As Deep Techs e o casamento perfeito entre ciência e tecnologia


Resumo

O episódio discute o cenário das Deep Techs (startups de base tecnológica e científica) no Brasil, explorando a convergência entre o ecossistema de pesquisa e o de empreendedorismo. A conversa com Ana Carolina Calçado, CEO da ILINCA, aborda como tecnologias disruptivas em áreas como inteligência artificial, biotecnologia e energias renováveis podem resolver grandes desafios globais e gerar novas fontes de riqueza.

São analisados os avanços e desafios do setor, incluindo a importância da Lei da Inovação de 2004, que permitiu a aproximação entre universidades e mercado. Apesar de ser um movimento relativamente recente, observa-se um aquecimento do tema, impulsionado pela agenda ESG e pela resiliência dos investimentos em Deep Techs mesmo em períodos de queda no Venture Capital.

A discussão destaca a necessidade crucial de colaboração entre setor público, privado e academia para o sucesso dessas inovações. São mencionados mecanismos como o blended finance (arquitetura que une recursos de diferentes bolsos, como venture capital, governo e filantropia) e a importância de um “investimento paciente”, dado o longo prazo de maturação dessas tecnologias.

Ana compartilha a história de sucesso de uma deep tech de bionematicida desenvolvida na Universidade Federal de Viçosa, que levou 12 anos desde a pesquisa até a aquisição por uma multinacional, ilustrando os desafios de tempo, escala e regulação. O episódio também aborda a necessidade de mudança cultural na academia em relação ao empreendedorismo, a importância de sandboxes regulatórias e os desafios do pensamento de curto prazo nos modelos de gestão e investimento.

Por fim, são discutidas as metas da ILINCA para os próximos anos, incluindo a ampliação da diversidade e inclusão no setor, especialmente de mulheres na ciência e no empreendedorismo de deep tech, e a criação de modelos replicáveis para viabilizar o desenvolvimento e investimento nessas tecnologias em todo o Brasil.


Indicações

Books

  • Nexus: Uma Breve História das Redes de Informação da Idade da Pedra à Inteligência Artificial — Recomendado por Ana Carolina Calçado. Ela comenta que o livro de Yuval Harari explora bastante a questão da inteligência artificial e os impactos que ela pode ter em nossas vidas nos próximos tempos.
  • Código Fonte: Como Tudo Começou — Recomendado por Silvia Bassi. É a biografia de Bill Gates antes de se tornar o Bill Gates. Silvia destaca que Gates sempre foi um incentivador das deep techs e da ciência a favor da economia e de uma sociedade melhor, colocando seu dinheiro em soluções para problemas como a malária.
  • Ciência e Tecnologia Aplicada — Recomendado por Cristiana Deluca. Livro organizado por Davi Santana Sonzo que reúne experiências, reflexões e soluções práticas sobre desafios contemporâneos gerados na universidade e que estão virando soluções de mercado, nas áreas de educação, saúde, entre outras.

Concepts

  • Blended Finance — Conceito explicado em detalhes por Ana Carolina Calçado. É uma arquitetura de investimento que une recursos de diferentes bolsos (como venture capital, governo, filantropia) com expectativas diferentes, permitindo investir em ativos de alto risco/longo prazo que nenhum agente faria sozinho.
  • Lei da Inovação (2004) — Marco legal fundamental citado como o que permitiu o desenvolvimento das deep techs no Brasil, ao autorizar parcerias entre universidades e empresas, uso de laboratórios para projetos conjuntos e permitir que pesquisadores usem seu tempo para atuar nessas parcerias.
  • Sandboxes Regulatórias — Mencionado como uma necessidade para impulsionar a inovação em deep techs, assim como ocorreu no setor financeiro. Seriam espaços de experimentação que permitem margem para incerteza e erro, essenciais para tecnologias disruptivas.

Organizations

  • ILINCA — Organização sem fins lucrativos mencionada ao longo de toda a conversa, da qual Ana Carolina Calçado é CEO. Tem a missão de promover o desenvolvimento de soluções geradas a partir da ciência, trabalhando com o ecossistema para melhorar a capacidade de criar inovações de base científica de forma mais efetiva.
  • FINEP — Entidade de fomento citada como um dos atores que está colocando dinheiro à disposição de empreendedores e cientistas. Foi responsável pelo estudo ‘Deep Tech Brasil 2024’ que mapeou centenas de deep techs no país e é parte do ‘pacto pelas Deep Techs’.
  • Agobled — Movimento brasileiro mencionado por Ana que está buscando fazer awareness e implementar mais modelos de Blended Finance no Brasil.

Linha do Tempo

  • 00:01:10Introdução ao tema das Deep Techs e inovação científica — As apresentadoras Cristiana Deluca e Silvia Bassi introduzem o tema do episódio: a junção do ecossistema de pesquisa com o de empreendedorismo, dando origem às startups de base tecnológica e científica, conhecidas como Deep Techs. São citados exemplos como IA, biotecnologia, nanotecnologia e energias renováveis, destacando seu potencial para impactar positivamente a saúde, sustentabilidade e gerar riqueza.
  • 00:03:13Apresentação da convidada Ana Carolina Calçado e da ILINCA — A convidada Ana Carolina Calçado, CEO da ILINCA, se apresenta. Ela é formada em bioquímica e há 12 anos fundou a ILINCA, uma organização sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento de soluções a partir da ciência. Explica que a missão da organização é trabalhar com o ecossistema para criar formas mais efetivas de transformar conhecimento científico em inovação, aproveitando o potencial brasileiro.
  • 00:05:28Contexto histórico e aquecimento atual das Deep Techs — Ana traça um histórico, lembrando que o marco legal para as deep techs no Brasil foi a Lei da Inovação de 2004. Comenta que o tema tem esquentado nos últimos anos, muito puxado pela agenda ESG. Destaca que, mesmo com quedas no investimento de Venture Capital em startups em geral, os investimentos em Deep Techs se mantiveram, um sinal positivo. Também menciona o estudo ‘Deep Tech Brasil 2024’ da FINEP, que mapeou 875 deep techs no país.
  • 00:09:33A necessidade de colaboração no ecossistema de Deep Tech — A conversa destaca que as Deep Techs são um setor que depende fundamentalmente da colaboração entre agentes diferentes (universidade, setor público, privado). Ana explica características como a convergência de tecnologias e a necessidade de um caminho de investimento mais longo. Ela cita movimentos positivos, como a criação de um ‘pacto pelas Deep Techs no Brasil’ envolvendo FINEP e outras instituições.
  • 00:12:33Explicação do conceito de Blended Finance — Ana explica em detalhes o conceito de blended finance, uma arquitetura de investimento que une recursos de diferentes ‘bolsos’, como venture capital, governo e filantropia. A vantagem é combinar capital paciente (com expectativas de retorno social) com capital de risco e know-how de mercado, possibilitando investimentos em ativos de alto risco e longo prazo que nenhum agente faria sozinho.
  • 00:17:25Desafios culturais: academia e o for-profit — Discute-se a resistência cultural ainda existente na academia em relação ao empreendedorismo e ao for-profit. Ana contextualiza que, apesar da Lei da Inovação, a implementação e mudança cultural levam tempo. Ela defende a coexistência dos papéis do pesquisador (avanço do conhecimento) e do empreendedor (transformação em solução), reconhecendo que ainda há questões a resolver, mas que o interesse dos cientistas por esse caminho tem crescido.
  • 00:24:03Caso de sucesso: a história de um bionematicida — Ana conta uma história marcante de uma deep tech: um bionematicida (controle biológico de pragas) desenvolvido na UFV. Ela acompanhou desde os primeiros estudos de viabilidade de mercado, passando por investimento do fundo Criatec, desafios de escalonamento da produção no Parque Tecnológico de Viçosa, até a aquisição por uma multinacional 12 anos depois. A história ilustra o tempo, os desafios regulatórios e a necessidade de um ecossistema completo para o sucesso.
  • 00:33:07O maior problema: a mentalidade de curto prazo — Ana identifica o pensamento de curto prazo como um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento de soluções deep tech mais poderosas. Ela argumenta que, embora gestores públicos, de negócios e investidores concordem com a importância do longo prazo, os sistemas (ciclos eleitorais, cobranças por resultados, modelos de VC) forçam decisões de curto prazo. Isso dificulta apostas em tecnologias que levam anos para amadurecer.
  • 00:34:31Diversidade e inclusão nas Deep Techs — Tocando no Dia Mundial das Mulheres e Meninas na Ciência, a conversa aborda a questão da diversidade. Ana afirma que há mulheres incríveis na ciência e em deep techs, mas que poderia haver muito mais. Ela aponta barreiras culturais e práticas que impedem a ocupação plena desses espaços por mulheres e comenta que a ILINCA busca considerar e agir sobre esses desafios em sua atuação.
  • 00:37:58Recomendações de leitura dos participantes — No encerramento, os participantes compartilham recomendações de leitura. Ana indica ‘Nexus’, de Yuval Harari, sobre redes de informação e IA. Silvia recomenda ‘Código Fonte’, biografia do Bill Gates, destacando seu papel como incentivador de deep techs para solução de problemas sociais. Cristiana menciona ‘Ciência e Tecnologia Aplicada’, livro organizado por Davi Santana Sonzo, que reúne experiências práticas de aplicação da ciência geradas na universidade.

Dados do Episódio

  • Podcast: The Shift
  • Autor: The Shift
  • Categoria: Technology Business
  • Publicado: 2025-02-17T02:38:05Z
  • Duração: 00:43:30

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] É um tipo de tecnologia que é isso, precisa de tempo, muitas vezes é disruptiva.

[00:00:07] Isso significa que é novidade para todo o ambiente, então para as leis, para os desenvolvimentos tecnológicos,

[00:00:15] para o próprio mercado, então precisa de enfrentar muitas barreiras e leva tempo.

[00:00:19] Mas a gente tem condições, como vocês estão vendo, de produzir tecnologia de ponta, de alcance global.

[00:00:24] Se a gente trouxer os atores e os recursos corretos para jogo.

[00:00:38] Olá, mentes inquietas e curiosas do século XXI.

[00:00:42] Estamos começando mais um The Shift, o seu podcast sobre inovação disruptiva.

[00:00:46] Eu sou a Cristiana Deluca.

[00:00:48] E eu sou a Silvia Bassi.

[00:00:49] A gente está aqui para falar sobre disrupção, porque como a gente sempre diz,

[00:00:53] a ruptura é a única constante.

[00:00:54] Do século XXI, a gente precisa se acostumar com isso, mas é bom falar toda vez.

[00:00:59] E sempre a gente traz um assunto que vai nessa linha, né?

[00:01:03] Diga lá, Silvia.

[00:01:04] É a prova de que a coisa sempre muda.

[00:01:07] Então, o assunto de hoje é inovação científica.

[00:01:10] Mais precisamente, como juntar o ecossistema de pesquisa e desenvolvimento científico

[00:01:16] com o ecossistema de empreendedorismo.

[00:01:18] E aí a gente chega num assunto que são as startups de base tecnológica e científica

[00:01:24] que nascem dessa…

[00:01:24] Nesse encontro, que são chamadas tradicionalmente de Deep Techs.

[00:01:28] Embaixo desse guarda-chuva entram startups de inteligência artificial,

[00:01:32] biotecnologia, manufatura avançada, nanotecnologia, robótica,

[00:01:38] energias renováveis, energias limpas, novos materiais,

[00:01:41] só para citar algumas das vertentes.

[00:01:44] Então, já deu para perceber, obviamente, que estamos falando aqui

[00:01:47] de empresas e tecnologias de fronteira,

[00:01:50] que podem impactar positivamente a vida do planeta,

[00:01:53] passando por negócios…

[00:01:54] Saúde, sustentabilidade e crise climática,

[00:01:57] só para dizer alguns exemplos aqui.

[00:02:00] E se tornar, por tabela, e isso é importante,

[00:02:02] grandes geradoras de novas fontes de riqueza e receita

[00:02:06] com produtos e com patentes.

[00:02:08] A gente está falando de um terreno muito interessante

[00:02:10] em que cientistas se juntam a empreendedores

[00:02:13] ou cientistas se transformam em empreendedores.

[00:02:15] 2025 se apresenta como um ano super estratégico para as Deep Techs.

[00:02:20] E o Brasil tem um enorme potencial de ser protagonista global nesse setor.

[00:02:23] A gente tem…

[00:02:24] Tem uma biodiversidade absurda,

[00:02:26] tem um grid energético preparado para ser renovável

[00:02:29] e para ser verde, para ser green.

[00:02:32] E entidades de fomento como o BNDES e a FINEP

[00:02:34] estão colocando dinheiro à disposição dos empreendedores e cientistas

[00:02:37] e muitos CVCs, que são os centros de investimento

[00:02:42] criados por empresas privadas para apostar em startups,

[00:02:46] estão colocando hubs de inovação para atrair essas Deep Techs.

[00:02:50] Esse é um segmento em que a importância da convergência

[00:02:53] dos esforços da iniciativa privada,

[00:02:54] do poder público, fica mais evidente.

[00:02:57] O Think Tank, o ILINCA, uma ONG que atua diretamente nesse setor,

[00:03:02] tem muita história para contar sobre esse nosso tema

[00:03:05] e muitos dados para acrescentar para quem se interessa

[00:03:08] para avançar nessa trilha.

[00:03:09] Para falar disso tudo, a gente convidou a Ana Carolina Calçado,

[00:03:13] CEO da ILINCA, para conversar com a gente,

[00:03:16] porque esse é um assunto que vai esquentar muito

[00:03:19] e que tem muita oportunidade que talvez vocês não estejam vendo.

[00:03:23] Então, Ana, obrigado.

[00:03:24] Obrigada aí pelo teu tempo,

[00:03:26] obrigada pela tua disponibilidade em contar um pouco dessa história para a gente.

[00:03:30] Eu queria pedir, por favor, que você se apresentasse

[00:03:32] para o pessoal conhecer a sua voz, né?

[00:03:34] E também contasse um pouquinho do seu trabalho

[00:03:37] e do que é, em linhas gerais, a ILINCA

[00:03:40] para a gente poder avançar na conversa.

[00:03:42] Tá bem, bom dia.

[00:03:43] É um prazer estar aqui com vocês.

[00:03:45] Eu sou formada em bioquímica, mas não, né?

[00:03:48] Porque as pessoas acham que não tem conexão, mas tem tudo a ver.

[00:03:51] Principalmente com Deep Tech.

[00:03:52] E fiz a minha carreira toda em inovação.

[00:03:55] Trabalhei em consultoria e há 12 anos fundei e empreendo a ILINCA todo dia, né?

[00:04:01] A ILINCA é uma organização sem fins lucrativos

[00:04:04] que tem como missão promover o desenvolvimento dessas soluções

[00:04:10] que são geradas a partir da ciência.

[00:04:14] Então, basicamente, a gente acredita que a gente tem no Brasil

[00:04:18] um potencial científico enorme e, ao mesmo tempo, tem muitos desafios, né?

[00:04:22] Muitas oportunidades para criar soluções

[00:04:24] e que a gente ainda tem um ecossistema que tem espaço de amadurecimento

[00:04:31] para fazer isso de forma mais efetiva.

[00:04:34] Então, o que a ILINCA faz é trabalhar junto com esse ecossistema,

[00:04:37] com essas instituições e pessoas que estão também com essa mesma missão, né?

[00:04:42] Buscando criar essas soluções, trabalhar com elas para melhorar a capacidade,

[00:04:47] para encontrar formas mais efetivas, mais rápidas e melhores

[00:04:50] de criar essas soluções a partir da ciência.

[00:04:54] Muito bacana.

[00:04:56] Ana, você se apresentou também como think tank, né?

[00:04:58] O que significa que vocês estão gerando conhecimento o tempo todo sobre isso

[00:05:03] até para ajudar no trabalho aí de colocar as pontas todas em conjunto.

[00:05:08] Você pode dar uma geral de como é que vocês estão enxergando 2025

[00:05:11] a partir desse ponto de vista, porque vocês já estão há 12 anos no mercado,

[00:05:15] pelo que você contou.

[00:05:16] Imagino que venha não crescendo o trabalho.

[00:05:19] Há 12 anos atrás, provavelmente, o negócio era difícil.

[00:05:23] Agora, imagino que tem…

[00:05:24] Seja ganhando uma rampa.

[00:05:26] É isso?

[00:05:27] É isso.

[00:05:28] Antes de falar de 2025, fazendo só um pouco de histórico,

[00:05:32] as deep techs, a inovação que tem essa base na ciência,

[00:05:36] ela foi permitida a partir da lei da inovação, que é a lei de 2004.

[00:05:43] Então, quer dizer, não é um negócio tão antigo assim no Brasil, né?

[00:05:47] A gente está falando de 20 anos.

[00:05:48] A lei da inovação permitiu que a universidade fizesse parceria com empresas.

[00:05:54] Se aproximasse do mercado, digamos assim, né?

[00:05:58] Permitiu que os laboratórios de universidade sejam utilizados

[00:06:01] para fazer projetos em parceria com empresas.

[00:06:03] Permitiu que o pesquisador pudesse usar seu tempo para atuar nessas parcerias.

[00:06:08] Então, e entre outras coisas.

[00:06:10] Lembrando que esse histórico é relativamente recente no Brasil, né?

[00:06:14] E aí, sim, é um tipo de inovação bastante desafiador para ser criado,

[00:06:19] por vários motivos.

[00:06:20] E nos últimos anos, acho que você falou bem, Silvia,

[00:06:24] e aí no início, nos últimos dois anos, talvez,

[00:06:28] a gente viu esse tema esquentar, né?

[00:06:30] Muito puxado pela agenda ESG, né?

[00:06:35] Porque esse tipo de inovação tem um potencial muito grande

[00:06:38] de criar soluções para os grandes desafios globais que a gente está vendo.

[00:06:43] A gente viu, por exemplo, nos últimos anos,

[00:06:45] a gente teve uma queda, acho que foi ano retrasado,

[00:06:48] do investimento de Venture Capital, né?

[00:06:52] Nas startups.

[00:06:54] Assim, de forma geral, houve uma queda.

[00:06:57] E aí, quando a gente separa as startups que são só digital das Deep Tech,

[00:07:02] a gente vê que das digital a queda foi bem mais expressiva,

[00:07:06] e das Deep Tech os investimentos se mantiveram.

[00:07:09] Isso é um ótimo sinal.

[00:07:11] A gente está vendo também muito mais o mercado falando muito mais disso,

[00:07:16] que é ótimo.

[00:07:16] E eu também sou pesquisadora nessa área de Deep Techs,

[00:07:20] e também estou vendo muito mais conhecimento sobre o tema,

[00:07:23] sendo…

[00:07:24] produzido na própria academia,

[00:07:26] que é bom, que significa que a gente está avançando aí no estado da arte,

[00:07:30] da compreensão de como lidar com esse tipo de inovação, né?

[00:07:33] Então, sim, a gente está vendo, de fato, esse aquecimento

[00:07:37] e essa importância sendo dada para esse tipo de tecnologia.

[00:07:40] Fiquei impressionada, porque no ano passado a FINEP fez um estudo, né?

[00:07:44] Deep Tech Brasil 2024.

[00:07:47] E eles mapearam 875 Deep Techs.

[00:07:50] Não sei qual foi o critério que eles usaram,

[00:07:52] mas isso me pareceu…

[00:07:54] Isso é bem grande, né?

[00:07:55] E muitas mais áreas de biotecnologia, nanotecnologia, ciência da computação.

[00:08:00] É por aí mesmo?

[00:08:01] Sim.

[00:08:02] Assim, acho até que a gente tem mais que isso, né?

[00:08:07] Porque…

[00:08:07] Muito bom.

[00:08:08] Sim, a gente tem…

[00:08:10] O Brasil é muito grande, a gente tem muitos centros de pesquisa,

[00:08:13] então tem muita coisa sendo produzida.

[00:08:16] E esses estudos têm sido ótimos para a gente reunir esses dados

[00:08:19] e entender como é que pode atuar.

[00:08:23] Para fazer…

[00:08:24] Para fazer política pública,

[00:08:25] para os gestores tomarem a decisão,

[00:08:27] é importante entender esse cenário, né?

[00:08:29] Mas é isso mesmo.

[00:08:30] A gente está vendo um ambiente que está ficando cada vez mais efervescente

[00:08:35] e aí talvez as Deep Techs estão se reconhecendo

[00:08:38] e sendo reconhecidas pelo ecossistema.

[00:08:41] Entendi.

[00:08:42] O relatório de vocês mostra um cenário bem interessante desses 10 anos, né?

[00:08:48] Quer dizer, se a gente pega aqui os dados desses 10 anos de trabalho de vocês,

[00:08:52] ou 12, né?

[00:08:54] A gente está falando aí de 940 tecnologias mapeadas,

[00:08:58] mais de 3 mil soluções de negócios apoiados.

[00:09:01] A gente está falando de uma coisa que vem crescendo.

[00:09:03] E vocês têm parceiros nos três pontos, né?

[00:09:06] Universidades, os ICTs, o setor público e o setor privado.

[00:09:10] Para a gente, a gente sempre vem divulgando que talvez não exista um setor

[00:09:15] tão mais necessitado desse trabalho conjunto, desse ecossistema,

[00:09:19] dessa conexão entre três ecossistemas, como é o setor…

[00:09:24] de startups de fundo científico.

[00:09:27] Você acha que a gente está caminhando para uma boa costura

[00:09:30] dessas três forças em conjunto?

[00:09:33] Primeiro, perfeita a sua percepção de que é um setor que precisa muito de colaboração.

[00:09:39] E aí, para reforçar isso, inclusive tem artigos científicos

[00:09:43] que têm buscado entender as Deep Techs,

[00:09:46] quais são as principais características e tudo mais.

[00:09:48] E uma das características que se destacam, que se diferenciam,

[00:09:52] inclusive dos negócios…

[00:09:54] de base científica que já tinham antes,

[00:09:57] é essa convergência de tecnologias.

[00:09:59] Então, a gente vê Deep Techs que não tem só um tipo de tecnologia,

[00:10:04] mas que reúnem mais de um, né?

[00:10:06] Então, é inteligência artificial com biotecnologia e etc.

[00:10:11] E, além disso, é um tipo de tecnologia que exige

[00:10:15] um caminho de investimento mais longo.

[00:10:17] Isso significa ter mais tipos de investidores

[00:10:20] ao longo da cadeia de desenvolvimento dela.

[00:10:22] Como tem muito mais incerteza de desenvolvimento,

[00:10:26] ela se beneficia muito da atuação do governo

[00:10:30] como um agente de, digamos, de risking, né?

[00:10:34] De diminuição de incerteza, né?

[00:10:37] Subsediando um pouco, principalmente o início

[00:10:39] do desenvolvimento tecnológico.

[00:10:41] Enfim, você vê várias características que demonstram

[00:10:44] que a viabilidade desse tipo de inovação

[00:10:46] depende, sim, da colaboração.

[00:10:49] E isso é um dos grandes desafios.

[00:10:51] Por colaborar…

[00:10:52] E é colaboração entre agentes que são muito diferentes, né?

[00:10:57] Então, ainda temos, tá?

[00:10:59] Bastantes desafios.

[00:11:00] Inclusive, é um dos pontos em que a Ulinca tem trabalhado bastante,

[00:11:04] que é articular esses agentes nas pautas, nas conversas,

[00:11:08] para que eles identifiquem essa necessidade de fato

[00:11:12] e possam interagir e fazer parcerias.

[00:11:15] Mas já tenho visto, assim, acho que junto com o aquecimento

[00:11:18] dessa pauta, eu tenho visto alguns movimentos

[00:11:22] super interessantes, assim.

[00:11:24] Então, por exemplo, a Ulinca até faz parte,

[00:11:27] está sendo feito um protocolo de intenções

[00:11:30] para um pacto pelas GIPTEX no Brasil,

[00:11:33] que envolve FINEP e outras instituições públicas, né?

[00:11:38] E outras instituições para justamente estabelecer

[00:11:40] uma agenda comum, uma agenda que possa guiar

[00:11:44] o ecossistema como um todo.

[00:11:46] Então, a gente vê mais modelos de investimento

[00:11:50] sendo discutidos que envolvem…

[00:11:52] Não só o investimento privado, mas o blended finance,

[00:11:56] que a gente também tem falado bastante na Ulinca,

[00:11:59] que é uma coisa que no Brasil, no mundo de impacto,

[00:12:02] ainda já tem alguma coisa, mas a gente precisa evoluir

[00:12:04] esse mecanismo, enfim.

[00:12:06] Então, tem coisas acontecendo.

[00:12:09] A gente precisa fortalecer, a gente precisa acelerar, sabe?

[00:12:11] Acho que essa corrida para a gente exercer o protagonismo

[00:12:14] que você comentou no início, Silvia,

[00:12:17] a gente também não tem todo o tempo do mundo.

[00:12:20] As coisas estão acontecendo muito mais rápido,

[00:12:22] hoje em dia.

[00:12:22] Então, a gente precisa também dar velocidade

[00:12:25] nessas evoluções, nesses amadurecimentos do ecossistema.

[00:12:31] Explica um pouquinho o blended finance,

[00:12:33] porque ele tem a ver com instrumentos e arranjos financeiros inovadores.

[00:12:37] Isso é um pouco do comum que a gente costuma ver

[00:12:40] entre as startups, né?

[00:12:42] De forma geral, o blended finance é uma arquitetura de investimento

[00:12:47] que junte diferentes bolsos.

[00:12:48] É uma forma de investir que une recursos

[00:12:52] de diferentes bolsos, digamos assim.

[00:12:55] Então, por exemplo, você no investimento

[00:12:58] numa startup de tech, um investidor de mercado,

[00:13:01] um venture capital, coloca recurso junto com o governo.

[00:13:06] Ou com um filantropo.

[00:13:09] E aí, a vantagem é que esses recursos,

[00:13:13] a primeira vantagem mais óbvia é que você aumenta

[00:13:16] o volume de recursos, né?

[00:13:17] Em segundo lugar, esses recursos, eles têm exigências

[00:13:22] diferentes, assim, eles têm expectativas diferentes.

[00:13:24] Então, um venture capital tem expectativas sobre retorno,

[00:13:29] volume de retorno, sobre tempo de retorno,

[00:13:32] que são muito mais urgentes e muito maiores.

[00:13:35] Um filantropo, governo, pelo menos teoricamente,

[00:13:38] já estão olhando para esse investimento com olhos

[00:13:41] não só de retorno, mas também do potencial

[00:13:44] de benefício social, como, sei lá,

[00:13:48] uma tecnologia estruturante em termos de país.

[00:13:51] Então, nem sempre precisa ter o retorno

[00:13:54] que um venture capital vai esperar

[00:13:56] e costuma ser um capital mais paciente.

[00:13:59] Então, quando você une esses bolsos,

[00:14:00] você faz o que eu chamei de diminuir o risco,

[00:14:04] porque o recurso desse, seja governo,

[00:14:07] seja filantropia normalmente, ele assume mais risco

[00:14:11] do que o venture capital está disposto a arcar,

[00:14:14] mas ao mesmo tempo se beneficia do olhar de venture capital,

[00:14:17] do volume de recursos que vem do venture capital

[00:14:20] e do olhar do venture capital,

[00:14:21] de conhecimento de como desenvolver essa tecnologia

[00:14:24] e colocá-la no mercado.

[00:14:25] Então, são bolsos que se juntam com suas expectativas

[00:14:29] e experiências diferentes e possibilitam o investimento

[00:14:34] em ativos que antes talvez o venture capital sozinho

[00:14:38] não poderia fazer e talvez a filantropia sozinha

[00:14:41] também não teria as competências para fazer e o governo.

[00:14:44] Aí entram também grandes empresas,

[00:14:46] porque elas podem fornecer know-how,

[00:14:48] podem fornecer recursos.

[00:14:49] Sim, sim.

[00:14:51] Perfeito, é isso mesmo.

[00:14:53] O Blended Finance, eu dei os exemplos mais,

[00:14:56] talvez mais fáceis de entender,

[00:14:58] mas pode envolver muitos tipos de bolsos, tá?

[00:15:02] Ele é muito mais comum lá fora.

[00:15:04] A gente acredita que é um caminho de trazer mais recurso

[00:15:09] para as deep techs.

[00:15:11] Então, a gente tem falado bastante disso,

[00:15:14] inclusive há pouco tempo escrevi um texto

[00:15:16] para um e-book da Agobled,

[00:15:18] que é um movimento, uma jornada,

[00:15:21] um movimento aqui do Brasil,

[00:15:22] que justamente está buscando, vamos dizer assim,

[00:15:25] fazer awareness ou advocacy

[00:15:27] e implementar mais modelos de Blended Finance aqui no Brasil.

[00:15:32] Bem legal.

[00:15:32] Porque o investimento, nesse caso,

[00:15:35] ele é o que a gente chama de investimento paciente, né?

[00:15:38] Não adianta você botar dinheiro numa deep tech

[00:15:41] de biotecnologia que está desenvolvendo novas proteínas

[00:15:46] e achar que ela vai te dar um retorno em dois anos.

[00:15:49] Não vai, né?

[00:15:50] É um negócio que, às vezes,

[00:15:51] leva dez anos.

[00:15:52] E essa questão do Blended Finance, ela ajuda,

[00:15:55] porque quando você tem uma FINEP colocando dinheiro,

[00:15:58] não é a fundo perdido,

[00:15:59] mas é um dinheiro que está aceitando o risco,

[00:16:01] que não precisa ser devolvido,

[00:16:02] você está entrando no risco,

[00:16:03] porque a consciência de que precisa do risco para ter o salto,

[00:16:08] ela é muito mais evidente no terreno das deep techs.

[00:16:11] Vocês estão trabalhando em cinco camadas, né, Ana?

[00:16:18] Pelo que eu vi aqui,

[00:16:18] quer dizer, você tem a camada dos pesquisadores,

[00:16:21] então, capacitar pesquisadores para pensar,

[00:16:24] o for-profit, digamos assim, né?

[00:16:26] Ser empreendedor.

[00:16:28] Ser empreendedor.

[00:16:29] O empreendedor para olhar para a ciência e falar,

[00:16:32] ah, tem um negócio, né?

[00:16:33] Eu consigo fazer novas coisas.

[00:16:35] Os próprios agentes de inovação, os gestores públicos

[00:16:38] e o ecossistema inteiro.

[00:16:40] Conta um pouco para a gente como é que é,

[00:16:42] uma coisa que eu fico sempre curiosa.

[00:16:44] Sempre teve uma certa aversão dentro da academia

[00:16:46] e da pesquisa científica dessa coisa do for-profit, né?

[00:16:51] E a gente vê cada vez mais cientistas

[00:16:53] se transformarem em empreendedores.

[00:16:55] Eu acho que talvez o dilema mais interessante

[00:16:57] seja o que a gente presenciou aí do nascimento da OpenAI

[00:17:00] como non-profit, né?

[00:17:02] E depois virar for-profit, que virou aquela grande discussão.

[00:17:05] Mas você tem uma certa inevitabilidade disso, né?

[00:17:09] Quando você está pensando em coisas que vão mudar

[00:17:12] ou resolver grandes problemas da humanidade.

[00:17:16] Ainda existe essa…

[00:17:18] Não sei se é preconceito a palavra, mas enfim,

[00:17:20] ainda existe esse certo pé atrás com o for-profit dentro da academia?

[00:17:25] Existe, existe, Silvia.

[00:17:27] Como eu disse, essa conexão, né?

[00:17:29] Esse trabalho conjunto da academia com o mercado

[00:17:31] é relativamente recente, né?

[00:17:33] No Brasil.

[00:17:34] Então, ao longo desses anos

[00:17:37] que as leis começaram a ser implementadas,

[00:17:40] ou seja, que começou a ser legal

[00:17:42] um pesquisador poder empreender,

[00:17:44] falando de uma forma geral,

[00:17:47] mesmo assim, depois que é colocado ali na lei,

[00:17:50] não quer dizer que está resolvido, né?

[00:17:52] A implementação da política pública, muitas vezes,

[00:17:55] é muito mais desafiadora do que fazer a política pública.

[00:17:58] Então, você precisa mudar uma série de processos,

[00:18:02] mesmo dentro das instituições.

[00:18:04] Você precisa trazer capacidade para as instituições, né?

[00:18:07] Conhecimento para as instituições atuarem.

[00:18:10] E mais, talvez, desafiador,

[00:18:12] e aí que leva bastante tempo, é mudar a cultura, né?

[00:18:15] É uma questão cultural também, no final das contas.

[00:18:18] Então, sim, a gente ainda…

[00:18:20] A gente ainda encontra resistências.

[00:18:23] A própria lei da inovação já teve um monte de atualizações,

[00:18:27] digamos assim, desde então,

[00:18:29] até pouco tempo atrás, teve uma última atualização,

[00:18:31] ou seja, a gente também, à medida que vai implementando a lei,

[00:18:34] vai percebendo alguns ajustes que precisam ser feitos

[00:18:38] e o próprio ecossistema também vai mudando.

[00:18:40] Enfim, estamos em processo e ainda existe esse questionamento, né?

[00:18:46] Ah, o recurso público é usado

[00:18:48] para fazer o desenvolvimento da pesquisa,

[00:18:50] e depois o pesquisador vai lá e ganha dinheiro com ela.

[00:18:53] Ou a empresa vai lá e ganha dinheiro com ela.

[00:18:55] É isso, né? No final das contas.

[00:18:57] Tem algumas questões cinza que precisam ser resolvidas, né?

[00:19:00] Aquela coisa do…

[00:19:01] Esse pesquisador consegue ficar com os dois pés nos dois lugares, né?

[00:19:05] Também, é. Tem isso, sabe?

[00:19:07] Tem muita discussão sendo feita a respeito disso.

[00:19:09] Já foram encontradas algumas soluções para ser legal e para beneficiar…

[00:19:15] Porque, no final das contas, os dois papéis são importantes, né?

[00:19:18] Do pesquisador.

[00:19:19] A gente não está dizendo que todo pesquisador…

[00:19:20] O pesquisador precisa empreender, né?

[00:19:22] Sim.

[00:19:23] E nem que o pesquisador agora não vai mais fazer pesquisa,

[00:19:25] vai só empreender.

[00:19:26] Tanto o avanço da ciência, da própria ciência,

[00:19:29] do conhecimento, como eu disse, né?

[00:19:31] Do estado da arte das coisas.

[00:19:32] Então, esse conhecimento que é completamente comprovado,

[00:19:37] que praticamente só a ciência traz para a gente, né?

[00:19:40] É super importante para o avanço da gente como sociedade.

[00:19:44] Mas, por outro lado, esse trabalho de fazer

[00:19:47] de algumas dessas descobertas,

[00:19:50] dessas invenções, soluções para as pessoas,

[00:19:53] também é importante para o avanço da sociedade, né?

[00:19:56] Então, eu entendo que é importante coexistir.

[00:20:00] Ainda considero super recente para um movimento tão estruturante

[00:20:03] que mexe com questões também culturais,

[00:20:06] mas a gente está em processo,

[00:20:07] mas ainda convive com alguma resistência, sim.

[00:20:10] É que ciência e tecnologia aplicada nunca foi tão necessário, né?

[00:20:15] E me parece que isso está começando a amadurecer

[00:20:18] dentro das universidades.

[00:20:20] A gente tem tido mais simpósios,

[00:20:22] tem tido livros publicados, enfim.

[00:20:24] Os pesquisadores estão começando a despertar

[00:20:28] para essa questão de aplicar a ciência, né?

[00:20:31] Sim.

[00:20:32] A gente vê lá na UILINC até

[00:20:34] a questão dos participantes, né?

[00:20:37] Das nossas ações, dos nossos programas, assim.

[00:20:41] A gente tem programas que envolvem milhares, assim, né?

[00:20:45] Centenas de pesquisadores que se interessam,

[00:20:49] são programas.

[00:20:50] Então, basicamente, o cientista aprender

[00:20:53] como que enxerga a sua pesquisa com esse viés, né?

[00:20:57] De mercado, de solução.

[00:20:59] Ou seja, a gente está vendo cada vez mais,

[00:21:02] no mínimo, a curiosidade, né?

[00:21:03] O interesse por seguir esse caminho.

[00:21:06] Eu tenho lido muitas coisas que vocês têm publicado, né?

[00:21:10] E vocês têm um e-book muito interessante

[00:21:14] sobre Deep Techs que falam das forças inibidoras

[00:21:17] e das forças motivadoras.

[00:21:20] Quem está ganhando essa luta?

[00:21:23] As forças inibidoras ou as motivadoras?

[00:21:25] Nossa, essa é uma boa pergunta.

[00:21:27] Acho que é uma luta boa.

[00:21:31] É bem equilibrada.

[00:21:32] Não, brincadeira.

[00:21:33] Mas, assim, eu acredito que as motivadoras.

[00:21:37] No sentido de que, com esse tema aquecido, digamos assim,

[00:21:41] o ecossistema, muitos atores do ecossistema

[00:21:44] estão mobilizados tanto para aproveitar

[00:21:46] aquilo que tem de benefício, né?

[00:21:48] De facilidades.

[00:21:50] Ou de oportunidades.

[00:21:51] E trabalhar sobre o que são as dificuldades.

[00:21:56] Então, nesse sentido, a gente caminha sempre

[00:21:58] no sentido de fortalecer as oportunidades

[00:22:01] e mitigar aí os desafios.

[00:22:04] Então, acho que esse é o caminho.

[00:22:07] Tá.

[00:22:08] Bom, a gente já falou bastante aqui

[00:22:10] sobre esse aumento de capital disponível

[00:22:12] que está lá como força motivadora.

[00:22:14] Mas tem uma coisa que me chamou a atenção

[00:22:16] que é a queda nos custos dos processos de P&D, né?

[00:22:19] Tá?

[00:22:20] Acontecendo isso no Brasil, de fato?

[00:22:22] Sim.

[00:22:23] Esses custos serem diminuídos,

[00:22:25] eles têm a ver com algumas novidades, né?

[00:22:28] E aí, como eu estou dizendo,

[00:22:30] alguns avanços que têm acontecido

[00:22:31] e que têm mitigado aí, né?

[00:22:36] Esses problemas e desafios das JIPTEX, né?

[00:22:40] Então, as JIPTEX têm esse desafio

[00:22:43] de serem como envolvem ciência,

[00:22:46] envolvem muitas vezes laboratório,

[00:22:47] desenvolvimentos que levam muito tempo

[00:22:48] e são desenvolvimentos

[00:22:49] que levam muito tempo.

[00:22:49] E desenvolvimentos que levam muito tempo.

[00:22:49] E desenvolvimentos que levam muito tempo.

[00:22:49] E desenvolvimentos que levam muito tempo.

[00:22:49] E desenvolvimentos que levam muito tempo.

[00:22:50] Mas, por exemplo,

[00:22:52] tem surgido cada vez mais

[00:22:54] laboratórios compartilhados.

[00:22:56] Então, estruturas de laboratórios

[00:22:59] que podem ser usadas por mais pesquisadores

[00:23:01] e isso diminui os riscos.

[00:23:04] A gente também tem visto

[00:23:05] a questão das tecnologias

[00:23:07] que permitem o desenvolvimento,

[00:23:10] por exemplo, de moléculas,

[00:23:12] ao invés de fazer tudo em laboratório,

[00:23:13] consegue fazer modelos digitais

[00:23:16] antes de levar ao laboratório.

[00:23:18] Então, você consegue fazer testes

[00:23:19] de viabilidade teóricos

[00:23:22] muito mais avançados.

[00:23:24] Então, o gasto em laboratório

[00:23:26] vai ser muito menor

[00:23:27] porque você já vai com algo

[00:23:28] muito mais certeiro.

[00:23:30] Então, essas estruturas,

[00:23:32] esses avanços tecnológicos

[00:23:33] são exemplos de fatores

[00:23:36] que têm ajudado a diminuir

[00:23:38] esses custos de desenvolvimento.

[00:23:40] Legal. Bem legal, Ana.

[00:23:42] Ana, eu queria te perguntar uma coisa.

[00:23:44] Você citou que tem vários casos.

[00:23:46] Vocês têm 12 anos de história.

[00:23:48] Você consegue contar para a gente

[00:23:50] algumas histórias legais

[00:23:52] que, ao longo desses 12 anos,

[00:23:54] vocês acompanharam

[00:23:56] de coisas que floresceram

[00:23:59] e que se consolidaram?

[00:24:01] Alguma que tenha te marcado muito?

[00:24:03] Quando você fala, tem uma

[00:24:05] que, na verdade, foi até

[00:24:07] antes da Wilinka.

[00:24:09] Na Wilinka tem muitas histórias acontecendo.

[00:24:11] Porque a gente trabalha…

[00:24:13] Você comentou aí no início

[00:24:15] das 3 mil soluções

[00:24:17] que a gente já atuou.

[00:24:18] Então, são soluções

[00:24:19] que vão desde

[00:24:21] soluções para o clima, saúde,

[00:24:24] em várias fases de desenvolvimento.

[00:24:27] Tem tantas soluções

[00:24:28] que ainda estão no laboratório

[00:24:30] quanto soluções que já

[00:24:32] estão no mercado

[00:24:34] ou entrando no mercado.

[00:24:35] Mas tem uma história que eu tive

[00:24:37] a oportunidade de acompanhar

[00:24:39] do início ao fim,

[00:24:42] digamos assim,

[00:24:43] de uma deep tech bem no início

[00:24:45] de quando tudo

[00:24:47] começou a ser possível.

[00:24:49] Que foi a história

[00:24:51] de uma tecnologia

[00:24:53] voltada para

[00:24:55] nematóides

[00:24:57] que são pragas na agricultura.

[00:25:00] Então, basicamente,

[00:25:01] era um bionematicida,

[00:25:03] ou seja, ele substitui

[00:25:05] os agrotóxicos.

[00:25:08] Em compras muito importantes

[00:25:09] para a mesa

[00:25:11] do brasileiro.

[00:25:12] E aí, eu acompanhei

[00:25:15] o desenvolvimento dessa tecnologia

[00:25:16] lá na universidade.

[00:25:17] Na Universidade Federal de Viçosa,

[00:25:18] onde eu estudei na graduação.

[00:25:20] Caramba!

[00:25:21] Muito bom!

[00:25:23] Então, foi a primeira tecnologia

[00:25:26] que eu trabalhei ajudando

[00:25:28] a entender o potencial de mercado.

[00:25:32] Então, toda aquela atuação

[00:25:33] de estar com o pesquisador

[00:25:35] no laboratório, sabe?

[00:25:37] O pesquisador ali, correndo, falando,

[00:25:38] comestrando, doutorando, e eu

[00:25:40] atrás dele, não, mas me explica isso e isso.

[00:25:42] Vamos pensar, mas pra quais culturas?

[00:25:45] Mas, sabe, entendendo assim,

[00:25:46] é, direcionamento de mercado,

[00:25:48] questões de propriedade intelectual,

[00:25:50] enfim, todo aquele início que é

[00:25:52] caótico ali, né, junto

[00:25:54] com o pesquisador. E aí, tive a oportunidade

[00:25:56] depois de ver essa tecnologia.

[00:25:58] Eu fiz um estudo na época de viabilidade

[00:26:00] econômica e técnica.

[00:26:03] Ela chegou a ser investida

[00:26:05] pelo fundo Criatec,

[00:26:07] que foi

[00:26:08] o primeiro fundo no Brasil, se eu não me engano,

[00:26:10] voltado pra Ediptex, né?

[00:26:12] Tipo de tecnologia.

[00:26:14] Então, foi investida,

[00:26:16] depois teve outros investimentos

[00:26:19] aí no fluxo de investimento futuro

[00:26:20] e montou

[00:26:22] a fábrica lá no Parque Tecnológico de

[00:26:24] Viçosa, ali é o ecossistema como é importante,

[00:26:26] né, os outros elementos.

[00:26:28] Então, o Parque Tecnológico de Viçosa

[00:26:30] foi casa dessa

[00:26:31] operação de produção, porque

[00:26:34] esse controle biológico, são

[00:26:36] fungos. Então, é um

[00:26:38] tipo de tecnologia que tem toda

[00:26:40] uma demanda, assim,

[00:26:42] de estrutura,

[00:26:43] de climatização,

[00:26:46] e etc., pra fazer a

[00:26:48] produção em escala, né?

[00:26:50] Então, o escalonamento dessa tecnologia é super desafiador,

[00:26:53] porque daí, quando

[00:26:55] a gente olhou, né,

[00:26:56] certificou da viabilidade, ainda era produzida

[00:26:58] em quantidade de laboratório.

[00:27:00] Então, todo o desafio de produzir

[00:27:02] aquilo em toneladas, né,

[00:27:04] quilos e depois toneladas.

[00:27:06] E, por fim, foi uma

[00:27:08] startup, produziu,

[00:27:10] foi investida e, 12 anos

[00:27:13] depois, foi comprada

[00:27:15] por uma multinacional.

[00:27:16] E, hoje, é aplicada em vários lugares

[00:27:18] do mundo da agricultura.

[00:27:20] Isso leva, pode ver que eu tô contando uma história

[00:27:22] de 12 anos, foram 12 anos.

[00:27:24] 12 anos, exatamente.

[00:27:25] E de muita diversidade regional e cultural também, né?

[00:27:29] Exato. Não, e assim,

[00:27:30] eu tô pulando muitos desafios.

[00:27:34] Você encurtou a história, hein?

[00:27:36] É, imagino.

[00:27:38] Muito, muito. Porque vocês imaginam que

[00:27:40] nesses 12 anos,

[00:27:42] as leis, né, o

[00:27:44] arcabouço legal que permitia,

[00:27:46] várias coisas relacionadas a essa tecnologia,

[00:27:48] vários desenvolvimentos, aplicações,

[00:27:50] foi sendo construído. Então,

[00:27:52] isso atrasa, né?

[00:27:54] Quase que fazendo advoca-se junto, né?

[00:27:57] Pra…

[00:27:58] Evoluindo junto com a tecnologia,

[00:28:00] com o próprio negócio

[00:28:01] e vários tipos de desafios.

[00:28:04] Aí você vai operar em campo,

[00:28:06] o que dava certo lá no piloto,

[00:28:08] num campo gigantesco

[00:28:10] de milhares de hectares, não funciona.

[00:28:12] E por quê? Aí vai ver o gotejamento.

[00:28:15] É muito desafio.

[00:28:16] Mas, é uma história de sucesso,

[00:28:18] pode ver que levou 12 anos,

[00:28:20] então, por isso, né, a gente fala,

[00:28:22] claro que hoje, eu acredito que é possível

[00:28:24] levar menos tempo, porque como eu tô dizendo, ainda

[00:28:26] era tudo mato, né? Literalmente.

[00:28:30] Mas,

[00:28:31] é um tipo

[00:28:32] de tecnologia que é isso,

[00:28:34] precisa de tempo,

[00:28:36] muitas vezes é disruptiva,

[00:28:38] como a gente começou falando aqui no início,

[00:28:40] isso significa que

[00:28:41] é novidade pra todo

[00:28:44] o ambiente, então, pras leis,

[00:28:46] pros desenvolvimentos tecnológicos,

[00:28:49] pro próprio mercado,

[00:28:50] então, precisa de enfrentar muitas barreiras

[00:28:52] e leva tempo.

[00:28:55] Mas, a gente

[00:28:55] tem condições, como vocês estão vendo,

[00:28:58] de produzir tecnologia de ponta, de alcance

[00:29:00] global, se a gente quiser

[00:29:02] trouxer os atores

[00:29:05] e os recursos

[00:29:06] corretos pra jogo.

[00:29:08] Eu ia falar aqui, porque você falou

[00:29:10] do advocacy, né, da questão legal

[00:29:12] e tal, a gente viu

[00:29:14] no setor financeiro,

[00:29:16] as sandboxes regulatórias

[00:29:18] impulsionarem muito

[00:29:20] a inovação. É preciso criar

[00:29:22] sandboxes também pra

[00:29:24] esse mundo de deep techs, né?

[00:29:26] Sim, que seria

[00:29:28] uma espécie de piloto, né? Quando a gente

[00:29:30] fala sandbox, a gente tá falando de um

[00:29:32] espaço de experimentação.

[00:29:34] É isso?

[00:29:36] E, definitivamente,

[00:29:38] a gente precisa, quem tá

[00:29:40] atuando com deep tech, tentando fazer

[00:29:42] as coisas acontecerem, precisam

[00:29:44] enxergar o que é feito,

[00:29:46] o que é feito com deep tech, muitas vezes

[00:29:48] nesse espaço de experimentação. Precisa ter

[00:29:50] alguma margem pra incerteza,

[00:29:52] pro erro, pra poder

[00:29:54] também explorar todo o potencial, né?

[00:29:57] Eu acho que as

[00:29:58] iniciativas mais bem

[00:30:00] sucedidas, elas têm esse olhar

[00:30:02] e tem essa

[00:30:04] predisposição, digamos assim,

[00:30:06] que pode ser desafiador,

[00:30:09] dependendo do cenário

[00:30:10] econômico,

[00:30:12] dos custos de oportunidade envolvidos,

[00:30:14] digamos assim. Mas é super importante

[00:30:16] pra esse tipo de tecnologia e de solução

[00:30:18] que é tão disruptiva, né?

[00:30:20] Perfeito. Com certeza.

[00:30:22] Agora, tem um

[00:30:24] aspecto que é importante

[00:30:26] também, que é assim, a hora que você

[00:30:28] coloca isso

[00:30:30] ver a oportunidade de mercado,

[00:30:32] você também precisa

[00:30:34] de uma consciência

[00:30:36] de todos os ecossistemas, de que

[00:30:38] as soluções antigas não vão

[00:30:40] resolver os problemas que estão aparecendo agora.

[00:30:42] Então, é preciso ter um outro olhar

[00:30:44] pra solução de problemas, que é como você

[00:30:46] contou, da questão dos

[00:30:48] antineumatoides biológicos,

[00:30:50] no momento em que você precisa salvar o planeta.

[00:30:53] Então, você não vai mais começar,

[00:30:54] se você continuar jogando inseticida,

[00:30:56] você não vai resolver o outro problema. A gente está hoje

[00:30:58] enfrentando vários desses problemas,

[00:31:00] de você ter que adaptar

[00:31:02] a culturas, como é o caso do café,

[00:31:04] por exemplo. A Arábica subiu o preço

[00:31:06] assustadoramente essa semana,

[00:31:08] nas bolsas, porque o Arábica não

[00:31:10] está dando conta, ele não foi feito

[00:31:12] pro tipo de clima

[00:31:13] quente que está acontecendo agora. Então, você tem

[00:31:16] que procurar um Arábica que mude.

[00:31:18] E onde você vai buscar isso? Vai buscar na inteligência

[00:31:20] de biotecnologias, vai buscar

[00:31:22] na inteligência… Então,

[00:31:24] tem um momento muito bom, mas

[00:31:26] exige uma consciência do mercado

[00:31:28] de que é preciso mudar as práticas, né?

[00:31:31] Sim. Tem um fator

[00:31:32] que eu acho que é muito determinante

[00:31:35] pra esse

[00:31:36] envolvimento, digamos assim, do mercado,

[00:31:38] que é a questão do olhar

[00:31:40] de curto prazo.

[00:31:42] Pra esse tipo de desenvolvimento,

[00:31:44] é preciso ter um olhar de longo prazo.

[00:31:46] Né? São desenvolvimentos

[00:31:48] que vão levar

[00:31:50] tempo pra acontecer,

[00:31:53] pra dar retorno financeiro,

[00:31:54] econômico, até social.

[00:31:57] Então, tem que ter uma aposta

[00:31:58] aí de longo prazo, com um pouco

[00:32:00] mais de incerteza e tudo mais.

[00:32:02] E a gente fala isso, se você conversa

[00:32:04] isso com um gestor público,

[00:32:07] ou com um gestor de negócio,

[00:32:09] um investidor, todo mundo entende,

[00:32:10] acredita, confia

[00:32:12] e concorda

[00:32:14] com a importância desse olhar,

[00:32:15] com a importância, né, desse tipo

[00:32:17] de tecnologia. Só que

[00:32:19] como as coisas são feitas,

[00:32:21] sabe? A vida como ela é

[00:32:23] faz com que os gestores

[00:32:25] acabem tendo que tomar decisões

[00:32:27] de curto prazo.

[00:32:30] Então, se você pensar

[00:32:31] em como é feita a dinâmica

[00:32:33] de governo, né,

[00:32:35] de quatro em quatro anos,

[00:32:37] se você pensar como é

[00:32:39] realizada a gestão dos negócios,

[00:32:42] né, das empresas,

[00:32:43] que tipo de cobrança

[00:32:45] que tem em cima dos gestores, né,

[00:32:47] expectativas sobre o resultado deles,

[00:32:49] se você pensar nos

[00:32:51] modelos de investimento como tem hoje,

[00:32:53] no próprio Venture Capital, qual é o modelo

[00:32:55] de retorno dele, você vai ver

[00:32:57] que os sistemas, o dia a dia

[00:32:59] todo mundo concorda com a visão, mas

[00:33:01] quando vai ali, vamos pro dia, vamos

[00:33:03] tomar decisões, as decisões elas

[00:33:05] levam pro curto prazo.

[00:33:07] Então, honestamente, eu acho que

[00:33:09] isso é um dos grandes, se não o maior problema

[00:33:11] que a gente tem pra conseguir

[00:33:12] criar soluções mais poderosas,

[00:33:15] mais estruturantes. Enquanto a gente

[00:33:17] tiver esses critérios e essas

[00:33:18] expectativas, e aí pode ver que eu dei

[00:33:21] exemplo de todos os lugares do

[00:33:22] ecossistema, né, como eu falo

[00:33:25] que todos os atores.

[00:33:27] Enquanto a gente tiver, fica difícil, né,

[00:33:29] a gente fazer

[00:33:30] movimentos que vão, de fato,

[00:33:33] dar um resultado que faz

[00:33:35] a diferença. Faz todo sentido.

[00:33:37] Agora, vocês têm

[00:33:39] no mapa de vocês pros próximos dez

[00:33:41] anos uma série de desafios,

[00:33:43] né, que é diminuir a simetria,

[00:33:45] as empresas regionais, e aí

[00:33:46] a gente tá falando também, vocês têm falado

[00:33:48] muito, vocês têm falado muito de

[00:33:50] ampliar a diversidade

[00:33:52] e a inclusão, né,

[00:33:54] e falar muito de ecossistemas do norte e do

[00:33:56] nordeste, criar

[00:33:58] um modelo replicável de

[00:34:00] viabilização do investimento e desenvolvimento,

[00:34:03] que tem tudo a ver com o que a gente falou

[00:34:04] aqui até agora, né,

[00:34:06] e vocês se transformarem

[00:34:09] numa fonte de capital intelectual

[00:34:10] pra ajudar esse desenvolvimento.

[00:34:13] Essa semana que a gente tá gravando

[00:34:15] esse episódio é a semana que

[00:34:17] teve o Dia Mundial

[00:34:18] das Mulheres e Meninas

[00:34:20] na Ciência, né,

[00:34:22] e é sempre a grande, é um

[00:34:24] movimento que iniciou com a

[00:34:27] ONU. A gente tem a

[00:34:29] questão da diversidade muito forte,

[00:34:31] né. Tem mulheres

[00:34:32] em Deep Tech, mas poderia ter muito

[00:34:35] mais? Sim,

[00:34:37] a gente tem falado disso há algum

[00:34:39] tempo, isso é um tema

[00:34:40] bastante caro pra mim e pra

[00:34:42] UILinca. Na UILinca a gente, inclusive,

[00:34:44] teve a maioria mulher,

[00:34:47] o time tem a maioria

[00:34:48] de mulheres. Tem mulheres,

[00:34:50] com certeza, tem mulheres incríveis

[00:34:52] na ciência

[00:34:54] e nas startups de deep tech,

[00:34:56] mas poderia ter mais, né.

[00:34:58] A gente tem mais mulheres que

[00:35:00] teriam condições de ocupar

[00:35:02] esses espaços e

[00:35:04] estar nessas discussões, estar

[00:35:06] nessas tomadas de decisão,

[00:35:09] nesses espaços

[00:35:11] que definem o futuro, né,

[00:35:12] da sociedade.

[00:35:13] Verdade. E aí a gente

[00:35:15] entra em questões, eu acho que são

[00:35:16] debatidas em todos os campos, são

[00:35:18] parecidas, não mudam, né,

[00:35:20] de todas as questões

[00:35:22] culturais e

[00:35:25] de novo a vida como

[00:35:27] ela é, né, pra as mulheres

[00:35:29] poderem ocupar esses espaços. Então

[00:35:31] a gente ainda tem muitos desafios

[00:35:32] e o que a gente faz lá na UILinca

[00:35:35] é buscar

[00:35:35] dentro da nossa atuação, considerar

[00:35:39] esses desafios e

[00:35:41] agir sobre eles.

[00:35:43] Legal. E como é que as pessoas

[00:35:45] conseguem chegar até vocês?

[00:35:47] Como é que é o processo? Vocês vão atrás delas,

[00:35:49] elas chegam até vocês, como é que isso tudo acontece?

[00:35:52] Tem vários caminhos

[00:35:53] e aí depende dos programas

[00:35:55] que a gente faz, mas

[00:35:57] assim, e também não são só os

[00:35:59] programas, né, a gente produz uma série

[00:36:01] de conteúdos e tudo mais, então

[00:36:03] a primeira forma

[00:36:05] por meio de assinar a nossa newsletter

[00:36:07] e acompanhar, e aí

[00:36:09] também as redes sociais, a gente tá sempre

[00:36:11] atualizando com o que tá acontecendo de mais,

[00:36:13] novo, de tudo que a gente

[00:36:15] percebe que precisa ser visto

[00:36:17] pelo ecossistema, das coisas que a gente

[00:36:19] descobre nesse caminho, então tá tudo lá.

[00:36:21] Oportunidades, então acho

[00:36:23] que é um, redes sociais, newsletter

[00:36:25] é um caminho geral pra ficar ligado

[00:36:27] aí no que tá acontecendo. E aí

[00:36:29] por meio dessas comunicações

[00:36:31] a gente traz oportunidades

[00:36:33] de programas que a gente

[00:36:35] realiza, seja pra cientistas,

[00:36:37] seja pra agentes públicos,

[00:36:39] seja pros agentes de inovação, a gente

[00:36:41] mantém sempre as oportunidades lá. Tem alguns

[00:36:43] programas que a gente busca também

[00:36:45] pesquisadores, mas é isso, assinando

[00:36:47] a newsletter e acompanhando

[00:36:48] as redes sociais, o Instagram,

[00:36:51] o LinkedIn, já

[00:36:52] vai dar pra acessar

[00:36:55] bastante oportunidade.

[00:36:56] Bem bacana, muito bom. Pra quem tem

[00:36:59] dúvida, olha, nesse período, nesses dez

[00:37:01] anos, a Wilinka foi

[00:37:03] responsável por capacitar mais de

[00:37:04] 7.600 pessoas, então a gente tá

[00:37:07] falando aí de um universo muito importante.

[00:37:09] Isso é mais do que um chamado à ação,

[00:37:11] né?

[00:37:13] É um movimento real.

[00:37:15] A gente não fechou os números, não fez ainda

[00:37:18] o relatório, né, de 2024,

[00:37:20] mas a gente já

[00:37:21] 10 mil pesquisadores.

[00:37:24] Olha só, tá vendo só?

[00:37:25] Bom número, bom número atualizado aqui.

[00:37:28] Muito bom, Ana.

[00:37:29] A gente gosta muito desse

[00:37:31] tema, a gente apoia muito, então

[00:37:33] tudo que você precisar da gente aqui,

[00:37:35] deixa a sua disposição também, viu,

[00:37:37] pra apoiar. Parabéns aí pelo trabalho.

[00:37:43] Então, vamos aproveitar pra fechar

[00:37:53] o episódio, trazer os insights aqui

[00:37:55] de todo mundo, as dicas legais. Você quer começar, Ana?

[00:37:58] Posso. Eu acho

[00:37:59] que tem tudo a ver com tecnologia.

[00:38:02] Eu tô lendo

[00:38:03] o livro novo do

[00:38:05] Yuval Harari, que é

[00:38:07] o Nexus, uma breve história das redes

[00:38:09] de informação da Idade da Pedra

[00:38:11] e Inteligência Artificial.

[00:38:13] E eu tô gostando muito. Um spoiler,

[00:38:15] né, ele explora bastante a questão

[00:38:17] da inteligência artificial,

[00:38:19] dos impactos que a inteligência

[00:38:21] artificial pode ter aí pra nossa

[00:38:23] vida nos próximos tempos.

[00:38:25] Eu acho que vale bastante a pena.

[00:38:27] Muito bom, boa dica.

[00:38:29] Falei dele ontem até com uma pessoa.

[00:38:31] Eu te separei um livro aqui

[00:38:33] que acabou de, quer dizer, já tinha

[00:38:35] saído no final do ano, mas agora acabou

[00:38:37] de sair em português e que tem, pra mim,

[00:38:39] tem tudo a ver com o que a gente tá discutindo aqui,

[00:38:42] que é o livro de

[00:38:43] a biografia do Bill Gates, pré

[00:38:45] ele ser o Bill Gates, né,

[00:38:47] que se chama Código Fonte, como tudo começou.

[00:38:50] Tem uma…

[00:38:51] Ele deu várias entrevistas pra lançar

[00:38:53] esse livro, inclusive pro Brasil,

[00:38:55] que o livro agora saiu em português,

[00:38:57] e essa semana perguntaram pra ele

[00:38:59] uma… a Katie Couric

[00:39:01] fez uma entrevista com ele, que ela perguntou pra ele

[00:39:03] você foi um dos empresários

[00:39:05] de tecnologia que doou lá

[00:39:07] um milhão de dólares pra festa de inauguração

[00:39:09] do Trump? E ele

[00:39:11] ficou meio avexadinho,

[00:39:13] mas depois ele respondeu, falou, não, não,

[00:39:15] não doei, eu prefiro usar meu dinheiro pra comprar

[00:39:17] rede contra mosquito de malária

[00:39:19] e outras coisas.

[00:39:21] Então, o Bill Gates sempre foi

[00:39:22] sempre foi um

[00:39:25] incentivador das deep techs,

[00:39:27] da ciência a favor da

[00:39:28] economia, da economia e da sociedade,

[00:39:31] né, de uma sociedade melhor.

[00:39:33] Quando ele lançou o desafio lá de como é

[00:39:35] que você consegue desenhar uma privada melhor,

[00:39:37] por exemplo, ele tava pensando em lugares onde

[00:39:39] você não tem esgoto, né,

[00:39:40] como é que você cria um sistema, né,

[00:39:42] de privada. Então, ele é um cara que,

[00:39:44] desse ponto de vista, vale a pena

[00:39:46] mencionar, ele é controverso, claro,

[00:39:48] tem questões controversas em torno dele,

[00:39:50] mas, acima de tudo,

[00:39:52] eu acho que ele é muito menos controverso

[00:39:54] que um Elon Musk, porque ele põe

[00:39:56] o dinheiro dele aonde a coisa vai mudar,

[00:39:58] né, e ele tem uma visão

[00:40:00] muito científica.

[00:40:02] Então, fica a dica aqui, vale a pena ler o livro,

[00:40:04] que eu peguei pra ler,

[00:40:06] vou começar a ler, mas os

[00:40:08] comentários são muito bons, que tem uns

[00:40:10] lados do Bill Gates bem,

[00:40:12] interessantes, né.

[00:40:14] Maravilha. Bom, eu vou dar um livro que eu ainda

[00:40:16] não li, eu ganhei

[00:40:18] recentemente de uma amiga que

[00:40:20] trabalha na Faperge,

[00:40:22] que é Ciência e Tecnologia

[00:40:24] Aplicada, do Davi

[00:40:26] Santana Sonzo. É interessante

[00:40:28] porque ele é um fisioterapeuta,

[00:40:30] cientista e professor, mas

[00:40:32] ele reuniu uma galera enorme

[00:40:34] pra

[00:40:35] mapear os estudos do primeiro

[00:40:38] Congresso Nacional de Ciência

[00:40:40] e Tecnologia Aplicada e do segundo,

[00:40:42] o segundo Simpósio

[00:40:43] de Ciência e Tecnologia Aplicada

[00:40:45] que ocorreram no Brasil,

[00:40:47] pra lançar esse livro que

[00:40:49] traz um monte de

[00:40:52] experiências e reflexões

[00:40:54] e soluções práticas sobre desafios

[00:40:56] contemporâneos gerados na

[00:40:58] universidade, que de fato

[00:41:00] estão virando soluções

[00:41:02] de mercado. Então, acho que

[00:41:04] assim, eu não li, vou falar

[00:41:06] isso de novo, mas pela

[00:41:07] folheada aqui, ó, tem coisas na área

[00:41:10] de educação, de saúde,

[00:41:12] enfim, tem muita aplicação

[00:41:13] prática de ciência pra gente

[00:41:16] se inspirar e quem

[00:41:17] sabe, quem tá lá

[00:41:20] com a mão na massa

[00:41:21] nas universidades, também

[00:41:24] despertar pra essa veia

[00:41:25] empreendedora e de

[00:41:27] aplicação prática

[00:41:29] da sua pesquisa, né?

[00:41:32] Acho que faz muita

[00:41:33] diferença. Bem legal.

[00:41:42] Bom, Ana, de novo,

[00:41:47] brigadíssima pelo teu tempo, pela

[00:41:49] informação que você passou pra gente, pelo teu

[00:41:51] trabalho, principalmente, a gente torce aqui

[00:41:54] pra que tenha mais 12 anos, mais

[00:41:55] 24 anos, que siga

[00:41:57] florescendo aí

[00:41:59] e conta com a gente aí, vamos esperar que

[00:42:02] você apareça mais vezes aqui pra contar

[00:42:03] histórias legais aqui. Agradeço demais

[00:42:06] o papo, gostei, é um prazer

[00:42:08] falar com vocês e também tô à disposição

[00:42:10] pra bate-papo,

[00:42:12] bacanas e

[00:42:13] agradáveis como esse.

[00:42:16] É isso aí. Bom, pra quem

[00:42:18] nos acompanhou, dicas, sugestões,

[00:42:20] críticas, elogios, mandem e-mail pra

[00:42:21] news.info

[00:42:24] Lembrando que a The Shift não é só

[00:42:26] um podcast que traz gente bacana como a

[00:42:28] Ana, mas também é todo um ecossistema que

[00:42:30] discute a inovação disruptiva o tempo todo,

[00:42:32] vão lá no site,

[00:42:33] www.theshift.info

[00:42:35] assinem a newsletter, apoiem a gente

[00:42:37] se quiserem.

[00:42:40] Todos os links que a gente mencionou

[00:42:42] aqui, inclusive os contatos da Ana e da

[00:42:44] Wilinka, dos estudos da Wilinka, vão estar

[00:42:46] colocados na página do podcast.

[00:42:48] A gente espera que vocês tenham uma ótima

[00:42:49] semana e a gente se vê na próxima.

[00:42:52] É isso aí, gente. E lembre-se que enquanto a gente

[00:42:54] tava conversando aqui, o mundo lá fora mudou

[00:42:56] pra caramba e que pra mudar, muita

[00:42:58] gente estimulou

[00:43:00] ações práticas na sua

[00:43:02] rede de influência. Então

[00:43:04] a gente deseja aqui

[00:43:05] pra vocês, como sempre, que vocês tomem

[00:43:08] boas decisões na semana que

[00:43:10] vai entrar e uma delas,

[00:43:12] é estimular essas

[00:43:14] ações que, de repente,

[00:43:16] podem mudar o mundo.

[00:43:17] Isso aí. Até a próxima, gente.