#340 - Revisitando a Revolução Russa


Resumo

O episódio revisita a Revolução Russa de 1917, discutindo seu contexto, legado e lições para o presente. O convidado Antônio Carlos Porto Jr. argumenta que a Revolução não foi um fenômeno apenas russo, mas um processo revolucionário mais amplo que se espalhou pela Europa, envolvendo Alemanha, Hungria e outros países. A conversa aborda a organização através dos sovietes, o papel das mulheres, a construção do socialismo na União Soviética e os impasses que levaram à sua dissolução.

A análise destaca o papel central da União Soviética na derrota do nazismo na Segunda Guerra Mundial, contrastando com a narrativa ocidental que minimiza essa contribuição. Discute-se também a reescrita da história em plataformas como a Wikipedia, que apagam o papel dos soviéticos e glorificam colaboradores nazistas, especialmente nos países bálticos e na Ucrânia.

O debate se volta para a figura de Lênin, não como um mito, mas como um estrategista que soube ler a conjuntura e construir um partido e uma liderança coletiva. A conversa critica a esquerda contemporânea por ter perdido o método revolucionário e o programa, adaptando-se ao neoliberalismo e falhando em responder aos anseios populares, o que abre espaço para o crescimento da extrema-direita, exemplificado pela eleição de Donald Trump.

Por fim, o episódio reflete sobre a necessidade de a esquerda recuperar um programa que articule valores socialistas, solidariedade e responda a questões concretas como família, religião e soberania nacional, sem deixá-las nas mãos da direita. A mensagem central é a de que é possível construir um mundo diferente, mas isso exige organização, método e a crença na mobilização popular.


Indicações

Podcasts

  • Lado B do Rio #38 — Episódio feito no centenário da Revolução Russa, em outubro de 2017, mencionado por Daniel como um programa anterior sobre o mesmo tema.

Linha do Tempo

  • 00:03:16Introdução ao tema e boas-vindas ao convidado — Caio Belandi apresenta o episódio 340, que revisita a Revolução Russa no aniversário de 107 anos. A mesa completa é apresentada, incluindo o convidado Antônio Carlos Porto Jr., advogado e integrante do coletivo jurídico da CUT-RS. Porto é recebido e fala sobre a importância de debater o tema diante da reescrita da história em plataformas como a Wikipedia.
  • 00:10:27A Revolução como fenômeno europeu e não apenas russo — Porto argumenta que a Revolução de 1917 não foi apenas russa, mas um processo revolucionário mais amplo que atingiu o Império Austro-Húngaro, a Alemanha, China e Mongólia. Ele descreve a guerra civil subsequente que envolveu vários países e a derrota da revolução em nações como Finlândia, Polônia e Hungria. Esse isolamento posterior explicaria parte dos impasses da construção do socialismo na União Soviética.
  • 00:19:41O papel das mulheres na Revolução Russa — Luara pergunta sobre a participação das mulheres, destacando figuras como Alexandra Kollontai e Clara Zetkin. Porto explica que, com os homens na guerra, houve uma grande concentração de mulheres nas indústrias, sendo a faísca inicial do processo. A Revolução trouxe avanços como o sufrágio feminino, legislação sobre aborto e divórcio, e a criação de creches, representando uma explosão de liberdade e direitos.
  • 00:29:49A organização através dos sovietes e a tomada do poder — Caio pergunta sobre as formas de organização que levaram à Revolução. Porto explica a experiência dos sovietes (conselhos de operários, soldados e camponeses) desde 1905. Essa auto-organização criou uma situação de duplo poder, capilarizou a mensagem revolucionária pelo vasto território e permitiu que os trabalhadores governassem efetivamente, sendo a chave para o sucesso da tomada do poder.
  • 00:34:38Economia planificada, industrialização e o esgotamento da URSS — Caio pergunta sobre os planos quinquenais e a economia planificada que transformaram a URSS de um país agrário em uma superpotência, e as razões de seu esgotamento. Porto discute os sucessos iniciais, a dificuldade de planejar o consumo de bens cotidianos e o surgimento de uma burocracia autônoma que, ao buscar sua própria estabilidade, comprometeu a renovação do sistema, culminando na dissolução sem grande resistência.
  • 00:47:11O papel da URSS na Segunda Guerra e o apagamento histórico — Fagner questiona o apagamento do papel soviético na Segunda Guerra, frequentemente retratada como uma vitória americana. Porto critica a historiografia baseada em memórias de generais alemães e destaca operações gigantescas como a Batalha de Bagration. Ele denuncia a reescrita da história que hoje glorifica colaboradores nazistas nos países bálticos e apaga o papel soviético na derrota do fascismo.
  • 00:59:12A figura de Lênin: método revolucionário versus mitificação — Luara pergunta sobre Lênin, destacando sua capacidade de leitura da conjuntura e de construção de um partido, em contraste com sua mitificação tanto pela direita quanto pela esquerda. Porto descreve Lênin como um internacionalista que conhecia profundamente seu país, um construtor de liderança coletiva, e cuja figura hoje é atacada para apagar o método revolucionário e a ideia de que um outro mundo é possível.
  • 01:14:48A eleição de Trump e os reflexos para o Brasil — No quadro “Caô da Semana”, o grupo discute a vitória de Donald Trump. Analisam o desencanto com o Partido Democrata, a sobrevida que a vitória dá ao fascismo global e o fortalecimento imediato de Jair Bolsonaro no cenário político brasileiro. Discutem a necessidade de a esquerda oferecer respostas programáticas concretas para não ceder espaço à extrema-direita.

Dados do Episódio

  • Podcast: Lado B do Rio
  • Autor: Central 3 Podcasts
  • Categoria: Society & Culture
  • Publicado: 2024-11-08T19:00:02Z
  • Duração: 01:48:37

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] O podcast que você ouve agora é uma produção da Central 3.

[00:00:30] Bom momento, ouvintes do Lado B do Rio.

[00:00:35] Eu sou a Luma e estou passando para avisar que a We Create Idiomas,

[00:00:38] a escola de idiomas parceira do Lado B, está com matrículas abertas para 2025.

[00:00:43] Então, se você quer estudar inglês ou espanhol no conforto do seu lar,

[00:00:47] online, ao vivo, com professores graduados em letras, esse é o seu momento.

[00:00:52] Até dia 30 de novembro, estamos com condições especiais para matrículas.

[00:00:57] Segue a gente em…

[00:01:00] We Create Idiomas.

[00:01:01] Se você não sabe escrever We Create, fica tranquila.

[00:01:04] W-E-C-R-E-A-T-E, idiomas.

[00:01:07] E lá você vai achar todos os links para o nosso WhatsApp, para o nosso site

[00:01:12] e um monte de vídeo legal.

[00:01:13] A We Create é uma escola feita por duas professoras,

[00:01:17] contrata todos os seus funcionários através da CLT

[00:01:20] e pagamos todos os direitos trabalhistas.

[00:01:23] Então, nós somos muito preocupadas com questões sociais

[00:01:26] e vocês podem estudar sem peso na consciência,

[00:01:29] sabendo que não estão.

[00:01:30] Então, estudando no curso de um bilionário que não está nem aí para vocês.

[00:01:33] Valeu, galera. Um abraço.

[00:01:35] Bom momento, espectadores e espectadoras do lado B.

[00:01:38] Bom momento aos ouvintes da Central 3.

[00:01:40] Hoje é quinta-feira, dia 7 de novembro de 2024.

[00:01:44] E eu sou Caio Belandi, direto do Saúl Estúdio.

[00:01:47] Este é o lado B do Rio.

[00:01:48] 340 chegando aqui no YouTube e também no seu feed de podcasts.

[00:01:53] Você já sabe, no YouTube, para a gente é importante você verificar

[00:01:56] se você assina o canal,

[00:01:58] se você é inscrito,

[00:02:00] se você é inscrito no nosso canal.

[00:02:01] Se não for, inscreva-se.

[00:02:02] É importante que você ative as notificações após ser inscrito,

[00:02:05] porque só assim o YouTube te entrega os conteúdos do canal.

[00:02:11] É isso.

[00:02:11] Então, além de escrever para driblar o algoritmo,

[00:02:14] você ainda precisa ativar a notificação, dizer que quer.

[00:02:17] E, claro, deixar o like para a gente.

[00:02:18] É fundamental que você deixe o like também para aumentar o nosso alcance.

[00:02:22] Tá bom?

[00:02:24] Compartilhar e comentar também.

[00:02:25] Sempre bom.

[00:02:26] Se você gostar do programa, compartilhe nos seus grupos,

[00:02:29] nas suas redes.

[00:02:30] E deixe seu comentário, seu feedback, tá?

[00:02:32] O time está novamente completo.

[00:02:34] Fagner Torres Lima está de volta ao meu lado, no seu estúdio,

[00:02:38] juntamente com o Daniel Soares e, via internet, Luara Ramos.

[00:02:43] Também está com a gente, virtualmente, Antônio Carlos Porto Jr.,

[00:02:48] advogado, integrante do coletivo jurídico da CUT do Rio Grande do Sul.

[00:02:52] Hoje a gente vai conversar com o Porto…

[00:02:54] Vamos revisitar, na verdade, um acontecimento histórico

[00:02:59] que está fazendo.

[00:03:00] É necessário, nesta data, né?

[00:03:01] Fazendo aí 107 anos da Revolução Russa.

[00:03:04] A gente vai querer conversar quais os legados, o que aprender,

[00:03:08] quais as saídas que Lênin e sua turma de camaradas

[00:03:11] deixam para a gente aí, mais de 100 anos depois.

[00:03:14] Porto, bem-vindo.

[00:03:16] Obrigado por aceitar o nosso convite.

[00:03:17] Vamos bater esse papo para tentar nos inspirar um pouco, né?

[00:03:20] Verdade.

[00:03:21] Bom, pessoal, boa noite, boa tarde, bom dia.

[00:03:24] Eu fico muito agradecido por participar do programa de vocês.

[00:03:27] Estou muito honrado.

[00:03:28] E tratar de um tema que foi transcendental para a história

[00:03:33] do século passado, do século XX.

[00:03:34] Foi um dos acontecimentos mais marcantes daquele período

[00:03:37] e que está agora fazendo um pouco mais de 100 anos.

[00:03:40] Acho que é algo que a gente precisa conversar, precisa relembrar,

[00:03:43] porque, de uma forma impressionante, a história vem sendo reescrita

[00:03:47] de uma maneira muito rápida.

[00:03:50] E alguns elementos, como redes sociais e como Wikipedia,

[00:03:55] conseguem fazer com que vários acontecimentos históricos,

[00:03:58] hoje, tenham um vetor totalmente diferente do que eles eram.

[00:04:01] Se a gente consulta o mesmo verbete de algum tempo atrás,

[00:04:04] o seu conteúdo é completamente diferente.

[00:04:07] Então, é importante a gente fazer esse debate aqui

[00:04:09] e tratar desse tema que é instigante.

[00:04:12] É isso, Luara.

[00:04:13] Boa noite.

[00:04:14] Vamos falar de Revolução Russa e vamos falar de Trump também

[00:04:16] no próximo bloco, no bloco do Caô da Semana.

[00:04:18] Bem-vinda.

[00:04:19] Olá, Caio, Fagner, Daniel.

[00:04:22] Bom ter o time completo de novo.

[00:04:23] Olá, Porto.

[00:04:25] É, para citar, já começar, já que a gente já falou,

[00:04:28] aqui, do camarada Lenha, né?

[00:04:31] Há décadas em que nada acontece,

[00:04:32] mas há semanas em que décadas acontecem, né?

[00:04:35] As vias também que antecipam bastante as coisas.

[00:04:38] Acho que o Porto já deu a linha do que vai ser essa conversa,

[00:04:41] a gente revisitando aí a Revolução Russa, o legado,

[00:04:45] os símbolos também, que eu acho que é importante,

[00:04:48] são importantes, né?

[00:04:49] Ainda mais agora, com essa nova vitória, né?

[00:04:53] Mais um avanço aí da extrema-direita.

[00:04:55] Acho que a gente tem muito…

[00:04:58] Eu vou dizer aqui aprender,

[00:05:00] porque parece que não aprendemos tão bem assim.

[00:05:02] Então, vamos juntos nesse papo aí hoje.

[00:05:05] A gente está a uma década em que toda semana passam algumas décadas.

[00:05:10] Fagner, boa noite, bem-vindo de volta.

[00:05:12] Boa noite, obrigado mais uma vez.

[00:05:15] Também Caio, Daniel, Luara, obrigado, Porto.

[00:05:18] Só complementando o que o Porto falou, né?

[00:05:21] Eu acho que a Revolução Russa não só está fazendo aniversário,

[00:05:24] como está fazendo muita falta também.

[00:05:27] Eu acho que ela está fazendo mais falta que aniversário, na verdade.

[00:05:31] Num momento como esse, era fundamental que ela estivesse aqui perto da gente.

[00:05:35] Mas ela partiu e nunca mais voltou.

[00:05:39] Ela partiu.

[00:05:41] Daniel, você que é um fã de efemérides, né?

[00:05:44] Vamos falar sobre…

[00:05:45] Você é um fã de efemérides, a gente sabe.

[00:05:47] Boa noite.

[00:05:47] Boa noite, né?

[00:05:48] Efeméride quebrada, né?

[00:05:49] 107.

[00:05:50] É, efeméride.

[00:05:51] Mas eu acho que…

[00:05:52] A gente tem que cantar o parabéns todo ano.

[00:05:54] Eu acho que há sete anos atrás a gente fez um programa, inclusive, né?

[00:05:56] A gente fez um programa sobre…

[00:05:57] É um centenário, né?

[00:05:58] Então, boa noite.

[00:05:59] Boa noite para todos na mesa e vamos lá.

[00:06:02] A gente fez…

[00:06:03] Eu queria lembrar depois o número.

[00:06:05] Depois se eu puder pesquisar aí, a gente vai dar o serviço completo.

[00:06:08] Mas a gente fez, sim.

[00:06:09] Antes de iniciar o papo, agora que o mês virou, né?

[00:06:12] Eu quero lembrar vocês, te convidar, na verdade, a apoiar o Lado B.

[00:06:16] A gente está precisando retomar aí o nosso nível de apoio que a gente perdeu nos últimos meses.

[00:06:20] A gente precisa da sua ajuda para manter a luz do estúdio acesa, continuar na luta.

[00:06:24] A partir de R$10,00 por mês, você concorre…

[00:06:27] Réus sorteios da camisa crítica e recebe semanalmente a newsletter Lado B de Ler,

[00:06:32] com reflexões, textos, dicas culturais, diretamente no seu e-mail, toda quinta-feira.

[00:06:38] Hoje a gente já enviou aí a segunda edição.

[00:06:41] Luara gostou, foi aprovado pela Luara, que ficou muito feliz.

[00:06:43] Eu, como editor da newsletter, né?

[00:06:46] Fico muito feliz que ela aprovou.

[00:06:47] E ela e o Fagner fizeram uma dica cultural em conjunto aí.

[00:06:51] Então, vocês vão saber qual é?

[00:06:54] Só se vocês apoiarem o Lado B, né?

[00:06:55] A gente tem que fazer uma surpresa.

[00:06:57] Um pouquinho mais pra frente, eles vão dizer.

[00:06:59] De repente, aí nas próximas semanas, eles podem dizer qual a dica que eles deram.

[00:07:02] Só vou falar depois que pingar lá no nosso financiamento coletivo.

[00:07:07] Nossa, aí tá muito legal o formato, gente.

[00:07:09] Eu tô adorando, porque eu gosto demais de podcast.

[00:07:12] Virei uma ouvinte de podcast desde que comecei a fazer o Lado B.

[00:07:15] Já confessei aqui que antes eu não ouvia tanto.

[00:07:17] Aí passei a fazer, porque, cara, eu preciso ouvir mais coisa.

[00:07:20] Ver o que tá rolando aí.

[00:07:21] E fui aprendendo junto.

[00:07:24] Mas o formato texto, como o Caio já disse,

[00:07:27] acho que tá no nosso coração, né, também.

[00:07:31] Que a gente faz comunicação, acho que não dá pra abandonar nunca.

[00:07:33] Então, se o Lado B já era bom de ouvir e de ler, tá muito legal, gente.

[00:07:38] Eu tô gostando demais e espero contribuir mais nas próximas edições.

[00:07:41] Quando o mundo acabar, vai restar só as palavras.

[00:07:44] As palavras que foram escritas e mais nada.

[00:07:47] É o que vai ficar.

[00:07:48] A gente vai partir, as vozes vão partir,

[00:07:51] mas as palavras vão ficar escritas em algum lugar.

[00:07:53] Fiquei com medo de você citar lá a frase do Temer em latim.

[00:07:57] Pois é.

[00:07:58] Fagner, deixa o seu fatalismo pra depois, que a gente tá fazendo aqui.

[00:08:01] Agora a gente precisa arrecadar.

[00:08:02] Então, não dá pra ser fatalista querendo arrecadar.

[00:08:04] Porque senão ninguém vai querer pagar nada.

[00:08:06] Se vai acabar.

[00:08:06] Pois é.

[00:08:07] Então a faixa de…

[00:08:07] O mundo vai acabar.

[00:08:08] Pois é, né, ninguém vai querer arrecadar.

[00:08:10] A gente gasta tudo de cachaça.

[00:08:11] Pode gastar.

[00:08:12] Ou pode fazer o contrário, é verdade.

[00:08:13] Aproveita que o mundo vai acabar, não precisa guardar dinheiro, não precisa nada.

[00:08:16] Não é verdade.

[00:08:16] Não vai adiantar nada.

[00:08:17] Ó, a gente tratou da Revolução Russa no centenário no Lado B 38.

[00:08:21] Olha aí.

[00:08:22] Antecipado em 20 de outubro de 2017.

[00:08:24] É isso.

[00:08:24] Então, retomando aqui, a faixa de 20 reais por mês, você ainda, além da newsletter

[00:08:30] semanal que você recebe no e-mail e dos sorteios da Camisa Crítica, você ainda pode fazer

[00:08:34] parte do nosso conselho editorial no Telegram.

[00:08:37] Então, como é que você apoia o Lado B?

[00:08:38] Em apoia.se barra Lado B do Rio ou orelo.cc barra Lado B do Rio.

[00:08:44] Se você não puder ou não quiser fazer parte desse plano de apoio, desse financiamento

[00:08:48] coletivo, você pode ajudar com qualquer valor e quando quiser, enviando pix para ladobedorio

[00:08:54] arroba.

[00:08:54] e arroba.com

[00:08:56] Agora, o Cesarotti vai soltar a vinheta nos tempos da Guanabara aí para quem está no

[00:09:00] podcast, para que o YouTube não vai ter, porque pode ser que, né, direito autoral

[00:09:04] podem derrubar, mas a gente vai falar agora da Revolução de 1917.

[00:09:22] Porto, eu quero falar bastante das livrarias.

[00:09:24] Eu quero falar bastante das tradições, dos legados, né, desse movimento, mas eu acho

[00:09:29] que antes é necessário a gente fazer uma breve contextualização, uma explicação,

[00:09:34] enfim, mais resumida possível, né, embora esse seja um assunto difícil de resumir,

[00:09:40] desse contexto pré-revolucionário, né, ou seja, como é que a Rússia e o mundo, o

[00:09:44] que que se explicava naquele momento para vir uma explosão de uma revolução tão

[00:09:51] significativa, tão simbólica para o século XX.

[00:09:54] Você desse um pouco desse apanhado, né, do contexto à época para que, enfim, chegasse

[00:10:00] ali no 7 de novembro, no 7 de novembro, nosso calendário, né, em 17, na Revolução Russa.

[00:10:07] Eu posso fazer um acréscimo ao que o Porto pode falar também, se além disso, se ele

[00:10:13] vê se esse panorama, né, de lá de 1917 pré-revolucionário, se existe algum paralelo

[00:10:22] com o que a gente vive hoje, assim.

[00:10:24] Cenário com o que a gente vive hoje também.

[00:10:26] Pois então.

[00:10:27] Bom, primeiro eu queria até começar com uma pequena provocação, assim, que na verdade

[00:10:32] a Revolução não foi uma Revolução Russa.

[00:10:36] A Revolução que ocorreu no final da Segunda, da Primeira Guerra Mundial, ela não aconteceu

[00:10:42] só na Rússia, ela começou na Rússia, ela teve uma liderança de Lenin, de Trotsky,

[00:10:48] de líderes, de vários líderes russos, mas ela não se restringiu à Rússia.

[00:10:54] Ela aconteceu no Império Austríaco, no Império Austro-Húngaro, aconteceu no Império

[00:10:59] Alemão, então foi um processo revolucionário que envolveu inclusive China, Mongólia, foi

[00:11:05] um processo revolucionário muito mais amplo, muito mais amplo do que simplesmente uma Revolução

[00:11:10] Russa, por diversos motivos, seja pela historiografia ocidental, que procurou confinar o fenômeno,

[00:11:18] um fenômeno exótico havido na Rússia, e também um pouco pela historiografia soviética,

[00:11:24] pós-Pós-Stalin, no sentido de trabalhar com uma ideia meio nacionalista, que se constituiu

[00:11:30] uma noção de que se tratou de uma Revolução Russa quando não foi, ela foi muito mais

[00:11:35] ampla do que isso.

[00:11:36] E se a gente pensar em enxergar a Guerra Civil, que seguiu a Revolução Russa, é ainda mais

[00:11:42] impressionante, assim, porque assim, nós tivemos guerra civil na Alemanha, nós tivemos

[00:11:48] na Letônia, nós tivemos na Polônia, na Estônia, na Hungria, então assim, se envolveram

[00:11:54] um conjunto de forças que não se restringiu apenas, ah, porque a Revolução foi na Rússia

[00:11:59] e aconteceu, não, teve um enfrentamento global do capitalismo com as forças socialistas,

[00:12:05] as forças comunistas, numa vitalidade super importante, e o que eu, quando eu falo que

[00:12:10] começam a reescrever a história, é que boa parte daquele processo revolucionário

[00:12:14] passa a ser contado hoje a partir de uma ótica que despreza a natureza da Revolução que

[00:12:22] estava acontecendo naquele momento.

[00:12:24] Parece como a guerra russo-polonesa.

[00:12:26] Como assim guerra russo-polonesa?

[00:12:28] Na verdade, tu tinha bolcheviques, tinha comunistas polacos lutando do lado do Exército Vermelho,

[00:12:35] tu tinha estonianos lutando do lado do Exército Vermelho, tu tinha letões e assim sucessivamente.

[00:12:41] E o processo de dissolução, de enfrentamento à Revolução é impressionante, assim, porque,

[00:12:47] por exemplo, parte dos exércitos alemães que estavam no leste europeu participaram

[00:12:53] da guerra civil lutando.

[00:12:54] Ora contra os bolcheviques, ora interferindo nas disputas, nas disputas inter-países, que

[00:13:03] eram países que estavam se gestando naquele período, e essas tropas, inclusive, quando

[00:13:08] voltam para a Alemanha, acabam sendo a base dos Freikorps, que vão também fazer o combate

[00:13:13] à Revolução, à contra-Revolução da Alemanha, que acabam com a morte de Rosa Luxemburgo,

[00:13:19] Karl Liebknecht, enfim, para a gente pensar assim, pô, a Revolução, quando ela começa

[00:13:24] a acontecer na Hungria, como é que ela é derrotada?

[00:13:27] Por tropas romenas, lideradas por, ou instigadas pelos franceses, a mesma coisa que acontece

[00:13:34] na Polônia.

[00:13:35] Então, assim, nós temos um contexto de uma Revolução que é muito maior do que isso.

[00:13:39] Então, assim, talvez a gente vai mais adiante chegar na questão do impasse que a Revolução

[00:13:44] chegou, é que, num determinado momento, o processo revolucionário termina.

[00:13:50] E esse processo revolucionário termina de que forma?

[00:13:52] Os bolcheviques, os comunistas ganham no Extremo Oriente, ganham na Sibéria, ganham

[00:13:59] na Ásia Central, ganham no Cáucaso, ganham na Rússia, ganham em parte da Ucrânia, a

[00:14:06] Ucrânia Ocidental é perdida, ganham em parte da Bielorrússia, uma outra parte é perdida,

[00:14:12] e a Revolução é derrotada na Finlândia, na Estônia, na Letônia, na Lituânia, na

[00:14:19] Polônia, na Hungria e na Alemanha.

[00:14:22] E esse contexto talvez explique depois as dificuldades, como foi a construção e os

[00:14:29] impasses que a sociedade soviética encontrou.

[00:14:33] Bom, o que a gente tinha?

[00:14:34] Bom, não sei se é muito longo, porque vocês querem entrar e participar.

[00:14:38] Não, não, pode seguir e fala pra gente um pouco desse contexto pré-revolucionário.

[00:14:43] Pois então, é isso, essa era uma questão que nós estávamos vivendo, o auge do imperialismo

[00:14:48] com as grandes potências.

[00:14:52] Disputando os seus mercados pelo mundo, causando uma gigantesca de uma guerra, uma

[00:14:57] enorme de um morticínio, nós já tínhamos tido um enfrentamento entre as tropas, o

[00:15:05] exército do Tsar e o império japonês em 1905, estourou uma revolução em 1905 na

[00:15:12] Rússia, foram as primeiras experiências com os soviets construídos naquele período,

[00:15:17] e fora todo o contexto europeu.

[00:15:20] Quando a gente…

[00:15:21] Quando…

[00:15:22] As vésperas da guerra, os partidos socialistas acabam, nos seus respectivos países, pagando

[00:15:29] ou aprovando os créditos de guerra, e nós temos o quê?

[00:15:32] Nós temos uma guerra que talvez tenha sido uma das mais sangrentas guerras até então

[00:15:38] enfrentadas, onde a fina flor da juventude morre, e nós enfrentamos, e isso cria uma

[00:15:45] gigantesca insatisfação social, que desencadeia numa revolução que inicia na Rússia e se

[00:15:52] espraia pela Europa como um todo, tendo reflexo, inclusive, na Itália, em vários desses

[00:15:57] lugares, que talvez explique um pouco dessa reação que a gente enfrenta depois, que

[00:16:04] é o surgimento do fascismo, o surgimento do nazismo, o surgimento do ultranacionalismo

[00:16:09] polonês, finlandês, etc., e que hoje está sendo muito ressurgido.

[00:16:13] Hoje, quando a gente vê os acontecimentos da Ucrânia, estão se restabelecendo e se

[00:16:19] retomando personagens da época…

[00:16:22] Da época fascista.

[00:16:24] Então, assim, esse é um aspecto que é bem fundamental, bem importante da gente falar.

[00:16:30] Olá, ouvinte!

[00:16:31] Eu sou o Podão e eu tenho uma notícia incrível pra você.

[00:16:34] Esse podcast está participando do Prêmio Melhores Podcasts do Brasil 2024, e você

[00:16:40] pode fazer a diferença.

[00:16:41] A votação já está aberta e é super fácil participar.

[00:16:45] Basta acessar o site premiumpb.com.br, votar no seu podcast favorito, lembrando que você

[00:16:51] pode votar uma vez por dia.

[00:16:53] Contamos com o seu voto, hein?

[00:16:54] Obrigado pela atenção e agora pode voltar ao seu episódio.

[00:16:58] Um forte abraço e até mais!

[00:16:59] Eu estava aqui até anotando alguns pontos interessantes que o post já trouxe desde a

[00:17:04] primeira intervenção, né?

[00:17:05] Então, quando se fala dessa coisa de agora, de reescrever a história, né?

[00:17:09] Sempre a gente tem que perceber que é sempre sobre um viés ocidental, sempre sobre o

[00:17:14] viés do Império Estadunidense e como a gente tem sofrido com isso, porque até os nossos

[00:17:18] caem nessa armadilha, né?

[00:17:20] E aí a gente pode falar de revistamento.

[00:17:21] Revisionismo e tal, tudo.

[00:17:23] Mas também quando esse contexto traz aí a guerra e a Primeira Guerra Mundial, eu acho

[00:17:29] que tem também o peso de um romantismo que tentam colocar certos fatos, mas que também

[00:17:36] não dá para poder fugir desses fatos, né?

[00:17:38] Então, a minha primeira pergunta tem a ver com isso, mas antes eu até queria trazer

[00:17:44] aqui que eu acho que tem uma discussão até sobre os rumos, porque a Revolução, ela

[00:17:49] é vitoriosa sob a liderança, né?

[00:17:51] Principalmente a gente sempre lembra do Lênin, aí você me corrige, viu, porra, se eu estiver

[00:17:55] errando fatos e algumas coisas, mas principalmente sobre a liderança do Lênin, mas com essa

[00:18:00] coisa também de acabar com a guerra, porque estava onerando principalmente o povo.

[00:18:05] E aí a gente tem um fato, já em fevereiro, né?

[00:18:08] Que no calendário aqui seria, acho que perto, ou o mesmo dia, né?

[00:18:11] Do 8 de março, em que as mulheres aderem a esse movimento e eu queria justamente perguntar

[00:18:16] sobre essa participação das mulheres, que é visto ocidentalmente, vou colocar assim,

[00:18:21] como uma coisa, como se fosse algo completamente desgarrado ali, né?

[00:18:27] Que não tem, como se não houvesse um contexto pré-revolucionário, ou como se fosse uma

[00:18:32] ação espontânea, né?

[00:18:34] E romântica também, porque colocam essa, ainda colocam, né?

[00:18:37] Essa ideia, assim, romantizada de uma participação das mulheres, sendo que na verdade a gente

[00:18:41] tinha naquela Rússia pré-revolucionária, mulheres muito organizadas e grandes nomes

[00:18:46] ali, né?

[00:18:47] Alexandra Kolontai e outras grandes mulheres.

[00:18:50] A Clara Zetkin também.

[00:18:51] Exatamente.

[00:18:52] Acho que em 1910 já tinha proposto um Dia Internacional das Mulheres, até, né?

[00:18:58] E aí partindo de uma proposta das mulheres socialistas, das mulheres organizadas, das

[00:19:04] mulheres trabalhadoras organizadas.

[00:19:05] Então eu tô trazendo todos esses pontos aqui porque eu acho que precisam ser rememorados

[00:19:10] também, que as pessoas elas pensam até assim, como se fossem coisas desgarradas, né?

[00:19:14] Como se não fosse a ação dos trabalhadores organizados, dos trabalhadores oprimidos e

[00:19:20] aí organizados.

[00:19:21] Então eu queria saber um pouco disso, assim, dessa participação das mulheres, o peso

[00:19:26] disso, não só nesse episódio, mas também nesse episódio, né?

[00:19:30] Porque eu acho que é muito simbólico, é uma manifestação em que a palavra de ordem

[00:19:36] era paz, pão e terra, né?

[00:19:40] Isso.

[00:19:41] Não, realmente, assim, o contexto é um contexto muito interessante porque, assim, grande

[00:19:45] parte dos homens trabalhadores acabam indo para a guerra.

[00:19:49] Então tem um aumento gigantesco da força de trabalho.

[00:19:51] Então tem um aumento gigantesco da força de trabalho.

[00:19:51] Então tem um aumento gigantesco da força de trabalho.

[00:19:51] Então tem um aumento gigantesco da força de trabalho.

[00:19:51] Além do histórico bolchevique, de grandes lideranças bolcheviques, mulheres e anteriores,

[00:19:57] tu tem uma concentração gigantesca de mulheres nas indústrias, nas fábricas.

[00:20:01] E é justamente nisso, é a partir justo do 1º de maio que se começa, que se tem a

[00:20:07] detonação que, digamos assim, seria a faísca que acaba fazendo com que todo esse processo

[00:20:14] revolucionário acabe acontecendo.

[00:20:17] E talvez esses sejam os dados que sejam interessantes porque, do ponto de vista, não sei se é

[00:20:21] a questão das mulheres, da Revolução Russa teve um papel super importante porque foi

[00:20:25] praticamente, pode ter tido um ou outro país menor que teve o direito de participação

[00:20:30] de votação feminina, mas quem abriu o sufrágio feminino foram as mulheres.

[00:20:37] Legislações para a época super avançadas, como legislação do aborto, legislação sobre

[00:20:42] o divórcio, que a gente tem que pensar no contexto do século XIX ou com o início do

[00:20:47] século XX.

[00:20:48] Então, assim, a possibilidade de dissolver casamentos, de dissolver casamentos, de dissolver

[00:20:51] casamentos, de dissolver casamentos, de dissolver casamentos, de dissolver casamentos,

[00:20:51] enfim, criar creches para as mulheres poderem trabalhar, enfim, tem todo um contexto que

[00:20:58] transformou a Revolução num polo de atração e de, digamos assim, essa é a questão de

[00:21:05] romantizar, mas assim, o fato de tu ter transformado o mundo naquela velocidade com tanta força

[00:21:11] espalhou uma energia para o mundo inteiro que foi difícil segurar, foi difícil segurar

[00:21:17] e acaba sendo a base, a gênese de grande parte.

[00:21:21] Todos os processos de organização posteriores àquilo.

[00:21:26] E um aspecto que a gente tem que pensar, assim, a Revolução, os socialistas, digamos assim,

[00:21:30] eles, em torno da paz, eles ganham a Revolução em dois países, porque também derrubam o

[00:21:36] Kaiser na Alemanha e quem assume o poder é o Partido Social Democrata na Alemanha.

[00:21:40] E na Rússia derruba o Tsar e quem assume o poder são os bolcheviques.

[00:21:45] Então, a gente tem uma situação que é uma, duas, digamos, duas revoluções que seguem

[00:21:50] dois caminhos bastante diferentes uns dos outros e aí a gente vê o que aconteceu na Alemanha.

[00:21:55] A Alemanha desemboca depois disso no fascismo, no nazismo e um papel, talvez assim, que o

[00:22:04] fato da social democracia durante o processo revolucionário alemão ter ficado do lado

[00:22:11] da reação tem muito, explica muito do que aconteceu depois, muito do que se passou na

[00:22:17] Alemanha depois da…

[00:22:19] Não só na Alemanha, é Croácia.

[00:22:20] Croácia e outros lugares, todos e tudo que nós enfrentamos depois disso.

[00:22:25] Inclusive, acho que tinha uma discussão, como eu tinha falado anteriormente, acho que,

[00:22:30] se não me engano, entre o Trotsky e o Lênin, que o Trotsky achava que a participação,

[00:22:34] a manutenção ali dos conflitos, né, mostraria, de certa forma, seria pedagógico para a classe

[00:22:41] trabalhadora, porque ali teria noção do que…

[00:22:44] Estou fazendo uma interpretação tosca aqui, tá?

[00:22:48] Mas ali você teria uma noção, assim, do que é…

[00:22:50] O peso do imperialismo, né, sob a classe trabalhadora.

[00:22:54] E o Lênin diz que não, a gente precisa sair disso aqui e pensar agora um Estado, o nosso

[00:23:00] Estado revolucionário, né, desenvolver esse Estado revolucionário.

[00:23:03] Então, era um pouco dessa discussão também.

[00:23:04] Eu acho que sim.

[00:23:05] Eu acho que esse tema é um tema do que a gente podia chamar, de certa forma, de isolamento

[00:23:12] da revolução, que chega num determinado momento em que as tropas são derrotadas e

[00:23:16] o que se faz com isso?

[00:23:18] Como que…

[00:23:18] Que tipo de…

[00:23:20] O que nós vamos construir em relação a esse tema?

[00:23:23] E aí talvez resida um dos assuntos mais complexos que se pode enfrentar, assim, porque surge

[00:23:31] a teoria de um pós-Lênin, uma teoria do socialismo num só país.

[00:23:37] Isso é uma questão difícil de ser abordada e pensada, assim, porque sempre se pensou,

[00:23:43] quando se falava numa revolução, uma revolução internacional, mas de repente cai no colo

[00:23:48] dos bolcheviques.

[00:23:50] É uma questão de um país.

[00:23:51] E aí tu tem problemas de que quem é prefeito de uma cidade sabe o que significa.

[00:23:55] Tu tem que resolver problemas reais, de pessoas reais, com acontecimentos reais.

[00:24:00] E esse isolamento talvez seja um dos pontos mais complicados no processo de construção

[00:24:06] do socialismo na União Soviética.

[00:24:09] Porque, de um lado, se tem uma perda na revolução e na guerra civil de grande parte das suas

[00:24:16] lideranças, das suas principais lideranças, as mais experientes, as mais combativas, as

[00:24:19] mais competentes, as mais competentes, as mais competentes, as mais competentes, as mais

[00:24:20] combativas, são, digamos assim, são mortas ou chegam num processo de exaustão depois

[00:24:28] de todo esse tema, onde há um certo renascimento de um certo conservadorismo, entre aspas,

[00:24:36] dentro da sociedade soviética, que se reflete, inclusive, na questão feminina, recuando

[00:24:41] em relação a uma série de direitos que se chamam por uma questão do aborto e outras

[00:24:45] questões passam a ser tratadas de uma maneira, digamos…

[00:24:50] Bem mais conservadoras do que antes.

[00:24:53] E a questão é, o que é que se faz, o que é que a liderança bolchevique faria naquele

[00:24:59] momento, onde tinha o poder num determinado estado e como seguir adiante?

[00:25:04] Acho que esse foi o grande debate que acabou envolvendo o Trotsky, envolvendo Stalin, que

[00:25:09] terminou com o exílio, a derrota do Trotsky e o seu exílio, e o Stalin, de certa forma,

[00:25:18] representando aquele partido…

[00:25:20] O partido que tinha sobrevivido à Revolução e queria uma alternativa, digamos, não exatamente

[00:25:28] pacífica, mas uma alternativa de resolver, construir alguma coisa mais concreta ali, talvez

[00:25:34] tenha posto de lado uma porção de temas.

[00:25:38] E aí a gente vê, assim, a questão da economia.

[00:25:44] Como é que a Rússia termina, a União Soviética termina a guerra completamente devastada,

[00:25:49] completamente?

[00:25:50] Destruída?

[00:25:51] E aí, como é que se reconstrói isso?

[00:25:53] Teve todo um debate econômico super complexo em relação a esse tema, mas o que acaba

[00:25:58] vingando, com o apoio do Lenin e do Buharin, que era a nova política econômica, a NEP,

[00:26:03] que era uma ideia de permitir que as forças econômicas, digamos, dessem uma liberdade

[00:26:09] para existir algum tipo de comércio, algum tipo de atividade econômica privada dentro

[00:26:15] da União Soviética.

[00:26:17] E isso acaba sendo…

[00:26:20] Um debate que vai passar todo aquele período de consolidação do processo revolucionário

[00:26:30] e que culmina, talvez, assim, quando Stalin derrota, primeiro Stalin derrota a esquerda

[00:26:38] dentro do partido, e num segundo momento ele derrota a direita, derrota o Buharin, e aplica

[00:26:45] talvez uma medida…

[00:26:50] Drástica e talvez a segunda mais complicada da Revolução Russa, que foi o processo de

[00:26:56] coletivização das terras todas, a coletivização forçada da economia e da agricultura soviética.

[00:27:02] E que foi um processo traumático de um lado, sem dúvida nenhuma, mas que, de alguma maneira,

[00:27:08] certo ou errado, lançou as bases para que fosse possível construir um país, financiar

[00:27:14] o crescimento da economia, financiar a industrialização da União Soviética, e é um tema importante.

[00:27:20] É um tema importante.

[00:27:20] É um tema importante.

[00:27:20] É um tema importante.

[00:27:20] É importante a gente pensar que a União Soviética sai de ser um país…

[00:27:22] A Rússia sai de ser um dos países mais atrasados da Europa, com maior taxa de analfabetismo

[00:27:27] da Europa.

[00:27:29] Tinha uma indústria nova que estava sendo surgida, mas ela, quando chega na década

[00:27:34] de 40, ela enfrenta a maior potência econômica da Europa de igual para igual.

[00:27:38] Não é só enfrentar a Alemanha.

[00:27:40] A invasão da Rússia na Segunda Guerra Mundial foi feita pela Alemanha, pela Romênia, pela

[00:27:50] Espanhola, até francesas.

[00:27:53] Então, a construção de uma sociedade socialista e de uma economia planificada permitiu, pelo

[00:28:00] menos até os anos 60, talvez, um progresso das forças produtivas que, sem comparação

[00:28:11] na história da humanidade até então, que leva a um país como era a Rússia, um país

[00:28:20] agrário e analfabeto, a conquistar o espaço.

[00:28:23] Então, são algumas coisas absolutamente extraordinárias que foram feitas nesse período.

[00:28:28] Porto, queria dar um passo atrás, pensando com a cabeça, talvez, de alguém que esteja

[00:28:36] assistindo a gente, que é pouco familiarizado com o tema, ou nada familiarizado com o tema.

[00:28:44] Eu queria que você falasse um pouquinho sobre as formas de organização que desembocaram

[00:28:50] naquilo que se convencionou chamar os 10 dias que mudaram o mundo.

[00:28:55] Como que aconteceu essa organização de uma população, como você mesmo disse, analfabeta,

[00:29:05] agrária, muitíssimo atrasada, num país enorme, numa região enorme, uma região que

[00:29:13] tem boa parte do seu território absolutamente inóspita.

[00:29:17] E aí, como que ocorreu?

[00:29:20] O que ocorreu é que ocorreu essa organização de homens e mulheres que, com o acúmulo, imagino

[00:29:26] que com o acúmulo de tempo, apesar do atraso educacional que existia, mas com o acúmulo

[00:29:34] de tempo, desembocou nesse movimento que foi capaz de derrubar um tsar e transformar a

[00:29:45] história do século até aquele momento.

[00:29:49] Exatamente.

[00:29:49] Exatamente.

[00:29:49] Exatamente.

[00:29:49] Exatamente.

[00:29:49] Exatamente.

[00:29:49] Exatamente.

[00:29:49] Exatamente.

[00:29:49] Exatamente.

[00:29:49] Exatamente.

[00:29:49] Exatamente.

[00:29:50] um pouco desse passo a passo, dessa linha do tempo,

[00:29:53] como foi que isso se desenvolveu

[00:29:56] para que as pessoas aqui talvez não tenham tanta familiaridade,

[00:30:00] ou não lembrem, porque nem todo mundo estudou o tema,

[00:30:05] por mais importante que ele seja.

[00:30:08] Queria que você falasse um pouquinho sobre isso.

[00:30:10] Sim, além de tudo o tema,

[00:30:11] além de estar, digamos assim, no lado C,

[00:30:15] não é nem no lado B,

[00:30:16] ele está escondido, essa discussão como um todo,

[00:30:18] porque não é tratada de nenhuma forma.

[00:30:20] Então, assim, é natural a gente ficar até pensando nisso,

[00:30:23] quando a gente estava conversando, assim,

[00:30:25] eu sou de 1960, de 61 eu nasci.

[00:30:29] Então, se eu olhar para trás, assim, quando eu tinha 15 anos,

[00:30:32] digamos assim, 100 anos atrás era o quê?

[00:30:34] Era a Guerra do Paraguai.

[00:30:35] E que, para mim, aquilo fazia,

[00:30:37] era um troço que aconteceu em um período absolutamente distante

[00:30:41] do meu cotidiano.

[00:30:42] Eu imagino as pessoas de hoje olhando para a Revolução Russa

[00:30:45] mais ou menos da mesma forma como eu olhava

[00:30:48] para a Guerra do Paraguai.

[00:30:48] Que não era algo que fizesse parte da minha vida.

[00:30:53] E, ao contrário, para nós, para a minha geração,

[00:30:55] a Revolução Russa foi algo que fez, assim,

[00:30:58] estava presente no meu dia a dia,

[00:31:00] no dia a dia de todos nós,

[00:31:01] era uma coisa que nos mexia com tudo.

[00:31:05] Mas, enfim, e aí eu acho que tem o legado

[00:31:07] da Revolução de 1905,

[00:31:10] que foi um processo de organização inovador

[00:31:14] que foram os conselhos, os soviets,

[00:31:16] como era,

[00:31:18] a denominação em russa.

[00:31:20] E essa experiência nasceu lá em 1905,

[00:31:23] numa auto-organização,

[00:31:24] com subtireção política, lógico,

[00:31:27] e que foi capaz de superar

[00:31:29] a forma de representação burguesa,

[00:31:31] porque essa era uma questão também.

[00:31:33] Qual era, digamos,

[00:31:35] a oposição liberal na Rússia queria o quê?

[00:31:40] Queria um Estado normal,

[00:31:42] burguês, comum,

[00:31:42] um parlamento, uma duma, como eles chamavam.

[00:31:45] E a experiência, a construção do soviético,

[00:31:48] dos conselhos, de soldados,

[00:31:50] de operários e de camponeses,

[00:31:54] acabou permitindo um nível de organização

[00:31:57] e um nível de informação,

[00:31:59] de circulação de organização

[00:32:04] e que desembocou no final de 1917 nisso.

[00:32:07] Depois das jornadas de julho,

[00:32:10] nós temos um processo que desemboca

[00:32:14] na tomada do poder

[00:32:17] e no final de 1917.

[00:32:18] Em outubro, no calendário antigo,

[00:32:22] e em novembro, no nosso.

[00:32:24] Então, essa experiência da construção

[00:32:27] dos conselhos de trabalhadores

[00:32:29] e de soldados e de camponeses

[00:32:32] é uma chave que explica

[00:32:34] o sucesso da Revolução

[00:32:35] e a capacidade de se capilarizar

[00:32:37] num país gigantesco como era a Rússia,

[00:32:40] como era a Bielorrússia,

[00:32:42] como era a Ucrânia.

[00:32:43] A partir dessa experiência,

[00:32:44] tu conseguiste levar a mensagem da Revolução

[00:32:47] para os mais grandes países,

[00:32:47] para os mais grandes países,

[00:32:47] para os mais grandes países das Nações Unidas,

[00:32:47] para os mais grandes países das Nações Unidas,

[00:32:47] para os mais grandes países da Nações Unidas,

[00:32:47] para os mais longínquos locais

[00:32:50] e criar uma situação de duplo poder,

[00:32:53] onde tu tinha uma possibilidade de dizer

[00:32:56] tem alguém para substituir o governo que está colocado aqui?

[00:32:59] Quem é que está para substituir o governo?

[00:33:01] Somos nós, todo o poder, os soviets.

[00:33:03] Os soviets podem governar o país,

[00:33:05] ou seja, os trabalhadores, os camponeses, os soldados

[00:33:07] podem governar o país e passaram a governar efetivamente.

[00:33:10] Eles passaram a ser a voz que era obedecida pela população,

[00:33:15] a população era obedecida pela situação em geral.

[00:33:20] Então, essa situação de duplo poder permitiu que se conquistasse

[00:33:24] e que a revolução acabasse sendo efetivamente vitoriosa.

[00:33:27] Porto, você já falou um pouquinho aí

[00:33:30] sobre a questão da economia planificada,

[00:33:33] que em menos de 20 anos a União Soviética

[00:33:37] passou desse país agrário, atrasado,

[00:33:39] para uma potência militar capaz de enfrentar a Wehrmacht,

[00:33:42] a máquina de guerra alemã, e vencer.

[00:33:44] E daí, para se tornar uma das duas superpotências

[00:33:48] por mais de 50 anos,

[00:33:50] eu queria que você falasse o papel da economia planificada,

[00:33:53] os famosos planos quinquenais dos anos 20 e 30,

[00:33:56] e como é que a União Soviética lidava com as questões das restrições.

[00:34:01] Porque, por mais que já que era uma economia planificada,

[00:34:04] não havia um mercado privado disputando recurso público

[00:34:08] e um jornal nacional dizendo que tinha corta gasto,

[00:34:10] mas ainda assim, persistem.

[00:34:13] E as restrições externas, né?

[00:34:15] A União Soviética não produzia em seu território

[00:34:17] tudo que era necessário para esse desenvolvimento industrial,

[00:34:21] industrial-militar e de condição de vida para o seu povo.

[00:34:23] E também, por que que esse processo planificado

[00:34:27] que transformou a União Soviética numa superpotência

[00:34:30] que colocava o homem no espaço

[00:34:32] e disputava a hegemonia mundial com os Estados Unidos

[00:34:35] se esgotou no final do século XX?

[00:34:38] Essa é a pergunta de um milhão de dólares, né, Camil?

[00:34:41] Um milhão de rublos.

[00:34:43] É, de um milhão de rublos ou de…

[00:34:46] Enfim, qual é a moeda que vai ser usada pelos BRICS?

[00:34:50] Mas o fato é assim, essa é o grande tema

[00:34:53] e a grande dificuldade que existe para poder explicar

[00:34:58] e poder enfrentar esse tema.

[00:35:02] Porque, se a gente pensar,

[00:35:05] se tu construir a partir de um planejamento centralizado,

[00:35:09] dizendo assim, o que o país precisa, quem precisa,

[00:35:12] e a partir disso,

[00:35:13] concentrar os seus recursos,

[00:35:16] foi algo extraordinário, espetacular.

[00:35:20] E como superar isso, os soviéticos tiveram vários processos

[00:35:25] onde eles, apesar das restrições comerciais,

[00:35:27] os soviéticos conseguiram comerciar bastante com o resto do mundo.

[00:35:33] Boa parte da indústria foi uma indústria que veio importada em métodos

[00:35:38] que na época eram absolutamente revolucionários,

[00:35:40] terrorismo, etc, etc.

[00:35:42] Foram aplicados em largas…

[00:35:43] E algumas tecnologias foram compradas no exterior

[00:35:50] a partir de uma produção, digamos assim,

[00:35:54] de um excedente agrícola que permitia que se fizesse

[00:35:57] algum tipo de acumulação capaz de construir e montar isso.

[00:36:01] E além da questão, digamos, mais propriamente dita de economia,

[00:36:06] tem toda a questão de planejamento também da educação,

[00:36:09] porque em pouco tempo tu consegue construir uma geração de engenheiros,

[00:36:13] de engenheiras, de químicos, de químicas capazes de produzir

[00:36:19] uma verdadeira revolução industrial a partir de uma base quase inexistente.

[00:36:25] Então, assim, tem um aspecto que é gigantesco em relação a isso.

[00:36:29] Agora, qual é a dificuldade do planejamento centralizado?

[00:36:34] É a questão de como é que a gente resolve…

[00:36:37] Como é que tu resolve a questão do consumo?

[00:36:40] Porque como é que a gente vai planejar, sei lá,

[00:36:42] quantos ovos são…

[00:36:43] Preciso estar disponíveis numa determinada região do Rio de Janeiro,

[00:36:49] numa determinada cidadezinha do Rio Grande do Sul?

[00:36:51] Pô, mas aí tá, na média as pessoas consomem tanto,

[00:36:55] mas só que naquele mês teve dois aniversários

[00:36:58] que tiveram que fazer muitos bolos, enfim.

[00:37:01] Esse impasse de se conseguir essa sintonia fina

[00:37:04] e atender essas necessidades mais cotidianas

[00:37:07] talvez tenha sido a maior dificuldade da revolução.

[00:37:12] Durante o período em que se desenvolveu,

[00:37:13] e uma indústria pesada, uma indústria de base,

[00:37:16] foi fácil fazer isso.

[00:37:17] Construída de uma forma centralizada,

[00:37:20] de uma forma pensada.

[00:37:21] No momento em que há um desafio

[00:37:25] de se construir, digamos assim,

[00:37:29] de um lado atender um anseio de consumo,

[00:37:34] de um lado,

[00:37:35] e de outro, fazer frente a uma revolução tecnológica

[00:37:38] que exigia um nível de improviso,

[00:37:42] um nível de experimentação,

[00:37:43] que não fosse compatível com uma sociedade totalmente planejada.

[00:37:48] Porque aí a gente sabe como é que funciona o serviço público.

[00:37:50] Não quero aqui falar mal de ninguém,

[00:37:52] mas tem certas coisas que as pessoas se protegem mutuamente.

[00:37:56] E se criou uma burocracia na União Soviética a partir disso,

[00:38:00] que ela começou a ter os seus próprios interesses

[00:38:03] dentro do funcionamento do sistema.

[00:38:06] E aí, muitas vezes, o planejamento e o controle disso,

[00:38:11] e até a definição de metas,

[00:38:13] não tinha mais em mente exatamente

[00:38:15] a satisfação das necessidades da população

[00:38:19] ou do Estado Soviético,

[00:38:21] mas respondendo aos anseios dessa burocracia

[00:38:24] que ficou onipresente.

[00:38:27] Ela era uma burocracia absolutamente essencial.

[00:38:29] É impossível se organizar uma sociedade,

[00:38:32] um Estado, sem uma burocracia qualificada.

[00:38:35] Isso é óbvio.

[00:38:36] Mas, a partir de um certo momento,

[00:38:38] ela adquiriu uma autonomia tal

[00:38:39] que começou a comprometer de uma maneira

[00:38:42] cada vez mais definitiva.

[00:38:43] O funcionamento do Estado Soviético.

[00:38:46] E esses funcionários acabaram sendo a base,

[00:38:49] que foi primeiro a base do Stalin,

[00:38:52] e depois a base Brezhnev, enfim.

[00:38:54] Esse talvez seja o grande ponto.

[00:38:57] O grande ponto onde,

[00:38:59] num determinado momento,

[00:39:01] o sistema cesaril não conseguiu, digamos assim,

[00:39:04] se renovar.

[00:39:05] Porque a burocracia não quer renovação.

[00:39:08] A burocracia quer que as coisas continuem como elas estão,

[00:39:11] porque é seguro,

[00:39:12] porque é…

[00:39:13] Porque é funcional, assim.

[00:39:15] E porque eu não preciso me preocupar com o dia de amanhã,

[00:39:18] porque eu não quero correr riscos, enfim.

[00:39:20] Esse acabou sendo um fator importante.

[00:39:22] E quando a União Soviética tentou fazer o processo,

[00:39:27] digamos assim, de abertura econômica,

[00:39:29] ou de repensar uma…

[00:39:33] Uma perestroika, como eles chamavam, assim.

[00:39:35] Talvez tenha feito isso num momento

[00:39:37] onde já havia um enfraquecimento relativo

[00:39:40] da União Soviética, por um lado,

[00:39:41] envolvido na corrida armamentista,

[00:39:46] e, de outro, nos próprios impasses,

[00:39:48] mesmo internos, do sistema soviético,

[00:39:51] se chegou a uma situação onde,

[00:39:54] de uma forma inesperada,

[00:39:56] pelo menos para a grande maioria das pessoas,

[00:39:59] a União Soviética se dissolve

[00:40:02] sem maiores resistências.

[00:40:04] Muito se falava que para

[00:40:06] o processo revolucionário ser detido, definitivamente,

[00:40:11] na União Soviética,

[00:40:12] teria que haver uma contra-revolução,

[00:40:14] uma contra-revolução política.

[00:40:16] De certa forma, houve uma contra-revolução,

[00:40:18] mas ela foi uma revolução que não teve, digamos assim,

[00:40:22] um processo de violência, nada.

[00:40:25] Foi quase um processo de…

[00:40:29] Não vou dizer de desabamento,

[00:40:31] mas, assim, de dissolução mesmo

[00:40:33] das suas instituições.

[00:40:36] E, bom, esse talvez seja a discussão mais difícil de todas,

[00:40:40] que a gente enfrenta hoje.

[00:40:43] Que o neoliberalismo se alimentou muito dessa ideia

[00:40:46] de que a economia planificada

[00:40:49] é uma economia ineficiente,

[00:40:51] o Estado é incapaz de ter um papel

[00:40:55] indutor eficiente da economia

[00:40:57] e que, portanto, tem que abrir tudo para o mercado.

[00:40:59] E a dificuldade que nós tivemos de fazer,

[00:41:03] de ter uma resposta articulada a isso,

[00:41:06] nos criou enormes problemas.

[00:41:09] Enormes problemas com uma certa adesão

[00:41:15] de boa parte das lideranças socialistas

[00:41:19] a uma ideia de que, olha, não tem alternativa,

[00:41:21] o mundo é esse,

[00:41:23] nós temos que tentar distribuir um pouquinho melhor a renda

[00:41:27] e um pouco por aí.

[00:41:30] Talvez muitos dos problemas políticos

[00:41:32] que nós estamos enfrentando hoje

[00:41:33] decorram disso.

[00:41:35] A dificuldade que a esquerda mundial,

[00:41:39] não é só nos Estados Unidos,

[00:41:42] e responder os anseios reais da população.

[00:41:47] Porque, claro que nós temos enormes avanços

[00:41:50] em vários aspectos,

[00:41:53] mas hoje viver sob o neoliberalismo

[00:41:56] é muito ruim para quase todo mundo.

[00:41:58] É um existir péssimo.

[00:42:00] Um existir que é angustiante,

[00:42:03] que leva à depressão.

[00:42:05] Mas agora, efetivamente,

[00:42:07] alguns dentro do neoliberalismo,

[00:42:09] se deram bem.

[00:42:11] Tem segmentos universitários,

[00:42:13] segmentos de nível superior,

[00:42:15] que tiveram o mundo aberto.

[00:42:17] Eles podem viajar,

[00:42:18] podem dar aula na Espanha,

[00:42:20] podem dar aula na Rússia,

[00:42:21] podem dar aula onde quer que seja,

[00:42:23] nos Estados Unidos.

[00:42:24] Enfim, capacidades de enfrentar isso.

[00:42:26] Mas, quem é que o Partido Socialista francês

[00:42:30] representava nas últimas eleições?

[00:42:33] Cara, eles só não tiveram como presidente,

[00:42:35] como candidato a presidente,

[00:42:37] o presidente do banco do FMI,

[00:42:38] porque o sujeito se passou

[00:42:40] com uma camareira em Nova York.

[00:42:43] O candidato socialista

[00:42:45] ia ser o presidente do banco do FMI.

[00:42:47] Que esquerda é essa?

[00:42:49] Que esquerda é essa

[00:42:51] que trabalha nesses termos

[00:42:53] num nível tal de subordinação?

[00:42:55] Aí é meio inevitável o surgimento

[00:42:58] de movimentos como a gente tem visto na Europa,

[00:43:01] movimentos que supostamente

[00:43:03] têm um desenho que são de direita,

[00:43:06] em alguns casos, efetivamente,

[00:43:07] mas que levantam temas de soberania,

[00:43:10] de combate a um tipo de globalização

[00:43:14] que desrespeita a realidade cotidiana de cada um,

[00:43:20] as especificidades culturais de cada país, enfim.

[00:43:23] Acho que esse é um impasse grande

[00:43:26] que a esquerda precisa responder como um todo.

[00:43:29] E hoje, diante da guerra na Ucrânia,

[00:43:31] o que a gente assiste do papel da esquerda,

[00:43:35] sobretudo da esquerda europeia,

[00:43:37] diante da guerra,

[00:43:39] da sua incapacidade de compreender

[00:43:41] o que é que está em jogo

[00:43:43] e a sua subordinação

[00:43:46] aos interesses dos Estados Unidos, do imperialismo,

[00:43:49] é uma coisa chocante.

[00:43:50] Não dá para se queixar

[00:43:52] quando a FD começa a crescer na Alemanha.

[00:43:54] Por sorte, tem alguns grupos crescendo,

[00:43:56] tipo o SARA e outros,

[00:43:57] que possam eventualmente servir

[00:43:59] de contraponto a isso.

[00:44:01] Mas acho que a gente tem que repensar o programa como um todo.

[00:44:05] Peço licença para dar uma pausa no programa

[00:44:08] e apresentar os nossos parceiros.

[00:44:10] O sorteio para apoiadores e apoiadoras do Lado B

[00:44:13] é um oferecimento da Camisa Crítica.

[00:44:16] Ouvinte tem 10% de desconto no cupom LADOB

[00:44:19] no site www.camisacritica.com.

[00:44:23] Tem lojinha física da Camisa Crítica no Sol e Sombra,

[00:44:26] bar que fica no bairro Bela Vista, em São Paulo.

[00:44:29] Já aqui no Rio, tem no armazém do MST, na Lapa,

[00:44:32] e na livraria Leonardo da Vinci, no centro.

[00:44:35] Camisa Crítica criada para uma esquerda

[00:44:37] que não tem medo de dizer seu nome.

[00:44:40] Aproveite e siga nossos parceiros nas redes sociais.

[00:44:43] Obrigado pela atenção e voltamos ao programa.

[00:44:48] Porto, a gente vai retomar esse assunto,

[00:44:50] provavelmente, na última pergunta.

[00:44:53] Mas antes de retomar esse assunto

[00:44:56] para fazer um comparativo, digamos assim,

[00:44:58] de o que a gente pode aprender com Lênin e os camaradas,

[00:45:02] eu quero retomar a questão da União Soviética,

[00:45:05] no contexto pós-revolucionário de Segunda Guerra Mundial.

[00:45:10] A gente estava conversando aqui sobre o roteiro mais cedo

[00:45:13] e a gente frisou a questão da participação da União Soviética na guerra,

[00:45:18] na Segunda Guerra.

[00:45:20] E aí você cita, é interessante,

[00:45:22] você cita sobre como hoje em dia há uma certa historiografia

[00:45:26] ou mesmo pesquisas da internet desfazendo do que foi a Revolução

[00:45:32] e depois a União Soviética,

[00:45:34] mas isso vem de antes,

[00:45:36] vem dessa guerra cultural que os Estados Unidos vencem,

[00:45:39] principalmente a partir de Hollywood.

[00:45:42] Então a gente vê aí,

[00:45:44] é uma tecla que eu bato bastante,

[00:45:47] porque a minha formação política vem muito daí,

[00:45:50] mais do que a formação de livros, de leitura,

[00:45:53] vem muito dessa coisa do filme, das séries e tudo mais.

[00:45:56] Exatamente.

[00:45:57] E a Segunda Guerra é muito vista

[00:46:01] como…

[00:46:04] Uma vitória americana, praticamente.

[00:46:07] Os Estados Unidos, os heróis americanos,

[00:46:10] uma participação bem menor da União Soviética.

[00:46:13] E eu vejo algumas retóricas até interessantes,

[00:46:16] alguns arrobos retóricos dos camaradas aí,

[00:46:19] dos comunistas da internet,

[00:46:23] sobre, pô, se não fosse Stalin a gente estaria falando alemão e tal.

[00:46:27] Acho excelente esse tipo de retórica.

[00:46:29] Mas eu queria que você falasse um pouco sobre essa participação

[00:46:33] da União Soviética.

[00:46:35] É necessário que a gente fale desse assunto sempre,

[00:46:39] porque, de fato, a gente sabe,

[00:46:42] a gente tem ideia, mais ou menos,

[00:46:44] de como foi essa participação,

[00:46:46] por leitura e tudo mais.

[00:46:48] Queria que você falasse um pouco

[00:46:50] de como você vê isso sendo avaliado,

[00:46:52] não só hoje em dia com a internet,

[00:46:54] e aí com o crescimento da extrema-direita global,

[00:46:58] mas mesmo no contexto de guerra cultural, guerra fria.

[00:47:03] Dos Estados Unidos ali com Hollywood tratando aquilo ali

[00:47:06] como se fosse um feito americano,

[00:47:09] os heróis americanos.

[00:47:11] São vários os filmes, a gente pode citar aqui vários os filmes,

[00:47:14] que ganharam Oscar, que são renomadíssimos.

[00:47:17] Curiosamente, no filme alemão A Queda,

[00:47:19] dos últimos dias de Hitler no bunker,

[00:47:21] ali mostra quem está chegando são soviéticos,

[00:47:23] quem está chegando em Berlim.

[00:47:25] Pois é.

[00:47:26] E queria que você falasse um pouco sobre a Segunda Guerra,

[00:47:30] um pouco também,

[00:47:31] como é que você vê esse apagamento mesmo da União Soviética

[00:47:34] nessa guerra cultural ali da Guerra Fria,

[00:47:37] ali do bloco capitalista com o bloco comunista.

[00:47:39] Hoje em dia, a gente vê hoje em dia,

[00:47:41] a gente está na internet,

[00:47:43] nossos camaradas fazendo conteúdo,

[00:47:46] tentando resgatar histórias,

[00:47:48] filmes soviéticos, músicas soviéticas.

[00:47:51] A gente tinha aqui o Alcísio,

[00:47:52] que gostava das músicas soviéticas e tal.

[00:47:55] Música do Silvio Santos.

[00:47:56] Pois é, inclusive a música do Silvio Santos.

[00:47:58] É verdade.

[00:47:59] Para resgatar essa realidade dos fatos,

[00:48:02] sem a União Soviética,

[00:48:03] a gente estaria falando alemão.

[00:48:05] Não, mas isso que tu diz é verdade,

[00:48:07] porque resumidamente para o Ocidente,

[00:48:09] o que acontece é o Hitler era um maluco

[00:48:11] que queria matar judeus,

[00:48:13] começou com uma guerra invadindo a França

[00:48:15] e invadindo todo mundo,

[00:48:16] e os americanos foram lá desembarcar na Normandia,

[00:48:19] resolveram o assunto e acabaram com a guerra.

[00:48:22] Isso é um pouco o desenho que a gente tem.

[00:48:25] Do ponto de vista mais profundo, pessoal,

[00:48:27] a complicação é tal,

[00:48:29] que quase toda a história da Segunda Guerra Mundial

[00:48:33] foi contada a partir das memórias dos generais alemães.

[00:48:37] Esse é um ponto fundamental.

[00:48:39] Como o Ocidente adotou,

[00:48:43] boa parte desses generais alemães

[00:48:46] passaram a fazer parte,

[00:48:48] inclusive do OTAN, como conselheiros,

[00:48:50] e foram as suas memórias que contaram a guerra.

[00:48:54] E que tem um mito,

[00:48:55] que os soviéticos ganharam a guerra,

[00:48:58] eles eram muito incompetentes,

[00:49:00] mas eles eram muito numerosos,

[00:49:02] e, portanto, de uma forma quase como um formigueiro irresponsável,

[00:49:06] eles avançavam contra as metralhadoras

[00:49:08] de meia dúzia de alemães abnegados

[00:49:10] e soldados profissionais extremamente capacitados.

[00:49:14] E, enfim,

[00:49:17] hoje tem-se conseguido,

[00:49:19] a partir da abertura da possibilidade de ter acesso

[00:49:22] aos arquivos soviéticos,

[00:49:25] conseguir ter uma leitura diferente.

[00:49:27] Só para dar um exemplo,

[00:49:29] a maior batalha da Segunda Guerra Mundial

[00:49:34] praticamente é desconhecida no Ocidente,

[00:49:36] que é a chamada Operação Bragaçon,

[00:49:39] onde é a libertação da Rússia Branca,

[00:49:45] da Bielorrússia,

[00:49:47] que a derrota é maior que Stalingrado.

[00:49:50] Todo o nono exército alemão é destruído,

[00:49:53] cercado e destruído,

[00:49:56] nas fronteiras da Polônia.

[00:49:58] Então é uma operação gigantesca que acontece,

[00:50:01] ela é prometida para os Estados Unidos

[00:50:05] para apoiar o desembate na Normandia.

[00:50:09] E pouco depois do desembate na Normandia,

[00:50:11] os soviéticos lançam o maior ataque da história.

[00:50:14] Num nível de planejamento,

[00:50:16] num nível de sofisticação,

[00:50:18] a capacidade de, digamos assim,

[00:50:21] de encobrir o que eles estavam fazendo

[00:50:24] foi um negócio espetacular.

[00:50:26] Enganar o exército mais profissional do mundo,

[00:50:30] imaginando que a ofensiva ia acontecer na Ucrânia,

[00:50:33] quando ela acontece efetivamente na Bielorrússia

[00:50:37] e leva à destruição praticamente de todo o exército

[00:50:41] que tinha sido o grupo de exércitos

[00:50:44] direcionados para Moscou.

[00:50:46] Então assim, é lógico que não vamos dizer assim,

[00:50:49] não vamos negar que os americanos

[00:50:50] não tiveram um papel importante na guerra.

[00:50:52] É evidente que sim,

[00:50:53] é evidente que tiveram um papel importante.

[00:50:55] A sua indústria foi importante.

[00:50:57] Boa parte dos caminhões que os soviéticos utilizaram

[00:51:00] para chegar até Berlim

[00:51:02] foram caminhões americanos de cefato.

[00:51:04] Teve alguma coisa em termos de aviões, etc.

[00:51:07] O land and lease americano funcionou.

[00:51:09] Mas o papel, a quantidade e a guerra, na verdade,

[00:51:13] aconteceu no leste europeu.

[00:51:15] Nós tivemos, assim, escaramuças e algumas batalhas.

[00:51:19] Talvez a mais importante tenha sido ali Dunkerque,

[00:51:22] quando o exército anglo-francês é cercado.

[00:51:25] Mas no mais, depois, o grosso da guerra aconteceu

[00:51:28] no fronte oriental.

[00:51:30] Ali aconteceu, entende-se.

[00:51:32] E quando, era engraçado,

[00:51:36] o papel soviético era tão pesado

[00:51:39] que os exércitos alemães queriam fugir

[00:51:41] para se render para os americanos.

[00:51:43] Porque tinham medo do que eles tinham feito lá.

[00:51:47] E isso também é uma característica.

[00:51:49] Essa guerra na União Soviética,

[00:51:51] ela tem uma natureza

[00:51:54] que é muito diferente da que ela tem no fronte ocidental.

[00:51:58] Porque lá se tratava de uma guerra de extermínio mesmo.

[00:52:01] Planejadamente para isso.

[00:52:03] Nós vamos exterminar a população.

[00:52:06] Exatamente.

[00:52:08] Era de ocupação do espaço.

[00:52:09] Era a ideia do espaço natural dos alemães.

[00:52:11] Era você eliminar aquela população

[00:52:13] para dar para quem a merece.

[00:52:15] Que, no caso, seria a população ariana.

[00:52:17] Exatamente.

[00:52:18] E privar os soviéticos e eslavos, em geral,

[00:52:21] de comida, etc.

[00:52:23] No sentido de realmente causar fome, causar morte.

[00:52:27] Deliberadamente tropas indo caçar

[00:52:31] os dirigentes políticos de cada uma das cidades,

[00:52:34] os dirigentes do Partido Comunista.

[00:52:38] Enfim, um quadro muito pesado.

[00:52:44] E o que incomoda mesmo,

[00:52:47] coisas que estão acontecendo hoje aos nossos olhos.

[00:52:51] Parte…

[00:52:52] Foi um dos países que teve as SS,

[00:52:55] que era uma força de elite do exército alemão.

[00:52:58] Elas eram formadas,

[00:52:59] as Waffen-SS eram formadas,

[00:53:01] obviamente, por alemães,

[00:53:02] mas com muitos voluntários de muitos países.

[00:53:05] Então, assim,

[00:53:06] tu tinha divisões compostas de escandinavos,

[00:53:10] tu tinha divisões compostas por franceses

[00:53:13] e o maior contingente de estonianos e letões

[00:53:16] e bálticos, em geral.

[00:53:18] E hoje, esses caras que lutaram,

[00:53:21] lutaram pelo Hitler, com o Hitler,

[00:53:24] com o uniforme da Wehrmacht nazista,

[00:53:27] são erigidos à categoria de heróis de liberdade.

[00:53:31] Então, hoje se destrói nos países bálticos.

[00:53:35] Cara, exumam os corpos dos soldados do Exército Vermelho

[00:53:39] que derrotaram os nazistas no Báltico,

[00:53:43] exumam os corpos para tirá-los do lugar,

[00:53:45] derrubam as estátuas dos soldados

[00:53:49] e contam uma história

[00:53:51] que eram combatentes da liberdade,

[00:53:53] que eles estavam se defendendo da invasão russa,

[00:53:56] que eles não eram aliados ao do Hitler,

[00:53:58] eles não…

[00:53:59] Escondem, assim…

[00:54:00] Alguns verbetes do Wikipedia,

[00:54:02] cara, desapareceram o papel dos bálticos no Holocausto.

[00:54:07] Os caras se anteciparam os alemães

[00:54:10] para matarem a população judaica da região.

[00:54:13] A mesma coisa em relação à Ucrânia Ocidental.

[00:54:17] Então, assim,

[00:54:18] essa história tem sido reescrita de uma forma consciente.

[00:54:23] E o grave disso é o fato de esconder o papel

[00:54:27] que a União Soviética teve no sentido de derrotar o fascismo.

[00:54:31] Esse é o grande tema.

[00:54:33] Não é só falar alemão.

[00:54:35] Era uma sociedade que estabeleceria o fascismo

[00:54:38] pela Europa inteira e pelo mundo inteiro.

[00:54:41] E com apoios.

[00:54:42] Isso é um ponto que é importante a gente olhar,

[00:54:45] porque ninguém…

[00:54:46] É pouco falado,

[00:54:47] que o regime nazista era muito bem visto em boa parte.

[00:54:52] Tinha muitos aliados em países europeus muito chiques.

[00:54:56] Olha, o regime de Vichy não era um regime impopular.

[00:55:00] Se vocês virem,

[00:55:02] mesmo depois da Normandia,

[00:55:08] continuava super popular o Pétain.

[00:55:11] Era lá…

[00:55:12] Então, assim,

[00:55:13] tem muito desse tema.

[00:55:15] Depois todo mundo virou resistência.

[00:55:17] Todo mundo virou partidiane.

[00:55:19] Todo mundo virou revolucionário depois disso.

[00:55:21] Os caras colaboraram com os alemães até terça-feira,

[00:55:24] mas na quarta era todo mundo comunista.

[00:55:26] Todo mundo ganhou, né?

[00:55:27] Todo mundo ganhou.

[00:55:28] Não, daí eles cortaram o cabelo de duas ou três gurias coitadas

[00:55:31] que eram namoradas de um soldado alemão.

[00:55:33] Daí pegavam lá e raspavam a cabeça na frente de todo mundo

[00:55:35] num negócio absolutamente grotesco.

[00:55:38] E se escondendo da sua própria culpa.

[00:55:40] A França até hoje faz de conta que não colaborou.

[00:55:42] Luara, última perguntinha.

[00:55:44] Sempre ali as mulheres sofrendo, né?

[00:55:46] Não, aquela cena é grotesca.

[00:55:50] Grotesca.

[00:55:51] Uma coisa horripilante.

[00:55:52] Mas é um negócio bem sintomático do que são essas crises

[00:55:57] sempre para quem é mais oprimido, né?

[00:55:59] Os caras continuaram colaborando,

[00:56:01] continuaram suas vidas,

[00:56:03] foram recebidos os países que combateram,

[00:56:08] supostamente combateram o Hitler, mas…

[00:56:10] Enfim, eu queria pegar esse último gancho aí

[00:56:13] pra gente falar um pouco de Lênin como figura,

[00:56:15] que eu acho que dialoga bastante com isso que a gente tá falando, assim.

[00:56:19] Essa coisa mítica que se criou em torno do Lênin,

[00:56:22] a esquerda e a direita, né?

[00:56:24] Acho que acaba tirando dele o que eu acho que é o maior mérito, né?

[00:56:31] Que era como um exímio leitor da conjuntura,

[00:56:33] o que não quer dizer que ele não errava.

[00:56:35] Quer dizer que ele errava mais rápido

[00:56:37] pra poder consertar mais rápido também, né?

[00:56:39] E hoje a gente vê, assim, toda mesa que a gente faz,

[00:56:42] toda reunião que se faz, a análise da primeira coisa a ser feita.

[00:56:44] Mas as pessoas ainda confundem conjuntura com desejo ou com discurso, né?

[00:56:50] E o Lênin, na verdade, ele tinha, nessa análise tão apurada,

[00:56:55] uma capacidade de manejo e de mudança

[00:56:57] que a gente não vê nas grandes lideranças hoje, assim, né?

[00:57:00] Ele fazia tanta questão, e aí tem a ver, inclusive,

[00:57:03] com o desenvolvimento que ele fez também de uma imprensa revolucionária, né?

[00:57:07] Que você falou da educação na Rússia, educação do povo, né?

[00:57:11] O letramento do povo.

[00:57:14] Que ele nunca pretendeu controlar,

[00:57:17] mas que a literatura ocidental trata como, assim,

[00:57:21] a esquerda, né? Como uma coisa da previsão,

[00:57:23] como se o Lênin fosse algo de extraordinário,

[00:57:26] de mágico mesmo, né? Uma previsão.

[00:57:28] E negando aí a ação dos trabalhadores organizados,

[00:57:32] dos comitês, né? Dos sovietes e tal.

[00:57:36] E aí, assim, a gente vê bem como serve a narrativa

[00:57:41] estadunidense, por exemplo,

[00:57:43] como você citou, de que a Revolução foi um combinado ali,

[00:57:48] mais ou menos maluco, de fatos e tal,

[00:57:55] mas como… que culminou num golpe contra o povo.

[00:57:58] O povo foi enganado por isso aqui,

[00:58:00] por isso a gente está lutando agora pela liberdade, né?

[00:58:02] Então tem essa coisa de chamarem qualquer coisa relacionada ao comunismo

[00:58:06] como se fosse menos do que liberdade.

[00:58:08] Uma espécie de engordo, né?

[00:58:10] Como se a Revolução fosse uma espécie de engordo,

[00:58:12] de golpe contra o povo.

[00:58:15] E à esquerda, eu lembro de um companheiro nosso,

[00:58:18] do PT, o Perseveríssimo, lá do sul de Minas,

[00:58:21] um abraço, pra você ouvir a gente,

[00:58:23] ele brincava, assim, que o Lênin era o Sazón

[00:58:27] do Revolucionário de Goela.

[00:58:29] Falava assim, que às vezes as pessoas citavam o Lênin

[00:58:31] como quem coloca Sazón na comida, sabe?

[00:58:33] Aquele tempero pronto, e fica tudo com gosto de Sazón,

[00:58:36] mas tenta sem praticar, né?

[00:58:38] Acaba mistificando, paralisa ali,

[00:58:40] e não leva, necessariamente, à ação.

[00:58:42] Quer dizer, o Lênin tem um livro que é…

[00:58:44] O título é, tipo, o que fazer?

[00:58:46] Mas as pessoas, até hoje, não sabem o que fazer.

[00:58:48] Então, eu queria que você falasse um pouco dessa figura,

[00:58:51] que faleceu muito pouco tempo, né?

[00:58:54] Pouquíssimo tempo depois, esse ano completo, aliás,

[00:58:56] 100 anos da morte de Lênin, né?

[00:58:58] Foi em 1924.

[00:59:00] Faleceu pouco depois da Revolução, então,

[00:59:02] mesmo com esse pouco tempo, se tornou essa grande figura,

[00:59:04] que deu nome até a uma linha, né?

[00:59:06] Do marxismo-leninismo.

[00:59:08] Mas o que é o Lênin real, vamos chamar assim?

[00:59:12] O que é que sobra do Lênin?

[00:59:14] O que é que resta do Lênin, além dos restos mostrados,

[00:59:16] que a gente lembra lá, daquela coisa

[00:59:18] que mitificou também,

[00:59:20] mas que fica ali no nosso imaginário,

[00:59:22] mas que significa muito mais

[00:59:24] do que o Lênin estático,

[00:59:26] morto, a figura.

[00:59:28] É, é verdade.

[00:59:30] O que tu dizes em relação ao

[00:59:32] reescrever a história, eu estava lendo

[00:59:34] esses dias, assim, apresentando exatamente

[00:59:36] como um golpe de Estado.

[00:59:38] Simplesmente foi um complô

[00:59:40] que tomou o poder

[00:59:42] exatamente com a descrição

[00:59:44] que tu fizeste. A leitura passa a ser

[00:59:46] essa, efetivamente.

[00:59:48] Mas realmente, se tu for pensar o personagem

[00:59:50] Lênin, ele tem

[00:59:52] qualidades que são absurdas

[00:59:54] e que antevê coisas com

[00:59:56] muita, muita, muita antecedência.

[00:59:58] Ele começa a perceber

[01:00:00] os acontecimentos

[01:00:02] internacionais

[01:00:04] bem no começo do

[01:00:06] século, lá no Congresso

[01:00:08] do Partido Socialista Democrático

[01:00:10] Brasileiro Russo, lá em Londres,

[01:00:12] já começa a antevê a situação internacional,

[01:00:14] preparando, enxergando,

[01:00:16] mas a grande qualidade dele,

[01:00:18] além de ser um sujeito internacionalista,

[01:00:20] capaz de enxergar o mundo,

[01:00:22] ele olhava para o lugar onde ele

[01:00:24] ia trabalhar, onde ele ia agir efetivamente

[01:00:26] e conhecia o que estava fazendo,

[01:00:28] sabia o que ele tinha,

[01:00:30] ele tinha um conhecimento

[01:00:32] do seu próprio país

[01:00:34] e das suas necessidades, do seu povo.

[01:00:36] A dificuldade que a gente

[01:00:38] acabou tendo é assim,

[01:00:40] se terminou virando uma certa

[01:00:42] dentro do panteon,

[01:00:44] virou um dos santos

[01:00:46] do socialismo.

[01:00:48] Até para justificar

[01:00:50] algumas coisas

[01:00:52] havidas na Soviética em determinados

[01:00:54] períodos, botaram tudo

[01:00:56] na conta do Lenin para tirar

[01:00:58] o personagem era ele.

[01:01:00] Realmente,

[01:01:02] é uma figura

[01:01:04] fundamental, histórica

[01:01:06] de grande tamanho e que ajuda

[01:01:08] a produzir o que talvez seja mais importante,

[01:01:10] ele ajuda a construir uma liderança

[01:01:12] coletiva que responde a uma revolução.

[01:01:14] Ele tem um papel fundamental

[01:01:16] como ser como indivíduo,

[01:01:18] como papel dele na história que é

[01:01:20] indiscutível, mas ele consegue construir

[01:01:22] um partido

[01:01:24] que cumpre um papel que

[01:01:26] nunca visto na história antes.

[01:01:28] Ele consegue fazer isso motivar

[01:01:30] de um lado e de outro na teoria

[01:01:32] conseguir construir propostas

[01:01:34] e encaminhamentos que sejam

[01:01:36] fundamentais, sejam corretos

[01:01:38] e se torna realmente uma das figuras

[01:01:40] mais emblemáticas e mais

[01:01:42] atacadas também.

[01:01:44] Hoje passou a ser o saco de pancada

[01:01:46] de todo mundo.

[01:01:52] Ele acaba sendo identificado

[01:01:54] como o alvo a ser abatido e

[01:01:56] que deva ser mostrado como

[01:01:58] o golpista, o inimigo do povo,

[01:02:00] o sujeito que estava por trás

[01:02:02] do que o Stalin fez, que na verdade

[01:02:04] era isso mesmo, já estava tudo planejado

[01:02:06] e que o socialismo é isso mesmo,

[01:02:08] é escravidão.

[01:02:10] E quando a gente vê que era justamente o contrário,

[01:02:12] sobretudo nos primeiros anos da Revolução,

[01:02:14] nós ouvimos uma explosão de liberdade,

[01:02:16] explosão das liberdades

[01:02:18] dos direitos das mulheres,

[01:02:20] da cultura, da poesia,

[01:02:22] do cinema, da indústria,

[01:02:24] de tudo. Foi um processo

[01:02:26] extraordinariamente potente

[01:02:28] naquele período. Então não tem nada

[01:02:30] a ver com, digamos assim,

[01:02:32] o

[01:02:34] cenário

[01:02:36] da escravidão que é passado,

[01:02:38] o livro negro

[01:02:40] do comunismo e essas coisas.

[01:02:42] Que se tornaram,

[01:02:44] mas é que virou,

[01:02:46] quando o cara vai procurar,

[01:02:48] eu gosto de fazer isso porque estou lendo sobre

[01:02:50] a Guerra Mundial, e tu vai procurar

[01:02:52] um verbete, quando tu entras, tipo assim,

[01:02:54] sei lá, batalha tal,

[01:02:56] já começa assim,

[01:02:58] os massacres do Lenin,

[01:03:00] para tu chegar no que tu quer saber,

[01:03:02] o que aconteceu em Kursk,

[01:03:04] não, tu tem que cruzar

[01:03:06] com centenas de textos anteriores

[01:03:08] dizendo que o Lenin era isso,

[01:03:10] que era um assassino, que mataram não sei quem,

[01:03:12] botam na conta dos comunistas

[01:03:14] todos os mortos

[01:03:16] na Segunda Guerra Mundial,

[01:03:18] quem é que causou a Segunda Guerra Mundial?

[01:03:20] Não, os comunistas mataram 22 milhões de russos

[01:03:22] e mais não sei quantos de fome.

[01:03:24] Como assim? Então tem

[01:03:26] isso tudo, assim, acho que é uma figura

[01:03:28] que nós vamos precisar responder,

[01:03:30] recuperar, porque o mundo

[01:03:32] está precisando de um programa

[01:03:34] revolucionário, nós precisamos ter

[01:03:36] algum ativo, nós temos que

[01:03:38] digamos assim,

[01:03:40] aparentemente o neoliberalismo está chegando

[01:03:42] no seu limite, está sendo

[01:03:44] substituído

[01:03:46] por uma outra forma que a gente não sabe

[01:03:48] qual vai ser o desenho que vai ter.

[01:03:50] Tem um, digamos assim,

[01:03:52] aparentemente um certo protecionismo,

[01:03:54] talvez um renascimento do

[01:03:56] nacionalismo, enfim, tem uma série

[01:03:58] de desenhos que a gente tem que talvez pensar,

[01:04:00] eu sei que eu vou dizer uma coisa aqui que vai

[01:04:02] ter, vai ser antipática,

[01:04:04] mas assim, tem algumas

[01:04:06] coisas que o neoliberalismo,

[01:04:08] pelo nível de exploração e de

[01:04:10] transformar a vida numa coisa

[01:04:12] tão ruim, que passaram a ser

[01:04:14] ressignificados e

[01:04:16] passaram a ter uma noção de

[01:04:18] resistência. Família,

[01:04:20] para sobreviver hoje

[01:04:22] no mundo que a gente vive, as pessoas

[01:04:24] dependem da família para viver mesmo,

[01:04:26] dependem, assim, porque vivem naquele…

[01:04:28] Então a família passou a ter um outro desenho

[01:04:30] que não é aquela coisa, só apenas

[01:04:32] aquela coisa patriarcal que a gente

[01:04:34] combatia, se tornou um espaço

[01:04:36] de sobrevivência, as pessoas tem que viver

[01:04:38] e um apoia o outro para viver e não

[01:04:40] tem jeito, e é isso que acontece.

[01:04:42] A própria questão da religião,

[01:04:44] isso a gente tem que pensar e enxergar

[01:04:46] isso com um olhar, que nós

[01:04:48] estamos diante de um fenômeno, que é isso,

[01:04:50] o que nós vamos fazer com a

[01:04:52] religião, que ela tem um aspecto que é absolutamente

[01:04:54] reacionário, não há nenhuma dúvida

[01:04:56] disso, mas assim, também tem

[01:04:58] um aspecto cultural, também tem um aspecto

[01:05:00] de que a gente precisa pensar como

[01:05:02] enfrentar e como trabalhar com essa ideia.

[01:05:04] E a outra questão de soberania

[01:05:06] nacional, nós vamos ter que pensar

[01:05:08] nesses temas e

[01:05:10] como responder, mas acho

[01:05:12] que o programa se articula

[01:05:14] em recuperar os valores

[01:05:16] socialistas, valores da solidariedade,

[01:05:18] valores, enfim,

[01:05:20] de uma

[01:05:22] ideia de trabalhar

[01:05:24] o progresso e a felicidade coletiva

[01:05:26] e não de uma forma individual, que é

[01:05:28] o que a gente vive hoje, que é um individualismo

[01:05:30] nojento, absurdo, e nós vamos

[01:05:32] ter que articular essas

[01:05:34] categorias de família,

[01:05:36] de religião, precisa pensar

[01:05:38] como articular esses valores,

[01:05:40] a gente não pode deixar

[01:05:42] na mão da direita isso, não podemos

[01:05:44] deixar na mão deles esse tema,

[01:05:46] porque esse tipo

[01:05:48] de… eu vou dizer assim,

[01:05:50] eu tive uma experiência na minha juventude

[01:05:52] de trabalhar junto com a

[01:05:54] esquerda da igreja católica,

[01:05:56] foi uma

[01:05:58] experiência maravilhosa,

[01:06:00] eu aprendi muito com eles, posso

[01:06:02] não seguir a sua religião,

[01:06:04] mas a sua prática foi um

[01:06:06] negócio espetacular,

[01:06:08] eu aprendi muito mais com eles do que

[01:06:10] em muitos anos de leitura.

[01:06:12] Eu acho, só para poder

[01:06:14] pegar esse último gancho,

[01:06:16] eu acho que esse apagamento, essa tentativa de

[01:06:18] demonização do Lenin, é a tentativa de

[01:06:20] apagamento do próprio método

[01:06:22] revolucionário, que eu acho que está tão em falta,

[01:06:24] porque aí quando a gente perde isso,

[01:06:26] e aí vem a dissolução da União Soviética,

[01:06:28] a queda do muro de Berlim, essa coisa toda, a gente perde uma referência

[01:06:30] de que é possível fazer,

[01:06:32] e acaba se readequando

[01:06:34] ali ao liberalismo,

[01:06:36] e aí vira essa coisa de

[01:06:38] não, espera aí, e aí se não há

[01:06:40] saída, os caras vão escolher a saída que eles já

[01:06:42] conhecem, que é o fascismo.

[01:06:44] A gente não dá uma resposta, acho que nós vamos acabar

[01:06:46] entrando nisso quando for falar da eleição do Trump,

[01:06:48] mas um pouco é disso,

[01:06:50] então é um apagamento do método,

[01:06:52] dessa disciplina militante que eu acho que

[01:06:54] falta também, e eu não estou falando de burocracia partidária,

[01:06:56] estou falando de gente,

[01:06:58] inclusive para descentralizar, tirar

[01:07:00] das instituições essa coisa de que são

[01:07:02] elas que organizam, porque o povo também

[01:07:04] se organiza, e é possível

[01:07:06] se organizar a partir das nossas satisfações,

[01:07:08] é só pensar também no contexto

[01:07:10] que gerou lideranças populares,

[01:07:12] como o Lula, por exemplo, em que a gente

[01:07:14] tinha as comunidades eclesiais de base,

[01:07:16] a gente tinha as associações de moradores,

[01:07:18] e isso tudo acabou dissolvido

[01:07:20] nessa lama do neoliberalismo,

[01:07:22] e hoje

[01:07:24] é difícil a gente se organizar

[01:07:26] de novas formas também.

[01:07:28] Eu vejo que essa coisa que eu falei

[01:07:30] do dogmatismo à esquerda também,

[01:07:32] do Lenin como uma coisa extraordinária,

[01:07:34] é como se para dizer assim,

[01:07:36] não, só foi possível porque

[01:07:38] era ele, então também não tem,

[01:07:40] a não ser que surja outro Lenin, a gente não vai

[01:07:42] conseguir fazer, sendo que o que ele fez

[01:07:44] foi justamente organizar, organizar um partido,

[01:07:46] organizar um povo, organizar uma imprensa

[01:07:48] revolucionária, e seus propagadores,

[01:07:50] e pensar nisso, e nós estamos falando isso aí

[01:07:52] numa Rússia que era agrária e analfabeta,

[01:07:54] como é que eles conseguiram isso, quer dizer,

[01:07:56] é possível, a gente viu também depois

[01:07:58] com a revolução na China,

[01:08:00] uma China que também era agrária, uma China que também

[01:08:02] se revolucionou a partir

[01:08:04] da mobilização popular,

[01:08:06] uma liderança popular, mas uma mobilização

[01:08:08] sempre popular, então assim, não negar

[01:08:10] a capacidade de mobilização da

[01:08:12] nossa gente, eu acho que está faltando um pouco disso,

[01:08:14] a gente continua, as nossas lideranças

[01:08:16] políticas e partidárias continuam subestimando

[01:08:18] o poder popular. E a experiência

[01:08:20] do Fórum Social Mundial para mim é fundamental,

[01:08:22] foi fundamental, inclusive

[01:08:24] pelos seus erros, porque

[01:08:26] a decisão de não fechar

[01:08:28] programa, não fechar, não ter propostas

[01:08:30] defendidas pelas ONGs,

[01:08:32] que não, tem que ficar tudo aberto,

[01:08:34] nós perdemos uma grande possibilidade,

[01:08:36] a riqueza dos debates

[01:08:38] que nós tivemos nos fóruns foram

[01:08:40] coisas espetaculares.

[01:08:42] Muita saudade, viu?

[01:08:44] Muita, muita, muita, muita,

[01:08:46] e tu tem toda razão,

[01:08:48] aquela possibilidade,

[01:08:50] aqueles acontecimentos mostraram

[01:08:52] que a gente pode produzir,

[01:08:54] o slogan de um outro

[01:08:56] mundo é possível foi fundamental,

[01:08:58] e uma geração

[01:09:00] acreditou naquilo,

[01:09:02] e é o que está nos faltando hoje,

[01:09:04] conseguir conversar com

[01:09:06] o pessoal mais jovem, entender assim,

[01:09:08] dá para construir uma coisa diferente,

[01:09:10] é possível fazer isso,

[01:09:12] a gente precisa de método,

[01:09:14] daí precisa de organização,

[01:09:16] daí precisa sobretudo de programa,

[01:09:18] porque as pessoas não se organizam

[01:09:20] para estarem organizadas,

[01:09:22] elas se organizam para fazer alguma coisa,

[01:09:24] para fazer alguma coisa tu tem que ter um objetivo,

[01:09:26] se tu tem um objetivo tu tem que ter,

[01:09:28] como é que a gente faz para chegar naquele objetivo,

[01:09:30] tu tem que definir coisas, então isso,

[01:09:32] esse método precisa ser recuperado

[01:09:34] de uma forma que a gente não pode

[01:09:36] se contentar em ter máquinas eleitorais

[01:09:38] e achar que tu elegendo alguém

[01:09:40] tu vai resolver o problema, não vai,

[01:09:42] não é responsabilidade,

[01:09:44] a responsabilidade é muito mais tua,

[01:09:46] muito mais nossa, do que pensar

[01:09:48] que tu vai eleger alguém, um vereador,

[01:09:50] um deputado, um presidente da república

[01:09:52] e ele vai fazer tudo sozinho,

[01:09:54] e tem muito da nossa cultura da esquerda

[01:09:56] muito de meio que passar

[01:09:58] essa hipótese, não, vamos agora na eleição

[01:10:00] para resolver tudo, não vai, não vai,

[01:10:02] e recuperar o método é tudo,

[01:10:04] o método é o programa.

[01:10:06] É como se tivesse tarefa só durante a eleição,

[01:10:08] como se a gente não tivesse que desenvolver as tarefas,

[01:10:10] eu falo isso, gente, não me marca reunião

[01:10:12] para marcar reunião, você sai da reunião

[01:10:14] com reunião marcada, não, quero sair com reunião

[01:10:16] com encaminhamento, o que é que cada um vai fazer,

[01:10:18] até porque, para poder já pegar um gancho

[01:10:20] que a gente está falando de organização e encaminhamento,

[01:10:22] gente, eu gosto de dar essas pilulas

[01:10:24] assim de pitaco, sabe, o Porto,

[01:10:26] porque eu falo sempre disso assim,

[01:10:28] a gente chega nessas reuniões para marcar reunião

[01:10:30] e aí a coisa parece que não avança

[01:10:32] e não tem, a gente não

[01:10:34] consegue pensar junto, sabe, criar

[01:10:36] esses laços que a religião faz,

[01:10:38] que a direita tem feito de sua própria

[01:10:40] forma, mesmo que seja talvez virtualmente,

[01:10:42] nos WhatsApp da vida, então

[01:10:44] é importante começar a pensar a partir

[01:10:46] do que a gente pode fazer junto, eu tenho sempre falado

[01:10:48] disso aqui, né, pessoal, o que a gente pode fazer

[01:10:50] junto, porque o fórum social

[01:10:52] era isso, mas a partir do momento que você não tem um programa,

[01:10:54] para onde você vai, o que você faz depois?

[01:10:56] Eu vou dar um exemplo assim, eu sempre falo isso, a gente vai

[01:10:58] para um congresso, para alguma coisa e cria um grupo

[01:11:00] de WhatsApp, aí eu falo, olha,

[01:11:02] bacana, estamos aqui, um grupo de WhatsApp,

[01:11:04] mas isso aqui vai ser

[01:11:06] um grupo de organização ou isso vai virar

[01:11:08] um depósito de link dos mesmos links que eu já li

[01:11:10] em outros 30 grupos?

[01:11:11] Exatamente.

[01:11:12] Porque acaba sendo isso, né, e as pessoas

[01:11:14] continuam não formulando, continuam não se

[01:11:16] reunindo, gente, nem que seja para tomar uma cerveja,

[01:11:18] sabe, se reúne ali, porque dali pode,

[01:11:20] pode acreditar que deve nascer

[01:11:22] alguma coisa, né, não uma nova reunião, mas

[01:11:24] ó, vamos fazer tal coisa aqui junto, junta um, dois,

[01:11:26] três, vamos ali fazer um jornalzinho

[01:11:28] para completar, fazer um negócio de uma causa

[01:11:30] do bairro, assim podem nascer

[01:11:32] as coisas, a gente teve aqui o Yuri Moura,

[01:11:34] né, candidato do PSOL ali em Petrópolis, que

[01:11:36] falou das Cozinhas Solidárias, então existem

[01:11:38] muitas possibilidades de atuação,

[01:11:40] mas que elas só existem, só vão existir

[01:11:42] coletivamente, a gente pode até

[01:11:44] aqui com o lado B, as pessoas com seus

[01:11:46] canais, né, eu acho muito importante que exista

[01:11:48] um outro lado para falar,

[01:11:50] né, de Revolução Russa,

[01:11:52] dessa história que às vezes está

[01:11:54] sendo revisitada

[01:11:56] de uma forma muito errada, aí a gente sabe na internet,

[01:11:58] Brasil paralelo da vida, enfim,

[01:12:00] mas que existe um contraponto à esquerda,

[01:12:02] mas só isso não resolve os nossos problemas,

[01:12:04] porque a vida acontece ali no cotidiano,

[01:12:06] no real, nos problemas, no ônibus lotado,

[01:12:08] sabe, na creche que falta,

[01:12:10] na inflação,

[01:12:12] que a gente precisa disputar essa ideia

[01:12:14] do que é a inflação, isso está acontecendo,

[01:12:16] isso precisa de um programa,

[01:12:18] precisa de método, precisa que a gente,

[01:12:20] ao invés de ficar assim,

[01:12:22] quando a gente vê alguns militantes, né,

[01:12:24] ai, olha só, plenário aqui até

[01:12:26] 9 horas da noite, pô, que inferno,

[01:12:28] cara, que merda,

[01:12:30] Deus me livre de um negócio desse, aí quem vê

[01:12:32] fala, pô, pulando, bacana, né, tá lá

[01:12:34] lutando, mas, pô, 9 horas da noite,

[01:12:36] eu tô cansada, porque eu já trabalhei o dia inteiro,

[01:12:38] então não é pra mim, e a militância tem que ser pra todo mundo,

[01:12:40] e a gente só vai conseguir tornar a militância

[01:12:42] mais leve, mais sensível também,

[01:12:44] se a gente distribui tarefa, acho que

[01:12:46] eu vou encerrar aqui, porque eu acho que esse é um ponto

[01:12:48] que eu tenho batido em vários momentos, mas que

[01:12:50] é bom quando a gente tem um interlocutor aqui

[01:12:52] como Porto, porque traz pra gente algumas

[01:12:54] referências, como foi o

[01:12:56] Fórum Social,

[01:12:58] e da própria Revolução Russa,

[01:13:00] é possível, sabe,

[01:13:02] e a gente precisa retomar essa ideia de um outro

[01:13:04] mundo possível, porque isso já foi feito,

[01:13:06] e não

[01:13:08] deu certo entre aspas, né,

[01:13:10] deu certo durante algum tempo,

[01:13:12] porque as pessoas também acreditaram, as pessoas também

[01:13:14] se mobilizaram pra isso, então vamos

[01:13:16] continuar nos mexendo, pessoal. É isso,

[01:13:18] Porto, obrigado pela sua participação. Valeu.

[01:13:20] Acho que a gente conseguiu aí

[01:13:22] fechar bem um pouco da história,

[01:13:24] um pouco do contexto, e um pouco

[01:13:26] do que a gente pode aprender aí do legado

[01:13:28] deixado pela Revolução Russa,

[01:13:30] deixa seu destaque final, obrigado,

[01:13:32] boa noite. Não, eu acho que antes de tudo agradecer

[01:13:34] pra vocês pra gente poder tratar

[01:13:36] de temas que são muito pouco

[01:13:38] construídos, trabalhados hoje,

[01:13:40] e a gente continua nisso,

[01:13:42] parabenizar vocês,

[01:13:44] e ver o que que… tô curioso pra

[01:13:46] saber o que que nós vamos falar agora sobre

[01:13:48] a eleição do Trump e o que que

[01:13:50] isso significa, porque realmente, assim,

[01:13:52] é algo que precisa ser

[01:13:54] bem debulhado, bem entendido,

[01:13:56] porque acho que é um recado

[01:13:58] multifacetado,

[01:14:00] não é só notícia ruim,

[01:14:02] a gente tem que achar o que que tem de positivo

[01:14:04] nisso, o que que a gente pode

[01:14:06] aproveitar disso, no sentido

[01:14:08] de um aprendizado, no sentido de

[01:14:10] construir aquilo que nós estávamos falando aqui,

[01:14:12] construir um novo programa pra

[01:14:14] ação futura, pra enfrentar uma realidade

[01:14:16] que é extraordinariamente difícil,

[01:14:18] e que exige um trabalho consciente,

[01:14:20] planejado e pensado,

[01:14:22] programaticamente trabalhado.

[01:14:24] Valeu pessoal, grande abraço.

[01:14:26] É isso, relembrando a você, você pode deixar seu

[01:14:28] like, seu comentário, seu feedback,

[01:14:30] se tiver alguma pergunta sobre o

[01:14:32] assunto, né, que a gente debateu agora nesse

[01:14:34] quadro, pro Porto, pode deixar aí nos comentários

[01:14:36] aí do YouTube, que a gente dá um jeito,

[01:14:38] de passar pra ele, pra ele responder

[01:14:40] também. Agora a gente vai pro

[01:14:42] Caô da Semana, no feed de podcast,

[01:14:44] aquela vinhetinha conhecida aqui no YouTube,

[01:14:46] vai ser só um cortezinho.

[01:15:00] Bem, no Caô da Semana,

[01:15:02] não tem como falar de outra coisa,

[01:15:04] Donald Trump está de volta

[01:15:06] à Casa Branca, e aí eu pergunto pra

[01:15:08] mesa, vou direcionar o Fagner Torres

[01:15:10] Lima, que está aqui de volta

[01:15:12] com a gente. Fagner, como é

[01:15:14] que você vê esse retorno do

[01:15:16] maior símbolo do fascismo atual?

[01:15:18] Trump é o maior símbolo da

[01:15:20] maior potência, o cara mais famoso,

[01:15:22] o cara mais rico, o cara que já foi

[01:15:24] presidente, volta a ser presidente

[01:15:26] ganhando no voto, ganhando bem

[01:15:28] no voto, embora lá

[01:15:30] também, né, a democracia é confusa.

[01:15:32] Como é que você vê, principalmente

[01:15:34] pra gente aqui no Brasil?

[01:15:36] A gente tem pouco mais aí de

[01:15:38] 20 minutos pra tratar, não dá pra

[01:15:40] gente se… Congar. É,

[01:15:42] não dá pra gente falar sobre,

[01:15:44] mas isso vai refletir no Brasil.

[01:15:46] Até porque tá muito recente, né, a gente

[01:15:48] tá, a gente acho que tem que

[01:15:50] tem que

[01:15:52] matutar mais sobre, né, mas é

[01:15:54] acho que assim, o resultado da eleição

[01:15:56] mostra que, na verdade,

[01:15:58] os únicos pontos positivos que os

[01:16:00] Estados Unidos tem hoje é o Bruno Mars e o

[01:16:02] Lebron James, né, nada mais presta

[01:16:04] naquele lugar.

[01:16:06] Tudo que vem de ruim, quase, do mundo

[01:16:08] nasce ali.

[01:16:10] Começa a partir dali.

[01:16:12] O

[01:16:14] consulado americano que não assista esse programa

[01:16:16] senão não vai me dar visto pra poder

[01:16:18] ver o Mundial de Clubes no ano que vem.

[01:16:20] Mas…

[01:16:22] Não vai ter esse Mundial não, relaxa.

[01:16:24] Mas…

[01:16:26] Rapaz, é…

[01:16:28] Falando um pouco mais sério agora,

[01:16:30] complicado, porque

[01:16:32] já era esperado, na verdade, assim,

[01:16:34] eu acho que…

[01:16:36] eu acompanhei muito

[01:16:38] o desenrolar dos fatos pela Globo

[01:16:40] News, não

[01:16:42] a noite toda, como algumas pessoas que eu conheço,

[01:16:44] né, eu dormi cedo, inclusive, na

[01:16:46] terça-feira, mas

[01:16:48] eu, durante a

[01:16:50] tarde ali, final da tarde,

[01:16:52] início da noite, eu fiquei muito tempo ligado

[01:16:54] na Globo News na minha casa,

[01:16:56] pra poder acompanhar o desenrolar, e eu tava achando

[01:16:58] esquisito o…

[01:17:00] o tesão que eles estavam,

[01:17:02] não o tesão que eles

[01:17:04] estavam na transmissão,

[01:17:06] mas a sensação de otimismo

[01:17:08] que pairava

[01:17:10] no ar, assim, acho que

[01:17:12] o canal tava com expectativa de que

[01:17:14] a Kamala Harris vencesse a eleição

[01:17:16] mesmo. E nenhum número indicava isso.

[01:17:18] Assim, era…

[01:17:20] as pesquisas indicavam ou que tava

[01:17:22] muito apertado, né…

[01:17:24] Ou vantagem do Trump. Pois é, e

[01:17:26] eu, particularmente, acho que

[01:17:28] era esperado que o

[01:17:30] Trump vencesse a eleição, porque

[01:17:32] porque,

[01:17:34] enfim, o governo Biden

[01:17:36] embora

[01:17:38] algumas

[01:17:40] pesquisas indiquem, né,

[01:17:42] que a economia americana melhorou,

[01:17:44] e etc, etc e tal,

[01:17:46] foi um governo de estelionato,

[01:17:48] né, de estelionato eleitoral,

[01:17:50] de suas próprias

[01:17:52] propostas, né. Foi um governo

[01:17:54] de capitulação, e a gente sabe

[01:17:56] que quando o governo

[01:17:58] é… capitula

[01:18:00] em cima de suas propostas

[01:18:02] pra…

[01:18:04] né, pra poder manter um

[01:18:06] status quo aqui

[01:18:08] que não é favorável a

[01:18:10] a maioria da população, a

[01:18:12] tendência é o seu opositor voltar com mais

[01:18:14] força, e foi o que aconteceu.

[01:18:16] É… pro Brasil

[01:18:18] acho que, né, fica, eu acho que o

[01:18:20] aprendizado pro nosso governo, né,

[01:18:22] eu espero que o nosso governo

[01:18:24] aprenda com um resultado

[01:18:26] óbvio, né, cada país tem sua

[01:18:28] especificidade, mas

[01:18:30] a rigor, muita coisa

[01:18:32] que acontece lá, acontece aqui.

[01:18:34] Né, e aí eu

[01:18:36] acho que o nosso governo tem que aprender

[01:18:38] com essa lição, né, que

[01:18:40] eu já vi o presidente Lula

[01:18:42] falar algumas vezes aí, nos últimos

[01:18:44] meses, né, que só governos incompetentes

[01:18:46] não se reelegem, etc,

[01:18:48] etc, etc.

[01:18:50] Eu acho que agora a tendência

[01:18:52] é que ele tenha,

[01:18:54] aqui, né, falando da gente aqui,

[01:18:56] a resistência fascista

[01:18:58] ganhou uma sobrevida muito importante,

[01:19:00] a sobrevida mais importante que eles tinham,

[01:19:02] né, se é um país que

[01:19:04] era importante voltar ao

[01:19:06] ser um governo fascista pra

[01:19:08] fortalecer os fascistas

[01:19:10] vizinhos, esse país é os Estados Unidos.

[01:19:12] E agora aconteceu.

[01:19:14] É…

[01:19:16] eu acho que a tendência vai ser uma pressão

[01:19:18] muito grande, assim, em cima do nosso

[01:19:20] STF, questionamentos

[01:19:22] da nossa democracia,

[01:19:24] né, a gente sabe

[01:19:26] os filhos do desgraçado lá,

[01:19:28] um dos filhos, parece, do desgraçado que

[01:19:30] governou o país até

[01:19:32] 2022,

[01:19:34] tava lá, acompanhando ele,

[01:19:36] acompanhando a apuração

[01:19:38] lá nos Estados Unidos, né,

[01:19:40] esse desgraçado foi incapaz

[01:19:42] de ir ao Rio Grande do Sul quando aconteceu

[01:19:44] o que aconteceu lá meses atrás,

[01:19:46] né, mas agora pra poder lamber a bunda

[01:19:48] do fascista

[01:19:50] laranja, ele faz

[01:19:52] questão de pegar o avião e ir pra lá.

[01:19:54] E aí, cara,

[01:19:56] eu acho que dias

[01:19:58] bem difíceis

[01:20:00] nos aguardam, assim,

[01:20:02] de luta intensa nos aguarda,

[01:20:04] eu acho que a gente

[01:20:06] tem que se fortalecer de todas as maneiras,

[01:20:08] aí falando individualmente cada um,

[01:20:10] acho que a gente tem que se fortalecer

[01:20:12] porque o futuro não se

[01:20:14] apresenta como fácil, não.

[01:20:16] Eu

[01:20:18] só discordaria do estelionato eleitoral

[01:20:20] porque o Partido Democrata é isso aí,

[01:20:22] né, sempre foi,

[01:20:24] não trazia grandes promessas,

[01:20:26] a promessa era derrotar o Trump,

[01:20:28] tanto que

[01:20:30] a eleição de 2020

[01:20:32] foi a eleição com o maior número de votos da história

[01:20:34] dos Estados Unidos,

[01:20:36] a comparação ainda não acabou,

[01:20:38] aquilo que a gente fala, né,

[01:20:40] o resultado está definido por causa do colégio eleitoral e tal,

[01:20:42] a diferença é grande, não deve mudar

[01:20:44] o voto popular também,

[01:20:46] mas estão contando votos, ainda tem estado com menos de 70%

[01:20:48] das urnas apuradas,

[01:20:50] mas os números até agora

[01:20:52] são de 72 milhões de votos para o Trump

[01:20:54] e 68 milhões

[01:20:56] para a Câmara, mais cedo era 67,

[01:20:58] a diferença inclusive tende a diminuir um pouquinho

[01:21:00] embora a Câmara não deva passar no voto popular,

[01:21:02] mas para efeito de comparação

[01:21:04] em 2020 foram 81 milhões

[01:21:06] de votos para o Biden

[01:21:08] e 74 para o Trump,

[01:21:10] então o Trump teve menos votos até agora,

[01:21:12] pode ser que ele passe

[01:21:14] com o prosseguir da apuração,

[01:21:16] mas é uma diferença bastante significativa,

[01:21:18] são mais de 10 milhões de votos a menos

[01:21:20] para o Partido Democrata,

[01:21:22] e o próprio Trump vencedor ainda com menos votos

[01:21:24] deve talvez empatar,

[01:21:26] com a votação que ele teve

[01:21:28] em 2020,

[01:21:30] então isso revela

[01:21:32] um desencanto

[01:21:34] mesmo, né,

[01:21:36] a boa parte da população

[01:21:38] com o sistema político,

[01:21:40] um tanto faz, uma parcela significativa

[01:21:42] da sociedade dos Estados Unidos

[01:21:44] se mobilizou em 2020 para tirar o Trump

[01:21:46] da presidência

[01:21:48] e Biden, convenhamos,

[01:21:50] não é nenhum grande exemplo de

[01:21:52] grande carisma, de eloquente

[01:21:54] orador,

[01:21:56] o que tirou as pessoas de casa

[01:21:58] em plena pandemia, vale lembrar,

[01:22:00] pré-vacinação em novembro de 2020

[01:22:02] foi a expectativa de tirar

[01:22:04] o Trump da cadeira e agora essas pessoas

[01:22:06] sabiam que ou era

[01:22:08] Kamala ou era Trump

[01:22:10] e elas não se mobilizaram para impedir

[01:22:12] a volta do Trump, que as mobilizou

[01:22:14] em 2020.

[01:22:16] O perigo do tanto faz, entenderam que tanto faz.

[01:22:18] Então é aquela coisa, tiramos o Trump,

[01:22:20] a pandemia acabou,

[01:22:22] ok, mas se

[01:22:24] as populações periféricas continuam

[01:22:26] morrendo, se continua tendo um

[01:22:28] verdadeiro apartheid social

[01:22:30] das minorias

[01:22:32] étnicas nos Estados Unidos,

[01:22:34] se as pessoas continuam pedindo

[01:22:36] Uber para ir para

[01:22:38] a emergência

[01:22:40] para não gastar 2, 3 mil dólares na ambulância,

[01:22:42] se não tem

[01:22:44] tratamento de um sistema de saúde

[01:22:46] não necessariamente gratuito,

[01:22:48] mas pelo menos pagável

[01:22:50] para boa parte da população, se as pessoas

[01:22:52] continuam precisando trabalhar em três empregos

[01:22:54] para conseguir ter uma subsistência mínima

[01:22:56] e

[01:22:58] se os preços continuam aumentando no mercado,

[01:23:00] as pessoas falam, bem,

[01:23:02] não vou sair de casa,

[01:23:04] vou me mobilizar,

[01:23:06] porque na verdade

[01:23:08] eu estou me lembrando da eleição

[01:23:10] no dia de semana,

[01:23:12] no inverno,

[01:23:14] em lugar pobre tem pouca sessão,

[01:23:16] o sistema é todo, como o Fagner falou,

[01:23:18] da democracia americana,

[01:23:20] mas você pode votar pelo correio também,

[01:23:22] um mês antes,

[01:23:24] mas aí o voto pode sumir…

[01:23:26] Então em lugar pobre

[01:23:28] tem pouco lugar para votar,

[01:23:30] você tem que ficar do lado de fora

[01:23:32] em Utah, em Novembro,

[01:23:34] menos 2 graus na fila

[01:23:37] no dia que você tem que trabalhar

[01:23:39] tem que fazer muita diferença

[01:23:40] tem que contar o próprio formato

[01:23:43] do país

[01:23:44] com muita autonomia dos estados

[01:23:47] cada estado tem uma regra

[01:23:49] acaba que o presidente tem uma

[01:23:50] não é um país sério

[01:23:52] o fato é que

[01:23:54] consulado

[01:23:57] não assista esse

[01:23:58] o meu está garantido até 2028

[01:23:59] mas o que o Fagner falou

[01:24:02] da lição que fica pra gente é

[01:24:04] se realmente

[01:24:06] a gente ter tirado

[01:24:08] um desgraçado de lá em 2022

[01:24:10] como eles tiraram em 20

[01:24:12] mas se aspectos fundamentais da minha vida

[01:24:15] não melhoram, pra que eu vou me importar

[01:24:17] que diferença vai fazer

[01:24:18] Luara, é

[01:24:20] Lula não é Kamala, não é Biden

[01:24:22] a gente sabe, Brasil nos Estados Unidos

[01:24:25] mas

[01:24:26] tem um aspecto que eu já anotei de cara

[01:24:28] até tuitei isso agora

[01:24:30] botei no Blue Sky também, no lado B

[01:24:32] que foi a primeira coisa que eu pensei

[01:24:34] quando eu acordei de manhã e vi que o Trump tinha sido eleito

[01:24:36] não que ele esteja

[01:24:37] não que o Jair Bolsonaro estivesse

[01:24:40] completamente apagado do jogo político

[01:24:42] porque não estava, principalmente agora nas eleições

[01:24:44] mas ele durante um bom período

[01:24:46] antes das eleições, antes da campanha

[01:24:48] ele ficou bem quietinho

[01:24:50] não se repercutiu o que ele postava

[01:24:52] o que ele dizia

[01:24:53] ele está inelegível

[01:24:56] ele virou um

[01:24:58] um quadro ali

[01:25:00] meio que, tá ali

[01:25:02] de vez em quando, falava e tal

[01:25:04] não estava, é isso né

[01:25:06] ele é o ex-presidente

[01:25:07] invariavelmente vão dar aspas pra ele

[01:25:10] porém, com a eleição

[01:25:13] que ele, enfim

[01:25:14] ganhou né, lá o espaço

[01:25:16] de quadro político que ele teria né

[01:25:18] com o carisma que ele tem, tudo mais com os votos

[01:25:20] que ele teve, e com

[01:25:22] a volta do Trump, o Bolsonaro

[01:25:24] já voltou ao jogo político no Brasil

[01:25:27] de uma maneira muito clara

[01:25:28] nos últimos dias

[01:25:30] dois dias né, foi quarta

[01:25:32] né, quarta e quinta

[01:25:33] com a volta do Trump, já estão dando aspas

[01:25:36] pra ele, já estão dando aspas

[01:25:38] pros aliados dele, mais do que

[01:25:40] já tem até vice

[01:25:40] a Veja, acho que

[01:25:44] a última edição da Veja

[01:25:46] inclusive, se eu não estou enganado

[01:25:47] a capa é ele dizendo

[01:25:50] o candidato sou eu

[01:25:51] o que eu acho que a primeira coisa que a gente vai ver

[01:25:54] com o Trump, com a volta do Trump

[01:25:56] é Jair Bolsonaro novamente no jogo

[01:25:58] de uma maneira assim, vão fingir que ele

[01:26:00] não está, que ele está elegível

[01:26:02] vão fingir que não, tipo

[01:26:04] não existe isso, até ser derrubado

[01:26:06] ou mesmo que não seja derrubado, até se construir

[01:26:08] um nome pra substituí-lo

[01:26:10] né, e isso pra mim está muito claro

[01:26:12] como é que você vê aí a volta do Trump

[01:26:14] refletindo aqui na política

[01:26:16] brasileira. Não, é exatamente isso

[01:26:18] né, esses falões de ensaio

[01:26:20] aí que ficam lançando, essa imprensa

[01:26:22] declaratória que não aprendeu com nada, porque não quer

[01:26:24] aprender, porque na verdade

[01:26:26] a gente, a eleição do Trump prova isso

[01:26:28] assim, que se os caras tiverem

[01:26:30] né, que abraçar

[01:26:32] o fascismo pra poder negar

[01:26:34] qualquer avanço de direito

[01:26:35] pro povo, pras pessoas

[01:26:38] eles vão fazer isso, porque

[01:26:39] a lógica é o lucro, tanto

[01:26:42] que não é por acaso que

[01:26:44] uma das maiores preocupações

[01:26:46] da comunidade internacional

[01:26:48] de quem ainda se preocupa

[01:26:50] né, é com a questão

[01:26:52] climática, porque ter um negacionista

[01:26:54] à frente de uma das maiores

[01:26:56] né, economias, ainda

[01:26:58] que questionavelmente aí

[01:27:00] questionavelmente aí em declínio e tal

[01:27:02] mais uma das maiores economias, uma economia

[01:27:04] importante, um nome de peso

[01:27:06] dentro da discussão econômica mundial

[01:27:08] ter à frente dessa economia

[01:27:10] um negacionista é

[01:27:12] fundamental para a sobrevivência

[01:27:14] do capitalismo, porque um

[01:27:16] um sistema que

[01:27:17] sobrevive com

[01:27:20] essa coisa né, do lucro

[01:27:22] sobre qualquer custo

[01:27:24] ele precisa negar

[01:27:26] as condições climáticas de hoje

[01:27:28] ele não admite retroceder

[01:27:30] em nenhum aspecto, ou chama

[01:27:32] isso de retrocesso né, eu chamo muito sobrevivência

[01:27:34] mas os caras chamam de retrocesso, então

[01:27:36] o negacionismo é um

[01:27:38] desses pontos de convergência

[01:27:40] do

[01:27:41] Trump com o Bolsonaro

[01:27:44] e com a organização da extrema direita

[01:27:46] mundialmente, e

[01:27:48] eu acho que você fez uma leitura correta, acho que

[01:27:50] é por aí mesmo, vão tentar, vão fingir

[01:27:52] até a hora que, não, não tem

[01:27:54] nada disso aí não, vão passar pra

[01:27:56] porque até usando essa coisa como uma

[01:27:58] democracia forte né, o

[01:28:00] Partido Democrata continua insistindo

[01:28:02] nessa, nessa coisa de

[01:28:04] uma transição pacífica, porque lá não

[01:28:06] tem justiça eleitoral, então

[01:28:08] é, transição

[01:28:10] pacífica com um fascista

[01:28:12] agora, o cara que tentou

[01:28:13] um golpe, que invadiu

[01:28:16] que incitou a invasão

[01:28:18] a Capitólio, então é um negócio assim

[01:28:20] é, mostra pra gente

[01:28:22] não chega

[01:28:24] a chocar, mas mostra pra gente erros

[01:28:26] que se continuam

[01:28:27] cometidos aqui também, ou até

[01:28:30] arrastados aqui, porque cometido já foi né

[01:28:32] esse debate em torno

[01:28:34] da anistia, essa demora das respostas

[01:28:36] ou então, só a prisão

[01:28:38] dos, dos

[01:28:40] bois de piranha ali né

[01:28:41] é, não, não vai

[01:28:44] resolver esse cinema

[01:28:46] com o que foi, tanto o episódio

[01:28:48] do 8 de janeiro, quanto os

[01:28:50] diversos crimes de Jair Bolsonaro

[01:28:51] então este é um ponto, essa falta de

[01:28:54] resposta, e aí eu acho assim né

[01:28:56] aquilo que eu já falei, durante o programa

[01:28:58] de hoje né, a escolha de quem descartadamente

[01:29:00] dá voz a um discurso de que só os fortes devem

[01:29:02] sobreviver, e aí falo de

[01:29:04] Trump, falo de Bolsonaro, mas falo também

[01:29:06] de Paulo Marçal

[01:29:07] mostra que caso a esquerda não responda a isso

[01:29:10] caso venha aí mais corte de

[01:29:12] gasto, mais cinismo

[01:29:14] de uma frente ampla

[01:29:16] e que só amplia

[01:29:18] a direita

[01:29:18] esse silêncio será

[01:29:21] essa não resposta, esse silêncio

[01:29:24] será também um consenso, né, ou seja

[01:29:26] não há saída, não há alternativa, alguém

[01:29:28] tem que perder, é isso

[01:29:30] que a esquerda está dizendo, né

[01:29:32] que ah não, então realmente

[01:29:34] o sonho que a gente

[01:29:35] dizia vender, a utopia que a gente fala

[01:29:38] isso não existe, alguém tem que perder, só que

[01:29:40] se alguém coincidente, inconvenientemente

[01:29:42] são sempre mais pobres, né

[01:29:43] então esse é um ponto

[01:29:46] que eu acho que realmente precisa de

[01:29:48] resposta, isso já é um debate

[01:29:50] antigo, isso não é uma

[01:29:51] noção de agora, mas

[01:29:54] acho que o Partido Democrata

[01:29:55] se aprendeu, aprendeu de uma

[01:29:58] forma muito dura, porque Trump vai governar

[01:30:00] com maioria no Senado, maioria

[01:30:02] no Congresso, é um negócio realmente

[01:30:04] tempos duros virão aí

[01:30:06] acho que todo o meu otimismo eu gastei

[01:30:08] no primeiro bloco, viu Fagner?

[01:30:09] Agora, vou me juntar aqui

[01:30:12] você, eu falo

[01:30:14] no nosso grupo lá, eu acho que

[01:30:16] quem acompanha o Lado B há

[01:30:17] oito anos, né, há oito

[01:30:20] anos já sabe que eu não sou

[01:30:22] eu não sou doutor em otimismo

[01:30:24] pelo contrário

[01:30:25] eu sou do time do Saramago

[01:30:28] eu não vejo nenhum motivo

[01:30:30] para ser otimista no mundo

[01:30:32] nenhum motivo

[01:30:33] se alguém quiser me dar um motivo

[01:30:36] que se apresente, porque eu não enxergo

[01:30:38] isso também não é motivo

[01:30:41] de otimismo nenhum

[01:30:42] em qualquer quadro

[01:30:45] em qualquer quadro

[01:30:47] mas é isso

[01:30:48] eu acho que

[01:30:50] a gente vai enfrentar aí, não estou dizendo

[01:30:52] que a gente vai perder, nem nada disso

[01:30:54] acho que as coisas

[01:30:56] faltam dois anos ainda e tem muita

[01:30:58] água para rolar, mas que a gente

[01:31:00] vai se irritar bastante, que vão ser

[01:31:02] tempos duros, que

[01:31:04] a gente vai voltar a viver

[01:31:06] a gente nunca deixou de viver, na verdade

[01:31:08] que se tivesse deixado de viver

[01:31:09] essa corja de

[01:31:12] assassinos que comandou

[01:31:14] o Brasil nos últimos quatro anos, estaria

[01:31:16] todo mundo, né, comendo capim

[01:31:18] pela raiz, né, se essa

[01:31:19] se

[01:31:20] não fosse normalizado, mas

[01:31:24] agora a gente vai ter uma normalização ainda

[01:31:26] maior do discurso fascista

[01:31:28] uma normalização ainda maior

[01:31:30] das figuras do fascismo brasileiro

[01:31:32] é isso

[01:31:33] Jair Bolsonaro já está na capa da veja, mesmo antes

[01:31:36] da eleição do Trump, mas já está na capa da veja

[01:31:38] se dizendo candidato

[01:31:39] hoje ele já falou que o Temer

[01:31:41] pode ser o vice dele

[01:31:43] e por aí vai, assim

[01:31:45] toda semana a gente vai se irritar

[01:31:48] com algum tipo de absurdo

[01:31:49] que vai ser reproduzido

[01:31:51] da boca desses animais

[01:31:54] e da boca dos próprios jornalistas

[01:31:56] aí do mainstream brasileiro

[01:31:57] que normalizam essa malta toda

[01:31:59] de corruptos

[01:32:02] e assassinos

[01:32:03] queria falar um pouquinho da questão do

[01:32:05] voto identitário, né

[01:32:07] tem muita gente aí culpando, não, porque

[01:32:09] o Partido Democrata

[01:32:11] com seu discurso do voto identitário

[01:32:13] lançou uma mulher, uma mulher não branca

[01:32:15] e isso não mobiliza os eleitores

[01:32:17] e tal, então é

[01:32:19] a gente comentou no grupo mais cedo

[01:32:21] Caio falou, não, não dá pra saber o

[01:32:23] voto certinho pelos grupos, né

[01:32:25] etários, étnicos, porque em tese

[01:32:27] o voto é secreto, mesmo que ele seja pelo Correio

[01:32:29] mesmo a Katy Perry tendo mostrado

[01:32:31] mesmo a Katy Perry tendo fotografado

[01:32:32] o voto dela pelo Correio

[01:32:33] país necessário, né

[01:32:34] mas é, tem pesquisa de boca diurna

[01:32:38] as pesquisas de boca diurna costumam ser um pouco

[01:32:40] mais acuradas do que as

[01:32:42] pesquisas pré-eleitorais, então os dados

[01:32:44] que saíram hoje aqui, numa pesquisa da

[01:32:46] da Reuters aqui

[01:32:48] quer dizer, da Edison Research

[01:32:50] divulgada via Reuters

[01:32:51] o Trump teve 13 pontos de vantagem entre os homens

[01:32:54] 55-42

[01:32:55] enquanto a Câmara teve 8 pontos de vantagem entre as mulheres

[01:32:58] 53-45

[01:32:59] entre os brancos o Trump teve

[01:33:01] 16 pontos de vantagem

[01:33:02] 57-41

[01:33:04] entre os negros 85-13

[01:33:06] pra Câmara, pra ver como

[01:33:08] é bacana, né

[01:33:09] a ideia do Trump pra comunidade negra

[01:33:11] pra comunidade, entre o voto hispânico

[01:33:14] latino, 52-46 pra Câmara

[01:33:16] asiático, 54-39

[01:33:18] pra Câmara

[01:33:19] nas faixas de idade, o Trump

[01:33:21] venceu decisivamente apenas

[01:33:24] em uma faixa etária, de 45-64

[01:33:26] mesmo ele tendo uma vitória

[01:33:28] significativa

[01:33:29] ele venceu apenas entre

[01:33:31] 45-64

[01:33:32] 54-44

[01:33:34] acima de 65, empate

[01:33:36] 49-49

[01:33:37] entre 30-44, empate técnico

[01:33:39] 49-48 pra Câmara

[01:33:41] e entre os jovens, de 30 anos pra baixo

[01:33:43] 54-43 pra Câmara

[01:33:46] e entre

[01:33:48] detentores de diploma universitário

[01:33:50] 55-42

[01:33:52] pra Câmara e sem

[01:33:53] ensino universitário

[01:33:55] 56-42, também 14 pontos de vantagem

[01:33:58] pro Trump

[01:33:58] então o eleitor típico do Trump

[01:34:00] é um homem

[01:34:01] é um homem

[01:34:02] branco

[01:34:02] um homem branco

[01:34:03] de meia idade

[01:34:04] sem educação universitária

[01:34:05] então se isso não é identitário

[01:34:06] o homem branco

[01:34:11] de meia idade

[01:34:12] que ele tem a saudade

[01:34:13] daquilo que já não viveu

[01:34:14] daquele mundo que ele foi prometido

[01:34:16] talvez na sua infância e juventude

[01:34:19] do homem

[01:34:20] respeitado

[01:34:22] e que seria o provedor

[01:34:24] da família, daquela família

[01:34:26] nuclear, do homem, da mulher, dos filhos

[01:34:28] ele cresceu com essa ideia

[01:34:29] quem tá com 60

[01:34:31] 50, 60 anos hoje

[01:34:33] talvez já não tenha vivido isso

[01:34:34] já tenha vivido um mundo

[01:34:35] em transformação

[01:34:37] e acumulando ressentimento

[01:34:39] por não ter vivido isso

[01:34:40] e o Trump aparece aí nos últimos 10 anos já

[01:34:44] prometendo

[01:34:44] make America great again

[01:34:47] faça a América grande de novo

[01:34:49] aquilo que ela um dia foi

[01:34:50] aquilo que você não viveu

[01:34:51] essa América mítica

[01:34:54] e também pra ficar nessa questão da identidade também

[01:34:57] eu falei aqui que a Câmara ganhou no voto negro

[01:34:59] no voto latino, mas a gente teve um crescimento

[01:35:01] segundo as mesmas pesquisas

[01:35:03] um crescimento bastante significativo do Trump

[01:35:06] entre minorias, entre mulheres

[01:35:07] e sobretudo entre hispânicos

[01:35:09] entre hispânicos acho que aumentou 30 pontos percentuais

[01:35:12] talvez porque

[01:35:13] parte desse eleitorado hispânico na verdade

[01:35:15] não se identifique com a gente

[01:35:17] eles querem ser americanos

[01:35:19] aí tem duas coisas

[01:35:20] eu vi uma análise interessante hoje

[01:35:23] no Blue Sky

[01:35:24] eu acho que tratar classe

[01:35:26] costuma dar bons resultados

[01:35:29] para eleitorais

[01:35:30] mas é que falar

[01:35:31] que

[01:35:32] porque tem mulher que vota no Trump

[01:35:34] porque ele aumentou a votação dele entre as mulheres

[01:35:36] embora tenha perdido

[01:35:37] a oposição aí não é mulher homem

[01:35:39] não é vista como mulher homem na narrativa

[01:35:41] é família contra

[01:35:43] destruidores da família

[01:35:45] e porque que tem negros que estão votando

[01:35:48] porque não é branco negro

[01:35:49] é quem acha que

[01:35:51] faz diferença

[01:35:54] a questão racial e quem acha

[01:35:56] que racismo é mimimi

[01:35:57] é a mesma coisa aqui

[01:35:59] e sobre o voto hispânico

[01:36:01] tem duas coisas

[01:36:02] uma que a oposição na narrativa deles

[01:36:04] a oposição não é entre hispânicos e brancos

[01:36:07] é entre gente de bem

[01:36:10] e criminosos

[01:36:11] que estão vindo

[01:36:12] o hispânico é o criminoso

[01:36:14] e tal

[01:36:14] e segundo

[01:36:16] o voto latino nos Estados Unidos

[01:36:18] não é uma verdade

[01:36:19] não existe um bloco homogênico latino

[01:36:21] tem vários tipos de origem

[01:36:23] tem mexicanos que migraram

[01:36:26] há 40 anos

[01:36:27] mexicanos que migraram há 50 anos

[01:36:28] os que eles chamam de terranos

[01:36:30] que é gente que era de família de homens e homens

[01:36:31] família mexicana

[01:36:32] e continuou no mesmo lugar

[01:36:34] o México que deixou de ser lá

[01:36:35] os Estados Unidos é que ocupou o território

[01:36:37] então acho que 20% da população latina

[01:36:39] de origem latina dos Estados Unidos

[01:36:41] está no mesmo lugar há 200 anos

[01:36:42] é que o país mudou de lugar

[01:36:44] mas eles estão lá no mesmo lugar

[01:36:46] San Antonio, Sacramento, Los Angeles, San Diego, El Paso

[01:36:51] e tantos exemplos

[01:36:53] tiveram nem o luxo de mudar de nome

[01:36:56] exatamente

[01:36:56] então de grosso modo

[01:36:59] simplificadamente

[01:37:01] as famílias hispânicas latinas

[01:37:04] que estão há várias gerações

[01:37:06] nos Estados Unidos

[01:37:08] tendem a aderir a um discurso conservador

[01:37:11] pode querer ser americano

[01:37:13] se consideram americanos

[01:37:14] são cidadãos americanos

[01:37:16] e veem a nova imigração

[01:37:18] como uma ameaça

[01:37:20] tanto quanto os brancos

[01:37:23] porque eles se sentem ameaçados

[01:37:24] nós já estamos estabelecidos

[01:37:26] nós somos pessoas de bem

[01:37:27] trabalhadoras, pagadoras de impostos

[01:37:28] que estamos aqui há várias gerações

[01:37:29] e isso é um fator

[01:37:31] e tem outro fator também

[01:37:33] que principalmente os descendentes de cubanos da Flórida

[01:37:36] descendem em muitos casos

[01:37:38] de famílias que eram famílias ricas

[01:37:39] famílias de posse que fugiram da revolução cubana

[01:37:42] então sempre tiveram um viés conservador

[01:37:45] bastante destacado

[01:37:48] então essa questão do voto latino

[01:37:50] tem vários votos latinos

[01:37:51] enquanto o voto porto-riquenho

[01:37:53] costuma ser mais progressista

[01:37:55] das famílias descendentes de porto-riquens

[01:37:58] porque Porto Rico é um

[01:37:59] autônomo

[01:38:00] é autônomo

[01:38:01] é um protetorado

[01:38:03] seria a palavra mais adequada

[01:38:05] é um status híbrido

[01:38:07] entre colônia e território americano

[01:38:10] tem vários direitos

[01:38:12] do cidadão americano

[01:38:13] mas não podem votar para presidente

[01:38:15] e não elegem representantes para o congresso

[01:38:16] os que moram em Porto Rico

[01:38:17] tem um dado interessante

[01:38:21] que é um desdobramento disso que o Daniel falou

[01:38:23] que não é uma oposição entre

[01:38:25] homens e mulheres

[01:38:28] mas essa coisa da família

[01:38:29] que

[01:38:31] entre as mulheres casadas

[01:38:34] 50% votou

[01:38:36] em Trump

[01:38:37] e entre as mulheres solteiras

[01:38:39] foi 37%

[01:38:41] 60% para a Câmara

[01:38:43] Câmara, é assim que fala

[01:38:46] agora ninguém

[01:38:47] precisa saber mais

[01:38:48] mas assim, eu queria

[01:38:51] comentar exatamente isso

[01:38:52] Daniel trouxe todos os dados

[01:38:54] é sempre muito bom contar com o economista do povo

[01:38:57] mas quando a gente fala

[01:38:59] do que eles chamam de identitarismo

[01:39:01] como se não fizesse parte

[01:39:03] da vida das pessoas

[01:39:04] como se não tivesse reflexo na vida das pessoas

[01:39:07] é coisa da identidade

[01:39:09] ser atravessado

[01:39:10] pelo fato de ser mulher, pelo fato de ser latina

[01:39:12] pelo fato de ser negra

[01:39:14] me parece assim que na verdade

[01:39:16] esse discurso contra o chamado

[01:39:19] identitarismo, parece que é uma coisa assim

[01:39:21] se esses caras pudessem

[01:39:23] eles usam os mesmos argumentos

[01:39:25] até, de quem negava o voto

[01:39:27] às mulheres, é uma coisa assim

[01:39:29] quando você vai estudar a história e a oposição

[01:39:31] da ideia do voto das mulheres

[01:39:33] os argumentos são mesmo dessa galera

[01:39:35] que fala de identitarismo como se fosse

[01:39:38] uma coisa que é o mal maior da esquerda

[01:39:40] eu fico absurdada

[01:39:42] e aí é sempre

[01:39:43] eu gosto de retomar

[01:39:45] o que foi o pós

[01:39:48] ele não

[01:39:48] culpando as mulheres

[01:39:51] de que olha, ou ele não elegeu

[01:39:53] Bolsonaro, o identitarismo

[01:39:55] elegeu o Trump

[01:39:57] aí você pega todos os movimentos

[01:39:59] todas as mobilizações demais, aconteceram

[01:40:01] no Brasil, ou as organizações

[01:40:03] e tal, mesmo num país como os Estados Unidos

[01:40:06] que já não tem essa tradição muito mais

[01:40:07] de manifestação popular e tal

[01:40:09] todos eles, quem tá lá

[01:40:11] em peso, mulheres, geralmente mulheres

[01:40:13] negras, arrastando aquele povo

[01:40:15] de algum jeito

[01:40:16] a resistência tem identidade

[01:40:19] gente, são vocês

[01:40:21] que se acham os únicos

[01:40:23] os porta-vozes oficiais

[01:40:26] e aí eu tô falando dos homens

[01:40:28] brancos, de classe média

[01:40:29] metidos intelectuais, vão fazer suas análises

[01:40:31] aí do que a esquerda tem que fazer

[01:40:33] é como se eu dissesse assim

[01:40:35] olha, a esquerda tem que me ouvir

[01:40:37] e só ouvir a mim

[01:40:38] e continuar só ouvindo o que eu tenho a dizer

[01:40:41] esquece esse negócio de ouvir mulher

[01:40:43] esquece esse negócio de aborto

[01:40:45] que também colocaram lá, que a Câmara

[01:40:46] falou muito de aborto, que não sei o que lá

[01:40:48] mas isso acabou moderando até

[01:40:50] os discursos do Trump, que começou a falar

[01:40:53] que veja só, não, não é que eu sou

[01:40:55] contra o aborto, deixa que cada

[01:40:57] Estado faça aí como

[01:40:58] achar melhor, quer dizer, houve uma moderação

[01:41:01] porque isso, ao contrário do que acontece

[01:41:03] no Brasil, e ao contrário do que existe

[01:41:05] pra extrema-direita, pra direita

[01:41:07] conservadora, né, com

[01:41:09] religião também

[01:41:11] lá, era uma coisa consolidada

[01:41:13] que as mulheres sentiram que perderam

[01:41:15] e que a Câmara trouxe com força, porque

[01:41:17] gente, também não seja

[01:41:19] ingênuo, não é por uma

[01:41:21] questão que, plenamente

[01:41:23] só de ideologia

[01:41:25] e tal, não, existe pesquisa pra isso

[01:41:27] sabe, parte da democracia deve ter visto

[01:41:29] olha, vamos por aqui, que esse é um discurso

[01:41:31] que a gente consegue se contrapor

[01:41:33] ali, é o que é a voz do Donald Trump

[01:41:35] é o que é a voz do Partido Republicano hoje

[01:41:37] porque era consolidado até

[01:41:39] pelo Partido Republicano, o negócio ali, eles foram fazendo

[01:41:41] tantas concessões ali à extrema-direita

[01:41:43] e o Trump engoliu o Partido Republicano

[01:41:45] e isso virou um

[01:41:47] tema pra eles também, mas

[01:41:49] aqui é tratado como se fosse uma coisa

[01:41:51] menor, porque é um direito, né,

[01:41:53] deveria ser um direito concedido às mulheres, porque

[01:41:55] virou papo de mulher falar

[01:41:57] de aborto, e aí os caras, os companheiros

[01:42:00] entre muitas aspas, não

[01:42:01] vão fazer um debate como esse

[01:42:03] e tratam isso como identitarismo, sendo que isso

[01:42:05] atravessa diretamente as mulheres

[01:42:07] trabalhadoras, quer dizer, uma mulher que tem

[01:42:09] filho, onde é que ela vai deixar

[01:42:11] o filho, como é que ela vai cuidar do filho, como é que ela vai

[01:42:13] dar conta de

[01:42:14] trabalhar e de cuidar de casa

[01:42:17] e tal, porque ainda vivemos um sistema patriarcal

[01:42:20] e isso não é

[01:42:21] uma pauta da classe trabalhadora

[01:42:23] saca, e aí vamos

[01:42:25] continuar insistindo nessa tese de que

[01:42:27] o identitarismo elegeu

[01:42:31] não, é o contrário

[01:42:33] é porque vocês, homens

[01:42:35] brancos, de classe média, que ainda tem

[01:42:37] voz, continuam insistindo nas mesmas teses falidas

[01:42:39] nos trouxeram até aqui

[01:42:41] sem respostas, ou são as pessoas

[01:42:43] mais oprimidas do mundo

[01:42:45] e vocês vão ver que a gente tem saída

[01:42:47] a gente tem resposta

[01:42:49] são vocês que não querem nos ouvir

[01:42:51] é, pra fazer a conexão com o tema

[01:42:53] do primeiro bloco do programa, o aborto

[01:42:55] foi legalizado na União Soviética em 1920

[01:42:57] pois é

[01:42:59] só pra deixar registrado

[01:43:01] uma vitória do Elon Musk

[01:43:03] vamos lembrar que estará aqui no Brasil

[01:43:05] já anunciou aí que está procurando

[01:43:07] um gerente para a escritória do Twitter

[01:43:09] no Brasil, ficar de olho

[01:43:11] lembrar também que

[01:43:13] o Biden é o primeiro

[01:43:14] presidente

[01:43:17] a ligar para o Lula

[01:43:18] na vitória do Lula na eleição

[01:43:21] validando ali

[01:43:22] a vitória do Lula

[01:43:24] ele emite um comunicado

[01:43:25] oficial, ou seja, a eleição de

[01:43:29] 2022 foi sob

[01:43:31] os Estados Unidos de Biden

[01:43:33] a eleição de 2026 será sob os Estados Unidos

[01:43:35] de Trump, bom ficar de olho

[01:43:37] e a última coisa que eu queria destacar

[01:43:39] é lamentar, né, tanto dinheiro

[01:43:41] tanta tecnologia, tanta gente competente

[01:43:44] a serviço dos Estados Unidos

[01:43:46] o grupo Globo, quando é

[01:43:47] pra falar de eleição americana

[01:43:49] fica aqui, ó, pequenininho

[01:43:51] pequenininho, medíocre

[01:43:53] sabujo, nojento

[01:43:55] a forma que a Globo

[01:43:57] trata a eleição americana

[01:43:59] e destrata todo

[01:44:01] o resto, né, enfim, que a gente

[01:44:02] acredita, outras eleições

[01:44:05] outros países, países vizinhos

[01:44:07] mas mesmo questões internas no Brasil

[01:44:09] eu acho que é o momento que fica mais

[01:44:11] claro a quem

[01:44:12] porque que a Globo foi criada enquanto

[01:44:14] televisão e a quem ela serve

[01:44:17] me dá até

[01:44:19] um pouco de nojo ver aquilo, mas

[01:44:21] enfim, falei bastante

[01:44:22] Fagner, obrigado, boa noite

[01:44:24] obrigado, eu que agradeço

[01:44:26] agradecer o Porto que não tá mais com a gente

[01:44:28] mas que falou aqui pela metade do programa

[01:44:31] agradecer Luara

[01:44:33] Caio, Daniel e é isso

[01:44:35] semana que vem a gente tá de volta

[01:44:37] vamos ver o que vai

[01:44:38] o que vai rolar nesses próximos

[01:44:41] dias, eu acho que assim

[01:44:42] a tendência é que o noticiário fique

[01:44:45] cada vez mais quente daqui pra frente

[01:44:47] e aí galera

[01:44:50] protejam-se

[01:44:52] leiam bastante, assistam

[01:44:55] muitos filmes

[01:44:56] curta o time de vocês

[01:44:58] vai correr, vai fazer uma

[01:45:00] malhação, pra poder a cabeça

[01:45:02] aguentar

[01:45:04] o dia a dia, que eu acho que não vai

[01:45:06] ser fácil não

[01:45:07] Daniel, boa noite

[01:45:09] valeu gente, obrigado a todo mundo

[01:45:11] semana que vem a gente não tá de volta

[01:45:12] porque é feriado

[01:45:14] é verdade, semana que vem é G20

[01:45:17] na semana seguinte o programa tá de volta

[01:45:19] eu não estarei

[01:45:20] e até daqui a três semanas

[01:45:22] Luara, boa noite

[01:45:23] boa noite

[01:45:25] território nacional

[01:45:28] desculpe Luara, a gente cortou aqui

[01:45:30] o cara falou que vai faltar o programa

[01:45:32] já pensei que ia estar no estrangeiro de novo

[01:45:34] é

[01:45:36] muito bom o programa de hoje, eu acho que sempre

[01:45:38] bom revisitar

[01:45:40] eventos e

[01:45:42] símbolos da esquerda

[01:45:45] pra que a gente possa

[01:45:46] rememorar, pra que a gente possa

[01:45:48] retomar, se não conhece

[01:45:51] nada, conhecer, mas retomar também

[01:45:52] alguns estudos, eu acho sempre importante

[01:45:54] ler certos

[01:45:56] clássicos aí da

[01:45:58] esquerda

[01:45:59] e

[01:46:00] tendo sempre em mente que é

[01:46:02] um aprender a ler

[01:46:04] é sempre um aprender a ler

[01:46:05] o cenário, a leitura do mundo

[01:46:08] precisa de leitura da palavra, já dizia o Paulo Freire

[01:46:10] então revisitar

[01:46:12] esses símbolos também é um

[01:46:14] aprender a revisitá-los

[01:46:16] a criticar no que é importante, mas também

[01:46:18] aprender com eles, enfim

[01:46:20] o programa de hoje é muito bom, é esse segundo bloco

[01:46:22] também, eu acho que até me exaltei

[01:46:24] eu perguntei pra minha mãe e minha avó

[01:46:26] que ouvem todos os nossos programas

[01:46:28] se eu tava me exaltando?

[01:46:30] muito assim, é que eu acabo me empolgando

[01:46:31] vocês me deixam empolgada, gente

[01:46:33] então me falem também

[01:46:35] se tiver excedendo de alguma forma

[01:46:37] não sei se vou parar não

[01:46:39] porque é o meu jeitinho

[01:46:41] mas é sempre bom ter esse retorno

[01:46:43] aí de vocês e brigadão, até a próxima

[01:46:45] é isso, convidar todos

[01:46:47] a deixar seu like, a gente precisa

[01:46:49] o comentário, ver aí se assina

[01:46:51] o canal ou não, inscrever, ativar a notificação

[01:46:53] deixa seu feedback, deixa seu comentário

[01:46:55] sobre o programa, você que tá no podcast

[01:46:57] tradicional, você pode avaliar, né? Alguns

[01:46:59] plataformas permitem, então pra gente

[01:47:01] é importante que vocês

[01:47:03] avaliem e antes de encerrar, a gente

[01:47:05] não volta semana que vem, como o Daniel falou

[01:47:07] estaremos aí no final

[01:47:09] ainda bem, né? Que pós-copa do Brasil

[01:47:11] vai que esse podcast

[01:47:13] implode, né? Pois é, vai saber o que vai acontecer

[01:47:15] mas eu queria deixar antes aqui uma aspa

[01:47:17] a fala da Fernanda Chaves

[01:47:19] sobrevivente do atentado, então

[01:47:21] assessora de Marielle Franco

[01:47:23] aspa pra Fernanda

[01:47:25] fazer justiça para Marielle, além

[01:47:27] de julgar e condenar os seus executores

[01:47:29] é responsabilizar e

[01:47:31] condenar os mandantes e aprofundar

[01:47:33] o enfrentamento ao crime organizado

[01:47:35] que está acabando com o Rio

[01:47:37] fecha aspas

[01:47:38] a família, os amigos de Marielle e do Anderson

[01:47:41] acredito que tenham encontrado algum conforto

[01:47:44] na condenação do Rony e do Elcio

[01:47:45] mas a sociedade precisa de respostas

[01:47:48] maiores e mais complexas

[01:47:50] contra a imensa teia

[01:47:52] criminosa carioca que envolve

[01:47:54] todos os poderes constituídos

[01:47:55] oficiais e não oficiais

[01:47:57] prender dois matadores de aluguel é a pena

[01:47:59] prender dois matadores de aluguel

[01:48:01] no atual formato

[01:48:03] tira-se dois de cena, deixa-lhe preso

[01:48:06] surgem outros dez ali ao mesmo

[01:48:07] tempo, e a justiça, dona

[01:48:09] Lúcia Gliochi, juíza

[01:48:11] do caso, a justiça não é só lenta

[01:48:14] cega, burra

[01:48:15] injusta, errada e torta

[01:48:18] como você disse na sua sentença

[01:48:19] a justiça também cúmplice e participa

[01:48:21] dessa rede de criminosos do estado

[01:48:23] até a outra semana, daqui a duas

[01:48:26] semanas a gente volta, valeu

[01:48:27] esse podcast foi editado por

[01:48:29] Fernando Cesarotti