No amor, existe a pessoa certa?
Resumo
O episódio discute a eterna questão: existe a pessoa certa? A conversa começa com exemplos de celebridades, como a suposta lista de exigências do ator Calum Raymond (que se revelou falsa) e a história real da atriz Viola Davis, que fez uma lista detalhada para seu futuro marido e o encontrou em menos de um mês.
As participantes compartilham suas próprias listas e como elas mudaram ao longo da vida. Cris Guterres fala sobre sua lista pragmática, que inclui questões econômicas, idade e a não vontade de ter mais filhos. Miriam Goldenberg revela que, na juventude, buscava homens mais velhos e protetores, mas hoje seu único requisito essencial é a confiança. Ju Wallauer reflete que, no passado, buscava alguém da igreja e um protetor, mas hoje valoriza uma pessoa familiar, inteligente e apaixonada.
A discussão avança para a diferença entre o que desejamos e com quem nos relacionamos na prática, questionando a ideia do “dedo podre”. Miriam argumenta que não se trata de dedo podre, mas de fases da vida em que estamos carentes e vulneráveis, buscando algo que nos nutra naquele momento. Cris Guterres relaciona essas escolhas a padrões culturais, baixa autoestima e a doutrinação dos contos de fadas sobre o “príncipe encantado”.
O diálogo culmina na reflexão sobre como amar o outro na sua alteridade, sem tentar moldá-lo aos nossos desejos. Discute-se a importância de não se perder no relacionamento, de sustentar os próprios limites e a frustração do outro, e de valorizar a qualidade do encontro e o crescimento mútuo mais do que a simples durabilidade. Conclui-se que talvez existam pessoas certas para diferentes fases da vida, e que o mais importante é buscar relacionamentos que nos façam bem e nos nutram.
Indicações
ConteúDos
- Tiny Desk da NPR (Alicia Keys) — Programa de música da NPR mencionado por Ju Wallauer. Ela citou a performance de Alicia Keys e a música ‘Gramsci Park’, que fala sobre tentar ser a pessoa que você acha que o outro vai gostar, até se perder.
- Mamilos 317 (sobre ressentimento) — Episódio anterior do podcast Mamilos com o psicanalista Christian Dunker, citado durante a discussão sobre desejo e alteridade no amor.
- Programa do Mamilos sobre golpistas emocionais — Mencionado por Miriam Goldenberg ao contar que já foi vítima de um golpista emocional, mesmo sendo pesquisadora do tema.
Pessoas
- Viola Davis — Atriz que, seguindo um conselho, fez uma lista detalhada do que queria em um marido e encontrou Julius Tenon, que preencheu todos os requisitos, em menos de um mês. Casados desde 2003.
- Christian Dunker — Psicanalista citado por Ju Wallauer. Em um episódio anterior do Mamilos sobre ressentimento, ele falou que desejamos o outro pela sua diferença, mas depois tentamos transformá-lo em nós mesmos, o que gera tédio.
- Esther Perel — Terapeuta de relacionamentos mencionada por Ju Wallauer. Ela fala sobre não colocar tanta pressão no amor romântico, pois hoje depositamos nele expectativas que antes eram distribuídas entre carreira, família e espiritualidade.
Linha do Tempo
- 00:03:06 — Introdução ao tema: listas de exigências e a pessoa certa — As apresentadoras introduzem o tema a partir de casos de celebridades: a suposta lista do ator Calum Raymond (que era falsa) e a história real da atriz Viola Davis, que fez uma lista detalhada para seu futuro marido e o encontrou rapidamente. A pergunta central é lançada: existe a pessoa certa, a alma gêmea que encaixa perfeitamente?
- 00:08:10 — As participantes compartilham suas listas e desejos — Cris Guterres, Miriam Goldenberg e Ju Wallauer revelam quais eram ou são suas listas de desejos em um parceiro. Cris fala sobre questões raciais, econômicas, idade e não querer mais filhos. Miriam conta que na juventude buscava protetores mais velhos, mas hoje só busca confiança e diversão. Ju reflete que já buscou alguém da igreja e um protetor, mas hoje valoriza família, inteligência e paixão.
- 00:18:47 — Dedo podre: por que escolhemos quem não combina? — Discute-se a diferença entre o que se deseja mentalmente e com quem se relaciona na prática. Miriam rejeita a ideia de “dedo podre”, argumentando que em fases de carência ou insegurança, podemos nos agarrar a qualquer coisa que nos nutra naquele momento. Cris Guterres relaciona essas escolhas a padrões culturais, baixa autoestima e a idealização do príncipe encantado.
- 00:26:16 — Quando você não se encaixa na expectativa do outro — A conversa aborda o inverso: quando somos nós que não correspondemos à lista ou expectativa do parceiro. É citado um vídeo viral onde uma pessoa termina o relacionamento por não se encaixar e a outra aceita tranquilamente, entendendo que não precisa se moldar. As participantes debatem até que ponto ceder e se adaptar é saudável ou uma negação de si mesmo.
- 00:35:00 — A dança do relacionamento: ceder, negociar e se preservar — As participantes compartilham suas experiências pessoais sobre negociar limites nos relacionamentos. Miriam defende não ceder na sua essência (ser antissocial e workaholic), mas transformar a relação. Ju descreve uma “dança” constante de teste e ajuste com seu marido. Cris Guterres enfatiza a importância de se impor e não se anular, especialmente para mulheres ensinadas culturalmente a ceder.
- 00:44:10 — Amar o outro na sua alteridade — A discussão atinge um ponto profundo: como amar o outro sendo ele diferente, sem tentar transformá-lo em uma extensão de nós mesmos. Ju compartilha um insight da terapia: em vez de se irritar com as qualidades opostas do marido, passou a admirá-las e aprender com elas. Reflete-se que a alteridade do outro enriquece o nosso mundo e mantém o mistério e o interesse na relação.
- 00:53:12 — Durabilidade vs. qualidade do encontro — Questiona-se se é possível alinhar desejos para uma relação durar. Miriam se declara não muito otimista quanto à durabilidade, valorizando mais a qualidade do encontro, o crescimento e a maturidade. Ela critica a supervalorização do tempo e defende que encontros profundos e que nos fazem crescer são válidos, independentemente de durarem para sempre.
- 00:57:18 — Conclusões: existe a pessoa certa? — As participantes oferecem suas conclusões. Cris Guterres acredita que existem pessoas certas para cada fase da vida, que nos ensinam, amam ou bagunçam tudo, e o importante é estar aberto ao novo. Miriam propõe trocar os termos “certo/errado” por “pessoas que nos fazem bem” e “pessoas que nos sugam”. Ju finaliza lembrando que não se deve colocar todo o peso da realização pessoal no ombro do relacionamento.
Dados do Episódio
- Podcast: Mamilos
- Autor: B9
- Categoria: News
- Publicado: 2024-06-25T21:44:02Z
- Duração: 01:05:05
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/8e5629f0-512e-0132-cf87-5f4c86fd3263/episode/233a84bf-4560-48f1-a077-c59170abdd72/
- UUID Episódio: 233a84bf-4560-48f1-a077-c59170abdd72
Dados do Podcast
- Nome: Mamilos
- Tipo: episodic
- Site: http://mamilos.b9.com.br/
- UUID: 8e5629f0-512e-0132-cf87-5f4c86fd3263
Transcrição
[00:00:00] Oferecimento Meu Peso Minha Jornada.
[00:00:03] Acesse a campanha e entenda a relação entre o peso e a saúde.
[00:00:21] Mamileiros e mamiletes, bem-vindos ao Mamilos,
[00:00:25] o nosso espaço de diálogo de peito aberto.
[00:00:27] Eu sou a Cris Bartz.
[00:00:29] Eu sou a Juvalauer.
[00:00:31] E hoje, a conversa está uma delicinha.
[00:00:35] Passa um café, vem para esse tricô gostoso.
[00:00:40] Não antes de ouvir um pouquinho do que as pessoas estão falando do programa passado.
[00:00:45] Vamos lá.
[00:00:46] Inspiradora, maravilhosa, genial.
[00:00:48] Essas foram algumas palavras, alguns adjetivos que vocês usaram
[00:00:52] no corte que a gente fez do Mamilos Café com a Isa Isaac Silva.
[00:00:57] E ó, a gente concorda, viu?
[00:00:59] A gente ficou muito apaixonado por ela.
[00:01:01] Se você ainda não assistiu ao programa, corre lá para assistir.
[00:01:05] Conhece mais sobre a Isa, sobre a história dela,
[00:01:08] sobre a moda que tanto ela como nós acreditamos.
[00:01:11] E volta aqui para contar para a gente se esses adjetivos não são os melhores mesmo.
[00:01:15] E vamos de polêmica, trazer um pouquinho do que vocês comentaram
[00:01:18] sobre o programa do Pé e do Aborto.
[00:01:21] No Insta, a Daniela Lins falou.
[00:01:23] Eu gostei muito de ouvir e ver outras opiniões
[00:01:26] que ainda não tinha escutado.
[00:01:28] Não concordei muito com os pontos, mas é do debate, né?
[00:01:31] Exatamente, Daniela.
[00:01:33] A Diane Rodrigues falou.
[00:01:35] Que programa intenso.
[00:01:36] Obrigada pela dedicação em compartilhar com a gente
[00:01:39] e, mais uma vez, defender com bravura o necessário esforço
[00:01:43] de enxergar o outro lado, o campo conservador,
[00:01:45] para tornar a discussão profunda.
[00:01:48] Uma pena as pessoas do outro lado estarem tão pouco dispostas a fazer o mesmo.
[00:01:52] E no Spotify, o Ricardo Reis disse.
[00:01:54] Debate muito rico, no nível altíssimo.
[00:01:56] E respeitoso, como sempre, óbvio.
[00:01:59] Sou super fã do Mamilos pelo trabalho minucioso
[00:02:01] e pela pesquisa riquíssima que vocês fazem em cada episódio.
[00:02:05] Espero que esse diálogo ajude a construir mais pontes
[00:02:07] e, ao mesmo tempo, derrubar muitos muros ainda existentes
[00:02:10] no contexto sociopolítico brasileiro.
[00:02:13] Gosto de ouvir homem ouvindo esse episódio.
[00:02:16] Pois é.
[00:02:17] Muito bom.
[00:02:18] Ana Severo disse.
[00:02:19] O melhor painel que eu ouvi sobre esse tema tão complexo.
[00:02:22] Parabéns pelo respeito e empatia.
[00:02:25] Usando aqui as palavras…
[00:02:26] As palavras de vocês.
[00:02:27] Com o que vocês trataram o debate.
[00:02:29] Obrigada, gente.
[00:02:30] Programa difícil mesmo de fazer, mas ficamos felizes com o resultado.
[00:02:33] Achamos que amplia a conversa.
[00:02:35] E obrigada por comentar.
[00:02:37] Isso é a sementinha, né, Ju?
[00:02:39] Não só comentar, gente.
[00:02:41] Tem que dar like, tem que compartilhar, tem que comentar,
[00:02:45] tem que deixar review no Spotify, no iTunes, em tudo.
[00:02:49] Se você ama tanto assim o Mamilos,
[00:02:51] nos ajude a levar essas conversas importantes para mais gente.
[00:02:54] Se você me ama, me dá seu like.
[00:02:57] Agora vamos para a conversa, porque a conversa hoje é sobre isso, né?
[00:03:00] Verdade.
[00:03:06] Alguns dias, viralizou nas redes sociais uma fofoca
[00:03:10] que estava falando que o ator Calum Raymond
[00:03:12] tinha uma lista de exigência para sua futura parceira.
[00:03:16] A lista supostamente dizia que ele buscava uma mulher
[00:03:19] com um estilo de vida saudável,
[00:03:21] uma rotina disciplinada com exercícios
[00:03:24] e que ela também fosse caseira
[00:03:26] e gostasse de fazer exercícios.
[00:03:26] E que ela gostasse de acordar e dormir cedo.
[00:03:28] A galera, principalmente a mulherada,
[00:03:31] se debulhou em críticas
[00:03:33] e o galã, questionado sobre a veracidade das suas exigências,
[00:03:38] caiu na gargalhada e disse que não passava de uma invenção
[00:03:41] de alguém com uma imaginação muito fértil.
[00:03:45] Por outro lado, em 2022,
[00:03:47] a atriz americana Viola Davis revelou numa entrevista para a Oprah
[00:03:50] que, seguindo o conselho de um amigo,
[00:03:53] fez uma lista das características que ela desejava
[00:03:56] que seu futuro marido tivesse
[00:03:57] e rezou para que Deus atendesse as suas preces.
[00:04:00] Um grande homem negro do sul
[00:04:02] que provavelmente já tenha sido casado antes.
[00:04:05] Com filhos.
[00:04:06] Porque eu não quero nenhuma pressão nesse departamento.
[00:04:09] Alguém que talvez tenha sido um ator
[00:04:11] que entende a comunidade artística.
[00:04:13] Alguém que vai à igreja e ama a Deus.
[00:04:16] Menos de um mês depois,
[00:04:18] ela conheceu seu atual marido,
[00:04:19] Julius Tenon.
[00:04:21] Julius é ex-jogador de futebol,
[00:04:23] já tinha sido casado,
[00:04:25] tem filhos adultos,
[00:04:26] é ator
[00:04:27] e convidou a Viola para ir na igreja,
[00:04:30] preenchendo todos os requisitos dela.
[00:04:33] Os dois se casaram em 2003,
[00:04:35] estão juntos até hoje
[00:04:36] e tem uma filha.
[00:04:38] Nesse caso, a galera,
[00:04:39] principalmente as mulheres,
[00:04:41] suspiraram de ternura e afeto pela história.
[00:04:44] Tendo ou não uma lista,
[00:04:46] a verdade é que muita gente sonha
[00:04:48] em encontrar a tampa da sua panela,
[00:04:50] o yin do seu yang,
[00:04:52] a alma gêmea,
[00:04:53] a outra metade da laranja,
[00:04:55] afinal, vai aparecer aquela pessoa,
[00:04:58] ela vai encaixar perfeitamente
[00:05:01] e vocês serão felizes para sempre, certo?
[00:05:03] Para entender se é assim mesmo,
[00:05:06] se encaixou e deu certo,
[00:05:07] e também para conversar,
[00:05:09] se faz sentido a gente pensar numa lista
[00:05:11] para nortear o nosso radar,
[00:05:12] e qual é a diferença entre afinidade e controle,
[00:05:15] o que é adaptável,
[00:05:17] o que é insustentável,
[00:05:18] a gente trouxe duas mulheres poderosas para conversar.
[00:05:25] Vamos então com a gente,
[00:05:31] que o papo hoje é
[00:05:32] existe a pessoa certa?
[00:05:34] E trouxemos quem já é de casa
[00:05:36] e quem é novidade.
[00:05:38] Vamos começar pela visita,
[00:05:40] Miria Goldberg,
[00:05:41] tem muito tempo que a gente queria você aqui no Mamilos,
[00:05:44] que delícia te ter aqui,
[00:05:46] seja muito bem-vinda,
[00:05:47] conta para os nossos ouvintes
[00:05:48] quem é você na fila do pão.
[00:05:50] Olha, primeiro que eu queria muito,
[00:05:52] muito vir ao programa,
[00:05:54] eu ficava muito triste,
[00:05:55] porque o público, eu falava,
[00:05:56] pô, quando eles vão me chamar?
[00:05:58] Never, ever!
[00:06:00] Pelo menos hoje chegou,
[00:06:03] e eu estou muito feliz de estar aqui com vocês,
[00:06:06] eu sou, olha, o que eu sou,
[00:06:08] eu vou dizer o que eu sou,
[00:06:10] antropóloga, professora, pesquisadora, escritora,
[00:06:14] trabalho para caramba,
[00:06:16] pesquiso muito,
[00:06:17] as mulheres, principalmente,
[00:06:19] e estou tentando me tornar
[00:06:24] uma mulher,
[00:06:25] uma velha sem vergonha.
[00:06:27] Que maravilhoso.
[00:06:30] Porque acho que nós, brasileiras,
[00:06:34] de todas as idades,
[00:06:36] de todas as classes,
[00:06:37] todos os tipos,
[00:06:40] sofremos demais
[00:06:42] numa cultura
[00:06:44] que diz que
[00:06:45] mulher tem que ser o corpo assim,
[00:06:48] o casamento assim,
[00:06:49] a família assim,
[00:06:51] o trabalho assim,
[00:06:53] e a gente morre
[00:06:55] sem viver.
[00:06:56] Então, a minha meta,
[00:06:58] como, eu não sei se como pesquisadora,
[00:07:01] como uma mulher
[00:07:02] obsessiva com essas questões,
[00:07:04] desde que eu me conheço,
[00:07:06] é não sofrer tanto
[00:07:08] e ser um pouco mais feliz.
[00:07:11] Não um pouco mais,
[00:07:12] eu nem sei ser mais feliz,
[00:07:14] é um pouco menos sofrida, vamos dizer.
[00:07:18] Amo.
[00:07:19] Vamos nisso. Cris, por favor,
[00:07:20] se apresente para os nossos ouvintes
[00:07:22] quem é você na fila do pão,
[00:07:24] linde, minha querida amiga.
[00:07:25] Aê, estou por aqui,
[00:07:27] eu sou Cris Guterres,
[00:07:29] sou amiga querida da Cris Barthes,
[00:07:32] maravilhosa,
[00:07:33] admiradora da Jubalauer
[00:07:35] e da Miriam Goldenberg,
[00:07:37] estou muito feliz de estar aqui com vocês,
[00:07:39] e eu sou, graças ao Xum,
[00:07:40] a mulher que os redpill num quê?
[00:07:43] Solteira,
[00:07:44] mãe solo,
[00:07:46] histórico sexual bem vivido,
[00:07:48] comportamento provocativo,
[00:07:50] sou simpatizante de ideologias feministas,
[00:07:53] eu, graças a Deus,
[00:07:55] eu saí dessa lista.
[00:07:58] Maravilhosa,
[00:07:59] já chegou chegando.
[00:08:01] Sou jornalista,
[00:08:02] sou apresentadora também,
[00:08:04] e estou aqui para a gente descobrir aí
[00:08:06] como é que é, tem essa lista,
[00:08:07] vale a lista,
[00:08:08] tem pessoa certa, não tem?
[00:08:10] Ô Cris,
[00:08:11] quero saber se você tem uma lista de desejos
[00:08:13] ou se você já teve,
[00:08:15] sobre um companheire que você esteja buscando,
[00:08:18] se você tem por quê,
[00:08:19] se não tem por quê.
[00:08:21] Eu tenho lista,
[00:08:22] vou falar,
[00:08:23] e esse negócio da Viola Davis não deu certo comigo,
[00:08:25] mas é lógico que eu assisti a entrevista da Viola Davis
[00:08:27] com a Oprah,
[00:08:28] é lógico que eu desliguei a televisão
[00:08:31] e eu fiz a lista.
[00:08:33] Eu também.
[00:08:34] Conta a sua lista, vai.
[00:08:35] Eu fiquei na expectativa
[00:08:37] e ainda não deu certo,
[00:08:39] com a Viola deu em 30 dias,
[00:08:41] comigo ainda não deu certo.
[00:08:42] Eu acho que assim,
[00:08:43] tem uma coisa importante que a lista,
[00:08:45] ela permite que a gente possa
[00:08:48] entender melhor o que faz feliz a gente, né?
[00:08:51] Claro que tem coisas ruins também,
[00:08:53] porque ela pode limitar e impedir
[00:08:55] de conhecer gente bacana,
[00:08:57] mas, por exemplo,
[00:08:58] eu me conhecendo,
[00:08:59] fazendo o maior esforço para me conhecer,
[00:09:01] eu sou uma mulher negra,
[00:09:02] eu tenho uma grande dificuldade
[00:09:03] com relacionamentos interraciais,
[00:09:05] é algo que eu estou resolvendo na terapia.
[00:09:08] Então, na minha lista, antigamente,
[00:09:10] não tinha essa possibilidade
[00:09:12] de um relacionamento interracial,
[00:09:14] eu não me relaciono só com homens,
[00:09:15] eu também me relaciono com mulheres.
[00:09:17] Agora já está se abrindo esse leque,
[00:09:20] porque se eu insistisse nisso,
[00:09:23] eu estava perdendo a possibilidade
[00:09:25] de conhecer pessoas muito interessantes
[00:09:28] e que poderiam ser capazes de me fazer feliz,
[00:09:30] porque a garantia de um relacionamento
[00:09:33] com uma pessoa negra assim como eu,
[00:09:35] ela não existe,
[00:09:37] ainda mais sendo eu uma mulher negra,
[00:09:39] que a gente sabe que existe um padrão
[00:09:41] de desejo aí social
[00:09:43] de uma mulher que é eleita
[00:09:45] como essa mulher que é
[00:09:47] a que merece o amor.
[00:09:50] Na minha lista, o que mais tem na minha lista?
[00:09:52] Na minha lista, Ju,
[00:09:53] tem uma questão econômica,
[00:09:56] que para mim é muito importante.
[00:09:58] Um salário ali equiparado,
[00:10:00] ou então, mesmo que não seja,
[00:10:02] que seja uma pessoa que ganha menos,
[00:10:04] como é que ela se relaciona com o dinheiro?
[00:10:06] Porque, por exemplo, eu sou uma pessoa
[00:10:07] que eu penso no futuro,
[00:10:08] eu não posso me relacionar com alguém
[00:10:10] que gasta o dinheiro o tempo todo ali de uma vez,
[00:10:13] porque eu já tive um relacionamento com uma pessoa assim
[00:10:15] e eu fui muito infeliz.
[00:10:16] É muito complicado,
[00:10:18] a gente não consegue fazer planos,
[00:10:19] e se faz planos,
[00:10:20] eu tenho que bancar financeiramente.
[00:10:22] Para mim é desconfortável
[00:10:24] ser essa pessoa que banca.
[00:10:26] Eu entendo que está tudo bem
[00:10:27] para as mulheres que escolheram
[00:10:29] bancar os seus relacionamentos,
[00:10:31] mas para mim é difícil,
[00:10:32] eu tenho que entender o que é difícil para mim.
[00:10:34] Idade, por exemplo,
[00:10:35] uma pessoa muito nova,
[00:10:36] não curto também.
[00:10:38] Uma pessoa também muito mais velha,
[00:10:40] se for homem, por exemplo,
[00:10:41] é uma dificuldade para mim,
[00:10:42] porque normalmente os pensamentos
[00:10:44] são já muito diferentes dos meus,
[00:10:47] porque eu sou uma mulher que já
[00:10:49] me abri muito para as questões de liberdade,
[00:10:52] que envolvem a liberdade de um corpo feminino.
[00:10:55] Acho que isso…
[00:10:57] Ah, filho, eu estou com a vaiola, hein?
[00:10:59] Não precisa ir na igreja, não.
[00:11:00] Primeiro que eu sou macumbeira.
[00:11:02] Pode ir no terreiro,
[00:11:03] mas pode ter qualquer religião,
[00:11:04] mas assim, filho,
[00:11:06] eu não quero ser mãe novamente.
[00:11:08] Então, por exemplo,
[00:11:09] se vier uma pessoa que já tenha filhos,
[00:11:11] mas não pode ser pequeno,
[00:11:13] que eu também não quero ficar
[00:11:14] correndo atrás de ninguém.
[00:11:15] Essa lista foi, acabou.
[00:11:16] Eu vou parar de falar,
[00:11:17] eu vou parar de falar.
[00:11:18] Chega!
[00:11:19] Eu vou parar de falar a minha lista agora,
[00:11:21] porque a Cris me inspirou.
[00:11:24] Conta.
[00:11:25] Me inspirou, Cris.
[00:11:27] Então, vamos.
[00:11:28] Quero saber também, Miriam.
[00:11:29] Cris, quando eu era mais nova,
[00:11:31] eu casei com 21 anos
[00:11:34] com o meu primeiro namorado.
[00:11:36] E era o que eu precisava,
[00:11:38] um homem mais velho,
[00:11:39] que me protegesse,
[00:11:40] que me tirasse de uma família
[00:11:42] horrorosa que eu tinha.
[00:11:44] E eu olhava para as mulheres de 30 anos
[00:11:47] que estavam grávidas naquela época,
[00:11:49] eu falava que horror,
[00:11:50] que mulher velha,
[00:11:51] como que ela tem filho nessa idade?
[00:11:53] Mas eu nunca quis ter filho.
[00:11:55] Meu marido queria,
[00:11:57] então a gente separou,
[00:11:58] ele foi ter filho,
[00:11:59] o segundo também queria ter filho,
[00:12:00] separou, foi ter filho,
[00:12:01] o terceiro também,
[00:12:02] o quarto também.
[00:12:03] E eu sempre quis homens mais velhos,
[00:12:06] mais poderosos,
[00:12:08] que eu me sentisse meio protegida.
[00:12:11] Era o meu único requisito.
[00:12:13] Hoje, inverteu tudo.
[00:12:15] Eu só tenho uma,
[00:12:16] eu tenho uma coisa
[00:12:18] que é importante para mim,
[00:12:20] uma,
[00:12:22] eu posso pagar tudo,
[00:12:24] eu não tenho filho,
[00:12:26] ele pode ser muito mais novo,
[00:12:28] mais velho eu não sei porque,
[00:12:30] muito mais velho,
[00:12:32] não sei.
[00:12:33] Porque antigamente podia ser muito mais velho,
[00:12:36] mas hoje eu estou com 67,
[00:12:38] se for muito mais velho,
[00:12:40] está difícil.
[00:12:41] Antes podia ser 20, 25, 30 anos mais velho.
[00:12:44] Hoje pode ser,
[00:12:45] e eu estou casada com um homem bem mais novo que ele.
[00:12:49] Nada disso.
[00:12:50] A única coisa que eu preciso é confiar.
[00:12:54] Pode fazer o que quiser,
[00:12:56] mas eu tenho que sentir que eu tenho alguém
[00:12:59] que eu confio 100%,
[00:13:02] que ele vai para onde quiser,
[00:13:04] mas que eu estou tranquila,
[00:13:06] porque eu não tenho uma relação aberta
[00:13:09] e não quero ficar insegura.
[00:13:12] E,
[00:13:13] para mim é muito importante
[00:13:16] que seja uma relação em que eu possa brincar,
[00:13:19] rir,
[00:13:20] me divertir,
[00:13:21] dar risada.
[00:13:22] Só isso.
[00:13:23] Isso é muito interessante,
[00:13:24] porque as mulheres que estão aqui conversando hoje
[00:13:27] são todas 40 a mais,
[00:13:29] e o nosso desejo já caminhou muito no mundo
[00:13:32] com esses mais de 25 anos aí do mundo
[00:13:35] no desejo e o desejo no mundo.
[00:13:37] Então,
[00:13:38] eu gosto que vocês já tenham dito mudou,
[00:13:41] minha expectativa mudou,
[00:13:43] eu queria uma coisa,
[00:13:44] agora eu quero outra coisa.
[00:13:46] Isso mostra a gente se movendo no mundo.
[00:13:48] Eu tenho uma amiga muito engraçada
[00:13:50] que está super querendo namorar e tal.
[00:13:53] Ela falou,
[00:13:54] ai menina eu tinha tanta exigência,
[00:13:55] minha exigência hoje é que tenha dente.
[00:14:00] Amo.
[00:14:01] Eu acho que eu vou entrar.
[00:14:02] Eu acho que eu vou ser essa.
[00:14:04] Carta de vaiola deu certo aí.
[00:14:06] E a carta de vaiola foi lá inspirar geral e tal.
[00:14:09] Eu fiz a minha lista.
[00:14:10] A minha lista é composta de,
[00:14:12] é muito pragmática,
[00:14:14] que saiba se cuidar.
[00:14:16] Então que a pessoa soubesse cuidar do seu próprio corpo,
[00:14:19] da sua mente,
[00:14:20] do seu espírito,
[00:14:21] do seu dinheiro,
[00:14:22] da sua casa.
[00:14:23] Não quero mais um filho.
[00:14:25] Exato.
[00:14:26] Que soubesse cuidar dos outros.
[00:14:28] Então uma pessoa que,
[00:14:30] é isso,
[00:14:31] ela também olha para você e vê suas necessidades,
[00:14:33] sabe,
[00:14:34] acompanhar essa pessoa nos próprios cuidados.
[00:14:38] Então saiba cuidar do outro.
[00:14:39] Você ficou doente,
[00:14:40] o outro sabe fazer uma canja.
[00:14:41] Sabe?
[00:14:42] Você não está bem espiritualmente,
[00:14:44] a pessoa fala,
[00:14:45] cara,
[00:14:46] vamos tomar um passe.
[00:14:47] É gente que vai lá e também ajuda a cuidar do outro.
[00:14:50] Esse outro adulto,
[00:14:51] criança,
[00:14:52] idoso.
[00:14:53] Porque é isso,
[00:14:54] né?
[00:14:55] Nossas mães,
[00:14:56] nossos pais vão envelhecer.
[00:14:57] Em algum momento a gente vai precisar cuidar deles.
[00:14:59] É estar com uma pessoa que entende isso também.
[00:15:02] Saiba cuidar do outro.
[00:15:04] Gente,
[00:15:05] minha lista acabou de aumentar.
[00:15:06] Olha aí.
[00:15:07] Muito importante para mim que faça algo admirável no mundo,
[00:15:10] que eu olhe para essa pessoa performando no trabalho
[00:15:14] ou no seu hobby
[00:15:16] e que o que essa pessoa faça me gere admiração.
[00:15:19] Outra coisa muito importante,
[00:15:21] que seja divertido e aventureiro.
[00:15:23] Então uma pessoa que goste de sair,
[00:15:24] de dançar,
[00:15:25] de rir,
[00:15:26] de zoar muito.
[00:15:27] Eu sou muito desse lugar.
[00:15:29] De viajar.
[00:15:31] E que por último,
[00:15:32] sexo seja constituinte da personalidade dessa pessoa.
[00:15:36] Que seja realmente uma coisa muito importante para ela
[00:15:39] e que funcione para ela
[00:15:41] e que ela goste disso.
[00:15:42] Então essa foi a lista que eu fiz
[00:15:44] a partir de me conhecer.
[00:15:46] E você Juliana,
[00:15:47] já teve algum norteador na sua vida?
[00:15:49] Acho que dentro dessas coisas que a gente estava falando
[00:15:52] de como o desejo muda,
[00:15:53] na época que eu era adolescente,
[00:15:56] a primeira e a mais importante era ser da igreja.
[00:15:59] E eu acho que isso é muito,
[00:16:01] faz muito sentido.
[00:16:03] Quando a Viola fala isso,
[00:16:04] eu só vou trazer essa palavra aqui,
[00:16:06] que é o que diz todo de vocês,
[00:16:07] porque o resto tudo eu concordo.
[00:16:08] Porque com um item,
[00:16:12] você já pega um monte.
[00:16:13] Porque se a pessoa é realmente sincera na fé dela,
[00:16:17] vocês já estão batendo visão de mundo,
[00:16:19] visão de ética,
[00:16:21] como você quer viver no mundo,
[00:16:23] rotina,
[00:16:24] um monte de coisa.
[00:16:25] Bate muita coisa.
[00:16:26] Faz muito sentido
[00:16:27] você querer uma pessoa da mesma fé.
[00:16:29] Eu acho, pelo menos.
[00:16:30] Daí depois deixou de ser.
[00:16:32] Eu me identifico muito com o que a Miriam falou.
[00:16:35] Acho que eu procurava,
[00:16:36] até o meu ex,
[00:16:38] eu era muito frágil no mundo.
[00:16:41] Eu queria alguém que me protegesse.
[00:16:43] E quando eu terminei com ele,
[00:16:44] que eu fiquei muito arrasada,
[00:16:46] eu tive uma descoberta incrível.
[00:16:49] Eu vi que eu não quebrava.
[00:16:51] E eu acho que nunca mais eu procurei isso.
[00:16:53] Mas hoje o que eu vejo que é importante para mim?
[00:16:56] Nem falo se eu tivesse que procurar,
[00:16:59] mas em retrospecto,
[00:17:01] o retroplaning que eu falo.
[00:17:02] Como eu sou muito feliz hoje,
[00:17:04] eu olho quais são as coisas que me fazem feliz.
[00:17:06] Eu acho que ser uma pessoa muito família,
[00:17:09] ele fica realizado na família.
[00:17:12] A família é a coisa mais importante da vida dele.
[00:17:14] É onde ele quer estar sempre.
[00:17:16] Não tem um futebol,
[00:17:18] não tem um videogame,
[00:17:19] não tem um amigo,
[00:17:20] não tem outras mulheres,
[00:17:21] não tem nada que faça ele feliz como estar lá.
[00:17:24] Eu, as crianças, ele,
[00:17:25] é isso que faz ele feliz.
[00:17:27] Eu fico muito apaixonada
[00:17:29] com como ele cuida da minha família.
[00:17:31] A paciência que ele tem com a minha mãe,
[00:17:33] como ele trata bem.
[00:17:34] Ele trata assim,
[00:17:35] paparicando as minhas tias.
[00:17:37] E isso me apaixona por ele cada vez que ele faz.
[00:17:39] Então, família é estrutural para mim.
[00:17:43] O que a Cris falou de realizar alguma coisa,
[00:17:45] para mim tem um negócio de ser inteligente.
[00:17:48] Eu tenho que achar a pessoa inteligente.
[00:17:50] Eu tenho que achar o gosto dela legal.
[00:17:52] Entendeu?
[00:17:53] Então, eu tenho que admirar intelectualmente essa pessoa.
[00:17:55] Eu acho que isso é importante.
[00:17:57] E tem um negócio assim,
[00:17:58] eu sou uma pessoa muito insegura.
[00:18:00] Então, é importante para mim
[00:18:03] que seja uma pessoa apaixonada.
[00:18:05] Muito apaixonada.
[00:18:07] Que me conte de milhares de formas,
[00:18:09] todos os dias,
[00:18:11] que eu sou o mundo dela.
[00:18:13] Então, eu sou muito a princesinha no castelo,
[00:18:15] a Rapunzel que tem que ser resgatada.
[00:18:17] Eu quero ser conquistada.
[00:18:19] Eu tenho esse lugar.
[00:18:20] Eu sempre admiro quando vejo mulheres
[00:18:22] que tem esse tesão de ir atrás.
[00:18:24] Eu não tenho.
[00:18:25] Eu quero ser perseguida.
[00:18:27] Então, eu encontrei um homem que 12 anos depois
[00:18:30] leva café na cama,
[00:18:31] abre a porta para mim.
[00:18:32] Aparece com surpresinha,
[00:18:34] tipo, presentinho do nada,
[00:18:36] sem uma data.
[00:18:38] Olha só, a gente já colocou aqui
[00:18:40] diversas expectativas
[00:18:42] que dizem o que nos é importante.
[00:18:45] Agora, uma situação que costuma acontecer,
[00:18:47] a gente desejar mentalmente uma coisa
[00:18:49] e na prática,
[00:18:51] a gente se relacionar com pessoas que parecem
[00:18:53] que não bate com o que a gente deseja.
[00:18:55] Por que vocês acreditam que isso acontece?
[00:18:58] Tem até uma expressão entre as mulheres
[00:19:00] muito comum, que é
[00:19:02] coitada, essa aí tem o dedo podre.
[00:19:04] Ela sempre escolhe errado.
[00:19:06] Existe dedo podre?
[00:19:08] Onde está na nossa mente,
[00:19:10] na nossa cultura,
[00:19:12] a diferença entre o que você deseja e planeja
[00:19:14] e aquilo que você pratica no dia a dia?
[00:19:16] Quer começar, Miriam?
[00:19:18] Olha, eu não acho que é dedo podre.
[00:19:21] Eu acho que tem fases da vida
[00:19:24] que a gente precisa de qualquer coisa.
[00:19:27] Qualquer coisa.
[00:19:28] A gente está tão sem nada,
[00:19:30] tão carente,
[00:19:31] tão insegura,
[00:19:33] tão pobre internamente,
[00:19:36] que vem um cafajeste
[00:19:38] e diz alguma coisa
[00:19:40] que você está precisando ouvir
[00:19:42] naquele momento
[00:19:44] e funciona.
[00:19:45] Não é um dedo podre.
[00:19:47] É no momento
[00:19:49] que você podia
[00:19:51] receber aquilo.
[00:19:53] Ele apareceu
[00:19:55] e foi só naquele momento.
[00:19:57] Eu não gosto muito
[00:19:59] de falar assim,
[00:20:01] culpabilizar
[00:20:03] as próprias mulheres
[00:20:05] pelas suas escolhas.
[00:20:07] Porque as escolhas
[00:20:09] também são inconscientes.
[00:20:11] Não são 100% conscientes.
[00:20:14] E como eu disse,
[00:20:15] às vezes é um estudo.
[00:20:17] Não é só porque o cara esconde
[00:20:19] um monte de coisa.
[00:20:20] Nossa, meu primeiro estudo
[00:20:22] foi sobre amantes de homens casados
[00:20:24] de 1990.
[00:20:26] Elas não sabiam que eles eram casados.
[00:20:28] Elas já tinham estudos.
[00:20:30] E continuaram não podendo enxergar
[00:20:32] um monte de coisa.
[00:20:34] Por que precisamos
[00:20:36] de um posto de segurança,
[00:20:38] uma fortaleza
[00:20:40] para dizer, não, eu quero isso
[00:20:42] e se não for isso, bye bye.
[00:20:44] Naquele momento aquilo
[00:20:46] me alimentava, me nutria
[00:20:48] de alguma coisa.
[00:20:50] Por que é mais
[00:20:52] com a idade?
[00:20:54] Tanto é que existem os golpistas
[00:20:56] emocionais, né?
[00:20:58] Temos um programa.
[00:21:00] Temos um programa ótimo sobre isso.
[00:21:02] Muito bonito.
[00:21:04] Eu já fui vítima de golpista emocional.
[00:21:06] Eu que estudo isso.
[00:21:08] Desde 1990 fui vítima.
[00:21:10] Obrigada por falar isso.
[00:21:12] Assinei um cheque em branco
[00:21:14] para um cara que eu estava apaixonada
[00:21:16] que até hoje eu pago a dívida?
[00:21:18] Até hoje eu me xingo
[00:21:20] de idiota, de burra?
[00:21:22] Então,
[00:21:24] não pode falar que eu tenho o dedo podre.
[00:21:26] Eu fui vítima de um golpista emocional.
[00:21:28] Eu não sou do podre nenhum.
[00:21:30] Agora,
[00:21:32] o que eu acho assim,
[00:21:34] que é o mais difícil,
[00:21:36] não é as nossas más escolhas,
[00:21:38] é a gente
[00:21:40] precisar de coisas
[00:21:42] diferentes.
[00:21:44] Hoje,
[00:21:46] eu ainda preciso de uma coisa
[00:21:48] que me faz muito mal,
[00:21:50] que é confiar muito
[00:21:52] na pessoa.
[00:21:54] Isso que a Ju falou,
[00:21:56] sabe, de ter a certeza
[00:21:58] absoluta, que é amada,
[00:22:00] que o cara pode,
[00:22:02] o cara não quer fazer nada.
[00:22:04] Eu também gostaria de ter
[00:22:06] e não tenho.
[00:22:08] Por quê? Porque não sei minha relação,
[00:22:10] mas de outra forma.
[00:22:12] Então, o fato de eu
[00:22:14] precisar disso
[00:22:16] e não ter, não significa
[00:22:18] que eu tenho o dedo podre.
[00:22:20] Significa que eu tenho
[00:22:22] outras coisas
[00:22:24] e sinto falta disso.
[00:22:26] E provoca, obviamente,
[00:22:28] outras crises na relação,
[00:22:30] porque é uma necessidade
[00:22:32] imperiosa minha, como é da Ju.
[00:22:34] Então, eu não acho
[00:22:36] que as mulheres têm o dedo podre.
[00:22:38] Ótimo. Cris,
[00:22:40] fala pra gente,
[00:22:42] você deve conhecer, todo mundo tem
[00:22:44] a amiga que fica repetindo
[00:22:46] o padrão e tá caindo
[00:22:48] na mesma casca de banana. Você fala
[00:22:50] amiga, pelo amor de Deus,
[00:22:52] você tá vendo a casca de banana, parece que você corre
[00:22:54] na direção dela. O que acontece com a gente, Cris?
[00:22:56] Eu falava isso, né, que eu tinha
[00:22:58] o dedo podre. Eu falava muito isso.
[00:23:00] E assim, eu
[00:23:02] olho pra mim ali,
[00:23:04] aquela Cris que falava que tinha o dedo podre
[00:23:06] e o padrão dos homens com que eu
[00:23:08] me relacionava,
[00:23:10] e aí eu fico buscando uma resposta até mesmo
[00:23:12] no fato da gente ser condicionada
[00:23:14] a escolher um determinado perfil
[00:23:16] de homens, né? E às vezes
[00:23:18] esse perfil é aquele perfil
[00:23:20] superestimado de homem, que ele
[00:23:22] não vai se relacionar mesmo com uma única mulher.
[00:23:24] Eu fico, tipo, um casal
[00:23:26] tipo Neymar e Biancar,
[00:23:28] de verdade.
[00:23:30] Preciso trazer nomes, entendeu?
[00:23:32] Não vai dar pra
[00:23:34] fazer isso sem nomes, né? Não dá pra
[00:23:36] dizer que ela tem, não dá pra dizer que ela tem
[00:23:38] dedo podre, amor. Não dá.
[00:23:40] Tá escolhendo um perfil de homem
[00:23:42] que está demonstrando aí há décadas
[00:23:44] que dificilmente
[00:23:46] vai manter um relacionamento com
[00:23:48] lealdade, com respeito,
[00:23:50] vai
[00:23:52] proteger
[00:23:54] a pessoa com quem está se relacionando
[00:23:56] de situações vexatórias em público,
[00:23:58] né? E eu acho que isso está muito
[00:24:00] relacionado também com os nossos
[00:24:02] padrões de escolha, né? A nossa escolha, ela é
[00:24:04] muito inconsciente. Até eu
[00:24:06] ter essa noção de que eu não tenho o dedo
[00:24:08] podre, mas sim, eu estava cometendo alguns erros
[00:24:10] na hora de escolher os meus parceiros,
[00:24:12] demoraram muitos anos e muito tempo de
[00:24:14] terapia. Terapia.
[00:24:16] E esses padrões de escolhas, eles
[00:24:18] estão muito envolvidos com
[00:24:20] os modelos familiares que a gente vai seguindo,
[00:24:22] a Miriam falou da baixa autoestima,
[00:24:24] eu fui uma pessoa que
[00:24:26] na minha adolescência e juventude, eu tive uma
[00:24:28] autoestima baixíssima.
[00:24:30] Eu fui na minha adolescência,
[00:24:32] eu estudava, eu era a única negra
[00:24:34] do grupo escolar, eu não
[00:24:36] ia no banheiro com as meninas, porque as meninas ficavam
[00:24:38] no banheiro penteando o cabelo e eu usava trança.
[00:24:40] Eu não conversava
[00:24:42] com elas, eu evitava
[00:24:44] ter amizade, porque elas falavam de relacionamento,
[00:24:46] mas eu não me relacionava, porque
[00:24:48] ninguém se interessava
[00:24:50] por mim. Então, assim,
[00:24:52] muitos traumas, algumas experiências
[00:24:54] ali passadas, tem uma
[00:24:56] forma da gente também, nós mulheres,
[00:24:58] idealizar, fazer expectativas irreais.
[00:25:00] Olha o que falaram pra gente,
[00:25:02] que a gente ia escolher o príncipe encantado
[00:25:04] e ser feliz pra sempre. Isso vai sendo
[00:25:06] repetido pra nós ali,
[00:25:08] a partir dos nossos
[00:25:10] primeiros meses de vida, a gente já começa
[00:25:12] a ficar assistindo historinha de príncipe
[00:25:14] encantado, já
[00:25:16] sendo doutrinadas
[00:25:18] a esperar que a gente vai ser
[00:25:20] desejada pra algumas, isso vai
[00:25:22] funcionar e de repente a Ju, ao longo da vida
[00:25:24] dela, descobriu que não, eu gosto, eu tenho
[00:25:26] fio, tá tudo bem. Mas assim,
[00:25:28] gente, não é dessa
[00:25:30] forma que a nossa sociedade
[00:25:32] funciona e a Ju tem um relacionamento
[00:25:34] bacana com um cara legal, mas na maioria
[00:25:36] dos príncipes
[00:25:38] encantados, na verdade,
[00:25:40] eles não são nem Shrek, porque Shrek
[00:25:42] é um cara super decente. Ele não é um príncipe encantado,
[00:25:44] ele não é um príncipe encantado, mas ele tem
[00:25:46] essas qualidades, eu posso ficar um
[00:25:48] programa aqui falando dos defeitos dele tranquilamente.
[00:25:50] Não, ele é o Shrek. Total,
[00:25:52] ele é o Shrek, porque ele é um cara
[00:25:54] legal, cheio de defeitos, mas ele é um cara legal.
[00:25:56] Parceiro, família, que ama
[00:25:58] a Fiona dele, que respeita,
[00:26:00] que faz o de tudo
[00:26:02] pra vê-la feliz e os filhos também,
[00:26:04] né, tem as dificuldades
[00:26:06] de entender como as coisas funcionam,
[00:26:08] mas ele se esforça.
[00:26:10] Vamos lá, então já que a gente tá falando de
[00:26:12] defeito, a gente tá falando que tem que se esforçar,
[00:26:14] o que que acontece
[00:26:16] quando é o inverso? Quando
[00:26:18] você não se encaixa na expectativa
[00:26:20] da pessoa, você começou o relacionamento
[00:26:22] e ela tá com a lista lá, e de repente depois
[00:26:24] de começar o relacionamento não tá
[00:26:26] batendo. Tem um vídeo
[00:26:28] que tá circulando e que é muito
[00:26:30] legal, é o diálogo
[00:26:32] de uma pessoa que tá terminando o relacionamento com a
[00:26:34] outra, e aí ela fala assim,
[00:26:36] eu não quero mais ficar com você porque a forma
[00:26:38] como você age me desagrada
[00:26:40] muito, e aí eu tô sempre frustrado
[00:26:42] e triste. Surpreendentemente,
[00:26:44] a resposta do outro é,
[00:26:46] tudo bem, obrigada por
[00:26:48] me dizer isso com clareza, porque eu não quero
[00:26:50] ficar com uma pessoa que não queria tá comigo.
[00:26:52] Você dizendo isso, fica mais fácil
[00:26:54] de eu superar esse rompimento.
[00:26:56] Aí, óbvio que o outro não vai aceitar
[00:26:58] bem, né? Pera, mas você não vai
[00:27:00] me perguntar o que que é?
[00:27:02] Não vai fazer nenhum esforço pra mudar
[00:27:04] pra gente ficar junto?
[00:27:06] Ao que ele é bem categórico pra responder,
[00:27:08] não, porque o que você gosta
[00:27:10] ou não gosta em mim, na verdade não é sobre mim,
[00:27:12] é sobre o que funciona melhor pra você.
[00:27:14] Eu não tenho que me encaixar nas
[00:27:16] suas expectativas, eu tenho que
[00:27:18] observar como as pessoas amam
[00:27:20] e escolher o que funciona melhor pra mim.
[00:27:22] Eu não tenho que fazer ninguém gostar de mim.
[00:27:24] O que a gente quer com esse diálogo
[00:27:26] é entender se vocês
[00:27:28] já se encaixaram no
[00:27:30] que os outros esperavam de vocês
[00:27:32] e até que ponto
[00:27:34] também falar eu não vou encaixar
[00:27:36] em nada, pode
[00:27:38] nos impedir de evoluir em coisas
[00:27:40] que são importantes. Como vocês
[00:27:42] encaram esse diálogo e como vocês
[00:27:44] se veem dentro desse diálogo?
[00:27:46] Eu acabei de escrever um texto
[00:27:48] sobre isso, exatamente
[00:27:50] sobre casais
[00:27:52] que funcionam,
[00:27:54] casais que não funcionam.
[00:27:56] Um casalçado masoquista
[00:27:58] funciona muito bem,
[00:28:00] porque um quer banhar o outro,
[00:28:02] quer bater, tá tudo certo,
[00:28:04] tá lindo,
[00:28:06] tá lindo.
[00:28:08] Eu sempre fui casada, desde os meus
[00:28:10] 21 anos, com vários homens, mas
[00:28:12] sempre fui casada. E todas as minhas
[00:28:14] relações terminaram
[00:28:16] pelo mesmo,
[00:28:18] não vou falar que é defeito,
[00:28:20] mas mesmo a característica minha,
[00:28:22] mas pode ser um defeito,
[00:28:24] como diz a Clarice Lisbon,
[00:28:26] nunca se sabe qual
[00:28:28] é o defeito que sustenta o edifício
[00:28:30] inteiro,
[00:28:32] por isso eu não tirei meu
[00:28:34] defeito, eu sou o oposto
[00:28:36] da Cris, eu sou a pessoa
[00:28:38] mais antissocial
[00:28:40] que existe no mundo.
[00:28:42] Eu não gosto de festa, não gosto de reunião
[00:28:44] de família, não gosto de Natal,
[00:28:46] não gosto de ano novo, não gosto de aniversário,
[00:28:48] gosto de ficar aqui dentro de casa,
[00:28:50] estudando, pesquisando, escrevendo, 24
[00:28:52] horas do meu dia.
[00:28:54] Meu marido. E meu marido não
[00:28:56] é assim. Ele tem
[00:28:58] família, ele tem netos, ele tem
[00:29:00] tudo e eu
[00:29:02] todas as minhas relações terminaram
[00:29:04] por isso, com essa seguinte
[00:29:06] acusação, você é um
[00:29:08] bicho do mato, você não
[00:29:10] gosta de sair, você não gosta de se
[00:29:12] divertir, eu me divirto pra
[00:29:14] caramba com a minha vida,
[00:29:16] mas você não gosta de se divertir,
[00:29:18] você não relaxa nunca, minha última
[00:29:20] briga com meu marido é, você não relaxa nunca,
[00:29:22] você tá sempre trabalhando.
[00:29:24] E
[00:29:26] isso é pra
[00:29:28] quase 100% das pessoas
[00:29:30] é um
[00:29:32] defeito gravíssimo
[00:29:34] pra uma relação, porque eu gosto de
[00:29:36] ficar sozinha, quieta,
[00:29:38] produzindo.
[00:29:40] E eu gosto de estar casada, tanto é que
[00:29:42] eu tô dos 21 até agora casada,
[00:29:44] mas é um obstáculo.
[00:29:46] Aí você
[00:29:48] me pergunta, eu tenho que
[00:29:50] mudar pra evoluir, pra crescer?
[00:29:52] Porque eu vou perder.
[00:29:54] Estou perdendo.
[00:29:56] Perdi muito já por ser
[00:29:58] assim. Eu tenho que mudar
[00:30:00] e ser uma pessoa
[00:30:02] sociável é fazer
[00:30:04] como as pessoas dizem que você tem que fazer.
[00:30:06] Ah, Miriam, tem que ceder
[00:30:08] um pouquinho. Você é
[00:30:10] muito radical, você tem
[00:30:12] que ceder um pouquinho. Eu vou ceder
[00:30:14] na minha personalidade, no que
[00:30:16] é mais verdadeiro pra mim, que é
[00:30:18] ser essa pessoa que gosta. Tô falando com
[00:30:20] vocês, tô anotando tudo que a Cris tá falando.
[00:30:22] É
[00:30:24] essa pessoa que eu sou.
[00:30:26] Então, ceder é
[00:30:28] deixar de ser eu.
[00:30:30] Então…
[00:30:32] Você vai ceder em outras coisas, né?
[00:30:34] Mas talvez nisso… Não cedo em nada
[00:30:36] praticamente. Hoje em dia
[00:30:38] eu não cedo em nada
[00:30:40] praticamente. Por quê?
[00:30:42] Porque eu já sou
[00:30:44] uma pessoa
[00:30:46] que encontrou um caminho de sobrevivência
[00:30:48] pros traumas
[00:30:50] que viveu também.
[00:30:52] E foi esse
[00:30:54] caminho que me fez ser quem eu sou
[00:30:56] hoje, que é uma pessoa relativamente
[00:30:58] saudável.
[00:31:00] Então, eu não
[00:31:02] cedo praticamente nada. Desculpa,
[00:31:04] tá? Eu não cedo.
[00:31:06] Eu amo uma mulher falar isso.
[00:31:08] Acho revolucionário.
[00:31:10] O que eu tento é compreender
[00:31:12] que, sendo assim, eu crio
[00:31:14] dificuldades pra relação e como
[00:31:16] que eu posso transformar a relação,
[00:31:18] não eu.
[00:31:20] Exatamente isso. Cara, isso que a Miriam falou
[00:31:22] tem muito a ver comigo também.
[00:31:24] Eu já… Eu me
[00:31:26] questiono muito se eu deveria
[00:31:28] em alguns momentos ceder pra aquela
[00:31:30] relação valer a pena,
[00:31:32] sabe? Eu fico naquela briga ali,
[00:31:34] aquela coisa chata, aquela relação
[00:31:36] que vai naquele engodo, que não vai,
[00:31:38] que não é gostoso, não tá legal, mas não
[00:31:40] separa porque também
[00:31:42] não quer ficar sozinha. Eu já tive
[00:31:44] muito isso na minha vida.
[00:31:46] Hoje,
[00:31:48] essa coisa da minha personalidade também,
[00:31:50] eu não mudo por causa do outro.
[00:31:52] Eu não fico com medo assim, tipo,
[00:31:54] ah, não quero ir no cinema, mas tá bom, tudo bem,
[00:31:56] se você quer ir, a gente vai. Não quero ir viajar
[00:31:58] pra Paris, ah, tá bom, você tá aí.
[00:32:00] Ah, mas você tem que mudar
[00:32:02] pra você… Não, não vai dar pra mudar.
[00:32:04] Eu não consigo.
[00:32:06] Não dá. Não consigo mudar nem
[00:32:08] pro meu filho, que dirá
[00:32:10] pra uma relação que eu estou
[00:32:12] vivendo. Eu me esforço muito
[00:32:14] pra tentar entender o que é importante pra
[00:32:16] você, mas olha, não dá.
[00:32:18] Eu tive um relacionamento que eu terminei
[00:32:20] porque era assim, ai, mas eu quero
[00:32:22] muito ser mãe. Era um relacionamento
[00:32:24] com uma outra mulher que queria muito ser mãe.
[00:32:26] Ela tentava de toda
[00:32:28] forma me convencer
[00:32:30] de que a gente poderia juntas ter um
[00:32:32] bebê. Não posso. Eu não
[00:32:34] quero. Eu já
[00:32:36] tenho um filho.
[00:32:38] Meu filho é adolescente. Eu não quero passar
[00:32:40] por essa situação.
[00:32:42] Acabou o relacionamento. Não, a gente vai
[00:32:44] ter que terminar. E era
[00:32:46] assim, incrível, porque pra mim
[00:32:48] era incompreensível o quanto ela tentava
[00:32:50] me convencer em
[00:32:52] ao invés de aceitar
[00:32:54] que não
[00:32:56] ia rolar. E eu falei pra ela,
[00:32:58] mas se pra você é tão importante, então
[00:33:00] a gente precisa terminar.
[00:33:02] Eu gosto de você, você gosta de mim,
[00:33:04] mas não dá pra continuar. Eu não
[00:33:06] vou mudar. E eu não vou conseguir mudar. E é uma
[00:33:08] coisa tão séria, né? É sobre
[00:33:10] ter filho. É pra sempre, né?
[00:33:12] Eu vejo muitos casais
[00:33:14] assim. Um não
[00:33:16] quer, o outro quer. Aí acaba um
[00:33:18] convencendo o outro e depois você tem um
[00:33:20] casamento de bosta, ainda com um filho no meio.
[00:33:22] É.
[00:33:24] Eu acho que existe um
[00:33:26] aprendizado muito grande
[00:33:28] em você entender
[00:33:30] quem você é, pra você não se
[00:33:32] perder no outro.
[00:33:34] Que é isso. Eu quero muito essa relação
[00:33:36] que a pessoa tá me pedindo,
[00:33:38] eu vou fazendo, porque eu amo,
[00:33:40] porque eu quero ficar. Então
[00:33:42] eu acho assim, meninas jovens,
[00:33:44] jovens de maneira geral,
[00:33:46] homens, mulheres, pessoas
[00:33:48] trans, todas as pessoas que estão
[00:33:50] ouvindo esse programa, e quem
[00:33:52] ainda são muito jovens,
[00:33:54] é difícil mesmo
[00:33:56] você entender quem é você,
[00:33:58] quem é o outro, pra você
[00:34:00] falar, eu não abro mão
[00:34:02] disso aqui pra mim. Eu não vou
[00:34:04] te entregar o que você tá pedindo,
[00:34:06] não porque eu não te ame,
[00:34:08] mas é porque eu preciso me amar
[00:34:10] pra te amar. Se eu me perder
[00:34:12] em você, essa relação vai ficar ruim
[00:34:14] pra nós, pras duas
[00:34:16] pessoas. Então
[00:34:18] eu acho que é uma coisa muito
[00:34:20] difícil de fazer virar pro outro e falar,
[00:34:22] não, eu não vou te dar isso.
[00:34:24] Porque parece que você tá se negando
[00:34:26] a fazer a relação funcionar.
[00:34:28] Mas com o tempo
[00:34:30] você vai entendendo
[00:34:32] que você precisa se preservar
[00:34:34] pra que a relação seja boa.
[00:34:36] Que você precisa ser você.
[00:34:38] Esse lugar de se sentir
[00:34:40] inadequada, sentir que o que você
[00:34:42] é não é o suficiente,
[00:34:44] é o lugar do sofrimento.
[00:34:46] É, eu sempre
[00:34:48] acho que eu não sou o suficiente,
[00:34:50] que eu não tô fazendo o suficiente, e
[00:34:52] a característica do jeito que
[00:34:54] eu me relaciono é tá sempre fazendo,
[00:34:56] fazendo, fazendo.
[00:34:58] Eu não sei estar, eu só sei fazer.
[00:35:00] Essa
[00:35:02] relação também funciona
[00:35:04] porque o Merigo não é uma pessoa,
[00:35:06] ele se dá muito bem
[00:35:08] com os meus piores defeitos.
[00:35:10] Ele lida muito bem com isso, nunca foi uma
[00:35:12] questão. Eu sou
[00:35:14] mandona, explosiva
[00:35:16] e isso
[00:35:18] não é que é bom,
[00:35:20] mas ele consegue lidar muito bem, nunca pediu pra mim.
[00:35:22] Mudar, tolerar.
[00:35:24] Agora, o que eu percebo é
[00:35:26] nessa relação de mais de
[00:35:28] 12 anos, a gente vai
[00:35:30] negociando o que cada um…
[00:35:32] Como é que a gente faz pra caber? É o
[00:35:34] dilema do porco-espinho, né?
[00:35:36] Se afastar demais morre de frio, se chegar
[00:35:38] perto demais morre espetado.
[00:35:40] Então, tem hora que negocia mais
[00:35:42] pro lado dele, tem hora que negocia mais pro meu
[00:35:44] lado, e eu acho
[00:35:46] engraçado que não é com palavras. A gente
[00:35:48] vai testando, mudando coisas.
[00:35:50] Então, ao contrário da Miri,
[00:35:52] eu acho que eu tô muito disposta a mudar.
[00:35:54] E não por pedido dele,
[00:35:56] mas eu vou tentando mudar pra ver se
[00:35:58] cabe, pra ver se encaixa, pra ver se…
[00:36:00] E eu acho, assim, que como a Cris falou,
[00:36:02] eu já me perdi várias vezes. Eu já me perdi na
[00:36:04] relação com ela, já me perdi na relação com a minha mãe,
[00:36:06] já me perdi na relação com o Merigo.
[00:36:08] Que eu tô dando, dando, dando coisas que a pessoa
[00:36:10] nem me pediu, porque eu quero
[00:36:12] fazer aquilo funcionar, né?
[00:36:14] Eu fiquei muito emocionada com
[00:36:16] o Tiny Desk, que é
[00:36:18] um programa da NPR de música.
[00:36:20] Alicia Keys tem uma música
[00:36:22] chamada Gramsci Park,
[00:36:24] que é sobre isso. Sobre eu tô tentando
[00:36:26] fazer tudo pra ser a pessoa que eu acho
[00:36:28] que você vai gostar, e aí eu nem sei o que
[00:36:30] que eu tô fazendo mais aqui, entendeu?
[00:36:32] Eu sou essa pessoa que se perde várias
[00:36:34] vezes nisso. E me perco
[00:36:36] e me acho, e me perco e me acho, e me
[00:36:38] perco e me acho. E eu acho que esse é o jogo.
[00:36:40] Só dá certo
[00:36:42] nesta relação, porque não
[00:36:44] vem dele pra mim. Isso é
[00:36:46] como eu sou no mundo. Então,
[00:36:48] eu tenho espaço de manobra
[00:36:50] pra voltar, pra
[00:36:52] fazer. Não, não, não, peraí. Por que que eu tô
[00:36:54] deixando de sair porque eu sou casado com a Miriam?
[00:36:56] Porque eu sou casado com a Miriam. Meu marido também
[00:36:58] não quer sair porque não quer fazer nada. Aí,
[00:37:00] daqui a pouco eu tô sufocada, não tenho
[00:37:02] ar, porque eu tô em casa
[00:37:04] 24 horas por dia. Ele nunca
[00:37:06] me pediu isso, entendeu?
[00:37:08] Aí, eu vou sair.
[00:37:10] E aí, ele tem ciúme, eu vou tá sempre
[00:37:12] no mundo. Então, algumas vezes ele vai
[00:37:14] me acompanhar. Essa
[00:37:16] dança, que é quanto eu dou, quanto
[00:37:18] você dá, e como a gente faz,
[00:37:20] é, eu não acho, eu não consigo entender
[00:37:22] o que a Miriam diz de
[00:37:24] que é possível
[00:37:26] a gente fazer funcionar na rigidez.
[00:37:28] Eu acho que é no movimento
[00:37:30] que a gente encontra o equilíbrio. Ele
[00:37:32] não é, e o movimento é isso. Eu
[00:37:34] entendo o não se perder e eu acho isso
[00:37:36] importante, mas esse desejo do
[00:37:38] encontro, eu acho, pra
[00:37:40] mim, é essencial.
[00:37:42] Ju, deixa eu te falar uma coisa
[00:37:44] importantíssima. Não
[00:37:46] querer mudar o meu jeito de
[00:37:48] ser e não ceder
[00:37:50] no meu jeito de ser
[00:37:52] não significa
[00:37:54] não mudar a relação
[00:37:56] e transformar a relação. E
[00:37:58] negociar todos
[00:38:00] os dias a relação
[00:38:02] sem deixar de
[00:38:04] ser como eu sou.
[00:38:06] Isso, a minha
[00:38:08] tese de pós-doutorado
[00:38:10] é essa. Como
[00:38:12] você consegue
[00:38:14] não ferir você
[00:38:16] na sua essência,
[00:38:18] porque ser isso
[00:38:20] que eu sou é minha essência,
[00:38:22] numa relação.
[00:38:24] A minha relação dura hoje dez
[00:38:26] anos num
[00:38:28] constante
[00:38:30] processo de transformação.
[00:38:32] Minha,
[00:38:34] mas não da minha essência e da minha
[00:38:36] personalidade. E dele
[00:38:38] e não na essência. Porque
[00:38:40] ele, como você, eu acho
[00:38:42] que eu sou o seu marido
[00:38:44] e meu marido é você.
[00:38:46] Porque ele é explosivo,
[00:38:48] e eu sou
[00:38:50] pra dentro. E ele é pra
[00:38:52] fora. É o oposto.
[00:38:54] Como
[00:38:56] como que
[00:38:58] na relação
[00:39:00] eu vou continuar sendo quem
[00:39:02] eu sou inclusiva, ele
[00:39:04] vai continuar sendo explosivo
[00:39:06] e a gente vai funcionar
[00:39:08] até o momento que
[00:39:10] funcione.
[00:39:12] E tem funcionado dez anos.
[00:39:14] Mas eu sempre digo
[00:39:16] eu nunca vou mudar você.
[00:39:18] Você é
[00:39:20] isso. E você é isso desde criança.
[00:39:22] E eu sou isso desde criança.
[00:39:24] Querer mudar o outro é a maior roubada
[00:39:26] burra
[00:39:28] que alguém pode querer. Agora,
[00:39:30] a relação, aí acaba.
[00:39:32] Se ela não muda,
[00:39:34] se ela não transforma, acaba.
[00:39:36] Mas você sabe que essa história do mudar
[00:39:38] o outro é algo que
[00:39:40] convence, tentam convencer a gente de que
[00:39:42] nós mulheres somos capazes, né?
[00:39:44] De mudar o outro. Casar com
[00:39:46] um homem que é
[00:39:48] alcoólatra por causa de mim, ele vai
[00:39:50] mudar, ele vai deixar. Ele sempre
[00:39:52] foi mulherengo, mas agora, com esse
[00:39:54] meu relacionamento,
[00:39:56] também, aí ele vai mudar
[00:39:58] essa ideia. A frase
[00:40:00] básica, né, de uma mãe
[00:40:02] que tem um filho que, sabe aquele filho
[00:40:04] que deu vários problemas, e aí
[00:40:06] ele casa e ela fala assim, com muito orgulho,
[00:40:08] a minha nona deu um jeito nele.
[00:40:10] Eu só fico pensando o quanto que não
[00:40:12] doeu pra essa mulher, pra ter dado
[00:40:14] um jeito nesse homem. E eu acho que é muito
[00:40:16] importante que a gente fale uma coisa aqui nessa nossa conversa
[00:40:18] sobre quem tem que ceder, que é o fato
[00:40:20] de que nós, mulheres, sempre fomos
[00:40:22] ensinadas a ser as boazinhas, a ceder.
[00:40:24] É a gente que mantém
[00:40:26] a paz do relacionamento. Mesmo
[00:40:28] que isso signifique que a gente deixe
[00:40:30] as nossas próprias vontades de lado, que é isso
[00:40:32] que a Miriam não deixa, que é isso que eu também
[00:40:34] tô dizendo que não tô deixando, e que vocês, que a gente
[00:40:36] tá entrando aqui nessa conversa, né?
[00:40:38] Isso é cultural. É como
[00:40:40] a gente é criada. A sociedade
[00:40:42] espera que nós, mulheres,
[00:40:44] tenhamos esse
[00:40:46] comportamento. E isso
[00:40:48] cobra um preço muito alto
[00:40:50] da gente, do nosso psicológico,
[00:40:52] isso nos esgota, nos cansa,
[00:40:54] a gente se anula, se perde
[00:40:56] no meio do caminho, que é nesse momento
[00:40:58] que eu digo pra vocês, sabe? Eu tentei
[00:41:00] mudar, mas aí eu me perdi, aí fica aquele engordo,
[00:41:02] aquele relacionamento ruim, porque isso
[00:41:04] não é justo. Porque, na verdade,
[00:41:06] o que a gente quer, a gente quer é ser feliz,
[00:41:08] a gente quer ter voz, a gente quer ter vez.
[00:41:10] E a gente precisa
[00:41:12] se impor e buscar relacionamentos
[00:41:14] que sejam saudáveis e que permitam que a gente
[00:41:16] defenda. Eu não vou mudar. Essa
[00:41:18] é a minha essência. Quando você
[00:41:20] diz, isso aqui eu não abro mão,
[00:41:22] isso aqui eu não vou mudar, tem uma
[00:41:24] coisa muito importante que é sustentar
[00:41:26] a frustração do outro.
[00:41:28] Não é que você vai falar não
[00:41:30] pra pessoa e a pessoa vai ficar feliz.
[00:41:32] Você vai falar não pra pessoa e ela vai
[00:41:34] reagir do jeito que ela dá conta.
[00:41:36] Agora, eu acho que
[00:41:38] essa é a parte difícil,
[00:41:40] né? Se a Juliana vira e
[00:41:42] fala, então eu não vou sair porque ele
[00:41:44] não sai, e
[00:41:46] sustentar, não, eu vou
[00:41:48] sair. Ah, vai sustentar
[00:41:50] a cara feia, vai sustentar a frustração,
[00:41:52] vai sustentar o passivo agressivo.
[00:41:54] Então, sustentar
[00:41:56] o que o outro dá conta de
[00:41:58] responder a sua resistência
[00:42:00] também é importante, né?
[00:42:02] Assim, o outro é o
[00:42:04] universo do outro. Ele vai ficar frustrado
[00:42:06] e as pessoas frustradas respondem
[00:42:08] de maneiras diferentes, até se adaptar
[00:42:10] ou talvez nunca se adaptar.
[00:42:12] E aí, a Miriam falou
[00:42:14] que o marido dela é explosivo, né?
[00:42:16] Se acostuma com o jeito que a pessoa fala.
[00:42:18] Porque aí você fala, ah, ele
[00:42:20] fala assim. É o jeito que ele tem
[00:42:22] pra entregar o que ele quer dizer.
[00:42:24] E aí você se acostuma. Então,
[00:42:26] eu acho que tem um jogo aí também de sustentar
[00:42:28] o seu não, que é bem
[00:42:30] difícil e que a gente tem que treinar.
[00:42:32] Vamos mudar esse
[00:42:34] acostuma? Vamos mudar?
[00:42:36] É, eu não quero acostumar.
[00:42:38] Você passar a compreender
[00:42:40] que aquilo é
[00:42:42] dele e que ele é assim com
[00:42:44] todo mundo, que não é uma coisa
[00:42:46] com você, aí
[00:42:48] não te machuca tanto. Boa, compreender
[00:42:50] é ótimo. Eu não acostumo nunca.
[00:42:52] Eu não acostumo nunca
[00:42:54] uma pessoa exclusiva, uma pessoa que grita,
[00:42:56] eu não acostumo. Mas eu
[00:42:58] compreender. Olha, mudou
[00:43:00] o verbo, hein? Que é uma coisa
[00:43:02] dele, que ele é assim com todo
[00:43:04] mundo, que vai achar ele assim com
[00:43:06] todo mundo, e até
[00:43:08] qual é o meu limite
[00:43:10] pra aguentar isso
[00:43:12] que é dele. Então,
[00:43:14] eu não acostumo, mas eu compreendo.
[00:43:16] Muito bom. E pra mim isso
[00:43:18] Isso é o tolerar. de maturidade.
[00:43:20] Uhum. Quando
[00:43:22] você descobre, tem coisas que
[00:43:24] não são da relação.
[00:43:26] Que a
[00:43:28] a Ju vai ser
[00:43:30] exclusiva com todo mundo, inclusive
[00:43:32] comigo, se eu for amiga dela. Uhum.
[00:43:34] Eu quero ficar amiga dela?
[00:43:36] Aí, se eu quero ficar amiga dela, eu tenho que
[00:43:38] encontrar uma pessoa assim. Qual é o meu
[00:43:40] limite pras
[00:43:42] explosões dela? Porque aí ela vai saber
[00:43:44] até quando ela pode fluir de comigo.
[00:43:46] Porque o meu limite é menor do que o do
[00:43:48] marido dela, com certeza.
[00:43:50] Então, isso daí
[00:43:52] é uma negociação. Por isso que dá
[00:43:54] trabalho
[00:43:56] se relacionar com marido,
[00:43:58] com filho, com amigo,
[00:44:00] dá muito trabalho.
[00:44:02] Ou vai partir pra outra
[00:44:04] coisa rapidinha lá na internet
[00:44:06] se não quiser ter trabalho.
[00:44:08] Quero falar sobre isso, porque a gente já falou
[00:44:10] em vários Mamilos, e eu acho que nunca vai
[00:44:12] ser o suficiente, porque esse é o tema
[00:44:14] da contemporaneidade.
[00:44:16] No Mamilos 317 sobre
[00:44:18] ressentimento, o Christian Dunker
[00:44:20] disse uma coisa que a gente sempre lembra aqui
[00:44:22] a gente vive na falta
[00:44:24] e por isso eu desejo o outro.
[00:44:26] Eu desejo o que eu não tenho.
[00:44:28] Eu quero o outro, porque o outro
[00:44:30] é diferente de mim.
[00:44:32] Quando eu consigo o outro, eu quero transformá-lo
[00:44:34] ele em mim. E aí depois eu não sei
[00:44:36] porque eu morro de tédio na relação.
[00:44:38] E eu acho que é isso que a Miriam tá
[00:44:40] trazendo, que a gente tá falando.
[00:44:42] Como é que a gente ama o outro na sua
[00:44:44] alteridade?
[00:44:46] Sem que os nossos desejos sobre quem a gente
[00:44:48] quer que ele seja
[00:44:50] prevaleça. Eu acho
[00:44:52] só pra dar
[00:44:54] o pontapé
[00:44:56] pra mim, o que mudou essa chave
[00:44:58] foi na terapia eu olhar pra tudo
[00:45:00] que eu não tenho
[00:45:02] e perceber que ele exatamente
[00:45:04] ele é o meu yang, o meu yin e o yang
[00:45:06] porque ele tem pra caramba. Se eu não sei dizer não
[00:45:08] nossa senhora, ele nasceu com nó na boca.
[00:45:10] Ele não fala assim, entendeu?
[00:45:12] Ao invés de ficar
[00:45:14] puta que ele não fala assim
[00:45:16] olhar e falar, como que é então
[00:45:18] que a pessoa consegue falar não? Deixa eu olhar bem.
[00:45:20] Toda vez que ele fala não, eu fico olhando bem. Falo
[00:45:22] um dia vou conseguir. Pera, fala de novo.
[00:45:24] Eu tô fazendo esse
[00:45:26] pós-doutorado com uma fera
[00:45:28] uma mulher de 80 anos que é
[00:45:30] psicóloga de casais e família, tá?
[00:45:32] E na nossa última
[00:45:34] reunião eu perguntei pra ela
[00:45:36] Terezinha
[00:45:38] por que que os
[00:45:40] casais que eu pesquiso e eu pesquiso
[00:45:42] há mais de 30 anos, milhares de casais
[00:45:44] quase
[00:45:46] eu vou dizer 100%
[00:45:48] são a sua pior versão
[00:45:50] um com o outro.
[00:45:52] Por que uma pessoa que é
[00:45:54] super simpática, alegre, agradável
[00:45:56] com o vizinho
[00:45:58] com a pessoa que passou na rua agora
[00:46:00] chega em casa
[00:46:02] de cara feia, de mau humor
[00:46:04] reclamando
[00:46:06] com a desculpa da intimidade
[00:46:08] usa a pior roupa
[00:46:10] a pior cara
[00:46:12] com a desculpa da intimidade
[00:46:14] ela tem uma segurança
[00:46:16] de ser a sua pior versão
[00:46:18] com o seu
[00:46:20] grande amor.
[00:46:22] Por que que acontece isso?
[00:46:24] Ela é clínica, ela tem 80 anos
[00:46:26] ela pesquisa isso há mais de 50 anos
[00:46:28] e ela falou uma coisa
[00:46:30] assim, é porque você tem
[00:46:32] inconscientemente
[00:46:34] uma garantia
[00:46:36] uma segurança
[00:46:38] que naquele lugar
[00:46:40] o seu amor
[00:46:42] você pode tudo
[00:46:44] você pode ser tudo
[00:46:46] você não precisa controlar
[00:46:48] as coisas que você
[00:46:50] controla lá fora. Então
[00:46:52] todo esse podre que você controla
[00:46:54] quando você conhece
[00:46:56] que você está conquistando a pessoa
[00:46:58] com o tempo você vai
[00:47:00] a coisa que eu dei
[00:47:02] como exemplo para ela
[00:47:04] foi o peido. No começo da relação
[00:47:06] o marido
[00:47:08] segura o peido, segura o peido
[00:47:10] segura o peido
[00:47:12] depois, com 3, 4 meses
[00:47:14] solta o peido. Aí você que também
[00:47:16] segura, solta um peidinho
[00:47:18] mas de vergonha. Eu morro de vergonha
[00:47:20] morro de vergonha
[00:47:22] e ela falou para mim
[00:47:24] o peido é simbólico, tá? Ela falou assim
[00:47:26] Miriam, eu fui casada
[00:47:28] há 40 anos e eu nunca peidei
[00:47:30] porque o meu limite de respeito
[00:47:32] o meu, não tem onde
[00:47:34] todo mundo, é o peido
[00:47:36] então eu nunca perdi. E eu nunca perdi o meu
[00:47:38] limite de respeito. Os
[00:47:40] casais vão indo
[00:47:42] ultrapassando
[00:47:44] não estou falando que é o peido
[00:47:46] tá, para todo mundo
[00:47:48] hoje eu dou risada no peido
[00:47:50] mas vão ultrapassando
[00:47:52] diferente dos outros
[00:47:54] com as explosões, com os gritos
[00:47:56] com o que for, até
[00:47:58] um dia que a casa
[00:48:00] cai. E os casais
[00:48:02] vão testando. Isso é
[00:48:04] inconsciente, não é consciente
[00:48:06] você
[00:48:08] vai perdendo o respeito
[00:48:10] você vai perdendo a admiração
[00:48:12] você vai sendo violento
[00:48:14] verbalmente
[00:48:16] eu vejo casais xingando
[00:48:18] a mulher
[00:48:20] e o cara de
[00:48:22] gata burro
[00:48:24] na maior naturalidade
[00:48:26] e daqui a pouco está dando beijinho
[00:48:28] porque o limite lá
[00:48:30] é mais flexível do que o meu
[00:48:32] e provavelmente o da Cris também
[00:48:34] então isso
[00:48:36] é que é
[00:48:38] não é o fato dele ser teu complementar
[00:48:40] isso que eu quero dizer Ju
[00:48:42] é que vocês
[00:48:44] tem o limite
[00:48:46] da onde vai
[00:48:48] ou onde vem
[00:48:50] passando aí
[00:48:52] porque quando você passar
[00:48:54] você sabe que a casa cai
[00:48:56] eu gostei muito do que o Cristian falou
[00:48:58] porque eu me identifiquei todinha
[00:49:00] agora eu vou precisar de
[00:49:02] umas 4 sessões de terapia
[00:49:04] eu sou a pessoa que fica
[00:49:06] tentando fazer o outro
[00:49:08] ser parecida comigo
[00:49:10] primeiro porque eu me amo, eu me admiro
[00:49:12] eu me acho foda
[00:49:14] me acho incrível
[00:49:16] então eu acho que todo mundo tem que ser igual a mim
[00:49:18] é real isso
[00:49:20] e eu acho isso
[00:49:22] insuportável, ridículo
[00:49:24] e para o outro
[00:49:26] imagina alguém que está tentando moldar
[00:49:28] igual
[00:49:30] a ela
[00:49:32] eu faço isso com meu filho também
[00:49:34] tem que fazer assim, mas ele não é assim
[00:49:36] faz de outro jeito
[00:49:38] e agora eu estou com uma fazenda dessas
[00:49:40] de
[00:49:42] dupla sertaneja na cabeça
[00:49:44] que eu estou pirando
[00:49:46] quase ligando para minha psicóloga
[00:49:48] que eu preciso fazer uma sessão agora
[00:49:50] porque eu acho que eu entendi
[00:49:52] porque todos os meus relacionamentos
[00:49:54] não estão dando certo
[00:50:00] eu estou nesse nível
[00:50:02] porque é isso mesmo
[00:50:04] e aí depois quando você consegue em alguns momentos mudar
[00:50:06] a pessoa fica chata
[00:50:08] porque na verdade você não se apaixonou
[00:50:10] pela pessoa agindo dessa forma
[00:50:12] eu tinha um namorado que era muito irresponsável com o trabalho
[00:50:14] e
[00:50:16] já era um cara bem mais velho do que eu
[00:50:18] eu devia ter 30 anos e ele tinha 40
[00:50:20] e ele era aquele cara que chegava atrasado
[00:50:22] aquele cara que, ai hoje eu não vou
[00:50:24] e eu sempre fui
[00:50:26] muito correta
[00:50:28] corretíssima, eu não chego atrasada
[00:50:30] eu não
[00:50:32] se eu digo que eu vou entregar às 3h59
[00:50:34] às 3h59
[00:50:36] se eu não for entregar uma hora antes
[00:50:38] eu aviso, olha eu tive uma imprevista
[00:50:40] e eu ficava
[00:50:42] e o relacionamento foi ficando insuportável
[00:50:44] porque ele arrumou um emprego
[00:50:46] e eu ficava tentando fazer com que ele se tornasse
[00:50:48] esse bom funcionário
[00:50:50] até o dia que ele virou pra mim e falou assim
[00:50:52] que merda
[00:50:54] é você que é essa funcionária
[00:50:56] cachia, chata
[00:50:58] eu não sou, eu sou esse cara podre
[00:51:00] que vou chegar atrasada, me deixa
[00:51:02] e ai agora
[00:51:04] com essa frase eu estou de novo
[00:51:06] gente, isso é o Marcelo apareceu
[00:51:08] na minha cabeça
[00:51:10] eu achei que eu já tinha superado esse relacionamento
[00:51:12] agora ele voltou
[00:51:14] pois é
[00:51:16] eu acho que
[00:51:18] é uma coisa também que a gente desenvolve
[00:51:20] com o tempo, a capacidade de amar o outro
[00:51:22] na sua alteridade
[00:51:24] e ai as pessoas viram e falam assim
[00:51:26] gente, mas como é que você consegue gostar
[00:51:28] dessa pessoa
[00:51:30] eu não estou falando só de relações amorosas
[00:51:32] como é que você consegue conviver com sua mãe
[00:51:34] como é que você consegue gostar
[00:51:36] ter esse amigo
[00:51:38] alguma coisa conecta
[00:51:40] tem valores compartilhados
[00:51:42] ali e você aprendeu
[00:51:44] a amar a pessoa do jeito que ela é
[00:51:46] e eu acho que isso realmente
[00:51:48] é difícil, mas eu acho que da mesma
[00:51:50] maneira é libertador
[00:51:52] porque arrastar os outros
[00:51:54] pelos cabelos para a pessoa ser
[00:51:56] o que você gostaria
[00:51:58] é bem pior
[00:52:00] é bem pior do que tolerar
[00:52:02] o que você julga que é um defeito
[00:52:04] no outro, inclusive
[00:52:06] a manutenção dessa alteridade
[00:52:08] do outro ser um outro
[00:52:10] universo, ajuda muito
[00:52:12] mais a enriquecer
[00:52:14] o seu mundo, porque
[00:52:16] essa pessoa é sempre
[00:52:18] uma coisa a ser adaptada
[00:52:20] tolerada
[00:52:22] tem sempre
[00:52:24] um mistério nesse outro
[00:52:26] que é tão diferente de você
[00:52:28] e eu acho que o mistério é uma das coisas que faz
[00:52:30] com que a relação seja interessante
[00:52:32] tem sempre algo naquele outro
[00:52:34] que você entende que tem para aprender
[00:52:36] que tem para desejar
[00:52:38] que tem para admirar
[00:52:40] e aí Miriam, quando a gente fala
[00:52:42] desse lugar
[00:52:44] de que eu quero esse mundo
[00:52:46] para quem deseja um relacionamento
[00:52:48] porque um relacionamento
[00:52:50] tem um longo prazo
[00:52:52] ele nos ajuda, nós humanos
[00:52:54] com as nossas necessidades
[00:52:56] de segurança, de previsibilidade
[00:52:58] de confiabilidade
[00:53:00] de permanência
[00:53:02] existe uma maneira da lista
[00:53:04] de desejo ficar
[00:53:06] mais ou menos em sincronia
[00:53:08] com esse outro, para que a relação
[00:53:10] tenha durabilidade?
[00:53:12] eu não acredito muito em durabilidade
[00:53:14] eu não acredito
[00:53:16] nem muito em relação
[00:53:18] hoje em dia, sabe
[00:53:20] eu acredito em crescimento
[00:53:22] em maturidade e encontros
[00:53:24] possíveis, sabe
[00:53:26] é muito difícil esse encontro
[00:53:28] seja de um amor
[00:53:30] seja de uma família
[00:53:32] seja de um amigo
[00:53:34] cada vez mais difícil
[00:53:36] porque nosso nível de egoísmo
[00:53:38] de intolerância
[00:53:40] de narcisismo
[00:53:42] só aumenta
[00:53:44] porque nós somos satisfeitos
[00:53:46] rapidamente
[00:53:48] com os nossos celulares
[00:53:50] de um monte de desejo
[00:53:52] e trocamos muito rapidamente
[00:53:54] eu não estou
[00:53:56] numa fase otimista
[00:53:58] da minha vida
[00:54:00] para te dar uma resposta sobre durabilidade
[00:54:02] eu nunca tive
[00:54:04] a verdade de otimismo
[00:54:06] em relação a isso
[00:54:08] agora eu acredito muito em encontros
[00:54:10] muito
[00:54:12] eu tenho uma relação
[00:54:14] de 10 anos que só cresce
[00:54:16] e também não é do amor
[00:54:18] é do que
[00:54:20] de gostar
[00:54:22] de crescer
[00:54:24] de aprender isso que a Cris falou
[00:54:26] de superar conflitos
[00:54:28] de aprender a lidar
[00:54:30] com os conflitos
[00:54:32] e acredito muito em encontros
[00:54:34] de propósitos
[00:54:36] a Cris tem um propósito
[00:54:38] vocês tem um propósito
[00:54:40] e a gente se encontra e faz uma coisa bonita juntos
[00:54:42] mas
[00:54:44] durar é o mistério
[00:54:46] que a Cris falou
[00:54:48] não precisamos nos preocupar com isso
[00:54:50] porque se vai durar ou não
[00:54:52] vai depender
[00:54:54] da qualidade desse
[00:54:56] encontro
[00:54:58] da profundidade desse
[00:55:00] encontro e principalmente
[00:55:02] da maturidade
[00:55:04] que é uma palavra que eu gosto muito
[00:55:06] e para ter maturidade
[00:55:08] precisa ter autonomia
[00:55:10] de ser quem você é
[00:55:12] não é com máscara
[00:55:14] não é com gracinha
[00:55:16] não é com performer
[00:55:18] não é com sexo
[00:55:20] não é disso que
[00:55:22] o encontro vai se dar
[00:55:24] e eu acho também que a gente super
[00:55:26] valoriza durabilidade
[00:55:28] eu acho que a gente deveria valorizar
[00:55:30] a qualidade do encontro
[00:55:32] todos os encontros valem a pena
[00:55:34] porque você também aprende com o outro
[00:55:36] o que não é
[00:55:38] não é só o que é
[00:55:40] e aí a gente fica muito preso na questão do tempo
[00:55:42] e pouco
[00:55:44] preso na qualidade
[00:55:46] então enquanto aquilo está te fazendo crescer
[00:55:48] se movimentar no mundo
[00:55:50] a sua interessância
[00:55:52] alimenta a sua alma
[00:55:54] é um encontro válido
[00:55:56] e outra coisa assim
[00:55:58] é dividir essa atenção
[00:56:00] a gente está falando de lista
[00:56:02] o que você deseja conviver
[00:56:04] tem coisas que amigos vão te dar
[00:56:06] parentes vão te dar
[00:56:08] o trabalho vai te dar
[00:56:10] não vai ser só uma pessoa
[00:56:12] que vai cumprir todos os requisitos
[00:56:14] e aí vamos juntos
[00:56:16] encaixou
[00:56:18] e de novo o encaixe é um exercício eterno
[00:56:20] desencaixa, encaixa
[00:56:22] isso pode até ser sexy
[00:56:24] muito sexy
[00:56:26] esse desencaixa, encaixa
[00:56:28] é muito louco isso
[00:56:30] essa ideia de a gente colocar no outro
[00:56:32] o peso de ter que ser a pessoa
[00:56:34] que vai
[00:56:36] trazer toda a felicidade
[00:56:38] pra gente
[00:56:40] esse outro que fica com essa incumbência
[00:56:42] vai ser muito difícil de ser feliz nessa relação
[00:56:44] se tudo estiver cercado nele
[00:56:46] muito pelo contrário
[00:56:48] talvez ele vai abrir mão
[00:56:50] da felicidade dele
[00:56:52] pra poder agradar o outro
[00:56:54] eu sempre fico muito pensando nessas questões de gênero
[00:56:56] esse peso acaba caindo muito mais
[00:56:58] pra nós mulheres
[00:57:00] essa que diz sim pro outro
[00:57:02] e não pra si mesma
[00:57:04] mas
[00:57:06] tem a pergunta que vocês fizeram
[00:57:08] lá no início
[00:57:10] que eu fiquei pensando muito ao longo de tudo isso
[00:57:12] que a gente conversou
[00:57:14] se existe a pessoa certa
[00:57:18] eu acho que existe a pessoa certa
[00:57:20] pra cada fase da nossa vida
[00:57:22] pra cada momento
[00:57:24] por exemplo, eu hoje sou essa mulher
[00:57:26] que só a maturidade vai me permitir
[00:57:28] entender
[00:57:30] que não existe um único ser humano
[00:57:32] capaz de me fazer feliz
[00:57:34] é um conjunto de pessoas
[00:57:36] de coisas que vão me fazer
[00:57:38] vão permitir que eu me sinta
[00:57:40] uma mulher mais
[00:57:42] feliz comigo mesma
[00:57:44] vão acionar em mim
[00:57:46] emoções e sentimentos
[00:57:48] que vão fazer com que eu me sinta feliz com ela
[00:57:50] comigo mesma
[00:57:52] e existem pessoas pra cada momento
[00:57:54] e acho que tem gente que vem na nossa vida
[00:57:56] pra ensinar, tem gente que vem pra gente
[00:57:58] pra nos amar
[00:58:00] tem gente que vem pra bagunçar tudo
[00:58:02] vem, bagunça, faz aquela bagunça
[00:58:04] depois vai embora
[00:58:06] tá tudo bem também
[00:58:08] o importante é a gente saber estabelecer os limites
[00:58:10] pra que essa bagunça não nos fira
[00:58:12] mas sim nos traga transformações
[00:58:14] porque a vida ela é feita de
[00:58:16] encontros, é feita de desencontros
[00:58:18] o importante é a gente
[00:58:20] eu penso que pra mim
[00:58:22] o importante é que eu esteja aberta
[00:58:24] pro novo, eu sempre busquei
[00:58:26] isso, estar aberta pro novo
[00:58:28] eu amo conhecer gente nova
[00:58:30] eu gosto de me permitir ser amada
[00:58:32] e amar, eu gosto de conhecer gente
[00:58:34] com muita rapidez, de repente viver aquele
[00:58:36] amor de final de semana
[00:58:38] que meu Deus, eu quero casar e me apaixonar
[00:58:40] e na segunda-feira tá tudo bem, foi só uma transa boa
[00:58:42] relaxa
[00:58:44] tá tudo bem
[00:58:46] não tem problema
[00:58:48] continua a vida e tá tudo bem
[00:58:50] a Esther
[00:58:52] fala um negócio que eu gosto muito
[00:58:54] e que vai
[00:58:56] ao encontro do que vocês estão falando
[00:58:58] não põe tanta pressão em cima
[00:59:00] do relacionamento, que ela fala que
[00:59:02] a carreira, a família
[00:59:04] e até
[00:59:06] a espiritualidade, a gente matou Deus
[00:59:08] então toda
[00:59:10] a realização
[00:59:12] do indivíduo
[00:59:14] tá nesse amor, então esse amor
[00:59:16] ele tem que entregar coisa demais
[00:59:18] nenhum amor em nenhum tempo entregou
[00:59:20] tudo isso galera, não vai rolar
[00:59:22] entendeu, então acho que pra mim é essa
[00:59:24] resposta de se tem uma pessoa certa
[00:59:26] assim, vamos tirando o que
[00:59:28] não deveria estar no ombro dessa pessoa
[00:59:30] ah eu queria alguém que me ouvisse
[00:59:32] você tem suas amigas, ah eu queria alguém
[00:59:34] que me desse esse suporte, vai trabalhar amor
[00:59:36] eu queria alguém que, vamos
[00:59:38] dar cada coisa, vai procurar
[00:59:40] vai nutrir a sua religião, vai
[00:59:42] vamos atrás das coisas, porque se a gente
[00:59:44] devolve pro relacionamento
[00:59:46] o espaço que ele deveria ter na vida
[00:59:48] o que ele é capaz de te dar
[00:59:50] talvez fique um pouco mais possível
[00:59:52] eu acho que existe
[00:59:54] pessoa que te faz bem
[00:59:56] e pessoa que te faz mal
[00:59:58] isso eu não tenho dúvida
[01:00:00] eu não chamo de certa
[01:00:02] errada, tem pessoa que te faz
[01:00:04] bem, que você sente que com aquela
[01:00:06] pessoa, mesmo não tendo
[01:00:08] mil por cento
[01:00:10] você tá bem, você tá crescendo
[01:00:12] você tá evoluindo, você tá
[01:00:14] fazendo coisas boas, o teu dia
[01:00:16] na somatório
[01:00:18] foi bom, foi
[01:00:20] mais pra agradável do que pra desagradável
[01:00:22] tem pessoas que te fazem mal
[01:00:24] mesmo que você trepe muito
[01:00:26] que seja ótimo, que tenha prazer
[01:00:28] ela te faz mal
[01:00:30] faz mal pra tua vida como um todo
[01:00:32] isso no casamento
[01:00:34] na relação, na família
[01:00:36] no trabalho, tem pessoa
[01:00:38] que te faz bem e pessoa que te faz
[01:00:40] mal, tem pessoa que faz
[01:00:42] a tua vida ir pra
[01:00:44] frente e tem pessoa que faz
[01:00:46] você ter pânico
[01:00:48] de seguir em frente
[01:00:50] isso é tão óbvio
[01:00:52] eu chamo de vampiros emocionais
[01:00:54] essas pessoas que sugam
[01:00:56] não é porque ela é ruim
[01:00:58] ou porque ela é mal, ou porque ela é perversa
[01:01:00] mas elas te sugam, não combina
[01:01:02] e tem as pessoas que eu chamo de
[01:01:04] anjos, mas vocês podem
[01:01:06] chamar como quiserem
[01:01:08] que mesmo que tenha problema
[01:01:10] tenha conflito, elas te nutrem
[01:01:12] te alimentam
[01:01:14] pra vida, te fazem ter
[01:01:16] coragem de viver
[01:01:18] isso pra mim não é certo
[01:01:20] é errado
[01:01:22] é o mundo
[01:01:24] e é um pouco o que combina com você
[01:01:26] porque as vezes essa mesma vampira
[01:01:28] combina muito
[01:01:30] com outra pessoa
[01:01:32] e esse anjo pode ser um vampiro
[01:01:34] pra outra, sabe
[01:01:36] então isso eu acredito
[01:01:38] em todas as relações
[01:01:40] então tira essa palavrinha certa
[01:01:42] e errada
[01:01:44] que tem um julgamento moral
[01:01:46] e coloca assim
[01:01:48] o que te faz bem
[01:01:50] o que te alimenta
[01:01:52] o que te dá coragem de viver
[01:01:54] e aquela pessoa que coitada
[01:01:56] nem é intencionalmente
[01:01:58] te suga
[01:02:00] eu sempre me relacionei com pessoas legais
[01:02:02] bacanas, que tinham defeitos
[01:02:04] mas eram ótimas pessoas
[01:02:06] foram pessoas que me ajudaram a crescer
[01:02:08] e tudo isso faz parte
[01:02:10] da Cris que eu sou hoje
[01:02:12] da Cris que hoje
[01:02:14] chega e entende
[01:02:16] muito mais sobre ela
[01:02:18] e já até ao longo desse episódio
[01:02:20] mudou um pouco alguns requisitos
[01:02:22] da lista
[01:02:24] maravilhoso
[01:02:26] a minha lista já está diferente aqui no final
[01:02:28] sabe
[01:02:30] porque eu acho que
[01:02:32] é sobre isso
[01:02:34] o que me faz ser uma pessoa melhor
[01:02:36] a cada dia
[01:02:38] eu acredito que é a minha capacidade
[01:02:40] de aprender e me permitir
[01:02:42] me transformar com o outro
[01:02:44] lindo
[01:02:46] Miriam quer encerrar?
[01:02:48] você fala do encaixe e desencaixe
[01:02:50] em um momento e como isso
[01:02:52] ao longo da vida
[01:02:54] eu acho que um dos maiores
[01:02:56] obstáculos
[01:02:58] para as relações
[01:03:00] e para os encontros todos
[01:03:02] é essa questão do tempo
[01:03:04] porque no tempo
[01:03:06] nós mudamos muito
[01:03:08] e nem sempre
[01:03:10] os outros mudam igual
[01:03:12] é muito difícil
[01:03:14] mudar juntinho
[01:03:16] sabe nesse caminho?
[01:03:18] muito tempo
[01:03:20] esses que conseguem
[01:03:22] que eu
[01:03:24] acompanho nesses 30 anos
[01:03:26] eles tem um
[01:03:28] nível de
[01:03:30] alegria, de prazer
[01:03:32] de diversão
[01:03:34] de falta de expectativa
[01:03:36] com o futuro
[01:03:38] e conseguem viver o dia a dia
[01:03:40] sabe?
[01:03:42] são os que menos tem expectativa
[01:03:44] os que menos se esforçam
[01:03:46] os que menos trabalham
[01:03:48] o dia a dia
[01:03:50] sem tanto drama
[01:03:52] é o que é
[01:03:54] essas pessoas para mim
[01:03:56] são as mais admiráveis
[01:03:58] porque elas sabem
[01:04:00] que o futuro
[01:04:02] só a Deus pertence
[01:04:04] mas o presente
[01:04:06] depende de nós
[01:04:08] muito bom garotas
[01:04:10] muito obrigada por esse papo
[01:04:12] acho que tem tanta coisa bonita
[01:04:14] que a gente falou
[01:04:16] relações mais saudáveis
[01:04:18] das pessoas com elas mesmas
[01:04:20] e com os outros
[01:04:22] um prazer recebê-las aqui
[01:04:24] voltem sempre
[01:04:26] gente, obrigada
[01:04:28] prazer imenso
[01:04:30] Cris e Ju
[01:04:32] vocês são pessoas certas
[01:04:34] na minha vida
[01:04:36] obrigada Miriam
[01:04:38] por essa conversa aqui
[01:04:40] Miriam também me trouxe insights
[01:04:42] poderosa
[01:04:44] me ajudou a mexer na lista aqui
[01:04:46] mas nós vamos ter muito peso
[01:04:48] vamos fazer coisas juntas
[01:04:50] estamos aguardando
[01:04:52] o resultado do seu pós doc pra trabalhar
[01:04:54] beijo meninas
[01:04:56] beijo gente, até a próxima
[01:05:12] na jornada pelo controle de peso
[01:05:14] saber que você não está sozinho
[01:05:16] é fundamental
[01:05:18] acesse meu peso minha jornada