denunciar
[01:10:34] como o mal
[01:10:36] que isso
[01:10:37] produz
[01:10:37] no sentido
[01:10:38] de negar
[01:10:39] a abertura
[01:10:39] inclusive
[01:10:40] as diferenças
[01:10:41] culturais
[01:10:42] uma distorção
[01:10:43] por exemplo
[01:10:44] do conceito
[01:10:45] de lugar de fala
[01:10:46] que para ele
[01:10:47] para muita gente
[01:10:47] passou a significar
[01:10:48] uma interdição
[01:10:49] da fala
[01:10:50] para determinadas
[01:10:51] pessoas
[01:10:51] como por exemplo
[01:10:53] se a questão
[01:10:54] do racismo
[01:10:55] e a questão
[01:10:56] do patriarcado
[01:10:58] do machismo
[01:10:58] estrutural
[01:10:59] não fossem
[01:11:00] fundamentais
[01:11:02] para serem discutidos
[01:11:03] por todas
[01:11:04] e todos
[01:11:05] tudo isso
[01:11:06] está intimamente
[01:11:07] ligado
[01:11:08] a essa
[01:11:09] tentativa
[01:11:10] de manter
[01:11:10] a hegemonia
[01:11:12] neoliberal
[01:11:12] porque se essas
[01:11:14] pessoas passassem
[01:11:15] a dialogar
[01:11:16] se elas
[01:11:16] se abrissem
[01:11:17] se elas entendessem
[01:11:19] inclusive
[01:11:19] os preconceitos
[01:11:21] as preconcepções
[01:11:22] equivocadas
[01:11:23] do outro
[01:11:23] daquele que está ali
[01:11:24] do teu lado
[01:11:24] e ajudassem
[01:11:25] essas pessoas
[01:11:26] a refletir
[01:11:28] se perceberem
[01:11:31] em equívoco
[01:11:32] no lugar
[01:11:33] de serem
[01:11:33] canceladas
[01:11:34] e eliminadas
[01:11:35] da possibilidade
[01:11:36] de qualquer aliança
[01:11:37] ainda que ocasional
[01:11:38] com certeza
[01:11:40] as esquerdas
[01:11:40] estariam muito
[01:11:41] mais potentes
[01:11:42] do que elas
[01:11:43] estão atualmente
[01:11:44] eu acho que
[01:11:44] esse diagnóstico
[01:11:45] que muita gente
[01:11:46] dá
[01:11:46] potência
[01:11:47] da esquerda
[01:11:48] hoje
[01:11:48] está ligado
[01:11:49] muito a essas brigas
[01:11:51] algumas delas
[01:11:52] artificialmente
[01:11:53] construídas
[01:11:54] no interior
[01:11:55] seja do movimento
[01:11:56] operário
[01:11:57] seja do movimento
[01:11:58] negro
[01:11:58] seja do movimento
[01:11:59] gay
[01:12:00] movimento das mulheres
[01:12:02] e principalmente
[01:12:04] esses argumentos
[01:12:06] ou esses discursos
[01:12:07] muitas vezes
[01:12:08] forjados
[01:12:09] a partir
[01:12:10] dessa crença
[01:12:11] numa espécie
[01:12:12] que você mencionou
[01:12:12] de superioridade
[01:12:14] moral
[01:12:14] é justamente
[01:12:16] isso
[01:12:16] que impede
[01:12:17] que a enorme
[01:12:19] quantidade
[01:12:20] de pessoas
[01:12:21] submetidas
[01:12:21] à opressão
[01:12:22] se juntem
[01:12:23] para lutar
[01:12:24] contra todas
[01:12:25] as opressões
[01:12:26] e não só
[01:12:27] contra aquelas
[01:12:28] de que elas
[01:12:29] são vítimas
[01:12:29] perfeito
[01:12:31] Gabriel Divã
[01:12:32] diga aí
[01:12:32] pois é
[01:12:33] indo também
[01:12:34] lamentavelmente
[01:12:35] para o final
[01:12:36] que seja
[01:12:38] a segunda
[01:12:39] de várias
[01:12:40] participações
[01:12:41] do casar aqui
[01:12:41] mas
[01:12:42] eu ainda tenho
[01:12:43] uma coisa
[01:12:44] para colocar
[01:12:45] e eu até
[01:12:46] me sinto meio mal
[01:12:47] porque a gente
[01:12:48] está falando
[01:12:48] coisas tão bacanas
[01:12:49] a partir da obra
[01:12:50] recomendando aí
[01:12:51] que você
[01:12:52] compre a obra
[01:12:53] que você
[01:12:54] leia conceitos
[01:12:55] muito mais desenvolvidos
[01:12:57] aqui
[01:12:57] aqui é uma conversa
[01:12:59] rápida com o autor
[01:13:00] e eu estava
[01:13:01] eu estava um pouco
[01:13:02] com medo
[01:13:02] Felipe de
[01:13:03] fulanizar
[01:13:04] ou rebaixar
[01:13:05] a discussão
[01:13:06] mas não dá
[01:13:07] para deixar em branco
[01:13:08] esse tipo de coisa
[01:13:09] porque
[01:13:10] diante do que
[01:13:11] a obra trata
[01:13:12] e do que nós
[01:13:13] estamos falando
[01:13:13] a gente precisa
[01:13:15] de
[01:13:16] diagnósticos
[01:13:17] precisa de
[01:13:18] saídas
[01:13:19] precisa de
[01:13:19] ideias
[01:13:20] e aí Rubens
[01:13:21] eu vou te
[01:13:22] instar
[01:13:23] a fazer algum
[01:13:24] comentário
[01:13:25] com base
[01:13:26] no teu escrito
[01:13:27] diante da atualidade
[01:13:29] que ele tem
[01:13:29] porque
[01:13:30] ele sai aí
[01:13:32] numa virada
[01:13:32] de maio
[01:13:33] para junho
[01:13:34] de 2024
[01:13:35] e nós estamos
[01:13:36] aqui num junho
[01:13:37] onde
[01:13:38] só na semana
[01:13:39] passada
[01:13:39] eu vou colocar
[01:13:40] dois marcadores
[01:13:41] aqui
[01:13:42] a gente
[01:13:43] no Brasil
[01:13:44] vivenciou uma discussão
[01:13:46] complexa
[01:13:46] diretamente
[01:13:46] inacreditável
[01:13:47] no que diz respeito
[01:13:49] a um interesse
[01:13:50] de uma bancada
[01:13:51] parlamentar
[01:13:52] autodenominada
[01:13:53] pró-vida
[01:13:54] no sentido
[01:13:55] de promover
[01:13:56] uma criminalização
[01:13:58] esdrúxula
[01:13:58] em relação
[01:13:59] a uma questão
[01:14:00] de aborto
[01:14:01] em relação
[01:14:02] a uma questão
[01:14:02] inclusive de
[01:14:03] aborto
[01:14:05] com
[01:14:05] ou como
[01:14:07] resultado
[01:14:08] de uma violência
[01:14:09] sexual
[01:14:10] uma coisa que eu
[01:14:11] inclusive falei
[01:14:12] numa parte
[01:14:12] aí o último
[01:14:13] que saiu
[01:14:13] o próprio
[01:14:15] código penal
[01:14:16] é um código
[01:14:16] de 1940
[01:14:17] na sua versão
[01:14:18] completamente reacionária
[01:14:20] ele já trazia
[01:14:21] uma possibilidade
[01:14:22] de aborto
[01:14:23] nesse sentido
[01:14:23] porque talvez
[01:14:24] dá para encaixar
[01:14:26] isso naqueles mínimos
[01:14:27] que esses caras
[01:14:28] não querem nem aceitar
[01:14:29] a partir disso
[01:14:30] a discussão
[01:14:31] não parte nem
[01:14:31] de um mínimo
[01:14:32] não
[01:14:32] eles querem esticar
[01:14:34] a corda o máximo
[01:14:34] possível
[01:14:35] e na mesma semana
[01:14:37] a gente viu
[01:14:38] a semana inaugurou
[01:14:39] com uma questão
[01:14:41] de que
[01:14:41] o parlamento
[01:14:42] europeu
[01:14:43] agora
[01:14:43] passa a ter
[01:14:45] uma quantidade
[01:14:45] obscena
[01:14:46] perigosa
[01:14:48] inaceitável
[01:14:49] de cadeiras
[01:14:50] para
[01:14:51] partidos
[01:14:52] de inspiração
[01:14:53] nem um pouco
[01:14:54] disfarçadamente
[01:14:55] nazista
[01:14:56] principalmente
[01:14:57] a partir de votações
[01:14:58] de Itália
[01:14:58] e França
[01:14:59] o que fez com que
[01:15:00] o presidente lá
[01:15:01] já passasse a tomar
[01:15:03] medidas para
[01:15:04] eventualmente
[01:15:05] convocar novas eleições
[01:15:06] para já vislumbrar
[01:15:07] um cenário
[01:15:08] de uma disputa
[01:15:09] daqui a dois anos
[01:15:10] também
[01:15:11] quando vai acabar
[01:15:11] o mandato dele
[01:15:12] então assim
[01:15:13] Rubens
[01:15:13] nós temos aí
[01:15:14] mal e mal
[01:15:15] 100 anos
[01:15:17] de quando
[01:15:19] acendeu o nazismo
[01:15:20] e
[01:15:20] quando a gente
[01:15:22] depois percebeu
[01:15:23] que não
[01:15:23] isso é errado
[01:15:24] isso não pode
[01:15:25] isso aí
[01:15:26] é um tipo de coisa
[01:15:27] que ninguém
[01:15:27] deveria
[01:15:28] aplaudir
[01:15:29] ou considerar
[01:15:30] e aí a gente
[01:15:32] está aí
[01:15:32] diante de uma ascensão
[01:15:34] nazifascista
[01:15:35] na Europa
[01:15:35] de novo
[01:15:36] a gente está
[01:15:37] diante de uma
[01:15:37] reverberação
[01:15:38] imitona
[01:15:39] dos nazifascismos
[01:15:41] do norte
[01:15:42] aqui no Brasil
[01:15:43] a nossa bancada
[01:15:44] de parlamentares
[01:15:44] de direitos
[01:15:45] de direita
[01:15:46] nunca foi tão ruim
[01:15:48] nunca trabalhou
[01:15:49] tanto em prol
[01:15:50] dessa idiosubjetivação
[01:15:52] quando
[01:15:52] dá para dizer assim
[01:15:54] nunca foi tão representante
[01:15:56] desse idiota
[01:15:56] construído
[01:15:57] eu queria que tu falasse
[01:15:58] um pouquinho
[01:15:59] o que seja
[01:15:59] ainda que o assunto
[01:16:00] possa render
[01:16:01] dias de discussão
[01:16:02] a respeito disso
[01:16:04] no contexto da tua obra
[01:16:05] cara o Gabriel
[01:16:05] o legal
[01:16:06] quer dizer
[01:16:06] se é que dá para chamar
[01:16:07] isso de legal
[01:16:08] mas o curioso
[01:16:09] de abrir o jornal
[01:16:10] hoje em dia
[01:16:11] aliás a gente nem mais
[01:16:12] abre o jornal
[01:16:12] a gente liga o computador
[01:16:14] e lê o jornal
[01:16:14] é
[01:16:15] é
[01:16:45] ,
[01:16:46] foi aquele projeto
[01:16:48] que tinha
[01:16:49] por finalidade
[01:16:50] produzir
[01:16:51] uma espécie
[01:16:52] de revolução
[01:16:52] cultural
[01:16:53] a partir
[01:16:55] da Alemanha
[01:16:56] as pessoas
[01:16:57] não sabem
[01:16:58] o que foi o nazismo
[01:16:59] logo se deixam seduzir
[01:17:00] pelo mesmo discurso
[01:17:02] que acabou
[01:17:03] resultando
[01:17:04] na barbárie
[01:17:06] o Adorno
[01:17:08] tem um texto
[01:17:08] muito legal
[01:17:09] que ele diz
[01:17:10] que o único desafio
[01:17:11] que nós tínhamos
[01:17:11] era impedir
[01:17:12] o retorno
[01:17:13] da barbárie
[01:17:14] e
[01:17:15] parece
[01:17:15] que a partir
[01:17:17] da hegemonia
[01:17:17] neoliberal
[01:17:19] da hegemonia
[01:17:20] da racionalidade
[01:17:21] neoliberal
[01:17:21] nem esse objetivo
[01:17:23] nós vamos conseguir
[01:17:24] evitar
[01:17:26] está aí Israel
[01:17:27] para não
[01:17:28] não nos deixar
[01:17:29] mentir
[01:17:31] quantidade de mortes
[01:17:33] então você vê
[01:17:34] por exemplo
[01:17:34] o conflito
[01:17:35] Israel
[01:17:36] com
[01:17:37] a Palestina
[01:17:38] talvez seja um bom exemplo
[01:17:40] você vê
[01:17:40] uma enorme
[01:17:42] quantidade
[01:17:42] de frases
[01:17:43] feitas
[01:17:44] de lado a lado
[01:17:45] mas principalmente
[01:17:45] do lado
[01:17:47] daqueles
[01:17:47] que querem justificar
[01:17:48] a morte
[01:17:49] de mulheres
[01:17:49] e crianças
[01:17:50] a partir
[01:17:52] de uma
[01:17:53] imagem
[01:17:54] que eles
[01:17:55] construíram
[01:17:56] de um terrorista
[01:17:58] que se esconde
[01:17:59] em qualquer lugar
[01:17:59] em um hospital
[01:18:00] isso só é possível
[01:18:02] em uma sociedade
[01:18:04] isso só é possível
[01:18:05] em pessoas
[01:18:06] idiosubjetivadas
[01:18:08] esses dias
[01:18:09] eu vi
[01:18:09] uma parlamentar
[01:18:10] aqui no Brasil
[01:18:11] fazendo a saudação
[01:18:12] nazista
[01:18:13] no parlamento
[01:18:14] isso seria
[01:18:15] inadmissível
[01:18:16] há 40, 50 anos
[01:18:17] atrás
[01:18:18] então
[01:18:19] mais uma vez
[01:18:20] a confirmação
[01:18:21] das teses
[01:18:21] do livro
[01:18:22] perceba uma coisa
[01:18:23] que eu acho
[01:18:24] sensacional
[01:18:24] durante a ditadura
[01:18:26] militar empresarial
[01:18:27] instaurada em 64
[01:18:29] ninguém defendia
[01:18:31] a tortura
[01:18:32] ou defendia
[01:18:32] a legitimidade
[01:18:33] da tortura
[01:18:34] ou defendia
[01:18:35] que a tortura
[01:18:35] deveria acontecer
[01:18:37] nem mesmo
[01:18:37] aqueles que
[01:18:38] mandavam
[01:18:40] os torturadores
[01:18:41] agir
[01:18:42] pelo menos
[01:18:42] no ponto de vista
[01:18:43] do discurso
[01:18:44] público
[01:18:44] eles negavam
[01:18:45] a possibilidade
[01:18:46] da tortura
[01:18:46] hoje em dia
[01:18:48] os nossos parlamentares
[01:18:50] de extrema direita
[01:18:51] defendem a tortura
[01:18:52] defendem
[01:18:53] aliás
[01:18:53] os ditadores
[01:18:54] de 64
[01:18:55] não se declaravam
[01:18:55] ditadores
[01:18:56] eles diziam
[01:18:57] ter produzido
[01:18:58] uma abre aspas
[01:18:59] revolução
[01:18:59] que salvou
[01:19:00] a democracia
[01:19:01] brasileira
[01:19:02] e hoje
[01:19:03] as pessoas
[01:19:04] defendem abertamente
[01:19:05] o retorno
[01:19:06] da ditadura
[01:19:06] aliás
[01:19:07] eu vi uma faixa
[01:19:08] em Copacabana
[01:19:09] há alguns meses
[01:19:10] atrás
[01:19:11] que era sensacional
[01:19:12] que era
[01:19:12] a faixa
[01:19:12] dizia o seguinte
[01:19:13] Felipe
[01:19:14] pelo direito
[01:19:15] de não ter direito
[01:19:16] de intervenção militar
[01:19:17] já
[01:19:18] fantástico
[01:19:19] cara
[01:19:19] é difícil
[01:19:20] é tipo
[01:19:21] produção
[01:19:22] de idiota
[01:19:23] quer dizer
[01:19:23] acho aquilo
[01:19:25] razoável
[01:19:26] como é que é
[01:19:27] aquele papo
[01:19:28] da ditadura
[01:19:29] espanhola
[01:19:29] contra o protesto
[01:19:31] das universidades
[01:19:32] abaixo
[01:19:32] a inteligência
[01:19:33] e uma morte
[01:19:34] é algo
[01:19:36] é algo
[01:19:37] horroroso
[01:19:38] a gente vê
[01:19:39] esse aprofundamento
[01:19:40] que só foi possível
[01:19:41] em razão
[01:19:41] dessa ilimitação
[01:19:42] neoliberal
[01:19:43] essa ilimitação
[01:19:45] ela faz com que
[01:19:46] os próprios limites
[01:19:48] semânticos
[01:19:49] das palavras
[01:19:50] desapareçam
[01:19:50] as palavras
[01:19:51] vão perdendo
[01:19:52] substância
[01:19:53] para permitir
[01:19:54] coisas absurdas
[01:19:56] como
[01:19:56] não sei se foi você
[01:19:57] Felipe
[01:19:57] ou Gabriel
[01:19:58] que mencionou
[01:19:59] que se permita
[01:20:00] por exemplo
[01:20:01] que uma jovem
[01:20:03] de 18 anos
[01:20:04] tenha sido estuprada
[01:20:06] e que faça um aborto
[01:20:08] para não ter que conviver
[01:20:09] durante toda a sua vida
[01:20:11] com o fruto
[01:20:12] de uma violência
[01:20:13] assim
[01:20:14] da qual
[01:20:15] as palavras
[01:20:15] não dão conta
[01:20:16] de dizer
[01:20:17] possa ser responsabilizada
[01:20:20] penalmente
[01:20:20] de maneira mais severa
[01:20:22] do que o estuprador
[01:20:22] como que a gente
[01:20:24] aceita isso
[01:20:25] passivamente
[01:20:25] porque a sociedade
[01:20:27] brasileira
[01:20:27] está tomada
[01:20:29] por idiotas
[01:20:30] que batem palma
[01:20:31] para isso
[01:20:32] pessoas que acreditaram
[01:20:34] numa mamadeira
[01:20:35] de piroca
[01:20:36] como política pública
[01:20:38] e que votaram
[01:20:39] contra a mamadeira
[01:20:40] de piroca
[01:20:41] sem ter
[01:20:43] aquela pausa
[01:20:44] referencial
[01:20:45] reflexiva
[01:20:45] de que aquele voto
[01:20:46] poderia significar
[01:20:47] por exemplo
[01:20:48] a perda
[01:20:49] de direitos
[01:20:50] trabalhistas
[01:20:51] ou a perda
[01:20:52] de direitos
[01:20:53] fundamentais
[01:20:54] quer dizer
[01:20:55] aquele cálculo
[01:20:57] de interesse
[01:20:57] simplista
[01:20:58] numa satisfação
[01:20:59] imediata
[01:21:00] sem qualquer
[01:21:01] possibilidade
[01:21:02] desse sujeito
[01:21:03] calcular
[01:21:05] ou refletir
[01:21:06] ou avaliar
[01:21:07] o que representaria
[01:21:09] em concreto
[01:21:10] aquela opção
[01:21:10] política
[01:21:11] eu estou falando
[01:21:12] desse caso concreto
[01:21:13] mas poderia dar
[01:21:14] vários outros
[01:21:14] inclusive no campo
[01:21:15] da esquerda
[01:21:16] decisões tomadas
[01:21:19] a partir de projetos
[01:21:20] pessoais de poder
[01:21:22] sem qualquer compromisso
[01:21:24] com a transformação
[01:21:25] de que a sociedade
[01:21:26] necessita
[01:21:27] então isso tudo
[01:21:29] está intimamente ligado
[01:21:30] e aí Gabriel
[01:21:31] para te dizer
[01:21:32] sem querer dar muito
[01:21:33] spoiler também
[01:21:33] do livro
[01:21:34] senão as pessoas
[01:21:34] não compram
[01:21:35] se as pessoas
[01:21:36] não comprarem o livro
[01:21:37] eu não posso
[01:21:37] largar meu emprego
[01:21:38] isso tudo
[01:21:40] eu estou tentando
[01:21:40] trabalhar
[01:21:41] na medida do possível
[01:21:42] das minhas limitações
[01:21:43] nesse livro
[01:21:44] acho que todos
[01:21:45] esses exemplos
[01:21:45] que você dá
[01:21:46] eles são explicáveis
[01:21:48] a partir dessa hegemonia
[01:21:50] da racionalidade neoliberal
[01:21:51] que exigiu
[01:21:53] técnicas de
[01:21:53] idiosubjetivação
[01:21:54] para criar
[01:21:55] esse povo
[01:21:56] idiota
[01:21:57] com comportamento
[01:21:58] bovino
[01:21:59] nossa senhora
[01:22:00] é triste
[01:22:01] é triste
[01:22:02] a gente ver
[01:22:03] que os exemplos
[01:22:04] aterradores
[01:22:05] que acontecem
[01:22:07] assim
[01:22:07] que deveriam nos deixar
[01:22:08] num sentido
[01:22:09] de estopor
[01:22:10] na verdade
[01:22:11] não
[01:22:11] eles estão
[01:22:12] inclusive adequados
[01:22:13] e eles
[01:22:14] são
[01:22:15] eu não vou dizer
[01:22:16] corriqueiros
[01:22:17] no sentido de banais
[01:22:19] mas eles
[01:22:20] já são parte
[01:22:21] do que se espera
[01:22:22] a gente já está esperando
[01:22:23] coisa pior
[01:22:24] é incrível
[01:22:25] é incrível
[01:22:26] Felipe
[01:22:27] a gente
[01:22:28] em algum momento
[01:22:29] tem que liberar
[01:22:30] o nosso convidado
[01:22:31] para seguir adiante
[01:22:33] seguir a vida
[01:22:33] ele tem outros compromissos
[01:22:35] e tudo mais
[01:22:35] é por isso que
[01:22:36] com muito pesar
[01:22:37] a gente vai
[01:22:39] agora sim
[01:22:39] encaminhando
[01:22:40] o final oficial
[01:22:41] da nossa conversa
[01:22:42] mas não sem antes
[01:22:43] dizer que
[01:22:44] sim
[01:22:45] ele fica um pouquinho mais
[01:22:46] a gente também fica
[01:22:47] um pouquinho mais
[01:22:48] por quê?
[01:22:48] porque agora
[01:22:49] vem o momento
[01:22:50] das nossas dicas culturais
[01:22:52] ou seja
[01:22:52] a gente vai
[01:22:53] além de mais uma vez
[01:22:55] recomendar o livro
[01:22:56] nós vamos deixar
[01:22:56] o link lá
[01:22:58] na nossa postagem
[01:22:59] aliás
[01:22:59] Natal do Abau
[01:23:01] está chegando aí
[01:23:02] eu acho que
[01:23:03] Construção do Idiota
[01:23:05] seria uma boa dica
[01:23:06] de livro a ser sorteado
[01:23:07] para os nossos apoiadores
[01:23:08] ou não?
[01:23:09] bom
[01:23:09] muito bom
[01:23:10] boa ideia
[01:23:11] muito bom
[01:23:11] então o sorteio
[01:23:13] que você participa
[01:23:14] sempre que apoia
[01:23:15] o Vira Casaca
[01:23:16] seja lá no
[01:23:16] apoia.se
[01:23:17] barra vira casaca
[01:23:18] seja no
[01:23:19] orelo.cc
[01:23:20] para nos dar uma força
[01:23:21] para nos dar
[01:23:22] aquela ajudinha
[01:23:23] para a gente continuar
[01:23:24] aqui
[01:23:25] conseguindo levar
[01:23:26] o programa adiante
[01:23:27] com ou sem furadeira
[01:23:29] a furadeira
[01:23:29] deu um
[01:23:30] deu um refresquinho
[01:23:31] para nós aí
[01:23:32] e a gente pôde ouvir
[01:23:33] o Casara
[01:23:34] e nas vezes
[01:23:35] que eu falei
[01:23:35] a gente pôde
[01:23:36] sossegar um pouco
[01:23:37] a única coisa ruim
[01:23:38] de eu falando
[01:23:39] sou eu falando
[01:23:39] não tem aliada
[01:23:41] para incomodar ainda mais
[01:23:43] mas enfim
[01:23:44] dizendo tudo isso
[01:23:45] e falando em apoio
[01:23:46] aliás
[01:23:46] a gente tem
[01:23:47] Rubens
[01:23:48] apoio aqui
[01:23:49] que é muito valioso
[01:23:51] e o primeiro deles
[01:23:52] é do Artesão
[01:23:53] pizzas artesanais
[01:23:54] pré-assadas
[01:23:55] há muito tempo
[01:23:56] com a gente
[01:23:57] aí Artesão
[01:23:57] mandando brasa
[01:23:59] aquela pizza
[01:24:00] com um nível
[01:24:01] incrível
[01:24:02] o nível
[01:24:02] do restaurante
[01:24:03] mais chique
[01:24:04] do mundo
[01:24:05] mas
[01:24:05] ela vai ser servida
[01:24:06] no verdadeiro lugar
[01:24:07] mais chique do mundo
[01:24:08] que é a sua casa
[01:24:09] ela está
[01:24:10] pré-assada
[01:24:11] você termina
[01:24:12] de fazer na sua casa
[01:24:13] o artesão
[01:24:13] tem pizza salgada
[01:24:14] doce
[01:24:15] café
[01:24:16] doce de leite
[01:24:17] molho
[01:24:17] pimenta
[01:24:18] top
[01:24:18] tudo o que você quiser
[01:24:19] e
[01:24:20] boa notícia
[01:24:21] todo vapor
[01:24:23] nas lojas físicas
[01:24:25] Canoas e Porto Alegre
[01:24:26] a gente sabe que
[01:24:27] teleentrega ali em Canoas
[01:24:29] região metropolitana
[01:24:30] pode estar prejudicada
[01:24:31] ainda
[01:24:32] pelos efeitos
[01:24:32] dessa coisa
[01:24:33] que vai longe
[01:24:34] mas
[01:24:35] ficamos sabendo
[01:24:36] com muita felicidade
[01:24:37] que nessa semana
[01:24:38] que passou agora
[01:24:39] dia dos namorados
[01:24:40] Artesão bombou
[01:24:42] e o Artesão
[01:24:43] está com a gente
[01:24:43] e inclusive
[01:24:44] se você pedir pizza
[01:24:46] ou mandar pelo zap zap
[01:24:48] e disser que é ouvinte
[01:24:49] do Vira Casaca
[01:24:50] diz assim ó
[01:24:50] escutei o programa
[01:24:51] do Casara lá
[01:24:52] você não paga
[01:24:53] a teleentrega
[01:24:54] que tal
[01:24:55] nosso outro apoiador aí né
[01:24:57] que também está forte aí
[01:24:58] é mais caçula
[01:24:59] mas já chegou chegando
[01:25:01] nos mandando um monte de coisa
[01:25:02] sempre com sugestão
[01:25:03] sempre com lançamentos bons
[01:25:05] é a Editora Funilaria
[01:25:06] Editora Funilaria
[01:25:07] que tem
[01:25:08] um acervo de livros
[01:25:09] que
[01:25:10] assim como
[01:25:11] este aqui
[01:25:12] que nós estamos comentando
[01:25:13] que não é
[01:25:13] da funilaria
[01:25:14] mas faz parte
[01:25:15] de um conjunto
[01:25:17] de obras
[01:25:18] que diagnosticam
[01:25:19] muita coisa
[01:25:19] do que está acontecendo
[01:25:20] a funilaria também tem
[01:25:22] muita
[01:25:23] mas muita coisa
[01:25:24] de gabarito
[01:25:25] e aí você encontra
[01:25:27] a funilaria
[01:25:27] aonde mesmo Felipe?
[01:25:29] olha só Gabriel
[01:25:30] você encontra lá
[01:25:31] no editorafunilaria.com.br
[01:25:34] e está em pré-venda
[01:25:36] um livro que fala
[01:25:37] de uma questão
[01:25:38] super importante
[01:25:39] que se chama
[01:25:40] Cyberproletariado
[01:25:42] olha aí
[01:25:43] e já tinha
[01:25:43] chega com promoção
[01:25:44] tem descontinho
[01:25:46] para quem compra antes
[01:25:46] porque está em pré-venda
[01:25:48] vai ser lançado em julho
[01:25:49] falando sobre
[01:25:50] poder de classe
[01:25:51] e a informatização
[01:25:53] coisa que vai
[01:25:54] desde as minas
[01:25:56] no Congo
[01:25:56] até os trabalhadores
[01:25:58] na China
[01:25:59] e tudo o que tem por trás
[01:26:01] corre lá
[01:26:02] e já compra
[01:26:02] na pré-venda
[01:26:03] porque está bem bacana
[01:26:05] olha aí
[01:26:06] então com o apoio
[01:26:07] da funilaria
[01:26:08] e do artesão
[01:26:09] vamos para as dicas culturais
[01:26:10] eu vou começar aqui
[01:26:11] e eu vou
[01:26:12] passar uma dica
[01:26:13] de um filme
[01:26:14] que é antigo
[01:26:15] até por ser preto e branco
[01:26:17] ele parece
[01:26:18] ele tem um clima
[01:26:19] de ser mais antigo
[01:26:21] do que ele é ainda
[01:26:21] mas não
[01:26:22] ele não é tão antigo assim
[01:26:23] é um filme
[01:26:24] que você encontra na MUBI
[01:26:26] mas você encontra também
[01:26:27] em outros lugares
[01:26:28] me disseram
[01:26:29] está por aí
[01:26:30] o filme
[01:26:30] um filme de
[01:26:32] Jim Jarmusch
[01:26:33] da década de 80
[01:26:34] que é maravilhoso
[01:26:36] e esses dias
[01:26:36] eu tive vontade
[01:26:37] de rever
[01:26:38] sabe sei lá porquê
[01:26:39] e felizmente
[01:26:40] estava com acesso
[01:26:41] facilitado ali
[01:26:42] eu sou assinante da MUBI
[01:26:43] e eu estava
[01:26:43] então estava ali
[01:26:44] mas você encontra
[01:26:45] repito facilmente
[01:26:46] em qualquer lugar
[01:26:47] Down by Law
[01:26:48] ou como
[01:26:49] ficou traduzido
[01:26:51] para outras línguas
[01:26:53] tanto para o italiano
[01:26:54] quanto para o português
[01:26:54] bem como se escreve
[01:26:55] literalmente
[01:26:56] Down by Law
[01:26:57] é maravilhoso isso aí
[01:26:59] com Ló
[01:27:00] com acento no final
[01:27:01] enfim cara
[01:27:02] um filme incrível
[01:27:03] do Jim Jarmusch
[01:27:04] três caras
[01:27:06] que foram parar
[01:27:07] numa penitenciária
[01:27:08] na Lusiana
[01:27:09] boa parte
[01:27:09] da ação do filme
[01:27:10] se dá
[01:27:11] na própria cela
[01:27:12] e aí
[01:27:13] a gente tem aqui
[01:27:14] uma prévia
[01:27:15] do que viria a ser
[01:27:17] aquilo que a gente
[01:27:17] já conheceu depois
[01:27:19] com tantos outros filmes
[01:27:20] do estilo
[01:27:21] de ser
[01:27:22] e de fazer comédia
[01:27:23] do Roberto Benigni
[01:27:24] fantástico no filme
[01:27:26] também tem o Tom Waits
[01:27:27] que é um cara
[01:27:28] que eu admiro
[01:27:29] tanto como cantor
[01:27:31] quanto como ator
[01:27:32] também ele faz
[01:27:32] coisas muito bacanas
[01:27:33] sempre umas participações
[01:27:34] assim mas
[01:27:35] sempre muito legal
[01:27:36] e eles estão ali
[01:27:37] não conseguem
[01:27:38] se entender direito
[01:27:40] mas eles precisam
[01:27:41] fugir
[01:27:42] e precisam comer
[01:27:42] né
[01:27:43] cara eu não vou contar
[01:27:44] mais nada
[01:27:45] sobre o filme assim
[01:27:46] eu só vou dizer
[01:27:47] que eu já vi
[01:27:48] Down by Law
[01:27:48] outras duas vezes
[01:27:49] e deu vontade
[01:27:50] de ver de novo
[01:27:50] e eu vi de novo
[01:27:51] e ele continua
[01:27:52] muito bom
[01:27:52] obrigado
[01:27:53] essa é a minha dica
[01:27:54] Felipe
[01:27:55] o que nós temos aí
[01:27:56] de dica?
[01:27:57] eu vou fazer um
[01:27:58] um enlace aqui
[01:28:00] Gabriel
[01:28:00] porque tu falou
[01:28:02] do Tom Waits
[01:28:03] e eu vi
[01:28:04] essa semana
[01:28:06] eu tava ali
[01:28:07] sem fazer nada
[01:28:07] vi que entrou
[01:28:08] na Amazon Prime
[01:28:10] o seriado
[01:28:11] entrevista com o Vampiric
[01:28:13] e eu tinha visto
[01:28:15] assim
[01:28:16] e eu acho que
[01:28:17] não tá muito legal
[01:28:18] acho que eu não vou ver
[01:28:19] e tal
[01:28:19] e a primeira temporada
[01:28:21] é muito bacana
[01:28:22] qual é o enlace
[01:28:23] com o Tom Waits
[01:28:24] que tem disso aí?
[01:28:25] ah eu sei qual é
[01:28:25] é o Tom Waits
[01:28:27] ele participou do filme
[01:28:28] do Entrevista com o Vampiro
[01:28:29] né
[01:28:30] e cara
[01:28:31] eu gostei bastante
[01:28:32] do seriado
[01:28:33] claro
[01:28:33] ele não é muito complexo
[01:28:35] é coisa
[01:28:35] aquele negocinho
[01:28:36] pra você assistir
[01:28:36] no final da noite
[01:28:37] ficar tranquilo
[01:28:38] o ator que faz o Lestai
[01:28:40] é muito gato
[01:28:41] né
[01:28:42] tudo certo
[01:28:43] me surpreendi
[01:28:44] que ninguém apareceu
[01:28:45] no Twitter
[01:28:45] dizendo
[01:28:46] olha só
[01:28:47] essa cultura woke
[01:28:48] né
[01:28:49] tão ali botando
[01:28:50] o caso do Louie
[01:28:51] com o Lestai
[01:28:52] nunca teve esse tipo de coisa
[01:28:53] botaram até
[01:28:54] relacionamento gay
[01:28:55] ali no meio
[01:28:56] o Tom Waits
[01:28:58] ele faz o entrevista
[01:28:59] eu ia dizer
[01:28:59] que o enlace
[01:29:00] não
[01:29:01] ele faz o Drácula
[01:29:02] é que ele faz
[01:29:03] o Renfield
[01:29:04] que é o
[01:29:05] do Drácula
[01:29:05] o Bedel do Drácula
[01:29:07] né
[01:29:07] claro
[01:29:08] ele fica se retorcendo
[01:29:10] na cela lá
[01:29:10] não
[01:29:11] eu pensei
[01:29:12] ué
[01:29:12] confuso
[01:29:12] ontem a entrevista
[01:29:13] com o vampiro
[01:29:14] aparecia o Tom Waits
[01:29:15] não
[01:29:15] eu que me atrapalhei
[01:29:16] é do Drácula
[01:29:17] claro
[01:29:17] mas é vampiro
[01:29:18] vampiro
[01:29:18] é
[01:29:18] tudo é vampiro
[01:29:19] é
[01:29:20] tudo é vampiro
[01:29:20] a série
[01:29:21] eu já ouvi falar
[01:29:21] muito bem dela
[01:29:22] aliás né
[01:29:23] se o Don Bailó
[01:29:25] se passa na Lusiana
[01:29:26] né
[01:29:27] boa parte do entrevista
[01:29:28] com o vampiro
[01:29:29] é na Lusiana também
[01:29:30] aliás né
[01:29:30] era muito esquisito
[01:29:32] que no filme anterior
[01:29:33] inclusive não tinha
[01:29:34] não tinha negro né
[01:29:35] cara
[01:29:35] o que é uma coisa que
[01:29:37] pô cara
[01:29:37] vai falar de
[01:29:38] da comunidade crioula
[01:29:39] na Lusiana né
[01:29:40] eu tô falando de crioula né
[01:29:42] eu não tô
[01:29:42] falando outra palavra aqui né
[01:29:44] com outro sentido
[01:29:44] sim sim sim
[01:29:45] e engraçado
[01:29:46] e nessa série tem né
[01:29:47] tem um dos personagens aí
[01:29:48] eu acho que vai ser o Louis né
[01:29:50] o Louis
[01:29:50] nessa definição europeu
[01:29:52] mas enfim
[01:29:53] eu tô louco pra ver mesmo
[01:29:54] cara
[01:29:54] eu achei que
[01:29:54] eu não levava a fé
[01:29:56] mas os comentários que eu ouço
[01:29:57] são todos bacanas
[01:29:58] não e é legal
[01:29:59] quero que você
[01:29:59] tudo aquilo que ficava
[01:30:00] meio subentendido
[01:30:02] no filme assim
[01:30:02] agora tá escrachado
[01:30:04] não é igual o livro
[01:30:05] não é igual
[01:30:06] então assim ó
[01:30:07] tem muita gente
[01:30:07] que tá correndo
[01:30:08] com esse negócio
[01:30:08] ah mas é que não era assim
[01:30:10] no livro
[01:30:10] é outra coisa
[01:30:11] vai pensando
[01:30:12] assim ó
[01:30:13] é outra história
[01:30:14] eles tão usando
[01:30:15] os personagens e tal
[01:30:17] mas é claro né
[01:30:18] se você gostar
[01:30:19] desse tipo de coisa
[01:30:20] leia o livro também
[01:30:21] vamos botar ali
[01:30:21] o linkzinho
[01:30:22] do Vampiro Lestat
[01:30:23] porque vale a pena ler também
[01:30:24] é aquele negocinho
[01:30:25] pra final de dia
[01:30:26] pra relaxar e tal
[01:30:28] que tem que fazer
[01:30:29] isso aí também
[01:30:30] afinal de contas
[01:30:30] se a gente só pensar
[01:30:31] em produzir
[01:30:32] tem uma certa lógica
[01:30:33] que gosta muito
[01:30:34] desse negócio né
[01:30:35] só produzir
[01:30:36] produzir produzir
[01:30:37] não não não
[01:30:38] tem que dar a relaxadinha
[01:30:39] somos a favor
[01:30:40] é o Mark Fisher
[01:30:41] fugindo do castelo
[01:30:42] do vampiro
[01:30:42] é o Felipe com a série
[01:30:43] do vampiro
[01:30:44] e com o livro do vampiro
[01:30:45] tá muito bom isso aqui
[01:30:46] é muito bom
[01:30:47] Rubens
[01:30:48] alguma coisa aqui
[01:30:49] que envolva vampiro
[01:30:50] não tô brincando
[01:30:51] qualquer coisa
[01:30:52] inclusive essa
[01:30:52] beleza
[01:30:53] que envolva vampiro
[01:30:54] amantes eternos
[01:30:56] também
[01:30:56] do Jim Jarmusch
[01:30:58] muito bom
[01:30:59] porra
[01:30:59] filmaço
[01:31:00] filmaço
[01:31:01] é um personagem
[01:31:01] em que nós acabamos
[01:31:03] figurando
[01:31:04] como zumbis
[01:31:05] na perspectiva deles
[01:31:07] eu acho que é um filme
[01:31:09] bem bacana
[01:31:09] mas como eu venho aqui
[01:31:10] muito pouco
[01:31:10] eu queria também
[01:31:11] indicar um livro
[01:31:12] que é o do Leonardo Padura
[01:31:14] o novo
[01:31:15] Pessoas Decentes
[01:31:16] que eu achei um baita
[01:31:17] é um baita escritor
[01:31:18] e esse livro
[01:31:19] eu acho que tá especial
[01:31:20] e como também
[01:31:21] veio muito pouco
[01:31:22] dedicar também
[01:31:23] uma peça de teatro
[01:31:24] chamado
[01:31:25] Todas as Coisas Maravilhosas
[01:31:27] que tá circulando
[01:31:28] pelo Brasil
[01:31:28] atualmente
[01:31:29] tá no Tuca Arena
[01:31:30] em São Paulo
[01:31:30] já teve pelo Rio
[01:31:32] e vai fazer
[01:31:33] uma turnê
[01:31:35] por várias cidades
[01:31:36] brasileiras
[01:31:36] é uma peça
[01:31:37] que trata
[01:31:37] do tema
[01:31:38] da depressão
[01:31:39] de uma maneira
[01:31:40] muito inteligente
[01:31:41] é um texto
[01:31:42] muito legal
[01:31:43] e eu ficaria muito feliz
[01:31:44] se vocês assistissem
[01:31:45] até porque
[01:31:46] o Kiko Mascarense
[01:31:47] que é o ator
[01:31:48] desse monólogo
[01:31:49] ele tá extraordinário
[01:31:50] nesse filme
[01:31:51] olha aí cara
[01:31:52] é dica demais
[01:31:53] tudo isso aqui
[01:31:54] com os links
[01:31:55] pra você achar facinho
[01:31:57] com as informações
[01:31:58] se for livro
[01:31:59] o linkzinho
[01:32:00] aquele que faz
[01:32:01] com que a gente
[01:32:02] ganha aí
[01:32:03] uma merreca
[01:32:04] lá do homem
[01:32:05] lá né
[01:32:06] eu ia falar
[01:32:07] o homem do foguete
[01:32:08] mas aqui tem vários
[01:32:08] todo mundo tem foguete
[01:32:09] ele também tem foguete
[01:32:10] ele também tem foguete
[01:32:10] tudo é foguete
[01:32:11] cara aí
[01:32:12] eu vou te contar
[01:32:12] e comprem o livro
[01:32:14] do Rubens
[01:32:14] não só pra ele
[01:32:15] largar o emprego
[01:32:16] mas pra ele lançar
[01:32:17] já o próximo
[01:32:18] e voltar logo
[01:32:19] é ele pode voltar
[01:32:21] sem livro também
[01:32:22] mas né
[01:32:22] quando tem livro
[01:32:23] a gente já faz um
[01:32:24] merchan aqui
[01:32:24] pro amigo e tal né
[01:32:25] eu ia comentar
[01:32:27] que grandes convidados
[01:32:29] e convidadas
[01:32:29] do Vira Casacas
[01:32:30] tem o sonho
[01:32:31] de largar o emprego
[01:32:31] né
[01:32:32] a Marie
[01:32:33] ela precisa
[01:32:34] que a gente assine
[01:32:35] a newsletter
[01:32:35] pra largar o emprego
[01:32:36] o Rubens precisa
[01:32:37] que a gente colabore aí
[01:32:39] então vamos ajudar
[01:32:40] o pessoal aí né pessoal
[01:32:41] porque
[01:32:41] trabalho não tá com nada
[01:32:42] tô brincando
[01:32:43] mas nem tá
[01:32:43] bom
[01:32:44] vai lá em
[01:32:45] viracasacas.com
[01:32:46] então
[01:32:46] que tá tudo linkado
[01:32:48] as nossas dicas
[01:32:48] e tudo mais
[01:32:49] só resta agradecer
[01:32:51] a essa verdadeira aula
[01:32:53] esse desafogo
[01:32:54] esse desabafo
[01:32:55] e essa propaganda
[01:32:56] qualificada
[01:32:58] da obra
[01:32:58] que está sendo lançada
[01:33:00] que está aí
[01:33:02] já
[01:33:02] à venda
[01:33:03] em todos os lugares
[01:33:04] aí
[01:33:04] seja livrarias virtuais
[01:33:06] ou físicas
[01:33:07] a gente tá falando
[01:33:08] de A Construção do Idiota
[01:33:09] Rubens Casara
[01:33:10] o autor aqui
[01:33:11] nos explanando
[01:33:12] sobre ela
[01:33:13] que honra
[01:33:14] meu amigo
[01:33:15] muito obrigado
[01:33:16] e
[01:33:16] vamos ver né
[01:33:17] vamos ver se
[01:33:18] volta logo
[01:33:19] se tem livro
[01:33:20] ou se não tem
[01:33:20] mas as portas pra ti
[01:33:21] estão sempre abertas aqui
[01:33:22] honra e prazer
[01:33:23] todo meu
[01:33:24] Gabriel, Felipe
[01:33:25] sempre que convidado
[01:33:27] eu recebo
[01:33:28] como uma convocação
[01:33:29] e venho
[01:33:30] rapidamente
[01:33:31] pra bater esse papo
[01:33:32] sempre gostoso
[01:33:33] com pessoas inteligentes
[01:33:34] como vocês
[01:33:35] fortíssimo
[01:33:36] agora fiquei feliz
[01:33:37] termina já
[01:33:38] Gabriel
[01:33:38] que tá numa nota excelente
[01:33:40] tá
[01:33:40] então
[01:33:41] , vamos desejar
[01:33:42] aquele tchau
[01:33:43] vamos desejar
[01:33:44] que o episódio
[01:33:45] tenha sido excelente
[01:33:46] pra vocês também
[01:33:47] como certamente
[01:33:48] foi pra nós
[01:33:49] e vamos tocar o berrante
[01:33:51] aqui pra espantar
[01:33:52] os idiotas
[01:33:53] espantar a
[01:33:54] idiosubjetivação
[01:33:55] espantar essa galera
[01:33:56] aí que
[01:33:57] não se abre
[01:33:58] por diferente
[01:33:58] espantar essa galera
[01:33:59] aí que
[01:34:00] Deus me livre
[01:34:01] né
[01:34:01] e depois disso
[01:34:02] eventualmente
[01:34:04] onde você estiver ouvindo
[01:34:04] vai vir os anúncios
[01:34:05] né
[01:34:06] e eu sempre vejo
[01:34:07] o mesmo anúncio
[01:34:08] de audiobook
[01:34:09] Felipe Abar
[01:34:09] não tem nenhum anúncio
[01:34:10] de foguete
[01:34:11] nenhum de Bitcoin
[01:34:12] nenhum anúncio
[01:34:13] que tem candidato
[01:34:14] a prefeito de São Paulo
[01:34:15] me ensinando a ser
[01:34:16] uma pessoa melhor
[01:34:17] eu tô ficando preocupado
[01:34:18] é uma pena né
[01:34:20] mas quem sabe
[01:34:20] agora vai vir
[01:34:21] Paulo Marçal
[01:34:23] toca o berrante
[01:34:24] toca o berrante
[01:34:25] que aí se vier
[01:34:26] vai ser adequado
[01:34:26] inclusive
[01:34:27] tchau prejudicada
[01:34:28] tchau galera
[01:34:29] até semana que vem
[01:34:30] tchau pessoal
[01:34:40] tchau tchau
[01:35:06] Ryan Reynolds aqui
[01:35:07] para o Mint Mobile
[01:35:08] com o preço de quase tudo
[01:35:09] que vai acontecer
[01:35:10] durante a inflação
[01:35:11] nós pensávamos
[01:35:12] que iríamos
[01:35:12] trazer os nossos preços
[01:35:12] para baixo
[01:35:13] então para nos ajudar
[01:35:14] nós trouxemos
[01:35:15] um auctioneiro de reversa
[01:35:16] que é aparentemente
[01:35:17] uma coisa
[01:35:17] Mint Mobile
[01:35:18] Unlimited Premium Wireless
[01:35:20] vai ter que ganhar
[01:35:20] 30, 30, vai ter que ganhar
[01:35:21] 30, vai ter que ganhar
[01:35:21] 20, 20, 20, vai ter que ganhar
[01:35:22] 20, 20, vai ter que ganhar
[01:35:23] 15, 15, 15, 15
[01:35:25] apenas 15 dólares por mês
[01:35:26] então
[01:35:26] dê uma olhada
[01:35:27] no mintmobile.com
[01:35:28] slash switch
[01:35:30] 45 dólares de pagamento
[01:35:31] equivalente a 15 dólares por mês
[01:35:32] novos clientes
[01:35:33] no primeiro plano de 3 meses
[01:35:33] só
[01:35:34] taxas e preços extra
[01:35:35] velocidade mais baixa
[01:35:35] mais de 40 gigabytes
[01:35:36] detalhado